Análise de Redes Sociais de Conteúdos

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Comunicação apresentada no III Encontro de Analistas de Redes Sociais
16.Julho.2012 - ICS (UL)

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  • Esta investigação aborda uma problemática transversal, directamente relacionada com o novo cenário digital – que originou uma mudança de paradigma da comunicação orientado à sociabilização. Procurámos reflectir sobre e se a apropriação de técnicas de indexação e de ferramentas de interacção mediada por computador potenciam a emergência de uma sociabilidade desterritorializada, que encerra em si a capacidade de influenciar directamente o mundo offline.
  • Assumindo o pressuposto de que as aplicações informáticas que suportam as redes sociais na Internet são tecnologias que ultrapassam os padrões de plataforma de lazer e jogos electrónicos, o objectivo geral que delineou esta investigação foi compreender se da apropriação de ferramentas de interacção mediada por computador, através de técnicas de indexação semântica , emergem novas modalidades de sociabilidade e novas práticas e relações que representam um termómetro social desterritorializado . Do objectivo geral, decorrem três objectivos específicos.
  • É imperativo identificar e compreender os tipos de sociabilidade que emergem das novas práticas e relações que ocorrem no ciberespaço, para que seja possível teorizar sobre realidades sociais que são desenhadas em torno da apropriação do conteúdo e materializadas em plataformas que se podem assumir como um termómetro de uma sociedade sem determinismo geográfico.
  • Proposições provisórias que explicitam a intersecção dos conceitos da questão de partida e respondem directamente aos objectivos definidos.
  • No âmbito desta investigação considerámos relevante orientar a pesquisa para o contexto das Ciências Sociais, em particular no âmbito das Ciências da Comunicação. Quadro teórico transversal: foram estudados conceitos e enunciadas teorias e investigações empíricas que permitissem analisar os tópicos elencados na contextualização da problemática. Numa perspectiva multidisciplinar mas assente na premissa de que a Internet é um espaço social e de cultura participativa.
  • Na segunda parte da dissertação apresentamos o estudo de caso desenvolvivido, recuperando as hipóteses de trabalho, e enunciando os objectivos específicos da investigação empírica, a metodologia, os dados em análise e o seu contexto, os resultados obtidos e a respectiva discussão. Procurámos compreender o potencial das redes sociais na Internet para além das estruturas de ligações recíprocas, da mesma forma que reflectimos e equacionámos formas de capital social mobilizadas e modalidades de sociabilidade que decorrem da apropriação da técnica, materializada em códigos, práticas e relações sociais que reinventam as tradicionais.
  • Procuramos contribuir para o desenvolvimento de um quadro teórico sobre esta temática no contexto das Ciências da Comunicação, apresentando argumentos cientificamente fundamentados por um estudo empírico, articulando a sua análise no contexto global da investigação e com o objectivo específico de aferir se as ferramentas digitais originam novas práticas e relações sociais das quais emergem modalidades de sociabilidade próprias.
  • Entre as várias estruturas sociais assimétricas que se materializam no serviço de microblogging Twitter, estudámos aprofundadamente redes de hashtags, as suas propriedades e o seu contexto. Os diferentes estudos exploratórios realizados, no decorrer deste projecto, revelaram que o conteúdo é o elemento determinante para a formação de redes sociais assimétricas, transformando estas estruturas em mapas de mediações e interacções sociais através da apropriação da técnica. Evidências dos estudos exploratórios: Evidência 1: A utilização de social tagging promove uma interacção social única, que deriva do potencial colaborativo da Internet, e possibilita novas modalidades de sociabilidade que resultam das práticas e relações sociais observadas nos estudos exploratórios desenvolvidos. Evidência 2: Na fase exploratória aferimos que o Twitter promove um ambiente de rede que se baseia na inteligência colectiva e na acção directa. Propicia novas práticas sociais e diferentes padrões de intervenção, mobiliza vários tipos de capital social e materializa a ideia de jornalismo social como uma extensão de jornalismo do cidadão.
  • Com este estudo de caso pretendemos demonstrar que a apropriação das tecnologias sociais permite afirmar a Internet como termómetro da sociedade e que a participação em rede em torno de acontecimentos mundiais permite traçar redes sociais assimétricas, conectadas pelo conteúdo, com impacto online e offline. O nosso estudo de caso consiste em registar e analisar cenários de interacção em redes sociais através da apropriação das ferramentas de comunicação digital e da utilização de técnicas de indexação semântica. Objectivos específicos deste estudo de caso: Caracterizar a influência do mundo offline no contexto do conteúdo publicado na plataforma Twitter e a possibilidade do inverso ocorrer; Sintetizar características micro e macro dos dados em análise; Verificar se a participação em rede em torno de acontecimentos mundiais permite mapear redes sociais assimétricas e desterritorializadas, conectadas pelo conteúdo; Aferir se existem e quais são as novas modalidades de sociabilidade; Identificar e descrever perfis e propósitos dos utilizadores, capacidades de influência e alcance dos diferentes actores, papel de mobilização social e potencial de viralidade da plataforma, habilidade da ferramenta para disseminação de informação, hipótese de utilização como instrumento de acção colectiva, e a possibilidade do Twitter ser um suporte para diversos canais de comunicação.
  • O estudo de caso foi desenvolvido em três etapas distintas: Etapa 1 : Enquadramento e contextualização da temática > exposição da ferramenta, processo de narração colectiva de acontecimentos mundiais no Twitter e a apresentação do caso “Wikileaks” como cenário. Etapa 2: Caracterização dos dados > caracterização das propriedades dos dados para extrair dimensões e variáveis do objecto de estudo. “Instruir” o olhar para o objecto de estudo na análise de redes. Etapa 3: Análise de Redes Sociais > identificação e compreensão sistemática das conexões entre actores de estruturas sociais. Redes criadas a partir de conteúdo semanticamente indexado > hashtag networks > redes traçadas em função de conteúdo e conversação.
  • A opção do estudo de caso como abordagem metodológica deve-se à intenção de analisar aprofundadamente um fenómeno que permita generalizações sobre a estrutura em que se encontra. A abordagem do estudo de caso permite investigar um fenómeno contemporâneo no seu contexto real a partir de diferentes unidades de análise. A perspectiva adoptada é teórico-empírica e o foco metodológico resulta da articulação das teorias estruturalistas com elementos descritivos da ciência de redes, e análise documental quantitativa e qualitativa do cenário de comunicação de comunicação das redes, propriedades dos actores e os seus contextos. Os focos metodológicos tiveram como directrizes os estudos desenvolvidos na fase exploratória desta investigação.
  • A opção do estudo de caso como abordagem metodológica deve-se à intenção de analisar aprofundadamente um fenómeno que permita generalizações sobre a estrutura em que se encontra. A abordagem do estudo de caso permite investigar um fenómeno contemporâneo no seu contexto real a partir de diferentes unidades de análise. A perspectiva adoptada é teórico-empírica e o foco metodológico resulta da articulação das teorias estruturalistas com elementos descritivos da ciência de redes, e análise documental quantitativa e qualitativa do cenário de comunicação de comunicação das redes, propriedades dos actores e os seus contextos. Os focos metodológicos tiveram como directrizes os estudos desenvolvidos na fase exploratória desta investigação.
  • Redes de hashtags: realidade social própria > assimetria «Scale Free Networks» Estruturas sociais auto-organizadas e com efeito de «small world» Estruturas dispersas, com poucos graus de separação Potencial de viralidade Dinâmica de divisão em subpopulações com laços fortes Padrão de interacções de reduzida conectividade, reciprocidade e transitividade Prevalência de laços fracos Redes centradas no conteúdo e na apropriação deste Relações sociais fracas e maioritariamente assimétricas Actores centrais comuns a vários grupos Diversidade no acesso a informação não redundante Redes que obedecem a leis de potência Redes descentralizadas Distribuição de grau das redes: hierarquização dos utilizadores que são referenciados Modelo de «individualismo em rede»: redes pouco densas e muito fragmentadas Potencial crescimento das redes exclui determinismo geográfico e baseia-se no mecanismo de ligação preferencial e temáticas das redes Padrão de conectividade: o conteúdo como laço relacional Densidade social num continuum Intensa fragmentação e tendência para formação de pequenas comunidades
  • Redes de hashtags: realidade social própria > assimetria «Scale Free Networks» Estruturas sociais auto-organizadas e com efeito de «small world» Estruturas dispersas, com poucos graus de separação Potencial de viralidade Dinâmica de divisão em subpopulações com laços fortes Padrão de interacções de reduzida conectividade, reciprocidade e transitividade Prevalência de laços fracos Redes centradas no conteúdo e na apropriação deste Relações sociais fracas e maioritariamente assimétricas Actores centrais comuns a vários grupos Diversidade no acesso a informação não redundante Redes que obedecem a leis de potência Redes descentralizadas Distribuição de grau das redes: hierarquização dos utilizadores que são referenciados Modelo de «individualismo em rede»: redes pouco densas e muito fragmentadas Potencial crescimento das redes exclui determinismo geográfico e baseia-se no mecanismo de ligação preferencial e temáticas das redes Padrão de conectividade: o conteúdo como laço relacional Densidade social num continuum Intensa fragmentação e tendência para formação de pequenas comunidades
  • O Twitter transformou-se numa ferramenta de massas: cultura de mobilidade e desterritorialização da comunicação Estrutura de utilizadores de âmbito internacional com interesses predominantemente nas áreas da política, jornalismo e tecnologia Twitter como termómetro social desterritorializado e com agenda própria Twitter como ferramenta de glocalização Streamings de hashtags : espaço próprio para visualização de diferentes redes temáticas Mecanismos de difusão de informação: associados à apropriação do conteúdo, funcionalidades e técnicas de indexação Hashtags como canais para difusão de informação, partilha de interesses e conversação Capacidade de criação de (micro) memes com grande impacto Capacidade de glocalização sem precedentes Hashtags como uma forma de folksonomy única que altera a estrutura da comunicação digital: a criação de streamings de informações e associação de utilizadores por conteúdo é uma novidade Potencial de disseminação viral, produção distribuída e consumo colectivo de streamings de informações O consumo de informação enquadra os utilizadores nas redes Os media profissionais fazem parte da potencial audiência dos streamings de hashtags
  • Mecanismos de difusão de informação: associados à apropriação do conteúdo, funcionalidades e técnicas de indexação Hashtags como canais para difusão de informação, partilha de interesses e conversação Capacidade de criação de (micro) memes com grande impacto Capacidade de glocalização sem precedentes Hashtags como uma forma de folksonomy única que altera a estrutura da comunicação digital: a criação de streamings de informações e associação de utilizadores por conteúdo é uma novidade Novas modalidades de sociabilidade sem território Lógica de comunicação quase em tempo real
  • As conclusões gerais que apresentámos levantam diferentes hipóteses sobre o futuro da comunicação digital. Esta dissertação levanta um conjunto de perplexidades no que concerne às práticas e relações sociais na Internet, demonstrando que a formação de grupos sociais se suporta essencialmente no conteúdo. A apropriação da técnica afirma-se como um enorme potencial no que diz respeito à criação de diferentes canais de comunicação temáticos num único interface, possibilitando que o conteúdo seja distribuído em redes, produzidas por profissionais e amadores, e que se transforme no elemento central da sociabilidade online. A tese demonstra igualmente profundas alterações no consumo da informação o que, consequentemente, leva a mudanças implícitas na produção e a uma reformulação da cultura digital. A apropriação da técnica altera toda a tradicional estrutura de mediação da informação pelas plataformas e transforma o utilizador comum num potencial gatekeeper. No entanto, o fim dos media profissionais não se materializa. Pelo contrário. São os media profissionais que guiam esta enorme audiência de prosumers, onde convivem utilizadores comuns e profissionais. Com esta dissertação ficou provado que o conteúdo é o laço relacional dos utilizadores da rede. Julgamos que esta evidência assume um importante contributo no campo das Ciências da Comunicação, ultrapassando as contra-tendências do determinismo tecnológico e do meio como a mensagem, e colocando novamente em debate a ideia do conteúdo como essência da Comunicação. No entanto, esta tese prova que o conteúdo não se situa meramente no contexto da Comunicação entre utilizadores, transformando-se num instrumento de formação de grupos sociais e no elemento central da sociabilidade na Internet. Provámos assim que as redes sociais na Internet se apropriam do conteúdo e da técnica para construir grupos sociais, potenciando a emergência de diferentes modalidades de sociabilidade que assentam na apropriação da técnica e no consumo de conteúdos. A investigação que desenvolvemos permite ainda abrir outras possibilidades de pesquisa que procurem estabelecer padrões dominantes de conectividade e estruturação de redes em diferentes contextos. Consideramos que existe a necessidade de cruzar metodologias para comparar modelos de comunicação e interacção social dentro das estruturas de indexação semântica e nas ego-redes.

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  • 1. Análise de Redes Sociais de ConteúdosInês Amaral - CECS (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho) / Instituto Superior Miguel Torga III Encontro de Analistas de Redes Sociais – Julho.2012 – ICS-UL
  • 2. Contexto e Pressupostos
  • 3. Investigação Macro: Ponto de Partida
  • 4. Investigação Macro: Objectivo
  • 5. Investigação Macro: Objectivos Específicos (i) Estudar a interacção enquanto processo de comunicação, à luz do fenómeno da Web 2.0 e das noções que o preenchem: media sociais, redes sociais, consumidores 2.0 e prosumers; (ii) Reflectir sobre as redes sociais na Internet e o seu contexto – a mudança de paradigma comunicacional; a reinvenção do conceito de comunidade; a desterritorialização da sociedade; a ideia de cultura participativa e a redefinição de espaço público; o aparecimento do netcitizen e as questões de identidade no âmbito do online; (iii) Analisar redes sociais assimétricas que se desenvolvem em torno de conteúdo com base na premissa da «análise do social pelo social» (Durkheim, 1964), para averiguar se o novo modelo de comunicação que caracteriza a Internet se materializa num paradigma social.
  • 6. Investigação Macro: Hipóteses de Trabalho (i) No ciberespaço existe uma sociabilidade própria, com relações e práticas sociais distintas das tradicionais, e que tem por base a exclusão do determinismo territorial. (ii) Os media sociais constituem um termómetro social desterritorializado, criado pela participação em rede. (iii) As redes sociais assimétricas constroem uma realidade social própria através da indexação do conteúdo.
  • 7. Da Comunicação na Rede: EnquadramentoTeórico  Para um contexto de mudança de paradigma comunicativo  Desterritorialização da sociedade  Sociedade 2.0  Redes Sociais  Plataformas e redes sociais na Internet  Conteúdo como laço relacional
  • 8. Argumento: Das Redes na Rede O conteúdo é o elemento determinante para a formação de redes sociais assimétricas e sustenta a ideia de cultura de participação maximizada, permitindo interpretar a informação publicada pelo utilizador numa lógica viral e identificar a emergência de modalidades de sociabilidade decorrentes de novas práticas que se concretizam em relações sociais distintas das tradicionais.
  • 9. Das Redes na Rede: Cenário Modelo de «Individualismo em Rede»
  • 10. Da Rede nas Redes: Contexto A apropriação da rede pelas redes  A análise de redes sociais assimétricas estruturadas pela semântica é uma área ainda embrionária.  O conteúdo como laço mobilizador de capital social relacional não é uma perspectiva muito explorada nos estudos de ARS e nas investigações em Ciências da Comunicação. Objectivo: contribuir para o desenvolvimento de um quadro teórico sobre esta temática no contexto das Ciências da Comunicação.
  • 11. Das Redes na Rede: Estudos Exploratórios
  • 12. Das Redes na Rede: Estudo de Caso A apropriação da rede pelas redes: estudo de caso #cablegate Objectivo central: Analisar redes sociais assimétricas conectadas por conteúdo e as relações entre os actores que as compõem, com vista a compreender padrões de interacção e regularidades sociais que permitam aferir se, com a utilização de técnicas de indexação semântica em ferramentas de interacção mediada por computador, emergem novas modalidades de sociabilidade.
  • 13. Das Redes na Rede: Estudo de Caso -Etapas
  • 14. Das Redes na Rede: Investigação Micro-Metodologia Abordagem: Estudo de Caso  Etapa 1: Técnicas de observação directa com recolha sistematizada de dados e análise documental  Etapa 2: Análise documental, combinação de índole extensiva/quantitativa e intensiva/qualitativa, e Análise de Conteúdo  Etapa 3: Análise de Redes Sociais
  • 15. Das Redes na Rede: Investigação Micro-Design do Estudo  Pressuposto: as hashtag networks no Twitter podem representar estruturas que permitem analizar as interacções como redes de utilizadores através da apropriação do conteúdo e das conversações.  Metodologia: Análise Estrutural de Redes Sociais combinada com a Nova Ciência de Redes.  Redes: desenhadas a partir das diferentes apropriações das convenções do Twitter. Análise evolutiva das redes  Dados: Corpus de 27452 tweets indexados com a hashtag #cablegate. – Recolha de 2 dias consecutivos Rede #cablegate Redes de @ Rede de RT #cablegate #cablegate Total de Tweets 27452 3085 13179 Número de users 16304 15466 15388 Interacções 18350 3107 15493
  • 16. Das Redes na Rede: Resultados #cablegate I Rede Geral #cablegate
  • 17. Das Redes na Rede: Resultados #cablegate II  14269 utilizadores activos (que participaram activamente na rede, publicando conteúdo indexado).  Núcleo de pequenos grupos altamente clusterizados (agrupados) no centro do grafo e nós com menor conectividade nas extremidades.  Práticas mais comuns são a reprodução para a sua audiência de mensagens recebidas através de reply ou respostas a outro utilizador a partir de reprodução da mensagem recebida com a adição de conteúdo próprio.  Padrões de interacção que decorrem de uma modalidade de sociabilidade organizada (Gurvitch, 1986) adaptada às novas condições espácio-temporais.  Níveis de reciprocidade revelam fraca adjacência (proximidade) entre os nós.  O nível de mutualidade dos arcos é fraco (0.02), revelando uma conectividade fraca e assimétrica, e uma estrutura social baseada no conteúdo e não nas relações.
  • 18. Das Redes na Rede: Resultados #cablegate III  Nível de prevalência de reciprocidade dos pares revela propriedades de coesão reduzidas e uma dinâmica de referenciação para contextualizar, credibilizar ou complementar conteúdo, com menções mais comuns a actores não activos.  Evidente a centralidade de alguns actores que recebem muitas referências mas que, em simultâneo, sustentam uma modalidade de sociabilidade organizada e níveis de influência consideráveis.  Multiplicidade de laços fracos, revelando que a interacção decorre do relacionamento dos utilizadores com o conteúdo e da apropriação de funcionalidades de comunicação.  Na rede geral #cablegate detectámos 66688 tríades e um grau de transitividade de 0.07. > A passagem de informação de um nó por meio de outro só acontece numa pequena percentagem da rede. > O potencial de cooperação da rede revela-se muito fraco.  A reciprocidade e a transitividade da rede revelam fraca adjacência entre os nós e diversidade nas apropriações da utilização das ferramentas de comunicação.
  • 19. Das Redes na Rede: Resultados #cablegate IV  Indicadores de potencial de relacionamento revelam fraca densidade e uma grande dispersão da rede. Das 2.66E+08 relações possíveis, só se efectivaram 18350. A rede é pouco compacta e coesa, revelando uma fragmentação intensa.  Grau médio de centralidade da rede é baixo, o que corresponde a uma dispersão do poder social dos actores. Esta propriedade é consequência dos padrões de relações entre os nós. Atendendo à massiva participação nesta rede de conteúdos, o padrão de relações não segue uma estrutura de conversação e que a actividade relacional entre os utilizadores é centrada na apropriação das mensagens e das técnicas.  O grau de correlação é relativamente significativo e explica que os actores que recebem mais ligações são também, tendencialmente, os que fazem mais ligações > Sobreposição nas interacções.  O diâmetro da rede em análise é 24, o que significa que a dimensão do sistema social é significativa.
  • 20. Das Redes na Rede: Resultados #cablegate V  Apesar da fraca coesão e do diâmetro considerável, verifica-se que a distância geodésica média é de 8 graus de separação. Esta macro característica da rede permite compreender que a informação não demora muito tempo a atravessar toda a população.  O grafo direccionado é profundamente fraccionado. Este argumento é reforçado com a informação de que o maior componente fortemente conectado tem apenas 74 nós, o que revela a multiplicidade destes subgrafos onde os actores estão fragmentados.  Estrutura topológica da rede: a distribuição é semelhante a «scale free»: alguns nós estão altamente conectados mas a conectividade da rede é fraca. - os actores centrais são os mais activos e têm mais ligações ou vínculos com outros.
  • 21. Das Redes na Rede: Análise de RedesSociais – Conclusões Parciais I Análise da Rede Geral #cablegate «Scale Free Networks»: estruturas sociais auto- organizadas e com efeito de «small world». Redes centradas no conteúdo e na sua apropriação: relações sociais fracas > redes de hashtags: realidade social própria > assimetria Redes que obedecem a leis de potência: mecanismo de ligação preferencial.
  • 22. Das Redes na Rede: Análise de RedesSociais – Conclusões Parciais II Análise da Rede Geral #cablegate Redes descentralizadas, pouco densas e muito fragmentadas: «individualismo em rede» (Castells, 2003). Padrão de interacção de reduzida conectividade, reciprocidade e transitividade. Padrões de conectividade: permanente mutação, velocidade de transmissão da informação, potencial de viralidade e capacidade para acção colectiva > o conteúdo como laço relacional.
  • 23. Conclusões Gerais da Investigação I  O Twitter como uma ferramenta de massas, glocalização, termómetro social desterritorializado que permite a expansão de laços fracos e mobiliza a acção colectiva.  A participação implica o conhecimento de códigos e a apropriação de técnicas.  As redes de conteúdo como canais de comunicação e indicador de contextos, opiniões e valor informativo.  A participação nas estruturas de hashtags cria streams sociais temáticos que alteram a própria noção de rede.  Indexação de conteúdos potencia disseminação viral, produção distribuída e consumo colectivo de streamings variados.  O potencial colaborativo dos media sociais estabelece espaços declarados para uma participação pública na Internet.
  • 24. Conclusões Gerais da Investigação II  A Web social exerce pressão sobre as esferas de poder mas procura a credibilização dos media profissionais.  A mobilização social não passa por uma generalização mas antes pela lógica viral associada à ideia de comunidade: a convocação de múltiplas audiências desterritorializadas.  Não existe um novo tipo de cidadania mas uma maximização das possibilidades à escala global.  A indexação semântica de conteúdo, baseada numa hierarquização dos actores, promove uma interacção social única que não tem paralelo e pode ter repercussões no mundo offline.  Cultura individual de participação em rede: sentimento de pertença, identidade e grupo através da apropriação de códigos e técnicas de indexação > padrão de «individualismo em rede».  As diferentes apropriações da técnica originam redes sociais de conteúdos com especificidades próprias: padrões de conectividade assimétricos que alteram a cultura digital, ao nível da produção e recepção.
  • 25. Reflexões Finais
  • 26. Inês Amaral ciberesfera.cominesamaral@ismt.pt