Raquel Recuero - As redes que importam

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  • 1. 81 Em busca das “redes que importam”:* redes sociais e capital social no Twitter Raquel Recuero Doutora em Comunicação e Informação (UFRGS) Professora de Pós-graduação em Letras da UCPel E-mail: raquel@pontomidia.com.br Gabriela Zago Mestranda em Comunicação e Informação (UFRGS) E-mail: gabrielaz@gmail.comResumo: Este trabalho explora os tipos de capital social apro-priados pelos usuários brasileiros no Twitter e sua influêncianas redes sociais percebidas no sistema, a partir de três con-juntos de dados – a análise de 622 mensagens, de um ques- 1. Introduçãotionário com 903 respostas e o mapeamento de uma redeegocentrada. Os resultados apontam para dois usos predo- O estudo da metáfora das redes aplicadaminantes (informação e conversação) com formas de capital aos grupos sociais na internet vem ganhandosocial diretamente relacionados aos objetivos de quatro sub-tipos de redes sociais. expressividade entre os estudos da cibercul-Palavras-chave: redes sociais, Twitter, conversação, informa- tura no Brasil. Cada vez mais, trabalhos vêmção, capital social. focando as questões da estrutura (Recuero,En búsqueda de las “redes de relieve”: redes sociales y ca- 2008a) e dos grupos sociais (Costa, 2005), dapital social en el Twitter apropriação (Montardo & Passerino, 2008;Resumen: Este artículo desarrolla los tipos de capital socialapropiados por los usuarios brasileros en el Twitter y su in- Recuero, 2008b) e das formas de difusão defluencia en las redes sociales percibidas por el sistema, a partir informações (Zago & Batista, 2008) nessasde tres conjuntos de datos: el análisis de 622 mensajes, de una redes. No entanto, muito ainda permaneceencuesta con 903 respuestas y la cartografía de una red ego-centrada. Los resultados apuntan para dos usos predominantes para ser discutido, como, por exemplo, os(información y conversación) como formas de capital social efeitos da apropriação na estrutura das redesdirectamente relacionados a los objetivos de cuatro subtiposde redes sociales. sociais na internet. E é justamente esse o ob-Palabras clave: redes sociales, Twitter, conversación, informa- jetivo deste trabalho. Por meio de um estudoción, capital social. de caso do uso do Twitter por brasileiros, dis-In search of “networks that matter”: social networks and cute-se aqui como diferentes tipos de redessocial capital in the Twitter sociais podem surgir a partir da percepçãoAbstract: This paper explores the types of social capital that are dos valores apropriados pelos atores. Paraappropriate by Brazilian users of the Twitter and its influencein the social networks perceived in the system, from three sets examinar essa questão, este trabalho baseia-of data – the analysis of 622 messages, a questionnaire with se em uma observação participante do siste-903 answers and the mapping of an ego centered network.The results point to two predominant uses (information andconversation) as forms of social capital directly related to the * Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicaçãoobjectives of the four sub types of social networks. e Cibercultura” do XVIII Encontro da Compós, na PUC-MG,Key words: Twitter, conversation, information, social capital. Belo Horizonte, MG, em junho de 2009.Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 2. 82 Figura 1 – Exemplo de perfil no Twitter ma e, posteriormente, em três conjuntos de Apesar de ser uma ferramenta relativa- dados: 903 respostas a um questionário, 622 mente nova, o Twitter já foi objeto de vários tweets e a análise de uma rede egocentrada. estudos. Muitos apontam, por exemplo, que a maior parte das atualizações não responde 2. Redes sociais e o Twitter efetivamente à pergunta-título da ferramenta (Mischaud, 2007; Honeycutt & Herring, 2009), O Twitter é uma ferramenta de micromen- mas está focada em apropriações relacionadas sagens1 lançada em outubro de 2006, obtendo ao acesso à informação e ao estabelecimento de um rápido crescimento no mundo2 e no Bra- conversações entre os atores (Java et al., 2007). sil.3 Nela, originalmente, os usuários são con- O uso do Twitter para conversação dá-se, vidados a responder à pergunta “o que você principalmente, por meio do direcionamento está fazendo?” em até 140 caracteres. Ali, é de mensagens pelo uso do sinal “@” diante do possível construir uma página, escolher quais nickname do destinatário, o que faz com que atores “seguir” e ser “seguido” por outros. Es- tais mensagens apareçam em uma aba deno- sas conexões são expressas por meio de links minada “@Replies” na página do ator (Honey- nas páginas dos usuários. Cada ator tem suas cutt & Herring, 2009). Do mesmo modo, o uso mensagens publicadas (também chamadas do Twitter para acesso à informação é corren- “tweets”) para os seguidores, que acompa- te tanto pelos usuários (Java et al., 2007), que nham em uma janela própria (Figura 1). parecem investir tempo na busca e divulgação de informações para seus contatos, quanto por 1 Embora a ferramenta seja comumente referida como “micro- veículos de mídia (Zago, 2008; Silva, 2009). blog”, optou-se por se referir a ela como um “micromensagei- O Twitter também pode ser percebido ro” por se considerar que as apropriações conferidas ao Twitter como um site de rede social, definido como fizeram com que ele se afastasse da idéia de um blog. 2 De acordo com o Hubspot, a ferramenta alcançou 5 milhões um espaço da web que permite aos seus usu- de usuários ao final do ano de 2008. Disponível em: http:// ários construir perfis públicos, articular suas blog.hubspot.com/blog/tabid/6307/bid/4439/State-of-the- Twittersphere-Q4-2008-Report.aspx. Acesso em: 20/5/2009. redes de contatos e tornar visíveis essas co- 3 Em novembro de 2008, o Ibope/NetRatings reportou cerca de 1 nexões (Boyd & Ellison, 2007; Ellison, Stein- milhão de usuários no Twitter, embora apenas 140 mil usassem a field & Lampe, 2007). Além disso, o Twitter ferramenta de modo recorrente. Disponível em: http://idgnow.uol. com.br/internet/2008/12/05/especial-2008-twitter-ganha-relevan- permite aos usuários criar um perfil público, cia-mas-se-mantem-um-site-de-nicho/. Acesso em: 20/5/2009. interagir com outras pessoas por meio das Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 3. 83mensagens publicadas e mostrar sua rede de Com base nisso, vão dizer que, no Twitter, hácontatos. E, por isso, também oferece manei- duas redes: uma composta pelas relações deras de gerar e manter valores sociais entre es- contatos estabelecidas na rede (quem seguesas conexões. Como as conexões no sistema quem) e outra rede mais escondida, compos-são expressas por meio de links, ficam perma- ta pelas relações entre quem efetivamente in-nentemente visíveis aos usuários, até mesmo terage com quem. Huberman, Romero e Wuentre àqueles que possuem contas privadas.4 (2009) afirmam que “a rede social que impor-O perfil dos usuários também permite per- ta” é a escondida, formada pelas pessoas quesonalizações diversas, como mudar a imagem efetivamente interagem umas com as outrasde fundo, as cores, e preencher dados, tor- – rede na qual se esconde a rede social propria-nando o espaço de representação do “eu” se- mente dita. Em sentido semelhante, Recueromelhante a páginas pessoais. Finalmente, os (2007), a partir de um estudo sobre o Fotolog.usuários podem ainda trocar mensagens en- com, aponta para a existência de redes sociaistre si por duas vias: por mensagem direta (no emergentes e redes sociais de filiação (ou asso-caso, apenas quem envia e recebe tem acesso ciação). As primeiras seriam emergentes pelasà mensagem) ou por replies, em recados pú-blicos direcionados a partir do símbolo “@”. Como site de rede social, o Twitter pro-porciona que essas redes sejam expressas As teorias a respeito dopor meio dele. Entretanto, há diferenças en- capital social diferen-tre ele e os sites de redes sociais mais tradi- ciam-se não no modocionalmente referidos pela literatura.5 Via de por meio do qual ele éregra, nos sites de redes sociais, as conexões construído, mas sobre-são recíprocas, públicas e os links não são di-ferenciados entre si (Donath & Boyd, 2004). tudo em quem pode terAo adicionar alguém, é preciso que esse ator acesso a seus benefíciosadicionado concorde com a conexão (daí areferência à interação social). No Twitter, es-sas conexões vão ainda mais longe: além deformar as redes pela conversação, é possível relações dinâmicas presentes nas conversaçõesformar uma rede de contatos na qual jamais dos atores sociais, que constantemente as re-houve qualquer tipo de interação recíproca. E constroem e modificam. Já as redes de filiaçãoessa conexão, embora não recíproca, pode dar seriam decorrentes das conexões automáticasao ator acesso a determinados valores sociais proporcionadas pelos sites de redes sociais, masque não estariam acessíveis de outra forma, igualmente construídas por meio de interaçõestais como determinados tipos de informa- possíveis em um contexto do ciberespaço. Masções. Considera-se essa conexão como social que redes se podem perceber no Twitter? Comoporque o ator adicionado é informado desse o capital social influencia sua criação?acréscimo, podendo impedi-lo, se desejar. Huberman, Romero & Wu (2009) mostra- 3. Capital social e redes sociais naram outras conseqüências dessas conexões não internetrecíprocas. Os autores apontam que, no Twit-ter, os usuários costumam ter muitos contatos, Em linhas gerais, o capital social se referemas interagem efetivamente com poucos deles. ao conjunto de recursos coletivos associados a uma rede de atores sociais. “A função iden- tificada pelo conceito de ‘capital social’ é o va-4 Contas nas quais é preciso ser aprovado para ser seguidor deum ator e receber seus tweets. lor desses aspectos da estrutura social para os5 MySpace, Facebook ou Orkut, por exemplo. atores como recursos que eles podem usar paraLíbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 4. 84 atingir seus interesses” (Coleman, 1988:101).6 Quando se focam as redes sociais na inter- Embora existam várias, as teorias a respeito do net, é preciso discutir quais efeitos a mediação capital social diferenciam-se não no modo por está gerando no capital social. Donath & Boyd meio do qual ele é construído, mas sobretudo (2004) argumentam que as redes sociais on- em quem pode ter acesso a seus benefícios. line estão aumentando o acesso aos recursos, A maioria dos autores relaciona a criação e a gerando novas formas de agregá-los. Essas redes, assim, proporcionam aos atores acesso a tipos diferentes de capital social – que não estariam acessíveis de outras formas. Evidên- Discute-se o capital cias nesse sentido têm aparecido em vários social por meio trabalhos. Ellison, Steinfield & Lampe (2007) dos valores associa- discutem como o uso do Facebook por jovens dos à rede social americanos é capaz de criar um tipo de capi- e apropriados tal social (denominado pelos autores “capital pelos atores indivi- de manutenção”)7 por meio dos laços fortes e fracos (Granovetter, 1973),8 relacionado-o dualmente à habilidade de manter a rede social. Donath & Boyd (2004), outro exemplo, argumentam que a tecnologia por trás dos sites de redes manutenção do capital social aos investimen- sociais proporcionaria também a facilidade tos realizados pelos atores na estrutura social de manutenção das conexões, aumentando o por meio da interação (Putnam, 2000; Lin, acesso ao capital social. É justamente na busca 2001). Os benefícios, no entanto, são consti- de outras evidências desses tipos de capital so- tuídos para os grupos, em uma perspectiva cial e sua conseqüente influência nas redes so- macro (Putnam, 2000), ou apropriados pelos ciais on-line que este trabalho é construído. O atores, em uma perspectiva micro (Lin, 2001). modo como o capital social vai ser apropriado Este trabalho é baseado principalmente nessa pelos atores no Twitter pode, assim, influen- segunda perspectiva, na qual os atores podem ciar os tipos de redes sociais que surgem ali. evocar valores criados nas suas redes sociais. No entanto, não é claro na literatura como 4. Procedimentos metodológicos o capital social pode ser percebido. Por isso, alguns autores escolhem estudá-lo por meio Para explorar como a apropriação do Twit- de seus efeitos na redes sociais. Coleman ter constrói capital social para os atores e como (1990), por exemplo, discute a natureza do esse capital influencia a estrutura das redes so- capital social por meio de sua expressão em ciais, realizaram-se quatro etapas de pesquisa. valores como confiança, normas, informação, Em um primeiro momento, procedeu-se a um autoridade, sanções etc. Para cada situação, estudo exploratório (de julho a dezembro de formas diferentes de capital social são mobi- 2008) no qual se buscou perceber, mediante lizadas. Essa observação é capaz de verificar observação participante de caráter etnográ- como valor a forma que o ator, individual- fico, a apropriação do Twitter. Durante essa mente, é capaz de beneficiar-se da rede social. Aqui, portanto, discute-se o capital social por 7 Tradução livre para “maintained social capital”. De acordo com o meio dos valores associados à rede social e trabalho, seria uma terceira forma complementar aos tipos “bon- ding” and “bridging” de capital social propostos por Putnam (2000). apropriados pelos atores individualmente. 8 Granovetter (1973) argumenta que os laços fracos são os que compreendem aqueles indivíduos apenas “conhecidos” do ator, que carecem de intimidade e investimento, e estão mais dis- 6 Tradução livre: “The function identified by the concept of ‘so- tantes no grupo social. Os laços fortes, ao contrário, apontam cial capital’ is the value of these aspects of social structure to para os “amigos”, ou seja, indivíduos com quem o ator convive, actors as resources that they can use to achieve their interests”. divide intimidade e constrói grupos sociais mais coesos. Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 5. 85etapa, entrou-se diariamente no sistema para maticamente publicados por uma ferramenta.observar a public timeline,9 interagir e tentar Os “conversacionais” também foram classifica-entender seu funcionamento a partir do ponto dos em subcategorias (diretos e indiretos), sen-de vista dos outros usuários. Essa primeira eta- do os primeiros aqueles direcionados a alguémpa foi importante para melhor compreender o (contendo ou não a “@”) e indiretos aquelesfuncionamento do Twitter antes de proceder à direcionados a toda a rede (como uma pergun-coleta de dados propriamente dita. ta, por exemplo). Os resultados obtidos nessa Em um segundo momento, aplicou-se um etapa encontram-se sintetizados na Tabela 1 equestionário a usuários brasileiros da ferra- serão posteriormente citados na análise.menta. Esse instrumento foi disponibilizado Tabela 1 – Classificação dos Tweetsna rede e divulgado por meio de blogs e do observados10próprio Twitter por um período de 10 dias(entre 2 e 12 de janeiro de 2009), contendo Tipos de Tweets Número %35 questões – 13 de escolha simples e 12 de Total 387 62,2%múltipla escolha. As questões versavam so- 38,5% 149 38,5%bre a utilização e apropriação da ferramentapor brasileiros. Ao todo, foram obtidas 903 Notícias 181 46,7% Informacionalrespostas. Com o questionário, procurou-se Opinativos 98 25,3%identificar quais valores os usuários brasilei- Links 113 29,3%ros buscam predominantemente no Twitter. Automáticos 46 11,8% Após, procedeu-se a uma análise de conte- Total 295 47,4%údo de 622 tweets coletados de forma aleatória,publicados por usuários brasileiros. O objetivo Conversacional Diretos 222 75,2%dessa etapa era observar a utilização da ferra- Indiretos 73 24,8%menta. Os tweets foram selecionados manual- Ambos 60 9,6%mente a partir da public timeline do Twitter emum período de três dias (de 12 a 15 de janeiro Por fim, a última etapa envolve o estudo dede 2009). Dois critérios foram utilizados para o uma rede de usuários da ferramenta, para verifi-recorte: a) a mensagem ter sido escrita em por- car como os aspectos observados no âmbito ge-tuguês e b) ter sido publicada por um usuário ral se refletem em uma parcela do sistema. Parabrasileiro. Os tweets coletados foram classifica- esse estudo, escolheu-se uma rede egocentra-dos, por meio de análise de conteúdo, nas cate- da,11 que foi mapeada a partir de suas conversa-gorias “informação” e “conversação”. Dentro da ções12 (desde meados 2007 até 23 de novembrocategoria “informação”, os tweets foram ainda de 2008) e de suas conexões (rede de seguidoresclassificados em subcategorias: pessoais, aque- e seguidos, que foi coletada no dia 23 de novem-les que eram referentes ao ator, tais como sen- bro de 2008). O objetivo aqui foi observar as vá-timentos, comentários do seu dia-a-dia e, em rias estruturas das redes sociais conectadas a umgeral, a resposta à pergunta do Twitter: “O que ator no Twitter e a influência do capital socialvocê está fazendo?”; notícias, aqueles que conti- nelas, de forma a exemplificar as relações entrenham uma informação de caráter novo; opina- capital social e tipos de redes sociais.tivos, aqueles que continham um julgamento devalor a respeito de produto ou serviço; aqueles 10 Como os tweets podem ser compostos por mais de uma frase,que continham links e aqueles que eram auto- muitas vezes foi preciso classificar um mesmo tweet em mais de uma categoria. Percentuais das subcategorias em relação ao numero total de cada categoria.9 A public timeline é um espaço em que se podem observar, em 11 Mapeada a partir de um usuário escolhido pelas pesquisado-tempo real, os tweets publicados naquele momento. Embora, ras e mantido anônimo.por certo, muito mais tweets são publicados do que aqueles ali 12 Para esse mapeamento, foi utilizada uma ferramenta deno-mostrados, optou-se por utilizar esse método para conferir ale- minada “Twitter Charts” - http://www.xefer.com/twitter/, comatoriedade aos dados coletados, dentro daqueles ativos na rede. acesso ao banco de dados do Twitter.Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 6. 86 já repassaram informações eles mesmos. Essa 5. Análise prática sugere que o Twitter é um espaço no qual se busca e se repassa informação. 5.1 Apropriação e capital social no Twitter Publicar informações de qualidade e em pri- A partir de outros estudos já existentes meira mão já foi relacionado por vários auto- sobre o Twitter (Java et al., 2007; Mischaud, res com valores como reputação na rede social 2007; Honeycutt & Herring, 2009), bem como (Marlow, 2006; Recuero, 2008c). Enquanto a da observação, foram identificadas duas apro- reputação é um valor relacionado às impressões priações predominantes para a ferramenta: construídas pelos demais atores, essas impres- informação e conversação. Essas apropriações sões estão diretamente relacionadas à expressão foram, então, relacionadas com as formas de pessoal. Essa percepção e engajamento dos twit- capital social percebidas nos dados. ters na busca por informações relevantes apare- Um dos primeiros valores que se observou ceu também no questionário. Em uma pergunta no Twitter é o acesso à informação. Esse aces- de múltipla escolha, quando solicitados a expli- so depende das conexões que são construídas citar como utilizavam suas contas no Twitter, no sistema. Quanto mais conexões com ato- 73% dos respondentes apontaram “publicar in- res socialmente distantes que freqüentam ou- formações que penso que serão úteis para meus tros espaços (Donath & Boyd, 2004), maiores seguidores”, enquanto 65,2% também aponta- as chances de acesso a novas informações. No ram que “publicar links interessantes” era um Twitter, esse potencial parece elevado, uma vez uso freqüente. A preocupação com a relevância que novas conexões representam um baixo cus- das informações publicadas está diretamente to para o ator social e parece haver um investi- relacionada à busca por reputação, que tam- mento ativo dos atores em produzir novas e es- bém pode ser construída por meio da difusão pecializadas informações. Os dados obtidos em de informações. Nesse sentido, outro elemento campo, por exemplo, mostram que a expressiva importante observado foi o fato de que a maio- maioria dos tweets coletados continha algum ria (69,6%) dos usuários afirma que freqüen- tipo de conteúdo informativo relacionado a temente observa links e informações sendo um fato ou evento (62,2%, Tabela 1). A maioria repetidas por outros twitters e 88,3% reconhe- desses tweets informativos (54,1%, N=98) tam- ceram que também repassam informações que bém possuía links como complementação da consideram importantes para suas redes. Tais informação publicada. Outra categoria de twe- observações reforçam a apropriação do Twitter ets que focou a questão da informação são os como ferramenta de coleta e difusão de infor- opinativos (25,3%). Foi comum, por exemplo, mações e sugere que muitos usuários estão no encontrar reclamações ou elogios a produtos, sistema para receber informações consideradas de forma que essa categoria consistia em quali- relevantes, que poderão ser repassadas a outras ficação das informações. Tweets que trazem in- redes sociais. A busca pela reputação também formações são especialmente úteis à rede social. está relacionada com a qualidade das informa- Eles permitem o acesso a novas informações, a ções divulgadas no sistema. 94,2% do total de novas discussões e, por isso, auxiliam na cons- respondentes afirmaram que costumam clicar trução do conhecimento. Além disso, percebeu- nos links que são divulgados por sua rede, indi- se que muitos atores republicavam informa- cando um alto nível de credibilidade e interesse ções que recebiam para seus seguidores, quase nas informações, o que mostra seu valor para a sempre utilizando a sigla “RT” ou “RTT” (para rede social e seu impacto na reputação de quem “retweeting” ou “retwittando”). Embora apenas as publica. Finalmente, outro dado importante 21 tweets com essas características tenham sido está relacionado com a escolha de atores a ser recolhidos em campo, 70% dos respondentes seguidos. Embora o grupo mais citado tenha afirmam que vêem informações sendo repassa- sido o de “conhecidos” (76,3%), “blogueiros das por outros twitters e 88% reconhecem que que considero interessantes” (69,4%) e pessoas Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 7. 87“que publicam informações relevantes” (63%) Steinfeld & Lampe, 2007). Esses valores tam-também foram igualmente citados pelos res- bém estão conectados com a expressão pessoalpondentes, categorias essas que apontam dire- no sentido de que esta proporciona aos atorestamente para a busca por informações. o aumento da intensidade e da intimidade dos A busca pela reputação também influen- laços sociais, bem como influencia a reputaçãocia a popularidade, outro valor que pode ser e a visibilidade pelo conteúdo de freqüênciaidentificado no Twitter. Quanto maior o nú- de postagens. Finalmente, as conexões que sãomero de seguidores que alguém tem, maior a obtidas e mantidas por meio da conversaçãosua visibilidade na rede (mais pessoas recebem também podem agregar reputação, acesso àseus tweets). Quanto mais visível, maiores as informação e conhecimento aos atores sociais,chances de receber novas conexões e tornar- pois se proporciona um espaço de discussão.se mais popular. Dentre os respondentes doquestionário, por exemplo, 57% afirmarammanter um controle de quantos seguidores As conexões que sãotinha. Além disso, percebeu-se, durante a ob-servação, que muitos atores engajam-se em obtidas e mantidas porestratégias para aumentar sua visibilidade e meio da conversaçãopopularidade na rede, como acrescentar um também podem agre-grande número pessoas à sua conta, na ex- gar reputação, acesso àpectativa de também ser adicionado,13 e de- informação e conheci-pois removê-las. Essas observações são mui- mento aos atores sociaisto semelhantes àquelas que Marlow (2006) eTrammel & Keshelashvili (2005) fizeram parao comportamento dos blogueiros. Outro valor do Twitter está relacionado a Como foi visto, o capital social pode serseu uso para a conversação. Os tweets conside- compreendido com base na apropriação erados conversacionais compreenderam 47,4% nos benefícios expressos ao indivíduo porda quantidade analisada (Tabela 1), mostran- meio de sua rede social, como explicitamdo que é freqüente o estabelecimento de con- Donath & Boyd (2004). Esses benefícios, noversações no sistema. Esse uso conversacional Twitter, parecem estar relacionados a valorestambém foi apontado pelos respondentes do como reputação, visibilidade, popularidade,questionário, embora com ressalvas. 59.8% conhecimento, suporte social e laços sociais.dos atores reconhecem que já utilizaram o Na Tabela 2, elencou-se como essas formasTwitter para manter uma conversa com outro de capital identificadas estão relacionadasator. Essas conversações estão diretamente liga- com as apropriações discutidas.das a valores relacionais. São formas de capital Tabela 2 – Apropriação e tipos de capital socialsocial relacionadas com a criação e o aprofun-damento de laços sociais. Elas podem auxiliar Apropriação Tipo de Capital Sociala gerar empatia, intimidade e suporte social • Suporte socialpara os atores envolvidos. Quando se analisam • Laços sociaisos tweets conversacionais, é possível perceber Conversacional • Reputaçãoque muitos deles constroem suporte social. • VisibilidadeOs valores relacionais foram freqüentemente • Acesso à informaçãoassociados pela literatura à criação e manu- • Reputaçãotenção da rede social (Putnam, 2000; Ellison, Informacional • Visibilidade • Popularidade13 Isso é possível porque o ator adicionado recebe uma notifi-cação por e-mail. • ConhecimentoLíbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 8. 88 Mas como esses valores aparecem nas re- na qualidade de informações publicadas. Já a des sociais? Como as influenciam? Que tipos rede de seguidores de ego é a rede da qual ego de redes sociais verificam-se no Twitter? pode extrair sua reputação, popularidade, vi- sibilidade e influência, pois são aqueles atores 5.2 As redes que importam no Twitter que efetivamente recebem suas atualizações. Para estudar a rede egocentrada esco- Mas esses valores só poderiam ser atingidos lhida, focou-se inicialmente a divisão entre por meio da relevância das informações pu- “rede social emergente” e “rede social de fi- blicadas, o que está de acordo com os dados liação” (Recuero, 2007). A primeira rede, que obtidos no questionário – por exemplo, de será apresentada aqui, é a chamada rede de que, dentre a categoria mais procurada de filiação. Na rede de filiação dos atores segui- seguidores, estão atores que publicam infor- dos por ego,14 têm-se 268 nós (Gráfico 1). mações consideradas relevantes. Esses dados Já na rede de filiação de atores seguidores reforçam aquilo que foi observado no ques- de ego, têm-se 654 nós, um número ainda tionário, no qual se sugeriu que o acesso à maior de conexões (Gráfico 2). informação era um valor na rede. Comparando-se a rede de seguidores de Na rede social emergente, por outro lado, ego com a rede de seguidos, vê-se que apenas foram encontrados 84 atores com quem 208 nós são coincidentes (em bolas brancas ego manteve um total de 97 conversações no Gráfico 3). (Gráfico 4).15 Têm-se aqui duas redes com valores dife- Ao mapear a rede, percebe-se que há rentes, portanto. A rede que compreende ape- muitas tríades conectadas, representadas nas os seguidos por ego é uma rede fonte de pelos atores que interagem entre si. É um informações. Seu valor está na quantidade e forte indicativo de que há conexões mais Gráfico 1 – Rede de seguidos 15 O usuário havia mantido contato, na verdade, com 99 usu- ários. Entretanto, como uma parte desses perfis era de acesso 14 Alcunha atribuída ao usuário cuja rede foi mapeada. restrito, não foi possível ter acesso aos dados. Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 9. 89 Gráfico 2 – Rede de seguidores Gráfico 3 – Rede de contatos recíprocosLíbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 10. 90 Gráfico 4 – Rede de Conversações Gráfico 5 – Rede de conversação x atores seguidos Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 11. 91 Gráfico 6 – Rede de conversação x atores seguidores Gráfico 7 – Rede de conversação X contatos recíprocosLíbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 12. 92 fortes entre esses atores, maior investimento de conversações, mas as interações são mais e mais valores relacionais nessas conexões. concentradas em poucos turnos, o que indica Ao sobrepor essa rede à rede de seguidos uma rede de laços mais fracos, na qual não (Gráfico 5) e à rede de seguidores (Gráfico parece haver interesse nos valores relacionais, 6), vê-se que a maior parte dos atores com mas simplesmente na manutenção da rede de quem ego trocou mensagens também divi- seguidos. Assim, há um menor investimento de com ele uma conexão.16 nas interações e laços sociais mais fracos. Mas essa rede pode representar uma construção, um processo de aproximação entre os nós. A rede emergente, for- Há uma grande diferença numérica entre mada pelos usuários que o número de pessoas com quem se conver- sa, o número de pessoas que se seguem, e o efetivamente interagem número de seguidores (como também foi entre si, também é observado por Huberman, Romero & Wu, capaz de prover ao 2009). Isso pode servir de indício de que no indivíduo recursos, como Twitter também poderia estar presentes ou- o capital social relacional tros tipos de capital social, como Donath & Boyd (2004) sugerem, e como Ellison, Stein- field & Lampe (2007) observaram. Resumin- do a análise, portanto, tem-se a Tabela 3, na Esses resultados sugerem que a maior qual se verificam as conexões entre a rede so- parte da rede de conversações está também cial e as formas de capital social apropriadas. relacionada com a institucionalização das co- Vê-se que há tipos diferentes de capital so- nexões de forma recíproca, ou seja, que ego cial conectados com as diferentes redes de um conversa mais com atores com quem tam- mesmo ego no Twitter. Em cada uma delas, bém divide links (seguido/seguidor) (Gráfi- há algum tipo de valor que é acessado pelos co 7) – isto é, com um total de 68 nós. Isso atores, e que pode ser mobilizado por eles de poderia implicar, por exemplo, que esses nós acordo com seu uso. Assim, é possível discutir poderiam expressar mais capital social rela- que todas essas redes importam, e não apenas cional decorrente das interações. as redes emergentes, como discutem Huber- Parece, portanto, haver duas redes junto à man, Romero & Wu (2009), pois são capazes rede de conversações no Twitter: a rede que de oferecer capital social que de outras for- é coincidente com as conexões recíprocas mas não estaria acessível aos atores. de ego e a rede que não é coincidente com os atores seguidos por ego. Assim, percebe-se 6. Considerações finais que há uma rede emergente nuclear e uma rede emergente marginal. Na rede emergente Este artigo procurou discutir os efeitos da nuclear, há uma maior quantidade de capital apropriação na estrutura das redes sociais, social relacionado aos laços fortes, tais como que surgem no âmbito das ferramentas so- suporte social, intimidade, construção de re- ciais a partir de um estudo de caso do Twitter putação e aprofundamento de laços sociais, no Brasil. Assim, a discussão sobre o capital pois há tanto links entre os atores quanto con- social levou em consideração, em sentido versações, indicando que há um maior inves- amplo, a observação inicial da ferramenta, timento nos laços sociais. Na rede emergente as respostas dadas ao questionário, a análise marginal, não há uma grande concentração de conteúdo dos tweets, e aspectos gerais de um recorte de uma rede de usuários do sis- 16 Em ambos os gráficos, os nós com quem ego não divide uma co- tema. Embora os resultados não possam ser nexão (quadrado preto) e aqueles com quem divide (bolas brancas). generalizáveis, podem servir de indícios para Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 13. 93 Tabela 3 – Redes Sociais, subtipos e capital social Tipo de Rede Social/Apropriação Sub-tipo Capital Social • Relacional – laços mais fortes, suporte Emergente (conversacional) Nuclear social, reputação, conhecimento. • Relacional – laços fracos, conexões, re- Emergente (conversacional) Marginal putação. Filiação (informacional) Seguidos • Acesso à informação. • Reputação. • Popularidade. Filiação (informacional) Seguidores • Visibilidade. • Influência.mostrar como se tem procedido à apropria- espalhá-las em suas redes sociais. Há, assim,ção da ferramenta como site de rede social valor nessas conexões, relacionando cadapelos usuários brasileiros. uma das redes a um tipo específico de capi- Como foi visto com os resultados obtidos, tal social. Por outro lado, a rede emergente,há uma grande tendência dentre os usuários formada pelos usuários que efetivamente in-da ferramenta a usá-la para a publicação de teragem entre si, embora consideravelmenteinformações, embora ela também seja usada menor, também é capaz de prover ao indiví-para a conversação. Essa rede de filiação pode duo recursos, como o capital social relacio-ser percebida por meio dos seguidores e se- nal. Portanto, todas essas redes têm valor paraguidos, na qual se viu que os atores buscam os atores sociais, provendo tipos diferentes deinformações qualificadas e buscam também capital para sua apropriação.Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter
  • 14. 94 Referências BOYD, D. Friendster and Publicly Articulated Social Networks. http://ella.slis.indiana.edu/~herring/honeycutt.herring.2009. Conference on Human Factors and Computing Systems pdf. Acesso em: 20/01/2009. (CHI 2004). Vienna: ACM, April 24-29, 2004. Disponível em: LIN, N. Social Capital: a theory of social structure and action. http://www.danah.org/papers/CHI2004Friendster.pdf. Acesso Cambridge: Cambridge University Press, 2001. em: 20/01/2009. MARLOW, C. Investment and attention in the weblog com- BOYD, D.; ELLISON, N. Social network sites: Definition, his- munity: proceedings of aaai symposium on computation ap- tory, and scholarship. Journal of Computer-Mediated Com- proaches to analyzing weblogs. Stanford: AAAI Press, 2006. munication, 13(1), 2007. Disponível em: http://jcmc.indiana. MISCHAUD, E. Twitter: expressions of the whole self. An in- edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html Acesso em: 20/01/2009. vestigation into user appropriation of a web-based communica- COLEMAN, J. Foundations of Social Theory. Cambridge, tions platform. Dissertação de mestrado em Politics and Com- MA: Harvard University Press, 1990. munication. London School of Economics and Political Science, ______. Social capital and the creation of human capital. Ame- 2007. Disponível em: http://www.lse.ac.uk/collections/media@ rican Journal of Sociology, 94, S95-S120, 1988. lse/mediaWorkingPapers/MScDissertationSeries/Mischaud_ COSTA, R. Por um novo conceito de comunidade: redes so- final.pdf. Acesso em: 20/01/2009. ciais, comunidades pessoais e inteligência coletiva. Interface, RECUERO, R. Tipologia de Redes Sociais Brasileiras no Foto- v.9, n.17, mar./ago. 2005. p. 235-48. log.com. Anais. XXX INTERCOM - Congresso Brasileiro de DONATH, J.; BOYD, D. Public displays of connection. BT Ciências da Comunicação, Santos, 2007. Technology Journal, v. 22 (4), n. 71-82, 2004. Disponível em: ______. Comunidades em redes sociais na internet: um estudo http://www.danah.org/papers/PublicDisplays.pdf. Acesso em: de caso dos fotologs brasileiros. Liinc em Revista, v. 4, 2008a. 20/01/2009. p. 63-83. ELLISON, N. B.; STEINFIELD C.; LAMPLE, C. The benefits ______. Estratégias de personalização e sites de redes sociais: of Facebook “friends:” Social capital and college students’ use estudo de caso da apropriação do Fotolog.com. Comunicação, of online social network sites. Journal of Computer-Mediated Mídia e Consumo, v. 5, 2008b. p. 35-56. Communication, v. 12(4), 2007. Disponível em: http://jcmc. ______. Information flows and social capital in weblogs: a indiana.edu/vol12/issue4/ellison.html. Acesso em: 20/01/2009. case study in the brazilian blogosphere. ACM Conference on GRANOVETTER, M. The strength of weak ties. The American Hypertext and Hypermedia, Pittsburg. Proceedings of Hyper- Journal of Sociology, v. 78 (6), 1973. p.1360-1380. text, 2008c. JAVA, A.; SONG, X.; FININ, T.; TSENG, B. Why we twitter: un- SILVA, F. F. Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade. In: derstanding microblogging usage and communities. 9th WE- AMARAL, A.; RECUERO, R.; MONTARDO, S. (Orgs.). Blogs. BKDD and 1st SNA-KDD Workshop ’07. San Jose, California, com: estudos sobre blogs e comunicação. São Paulo: Momento USA, 2007. Disponível em: http://ebiquity.umbc.edu/get/a/ Editorial, 2009. p. 257-274. publication/369.pdf. Acesso em: 20/01/2009. TRAMMEL, K. D.; KESHELASHVILI, A. Examining the new HUBERMAN, B.; ROMERO, D.; WU, F. Social networks that influencers: a self-presentation study of A-list blogs. Journalism matter: Twitter under the microscope. First Monday, v. 14, n. & Mass Communication Quarterly, v. 82 (4), n. 968-982, 2005. 1-5, jan. 2009. Disponível em: http://firstmonday.org/htbin/ ZAGO, G. O. Twitter como suporte para produção e difusão cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/2317/2063. Acesso de conteúdos jornalísticos. 6º Encontro Nacional de Pesqui- em: 20/01/2009. sadores em Jornalismo. São Bernando do Campo, SP, Brasil: HONEYCUTT, C.; HERRING, S. C. Beyond microblogging: SBPJor, 2008. conversation and collaboration via Twitter. Proceedings of the ZAGO, G.; BATISTA, J. Manifestações coletivas no ciberespaço: Forty-Second Hawai’i International Conference on System cooperação, capital social e redes sociais. II Simpósio Nacional da Sciences. Los Alamitos, CA: IEEE Press, 2009. Disponível em: Associação Brasileira de Cibercultura. São Paulo: ABCiber, 2008. Líbero – São Paulo – v. 12, n. 24, p. 81-94, dez. de 2009 Raquel Recuero / Gabriela Zago – Em busca das “redes que importam”: redes sociais e capital social no Twitter