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Convivências e despedidas: a experiência existencial
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Convivências e despedidas: a experiência existencial

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  • 1. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comConvivências e despedidas: a experiência existencial Num piscar de olhos estamos nós a projetar novos afazeres. Quemdisse que o eterno é bom e que o bom tem que ser eterno? Ó espírito dostempos que me leva a deflagrar que até os deuses já não estão tão deacordo com os tempos vindouros porque a disputa para ocupar vossomajestoso assento é de difícil expressar o que faz muitos ali passar aespreitar. Por que tantas lacunas ora deixaste a pensar pelos que aqui vãopermear? É o simples lugar ou o poder a se submeter que faz muitos seafoitar? Para o mundo ditirâmbico, tanto na verve dionisíaca quanto napulsação apolínia teria sido mais fácil tal potência ser reconduzida aquimera lugar de vossa majestade. Quisera o deus Apolo se projetar comvossa dedicada razão e tudo num toque de maestria reduzido a condutaracional. Mas se o mesmo não esforçar a afagar tais deleites produzidos,chamaremos o deus Dionísio para fazer parte desse prelúdio irracional,quer dizer, amargado pelo prazer da voluptuosidade, tragado pelo ladoobscuro, pudesse melhor contornos nos dar. O que suplanta em nosso meio passa a ser ao mesmo tempo trágicoquanto cômico, assemelhando-se ao tragicômico ou ao vício da tragédiagrega misturada com a comédia. Que espírito ditirâmbico estás a possuir osseres que aqui habitais, ó deus das montanhas? Suplico por voz para afagarmeu ego e o que encontro é escuridão e trincheiras. Quanto ao vosso cavaloalado, estais em repouso em meio aos vermes que conduzis a máxima dasabedoria e representais o pleno conhecimento. Os deuses do Olimpodevem estar dormindo, pois não escuto mais vozes, porém seu odor é deputrefação. Se a esses suplícios não encontrar respostas, passamos aevocar outros novos espíritos que nos conforta. O racional e o emotivo estão a se complementar, deflagramos naconstrução do mundo pré-humano. Que tempo de explicações tão racionalque levariam o emocional a comungar sem se dar conta do tamanho mundosedutor que outrora vieste a provocar. Aqui podemos nos indagar: o podernos seduz ou estamos seduzidos por ele? Para clarear, o amor inconfundível platônico veio confrontar. Simplessedução perfeita aqui estas a delirar. Ó ideais platônicos que não me deixasvoltar ao mundo real evocado no mundo das opiniões e quando puderespassará ao mundo das ideias e repousar no racional. Porém, mais racionaltorna seu discípulo a ali suplantar outros ideais. Que diga quão responsávelAristóteles quisera se projetar mediante a racionalidade do mundo real.Assim, entendas hoje que tanto o oculto quanto o científico ali vieram a seprojetar. Qual orifício viera destacar Bachelard quando entendido que operíodo científico precisa se justificar por um anterior que deleita no pré-científico para o presente cientificamente passar a dominar. Quantas máscaras vieram a sedesvendar quando alguns justificam a matematização do real para qualificar 1
  • 2. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.coma proposta física do universo quântico. Queria Bachelard e outros maisencontram na “formação do espírito científico”1 as bases negadas que antesfosse tamanha degustada. Parece que hoje pôs outro campo a degustar. E em meio a isso,propôs alguns de nós à montanha nietzschiana a escalar ou simplesmenteas profundezas do inconsciente freudiano a degustar. Estranho mundo dessenosso ser que ora está para outros virem a ocupar. Por issoepistemologicamente não é estranho de fundamentar e justificar queapenas estamos no cargo a ocupar, como muitos queiram que passamos ainternalizar e expressar. Por isso ao justificar que estamos, nunca podemoso ser contemplar ou na essência se realizar. Assim, estamos não-sendo aocupar o que vieste ora a não mais estar. Se o estar é a proposta do fazernum estremado cargo a transitar, quem vier a ocupar nunca será poisestando não pode ser o ser para estar. É a confusão mental que orapassamos a expressar quando outros buscam lá também estar. Seria aontogênese genética genuína do ser a questionar? Porém, podemos entender ao expressar, que Heidegger, no mundosempre se fez porque entendia o ser enquanto no mundo é, isto é, o ser épara o mundo enquanto ser no mundo. Mas de tanto se importar, Sartreum passo a mais veio dar ao desencadear que além de estar o ser se faz nomeio do mundo que estamos a habitar. Que mundo mundano é esse?Estamos nele ou nos fazemos no meio e junto a ele? Mundo, porém, que levou Nietzsche ao topo da montanha suaserpente lá deixar e por lá ficou a vaguear. Será o inconsciente a espreitarou nossa potência de ser deus e da altura querer dominar? Ditirâmbicoinconsciente está a expressar, pois na montanha o poder presente se faz atotalizar que levou Freud ao posso (ou as profundezas) ir justificar. É comose Bachelard nos anúncios dissesse que “os psicólogos tradicionaistripudiam então sobre nossas ideias ousadas; lembram-nos, cheios deamarga sabedoria, que é preciso mais que uma equação para mudar ocoração humano e que não é em algumas horas de deliciosos êxtasesintelectuais que se reduzem os instintos e se suscitam novas funçõesorgânicas”2. Estamos a deflagrar uma reviravolta ontológica hermenêuticaprincipiada pela linguagem, ou simples carícia de estar no comando adominar? Vulnerável, pois está nossa forma de recolocar quem aqui vai nosrepresentar. Ou pela força de uns ou pela traição das leis justificado assimficará. Quimera vã filosofia estamos nós a pregar se o posto ali está e nemse quer demos o trabalhos de nossas potências ali se espreitar. Quãodemocrático quisera ser o eu para justificar o tu que ali preterido estais aocupar, porém formosa forma de externalizar que até nosso poder estais àguilhotina transpassar. Se Alfredo Bosi3 encontrou argumento para adialética do poder se externar e diante da história do Brasil o domínio daburguesia se confirmar, quanto mais o tempo presente está a preencher as1 BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise doconhecimento. 9ª reimpressão. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contrapontos, 2001.2 Ibidem, p.306.3 BOSI, Alfredo. A dialética da colonização. 4ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 2
  • 3. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comlacunas argumentativas da plena justiça a merecer quando questionadoargumento ter a tecer. Diuturnamente passamos a justificar que o poder nãose entende, apenas se aprende a conviver com o mesmo, ou faz-sesubmisso, comprometendo-o. Se vieres para cá e agora está para volta, esse é nosso jeito de nomundo transplantar a peregrinação dentro da eterna migração que o sergosta de confrontar. É o eterno retorno que as potencias propiciam atransplantar. Se aqui está, lá será para depois poder estar se assim acharcconveniente justa medida tomar. Mas se evocarmos o propósito de Habermas, entendemos que osenunciados e seus enunciadores estariam em pé de igualdade quando odiálogo passa a externar. Proposta dialógica que evoca aos seres comargumentos e posturas iguais, mas que no fundo a composição dasociedade atual quisera argumentar, antes disso passara a negar.Propositalmente deparamos com a falibilidade na propositura argumentativade Popper quando dimensionado sua sentença ao espírito cientificizante aoqual se fazia presente, tendo o mesmo negado ou negociado. Deflagrando com o lugar que aqui estavas a ocupar, muitos estão areflexionar quem a ele poderá se assentar. Entendes a lacuna que ora fosteprovocar para então deleitado outro poderá vir a substancializar. É a eternarevolta da objetividade subjetiva que nem se quer possamos entender, masque outros virão a confirmar que agora passará a ser transubjetiva quandovir a confirmar, ou se quiser possamos confrontar para depois transobjetivase tornar, conspirando pela intersubjetividade do querer fazer ou ser. Quisera eu entender o quão democrático nossas relações do eternopoder contornam as justificativas para que ninguém possa dela sedesprender. Provêm tais anátemas sentenciadas e denunciadas dopersonalismo buberiano ou da objetividade a qual se expressa nossaatualidade? Se fosse de forma dialógica, teríamos a “prova que opensamento se desenvolve mais do eixo do eu-você do que do eixo do eu-isso”, sentenciada no livro “A formação do Espírito Científico”4. Qualpropositura nos levou a pensar com Freire, no expressar de Martin Buberque “O eu dialógico, pelo contrário, sabe que é exatamente o tu que oconstitui. Sabe também que, constituído por um tu – um não-eu –, esse tuque o constitui se constitui, por sua vez, com eu, ao ter no ser eu um tu.Desta forma, o eu e o tu passam a ser, na dialética destas relaçõesconstitutivas, dois tu que se fazem dois eu”5. Se Maquiavel estivesse presente em nosso meio, teria sugerido aforça ou a sabedoria para estar à frente do poder? Como não podemosvoltar ao tempo e passar a justificar pelos deuses ou pelo poder totalizadordo imperador tais presenças no trono e nem pela infalibilidade, usamos dajusta medida jurídica salientada pelo aval democrático. E quando nãoacontece, tal incumbência é justificada por si só. Assim quisera eu expor simples conjectura por ora refutável e aomesmo tempo irrefutável, mas que palpitam no verde ego que ignorando osuperego ou reafirmando o mesmo, faz presenciar as amarra do cotidiano,4 BACHELARD, Gaston. Idem, p.238.5 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 36ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003; pp.165-166. 3
  • 4. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comquando conscientes estamos e assim agimos sem malabarismo. Ou comotranspôs Albet Camus que “o homem é o único ser vivente que se recusa aser o que é”6. Externados podemos comungar com o desfecho que Adolfo SánchezVázquez numa visão marxista quando propôs que “mesmo estandoalienado, o homem continua sendo um ser consciente, ativo; se bem queconsciente não no sentido humano – propriamente criador – de suaatividade” tal qual que sentencia que “só o homem se aliena, e apenas ele,porque é o produto de seu próprio fazer, de seu trabalho; justamente porqueele faz o seu ser – em poucas palavras, por ser um ente histórico –, ohomem se encontra em um processo de produção de si mesmo, isto é, dehumanização, dentro do qual pode encontrar-se em níveis humanos tãoínfimos como o homem alienado ou coisificado”7. Mas que amarras fazem nos perecer? Com Ademar Bogo “podemosdizer que, juridicamente, a alienação acontece quando perdemos o controlesobre as leis. Politicamente, quando criamos uma organização, deixamos departicipar e perdemos o controle sobre ela. Na comunicação, perdemos ocontrole sobre os meios de comunicação e sobre nós mesmos, pois as propagandas viram vícios que nos tornam insensíveis com tudoque nos rodeia. Na produção, perdemos o controle sobre os objetosproduzidos, pois não sabemos que destino tomam”8. Vais embora enaltecido ou simplesmente rejuvenescido? A respostasó poderá estar com você. Mas uma coisa podemos entender, quandoevocado está pelo simples poder, observado logo será tal qual entoouFoucault quando esbravejou contra a supressão de tal submissão a que osseus nunca obtiverem poder de recusar. Que pêndulo é esse? Ao evocar a classe trabalhadora para estar em luta permanente,Marx também descreveu sobre os perigos que ronda a ideologia num planoum tanto obscuro. Certo pode estar Dussel ao dizer que atingimos umpatamar de miserabilidade e que temos que lutar contra as amarras que fazmuitos povos latinos, africanos e asiáticos ainda fome e sede passar,quando a mídia deixa veicular que é na obesidade a hermenêutica seajustar e deleitar. Ressuscitado está o direto de classe e sua luta pelosideais, ao mesmo tempo em que a sedução do poder ameaça avanços econquista, dependendo de quem para posto a defender lá estais. Pois oideal é da classe trabalhadora ou é da burguesia, sentenciava Marx,quando postos estamos a lutar e conquistar. Afinal, de quem acaba sendo aconquista: da classe ou de quem ocupar o lugar a governar? Estamos aquicontribuindo como revolucionários ou simples mercenários? De todo lapidar semântico evocamos sintomaticamente o marxismopara sentenciar as ações, mas é a estrutura durkheiminiana que domina adinâmica do cotidiano. Divididos em classe trabalhadora e burguesias de umlado e disfrutamos os estamentos, castas, clãs e outros mais de outro.Sendo assim, é Marx ou é Durkheim que expelimos aos quatro cantos? É anegação da essência humana ou a possibilidade de sua emancipação que6 Citação feita em: BOGO, Ademar. O vigor da mística. São Paulo: Anca, 2002; p.23.7 VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Filosofia da práxis. Trad. Maria Encarnación Moya. São Paulo: ExpressãoPopular, 2007; pp.124-125.8 BOGO, Ademar. Idem, p.33. 4
  • 5. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comestamos a lutar? Ó quimera juventude que só deu ao prazer de fazervendaval! Entendas que ao sair, muito deixaste no quesito de contribuir, poisno cargo a ocupar, muito solene estava sempre a transitar para que aoequilibrar fosse fiel ao que estavas a representar. Provocante é o silencio,mais provocante ainda é pensar que existe algo além do mero silêncioquando muitos bocejando passara tempo a conflitar. Mas é dentro dosilenciar que ao se expressar o porquê aqui sua presença se fazia equilibrar.É dai que podemos entender que ao não ditar o não falado nada fosseafetar, mas que na maturidade dos demais pudesse sozinho caminhar semnunca ter medo de esquivar. Porém quando força faltar, pudéssemosentender que ali estavas a caminhada ajudar a reforçar cada um ou uma naformação poder trilhar. E dentro desse eterno conflito existencial podemos nós degustardaquilo que Wittgenstein propôs numa frase abalar e assim passou aexpressar: “Sobre aquilo que não se deve falar, deve-se calar”. Claro quenessa sentença o mundo pós-metafísico Habermas queira projetar, comotantos outros na propositura filosófica a desvendar. Que ao verificarmosqualificamos como projeteis alienantes ou posto a alienar que na dialéticahistórica possamos justificar se o homem foi feito apenas para trabalhar ousó pelo trabalho possamos enxergar. Querendo assim passar a negar aessência porque a existência já se encontra comprometida. Qual homem daguerra queremos experienciar se a justa medida se dá na luta pela eternapaz? Pois podemos abrilhantar que “o homem só existe como tal e seautoproduz como ser que se objetiva e produz um mundo humano” 9 quandoentendido dentro do viés marxista as proposituras alienantes e os esforçospara o consciente entender e lutar para que não sejamos mero objetos queoutros podem usar tanto na condição ontológica quanto gnosiológica. Ao final de tudo não sei ao certo classificar o ser se é ético, estético,antropológico ou antropoiético, conspirando para uma poiesis ou para umavertente cética, epicurista, dualista, positivista, quisera também ser dialética. Porém, o ser que existecontinua a persistir tanto personalista quanto holística que ao fim opta porser existencialista ou essencialista, mas que ao descrever não pode deixarde ser teórico ou prático, como também justificado na práxis dialética sejada vertente hegeliana ou queira marxista. Tantas decisões e classificaçõesque ao mesmo tempo será você qual quer que seja sendo ou estando,sempre transmudando para que o essencial possa contemplar tanto no topoda montanha quanto nas profundezas do mar. Vais embora a vaguear ou nalabuta espreitar quão outros te esperam por lá como aqui estamos a desejarinteira gratidão a expressar. Ou como quisera argumentar Rubem Alves10 que “O aprendido éaquilo que fica depois que o esquecido fez o seu trabalho” quandoenaltecido ao descrever sobre a educação do olhar, entendido que “hácertos olhares que são proibidos”, mesmo não estando comprometido comoutros que queiram esguichar seu ser reprimido a sonorizar. Assim, espero que tal discurso enunciado e sentenciado esteja àaltura de quem por ora está sendo homenageado. Por fim, que discurso9 VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Idem, p.128.10 Entrevista exibida no Programa do Jô da Rede Globo, em 01/06/2011. 5
  • 6. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comcompetente, olhando para Marilena Chauí11, podemos usar para afirmar oque estamos vivenciando com a troca de formadores ao cargo decoordenador? O que estamos a silenciar e ocultar? Acima de tudo, o queestá dessa nova tessitura a expressar? Que práxis revolucionária projetamosnós para o fazer pedagógico de muitos que ainda não compreendem asamarras sequenciadas? Somos revolucionários ou simplesprodutor/consumidor/mercenário? Antes de tudo, acabamos nos posicionadocomo pensadores. Quem diria que pudéssemos pensar isso um dia! Para Ademar Bogo12, temos dois elementos em nossa cultura queenfraquece a mística: a política de interesses e a alienação. E logo adiantedescreve que “a ‘perversidade dialética’, portanto, é esta em que asolidariedade e o oportunismo andam juntos na mesma estrada” 13. Ouestamos a serviço da solidariedade ou apenas satisfazemos caprichosindividuais, dependendo do comprometimento ético ou alienante queatrelado estamos. Ainda cabe aqui ressaltar que se imputarmos ao conceito deverdade veremos, conforme destaca William James que a verdade quandoposta em relação as nossas crenças, fica subordinada aos nossos interessesou ao “interesse de cada um de nós” porque é mais vantajoso. “Emconsequência, não se manifesta na concordância com uma realidade quenosso conhecimento reproduz, mas corresponde a nossos interesses, àquiloem que seria – para nós – melhor, mais vantajoso ou mais útil acreditar”14.Pressupõe destacar que muitas vezes incutimos uma verdade comcaracterísticas utilitarista e egoísta, pois está impregnada do pragmatismo,tal que a verdade fica subordinada à utilidade, não se assemelhando aomarxismo que a utilidade é consequência da verdade15 que comunga com arevolução e se satisfaz na transformação dos que aqui estais a existir ou nomundo a presença se concretizar. Quisera argumentar que a alétheia (verdade) grega nos primórdiosbuscara explicar a arché (princípio) dentro de um prisma ontológico. Fez issoHeráclito ao definir que “tudo flui”. E não ficando satisfeito, Parmênidessentenciava que “o ser é e não pode não ser; o não ser não é e não podeser de modo algum” 16. Porém, essa argumentação foi possível pelaascendência do logos (razão) justaposta ao pensar cosmológico ou ser daphysis (natureza) e posteriormente ao pensar antropológico. Antes disso,entendas quem for investigar, que a moira encontrava-se atrelada aconduta dos viventes sem nada poder fazer para mudar a conduta que odestino havia traçado. Isto vem substancializar que toda princípio daverdade comunga com o mundo que queremos desvendar ou pôr a justificartoda medida tomada em qualquer instância da vida. Não é por mera11 CHAUÍ, Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 3ª ed. São Paulo:Moderna, 1982.12 BOGO, Ademar. Idem, p.31.13 Ibidem, p.32.14 Ver em: VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Idem, p.24115 Ibidem, p.242.16 Quanto a isso, ver em: ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento. Porto Alegre: Edipucrs, 1994. 6
  • 7. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comcoincidência que os sofistas propagavam que as opiniões ou convenções porsi só justificava a veracidade do assunto que estava a discorrer com retóricaaguçada, pois a eles interessava ter argumento para convencer. Pois para osofista Protágoras, “o home é a medida de todas as coisas”, se assimquisermos entender e qualificar. Quisera ao final entender quehistoricamente a filosofia passou por alguns enunciados gnosiológicos: noperíodo antigo e medieval a questão central era o Ser; já na modernapassara a ser o Conhecimento e; na contemporânea algumas filosofias seexpressam na Linguagem17. Mas por ora vamos vaguear por outras veredas. Propagando um caráter antropológico numa vertente marxistapassamos a entende que a atividade revolucionária não precisa transformaras ideias e sim a realidade18. Que opção temos nós dentro do referendadofazer pedagógico cotidiano seja na base de escudeiro ou de revolucionários?O certo é que o acontecido e o que virá são simples reformas para não otodo sacrificar e nós no conforto sempre nos encontrar. Para problemaspráticos evocamos “tarefas teóricas” sem nos questionar se conseguimosmesmo mudar, quando simples filosofia passamos a propagar. Porém agoraestamos posta a reflexionar, cada um uma sentença a carregar. É do olhar sisudo e talvez egocêntrico que passamos a defendercom convicção nossas razões dentro da esfera que passamos a habitar, outalvez alguns ideais que queiram se projetar quando por força ou ideaisqueiramos defender e projetar dentro de uma identidade mítica de ser epensamento19, quando teoria e prática não aspiram ao procedimento real,tangido por uma crítica surreal. Ao expressar, não queira sua pessoa isolada aqui estar, o que nosrodeia faz parte da nossa presença sentenciar, queiramos ou não afirmar oudela se esquivar. Toda a simbologia acima representada faz parte de umpequeno enunciado da rotina que aqui tens apreciado ou representado. Porisso somos o poder ou passamos a defender quando presentes estamos oua transitar para outros horizontes almejamos. Acima de tudo queiramosentender que a utopia estamos a representar. Sem mais delongas, obrigado pelo que aqui passou a representar.São simples evocação desse eterno discípulo de muitos outros que aquivirão. Porém peço compreensão se ao expressar, contemplado por completonão estás.Referência Bibliográfica:BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição parauma psicanálise do conhecimento. 9ª reimpressão. Trad. Estela dos SantosAbreu. Rio de Janeiro: Contrapontos, 2001.BOGO, Ademar. O vigor da mística. São Paulo: Anca, 2002.BOSI, Alfredo. A dialética da colonização. 4ª ed. São Paulo: Companhia dasLetras, 2009.17 Ibidem, p.918 VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Idem, p p.132.19 Identidade descrita por Marx quanto ataca o ideal crítico dos ideólogos neohegelianos em A sagradafamília. Ver. VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Idem, p.135. 7
  • 8. Fernando Rasnheski; e-mail: filfrk@hotmail.comCHAUÍ, Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outrasfalas. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 1982.FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 36ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,2003.VÁZQUES, Adolfo Sánchez. Filosofia da práxis. Trad. Maria EncarnaciónMoya. São Paulo: Expressão Popular, 2007.ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento. Porto Alegre: Edipucrs, 1994. Fernando Rasnheski – Dezembro de 2011. - Cefapro de Matupá, MT. e-mail: filfrk@hotmail.com. 8

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