Publicacoes petroleo 2011 2012 2013
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Publicacoes petroleo 2011 2012 2013

on

  • 1,607 views

2011-2013, publicados originalmente nas revistas: Brasil Energia Geofísica Brasil Portal Geopost

2011-2013, publicados originalmente nas revistas: Brasil Energia Geofísica Brasil Portal Geopost

Statistics

Views

Total Views
1,607
Views on SlideShare
1,605
Embed Views
2

Actions

Likes
0
Downloads
2
Comments
2

1 Embed 2

http://www.linkedin.com 2

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Publicacoes petroleo 2011 2012 2013 Publicacoes petroleo 2011 2012 2013 Presentation Transcript

  • Coletânea de textos sobre Óleo e Gás Armando O. Cavanha F. 2011-2013, publicados originalmente nas revistas: Brasil Energia Geofísica Brasil Portal Geopost
  • Conteúdo local, primeiro passo para uma política industrial Por Armando Cavanha, presidente e CEO da Thompson & Knight Global Energy Services [04.07.2011] 10h55m / Por Armando Cavanha O momento brasileiro no setor de óleo e gás é especial. Percebido como estável do ponto de vista político e contratual, o Brasil possui recursos naturais que qualquer país gostaria de ter e ainda tem a confiável Petrobras como carro-chefe do segmento. Existem, claro, avanços a serem feitos nas questões trabalhistas e burocracias documentais, mas nada que desanime os investimentos. Há hoje duas variáveis em jogo: a atratividade de investimentos e a política industrial.
  • Atratividade de investimentos Entre os diferentes grupos de investidores, o primeiro inclui empresas de óleo e gás estrangeiras, em geral de grande porte, que buscam alto retorno sobre seus investimentos e garantia de abastecimento para seus países de origem. Quanto menor o risco, melhor. E o Brasil oferece excelente retorno e um risco cada vez mais baixo. Além disso, uma vez que a Petrobras opera a maioria dos campos, associar-se a ela mantém o retorno e alivia as responsabilidades e os riscos da operação. Um segundo grupo é o das petroleiras de capital brasileiro. Seus riscos são menores que os das estrangeiras, uma vez que, sendo locais, entendem e processam as diferenças com maior facilidade. Aqueles que não têm a Petrobras como parceira – e atualmente não são poucos – têm causado boa impressão na comunidade internacional.
  • Outro grupo congrega os fabricantes, que reduziram sua produção tanto no Mar do Norte como no Golfo do México. Muitas de suas plantas fabris migraram para China, Coreia do Sul e Índia, arrastando consigo pesquisa operacional, reparo e manutenção e também conhecimento de sistemas. Esse grupo tende a comprar os fornecedores locais, passando a controlar processos comerciais e fabris. Garante a vinda de peças essenciais de suas matrizes com valor tecnológico e estratégico, bem como recarrega as baterias de empregos em seus países de origem. Há os prestadores de serviços associados a reparo, manutenção, peças, sistemas e atrelados aos fabricantes, que terão alta demanda futura, já que a quantidade de equipamentos que tem sido instalada vai requerer enorme quantidade de inspeções, operação, reparos, manutenção e peças.
  • Os ativos de produção terão de ser mantidos por 20, 30 ou 40 anos, o que garante um longo tempo para recuperar os investimentos. E para os prestadores de serviços puros, não associados a materiais ou equipamentos específicos, o mundo do petróleo não é exclusivo. Como o Brasil cresce em outras áreas, a sinergia enriquece a atratividade. Existem ainda os provedores de tecnologias, pesquisa, software, serviços especiais (sísmica, tecnologias de poços, etc.), além dos materiais especiais e equipamentos não convencionais. Esse grupo tem instalado suas unidades em regiões universitárias onde a Petrobras promove demandas espantosas para soluções nas áreas de E&P. Política industrial Para, além de capturar, reter e desenvolver competência local de forma irreversível, o Brasil terá de se organizar rapidamente.
  • Um dos mecanismos encontrados é o conteúdo local. Entretanto, é difícil falar sobre ele, pois há uma significativa diversidade de conceitos desencontrados. Em tese, porém, o conteúdo local é o percentual mínimo do gasto total construído e executado em solo brasileiro. Assim, se um equipamento custa 100 “dinheiros”, e o conteúdo local é de 60%, então 60 “dinheiros” devem ser fabricados, montados, comprados no país. Os empresários devem estar atentos a essas regras específicas, pois são critérios de seleção e de gestão contratual. Desvios podem causar multas e até perda de contrato. Há várias opções de arranjo industrial visando aumentar o conteúdo local. Aquisições, fusões, parcerias, logística avançada, pré-montagem, análise da cadeia de suprimentos, fontes de matérias-primas, centros de distribuição, tecnologias, capacidade fabril, tudo isso são elementos necessários aos
  • que pretendem fazer negócios no Brasil. Mas o melhor mesmo é fabricar no país, tornando-o, inclusive, centro de distribuição para a América Latina. Por outro lado, o conteúdo local é apenas um número. A ideia é boa, mas teria de ser a forma de operacionalizar algo maior: uma política industrial. Melhor ainda se fosse uma curva dinâmica de demanda no tempo x capacidade de absorver e reter, e não genérica, mas por categoria. Assim, para fazer um conjunto de ferramentas para perfilagem de poços, um CL de 30% seria bastante bom. Para fazer vasos, torres, tanques, equipamentos mecânicos, bombas, compressores, quem sabe 90% de CL seja pouco. Nesse contexto se insere a soberania nacional. Independente dos diferentes ângulos sob os quais essa expressão pode ser entendida, algumas especificidades se referem ao controle da produção e ao domínio de recursos de uma determinada
  • atividade de cadeia produtiva essencial. No campo da fabricação, significa ter o controle das fontes e manufaturas de cada componente, de sua cadeia produtiva antecessória. Saber operar, manter, repor. Atributos que devem ser parte de uma política industrial consistente, entendida e disseminada. Um dia, a perfilagem poderá ter CL de 90%. Mas, para tanto, há um dever de casa a ser feito. O dever de casa é alinhar tudo isso e fazer um discurso único, brasileiro, coerente, compreensível a todos, simples, mensurável, sem dúvidas. Aproveitar este momento ímpar e fazer o país crescer sustentado em suas riquezas. Desafio que, com certeza, será vencido. Armando Cavanha é presidente e CEO da Thompson & Knight Global Energy Services
  • EUA e Europa: a crise é na produção? Por Armando Cavanha Filho [02.11.2011] 02h22m / Por Armando Cavanha Filho As notícias sobre a crise nos EUA dominaram os principais veículos de comunicação no fim de 2008. Logo a seguir, calvário semelhante foi iniciado na Europa. Convive-se com um clima de incertezas no sistema financeiro global. Mas não são a falta de pagamento de financiamentos e os orçamentos governamentais os únicos vilões desta história. O que de fato preocupa é o momento do sistema produtivo das regiões. Este, sim, é motivo de indagação. Os EUA e a Europa possuem um mercado interno de consumo mais expressivo que as demais áreas do planeta, há mais gente com poder aquisitivo relativamente ao total de seus habitantes. A globalização, que seria uma maneira de expandir
  • fronteiras em vendas, transformou-se no pesadelo de importar com facilidade de novos polos industriais mais baratos ao redor do mundo. Nos EUA, a energia, aquela que depende do petróleo, amarga números importantes de déficit diário. Dos 22 milhões de barris equivalentes consumidos a cada dia, somente 8 milhões são produzidos no país, sendo o restante importado. Na Europa, a grande maioria dos países é importador absoluto de petróleo. O gás, em ambos os lugares, é fortemente utilizado no aquecimento e em outras tantas aplicações relacionadas à manutenção da qualidade de vida. Além da questão de divisas, ocorre substancial dependência externa de energia básica. Uma boa quantidade de plantas fabris foi deslocada para países de custos mais baixos. As fábricas remanescentes passaram a focalizar mais produtos diferenciados ou com tecnologias especialistas. As plantas estratégicas e militares se
  • mantêm locais, mas nem sempre com todos os componentes feitos em casa. Também a matéria-prima cada vez mais tem origem em mercados mais baratos e abundantes, como Ásia e Leste Europeu. A inovação, a invenção e as patentes já possuem competição externa considerável, como no caso de eletrônicos. Apesar disso, ainda há uma boa vantagem dos EUA, Inglaterra e França na geração de ideias científicas e tecnologias. Difícil saber qual a tendência em relação a essa diferença. Há dúvidas sobre se a mão de obra da nova geração possui a mesma determinação e formação das anteriores. Os salários cresceram e poderiam estar acima do que agregariam em valor de produção, em um mercado pagador cada vez menos produtor.
  • Não somente a geração de produtos, mas o provimento de serviços, como call centers e centros de desenvolvimento de software, têm sido transferidos para locais de menor custo – Índia e outros. Os americanos nativos conhecem pouco o mundo exterior, apesar de serem bastante pragmáticos na visão comercial. Já os europeus, por sua história e civilização, conhecem melhor o mundo externo, inclusive pelas fases de imigração nos séculos passados. O fato é que muitos empresários dessas regiões adquirem ativos produtivos no exterior, inclusive no Brasil, visando recuperar a produção perdida localmente e manter suas matrizes em operação. Como donos, podem definir o que se produz com cada recurso. A alta atividade nos serviços domésticos nos EUA e na Europa não gera riqueza nova proporcional, apenas distribui recursos existentes e de crescimento vegetativo, em um círculo limitado
  • de trocas internas. Por mais que intelectuais digam que o mundo está na era do conhecimento, o que ainda gera trabalho em grande escala é a produção convencional, a indústria de transformação. Dominar a cadeia de fornecimento, do alfinete ao foguete, do pó ao aspirador, é uma estratégia necessária a qualquer país. Permite um crescimento com emprego, produção, vendas e tudo o que disso decorre. Enfim, o sistemas produtivos americano e europeu estão doentes, mas não estão mortos. São povos que se mobilizaram com rapidez no passado recente, possuem sistemas de comunicação eficientes e têm no sangue o direcionamento de mercado. Reanimar a economia pode não ser uma tarefa impossível. Não se pode negligenciar os conceitos precisos que detêm sobre tecnologias e sua utilização, bem como o modelo mental objetivo de negócios que permeia as regiões.
  • Provavelmente, virão anos difíceis de ajustes e adaptações. Mas é provável, também, que ressurja uma economia renovada e mais forte, ao mesmo tempo que os grandes produtores externos da vez também comecem a experimentar a realidade de sociedades mais desenvolvidas. O tempo que isto leva não se sabe, mas vai ser um desafio interessante.
  • O Repetro se aplica à partilha? A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [02.03.2012] 11h32m / Por Armando Cavanha O Repetro, regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural, teria sido concebido para reduzir custos e incentivar a fase exploratória no regime de concessões. O interesse seria desonerar os momentos de investimentos sem receitas e permitir ao Estado recuperar tais “valores” nos momentos de operação da produção, quando ocorre o retorno financeiro do processo de E&P. Esquematicamente, exploração, delimitação de reservas e desenvolvimento da produção são fases de puro desembolso. As receitas se iniciam na fase de operação da produção.
  • Para o regime de concessões e para acumulações de dimensões médias/pequenas, a depender de oportunidades aqui e em outras partes do mundo e de outros negócios, a aplicação de um Repetro poderia aumentar a atração de capital do exterior e local, em um ambiente de investimentos baseado em riscos e valores esperados. Presume-se que as grandes acumulações são pouco frequentes, enquanto as pequenas ocorrências são mais prováveis. A distribuição Lognormal permite induzir que, quando se escolhe o regime de concessões para acumulações potenciais pequenas e frequentes, a desoneração na fase de não receita pode ser interessante. Mesmo para grandes acumulações potenciais de alto risco, sempre comparativamente às demais acumulações e ao mundo que nos rodeia, o mesmo regime de concessões e uma sistemática de desoneração são normalmente aplicáveis.
  • O Repetro decorre da estratégia de recursos do país e deve ter como fim a otimização dos negócios. Não se trata, operacionalmente falando, de desonerar “top side”e/ou “subsea”, equipamento por equipamento, incluindo ou não operações em poços, mas sim de desonerar a atividade como um todo, o momento do investimento sem certeza de retorno. Não importa o bem ou serviço relacionado, mas sim a atividade em que seja caracterizada a saída pura de recursos, em ambientes de alto risco. Entretanto, para acumulações de tamanho significativo e de poucas incertezas na exploração, quando é escolhida a partilha de produção, um Repetro – ou sistemática de desoneração na fase de não receita – já não tem o mesmo significado. O conceito parece ser necessariamente diferente. A “ausência” de risco e a grande dimensão das acumulações parecem não induzir a necessidade de desoneração na fase de
  • desembolso. Aparentemente não seriam necessários incentivos para atrair investimentos. O pré-sal, em tese, se enquadraria nesta categoria. Portanto, para o regime de concessões o Repetro parece bastante cabível, desonerando a fase de não receita, recuperando tais valores na fase de produção. Já para o regime de partilha há dúvidas sobre a necessidade de desonerar as fases de não receita, pois a distribuição de acumulações não segue um balanço entre riscos e dimensões, distribuídos segundo uma Lognormal. Na verdade, não há probabilidades sobre as reservas, mas sim certezas. Obviamente há muitas outras variáveis a considerar nesta decisão: questões de valores, reservas, custos, janelas de oportunidade, modelo de concessões existente, modelo de partilha proposto, etc. Contudo, os desafios do pré-sal parecem ser tecnologia, logística, capacitação, mercado fornecedor e
  • infraestrutura. Quem sabe poderia ser a chance de reverter esses valores de não Repetro em pré-sal para investimentos diretos em pesquisa e capacitação, visando suportar os grandes investimentos dos próximos anos? Há grande expectativa com as definições para óleo e gás e resoluções que permitam à indústria se ajustar às demandas que virão. O país necessita discursar, legislar e operar de forma clara, simples, única, sem controles em excesso, sem burocracias, sem indústria de certificações. Auditar por amostragem. Aplicar os conceitos regulatórios de forma aderente aos negócios, alinhar conhecimento, estratégia e operações. Tudo isso vai requerer dos órgãos governamentais uma liderança explícita e firme, com clareza e velocidade, visando convergir todos os conceitos e operacionalizá-los. Desafio que, sem dúvida, mais uma vez o Brasil irá vencer. A coluna de Armando Cavanha é publicada a cada dois meses
  • Conteúdo local e modelos de contratação A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [02.05.2012] 06h46m / Por Armando Cavanha Filho Nos anos 1980, o Brasil viveu uma época chamada “nacionalização”, que contou com diferentes esforços na produção brasileira de bens para as atividades de petróleo locais. Aceitava-se até pagar um pouco mais por um equipamento aqui construído. Isso fez nascer inúmeras plantas fabris no país, gerou conhecimento e empregos, embora nem todas as ações foram essenciais e duradouras. No início dos anos 90 houve uma ruptura de conceito. A tese, à época, era de que apenas o mercado aberto e a competição pura resolveriam quem e onde produziria cada recurso demandado. De todo o esforço anterior restaram poucos
  • sobreviventes, e nem todos com fôlego para enfrentar escala e tecnologias dos fabricantes internacionais. Nos últimos anos foi concebido um novo esforço de nacionalidade, com a denominação “conteúdo local”. A ANP define valores mínimos para as operadoras nas fases exploratória e de desenvolvimento da produção, e esses índices fazem parte das concessões de óleo e gás. Tais percentuais mínimos de fabricação em solo nacional são repassados ao mercado fornecedor. Os provedores de primeiro contato desdobram as exigências aos seus subfornecedores de partes, peças, componentes, serviços, todos buscando alternativas nacionais, calculando e exercitando as aproximações sucessivas de custos, percentuais, multas e tempos. É certo que a definição de percentuais mínimos permite indicar a direção, mas não contém todos os ingredientes necessários
  • para a geração local sustentada e a retenção de capacidades e competências no país. A qualquer mudança política ou do humor de gestores, todos os planos e investimentos podem ser ameaçados. O próximo passo seria transformar essa imposição de percentuais em atrativo econômico. Alguns mecanismos poderiam colaborar para isso: Ampliar a execução de compras pelo custo total (incluindo projetos, logística, estoques, manutenção, documentação, energia, viagens, etc.), em vez de apenas pelo preço nominal, o que explicita custos estrangeiros normalmente não considerados; Desonerar seletivamente cadeias de suprimentos locais, por redução de impostos à montante;
  • Incentivar a padronização regional de especificação para tecnologias dominadas; Promover a pesquisa operacional objetiva e focalizada sobre lacunas industriais, com decorrente capacitação antecipada; Incrementar os mecanismos de exportação, para aumentar escala e reduzir custos unitários; Ampliar a contratação direta de fornecedores desenvolvidos localmente: “se desenvolvê-los, contrate; se não contratá-los, não vale a pena desenvolvê-los”; Contratar com base em demandas decenais de categorias selecionadas, reduzindo o número de licitações e de leilões e aumentando escolhas parceiras;
  • Privilegiar o controle completo do processo – da matéria prima ao produto aplicado – para categorias selecionadas, sob o conceito da “soberania da categoria”; Utilizar cálculos rastreáveis e memória de cálculo explícitas, a fim de entender cada parcela de custo e origem, para pelo menos 20% da quantidade de bens e serviços relevantes (80% do valor). Eis o desafio: discutir o tema de forma organizada, com tempo determinado para sua conclusão. Entenda-se “conclusão” como plano de ação, metas e responsáveis. Compromissos. Precisamos desfazer a percepção de que no Brasil gostamos muito de diagnósticos, mas por vezes não implantamos o que foi discutido e combinado. Evoluir da imposição de números para a atração econômica traria menos verificações, auditorias, certificações. Menos
  • preocupações em cumprir percentuais e mais energia para elaborar e construir. Reduziria o apetite de operadores e fornecedores por contornar exigências e desmotivaria a “indústria da multa”. Poderia ser parte de uma política industrial setorial, com uma visão prática, estável, para 20 ou 30 anos, dando substância aos vultosos e prolongados investimentos em óleo e gás que virão para o país. Seria um programa de Estado, não de um ou outro governo, partidos, grupos, entidades. Teria de permear o pensamento brasileiro, estimular o orgulho, a percepção de que é possível. O Brasil e os brasileiros poderiam descobrir que comprar ao máximo bens e serviços feitos integralmente no país, exigindo qualidade e sustentação ambiental, faria crescer a região sem a necessidade de artifícios ou favores. E isso criaria uma corrente natural de desenvolvimento social. A coluna de Armando Cavanha é publicada a cada dois meses
  • O ciclo exploratório e o conhecimento A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [03.07.2012] 00h00m / Por Armando Cavanha Filho Os processos de conhecimento em sua maioria são contínuos, cumulativos. Ao longo do tempo sedimentam informações, saber e coparticipação. Países muito desenvolvidos investiram pesadamente em capacitação e conhecimento. Geram sistematicamente invenções, inovações, descobertas e, por conseguinte, negócios e empregos. Nisso se enquadra a exploração de hidrocarbonetos. Por ser probabilística e estocástica, demanda investimentos de grandes magnitudes no saber, sem contrapartida assegurada de resultados.
  • Há atividades determinísticas e probabilísticas. Nas determinísticas, como na indústria de transformação, insumo e produto são proporcionais. No campo probabilístico, no entanto, recursos e resultados são pouco dependentes: a existência de um não presume a decorrência do outro. No caso dos hidrocarbonetos, os processos de desenvolvimento e operação da produção são determinísticos, assemelhados aos da indústria de transformação. O processo exploratório, porém, é probabilístico. Sendo assim, acertos e não acertos retornam informação para a base de conhecimento geradora de modelos e ensaios. A exploração, a primeira na sequência natural, é estratégica e sua acumulação em conhecimento é quase que compulsória. Boas decisões e maiores probabilidades de sucesso dependem de uma atividade madura, científica, contínua, permitindo crescente previsibilidade por modelos cada vez mais
  • coerentes, com retenção de talentos e ambiente incentivador à inovação (descoberta). Assim, quanto mais contínuos são os ciclos exploratórios de um país, mais significativa é a probabilidade de sucesso. Como a exploração é um processo de conhecimento, de tratamento de informação, qualquer interrupção pode causar perda dos elos de geração de ideias e desconexão entre gerações de cientistas. Explorar não significa produzir. Pode-se explorar todas as potencialidades de recursos naturais e nada se produzir. Produzir pode ser controlado, taxado, “royaltizado”. Já explorar deve ser desonerado, incentivado. Trata-se de conhecer as bacias sedimentares de forma crescente, fazendo e refazendo trabalhos em função de tecnologias de geofísica e geologia, processamento, interpretação. Isso permite horizontes mais longos de planejamento de investimentos, decisões
  • estratégicas sobre recursos cada vez mais conhecidos, retenção de talentos locais, atração de investimentos nacionais e externos. Quanto maior a atividade exploratória, maior é a indução ao conteúdo local, pois encoraja investidores, públicos ou privados, a enxergar as vantagens de serem locais por tempo mais longo. Quando se fala em conteúdo local, seria bem melhor se ele fosse reconhecido como capital intelectual local. Fala-se em continuidade, consistência, segurança de investimentos. Não são apenas fábricas e máquinas, são muito mais pessoas e talentos. O Brasil hoje convive com dois modelos de E&P de óleo e gás – concessão e partilha da produção –, cujas regras estão ainda sendo estabelecidas de maneira definitiva. Entretanto, isso não deveria inibir ou postergar a exploração, ou seja, o conhecimento e a delimitação dos recursos naturais existentes.
  • Independentemente de ideologias, partidos ou correntes, um país deve conhecer o que tem da maneira mais completa possível. Discutir sobre hipóteses e sonhos não é tão eficaz quanto tratar de fatos e dados. Assim, seria interessante para o Brasil não interromper o ciclo exploratório – ou melhor, o conhecer de seus recursos –, aplicando o conceito da frequência constante e conteúdo variável (de forma simples, a teoria do ônibus). Seria como se tivéssemos ciclos constantes para concessões e partilha de produção, com repetibilidade e previsibilidade de eventos, mas apenas disponibilizando em cada evento blocos/ativos que o país estrategicamente, em cada momento, deseje compartilhar.
  • O conteúdo intelectual A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [01.09.2012] 00h00m / Por Armando Cavanha Filho Um dia, no Brasil lá do passado, foram as proibições às importações. Depois, a substituição de partes e peças de manutenção importadas por equivalentes nacionais. Atualmente, o conteúdo local mínimo para os projetos de óleo e gás. O que vem pela frente? O foco da aplicação do conteúdo local nos investimentos em petróleo está em ativos físicos, equipamentos, materiais e serviços. Há, sim, o ingrediente capacitação, mas a variável que influi nas licitações de blocos exploratórios e produz possíveis multas é a do atendimento ao percentual financeiro nacional/importado. Planilhas, contas, empresas certificadoras, credenciadoras, um sistema complexo – mas não tão eficaz.
  • Uma vez que o centro de medição está no produto final, pode não tratar igualmente a cadeia produtiva a montante – componentes, subprodutos intermediários, infraestrutura de produção. Um exemplo: produzimos o copinho plástico, mas frequentemente a máquina que faz o copinho vem de fora. O insumo plástico, por vezes, é patente estrangeira. Quase sempre importamos, também, as máquinas que fazem máquinas (máquinas operatrizes). Da mesma forma, fazemos exames médicos no país, mas os equipamentos de ultrassom, tomografia, raios X, são quase todos importados. As engenharias têm pouca influência no conceito, nas decisões de negócio, momento da melhor chance de direcionar estrategicamente o conteúdo local. Na definição de tamanho e quantidade de cada sistema e do tipo de contratação, integrada ou desmembrada, podem residir importantes viabilidades
  • nacionais. Especificar uma bomba que se fabrica apenas no país “Y” ou três menores equivalentes que seriam fabricadas localmente se faz na engenharia inicial. Obviamente, considerando economicidade, eficiência, mas também flexibilidade, manutenção, fabricação local e custo total mínimo. Mas há, sim, uma etapa posterior ao conteúdo local. É o conteúdo intelectual, entendido como o conjunto de qualificações, habilidades, conhecimento e criatividade de uma fronteira populacional. Exemplos recentes são a Coreia do Sul e a China. No passado, foi o Japão. Absorvem as fábricas, depois a pesquisa operacional, o controle da qualidade, a invenção, a patente. O ciclo completo, sem lacunas. Como isso é feito? “Não há nada que resista a uma boa educação, com ela conseguimos até que os ursos dancem”, disse Claude A. Helvécio, filosofo francês que viveu de 1715 a 1771.
  • Não é suficiente se for de poucos, só possui massa crítica se for de muitos. Uma população homogeneamente capaz. E não apenas “o que fazer” é importante, mas o “como fazer” toma alta relevância. A pesquisa passa a ser operacional, focada na solução de problemas reais. Significa estudar e aprender a fazer máquinas que produzem e suportam processos e outras máquinas. Por exemplo, sabemos contratar as tecnologias de perfilagem de poços ou geofísica marítima; mas as tecnologias e os equipamentos são todos estrangeiros. Não há nada contra ser do exterior, mas, se não avançarmos, estaremos sujeitos à desindustrialização do que já temos. Há vários exemplos de ações, como ter escolas técnicas por todos os cantos do país, realizar contratações horizontais (integradas), ter a engenharia brasileira na fase do conceito, trocar uma parte do dinheiro por ações de participação nos
  • lucros de colaboradores, etc. Ter um plano que seja uma obsessão. Não uma oferta, mas sim uma obrigação. Com um novo patamar intelectual, as idéias e as soluções iriam brotar naturalmente. As demandas seriam entendidas. As ofertas não seriam reprimidas. O país deixaria de ser o palácio dos diagnósticos e promoveria o empreendedorismo e a iniciativa colaborativos. Refazemos em demasia as análises, trocamos inesperadamente o objeto da síntese e derrapamos consideravelmente nas implementações. Desvios necessitam ter consequências simples e diretas, reduzindo a necessidade do excesso de filtros preventivos nos processos produtivos. Somos burocráticos porque não há consequências para os desvios. Então, requer-se esforços enormes para desvendar previamente ilicitudes possíveis,
  • porque, caso elas aconteçam, nada mais há a fazer. Vira perda. Os últimos governos têm mostrado já terem tido essa percepção, ainda que de maneira acanhada. Há uma enorme esperança para os próximos tempos. Já demos passos importantes em diversos segmentos, porém há ainda insatisfação com os vazios sistêmicos e diários. Um dia, no futuro, teríamos um novo indicador nas licitações: o índice do conteúdo intelectual. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail: cavanha@yahoo.com
  • Ajuste natural A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [31.10.2012] 17h06m / Por Armando Cavanha Filho O petróleo é do Estado, da nação. Riquezas naturais são assim em qualquer lugar do mundo civilizado. Se a natureza contemplou um país com riquezas, elas são propriedade deste país, do povo da região. Por outro lado, dominar o ciclo de valor desde a reserva até o produto depende muito mais do desenvolvimento e da qualificação da população do que de soberania ou nacionalismo. Assim, gestão da riqueza natural da nação é diferente da execução do ciclo produtivo, de quem detém tecnologia. Administrar as riquezas naturais de um país, ou seja, conhecer, delimitar e distribuir a exploração de forma conveniente à
  • nação, que é um papel do Estado, deveria ser executado por poucas e fortes entidades, senão por uma só. Não será difícil misturar atribuições de Ministério de Minas e Energia, ANP, Petrobras e a futura PPSA, por mais bem descritas que sejam. Diminuir essa possibilidade, porém, requer esforço contínuo, sobretudo quando se muda de domínio político e são criados modelos novos sem extinguir por completo os modelos antigos, o que traz riscos de dubiedade de visões e retardos nada estratégicos dos movimentos à frente. No que se refere à execução do ciclo produtivo, ou seja, à operação dos campos de óleo e gás do pré-sal sob o regime de partilha de produção, os projetos estariam reservados a um operador único, a Petrobras, com sócios permitidos. Nos demais campos, os não pré-sal, as operações seriam destinadas aos vencedores das licitações da ANP pelo regime
  • de concessões. O fato de não existirem muitos operadores limita o sistema, deixando-o menos robusto e fazendo com que se evidenciem erros e falhas muito mais que acertos. O que deveria ser único está múltiplo, e o que poderia ser diversificado está limitado. Gestores deveriam ser em menor número; operadores poderiam ser em maior quantidade. Para o operador dominante, apesar de sua alta capacidade técnica reconhecida em âmbito mundial, aumenta continuamente a complexidade de gestão para algo tão imenso e diversificado. Sobretudo em um país como o Brasil, sem todas as estruturas produtivas desenvolvidas, o que pode requerer esforços multiplicados no manuseio isolado de tantas operações. Questões legais, de meio ambiente, de demanda e oferta da indústria fornecedora local, de fluxos financeiros, de capacitação de pessoal, de logística – a infraestrutura não é do país, e sim da própria empresa –, todas essas variáveis ficam
  • sob um ângulo reduzido, uma alta exposição para um só agente executor. Na atividade de petróleo muitas vezes são utilizados conceitos como redundância de sistemas e contingências envolvendo recursos de diversos operadores. Segurança operacional, alternativas logísticas, reposição de material de emergência, associação em casos de crises permitem reduzir o risco individual em operações. Do ponto de vista dos negócios, atenuam o risco empresarial, requerem provas de racionalidade técnica, aumentam o volume disponível de investimentos. O posicionamento dos estrangeiros é singular no Brasil. Sócios, na maioria das vezes apenas sócios, portanto, sem risco operacional. Só o risco, que não é tão alto por aqui, do próprio negócio. Quase bancos?
  • Toda empresa de óleo e gás tem interesse em ser operadora. Faz parte de sua formação, capacitação, de seu desenvolvimento tecnológico, do conhecimento das bacias sedimentares e potenciais, e, obviamente, dos ganhos nos negócios. Muitas oportunidades ocorrem em grande parte quando uma empresa é operadora, pois isso intensifica seu contato e seu conhecimento das atividades de mercado, regulatórias, as informações originais sobre geologia, geofísica, engenharia de reservatórios, desenvolvimento da produção, permitindo-lhe aplicar técnicas de gestão e tecnologias específicas. Além de incentivar as trocas de ativos internacionais. O mercado de óleo e gás no Brasil vem se transformando naturalmente, e o imenso desafio vai sendo distribuído com outros operadores, não haverá outra maneira. A próxima rodada de licitações deve diversificar ainda mais os blocos,
  • entre empresas brasileiras e estrangeiras de portes variados. Os controles devem ficar com o Estado, com uma gestão aumentada para controlar, sem riscos, a maior quantidade de operadores. Esse aumento do número de operadores provavelmente proporcionaria um crescimento da capilaridade das operações regionais, de menor porte, por capital nacional próprio ou associado empreendedor. A tendência é o aumento da quantidade de operadores de forma espontânea, com o país experimentando um novo ciclo de gestão das riquezas do petróleo. Um ajuste natural do sistema, que será interessante observar. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail: cavanha@yahoo.com
  • Saber contratar ou saber fazer? A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [03.01.2013] 18h02m / Por Armando Cavanha Filho Diversas atividades no setor de petróleo no Brasil são executadas por empresas estrangeiras e, por vezes, também por pessoal vindo do exterior. A imposição de índices de conteúdo local pelo governo faz com que essas companhias executem suas atividades no país de forma estratégica, iniciando por operações, logística e manutenção, e passando, quando indispensável, para fabricação de partes, peças e sistemas complementares. Quando dizemos que o país domina a tecnologia de águas profundas não significa dizer que sempre “sabemos fazer”. Por
  • vezes esse domínio significa que sabemos especificar, solicitar e supervisionar. Ou seja, “sabemos contratar”. “Saber fazer” envolve pesquisa, criação, desenvolvimento, desenho, construção, instalação e ajustes, bem como fazer a próxima versão. Exceção a isso é a Petrobras, no seu centro de pesquisas, onde concentra inteligência em áreas específicas, conseguindo ativar o circuito até o “saber fazer”. Controlamos, portanto, a contratação e a gestão de uso das tecnologias demandadas. Não necessariamente sabemos fazer os bens e executar os serviços mais sofisticados. Para os temas mais complexos, não temos tantas empresas nacionais. Nos EUA, por exemplo, apesar de um momento acanhado na produção de óleo e gás em relação ao consumo, os provedores de tecnologias e serviços complexos são “naturalmente locais”. Adicionalmente, encaram esse tema como soberania nacional e filtram exportações apenas para países amigos.
  • Nesse cenário, é crucial a maneira de contratar e comprar: a forma como são feitos aquisições, termos e condições, o que se inclui ou não nos contratos, características que podem fazer com que determinado assunto passe a ser dominado, com transferência e retenção de tecnologia. Contratos longos ou curtos, pacotes fechados ou segmentados, material com serviço acoplado ou serviço com material carregado, tipos de seguros, financiamentos, manutenção, partes e peças, e muitos outros detalhes contratuais que incentivam – ou não – o fazer local. Alianças, desenvolvimentos cooperados, escolhas dirigidas de fornecedores. Estes e outros mecanismos conhecidos aqui, porém pouco utilizados de modo sistemático, deixam de ter força para garantir fornecimentos robustos. Também patentes compartilhadas, expectativas de operações futuras e estabilidade de oportunidades influem na credibilidade e nos
  • investimentos. Fazer alianças ou escolhas dirigidas no Brasil induz ao pensamento de negócios obtusos, aparenta preferências pessoais. As universidades do país são ponto chave desta caminhada. Seria interessante se pudessem aplicar inteligência em um mapeamento de serviços e tecnologias envolvidos nas atividades de petróleo, fazendo um diagrama composto da breve descrição de cada atividade: origem do equipamento, recursos humanos, volume de preços anuais despendidos, grau de evolução no Brasil. Um mapa do conhecimento, cuja atualização anual permitiria suficiente visibilidade para empreendedores na busca de soluções para cada assunto dito carente. Sobre um diagrama de lacunas ficaria mais fácil preparar programas de capacitação operacional para cada “fraqueza”,
  • ajustando-os de modo a absorver o conhecimento inicial necessário para um dia saber “fazer mais”. Dos operadores privados nacionais, há pouco investimento em capacitação no conhecimento de estratégias de compras e contratações. Para as estatais, leia-se a Petrobras, as restrições são aparentemente legais (Decreto 2.745, TCU) e de necessidade de diversificar fornecedores. Seu tamanho relativo influi sobre a existência ou extinção de provedores com qualquer movimento não previsto no mercado. Ante as reservas já previstas e os investimentos esperados para as próximas décadas, o tema “Contratar ou Fazer” pode ser atrativo para organizações do Estado (MME, MCT, MDIC, ANP, BNDES, etc.), associações (IBP, Onip, Abimaq, etc.), empresas de óleo e gás e provedores. Uma boa oportunidade para discutir avaliação, orientação acadêmica, pesquisa, estudos, preparação de mão de obra qualificada e
  • investimentos direcionados da indústria. Poderia ser bom para o país. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail: cavanha@yahoo.com
  • Compras eletrônicas em óleo e gás A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [27.02.2013] 16h59m / Por Armando Cavanha Filho As empresas de óleo e gás projetam comprar em bens e serviços nos próximos anos mais de U$ 30 bilhões em investimentos e U$ 20 bilhões em operações. Estima-se que haverá mais de 200 mil acessos ao mercado fornecedor anualmente, conforme simulações feitas a partir de apresentações dos planos estratégicos de empresas e do IBP. Todos os tipos de compras de bens e serviços requerem documentação, desde requisições internas, especificações, desenhos, correspondência, propostas, planilhas, contratos, aditivos, revisões, documentos de pagamentos, etc.
  • Estimando-se que cada processo de compra ou contratação utilize, em média, 200 gramas de papel (40 folhas), considerando o ciclo desde a requisição até o pagamento, isso totalizaria 40 toneladas de papel por ano (200 mil processos, com 200 gramas cada). O portal de compras da Petrobras (http://www.petronect.com.br) contém a seguinte informação: Uma tonelada de papel novo precisa de 55 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil kWh de energia. Com relação ao gás carbônico, seriam produzidos 400 kg de CO2 para produzir uma tonelada de papel, e deixariam de ser absorvidos 440 kg de CO2 na fotossíntese dessas árvores. Portanto, se todas as empresas de petróleo no Brasil utilizassem portais eletrônicos em sua plenitude, estariam economizando por ano 2.200 eucaliptos, 4 milhões de litros de água e 200.000 kWh de energia. Obviamente deve ser
  • descontado o consumo do uso da eletrônica, bem como seus problemas de rejeitos e passivos, que requerem tratamento. Apesar de sua enorme importância, contudo, não são apenas os aspectos ambientais que têm relevância. A guarda, a segurança, a velocidade e a precisão da busca de informação em um processo são muito distintos em meio eletrônico e em meio físico. Em papel, os documentos geram demandas de espaço e movimentação significativas. Como é necessário guardá-los por vários anos, por orientações legais, armazenar papel de forma organizada requer áreas físicas enormes, um processo de gestão razoavelmente custoso. Um portal de compras, em sua essência, é um sistema informatizado que possui, de um lado, compradores e usuários de uma operadora, e de outro, o mercado fornecedor, disposto a fazer propostas e assinar contratos de materiais ou serviços.
  • Um quer comprar, o outro quer vender. Intermediando essa comunicação está o portal. Há portais exclusivos, de uma única empresa, e há sistemas multiclientes, nos quais mais de um operador tem acesso a um sistema contratado com as funcionalidades de portal, mantendo seus dados preservados. Os portais podem oferecer diversas modalidades de contratação. Compras pelo menor preço, técnica e preço, análise de mercado, leilões reversos e diretos, compras dirigidas, compras colaborativas, diligenciamento de fabricação, acompanhamento de entrega, etc. Os portais podem se adaptar para seguir legislações específicas, como a Lei 8.666 ou o Decreto 2.745, ou regras de negócios específicas de empresas estrangeiras ou nacionais. Eles também podem abrigar cadastros de fornecedores, separando provedores por categorias de materiais e serviços. E permitem
  • o uso de estratégias de compras, negociações, comunicações padronizadas, induzindo melhora de preço, prazo e controle das aquisições. Há diversos portais no Brasil que permitem compras e contratações, cada um com diferentes operações (compras diretas, leilões, licitações, etc.): Comprasnet, Licitações-E, GXS, Mercado Eletrônico, Nexxera, Paradigma, Quadrem, Superbid, Superbuy, Webb e Petronect, entre outros. Imagine-se hoje fazendo sua declaração de imposto de renda em papel. Impossível, não? Então, um dia será assim para compras e contratos. Este é um tema atrativo para gestores com visão de longo prazo que desejam diminuir custos, incrementar a segurança da informação, aumentar a velocidade dos processos, reduzir
  • espaços físicos e buscar eficiência operacional. E, claro, plantar mais árvores. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail: cavanha@yahoo.com
  • Os desafios dos grandes projetos em E&P A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [29.05.2013] 14h25m / Por Armando Cavanha Filho Os grandes projetos de desenvolvimento da produção em E&P têm sido analisados por diversas consultorias, como Schlumberger Business Consulting, SBC (“Desafios na entrega de megaprojetos em E&P”), Accenture (“Pesquisa global de grandes projetos de capital”) e A.T. Kearney (“Projetos de grandes investimentos”). Resumidamente, eis algumas conclusões importantes: – O dispêndio de capital triplicou nos últimos dez anos, atingindo US$ 550 bilhões em 2011. – A quantidade de projetos em andamento acima de US$ 1 bilhão quadriplicou, passando para a gestão de 40 operadores.
  • – Para o período 2011-2035, há previsões de serem gastos quase US$ 20 trilhões no setor de óleo e gás em todo o mundo, e 13% desse total vão se destinar à América Latina. – Mais de 60% dos projetos ultrapassam o orçamento aprovado. – Mais de 70% dos projetos são entregues após o prazo acordado. – Quase 50% dos desafios estão relacionados a exigências regulatórias. – A transição entre construção e operação ainda é motivo de muitas perdas. – Cerca de um terço dos trabalhadores veem a Tecnologia da Informação (TI) como não contributiva para as tarefas demandadas neste segmento.
  • – Há falta de líderes para a condução dos projetos. – A questão dos talentos é um grande desafio dos próximos anos, na percepção de quase a totalidade dos gestores. – Aumenta o convívio com múltiplos sócios, múltiplas interfaces, múltiplos riscos. – Compras, contratos, engenharia e projeto são desafiados por um mercado pouco preparado, com excesso de visão de curto prazo e gestão não automatizada. Possivelmente as causas dessas conclusões são que as operações têm se dado em águas cada vez mais profundas, com acessos a reservatórios antes não trabalhados, com controles de meio ambiente a cada dia mais severos, utilizando unidades de produção com tamanhos continuamente crescentes.
  • Há um tema recorrente e de alto impacto na gestão de grandes projetos que trata dos fluxos de informação e do sistema de influência a montante. Como intervir antes que seja tarde, ou seja, como ajustar requisitos e especificações antecipadamente, evitando problemas a jusante? A sequência de eventos nesses grandes projetos pode ser sintetizada pela seguintes fases: • projeto conceitual • projeto básico • projeto de detalhamento • compras e contratos
  • • construção e montagem • instalação e pré-operação • operação e manutenção • desmobilização Na fase conceitual, a liberdade de ajustes é bastante ampla. O projeto básico ainda experimenta grande liberdade, permitindo a escolha de tecnologias e alternativas. Já o detalhamento deve atender a muitas restrições impostas pelas fases anteriores. A partir daí, cumpre-se o especificado. Se algo estiver errado, as ações são limitadas. É comum gastar tempo na solução de problemas relativos à atividade anterior. Informações confusas, não objetivas e equivocadas, chegam sem compromissos claros à etapa seguinte. Não há qualidade garantida, mesmo nos casos em
  • que as informações sejam consideradas, pelo emitente, precisas e relevantes. Diversas soluções foram experimentadas, como trabalhadores convivendo temporariamente em atividades anteriores e posteriores, tentando reduzir o impacto da desinformação anterior e futura. O “sonho” seria algo como uma “cadeia de informação em engenharia” (engineering chain), com dados, informações, documentos, análises essenciais preservados e de forma estruturada, fluindo nos dois sentidos, entre todas as engenharias, desde o conceito até a desmobilização. Organizações de provedores de serviços têm experimentado por anos influir positivamente nos processos iniciais, uma tarefa que, sendo coletiva, torna-se sem dúvida colaborativa. Um projeto de certeza informacional das engenharias traria fluxos de caixa mais robustos e redução de custos de gestão, motivando trabalhadores e melhorando os compromissos
  • empresariais. Um belo desafio para o Brasil, que terá mais de U$ 1 trilhão para investir em óleo e gás nas próximas três décadas. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail: cavanha@yahoo.com
  • Supply chain em óleo e gás A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [25.06.2013] 15h51m / Por Armando Cavanha Filho O processo produtivo de petróleo pode ser decomposto em duas diferentes cadeias de suprimento: uma de fluidos (óleo, gás, condensado, etc.) e a outra de bens e serviços (materiais, equipamentos, mão de obra especializada e geral). Os fluidos, que são os produtos e geram receita com o seu tratamento e venda, nascem dos reservatórios, a partir de reservas descobertas. Formam o primeiro supply chain, um processo em série. Já bens e serviços, que são considerados custo, cruzam todos os segmentos produtivos da primeira cadeia. Este segundo supply chain é um processo em paralelo.
  • Os desafios das recentes descobertas brasileiras em óleo e gás estão presentes nas duas cadeias. Para os fluidos, há demandas de pesquisa e desenvolvimento com relação a características dos reservatórios, porosidade, permeabilidade, profundidade, pressão, temperatura, presença de CO2, viscosidade, existência de camadas de rochas especiais, etc. São desafios de natureza mais científica, ligados a geologia e engenharia de reservatórios. Essa área de conhecimento, conhecida como “soft science”, é fundamentada na física e na química aplicadas à geologia, com um grau de probabilismo intenso. Para bens e serviços, as novas questões se referem às soluções de recursos para grandes espessuras de água, correntes marítimas, grande profundidade dos poços, distâncias logísticas da costa na faixa de 200 km ou mais. As operações se darão em regiões sem nenhuma infraestrutura
  • física de apoio, com escoamento ainda não disponível. Esse conjunto de demandas, por vezes chamadas de “hardware engineering”, são de alta demanda de engenharias mecânica, naval, equipamentos, eletrônica, focalizadas em dimensionamentos antes não executados para estruturas móveis de grandes dimensões físicas. Navios, FPSOs, linhas flexíveis, subsea especial, poços diferenciados. E mais uma enorme quantidade de recursos para variáveis até então não experimentadas. As duas demandas em supply chain a vencer requerem formação básica, científica e técnica em qualidade, quantidade e continuidade para compor soluções e inovações quase diárias. A primeira cadeia requer grau máximo de controle e nacionalização inteligente. Nesse campo residem as estratégias de incorporação de reservas, níveis de produção,
  • seleção de objetivos geológicos, qualificação e tratamento de reservatórios. O Brasil, nesse ambiente, está operacionalmente saudável, apesar de ocasionalmente demandar ajustes em inovação. A segunda cadeia, mais técnica do que científica, normalmente requer participação dos grandes solucionadores internacionais. Temos, no Brasil de hoje, pouca infraestrutura básica e fabril para certos equipamentos e serviços especializados. Nos recursos nos quais se requer contato com os fluidos, mais sensíveis, temos ainda importantes desenvolvimentos a realizar. Nos temas mais gerais, que demandam mais volumes e organização do que tecnologia, temos espaço para os recursos locais, apesar de não o ocuparmos de forma ainda suficiente. Os sistemas universitário e empresarial brasileiro vêm incrementando convênios, redes, teses, treinamento,
  • identificação de necessidades futuras e centros de pesquisas especializados. Parte dos recursos vem de parcela legal de tributos de petróleo. Mesmo que as ações ainda sejam mais operacionais do que científicas e inovadoras, o “arraste” de conhecimento naturalmente se inicia. É fundamental garantir a continuidade nesses processos de pesquisa e desenvolvimento. É preciso ter meta, objetivo e consequências nos resultados. Em outras partes do mundo foi assim, como no Japão, na Coreia, e agora na China. Deverá ser, também, com o Brasil. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses Novo e-mail: aocava@gmail.com
  • Novos exportadores A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [28.08.2013] 16h14m / Por Armando Cavanha Filho Nos últimos anos, os EUA têm consumido cerca de 18 milhões de barris e produzido perto de 6 milhões de barris de petróleo por dia (indexmundi.com). “Por volta de 2020, prevê-se que os Estados Unidos da América serão o maior produtor mundial de petróleo (ultrapassando a Arábia Saudita), época em que o impacto das novas medidas de eficiência no consumo de combustível começará a ser notado no setor do transporte. A consequência deverá ser uma redução drástica das importações de petróleo pelos Estados Unidos, até a América
  • do Norte se tornar um exportador líquido de petróleo, por volta de 2030” (iea.org). Se a previsão da Agência Nacional de Energia (IEA) for certeira, então, em 15 anos, os EUA deverão produzir 12 milhões de bbl equivalentes por dia a mais do que atualmente, sem considerar o crescimento interno de consumo ou eficiências energéticas em curso. Assim, se atualmente a Arábia Saudita, a Venezuela e outros países produtores exportam volumes expressivos de petróleo para os EUA e sobrevivem com esses recursos de exportação, em menos de duas décadas não mais terão a entrada de divisas provenientes dessa venda contínua. A não ser que outros importadores venham a substituir no futuro os volumes importados hoje pelos EUA. O Brasil também deverá se tornar um exportador de petróleo, pois em 2020, por conta das reservas encontradas no pré-sal,
  • o país poderá estar produzindo cerca de 6 milhões de barris por dia, enquanto o consumo deverá estar na faixa de 3 milhões de barris/dia, conforme o texto “Produção de petróleo no Brasil deve atingir 6,1 milhões de barris em 2020”, do Portal Brasil (brasil.gov.br). Por isso, algumas perguntas podem ser feitas: Como ficarão as licitações de blocos no Brasil, tanto por concessão como por partilha de produção? O compromisso da Petrobras em investir 30% em todas as atividades no pré-sal, determinado pelo modelo de partilha, permanecerá viável? É possível para a Petrobras se manter operadora única do pré-sal por longo tempo? O modelo produtivo de pequenos campos e operações em terra terá uma nova distribuição empresarial? Quais serão as consequências para as fábricas locais de bens (equipamentos e materiais) e serviços? Como evitar rupturas de investimentos em bens e serviços com possíveis
  • descontinuidades de licitações de novos blocos? Haverá maior ou menor relevância para a política de conteúdo local no país? Como estarão preços e disponibilidade de equipamentos e serviços críticos para essa nova fase? Essas e inúmeras outras questões sugerem a necessidade de simulações e discussões. Seria recomendável planejar esse futuro próximo, pois ele poderá desequilibrar a atual maneira de se fazer as coisas. A previsão de volumes a consumir e a produzir, bem como as consequências em recursos, devem estar nas agendas de governo, indústria, instituições e trabalhadores. Vale a pena estudar as influências e os redirecionamentos nos fluxos financeiros entre países, no fornecimento de equipamentos, serviços e mão de obra locais. Tanto por conta do aumento da atividade brasileira como pelas novas atividades americanas. E também novos equilíbrios
  • energéticos, novos fluxos de transporte mundial de óleo e gás, novas iniciativas tecnológicas de bens e serviços para a cadeia de petróleo. Merece detalhamento e confirmação a sustentação dos volumes futuros de produção dos EUA, tão distintos dos atuais. Por quanto tempo estarão capacitados a produzir essas enormes quantidades de forma contínua? Quais as tecnologias substitutas que forçosamente virão para tomar espaço quando essa produção de petróleo começar a declinar, tanto por força da exaustão de reservas como por preços ou variáveis estratégicas mundiais? As relações geopolíticas entre países deverão mudar, não se sabe ainda para qual situação, tanto no campo político, financeiro, como no campo produtivo e fabril. Tudo com influência significativa na indústria de bens e serviços. Novos
  • fluxos, nova relação de forças e ajustes importantes poderão acontecer. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses E-mail aocava@gmail.com
  • Vulnerabilidades estruturais A coluna de Armando Cavanha Filho [27.09.2013] 17h07m / Por Armando Cavanha Filho Os estrangeiros não precisam nos espionar. Eles são os primeiros a ter as informações sobre nossa sísmica, poços, reservas, reservatórios. Muito antes de nós mesmos. A cadeia produtiva do petróleo, na fase exploratória, é constituída de aquisição geofísica, processamento e interpretação. A sísmica em águas profundas é feita por barcos e sistemas sofisticados americanos ou europeus (PGS, Western, CGG, etc.). Os primeiros a ver e gravar os dados não são os brasileiros. Quando os recebemos, eles já foram salvos automaticamente nos equipamentos estrangeiros. Em
  • perfilagem de poços três empresas dominam o mercado mundial, todas estrangeiras (Schlumberger, Halliburton, Baker). Nos escritórios, os dados são armazenados em sistemas operacionais e máquinas do exterior. A estrutura de banco de dados e o software é todo estrangeiro (Oracle, Landmark, etc.). Enviar dados na atualização de versões dos aplicativos é possível, mas não deve ser comum, pois as consequências são graves. A confiabilidade e a competição entre elas pode eliminar do mercado alguém que vaze dados. Restam-nos a interpretação e as reuniões de locação. Que também são feitas por mecanismos eletrônicos estrangeiros, como bancos de dados e aplicativos, salas de visualização, de Oracle, Landmark, Schlumberger, entre outras. Portanto, “espionar” seria o termo correto? Não seria preferível entender que esses provedores são parceiros tecnológicos em
  • atividade produtiva mundial? Em qualquer lugar do mundo essas empresas têm as tecnologias utilizadas em processos exploratórios, descobertas, desenvolvimentos. Há muitos e muitos anos. Os e-mails são enviados por sistemas estrangeiros (Lotus Notes, Microsoft Outlook e até Gmail, Yahoo, Hotmail). Estudos de reservatórios? As ferramentas são quase todas de fora. Sem falar nos programas para desenvolvimento da produção. Muitos dados já migram diretamente para a nuvem, armazenados em servidores fora do país. Poderia elencar centenas de operações internas em uma companhia de petróleo e suas vulnerabilidades. Essas tecnologias não são brasileiras, mas a gestão delas sim, bem como as escolhas, as configurações, a contratação.
  • Então, onde reside a nossa diferença? Temos um quadro de geofísicos, geólogos e engenheiros de reservatório notável. E o carro-chefe dessa história de sucesso é a Petrobras. Sem ela não se sabe o que teríamos, talvez nem o pré-sal. Claro, o passado não garante o futuro, mas ele foi mais de acertos que de erros, muito investimento em capacitação, um oásis intelectual nacional. Apesar de todos os problemas, como influências políticas, limitações nas contratações e por vezes funções também de Estado. O Brasil ainda tem um longo caminho. Desenvolver a indústria brasileira que suporta a atividade de petróleo é um desafio enorme. Passa por educação, treinamento, investimento em pesquisa, uma pitada de nacionalismo e muita organização, sobretudo mental. E continuidade. A cada interrupção de processo exploratório tudo desmorona. Ficamos cinco anos com discussões políticas e em poucos meses desaguamos
  • várias rodadas de concessões e partilha da produção, tudo ao mesmo tempo. O que haverá no ano que vem? E no próximo? Como se faz planejamento e investimento com tanta incerteza? Essa flutuação causa desconfiança, desinvestimento. Decisões que aparentam mais autoridade do que competência. Portanto, em vez de ficarmos desconfiados e decepcionados com a tal “espionagem”, melhor seria combinar esforços, aprender, capturar conhecimento, fazer colaboração e harmonia, pois a atividade de petróleo simplesmente não existe sem estrangeiros. Pelo menos atualmente.Não há magia. Tem de haver trabalho duro, pesado, sequente. Resultados são do conjunto, apesar de haver méritos individuais. Não há atalhos ou política milagrosa. Tanto a nova geopolítica em construção como as tecnologias substitutas do petróleo contarão uma nova história, que não sabemos ainda qual será. É viver para ver.
  • Excepcionalmente a coluna de Armando Cavanha Filho está sendo publicada este mês E-mail aocava@gmail.com
  • Monitoramento de reservatórios A coluna bimestral de Armando Cavanha Filho [28.10.2013] 14h32m / Por Armando Cavanha Filho Os levantamentos sísmicos têm sido a principal ferramenta para mapear as estruturas geológicas de subsuperfície, com foco na exploração de hidrocarbonetos. Entre os principais avanços tecnológicos na geofísica estão a gravação e o tratamento digital dos dados, seguidos pelas obtenções em 3D. Além disso, nas últimas décadas os levantamentos sismográficos passaram a ser usados como uma ferramenta de gerenciamento da explotação dos campos de petróleo. Os levantamentos 3D de alta resolução, repetidos em diferentes fases da vida útil do campo (gerando o 4D), permitem, então, um acompanhamento ao longo do tempo. Um requisito importante para esta sistemática é que a repetição da obtenção
  • de dados mantenha os parâmetros iniciais, incluindo a localização de emissores e receptores das ondas acústicas, o que permite verificar mudanças ocorridas no reservatório. Para operações em mar isso é um desafio, pois o próprio conjunto barco e cabos receptores chega a ocupar uma área de cerca de 80 km2 na superfície marinha. Um campo de petróleo offshore é uma área movimentada, com várias operações simultâneas e restrições à navegação nas proximidades das unidades fixas e móveis. Isso torna complexa a repetição de levantamentos sísmicos 3D convencionais (barco mais conjunto de cabos receptores). Já levantamentos com receptores autônomos (nodes), que podem ser colocados no fundo marinho, têm grande flexibilidade em relação ao posicionamento e se adaptam às áreas com desenvolvimento da produção, pois o fundo do mar é bastante habitado por equipamentos e linhas de produção. Esses receptores
  • autônomos, contudo, dependem de baterias para permanecerem ativos, necessitando também serem recolhidos de tempos em tempos para fazer a captura dos dados adquiridos. O ideal seria que eles pudessem ficar em posição durante toda a vida útil do campo. Uma alternativa promissora e que começa a ser testada no campo de Jubarte de maneira pioneira em águas profundas é a utilização de cabos de fibra ótica para conexão entre os receptores permanentementes instalados no fundo marinho e o FPSO responsável pela produção. Esse método permite que os dados sejam transmitidos diretamente para a plataforma sem precisar recolher os receptores. E como o material condutor é a própria luz, dispensa-se o uso de baterias. O crescimento do número de campos em produção no Brasil e o tempo de vida de cada reservatório estão tornando viáveis tecnologias e os custos dessas soluções. Potencialmente há
  • 138 campos offshore, em sete diferentes bacias sedimentares, que podem ser beneficiados com o monitoramento contínuo. Entre as vantagens dos sistemas de monitoramento permanente estão a tendência de maior razão de recuperação de óleo dos reservatórios e melhoria sensível do gerenciamento do risco operacional e ambiental. Além disso, podem ser acompanhados os movimentos de fluidos e possíveis acomodações estruturais, dados úteis na prevenção e no apoio em vazamentos e controle de acidentes. Quem sabe alguns dos desastres dos últimos anos fossem mais facilmente e mais qualificadamente evitados, acompanhados e resolvidos se esses sistemas já estivessem instalados. O incentivo ao domínio definitivo dessa tecnologia pelo Brasil poderá tornar o país centro difusor de materiais e serviços nas próximas décadas. Seria a forma de viabilizar operações constantes e contínuas em nossas águas, aumentando a
  • confiabilidade dos sistemas próprios e exportando serviços para os que não ainda iniciaram esta solução. Tanto a ANP como federações de indústria, entidades de classe e associações de fornecedores e de operadoras poderiam juntar forças e plantar esta semente, criando uma atividade de pesquisa e fabricação local, como tantas outras linhas de trabalho instaladas na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Utilizando recursos devotados ao desenvolvimento de tecnologia de tributos e taxas de petróleo no país. A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses Email: aocava@gmail.com
  • Após o “shale” Armando Cavanha F. Há uma certa euforia sobre a produção de hidrocarbonetos nos EUA, a partir do chamado “shale” (gás de xisto, gás natural que pode ser encontrado preso dentro de formações de xisto argiloso, http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%A1s_de_xisto). Porém, há dados e previsões que mostram uma certa brevidade de picos de produção futura, apesar dos prováveis altos volumes de reserva, com subsequente retorno a dependência sobre importações de forma significativa. Dados conflituosos e temporários, por vezes da mesma fonte, mostram o estado instável, em construção, sobre a compreensão desta nova fonte de energia.
  • Dados da IEA (International Energy Agency), publicado pelo Wall Street Journal em Jul2013, informam que a demanda de óleo dos EUA reduz de 17 para 15 milhões de bbl em 2025, algo questionável, imaginando o crescimento populacional e o aumento das demandas naturais da população da região. Também, apontam para um crescimento da produção de 8 para 11 milhões de bbl, estabilizando em 2025.
  • Em outra publicação, Shale’s Effect on Oil Supply Is Forecast to Be Brief, By MATTHEW L. WALD, November 12, 2013, é falado o seguinte: “O “boom” das formações de “oil shale” nos anos recentes tem gerado boa quantidade de discussões sobre que os EUA poderiam, eventualmente, retornarem a auto-suficiência em energia. De acordo com o relatório da IEA, de Nov 2013, a produção deste óleo nos EUA e no mundo irá prover apenas um alívio temporário na dependência com o Oriente Médio. O relatório anual World Energy Outlook, publicado em Londres, diz que a perspectiva de óleo no mundo estaria sendo revista em função do “oil shale”, composto de óleo leve, por novas fontes como arenitos no Canadá, produção em águas profundas no Brasil e líquidos sendo produzidos por novas fontes de gas natural. “Existe um crescimento forte na produção de óleo leve, cujo pico deve estar em 2020, atingindo
  • então um platô,” disse executiva do IEA.” Maria van der Hoeven, diretora A dependência americana de importação de petróleo se reduz consistentemente até a estabilização, retornando a aumentar na década de 2020. Neste intervalo, o petróleo do oriente médio terá outros destinos, até que a fome por energia, nos EUA, volta a acontecer. Dinte deste cenário, algumas considerações podem ser feitas: 1-A tensão e a pressão americana sobre as fontes do Oriente Médio devem se reduzir temporariamente, retornando posteriormente, com possíveis dificuldades e tendências de conflitos na retomada de importações de grandes volumes no futuro.
  • 2-Novas formas de energia se tornarão cada vez mais atrativas, com novas tecnologias, no caminho de substituir este futuro retorno de dependência de hidrocarbonetos. 3-O pré-sal brasileiro torna-se cada vez mais relevante, as exportações do Brasil devem se tornar atrativas na logística norte-sul, pois são volumes em geografia próxima, sem guerras, sem passagem por canais ou regiões de conflito e com relacionamento de países amigos. Há, assim, uma grande oportunidade para o Brasil neste período. Ajustar em definitivo os modelos de exploração, produção, incorporação de reservas, deixar as controvérsias internas de lado, separar com clareza papéis de Estado e de Indústria, montar um processo de conteúdo local mais qualitativo do que quantitativo, focalizar em nichos e na cadeia de suprimento, apostar alto em educação+técnica+inovação.
  • Chegou a hora do Brasil, sejamos unidos para montar uma sistemática robusta, estável, que permita crescer e gerar riqueza para o país, com menores riscos. aocava@gmail.com
  • 10 inferências sobre o leilão do Campo de Libra, em 2013, no Brasil: 1. As empresas americanas não participaram da disputa, ao contrario das grandes europeias privadas, provavelmente por uma estratégia de governo visando recuperar a credibilidade junto ao Brasil, após as denúncias de espionagem pela NSA. 2. Trata-se de uma aposta bastante alta, um bônus excepcional, um longo tempo de investimentos pesados sem retorno, possível apenas para grandes corporações. 3. A indústria de óleo e gás convive bem com competição e colaboração simultaneamente, pois a união entre as empresas Shell, Total e Petrobras mostra que dividir riscos é razoável nestes megaprojetos em óleo e gás.
  • 4. Mesmo com as incertezas quanto a volumes de hidrocarbonetos, com variações esperadas altas, uma vez que existe apenas um poço e sísmica no Campo, as empresas chinesas se interessaram e participaram do consórcio vencedor. 5. Os desafios de construção, instalação, operação e escoamento são significativos, pela espessura de água, alta profundidade dos objetivos, existência da camada de sal e a grande distância logística da costa. 6. O Brasil está se adaptando para tratar as suas riquezas naturais, principalmente as de óleo e gás recentemente descobertas, apesar de ainda ser um país dúbio em suas definições de papéis de Estado e empresas, com perspectivas de consolidação.
  • 7. A Petrobras continua impressionando o mercado mundial, apesar da fase sensível em que se encontra, pelo seu tamanho relativo e volume de investimentos e risco, operando em um ambiente ainda sem estruturas completas e com demanda crescente de conteúdo local. 8. A PPSA vai ter um papel importante neste cenário, mas estará bastante submetida aos humores governamentais, moldando-se pelo momento e influência das indicações não políticas de seus dirigentes. 9. O país poderia aproveitar para discutir, decidir e informar melhor a sociedade sobre suas riquezas naturais, o modelo que pretende adotar, evitando debates superficiais e descontinuidades.
  • 10. O país tem um desafio de simplificar os modelos de negócio vigentes, fazendo-os simples e claros, com menos exceções e maior longevidade. 22-10-2013 Armando O. Cavanha F. aocava@gmail.com
  • Modelo voltado à produção Armando Cavanha F. Independentemente de nacionalismos ou estrangeirismos, ideologias ou política, há necessidade de se ter um modelo de Estado alinhado à inovação e à produção. Em uma apresentação sobre as diferenças entre Brasil e EUA, no tema compras e contratações em O&G, o professor D. Rogers (Nevada, EUA) apresentou a seguinte visão: Brazil US Best solution Sufficient solution Taxes big issue Taxes not as much of an issue Interest rates big issue problem Interest rates important but not
  • Technology Technology that is cheap Assim, mesmo não tendo ainda um sistema de voz-dados 3G funcionando bem, já requisitamos o 4G. Pagamos milhares de reais por um aparelho celular que é novidade no exterior, mesmo que com funções limitadas aqui, sem nenhum arrependimento aparente. Estes e outros traços culturais, derivados de uma história curta de país, com razões de clima, hemisfério, religiões, origens, ausência de guerras, língua, nos fazem coletivamente pouco organizados para reações transformadoras, apesar de que individualmente com competências reconhecidas. O sistema tributário nacional, por exemplo, as regras precisam se tornar mais amplas que as exceções. Ao invés de concessões de benefícios quase que diárias, que demandam anúncios constantes que não alcançam igualmente a todos os
  • afetados, substituír por regras firmes, poucas e fortes, de longo prazo, causando clareza e estabilidade. Tributando cada vez menos o investimento e o risco. O sistema jurídico nacional, torná-lo menos “volumoso e intrincado”. O compromisso com a resposta, positiva ou não, é um desafio, eliminando a aceitação da postergação intencional e da aposta nos milagres e influências. Seria bem vinda a cultura das arbitragens, das negociações, evitando tornar tudo litigioso. Incentivar os investimentos em estrutura, para alinhar e direcionar o crescimento por caminhos estratégicos desejados, ao invés de apenas acelerar o consumo em reduções pontuais e temporais de impostos. Clareza na diferenciação entre ativos privados e de Estado, uso público ou particular, com os tipos de regulação aplicáveis.
  • Apesar de ser a mais evoluída do país, tornar a área de petróleo com os planos futuros mais de Estado do que de Governo. Menos alternância, mais constância. Menos criação de novos modelos, movendo-se de agências para empresas preferenciais e vice-versa. Do Monopólio, às Concessões, à Partilha de Produção. EPE, PPSA, ANP, MME, Petrobras, apesar de guiadas por técnicos competentes, em alguns temas possuem duplicidades e com decisões intermediárias. Há pessoas influentes pensando isoladamente em cada um dos sistemas, atuando como se existisse apenas o do grupo, com interpretações de conveniência, entendimentos superficiais, expressões de controvérsia, ao invés de convergência e desenvolvimento. Boas intenções de todos os lados, mas ainda um ambiente inseguro. Caminhar para o fim das conclusões impulsivas, inesperadas, da gangorra decisória, que represa por anos e deságua em dias. Menos autoridade, mais continuidade. Coisas mais simples e
  • duradouras. Um cronograma dos leilões, por exemplo, independentemente dos “volumes” em oferta, mas com frequência constante de eventos e anúncios com antecedência. Deixar claro aos estrangeiros, treinados, acostumados a explorar riquezas por além mar, seja com aceleração de tecnologias ou estratégias comerciais dominantes, que as oportunidades de investimento pesado provavelmente virão. Não se sabe quando. Eles sabem que o mundo não é só aqui, há hidrocarbonetos em boa quantidade e tecnologias novas aparecendo a cada dia. Mas que aprendam a pensar no Brasil também, trazendo a verdadeira contribuição ao país. Muitos já entenderam e por isto tem tido resultados notáveis, já fazendo parte da indústria local. A sociedade se preocupa com a Petrobras, para a qual foi decidido irá operar todos os campos de pré-sal e participar pelo menos com 30% nos negócios. Boas razões, ideológicas ou
  • não, visando indiretamente a incorporação das reservas, o controle da produção, o aumento do conteúdo local, mas de executabilidade complicada. Dificil suportar este volume todo de trabalho e recursos necessários, envolvendo pré e pós-sal, mar e terra, alguns sistemas pequenos que não cabem em sua carteira de projetos, em um país ainda burocratizado, de mercado restrito, com interferências políticas e governamentais de partidos, infraestrutura primária atrasada e com a ainda baixa qualificação profissional especializada do mercado local. Provavelmente a empresa terá de fazer acordos com quem gosta ou não, um excesso de consórcios, uma gestão sensível. Pode se tornar uma ameaça societária, provavelmente não planejada, de um ativo intelectual belíssimo, construído por competência e organização, ímpar na região. O fator atenuante é que grandes projetos, apesar de com certa postergação, estarão chegando em breve para elevar significativamente os patamares produtivos da empresa.
  • No mundo todo há controvérsias também, mas aparentemente resolvem de forma distinta do que nós por aqui. Um dia vamos solucionar este modelo, certamente, não deve demorar. Temos um povo do bem, que começa a se esclarecer de alguns estranhos mecanismos ainda existentes. Hora de convergir, colaborar, abrir mão de algumas vaidades históricas e “alinhar os esforços para as descobertas, incorporações de reservas e a produção”. Independentemente do modelo escolhido, ou dos modelos. E com a riqueza natural sob controle do Estado. aocava@gmail.com