6 o ciclo exploratório e o conhecimento

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6 o ciclo exploratório e o conhecimento

  1. 1. O ciclo exploratório e o conhecimento Armando cavanha – brasil energia Os processos de conhecimento em sua maioria são contínuos, cumulativos. Promovem, ao longo do tempo, a sedimentação de informações, saber e coparticipação. Países que se desenvolveram fortemente nos últimos tempos parece terem investido suficientemente em capacitação, conhecimento. De forma natural, geram sistematicamente invenções, inovações, descobertas e, por conseguinte, negócios e empregos. A exploração de hidrocarbonetos é semelhante. Por ser um processo probabilístico, estocástico, são demandados investimentos de grandes magnitudes no saber, sem a contrapartida assegurada de resultados. Explorar significa prospectar, conhecer, desvendar e descrever as bacias sedimentares, determinando possíveis e prováveis acumulações de hidrocarbonetos, incluindo características físicas, químicas, qualitativas e quantitativas. Explorar prepara as fases subsequentes de desenvolvimento da produção e operação da produção, esta última etapa considerada a de retorno dos investimentos realizados. A figura procura diferenciar as atividades determinísticas das probabilísticas. Nas determinísticas, como na indústria de transformação, insumo e produto são proporcionais. No campo probabilístico, no entanto, recursos e resultados são pouco dependentes, a existência de um não presume a decorrência do outro. Os processos
  2. 2. de Desenvolvimento da Produção e Operação da Produção são determinísticos, assemelhados à indústria de transformação. O processo de Exploração, sendo probabilístico, os não acertos e os acertos retornam informação para a base de conhecimento geradora de modelos e ensaios. Na cadeia de óleo e gas, os processos são tão mais probabilísticos quanto mais à montante. A Exploração é a primeira na sequência natural, é estratégica e a sua acumulação em conhecimento é quase que compulsória. Boas decisões e maiores probabilidades de sucesso dependem de uma atividade madura, científica, contínua, permitindo crescente previsibilidade por modelos cada vez mais coerentes, com retenção de talentos e ambiente incentivador à inovação (descoberta). Os ciclos exploratórios, olhando as fronteiras geográficas de um país, quanto menos interrompidos, portanto mais contínuos, mais significativa é a probabilidade de sucesso. Como a exploração é um processo de conhecimento, de tratamento de informação, qualquer interrupção pode trazer perda dos elos de geração de idéias e desconexão entre gerações de cientistas exploracionistas. Explorar não significa produzir. Pode-se explorar tudo (todas as potencialidades de recursos naturais), e produzir-se nada. Produzir pode ser controlado, taxado, “royaltizado”, e tudo o mais que se desejar. Explorar deve ser desonerado, incentivado, trata-se de conhecer as bacias sedimentares brasileiras de forma crescente, fazendo e refazendo-se em função de tecnologias de geofísica e geologia, processamento, interpretação. Com isto, permitindo horizontes mais longos de planejamento de investimentos, decisões estratégicas sobre recursos cada vez mais conhecidos, retenção de talentos locais, atração de investimentos nacionais e externos. Explorar é, também, delimitar reservas, quantificá-las, entendê-las.
  3. 3. Quanto maior a atividade exploratória, maior é a indução ao conteúdo local natural, pois encoraja investidores, seja o Estado ou privados, a enxergarem as vantagens de serem locais por tempos mais longos. Quando se fala em conteúdo local, que melhor seria se fosse reconhecido como capital intelectual local, fala-se em continuidade, consistência, segurança de investimentos, não só de fábricas e máquinas, mas muito mais de pessoas e talentos. O Brasil hoje convive com dois modelos de Exploração e Produção de Óleo e Gas, o Regime de Concessões e o Regime de Partilha da Produção, cujas regras estão ainda por serem estabelecidas de maneira definitiva. Isto não deveria inibir ou postergar a Exploração, ou seja, o conhecimento e a delimitação dos recursos naturais existentes. Cada modelo proporcionando suas consequências negociais e comerciais, segundo a legislação do país e as estratégias do momento. Independentemente de ideologias, partidos, correntes, um país deve conhecer o que tem, o que possui, da maneira mais completa possível. Discutir sobre hipóteses e sonhos não é tão eficaz quanto tratar de fatos e dados. Assim, seria interessante para o país não interromper o ciclo exploratório, ou melhor, o conhecer de seus recursos, aplicando o conceito da frequência constante e conteúdo variável (de forma simples, a teoria do ônibus). Seria como se tivéssemos ciclos ou períodos constantes para Concessões e Partilha de Produção, com repetibilidade, presivibilidade de eventos, porém só disponibilizando em cada evento aqueles blocos/ativos que o país estrategicamente a cada momento desejasse compartilhar.

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