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Cultura medieval Cultura medieval Presentation Transcript

  • MÓDULO 23. VALORES, VIVÊNCIAS E QUOTIDIANOS
  • Níveis de desempenho• Compreender as atitudes e quadros mentais da sociedade dos séc. XIV/XVI.• Desenvolver a sensibilidade estética através da apreciação e identificação de obras artísticas do período medieval.• Valorizar formas de organização coletiva da vida em sociedade.• Analisar o papel da cidade no florescimento económico e cultural do Ocidente.• Relacionar a organização do espaço urbano com as instituições e funções citadinas.• Demonstrar a importância das ordens mendicantes na renovação religiosa e cultural do mundo urbano.
  • A EXPERIÊNCIA URBANA A IDADE MÉDIA EM PORTUGAL
  • A experiência urbana Do românico ao gótico
  • O Românico: enquadramento histórico• A partir do início do séc. XI, a Europa cobriu-se de Igrejas.• Nos lugares de peregrinação e ao longo das suas rotas, em cidades ou aldeias, edificaram-se enormes construções de pedra.• Além das influências bizantinas ou muçulmanas, estas construções são claramente inspiradas na tradição das grandes construções romanas: o granito aparelhado, os arcos redondos, as abóbadas e os grandes volumes.• Por isso a sua designação de Arte Românica. Esta arte é característica fundamentalmente da Arquitetura, uma vez que a escultura e a pintura lhe estão subordinadas.
  • • As igrejas românicas são o reflexo da época em que foram construídas: • a fragmentação política contribuiu para a diversidade do estilo que, apesar da sua unidade, apresenta variações regionais; • o clima de guerras fez com que a igreja se tornasse um lugar de defesa: as construções românicas são autênticas fortalezas de grossas paredes e janelas em forma de seteiras; • a obscuridade interior do templo adequava-se ao ideal de espiritualidade medieval; • o analfabetismo das populações era compensado com a abundante ornamentação didática e simbólica nas fachadas e no interior da igreja: a Bíblia estava “explicada” nas figuras de pedra.
  • Elementos construtivos/ características• Apesar da forte influência romana, este estilo adota soluções arquitetónicas e elementos decorativos próprios como sendo: • os edifícios em cruz latina (com uma ou mais naves, cortadas por um transepto); • coberturas em abóbodas de berço pleno ou quebrado; • paredes grossas e uso de contrafortes exteriores;
  • • Uso de tímpanos, arquivoltas, colunelos e capitéis decorados com motivosfigurados ou geométricos)… • Decoração muito simples:• Uso dos arcos redondos - algumas rosáceas,na separação das naves e frescos a decorar asna abertura dos claustros paredes e abóbadas epara o pátio; algumas esculturas;• Utilização de • Os materiais decontrafortes externos (para construção utilizados eramsustentar o peso dos tetos os que cada região possuía,e paredes); o que contribuiu para a• Janelas estreitas, em diversidade do estilo.forma de seteira.
  • Em Portugal• Das campanhas a Sul vinham as riquezas dos saques, que financiavam as construções, não faltando pedreiros nem mão-de-obra.• Os primeiros mestres arquitetos vieram de outras regiões da Europa. A arte portuguesa não podia, assim, deixar de se inspirar nos modelos europeus.• Apesar disso, são claros os traços de individualidade: • O Românico português é sóbrio e severo. Os monumentos mais originais são as pequenas igrejas rurais que se espalham pelo Norte do país como S. Pedro de Rates ou S. Cristóvão de Rio Mau.
  • • Modestas, as igrejas românicas portuguesas destacam-se pelas suas formas simples e equilíbrio de proporções. • No Sul, onde são mais raras, denotam bem a influência moçárabe.• A escultura românica é pouco variada: alémdos motivos geométricos e florais, destacam-sealguns capiteis figurados e tímpanos comimagens singelas.
  • O Gótico: enquadramento histórico• Contrastando com a fase negra que se vivera na Europa românica, a arte gótica desenvolve-se num período de reabertura das rotas comerciais e de triunfo do movimento das cruzadas.• A produção agrícola melhora, a mortalidade diminui e, consequentemente, a população aumenta. Há uma grande estabilidade climática, associada à paz em geral, uma vez que fora retirado o cerco à Europa. As cidades ressurgem e com elas a Burguesia afirma o seu poder. As igrejas tornam-se espaços alegres, onde a população se reúne para conviver.
  • • A partir da segunda metade do séc. XII, as grandes cidades da Europa começam a erguer imponentes catedrais.• Cada cidade procurava construir o monumento mais belo e majestoso que o da cidade sua rival.• Designada assim pelos homens do Renascimento, que a consideravam uma arte menor, própria de Godos, de bárbaros. Todavia, em poucas épocas se terá atingido tal beleza e perfeição na arte como durante este período.• O desejo de embelezar os templos levou os arquitetos a procurarem soluções que resolvessem os dois grandes problemas da arte românica: o peso das abóbadas e a fraca iluminação interior. Pág. 119
  • Elementos construtivos/ características• Em Paris descobre-se então a abóbada sobre cruzamento de ogivas e o arcobotante.• A primeira era fundamental, pois agora o peso já não incidia sobre as paredes, mas sim sobre os quatro pilares em que se apoiam os arcos.• Os arcobotantes, por seu turno, consolidam a resistência dos pilares, uma vez que são levantados no exterior. São formados pelos arcos e pelo estribo (espécie de contraforte).• Estas suas inovações permitiram elevar as construções e rasgar amplas aberturas, sem risco de desmoronamento. Pág. 120
  • • O aspeto exterior e interior dos templos altera-se significativamente. Os arcos em ogiva substituem os arcos de volta perfeita, contribuindo para o acentuar das linhas verticais.• Totalmente revestidos por janelas, os edifícios inundam-se de uma luminosidade no interior, que parece elevar os fiéis para Deus.• As igrejas têm agora paredes mais finas;• As igrejas são construções em altura e realizadas em cruz latina, por vezes com cinco naves e capelas radiantes. Pág. 121
  • A catedral• Agora, a construção por excelência já não é a Sé, típica do Românico. São igrejas magníficas e grandiosas: as catedrais: • Paredes rasgadas em janelas e rosáceas decoradas com vitrais; • Verticalidade das linhas a terminar num pináculo; • Mantém-se os contrafortes das construções românicas. Pág. 121
  • A escultura• As construções góticas possuem uma grande riqueza decorativa. Tanto por dentro como por fora, uma verdadeira renda em pedra ornamenta os arcos, as molduras das janelas e portais…• Os edifícios góticos enriquecem-se ainda com altos-relevos e estátuas de figuras bíblicas. O uso de vitrais nas janelas e nas enormes rosáceas das fachadas filtram a luz, que penetra colorida no interior do templo.• A escultura e a pintura começam-se a desligar da arquitetura, surgindo os primeiros grandes pintores como Giotto. A arte da iluminura atinge uma grande perfeição. Pág. 124
  • Em Portugal• A Portugal chega muito tardiamente (séc. XIII). O gótico aparece no Sul ligado à arquitetura monástica. No séc. XIV o novo estilo foi-se generalizando, embora os primeiros grandes monumentos do gótico português (O Convento do Carmo e o Mosteiro da Batalha) só tenham sido construídos nos começos do séc. XV.• O estilo gótico expandiu-se no nosso país em resultado das encomendas feitas pela Igreja, reis e senhores. À semelhança do que aconteceu nos outros países, podemos distinguir entre nós diversas etapas do gótico: o cisterciense (de que é testemunho o Mosteiro de Alcobaça), o mendicante (como o das igrejas de S. Francisco de Santarém e de Estremoz) e o gótico clássico (de que é exemplo o Mosteiro da Batalha).
  • • A partir de inícios do século XV, os tempos de paz que se viviam em Portugal permitiram a construção de grandes e belos edifícios, como as sés de Vila Real, Guarda e Silves, os castelos de Vila da Feira e de Porto de Mós, o solar dos Condes de Barcelos e o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães.• A escultura gótica utilizou, tal como a românica, os colunelos, os capitéis e os tímpanos dos portais das igrejas. A figura humana adquire então mais perfeição, tornando-se mais próxima da realidade; de igual modo, os temas vegetais são representados com maior naturalidade.
  • • Os testemunhos mais interessantes da estatuária gótica nacional encontram- se na escultura tumular: os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro (em Alcobaça) e o de D. João I e D. Filipa de Lencastre (na Batalha).• Para além da arquitetura e da escultura, a arte gótica portuguesa está também representada na pintura, na tapeçaria (realce para as tapeçarias de Pastrana que comemoram a tomada de Arzila por D. Afonso V), na ourivesaria (cálices, cofres, relicários) e na iluminura.
  • Em resumo: Românico Gótico• Predominantemente rural, • Predominantemente urbano,• Planta de três naves, • Planta de três naves, com a central mais• Trifório nas laterais, transepto, abside, elevada, deambulatório e absidíolos, • Trifório nas laterais, transepto, abside,• Aspeto forte e atarracado, deambulatório e absidíolos,• Uso moderado de vitrais, • Grande uso de vitrais,• Arcos de volta perfeita e abóbada de • Arcos em ogiva apoiados em colunas, berço, • Torres altas (verticalidade),• Torres e contrafortes grossos, • Estatuária liberta de simbolismo e• Estatuária pesada e monolítica, rigidez,• Poucas entradas de luz, • Grandiosas entradas de luz,• Decoração didática e simbólica. • Decoração simbólica e que reflete o quotidiano.
  • A experiência urbana Mutações na expressão da religiosidade
  • Novas solidariedades• No século XIII, a cidade é um lugar de prosperidade.• Atraídos pelo sonho de riqueza, muitos camponeses abandonam o campo e instalam-se nos arrabaldes das cidades.• Porém, muitos experimentam a miséria, ampliada pelo sentimento de solidão, por falta das redes tradicionais de apoio (família, vizinhos, paróquia).• Surgem novas estruturas de apoio e redes de solidariedade: as ordens mendicantes e as confrarias.• As ordens mendicantes eram movimentos de renovação surgidos dentro da Igreja Católica, enquanto que as confrarias eram associações de entreajuda que agrupavam os homens por ofícios assegurando-lhes apoio financeiro e moral em todas as dificuldades.
  • O Clero Regular• No século VI, S. Bento de Núrcia elabora, no Mosteiro de Monte Cassino, na Campânia (Itália), a regra - regula - que os mosteiros viriam a adotar.• Esta regra recomenda que os monges permaneçam num mesmo lugar, façam voto de pobreza e de castidade, prestem obediência ao abade, pratiquem a hospitalidade e a caridade para com os pobres, trabalhem manualmente de forma a garantir a sua subsistência, rezem e, mais importante do que tudo, se dediquem ao estudo e ao ensino.• Os mosteiros beneditinos tornam-se assim centros culturais que vão desempenhar um papel decisivo na história da civilização ocidental. Fechados no seu scriptorium (a oficina de escrita e iluminura) e nas suas bibliotecas, os monges copistas, contribuíram de forma decisiva para salvar do esquecimento as obras literárias da Antiguidade.
  • Ordens Mendicantes • As Ordens Mendicantes representam um retorno aos ideais de caridade da Igreja Católica, esquecidos pelo faustoso clero medieval e remontam ao século XII, período de grande agitação social e espiritual.• Tinham como imposição a pobreza individual comum.• Era-lhes permitido o direito de mendigar nos locais públicos, daí o seu nome.• Responsáveis ainda por atividades caritativas e pastorais, dedicavam-se à pregação itinerante, nos meios urbanos preferencialmente.• Estas Ordens eram fortemente hierarquizadas e desde sempre gozaram do privilégio da isenção, pelo qual o papa libertava uma comunidade religiosa da jurisdição do bispo diocesano, colocando-as sob a alçada do Vaticano. Pág. 127/129
  • Dominicanos• Ordem criada por Domingos de Gusmão, (Espanha, séculos XII-XIII) aproxima-se de S. Francisco nos ideais de pobreza e caridade que renovaram a Igreja Cristã.• S. Domingos fundou uma ordem religiosa confirmada pelo Papa Inocêncio III.• Os dominicanos eram também chamados “frades pregadores” pela importância que atribuíam à pregação, estritamente ligada, por seu turno, ao estudo da Teologia.• Lutavam contra a heresia e procuravam expandir o evangelho.• Instalaram-se nas cidades onde fundaram grandes colégios e se dedicaram ao ensino.
  • • Ordem criada por Francisco de Assis (Itália, séculos Franciscanos XII-XIII).• Este tornou-se um exemplo de humildade e um santo da igreja católica ao renegar o seu passado de luxo, passando a viver entre os mendigos e os leprosos.• Fundou a ordem dos frades menores que mendigavam ou trabalhavam para comer.• Apesar de a sua atitude contrastar radicalmente com o clero da época, nunca se demarcou da hierarquia• católica, pelo instalaram-se rapidamente em Portugal, nomeadamente nos Os franciscanos que se distingue das heresias medievais. de Alenquer, Lisboa, Coimbra e Leiria. conventos
  • Confrarias e associações • Confrarias eram associações de socorros mútuos de carácter religioso, organizadas sob um santo protector. Dedicavam-se à caridade como meio de reduzir a pobreza urbana. Cada confraria tinha os seus estatutos, que os membros eram obrigavam a cumprir. Existiam ainda as Irmandades, que eram associações religiosas de leigos, que se reuniam para promover o culto a um santo normalmente se encontravam associadas às confrarias religiosas.Pág. 129
  • • Associação de cariz socioprofissional que Corporações reunia, nas cidade, os trabalhadores de um mesmo ofício ou mester.• São marcadas pela hierarquia (mestres, oficiais e aprendizes).• Mais conhecidas por artes ou guildas ou, em Portugal, mesteirais, as corporações possuíam estatutos próprios que regulamentavam os preços, os salários e a qualidade da produção.• Geralmente, a cada corporação associava-se uma confraria religiosa que prestava assistência aos seus membros.
  • Centros de sociabilidade• O bairro, as ruas, em que os vizinhos se conheciam e auxiliavam.• A igreja: dominou o ensino e contribuiu para a mudança de comportamentos com a instituição das suas festividades e procissões.• A taberna, o albergue, a estalagem…• As cortes dos nobres (espaço fechado e particular).• As salas de reunião burguesas e de acordo com a atividade exercida.• A praça pública, lugar da cultura popular, onde se realizavam as festas, as feiras, os teatros…
  • A experiência urbana As universidades
  • As primeiras escolas• No quadro da cidade romana, cada comunidade cristã organiza-se tendo à sua cabeça um bispo eleito pelos fiéis. Foi nestas cidades que surgiram as Escolas Paroquiais.• As primeiras remontam ao século II. Limitavam-se à formação de sacerdotes, sendo o ensino fornecido por qualquer padre encarregado de uma paróquia, que recebia em sua própria casa os jovens alunos.• À medida que a nova religião se desenvolve, passa-se das casas privadas às primeiras igrejas.• O ensino reduz-se aos salmos, às lições das Escrituras, seguindo uma educação estritamente cristã. Pág. 131
  • Escolas Monásticas• É nos mosteiros espalhados pela Europa, longe do rebuliço das novas cidades emergentes na Europa, que surgem as Escolas Monásticas, em regime de internato e, inicialmente, para a formação de futuros monges.• Mais tarde abrem-se as escolas externas com o propósito da formação de leigos cultos.• O programa de ensino, de início, muito elementar: aprender a ler, escrever, conhecer a bíblia (se possível de cor), canto e um pouco de aritmética.• Com o tempo, vai-se enriquecendo de forma a incluir o ensino do latim, gramática, retórica e dialéctica.
  • Escolas Urbanas • Nas cidades, começam a surgir escolas que funcionam numa dependência da habitação do bispo. • Estas visavam, em especial, a formação do clero secular e também de leigos instruídos que eram preparados para defender a doutrina da Igreja na vida civil.• As Escolas Catedrais (escolas urbanas), saídas das antigas escolas episcopais, tornaram-se mais prestigiadas que as escolas dos mosteiros.• Instituídas no século XI por determinação do Concilio de Roma (1079), passam, a partir do século XII (Concilio de Latrão, 1179), a ser mantidas através da criação de benefícios para a remuneração dos mestres. Pág. 132
  • Estudos Gerais • Provavelmente, a primeira universidade europeia terá surgido na cidade italiana de Salerno, cujo centro de estudos remonta ao século XI.• Além desta, antes de 1250, formaram-se no Ocidente a primeira geração deuniversidades medievais. São habitualmente chamadas espontâneas porquenascem do desenvolvimento de escolas preexistentes.• Originalmente, estas instituições eram chamadas de studium generale,(Estudos gerais) juntando mestres e discípulos dedicados ao ensino superior.Porém, com a agitação cultural e urbana da Baixa Idade Média, logo se passou afazer referência ao estudo universal do saber, ao conjunto das ciências, sendo onome studium generale substituído por universitas. Pág. 133
  • Universidades• As universidades eram estabelecimentos do ensino superior que agregavam várias faculdades e que se organizavam numa estrutura mais rígida e complexa.• Ao longo dos séculos XIII e XIV, as universidades expandiram-se pela Europa Ocidental, especializando-se em diferentes saberes: Teologia, Direito, Medicina.• As universidades de Bolonha e de Paris estão entre as mais antigas. Outros exemplos são a Universidade de Oxford e a de Montpellier.
  • • Mais tarde, é a vez da constituição de universidades por iniciativa papal ou real. Exemplo desta última é a Universidade de Coimbra, fundada em 1290.• No século XIII, a universidade é o centro de formação dos quadros do funcionalismo público, necessários à centralização do poder pelos monarcas. Pág. 134
  • • As universidades foram responsáveis pela transformação das cidades em ativos focos de inovação: estudantes de toda a parte deslocavam-se às cidades universitárias no intuito de aprender a gramática, a oratória, a matemática... Em consequência da presença da universidades, a cidade tornou-se o local por excelência da liberdade de ação, pois os estatutos das universidades protegiam os seus alunos, concedendo-lhes alguma autonomia nos regulamentos e defendendo-os, por exemplo, da prisão por dívidas.
  • A CULTURALEIGA E PROFANA NAS CORTES RÉGIAS E SENHORIAIS
  • A CULTURA A CAVALARIA
  • A cultura medieval Na Idade Média, a cultura era transmitida por todos os veículos disponíveis, resultando em aspetos diferentes, se estivéssemos junto a uma cidade, na corte real ou mesmo numa universidade. Subdividia-se assim em cultura:• MONÁSTICA: Os principais centros de cultura eram os Mosteiros, onde se aprendia o latim e o ensino estava voltado para a vida religiosa. Em algumas cidades surgiram associações de estudantes e professores que procuravam um ensino mais laico: surgiram as Universidades ou Estudos Gerais (em Portugal criada em 1290, com D. Dinis). Após frequentarem a Faculdade das Artes, os alunos optavam por uma das especializadas, como Direito ou Medicina.
  • A cultura medieval• POPULAR: Conhecimentos transmitidos oralmente nos locais de convívio como as feiras. Era, no fundo, a tradição oral. Acabou por ser fortemente influenciada pela Igreja e pelas novas Ordens Mendicantes, tais como os Franciscanos e os Dominicanos (que acabaram mesmo por controlar a Inquisição).• CORTESÃ: Cultura típica da corte, promovida pelos reis e animadas por jograis e trovadores que compunham e cantavam as cantigas de amor, de amigo, de gesta e de escárnio e maldizer.
  • O ideal de cavalaria• Enquanto nas cidades proliferavam as escolas catedrais e as universidades e nos conventos nasciam as livrarias (bibliotecas), nas cortes do rei e dos grandes senhores a cultura erudita (acessível apenas aos estratos dominantes da sociedade) desenvolveu-se sob o espírito cavalheiresco, segundo o qual o cavaleiro, sempre de estirpe nobre, almejava tornar-se perfeito.• O cavaleiro ideal devia ter as seguintes qualidades: -a honra; -a coragem; -a lealdade; -a virtude; -a piedade; -o ideal de cuzada. Pág. 136
  • A educação cavaleiresca• A formação de um cavaleiro era intensa e longa, estendendo-se por cerca de catorze anos.• Este processo iniciava-se com a saída de casa materna e alojamento no paço de um grande senhor nobre. Aí, o rapaz passava por várias etapas, servindo, sucessivamente, como pajem, durante sete anos, e escudeiro, durante sete anos.• O seu treino incluía a aprendizagem da equitação, a prática de desporto e o domínio de armas: estas três aptidões eram postas à prova na caça, nos torneios e nas justas.• Finalmente, numa cerimónia complexa de contornos religiosos, o escudeiro era armado, cavaleiro de uma Ordem de Cavalaria, recebendo as esporas e a espada.
  • • Tal como existia um ideal de cavalaria, também as relações entre nobres e damas, O amor cortês nas cortes, obedeciam a um ideal de amor, pautado pelo refinamento e pela espiritualidade.• Era um código de comportamento amoroso em que os cavaleiros demonstravam que o valor pessoal não se fundamentava apenas no sangue ou nas proezas militares, mas podia ser identificado no comportamento social: a• cortesia. Para conquistar a sua amada, o cavaleiro nobre deveria ser virtuoso, paciente, elegante no vestir, bem-humorado, respeitoso perante as mulheres, enquanto a dama, bela e púdica, deveria alimentar o seu amor com gestos comedidos.
  • A literatura• Na literatura, o ideal de cavalaria eram os Romances e o ideal do amor cortês: a poesia trovadoresca.• Os senhores feudais contratavam recitadores, cantores e músicos para divertir a corte.• As cantigas eram compostas, quase sempre, por nobres que se denominavam trovadores, porque praticavam a arte de trovar.• O trovador deveria expressar seus elogios a uma mulher da nobreza, demonstrando subordinação às damas da corte, que deveriam ser tratadas com cortesia. Pág. 140
  • Cantiga de amor • As cantigas de amor desenvolviam o tema do sofrimento pelo amor não correspondido e eram divulgados de forma oral. • Neste tipo de cantiga, o trovador destaca todas as qualidades da mulher amada, colocando-se numa posição inferior (de vassalo) a ela. • O tema mais comum é o amor não correspondido.• As cantigas de amor reproduzem o sistema hierárquico na época do feudalismo, pois o trovador espera receber um benefício em troca de seus “serviços” (as trovas, o amor dispensado, sofrimento pelo amor não correspondido).
  • Atividades:1. Depois de escutares as duas canções, como sabes qual delas é atual?2. Reconhecem-se facilmente os sentimentos expressos para com a/omulher/homem amada/o?3. Que relação podemos estabelecer entre a cantiga atual e a cantiga de amor daIdade Média?
  • Cantiga de amigo• Este tipo de cantiga teve as suas origens na Península Ibérica.• Nela, o eu-lírico é uma mulher, mas o autor era masculino, devido à sociedade feudal e o restrito acesso ao conhecimento da época.• A mulher canta o seu amor pelo amigo (amigo = namorado), muitas vezes em ambiente natural, e muitas vezes, também em diálogo com a sua mãe ou as suas amigas.• O sujeito poético é, não apenas mulher, mas a donzela, isto é, uma rapariga solteira, pertencente aos estratos médios do povo.• O poeta serve-se assim deste artifício para exprimir os seus sentimentos pela boca da rapariga.
  • Cantiga de escárnio e maldizer • Tipo de poesia satírica. Nas cantigas de escárnio a crítica é feita de forma encoberta, sem que o objecto de crítica seja claramente identificado. Nas cantigas de maldizer a vítima da crítica é claramente identificada.• Estes poemas satíricos têm um grande valor documental, visto que nos revelam qual a reacção das pessoas face a determinados acontecimentos e situações.• Estas cantigas permitem perceber melhor a sociedade da época e aceder a informações que outros documentos, mais impessoais, não revelam.
  • Cantiga de escárnio e maldizer• Na cantiga de escárnio, o eu-lírico faz uma sátira a alguma pessoa.• Essa sátira era indirecta, cheia de duplos sentidos. As cantigas de escárnio (ou "de escarnho", na grafia da época) definem-se como feitas pelos trovadores para dizer mal de alguém, por meio de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, num processo que os trovadores chamavam "equívoco", por vezes, bastante mordaz.• Ao contrário da cantiga de escárnio, a cantiga de maldizer traz uma sátira directa e sem duplos sentidos. É comum a agressão verbal à pessoa satirizada, e muitas vezes, são utilizados até palavrões. O nome da pessoa satirizada pode ou não ser revelado.
  • O culto da memória• As famílias nobres relembravam e evocavam mortos e antepassados das suas ascendências para trazer ao presente os feitos valorosos das suas linhagens.• Contudo, não bastava a oralidade e o registo em túmulos para não se perderem as lembranças. Os senhores fizeram, então, escrever as suas memórias.• Nasceu, portanto, uma literatura genealógica que se difundiu largamente entre a nobreza europeia dos séculos XIII e XIV.• Em Portugal, este género literário foi muito cultivado, dando origem aos livros de linhagem ou nobiliários. A mais interessante das obras deste género é o 3º Livro das Linhagens, de D. Pedro, mistura de lendas e narrativas fantásticas com personagens reais, fortemente impregnado do espírito da cavalaria. Pág. 143
  • A CULTURA A DIFUSÃO DO GOSTO E DA PRÁTICA DAS VIAGENS
  • Viagens de negócios• O renascimento do gosto pelas viagens dá-se nos séc. XIII e XIV quando, sob o impulso do comércio, as velhas barreiras geográficas começaram a ceder.• O desenvolvimento do grande comércio criou laços entre os mercadores e os governantes.• Muitas viagens aliaram-se ao negócio e missões político-diplomáticas e muitos comerciantes começaram a desempenhar o papel de embaixadores das cortes da Europa. • Os viajantes europeus nesta época eram, fundamentalmente, os mercadores, os diplomatas, os missionários e pessoas sem terra e sem raízes. • As expedições dos mercadores colocam em contato as várias regiões e culturas europeias.
  • Romarias e Peregrinações • As romarias e as peregrinações constituem expressões típicas da religiosidade medieval. • As peregrinações eram percursos de longa distância a locais sagrados do cristianismo, em especial Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. • Tinham objetivos religiosos de purificar a alma ou cumprir promessas. Pág. 147
  • Romarias e Peregrinações• As romarias eram celebrações em honra a um santo, numa época fixa do ano.• Implicavam deslocações de curta duração (um ou vários dias).• As romarias tinham também objetivos religiosos de purificar a alma ou cumprir promessas.• A componente não-religiosa expressava-se, nomeadamente, em festas, com cantos e bailados tradicionais.• À chegada ao local, os romeiros pagavam as suas promessas, participavam nas cerimónias religiosas e nas procissões. Pág. 148