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Diego emanuel gobbo Diego emanuel gobbo Document Transcript

  • Revista Eletrônica de Educação Física A DANÇA DE SALÃO COMO QUALIDADE DE VIDA PARA A TERCEIRA IDADE Diego Emanuel Gobbo Orientadora. Prof. Daisy Carvalho SUMÁRIO 1- Introdução 2- Referencial Teórico 2.1- Envelhecimento 2.2- Dança e o Idoso 2.3- Histórico da Dança de Salão 3- Metodologia 3.1- Caracterização da Pesquisa: 3.2- População e Amostra 3.4- Coleta de Dados 3.5- Tratamento dos Dados 4- Resultado e Discussão dos Dados 4.1- Perfil dos Idosos 4.2- Características Sócio-Econômicas dos Idosos Praticantes de Dança de Salão 4.3- Qualidade de Vida na Percepção dos Idosos Praticantes de Dança de Salão 4.4- Motivos que Levaram A Prática da Dança de Salão 4.5- Benefícios Adquiridos Através da Dança De Salão 4.6- Tempo de Prática de Dança de Salão 5- Considerações Finais 6- Referências PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 1 Revista Eletrônica de Educação Física 1- INTRODUÇÃO A expectativa de vida vem sofrendo modificações ao longo dos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2002) a conseqüência natural disto foi o aumento da vida média do homem que hoje se situa em torno de 66 anos (20 anos a mais do no ano de 1950). Atualmente estima-se que a cada 10 indivíduos no mundo, um tenha mais de 60 anos, idade acima da qual o indivíduo é considerado idoso no Brasil. O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que se repete também aqui no Brasil. A população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (8,6% da população brasileira). As mulheres são maioria, 8,9 milhões. Grande parte dos idosos são responsáveis pelos domicílios e tem, em média, 69 anos de idade e 3,4 anos de estudo. Nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% da população ao final deste período (IBGE, 2004 p.02). A Dança na vida do idoso é responsável por uma série de benefícios na vida cotidiana (BOURCIER, 1987 p. 16).Mas é o fator social, ou seja, nas relações interpessoais onde ela atua com uma maior eficácia. O idoso, devido a todo um histórico biológico (músculos, articulações, osso, etc), não procura a dança de salão por exibicionismo ou profissionalismo (aprendizagem de seqüência de passos, coreografias, etc); mas pelo simples fato de que a dança pode suprimir desejos retraídos, o encontro com uma nova pessoa do sexo oposto, a fuga da solidão em casa, e por uma gama de opções para superarem todas as suas dificuldades. O objetivo deste nosso trabalho é o de identificar, como a Dança de Salão pode beneficiar a qualidade de vida para os idosos, inserido no contexto de que a educação física, com seus programas de atividades físicas, voltada aos idosos, possibilita-os redescobrir seu próprio corpo através do íntimo contato corporal e as relações que afloram desta conquista. “a dança desenvolve a coordenação motora, agilidade, ritmo e percepção espacial, desperta e aprimora a musicalidade corporal de forma inteligente e natural, permitindo uma melhora na auto-“estima e a ruptura de diversos bloqueios psicológicos, possibilita convívio e aumento do rol de relações sociais, torna- PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 2 Revista Eletrônica de Educação Física se uma opção de lazer e promovo inclusive melhora de doenças e outros problemas” (FLORES, 2002, p. 08). 2- REFERENCIAL TEÓRICO 2.1- Envelhecimento O envelhecimento é um processo fisiológico e não está necessariamente ligado à idade cronológica. É nessa perspectiva que encaminhamos nosso trabalho, no sentido de compreender a fim de amenizar os problemas inerentes à Terceira Idade. Antigamente, nas sociedades tradicionais, os velhos eram muito considerados, por serem sinônimo de lembranças e sabedoria. Atualmente o descaso e o desprezo os excluem da sociedade, que os julgam improdutivos. É comum encontrar idosos abandonados e ignorados dentro da própria família. Geralmente, a velhice está ligada às modificações do corpo, com o aparecimento das rugas e dos cabelos brancos, com o andar mais lento, diminuição das capacidades auditiva e visual, é o corpo frágil. Essa é a velhice biologicamente normal, que evolui progressivamente e prevalece sobre o envelhecimento cronológico. O envelhecimento, hoje, é um fenômeno universal, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. No Brasil, impressiona a rapidez com que tem ocorrido, visto que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano de 2025, a população idosa no Brasil crescerá 16 vezes, contra cinco vezes da população total. Isso classifica o país como a sexta população do mundo em idosos, correspondendo a mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade. A mudança na composição populacional já começou a provocar conseqüências sociais, culturais e epidemiológicas preocupantes hoje, e talvez alarmantes no futuro. Consideramos que a conseqüência epidemiológica de maior expressão é a transição epidemiológica, fenômeno responsável pela mudança do perfil de doença, no qual as doenças infecto-parasitárias cedem lugar progressivamente às doenças crônicas não-transmissíveis, mais complexas e onerosas, típicas das faixas etárias mais avançadas. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 3 Revista Eletrônica de Educação Física Com o declínio gradual das aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por atividades e formas de ocupação pouco ativas. Os efeitos associados à inatividade e a má adaptabilidade são muito sérios. Podem acarretar numa redução no desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação, gerando processos de auto-desvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão. A reabilitação do idoso deverá ser também pensada como um processo unitário que envolva níveis orgânicos, motores, afetivos, intelectuais e sociais. A elaboração de um programa de atividade física para a terceira idade deve levar basicamente em consideração o preparo para que o idoso possa cumprir suas necessidades básicas diárias (necessidades impostas pelo cotidiano), ou seja, tentar impedir que o idoso perca a sua auto-suficiência, através da manutenção de sua saúde física e mental. “o envelhecimento está associado a uma variedade de limitações físicas e psicológicas. Freqüentemente, isso torna difícil para os indivíduos desempenhar certas ações. Dependendo de sua motivação, circunstânciais ambientais e reações à incapacidade, aqueles que são assim afetados podem também ficar inválidos (incapazes de desempenhar as atividades desejadas). A conseqüência de tal invalidez é uma deterioração na qualidade de vida”.(MATSUDO. 2001, p.19). 2.2- Dança e o idoso Dança é a arte que se expressa através do movimento do corpo seguido de ritmos. Segundo GARAUDY a dança precedeu o ser humano, pois há milhões de anos os animais dançam para sua procriação ou alimentação. O ser humano dançou antes de saber falar (1980, p.65). A dança é uma atividade lúdica, uma manifestação artística e forma de comunicação que se faz através do próprio corpo humano, praticada em grupo, que ajuda a expressar as emoções, estimula a memorização e a coordenação, além de ser um bom exercício físico. A dança pode usar de temas, como por exemplo: passeio de barco, dança do café, brincadeira da chuva, La Cucaracha entre outros, que utilizam flores, bastonetes, cordas, lenços, cubos e outros objetos de espuma e PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 4 Revista Eletrônica de Educação Física de plástico para ajudar no desenvolvimento da dança. As coreografias mais utilizadas misturam passos de polca, rancho , swing, tango, rock e samba. Assim, os exercícios são feitos de forma elegante aonde exigem uma troca constante de pares, incentivando dessa forma, a integração dos alunos. "A própria palavra dança, em todas as línguas européias – danza, dance, tanz- , deriva da raiz “tan" que em sânscrito, significa “tensão”. Dançar é vivenciar e exprimir, com o máximo de intensidade, a relação do homem com a natureza, com a sociedade, com o futuro e com seus deuses (GARAUDY, 1980, p.14) O objetivo da Dança é o de trabalhar com um mecanismo harmonizador, respeitando as emoções, os estados fisiológicos, desenvolvendo habilidades de movimentos, exercendo possibilidades de auto-conhecimento e possibilita os seguintes benefícios: Prevenção e combate de situações estressantes, estimula a oxigenação do cérebro, melhora no funcionamento das glândulas, reforço dos músculos e proteção das articulações, conhecimento do seu corpo, melhora da capacidade motora, melhora do desempenho cognitivo, melhora da memória, concentração e atenção, proporciona cooperação e colaboração, contato social, criatividade, melhora da auto-estima e auto-imagem e estimula o resgate cultural. Qualquer idoso pode participar, e os benefícios são a curto prazo, a sua única contra-indicação é para as pessoas que sofrem de osteoporose avançada e alguns casos de angina no peito. “o enriquecimento da dança na virada do século até nossos tempos, é ilimitado. O corpo é usado como um todo e as infinitas combinações de formas e movimentos são inúmeras, fazendo com que a dança seja uma das melhores formas de comunicação e expressão do ser humano”. (WOLFF, 1989, p. 12). 2.3- Histórico da Dança de Salão As danças de salão, executadas por pares, são usadas para entretenimento nas reuniões sociais. As primeiras danças sociais, como eram chamadas as danças em casais, de que temos notícia, nasceram com os mestres da Renascença. A idade média foi um período em que a dança, considerada pagã, era condenada pelo clero e somente no final, com o início do período chamado na História de Renascimento PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 5 Revista Eletrônica de Educação Física Cultural, que começaram as manifestações sociais nas cortes dos reis e nobres (ACHCAR, 1998, p 22). A dança de salão enquadra-se na categoria de dança popular, que tem esse nome por se originar de causas sociais, políticas e acontecimentos do momento em destaque. A dança popular se difere da dança folclórica juntamente por ser uma manifestação do momento, enquanto a folclórica é uma manifestação que se mantém através dos tempos, originada por festas ligadas a diversos temas: natureza, fatos históricos, acontecimentos religiosos ou tradição cultural transmitida de geração em geração. Concordando com o mesmo autor, dança de salão também é conhecida como dança social por ser praticada com objetivos claros de socialização e diversão por casais, proporcionando o estreitamento das relações entre seus praticantes. Estas relações podem ser puramente sociais, românticas, apenas de amizade, dentre outras. No que diz respeito ao tema “salão”, fica claro que se deve à necessidade de salas grandes, ou grandes salões, para que possam ser realizadas as evoluções da dança, festas e encontros de confraternizações dançantes. 3- METODOLOGIA 3.1- Caracterização da pesquisa: Segundo GIL (1999, p. 33) este estudo foi de campo do tipo descritivo, pois consistiu em coletar dados acerca de um meio e dos diversos aspectos da vida de um modo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico, que o caracteriza, bem como conhecer as situações, costumes e atitudes predominantes por meio da descrição da Dança de Salão. 3.2- População e amostra A população contém os idosos praticantes de Dança de Salão da Associação Paranaense de Idosos (API). A amostra será composta por 50 (cinqüenta) idosos de ambos os sexos, com uma faixa etária de 60 a 74 anos de PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 6 Revista Eletrônica de Educação Física idade, praticantes de Dança de Salão, selecionados intencionalmente: (a) idade, (b) tipo de prática e (c) interesse e possibilidade de participar. 3.3- Instrumentos de pesquisa Os instrumentos de medida que serão utilizados na realização deste estudo envolverão: uma entrevista semi-estruturada: atributos pessoais e percepção da qualidade de vida (Versão brasileira do SF-36 – Health Survey of the International Quality of Life Assesment) para avaliar a Qualidade de Vida dos idosos e o questionário de Critérios de Classificação Econômica do Brasil (ANEP, 2003, p.34). O referente estudo foi submetido e Aprovado pelo comitê de ética – pesquisa em seres humanos, aprovado no dia 27 de Abril de 2004. Neste questionário estão incluídas perguntas relativas aos dados de identificação (sexo, idade, estado civil), ao tempo de pratica da Dança, se praticam outras atividades físicas e os motivos que os levaram a ingressar e a permanecer na Dança de Salão. 3.4- Coleta de dados Os dados foram coletados pelo pesquisador através da entrevista semi- estruturada (versão brasileira do SF-36), e do questionário do Critério de Classificação Econômica do Brasil. Primeiramente foi feito o convite aos idosos, para participarem da pesquisa, na qual o objetivo desta e a importância da sua participação foram esclarecidos, tratando de que haveria sigilo total de identificação. 3.5- Tratamento dos dados Os dados serão tratados mediante a estatística descritiva (distribuição de freqüências e médias). Distribuídos através de freqüências, tabelas e gráficos. 4- RESULTADO E DISCUSSÃO DOS DADOS PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 7 Revista Eletrônica de Educação Física Neste capítulo serão apresentados os resultados desta pesquisa através dos dados coletados pelo pesquisador. Serão apresentados os atributos pessoais dos idosos praticantes de Dança de Salão. 4.1- Perfil dos Idosos Verificou-se através deste o gênero, a faixa etária, estado civil e aposentadoria dos mesmos. Os resultados seguem em figura abaixo: 35 30 25 20 masc. 15 Fem. 10 5 0 masc 17 33 Gráfico 1 Gênero dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. No gráfico 1, observou-se que grande parte dos idosos praticantes de Dança de Salão é do sexo feminino (33) e o restante do sexo masculino (17). Segundo dados do (IBGE, 2004, p. 03), o contingente de homens diminuiu em relação ao das mulheres, mostrando que a sobre vida feminina tem aumentado em relação a dos homens. 20 15 60 à 64 anos 10 65 à 69 anos 70 à 74 anos 5 75 à 79 anos 0 10 15 20 5 Gráfico 2 Faixa etária dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 8 Revista Eletrônica de Educação Física No gráfico 2 observou-se a distribuição dos idosos praticantes da Dança de Salão através da faixa etária. Estes foram classificados mediante freqüência em duas faixas etárias distintas: 65 à 69 anos de idade e 70 a 74 anos de idade. Cada vez mais vem se notando a aderência de idosos à prática de atividades físicas, pois existe um processo de conscientização por parte dessa população especial, que passou a acreditar que o exercício ire contribuir para um processo de melhora da qualidade de vida, na prevenção, e até mesmo no combate a algumas patologias relacionadas ao envelhecimento. 20 15 Viúvo 10 Separado Divorciado 5 Casado 0 10 9 11 20 Gráfico 3 Estado civil dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. No gráfico 3 observou-se o estado civil dos idosos praticantes de Dança de Salão. Grande parte dos idosos são viúvos (20), sendo na maioria mulheres (14). A viuvez é o estado conjugal predominante entre as mulheres idosas. As mulheres predominam também entre os solteiros. A proporção de viúvas cresce com a idade, ao mesmo tempo em que decresce a de casadas. Esta mesma tendência é verificada para os homens, mas a idade tem um efeito maior sobre o estado conjugal das mulheres. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 9 Revista Eletrônica de Educação Física 50 40 30 Aposentados 20 Norte 10 0 47 3 Gráfico 4 Aposentadoria dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. No gráfico 4 observou-se a aposentadoria dos idosos praticantes de Dança de Salão. A grande maioria já esta aposentada (47), enquanto que apenas 3 idosos continuam na ativa. Com o aparecimento da aposentadoria em 1923, surgiu o conceito de termino das atividades de um trabalhador, onde inicia - se o período em que se esgotam as capacidades físicas e surgem as doenças crônicas, impedindo e limitando o indivíduo nas tarefas cotidianas. 4.2- Características sócio-econômicas dos idosos praticantes de Dança de Salão A seguir, serão apresentadas as classes onde estes idosos se encontram, mediante as respostas coletadas. Tabela1: Classificação econômica dos idosos praticantes de Dança de Salão segundo o Critério de Classificação Econômica do Brasil (ANEP). C la s s e P o n to s Id o s o s ( F re q u ê n c ia ) A 1 3 0 - 3 4 0 A 2 2 5 - 2 9 6 B 1 2 1 - 2 4 1 0 B 2 1 7 - 2 0 4 C 1 1 - 1 6 9 D 6 - 1 0 2 1 E 0 - 5 0 Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 10 Revista Eletrônica de Educação Física Os idosos praticantes de Dança de Salão encontram-se classificados em maior número, segundo Critérios de Classificação Econômica do Brasil (ANEP, 2002) na classe “D”, viúvas, pensionistas, tendo estudado de um a três anos escolares, com uma renda que varia de um a dois salários mínimos mensais. 4.3- Qualidade de vida na percepção dos idosos praticantes de Dança de Salão Com intuito de investigar a qualidade de vida do idoso praticante de dança de salão, verificam-se as atividades realizadas pelos mesmos, suas dificuldades e êxito na sua realização, bem como fatores psicológicos, internos e externos que prejudicassem o desempenho de suas tarefas. 25 20 Exelente 15 Muito boa 10 Boa Ruim 5 0 7 25 15 3 Gráfico 5 Saúde atual dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. 35 30 Melhor agora 25 20 Um pouco 15 melhor 10 Quase na mesma 5 0 30 5 15 Gráfico 6 Saúde há um ano dos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 11 Revista Eletrônica de Educação Física Nos gráficos 5 e 6 observou – se a percepção dos idosos praticantes de Dança de Salão em relação a sua saúde atual e há um ano atrás. Segundo a percepção dos mesmos pode-se notar que os idosos que afirmam ter uma saúde muito boa (25) são a maioria, sendo baixa a expectativa de que a sua saúde vai piorar, como podemos ver posteriormente no gráfico seguinte, quando a maioria afirma que a saúde se manteve quase a mesma (30). Esta expectativa dos idosos, se deve, e parte devido à prática sistematizada de atividades físicas. 4.4- Motivos que levaram a prática da Dança de Salão Foram atribuídos 5 motivos para esta pergunta, apresentados a seguir 25 Prazer 20 Necessidade 15 de exercício Curiosidade 10 Não saber 5 dançar Solidão 0 21 9 5 5 10 Gráfico 7 Distribuição por freqüência dos principais motivos que levam os idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. No gráfico 7 observo-se a distribuição por freqüência dos principais motivos que levam os idosos a praticarem dança de salão. O prazer em realizar uma atividade , no caso dançar, foi o motivo mais respondido pelos idosos, quando perguntados do porque em fazer dança de salão. O segundo fator mais citado pelos idosos foi o fator solidão, principalmente pelos viúvos. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 12 Revista Eletrônica de Educação Física 4.5- Benefícios adquiridos através da dança de salão 20 Benefícios físicos 15 Alegria 10 Novas amizades 5 Autonomia 0 8 11 19 12 Gráfico 8 Benefícios adquiridos pelos idosos praticantes de Dança de Salão Fonte: Dados coletados pelo pesquisador. No gráfico 8 observou-se a distribuição por freqüência dos benefícios adquiridos pelos idosos através da prática da dança de salão. A maioria da população citou como principal benefício adquirido e experiência de conhecer novas pessoas (19). Também a questão da autonomia (12) foi muito abordada, levando em consideração o fato de que os idosos perdem sua identidade com passar do tempo. 4.6- Tempo de prática de Dança de Salão O tempo médio de prática de Dança de Salão dos idosos foi de 3 a 4 anos. A média foi obtida através da soma dos anos de prática da população (50 idosos) dividida pela mesma. 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS Quanto ao perfil dos idosos praticantes de dança de salão, podemos concluir que esta população é predominantemente feminina, com uma média de idade de 65,73 anos de idade, pertencentes a duas faixas etárias distintas: 65 a 69 anos de idade e 70 a 74 anos de idade, aposentados, viúvos, pertencentes a uma classe econômica “D”; Quanto a qualidade de vida dos idosos em relação a dança de salão, esta é considerada “positiva” em suas percepções, tendo em vista o prazer, a conscientização e a pouca interferência de fatores externos (sociais, psicológicos, afetivos, etc)na prática de suas atividades físicas; PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 13 Revista Eletrônica de Educação Física Quanto ao grau de satisfação dos idosos e relação a dança de salão, podemos concluir que esta trouxe benefícios ao longo da prática, podendo destacar autonomia e o aumento das amizades (relações interpessoais), que são de extrema importância no que diz respeito à procura pela prática e a satisfação com a mesma. Após a prática da dança de salão , pode-se concluir que a vida destes idosos melhorou significativamente em várias dimensões, foi na dança de salão que alguns encontraram uma forma de reencontro com a vida após uma grande perda, decepção, ou o simples fato de se isolarem completamente da sociedade por se considerarem incapazes. Os depoimentos colhidos nas entrevistas realizadas mostraram o quanto á dança de salão acrescentou em suas vidas, não apenas e tão somente pelo gesto motor em executar passos e aprender ritmos diferenciados, mas pela forma carinhosa e singular de aproximar as pessoas e possibilitar a chance de um reencontro com o outro e com sigo mesmo. A dança de salão pode contribuir na manutenção, melhora e regate de valores na vida dos idosos. É preciso, porém, que aqueles profissionais que pretendem investir seu tempo e futuro profissional com essa população estejam preparados e conheçam alguns aspectos da vida dos mesmos. Através do conhecimento tanto de sua área (a dança) quanto de sua população (idosos), o professor poderá intervir de maneira benéfica, seja informando o idoso sobre a necessidade de praticar atividades físicas, seja na prevenção contra doenças e possíveis transtornos físicos, quanto na reabilitação física e emocional, tendo em vista que este público pode chegar a ele com problemas emocionais devido à perda de alguém muito próximo, como o simples fato de se sentir só. A interpessoalidade que a dança carrega consigo pode ser a maior “ferramenta de trabalho” do professor de dança, haja visto que este é um dos grandes motivos pelo qual o idoso vem procurando academias ou programas especiais. Ao entrar em contato com o mundo da dança, o idoso perde seus medos, incertezas e dúvidas, tornando-se uma pessoa mais receptiva a relacionamentos e grupo, aprendendo o verdadeiro caráter das danças sociais e o valor de um abraço. REFERÊNCIAS ACHCAR, D. Balé: uma arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com
  • 14 Revista Eletrônica de Educação Física BARBOSA, R.M. Educação Física Gerontológica. Rio de Janeiro: Sprint, 2000. BOURCIER, P. História da dança no ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 1987. BODACHNE, L. Princípios básicos de geriatria e gerontologia. Curitiba: editora Universitária Champagnta, 1998. FLORES, M. L. A dança e seus benefícios. Disponível no site www.dancadesalao.com/agenda/index.cgi?x=lauraflores.02htm Acessado em 28/09/2005. GARAUDY, R. Dançar a vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. GEIS, P.; RUBI, M. C. Terceira idade. Atividades criativas e recursos práticos. São Paulo: Artemed Editora, 2003. MATSUDO, M.M. Envelhecimento e Atividade física. Londrina: Midiograf, 2001. MAZO, G. Z; LOPOES, M. A; BENEDETTI, T. B. Atividade física e o idoso. Porto Alegre: Sulina, 2001. PERNA, M. A. Samba de Gafieira. Rio de Janeiro, O autor, 2002. PDF created with pdfFactory Pro trial version www.pdffactory.com