Rumo aos EUA: um guia para quem quer estudar fora (Cassia Moraes)
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Like this? Share it with your network

Share

Rumo aos EUA: um guia para quem quer estudar fora (Cassia Moraes)

  • 1,103 views
Uploaded on

Apesar de ter sido aprovada num processo seletivo rigoroso numa das melhores universidades do mundo, por muito pouco não consegui arrecadar a quantia que eu precisava para estudar nos EUA. Hoje o......

Apesar de ter sido aprovada num processo seletivo rigoroso numa das melhores universidades do mundo, por muito pouco não consegui arrecadar a quantia que eu precisava para estudar nos EUA. Hoje o Brasil é uma das maiores economias do mundo, mas estamos atrás de muitos países no quesito educação e ainda há poucas bolsas e incentivos para jovens talentos estudarem nas melhores faculdades.

Dessa forma, no e-book "Rumo aos EUA: um guia para quem quer estudar fora", eu conto um pouco sobre a minha trajetória até Columbia com o intuito de ajudar outros jovens brasileiros a buscarem os seus sonhos.

O e-book faz parte da campanha de crowdfunding que eu lancei ano passado e será distribuído gratuitamente.

Boa leitura!

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
1,103
On Slideshare
913
From Embeds
190
Number of Embeds
2

Actions

Shares
Downloads
21
Comments
0
Likes
0

Embeds 190

http://www.cassiamoraes.com 189
http://peacechild.org 1

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. 3 5 6 23 36 39 41 48 TableofContents Prefácio Introdução Capítulo 1: Por que estudar nos EUA? Capítulo 2: O processo de candidatura Capítulo 3: Passei! E agora? Links Utéis Epílogo Sobre a autora 2
  • 2. Prefácio Reconhecer e valorizar a própria história, assumir as escolhas que fazemos e enfrentar os obstáculos para alcançar aquilo que desejamos e que trás realização às nossas vidas é uma das coisas mais corajosas que alguém pode fazer. Lançar-se a escrever um livro aos 23 anos, expondo fragilidades e partilhando informações cruciais, que podem ser de extrema importância a muitos jovens em situação similar, ou situação diferente, é um ato de coragem, bem como todo o percurso que neste livro vai sendo descrito. A trajetória da vida profissional não é algo linear e Cassia mostra muito bem isso, do centro de sua juventude, o que torna este livro ainda mais surpreendente. As trajetórias profissionais são marcadas por imprevisibilidade, acúmulo de informações, conhecimentos, contatos e experiências, mais ou menos conscientes, que determinam um conjunto de escolhas. É sobre escolhas e a forma como se processam essas escolhas e algumas de suas consequências, na forma de um exemplo vivo, entre outras coisas, que trata este livro. Cassia conseguiu, nas linhas que se seguem, expressar o que muitos jovens devem sentir nos seus momentos de dúvida perante as escolhas profissionais, as primeiras e as seguintes, bem como aquilo que pouco se pode ver até não ter tomado efetivamente as vias de um caminho. E, com muita generosidade, criou um material incrível que é ao mesmo tempo rico e acessível, para aquele que, como ela, deseja se lançar àquilo que mais pulsa no seu íntimo. Por tudo isso é uma leitura que recomendo. Para os jovens diria que é uma leitura obrigatória, para os não tão jovens, que pode ser um convite para reativar boas memórias ou, quem sabe, a chama que permite trilhar caminhos ainda não trilhados, mas que não cansam de se desejar. 3
  • 3. Por fim, as linhas deste livro acabam sendo, além de um guia para o estudante que deseja estudar nos Estados Unidos, um convite para que cada um possa se lançar ao seu futuro, trilhando cada pedacinho do presente, por mais difícil, desafiador, incongruente ou impossível que possa parecer, seja qual for o momento em que você se encontra. Eva Chaska Tesch Diretora de Desenvolvimento da EduKar S.A. www.edukar.net 4
  • 4. Introdução Eu nunca imaginei que estaria escrevendo o meu primeiro livro aos 23 anos. De certa forma, esse fato sintetiza o que estudar fora pode mudar na sua vida: Você será obrigado a ultrapassar os seus limites. Não será um processo fácil, mas com certeza vale a pena! Se alguém dissesse para mim há dez anos atrás, quando eu ainda estava na oitava série, que hoje estaria fazendo mestrado em uma das melhores universidades dos Estados Unidos e do mundo, morando em Nova York e convivendo diariamente com pessoas dos mais diferentes lugares, eu provavelmente daria risada. Mas hoje isso é uma realidade e, o mais incrível de tudo, é que é apenas o começo. No entanto, chegar até aqui não foi uma tarefa fácil, mas com certeza teria sido menos difícil se eu soubesse algumas coisas antes. E são essas dicas que ninguém me deu que gostaria de compartilhar com vocês nas próximas páginas. Boa leitura! 5
  • 5. Capítulo1:PorqueestudarnosEUA? 1.1 Minhahistória Low Library – Columbia University – Abril 2013 Sempre que converso com pessoas que estão na faculdade, ou decidindo que curso irão fazer, me perguntam: Como você descobriu o que você gosta? Como você decidiu o que queria estudar e com o que queria trabalhar? Em um mundo onde há tantas opções, tantos cursos para se fazer, tantos caminhos para se trilhar, é natural que nós, jovens, fiquemos confusos. Mas essa confusão é exacerbada por um medo inconsciente: E se eu escolher errado? Por algum motivo, quando estamos começando nossa jornada na universidade, achamos que estamos em um jogo de 6
  • 6. tudo ou nada, acreditando que uma escolha errada hoje determinará um fracasso irreparável no futuro. Felizmente, a vida funciona da maneira oposta: Apenas tentando e, eventualmente, errando é que descobriremos o que gostamos de verdade, o que fazemos bem, o que temos que melhorar. E a parte boa é que, com o passar do tempo, ao fazermos essas mesmas perguntas, as respostas podem ser diferentes. Se não sabemos ao certo o que queremos fazer depois de formados, normalmente já temos uma ideia do que gostamos e fazemos bem quando estamos no ensino médio. Só que às vezes, negligenciamos esse conhecimento para nos adequarmos a padrões, para satisfazermos as aspirações da nossa família, e tantas outras desculpas que nos damos para não assumirmos as rédeas da nossa vida. Mais uma vez, se isso aconteceu com você, a boa notícia é que ainda dá tempo de mudar! Se você está passando por esse dilema agora, meu conselho seria: Tenha a coragem de seguir a sua intuição. O preço a ser pago por negligenciar os seus sonhos é ficar preso a uma vida que não te traz satisfação, na qual você tentará compensar suas frustrações com produtos e status, criando desculpas por ter desistido daquilo que queria e, inconscientemente, tentando convencer outras pessoas a fazerem o mesmo. Se hoje parece menos seguro ir atrás do que te faz feliz, posso garantir que esse esforço valerá a pena. Por isso, quando alguém te desmotivar dizendo “Isso é impossível!” ou “A vida é assim!”, preste atenção: Essa pessoa muito provavelmente foi desmotivada quando tinha a sua idade e esse é um ciclo vicioso. Cabe a você decidir se quer entrar nele ou não. Por que a introdução acima? Porque mais difícil do que descobrir o que te motiva, é ter coragem para escolher o caminho menos convencional, e muitas vezes mais difícil, que te levará a chegar lá. E esse caminho é diferente para cada um, cabe a você fazer o seu. Quando eu estava me preparando para o vestibular, decidi que queria entrar numa universidade pública. Seguindo os conselhos dos professores, que diziam que eu escrevia bem, resolvi prestar Jornalismo. Inicialmente, eu só iria prestar a FUVEST. Naquela época, nem me passou pela cabeça fazer um curso de graduação fora do Brasil, já que nunca ninguém tinha me mostrado que aquilo era uma possibilidade e eu não conhecia ninguém que tinha ido. 7
  • 7. Mas tive a chance de fazer um intercâmbio de 2 meses no Canadá antes de começar o terceiro ano do ensino médio. Foi a primeira vez que sai do país e, aos 16 anos, fui sozinha. Sem dúvida, essa experiência foi fundamental para ampliar os meus horizontes e me motivou a buscar, no futuro, uma profissão que me permitisse conhecer novos lugares e novas culturas. Mas perto das provas, resolvi pesquisar outras faculdades públicas de São Paulo e decidi prestar também a UNESP. Até aí tudo bem. Antes de preencher jornalismo na inscrição, resolvi olhar o “Guia do Estudante” da faculdade. Por algum motivo, não me impressionei muito com a descrição sobre o curso de Jornalismo e continuei folheando o manual, até chegar no curso de Relações Internacionais. Não lembro o que estava escrito, mas era algo sobre analisar outros países, uma proposta multidisciplinar, coisas que pareciam interessantes. Na foto, estudantes de roupa social discutindo sobre um mapa. Sem pensar muito, decidi prestar esse curso, já que na época eu pensava em ser correspondente internacional. No final, eu não passei na segunda fase da USP (Jornalismo) e passei na UNESP (Relações Internacionais). Voltando a esse episódio, algumas coisas podem ser ressaltadas: (1) Eu já tinha uma ideia do que eu gostava: escrever, política, história... Mas esses gostos poderiam me levar a diversas escolhas, como Jornalismo e Relações Internacionais, entre outros cursos; (2) Nem sempre as coisas acontecem como planejamos: correr atrás do que queremos não significa ser inflexível, ou achar que os nossos planos são o único caminho possível. Muitas vezes, o norte que estipulamos é apenas um primeiro passo que levará a caminhos antes ocultos; (3) Às vezes tomamos uma decisão importante por impulso, o que não significa que somos inconsequentes. Muitas vezes essas acabam sendo as decisões mais acertadas de nossas vidas!; e (4) No meu caso, tive a sorte e adorei o curso de Relações Internacionais. Contudo, as coisas nem sempre acontecem assim: muitas vezes teremos que voltar atrás e rever escolhas feitas no passado. Mas isso foi há 7 anos atrás. Na época, não foi assim que eu vi as coisas. Passei um bom tempo remoendo o fato de não ter passado na minha primeira opção. Não por uma paixão pelo Jornalismo em si, mas sim pelo orgulho ferido por não ter passado e pelo medo, que eu negava, de 8
  • 8. mudar de cidade – e de vida. Naquela época, me parecia mais confortável me matricular no cursinho e tentar novamente passar na minha primeira opção, estudar perto de casa, perto da família e dos meus amigos. Mas foi justamente um grande amigo que me disse para fazer o contrário: ir para Marília e ver se eu gostava do curso. Se não gostasse, dava tempo de voltar e entrar no cursinho depois. E foi isso que, a contragosto, acabei fazendo. Hoje, vejo que eu não poderia ter feito escolha melhor! Voltando aos fatos relatados no início desse capítulo: eu não planejava ser correspondente internacional? Como foi que mudei de ideia? Na verdade, não cheguei a mudar de ideia. Não descarto essa possibilidade, quem sabe? Eu até cheguei a participar de uma semana de treinamento na Folha de São Paulo depois de formada. O que aconteceu é que o novo meio no qual me inseria – o meio universitário – me fez ver outras possibilidades e acabei trilhando outro caminho. É aquela coisa sobre não ser inflexível, que eu comentei anteriormente. Para descobrir que eu queria trabalhar com cooperação internacional na área de meio ambiente, por exemplo, foi preciso percorrer um longo trajeto. A minha primeira ideia de projeto de pesquisa foi sobre a Venezuela e a nova esquerda latino-americana. Foram diversos cursos, eventos, conversas, leituras e fatos aleatórios que me levaram ao interesse por questões ambientais. Posteriormente, por questões ambientais de abrangência global, como as mudanças climáticas. Finalmente, pela cooperação internacional na área e o papel do Brasil nesse processo. Eventos posteriores, que eu comentarei adiante, adicionaram outros temas de interesse e preferências profissionais, que certamente mudarão com o passar dos anos. É natural que a maioria dos jovens ainda não saiba ao certo com o que querem trabalhar no futuro, ou qual é a área que eles realmente se interessam. Não há uma fórmula pronta para "descobrir" o que você quer fazer, qual a profissão que te interessa mais, as possibilidades são muitas e vários caminhos podem te levar ao lugar que você procura. Mas uma coisa é certa: tentar coisas diferentes pode ser muito importante nesse processo. Por exemplo, nos primeiros anos de faculdade, frequente grupos de estudos diferentes, leia textos de diversas áreas, experimente! Lembro de ter participado de grupos de 9
  • 9. estudo sobre direitos humanos, os BRICs, organizações internacionais, entre outros. Por mais que eu não atue em todas essas áreas hoje, esse conhecimento não foi em vão e também me ajudou a descobrir aquilo com o que eu realmente queria trabalhar. Com o tempo, você provavelmente terá identificado quais áreas te interessam mais. E essa busca te fará conhecer pessoas e ideias novas, que poderão ser essenciais no futuro. Lembro que nos primeiros meses de curso eu me sentia desafiada pelos meus colegas. Praticamente todos eram mais velhos, tinham mais experiências e falavam mais idiomas que eu. Desde então, eu aprendi a me cercar de pessoas que me desafiassem. E posso garantir que eu não teria feito muito do que eu fiz se não fossem essas pessoas, que me mostraram, através do exemplo próprio, que eu poderia ir mais longe. E isso fez com que eu ampliasse meu universo de possibilidades, chegando hoje a estudar em Columbia, o que eu imaginaria ser impossível há menos de dois anos atrás. Agora vamos assumir que você já sabe o que quer fazer. Aí é que vem a parte mais difícil: como chegar lá? Como tantos outros jovens, eu saí da faculdade com um objetivo profissional mais ou menos delineado. Queria trabalhar com cooperação internacional, política e questões socioambientais. Para isso, cogitava ONGs, organizações internacionais, ou algum cargo no governo. Em todos esses casos, a falta de experiência de trabalho foi um empecilho, e os meses seguintes à minha formatura foram bem estressantes. A maioria das universidades brasileiras não acompanha seus alunos no processo de colocação profissional, e a grande parte dos egressos dos cursos de graduação encontra dificuldades nessa importante fase da vida. Nunca é demais ressaltar a importância da flexibilidade: Não é porque você não conseguiu o que queria de primeira, que você não irá conseguir futuramente. É importante saber aproveitar outras oportunidades que a vida coloca no seu caminho. Meu primeiro emprego foi no setor privado. Me candidatei para uma vaga na área de Responsabilidade Socioambiental (RSA) em uma das maiores empresas do Brasil, mas devido aos meus conhecimentos de economia, inglês, entre outros fatores, fui chamada para uma vaga na área Financeira. Apesar de ser algo bem diferente do que eu estava 10
  • 10. buscando, aceitei a proposta e aprendi muito. Ao mesmo tempo em que trabalhava, fui voluntária em diversos projetos do terceiro setor na área ambiental, o que fez com que eu não me distanciasse daquilo que já sabia ser o meu objetivo de longo-prazo. Por causa desses projetos, em março de 2012 fui selecionada para participar da Conferência “Transição para uma Nova Economia”, em Harvard. E foi aí que a minha jornada até a Ivy League começou... Harvard – Cambridge – Março 2012 Acho que foi a notícia mais emocionante da minha vida (até então)! O esforço de anos começava a dar seus primeiros frutos. Durante os dias da Conferência, participei de discussões incríveis sobre alguns dos principais desafios que a humanidade enfrenta. Conheci muita gente interessante, com projetos brilhantes, ouvi ideias inovadoras e, ao mesmo tempo, percebi que não estava em posição de inferioridade. Muito pelo contrário, ao longo dos debates pude trazer uma perspectiva diferente, baseada na minha vivência como brasileira. Saí de lá com as esperanças renovadas, acreditando que, maior do que o desafio que enfrentamos hoje, é a vontade de mudar. Muita coisa aconteceu depois desse evento, algumas das quais serão 11
  • 11. relatadas aqui posteriormente. Mas uma coisa nunca mais saiu da minha cabeça: “These are ideas whose time has come” (Estas são idéias cujo tempo chegou) – A mudança da sociedade para patamares mais sustentáveis, éticos e justos é a luta do nosso tempo. Sem dúvidas, foi muito inspirador conhecer outras pessoas que estão trabalhando para construir o mundo de amanhã. E, pela primeira vez, o sonho de estudar em uma das melhores universidades do mundo deixava de ser algo tão distante. Inicialmente, porém, meu plano era fazer apenas um curso de curta duração (summer course) durante as férias. Deixei para pensar sobre isso depois, já que no momento eu tinha um outro sonho para realizar: Participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A maior Conferência mundial já realizada sobre temas socioambientais seria sediada no Rio de Janeiro no mesmo ano, e eu sabia que não podia perder a oportunidade de participar desse evento histórico, mas só não sabia como ainda. Tentei diversas vias e, através de contatos que fiz na Conferência de Harvard, consegui uma vaga para ser voluntária na Peace Child International, ONG que estava organizando uma coalizão para a Rio+20 composta por mais de 100 ONGs. Dessa forma, consegui minha credencial para participar do evento oficial. Também me inscrevi para o Youth Blast – o evento oficial da Rio+20 para jovens – e fui selecionada. Por fim, fui convidada para o café-da-manhã oficial do Banco Mundial para discutir os temas da Conferência com jovens lideranças. 12
  • 12. Rio+20 – Junho 2012 Ao longo do evento, ajudei a organizar 24 atividades, conheci muita gente e voltei com a certeza de que era isso que eu queria fazer ao longo da minha carreira. E estava chegando a hora de transformar o que até então era trabalho voluntário na minha profissão. Foi aí que a ideia de estudar fora voltou reforçada. Percebi que fazer um mestrado nos Estados Unidos poderia ser a porta de entrada para a carreira que eu sonhava. Cerca de um mês antes do prazo da primeira universidade que eu queria prestar, decidi preparar os documentos necessários. Em algumas semanas, prestei os exames exigidos (TOEFL e GRE), consegui as três cartas de recomendação que eu precisava, preparei os meus essays e, é claro, escolhi quais programas e quais faculdades eu iria prestar! Normalmente, recomenda-se que você separe uns seis meses para fazer todo esse processo, mas eu sentia que aquela era a hora certa – e que eu não podia deixar para o ano que vem. Na mesma época, recebi o edital do programa de formação acadêmica da Missão do Brasil Junto à ONU, um programa de três meses no qual os selecionados podem acompanhar a atuação da diplomacia brasileira na sede das Nações Unidas, em Nova York. Me candidatei para a área de desenvolvimento 13
  • 13. sustentável e achava que já tinha sido eliminada do processo quando, meses depois, eu recebo um e-mail do coordenador do programa marcando uma entrevista para a mesma semana. Fiz a entrevista e, quando eu chegava à Florianópolis para o Réveillon, recebi um e-mail dizendo que eu tinha sido aprovada e começaria em fevereiro! Sede da ONU – Nova York – Fevereiro 2013 Eu sabia que era uma oportunidade única. E eu também sabia que eu teria que sair da minha zona de conforto caso eu a aceitasse, já que a vaga era temporária e eu não tinha ideia de quais seriam meus próximos passos. Mas quando você quer conquistar grandes coisas, você tem que arriscar e seguir caminhos que a maioria das pessoas evitaria. Larguei um emprego estável, com oportunidades de crescimento, para trabalhar por três meses com aquilo que eu sempre sonhei. Fui para Nova York sem saber o que seria da minha vida quando, e se, eu voltasse. Hoje vejo que tomei a decisão certa, e que minha coragem foi recompensada: Fui aprovada em todas as faculdades nas quais eu tive tempo de mencionar essa experiência na application (Columbia, American University e NYU)! Fora tudo o que eu aprendi, e as pessoas que eu conheci enquanto trabalhei lá. 14
  • 14. Foi enquanto eu ainda estava em Nova York, numa sexta-feira (15/03/2013), que eu recebi uma notícia que iria mudar a minha vida para sempre: a Admissions Decision de Columbia e, com ela, meu passaporte para me juntar a alguns dos melhores profissionais de Relações Internacionais e Administração Pública do mundo. Lembro do momento que eu recebi a notícia como se fosse ontem. Eu estava na Assembleia Geral das Nações Unidas, no primeiro evento do grupo que irá decidir as metas da ONU para o desenvolvimento sustentável – As SDGs (Sustainable Development Goals). Já estávamos no final da reunião da manhã e eu tinha recebido uma mensagem de colegas da Missão do Brasil perguntando onde iríamos almoçar. Aproveitei para conferir o meu e-mail e vi que, no intervalo de menos de meia hora, tinha saído a resposta de Princeton e de Columbia. Abri a de Princeton primeiro, onde eu havia me candidatado para o MPA (Master in Public Affairs) e a resposta foi negativa. Como prestei poucos cursos, fiquei com medo de não passar em nenhum deles naquele momento. Reuni forças e fui conferir o e-mail de Columbia, que direcionava para outro site para ver a resposta. Depois de umas quatro tentativas (não lembrava a minha senha), consegui abrir o arquivo e li: "I am pleased to offer you admission to the Master of International Affairs..." (Tenho o prazer de lhe oferecer admissão ao Mestrado em Relações Internacionais...). Lembro de ter lido aquela frase umas cinco vezes antes de continuar a ler a carta, só para ter certeza de que eu não tinha entendido errado. Foi uma emoção muito estranha: uma mistura de felicidade, por ter conseguido, com preocupação, por não ter conseguido bolsa para o primeiro ano. Mas uma coisa era cera: A minha vida nunca mais seria a mesma! 15
  • 15. Nesse ponto, a falta de informação à respeito do processo seletivo norte-americano por pouco não me impediu de realizar o meu sonho. Por pura ignorância, eu achava que o mais difícil era ser aprovada. Como eu iria imaginar que isso era apenas o começo? Nos Estados Unidos, cada faculdade tem uma política própria com relação à concessão de bolsas de estudo. No caso da SIPA (School of International and Public Affairs), por exemplo, apenas 15% dos aprovados conseguem bolsa no primeiro ano. A maior parte do auxílio estudantil é concedida no segundo ano de curso, e apenas para parte dos alunos que possuem uma média mais alta (GPA acima de 3,40). O que todas as melhores faculdades americanas têm em comum, no entanto, são as altíssimas mensalidades, o que faz com que uma grande parcela de seus estudantes dependam de empréstimos e bolsas de estudo para viabilizarem seu curso. Por mais que eu tenha lido e procurado informações sobre estudar nos EUA, em nenhum lugar mencionava que o prazo para inscrições das bolsas de estudo lá termina antes da divulgação dos aprovados. Em outras palavras, a maior parte dos programas de bolsa americanos exige que você se inscreva antes de saber se foi aprovado ou não. Então quando eu comecei a procurar bolsas de estudo, já tinha perdido praticamente todos os prazos. Muitos jovens que vão estudar nos EUA 16
  • 16. conseguem apoio em seus países, mas o Brasil ainda tem poucos programas voltados para quem quer estudar fora. Até o final de 2013, o governo brasileiro não tinha nenhum programa voltado para mestrado no exterior, e o recém-criado Ciências sem Fronteiras não oferece bolsas para cursos de humanas. Algumas Fundações privadas (veja a lista de oportunidades disponíveis na seção Links Úteis) apoiam jovens que vão estudar fora, mas o auxílio concedido ainda é muito pouco para a crescente demanda. Entre todas as oportunidades de bolsa de estudos disponíveis no Brasil, eu me candidatei aos únicos dois programas para os quais eu era elegível. Embora eu tenha sido aprovada para outras fases, não fui selecionada no final. No dia que eu recebi a notícia de que não tinha sido selecionada para o último desses programas, meu mundo caiu e eu pensei que não havia mais esperanças de estudar em Columbia. Outro detalhe pouco comentado é que, para conseguir o visto de estudante nos EUA, você precisa comprovar que já tem toda a quantia necessária para cobrir as despesas do primeiro ano – e em ativos líquidos. Em suma, você precisa ter todo o dinheiro exigido antes de entrar com o pedido para conseguir visto. E sem nenhuma bolsa de estudos, eu não conseguiria cumprir esse critério. A essa altura, eu estava vendo meios de conseguir estudar em outra das universidades que eu também tinha sido aprovada, para a qual eu consegui uma bolsa parcial. Mas sempre que eu pensava no assunto, o sonho de estudar em Columbia falava mais alto e eu não conseguia me conformar com a minha situação. Foi quando eu fiquei sabendo da campanha que o músico Marcus Toscano fez para arrecadar a quantia que ele precisava para fazer o mestrado no exterior através do crowdfunding. O crowdfunding é uma plataforma de financiamento coletivo na qual diversas pessoas podem contribuir com alguma quantia para viabilizar um projeto – no caso os estudos no exterior. Depois de conversar com o Marcus, decidi lançar a minha campanha também e tentar arrecadar a quantia que faltava em um mês e meio. Ao longo desse tempo, conheci diversas pessoas que me ajudaram, não só com contribuições, mas com indicações e palavras de incentivo. Como eu tinha pouco tempo e a quantia era alta, também procurei grandes empresas. 17
  • 17. Mas o tempo ia passando e eu ainda estava longe de arrecadar tudo o que eu precisava. Foram dias de muita ansiedade, e a cada nova manhã o sonho de estudar em Columbia ficava mais distante. Na última semana de junho (2013), decidi que eu iria entrar em contato com a outra universidade e aceitar a proposta deles. Um dia antes de fazer esse contato final, fui a um evento e comentei a minha situação com os palestrantes. É incrível como uma escolha aparentemente banal pode mudar a sua vida para sempre. Se eu não tivesse ido a esse evento, e por pouco eu não fui porque estava chovendo e eu estava atrasada e desanimada depois de meses de buscas, eu não teria conseguido os recursos necessários para viabilizar o meu sonho. No dia seguinte, um dos palestrantes me mandou uma mensagem comentando que um amigo dele trabalhava num projeto novo, que talvez pudesse me ajudar. Esse projeto era a EduKar, que ajuda os jovens selecionados a investirem nos estudos e na carreira de uma forma inovadora. Por ser uma parceria, e não um empréstimo, não há o conceito de dívida. Um dos maiores impedimentos para financiar os estudos no exterior, além das altas taxas de juros no Brasil, é o fato de que não há modalidades que permitam iniciar o pagamento das parcelas depois que você se forma. Como os mestrados profissionais nos EUA (MBA, MIA, MPA, entre outros) exigem dedicação em tempo integral, não é possível trabalhar enquanto você estuda, o que impossibilita o pagamento de parcelas ao longo do curso. Sem contar que a quantia máxima financiada pelos bancos brasileiros não chega nem a um oitavo do que você precisa para pagar as despesas de um mestrado nas faculdades mais renomadas dos Estados Unidos. No caso da EduKar, os estudantes associados pagam o suporte disponibilizado depois de se formarem, destinando uma porcentagem de seus rendimentos à empresa por um tempo determinado, sendo que os detalhes são acordados previamente entre ambas as partes. No mesmo dia eu liguei para a EduKar e contei a minha situação. Eles já tinham fechado o processo daquele semestre, mas mesmo assim toparam marcar uma reunião comigo na semana seguinte. No primeiro dia de julho, me reuni de manhã com a equipe deles, que me explicou mais sobre o projeto e me entrevistou. Cientes da urgência que eu tinha em dar entrada nos documentos do visto, eles me ligaram no mesmo dia para informar que a diretoria e os acionistas da empresa 18
  • 18. conversaram e decidiram que iriam me apoiar. Como se diz aqui no Brasil, eu tinha conseguido “nos 45 do segundo tempo”! Mas não era tão fácil assim: O prazo para aceitar a minha vaga em Columbia, e fazer o depósito inicial, era 1º de maio: Já tinha passado dois meses! No dia seguinte, liguei para Columbia para informar que eu tinha conseguido a quantia que faltava, e o Escritório de Admissões permitiu que eu mantivesse a minha vaga. Eu tinha conseguido, contra todas as expectativas! E foi assim que eu consegui realizar o meu sonho de estudar em uma das melhores faculdades do mundo. Foi uma longa e difícil caminhada, e muita coisa poderia ter sido evitada caso eu tivesse tido mais orientação ao longo do processo. 1.2 VantagensdeestudarnosEstadosUnidos Muito além de melhorar o inglês e colocar uma experiência internacional no currículo, estudar nos EUA proporciona diversas oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional: Networking edesenvolvimentoprofissional Nas faculdades norte-americanas, normalmente existe um escritório dedicado apenas ao desenvolvimento profissional dos alunos. Ao longo do ano todo, a faculdade oferece palestras sobre temas ligados à carreira, como preparação para entrevistas, oportunidades em diferentes setores, entre outros. Também é comum ter diversas sessões de recrutamento durante o ano letivo, nas quais empresas, agências governamentais, organizações internacionais, e mais diversos empregadores divulgam oportunidades de estágio e trabalho nas suas instituições. A cultura de networking não se restringe só a um escritório, mas permeia todo o ambiente de ensino nos EUA. É comum professores auxiliarem alunos a conseguirem estágios ou empregos, e os próprios estudantes trocam experiências e contatos entre si. No caso das faculdades mais renomadas, robustas redes de ex-alunos (alumni) fazem com que você 19
  • 19. continue se conectando com a faculdade mesmo depois de formado, através de eventos, grupos e diálogo com outros ex-alunos. No caso da SIPA (School of International and Public Affairs), essa rede é composta por mais de 18.000 ex-alunos de mais de 156 países, sendo uma fonte riquíssima para troca de experiências e networking. Finalmente, esses escritórios auxiliam os alunos com atendimento individual para revisão de currículos, preparação para entrevistas, coaching e dicas em geral, e esses serviços continuam à disposição mesmo depois que você se forma. Rigor No Brasil, coisas como colar numa prova são comuns no sistema educacional, inclusive no ensino superior. Já nos EUA, não tem conversa: Se você colar, você é expulso da faculdade, e outras infrações ao código de ética também são severamente punidas. O rigor das faculdades norte-americanas não se aplica só ao regulamento, mas espera-se que o aluno leia a lista de textos indicada pelo curso e participe ativamente dos debates da aula. Se no dia-a-dia o ritmo já é muito intenso, nas semanas de provas a carga de estudos aumenta ainda mais. Para se ter uma ideia, durante essas semanas, a biblioteca da SIPA fica aberta até às 4:30 da manhã, sendo que outras bibliotecas de Columbia chegam a funcionar 24 horas! Como eu já comentei, bolsas de estudo são essenciais para muitos alunos, e um bom desempenho acadêmico (por exemplo, um GPA acima de 3.4) é um dos requisitos para se candidatar aos auxílios oferecidos pela faculdade. Por esse motivo, o comitê de admissões das faculdades mais concorridas busca applications que demonstrem a capacidade do candidato lidar com o stress. Administrar a carga do mestrado nessas faculdades não é uma tarefa fácil, e características como organização, responsabilidade e capacidade de trabalhar sobre pressão são essenciais para quem quer estudar nessas instituições. Mas todo esforço tem sua recompensa: no final, você sentirá que está se superando a cada semestre! Oportunidades Estudar em uma das melhores universidades da sua área (Clique aqui para acessar alguns rankings) proporciona oportunidades incríveis. O 20
  • 20. curso de Relações Internacionais, por exemplo, é tachado como um curso muito teórico no Brasil. Mas estudar RI em Columbia é uma experiência totalmente diferente: Você não se restringe ao estudo das teorias na sala de aula, mas pode participar de reuniões oficiais da ONU, conversar com diplomatas de países diferentes e fazer cursos com professores que possuem anos de carreira na área. Tudo isso ajuda a ter um treinamento acadêmico muito bom, mas que também é voltado para os desafios da prática. Além dos recursos oferecidos pelo seu mestrado, você também pode fazer cursos em outras escolas e aproveitar o que a faculdade oferece para toda sua comunidade. Como a minha área de concentração é meio ambiente, eu posso fazer cursos na escola de engenharia, na escola de direito, na Business School, entre outras, fora os diversos eventos multidisciplinares organizados ao longo do ano. E a faculdade ainda incentiva os alunos a participarem de diversos concursos, como o Hult Prize, que concede um prêmio de até $1.000.000 para o projeto vencedor! No final, todas essas experiências farão com que você se diferencie no mercado e cresça como pessoa e como profissional. Estágios No Brasil, boa parte dos alunos usam as férias para descansar, viajar ou fazer intercâmbio. Já nos EUA, é muito comum usar esse tempo para adquirir experiência profissional, mesmo que não remunerada. Estágios costumam ser obrigatórios, inclusive em alguns cursos de pós- graduação. Esse costume ajuda os estudantes a conhecerem melhor as organizações que eles pretendem trabalhar no futuro, além de acrescentar mais experiência ao currículo de quem está começando. Em muitos casos, os estagiários são efetivados depois de formados, ou conseguem um emprego através de indicações dos lugares onde trabalharam. Esses estágios também podem ser feitos ao longo do ano letivo. Por isso, na hora de escolher as universidades que você irá prestar, é importante observar as características das cidades nas quais elas estão localizadas. O fato de Columbia ficar em Nova York, por exemplo, aumenta ainda mais as oportunidades disponíveis, e é comum que os alunos estagiem em grandes organizações como a ONU, a Human Rights Watch ou o JP Morgan. 21
  • 21. CrescimentoPessoal Seja para fazer um intercâmbio de curto prazo, ou um mestrado, estudar fora faz com que você saia da sua zona de conforto e, consequentemente, cresça. Tarefas como administrar suas contas e buscar recursos para financiar o seu curso, bem como os desafios de se adaptar a outro país são muito enriquecedoras. Não importa qual é a sua profissão, saber lidar com outras culturas é uma competência que está em alta em um mundo cada vez mais globalizado. E estudar em outro país te ajuda a desenvolver essa e outras competências, como resiliência, tolerância e flexibilidade. 22
  • 22. Capítulo2:Oprocessodecandidatura O primeiro passo para se candidatar a um curso no exterior é pesquisar as opções disponíveis. A minha dica é que você olhe os rankings das melhores faculdades na sua área, converse com quem já foi estudar fora, leia matérias a respeito, etc. Depois dessa sondagem inicial, você deve se perguntar: Qual é o meu objetivo? O que eu quero ganhar com essa experiência? Mesmo entre as melhores faculdades do mundo, há muitas diferenças entre os programas com relação ao tamanho, cidade, foco, oportunidades e auxílio financeiro. Por isso, é importante refletir inicialmente sobre o que você está procurando. No meu caso, eu queria fazer um mestrado que me permitisse estudar e trabalhar com questões internacionais na área ambiental. Dessa forma, prestei mestrados na área de administração pública, relações internacionais e ciência ambiental. Em cada faculdade, programas diferentes eram mais adequados ao que eu estava buscando. Eu me esforcei tanto para conseguir financiar o meu curso em Columbia porque a instituição era a que mais se encaixava às minhas demandas. Além de oferecer um treinamento sólido em áreas como economia, finanças e política internacional, o Master of International Affairs na SIPA possui um currículo flexível, que permite que o aluno se foque nas áreas com as quais ele pretende trabalhar no futuro. Para finalizar, a proximidade com o Earth Institute, um dos maiores centros de pesquisa na área socioambiental do mundo, e com a ONU foram atributos decisivos para que eu fizesse a minha escolha. Depois que você traçar os seus objetivos, é hora de pesquisar os diversos programas disponíveis na área e escolher aqueles que mais se encaixam no que você procura. Para se organizar melhor, eu sugiro que você crie um arquivo ou uma planilha no Excel com as principais informações dos programas escolhidos: prazo para inscrição, documentos exigidos, link para a application, etc. Confira dicas para cada etapa da application nas próximas seções e boa sorte! 23
  • 23. 2.1 Testesdeproficiênciaeminglês TOEFL(TestofEnglishasaForeignLanguage) O TOEFL é o teste de proficiência em inglês mais comum, aceito por mais de 9.000 universidades e agências em mais de 130 países. Para fins acadêmicos, exige-se um score de no máximo dois anos, então é importante se programar para evitar que o teste perca a validade. O exame custa $210,00 e possui mais de uma modalidade: a mais comum é o TOEFL internet-based test (iBT), que é aplicado em diversos centros espalhados pelo mundo. O teste é dividido em quarto seções: Reading (60–80 minutos / 36–56 perguntas), Listening (60–90 minutos / 34–51 perguntas), Speaking (20 minutos / 6 perguntas) e Writing (50 minutos / 2 redações). Cada uma dessas seções vale 30 pontos, somando 120 pontos no final. Outra modalidade é o paper-based TOEFL (TOEFL PBT), que é aplicado em áreas onde o TOEFL iBT não está disponível. A principal diferença entre os dois testes é que o paper-based TOEFL não possui a seção de Speaking. A preparação para o TOEFL deve ser uma das primeiras etapas na application para um curso no exterior. A pesquisa inicial mencionada no início desse capítulo é essencial, já que cada curso estabelece um score mínimo para admissão. Se você pretende fazer uma pós-graduação em uma das melhores universidades dos EUA, a média exigida gira em torno de 100/120. Na SIPA, por exemplo, o mínimo é 100/120, mas para scores inferiores a 110/120 um curso de inglês no verão é obrigatório. Você deve selecionar a sua estratégia de estudo de acordo com as exigências dos programas que você escolheu e com o seu conhecimento do idioma. Faça um teste para simular o seu desempenho e foque nas habilidades que você precisa treinar mais. A ETS, empresa que aplica o TOEFL, oferece alguns materiais gratuitos para estudar para o teste (clique nos links abaixo para acessar os downloads): • TOEFL Test Prep Planner (PDF); 24
  • 24. • TOEFL® Resources: An Overview for Students (Flash); • TOEFL iBT Quick Prep; • TOEFL iBT Test Sample Questions. Você também pode comprar livros e outros materiais para se preparar na loja da ETS. *IELTS(InternationalEnglishLanguageTestingSystem): O IELTS é administrado pelo British Council e a nota é dada em uma escala de 0 a 9. Ao contrário do TOEFL, o IELTS não possui um prazo de validade. Mesmo assim, as universidades geralmente pedem o score de um teste feito há no máximo dois anos, então é importante se informar a respeito. O exame custa R$ 440,00 e é dividido em dois módulos (para mais informações obre a estrutura de cada módulo, clique aqui): (1) Academic Module; e (2) General Training. O score mínimo exigido pelas melhores universidades costuma ser 7.0/9.0. Como a maioria dos programas aceita tanto o TOEFL quanto o IELTS, decidir entre os dois exames é uma escolha pessoal – estude os dois testes e veja com qual você se identifica mais. A escolha do país de destino também pode influenciar a sua decisão, já que o IELTS é mais comum na Europa, enquanto o TOEFL é mais usado nos EUA. O British Council também oferece recursos gratuitos para você se preparar para o exame: • Free IELTS practice tests; • Free IELTS practice activities and resources. Você também pode comprar livros preparatórios oficiais clicando aqui. 2.2 GRE/GMAT O próximo passo rumo à uma pós-graduação nos Estados Unidos são os 25
  • 25. Standardized Tests. De acordo com o seu objetivo, você terá que escolher entre o GRE (Graduate Record Examinations) ou o GMAT (Graduate Management Admission Test). Alguns programas não exigem esses testes para estudantes internacionais, por isso é importante pesquisar os requisitos dos programas escolhidos. No caso das instituições que aceitam tanto o GRE quanto o GMAT, a escolha entre os exames fica a critério do candidato. O GMAT costuma ser exigido pelos programas de MBA, enquanto o GRE é um teste mais geral, e é aceito por diversos programas de pós-graduação. O GRE custa $185, dura cerca de 3 horas e 45 minutos e é composto por três seções: (1) Raciocínio Verbal (130–170); (2) Raciocínio Quantitativo (130–170); e (3) Redação Analítica (0-6). Para estudantes internacionais, a seção de raciocínio quantitativo é a mais importante, já que as habilidades gramaticais já são avaliadas pelo TOEFL. Normalmente, as universidades não estabelecem uma nota mínima para o GRE. Entretanto, algumas disponibilizam o desempenho dos alunos aprovados (clique aqui para ver o desempenho dos candidatos aprovados em Princeton em 2013). Confira abaixo materiais para se preparar para o exame: • Verbal Reasoning Question Types; • Quantitative Reasoning Question Types; • Introduction to the Analytical Writing Measure; • Preparation for the Computer-based GRE (POWERPREP); • Practice Book for the Paper-based GRE; • Math Review for the GRE; • Mathematical Conventions for the GRE; • Graduate Record Examinations; • ScoreItNow! - Online Writing Practice Service. Embora o score do GRE não seja eliminatório durante o processo de seleção, ele é uma parte importante da application. Normalmente, o GRE é mais importante para quem tem menos experiência de trabalho, ou 26
  • 26. notas não tão altas em matérias quantitativas na graduação. Se você não cursou matérias como estatística, economia e matemática na graduação, o GRE pode ser a única forma de atestar o seu raciocínio quantitativo para o Comitê de Admissões. Dessa maneira, o melhor é se preparar o máximo possível para ter uma boa nota. Como eu decidi enviar a minha application de última hora, tive apenas uma semana para me preparar para o teste. A minha nota poderia ter sido maior se eu tivesse estudado mais, e eu quase desisti de me candidatar em 2012 por não ter conseguido a nota que eu queria. Mas, como eu disse, a nota do GRE não é eliminatória – se você não conseguir um score muito alto, é possível compensar através da sua experiência de trabalho, notas altas em matérias quantitativas ao longo da graduação e cartas de recomendação que comprovem a sua habilidade quantitativa. O GRE também é usado como critério para a concessão de bolsas de estudo no primeiro ano da faculdade. Então se você precisa de auxílio estudantil (como a maioria dos estudantes), é importante ter uma atenção redobrada a essa etapa do processo. O GMAT custa $250, dura 3 horas e 30 minutos e avalia competências como escrita analítica, raciocínio integrado e análises quantitativas e verbais. Mais detalhes sobre cada seção do exame estão disponíveis aqui. Confira abaixo materiais para se preparar para a prova: • GMAT Preparation Checklist; • The GMAT Prep Timeline; • GMAT Handbook; • GMAT Paper Tests; • Free GMATPrep Software; • The Official Guide for GMAT Review, 13th Edition; • GMAT Write; • GMAT Focus Online Quantitative Diagnostic Tool; • The Official Guide for GMAT Quantitative Review, 2nd Edition; • The Official Guide for GMAT Verbal Review, 2nd Edition. 27
  • 27. O score necessário vai depender do programa para o qual você irá se candidatar. Por exemplo, o score médio dos alunos aprovados para a turma de 2015 do MBA de Harvard foi 730/800 (nota mínima 550 e nota máxima 780). 2.3 Essays Os Essays – redações exigidas durante o processo para se candidatar a programas de pós-graduação nos EUA – são a parte mais importante da application. O tema varia de acordo com a faculdade escolhida, e algumas exigem mais de um essay. Basicamente, o essay (ou personal statement) é uma redação de cerca de 600-1.000 palavras na qual você descreverá experiências passadas, metas para o futuro e como estudar na faculdade escolhida te ajudará a alcançar os seus objetivos. Já que muitos programas de pós-graduação não fazem entrevistas durante o processo de seleção, o essay é uma oportunidade para os candidatos mostrarem quem são e porque devem ser selecionados. Pode parecer simples, mas escrever um bom essay exige tempo e planejamento. Como foi mencionado antes, fazer uma pós-graduação nos EUA é um grande investimento de tempo, esforço e dinheiro, então é importante que você reflita inicialmente sobre os motivos que te levaram à essa escolha. Também é importante ressaltar que o Comitê de Admissão lerá diversos essays, então você deve encontrar uma maneira de se destacar entre os demais. O primeiro parágrafo é muito importante e deve instigar o interesse do avaliador. Fuja de fórmulas prontas e fáceis, mas sem exageros. O objetivo nessa fase da avaliação é contar uma história sobre você, a qual deve ser coerente com os outros documentos apresentados. Por exemplo, não adianta falar que você tem muita experiência em uma área se o seu currículo não sustentar o que estiver escrito, ou apontar uma qualidade sua que nenhuma carta de recomendação mencione. Outro erro muito comum é focar só na parte profissional, apenas reafirmando aquilo que já consta no seu currículo. Os avaliadores lerão todos os seus documentos, e o objetivo do essay é acrescentar informações que não são mencionadas em outras partes da application. 28
  • 28. Você pode – e deve – citar algumas informações contidas no seu currículo, mas lembre-se de acrescentar experiências pessoais para enriquecer a narrativa e ilustrar habilidades que você possui. Ao longo do texto, você pode mencionar: • Eventos e mudanças que foram importantes na sua vida; • Pessoas, livros e viagens que te inspiraram; • Conquistas e sonhos; • Os maiores desafios da sua vida e como você lidou com eles; • Quais são as suas metas para o futuro; • Experiências em áreas relacionadas ao curso que você quer fazer; • Atividades extracurriculares; • Fatos que ilustrem habilidades suas, como liderança, resiliência, organização, entre outras. Erros comuns são: linguagem informal, erros de ortografia, compartilhar fatos muito pessoais, dar desculpas inapropriadas para pontos fracos (ex: notas baixas), escrever o nome da escola errada, entre outros. Depois de finalizar o seu essay, peça a opinião de amigos, professores, colegas de trabalho e revise cuidadosamente para evitar erros gramaticais. Se possível, peça o feedback de alguém que estude nos EUA ou faça parte do programa para o qual você está se candidatando. Mais informações: • Questions to Ask Yourself Before Writing Your Graduate Admissions Essay • Overview of the Graduate Admissions Essay • What Do Graduate Schools Want? • Graduate School Admissions Essay Checklist • 7 Common Admissions Essay Mistakes 29
  • 29. • FAQs for Writing Your Graduate Admissions Essay • How to Organize and Write Your Graduate Admissions Essay • Why do Grad School Applications Require an Admissions Essay? • Graduate Admissions Essay Dos and Don'ts 2.4 Cartasderecomendação O processo de admissão em uma universidade americana é muito competitivo. Por isso, o candidato deverá submeter cartas de recomendação junto com os seus documentos. O número de cartas exigido varia de acordo com o curso, podendo chegar até três nas applications para pós-graduação. Essas cartas devem ser enviadas por pessoas que possam avaliar o desempenho profissional e acadêmico do candidato, como professores e supervisores. Esses documentos são essenciais para uma application bem sucedida e funcionam como uma confirmação do que foi mencionado nos documentos anteriores. Nessa fase do processo seletivo, o Comitê de Admissão busca indícios que comprovem que o candidato está preparado para iniciar uma pós- graduação no exterior. Algumas das características buscadas são: liderança, responsabilidade, resiliência, ambição, bom desempenho profissional e acadêmico, motivação, entre outras. Ao requisitar uma carta de recomendação, é importante escolher alguém que realmente conheça o seu trabalho. O tamanho padrão é cerca de uma página a uma página e meia e, como o essay, uma boa carta de recomendação relatará fatos que comprovem as afirmações feitas sobre o candidato. Não adianta dizer que o aluno é proativo se o professor não citar nenhuma experiência que demonstre isso. Dessa forma, é uma boa ideia debater o documento com as pessoas que irão te recomendar. Um bom ponto de partida é enviar os seus outros documentos para que vocês possam construir uma boa application juntos! Não há regras rígidas sobre como você deve distribuir as suas cartas. Uma recomendação, porém, é que ao menos duas cartas venham de professores se o candidato possui menos de três anos de experiência 30
  • 30. profissional. Para pessoas com três anos ou mais de experiência profissional, é mais indicado enviar ao menos duas cartas escritas por pessoas que possam comentar seu desempenho no trabalho, como supervisores, coordenadores e colegas. Pessoas que trabalham há mais tempo não precisam enviar cartas de professores se não quiserem. Alguns pontos que podem ser citados nas cartas de recomendação são: • A relação entre você e a pessoa que está escrevendo a carta. • Quais características e habilidades distinguem o candidato dos demais alunos/funcionários? • Como você classificaria o candidato? Ele foi um dos melhores alunos? Um dos mais criativos? Ele é um dos funcionários mais dedicados do departamento? • Pontos mencionados no essay e no currículo do candidato. • Fatos que demostrem a maturidade do candidato e porque ele está preparado para fazer uma pós no exterior. • Comentar o desempenho acadêmico e profissional do candidato. • Mencionar experiências e habilidades que podem compensar pontos fracos do candidato, como notas baixas no GRE. • Por que o aluno é um bom candidato para a pós-graduação? Escrever bem, boa oratória, experiência com pesquisa e conhecimentos relacionados a área escolhida são algumas das características buscadas pelos avaliadores. É possível que algumas universidades entrem em contato com as pessoas que enviarem as suas cartas de recomendação. Não esqueça de manter os seus recomendadores informados sobre o resultado das suas applications! Mais informações: • GSAS Guide for Teaching Fellows on Writing Letters of Recommendation 31
  • 31. • Sample Letters of Recommendation • Letters of Recommendation: Examples • Recommendation Letters - Business School Recommendations • Recommendation Letter FAQ • Business School Recommendation Letter Tips • Writing Letters of Recommendation • Letters of Reference 2.5 cv/RésuméeWritingSamples Outro documento importante na application para universidades americanas é o currículo do candidato. Normalmente, as universidades estipulam um limite de quatro páginas, um espaço maior do que o dos currículos convencionais. Isso porque os avaliadores consideram não só a experiência profissional e acadêmica do candidato, mas também atividades extracurriculares, como participação em centros acadêmicos, empresas juniores, ONGs, projetos voluntários, entre outras. O Comitê de Admissões busca candidatos proativos, atuantes em suas comunidades e que se destaquem dos demais. Por isso, o currículo fornece as bases nas quais você irá construir o seu essay. Você pode demonstrar como as atividades do seu currículo estão relacionadas com os seus planos para o futuro e o programa de pós-graduação escolhido. Se você for um career changer (alguém que decidiu fazer uma pós- graduação para mudar o rumo de sua carreira), uma alternativa é mostrar como as habilidades adquiridas até então podem te auxiliar na nova carreira. Em outros casos, você pode indicar trabalhos voluntários na área, ainda que sua experiência profissional seja em outro setor. Algumas universidades também pedem um currículo extra focado em habilidades específicas, como análise quantitativa e conhecimento de idiomas. Também pode ser requisitado um writing sample; isto é, um pequeno artigo seu sobre o tema que você pretende trabalhar no mestrado. Como os critérios variam de acordo com a instituição 32
  • 32. selecionada, é importante ler atentamente as exigências de cada uma. 2.6 Bolsasdeestudo Pode parecer estranho para nós, brasileiros, mas o prazo para se candidatar às bolsas de estudo nos EUA é anterior à divulgação da aprovação nas universidades. Na maioria dos programas, você irá submeter uma application separada para concorrer às bolsas de estudo fornecidas pela instituição. Mas há muitas bolsas fornecidas por outras instituições, então o candidato deve pesquisar essas outras oportunidades antes mesmo de receber a decisão das universidades. Como eu mencionei no capítulo introdutório desse E-book, eu não sabia disso na época que eu estava enviando as minhas applications às universidades. Logo, quando eu recebi a notícia da minha aprovação, praticamente todos os prazos das bolsas externas já tinham passado! Não deixe para depois também, financiar os custos é um dos principais desafios de cursar uma pós-graduação no exterior. Veja algumas instituições que oferecem auxílio financeiro na seção “Links Úteis”. 2.7 Dicasgerais 1. O processo seletivo para uma universidade americana é mais amplo do que o das universidades brasileiras. As notas dos exames (GRE, GMAT, entre outros) são importantes, mas são apenas uma parte da application. Um candidato ideal é aquele que possui boas notas ao longo da graduação, um histórico de atividades extracurriculares, alguns anos de experiência de trabalho, bons scores nos exames de admissão e cartas de recomendação que demonstrem um potencial acima da média. Por fim, o essay deve relacionar todas as características mencionadas acima e mostrar para o Comitê de Admissão quais são os objetivos pessoais e profissionais do candidato. É comum, porém, que o 33
  • 33. candidato possua pontos fracos em sua application. Se esse for o seu caso, busque compensar esses pontos nos outros componentes do processo seletivo. Por exemplo, uma nota baixa na parte quantitativa do GRE muitas vezes pode ser compensada por notas boas em matérias quantitativas ao longo da graduação, bem como com experiências profissionais que ressaltem as habilidades quantitativas do candidato. 2. Uma application bem sucedida é aquela que fornece aos avaliadores um bom retrato do candidato. Para compor uma narrativa coerente ao longo dos documentos exigidos, em primeiro lugar é necessário que você reflita a respeito dos seus objetivos pessoais e profissionais. Um bom começo é selecionar experiências que marcaram a sua vida e refletir sobre suas qualidades e seus defeitos. Como você chegou até aqui? Aonde você quer chegar? Como estudar fora pode te ajudar a atingir os seus objetivos? 3. Nos programas de pós-graduação, as universidades americanas procuram pessoas que saibam aonde querem chegar. Por isso, costuma- se exigir alguns anos de experiência de trabalho para se candidatar a alguns mestrados nos EUA. Por mais que uma pequena parcela dos aprovados não tenha experiência profissional, eu não aconselho que você se candidate logo após terminar a graduação. Trabalhar por ao menos dois anos antes de se candidatar fortalecerá a sua application, além de te ajudar a refletir melhor sobre a carreira que você almeja. 4. Fuja do “Complexo de vira-lata”: Ao iniciar a sua application, mostre o melhor de si! As universidades americanas buscam aumentar o número de alunos brasileiros, o que é reflexo de um interesse crescente pelo país. Durante esse meu primeiro semestre em Columbia, eventos e palestras sobre o Brasil ocorriam quase que semanalmente, e há diversos cursos focados no nosso país. Dessa forma, demonstrar que você conhece e quer contribuir para o avanço do Brasil é um diferencial! 5. Faça uma boa pesquisa sobre cada universidade. Essays bem sucedidos são aqueles que demonstram conhecimento sobre a 34
  • 34. instituição escolhida. Mencione as características do curso que te interessam mais, professores com os quais você gostaria de trabalhar e os motivos pelos quais você escolheu aquela faculdade. Por mais que você tenha um essay padrão, não esqueça de adaptá-lo a cada application. Uma boa fonte para entender melhor o que os avaliadores buscam é o Admissions Blog das próprias faculdades. Além disso, é comum que elas publiquem perfis de alunos e ex-alunos, que também fornecem uma ideia sobre as características das pessoas que são aprovadas nos seus cursos. 6. Peça feedback. Nem sempre aquilo que você quer dizer está claro para o leitor. Portanto, peça a opinião de amigos, colegas, familiares, professores e quem mais puder te ajudar. Revise também questões gramaticais e confira pequenos detalhes, como por exemplo se você está endereçando os documentos à faculdade correta. Afinal, você não quer deixar de ser aprovado por descuidos desse tipo, né? 35
  • 35. Capítulo3:Passei!Eagora? Se você foi aprovado em uma universidade americana, parabéns! Comemore essa grande conquista, mas saiba que a sua jornada está apenas começando... 3.1 Aescolhadauniversidade A maioria dos candidatos envia applications para mais de uma universidade. Dessa maneira, pode ser que você seja aprovado em mais de uma instituição – e tenha a difícil tarefa de escolher para onde ir. Nesse momento, ter feito uma boa pesquisa sobre as faculdades para as quais você se candidatou pode facilitar a sua escolha. É comum que você já tenha algumas faculdades preferidas entre as que você se candidatou. Assim, a dúvida será maior se você passou nos programas que você queria mais. Como escolher? Eu sugiro que, antes de tomar a sua decisão, você reveja o currículo de cada curso, os cursos disponíveis, os institutos de pesquisa da universidade, as vantagens de cada cidade, tire dúvidas com quem está cursando os programas, enfim, junte o máximo de informação possível para tomar a melhor decisão. Outros critérios também devem ser considerados, como custo de vida, o preço da tuition (mensalidade) e bolsas de estudo oferecidas. Às vezes um curso pode ser a sua segunda opção, mas o fato de a faculdade te conceder uma boa bolsa de estudos pode fazer com que você o escolha. Não há uma fórmula pronta para decidir entre os cursos que você for aprovado. Se houver uma diferença entre os custos, mas uma das faculdades for aquela que você sempre quis estudar, vale a pena se esforçar mais para viabilizar o seu sonho. Você terá cerca de um mês para fazer a sua escolha, depois é hora de iniciar os preparativos para o início das aulas! 36
  • 36. 3.2 Preparativos O primeiro passo é aceitar a sua oferta de admissão. Entretanto, isso deve ser feito apenas depois que você já fez a sua escolha. Nos Estados Unidos, não é bem visto aceitar a oferta de várias faculdades, já que você estará segurando as vagas de candidatos que ficaram na lista de espera. Se houver a possibilidade de você aceitar outra oferta posteriormente, uma boa ideia é avisar a faculdade que você se comprometeu a cursar. Desistências motivadas por aprovações tardias em outra universidade ou resultados de bolsas de estudos são justificáveis, enquanto aceitar diversas ofertas e deixar para decidir depois não é. Além da questão ética, há também um custo: Ao aceitar a sua oferta, você terá que fazer um depósito (cerca de $400 a $1000) que não é devolvido caso você desista. Se você se matricular no curso, o valor do depósito é descontado da tuition a ser paga no primeiro semestre. A segunda etapa é enviar os documentos oficiais, como o seu histórico escolar e o resultados do TOEFL e GRE (ou GMAT). No caso dos exames, você tem o direito de escolher algumas universidades para enviar os resultados oficiais sem custo quando você se inscreve. Caso você decida enviar seu score para outras instituições posteriormente, será cobrada uma taxa para cada score enviado. Depois, você tem que ativar o seu perfil na universidade, para poder se registrar para os cursos, criar sua conta de email no sistema, entre outras atividades administrativas. Antes de viajar, você também vai precisar tirar o seu visto de estudante. A sua categoria vai depender do tipo de curso que você irá fazer (pós- graduação, inglês, etc) e se você vai patrocinado por uma empresa ou não. Uma das exigências é comprovar que você possui recursos financeiros para estudar nos EUA. Em termos práticos, isso significa comprovar que você possui, em ativos líquidos (saldo em conta corrente, investimentos, ações, títulos, fundos em conta poupança, fundos mútuos e comprovantes de depósito) o valor necessário para cobrir as despesas do primeiro ano de curso. As despesas estimadas são fornecidas pela própria universidade. 37
  • 37. Para comprovar essa quantia, valem não apenas os seus recursos, mas também recursos de familiares, bolsas de estudo, patrocínio de empresas, etc., desde que os responsáveis por esses recursos assinem um documento se comprometendo a te auxiliarem financeiramente ao longo do curso. Antes de dar entrada no visto, é preciso enviar os documentos que a faculdade requisita para emitir o I-20 (no caso da categoria de visto F-1) ou o DS-2019 (no caso da categoria de visto J-1). A universidade também pode exigir cursos preparatórios (inglês, matemática, entre outros) antes das aulas começarem. Por fim, os preparativos finais incluem tomar as vacinas exigidas (ou providenciar comprovante de vacinação caso você já as tenha tomado) e alugar um apartamento ou quarto na nova cidade. Algumas universidades oferecem moradia estudantil, e normalmente você pode requisitar um quarto em um formulário específico. Caso a sua faculdade não ofereça essa opção, ou você não seja contemplado, os sites abaixo são um bom ponto de partida para começar a busca por moradia: - Airbnb; - Craigslist; - Sublet.com. Depois de finalizar todos os preparativos, é hora de iniciar uma nova fase em sua vida. Boa sorte! 38
  • 38. LinksUtéis Dicasparaeoportunidadesparaquemquerestudarfora • Alumni • Daquiprafora • EducationUSA • Estudar Fora • Getting into Grad School • Petersons Bolsasdeestudoeauxíliofinanceiro - American Association of University Women (AAUW) - Banco Mundial - Brazilian-American Chamber of Commerce - CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Ciência sem Fronteiras - CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) - EduKar - FAPEAL – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais 39
  • 39. - FAPERGS – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul - FAPERJ – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fastweb - Fundação Estudar - Fundação Lemann - Fulbright - Harvard Kennedy School Directory of External Scholarships - International Scholarships - Instituto Ling - OEA - Organização dos Estados Americanos - Scholarships.com - SIPA Directory of External Fellowship Opportunities - Yale Outside Scholarships 40
  • 40. Epílogo 07desetembrode2013 Ontem fez duas semanas que eu estou em Nova York! Apesar de parecer pouco tempo, já deu para ter uma ideia de como é a vida de Graduate Student aqui em Columbia. A primeira semana é uma semana de orientação, na qual aprendemos mais sobre o curso, as áreas de concentração e especialização disponíveis e diversas ferramentas que a SIPA (School of International and Public Affairs) e Columbia oferecem. Além da parte acadêmica, pudemos perceber o quanto o networking é valorizado por aqui: todas as noites tivemos algum evento para conhecer melhor nossos colegas. Uma das coisas que mais me surpreendeu foi a diversidade do corpo estudantil! Tenho colegas que vieram do exército e querem estudar questões relacionadas à segurança internacional, 41
  • 41. colegas que trabalham em Ministérios de países diferentes, colegas que trabalharam vários anos com desafios relacionados ao desenvolvimento na ONU e outras organizações internacionais, só para citar alguns exemplos. Essa semana, tive as minhas primeiras aulas e aproveitei para organizar minha nova “casa”. Seguem algumas impressões iniciais desses primeiros dias por aqui: 1) Aqui ninguém “segura a sua mão”: Essa foi uma das expressões que eu mais ouvi na semana de orientação. A SIPA é uma escola de Relações Internacionais e Administração Pública enorme! Sem contar os cursos oferecidos por outras escolas de Columbia, a SIPA oferece cerca de 400 cursos por semestre e possui mais de 100 Grupos de Estudantes. Além disso, há diversos eventos ao longo do ano, Conferências, projetos de pesquisa, oportunidades de estágio, entre outras atividades. É natural que você fique perdido no meio de tanta coisa, mas espera-se que você seja capaz de se organizar e controlar a sua trajetória ao longo do curso. Há diversas estruturas para te apoiarem nesse processo, mas ninguém fará nada por você. Coisas do tipo “Ah, mas eu não vi que o trabalho era pra hoje” não são aceitáveis e é sua responsabilidade controlar questões acadêmicas e profissionais. 2) A faculdade é aberta às iniciativas dos alunos: Você quer abrir um grupo de estudos novo? Propor uma pesquisa? Organizar um evento? Aqui há espaço (e financiamento) para essas e outras iniciativas proposta pelos alunos. Os professores também são abertos à discussão e a novas ideias, e a grande maioria disponibiliza algumas horas na semana para atender os alunos. 3) Você tem que aprender a lidar com diversidade cultural: A maioria das maiores universidades dos EUA possuem estudantes de diversos países. A minha turma, por exemplo, é composta por pessoas de 59 países! Lidar com gente de lugares e costumes tão diferentes é um desafio. Coisas que você tem como certas no seu país nem sempre são um costume em outros lugares. Para facilitar a vida, vale adotar um pouco o estilo pragmático americano: vá direto ao ponto! No Brasil, normalmente 42
  • 42. se faz muitos rodeios para se falar algo, o que pode confundir a maioria das pessoas de fora. Sobre o tema, vale a leitura do guia feito pela The Economist. 18desetembrode2013 Se as primeiras duas semanas em Columbia foram mais introdutórias, na última semana o ritmo começou a acelerar (ainda mais). Tempo é um dos recursos mais escassos (juntamente com dinheiro, pelo menos na maioria dos casos) na vida de um Grad Student nos EUA. A triste – e irrefutável – realidade é: você não vai conseguir ir a todos os eventos/atividades oferecidos pela faculdade, nem fazer todos os cursos que tem interessam (com qualidade) em dois anos. Dessa forma, saber administrar seu tempo é essencial para aproveitar o máximo possível, dentro do seu limite. Nesse primeiro semestre, eu estou fazendo “só” 4 c u r s o s : Conceptual Foundations of International Politics, Microeconomics, Science for Sustainable Development e Sustainability Management. Mas se somar todas as aulas (alguns cursos tem duas aulas + uma aula obrigatória de discussão) dá mais de 8 aulas por 43
  • 43. semana! Mais o laboratório de matemática até o fim do mês, e todos os mil eventos extras que a faculdade oferece... Na segunda, tive a primeira aula de Conceptual Foundations of International Politics. A cada semana, um professor diferente de Columbia irá ministrar a aula sobre o tema de sua especialidade. Entre os convidados, nada menos que Joseph Stiglitz (Nobel em Economia) e Jeffrey Sachs (Diretor do Earth Institute e Assessor Especial do Secretário- Geral da ONU Ban Ki-moon). Além das aula principais, uma sessão menor de discussão faz parte do programa. Nos Estados Unidos, espera- se que você leia todos os textos sugeridos, já que normalmente cerca de metade da aula é debate. Na terça, eu e cerca de 15 alunos mais a Diretora do Programa co- curricular da ONU na SIPA almoçamos com o Embaixador da Suíça para as Nações Unidas. Durante duas horas, tivemos a oportunidade de discutir o Conselho de Segurança da ONU e a crise da Síria, aprendendo mais sobre a perspectiva de outro país. Eventos como esse são corriqueiros no calendário da faculdade e o próximo almoço será com o Embaixador da Turquia! Quarta, tive aula de Ciência para o Desenvolvimento Sustentável com o Professor Jonh Mutter, diretor do Doutorado em Desenvolvimento Sustentável de Columbia. O conteúdo da aula focou em temas como mecânica quântica (sim, você não leu errado e eu não decidi mudar para o mestrado de engenharia) aplicada à climatologia. A noite, fui para a aula de Sustainability Management, que é ministrada pelo Professor Steven Cohen, especialista em administração pública e meio ambiente e Diretor Executivo do Earth Institute. Quinta, além do Laboratório de matemática, participei do evento dos Global Centers de Columbia. Espalhados pelo mundo, os centros promovem oportunidades de intercâmbio estudantil e de professores, colocação profissional, promoção de eventos e cursos, entre outras atividades. Esse ano, foi aberto o Global Center do Brasil, no Rio de Janeiro, o que reflete o interesse que Columbia tem pelo nosso país, sendo uma das únicas faculdades americanas que tem um centro no Brasil, além de um departamento específico para estudar o país. Sexta aproveitei para tirar o atraso das leituras e me preparar para o Retreat do fim de semana. Eu passei sábado e domingo com os alunos 44
  • 44. do Programa co-curricular da ONU, além da Diretora do programa Elisabeth Lindenmayer e convidados: Na SIPA é comum as diversas concentrações e grupos passarem um fim de semana em um “Retreat”, para que os alunos possam se conhecer melhor. Esse fim de semana, discutimos os diversos conflitos da África e do Oriente Médio, suas semelhanças e particularidades, bem como o papel da comunidade internacional. A foto acima é do meu grupo (East Africa) e o grupo do Oriente Médio, que foram escolhidos como as melhores apresentações. O prêmio será um almoço exclusivo com a equipe da ONU que trabalha na região que nós apresentamos! Pode parecer muita coisa, mais essa foi apenas uma semana comum aqui na SIPA. E essa semana não vai ser muito diferente: Além das aulas, leituras e eventos da SIPA, amanhã começam as reuniões do UN Inter- Agency Network on Youth Development (IANYD), evento convocado pelo Secretário-Geral para avaliar as políticas da ONU para juventude. Cerca de 100 jovens do mundo todo estarão presentes, além de funcionários de diversas agências da ONU! 20demarçode2014 45
  • 45. Spring break! Finalmente tenho tempo para fazer as edições finais do e- book. Muita coisa aconteceu desde o dia em que eu recebi a minha Carta de Admissão de Columbia, há um ano atrás. Tecnicamente, já conclui três-quartos do meu primeiro ano de mestrado e estou iniciando os preparativos para o meu field placement. Algumas coisas que aconteceram nesse tempo: (1) Eu mudei de programa dentro da SIPA. Originalmente, fui aprovada no Master of International Affairs (MIA) com concentração em Energia e Meio Ambiente mas, no início desse ano, mudei para o Master of Public Administration in Development Practice (MPA-DP). Esse é um programa novo em parceria com o Earth Institute, cujo objetivo é formar profissionais capacitados para lidar com os desafios ligados ao desenvolvimento sustentável. O currículo do programa é interdisciplinar e busca fornecer as competências necessárias para entender diversos temas importantes para a promoção do desenvolvimento, tais como produção de alimentos, saúde pública, economia, ecologia e infraestrutura. Além de contar com os recursos da SIPA e do Earth Institute, o MPA-DP de Columbia faz parte de uma rede global que conta com 25 universidades em seis continentes. (2) Esse semestre, estou trabalhando como assistente na United Nations Sustainable Development Solutions Network (SDSN), rede criada pelo Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon e dirigida pelo professor Jeffrey Sachs. O objetivo da organização é mobilizar conhecimento científico e técnico das universidades, sociedade civil e setor privado para reunir iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável em âmbito local, nacional e global. Atualmente, estou apoiando o estabelecimento da SDSN Brasil e a iniciativa para Cidades Sustentáveis. Uma das vantagens de estudar nos Estados Unidos é justamente ter acesso a várias oportunidades profissionais em organizações internacionais, empresas multinacionais e ONGs globais. (3) Com relação às associações de estudantes que eu mencionei, estou na diretoria da Columbia University Coalition for Sustainable Development (CUCSD), que visa a integrar os diversos programas de pós- graduação e graduação da universidade, bem como suas iniciativas de desenvolvimento sustentável. Além de atividades sociais, organizaremos 46
  • 46. alguns painéis ao longo do ano. Uma das minhas funções na organização é coordenar a delegação que enviaremos para a COP 20, Conferência anual da ONU sobre mudanças climáticas, que esse ano será realizada em Lima. Eventos futuros já estão sendo planejados em parceria com professores e outras universidades, e a delegação enviada à Lima deverá continuar seus trabalhos rumo à Conferência do Clima que será realizada em Paris ano que vem. (4) Nesse momento, já estou começando os preparativos para o meu field placement em junho. O MPA-DP exige que os alunos passem três meses trabalhando em projetos no campo, para que eles possam adquirir mais experiência prática. Essa semana, tive que decidir entre um projeto do World Economic Forum de sustentabilidade na agricultura, na Tanzânia, e uma consultoria sobre cidades sustentáveis e adaptação às mudanças climáticas em Moçambique. Irei com uma colega para Moçambique e, nos próximos dias, iniciaremos a elaboração do projeto com o apoio de professores. Esses meses em Columbia foram muitos intensos, muitas leituras, eventos, trabalhos... Mas, ao mesmo tempo, estou certa de que valeu a pena todo o esforço para chegar até aqui! Tenho aprendido muito e, hoje, tenho acesso à oportunidades com as quais eu nem sonhava há um ano atrás. Espero que as experiências compartilhadas nesse e-book te ajudem a também correr atrás do seu sonho, seja ele qual for! Continuarei compartilhando experiências, dicas e textos no meu blog - http://www.cassiamoraes.com - e na minha página no Facebook - http://www.facebook.com/RumoaosEUA. Boa sorte! Cassia 47
  • 47. Sobreaautora Meu nome é Cassia, tenho 24 anos e venho trabalhando com cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável. Desde pequena, me interesso por causas sociais e, depois de me formar em Relações Internacionais na graduação, esse interesse cresceu ainda mais e se transformou em trabalhos que eu venho realizando na área. Depois de finalizar o curso em Relações Internacionais na UNESP, trabalhei na área ambiental e econômica no setor privado, público (Missão do Brasil junto à ONU) e voluntariamente em ONGs nacionais e internacionais. Atualmente faço parte da equipe da United Nations Sustainable Development Solutions Network (SDSN). Hoje, meu maior objetivo é mostrar que a preservação ambiental não só pode como também deve andar junto com a erradicação da pobreza – e que o Brasil pode ser um dos grandes líderes nesse processo. Por isso, tenho pesquisado sobre cooperação internacional para resolução de desafios socioambientais, sobretudo questões relacionadas às mudanças climáticas, à erradicação da pobreza e à segurança alimentar. Esse livro é um dos resultados da minha campanha de crowdfunding para estudar em Columbia. Depois de meses de trabalho e divulgação, 48
  • 48. consegui realizar mais um sonho e, atualmente, estou em Nova York cursando o Master of Public Administration in Development Practice na Columbia University, uma das 10 melhores escolas de Relações Internacionais do mundo! Blog: http://www.cassiamoraes.com Página no Facebook: http://www.facebook.com/RumoaosEUA 49