Milagrepelaluta
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Milagrepelaluta

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auto biografia de um alcoolatra desde início da sua doença até a paralisação

auto biografia de um alcoolatra desde início da sua doença até a paralisação

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Milagrepelaluta Document Transcript

  • 1. ALCOOLISMOMilagre pela Luta Manoel Coutinho 1
  • 2. MILAGREPELA LUTARETRATA A VIDA DE UMALCOÓLATRANO DESENVOLVIMENTO DADOÊNÇA ATÉ SUAPARALISAÇÃO com o alcoolismoMilagre pela luta na verdade, são transformações.Parte por uma abstinência alcóolica,Parte por aprender novos métodos de vida,Parte por querer corrigir as próprias falhas epor ter coragem de lutar contra meu pior inimigo,eu mesmo. Mas, que foi Milagre, foi.DEDICADO A MINHA MÃE, TODA A MINHAFAMÍLIA E A TODOS MEUS PADRINHOS EMADRINHAS DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Manoel CoutinhoAo leitor, 2
  • 3. Toda narrativa de um escrito na Primeira Pessoado Singular, é inicialmente chata de se ler.- Não tivecomo dar meu próprio exemplo que não fosse poreste lado. Ocorre que, meus filhos sendo filhos de umAlcoólatra, conseguiram perceber que alcoolismo émuito perigoso, talvez, porque vez em quando, eu oslevava para uma sala de AA e todos admiram egostam da Obra e nenhum deles tem um vício sequer.A mesma sorte, não tive com alguns de meussobrinhos, eles não sabem ainda que alcoolismosegundo a Organização Mundial da Saúde é umadoença progressiva, incurável e de fins fatais, esegundo a Alcoólicos Anônimos, é uma doençaprogressiva, física, espiritual e emocional. Tambémainda não perceberam que quase todo caso deDrogas, inicia-se pelo álcool. Eles, estes poucossobrinhos, não todos, acham que o Tio temproblemas alcoólicos, emocionais e espirituais e queeles não e, dão muito trabalho. Portanto, as coisasacontecem na minha própria família e eu às vezes,não tenho como ajudar, ou simplesmente nada possofazer, mesmo tendo mais de 20 anos de abstinênciaalcoólica. - O mais interessante, é quando vou darmeu testemunho dentro de uma sala de AA.,principalmente no Grupo onde faço freqüência,alguns membros, mal encaixados, por desconheceremmeu passado, meu trabalho e minha gratidão, achamque eu estou faltando com a verdade, principalmente 3
  • 4. quando entro em detalhes das minhas passagensalcoólicas e familiares - Assim, não tive outraalternativa, senão escrever como um desabafopessoal, apesar de resumido, para não cansar o leitor,e não expor demais a individualidade dos meus. Várias passagens de minha vida seráreconhecida por pessoas que mesmo sem citar onome, sabem do ocorrido, testemunharam, viram e,na maioria das citações, conviveram com a situação...- Por favor tenham paciência ao iniciar a leitura ese possível, leia a parte III duas vezes. - Desde já,dispenso estrelismo ou honraria, principalmente comomembro do AA. Porém, agradeço a todos. Manoel CoutinhoALCOOLISMO 4
  • 5. Milagre pela luta PREFÁCIO Na primeira parte fiz uma narrativa do que pensocomo surgiu a doença alcóolica e outras; às vezesfundado num exemplo ou às vezes geneticamente ouquem sabe já não era uma pré disposição para o vício.- Nisto fica a critério do leitor. - Também narro commuita propriedade que se conselho, ou exemplos deboa conduta bastasse, tal doença não teria originado emuito menos evoluído. - Também fica muito claroque ninguém, nem meus irmãos que fizeram um papelde pai e nem minha mãe, conseguiram travar meusvícios. A segunda parte, narro o desenvolvimento dadoença alcóolica. A necessidade de ganhar dinheiro,de arrumar outras rendas a necessidade de me firmarcomo uma pessoa bem sucedida que sempreacabavam com bagunças aliadas basicamente aoalcoolismo. - Também narro com uma certafelicidade a tentativa de paralisar ou melhor, diminuircom meu alcoolismo mesmo com uso de remédio(medicamentos ) numa alto medicação. Mesmo istosendo de um risco, acaba que começou ali a tentativade controlar meu vício. Outra tentativa apesar de nãodeclarada, foi o casamento. Talvez, comresponsabilidade de um homem casado também 5
  • 6. diminuiria. Só que deu tudo ao contrário e a doençacada vez desenvolveu mais. A terceira parte também narra com uma certafelicidade a descolocação de uma pessoa que nãoqueria parar de beber e freqüentou AlcóolicosAnônimos. - ou seja, a sua cabeça não queriaparalisar com o alcoolismo, a sua conduta social efamiliar praticamente exigiam do mesmo. - Nesteponto observar que toda a luta é contra eu mesmo.Observar também que mesmo não querendo paralisarcom meu alcoolismo, ao ingressar no AA comecei ater sucesso nas minhas atividades comerciais efamiliares; - Ou seja, mesmo não entendendo, valia apena de lutar mais um dia . A felicidade dasconquistas de uma certa forma compensava osacrifício até um determinado limite. O risco devoltar a ingerir bebida alcoólica era grande e graçasas pessoas maravilhosas de Alcóolicos Anônimos nãovoltei a beber até hoje. A quarta parte , faço uma narrativa commuita descrição do sucesso material, porém narrocom todo fervor, o sucesso de um doente alcóolicoque conseguiu criar seus filhos sem qualquer vício.Não pelo exemplo de fracasso uma vez que meusfilhos eram muito novos quando entrei para o AA esim pelo exemplo de tentar sempre ser uma pessoacorreta , por tentar sempre ser autentica. - Exemplosestes inspirados no Livro Viver Sóbrio e Os DozePassos de Alcóolicos Anônimos no meu plano de 6
  • 7. aceitação e nas Doze Tradições de AA parareferencias de comportamentos. Por isto, não poupoelogios ao AA. Aconselho a todos a conhecerem estabendita OBRA. E ressalto que o milagre doalcoolismo só acontece pela luta. Manoel CoutinhoALCOOLISMOMilagre pela luta I 7
  • 8. Tenho a impressão que meu alcoolismo começouna infância. Quando era bem novinho mais ou menos4 anos de idade, lembro-me do meu falecido pai nobar. Sempre ele comprava um Guaraná Caçula efazia um furinho na tampinha, portanto todas às vezesque lembro destas passagens sempre me lembro demomentos alegres a té certo ponto muito especiais.Lembro-me também, quando criança, que sempre vimeus irmãos beberem e os dois primogênitos semprefumaram. Meu pai também, fumava cigarro de palhae minha mãe sempre xingava quando ele bebia. OsNatais na minha casa eram simplesmenteemocionantes ou seja naquela época minha famíliatrouxe consigo para a capital mineira o estilointeriorano ou seja qualquer festa tinha que haverfartura. Qualquer criança vendo exemplos de bebidasalcóolicas ou tabagismo, é claro, acaba assimilando emais tarde poderá ter vocação para tal habito.- Aprimeira vez que lembro que fiquei tonto era quandocriança não tinha nem sete anos de idade e num Natalbebi bastante vinho e acabei por dormir na esquinaonde um menino na época acabou por me carregar aténa minha casa - Outra lembrança, foi no casamentoda nossa vizinha, eu tinha 8 anos, acabei por tomarbastante chope e não deu outra fiquei de porre. Fuicrescendo e a necessidade de dinheiro foiaparecendo, aí tinha vizinho de frente muitotrabalhador, e levou-me para vender vela na procissãoe depois indicou-me para vender jornais na feira no 8
  • 9. bairro de Santa Teresa, isto eu já tinha uns nove anos.Juntava eu e mais três vizinhos filhos de um Gerentede uma Garagem de ônibus e comprava-mos cerveja ebebia. Tabagismo tenho até vergonha mas tenho quefalar, eu aprendi a tragar um Cigarro com 8 anos, etinha inveja de um amiguinho que aprendeu com 7.Portanto muito cedo aprendi a ganhar dinheiro e a tervícios. Passado mais uns dois ou três anos, Ospsicotrópicos, na época chamávamos de bolinha amaconha passou a fazer parte intensiva no bairroonde eu morava, portanto virou moda entre os jovens.Também não posso esquecer que às vezes tomávamosXarope. “Meu Deus eu começo a escrever, tenhovontade de chorar”, mas vou continuar. Até hoje eu não sei porque e nem pra que eufazia tanta loucura comigo mesmo. Meu pai faleceueu tinha mais ou menos 6 anos , a partir desta datacomecei a dar trabalho. Como disse, eu tinha nele ocarinho o conforto a alegria de vida. Meus irmãosmais velhos acabaram em conjunto com minha mãe éclaro me criando. Tive minhas três irmãs na mesmafaixa etária. Como minha mãe foi casada por duasVezes, tinha nos meus irmãos mais velhos osexemplos e tinha nas minhas irmãs o convívio infantile adolescente. Meus irmãos nunca apoiaram asdrogas, todos trabalhadores honestos honrados e naverdade até hoje gostam de uma cervejinha ou umWhisky. Como eu fui criado entre pessoas quebebiam e fumavam tendo eles como referencia de 9
  • 10. vida, como é que eu como criança não iria fazer o queos mesmos faziam?Também mesmo dando muito trabalho, enquanto elespuderam , fui obrigado a estudar, a trabalhar a serhonesto honrado e produtivo. No meu passar dainfância para adolescência, dei tanto trabalho que aos12 anos tentei suicídio, ingerindo excesso decomprimidos. Nesta época dos 12 aos 14 anos adroga tomou conta , tínhamos no bairro um Clubeonde dançava-mos bebia e fumava, íamos para asesquinas dividir uns tapas na maconha , íamos parapracinha beber xarope .Bebíamos em qualquer bar e opior gostávamos de brigar, isto mesmo, quando nãotinha mais nada pra fazer um caçava uma briga eigual a bando de cachorros todos brigavam na ruacheguei uma vez pegar uma garrucha de dois canos esair para dar um tiro num cara do colégio que tinhame dado um soco na boca do estômago. Também estamesma garrucha que sempre ficava no guarda-roupasme serviu para outras estrepolias. Por sorte, acabeipor sair do colégio e esquecer o caso. Fazíamos umaturma, onde tirávamos ( roubava mesmo ) todosenfeites de carros. Fazíamos uma turma para roubaras coisas e mais uma vez, meu Deus , eu não seiporque. - Eu e mais dois vizinhos crianças quemoravam um pouco abaixo da minha rua , chegamosa ter quase dois caixotes de enfeites de carroguardados na casa deles. Foi quando nos pegaramroubando e nos levaram em casa e nos entregaram 10
  • 11. para nossas famílias. Neste dia apanhei muito de umdos meus irmãos. - Quando eu saía na rua percebiaque as mães das outras crianças as colocavam paradentro de casa ou seja eu era um mal elementomesmo. Porém de família distinta e honrada. Minhamãe sempre foi muito respeitada, foi só para queentendamos , uma vizinha que sempre foi solicitada.Todas pessoas que a conheciam, faziam questão dasua amizade. Nunca também me apoiou em qualquerato fora de uma conduta digna. Portanto fui umadversário de minha mãe mais ou menos dos oitoanos de idade até os 27 anos quando conheciAlcoólicos Anônimos. Eu não tolerava minha mãe.Ela não aceitava o que eu fazia. Comecei como disse a correr atrás do dinheiromuito cedo, mais ou menos com onze anos de idadeaté os quinze ajudei, aliás ele me ajudou. Mas paraintendermos, ajudei meu irmão num escola dedatilografia e Madureza (supletivo) no centro , depoisque meu irmão saiu da sociedade desta escola, elemontou um escritoriozinho de Contabilidade na ruaRio de Janeiro e claro continuamos eu e minhas duasdas três irmãs, trabalhando com ele. - Tambémestudamos. Todas as vezes que ele crescia em seusnegócios ele nunca esqueceu de nós. Sempre brigavamuito comigo por não querer estudar ou não estudardireito. Este meu irmão foi tendo muito sucesso emseus negócios. O meu outro irmão acabou porcomprar uma padaria em Brasília DF. Como eu 11
  • 12. sempre fui muito esperto, bom de jogo, fui mandadopara lá para ajudar o outro irmão a tomar conta de seucomércio. Isto penso eu, foi minha sorte para nãoentrar no mundo das drogas, saí da turma que era dapesada aqui em Belo Horizonte. Quando cheguei lá éclaro não me adaptei, tinha na época umanamoradinha aqui, tinha minha turma minha vida e amelancolia ajudou mais ainda a desenvolver meusvícios. O meu irmão de Brasília, vou ressaltar maisuma vez, muito honesto, porém muito calado nãogostava de mandar nos mais novos , aí eu peguei oboi. Trabalhava no caixa da padaria e após eu ir evoltar acabei por ficar lá em Brasília . Tinha odinheiro para beber cigarro à vontade e meu irmãonão me chamava muito a atenção. Eu como já disseera trabalhador esperto e até certo ponto inteligente.Portanto ninguém perto de mim fazia qualquer coisaerrada contra meus familiares.- Ocorre que conhecidas Boates à Zona Boêmia , se não me engano chama“as casas”, os restaurantes os centros comerciais tudoisto no meu estilo boêmio ou seja com 15 para 16anos já era viciado em bebida cigarro e boêmia, asdrogas usava de vez em quando só para acompanharalgum amigo. Nunca comprei drogas.- Fiquei emBrasília até os 18 anos, meu irmão não agüentou, euestava saindo com a mulherada bebendo todas e nahora de abrir a padaria, quem disse que eu dava contade levantar cedo. Coitado do meu irmão, ele nãomerecia aquilo que eu estava fazendo. Os empregados 12
  • 13. ficavam de fora esperando alguém chamar meu irmãopara abrir. Resultado lógico, fui deportado, volteipara Belo Horizonte. Quando voltei, comecei em pouco tempo atrabalhar de novo com o meu irmão que tinha umescritório de Contabilidade. Este estava muito bem devida, seus negócios prosperaram muito e além doescritório grande ele em pouco tempo adquiriu umaindustria de Aspersoress e produtos para irrigação.Como sempre, este meu irmão tem mania de ser nossaoutra mãe, isto mesmo. Estudou todos os irmãos maisnovos , vários sobrinhos, casou minhas três irmãsmuito bem, fez tudo para que eu fizesse um cursosuperior e eu não quis o trabalho e a boêmia eramminha vida. A medida que ele foi ganhando dinheirosempre facilitou a vida dos outros irmãos. Tínhamosum prestígio social, éramos e somos ainda muitorespeitados. Graças a conduta exemplar de minhamãe e o sucesso pelo trabalho de meus irmãos eminhas irmãs muito bonitas,. Eu podia sertranqüilamente a OVELHA NEGRA DA FAMÍLIA.Todas minhas irmãs nisto se inclui uma sobrinha queregula idade com a gente, e todos meus irmãos atéhoje querem e gostam de cuidar de mim. - Apósalgum tempo de trabalho no escritório, fui servirexercito, meu Deus, outra bagunça na minha vida.Por ter sido fiel aos meus irmãos, achei que nãoprecisaria receber comando de ninguém, salvo ser foruma coisa técnica e prevista. Por exemplo um 13
  • 14. professor manda na sala de aula. Mas ele não podedar uma bomba pelo simples prazer. - No quartel,aprendi na verdade a ver a vida como ela é, e o pior ,não aceitei.- Dei muito trabalho, encarei um Cabovelho, dei o cano no sargento, arrumei uma brigaentre dois tenentes, dei uma surra num soldadograndão que era um puxa saco. Eu não fui expulsonão sei por que, ou melhor acho porque sempre luteipor quilo que julgo correto, não sou mal caráter,minha família não deixou, por isto todas as vezesmesmo errado, eu tinha um princípio correto, istodeixava e deixa sempre os outros em dúvida. Dabebida e do cigarro eu não largava, na verdade elesme ajudaram a me socializar. Era fácil fazer umamigo com algumas garrafas de cervejas e um maçode cigarro, mas na verdade, sempre optei porcompanhia feminina. Como disse, quando criança,sempre vi meus irmãos mais velhos acompanhados demulheres bonitas. Quando saí do exercito meus irmãos tinhamcomprado uma Churrascaria no Bairro Gutierrez emais uma vez, fui tomar conta e trabalhar no caixa.Aí virou mamão com açúcar, bebida a vontade,dinheiro na minha frente, mulher de todo lado,varava madrugada quase todos os dias e acreditem,serviço eu sempre gostei também e tinha à vontade. -Nesta churrascaria reencontrei a minha namoradinhaque fui obrigado a deixar quando fui para Brasília. 14
  • 15. Quando eu a reencontrei já estava com 22 anos,namoramos 3 anos e pouco e casamos.ALCOOLISMOMilagre pela luta II Eu trabalhava na churrascaria e estudavacontabilidade no IMACO, acordava mais ou menos10 hs trabalhava, servia almoço, dormia, acordava às17 hs trabalhava até mais ou menos 19 hs ia para ocolégio , voltava 22:30 hs trabalhava até varar amadrugada, dormia um pouco e acordava para serviralmoço, pouco tempo tinha para namorar e por istoacabei por desistir de um namoro antigo. Nos fins desemana nossa churrascaria era muito movimentada ,minha mãe fazia questão de trabalhar com a gentenunca quis qualquer tipo de remuneração. Meu irmãome deu um carro e aí ficou mais fácil, qualquer folgaeu estava na boêmia e na mulherada. Mais tardeacabei por capotar este carro.- numa destas noites,quando estava trabalhando, encontrei minha ex.namorada com suas irmãs e alguns amigos, não deuoutra, começamos a namorar de novo. Eu já nãoqueria ficar preso a um sistema o tempo todo, euprecisava de tempo ou perderia minha namorada denovo. Meu irmão caçula do primeiro casamento de 15
  • 16. minha mãe, comprou um bar na rua Pouso Alegre eme chamou para ser sócio. Lógico que eu topei.Larguei a churrascaria, esta foi arrendada para umprimo, o bar não deu certo pois eu bebia demais,fiquei enchendo o saco do meu primo achando queeles me deviam alguma coisa. Também meu primonão merecia aquelas palhaçadas que eu fiz. Acabeipor voltar a trabalhar no Escritório de Contabilidadeoutra vez e para ajudar na renda comecei a fazer umserviço complementar na época que era copiar diárioem sistema de gelatina. Isto dava uma boa renda. -Pedi meu irmão aumento de salário ele não quis ounão podia dar, então pela primeira vez na vidaprocurei emprego. Fui embora numa quinta-feira e seique pela primeira vez fiquei um dia atoa dentro decasa . Minha mãe ficou surpresa, eu disse que iriaarrumar outro serviço. - Comprei o jornal dedomingo, escolhi vários anúncios onde solicitavamempregados e fui na MBR pois esta era perto daminha casa. Cheguei mais ou menos 10 Hs, fiz ostestes e aí ficou quase na hora de almoço, então volteipara casa iria almoçar e depois do almoço iriaprocurar emprego em outras empresas. Qual foiminha surpresa, quando cheguei em casa, havia umrecado que era pra eu voltar urgente na firma que euhavia procurado emprego pois o meu perfil seencaixou no cargo e salário que eu pretendia. - Deixobem claro, procurei emprego somente uma vez navida e fui admitido. - O Salário que eu pedi era quase 16
  • 17. cinco vezes o que eu ganhava. - Advinha? Minhaboêmia outra vez explodiu. Trabalhei só cinco meses,outra vez fiz uma confusão danada, eu sempre tinhaque dar um golpe em alguma coisa. Também nãosabia receber ordens e ainda os puxa saco queacabam por dedurarem, fui mandado embora. Minhairmã mais nova que eu tinha montado umescritóriozinho de Contabilidade e estava atrasadacom o aluguel, como eu copiava diário paracontadores e comprei todo equipamento, entãoresolvemos a fazer uma sociedade. Não tínhamosdinheiro nem para aluguel, aí fui e comprei outroescritório onde o outro contador prestava serviçospara três ou quatro firmas, minha irmã desesperou,falou : - Você é louco, eu não piso mais aqui. E nãopisou mesmo - Como já disse sou bom de jogo, denegócio, eu não me lembro direito, mas vendi osmóveis do outro escritório, vendi o ponto do outroescritório. Paguei o aluguel, minha irmã afirma quenão mas eu afirmo que sim, paguei uma máquina deescrever, fiz uma sociedade com um amigo quevendeu seu carro comprou mais alguns clientes,compramos um escritório luxuoso em um prédiomuito bonito na rua Goitacazes de adivinhem ? - Eu emeu sócio começamos a beber tanto que nem oescritório nem nada daria certo. Meu sócio saiu, eucomo sempre fiquei com a responsabilidade final.Revendi o Escritório para mesma pessoa que eucomprei , ela não me pagou até hoje. - Tive que 17
  • 18. começar tudo de novo, meu irmão contador tinhamudado seu escritório para uma casa e me cedeu umquartinho nos fundos. Os sócios dele sabiam que euera folgado e não me deram folga. Aí pela primeiravez fui a uma farmácia e comprei um remédio queintoxica o fígado, não sei o nome, só sei que quando agente bebe o remédio não pode ingerir bebidaalcóolica senão a pressão sangüínea no rosto sobe efica todo vermelho. Tomei não sei bem a quantidadesó sei que pela primeira vez passei um mês sembeber. Percebi que quando eu trabalhava e não bebiaas coisas eram mais calmas mesmo as vezes euficando muito nervoso.- comecei graças a algumasparalisações alcoólicas a juntar um dinheirinho e emtrês meses comprei um outro escritório em outroprédio. Minha namorada, gora nesta altura noiva eramuito bonita, mesmo sem uma renda que desse parasobrar, acabei casando. Meu sogro caprichou na festanum clube classe A de Belo Horizonte o Buffet muitobem feito minha esposa muito bem colocada isto emtodos os detalhes de uma noiva - Eu, por outro ladomandei filmar, é verdade que dei o cano na filmagem,mandei fotografar, caprichei no meu terno enfim ocasamento acho, foi lindo. No dia do casamento meuirmão mais velho (machão) começou a chorar, eupensei que fosse porque ela estava preocupadocomigo, quando perguntei porque ele estava chorandoo mesmo respondeu EU ESTOU COM DÓ DA SUAESPOSA. e fui morar na casa de minha mãe. 18
  • 19. Na lua de mel, como já disse tenho uma famíliaalém da imaginação, ganhei as passagens para onordeste de ônibus, hospedagens dinheiro e tudo maise passagens aéreas de volta - Na lua de mel por duasvezes bebi descontroladamente, bagunça e confusãoparece que gostavam de mim, a responsabilidade comfilha dos outros era muito grande, eu estavaacostumado a namorar e entregar ou seja eu não tinhacompromisso nenhum senão de namorar, por istopodia beber à vontade . A vontade que eu tinha era depedir anulação do casamento, mas sobre qualmotivo ? para eu poder continuar a beber ? isto não iafuncionar.- Quando voltamos e fomos para casa daminha mãe passava alguns dias e depois voltava abagunça de novo. Um dia minha irmã mais velha eminha sobrinha queriam me dar uma surra elas nãoaceitavam meu comportamento. Minha mãe acaboupor tocar-me de casa. Aí fui morar na casa do sogro;a mesma coisa com uma pequena diferença, elesegurou corretamente a filha e o neto dele (nestaépoca já tínhamos um filho) e me pôs pra fora.- Meuirmão, como já disse, que é uma Mãe. Acabou poralugar um apartamento no bairro Hermelinda, mecolocou lá e, acreditem, minha esposa que semprelutou pelo casamento foi morar comigo de novo.Quando no apartamento alugado, a princípio pareciaque tudo ia dar certo, minha esposa não tinha e aindanão tem muita habilidade com os afazeres de casa, -Nesta época, nasceu meu segundo filho, meu Deus 19
  • 20. piorou tudo, eu estava doido para separar mas cadavez ficava mais difícil. As responsabilidade cada vezaumentavam. - A última vez que bebi bebida alcóolica eucomecei às 10hs da manhã e parei a 01Hs da manhã.Cheguei em casa muito tonto batia a campainha poisestava sem as chaves, minha esposa atendeu a portame viu naquele estado e fechou a cara. Então eudisse: se você não está satisfeita então vou sair ebeber mais. Mal eu saí ela fechou a porta rapidamentequase em minha cara. Eu pensei quem paga as contassou eu, quem é o responsável pelo apartamento soueu, eu meti o pé na porta e quebrei, e aí quebrei tudoque estava na frente e salvo engano acabei pormachucar minha esposa. - No outro dia pela manhãfui visitado pelo meu cunhado, ele me chamou atenção pelos meus atos e disse: - Eu já conversei comseus irmãos e nós vamos te internar. - Como eu jádisse, o caráter dos meus familiares é alguma coisaalém da imaginação. Portanto, se eles disseram queiam me internar, era questão de tempo para eu cair nohospital e dar adeus a minha vida boêmia. Aí lembreique minha mãe sempre dizia para eu procurarAlcóolicos Anônimos, pois um médico, um tal de Dr.Olímpio, foi para o AA e nunca mais bebeu. - Eurespondia, na época para minha mãe: - Este lugar épara coitado, eu não sou coitado, eu trabalho, euestudei até onde eu quis . Só que na hora de ameaçade internamento pensei : - Vou pra este tal de AA, 20
  • 21. finjo que parei de beber, quando eles esquecerem demim ou desistirem de me internar, volto a beber.Procurei um amigo e cliente e este curiosamente tinhaentrado para o AA e tinha quase 6 meses que nãobebia. Ele me falou mais ou menos onde era, comoera exatamente no prédio onde meu irmão já tiveraum escritório e eu já tinha trabalhado ali, não foidifícil encontrar. Quando cheguei no prédio, fuiconhecido pelo ascensorista e eu perguntei ao mesmoonde era o AA. Ele então me perguntou : - Por que?Você esta precisando disto ? - Então na maior cara depau menti e disse : - Eu não, isto é para os parentesda minha mãe. Minha mãe não tem o que fazer eacaba envergonhando a gente. - Cheguei no AA eacabei fazendo meu ingresso e como vocês verão, deiseguencia à programação. O Mais interessante distotudo é que eu até na hora do AA, eu pessoalmente,não tinha sofrido eu tinha feito todo mundo sofrer.Não sei como o casamento perdurou eu já estavafreqüentando o AA. Não concordava com nada nemcom ninguém, meus nervos explodiram. Eu chegueiquase a enlouquecer por falta da bebida. As pessoasdo AA eu achava ora enxeridas , ora falsas, comotinha um escritório próximo ao AA eles sempre mevisitavam eu ficava de olho neles. Fui desinchando ePiorou , doía tudo, chegava a abaixar de dor nofígado e sabia que se eu bebesse uma a dor pararia.Chamei um companheiro e disse: eu não estouaguentando . Este irmão de Obra, aconselhou-me a 21
  • 22. procurar um médico e eu disse: - Eu não procureimédico para começar com esta palhaçada, eu voumorrer mas eu não bebo. - Dois filhos pequenos e tivemos o terceiro filho,na verdade uma filha - Meu Deus, eu não agüentavaolhar para cara do neném, achava que minha esposaestava fazendo aquilo para me prender eu queria irembora e ter uma vida boêmia. - Graças a uma irmãque também gosta de ser minha mãe, fui para umPsicólogo, na verdade uma Psicóloga e comecei atécerto ponto a equilibrar minha vida, aí achei que nãomais precisava de terapia pois isto custava dinheiro.Acreditem mais uma vez ficou pior do que estava.Além dos maus tratos, comecei a pensar que por estarabstemio os outros teriam que me intender, acreditemsó os safados me entendiam , os outros me corrigiam.Foram quase dois anos abstênio e sofendo muito.Como já disse, quando eu bebia, tinha um escritóriode Contabilidade onde eu disputava velhacaria. Euchegava num lugar e começava a beber, sempre bemfalante descontraído com todo aparato de umprofissional bem sucedido, gastava bem faziaamizade com o dono geralmente de um bar ,restaurante ou boteco e depois o convencia a tirar suaescrita e passar para meu escritório. Quando elepassava, para organizar do meu modo ou corrigiralguma coisa eu cobrava bem alto e punha a culpa nooutro profissional. - Cansei de provocar brigas.Quando parei de beber, eu que também ( na época) 22
  • 23. costumava trocar meus honorários por bebidas,comecei a cobrar e até certo ponto exigir meusrecebimentos. Os clientes mal acostumados foramsaindo um por um; ia quebrar de novo. Comeceirapidamente a fazer serviços de despachantepreparando aposentadorias para os outros. Fuiconvidado a fazer trambiques até por um falsomembro de AA. Meu caráter não deixou.- Com minhaexplosão nervosa, minha esposa não agüentou,chamou minha sogra e foi embora com meus trêsfilhos. Sofri demais. Minha loucura ou no mínimominha estupidez não deixava ninguém viver nem eumesmo. - Se não fosse alguns padrinhos de AA eunão teria dado conta. Deus abençoe estas pessoas, eunão tenho como agradecer esta Obra. Apenas tentoservir para ver se algum dia consigo retribuir.ALCOOLISMOMilagre pela luta III Na minha chegada ao AA, não acreditava emnada e nem em ninguém e para completar a revoltatomou conta no Geral.- Trouxe para MEUPRIMEIRO DIA DE REUNIÃO, um monte deincógnitas, duvidas e maus hábitos e um monte defracassos pessoais, nisto vou citar alguns: - Haviacomo já dito na última bebedeira quebrado tudo -Minha esposa é claro tomou pavor de mim - o assuntodo meu bairro era eu - Minha família não sabia maiso que fazer e por isto ameaçou internar-me - Meudinheiro só dava para a bebida o resto era conversa 23
  • 24. fiada - Um Recém nascido e uma Criança dentro decasa e o pavor convivendo junto , com uma violênciaalcóolica - Não tinha nada a não ser uma vaidade pelouso do álcool - Desequilíbrio emocional eu estavaesbanjando. Eu estava muito gordo (inchado) e meucheiro era de carbureto. - Eu não conseguia dormirsem beber - e quando dormia bêbado, caia ou sempreme atirava para fora da cama e acabava dormindo nochão - Quando bebia muito, chegava em casa comreceio de ficar doente e comia um prato duplo decomida e ia dormir. Por criação, não aprendi a termedo de outras pessoas portanto fui, sem querer,uma grande ameaça para os outros - Via toda minhafamília tendo sucesso material e eu não tinha nada -não aceitava conselhos e nem sugestões . Entrei para a sala de AA, sentei na primeiracadeira, e comecei a ouvir os outros. - Uma coisainteressante foi quando eu ouvi o depoimento de umbilheteiro, vendedor de loterias, ele disse que tinhadois anos que não bebia. Eu achei esquisito, se umapessoa gosta de beber como eu bebia , como é quefica dois anos sem beber ? - Ou ele ficou doente e omédico proibiu (pensei eu ) ou ele nunca gostou debebida. Ou então este homem fez pacto com o capeta.O curioso que as mensagens foram todas para mim.Ou seja, todas me serviam de uma forma ou outra.Quando fui chamado para receber minha ficha deingresso e aceitei a ficar, pensei de novo, meu Deuscomo é que eu vou dormir sem beber. Os exemplos 24
  • 25. de passagens alcóolicas eram ótimos mas e a minhacondição atual, como é que eu faço. - Ingressei nestedia com outro companheiro, curiosamente nunca maiso vi - De uma certa forma para primeira reunião eusenti e sabia que eu não era o único a ter problemas.O mais interessante foi quando acabou a reunião etodos me abraçaram - Pensei mais uma vez, eles estãofazendo isto pensando que tenho algum dinheiro. -Outra mensagem que não me saiu da cabeça, foi deum companheiro que disse que de tanto ficar com ocotovelo no balcão e a mão no rosto esperandoalguém para pagar uma bebida, a blusa que ele usavafurou no cotovelo. Eu como todo alcoólatra, souexperiente em golpes por isto eu sabia que se nãofizesse algo cairia nesta situação - uma coisa quemuito me incomodou foi a minha suadeira, suavatanto que eu mesmo estava incomodado comigo eengraçado, não percebi ninguém se incomodando,parecia que isto era normal para eles - outra coisamuito interessante foi o bate papo depois da reuniãonum cafezinho amistoso. - Algumas pessoas estavamde cara boa outras mais sérias mas todos deram umsorriso para mim. A reunião acabou 19 Hs - fui paracasa mostrei a ficha de ingresso para minha esposa,isto ainda fazia parte do Golpe para não serinternado. Ela nem bola deu. - No outro dia voltei areunião no mesmo horário, como eu não podia nemimaginar, fui muito bem recebido de novo. E outravez fiquei desconfiado. O que este povo quer de 25
  • 26. mim ? - Aí percebi que todos contribuíam nasacolinha e pensei; - Eu sabia, isto aqui é paraarrecadar dinheiro de bobo, coloquei uma mixaria eesperei a reunião acabar . - No terceiro dia comecei aperceber que tinha três dias que eu não bebia e nãoestava com vontade de beber - A experiência dosoutros estava me servindo. Descia no ponto de ônibuse o boteco da última bebedeira ficava do outro ladoda rua. Então eu descia de costas e continuava decostas para o bar, pois se alguém me chamasse eubeberia de novo. Daí para frente minha esposaapostou no meu taco mais uma vez - Começou aconversar e queria saber sobre o que era aquilo. Eudisse que um dia a levaria. - Passou-se mais algunsdias e perguntei ao meu padrinho de ingresso : -Posso trazer minha esposa ? : Ele perguntou ela temalgum problema com Alcoolismo ? - Eu disse não -Então ele disse : Aqui é lugar para quem temproblemas com álcool . - Poucos dias que estavafreqüentando é claro, contei para meu cliente quehavia me falado sobre o endereço. Havia dito queestava freqüentando o Grupo no centro. Ele foi lá eeu fiquei satisfeito de ter um conhecido comigo poiscomo disse, não sou muito de acreditar. Estecompanheiro então, após um curto tempo, levou-mepara freqüentar um Grupo onde ele seria o Secretário.Quando eu ia num Grupo eu não ia no outro aí comosempre alguém me visitava em meu escritório -Curiosamente freqüentei a semana inteira mas no 26
  • 27. domingo não tinha reunião, pedi ajuda a minhaesposa e me tranquei dentro de casa. Não saí.Como já disse ficava muito nervoso por falta e bebidaalcóolica. Minha esposa pacientemente fazia umaágua gelada com açúcar e me dava. Passaram-sealgumas semanas e querendo ou não minha famíliaficou sabendo - Eu parei de ir na casa da minha mãe.Então ela foi na minha casa e perguntou? Porquevocê não esta indo lá em casa ? Eu respondi : - Meusirmãos bebem se eu for lá é perigoso eu bebertambém - Então ela disse: NÃO VAI NÃO ! - Agoracomeço a me lembrar eles começaram a me visitar,este meu povo , é lindo . - As visitas em partetambém eram porque eu fiquei muito revoltado.Como disse comecei a desinchar e meu fígadocomeçou a doer. Eu precisava trabalhar e não estavano meu intender, trabalhando direito. O escritório queeu havia vendido para a mesma pessoa que eucomprei, fui avalista no aluguel da sala. Resultado, ohomem não pagou o aluguel e meus móveis foramtomados. A contabilidade que eu vendi fechou e osmóveis foram para um guarda- móveis. Então semmóveis, custei mas propus ao comprador seguinte: eupagaria o guarda-móveis e ele me devolveria pelomenos os móveis.. e assim ficou acertado. - Pedidinheiro ao meu irmão o que é uma mãe e fui buscarmeus móveis. Quando cheguei e paguei, advinha ? -Não tinha mais móveis nenhum o cara já tinhavendido para os outros ele estava mais um vez me 27
  • 28. fazendo de bôbo. Aí eu me chateei, fui no local ondeele tinha montado um escritório e fiquei esperandoda parte da manhã a parte da tarde, ele não apareceu.A minha intenção era de mata-lo. Ele tinha meroubado três vezes. |Sentei na escada e fiqueiesperando. Como disse, ele não apareceu. Talvezalguém o avisara que eu estava lá e com mal intenção.Foi chegando o horário da reunião do AA e eu fuiamolecendo o coração. Peguei o dinheiro que estavacomigo que recebera de volta do guarda-móveis , fuinuma concessionária e comprei uma moto, isto em1982 comprei um TT 81- Foi a mesma coisa queganhar asas. Eu não dirigia porque bebia muito, pareide beber comprei uma moto. Eu não sabia pilotar ocara da concessionária me levou dois quarteirõesabaixo me ensinou mais ou menos como eu teria quefazer e eu cheguei em casa de moto. Tudo ficou maisfácil, tomei coragem e no domingo fui a casa daminha mãe. Minha esposa foi de ônibus com as duascrianças. Quando cheguei, mais ou menos 10/11 hs damanhã, eu parei no portão que estava fechado ouvique meus irmãos estavam lá. Parei e comecei a terdúvida se entrava ou não, eles bebiam eu fatalmentepara acompanha-los, iria beber também. Eu fiqueiparado na porta sem saber o que fazer. Parece que oPoder Superior gosta de mim. - Passa umcompanheiro do AA na hora, me vê parado epergunta: - o que você está fazendo aqui parado ? -Eu contei para ele da minha dificuldade psicológica 28
  • 29. para entrar dentro da casa da minha mãe. - Ele pegouna minha mão, atravessou a rua e disse, deixa de serbobo rapaz, e me levou para um grupo de AApertinho da casa da minha mãe que estava tendoreunião naquela hora. Foi um presente do céu. Eupassei novamente a freqüentar o meu lugar, a casa daminha mãe todos os domingos. Só que antes eupassava no AA assistia a reunião. Então quando euchegava, não tinha a mínima vontade de beber. Pensaque é só isto ? - Como disse eu não tolerava minhamãe e ela não aceitava o que eu fazia. - Portanto apósas reuniões matinais de domingo, eu ao invés de ficarcom meus irmãos, quase sempre bebendo, passei aajudar minha mãe na cozinha. Eu sempre gostei de péde frango, então ela comprova o frango e mais meioquilo de pé e fazia pra mim. Começou aí umaamizade que ninguém esperava que acontecesse. Fuiaprendendo no AA a corrigir meus defeitos decaráter, um deles é que se um filho não tem paciênciae não respeita sua própria mãe, que filho é este.Minha mãe aos poucos começou a acreditar em mim,fazia questão de dizer para a vizinhança toda que eutinha parado de beber e por isto tive que abandonaros botecos perto da casa da minha mãe também. Eainda eu dedicava as fichas de AA para ela, por isto,eu adoro a programação de fichas. Ela sempre ficavaempolgada quando eu levava uma ficha ,ela pedia,quando eu morrer quero que enterre as fichas comigo.Nossa amizade foi limpa pura e sincera até sua morte. 29
  • 30. Foram 19 anos onde me tirou todo peso de um filhoatoa. - No escritório houve um desespero com aclientela que não aceitava pagar honorários, eucheguei a ameaçar e não lembro mas talvez tenha atéprotestado alguém que não queria me pagar pelosmeus serviços. Como já disse várias vezes, gosto detrabalhar e sou bom de negócios, então eu anuncieinuma rádio um desconto da previdência que oGoverno estava dando para pagar o I.N.P.S. ematraso. Pela primeira vez meu escritório deu fila degente querendo os meus trabalhos contábeis oumelhor de despachante. Aluguei um conjunto de salasmaior e consegui comprar um fusquinha. Aí tudomelhorou ainda mais, eu podia pegar minha família,minha mulher e meus filhos e ainda pegava minhamãe e nós passeávamos sempre era uma maravilha. Aminha ingenuidade foi tanta que o motor deste carrotravou por falta de óleo. Também em pouco tempocomprei um fuscão e depois comprei uma outraMoto.- Arrumamos nosso apartamentinho ele ficoulindo. Comíamos feijoada comprada no restaurantetodos os sábados e assim comecei a chamar aatenção, sem querer, da vizinhança. Minha famíliacomo já disse até hoje tem um carinho comigo que àsvezes me dá preocupação. Eu tenho uma vida paraviver, se eles me vêem numa situação difícil elestomarão partido e talvez isto não seja o melhor. -Meu casamento como disse, continuou conturbado, 30
  • 31. eu não aceitava a falta de habilidade de minha esposacom os afazeres domésticos, ela e a família dela nãoaceitavam minhas brutalidades. E numa dasdiscussões ela chamou minha sogra e foi emboralevando meus três filhos. É lógico que vem opensamento em beber, mas eu não era bobo, já estavatrabalhando na recuperação de mendigos, não faltavaas reuniões de AA, às vezes aos sábados eu ia em trêsreuniões. Apesar de todo sofrimento minha vidacomeçara a ter sentido.- não agüentando toda semanaver meus filhos chorarem na hora de entrega-los paraa mãe e o sofrimento ficou além de minha capacidadee ainda minha esposa não mais queria morar no bairrouma vez que nossas passagens ali estavam muitomarcadas. - Eu não sabia o que fazer. - Então olheinum jornal um imóvel financiado para comprar,tínhamos apenas um telefone que valia algumdinheiro na época, um fuscão e muita vontade deresolver o caso. Olhei um apartamento no AltoBarroca, a prestação era alta e não tinha o dinheiropara a entrada. - Então lavei a cara, e pedi mais umavez dinheiro emprestado aos meus irmãos; comotinha o costume de não pagar, achei que eles nãoemprestariam. Minha irmã que gosta de ser minhamãe então disse; - eu vou te emprestar a metade e onosso irmão caçula do primeiro casamento vaiemprestar a outra mas, tal dia tal hora e tal minuto euquero receber. 31
  • 32. Vendi o telefone dei a entrada no apartamento echamei a minha esposa para ver e pensei se estaescumungada não gostar sou capaz de enforca-laaqui, eu não agüentava mais estar separado dos meusfilhos e vendo os mesmos sofrerem por minha falta.Quando ela viu o apartamento, achou lindo ficouencantada, e quando minha filha mais nova fez umano de vida já comemoramos dentro do apartamento.- A prestação era muito alta e eu tinha que pagar odinheiro emprestado aos meus irmãos. Então pediminha esposa que pagasse as prestações enquanto eupagaria toda despesa de casa e assim durante dois outrês meses minha esposa pegou todo seu salário euinteirava e pagava as prestações. Curiosamente nãofaltou dinheiro para comermos nossa feijoada aossábados. O Carro também ajudou muito.- Trabalheiigual um doido para pagar meus irmãos. Quando foino dia certo na hora certa e no minuto certo, procureiminha irmã e disse: - Aqui está o seu dinheiro - Eladisse: - Deixa de ser bôbo isto é um presente, eu fizaquela colocação para que você juntasse dinheiro. Enão quis receber. - Aproveitei que o dinheiro estavana mão e fui atras o meu irmão para paga-lo e ficarlivre da dívida. Quando cheguei com o dinheiro eledisse: - É bem capaz deu receber de você. Isto eu e asua irmã tratamos de te dar de presente. Fiquei com odinheiro na mão, como os móveis do cara que mevendeu o apartamento eram muito bonitos, fiz umaproposta e além do apartamento, comprei também os 32
  • 33. móveis. - Eu comecei graças ao 4 O .Passo do Livroos Doze Passos de AA., a fazer uma reparação moralcomigo mesmo e achava que teria que resolver o meucasamento, pois eu não queria e não gostava de sercasado - Então pensei do mesmo modo que eucomprei este apartamento, vou comprar mais dois ese algum dia eu faltar, pelo menos meus filhos ficarãocom imóvel cada que já era além do que eu poderiasonhar. - Assim. Coloquei um anúncio no jornal*Compro apartamento financiado pelo BNH, pago àvista - Pra que ? - Foi tanta oferta que eu tive quecomeçar a anotar num bloco grande amarelo quehavia ganhado da pessoa que me indicou o AA. Entãopensei o que eu vou fazer com tanto apartamento oucasa, a assim coloquei um anúncio vendendo. Nosegundo negócio que fiz, um casarão no Nova Suíça,.ganhei tanto dinheiro que eu não ganharia em um anona Contabilidade. - Resultado, vendi a contabilidadee montei uma imobiliária e aí, dentro do AA com oapadrinhamento do meu querido fundador do Grupoque eu adotei como grupo do coração, com renda ematéria a vontade eu tinha mais nada a fazer a não serrepassar isto pra meus companheiros.ALCOOLISMOMilagre pela luta IV Não cabe a mim julgar ninguém, nem mesmofalar mal ou denunciar alguém dentro de AA. Por eu 33
  • 34. ser agradecido, isto não faz de mim qualquer pessoaespecial. Dentro da nossa OBRA, os mais antigosservem sempre os mais novos. Portanto, o prazer dever meu semelhante se organizar em sua vida faz demim apenas um servidor, talvez, de confiança. O queaconteceu na minha vida na verdade, para mim, foium MILAGRE. - Gosto de relatar sempre meupassado, gosto também de observar as falhas dosoutros pois isto não me deixa falhar. Eu me julgoneste momento como um avião que estatransportando um monte de explosivos. Se eu brincarcomigo mesmo e não respeitar pelo menos meupassado, volto aquela vida antiga e aí tudo explode.Os milagres que gosto de citar são na verdadetransformações. Parte por uma abstinência alcóolica,parte por aprender novos métodos, parte por tercoragem de corrigir minhas falhas e parte por tercoragem de lutar contra meu pior inimigo, eu mesmo.- Quando eu estava na militança alcóolica na verdadeeu me sentia bem. Achava que era mais esperto, maisinteligente, mais criativo, enfim eu sempre achei queeu era mais. O alcoolismo em alguns momentos mefez sonhar e até a aproveitar a vida. A questão era quea ilusão de um momento não vale a desgraça do meusemelhante e ainda a fantasia pelo sonho não vale ofracasso da realidade. Eu continuo pedindo todos osdias ao meu PODER SUPERIOR mais 24 horas deabstinência mesmo já tendo passados 22 anos. 34
  • 35. Neste período de abstinência consegui coisas quejamais pensaria em ter na fantasia do álcool .Consegui recuperar e criar minha família. - meusfilhos não tem qualquer tipo de vício. Estão os doisna faculdade e um já formado, dois já estãoempregados. Dois já com carta de motorista com seusdois carrinhos. - Enfim tudo que eu queria para umfilho eu já consegui com dois. Em breve com três -Liberdade sem basbaquice - São pessoas normais eaté certo ponto puxaram o Pai pois são namoradores,todos os três. Tenho ainda um filho fora docasamento do qual tento a todo custo mostrar que avida é boa quando temos procedimento legal. Quandonão, ela cai na nossa cabeça. Ele parece que intende.Também é um bom filho. - Ele adora minha esposa,minha esposa adora ele. Os irmãos mais velhosgostam muito dele e ele gosta muito de seus irmãosmais velhos. Milagre perante a minha mãe este eu acho que oPoder Superior me deu colher de chá demais. Aos8anos comecei abrigar com minha mãe, portanto sóparei aos 27 quando entrei para o AA. Foramportanto 19 anos como adversários e às vezes comagressividades verbais num tom de deixar minha mãeperdida. Na verdade a velhinha foi muito forte.Também ela tinha um Deus dentro dela e lutou pelofilho o quanto pode. Quando entrei para AlcóolicosAnônimos, tinha 27 anos. Quando minha mãe faleceueu tinha 46 portanto foram 19 anos corrigindo 35
  • 36. calmamente o que eu fiz. Curioso quando minha mãeestava para morrer já no hospital sem qualqueresperança, eu para não sofrer mais, não quis voltar nohospital. Como já disse várias vezes, minha família élinda, minhas irmãs e meus irmãos sempre cuidaramde tudo. Então eu não quis voltar no hospital para nãover minha mãe definhando na cama. Ela só morreudepois que se despediu silenciosamente de mim. Elaestava em coma. Mais uma vez fui. Chorei muitoapertei a mão dela isto na parte da tarde . Quando foia noite na reunião de AA, o celular tocou ela estavamorta . Obrigado meu Deus, pela chance que eu tivede pedir perdão corretamente a minha mãe. O outro milagre que gosto sempre de ressaltar , éminha própria conduta, Hoje calmamente desfruto doprazer de não beber, faço tudo que eu acho que possoe que a minha consciência permite. Me permitiu atétrabalhar no Comitê de Serviços de um Grupo de AAe me chatear com algumas passagens que percebi .Me permito também com todo este tempo deabstinência cuidar dos novatos assim como cuidaramde mim. Dou sempre que posso exemplos depassagens de vida. Chamo a atenção para ter cuidadocom as facilidades oferecidas, elas nem sempre, são ocaminho correto. Me permito também amar o AA. -Eu o vejo às vezes como um hospital ,às vezes comouma casa de milagres, pois lá todos os dias alguémentra para tratamento ou um milagre acontece - Asvezes me parece também uma igreja pois sempre que 36
  • 37. estou numa reunião, gosto de conversar com o PoderSuperior no meu caso, Deus na forma que o concebo. O mais gostoso de freqüentar o AA é que omilagre só acontece pela luta. 37