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Desflorestamento dunar carlos f tembe

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DESFLORESTAMENTO DUNAR EM CHIZAVANE, POR CARLOS FIGUEIREDO TEMBE

DESFLORESTAMENTO DUNAR EM CHIZAVANE, POR CARLOS FIGUEIREDO TEMBE

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  • 1. Carlos Figueiredo Tembe Uma abordagem sobre os factores do desflorestamento dunar em Chizavane – Distrito de Mandlakazi Licenciatura em Gestão Ambiental, Planificação e Desenvolvimento Comunitário Universidade Pedagógica Xai-Xai 2012
  • 2. Carlos Figueiredo Tembe Uma abordagem sobre os factores do desflorestamento dunar em Chizavane – Distrito de Mandlakazi Monografia científica apresentada na Universidade Pedagógica - Delegação de Gaza, para obtenção do grau académico de Licenciado em Gestão Ambiental, Planificação e Desenvolvimento Comunitário. Supervisora: Mestre Maria Verónica Francisco Mapatse Universidade Pedagógica Xai-Xai 2012
  • 3. ÍNDICE PÁGINA Lista de gráficos, mapas, figuras e tabelas ................................................................................ iv  Abreviaturas e símbolos usados ................................................................................................. v  Declaração ................................................................................................................................. vi  Dedicatória ............................................................................................................................... vii  Agradecimentos .......................................................................................................................viii  Resumo ...................................................................................................................................... ix  Abstract....................................................................................................................................... x  Epígrafe ..................................................................................................................................... xi  0- Introdução .............................................................................................................................. 1  0.1- Delimitação do tema ........................................................................................................... 2  0.2 - Formulação do problema de investigação .......................................................................... 2  0.2.1- Problematização ............................................................................................................... 2  0.3- Hipóteses ............................................................................................................................. 3  0.4- Objectivos ........................................................................................................................... 3  0.4.1- Geral: ................................................................................................................................ 3  0.4.2- Específicos: ...................................................................................................................... 3  0.5- Justificativa ......................................................................................................................... 3  0.6- Procedimentos metodológicos e técnicos ............................................................................ 4  CAPÍTULO I: ........................................................................................................................... 6  1.0- OS FACTORES DO DESFLORESTAMENTO DUNAR: REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................................................................... 6  1.1- O processo de desflorestamento .......................................................................................... 6  1.2- Desflorestamento dunar....................................................................................................... 9  CAPÍTULO II:........................................................................................................................ 11  2.0- ASPECTOS GEOGRÁFICOS GERAIS E DA VEGETAÇÃO DUNAR DE CHIZAVANE .......................................................................................................................... 11  2.1- Localização geográfica e características gerais de Chizavane .......................................... 11  2.2- A população e suas actividades ......................................................................................... 14  2.3- Características da vegetação dunar de Chizavane ............................................................. 14 
  • 4. CAPÍTULO III: ...................................................................................................................... 18  3.0 – O DESFLORESTAMENTO DUNAR EM CHIZAVANE: FACTORES E IMPACTOS............................................................................................................................. 18  3.1- Os factores do desflorestamento dunar em Chizavane...................................................... 18  3.1.1 - Factores de origem natural ............................................................................................ 19  a) -O Vento ............................................................................................................................... 19  b)- A Temperatura .................................................................................................................... 21  3.1.2 - Factores de origem antropogénica................................................................................. 22  a)- Causas sociais...................................................................................................................... 24  b)- Causas económicas ............................................................................................................. 24  3.2- Os impactos do desflorestamento dunar em Chizavane .................................................... 27  CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES .............................................................................. 29  Conclusão ................................................................................................................................. 29  Recomendações ........................................................................................................................ 30  Referências bibliográficas ........................................................................................................ 31  Apêndice ................................................................................................................................... 33  Anexos ...................................................................................................................................... 38   
  • 5. iv Lista de gráficos, mapas, figuras e tabelas Lista de gráficos Gráfico1: Precipitação média anual ………………………………………………...……… 13 Gráfico 2: Temperaturas médias anuais ….....................………………………………….... 22 Lista de mapas Mapa 1: Localização geográfica da zona Costeira de Chizavane ……………...…………… 12 Mapa 2: Zona costeira de Mandlakazi ………………..………………………….…………. 38 Mapa 3: Área de estudo …………………………..…………………………………………. 39 Lista de figuras Figura 1: Duna com vegetação no seu estado clímax ……….…..……………………..….. 16 Figura 2: Duna desflorestada ………………………………………………………...…….. 17 Figura 3: A influência do vento sobre a vegetação ……………………………….………. 20 Figura 4: Palmeira destruída quase por completo no processo de extracção de bebida …... 25 Figura 5: Lagoa em Chizavane numa situação de eutrofização …………............................. 27 Figura 6: Á área concedida a um investidor sul-africano (Het fri farm) para fins agrícolas .. 34 Figura 7: Estância turística erguida no local de estudo “Paradise View” …………..……... 34 Figuras 8 e 9: Efeito combinado da temperatura e do vento no desflorestamento dunar .…. 35 Figura 10: Uma casa implantada numa área ambientalmente sensível (duna primária) .…… 35 Figura 11: Gado bovino pastando na área dunar ………………………………………….… 36 Figuras 12 e 13: Empreendimentos implantados sobre dunas …………….………..…..…... 36 Figura 14 e 15: Queimadas a esquerda e produção e venda de lenha a direita …...………… 37 Figura 16: Uma duna desflorestada, com apenas vegetação herbácea e alguns arbustos .…. 37 Tabelas Tabela 1: População da localidade de Chicuangue ……………………....…………………. 14 Tabela 2: Relação de empreendimentos implantados na zona costeira de Chizavane ………26 Tabela 3: Espécies identificadas nas dunas primarias ………………..….……..………….. 40 Tabela 4: Espécies identificadas nas dunas secundárias …………………..….……………. 41
  • 6. v Abreviaturas e símbolos usados AIA - Avaliação do Impacto Ambiental CDS-ZC- Centro de Desenvolvimento Sustentável para as Zonas Costeiras cp - Contacto pessoal DPCA-Gaza - Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Gaza DPTur-Gaza - Direcção Provincial do Turismo de Gaza EAS - Estudo Ambiental Simplificado EIA - Estudo de Impacto Ambiental EN1- Estrada Nacional Número 1 ha – hectare INE - Instituto Nacional de Estatística Km- Quilómetro Km/h – Quilómetro por hora LA - Licença Ambiental m - Metro MICOA - Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental NE -Nordeste PGA - Plano de Gestão Ambiental RGPH - Recenseamento Geral da População e Habitação UP - Universidade Pedagógica sd – Sem dados s/d – sem data SW - Sudoeste ºC- Graus centígrados
  • 7. vi Declaração Declaro que esta Monografia é resultado da minha investigação pessoal e das orientações da minha supervisora, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final. Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de qualquer grau académico. Xai-Xai, 27 de Agosto de 2012 _____________________ Carlos Figueiredo Tembe
  • 8. vii Dedicatória Dedico aos meus pais Figueiredo e Joaquina (in memoriam) que muito cedo mostraram-me que a escola era o meio para a minha sobrevivência neste mundo. À minha esposa e meus filhos que tiveram algumas privações dos seus direitos por causa da minha formação.
  • 9. viii Agradecimentos Gostaria de expressar minha profunda gratidão às várias pessoas e instituições que deram-me seu apoio durante a minha formação técnica e científica. Seria impossível mencionar todos. Entretanto, estou especialmente grato:  À Deus, pela grande força de vontade que me acompanha para realizar aquilo que é importante para mim, pela paciência, compreensão e humildade;  À Mestre Maria Verónica Francisco Mapatse, minha supervisora, por acreditar na minha vontade de concluir aquilo que foi iniciado, pela orientação constante e participação neste trabalho sem a qual não teria sido possível realizá-lo;  À DPCA-Gaza, que ao curso já iniciado, concedeu-me uma valiosa bolsa de estudo;  Aos professores da Universidade Pedagógica - Delegação de Gaza, curso de Gestão Ambiental, Planificação e Desenvolvimento Comunitário, pela contribuição e engrandecimento dos meus conhecimentos e formação tecno-científica;  À minha família, meus irmãos, filhos que souberam apoiar-me e compreender-me nos momentos em que mais precisei de um ombro amigo;  À Ercília Vicente Mauai, minha esposa, pelo amor que me faz ser forte e persistente em busca da minha felicidade e por acreditar na minha capacidade;  Ao dr. Micas Mechisso do CDS-ZC, Srs. Paulo Nuvunga do INE, Lúcia Miambo da DPTur-Gaza, Pascoal Gemo e Américo Mugabe, pela ajuda prestada na concessão de dados, obras bibliográficas e outros materiais utilizados nesta monografia; e  À logicamente UP, pela expansão das suas delegações, sem as quais, muitos moçambicanos como eu, dificilmente teriam tido a oportunidade de frequentar o ensino superior.
  • 10. ix Resumo Este trabalho de pesquisa, avalia os principais factores do desflorestamento dunar em Chizavane, Distrito de Mandlakazi. Os ecossistemas dunares possuem recursos naturais de grande importância, económica, social e ambiental. A necessidade de conhecer as potencialidades que a vegetação dunar tem e quanto esta vegetação tem sido afectada pela actividade do homem, é uma informação de capital importância para a preservação e conservação destes sistemas dunares. Da avaliação feita entre os factores naturais e de origem antropogénica, conclui-se que os de origem antropogénica, são os que principalmente influenciam para o desflorestamento dunar de Chizavane, essencialmente no contexto de abertura de campos para a agricultura, pastagem de gado, extracção de material de construção, a caça e a implantação de empreendimentos sobretudo turísticos. Os impactos negativos do desflorestamento dunar incluem a destruição de habitats e redução da biodiversidade, fraca produtividade ecológica, aceleração da erosão costeira, contribuição para as mudanças climáticas e redução do rendimento agrícola. A conclusão deste trabalho avança que sendo o homem o maior catalisador do desflorestamento dunar, há que fazer a monitoria e desenho de estratégias para contrariar o problema de desflorestamento dunar. Palavras - chave: Conservação, desflorestamento, dunas costeiras, preservação, sustentabilidade, vegetação dunar.
  • 11. x Abstract This research work, assesses the foremost factors of the dune deforestation in Chizavane, District of Mandlakazi. The dunes ecosystems have got natural resources with economic, social and environmental great importance. The necessitate to know the potential that the dune vegetation has, and how this vegetation has been affected by human activity, is one of the capital importance information for the preservation and conservation of these dunes systems. The done assess, of the natural factors and those of anthropogenic origin, concluded that, those of anthropogenic origin, are the factors of main influence on Chizavane dune deforestation, essentially on context of agriculture opening fields, grazing livestock, mining building material, hunting, and building mostly touristic undertakings. The negative impacts of dune deforestation include the destruction of habitats and biodiversity reduction, weak ecological production, haste the coastal soil erosion, and contribute to the climate changes and agricultural productivity decrease. The conclusion of this work, shows that as the men are the main catalysts of the dune deforestation, must be done the monitoring and strategies designing to change the current dune deforestation problem. Key-words: Conservation, deforestation, coastal dunes, preservation, sustainability, dune vegetation.
  • 12. xi Epígrafe “não herdamos a terra dos nossos pais, mas a tomamos emprestado de nossos filhos” (Brundtland, 1987)1 1 Relatório de Brundtland, elaborado em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento e que realça a relação entre o Homem e meio ambiente. Disponível em www.undocuments.net/wced-ocf.htm acesso em Agosto de 2009
  • 13. xii JURI _________________________ dr. Nelson Filipe PRESIDENTE _________________________ Msc. Maria Verónica Mapatse SUPERVISORA _________________________ dr. Joaquim Júnior ARGUENTE Xai-Xai, 08 de Outubro de 2012
  • 14. 1 0- Introdução A interacção do Homem com o meio ambiente, quer seja ela de forma harmoniosa ou não, provoca sérias mudanças, o que gera profundas discussões sobre questões ambientais em todos seguimentos da sociedade. Discute-se a acção do Homem sobre o meio ambiente e suas consequências. O desflorestamento dunar que é a destruição da vegetação nas dunas costeiras, provocada por factores naturais e ou humanos, é objecto de estudo da presente monografia científica, pois apesar do aumento da consciência sobre a importância da vegetação dunar, este fenómeno não tem reduzido. Este trabalho de pesquisa intitulado “Uma abordagem sobre os factores do desflorestamento dunar em Chizavane”, avalia a influência dos factores que contribuem para o desflorestamento dunar, através do levantamento das suas causas e impactos por um lado, por outro, apresenta recomendações para a redução do mesmo desflorestamento através de algumas medidas de mitigação deste problema ambiental, providenciando desta forma, aos intervenientes nesta área de estudo, de alguns mecanismos para a utilização sustentável dos recursos naturais à sua disposição de modo, a assegurar um desenvolvimento socioeconómico sustentável. O desflorestamento tem consequências ambientais diversas como as alterações do clima local, regional e mesmo global e o desaparecimento de algumas espécies, todavia, este trabalho restringe-se na avaliação dos factores do desflorestamento, quer sejam de origem humana ou natural. Esta monografia científica é constituída por três capítulos, antecedidos pela introdução, que integra a delimitação do tema, problematização, hipóteses, justificativa, objectivos e procedimentos metodológicos. No primeiro capítulo faz-se a revisão da literatura sobre os factores do desflorestamento dunar. No segundo estão os aspectos geográficos e da vegetação dunar em Chizavane. No terceiro, apresentam-se os factores e impactos do desflorestamento dunar em Chizavane. Por fim, estão as conclusões e as recomendações.
  • 15. 2 0.1- Delimitação do tema A presente monografia científica foi elaborada no âmbito do trabalho de conclusão do Curso de Licenciatura em Gestão Ambiental, Planificação e Desenvolvimento Comunitário, leccionado na Universidade Pedagógica. O objecto de estudo do presente trabalho, é o desflorestamento dunar. Em termos da área científica, esta monografia enquadra-se nas ciências ambientais, baseada fundamentalmente numa discussão dos factores que estão por detrás do desflorestamento dunar, na zona costeira do Povoado de Chizavane, no Posto Administrativo de Chidenguele, Distrito de Mandlakazi. 0.2 - Formulação do problema de investigação 0.2.1- Problematização A zona costeira do Povoado de Chizavane é caracterizada por dunas costeiras parabólicas bastante altas, que atingem por vezes 100m, facto que caracteriza a zona costeira do sul de Save. O facto das dunas serem altas e com cobertura vegetal, torna-as caso raro e excepcional á nível mundial. No entanto, esta vegetação é bastante frágil. Nos últimos tempos, a vegetação dunar tem sofrido uma grande redução, devido ao desflorestamento acentuado que se presume que acções naturais e antrópicas estejam envolvidas, pois, sobre esta frágil vegetação, nota-se uma pressão feita pelo homem através do desenvolvimento de várias actividades tais como o turismo e outras actividades de sobrevivência das comunidades locais, como é o caso da agricultura itinerante, extracção de combustível lenhoso, material de construção, medicamentos, bebida e colecção de frutas para consumo e venda, entre outras. Por outro lado, as dunas que segundo CASTANHO, et al., (1972), citado por MUNGOI (1997) são formações maioritariamente de origem arenosa misturada com outras partículas de origem sedimentar que varia desde conchas, calcário e material orgânico, cuja sua composição varia com idade, humidade e potencial orgânico e formam-se através de transporte de partículas por acção das ondas do mar e por acção dos ventos. Ao perderem a vegetação que as sustentam, elas se tornam movediças e perdem a qualidade de barreira da acção dos agentes climatéricos no interior (vento e chuva), perdem-se terras para o desenvolvimento de várias actividades e interfere-se no equilíbrio ecológico dos ecossistemas.
  • 16. 3 Perante o cenário aqui apresentado, coloca-se o problema: Até que ponto a acção antrópica e os agentes naturais são factores do desflorestamento dunar em Chizavane? 0.3- Hipóteses  É provável que a falta do conhecimento dos instrumentos de gestão dos recursos naturais contribua para o desflorestamento dunar neste local.  É provável que o desflorestamento dunar em Chizavane, seja resultado da implementação deficiente da legislação existente e outros instrumentos de gestão dos recursos naturais. 0.4- Objectivos 0.4.1- Geral:  Avaliar a influência dos factores do desflorestamento dunar em Chizavane sobre as relações socio-ambientais. 0.4.2- Específicos:  Identificar os factores do desflorestamento das dunas costeiras em Chizavane;  Caracterizar os factores do desflorestamento das dunas costeiras;  Caracterizar as formas de uso da vegetação dunar em Chizavane;  Descrever os impactos do desflorestamento dunar; e  Propor medidas que possam contribuir para a preservação da vegetação costeira da área de estudo. 0.5- Justificativa A opção de fazer um trabalho relacionado com os factores do desflorestamento dunar em Chizavane, deve-se ao facto da área de estudo perder duma forma acelerada a sua vegetação dunar. Por outro lado, o autor deste trabalho, visitou Chizavane no ano de 2005 e o lugar ainda apresentava aspectos naturais da sua vegetação dunar, quase intactas, não acontecia aquilo que era assistido na altura noutros lugares como na Praia de Xai-Xai, onde a agressão
  • 17. 4 da vegetação dunar já era um facto real. Volvidos alguns anos, a situação mostrou-se diferente em Chizavane, o desflorestamento também já é um facto real neste local e há necessidade de trava-lo. É este debate que se traz para uma abordagem nas percepções relacionadas com o assunto, por outro lado, espera-se uma contribuição para uma reflexão mais profunda sobre a importância que a preservação da vegetação dunar tem, para o desenvolvimento socioeconómico não só de Chizavane, mas também para o país todo. Finalmente, a forma como tem sido praticado o turismo, deixa incertezas sobre a sustentabilidade desta actividade, pois a comunidade não está empoderada, isto é, não se sente dona dos seus recursos naturais, limita-se a assistir o que os investidores (estrangeiros) fazem, a devastação dos recursos naturais sobretudo a vegetação e da beleza paisagística singular que o lugar ostenta e que constitui um atractivo para o turismo. 0.6- Procedimentos metodológicos e técnicos Para o presente trabalho privilegiou-se: a) Para a recolha de dados:  Consulta Bibliográfica - que foi desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente por livros e artigos científicos, sobre o desflorestamento e foi a base fundamental para o presente trabalho, no que tange a fundamentação teórica, pois para sustentar o problema de estudo, foram confrontadas obras de vários autores sobre esta questão do desflorestamento;  Observação Directa - que é realizada através de aferição de dados no local de estudo, permitiu confirmar no local o estado actual da conservação da vegetação e do desflorestamento dunar em Chizavane, com base nesta, faz-se a observação e registo de características físicas e sociais, cobertura vegetal, uso de solos e actividades económicas desenvolvidas no local, através de captação de imagens fotográficas;  Observação Indirecta - um tipo de consulta realizado com base em material cartográfico e/ou fotográfico sobre um determinado assunto; permitiu recorrer-se ao material cartográfico existente sobre o local (mapas) além de interpretação das fotografias tiradas pelo autor sobre o estágio da vegetação dunar; e
  • 18. 5  Entrevista - foi baseado na condução de entrevista semi-estruturada aos intervenientes na área de estudo, neste caso em (3) três instituições do Governo (DPCA-Gaza, DPTUR-Gaza e CDS-ZC) e (2) duas entidades de autoridade local (Chefe de Localidade e Líder Comunitário), como forma de saber e aprofundar quais os factores que contribuem para o desflorestamento dunar em Chizavane e o que está a ser feito para salvaguardar os recursos naturais no geral e a vegetação dunar em particular. Este grupo focal foi escolhido por ser aquele que principalmente intervém na gestão dos recursos naturais nesta área de estudo. Deste modo, foi usado um guião de entrevista constante no apêndice I. b) Para o processamento de dados: Os dados colhidos através de métodos e técnicas supracitadas, para o seu processamento, fez-se a transcrição das entrevistas tendo em conta o tópico em discussão, as fotografias foram comparadas tendo em conta a situação que contribui para o desflorestamento e a situação desejada. Foram produzidos e comparados gráficos e tabelas da situação climática da área de estudo em diferentes momentos, que permitiram mostrar até que ponto esta situação pode ou não contribuir para o desflorestamento.
  • 19. 6 CAPÍTULO I: 1.0- OS FACTORES DO DESFLORESTAMENTO DUNAR: REVISÃO DA LITERATURA Este capítulo, apresenta a revisão da literatura que está em torno do desflorestamento, um assunto não tão fácil de aborda-lo, pois ainda são escassas as obras que o abordam profundamente. Esta revisão da literatura tem uma perspectiva de levar a discussão, o conceito de desflorestamento, que é um problema ambiental altamente prejudicial ao funcionamento dos ecossistemas e interfere na vida humana. Mostra-se neste capítulo a importância teórica das florestas e os factores que contribuem para o acelerado desflorestamento, incluindo as tendências do desflorestamento no mundo. 1.1- O processo de desflorestamento O desflorestamento ou desmatamento é o processo de destruição das florestas através da acção do homem. Ocorre, geralmente, para a exploração de madeira, abertura de áreas para a agricultura ou pastagem para o gado. As queimadas descontroladas é um dos processos mais utilizados para o desflorestamento2. A destruição de florestas, principalmente pelo processo de queimadas, também contribui para o desenvolvimento do efeito estufa, provocando o aquecimento global, que consiste na elevação de temperaturas a nível global, o que pode afectar o funcionamento dos ecossistemas e consequentemente afectam os meios de sobrevivência das comunidades. O desflorestamento, com todas suas causas e formas distintas, tem uma dimensão espacial. Os componentes bióticos e abióticos da floresta, junto com a influência humana, existem e interagem no espaço. O tamanho e a forma da floresta influem na maneira como a população abre novas terras. Cada desflorestamento é induzido por factores sociais, económicos, políticos e ecológicos que mudam através do tempo e que é improvável para uma esperada 2 Disponível em http://www.suapesquisa.com/o_que_e/desflorestamento.htm.
  • 20. 7 estacionalidade dos dados de desflorestamento. Assim, apenas alguns anos de validade podem ser assumidos para cada projecção temporal. Para (MECHISSO & MATUSSE, 2005), definem desflorestamento como sendo a destruição ou abate indiscriminado de matas e floresta sem reposição devida. O processo de desflorestamento ocorre a milhares de anos. Em algumas regiões do mundo, as florestas foram totalmente destruídas. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, quase não há mais florestas nativas. Ao eliminar uma floresta, ocorre, ao mesmo tempo, a morte de muitas espécies animais. Isto ocorre, pois várias espécies fazem da floresta o habitat e obtém dela o alimento e protecção necessários para a sua sobrevivência. Além de existir incerteza sobre a exacta dimensão das perdas e dos custos ambientais dos desmatamentos, a percepção sobre os possíveis ganhos económicos e sociais do processo carece de base empírica e analítica. Isto tem levado a uma gama de perspectivas sobre o real processo de ocupação e desmatamento. Entre elas incluemse os custos ambientais, medidos local, nacional e globalmente, que são tão elevados que tornam irracionais quaisquer actividades causadoras dos desmatamentos (MARGULIS, 2003, p. 13). O desflorestamento é o tipo de mudança de uso da terra que (à longo prazo) provocaria os efeitos mais severos nas condições do clima. Os factores que afectam o desflorestamento variam imensamente de lugar para lugar e portanto, estes deveriam ser definidos a partir de estudos locais (RODRIGUES. 2004 citando HUTTL et. al. 2001). Parar com o desflorestamento tornou-se uma prioridade não só do nosso país como também a nível mundial, pois afecta a hidrografia e o clima, os quais têm efeitos significativos sobre a biodiversidade e a qualidade de vida humana. MENDOZA & ANDERSON, (s/d, p.2) citando MYERS, (1980) referem-se ao desflorestamento no contexto da floresta tropical, onde dizem que: O desflorestamento da floresta tropical é uma ameaça potencial à sustentabilidade ecológica e ao desenvolvimento socioeconómico a longo prazo. Tendo em vista a
  • 21. 8 tendência actual deste processo na floresta tropical, uma pergunta emerge de quanto dano este ecossistema frágil pode resistir e ainda recuperar-se. As razões para a preocupação com o desflorestamento estão agrupadas em duas grandes categorias: primeiro, a floresta tropical exibe a maior diversidade de espécies da maior comunidade biológica, então sua destruição implicaria numa extinção em massa e um atentado aos recursos genéticos do planeta e segundo, pela provável mudança climática (efeito estufa) que o desflorestamento poderia estar a contribuir. A destruição da floresta tropical resulta de uma complexa combinação de causas sociais, económicas e biológicas que afectam à flora, fauna e os estilos de vida das populações indígenas. Empiricamente, para o desflorestamento existe um número significante de variáveis que sugerem o modelo de uso da terra, principalmente as características da área (como qualidade do solo, tipo de vegetação) e os factores que afectam os custos de transporte (como rodovias pavimentadas, dimensão dos rios, distância dos mercados consumidores). A principal exploração da floresta tropical é mais recente, incentivada por vários episódios económicos e de sobrevivência nos inícios do século XIX e acelerado nas últimas décadas (MENDOZA & ANDERSON s/d, p. 2 citando NATIONS, 1988). Uma das principais investigações sobre desflorestamento tropical é a determinação dos factores causais. A identificação dos factores que contribuem com o desflorestamento é considerada como o primeiro passo para controlar a perda da floresta. Segundo MICOA, (1996, p. 53), “a cobertura florestal desempenha uma enorme função pois, é nela que grande parte da população rural se abastece em fontes de combustível lenhoso, material de construção, alimentos silvestres, plantas medicinais, pastagens de gado, etc.”
  • 22. 9 Ainda MICOA (1996), refere que embora haja estas vantagens oferecidas pela floresta nativa, esta, está a enfrentar inúmeras perturbações, dada a procura abusiva dos seus recursos por parte dos utilizadores e as práticas agrícolas inadequadas tal como o uso de queimadas que culminam com o desmatamento. As florestas são destruídas por muitas razões, mas muitas delas, estão ligadas as questões económicas. O grande catalisador do desflorestamento é a agricultura. Os agricultores destroem florestas para a prática de culturas e pastar animais. Alguns camponeses cortam as árvores para a produção do combustível lenhoso. Não é todo o desflorestamento que é intencional, algum é causado pela combinação de factores humanos e naturais como queimadas e sub-pastoreio de gado. O desflorestamento tem muitos efeitos no ambiente. O mais dramático impacto é a perda de habitat de milhões de espécies, cerca de 70% dos animais e plantas na terra vivem nas florestas e muitos não podem sobreviverem em desflorestamento que destrói seu meio. Este problema também leva as mudanças climáticas, leva à alterações das características do solo e influência no ciclo hidrológico. 1.2- Desflorestamento dunar A floresta dunar está sendo ameaçada por inúmeros factores que a levam ao seu rápido desflorestamento. Para este desflorestamento são apontados factores naturais e humanos, como os que contribuem para o seu surgimento. O desflorestamento nas dunas estabilizadas está ligado principalmente aos vários factores sobretudo de origem humana, tal é o caso das queimadas e extracção de sedimentos arenosos para utilização na construção civil, a estes, integram-se também a agricultura e extracção de combustível vegetal. Estas acções crescentes que também atingem esta unidade vêm desrespeitando a legislação ambiental que desencoraja o desflorestamento das dunas. A intensificação da prática agrícola nas dunas vem provocando graves danos ambientais, pois esta unidade não é potencialmente apta para a exploração agrícola, devido principalmente a sua instabilidade geomorfológica, inexistência de solos férteis e de baixa humidade superficial, apesar de manter aquíferos superficiais. As florestas dunares são dizimadas para suprir as necessidades cada vez mais crescentes em energia (para cozinha) e para materiais de construção. E por conseguinte, acção de desflorestamento é mais grave nas proximidades das cidades e vilas (HOGUANE, 2007).
  • 23. 10 Isto pode estar a acontecer pois nas cidades e vilas há maior concentração da população e por conseguinte, maior pressão é exercida sobre os recursos sobretudo os florestais para a produção do combustível lenhoso, material de construção, medicina tradicional entre outros fins. Por outro lado, os altos níveis de perturbações nas dunas, resultam em um decréscimo na altura e cobertura da vegetação, deixando o terreno exposto e vulnerável a acções erosivas (LEITE & ANDRADE 2003). Estas acções erosivas, são mais severas em locais onde não haja uma boa cobertura vegetal, pois a ausência da vegetação reduz a taxa de infiltração da água e consequentemente aumento do escoamento superficial, iniciando deste modo, a erosão. A destruição da vegetação dunar faz com que a areia e as dunas que já estavam fixadas voltem a se movimentar e dê início ao processo migratório, podendo soterrar casas e principalmente a vegetação localizadas em suas proximidades. (SANTOS & ROSÁRIO 1988), citados em (BASTOS, 1995), estudando a vegetação fixadora das dunas, alertam para o perigo do desequilíbrio entre as dunas e a vegetação que as fixam e que pode ser nefasto para o mesmo sistema dunar e MICOA, p.11 (s/d) reforça ainda que: Uma das causas do desflorestamento dunar é o abate de árvores para a produção de carvão, lenha e material de construção e isto conduz para um baixo nível de desenvolvimento e a concentração da população criou um certo número de problemas que podem ameaçar seriamente o necessário e esperado desenvolvimento dentro da área costeira. Os autores aqui apresentados, todos convergem na sua abordagem sobre o desflorestamento, pois, olham para o desflorestamento como um processo de redução das áreas ocupadas pelas florestas nativas, criando danos a qualidade da terra, perturbação do funcionamento dos ecossistemas através da extinção de espécies e também pela contribuição do desflorestamento nas mudanças climáticas, pois as árvores jogam um papel crucial na absorção dos gases de efeito estufa. Ter poucas florestas significa muitos gases de efeito estufa e consequente aumento drástico do aquecimento global. No capítulo a seguir, faz-se a caracterização da vegetação dunar de Chizavane, sua distribuição que parte das dunas primárias até as terciárias. Esta caracterização é antecedida pela descrição dos aspectos geográficos e da vegetação da área de estudo.
  • 24. 11 CAPÍTULO II: 2.0- ASPECTOS GEOGRÁFICOS GERAIS E DA VEGETAÇÃO DUNAR DE CHIZAVANE A zona costeira de Chizavane, é caracterizada por um ecossistema formado por vegetação frágil assente em dunas arenosas, cuja sua disposição constitui ponto de convergência para muitos grupos de interesses, tal é o caso de empreendedores turísticos, turistas e agropecuários. Neste capítulo, faz-se a descrição da área de estudo, tendo em conta a localização geográfica, topografia e o estado do clima, faz-se igualmente a caracterização da vegetação dunar em Chizavane, tendo em conta a sua distribuição por grupo de espécies no mesmo sistema dunar. Esta caracterização mostra a importância que a vegetação dunar representa para a manutenção e desenvolvimento do sistema dunar. 2.1- Localização geográfica e características gerais de Chizavane Chizavane é um dos povoados da localidade de Chicuangue, no Posto Administrativo de Chidenguele, Distrito de Mandlakazi, cujos aspectos geomorfológicos e climáticos, se enquadram nas características gerais da Zona Costeira de Mandlakazi. A Zona Costeira de Mandlakazi localiza-se no Distrito do mesmo nome, Província de Gaza, abrangendo partes de Chicuangue, Chidenguele Sede e Dengoine, compreende uma faixa de cerca de 10 km (Oceano Indico - EN1), com uma extensão (comprimento) de cerca de 49,2km. Tem como limites a Norte a Estrada Nacional nº1, a Sul o Oceano Indico, a Oeste o Distrito de Xai-Xai e a Este o Distrito de Zavala (DPCA-Gaza, 2007).
  • 25. 12 Mapa 1: Localização geográfica da zona Costeira de Chizavane Fonte: Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Gaza –(2012)
  • 26. 13 Segundo (SOUSA, 2004, p. 20), “Chizavane encontra-se à altitudes que variam entre 20 e 30m junto às lagoas e de 60 a 80m nas dunas. As dunas costeiras neste local, possuem uma orientação NE-SW e são da idade sub-recente a recente (Quaternário)”. No que diz respeito aos solos, a área de estudo apresenta sedimentos arenosos, que segundo (NYAMUNO, et. al., 1995), citado em (MUNGOI, 1997) são solos muito profundos, de areias grosseiras, brancas e quartzosos, excessivamente drenados. São solos pobres em matéria orgânica e a capacidade de retenção de água destes solos é muito baixa. Estão localizados nas dunas de areia, altamente onduladas com declives que vão de 4 a 30%. Contudo, as diferenças topográficas ao longo da costa determinam as pequenas variações que se verificam, principalmente nas condições de drenagem. O clima é tropical húmido. As temperaturas médias mensais e anuais situam-se entre os 20 e 28ºC. A pluviosidade embora esteja a registar algum decréscimo nos últimos anos (ver o gráfico 1), é maior nesta região, facto que tem efeitos directos no período de crescimento anual das plantas que é de 270 dias. Gráfico1: Precipitação média anual registada na área de estudo Precipitação Media Anual 140 Precipitação em mm 120 120,88 105,49 100 96,11 85,65 80 Precipitação Media Anual 60 56,7 45,3 40 20 0 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Autor, com base na organização de dados obtidos na Delegação Provincial de Meteorologia. 2012
  • 27. 14 2.2- A população e suas actividades O número exacto da população da área de estudo, foi de difícil obtenção, por este motivo, os dados aqui apresentados são do nível da localidade e deles pode-se ter uma ideia sobre o comportamento demográfico da área de estudo. De acordo com dados do censo 2007, a população da Localidade de Chicuangue, foi estimada em cerca de 9.565 habitantes, constituída maioritariamente por mulheres, (ver tabela 1) (INE, 1999). Tabela 1: População da localidade de Chicuangue ANO TOTAL HOMENS MULHERES 1997 9.069 3.851 5.218 2007 9.565 4.364 5.201 Fonte: Autor, adaptado do INE 1999 p. 13 e dados colhidos no INE em Fevereiro de 2012 A principal actividade desenvolvida pela população local é agricultura basicamente familiar, cujas lavouras são feitas geralmente a enxadas e raramente com uso da tracção animal ou mecânica, sendo que as culturas praticadas são milho, mandioca, feijão nhemba, amendoim consociados com culturas permanentes de mafurreiras, cajueiros, laranjeiras, tangerineiras e ananaseiros (MICOA, 1998). Em Chizavane, enquanto as mulheres dedicam-se à agricultura, os homens dedicam-se mais a pesca artesanal. A pecuária é exercida predominantemente pelo sector familiar, que cria gado bovino, caprino e suíno. O trabalho nas minas da África do Sul, a pequena indústria e o comércio maioritariamente informal ocupam posições secundárias. Depois de Chidenguele, Chizavane é o segundo maior centro turístico do Distrito de Mandlakazi devido as suas características físicos-naturais que permitem o desenvolvimento de actividades turísticas, que actualmente são asseguradas por investidores estrangeiros, que empregam maioritariamente indivíduos de locais fora de Chizavane. 2.3- Características da vegetação dunar de Chizavane No concernente à vegetação da área de estudo, sua composição é dominada pelas condições ecológicas locais, incluindo a intervenção do homem. Maior parte das espécies vegetais existentes nesta área, tem a folhagem coriácea, características de espécies que se adaptam as condições de alta salinidade, incluindo ventos fortes e constantes.
  • 28. 15 As dunas costeiras na área de estudo são caracterizadas por uma cobertura de vegetação compreendendo espécies herbáceas suculentas sobre as dunas primárias, graduando-se para mata ou florestas bem desenvolvidas sobre as dunas mais altas do lado da terra. O clímax das dunas é composto por espécies diversas (MUNGOI, 1997). Essas dunas são revestidas de vegetação arbustiva ou arbórea baixa, densa, de porte sensivelmente uniforme, devido à influência do vento, de folhagem coriácea na maioria parte das espécies e de extracto inferior muito reduzido, por vezes nulo. Estas dunas: Basicamente são constituídas por arbustos permanentemente verdes em todas estações de ano, abarcando quase que a totalidade da superfície dunar, formando assim matagais cerrados a esparsos, com plantas herbáceas que retêm as dunas dos agentes erosivos, nomeadamente o vento e as chuvas (SOUSA, 2004, p.25). A vegetação tem um papel muito importante na formação e desenvolvimento das dunas e nesta área, as dunas são altas, expostas a ventos fortes e consequentemente são susceptíveis a erosão eólica se a sua vegetação for removida. De acordo com (GOVE & BOANE, 2001), citados por (CDS-ZC, 2008), a vegetação das dunas, localiza-se junto às dunas costeiras. É típica da zona sul de Moçambique, desde Bazaruto à ponta de Ouro, esta área apresenta espécies mais comuns que são: Ipomoea péscaprae, scaevola thunbergii, Carpobrotos dimidiatus, Sporobolus virginicus, Cyperus maritimus, Lannea sarmentosa e Asystasia gangetica: Outras especies maioritariamente lenhosas são: Mimusops caffra, Diospyros rotundifolia, Clerodendron grabrum, Eugenia capensis e Sideroxylon inerme. Ocorrem também as espécies Apodites dimidiata, Phoenix reclinata, Carissa Bispinosa, Brachylaena discolor, Deimbolia oblogifolia, Euclea natalensis, Azima tetracantha e Xylotheca kraussiana. A brenha costeira ou matagal ocorre no topo das dunas interiores, ao redor das lagoas onde é mais desenvolvida. O extracto arbóreo atinge 3 a 5 metros, algumas espécies comuns são: Afzelia quanzensis (Chanfuta), Dialium schlereti, Apodites dimidiata, Brachylaena discolor, Olax dissidiflora, Garcinia livingstonei, Trcalysia sp., Asystasia gageta, Rhus natalensis, deimbolia oblingifolia, Ozoroa obovata, Albizia adiantifolia, Albizia versicolor, Euphorbia tyrucalli, Mimusops caffra e Phoenix reclinata. Partes destas florestas ainda
  • 29. 16 encontram-se intactas, porém, uma parte significativa foi modificada pela agricultura familiar (ver figura 1). Figura 1: Dunas com vegetação no seu estado clímax. Fonte: Autor, Dezembro de 2010 Na pradaria arborizada ou graminal arbóreo das planícies e dunas interiores, encontrase uma vegetação subtropical caracterizada por espécies lenhosas Albizia sp., Afzelia quanzensis, Sclerocarya birrea e algumas espécies herbáceas comuns Hyperrhemia sp., Themeda sp., Panicum maximum e Helichurysum sp, (ver a relação das espécies que ocorrem no sistema dunar de Chizavane nas tabelas 3 e 4 no anexo III). MUNGOI, (1997), citando HATTON et. al. (1995) considera que a vegetação atrás das dunas é classificada como matas costeiras abertas compreendendo espécies tais como Albizia sp., Afzelia quanzensis (chanfuta), Strychnos sp. (massala e macuácua) e Sclerocarya birrea (canhoeiro). No entanto, na área de estudo estas matas muitas foram convertidas em machambas de pequena escala através do corte e queima. Apesar desta relação de espécies, as dunas costeiras nesta área estão a sofrer de desmatamento, o que pode provocar alterações do funcionamento do sistema e perda de espécies (ver a figura 2). Este fenómeno verifica-se principalmente nas áreas onde as concessões de terra para implantação de empreendimentos turísticos ou afins continuam progressivamente e cujo critério de atribuição de espaços, incluindo a construção de infra-
  • 30. 17 estruturas em alguns casos não obedecem os instrumentos normativos existentes, tal é o caso do Zoneamento Costeiro de Mandlakazi, elaborado sob orientação da DPCA-Gaza em 2008 e o Decreto 45/2004, de 29 de Setembro, que regula o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental, entre outros. Figura 2: Duna desflorestada. Fonte: Autor, Dezembro de 2011 Há iniciativas isoladas de reflorestamento das áreas dunares desflorestadas em muitos casos com recurso á espécies exóticas porque as nativas demoram o seu crescimento (MECHISSO, 2012, cp3) e que por causas das condições ambientais adversas, muitas não suportam as condições do local definitivo. O capítulo a seguir apresenta os factores e impactos do desflorestamento dunar em Chizavane, desde os naturais até os antrópicos. Mostra-se até que ponto cada um dos grupos de factores do desflorestamento dunar contribui para a ocorrência deste problema ambiental. Mostram-se igualmente neste capítulo os impactos negativos do desflorestamento dunar, tanto no funcionamento dos ecossistemas, assim como na vida sócio-económica das comunidades. 3 Micas Mechisso, Funcionário do CDS-ZC, cp. em 20 de Janeiro de 2012.
  • 31. 18 CAPÍTULO III: 3.0 – O DESFLORESTAMENTO DUNAR EM CHIZAVANE: FACTORES E IMPACTOS Este capítulo restringe-se na identificação e descrição dos factores que contribuem para o desflorestamento dunar e seu impacto nos ecossistemas e na vida das comunidades. Abordam-se neste, os factores naturais e antropogénicos no processo de desflorestamento, incluindo a magnitude de cada grupo de factores para este problema ambiental. 3.1- Os factores do desflorestamento dunar em Chizavane A fragilidade que os ecossistemas dunares apresentam, face à pressão a que estão sujeitos implica que com facilidade, as espécies vegetais sejam afectadas quer pela pressão humana, quer por factores geoclimáticos, diminuindo a riqueza de espécies e a cobertura vegetal nos locais onde se verificam maiores impactos SILVA, et. al. s/d citando (YILMAZ, 2002). MATTOS, et al, (2000) citando CARNEIRO, et. al, (1993), refere que a adequada gestão ambiental é necessária para garantir que a degradação ambiental e a consequente decadência da qualidade de vida, tanto nas cidades como no campo, parem de ocorrer. E que a necessidade do homem se satisfazer de recursos naturais seja compatível com a de se preservar o meio ambiente. Actualmente, a vegetação dunar de Chizavane, encontra-se ameaçada em decorrência de vários factores desde os naturais até os que resultam da acção antropogénica, neste último caso, integram-se as causas sociais e económicas. MUNGOI (1997) citando BOOT et. al. (1994) Considera que uma cobertura do solo com vegetação é de mais alta importância, porque quebra a energia das gotas de chuvas, reduz o escoamento superficial, estabiliza a superfície do terreno e aumenta a infiltração.
  • 32. 19 3.1.1 - Factores de origem natural As plantas funcionam como camada interceptoras de frentes a acção mecânica de chuvas, como obstáculo ao escoamento pluvial e aos ventos e através do fornecimento do húmus, como factor de agregação dos solos. “Quando se verifica o desabamento das árvores, de modo natural ocorre movimentação de terra na superfície da encosta” (CRISTOFOLETTI, 1979), citado em (MUNGOI, 1997, p. 24). Os factores naturais do desflorestamento dunar são principalmente de origem climática4, nomeadamente ventos, precipitação e temperatura. Estes factores aparecem como catalisadores do desflorestamento principalmente quando associados à acção antrópica. Estes factores de origem natural comparativamente aos de origem antrópica, têm impacto negativo relativamente reduzido, pois os factores de origem natural ocorrem de forma lenta e precisam dum tempo relativamente longo para que seus efeitos sejam notórios, ao passo que o homem sua intervenção quer por forma de derrube directo da vegetação usando equipamento quer usando fogo criam um desflorestamento acelerado, cujos efeitos são imediatos. A sua manifestação resulta da dinâmica dos elementos atmosféricos que têm a ver com o vento, a temperatura, a precipitação e a pressão, portanto, o clima de Chizavane é do tipo tropical húmido, caracterizado por duas estações, uma quente e chuvosa que ocorre de Novembro a Março e outra fria e seca de Abril a Outubro. Como factores naturais, nesta pesquisa, destacam-se o vento e a temperatura por serem os elementos que mais interferem no desflorestamento dunar em Chizavane. a) -O Vento O vento é um factor ecológico de certa importância a vários títulos. Directamente, actua como um agente de transporte, desempenhando um papel notável na polinização das flores, na dispersão das sementes, no deslocamento dos pequenos organismos. Indirectamente altera de modo significativo a temperatura, para mais ou para menos, conforme as massas de ar envolvidas e aumenta de modo claro a evaporação, pelo que exerce um importante efeito dessecante. (KNAPIC, 1983). No entanto, SILVA, p. 3 et. al. (s/d) refere que “a interacção existente entre o vento e a vegetação torna-se um processo chave para o desenvolvimento dunar”. São as 4 O clima é o conjunto de fenómenos meteorológicos que ocorrem num determinado local, durante um longo intervalo de tempo, considerado entre os especialistas, um período de 30 anos. A precipitação e a temperatura são os principais factores na caracterização de um clima, e estes afectam directamente a vegetação (MEAZA et. al., 2000) citado por (NETO, 2008, p.16).
  • 33. 20 características morfológicas e fisiológicas desta vegetação que determinam a eficácia destas plantas na captura e retenção das areias transportadas pelo vento (induzindo à formação de padrões morfológicos nas dunas costeiras de acordo com o zoneamento das espécies em função do gradiente ambiental. Ao ser alterada a estrutura da vegetação e ao ser interrompido ou reduzido o fluxo de areia e os processos sedimentares como a deriva costeira, a duna vai sendo erodida sem ser reposta a areia necessária para o restabelecimento desse stock. A vegetação nos sistemas dunares condiciona a fixação das areias e a consolidação das dunas, definindo, desta forma a extensão do próprio sistema dunar, que está directamente relacionada com o seu estado de degradação e vulnerabilidade. O vento exerce uma acção deformante quando sopra com frequência e intensidade. As árvores e os arbustos são vergados na sua direcção. Os ramos torcidos crescem junto ao solo e o próprio tronco pode ser forçado a desenvolver-se também à altura do solo (KNAPIC, 1983) (ver figura 3) Figura 3: A influência do vento sobre a vegetação. Fonte: Autor, Fevereiro de 2012 O vento, pela sua intensidade, é um factor limitante, tal como acontece em Chizavane, o vento que aqui sopra é predominantemente do Sul e por vezes de Sueste com velocidade de
  • 34. 21 cerca de 16km/h e que segundo a Escala de Beaufort5 este vento tem a designação de Brisa Moderada e que de certa forma influência no desenvolvimento da vegetação dunar. b)- A Temperatura A temperatura é um factor ecológico fundamental, pela influência que exerce no conjunto dos processos vitais, controlando em grande medida o desenvolvimento, o comportamento e a distribuição dos seres vivos à superfície terrestre. Actua não só pelos seus valores extremos, mínimo e máximo, mas também, pelas suas variações diárias e anuais. Para todo o organismo vivo existe uma temperatura óptima, em que a actividade biológica se realiza nas melhores condições, independentemente da intervenção de outros factores. Mas à medida que a temperatura se afasta desse óptimo, para menos ou para mais, a actividade biológica vai diminuindo. Atinge-se uma temperatura letal, para a qual o organismo deixa mesmo de poder viver (KNAPIC, 1983, p. 19). Segundo dados recolhidos na Delegação Provincial de Meteorologia de Gaza, a temperatura média anual registada neste local nos anos 2006 a 2011 foi de 23,1ºC. Comparando com os dados dos anos 1991 a 1998, cuja temperatura média foi de 23ºC, não houve alteração considerável. Mesmo assim, a temperatura influência para o desflorestamento, se consideramos que numa área desnuda a temperatura pode elevar-se até mais 3 a 4ºC, o que quer dizer que se alguma vegetação estiver próxima duma área desnuda, a probabilidade de eliminar-se por causa da temperatura é maior. 5 Disponível em www.luisfernandez.info/Beaufort.pdf - Escala de Beaufort que classifica a intensidade dos ventos, tendo em conta a sua velocidade e os efeitos resultantes das ventanias no mar e em terra. Foi desenhada pelo meteorologista anglo-irlandês Francis Beaufort no início do século XIX.
  • 35. 22 Gráfico 2: Temperaturas médias anuais registadas na área de estudo. Temperaturas Médias Anuais Temperatura Médias  Anuais  em ºC 23,8 23,64 23,6 23,4 23,3 23,2 23,091 23 23,075 23,066 Temperatura 22,9 22,8 22,6 22,4 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Autor, com base na organização de dados obtidos na Delegação Provincial de Meteorologia. 2012 Nos casos em que há diminuição da vegetação numa determinada área por uma razão qualquer, criam-se condições para que haja microclima, como por exemplo, o registo de temperaturas elevadas durante o dia e redução drástica nas noites, portanto, condições inóspitas para certas espécies vegetais que não toleram essa variação. Deste modo, a temperatura encontra condições para contribuir no desflorestamento, se tomamos em consideração que há diferença de 3 a 4ºC, entre uma área sob um conjunto de árvores e uma sem vegetação, totalmente aberta à radiação solar, portanto, a vegetação que se encontra próxima duma área nua acaba por não suportar esta variação de temperatura, factor este igualmente limitante para uma nova colonização (ROBINETTE e MASCARÓ, 1996), citados por (CARVALHO, 2001). 3.1.2 - Factores de origem antropogénica O homem mesmo sabendo da fragilidade e da importância do sistema dunar, é o maior agressor. Este, pratica a agricultura de subsistência nesta área íngreme de solos arenosos cuja fertilidade é muito baixa. Por estas particularidades, as comunidades locais desbravam mais áreas novas para a prática de agricultura, contribuindo desta forma na redução da cobertura vegetal neste local, onde a agricultura é basicamente familiar e itinerante e por outro lado, não
  • 36. 23 são aplicados outros factores de produção tal é o caso de adubos, fitofármacos e sementes melhoradas. As queimadas descontroladas são outras principais causas do desflorestamento dunar. Estas queimadas surgem como resultado da abertura de campos para agricultura, caça de animais, renovação de pastos para o gado tanto bovino, caprino e até ovino (MICOA, 2001). Informação fornecida por MACAMO, 2012. cp6, ao responder à pergunta que queria saber qual era o efectivo de gado bovino e caprino na área de estudo, indica que muitos grandes e pequenos criadores que se encontram nas cidades principalmente Xai-Xai e Maputo, têm seus currais em Chizavane, onde a pastagem é feita de forma livre, o que não é recomendado para esta área ambientalmente sensível, por um lado e por outro, é centro de muitos interesses sócio-económicos. O outro factor antropogénico que contribui para o desflorestamento dunar é a fragilidade institucional, pois maior parte das instituições afins, ainda não têm meios materiais nem humanos suficientes para fazer face a este mal. Aos factores antropogénicos, integram-se as causas sociais e económicas, pois, Chizavane apesar da fragilidade dos seus ecossistemas, já regista evidências de sobreposição de interesses, o que origina nalguns conflitos. A prática de turismo, pesca, agro-pecuária, extracção de material de construção, extracção de combustível lenhoso, são as principais formas de utilização e ao mesmo tempo de desflorestamento sobretudo da vegetação dunar local, a estes elementos integra-se a deficiente implementação dos instrumentos de gestão territorial (Planos de Ordenamento Territorial, incluindo os zoneamentos de recursos). Embora a população de Chizavane não esteja a crescer significativamente se comparados dados do II RGPH de 1997, com os resultados do III RGPH de 2007, cuja taxa de crescimento foi de apenas 5,19%, a comunidade local mesmo assim, exerce uma pressão sobre a vegetação dunar, pois, maioritariamente tem a sua economia baseada na agricultura de subsistência praticada numa área de solos arenosos com fertilidade muito baixa, aliada a este factor há que ter em conta os meios tradicionais utilizados, isto leva com que a produção e a produtividade sejam baixos e consequente uma baixa renda familiar (ver tabela 1) (INE, 1999). 6 Zacarias Francisco Macamo, Chefe da Localidade de Chicuangue, cp em 21 de Fevereiro de 2012.
  • 37. 24 a)- Causas sociais As causas sociais estão relacionadas principalmente com as crenças locais, o que leva a procura de medicamentos tradicionais por um lado e por outro, maior parte das habitações de Chizavane são construídas com base em material local, o que leva igualmente a se recorrer a vegetação dunar para a extracção do material de construção, portanto, estacas, laca-lacas, palha entre outros e de plantas de ornamentação. Neste contexto, estas causas, revelam-se através do derrube da vegetação, onde se usa qualquer parte da planta, desde as raízes até mesmo as folhas, dependendo de cada fim. b)- Causas económicas Relativamente aos factores económicos, há que fazer referência a agropecuária que é a actividade principal praticada pela população local, não só para o consumo mas também para a venda, de modo a incrementar a sua renda. Portanto, de modo a incrementar a renda, têm se em conta o supra citado, onde aumentam-se áreas de produção e efectivos pecuários e consequentemente redução das áreas com vegetação. Outros elementos atribuídos a causas económicas são, a produção de carvão e da lenha que são posteriormente comercializados ao longo da EN1, procura de medicamentos tradicionais e de matéria-prima usada por artesões não somente para a satisfação das comunidades locais, como também abastecer dentre vários locais, os mercados das cidades de Xai-Xai e Maputo (MACAMO, 2012. cp7), em resposta a pergunta, que actividades contribuem para o desflorestamento dunar? A extracção da seiva das palmeiras bravas (ver a figura 4), que serve de bebida alcoólica (VUTCHEMA)8 apreciada pela comunidade local, que não só consome, mas também vende para incremento da sua renda, usa-se fogo para reduzir a parte espinhosa destas espécies vegetais, o que em muitos casos origina queimadas descontroladas. 7 Zacarias Francisco Macamo, Chefe da Localidade de Chicuangue, cp em 21 de Fevereiro de 2012. Vutchema termo changana dado a bebida extraída de palmeiras bravas (Hyphaene coriacea e Phoenix reclinata) 8
  • 38. 25 Figura 4: Palmeira destruída quase por completo no processo de extracção de bebida Fonte: Autor, Dezembro de 2010 A comunidade local, recorre-se a esta vegetação para dela extrair material de construção (estacas, laca-lacas e palha), é igualmente fonte de medicina tradicional e de plantas de ornamentação que igualmente abastece pontos mais distantes deste. Outro elemento de capital importância a considerar é o sector de grandes investimentos. Pois a vegetação dunar deste local, serviu e ainda serve de atractivo para a implantação e prática de actividades turísticas. A zona costeira de Chizavane, com uma área de 3.206ha, dos 5 empreendimentos que existiam em 2006, actualmente conta com 11 empreendimentos já implantados, sendo 10 turísticos e 1 agrícola, (ver a tabela 2), todos ocupando uma área de cerca de 46ha. Todavia, respondendo a pergunta, querendo saber se haverá alguma área reservada para interesses comunitários? MACAMO, 2012. cp9, respondeu que quase toda área de Chizavane já tem pretendentes para a pratica de diversas actividades, principalmente relacionadas com o turismo e/ou agro-pecuária. Isto mostra a pressão que é exercida sobre as dunas e consequentemente a vegetação nelas assente. Dos 11 empreendimentos implantados, apenas 6 é que foram submetidos ao Processo de Avaliação do Impacto Ambiental e têm certificados ambientais10 dai que os 9 Zacarias Francisco Macamo, Chefe da Localidade de Chicuangue, cp em 21 de Fevereiro de 2012. Certificados ambientais: refere-se a licenças ambientais emitidas para empreendimentos de categoria A ou B e declarações de isenção emitidas para empreendimentos de categoria C. 10
  • 39. 26 outros 5, fazem intervenção sobretudo sobre a vegetação sem nenhuma orientação de entidades ambientais. Tabela 2: Relação de empreendimentos implantados na zona costeira de Chizavane Nº SITUAÇÃO EMPREENDIMENTO ÁREA (ha) ACTIVIDADE 01 Paradise Magoo 2 Turismo Com LA 02 East African Safari 10 Turismo Sem LA 03 Het Fri Farm 6,76 Agricultura Com PGA 04 Paradise View sd Turismo Sem LA 05 Baleias da Praia 2 Turismo Sem LA 06 Nascer do Sol 4 Turismo Com LA 07 Zona Braza 1 Turismo Com LA 08 Lua de Mar 2 Turismo Sem LA 09 Moya Moya 8.36 Turismo Sem LA 10 Paradise the Reef Lodge 6 Turismo Com LA 11 Treleda Lda 4 Turismo Com LA Ordem TOTAL DA ÁREA OCUPADA (ha) AMBIENTAL 46,12 Fonte: Autor, adaptado em DPCA-Gaza, 2007 Alguns empreendimentos para a sua implantação são antecedidos por uma profunda terraplanagem, nestes solos não consolidados, remove-se impiedosamente a vegetação e instalam-se edifícios e vias de acesso, muitas das vezes sem observância de orientações constantes nos EIA/EAS/PGA, para aqueles que pelo menos foram submetidos ao processo de AIA. Este factor, é subsidiado ainda pelo MECHISSO, 2012, cp., ao responder a pergunta que queria saber se os estudos ambientais são devidamente cumpridos e se estão a contribuir para a manutenção da vegetação dunar, como resposta, afirmou que alguns empreendedores mesmo recomendados através do processo de AIA, chegados ao terreno contrariam tudo, devido ao aproveitamento por parte dos empreendedores por um lado e fraqueza institucional por outro.
  • 40. 27 3.2- Os impactos do desflorestamento dunar em Chizavane As aspirações cada vez crescentes de satisfazer as necessidades da comunidade local e de investidores de várias áreas de desenvolvimento, estimulam o uso de técnicas insustentáveis do recurso natural (vegetação dunar) e estas levam ao surgimento de impactos negativos. São vários os impactos negativos decorrentes do desflorestamento dunar, desde os sócio-ambientais até os económicos. Quando ocorre a remoção da vegetação reduz-se a transferência de nutrientes minerais do solo para a biomassa porque a vegetação é importante para o ciclo hidrológico. A partir da vegetação protege-se da lixiviação e o escoamento superficial será bastante elevado tornando esta zona de floresta numa área sem vegetação (MENDOZA & ANDERSON. s/d). O desflorestamento estimula a ocorrência do processo de erosão que por sua vez, conduz a deterioração de outros recursos naturais como água, provocando assoreamento das praias, dos lagos neste último, poderá se criar uma situação de eutrofização, turbidez das suas águas, provocando a falta de luz que alguns seres vivos precisam para a realização da fotossíntese, dai resulta na extinção da flora e da fauna que a comunidade local usa para sua sobrevivência (ver figura 5). Figura 5: Lagoa em Chizavane numa situação de eutrofização. Fonte: Autor, Dezembro de 2011
  • 41. 28 “Quando se retira a cobertura vegetal, os ventos atingem a superfície exposta e o que fora antes uma duna estabilizada transforma-se numa massa movediça para o interior, soterrando a restante vegetação” (MUNGOI, 1997, p. 74 citando (DREW, 1989). Por outro lado os construtores de hotéis e campos de campismos na área de estudo têm uma tendência de remover a vegetação natural para proporcionar as praias um aspecto limpo e aberto. O desflorestamento contribui para que os agentes erosivos procedam com o processo de transporte e deposição de solos, o que leva a destruição de infra-estruturas socioeconómicas, tal é o caso de estâncias turísticas e vias de acesso (ver a figura 10) Com a remoção da vegetação, perde-se oportunidades de obtenção de meios de subsistência das comunidades locais, seja por meio de emprego ou produção directa, por exemplo, a escassez ou extinção de espécies vegetais usadas para alimentação ou geração de renda por um lado, por outro a vegetação constitui um atractivo turístico para quem quer sair da monotonia urbana e com o desflorestamento, as estâncias turísticas são menos procuradas dai redução de mão-de-obra. O desflorestamento é prejudicial para o funcionamento de ecossistemas, pois a flora é habitat, fonte de alimentação e de protecção para a sobrevivência de muitos animais, ao elimina-la, significa remeter a fauna à uma redução ou mesmo extinção. Dai que se pode afirmar que a fauna em Chizavane é bastante pobre, limitando-se por exemplo á macacos (Cercophithecus pygerothrus), repteis, esquilos e uma reduzida avifauna (SOUSA, 2004). Esta situação demostra que maior parte de espécies principalmente animais, que aqui tinham como habitat, já se migraram outros até extintos.
  • 42. 29 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Conclusão A necessidade de fazer uma abordagem sobre os factores do desflorestamento dunar, visa avaliar a influência dos factores que nela influem de forma a estreitar as relações sócioambientais. Em Chizavane, dois grupos de factores contribuem para o desflorestamento, portanto, factores naturais e antropogénicos. Os factores naturais de desflorestamento, são principalmente de origem climática, nomeadamente ventos, precipitação e temperatura. Estes factores aparecem como catalisadores do desflorestamento principalmente quando associados à acção antrópica. Por seu turno, os factores de origem antrópica, que contribuem para o desflorestamento, são resultado do desenvolvimento de várias actividades tanto de sobrevivência, assim como de rendimento, tal é o caso da prática de actividades turísticas, agro-pecuária e caça que originam em alguns casos queimadas descontroladas, extracção de material de construção, extracção de combustível lenhoso, medicamentos tradicionais e matérias-primas para os artesões. Estas são as principais formas de utilização e ao mesmo tempo de desflorestamento da vegetação dunar local, a estes elementos integra-se a deficiente implementação dos instrumentos de gestão territorial (Planos de Ordenamento Territorial, incluindo os zoneamentos de recursos). O presente trabalho, mostra que o desflorestamento tem muitos efeitos no ambiente. O mais dramático impacto é a perda de habitat de espécies animais e vegetais. Este problema também leva as mudanças climáticas, leva à alterações das características do solo e influência no ciclo hidrológico. Concluindo, os factores de origem antrópica, são os que mais contribuem para o desflorestamento dunar em Chizavane, pois o homem na tentativa de satisfazer suas necessidades, exerce uma pressão sobre os recursos, neste caso concreto, vegetação dunar.
  • 43. 30 Recomendações Para mitigar o problema do desflorestamento dunar em Chizavane, o presente trabalho apresenta as seguintes recomendações:  É preciso regular a actividade humana dentro dos limites da vegetação dunar, por exemplo, através do cumprimento do zoneamento costeiro e outros instrumentos de orientação ou gestão territorial porque estes instrumentos já existem. Por outro lado, na elaboração dos instrumentos de gestão territorial para esta área, é preciso permitir que se formem mosaicos entre a vegetação dunar e as infra-estruturas a implantar.  Há necessidade de levar a cabo campanhas de sensibilização e de consciencialização ambiental.  Para que as dunas continuem cobertas de vegetação, é preciso que três elementos sejam considerados, nomeadamente:  O Governo com a sua base legal, recursos humanos e meios materiais à altura de responder a demanda;  Os investidores que utilizam/exploram os recursos naturais (marinhos e costeiros); e  As comunidades locais que são os beneficiários dos recursos naturais para o seu sustento.  É preciso que os decisores olhem para a vegetação dunar como um bem a conservar e que dela se pode tirar muito proveito por muito mais tempo e não vê-la como um elemento desaproveitado e também assegurar a coordenação inter-sectorial, na gestão das áreas dunares.
  • 44. 31 Referências bibliográficas 1. BASTOS. Maria de Nazaré do C. A importância das formações vegetais da restinga e do manguezal para as comunidades pesqueiras. Belém, 1995. http://repositorio.museugoeldi.br/jspui/bitstream BASTOS.PDF acesso em 03 de Junho de 2012 2. CARVALHO, Márcia Monteiro de. Clima urbano e vegetação: Estudo analítico e prospectivo do Parque das Dunas em Natal. Natal, UFRN Biblioteca Central, 2001. www.ppgau.ufrn.br/../marciam.pdf acesso em 19 de Janeiro de 2012 3. CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA AS ZONAS COSTEIRAS. Situação socioeconómica e biofísico. Xai-Xai, 2008 4. DIRECÇÃO PROVINCIAL PARA A COORDENAÇÃO DA ACÇÃO AMBIENTAL DE GAZA. Relatório da verificação dos aspectos legais no Posto Administrativo de Chidenguele. Xai-Xai, 2007 5. _________________________. Zoneamento costeiro do Distrito de Mandlakazi. S/Ed. Xai-Xai, 2007 6. HOGUANE, António Mubango. Perfil diagnóstico da Zona Costeira de Moçambique. Maputo, 2007. http://www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci7_8_Hoguane.pdf acesso em 03 de Junho de 2012 7. INSTITUTO NACIONAL DE ESTATISTICA. II Recenseamento geral da população e habitação. Dados definitivos – Província de Gaza. Maputo, INE, 1999 8. KNAPIC, Dragomir. Ecologia. 2ª ed. Lisboa, Plantano Editora, 1983 9. LEITE, Ana Virgínia de Lima e ANDRADE, Laise de Holanda Cavalcanti. Riqueza de espécies e composição florística em um ambiente de duna após 50 anos de pressão antrópica: um estudo na Praia de Boa Viagem. Brasil, Departamento de Botânica - Cidade Universitária, 2003. http://150.162.1.115/index.php/biotemas/article/view/23266/21000 acesso em 03 de Junho de 2012 10. MARGULIS. Sérgio. Causas do desmatamento da Amazónia Brasileira. Brasil. BANCO MUNDIAL. 2003 in http://scholar.google.com.br/scholar?q=DESMATAMENTO&hl=ptBR&btnG=Pesquisar&lr - Acesso em 6 de Fevereiro de 2012 11. MATTOS, Katty Maria da Costa, et al. Uma abordagem conceitual sobre a valoração económica de recursos naturais. Corumbas, 2000 12. MECHISSO, Micas. e MATUSSE, Alberto Jacob. Conceitos e noções básicas de educação ambiental. Xai-Xai, UDEBA-LAB, 2005
  • 45. 32 13. MENDOZA. Eddy, ANDERSON. Liana. Padrões de desflorestamento nas florestas tropicais. Brasil. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, s/d in http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt- Acesso em 18 de Janeiro de 2012 14. MINISTÉRIO PARA A COORDENAÇÃO DA ACÇÃO AMBIENTAL. Programa nacional de gestão ambiental. Maputo, 1996 15. __________________________ . Relatório sobre o estado do ambiente - Moçambique. Maputo, 2001 16. __________________________ . Estratégia de gestão integrada - Maputo. s/d 17. _________________________. Estratégia de desenvolvimento da Zona Costeira do Distrito de Manjacaze. Chidenguele. 1998 18. MUNGOI, Cláudio Artur. Uma abordagem sobre os processos erosivos na Zona Costeira do Distrito de Xai-Xai. Maputo, Departamento de Geografia-UEM, 1997 19. NETO, Ana Rita Parcelas. Flora e vegetação da Granja dos Serrões. Évora, Universidade de Évora, 2008. in http://portal.icnb.pt/NR/rdonlyres/390384CA-6A2B-4D98-9838- 80105D74387F/0/Flora_e_Vegetacao_Granja Acesso em 18 de Janeiro de 2012 20. RODRIGUES, Ricardo Leonardo Vianna. Análise dos factores determinantes do desflorestamento na amazônia legal. RIO DE JANEIRO, COPPE/UFRJ RJ L, 2004 in www.ppe.ufrj.br/ppe/production/tesis/rlvrodrigues.pdf - Acesso em 18 de Janeiro de 2012 21. SILVA, P. et. al,. Estudo de indicadores de vulnerabilidade de sistemas dunares: um contributo para a gestão http://scholar.google.com.br/scholar?q integrada = de zonas costeiras. s/d degrada%C3%A7%C3%A3o+das+dunas&hl=pt- BR&btnG=Pesquisar&lr= Acesso em 02 de Novembro de 2011 22. SOUSA, Maria Imelda. Estudo de impacto ambiental. Complexo Turístico Lua do Mar. Maputo, 2004 23. http://www.suapesquisa.com/o_que_e/desflorestamento.htm - Acesso em 15 de Setembro de 2011 24. http://www.luisfernandez.info/Beaufort.pdf - Acesso em 06 de Fevereiro de 2012
  • 46. 33 Apêndice Apêndice I: Guião de entrevistas Questões as autoridades locais Qual é o número da população de Chizavane? Qual é a área total de Chizavane, qual é a ocupada pela pastagem/agricultura e outras actividades? Já ouviu falar ou já trabalhou com algum plano de ordenamento territorial? Que actividades principais são desenvolvidas pela comunidade local? Que actividades contribuem para o desflorestamento dunar? Qual é o efectivo de gado bovino e caprino? O que motiva a ocorrência de queimadas descontroladas? Há alguma área reservada para interesses comunitários? Questões ao CDS-ZC O que é que contribui para o desflorestamento dunar? Será que os estudos ambientais estão a ser devidamente cumpridos e a contribuir para a manutenção da vegetação dunar? Questões à DPTur-Gaza Quantos empreendimentos turísticos existiam em Chizavane em 2007 e em 2011? Qual é a área ocupada por cada um dos empreendimentos? Há alguma legislação de suporte para a conservação da vegetação em áreas sensíveis tal como nas dunas? O que é que o sector do turismo tem feito para a conservação da vegetação dunar, tendo em conta que este serve de atractivo turístico? Questões à DPCA-Gaza O que é que pode estar a contribuir para o desflorestamento dunar? Será que os estudos ambientais estão a ser devidamente cumpridos e a contribuir para a manutenção da vegetação dunar? Os empreendimentos turísticos em Chizavane são construídos em áreas sensível (dunas costeiras), o que tem sido feito para salvaguardar o equilíbrio ecológico?
  • 47. 34 Apêndice II: Figuras Figura 6: Área concedida a um investidor sul-africano (Het fri farm) para fins agrícolas Fonte: Autor, Dezembro de 2010 Figura 7: Estância turística erguida no local de estudo “Paradise View” Fonte: Autor, Dezembro de 2011
  • 48. 35 Figuras 8 e 9: Efeito combinado da temperatura e do vento no desflorestamento dunar. Fonte: Autor, Fevereiro de 2012 Figura 10: Uma casa implantada numa área ambientalmente sensível (duna primária) Fonte: Autor, Dezembro de 2010
  • 49. 36 Figura 11: Gado bovino pastando na área dunar Fonte: Autor, Fevereiro de 2012 Figuras 12 e 13: Empreendimentos implantados sobre dunas. Fonte: Autor, Fevereiro de 2012
  • 50. 37 Figuras 14 e 15: Queimadas a esquerda e produção e venda de lenha a direita. Fonte: Autor, Fevereiro de 2012 Figura 16: Uma duna desflorestada, com apenas vegetação herbácea e alguns arbustos. Fonte: Autor, Fevereiro de 2012
  • 51. Anexos Anexo I: Mapa 2: Zona costeira de Mandlakazi Fonte: DPCA-Gaza, 2007
  • 52. Anexo II: Mapa 3: Área de estudo Fonte: http://maps.google.co.mz/maps?hl=pt-pt&tab=wl - Imagem satélite: o tracejado vermelho indica a área de estudo.
  • 53. Anexo III: Tabelas Relação de espécies vegetais que ocorrem nas dunas costeiras de Chizavane Tabela 3: Espécies identificadas nas dunas primárias Nome Científico Família Aristida barbicollis Asparagus falcatus Asystacia gagentica Azima tetracantha Canavalia rosea Carbichonia decumbes Carpobrotus dimidiatus Cassyta filiformis Chrynsanthemoides monolifera Cissus quadrangularis Commelina sp. Cynodon dactylon Cyperus maritimus Eleusina indica Grewia caffra Grewia occidentalis Helichrysum kraussi Hibiscus tiliaceus Ipomaea pes-caprae Panicum maximum Phoenix reclinata Rhoicissus rivolii Sansevieira sp. Scaevola thunbergii Sporobolus virginicus Tephrosia perpurea Xylotheca kraussiana Poaceae Liliaceae Acanthaceae Salvadoranceae Fabaceae Aizoaceae Mesembrenaceae Cacytaceae Asteravceae Vitaceae Commelinaceae Poaceae Cyperaceae Poaceae Tiliaceae Tiliaceae Asteraceae Malvaceae Convulvulaceae Poaceae Arecaceae Vitaceae Liliaceae Godineaceae Poaceae Fabaceae Flacourtiaceae Fonte: SOUSA, 2004, p. 40
  • 54. 41 Tabela 4: Espécies identificadas nas dunas secundárias Nome Científico Família Abrus precatorius Acacia karoo Acacia kraussian Acalypha sp. Afzelia quanzensis Alysicarpus vaginalis Apodytes dimidiata Asparagus falcatus Asystasia gagentica Azima tetracantha Boerhavia difusa Brachylaena discolor Brexia madagascariensis Bridelia catártica Carbichonia decumbes Carissa bispinosa Carpobrotus dimidiatus Cassine aethiopica Cassyta filiformis Catunaregam obovata Chrysanthemoides monolifera Cissampelos hirta Cissus quadrangularis Clerodendrum glabrum Commelina sp. Commimphora neglecta Crotolaria sp. Croton pseudopulchellus Cucumis sp. Cyathula próstata Cympopogon valius Cynodon dactylon Dactyloctenium aegyptium Dalbergia sp. Deinbollia oblongifolia Dicerocarym zanguebarium Diospyros rotundifólia Ehrtia sp. Encephalarthus ferox Euclea natalensis Fabaceae Fabaceae Fabaceae Euphorbiaceae Fabaceae Fabaceae Icacinaceae Liliaceae Acantaceae Salvadoraceae Nyctaginaceae Asteraceae Brexiaceae Euphorbiaceae Aizoaceae Apocynaceae Mesembrenaceae Celastraceae Cassytaceae Rubiaceae Asteraceae Menispremaceae Vitaceae Verbenaceae Commelinaceae Burseraceae Fabaceae Euphorbiaceae Cucurbitaceae Amaranthaceae Poaceae Poaceae Poaceae Fabaceae Sapindaceae Pedaliaceae Ebenaceae Boraginaceae Cycadadeae Ebenaceae
  • 55. 42 Eugenia capensis Euphorbia ingens Euphorbia tirucallii Euphorbia sp. Ficus sycomorus Flagellaria guineensis Gamphrena celesioides Garcinia livingstonii Grewia caffra Helichrysum kraussii Hibiscus tiliaceus Hyphaena coriácea Lagynias lasiantha Landolphia kirkii Lantana camara Lannea schweinfurthii Maclura africana Maytenus senegalensis Mimusops caffra Ocimum sp. Olax dissitiflora Oppilia tomantella Opuntia sp. Osyris compressa Ozoroa obvata Pinicum maximum Pavetta revoluta Phoenix reclinata Phyllanthusriticulatus Polichia campestres Psilotrichum africanum Rhoicissus revoilii Rhus chirindensis Rhynchelyntrum repens Recinus cummunis Salacia kraussiana Salvadora pérsica Sansevieria sp. Sclerocarya birrea Scolipia zeyheri Senecio sp Senna abreviata Setaria verticilata Sideroxylon inerme Sporobolus viginicus Myrtaceae Euphorbiaceae Euphorbiaceae Euphorbiaceae Moraceae Flagellaceae Amaranthaceae Clusiaceae Teliaceae Asteracea Malvaceae Arecaceae Rubiaceae Apocynaceae Verbenaceae Anacardiaceae Moraceae celastraceae Sapotaceae Cactaceae Olacaceae Opiliaceae Cactaceae Satalaceae Anacardeaceae Poaceae Rubiaceae Arecaceae Euphorbiaceae Illecebraceae Amaranthaceae Vitaceae Anacardiaceae Poaceae Euphorbiaceae Celasteraceae Salvadoraceae Liliaceae Anacardeaceae Flacourtiaceae Asteraceae Fabaceae Poaceae Sapotaceae Poaceae
  • 56. 43 Strychnos spinosa Synaptolepis kirkii Tabernaemontana elegans Tephrosia purpúrea Thespesia acutíloba Thunbergia sp. Tragia okanyua Tribulus terrestres Tricalisya capensis Tricalysis sonderiana Vepris undulata Vepris lanceolata Xylotheca kraussiana Zanthoxylum capense Fonte: SOUSA, 2004, p. 41 Longaniaceae Thymelaceae Apocynacea Fabaceae Malvaceae Acantacea Euphorbiaceae Zygophyllaceae Rubiaceae Rubiaceae Rutaceae Rutaceae Flacourtiaceae Rutaceae

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