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DESAFIO COTIDIANO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA
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DESAFIO COTIDIANO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

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DESAFIO COTIDIANO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA
Silza Maria Pasello Valente

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  • 1. Silza Maria Pasello Valente silzavalente@uol.com.br AVALIAÇÃO DESAFIO COTIDIANO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA
  • 2. Marcos Masetto Espaço onde se constrói o conhecimento com a participação de todos e onde se buscam respostas para os problemas do meio onde vivemos AULA
  • 3. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
  • 4. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS - ERA DAS INCERTEZAS - DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA - GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA E CULTURAL
  • 5. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS - DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO E DA INFORMÁTICA - GENERALIZAÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO E DO ACESSO A ELAS - INTERNET
  • 6. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS A Aprendizagem constitui-se em um processo contínuo e dinâmico em que se afirma, se constrói e se desconstrói. Se faz na incerteza, com flexibilidade, aceitando novas dúvidas, comportando a curiosidade, a criatividade que perturba, que levanta conflitos. Nesse cenário:
  • 7. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DESAFIOS ÀS INSTITUIÇÕES ESCOLARES
  • 8. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: FORMAÇÃO DA CIDADANIA APRENDER A CONHECER APRENDER A CONVIVER APRENDER A FAZER APRENDER A SER
  • 9. A cidadania não deve ser calcada em termos vagos, marcados ideologicamente, tais como desenvolver o espírito crítico, promover a autodeterminação dos povos ou incentivar a solidariedade internacional. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
  • 10. A cidadania deve voltar-se, ao contrário, de forma pragmática, para o nível local e associar-se diretamente à melhoria da qualidade de vida da cidade, do bairro ou até mesmo de uma instituição. (Guiomar Namo de Mello) EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
  • 11. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS FACE A ESTE PANORAMA QUAL O PAPEL DA ESCOLA?
  • 12. 1º) compreender que o conhecimento se baseia na busca de relações, que ajudem a compreender o mundo em que vivemos, a partir de uma dimensão de complexidade EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS Cabe à ela
  • 13. 2º) Utilizar estratégias que superem a compartimentação disciplinar, para abordar e investigar problemas. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
  • 14. <ul><li>Construir um novo olhar </li></ul>Síntese Análise Transformação I nvestigação Documentação Interpretação Crítica Ação EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
  • 15. EDUCAÇÃO: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS Planejar tendo como alicerce os processos avaliativos
  • 16. AVALIAÇÃO REALIDADE MEDIDA JULGAMENTO
  • 17. <ul><li>A AVALIAÇÃO DEVE PARTIR DA REALIDADE E A ELA RETORNAR PARA TRANSFORMÁ-LA. SE NÃO REALIZAR ESSE PROCESSO, NÃO PODE SER CONSIDERADA COMO TAL. SUA RAZÃO DE SER TERÁ DEIXADO DE EXISTIR </li></ul><ul><li>(Silza Valente) </li></ul>AVALIAÇÃO
  • 18. <ul><li>NÍVEIS DA AVALIAÇÃO EDUCACIONAL </li></ul><ul><li>CONTEXTO MEGA </li></ul><ul><li>CONTEXTO MACRO </li></ul><ul><li>CONTEXTO MESO </li></ul><ul><li>CONTEXTO MICRO </li></ul>AVALIAÇÃO
  • 19. CONTEXTO MEGA ABRANGÊNCIA INTERNACIONAL AVALIAÇÃO As avaliações são desenvolvidas com o propósito de comparar o desempenho dos estudantes de diversos países Programa Internacional de Avaliação dos Alunos – PISA Programa Mundial de Indicadores Educacionais - WEI Laboratório Latino-Americano de Qualidade da Educação - LLECE
  • 20. <ul><li>CONTEXTO MACRO </li></ul><ul><li>DIMENSÃO SÓCIO-POLÍTICO-ECONÔMICA </li></ul><ul><li>ABRANGÊNCIA NACIONAL/ESTADUAL </li></ul>AVALIAÇÃO LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB) <ul><li>SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR (SINAES) </li></ul><ul><li>EXAME NACIONAL DE DESEMPENHO DO ESTUDANTE (ENADE) </li></ul><ul><li>SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA (SAEB) / </li></ul><ul><li>PROVA BRASIL </li></ul><ul><li>EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO (ENEM) </li></ul><ul><li>AVA - AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR - PARANÁ </li></ul>
  • 21. CONTEXTO MESO ABRANGÊNCIA: INSTITUIÇÃO ESCOLAR AVALIAÇÃO <ul><li>Legislação emanada dos Conselhos Estaduais de </li></ul><ul><li>Educação </li></ul><ul><li>Características culturais do entorno social </li></ul><ul><li>Experiência educacional da instituição </li></ul><ul><li>(Re)Elaborações Curriculares - PP </li></ul>
  • 22. PROJETO PEDAGÓGICO Avaliação do espaço escolar Avaliação do(s) curso(s) avaliação das Disciplinas Avaliação dos Professores Avaliação dos funcionários AVALIAÇÃO CONTEXTO MESO
  • 23. <ul><li>ABRANGÊNCIA: </li></ul><ul><li>SALA DE AULA/CAMPO DE ESTÁGIO </li></ul><ul><li>MODALIDADES: </li></ul><ul><li>DIAGNÓSTICA </li></ul><ul><li>FORMATIVA </li></ul><ul><li>SOMATIVA </li></ul>AVALIAÇÃO CONTEXTO MICRO
  • 24. ENSINO E AVALIAÇÃO: CAMINHOS CRUZADOS
  • 25. Ensino x Avaliação Ensino -> ênfase nos objetivos Avaliação -> verificação do alcance dos objetivos Pedagogia Tecnicista Ensino -> ênfase nos métodos Avaliação -> a companhar, acolher. Pedagogia Nova ou Renovada Ensino -> ênfase nos conteúdos Avaliação -> Vigiar e punir. Pedagogia Tradicional
  • 26. Ensino x Avaliação Ensino ->ê nfase no mundo do trabalho Avaliação -> verificar o desenvolvimento de competências Pedagogia das Competências Ensino -> ênfase no contexto Avaliação -> Possibilitar a formação do cidadão crítico/transformador Pedagogia Sócio-Cultural (Libertadora, Libertária, Histórico-crítica)
  • 27. DIFERENTES SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS À AVALIAÇÃO <ul><li>Avaliar é ser justo/objetivo </li></ul><ul><li>Avaliar é acompanhar/amar </li></ul><ul><li>Ênfase  Ratio </li></ul><ul><li>Modalidade: Somativa </li></ul><ul><li>Notas, testes, verificação, controle </li></ul><ul><li>Descrédito na nota, nas normas, no controle </li></ul><ul><li>Ênfase  Pathos </li></ul><ul><li>Modalidade: Formativa </li></ul>
  • 28. CONFLITOS SOBRE O SIGNIFICADO DA AVALIAÇÃO INSTITUIÇÃO ESTADO FAMÍLIA ALUNO PROFESSOR SOCIEDADE CONFLITO DE CULTURAS
  • 29. DIMENSÕES DO PROCESSO AVALIATIVO <ul><li>ABRANGENTE - alunos, professores, equipes pedagógica e administrativa, estrutura física da escola, entre outros </li></ul><ul><li>CONTÍNUO - acompanhamento do processo (curricular, aprendizagem etc) </li></ul><ul><li>MULTIDIMENSIONAL – conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais </li></ul><ul><li>DIAGNÓSTICO - decisões sobre as ações a serem empreendidas </li></ul><ul><li>INCLUSIVO - possibilitar a superação dos aspectos deficitários </li></ul>
  • 30. AVALIAÇÃ0 JULGAMENTO RAZÃO SENSIBILIDADE ACOLHIMENTO
  • 31. RAZÃO <ul><li>Instrumentos: entrevista, questionário, lista de checagem, portfólio, prova com questões dissertativas e/ou objetivas </li></ul>DECISÕES: <ul><li>Avaliação com referência a norma ou a critérios </li></ul><ul><li>Avaliação tendo como norte objetivos, competências ou conteúdos </li></ul><ul><li>Técnicas a serem utilizadas: observação, inquirição, testagem </li></ul><ul><li>Valores (conceitos? Notas?) </li></ul><ul><li>Elaboração das questões </li></ul>
  • 32. <ul><li>De maneira geral a correção é mais severa ao final de uma série de correções do que no começo </li></ul>EFEITOS DE ORDEM E CONTRASTE <ul><li>A nota de uma prova ou trabalho depende em parte da nota atribuída anteriormente </li></ul>NOTA ELEMENTOS INTERVENIENTES
  • 33. <ul><li>EFEITO DE CONTAMINAÇÃO </li></ul><ul><li>Opinião dos colegas </li></ul><ul><li>Histórico Escolar </li></ul><ul><li>EFEITO DE ESTEREOTIPIA </li></ul><ul><li>Sistematização da opinião a respeito do aluno </li></ul>NOTA ELEMENTOS INTERVENIENTES <ul><li>EFEITO DE HALO </li></ul><ul><li>Vestimenta, verbalização, atitudes com relação à instituição etc </li></ul>
  • 34. SENSIBILIDADE <ul><li>DESENVOLVIMENTO DO </li></ul><ul><li>PROCESSO AVALIATIVO </li></ul><ul><li>Atitudes do professor e da administração antes, durante e depois da aplicação dos instrumentos de avaliação </li></ul>
  • 35. AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS <ul><li>CONTEÚDOS </li></ul><ul><li>FACTUAIS- Perguntas orais e /ou escritas (prova) </li></ul><ul><li>CONCEITUAIS- Observação e prova </li></ul><ul><li>PROCEDIMENTAIS- Observação e perguntas escritas (no caso de procedimentos cognitivos) </li></ul><ul><li>ATITUDINAIS- Observação </li></ul>
  • 36. AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS <ul><li>OBJETIVOS </li></ul><ul><li>Educação Infantil </li></ul><ul><li>Séries iniciais e finais do Ensino Fundamental </li></ul><ul><li>COMPETÊNCIAS E HABILIDADES </li></ul><ul><li>Ensino Médio </li></ul><ul><li>Ensino Superior </li></ul>
  • 37. AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS <ul><li>TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO </li></ul>
  • 38. TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO
  • 39. EXEMPLOS DE INSTRUMENTOS PARA AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS <ul><li>Auto-avaliação dos alunos </li></ul><ul><li>Portfólio </li></ul><ul><li>Diário </li></ul><ul><li>Questões construídas pelos alunos </li></ul><ul><li>Relatório (individual ou em grupo) </li></ul><ul><li>Criação de exercícios pelos alunos </li></ul><ul><li>Provas </li></ul>
  • 40. PROVA <ul><li>Dados de identificação:  Institucionais </li></ul><ul><li> Aluno </li></ul><ul><li>Seleção de conteúdos, objetivos ou competências e habilidades </li></ul><ul><li>Preparação da tabela de especificação </li></ul><ul><li>Seleção de tipos e elaboração de questões </li></ul><ul><li>Montagem da prova </li></ul><ul><li>Elaboração de instruções e chave de correção </li></ul><ul><li>Aplicação e correção da prova </li></ul><ul><li>Revisão e análise das questões </li></ul><ul><li>Comunicação dos resultados </li></ul>ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO
  • 41. Tipos de Itens Objetivos ESPÉCIES Resposta curta Resposta simples Completamento Falso - verdadeiro Associação Múltipla escolha Resposta única Resposta múltipla Associação Afirmação incompleta Lacuna Interpretação Asser ção e razão
  • 42. Testes de Múltipla Escolha <ul><li>Normas para construção dos itens: </li></ul><ul><li>Redigir 4 ou 5 opções para cada questão </li></ul><ul><li>Redigir todas as opções com a mesma extensão </li></ul><ul><li>Fazer todas as opções plausíveis </li></ul><ul><li>Evitar incluir, no enunciado, palavras como </li></ul><ul><li>“ todo”, “nenhum”,”somente”,”nunca” </li></ul>
  • 43. Testes de Múltipla Escolha <ul><li>Normas para construção dos itens: </li></ul><ul><li>Não incluir nas opções corretas expressões como “às vezes, geralmente, muitas vezes, é provável”, pois sugerem, em geral, que a declaração é verdadeira </li></ul><ul><li>Construir opções formalmente corretas do ponto de vista gramatical: concordância entre o tronco e as opções </li></ul><ul><li>Padronizar a forma de início das opções </li></ul>
  • 44. <ul><ul><li>Elaborar questões que não contenham informações desnecessárias </li></ul></ul><ul><ul><li>Cobrar, em cada item, apenas uma parte ou aspecto do contexto </li></ul></ul><ul><ul><li>Incluir no suporte, o máximo de palavras, a fim de tornar as opções mais resumidas </li></ul></ul><ul><ul><li>Não usar opções sinônimas nem tampouco opções que abranjam outras alternativas </li></ul></ul>Testes de Múltipla Escolha
  • 45. <ul><ul><li>Não usar as alternativas “todas as respostas acima” ou “todas as respostas anteriores” </li></ul></ul><ul><ul><li>Fazer uso limitado da alternativa “nenhuma das respostas anteriores” </li></ul></ul><ul><ul><li>Destacar a negativa quando empregá-la no enunciado </li></ul></ul><ul><ul><li>Incluir no enunciado tudo o que a questão estiver pedindo </li></ul></ul>Testes de Múltipla Escolha
  • 46. Itens Discursivos <ul><ul><li>Comparados aos objetivos, são de mais fácil elaboração </li></ul></ul><ul><ul><li>Dificultam a cola </li></ul></ul><ul><ul><li>Apresentam reduzida possibilidade de acerto por sorte </li></ul></ul>Pontos Positivos Pontos Negativos <ul><ul><li>São de difícil correção </li></ul></ul><ul><ul><li>Desfavorecem o aluno que não sabe redigir bem </li></ul></ul><ul><ul><li>Não permitem a cobrança de grande quantidade de conteúdo numa mesma prova </li></ul></ul>
  • 47. <ul><li>Redigir o item, de tal forma que seu conteúdo fique delimitado com precisão, não usando expressões vagas como “comente”, “fale sobre”, “o que pensa de”, “escreva o que sabe” </li></ul><ul><li>Organizar, logo após sua elaboração, a chave de correção do item – feita com antecedência, possibilita identificar falhas de construção </li></ul><ul><li>Não incluir informações desnecessárias </li></ul>Itens Discursivos Normas de Construção
  • 48. <ul><li>Organizar uma chave de correção (caso não tenha organizado previamente) </li></ul><ul><li>Corrigir questão por questão e não prova por prova. ( Não interromper a correção antes de terminar a leitura de todas as questões iguais ) </li></ul><ul><li>Fazer ajustes na chave de correção incluindo aspectos não antecipados e retirando os previstos, porém não abordados por ninguém </li></ul><ul><li>No caso de querer julgar as respostas pelo seu todo, agrupar , em relação à questão em pauta, as provas em ótimas , muito boas , boas , regulares , fracas e muito fracas </li></ul>Itens Discursivos Normas de Correção
  • 49. <ul><li>Corrigir as provas sem identificar os autores </li></ul><ul><li>Quando as provas forem numerosas , reler , de quando em vez, uma das que já foram julgadas, para manter o mais hegemônico possível o critério de correção </li></ul><ul><li>Escrever pequenos comentários nas provas, a fim de estabelecer pontos de referência para a justificativa do critério de correção adotado </li></ul>Itens Discursivos Normas de Correção
  • 50. CONVITE À REFLEXÃO
  • 51. <ul><li>UM DIA, NUMA AULA, A NOSSA PROFESSORA </li></ul><ul><li>ENSINOU-NOS QUE O VENTO </li></ul><ul><li>É SIMPLES MASSA DE AR. </li></ul><ul><li>E EU ACREDITEI. SE A PROFESSORA O DIZ ... </li></ul><ul><li>MAS NÃO COMPREENDI. </li></ul><ul><li>E PUS-ME A COGITAR ... </li></ul><ul><li>DE VOLTA PARA A ALDEIA, ONDE NINGUÉM ESTUDOU, </li></ul><ul><li>RESOLVI PERGUNTAR. </li></ul>Autor Desconhecido PLURAL DOS SENTIDOS
  • 52. <ul><li>E DISSE O ZÉ MOLEIRO – O VENTO É PÓ DE TRIGO, </li></ul><ul><li>SÃO VELAS A RODAR. O VENTO É UM AMIGO. </li></ul><ul><li>O LUÍS PESCADOR GRITOU, SEM SE CONTER: </li></ul><ul><li>- O VENTO FAZ AS ONDAS E FEZ MEU PAI MORRER! </li></ul><ul><li>O VENTO É ASSASSINO, O VENTO FAZ DOER. </li></ul><ul><li>- NEM SEMPRE, LEMBREI EU . LEVANTA OS PAPAGAIOS E FÁ-LOS SER ESTRELAS NUM CÉU AZUL DE SOL. </li></ul>
  • 53. <ul><li>E GEMEU A VELHINHA, NUM CANTO DO PORTAL: </li></ul><ul><li>- O VENTO É DOR NOS OSSOS ... </li></ul><ul><li>- É ROUPA NO VARAL SEQUINHA NUM INSTANTE! </li></ul><ul><li>AFIRMOU MINHA MÃE </li></ul><ul><li>CORRENDO ATAREFADA, ENTRE CASA E QUINTAL. </li></ul>
  • 54. <ul><li>MAS EXPLICOU UM VELHO JARDINEIRO: </li></ul><ul><li>- O VENTO, MEUS AMIGOS, DESTRUIU-ME AS ROSEIRAS </li></ul><ul><li>E FEZ CAIR AS FLORES DAS MINHAS TREPADEIRAS. </li></ul><ul><li>O VENTO É MUITO MAU. </li></ul><ul><li>UM POETA SORRIU ... </li></ul><ul><li>- O VENTO É A BELEZA, AS SEARAS SÃO MAR </li></ul><ul><li>SE O VENTO AS FAZ MOVER, NO CAMPO A ONDULAR. </li></ul>
  • 55. ENTÃO SENTEI-ME À MESA E ESTUDEI A LIÇÃO. JÁ SEI O QUE É O VENTO: É DOR, É MEDO, É PÃO. É BELEZA E CANÇÃO. É A MORTE NO MAR. E POR TRÁS DISSO TUDO É UMA MASSA DE AR ...
  • 56. <ul><li>E EU DISSE CÁ PARA MIM </li></ul><ul><li>QUE A MINHA PROFESSORA </li></ul><ul><li>COM TUDO QUE ESTUDOU </li></ul><ul><li>NÃO SOUBE ENSINAR / AVALIAR </li></ul><ul><li>PORQUE NUNCA ESCUTOU. </li></ul><ul><li>Coimbra, Março de 1989 </li></ul>

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