Críticas à Homeopatia CARLOS EDUARDO MARCELLO Divisão de Clínica Médica do HU
O que é “ser médico&quot; <ul><li>À introdução da 14a edição (1998) do clássico “Harrison’s Principle of Internal Medicine...
Princípios da Homeopatia <ul><li>Lei dos Semelhantes (similia similibus curantur). Por ex. se uma substância for capaz de ...
Lei dos Semelhantes <ul><li>O livro “Organon”, obra fundamental do glorificado (pelos homeopatas) Hahnemann, foi publicado...
Princípios da Homeopatia: Doses infinitesimais <ul><li>A dinamização ocasiona o que se chama “memória da água”:  as molécu...
Evidências científicas <ul><li>Nos últimos 30 anos menos de 200 estudos originais ou meta-análises com algum padrão cientí...
Doenças tratadas pela homeopatia <ul><li>Alergias, moléstias de pele, infecções leves, doenças respiratórias, artropatias,...
Doenças tratadas pela homeopatia <ul><li>Quantas pessoas foram salvas ou substancialmente melhoradas pela homeopatia a par...
Situações não consideradas pela homeopatia <ul><li>Hipertensão arterial </li></ul><ul><li>Dislipidemias </li></ul><ul><li>...
Curiosidades da Homeopatia <ul><li>Não evolui nem revê suas bases de conhecimento. O Organon de 1810 bastará para o todo s...
Curiosidades da Homeopatia <ul><li>Contradição homeopática: Finge não promover sistematicamente uma imensa estrutura com f...
Conclusão sobre a Homeopatia <ul><li>Há um ditado da língua inglesa que serve como uma luva para a Homeopatia: “Extraordin...
Opção <ul><li>Porque optar pela pseudociência se se pode escolher a ciência? A ciência está longe de ser um instrumento pe...
Opção <ul><li>O método científico é uma profissão de humildade. É o reconhecer que como homens, somos estúpidos, equivocad...
Armadilhas da ausência de método TEMPO Intensidade da doença A Evolução das doenças, apesar de poder ser estudada na média...
Armadilhas da ausência de método TEMPO Intensidade da doença
Armadilhas da ausência de método Pacientes com qualquer tipo de doença têm uma mediana de comportamento, mas há os extremos
Conseqüências para a Medicina  <ul><li>A existência e o “sucesso” da homeopatia e das medicinas alternativas nos casos ane...
Conclusões <ul><li>O autor desta apresentação foi incumbido de ser o advogado do diabo da Homeopatia.  A apresentação teve...
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    1. 1. Críticas à Homeopatia CARLOS EDUARDO MARCELLO Divisão de Clínica Médica do HU
    2. 2. O que é “ser médico&quot; <ul><li>À introdução da 14a edição (1998) do clássico “Harrison’s Principle of Internal Medicine” preconizado por todas as escolas médicas do Ocidente (chamadas alopáticas pelos homeopatas), lê-se à primeira página uma recomendação escrita desde a 1a edição em 1958: </li></ul><ul><li>“ Tato, simpatia e compreensão são qualidades esperadas do médico, desde que o paciente não é uma mera coleção de sintomas, sinais, funções desarranjadas e emoções perturbadas. O paciente é um ser humano com medos e esperanças, procurando alívio, ajuda e conforto. Para o médico, assim como para o antropólogo, nada no homem é estranho ou repulsivo. O misantropo pode se tornar um astuto diagnosticador das doenças orgânicas, mas dificilmente poderá ter sucesso como médico. O verdadeiro médico tem um sopro Shakespeariano de interesse pelas notáveis inteligências e pelos néscios ignorantes, pelos orgulhosos e os humildes, pelos heróis estóicos e pelos patifes lamurientos. O médico cuida de gente.” - não são argumentos exclusivos da Homeopatia; são conceitos ensinados desde os primeiros momentos nas faculdades de medicina tradicionais. </li></ul>
    3. 3. Princípios da Homeopatia <ul><li>Lei dos Semelhantes (similia similibus curantur). Por ex. se uma substância for capaz de provocar angústia existencial, diarréia e febre em uma pessoa sadia, essa substância curará uma pessoa cuja doença natural apresente essas características. </li></ul><ul><li>Doses infinitesimais (dinamização = diluição + sucussão). A técnica “desperta” as propriedades latentes da substância. </li></ul><ul><li>Medicamento único. </li></ul>
    4. 4. Lei dos Semelhantes <ul><li>O livro “Organon”, obra fundamental do glorificado (pelos homeopatas) Hahnemann, foi publicado em 1810. Contém a “doutrina” a ser seguida. Baseado em “experimentos” em familiares e alunos de Hahnemann, sem qualquer rigor metodológico. </li></ul><ul><li>A lei dos semelhantes é um postulado que nunca foi demonstrado. É dela que nasce toda a Homeopatia. </li></ul><ul><li>Em 1789 a medicina dita “oficial” não conhecia as causas celulares das doenças e acreditava tratar das moléstias usando sangrias, sanguessugas, laxantes, cirurgias sem anestesia e cauterizações com ferro em brasa. Dessa barbárie “oficial/alopática” nasceu um contrapoder: a Homeopatia. </li></ul>
    5. 5. Princípios da Homeopatia: Doses infinitesimais <ul><li>A dinamização ocasiona o que se chama “memória da água”: as moléculas de água guardariam por lembrança a substância que esteve em contato com ela. </li></ul><ul><li>A preparação 30C equivale a 1g da substância diluídos em 1 x 10 30 g de água. Numa concentração dessas, os químicos nos dizem que há 1 molécula da substância em 30m 3 da solução. </li></ul><ul><li>O remédio comum para gripe, da homeopatia, por exemplo, é produzido a partir de fígado de pato, geralmente em uma preparação de 200C. Qual, das inúmeras moléculas presentes em tal preparação, causa a memória na água? </li></ul><ul><li>A água que usamos certamente já esteve em contato com rejeitos químicos, urina, metais radioativos, urina de dinossauros, venenos – milhões de substâncias. Porque ela somente se lembraria das substâncias que os homeopatas alegam ser úteis? </li></ul><ul><li>Químicos e físicos atestam que nas preparações além de 32C há somente água destilada e nenhuma “energia” ou “força” conhecidas. </li></ul>
    6. 6. Evidências científicas <ul><li>Nos últimos 30 anos menos de 200 estudos originais ou meta-análises com algum padrão científico foram realizados comparando a homeopatia com o placebo. É inconclusivo se a homeopatia pode ou não ter um efeito discreto em doenças leves . Pode ser que tenha. </li></ul><ul><li>Estudo notório comparou 110 estudos homeopáticos com 110 estudos alopáticos. O efeito* do tratamento homeopático apresentou uma eficácia sempre equivalente à do placebo, diferentemente dos tratamentos alopáticos, estatisticamente mais eficazes que o placebo. (Lancet, 366(726-732)) </li></ul><ul><li>Dizer homeopático: “ Homeopatia e alopatia não compartilham unidades, instrumentos, paradigmas, nem epistemologia. Os estudos que se apresentam tentam &quot;desmascarar&quot; a homeopatia com métodos aceitos e adaptados à alopatia. São esses, é certo, métodos hegemônicos nos dias atuais. Métodos cartesiano-positivistas adotados largamente pela intelligentzia científica mundial. Nem por isso (pelo fato de ser hegemônico), os outros pensares e paradigmas são &quot;errados“ “ (sic). </li></ul>
    7. 7. Doenças tratadas pela homeopatia <ul><li>Alergias, moléstias de pele, infecções leves, doenças respiratórias, artropatias, “idiopáticas”, enxaqueca, estados de humor – estas são as doenças abordadas *de fato*, apesar de haver alegação de que podem tratar qualquer doença. </li></ul><ul><li>A homeopatia não classifica ou nomeia doenças. Não há, na homeopatia, algo como a CID (Classificação Internacional de Doenças), o que dificulta imaginar o que ela trata ou cura (tudo?). Alega que depende muito do poder da reação do paciente ao medicamento. </li></ul><ul><li>Anatomia, fisiologia, fisiopatologia, exame físico parecem ser conhecimentos relativamente supérfluos na prática homeopática, desde que o importante é que se encontre uma substância que se encaixe com os sintomas e estado de espírito do doente. </li></ul>
    8. 8. Doenças tratadas pela homeopatia <ul><li>Quantas pessoas foram salvas ou substancialmente melhoradas pela homeopatia a partir das seguintes doenças: </li></ul><ul><li>Obesidade </li></ul><ul><li>Diabetes </li></ul><ul><li>Sífilis </li></ul><ul><li>Tuberculose </li></ul><ul><li>Meningite </li></ul><ul><li>Endocardite infecciosa </li></ul><ul><li>Insuficiência cardíaca </li></ul><ul><li>AIDS </li></ul><ul><li>Leucemias em crianças </li></ul><ul><li>Linfomas </li></ul>
    9. 9. Situações não consideradas pela homeopatia <ul><li>Hipertensão arterial </li></ul><ul><li>Dislipidemias </li></ul><ul><li>Hiperglicemia assintomática </li></ul><ul><li>Vacinação das populações (erradicação da varíola, desaparecimento do sarampo) </li></ul><ul><li>(Para a homeopatia estes problemas, por serem assintomáticos, não precisam ser tratados. O que dizer de alguém com pressão arterial de 180x130mmHg? De alguém com colesterol=400mg/dL? De portadores de glicemia=170mg/dL?) </li></ul>
    10. 10. Curiosidades da Homeopatia <ul><li>Não evolui nem revê suas bases de conhecimento. O Organon de 1810 bastará para o todo sempre. Nestes 200 anos adição de 2-5% da base de Hanehman. </li></ul><ul><li>Alegação dos adeptos: “A homeopatia existe há mais de 200 anos e cada vez se torna mais popular.” Pois a Astrologia existe desde a Idade Média e todo mundo sabe que terá mais sorte em prever um eclipse do sol se perguntar a um astrônomo e não a um astrólogo. O Programa do Ratinho é muito popular. Antigüidade e perenidade nunca foram sinônimos de verdade. </li></ul><ul><li>Alegação homeopática: “O preconceito contra a homeopatia provém de um conluio, uma grande conspiração do complexo médico-industrial-midiático, pois tem o receio de que se possa diminuir seu poder e lucros.” </li></ul>
    11. 11. Curiosidades da Homeopatia <ul><li>Contradição homeopática: Finge não promover sistematicamente uma imensa estrutura com fins comerciais, como consultas caras e não cobertas por seguros médicos (ou cobertas por preços “diferenciados” ...) e redes de fabricantes e de farmácias especializadas que vendem água destilada a preços abusivos. </li></ul><ul><li>Os homeopatas se beneficiam do fato de que uma parte substancial das pessoas que usam a homeopatia desconhece os seus preceitos. E pouco interesse têm em instrui-las. As pessoas acreditam estar usando alguma espécie de extratos vegetais “naturais” que contém princípios químicos promotores de cura, assim como sabemos que o chá de camomila é digestivo e o de erva-cidreira é ansiolítico. A maioria fica surpresa quando lhe é desvendada a verdadeira natureza da homeopatia. </li></ul>
    12. 12. Conclusão sobre a Homeopatia <ul><li>Há um ditado da língua inglesa que serve como uma luva para a Homeopatia: “Extraordinary claims require extraordinary proofs and the burden of proof is on the claimant” – A homeopatia faz alegações extraordinárias e deveria nos mostrar extraordinárias e irrefutáveis provas de suas alegações. Não é o que acontece. </li></ul><ul><li>A questão sobre a homeopatia nunca se encerrará porque os homeopatas não usam os argumentos racionais embasados no método científico, que é a atmosfera que, desde cedo, a imensa maioria de nós aprendeu a respirar no mundo ocidental. Para os homeopatas a questão é a de que têm fé no seu método. Fé não se discute. </li></ul>
    13. 13. Opção <ul><li>Porque optar pela pseudociência se se pode escolher a ciência? A ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. É apenas o melhor que temos. A ciência tem um mecanismo de correção de erros embutido em seu próprio âmago. Quando interpretamos com falta de método os fatos e nossas esperanças, escorregamos para a pseudociência e para a superstição. </li></ul><ul><li>Os homens ansiamos pela certeza. Estaremos sempre atolados no erro. Em cada geração haverá uma redução das margens desses erros e será ampliado o corpo de dados a que elas se aplicam. </li></ul>
    14. 14. Opção <ul><li>O método científico é uma profissão de humildade. É o reconhecer que como homens, somos estúpidos, equivocados, podemos facilmente ser ludibriados por aparências. </li></ul><ul><li>Daí a necessidade do uso de controles e de se cegar resultados. Não se deve aceitar os argumentos de autoridade ou de livros de doutrina. As autoridades devem provar suas afirmações como todo mundo. </li></ul><ul><li>A Homeopatia despreza o método científico. Ela acredita que “já chegou lá”. “Já está ao lado da verdade.” E sobrevive a partir de relatos de casos sujeitos a todo tipo possível de viéses. </li></ul>
    15. 15. Armadilhas da ausência de método TEMPO Intensidade da doença A Evolução das doenças, apesar de poder ser estudada na média, é importantemente errática no paciente individual
    16. 16. Armadilhas da ausência de método TEMPO Intensidade da doença
    17. 17. Armadilhas da ausência de método Pacientes com qualquer tipo de doença têm uma mediana de comportamento, mas há os extremos
    18. 18. Conseqüências para a Medicina <ul><li>A existência e o “sucesso” da homeopatia e das medicinas alternativas nos casos anedóticos e isolados, contados no dia a dia, mas sem nenhuma preocupação de precisão ou compilação metódica dos dados, deveriam ser motivo de profunda reflexão. </li></ul><ul><li>A real crise na medicina nos dias de hoje não se deve aos princípios científicos – ela tem relação com a perda da relação fundamental entre médico e paciente. Essa perda de confiança tem relação com o fato de a medicina alopática ter se tornado “a oficial”, “a das massas”. É preciso que lembremos da noção clássica freqüentemente esquecida na medicina moderna: cuidar de doentes é uma arte . A ciência é um grande recurso, mas a medicina não se restringe a ela. </li></ul><ul><li>A arte de curar não significa abandonar os avanços espetaculares da ciência moderna, mas sim incorporá-los em uma prática médica sensível e humanitária. </li></ul>
    19. 19. Conclusões <ul><li>O autor desta apresentação foi incumbido de ser o advogado do diabo da Homeopatia. A apresentação teve essa finalidade. </li></ul><ul><li>Pessoalmente, o autor não advoga o uso da Homeopatia. </li></ul><ul><li>Entretanto, usando argumentação anterior, é forçoso reconhecer que como homens, somos estúpidos, equivocados, facilmente ludibriados por aparências e o método científico não necessariamente é a melhor ou única resposta. Pode haver outras respostas. Mas estamos longes das certezas da Homeopatia. </li></ul>Obrigado! CARLOS EDUARDO MARCELLO Divisão de Clínica Médica do HU [email_address]
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