VT -  English Literature III (Pride and Prejudice)
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Pride and Prejudice:

Pride and Prejudice:

Literatura - "Das Páginas de Jane Austen para as Telonas"

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VT -  English Literature III (Pride and Prejudice) VT - English Literature III (Pride and Prejudice) Document Transcript

  • UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA LICENCIATURA EM LETRAS – PORTUGUÊS / INGLÊS CARLOS FABIANO DE SOUZA CARLOS RENATO P. SOUZA MERYELEN CARVALHO DOS SANTOS PRIDE AND PREJUDICE Literatura: “Das Páginas de Jane Austen para as Telonas” Campos dos Goytacazes Maio de 2009
  • CARLOS FABIANO DE SOUZA CARLOS RENATO P. SOUZA MERYELEN CARVALHO DOS SANTOS PRIDE AND PREJUDICE Literatura: “Das Páginas de Jane Austen para as Telonas” Relatório apresentado como requisito parcial para aprovação na disciplina Literatura Inglesa III do curso de Licenciatura em Letras – Português / Inglês da Universidade Salgado de Oliveira. Orientador: Profa.Tânia Teixeira Campos dos Goytacazes Maio de 2009
  • “The best of a book is not the thought which it contains, but the thought which it suggests; just as the charm of music dwells not in the tones but in the echoes of our hearts.” Oliver Wendell Holmes
  • SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................……………………………………………………… 5 2. ARTE LITERÁRIA VS. ARTE CINEMATOGRÁFICA ............................................. 9 3. JANE AUSTEN (1775 – 1817) ..........................................................…………………... 11 4. PRIDE AND PREJUDICE ......................................................………………………..... 15 4.1 O Romance ....................................................................................……………………..… 15 4.2 Personagens .........................................................…………………………………...…..... 17 4.3 Sinopse ...................................................................................………………………..….... 22 5. O ROMANCE VS. O FILME ........................................................................................... 25 6. O MATRIMÔNIO E AS ALTERNATIVAS ................................................................... 27 6.1 The status of women ............................................................................................................ 27 7. THE POLITICS OF THE 18TH CENTURY DATING .................................................. 32 8. THE FIRST SKIN – ON – SKIN TOUCH ...................................................................... 36 9. TEMAS PRINCIPAIS ....................................................................................................... 38 9.1 Pride ..................................................................................................................................... 38 9.2 Prejudice .............................................................................................................................. 38
  • 9.3 Family ......................................................................................................................……… 39 9.4 Reputation ............................................................................................................................ 39 9.5 Women and marriage ............................................................................…………………... 40 9.6 Class ............................................................................................………………………..... 40 9.7 Individual and society ....................................................................……………………..… 41 9.8 Virtue ...................................................................…………………………………...…..... 41 10. MOTIFS ................................................................................………………………..….... 43 10.1 Courtship .............................................................................................................................. 43 10.2 Journeys ............................................................................................................................... 43 11. SYMBOLS ......................................................................................................................... 44 11.1 Pemberley ............................................................................................................................ 44 12. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 45 13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 48 14. ANEXOS ............................................................................................................................. 50 14.1 Slides .................................................................................................................................... 50
  • 5 1. INTRODUÇÃO A Literatura é uma arte. Através da palavra, seu instrumento principal, tal arte assume diferentes formas que produzem diversas sensações no receptor. Tal arte permite que o leitor possa utilizar a imaginação e toda sensibilidade como “ponte de ligação” entre o mundo do mesmo e o novo mundo que começa a ser descortinado em sua “frente”, à medida que ele começa a mergulhar profundamente na leitura da obra. Tal fato acontece toda vez que o leitor sente prazer ao ler um livro. A leitura de um Clássico da Literatura, revela-nos um mundo muitas vezes desconhecido num primeiro instante. Porém, o texto pode se revelar familiar à realidade do leitor devido à intensidade das conexões que são inferidas a partir da análise mais aprofundada da obra bem como da capacidade do artista literário em produzir algo que nos faz sentir parte do texto literário. Segundo Afrânio Coutinho1, a literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e transmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. Fato é que ao ler as obras literárias da grande autora inglesa, Jane Austen, os leitores se deparam com realidades e universos muito familiares e, portanto, torna-se inevitável não sentir o saboroso prazer por uma leitura que nos conduza a um mundo imaginário, porém, com um “tom” de realidade. 1 Afrânio Coutinho: (Salvador, 15 de março de 1911 — Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2000) foi professor, crítico literário e ensaísta brasileiro. Ocupou a Cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras, onde foi eleito em 17 de abril de 1962.
  • 6 É difícil classificar a obra de Jane Austen como parte de uma escola ou período literário, mas sua obra fica situada na Literatura Inglesa entre o fim do Romantismo e o início do período Vitoriano. A grande verdade é que Jane Austen marcou a transição da Literatura Inglesa do Neoclassicismo do século XVIII para o Romantismo do século XIX. Toda obra de Jane Austen fascina pelo encanto e beleza transmitidos através dos diálogos muito bem elaborados e pela propriedade com a qual esta fabulosa romancista cria os universos que ambientam os relacionamentos humanos baseado na sua profunda observância da vida humana de seu tempo. O que a torna uma das mais amadas autoras britânicas. Sua obra, Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito), publicada em 1813, é o livro favorito pelos seus fãs. Ele inicia com a memorável frase: “It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.” Austen escreveu o primeiro rascunho do romance, originalmente chamado “First Impressions”, nos anos de 1790, enquanto morava com sua família em Steventon Rectory em Hampshire. Neste nosso trabalho, fica claro que a obra de Jane Austen em questão permite-nos analisar a vida dos personagens do romance moderno, que apesar de estarem presos a uma realidade ambientada no século XIX, são personagens que expressam sentimentos e atitudes muito comuns a natureza humana. A partir de toda sua observância de mundo, esta brilhante autora mostra uma “paisagem” social em sua ficção, e não “geográfica”. Ou seja, é a exploração das maneiras e moralidades da Inglaterra do século XIX que torna suas histórias românticas tão populares e duradouras. As obras de Jane Austen exercem tamanho fascínio que muitas têm sido as diversas releituras de suas obras para o cinema. O cinema tem, constantemente, levado para as “telonas” filmes campeões de bilheteria inspirados em Clássicos Literários. Com as obras de Austen não seria diferente, já que, ela é considerada uma das romancistas inglesas mais enaltecidas e populares.
  • 7 Hollywood sempre busca lançar sucessos e fez de Jane Austen uma das romancistas mais quentes dos anos 90. Embora ela, que escreveu romances com um humor delicado, tenha morrido a 192 anos atrás, muitos de seus livros se tornaram sucessos da indústria cinematográfica. Desde então muitas têm sido as releituras de sua obra também para a TV. Podemos dizer que graças às adaptações e produções televisivas dos romances de Jane Austen, estes têm se tornado enormemente popular entre o público em geral. Pride and Prejudice é a obra mais conhecida e mais freqüentemente dramatizada, mas acredita- se que logo todos os romances de Austen terão chegado às telas. Até mesmo sua suposta vida amorosa é tema de um filme. Muitos dos roteiristas mantêm as características principais presentes na obra. No entanto, o interesse comercial faz com que tais clássicos ganhem um novo formato a partir das adaptações baseadas nos temas centrais dos mesmos. Ao assistir ao Orgulho e Preconceito (o filme), percebe-se o quanto o diretor Joe Wright buscou de modo genial manter- se o mais fiel possível à obra literária. A maior parte dos lugares em Pride and Prejudice são ficcionais, mas baseados no conhecimento pessoal de Austen acerca das casas, ambientes rurais e locais no sul da Inglaterra. As locações escolhidas para o filme tentaram ser as mais reais possíveis para criar uma fidelidade aos ambientes mencionados nas páginas do romance. Embora alguns personagens secundários presentes no livro tenham sido descartados pelo filme, as personagens principais dão a trama o tom exato que leva-nos a fazer uma conexão direta entre a obra literária e a cinematográfica. O ambiente familiar dos Bennet fica claro desde o início do filme devido à maneira como o cineasta buscou retratar a dinâmica da família que é o “coração” da obra. Por ser uma obra de grande representação dentro da Literatura Inglesa, cabe-nos discutir alguns dos principais temas e características presentes na história. Analisaremos o papel da mulher no período literário no qual a obra se insere, já que, Jane Austen escreve a partir de uma realidade que ela conhecia muito bem.
  • 8 A questão do matrimônio, os relacionamentos afetivos e amorosos, a estrutura familiar, enfim, Austen nos brinda com vários fatores sociais e morais da época que estão presentes em Orgulho e Preconceito, explorados de forma brilhante. Enfim, mostrar de que maneira esta obra literária em questão se apresenta no cinema, bem como os pontos convergentes e divergentes desta podem ser determinantes para uma análise mais apurada da obra como um todo, torna-se um desafio interessante e prazeroso. É sabido que Literatura é Arte. A arte da palavra que se transforma em imagens transformadas em “frames” que ganham forma, vida – através dos atores (personagens), dos cenários, das cores e da magia que envolve a sétima arte. Portanto, viva a literatura e viva o cinema que cada vez mais aproxima-nos dos Clássicos Literários.
  • 9 2. ARTE LITERÁRIA VS. ARTE CINEMATOGRÁFICA Podemos dizer que a Arte Literária é a arte que cria, pela palavra, uma imitação da realidade. A palavra como sendo a ferramenta principal do artista literário nos leva a conhecer um mundo novo e nossa imaginação – através da mente humana – transforma-se na ponte capaz de fazer com que nos remetamos ao mundo imaginado pelo autor e muitas vezes até criamos em nossa mente um novo mundo, mostrando, desta maneira, o quanto o poder da Literatura é transformador. O que seria a Arte Cinematográfica, então? Bem, podemos dizer que a Sétima Arte é capaz de transformar em imagens e sons uma realidade ficcional sendo esta baseada em fatos reais ou não. Literatura e Cinema são namorados antigos, e deste relacionamento já saíram alguns frutos bem apetitosos. A grande literatura de Marcel Proust e o cinema Disponível em: <http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=289> Edson Cruz A afirmação acima feita por Edson Cruz ilustra brilhantemente a relação intrínseca existente entre Cinema e Literatura. O cinema é um dos grandes responsáveis pela propagação de textos literários ao permitir que milhares de pessoas tenham contato com a Literatura, embora a maior parte destas pessoas nem se dêem conta de que tal produção campeã de bilheteria tenha sido inspirada num Clássico da Literatura.
  • 10 Para aqueles que já tenham lido um livro saber que tal livro tenha virado uma produção do cinema significa a chance de vivenciar novamente as emoções sentidas durante a leitura. Porém, desta vez, o leitor terá a oportunidade de sentir as mesmas emoções provocadas através das imagens e possíveis trilhas sonoras que dão um toque todo especial à história. A partir daí, o espectador pode sentir-se estimulado a reler o livro em busca de comparar e analisar os pontos convergentes e divergentes encontrados nas duas produções. Por outro lado, alguém que nunca tenha lido um determinado Clássico Literário, ao conhecer este através do filme, pode sentir-se perfeitamente atraído pela leitura do livro. Assim, este pode até virar fã e apreciador do autor do livro referido e, então, enveredar por outras leituras. A Arte Literária e a Arte Cinematográfica provam estar intimamente ligadas a cada dia. E, portanto, quem só tem a ganhar com isso é o grande público. A dimensão alcançada pelo cinema é bem maior. Infelizmente, é bem mais fácil encontrar, em nossos dias, pessoas com pré-disposição para assistirem a um filme do que lerem um livro. No entanto, se o filme for realmente atraente e, por isso, tornar-se interessante aos olhos do público, a possibilidade de que haja busca pelo livro é grande ao passo que se descobre que o filme foi baseado numa obra literária.
  • 11 3. JANE AUSTEN (1775 – 1817) Jane Austen nasceu em 1775 em Steventon, Hampshire, no Sul da Inglaterra. Ela era a sétima de oito filhos de um pastor anglicano, o Reverendo George Austen. Ele era um homem muito culto que encorajou Austen ambos em sua leitura e sua escrita. Ela cresceu num ambiente familiar muito unido. Ela começou a escrever na adolescência. Em 1801, a família mudou-se para Bath; então, após a morte de George Austen, em 1805, mudaram-se para Southampton e finalmente Chawton em Hampshire (a casa onde Jane viveu, que ainda pode ser visitada). Ela teve uma vida tranqüila, sem incidentes, visitando ocasionalmente Londres, Bath, Lyme e a casa de seus irmãos. Austen, sua irmã Cassandra e sua mãe mudaram-se várias vezes até se instalarem em definitivo em Chawton, próximo a Steventon. Nunca se casou, embora tivesse vários admiradores. Ela aceitou uma proposta de casamento, mas no dia seguinte mudou de idéia e rejeitou o mesmo. Ela tinha 27 anos quando foi pedida em casamento pelo rico, Harris Bigg-Wither. Pouco é sabido sobre seus casos amorosos, visto que sua irmã Cassandra foi cuidadosa ao editar as cartas particulares de Austen após a morte dela, porém, parece que provavelmente Austen experimentou uma desilusão amorosa. É sabido que ela se apaixonou por um homem chamado Tom Lefroy quando ela ainda tinha 20 anos. Ambos eram pessoas respeitáveis da mesma classe social, mas porque ele não tinha dinheiro, ainda era jovem e tinha todo um mundo pela frente, a família dele logo colocou um fim no possível relacionamento. Ele foi levado de volta para a Irlanda sua terra natal. A vida de Austen foi gasta em um círculo familiar afetuoso e ela era uma tia amada por seus sobrinhos e sobrinhas.
  • 12 Ela morreu em Winchester em 1817, com apenas quarenta e dois anos. Em 1816, Austen começou a sofrer de uma enfermidade, provavelmente devido à doença de Addison2. Ela viajou para Winchester para que recebesse tratamento e morreu por lá em 18 de julho do referido ano. Ela começou a escrever quando tinha apenas quatorze anos e aos seus 20 anos já estava trabalhando nas primeiras versões de alguns de seus romances. Ela não escrevia sobre grandes eventos como a Revolução Francesa ou as Guerras Napoleônicas, ambas das quais aconteceram durante seu período de vida. Ela escreveu sobre o que ela conhecia melhor – a vida cotidiana das visitas sociais, casos amorosos e enlaces matrimoniais. Em uma carta para uma sobrinha ela escreveu, “Três ou quatro famílias num vilarejo na área rural já basta para se começar um enredo.” E em resposta a uma sugestão de assunto para seu próximo romance, ela explicou que ela não poderia escrever nada sem ‘rir dela mesma ou outras pessoas.’ Com sua característica modéstia ela terminou, ‘Não, devo manter meu próprio estilo e continuar na minha própria maneira; e embora eu nunca possa obter sucesso novamente desta forma, estou convencida que eu fracassaria completamente de outra maneira.’ Jane Austen was born an English novelist whose books, set amongst the English middle and upper classes, are notable for their wit, social observation and insights into the lives of early 19th century women. A Sketch of Jane Austen by her sister Cassandra Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/austen_jane.shtml> A declaração acima, feita pela irmã de Austen, Cassandra, ilustra de modo brilhante o quanto à observância da vida humana era uma especialidade desta brilhante escritora britânica. 2 A doença de Addison, também conhecida como insuficiência adrenal crônica ou hipocortisolismo é uma rara doença endocrinológica. Foi descrita pela primeira vez pelo britânico Thomas Addison na sua publicação de 1855: On the Constitutional and Local Effects of Disease of the Suprarenal Capsules (Sobre os Efeitos Locais e Constitucionais das Doenças das Cápsulas Suprarrenais).
  • 13 Jane Austen não escrevia por nenhuma causa nobre. Ela escrevia porque ela tinha vontade de escrever, mas, principalmente, entreter o público leitor. Este é o ponto principal, a essência de seus livros. Eles não estão lá para fazer as pessoas conduzirem vidas melhores, eles estão lá para fazê-las sentirem-se satisfeitas, felizes e com prazer. Seus seis principais romances são agora Clássicos da Literatura Inglesa. Suas obras de destaque são Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, Northanger Abbey e Persuasion. Destas, Mansfield Park, Emma e Persuasion foram escritas no ocupado salão em Chawton no meio de todas as usuais atividades e interrupções familiares nos últimos anos antes de sua morte. Pride and Prejudice, originalmente chamada First Impressions, foi rejeitado sem ter sido lido pelo editor, mas foi reescrito e finalmente publicado em 1813. Seu irmão Henry a ajudou a negociar com um editor e seu primeiro romance, “Sense and Sensibility”, apareceu em 1811. Elizabeth Bennet era a heroína favorita de Jane Austen. ‘Devo confessar que eu a acho a criatura mais encantadora que já apareceu nos livros,’ ela escreveu para sua irmã Cassandra numa carta. Embora suas obras tenham sido publicadas anonimamente, Austen recebeu uma certa quantidade de atenção por parte de seus fãs enquanto ainda estava viva. Nem todas as demonstrações de carinho e respeito eram bem vindas. O Príncipe Regente era um grande fã de Jane Austen. Ele pediu para que Austen dedica-se Emma a ele. Ela não suportava o Príncipe Regente. Ela o achava um completo perda de tempo e espaço. Porém, quando ela teve este pedido real ela não pode recusar. Todos os seus romances foram elogiados, por sua presença de espírito e estilo, pelos leitores da época e o Príncipe Regente (último Rei George IV) gostava tanto deles que ele mantinha uma coleção completa dos romances dela em cada uma de suas casas. Os romances têm se mantido populares desde que eles foram publicados pela primeira vez, e há uma Sociedade Jane Austen (conhecida como “The Janeites”), que guardam sua reputação literária e sua memória de ciúme.
  • 14 Existem dramatizações em filmes e para televisão de todos os romances, em particular, alguns recentes filmes de sucesso Pride and Prejudice, Emma e Sense and Sensibility. Dois dos romances de Austen, ‘Persuasion’ e ‘Northanger Abbey’ foram publicados postumamente e um último romance foi deixado incompleto. Jane Austen é uma das grandes romancistas da Língua Inglesa. Seus romances são comédias de maneiras, lidando com festas, vestidos, brigas, noivados, e casamentos, mas nunca algum escritor traçou ‘tais imagens da vida doméstica em vilarejos na área rural’ com um olhar tão apurado ou com uma refinada ironia. Foi o seu talento em transformar as coisas do dia-a-dia e fazer com que as mesmas pareçam interessantes que torna Jane Austen a autora altamente estimada que ela é por mais do que um século após sua morte.
  • 15 4. PRIDE AND PREJUDICE 4.1 O Romance É o romance mais popular de Jane Austen. Orgulho e Preconceito é uma obra que revela a vida na sociedade rural da classe média e classe média alta da época, final do século XVIII e início do século XIX, e nos conta os desentendimentos e o mútuo esclarecimento mais tarde entre Elizabeth Bennet (cuja viva e rápida sapiência tem sempre atraído leitores) e o desprezível Darcy. O título “Pride and Prejudice” refere-se (dentre outras coisas) as maneiras pelas quais Elizabeth e Darcy primeiro vêem um ao outro. Jane Austen descreve Pride and Prejudice como sendo seu “próprio filho querido”. Elizabeth Bennet era a heroína favorita de Jane Austen. ‘Devo confessar que eu a acho a criatura mais encantadora que já apareceu nos livros,’ disse Austen numa carta que ela mesma escreveu para sua irmã Cassandra. A relação entre as irmãs Elizabeth Bennet e Jane Bennet, muito se assemelha ao relacionamento existente entre Jane Austen e sua irmã Cassandra. Sendo ela mesma uma dos oito filhos de seus pais, Austen dá uma grande profundidade e cor aos relacionamentos entre os membros da família Bennet a partir de suas próprias experiências familiares. Pode-se dizer que esta obra é uma grande história de amor entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, mas sustentado por um tipo de amor que conduz esta família, que faz com que a mesma opere de modo tão maravilhoso, absurdo, divertido e excitante. Há uma grande mistura de personagens. Eles são bem irresistíveis.
  • 16 A escolha do marido adequado, do bom casamento (por amor, oposto ao casamento por conveniência) é de inteira responsabilidade do indivíduo. Essa liberdade, que também vale para a decisão da profissão, se perfaz, no entanto, em meio a uma série de circunstâncias medidas pelo antagonismo, velado ou explícito, entre as concorrentes. A heroína se depara, primeiramente, com uma galeria de personagens dotadas de personalidade e interesse próprios. Essa interação compõe uma teia que assume gradações que se estendem desde a indiferença e frieza à hostilidade ou, no outro extremo, à simpatia e ao estímulo. Austen considera a vida familiar em toda sua complexidade, nas relações entre irmãos, entre pais e filhos, entre parentes distantes, etc., bem como seu impacto sobre a estrutura psicológica dos indivíduos. A trama se desenvolve em um mesmo tom, marcada pela observação fria, irônica e pelo manejo ligeiramente distanciado de eventos e personagens. O romance retrata a relação entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy na Inglaterra rural do século XVIII. Lizzy possui outras quatro irmãs, nenhuma delas casadas, o que a Sra. Bennet, mãe de Lizzy, considera um absurdo. Quando o Sr. Bingley, jovem bem sucedido, aluga uma mansão próxima da casa dos Bennet, a Sra. Bennet vê nele um possível marido para uma de suas filhas. De fato, ele parece se interessar bastante por Jane, sua filha mais velha, logo no primeiro baile em que ele, as irmãs e o Sr. Darcy, seu amigo, comparecem. Enquanto o Sr. Bingley é visto com bons olhos por todos, o Sr. Darcy, por seu jeito frio, é mal falado. Lizzy, em particular, desgosta imensamente dele, por ele ter ferido seu orgulho na primeira vez em que se encontram. A recíproca não é verdadeira. Mesmo com uma má primeira impressão, Darcy realmente se encanta por Lizzy, sem que ela saiba do fato. A partir daí o livro mostra a evolução do relacionamento entre eles e os que os rodeiam, mostrando também, desse modo, a sociedade do final do século XVIII.
  • 17 4.2 Personagens Personagens Principais: Elizabeth Bennet: Elizabeth Bennet é a segunda das cinco filhas do Senhor e da Senhora Bennet. Elizabeth é a mais calma e sensata das filhas dos Bennet e isto a torna a favorita do seu pai. Embora Elizabeth seja pensativa, inteligente e prática, ela acaba percebendo que é tão capaz de deixar seus próprios sentimentos chegarem ao seu bom senso quanto suas irmãs destrambelhadas. Elizabeth percebe seu grande erro quando entende que ela julgou mal ambos o Senhor Darcy e o Senhor Wickham. Senhora Bennet: A Senhora Bennet é a mãe entrona, “ignorante” e embaraçosa de Elizabeth cuja grande aspiração é casar suas cinco filhas. A Senhora Bennet não aprova a lógica e a praticidade de Elizabeth e por isso ela se torna a sua filha menos favorita. Senhor Bennet: O Senhor Bennet é um cavaleiro do campo e pai de Elizabeth. Ele tem muito pouco interesse nos deveres da educação social ou em criar suas filhas. Ele acha sua esposa e suas três filhas mais jovens insuportáveis, frívolas e idiotas, mas Elizabeth e Jane (a filha mais velha) o tornam orgulhoso. Senhor Bingley: O Senhor Bingley é um solteirão rico e jovem que se muda para a vizinhança onde moram os Bennet e desencadeia o esquema da Senhora Bennet de casá-lo com a Jane. Bingley é estiloso, charmoso e simpático, mas ele e Jane não ficam juntos imediatamente por causa de um mal entendido. Lydia Bennet/Wickham: Lydia é a filha mais jovem dos Bennet e é a mais namoradeira também. Lydia persegue os soldados alojados em Meryton e os segue quando eles se mudam para Brighton. Ela e o Senhor Wickham são forçados a se casarem após Lydia fugir com ele esperando tornar-se a esposa deste, embora Wickham não tenha tanto plano de se casar até que o Darcy pague-o para isto.
  • 18 Senhor Darcy: O Senhor Darcy é o melhor amigo do Bingley bem como um solteirão muito rico, bonito e orgulhoso. Darcy é visto como mal-educado e convencido por todos os habitantes de Meryton bem como por Elizabeth Bennet. Porém, através de uma estranha mudança de curso, Elizabeth aprende que ela estava errada sobre Darcy e eles se apaixonam um pelo outro. Janet Bennet: Janet é a filha mais velha dos Bennet. Ela é prática como Elizabeth, mas ela é mais amável e mais compreensiva. Jane fica bastante magoada quando Bingley a rejeita, mas ela supera sua dor e os dois terminam juntos. Senhor Collins: O Senhor Collins é o primo do Senhor Bennet que irá herdar a propriedade do Senhor Bennet quando o este morrer. Collins é um pastor do presbitério da tia do Darcy e ele é um homem alto-afirmativo em excesso e desagradável. Ele se considera mais importante do que ele realmente é porque trabalha para a tia rica do Darcy, mas a família Bennet não gosta dele porque ele é muito chato. Wickham: Wickham é um trapaceiro charmoso que convence Elizabeth que ele foi completamente injustiçado pelo Senhor Darcy, embora as coisas tenham de fato sido de outra forma. Elizabeth, inicialmente, gosta de Wickham, mas quanto mais ela aprende sobre o caráter verdadeiro dele mais ela percebe que estava errada. Wickham acaba casando-se com Lydia após eles terem fugido juntos e Darcy tê-lo pago para se casar com Lydia objetivando salvar a família dela da desgraça. Senhora Gardiner: A Senhora Gardiner é tia de Elizabeth Bennet. Ela e Elizabeth são muito próximas porque a própria mãe de Elizabeth é idiota enquanto a Senhora Gardiner é mais pensativa e prática como Elizabeth. A Senhora Gardiner suspeita que Elizabeth e Darcy estejam se apaixonando um pelo outro antes que o resto da família Bennet tenha alguma idéia a respeito disto. Por Elizabeth ter viajado de férias com os Gardiners, ela se encontra com Darcy novamente na propriedade dele e o relacionamento entre eles é renovado. Senhor Gardiner: O Senhor Gardiner é o tio de Elizabeth que se encarrega de encontrar Lydia e Wickham quando eles fogem juntos e se escondem em Londres.
  • 19 Darcy anonimamente combina com o Senhor Gardiner para que o casamento de Lydia e Wickham seja consumado tal que ninguém da família de Elizabeth descubra o que Darcy tenha feito. Personagens Menores: Senhorita Bingley: A Senhorita Bingley é a irmã mais nova do Senhor Bingley. Ela finge ser amiga de Jane, mas quando ela vê que o Senhor Darcy está desenvolvendo um interesse pela irmã de Jane (Elizabeth), ela faz o que pode para separar o irmão dela de Jane tal que Darcy e Elizabeth não mais os vejam. A Senhorita Bingley é amável aos olhos de Jane, mas ela faz graça da família Bennet por trás de Jane como forma de tornar o Darcy mais interessado nela do que em Elizabeth. Senhora Hurst: A Senhora Hurst é a irmã casada mais velha de Bingley que é tão duas caras quanto a Senhorita Bingley. Charlotte Lucas/Collins: Charlotte é amiga de Elizabeth. Após Elizabeth recusar a oferta de casamento do Senhor Collins, Charlotte o arrebata porque ela quer uma vida simples e não pode imaginar que uma oferta melhor virá. Ela e Elizabeth permanecem amigas apesar do casamento de Charlotte com o desagradável Senhor Collins. Mary Bennet: Mary Bennet é a filha do meio da família Bennet. Ela é estranha. Ela é uma pudica caseira que passa seu tempo lendo a Sagrada Escritura. Ela é a única das garotas Bennet que permanece solteira. Sir William Lucas: Sir William é o pai de Charlotte que tem um título e finge ser uma pessoa da alta sociedade, mas ele não é ninguém especial. Ele é simpático o que faz com que Elizabeth aprecie tal característica nele. Kitty (Catherine) Bennet: Kitty é a segunda filha mais nova da família Bennet e não é tão namoradeira quanto Lydia. Kitty e Lydia são unha e carne, mas Kitty não se mete em tanta confusão quanto Lydia.
  • 20 Lady Catherine De Bourgh: Lady Catherine é a tia rica do Senhor Darcy e patroa do Senhor Collins. Ela é uma arrogante madame que espera que todos apreciem e sigam seus conselhos sobre tudo. Ela e Elizabeth se cruzam quando Elizabeth visita Charlotte e o Senhor Collins. Daí, Elizabeth e Lady Catherine têm um grande confronto quando Lady Catherine insiste que Elizabeth não pode se casar com Darcy porque ela não tem berço para ele. Senhorita Darcy: A Senhorita Darcy é a irmã mais nova do Senhor Darcy. A Senhorita Darcy é quieta e tímida e ela é cautelosa porque quase foi trapaceada a fugir com o Senhor Wickham para se casar com ele, o que teria sido um grave erro por parte dela. Maria Lucas: Maria Lucas é a irmã mais nova de Charlotte que vai visitar Charlotte e o Senhor Collins na mesma época em que Elizabeth vai vê-los. Senhorita De Bourgh: A Senhorita De Bourgh é prima de Darcy e filha de Lady Catherine. Lady Catherine sempre planejou que sua filha e Darcy se casariam e tornariam a fortuna deles enorme. Coronel Fitzwilliam: Coronel Fitzwilliam é primo de Darcy e também co-guardião da Senhorita Darcy, irmã mais nova de Darcy. Elizabeth gosta do coronel porque ele é simpático. Além disso, ele gosta da companhia dela tratando-a com dignidade diferente do Senhor Darcy.
  • 21 Conexão entre os personagens: Fonte: Cliffs Notes – The fastest way to learn. Pride and Prejudice Character Map
  • 22 4.3 Sinopse A notícia de que um jovem cavaleiro, de nome Charles Bingley, alugou o senhorio de Netherfield Park causa um grande reboliço no vilarejo ao redor de Longbourn, especialmente na família Bennet. Os Bennet têm cinco filhas solteiras – da mais velha a mais nova, Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. A Senhora Bennet se encontra desesperada para vê- las todas casadas. Após o Senhor Bennet prestar uma visita social ao Senhor Bingley, os Bennet vão a um baile no qual o Senhor Bingley está presente. Ele passa quase toda noite dançando com a Jane. Seu amigo próximo, o Senhor Darcy, está menos satisfeito com a noite e de forma não tão amigável recusa-se a dançar com Elizabeth o que faz com que todos o vejam como arrogante e extremamente desagradável. A partir de situações de socialização durante as semanas seguintes, todavia, o Senhor Darcy se encontra enormemente atraído pelo charme e a inteligência de Elizabeth. A amizade de Jane com o Senhor Bingley também continua a aumentar e Jane faz uma visita à mansão de Bingley. Na viagem a casa dele, ela enfrenta uma tromba d’água e fica resfriada, sendo forçada a ficar em Netherfield por vários dias. Com o intuito de cuidar de Jane, Elizabeth caminha por campos de lama e chega com seu vestido sujo, para o desdém da esnobe Senhorita Bingley, irmã de Charles Bingley. O despeito da Senhorita Bingley só aumenta quando ela percebe que Darcy o qual ela está de olho presta muita atenção em Elizabeth. Quando Elizabeth e Jane retornam para casa, elas encontram o Senhor Collins visitando a família delas. O Senhor Collins é um clérigo jovem que herdará a propriedade do Senhor Bennet o que é inevitável, já que, esta poderá apenas ser passada para herdeiros do sexo masculino. O Senhor Collins é um idiota pretensioso, embora seja bem cativante aos olhos das meninas Bennet. Pouco depois de sua chegada ele faz uma proposta de casamento à Elizabeth. Ela rejeita ferindo assim seu orgulho. Enquanto isso, as meninas Bennet se tornam amigáveis com a milícia de oficiais que estão estacionados numa cidade na vizinhança. Entre eles, está o Wickham, um soldado jovem e bonito que é amigável para com a Elizabeth e conta a ela como Darcy cruelmente o trapaceou numa herança.
  • 23 No início do inverno, os Bingley e Darcy deixam Netherfield e retornam para Londres, para a consternação de Jane. Um seguinte choque chega com a notícia de que o Senhor Collins ficou noivo de Charlotte Lucas, a melhor amiga de Elizabeth e filha pobre de um cavaleiro local. Charlotte explica para Elizabeth que ela está ficando mais velha e precisa da união por razões financeiras. Charlotte e o Senhor Collins se casam e Elizabeth promete visitá- los na casa nova deles. Com o passar do inverno, Jane visita a cidade para ver os amigos (esperando também que ela possa ver o Senhor Bingley). Porém, a Senhorita Bingley a visita e comporta-se rudemente enquanto o Senhor Bingley não a visita de forma alguma. A perspectiva de matrimônio para as meninas Bennet parece desanimadora. Naquela primavera, Elizabeth visita Charlotte que agora mora próxima à casa da protetora do Senhor Collins, Lady Catherine De Bourgh, que é também tia de Darcy. Darcy visita Lady Catherine e encontra Elizabeth cuja presença o leva a fazer um número de visitas a casa de Collins onde ela está hospedada. Um dia, ele faz uma proposta de casamento chocante a qual Elizabeth rapidamente recusa. Ela conta a Darcy que ela o considera arrogante e desagradável, então o repreende por tirar o Bingley da Jane e deserdar Wickham. Darcy a deixa, mas pouco tempo depois lhe entrega uma carta. Na carta ele admite que ele convenceu Bingley a distanciar-se da Jane, mas afirma ter o feito somente porque ele pensava que o romance deles não era sério. Quanto a Wickham, ele informa Elizabeth que o jovem oficial é um mentiroso e que a real causa do desentendimento entre os dois foi à tentativa de Wickham de fugir com a irmã jovem dele, Georgiana Darcy. Esta carta fez com que Elizabeth re-avaliasse seus sentimentos em relação a Darcy. Ela volta pra casa e age friamente com relação a Wickham. A milícia está deixando a cidade o que torna as meninas jovens da família Bennet, um tanto quanto loucas por homens, consternadas. Lydia consegue obter permissão de seu pai para passar o verão com um velho coronel em Brighton onde o batalhão de Wickham ficará. Com a chegada de junho, Elizabeth faz mais uma viagem, desta vez com os Gardiner que são parentes dos Bennet. A viagem leva-a para o norte e por fim a vizinhança de Pemberley, propriedade de Darcy. Ela visita Pemberley, após certificar-se de que Darcy está fora; encanta-se com a construção e os pisos, enquanto ouve da governanta de Darcy que ele é um patrão maravilhoso e generoso.
  • 24 De repente, Darcy chega e comporta-se cordialmente com ela. Sem mencionar sua proposta de casamento, ele diverte os Gardiner e convida Elizabeth a conhecer sua irmã. Pouco tempo depois, no entanto, uma carta vinda da casa de Lizzy chega, contando a Elizabeth que Lydia fugira com Wickham e que não sabem onde encontrar o casal. O que sugere que eles podem estar vivendo juntos sem terem se casado. Amedrontada pela desgraça que tal situação traria para toda sua família, Elizabeth apressa-se para casa. O Senhor Gardiner e o Senhor Bennet saem em busca de Lydia, mas o Senhor Bennet por fim retorna pra casa de mãos vazias. Apenas quando toda esperança parece perdida, uma carta do Senhor Gardiner chega dizendo que o casal foi encontrado e que Wickham concordou a casar-se com Lydia em troca de uma renda anual. Os Bennet estão convencidos de que o Senhor Gardiner liquidou a dívida com Wickham, mas Elizabeth descobre que a fonte do dinheiro e da salvação de sua família era ninguém mais do que Darcy. Agora, Wickham e Lydia casados retornam brevemente para Longbourn onde o Senhor Bennet os tratam friamente. Eles então partem para nova missão de Wickham no norte da Inglaterra. Em pouco tempo, Bingley retorna para Netherfield e retoma sua corte com Jane. Darcy vai ficar com ele e visita os Bennet, mas não faz menção ao seu desejo de casar-se com Elizabeth. Bingley por outro lado, toma coragem e pede Jane em casamento para alegria de todos menos para desagradável irmã de Bingley. Enquanto a família celebra, Lady Catherine De Bourgh visita Longbourn. Ela encurrala Elizabeth e diz que ouviu que Darcy, seu sobrinho, está planejando casar-se com ela. Visto que ela considera uma Bennet uma esposa inadequada para o Darcy, Lady Catherine exige que Elizabeth prometa recusá-lo. Elizabeth com atitude nega tal fato, dizendo que ela não está noiva do Darcy, mas que ela não irá prometer algo contra sua própria felicidade. Um pouco mais tarde, Elizabeth e Darcy saem caminhando juntos e ele fala que seus sentimentos não mudaram desde a primavera. Ela ternamente aceita o pedido dele e ambas Jane e Elizabeth estão agora casadas.
  • 25 5. O ROMANCE VS. O FILME É sabido que a indústria cinematográfica tem sido responsável pela propagação de textos literários ao permitir que centenas e milhares de pessoas tenham contato com a literatura, embora a maior parte destas pessoas nem saiba que a produção em questão seja inspirada num Clássico da Literatura. Os efeitos de som e imagem capitados através do jogo de câmeras, a edição, as belas locações e o figurino concedem a trama um tom especial que funciona como ingrediente essencial durante o filme que de maneira brilhante valoriza e enriquece a abordagem do enredo. Na “telona”, os personagens fictícios da obra ganham vida tal que os expectadores sofrem com as angústias dos mesmos e torcem com suas vitórias vibrando quando os personagens principais triunfam. O filme traz ao público uma obra fascinante que encanta pela beleza, charme, e traços verdadeiramente humanos das personagens. Ao assistir ao filme, percebe-se o quanto o cineasta buscou ser o mais fiel possível ao texto de Jane Austen, embora alguns personagens secundários tenham sido deixados de lado. A partir da análise atenta e minuciosa da obra literária, e contrastada tal obra com a produção cinematográfica, percebe-se que existem alguns pontos de convergência e divergência entre os dois trabalhos artísticos. É importante notar que a maioria dos trabalhos literários passa por cortes significativos quando adaptados para o cinema; nesta produção, a história foi comprimida em duas horas e nove minutos de tempo de cena. Algumas das mais notáveis mudanças, em relação à obra literária, serão listados abaixo:
  • 26 I. Houve uma severa compressão de várias seqüências principais que incluem a visita de Elizabeth ao Rosings Park e Hunsford Parsonage, a visita de Elizabeth a Pemberley, e a fuga de Lydia para se casar, e sua crise subseqüente; II. A eliminação de alguns personagens coadjuvantes como mencionado anteriormente, incluindo Louisa Hurst, o Senhor Hurst, Maria Lucas, o Senhor e a Senhora Phillips, os filhos dos Gardiner e vários oficiais militares e pessoas da cidade; III. A eliminação de várias seções nas quais os personagens refletem ou conversam sobre eventos que ocorreram recentemente – por exemplo, o longo capítulo que mostra a mudança de visão de Elizabeth em relação ao Darcy após ela ter lido a carta dele. Os cineastas mudaram algumas cenas para locações mais românticas do que as presentes no livro. Por exemplo, no filme, Darcy primeiro se declara debaixo de uma tempestade ao ar livre próximo a um lindo lago; no livro, esta cena acontece dentro de uma parsonage3. No filme, seu segundo pedido de casamento ocorre numa charneca4 sob névoa durante o amanhecer; no livro, ele e Elizabeth estão caminhando no campo em plena luz do dia. A versão americana que ficou em cartaz incluía uma cena final (que não estava no romance) dos recém casados Elizabeth e Darcy aproveitando uma noite romântica em Pemberley. Este final não foi bem aceito pelo público britânico, sendo assim, foi cortado para a exibição no Reino Unido e na versão lançada internacionalmente. A versão britânica termina com o Senhor Bennet abençoando a união de Elizabeth e Darcy, evitando assim o último capítulo do romance, que resume as vidas de Elizabeth e Darcy e dos outros personagens principais durante os anos que seguem. 3 Parsonage: a Protestant clergyman’s house, or a parson’s house. 4 Charneca: Terreno inculto e árido, onde somente vegetam ervas rasteiras e silvestres.
  • 27 6. O MATRIMÔNIO E AS ALTERNATIVAS 6.1 The status of women Jane Austen é considerada como sendo uma das escritoras mais sutis e delicadas de seu tempo. Seu trabalho é muito famoso pela maneira como ela faz seus personagens parecerem reais, a maneira como ela explora as nuances dos relacionamentos e a maneira pela qual ela brinca com as tendências e atitudes de seu tempo. Austen escrevia brilhantemente sobre os relacionamentos amorosos, embora ela mesma nunca tivesse se casado. Ela fala para as mulheres de uma maneira que talvez os homens nunca compreendam completamente, o que torna o seu trabalho maravilhoso. Não há dúvida de que ela mudou a cara do romance. Sua caracterização é bastante profunda. Sua obra traz a psicologia das personagens mostrando-os como pessoas reais envolvidas em situações reais que podemos identificar com facilidade nos dias de hoje. “Mulheres solteiras tem uma propensão horrível a serem pobres, que é um argumento muito forte a favor do matrimônio” – Jane Austen, carta de 03 de março de 1816. O trecho acima retirado de uma carta escrita por Jane Austen ilustra perfeitamente o tipo de situação na qual as mulheres de seu tempo estavam expostas. No período de Jane Austen, não havia nenhuma real forma para jovens mulheres das classes média e média alta de começarem a se tornar independentes. Profissões, universidades, política, etc. não eram abertos às mulheres (assim a opinião de Elizabeth “que embora esta grande Lady (Lady Catherine) não estivesse na comissão de paz para o condado, ela era a magistrada mais ativa em sua própria paróquia” é irônico, desde que, é claro, nenhuma mulher pudesse ser uma juíza de paz ou magistrado).
  • 28 Poucas ocupações eram abertas a elas – e estas poucas que eram (tais como ser uma governanta, isto é, uma professora de casa (orientadora) para as irmãs ou jovens crianças da família) não eram altamente respeitadas e geralmente não se pagava bem ou não tinham boas condições de trabalho. Portanto, muitas mulheres da classe média e média alta não podiam obter dinheiro exceto ao se casarem ou herdarem (e desde que o filho mais velho geralmente herde a maior parte de uma propriedade, como o “herdeiro”, uma mulher pode só realmente ser uma “herdeira” se ela não tiver irmãos). Apenas algumas mulheres, um número bem pequeno, eram as que poderiam ser chamadas profissionais que, embora seus próprios esforços as rendiam uma renda suficiente para torná-las independentes, ou tivessem uma carreira reconhecida (Jane Austen mesma não era uma destas poucas mulheres profissionais – durante os últimos seis anos de sua vida ela recebia uma média de pouco mais de cem libras ao ano por seus romances, mas as despesas da família eram quatro vezes esta quantidade e ela não encontrava com outros autores ou movia-se por círculos na literatura). E mulheres solteiras também tinham que morar com suas famílias ou com tutores aprovados pela família – é quase que desconhecido para uma jovenzinha da classe média alta morar sozinha, ainda que acontecesse dela ser uma herdeira (Lady Catherine: “Mulheres jovens devem sempre ser adequadamente protegida e atendida por sua situação em vida”). Em “Pride and Prejudice”, o dilema (algumas mulheres estavam propensas a se casarem porque o matrimônio era a única maneira permitida para garantir segurança financeira ou escapar de uma desagradável situação familiar) é expresso mais claramente pela personagem Charlotte Lucas cujas visões pragmáticas sobre o matrimônio são externadas várias vezes no romance: “Sem pensar amplamente ou em homens ou em matrimônio, casamento tinha sempre sido seu objetivo: era a única perspectiva honrosa para jovens mulheres bem educadas de pouca fortuna e, todavia, incerta de dar felicidade. Deve ser a perspectiva mais agradável de se querer.” Ela tem 27, não é especialmente bonita (de acordo com ambas ela mesma e a Senhora Bennet), e sem especialmente grande “porção” e então decidi se casar com o Senhor Collins “pelo puro e desinteressado desejo de um estabelecimento”.
  • 29 Portanto, uma mulher que não se casasse poderia, geralmente, somente ansiar por viver com seus parentes como uma ‘dependente’ (mais ou menos a situação de Jane Austen), tal que o casamento era a única maneira de sair debaixo do teto dos pais – a menos que, é claro, sua família não a suportasse, de modo que ela teria que encarar a desagradável necessidade de ir morar com empregadores como uma governanta ou professora ‘dependente’, ou fosse contratada como uma dama de companhia. Percebemos, então, o quanto Austen coloca seu mundo em sua obra. Desta maneira, seu trabalho literário é desenvolvido com propriedade. Ela apenas escrevia a partir de sua experiência direta sendo muito honesta. Sua sagacidade e brilhante inteligência estruturada de forma impar mostra que ela foi fiel a sua observância ao escrever completamente do fundo de seu coração. O fato de Austen escrever sobre um mundo que ela conhecia e compreendia profundamente faz com que o público nunca veja uma cena em seu livro que ela, Jane Austen, nunca tenha visto. O trecho a seguir retirado do livro descreve de modo exemplar de que maneira a busca por um esposo e até mesmo o fato de ser pedida em casamento transformaria a vida de uma mulher naquela época na Inglaterra (final do século XVIII): “Charlotte’s parents were delighted to agree to the marriage, and Lady Lucas began to work out, with more interest than she had ever felt before, how many more years Mr. Bennet was likely to live. Charlotte herself was quite satisfied. Mr. Collins, certainly, was neither sensible nor agreeable, but still he would be a husband. She did not think highly of men or of marriage, but she had always intended to marry. Although marriage might not always bring happiness, it was the only honourable way in which a well-educated woman with little income could provide a home for herself. Now twenty-seven, and lacking beauty, she felt she was lucky to have found a husband.” Pride and Prejudice Oxford University Press 2000. Page 63 (from line 17 to line 27), ISBN 0-19-423093-7
  • 30 Jane Austen exemplifica muita bem a dinâmica que envolvia o universo feminino da época. Observa-se que uma das características sociais dominantes de seu tempo era o noivado e o matrimônio. A cena social era muito tumultuada, mostrando pessoas indo e vindo, visitando parentes muitas vezes. Tentar fazer com que as filhas saíssem para se casarem antes que “o prazo de validade” delas tivesse vencido era muito importante até mesmo para salvar a família. Então, era um problema não se casar. As mulheres não tinham o status que elas tem hoje em dia. E por isso era necessário ter um teto sobre as cabeças delas. Assim, fica fácil ter uma visão diferenciada em relação ao personagem da Senhora Bennet. Ao ler o livro, somos passíveis de tirar conclusões imediatas acerca do caráter desta mulher que tão bravamente teve que criar suas cinco filhas. Num primeiro momento o personagem é encarado como uma mulher sem “classe”, ignorante, sem princípios e interesseira. Porém, ao contextualizarmos sua postura diante da conduta da época, percebemos o quanto esta mulher se preocupava verdadeiramente com suas filhas – com o futuro delas. A Senhora Bennet amava suas filhas. Era uma mãe surpreendente fazendo de tudo para encaminhá-las na vida. E este amor, que ela tinha por suas filhas, fez com que ela fosse cada vez mais longe. A Senhora Bennet chega a ser um personagem caricato e engraçado, mas um tipo de personagem heróico porque tinha cinco filhas e dentro de muito pouco tempo, antes que suas filhas ficassem velhas (e, portanto, não conseguiriam se casar facilmente) ela tinha que casá-las para salvar a família. Com a morte de seu marido, a propriedade da família Bennet seria herdada pelo Senhor Collins. Desta forma, as irmãs Bennet ficariam sem ter um teto juntamente com a mãe. Portanto, o casamento para as mulheres representava a única forma segura de perspectiva futura. Um futuro melhor era determinado pelo tipo de casamento escolhido.
  • 31 Além disso, a maneira como Jane Austen inicia o livro é fantástica. A famosa, irreverente e clássica frase de abertura da obra é um grande presente para os leitores. Só poderia ter sido criada por uma grande autora com uma mente brilhante. “It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.” A frase acima mostra-nos como era importante para uma família casar uma filha com um homem de posses. O que ilustra bem a euforia da Senhora Bennet ao saber que um homem rico seria o novo vizinho da família. E o melhor de tudo, ele era solteiro, o que seria ótimo tentar fazer com que ele se casasse com uma de suas cinco filhas – em especial, Jane, pois a Senhora Bennet a achava a mais bonita e, portanto, com mais chances de seduzir o Senhor Bingley. Portanto, conclui-se que um homem rico torna-se um marido atraente, pois quanto mais fortuna maior a perspectiva futura para as esposas. O bom casamento representava uma segurança e tranqüilidade na vida. Além disso, a frase que introduz a questão do matrimônio, que é central no enredo do romance, também introduz o tom de ironia, que Austen utiliza ambos verbalmente e estruturalmente em toda a obra. Para apreciar completamente o humor e o trabalho artístico do romance de Austen, é preciso primeiro compreender o que ironia é e como é usada em literatura. Em seu sentido mais básico, ironia é o uso de palavras para expressar algo diferente, ou oposto, ao sentido literal. Por exemplo, se a primeira frase do romance for lida literalmente, seu significado será – “Todos sabem que um homem solteiro e rico está em busca de uma esposa.” Porém, lida ironicamente, a frase significa algo diferente de seu sentido literal: “Todos sabem que um homem solteiro e rico será perseguido por mulheres que querem ser sua esposa.” Austen também usa a ironia na estrutura do enredo, colocando seus personagens em situações que pareçam significar uma coisa e são mais tarde reveladas por significarem outra coisa.
  • 32 7. THE POLITICS OF THE 18TH CENTURY DATING Mulheres e homens tinham que encontrar maneiras de atraírem-se mutuamente e deixarem que alguém mais soubesse disto. O que era aceitável. E isto era algo que aconteceria na pista de dança. A dança era absolutamente algo central na sociedade da época em termos de encontrar um bom marido e uma boa esposa. Quando fosse a um baile, ou se houvesse uma dança no final de uma festa, as mulheres estariam quase sempre na presença de seus pais. Então, elas tinham que se comportar na presença deles. Havia sempre códigos de conduta entre jovens quando enamorados. Levantava-se quando uma dama adentrava e fazia-se reverência. Era o tipo de postura de bons costumes e etiqueta da época. O fato de que é difícil conversar ou falar com alguém pelo qual você está apaixonado é brilhantemente destacado na etiqueta do período de Austen, onde você de fato, fisicamente, não era permitido conversar sozinho com a pessoa amada, exceto durante a dança. Era o único momento no qual se podia ficar “sozinho”. Assim, era possível utilizar as danças de modo que fosse uma grande maneira de se formar colisões entre os personagens. Austen brilhantemente utiliza as danças para criar uma situação na qual os personagens Elizabeth e Darcy pudessem dialogar “sozinhos” e então se mostrarem mais abertamente. No filme, este momento é encantador. A sensibilidade da cena dá um tom romântico e bastante real. É como se os pares, no momento da dança, tivessem a oportunidade de ter um momento só deles sem a interferência de fatores externos. Homens e mulheres eram capazes de ficarem juntos sem uma dama de companhia por um bom tempo e podiam conversar um com o outro, tudo isso durante a dança. Esta é a razão pela qual a idéia dos bailes era de fato realmente excitante para os casais.
  • 33 Ao analisar a frase abaixo, extraída do livro, percebe-se o quanto à dança era intimamente central no que concerne encontrar um parceiro e até mesmo utilizar os atributos de sedução para atrair o mesmo. As mulheres deveriam utilizar todo o charme e beleza para fisgar um bom esposo. ‘He sounds wonderful, Mama!’ cried Lydia, the youngest and noisiest of the sisters. ‘Charlotte Lucas’s father has been to see him, and says he’s quite young, very handsome, and extremely charming! And even better, he loves dancing! Everybody knows he’s likely to fall in love!’ A frase acima mostra que a dança é uma boa maneira de exibir o charme feminino e atrair o interesse do parceiro. Se este era o único momento em que eles realmente poderiam ficar “sozinhos” e conversarem, então, era o momento ideal para utilizar as armas da sedução. A citação em destaque foi dita por Lydia a sua mãe quando ela fala sobre o Senhor Bingley. Por outro lado, o fato de que uma mulher deveria mostrar interesse por um homem se esta pretendia se casar é realmente ilustrado a partir da personagem Jane Bennet. O trecho abaixo, extraído do livro, mostra claramente este fato: ‘It’s a good thing,’ said Elizabeth, ‘that if Jane is in love with Mr. Bingley, nobody will know, because she always behaves so cheerfully and normally.’ ‘That’s sometimes a mistake,’ replied Charlotte, shaking her head wisely. ‘If she doesn’t show her feelings at all, even to the man she loves, she may lose the opportunity of catching him. Jane should use every moment she gets with Bingley to attract and encourage him.’ Pride and Prejudice Oxford University Press 2000. Page 7 (from line 7 to line 14), ISBN 0-19-423093-7
  • 34 Jane Bennet estava realmente interessada no Senhor Bingley. Porém, sendo ela muito tímida e por não demonstrar seus sentimentos, tal situação acabou num mal entendido. O Senhor Bingley não se declarou de imediato, pois foi levado a acreditar que ela não tinha interesse por ele. Alguns mal-entendidos e informações trocadas motivaram a história de amor entre Jane e Bingley bem como entre Elizabeth e Darcy. O primeiro grande mal-entendido da história começa realmente quando Elizabeth decidiu que era melhor para Jane pegar leve com Bingley com o intuito de proteger seus sentimentos. Isto fez com que Bingley tivesse motivos para crer que os sentimentos de Jane para com ele não existiam, da forma que Charlotte previu que pudesse acontecer. ‘But I consider a man should try to discover a woman’s feelings, not wait for her encouragement! And Jane probably doesn’t know what her real feelings for Bingley are yet – she has only seen him a few times, not often enough to understand his character, or be sure that se really loves him.’ Pride and Prejudice Oxford University Press 2000. Page 7 (from line 15 to line 19), ISBN 0-19-423093-7 O trecho acima mostra a visão de Elizabeth em relação a como devem ser as trocas de flerte entre homens e mulheres. Pois, ela mesma acredita que uma mulher não deve ser forçada a se casar com um homem pelo qual ela não esteja verdadeiramente apaixonada. Além disso, Elizabeth deseja claramente ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido.
  • 35 ‘... Happiness in marriage is simply a question of chance. I think it’s better to know as little as possible about the person you’re going to spend your life with.’ Elizabeth laughed, sure that Charlotte did not mean what she was saying. Pride and Prejudice Oxford University Press 2000. Page 7 (from line 23 to line 26), ISBN 0-19-423093-7 A preocupação de Elizabeth com relação à irmã Jane, pois ela não queria que sua irmã tivesse seus sentimentos feridos, a deixou dispersa a ponto de não ter observado o interesse do Senhor Darcy por ela.
  • 36 8. THE FIRST SKIN – ON – SKIN TOUCH Como já foi mencionado anteriormente, uma obra cinematográfica baseada em uma obra literária sofre algumas adaptações para que esta se torne mais comercial. Na maioria das vezes, estas modificações estão intimamente ligadas ao aspecto romântico, isto é, dar um tom mais amoroso e encantador aos relacionamentos amorosos. Se uma mulher somente era permitida ter contato físico com um homem durante a dança, então, o ato de dançar com alguém era eletrizante, e um momento de extremo valor. Assim, os bailes têm um papel fundamental na obra e também no filme. No filme, as cenas que envolviam a dança foram bem trabalhadas. O diretor buscou ângulos e tomadas favoráveis a criar um clima de sedução e romance, além de exibir com perfeição o tipo de dinâmica recorrente nos bailes da época. Tocar um homem durante a dança era algo aceitável para uma mulher. Fazia parte da estrutura formal (da convenção social) que envolvia tal tipo de evento; era parte da etiqueta. É importante lembrar que naquela época, homens e mulheres não se tocavam. As mulheres e os homens não davam aperto de mãos, que dirá beijo no rosto ao cumprimentar. A maneira mais comum de cumprimento era a reverência. Que por sinal, foi muito bem destacado no filme. Assim, a primeira vez que Darcy toca Elizabeth é quando ele a ajuda a subir na carruagem quando ela e Jane estão indo embora da propriedade do Senhor Bingley. Este é um momento muito bonito, pois é o primeiro “toque pele na pele”. É interessante observar o quanto um toque significa algo importante quando não se tem uma natureza tátil como forma de hábito ou costume. No filme, este fato foi inserido com o intuito de dar um tom mais romântico ao futuro crescimento da admiração e paixão entre os personagens. Podemos até afirmar que este momento atua como um “foreshadowing”.
  • 37 Embora isto seja uma característica somente analisada na obra literária, este evento prevê a futura dança que ocorrerá entre os dois, na festa que segue, e ainda o real relacionamento amoroso entre eles. Tecnicamente não podemos dizer que este fato atua como um “foreshadowing” no livro, já que, no capítulo que narra todo o período no qual Elizabeth ficou hospedada na propriedade do Senhor Bingley aguardando a recuperação de sua irmã Jane, não ocorreu nenhum “toque pele na pele” entre ela e o Senhor Darcy. Nem mesmo, a situação da carruagem, acontece. Porém, fato é, que neste capítulo (cujo título é Jane’s illness) aumenta a admiração do Senhor Darcy pela Elizabeth. Ele começa, de fato, a se sentir atraído por ela, como mostra o trecho seguinte, em negrito, no segundo parágrafo: ‘That evening Elizabeth appeared again in the sitting-room. She could not avoid noticing how frequently Mr. Darcy’s eyes were fixed on her, but as she felt sure that so great a man could not possibly admire her, she assumed that when he looked at her, he was criticizing her in some way. This thought did not cause her any pain, as she liked him too little to care for his approval. In the conversations she had with him, she spoke in her usual slightly mocking manner, rather expecting to offend him, but was surprised by the quiet politeness of his replies. Darcy had never before been so charmed by any woman. He really believed that if she did not have such vulgar relations, he might be in danger of falling in love with her’… Pride and Prejudice Oxford University Press 2000. Page 17 (from line 9 to line 21), ISBN 0-19-423093-7
  • 38 9. TEMAS PRINCIPAIS 9.1 Pride Como ilustrado através das palavras de Mary no início do romance, “a natureza humana é particularmente propensa ao [orgulho]”. No romance, o orgulho impede que os personagens vejam a verdade de uma situação e assim alcancem a felicidade na vida. O orgulho é uma das principais barreiras que cria um obstáculo para o casamento de Elizabeth e Darcy. O orgulho de Darcy em sua posição na sociedade o leva inicialmente a desdenhar qualquer pessoa que estivesse fora de seu próprio círculo social. A vaidade de Elizabeth ofusca o seu julgamento, tornando-a propensa a pensar mal do Darcy e bem do Wickham. No fim, as reprimendas de Elizabeth contra Darcy o ajudam a perceber sua falha e mudar consideravelmente, como demonstrado em seu genuíno tratamento amigável com os Gardiner os quais ele teria desdenhado devido à baixa classe social destes. A carta de Darcy mostra a Elizabeth que seus julgamentos estavam errados e ela percebe que eles eram baseados em vaidade e não na razão. 9.2 Prejudice Orgulho e preconceito estão intimamente relacionados ao romance. O orgulho de Darcy é fundamentado em preconceito social, enquanto o preconceito inicial de Elizabeth contra ele está enraizado no orgulho de suas próprias percepções rápidas. Darcy, foi criado de modo que ele começou a desdenhar de todos aqueles que não eram de seu próprio círculo social, e portanto, deve superar seu preconceito com o intuito de ver que Elizabeth poderia ser uma boa esposa para ele e ganhar assim o coração dela. A superação de seu preconceito é demonstrada quando ele trata os Gardiner com grande civilidade. Os Gardiner eram de uma classe bem abaixo da dele. No início do romance, Elizabeth orgulha-se de sua aguçada habilidade de percepção. No entanto, esta suposta habilidade é freqüentemente falha, como nos julgamentos de Elizabeth sobre o Darcy e o Wickham.
  • 39 9.3 Family Austen retrata a família como sendo a principal responsável pela educação intelectual e moral dos filhos. O Senhor e a Senhora Bennet fracassam ao prover esta educação a suas filhas o que conduz ao completo, vergonhoso, imbecil e frívolo ato de Lydia bem como sua imoralidade. Elizabeth e Jane conseguiram desenvolver virtudes e caráter fortes apesar da negligência de seus pais, talvez através da ajuda dos estudos delas e da boa influência do Senhor e da Senhora Gardiner, que eram os únicos parentes no romance que tinham uma preocupação constante com o bem-estar das meninas e as forneciam boa conduta. Elizabeth e Jane eram constantemente forçadas a tolerar a idiotice e o julgamento pobre de sua mãe e a sarcástica indiferença de seu pai. Até mesmo quando Elizabeth aconselha seu pai a não permitir que Lydia vá para Brighton, ele ignora o conselho porque acha que seria difícil demais lidar com a reclamação de Lydia. O resultado foi o escândalo da fuga de Lydia com o Wickham para se casar. 9.4 Reputation Orgulho e Preconceito descreve uma sociedade na qual a reputação da mulher é de altíssima importância. Uma mulher deve se comportar de determinadas maneiras. “Pular fora das normas sociais” poderia torná-la vulnerável a exclusão da sociedade. Este tema aparece no romance, quando Elizabeth caminha até Netherfield e chega com sua saia suja de lama, para o choque de consciência e reputação da Senhorita Bingley e seus amigos. Em outros pontos, as más maneiras e o comportamento ridículo da Senhora Bennet dão a ela uma má reputação. Austen coloca uma graça sutil nestes exemplos esnobes, mas, mais tarde no romance, quando Lydia foge com Wickham e vive com ele fora do casamento, a autora trata reputação como algo realmente sério. Ao se tornar amante de Wickham sem benefício do matrimônio, Lydia claramente coloca-se fora da conduta social aceitável e sua desgraça ameaça toda a família Bennet. O fato do juízo de Lydia, embora horrível, provavelmente condenaria as outras irmãs Bennet a uma vida sem casamento de forma completamente injusta. Por que a reputação de Elizabeth seria afetada por causa da má reputação de Lydia?
  • 40 A intervenção de Darcy em favor dos Bennet desta maneira torna tudo mais generoso, mas alguns leitores poderiam ressentir-se de que tal intervenção era necessária de fato. Se o dinheiro de Darcy tivesse sido incapaz de convencer Wickham a se casar com Lydia, Darcy ainda teria se casado com Elizabeth? A transcendência do preconceito estenderia mais? O final feliz em “Pride and Prejudice” é certamente emocionalmente satisfatório, mas em muitas formas isto deixaria o tema da reputação, e a importância dada à reputação ficaria inexplorada. Alguém poderia dizer, até que ponto “Pride and Prejudice” critica tais estruturas sociais e até que ponto isto simplesmente aceita a inevitabilidade destes? 9.5 Women and marriage Austen é crítica das injustiças dos sexos presente na sociedade inglesa do século XIX. O romance demonstra como o dinheiro, como o que Charlotte precisa para se casar com homens com os quais elas não estão apaixonadas, simplesmente com o intuito de obter segurança financeira. A herança de Longbourn dada a um membro da família distante é uma dificuldade extrema enfrentada pela família Bennet e é obviamente muito injusta. Isto deixaria as filhas do Senhor Bennet numa situação financeira pobre na qual ambas teriam que se casar e isto se tornaria mais difícil ainda para elas. Claramente, Austen acredita que as mulheres são pelo menos inteligentes e mais capazes que os homens e considera o status inferior delas na sociedade injusto. Ela mesma foi contra a convenção de não permanecer solteira e viver de seus romances. Em suas cartas pessoais, Austen aconselha as amigas a apenas se casarem por amor. Através do enredo do romance fica claro que Austen quer mostrar como Elizabeth é capaz de ser feliz ao se recusar a se casar por interesses financeiros e somente casar com um homem que ela realmente ame e estime. 9.6 Class Considerações referentes à classe estão onipresentes no romance. O romance não impõe uma igualitária ideologia ou chamado para um nivelamento das classes sociais, no entanto, critica uma ênfase excessiva na classe. O orgulho de Darcy é baseado em sua extrema consciência acerca da classe.
  • 41 Embora, por fim, ele vê que fatores outros como riqueza determinam quem realmente pertence à aristocracia. Enquanto a Senhorita Bingley e a Senhora Hurst, que nasceram na aristocracia, são preguiçosas, de espírito não generoso e irritante, o Senhor e a Senhora Gardiner não são membros da aristocracia em termos de riqueza ou nascimento, mas são aristocratas naturais, por virtude de suas inteligências, boa criação e virtude. A formalidade cômica do Senhor Collins e seu relacionamento exagerado com Lady Catherine servem como uma consciência de classe satírica e formalidades sociais. No final, o veredicto acerca das diferenças das classes é moderado. 9.7 Individual and society O romance retrata um mundo no qual a sociedade tem um interesse na virtude de seus membros. Quando Lydia foge com Wickham, portanto, é um escândalo para toda a sociedade e um dano para toda a família Bennet. Darcy considera sua falha por não expor a maldade do caráter de Wickham por ser um erro enquanto seu dever social porque, se a verdade sobre o caráter real de Wickham tivesse sido conhecido pelos outros, eles não teriam sido enganados por ele facilmente. Enquanto Austen é crítica em relação à habilidade da sociedade em julgar propriamente, como demonstrado especialmente nos julgamentos de Wickham e Darcy, ela acredita que a sociedade tem um papel crucial em promover a virtude. Austen tem um profundo senso de que indivíduos são seres sociais e que a felicidade é encontrada nos relacionamentos com os outros. 9.8 Virtue Os romances de Austen unem concepções Aristotélicas e Cristãs de virtude. Ela vê a vida humana como proposital e acredita que os seres humanos devem guiar seus apetites e desejar através dos seus usos da razão. O fracasso de Elizabeth em seus maus julgamentos de Darcy e Wickham é o que a vaidade dela preveniu-a de raciocinar objetivamente. Lydia parece quase completamente ser desprovida de virtude porque ela nunca treinou a si mesma a disciplinar-se com relação às paixões ou formar seu julgamento tal que ela seja capaz de tomar decisões mais morais.
  • 42 A felicidade humana é encontrada ao viver uma vida de acordo com a dignidade humana que é uma vida de acordo com a virtude. O alto-conhecimento tem um lugar central na aquisição da virtude, já que, é um pré-requisito para a melhoria da moral. Darcy e Elizabeth apenas livram-se de seus orgulhos e preconceitos, quando a maneira de um lidar com o outro, os ajuda a ver as falhas e procuram melhorar.
  • 43 10. MOTIFS 10.1 Courtship De certo modo, Pride and Prejudice é uma história de duas cortes – entre Darcy e Elizabeth e entre Bingley e Jane. Dentro desta estrutura aparecem outras cortes menores: a abortada corte do Senhor Collins pela Elizabeth, seguido pela sua corte de sucesso com a Charlotte Lucas; a tentativa sem sucesso da Senhorita Bingley para atrair Darcy; a primeira busca de Wickham por Elizabeth. Percebe-se que a corte, portanto, tem uma certa importância no romance. O matrimônio é o último objetivo, a corte constitui o real exercício do amor. Cortejar torna-se um tipo de forjar a personalidade de uma pessoa, e cada corte se torna um microcosmo para diferentes tipos de amor (ou diferentes maneiras de abusar do amor como um meio de avanço social). 10.2 Journeys Quase toda cena em Pride and Prejudice acontece em ambientes internos, e a ação centra-se ao redor da casa dos Bennet num pequeno vilarejo de Longbourn. No entanto, as viagens – embora curtas – funcionam repetidamente como catalisadores para a mudança no romance. A primeira viagem de Elizabeth na qual ela pretende visitar a Charlotte e o Senhor Collins, a traz em contato com o Senhor Dracy e conduz ao primeiro pedido de casamento. A segunda viagem dela, a leva a Derby e Pemberley, onde ela experimenta o crescimento de seu afeto e afeição por Dracy. A terceira viagem, enquanto isso, envia várias pessoas em busca de Wickham e Lydia e a viagem termina com Darcy os encontrando e salvando a honra da família Bennet, isto demonstra a contínua devoção dele por Elizabeth.
  • 44 11. SYMBOLS 11.1 Pemberley Pride and Prejudice é extraordinariamente livre de simbolismo explícito que talvez tenha algo haver com a confiança do romance no diálogo acerca da descrição. No entanto, Pemberley, a propriedade do Darcy, fica no centro do romance, literalmente e figurativamente, como um símbolo geográfico do homem que a possui. Elizabeth visita a propriedade num momento quando os seus sentimentos pelo Darcy estão começando a esquentar; ela está encantada pela beleza e charme da casa, e pelo pitoresco ambiente rural, da mesma forma que ela ficará encantada, enormemente, pelos atributos do dono da propriedade. Austen faz a conexão explícita quando ela descreve o canal que corre ao lado da mansão. Pemberley até mesmo oferece um símbolo dentro de outro para construir o romance: quando Elizabeth encontra Darcy na propriedade, ela está cruzando uma pequena ponte, sugerindo que o amplo golfe de mal-entendido e preconceito de classe que há entre eles – e a ponte que o amor deles irá construir sobre este. Além disso, Pemberley é considerado como sendo o único notável exemplo de “foreshadowing”. Na verdade, o “foreshadowing” acontece quando Elizabeth visita Pemberley. A apreciação que ela tem pela propriedade do Darcy prevê a eventual realização do seu amor pelo proprietário – o Senhor Darcy.
  • 45 12. CONCLUSÃO O encanto e toda magia que nos desperta à Literatura deve-se ao fato de que o artista literário tem o poder de fazer com que os leitores mergulhem em um mundo fantasioso. A mente humana, então, é conduzida a um lugar onde a imaginação permite que tais leitores alcancem horizontes que estão delimitados por idéias e associações que vão além das palavras. A maneira como o artista trabalha com os elementos que compõem o seu texto é a “ponte” que faz a ligação entre o leitor e o mundo por ele imaginado. Descobrir que podemos ir além do texto é dar sentido ao valor do trabalho literário. A Literatura nos permite desvendar um campo novo; conhecer um novo horizonte que de modo fascinante é descortinado diante dos nossos olhos. Ao final do contato com cada trabalho (obra) o que fica é a vontade e o saboroso desejo de enveredar por um novo caminho que nos conduzirá a um novo “porto seguro do desvendar-conhecer-saber”. Pois, ao passo que nos entretemos também adquirimos um vasto conhecimento que permite-nos ampliar nossa visão de mundo. Jane Austen nos encanta e fascina devido à capacidade com a qual esta brilhante escritora nos coloca em contato com personagens ficcionais com características peculiares e uma dinâmica de vida tão “real”. Os relacionamentos amorosos, a figura da mulher, os laços familiares, enfim, ingredientes que enriquecem suas obras dando um toque humano às histórias de vida das personagens. Orgulho e Preconceito nos mostra desde a primeira linha que é um trabalho ímpar pela capacidade de Austen em utilizar toda sua habilidade em criar um universo tendo como apoio uma linguagem irônica e perspicaz. É sabido que Jane Austen escreveu esta obra aos 22 anos e a deixou na gaveta por outros 16.
  • 46 Graças ao talento desta romancista o romance moderno ganhou projeção mundial, embora no período literário no qual o mesmo se insere, as obras denominadas “Novels” não tenham atingido o apogeu, fato que acontece na Era Vitoriana. É inegável também o fato de que Jane Austen tenha sido a primeira mulher a se tornar uma importante romancista. Sua obra traça um painel da sociedade rural inglesa, concebido como um universo próprio e completo, dotado de dimensão universal. Neste trabalho, buscamos de modo claro e objetivo mostrar de que forma esta escritora assume um papel de destaque na Literatura Inglesa, de modo que seus trabalhos tenham alcançado destaque internacional. Além disso, é impossível ignorar a importância do cinema para a Literatura. As produções cinematográficas têm desempenhado um grande papel no que tange a tornar público grandes obras literárias. Para os amantes da Literatura, tal empreendimento representa a chance de penetrar no mundo criado por autores de livros com outros olhares. Um olhar crítico e mais atento permite-nos observar os pontos que fazem do filme semelhante (fiel) ou divergente da obra original. Surgem, então, as múltiplas possibilidades para análises posteriores que muitas vezes conduzem a uma releitura do texto. Aqueles que desconhecem a obra têm, desta maneira, a oportunidade de descobrir um novo horizonte que leva os espectadores a criar um certo interesse pelo texto original. Com isso, tem-se o aumento de reedições dos livros, crescimento nas vendas; enfim, quem sai ganhando com tudo isso é a literatura e os leitores de todo o mundo. Procuramos retratar de que forma o filme, Pride and Prejudice, aborda os temas principais contidos no poema bem como os pontos de divergência utilizados pela produção do mesmo transformaram o filme em algo mais comercial para a indústria cinematográfica. De fato, algumas adaptações são necessárias, já que, longos capítulos devem ser trabalhados de forma mais sucinta nas respectivas cenas do filme. Também constatamos que alguns personagens secundários presentes na obra literária não aparecem no filme.
  • 47 Alguns cenários foram modificados para que um clima mais romântico pudesse dar ao filme um tom mais apelativo ao público. Tais adaptações em momento algum transformaram o filme numa obra dispare em relação ao texto original. Algumas análises mais detalhadas acerca da figura da mulher e de seu papel no contexto histórico foram necessárias durante a abordagem dos temas, já que, as explanações são pertinentes no que tange a facilitar a compreensão global acerca do trabalho literário como um todo. Da mesma forma, a apresentação das características do período literário que são encontradas ou não na obra, as condutas sociais e etiquetas da época, os enlaces matrimoniais, a relação familiar, enfim, abordagens que nos auxiliaram a nortear os temas principais durante o trabalho, foram imprescindíveis. Muitas observações podem ser inferidas a partir da apreciação da obra literária contrastada com a obra cinematográfica. Portanto, fica evidente que a relação intrínseca entre as duas produções estudadas formam um todo que precisou ser desmembrado em partes com o intuito de levar a turma a conhecer este trabalho literário que nos encantou e fascinou desde o início dos respectivos estudos acerca do mesmo. Fica-nos a certeza de um trabalho bem desenvolvido, na medida em que formos fiéis ao tema buscando transpor as barreiras provenientes de um trabalho de dedicação e profunda análise, em busca de um resultado satisfatório. Vale ressaltar que um profundo sentimento de compensação nos invade ao percebemos que apesar das dificuldades enfrentadas durante os momentos de estudo e elaboração do trabalho, o produto do esforço e comprometimento do grupo nos enriqueceu enormemente no que concerne à aquisição de conhecimento. Ao final, conclui-se que o cinema e o livro (o texto em si) caminham lado a lado desempenhando um papel fundamental ao manter vivo o “Espírito Literário” como Arte Transformadora, em suas diversas nuances.
  • 48 13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PRIESTLEY, J. B.; SPEAR, Josephine. Adventures in English Literature (Volume 3). Harcourt, Brace & World, Inc. printed in the United States of America. THORNLEY, G. C.; GWYNETH, Roberts. An Outline of English Literature (New Edition). England, Longman, 2006. AUSTEN, Jane. Pride and Prejudice – Retold by Clare West. Oxford, Oxford University Press, 2000. EARWAKER, Julian. Pride and Prejudice – In Jane Austen Country. Speak Up magazine. São Paulo, Editora Peixes, p. 18-21, Ano XIX – nº 227, 2006. PRIDE and prejudice – Jane Austen. Disponível em: <http://www.cliffsnotes.com/WileyCDA/LitNote/Pride-and-Prejudice.id-147.html>. Acesso em: 10 de abril de 2009. PRIDE & PREJUDICE (2005 FILM). Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Pride_&_Prejudice_(2005_film)>. Acesso em: 10 de abril de 2009. ADDISON’S DISEASE. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Addison’s-disease>. Acesso em: 10 de Abril de 2009. HISTORIC figures. Jane Austen (1775 – 1817). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/austen_jane.shtml>. Acesso em: 28 de março de 2009. JANE Austen. Disponível em: <http://www.jookrags.com/notes/pap>. Acesso em: 30 de março de 2009. PRIDE and prejudice. Disponível em: <http://www.englishliteraturenotes.com/Pride and Prejudice>. Acesso em: 30 de março de 2009.
  • 49 PRIDE and prejudice. By Jane Austen. Disponível em: <http://www.pemberley.com/janeinfo/pridprej.html#toc>. Acesso em: 24 de março de 2009. HOLLYWOOD popularizes Jane Austen. Disponível em: <http://www- cgi.cnn.com/SHOWBIZ/Movies/9601/Jane_austen/index.html>. Acesso em: 24 de março de 2009. ORGULHO e preconceito. Fabricado e distribuído pela Manaus Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda. Sob licença da Universal Pictures International. Manaus, 2005. 1 DVD. (127min)
  • 50 14. ANEXOS 14.1 Slides
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