Teoria social e pós modernismo a resposta do marxismo

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Teoria social e pós modernismo a resposta do marxismo

  1. 1. Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos 271 Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos João Emanuel Evangelista – UFRNRESUMO AS MUDANÇAS SOCIAIS CONTEMPORÂNEASAs sociedades capitalistas passaram por uma grande Nas últimas décadas, muito se tem debatidotransformação sistêmica nas últimas décadas que afeta- sobre as mudanças sofridas pelas sociedades capita-ram sua economia, sua política e sua cultura, redefinin- listas modernas no mundo ocidental. A partir dosdo os processos sociais que configuram a vida cotidiana.A reestruturação produtiva e os novos padrões flexíveis anos 1960, foram-se acumulando evidências de alte-de acumulação foram mimetizados em suas formas supe- rações significativas na sociabilidade dos indivíduosrestruturais no neoliberalismo e no pós-modernismo. A que viviam, sobretudo, nos grandes centros urba-teoria social tornou-se um campo de investigações ino- nos das sociedades capitalistas desenvolvidas. Emvadoras em busca de explicações para uma variada gama grande medida, tais fenômenos eram os efeitos maisde fenômenos sociais resultantes dessas transformações imediatos da onda longa expansiva que o capitalis-societárias. Na contracorrente das formas intelectuais mo vivera depois da Segunda Guerra Mundial. Noshegemônicas, o marxismo experimentou uma surpreen- anos 1950, depois da reconstrução do mundo oci-dente renovação teórica, recuperando seu lugar proemi-nente na crítica social ao discutir essas transformações do dental com plano Marshall, as populações dos paísessistema capitalista contemporâneo. capitalistas industrializados (EUA, Europa e Japão) experimentaram um crescimento extraordinário noPalavras-chave: Teoria social. Capitalismo contemporâ-neo. Pós-modernismo. Marxismo. seu padrão de vida cotidiana. O processo de urbani- zação acelerado trouxe a difusão de novos hábitos deABSTRACT consumo e novos valores socioculturais foram ado- tados e difundidos socialmente. Esse foi o cenárioCapitalist societies have undergone deep and systemic que fez surgir os movimentos de contestação socialchanges in the last decades. These changes have affec-ted their economies, politics and culture, re-defining the às formas de poder vigentes e aos valores morais hásocial processes which embody the daily life. The pro- muito estabelecidos, representados por movimentosductive restructuring and the new flexible accumulation como a contracultura e o feminismo ou as lutas con-patterns have been replicated in their super-structural tra a discriminação racial e contra as guerras impe-forms in liberalism and post-modernism. Social theory rialistas. A culminação desses movimentos e lutasturned out to be a field for innovative researches which progressistas deu-se no final dos anos 1960, cujotry to explain a number of social phenomena resulting of ápice está representado simbolicamente, sobretudo,these societal changes. In opposition to these hegemonic pelos acontecimentos de maio de 1968 na França.intellectual forms, marxism underwent an outstandingtheoretical renewal, recovering its prominent place in A crise geral do capitalismo em meados dasocial criticism as it discusses these changes inside the década de 1970 encerrou a onda longa expansivacontemporary capitalist system. iniciada no pós-guerra. Os anos 1970 vivenciaram,Keywords: Social theory. Contemporary capitalism. Post- ao mesmo tempo, o refluxo dos movimentos sociaismodernism. Marxism. contestatórios e a ofensiva do capital para criar me- Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  2. 2. João Emanuel Evangelista272canismos que propiciassem novas possibilidades de A isso se acrescentou, nos anos 1980, a crisevalorização e reprodução ampliadas para o capital. do chamado socialismo real, comandado pela antigaDois fatos foram da maior significação para a con- União Soviética, que não mais conseguia garantir ofiguração do capitalismo mundial nos anos seguin- abastecimento de alimentos e bens de consumo àstes. De um lado, empresas japonesas introduziram suas populações. Numa tentativa derradeira, bus-inovações na organização do processo de trabalho cou-se a reforma política e econômica do socialis-fabril, com a flexibilização do modelo taylorista-for- mo soviético. A restauração das liberdades políticas,dista e a adoção daquilo que se tornou conhecido ao contrário de levar à reestruturação produtiva docomo toyotismo, substituindo as formas despóticas sistema soviético, conduziu à contestação radical doe rigidamente hierarquizadas adotadas na produção sistema político pelas massas populares, lideradasindustrial. Por outro lado, um conjunto de inovações por forças políticas interessadas na implementaçãotecnológicas, tendo à frente as novas tecnologias in- de uma economia de mercado capitalista.formacionais que possibilitaram a incorporação de Assim, estavam criadas as condições propíciascomandos digitais nos sistemas de máquinas indus- para que os ideólogos conservadores pudessem de-triais. Essas novas tecnologias permitiram também monstrar a inviabilidade prática da intervenção es-uma verdadeira revolução nos processos comuni- tatal na economia. A crise do Estado de Bem-Estarcacionais, com a constituição de redes de satélites Social no Ocidente e a crise do socialismo real com-conectadas mundialmente, que tornaram possível a provavam, ao mesmo tempo, a inadequação e oscomunicação em tempo real em qualquer parte do efeitos perniciosos que a intervenção do Estado po-nosso planeta. A conjunção dessas transformações deria provocar na organização do sistema de produ-tecnológicas ao processo produtivo garantiu as con- ção e satisfação de necessidades humanas. Os fatosdições técnicas para a retomada, em novas bases, do pareciam revelar o fracasso das experiências de regu-movimento da acumulação capitalista em âmbito lação estatal numa economia capitalista de mercadomundial. e das tentativas de construção do socialismo como No plano político e ideológico, vieram somar- alternativa societária superior. Estavam criadas asse novos ingredientes à ofensiva do capital. A eclo- condições para a hegemonia do pensamento úni-são da crise geral do capitalismo nos anos 1970 co através da sacralização do mercado a ser impostaapresentava as características clássicas das crises de na esteira do processo de mundialização capitalista.superprodução do sistema capitalista. A retração das A ofensiva ideológica contra toda e qualquer inge-atividades econômicas, as dificuldades financeiras de rência do Estado nas relações entre capital e traba-muitas empresas, o desemprego dos trabalhadores, lho no processo de produção de mercadorias visava ao ressurgimento do fenômeno inflacionário, dentre implementação de um suposto Estado mínimo. Emoutros aspectos, levaram a uma profunda crise fiscal sua essência, pretendia-se um Estado mínimo parado Estado de Bem-Estar Social vigente nos países os trabalhadores e um Estado máximo para o capitalcapitalistas desenvolvidos (ANDERSON, 1995). A (PAULO NETTO, 1993).experiência de conjugar a ampliação da democracia Esse conjunto de transformações ocorridas nase dos direitos sociais com crescimento econômico últimas décadas passou a ser conhecido pelos termoscontinuado nas sociedades capitalistas, através do globalização e neoliberalismo. Na verdade, essesEstado de Bem-Estar Social, passou a ser o alvo pre- fenômenos constituem os aspectos mais visíveis deferencial da crítica dos ideólogos mais conservadores uma transformação sistêmica na estruturação dodo capital como algo a ser definitivamente banido capitalismo contemporâneo, que configuram o sur-como alternativa política e econômica. gimento de um novo bloco histórico (GRAMSCI, 2000). A partir dos anos 1980, a vocação histórica Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  3. 3. Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos 273do sistema de produção de mercadorias expandir a lavam em caráter permanente fluxos de informaçãosua lógica em escala mundial tornou-se, pela pri- e de capital, instaurando-se uma nova percepção dameira vez na história moderna, uma realidade con- relação espaço-tempo. Na modernidade, até então,creta. Sob a ação política dos organismos financeiros o tempo subordinara o espaço. A contemporaneida-internacionais, foram criadas novas áreas e fronteiras de, contudo, impôs a inversão dessas relações com apara o processo de valorização do capital, através da supremacia da espacialidade sobre a temporalidade.flexibilização dos direitos sociais, da mercadificação Tais mutações nas relações espaço-tempo levaram ados serviços públicos, da privatização de empresas drásticas alterações nas formas do homem contem-estatais e da abertura dos mercados nacionais dos porâneo representar o mundo, a si mesmo e a suapaíses periféricos à movimentação de capitais e ser- inserção sócio-histórica. Ao lado disso, a cultura so-viços provenientes dos países capitalistas centrais. freu um processo de ampliação da sua ambiência, As mudanças não ficaram circunscritas às esfe- objetivando-se de fato como uma segunda natureza:ras política e socioeconômica. Poucas vezes em sua a tudo recobre e deixa a sua marca.história, as sociedades modernas sofreram transfor- A mundialização do capitalismo fez-se acom-mações tão rápidas e profundas. Em situações de panhar por forças antinômicas de largo espectro,normalidade histórica, geralmente os vetores da que se manifestam, simultaneamente, como ten-permanência sobrepõem-se aos vetores da mudança dências centrífugas e centrípetas em processos deou há um relativo equilíbrio entre ambos. As trans- homogeneização e heterogeneização, de padroniza-formações em curso levaram a um brusco desequi- ção e segmentação, de globalismo e localismo, delíbrio em favor dos aspectos pertinentes à inovação desterritorialização e reterritorialização etc. A cultu-sociocultural. Não vivemos, todavia, um cenário de ra mundial apresenta-se como um grande e irrepre-revolução social. Muito pelo contrário. As mudan- sentável caleidoscópio (ORTIZ, 1996), ao mesmoças que se processaram em lógica quase metastática, tempo, fascinante e aterrorizante. Se por um lado éatingindo todas as dimensões da vida social, ocor- evidente a imposição do estilo de vida e da culturareram dentro de um ambiente político e ideológico americana aos povos de todos os recantos mundiais,profundamente conservador. Com o fim da experi- isso não significa a supressão das manifestações cul-ência do socialismo real, pareceu a muitos que não turais locais. É verdade que cada vez mais pesso-restaria alternativa ao capitalismo vitorioso. Não as ouvem, vêem, vestem, falam, usam e comem ashaveria escapatória às idéias ultraliberais hegemôni- mesmas coisas em qualquer parte do mundo. Seriacas e à economia de mercado capitalista. ingenuidade não reconhecer os efeitos perversos da Aos quatro cantos, acumulavam-se também os massificação e padronização ideológica e cultural.indicadores de mudanças na política e na cultura. No entanto, em sentido dialético, vemos a multi-Ao longo da modernidade, as sociedades humanas plicação de novas formas de resistência cultural queforam organizadas em termos dos limites territo- enfatizam o local, o próximo, o tradicional, o eterno.riais do Estado nacional. Agora, essas estruturas so- São muitas também as demonstrações da capacida-ciais foram adquirindo uma nova morfologia social, de de ressignificação dos povos de diferentes matri-sendo recobertas por uma inusitada forma de rede zes étnico-culturais. Algumas modalidades culturaismundial, esboroando as antigas clivagens políticas e dominantes nos centros capitalistas adquirem umculturais1. O mundo assumiu, aos poucos, o formato sentido disruptivo e transgressor na periferia dode um sistema descentrado, através do qual circu- capitalismo. Abundam formas inusitadas de hibri- dização cultural (CANCLINI, 1998). Essa nova1 Jameson (1996) e Castells (1999) apresentam enfoques diferen- heterogeneidade cultural, como é óbvio, processa- ciados na análise e nas implicações políticas da estrutura da so- se sob os influxos dos mecanismos tradicionais do ciedade contemporânea como uma rede mundial descentrada. Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  4. 4. João Emanuel Evangelista274poder político e da dominação de classe, vigentes Por fim, o pós-modernismo requer, como compo-historicamente nas sociedades burguesas modernas, nente político fundamental, um sentimento de de-que assumem novas e complexas mediações. salento, de impotência e de apatia coletivos, frutos em geral de uma derrota estratégica das forças po-O NOVO PARADIGMA PÓS-MODERNO líticas e ideológicas empenhadas em transformações Essas transformações incidiram diretamente sociais radicais.sobre as formas através das quais os homens sentiam O pós-modernismo pode se manifestar comoe representavam para si mesmos o mundo existente. cultura pós-moderna e/ou como pensamento pós-Há uma sensação cada vez mais disseminada de ir- moderno. A cultura pós-moderna surge como umarealidade, de vazio e de confusão. A razão humana é reação crítica ao alto modernismo que, depois dadesafiada pelo avanço de processos “imateriais” e pela II Guerra Mundial, tornara-se o cânone cultural econstituição de novas esferas de existência virtuais, passara a representar o establishment em termos deque se sobrepõem à realidade objetiva. A velocidade arte, literatura e arquitetura nas sociedades ociden-dos fluxos de imagens e informações e o processo de tais. Na efervescência dos anos 1960, a contracul-desterritorialização que lhes acompanham abalam tura criou o ambiente para a recusa dos valores daos mecanismos cognitivos, axiológicos e estéticos de- racionalidade técnico-burocrática e científica entãosenvolvidos pela modernidade no Ocidente. Houve hegemônica que inspiravam a crença no progressouma alteração brusca nas relações espaço-temporais histórico linear, em verdades absolutas e nas poten-que sustentam as formas de representação estética cialidades do planejamento racional dos processose apreensão lógica da realidade (HARVEY, 1992). sociais e da produção material. No primeiro mo-Tudo parece sofrer a influência da efemeridade, da mento, em meados da década de 70, o pós-moder-fragmentação, da indeterminação, da descontinui- nismo surgiu como uma contestação à monotoniadade, do ecletismo e da heterogeneidade. estilística predominante no International Style da ar- O pós-modernismo é a expressão mais típica quitetura moderna.dessa sensibilidade emergente e afirma-se como um A multiplicação de novas práticas culturaisnovo padrão cultural dominante nas sociedades do será, a posteriori, objeto de uma reflexão filosóficacapitalismo tardio. Seu florescer exige a existência pouco sistemática que terá no ensaísmo o seu forma-de uma indústria cultural desenvolvida, tendo à to privilegiado. O questionamento do autoritarismofrente os meios eletrônicos audiovisuais, responsá- das estruturas hierárquicas e dos valores da culturaveis pela midiatização da cultura (THOMPSON, tradicional ensejou uma nova política de esquerda,1995). Tem como sua base societária um significa- dirigida para a crítica das relações de dominação quetivo contingente de novos intermediários culturais, infestavam a vida cotidiana. A revolta artística, polí-dotados de formação cultural e / ou profissional tica e cultural voltou-se contra o modernismo estéti-universitária, que estejam inseridos no circuito da co e as formas dominantes do pensamento moderno.produção e consumo de bens culturais – como a mí- A contracultura e a contestação dos movimentos so-dia, a publicidade, a moda, o design, e profissões de ciais do final dos anos 1960 foram os precursoresaconselhamento, terapêuticas e educacionais (FEA- políticos e culturais do pós-modernismo (HARVEY,THERSTONE, 1994). Depende também da difu- 1992).são de novas tecnologias de comunicação e novas Um impulso iconoclasta, talvez um últimoformas de produção cultural baseadas na simulação resquício vanguardista, anima o pensamento pós-de imagens e na telemática, que erodem o sentido moderno. Recusa as denominadas metanarrativasde orientação e localização e modificam a capacida- do pensamento moderno, que se afirmavam comode de representação e discernimento dos indivíduos. modelos explicativos totalizantes de aplicação e va- Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  5. 5. Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos 275lidade universais. Insurge-se contra o que chamam rentes e implicariam alteridade em termos políticos,os valores absolutos e os fundamentos metafísicos da étnicos e sexuais (EVANGELISTA, 2001b).modernidade. Relativiza a razão moderna em suaspromessas emancipatórias e desconstrói as suas an- A REVIVESCÊNCIA DA CRÍTICA MARXISTA2tinomias, relevando-lhe suas limitações e cegueiras Apesar da algaravia em torno do pós-moderno,positivistas, deterministas e etnocêntricas. A ciên- é possível detectar algo em comum aos seus maio-cia é tida como uma simples narrativa entre outras res expoentes na literatura, na arquitetura e na filo-tantas igualmente legítimas, num cenário em que sofia. A recusa genérica da metanarrativas escondepredomina a agonística dos jogos de linguagem. Põe o real adversário dos pensadores pós-modernos. Oà prova categorias, até então universalmente acei- alvo da crítica pós-moderna é, em última análise,tas, que são distintivas do pensamento moderno e o marxismo e a esquerda socialista (ANDERSON,dariam suporte às pretensões cognitivas de uma ra- 1999). Por exemplo, Ihab Hassan insurge-se con-zão onipotente. Subverte as certezas que embalam a tra a “raiva ideológica” e a “prepotência dos dog-ciência moderna e afirma o relativismo como valor máticos” dos críticos marxistas em sua submissão aocultural e epistemologia. A busca de causas explica- “jugo de ferro da ideologia”, ao “determinismo so-tivas é substituída pela descrição tópica feita através cial” e ao preconceito e desconfiança em relação aode relatos de fenômenos particulares. A intuição ga- “prazer estético”. Advoga, ainda, que termos comonha primazia sobre a racionalidade, atribuindo-se à esquerda e direita, base e superestrutura, produçãoarte o estatuto de paradigma de representação do e reprodução, materialismo e idealismo, perderamreal. Difunde suspeitas sobre a existência de iden- qualquer significação e são “quase inúteis”. Por suatidades fixas e de sujeitos monádicos, portadores vez, Robert Venturi e Charles Jencks irão recusar ode alguma vocação redentora previamente definida caráter progressista, revolucionário, utópico e pu-(LYOTARD, 1993; EVANGELISTA, 2001b). rista da “arquitetura ortodoxa moderna”, em seu O pós-modernismo busca legitimar-se através questionamento das condições vigentes na socieda-da rejeição das formas intelectuais modernas, em de capitalista. De modo mais direto, Jencks festeja oque algumas categorias – tais como sujeito, razão, pós-moderno em sua tolerância pluralística e abun-ciência, verdade, história, etc. – ocupam uma posi- dante num contexto sócio-histórico em que perderação axial. O impulso contestador pós-moderno põe sentido polaridades como “esquerda e direita”, “ca-na berlinda a razão e a ciência modernas, em suas pitalista e classe operária”, pois não mais havia “ini-pretensões de produzir um conhecimento verdadei- migo a derrotar”.ro sobre a realidade que poderia ser apropriado pelo Essas tendências ganharão nitidez paradigmá-homem, como sujeito individual e/ou coletivo, e diri- tica em Lyotard (1993). A sua trajetória política egido contra todas as modalidades de exploração, do- intelectual é marcada por um anticomunismo persis-minação e tutela que impedem a sua emancipação, tente. Lyotard está convencido que o pós-modernoabrindo a possibilidade de objetivação de uma orga- é a expressão cultural do surgimento da sociedadenização social racional na história. A desconstrução pós-industrial, na qual o conhecimento tornou-se ado pensamento moderno revela que tais categorias principal força produtiva. O proletariado integrou-não passariam de construtos sociais. A ciência cons- se ao capitalismo e perdeu a condição de agente re-tituiria apenas uma narrativa, entre tantas outras volucionário. A economia política deveria dar lugarexistentes e igualmente legítimas, que está subordi- à economia libidinal, que explicaria porque a próprianada a uma lógica de dominação ocidental, elidindomodos e práticas socioculturais que lhes são concor- 2 As idéias aqui apresentadas são uma síntese da análise desen- volvida em Evangelista (2000). Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  6. 6. João Emanuel Evangelista276exploração era desejada e sofrida com gozo erótico passou a ser uma referência obrigatória na aborda-pelos operários industriais. Não é possível superar gem do pós-modernismo. Favorecido pelo distan-o capitalismo, resultado de um processo de seleção ciamento temporal, Harvey (1992) coligiu a análisenatural de comutação de formas de energia, que an- mais sistemática das mutações em curso nas socieda-tecede a própria vida humana. Diante das denúncias des capitalistas desenvolvidas, articulando os novossobre o Gulag, ficaria evidente que o socialismo é arranjos socioculturais às transformações tecnológi-idêntico ao capitalismo. Revela-se a verdadeira “me- cas que sustentam um novo padrão de acumulaçãotanarrativa” que cabe recusar: o marxismo e o socia- na história do capitalismo. E, por fim, as análiseslismo clássico (ANDERSON, 1999). do crítico inglês Eagleton (1998) sobre as ambi- O campo pós-moderno demonstra, assim, uma güidades do pós-modernismo são de grande valiainusitada coerência ideológica: “Não podia haver na apreensão desse fenômeno – ao mesmo tempo,nada mais que o capitalismo. O pós-moderno foi transgressor em termos culturais e conservador emuma sentença contra as ilusões alternativas” (AN- termos econômicos – em todas as suas complexasDERSON, 1999, p. 54). Oblitera-se que o triun- dimensões. De alvo preferencial das críticas teóricasfo neoliberal nos anos 1980, longe de destruir as do pós-modernismo, o marxismo demonstrou vita-“grandes narrativas”, significou que “pela primeira lidade intelectual suficiente para virar a mesa. Assu-vez na história o mundo caía sob o domínio da mais miu o pós-modernismo como objeto da sua reflexãograndiosa de todas” (ANDERSON, 1999, p. 39) – a crítica, tomando-o como o ponto arquimediano paragrande narrativa do pensamento único e da vitória pensar a contemporaneidade capitalista.global do mercado. Em instigante abordagem teórica que supera Como objeto implícito das críticas pós-moder- certos limites da análise frankfurtiana da indústrianas, o marxismo abandonou a posição inicial de saco cultural, mesmo tendo-a como premissa, Jame-de pancadas teóricas e ideológicas e retomou a sua son (1996) destaca-se intelectualmente no cenáriotradição crítica. Em chave interpretativa radicalmen- contemporâneo por considerar o pós-modernismote diversa, o marxismo revelou-se um instrumental como a lógica cultural do capitalismo avançadoheurístico altamente percuciente das transforma- ou tardio. A produção cultural foi assimilada pelações societárias contemporâneas. Surpreendendo produção de mercadorias em geral, na qual a ino-aos obituaristas ideológicos de plantão, o marxismo vação e a experimentação estéticas passaram a termostrou que ainda é capaz de propiciar, a despeito uma função estrutural essencial diante da necessi-das inelutáveis tendências fragmentadoras do capi- dade frenética de produzir uma infinidade de no-talismo tardio, uma análise teórica abrangente das vos bens com uma aparência cada vez mais nova. Amudanças socioculturais que dominaram o cenário cultura, mais do que nunca, passou a ser uma esferamundial nas duas últimas décadas, ao mesmo tem- central do processo de reprodução social, invadin-po em que municia as armas da crítica política e cul- do e recobrindo todos os espaços da sociabilidade.tural da ordem capitalista triunfante. Tal é o que se Na condição pós-moderna, houve a transformaçãopode depreender da produção teórica de intelectuais da cultura em economia e da economia em cultu-marxistas3 como o crítico norte-americano Jameson ra. As antigas fronteiras existentes entre a produção(1996), cuja intervenção no debate internacional econômica e a vida cultural desapareceram (EVAN- GELISTA, 2001a).3 Cabe registrar a contribuição de outros autores para a crítica A expansão do capital não somente “atingiu” do pós-modernismo, em particular ver os lúcidos argumentos de Callinicos (1995) quanto à avaliação hiperbólica dos traços a dimensão cultural, mas as imagens, as represen- definidores da contemporaneidade e ao contexto de decadên- tações e as formas culturais se tornaram uma área cia ideológica experimentados pelos próceres da contracultura e de atuação fundamental do mercado capitalista. Os dos movimentos de contestação do final dos anos 1960. Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  7. 7. Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos 277componentes da esfera cultural foram convertidos perspectiva de crítica radical e de transformação daplenamente em mercadorias. Com a expansão das ordem societária (JAMESON, 1996; EVANGELIS-novas tecnologias informacionais, a produção e a TA, 2001a).circulação de informação passaram a ser uma das Por sua vez, Harvey (1992) encara as mudan-mercadorias mais importantes no capitalismo tardio ças culturais contemporâneas como o resultado deou multinacional. Assim, os conflitos e as contradi- um complexo processo de transformações na estru-ções, antes relacionados principalmente à produção turação das sociedades capitalistas. As crises cícli-material, espalham-se e invadem também a produ- cas do modo de produção capitalista desencadeiamção cultural. E tudo isso se faz acompanhar de uma revoluções científico-tecnológicas que ensejam mo-profunda mudança nos hábitos e atitudes de con- dificações fundamentais no sistema produtivo e per-sumo e nas relações intersubjetivas que ocorrem no mitem a retomada em novas bases da acumulaçãomundo cotidiano (JAMESON, 1996; EVANGELIS- de capital. A incorporação dessas inovações tecnoló-TA, 2001a). gicas ao sistema de produção de mercadorias acar- Jameson (1996) define alguns traços constitu- reta uma redução do tempo de rotação do capital etivos que são peculiares à cultura pós-moderna. O a necessidade de expansão geográfica da lógica ca-pós-modernismo inaugura uma nova superficiali- pitalista. Disso resulta a compressão na relação es-dade, na qual o mundo objetivo é convertido em paço-tempo, proveniente da simultânea aceleraçãoum conjunto de textos e simulacros e as coisas são do tempo e redução do espaço nas novas condiçõesreduzidas à imagem de suas superfícies externas. criadas pela reestruturação sistêmica do capitalismo.Há, também, um enfraquecimento da historici- Surgem, então, novas formas de sensibilidade e dedade, em que o passado é tomado como uma vasta representação do mundo que incidem diretamentecoleção de imagens aleatórias, que são combinadas sobre a cultura e as múltiplas formas de consciên-de múltiplas formas a partir do presente. Essa pre- cia social, com o esgotamento de cânones até entãosentificação do passado e do futuro funda um discur- estabelecidos e a transição para novas modalidadesso “esquizofrênico” sobre a história. Assim, não por de racionalidade e novos padrões artístico-culturaisacaso, no pós-modernismo, as categorias espaciais e ideológicos. Essas são as matrizes a partir das quaissubstituem as categorias temporais, cuja dominân- pode ser pensada criticamente a modernidade e acia são uma das maiores características do moder- atual condição pós-moderna.nismo. Surge, também, uma nova experiência do As ambigüidades características do pós-mo-espaço, em que a configuração de um hiperespaço, dernismo derivam, em larga medida, da semelhan-com a constituição de redes mundiais de comuni- ça com que reproduz o movimento social da formacação, possibilitadas pela descoberta e difusão das mercadoria. A lógica mercantil é “transgressiva,novas tecnologias informacionais, transcende a an- promíscua, polimorfa” em sua “paixão niveladora”terior capacidade de localização pelo indivíduo e tor- pela troca entre mercadorias. A forma mercadorianam evidentes as dificuldades de representação do “continuamente nivela e iguala identidades para po-real pelas atuais categorias mentais. Isso terá como der permutá-las de novos fantasticamente novos”.rebatimento estético, o desaparecimento do sujeito A forma mercadoria tende a destruir as identida-como produtor artístico-cultural autêntico e origi- des distintivas, pois “transforma a realidade socialnal e o fim da busca por um estilo pessoal. Emer- numa selva de espelhos, cada objeto contemplandoge, enfim, uma nova sensibilidade, marcada pela especularmente no outro a essência abstrata de siintensidade emocional, que celebra o advento do mesmo”. Com indiferença olímpica, são esmaecidaspastiche – colagem de estilos passados – como nova as divisões de classe, sexo, raça, alto e baixo, passadosolução estética descompromissada com qualquer e presente. A mercadoria “aparece como uma força Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  8. 8. João Emanuel Evangelista278anárquica e iconoclasta, que zomba das classifica- [espírito do tempo] correspondente à chamada glo-ções obsessivas da cultura tradicional, mesmo que balização. O pós-modernismo opera como uma in-[...] dependa delas para assegurar condições estáveis terface cultural que possui uma afinidade estruturalpara suas próprias operações” (EAGLETON, 1993, com a hegemonia neoliberal na economia e na polí-p. 270). tica do capitalismo mundializado (EVANGELISTA, Para Eagleton, um dos traços mais marcantes 2001b; HARVEY, 1993).das sociedades capitalistas avançadas estaria no fatode serem “tanto libertárias como autoritárias, tanto CONCLUSÃOhedonistas como repressoras, tanto múltiplas como A análise das transformações sistêmicas ocor-monolíticas”. A lógica do mercado e do consumismo ridas nas sociedades contemporâneas exige umanecessita “de prazer e pluralidade, do efêmero e des- abordagem analítica que vá além das aparênciascontínuo, de uma grande rede descentrada de desejo imediatas. A magnitude das mudanças societárias,da qual os indivíduos surgem como meros reflexos expressas nos múltiplos fenômenos emergentes jápassageiros” (EAGLETON, 1998, p.127-128). Não referidos, não caracterizam, contudo, uma rupturapode prescindir da coexistência de duas formas dis- histórica radical com a modernidade capitalista e atintas de subjetivação. De um lado, o sujeito centra- instauração de uma nova lógica de estruturação edo e autônomo significa uma necessidade ideológica reprodução social. Essas mudanças sociais, que seem termos éticos, jurídicos e políticos na cultura tra- desdobram nos interstícios da cotidianidade con-dicional, representando o “ideal oficial do sistema”. temporânea, são o resultado da generalização e doPor outro, o império da mídia e dos shoppings centers aprofundamento da lógica de produção de merca-criam um modo de vida baseado na pluralidade, no dorias e de acumulação de capital que adquiriu umadesejo, na fragmentação. A vigência do capitalismo inédita dimensão mundializada. A reestruturaçãotardio supõe a proliferação de um sujeito pós-mo- produtiva e o padrão flexível de acumulação capi-derno, constituído como uma “rede difusa de laços talista encontraram sua mimese superestrutural nolibidinais passageiros”, dotado de uma subjetivida- pós-modernismo e no neoliberalismo. Essas rede-de fugidia e polissêmica o suficiente para atender finições estruturais são os elementos constitutivosaos chamamentos do hedonismo e do consumo (EA- de um novo bloco histórico mundial (GRAMSCI,GLETON, 1993, p. 272). 2000), com implicações na economia, na política e O reconhecimento da mediação necessária do na cultura das sociedades contemporâneas.mercado é o ponto de convergência mais evidente No capitalismo contemporâneo, a cultura éentre o pós-modernismo e outras modalidades do submetida plenamente ao movimento do capital epensamento conservador contemporâneo. Suas rela- à reprodução capitalista, constituindo-se em lugarções não são fortuitas. O pós-modernismo mantém estratégico de expansão da produção de mercadoriasuma relação ontológica com o mercado, constituin- e de acumulação capitalista, com a hipostasia dasdo uma forma de consciência social que lhe é perfei- repercussões do fenômeno da reificação, que tam-tamente funcional. Corresponde à lógica cultural do bém ocupa a esfera da cultura e generaliza os seussistema capitalista contemporâneo cuja objetivação efeitos sobre os signos e as imagens que se objetivamassumiu as feições de uma rede mundialmente des- na nossa vida cotidiana. O pós-modernismo, assim,centrada e fragmentada que dificulta a sua adequa- não pode ser adequadamente analisado se aborda-da representação mental. A aceitação celebratória do como simples epifenômeno passageiro ou comoda lógica do mercado e dos seus efeitos sociocultu- mero modismo intelectual com farta difusão midiá-rais indica que o pós-modernismo e o neoliberalismo tica. O pós-modernismo, nunca é demais reafirmar,são componentes importantes do mesmo Zeitgeist Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  9. 9. Teoria social e pós-modernismo: a resposta do marxismo aos enigmas teóricos contemporâneos 279exprime a lógica cultural adquirida pelo capitalismo A postura celebratória e/ou apologética do ad-contemporâneo (JAMESON, 1996). vento da pós-modernidade apenas torna-se possí- O pós-modernismo é a expressão cultural de vel se forem ignorados os fenômenos sociais, comuma nova sensibilidade que produziu uma nova suas respectivas categorias intelectivas, derivadosagenda intelectual, que não pode ser ignorada. O e distintivos do sistema capitalista de produção demoderno pensamento crítico-radical tematizou e mercadorias, tais como a valorização do capital, adenunciou muitas formas de dominação e de explo- exploração capitalista do trabalho, a reprodução ca-ração trazidas com o desenvolvimento da sociedade pitalista ampliada, o fetichismo da mercadoria e rei-capitalista. Todavia, o pós-modernismo, apesar de ficação. Essa é a condição para não compreender etodos os impasses políticos e ideológicos derivados decifrar a cultura e a sociabilidade contemporânea,de sua transgressão de caráter conformista, pode ser em que efetivamente ocorre a inversão nas relaçõesum excelente ponto de partida para se pensar os li- e nas conexões entre o signo e o referente e entre omites e as insuficiências do pensamento tradicional significante e o significado, produzindo a autono-da esquerda socialista e revolucionária. Os proble- mização dos signos e, posteriormente, dos signifi-mas relacionados às diferenças e/ou aos modos de cantes. Só assim a realidade pode ser subsumida àopressão de gênero, sexo e raça, além das questões imagem, que aparentemente assume o estatuto deambientais, não podem mais ser ignorados. Essas elemento fundante de todo o real. Tal prestidigi-novas problemáticas podem e devem ser incorpora- tação intelectual explica a representação teórica dadas à crítica da exploração e da dominação capita- vida social, da cultura e da política como um mun-lista, propiciando uma oportunidade histórica para do governado por simulacros que instauram a puracatalizar e impulsionar as novas formas de contes- especularidade e espectralidade (BAUDRILLARD,tação e protesto social numa perspectiva emancipa- 1996; HARVEY, 1992).tória e igualitária (EAGLETON, 1998; WOOD; O confronto teórico com o pensamento pós-FOSTER, 1999; WOOD, 2003). moderno propiciou ao marxismo pensar a realidade A fragmentação, a efemeridade e a indeter- contemporânea a partir de uma perspectiva inte-minação, propostas e/ou aceitas como premissas lectual que combina a análise crítica da cultura eteóricas pelo pensamento pós-moderno, são a ma- a crítica da economia política. Para refletir sobre anifestação fenomênica da aparência necessária do ser desafiadora centralidade da cultura nas sociedadessocial do capitalismo mundializado contemporâneo. capitalistas desenvolvidas e no sistema capitalistaCom a mundialização do capitalismo, a forma mer- globalizado, foi imprescindível a recuperação inova-cadoria e a lógica capitalista ganharam uma univer- dora das idéias formuladas por Marx que rompes-salidade nunca vista. Esse desenvolvimento recente se com o reducionismo e com o economicismo. Asdo capitalismo contemporâneo acarreta a radicaliza- novas problemáticas que emergiram socialmenteção dos efeitos da reificação sobre as relações sociais fizeram despertar o interesse por autores marxis-entre os seres humanos, nas suas instituições sociais tas, como Lukács e Gramsci, que sempre fizerame nas suas experiências cotidianas, com óbvias impli- da cultura uma temática fundamental no conjun-cações e conseqüências em suas formas de represen- to das suas principais preocupações teóricas e polí-tação social. Assim, a compreensão da natureza dos ticas. Esses rearranjos societários estão também nafenômenos socioculturais contemporâneos não pode origem da revitalização do prestígio dos mais desta-prescindir do aporte marxista que reitera uma angu- cados intelectuais da chamada Escola de Frankfurt,lação teórica assentada na ontologia materialista do como Adorno, Horkheimer e Marcuse, que tiveramser social e na perspectiva da totalidade (LUKÁCS, nas idéias marxianas uma das suas motivações semi-1974; KOSIK, 1976; EVANGELISTA, 2002). Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006
  10. 10. João Emanuel Evangelista280nais para a renovação teórica do pensamento crítico EVANGELISTA, João E. Política e cultura pós-moderna:ocidental. um estudo dos cadernos culturais do Jornal Folha de São Paulo. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade Numa angulação teórica similar, as reflexões de São Paulo. Programa de Pós-Graduação da Escola dede autores marxistas contemporâneas, tais como, Comunicações e Artes, São Paulo, 2000.dentre outros, Jameson, Harvey, Eagleton e Wood,devolveram ao marxismo a condição de fonte inspi- ______. Elementos para uma Crítica da Cultura Pós-moderna.radora, entre vertentes políticas e ideológicas diver- Revista Novos Rumos, São Paulo, ano 15, n. 34, 2001.sas, para as forças sociais e políticas empenhadas na ______. Neoliberalismo e pós-modernismo: algumas rela-luta contra a exploração capitalista e pela emancipa- ções nem sempre óbvias. In: GICO, Vania de Vasconcelos;ção humana. Apesar de ainda vivermos sob os efeitos LINDOSO, José Antonio Spinelli; COSTA SOBRINHO,da última longa hegemonia conservadora, o marxis- Pedro Vicente (Org.). As ciências sociais: desafios do milê-mo apresenta-se como um incontornável e necessá- nio. Natal: EDUFRN, 2001. p. 718-733.rio ponto de partida para a realização de uma crítica FEATHERSTONE, Mike. Para uma sociologia da cultura pós-teórica da cultura pós-moderna e da emergência da moderna. Revista Brasileira de Ciências Sociais, ano 9, n.“pós-modernidade” nas sociedades contemporâneas, 25, p.12, jun. 1994.recuperando sua potencialidade heurística de expli-car criticamente e propor caminhos de superação HARVEY, David. A condição pós-moderna: uma pesqui-das atuais formas de manifestação e estruturação do sa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992.sistema capitalista mundial. ______. Reestruturação capitalista e socialismo. RevistaREFERÊNCIAS Novos Rumos, São Paulo, ano 8, n. 21, p. 9, 1993.ANDERSON, Perry. As origens da pós-modernidade. Rio GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere: Maquiavel.de Janeiro: J. Zahar , 1999. Notas sobre o Estado e a Política. Volume 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.BAUDRILLARD, Jean. A troca simbólica e a morte. SãoPaulo: Edições Loyola, 1996. JAMESON, Fredric. Periodizando os Anos 60. In: HOLANDA, Heloísa B. de (Org.). Pós-modernismo e política. 2. ed. RioCALLINICOS, Alex. Contra o post-modernismo: uma críti- de Janeiro: Rocco, 1992.ca marxista. Santiago de Compostela: Laiovento, 1995. JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural doCANCLINI, Nestor García. Culturas híbridas: estratégias capitalismo tardio. São Paulo: Ática, 1996.para entrar e sair da modernidade. 2. ed. São Paulo: EDUSP,1998. (Ensaios Latino-americanos). KOSIK, Karel. Dialética do concreto. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. In: ______. A erada informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz LUKÁCS, G. História e consciência de classe: estudos dee Terra, 1999. v.1. dialéctica marxista. Porto: Publicação Escorpião, 1974.EAGLETON, Terry. A ideologia da estética. Rio de Janeiro: LYOTARD, Jean-François. O Pós-moderno. 4. ed. Rio deJ. Zahar, 1993. Janeiro: J. Olympio, 1993.______. As ilusões do pós-modernismo. Rio de Janeiro: J. ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. 2. ed. São Paulo:Zahar, 1998. Brasiliense, 1996.EVANGELISTA, João E. Crise do marxismo e irracionalis-mo pós-moderno. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002. Cronos, Natal-RN, v. 7, n. 2, p. 271-281, jul./dez. 2006

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