Piaget, vygotsky e winnicott. relação com jogo infantil e sua aplicação na área da psicopedagogia
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    Piaget, vygotsky e winnicott. relação com jogo infantil e sua aplicação na área da psicopedagogia Piaget, vygotsky e winnicott. relação com jogo infantil e sua aplicação na área da psicopedagogia Document Transcript

    • Piaget, Vygotsky e Winnicott: relação com jogoinfantil e sua aplicação na área dapsicopedagogia Eunice Eichelberger de Oliveira novembro/2006IntroduçãoEste artigo tem por finalidade fazer um breve resumo dos autores,Piaget, Vygotsky e Winnicott sobre o que eles dizem em relação aosjogos infantis - pontos comuns e divergentes, além de uma pequenacomparação de como estas teorias podem ser usadas na profissão -de psicopedagogos.DesenvolvimentoPara Piaget, o jogo é essencial na vida da criança, pois prevalece aassimilação. No jogo, a criança se apropria daquilo que percebe darealidade. Defende que o jogo não é determinante nas modificaçõesdas estruturas, mas pode transformar a realidade.Piaget classifica em fases o desenvolvimento do jogo na criança:Primeira fase: adaptações puramente reflexas. A criança ageconforme os instintos essenciais, como por exemplo, a sucção comorefeição.Segunda fase: as condutas adaptativas continuam, mas começamcom uma diferenciação: a dualidade. Como exemplo, temos os jogosda voz, as primeiras lalações.Um esquema jamais é por si mesmo lúdico, ou não-lúdico, e o seucaráter de jogo só provem do contexto ou do funcionamento atual.Mas todos os esquemas são suscetíveis de dar lugar a essaassimilação pura, cuja forma extrema é o jogo.Terceira fase ou fase das relações circulares secundárias: o processose mantém inalterado, mas a diferença entre jogo e assimilaçãointelectual é mais nítida. Nesta fase a criança aprende a manipularobjetos, descobre que eles fazem barulho. O Jogo é compreendido enão oferece mais novidade.Quarta fase ou fase da coordenação dos esquemas secundários:prolongam-se as manifestações lúdicas, pois elas são executadaspor pura assimilação, por prazer e sem esforço, tendo em vistaatingir uma finalidade. Esta modalidade de esquema permite aformação de verdadeiras combinações lúdicas, passando de umesquema a outro para assegurar-se deles, e sem esforço deadaptação. Consiste em repetir e associar os esquemas jáconstituídos, com um fio não lúdico.Quinta fase: acontece a transição entre as condutas rituais e osímbolo lúdico, onde as manifestações aparecem com umafertilidade muito maior de combinações. O jogo se apresenta comouma ampliação da função de assimilação, para além dos limites daadaptação atual.Sexta fase: nesta fase o lúdico desliga-se do ritual, sob a forma deesquemas simbólicos, graças ao progresso de sua representação.Isso se concretiza quando a inteligência experimental passa a umacombinação mental, a imitação externa à imitação interna. Há
    • símbolos, e não apenas um jogo motor, porque há assimilaçãofictícia de um objeto ao esquema, o seu exercício resulta naacomodação.Piaget classifica os jogos segundo sua evolução, em três grandesestruturas: jogos de exercício, simbólicos e de regras.Jogo de exercício: A principal característica deste estágio, que Piagetclassifica como período sensório-motor, é obter a satisfação de suasnecessidades. Com a ampliação dos esquemas, a criança vai cadavez se tornando mais consciente de suas potencialidades, colocandoem ação um conjunto de condutas, sem modificar as estruturas,onde as ações ficam dirigidas somente para atingir seu objetivomaior que é a prazer. Exemplo: O bebê mama não apenas parasobreviver, mas porque descobre o prazer de mamar, à medida quesatisfaz sua fome. É isso que o faz chupar a chupeta, mesmo quenão saia alimento nenhum, esse exercício lhe dá um enorme prazer.O jogo de exercício é essencialmente sensório-motor, (aparece atémais ou menos dois anos de idade) portanto, o primeiro a aparecerna criança, mas também pode envolver as funções superiores depensamento. Este jogo estará presente em todos os estágios danossa vida, inclusive adulta, pois o prazer deve estar semprepresente em tudo que fazemos.Jogo simbólico: Segundo Piaget, estes jogos fazem parte da fasepré-operatória (dos dois aos seis anos de idade), onde a criança,além do prazer, começa a utilizar a simbologia. A função simbólicajá está estruturada e começa a fazer imagens mentais, já domina alinguagem falada. Exemplo: A criança tem a possibilidade devivenciar aspectos da realidade, muitas vezes difícil de elaborar: avinda de um irmãozinho, mudança de escola ou situações boascomo: ser um super-homem, imitar a mãe ou pai.Jogo de regras: de acordo com Piaget, este jogo acontece a partirdos sete anos de idade, no período operatório concreto - a criançaaprende a lidar com delimitações no espaço, no tempo, o que podee o que não pode fazer. Ao invés de símbolo, a regra supõe relaçõessociais, porque a regra é imposta pelo grupo e sua falta significaficar de fora do jogo. Exemplo: lidar com perdas e ganhos,estratégia de ação, tomada de decisão, análise dos erros, replanejaras jogadas em função dos movimentos dos outros.Cada estágio do desenvolvimento descrito por Piaget tem umaseqüência que depende da evolução da criança, do nascimento até ofinal da vida. Uma fase se interliga com a outra de forma que o finalde uma se confunde com o começo de outra. A evolução começacom a fase puramente reflexiva, passando pela assimilação, pelosimbolismo até chegar à acomodação.Vygotsky afirma que a fala diferencia a criança de um macaco. Afala e o uso dos signos faz com que a criança tenha controle sobre oseu comportamento. Para o pesquisador, a fala e a ação fazemparte da mesma função psicológica complexa. Quanto maiscomplexa a ação maior a importância da fala.A capacidade da linguagem habilita a criança a providenciarelementos que a auxiliam na resolução de problemas antes de sua
    • execução e controla seu próprio comportamento.Conforme Vygotsky, o sujeito é interativo e, por este motivo, dátanta importância a fala. Estabelece uma relação estreita entre ojogo e a aprendizagem. Diz que o desenvolvimento cognitivo resultada interação entre a criança e as pessoas com quem mantémcontatos regulares. O aprendizado da criança começa antes do seuingresso na escola. Desta forma, a escola sistematiza o aprendizado,que inicia no primeiro dia de vida - a aquisição do conhecimento sedá através das zonas de desenvolvimento: real e proximal.Zona de desenvolvimento real: é a do conhecimento já adquirido, oque a pessoa traz consigo.Zona de desenvolvimento proximal: define como a diferença entre odesenvolvimento atual da criança e o nível que atinge quandoresolve problemas com auxílio, com orientação de pessoas maiscapazes, que já tenham adquirido estes conhecimentos.O aprendizado cria a zona de desenvolvimento proximal e acordavários processos internos de desenvolvimento, que operam quandoa criança interage com outras pessoas, em cooperação. Uma vezinternalizados estes processos tornam-se parte das aquisições dodesenvolvimento independente.O aprendizado está relacionado com o desenvolvimento da criança,mas eles não andam de forma paralela. O desenvolvimento dacriança nunca acompanha o aprendizado escolar.Vygotsky fala do faz-de-conta. Diz que as maiores aquisições dascrianças são conseguidas no brinquedo, que no futuro se tornarãoníveis básicos do real e da moralidade.Vygotsky diz que as habilidades humanas começam pelos três anosde idade. No brinquedo, a criança projeta-se nas atividades adultasde sua cultura e ensaia seus futuros papéis e valores. Assim, obrinquedo antecipa o desenvolvimento que só pode sercompletamente atingido com assistência de seus companheiros damesma idade e mais velhos.Durante a brincadeira, todos os aspectos importantes da vida dacriança tornam-se tema do jogo.Vygotsky vê a aprendizagem como um processo social. A interaçãocom os adultos e a linguagem fazem o desenvolvimento cognitivoacontecer.Winnicott observa que os bebês tendem a usar os punhos e osdedos para satisfazerem seus instintos. Após alguns meses passama usar algum objeto especial para substituir este meio deestimulação e tem a capacidade de reconhecer este objeto como“não-eu”. Adquirem também, a capacidade de criar, imaginar,inventar, produzir um objeto e estabelecer uma relação afetuosacom este objeto.Se fôssemos esquematizar o que Winnicott chama dedesenvolvimento normal, teríamos a inauguração dos fenômenostransacionais, com a utilização de um objeto transicional, o início dobrincar, o brincar compartilhado e a experiência cultural, com acriança investindo e compartilhando das conquistas de sua cultura.Fenômenos transicionais: é justamente a transferência que ocorre
    • na troca do uso do dedo ou polegar para a utilização de um objetocomo o “não-eu” a que ele chama de objeto transicional. Este objetoé reconhecido pelos pais e é carregado para todos os lugares, poisele representa conforto e segurança para o bebê.Quando o simbolismo é empregado, o bebê já está claramentedistinguindo entre fantasia e fato, entre objeto externo e interno,entre criatividade primária e percepção.Winnicott diz que o brincar tem um lugar e um tempo, acontecendoprimeiro entre mãe e bebê, segundo as experiências de vida. Brincarfacilita o crescimento e, portanto, a saúde, além de conduzir aosrelacionamentos grupais. “Brincar é fazer.”No brincar, a criança manipula fenômenos externos a serviço dosonho e veste fenômenos externos, escolhidos com significado esentimentos oníricos.Há uma evolução direta dos fenômenos transicionais para o brincar,do brincar para o brincar compartilhado, e deste para asexperiências culturais.O brincar envolve o corpo devido à manipulação de objetos. Acriatividade é fundamental e é através dela que o indivíduo senteque a vida é digna de ser vivida.Em todas as fases da vida, o mediador é fundamental para osucesso no desenvolvimento do bebê, criança, adolescente, adultoou velho. Tudo acontece com um mediador, com interação: osegurar, o manejar, a apresentação de objetos, a destruição doobjeto, a sobrevivência à destruição.Quando essa interação é feita com confiança, se a tarefa da mãe écumprida na sua integralidade o desenvolvimento emocional emental do bebê e da criança é conseguido sem conseqüênciasnegativas.Diferenças e semelhanças entres as três teoriasEnquanto Piaget fala em estágio de desenvolvimento, influência daestrutura cognitiva, Vygotsky fala em interação da linguagem,interação entre o meio (cultura) e a criança, em zona dedesenvolvimento proximal. Já Winnicott fala em mediação, emcompartilhamento de experiências.Piaget estabelece fases para o desenvolvimento e diz que todomundo tem condições iguais para aprender. Diz que a criançaassimila no jogo o que percebe da realidade e que o jogo não édeterminante nas modificações das estruturas. Fala do jogosimbólico.Para Piaget, o símbolo nada mais é do que um meio de agregar oreal aos desejos e interesses da criança.Vygotsky diz que o desenvolvimento ocorre no decorrer da vida, nãoestabelece fases para este desenvolvimento, que ele depende domeio em que se vive, da cultura. Diz que o jogo proporcionaalteração das estruturas. Lembra do faz-de-conta.Para Vygotsky, o exercício do simbolismo ocorre quando osignificado fica em primeiro plano. Na medida em que cresce, acriança impõe ao objeto um significado.Os dois falam em jogo de regras. Piaget diz que a criança aprende o
    • jogo de regra através de um engajamento individual na solução doproblema. Para Vygotsky, entretanto, o jogo de regra é aprendidocom a interação com os outros.Piaget entende que o jogo é assimilação - constituem-se emexpressão, enquanto Vygotsky assegura que a criança cria a partirdo que conhece, das oportunidades do meio, em função de suasnecessidades.Para Winnicott, a brincadeira traz a oportunidade para o exercício dasimbolização e é também uma característica humana.Observa-se que há um ponto em comum entre os pesquisadores:dentro do seu tempo, os três concordam que o brincar éfundamental no desenvolvimento da criança.ConclusãoPela importância que estes três autores tiveram na análise do jogono desenvolvimento humano é possível fazer uma rica relação coma profissão de psicopedagogo. Afirmar que o jogo é um elementofundamental na nossa inserção no mundo, o simbólico, a atividadelúdica é ação/reação/conduta, fica mais fácil de analisar as idéiasdos autores.As estruturas mentais propostas por Piaget, a classificação dos jogosem jogos de exercício, simbólicos e de regras são fundamentais paraque possamos entender o desenvolvimento. Permitem aopsicopedagogo uma possibilidade de intervenção dentro de faixasetárias, permitindo o uso de jogos da forma mais racional possível.De Vygotsky aprendemos que a prática psicopedagógica adequada énão somente deixar as crianças brincarem, mas, fundamentalmenteajudá-las a brincar, brincar com as crianças e até mesmo ensiná-lasa brincar.Quando há dificuldades na aprendizagem, o psicopedagogo pode secolocar como mediador, estabelecendo uma interação com acriança, segundo Winnicott.Concluímos que o brincar, o jogo, é uma forma de contextualizar,construir e ampliar novos conhecimentos e, desta forma, valorizar otempo / espaço de jogar de cada um de nós. Podemos ser agentesfacilitadores, fundamentais na evolução de crianças e nossa própriaevolução com aprendentes.Referências BibliográficasPIAGET, J. (1946). “A formação do símbolo na criança”. Rio deJaneiro: Zahar, 1978.VYGOTSKY, L. “A formação social da mente”. São Paulo: MartinsFontes, 1984.WINNICOTT, D. “O brincar e a realidade”. Rio de Janeiro: Imago,1975.*Aluna da Graduação de Psicopedagogia Clínica e Institucional doCentro Universitário La Salle – UNILASALLE. Orientada pelaProfessora Dra. Cecília Marió Michels na disciplina de FundamentosPsicopedagógicos do Jogo.