Estudos
         Setoriais de
         Inovação



Indústria de Móveis
madeiras e artefatos
AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL




                    Relatório Setorial:

       INDÚSTRIA DE MÓVEIS, ...
Sumário

1.  INTRODUÇÃO .....................................................................................................
1. INTRODUÇÃO


Este relatório analisa as Indústrias de Madeira e Móveis, subproduto do Produto 3 –
“Indústrias objeto de ...
conhecimento em seus produtos e a formas de apropriação desse conhecimento do ponto
de vista da capacidade de reter os gan...
maior valor, até o total de 80% do consumo e/ou fornecimento intermediário. Foram
desconsiderados nesse cálculo, para cada...
Tabela 2.1
   Distribuição das vendas setoriais, por categoria da demanda final e intermediária
                          ...
Figura 2.1
        Cadeia Produtiva de Produtos de Madeira, transações inter-setoriais 2005
                              ...
Figura 2.2
    Cadeia Produtiva de Móveis, transações inter-setoriais e consumo das famílias,
                            ...
Tabela 2.2
                             Multiplicador Simples de Produção (2005)

                            Multiplicado...
Os multiplicadores de emprego são obtidos a partir dos coeficientes de emprego de todos
os setores da economia e da matriz...
Similarmente ao obtido na Tabela 2.2, os multiplicadores de emprego foram decompostos
nos seus efeitos diretos e indiretos...
Tabela 2.6
Multiplicador Simples de Emprego por qualificação, Produtos de Madeira (2005)

                    Multiplicado...
2.2 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE            AS CADEIAS


Esta seção descreve o comportamento das cadeias de Madeira e Móveis ...
Gráfico 2.1
  Composição da Receita Líquida com Vendas Industriais Cadeia Madeira-Móveis
      100%

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       80...
Tabela 2.9
                Receita Líquida com Vendas Industriais – Madeira e Móveis
                                     ...
O comportamento do valor bruto da produção industrial (VBP) mostra-se menos
diferenciado: enquanto o do setor de móveis cr...
impulsionou a produção do setor, aliado às vantagens de recursos naturais e de custos do
setor vis-à-vis os competidores e...
No setor de móveis, as exportações representam parcela pouco significativa da sua
demanda (cerca de 7% em 2005), se consti...
conseqüentemente, mudanças da melhor prática tecnológica desses setores. Interessante
notar que o número de empresas com m...
A classificação Líderes-Seguidoras-Frágeis-Emergentes, com base na análise dos dados
da PINTEC para o setor, revelou, para...
Gráfico 3.1
Inovação nas Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis de Desdobramentos de Madeira
                               ...
A Tabela 3.1 indica que, para Desdobramentos de Madeira, o tamanho médio das líderes,
em termos de pessoal ocupado, é quas...
seguidoras (as líderes empregam em média 665 pessoas e as seguidoras empregam 212
pessoas) e mais de dez vezes superior ao...
Tabela 3.3
 Indicadores da Indústria de Desdobramentos de Madeira para Líderes, Seguidoras e
                             ...
Brasil)1. O MDP é um produto de menor valor agregado, utilizado especialmente no
consumo interno. A Satipel é a líder de m...
sentido, os movimentos de integração vertical das fabricantes de compensados no
controle de florestas parece ser uma quest...
4. EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE MADEIRA

Os indicadores de participação de mercado e mark-up das firmas do setor de madeira sã...
Ou seja, não existe uma completa associação entre líderes tecnológicas e líderes de
mercado. Uma pequena parte das líderes...
Gráfico 4.2
Participação de Mercado Maiores Empresas de Desdobramentos de Madeira (1996-
                                 ...
Os indicadores de mark-up para este setor de primeira transformação (Gráfico 4.4)
mostram um comportamento estável, em tor...
entre 4 e 8 maiores do setor, enquanto as menores exploram nichos de mercado de alto
valor agregado em segmentos não-commo...
diminuta participação no mercado e possivelmente devem ter um comportamento mais
semelhantes às inovadoras menores, fora d...
Gráfico 4.7
Participação de Mercado Maiores Empresas de Produtos de Madeira (1996-2005)
 35%



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Todas as evidências de sondagem conjuntural da indústria indicam que a empresa primaz
do setor é líder tecnológica, dada s...
apresentam em 2005 um mark-up de 20%, semelhante ao observado em 1996. A
evolução do mark-up das emergentes, de maior osci...
“piso” de 60%, o que indica a capacidade dessas firmas administrarem com relativo
sucesso suas margens planejadas de lucra...
discriminados estes dois indicadores segundo a categoria de empresa, fica claro que as
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representam 80% do investimento tangíveis, mas seu gasto em P&D é praticamente nulo.
Já as líderes representam apenas 8% d...
produtos, de acumulação de conhecimento e nível de apropriação. É importante observar
que o conhecimento acumulado no prod...
Tabela 5.2
           Importância para a Inovação na Indústria de Produtos de Madeira
                 (números de empresa...
para a produção em massa de compensados. Fornecem, ao contrário, diretamente para
as duas principais indústrias a jusante,...
Tabela 5.5
        Cooperação para Inovação na Indústria de Desdobramentos de Madeira
               (números de empresas ...
A Tabela 5.7 indica que a cooperação para inovação no segmento é pouco significativa,
apenas 15% das líderes cooperam para...
superior ao das nacionais seguidoras. Os outros indicadores mostram pouca
diferenciação entre nacionais e estrangeiras.


...
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  1. 1. Estudos Setoriais de Inovação Indústria de Móveis madeiras e artefatos
  2. 2. AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL Relatório Setorial: INDÚSTRIA DE MÓVEIS, MADEIRAS E ARTEFATOS Pesquisadores: Mauro Borges Lemos (Cedeplar/UFMG) Edson Paulo Domingues (Cedeplar/UFMG) Pedro Vasconcelos Amaral (Cedeplar/UFMG) Ricardo Machado Ruiz (Cedeplar/UFMG) Brasília, Fevereiro de 2009.
  3. 3. Sumário 1.  INTRODUÇÃO .....................................................................................................................2  2.  DESCRIÇÃO DAS CADEIAS PRODUTIVAS DE MADEIRA E MÓVEIS .............................................3  2.1 ANÁLISE DE INSUMO-PRODUTO .....................................................................................3  2.2 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS CADEIAS .................................................................12  3.  ESTRUTURA DA INDÚSTRIA DE MADEIRA .............................................................................18  4.  EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE MADEIRA ..............................................................................26  5.  SISTEMA SETORIAL DE INOVAÇÃO ......................................................................................35  5.1 REGIME TECNOLÓGICO SETORIAL................................................................................35  5.2 PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO ...................................................................42  5.3 FINANCIAMENTO: O PAPEL DOS AGENTES PÚBLICOS.......................................................44  6.  OPORTUNIDADES TECNOLÓGICAS, ESTRATÉGIAS E PROPOSTAS ..........................................45  7. ESTRUTURA DA INDÚSTRIA DE MÓVEIS ...............................................................................49  8. EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE MÓVEIS .................................................................................55  9. SISTEMA SETORIAL DE INOVAÇÃO ......................................................................................64  9.1. PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO ..................................................................68  9.2. FINANCIAMENTO: O PAPEL DOS AGENTES PÚBLICOS ......................................................69  10. OPORTUNIDADES TECNOLÓGICAS, ESTRATÉGIAS E PROPOSTAS ........................................70  11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................75  1
  4. 4. 1. INTRODUÇÃO Este relatório analisa as Indústrias de Madeira e Móveis, subproduto do Produto 3 – “Indústrias objeto de programas para fortalecer a competitividade” do Projeto “Estudo sobre como as empresas brasileiras nos diferentes setores industriais acumulam conhecimento para realizar inovação tecnológica”. Está organizado em cinco seções além desta introdução. A Seção 2 descreve as duas cadeias industriais que envolvem as transações de compra e venda dentro das cadeias e as transações com indústrias fornecedoras e compradoras dos produtos dos setores de cada cadeia. Em que pese estarem inter-relacionadas através de relações de venda e compra, possuem dinâmicas organizacionais, tecnológicas e empresariais bem distintas, razão pela qual serão tratadas como duas cadeias separadas ainda que conectadas comercialmente. O objetivo é fornecer um quadro produtivo das cadeias, indicando o peso relativo de cada setor, o volume dos fluxos intra e inter-industriais da cadeia, os efeitos multiplicadores diretos e indiretos de produção e emprego gerados pela para o conjunto da economia brasileira. A Seção 3 apresenta a estrutura da indústria de madeira com base na classificação de liderança tecnológica, através das categorias empresas líderes, seguidoras, frágeis e emergentes e dos dois setores que a compõem. Desdobramentos de Madeira e Produtos de Madeira. A Seção 4 fornece a evolução temporal desta indústria. É analisada a evolução dos principais indicadores do setor para o período 1996/2005 com base na Pesquisa Industrial Anual – PIA. É feito um cruzamento da classificação segundo a liderança tecnológica com o corte segundo tamanho, pela maior participação na produção e vendas setoriais. Fica evidente a forte heterogeneidade tecnológica da indústria madeireira. A Seção 5 analisa o sistema setorial de inovação tecnológica da indústria madeireira. São apresentados os indicadores de inovação segundo as categoriais de firmas líderes, seguidoras e frágeis procurando identificar os regimes tecnológicos relacionados às oportunidades tecnológicas dos dois setores da indústria, as formas de acumulação de 2
  5. 5. conhecimento em seus produtos e a formas de apropriação desse conhecimento do ponto de vista da capacidade de reter os ganhos pecuniários do conhecimento gerado. É analisado até aonde é relevante a participação do capital estrangeiro e o papel dos agentes públicos no financiamento dos investimentos setoriais. Por fim, na Seção 6 são analisadas as oportunidades tecnológicas, as estratégias empresariais e tecnológicas e algumas propostas de políticas setoriais. As Seções 7, 8, 9 e 10 analisam a Indústria de Móveis de forma similar ao realizado na Indústria de Madeira nas 4 seções anteriores, confirmando que são indústrias que conformam cadeias inter-relacionadas por relações de insumo-produto porém com dinâmicas distintas e relativamente independentes. 2. DESCRIÇÃO DAS CADEIAS PRODUTIVAS DE MADEIRA E MÓVEIS 2.1 ANÁLISE DE INSUMO-PRODUTO A matriz de insumo-produto revela as ligações entre os setores econômicos nas compras e vendas de produtos entre os setores, no uso de fatores de produção (capital e trabalho) e nas vendas dos setores para os componentes da demanda final. Para o propósito deste estudo, uma matriz de insumo-produto foi construída a partir das informações disponibilizadas pelo IBGE (IBGE, 2008) e os dados obtidos pela equipe. Assim, procedeu-se a abertura setorial da matriz para os setores em foco, quando necessário. Os dados utilizados nessa etapa foram obtidos da PIA-2005, e se referem à utilização de insumos intermediários e valor bruto da produção. Para o estudo da cadeia de móveis o setor teve que ser desagregado da matriz disponibilizada pelo IBGE, uma vez que se encontra agregado em Produtos Diversos. Dados da PIA e da RAIS, contendo informações sobre produção, emprego e uso de insumos foram utilizados na tarefa de desagregação. A matriz construída permite avaliar a inserção dos setores na estrutura produtiva brasileira, a partir de indicadores de composição das vendas, das inter-relações setoriais na cadeia produtiva e com as demais cadeias produtivas. A identificação das cadeias produtivas seguiu a metodologia tradicional (Haguenauer, Bahia, Castro et al., 2001). A delimitação das cadeias produtivas dos setores analisados considerou as transações de 3
  6. 6. maior valor, até o total de 80% do consumo e/ou fornecimento intermediário. Foram desconsiderados nesse cálculo, para cada setor, o autoconsumo (intra-setorial), os serviços e os insumos de uso difundido (tanto compras como vendas). A partir da matriz de insumo-produto foi implementado um modelo de insumo-produto, que gerou os multiplicadores de produção e emprego dos setores analisados, seguindo o padrão da literatura (e.g. Miller e Blair, 1985). Dados obtidos pela equipe do projeto permitiram obter multiplicadores de emprego por qualificação da mão-de-obra (ensino superior, ensino médio e inferior). Alguns indicadores dos setores em análise, madeira e móveis, são apresentados e discutidos a seguir. Primeiramente, as vendas setoriais foram decompostas em 4 categorias, para a demanda final: exportações, consumo das famílias, formação bruta de capital fixo (investimento) e outras demandas (consumo do governo e variação de estoques). A demanda intermediária corresponde ao consumo de todos os setores produtivos da economia dos produtos dos setores. A Tabela 2.1 apresenta a decomposição das vendas nessas categorias para produtos de madeira e móveis. Para produtos de madeira, a demanda intermediária (de outros setores) é o destino mais importante das vendas do setor, representando cerca de 70% do total. As exportações mostram-se significativas, representando 30% das vendas do setor, cujo destino é para consumo intermediário de outras economias nacionais. Por outro lado, o consumo das famílias representa apenas 2,5% da demanda por produtos de madeira. Ou seja, as vendas de madeira são em sua quase totalidade para consumo intermediário, da economia nacional e das economias estrangeiras. Para o setor de móveis, a demanda final representa cerca de 80% da demanda do setor, com grande predominância do consumo das famílias, com 55% do destino das vendas do setor, e da formação bruta de capital fixo (FBCF), com 18% das vendas. Uma observação importante é que a compra de mobiliário das empresas entra principalmente na forma de imobilizado, que é parte de FBCF. A demanda intermediária (de outros setores) representa cerca de 20% das vendas do setor. Dessa forma, a dinâmica do setor mostra- se ligada principalmente à demanda final pelo consumo doméstico das famílias e formação de capital fixo (investimento) das empresas. 4
  7. 7. Tabela 2.1 Distribuição das vendas setoriais, por categoria da demanda final e intermediária (% das vendas totais, 2005) Demanda Final (% do total) Consumo Formação Demanda Outras Intermediária Exportações das bruta Total Demandas (% do total) (1) famílias de capital (1+2+3+4) (4) (2) fixo (3) Madeira 30.5 2.5 1.0 -2.6 31.4 68.6 Móveis 6.7 54.7 18.0 0.1 79.4 20.6 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. A Figura 2.1 apresenta a cadeia de Produtos de Madeira. As setas representam fluxos monetários dos setores de origem (vendedor) para destino (comprador). A cadeia do setor apresenta uma característica de relativa concentração de compras e vendas. As compras do setor se concentram em Produtos Florestais, representando 53% dos fluxos de compras. A seguir destacam-se as compras de produtos ligados à indústria petroquímica e química, com 27% das compras. Os 20% restante das compras está disperso em máquinas e equipamentos, celulose e produtos de metal. Por outro lado, as vendas do setor para a Construção Civil e Indústria de Móveis são as mais representativas, com 75% do total das vendas representadas na cadeia. Isto significa uma forte dependência do setor de madeira em relação às compras da indústria moveleira e da construção civil. Algumas grandes empresas do setor controlam também a etapa de extração florestal, e dessa forma atividades relacionadas à compra de terras, reflorestamento e manejo representam uma etapa importante do seu processo produtivo. Este aspecto será mais bem detalhado ao longo deste documento. 5
  8. 8. Figura 2.1 Cadeia Produtiva de Produtos de Madeira, transações inter-setoriais 2005 (milhões de reais) Fonte: MIP 2005, elaboração própria. A Figura 2.2 apresenta a cadeia de Móveis, que demonstra uma relativa dispersão das compras: os produtos de madeira representam 37%, os produtos petroquímicos e derivados (resinas e plásticos) 23%, e os produtos metálicos (aços e derivados e produtos de metal) 21%. Os 19% restantes estão distribuídos entre as compras de produtos de celulose e papel e produtos têxteis. As vendas setoriais são pouco representativas, se comparadas com o fluxo de vendas para o consumo das famílias e formação bruta de capital fixo. Nas vendas setoriais destaca-se a construção civil, com 41% do total da cadeia. Os setores relacionados representam os insumos mais importantes para o setor de móveis, conforme relatos de empresas do setor: placas MDF, espumas, chapas, caixas de papelão, parafusos, colas, tintas, madeiras (nativas e lei), máquinas, componentes e ferramentas. 6
  9. 9. Figura 2.2 Cadeia Produtiva de Móveis, transações inter-setoriais e consumo das famílias, 2005 (milhões de reais) Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. A Tabela 2.2 apresenta os multiplicadores simples de produção dos setores de Madeira e Móveis. Os resultados indicam um efeito multiplicador relativamente pequeno dos dois setores, próximo do efeito multiplicador médio dos setores da indústria brasileira, estimado em 1,95. Para produtos de Madeira predomina o efeito direto e o efeito indireto, de acordo com a cadeia produtiva, repercute principalmente sobre a Agricultura e Produtos Florestais. O setor de Móveis apresenta um multiplicador semelhante ao de Madeira, mas os efeitos diretos e indiretos se equilibram. Assim, a cadeia de móveis se mostra mais conectada a outros setores da economia. Este é um resultado esperado, dadas as ligações para trás do setor na cadeia, apesar do pequeno efeito inter-setorial para frente, uma vez que predominam as vendas para o consumo das famílias e o investimento das empresas. 7
  10. 10. Tabela 2.2 Multiplicador Simples de Produção (2005) Multiplicador Simples de Produção Participação Relativa Direto Indireto Total (A+B) Direto (A) Indireto (B) (A/Total) (B/Total) Madeira 2.02 1.29 0.73 64% 36% Móveis 1.99 1.02 0.98 51% 49% Fonte: MIP 2005, elaboração própria. Os dados de emprego por setor foram distribuídos por 3 componentes, de acordo com a qualificação (educação) dos trabalhadores: superior, médio e inferior. Os coeficientes de emprego, que representam o número de trabalhadores dividido pelo valor da produção, foram obtidos para cada um dos setores, e, conjugados com o modelo de insumo-produto. Assim, permitem que se obtenham multiplicadores de emprego para os setores analisados. A Tabela 2.3 indica a concentração do emprego no setor de madeira no nível inferior, que representa 74% do total. Os coeficientes de emprego médio e superior são muito baixos, com 23% e 3%, respectivamente. Estes percentuais indicam que a expansão da produção do setor demanda principalmente trabalho de baixa qualificação. No setor de móveis, os coeficientes de emprego de nível inferior e médio são mais próximos, representando 55% e 45% do total, respectivamente. O coeficiente de emprego superior é relativamente baixo (5%). Este é um resultado esperado, dada o maior valor adicionado no setor de móveis relativamente ao de madeira. Tabela 2.3 Coeficientes setoriais de emprego (ocupações/valor da produção em milhões de reais de 2005) Coeficiente de emprego Total Superior Médio Inferior Madeira 25.6 0.7 5.9 19.0 Móveis 29.1 1.5 11.7 15.9 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. 8
  11. 11. Os multiplicadores de emprego são obtidos a partir dos coeficientes de emprego de todos os setores da economia e da matriz de multiplicadores (inversa de Leontief). Seu cálculo segue o descrito em Miller e Blair (1985). Os multiplicadores de emprego representam, para cada setor, a capacidade de geração e propagação de empregos na economia decorrente da expansão da produção (ou demanda) dos seus produtos. Assim, os multiplicadores indicam quais setores possuem capacidade relativamente maior de geração de emprego na economia, tanto em termos totais como por qualificação (nível educacional) da mão-de-obra. A Tabela 2.4 apresenta os multiplicadores de emprego. Deve-se ressaltar que os multiplicadores são indicadores que desconsideram o nível de atividade dos setores, assim setores com valor de produção menor podem apresentar multiplicadores maiores. O setor de madeira possui um efeito multiplicador maior na economia, indicando uma capacidade de geração de 54 empregos na economia para cada 1 milhão de reais de produção do setor; destes empregos gerados, apenas 2 são de educação superior e 11,5 são de nível médio. Preponderam 40,7 empregos de nível inferior (75%) do efeito total. O setor de móveis apresenta um efeito multiplicador um pouco menor ao de madeiras, indicando uma capacidade de geração de cerca de 45 empregos para cada 1 milhão de reais de produção do setor; destes empregos gerados, apenas 2,7 são de educação superior, 16,4 são de nível médio e 25,3 de nível inferior. Assim, apesar do elevado coeficiente próprio de emprego médio, a geração de emprego inferior é a mais significativa devido às inter-relações de compras e vendas com setores de elevado coeficiente de emprego inferior. Tabela 2.4 Multiplicador Simples de Emprego (ocupações/milhões de reais de 2005) Total Superior Médio Inferior (A+B+C) (A) (B) (C) Madeira 54.2 2.0 11.5 40.7 Móveis 44.5 2.7 16.4 25.3 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. 9
  12. 12. Similarmente ao obtido na Tabela 2.2, os multiplicadores de emprego foram decompostos nos seus efeitos diretos e indiretos. Estes indicadores revelam a capacidade de geração de empregos do setor além da geração própria, indicando sua capacidade de encadeamento intra e inter-setorial. A Tabela 2.5 apresenta a decomposição do multiplicador de emprego total (que não leva em conta a qualificação da mão-de-obra). A capacidade de geração de emprego direto dos dois setores se destaca, com cerca de 61% e 66% do efeito multiplicador, respectivamente. A cadeia produtiva relativamente concentrada dos dois setores no lado das compras e a pequena cadeia produtiva no lado das vendas explicam esta característica. (vide Figura 2.2). Tabela 2.5 Multiplicador Simples de Emprego (ocupações/milhões de reais de 2005) Multiplicador Simples de Emprego Participação Relativa. (%) Direto Indireto Total (A+B) Direto (A) Indireto (B) (A/Total) (B/Total) Madeira 54.2 33.1 21.1 61.2 38.8 Móveis 44.5 29.6 14.9 66.5 33.5 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. A Tabela 2.6 indica que, para o setor de produtos de madeira a capacidade de geração de emprego superior é principalmente indireta, enquanto que a geração de emprego médio se dá dentro da cadeia produtiva. Já a geração de emprego do tipo inferior, a mais significativa do setor, é preponderantemente direta (60% do efeito total) o que indica que a cadeia produtiva do setor aciona principalmente setores mais intensivos nesse tipo de mão-de-obra. A Tabela 2.7 indica que no setor de móveis a capacidade de geração de emprego médio e inferior é principalmente direta. Dessa forma, estímulos à produção do setor tendem a gerar empregos de qualificação média e inferior no próprio setor. 10
  13. 13. Tabela 2.6 Multiplicador Simples de Emprego por qualificação, Produtos de Madeira (2005) Multiplicador Simples de Emprego Participação no mult. (%) Qualificação Direto Indireto do Emprego Total (A+B) Direto (A) Indireto (B) (A/Total) (B/Total) Superior 2.0 0.9 1.1 46.6 53.4 Médio 11.5 7.6 3.9 66.0 34.0 Inferior 40.7 24.6 16.1 60.5 39.5 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. Tabela 2.7 Multiplicador Simples de Emprego por qualificação, Móveis (2005) Multiplicador Simples de Emprego Participação no mult. (%) Qualificação Direto Indireto Total (A+B) Direto (A) Indireto (B) do Emprego (A/Total) (B/Total) Superior 2.7 1.5 1.2 56.3 43.7 Médio 16.4 11.9 4.6 72.2 27.8 Inferior 25.3 16.2 9.1 63.9 36.1 Fonte: MIP 2005, RAIS, PIA, elaboração própria. 11
  14. 14. 2.2 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS CADEIAS Esta seção descreve o comportamento das cadeias de Madeira e Móveis no período recente. Entre 1996 e 2005 o valor da transformação industrial (VTI) da cadeia perdeu participação na indústria brasileira (de 2,56% para 2,37%), decorrente especificamente da queda de participação do setor de móveis (Tabela 2.8). O setor moveleiro diminui sua participação na indústria brasileira de 1,5% em 1996 para 1,15% em 2006, enquanto o setor de madeira aumenta sua participação, de 1,06% para 1,22%. Tabela 2.8 Participação setorial no Valor da Transformação Industrial 1996 2006 Fabricação de produtos de madeira 1.06 1.22 Desdobramento de madeira 0.35 0.44 Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exceto 0.71 0.78 móveis Fabricação de artigos do mobiliário 1.50 1.15 Total 2.56 2.37 Fonte: PIA 1996-2006 O Gráfico 2.1 apresenta a composição da receita líquida com vendas industriais dos dois setores da cadeia, de 1996 a 2006. Nesse período de 10 anos, as mudanças de participação foram pequenas: o setor de Móveis perdeu 3 pontos percentuais em relação ao setor de Madeira. O crescimento do setor de Madeira é bastante expressivo a partir de 2001, comparativamente a uma relativa estagnação do setor de móveis, conforme mostram o Gráfico 2.1 e a Tabela 2.8. Este comportamento explica a perda de participação do setor de móveis no produto interno bruto (aproximadamente o VTI) da indústria brasileira. 12
  15. 15. Gráfico 2.1 Composição da Receita Líquida com Vendas Industriais Cadeia Madeira-Móveis 100% 90% 80% 52% 49% 70% 60% 50% 40% 30% 48% 51% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Móveis Madeira Fonte: SIDRA-IBGE, PIA. Gráfico 2.2 Receita Líquida com Vendas Industriais – Madeira e Móveis (bilhões de reais de 2006) R$ Bilhões 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Madeira Móveis Fonte: SIDRA-IBGE, PIA. 13
  16. 16. Tabela 2.9 Receita Líquida com Vendas Industriais – Madeira e Móveis R$ bilhões de 2006 Taxa de crescimento a.a. (%) Ano Madeira Móveis Madeira Móveis 1996 9,46 10,21 1997 10,19 11,67 7,27 14,36 1998 9,82 12,40 -3,60 6,25 1999 12,29 10,88 25,11 -12,25 2000 11,36 13,76 -7,57 26,41 2001 13,25 14,18 16,64 3,06 2002 15,40 13,17 16,27 -7,12 2003 17,65 13,52 14,57 2,61 2004 18,29 13,57 3,61 0,38 2005 15,39 12,87 -15,83 -5,17 2006 14,99 14,47 -2,63 12,42 1996-2005 - - 4,70 3,54 Fonte: SIDRA-IBGE, PIA. Deflacionados pelo IPA-Madeira e IPA-Móveis de Madeira. A Tabela 2.10 ilustra essa perda de posição relativa da indústria de móveis. Ao deflacionarmos a produto gerado das três indústrias (VTI) pelo IPA-OG, notamos que no período 1996 a 2006 a indústria de móveis apresentou um baixo crescimento no produto setorial (22,9%), enquanto a indústria de madeira ampliou significativamente a renda gerada (48,6%). Esses dados mostram que, não obstante as mudanças tecnológicas e de produtos por que passou a indústria de móveis, sua capacidade de gerar renda diminuiu relativamente ao setor de madeira. Tabela 2.10 Valor Bruto da Produção (VBP) e da Transformação Industrial (VTI) Ano VBP VTI Madeira Móveis Madeira Móveis 1996 9,54 10,30 4,67 4,36 1997 10,32 11,83 5,04 4,86 1998 9,97 12,37 4,85 5,05 1999 12,45 10,85 6,45 4,25 2000 11,56 13,74 5,92 5,15 2001 13,49 14,15 6,92 5,49 2002 15,45 13,25 7,95 5,35 2003 18,00 13,71 8,77 5,28 2004 18,55 13,64 8,94 5,14 2005 15,52 12,94 6,98 4,83 2006 15,04 14,52 6,94 5,36 Notas: R$ bilhões de 2006 e Deflator IPA-OG. Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. 14
  17. 17. O comportamento do valor bruto da produção industrial (VBP) mostra-se menos diferenciado: enquanto o do setor de móveis cresceu 41%, o de madeira se expandiu em 57%. A comparação com o comportamento do VTI indica que a capacidade de geração de valor adicionado no setor de móveis diminui ao longo do período. A relação VTI/VBP, uma medida de agregação de valor, encolheu em -18,1% no setor de móveis, e -8,4% no setor de madeira. O Gráfico 2.3 compara o índice de preços no atacado (IPA) de madeira ao índice geral de preços (IGP). O comportamento observado indica uma perda relativa de preços na segunda metade dos anos 90, mantendo certa estabilidade até 2008, considerando a recuperação de preços entre 2003 e 2005, no início do boom de preços das commodities no mercado internacional e do aquecimento da indústria doméstica de construção civil. Gráfico 2.3 IPA-Madeira em relação ao IGP-DI (normalizado para 100) 120 100 80 60 40 20 0 mai/96 nov/99 mai/03 nov/06 jan/01 jan/08 mar/95 abr/99 mar/02 abr/06 ago/94 jul/97 ago/01 jul/04 out/95 out/02 jun/00 jun/07 dez/96 fev/98 set/98 dez/03 fev/05 set/05 IGP‐DI / IGP‐DI IPA‐Madeira  / IGP‐DI Fonte: Elaboração própria a partir de dados do IPEAData. O comportamento do câmbio e da demanda interna podem ser os principais fatores explicativos da maior dinâmica do setor de madeira. A desvalorização cambial de 1999 15
  18. 18. impulsionou a produção do setor, aliado às vantagens de recursos naturais e de custos do setor vis-à-vis os competidores externos. A partir de 2004, quando o câmbio passou a se valorizar, o setor pode contar com uma demanda interna aquecida, especialmente aquela advinda da construção civil impulsionada pela vigorosa expansão do mercado imobiliário, que amorteceu o impacto da queda da rentabilidade das exportações. O saldo comercial do setor de madeira é positivo, que muda para o patamar de US$ 3 bilhões de dólares a partir de 2004. De 2001 a 2004, durante o período de desvalorização, as exportações saltaram de 1,5 bilhões para 3 bilhões de dólares. É interessante observar que a apreciação cambial não parece afetar negativamente a permanência das exportações neste patamar, que se estabiliza a partir daí. Não possibilita, entretanto, a continuidade de seu crescimento. As importações do produto são pouco significativas, de apenas 77,5 milhões em 2005. Os dados setoriais revelam que a maior parcela de exportações é de Desdobramentos de Madeira, especialmente das seguidoras (US$ 1,45 bilhões em 2005). Tais resultados não são surpreendentes, considerando que a grande procura no mercado internacional é pela madeira semi-acabada e não pelo produto compensado, dada a capacidade já instalada desse setor nos mercados de destino, não apenas dos países centrais como também dos emergentes, especialmente a China. Gráfico 2.4 Exportações e importações de madeira, em milhões (US$) (2000-2007) 3500 Milhões (US$) 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Exportação Importaçao Fonte: Elaboração própria a partir de dados da Secex/MDIC. 16
  19. 19. No setor de móveis, as exportações representam parcela pouco significativa da sua demanda (cerca de 7% em 2005), se constituindo num setor orientado para o mercado interno. Assim, a desvalorização de 1999 não representou impulso considerável ao setor. Vale lembrar que a distribuição destes produtos no mercado externo depende de contratos de vendas com redes varejistas e impõe padrões de qualidade e padronização específicos (ao contrário dos produtos “commoditizados” do setor de madeira). Parece haver, a partir de 2004, uma aceleração do crescimento do setor de móveis, apoiado principalmente na demanda interna advinda da expansão do mercado imobiliário e do crescimento da renda doméstica. O crescimento do número de empresas nos setores de madeira e móveis é apresentado nas Tabelas 2.11 e 2.12. Entre 1996 e 2005 o número de empresas no setor de móveis cresceu 31,19%, e no setor de madeira o crescimento foi de 16,50%. Assim, o VTI médio por empresa no setor de móveis apresentou uma queda significativa no período. Pode-se observar que o maior crescimento do número de empresas no setor de móveis está nas firmas com mais de 250 empregados. Tabela 2.11 Número de empresas no setor madeireiro em 1996, 2000 e 2005 Número de empresas Taxa de crescimento (%) Pessoal ocupado 1996 2000 2005 96/00 00/05 96/05 ATÉ 49 13184 15045 15335 14,11 1,92 16,31 DE 50 A 99 400 519 515 29,75 -0,77 28,75 DE 100 A 249 205 206 210 0,48 1,94 2,43 DE 250 A 499 56 64 68 14,28 6,25 21,42 DE 500 A 999 18 10 24 -44,44 140 33,33 1000 OU MAIS 3 1 3 -66,66 200 0 Total 13866 15845 16155 14,27 1,95 16,50 Fonte: RAIS/MTE. Já no setor de Madeira observa-se um crescimento significativo no número de empresas de 50 a 99 empregados e mais ainda no de 500 a 999 empregados, que cresceu nada menos do que 33% no período. Em ambos os setores a ampliação do número de empresas nas faixas intermediárias de tamanho vão refletir mudanças nos processos produtivos em direção à automação industrial que resultam em ampliação de escala e, 17
  20. 20. conseqüentemente, mudanças da melhor prática tecnológica desses setores. Interessante notar que o número de empresas com mais de 1000 pessoas empregadas é muito pequeno nos dois setores, variando de 1 a 3 empresas entre 1996 e 2005. Tabela 2.12 Número de empresas no setor de móveis em 1996, 2000 e 2005 Número de empresas Taxa de crescimento Pessoal ocupado 1996 2000 2005 96/00 00/05 96/05 ATÉ 49 11849 14872 15554 25,51 4,58 31,26 DE 50 A 99 346 395 432 14,16 9,63 24,85 DE 100 A 249 169 208 215 23,07 3,36 27,21 DE 250 A 499 50 50 74 0 48,00 48,00 DE 500 A 999 8 15 21 87,5 40,00 162,50 1000 OU MAIS 1 0 2 -100 0 100 Total 12423 15540 16298 25,09 4,87 31,19 Fonte: RAIS/MTE. 3. ESTRUTURA DA INDÚSTRIA DE MADEIRA Nesta seção são descritos indicadores para a indústria de madeira. O setor será analisado em dois grupos da CNAE: Desdobramentos de Madeira (CNAE 201) e Produtos de Madeira (CNAE 202). A principal diferença entre os dois é que este último contempla a fabricação de produtos com maior quantidade de valor agregado, como chapas de madeira compensada, prensada ou aglomerada (principalmente MDP – Medium Density Particle e MDF – Medium Density Fibre) e a fabricação de estruturas de madeira e vigamentos para construção. Abaixo segue uma descrição dos dois conjuntos, segundo a classificação da CNAE 1.1: 1. Desdobramentos de Madeira (grupo 201): produção de madeira bruta desdobrada, de madeira resserrada (pranchas, pranchões, postes, tábuas, barrotes, caibros, tacos e parquetes para assoalhos, aplainados para caixas e engradados) e a fabricação de dormentes para vias férreas. 2. Produtos de Madeira (grupo 202): fabricação de madeira laminada, compensada, prensada ou aglomerada; fabricação de produtos de madeira para embalagem, esquadrias de madeira, fabricação de estruturas de madeira e vigamentos para construção, construções pré-fabricadas. 18
  21. 21. A classificação Líderes-Seguidoras-Frágeis-Emergentes, com base na análise dos dados da PINTEC para o setor, revelou, para Desdobramentos de Madeira, apenas cinco empresas líderes, seguido de um grande conjunto de frágeis (369) e seguidoras (514). Nenhuma empresa foi classificada como emergente (Tabela 3.1). O Gráfico 3.1 indica que as líderes são inovadoras de produto e de processo. O percentual de líderes que investem em P&D é relativamente alto em termos relativos (cerca de 60%), porém baixo em termos absolutos, que indica a pequena capacidade das líderes puxarem tecnologicamente as seguidoras. A inovação de produto ou processo entre frágeis e seguidoras é uma atividade muito pouco freqüente: apenas cerca de 30% das seguidoras são inovadoras, e a maioria delas em processo. A presença de inovadoras entre frágeis não é significativa. Ou seja, trata-se de um setor baseado na atividade extrativista, pouco intensivo em tecnologia e capital e de baixo valor agregado. Para Produtos de Madeira (grupo 202) foram identificadas 20 empresas líderes, 349 frágeis e 520 seguidoras (Tabela 3.2). Assim como em Desdobramentos de Madeira, nenhuma empresa foi classificada como emergente. O Gráfico 3.2 indica que a maior parte das líderes inova em processo. O número de líderes que investem em P&D é relativamente menor do que no setor de primeira transformação (grupo 201), cerca de 40%, porém em termos absolutos são bem mais significativas para puxarem tecnologicamente as seguidoras do ponto de vista das melhores práticas. Esta capacidade se expressa pelo fato de totalizarem 20 firmas que exportam com preço prêmio ou vantagens absolutas de custo, 18 delas que inovam processo para o mercado doméstico, 12 que inovam produto para este mercado, das quais 8 realizam atividades contínuas de P&D. Esta capacidade de puxar é refletida pelo fato de que 40% das seguidoras são inovadoras, a maioria delas em processo, percentual que cai para 20% entre as frágeis. 19
  22. 22. Gráfico 3.1 Inovação nas Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis de Desdobramentos de Madeira (%) 100% 75% 50% 25% 0% Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de Investem em P&D processo Líderes Seguidoras Frágeis Nota: 5 Firmas Líderes, 369 Firmas Seguidoras, 514 Firmas Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/PINTEC-IBGE. Gráfico 3.2 Inovação nas Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis de Produtos de Madeira (%) 100% 75% 50% 25% 0% Inovadoras Inovadoras de produto Inovadoras de Investem em P&D processo Líderes Seguidoras Frágeis Nota: 20 Firmas Líderes, 349 Firmas Seguidoras, 520 Firmas Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/PINTEC-IBGE. 20
  23. 23. A Tabela 3.1 indica que, para Desdobramentos de Madeira, o tamanho médio das líderes, em termos de pessoal ocupado, é quase quatro vezes superior ao das seguidoras: as líderes empregam em média 405 pessoas, enquanto as seguidoras empregam 111 pessoas, e as frágeis 54. Devido ao grande número de firmas entre seguidoras e frágeis, estes dois grupos empregam 97% do pessoal ocupado do setor. As líderes, que representam 0,56% do número de firmas no segmento, concentram 6,56% dos salários, 10,27% do faturamento, 8,15% do investimento e 12,05% das exportações. As seguidoras representam 42% das firmas do setor e concentram a maior parte da atividade econômica do segmento, com aproximadamente 75% do faturamento, 80% do investimento e 88% das exportações, o que indica que elas devem ser o foco da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) no que tange as políticas de capacitação tecnológica e de competitividade deste setor. Entre as frágeis destaca-se a pequena participação no faturamento e investimento, de 15% e 12% respectivamente, e quase 30% dos pagamentos de salários. Ou seja, as frágeis são de fato firmas marginais, basicamente serrarias, restritas às franjas de mercados locais, com poucas chances de progressão tecnológica, não devendo, portanto, ser o foco da política setorial da PDP. Tabela 3.1 Número e Valor Agregado das Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis na Indústria de Desdobramentos de Madeira (2005) Indicador Líderes Seguidoras Frágeis 5 369 514 Número de empresas (0,6%) (41,5%) (57,9%) 2026 41235 27888 Pessoal Ocupado (número de pessoas) (2,9%) (57,9%) (39,2%) 31,8 309,6 143,5 Salários Totais (R$ milhões) (6,6%) (63,8%) (29,6%) 364 2656,9 522,2 Faturamento (R$ milhões) (10,3%) (75,0%) (14,7%) 14,6 142,6 21,9 Investimento Total (R$ milhões) (8,2%) (79,6%) (12,2%) 96,2 702 0 Exportação Total (R$ milhões) (12,1%) (87,9%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC. O setor de Produtos de Madeira (Tabela 3.2) revela que as líderes representam 2,2% do número de firmas no segmento, concentram 11% do pessoal ocupado, 27% dos salários, 29% do faturamento, 43% do investimento e 10% das exportações. O tamanho médio das líderes, em termos de pessoal ocupado, é aproximadamente três vezes superior ao das 21
  24. 24. seguidoras (as líderes empregam em média 665 pessoas e as seguidoras empregam 212 pessoas) e mais de dez vezes superior ao das frágeis (média de 54 pessoas). Assim, relativamente a Desdobramentos de Madeira, este segmento apresenta um conjunto de líderes bem mais representativo, com peso suficiente para determinar o padrão tecnológico de melhor prática do setor. As seguidoras (39% das firmas do segmento) concentram 63% do pessoal ocupado, e, aproximadamente, 65% do faturamento, 54% do investimento e 89% das exportações. Aqui também as seguidoras são largamente predominantes nas exportações setoriais. As frágeis possuem pequena participação no faturamento (6,1%) e investimento (2,3%), mas representam quase 59% das empresas do segmento, 25% do pessoal ocupado e 14% do pagamento de salários. Tabela 3.2 Número e Valor Agregado das Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis na Indústria de Produtos de Madeira (2005) Indicador Líderes Seguidoras Frágeis 20 349 520 Número de empresas (2,2%) (39,3%) (58,5%) 13299 73905 29982 Pessoal Ocupado (número de pessoas) (11,3%) (63,1%) (25,6%) 291,1 630,5 151,7 Salários Totais (R$ milhões) (27,1%) (58,8%) (14,1%) 2928,7 6653,2 626,2 Faturamento (R$ milhões) (28,7%) (65,2%) (6,1%) 281,9 350,1 15,1 Investimento Total (R$ milhões) (43,6%) (54,1%) (2,3%) 164,6 1453,6 0 Exportação Total (R$ milhões) (10,2%) (89,8%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC. Os indicadores médios dos dois segmentos de madeira revelam que as líderes pagam salários médios superiores e tem faturamento médio maior. Para Desdobramentos de Madeira, o faturamento das líderes é quase 10 vezes o das seguidoras, mas os demais indicadores são bastante semelhantes entre líderes e seguidoras, como Faturamento/VTI, Exportações/Faturamento e Importações/Custos. Para Produtos de Madeira a diferença entre líderes e seguidoras é mais significativa. Destaca-se o indicador de Exportações/Faturamento, de 5,6% nas líderes e 21,8% nas seguidoras, o que é consistente com a concentração das exportações nas seguidoras, enquanto as líderes estão preferencialmente direcionadas para o mercado interno. 22
  25. 25. Tabela 3.3 Indicadores da Indústria de Desdobramentos de Madeira para Líderes, Seguidoras e Frágeis (2005) Indicador Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 5 369 514 Salário médio mensal no pessoal 1705 938 668 industrial (R$) Faturamento médio (R$ milhões) 71 7,2 1 Faturamento/VTI 2,32 2,22 2,01 Exportações/Faturamento (%) 26,4 26,4 0 Importações/Custos (%) 0,4 0,38 0 Investimento/Faturamento (%) 4 5,4 4,2 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC. Tabela 3.4 Indicadores da Indústria de Produtos de Madeira para Líderes, Seguidoras e Frágeis (2005) Indicador Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 20 349 520 Salário médio mensal no pessoal 2033 936 665 industrial (R$) Faturamento médio (R$ milhões) 149,6 19,1 1,2 Faturamento/VTI 2,07 2,74 2,25 Exportações/Faturamento (%) 5,6 21,8 0 Importações/Custos (%) 1,38 0,86 0,01 Investimento/Faturamento (%) 9,6 5,3 2,4 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC. A predominância da inovação em processo para Produtos de Madeira é um resultado esperado, uma vez que os principais produtos do setor são aglomerados de madeira “commoditizados”, vendidos para o setor de móveis e construção civil, no mercado doméstico ou internacional. Os aglomerados de fibra de média densidade (MDF), fibra de alta densidade (HDF) e partículas de média densidade (MDP) representam os produtos mais importantes no setor. O MDF é um produto desenvolvido para uso interior, utilizado para corte, usinagem e pintura, destinado para construção civil, indústria moveleira, brinquedos, displays, comunicação visual e artes plásticas. É um produto de maior valor agregado, de utilização para consumo interno e exportação. Diversas empresas produtoras de MDF integram para trás a operação florestal de eucalipto e pinho ao seu processo produtivo, e algumas integram também a fabricação de resinas (Duratex). A Duratex é a maior produtora de MDF no Brasil, seguida por Eucatex, Satipel e Masisa (empresa chilena que opera no 23
  26. 26. Brasil)1. O MDP é um produto de menor valor agregado, utilizado especialmente no consumo interno. A Satipel é a líder de mercado em MDP, mas a Duratex anunciou investimentos que a tornariam a líder do setor até 2011. A Satipel anunciou em 2008 a construção de uma nova planta de MDF em Uberaba, Minas Gerais, e pretende exportar 30% da sua produção. Recentemente dois grandes atores mundiais do setor entraram no mercado doméstico para disputar com essas empresas controladoras do mercado interno de compensados (HDF, MDF e MDP): o grupo português Sonae, maior fabricante mundial de compensado em capacidade instalada, através de sua subsidiária nacional Talisa, e outra empresa chilena, a Arauco. Líderes de mercados regionais baseadas em estados de grandes extensões de florestas renováveis, como Rio Grande do Sul e Paraná, também começam a disputar também o mercado nacional de compensados, dinamizado recentemente pelo boom da indústria de construção civil. Destaca-se entre os maiores investidores regionais a Fibraplac (RS), Berneck (PR), a Sudati (PR) e a Guararapes (PR). Entretanto, a manutenção de maciços florestais renováveis requerido pela atividade implica grande imobilização de capital em terras para cultivo. A forte expansão do setor de construção civil e de móveis nos últimos anos, conforme analisado a partir da seção 7 deste trabalho, impulsionou também o setor madeireiro, que se encontra próximo ao limite de fornecimento da matéria-prima. Com o investimento do setor focado na expansão da capacidade instalada, o provimento de matéria-prima tem ficado cada vez mais concentrado em grandes companhias independentes especializadas no cultivo e manutenção de maciços florestais, como a Brazil Timber e a Global Forest Partners. De acordo com estimações da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), cerca de 10% dos hectares plantados de eucalipto no Brasil no começo de 2008 pertenciam a essas gestoras de recursos florestais, participação que tenderia a aumentar continuamente haja vista que essas empresas já controlam parte significativa desses maciços florestais no mercado mundial. Recentemente (setembro de 2008) projetos de manejo sustentável e proteção ambiental dessa atividade tem sido foco de programas de financiamento do Banco Mundial, via IFC (International Finance Corporation). Dado a grande disponibilidade de terras aptas para o cultivo no Brasil, prevê-se um amplo rearranjo florestal mundial em direção à maior participação brasileira da oferta mundial. Neste 1 Em 2006, a aquisição pela Masisa da Tafisa (grupo português SONAE), grande produtor de MDF, foi desfeita pela empresa chilena. 24
  27. 27. sentido, os movimentos de integração vertical das fabricantes de compensados no controle de florestas parece ser uma questão fundamental da competitividade setorial. Assim, a busca por áreas de exploração e melhorias no manejo de florestas é uma atividade constante no setor. Por exemplo, a Floresta Nacional de Jamari (RO) tornou-se, em agosto de 2008, a primeira a ter áreas licitadas pelo governo federal para manejo sustentável, a ser controlado por um sistema de monitoramento de desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). As áreas licitadas somam 96 mil hectares e foram arrendadas para uso em 40 anos por cerca de R$3,8 milhões por ano.2 Outra iniciativa nesse sentido foi a criação da primeira Linha de Reciclagem de Madeira, pela Eucatex em outubro de 2008, através da qual a empresa pretende preservar 1 milhão de árvores por ano em suas áreas de reflorestamento e de reservas naturais. O setor busca ainda formas mais sustentáveis e menos dependentes de importação de insumos na manutenção dos maciços. É o caso da adoção de biossólidos, como o lodo, na adubação de plantações de florestas, que reduzem em 15% os custos em relação a fertilizantes de origem mineral. Entretanto, o transporte do lodo a partir de estações de tratamento de esgoto é muito custoso, o que torna a substituição do fertilizante viável apenas para maciços próximos a essas estações. Embora a parcela relevante da inovação do setor seja relacionada a processo, algumas iniciativas de inovação de produto podem ser observadas. Por exemplo, em 2008 a Duratex anunciou painéis de MDF e MDP certificados com proteção antibacteriana, o que, segundo a empresa, facilita a higienização do produto e proporciona maior durabilidade. Com isso, móveis fabricados com esse material estariam mais bem protegidos, assim como seriam um material mais adequado para móveis em ambientes úmidos (cozinhas, banheiros, lavabos e áreas de serviço). Este processo ilustra como a inovação no setor de madeiras pode repercutir favoravelmente no setor de móveis, via colaboração com fornecedores. 2 O consórcio liderado pela Alex Madeiras ganhou a Unidade de Manejo Florestal (UMF) I, com 17 mil hectares. Para a UMF II, com 33 mil ha, venceu a empresa Sakura. Já a empresa Amata venceu para a UMF III, com 46 mil ha. 25
  28. 28. 4. EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA DE MADEIRA Os indicadores de participação de mercado e mark-up das firmas do setor de madeira são apresentados para o período de 1996 a 2005, na classificação de líderes-seguidoras- frágeis. A metodologia consiste em identificar estas empresas em 2005 e calcular seus indicadores ao longo do período, para se obter uma análise temporal das firmas do setor classificadas como líderes, seguidoras e frágeis. O Gráfico 4.1 indica uma certa estabilidade da participação de mercado dos três grupos de empresas no segmento de Desdobramentos de Madeira. Os dados indicam a maior participação de mercado do conjunto das 369 seguidoras, com cerca de 70% do mercado em contraste com a participação de 10% das 5 líderes setoriais. As 514 empresas frágeis mantiveram cerca de 10% do mercado ao longo do período, percentual semelhante ao das líderes. Assim, pode-se inferir que nesse mercado o comportamento das seguidoras é especialmente importante. Em 2005, empresas seguidoras representavam 50% das quatro e das oito maiores empresas do setor segundo o faturamento. Gráfico 4.1 Participação de Mercado das Líderes, Seguidoras e Frágeis de 2005 (1996-2005, %) Desdobramentos de Madeira 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Líderes Seguidoras Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. 26
  29. 29. Ou seja, não existe uma completa associação entre líderes tecnológicas e líderes de mercado. Uma pequena parte das líderes tecnológicas não se encontra entre as maiores do mercado. Da mesma forma, parte das 4 e 8 empresas com maior participação no mercado setorial (CR-4 e CR-8, respectivamente) não exercem liderança de inovação tecnológica na indústria. Dado a estabilidade temporal dessas participações, é provável que essas inovadoras não incluídas entre as 4-8 maiores do setor explorem nichos de mercado de alto valor agregado, como por exemplo, o segmento não-commoditizado de madeiras nobres para a indústria de moveleira e construção civil de alto luxo. É possível também que as líderes tecnológicas que estão entre as maiores da indústria também operem nesses nichos, porém de maior porte no mercado externo. É interessante observar que a participação de mercado das 4 e 8 maiores empresas é muito pequena (Gráfico 4.2), o que não possibilita caracterizar liderança de mercado em sentido estrito nesta indústria, estando mais próxima de uma estrutura concorrencial do que oligopolística. Ainda assim, a tendência recente é de aumento da concentração da produção setorial, sem que tal movimento afete a participação das líderes tecnológicas e seguidoras. O que de fato parece estar ocorrendo é o crescimento de mercado das líderes e seguidoras de maior porte, refletido no aumento do CR-4 e CR-8. O indicador de primazia entre as 4 e 8 maiores é fortemente declinante, caindo de cerca de 30% em 1996 para 13% em 2005 (nas 4 maiores). Existem evidências que a maior empresa do setor não exerce liderança tecnológica. Neste sentido, o movimento declinante de primazia corrobora com o argumento de que as líderes tecnológicas e seguidoras de maior porte estão aumentando sua participação no CR-4 e CR-8. 27
  30. 30. Gráfico 4.2 Participação de Mercado Maiores Empresas de Desdobramentos de Madeira (1996- 2005) 25% 20% 15% 10% 5% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 CR4 CR8 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. Gráfico 4.3 Primazia da Indústria de desdobramentos de Madeira (1996-2005) 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Primazia 4 Primazia 8 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. 28
  31. 31. Os indicadores de mark-up para este setor de primeira transformação (Gráfico 4.4) mostram um comportamento estável, em torno de 40%, para o conjunto do setor. Entretanto, o mark-up das 4 e 8 maiores oscila bastante ao longo do período, especialmente entre as 4 maiores, em parte refletindo as fortes variações do câmbio. Em 2005, o mark-up das 4 maiores é duas vezes superior ao do setor, sendo que em 1996 estes eram bastante próximos. O aumento da participação de mercado das 4 e 8 maiores é acompanhado pela elevação do mark-up relativamente ao setor, o que também é consistente com a maior participação das líderes tecnológicas no CR-4 e CR-8. Gráfico 4.4 Mark-up (MK) das Firmas na Indústria de Desdobramentos de Madeira (1996-2005) 180% 160% 140% 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 MK total MK 4 maiores MK 8 maiores Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. Isto de alguma forma está refletido no mark-up das empresas líderes (Gráfico 4.5), que muda de patamar no período, saindo de cerca de 40% em 1996 para 60% em 2005, apesar de uma forte oscilação entre 2000/2005. As seguidoras mostraram um mark-up relativamente estável, também em torno de 60% no período, mas que passou a declinar em 2004 e atingiu 40% em 2005. Em 2005, o mark-up das líderes é superior ao das seguidoras, fato inverso ao observado em 1996. Esta evolução dos mark-up parece confirmar as evidências de que as inovadoras de maior porte estão ganhando terreno 29
  32. 32. entre 4 e 8 maiores do setor, enquanto as menores exploram nichos de mercado de alto valor agregado em segmentos não-commoditizados. Gráfico 4.5 Mark-up das Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis de 2005 (1996-2005, %) Desdobramentos de Madeira 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 ‐20% Líderes Seguidoras Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. O Gráfico 4.6 indica no setor de Produtos de Madeira a ampliação da participação de mercado das seguidoras no período de desvalorização cambial 1998-2003 e uma indicação de reversão desta participação a partir de 2004-2005, quando se inicia o movimento de apreciação do real. O caráter mais exportador das seguidoras, como ressaltado pelos dados anteriores, é certamente o principal fator explicativo desse comportamento. A participação de mercado do conjunto das seguidoras fica em 2005 próxima de 60%, enquanto as líderes perderam participação no período de desvalorização e parece iniciar uma recuperação no período recente de apreciação, coincidente com o aquecimento do mercado interno, especialmente da construção civil, chegando a cerca de 30% em 2005. De qualquer forma, a parte das líderes que disputa o mercado commoditizado do setor (MDF e MDP) mantém ao longo desses dez anos uma participação majoritária entre as quatro maiores empresas do setor e em igualdade de condições com as 4 maiores seguidoras no CR-8. As emergentes ainda possuem 30
  33. 33. diminuta participação no mercado e possivelmente devem ter um comportamento mais semelhantes às inovadoras menores, fora do CR-8. Gráfico 4.6 Participação de Mercado das Líderes, Seguidoras e Frágeis de 2005 (1996-2005, %) Produtos de Madeira 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. O Gráfico 4.7 evidencia que existe uma tendência crescente à concentração setorial, que se inicia com a desvalorização cambial a partir de 1998 e se mantém sem ser aparentemente afetada pelo processo recente de apreciação do real. Uma outra característica setorial interessante é a relativa estabilidade do compartilhamento da liderança do mercado entre as líderes tecnológicas e seguidoras de grande porte. Esta estabilidade se mantém ao longo de todo tempo simultânea a um vertiginoso crescimento da participação destas firmas na indústria, refletida no CR-4 e CR-8 que saem, respectivamente, de 18% e 24% em 1996 e atingem 23% e 33% em 2005. 31
  34. 34. Gráfico 4.7 Participação de Mercado Maiores Empresas de Produtos de Madeira (1996-2005) 35% 30% 25% 20% 15% 10% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 CR4 CR8 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. Gráfico 4.8 Primazia da Indústria de Produtos de Madeira (1996-2005) 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Primazia 4 Primazia 8 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. 32
  35. 35. Todas as evidências de sondagem conjuntural da indústria indicam que a empresa primaz do setor é líder tecnológica, dada sua conhecida liderança no mercado por mais de 30 anos, ao longo do qual acumulou conhecimento tecnológico nos padrões da melhor prática mundial. Sua primazia mostra-se relativamente estável de 1996 a 2002 e torna-se crescente a partir daí, atingindo sua participação em 2005 entre as 4 e 8 maiores acima de 50% e 35%, respectivamente. Ou seja, seu crescimento relativo dentro da indústria é concomitante ao forte crescimento setorial verificado no período recente, especialmente a partir de 2004. Gráfico 4.9 Mark-up das Firmas Líderes, Seguidoras e Frágeis de 2005 (1996-2005, %) Produtos de Madeira 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Líderes Seguidoras Frágeis Emergentes Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. O mark-up setorial no período (Gráfico 4.9) mostra grande oscilação, mas indica uma mudança de patamar para as líderes tecnológicas, saindo de cerca de 30% em 1996 para 50% em 2005, apesar de alguma oscilação entre 2000/2005. As seguidoras mostraram um mark-up bem mais oscilante, que se aproximou ao das líderes de 2000 a 2004, mas caiu bastante em 2005, ficando em 35%, refletindo possivelmente a apreciação cambial dos últimos anos. Assim, em 2005 o mark-up das líderes é superior ao das seguidoras em contraste com o do início da série, em 1996, quando eram bastante próximos. As frágeis 33
  36. 36. apresentam em 2005 um mark-up de 20%, semelhante ao observado em 1996. A evolução do mark-up das emergentes, de maior oscilação no período, está em consonância com sua maior instabilidade no mercado. É característico dessa evolução seu crescimento recente em linha com o aquecimento do mercado doméstico, indicando um provável nicho local de atuação, possivelmente em mercados regionais de alto valor agregado, especialmente São Paulo. Gráfico 4.10 Mark-up (MK) das Firmas na Indústria de Produtos de Madeira (1996-2005) 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 MK total MK 4 maiores MK 8 maiores Fonte: Elaboração própria a partir da PIA/IBGE. É contrastante o mark-up das categoriais de firma e o da indústria em seu conjunto, que se mostra muito estável, dentro dos padrões usuais de setores em fase incipiente de oligopolização. No caso das 4 e 8 maiores empresas aparentemente o mark-up é muito oscilante. No entanto, se observamos o seu nível ao longo dos anos ele nunca atinge níveis inferiores a 60%, o que é considerado alto mesmo em oligopólios mais consolidados. Está sempre acima não só da média da indústria como do mark-up de todas as quatro categorias de firmas, especialmente das líderes e seguidoras. Em suma, a crescente participação das grandes firmas na indústria, constituídas pelas líderes tecnológicas e seguidoras de grande porte, é consistente com os níveis mais elevados de mark-up que operam, sendo que as oscilações apresentadas ficam sempre acima do 34
  37. 37. “piso” de 60%, o que indica a capacidade dessas firmas administrarem com relativo sucesso suas margens planejadas de lucratividade. 5. SISTEMA SETORIAL DE INOVAÇÃO 5.1 REGIME TECNOLÓGICO SETORIAL Descreveremos o regime tecnológico dos setores da indústria e as condições de desenvolvimento de um sistema setorial de inovação. Desdobramentos de Madeira, que é a primeira fase da transformação da madeira, e Produtos de Madeira, que é a fase de produção de aglomerados e compensados com base em madeira. Uma primeira questão do regime tecnológico refere-se às diferenças de nível dos investimentos, que refletem estruturalmente as condições setoriais de oportunidades tecnológicas, acumulação de conhecimento relevante e apropriação pecuniária desse conhecimento, refletida na taxa de lucro das firmas do setor. Em geral, a taxa de investimentos tangíveis (Investimento/Faturamento), especialmente em máquinas e equipamentos, reflete a relação capital/produto do setor, ou seja, sua intensidade de capital e escala. Por sua vez, a taxa de investimentos intangíveis, especialmente em P&D, reflete o nível de intensidade de conhecimento científico incorporado nos produtos do setor. No caso da indústria de madeira, o setor de primeira transformação não é intensivo em capital nem em conhecimento. No entanto, os processos de cultivo e manejo de maciços florestais são crescentemente intensivos em conhecimento, especialmente em biotecnologia. Se a firma de primeira transformação está integrada verticalmente à produção de madeira em larga escala ou nichos, como madeiras nobres, possivelmente ela entra num regime tecnológico bem diferente das firmas representativas do setor. O padrão setorial é de baixas oportunidades tecnológicas, pequena acumulação de conhecimento incorporado no produto e baixo nível de apropriação. Os dados da Tabela 5.1 evidenciam estas características. A taxa de investimento setorial é baixa e a participação dos gastos em P&D na receita líquida das vendas também, significando um regime tecnológico numa posição inferior na matriz tecnológica mundial. Porém, uma vez 35
  38. 38. discriminados estes dois indicadores segundo a categoria de empresa, fica claro que as seguidoras possuem taxa de investimento superior e as líderes são as únicas que investem em P&D, com uma participação P&D/Faturamento ao nível da média da indústria de transformação brasileira. Em suma, tudo indica que o setor é tecnologicamente segmentado: as líderes têm um regime tecnológico de maiores oportunidades, cumulatividade e apropriação, possivelmente baseado em capacitações em genética de plantas e biotecnologia que as habilitam para ofertarem produtos sob encomenda, de alto valor agregado; as demais estão no regime tecnológico padrão do setor. Tabela 5.1 Importância para a Inovação na Indústria de Produtos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Total Número de empresas 5 369 514 888 Desdobramentos Investimento total / Faturamento (%) 4,4 5,72 4,2 5,36 de Madeira P&D / Faturamento (%) 0,58 0 0 0,06 Número de empresas 20 349 520 889 Produtos de Investimento total / Faturamento (%) 10,94 6,08 2,44 7,21 Madeira P&D / Faturamento (%) 0,52 0,05 0 0,18 Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. Figura 5.1 Investimento Total e Investimento em P&D de Desdobramentos de Madeira Investimento Gasto em P&D 0% 12% 8% 0% 80% 100% Líderes Seguidoras Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. A segunda questão refere-se à distribuição dos investimentos totais tangíveis e dos investimentos em P&D, intangíveis. A segmentação do setor em dois regimes tecnológicos é evidenciada: as seguidoras, por sua expressão numérica no setor, 36
  39. 39. representam 80% do investimento tangíveis, mas seu gasto em P&D é praticamente nulo. Já as líderes representam apenas 8% do investimento tangível e quase a totalidade dos gastos em P&D (Figura 5.1), o que corrobora a hipótese da segmentação dos regimes. Para efeito de comparação vamos analisar estes dois indicadores e a distribuição dos investimentos no setor de transformação final: Produtos de Madeira. A taxa de investimentos é bem mais elevada, especialmente das líderes (10,94%), indicando que o setor opera com algum nível de economias internas de escala na produção de bens homogêneos, mesmo que diversificados em três produtos com qualidades distintas e decrescentes (HDF, MDF e MDP) (Tabela 5.1). As diferenças de taxas de investimento entre líderes e seguidoras são substantivas, o que evidencia que, apesar dos processos produtivos semelhantes, pode haver diferenças nas escalas de produção se comparamos as médias destas duas categorias. Considerando apenas as firmas de grande porte do CR-8, as taxas de investimentos são equivalentes, que refletem as mesmas escalas de produção. Por outro lado, a participação P&D/receita é bem mais alta do que a do setor de primeira transformação. Neste indicador as diferenças entre líderes e seguidoras também são substantivas, o que indica heterogeneidade tecnológica entre as categorias sem caracterizar regimes tecnológicos distintos. Especialmente as seguidoras de maior porte, pertencentes ao CR-4 ou CR-8 setorial, também devem realizar algum esforço em P&D para a eficiência de seus mecanismos de imitação tecnológica. Comparando as líderes dos setores da indústria, a participação P&D/ receita é semelhante, confirmando que a trajetória da indústria, puxado pelas líderes, é de maior acumulação de conhecimento porém distante dos padrões dos setores com diferenciação de produto e mais ainda das chamadas “indústrias baseadas na ciência”. No tocante à distribuição dos investimentos tangíveis e de P&D, observa-se que a composição é menos desequilibrada, onde as seguidoras representam a maior parcela do investimento (54%), já as líderes são a maior parcela dos gastos em P&D (83%). As seguidoras compõem apenas 17% dos gastos em P&D. Ou seja, as estratégias competitivas de preço prêmio e vantagens absolutas de custos por parte das líderes em relação as seguidoras “representativas” são bem distintas dentro do regime tecnológico, que se caracteriza por níveis intermediários de oportunidades tecnológicas – especialmente ligadas ao plantio e manejo de florestas renováveis e diversificação de 37
  40. 40. produtos, de acumulação de conhecimento e nível de apropriação. É importante observar que o conhecimento acumulado no produto está, neste caso, muito associado com a condição de apropriação pecuniária do conhecimento, i.e., o produto das líderes deve ser commoditizado, porém, de qualidade superior em contraste com o produto das seguidoras. Figura 5.2 Investimento Total e Investimento em P&D de Produtos de Madeira Investimento Gasto em P&D 2% 17% 0% 44% 54% 83% Líderes Seguidoras Frágeis Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. De fato a Tabela 5.2 evidencia esta última diferença. As informações sobre a importância dos fatores para a inovação tecnológica revelam que preponderam para as líderes de Produtos de Madeira o papel dos fornecedores (65%) – da indústria química e petroquímica – e em segundo o papel dos departamentos internos de P&D, que devem estar associados ao maior tamanho das firmas. Para as seguidoras, nenhum fator é considerado de alta importância por um percentual significativo de firmas. Era de se esperar uma percentual maior para o papel dos concorrentes, haja vista que as seguidoras supostamente imitam as líderes, podendo este resultado indicar um viés de resposta. Em contraste, para o setor Desdobramentos de Madeira (Tabela 5.3), os clientes e consumidores são considerados de alta importância para a grande maioria das firmas líderes. E, em segundo lugar, as consultorias (40%). 38
  41. 41. Tabela 5.2 Importância para a Inovação na Indústria de Produtos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 20 349 520 Importância para departamentos de P&D 4 6 0 (20%) (1,71%) (0%) Importância alta para fornecedores 13 59 76 (65%) (17%) (14%) Importância alta para clientes e 2 72 79 consumidores (10%) (20%) (15%) Importância alta para concorrentes 3 35 26 (15%) (10%) (5%) Importância alta para empresas de 1 18 0 consultoria (5%) (5%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. Tabela 5.3 Importância para a Inovação na Indústria de Desdobramentos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 5 369 514 Importância para departamentos de P&D 1 1 0 (20%) (0%) (0%) Importância alta para fornecedores 2 83 11 (40%) (22%) (2%) Importância alta para clientes e 4 56 6 consumidores (80%) (15%) (1%) Importância alta para concorrentes 0 35 24 (0%) (9%) (4%) Importância alta para empresas de 2 11 0 consultoria (40%) (3%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. No caso das seguidoras (e frágeis) nenhum fator é particularmente relevante para grande parte das firmas. A hipótese de dois regimes tecnológicos parece ser, portanto, bem plausível, onde firmas líderes de primeira transformação devem estabelecer contratos estáveis de fornecimento para empresas moveleiras e de construção civil de alto luxo de produtos sob encomenda. Tudo indica que estas líderes de primeira transformação não sejam fornecedoras do setor de transformação final, que usa a matéria-prima da madeira 39
  42. 42. para a produção em massa de compensados. Fornecem, ao contrário, diretamente para as duas principais indústrias a jusante, que em seu segmento de alto luxo exigem madeira maciça com certificação de origem. As fontes mais importantes de inovação para as 5 líderes de Desdobramentos de Madeira (Tabela 5.4) são universidades (100% das líderes), instituições de teste (80%), feiras e exposições (60%) e redes de informação (60%). A atribuição unânime da alta importância da universidade como fonte de informação para a inovação confirma nossa conjectura de que o acesso ao conhecimento de melhoramento genético e biotecnológico deve ser vital do esforço de inovação tecnológico desse restrito número de firmas, sob um regime tecnológico distinto daquele das firmas representativas da indústria. Tabela 5.4 Fontes da inovação na Indústria de Desdobramentos de Madeira (número de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 5 369 514 Importância para Universidade 5 5 4 (100%) (1%) (0,7%) Importância alta para centro de 2 11 0 capacitação (40%) (3%) (0%) Importância alta para instituições de teste 4 3 0 (80%) (0,8%) (0%) Importância alta para feiras e exposições 3 53 28 (60%) (14%) (5%) Importância alta para redes de informação 3 44 0 (60%) (12%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. Os dados da Tabela 5.5 sobre a cooperação para inovação no segmento corroboram as evidências de que a cooperação é pouco importante no setor: apenas 40% das líderes cooperam para inovação, e 20% cooperam em P&D com fornecedores. 40
  43. 43. Tabela 5.5 Cooperação para Inovação na Indústria de Desdobramentos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 5 369 514 Cooperação para inovação 2 6 0 (40%) (1%) (0%) Importância alta para cooperação com 0 0 0 clientes e consumidores (0%) (0%) (0%) Importância alta para cooperação com 0 6 0 fornecedores (0%) (1%) (0%) Importância alta para cooperação com 0 0 0 concorrentes (0%) (0%) (0%) Cooperou em P&D com fornecedores 1 0 0 (20%) (0%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. No segmento de Produtos de Madeira, as fontes de inovação mais importantes (Tabela 5.6) para as líderes são feiras e exposições (40%). Universidades e redes de informação são fatores pouco citados como relevantes. No entanto, um grupo restrito de líderes e de seguidoras, provavelmente as de maior porte que constituem o CR-4 e CR-8 do setor, declaram a alta importância de centros de capacitação e redes de informação, confirmando que estas firma estão atualizadas na melhor prática mundial do setor. Tabela 5.6 Fontes da inovação na Indústria de Produtos de Madeira (número de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Número de empresas 20 349 520 Importância para Universidade 0 4 0 (0%) (1%) (0%) Importância alta para centro de 3 4 0 capacitação (15%) (1%) (0%) Importância alta para instituições de teste 4 13 0 (20%) (3%) (0%) Importância alta para feiras e exposições 8 71 69 (40%) (20%) (13%) Importância alta para redes de informação 4 50 36 (20%) (14%) (7%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. 41
  44. 44. A Tabela 5.7 indica que a cooperação para inovação no segmento é pouco significativa, apenas 15% das líderes cooperam para inovação, e apenas 10% cooperam com fornecedores. Aqui novamente a cooperação é relevante apenas por um diminuto número de líderes e seguidoras, possivelmente as de maior porte do setor, especialmente junto aos fornecedores. Tabela 5.7 Cooperação para Inovação na Indústria de Produtos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Líderes Seguidoras Frágeis Cooperação para inovação 3 8 0 (15%) (2%) (0%) Importância alta para cooperação com 0 2 0 clientes e consumidores (0%) (0,5%) (0%) Importância alta para cooperação com 2 2 0 fornecedores (10%) (0,5%) (0%) Importância alta para cooperação com 0 2 0 concorrentes (0%) (0,5%) (0%) Cooperou em P&D com fornecedores 2 2 0 (10%) (0,5%) (0%) Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. 5.2 PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO A participação de capital estrangeiro na indústria de madeira não era muito significativa em 2005 (Tabela 5.8). Apenas 11 empresas em Desdobramentos de Madeira foram identificadas como de capital estrangeiro, todas seguidoras. Como destacado anteriormente, as seguidoras nesse segmento são as principais empresas exportadoras o que provavelmente se associa à propriedade do capital. Um dado interessante é que apenas 54% das estrangeiras são inovadoras, ao passo que todas as seguidoras nacionais são inovadoras. Assim, a propriedade de capital estrangeiro no segmento pode estar associada a exportações de produtos com menos conteúdo tecnológico e de inovação. Para Produtos de Madeira, 11 empresas foram identificadas como de capital estrangeiro, todas seguidoras (Tabela 5.9). O percentual de inovadoras entre estrangeiras é um pouco 42
  45. 45. superior ao das nacionais seguidoras. Os outros indicadores mostram pouca diferenciação entre nacionais e estrangeiras. Cabe ressaltar o crescente interesse de empresas estrangeiras de grande porte no mercado brasileiro, como as chilenas Masisa e Arauco e o grupo português Sonae, através de sua subsidiária nacional Talisa, considerado o maior fabricante mundial de compensado em capacidade instalada. A Masisa é líder de produção no setor nos demais países da América Latina. Os dados da PIA até 2005 possivelmente ainda não captaram a entrada no mercado nacional desses atores da indústria em escala mundial. Tabela 5.8 Firmas Estrangeiras na Indústria de Desdobramentos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Empresas Seguidoras Nacionais Estrangeiras Número de Empresas 358 11 Investimento em máquinas e 55% 32% equipamentos em relação ao investimento total Inovadoras 100% 54% Exportadoras 77% 100% Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. Tabela 5.9 Firmas Estrangeiras na Indústria de Produtos de Madeira (números de empresas e participação no total, 2005) Empresas Seguidoras Nacionais Estrangeiras Número de Empresas 338 11 Investimento em máquinas e 52% 73% equipamentos em relação ao investimento total Inovadoras 42% 63% Exportadoras 98% 91% Fonte: Elaboração própria a partir da PIA e PINTEC/IBGE. 43

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