Desenvolvimento emocional 09 2010

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Desenvolvimento emocional 09 2010

  1. 1. Desenvolvimento EmocionalO modelo Psicanalítico<br />Profa. Mª Eliza P. Finazzi, Ph.D.<br />Faculdade de Filosofia São Bento<br />Curso de Filosofia<br />DisciplinaPsicologiadaEducação<br />1ª série - 2º sem. matutino<br />Agosto - 2010<br />
  2. 2. Desenvolvimento Afetivo/Emocional<br />Social<br />Físico<br />Cognitivo<br />Afetivo<br />Emocional<br />Desenvolvimento <br />pressupõem<br />Amadurecimento...<br />
  3. 3. Desenvolvimento Afetivo/Emocional<br />“O coração tem razões que a própria razão desconhece” (Pascal opondo o método afetivo ao geométrico)<br />“Não existe pensamento sem afeto , e não existe afeto sem uma imagem , uma idéia...Afeto e pensamento estão sempre juntos”(Bock etal, 2009)<br />A VIDA AFETIVA é um dos aspectos integrantes da subjetividade humana<br /><ul><li>Estudo da razão tem sido privilegiado (principalmente pela ciência)
  4. 4. Afetos seriam deformadores do conhecimento objetivo</li></li></ul><li>Desenvolvimento Afetivo/Emocional<br />Vida Afetiva ou afeto: estados pertencentes à gama de prazer-desprazer, <br />Ex: angústia – dor, luto, aniquilamento, afanisia<br />
  5. 5. Diferença entre Emoções e Sentimentos<br />EMOÇÕES: estados interiores caracterizados por pensamentos, sensações, reações fisiológicas e comportamento expressivo específico que não podem ser observados ou medidos diretamente; surgem de forma súbita, são incontroláveis; não determinariam o comportamento, mas aumentam o o incitamento, a reatividade ou a irritabilidade; componentes fisiológicos, subjetivos e comportamentais (Davidoff,2001)<br />SENTIMENTOS: estados mais atenuados e duradouros , não vêem acompanhados de reações orgânicas intensas; manifestação de afetos básicos como ódio e amor (ex:enamoramento, ternura, amizade, gratidão, antipatia etc) (Bock etall, 2009)<br />São aspectos importantes que alimentam nossa vida psíquica; dão cor e sabor à vida ;auxiliam na tomada de decisão<br />
  6. 6. A Psicanálise como uma teoria do Desenvolvimento Emocional <br />
  7. 7. Desenvolvimento EmocionalSigmund Freud<br />
  8. 8. Desenvolvimento EmocionalSigmund Freud<br />Psicanálise: um dos marcos do século XX<br />Criador: Sigmund Freud<br />Nascido em Freiberg, Morávia, em 1856<br />Formou-se médico em Viena aos 25 anos<br />Teve como grande colaborador Josef Breuer<br />Através do Dep. de Dermatologia interessa-se pelas conexões entre a sífilis e várias moléstias do sistema nervoso<br />Entre 1880 e 1890 fixa-se como neurologista<br />Introduz explicações funcionais correlacionando áreas motoras, acústicas e visuais do cérebro.<br />
  9. 9. Surgimento da PsicanáliseSigmund Freud: professores e colegas<br />Estuda a histeria em Paris com Charcot<br />Charcot: através da hipnose elimina-se temporariamente os sintomas histéricos<br />Fenômenos histéricos e hipnose constituem um mesmo processo<br />Trabalhos sobre sugestão pós-hipnótica (Liebaut e Bernheim): existem processos inconscientes, subjacentes e determinantes sobre a conciência<br />Tem como colaborador o médico vienense Joseph Breuer<br />
  10. 10. Charcot e Joseph Breuer<br />
  11. 11. Surgimento da PsicanáliseSigmund Freud: professores e colegas<br />Breuer pesquisava o tratamento da histeria com hipnose na Áustria <br />Sua paciente Ana O: através do sonambulismo hipnótico provocado para acalmar, a paciente episódios passados traumáticos, não conscientes para ela e nem sabidos pelo médico<br />Seus sintomas histéricos desapareciam quando passava a saber sobre os fatos por ela narrados<br />
  12. 12. Surgimento da PsicanáliseSigmund Freud: professores e colegas<br />Método Catártico : eliminar sintomas com a recordação dos episódios traumáticos passados<br />“A cura pela fala” – Ana O<br />A troca profissional entre Breuer e Freud se intensifica, e publicam juntos<br />A ruptura ocorreu quando Freud escreve sobre a sexualidade infantil <br />
  13. 13. PsicanáliseImportantes obras de Freud<br />Os Estudos sobre a Histeria (1893-1895; juntamente com Breuer)<br />A Interpretação dos Sonhos (1900)<br />Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)<br />Três Ensaios sobre uma teoria Sexual (1905)<br />O Pequeno Hanz ; O Homem dos Ratos; O caso Schreber (1909-1911; casos clínicos)<br />O Instinto e seus Destinos (1915)<br />Luto e Melancolia (1917)<br />Mais Além do Princípio do Prazer (1920)<br />O Ego e o Id (1923)<br />Inibição Sintoma e Angústia (1926)<br />
  14. 14. Conceitos Psicanalíticos- Consciente e Inconsciente O modelo Topológico<br />1916 – Conferência Introdutória em Psicanálise<br />Três grandes feridas narcísicas:<br />1- Copérnico – tira a terra do centro do universo;<br />2- Darwin – em A origem das espécies na luta pela vida” ser humano resultante de evolução e não da criação;<br />3- Freud – descoberta do inconsciente pois tira do homem o domínio sobre sua própria vontade<br />
  15. 15. Conceitos PsicanalíticosConsciente e Inconsciente – O Modelo Topológico<br />Sugestão pós-hipnótica de Bernheim: existência de dois processos psíquicos paralelos, um consciente e outro inconsciente (ex:hipnotizado paciente recebe uma sugestão que será realizada após aordar e sem saber exatamente o por quê) <br />O inconsciente determina as ações do sujeito sem que este perceba<br />
  16. 16. Conceitos PsicanalíticosConsciente e Inconsciente – O Modelo Topológico<br />Atendimento clínico de Breuer: Ana O<br />Apresentava sintomas histéricos e estados de alterações psíquicas (estados de “absence”) no qual dizia coisas fragmentadas;<br />Foi usada a hipnose como processo de apaziguamento das tensões;<br />Repetição das palavras ditas em “absence” durante hipnose + associação = relato da morte do pai;<br />Desperta deixa de apresentar sintomas de paralisia.<br />
  17. 17. Conceitos PsicanalíticosConsciente e Inconsciente – O Modelo Topológico<br />“O evento traumático reprimido, que não faz parte da percepção consciente e que ao ser recordado traz junto a vivência de toda a emoção anteriormente reprimida” (Rappaportetal, 1985)<br />Traumas sofridos não poderiam ser percebidos pela consciência, passando direto para o inconsciente, onde permaneceriam enquistados e sem elaboração;<br />Sintoma seria a reação do organismo ao trauma;<br />Passividade do doente sem poder raagir ou elaborar o trauma;<br />Através da hipnose seriam criadas condições para que o trauma ressurgisse à consciência, sendo experienciado com toda a carga afetiva que não fora vivida na hora do trauma.<br />Depois Freud abandona o método e a hipnose.<br />
  18. 18. Conceitos PsicanalíticosConsciente e Inconsciente – O Modelo Topológico<br />Depois Freud abandona o método Catártico e a hipnose<br />Inicia a técnica sugestiva: afirma ao paciente que ele poderá se lembrar do acontecimento traumático sofrido, que ele conscientemente não sabe, mas estaria guardado no inconsciente<br />Sugestão de quando pusesse a mão sobre a cabeça do paciente ele se recordaria<br />Obteve bons resultados com a colaboração do paciente<br />
  19. 19. Conceitos PsicanalíticosResistência e Repressão<br />Observou uma força que se opunha à percepção consciente<br />Chamou-a de RESISTÊNCIA<br />As recordações traumáticas não estariam imobilizadas no inconsciente<br />Quanto mais doloroso o evento reprimido maior a força necessária para tornar-se consciente = REPRESSÃO<br />
  20. 20. Conceitos PsicanalíticosResistência e Repressão<br /><ul><li>Força mobilizada para que o indivíduo não entre em contato com conteúdos contrários às suas normas, tirando da consciência a percepção de acontecimentos cuja dor o indivíduo não pode suportar.</li></ul>RESISTÊNCIA E REPRESSÃO : passagem do modelo estático para o dinâmico<br />Dinâmica do afastamento da angústia (luta interena que consome as energias <br />
  21. 21. DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Conceitos Básicos da Psicanálise<br /><ul><li>Importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento de uma estrutura de personalidade normal ou patológica e, portanto, fundamentais para a adaptação eficaz ao meio ambiente na vida adulta
  22. 22. Processos psicológicos ocorrem sempre paralelamente aos processos biológicos de base
  23. 23. Consciente e inconsciente (ex. ato falho, sonho)
  24. 24. Repressão (retira da consciência um evento)
  25. 25. Resistência (mantém um evento inconsciente)
  26. 26. Sintoma (representantes do reprimido) (compromisso entre o desejo e a proibição) (linguagem simbólica)</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Conceitos Básicos da Psicanálise<br /><ul><li>Aparelho psíquico</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Conceitos Básicos da Psicanálise<br /><ul><li>A energia afetiva original (libido) organiza-se em fases de desenvolvimentoemocional suportada por uma organização biológica emergente (fases psicossexuais)</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Fase Oral (0 – 24 meses)<br /><ul><li>Contato com o mundo para satisfazer necessidades é através da boca e amamentação no seio da mãe
  27. 27. Movimentos reflexos (sugar o seio)
  28. 28. A modalidade é incorporativa porque a criança apreende o mundo em si através da boca:
  29. 29. Mundo internode fantasias é vivido como realidade
  30. 30. Realidade objetiva externa é apreendida apenas parcialmente, em fragmentos
  31. 31. Portanto, não há noção “eu” – “outro”
  32. 32. Os dentes concretizam a agressividade
  33. 33. Desenvolvimento normal: amor é o sentimento básico
  34. 34. Desenvolvimento com muita angústia: agressividade e destrutividade prevalecerão (esquizofrenia ou psicose maníaco depressiva)</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Fase Anal (2 – 3 anos)<br /><ul><li>O controle muscular é desenvolvido: preensão de objetos, andar, falar, controle esfíncteres
  35. 35. Movimentos finos e coordenados
  36. 36. Noção que possui coisas boas, as quais pode ofertar ou negar ao mundo (ex. anda quando quer)
  37. 37. Cada realização é uma vitória
  38. 38. Cada fracasso é incompreendido
  39. 39. Produtos reconhecidos como bons: sente-se boa
  40. 40. Produtos reconhecidos como ruins: sente-se má
  41. 41. Início da socialização (jogo paralelo)
  42. 42. Desenvolvimento normal: sentimento geral de adequação
  43. 43. Angústia intensa: paranóia (projeção - do mal) neurose obsessiva (controle - do que e para quem)</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Fase Fálica (3 – 4 anos)<br /><ul><li>Da diferenciação “eu”-“outro” para “menino-menina”
  44. 44. Preocupação com diferenças sexuais em termos de presença ou ausência de pênis (fálico)
  45. 45. Organização de modelos de relação entre homem e mulher
  46. 46. Primeira figura do sexo oposto amada pela criança: progenitor (Complexo de Édipo)
  47. 47. Tabu do incesto: lei mínima da organização humana (Superego)
  48. 48. Desenvolvimento normal: organização preliminar da sexualidade
  49. 49. Angústia intensa: histeria, fobias</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Período de Latência – Idade escolar<br /><ul><li>Repressão da energia sexual até adolescência
  50. 50. Canalização da energia para outras finalidades:
  51. 51. Desenvolvimento intelectual / dificuldades
  52. 52. Socialização / isolamento
  53. 53. Primeiras relações sociais:
  54. 54. Grupos de meninos e meninas – atividades próprias do sexo (brincadeira de casinha - bola)
  55. 55. Grupo com características comuns (amigos da rua)
  56. 56. Estes grupos possuem regras rudimentares da socialização adulta (liderança, força, até crueldade)
  57. 57. Função de progressivo afastamento da família, mas os valores são os dos pais: para identidade
  58. 58. Apelidos (bons ou ruins): pertinência ao grupo</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Adolescência<br /><ul><li>Momento ambíguo: aquisiçõese perdas
  59. 59. Necessário adequado desenvolvimento emocional anterior para que as perdas – próprias da fase – sejam elaboradas no plano simbólico, sem ameaça real
  60. 60. Elaboração do luto pela perda do corpo infantil, recém dominado, substituído pelo corpo adolescente que cresce rapidamente, fica desproporcional e desajeitado
  61. 61. estranho no próprio corpo
  62. 62. Internalização da infância valorizada ou apego ao passadoe às atitudes infantis (surtos neuróticos e psicóticos)
  63. 63. Construção de uma identidade sexual</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Adolescência<br /><ul><li>Erikson (in Rappaport, 1981-82): definição das identidades na adolescência
  64. 64. Identidade sexual: das identificações com os outros passa para a identidade, a fim de buscar uma relação com o outro sem contaminações
  65. 65. Profissional: capacidade de sentir-se membro ativo e produtivo dentro do grupo social
  66. 66. Ideológica: como regenerador vital no processo de evolução social, fornecendo lealdade e energias para sua conservação ou modificação (ideologia política, religiosa)</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Fase Genital (Vida Adulta)<br /><ul><li>Freud: homem normal é aquele que é capaz de “amar etrabalhar”
  67. 67. Elaboração do mundo objetivo, possível pela adaptação biológica e psicológica que lhe permite:
  68. 68. Discriminar seu papel como pessoa
  69. 69. Desenvolver a inteligência e a sociabilidade</li></li></ul><li>DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Fase Genital (Vida Adulta)<br /><ul><li>Isto o torna capaz de sublimar, ou seja, de canalizar seus desejos afetivos em atividades socialmente produtivas:
  70. 70. Obras sociais
  71. 71. Profissão
  72. 72. Ideologia (política, religiosa)</li></ul>Vida saudável é possível graças a um desenvolvimento saudável, porém crises fazem parte da vida<br />
  73. 73. DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL<br />Vida Adulta<br /><ul><li>Crise (Caplan): reações de uma pessoa a eventos traumáticos (morte de pessoa querida, nascimento prematuro de um filho, perda de emprego, doença)
  74. 74. As crises ocorrem por mudanças internas ou externase enfraquecem temporariamente a estrutura do ego
  75. 75. A solução para uma crise pode ser saudável ou doentia, já que deve ocorrer uma resolução / mudança de ação
  76. 76. A intervenção eficiente (profissional ou não) é mais prontamente aceita porque o sujeito está vulnerável</li>

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