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    Livro de resumo do 14º agrocafé 2013   simpósio nacional do agronegócio café Livro de resumo do 14º agrocafé 2013 simpósio nacional do agronegócio café Document Transcript

    • 2ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE CAFÉ DA BAHIA14° AGROCAFÉLIVRO DE RESUMOSXIV SIMPÓSIO NACIONAL DO AGRONEGÓCIO CAFÉSalvador, BA, 11 a 13 de março de 2013Salvador, BA2013
    • 3Simpósio Nacional do Agronegócio Café (14. : 2013 : Salvador, BA)Resumos / XIV Simpósio Nacional do Agronegócio Café, Salvador, BA, 11 a 13 de marçode 2013. Salvador, BA: Associação dos Produtores de Café da Bahia, 2013.60p.Organização: Guilherme Augusto Vieira1.Café – Produção. 2. Agronegócio. 3. Bahia – Congresso. I. Vieira, Guilherme AugustoII. Título.CDD: 633.73
    • 4ORGANIZADORGuilherme Augusto VieiraDoutorando em História das Ciências, UFBA/UFFSCoordenador da Comissão Científica XIV AGROCAFÉQualyagro Consultoria & TreinamentoFone: (71) 9161-2740E-mail: guilhermevet1@hotmail.comguilherme@farmacianafazenda.com.br
    • 5APRESENTAÇÃONesta 14° Edição do nosso Simpósio, abordamos temas atuais do maiorinteresse do Agronegócio e particularmente do café.As alterações climáticas que estão acontecendo no mundo têm causadopreocupações e prejuízos no nosso setor, sendo importante termos a noçãoexata do que está, e o que poderá acontecer no futuro.Outro assunto é a comprovação do efeito benéfico do consumo de café naqualidade de vida e na longevidade do ser humano.
    • 6SUMÁRIODesenvolvimento e Caracterização de Soluções Filmogênicas e Embalagens de Ami-Do de Mandioca Incorporados com Extrato de Café..................................................... 8Alterações Morfológicas de Cafeeiros Associados a Diferentes Densidades de Gre-víleas ........................................................................................................................... 11Potencial Hídrico Foliar de Cafeeiros Associados com Diferentes Densidades dePlantio de Grevíleas.................................................................................................... 14Avaliação do Rendimento de Frutos de Café Cultivado em Sistema ArborizadoPor Grevíleas em Diferentes Densidades de Plantio.................................................. 17Determinação da Cobertura do Solo por Análises de Imagens em Áreas de Cultivode Cafezais Arborizados em Diferentes Densidades.................................................. 20Disposição de Serrapilheira em Área de Cafeeiros Associados com DiferentesDensidades de Grevíleas............................................................................................ 23Indicação Geográfica para os Cafés do Planalto de Vitória da Conquista................. 26Estudo de Caso Sobre a Participação do Crédito Rural no Funding Necessário paraA Produção de Café no Brasil...................................................................................... 29Café Solúvel Brasileiro e o Aquecimento do Mercado de Robusta............................ 32Níveis de Gestão da Qualidade na Produção Cafeeira: Estudo Exploratório.............. 35Comparação das Variedades de Arábica do IAC entre Regiões e Tecnologias Dis-tintas........................................................................................................................... 38IPR 103: Cultivar de Café Arábica Rústica mais Adaptada para Regiões Quentese Solos Pobres.......................................................................................................... 41
    • 7Estudo da Produção Cafeeira em Sistemas de Gestão Familiar nas RegiõesDe Barra do Choça e Vitória da Conquista-BA.................................................... 45Desenvolvimento Reprodutivo no Subperíodo Florescimento em Cafeeiros(Coffea arábica L.) CV. Catuaí, sob Diferentes Densidades de Grevíleas............ 49Alterações Morfológicas em Grevíleas Associadas em Diferentes Densidadesde Plantio com Cafezais........................................................................................... 52Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA): criando oportunidadeso Brasil................................................................................................................. 55Conteúdo de Água no Solo na Projeção da Copa de Cafezais sob DiferentesDensidades de Grevíleas....................................................................................... 58
    • 8DESENVOLVIMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE SOLUÇÕES FILMOGÊNICAS EEMBALAGENS DE AMIDO DE MANDIOCA INCORPORADOS COM EXTRATO DECAFÉLindaiá Santos Cruz1*, Luana de Oliveira Melo Naponucena1,2, Luciana Emanuela FerreiraSaraiva1,2, Aline Silva Costa1, Wagner Barbosa Bramont1, Bruna Aparecida Souza Machado1,Janice Izabel Druzian21Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, Alimentos e Bebidas, Avenida Dendezeiros do Bonfim,40015006, Salvador, Bahia, Brasil2Faculdade de Farmácia, Universidade Federal da Bahia – UFBA, Rua Barão de Geremoabo s/n, 40170290,Salvador, Bahia, BrasilINTRODUÇÃOA oxidação é um dos fatores que mais interferem na qualidade dos alimentos e em suavida de prateleira. A constante preocupação em oferecer aos consumidores produtos de altaqualidade, tem levado a adoção de medidas que permitem limitar o processo de oxidação, comoa utilização de embalagens ativas contendo agentes antioxidantes, como o café, que é um aditivonatural (MACHADO, 2011).A fim de se amenizar os problemas ambientais causados por embalagens sintéticas tem-se crescido o interesse por embalagens ativas oriundas de matrizes poliméricas naturais, como oamido. O café é um alimento rico em compostos antioxidantes, como por exemplo, compostosfenólicos, incluindo flavonoides e ácidos clorogênicos.Diante de tal problemática, esse trabalho apresenta o desenvolvimento de embalagenscomestíveis de amido de mandioca adicionados de extrato de café, bem como a caracterizaçãodos mesmos quanto às propriedades de barreira e também a caracterização das soluçõesfilmogênicas utilizadas para a preparação das embalagens.MATERIAL E MÉTODOSOs filmes foram desenvolvidos a partir do preparo de uma solução filmogênica. Essasolução foi composta por água destilada, amido de mandioca (5%), açúcar invertido (1,4%),sacarose (0,7%) e café solúvel (0,25%, 0,5%, 0,75% e 1%). As soluções foram submetidas aaquecimento até a temperatura de gelatinização do amido (70°C), em banho-maria, sob agitaçãoconstante (VEIGA-SANTOS & SCAMPARINI, 2004). Em seguida, a mistura foi mantida emrepouso até resfriamento completo. Após o resfriamento, as soluções foram caracterizadas emrelação à Umidade, teor de sólidos Totais e pH.Para o desenvolvimento das embalagens, pesou-se 40 g da solução em placas de Petride polietileno. Em seguida, as placas foram levadas à estufa com circulação de ar (35°C± 2°C)para secagem do solvente. Os mesmos foram armazenados em dessecadores contendo soluçãode cloreto de sódio e caracterizadas quanto as propriedades de barreira (umidade e atividade deágua) e teor de sólidos totais, conforme metodologia proposta por VEIGA-SANTOS &SCAMPARINI (2004). Todas as análises foram feitas em triplicata.RESULTADOS E DISCUSSÃOAs soluções filmogênicas de amido de mandioca, plastificadas sacarose e açúcarinvertido e aditivadas com diferentes concentrações de extrato de café, foram preparadas deacordo com a metodologia proposta por VEIGA-SANTOS & SCAMPARINI (2004), e estãoapresentadas na Figura 1. A Figura 2 apresenta as embalagens de amido e aditivadas comdiferentes concentrações de extrato de café, bem como, o controle.
    • 9Figura 1. Soluções filmogênicas de amido de mandioca: C (controle), F1 (0,25% de café), F2(0,5% de café), F3 (0,75% de café) e F4 (1% de café).Figura 2. Embalagens de amido de mandioca: C (controle), F1 (0,25% de café), F2 (0,5% decafé), F3 (0,75% de café) e F4 (1% de café).A partir das análises de caracterização das soluções filmogênicas, observou-se que aumidade variou de 92,49 a 93,14%, enquanto que o percentual de sólidos totais, variaram de6,86 a 7,51%, entre a formulações aditivas com extrato de café. O pH das soluçõesapresentaram valores bastante semelhantes. Estes resultados encontram-se apresentados naTabela 1.Tabela 1.: Caracterização das soluções filmogênicas: U (umidade); ST (sólidos totais); pHSOLUÇÃO U (%) ST (%) pHC 93,33±0,04 6,67±0,34 5,33±0F1 93,14±0,03 6,86±0,03 4,96±0,01F2 92,99±0,03 7,01±0,03 4,93±0,02F3 92,81±0,02 7,19±0,02 4,91±0,01F4 92,49±0,04 7,51±0,04 4,89±0,02Na Tabela 2 são apresentados os valores encontrados para as determinações de sólidostotais (ST), umidade (U) e atividade de água (aw) dos filmes preparados com os diferentesconcentrações do aditivo natural (extrato de café) e o controle.Tabela 2: Caracterização das embalagens de amido: U (umidade); ST (sólidos totais); aw(atividade de água).Embalagens U (%) ST (%) awC 12,20±0,33 87,80±0,33 0,742±0,004F1 11,67±0,01 88,33±0,01 0,858±0,001F2 13,64±0,36 86,64±0,36 0,809±0,001F3 13,34±0,25 86,66±0,25 0,852±0,001F4 15,35±0,18 84,65±0,18 0,814±0,003C F1 F2 F3 F4C F1 F2 F3 F4
    • 10Os valores de sólidos totais para os filmes com polpa de manga variaram de 84,65 a88,33%. Valores inferiores aos encontrados neste estudo para o teor de sólidos totais foramrelatados por SANTANA et al., (2013), que incorporaram urucum como aditivo antioxidante emembalagens biodegradáveis a base de quitosana (78,94 a 79,81%). MACHADO et al., (2012)encontrou variações de 81,22% a 84,50% nos teores de sólidos totais para filmes biodegradáveisde amido de mandioca incorporados com nanocelulose como reforço e com extrato de erva-mate como aditivo antioxidante, sendo estes resultados semelhantes aos encontrados nesteestudo para filmes de amido aditivados com polpa de manga e acerola.Em relação ao parâmetro de umidade, foram encontrados variações de 11,67 a 15,35%para os filmes de amido incorporados com extrato de café. Alguns trabalhos na literaturadescrevem a umidade de filmes biodegradáveis de quitosana (SANTANA et al., 2013) e deamido de mandioca (MACHADO et al., 2012), os quais variam de 20,19 a 21,06% e 15,50% a18,78%, respectivamente.É estabelecido na literatura que o principal fator na estabilidade de um alimento não é aumidade, mas sim a disponibilidade da água para o crescimento de microrganismos e reaçõesquímicas. O conceito de atividade de água (aw) é universalmente adotado por pesquisadores eespecialistas da área de alimentos para quantificar a disponibilidade de água presente noalimento que permita o crescimento de microrganismos e o acontecimento de reações químicas.Neste contexto, o percentual de água presente nas embalagens biodegradáveis, medida atravésda aw, é um parâmetro importante na utilização de um material ou biomaterial comoembalagem. Produtos com aw mais baixa geralmente estão menos sujeitos à degradação pormicrorganismos e à alterações químicas (MÜLLER et al., 2008). Os valores de aw variaram de0,814 a 0,858 entre as formulações, e maiores do que o controle (0,742) sendo assimconsiderados produtos de umidade elevada.CONCLUSÕESConcluiu-se que a adição de café nas proporções utilizadas nos filmes mantiveram próximas aspropriedades de barreira dos mesmos. Os filmes comestíveis são uma boa alternativa para seminimizar os problemas ambientais, visto que podem no futuro substituir as embalagenssintéticas. A incorporação de extrato de café é viável como um aditivo natural com propriedadesantioxidantes.REFERÊNCIASMACHADO, B. A. S. Desenvolvimento e caracterização de filmes flexíveis de amido demandioca com nanocelulose de coco. 2011, 151 p. Dissertação (Mestrado em Ciências deAlimentos) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal da Bahia, Salvador – BA.MACHADO, B. A. S.; NUNES, I. L.; VARGAS, F. P.; DRUZIAN, J. I. Desenvolvimento eavaliação da eficácia de filmes biodegradáveis de amido de mandioca com nanocelulose comoreforço e com extrato de erva-mate como aditivo antioxidante. Ciência Rural, 2012.MÜLLER, C. M. O.; YAMASHITA, F.; LAURINDO, J. B. Evaluation of the effects ofglycerol and sorbitol concentration and water activity on the water barrier properties of cassavastarch films through a solubility approach. Carbohydrate Polymers, v. 72, p. 82–87, 2008.SANTANA, Maria Cecília Castelo Branco de et al. The incorporation of annatto as antioxidantadditive based biodegradable packaging chitosan. Ciência Rural, 2013.VEIGA-SANTOS, P.; SCAMPARINI, A.R.P. Indicador irreversível de temperatura utilizandocarboidratos. PI0403610-7 A2, patente protocolizada no INPI, 2004.*Lindaiá Santos Cruz– lindaias@fieb.org.br
    • 11ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DE CAFEEIROS ASSOCIADOS A DIFERENTESDENSIDADES DE GREVÍLEASPerla Novais de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Luan Santos de Oliveira5, JerffsonLucas Santos3, Lucialdo Oliveira D´arêde4, Greice Marques Barbosa4¹Graduanda do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista CNPq, perla_oliveira2@hotmail.com; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Graduando do curso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb; 4Pós-Graduando doPrograma de Mestrado em Fitotecnia da UESB; 5Graduado do Curso de Agronomia da UESB.INTRODUÇÃOCoffea arabica L., pertencente à família das Rubiaceas, é originária da Etiópia, nasáreas de maior altitude, em meio às florestas tropicais, onde se desenvolve sob sombreamento,como vegetação de sub-bosque (MORAES, 2008; BRITO, 2012; MANCUSO, 2012). SegundoLunz (2006) e Righi et al. (2007) o café possui uma elevada adaptação fenotípica, podendo sercultivado em ambientes a pleno sol ou sombreados.A arborização na agricultura é uma técnica muito utilizada em países equatoriais paraa proteção de cafezais contra as adversidades climáticas e promoção da sustentação da cultura(LUNZ, 2006). Diversos estudos estão sendo realizados visando compreender os efeitos daarborização no comportamento dos cafeeiros. Morais et al. (2003) ao estudarem o plantas decafé sob sombreamento denso com guandu (Cajanus cajan L. Millsp.) e a pleno sol, avaliandocaracterísticas de crescimento, observaram-se maior altura dos cafeeiros, folhas maiores e commenor quantidade de matéria seca.Assim,o objetivo deste estudo foi avaliar as alterações morfológicas das plantas decafé (Coffea arabica L.) associado a grevíleas (Grevílea robusta A. Cunn.) no planalto deconquista, Bahia.MATERIAL E MÉTODOSO estudo foi conduzido na área experimental do campo agropecuário da UniversidadeEstadual do Sudoeste da Bahia, município de Vitória da Conquista – Ba, localizada a 14º 53’Latitude Sul e 40º 48’ Longitude Oeste de Greenwich, a uma altitude de 960 metros.O ensaio foi composto por seis campos de observação definidos por diferentesespaçamentos de grevíleas nos cafezais. Os Cafeeiros da variedade Catuaí vermelho (IAC 144)foram dispostos em espaçamento 3 x 1m e as grevíleas foram plantadas em seis diferentesespaçamentos, constituindo seis variações de densidades: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).
    • 12As avaliações foram feitas em períodos de dois meses em 2011/2012, totalizando 5avaliações: setembro, novembro, janeiro, março e maio, sendo coletados dados referentes àsplantas de café. Foi determinado a altura, com uma régua graduada, colocada paralelamente aocaule da planta, medindo-se o comprimento a partir do solo até a gema apical do ramoortotrópico, e a área foliar individual, em que foram coletadas 3 folhas de cada planta do terçomédio e acondicionadas em sacos plásticos previamente identificados, sendo determinada a áreafoliar, por meio de um integrador de área foliar de marca LI-COR (modelo 3100)Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 5% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 10% de probabilidade.Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOFoi observado para todas as avaliações que maiores densidades de grevíleascondicionaram maior altura dos cafeeiros (Figura 1 A). A maior altura das plantas pode serexplicada pela diminuição no fluxo de transporte das auxinas para as raízes em ambientessombreados, condicionando maior acúmulo deste hormônio na parte aérea (MORELLI &RUBERTI, 2002).FIGURA 1. Altura e área foliar de três folhas das plantas de cafés associadas a diferentes densidades degrevíleas ((30, 61, 69, 123,138 e 277), Vitória da Conquista, Bahia. Equações obtidas pela análise deregressão: (A) set: Ŷ°=2,1275+0,0022*X (r2=0,6397); nov: Ŷ*=2,1664+0,0022**X (r2=0,6368);jan: Ŷ*=2,2137+0,0022*X (r2=0,6629); mar: Ŷ°=2,2434+0,0023*X (r2=0,6295); mai:Ŷ°=2,2921+0.0021*X (r2=0,5762); (B) set: Ŷ**=148,618+0,2527**X (r2=0,9255); nov:Ŷ**=155,666+0,0661**X (r2=0,9069); jan: Ŷ°=159,37+0,1360*X (r2=0,5725); mar: Ŷ= 157,7792;mai: Ŷ= 168,9301; **,*, ° p < 0,01, p < 0,05 e p < 0,10, respectivamente.Da mesma forma, foi verificada para os meses de setembro, novembro e janeiro, umarelação direta entre a área foliar das plantas de café e a densidade da população de grevíleas, ouseja, quanto maior a densidade do componente arbóreo, maior a área foliar das plantas de café(Figura 1 B). Segundo PAIVA et al. (2003) o aumento da área foliar pelo sombreamento é umadas maneiras de a planta aumentar a superfície fotossintetizante, promovendo umA B
    • 13aproveitamento maior das baixas intensidades luminosas. Resultados semelhantes foramobservados por Lemos (2008) ao avaliar a associação de cafeeiros com abacateiros e ingazeirosno município de Barra do Choça, Bahia, observando maiores valores da altura e área foliarquando comparado ao ambiente a pleno sol.CONCLUSÃOFoi verificada forte interação entre a densidade populacional de grevíleas e ocrescimento dos cafeeiros, onde as maiores densidades determinaram uma maior altura eexpansão da área foliar de plantas de café.REFERÊNCIASBOTERO, C.J. Resposta de cafeeiros ao sombreamento e à dinâmica de serrapilheira emcondições de sistema agroflorestal. 2007. 72f. Tese (Doutorado em fitotecnia) – UniversidadeFederal de Viçosa, Viçosa, MG, 2007.COELHO, R.A.; RICCI, M.S.F.; ESPÍNDOLA, J.A.A.; COSTA,J.R. Influência dosombreamento sobre a população de plantas espontâneas em área cultivada com cafeeiro(Coffea canephora) sob manejo orgânico. Agronomia, v.38, n°.2, p.23 - 28, 2004.LEMOS, C. L. Características morfo-fisiológicas e assimilação de nitrogênio em cafeeirosem sistema a pleno sol e associados com abacateiro (Persea amarecicana) e ingazeiro (Ingaedulis) em Barra do Choça, Bahia. 2008. 94 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) -Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA, 2008.LUNZ, A. M. P. Crescimento e produtividade do cafeeiro sombreado e a pleno sol. 2006.94f. Tese (Doutorado em Fitotecnia)- Escola superior de agricultura Luiz de Queiroz,Piracicaba, SP, 2001.MORAIS,H.; MARURU, C. J., CARAMORI, P.H. RIBEIRO, A.M.A.;, J.C. Característicasfisiológicas e de crescimento de cafeeiro sombreado com guandu e cultivado a pleno sol.Pesquisa agropecuária. brasileira, v. 38, n. 10, p. 1131-1137, 2003.MORELLI, G.; RUBERTI, I. Light and shade in the photocontrol of Arabidopsis growth.Trends plant science., v. 7, n.9, p. 399- 404, 2002.PAIVA, L. C.; GUIMARÃES, R. J.; SOUZA, C. A. S. Influência de diferentes níveis desombreamento sobre o crescimento de mudas de cafeeiro (Coffea arabica L.). Ciências eagrotecnologia , v.27, n.1, p.134-140, 2003.RIGHI, C. A.; BERNADES, M.S.; LUNZ, A.M.P.; PERREIRA, C. R.; NETO, D. D.;FAVARIN, J. L. Measurement and simulation of solar radiation availability in relation to thegrowth of coffee plants in an agroforestry system with rubber trees. Revista Árvore, v. 31, n. 2,p. 195-207, 2007.Autora: Perla Novais de Oliveira, perla_oliveira2@hotmail.com. Contato: (77) 8829-9226.
    • 14POTENCIAL HÍDRICO FOLIAR DE CAFEEIROS ASSOCIADOS COM DIFERENTESDENSIDADES DE PLANTIO DE GREVÍLEASPerla Novais de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Jerffson Lucas Santos3, LucialdoOliveira D´arêde4, Luan Santos de Oliveira5, Ricardo de Andrade Silva3¹Graduanda do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista CNPq, perla_oliveira2@hotmail.com; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Pós-Graduando do Programa de Mestrado em Fitotecnia da UESB; 4Graduado do Cursode Agronomia da UESB; 5Graduando do curso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb.INTRODUÇÃOEmbora o Brasil predomine o cultivo do café a pleno sol, a utilização de sistemasarborizados na cafeicultura é uma técnica antiga e muito difundida em diversos países comgrande potencial para o estabelecimento de sistema de produção mais sustentáveis, (SEVERINOe OLIVEIRA, 1999).A inserção do componente arbóreo nos cafezais está relacionada às alterações tantobióticas (relacionadas à fisiologia dos cafeeiros, à ocorrência e ecologia das populações damicrobiota do solo, dos microorganismos, insetos e plantas espontâneas que interagem com oscafeeiros) como abióticas (relacionadas a fatores edáficos e microclimáticos) (SOUZA, 2010).Atualmente o sombreamento tem sido protagonizado como uma alternativa para aatenuação das condições hídricas e térmicas nos plantios do café. Segundo Rena e Maestri(2000) a presença da arborização, eleva a umidade do ar, promove um eficiente controle daabertura estomática, reduzindo a transpiração e, consequentemente contribui para a otimizaçãoda utilização de água pela planta de café.Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial hídrico foliar de cafezaisassociados com diferentes densidades de plantio de grevíleas.MATERIAL E MÉTODOSO estudo foi conduzido no período de setembro a março de 2011/2012, em intervalos dedois meses, no campo experimental agropecuário da Universidade Estadual do Sudoeste daBahia (UESB), situado no Campus de Vitória da conquista a 14º 53’ latitude Sul e 40º 48’longitude Oeste, a uma altitude de 960 metros.A precipitação pluvial (mm) anual do local de estudo atinge índices de 750mm,ocorrendo concentração de chuvas durante o verão e início do outono, conforme observado naFigura 1.
    • 15FIGURA 1. Médias mensais de precipitação pluviométrica no período de julho de 2011 a maio de 2012.Vitória da Conquista, Bahia, 2012. Fonte: Estação metereológica INMET/ Vitória da Conquista – BA,2012.O ensaio foi composto por seis campos de observação definidos por diferentesespaçamentos de grevíleas nos cafezais. Os Cafeeiros da variedade Catuaí vermelho (IAC 144)foram dispostos em espaçamento 3 x 1m e as grevíleas foram plantadas em seis diferentesespaçamentos, constituindo seis variações de densidades: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).O potencial hídrico foliar (Ψwf) foi determinado no período antes do amanhecer, nohorário de quatro ás cinco horas, retirando duas folhas saudáveis e completamente expandidasde um ramo situado no terço médio, com o uso de uma câmara de Scholander (Modelo 1000,PMS, Inglaterra).Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 10% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 10% de probabilidade.Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOPara o potencial hídrico foliar (Ψwf), foi observado um modelo polinomial de segundaordem entre a população de grevíleas por hectare para a primeira avaliação ocorrida emsetembro de 2011, conforme a figura 2. Comportamento semelhante pode ser verificado para omês de março de 2012, porém foram os menores valores de Ψwf obtidos, cerca de - 4,89 e -3,34, para as densidades de plantio de grevíleas de 30 e 277 plantas ha-1; respectivamente. Talfato pode ser atribuído à resposta da planta ao período de estiagem (veranico) ocorrido devidoao baixo volume de precipitação nesses meses (Figura 1). Ainda, provavelmente alteraçõesmicroclimáticas definidas pelos diferentes níveis de restrição de luz, resultaram em gradientesde evapotranspiração, em que ambientes mais sombreados promovem menores taxas deevapotranspiração (CÉSAR et al. 2010). Entretanto, Lemos (2008) ao avaliar cafeeiros da cv.Catuaí cultivado em sistema a pleno sol e associados com abacateiros e ingazeiros no mês demarço, observou que em sistema de cultivo de café sob sombreamento o potencial hídrico foliarnão diferenciou dos cultivados a pleno sol.
    • 16FIGURA 2. Potencial hídrico foliar (Ψwf) de plantas de café associadas com diferentes densidades deplantio de grevíleas (30, 61, 69, 123,138 e 277), Vitória da Conquista, Bahia. Equações obtidas pelaanálise de regressão: set: Ŷ°=3,48041 – 0,0144193*X + 0,00003792*X (R2=0,7906); nov: Ŷ= - 0,408;jan: Ŷ=0,6078; mar: Ŷ*= 5,355429 - 0,0163168*X + 0,0000326413*X (R²=0,9416); *, p < 0,05.Nos meses de outubro a dezembro 2011 houve um aumento no volume de precipitação(Figura 1) e consequentemente maior disponibilidade de água no sistema solo-planta-atmosfera,o que possibilitou o aumento gradativo do potencial da água na planta (Figura 2). No mês denovembro não foi possível definir modelo do Ψwf entre as diferentes densidades de plantio degrevíleas, entretanto, os maiores valores de potencial da água nas folhas foram observados nesteperíodo, possivelmente sendo influenciado pela precipitação ocorrida nesta época,disponibilizando mais água para o sistema. Mesmo comportamento pode ser observado para omês de janeiro, sofrendo influência do final da estação chuvosa, por haver ainda disponibilidadede água.CONCLUSÃOFoi verificada forte interação entre a densidade populacional de grevíleas e o potencialhídrico foliar dos cafeeiros para os meses de setembro e março, em que durante o período deveranico, a arborização influenciou positivamente no potencial hídrico foliar, reduzindo a perdade água pela planta no processo transpiratório.REFERÊNCIASCÉSAR, F. R. C. F.; MATSUMOTO, S. N.; VIANA, A. E. S.; SANTOS, M. A.; BONFIM, J.A. Morfofisiologia foliar de cafeeiro sob diferentes níveis de restrição luminosa. CoffeeScience, v. 5, n.3, p. 262-271, 2010.SEVERINO, L. S.; OLIVEIRA, T. S. Sistema de cultivo sombreado do cafeeiro (Coffea arabicaL.) na região de Baturité, Ceará. Revista Ceres, v. 46, n. 268, p.635-652, 1999.SOUZA, A. J. J. Qualidade do café arborizado e a pleno sol submetido a diferentesmanejos pós-colheita em Barra do Choça, Ba. 2010. 73 f. Dissertação (Mestrado emFitotecnia) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA. 2010.RENA, A. B.; MAESTRI, M. Relações Hídricas no Cafeeiro. ITEM, Viçosa, n. 48, p. 34 41,2000.Autora: Perla Novais de Oliveira, perla_oliveira2@hotmail.com. Contato: (77)3422-9226.
    • 17AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO DE FRUTOS DE CAFÉ CULTIVADO EMSISTEMA ARBORIZADO POR GREVÍLEAS EM DIFERENTES DENSIDADES DEPLANTIOPerla Novais de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Luan Santos de Oliveira3, Ricardode Andrade Silva4, Mirlene Nunes de Oliveira3, Jerffson Lucas Santos4¹Graduanda do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista CNPq, perla_oliveira2@hotmail.com; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Graduandos do curso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb; 4Pós-Graduando doPrograma de Mestrado em Fitotecnia da UESB.INTRODUÇÃOO café é um importante comodity agrícola de exportação no mundo, e dentre os paísesprodutores o Brasil ocupa posição de destaque, sendo o estado da Bahia segundo a CONAB(2012) o quarto maior produtor nacional de café arábica.Neste sentido, a diversificação da produção é uma importante estratégia para manter oequilíbrio econômico da propriedade e os sistemas agroflorestais, segundo Lunz (2006) podemser uma boa alternativa.De acordo com Coelho et al. (2004), a arborização com espécies e espaçamentosadequados pode apresentar resultados satisfatórios, quando comparado ao cultivo a pleno sol,como: melhoria nos aspecto vegetativo do cafeeiro, aumento do número de ramos primários esecundários, frutos maiores, moles e açucarados (BOTERO, et al.; 2007). Ainda, o efeitopositivo da arborização na qualidade de bebida foi verificado por Bebé et al. (2001) nomunicípio de Barra do Choça, Bahia. Quanto maior a proximidade dos cafeeiros às árvores,maiores teores de açúcares e ácidos clorogênicos foram observados na bebida do café.Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar o rendimento de frutos de cafécultivado em sistema arborizado por grevíleas em diferentes densidades de plantio.MATERIAL E MÉTODOSO experimento foi conduzido no campo experimental da Universidade Estadual doSudoeste da Bahia, UESB, em Vitória da Conquista, BA, 14º 53’ latitude Sul e 40º 48’longitude Oeste, a uma altitude de 960 metros e com solo classificado como CambissoloHáplico Tb Distrófico. Segundo a classificação de Köppen, o clima da região é do tipo Aw,clima de savana com chuvas periódicas e inverno pouco chuvoso.O ensaio foi composto por seis campos de observação definidos por diferentesespaçamentos de grevíleas nos cafezais. Os Cafeeiros da variedade Catuaí vermelho (IAC 144)foram dispostos em espaçamento 3 x 1m e as grevíleas foram plantadas em seis diferentes
    • 18espaçamentos, constituindo seis variações de densidades: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).Foi realizada no ano de 2012 a colheita do café, por meio de derriça manual do café“cereja”, sendo seu rendimento determinado pelo peso.Os dados foram submetidos à testes de homogeneidade de variância (teste de Cochran eBartlett) e teste de normalidade (Lilliefors) e os modelos para a relação entre densidade deárvores e as características avaliadas foram definidos a partir da análise de variância daregressão (p≤5%), coeficiente de determinação (R2≥ 50%) e representatividade do fenômenobiológico. Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento dosoftware Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOPara a produção de frutos de café cereja, em relação a densidade populacional dasgrevíleas, foi definido o modelo polinomial de segunda ordem (Figura 1). A estimativa de maiorprodução de frutos tipo cereja (7,167 ton ha-1) foi condicionada pela densidade populacional de205 grevíleas por hectares, aproximadamente no espaçamento de 8 x 6. A partir desse índice atéo máximo de 277 plantas por hectare ocorreu um decréscimo da produção dos cafeeiros.FIGURA 1. Peso total (g) por planta de café cereja associada a diferentes densidades de grevíleas (30,61, 69, 123,138 e 277), Vitória da Conquista, Bahia. Equação obtida pela análise de regressão:Ŷ**=0,00978+0,0209**X-0,000051**X2(R2=0,9562); **, p < 0,01.Conforme Lunz (2006), nas plantas sobre maior restrição luminosa a alocação debiomassa se distribuiu por diversas partes da planta, ao contrario das plantas com menorrestrição luminosa em que a alocação de biomassa é direcionada para a produção de frutos emdetrimento da partes vegetativas. Porém efeito contrário foi observado por Carelli et al. (2006)
    • 19que mesmo em condições moderadas de sombreamento, a produção das plantas foi menor doque a pleno sol.CONCLUSÃOA produção de café cereja por planta aumentou diretamente com a maior densidade degrevíleas, até 205 por hectare (espaçamento aproximado de 6 x 8m), a partir do qual oincremento da densidade ocasionou decréscimo na produção de café cereja.REFERÊNCIASBEBÉ, F. V. PIMENTEL, C. A., RIBEIRO, M. S., MATSUMOTO, S. N., MOREIRA, M. A.,FERRAZ, R. C. N. Avaliação da qualidade do café Catuaí sob condições de arborização. In:SEMINÁRIO DE INCIAÇÃO CIENTÍFICA DA UESB, 6., 2003. Vitória da Conquista, Bahia.Anais... Vitória da Conquista, Bahia: Uesb, 2002. p. 155-156.BOTERO, C. J. Resposta de cafeeiros ao sombreamento e à dinâmica de serrapilheira emcondições de sistema agroflorestal. 2007. 72f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) – UniversidadeFederal de Viçosa, Viçosa. 2007.CARELLI, M. L. C. ; FAHL, J. I. ; Alfonsi, E.L. . Efeitos de níveis de sombreamento nocrescimento e produtividade do cafeeiro. In: II Simpósio de Pesquisa dos cafés do Brasil, 2001,Vitória. Resumos. Brasília: EMBRAPA CAFÉ, 2001. p. 16.COELHO, R. A.; RICCI, M. S. F.; ESPÍNDOLA, J. A. A.; COSTA, J. R. Influência dosombreamento sobre a população de plantas espontâneas em área cultivada com cafeeiro(Coffea canephora) sob manejo orgânico Agronomia, v.38, n°.2, p.23 - 28, 2004.COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da SafraBrasileira. Café Safra 2012: quarta estimativa. Disponível em:<http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/12_12_20_16_01_51_boletimcafe_dezembro_2012.pdf>. Acesso em: 25 de jan. 2012.LUNZ, A. M. P. Crescimento e produtividade do cafeeiro sombreado e a pleno sol, 2006.94f. Tese (Doutorado, área de concentração em Fitotecnia) - Escola Superior de AgriculturaLuiz de Queiroz, Piracicaba, SP, 2006.MORAES, G. A. B. K. Crescimento, fotossínte e mecanismos de fotoproteção em mudas decafé (Coffea arabica L.) formadas a pleno sol e à sombra. 2008. 29f. Dissertação (Mestradoem Fisiologia Vegetal) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 2008.Autora: Perla Novais de Oliveira, perla_oliveira2@hotmail.com. Contato: (77) 8829-9226
    • 20DETERMINAÇÃO DA COBERTURA DO SOLO POR ANÁLISES DE IMAGENS EMÁREAS DE CULTIVO DE CAFEZAIS ARBORIZADOS EM DIFERENTESDENSIDADESLuan Santos de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Perla Novais de Oliveira3, Ricardode Andrade Silva4, Lucas Coutinho Fontes Cesar5, Mirlene Nunes de Oliveira3¹Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista Fapesb, luanoliveirac@yahoo.com.br; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Graduandas do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -UESB, bolsista CNPq e Fapesb; 4Pós-Graduando do Programa de Mestrado em Fitotecnia daUESB; 5Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia –UESB.INTRODUÇÃOO sistema arborizado é uma técnica muito utilizada em diversos países da AméricaCentral, por oferecer um maior espectro de serviços ao ecossistema. Na região Sudeste, oprincipal argumento da associação de árvores aos cafezais está relacionado ao manejo orgânico,como forma de suplementação de matéria orgânica ao sistema de produção. A espécie arbórea,grevílea (Grevillea robusta A. Cunn) é predominantemente utilizada por apresentarcaracterísticas buscadas (BATISH et al., 2008), tais como copa pouco densa que permite apassagem de luz, alta deposição de serapilheira e não infere nas culturas adjacentes por possuircaracterísticas como sistema radicular profundo (SILVA, 2008).Dessa forma, o sombreamento promove um microclima favorável à manutenção daserapilheira contribuindo para uma menor taxa de decomposição do material orgânico,equilíbrio das temperaturas e diminuição das perdas de solo por erosão estes fatores por sua vez,induz alterações nos processos fisiológicos e nas características da cultura protegida(RADOMSKI e RIBASKI, 2012).A serapilheira depositada pelo componente arbóreo, bem como a massa verdecomposta pelas plantas daninhas, forma uma cobertura no solo que remota aos benefíciosdescritos por Radomski e Ribaski (2012) e como forma de avaliar esses benefícios busca-semetodologias que reflitam as condições do campo, para fins diversos, como controle de plantasdaninhas, levantamento da eficiência da deposição de serapilheira e área de solo desnudo. Paraisso, metodologias aplicadas ao campo de forma abrangente e de caráter mecânico sãoaplicadas.Assim, este trabalho tem como objetivo expressar a composição da cobertura de solo emdiferentes densidades de sombreamento, através a metodologia de analise de imagens.MATERIAL E MÉTODOSO experimento foi conduzido no campo experimental da Universidade Estadual doSudoeste da Bahia, em Vitória da Conquista – BA, localizada a altitude superior a 900 metros,situada a 40º50’53"W e 14º50’53" S. Em janeiro de 2002, cafeeiros da variedade CatuaíVermelho (IAC 144) foram plantados em espaçamento de 3,0 x 1,0m, totalizando a área de3,2ha. Simultaneamente foi realizado o plantio de grevíleas dispostas em seis diferentesespaçamentos constituindo diferentes arranjos e densidades populacionais, definindo osseguintes tratamentos: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6 X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X 18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18m, 30 plantas ha-1). As observações foram realizadas na área interna de cada campo,determinada por 16 árvores.As análises para levantamento da cobertura vegetal foram realizadas em dezembro de2011, a partir da metodologia de análise de imagens, como cobertura de solo foi discriminada,serapilheira (cobertura vegetal morta), presença de plantas espontâneas (cobertura vegetalverde). A área de cobertura foi mensurada a partir da avaliação fotográfica após digitalização daimagem, esta foi analisada por meio de uma escala de cores, através do programa SisCob. 1.0(Software para Análise da Cobertura do Solo) disponibilizado pela EMBRAPA (Jorge e Silva
    • 212010). Para o processo de aquisição da imagem foi utilizada uma câmera digital, DC 12327 BR,Mitsuca, China, com resolução de 12 megapixels. As dimensões da imagem gerada consistiramde 2048 pixels de largura e 1566 pixels de altura. Após digitalização da imagem, esta foianalisada por meio de uma escala de cores, através do programa SisCob. 1.0. Para a definição daárea de avaliação da imagem utilizou-se um retângulo de madeira vasado de 1,0 m X 0,50 m.Este quadro foi lançado 12 vezes dentro de cada campo experimental, para que a captura dasimagens abrangesse uma área representativa de cada tratamento. Para elevar o grau de definiçãodas imagens, estas foram previamente processadas pelo programa Corel PHOTO-PAINT X5(Fagundes e Costa Junior, 2008).Foram estabelecidos modelos de regressão entre a densidade de grevíleas e asporcentagens de cobertura de solo e solo desnudo, por meio de análise de variância daregressão, utilizando-se o programa SAEG, v. 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOPara a relação entre porcentagem de cobertura de solo com serapilheira e densidade degrevíleas foi possível estabelecer um modelo linear, sendo verificada maior ocorrência eproporção da cobertura morta em função do aumento da densidade de grevílea (Grevillearobusta) (Figura 1). Estes resultados estão de acordo com Pezzato e Wisniewski (2006) aoavaliarem a produção de serrapilheira em diferentes seres sucessionais da floresta estacionalsemi decidual.O aumento no sombreamento atrelado a menor insolação e maior retenção de umidadeem função do aumento da densidade de grevíleas ha-1forma um microclima favorável amanutenção da serapilheira contribuindo para uma menor taxa de decomposição do materialorgânico no solo (Radomski e Ribaski, 2012). Assim, tais resultados concordam com osprincípios estabelecidos por Reis e Rodella (2002), Ricci et al. (2008).■SERSISC: Ŷ**=-3,0446+0,3648**X (r2=0,9770)Figura 1. Porcentagem de serapilheira em cafezais associados a diferentes densidades de grevíleas(Grevillea robusta), avaliada pelo programa SISCOB (SERSISC).Quanto à relação entre porcentagem de cobertura verde e densidade de grevíleas foipossível instituir modelo polinomial de segunda ordem (Figura 2). Observou-se uma diminuiçãoda cobertura verde do solo à proporção que foi aumentada a densidade de grevílea. Estecomportamento foi descrito por Staver (2001), que explica que a quantidade de biomassa deinvasoras, no sistema agroflorestal de cultivo de café, é extremamente dependente da quantidadede luz filtrada pelas espécies arbóreas e pelo dossel dos cafeeiros presentes nos sistemas, fatodiretamente relacionado com a densidade de arvores que compõem o sistema.
    • 22■ MVSISC: Ŷ*=96,9139-0,528872X*+0,00064381X² (R²=0,9505)Figura 2. Porcentagem de cobertura verde em cafezais arborizados com grevíleas (Grevillea robusta)dispostas em diferentes densidades, avaliado pelo programa SISCOB (MVSISC).CONCLUSÃOFoi possível refletir as condições do campo através da metodologia de avaliação porimagem, ao estimar a cobertura de solo. Verificou-se maior ocorrência e proporção daserapilheira em função do aumento da densidade de grevílea. Houve uma diminuição dacobertura verde do solo à proporção que foi aumentada a densidade de grevílea.REFERÊNCIASBATISH, D. R.; KOHLI, R. K.; JOSE, S.; SINGH, H. P. Ecological basis of agroforestry.CRC Press, 400p. 2008.FAGUNDES, N. A.; COSTA JUNIOR, C. V. S. Diagnóstico ambiental e delimitação de Áreasde Preservação Permanente em um assentamento rural assentamento rural. Acta Sci. Biol. Sci.Maringá, v. 30, n. 1, p. 29-38, 2008.JORGE, L. A. DE C.; SILVA D.J. DA C. B. SisCob: manual de utilização.1.ed. São Carlos,SP: Embrapa Instrumentação Agropecuária, 2009.18 p.PEZZATTO, A. W.; WISNIEWSKI, C. Produção de serapilheira em diferentes seressucessionais da floresta estacional semi decidual no Oeste do Paraná. Floresta, Curitiba, PR, v.36, n. 1, 2006.RADOMSKI, M. I.; RIBASKI, J. Fertilidade do solo e produtividade da pastagem em sistemasilvipastoril com Grevillea robusta. Pesq. Flor. Bras., Colombo, v. 32, n. 69, p. 53-61, 2012.REIS, T. C.; RODELLA, A. A. Cinética de degradação da matéria orgânica e variação do pH dosolo sob diferentes temperaturas. R. Bras. Ci. Solo. v. 26, p. 619-626, 2002.RICCI, M. S. F.; VIRGÍNIO FILHO, L. M.; COSTA, J. R. Diversidade da comunidade deplantas invasoras em sistemas agroflorestais com café em Turrialba, Costa Rica. Pesq.Agropec. Bras., Brasília, v.43, n.7, p.825-834, jul. 2008.SILVA, J. J. Avaliação mercadológica e de produção agrícola, visando a proposição de sistemasflorestais para a Mesorregião Sudoeste de Mato Grosso do Sul. Dissertação, UniversidadeFederal da Grande Dourados, Dourados, MS, 153p. 2008.STAVER, C. Cómo tener más hierbas de cobertura y menos malezas en nuestros cafetales?Agroforestería em las Américas, v. 8, n. 29, 2001.Autor: Luan Santos de Oliveira, luanoliveirac@yahoo.com.br. Contato: (77) 8831-8930.
    • 23DEPOSIÇÃO DE SERRAPILHEIRA EM ÁREA DE CAFEEIROS ASSOCIADOS COMDIFERENTES DENSIDADES DE GREVÍLEASLuan Santos de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Perla Novais de Oliveira3, Ricardode Andrade Silva4, Mirlene Nunes de Oliveira3, Gabriel Netto de Paula5¹Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista Fapesb, luanoliveirac@yahoo.com.br; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Graduandas do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -UESB, bolsista CNPq e Fapesb; 4Pós-Graduando do Programa de Mestrado em Fitotecnia daUESB; 5Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia –UESB.INTRODUÇÃOA utilização de sistemas agroflorestais na cafeicultura é uma técnica antiga muito difundida emdiversos países, devido ao estabelecimento de sistemas de produção mais sustentáveis. Apresença da arborização permite a redução de capinas, a proteção contra o excesso de insolaçãoe ventos e o aumento na população de inimigos naturais de pragas (FREITAS, 2000).A serrapilheira, oriunda da queda de material que se deposita sobre o solo, também éum aspecto importante da associação entre árvores e cafezais. A cobertura morta reduz aevaporação das camadas superficiais do solo, aumenta a infiltração da água, e aliada aosombreamento, contribui para a ciclagem de nutrientes (SILVA et al. 2007).Este trabalho teve por objetivo estudar a relação entre a produção de serapilheira emáreas de plantio de cafeeiros sob seis diferentes densidades de grevíleas, município de Vitória daConquista (BA).MATERIAL E MÉTODOSO presente trabalho foi conduzido no campo experimental agropecuário da UESB –Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista (BA), situada a altitudesuperior a 900 metros, situada a 40º50’53"W e 14º50’53" S. Em janeiro de 2002, cafeeiros davariedade Catuaí Vermelho (IAC 144) foram plantados em espaçamento de 3,0 x 1,0m,totalizando a área de 3,2ha. Simultaneamente foi realizado o plantio de grevíleas dispostas emseis diferentes espaçamentos constituindo diferentes arranjos e densidades populacionais,definindo os seguintes tratamentos: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6 X 12 m, 138 plantasha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X 18 m, 61 plantas ha-1;T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1). Os tratamentos foram dispostos em seis campos de observação,todos contendo 36 grevíleas, determinando diferentes populações de cafeeiros, conforme asdiferentes densidades de árvores. As observações foram realizadas na área interna de cadacampo, determinada por 16 árvores.
    • 24As análises para determinação da serrapilheira foram realizadas em dezembro de 2011,a partir da metodologia da “ponta do sapado” (Staver, 2001). Conrforme o método caminhou-senas entrelinhas de cada um dos campos de observação, mantendo-se passadas deaproximadamente 1,0m e, a cada 10 passos foi observado na ponta do sapato a presença deserapilheira ou solo desnudo. Em cada tratamento foram coletados dados em 100 pontos.Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 5% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 5% de probabilidade.Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOPara a relação exposição do solo e densidades de grevílea foi observado um modeloexponencial (Figura 1). Plantas de café sob densidade populacional de 30 grevíleas por hectareapresentaram 11,39 % de solo descoberto, enquanto que o menor valor (cerca de 3,5%) foiverificado para os cafeeiros associados à 277 grevíleas por hectare.A função da grevílea no Sudoeste da Bahia é proteger os cafezais dos ventos secos.Menores populações de plantas de grevíleas sofrem maior interferência dos ventos, podendoaglomerar a cobertura vegetal na direção predominante do vento, deixando um maior percentualde solo descoberto.♦Y°= 1/ (0,0638+0,0008*X) r2=0,61Figura 1. Porcentagem de solo nu em cafezais arborizados com grevíleas (Grevillea robusta) dispostasem diferentes densidades, avaliada pelo método “ponta do sapato”. Vitória da Conquista, Ba.Para a relação entre porcentagem de cobertura de solo com serapilheira e densidade degrevíleas foi possível estabelecer modelo linear (Figura 2). De modo geral, foi verificada maiorocorrência e proporção da cobertura morta em função do aumento da densidade de grevílea(Grevillea robusta).
    • 25A maior deposição de serrapilheira, provavelmente foi devido à maior densidade deárvores de grevílias promover maior deposição de folhas, galhos e cascas dos troncos. Leite etal. (20011), avaliando o acúmulo de serrapilheira de eucalipto em diferentes densidadespopulacionais, em Minas Gerais, verificaram menor deposição de serrapilheira em população deeucalipto com menor densidade de plantio, corroborando com os resultados encontrados nestetrabalho.♦ Ŷ**=7,1935+0,2773**X (r2=0,9717)Figura 2. Porcentagem de deposição de serrapilheira em cafezais arborizados com grevíleas (Grevillearobusta) dispostas em diferentes densidades, avaliada pelo método “ponta do sapato”. Vitória daConquista, Ba.CONCLUSÃOFoi possível quantificar maiores porcentagens de solo descoberto em menoresdensidades de grevíleas. Verificou-se maior deposição de serrapliheira, à medida que adensidade de árvores de grevíleas foi aumentada.REFERÊNCIASLEITE, F. P.; SILVA, I. R.; NOVAIS, R. F.; BARROS, N. F.; NEVES, J. C. L.; VILLANI, E.M. A. Nutrients relations during an Eucalyptus cycle at different population densities. RevistaBrasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 35, p. 949-959, 2011.FREITAS, R. B. de; OLIVEIRA, L. E. M. de; SOARES, A. M.; DELÚ FILHO, N.; ALVES,D.; GUERRA NETO, E. G.; GONTIJO, P. T. G. Avaliações ecofisiológicas do consórcio decafeeiros (Coffea arabica L.) com seringueiras (Hevea brasiliensis Muell. Arg.) na região dePatrocínio-MG. In: SIMPÓSIO DE PESQUISA DE CAFÉS DO BRASIL, 1., 2000, Poços deCaldas-MG. Anais...Brasília: Embrapa Café e Minasplan, 2000. p. 971-974. v. 2.STAVER, C. Cómo tener más hierbas de cobertura y menos malezas en nuestros cafetales?Agroforestería em las Américas, v. 8, n. 29, 2001.SILVA, C. J.; SANCHES, L.; BLEICH, M. E.; LOBO, F. A.; NOGUEIRA, J. S. Produção deserrapilheira no Cerrado e Floresta de transição Amazônica-Cerrado do Centro-Oeste brasileiro.Acta Amazônica, v. 37, n.4, 2007.Autor: Luan Santos de Oliveira, luanoliveirac@yahoo.com.br. Contato: (77) 8831-8930.
    • 26INDICAÇÃO GEOGRÁFICA PARA OS CAFÉS DO PLANALTO DE VITÓRIA DACONQUISTAPedro Bittencourt Trindade¹, Claudionor Dutra Neto², Alexandre Cristi Magalhães³,Giuliana Ribeiro da Silva¹¹Bolsista de Inovação tecnológica – Fapesb. Graduando em Agronomia – Universidade Estadual do Sudoeste daBahia² Professor Titular pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia³ Bolsista AT2 - FAPESB , Engenheiro AgrônomoIntroduçãoO novo modelo no mercado de alimentos requer novas políticas e estratégias para atender umademanda exigente em qualidade com sustentabilidade. Nessa ideia, a Indicação Geográfica “IG”regulamentada pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, o INPI. Destaca asparticularidades de diferentes produtos de diferentes regiões, valorizando, então, estesterritórios. Cria fator diferenciador para produto e território, que apresentam originalidade ecaracterísticas próprias. Essas diferenças podem estar ligadas a um gosto particular, umahistória, um caráter distinto provocado por atores naturais (como clima, temperatura, umidade,solo, relevo, etc.) ou humanos (um modo de produção, um saber fazer) (MAPA). A partir daí osprodutores ou agentes de produção de uma região se organizam para valorizar essascaracterísticas, mobilizando um direito de propriedade intelectual: a Indicação Geográfica.Assim, a IG se torna ferramenta essencial para o desenvolvimento de uma região (INPI, 2010).No Brasil diferentes setores da economia já perceberam a importância de transformarcommodity em produto diferenciado como forma de evitar falsificações e melhorar os níveis decompetitividade, dessa forma a IG se encaixa perfeitamente, com essa proteção. No país existemvárias Indicações Geográficas para produtos nacionais, os Vinhos Finos, do Vale dos Vinhedos(RS), o Café do Cerrado Mineiro (MG) a Carne do Pampa Gaúcho (RS), Uva e manga do valeSubmédio São Francisco, a Cachaça de Paraty (RJ), Artesanato em capim dourado do Jalapão(TO) entre outros diversos produtos e serviços (Gollo, S. S., 2008).Na Bahia, o setor agropecuário tem uma participação muito pequena no PIB do estado, a regiãosudoeste da Bahia, também segue a mesma dinâmica do estado, e o setor que apresenta a maiorprodução nessa região é o “café arábica”, que é cultivado no Planalto de Vitória da Conquistapor pequenos e médios produtores que somados chegam a ocupar 90% da área cultivada (Dutra,2009). O café produzido nessa região é um produtos de alta qualidade, com uma bebida quepode expressar alta qualidade em função do tipo de clima, solo e preparo do mesmo, por asvárias floradas ocorridas durante o ano permite uma colheita seletiva de cafés maduros, quenessa fase o fruto expressa uma variedade de sabores que transforma o produto dessa região emuma excelência na acidez, doçura e aromas de muito prazer, esses cafés são exportados paravários países do mundo e com um reconhecimento de origem, que inclusive é reconhecido ecomercializado como “Café da Bahia”.A identificação Geográfica protege a origem e reconhece o produtos pelas suas características,melhorando a comercialização e valorização do produto, tornando importante o que já éreconhecido pelo mercado, e que o mesmo seja oficializado pelo INPI com registro da marca(INPI, 2010). O “Café do Planalto de Vitória da Conquista” sendo oficializado pelo INPI a suaIG irá contribuir para a melhoria da comercialização, consequentemente aumento da renda dosprodutores, principalmente dos pequenos que não tem acesso ao mercado e ficam a margem da
    • 27comercialização, em muitas das vezes vendendo seu produto com preços bem abaixo domercado, tudo isso por falta de uma padronização e reconhecimento de origem.O presente trabalho tem por objetivo divulgar o estudo que está sendo realizado para a obtençãode um selo de Indicação Geográfica para os cafés do Planalto de Vitória da Conquista.Materiais e métodosFoi realizado um estudo da área de cultivo de “café arábica” no planalto de Vitória daConquista(tabela 1), este estudo buscou a comprovação da notoriedade do café, utilizandoinformações através de mapas já existentes para uma delimitação da área, inicialmente de formaabrangente, sem grande precisão das coordenadas geográficas, utilizou mapas contendoinformações de solo e clima, pesquisou formas de organizações dos produtores, estudou atravésde bibliografias do histórico da região e da implantação do café. Buscou informações através debibliografias das normas e regulamentações oficiais para as etapas do processo de certificação.Tabela 1 – Área com cultivo de café nos municípios baianos que fazem parte do planalto deVitória da Conquista.Município Área em hectaresBarra do choça 18.000Vitória da Conquista 10.000Encruzilhada 5.000Ribeirão do Largo 2.500Planalto 2.000Poções 1.800Itambé 500Nova Canaã 400Iguaí 200Boa Nova 160Caatiba 130Cândido Sales 120Total 40.810Resultados e discussõesO Planalto de Vitória da Conquista é representado por áreas planas com altitude acima de 700metros, podendo em alguns trechos, essa altitude, pode chegar a 1.100 metros. O solopredominante na região é o Latossolo Vermelho Amarelo, a predominância do clima Subúmidoa seca e com pluviosidade entre 800 a 1500mm. A região do Planalto de Vitória da Conquistaque cultiva café é a região de maior índice pluviométrico, cultivando café de sequeiro, desde afaixa de 1.100mm até a faixa de 1500mm, nas outras áreas o café é cultivado apenas irrigado,sendo essa prática muito pouco, devido poucos recursos hídricos da região.A qualidade do café da região é incontestável, haja visto a notoriedade no mercado interno eexterno, comprovada na procura pelos mercados e tendo a presença de várias empresasexportadoras de café na cidade de Vitória da Conquista. Essa notoriedade também écomprovada pelos resultados nos concursos de qualidade de café em nível estadual e nacional,em que todos os anos os ganhadores dos primeiros colocados são da região. O café da região éganhador de vários prêmios no Brasil em qualidade de café, na ASSOCAFÉ (Associação dosProdutores de Café da Bahia), ABIC (Associação Brasileira de Indústria) Illycafé empresaitaliana que promove concursos de qualidade de café no Brasil. O tipo de café ganhador dos
    • 28prêmios dessa região é principalmente o “café despolpado”, pois é bastante apreciado nomercado, tanto interno como o mercado externo, principalmente EUA, Itália, França e Japão,que são grandes compradores deste produto. O café despolpado produzido na região sediferencia das demais regiões do Brasil pelas suas características, tais como: cor; corpo; sabor;doçura; acidez positiva; gosto remanescente; balanço e em média mantém um padrão de notaacima de 80 pontos. Nota muito boa que só são alcançadas por cafés de alta qualidade.O sistema de organização dos produtores voltados a cultura do café a região, basicamente sãolimitadas a duas entidades: COOPMAC – Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense Ltda ea ASCCON – Associação dos Cafeicultores de Conquista. Tendo a COOPMAC como aprincipal representação dos produtores, pois todo o sistema de armazenagem, classificação,benefício, rebenefício e comercialização é realizado para atender a demanda do mercado,principalmente para a exportação.Considerações finaisPortanto, de acordo com as informações e dados levantados pelo trabalho há indicativos fortespara se tornar possível a criação da IG para o café da região do Planalto de Vitória daConquista, pois o produto tem notoriedade, a região não apresenta dificuldade de ser definidacom a delimitação da área geográfica, há organização, é preciso criar as normas de produção,estruturar o controle do processo do produto, criar o conselho regulador, o selo distintivo,provar e classificar o produto para daí dar entrada no INPI para a certificação do produto e acriação da IG com a Indicação de Procedência.ReferênciasANUÁRIO BRASILEIRO DO CAFÉ 2011 Benno Bernado. Editora Gazeta Santa Cruz 128p.2011.ASCENSÃO, J. de O. Questões problemáticas em sede de indicações geográficas e denominações deorigem no direito português. Revista da ABPI n.°81, Mar/Abr 2006, p.63.BAHIA AGRÍCOLA – Sócio Economia: PIB do agronegócio baiano, 2004. V.7, n.2, Abr/ 2006CARNEIRO FILHO, F. Café: o planejamento da comercialização pelo produtor. Londrina, 106p.1989DUTRA NETO, C. Desenvolvimento Regional e Agronegócio. Vitória da Conquista, Bahia, UESB.2009FERNANDES, R, H. Diagnóstico e proposta para a cadeia produtiva do café da Bahia. Secretaria deAgricultura, irrigação e reforma agrária – SEAGRI. Salvador 2011GOLLO, S. S.; CASTRO. A. W. V. Indicações Geográficas no Brasil: as Indicações de Procedênciasjá outorgadas e as áreas e produtos com potencial de certificação. Anais do XLVI Congresso daSociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, 2008.INDICAÇÃO GEOGRÁFICA BRASILEIRA. INPI – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual,SEBRAE. Brasília, 2010Jornal do Café. Brasil país do café. ABIC – Associação Brasileira de Indústria de café. Ediçãon°181. 2012MAPA – Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Indicação Geográfica IG. Disponívelem: http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/indicacao-geografica Acesso em: 03de mar. 2013REVISTA DO CAFÉ. Campeões do café na Bahia. Centro de Comércio de Café do Rio de Janeiro.Ano 91. n° 842 – Junho de 2012.Pedro Bittencourt Trindade - Tel: (77) 8817-4016 - e-maill: pb.trindade@yahoo.com.br
    • 29ESTUDO DE CASO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DO CRÉDITO RURAL NO FUNDINGNECESSÁRIO PARA A PRODUÇÃO DE CAFÉ NO BRASIL.Heloisa Mara de Melo – Analista de Mercado Agroconsult Consultoria e Marketing.Luca Turello – Coordenador de Projetos Illy CafèTullio Gregori – Professor de Economia MIB School of Management, Professor Depto. Economia Universidade deTrieste.Trabalho oriundo da Monografia de Conclusão do Curso “MASTER COURSE IN COFFEE ECONOMICS ANDSCIENCE – ERNESTO ILLY” - Trieste/ Itália – Ano acadêmico 2011/2012.IntroduçãoA produção de café no Brasil teve seu aumento devido ao uso de inovações tecnológicas, quetem proporcionado ao produtor maior produtividade (Oxfam, 2000). Nas últimas duas décadas aárea colhida teve uma redução de 2,5% e 0,5%, respectivamente, enquanto a produção, nomesmo período, teve um aumento de aproximadamente 2% e 4%, respectivamente (FAO, 2012e Conab, 2012a).A eficiência técnica tem um papel importante no aumento da produção, e é determinada porcaracterísticas específicas, tais como: (i) características de produção, que dominam vantagens decompetitividade na produtividade e custo de produção, e (ii) as características socioeconômicase institucionais, que influenciam a capacidade de um agricultor a aplicar as decisões naprodução agrícola, tais como a disponibilidade de crédito rural (Obwona, 2005).Descrição do Caso e DiscussãoA maior utilização de máquinas, agroquímicos, fertilizantes e outros insumos consideradosmodernos na agricultura estão associados à disponibilidade de crédito, e, neste aspecto, oCrédito Rural tem tradicionalmente desempenhado um importante papel no processo demodernização da agricultura (Figueiredo & Correa, 2006) e consequentemente no aumento daprodução de café.Segundo Castro (2008), ao longo dos anos, os volumes totais dos recursos disponíveis têmdiminuído. Com a redução dos recursos oficiais de crédito rural, o setor agrícola teve umacontribuição importante dos recursos próprios dos produtores, e os recursos do setor privado,para manter a sua modernização e, consequentemente, o seu crescimento de produção.Considerando as premissas acima, o presente trabalho tem como objetivo estudar adisponibilidade de Crédito Rural e verificar sua participação no funding necessário para aprodução de café no Brasil.Material e MétodosO crédito rural reúne recursos designados para: (i) os custos de produção agrícolas, (ii)investimentos, (iii) a comercialização.No estudo foi considerado o recurso de Crédito Rural projetado para os custos de produçãoagrícola (o custo operacional efetivo), que são usados para cobrir as despesas com o cicloprodutivo, desde a compra de insumos até a época da colheita.Para calcular o funding necessário para financiar os custos de produção de café, o estudoutilizou os custos de produção referentes a 96,8% da área plantada total (considerando a médiaentre área plantada de 2007/08 e 2011/12). Os outros 3,2% da área plantada de café no Brasil,não serão representados no estudo por falta de informação histórica (Tabela 1).Observa-se que 99,2% dos recursos totais de crédito oferecidos para financiar a produção decafé no Brasil (tabela 1) estão concentrados nos 96,8% da área plantada total com café.
    • 30Tabela 1. Percentual de Área Plantada de Café do Brasil e Percentual de Crédito Rural de café designado para custosde produção agrícola. Fonte: ConabBanco Central, 2012.Participação da Área Plantadade Café no Brasil 1Participação da Área Plantadade Café no Brasil 2Minas Gerais 48,0% 59,4%Espirito Santo 22,7% 17,8%São Paulo 8,3% 14,3%Paraná 4,1% 3,6%Bahia 6,4% 2,2%Rondônia 7,3% 1,9%Total 96,8% 99,2%1Média entre 2007/08 e 2011/12.2Média entre 2000 e 2011.Apesar da produção de café estar presente em 15 estados do Brasil, o estudo vai seguir a lógicaapresentada na tabela 1, considerando os seis principais estados produtores para mostrar adisponibilidade de crédito rural.Para calcular o financiamento total (funding) necessário para financiar a produção de café noBrasil, foi necessário considerar a área total colhida (HA) com café e os custos operacionaisefetivos (COE): TF = HA x COEResultados e DiscussãoMesmo com a diminuição da área colhida com café em cerca de 1,4% nos últimos 5 anos, osfundos necessários para financiar a produção de café aumentou substancialmente, em uma taxade 12,4% ao ano. Este crescimento foi impulsionado pelo COE, que apresentou aumento de14% nos últimos 5 anos (Tabela 2).Tabela 2. O financiamento necessário para financiar a produção de café no Brasil (US$ milhões). Fonte para áreacolhida e Custos de produção (Conab, 2012abc).Área Colhida (ha)Custo Operacional Efetivo(US$/há)Funding Total Café(US$ milhões)(HA) (COE) (TF)2007/08 2.105.758 2.410,7 5.076,42008/09 2.104.184 2.797,2 5.885,82009/10 2.028.234 3.007,2 6.099,32010/11 2.010.362 3.664,1 7.366,22011/12 1.989.911 4.073,0 8.104,9-1,4% 14,0% 12,4%A participação do crédito rural para produção de café, considerando os custos de produçãoagrícola (destinados a cobrir todas as despesas com o ciclo produtivo, desde a compra deinsumos até a época da colheita) é apresentada a seguir (Tabela 3).Tabela 3. Participação de Crédito Rural no Financiamento da produção de café (%). Fonte de Crédito Rural - BCN(2012).Funding Total Café(US$ milhões)Credito Rural para ProduçaoAgrícola de café (US$milhões)Participação do credito ruralno funding de café (%)2007/08 5.076 1.287,9 25,4%2008/09 5.886 1.465,2 24,9%2009/10 6.099 1.675,1 27,5%2010/11 7.366 1.988,7 27,0%2011/12 8.105 2.378,9 29,4%12,4% 16,6% 3,7%Nos últimos 5 anos, a participação do crédito rural para financiamento de café aumentou. Ofunding para a produção de café aumentou substancialmente, e o Crédito Rural acompanhoueste aumento, apresentando um crescimento maior nos últimos 5 anos (16,6% ao ano).Mesmo que o Crédito Rural tenha apresentado um maior crescimento nos últimos cinco anos, asua participação no financiamento de café ainda é muito pequena, e insuficiente para cobrir oscustos de produção agrícola de café no Brasil.
    • 31Neste caso, os produtores de café precisam encontrar outros recursos para apoiá-los com oscustos de produção. A outra parte, para completar todo o funding necessário para cobrir aprodução de café, provavelmente é proveniente de outras fontes de financiamento, comorecursos de capital próprio, financiamentos bancários e acesso ao setor privado através derelações de trocas por insumos agrícolas.ConclusõesA questão do financiamento da agricultura tem sido um dos pontos que suscitaram maisdiscussões na área da política agrícola. A preocupação central é a busca de novas fontes derecursos, capazes de atender às necessidades de financiamento, uma vez que o crédito rural temuma participação abaixo de 30% no financiamento necessário para a produção de café.Se por um lado há fatores que indicam a importância do crédito rural para o cultivo do café, poroutro se percebe que a produção agrícola tem crescido mesmo com a baixa participação nofinanciamento de café. O crescimento da produção de café, nos últimos anos, aconteceu porcausa do aumento da produtividade, o que está implícito o uso de tecnologias modernas.Assim, pode-se concluir que, se a modernização agrícola continuou mesmo com uma baixaparticipação do crédito rural para o financiamento de café, o desenvolvimento do setor teve umacontribuição importante de recursos próprios dos agricultores e/ ou contribuição do setorprivado.Referências BibliográficasBanco Central do Brasil, Brasil (2012). Anuário Estatístico do Credito Rural, Brasília.<http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.aspx >, 2012.Castro, E. R. (2008) Crédito Rural e Oferta Agrícola no Brasil. Ph.D. Dissertation,Universidade Federal de Viçosa, PP. 131.Companhia Nacional de Abastecimento, Brasil (2012a). Acompanhamento da Safra BrasileiraCafé Safra 2012 - segunda estimativa (maio/2012), Brasília. <http://www.conab.gov.br/>, 2012.Companhia Nacional de Abastecimento, Brasil (2012b). Custos de Produção – CulturasPerenes. Café Conilon Serie 2003 a 2012. Brasília. <http://www.conab.gov.br/>, 2012.Companhia Nacional de Abastecimento, Brasil (2012c). Custos de Produção – CulturasPerenes. Café Arábica Serie 2003 a 2012. Brasília. <http://www.conab.gov.br/>, 2012.European Coffee Federation (2008). Coffee Facts and Figures. <http//:www. ecf-coffee.org>,2008.Figueiredo, N.M.S. & Correa, A.M.C.J. (2000), “Tecnologia na Agricultura Brasileira:indicadores de modernização no início dos anos 2000”, Instituto de Pesquisa EconômicaAplicada. Texto para Discussão nº 1163. Brasília.Food and Agriculture Organization of the United Nations (2012). Statistic Division.<http://www.faostat.fao.org>, 2012.Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Brasil (2012b). Política Agrícola – PlanoAgrícola e Pecuário 2012/13, Brasília. <http://www.agricultura.gov.br/politica-agricola/plano-agricola-pecuario-2012-2013>, 2012.Obwona, M. (2005) “Determinants of Technical Efficiency Differentials among Small- andMedium-Scale Farmers in Uganda: A Case of Tobacco Growers.” Research Paper No. 152.African Economic Research Consortium, Nairobi.Oxfam (2000). “The Coffee Market – a Background Study”. International CommodityResearch.Vegro, C. L. R. et al. (2000) “Sistemas de produção e competitividade da cafeicultura paulista”.Informações Econômicas, São Paulo, v. 30, n. 6.
    • 32CAFÉ SOLÚVEL BRASILEIRO E O AQUECIMENTO DO MERCADO DE ROBUSTAAntônio Sérgio de Souza (graduando em Ciências de Alimentos - UFV CRP1); Cláudio PagottoRonchi (Orientador/Coordenador) (Eng. Agro. D.Sc. em Fisiologia Vegetal - UFV CRP1); PauloAfonso Ferreira (Eng. Agro. D.Sc. em Fitopatologia UFV CRP1) e Sergio Parreiras Pereira(Eng. Agro. D.Sc. em Fitotecnia - Pesquisador IAC2).INTRODUÇÃOPara compreendermos a produção do café solúvel brasileiro, precisamos antes, fazeruma análise de seu principal componente, o café Robusta ou Conilon (Coffeea canephora).Neste estudo, faremos um apanhado do quadro atual da produção mundial do grão decafé robusta, bem como uma análise do potencial dos países produtores. Abordaremos aindustrialização e a exportação brasileira de café solúvel, assim como, a expansão do consumopara novos mercados mundiais.Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi enfocar nas perspectivas mundiais paraprodução do café robusta, assim como, a evolução do consumo, o momento atual de mercado,sua imagem junto a governos e torrefadores internacionais.DESCRIÇÃODe acordo com Neto (2012), a primeira produção de café solúvel é atribuída a SatoriKato de Chicago (EUA), porém a primeira produção industrial foi feita pelo químico inglêsGeorge Constant Washington na Guatemala. Um dia, enquanto aguardava sua esposa no jardimde sua casa para tomar café, ele observou no bico do bule um pó muito fino, parecia ser acondensação do vapor dessa bebida. Isto o intrigou e levou-o a descobrir o café solúvel. Em1906 ele iniciou alguns experimentos e já, em 1909, iniciou a primeira comercialização de cafésolúvel, produto que recebeu o nome de Red E Coffee. O tradicional Nescafé foi criado, em1937, a pedido do Governo de Getúlio Vargas. Neste período, o Brasil encontrava-se comexcesso de produção, graças a baixa demanda mundial provocada pela crise gerada pela quebrada bolsa de Nova Iorque em 1929.Segundo Ronchi (2009), o C. canephora originou-se no Congo (África), e recebeu onome de Robusta por traduzir sua rusticidade e resistência, sobretudo à ferrugem. Com raízesmais profundas, gera árvores mais altas, tem origem em sub-bosques densos de FlorestasEquatorias, altitude de até 1.200 m, temperaturas médias anuais entre 24 e 26 oC; precipitaçãosuperior a 2.000 mm, distribuídas ao longo de nove meses do ano, umidade relativa alta,próxima à saturação. "O café robusta é considerado uma bebida neutra, usado em misturas(blends) e utilizado na indústria de café solúvel e nas torrefações, pois possui uma maiorconcentração de sólidos solúveis, o que resulta em maior rendimento industrial" (MATIELLO,1991).Visto como coadjuvante pela indústria de torrefação tradicional, o robusta émenosprezado pelos especialistas em cafés especiais. Segundo Josephs (2013), para Andrea Illy,presidente-executivo da illycaffè, os grãos de robusta normalmente não são cafés finos e nãoapresentam o sabor refinado do arábica, que é buscado pela indústria.Na matéria do The Wall Street Jornal, Josephs (2013) cita que por produzir uma bebidade sabor extremamente duro, de gosto amargo e qualidade inferior, em 1989, a Costa Rica criouuma lei proibindo o cultivo e autorizou o governo a destruir as árvores existentes de caférobusta. Em 2010, os produtores de café da Nicarágua, país vizinho, tomaram as ruas exigindouma lei similar contra robusta, mas não foram bem sucedidos.1Universidade Federal de Viçosa - Campus Rio Paranaíba - MG, UFV CRP2Instituto Agronômico de Campinas, IAC SP
    • 33DISCUSSÃOO Brasil, que dominava o mercado mundial de café solúvel, perdeu em 2010 a liderançapara a Índia (FERREIRA, 2013). O Brasil chegou a possuir 11 empresas com industrializaçãode café solúvel. No entanto, há mais de 40 anos não se abre uma nova. Atualmente, só seteindustrializam o café solúvel em solo brasileiro (NEVES, 2008). Essas empresas têm seu focovoltado para a exportação, sendo que aproximadamente 87% do faturamento total, proveem dasvendas externas (NEVES, 2009).A indústria brasileira de café solúvel amarga um processo de estagnação em suasexportações, em uma tendência que se mantém há mais de uma década em sentido inverso aomercado global.Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontam que osembarques de café solúvel da indústria brasileira cresceram apenas 0,3% em 2012, sendoexportadas 3,31 milhões de sacas de 60 kg - cerca de 1 milhão de sacas a menos que a Índia. Emreceita ouve uma alta de 3%, para US$ 672 milhões, puxada pela alta dos preços do café robusta(FERREIRA, 2013).Com base em projeções da LMC/Olam, Saoud (2011), estima que o consumo de solúvelno mundo cresceu a uma taxa anual de 2,95% de 2005 a 2010, a qual deverá manter emcrescimento de 2,7% ao ano até 2015. Tendo o consumo de solúvel obtido um crescimentodiferenciado em seis países: Brasil 3,0%, Indonésia 3,5%, Tailândia 7,0%, Filipinas 3,8%,Malásia 4,0%, Índia 3,0% e China 7,3%, as taxas de crescimento anual deveram continuaracima de 3% até 2020, o que representará um incremento de demanda em 3 milhões de sacos derobusta.Para novos consumidores, o solúvel, por ser prático e mais econômico, é apontado comoa "porta de entrada" para a introdução do consumo de café em grandes mercados emergentes,como a China, Ex-repúblicas soviéticas e em toda região asiática, na qual o desempenho dasexportações de café brasileiras não são boas.A produção de café robusta brasileira é insuficiente para atender a demanda das fábricasde solúvel, principalmente nos primeiros meses do ano. Segundo a Abics, a demanda total pelavariedade no Brasil é de aproximadamente 15 milhões de sacas, para uma produção estimadaem apenas 12,5 milhões, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento(Conab), para a safra 2012/13, sendo que cerca de 85% da produção brasileira de robusta éabsorvido pela indústria do solúvel.Segundo estimativa de Saoud (2011), se o consumo mundial de robusta continuarcrescendo no mesmo ritmo verificado nos últimos 10 anos (média anual de 3,6%), deverá saltardos atuais 54,4 milhões para 77,6 milhões de sacas em 2020, um aumento de 23 milhões desacas. Caso o crescimento arrefeça para uma taxa média anual de 2,5%, deveráatingir 69,74 milhões de sacas, ou 15 milhões de sacas acima do volume consumido hoje. Umaestimativa mais conservadora, que use uma taxa de crescimento baixa, de 1,75% ao ano,significaria um acréscimo de 10 milhões de sacas no consumo mundial de robusta, que chegariaa 64,8 milhões de sacas em 2020.MATERIAL E MÉTODOSAnalisado as barreiras apontadas como impeditivas ao crescimento da indústriabrasileira de solúvel, observa-se que essa vive uma realidade de estagnação ante uma tendênciade crescimento mundial. De acordo com a consultoria P&A Marketing Internacional,especializada no mercado internacional de café, a indústria de solúvel vai seguir na inérciaenquanto não resolver a questão do drawback (FERREIRA, 2013). O "Drawback" é apossibilidade de importar matéria prima, sem a cobranças de impostos, para que sejareexportado o produto industrializado.Segundo Ferreira (2013), o setor é penalizado com sobre taxa de importação de 9%pela Rússia, um grande importador de solúvel. Este cenário deve se agravar com a eliminaçãodo Brasil do Sistema Geral de Preferências da União Europeia (SGP), no âmbito da Conferênciadas Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que prevê tarifas mais baixaspara produtos exportados por um grupo de países em desenvolvimento.
    • 34No mercado interno, o café solúvel apresenta um desempenho anêmico, comfaturamento em 2012 de aproximadamente R$ 450 milhões, nível esse similar ao de 2011 comvolume inferior a um milhão de sacas (FERREIRA, 2013).A valorização e o aquecimento de demanda do robusta no nível internacional é um fatorpreocupante para a industria brasileira de solúvel. Em 2012, os papeis robusta-futuros,negociados na bolsa de Londres (NYSE Liffe) tiveram alta de 13% no ano. Por outro lado, oscontratos futuros de café arábica negociados na bolsa de Nova Iorque (ICE Futures) caíram 36%no período (JOSEPHS, 2013).RESULTADOSSegundo Saoud (2011), mantendo o consumo mundial de robusta, que atualmente estáem 54.475 milhões de sacas, um crescimento conservador de 1.75% ano, chegaremos em 2020consumindo 64.825 milhões de sacas em 2020, apontando para um cenário de déficit de 10milhões de sacas baseado-se na produção atual.O estudo de Saoud (2011), aponta que para atender está nova demanda, o Brasil poderáelevar sua produção em 3 milhões de sacas, com uso de espécies mais resistentes a doenças emais produtivas, expansão das áreas irrigadas, melhores tratos culturais e expansão da área nosul da Bahia. O Vietnã que num período de 15 anos se transformou de um país, desconhecidopor muitos consumidores, no maior produtor mundial de Robusta, não tem muito potencial paraaumento na área plantada e está implantado um programa de renovação de suas lavouras, quedeverá elevar a produção em 2 milhões de sacas. A Indonésia em comparação com o Vietnã,tem o dobro da área cultivada, mas com um rendimento baixo, com média de apenas 7 sacas porhectare. No entanto, melhorando a produtividade, tem grande potencial para aumentarsignificativamente a produção, podendo elevar em mais 3 milhões de sacas. Os demais paísesprodutores de robusta, como Índia (300 mil sacas), África (1 milhão sacas), Ásia (750 milsacas), entre outros, deveram produzir juntos 2 milhões de sacas, segundo projeções daLMC/Olam (SAOUD 2011).CONCLUSÕESComo o consumo de robusta e solúvel cresce a taxas superiores à produção, tem-seperspectivas reais para o aumento da produção de café conilon. Mesmo com consumo crescendoa taxas modestas, se terá um cenário de déficit, estimulado pelo o aumento do volume derobusta utilizado nos blends pelas grandes torrefações, que foi motivado pela elevação dospreços do café arábica em 2010.O café solúvel brasileiro apresenta um cenário de perda gradual de mercado, com aperspectiva de agravamento, com a indústria brasileira desmotivada e a expansão naindustrialização de solúvel na Ásia, principalmente na Índia.REFERÊNCIASFERREIRA, Carine. Indústria de café solúvel amarga mais um ano de fraqueza. Valor Econômico, São Paulo, 18jan. 2013. Disponível em: <http://www.valor.com.br/empresas/2974914/industria-de-cafe-soluvel-amarga-mais-um-ano-de-fraqueza >. Acesso em: 8 fev. 2013.JOSEPHS, Leslie. Robusta’s Moment in the Sun. The Wall Street Jornal, Nova Iorque, 8 fev. 2013. Disponível em:<http://blogs.wsj.com/marketbeat /2013/02/08/robustas-moment-in-the-sun/>. Acesso em: 12 fev. 2012.MATIELLO, José B. O Café: Do Cultivo ao Consumo. São Paulo: Editora Globo, 1991.NETO, S. L.. C. Produção de Café Solúvel Através de Secagem Spray-Drying. Universidade Regional deBlumenau – FURB. Blumenau, 2012.NEVES, Leo de A. Plataforma de exportação de café solúvel. Revista do Café, ano 84, n. 815, set. 2005.NEVES, Lincoln W. de A. Fazer ou Comprar: uma análise sob a perspectiva das teorias da Economia dosCustos de Transação e da Visão Baseada nos Recursos. Tese (Doutorado em Engenharia Industrial). PontifíciaUniversidade Católica do Rio de Janeiro - PUC RJ, Rio de Janeiro, 2009.RONCHI, Claudio P. A Origem do Café Conilon. Cetcaf, Vitória, 19 ago. 2009. Disponível em:<http://www.cetcaf.com.br/informacoes%20gerais/origem%20cafe%20conilon/origem_cafe_conilon.htm>. Acessoem: 12 fev. 2012.SAOUD, Raja. Café robusta não é mais um coadjuvante. Revista do Café, ano 90, n. 838, jul. 2011.SAOUD, Raja. 2011-20: The Decade of Robusta. Brasil Coffee Dinner. São Paulo, 31 Mai. 2011. Slides.
    • 35NÍVEIS DE GESTÃO DA QUALIDADE NA PRODUÇÃO CAFEEIRA: ESTUDOEXPLORATÓRIOAntonio Bliska Jr1; Antonio C. O. FERRAZ1; Paulo A. M. LEAL1; Flávia M. M. BLISKA21Faculdade de Engenharia Agrícola/UNICAMP; 2Centro de Café, Instituto Agronômico/IAC.IntroduçãoA preocupação com a gestão da qualidade cresce continuamente entre empresas dosdiferentes setores econômicos. A criação de sistemas de gestão interna tornou-se essencial paramanter ou aumentar a competitividade das micro e pequenas empresas em todo o mundo,visando um processo contínuo de aumento da satisfação e da confiança dos clientes, redução decustos internos, aumento da produtividade, melhoraria da imagem e dos processos e acesso anovos mercados. Para as empresas relacionadas ao agronegócio café a realidade é similar: acriação de mecanismos de gestão interna, dos processos agrícolas à colocação do produto nomercado de destino, é muito importante. A identificação do grau de gestão das atividades dessasempresas, de forma simples e rápida, de acordo com os fundamentos, normas e práticas degestão da qualidade, contribui com a estruturação do seu negócio de forma organizada e para aobtenção de produtos acabados de qualidade superior.O objetivo desse estudo é prospectar o nível do grau de gestão da qualidade na empresacafeeira brasileira, por meio de um método simples e rápido – o MIGG Café, para avaliar suaaplicabilidade a uma amostra que no futuro próximo permita mapear o nível de gestão dasempresas do setor cafeeiro nas principais regiões produtoras.MetodologiaPara avaliar o nível de gestão das empresas cafeeiras utilizou-se o MIGG – Café (Métodode Investigação do Grau de Gestão), método desenvolvido na Faculdade Engenharia Agrícola daUniversidade Estadual de Campinas – FEAGRI/UNICAMP, com a colaboração do Centro deCafé do Instituto Agronômico de Campinas – IAC. Os graus de gestão identificados pelo MIGG,de um a nove, são apresentados no quadro 1.Quadro 1. Níveis de gestão ou de maturidade das empresas e faixas de pontuação do MIGG - Café.Nível Síntese da descrição da maturidade da Gestão Pontuação1 Não há refinamento e integração. Não há resultados relevantes decorrentes deenfoques implementados.0 –1502 Começam a aparecer resultados relevantes decorrentes da aplicação dosenfoques de qualidade.151 –2503 Alguns resultados relevantes decorrentes da aplicação dos enfoques, avaliações emelhorias são apresentados com algumas tendências favoráveis.251 –3504 Alguns resultados apresentam tendências favoráveis. Início de uso deinformações comparativas351 –4505 A maioria dos resultados apresenta tendência favorável. Nível atual é igual ousuperior aos referenciais pertinentes para alguns resultados451 –5506 O nível atual igual ou superior aos referenciais pertinentes para a maioria dosresultados, podendo ser considerado líder do ramo.551 –650
    • 367 Nível atual superior aos referenciais pertinentes para a maioria dos resultados,sendo considerado líder do ramo e referencial de excelência em algumasáreas, processos ou produtos.651 –7508 Nível atual igual ou superior aos referenciais pertinentes para quase todos os resultados,sendo referencial de excelência emmuitas áreas, processos ou produtos.751 –8509 Liderança setorial reconhecida como referencial de excelência na maioria das áreas,processos ou produtos.851–1000Fonte: Resultados do estudo, com base em Bliska Jr. (2010).O MIGG – Café é composto por questões objetivas, diretas e que admitem apenas dois tiposde resposta – sim ou não, o que contribui para reduzir a subjetividade que geralmente acompanha osmétodos descritivos ou qualitativos. O roteiro utilizado visa à elevação contínua dos padrões dequalidade em todos os estágios do sistema agroindustrial. Os critérios avaliados são:• Estratégias e Planos: plano de negócios; documentação; plano de ação e periodicidade;índice de ajuste de produção.• Liderança: relacionamento (funcionários, fornecedores, consumidores); comunicação; domínio dos fatoresqueafetama organização;atitudefrenteàdelegaçãodeações;soluçãoconjuntadospontosdeatrito.• Clientes: Definição dos preços de venda, Classificação dos grãos e da bebida, Serviço deatendimento ao cliente (SAC), Banco de Dados do SAC, Solução das demandas do SAC,Cumprimento de prazos e de especificações.• Sociedade: Uso de controle biológico, Tratamento de resíduos, Não utilização de mão-de-obrainfantil, Associativismo e cooperativismo, Pagamento de royalties, Código de conduta.• Informações e Conhecimento: suporte técnico; acesso a internet; treinamento e aperfeiçoamento;visitas e contatos com clientes; canais de distribuição; tecnologias, metodologias e processos.• Pessoas: uso de E. P. I.; plano de saúde; treinamento; identificação de lideranças; reaçãorápida a estímulos e demandas;capacidade de buscar informações.• Processos: uso de material genético adequado; teste de novas variedades; uso de substratos;uso de cultivo protegido na produção de mudas; certificação de sementes e mudas; análises desolo; controle de ferti-irrigação; observação do ponto de colheita; controle de parâmetros(colheita e pós-colheita); logística da colheita; instalações adequadas à pós-colheita; instalaçõespara beneficiamento; instalações para armazenamento; manutenção preventiva; limpeza eorganização; evitar re-trabalho; controle de qualidade; crédito agrícola; seguros.• Resultados: vendas; aumento da receita; satisfação (clientes e mercado); relacionamento(clientes e mercado); imagem da empresa; conformidade ambiental; bem estar, motivação;melhoria contínua da produtividade; conformidade do produto; eficiência operacional;qualidade dos produtos; relacionamento com fornecedores.Foram aplicados seis questionários, três dos quais individualmente, por ocasião dereunião com cafeicultores no Sindicato Rural de Divinolândia, e os outros três durante oCongresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, em Caxambu, ocasiões em que os produtoresforam convidados a avaliar o nível de gestão de suas empresas.Resultados e DiscussãoOs níveis de gestão das empresas avaliadas e a caracterização dessas empresas sãoapresentados no quadro 2. Embora o estudo seja exploratório, os resultados obtidos indicam queo uso de colaboradores eventuais, principalmente no processo de colheita, pode ser um aspectolimitante no desenvolvimento e crescimento das organizações, principalmente na questão deobtenção de produtos de qualidade. Uma vez que os colaboradores são pagos mediante aexecução de tarefas diárias, onde o volume colhido corresponde a uma maior remuneração,
    • 37cuidados na seleção e no manuseio dos grãos de café são relegados. Tal prática também excluiqualquer possibilidade de capacitação da mão de obra ou incentivo de qualquer natureza paraum melhor desempenho que não seja o quantitativo. Essa característica é predominante nasorganizações que exploram pequenas áreas, uma vez que organizações de médio e grande portenormalmente justificam a presença de um número mínimo de colaboradores regularmentecontratados.As organizações de maior porte, mesmo que atuem com ética no mercado, não possuemmecanismos para estimular a aplicação da mesma ao longo da cadeia. Tais organizações priorizama sucessão familiar em detrimento da identificação de lideranças dentro de seu quadro decolaboradores. Ademais, as empresas analisadas, independentemente de tamanho, não exploramplenamente o potencial das ferramentas tecnológicas disponibilizadas no mercado.ConclusõesPara as organizações de pequeno porte, um dos grandes desafios é elevar a qualidade doseu produto mesmo sem conseguir trabalhar com mão de obra qualificada ou que possa serinserida em algum programa de capacitação. Independentemente do tamanho e do nível degestão da organização, os produtores ainda não se convenceram de que a utilização detecnologias modernas e a localização da propriedade em regiões favoráveis ao cultivo do cafénão são suficientes para garantir a obtenção de produtos diferenciados e a sobrevivência daorganização como empresa. Com relação às organizações de grande porte, a não priorização daidentificação de lideranças internas poderá comprometer sua competitividade e sustentabilidade.A percepção dos gestores de que os conceitos de ética e cidadania, se permeados ao longo dacadeia, poderão resultar em melhor remuneração para as organizações como um todo, é poucoexplorada no Brasil. Em síntese, todas as premissas de boa gestão visam transformar asorganizações em empresas e garantirem a continuidade de sua atividade e sua sobrevivência aolongo do tempo.ReferênciaBLISKA JÚNIOR, A. Método de Identificação do Grau de Gestão (MIGG) nas atividades de produção deflores de corte, 2010, 188p. Tese (Doutorado), Faculdade de Engenharia Agrícola, UniversidadeEstadual de Campinas, Campinas, 2010.Contato: Dra. Flávia Maria de Mello Bliska, Cetro de Café, IAC, bliska@iac.sp.gov.br
    • 38COMPARAÇÃO DAS VARIEDADES DE ARÁBICA DO IAC ENTRE REGIÕES ETECNOLOGIAS DISTINTASFlávia Bliska1, Patrícia Turco 2, Sérgio Tosto3, Thomaz Fronzaglia4, Celso Vegro51.Instituto Agronômico (IAC); 2. Departamento de Descentralização do Desenvolvimento (DDD/APTA); 3. EmbrapaMonitoramento por Satélite; 4. Instituto de Geociência (IG/UNICAMP); 5.Instituto de Economia Agrícola (IEA).IntroduçãoA cafeicultura brasileira se distribui por regiões com características edafoclimáticas,competitividade e custos de produção diferenciados, resultantes de fatores como odesenvolvimento e utilização de pacotes tecnológicos de níveis distintos. Dentre as principaisinovações tecnológicas para a produção de café se destacam variedades adaptadas a diferentescondições de solo e clima, com características agronômicas desejáveis, além de qualidade debebida superior e resistência a pragas e doenças. Embora sejam utilizadas em grande parte dasregiões produtoras, os impactos e a contribuição das diferentes variedades, para o crescimentoda cafeicultura brasileira e seu desenvolvimento regional, ainda não foram quantificados. Amensuração desses impactos é relevante tanto para o cafeicultor, pois a partir dela podeconhecer o desempenho regional das variedades disponíveis e tomar decisões sobre sua eventualutilização, como para as Instituições de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D avaliarem eatualizarem as diretrizes dos seus respectivos programas. O objetivo central deste estudo équantificar e comparar os impactos ambientais, sociais e econômicos das variedades de caféarábica desenvolvidas pelo Instituto Agronômico – IAC, consideradas “modernas” – registradasa partir de 1992 – com as variedades registradas antes dessa data – variedades “antigas”, entreregiões onde são empregados níveis tecnológicos muito distintos.MetodologiaNo Brasil os avanços nos estudos de inovações tecnológicas resultam principalmente dostrabalhos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da UniversidadeEstadual de Campinas (Unicamp), que desenvolveram respectivamente os sistemas Ambitec(Irias et al. 2004) e ESAC (Salles-Filho et al., 2007). Compararam-se esses métodosprincipalmente quanto à sua composição, abrangência, complexidade e custo de aplicação, eidentificaram-se suas vantagens e desvantagens. Verificou-se a possibilidade de ajustá-los deforma a reduzir as desvantagens e testes de campo com os dois sistemas, indicaram que algumascaracterísticas interessantes do ESAC poderiam ser incorporadas ao Ambitec. Essasincorporações foram realizadas, porém sem alterar o sistema de pontuação, os componentes deimpacto e os indicadores originais do Ambitec.O Sistema é constituído por um conjunto de indicadores direcionados à avaliação ex-post dacontribuição de uma inovação tecnológica para o desempenho ambiental, social e econômico deuma atividade agrícola. O Sistema envolve: 1) Coleta de dados gerais sobre a tecnologia; 2)Aplicação dos questionários, com adotantes selecionados e inserção dos dados sobre osindicadores de impacto em planilhas eletrônicas, via plataforma MS-Excel, para obtenção deresultados quantitativos dos impactos e índices parciais e agregados de impacto da tecnologiaselecionada; 3) Análise e interpretação dos índices de impacto obtidos – ambiental, econômico,social e total – os quais variam de –15 a +15.O município de Divinolândia – SP foi utilizado como exemplo de baixo nível tecnológico nalavoura cafeeira. Suas condições edafoclimáticas são bastante similares àquelas observadas nasregiões cafeicultoras do Sul de Minas Gerais, como: solos férteis; altitude; temperaturas e regimepluviométricos propícios ao cultivo do cafeeiro e à obtenção de cafés de boa qualidade de bebida.Porém o nível tecnológico empregado na lavoura, bem como a produtividade e a rentabilidademédias, ainda são muito baixos em relação a outras regiões igualmente tradicionais. Comoexemplos de maior emprego de tecnologia foram utilizados os resultados médios obtidos para as
    • 39variedades mais cultivadas nas regiões de Piraju, Garça-Marília, Mogiana Paulista, Sul e Cerradode Minas Gerais, Planalto baiano e Norte do Paraná.As variedades (tecnologias) do Instituto Agronômico – IAC, registradas entre 1992 e 2013,consideradas “modernas”, são: Icatu vermelho, Icatu amarelo, Icatu precoce, Apoatã, Obatã IAC1669-20, Tupi IAC 1660-33, IAC 125 RN, IAC Ouro Verde, Obatã 1669-20 e Obatã IAC4739.As variedades “antigas” são: Mundo Novo (1952) e Catuaí (1972).Em Divinolândia foram aplicados dez questionários, por meio de painel estruturado – osrespondentes receberam o questionário impresso e o aplicador leu as questões uma a uma, namedida em que eram respondidas. As variedades analisadas foram:•••• Icatu precoce em relação ao Mundo Novo: três questionários.•••• Obatã em relação ao Catuaí, dois questionários, e ao Mundo Novo, dois questionários.•••• Catuaí (1972), em relação ao Mundo Novo (1952): dois questionários.•••• Catuaí e Mundo Novo em relação à variedade Bourbon (1859): um questionário (a única diferençaque o respondente vê entre as duas primeiras é quanto ao porte das plantas).Nas demais regiões os questionários foram aplicados individualmente e foram avaliadas asvariedades Tupi (14 questionários), Obatã (12 questionários) e IAC 125 RN (11 questionários),todas elas em relação ao Catuaí e o Mundo Novo.ResultadosOs Índices de impacto das variedades analisadas em Divinolândia são apresentados no quadro 1e os índices para as demais regiões são apresentados no quadro 2. A comparação entre osresultados apresentados nos dois quadros indica que:•••• Os índices de impactos da variedade Obatã, em Divinolândia, mesmo quando positivos, sãosignificativamente inferiores àqueles obtidos para a mesma variedade nas outras sete regiões.O Obatã se destaca principalmente em Garça-Marília, Piraju e Mogiana. No Cerrado, Nortedo Paraná, Sul de Minas e Planalto baiano, os índices são menores, mas ainda assim maiselevados que aqueles de Divinolândia.•••• Os índices obtidos para as demais variedades “modernas” de café em Divinolândia tambémsão significativamente inferiores àqueles obtidos nas outras regiões.•••• Os índices mais baixos ou negativos são, em geral, observados na dimensão ambiental eresultam principalmente da maior utilização de nutrientes e outros insumos agrícolas,mecanização e irrigação. Entretanto esses valores são mais do que compensados por índiceselevados nas dimensões econômica e ambiental. Em Divinolândia são observados índicesbaixos ou negativos em todas as dimensões.•••• Os índices de impactos obtidos são significativos se comparados àqueles obtidos emavaliações similares realizadas pela Embrapa, por exemplo, para duas cultivares de trigolançadas após 1986, com índices de impacto social respectivamente de 0,93 e 1,39, e deimpactos ambientais de 1,91 e 0,01.As características das cafeiculturas das regiões analisadas e os resultados do estudo, ainda quepreliminares, indicam que a variedade de café, isolada de tecnologias complementares, quecomponham um pacote tecnológico, pode não ser suficiente para gerar impactos positivossignificativos local e regionalmente.ConclusõesOs resultados indicam que o desenvolvimento de novas variedades, bem como seu lançamento edifusão, além de ser acompanhado de um conjunto de tecnologias complementares, precisa contar com
    • 40um trabalho intensivo de assistência técnica e extensão rural, para que os produtores possam usufruirintegralmente do potencial genético que a tecnologia oferece.ReferênciasIRIAS, L. J. M.; RODRIGUES, G. S.; CAMPANHOLA, C.; KITAMURA, P. C.; RODRIGUES, I.;BUSCHINELLI, C. C. Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental de Inovações Tecnológicas nosSegmentos Agropecuário, Produção Animal e Agroindústria (SISTEMA AMBITEC). 2004, 8 p.(Embrapa Meio Ambiente. Circular Técnica, 5).SALLES-FILHO, S. L. M.; ZACKIEWICZ, M. BONACELLI, M. B.; CASTRO, P. F. D. ; BIN, A. Desenvolvimentoe Aplicação de Metodologia de Avaliação de Programas de Fomentoa C,T&I: oMétodo deDecomposição. XIISeminário Latino-IberoamericanodeGestión Tecnológica– ALTEC, 2007.Contato: Flávia Bliska, Centro de Café, IAC, bliska@iac.sp.gov.br, 19 32021717Quadro 1. Índices de impacto das variedades Obatã e Icatu em relação às variedades Catuaí, MundoNovo e Bourbon, Divinolândia – SP, 2012. Escala dos impactos: -15 a + 15.Variedades / QuestionárioObatã-MundoNovo Obatã - Catuaí Icatu - CatuaíCatuaíeMundoNovo-BourbonCatuaí -Mundo NovoÍndices deimpacto dasvariedades1 2 1 2 1 2 3 1 1 2ImpactoAmbiental 0,07 -0,78 0,00 -0,13 0,47 0,19 0,78 -0,62 -1,91 -0,80ImpactoEconômico 0,21 0,00 -1,78 0,00 0,03 0,05 0,00 0,00 -0,21 1,32ImpactoSocial -0,14 0,15 0,00 -0,12 0,00 0,05 -0,16 0,00 0,21 0,22ImpactoTotal 0,00 -0,19 -0,49 -0,11 0,30 0,15 0,16 -0,14 -0,56 0,23Fonte: resultados do estudo.Quadro 2. Índices de impacto das variedades “modernas” Tupi, Obatã e IAC 125 RN em relaçãoàs variedades “antigas” Catuaí e Mundo Novo, no Sul de Minas Gerais, Garça-Marília, Piraju, Mogiana, Cerrado de Minas Gerais, Planalto da Bahia e Norte doParaná, 2012. Escala dos impactos: -15 a + 15.Variedade “modernas” em relação às variedades Catuaí e o Mundo Novo / Número de questionáriosObatã Tupi IACSul Garça Piraju Mogiana Cerrado Planalto Norte Sul Garça Piraju Mogiana Cerrado Planalto Norte CerradoÍndices deimpactodasvariedades 1 2 2 4 1 1 1 2 1 1 4 4 1 1 11Impacto - 0,34 0,59 0,23 0,13 -0,13 0,21 0,13 0,63 0,63 0,66 0,76 0,88 0,33 1,74Impacto 0,92 5,13 3,12 2,17 0,89 1,11 0,92 0,92 2,79 4,18 2,51 1,94 1,43 1,58 5,25Impacto 0,92 2,86 1,93 2,46 0,83 1,0 0,92 0,92 2,84 3,44 2,16 2,41 2,03 1,25 3,89Impacto 0,52 2,35 1,59 1,30 0,57 0,60 0,62 0,59 1,77 2,42 1,54 1,51 1,25 0,97 3,98Fonte: resultados do estudo.
    • 41IPR 103: CULTIVAR DE CAFÉ ARÁBICA RÚSTICA MAIS ADAPTADA PARAREGIÕES QUENTES E SOLOS POBRESGustavo Hiroshi Sera1; Tumoru Sera1; Luiz Carlos Fazuoli21Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR)2Instituto Agronômico de Campinas (IAC)INTRODUÇÃONa maioria das áreas de café arábica do Brasil são utilizadas cultivares do germoplasmaCatuaí. Essa cultivar apresenta alta produtividade, ampla adaptabilidade e possui maturaçãotardia, similar à cultivar IPR 103, porém é suscetível à ferrugem e necrose e mumificação dosfrutos.‘IPR 103’ foi derivada do cruzamento entre “Catuaí” e “Icatu”, incorporando algumascaracterísticas de genes introgredidos de C. canephora do “Icatu”, como rusticidade biótica eabiótica. ‘IPR 103’ é uma cultivar de porte baixo, similar às cultivares do “Catuaí” comresistência parcial à ferrugem (Hemileia vastatrix Berk. et Br.) (Sera et al., 2010), parcialmenteresistente à necrose e mumificação dos frutos jovens (Sera et al., 2005, 2007) e ciclo dematuração tardia. Essa cultivar é recomendada para regiões cafeeiras mais frias e mais quentesdo estado do Paraná com temperatura média anual variando de 19 ºC a 23 ºC.GENEALOGIA E MÉTODO DE MELHORAMENTO‘IPR 103’ foi desenvolvida usando o método genealógico. Foi derivada do cruzamentoentre plantas do “Catuaí” e “Icatu”, realizada no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em1972. Em 1977, o IAPAR introduziu a geração F3 (IAC H 9878 - EP 187 c.582), denominadaPR 77054. A progênie F4 PR 77054-40 foi selecionada. A planta número 10 foi selecionada eoriginou a progênie F5 PR LF 77054-40-10, mais tarde denominada ‘IPR 103’ e lançada no anode 2006.PERFORMANCE‘IPR 103’ pode ser cultivada em regiões com temperatura média anual entre 19 ºC e 21ºC, como nos municípios de Londrina (580 m de altitude) e Congonhinhas (750 m de altitude) eem regiões mais quentes no Arenito com temperatura média anual entre 22 ºC e 23 C, comoItaguajé (350 m de altitude) e Lupionópolis. A ‘IPR 103’ foi avaliada em três locais do estadodo Paraná com 16 colheitas anuais e foi mais produtiva do que as cultivares padrões ‘IAPAR
    • 4259’ e ‘Catuaí Vermelho IAC 81’ (Tabela 1) devido à maior rusticidade e melhor performancepara estresses bióticos e abióticos.Tabela 1. Produção média anual por hectare (sacas beneficiadas de 60Kg) da cultivar IPR 103em comparação com outras cultivares (Estado do Paraná, Brasil).Cultivar1Produtividade2Produção relativa (%)IPR 103 (maturação tardia) 59,36 120,28Catuaí Vermelho IAC 81 (maturação tardia) 49,35 100,00IAPAR 59 (maturação semiprecoce) 43,14 87,421Com controle químico para ferrugem alaranjada do cafeeiro.2Média de três locais do estado do Paraná State com 16 colheitas anuais (espaçamento 2,75 x 0,60 m).‘IPR 103’ é uma cultivar de porte baixo de tamanho médio, similar ao “Catuaí”recomendada no espaçamento entre plantas variando de 0,50m a 0,80m, dependendo datemperatura média anual do local de cultivo e das tecnologias utilizadas como nível deadubação, irrigação e podas. Em regiões mais quentes e sem irrigação o espaçamento poderiaser mais estreito porque o diâmetro da copa da planta é menor e a ramificação é menos intensa.Em lavouras com fertirrigação, o espaçamento entre linha e entre plantas podem ser mais largos.Em lavouras onde o uso de podas é frequente, os espaçamentos podem ser menores. Usandoespaçamentos entre plantas mais largos, a produção por planta será maior, por isso, seránecessária mais adubação. O espaçamento entre linhas pode variar de 2,50m a 3,00m,dependendo do nível de mecanização da lavoura.OUTRAS CARACTERÍSTICAS‘IPR 103’ apresenta ciclo de maturação tardia, pouco mais tardia que “Catuaí”. Emregiões mais frias, com médias anuais de temperatura entre 19 ºC e 21 ºC, a maturaçãogeralmente ocorre no final de julho ou em agosto. Em regiões mais quentes com temperaturamédia anual entre 22 ºC e 23 ºC, a maturação geralmente ocorre em junho.‘IPR 103’ pode ser usado em associação com outras cultivares de café de porte baixocom diferentes ciclos de maturação dos frutos (ex: ‘IAPAR 59’ = semiprecoce, ‘IPR 98’ =mediana, ‘IPR 99’ = semitardia) visando reduzir custos com mão de obra, infraestrutura eequipamentos, além de aumentar a quantidade de frutos colhidos no ponto ideal. Utilizando‘IPR 103’ com cultivares com outros ciclos de maturação poderá ocorrer a diminuição do riscode chuva na colheita, obtendo maior quantidade de cafés de qualidade, principalmente, emregiões do estado do Paraná com inverno mais chuvoso.‘IPR 103’ possui rusticidade e melhor adaptação para regiões quentes e solos pobres,comparada com outras cultivares de porte baixo como “Catuaí” e ‘IAPAR 59’. ‘IPR 103’ foi
    • 43selecionada em região cafeeira com solos pobres e arenosos, de baixa altitude e altastemperaturas, com média anual de temperatura entre 22 ºC e 23 ºC no Estado do Paraná. Essacultivar é mais recomendada para cultivo nas regiões oeste e noroeste do estado do Paraná(Arenito Caiuá) e em regiões de solos argilosos de baixa altitude. ‘IPR 103’ também pode serplantada em áreas mais frias com média anual entre 19 ºC e 20 ºC no Paraná, mas deve serplantada em áreas da propriedade com menos risco de geada porque essa cultivar é dematuração tardia.Atualmente, ‘IPR 103’ é parcialmente resistente (moderada suscetibilidade) às raças deferrugem presentes no Paraná (Sera et al., 2010) e pode requerer controle químico, mas commenor número de aplicações de fungicidas em comparação com cultivares de café suscetíveis ealtamente suscetíveis.‘IPR 103’ apresenta um bom nível de resistência parcial (moderada resistência) aossintomas de necrose e mumificação dos frutos (Sera et al., 2005, 2007). Esses sintomas vêmsendo associados com o ataque de Colletotrichum spp. ou Colletotrichum gloeosporioides Penz(Juliatti & Silva, 2001; Paradela-Filho et al., 2001).A qualidade da bebida do café é similar ao “Catuaí”. Essas características e outras estasdescritas na Tabela 2.Tabela 2. Características morfológicas, fisiológicas e agronômicas de ‘IPR 103’ com asrespectivas descrições.Características DescriçõesTamanho da planta Médio (~ “Catuaí”)Diâmetro da copa Médio (~ “Catuaí”)Arquitetura da copa Cilíndrico (~ “Catuaí”)Comprimento do internódio Médio (~ “Catuaí”)Ramificação plagiotrópicasecundáriaAlta (~ “Catuaí”)Cor do broto BronzeTamanho da folha Médio (~ “Mundo Novo”)Ondulação da margem da folha Ondulação média (~ “Mundo Novo”)Cor dos frutos maduros RedFormato do fruto Oblongo (~ “Mundo Novo”)Tamanho do fruto Entre pequeno (~‘Bourbon Amarelo’) e médio (~“MundoNovo”)Comprimento dos grãos Entre curto (~ “Catuaí”) e médio (~ “Mundo Novo”)
    • 44Largura dos grãos Entre médio (~ “Mundo Novo”) e largo (~ “Catuaí”)Ciclo de maturação dos frutos Pouco mais tardia que “Catuaí”Resistência à ferrugem Resistência parcialResistência aos nematoides Ainda não identificadaQualidade de bebida Similar ou superior a “Catuaí”MANUTENÇÃO DA SEMENTE E DISTRIBUIÇÃO‘IPR 103’ foi registrada no Brasil no Registro Nacional de Cultivares do Ministério daAgricultura, Pecuária e Abastecimento, sob o número 09945.REFERÊNCIASJULIATTI, F. C.; SILVA, S. A. (2001) Antracnose: Colletotrichum gloesporioides Penz eoutras espécies. In: JULIATTI, F. C.; SILVA, S. A. (ed.) Manejo integrado de doenças nacafeicultura do cerrado. Editora UFU, Uberlândia, p. 37-50.PARADELA-FILHO, O.; PARADELA, A. L.; THOMAZIELLO, R. A.; RIBEIRO, I. J. A.;SUGIMORI, M. H.; FAZUOLI, L. C. (2001) O complexo Colletotrichum do cafeeiro.Boletim Técnico IAC, Campinas, n. 191, 11p.SERA, G. H.; SERA, T.; FONSECA, I. C. B.; ITO, D. S. (2010) Resistência à ferrugemalaranjada em cultivares de café. Coffee Science 5: 59-66.SERA, G. H.; SERA, T.; ITO, D. S.; AZEVEDO, J. A.; RIBEIRO-FILHO, C.; MATA, J. S.(2007) Partial resistance to fruit necrosis associated to Colletotrichum spp. among arabiccoffee genotypes. Brazilian Archives of Biology and Technology 50: 395-402.SERA, G. H.; SERA, T.; ITO, D. S.; DOI, D. S.; RIBEIRO-FILHO, C.; MATA, J. S.;AZEVEDO, J. A. (2005) Avaliação de cultivares de café arábica para resistência de campo aantracnose (Colletotrichum gloeosporioides) em região quente do Paraná. SBPN ScientificJournal 9: 26-27.Gustavo Hiroshi Sera(43) 3376-2478gustavosera@iapar.br
    • 45ESTUDO DA PRODUÇÃO CAFEEIRA EM SISTEMAS DE GESTÃO FAMILIAR NASREGIÕES DE BARRA DO CHOÇA E VITÓRIA DA CONQUISTA-BAAdielle Rodrigues da Silva, Alex Crizanton Lopes de Lima, Josielma Martinsde Oliveira , Laís Mendes da Silva, Roberta Rodrigues MeiraGraduandos em Engenharia Agronômica pela UESB, campus de Vitória da Conquista, BAMaíra Ferraz de Oliveira SilvaPós-graduanda em Gestão da Cadeia Produtiva do Café com ênfase em Sustentabilidade edocente da Área de Economia Rural do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas- UESB, Vitóriada Conquista, BA.INTRODUÇÃOA agricultura moderna, evidenciada e consolidada a partir da difusão do modelo euro-americano de organização da produção agrícola a partir da década de 1950, processo tambémdenominado de Revolução Verde, representou a transição da economia rural tradicional parauma realidade em que o campo adquiriu características urbanas, passando a adotar o modeloindustrial como forma de organização dos sistemas de produção em diversos países(ROMEIRO, 1998). A presença da agricultura familiar de forma imponente foi uma das basesdo desenvolvimento de áreas rurais dos países capitalistas centrais, que hoje possuem um dosmelhores indicadores de desenvolvimento humano, como exemplo dos EUA e o Japão. No casoda modernização da agricultura brasileira, o cenário rural foi marcado pela dualidade, ondegrandes e modernos latifúndios agroexportadores passaram a conviver com pequenaspropriedades tradicionais, inseridas numa realidade de difíceis condições para a manutenção desuas atividades agropecuárias. (SILVA, 1998). O objetivo do presente trabalho foi descrever omodelo de produção do Assentamento Cangussu em Barra do Choça-BA e ComunidadeQuilombola em Vitória da Conquista-BA, observado em visita técnica, a fim de discutir aimportância do pequeno agricultor no cenário brasileiro, bem como a necessidade de se criare/ou adaptar alternativas de desenvolvimento para o campo que possam evitar o êxodo rural,fenômeno que persiste nas áreas rurais brasileiras principalmente, no âmbito da pequenaprodução.CARACTERIZAÇÃO DA GESTÃO FAMILIAR DE PEQUENAS PROPRIEDADESRURAIS NO ASSENTAMENTO CANGUSSÚ NO MUNICÍPIO DE BARRA DOCHOÇA-BA E COMUNIDADE QUILOMBOLA NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA DACONQUISTA-BAAtravés de pesquisa a campo no Assentamento Cangussú, localizado no município deBarra do Choça-BA, e em Comunidade Quilombola, situada na região de Baixa Seca, Vitória daConquista-BA, foi possível coletar dados para embasar a discussão acerca da realidadevivenciada pelo pequeno produtor do nordeste brasileiro.O Assentamento Cangussú é composto por aproximadamente 60 famílias cada uma composse de uma área de 10 ha. Cultivam o café como produto principal com trato cultural manual.A área plantada varia entre 5 a 6 ha com espaçamento 1,20m x 3,0m, sem irrigação, comprodutividade média de 40 sacas/ha/ano, utilizando apenas mão de obra familiar. Cada famíliamantém área de preservação ambiental de 2 ha em seu lote da área total. Existe no assentamentouma escola com 1º e 2º graus além de um curso técnico em agropecuária. Os produtores
    • 46possuem assistência técnica através da ATES, tendo assim recomendação na aplicação defertilizantes. Os defensivos são adquiridos em empresas especializadas na cidade de Vitoria daConquista com orientação de profissionais quanto ao uso destes insumos. As casas sãopadronizadas, construídas com recursos de repasses do governo federal com área reservada parao cultivo de hortaliças, frutíferas e outras culturas para o autoconsumo nos “quintais”. Osassentados tiveram acesso à linha de crédito PRONAF C para a aquisição de equipamentos einstalações para beneficiar o café colhido. Foi organizada uma pequena feira dentro doassentamento para comercialização de pequenos excedentes, porém o café, ainda é vendido paraatravessadores.A comunidade quilombola possui cerca de 35 famílias, cada produtor cultiva áreas entre1 a 2 ha, utilizando mão de obra familiar. O espaçamento dos cafezais varia de 4,0m x 2,0m e3,0m x 2,0m, sem irrigação, tendo uma média de produtividade anual 30 sacas/ha/ano. Boaparte dos produtores consegue manter a área de preservação ambiental de até 1 ha de sua áreatotal. Os produtores relataram que não possuem assistência técnica, e que realizam a aplicaçãode defensivos e fertilizantes por conta própria (aplicando superfosfato simples e calcário umavez por ano além do uso de ROUNDUP quando necessário), insumos estes que são adquiridosem empresas especializadas na cidade de Vitória da Conquista. Existe na comunidade umaescola municipal com ensino básico e assistência médica uma vez por mês, oferecida e mantidapela prefeitura do município. A localidade tem sofrido com a falta de água, sendo abastecidaatravés de carros-pipa. Alguns produtores acessaram a linha de credito PRONAF B e C pararealizar o plantio e tratos culturais. A comercialização ainda depende do intermédio deatravessadores pela falta de transporte para escoar os excedentes da produção.DISCUSSÃOUma gestão familiar eficiente nas pequenas propriedades, a ser viabilizada pelo poderpúblico através da oferta de condições favoráveis à manutenção do homem no campo, contribuipara a redução do abandono do campo em busca de outras atividades que, por sua vezconstituem uma oportunidade para complementação da renda para as famílias que sobrevivemda atividade agrícola no interior do estado da Bahia. Este modelo de gestão caracteriza-se pelaheterogeneidade congregando desde famílias com pequenas propriedades, pouca produtividadee baixa renda, até pequenos produtores com estruturas modernas, de considerável níveltecnológico, que garantem grande produtividade e melhores rendimentos. Tudo depende daforma que estas famílias se organizam para produzir e comercializar seus produtos, em algunscasos, diretamente ao consumidor final. De acordo com Buainain (2006), a diferenciação dosagricultores está associada à própria formação dos grupos ao longo da história, às herançasculturais variadas, à experiência profissional e da vida particular e, ao acesso a disponibilidadediferenciada de um conjunto de fatores, entre os quais os recursos naturais, o capital humano, ocapital social e assim por diante.Nas localidades visitadas evidenciou-se a heterogeneidade quanto aos aspectos culturaise sócioeconömicos, o acesso a recursos diversos (crédito e recursos federais), bem como aosrecursos naturais e estrutura de serviços básicos e específicos disponibilizados pelo poderpúblico local. Portanto, pode-se inferir que os resultados obtidos pela gestão familiar da
    • 47produção cafeeira nestes espaços irá diferir por reflexo das condições existentes e disponíveispara cada comunidade.MATERIAL E MÉTODOSNo dia vinte e cinco de julho do ano de dois mil e doze foi realizada uma pesquisa decampo através de visita técnica ao Assentamento Cangussu, localizado no município de Barrado Choça-BA, e em Comunidade Quilombola, localizada na região de Baixa Seca no municípiode Vitória da Conquista-BA. A metodologia deste estudo consiste no levantamentobibliográfico de teorias e conceitos com o objetivo de fundamentar a discussão; a coleta dedados através da pesquisa de campo com a realização de entrevista para a coleta de dados;descrição e posterior análise de modelos de gestão familiar, selecionados aleatoriamente, quemantém como atividade agrícola principal o cultivo do café. (GIL 2000)A visita foi dividida em dois momentos, pela manhã no Assentamento Cangussú e atarde na comunidade quilombola. Representantes das comunidades visitadas responderam aosquestionamentos pré-elaborados pelos pesquisadores, bem como aos que surgiram a partir daobservação do local. Após a coleta de dados o grupo discutiu os resultados à luz das atuaisdiscussões acerca da viabilidade e das possibilidades do modelo da gestão familiar para aatividade cafeeira da região.RESULTADOSA tabela abaixo indica as principais informações obtidas por intermédio da entrevistarealizada no Assentamento Cangussú e na Comunidade Quilombola.Tabela 1- Resumo das informações obtidas por meio de pesquisa a campoQuestões mais importantes do questionário Assentamento Cangussu Comunidade QuilombolaPossui assistência técnica SIM NÃOUtiliza máquinas e implementos no cultivo SIM NÃOUtiliza defensivo químico SIM SIMUtiliza fonte de crédito SIM SIMPossui vínculo com cooperativa ou associação SIM SIMUtiliza adubo (fertilizante) SIM SIMFaz análise de solo SIM NÃOBeneficia o café SIM NÃOComercializa o café por meio de atravessadores SIM SIMFonte: entrevista realizada in locoNa Tabela 1 observou-se as diferenças existentes no que se refere à produção ecomercialização do café em dois modelos distintos de gestão familiar da produção. NoAssentamento Cangussú foram visitadas duas residências onde foi possível constatar o respeitoao padrão de organização bem como a importância aos princípios observados pela liderançalocal. Já na Comunidade Quilombola, constatou-se que, apesar de existirem interesses comuns
    • 48geridos por uma liderança local, a gestão, organização da produção e comercialização doproduto se dá de forma independente entre as famílias.CONCLUSÃOA identificação das principais características da gestão familiar nas duas realidadesobservadas nos permitiu constatar a necessidade e relevância da intervenção do poder públicono sentido de promover condições de transformação na gestão que fortaleçam a produção ecomercialização agrícola.Após as analises realizadas, acredita-se que a melhor forma de potencializar os efeitosdas políticas públicas voltadas para a pequena produção é promover a realização de diagnósticoslocais a fim de conhecer as reais necessidades dos agricultores familiares das diversas regiões,respeitando a diversidade no que diz respeito aos aspectos culturais e socioeconômicos, paraentão serem planejadas ações específicas do poder público (federal, estadual e local) a fim depromover o desenvolvimento local.Em especial, destaca-se o resultado do atendimento às demandas levantadas pelaliderança local, como no caso dos diversos recursos captados pelo Assentamento Cangussú, quepermitiram dinamizar a capacidade de gestão, produção e comercialização dos pequenosagricultores envolvidos.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBUAIANIN, M. A. Agricultura Familiar, Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável:Questões Para Debate. 1º edição. Brasília: IICA, 2006, V. 5, 135pág.FERREIRA, B.; SILVEIRA, F. G. & GARCIA, R. C.(2001). A agricultura familiar e oPRONAF: contexto e perspectivas in GASQUES, J. G. & CONCEIÇÃO, J. C. P. R. (orgs).Transformações da agricultura e políticas públicas. Brasília, Ed. IPEA.ROMEIRO, Ademar Ribeiro. Meio Ambiente e dinâmica de inovações na agricultura. 1. ed.São Paulo, SP: Annablume: FAPESP, 1998. p: 43 à 122SILVA, José Graziano da. A nova dinâmica da agricultura brasileira. 2. ed. Campinas, SP:Unicamp. Instituto de Economia, 1998.Josielma Martins de Oliveira / Fone: (77)8120-7333 / E-mail: Josy16martins@gmail.com
    • 49DESENVOLVIMENTO REPRODUTIVO NO SUBPERÍODO FLORESCIMENTO EMCAFEEIROS (Coffea arabica L.) CV. CATUAÍ, SOB DIFERENTES DENSIDADES DEGREVÍLEASMirlene Nunes de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Perla Novais de Oliveira3,Jerffson Lucas Santos4, Luan Santos de Oliveira3, Lucialdo Oliveira D´arêde5¹Graduanda do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, bolsistaFapesb, milanunes57@yahoo.com.br; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecnia e Zootecnia,UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista, Bahia; 3Graduandos docurso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb e Cnpq.4Pós-Graduando do Programa de Mestrado emFitotecnia da UESB; 5Graduado do Curso de Agronomia da UESB.INTRODUÇÃOA fenologia pode ser definida como o estudo dos eventos periódicos da vida da plantaem função da sua reação às condições do ambiente (PEZZOPANE et al., 2008). O ciclofenológico dos cafeeiros da espécie Coffea arabica L. apresenta uma sucessão de fasesvegetativas e reprodutivas que ocorrem em aproximadamente dois anos (CAMARGO, 1985). Osegundo ano fenológico, denominada de fase reprodutiva, inicia-se com a florada, seguida pelaformação dos chumbinhos e expansão dos grãos, até seu tamanho normal. Depois, ocorre agranação dos frutos e a fase de maturação (CAMARGO & CAMARGO, 2001).Determinar as fases fenológicas do cafeeiro arábica é útil para facilitar e racionalizar aspesquisas e observações na cafeicultura. Possibilita identificar as fases que exigem águafacilmente disponível no solo e aquelas nas quais torna-se conveniente ocorrer um pequenoestresse hídrico, para condicionar uma abundante florada. A esquematização facilita, entreoutras coisas, o reconhecimento das melhores épocas de aplicação de tratamentosfitossanitários, a execução das diversas operações agrícolas necessárias e estimar a produção.Assim, este trabalho teve como objetivo estudar a influência de diferentes densidades degrevíleas no desenvolvimento reprodutivo de cafeeiros (Coffea arabica L.).MATERIAL E MÉTODOSO presente trabalho foi conduzido no campo experimental agropecuário da UESB –Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista (BA). O ensaio consistiu emcafeeiros da variedade Catuaí vermelho (IAC 144) dispostos em espaçamento 3 x 1m e grevíleasplantadas em seis diferentes espaçamentos, constituindo seis variações de densidades: (T1: 6 X6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6 X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X 18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).Para a determinação do desenvolvimento reprodutivo dos cafezais, no período desetembro de 2011 foram selecionados quatro ramos plagiotrópicos localizados no terço médiodas plantas de café, orientados nas direções norte, sul, leste e oeste. Nesses ramos, foi contado onúmero de internódios produtivos e o número de flores por internódio produtivo.Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 5% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 5% de probabilidade.
    • 50Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOO número de internódios produtivos aumentou à medida que foi elevada a densidade deplantio de grevíleas. Plantas de café sob densidade populacional de 30 grevíleas por hectareapresentaram oito internódios produtivos em um ramo situado no terço médio, enquanto que omaior valor (cerca de dezesseis internódios produtivos por ramo) foi verificado para os cafeeirosassociados à 277 grevíleas por hectare (Figura 1). Porém Botero et al. (2006), ao estudar acultivar Catuaí Vermelho CH 2077-2-5-99 observaram que o sombreamento não afetou onúmero de nós produtivos.FIGURA 1. Número de internódios produtivos por ramo em planta de café associada a diferentesdensidades de grevíleas (30, 61, 69, 123,138 e 277), Vitória da Conquista, Bahia. Equação obtida pelaanálise de regressão: Ŷ*=7,58915+0,03118*X (r2=0,03118); *, p < 0,05.O número de flores por internódio produtivo de um ramo das plantas de café submetidasa diferentes densidades de plantio de grevíleas manteve tendência similar ao número deinternódios produtivos. Para cafeeiros associados à 277 grevíleas por hectare, foi observado omaior número de flores por internódio (86 flores) (Figura 2), cerca de 55,8% a mais que nostratamentos de 30 plantas por hectare.FIGURA 2. Número de flores por internódio produtivo de um ramo de planta de café associada adiferentes densidades de grevíleas (30, 61, 69, 123,138 e 277), Vitória da Conquista, Bahia. Equaçãoobtida pela análise de regressão: Ŷ*=44 +0,1536*X (r2=0,7051); *, p < 0,05.
    • 51O número mais elevado de botões florais, por nó produtivo verificado em cafeeiros sobdensidade de 277 plantas por hectare sugere que a radiação incidente limitou a indução degemas florais, embora haja evidências de que o sombreamento durante a etapa de iniciaçãofloral pode reduzir o número de flores (Cannell, 1985). Jaramillo e Valencia (1980) verificaramque o cafeeiro cultivado a pleno sol e sob grande espaçamento em geral floresceabundantemente sob as condições de radiação luminosa tropicais. Tal divergência decomportamento pode estar relacionada ao intenso efeito da restrição hídrica para oflorescimento dos cafeeiros. Deste modo, nas condições em que foi realizado o estudo amanutenção da disponibilidade hídrica condicionada pela arborização foi fator preponderantepara o desenvolvimento dos botões florais.CONCLUSÃOSob condição de elevada restrição hídrica foi verificada forte interação da densidadepopulacional de grevíleas entre o número de internódios produtivos e o número de flores porinternódio produtivo, onde as maiores densidades determinaram um maior número deinternódios produtivos e flores de plantas de café.REFERÊNCIASBOTERO, C. J.; SANTOS, R. H. S.; MARTINEZ, H. E. P.; CECON, P. R.; SANTOS, C. R.;PERIN, A. Desenvolvimento reprodutivo e produção inicial de cafeeiros sob diferentes níveisde sombreamento e adubação.Ceres, v.53, n. 307, p. 343-349, 2006.CANNELL, M.G.R. (1985) Physiology of the coffee crop. In: Clifford MN, WILLSON, K.C.;(Eds.) Coffee. Botany, Biochemistry and Production of Beans and Beverage. New York.EUA. p. 108 – 134.CAMARGO, A. P.; CAMARGO, M. B. P. Definição e esquematização das fases fenológicas docafeeiro arábica nas condições tropicais do Brasil. Bragantia, Campinas, v. 60, n. 1, p. 65-68,2001.CAMARGO, A. P. Florescimento e frutificação do café arábica nas diferentes regiões cafeeirasdo Brasil. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 20, n. 7, p. 831-839, 1985.PEZZOPANE, J. R. M.; PEDRO JÚNIOR, M. J.; CAMARGO, M. B. P.; FAZUOLI, L.C.Exigências térmicas do café arábica cv. Mundo Novo no subperíodo florescimento-colheita.Ciências e agrotecnologia, v. 32, n. 6., p. 1781-1786, 2008.Autora: Mirlene Nunes de Oliveira, milanunes57@yahoo.com.br. Contato: (77) 8854-0189.
    • 52ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS EM GREVÍLEAS ASSOCIADAS EMDIFERENTES DENSIDADES DE PLANTIO COM CAFEZAISMirlene Nunes de Oliveira1, Sylvana Naomi Matsumoto², Perla Novais de Oliveira3,Jerffson Lucas Santos4, Lucialdo Oliveira D´arêde5, Luan Santos de Oliveira3¹Graduanda do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,bolsista Fapesb, milanunes57@yahoo.com.br; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecniae Zootecnia, UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista,Bahia; 3Graduandos do curso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb e Cnpq.4Pós-Graduandodo Programa de Mestrado em Fitotecnia da UESB; 5Graduado do Curso de Agronomia daUESB.INTRODUÇÃOO cafeeiro (Coffea arabica L.) pode ser conduzido a pleno sol e sombreado (RIGHI etal., 2007). Nos países da América Latina, é comum seu cultivo em associação com diversasespécies arbóreas, que, além de fornecerem sombra à cultura, têm outras finalidades, tais comoo aumento da biodiversidade, conservação do solo, adubação verde, produção de madeira, delenha, de frutos e de outros produtos (LUNZ, 2006).A seleção criteriosa das espécies arbóreas e das densidades de plantio adequadas àsdiversas condições edafo-climáticas são fatores decisivos para a otimização do sistema e,consequentemente, para o êxito na adoção do sistema agroflorestal pelos cafeicultores, pois osucesso da arborização de cafezais depende em grande parte das características climáticas locaise do manejo da lavoura cafeeira. (LEAL et al., 2005)A grevílea (Grevílea robusta) é uma espécie utilizada em associações com cafezaispor apresentar baixo nível de competição com o cafeeiro, por possuir um sistema radicularpivotante e bastante profundo, além do formato de copa que permite a passagem de luz direta,essencial para a produção de café. A madeira produzida por essa espécie possui excelentequalidade para utilização em serrarias, com potencial para aproveitamento na indústriamoveleira (CARAMORI et al., 2002).Desta forma, este trabalho teve como objetivo avaliar as alterações morfológicas deárvores de grevíleas dispostas em diferentes densidades, associadas com plantas de café.MATERIAL E MÉTODOSO ensaio foi instalado em área experimental do campo agropecuário da UniversidadeEstadual do Sudoeste da Bahia, Campus de Vitória da Conquista, Bahia, a 14º 53’ latitude Sul e40º 48’ longitude Oeste, a uma altitude de 960 metros, em área de cultivo de cafeeiros,conduzidos em espaçamento 3x1m, associados á grevíleas dispostas em diferentes densidadesde plantio, definindo seis campos experimentais: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6 X 12 m,
    • 53138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X 18 m, 61plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).As avaliações foram feitas em períodos de dois meses em 2011/2012, totalizando 5avaliações: setembro, novembro, janeiro, março e maio, sendo coletados dados, referentes àsplantas de grevílea. Para o diâmetro do caule e da copa das grevíleas, foram utilizadas a suta, euma trena, colocada transversalmente aos ramos, no sentido leste oeste, respectivamente.Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 5% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 10% de probabilidade.Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOEm todos os estádios de crescimento avaliados foi definido o modelo linear decrescentepara a relação entre densidade e diâmetro de caule de grevíleas, ocorrendo comportamentouniforme do componente arbóreo. Os menores valores de diâmetro do caule foram verificadospara as menores densidades de plantio, nas duas ultimas avaliações (Figura 1). O maiordiâmetro do caule (33,09cm2) foi verificado para a densidade de 277 grevíleas ha-1. Emassociações entre cafezais e bracatinga (Mimosa scabrella Bentham), Caramori et al. (1996)verificaram comportamento semelhante, menores densidades de bracatinga associada à cafezais(50 e 250 plantas por hectare) foram relacionadas à maiores valores de diâmetro de caule.FIGURA 1. Diâmetro do caule de plantas de grevíleas associadas com diferentes densidades de plantio(30, 61, 69, 123,138 e 277) com plantas de café, Vitória da Conquista, Bahia. Equações obtidas pelaanálise de regressão: set: Ŷ*=34,3699-0,0300**X (r2=0,8389); nov: Ŷ*=34,7311-0,02897**X(r2=0,8097); jan: Ŷ*=34,8295-0,0285**X (r2=0,8075); mar: Ŷ= 31,78348958; mai: Ŷ°=35,4513-0,0128*X (r2=0,5519); *, ° p < 0,05 e p < 0,10, respectivamente.Para as três primeiras avaliações foi verificada que a elevação da densidade de grevíleasfoi relacionada a redução do diâmetro da copa destas árvores (Figura 2). Em estudos realizadospor Phillips (1975), condição de elevada restrição de luz natural favorece a dominância apical,
    • 54devido a decréscimo na síntese de fotoassimilados e maior concentração de auxina no ápicecaulinar. Leal et al (2005) ao estudar a arborização de cafeeiros com bracatinga, afirmaram queeste comportamento ocorre devido a um aumento da competição entre árvores.FIGURA 2. Diâmetro da copa das plantas de grevíleas associadas com diferentes densidades de plantio(30, 61, 69, 123,138 e 277) com plantas de café, Vitória da Conquista, Bahia. Equações obtidas pelaanálise de regressão: set: Ŷ**=85,1204-0,1186**X (r2=0,8497); nov: Ŷ*=90,9875-0,1441**X(r2=0,7008); jan: Ŷ*=92,3628-0,1438*X (r2=0,7123); mar: Ŷ=77,80838; mai: Ŷ**=82,9271; *, ° p< 0,05 e p < 0,10, respectivamente.CONCLUSÃOFoi verificada forte interação entre a densidade populacional de grevíleas e o seucrescimento, associadas com plantas de cafeeiro. Em que, as maiores densidades determinaramum menor diâmetro da copa e do caule.REFERÊNCIASCARAMORI, P.H.; ANDROCIOLI FILHO, A.; LEAL, A. C. Coffe shade with Mimosascabrella scabrella Benth. for frost protection in southern Brazil. Agroforestry Systems, v. 33,p. 205-214,1996.LEAL, A. C.; SOARES, R. V. CARAMORI, P. H.; BATISTA, A. C. Arborização de cafeeiroscom bracatinga (Mimosa scabrella Bentham). Floresta, v. 35, n.1., 2005.LUNZ, A.M.P. Crescimento e produtividade do cafeeiro sombreado e a pleno sol. 2006. 94f. Tese (Doutorado em Fitotecnia) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz,Piracicaba,SP, 2006.PHILLIPS, I. D. J. Apical dominance. Annu. Ver. Plant Physiol., v. 26, p. 341-367, 1975.RIGHI, C. A.; BERNADES, M.S.; LUNZ, A.M.P.; PERREIRA, C. R.; NETO, D. D.;FAVARIN, J. L. Measurement and simulation of solar radiation availability in relation to thegrowth of coffee plants in an agroforestry system with rubber trees. Revista Árvore, v. 31, n. 2,p. 195-207, 2007.Autora: Mirlene Nunes de Oliveira, milanunes57@yahoo.com.br. Contato: (77) 8854-0189.B
    • 55ALIANÇA INTERNACIONAL DAS MULHERES DO CAFÉ (IWCA): CRIANDOOPORTUNIDADES NO BRASILHelga Cristina Carvalho de Andrade1Maria Brígida Salgado de Souza 2Josiane Cotrim Macieira31 Bolsista do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café ; pós-graduandaem Cafeicultura pelo IFSULDEMINAS; Secretária da IWCA Brasil2 Segunda Vice-Presidente da IWCA Brasil3 Presidente da IWCA BasilIntroduçãoNas últimas décadas, a maioria dos países latino-americanos assumiu um crescente compromissocom a igualdade de gênero. No âmbito nacional, os países têm fortalecido mecanismos de defesa dosdireitos das mulheres. Apesar de avanços importantes, o Brasil não conseguiu melhorar a situação damaioria das mulheres brasileiras, especialmente das mais pobres, rurais, negras e indígenas. Nosentido de se organizar e promover mudanças mais palpáveis, a mobilização de mulheres temacontecido em diferentes instâncias da sociedade civil e dos setores econômicos. (JÁCOME EVILELA, 2012; ONU MULHERES, 2012).A principal porta de entrada para que as mulheres promovam e liderem soluções para odesenvolvimento sustentável tem sido o nível local, ou comunitário, que permite que oenfrentamento direto de problemas específicos e a maior motivação para resolvê-los. Entretanto, aspróprias Nações Unidas reconhecem que estas intervenções em pequena escala não são sustentáveispor si mesmas, sendo necessária a articulação sistêmica em escala global (ONU MULHERES,2012).As mulheres representam a grande maioria entre os cafeicultores em todo o planeta, entretanto,detêm menos de 1% dos títulos de posse de terra. As mulheres enfrentam além das dificuldadesinerentes à atividade cafeicultora, desafios pela discriminação de gênero em um modelo produtivotipicamente masculino, que dificulta o acesso de mulheres à participação na tomada de decisõessobre o futuro do negócio de suas famílias e de suas comunidades (womenincoffee.org).Fundada em 2003 por mulheres visionárias norte-americanas, a International Women In CoffeeAlliance (IWCA, na sigla em inglês) foi resultado de um encontro entre mulheres da indústria docafé e mulheres no mundo produtor, especificamente na Nicarágua. No decorrer dos seus 10 anos deexistência, a ONG alcançou a maioria dos países produtores na América Central, e também Américado Sul, África e Ásia, com o objetivo de formar uma aliança global, empenhada em reduzir asbarreiras para mulheres localizadas em todas as fases da cadeia produtiva do café, promovendo oacesso a recursos e a capacitação.A participação decisiva na cafeicultura mundial e a crescente atuação feminina em toda a cadeiafizeram do Brasil uma importante esfera de atuação a ser abarcada pela IWCA. O presente trabalhotem como objetivo demonstrar a aplicação da metodologia proposta pela IWCA na organização demulheres envolvidas em toda a cadeia produtiva do café e localizadas em todas as regiõesprodutoras, atuando em escala local, nacional e global.MetodologiaA missão da IWCA é empoderar as mulheres na comunidade internacional do café para alcançarvidas sustentáveis e significativas, e encorajar e reconhecer a participação de mulheres em todos osaspectos da cadeia produtiva do café. Diante disso, a metodologia adotada baseia-se no sucessoatravés das ações locais (success through localization): a partir do compartilhamento de valores, épossível criar oportunidades para impactar e expandir a esfera de influência das mulheres na cadeiado café, atingindo antecipadamente o 3º objetivo para o milênio proposto pela ONU, que é aigualdade entre sexos e a valorização da mulher (www.objetivosdomilenio.org.br/mulher/). Apromoção da igualdade de gêneros e empoderamento feminino na cadeia do café pode ser alcançada,segundo a metodologia da IWCA, pelas estratégias de i) identificação de lideranças; ii) formação esuporte a capítulos nacionais; iii) desenvolvimento de habilidades pela capacitação; e iv) formaçãode plataformas de negócios. A criação de subdivisões da IWCA – os capítulos nacionais, gera as
    • 56estruturas locais e globais necessárias para construir plataformas de relacionamento, difusão detreinamentos e suporte a projetos locais pautados em uma vida produtiva e sustentável para ascomunidades cafeicultoras.Descrição do casoAparentemente, a falsa opulência transmitida pela imagem da cafeicultura brasileira no exteriordistanciou a IWCA, atuante principalmente em países de menor porte e com latentes conflitos degênero. O primeiro contato da Aliança com a realidade brasileira aconteceu por intermédio da filhade produtores mineiros e esposa do então embaixador brasileiro na Nicarágua, Josiane CotrimMacieira.Macieira se interessou pelos trabalhos de mobilização desenvolvidos junto às cafeicultoras naNicarágua e passou a participar dos projetos da IWCA no país, assumindo a função deRelacionamento entre Capítulos, parte do grupo internacional ativo da IWCA.Macieira reuniu em poucos meses algumas mulheres que passaram a discutir por email os princípiospropostos pela IWCA. Logo o grupo identificou semelhanças entre as dificuldades vividas nasdiversas regiões brasileiras, como ausência de voz nas instâncias de decisão, discriminação nomercado e acesso limitado a capacitações, principalmente em temas como gestão de propriedades etécnicas de campo, consideradas atividades masculinas.Participando dos principais eventos do setor e buscando apoio junto a organismos públicos eentidades de apoio a projetos, o grupo de mulheres conseguiu recursos do SEBRAE – ServiçoBrasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Este organismo custeou o acesso decafeicultoras ao primeiro encontro promovido pela IWCA em território brasileiro, sediado em SãoPaulo no evento Espaço Café Brasil. O encontro reuniu mais de 70 mulheres para palestras sobre aproposta da IWCA e capacitações gratuitas. Foram atingidas mulheres produtoras, torrefadoras,baristas, membros da importação e exportação das regiões Norte do Paraná, São Paulo, Sul deMinas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro, Espírito Santo e Bahia, além de autoridades representandoinstituições de peso da cafeicultura.Deste encontro, foram gerados mais debates em redes sociais e via grupos de email, que culminaramna primeira reunião de trabalho do Comitê Fundador da IWCA Brasil, em novembro do mesmo anoem Belo Horizonte. Foi eleita a Diretoria Executiva e as lideranças para os Comitês de trabalho,definindo as mulheres engajadas na concretização do capítulo brasileiro da IWCA, pelarepresentatividade dos diferentes sotaques e setores da cadeia produtiva. Em 2012, foi realizado osegundo encontro em São Paulo, novamente no Espaço Café Brasil, com a vinda de Johanna Bot,vice-presidente da IWCA para a assinatura da Carta de Entendimento, que declara o reconhecimentodo capítulo brasileiro frente à Aliança Internacional.Resultados e DiscussãoDesde o princípio do movimento para sua fundação, a IWCA Brasil mobilizou mulheres em todas asregiões produtoras brasileiras. Os estados onde se observaram maior impacto e inclusão de mulheresforam Minas Gerais e São Paulo, expressivos pelo volume produtivo e por centralizar grande partedos negócios relacionados ao café no país. A localidade que mais se destacou na realização deprojetos foi a Mantiqueira Paulista, em especial o município de Divinolândia, cujas entidadesrepresentativas de cafeicultores conquistaram apoio de organismos como SENAR e SEBRAE parafinanciamento e parceria em ações de capacitação e campanhas de conscientização sobre o uso doEPI visual na colheita.Nas Matas de Minas, foram realizadas capacitações com as produtoras locais em análise sensorial decafé e intercâmbio de experiências entre baristas e produtoras. No Espírito Santo, a IWCA Brasilobteve destaque na programação da Conferência de 100 anos do Conilon no Brasil, promovendo oencontro das mulheres brasileiras com Sunalini Menon, da IWCA Índia e Margaret Swallow, umadas idealizadoras da IWCA. Na Bahia, há uma atuação crescente junto à Cooperbio em relação aoscafés orgânicos, mas espera-se promover uma maior participação das entidades regionais. Norestante das regiões Nordeste e Norte do país, a atuação ainda é pontual, com articulações
    • 57principalmente com mulheres envolvidas na pesquisa científica. No Paraná, a atuação também épontual, contando com articulações no Norte Pioneiro.Devido ao foco na atividade produtiva, a maioria das mulheres envolvidas na IWCA Brasil sãoprodutoras. Por meio da participação em eventos e da presença de membros de outros setores dacadeia na Diretoria e Comitês, espera-se ampliar progressivamente a inclusão da indústria e mercadoconsumidor na IWCA Brasil, bem como de instituições de ensino.ConclusõesA partir da trajetória percorrida pela IWCA Brasil, pode-se verificar que, como propõe ametodologia de implementação dos capítulos, a articulação em nível local, nacional e internacionalpode promover melhorias significativas nas vidas das mulheres na cafeicultura.É inegável o efeito multiplicador das práticas de incentivo à participação feminina na tomada dedecisões, bem como sua capacitação em nível técnico e gerencial. Tal efeito é observável naprogressiva melhoria também das comunidades nas quais as lideranças femininas estão envolvidas.De acordo com a IWCA Internacional, o capítulo brasileiro é entendido como um modelo emconstrução para a difusão da Aliança em todo o mundo produtor e consumidor, já que o Brasilassume posição de destaque em ambos. A diversidade de regiões produtoras, com realidadesdistintas e a inserção de mulheres nos diversos setores da cadeia produtiva também são fatores quetrazem grande importância para o capítulo brasileiro da IWCA no cenário mundial.Conclui-se que a metodologia proposta pela IWCA é aplicável à realidade associativista brasileira, eque conforme observado pela ONU MULHERES (2012), as ações coletivas em nível local tornam-se mais sustentáveis quando respaldadas pela articulação nos níveis nacional e global.ReferênciasIWCA. Chapter Formation Protocol. International Women In Coffee Alliance. March 1,2011. 43p.JÁCOME, M.L.; VILLELA, S. (org). Orçamentos Sensíveis a Gênero: Conceitos. Brasília:ONU Mulheres, 2012. 332p.ONU MULHERES. O futuro que as mulheres querem: uma visão do desenvolvimentosustentável para todos. Rio de Janeiro: ONU Mulheres, 2012. 44p.http://www.womenincoffee.orghttp://www.objetivosdomilenio.org.br/mulher/Helga Cristina Carvalho de Andrade(31) 9921-2111helga.barista@gmail.com
    • 58CONTEÚDO DE ÁGUA NO SOLO NA PROJEÇÃO DA COPA DE CAFEZAIS SOBDIFERENTES DENSIDADES DE GREVÍLEASGabriel Netto de Paula1, Sylvana Naomi Matsumoto², Perla Novais de Oliveira3, JerffsonLucas Santos4, Luan Santos de Oliveira3, Greice Marques Barbosa4¹Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB,gabrielnetto_hotmail.com; ²D.Sc. Professora do Departamento de Fitotecnia e Zootecnia,UESB. Estrada do Bem Querer, km 4, CEP 45.083-900 - Vitória da Conquista, Bahia;3Graduandos do curso de Agronomia da Uesb, bolsistas Fapesb e Cnpq.4Pós-Graduando doPrograma de Mestrado em Fitotecnia da UESB.INTRODUÇÃOOs sistemas agroflorestais é uma importante estratégia para o cultivo de cafeeiros,principalmente em condição de intensa exposição a ventos, luminosidade e restrição hídrica,durante as fases juvenil e produtiva.O componente arbóreo pode contribuir para elevar o aporte de matéria orgânica, emvirtude da queda de folhas, conservar a umidade, aumentar a capacidade de absorção einfiltração de água, estimular a atividade biológica entre outros (LEMOS, 2008).Segundo Rena e Maestri (2000) a presença da arborização, elevando a umidade do ar,promove um eficiente controle da abertura estomática, reduzindo a transpiração e,consequentemente, contribuindo para a otimização da utilização de água pela planta de café.Assim, este trabalho tem como objetivo determinar o conteúdo de água do solo decafezais associados a diferentes densidades de plantio.MATERIAL E MÉTODOSO experimento foi conduzido no período de setembro a maio 2011/2012, no campoagropecuário da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, em Vitória daConquista, BA, situado a 14º 53’ latitude Sul e 40º 48’ longitude Oeste, a altitude de 870metros, com temperatura média anual de 20,2ºC e precipitação anual de 960 mm. O solo da áreaé classificado como Cambissolo Háplico Tb Distrófico, com relevo suave ondulado, Sendo oclima do tipo Aw, segundo a classificação de Köppen, com chuvas periódicas e inverno poucochuvoso.Na figura 1, está apresentada a precipitação pluvial (mm) obtida durante o período deavaliação do experimento.
    • 59FIGURA 1. Médias mensais de precipitação pluviométrica no período de setembro de 2011 a maio de2012. Vitória da Conquista, Bahia, 2012. Fonte: Estação metereológica INMET/ Vitória da Conquista –BA, 2012.O ensaio foi composto por seis campos de observação definidos por diferentesespaçamentos de grevíleas nos cafezais. Os Cafeeiros da variedade Catuaí vermelho (IAC 144)foram dispostos em espaçamento 3 x 1m e as grevíleas foram plantadas em seis diferentesespaçamentos, constituindo seis variações de densidades: (T1: 6 X 6 m, 277 plantas ha-1; T2 : 6X 12 m, 138 plantas ha-1; T3: 9 X 9 m, 123 plantas ha-1; T4: 12 X 9 m, 69 plantas ha-1; T5: 9 X18 m, 61 plantas ha-1; T6: 18 X 18 m, 30 plantas ha-1).Foram coletadas durante o período de novembro de 2011 a março de 2012, emintervalos de dois meses, amostras de solo na profundidade de 0 a 20 cm, na projeção da copado cafeeiro, com auxílio de um trado de caneco de 10 cm de diâmetro. As amostras foramacondicionadas em latinhas de alumínio previamente identificadas e levadas ao laboratório deFisiologia Vegetal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, onde as amostras formapesadas em balança de precisão. Posteriormente, foram colocadas em estufas de circulaçãoforçada de ar a 105°C, até peso constante. Para a determinação da porcentagem de umidade dosolo, foi utilizado a equação , sendo U: umidade do solo (%), Mu: massa dosolo úmido (g) e Ms: massa de solo seco (g).Os resultados foram submetidos à análise de variância e teste F ao nível de 5% deprobabilidade e análise de variância da regressão, com teste F ao nível de 10% de probabilidade.Como ferramenta de auxílio às análises estatísticas, adotou-se o procedimento do softwareSistema de Análises Estatísticas e Genéticas, Saeg, versão 9.1.RESULTADOS E DISCUSSÃOPara os seis meses em estudo, foram verificados nos meses de setembro e março,modelos lineares crescentes para a porcentagem de umidade do solo em função das diferentesdensidades de grevíleas (Figura 2). De acordo com SILVA et al. (2007) a serrapilheiraacumulada pelas árvores é uma barreira inibidora da perda de água pelo solo. Portanto, apresença de uma densa arborização, pode ter mantido a umidade do solo devido a uma maiordeposição de serrapilheira. Matsumoto et al. (2006), verificaram que a redução da umidade dosolo foi diretamente relacionada à distância entre cafeeiros e árvores de grevíleas.
    • 60FIGURA 2. Umidade do solo (%) em sistema arborizado com diferentes densidades de plantio degrevíleas (30, 61, 69, 123,138 e 277) e plantas de café, Vitória da Conquista, Bahia. Equações obtidaspela análise de regressão: set: Ŷ°=7,36915 + 0,009862*X (r2=0,6431); nov: Ŷ= 10,9604; jan:Ŷ=8,9983; mar: Ŷ°= 7,17421 + 0,00920142*X (r²=0,5914); *, ° p < 0,05 e p < 0,10, respectivamente.Para a avaliação realizada nos meses de novembro e janeiro, durante e logo após operíodo chuvoso (Figura 1), não foram ajustados modelos significativos para a umidade do soloe a densidade do componente arbóreo (Figura 2). Resultados similares foram encontrados porCoelho et al. (2010) ao avaliarem a umidade do solo em diferentes sistemas agroflorestais.Também é possível verificar que a maior porcentagem de umidade do solo foi em novembro,devido este mês apresentar o maior índice pluviométrico nos meses que foram feitas asavaliações.CONCLUSÃOCafezais sob maior densidade de plantio de grevíleas apresentou maior capacidade deconservação de água no solo na época de menor precipitação.REFERÊNCIASCOELHO, R. A.; MATSUMOTO, S. N.; LEMOS, C. L.; SOUZA, F. A. Nível desombreamento, umidade do solo e morfologia do cafeeiro em sistemas agroflorestais. Ceres, v.57, n.1, p. 95-102, 2010.MATSUMOTO, S. FARIA, G. O.; VIANA, A. E. S.; ROCHA, V. S.; NOVAES, A. B. Waterrelations in a coffee grove planted with grevilleas in Vitória da Conquista, Bahia, Brazil. CoffeeScience, Lavras, v. 1, n. 1, p. 71-83, 2006.LEMOS, C. L. Características morfo-fisiológicas e assimilação de nitrogênio em cafeeirosem sistema a pleno sol e associados com abacateiro (Persea amarecicana) e ingazeiro (Ingaedulis) em Barra do Choça, Bahia. 2008. 94 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) -Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, BA, 2008.RENA, A. B.; MAESTRI, M. Relações Hídricas no Cafeeiro. ITEM, Viçosa, n. 48, p. 34 41,2000.SILVA, C. J.; SANCHES, L.; BLEICH, M. E.; LOBO, F. A.; NOGUEIRA, J. S. Produção deserrapilheira no Cerrado e Floresta de transição Amazônica-Cerrado do Centro-Oeste brasileiro.Acta Amazônica, v. 37, n.4, 2007.Autora: Gabriel Netto de Paula, gabrielnetto_@hotmail.com. Contato: (77) 99737257
    • 61