Waimiri atroari-josé-porfírio a história que não foi contada

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A história escrita por quem participou dos fatos.

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  • Particularmente tenho o autor deste livro ( considero-o meu amigo), como um dos meus grandes modelos de convivência com os indígenas. Inacreditavelmente, passados tantos anos, esteja sendo alvo de injúrias, desconfianças e acusações levianas. Isso, não diminue em nada, a sua contribuição para as melhorias das condições de vida, o respeito e o reconhecimento da questão indígena pelos brasileiros.
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  • 1. WAIMIRI ATROARI a histOria que ainda não foi contada. Jos6 Porfirio F. de Carvalho. C331w Carvalho, Jose Porfirio Fontenele de Waimiri Atroari a histOria que ainda n go foi contada. Brasilia, 1982. 180p. ilust. 1. Waimiri Atroari — HistOria. I. Titulo. CDU: 39(-081:811) (091) 0 Copyright Jose Porfirio Fontenele de Carvalho 1414/14/RI ATROM1 Todos os direitos de publicagOes deste Livro a histOria que ainda s5o de Jose Porfirio Fontenele de Carvalho ndo foi contada.78162
  • 2. 1--tp dAQA-L cot,,c,) WAIMIRI ATROARI A histOria que ainda n5o foi contada. Josè Porfirio Fontenele de Carvalho. INDI CEOS WAIMIRI ATROARI 4BARBOSA RODRIGUES E OS CR ICHANAS 11 Dedico este trabalho, aos que, mesmo sem saber porque estavam fazen-A DEFESA DOS INDIOS WAIMIRI ATROARI PELO do, sacrificaram suas vidas, em defesa dos indios.SERVICO DE PROTECAO AOS INDIOS — SPI 17OS WAIMIRI ATROARI "VERSUS" Presto aqui minha homenagem pessoal a Gilberto Pinto Figueiredo e a Jo5o Dionisio do Norte, o "Jo5o Maracajr, que sacrificaram suas vidas na4TH PHOTO CHARTING SQUADRON 23 defesa dos indios Waimiri-Atroari.OS WAIMIRI ATROARI 30POSTO INDIGENA I RAOS BRIGLIA 33A MISSAO GALLERI 38 Quando iniciei este trabalho, nos idos de 1974, n5o imaginei que levariaATAQUE NO RIO ALALAU 49 tanto tempo para conclu (do.A ESTRADA BR-174 MAN US-CARACARAI-BOA VISTA 61GILBERTO PINTO FIGUEIREDO COSTA 85 Mc) se trata de nenhum trabalho com pretens5o cientifica ou acaderni-OS WAIMIRI ATROARI Depois da morte de GILBERTO ca, trata-se de depoimentos pessoais sobre fatos que testemunhei e de resumo sobre o resultado de exaustiva pesquisa bibliogrâfica e documental.PINTO FIGUEIREDO 106A RESERVA INDIGENA WAIMIRI ATROARI 110 Por isto, ao escrever este trabalho, ri g o sigo nenhum chav5o estótico co-DIMINUICAO DA RESERVA WAIMIRI ATROARI 115 mumente usado, escrevo e narro os epis6dios de forma como o pesquiseiNOVA ESTRA DENTRO DA TERRA DOS INDIOS e da maneira que costumo contar est6rias.WAIMIRI ATROARI 118FOTOS 121MAPAS 131 "Eu nunca quis saber porque os indios mataram ou deixaram de matar Tenho-os como meus filhos, considero-os o prolongamento de minha familia. Ando armado na floresta, mas näo atiro nos indios em caso de ataque. Se me matarem um dia, paciència ..." "Gilberto Pinto Figueiredo", Indigenista morto em servico, na floresta,no Posto Indigene de Atrac5o Abonari em 29 de dezembro de 1974. 3
  • 3. ApOs a ida para a regi5o (area de influência dos rios Jauaperi e Rio OS WAIMIRI ATROARI Branco) do Major Manoel Ribeiro de Vasconcelos, nomeado pelo Presidente da Provincia do Amazonas, Dr. Jo5o Pedro Dias Vieira, ern 1856, iniciou-se Todas as noticias que encontrei nos documentos pesquisados sobre os uma verdadeira guerra, aberta e desigual, contra os indios Waimiri Atroari.indios denominados Waimiri Atroari e os contatos mantidos corn aquele gru-po tribal, n5o garantem que eles se auto-denominem como sac) conhecidos. Para "pacificar" os indios Waimiri Atroari, o Major Vasconcelos, seguiu no dia 29 de abril de 1856, levando consigo, ao Rio Jauaperi, 50 guardas Sabe-se que os indios que habitam a area de influencia do rio Camanau, bem armados prontos para entrarem ern acào contra os indios. A pacificackJauaperi o Santo Antonio do Abonari,quando se referem aos indios que habi- entendida pelo Major Vasconcelos, era de forcar a bala o rendimento dos in-tarn a area de influéncia dos rios Alalau e Uaturn5, chamam-lhes de "Atroari". dios, para que os comerciantes exploradores de Castanha pudessem realizarE aqueles quando fazem referencia aos indios do Camanau e Jauaperi, Santo suas coletas sem que fossem molestados.Antonio do Abonari, denominam-lhes de Waimiri. Entretanto são poucos oshistoriadores que fazem referencias aos indios habitantes na regi5o corn- Major Vasconcelos, subindo o rio Jauaperi, entrou corn seus guardaspreendida pelos rios Jauaperi, Camanau, Uatum5, Santo Antonio do Abona- no Igarapa Uatupura, onde foi encontrado uma grande aldeia de indiosri, Alalau e seus afluentes, corn a denominac5o Waimiri Atroari. Waimiri e all foi travado urn combate entre os pracas e os indios, que colhi- dos de surpresa e pela desigualdade de armas fugiram apavorados, deixando As primeiras noticias que se tern dos indios habitantes na margem es- nas proximidades da maloca urn grande nOmero de mortos.querda do Rio Negro, compreendendo a area que se estende do rio Jatapu aoRio Branco (vide mapa n901), datam do seculo XVII. Os comandados do Major Vasconcelos, saquearary as casas dos indios, lancaram fogo ern toda a maloca, chegando a morrerem dentro, ferias crian- Barbosa Rodrigues, famoso etnálogo brasileiro, foi um dos primeiros cas e velhos que n5o conseguiram fugir.que manteve contatos amistosos corn os indios Waimiri Atroari, que ele na Segundo relatórios da expedic5o, devem ter morrido mais de 300 indiosocasi5o, denominou-os de Crichanas. entre adultos, criancas e velhos. Sobre os contatos corn, indios, Barbosa Rodrigues, publicou urn traba- Depois do ataque, o Major Vasconcelos retornou a Manaus para relatarlho em forma de livro intitulado "Jauaperi, Pacificac5o dos Crichanas"(1885). o fato, e a seu pedido foi instalado na foz do pequeno Igarapa chamado Macucuaua, urn destacamento militar para garantir aos coletores de castanha, seguranca nécessaria aos seus trabalhos. Sabe-se tambarn que o missionario Frei Teodoro das Mercés, urn dosprimeiros exploradores do Rio Negro, manteve contato corn os Waimiri Muitos dos castanheiros atmtrios pela presenca do destacamento militar,Atroari, denominando-os entretanto de "Aroaquis". foram estabelecendo-se nas margens dos rios Jauaperi e Alalau, dando conti- nuidade a explorac5o das matas, dentro do territhrio dos indios Waimiri Os Waimiri Atroari, eram tambern conhecidos corn a denominac go deTarumas, Caripunas, Cericunas, Crichanas, Alalaus, Jauaperi e Wautemiri. Atroari. O relacionamento entre os indios Waimiri Atroari corn os segmentos da N5o custou muito, os indios passaram a tentar afastar os invasores desociedade colonizadora manteve-se sem maiores problemas ate o inicio do seus dominios. Fu g o Jord5o, urn dos moradores que se estabelecera na mar-saculo XIX, quando o comércio e a exploracao dos castanhais atingiram eco- gem esquerda do rio Jauaperi, no local mais tarde conhecido como Mahaua,nomicamente grande importancia. As terras ocupadas pelos Waimiri Atroari foi atacado pelos indios a flechadas, juntamente corn as pessoas que residiams5o ricas ern produtos vegetais, destacando-se a Castanha do Brasil, Balata, corn ele e estavam participando da coleta de castanha.Pau Rosa (3) e outros artigos de grande procura comercial naquela apoca. Na foz do igarapé Tunuau, afluente do rio Jauaperi, os indios saquea- Foram criadas nas margens do Rio Negro, pequenas vilas como Moura, ram a casa de D. Catarina que se encontrava ausente, fazendo corn que de-Carvoeiro e Airdo sem que fosse registrado nenhuma resistencia por parte dos pois disto todos os que se aventuraram a subir o rio Jauaperi abandonassemindios a fixac5o daqueles povoados dentro do territ6rio ocupados por eles. de vez suas residéncias.4 5
  • 4. Iniciou-se ent5o, uma guerra sem treguas, entre os exploradores de pro- uma forca do 39 Regimento de Artilharia e outra do Corpo ProvisOrio, sob odutos naturals e os Indios Waimiri Atroari. comando do Brigadeiro Joao de Barros Falc5o, a bordo de duas lanchas de artilharia. Toda vez que urn dos invasores das terras dos Waimiri Atroari avistavaurn rndio, fazia-Ihe fogo. 0 Indio por sua vez e quando era possivel, revidava. Quando as forcas atingi ram Moura, os indios j6 tinham se afastado.0 "crime" dos indios aparecia, mas as vitimas inchgenas nunca tornavam-seconhecidas. Nessa guerra desigual o Indio, sempre levava o pior e isto fatal- 0 Brigadeiro Comandante, dividiu a forca ern duas frentes de combatemanta provocava nos indios maior ira contra os colonizadores. e sairam a procura dos Indios. Ern 1867, Frei Samuel Luciani, vigario da parequia de Moura, vila a Subindo o rio Jauaperi, uma das lanchas encontrou-se corn urn grupo demargem direita do Rio Negro, estabelecida nas proximidades da foz do Rio indios que seguiam ern 11 Ubas de retorno as suas malocas.Jauaperi, elaborou urn projeto para "Pacificar os Indios Waimiri Atroari".Foi então Presidente da Provincia do Amazonas, Epaminondas de Melo e As Ubes foram alvejadas corn tiros de artilharia e todas metidas a pique.conseguiu os meios para levar adiante o seu projeto. Os Indios que viajavam nas embarcacOes morreram quase todos e segun- do o relat6rio da expedic5o, foram mais de uma centena. Entretanto, Frei Samuel n5o saiu de Moura. Enviou ao rio Jauaperi emmissão de "Pacificacgo", guardas armados para manter contatos corn indios. A segunda lancha, tendo no seu comando o Tenente Pastana, encostou0 grupo de guardas ao encontrar-se corn os indios, por falta de conhecimen- na margem esquerda do Rio Jauaperi, acima do local onde as Lib& foramto e mains de lidar corn ales, foi hostilizado e retornaram a Moura, to postal a pique, tendo seguido corn seus comandados por terra. Ao encontrar-logo foi possivel. se corn urn grupo de indios foi feito uma intensa fuzilaria que durou "ate a noite chegar". Frei Lucianni, escreveu ao Presidente da Provincia comunicando o ocor-rico e pediu reforcos de mais guardas armados para levar adiante sua desas- Seguindo pelo rio Curiau, partindo de Tauapessassu, saiu outra expedi-trosa miss5o. c5o armada contra os indios. O Presidente da Provincia do Amazonas, Epaminondas de Melo, negou Pr6ximo a foz do Curiau, a expedick encontrou-se corn um grupo deo pedido do Frei L rescindindo ern seguida o contrato firmado corn o padre cerca de 80 indios, que apOs a fuzilaria dos expedicionarios, poucos escapa-para "Pacificar os Indios". ram, fugindo mata a dentro. Os atritos entre indios e castanheiros continuaram toda vez, que dentro Nesse revide a presenca dos indios na vila de Moura, mais de 400 indiosdo territorio dos Waimiri Atroari, encontravam-se. morreram alvo das balas dos colonizadores. No dia 12 de Janeiro de 1879, a vila de Moura, foi atacada pelos indios Depois do retorno das expedicOes, em Moura ficou sediada uma LanchaWaimiri. Os moradores ao notarem a presenca dos indios nas proximidades, de Guerra, destinada ao combate sistemetico aos indios Waimiri Atroari.tiveram tempo de refugiar-se numa ilha existente na frente da vila (a ilha eraconhecida corn a denominacao de ilha Curupiari ou Sabia). Os moradores de No més de outubro de 1874, o Tenente Antonio de Oliveira Horta, co-Moura, depois do ataque dos indios, passaram a denominar a ilha onde esca- mandante do destacamento militar da vila de Moura,flagrou nas proximida-param dos indios, de ilha da Salvack, nome pela qual ainda e conhecida. des do povoado, urn grupo de cerca de 200 (tidies Waimiri Atroari, que fo- ram mortos a bala pelos pracas sob seu comando. Apenas o prapa de nome 0 ataque dos indios a vila de Moura, I i mitou-se quase a danos materiais, Quitiliano Jose Ferreira ficou ferido entre os guardas da guarnick militarapenas dois dos moradores morreram,isto porque reagiram, a bala, a pre- de Moura.senca dos indios. No dia 9 de novembro do mesmo ano, o Tenente Horta, comandando Quando a noticia da presenca dos indios em Moura, chegou a capital da 20 pracas armados, a bordo da lancha de guerra que se achava estacionadaProvincia do Amazonas (dias depois), o Presidente fez seguir para Moura em Moura, seguiu ao rio Jauaperi a caca dos indios Waimiri Atroari.6 7
  • 5. No dia 12 do mesmo mes s, por volta das 10 horas, a expedic5o, ainda 0 Comandante Horta era sempre auxiliado em suas missees contra osno rio Jauaperi, encontrou aparentemente abandonadas 5 Ubes, que por indios pelos "civis" de nome Manoel Gonsalves, vulgo Bicudinho, HermO-ordem do Comandante Horta foram destrufdas. Os indios,possiveis passagei- genes Rodrigues Pastana, Hermenegildo Rodrigues Pastana e alguns outrosros daquelas embarcacOes n go apareceram. corn menos freq6ancia. Em seguida, urn pouco mais acima, encontraram mais 2 Ubas,tambem Em 1875, o Presidente da Provincia do Amazonas, Dr. Domingos Jaciaparentemente abandonadas. Estas, o Comandante Horta resolveu levy-las Monteiro, em seu relatOrio anual, comentando os atos do Tenente Horta cornpara Moura, como se fossem trofaus de guerra. relacg o aos indios Waimiri Atroari frizava: "fez-se neles(nos indios) uma grande mortandade, ja quando o perigo ja estava passado e eles retiravam-se. No dia 21 de novembro, o sentinela do destacamento militar, ao avis- Deste modo dificulta-se a conciliac5o com aqueles selvagens, em que crescetar um Indio nas proximidades do povoamento, deu urn tiro matando-o, o espfrito de vinganca com repetic go das ofensas".alertando a populac go e o prOprio destacamento. Apesar de tudo, os indios continuaram aparecendo nas cercanias da Iniciou-se ent g o mais urn sangrento combate, tendo o Tenente Horta, vila de Moura, ora no Parana da Desgraca, ora no Parana do Lim go, nas ilhasusado sua forca militar ajudado pelos moradores da vila. Urupunan e na ilha do Cureru, sendo sempre recebidos a tiros de fuzil. Morreram muitos indios "Incontaveis" segundo noticias dos jornais da 0 Tenente Horta foi afastado do Comando Militar incubido de protegerépoca. Moura e em seu lugar assumiu o Comando o Tenente Malaquias Neto. Muitos indios entretanto conseguiram fugir, levando consigo alguns No dia 16 de dezembro de 1876, o Tenente Malaquias em"viagem demortos e feridos. inspecg o" dirigiu-se ao rio Jauaperi, a bordo da lancha de guerra que fazia parte de seu destacamento. ApOs o ataque, o Tenente Horta organizou uma patrulha e saw em per-seguicao aos indios que conseguiram escapar. Ja no rio Jauaperi, ao encontrar uma Uba aparentemente abandonada numa praia, prOximo ao Tanau, mandou encostar a lancha para averigua- Novo encontro deu-se entre indios e os comandados pelo Tenente Hor- cOes.ta e mais uma vez a mortandade ocorreu. Ainda assim alguns feridos conse-guiram refugiarem-se nas matas pr6x imas as margens do rio Jauaperi. Ao aproximar-se da margem onde se encontrava encostada a Lib& a lancha encalhou nos bancos de areia formados no leito do rio. De repente No dia seguinte continuou a perseguic g o aos indios feridos. surgiram vários indios atacando a lancha a flechadas. Escondidos entre a folhagem das arvores "onde estavam trepados e si- Houve fogo cerrado de artilharia "querendo os indios tomar a lancha,lenciosos" encontravam-se cerca de 23 indios feridos. cobriram-na de flechas, pelo que a tripulac go fugiu para os porOes depois de dar urn tiro de metralha com rod fzio de proa que, n5o estando preso pelo Os guardas armados ao encontrarem os indios escondidos e trepados vergueiro, saltou ao conves. Ficaram alguns marinheiros e indios feridos,nos galhos das érvores ficaram euf6ricos "como cacadores entusiasmados morrendo muitos desses" (Jornal "Amazonas" — 28 de abril de 1878).ante um grupo de guaribas". Cada um dos expedicionerios procurava desta-car-se em sua pontaria "Apontavam a arma e, ao disparar, o pobre Indioca fa Em 1878, o ent go Presidente da Provincia do Amazonas, Bar g° de Ma-de onde se encontrava abrigado, no meio de gargalhadas gerais e gritos de racaju, convidou o padre Jose Maria Vila, para assumir a miss go de catequisarsatisfacg o. "Assim cairam todos, a excess go de um que ficou preso a um os indios Waimiri Atroari, chamados na Opoca de Crichanas.galho". Ao tentar aproximar-se dos indios, o Padre Josè Maria Vila, foi hostili- No outro dia, os prapas voltaram ao local da chacina e apOs empilharem zado e seus acompanhantes reagiram a bala, entretanto ri g° se registrou os corpos, lancaram fogo. nenhuma morte. 8
  • 6. Corn o insucesso do primeiro contato, o Padre Jose Maria desistiu desua miss5o. BARBOSA RODRIGUES E OS CRICHANAS 0 destacamento policial sediado em Moura, continuou corn regularida-de e insistencia a cacada aos indios habitantes no rio Jauaperi e seus afluen- Em 29 de marco de 1884, o Diretor do Jardim Botanic° do Amazonas,tes. etn6logo e botanic°, Barbosa Rodrigues a bordo de urns lancha da Marinha de Guerra, comandada pelo Tenente Jose de Almeida Bessa, acompanhado Em 08 de junho de 1886, o Presidente da Provincia do Amazonas, desi- ainda do alferes Manoel Ferreira da Silva e do Conde Ermano Stradeli, par-gnou o Frade Jesualdo Machetti para, corn os Padres que vieram da Europa tiu de Manaus com destino ao Rio Jauaperi pars tentar urn contato amistosoem sua companhia, organizar e dirigir o servico de catequese aos indios Cri- corn indios habitantes daquela regi5o.chanas (Waimiri Atroari). Na vila de Moura, incorporou-sea expedic5o os Srs. Manoel Gonsalves, Frade Jesualdo, achando-se sem condicees para desempenhar a cateque- Zeferino Jararaca e o Indio Macuxi, Petro Ferreira Marques Brasil,que parti-se dos indios, n5o chegou a iniciar o trabalho para o qual fora designado cipava na condicg o de interprete, pois tudo indicava que o idioma dos indiospelo Presidente da Provincia. Crichanes (Waimiri Atroari) como denominava o etnOlogo Barbosa Rodri- gues, pertencia ao mesmo grupo linguistico dos indios Macuxi, habitantes no Diante da recusa do Frei Jesualdo, o Presidente da Provincia nomeou alto Rio Branco (hoje regi5o do Territ6rio Federal de Roraima).o Frei Venancio Zelochi, que chegou a it as cabeceiras do Rio Branco (hojeTerritOrio Federal de Roraima) a procura de interpretes entre os indios A expedick partiu da vila de Moura, no dia 01 de Abril de 1884, a bor-Macuxi, que pertencem ao mesmo grupo liguistico dos Waimiri Atroari. do da lancha da Marinha, que foi cedida a Barbosa Rodrigues pelo Presidente da Provincia do Amazonas, exclusivamente pars a miss5o. Como n5o conseguiu trazer para o rio Jauaperi, os interpretes que ne-cessitava pars o seu trabalho, Frei Venancio tambern desistiu de catequisar Na boca do Parana Calango, que une o Rio Negro ao Rio Jauaperi, aos Waimiri Atroari. lancha ficou fundeada e os expedicionerios, seguiram a viagem daquele ponto em diante em urns canoa, levando a reboque mais duas que transportavam Corn mais esta desistencia de religiosos para a catequese dos indios • brindes e artigos para alimentacão.Waimiri Atroari, o Presidente da Provincia do Amazonas, Coronel Conrado,difterminou a instalac5o na foz do Rio Branco e rio acima de Postos Milita- Numa das ilhas do lago denominado Mahaua foram avistadas 4 Ubas,res, visando a protec5o dos segmentos da sociedade colonizadora que ja tripuladas por cerca de 40 indios.invadiam o territOrio indigena a procura das riquezas naturais. Foi o primeiro contato dos expedicionerios chefiados por Barbosa Ro- Em 1889, retorna o Tenente Horta ao comando do Destacamento Po- drigues corn os indios. "Um alarido bort-Niel e gritos ameacadores retumba-licial encarregado de proteger a vila de Moura. E tambêm volta a persegui- ram pela floresta. Era de fazer estremecer o ruido produzido pelos galhos dasc5o implacavel e sisternatica aos indios Waimiri Atroari. arvores que se quebravam e a vozeria dos selvagens" assim expressou-se Bar- bosa Rodrigues ao narrar em seu relatOrio o primeiro encontro corn os in- A bordo da lancha de guerra, sediada em Moura, e acompanhado do dios. sub-delegado daquela vila, o elemento conhecido pela alcunha de Rato, o Tenente Horta volta ao rio Jauaperi e no lugar conhecido como Maracace Barbosa Rodrigues, muito receioso,procurou se aproximar do grupo de encontrou-se corn os indios Waimiri Atroari, ocorrendo intensa fuzilaria, indios que gesticulava e acenava aos gritos. onde mais de uma centena de indios tombou sem vida. Atraves do interprete, o Indio Macuxi que acompanhava a expedic5o, Moura foi o local, de onde, no seculo passado, partiram a maioria das convidou-os a irem ate a canoa, pois ali tinha brindes e presentee para eles. expedicOes de caca ao indios Waimiri Atroari. Os outros expedicionarios ficaram dentro da canoa, pois temiam a qualquer momento o ataque dos indios. 10 11
  • 7. Os indios cercaram Barbosa Rodrigues e depois de muito insistir, aceita- Na foz do igarape Chichinau, a expedic5o encontrou urn novo grupo deram a acompanha-lo ate onde encontravam-se as canoas corn os objetos des- Indios, tendo Barbosa Rodrigues, mantido contatos amistosos com eles, rea-tinados a presentes. lizando tambem troca de presentes. Mas, os companheiros de Barbosa Rodrigues, ao verem o grupo de in- Todos os contatos mantidos por Barbosa Rodrigues e os indios foram a-dios se aproximando das canoas, remaram corn pressa, se afastando da praia, mistosos e coroados de exitos. Os indios pareciam confiar no cientista. A ex-o deixando sozinho corn os indios. "De repente, escreveu Barbosa Rodrigues, pedick chefiada por Barbosa Rodrigues, contou corn a ajuda do alferes Ma-os selvagens, me envolveram, me agarraram e me levaram a forca para urn noel Ferreira da Silva, Tenente Bessa e o Conde Stradeli, destacando-se aindacOrrego que dividia a ilha na parte coberta de vegetac5o. 0 cOrrego era bem a participacao do Indio Macuxi, Pedro Ferreira Marques Brasil, que serviu de in-prof undo. N5o me atrevi a atravessa-lo porque tornava-se necessario nadar e ter-prate nos primeiros contatos corn os indios Crichanas (Waimiri Atroari).eu não podia por estar doente e vestido". Acompanhado de sua esposa e filha, Barbosa Rodrigues, em 3 de junho Procurando conter os Indios, fazendo gestos corn as mãos, demonstran- do mesmo ano, pita de Manaus em nova expedick ao Rio Jauaperi.do que não sabia nadar, conseguiu Barbosa Rodrigues, acalme-los. Depois demandar distribuir aos indios os presentes que tinha levado na expedic5o, is A populac5o de vila de Moura, criou varias dificuldades para a secla darecebendo dales, em troca, as suas prOprias flechas e arcos, deixando-os expedic5o de Barbosa Rodrigues, que passara naquele povoado, para reabas-por conseguinte desarmados. tecer-se de viveres, pois sabedores de sua miss5o pacifista, a populac5o desa- provava a ack do etnalogo, preferindo a ac5o do "Tenente Horta" e suas Procurando sempre demonstrar o use dos presentes entregues aos in- expedicOes punitivas.dios, Barbosa Rodrigues, aparentemente conquistara naquele primeiro con-tato, a confianca dos Crichanas (Waimiri Atroari). Os brindes "trocados" fo-ram principalmente — Machados, Tercados, Facas, Tesouras, Agulhas, Calcas, Enfrentando toda sone de dificuldades, Barbosa Rodrigues retornou aoCamisas e Chapeus. rio Jauaperi, chegando a 26 de julho ao lugar denominado como Tauaquera, que ao chegar rebatizou-o corn a denominacao de TeoduretOpolis, em home- Os indios, por sua vez gostaram dos Oculos e do bigode de Barbosa Ro- nagem ao ent5o Presidente da Provincia do Amazonas, patrono de suas expe-drigues. Queriam que Ihes dessem o bigode. E como logicamente não era pos- dicOes.sivel, demonstravam certa tristeza par n5o o possu Crem, porque Segundo opr6prio Barbosa Rodrigues, os indios passavam os dedos pelo lado superior Depois de dois dias de espera pelos indios, eles n5o apareceram. Barbosado labia e fazendo gestos, comparando com o seu bigode. Rodrigues, resolveu seguir viagem rio acima. No lugar denominado por Bar- bosa Rodrigues, de Triunfo, local onde na expedic5o anterior teve contato Enfim, terminaram fazendo Barbosa Rodrigeus clang& corn eles, cola- amistosos com os indios, as embarcacOes foram encostadas para pernoite. Aocando-o no meio de uma grande roda de dangarinos amanhecer, Barbosa Rodrigues, acompanhado pelo alferes Ferreira, e do Indio Pedro Ferreira Marques Brasil, e ainda de mais cinco indios da nac5o Mais de uma semana, conviveu Barbosa Rodrigues corn os indios. Quan- Tucano, seguiu por terra a procura da maloca dos indios Crichinas (Waimirido os viveres acabaram, a expedicão retornou a Moura para reabastecimento. Atroari). No dia 12 de abril do mesmo ano, a expedic5o novamente entrou no rio Encontrava a poucas horas da margem do rio, uma maloca vazia, cornJauaperi. Nas proximidades do lugar conhecido como Sapa, encontraram sinal de que ainda estava habitada. Deixaram no local os brindes que traziam2 Lib& corn varios indios a bordo. Barbosa Rodrigues, fazendo sinais,con- e retornaram ao lugar onde se encontravam acampados seus companheiros deseguiu que as embarcacOes dos indios aproximassem das que viajava,e ele expedick.passou dal em diante a viajar numa das canoas dos Indios, que seguiam corndestino ao lugar conhecido como Mahaua. Urn dia depois da visita a maloca, surgiu nas proximidades do acampa- mento da expedic5o, urn numeroso grupo de indios que fizeram um "enorme Depois de troca de presentes, a expedic5o seguiu viagem rumo as cabe- alarido" ao aproximar-se.Uns vieram por terra e outros em suas canoas,vin- ceiras do rio Jauaperi. dos de pontos diferentes. 13 12
  • 8. Barbosa Rodrigues, cita que, aquele grupo de indios era chefiado pelo Desse trabalho de pesquisa foi elaborado um resumido vocabulario doTuxaua "Apanaraca" que manteve contatos amistosos corn eles, realizando idioma dos indios habitantes no rio Jauaperi. (Von Kock — Gurenerg Dieali, troca de presentes Jauapery, G. Huber — Einteitung). Depois da troca de presentes, a expedich retornou a Tauaquera ou Em 1905, por causa de urn incêndio num barrac g o de urn dos morado-Teoduret6polis, como rebatizara o lugar Barbosa Rodrigues. res de nome Antunes, que se estabelecera no rio Jauaperi e relacionado corn o assassinato de urn Indio, o Governo do Amazonas, enviou mais uma forca La havia ficado um grupo de expedicionerios, encarregados de construi- policial ao rio Jauaperi.rem uma pequena casa, onde mais tarde poderia servir de abrigo aos expedi-cionérios. Foi erguido naquele lugar, tambern, urn "Cruzeiro", "para simbo- A forca Policial era chefiada pelo Capita° Catingueira, que seguiu matalizar a paz, a uni5o, entre civilizados e selvagens". a dentro ate as malocas dos indios, realizando ali, a mais tregica hecatombe que se pode imaginar acontecer a urn povo. Barbosa Rodrigues, no ano seguinte, retornou ao rio Jauaperi e sempremantendo contatos amistosos corn os indios. Ele passou a levar nas expedi- 0 grupo policial destruiu todas as malocas que encontrou, incendiando-cOes, sempre a sua esposa e filha, as quais eram objetos de admirac5o para as e matando os indios a bala. Naquela horrivel carnificina pereceram cercaos indios, devido a tez Branca e a cabeleira loira. de 283 indios, alguns mortos dentro das prOprias malocas incendiadas. No period() em que Barbosa Rodrigues, esteve no rio Jauaperi, cessaram Os pracas forcavam,a bala, os indios permanecerem dentro das malocasas hostilidades entre "civilizados" e indios. e depois ateavam fogo. Os que tentavam mesmo assim fugir do fogo eram rece- bidos fora da maloca por intensa fuzilaria. Morreram na ocasião muitas crian- No dia 28 de outubro de 1884, quando Barbosa Rodrigues encontrava- cas junto corn suas m g es, no interior das malocas incendiadas.se na vila de Moura, la apareceram uns indios, que vindos das matas, aproxi-maram-se das casas dos moradores, que assustados tentaram reagir. Entretan- 0 capit5o Catingueira,para comprovar o seu feito diante de seus supe-to Barbosa Rodrigues foi de encontro aos indios e depois da troca de presen- riores, levou para Manaus, 18 indios como prisioneiros.tes realizada naquela hora, sem nenhum incidente, os indios retornaram deonde vieram rumo as suas malocas. Em Manaus os indios foram alvo da curiosidade pnblica, que via no fei- to do Capitão Catingueira urn ato de bravura e coragem. "Este acontecimento foi o mais notavel dos fatos da vila de Moura".Barbosa Rodrigues, entretanto n5o pode continuar seus trabalhos pacifistas Os 18 indios Waimiri Atroari ficaram presos no ent5o Quartel de I Man-junto aos indios. Por motivos de ordem particular foi obrigado a deixar a ta- taria da Pol icia do Amazonas. Foram obrigados a vestirem as roupas dos sol-refa a que se prop6s "de conduzir ao convivio da civilizac5o os abor(genes do dados enquanto permaneciam presos. Desses 18 indios, seis morreram de tris-Jauaperi". teza e mal tratos dentro da pris5o. Doze deles, gracas a intervench do Coro- nel Euclides Nazar& que condo(do deles, os levou consigo, ate a vila de Mou- Ja em 1900, depois da sa Ida de Barbosa Rodrigues, do rio Jauaperi, e da ra e de la mandou-os levar ao Jauaperi.desistencia da continuidade da missao, o Coronel Conrado J. Niemeir, Presi-dente da Prov(ncia do Amazonas, determinou a instalac5o nas margens do Em 23 de novembro de 1911, o Capit5o de Infantaria, Al ipio Bandeira,Rio Branco, de Postos Mil itares, visando a "protec5o dos segmentos da socie- subiu o rio Jauaperi, partindo da vila de Moura, corn uma comitiva corn-dade invasora dentro do territ6rio incligena, abrangendo toda a area do rio posta de 12 pessoas, entre as quais encontrava-se o Coronel Euclides Nazar&Jauaperi e de seus afluentes. para tentar novamente urn contato amistoso corn os indios Waimiri Atroari. Em 1901, o etn6logo Ricardo Payer conseguiu visitar por alguns dias osindios Waimiri Atroari, habitantes das proximidades do lugar denominado Em 29 de novembro, a expedick desembarcou no lugar conhecido co-Mahaua. Por ter acabado os brindes e ainda por notar qualquer atitude hostil mo Mahaua, e na ocasi5o foram avistados quatro indios Waimiri Atroari. 0a sua presenca, o etnologo n5o se demorou muito na visita, entretanto levou Capith Al ipio Bandeira fez sinais aos indios convidando-os a se aproximarem.consigo,farto material etnografico e que pelo que se sabe foi recolhido ao Os indios corn certo receio e gesticulando muito se aproximaram das em-Museu de Hist6ria Natural de Viena. barcacOes que compunham a frota da expedic5o. Depois de muitos hesita-14 15
  • 9. rem, os indios saltaram em terra, pr6ximo onde ja se encontrava os expedi-cionarios. A DEFESA DOS 1 10105 WAIMIRI ATROARI Al ipio Bandeira, fez entrega aos indios dos presentes que trazia, man- PELO SERVICO DE PROTECÂO AOS INDIOS = SPItendo rapido contato com aquele grupo tribal. Destacou-se nesse contato oIndio identificado como Mepri, que segundo relatou Al ipio Bandeira, ele imi- A Castanha do Brasil, na primeira década do seculo, era procurada portava passards e "alguns quadrOpedes e corn isto chegou a divertir os expedi- precos fantesticos, motivando que novos segmentos da sociedade nacional,cionarios durante algum tempo". tentassem penetrar nos dominios territoriais dos Waimiri Atroari. As areas dos rios Jauaperi e Alalau, s go riquissimas em Castanha do Brasil, e segundo Depois deste contato corn os indios, a expedic go ainda tentou it mais a visgo dos civilizados, "n g o tinham donos", foram as mais visadas na regigoalem daquele local, entretanto, por Mao encontrarem indios rio acima,retor- pelos coletores de castanha, que viam naquelas terras a oportunidade paranaram. riqueza facil. Alipio Bandeira, foi nomeado o primeiro lnspetor do Servico de Prote- Os governos do Estado do Amazonas, sempre visando a "economia docgo aos Indios SPI. estado e de grupos politicos dominantes, permitiam e ate mesmo determina- y am a invasgo das terras dos indios Waimiri Atroari", provocando assim se- Em 1912, o prOprio Alipio Bandeira, fundou na ilha conhecida como rios atritos entre os coletores de castanha e indios.Mahaua, no rio Jauaperi,o Primeiro Posto de Atrac go aos Indios,hoje conhe-cidos como Waimiri e Atroari. primeiro encarregado do Posto lndigena de Atrac go do Servico de Protecg o aos Indios — SPI, foi o Sr. Greg6rio Horta, cuja unidade administra- Entretanto, n go obstante a presenca no rio Jauaperi de funcionarios do tiva, foi instalada no rio Jauaperi, no lugar denominado Mahaua.Servico de Protecgo aos indios, novos fatos, colocavam-se contra osdando continuidade a escalada de exterminio daquele povo. Sr. Greg6rio tgo logo assumiu suas funcOes, procurbu impedir por to- dos os meios possiveis, a invasdo do territOrio indigena Waimiri Atroari. En- tretanto pouco pode fazer, pois os comerciantes apoiados pelos politicos de Manaus, burlavam as ordens de n g o invadirem a terra dos indios. Por iniciativa da 1a Inspetoria do Servico de Protec go aos Indios — SPI, Governo do Estado do Amazonas, atrav6s da Lei n9941 de 16 de outubro de 1917, concedeu aos indios Wautemiris (Waimiri Atroari) as terras situadas a 50 quilOmetros a jusante das cachoeiras dos rios Jauaperi e Camanau. Mesmo corn o amparo legal, a 1a Inspetoria do SPI ndo conseguia impe- dir a invasgo do territOrio dos indios Waimiri Atroari, face a falta de pessoal meios para melhor vigilência. Com isto, a situacg o de conflito entre indios invasores continuava. Toda vez que o coletor de castanha encontrava o In- dio, este era abatido a tiros. Em Manaus, existia uma empresa sob a razgo social de Penha & Bessa, sob a direcgo de seu principal s6cio, o individuo de nome Edgar Penha, cuja atividade comercial era de financiar e promover a coleta de Castanha do Bra- sil e extracgo de borracha. Por ordem de Edgar Penha, os seus funcionarios toda vez que iam ao Jauaperi e Camanau, realizar seus trabalhos de coleta, ao encontrarem malo-16 17
  • 10. cas e rocados dos indios, ateavam fogo e roubavam os gêneros de suas rocas. Dois molhos de cabelos de mulher apareciam pendurados em uma arvo-Tudo isto burlando a vigilancia do Posto Indigena Mahaua, que passou a ser re. Os cabelos eram de Maria Eugenia, que para ali fora em companhia dechef iado pelo indigenista Luis Jose da Silva, onde vinha prestando bons ser- Francisco Mariano, um dos funcionerios e expedicionerios coletores de cas-vicos a causa indigena. tanha da firma Penha & Bessa". (Rola-tad° da la Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios no Amazonas, ano de 1926). Edgar Penha, por diversas vezes tentou tirar da chefia do Posto Ind ige-na Mahaua,o Sr. Luis Jose da Silva,pois acusava-o de arbitrario e de que esta- 0 servidor do SPI de nome Sebasti5o Gomes de Lima, lotado no Postova entravando o desenvolvimento da economia do Estado, quando proibia Indigena Mahaua, chegou ao local, minutos depois do ataque dos indios aosa entrada de coletores de castanha no territOrio dos indios. invasores de suas terras, pois se encontrava exatamente a procura dos invaso- res de suas terras, para afaste-los do territOrio indigene. A V Inspetoria do SPI sempre defendia o servidor das acusacOes deEdgar Penha, dando conhecimento as autoridades de ent5o, da seriedade dotrabalho desenvolvido pelo Sr. Luis Jose da Silva. Em marco de 1926, os Edgar Penha, principal s6cio da firma Penha & Bessa, depois do ocorri-indios Waimiri Atroari, surgiram em varies partes do rio Jauaperi e numa do, aumentou sua perseguic5o aos funcionérios do Servico de Protec5o aosdessas saidas mantiveram dialogo com duas mu lheres que se encontravam em lndios, acusando-os de insufladores dos ataques dos indios. Usando de seuum acampamento de castanheiros, de nome Maria e Antonieta, que haviam prestigio politico, Edgar Penha, procurou por todos os modos, afastar dasubido ao rio Jauaperi com seus maridos para trabalharem na coleta de cas- chefia do Posto Indigena Mahaua, o Sr. Luis José da Silva.tanha. Na ocasiao os indios deixaram transparecer o descontentamento e odesejo de viganca contra os invasores de seu territOrio. As autoridades do Estado do Amazonas, acatavam as denOncias do Sr. Edgar Penha e por mais que a 1a Inspetoria do SPI em Manaus, desmentisse A maioria dos coletores de castanha que se encontrava trabalhando na as acusacOes infundadas contra os seus denodados funcionarios, a palavra fi-area do rio Jauaperi, ao tomar conhecimento do posicionamento dos indios, nal sempre era do invasor das terras dos indios.abandonaram aquele rio. Os funcionerios da firma Penha & Bessa, ao contra-rio, passaram a realizar,quando de suas penetracOes na mata a procura de cas- Na tentativa de evitar maiores problemas, a 1a Inspetoria do SPI, man-tanha, cerrados tiroteios, tentando "espantar" os indios. dou vir a Manaus, o chefe do Posto Indigena Mahaua, alvo das acusacOes do Sr. Edgar Penha, para pessoalmente explicar as autoridades o que realmente Um dia quando o pessoal da firma Penha & Bessa, encontrava-se nolo- ocorria la no rio Jauaperi.cal conhecido como Mijac5o, foram surpreendidos pelos indios, travando all Luis Jose da Silva, tudo explicou e como nada das acusaceles do Sr.uma batalha que terminou com a morte de todos os coletores de castanha Edgar Penha ficou provado, retornou ao Posto, dando continuidade ao seucornponentes da expedic5o. trabalho. Entretanto quando tudo parecia ter ficado explicado, Edgar Penha, tramava uma grande invas5o a area dos Indios Waimiri Atroari. "Os indios cairam sobre o pessoal, matando e trucidando. As canoasdos expedicionarios ficaram encharcadas de sangue e a terra ficou toda em Ao retornar ao Posto Ind igena Mahaua, a bordo de lancha de sua pro-desordem, as bagagens espalhadas, volumes de mercadorias esparsas, rifles priedade particular, o Sr. Luis Jose da Silva, acompanhado de seus familia-e espingardas encostados a um pau, sem que nenhuma dessas armas fosse uti- res, mulher e quatro indios menores Waimiri, foram assaltados por Edgar Pe-lizadas. Todo o pessoal foi vitimado pelos indios r que arrastaram alguns cadà- nha e cerca de 30 bandoleiros sob seu comando.veres para o centro da mata, entre eles um dos sOcios da firma Penha & Bes-sa, o Sr. Candido Bessa. Luis Jose da Silva, foi preso e seviciado dentro de sua prOpria lancha, as vistas de sua esposa e filhos adotivos. Os corpos estavam molhados, parecendo que tinham sido retirados dedentro dagua. 0 de Jose Candido Bessa, tinha ao lado direito um profundo edgar Penha, ap6s o assalto, levando a reboque a lancha Rio Andira,golpe, por onde se via o figado e o corack. 0 de Francisco Eliseu apresenta- onde se encontrava preso o servidor do SPI Luis Jose da Silva, sua esposa D.va ferimento de flecha em cima do peito esquerdo, os punhos cortados e um Candida Pastana e 4 indios menores, de nomes Abrah5o, Bere, Muxupi eforte cip6 amarrado no pescoco. Maria, seguiu ate o Posto Indigena Mahaua para que fosse retirado daquele18 19
  • 11. local, todos os pertences do Sr. Luis. Jose da Silva. Queria Edgar Penha, que ca anormal, embora praticados por quern, logo em seguida ao ataque do Pos-corn a retirada dos pertences de Luis, e as sevicias que estava sendo subme- to Indigena Mahaua deveria assumir as funcáos de Prefeito Municipal (Edgartido, ele n go retornasse mais para a. chefia do Posto Indigena, como a 0 Ins- Penha), onde havia saqueado urn estabelecimento p6blico a -m5o armada,petoria do Servico de Protecgo aos Indios, insistia ern conservado. conduzindo preso ate esta capital, o encarregado do Posto Ind igena, que veio a falecer em consequência dos maus tratos recebidos". A familia de Luis Jose da Silva, assistia tudo aquilo corn pavor, desta-cando-se os indios menores,que tudo viam corn muito medo e estranheza.De- Corn a morte de Luis Jose da Silva, chefe do Posto Indigena Mahaua, epois de retirado os principais pertences do Sr. Luis de dentro da sede do a depredacg o das I nstalaceies do Posto, os trabalhos da primeira Inspetoria doPosto Ind igena, Edgar Penha, corn seus homens armados, destruiram tudo Servico de Protec g o ao Indio, foram praticamente suspensos na regi5o.no Posto. Ate a pr6pria casa que servia de sede administrativa ao 19 Postode Atracgo do Servico de Protecgo aos Indios, foi demolida naquela ocasigo. Corn a destruicg o do Posto Mahaua, os invasores tomaram conta do rioNada restou inteiro do material e das instalacOes daquele Posto. Jauaperi. Tudo sob comando do Sr. Edgar Penha, que voltou a organizar pedicaes de caca aos indios Waimiri Atroari. Depois de tudo quebrado e demolido, Edgar Penha, que conservava pre-so ern sua prOpria embarcacgo, o Chefe do Posto Ind igena Mahaua, Sr. Luis Centenas de indios eram mortos toda vez que os encontravam. Sabia-seJosè da Silva, e sua familia, retornou ao lugar denominado Nova VitOria, as apenas em Manaus, que os indios "nao mais aborreciam". E que os coletoresmargens do Rio Negro; sede de seus negOcios. E ali, desatracou a embarcack de castanha e balateiros, estavam trazendo suas producees para Manaus, vin-Rio Andirá de propriedade do Sr. Luis Jose da Silva, que estava servindo de das do rio Jauaperi e Camanau.presidio a ele prOprio, pois estava confinado no carnarote sem poder sair,sendo vigiado constantemente por dois homens armados de rifles. A Inspetoria do Servico de Protec5o ao Indio, n go mais retornou ao rio Jauaperi. Procurou mudar o local da instalac5o dos Postos de Atrac go aos Edgar Penha ao desatracar a lancha, fez ameacas a Luis Jose da Silva,dizendo que quern mandava naquelas paragens era ele e n go is admitir queLuis retornasse ao Posto Indigena. Assim, procurando evitar o relacionamento entre os invasores do rio Jauaperi corn os servidores do SPI, foi instalado no rio Camanau, urn Posto Indigena corn a denominacg o de Posto Indigena "Manoel Miranda", para Luis Josè da Silva, bastante doente em consequencia das agressOes f i- voltar a tentar atrair os indios e defendó-los da ac go predadora e criminosasicas que sofrera, continuou a sua viagem corn destino a Manaus. dos invasores. Chegando a Manaus, tudo relatou a Chefia da 1a Inspetoria do Servico Na epoca, pelo rio Jauaperi, três foragidos da Policia de Manaus, conhe-de Protecgo aos Indios, que por sua vez levou ao conhecimento das autorida- cidos como Pedro Guerreiro, Casemiro e Lauriano, penetraram na area dosdes estaduais, sem conseguir que :fosse tornado qualquer providencia para indios e tudo indica que passaram a viver corn eles e ate ajudando-os na dote-punir Edgar Penha e seu bando,ou mesmo coibir que fatos semelhantesvol- sa de seu territOrio.tassem a acontecer. Inclusive,se sabe que numa dessas expedicOes de caca aos fndios, orga- Luis Jose da Silva, poucos dias depois de sua chegada a Manaus, faleceu • nizada pelos invasores,quando os indios foram impiedosamente massacra-ern consequencia dos maus tratos e agressOes de Edgar Penha. A 1a Inspetoria dos, urn dos feridos, podia clemencia em portugues, se dizendo ser Pedrodo Servico de Protecgo aos Indios — SRI, em seu relat6rio anual de 1940, faz Guerreiro e ri g o indio.Entretanto,nunca mais teve-se noticias dos outros. Po-as seguintes referéncias sobre os fatos: de ser que tenham vivido ate os 6Itimos dias corn os indios, pacificamente, ou tenham morrido em conflito, confundidos ou corn os invasores ou corn os - "Ate a presente data n5o teve esta Inspetoria nenhuma noticia de qual- indios Waimiri Atroari.quer providencia tomada,em relac go ao assunto, pelas autoridades policiaisque, forca é confessar, em todos os denials assuntos, sempre foi solicitada em Somente, ja nos anos 40,a IP Inspetoria do Servico de Protec go ao In-prestar todo 6 apoio a acg o desta Inspetoria, dificuldades de alta monta cer- dio,voltou a tentar contato corn os indios Waimiri Atroari. Abandonando otamente impedira ate agora as prov sobre os fatos verificados em epo- rio Jauaperi, se instalou no rio Camanau.20 21
  • 12. Sob a orientacgo dos irm g os, Humberto e Luiz Briglia, foi tundado noalto do rio Camanau, o Posto Indigene de Atrac5o denominado Manoel Mi-randa. OS WAIMIRI ATROARI "VERSUS" 4TH PHOTO CHARTING SQUADRON Entretanto, apos periodo do contatos amistosos, em dezembro de 1942, Nos primeiros dias do mes de setembro de 1944, a Primeira Inspetoriaos indios Waimiri Atroari, certamente por confudir os denodados funciona- do Servico de Protecão aos Indios em Manaus,recebeu a visita do Tenen-rios do Servico de Protec g o aos Indios, corn aqueles criminosos que os vinha te Walter Willianson, do 4 TH Photo Charting Squadron, do Exercito Norteperseguindo por dezenas de anos, atacaram o Posto Manoel Miranda, ma- Americano, que pretendia realizar uma expedicao pelos rios Jauaperi e Ala-tando todos os que ali se encontravam. lau, ate nas proximidades da cachoeira conhecida como Cachoeira Criminosa (no Rio Alalau), corn a finalidade de realizar naquela regi5o observagoesas- 0 Servico de Proteck aos Indios — SPI, atraves da 1 f? Inspetoria de Ma- tronbmicas, atendendo acordos celebrados entre o governo brasileiro e o go-naus, n5o desistiu do contato corn os indios Waimiri Atroari. Tao logo foi verno dos Estados Unidos da America.passive o Posto Manoel Miranda, foi reaberto, em outro local e com deno-minack diferente — Posto Irma"os Briglia, em homenagem aos I rm5os indige-nistas Humberto e Luiz Briblia que tombaram sem vide, na miss go de con- Os funcionarios da 1 a Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios, emtater pacificamente os indios Waimiri Atroari. Manaus, procuraram explicar ao Tenente Walter, que a regi5o onde pretendia fazer as observacOes astronOrnicas, nos rios Jauaperi e Alalau, eram habitadas Os irm5os, quando em servico no Posto Indigene Manoel Miranda, en- por indios ainda arredios, que face ao comportamento dos invasores de seustre outros trabalhos relevantes, escreveram urn vocabulario da lingua dos territ6rios, estes poderiam reagir corn atitudes belicosas a presence de suaindios Waimiri Atroari. equipe de trabalho. Advertiram ainda os funcionerios da 1P Inspetoria do Servico de Protecgo aos Indios, para as dificuldades que a expedic5o iria en- A morte do irm5os Briglia, provocou entre as idealistas do Servico de contrar quanta a navegac5o, atraves do rio Alalau, pois este rio na época,Protecdo aos Indios, mais amor a causa que abracaram por opc5o, servindo encontrava-se corn suas cachoeiras e corredeiras, corn pouca ague, dificultan-como exempla de trabalho a ser seguido por todos. do seriamente a navegac go de canoas. Por mais que os funciondrios do SPI procurassem cientificar das dificul- dades que a expedic5o iria encontrar, o Tenente Walter, demonstrava indite- renca aos problemas que iria fatalmente enfrentar. Decidido seguir viagem ao Rio Jauaperi e Rio Alalau, o Tenente Walter, solicitou a Inspetoria do Ser- vico de Protecdo aos Indios, em Manaus, que Ihe fosse cedido para a expedi- c5o, funcionärios experimentados e urn dos batel gies pertencente ao SPI, para transporte de seu pessoal e material. A Inspetoria do Servico de Protec5o aos indios — SPI, emprestou ao Tenente Walter o batel5o, denominado de Tenente Lira, e seguiram acompa- nhado a expedic5o alguns funcionarios experimentados e conhecedores da regi5o. Antes da partida da expedic5o, a chef ia da 1a Inspetoria do SPI reco- mendou veementemente ao Tenente Walter, que tivesse muito cuidado no relacionamento corn os indios Waimiri Atroari, poisesteseram tidos como pe- rigosos, em virtude de sua indole muito desconfiada diante da presence de es- tranhos em seu territOrio, isto em conseqiiencia do sofrimento secular que Ihes finharn infrigido os civilizados. Entre as recomendecOes estava a de que o Tenente Walter, levasse na expedicao brindes para serem trocados quando do22 23
  • 13. encontro que fatalmente teriam corn os indios Waimiri Atroari, o que pode- toria do Service de Protecao aos Indies, ern Manaus, informando que ateria ajudar no relacionamento pacific° entre os expedicionerios e aquele povo aquela data n5o tinham retornado, comunicando a sua apreens5o pela sortehabitante na regi5o dos rios Jauaperi e Alalau. dos expedicionarios e sugerindo que fossem tomadas medidas no sentido de enviar corn major urgéncia possivel, uma equipe de socorro ao rio Alalau, de Em seguida a visita do Tenente Walter a 19 Inspetoria do Servico de Pro- preferência por via aérea. Comunicou ainda Raul Vilhena, que naquela oca-tecão aos Indios, a expedic5o partiu corn destino a area dos indios Waimiri si5o estava enviando ao rio Alalau, por via fluvial uma equipe de funciona-Atroari. rios seus, para subir o rio Alalau a procura dos expedicionerios. Em menos de uma semana apes a partida, a expedicão retornou a Ma- A Primeira Inspetoria do Servico de Proteck aos Indies ern Manaus, aonaus, face a uma pane no motor da embarcack. tomar conhecimento dos dizeres da carta enviada por Raul Vilhena, atraves de seu chefe,entrou ern contato corn o consulado norte americano, comu- Os funcionarios da 19 Inspetoria do Servico de Protecão aos Indios, que nicando o ocorrido.seguiram fazendo parte da expedip5o do Tenente Walter, depois de conserta-do o motor da embarcac5o, recusaram-se a seguir acompanhando o Tenente Na nOite do mesmo dia o interventor do Estado do Amazonas convi-Walter para dar continuidade a viagem interrompida pela pane do motor. dou a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Protec go aos Indios, para corn- parecer em Palacio no dia seguinte as 8:00 horas, para tratar do assunto. Alegaram que o Tenente Walter, n5o teria seguido os conselhos ofereci-dos pelo pessoal do SPI que eram conhecedores n5o s6 da regi5o como da for- No outro dia, no horärio estipulado, o prOprio Interventor do Estadoma de lidar pacificamente corn os silvicolas, e que a forma de agir do oficial do Amazonas, Alvaro Maia, acertou corn a chefia da 19 Inspetoria de Ser-norte americano, fatalmente provocaria nos indios, uma atitude hosti I. vice de Protecg o aos Indios, que seria formada uma nova expedic& que seguiria corn destino ao Rio Alalau, em busca dos expedicionarios chefiados A chefia da 19 Inspetoria do Service de Proteck aos Indios, acatou pelo Tenente Walter Williamson.plenamente a opinião do seu pessoal especializado, principalmente por-que aquela chefia tomou conhecimento de que o Tenente Walter, n5o acolhe- A chef ia da 1? Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios,aindara as sugestOes daquela direc5o, para levar consigo brindes como machados, na reuni5o realizada no Palacio do Governo do Amazonas, quando soube quefacOes, etc. e ern seu lugar levou aperlas carteiras de cigarros, que os indios a expedic5o seria composta tambern corn tropas do Exercito Brasileiro, fir-pouco caso fariam para aquele tipo de brinde. mou posicäo,e que ficasse bem claro,que o verdadeiro carater da expedicao solicitada pales norte americanos,seria apenas de buscas e resgates e,em ne- Mesmo sem mandar os funcionerios do SPI seguir acompanhando o Te- nhuma hipetese seria de carater punitive, sob pena de n5o acompanhar a ex-nente Walter, a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios, su- pedick.geriu aquele oficial que procurasse na vila de Moura, pessoal que poderiaservir-Ihe de guia na espedic5o que iria empreender aos rios Jauaperi e Alalau. 0 prOprio interventor do Estado do Amazonas, interpelou o Consul norte americano, quanto as intencbes da expedicão, e na presenca do Capi- 0 comerciante da Vila de Moura, de nome Raul Vilhena,cedeu ao Te- tao Dubois, do Exercito norte americano, tendo recebido coma respostanente Walter, quatro homens conhecedores da regi g o e ate com certa prätica que a expedic3o tinha apenas o objetivo de recolher os corpos dos norteno relacionamento corn indios habitantes na regi5o dos riosJauaperi e Alalau. americanos e o material por ventura ainda existente da malograda expedi- cao, salvando, se possIvel, tambern alguma parte dos trabalhos ja realizadds A expedicao partiu da vila de Moura, em 28 de setembro de 1944, che- pelo Tenente Walter.fiada polo Tenente Walter Williamson, corn destino ao rio Alalau, tendo co-mo principal objetivo atingirem a Cachoeira conhecida pela denominack Tendo em vista as intenceies pacifistas demonstrada por todos os patro-de Criminosa. nos e membros da expedicao, a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Prote- cäo aos Indios, aceitou em acompanhar e fazer parte da expedicdo. No dia 17 de Outubro, Raul Vilhena, que tinha cedido ao Tenente Wal-ter Williamson, 04 homens para servirem de guia a expedick, apreensivo Antecipando-se aos trabalhos da expedic5o, as 7,30 horas do dia 23 depela demora do seu retorno, enviou correspondência a chefia da 19 Inspe- outubro de 1944, um avian "Gruma", partiu de Manaus corn destino a vila24 25
  • 14. de Moura, levando a bordo a Chef ia da 1? Inspetoria do Servico de Pro- guem para tomar conta, subindo os pedrais da cachoeira Criminosa cuja ex-tecão aos Indios, o Consul Norte Americano em Manaus, seu secretario, tensa"o é de cerca de trés quilbmetros. Chegando entretanto ao topo da ca-Capita() Dubois, chegando a Moura por volta das 8,30 horas. choeira Criminosa, por volta das 14:00 horas, foram vista 10 mulheres (ndias que fazim sinais aos expedicionarios. A conselho de Raimundo Felipe, os ex- pedicionarios nao atederam os chamados. Um pouco mais acima da cachoeira Em Moura,os expedicionarios encontraram-se corn o comerciante Raul Criminosa foi armado o acampamento para pernoite. No dia 04 pela manh5,Vilhena e que na ocasi5o ja havia chegado em Moura, o (mica sobreviventeda expedicg o do Tenente Walter, de nome Raimundo Felipe, urn dos homens seguiram viagem ate o lugar conhecido coma "Repartimento dos Indios" onde penetraram por aquele igarapé, viajando cerca de hors e meia su-conhecedores da raga:), gentilmente cedido pelo Sr. Raul Vilhena ao Tenen- bindo, contra alias a determinacao da chef ia da 1? Inspetoria do Servico dete Walter. ApOs ouvirem o relato do sobrevivente sobre os acontecimentos no Protecão aos Indios em Manaus, que recomendara ao tenente Walter William-rio Alalau, ficou decidido de que continuariam sua viagem por via aarea, pro-curando observar, baseado no relato do sobrevivente,o local onde teria ocor- son respeitar e não entrar no referido igarapó.rido o ataque dos indios aos expedicionarios. No retorno dormiram na ilha conhecida como ilha do Rio Preto onde Passaram a fazer parte da expedick adrea o comerciante Raul Vilhena o Tenente Walter fez sua terceira observack astrondmica. Dia 05 desceram ee o sobrevivente da expedick do Tenente Walter, que a bordo do avi5o, por volta das 13,00 horas aiingiram o comeco da cachoeira Criminosa. Laorientava o piloto para o local onde teria ocorrido o ataque dos Indios. encontraram alarn das indios que avistaram quando subiram o rio, mais 4 in-Quando o avi5o sobrevoou o local so foi possivel notar algumas caixas sobre dios adultos do sexo masculino e,alguns curumins. Os Indios novamente ace-os pedrais da cachoeira Criminosa, no rio Alalau. ApOs mais veos rasantes e naram chamando os expedicionarios. Os guias brasileiros, aconselharam nova-procura de avistar algum outro vest igio sem sucesso, o avik retornou a Mou-ra. mente ao Tenente Walter para que evitasse o contato corn os Indios, e seguis- sem viagem. 0 Tenente Walter, nano obstante os conselhos, ordenou que en- costasse a embarcacao no local onde encontravam-se Indios. Como Raimun- Ern Moura, foi tornado por termo o depoimento de Ralmundo Felipe, do Felipe, que pilotava a lancha (e o Unico sobrevivente da expedic5o) deso-Onico sobrevivente da expedicao chefiada pelo Tenente Walter Williamson. bedecesse, por nao querer encostar, o Tenente Walter obrigou-o a largar o "No dia 2 de setembro de 1944, as 13,00 horas ern du gs embarcacOes motor e ao mesmo tempo pilotando a embarcacao aproou para a margem di-chefiadas pelo Tenente Walter Williamson, a expedick era composta de 3 reita do rio Alalau, afirmando "brasileiro medroso, tern medo de Indio, euoficiais norte americanos e mais quatro guias,incluindo o pr6prio Raimun- y ou agora tirar fotografia para mandar para.Amarica.do Felipe". As 17,00 horas do mesmo dia encostaram as embarcacOes parapernoite ainda no rio Jauaperi, pernoitando no lugar conhecido como Barrei- Quando a canoa encostou onde encontravam-se os indios, os guias bra-ra Branca. As 6,00 horas do dia seguinte reiniciaram a viagem com destino si lei ros,permaneceram a bordo e o sargento Baitz, auxi liar do Tenente Walter,ao rio Alalau acampando as 18,00 horas, para pernoite na ilha do Binanau. A urn tanto receioso, colocou urn pa em terra e outro dentro da embarcacao. 0viagem prosseguia sem nenhuma anormalidade.Novamente as 6:00 horas do Tenente Walter Williamson, aproximando-se do grupo de indios ofereceu-lhesdia 28 seguiram pelo rio Alalau ate acima da cachoeira denominada Cachoei- cigarros, tendo aceitado e passaram a fumar. Em seguida o Tenente Walter,ra dos I ndios". Ai dormiram, passaram os dias 29 e 30, tendo o tenente Wal- preparando sua maquina, procurava tirar algumas fotos. Os guias brasileiros,ter Williamson feito a sua primeira observac5o astronOmica. Sairam dia 30 as voltaram a advertir o Tenente para desistir das fotografias, pois estavam no-3,00 horas da tarde e foram dormir no pedral das Palmeiras. Naquele local tando que os indios estavam muito desconfiados corn a mäquina fotografica.o Tenente Walter fez a segunda observac5o astronOmica. No dia 19 de no- Tenente nàb atendendo as observacOes feitas tomava melhor posic5o paravembro prosseguiram viagem, atingindo a cachoeira conhecida como cachoei- as fotografias, quando recebeu no peito du g s flechas disparadas pelos indios.ra Criminosa, por volta das 11 horas. Naquele local, urn dos batelOes, o de Tenente Walter, que se sentindo ferido, jogou a máquina no ch5o e atirou-name Tenente Lira, foi atracado onde deveria ficar ate o retorno da expedi- se dentro do rio, arrancando as flechas de seu peito.c5o, que seguiria o rio Alalau rumo as suss cabeceiras a bordo de uma peque-na canoa. No Batel5o Tenente Lira, ficaram os mantimentos previsto para oretorno da expedic5o. Ao perceberem o desastre que tinha ocorrido todos os expedicionarios atiraram-se nagua, tentando fugir a nado. 0 sargento Baitz-tendo atirado-se nagua nao mais voltou a tona, presumindo-se que se tenha afogado, por não "No dia 02 de novembro, a expedic5o continuou sua viagem a bordo de saber nadar, ou talvez as piranhas o tivessem exterminado. Os brasileiros,uma canoa, deixando para tras o batelk tenente Lira, sem que ficasse nin-26 27
  • 15. Eonio Lemos e Isaias Ovidio, ocultaram-se seguros no motor embaixo da Pouca coisa conseguiram recolher. Foi encontrado intacto, o bate& canoa, mas ao serem percebidos pelos Indios foram flechados mortalmente. Tenente Lira, que pertencia ao Servico de Proteck aos I ndios e que fora em- 0 brasileiro Renato de Araujo foi flechado afundando para nao mais voltar. prestado para compor as embarcaciies da expedic5o. Entretanto toda a carga foi destruida. Os indios apoderaram-se da canoa e desceram em perseguicao a Rai-mundo Felipe e do Tenente Walter Williamson que nadavam ja distantes do Pelos sinais encontrados na cachoeira Criminosa,a versa.° apresentadalocal da tragedia. Disse Raimundo Felipe, o Onico sobrevivente do ataque dos por Raimundo Felipe foi confirmada, n5o deixando dOvida quanto a ocor-indios, qde o Tenente Williamson era bom nadador e que mesmo ferido, se- r8ncia.guia na frente e que a muito custo Raimundo conseguia acompanha-lo. Nolocal em plena cachoeira Criminosa, apresenta forte correnteza e isto ajuda- Ja na volta, a expedicao encontrou urn grupo de Indios Waimiri Atroari,va-os mais ainda na fuga. A certa altura, segundo afirmou Raimundo Felipe, que ao avistarem os expedicionerios fizeram grande algazarra e acenavam co-uma flecha acertou o seu pr6prio chapeu, que era de "massa" e que por pou- mo se tivesse chamando.co tambem nao tombara sem vida. Corn a flechada em seu chapeu, Raimun-do Felipe, passou a nadar por debaixo dagua, tentando salvar-se das flecha- 0 Dr. Alberto Pizarro Jacobina, acompanhado de seu auxiliar Carlosdas. Ao subir a tona, depois de varios mergulhos, teve a felicidade de surgir Pinto Corr8a, numa das canoas da expedicao, afastou-se de seu grupo, e le-por detras de uma pedra da cachoeira, ficando assim protegido das flechadas vando consigo alguns brindes, tentou urn contato amistoso com os indios.dos indios. Ao aproximar-se do grupo de indios, foi notado que eles tambern esta- Viu entdo o Tenente Walter Williamson, que seguia mais a frente nadan-do a largas bracadas ajudado pela correnteza do rio, quando foi acertado por vam receiosos da aproximacao da canoa da expedie5o.uma flecha na nuca e seu corpo inanimado desapareceu num remanso da ca-choeira Criminosa". Entretanto Jacobina, procurando expressar-se na lingua dos indios, em monossilabos, fazia gestos de amizade, conseguiu encostar sua canoa nas dos Com urn mergulho, Raimundo Felipe, conseguiu passar sem ser visto pe- indios.los indios, por um dos tombos da Cachoeira Criminosa e ganhou a outra mar-gem do rio,descendo a pa sem alimentac5o durante 13 dias pela mata ate a Quando into ocorreu, alguns indios, chegaram a passar para a canoa deboca do rio Alalau (foz do rio Alalau no rio Jauaperi). Jacobina e ele, passou a distribuir os brindes que levava consigo. Tudo cor- reu de forma amigavel e Jacobina, em retribuic5o aos presentes, recebeu tarn- No dia 18 de outubro Raimundo Felipe,ouviu, um barulho de motor no barn alguns, co,mo arcos, flechas, bananas e pedacos de carne de anta.rio e gritou por socorro. Era a canoa do Sr. Raul Vilhena que tinha saido deMoura dia 17 a procura dos expedicionerios. As trocas de presentes, demoraram cerca de meia hora, e t5o logo, aca- baram, os indios que haviam passado para a canoa de Jacobina retornaram Raimundo Felipe, magro, quase sem forcas, foi recolhido pelos tripulan- as suas prOprias embarcacOes, e afastaram-se lentamente.tes da canoa e levado a Moura, onde relatou primeiro todo o ocorrido a RaulVilhena e a Comiss5b chef iada pelo Consul americano e o Chefe da 1a Inspe- Jacobina e seu companheiro Carlos Pinto Correia, remaram sua ember-toria do Servico de Protecao aos Indios, ern Manaus. cacao para junto as outras da expedick. (Este relato foi copiado do relatOrio do Dr. Alberto Pizarro Jacobina, Depois deste contato amistoso, que foi uma vitOria do born senso e dosobre a ocorrência datado de novembro de 1944). prOprio Servico de Protecao aos lndios, pois n5o permitiu qualquer atitude hostil contra os indios, a expedicäo retornou a Manaus, ciente de que cum- Em seguida a Comiss5o, constituida pelo Dr. Alberto Pizarro Jacobina, prira a missão.Chefe da 1a Inspetoria do SPI em Manaus, Carlos Pinto Corréa, Inspetor doSPI, Capitdo Johan E. Du Bois, Tenente Conrad Lundgren, Sargento WilliamThompsom, Tenente I tamer Al lent, Cabo Palheta e mais seis soldados, segui-ram viagem ao rio Alalau, na tentativa de resgatar alguns pertences, ou o querestou da expedicao do tenente Walter Williamson.28 29
  • 16. Pouco se sabe sobre os rituais dos Waimiri Atroari, apenas algumas ocor- OS VVAIMI RI ATROARI rancias foram anotadas como procurarei descrever. Os indios conhecidos como Waimiri Atroari, ou Crichan6s, Juaperi, Ala- Os mortos dos Waimiri Atroari sac) cremados, utilizando-se urn girau -laus, Waitemiris, habitavam a regiao compreendida desde o rio Urubu, tribu- de cerca de 1,00 metro de altura e o fogo é ateado no espaco ex istente entreOho da margem esquerda do rio Negro, ate a foz do Rio Jauaperi, subindo o girau e o solo. As cinzas dos mortos são jogados nos rios. Sobre este fato,por esse rio, ate a bacia do seu principal afluente, o rio Alalau, onde hoje lo- sabe-se que ales alegam que se deixarem os mortos enterrados, toda vez quecaliza-se a major concentracäo populacional desses indios. passarem no local, ter5o lembrancas tristes dos mortos, por into optam em crania-los e jogar as cinzas no rio. Entretanto, esta informack a muito super- 0 seu idioma e classificado como do Grupo Karib, face a semelhanca ficial, carecendo maiores estudos sobre o assunto, para poder fazer urn co-com outras I Inguas do mesmo grupo linguistico, como os Macuxi, habitantesdo TerritOrio Federal de Roraima. mentOrio seguro. Os doentes graves s5o isolados no canto da maloca pertencente ao seu Medem aproximadamente 1,80 metros de altura, s5o fortes e sua pele 6 grupo familiar, colocando-se uma pena de gaviao nos punhos da rede e em-de urn moreno claro. Cabelos pretos e lisos. baixo, uma vasilha no ch5o corn ague para o doente beber quando estO corn sede, procurando evitar de qualquer modo, o contato f (sic° corn o doente. Raspam os cabelos da cabeca ate um pouco acima da orelha, tanto oshomens como as mulheres. Sabe-se tambOm que no mês de setembro, que coincide corn o period() da baixa das âguas dos rios, costumam promover festas em suas malocas cen- Andam normalmente nus.Os homens usam uma especiedecinta confec- trais.Possivelmente dedicada em oferenda as plantacOes que ir5o realizar,cionado corn cip6 titica que ao mesmo tempo serve de suspensOrio peniano. cujo trabalho ocorre tao logo terminem as festas.As mulheres usam uma esp6cie de tanga, confeccionada com carocos de baca-ba, presos e tecidos de tucum que s5o fixados na cintura por cord5o de fibra Os Waimiri Atroari vivem principalmente da agricultura.tambern de tucum. Produzem mandioca, macaxeira, cana-de-acticar, banana, batata doce A tanga e usada apenas na parte da frente, deixando totalmente desco- e industrializam, de forma artesanal a farinha.berto a regi5o glCitea. Fazem o plantio e a colheita por etapas. Nunca armazenando o resulta- Confeccionam seus utensil ios domesticos corn palha de tucum, cip6 titi-ca, produzindo balaios, cestas, jamax is, maqueras, tipitis e peneiras. do da colheita. Plantain suas rocas em Opocas e locais diferentes.Ora,prOxima a pr6pria Utilizam-se tamb6m do barro para confeccionar panelas e uma esp6cie maloca, ora entre uma aldeia e outra,nos caminhos que ligam suas povoacOes.de frigideira para use no preparo da al imentacao. S5o tambOm hObeis cacadores e pescadores, fazendo parte de seu card6- As suas armas, como o arca, sac) confeccionadas corn o árnago do pau pio, antas, macacos, porcos, jacarOs, tartarugas, tracajOs, paca. Pescamdarco e medem cerca de 2,10 metros de comprimento, servindo tamb6mcomo Badurna. tucunarO, pirarucu, pirarara. Colhem como alimentos auxiliares, frutas do buriti, castanha do Brasil, As flechas s5o confeccionadas corn taboca e flecheira para o corpo pro-priamente dito e a ponta ou bico, pode ser de pau darco bem afiado, osso de mel de abelha.animais silvestres, ou pedacos de facOes, devidamente amolados. As suas casas constituem em uma construck de troncos fincados no chão em forma oval ou redonda, corn duas portas. Os Waimiri Atroari, ao contrerio da maioria dos indios habitantes naAmazOnia Brasileira, não s5o vistos com enfeites corporais, nem mesmo a As paredes da construc5o, s5o formadas por paus rolicos fincados nopresenca de plumagens foi notada. ch5o, trancadas corn palhas de Ubim ou Buca-, n5o chegando a atingir a altura30 31
  • 17. do teto, deixando uma abertura para entrada do are para a saida de fumacade suas fogueiras. POSTO INDIGENA IRMAOS BRIGLIA Internamente a maloca contem divisOes, formadas por esteios fincados A 1 Inspetoria do Servico de Protegao aos indios — SPI, depois dono chao, os quais servem como divisor entre acomodacOes das farnilias e co- ocorrido no Posto Manoel Miranda, no rio Camanau em dezembro de 1942,mo apoio de suas "maqueras", que ficam atadas nesses esteios e nos esteiosde sustentacdo do teto. quando tombaram sem vida OS irmaos Humberto e Luiz Briglia e seus corn- panheiros insistindo na tentativa de contatar amistosamente corn os indios Em cada divisg o interna, vive uma familia com todos os seus pertences, Waimiri Atroari, organizou uma nova equipe de dedicados indigenistas dis- postos ao sacrif icio de sua prapria vida, para instalarem no mesmo rio Ca-como arco, flecha, cestos, jamaxis e maqueiras. manau, urn novo Posto I nd igena de Atrac5o. No meio da divis g o encontra-se sempre uma pequena fogueira, sempreacesa, na qual sdo preparados os alimentos e serve para esquentar o frio e a Este Posto, seria instalado, como foi, muito mais acima de onde haviafumaca para espantar os mosquitos. sido instalado o Posto Manoel Miranda, e muito mais prOximo das malocas dos indios Waimiri Atroari. Usam como meio de transporte, as Ulads, que sac) canoas construidas deurn tronco de madeira cavado no seu arnago e s g o muito pesadas e de dificil A direcdo do Posto lndigena I rm g os Briglia, denominacdo esta ern justanavegacgo. homenagem aos indigenistas mortos em defesa da causa, foi entregue ao Sr. Luis de Carvalho, que ja tinha bastante experiência em contato com indios Estes dados sobre os indios Waimiri Atroari, foram levantados atraves e demonstrado ser possuidor de conhecimentos necessarios a missdo que Ihede contatos que mantive corn aquele grupo tribal e com base tambêm ern in- foi confiada.formacaes prestadas a mim, pelo Gilberto Pinto Figueiredo e outros colegasde trabalho, que tiveram a oportunidade de conhecerem de perto aqueles Corn ele seguiram 12 auxiliares, pessoas tambern ja com experiência noindios. contato com indios em outras areas e dispostos a realizarem a tarefa de con- tatar corn os Waimiri Atroari corn amor e dedicacgo. Entre os expedicionerios que chegaram ao Posto Indigena I rrn5os Bri- glia, destacava-se a figura de D. Candida, viCrva do Sr. Luis Jose da Silva, pri- meiro Chefe do Posto Ind igena de Atrac g o Mahava, instalado no rio Jaua- peri, que morreu em consequência das agressOes de Edgar Penha, em defesa do territ6rio indigena. D. Cendida, mais tarde casou-se corn o indigenista Luis de Carvalho e corn ele seguiu rumo ao rio Camanau para a instalac g o do Posto lndigena Irrndos Briglia. D. Cêndida conhecia bern os indios Waimiri Atroari, chegando, quando morava no Posto lndigena Mahaua em companhia de seu finado marido Luis Jose da Silva, a ter como h6spede de sua casa no Jauaperi, quatro indios me- nores do grupo Waimiri que os tratava como fossem seus filhos. Ela falava fluentemente o idioma dos indios Waimiri Atroari, talvez uma das 6nicas pes- soas que vieram a dominar a lingua daqueles 0 Posto foi instalado como previra a 1P Inspetoria do Servico de Pro- tack aos Indios — SPI, e Luiz de Carvalho,seguindo as diretrizes fixadas,32 33
  • 18. nab) procurou forcar o contato corn os indios. Preferiu esperar que os indios ocorrera no Posto Manoel Miranda, foi considerado pela 1P Inspetoria do viessem ate o Posto. Serviqo de Proteb g o aos Indios — SPI, como urn importante marco no rela- cionamento entre os indigenista e a comunidade inch igena Waimiri Atroari, Esperou cerca de dois anos e nenhum dos Waimiri Atroari aparecera na no relat6rio da 1a Inspetoria do SPI, sobre o fato, D. Candida foi assim sede do Posto, n g o obstante a aproximac g o em que se encontrava corn rela- considerada: cdo as suas malocas. "D. C8ndida merece, indiscutivelmente as glorias dessa pacificac go, a ela Entretanto, no dia 19de novembro de 1946,por volta do meio dia, sur- devemos o êxito de nossa miss g o, como embaixatriz que foi da paz e da con- giram na sede do Posto Irm g os Briglia, cerca de 25 indios Waimiri Atroari, c6rdia entre os civilizados e Waimiris, de he muito desavinhos "Relatário de chefiados pelo Indio Muxupi, que tinha sido, quando crianba, h6spede de Inspetoria do Servico de Protecao aos Indios em Manaus referente as ativi- D. C5ndida no Posto Mahaua no rio Jauaperi. dades do mOs de novembro de 1946". Muxupi ja era urn rapaz, pois JO se passara varios anos desde o dia em Os indios voltaram ao Posto Indigena Irm g os Briglia, como haviam pro- que ele deixara o convivio corn D. Candida e voltara para a sua aldeia. Isto metido. E desta vez encontram. Luis de Carvalho e seus companheiros na sede ocorreu t5o logo foi destruido o Posto Mahaua, pelos castanheiros e balatei- ros, chefiados por Edgar Penha. do Posto. Entretanto, segundo D. C5ndida,eles estavam desconfiados,bem diferen- D. Candida estava sozinha ern casa na hora em que os indios chegaram te quando le estiveram em 19 de novembro.ao Posto. Luis de Carvalho e seus auxiliares estavam para a roca, onde encon-trava-se trabalhando. A roca ficava urn pouco afastada da area da sede do Muxupi, que na primeira visita procurava demonstrar afeibao a D. C5n-Posto, onde estavam construidas as casas residenciais e sede do Posto. dida, durante a nova visita procurava evitar qualquer contato direto corn ela. D. C5ndida ao avistar o seu filho adotivo Muxupi, n g o o reconheceu, D. Cándida, mesmo notando a diferenca de comportamento de Muxupi,chegando a pensar que aqueles indios Waimiri Atroari que acabavam de che- procurou desfazer qualquer mal entendido por acaso existente. Fez vestidosgar de surpresa, iriam ataca-la. Entretanto, reagindo ao susto inicial, procu- para as mulheres Indias que vieram acompanhando os seus maridos presen-rou conversar com eles, expressando-se no idioma falado pelo grupo. teando-as e elan ficaram muito satisfeita. S6 assim conseguiu identificar Muxupi, como aquele menino que ela Outros brindes, como machado, faclies, arames, foram distribu (dos a to-hospedaria e tivera como filho adotivo no Posto Mahava. Muxupi tambem re- dos os visitantes, entretanto Muxupi, demonstrava sempre uma certa intran-conheceu D. Candida como a sua "Man g e" e aceitou o convite pars entrarem casa e almocar corn ela. quilidade, e bem diferente de seu comportamento da Ultima visita. Os indios demoraram na sede do Posto nessa visita 3 dias e apOs as des- D. Candida aproveitou a oportunidade para conversar corn todos, per- pedidas prometeram voltar na prOxima lua.guntando pelos parentes de Muxupi, que conhecera quando ainda morava noPosto Mahua e sobre o conhecido, JO naquele tempo Tuxaua Maruaga. Luiz de Carvalho, D. Cándida e seus companheiros, ficaram urn pouco apreensivos,pois apesar do contato corn os indios ter sido amistoso e alegre, Muxupi, respondeu que Maruaga ja estava muito velho e ri ga aguentava notou-se certa intranquilidade entre eles, principalmente em Muxupi.mais fazer grandes viagens e ele agora era o chefe daquele grupo. D. Candida estava gravida e esperando o nascimento do belod para aque- Depois de almobarem e receberem presentes ofertados por D. Candida, les dias. Luiz de Carvalho JO providenciara a vinda de uma parteira que seos indios embarcaram em suas canoas e subiram o rio, rumo as suas malocas, encontrava hospedada em sua casa no Posto aguardando o dia do nascimen-prometendo retornar na pr6x ima lua. to do seu filho. Ela, a parteira, ficou em p5nico corn a chegada dos indios pois ela pessoalmente, n ig ° conhecia os Waimiri Atroari, so tendo not icias da- Este contato amistoso mantido corn os indios Waimiri Atroari, por D. les atraves de narrativas de massacres e mortes violentas contadas pelos ribei-Cg ndida no Posto Irm5os Briglia em 19 de novembro de 1946, ap6s o que rinhos da regi go. Mas os indios n g o chegaram nem mesmo a ve-la, cols en-34 35
  • 19. quanta os indios permaneceram no Posto, ela trancou-se em um dos quartos Conta D. Candida que nada levou de sua casa, saiu de la do jeito que seda casa da sede do Posto, de la s6 saindo quando os visitantes foram embora. encontrava, corn a flecha ainda encravada em seu peito e sangrando muito, pois a flecha estava enganchada dentro e nao era possivel arranca-la s6 pu- Dois dias depois da sa Ida do grupo de indios Waimiri Atroari, chef iados xando.par Muxupi, surgiu novamente no Posto Incligena Irmao Briglia, um outrogrupo de indios, nao os mesmos que participaram da visita anterior embora Ao passar rumo ao rio D. Cêndida avistou o corpo do seu marido Luizestivessem chefiados tamb6m por Muxupi. Vieram desacompanhados de mu- de Carvalho e dos seus companheiros, todos mortos a flechadas.Iheres e criancas. Eram sO adultos e jovens. Os tras, D. Candida, o Indio Raimundo e a parteira, embarcaram na canoa e comecaram a viagem rio abaixo. Na hora da partida, o motor de po- Chegaram desconfiados e arredios.D.Candida procurou conversar cam pa da embarcacao nao quis pegar, talvez pelo nervosismo em que se encon-Muxupi, tentando saber quais as motivos do retorno, pais ales tinham par- trava Raimundo, que teve muita dificuldade para faze-lo funcionar. Mas de-tido dizendo que sO retornariam na pi-6x ima lua, e em poucos dias ja tinham pois de varias tentativas, Raimundo fez o motor funcionar e o barco seguiuretornado. Muxupi desconversava e nao respondia as perguntas de D. Candi- rio abaixo.da. Falava sobre outros assuntos, mas nao explicava a razao do retornorapido. Minutos depois da partida, dentro da canoa, nasce o beloa de D. Candi- da que continuava corn a flecha encravada no seu peito. Luiz de Carvalho, procurou agrada-los, voltando a distribuir mais pre-sentes e conseguiu convecd-los a pernoitar no Posto naquele dia, Entretanto Somente dois dias depois, apOs o incidents a canoa chegou a Manaus epela madrugada partiram do Posto sem se despedirem, como é costume da- D. Candida recebeu cuidados medicos e a flecha foi retirada do seu corpo.les. 0 menino que nasceu dentro da canoa, nas aquas do riq Camanau, foi 0 fato causou apreensao em todos. batizado corn o nome de Luiz Pastana de Carvalho e chegou mais tarde, ja rapazola a trabalhar no Posto de Atracao Camanau, na 6poca Indios o Ser- que Na vaspera do Natal, dia 24 de dezembro de 1946, o mesmo grupo re- tanista Gilberto Pinto Figueiredo chefiava a Atracao dos ndios Waimiritornou ao Posto, e sem nenhuma explicacao atacou a todos que se encontra- Atroari.y am na sede do Posto de Atracao lrmaos Briglia, a flechadas. Hoje Luiz Pastana de Carvalho, é funcionario da Fundacao Nacional do Indio — .FUNAI e trabalha como vigia noturno do pradio onde funciona D. Cándida que se encontrava dentro da casa, quando iniciou o ataque a "Casa do Indio" em Manaus.dos indios, ao ouvir os gitos, procurou verificar o que estava acontecendono patio, tendo tambam sido flechada no ombro esquerdo quando sala decasa. D. Candida Pastana de Carvalho, mora em palafita no Igarapa de Ma- naus, em Manaus, e em condicaes de vida sub-humanas, recebendo a ajuda de A parteira que se encontrava dentro de casa, trancou-se em um dos CO- seu filho Luiz Pastana de Carvalho e viva ainda traumatizada pelo que ocor-modos da residência e entrou em panico gritando e pedindo cleméncia. reu naquele natal de 1946. Flechada, mas cam vida e likida D. Candida ao avistar Muxupi, pediu-lhe que poupasse sua vida e da parteira, explicando-lhe que estava com me-nino para nascer. Muxupi, concordou em deixa-la it embora. Ela e a parteira e urn Indiodo grupo lanomani, aculturado de nome Raimundo que trabalhava no Posto,foram autorizados a irem embora em uma canoa corn motor de popa perten-cente ao Posto.36 37
  • 20. Padre Calleri, pouca experiencia tinha de como lidar com os principalmente corn os indios que se candidatara a "amansar" no caso os in- dios Waimiri Atroari. A MISSAO CALLERI Apenas por duas vezes, Padre Calleri, visitara aldeias indigenas no Brasil. Os contatos que manteve foram corn os indios lanomami. Uma vez, quando No in icio dos trabalhos da construck da BR-174, estrada Manaus-Cara- se fazia acompanhar do cinegrafista Guilherme Lombardi, da empresa Am- cara (-Boa Vista, a cargo do Departamento Nacional de Estrada e Rodagens — plavisk, de Primo Carbonari, visitou a aldeia dos indios Waice, da grande na- DNER e do Departamento Estadual de Rodagens do Estado do Amazonas — cg o dos indios lanomami. DER-AM, no ano 1968, contava corn urn grande obstâculo. 0 de ter que cru- zar a regi5o habitada pelos indios Waimiri Atroari. Indios temidos ern toda Ele e o cinegrafista, partindo de Boa Vista, capital de Roraima, segui- a regi5o pelas noticias de sua ferocidade e de sua posick contraria a presenca ram a bordo de canoas ate o Rio Negro, subindo por este ate a vila de Tapu- de estranhos ern seus domfnios territorials. ruquara. E pouco tempo demoraram na aldeia Maturace, dos indios lanoma- mi. Por falta de habilidade do Padre Calleri, os indios obrigaram tanto o pa- lnicialmente, era meta dos dirigentes do DER-AM, que antes do infcio dre como o cinegrafista a fugirem correndo do local.dos trabalhos de desmatamento da estrada nas proximidades da area habitadapelos indios Waimiri Atroari, eles ja estivessem "mansos" e prontos inclusive A viagem do cinegrafista as aldeias dos indios lanomami acompanhandopara participarem, como m50-de-obra, nos servicos de desmatamento da ro- o Padre Calleri era para o seu pedido, realizar um documenterio que seria exi-dovia BR-174. bido na Italia, corn rendas em benef icio das obras missionarias da Prelazia de Consolata de Roraima. A Fundacäo Nacional do Indio — FUNAI, mantinha na cidade de Ma-naus, uma unidade administrativa — Delegacia Regional, que atrav6s de seu 0 Padre Calleri, portanto n g o tinha ern seu curriculum, experiencia sufi-principal funcionario — Sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, vinha manten- ciente para substituir na dif fell tarefa de contatar com os indios Waimirido esporadicos contatos corn alguns indios Waimiri Atroari, habitantes na Atroari, o Sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, que desde sua juventude vi-região ern que a construcao da rodovia Manaus-Caracaraf-Boa Vista iria pas- nha mantendo contatos amistosos corn aquela comunidade indigena.sa r. Ap6s o acerto corn a Fundag g o Nacional do Indio — FUNAI, e DNER No rio Camanau, nas proximidades de sua foz, a FUNAI, mantinha urn — DER-AM, foi organizado as pressas a expedic g o que tinha como objetivoPosto de Atrac5o, que periodicamente recebia visita dos indios Waimiri, habi- principal, a pacificack rapida do indios Waimiri Atroari, para que quandotantes nas malocas construi rdas nas cabeceiras daquele rio. os trabalhos de desmatamento da estrada Manaus-Caracaraf-Boa Vista, atin- gissem a area habitada pelos indios, là n g o fossem impecilhos a implantacgo Ja naquela Opoca Gilberto Pinto Figueiredo, grande conhecedor da re- da rodovia. E que, por falta de m g o-de-obra na regi5o, eles, Waimiri Atroari,giào e indigenista assumido, era contrario a construc5o da rodovia BR-174, viessem tambern participar dos trabalhos de construdo da rodovia.que atravessaria todo o territhrio dos indios Waimiri Atroari. A Equipe do Padre Calleri, formada por mais 8 homens e 3 mulheres, Gilberto, tambem era contrario a forma em que os dirigentes do DER- que seguiram para o local, em canoas e no heliceptero pertencente ao DER-AM, queriam utilizar-se dos trabalhos do pessoal da FUNAI para "amansa- AM, partindo do acampamento denominado S g o Gabriel corn destino aorem" os indios Waimiri Atroari. Achava aquilo urn absurdo, e nao estava dis- Igarape Santo Antonio do Abonari, onde os mantimentos je esperavam a ex-posto a aceitar de nenhuma forma as propostas formuladas a pr6pria FUNAI, pedick.pelo Departamento de Estrada Rodagens do Estado do Amazonas. Duas canoas, corn o material mais pesado,ja se encontravam no Igarape Talvez por isto, e que a pr6pria FUNAI, atravês do seu Presidente na Santo Antonio do Abonari, que teriam seguido via helicOptero.apoca — Queiroz Campos, afastou da area dos indios Waimiri Atroari, o Ser-tanista Gilberto e aceitou que em seu lugar fosse nomeado para a missäo de ApOs o translado do material e dos expedicionerios chefiados pelo Pa-"amansar" os indios Waimiri Atroari o Padre Italiano Giovanni Calleri, mem- dre Calleri, seguiram viagem a bordo de duas canoas, subindo o igarape Santobro atuante da Prelazia da Consolata em Roraima. 3938
  • 21. Antonio do Abonari, rumo as suas cabeceiras e as malocas dos indios Waimiri Atroari. No outro dia, as expedicionãrios seguiram viagem rumo a primeira ma- loca, continuando navegando por urn igarapé ate por volta das 11:00 horas, quando encontraram atracadas na margem do igarape, 8 Uldàs, num barranco Por volta das 17:00 horas do dia 22 de outubro de 1968 na foz de pe- de onde se via um varadouro longo e limpo, fazendo crer que se tratava de queno igarape, afluente da margem esquerda do rio Santo Antonio do Abo- nari, a expedick fez o seu p urn local utilizado pelos indios como porto de embarque e desembarque e rimeiro acampamento dentro do territOrio habi- que aquele caminho ligava corn as malocas dos indios. tado pelos indios Waimiri Atroari. Por volta das 18:00 horas, depois de insta- lado o e q uipamento de rédiofonia, foi transmitida a primeira mensagem do Padre Calleri ao pessoal do acampamento do DER-AM, que acompanhava os 0 Padre Calleri, que desde o inicio vinha demonstrando total desconhe- trabalhos da expedicao atraves do radio. cimento, ate mesmo de viajar pela selva e a de navegar em canoas, na ocasi5o da chegada da expedic5o no local onde se encontravam as canoas dos indios, Eis na fntegra e em fac simile a Mensagem Oficial no 01 do Padre mandou que urn dos expedicionarios disparasse para o alto 8 tiros de rifle, Calleri, ao DER-AM. que segundo ele, serviria de aviso aos indios de que a expedic5o estava che- gando al i. 0 Padre Calleri, corn sua lOgica absurda nada mais fez, certamente, "Fac Simile da Mensagem" do que criar apreensk entre os indios. Pois ern qualquer pats do mundo ou habitat de qualquer povo, os visitantes amigos nao chegam disparando suas MO. PR IND — MANAUS armas de guerra, e se assim se comportam sac considerados como agressores MENSAGEM OFICIAL No 1 e prontos a qualquer animosidade. Näo se sabe de onde ou de quern Padre Calleri aprendeu aquela forma insOlita de avisar os indios de sua turbulenta e indesejada chegada. Santo Antonio 28/10/68 — Hs. 18,00 — Estamos acamados no Ul- A noite, o Padre Calleri, depois de instalado o sistema de radiofonia, timo braco do Rio Santo Antonio. Foram terminadas satisfatoriamente transmitiu ao DER-AM, a Mensagem Oficial n9 02, narrando ern detalhes a todas as operacties de transporte de carga e homens com avian e heli- sua chegada no "porto dos indios" e da, forma como chegou. copter°. Deixamos hole de manila com motor de popa acampamento "Fac Simile da Mensagem Oficial n902" do DER/Am, do F.N.T. e a tarde o posto da transcon. Corn a nossa MO. PR /ND — MANAUS chegada todas as equipes da BR/174 deixaram a regrifo. Estamos so. MENSAGEM OFICIAL N9 2 Amanhe deixaremos o Rio e, por meio de caminho contamos encon- Rio Atroaris 23/10/68 — Hs. 19,30 — Uma janta de farofa no bar- ranco defronte do primeiro posto dos indios Atroaris. As aparancias trar-nos, Dew queira sem imprevistos corn a primeira maloca de Indios. indicam que o posto 6 de grande movimento B/PT oito compridas mas SOS Pa Calleri silenciosas e bem alinhadas, e atraz urn varadouro majestoso e severo que deveria levar para as malocas. Nossa primeira canoe penetrou nesta area as 11,30 hs. da manta. Decidimos acampar aqui pois achamos im- DATA: 22-10 -68 prudente invadir o solo dos silvicolas sem estarmos todos unidos. De- mos oito tiros ao alto para sinalar aos indios nossa presence, logo em NORA: 20,30 seguida voltamos. Buscamos restante de homens e cargas deixadas em RECEBIDO POR RADIOFONIA DER/Am nosso Ultimo acampamento. Amanhif a noite no nosso rediofonia agi- ram do meio dos primeiros Indios, se Deus quiser. STS Pe. Calleri. NOME OP. M/NE/RO RECEBIDO POR RADIOFONIA DO DER/Am Na sua mensagem, o Padre Calleri, informava que jâ se encontrava nas DATA: 23-10-68p RECEBIDO: 20,45 roximidades da primeira maloca dos indios Waimiri Atroari e pedia a Deusque n5o ocorresse imprevistos. NOME OP. MINEIRO40 41
  • 22. Os expedicionarios passaram a noite acampados no in icios do varadouro 38 km. Num igarape que bem cedo andou se acabando num chavascale local que servia de Porto aos indios, sem que aparecesse nenhum sinal dosindios. tremendamente fechado. Quase todo o tempo passamos arrastando e torando paus. No fim tambem o nosso bom Jonhson deu pane. Corn os Ao amanhecer do dia 23 de outubro, o Padre Calleri, ainda pela madru-gada, mandou que novamente fossem disparados mais 4 tiros de rifle para o meios imagineveis num labirinto com p este, conseguimos remediar. Maisalto, repetindo o aviso aos (ndios que a expedic g o Calleri, encontrava-se ali. um esforco e logo acampamos na beira, ou melhor, num partano. Ama-Os indios n5o apareceram, como previra o Padre Calleri. Claro que os indios nh5 nio sere melhor B/PT mas corn tudo 6 bem preferir a dureza noao ouvirem os tiros, nao iriam aventurar-se a it de encontro a urn inimigo toocorajoso, capaz de, chegar ao territario dos indios Waimiri Atroari,ir logo certo que nab facilidade no risco. Ate mais. Pe. Called.disparando suas armas de fogo. RECEB/DO POR RADIOFON/A DO DER/Am Como os indios n5o apareceram, o Padre Calleri, resolveu prosseguir asua viagem pelo igarapa, pois deduziu que seria muito perigoso, principal- DATA: 24/10/68manta depois dos tiros disparados, seguir viagem para as malocas dos indios HORAS: 20,50Waimiri Atroari, atravas do varadouro. NOME OP. MINEIRO A expedic5o percorreu cerca de 38 quilbmetros por dentro do pequeno A noite passou calma, sem nenhum incidente. Ao amanhecer do dia 25igarapa, acampando no final do dia nas proximidades de urn Ontario que de outubro, foi desfeito o acampamento e os expedicionarios prosseguiramtudo indicava estaria bem próximo a uma das malocas dos indios Waimiri viagem. A viagem estava cada vez mais dificil,pois o igarapa cada vez maisAtroari. estreito e de dif icil navegac5o,princi p a lmente porque as embarcac5es esta- y arn carregadas corn o mantimento da expedic5o. A noite, depois de instalado o acampamento, o Padre Calleri voltou atransmitir suas mensagens através de recliofonia para o DER-AM, relatando 0 Padre Calleri, fazia calculos de que estariam bem prOximos das malo-o ocorrido durante aquele dia. cas dos indios Waimiri Atroari, e que possivelmente no outro dia estaria man- tendo contato corn os (ndios Waimiri Atroari. Ainda no igarapa, fizeram o "Fac Simile da Mensagem Oficial n903" pernoite. Depois de armarem o acampamento e instalado o sistema de radio, o Padre Calleri, voltou a transmitir suas mensagens dierias ao DER-AM. MO. PR IND — MANA US MENSAGEM OFICIAL NP 3 "Fac Simile da Mensagem Oficial n904" Rio Atroaris 24/70/68 — Aqui esta mania is 9,00 hs. o grande MO. PR IND — MANAUS Porto é o majestoso varadouro dos Atroaris Permaneceram em absoluto MENSAGEM OFICIAL N9 4 sileincio. De madrugada repetimos nosso aviso aos indios corn outros 4 tiros ao alvo, mas ninguim compareceu ou nib quis comparecer. Rio Abonari 25/10/68 — 17,25 Hs. — Con forme nossa facil previ- Nab teria sidq s5o, hoje a marcha no labirinto nib foi nada melhor. S6 o transporte de contactar corn um primeiro grupo no posto e com todo o complexo radiofOnico (sere a primeira vez que este aparelho se esse continuarmos ate as malocas. Mas, nib tendo-se esta ocorrencia, permite tal turismol no meio de pantanos 6 chavascais, embaixo de chu- achamos perigoso entrar sozinhos no varadouro, pois trataria-se de vas ininterruptas criou nab pouco caso sério. Mas uma forte vontade de violacab de posse. Decidimos portanto tentar atingir as residencies indf- vencer, igual em todos os componentes da equipe, permitiu-nos de con- genas passando pela via considerada neutra, isto 6 o Rio. Saimos tinuar 6 cobrir uma distincia excepcional. BIPT conseguimosacampar a 11,15 hs. com 5 homens e uma mulher. Percorremos aproximadamente uns mil metros da primeira maloca dos Atroaris. Poderiamos bem alcan-42 43
  • 23. 0 Padre Calleri, na calmaria dos indios e de sua boa vontade, arriscou-se pa-/a, mas a hora em que estamos, do descer do sol, rao 6 oportuna para entrar no interior da maloca e quando ja estava dentro, contou as redes que esta operaplo. Hoje a noite daremos as Olt/mas instrupdes de encontro se encontravam amarradas nos esteios daquela moradia indigena. Tendo o e amanhS, se nab hoover imprevistos desagradaveis, ataremos nossas Padre Calleri, registrado a existéncia de mais de cem redes amarradas nos es- redes corn as dos indios. Para a prOxima noite nab end certa nossa pos- teios da maloca. sibilidade de comunicapao. SDS Pe. Calleri. Baseado em depoimento do Unico sobrevivente da expedic5o Calleri, o mateiro Alvaro Paulo, o Padre ao realizar a contagem das redes, fizera apon- RECEBIDO POR RADIOFONIA DER/Am tando com o dedo, fato este, que voltou a causar irritack entre os indios. DATA: 25/10/68 HORA: 17,25 Por volta das 19:00 horas o Padre Calleri, voltou a transmitir suas costu- meiras mensagens ao DER-AM, quando enviou a Mensagem Oficial n905. NOME OP. MINEIRO A expedicao prosseguiu viagem no dia 25 de outubro ao amanhecer do "Fac Simile da Mensagem Oficial n905"dia, ainda a bordo de canoa, que tinha muitas dificuldades na navegacao ten-do em vista que o igarape ja estava muito estreito. Por volta das 9:00 horas encontraram encostado numa das margens do MO. PR IND — MANAUSigarape duas canoas certamente pertencentes aos Waimiri Atroari. E ao apro- RELATORIO OFICIAL N9 5ximarem-se das canoas, surgiu repentinamente de dentro do mato um grupode indios Waimiri, muito desconfiados e arredios, certamente estranhandomuito o comportamento daqueles expedicionerios, pois normalmente quando Atroaris 1 — 26/10/68 — 19,00 Hs. — Estamos acampados corn osos funcionerios da FUNA I ou SPI aventuravam-se a irem ate aquela area, iam Atroaris na primeira maloca. Foi luta dura, embora usando todos oscorn muita cautela, evitando ate a se aproximarem das malocas dos indiosWaimiri .Atroari, e isto s&acontecia, quando eram convidados pelos preprios recursos psicotOcnicos de estrattia indigenista, conseguir o que conse-indios e muito raramente. guimos, sem abandonar uma I6gica honesta a primeira operaplo. Che- Tao logo os expedicionérios desembarcaram, os indios passaram a verif i- gamos as (malocas) 0,00 hs. Os indios comparecera de repente no rio;car os objetos que a expedicao conduzia. Por curiosidade e talvez por quere- inicialmente se apresentaram medrosos e desconfiados, depois nos ofe-rein realizar trocas ou receber de presentes aqueles objetos, os indios verifica-ram tudo que vinha dentro das canoas. receram laranjas e be//Os, mas rido nos permitiram entrar na maloca. Em seguida, vendo nossa mercadoria, comeparam se agitar usando ges- O Padre Calleri, de forma descortes, impediu que qualquer Indio se tos violentos para tirar tudo. Corn calma e serenidade e o maxim° acar-apossasse de objetos que levava na expedicao. do entre n6s, nada foi permitido (o Indio bem sabe que isso esti no De forma autoritaria, o Padre Calleri, fez corn que os indios participas- nosso direito de gente superior. S6 tenta perturbar para conseguir) e osem da descarga dos objetos que se encontravam a bordo das canoas. Os pro-prios indios ainda sob comando do Padre Calleri, constru (ram nas proximida- jeito foi resfriar o fogo corn o trabalho. Mediante artiffcios oportunosdes de suas malocas, urn local para o acampamento da expedicao, onde foi provocamos entusiasmo na turma: improvisamente criou-se um movi-instalado todo o equipamento de sistema de rediofonia, e todo o materialque compunha a expedicao. mento: os indios mesmos descarregaram a canoa, transportaram e ajei- taram tOda a mercadoria, limparam uma area de mato (de/xamos a ales Os indios Waimiri Atroari, por volta das 15:00 horas, como sinal de cor- escolher), bem ao lado da maloca, dales, construfram para nos um borntezia aos truculentos visitantes chefiados pelo Padre Calleri nfereceram-Ihep anerees de bebidas feitas com milho e mandioca. barrack) e instalaram a antena radio e fisemos a ales mesmos par em 4544
  • 24. movimento o gerador, aparelho de Rediofonia e sistema iluminante. "Fac Simile da Mensagem Oficial n906" Todo mundo dos Atroaris estava suando. 0 resulted° foi chiplice: Se acalmaram e se en MO. PR IND — MANAUS tusiasmaram em fazer 6/es mesmos as coisas que nos tinhamos medo de fazer. As M/SSAO ALALAU RELATORIO N9 6 75,00 hs. nos trouxeram, em sinal de amizade, para tomarmos todos juntos, quatro p anelOes de bebidas. Quase uns noventa indios Atroaris 1 — 26 de outubro as 05,10 Hs. — Nossa pequena equipe nos fizeram a grande festa. Pelas 18,00 hs. e ficar s6 naque/e momento, fomo-nos oferecer p da frente vai se dividindo ainda. Doffs homens e uma mulher resentes pela primeThe vez. defendendo novo acampamento Atroaris, e tr6s homens tentar go a nao Porem a distribuicao foi organizada em maneira de extinguir qualquer facil empreza de convener os Atroaris 19 para it juntos, ver varadouro pedido ales, vein deixar so o nosso criteria. Ap roveitamos a alegria a 45 ou 50 km. do acampamento Abonari 39 , pare fazer de costa o para pOr os pes na maloca: contamos cento e mais redes. Amanhe" iremos ver. Certo que tudo p transporte de toda a mercadoria. A viagem servira tambein para locali- rocederd no mesmo sistema: carregar o zar, corn os indios, as malocas abandonadas. At6 mais. Padre Caller. Indio para resfra-lo. Que Dew nos elude. TRANS — J0,40 Trans: Padre Calleri RECEBIDO POR RADIOFONIA DO DER/Am DATA: 27/10/68 Nesta mensagem o Padre Calleri demonstrou a sua in corn os indios. Q ualificou-se inclusive na condicao de p experiOncia de lidar HORAS: 08,50 vo superior" que seria os civilizados l og ertencente a urn "po- NOME OP. JOSE RAIMUNDO per icamente incluindo-se e isto, p rojetou feitamente a sua filosofia no trato corn povos de costume diferentes do seu e que por isto mesmo nào possuia as mit-limas condicOes Esta foi a 6Itima mensagem transmitida pela Expedick Calleri. para conviver corn povos de culturas diferentes da dele, indispensaveis povo habitante da selva, corn car p rincipalmente urn 0 mateiro Alvaro Paulo, conhecido tambern coma Paulo Mineiro, urn acteristicas dos indios Waimiri Atroari. dos expedicionerios da missao Calleri, desde o primeiro contato corn os in- No amanhecer do dia 27 de outrubro, no acam dios Waimiri Atroart que vinha alertando o Padre Calleri para a forma que p amento da expedicão tratava os indios. Dizia Paulo Mineiro, que o Padre Calleri ao inves de tratar Calleri, que se encontrava instalado ao lado da maloca dos indios Atroari, tudo estava calmo e sem maiores novidades. Waimiri corn respeito e corn dignidade os indios,ao contrerio, procurava sempre,aos gritos, humilhe-los,inclusive ameacando-os corn uma espingarda, quando eles 0 Padre Calleri determinou aos exp edicion queriam forcosamente apossar-se de algum objeto que a expedick levava. g rios que retornassem ao lo- cal onde haviam deixado alguns viveres, para transporth-los ate ao mento onde encontravam-se. acampa- Quando o Padre Calleri apontara a espingarda a urn Indio que insistia fi- car deitado na rede do Padre, Paulo Mineiro, que ja conhecia aqueles indios, Foi muito dif icil para o Padre Calleri, convencer alguns indios de acorn- quando participara de outras expedicees da FUNAI naquela região, sentiu panhar os exp que fatalmente os indios iriam reagir. E tentando evitar o pior advertia insis- o acampamento.edicionérios na tarefa de transportar o material das canoas para tentemente ao Padre Calleri para ter cuidado e mudar os seus metodos de re- lacionamento corn os Mudando o hebito de transmitir suas mensagens no final do dia, o Padre Calleri, ligou o sistema de râcliofonia e conseguiu contatos corn o acampa- Como o Padre rieo Ihe dava ouvidos, Paulo Mineiro resolveu desligar-se memo do DER-AM, por volta das 8:50 horas transmitindo da expediceo retornando corn seus prOprios meios a Manaus. Comecou a cial n9 06. M ensagem Of i- construir uma balsa de paus rolico num local onde poderia iniciar sua viagem46 de retorno. Entretanto je corn a balsa pronta, naquele mesmo dia 27 de outu- 47
  • 25. bro, antes de in iciar a sua viagem, resolveu voltar ao acampamento para des- ATAQUE NO RIO ALALAU p edir-se de seus companheiros de expedicao e apanhar alguns v iveres para a sua alimentack na viagem que empreenderia. No dia 01 de outubro de 1974, o Sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa, encarregado da Frente de Atrac5o aos Indios Waimiri Atroari, entrou Ao a p roximar-se da maloca dos Indios, notou urn silêncio incomum e na minha sala de trabalho na sede da FUNAI ern Manaus, e demonstrando- p recavendo-se, passou a caminhar por dentro da mata corn muito cuidado, muita apreensao deu-me ciéncia de que uma canoa que saira do Posto de ate chegar nas p roximidades da area da maloca, quando avistou dois corpos, Atracão Alalau I, instalado na foz do rio Alalau, transportando os funcioné- um de homem e outro de uma das mulheres que compunham a expedicao, rios da FUNAI, Jo5o Dionisio do Norte, Paulo Ramos e Luiz Braga, no dia corn sinais de violencia e em estado inanimado, deduzindo sem &wide que 30 de setembro, corn destino ao Posto de Atrac5o Alalau II, instalado a mar- os indios haviam atacado a equipe do Padre Calleri. gem esquerda do rio Alalau, distante cerca de trés quilOmetros do desmata- mento da rodovia BR-174 — Manaus-Caracaral-Boa Vista, ainda n5o tinha Sem ter coragem de fazer maiores averiguacaes, saiu dali, ern desemba- chegado ao seu destino. lada carreira pela selva, abandonando o piano in icial de retorno. Gilberto,na oportunidade, confessou-se apreensivo pelo fato de demora, Paulo Mineiro, ficou escondido na mata ate ao anoitecer, quando vol- pois era sabedor de que o funcionario da FUNAI, Mario Alves de Moura, ao tou a empreender sua fuga. Dirigiu-se primeiro a urn dos antigos acampa- descer o rio Alalau no sentido inverso ao da embarcapão ora esperada, no dia mentos, onde teria ficado algum mantimento e apanhando o indispensevel anterior da partida da canoa, avistara urn grupo de Indios Atroari, acampados para sua viagem de retorno a Manaus, ainda a noite, embarcou na balsa que na margem direita do rio, chegando mesmo a manter conversa corn o grupo havia construido para o seu retorno. Descendo o igarape Santo Antonio do de Indios e prometer que o "Papal Jo5o" (como era conhecido Jo5o Dionisio Abonari, quando o dia clareou JO se encontrava longe do local onde os indios do Norte pelos Indios) no outro dia 30 de setembro de 1974, estaria naquele atacaram a expedicdo. local. Tendo os Indios, segundo Mario, demonstrado alegria em saber que o Jo5o Maracaja — Joao Dionisio do Norte — viria encontre-los. Dois dias depois, encontrou alguns cacadores que o ajudaram a Jr ate acidade de Itacoatiara, onde pode comunicar-se corn as autoridades e corn o Sobre as rafees da demora da canoa em chegar ao Posto Alalau II, trans-pessoal do DNER-DER-AM, denunciando o ocorrido. portando os funcionérios da FUNAI, sob a lideranca de Jo5o Dionisio do Norte, levantamos vérias hip6teses. Poderia ter sido uma pane no motor de JO neste period() a direc5o do D NER-DER-AM, estava preocupada corn popa da embarcac5o. Poderia ser tambern que Jo5o Dionisio, como era mui-a sorte da expedic5o, pois tinham perdido o contato corn o Padre, atraves to amigo dos Indios, tivesse sido convidado por eles para visitar as suas malo-de rediofonia. cas. E por Ultimo, os indios poderiam ter atacado a canoa. Embora esta hi- patese fosse a mais remota, pois os contatos corn os indios Waimiri Atroari As buscas dos corpos dos ex p edicionerios foram realizadas pela FAB, vinham sendo realizados corn muita frequéncia e os indios demonstravamatravés do PARASAR, que depois de mais de uma semana de p rocura, con- que JO tinham confianca e amizade corn os funcionarios da FUNAI que tra-seguiu encontrar os restos mortais dos inditosos ex p balhavam nos Postos de Atracao Alalau I e Alalau II. edicionarios, confirman-do assim as afirmacOes e narrativos do mateiro que sobreviveu ao ataque,o conhecido Alvaro Paulo — Paulo Mineiro. A nossa apreensäo aumentou, corn relac5o ao desaparecimento dos fun- cionarios da FUNAI que viajavam na canoa corn destino ao Posto de Atrac5o Alalau II, quando o Chafe do Posta Alalau II, comunicou-nos atraves de re- diofonia, a chegada na sede daquele Posto, de 11 Indios Atroaris todos do sexo masculino e a maioria adultos. No Posto de Atrac5o Alalau II, onde esperavam ansiosos pela chegada da canoa conduzindo mais trés funcionarios da FUNAI, encontravam-se cin- co outros funcionarios da FUNAI, que all prestavam servicos, Ad5o Vascon- celos — Indio aculturado do grupo Baniwa, corn instruc5o primaria e que a mais de 2 anon trabalhava para a FUNAI naquela Frente de Atrac5o. Esme-48 49
  • 26. raldo Miguel Neto, tambern Indio aculturado do grupo Baniwa e que presta- Gilberto que ja encontrava-se preparado para a viagem ao Alalau, come- va servicos naquela Frente de Atrac g o tambern cerca de 2 anos. Evaristo Mi- cou a ficar mais preocupado, por falta de respostas aos chamados através de quiles, Indio do grupo Satere-Maue, que trabalhava na Frente de Atrac go do radiofonia, apressando-se mais ainda para it logo ao local. rio Santo Antonio do Abonari e que temporariamente estava prestando ser- vicos naquele Posto, substituindo a funcionario que tinha afastado-se do servico para tratamento de sa6de em Manaus. Odoncil Santos, Indio do gru- Como ate as 10:00 horas n g o conseguimos contato corn o Posto, resol- vemos seguir logo diretamente ao Posto e verificar pessoalmente o que pode- po Bare, corn 19 anos de idade, corn instruc g o primäria completa e mais de 1 ano que prestava servicos naquela Frente de Atrac g o. Faustino Lima, Indio ria ter ocorrido. do grupo Baniwa, corn seis meses de trabalho na Frente de Atrac g o Waimiri Atroari. Todos eles,com excec g o de Evaristo Miquiles, Indio Satere-Maue, Por volta do meio dia,a bordo de urn avi g o anf fbio,pertencente a igreja Adventista, pilotado pelo Pastor Daniel, seguimos eu e Gilberto corn destino conheciam os indios que acabavam de chegar a sede do Posto e de quern ja se consideravam amigos. ao Posto de Atrac g o Alalau II, localizado as margens esquerda do rio Alalau. Gilberto, devido a demora da canoa transportando os três funcionarios Depois de pousar na pista nas proximidades do igarape Santo Antonioda FUNAI, chefiados por Jo g o Dion isio do None e o surgimento de urn gru- do Abonari, onde montamos uma base de apoio aos nossos trabalhos no Ala-po de Mdios no Posto de Atrac g o Alalau II, alertou aos funciondrios que se lau, instalando inclusive no acampamento que improvisamos, urn radiofoniaencontravam no Posto Alalau II, atraves de radiofonia, para que tomassem ssb, a cargo de funcionarios da FUNAI, do Posto de Atrac g o Santo Antoniobastante cuidado e ficasse bem atentos corn o comportamento do grupo de do Abonari, rumamos ao Posto de Atrac g o Alalau II, continauva sem respon- indios Waimiri Atroari ora ern visita . ao Posto. E que sob nenhuma hipOtese, der aos nossos chamados por radio.afastassem-se da sede do Posto, nem viessem a permitir que fosse criado es-paco e ambiente para propiciar condicOes de ac g o belicosa por parte dos in- As 15:00 horas aproximadamente avistamos o Posto. 0 Posto de Atra-dios. Gilberto temia que se os funcionarios saissem de dentro de casa e se os cg o Alalau II, consistia numa area desmatada de cerca de 500 x 200 metros eindios estivessem corn o prop6sito de ataca-los,iriam faze-lo do )ado de fora nessa area existia plantacOes de mandioca e cana-de-ackar.Uma casa cons-da casa, corn major espaco para o lancamento de suas flechas. truida corn paus rolicos, coberta de aluminio,servia de sede naquela uni- dade de atrac g o. Uma pequena casa construida corn madeira rolica e coberta Add° Vasconcelos, que liderava o grupo de funcionarios da FUNAI na- de palha destinada a abrigo de indios ern visita e urn pequeno depOsito paraquele Posto, respondeu a Gilberto, pelo radio, que n g o ficasse preocupado, combustive! completavam as construcOes existentes naquela area.pois aqueles indios eram conhecidos deles e amigos, principalmente o chefedeles, o Indio conhecido coma Comprido. 0 Posto estava aparentemente deserto. Avistamos a porta principal, en- treaberta e as janelas da casa totalmente aberta. Tudo indicava que os indios Mesmo assim, Gilberto respondeu a Ad5o, para que mesmo sendo in- teriam atacado os funcionarios da FUNAI que all se encontravam.dios conhecidos e amigos, como era o caso daquele grupo, ficassem semprealerta e seguissem os seus conselhos, pois a demora da chegada da canoa con- 0 avi g o continuava sobrevoando, e nos procuravamos avistar ern alqumtinuava inspirar-lhe cuidados e que no outro dia ele, Gilberto,estaria seguindo lugar os tuncionârios que la se encontravam. N g o vimos nenhum sinal de vi-para o Posto em uma aeronave e sair a procura da canoa desaparecida. da. Apenas algumas canoas dos indios encostadas no porto do Posto, Je- monstrava, que os indios Waimiri Atroari, ainda se encontravam ali. Mativemos naquele dia contato corn o Posto de Atrac g o Alalau II, atra- o pousasse. Tudoves do radiofonia ate por volta das 20:00 horas. Como tudo se encontrava A situacg o parecia muito perigosa para nos, caso o avi gnormal,ficou estabelecido que no outro dia, 02 de outubro; Gilberto voltaria indicava que os funcionarios do Posto, n g o mais ali se encontravam ou se esa entrar em contato corn o Posto de Atrac g o Alalau II, no horario das 8:00 tavam no Posto, estariam sem vida ou gravemente feridos. E a nossa presencahoras para acompanhar o desenrolar dos contatos corn os indios ora ern visi- na area tambem poderia ser alvo do ataque dos indios, pois tinhamos o mes-ta ao Posto, isto, mesmo estando ja preparado para a viagem que iria fazer mo conhecimento e amizade a eles, como os funcionérios e companheirosnaquele dia rumo ao Alalau. que all se encontravam. Desde a hora marcada que tentavamos entrar em contcto corn o Posto Tinhamos tres opc5es. A primeira de retornarmos a Manaus, corn a aleAlalau II, atraves do radiofonia e n g o conseguia-mos. o descemos no Posto Alalau, e comu- gacg o de que por falta de seguranca, n g50 51
  • 27. nicar as autoridades de que o Posto teria sido atacado, e que por falta de si- Fizemos sinal ao Pastor Daniel, piloto da aeronave que nos conduzira, nais de vida dos funcionarios que ali se encontravam, eles fatalmente esta- ele encostou no barranco, o avi g o. Ele emprestou-nos uma sacola grande de riam mortos. nylon, e colocamos o corpo de Fautisno Lima e embarcamos no aviao. A segunda era a de descermos no Posto, e conseguir salvar algum passi- Em seguida saimos a procura de outros sinais que pudessem identificar ve ferido, que estivesse precisando de cuidados medicos. o que realmente ocorrera no Posto; andamos por toda a area desmatada e n g o encontramos nenhum sinal. Parecia que os nossos companheiros tinham A terceira, era de que ao descermos no Posto, fossemos também ataca- simplesmente desaparecido. dos pelos indios e n g o mais poderiamos retornar a Manaus. No Posto, existia uma cachorra que encontramos vindo da mata e ao Sabiamos de nossa responsabilidade, tanto para os companheiros do nos ver latia e corria rumo ao local que viera, dando a entender que queria Posto de Atracdo Alalau II, como para o prOprio piloto da aeronave que nos que a acompanhassemos. Resolvemos segu e ela, na frente sempre latin- conduzia e que se insistissemos a descer, ale tambem correria o mesmo risco do. Na medida em que lamas penetrando na mata a cachorra quando perdia- que nos. nos de vista, ficava esperando, prosseguindo taco logo voltava a nos avistar. A cadela que is sempre latindo na frente, de repente deixou de latir e quando Depois de algumas voltas sabre a area do Posto, e nossa reun id°, ali den- andamos mais uns metros, encontramos a cachorra morta corn uma flecha tro do avi g o, decidimos que deveriamos descer, mesmo que aquele ato, fosse que ainda se encontrava encravada no seu pescoco. o ultimo de nossas vidas. Tentariamos nos precaver do passive ataque. 0 Pi- loto Daniel, ri g o estacionaria completamente a aeronave, ficaria corn o motor Aquele sinal era que os indios ainda estavam ali e tudo indicava que ndo ligado e taxiando pelo meio do rio, enquanto eu e Gilberto iriamos ate o Pos- queriam que continuassemos seguindo por onde estavamos. Pensamos tarn-to. Combinamos que ao pisarmos em terra firme, sairiamos correndo em zi- barn que seriamos atacados naquela hora, foi uma hora barn dif icil para nas,gue-zague para evitar possieveis flechadas. E que se urn de nos fosse ferido e pois teriamos que retornar dali, mas n g o pretend lamas dar as costas para on g o houvesse mais condioeies de se locomover, o outro nao deveria tentar sal- local onde possivelmente os indios se encontravam. Comecamos a retornarva-lo, pois seria muito perigoso. Deixamos corn o Pastor Daniel, as recomen- tanto eu como o Gilberto, sem virar-nos, urn pouco andando de lado, poisdacOes, para que caso viessemos a morrer, avisasse nossos amigos e familia- temiamos que ao darmos as costas, poderiamos ser surpreendidos por flecha-res. das. Mesmo de frente sabiamos também que estariamos sujeltos a receber o ataque dos indios. Conseguimos sair daquela parte da mata sem qualquer Desta forma, o aviao aquatisou no meio do rio Alalau e eu e Gilberto, problemas. Apenas notamos movimentos entre as folhagens, e que tudo indi-ainda vestidos, nos lancamos nas aquas e nadando corn muita pressa nos di- cava, na medida que lamas nos afastando os indios que se encontravam es-rigimos a sede do Posto. Tao logo tomamos pa, saimos correndo em zigue- condido na mata, iam trocando de posicgo.zague, como haviamos combinado, eu pela direita e Gilberto pela esquerda.A porta principal da casa sede estava entreaberta, parecendo esconder algu- Ao retornarmos ao Posto, onde o Pastor Daniel tinha ficado sozinho,ma pessoa atras da parede, esperando qualquer movimento. Nada, tido tinha decidimos, tentar mais uma vez encontrar nossos companheiros que aindaninguem. Eu, ao passar pela porta da cozinha, deparei-me corn urn dos nossos encontravam-se desaparecidos, entrando outra vez na mata, s6 que por ou-companheiros ca (do no ch g o, corn a cabeca decapitada, totalmente separada tro lado. Novamente penetramos na mata fechada e percorremos uma pe-.do corpo. Era o Faustino Lima. quena trilha que existia e que servia ao pessoal do Posto, para realizar alguma cacada. Andamos ate o final da tarde sem encontrarmos nenhum sinal. Re- Fiz sinal para Gilberto, que se encontrava encostado corn as costa na g ornamos ao Posto e como a noite ja se aproximava, resolvemos regressar parede da frente da casa e mostrei-lhe o que acabara de ver. Gilberto procu- base de nossos trabalhos de buscas, que tinhamos instalados nas margens do rava averiguar se dentro da casa ainda tinha alguern, como n g o foi notado igarape Santo Antonio do Abonari, nas proximidades da Ponta da estradanenhum movimento, ele entrou de uma vez dentro da casa. Segui-lhe e en- Manaus-Caracarai, local onde existe uma pista de pouso, construida pelocontramos a casa toda revirada. Brindes, medicamentos, utensilios jogados Sexto Batalh g o de Engenharia e Construc g o. Chegamos no campo de pouso,no ch go. 0 aparelho de radiofonia SSB, partido a machadadas. Nenhum ou- por volta das 18:30 horas, quase noite. Retiramos o corpo de Faustino Lima,tro sinal dos nossos companheiros foi encontrado. Apenas o corpo de Fausti- que traz lamas no avi g o e tomamos as providências para transladado para Ma-no Lima, foi encontrado e ainda encontrava-se corn sangue escorrendo dos naus, atraves de uma ambulancia da prOpria FUNAI, que solicitamos viesseferimentos que sofrera. imediatamente para o local. 52 53
  • 28. Pouco depois de nossa chegada ao Campo de Pouso e ao acampamento E foi corn esta esperanca, que na manh g do dia seguinte retornamos a que havfamos instalado para dar apoio as buscas no Alalau, uma equipe de Area do Posto de Atrac5o Alalau II, desta vez corn mais dois companheiros: companheiros nossos do Posto de Atracão Santo Antonio do Abonari, que Marinelio Machado e o mateiro conhecido pelo apelido de Sacrificio. desde o meio dia quando, passamos e instalamos a base de apoio, tinha segui- do por terra no eixo da rodovia Manaus-Caracarai a procura de sinais ou de No Posto de Atrac5o Alalau II, fizemos nova batida em toda a Area e provaveis sobreviventes do ataque dos indios ao Posto de Atrack Alalau I I, seguindo relato do sobrevivente Esmeraldo Miguel Neto, dirigimo-nos ao retornou de sua caminhada e trazia consigo o companheiro Esmeraldo Mi- local onde, segundo Esmeraldo, havia sido perpretado o ataque dos indios guel Neto, que tinha sido flechado no ombro esquerdo, quando se encon- contra ele e seu cornpanheiro de infortOnio, Evaristo Miquiles, que tinham trava ainda na sede do Posto de Atracdo Alalau II, e que tinha conseguido saido do Posto juntos corn dois indios Atroari a guiza de cacarem pelas re- fugir corn vida do local. dondezas. Encontramos o local descrito por Esmeraldo e tambern as flechas dispa- Conversamos repidamente corn ele, para sabermos exatamente o que radas pelos indios e que ainda permaneciam naquele local, mas enfiadas no acontecera naquela manh5, no Posto de Atracdo Alalau II eo encaminhamos solo, outras simplesmente jogadas sobre as folhas secas do ch g o. Encontra- para Manaus, para receber cuidados medicos. mos tambern as botas de Esmeraldo que ali havia deixado na ocasi go do ata- que dos indios. A noite, depois de uma leve refeic5o em nosso acampamento pr6ximo Quando recolh lamas as flechas, Marinello Machado, ao recolher uma fie ao campo de pouso e estrada BR-174 — Manaus-Caracarai-Boa Vista, as mar- cha que se encontrava encravada no solo a poucos metros onde nos encontra- gens do lgarape Santo Antonio de Abonari, reunimo-nos Gilberto, Marinelio vamos (Gilberto, Sacrificio e Eu), ao invês de trazer a flecha ate onde estava- Machado, Chefe do Posto de Atracdo Santo Antonio do Abonari e eu, e co- mos, talvez por nervosismo ou impruclência Marindlio dirigindo-se ao mateiro mecamos a procurar uma explicacdo para as atitudes dos indios Atroari, con- Sacrificio, jogou a lanca, dizendo "segura". E a flecha, que tinha a ponta tra os nossos companheiros do Posto de Atracão Alalau II. Conversamos ateAlta noite. Gilberto, rnuito abatido como todos nos, repetia sempre "os in- confeccionada em [ amina de facg o, lancada por Marinelio para que Sacrif i- l cio, a apanhasse, caiu em cima do pe de Sacrificio, de ponta, enfiando-se ern dios ndo podem ter matado Jo5o Maracaja, n5o acredito... Os indios devem seu pA, atravessando inclusive a sua bota e atingindo o solo. Aquele acidente, ter levado-o para suas malocas. Os indios adoravam o Joao". Gilberto referia- criou urn ambiente rnuito mais nervoso. Sacrificio sentindo-se ferido, gritou se ao companheiro Joao Dion isio do Norte, que junto corn 3 outros compa- de dor. Gilberto apressou-se em arrancar a flecha que se encontrava encrava- nheiros, encontravam-se desaparecido desde o dia 30 de setembro, quando da no IAA de Sacrificio, e ao mesmo tempo rasgando sua pr6pria camisa, im-subiam o rio Alalau numa canoa a motor corn destino ao Posto de Atrae5o provisou urn curativo para estancar a hemorragia que ja comecara.Alalau II. Discutimos muito sobre o problema. Gilberto sempre voltava a le-vantar a hipOtese de que algo rnuito grave deveria ter acontecido corn os in- Marinello, preocupado corn o que cometera, correu para o local, pedin-dios para motivar uma reacdo tdo drastica. Unica explicap5o que achavamos do desculpas a Sacrificio, que ainda gemia de dores.e o tenico fato novo na area que trnhamos conhecimento era a acelerac5o daconstrued° da estrada BR-174, corn baterias de maquinas pesadas removendo Carregando Sacrificio, que momentaneamente n g o conseguia caminhar,ärvores e terra, num trabalho que virava dia e noite. 1st°, ao nosso ver, pode-ria fazer os indios pensarem que aquelas maquinas poderiam tambem it de retornamos ao Posto de Atrac g o Alalau II, onde haviamos deixado somente o piloto da aeronave que nos conduzia, o Pastor Daniel, o que nos aguardavaencontro as suas malocas e suas rocas. E assim passamos toda a noite procu- rnuito apreesivo por causa da demora de nosso retorno.rando explicacdo para o que ocorrera. Gilberto muitas vezes dizia-me "Car-valho, estes indios sofreram rnuito. Foram vitimas de varios massacres por La no Posto, corn ajuda do Pastor Daniel, foi feito novo curativo no fe-parte dos brancos e essas estradas podem ser vistas pelos indios como urn rimento de Sacrificio, que em pouco tempo ja se achava em condic go de ca-caminho para que os "Civilizados" atinjam corn maior rapidez as malocas minhar. Marinelio e Sacrificio, seguiram a IA pela mata na direc go do desma-deles e voltem a praticar os massacres do passado". N5o conseguimos dormir tamento da estrada Manaus-Caracarai, seguindo o mesmo caminho tornadonaquela noite. Estavamos nervosos demais e o pensamento fixo, torcendo pelos companheiros Esmeraldo Miguel Neto e Evaristo Miquiles apOs sofre-para que os nossos companheiros que se encontravam da:cp: r ocidos aindaestivessem vivos. rem ataque a flechas dos indios Atroari. Esmeraldo que ja encontrava-se em Manaus, hospitalizado, havia nos confessado de que Evaristo, tambern tinha54 55
  • 29. sido flechado e tentando atingir o desmatamento da estrada. Entretantodevido aos Gilberto e o Piloto Daniel, permaneceram na aeronave e em face do feriinentos ri g ° foi possivel prosseguir a fuga em companhia de Esmeraldo, meu peso ser menor, entre eu e o Gilberto, tive a preferencia de ser a pessoa que notando a falta de condicao de seu companheiro, deixou-o abrigado em- que deveria desembarcar e verificar se all existia algum sinal dos nossos com- baixo de uma arvore e foi em busca de socorro na estrada, quando foi encon- pan hei ros. trado pela equipe de socorro que seguira por terra, partindo de nosso acam- pamento nas margens do Igarape de Santo Antonio do Abonari. Os nossos Caminhando por cima de uma das asas do aviao, consegui pular em ter- companheiros da equipe de socorro que estava percorrendo o desmatamento ra. 0 local realmente era ideal para acampamentos. Existiam érvores frondo- da rodovia, seguindo as informaceies de Esmeraldo, estiveram no local onde sas e um pequeno igarapê desembocava no local. 0 solo estava batido e bem teria ficado Evaristo e nao haviam encontrado-o. Agora Marinello e Sacrif icio limpo. Caminhando rumo a floresta, distante cerca de 40 metros da margem iriam tentar fazer o mesmo trajeto percorrido por aqueles inditosos compa- encontrei um pequeno "Tapiri", onde encontravam-se pedacos de came de nheiros, na tentativa de encontrar Evaristo, que ainda encontrava-se desapa- Anta espetados e em posic5o de ester assando As achas de madeira que se recido. encontravam embaixo da carne, tinham sinais de ter o fogo sido apagado corn égua e as pressas. Tanto a came, como as brasas, ainda estavam quentes. Gilberto e eu, voltamos ao aviao e seguimos voando acompanhado o lei- Andei um pouco mata a dentro, seguindo por um caminho que se dirigia parato do rio Alalau, procuranto notar algum sinal de nosso companheiros desa- a floresta, nao encontrando, em principio nenhum sinal, mas sintia urn odor,parecidos. !nicialmente seguimos rio acima e ao atingirmos as proximidades de carne em putrefacao. Pretendia seguir mais adiante, quando fui advertidodas malocas dos indios Atroari, que ficam acima da cachoeira conhecida corn por Gilberto, que ainda permanecia na aeronave em pe, de que eu retornasse"Grim iosa", pedimos ao Piloto Daniel que sobrevoasse as malocas para obser- dali, pois tudo indicava que os indios ainda permaneciam naquele local e es-varmos se existia indicios que nos ajudasse em nossas buscas. Quando sobre- condidos, Realmente, nao sei se por cause do nervosismo e da ansiedade quevoamos pela segunda vez uma das malocas que tinha dado sinal de que teriam sentia, tudo indicava e eu chegava a sentir que ao meu redor existiam outraspessoas nas proximidades, os indios atearam fogo nela, num sinal de que pos- pessoas.sivelmente teria sido aquele o grupo responsével pelo ataque ao Porto deAtracao Alalau I I e estavam temendo alguma represalia das pessoas que esta- JA quando retornava a margem do rio, vi ao lado do caminho, algunsvam no aviao. sinais de mata abaixada e de que naquele local fora colocado algum objeto grande e dali sale o odor que eu sentira tao logo descera do,avi5o. Gilberto continuava chamando-me na aeronave, pedindo que eu me apressasse, pois Alem da maloca incendiada, nao constatamos nenhum sinal que nos pu- os indios que all estavam escondidos poderiam tomar qualquer atitude bell-desse ajudar a local izar nossos companheiros desaparecidos. cosa, pois se estivessem com intenc5es a mistosas n5o estariam escondendo-se. Retornamos rio abaixo, corn o aviao voando a baixa altura sobre o leitodo rio Alalau. 0 avi5o que je se encontrava com seu motor funcionando, encostou um pouco mais na margem do rio, possibilitando-me que saltasse na asa e entras- Desta felta, seguimos ate o local onde p ossivelmente teria aportado a ca- se na cabine. Em seguida o avi5o levantou veio.noa que conduzia Joao Dion isio do Norte e seus companheiros. Narrei a Gilberto, o que vira e que sentira e decidimos formar uma equi- Ao a p roximar-nos do local pedimos ao piloto que aquatizasse o aviao pe de maior ntimero de pessoas para fazer uma incurs5o naquele local e quee seguisse taxiando ate uma pequena enseada do, rio, conhecida como "Porto ao nosso ver, estavam os corpos dos nossos companheiros Jo5o Dionisio dodos Indios". Enquanto o aviao permanecia taxiando pelo leito do rio Alalau, Norte "Joao Maracajr, Paulo Ramos e Luiz Braga. Tres dias depois, a equi-Gilberto e eu nos colocamos em cima da aeronave para melhor observar o pe formada por oito companheiros nossos chefiada pelo Gilberto, encontra-rio e suas margens, sempre na esperanca de encontrar sinal dos desaparecidos. ram os corpos dos nossos companheiros, no local onde vi sinal da mata abai- xada e corn odor de putrefac5o, mortos a flechadas. Ao chegar na enseada "Porto dos indios", para onde dirigiamo-nos, opiloto Daniel nao conseguiu estacionar a aeronave em condiceies favoréveis Seguimos rumo ao desmatamento da estrada a fim de apanhar Marine-ao desembarque, isto devido a forte correnteza que existia c a in.......meras ârvo- llo e Sacrif Icio, que tinham seguido por terra acompanhando itinererio per-res caidas nas p roximidades da margem direita do rio. corrido por Esmeraldo Miguel Neto e Evaristo Miquiles.56 57
  • 30. Como a aeronave n5o oferecia condic5o para resgatarmos o corpo de No local combinado, encontramos Marinello e Sacrificio que tinham se- Odoncil, seguimos ate a sede do Posto de Atrac5o Alalau II e le, ap6s atracar-guido o intinerario e n5o encontraram nenhum sinal de Evaristo, que ainda mos o avi5o, amarrando-o em um dos mour5es do porto, apanhamos umacontinuava desaparecido. ube dos indios Atroari, que ainda se encontrava all, desde o ataque ao Posto no dia 02 de outubro, e com cordas na m5o e remos improvisados corn peda- Retornamos ao nosso acampamento instalado nas margens do Igarape cos de tabuas, dirigimo-nos, Gilberto, Piloto Daniel e eu, remando ao localSanto Antonio do Abonari, onde centralizamos as buscas aos companheiros onde encontrava-se o corpode Odoncil.desaparecidos. Ao chegarmos no acampamento, encontramos mais urn dossobreviventes do ataque dos indios ao Posto Alalau II. 0 companheiro Ado Quando chegamos ao local, em face da forte correnteza do rio, GilbertoVasconcelos, que sofrera ataque dos indios a golpes de -lack, tendo conse- que se encontrava remand() na popa do Ube, ficou segurando nos galhos dasguido fugir, inicialmente correndo e atravessando o rio Alalau. Ada.° teve arvores da margem, para evitar que a Ube, distanciasse do local onde se en-seu brag° fraturado por urrCgolpe de -lack. Foi encontrado pela nossa equipe contrava o corpo. 0 Piloto Daniel e eu, tentevamos amarrar uma corda entrede socorro que havia seguido pelo desmatamento da estrada. os bracos do corpo de Odoncil, para poder reboce-lo ate a sede do Posto, onde encontrava-se a aeronave, pois a Ube, n5o tinha espaco para tal. Che- Ada° relatou-nos o epis6dio em que culminou corn o golpe recebido guei a mergulhar por debaixo do corpo de Odoncil, para conseguir amarrarpor ele no seu braco esquerdo e a morte de Faustino Lima, cujo corpo ja ti- a corda corn seguranca e em condicOes de reboce-lo. Como no corpo denhamos encontrado quando da primeira visita ao Posto de Atrac5o Alalau I I Odoncil ainda encontrava-se enfiada a flecha que o vitimou, e o corpo estavae de Odoncil que segundo informou Ad5o, sofrera tambern golpes de fac5o flutuando corn o rosto voltado para baixo, a flecha, na medida em que pas-e tentara tambern fugir atravessando o rio Alalau, acompanhando Ad5o. Mas savamos por cima de galhos caidos dentro do rio ai enganchando-se, tornan-infelizmente näo tivera a mesma sorte que Ad5o, pois ao atingir a margem di- do mais dif icil a remoc5o do corpo.reita do rio Alalau, foi flechado mortalmente no peito. N6s, devido a falta de costume de utilizar aquele meio de transporte, aquele tipo de canoa (urn tronco de ervore cavado no meio) e corn os remos Ap6s ouvirmos o relato de Ad5o Vasconcelos, calculamos onde possivel- improvisados e inadequados, encontramos muita dificuldade para conse-mente estaria o corpo de Odoncil Santos. guirmos chegar ate uma barcaca pertencente ao 69 Batalhao de Engenharia e Construck, que se encontrava provisoriamente ancorada na frente do Ad5o seguiu imediatamente para Manaus, onde receberia cuidados me- Posto de Atrack Alalau II.dicos. Depois de uma hora de remadas, conseguimos chegar a barca, rebocan- No outro dia pela manh5, o avi5o novamente levou a turma de socorro do o corpo de Odoncil. Imediatamente, Gilberto foi ate o aviào que se en-para prosseguir nas buscas dos desaparecidos. Em seguida, Gilberto e eu ru- contrava atracado na frente da casa sede do Posto, buscar lona e plasticomamos ao ponto onde imaginevamos encontrar o corpo de Odoncil, pois a para acondicionar o corpo de Odoncil.narrativa de Ad5o, fora esclarecedora de onde poderia estar. Eu e o piloto Daniel, comegamos a retirar o corpo de Odoncil de den- 0 avi5o seguiu ate o rio Alalau, e aquatizou na altura onde a estrada tro degua, para coloce-lo em cima da barcaca, onde seria melhor, para mo-cruza o rio, e dali em diante o avi g o seguiu taxiando na direcao do Posto Ala- vimentarmos na ocasido de enrolarmos no plastico e na lona e o embarquelau II, eu e Gilberto, subimos para as asas e ficamos observando as margens no avid°.do rio, local onde segundo nossas previseies e informacOes de Ad5o, encontra-riamos o corpo de Odoncil. Quando Gilberto chegou trazendo a lona, conseguimos retirar da egua o corpo de Odoncil. Gilberto, arrancou a flecha que ainda se encontrava Depois de cerca de 10 minutos de taxiamento, distante cerca de 200 encravada no peito de Odoncil. 0 seu revolver ainda continuava em sua cin-metros da sede do Posto de Atrac5o Alalau II, avistamos entre os galhos de tura na bainha.arvores caidos no rio, na margem direita do rio Alalau, um pedaco de panocor vermelha, que seria a camisa de Odoncil e quando nos aproximamos do Enrolamos o corpo em pléstico e lona e embarcamos no aviao. 0 corpolocal, constatamos que era o corpo de Odoncil que ja se encontrava em estava muito inchado e em decomposic5o e para ser possivel coloce-lo dentroadiantado estado de putrefack. do pequeno avião, foi necesserio retirar urn dos assentos. 5958
  • 31. Depois de embarcado o corpo subimos a bordo e devido o mau cheiroque exalava do corpo, fizemos toda a viagem entre o Posto de Atracão Ala-lau II ea pista de pouso existents nas proximidades do acampamento do 69 A ESTRADA BR-174Batalhäo de Engenharia e Construed°, corn as janelas abertas, dificultando MANAUS - CARACARAI-BOA VISTAate mesmo a navegae5o do aparelho. Ate o ano de 1974, s6 era possivel it de Manaus ao TerritOrio Federal ApOs embarcamos o corpo de Odoncil na viatura que o transportou ate de Roraima, ao norte do Amazonas,ou por via aérea ou por via fluvial s atra-Manaus, retornamos as buscas do Ultimo possivel sobrevivente, Evaristo Mi- y es de precario sistema de navegacão pelos rios Negro e Rio Branco.guiles, ja ferido por flechadas, mas que havia empreendido fuga rumo ao des-matamento da estrada. Neste resto de dia, n5o conseguimos nenhum exito. Seguia-se pelo Rio Negro ate a foz do Rio Branco e por esse rio ate as grandes cachoeiras, nas proximidades da vila Caracarai ja no territ6rio de No outro dia, voltamos as busca. Uma turma por terra e outra por avi5o Roraima, e para se seguir ate Boa Vista,capital daquele territOrio, teria queprocurando dentro da selva e por todo o desmatamento da estrada algum si- se prosseguir a viagem via terrestre.nal que pudesse dar pistas para encontrarmos Evaristo. Varias tentativas foram feitas para que fosse construido uma estrada No final do dia, ao sobrevoarmos o desmatamento da estrada BR-174, que ligasse as terras de Roraima ao Estado do Amazonas.vimos urn sinal convencionado pelo pessoal de terra que haviam encontradoEvaristo. A primeira tentativa de construck de uma estrada, ocorreu no ano de 1847 e teria o seu percurso seguindo inicialmente o rio Urubu ate atingir os Continuando sobrevoar o local onde teriamos visto o sinal, jogamos ali- campos do entao Territhrio Federal do Rio Branco.mentos e medicamentos, seguindo para o acampamento instalado na margemdo Igarapé Santo Antonio do Abonari, onde seguiu imediatamente uma Entretanto o piano ndo saiu do papel.outra equips de companheiros num jipe de encontro a outra que ja tinha en-contrado Evaristo, mas estava sem conducao, corn o fim de resgatar o ultimo Ern 21 de outubro de 1893, foi firmado pelo Presidents da Provincia dosobrevivente do ataque ao Posto de Atracdo Alalau II no dia 02 de outubro Amazonas, urn contrato corn o Sr. Sebastido Jose Domingos, para construed()de 1974. de uma estrada ligando Manaus a vila de Boa Vista, hoje capital do Territhrio Federal de Roraima. Evaristo no mesmo dia que foi encontrado deu entrada no Hospital Ge-tOlio Vargas em Manaus ainda corn vida, mas infelizmente, dias depois veio Os trabalhos de construc5o da estrada foram iniciados em 31 de novem-a falecer. bro de 1893 e concluidos em 13 de janeiro de 1895. Dos dez funcionarios da FUNAI que se encontravam no dia 30 de se- A construc5o da estrada foi feita em 14 meses, medindo 815 quilOrne-tembro de 1974, nos Postos de Atrack Alalau I e II, no rio Alalau, seis torn- tros e 419 metros. Foram cravados em toda sua extens5o 816 marcos de urnbaram sem vida, em sacrificio a uma causa e em defesa dos seus prOprios al- metro de altura. A estrada tinha uma largura que variava de 05 a 08 metros.gazes, os indios Waimiri Atroari. Atravessava 9 rios e 734 igarapds. Ndo se tern nenhum registro de incidentes graves, envolvendo trabalha- dores da estrada e os indios habitantes na regi5o onde a estrada passou. Entretanto ern pouco tempo a vegetacao cresceu e a estrada ficou nova- mente intransitavel. Em 1928, L. 0. Collins, abriu uma "picada" ligando Manaus a Boa Vis- ta corn 868 quilOrnetros e 835 metros que a exemplo da primeira estrada em pouco tempo depois de construida ficou completamente intransitavel.60 61
  • 32. Somente na dêcada de sessenta, voltou-se a falar na construcao de uma Para tanto foi organizado uma expedig5o, formada pelos prOprios enge-rodovia que ligasse Manaus ao TerritOrio Federal de Roraima. Entretanto na- nheiros do DNER e alguns mil itares do Exercito Brasileiro, sediados em Ma-da de concreto foi realizado. naus, para tentarem eles mesmos o contato direto com os indios Waimiri Atroari, pois achavam a tarefa tack, imaginando que bastava explicar aos in- No final da decada de sessenta, o Brasil firmou varios acordos interna- dios a "grande vantagem que seria a estrada para eles, que serveria de meio decionais, corn os paises vizinhos e entre eles o de construir uma estrada que comunicacdo entre a região em que moravam com as cidades de Manaus etornasse possivel a ligacao atraves de rodovia, da rag& do Prata corn os An- Boa Vista, alem de ser urn mercado de trabalho para os Indios".des, sem que fosse necessario enfrentar toda a cordilheira. A expedicao seguiu ao territOrio dos indios Waimiri Atroari, por via flu- Daf surgiu a ideia da estrada,tambem conhecida como BV8 ou Trans- vial, atraves do rio Camanau e foram ate as proximidades do antigo Posto In-continental, que I igaria Buenos Aires, capital da Argentina, Montevideu, d fgena Irraos Briglia, do Servico de Protecdo aos Indios (SPI) que se encon-Brasilia, Caracas e Bogota por sistema rodovierio. trava desativado. Como nao chegaram a avistarem-se com os indios, retorna- ram a Manaus. E a estrada vinha de encontro a antigo desejo tanto de roraimenses,como dos amazonenses, pois seria a oportunidade de conseguir a ligacäoatravés de estrada entre aquelas regiOes, atraves de rodovia, acabando assim A Fundac5o Nacional do Indio — FUNAI, atendendo solicitac5o docorn o isolamento daquela regi5o. DNER colocou a disposicao daquele organismo Federal, o seu funcionerio — Sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, com a finalidade de "pacificar os in- dios" Waimiri Atroari, face as necessidades apresentadas tendo em vista a A construc5o da estrada que no trecho Manaus-Boa Vista seria denomi- construc5o da rodovia.nada BR-174, atenderia em principio o acordo firmado com os paises visi-nhos e atenderia diversos aspectos de interesses nacionais, como politico,econOm ico e militar. Inicialmente, o trecho da rodovia de Manaus ate o rio Alalau, ficou a cargo do Departamento de Estrada de Rodagens do Estado do Amazonas — Entretanto a rodovia teria que ser construida atravessando a selva ama- DER-AM, permanecendo sob supervis5o do Departamento Nacional de Es-zOnica, numa regi5o das mais in6spita, de dif fcil condicOes da implantaedo trada de Rodagens — DNER.de uma estrada. Embora a Fundac5o Nacional do Indio — FUNAI, houvesse nomeado 0 tracado da estrada, cortava ao meio o territOrio cultural dos Indios Gilberto Pinto, para pacificar os indios Waimiri Atroari, ele tinha sua posi-Waimiri Atroari, conhecidos na regi5o pela sua agressividade aos não indios c5o formada corn relack ao assunto Era um sertanista experiente e parti-e tidos como arredios a toda tentativa de contato. dério de que a estrada deveria ter seu tracado alterado e contrario a "pacifi- cacdo dos Indios" de forma apressada e de outros metodos preconizados pe- Entretanto, este fato n5o foi considerado. A estrada teria que ser cons- los dirigentes do DNER — DER-AM.truida e era um fato "irreversivel", alias como ultimamente tem sido veriasoutran obras faraOnicas que o governo brasileiro, comeca e n5o chega a con- Gilberto Figueiredo, no dia 23 de agosto de 1968, subindo o rio Uatu-cluir. m5 e depois o seu afluente Rio Abonari, conseguiu encontrar-se corn os in- dios Waimiri Atroari, quando manteve contatos amistosos e realizou corn 0 Ministerio do Transporte, atraves do Departamento Nacional de Es- eles, trocas de presentee. E pretendia Gilberto, je que o tracado da estrada,trada de Rodagens, DNER, antes do .infcio da construed() da estrada propria- n5o era mais possivel mudar, segundo as autoridades do DNER, procurarrnente dita, preocupado apenas ern evitar que os trabalhos da estrada viessem atrair os indios para fora do eixo da estrada, tentando assim evitar maioresa ser interrompidos pelos indios Waimiri Atroari, procurou a Fundack Na- problemas para aquela comunidade de silvicolas.cional do Indio — FUNAI, e praticamente exigiu que aquele Org5o fizesse omais rapid° possivel a "pacificacao" daqueles indios, no menor espaco de Por notarem o posicionamento de Gilberto com relack a estrada e aostempo para que quando os trabalhadores da construed() da rodovia atingis- Indios, o DNER — DER-AM, que tinham pressa em que fosse feito a "pacifi-sem a regi5o ocupada pelos indios, esse ja estivessem "man gos" e ate viessem cac5o" dos Waimiri Atroari pediram a substituic5o de Gilberto Pinto, dosa colaborar como moo-de-obra da construed() da estrada. trabalho de contatar os indios.62 63
  • 33. No seu lugar foi nomeado o Padre Giovanni Calleri, que era conhecido na raga° pela sua ousadia e forma apressada de "pacificar" indios (Na verda- Paralelamente a atividade de Gilberto, os trabalhos da construcäo da de o Padre Calleri neo tinha nenhuma experiência em contato com os in- estrada prosseguia, o desmatamento corn frentes de centenas de homens tra- dios). balhando sem descanco, dirigiam-se para dentro de territ6rio Waimiri Atroa- ri. A misseo do Padre Calleri era de "pacificar" os Waimiri Atroari com o Corn a aproximack do desmatamento da estrada ao territ6rio dos in- menor espaco de tempo possivel, de acordo corn as necessidades do DNER — dios Waimiri Atroari, Gilberto apreensivo quanto ao possivel contato dos DER-AM, pois queriam que quando os trabalhos da construceo atingissem indios com os trabalhadores, procurou por diversas vezes o Comandante do o territOrio habitado pelos indios, estes ja estivessem "pacificos" e mansos, 29 Grupamento de Engenharia e Construck — Sexto BEC., para pedir-Ihes pois pretendiam utilize-los como meo-de-obra auxiliar na construcSo. que fosse instruido a todos que trabalhassem na estrada para que n5o reali- zassem nenhuma visita as malocas dos indios. Infelizmente o apressado Padre Calleri, e seus inditosos companheiros de trabalho, foram mortos pelos indios dias depois de penetrarem nosterrit6- Gilberto, confessou-me Arias vezes que sentia .que quando fazia essas rio dos indios Waimiri Atroari. visitas ao BEC, e fazia aqueles pedidos de protecio aos notava en- tre o Comandante do Sexto BEC e seus auxiliares nenhuma receptividade e Corn a morte do Padre Calleri e de seus companheiros, e ainda por falta isto o deixava temeroso de que seus pedidos n5o fossem cornpreendidos e de recursos financeiros, a construceo da rodovia, foi suspensa temporaria- atendidos. mente.I As advertências e pedidos de Gilberto, resumiam-se sempre em que os Em fins de 1969 e in icio de 1970, os trabalhos da construceo da Rodo- trabalhadores da estrada evitassem entrar em contato corn os indios e em via Manaus-Boa Vista, BR-174, foram reiniciados, e o DNER transferiu a res- hip6tese nenhuma procurassem it ate as malocas dos Waimiri Atroari. ponsabilidade da construck do Departamento de Estrada de Rodagens do Estado do Amazonas — DER-AM, para o 29 Grupamento de Engenharia e Em Janeiro de 1973, urn dos mateiros, empregado no servico de desma- Construceo — 69 Batalhao de Construcao, do Exercito Brasileiro. tamento da estrada, desobedecendo as recomendacOes de Gilberto, junta- mente com alguns companheiros, esteve visitando uma das aldeias dos indios A Fundaceo Nacional do Indio — FUNAI, novamente foi chamada a Waimiri Atroari. E le comportou-se de forma abusiva. Teria levado consigo, participar dos trabalhos, atraves da pacificaceo dos indios Waimiri Atroari. entre outros objetos, algumas revistas pornograficas, corn fotografias obcenas S6 que desta vez, nào houve uma participageo tn.° direta do DNER. Os con- e mostrado as indias e indios. E na ocasi5o teria tentado acariciar uma das tatos corn os indios ficaram exclusivamente a cargo da FUNAI sem nenhuma indias que se aproximara. Esse fato irritara profundamente os Waimiri Atroa- interferéncia direta. ri. Poucos dias depois dessa desastrosa visita, os indios atacaram o Posto de Novamente os trabalhos de contato com os Waimiri Atroari, foram en- Atrack Alalau, instalado no rio Alalau por Gilberto Figueiredo, matando tregues ao indigenista Gilberto Pinto Figueiredo, que no periodo em que a três funcionerios que ali encontravam-se no trabalho de manter contatos corn construcão da estrada estava parada, continuou seu trabalho junto aos in- os Waimiri Atroari. dios, realizando perrodicas visitas aquela comunidade indigena. Gilberto ficou magoado com o fato. Pois vinha advertindo o Sexto Usando mOtodos de não ingerencia na vida dos indios e extremo respei- BEC, para que nao permitissem a ida de pessoas as aldeias dos indios. E o to ao territ6rio indigena, Gilberto conseguiu manter contatos amistosos com fato ocorreu, provocando a revolta dos indios e a morte de tres abnegados os Waimiri Atroari, por muito tempo. companheiros de trabalho. Os contatos corn.os Waimiri Atroari, vinham sendo realizados wnstan- Desvinculado dos trabalhos da estrada, Gilberto usava sempre os rios, como caminhos para atingir o territOrio dos indios e para visitas as suas malo- temente de forma pacifica, e a presenca de forma injuriosa de pessoas nas cas, quando realizava troca de brindes. aldeias dos indios, prejudicou todo urn trabalho que vinha sendo realizado e a morte de três pessoas que era o mais grave. 64 65
  • 34. Entretanto o Comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Constru- N5o cacar no territOrio dos indiosp5o, n5o aceitou o fato, como de responsabilidade do Sexto BEC, que de-sobedecera as recomendacCies de Gilberto. Nao pescar nas aguas dentro do territOrio dos indios. 0 comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Construp5o — do Estar vacinado contra molestias previniveis.Exercito Brasileiro, em Nota Oficial, publicada em todos os jornais da capi-tal isentou o mateiro que visitara as aldeias dos indios de qualquer responsa- N5o ser portador de doencas contagiosas.bilidade das mortes dos funcionerios da Fundap5o Nacional do Indio, e ten-tou denegrir a pessoa e o trabalho de Gilberto Pinto Figueiredo e seus corn- N5o portar objetos que poderiam atrair a curiosidade dos indios.panheiros de trabalho, colocando ate em davida sua competência profissio-nal. Näo portar armas de fogo. Gilberto foi intimado na epoca, a responder inquérito Policia! (Inquê- 0 trabalho realizado pela equipe da Lasa Engenharia S/A, cumprindo asrito aberto pela Policia Federal em Manaus) que apurava a responsabilidade normas fixadas por Gilberto, corn certeza foi a principal causa da n5o hostildas mortes que resultaram do ataque dos indios Waimiri Atroari ao Posto dade dos indios.de Atrap5o Alalau, no rio Alalau, unidade administrativa da Fundap5o Na-cional do Indio — FUNAI. Os Waimiri Atroari, quando da realizac5o dos trabalhos a cargo do pes- soal da Lasa Engenharia S/A, visitaram verias vezes os acampamentos de tra- Outras pessoas foram intimadas tambern a prestar depoimentos, inclu- balho, mas n5o ocorreu nenhum incidente.sive do Exercito, atraves do 29 Grupamento de Engenharia e Construp5o —Sexto BEC, que apresentou subs(dios atraves de depoimentos de oficiais que Tao logo os trabalhos da Lasa Engenharia S/A, foram ooncluidos, os ser-trabalhavam na estrada e fez juntar ao processo a sua nota oficial que publi- vipos a cargo do Sexto BEC de desmatamento foram aproximando-se do riocou na imprensa, onde isentava o mateiro Celso Maia, pessoa que teria visita- Santo Antonio do Abonari, ja dentro do território Waimiri Atroari.do os indios antes do ataque, e ao mesmo tempo colocava em clövida os co-nhecimentos indigenistas de Gilberto Pinto Figueiredo. A pedido de Gilberto, a FUNAI, atraves da 1a Delegacia Regional em Manaus, passou a cobrar do Sexto BEC as normas exigidas e fixadas ao pes- Gilberto confessava-me que antes ja n5o era bem visto iielo pessoal do soal da Lasa Engenharia S/A, quanto as exigéncias para a circulap5o de pes-Sexto BEC e corn o ataque dos indios ao Posto de Atrapão Alalau e posi- soas dentro do territOrio dos indios Waimiri Atroari.cionamento piliblico do Comando do 29 Grupamento de Engenharia e Cons-trup5o, através de nota assinada pelo prOprio General Octavio Ferreira Quei- Houve imediata resistência do pessoal do Exercito que trabalhava naroz, ficou muito mais dif foil o relacionamento entre Gilberto e o pessoal do estrada, pois eles n5o abdicavam da condip5o de permanecerem armados cornExercito encarregado da construp5o da BR-174 — Rodovia Manaus-Caraca-ra (-Boa Vista. arma de fogo. As normas encaminhadas ao 29 Grupamento de Construp5o — Sexto Na regi5o do rio Alalau e Branquinho, antes da passagem do desmata- BEC fixava que nenhuma pessoa viesse a circular alern da Rome construidamento da estrada, foi realizado trabalhos de sondagem do solo atraves da sobre o rio Abonari, portanto arma rumo ao territOrio Waimiri Atroari, e queempresa Lasa Engenharia S/A, que em comum acordo corn a FUNAI e as obedecesse as exigências anteriormente fixadas para o pessoal da firma Lasadiretrizes preconizadas por Gilberto Figueiredo, o pessoal encarregado do Engenharia S/A, como rik capar, n5o pescar, estar vacinado, n5o visitar asservipo, circulou em todo o percurso de onde passaria a estrada, realizando aldeias dos indios, etc...as pesquisas, sem que tivessem o menor incidente corn os indios. 0 pessoalseguia os seguintes principios para circular dentro da area dos WaimiriAtroari. Estas normas fizeram com que gerasse entre o pessoal do Sexto BEC in- satisfap5o, e desrespeitando totalmente as condipbes fixadas para permanece- rem dentro do territOrio Waimiri Atroari, procuravam sempre impor suas N5o visitar as aldeias. vontades, desconhecendo por completa a presenpa da FUNAI, atraves de Gilberto Figueiredo e sua equipe na area dos Waimiri Atroari. Não oferecer presentes aos indios. 6766
  • 35. Algumas vezes quando encontrava-me nos Postos de Atracão Abonari e Alguns grupos de Waimiri Atroari, surgiram na estrada onde as maqui-Alalau, durante a noite, eu cheguei a presenciar, ouvindo tiros de espingarda nas movimentavam-se corn maior frequência.dentro da mata. Como os Waimiri Atroari, na época desconheciam o use dearmas de fogo, Gilberto levantava-se de sua rede e junto corn os seus compa- Gilberto, apreensivo com a situac0o,circulava entre os Postos Indigenas,nheiros de trabalho, fazia buscas na mata tentando localizar o cacador. Uma e as vezes surgia na estrada, onde estavam os trabalhadores verificando a si-destas vezes, eu o acompanhei e flagramos urn dos trabalhadores da estrada tuacao quanto a presenea de Indios.e funcionério do Sexto BEC cacando, oportunidade que Gilberto apreendeua sua arma. E isto ocorria frequentemente, ern total desrespeito as normas Gilberto pessoalmente, pediu ao encarregado do servico de desmata-fixadas por Gilberto e oficializadas pela pr6pria FUNAI. mento, que seguia sempre a frente, do trabalho de terraplanagem e aterro, que quando atingissem o rio Alalau, n5o construissem acampamento pr6xi- A Fundacao Nacional do Indio — FUNAI, através da Sub-Coordenack mo a margem do rio, para evitar que os indios fossem atraidos ao local,da Amazonia — SUB-COAMA, ern Manaus, por diversas vezes advertiu ao quando passassem em seas canoas no rio, e que viessem a ter, por falta de ex-Comando do 29 Grupamento de Engenharia de Construcao — Sexto BEC, periencia dos trabalhadores, algum incidents corn ossobre estes incidentes, alertando sobre o perigo que o nosso pessoal corriatoda vez que uma pessoa aventurava-se a cacar dentro do territOrio Waimiri Nesse periodo, urn dos principais I ideres dos Indios Atroari, conhecidoAtroari. Lembrando sempre que o nosso pessoal era quern ficava mais pro- como "Comprido", em visita ao Posto de Atrae5o Alalau I I, procurou Gilber-ximo as aldeias dos indios e por isto seriam os primeiros a serem responsa- to e pediu-lhe com certa insistência que o levasse a Manaus, juntamente cornbilizados pelo fato e os primeiros a serem sacrificados, no caso de qualquer seu filho que o acompanhava na ocasiao.ac5o belicosa por parte dos indios. Gilberto temeroso em levar Comprido a Manaus, pois temia que se le- Pessoalmente fui %/arias vezes acompanhando o sertanista Gilberto Pin- vasse Comprido e seu filho a Manaus e la por mero acaso viessem a contrairto Figueiredo apresentar reclamacOes ao Comando do 29 Grupamento de alguma doenea, por ma is simples que fosse, ou mesmo n5o viesse a gostar daEngenharia de Construc5o sobre o comportamento do pessoal do Sexto viagem, pudesse provocar uma reae5o dos indios contra si e seus companhei-BEC dentro da area indfgena. ros de trabalho no Posto de Atrae5o Alalau II, procurou dissuadi-lo do pro- p6sito. E todas as vezes que estivemos no Comando do 29 Grupamento de En-genharia e Construc5o, ern Manaus, a indiferenca da chefia era notada, corn Entretanto Gilberto não conseguiu demove-lo da idaia. Gilberto entdo,relac5o as nossas denUncias. atraves de radiofonia,pediu-me que enviasse ao Posto Alalau I I,um avi5o para conduzir-lhe juntamente comComprido e seu filho a Manaus,explicando in- Certa vez, urn dos oficiais do Exercito, tambarn certamente do 29 Gru- clusive a situack.pamento de Engenharia e Construc5o, presente aquelas reunifies perguntou-nos se n5o estóvamos sendo exigentes e muito rigorosos, principalmente pe- 0 avião seguiu imediatamente e Gilberto, muito preocupado chegou alo tato de querer que o pessoal que trabalhava na estrada andasse desarmado, Manaus acompanhado de "Comprido" e seu filho.deixando transparecer sem nenhuma reserva que não obedeceriam e nemiriam obedecer as normas fixadas por Gilberto e a prOpria FUNAI, de que Hospedou-se na pr6pria Ade_onde funcionava a Primeira Delegacia Re-ninguem andasse armado dentro da reserva Waimiri Atroari. geional da Fundac5o Nacional do Indio — FUNAI. Mesmo assim, as trabalhos da Rodovia Manaus-Boa Vista — BR-174, Ele pr6prio, Gilberto, alojou-se tambern ali, para poder dar maior assis-andavam em ritmo acelerado. Baterias de maquinas pesadas invadiam e movi- téncia aos visitantes.mentavam-se dentro do territOrio dos Waimiri Atroari. Comprido e seu filho, não demonstraram em nenhuma hora, qualquer Sentiu-se nos Postos de Atracão Alalau I, Alalau II, Abonari e Camanau, insatisfack. Muito pelo contrario. Estavam alegres e sorridentes.urn movimento incomum dos indios, que desde a entrada na reserva, das ma-quinas e a grande movimentack na estrada, chegavam em visita aos Postos Gilberto acompanhou-os a passeios por toda a cidade procurando sem-e pouco demoravam, como normalmente faziam. pre explicar-Ihes o funcionamento de cada instituic5o visitada.68 69
  • 36. Gilberto apresentou a Comprido sua prOpria familia tentando assim, feito ao 29 Grupamento de Engenharia e Construcgo — Sexto BEC, para queestreitar mais ainda os lacos de amizade que ja vinha existindo entre eles. não instalassem acampamentos na margem dos rios, procurando assim evitarOs indios estiveram visitando tambern as famosas lojas de Manaus onde Gil- que os indios ao navegarem pelos rios, n5o fossem atraidos pelos acampa-berto comprou alguns presentes para Comprido, seu filho e seus parentes. mehtos e os seus ocupantes. No retorno, apOs tit dias de visita a Manaus, a bordo da pequena aero- Gilberto, encostou a canoa e foi ate ao acampamento. Pediu aos traba-nave que os conduzia, Gilberto procurou mostrar a Comprido a localizac5o lhadores que no momento encontravam-se no local, que afastassem as ins-da estrada e das malocas dos indios Waimiri Atroari. talacOes das proximidades do rio. No sobrev6o, Gilberto is explicando a Comprido o que seria a estrada Ap6s fazer algumas advertências aos trabalhadores da estrada sobre a para que serviria, mostrando a parte prOxima a Manaus, onde os caminhees possibilidade de receberem visitas de indios e de evitarem a todo custo de autornOveis circulavam pela rodovia. cacarem naquela area, Gilberto continuou sua viagem ao Posto de Atracgo Alalau I, muito apreensivo. Comprido, ouvia muito atento as explicacOes de Gilberto. Poucos dias depois, recebemos radiograma tanto do Posto de Atracgo 0 avi5o a pedido de Gilberto, sobrevoou uma das malocas dos indios Alalau II, como do Alalau I, informando-nos que durante a noite, estavamAtroari e Comprido chegou a reconhecer alguns indios que se encontravam ouvindo corn bastante intensidade o barulho das maquinas na estrada. Erano patio da aldeia acenando. Ele talvez pensando que seria ouvido pelos tambern o sinal de que os indios tambern ja estavam ouvindo o ruido provo-seus companheiros que se encontravam nas aldeias, gritava e acenava, tentan- cado pela movimentac5o das maquinas pesadas em servico de terraplanagemdo fazer-se reconhecer por eles. na estrada, pois suas malocas, estavam na mesma distáncia que separava os Postos de Atrac go, ao tracado da estrada. Gilberto, como era costume, ao chegar no Posto de Atrac5o Alalau II,no rio Alalau, conduziu Comprido e seu filho numa canoa motor ate o Porto Nesta mesma epoca, estranhamente a imprensa de Manaus, noticiavada aldeia onde residia Comprido. diariamente assuntos corn relac go a construcgo da estrada Manaus-Boa Vista. Ora informava que os indios VVaimiri Atroari tinham atacado os trabalhado- Ao chegar no porto da aldeia (local de embarque e desembarque nas ca- res, ora diziam que os trabalhos da estrada estavam prosseguindo sem anor-nods — é sempre um pequeno igarape raso, onde as canoas dos indios ficam malidades, gerando intranquilidade entre as familias dos trabalhadores daatracados protegidas da correnteza e de periOdicas enchentes) existia urn estrada e que procuravam a FUNAI para ter noticias do que realmente esta-grande nOmero de indios, que saudavam alegremente a chegada da canoa va ocorrendo.conduzida por Gilberto e onde tambern viajava Comprido e seu filho. 0 pessoal da FUNAI, ern Manaus, procurava explicar aqueles que procu- Os indios ofereceram a Gilberto alguns presentes como bananas e beijus ravam a sede do Orgdo, que tudo is correndo barn, e que n5o tinham conhe- este após as despedidas retornou ao Posto, certo de que com o passeio de cimento ate entdo de nenhum incidents entre trabalhadores eComprido a Manaus, teria dado um grande passo para a conquista da amizadedaquele grupo de indios. Entretanto as noticias falsas de ataque dos indios aos trabalhadores, deixavam-nos apreensivos, pois poderia estar tentando justificar alguma ati- Gilberto, quando retornou ao Posto de Atrac go Alalau II, apOs o per- tude ja tomada ou a tomar.noite, seguiu viagem via fluvial corn destino ao Posto de Atrac go Alalau I,que se encontrava instalada na foz do rio Alalau, corn o rio Jauaperi. Ames de 15 dias decorridos da visita que o Capitdo Comprido e seu fi- lho fizeram a Manaus, surgiu nas proximidades do Posto de Atrac go Alalau I, urn grupo de indios Atroari, que ficaram acampados na margem direita do Ao passar no local onde a estrada Manaus-Boa Vista, BR-174, cruza o rio Alalau.rio Alalau, viu na margem esquerda urn acampamento possivelmente perten-cente aos trabalhadores da estrada, encarregados do desmatamento. A pre- Mais tarde quando os funcionarios do Posto de Atrac go Alalau I, che-senca daqueles trabalhadores naquele local, contrariava o acordo e o pedido fiados por Jo5o Dionisio do Norte (mais conhecido pela alcunha de Jo5o70 71
  • 37. Maracaja) foram encontra-los, foram surpreendidos par eles, em um ataquea flechadas, tendo sido todos mortos. zinha. Palos sinais ainda de morte recente, deduzimos que o ataque dos in- dios teria ocorrido minutos antes de nossa chegada, pois o sangue do indito- so Faustino Lira, ainda continuava pingando de seu corpo. Simultaneamente outro grupo de indios Atroari, surgiu no Posto deAtragdo Alalau I I, e depois de urn dia de visita, atacou os funcionarios da FUNAI que se encontravam naquela unidade administrativa. A casa do Posto,estava toda revirada. 0 aparelho de radiofonia des- tru (do. Mas nenhum sinal dos outros companheiros nem dos indios. Os funcionarios Ad5o e Esmeralda, sobreviveram, entretanto, foram gravemente feridos a flechadas e a corte de fac5o. Morreram, vitimas do Apenas na frente da casa sede do Posto, ainda encontravam-se atracadasataque dos indios, os funcionarios Faustino Lira, Odoncil Santos e Evaristo 5 Ubas pertencentes aos indios, mas nem mesmo as canoas pertencentes aoMiquiles que conseguiu fugir ao ataque dos indios gravemente feridos, mas Posto encontramos.ja no hospital em Manaus, faleceu em consequência de uma flechada nofigado. Na tentativa de encontrarmos os outros companheiros, que estavam de- saparecidos, eu e o Gilberto entramos na mata a procura de sinais que pudes- Quando em Manaus, fomos avisados atraves de radiofonia do Posto de sem levarnos ate eles.Atracao Alalau II, que a canoa conduzindo Jodo Dion Isla do Norte estavadesaparecida, pais saira a dois dias do Posto de Atrac5o Alalau I para o Ala- Infelizmente nenhum sinal encontramos dos nossos companheiros. Ape-lau II e ainda n5o havia chegado ao destino, apressamo-nos a deslocarmos nas tivemos certeza de que nas proximidades do Posto os indios ainda se en-para o local, numa tentativa n5o s6 de socorrer aqueles nossos companheiros contravam. Urn fato que nos deixou muito apreensivo quanta a nossa sobre-que se encontravam desaparecidos, como tambem, pessoalmente, procurar vivencia, foi a de que quando seguiamos ruma a mata, partindo da casa sedeavaliar a situack e, se possivel evacuar todo o nosso pessoal que se encontra- do Posto, uma pequena cadela, pertencente aos nossos companheiros que sevam trabalhando nas frentes de Atrack na regi5o dos indios Waimiri Atroa- encontravam desaparecidos, seguiu-nos, passando a ir, como é costume ernri. caminhadas pela mata, sempre a nossa frente.Sempre latindo,a cachorra pa- recia querer levarnos a algum lugar, que imaginavamos era o local onde esta- Pais de certa forma, ja esperavamos a reac5o dos indios quando as ma- riam nossos companheiros. Entretanto quando ja encontravamos a cerca dequinas pesadas passassem a operar nas proximidades das suas malocas. Le- 500 metros dentro da mata a cachorra que sempre is latindo a nossa frente,vantavamos a hipOtese de que os indios poderiam pensar que assim como as calou-se repentinamente. E quando caminhamos mais alguns metros a nossamaquinas, ate ent5o desconhecidas dales, derrubavam arvores removiam ter- frente, encontramos a cadela agonizante corn uma flecha espetada em seuras, poderiam ir de encontro as suas pr6prias malocas. pescoco. Aquele sinal era evidente que os indios estavam ali e que n5o que- riam que prosseguissemos ern nossa caminhada mata a dentro. Retornamos Gilberto Figueiredo e eu, fretamos um aviao ant ibio, pertencente a Igre- dal i, corn muita apreens5o, pois sabiamos que estavamos correndo sério riscoja Adventista de Manaus, sob comando do Pastor Daniel e seguimos com des- de vida. Entretanto para surpresa nossa conseguimos retornar ao Posto semtino ao território dos indios Waimiri Atroari. nenhum incidente. Por outro caminho, continuamos as buscas, a procura de nossos companheiros. Ao sobrevoarmos a area do Posto de Atracão Alalau II, no rio Alalau,pelo seu estado de abandono, portas abertas, ninguern no patio, deduziu-se Ficamos, eu e Gilberto, na area dos Waimiri Atroari, ate quando ali jaque os indios ja haviam atacado o Posto e tambem que os nossos companhei- näo mais estava nenhum dos nossos companheiros.ros ja n5o mais estivessem vivos. Conseguimos ainda resgatar corn vida, companheiros Ado Vasconcelos, Sabendo do risco que corriamos, o de ser possivelmente atacados pelos Esmeralda e Evaristo Miquiles que veio a falecer no Hospital Getelio Vargas decidimos descer e ir ate o Posto, numa tentativa de salvar possiveis em Manaus.feridos ou ate mesmo com nossa presenca evitar que os indios continuassemo ataque. Foram dias de angUstia e sofrimento para nos, pois cada corpo de corn- panheiro que encontravamos, reavivava a dor e a tristeza. Conseguimos en- 0 avid() pousou no rio e fomos ate o Posto. Na casa sede do Posto so contrar todos os corpos e transladamos todos para Manaus, onde foramencontramos o companheiro Faustino Lira, que se encontrava n orto na co- sepultados.72 73
  • 38. Quando retornamos a Manaus, oficiamos ao 29 Grupamento de Enge- 0 General Comandante, apenas respondeu: "Tenho tambern uma mis-nharia e Construc5o urn pedido veemente para que mandasse suspender os s5o, a de construir a estrada Manaus-Caracaraf-Boa Vista e terei que cumpri-trabalhos de construcg o da estrada ate que tivessemos condicaes de retort-nu Ia. Mesmo que para isto tenha que enfrentar a bala os indios".aos Postos de Atracgo e recompor o nosso pessoal. Diante dessas afirmacees e sabedores que os soldados armados ja se en- Pessoalmente fomos entregar o officio ao Comandante do 29 Grupamen- contravam dentro da reserva Waimiri Atroari, podia-se imaginar sem proba-to de Engenharia e Construgg o, General Gentil. bilidade de erro, sobre o que estaria acontecendo naquela regi5o. Na ocasi g o da entrega do documento, o General Comandante, nos fez Saimos da reuni5o, tristes olhando urn para o outro,perguntando-nos: eciente de que JO mandara para as frentes de trabalho da estrada, brigadas de agora?. Tudo que foi feito na defesa dos indios teria sido Estávamossoldados do Exercito armados, prontos para "defenderem a qualquer custo, desolados.a continuidade dos servicos de desmatamento e terraplanagem da estrada Ma-naus-Boa Vista". Aquela reuni5o e a posic go doGeneral Comandante tinham esclarecido muitas coisas.E nos deixou pensando ern que JO poderia ter ocorrido dentro Aquela noticia, dada pelo General, deixou-nos perplexos e procuramos da reserva dos indios Waimiri Atroari sem que soubessemos e que possivel-argumentar junto ao Comandante que naquele momento n5o era oportuno mente teira sido a causa da ira dos indios co*ra o nosso pessoal.a continuidade do trabaho da estrada e muito menos prudente o envio aolocal de tropas do Exercito "prontos para defenderem, a qualquer custo, a Retornamos ao escritOrio da Coordenac go da AmazOnia ern Manaus, econtinuidade dos trabalhos; como afirmara, le mais uma vez eu e o Gilberto, continuamos a discutir o assunto e comen- tando o posicionamento do comandante do 29 Grupamento de Engenharia 0 General comandante, diante de outros oficiais presentee naquela reu- e Construcgo.ni g°, respondendo as nossas ponderacOes afirmou "A Estrada (BR-174) ternque ficar pronta, mesmo que para isto tenhamos que abrir fogo contra esses E sempre nos perguntavamos o que fazer? Diante da posicgo do GeneralIndios assassinos. Eles ja nos desafiaram muito e est go atrapalhando nossos Comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Construc go, as possibilida-trabalhos.Temos urn compromisso de entregar esta estrada pronta. E nab vai des para continuarmos corn as frentes de atrag go n5o existia. Seria como tra-ser urn grupo de (ndios assassinos que vai impedir o prosseguimento da obra". balhar entre dois fogos inimigos. De urn lado, os soldados do Exercito prontos para o combate t go logo os indios procurassem impedir o andamento dos tra- balhos da estrada. Do outro, os pr6prios (ndios que vendo nossos companhei- As afirmacOes do General Comandante,deixaram bem claras as intencbes ros a frente dos soldados, procurariam ataca-los antes do confronto corn asque a missão do grupo de soldados que teria sido deslocada corn destino ao forcas armadas.territOrio dos Indios Waimiri Atroari. A direcg o da FUNAI, comunicada dos fatos e da intencg o das medidas Diante de afirmacOes t go claras e jä decididas n go tinhamos mais nada ja tomadas pelo Comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Constru-a argumentar. c5o, ainda nano se pronunciara a respeito. Apenas confirmara nossa decisào de suspendermos os trabalhos de atra- Antes de sairmos da sala, o General Comandante, dirigindo-se ao Gilber- c5o ate que pudesse ser tornado novas medidas corn relaogo ao assunto.to, perguntou — "Que a que voce acha disso?". Gilberto corn os olhos chejosde legrimas, mal respondeu. Disse apenas:"General, na tentativa de fazer ami- Na regi5o dos indios Waimiri Atroari, apenas urn Posto de Atrac go per-zade corn os (ndios Waimiri Atroari, JO morreram entre FUNAI e Servico de manecia ern atividade. 0 Posto de Atrag go do Rio Santo Antonio do Abona-Protegg o aos Indios, mais de 60 funcionerios, procurando nunca tomar medi- ri, regi g o de influencia dos indios Waimiri, que eram liderados pelo conheci-das repressivas contra aquele povo. Agora o que o Senhor este me dizendo do Maroaga, que desde muitos anos vinha demonstrando cultivar grande ami-que fez e vai fazer, torna o sacrif (cio dos .que perderam suas prOprias vidas zade aos nossos companheiros daquele Posto, destacando-se a amizade cornern defesa daqueles indios ern Vao". Gilberto e corn o chefe do Posto Marinello Machado.74 75
  • 39. Junto corn Marinelio ainda permaneciam 6 outros abnegados colegas de Sebastigo Amanda, quando soube que teria sido nomedo para chefiartrabalho, que talvez por uma quest go de honra e fidelidade a Gilberto e ami- a frente de atrack Waimiri Atroari, em substituicgo a Gilberto, n go aceitouzade dos indios, la permaneciam independente dos acontecimentos. a designacgo e procurando o novo Delegado da FUNAI em Manaus, explicou as seus motivos. N go conhecia os indios, n5o tinha nenhuma experiéncia corn o grupo Waimiri Atroari e por isto seria muito dificil e traumatizante Mas apesar de se encontrarem dentro da reserva Waimiri Atroari e de o trabalho. E ainda, ele Sebasti go Amanda, estava desenvolvendo urn traba-terem conhecimento do que ocorrera corn os outros seus companheiros do lho no alto rio Softiies e gostaria de continuar là, pois alegava que os can-rio Alalau, permaneciam la no Posto Abonari, sem nenhum terror de que tatas corn grupos de indios arredios habitanteinaquela regi go, ja haviam co-viessem a sofrer urn ataque dos indios. mecado e a interrupc g o jogava por terra tudo que tinha sido feito ate entgo. Depois disto, Gilberto que recebera ordens da alta direc go da FUNAI 0 Delegado Regional da FUNAI em Manaus, n g o tinha poderes parade ngo se afastar de Manaus, atraves de radiofonia, continuava mantendo modificar uma decisgo da alta direcgo da FUNAI, apenas cumpria ordens pa-diariamente contato corn o Posto de Atracgo Santo Antonio do Abonari. ra transferir a responsabilidade da frente de atracdo Waimiri Atroari de Gil- berto Pinto Figueiredo para Sebasti g o Amáncio Costa. Ern novembro de 1974, a FUNAI resolveu modificar os matodos de Sebasti go Amanda, ainda numa tentativa de demover a FUNAI da ideiatrabalho na area dos indios WaWiri Atroari. de nomeä-lo chefe da frente de atracg o Waimiri Atroari, tirou ferias e viajou para Brasilia, coma de tentar junto a direcgo da FUNAI, mudar a Gilberto Pinto Figueiredo, que ha mais de 10 anos trabalhava junto aos decisgo.Indios Waimiri Atroari, seria afastado da frente de atrac go e no seu lugarseria nomeado o jovem sertanista Sebasti go Amäncio da Costa, que naquela A nova direcao da Delegacia Regional da FUNAI em Manaus, que subs-alpaca chefiava as frentes de atrac go dos rios Itui, Itacoai e Javari, no alto rio tituia o General Coutinho e a minha pessoa a frente da Sub-Coordenac go daSoftiies, na area de jurisdic go administrativa da Base Avancada de Atalaia AmazOnia, modificara todo os sistema de trabalho que ate ent go vinha sen-do Norte. do utilizado. Quando a noticia foi dada a Gilberto, de que seria afastado da frente de A independéncia em que agiamos corn relaciies as nossas decisOes, fo-atraggo Waimiri Atroari, Gilberto ficou muito magoado e triste e chegou a ram substituidas pela pol itica de que tudo deveria ser levado ao conhecimen-dizer-me: "e agora o que y ou fazer? e os Indios, qual vai ser a situacga da- to do 29 Grupamento de Engenharia e Construcdo, para estudo e aprovacgo.les?". A modificacdo foi tal e a dependència junto ao exercito chegou a tal nivel, que foi firmado urn acordo que os funcionarios da FUNAI, que prestassem Entretanto Sebasti go Amancid que continuava a frente de seus traba- servicos na frente de atrac g o Waimiri Atroari, receberiam uma complemen-lhos na area do alto rio SolimOes, ainda ri go sabia que seria o substituto de tack salarial do praprio 29 Grupamento de Engenharia e Construcgo, istoGilberto, pessoa que respeitava muito e era para ele e grande maioria dos in- visando que fosse aumentado o efetivo de trabalhadores na reserva Waimiridigenistas que o conhecia, uma especie de orientador e guia daqueles que Atroari, cujos trabalhos ate a mudanca da direcao da FUNAI, continuavamrealmenfe abracaram a cause indigenista. desativados. A direcgo da FUNAI, ri go definira entretanto para onde seria deslocado As normas anteriormente fixadas por Gilberto e a Sub-Coama em Ma-Gilberto. Apenas decidira que aguardasse o seu substituto, que no caso seria naus, para ingresso de pessoas em area indigena, como necessidade de estaro Sebasti go Amanda da Costa. vacinado, exames medicos para constatac go de n go ser portador de doengas infecto-contagiosas, foram abandonadas, passando a ri ga exigir absolutamen- Gilberto, tambem estava aguardando o deferimento de seu pedido de te nada a n g o ser a ordem do 29 Grupamento de Engenharia e Construcgo.aposentadoria que ja fazia jus, pelo tempo de servico prestado ao Servico P6-blico. Entretanto ilk era desejo de Gilberto, alien aposentar-se, afastar-se do Enfim houve praticamente uma intervenc go do 29 Grupamento de En-trabalho. Pois o valor que iria receber mensalmente pela aposentadoria do genharia e Construcg o, na direcgo da Fundacg o Nacional do Indio, em Ma-servico p6blico, era insignificante e para manter-se era necessario continuar naus, principalmente nos trabalhos realizados pela frente de atrac g o Waimiritrabalhando. Atroari.76 77
  • 40. No dia 20 de novembro de 1974, no acampamento do exdrcito — 29 narios da FUNAI, concordando em tudo que he foi dito e determinado peloGrupamento de Engenharia e Construedo — 69 BEC, na altura do Km 220 da alto Comando do 29 Grupamento de Engenharia e Construcgo.BR-174 — Estrada Manaus-Caracara (-Boa Vista, foi realizada uma reuni go en-tre o Comando do 29 Grupamento de Engenharia e Construe:do e a direcdo E assim os trabalhos de construcg o da rodovia Manaus-Caracarai-Boada FUNAI no Estado do Amazonas, Sr. Francisco Montalverne Pires, Dele- Vista, continuaram em r Itmo acelerado, sem interrupcOes.gado Regional da FUNAI, e o chefe da Divisdo da Amaz6nia da FUNAI, Ma-jor Saul Carvalho Lopes, quando a sorte dos indios Waimiri Atroari foi tra- No outro dia, 21 de novembro de 1974,atraves do Of ficio n9042/E-2cada. Confidencial, o Sr. Comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Constru- ca"o — General Gentil Nogueira Paes, determinava ao Comandante do Sexto Na reuni go do Km 220, os representantes da FUNAI, que ao assumirem Batalh g o de Engenharia e Construc g o que fossem tomadas as medidas repres-os cargos em Manaus, passaram a submeter-se as ordens do Exercito, através sivas aos indios Waimiri Atroari para que os trabalhos da rodovia Manaus-Ca-do 29 Grupamento de Engenharia e Construc go, apenas ouviram e anotaram racara (-Boa Vista tivessem continuidade.o que o alto Comando daquela corporacdo ja decidira. Ou seja, o de dar con-tinuidade a qualquer preco os trabalhos da estrada,que tinham sido rapida- Entre as recomendacOes do officio n9 042/E, destacaram-se os seguintesmente interrompidos,apas o ataque dos indios ao Posto Indigena Alalau no itens:rio do mesmo nome, naquelas proximidades. "Que considerem as visitas amigaveis dos indios como aviso de futuro Entre outras medidas administrativas, que ficaram decididas naquele ataque e que tomem medidas necess.irias para retrair ou receber reforcos".momento, ficou acertado que alarn de medidas de defesa que o pessoal doExército que trabalhavam na estrada ja tomara, seria realizado dentro da re- "Sejam distribuidos as turmas e grupos, foguetes e bombas do tipo "ju-serva dos Waimiri Atroari, demonstracdo pelo Exarcito de forca bdlica atra- nino" — para afugentarem os indios; devendo esses artif Icios pirotêcnicosy es de rajadas de metralhadoras, explosOes de dinamites, de granadas, numa serem utilizados corn parcimonia, para que produzam resultados".tentativa de "amendrontar" os indios e evitar que voltassem a interrompero andamento dos trabalhos da estrada. "Esse comando, caso haja visitas dos indios realize demonstracOes de for-ea, mostrando aos mesmos as efeitos de uma rajada de metralhadora, de granadas defensivas e da destruicao de dinamite". Os dirigentes da Fundac g o Nacional do Indio, que participaram daquelareunido, n go possuiam a minima formacg o indigenista e estavam ocupando Este document° cuja "Fac-smile"encontra-se publicado nas pdginas se-os cargos de Delegado Regional e Diretor da Djvisao AmazOnica, por mero guintes, foi certamente a "cobertura" que o Comando do 29 Grupamento deacaso e por motivos de ordem particular, ou seja apenas em funcao do alto Engenharia e Construed°, forneceu aos seus comandados pelos atos ja pra-salad° que percebiam e por isto mesmo ndo tinham nenhum compromisso ticados e em pratica naquele momento dentro da reserva Waimiri Atroari.corn a causa indigena. Pois muito antes da realizaedo da reunido entre o 29 Grupamento de Nem mesmo aquela regi3o onde encontravam-se no momento da reu- Engenharia e Construgd° e a FUNAI, no Km 220 da rodovia Manaus-Caraca-nido conheciam, mas apesar de estarem nos cargos a menos de urn mds arvo- rai-Boa Vista, ja o Sr. Comandante, nos avisara que tomaria as providénciasravam-se de conhecedores do problema e diante das afirmacties do Sr. Co- determinadas no of icio n9 042/E-2 Confidencial datado de 21 de novembromandante do 29 Grupamento de Engenharia e Construed°, diziam apenas o de 1974, quando enviou grupos de soldados armados para a reserva Waimiri"Sim Senhor", as ordens do alto Comando. Atroari, corn a finalidade de garantir o prosseguimento dos trabalhos da construed° da BR-174 (fato ja narrado neste livro em paginas anteriores — Tanto o Sr. Montalverne e o Major Saul, eram conhecidos por suas po- visita ao alto Comando do 29 Grupamento de Engenharia e Construed() feitasicdes anti-indio e pelas suas posic5es acomodados de simples obedecedores por mim e o Gilberto Pinto Figueiredol.de ordens. A reuni g o do Km 220 da estrada Manaus-Caracarai-Boa Vista — BR-174, E assim,naquela manh3 de novembro, foi oficializado a guerra, que des- n g o contou corn a presenca do sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, que ern-de muito tempo existia contra os indios Waimiri Atroari, isto corn os funcio- bora oficialmente estivesse afastado de suas func5es, na realidade contintiava78 79
  • 41. de fato comandando as frentes de atraedo, esperando que o seu substituto,ja nomeado, mas em ferias, assumisse a chefia da frente de atrae5o Waimiri tubro/74, permanecia de prontid5o grupos de soldados do exercito, forte-Atroari. mente armados que periodicamente e sistematicarnente faziam excursOes dentro da Reserva Waimiri Atroari, sempre utilizando-se de caminhOes, jipes, Aproximava-se o final do ano, e as chuvas naquela regi5o intensificava- nos locais transitaveis, seguindo ainda em longas caminhadas, realizando ose, diminuindo o ritmo dos trabalhos da estrada. "Patrulhamento a pa" Na area da reserva dos indios Waimiri Atroari, apenas o Posto de Atra-cdo Santo Antonio do Abonari, permanecia ativado. Entretanto desde outu-bro que os indios ndo apareciam no Posto. Mas, quando se aproximava o final da semana, os trabalhos da constru- e5o da rodovia eram suspensos e tanto os oficiais chefes de turmas, peOes, 0 Chefe do Posto, Marinelio Machado, desde junho de 1974, que adiava soldados, retiravam-se da area e seguiam para Manaus,para passarem o fim deo periodo em que deveria afastar-se do trabalho em gozo de ferias regulamen- semana, s6 retornando as vezes na terca-feira.tares. E, apenas por necessidade do servico e em solidariedade a Gilberto eseus companheiros de trabalho, permaneceu no trabalho ate o mds de dezem- E naquela época, fim de ano de 1974, os trabalhos da estrada estavabro. Com a proximidade das festas de fim de ano, Marinelio Machado, afas- praticamente paralisados, pois as chuvas ja castigaram bastante naquela re-tou-se da chefia do Posto de Atracao Waimiri Atroari Santo Antonio do Abo- gido tornando-se quase que impossivel a continuidade dos trabalhos de cons-nari e entrou em gozo de ferias, que por diversas datas fora adiada. trued° da rodovia. Alern disto, a maioria dos oficiais do exêrcito que traba- lhava na construc3o da estrada, estava entrando de ferias ou viajando para as Embora a chefia do Posto Santo Antonio do Abonari, ficasse a cargo de cidades onde residia seus familiares para passar as festas de fim de ano.outro colega tambern muito experiente, Gilberto, corn a saida de MarinelioMachado da chefia do Posto, ficara muito preocupado corn sua ausência na Poucos dias antes do natal, a imprensa de Manaus publicou noticiasarea. que teria surgido nas frentes de trabalho de construed() da rodovia Manaus- Caracarai-Boa Vista, urn grupo de indios Waimiri Atroari e que os trabalha- Entretanto a turma que permanecia no Posto de AUKS° Santo Antonio dores estavam temerosos de que eles repetissem o ataque que fizeram aosdo Abonari, ja desde muito trabalhava sob orientac5o de Gilberto e tinha ex-periência no trato corn os indios. funcionerios da FUNAI, no Posto de Atrack do rio Alalau em outubro da- quele ano. No Posto, existia urn estoque de brindes relativamente suficiente para Gilberto, que se encontrava em Manaus, aguardando a chegada de seuatender a visita de qualquer grupo de indios e todo o equipamento do Postofuncionava bem. Inclusive o rediofonia SSB que a qualquer hora entrava em substituto, foi convocado pela FUNAI, para seguir urgente a area dos indios Waimiri Atroari, para verificar se a noticia publicada nos jornais em Manauscontato corn a sede da FUNAI em Manaus e corn outros Postos Indigenes daregido. teria fundamento e tomar, se fosse o caso, as providéncias no sentido de ten- tar evitar u ma ac5o belicosa por parte dos indios. Alern disto a sede do Posto Santo Antonio do Abonari II, ficava a cercade 1 (um& hora distante de viagem de canoa a motor da estrada BR-174, já Gilberto deslocou-se ate a area em avid° fretado, e percorreu toda a ex-transitavel por veiculos, partindo-se de Manaus em direcao a Caracard. tensdo da rodovia construida dentro da reserva Waimiri Atroari e nao chegou a constatar a existencia de nenhum sinal que pudesse identificar que os in- Nas proximidades da Ponte constru Ida sobre o rio Santo Antonio do dios tivessem estado em algum trecho da estrada em construc5o.Abonari, a cerca de dois quilbmetros do rio, encontrava-se instalado umacampamento do Sexto Batalh5o de Engenharia e Construck, no Km 220, Gilberto, ao retornar a Manaus, afirmou que os trabalhos da estrada es-que servia de base aos trabalhos de construed° da estrada dentro da reserva tavam paralizados e que aquelas noticias de surgimento de indios na faixaWaimiri Atroari. em construed° da rodovia, talvez tivesse lido divulgada simplesmente para justificar temporariamente a paralisacdo dos trabalhos de construed° da es- No acampamento do Km 220, do Sexto Batalhdo de Engenharia e Cons- trada e permitir assim que os trabalhadores do Sexto Batalh5o de Engenha-trued°, desde o ataque dos indios ao Posto da FUNAI no rio Alalau, em ou- ria e Construed°, passassem as festas de fim de ano em Manaus, corn os seus80 familiares. 81
  • 42. Informou ainda Gilberto, que ate o acampamento do Sexto Batalhao Tanto o Delegado da FUNAI ern Manaus, como o Diretor da Divisgode Engenharia e Construck, no Km 220 da Estrada Manaus-Caracarai, AmazOnica da FUNAI, "responsaveis" pela area n g o se encontravam ern Ma-situado nas proximidades do igarapé Santo Antonio do Abonari, encontra- naus. Estavam passando as festas de fim de ano corn seus parentes nas cida-va-se praticamente desativado, pois apenas alguns soldados eram vistos mon- des que residiam, no sul do pals.tando guarda. Entretanto tudo corria bem na sede do Posto de Atracdo Santo Antonio Gilberto passou o natal em Manaus e sempre mantendo contato atraves do Abonari, pois os ältimos contatos atraves do radiofonia do Posto, corn ade radiofonia corn os companheiros que permaneciam no Posto de Atracao sede da FUNAI em Manaus, informavam que tudo corria sem incidentes eSanto Antonio do Abonari. que os indios Waimiri em visita ao Posto, ja se preparavam para partir corn destino as suas ma locas. Tudo naquele posto corria normalmente, ate que no dia 26 de dezem-bro surgiu na sede daquela unidade de atracao, um grupo de indios Waimiri, No dia 28 de dezembro, num fim de semana, sabado, na sede da FUNAIchef iados pelo conhecido Maruaga, amigo pessoal de Gilberto, e dos funcio- ern Manaus, tudo estava calmo. Apenas o sistema de radio comunicac go fun-narios que se encontravam no Posto. cionava. Foi mantido o Ultimo contato corn o Posto de Atracao Santo Anto- nio do Abonari naquele sabado por volta das 11:00 horas, 0 pr6prio Gilberto Os indios, como era normal ern visitas amistosas, faziam-se acompanhar dispensava o radio-telegrafista de voltar a manter contato corn ele domingo.dos velhos, mu lheres e criancas. Tudo estava calmo e no tinha motivos para que o sistema de radiofo- E tudo indicava que aquela visita era mais uma que periodicamente nia ficasse de plant g o no domingo, dia 29 de dezembro de 1974.aquele grupo de indios, fazia ao Posto Santo Antonio do Abonari, para reali-zarem troca de presentes. Aquele entretanto, foi o Ultimo contato corn a FUNAI. Entretanto os funcionarios que ali encontravam-se tao logo surgiram os No domingo, dia 29 de dezembro de 1974, por volta do meio dia, Gil-indios no Posto, comunicaram a sede da FUNAI em Manaus, e entraram ern berto Pinto Figueiredo Costa, sertanista, indigenista, estava mono no necro-contato corn Gilberto atraves do sistema de radiofonia. thrio do Hospital GetOlio Vargas em Manaus. Presenciei o contato que Gilberto manteve atraves de radiofonia corn •o Posto de Atracao Santo Antonio do Abonari. Notei entretanto que Gilber- A noticia oficial fornecida pelo Exarcito — 29 Grupamento de Enge-to ficara apreensivo corn a noticia da chegada dos indios no Posto. nharia e Construcg o — Sexto Batalhao de Engenharia e Construcão, informa- va que os indios Waimiri Atroari, tinham atacado o Posto de Atracao Santo 0 encarregado do Posto que se encontrava substituindo Marinelio Ma- Antonio do Abonari I I e trucidado todos os funcionarios da FUNAI que alichado, transmitiu a informacao de que os indios estavam perguntando por se encontravam, corn excessäo de urn, o indio aculturado de nome Ivan,Gilberto, entretanto afirmou que tudo estava bem e nao era necessario o des- que ndo sabia explicar corn detalhes o que realmente acontecera.locamento de Gilberto ao Posto de Atracao Santo Antonio do Abonari. 0 pr6prio pessoal que se encontrava no acampamento do Sexto BEC, Mesmo assim, Gilberto, preocupado corn seus companheiros que se no Km 220, nas proximidades do Igarap4 Santo Antonio do Abonari, teriaencontravam no Posto de Atracdo Santo Antonio do Abonari, decidiu it ido em socorro dos funcionarios da FUNAI, que se encontravam no Postoate ao Posto e foi naquele mesmo dia, fretando uma aeronave, que o deixouno local. de Atracão Santo Antonio do Abonari, mas n g o encontraram ninguêm corn vida. Tao logo Gilberto chegou na sede do Posto Santo Antonio do Abona- A Nota Oficial distribuida a imprensa, dava conta. de que Gilberto eri, comunicou-se atraves de radiofonia corn a sede da FUNAI ern Manaus, seus companheiros de trabalho, teriam sido mortos a flechadas pelos indiosinformando que tudo no Posto estava sob controle e que os indios estavamapenas passeando, como normalmente faziam naquela epoca do ano, quando Waimiri Atroari, em inesperado ataque, que surpreenderam a todos ao ama-as aquas dos rios comecam a subir de nivel. nhecer do dia 29 de dezembro de 1974.82 83
  • 43. 0 enterro de Gilberto, inexplicavelmente, foi antecipado das 16:00, pa-ra 15:00 horas, e em nenhum momento foi permitido que o caixao funera-rio aberto pelos seus familiares. GILBERTO PINTO FIGUEIREDO COSTA Existiam ordens superiores para que o enterro fosse feito o mais rapid°poss Nei . Conheci Gilberto Pinto Figueiredo Costa ern 1972, quando fui transferi- E assim foi encerrado mais urn capitulo na hist6ria dos contatos entre do de Brasilia para Manaus, na condicão de funcionario da Fundack Nacio-a sociedade nacional e os indios Waimiri Atroari. nal do Indio — FUNAI. Depois do dia 29 de dezembro de 1974, os trabalhos da construck da Gilberto era urn homem simples e fisicamente nk aparentava ser urnrodovia Manaus-Caracarai-Boa Vista, seguiram em ritmo acelerado e a estra- homem ligado a trabalhos na selva. Parecia mais urn prOspero comerciante doda hoje encontra-se conclu Ida. que urn homem ligado ao indigenismo. Entretanto, n5o obstante a sua apa- Centenas de caminhOes e automOveis circulam diariamente entre as rencia, foi urn dos maiores indigenistas que conheci e como ser humano, um doscidades de Manaus e Boa Vista com bastante regularidade na koca da estia- melhores.gem amazOnica. Liderava no Amazonas os indigenistas e era respeitado por todos que o Hojó e comum ver indios Waimiri Atroari, atrepados nas carrocerias dos conheciam.caminhOes, viajando de urn lado ao outro da reserva. Conhecia todo o Estado do Amazonas e parte de Roraima e era dotado Os Waimiri Atroari, no mds de jundo de 1981, foram vitimas de urn da chamada mernOria de arquivo. Era capaz de lembrar-se de fatos ocorridossurto de sarampo, que por falta de assistencia da FUNAI, vieram a falecer muitos anos atras. Tinha uma facilidade de localizar processos sobre assun-21, entre homens e mulheres. 0 surto espalhou-se entre toda a comunidade tos indigenas, quando ex istia necessidade de consultas, sem mesmo consultarWaimiri Atroari, mesmo entre aqueles que ainda nk se deram por vencidos qualquer protocolo ou indice,no arquivo "morto" da sede da 1P Delegaciae ainda se encontram residindo no centro da floresta, resistindo de todas as Regional da FUNAI.formas ao contato indiscriminado corn os transeuntes da BR-174. Na parte leste da reserva, na area de influencia das nascentes dos rios Gilberto praticamente conhecia pelos nomes todos os principais I ideresAlalau e Uaturna, encontra-se instaladas,em pleno territOrio indigena,empre- indigenas do Amazonas e os principais problemas enfrentados por cada co-sas de minerack,que desde finais de 79 exploram as riquezas existentes na- munidade.quela area. Tinha uma forma muito particular de lidar corn os indios. Chamava-os sempre de "paren tes"e gesticulando,mesmo que nao conseguisse expressar-se Uma hidrelètrica esta sendo constru Ida no rio Uatum5, na altura da ca- suficientemente para se fazer entender, conseguia conversar corn eles.choeira conhecida como Balbina, que corn o represamento das aguas, inun-dare cerca de 1/3 de todo o territOrio Waimiri Atroari. Gilberto, que comecara a trabalhar no "Servico de Indios", como ele costumeiramente denominava o indigenismo, aos 15 anos de idade,como ser- Uma nova estrada esta sendo planejada para ser construida dentro da vente da Primeira Inspetoria do Servico de Proteck aos Indios, testemunharareserva dos Indios Waimiri Atroari, pois a rodovia existente, parte dela, On- e participara durante 25 anos in i terruptos de todas as atividades daquela uni-cipalmente a que se encontra dentro da reserva, sera inundada pelas aquas da dade regional do SPI.represa Balbina necessitanto que seja construida em urn novo tracado, umaoutra rodovia, para dar continuidade ao transito ja existente entre as cidades Chegou ate a assumir por diversas vezes, frentes de atrack, Postos Ind I-de Boa Vista e Manaus. genas e a prOpria chefia da Primeira Inspetoria Regional do Servico de Prate- Corn a construck da BR-174, os acordos internacionais firmados pelo c5o aos Indios.Brasil, foram cumpridos. Todos que chegavam no Amazonas e iniciavam-se no "servico" procura- A missk do 29 Grupamento de Engenharia e Construck — Sexto Bata- vam Gilberto para orientar-se e aprender como lidar corn os indios e sobrevi-Ihk de Engenharia e Construck, foi coroada de éxitos. ver na selva.84 85
  • 44. Ele parecia inicialmente tentar tester o iniciante no indigenismo. Fazia- Apas o ataque dos indios ao Posto de Atraq go Alalau II, quando mor-Ihe ver primeiro as dificuldades que fatalmente encontraria na selva, quando reram 3 funcionarios da FUNAI, que la se encontravam, Gilberto desativouestivesse sozinho ou comandando uma equipe ou chefiando urn Posto Indi- os trabalhos do Posto, permanecendo apenas em atividades os Postos Cama-gene. nau, localizado na foz do rio Camanau e o Posto Santo Antonio do Abonari, na foz do Igarapó Santo Antonio do Abonari, corn o rio Uatumg. Tratava-os corn rigor quase mil itar, fazendo-Ihe empreender viagens dfrees, racionando-Ihe ao maxima a alimentac go, para que aprendesse a pou- Gilberto, na ocasi go do ataque dos indios ao Posto de Atraq go Alalau I I,par, para que n g o viesse a falter durante o periodo da viagem. responsabilizara o mateiro Celso Maia, funcionario do Sexto Batalhäo de En- genharia e Construcg o, como principal "pivot" de ter provocado a ira dos in- Submetia o novato a servicos pesados, como carga e descarga de barcos, dios contra os funcionarios do Posto de Atrac go Alalau II.caminhadas longas carregando peso, derrubando a machado ervores de gran- Explicava Gilberto, que urn sem mimero de vezes teria advertido ao em-de porte no preparo de terrenos para rocados. Fazia participar de constru-ceies de acampamentos e ensinava-Ihes a controlar os estoques e material sob preiteiro do desmatamento dos servicos de construc5o da Estrada Manaus-Ca-sua responsabilidade. racarar, que proibisse os seus empregados a irem visitar as aldeias dos indios Waimiri Atroari, n5o s6 por temer que eles fossem portadores de doencas transmissives, como tambem viessem a praticar atos que os indios pudessem interpretar como ofensas ou desfeitas. Gilberto, tinha um zelo incomum pelos bens pUblices. Se faltava umapeca, por mais insignificante que fosse, obrigava o funcionario que tinha o Gilberto, por diversas vezes, tambarn advertira o ent5o comandante doobjeto sob sua responsabilidade a repor imediatamente o objeto que sumira. Sexto Batalhão de Engenharia e Construc5o, Cel Oliveira para o fato e este, que gratuitamente demonstrava näo gostar de Gilberto, nä() levava em consi- Qualquer objeto ou produto colhido pelo funcionario do SPI ou FU- deracgo as suss advertências e pedidos.NAI dentro da area indigene, Gilberto 0 obrigava a pagar, n go admitindo emhipOtese nenhuma, que funcionario do Orgg o se beneficiasse de algum pro- 0 Cel Oliveira dizia-se conhecedor da regi go e da histOria e habitos indi-duto ou bens pertencentes as comunidades indigenes. genes. Tinha mètodos e opini5es pr6prias de como lidar corn os indios. Por isto talvez a sua indiferenca aos pedidos e apelos de Gilberto, que por sua Por isto, as vezes n5o era compreendido. Alguns funcionarios e subordi- vez, n go era urn homem ligado aos estudos convencionais. Mas por sua vez,nados, o achavam exigente demais e que ele procurava desestimular a presen- era possuidor de grande conhecimento da comunidade indigene Waimirice de outras pessoas no trabalho junto as comunidades indigenes. Atroari. Mas muitas vezes, Gilberto, confessava-me a preocupac go de que era ne- Corn muita humildade, Gilberto sempre procurava convencer n go so ocessario formar turmas novas de indigenistas, para irem assumindo os traba- Cel Oliveira, Comandante do Sexto Batalh5o de Engenharia e Construcgo,Ihos dos mais velhos, e que ele incluia-se entre eles. como tambOm o pr6prio Comandanw do 29 Grupamento de Engenharia e Construc5o, de que era necesserio evitar contatos dos trabalhadores e os Mas tambarn era patente o "ciUme" que sentia dos indios. Sentimento indios, principalmente porque a rnaioria dos que trabalhavam na rodoviaeste, que existia na maioria dos indigenistas, pois cria-se tanta amizade aosindios que se outra pessoa comeca tambdm a conviver corn eles, a genie sen- BR-174, eram pessoas despreparadas para tal e que esses contatos eram pe- rigosos. E que, caso nesse contato entre trabalhadores da estrada e indioste-se como se fosse colocado urn pouco de lado e isto naturalmente pode ser gerasse qualquer incidente, os funcionarios da FUNAI nos Postos Indigeneschamado de uma espécie de "chime". de Atracgo seriam os primeiros a serem sacrificados. Em razg o disto, talvez tenha surgido algum mal entendido entre os no-vatos e o Gilberto. Mas esses argumentos, por serem de Gilberto, rig o eram aceitos nem considerados. Quando o conheci, Gilberto, la era o encarregado da Frente de Atrac5oWaimiri Atroari. Quando Gilberto teve conhecimento de que o individuo Celso Maia e alguns companheiros, empregados do servico de desmatamento da Rodovia86 87
  • 45. Manaus-Boa Vista, estiveram em visita a uma das aldeias dos indios Waimiri Gilberto ficou muito magoado com os dizeres da nota oficial do 29 Gru-Atroari, procurou o Cel Oliveira, Comandante do Sexto Bataha° de Enge- pamento de Engenharia e Construc5o. Mas, mesmo assim, quando foi chama-nharia e Construed° e fez a reclamac5o, pois soubera tambem que ditos in- do a depor em inquerito instaurado pela Policia Federal em Manaus, voltoudividuos haviam levado consigo algumas revistas pornograficas, onde exis- a responsabilizar em primeiro piano o mateiro Celso Maia e o 29 Grupamentotiam figuras de pessoas praticando atos sexuais que teriam mostrado aos in- de Engenharia e Construed°, por n5o dar guarida as suas adverténcias quantodios e que na ocasiao tentaram persuadir a algumas indias a manterem rela- ao contato corn a comunidade indigena Waimiri Atroari.eaes sexuais com ales. Ndo tendo conseguido o intento, Celso Maia, teria fi-cado despido e dancado pateticamente para os indios verem, isto ao som de ApOs o incidente, Gilberto continuou o seu trabalho a frente da Atra-um toca disco portatil, que levara consigo, na visita a aldeia. c5o dos indios Waimiri Atroari, entretanto urn pouco mais cauteloso e sabe- dor que nao era bem visto pelo o Alto Comando do 29 Grupamento de En- A reclamacdo de Gilberto, näo foi considerada. genharia e Construed°, muito ate pelo contrario, como uma pessoa n5o grata aquela corporacdo. Poucos dias depois os indios, procurando por Maia, atacaram o Postode Atracdo Alalau II, onde tombaram sem vida fits funcionarios da FUNAI. Chef iava na epoca a "ODelegacia Regional da Fundac5o Nacional do Indio — FUNAI, em Manaus,o General da Reserva Antonio Esteves Coutinho. A imprensa de Manaus, divulgou a opini5o de Gilberto com relac5o aoataque dos indios Waimiri Atroari ao Posto de Atrac5o Alalau, destacando-seo fato de que muito antes de ocorrer o incidente, Gilberto procurara o Co- 0 General Coutinho, entre outras atividades, era afeito e ate brincava demando do Sexto Batalhao de Engenharia e Construe5o, cientificando das "agente de informacOes", considerava-se urn informante de primeira linha eocorrências na area, chegando a pedir que fosse afastado dos trabalhos de hoje, por coinciancia ou nao, ocupa cargo de destaque no Governo Federal,construed. ° da estrada, o mateiro Celso Maia, e que infelizmente rido foi aten- como chefe de "servico de informacbes" de Org5os veiculados ao Ministeriodido. Na imprensa, tambem foi divulgado o pensamento de Gilberto, respon- da Previdéncia Social.sabilizando Celso Maia e o Sexto BEC pelo ataque dos indios ao Posto deAtrac5o Alalau II, quando morreram 3 funcionarios da FUNAI. Os Delegados da FUNAI, como o General Coutinho, tocios eram mem- bros e participantes da chamada "comunidade de informacOes", que tinham Em seguida a divulac5o da opini5o de Gilberto, o Comandante do 29 ligacOes diretas corn a Assessoria de Seguranca e InformaeOes — ASI, daGrupamento de Engenharia e Construed°, General Octavio Ferreira Quei- FUNAI e corn o próprio Servico Nacional de InformapOes — SNI em cadaroz, atraves de Nota Oficial que entregou a imprensa, procurava desmentir regi5o.as acusacOes de Gilberto (fac smile nas paginas seguintes) procurando ao mes-mo tempo denegrir o seu trabalho, isentando o mateiro Celso Maia de quais- 0 General Coutinho, na condic5o de General, mesmo da reserva e sabe-quer responsabilidade quanto ao ataque dos indios Waimiri Atroari, ao Posto dor da animosidade existente entre o alto Comando do 29 Grupamento dede Atrac5o Alalau II, da Fundac5o Nacional do Indio. Engenharia e Construcäo corn o Gilberto, nunca procurou desfazer a falsa opini5o, mesmo que admirasse pessoalmente Gilberto e seu dificil trabalho. Na nota oficial do Sr. Comandante do 29 Grupamento de Engenharia eConstrued°, de forma maldosa, foi procurando justificar as advertências que Uma das manias do General, alem da de brincar de "agente de informa-Gilberto fizera antes do ataque dos indios ao Posta de Atrack Alalau II com cOes" era de publicar atraves de jornais, histOrias que inventava corn relac5orelacdo ao mateiro Celso Maia, como que Gilberto estivesse procurando afas- aos indios, dando-Ihes urn "roteiro" como se fosse urn seriado aos moldestar de seu caminho uma pessoa que gozasse de excessiva popularidade e ami- dos filmes de faroeste norte-americanos, justificando sua atitude quando erazade entre os indios e que por isto mesmo estaria atrapalhando o seu traba- consultado, como que estaria informando a opini5o pUblica sobre o que es-lho ou empanando a sua lideranca. tava ocorrendo nas areas indigenas. A Nota Oficial do Comando do 29 Grupamento de Engenharia e Cons- Ao dar noticias aos jornais de Manaus, inventava estOrias como "Gilber-true5o, traduziu sem nenhum sofisma, o clima de animosidade existente en- to vai fumar o cachimbo da paz corn o Indio Maruaga", "Gilberto marcoutre aquele Comando e a visào que tinham corn relacdo ao trabalho de Gilber- novo encontro corn os Atroari na prOxima lua cheia", "Nasceu a nova filhato, a frente dos trabalhos junto a comunidade Waimiri Atroari. do Capitho e seu nome e Pena Verde".88 89
  • 46. Dava essas not(cias em doses homeopeticas como se fosse novela em ca- ser fatal. Exigia dos funcionerios que trabalhavam em sua equipe, que respei-pitu los, deixando sempre o leitor na expectativa das próximas not(cias. tassem o Indio e que em nenhuma hora procurassem ter intimidades com as indias. Gilberto, que n5o era muito de prestar declaragOes a jornais, primeiropor causa de seu comportamento introvertido e segundo em obediência asnormas da FUNAI que proibia qualquer servidor— menos os Generais — Gilberto sempre dizia "prefiro ter poucos funcionerios que confio, do que muitosque n5o confio e que n5o seguir5o os meus matodos de trabalho"prestar qualquer declaraq5o a imprensa, ficava muito irritado com as not(-cias sobre o seu trabalho, divulgadas de forma incorreta pelo General Cou-ti n ho. Nu mericamente, realmente eram poucos os funcionerios em cada Posto, cerca de 5 ou 6 no maxima. Mas Gilberto que circulava constantemente en- tre os Postos tinha muita confianca neles. Principalmente num deles conheci- Ades o ataque dos (ndios ao Posto de Atraccio Alalau II, no rio Alalau, do como "Jo5o Maracaje". Um velho de 65 anos, que desde os quinze anos,em Janeiro de 1973, os trabalhos de construcao da Rodovia BR-174 — Ma- antes mesmo de vir a trabalhar no Servico de Protec5o aos Indios, je manti-naus-Caracarai-Boa Vista, foram suspensos em parte, pois a epOca invernosa nha contatos amistosos com os indios Waimiri Atroari.rid° permitia o desenvolvimento normal do servico de terraplanagem. João Dion Csio do Norte, o verdadeiro name de "Jog° Maracaja", era Gilberto nesse periodo s reativou os Postos de Atracão que estavam com uma espécie de orientador dos indigenistas mais jovens, e por sua grande ami-seus servicos paralizados e deu continuidade ao seu trabalho de contatar os zade aos indios Waimiri Atroari, era uma peca fundamental no trabalho de-(ndios Waimiri Atroari, como se nada tivesse acontecido. senvolvido por Gilberto. 0 Posto de Atracao Alalau II, no rio Alalau, que fora destruido pelos foi reinstalado em outro local, mas no mesmo rio, para que os indios Aqui e acole surgiam funcionerios que temerosos de proveveis ataquesnäo viessem a relacionar com o anteriormente destruido e n5o viessem a pen- dos Indios,pediam para sair ou simplesmentes abandonavam o trabalho esar que a reconstruc5o do Posto tivesse care-ter de vinganca. voltavam a Manaus,desistindo do emprego na Frente de Atracao Waimiri Atroari. Depois de instalado os Postos, os Indios novamente voltaram a visitar asfuncionérios da frente de atracão que le se encontravam trabalhando na area A maioria dos desistentes, eram trabalhadores bracais, que eram recruta-sob coordenacg o e orientacao de Gilberto. dos por Gilberto, para trabalho nos rocados, que a mercê dos indios ficavam apavorados e desistiam do emprego. Gilberto enfrentava serias dificuldades para realizar o seu trabalho, orafaltavam recursos para apoio logistic° e compra de brindes para o trabalho Gilberto ironizava o medo dos que desistiam apavorados, denominandode atrac5o, ora faltava pessoal. Pois eram poucas as pessoas que se arriscavam de "medorreia" a "doenca" simulada pela maioria dos funcionerios quea irem trabalhar na frente de atrac5o dentro da selva, ganhando o salario que abandonavam os Postos e voltavam a Manaus.a Fundac5o Nacional do Indio — FUNAI pagava (era um pouco mais do queo salario-m (nimo). outros n5o aceitavam ir, assustados com as histarias que Não obstante a tudo isto, Gilberto dispensava aos seus companheirosouviam sobre a indole e comportamento dos Indios Waimiri Atroari. de trabalho em geral, muito respeito, n5o deixando faltar-Ihes nada no Posto para a manutenc5o e se surgissem (ndios em qualquer dos Postos, ale desloca- Par outro lado, Gilberto, n5o aceitava na sua equipe qualquer funcione- va-se para o local e le permanecia ate os (ndios retornarem.rio, pelo simples fato dale querer ir para a frente de atrac5o. Gilberto faziauma especie de selec5o e um estagio, que se n5o fosse aprovado dentro do Enquanto Gilberto encontrava-se desenvolvendo o seu seri° trabalho,que ale via como requisitos indispenséveis ao trabalho, afastava o funcionerio em Manaus, o Coronel Coutinho, Delegado da 1Delegacia Regional da FU-imediatamente. NAI,comunicava a imprensa amazonense com suas hist6rias novelescas sobre os indios Waimiri Atroari, criando na opinião publics uma imagem falsa tanto Exigia uma obediencia rigorosa aos seus métodos de trabalho, pois sabia dos indias Waimiri Atroari como do trabalho de Gilberto e de seus compa- que qualquer erro no relacionamento com os (ndios Waimiri Atroari, poderia nheiros de trabalho. • 90 91
  • 47. Nas minhas m5os, por acaso, e por erro da secreteria do General Couti- Em setembro de 1974, Gilberto pediu-me atraves de radiofonia . do Pos-nho, Delegado Regional da FUNAI no amazonas, passou urn documento, to de Atracäo Alalau II, que enviasse uma aeronave fretada aquele Postochamado "Pedido de Buscas" originerio do pr6prio Servico Nacional de In- para conduzir a Manaus o principal Irder dos indios Atroari, o conhecidoformacbes — SNI agenda em Manaus, onde fazia referenda ao "noticiário es- Indio Comprido e seu filho em uma viagem de passeio.candaloso publicado pela imprensa de Manaus, sobre o problema indigena econstruck da estrada Manaus-Caracarai-Boa Vista", citando também o Gil- Quando Gilberto chegou a Manaus, acompanhado de Comprido e seuberto como responsevel pela divulgac5o daquelas noticias, que ao ver do au- filho, estava visivelmente alegre. Conseguira vencer uma importante etapator do Pedido de Buscas (SNI) estaria colocando a opini5o p6blica contra o nos contatos amistosos que mantinha corn os indios Atroari.governo e o exercito, responsavel pela construck da rodovia Manaus-Caraca-raj-Boa Vista — BR-174. Gilberto alojou Comprido e seu filho na prOpria sede da Primeira Dele- gacia Regional da Fundack Nacional do Indio — FUNAI e para melhor dar assistancia equeles visitantes ilustres, ele pr6prio trouxe a sua rede para dor- Quando li aquele documento, procurei imediatamente falar corn o Ge- mir na sede da FUNAI, junto corn seus convidados, visando melhor assisti-neral Coutinho, dizendo a ele que aquelas afirmacOes no Pedido de Buscas los enquanto permanecessem ern Manaus.do Servico Nacional de informacOes — SNI eram mentirosas e injustas cornrelac5o a Gilberto, pois quem estava dando aquelas informacOes absurdas Gilberto levou os indios, Comprido e seu filho, para conhecerem todaimprensa era ele pr6prio, General Coutinho, que teria que it pessoalmente ao a cidade de Manaus. Visitaram lojas, pracas, escolas, o porto, enfim cumpri-Servico Nacional de InformacOes — SNI agenda de Manaus, e procurar des- ram urn programa bem movimentado. Os indios demonstraram terem gos-fazer aquela imagem falsa, arquitetada contra Gilberto. 0 General obvia- tado muito do passeio que fizeram.mente näo gostou do que Ihe disse e n5o foi a agenda do Servico Nacionalde Informaceies, desfazer os documentos e as acusaciies formuladas contra Quando Gilberto e os indios retornavam ao Posto de Atm* Alalau II,Gilberto. Gilberto pediu ao Piloto da aeronave em que viajavam, que conduzisse o avi g o de maneira que fosse possivel avistar o desmatamento da estrada Ma- Na primeira vez depois deste dia que me encontrei corn Gilberto, falei- naus-Caracarai-Boa Vista e as malocas dos indios Waimiri Atroari.Ihe sobre o assunto e ele pessoalmente tambem esteve corn o General Cou-tinho, reclamando sobre o que estava escrito no Pedido de Buscas do SNI Gilberto na aeronave, mostrava ao Indio Comprido e seu filho, a proxi-e exigiu que ele fosse apresentar o desmentido sobre o assunto na agencia midade da estrada corn relacao as suas malocas.do SNI. E fazia urn apelo a Comprido, que ele procurasse explicar aos seus lide- rados que evitassen . visitar a estrada, pois Gilberto previa que os contatos 0 General Coutinho tornou nenhuma iniciativa pois se procuras- indiscriminados dos indios corn os trabalhadores e mais tarde corn os viajan-se isentar Gilberto da autoria da divulgack das noticias absurdas que esta- tes da BR-174 — Rodovia Manaus — Boa Vista, seriam desastrosas para osvam sendo publicadas pela imprensa de Manaus, teria que assumi-las e isto indios, como tern sido para todas as comunidades indigenas cujos territO-certamente faria corn que perdesse o seu prest(gio como informante dos Or- dos cruzados por uma rodovia.g5os de seguranca e ate mesmo perder o emprego que comodamente ocupa-va. Segundo Gilberto, Comprido parecia entender bem o que ele procura- va explicar. Gilberto mesmo sabendo que estava no alvo do temido Servico Nacio- nal de InformacOes e do pi-6136o Exercito, atraves do Segundo Grupamento Quando chegaram ao Posto de Atrack Alalau II, no rio Alalau, Corn de Engenharia e Construc5o, continuou o seu trabalho como se nada tives- prido e seu filho, pediram a Gilberto que os levasse a sua aldeia, que ficavi se acontecendo. localizada acima do Posta, cerca de seis horas de viagem em canoa corn mo for de popa. A preocupack de Gilberto era somente corn os indios. Preocupava-se muito corn os possiveis contatos que os indios teriam corn os trabalhadores Gilberto, seguiu viagem imediatamente corn destino a maloca dos M da estrada. dios Atroari, onde morava Comprido e seu filho. 92 9;
  • 48. Ao chegarem no "Porto" da maloca, encontravam-se esperando Corn- No dia 19 de outubro de 1974, enviamos ao Comandante do Sexto Ba-prido e seu filho, muitos indios, que saudaram corn muita alegria a chegada talhao de Engenharia e Construck, corn sede em Boa Vista — Territ6rio Fe-da canoa que os transportava. deral de Roraima, o officio n987/74, comunicando a irregularidade cometida pelos trabalhadores da estrada, levantando inclusive a possibilidade de vir a Comprido que levava muitos presentes aos seus parentes, apressou ern ocorrer, em razão da desobediencia das normas por nas fixadas e dos tirosdespedir-se de Gilberto e de seus companheiros que tinham seguido na canoa disparados pelo cacador nas proximidades da aldeia dos indios Atroari, al- guma reacdo por parte dos indios, contra o pessoal da FUNAI, que se encon-e acompanhado de varios indios, seguiu imediatamente para a sua maloca. trava nos Postos de Atracao, como tambêm ate mesmo aos prOprios trabalha- dores da estrada. Gilberto, retornou ao Posto, confiante de que conseguira consolidar aamizade corn aquele grupo de indios Atroari chefiados pelo Indio Comprido. No dia 02 de outubro de 1974, os indios Atroari, atacaram o Posta de Atrack Alalau I I, na margem do rio Alalau. Em seguida, descendo o rio Alalau, ao passar na altura do trecho ondea estrada BR-174, corta o rio, constatou que na margem esquerda encontra- Gilberto e eu, antes mesmo de ocorrer o ataque dos indios, ja ha y famosva-se instalado urn acampamento de trabalhadores do desmatamento da Ro- decidido que por motivos de precaug g o iriamos mandar recuar todo o pes-dovia BR-174. soal que se encontravam prestando servicos no Posto de Atracdo Alalau II, Gilberto, foi ate ao local, e pediu aos trabalhadores que ali encontra- pois aquele Posto, era o que ficava mais próximo das aldeias dos indiosvarn-se que retirassem o acampamento das proximidades da margem do rio, Atroari e com o fato dos tiros disparados pelo trabalhador da estrada, pode-pois os indios ao passarem pelo rio, iriam fatalmente notar a presenca do riam os indios revoltarem-se e tentar alguma represélia.acampamento e viriam saber e conhecer quern estava ali. E isto poderia pro-vocar algum problema entre indios e trabalhadores da estrada. Alias, Gilber- Entretanto, antes que consegufssemos retirar todo o pessoal do Postoto, atraves da Sub-Coama ern Manaus, ja advertira o 29 Grupamento de En- de Atracao Alalau II, os indios atacaram o Posto no dia 02 de outubro degenharia e Construed° que ndo fosse instalado acampamentos nas proximi- 1974, por volta das 8:00 da manha.dades dos rios, para evitar que fosse ponto de atrack aos indios que viajas-sem pelos rios. Antes do ataque, recebemos a notfcia através de radiofonia, em que um grupo de indios Atroari, teria surgido no Posto de Atrack Alalau II, pro- Gilberto ao retornar a Manaus, fez-me a comunicaedo do fato. curamos imediatamente fretar uma aeronave e seguimos imediatamente para o local. Logo apOs sua chegada a Manaus, recebemos urn radiograma da area deAtragg o Waimiri Atroari, informando que o empreiteiro de nome André, Seguimos pela manha do dia 02 de outubro de 1974, a bordo de umaresponsevel pelo servico de desmatamento dos servicos de construed° da es- aeronave de propriedade da Igreja Adventista de Manaus, pilotada pelo Pas-trada Manaus-Boa Vista, estaria desobedecendo as normas de comportamen- tor Daniel.to dentro da area indigena, fixada por Gilberto, para que todos que traba-lhassem na construed° da rodovia obedecessem. Ao sobrevoar o Posta, notamos que os indios ja haviam atacado, pois o local parecia deserto e nao se is nenhum sinal de vida. Apenas na beira Segundo o radiograma, urn trabalhador do desmatamento da estrada, empregado do Sr. Andre, e do Sexto Batalhdo de Engenharia e Construed°, do rio, no local que servia de Porto as canoas, encontravam-se cinco Ubas, amarradas e sem ninguern. teria sido flagrado nas proximidades da aldeia dos indios Atroari armado e caeando, chegando inclusive a disparar varios tiros. 0 avi g o continuou sobrevoando a area e vasculhamos corn nossos 0 chefe do Posto que flagrou o cacador dentro da area dos indios nas olhos, toda a area desmatada a procura de um sinal de nossos companheiros. proximidades das aldeias, apreendeu a espingarda e conduziu-o sob ordens Mas nada. Tudo parecia deserto e sem vida. ate o acampamento do Sexto Batahe- 0 de Engenharia e Construed°, entre- gando-o ao oficial que respondia pela chefia do acampamento naquele dia Estava bem claro,que os indios tinham atacado os nossos companheiros que se encontravam naquele Posto. explicando-lhe o que ocorreria. 94 95
  • 49. Sabiamos que era muito perigoso, pousar a aeronave e descermos a pro- Pegamos urn saco de plastic° que o Pastor Daniel trazia consigo na aero-cure dos nossos companheiros. Entretanto tinhamos apenas três opcOes. A nave, colocamos o corpo do nosso companheiro Faustino Lima e embarca- mos no avigo.primeira, de n g o descermos e voltarmos a Manaus, para comunicar a nossossuperiores que o Posto de Atrac g o Alalau II, teria sido atacado pelos indios,e que tudo indicava, todos os que ali se encontravam estavam mortos. A se- Ter iamos que sair procurando os outros companheiros. 0 pastor Daniel,gunda era de descermos e verificarmos pessoalrnente o que ocorrera, poden- ficou no Posto e eu e Gilberto saimos a procure dos outros. Nao encontra-do inclusive, salvar algum dos nossos companheiros que por ventura ainda mos ninguern, e por vote das 17:00 horas daquele dia corn o corpo de Fausti- no a bordo da aeronave, seguimos rumo ao Posto de Atrac g o Alalau I ondeestivessem vivo ou ferido. A terceira °K g ° era descer e a exemplo de nossoscompanheiros, sermos vitimas de ataque dos indios, que tudo indicava ainda nas proximidades, tinha desaparecido urn grupo de 04 companheiros nossos,encontravam-se nas proximidades, pois as suas canoas, ainda estavam amarra- chef iados pelo chefe do Posto Jo g o Dion (sic) do None, conhecido como Jog° Maracaja.das no Porto do Posto. Eu e Gilberto, sabiamos do grande risco que cornamos quando decidi- Passarnos mais de urns semana nas buscas dos nossos companheiros de- saparecidos, conseguimos ainda salvar os de nome Ad g o e Esmeraldo, quemos pela opc g o de descer e procurar os nossos companheiros. Fizemos antes mesmo feridos, conseguiram fugir e grata as nossas buscas conseguiram sal-do avi g o aquatizar, urn pacto, que consistia no seguinte: se urn de nos viesse a var-se corn vida.ser flechado, na ocasi g o em que descessemos na area do Posto, não era paraser socorrido, pois ceria muito perigoso, a pessoa que tentasse socorrer, serv Itima tambarn de mais uma flechada.A pessoa que n g o fosse ferida, teria que ApOs o ataque dos indios, fizemos urn expediente ao 29 Grupamento de Engenharia e Construc g o, pedindo que fossem suspensos os trabalhos deabandonar o outro e voltar imediatamente para o avi g d, que ficaria corn o mo- construcg o da rodovia BR-174, ate que nos fosse possivel reorganizer astor funcionando e navegando pelo meio do rio, a salvo das possiveis flechadas. frentes de trabalho, desativadas em raz go do que ocorrera. Demos as Ultimas instrucOes ao Pastor Daniel, caso viessemos a morrer,de transmitir aos nossos familiares as nossas 6Itimas vontades, e nos jogamos Pessoalmente, fomos entregar o expediente ao Sr. Comandante do 29dentro do rio Alalau e nadando fomos nos aproximando da margem. Grupamento de Engenharia e Construc go ern Manaus. Combinamos tambêm que t g o logo "tomassemos pa" sairiamos corren- Na ocasi g o da entrega, eu e Gilberto, em conversa corn o Sr. Comandan-do no rumo da casa sede do Posto e ern zigue-zague, procurando assim evitar te na presenca de outros oficiais pertencentes aquela corporac go, ouvimospossiveis flechadas, pois tudo indicava que os indios estariam escondidos aquela autoridade informer que ja havia mandado se deslocar para a area dosdentro da casa. indios VVaimiri Atroari, um grupo de soldados do exarcito armados corn o objetivo de garantir, de qualquer modo a continuac g o dos trabalhos de cons- Foram as bracadas mais longa de minha vida, pod famos estar nadando trucg o da rodovia Manaus-Boa Vista. para a morte. Mas algo muito forte e dificil de se explicar nos dava coragem para prosseguir ao nosso intento. Simultaneamente saimos dagua correndo Aquela noticia assustou-nos, pois estavamos ali, exatamente numa ten- em zigue-zague, eu pela direita e Gilberto pela esquerda. tative, de pedir a suspens g o dos trabalhos de construc g o da estrada, para rea- valiarmos tudo que ja tinha sido feito e tenter reorganizar os trabalhos de Ao passar pela porta da cozinha da casa sede do Posto deparei-me com atracg o. E aquela informac go n g o nos dava nenhuma esperanca corn relacgo urns cena horrivel, urns cabeca humane estava equilibrada no batente da Aor- a sorte dos indios. ta e por ela escorria sangue e uma substancia amarela. Era a cabeca do nosso companheiro, Fautisno Lima, que tivera o seu corpo seccionado por uma fa- Dizendo, que a "Estrada tern que ficar pronta, mesmo que para isso te- cg ozada de urn Indio. nhamos que abrir fogo contra esses indios assassinos", o General Comandan- te, assumia séria responsabilidade quanto a sorte dos indios Waimiri Atroari. Em pouvos minutos, entramos na casa e encontramos tudo em desor- Complementando o seu discurso, o General disse: "Temos urn compromisso dem. Todos os pertences estavam fora do lugar e tudo revirado. 0 râcliofonia de entregar a estrada pronta. E n g o vai ser urn grupo de indios assassinos que do Posto, estava destruido a machadadas. Encontramos apenas o corpo de vai impedir o prosseguimento da obra". As palavras do General feriam os nosso companheiro Faustino Lima. Nao encontramos nenhum sinal dos ou- nossos ouvidos, pois tanto eu como Gilberto, haviamos acabado de retornar tros. 96 97
  • 50. da area Waimiri Atroari, apOs exaustiva busca de nossos companheiros que Gilberto permaneceu em Manaus, cumprindo determinacdo da alta dire-tinham sido vitimas do ataque dos indios, que acreditavamos teria sido pro- cdo da FUNAI, ate que foi comunicado que seria afastado dos trabalhos davocado pela presence nas proximidades de suas malocas de cacadores desobe- frente de atrac go Waimiri Atroari.dientes as normas fixadas por nos, e estävamos convencidos de que os indiosteriam agido de forma defensiva, e que era necessario muito cuidado para Foi um grande choque para Gilberto, pois ale ainda tinha esperancas de que alguma providencia poderia ser tomada no sentido de suspender osque ales n g o vissem em nets o desejo ou comportamento corn finalidades vin-gativas. A presenca de soldados do Exercito, armados dentro da area, mesmo trabalhos da estrada e através de contatos amistosos com os indios conse-que nab viesse a disparar nenhum tiro, possivelmente seria considerada pelos guir reatar a amizade que havia sido quebrada com o ataque ao Posto de Atracgo Alalau, no rio Alalau. indios como intengdo de vinganca. Entretanto, por mais que ndo quisessemos acreditar no que estavamos Em seu lugar seria nomeado o Sertanista Sebastido Amend°, que na-ouvindo, o General era incisivo quanto a possibilidade dos soldados que se- quela dpoca chefiava a frente de atrac g o do alto rio SolimOes, nos rios Ja-guiram para a area Waimiri Atroari, terem que realizar demonstracOes de for- vari, Itui e Itacoai.ca, através de disparos de suas potentes e mortiferas armas de guerra. Quando a noticia foi dada a Gilberto, de que seria afastado da frente de atracg o Waimiri Atroari, ale ficou muito magoado, pois parecia ate uma Antes de sairmos da sala do Comando, o General Comandante dirigin- punicdo, como ocorrera antes da vinda do "Padre Calleri" para a regiao,do-se diretamente a Gilberto perguntou "Que é que voce acha disso?" Gilber- quando ale tambem fora afastado dos trabalhos para que o Padre assumisseto com os olhos cheios de lagrimas, mal respondeu. Disse apenas: "General, a sua funcgo.na tentativa de fazer amizade com os indios Waimiri Atroari, mais de 60 fun-cionerios entre FUNAI e Servico de Protecao aos lndios, ja morreram procu- Surgiu entretanto um problema, Sebasti g o Amend° ndo quis assumirrando nunca tomar medidas repressivas contra aquele povo. Agora o que o a incubencia que a FUNAI determinara. Primeiro, porque Sebasti go Amgn-Senhor este me dizendo que fez e vai fazer, torna o sacrificio dos que perde- cio era uma pessoa que gostava muito de Gilberto, o tinha como uma asp&ram suas pr6prias vidas em defesa daqueles indios em vdo". de de professor. Segundo, era consciente que ri g () era possuidor do conhe- cimentos a altura para substituir o tao experimentado Gilberto que, por Saimos calados e tristes. Perguntevamos um ao outro: e agora? Tudo mais de 10 anus trabalhava junto aos Waimiri Atroari. Preferia permanecerque foi feito, teria sido inUtil? E que fazer de agora em diante? no seu trabalho que vinha desenvolvendo no alto do rio Solimaes, do que iniciar um trabalho, que ja era de conhecimento de todos, cheios de pro- Voltamos a conversar sobre o assunto, na sede da FUNAI em Manaus. blemas e de alto risco. Sebastido Amancio, que acompanhava mesmo de Quando imaginâvamos o que poderia ja ter ocorrido dentro da area Waimiri lunge as ocorrências, sabia da posicdo dos "patronos" da construc go da Atroari, sem que soubassemos pois a posicdo do General Comandante rig° estrada com relacdo aos indios e aos funcionarios da FUNAI, que insistiam deixava dtividas quanto a possibilidade de que antes de termos conhecimen- em tomar a defesa dales. to, ja teria ocorrido manobras "defensivas" por tropas do exercito dentro da area Waimiri Atroari. Talvez, tenha sido ate mesmo a causa do ataque Sebastido AmAncio, tentou por diversos modos convencer a alta dire- cg o da FUNAI, para revogarem a medida de nomee-lo encarregado da Fren- dos indios aos Postos de Atracgo, e n go aquela razdo que antes de termos te de Atrac g o Atroari. Entretanto como nao conseguiu, pediu para entrar conhecimento das intencOes do Comandante, imaginavamos. em gozo de ferias regulamentares e, nesse mein tempo, is tentar it ate Bra- silia e procurar convenser os dirigentes da FUNAI a mudar o que ja fora Comunicamos o fato a sede da FUNAI em Brasilia e ficamos no aguar- determinado. do de providências no sentido de voltarmos a reativar nossos trabalhos na frente de atracdo Waimiri Atroari. Necse mein tempo Gilberto, mesmo oficialmente afastado da frente de Atracdo Waimiri Atroari, permanecia em Manaus, aguardando seu substitu- Na regi g o dos indios Waimiri Atroari, apenas um Posto de Atrac go, con- to, sem que deixasse de manter contato diariamente com a frente de atracgo, tinuava ativado: o Posto de Atracdo do Santo Antonio do Abonari, regigo atraves do Calico Posto que ainda permanecia ativado na area que era o Posto que predominava a presenca do grupo Waimiri. de Atracdo Waimiri Atroari. 98 99
  • 51. Na chefia daquele Posto permanecia o Indigenista Marinelio Machado, ve o Decreto de Aposentadoria publicado no Diario Oficial da Uni5o. Per-que vinha adiando as suas ferias, desde julho de 1974, quando fez jus. Entre- guntei-lhe se pretendia realmente parar. Ele respondeu-me que nao, pois o so-tanto, em solidariedade a Gilberto, permanecia no trabalho, aguardando hora laria que recebia como aposentado era muito inferior ao que vinha rece- bendo como funcionerio da FUNAI e que alOm disto ele nk saberia fazermais oportuna. outra coisa a nk ser trabalhar "no servico de indios". E que is ver se a Coma no final do ano, mes de dezembro, epoca das chuvas, quando os FUNAI iria aceita-lo na condick de aposentado e ser recontratado.trabalhos nos Postos ficam quase paralisados, Marinelio saiu de ferias deixan-do em seu lugar um companheiro, conhecido pelo apelido de"Acaba Rancho: Gilberto que passara o dia de Natal pela primeira vez em case, juntoPessoa que tinha mais de trés anos de experiencia no trabalho de frente de com seus familiares, nk deixou de diariamente, entrar em contato com o Posto de Atrack Santo Antonio do Abonari, atraves do sistema de radiofo-atrack e tinha o name de Raimundo Pereira. nia. Os trabalhos da rodovia Manaus-Caracarai-Boa Vista estavam pratica-mente paralisados. Era fim de ano, e a maioria dos oficiais que trabalhavam Tudo naquele Posto corria bem, ate que no dia 20 de dezembro, Rai-na construc5o estavam licenciados em viagem para as suas cidades natal, onde mundo, o"Acaba Rancho: informou ao Gilberto o surgimento de urn grupo de indios Waimiri Atroari na sede do Posto e atraves de radiofonia, identifi-passariam as festas de fim de ano. cou inclusive por nomes os indios que la se encontravam. A presenca dos in- Poucos dias antes do natal, os jornais de Manaus noticiaram que indios dios no Posto era considerada normal, pois naquela alp aca do ano, quandoWaimiri Atroari, estariam surgindo na estrada BR-174, nas frentes de traba- as aguas dos rios comecam a subir, eles costumavam vir ate ao Posto para rea- lizarem trocas de presentes.lho de desmatamento e terraplanagem. E que os trabalhadores da constru-ck estavam temerosos que os indios promovessem algum ataque, a exem-plo do que ocorrera com o Posto de Atrack Alalau II da Fundack Nacio- 0 grupo era composto de homens, mulheres e criancas e estavarri chefia- dos pelo ja conhecido e amigo de todos do Posto, Indio sexagenario Maruaga.nal do India — FUNAI. A presenca de mulheres e criancas e velhos, deixou Gilberto tranqUilo, pois em nenhum dos ataques dos indios Waimiri Atroari a Postos da FUNAI e A direck da FUNAI, determinou que Gilberto deslocasse ate a area e SPI ocorrera quando os indios estavam acompanhado de suas esposas e fi-verificasse pessoalmente o que estava ocorrendo. lhos. Os ataques sempre ocorreram quando os visitantes indios sk apenas homens adultos e adolescentes. Nunca quando estk acompanhado de suas Gilberto esteve no local, percorreu todo o tracado da estrada, dentro tam (I ias. da reserva Waimiri Atroari e n5o encontrou nenhum sinal de que os indios tivessem estado nas proximidades dos acampamentos de servico dos trabalha- Raimundo, comunicou a Gilberto de que os indios estavam perguntan- dores na construck da estrada. do por ele, mas ao saberem que ele n5o estava n5o fizeram muito caso. E que num dado momenta da transmiss5o da mensagem de radiofonia o prOprio Ao retornar, informou-me que tudo indicava que a noticia publicada Maruaga, escutara a voz do Gilberto no radio e identificou como se fosse. nos jornais, tinha sido com a intenck de que o Sexto BEC permitisse tam- dele ficando aparentemente satisfeito de ouvir a sua voz. Entretanto Gilber- barn que os trabalhadores, no militares, pudessem suspender os trabalhos to, que ja não era mais o Chafe da Frente de Atrac5o Waimiri Atroari, tal- e viessem passar os dias de festas de fim de ano, em Manaus, com seus fa- vez, com o desejo de rever as indios antes de sua saida de fato da area, re- miliares. solveu it ate ao Posto de Atrac5o Alalau. Gilberto, informou ainda que estivera no acampamento do Exercito no Km 220, nas proximidades do Igarape Santo Antonio do Abonari, local onde Seguiu para o local em um avian fretado que pousou na pista existente existia uma pista de pouso para pequenas aeronaves e la quase nk encontrou nas proximidades do igarape Santo Antonio do Abonari, exatamente no local ninguern. Apenas alguns soldados chefiado par um cabo, que tinha ficado onde a rodovia BR-174, cruza aquele igarapd. Fica prOximo tambOrn ao como vigia daquelas instalacOes. acampamento do ExOrcito no Km 220 da BR-174. Logo apOs o natal, na sede da Delegacia Regional da FUNAI, encontrei- Tao logo Gilberto chegou ao Posto de Atrack Santo Antonio do Abo- me com Gilberto que me comunicou ter sido aposentado, mostrando inclusi- nari, comunicou-se com a sede da FUNAI em Manaus, atraves de radiofonia, 101 100
  • 52. condicEres, quaisquer anormalidades que por acaso viesse a ocorrer nas pro-informando que a situac5o no Posto estava tranquila e que n5o existia moti- ximidades da casa-sede. Isto era justificado por Gilberto que dizia que asvo para preocupac5o. pessoas que estao dentro da casa sempre tern a vis5o restrita e uma pessoa que esta de longe e fora de casa, tern condicdo de observar qualquer movi- 0 substituto do Delegado da FUNAI em Manaus, cujo titular encontra- mento anormal por acaso praticado pelos indios visitantes.va-se viajando para Brasilia, manteve contato tambam corn Gilberto atravésde radiofonia, perguntando sobre a situack. Gilberto repetiu tudo que jatinha dito, reafirmando que a situac5o era calma e que tudo estava correndo Pelo depoimento que me prestou o indio Ivan ele, naquela tarde, te-bem. Na ocasiao o substituto do Delegado Regional da FUNAI ern Manaus, ria sido o escolhido para ser o "observador", tendo ele amarrado a sua redetransmitiu a Gilberto, uma pergunta que um determinado Major do 29 Gru- em uma arvore no outro lado do rio Santo Antonio do Abonari, na frentepamento de Engenharia e Construc5o teria mandado fazer e que na hora da sede do Posto.parecia um pouco absurda. Pois o referido Major mandara perguntar a Gilber-to e queria a resposta, que fosse informado o que é que os indios estavam No Ultimo contato via radiofonia corn a sede da FUNAI em Manaus,querendo no Posto. Gilberto ao ouvir a pergunta formulada e transmitida naquela tarde de skado, dia 28 de dezembro de 1974, por estar tudo nor-pelo radiofonia, ficou irritado, pois nao cabia a pergunta. Os indios, segundo mal no Posto, Gilberto dispensou o plant5o que normalmente o servico deo pr6prio Gilberto afirmara na ocasi5o, andam por onde querem e n5o de- radio da FUNAI em Manaus fazia aos domingos, quando os Postos devem explicar as suas visitas. Atracão estavam recebendo visitas, como era o caso do Posto de Atracao Santo Antonio do Abonari. Sabia-se,entretanto, q ue desde o ataque dos indios ao Posto Alalau II em02 de outubro de 1974, que o sistema de radiofonia, da FUNAI, estava sobcensura. Isto foi comprovado, quando um certo dia, um dos Postos Ind ige- No domingo dia 29 de dezembro de 1974, por volta do meio dia, onas, estava chamando o radio da FUNAI em Manaus e n5o conseguiu respos- corpo de Gilberto Pinto Figueiredo Costa encontrava-se no necrot4rio dota. Na ocasi5o recebemos um telefonema do servico de radio do exarcito, avi- Hospital Gethio Vargas, em Manaus, que teria sido trazido por oficiais dosando do chamado do Posto,que n5oestava-mos ouvindo.Este fato comprovou exdrcito, que se encontravam no acampamento do Sexto Batalh5o de En-que o sistema de radiofonia da FUNAI em Manaus,estava sob escuta perma- genharia e Construc5o, localizado no Km 220 nas proximidades do Igara-nente e sob censura. pa Santo Antonio do Abonari. E, I6gicamente,todas as transmisseies de mensagens entre os Postos I ndf- A versäo oficial, informava que Gilberto e seus companheiros que segenas e a sede da FUNAI eram captados pelo sistema de escuta. encontravam no Posto de Atrac5o Santo Antonio do Abonari, tinham sido vftimas de ataque dos indios Waimiri Atroari, os mesmo que se encontravam No &aback) a tarde, dia 28 de dezembro de 1974, Gilberto informou em visita ao Posto, desde o dia 26 de dezembro eque,segundo Gilberto, na-atravas de radiofonia, que tudo estava bem no Posto e que os indios que la quele dia 29 de dezembro estariam retornando as suas malocas.se encontravam em visita, estavam preparando-se para irem embora na manh5do dia seguinte. Os brindes ja tinham sido trocados e estavam satisfeitos corn A noticia do ataque dos indios Waimiri Atroari ao Posto de Atrac5oos negOcios. Tudo estava correndo na mais perfeita ordem. Santo Antonio do Abonari teria sido dado ao pessoal do acampamento do Km 220 da BR-174, do Sexto Batalh5o de En g enharia e Construp5o pelo Gilberto era uma pessoa que possuia muita experiancia no trato corn os fndio aculturado Saterá-Mauë, de nome Ivan, que trabalhava na frente indios e por isto mesmo em nenhuma hora ficava desatento ao comporta- de atrack e que na ocasi5o teria conseguido fugir correndo pela selva. mento deles. Principalmente porque esses mesmos indios ja haviam atacados värios Postos da FUNAI. Gilberto usava inclusive urn sistema de seguranca Segundo informaceSes oficiais, ap6s a noticia dada por Ivan sobre quando no Posto em que ele se encontrava era visitado por grupos indigo- o que ocorrera no Posto de Atrack Santo Antonio do Abonari, alguns nas, mesmo naquele caso, que os indios estavam acompanhados de suas mu- oficiais e soldados do exórcito que se encontravam naquele domingo no lheres e criancas. Gilberto sempre no final da tarde quando a noite se apro- acampamento do Sexto Batalhao de Engenharia e Construc5o, no Km 220 ximava, determinava que um dos companheiros de trabalho, atravessase o da BR-174, seguiram imediatamente para o local a bordo de duas canoas rio, ou procurasse amarrar sua rede em local pouco distante da area do Pos- movidas a motor de popes to, para que de la pudesse ver toda a area do Posto e detectar, em melhores 102 103
  • 53. Polo depoimento de Ivan, ficou uma clOvida quanto, quem estaria ati- rando, pois os indios Waimiri Atroari n5o sabiam utilizar-se de armas de fo-go, nem as possu Cam. Gilberto e seus companheiros por formac5o indigenis-tas, dificilmente teriam atirado nos indios. E o que fazia Gilberto, em pa,na varanda do Posto, gritando e gesticulando enquanto os indios corriampara a math?. 0 que ocorrera naquela manh5 para mudar as intencOes dosindios ao ponto de voltarem-se contra os funciorthrios da FUNAI no PostoSanto Antonio do Abonari?. A hipOtese dos indios atacarem o Posto eraremota, pois eles nunca tomam nenhuma medida belicosa quando est5o a-companhados de suas mulheres e filhos. E a maioria dos visitantes eramcriancas, mulheres e velhos. Mesmo que a hip6tese de ataque dos indios VVaimiri Atroari fosse amais provável, eles em toda a hist6ria de ataques que realizaram, nunca dei-xaram os atacados reagirem. Usavam sempre estrategias de surpreender quemeles iriam atacar,nunca ocorrendo um confronto direto.A n5o ser quando osatacados tomassem a iniciativa e isto nunca iria acontecer por parte de Gil-berto. S6 o tempo, um dia talvez, possa desvendar o mistério que envolveu amorte de Gilberto e seus companheiros de trabalho naquele dia 29 de dezem-bro de 1974. 105
  • 54. A politica da Fundacao Nacional do Indio — FUNAI antes da morte de OS WAIMIRI ATROARI Gilberto Pinto Figueiredo, em dezembro de 1974, de atrair os indios Waimiri depois da morte de Gilberto Pinto Figueiredo Atroari, tinha como uma das diretrizes, a de evitar por todos os meios que os indios viessem a circular pela estrada Manaus-Caracara I, quando ela viesse Ap6s a morte de Gilberto Pinto Figueiredo Costa, funcionario da a ficar transithvel.FUNAI — Fundacao Nacional do Indio, encarregado de chefiar a atracaodos indios Waimiri Atroari, no dia 29 de dezembro de 1974, no Posto de Os postos de atrac5o aos indios Waimiri Atroari eram instalados emAtrack Santo Antonio do Abonari, o Org5o oficial de assistencia aos indios locais onde a atracão fosse dirigida para longe do tracado da estrada Manaus-no Brasil — FUNAI, mudou os seus matodos de atracäo aqueles silvicolas. Caracara i-Boa Vista. Temia-se que os indios, quando a estrada estivesse pron- ta e com tránsito regular e passassem a ter contatos indiscriminados com os Para substituir Gilberto, apOs a sua morte, foi nomeado inicialmente o transeuntes, Io que infelizmente esta ocorrendo agora), viessem a contrairSertanista Apoena Meireles, que procurou, ao inves de contatar corn indios, doencas e receber influèricias negativas no seu sistema de vida.atraindo-os aos Postos de Atrack, construir uma infra-estrutura administra-tiva, aumentando substancialmente o efetivo material e pessoal, instalando Exemplos ja existiam na al p aca, em locals onde estradas atravessavaminclusive Postos de Vigilência na estrada Manaus-Caracarai, dentro da reser- reservas indigenes, corn resultados negativos e destruidor da comunidades in-va Waimiri Atroari. d igenas habitantes naquelas areas. Apoena passou pouco tempo chefiando a Frente de Atrac5o Waimiri Na nova politica de atracao da FUNAI, em que a frente de atrac5o pas-Atroari. N5o chegou a manter contato corn os indios. Retirou-se da chefia sou a ter como base o eixo da rodovia Manaus-Caracarai, exatamente ao con-da Frente de Atrack, transferindo a responsabilidade para o tambern Ser- trario da politica anterior, fez com que alguns grupos de Waimiri Atroari,tanista Sebasti5o Firmo, ex-funcionario da frente de atracão Waimiri Atroa- viessem a construir suas novas malocas nas margens da rodoviapas proximi-ri, na epoca em que Gilberto comandava. midades dos Postos da FUNAI. Sebasti5o Firmo, em novembro de 1975, nas margens do rio Alalau, on-de a rodovia Manaus-Caracarai-Boa Vista, cruza aquele rio, manteve contatos Hoje existem nas margens da estrada Manaus-Caracaraf-Boa Vista- BR-amistosos com um grupo de indios Atroari, que surgiu na estrada, ap6s cerca 174, mais de 3 aldeiamentos dos indios Waimiri Atroari, que vem mantendode um ano sem contatos. indiscriminadamente e de forma desordenada contatos com os transeuntes da rodovia. Desde ent5o, os contatos corn os indios Waimiri Atroari foram aumen-tando. Os indios passaram a visitar quase que diariamente a estrada e os a- A FUNAI que continua incentivando os indios a permanecerem eli re-campamentos dos funcionarios da FUNAI na estrada, que atingia cerca de sidindo nas proximidades da estrada, consciente do mal que estä fazendo,200 pessoas, instalados nos Postos de Vigil5ncia da FUNAI, dentro da reserva assume urn risco e a responsabilidade de todos os males que por ventura jaWaimiri Atroari, na margem da rodovia BR-174. adquiriram e irk adquirir por estarem residindo nas margens da rodovia. Corn a intensidade da circulacao de veiculos na BR-174 — Manaus-Cara- Nos meses de maio e de junho de 1981, surgiu entre os indios habitan-carai-Boa Vista, a Fundack Nacional do Indio — FUNAI, no sentido de pro- tes nos aldeiamentos instalados na margem da rodovia Manaus-Caracarai —teger os transeuntes e possiveis ataques dos indios, criou os chamados Postos BR-174, onde a Fundacao Nacional do Indio — FUNAI, ostenta uma infra-de Vigil5ncia e Equipes Volantes de Batedores que seguiam acompanhando estrutura composta de casas, galpOes, veiculos e pessoal, capaz de atender,os comboios de veiculos que se formavam para cruzarem a area da reserva se quiser, mais de duas centenas de indios enfermos, u m surto de sarampodos indios Waimiri Atroari. que contaminou toda a populac5o daqueles aldeiamentos. Nenhum incidente grave foi reg strado nesses 1.1 ltimos seis anos. Nenhum A origem da contaminacäo do sarampo, sem sombra de dirvida, foi dodos transeuntes foi molestado pelos indios. E a FUNAI foi relaxando a vigi- contato indiscriminado que os indios Waimiri Atroari, vem mantendo corn15ncia e hoje é comum urn carnioneiro parar seu veiculo e oferecer carona os transeuntes da estrada e que por lapso da prOpria FUNAI, a tudo permi-aos antes temidos indios Waimiri Atroari. te sem a necesseria intervenc5o.106 107
  • 55. Os indios habitantes nas proximidades da rodovia e ali instalados porinduc5o da pr6pria FUNAI, bem que poderiam ter sido vacinados contra o represarnento das aquas do rio Uatuma, na altura da cachoeira Balbina, quesarampo, medida esta elementar quando se leva a seri° um contato com in- vira provocar a inundack de cerca de 1/3 da area ja reservada para os indios Waimiri Atroari.dios ainda nao acostumados ao convivio com a sociedade dita civilizada. En-tretanto os encarregados da frente de atrac5o não tiveram esta iniciativa, Ao leste da reserva, ja encontra-se em pleno funcionamento a Empresapreferiram esperar que acontecesse, para depois lamentar. limbo Minerac50 Ltda, pertencente ao grupo Parapanema que este explo- rando os recursos minerais da area dos indios Waimiri Atroari. Dos cento e setenta e quatro indios que residiam nas aldeias a margemda Estrada BR-174, 21 deles morreram a mingua, sem os cuidados medicos A FUNAI ja comecou a enviar a area, seus antrop6logos e tecnicos, su-necessarios. Funcionarios da FUNAI, que lidam diretamente corn os indios, pervisionados por Coroneis, propondo urn estudo visando a diminuic5o daos atendentes de enfermagem, quando descobriram o surto de sarampo, ape- area e aconsequente liberac5o das terras as empresas de Minerack que pre-laram a administrac5o do &Or) pedindo socorro, tentando assim evitar em tendem nos pr6ximos anos instalarem seus equipamentos no territOrio dostempo que o sarampo viesse a provocar mortes e maiores sofrimentos entre indios Waimiri Atroari.os indios acometidos do mal. Os apelos n5o foram atendidos. A administra-cdo da FUNAI em Manaus omitiu-se quanto ao tratamento intensivo e aos No INCRA em Manaus s5o encontrados documentos de mais de 30cuidados solicitados pelos funcionarios ligados a area de sa6cle. E, 17 mulhe- p roprieterios corn titulos registrados em cartOrio, da area compreendida pelares e 04 homens, as vistas dos funcionerios, morreram sem que eles pudes- reserva Waimiri Atroari, territOrio tradicionalmente habitado por aquelessem fazer alguma coisa. indios. A morte de 21 indios Atroari, vitimas de sarampo e por total descaso Em pouco, tempo, se a politica n5o mudar, so ouviremos falar dos in-do 6rg5o encarregado de assistencia aos indios, demonstra claramente as in- dios Waimiri Atroari, atraves de bibliografia em citees nas bibliotecastencOes da atual politica indigenista brasileira, hoje sob tutela de urn grupode militares, que oriundos da chamada "Comunidade de InformacOes" vemcolocando em pratica uma politica Genocida, visando simplesmente a exter-minac5o das comunidades indigenas no Brasil. 0 sarampo que contaminou o grupo indigena Waimiri Atroari, que seencontra residindo nas proximidades da rodovia BR-174 Manaus-Caracarai-Boa Vista, espalhou entre os indios do mesmo grupo que ainda n5o mantemcontatos corn o pessoal da FUNAI, resistindo ao contato nas malocas no cen-tro da selva, eles contaminados, sem nenhum cuidados medicos tambem vie-ram a falecer. E o que se deduz. 0 nOrnero portanto de mortos em raz5o do surto de sarampo surgidoentre os indios Waimiri Atroari em maio e junho de 1981, ainda esta porser precisado, pois fatalmente nunca se sabers o nUrnero de vitimas provoca-das pelo surto. Mesmo depois deste tragic() fato, a FUNAI nose preocupou em vaci- nar os indios contra doencas evitaveis e nem mesmo intensificou a vigilancia na estrada para que os transeuntes evitem de manter contato corn os indios Waimiri Atroari. Nas proximidades da area tradicionalmente ocupada pelos indios Wai- miri Atroari este sendo constru Ida uma usina Hidreletrica, que utilizara o 108 109
  • 56. A RESERVA INDIGENA WAIMIRI ATROARI Jauaperi nas coordenadas aproximadas de 61°13W e 0 0 355, dal subindo este rio a foz do seu afluente rio Alalau, subindo este ate a foz do riacho Desde o in icio dos trabalhos do Servico de Proteck aos Indios —SPI, sem nome, seu afluente da margem esquerda, nas coordenadas aproximadasno Estado do Amazonas e da Primeira Inspetoria corn sede em Manaus, que de 60°28W e 0 0 495, subindo este riacho ate sua cabeceira, por umaforam feitas Arias tentativas de fixar limites ao avanco da sociedade n g o in- linha reta e seca ate a cabeceira do riacho sem nome, afluente da margemdigena sobre o territ6rio dos (ndios Waimiri Atroari. direita do rio Uaturn g , nas coordenadas aproximadas de 59°59W e 0037S, dal descendo este riacho ate sua foz no rio Uaturng. A instalacg o pelo SPI do Posto Incligena Mahaua, nas margens do rioJauaperi, visando principalmente defender a integridade do territhrio dos Leste: Deste ponto descendo o rio Uatum g ate a foz do seu afluenteindios Waimiri Atroari foi o primeiro passo para a criac g o de uma reserva Igarapé Santo Antonio do Abonari ate sua cabeceira do riacho sem nome,para aqueles Indios. primeiro afluente da margem direita do rio Curianau partindo de sua foz, nas coordenadas aproximadas de 61°01W e 1 0 42S, descendo esse riacho ate 0 primeiro document° sobre a reserva Waimiri Atroari, foi a Lei n9941 a foz do rio Curiau e por este rio abaixo ate a sua foz no rio Camanau.de 16 de outubro de 1917, que no artigo 59, destinava as terras da margemdireita no rio Jauperi, para os indios "Waimiris". Oeste: Subindo o rio Camanau ate sua cabeceira principal. Entretanto,em 1921, o ent5o Governador do Estado do Amazonas, o A area da reserva ficou com extens go aproximada de 1.611.900 ha, en-Desembargador Rego Monteiro, visando afastar qualquer impecilho as inten- cravada no municipio de Airgo, no Estado do Amazonas.cOes de seu sobrinho Simpl Icio Coelho Rezende Rubin, de tomar conta dasterras dos indios Waimiri Atroari, revogou a Lei n9 941 e promoveu assim A reserva entretanto n5o englobou toda a area habitada pelos indiosa oficializack da invask ao territOrio indigena. Waimiri Atroari. Muitas malocas dos (ndios e areas de caca ficaram de fora. As malocas instaladas na margem direita do rio Alalau e muitas outras na Mesmo assim, sem a protec5o das leis, ou de reservas legalmente consti- regi g o central, alem do Alalau n5o foram consideradas e os limites fixadotuidas, os indios Waimiri Atroari, ap6s recuarem suas moradias da foz do pelo Decreto 68.907, deixaram-nas de fora da reserva.rio Jauperi para as cabeceiras do rio Alalau, da foz do rio Camanau para aregi go nascentes daquele rio corn as nascentes do Igarape Santo Antonio do Na época os indigenista da FUNAI, principalmente Gilberto Pinto Fi-Abonari, da Foz do rio Uatum5, para a area de sua cabeceiras, nao permitiam gueiredo, protestaram contra o fato da reserva n5o atingir toda area realmen-o avanco da presenca do homem civilizado para dentro daquele territario. te ocupada pelos indios Waimiri Atroari. Entretanto nada de positivo con- seguiu-se. A alegac5o era sempre de que por se tratar de uma regi5o inospita, E toda a vez, que algum corajoso, aventurava-se a penetrar no Ultimo re- não havia necessidade de retificar o Decreto que criara a reserve e que como duto dos Waimiri Atroari, fatalmente pagava corn a prOpria vida. ainda n g o se tinha conseguido contatar com a maioria do grupo indigena, seria melhor esperar o contato para definir ao maior precis go os limites da Entretanto com o in(cio da construcio da rodovia BR-174 — Manaus- area. Caracara(-Boa Vista, e aptis o insucesso da miss5o Calleri e por proposta de indigenistas da Fundac g o Nacional do Indio — FUNAI, destacando-se a parti- Entretanto em agosto de 1974, conseguiu-se que nova area fosse inter- cipac5o pessoal do indigenista Gilberto Pinto Figueiredo, foi criada a reserva ditada para fins de atracg o dos indios Waimiri Atroari. Mais uma vez, ri5o denominada Waimiri Atroari, atravês do Decreto n9 68.907 de 13 de junho obstante ficaram de fora do Decreto que fixou os limites: de 1971. Decreto 74.463 de 26 de agosto de 1974, fixava os seguintes limites Os limites fixados n g o foram exatamente os propostos por Gilberto. A para esta nova area a ser acrescida a reserva decretada inicialmente para os area proposta era muito maior da que foi considerada reserve indigene pelo indios Waimiri Atroari. Decreto a seguir: Norte: Partindo do rio Jauaperi, na altura da ilha Graziela, num ponto "Ao norte: partindo da cabeceira do rio Camanau por uma linha reta e de coordenadas 61°05W 0 0 20S por linha seca ao rumo geral leste, numa seca ate a foz de urn riacho sem nome, afluente da margem esquerda do rio extensg o aproximada de 4 quilometros ate a cabeceira do riacho denomina- 110 111
  • 57. de 1978, incluindo, consequentemente,na area de reserva, a area de 03 malo- cas que se encontravam fora dos limites da reserva Waimiri Atroari e das areas anteriormente interditadas. A Portaria n9 511 N, juntamente corn os Decretos 68.907/71, 74.463/74 e 75.310/75, delimitaram a area minima do territOrio dos indios WaimiriAtroari, que na apoca ja era uma ilha entre urn sem nirmero de novos vizi-nhos que se instalaram na regik corn projetos de explorack de madeira,agropecuaria e minerac5o. A Portaria n9 511 N, foi o Ultimo documento oficial que visava a prote-c5o do territ6rio dos indios Waimiri Atroari. Estes diplomas, mesmo de forma fragil, mas que reconheciam oficial-mente a area dos indios Waimiri Atroari, foram a principal defesa do territO-rio daqueles indios a frente de varias tentativas de invas5o. Entretanto no decorrer dos anos e corn a instalack de projetos de ex-ploracao agricola e madereiro nas proximidades da reserva, aventureiros eespeculadores, corn a parcimonia de 6rg5o oficial, chegaram a registrar comopropriedades particulares, vastas areas dentro da reserva dos indios WaimiriAtroari. Mesmo corn registro, ou declarack de posse junto ao INCRA e "pagan-do impostos", estes falsos proprietarios nunca se arriscaram a tomar de suadeclarada propriedade, talvez pelo grande terror que os regionais ainda culti-y arn corn relack a agressividade dos indios Waimiri Atroari. Corn autorizacao da Fundack Nacional do Indio — FUNAI, encontra-se instalada dentro da reserva Waimiri Atroari a empresa de mineracdo Tim-bb Mineradora Ltda, pertencente ao grupo Parapanema, que se encontra ernplena atividade exploratOria na regi5o leste da reserva. Nas proximidades da reserva Waimiri Atroari, no rio Uatum5, abaixourn pouco do limite Noroeste esta sendo construido a usina hidreletrica de-nominada Balbina, que usara o represamento das aquas do rio Uatum5, comoforca hidraulica, formando um grande lago a jusante da barragem, que pro-vocara a inundaq5o de cerca de 1/3 da area da reserva Waimiri Atroari. Ern janeiro de 1979, a ELETRONORTE comunicou a FUNAI que iriainiciar os trabalhos da construck da Barragem que represara o rio Uatum5,informando o nivel que a 15mina dagua atingira e a sua influancia na areada reserva Waimiri Atroari. A inundac5o de parte da reserva Waimiri Atroari, atingirth tambern par-te da rodovia BR-174, que liga Manaus-Boa Vista, exatamente no trechoda estrada que fica dentro da area dos indios. 113
  • 58. Entretanto,sabe-se que existem duas alternativas para solucionar a pro-blema da inundacao de trecho da rodovia. 1) Alteamento dos trechos atingi- DIMINUICAO DA RESERVA WAIMIRI ATROARIdos. 2) Construcao de uma nova estrada, contornando o lago que se formaradentro da reserva Waimiri Atroari, quando da construcao da barragem na ca- Quando este livro ja se encontrava composto, surgiram fatos novos, quechoeira Balbina. vieram confirmar minhas previsOes e infelizmente, foram tomadas novas medidas pelo poder publico, visando destruir o que resta dos indios conheci- Sabe-se tambarn que a construcao de uma nova estrada ja foi determina- dos como WAIMIRI ATROARI.do. Os trabalhos de levantamento topogréfico ja foram realizados. Mais umavez o territOrio Waimiri Atroari sofrera depredaceies. No ano de 1980, a FUNAI, tendo a frente da sua administracao o bisonho Coronel da reserva Joao Carlos Nobre da Veiga, pessoa declarada inimiga dos Mdios, vinha tomando uma sarie de medidas visando diminuir algumas das poucas reservas indigenas ja existentes no territOrio nacional. Sabe-se que o referido Coronel Joao Carlos Nobre da Veiga, tinha e ainda mantem estreitas I igacOes com grupos economicos do ramo de explora- cao e extracao de minarios. Talvez por isto, tenha facilitado que a empresa Paranapanema S/A, conseguisse obter junto ao D.N.P.M, do Ministório de Minas e Energia, alvara de pesquisa na area nordeste da reserva indigena Waimiri Atroari. Depois de um ano de pesquisa a empresa Paranapanema, constatou a existancia de uma grande jazida de estanho na area em que pesquisava dentro da reserva indigena WAIMIRI AT ROAR I. Para exploracao da jazida, foi elaborado o Projeto Pitinga, corn previsao de investimento na area de US$ 5.000.000 (vinte e cinco milhOes de &flares) para aplicapao nos anos de 1982 e 1983 0 potencial da jazida foi estimada em 28.000 toneladas de estanho, perfazendo um montante de US$ 420.000.000 (qutrocentos e vinte milhees de d6lares). Entretanto o projeto enfrentava dificuldade para sua aplicacao, face a jazida encontrar-se encravada dentro da reserva indigena WAIMIRI ATROARI. A dificuldade foi afastada, pois a pr6pria FUNAI, tutora dos indios e responsavel pelo zelo e conservacao da posse e usufruto pelos indios das tiaras por eles habitadas, atraves de seus dirigentes, inclusive seu Presidente, Cel. Nobre da Veiga, vinha praticando uma politica de traicao aos seus tutelados e declaradamente de posicao favor-a y & a grupos economicos invasores dos territorios ind igenas. 115 114
  • 59. ATRACAO e PACIFICACAO DOS INDIOS WAIMIRI ATROARI", inver- Tao logo a firma PARANAPANEMA procurou a FUNAI para tentar tendo totalmente o processo de forrnalizacao de uma Reserva Indigena,conseguir a necessaria autorizacao para explorar a jazida existente na area pois a medida tomada nao caberia, pois a reserva indigena ja estava legalmen-nordeste da reserva indigena WAIMIRI ATROARI, foi desencadeado urn te criada e corn os limites ja bem definidos pelos Decretos n9 s : 69/907/71 eprocesso de elaboracao de proposta para diminuicao da area da reserva. 74.463/ 74 e 75.310/75. Atraves do Departamento Geral de Patrim6nio Indigena da FUNAI, Alem do ato de acabar corn a Reserva Indigena, tornando-a em apenasforam nomeadas varies comissOes de antrop6logos — (Recem contratados numa "Area interditada" o Decreto 86.630/81 de 23.11.81, diminuiu a Areapela FUNAI em substituicao a urn grupo de indigenistas, que por nao con- em 526.800 hectares, exatamente a Area pretendida pela emprdsa de minera-cordarem corn a politica posta ern pre-Lica pela administracao do Cel. Nobre cg o PARANAPANEMA S/Ada Veiga) para reestruturarem em carater de urgência a diminuicao da reservaindigena WAIMIR ATROARI de tal sorte que deixasse de fora a jazida de es- Urn verdadeiro absurdo, um verdadeiro crime contra a populac go indi-tanho descoberta pela empresa PARANAPANEMA. gena WAIMIRI ATROARI, pois devido a sua condic go de indios ainda arredios, riao tern condicOes de protestarem publicamente contra o abuso e Entretanto, mesmo usando os antropOlogos recem contratados, o traicào praticado pelos seus tutores.D.G.P. I., sob o comando do Cel. Pagano, nao conseguiu que fosse elaboradoa proposta de diminuicao da reserva indigena WAIMIRI AT ROAR I. Resolveu entao o Diretor do D.G.P.I, Cel. Pagano a nomear urn seucolega, o Coronel da reserva de nome NEY FONSECA e sua principal as-sistente, a antrop6loga de nome Hildegart Rick, para dar uma solucaourgente no "caso" Paranapanema. 0 Cel. Ney Fonse e a antroplogaHildegart estiveram na area dos indiosWAIMIRI ATROARI, num periodo de 2 (dois) dias e fizeram rapidos sobre-v6os sobre a mata, verificando, segundo alegaram ern seu relat6rio, a existan-cia ou nao de malocas de indios Waimiri Atroari, nas proximidades do acam-pamento da empresa pesquisadora de minerios, PARANAPANEMA. Como nao "viram" nenhuma maloca nos rapidos e "arriscados" sobre-v6os que fizeram sabre a mata amazOnica, no processo, ja ern andamentoproporam a DIMINUICAO DA AREA DA RESERVA INDIGENA WAIMIRIATROARI. A proposta de diminuicao da reserva indigena, foi remetida ao Ministe- rio do Interior (Processo FUNAI BSB/2625/81), ern carater de urgancia e em seguida encaminhado a Presidencia da Rep6blica para formalizacao do Decre- to. Em 23 de novembro de 1981, o Presidente Figueiredo, atraves do Decreto n9 86.630/81, revogando todos os decretos anteriores (Decretos 68.907/71 de 13.07.71, 74.463 de 26.04.74 e 75.310 de 27.01.75 que criava e aumentava a Reserva indigena Waimiri Atroari), tornou EXTINA a Reserva Indigena WAIMIRI ATROARI, transformando a area habitada por aqueles indios, como "AREA INTERDITADA TEMPORIAMENTE PARA FINS DE 116 117
  • 60. fe da Assessora de Estudos e Pesquisas da FUNAI, Cel. Ivan Zanoni Heusen, assumiu a questäo "PARANAPANEMA" e procurou novas formulas para NOVA ESTRADA DENTRO DA TERRA DOS INDIOS atender o desejo daquela empresa de mineracao. WAIMIRI ATROARI Sugeriu, que tendo em vista a necessidade premente e inevitävel de ser Corn a extincg o da reserva indfgena Waimiri Atroari, que passou a ser construido a estrada, fosse criado na area, uma infra-estrutura por parte daapenas uma "area interditada temporariamente" e a diminuic go da area, dei- FUNAI, visando evitar possiveis reacOes dos fndios contra os construtores daxando I ivre e desembaracada 526.800 hectares para a empresa Paranapanema estrada e futuros transeuntes da rodovia, quando a PARANAPANEMA S/AS/A, foi dado o prosseguimento ao processo de instalac go do Projeto Pitinga, iniciasse o transporte do minerio.daquela empresa, que visa a exploracg o de jazida estanifera. Sugeriu tambam que fosse cobicado urn elemento que conhecesse os fn- dios WAIMIRI ATROARI, para exercer suaseatividades de sertanista e indi- Entretanto Paranapanema S/A, n g o satisfeita corn os 526.800 hectares genistas junto as equipes de funcionarios da PARANAPANEMA S/A, visandodas terras indfgenas que lhe foram, n go se sabe a que preco, cedidas pela dire- a protecgo dos trabalhos a serem realizados quando da construc go da estra-cg o da FUNAI, passou a exigir daquele Orgao, que lhe autorizasse a construir da.dentro da nova "area interditada" uma estrada para utilizac go em cargterprivado e exclusivo, com o fim de escoar por rodovia, o minerio a ser retira- A pessoa escolhida foi eu. E pessoalmente fui convidado pelo Cel. Zano-da da jazida de estanho que se encontra na area incligena, hoje em poder ni. Como sent( que por tit do convite existia interesses n go confessados, edaquela empresa. que a firma PARANAPANEMA estava invadindo terras indigenas, recusei No period() em que a Paranapanema formalizou a FUNAI o pedido em principio o convite, propondo que antes de qualquer resposta, eu visi- tasse a area e depois do meu retorno daria a minha resposta final.de autorizac g o para construir a estrada, antes mesmo de qualquer respos-ta, iniciou os trabalhos de construc g o abrindo picadas e levantamentos to- Estive na Area indigena Waimiri Atroari, assim como no acampamen-pograf icos. to da PARANAPANEMA, onde os trabalhos de infra-estrutura ja se en- contra mediante estagio de implantaggo. Nesta epoca, dezembro de 1981, o Cel. Nobre da Veiga, foi afastadoda Fundacão Nacional do Indio, levando consigo a fama de pior Presiden-te que a FUNAI jä teve, inclusive corn a marca de Arias denuncias pOblicas Constatei na ocasi go, que o Projeto PITINGA, da Paranapanema, riga, se restringe somente a area de 526.800 hectares, cedidas da area indfgena pe-de seu envolvimento corn casos de corrupc go administrativa. la FUNAI, mas inclue tambarn toda a area compreendida a direita da rodovia Em seu lugar assumiu o Cel. Paulo Moreira Leal,que oriundo da Secre- BR 174 no sentido Manaus—Caracaraf entre os rios Santo Antonio do Abo-taria do Conselho de Seguranca Nacional, era uma esperanca para que pelo nari e Alalau e que a estrada a ser construfda pela Paranapanema, visa prin-menos a seriedade e o respeito as leis fosse restabelecido na FUNAI. cipalmente a posse dessa area e n go necessariamente um meio e via de escoa- mento do minerio ja descoberto na area cedida pela FUNAI. Com a mudanca da administracão, os desejos da Paranapanema ngo tiveram a mesma acolhida que vinha recebendo na epoca da administracgo Quando retornei a Brasilia, apresentei urn relatario ao Presidente da do Cel. Nobre da Veiga. FUNAI, Cel. Paulo Moreira Leal, informando-o dos males que a estrada se constru Ida causara aos Indios e que havia constatado corn relac go as pre- Consultado as antropalogos do arg g o (Processo n9 003929/81-FUNAI) tensaes expansionistas do Projeto Pitinga da Paranapanema, com relacOo as e sem a ameaca do Cel. Nobre da Veiga, estes foram de parecer contrerio a terras dos Indios Waimiri Atroari. pretensào da Paranapanema S/A de mais uma vez invadir as terras dos indios Waimiri Atroari, atraves da construc g o de uma estrada c/38 quilOmetros de Em principio a minha denuncia foi bem acolhida, principalmente quan- extensaa para seu use exclusivo. to a denuncia do processo em que resultou na diminuic go da reserva. Diante do impasse tecn ico, devido a negativa dos antropOlogos, urn dos Providencias na FUNAI foram tomadas no sentido de apurar responsa- remanescentes da administrac5o Nobre da Veiga, o truculento Diretor e Che- bilidades quanta a possivel envolvimento de funcionarios do Org g o, favore- 118 119
  • 61. cendo a empresa PARANAPANEMA S/A em prejuizo das terras dos fndiosWAIMIRI ATROARI. Sabe-se que o Cel. Paulo Leal, ap6s ter sido contrário a pretens go da Pa-ranapanema S/A em construir mais uma estrada dentrdo da "area interditadados indios WAIMIRI ATROAR I", teria voltado atras, cedendo a fortes pres-sees que recebera dos altos escalbes da administrabao federal. ApOs a entrega do meu relathrio ao Presidente da FUNAI, contr6rio aspretensbes da PARANAPANEMA S/A, fui procurado por um dos seus fun-cionerios, Sr. Vilas Boas, que ao saber do meu parecer contrario a pretensãoda empresa em que trabalha, de construir uma estrada dentro dos domfniosterritoriais dos fridios WAIMIRI ATROARI, fez-me pessoalmente ameacas,dizendo "que o poder econOmico 6 muito forte e que passaria por cima demim e do Presidente da FUNAI e ate mesmo de quem quer que fosse quetentasse impedir o sucesso do Projeto Pitinga. Da forma como estao acontecendo os fatos, certamente quando estelivro comecar a chegar as Macs do public), novos crimes contra os IndiosWAIMIRI ATROARI jä foram perpetradas e sua reserve mais uma vezdiminufda. Gilberto Figueiredo, conversando corn o seu amigo Indio MAR UAGA em 1974.
  • 62. Meninos WAIMIRI, em vistia ao Posto de indios WAIMRI em visita ao POSTO DE Atracgo CAMANAU 1974. ATRACAO CAMANAU — em 1974.Indios WAIMIRI — Tuxaua (o de camisa) — e sua esposaacompanhados de urn outro icier WAIMIRI — ATROARI. A estrata BR-174 — Manaus-Boa Vista, depo is de pronta. Trecho dentro da reserva inclfgena WAIM IR I-ATROAR I.
  • 63. Sododos do B.E.C. na BR-174 — Manaus-Boa Vista,no trecho que cruza a reserva inclfgena WA IM IR I-ATROAR I. Indios WA IM IR1 em visita ao Pcsto de A trace° da F UNA I em 1974.
  • 64. Maloca de Indios WA IM IR I-AIR OAR I, na hora em que estava sendo incendiada, quando o aviâo de buscas as vitimas do ataque ao Posto de Atrac g o ALALAU II, sobrevoava o local. Em 02 de outubro de 1974.Gilberto Figueiredo corn os Indios WALMIRI quando visitam o indios ATR OAR I, na margem do rio Alalau, logo ap6s ao ataque aoPOSTO DE ATRAQAO CAMANAU em, 1974. Posto de Atrac5o ALALAU II ern 02 de outubro de 1974.
  • 65. A estrata BR-174 — Manaus-Boa Vista ainda em construflo (19741, na area Maloca dos Indios WA IM IR I-ATR OAR I, na margem direita do rio A lalauda reserva indfgena WA IM I-ATR OAR I. — 1974. Canoas dos indios ATR OAR I — UBAS — no "porto" do POSTO DECanoas dos indios WA !MIR I-ATR OAR I — "UBAS" — 1974. ATRACAO ALALAU II. Em 1974.
  • 66. 0) -- -------- Pia Alalau • A tr - A (Pi • % z.- it 9 it Cc • Igarape S. Ant. Posto 0 Frgio into o • Brigna • / A to/ • • 07" Or O is Camanau RESERVA WAIMIRI ATROARI Limite da Reserva Aldeia de Indio0 legenderio Indio WAIMI RI — Tuxaua Maruaga. Posto da FunaiFoto em 1974
  • 67. REDE ROOOVIÄRIA PRINCIPAL, EX ISTE NT E E PROJETADA NA PAN-AMAZONIA CARACAS AREA OE / JAZIDA OE ESTANNO GEORGE TOWN ICASSITEALTAI RAMARIBO CA IE NA /AT tuullsn /L M • i n balls.. I ••••••• ;## I Hunan: 1 Crowo as sal *rase a Pucal Z") MA ONreVIDEU + C) OMAPA DA RESERVA WAIM IRI ATROAR IDestacando a distincia cons relecio a Manaus, Capital doEstado do Amazonas.Regi5o None do Brasil — America do SW.Escala: 1: 250.000
  • 68. G LO SSARIOANTA — Tapir. Mamffero perissoclactilo da fart ilia dos tapirideos, que habi- ta a regiao compreendida desde a AmazOnia Colombiana ao charco Ma- togrossense. Mede cerca de 2 metros de comprimento e 1 metro de altu- ra. Vive nas matas, nas proximidades dos rios e lagoas. E tido pelos ca- cadores como urn caca nobre e sua came é saborosissima.BACABA — Palmeira de espique anelado, folhas lanceoladas, I ineares, de flo- res brancas, comestiveis, com as quais se fabrica bebida vinhosa. 0 pal- mito é alimenticio. 0 fruto, oleaginoso e comes-Live,. Palmeira do Oile- r° Oenocarpus.BALAIO — Cesta de palha, de talas de palmeiras ou de cip6, de forma arre- dondada, que serve para guardar farinha de mandioca e frutas.BALATA — Nome gendrico as espkies de sapotâceas produtoras de goma ri go eléstica, de importancia comercial. As principals espacies de "BA- LATAS" — Sdo: Balata Verdadeira, Balata Rosada, Balata Rosadinha e Balata Inferior — extra ida da massaranduba. (Manikara Bidentata, Side- rowylon Resineferom, Sideroxylon Cyrtobotrym, Minikara Huberi).BALATE I RO — Coletor de Balata.BANDOLEIROS — Expressk designativa a pessoas que se prestam em gru- pos, a atividades fora da lei corn use da violéncia. Bandido. Cangaceiro.BATELAO — Embarcack robusta, constru Ida com ferro ou madeira, usada para embarque e desembarque de cargas, sem propulsk prOpria.BEIJU — Bolo de massa de mandioca ou de tapioca.BORDUNA — Arma constru Ida em madeira na forma de um grande lack.BORRACHA — Substancia elastica feita do latex coagulado de ferias plantas principalmente a seringueira (Haves Brazilienses).BRINDES — Presentes ofertados e trocados com os indios, consistindo em faceies, anz6is, facas, calcaes de pano, roupas em geral, arame, machado, enxadas, foices, etc.CACHOR RA — Cadela ainda nova. Fôrnea do cgo.
  • 69. CANOA — Embarcacão constru Ida em madeira, de pequeno porte. Mede de fincadas no chao, forradas corn palha de ubim ou bugu as quais, quase 01 a 05 metros. sempre nao chegam a atingir a altura do teto, deixando uma abertura para a entrada de ar e para saida da furnace de suas fogueiras. Interna-CASTANHA DO BRASIL — Castanha do Para — Amèndoa rica em prate inas mente a maloca contarn divithes que são esteios fincados ao ch5o os gordmras, sail minerais e vitaminas. Sabor muito apreciado. (Bertholletia quais servem n5o so para dividir entre as acomodaceies de duas familias, excelsa H.B.K. Leciticlacea). pois a maloca é um sistema de moradia comunal, como tambern servem para dar apoio as suas "Maqueras" que ficam atacadas nestes esteios eCRUZEIRO — Grande cruz erguida em cemiterio, pracas, largos. Simbolo do nos esteios de sustentac5o do teto. Em cada uma destas divisties vive cristianismo. Era erguido sempre quando se fundava uma povoac5o. Ser- uma familia com seus pertences: Arcos, Flechas, Cu ias, Jamaxis, Maque- via de marco initial de urn povoado. ras, etc.CUR UM IM — Rapaz. Rapazinho de sete a doze anos, moleque. De Kyrymi- MANDIOCA — Planta leitosa, da familia dos euforbikes, cujos grossos tu- Curumi (Tupi). bèrculos radiculares, ricos em amidos, sk de largo empenho na alimen- tacão e que servem para o fabrico da farinha para alimentack.DER-AM — Departamento de Estrada e Rodagens do Estado do Amazonas. Vinculado ao Governo do Estado do Amazonas. MAQUERAS — Rede de dormir, construida corn fibras de tucum, em forma- to de malhas, corn rombos de 8 a 10 cm quadrados e bastante resisten-DNER — Departamento Nacional de Estrada e Rodagens. Vinculado ao Mi- tes. nister-la dos Transportes. MATE I RO — Pessoa conhecedora da selva e que oferece seus servicos comoFUNAI — Fundac5o Nacional do Indio — Instituic5o do Governo Brasileiro, guia em expedicees na mata. corn a finalidade de defender e proteger os indios no Brasil. Substituiu o Servico de Protec5o aos indios — SPI, extinto em 1967. Foi criada pe- PACA — Mamifero roedor dos cuniculideos (Cuniculus Pacal. Vive sempre la Lei 5.371, de 05 de dezembro de 1967. perto dágua, onde busca refOrgio quando perseguido. Adulto pesa cer- ca de 10 quilos e é apreciado para a caca esportiva.GAVIAO — Designacao comum as värias especies de a yes falconiformes, da familia dos acipitrideos e falcon ideos. PARANA — Brag° de rio caudaloso, separado deste por uma pequena ilha. Canal que I iga dois rios.GEN EROS — Produtos agr (colas, viveres, mercadorias PARTEI RA — Mulher encarregada de ajudar no parto.IGARAPE — Ribeir5o. Riacho. Caminho de canoa. De Ygara — Canoa-Pe Ca- minho. PENEI RA — Objeto circular, com caixilho de madeira ou cli p& corn o fundo formado por telas de palhas de palmeiras.JAMAXIS — Uma especie de cesto de forma comprida, onde os indios Wai- miri Atroari, carregam os seus pertences quando em viagem. Feito de PICADA — Caminho feito na mata, atraves de desmatamento das pequenas tala de arum5 e cipa de timbOacu, com alcas para o peito e para a cabe- ärvores ou arbustos, conservando-se as kvores maiores. Inicio da cons- ca. truc5o de uma estrada maior.MACAXEI RA — Tuberculo comestivel. Conhecida também como aipim. E PIRANHA — Designacg o comum a Arias espácies de peixes teleosteos, cari- as vezes, como mandioca. ciformes, da familia dos caracideos. Conhecidos como carnivoros, ex- tremanente ferozes e vorazes, corn dentes numerosos e cortantes. De-MALOCA — Casa residential comunal. A maloca dos indios Waimiri Atroari, monstram predileck especial por animals sangrantes, tornando perigo- consiste em uma construcão de troncos fincados no ch5o, de espaco a sos os rios e lagos onde vivem. espaco, que sustentam uma cobertura de palha de ubim trancado. Tem forma oval ou redonda, com duas portas e paredes tambern de hastes PIRARARA — Peixe teleoteos, siluriforme da familia dos pimelodideos. Tern dorso escuro e uma faixa amarela ao longo da linha lateral, corn
  • 70. duas series de pigmentos de amarelo ouro. Tido dos rios amazOnicos, Brasil. Foi depois extinto e substituido pela Fundacao Nacional do In- como peixe perigoso e devorador de animals. dio — FUNAI. Dividia-se o SPI em Inspetorias Regionais. A Inspeto- ria foi instalada em Manaus, capital do Estado do Amazonas.PI RARUCU — Peixe telksteos da ordem dos clOpeos, da familia dos osteo- glossideos da bacia amazOnica. E o major peixe de escamas do Brasil. SUB-COAMA — Sub-Coordenac5o da AmazOnia — Organismo criado dentro A pesca e feita com anz6is ou arpk. A lingua é usada para ralar guara- da pr6pria FUNAI, para tratar dos assuntos da AmazOnia Legal. Em ca- ni A escama é utilizada para lixar unhas. da regiao da amazOnia foi criada uma SUB-COAMA, subordinada a COAMA — Coordenack da AmazOnia, com sede em Brasilia — DistritoPORTO — A express g o "porto" e utilizado para designar o local onde as Federal. canoas ficam atracadas e onde os passageiros embarcam e desembarcam. E um barranco na margem dos rios e as vezes uma pequena enseada, TABOCA — Bambu. Taquara. pr6pria para o atracamento das pequenas embarcacOes. TAP I RI — Cabana. Do Tupi — Tapiri.POSTO DE ATRACAO — Consiste num local onde sk instalados atrativos para que os indios arredios aproximem-se das pessoas que I g se encon- TRAIRA — Peixe teleosteo da familia das carcacideos. Muito comum nos tram. Local de doacg o e trocas de presentes, visando conseguir fazer rios brasileiros. amizade com os indios arredios. TUCUM — Palmeira de cujas grandes folhas se extrai uma fibra forte é OtilPOSTO DE ATRACAO ALALAU I Local de atrack instalado na margem e cujas sementes fornecem 30 a 50% de um Oleo alimenticio. Atinge esquerda do rio Alalau nas proximidades de sua foz corn o rio Jauaperi. uns dez a doze metros de altura.POSTO DE ATRACAO ALALAU II — Posto de Atracg o instalado na mar- TUCUNAR — Peixe teleosteo, percomofo, da familia dos ciclideos da ama- gem esquerda do rio Ala lau, distante cerca de 3 quilOrnetros do tracado zenia, de coloracão prateada. da BR-174. UBAS — Canoas feitas de um tronco de Orvore inteirica, cavado no meio, quePOSTO DE ATRACAO CAMANAU — Posto de Atrac g o instalado na mar- com use de remos, servem como embarcack e meio de transporte. gem direita do rio Camanau, nas proximidades da foz do rio Curiau. VARADOURO — Caminho estreito dentro da floresta.POSTO DE ATRACA 0 SANTO ANTONIO DO ABONAR I — Posto de Atra- - cg o instalado na margem direita do Igarap6 Santo Antonio do Abonari, distante do tracado da rodovia, cerca de 1:30 horas de viagem em motor de popa.SE RTAN ISTA — Pessoa que trabalha na selva. Acostumado ao trabalho jun- to as comunidades indigenas.SEXTO BATALHAO DE ENGENHARIA E CONSTRUCAO — Divisk do Ex6rcito Brasileiro, subordinado ao 29 Grupamento de Engenharia e Construck — encarregado de construcOes de estradas na regi go amazO- nica. Responsável pela construck na BR-174, Estrada Manaus-Caraca- rai-Boa Vista.SERVICO DE PROTECAO AOS INDIOS — SPI — Instituick do Governo Brasileiro, criada em 20 de julho de 1910, pelo Decreto 8.072 de 20 de julho de 1910, tendo como finalidade prestar assisténcia aos indios do
  • 71. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E CITADA NESTE TRABALHO RelatOrio que a Assembléia Legislativa Provincial apresentou na abertu- ra da sessao ordindria do dia 03.05.1850, ao Presidente da Provincia do Amazonas — Francisco Josè Furtado. Relatario que a Assemblaia Legislativa Provincial apresentou na abertura da sessio ordindria do dia 07.09.1858, ao Presidente da Provincia do Amazo- nas — Francisco Josè Furtado. Jornal do Amazonas — 28 de abril de 1878. JAUAPERI, PACIFICACÂO DOS CR ICHANAS — 1885. Barbosa Rodrigues. "DIE JAUAPERI" — Georg Hueber e Koch-Gruemberg Teodor. Zeitschrift fuer Ethnologic, ano 39 — 1907, Berlin. OFICIO N9 144 — 23.021931 da Chefatura de Policia do Estado do Ama- zonas pare a Inspetoria do S.P.I. no Amazonas. RelatOrio da Inspetoria do S.P.I. — 19 — dos anos 1930/1931. JOAQUIM GODIM Etnografia Indigena — Estudos realizados em várias regiOes da AmazOnia nos anos de 1921 a 1926. Volume I — Editora Fortaleza, Cearè, 1938. RelatOrio da 19 Inspetoria do Servico de ProtecSo aos lndlos — SPI, no Estado do Amazonas, em 1940. OFICIO N9 22 do Sr. Inspetor do S.P.I. Carlos Eugenio Chauvin, em 20 de fevereiro de 1941 ao Sr. Dorval de MagaIhSes, Prefeito de Moura. Colectänea Indigena — Tenente A lipio Bandeira Tipografia Jornal do Comercio — Rodrigues & C. — 1929 JAUAPERI — Alipio Bandeira — 1926. Major LIMA FIGUEIREDO /adios do Brasil Brasiliana, thrie 59 Vol. 163. Biblioteca Pedagogia Brasileira Cia. Editora Nacional, Sao Paulo — 1939.ntirtsW
  • 72. Related° do Dr. Alberto Pizzarro Jacobin sobre a expedient) chefiada pelo RelatOrio de viagem de Gilberto Pinto F4ueiredo Costa — 30.09.73tenente WALTER W ILLIAMSON do 4TH PHOTO CHARTING SQUA-DRON — 1944. Jornal do Brasil — 17.01.74RelatOrio da 19 Inspetoria do S.P. I. do ano de 1946. Note Oficial do 29 Grupamento de Engenharia e Construct — COMANDO DA AMAZON/A — assinada pelo General Bda. OCTAVIO FERREIRARelated° que Dr. Domingos Monteiro Peixoto entregou a administracäo da QUE/ROZ.Provincia do Estado do Amazonas em 16 de marco de 1875. Offcio datado de 03 de dezembro de 1968, da C.N.B.B. assinado pelo PadreRelated° do S.P.I. — assinado pelo Inspetor Manoel Moreira de Ara*, em Mateus George — Sub-Secretdrio Regional Norte 1, ao Sr Dr. Queiroz03 de maio de 1961. Campos — Presidente da FUNAI.Jornal do Comárcio — 30.05.68 — Manaus — AM. RelatOrio da Frente de Atract WAIMIR I ATROA RI — Gilberto PintoJornal do Comer-do — 30.05.68 — Manaus — AM. Figueiredo — 27.10.73.Jornal do Comercio — 07.07.68 — Manaus — AM. Oficio n9 19/74 — 19 D.R. do Sub-Coordenador da Coama — FUNAI, Jose Porfirio F. de Carvalho ao Sr. Comandante do 69 BEC datado deJornal da Tarde — SP — 09.11.68 0207.74.Estado de Sao Paulo — SP — 09.11.68 A Noticia — 05.01.74 — Manaus — AMA Critica — Manaus — AM — 21.11.68 Oficio n9 119/74 do Chefe da Sub-Coama — Manaus — AM. Jos6 Porfirio F. de Carvalho pars o Sr. Comandante do 29 Grupamento de EngenhariaFolha de Sgo Paulo — SP — 24.11.68 e Construct — em 22.10.74. Offcio n9 87/74 do Chefe da Sub-Coama — FUNAI em Manaus — AM — Jo- Estado de Sao Paulo — SP — 24.11.68 sè Porfirio F. de Carvalho ao Sr. Comandante do 69 B.E.C. datado de 01.10.74. Estado de Sao Paulo — SP — 26.11.68 OfIcio no 120/74 do chefe da Sub-Coama — Manaus — José Porfirio F. deFolha de Sao Paulo — 2711.68 — SP Carve/ho, pare o Sr. Comandante do 29 Grupamento de Engenharia e Cons- trued° em 22. m74.Jornal do Brasil — RJ — 04.12.68 Ate da 819 Sessdo do Conselho Indigenista da FUNAI — 24.01.75.Jornal do Brasil — RJ — 10.12.68 OFICIO NO 69/75 — CART. 05.0275 do Chefe do D.O.P.S./DepartamentoO Estado de Sao Paulo — SP — 13.1268 da Policia Federal — Bet Hello Vieira Junior ao Delegado da FUNAI em Manaus.A Noticia — 08.02.73 — Manaus — AM OFICIO N9 042/E-2-CONF. de 21 de novembro de 1974, do ComandanteA Noticia — 170273 — Manaus — AM do 29 Grupamento de Engenharia e Construct ao Comandante do 69 Ba- talhdo de Engenharia e Construed°. Assinado pelo General de Brigade GentilA Noticia — 020273 — Manaus — AM Nogueira Pees.OFICIO N9 46 do Chefe da 19 Inspetoria do S.P.I. em Manaus, M. RochaViana ao Sr Diretor do S.P. I. — Em 2203.49 A guerra do Exterminio contra os Waimiri Atroari Egydio Schwade — 1980.
  • 73. HTNISTAUTO DO OM/ TO COINANDO MILITAR DA AMAZONIA 2 0 GRUPAMENTO DE ENGENHARTA DE CONSTRU0A0 NOTA OEICIAI 0 Comando do 2 0 Grupnmente de Errohnrim de E o nstrucr/o, • quemest; delegnda P implantacAo ]74 PA.NAI1S-UOA VISTA-FRONTED/A /DA VENEZUEI A em face d ist”ntem noticin g que Vein anndo pnblicads. em jorrnte (lento Tata]. e, MCSMO, do. grandee centros doPals, em que o Sr Cr -LP NMREIRA MIA A apresenindo Como responsA -veil on cOltindo polo trAgico trucidemonto de tres funcionArios daUNA por silvtrolas, no posto drid/Ala Fo o d:lc:10 nitundo A margem dorio AlalnA, sente-se no dever de prentar an pAblico os indispensA-veis esclarecimentos a dim do que concluses preripilados e souse -cees sem fundnmento un verdade dos fates nEto venhani a en ti gma tizer I humilde pntrfelo pie, e sue manrira a coin o son trabalb a , colaborau eficnweenle na importante obra quo estamos rcalizando. Do g do quo dos Intensiticaram os trabalhoa de de g matamentm naBR-174, con previ g reo Jr t r aves g ln da Reserve Indigene Walmiri-Atro- rf, .st- Comando monteve-se parmanenttemonte informed( do quo eshave nconTerendo nnquein fronie de service, mein nirnvedi do Coronadodo Go DEC, que dirlre diretnmente es trchnlhos, mojn ntrnves de De-Inset, Regional do Fld s/AI, cnJa mince° ern exercer, corn o set/ pes- al onpeciali2ado, o cuntrole dos values ililvenn. Wnimtrts-AtruadFla quo habitnm as proximidadem do traced° da rodovia. Durndte dodo e perfodo em role as turmas dr dr , matnmento perMa-n ec e ram no Arca indigene, que ne este/1(10u de Jul 72 n 4 Jan 7T,quan foi e ingtdo o rio Jauaperi e iniciada a retirada do pessonl peraquele rio, nenhum cheque au desentenddmento foi registrado entre /trnbalhadoros e fndio g Atronris, nitrite embers estes acorressem fre-l ne ntemonte nos scamp/mentos dam turmns, via de regra em buses de,ge s e ntrn, pardicularmente artigos do alimentnc:n n. A deguranca das, pernc rieg . rot montlda, na trovessia do territArio habitado polo A-d-earls, pela observancin de proCedimentos previnmente estudados eA tobelecidos, ditndos pe10 . exper1;ncta e erOcie de homene eetudIo Os da hintori0 n dn. Pithitos Indigenes a conheredoree de regao,co o 0 Ten rel J04; de Almoida Oliveira, Cmt 60 DEC; o eertnnIst n Gil orto Pinto Figuniredo Costa, do FUNAT e o empreitelro Andre Morel- Nunes. Dues rogron bAnicne forme. nadmrldw g , • r aess0Cm 1"m"*"" /valuta.. oretivee (cerca de 20(1 horned. foram mantIdem em service), It denencorajonse qualquer aiditude agrearava poi parte dos indigo
  • 74. g A I r lut dode Or CAMIno, • - VI nab: 21 iniciin do rnMpJn I nes e • nhnudAncla dr snprImentas, quo neutron o n sun nn Prir eSbilidde ., sempre acne proftenidhl;1 ./ e rnparidean. Essen medtdan revelarom-en plonnmente .. "70 O. everini I ;o0n do/ r - met1105 da FUNAl n no nce t- d, -rirlitm,a0 4 A.w.01) roe a ns,er, nrnrom n paz entre trabalhndorrs e milvicolos darentriL:- aid,, r fl r aminto Art -o0, 0 Crate Gpt recemee, .•-•• 10 emnreitriro Andrii t Od 0 0 lenq , 01 0111 qne Pill n . Train (011 cuntnto. .4 10 oreira ::ours eiOr Main Pilo mots tnt em et-mint/1 com os A- Una vez nfinyjdo 0 rin Aln lair pnlae tunas de donmatnmento,em tr./arts. 0 e compreendido nmhos, ono tendo Cel- Jul 72. entreifelre Andt4 Nureira /g lows enntratnn Colso floreira SO ras vingen, qne renlizou,. nitraprolando n confluencis Hai n pnra eft-tin/1r n transports de suprtmenton, par y in fluviolot; jeunperliAl acompnelentn e , Inhelerido na mnrgem aorta d iignele rio o quo servi No foi, pnis, convAm frizar, Celno Main proibido de ponetrnrta• I n de polo para n pronneguimento don trabolhos.Denincnmbindo-se Deserve Indio, eno per mon compor tamen to anirelaciio nos indigenns,mn., A• nma tnrefn Cat epee Colso Main montove, em duns oportnnidndes ape mimplesmonte afastado, de comum °cord., a fim de mentor-se o princI. contntos cornnis com grupos de Atroarls, em componhin do eau pin de fixogAn de responsabilidaden prevlamente ertnbelecidoin cons- , il or Pedro Lenndro, Ambom os contatoa, porqne se verificarnm trugAo do ePtrndn e minsAo do Exlircito; o cons role dos indlgenns A no p i. “xrnto do turma de desmatamento, A margem do AloltiM, on em p ia sno da prNAI. -nos pros i mid-ides, foram testemunhados por um aviinro consideroivel Realmente, no period() . p ie tromiscorren npAs 2 0 Set 72, l,tn do de pesnoas, qua Ra t/ nnAnimen ern afirmar quanta As manifestogties de . ultimo omit:Ito do Celso Main com os nllvIcolon, eaten o procurnram / nlegrin e conmidoracAo dos Indigent s porn corn Celro Main, chamon- , vA • ias vezes, n710 com o propOsito vindidatArio que onto lend° utri - do-0, mesmo, repetldnionnte, de "Papal Main". Ile, pnlnonbundante e bold° a essan bnscnn, menAu Com a esperanca do abler novamenin Com lubitAvol comprovngAo testemunhal do boo acolluido dodo pe/es in- ale as utilldades com r i ne rostuninve brindA-los. Se houve qualquer im digenns • Celno JA a verso quo tem sido difundida, db qua paeiAncia on inquietn;An entre os indlgenas provocada pelts nesson de minelo cidndilo torte prnticado atos ofensivon nos costumes indigo- Cpino Maio, 1-to devem-se A sun prolongnda ausAncia: p o is nguardnvom nns e poriemo atrnidn sou Odic., carece totolmente d• te.temnnh,s / son voltn, vende no to um homem capncitado a proporcianer-1 hes coi- oculnren e prow peln lnacettnbilldnde de hlstorin fantAntica de g ne por p lea opreCiodas, jrimais nun element° nocivo n mar eliMinaJ0. um homem qnn, gunme mozinho, teve • inacredi tavol cprngom e and; - condo, orender nm AtrOarlA em sums pi4mirinel platoons, rotirando comprovadon Pie de Com base em Caton -.e, o nn ham Rona n , este ap6s, impune e liemp. riamon matte maim pr<C rintom da terdade at formulniinemon n hleAtese d. on indigenaa troo p] trucidodo os de,venturados funcionArlos da FUN2I Datum de 14/15 Ago a 17/20 Set os contatos de Colso Maia com per jillgArlon relpans :nets polo de sapnr eeimen tm de Calsa Mnia on par es Atrnnris, comprovadnmente nmist0,30s. Apta s •stn Altimn data, riAo main na enc”mtrou, por matins quo odinnte so verAn. WA inr,pocidade de rn7;1-70 nparecer. E, neste rano, it "culpa" rerni win sobre a dedicndo mertnnistn Gilberto Pinto, gee proper o sou n- Em Out 72, o sertanista Gilberto Pinto FIgneiredo Costa, en- faminmento In Area c o Cmdo 2 0 Opt E Cnst,que concordou cam a medida. C -egado polo N INA] do chefinr os trabalhos de controle dosiAtron E mutton outran "outpacin g," ender-me-le encontrnr, nognindo enxn It- im durnnte a troll/03sta do Reacrva Indigena pelne tureins de domain- nho in rociocinin a fazendo varier as hipStenesi tamento da nu-17 11, aoltcitoo ao Cmdo Gpt o afamtamento do Cahn Mond., se cancln1 o esseneinl da quest:80 nilo A eneontrle, Main dnei nel area, soh a alegac7 1 do quo silos relacOca com on in- h/1.0frirlomenfr, to 11710 restttnivia a vii., • 1.1111•1..!. he digenes entnrirm perturb:1nd° o trohnlho da equine do FUNAI. JA sa- 14/C04 10.0 lonorI 00 Tin i n nduu 0111 no :;100 1)00(0 e nu cumpr i n100, 0 do MOW bedor do verdeirm uninv e zn dos relay:lea de Caine Thin Com os A- dnvor, nem traria mats matinfogilo a omparo As suns familia,. Criminal troarin, ntrriv7,, dos informacrien procedentem da (route de servigo, m ete CC/Mande *ante Iolanda, as culpados sZo cis Atrontis, qua on nssasetnaram, • C0091. er00 a solicitagile do sertnni eta a atribuiu-a ants ninguem. E estes siio irresponsAvels pernnte nom, leis, dada a razors exclorivamonte do nrdom tecnicn, parfoitomente eompreensi amts condig.% ue nelvagens. on/pndon on renponnAveis indiretos lima populnridade do tr.m.-;portndor entre on Jela trts I r ocorr,",nova scri p uma tnirefe quase irroalizAvet a nom gnat. ria, fromionmente ca.- “ ctvrlzada a Cv:apruvada, poderia enfentinecerOU pier I.jett y , :wAtian, porinn el ,pre n tOdoa Os p ion, arras on Anil to mprometer a NcAo de ltdernric a Rohr, o p ifilit$0011• qua, po r impost- Orntip•dma mornrolormonle no per wise neer.qu• Fenno, • quo tla mar numitich• por Gilberto Pinte.Fieli ..... A /1.0.4.4411. /
  • 75. • f )( plid e 1211-1 )7) I i r • I. •n I]) .1410, ?Mit c Ir Orengan "/ el p. l, 11 f r r r riI 11 , ..1.11 Id 110 .111111 ) prop it., 00. ,,,do Of alloy, muw, d::,‘ (r.moldan d i llculdm4 r s onfron/adan prIns ti• (nLnrnhm , lendon hon” . on , no comrimento da tuna suits ‘ d, " tem no t icia dent e Pais. Onoeficiamo-n o n per MANAUS, 4 DE MOV[MORO DE 1974 a Lieutnr rte ! . .,n tr Jalhu r c n nsidordran-lo frier Oncis ir n d os exi- a17 ,.ern of, n :± ales Id nuns., miss;o, pclo quo lhen momon infini Ln .A. CILAERTO INTO F. COSTA grAton, An m-uao tempo fl ue nna irmnnomns item rl o n, nu sea nr pule pnrda islu n tee tre y conponheiros, confiaMom em que a-intel! AO SO, SUOCOORDENADOR COAMA rIn, men4atoz e di:;nidode de .ens dirigentes nnibnm condozir ire od i fl pe nn:" ( eis iHVr t im 4 c ;rs no mentido de npurar-se gnatr as erron c .WIa9 In ! o • n rlimuMo o u de nerliranca Cometidos nn montosem p am n;no do onife do alaloU,vfnando, eXCIMEIvaMentes evt“-los no fit- Stan Suatoo ***** dem m), p n ur,n L , •m, VI Ill telo preCionos porn n consecurZo He sell, nt,ren e v•mdd sae on r r iwccimenton que o Conic/ G•t E Cnst Ao SUCEPIRMOs A ANPLIAC20 DA RETERVA IND;OEN4 SOLICITAI co de vo r n n n c do 1gnc;/o de prestnr 003 nossom pdtr/ciom, -m nome do pow Sense, de .h 1 9ticn P dal lirriado. NO REL A T6R10 S/N DATADO OE 27/10/73 f ENCAMINNADO A COATI* ATRAVES DO Hannon-AM, em_LLde feverri ro de 1973 ri:10 Ier of 07 OE ROVER/IRO DE 1973, VIMOS DAIS URA VC[ SOl/CI TA SEJA Am p LIAO0 COM A Pos n IvEL OnEvIDADE A REPERIDA AREA ENIIMENADAS , a rA Wit,/ Nr, m PA •o t T O CON OS NUMEROS I, 2 E 3, SENDO QUE A DE N g 3 mni D A SD ° Gen Ida OCTAVIO FER n ZE1 PA 101Kly11L ZATA PEELNTEmERTE EM SOAAEVOS NO AMINO OA FUNA1, QUATRO (4) i.e.. cAt Cunt do 2 0 Gpt E Cost All EXISTrOrEr., TORNANDO-SE NEEESS:n10 A INTrA p ic - n nESSA 2Rml, ISTO uE, COAST A cur aoonOS CArrIADOS POR DEPUTADOS FEDLR A IS C OUTGO. sEN Confer. corn o original ER#11 CM $;0 1AULO ;PEAS DUE A novAVELNENTE ATINOINAM A AREA ONDE ES Quarto! em Dennum-AM, em 19 de junho de 19 TAO SITUADAS AS Q uA TRO (4) M A LOC A S NE A ENTEMENTE DESCOSERTAV. , ( A , CO A D IA L N ENTE NEP DE OLIVEIRA AQUINO - PEN CEL ENG DENA CIIEFE DA 2 11 SECED DO 2‘ GPT E CNST CI SEATO PINT0 r7& STA -1-6)
  • 76. IT ACÂO 5.00W • 00 INDIO-FUNA. • ••••11 olio As A nATAni• I <1AM A KM do - :!B -C OS M C WI - AM OF. N u 155/74 Manaus, 06 de novembro de 19 bonhor Cooroenedor anceminnamos em anexo memprando Al 20/74, onde o sertani to HMO, encerregado de fronts de atraq.Zo licit. I terdicio de areas habitados por indica WAIKIKI/3 e ATROLlatt. I t " Aa Irene solicited/is, sett.° sendo alvo de invesio, por p " I1. ),CA• h../ 1 .r., mar- ca terran a madereiros•les proximidadee do ig. ETO. ANTONIO DO 10", t 4P•••• ,.. .•• ,,,•••••• ?4/ tath OtTu. • P I i I , t _g.,•,. t N . _1— , el. • (....5..4.... 1 + A 1 n L. - BOKAA., ,C flegramos trebalhadores em desmatamento, pertencentes so a 1^4 t 1 ! ,...., preandinehto do ..el. Cialvoso, que se lie poeseiro daquela Iran. Alessi f" •^` , rv. ) ‘4, t ws. -).it ) 1Wtri n -- ezi. s am construg g o ume serraria, cajos pro p ...let:trios &Ando nio con -- t; •-..- I- .. ....... po N" NI . .rd gu ,nn mine by, indica quo Si tram de prajeto aprovado -- „Lay (4.., ,"n ‘ .......... -,:.-I 4 l t .5•., ,,% • s•As. -...• J.) -.0 • , rd -...‘ n -... 1. ., Oka. 4#7 S t 1; 1 t - - --ec2 I A Cy. Tent° o empreendimentc do Gel. Galvoso • da merrarla, es ...4 , 1 otm de .1a 10 as de reserve c proximo portent° dam Taloa - ". X t.A • ,t16.4(3.1.;..) • Au. o Int represents grave prooleme e exits medides de u:geac . Po CA SPVIII.VIM • MAININI4u.r tp* er"144,.4 Jam aviter ideelvele desestr03 ) 1 f Alertamos sites Tara d fat° de qua, tomamos coni.cimenuo 4100,Lvermwm—q""-., er g n...11 V It-A4 1,ravea do p-ApTIA, Cel. Gaivoso, qua o Deputed° Federal ABRUO ,Jazau, eirpt „ teou tOc.0 a area incluindo se meioses doe Indi°11 • este promovendo . 1 ./ I ) vend. ae.Aeles lotes a grtpos Ananceirom paulietee. Ohegamos a ver a "ria . -.•••• r are., totalmente koteaus. For isec, urge quo aejaa tomadas semlidas de urgiincie ao • den_ ... minister os invesor,9 e interditar • arca baited. pis a ..114111116- aTBOAPIS, independents de reserve Jill existent*.
  • 77. no I NTE010, FUNDACAO NACIONAL DO INDIO •FUNAI Cremlimmllo Is Ammenfie — COAMA CA-Coordaiglo • Muss- SUII-COAMA u^n t PIO DO o nan o s COM ANDO MILITAR DA AMAZONIA 2° C2Urdil010 OE INThi:1111 UE C01;SildiC 0 Naanua-Ail, on 21 4-Ij zaveaLr_ Co Ir.:- Rs oportunidads, apresentamos noes° n protestos c: no 0 42-E2-CONP Do Gorandanto do 2a Gpt E C. ,t Ao Co=aadonto to 62 B2Cno2 setts, • conaid•ragio. Aoszntot Trabafl‘a r ( doLLralna ) Atinp1osement• / 1. Em conaequeuzia da re=1 g 0 reallzaCo no E2:1112 .20 Ca BR 174, JOBA PORI DS CART eutre este o ozao Cozanda, juntcconto can Ca Er)FRANCISE0 MONTI SUD-C DA COMA ALVERNE 2/UES, Celegado Regional da Puna, no Eu tado Co A=azonas - c SAUL CARVALRO LOPES, Diretor da DiviaLa A=azonla da coAcadaranCo: Azoatocicantoo booLCaa no roBiaa 20 Rio AL, AO :frplantacao da La 174 ;0‘1:= aar BR. COO IEDENADOR DA COMA co:c= cer realizadue obaaoccaCo 4L- BRaLILIA - ,,„ocurar;a6 Bos=ato=nto Eanuzl, a 7,art_2 aCaa L :1Laa Cn COajlaTit0 CC= a c o quo 0.7;503 as Tarraa poorr_a_ . to. e, Data nanual. realize sand trahall o q..3 26:20.; gropes potato, no cinimol15 a do Dearata“anto ;:antral raja aompro acocpanhaa:.) or alcmorseao onpecializados da FUNAI; doe dispouibilidados do ao,lam as darif-a / tu-.:. ,,o rcompanhnOnn por winos ol,. _,J ocoociaLS_a:14_ 42:44:,S inatrzlcaos intensive-la pare quo todae as s ca exa4paa quo rocebam visitno omielvoin doe cc:no un do futuro (*toques es quo t • a au nocozati ria3 codidac pars retrain on rotes= - continua •
  • 78. . - - ea Pt r,-.v 71) Fl CC - au tarxon a ervpon - focuott a homhaa do tapo - parch oruzentar cli p indica, dovonn °noon arts fiCiO3 211:OtGOrliCOC carom utilimados co p pareic:_:_agpara qua pcoduk:4-7:a ranultcdool aoja octabolocida no Dostocamonto But Gesso Datalhao u= po do 5 0 ;uranco, comande“:4 por ofIcioi, o p = aZotivo a crtj,.. dooao ecdo o quo tonha entre /sutras, as eccaintoo planojar o dar aocurango to turmaa de trabalho, cora prior& dada para as turmna main doatacadon a frontal planojar o dor socuronea nob doolocacanto0 cotorimadoc quo on oftciaio a p argoatoa Chores do Car= gao obrigadoe a fa zorom, por Corea do avian atribuictca; Os meus agradecimentos a e coca Crupo do ScEaramgc coja dcvlducento inatruids para, no D. Candida Pastana de Carvalho, case do indlcioa do az:one:log utiliser todo0 on coioa do per Claudio dos Santos Romero, cuLI Q So passive-so, c& to yalceda do uco da forqc Loa canoe Ce Elisabeth Gameiro, IcEitica dofcca praprla oa do outrer; Cello Horst, case Ecdo coloquo, do Juicing. hocoae a dispocieZo da .7CMI Carlos Moreira Neto, para ancillor o trabalho Coo scrtanietna a quo, no futcreg Paulo Campos Martins, forncea ura totpicmcntag5o do ea/arlo ao pocsoat • Cant" 40 Egydio Schwade, rola c2NAIt Ezequias Heringer, o Xara, onac cc_lo tarmac° todo o Opole Coll.:Stade peace elm:a:leen ca Ana de Carvalho Lange, ,aslant:ado° da FCJAI, opolo ease 00 brincles, 2aanroc c2:1/2rr. Estevao Rodrigues, ti c co, M3 or dal para co tr 5 do P t 00 10 10a M tO-o t no. _Ca 0 0 OS :In den Sebastião Amancio, locamcntoo ncnoccarion; . coca Crzan, caco hnja vicltno dos inclloa, mattes poonozoo ez Que me ajudaram muito na realizac go deste trabalho. mnantracaoa do ("arca, coctrc=do con common oa efoitor; do t=n Coordenacão, Diagramack e Arte rajnda do motralhodora, do granadoe dolma/man o da doserd.1 MILTON FURLAN g;:o polo uco do dint...zit°, cojea oo occmpamontoo p rotecIdon Com corona do Ctos do c co torpedo, o quo, entre a corms e a mats, haja uma arca :;orrono limpo (door:unit:leo), oom no mtnimo Gm do laraura vonlIo toe° o acampamonto, ;, outronnia quo, lien estabotecido ..oionamta--oco.71 vista a pocificacno doe indica o a carte do FUNAI, a ca- q iota .cnc acilicitando codidoo qua precedes e acompanhom oe-trA)othosla2lcntatila da rodovia. son Inda GENTIL NCGUZIRA PACE Get do 20 Gpt E Gnat