Carta pessoal de Martha de Freitas Azevedo Pannunzio, criticando a vida política de Lula

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Carta escrita e registrada em cartório pela cidadã Martha de Freitas Azevedo Pannunzio …

Carta escrita e registrada em cartório pela cidadã Martha de Freitas Azevedo Pannunzio
marthapannunzio@gmail.com, endereçada ao ex-presidente Lula, analisando a vida política do mesmo.

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  • 1. 1 PERIGUETES INSTITUCIONAIS Texto definitivo 30-12-2012 Documento registrado no Cartório RTD&PJ Uberlândia/MG microfilme nº 3207509. Luiz Inácio, Meu olhar foi de desconfiança em você desde as primeiras grevesdos metalúrgicos nos idos da década de 70. Aqui, um eco da Polônia. Asmesmas greves retumbantes, uma contra a ditadura comunista da URSS,outra, apenas salarial, no estertor da ditadura capitalista/udenista doBrasil. Um Lech Valesa brasileiro? Ambos sindicalistas. Contemporâneos.Um nascido em 1943, outro em 1945. Ambos fundadores de partidospolíticos: SOLIDARIEDADE e PT. O polonês de Gdansk teve um mandato de cinco anos a partir de1990. Na sequência não se elegeu, por uma diferença magra de 3%. Noano de 2000, na terceira postulação, obteve menos de 1% dos votos,vítima de um discurso e uma prática política que não interessavam maisao seu povo. A estrela polonesa se apagou para sempre. Um pouco dehistória não faz mal a ninguém. Aqui, um metalúrgico nordestino radicado no ABC Paulista. Até aí,tudo bem. Um operário ousado, que o momento brasileiro comportava,dentro dos limites de uma reivindicação meramente salarial. Quem seriaaquele operário patropi? Desleixado, atrevido, raivoso, barbudo, que maldominava o vernáculo, ignorava a gramática mínima, cuspia na cara daclasse dominante e vinha meio alcoolizado, pelo menos assim parecia,protegido pela CNBB e pela OAB. Quem era ele? Era você, Luiz Inácio.Nítido como se fosse hoje, guardo na lembrança um programa de TV,RODA VIVA (?) onde você proclama dedicação exclusiva à luta sindical,esconjurando filiação partidária e chicoteando a conduta de políticosbrasileiros e dos pelegos da CGT. Quem te viu, quem te vê...! Rapidamente as melhores cabeças do Brasilintelectual ”progressista” se juntaram a alguns ex-presos políticos, ex-exilados políticos e inventaram um partido político que nascia com umnome discriminatório e arrogante: Partido dos Trabalhadores. Bemcatólico. Bem paulista/paulistano. Bem quatrocentão. Bem USP/UNICAMP.Universitários, operários e professores de história caíram de quatro noarraial do PT, com estrelinha vermelha na lapela e tudo mais. Fanatizados. Burguês reacionário era todo brasileiro que discordava da cartilhapetista. Estavam excluídos, e eram personna non grata, os simpatizantesdo Partidão, os nascidos em berços ruralistas, quem teimasse emraciocinar com a própria cabeça e Brizola, evidentemente, seu carma mais
  • 2. 2contundente. Aliás, sua projeção foi articulada com o objetivo deenfraquecer o PTB getulista e exorcizar seu natural herdeiro, o experientee perigoso gaúcho caudilho socialdemocrata, Leonel Brizola, queretornava do exílio apetitoso de poder. Esta agremiação pretendia ser um PO, Partido dos Operários, e, nafalta de mitos e heróis brasileiros, se apropriou da foto de um médicoargentino singular, cuja biografia a militância petista jamais pesquisou,nem se interessou em saber quem era: CHE GUEVARA. Para a tigradabastou decorar a frase: “Hay que endurecerse sin perder la ternura jamás!”Foi esta a pátria ideológica da juventude brasileira contestadora ou não.GUEVARA, mais amado no Brasil do que na Argentina, virou poster, virouchaveiro, distintivo, enfeite de parede, capa de caderno e camiseta. Naminha cidade dois irmãos cabeludos se mantém há três mandatos comodeputados estadual e federal, gigolando a imagem do falecido guerrilheiroargentino que não cobra royalties nem cachê. Mito é mito, não se discute.A nível nacional, para compor a fantasia do bloco, o PT criou uma grifevermelha e empunhou uma bandeira idem. Voltemos aos anos de chumbo. Uma porção de esqueletos gritavadentro do armário. Doíam na memória e no lombo da esquerdasobrevivente os mandatos cassados a torto e a direito, o Congressofechado, os governos biônicos, os exilados políticos, a pancadaria e osumiço de centenas de gatos-pingados da CGT, do CPC, da UNE, daMarinha, das universidades federais, do Partidão, das salas de aula, dasredações de jornais, danos irreversíveis produzidos sob a égide doinesquecível e troglodita AI-5. Até hoje me amarga a boca aquela frasediscricionária: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O. Quando o PT surgiu, como aluz no fundo do túnel, era pegar ou largar. Muita gente acreditou e seagarrou a esta ideia libertária como se ela fosse uma tábua de salvaçãocontra a ditadura militar. Havia tanta gente séria, confiável, inteligente, interessante,comprometida com a História pregressa do Brasil, preparada paraassumir o comando pós-ditadura militar. Gente ingênua. A luta pormelhores salários, sempre justa e oportuna, foi apenas um pretexto paraabiscoitar o partido, ganhar a confiança do povão e o poder. O importante,em curto prazo, era fustigar a burguesia nacional e internacional, ocapitalismo selvagem e as forças armadas. Em médio e em longo prazo,manter os pobres na pobreza, dependentes de esmola governamental:FOME ZERO, BOLSA ESCOLA, BOLSA FAMÍLIA, BRASIL CARINHOSO,BOLSA CULTURA... A massa falida, de memória curtíssima e vítima do mal crônico depreguiça mental, se identificou com o discurso messiânico e beatificou onovo salvador. Não reparou nem se importou com insignificâncias como,por exemplo, o fato de ele declarar que nunca leu um livro, não sabe denada, não viu nada. Ele queria mesmo era passear. A primeira providênciafoi comprar um super avião com capacidade para mais de cempassageiros, mandar emperiquitá-lo no exterior e voar pelo mundo, para
  • 3. 3se vingar da infância pobre e tirar o atraso do tempo de operário pé-de-china,grevista do ABC. Reinou por oito anos, visitou dezenas de países e, mesmocom uma bagagem insignificante de leitura, se tornou Doutor Honoris Causa decinco universidades brasileiras e uma portuguesa. ECCE HOMO! Você. No Congresso foi fácil comprar dignidades e votos. E houve todo recursodo Tesouro Nacional para garantir todas as negociatas e para manipular aingênua e burra opinião pública das classes C, D, E. Os institutos de pesquisaentrevistaram (será que entrevistaram mesmo?) punhadinhos de brasileiros ebrasileiras, ninguém sabe onde, e fizeram a grande virada eleitoral. Eu, comonunca fui entrevistada nem jamais conheci sequer um cidadão brasileiro que otenha sido, não me deixei sugestionar pelos resultados, porém as vitórias,garantidas pelas bolsas-esmolas, aconteceram. O famoso toma lá, dá cá. Édando que se recebe. O tempo se encarregou de botar os pingos nos is. Unssaíram do PT por desencanto. Outros, que tinham luz própria, foramdefenestrados: Maria da Conceição, Erundina, Hélio Bicudo, Cristóvão Buarque,Gabeira, Luiza Helena, Marina Silva, Flávio Arns... Centenas. Milhares. Luiz Inácio, você sabia que, apesar de tudo, ainda existe uma parcela danossa população que raciocina, analisa, discorda, vê, ouve, rala pra caramba,paga impostos deduzidos na fonte e/ou no pé da Nota Fiscal, lê jornais,revistas, assiste telejornais todo santo dia, ouve a BBC de Londres? Pois existe.Eu me incluo nesta lista, com muito orgulho. Nós, brasileiros patriotas deplantão permanente, não depomos a esperança em dias melhores, comdirigentes mais honestos, mais decentes. Machuca meus brios ver esta máquina extraviada, esta cúpula política empermanente cópula com o estelionato, a corrupção, o enriquecimento ilícito, amalversação do dinheiro público, as licitações maquiadas, superfaturadas ou,pior ainda, dispensadas legalmente, a governança exercida por medidasprovisórias, as Câmaras vazias, legislando com votos de lideranças, através deindecorosos acordos de bancada. Dizer apenas que dói em mim é eufemismo. Na verdade tudo isto meenche de indignação. Mal comparando é como se a sociedade brasileira fossecomposta de debilóides e safados: índios que querem espelho, negros quequerem samba e brancos que querem propina. Só isto. Eu me pergunto para que tanto deputado, tanto senador? Para aprovar notapetão, com apenas voto de liderança, bastava que o Brasil elegesse umúnico representante para cada legenda. Seria mais honesto e muitíssimo maiseconômico. Quanto ao povão, sempre ocupado com futebol, carnaval, paradado orgulho gay, feriado emendado etc., para esta gente basta uma bola defutebol, uma latinha de cerveja bem gelada, e, na TV, uma novela bemindecente seguida de um reality show completamente idiota. Você tem a responsabilidade histórica de ter subido duas vezes a rampado Palácio do Planalto. Pesa em suas costas o ônus decorrente de medidasque não foram tomadas: reforma tributária, reforma política e reforma agrária.Mexer no item carga tributária é mexer em vespeiro. É desonerar encargos e
  • 4. 4reduzir a arrecadação de impostos. É nivelar por baixo o ICMS de todos osEstados. Quem assume? Reorganizar a vida política nacional começa por moralizar o fandangopartidário, reduzir o número de representantes no legislativo e acabar com ovoto de liderança. Tem que ser muito macho pra reduzir o quantitativo deministérios, secretarias inúteis, institutos de coisa nenhuma, ONGs efuncionários fantasmas. Para moralizar o executivo urge extinguir anomaliasindecentes como a medida provisória. Tanta coisa a fazer! Não é mesmo paraqualquer um. Reforma agrária depende de uma revisão imediata da Lei Nº 8.629.Depende de um INCRA mais criterioso. Depende de Ministérios (Social eAgrário) com pulso firme para deter a ação nefasta e criminosa de bandidos eparasitas infiltrados entre trabalhadores sem-terra, ambos eleitores de cabrestode vocês. Assim como está, o que se vê é apenas uma desestruturação davida no campo sem nenhum resultado. E, o que é pior, acampados eassentados são párias sociais favelados na roça, esquecidos da sorte, dogoverno e da Lei. O que mais prospera nos módulos dirigidos pelo MST eMLST são botecos para o comércio livre de pinga e drogas. Assentados sãomeros revendedores ou aspirantes a revendedores de módulos rurais dosquais eles não possuem escritura cartorial. E o INCRA, cadê o INCRA? Aquiem Minas Gerais, que tem quase novecentas cidades, quem quiser falar com oINCRA tem que ir a Belo Horizonte. Este órgão funciona ou é uma piada paraboi dormir? A pergunta que não quer calar é a seguinte: para que existe cartório,documento, registro, selo, firma reconhecida, matrícula, escritura, estaparafernália toda? Para nada? É tudo uma simulação de ordem, de legalidade,ou apenas um assalto sem revólver? O campo está em pé de guerra, LuizInácio. Veja o desastre que você e sua pupila consentiram e estimularam. Ocerto, o óbvio, seria que a propriedade privada estivesse protegida pelo Estado.Ou será que o lema ORDEM E PROGRESSO é apenas enfeite debandeira? É preciso ter arcabouço moral e total credibilidade política paraenfrentar estas promessas de campanha, o que não é o seu caso. Assim sendo,você não fez o que era urgente nem sua sucessora o fará. A BOLÍVIA nacionalizou uma PETROBRAS nossa como bem quis,estimulada por Hugo Chavez. Como Evo Morales é seu amigo do peito, ficoupor isto mesmo, mal negociada. Você cortejou e protegeu ditadores, genocidase assassinos julgados. E muitas vezes foi motivo de espanto, de riso ezombaria aqui e no exterior. Nossas tropas de paz no Haiti, que generosidade extrema foi aquela?Desvestindo um santo para vestir outro? O povo brasileiro se acabando nadroga, no crime, na luta fratricida, nos deslizamentos das encostas, à míngua,sem vacina, no rabo da fila mundial do conhecimento, desmatando tudo, e vocêna pajelança de uma vaga para o Brasil (para você) na ONU ou um PrêmioNobel de qualquer coisa. Enquanto isto a suruba correu solta no berçoesplêndido da Pátria Amada e só agora vem à tona: cartões corporativos,
  • 5. 5mensalão, passaportes diplomáticos, Rose etc. Um presidente pífio, do qual meenvergonhei tantas vezes! E o Acordo Ortográfico? Você assinou, açodadamente, uma supérfluareforma denominada Acordo Ortográfico, a partir do qual a insegurança passoua presidir a redação de textos em língua portuguesa. Não foi uma atitudeinteligente nem necessária nem patriótica porque forçou o Brasil a jogar foratoda sua produção editorial, todos os dicionários, enciclopédias e livrosdidáticos... Precisava? Não, não precisava. O mundo não ia acabar sepermanecessem o trema na palavra linguiça e o acento agudo na palavraideia. Para você, que se gaba de não ler e que decerto também não escreve,talvez não signifique nada o que eu estou dizendo, mas pode ter certeza deque o prejuízo foi incalculável para o País. Como terão ficado os demaissignatários deste Acordo? Portugal, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde,Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste? Eles, tão menores do que nós,talvez com mais dificuldade financeira, como estarão honrando este AcordoOrtográfico? Neste momento surgem trincas ameaçadoras nas muralhas da sua fichalimpa, do seu conceito de salvador da Pátria. Você não precisou de inimigospara conspurcar sua imaculada pele de cordeiro, esgoelada à exaustão emcada esquina, em cada boteco, em cada assentamento, em cada videoinstitucional chapa branca. A você bastaram os amigos mais próximos, seuscães-de-fila: Palloci, Genoíno, José Dirceu, Delúbio, Luizinho, Valério, JoãoPaulo etc etc etc... E os que você selecionou e anexou na sua agenda ao longodos três mandatos: Collor, Sarney, Renan, Jefferson, Maluf etc. Tudo genteboa. Nunca antes na História do Brasil amigas íntimas nomearam, fizeram edesfizeram. Amiga íntima é o quê? Foi no seu governo inovador que istocomeçou. Seu retrato chutando bola, na parede da sala da sucursal daPresidência em São Paulo foi um desacato à presidenta. E ela passoudespercebida, o que é muito grave. Ou percebeu e consentiu, o que é maisgrave ainda. Se a PF não dá pela história e a imprensa não bota a boca notrombone, estariam lá, até hoje, o escritório dentro do Banco do Brasil(dentro???), a foto atlética na parede e a dita-cuja na poltrona giratória. Cá pranós, a foto do herói em momento relax, na parede errada, foi um descuidoimperdoável. No tempo do meu avô teúdas e manteúdas corriam por conta docoronel, nunca por conta do povo brasileiro. Eles eram garanhões muito maiséticos, convenhamos. Milhões e milhões de reais nas cuecas, nas malas e em contas emparaísos fiscais. Empregos em profusão, superfaturamento à vontade, cartõescorporativos e passaportes diplomáticos para seus familiares e amigos. Tudofora do controle porque A VIÚVA é rica e tem hímen complacente. Enquantoisto, no SUS, falta médico, leito, remédio,vacina, lençol, esparadrapo, fraldão,seringa descartável etc. Faltam dentes na boca do Zé-povinho. Falta insulinano posto de saúde. Falta pavimentação nas estradas. Falta estrada. Falta
  • 6. 6ponte. Faltam eclusas nos nossos rios navegáveis. Faltam portos para escoarnossas riquezas. Falta ferrovia de bitola larga. Falta metrô nas cidades grandes.Faltam respeito e salário digno nas escolas públicas de todos os níveis. Faltatanta coisa, e o MENSALÃO escancarando mazelas de um governo longo quese autorrotulou de pioneiro, o primeiro na História do Brasil a fazer e acontecer.Tem vergonha de tudo isto, não, excelência? Nem remorso? Seus amigos estão aí, no pau da goiaba, na execração pública. Pensouque os ministros nomeados por você estavam obrigados a lhe vender a alma?Nem todos, viu só que gente mais ingrata? E você? São e salvo. Prestigiadopor governadores e por institutos de pesquisa. Mudo e surdo. Tem nada a dizer,não? Vai deixá-los torrar na fogueira da Justiça? O gato comeu sua língua,companheiro? Que papelão! E agora esta Operação Porto Seguro, um polvo domal, cheio de tentáculos, que horror! A primeira dama esteve à toa por oito longos anos, vivendo vida de rainhaneste Palácio da Alvorada, plantando canteiros vermelhos no jardim real. Podiaao menos ter prestado mais atenção às amizades do marido, às amigas maispróximas, de confiança. Uma convidada especial integrante da comitivapresidencial em mais de vinte viagens internacionais, não é pouco, não, hein,companheiro? Com passaporte diplomático, talvez? Com direito a cartãocorporativo, será possível? Revistas e jornais contam horrores, mas deve ser calúnia, não pode!Tanta contravenção, tantos escândalos... Por que você não se defende? Ou étudo verdade? Parafraseando Castro Alves eu pergunto: “Onde estás que nãorespondes?” O PT é hoje um partido esvaziado de líderes, desprovido de pensadores.Tão afeiçoado ao poder como se o poder fosse seu oxigênio, sua adrenalina.Ao cabo de trinta e oito anos de militância aguerrida, eis que a vitóriaacachapante aconteceu nas urnas municipalistas, mas vocês não conseguiramchegar sozinhos. Tiveram que vender a alma ao diabo a agora as coligaçõesheterodoxas vão corroer seus governos. Perdendo a presidência da Câmara edo Senado, o barquinho de vocês estará à deriva. Quer apostar? No PT sósobraram índios. Cadê os caciques? O PT não me interessa, quero lhe falar de sonho, de utopia. Hoje seusadversários pensam que vocês são comunistas. Temem o comunismo porqueesta ideia é difusa, repleta de experiências malogradas e até perversas emalguns países do mundo. Aqui e agora este ódio à flor da pele é resultado dascabeçadas, dos desvios de comportamento moral e ético, das lambançaspolíticas praticadas por seus companheiros mais diletos, de absurdosprivilégios criados para serenar a ira do populacho. Qualquer um pode ter puxado o gatilho da arma que matou Celso Daniel.O mais importante, que ainda não foi apurado, é o motivo desta morte absurdae o mandante do crime, um espinho atravessado na garganta dos familiaresdaquele prefeito e de milhares de brasileiros menos burros, como eu. Precisava,não, Luís Inácio! A História do Brasil já registrava muitas irregularidades,
  • 7. 7muitos crimes e muitos suicídios mal explicados. Então vocês apareceram,prometendo consertar o País. Foi nisto que se acreditou. Eu sei que vocês nunca foram comunistas. Alguns eram/são merosarruaceiros. Outros, meros delinquentes juvenis. Outros, bandidos mesmo.Pode até ser que houvesse alguns equivocados, rebeldes sem causa, queforam no vai da valsa. A boiada seguiu a corrente sem raciocinar. Soutestemunha ocular e vítima de todo o processo. Jamais peguei em armas. Nemeu nem minha família. O berço marxista me aproximou da utopia socialista efez da minha prática diária a concretização deste sonho coletivista. Dia apósdia, no meu lar e na sala de aula da escola pública, eu tentei ser uma cidadãatualizada, coerente, politizada e politizante. A luta armada, sem nenhumachance, sem quadros, neste nosso País continental, foi mais uma infantilidadee uma burrice do que uma atitude heróica. E sacrificou tanta gente! Falemos de você. A liderança caiu em sua cabeça por acaso. Um líderfabricado da noite para o dia, sem preparo teórico, sem histórico partidário nempolítico. Foi muito holofote, muita mídia, muito foguetório. Houve também muitoaplauso importante: CNBB, OAB, FIESP, a grande imprensa e, por detrás dacortina, o consentimento do governo militar. Você, ingênuo, acreditou. Bastaram-lhe 31 dias de reclusão para elegê-locomo deputado federal constituinte mais votado do Brasil. Na sequência você,que tanto havia achincalhado os ricos e os empresários, cooptou o empresáriomilionário José de Alencar e, com esta tacada de mestre, encerrou o ciclo dedesconfiança ideológica que pesava sobre o PT e você. Enterrado o fantasmada esquerda, as dificuldades acabaram. Choveu dinheiro nas suas campanhasmalogradas e nas vitoriosas. Os publicitários que o digam. Você vestiu afantasia do SUPER-HOMEM, a faixa de presidente, e saiu voando, fazendobobagens, dizendo bobagens no mundo inteiro. Chistoso. Eu o considero umimpostor, Luiz Inácio, um coveiro do sonho de esquerda da minha geraçãoprestista, que se preparava para ganhar “no papo” e não “no sopapo” comovocês fizeram. Na minha avaliação, seus heróis da luta armada atropelaram eatrasaram a História do Brasil desde quando empunharam armas, assaltarambancos, sequestraram pessoas, até quando, trinta anos depois, assumirampostos, cargos e funções. A ditadura militar agonizava, desmotivada, e os ditadores já estavam semrepertório. “VOLTA, FLÁVIA SCHILLING”, escreveu emocionado o truculentopresidente João Batista Figueiredo. O PT foi apenas um dos atores do fim daditadura, não foi o dramaturgo. Você sabe o que é dramaturgo? O Brasilmerecia uma esquerda muito melhor, mais decente, mais patriota. Não sei se os historiadores vão lhe reservar um lugar no panteão daglória como o MARCO ZERO da História do Brasil ou se vão julgar como umdesastre o tsunami de revolta e animosidade que o governo do seu partidodeixou como herança maldita para a família brasileira: a intolerância e orevanchismo. Militares e a esquerda, negros e brancos, índios e brancos,fazendeiros e sem-terra, estudantes da rede pública e particular, quanta mágoae conflito supurando ao mesmo tempo!
  • 8. 8 Que dizer destas cotas, acendendo fachos de fogo no borralho étnico,social e político de nosso País? Um bem ou um mal? Tudo isto apenas paraencobrir a incúria administrativa do governo petista, mero paliativo de umagovernança pusilânime que não promove reformas de base, para quemeducação não é prioridade. É mais fácil, mais prático, mais eleitoreiro, criarprivilégios para o jovem portador de um título eleitoral, que já vota, do queeducar, no berço, a massa que só votará daqui a dezoito anos. Óbvio ululante! Seu colega Lech Valesa foi agraciado com o Prêmio Nobel da PAZ em1983. Talvez uma picuinha contra a URSS. Mas foi. E você? Talvez decidamhomenageá-lo como pai dos pobres pelas bolsas-esmolas incondicionais, semprazo para acabarem, sem contrapartida para os beneficiários das mesmas.Mas também pode ser que considerem estas ditas “políticas afirmativas” comomeras matracas de fazer voto e manter o povo à margem do crescimento social,cultural e profissional. Vai depender do historiador e de quem pagar peloserviço. Infelizmente a verdade é uma moeda de duas caras e papel aceitatudo. Muita saúde para você, são os meu votos de Ano Novo. Peço-lhe que nãomorra agora. Você corre o risco de ser canonizado pela massa ignara e isto étudo que não pode acontecer. Desculpe declarar que eu não tenho nenhum respeito especial, genuflexo,pela sua história de nordestino retirante, órfão de pai irresponsável, filho demãe que nasceu analfabeta, inventor de um Brasil onde nunca antes de vocêninguém havia ... blá-bláblá. Para mim você é apenas um nordestino vaidoso, petulante, irresponsável,complexado e ridículo, cercado de aproveitadores, que foi usado por bobos eladinos e até por empresários, políticos e banqueiros oportunistas, ladrões ecretinos, brasileiros ou não. Só isto. Um cidadão que teve a sorte de nascer noBrasil, porque, se tivesse nascido em um País mais austero, algumas coisasnão teriam acontecido em seu derredor nem em seu benefício. Pra Curupira,Macunaíma, Getúlio e Juscelino, lhe faltam um queijo e uma rapadura. Saiba,Luiz Inácio, que há ex-petistas frustrados, que pensam exatamente como eu,que nunca fui petista. Tenho milhares de mensagens deles. Se elesautorizarem, lhe mostro todas. Escrevo-lhe esta carta motivada pela impossibilidade de lhe falarpessoalmente. Por um dever de lealdade comigo e com toda a verdade quesofrimentos políticos impuseram a minha família e a mim. Eu não cobrei dopovo brasileiro um preço pela derrota do meu sonho ideológico, que vocêsdepois acabaram de jogar no lixo. Não pedi indenização. Sabe por quê?Porque um sonho ideológico não tem preço. E a derrota, assim como a vitória,faz parte do jogo. Pessoas maduras, equilibradas, sensatas, sabem disto. Sou sete anos mais velha do que você. Compete a mim tomar estainiciativa. Serenamente porque o momento é oportuno. E publicamente, porquesomos pessoas públicas. A carta é longa, é verdade. Oito laudas A4 em fonte11. Mas muito menor do que o tempo que eu venho tolerando você e seus
  • 9. 9cupinchas. Então, leia com paciência, meditando cada parágrafo, porque vaiaqui um pouco da História do Brasil de que nós dois participamos comoartífices. Neste retiro a que se recolheu agora, tudo conspira a favor de umaautocrítica. Vai lhe fazer bem. Saia da concha, você não é uma ostra. Ou seráque é? Vou lhe contar um segredo que é seu, que você viveu e não se deuconta: você não é um ex-presidente porque nunca presidiu coisa nenhuma. Porum tempo você foi hóspede do Palácio da Alvorada. Cumpriu as tarefas quemeia dúzia de espertalhões traçaram para você, repetiu as palavras de ordemsugeridas por seus ministros, assessores, amigos e puxasacos, vários delesperiguetes institucionais de saia justa ou de bigode, tanto faz. E foi bufo emalguns momentos, principalmente nas performances internacionais, quandovendeu a imagem cafona, bizarra e equivocada de um país emergenteperdulário e fuleiro. O resto foi bajulação, farofa, churrasco, futebol e caipirinha.Devia ter perguntado a OBAMA qual o significado da palavra O CARA, quetanto lhe subiu à cabeça. Se puder entender o que eu tento lhe dizer, o que eu sinto, saiba queneste momento sinto pena. Do Brasil e de você. Do Brasil porque fecha o anosem votar os royalties do pré-sal, sem votar a Lei Orçamentária de 2013, comum PIB pouco maior do que ZERO, pelo Mensalão inconcluso, pela OperaçãoPorto Seguro, pelo arquivamento do escândalo Cachoeira, pelo grande blefeDemóstenes Torres, pelo problemaço energético, pelo Velho Chico, pelasobras do PAC, superfaturadas e interrompidas, pela dispensa de licitação paraobras em aeroportos, estádios, Brasil Carinhoso, por esta alucinação esportivaem um País sem atletas, pela volta da cerveja aos estádios, por confirmar acada dia que o Brasil não é um País de gente séria. Ah, e pelos impostos queeu pago, para enriquecer malandros! Culpa da Dilma? Dilma é você, tanto faz. Sinto pena de você, que parece ter caído no melado. Um animal acuadocujo constrangimento é evidente. O preço da glória é alto demais,principalmente quando tudo parece sinalizar um desfecho de conto de fadas definal infeliz, aquele no qual uma criança verdadeira grita durante o desfile: OREI ESTÁ NU! Peço desculpas aos meus netos pelo País que vou legar a eles,abarrotado de mentiras e de crimes institucionais. Sinceros pêsames, Pátria Amada BRASIL! Martha de Freitas Azevedo Pannunzio marthapannunzio@gmail.com
  • 10. 10 Uberlândia - Fazenda Água Limpa, 01/01/2013 - Publicação permitidadesde que mantidos autoria e meu e-mail.