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A dor das palavrasé o Alívio da Alma”
O EscuroNa poesia há tristezaEla amargaEla fereUma febreVertiginosaO consomeTeu corpo saiDas entranhas das palavrasUma poe...
O silêncioSilêncio...Eis que sinto a pulsação do corpoMeu peito pulsa como um tiro de melancoliaMeus olhos se fechamSinto ...
O reino para além          Elegia à Florbela EspancaEspero... esperoDe flores belasDe saudades e doresEm meio a um negro d...
As horas de VoyeurVejo as luzes se apagandoOs olhos se tocandoComo uma música nos meus ouvidosO toque delicadoO ato virilD...
O limiteEis que surge o limiteO limite da vidaA agonia da almaO segundo ínfimoDa dor do passadoO momento retrátilDo último...
A menina        Elegia à Lygia Fagundes TellesDe mãos atadasUma mulher por seus direitosA harmonia de palavrasSobre o mund...
Caminho das pedrasO sol brilha na manhãAtravés de meus braçosMostra-me os horizontesE meus ancestraisHá flores vivas na ja...
LiberdadeA euforia diurnaTão logo desperto-meE meus ofuscados olhosSe acendemA brisa leveO empurrar das nuvensO assobio do...
AbsortoAbsortoNo suor dilaceranteAo extremo pesar da poesiaOnde dói, onde divagaUm desconserto mentalQue não cedeNem nunca...
O tempoNão me canso de escreverNem de pensarComo uma metralhadoraInebriante de incertasE desejosas fontesA chama que mataÉ...
EspúrioO galgar dos passosE um toque suadouroA setilha engasgadaAo entardecerO zombeteiro falsoNum cético sorrisoPeremptór...
GlosaEm quantas palavrasEscrevo as páginas da vidaMentes flutuantesAo pesar do amorDe viver a reentrânciaNum altero saberO...
HaitiPrata... é como o vejoO claro brilho inocenteDe toda uma lágrimaBranco como neveDe encontro com o maisForte contraste...
O Sonho TortoEis que vejo um sonho tortoCovarde, voraz e caladoUm sonho tristePermanecente do futuroEstrelas que se perdem...
EscribaO que esperarDe tintas e pontasDe pena num papelQue não se pautaComo num pensarDe olhos mordazesE pétalas de orvalh...
A sombra         Elegia à Augusto dos AnjosEuDe alma insígnicaUm suor fônicoDe encontro com a morteMelancolia transmutadaN...
AngústiaOutroraNa visibilidade da almaMeu peitoA calmaNo silêncioEu deitoE choro
Meia noite no invernoO homem mataO corpo tremeA mão navalhaA dor poenteO tempo curaA calma é duraNo ludibriarDa alma impur...
A noite friaAs mãos fálicasCálidas, gélidasE profanasUm rosto dilaceradoNo púlpito terrorDa eloqüência sacraOs pés descalç...
....Há dias difíceisDesenhados no percorrerDas lágrimasQue vão de encontro ao peitoNos linfáticos olhosCoração lacunarPens...
. AdeusA vejo sorrindoComo se não o quisesseSua mão em sua testaFranzida e suadaComo quem suaNum estado fatídico febrilEu ...
Um coração oprimido            Elegia à Augusto BoalO dia que se vaiAo derradeiro leito impermeávelUm corpo, um monólogoUm...
DesilusãoOs ventos da era doce sagradaTrazem lembranças do fastioOs sinos tocam às seis da tardeE eu me deito no jazigoAs ...
O CaminhoOs pés descalçosImpermeabilizados pelo sangueFeridos e impotentesComo as folhas de outonoOu o brilho da primavera...
O som do silêncioMeus olhos estão tristesO vermelho do sangueParece névoa a neblinarCaminhos opostosHoras desiguaisNão tem...
O som do trovãoAs luzes estão apagadasNão vejo nadaOuço o gotejar da chuvaEcoar por entre a serraO verde transforma em neg...
Do outro ladoQuero que se váQuero que me largueO vazio escuroQue invade meu peitoCorrói por entre as horasA noite não pass...
As 7 faces          Elegia à Carlos Drummond                  de AndradeUm corpo caiPela frígida almaQue tropeça em teu se...
O sonhoOs sons que me calamO medo de prosseguirO intelecto quebradoO sonho cortadoSeveros dias oblíquosMomentos de dorO ca...
O gorjeio da almaA noite caiMeus olhos serrados ao altoVejo o que os olhosNão poderiam verÀ luz do diaO silêncioOs passos ...
A falta de luz                Elegia à RimbaudA poesia é tristeMas não mataOs teus olhosSurrados pelo mundoUma cicatrizQue...
IncréduloVejo a noite pela janelaComo quem vê o envelhecer da almaObservo a calmariaO choro dos infelizesO brilhar da madr...
A PalavraA palavra que se falaO olho que se vêA boca que não sente o gostoCabeça que se entendeEntende o que se pensaO pé ...
EvanescerO tempo está curtoE a vida se prolongaTempos difíceisPara um novo jogoTerra em transeMomentos de dorMomentos de p...
Íris             Elegia à Íris MurdochTuas mãoPerplexam a noitePeroxidam a almaOs passos na estradaA chuva caiSem dizer o ...
Pétalas NegrasOh pétalas negrasDe rosas deslumbradasVíis ao delirante crepúsculoQue permeia o teu olharFazei das palavrasU...
O grão imastigável      Elegia à João Cabral de Melo NetoPalavras que sustentamComo um nobre seguidorEm folhas de papel re...
PerecívelA casa está vaziaSinto corpos invadindo os corredoresPrezo pela liberdadePela paz de espírito e coraçãoSinto o fl...
A irmandade das floresNo alto da serraO vento uiva como loboNas pedras, nas floresO semear da vidaA aurora dos temposUm co...
Eu tenho MedoÉ o vazio que invade o peitoÉ a loucura que alimenta o medoÉ o universo sem o desesperoSono profundo que não ...
FalaO fluxo do ouvido está travadoNão ouço, mas escuto o que eu faloVejo o que não possoO que se prezaNão mata, não dorme,...
CactosA sombra me persegueSob a névoaNão consigo me moverSou incompreendidoPreso em um muroOu em meu próprio pensamentoMeu...
Não cruze com os demaisAssim terei meus próprios sentimentosMeu próprio coraçãoQue a cada despertarEncontra o silêncioEsto...
MulherA flor que um dia chorouPerfuma uma nova mulherO tempo em que silenciouNão sobrou um vestígio sequerNos olhos, nos b...
Últimos Minutos                Para meu paiEu vi vocêParado aliE me deu sua mãoEu o toqueiNão mais o viNa escuridãoQuando ...
Sonata do Males              Elegia à BeethovenDoravante há o crepúsculoUm solar vespertinoNa dádiva de um gênioCom o olha...
De que me importa ser um ratoDe que me importa ser um ratoDe cores limpas sem compaixãoDócil, adestrado, mas de vísceras a...
Clarice           Elegia à Clarice LispectorDa janela a vejoComo uma simples estrelaQue espera sua hora de brilharO interv...
VenturaSonhos! Delírios! Vomitam verdadeNo esgotar das horas tristesO esgazear que já existeNos olhos que permanecem com a...
VermilhõesFamigerados dias vaziosIncrédulos, incultosOcultos nas devassasUm andar engatinhadoEngatilhado de podridãoDoente...
A madrugada           Elegia à Antonin ArtaudA madrugada fria e escuraO sussurro de uma noiteO histerismo de mais um diaA ...
CromaOs olhos se abrandamPelo semear da noiteOnde os lábios da dorDecorrem sob os céusA transcendente ternuraDas asas caíd...
Próprios PassosAtrás da portaEscutando o tédio comemorarMais uma vida que deixou pra trásDe olhos fechadosTão extremosVejo...
Fenicismo               Elegia à NietzscheAh...Onde se encontraO trágico super-homemQue avisto desembarcarNa insustentável...
CorpoO cheiro do gosto da calmaO olho que teme ao serO leito do corpo que mostraO Choro da alma que vêA ponta do passo que...
Dias EstranhosOs dias estão chegandoÉ hora de se entregarReformule seus conceitosReestruture suas ideias
Olhos Negros            Elegia à Virginia WoolfTeus olhos procuramUma pequena saídaProcuram um mundoUm próprio mundoA desv...
A MorteA água que está dentroO frasco que está foraNão passa perto da fonteA água que está bentaO cálice que está mortoNão...
MalevolênciaNa magnificência da tristezaUm ardor latente em seu peitoO ressonar da madrugadaAmargura o teu serSaudosa male...
O Ecoar da NoiteO ecoar da noiteA destreza do olharAs mãos cálidas sobre a mesae um ladino pensarO vilipendiado amorUm var...
Sylvia             Elegia à Sylvia PlathAs horas me desorientamEu mal consigo me mexerMeus olhos doem, sangramUma penumbra...
InconstanteEspasmo olharFixo, inconstanteNo delinear da janelaO que a poderia deixarTão depressiva?Tuas sobrancelhas se cu...
O tudo nadaTudo que parece serNada que parece ouvirNada que parece serÉ tudo que se possa ouvirTudo que se passa rasteja, ...
.Casa de RebocoSentado em uma pedraAo lado se vê a árida angústiaQue medra em teu olharTeus pés enfraquecidosE tuas ávidas...
Ríspido                 Elegia à FridaIntolerável, ríspido e semânticoA aurora da vidaE o coração cediçoEmbriagado de lágr...
.Guerra dos MundosAtenção homensO mundo parece não mais pararA terra roda... roda...Roda ate perder as pontasE seus soldad...
O FilhoNão sou filho da mãeNão sou filho da putaMas se perguntaresDe quem filho souDigo ser filho da puraPura alma obscura...
..Tristeza Embriagada               Elegia à PollockDemasiadas gotasDos fóleis pincéisBravamente coloremO louco olharDa al...
Da Consciência à TraumatizaçãoTeus olhos despertaramAo nebuloso anoitecerE por um instanteSeu corpo ali não estavaPensou e...
a lunática mentalidadeAo cair em sua própria razãoPercebe que é apenas um simplesSer que pensa e reflete sobre osSeus próp...
PássarosOs Pássaros agora voam.Os Pássaros não mentem.Os Pássaros são fiéis.Os Pássaros não são gente..
IntrépidoUm intrépido saltimbancoDe um lado para o outroFantasia teu caminharJá se cansa, já se calaNão sorri e não mais a...
O Mundo ModernoDias de lutaAlgo maisEnquanto a terra rodaBate as quinasNos cantos da constelação.
À Livorno              Elegia à ModiglianiA paz angustiadaUm silencioso olharFruições de uma vidaNa minúcia do amorUm amor...
O Séquito AmorO séquito amorA insolência mordazPerpetuam a ingratidãoA fosforescência da dorA inconstante razãoDiviniza a ...
TerrorA fornalha queimaAo produzir tuas palavrasEm contos sonolentosNegros e obscurosComo tua almaObcecada pelo outroTua p...
AlquimiaAgora que explode todo mundo vêAs cores bem plantadasDentro do teu sangueOs olhos coloriramE as lágrimas cobriram ...
O SonhadorNo lago senta um sonhadorEla leva junto a sua pazMostrando toda sua sabedoriaE tudo que vem do coraçãoEle é perf...
HojeAvisto um escuro no céuUm céu monocromáticoAs ruas fechadas despertamO caminhar oportunoDe quem não choraVejo rostos f...
Não se esqueçaO futuro está próximoQuando encaramos o presenteHá dias que não sabemosO que realmente é certoMas fazemos o ...
TantoA cabeça feitaDe um sonhadorO pé andante fogeFoge...O suor é forteE tem cheiro grossoDe prazer da almaAlma...O vento ...
Pare de chorarAgora você não está sozinhaHá alguém por trás de vocêNão adianta cortar os teus braçosIsso não ajuda a viver...
O DomDizem que sou loucoDizem que sou anormalChamam-me de estranhoE dizem que estou malSó por não dizerSó por não falarSó ...
AnuviadoPela janela vejo o sol multicorEm meio à dança das árvoresNum nítido estágio de solidãoUm fugidio olharUm olhar va...
AutorretratoChove, chove muitoEu sentado com as cortinas fechadasMeus olhos caem num pensamentoFraco e aquareladoO som que...
TuríbuloCansadoNão permaneço maisNo escuro deserto de minh´almaNum lânguido passo emolduradoNa blasfêmia da dorÓ blasfêmia...
O portalSinto o cheiro de poesiaSinto o calor das palavrasImaginai a dor de quemAs escreve tão chorosamenteGracioso coraçã...
Um raro silêncioNo badalar das horasOs sinos ecoam pelas ruasPássaros voam como aprendizesDe uma vida rasgada a ermoPortas...
Vermelho NegroDescarrego como tiroEm telas feito corpoEm sátiras coresE arabescos febrisUm sopro na janelaEm sombras furti...
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  1. 1. A dor das palavrasé o Alívio da Alma”
  2. 2. O EscuroNa poesia há tristezaEla amargaEla fereUma febreVertiginosaO consomeTeu corpo saiDas entranhas das palavrasUma poesia feita de dorImóvel, estáticaComo o labirintoDos incompreendidosSem dizer o seu nomeSem fugir dos seus pensamentosO abismo o aguardaDesumanizando a solidãoO escuro o traiComo uma pedraNo deserto melancólicoDe seus versos
  3. 3. O silêncioSilêncio...Eis que sinto a pulsação do corpoMeu peito pulsa como um tiro de melancoliaMeus olhos se fechamSinto meus pés se distanciando do chãoMeu corpo se esvaiPor entre as cores dos céusE minha alma flutuaPerpassando a imensidão
  4. 4. O reino para além Elegia à Florbela EspancaEspero... esperoDe flores belasDe saudades e doresEm meio a um negro dominóDe lágrimasA beleza do amorQue triste a permeiaNum tormento idealComo um livro de mágoasSua alma trágica e doenteComo um soneto ao ventoAngustia, despedaça, duvidaTropeça em sombrasE em mãos vaziasNuma crise existencialNuma tênue luzConsumindo o seu próprio espíritoNum insaciável amor
  5. 5. As horas de VoyeurVejo as luzes se apagandoOs olhos se tocandoComo uma música nos meus ouvidosO toque delicadoO ato virilDe um casal em chamasA janela como espelhoDe um calor sorridenteComo flores na primaveraAs cores se anunciam7 toques, 7 vidas, 7 coresDois corpos e pelos nusO encontro fálico de seus membrosUma imagem que desperta o interesseO fim imprevisívelAs horas de voyeur
  6. 6. O limiteEis que surge o limiteO limite da vidaA agonia da almaO segundo ínfimoDa dor do passadoO momento retrátilDo último suspiroO alcance fugazNo caminhar enfraquecidoO corpo molhadoDe esforço e ingratidãoOs olhos inválidosO coração vitalO sangue vívidoDe um ato vital
  7. 7. A menina Elegia à Lygia Fagundes TellesDe mãos atadasUma mulher por seus direitosA harmonia de palavrasSobre o mundo, sobre a vidaPontadas em um coraçãoComo um forte golpe de esgrimaEm um país duro, gastoDe enfermos corpos vaziosSua alma descansa em seu larSua memória, suas lembrançasUma ciranda de vertentesO sentido da maturidadeExala a serena sabedoriaDe esperar a límpidaVocação de escreverAs solidárias palavrasSão como ver o pôr-do-solEm um imagético muroLudibriado pela fantasiaDe viver
  8. 8. Caminho das pedrasO sol brilha na manhãAtravés de meus braçosMostra-me os horizontesE meus ancestraisHá flores vivas na janelaE o tempo a flutuarLá fora o dia clareaE um novo sonho aconteceA água corre pelos riosOnde cobras são avesOnde a estrada é realE as trilhas de terraO caminho das pedrasEnrijecendo o acreditarLavando a almaFortejando o coração
  9. 9. LiberdadeA euforia diurnaTão logo desperto-meE meus ofuscados olhosSe acendemA brisa leveO empurrar das nuvensO assobio do ventoEm meus ouvidosDispõe-me à verdade realEm meio ao verde ácidoDa alarmante liberdadeO frio em minhas mãosE uma caneta como incêndioFlores vislumbradas da manhãNum passo de baileO sol regressaEm meus fugidios olharesParece-me solitárioMas é a pura liberdade
  10. 10. AbsortoAbsortoNo suor dilaceranteAo extremo pesar da poesiaOnde dói, onde divagaUm desconserto mentalQue não cedeNem nunca páraNem desfalecido de morfinaNo corpo um fardoPor alimentar em letras o sentidoNem tintas em demasiaNem lágrimas no leitoAfoga-se em palavrasTão doces e pesadasComo da verdadeiraE sincera poesia
  11. 11. O tempoNão me canso de escreverNem de pensarComo uma metralhadoraInebriante de incertasE desejosas fontesA chama que mataÉ a mesma que enalteceO saborear da vidaEm repletos frenesisOutrora guardiãOutrora vilãDuas faces, duas rotasEm um pálpito inocenteQue já fostes tão amargoE agora puroAcalanta o sofrerEm sabedoria
  12. 12. EspúrioO galgar dos passosE um toque suadouroA setilha engasgadaAo entardecerO zombeteiro falsoNum cético sorrisoPeremptórioNo solar da majestadeOs tambores findam os versosEm finórias palmasExtasiando os reinosNo espúrio da noite
  13. 13. GlosaEm quantas palavrasEscrevo as páginas da vidaMentes flutuantesAo pesar do amorDe viver a reentrânciaNum altero saberO amor primeoO atemporal amorDe vidas sincerasDe vidas vaziasDe tristezas e angústiasDe versos reprimidosO anódino futuroCorações vivóriosRepartidos em alegriaNo culto viver do presenteEm meio ao mistério madrugosoDe dia após diaNum pomposo caminhar
  14. 14. HaitiPrata... é como o vejoO claro brilho inocenteDe toda uma lágrimaBranco como neveDe encontro com o maisForte contraste com da purezaO negro luto se encaixaPor toda solidãoDe um triste mundoA esperança turvaDe cores que nem sei o nomeSe desgastaE o vermelhoCobre o mar de pedrasPor sobre os corpos
  15. 15. O Sonho TortoEis que vejo um sonho tortoCovarde, voraz e caladoUm sonho tristePermanecente do futuroEstrelas que se perdemEm pequenos olhos cegosNa calma do pensamentoQue não teme a curaO claro vazio nos permiteO ofegar das horas vagasO extermínio dos corpos fechadosO abrir das mãos vaziasO caminhar na estrada escuraO medo e a penumbraOs passos no triste impactoDos sonhos que descobrem os dias
  16. 16. EscribaO que esperarDe tintas e pontasDe pena num papelQue não se pautaComo num pensarDe olhos mordazesE pétalas de orvalhoCaídas em vinhoCor de sangueNas pálpebrasDe um brindar?O levantar de um goleA dor maleávelQue se torna tênueA um diáfano olhar
  17. 17. A sombra Elegia à Augusto dos AnjosEuDe alma insígnicaUm suor fônicoDe encontro com a morteMelancolia transmutadaNum ardênico olharCoração ilusórioE um ar de sofreguidãoEuDe almas perdidasDe vidas caídasE ávido pensarNa noite me encontroNa madrugada me alimentoNos dias vou-me emboraE na sombra eu me deito
  18. 18. AngústiaOutroraNa visibilidade da almaMeu peitoA calmaNo silêncioEu deitoE choro
  19. 19. Meia noite no invernoO homem mataO corpo tremeA mão navalhaA dor poenteO tempo curaA calma é duraNo ludibriarDa alma impura..
  20. 20. A noite friaAs mãos fálicasCálidas, gélidasE profanasUm rosto dilaceradoNo púlpito terrorDa eloqüência sacraOs pés descalçosO rastro obstinadoA fúria mentalOs olhos sórdidosFrases malsoantesAlienação mútuaVentos secosGestos ilícitosSombras mórbidasDevassos toquesPassos largosE um quixotesco amor
  21. 21. ....Há dias difíceisDesenhados no percorrerDas lágrimasQue vão de encontro ao peitoNos linfáticos olhosCoração lacunarPensamentos fluidosNo esmaecer das horasA lua permeia o olharA chuva umedeceA estrada vaziaE o caminho cheio de dor
  22. 22. . AdeusA vejo sorrindoComo se não o quisesseSua mão em sua testaFranzida e suadaComo quem suaNum estado fatídico febrilEu me deparo com o seu olharO olhar insano de quemNão precisa mais viverTuas pálpebras descem lentamenteComo se estivessemProfundamente sonolentasUma lágrima escorreComo uma única palavra...... adeus ...
  23. 23. Um coração oprimido Elegia à Augusto BoalO dia que se vaiAo derradeiro leito impermeávelUm corpo, um monólogoUm coração oprimidoO peito aberto para o povoUma arena em chamasDevaneios sociais, políticos, outroraE a arena continua em chamasRepresentação mútuaLágrimas insanasSorrisos claustrofóbicosUm insubstituível coração.
  24. 24. DesilusãoOs ventos da era doce sagradaTrazem lembranças do fastioOs sinos tocam às seis da tardeE eu me deito no jazigoAs cores do meu corpoOs brilhos dos meus olhosSão cartas que se despedemDo revoar da vidaComo um velho suicídioOu um corpo iluminadoUm sonho transfiguradoCom um cheiro podre
  25. 25. O CaminhoOs pés descalçosImpermeabilizados pelo sangueFeridos e impotentesComo as folhas de outonoOu o brilho da primaveraA saudade o permeiaO contradiz, o emputreceO caminho sem voltaA plenitude do olharInóculo e obscuroDas pedras do caminhar
  26. 26. O som do silêncioMeus olhos estão tristesO vermelho do sangueParece névoa a neblinarCaminhos opostosHoras desiguaisNão tem para onde seguirNem para onde olharA escuridão me devoraO chão se abreE as tormentas soamOuço a canção mais belaO som do escuroO som do nadaO som da morteO som do silêncio
  27. 27. O som do trovãoAs luzes estão apagadasNão vejo nadaOuço o gotejar da chuvaEcoar por entre a serraO verde transforma em negroO azul transmuta em cinzaE o simples clarear dos raiosSuspiram como trovãoGritos, sussurros e espasmosEnsurdecem o olharRevigoram o calejar das almasNum perdido caminharGalhos vaziosComo um corpo pedindo frenteAbraçando os diasCorrendo como o vento
  28. 28. Do outro ladoQuero que se váQuero que me largueO vazio escuroQue invade meu peitoCorrói por entre as horasA noite não passaNão consigo dormirA lembrança me dóiSinto sua faltaO vejo todas as noitesAo fechar dos meus olhosAs lágrimas me cegamE me faz lembrarA dor da perda
  29. 29. As 7 faces Elegia à Carlos Drummond de AndradeUm corpo caiPela frígida almaQue tropeça em teu serUma pedraUm coraçãoAs mãos dadasPela angústiaAs 7 facesAs 7 pedrasUm sentimentoPelo escasso mundoUm vestidoUm pregoÀ esperaDe um amorEterno
  30. 30. O sonhoOs sons que me calamO medo de prosseguirO intelecto quebradoO sonho cortadoSeveros dias oblíquosMomentos de dorO calor nas horas de frioAs dores que vem do risoOs dias infames que vejoOs olhos que me apedrejamO mais sábio segredoNos sonhos que nunca mais tenho
  31. 31. O gorjeio da almaA noite caiMeus olhos serrados ao altoVejo o que os olhosNão poderiam verÀ luz do diaO silêncioOs passos na calçadaA luz que perpassaPor entre a janelaA triste ruaO corpo vazioO olhar cegoE a voz temporãEu olho para o ladoE vejo o futuroA alma pura e secretaA luz que gorjeiaNa mais bela flor
  32. 32. A falta de luz Elegia à RimbaudA poesia é tristeMas não mataOs teus olhosSurrados pelo mundoUma cicatrizQue já não mataUm corte profundoA falta de luz
  33. 33. IncréduloVejo a noite pela janelaComo quem vê o envelhecer da almaObservo a calmariaO choro dos infelizesO brilhar da madrugadaO sopro no olharE não vejo ninguémA TV não sintonizaO rádio já não falaO cérebro não mais pensaA luz da vela me atrapalhaMéxico, IsraelPalestina, IraqueJá não tenho mais notíciasJá não me importo maisEstou cego, estou surdoEm que me transformaram?O que eu me tornei?Já não entendo maisFecho os meus olhos...Adeus
  34. 34. A PalavraA palavra que se falaO olho que se vêA boca que não sente o gostoCabeça que se entendeEntende o que se pensaO pé que já não andaA língua que se senteO braço que abraçaA mão que já não escreveO jeito que se vendeA venda que se pagaA grana que já não compraO corpo que se falaO toque que se senteO dedo que já não toca
  35. 35. EvanescerO tempo está curtoE a vida se prolongaTempos difíceisPara um novo jogoTerra em transeMomentos de dorMomentos de penumbraE um só calorCalor de viverDe amarE ver que um diaTudo irá acabar
  36. 36. Íris Elegia à Íris MurdochTuas mãoPerplexam a noitePeroxidam a almaOs passos na estradaA chuva caiSem dizer o seu nomeAs poças se reúnemPara um pequeno altarAs pequenezas se proliferamOs olhosAfastam-se ao amanhecerO segredo caiA máscara se entristeceE um corpoHá de enlouquecer
  37. 37. Pétalas NegrasOh pétalas negrasDe rosas deslumbradasVíis ao delirante crepúsculoQue permeia o teu olharFazei das palavrasUma arma, como a poesiaQue distrai os fósseis olharesCaídos e cobertos de sangueCorroídas palavrasNebulosas mentesE tempestuosas mãosGuardai os sentimentos do mundoFazei a súplica do amorTornai verossímil a nossa alma.
  38. 38. O grão imastigável Elegia à João Cabral de Melo NetoPalavras que sustentamComo um nobre seguidorEm folhas de papel recém rasgadasFrases regurgitadasPensamentos soltosMetáforas sempre gastasCatar a almaSaborear o incomívelAbsorver o feitoCatar feijãoCatar o indigestoCatar Cabral de Melo NetoSemear o ditoColher o inefávelDegustarO grão imastigável
  39. 39. PerecívelA casa está vaziaSinto corpos invadindo os corredoresPrezo pela liberdadePela paz de espírito e coraçãoSinto o fluxo do vento penetrando em meusouvidosMeu cérebro parece não mais pensarCorrosiva reflexãoOlhos famintos de ódio e ingratidãoConsumir a peça que nos é dadaé como não sentir o sensitivoé como não chorar o degradanteé comer o não famintoé o amor latente sem doeré a paz de estar morto
  40. 40. A irmandade das floresNo alto da serraO vento uiva como loboNas pedras, nas floresO semear da vidaA aurora dos temposUm corpo caídoO ofegar dos olhosNa vertigem dos diasUm olhar fugidioA esperança vaziaA fronteira distanteE um caminho perdidoO tilintar dos dedosO estender das mãosO medo, o soproNo coração o surtoO mal arredioO pensar extremoO frio aquecidoA fuga do calarAs flores oferecidasO abraço verossímilA condição humanaA irmandade das flores
  41. 41. Eu tenho MedoÉ o vazio que invade o peitoÉ a loucura que alimenta o medoÉ o universo sem o desesperoSono profundo que não tem sossegoEu tenho medo do meu caminharEu tenho medo do meu sussurrarEu tenho medo é do meu chorarEu tenho medo que é pra me cuidarÉ o desespero que me rasga o peitoÉ essa chuva que provoca medoÉ a vertigem que não tem mais jeitoÉ a verdade sem o exageroEu tenho medo só de me olharEu tenho medo do meu levitarEu tenho medo de me encontrarEu tenho medo do meu despertar
  42. 42. FalaO fluxo do ouvido está travadoNão ouço, mas escuto o que eu faloVejo o que não possoO que se prezaNão mata, não dorme, desesperaO gosto do silêncio está fechadoO grito do sufoco está caladoCalmo, vivo, não enxergaJá não come, não engoleEsperaO homem que não pensa está ferradoFerrado pelo corpoPelo atoNão pensa, descansaNão se calaComo mero semelhanteNão entalaO olho do umbigo já não fechaA boca do sussurro já não fala
  43. 43. CactosA sombra me persegueSob a névoaNão consigo me moverSou incompreendidoPreso em um muroOu em meu próprio pensamentoMeus olhos já não fixam em algum lugarComo a lua para pra te olharEstes vilipendiados olhosDoem, choram e imploramPara que fiquem sósNão consigo me livrarDo infortúnio calarSinto pessoas a me olharComo um animal devoraA sua insípida carniçaCreio que irão matar-meSinto-me desprotegido, frágil, inútilSinto-me sem amor, sem dor e sem desejoJá não sei o que fazerProcuro a solidãoPara que a minha trágica energiaNão contagie as pessoas.Para que o meu olhar
  44. 44. Não cruze com os demaisAssim terei meus próprios sentimentosMeu próprio coraçãoQue a cada despertarEncontra o silêncioEstou surdo e cegoEstou inválidoSubmeto-me ao inoportuno desesperoAo incômodo calarViver agora dóiNão mais a quero
  45. 45. MulherA flor que um dia chorouPerfuma uma nova mulherO tempo em que silenciouNão sobrou um vestígio sequerNos olhos, nos beijos e abraçosUma forte mulher ficouEm braços de ferro e açoNos mais belos dias gritouSou forte, sou estrela e luaPor mais que pareça nuaSou honrada em dizer-lhe nãoSou glória, sou vida e futuroPor mais que eu esteja no escuroEu tropeço, mas não caio no chão
  46. 46. Últimos Minutos Para meu paiEu vi vocêParado aliE me deu sua mãoEu o toqueiNão mais o viNa escuridãoQuando penso em te falarSobre meu coração eu volto atrásEu não pude te mostrarE uma gota caiu do seu olharEu não posso verVocê aquiSó uma solidãoUm sorriso para mimUm brilho, um olharE um só coraçãoMais um gesto, um olharEm uma chance fazer você amarSua vida, seu lugarEm uma estrada eu vou te encontrar
  47. 47. Sonata do Males Elegia à BeethovenDoravante há o crepúsculoUm solar vespertinoNa dádiva de um gênioCom o olhar cânticoUma serena dorNo alumiar das velasUma mão trêmulaA alma pútridaDe um notório serCausticante como o solO ventoComo o sopro dos DeusesO silêncio há de envolverSua alma ao cantarO egoA mágoa diluídaA volúpia sonoraA sonata dos males
  48. 48. De que me importa ser um ratoDe que me importa ser um ratoDe cores limpas sem compaixãoDócil, adestrado, mas de vísceras ao chãoDe que me importa ser um ratoSeja livre, de bigode ou nãoÁgil, num jardim de patas ao chãoDe que me importa ser um ratoDe dentes afiados para um mundo de cãoSem dor, fome ou sofreguidãoDe que me importa ser um ratoCriado em casa, no frio ou no porãoSe penso, falo, dito, lamentaçãoDe que me importa ser um ratoSe vivo para mim e não para a multidãoSe causo repulsa, fomento ou nãoDe que me importa ser um ratoVisto como tolo pelos cidadãosDe que me importa ser um ratoSou apenas um artista na escuridão
  49. 49. Clarice Elegia à Clarice LispectorDa janela a vejoComo uma simples estrelaQue espera sua hora de brilharO intervaloÉ como uma oca almaAguardando sua própria mortePobre claridadePobre ClariceDe alma tão amargaE mãos tão dóceisUma timidez ousadaQue afaga o pensarFlores de outonoFlores de invernoFlôr-de-Lis em seu peitoEsperando o amanhecer
  50. 50. VenturaSonhos! Delírios! Vomitam verdadeNo esgotar das horas tristesO esgazear que já existeNos olhos que permanecem com a idadeO corpo que esfria em demasiado desalentoEsvai-se do espúrio da morteOfegando em teu peito um forteDo mais enfermo pensamentoEis que sinto um tormentoPor mais que eu tente um lamentoNos teus olhos a solidãoA esperança me parece puraNa sombra não acho a curaAcolho-me em meio tufão
  51. 51. VermilhõesFamigerados dias vaziosIncrédulos, incultosOcultos nas devassasUm andar engatinhadoEngatilhado de podridãoDoentes, cansadosIngratos, vedentesVertentes poluídasDe ódio e ambiçãoCorroídos e exageradosEmaranhados vermilhõesInaudíveis, inocularesLetárgico coração
  52. 52. A madrugada Elegia à Antonin ArtaudA madrugada fria e escuraO sussurro de uma noiteO histerismo de mais um diaA negritude devassa cai sobreO manto de um mortoUm morto sempre vivoO calmo vazio invernoRetrai o seu corpoEm um terno olhar de desgostoO resplandecer dos passosA alma vangloriosaNa mais melancólicaMadrugada
  53. 53. CromaOs olhos se abrandamPelo semear da noiteOnde os lábios da dorDecorrem sob os céusA transcendente ternuraDas asas caídasImpermeabilizam o chãoQue assim os pés caminhamFarpas e corposSurtos e ecosCorrompem o caminhoNos esquecidos lugaresPerdas sagradas se tornamOs olhos do incompreendidoOs sintéticos dias cromáticosDos mais longos dias
  54. 54. Próprios PassosAtrás da portaEscutando o tédio comemorarMais uma vida que deixou pra trásDe olhos fechadosTão extremosVejo um deserto procurar o céuQue ele deixouAnjos caídosProcurando almas retorcidasQue se despediam dos céusComemoramComo cães sarnentosQue se livram das suas mentiras,Suas verdadesCom os próprios passosCaminhando em círculosEscuros como eu sempre quisPra fugir dessa tristezaQue invade o peitoDe quem não maisQuer viver em paz
  55. 55. Fenicismo Elegia à NietzscheAh...Onde se encontraO trágico super-homemQue avisto desembarcarNa insustentável leveza do serNo qual insiste em retornarE retornarE retornarNas mentes fálicasQue sustentam a ingratidãoA música da vidaNas mãos de um insultorDe almas vaziasQue toca o coração dos aflitosPara além do bem e do mal
  56. 56. CorpoO cheiro do gosto da calmaO olho que teme ao serO leito do corpo que mostraO Choro da alma que vêA ponta do passo que soltaAs horas do corpo que caiO jeito perdido que sejaDa fala que agarra e não saiO gosto da alma vendidaO cheiro da insípida carneNos dias que passam e não veemO mundo que vive e não valeA tela do homem que mostraO olho covarde de serE as horas que nunca se passamUm corpo não pode fazer
  57. 57. Dias EstranhosOs dias estão chegandoÉ hora de se entregarReformule seus conceitosReestruture suas ideias
  58. 58. Olhos Negros Elegia à Virginia WoolfTeus olhos procuramUma pequena saídaProcuram um mundoUm próprio mundoA desvendarEntre almas e vidasEntre a sanidade e o ilusórioEncontra a paz da loucuraEm seu leito, o corpo caladoDe sua pobre almaExposta ao devaneioNo frio, na dorO calmoso caminharAnelante ao encontro das águasDescaem como undícolaEm sombrios e intermináveis sonhos
  59. 59. A MorteA água que está dentroO frasco que está foraNão passa perto da fonteA água que está bentaO cálice que está mortoNão mata nem abençoaNem tudo perdido estáNem tudo calmo pareceComo um corpo já desfalecidoO sangue que espirraO corte já estancadoA carne que não tão podreA cabeça não entendeO corpo já não falaA mente que não funciona
  60. 60. MalevolênciaNa magnificência da tristezaUm ardor latente em seu peitoO ressonar da madrugadaAmargura o teu serSaudosa malevolênciaNo arrepender dos olhosLacrimejados de rancorO consome, o maltrataNão perdoa sequerUm momento infameDo teu ardoroso coração
  61. 61. O Ecoar da NoiteO ecoar da noiteA destreza do olharAs mãos cálidas sobre a mesae um ladino pensarO vilipendiado amorUm varão massacradoEnveredando ao inconscientePela vontade imprópriaA vela, o fogoO mórbido calejardas almas quenão param de chorar
  62. 62. Sylvia Elegia à Sylvia PlathAs horas me desorientamEu mal consigo me mexerMeus olhos doem, sangramUma penumbra invade minh’almaDormem e sorriem...Meus pequenos coraçõesQuietos e incompreendidosNão sabem o que há por virAs lágrimas me consomemAo fim da noiteE o efeito gasosoCorrói as minhas angústias
  63. 63. InconstanteEspasmo olharFixo, inconstanteNo delinear da janelaO que a poderia deixarTão depressiva?Tuas sobrancelhas se curvamTeus lábios no batomMaquiam uma falsa alegriaPerceptiva ao teu calmo piscarSeria angústia?Seria tristeza?Ou seria o teu modo de sorrir?Eu não sei...
  64. 64. O tudo nadaTudo que parece serNada que parece ouvirNada que parece serÉ tudo que se possa ouvirTudo que se passa rasteja, dormeTudo que se pega mastiga, engoleTudo que se come vomita e cospeO corpo já não quer esquecerO tombo que te faça cairO tombo já não pode esquecerO corpo tão pesado cairO olho que não fecha se seca,não choraO choro que não seca, se fecha,não olhaA boca que não fala de certoincomoda.
  65. 65. .Casa de RebocoSentado em uma pedraAo lado se vê a árida angústiaQue medra em teu olharTeus pés enfraquecidosE tuas ávidas mãosDóceis e calejadasUm suor escaldanteUm silencioso olharSomado ao eterno calorQue o segue por anos de vivênciaTuas terras não conseguem progredirSó sentimentos de dor e esperançaDe que um dia, o primogênitoAdquira o conhecimentoE a intelectualidade quePrivaram-lhe durante a vidaA vida que lhe consomeA vida que lhe angariaA vida que lhe conformaNesta terraQue é do tamanho do mundo
  66. 66. Ríspido Elegia à FridaIntolerável, ríspido e semânticoA aurora da vidaE o coração cediçoEmbriagado de lágrimasA blandície desumanaOfega o pensarDemasiado amorDemasiado coraçãoUma vontadeBucólica de voltarAo desejo reprimidoAo toque ardilosoA arte de lutarA ânsia de observarA própria solitudeO próprio caminhar....
  67. 67. .Guerra dos MundosAtenção homensO mundo parece não mais pararA terra roda... roda...Roda ate perder as pontasE seus soldados, intactos...Intactos pelo ódioMas afogados pelo sangueJovens criaturasLutando por um olharQue não contenha lágrimasSomente o fruto da esperançaCorroído pelo câncerAguardam pelo colo da mãeUm abraço que não mais terãoUm amor incondicionalUm pudor pela almaUma paz degeneradaO caosA dor.
  68. 68. O FilhoNão sou filho da mãeNão sou filho da putaMas se perguntaresDe quem filho souDigo ser filho da puraPura alma obscuraPura alma sem dorProfanos e insanos dialetosDionisíacos dias de amorPode se queimar no infernoPode se queimar no amorPode perder a verdadeOu pode se dar o valor...
  69. 69. ..Tristeza Embriagada Elegia à PollockDemasiadas gotasDos fóleis pincéisBravamente coloremO louco olharDa alma de um toloA efervescência do toqueNa célebre pétalaQue lhe dedicaPor toda vidaA incansável almaDa tristeza embriagadaAo quebradiço coraçãoPerpetuam lentamenteO labirinto do amor.
  70. 70. Da Consciência à TraumatizaçãoTeus olhos despertaramAo nebuloso anoitecerE por um instanteSeu corpo ali não estavaPensou em Deus, pensou no DiaboAté se depararCom o seu próprio pensamento, o seu próprioserFicou assustado, atônito, desfaceladoNão sabia como poderia ser assim...Tão indeciso, tão atormentadoPor quem?Não há importânciaPois o tormento o persegueDesde sempreDesistiu então de pensar no quão difícilEra evitar suas visões e audiçõesResolveu se contemplarCom o que tinham lhe destinadoE então disse:- Me suicidaram. Suicidaram-me paraum mundo diferenteno qual não se morreapenas aperfeiçoa-se
  71. 71. a lunática mentalidadeAo cair em sua própria razãoPercebe que é apenas um simplesSer que pensa e reflete sobre osSeus próprios insanos e lógicosPensamentos psicotraumáticosDe suma importânciaUm ser natural que declara emSábias palavras o seu ardor:“Às vezes eu choroChoro por nadaChoro por tudoPareço sentir o sofrimentoO sofrimento do mundoDe uma criança sem estudoDe uma criança intelectualPareço sair do corpoUm corpo ativoUm corpo paradoA alma do vivoEm um corpo deitado”
  72. 72. PássarosOs Pássaros agora voam.Os Pássaros não mentem.Os Pássaros são fiéis.Os Pássaros não são gente..
  73. 73. IntrépidoUm intrépido saltimbancoDe um lado para o outroFantasia teu caminharJá se cansa, já se calaNão sorri e não mais amaTua alma já vendidaO teu perdido olharOs teus dias tão vaziosTeu estrado vagabundoTuas roupas coloridasTão rasgadas de lutarPelo coração partidoPelo amor e pela dorDe um dia se entregarE assim tão muito tristePerecerá
  74. 74. O Mundo ModernoDias de lutaAlgo maisEnquanto a terra rodaBate as quinasNos cantos da constelação.
  75. 75. À Livorno Elegia à ModiglianiA paz angustiadaUm silencioso olharFruições de uma vidaNa minúcia do amorUm amor que não choraUm amor que sorriPara a tristezaPara a morteQue na epífane da almaPinta teus olhos de lágrimas
  76. 76. O Séquito AmorO séquito amorA insolência mordazPerpetuam a ingratidãoA fosforescência da dorA inconstante razãoDiviniza a morteA bravura incolorO invisível sofrerO rebuscar da almaO martírio ininterruptoO destoar da fúriaO gozo intolerável
  77. 77. TerrorA fornalha queimaAo produzir tuas palavrasEm contos sonolentosNegros e obscurosComo tua almaObcecada pelo outroTua partilha de sentimentosHostis e satíricosComo aquele sarcástico bichoTransformado em genteDe patas e antenasAterrorizantesO qual acabo de esmagarCom a ponta de meus pés
  78. 78. AlquimiaAgora que explode todo mundo vêAs cores bem plantadasDentro do teu sangueOs olhos coloriramE as lágrimas cobriram os céusAs mãos que pareciam óbviasDestruíram os sonhosQue os homens já sonhavam terE com sede de tomar um porreO vento que soprava forteTrás das órbitasAs sobras da tua almaE cobertos de sangueOs dias calejados jogam foraTuas pernas amputadasDecorrentes da sua vidaBrava e tão enferma
  79. 79. O SonhadorNo lago senta um sonhadorEla leva junto a sua pazMostrando toda sua sabedoriaE tudo que vem do coraçãoEle é perfeitoCheio de ilusõesE como toda pessoa perfeitaPossui imperfeiçõesConversa com os peixesDiscute com as árvoresParece saber de tudoDa vida e dos lugaresLugares feitos de tédioLugares feitos de amorMas essa pessoa patéticaÉ apenas um sonhador
  80. 80. HojeAvisto um escuro no céuUm céu monocromáticoAs ruas fechadas despertamO caminhar oportunoDe quem não choraVejo rostos felizesHabitarem uma profunda dorA alegria brilhando no olharDe uma triste almaVejo alguns homensTrabalhando na construçãoParece-me que não sabemO que há por além daquelas ruasHá crianças chutandoPedaços de corposSem ao menos saberDo que se trataUma compreensão vastaDo mundo de hojeAo lado vejo o sangueBrotar por entre as torneirasEu me acalmo, tudo normal, tudo como antes
  81. 81. Não se esqueçaO futuro está próximoQuando encaramos o presenteHá dias que não sabemosO que realmente é certoMas fazemos o que nos vem à cabeçaPalavras, escritos, ditados, faladosNos mostram a curaE nos dão um caminhoSiga, enfrente, dê uma razãoPara que tudo se torne mais fácilÉ você que movimenta sua vida...... não se esqueça
  82. 82. TantoA cabeça feitaDe um sonhadorO pé andante fogeFoge...O suor é forteE tem cheiro grossoDe prazer da almaAlma...O vento é tão secoSeco como fogoQue se arde muitoMuito...Com um sonho tristeTriste é humanoQue não sabe tantoTanto...
  83. 83. Pare de chorarAgora você não está sozinhaHá alguém por trás de vocêNão adianta cortar os teus braçosIsso não ajuda a viverPor que está tão deprimida?Será que um dia eu posso ajudar?Me escute, não me abandoneE pare de chorarAssim você não está perdidaÉ só sentir o amor por vocêNão me diga que não tem mais saídaE agora pode então viverSua vida está tão depressivaJá não vejo mais o seu olharEntão me ouça, me segureE pare de chorar
  84. 84. O DomDizem que sou loucoDizem que sou anormalChamam-me de estranhoE dizem que estou malSó por não dizerSó por não falarSó por não ter amigosOu deles não gostarAssim fico sozinhoAlimentando a vistaAlguns chegam a dizerQue sou um louco autistaMas digo que sou bomO que não sabemÉ que tenho um dom
  85. 85. AnuviadoPela janela vejo o sol multicorEm meio à dança das árvoresNum nítido estágio de solidãoUm fugidio olharUm olhar vazioDe lágrimas passadasA chance nas mãosA dor incapaz de se guardarFlórea em horas vagasO soluço convulto na escuridãoEscuridão noturna do silêncioA escuridão do abscessoNo diálogo das almasNo brilhar dos olhos tristesHá esperança e gratidão
  86. 86. AutorretratoChove, chove muitoEu sentado com as cortinas fechadasMeus olhos caem num pensamentoFraco e aquareladoO som que ouçoNão me é entendidoO frio corrói os meus ossosO corpo reclinadoComo se estivesse mortoFraco, muito fracoNos olhos cansados o tempoNas paredes, telas em brancoCores fugidias, traços magrosAtônito, fraco, muito fracoUm autorretratoDe uma vida qualquer
  87. 87. TuríbuloCansadoNão permaneço maisNo escuro deserto de minh´almaNum lânguido passo emolduradoNa blasfêmia da dorÓ blasfêmia...Que perdurastes por tantos anosNum triste acreditarDe minha humilde inocênciasDeslumbrado por infinitasDúvidas e saberesSábio aquele que enxergaPor além da visãoSábio aquele que saltaAntes de o trem partirNum júbilo movimentoNo turíbulo, cinzasQue perfumam o novo serComo dança clássicaNum salto contemporâneo
  88. 88. O portalSinto o cheiro de poesiaSinto o calor das palavrasImaginai a dor de quemAs escreve tão chorosamenteGracioso coração de festimArmado da artilhariaDe frases regurgitadasDe todos os que calamE se escondemFlorescem de negros jardinsDe ruas mudas e pálidasJogai ao infinitoA dúvida do pensarA água que cairáA angústia de viverPara o portal que se abrirá
  89. 89. Um raro silêncioNo badalar das horasOs sinos ecoam pelas ruasPássaros voam como aprendizesDe uma vida rasgada a ermoPortas abertasPassos na calçadaVolúpias do amorNum templo sagradoO elixir da vidaO mistério saberA maturidade humanaNum simples olharSegredos de ouroHonras e históriasEm uma vida secretaDe um raro silêncio
  90. 90. Vermelho NegroDescarrego como tiroEm telas feito corpoEm sátiras coresE arabescos febrisUm sopro na janelaEm sombras furtivasO vermelho negroDe quentes sonhosAutobiográficosPintando, sofrendoFraseando apurosNo ofegar dos dedosArriscando a própria vida

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