Mayra de Paula Lioncio   Principais motivadores da evasão escolar no              Ensino Médio EJAInstituto Federal de Edu...
Mayra de Paula Lioncio   Principais motivadores da evasão escolar no              Ensino Médio EJA                        ...
RESUMO       O presente trabalho teve por objetivo verificar os principais motivadores daevasão escolar. Observando alunos...
ABSTRACTS       This study aimed to verify the key drivers of school dropout. Watching highschool students of EJA (Educati...
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO.........................................................................................................
1. INTRODUÇÃO       O presente trabalho teve por objetivo verificar os principais motivadores daevasão escolar. Observando...
Neste sentido, pode se dizer que a postura do professor é algo de grandeinfluência, pois alunos do ensino médio – EJA, são...
pessoas desta mesma faixa etária chegava a 25%. Em comparação a outros paíseseuropeus, o Brasil “ganha” em disparado (pesq...
2. REFERENCIAL TEÓRICO       Ao discorrer sobre as diferentes dificuldades enfrentadas por Jovens e Adultosdo Ensino Médio...
obrigatoriedade e não passavam de convencionalidades, serviam apenas de enfeite aospapéis ociosos. (PONCE, 1994)        Em...
Durante muito tempo a Educação de Jovens e Adultos teve seu eixo enraizado narecuperação do tempo perdido destes Jovens e ...
qualificação com “um diploma” que talvez o qualificará para brigar por perspectivasmelhores no que tange seu universo prof...
inteligência do objeto e para que sua curiosidade, compensada vença e gratificada peloêxito da compreensão alcançada, seja...
3. OBJETIVOS      3.1. Objetivo Geral      Verificar os principais motivadores da evasão escolar entre os alunos Jovens eA...
3.2. Objetivos Específicos       Verificar os principais motivadores da evasão escolar entre os alunos do ensinomédio - EJ...
4. MÉTODO       4.1 Participantes       Participaram desta pesquisa 101 (cento e um) alunos, Jovens e Adultos de ambosos s...
4.2 Material       Foi utilizado um questionário previamente elaborado com perguntas fechadas esemi-abertas.              ...
4.3 Procedimentos       Após a entrega do termo de consentimento que os entrevistados responderam deforma voluntária, o qu...
4.4 Plano de Análise dos Dados       Na análise dos dados foi aplicado um estudo quantitativo quando a natureza dosdados a...
5. RESULTADOS            Foram entrevistados 101 estudantes sendo 53,47% na faixa etária entre 18 e 27     anos. 56,44% do...
Entre os entrevistados que pensaram em abandonar o ensino médio EJA:•   39,39%. Relatam encontrar dificuldade na explicaçã...
5.1 Gráficos   Verificação em forma de gráficos dos dados gerais obtidos com a tabulação dosquestionários aplicados.      ...
40       35       30       25       20       15       10        5        0            Entre 40 e 51   Entre 30 e 39   Entr...
70         60         50         40         30         20         10          0                Mercado de   Realização   I...
54       52       50       48       46       44       42                      Sim                        Não              ...
35                 30                 25                 20                 15                 10                  5      ...
70      60      50      40      30      20      10       0                 Sim               Não           Não opinaram   ...
5.1.1 Entrevistados que pensaram em abandonar os estudos.       Verificação em forma de gráficos dos dados obtidos entre o...
30      25      20      15      10        5        0                  Sim                  Não         Não Opinaram       ...
30      25      20      15      10       5       0                 Sim                Não              Não Opinaram       ...
30      25      20      15      10       5       0                 Sim                Não           Não Opinaram          ...
20       15       10         5         0                      Sim                           Não                     39,39%...
5.1.2 Entrevistados que não pensaram em abandonar os estudos.       Verificação em forma de gráficos dos dados obtidos ent...
60      50      40      30      20      10       0                 Sim                 Não          Não opinaram          ...
80        60        40        20         0                       Sim                    Não                      92,42%   ...
60       50       40       30       20       10        0                      Sim                      Não                ...
60         50         40         30         20         10          0                       Sim                      Não   ...
6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS           Com os resultados obtidos foi possível verificar que tanto entre os homensquanto ent...
Observa-se também que a faixa etária que apresenta maior dificuldade deaprendizagem tanto entre os homens quanto entre as ...
20,00%    18,00%    16,00%    14,00%    12,00%                                                     Homens    10,00%       ...
Entre as mulheres com dificuldade em conciliar o trabalho e a escola 70% tem   um grupo familiar de 02 a 06 pessoas e 75,2...
Observando os entrevistados do sexo masculino que apresentam dificuldade emconciliar o trabalho e a escola temos:         ...
“O professor passa confiança, conhecimento, disciplina, dentro e fora da escola”.  “Os professores tem que passar confianç...
É importante a interação com o aluno do ensino médio EJA, são alunosdiferenciados do ensino regular, pois possuem experiên...
7. CONCLUSÃO         Conclui-se sobre a necessidade do desenvolvimento de propostas pedagógicasvoltadas especificamente ao...
Desta forma colocamos para o aluno do Ensino Médio EJA, conteúdos querealmente estejam dentro de sua realidade. Motivando ...
8. ANEXOS  8.1 Modelo de Termo de consentimento livre e esclarecido.                                                      ...
8.2 Modelo de questionário.                              43
8.3 Termos de consentimento livre e esclarecido aplicados.                                                             44
8.4 Questionários aplicados.                               45
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  ABRANTES, Wanda Medrado. A didática da educação básica de jovens e  adultos: Uma construção...
OLIVEIRA, I. B. de. Currículos praticados: entre a regulação e a emancipação.Rio de Janeiro: DP&A, 2003.OLIVEIRA, I. B. de...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

90017785 monografia-eja

1,789

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
1,789
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
21
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "90017785 monografia-eja"

  1. 1. Mayra de Paula Lioncio Principais motivadores da evasão escolar no Ensino Médio EJAInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia De São Paulo 2009
  2. 2. Mayra de Paula Lioncio Principais motivadores da evasão escolar no Ensino Médio EJA Monografia apresentada na diretoria de pesquisa e pós-graduação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), como parte dos requisitos para avaliação final. Orientadora: Profª Dra. Lucia ColletInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia De São Paulo 2009
  3. 3. RESUMO O presente trabalho teve por objetivo verificar os principais motivadores daevasão escolar. Observando alunos do ensino médio EJA (Educação para Jovens eAdultos), há um elevado índice de evasão nas escolas por parte destes alunos, assimtornando-se relevante a pesquisa sobre o assunto. Alunos do EJA apresentam maiores dificuldades em realizar os trabalhosescolares devido a seus afazeres diários e responsabilidades como chefes de família,donas do lar, etc. Estima-se que a taxa de analfabetismo da população de 15 anos oumais seja de 10% da população em 2010, já em 2001/2002 a taxa de analfabetismofuncional das pessoas desta mesma faixa etária chegava a 25%. Em comparação aoutros países europeus, o Brasil “ganha” em disparado (pesquisa realizada pelo IBGEem 2000 referente a taxa de analfabetismos). A população de 15 anos de idade chega aquase 14% da população enquanto a Itália apresentava na época 2% e Chile com umpouco mais de 4% da população analfabeta. Desta forma surgem as seguintesconclusões: A qualidade de ensino deve ser melhorada e deve-se combater a repetênciae a evasão escolar (IBGE. 2004). Daí a importância do diagnóstico oferecido, a partirdele, podem ser propostas ações para diminuição da evasão escolar sobre tudo no ensinomédio EJA. Conclui-se sobre a necessidade do desenvolvimento de um plano pedagógicovoltado especificamente ao ensino do EJA, valorizando as experiências do aluno elevando em consideração o aprendizado anteriormente adquirido. Observando aspeculiaridades dos alunos do ensino médio EJA é necessário a realização de umaadequação aos interesses deste público, visando uma efetiva busca pelo crescimento edesenvolvimento intelectual, profissional e pessoal.Palavras Chaves: Evasão Escolar – Jovens e Adultos – Ensino Médio.
  4. 4. ABSTRACTS This study aimed to verify the key drivers of school dropout. Watching highschool students of EJA (Education for Youth and Adults), there is a high dropout rate inschools by these students, thus making it relevant to research on the subject. Students in adult education have more difficulty in performing school work dueto their daily duties and responsibilities as heads of households, housewives, etc. It isestimated that the illiteracy rate among individuals aged 15 years or more is 10% ofbrazilian population in 2010, back in 2001/2002 the rate of functional illiteracy of thepeople of the same age reached 25%. Compared to other European countries, Brazil"wins" in shot (survey conducted by IBGE in 2000 on the rate of illiteracy). Thepopulation 15 years of age is nearly 14% of the population while Italy had the time 2%and Chile with a little more than 4% of the population illiterate. Thus come thefollowing conclusions: The quality of teaching should be improved and should dealwith school failure and dropout (IBGE. 2004). Hence the importance of the diagnosisoffered, as it may make possible proposal of actions to reduce dropout on high schooladult education. It is concluded on the need to develop an educational plan designed specificallyto teaching adults, highlighting the experiences of the student and taking into accountthe previously acquired learning. Noting the peculiarities of high school students ofEJA, it is necessary to perform an adjustment to guarantee this audience interest, aimingto an effective pursuit of growth and intellectual development, professional andpersonal.Keywords: Dropouts - Youth and Adults - Education.
  5. 5. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO................................................................................................................ 12. REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 43. OBJETIVOS .................................................................................................................... 9 3.1. Objetivo Geral ........................................................................................................ ... 9 3.2. Objetivos Específicos ............................................................................................... 104. MÉTODO....................................................................................................................... 11 4.1 Participantes .............................................................................................................. 11 4.2 Material..................................................................................................................... 12 4.3 Procedimentos........................................................................................................... 13 4.4 Plano de Análise dos Dados....................................................................................... 145. RESULTADOS .............................................................................................................. 15 5.1 Gráficos ..................................................................................................................... 17 5.1.1 Entrevistados que pensaram em abandonar os estudos .......................................... 23 5.1.2 Entrevistados que não pensaram em abandonar os estudos.................................... 286. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .............................................................................. 337. CONCLUSÃO................................................................................................................ 408. ANEXOS ........................................................................................................................ 42 8.1 Modelo de Termo de consentimento livre e esclarecido ............................................. 42 8.2 Modelo de questionário ............................................................................................. 43 8.3 Termos de consentimento livre e esclarecido aplicados.............................................. 44 8.4 Questionários aplicados ............................................................................................. 459. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 46
  6. 6. 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho teve por objetivo verificar os principais motivadores daevasão escolar. Observando alunos do ensino médio EJA (Educação para Jovens eAdultos), há um elevado índice de evasão nas escolas por parte destes alunos, assimtornando-se relevante a pesquisa sobre o assunto. Alunos do EJA apresentam maiores dificuldades em realizar os trabalhosescolares devido a seus afazeres diários e responsabilidades como chefes de família,donas do lar, etc. Paulo Freire ao desenvolver trabalhos de alfabetização,fundamentados em métodos e objetivos que buscavam adequar o trabalho àespecificidade dos alunos, fez emergir a consciência de que alfabetizar adultos requeriao desenvolvimento de um trabalho diferente daquele destinado às crianças nas escolasregulares. As necessidades e possibilidades daqueles educandos exigiam odesenvolvimento de propostas adequadas a elas. Uma das possíveis causas da evasão escolar a serem investigadas é a dificuldadeem conciliar atividades e preocupações, porém nem sempre essa pode ser a principalcausa. Ficando em aberto quando se pensa no que levou o aluno a se matricular noensino médio EJA e desistir sem nem mesmo comparecer uma só vez nas aulas,comparecer por um período curto de tempo, ou ainda ao pensar naqueles quecomparecem por um tempo maior apresentando bom desempenho e, em sala de aulainformam que estão pensando em parar de estudar devido à falta de motivação por partede seus familiares. Observando essa realidade fica o questionamento: “qual o principal motivador alevar estes alunos a se evadirem das escolas”. Ao iniciar uma aula o professor procura primeiramente a conquista do aluno nabusca de novos conhecimentos, porém estando no sistema de ensino regular, os alunosdo EJA são submetidos a propostas e práticas inadequadas tanto aos seus perfissocioeconômico-culturais quanto às suas possibilidades e necessidades reais. Istoporque a tendência predominante das propostas curriculares é a da fragmentação doconhecimento, e a da organização do currículo numa perspectiva cientificista,excessivamente tecnicista e disciplinarista, que dificulta o estabelecimento de diálogosentre as experiências vividas, os saberes anteriormente tecidos pelos educandos e osconteúdos escolares (OLIVEIRA e PAIVA, 2004). 1
  7. 7. Neste sentido, pode se dizer que a postura do professor é algo de grandeinfluência, pois alunos do ensino médio – EJA, são pessoas que já tiveram algumaexperiência com o ambiente escolar e muitas vezes se vêem deslocados dessa realidade.Jovens e Adultos se vêem excluídos do universo escolar, pensando que estão num localque não é adequado á eles e que foram “recuperar o tempo perdido”. Grande partedestes estudantes demonstram pouca afinidade com o ambiente escolar, ficando aindapior quando unidos ao ensino regular, pois a idade, vivência social e cultural doseducandos são ignoradas, mantendo-se nas propostas pedagógicas a lógica infantil doscurrículos destinados às crianças que freqüentam a escola regular. (OLIVEIRA. 2007) É importante observar a postura do professor, visto que estes alunos possuemuma gama de conhecimento que deve ser levada em conta em seu processo deaprendizagem para que, realmente este novo conhecimento possa fazer sentido a essealuno. Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos devem ser abandonados emprol de outros que sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para umacapacitação da ação social dos alunos. Assim sendo, a principal preocupação dotrabalho pedagógico, bem como dos processos de avaliação, não deve ser o "saberenciclopédico", mas saberes que contribuam para o desenvolvimento da consciênciacrítica e para esta capacitação, sem que isso signifique uma opção por qualquer tipo deminimização, como foi e ainda é preconizado por alguns. Não se trata de reduzirconteúdos para "facilitar", mas de adequar conteúdos a objetivos mais consistentes doque o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculadas do mundo davida (OLIVEIRA. 2007). No momento em que o aluno faz a matrícula acreditando retornar aos estudos,uma sala se forma, professores são contratados e, ao verificar o número de alunosevadidos no meio do bimestre, os responsáveis são levados unir salas devido àdiminuição de alunos freqüentes. O que leva outros alunos a desistirem também por seperceberem “sozinhos” (OLIVEIRA. 2007, grifo nosso). A média de anos de estudo da população brasileira é de 10 anos ou mais, sendoobservado o numero maior entre as mulheres. Uma pesquisa realizada em 2002 mostraque os jovens entre 18 e 24 anos estudam ou estudaram por pelo menos 08 anos o que éconsiderado uma baixa escolaridade da população brasileira já que este nível deveria tersido alcançado aos 14 anos de idade. (IBGE. 2004) Estima-se que a taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais seja de10% da população em 2010, já em 2001/2002 a taxa de analfabetismo funcional das 2
  8. 8. pessoas desta mesma faixa etária chegava a 25%. Em comparação a outros paíseseuropeus, o Brasil “ganha” em disparado (pesquisa realizada pelo IBGE em 2000referente a taxa de analfabetismos). A população de 15 anos de idade chega a quase14% da população enquanto a Itália apresentava na época 2% e Chile com um poucomais de 4% da população analfabeta. Desta forma surgem as seguintes conclusões: Aqualidade de ensino deve ser melhorada e deve-se combater a repetência e a evasãoescolar (IBGE. 2004). Daí a importância do diagnóstico oferecido, a partir dele, podemser propostas ações para diminuição da evasão escolar sobre tudo no ensino médio EJA. 3
  9. 9. 2. REFERENCIAL TEÓRICO Ao discorrer sobre as diferentes dificuldades enfrentadas por Jovens e Adultosdo Ensino Médio – EJA e pensar nos principais motivadores para evasão escolar, énecessário também conhecer um pouco acerca da história da educação brasileira. Em meados de 1824 é outorgada a primeira Constituição que trata o EnsinoPrimário na forma de Lei. “A instrução Primária é Gratuita a todos os cidadãos (Artigo179)”. Mas as Leis tratam do assunto de forma muito substancial, pois não permeia oscaminhos a serem percorridos para que saiam efetivamente do papel. Constam em 1827à criação de escolas de Primeira Letra em todas as cidades, vilas e lugarejos, escolas demeninas nas cidades mais numerosas, dispositivos que nunca foram cumpridos. Asprimeiras escolas normais são criadas em 1830 no Rio de Janeiro e Bahia. Na capital doImpério (1875) foram instituídas duas escolas normais uma para cada sexo,transformadas depois em escola únicas em 1880, quando iniciou realmente odesenvolvimento das escolas normais no Brasil. (ARANHA, 1997) O ensino funcionava de forma desordenada. Para entrar no ensino Secundárionão era necessário cursar o ensino Primário. O ensino Secundário tinha sua freqüêncialivre, sem organização hierárquica das matérias e das séries. Para o ingresso no ensinoSuperior também não era necessário ter cursado o ensino Secundário. A Constituição de 1934 foi um grande marco no tocante a Educação deste país,somente então, aparecem juntas, leis que tratam da Gratuidade e Obrigatoriedade doensino de Primeiro Grau: “Ensino Primário Integral gratuito e a freqüência obrigatória,extensiva aos adultos”. Depois disso nunca o conceito de gratuidade e obrigatoriedadedeixou de fazer parte de nossa Constituição. Na mesma Constituição (artigo 149) diz:“A educação é direito de todos”. Apesar da existência desta prerrogativa, grande partedos brasileiros encontravam-se a margem desta realidade. E pela primeira vez obrigam-se os poderes públicos a destinarem um mínimo de investimento na educação(ARANHA, 1997). Tomando como base estes dados históricos observa-se a elitização da educação eum descaso por parte dos poderes públicos em relação à grande parte dos brasileiros.Nunca se notou efetivamente uma preocupação ou interesse em “educar”. Criaram-seleis que garantiam o direito à educação, mas como não se tratavam de uma 4
  10. 10. obrigatoriedade e não passavam de convencionalidades, serviam apenas de enfeite aospapéis ociosos. (PONCE, 1994) Em meados de 1964 o regime militar organiza o MOBRAL (movimentoBrasileiro de Alfabetização), onde é amplamente ofertada a todos os cantos deste país.As finalidades da educação no MOBRAL consistiam em práticas e técnicas de ler,escrever e contar, motivar o aluno, com alvo à formação acelerada de mão de obravoltada para o mercado de trabalho. Através da educação buscou-se contribuir para apolítica de desenvolvimento instaurada na época (Jannuzzi, 1979; Paiva, 1973; Haddad;Pierro, 2000). Surge em 1978 através da iniciativa privada o Telecurso 2000, destinada aosjovens e adultos na faixa dos 15 anos ou mais. O Telecurso 2000 é um sistema supletivoque abarca o ensino fundamental e médio e que foi desenvolvido pela FundaçãoRoberto Marinho e pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP). Estamodalidade da educação de jovens e adultos é realizada a distância ou semi-presencial e tem como objetivo elevar o nível de escolaridade dos trabalhadoresbrasileiros. Os professores que lecionavam na época eram frutos do mesmo sistema deensino, logo, reproduziam as mesmas deficiências do processo (desordenado,desqualificado e sem uma seqüência lógica). Esta grande deficiência faz um convite apensar sobre o momento atual da educação. Direcionando o enfoque ao Ensino Médio – EJA, uma das hipóteses que selevanta para motivação da evasão escolar é a postura do professor em transmitir “seuconhecimento”, em que o faz verticalmente*, não levando em conta a singularidadedeste aluno, que possui um conhecimento prévio de acordo com suas vivências,tornando-se um entrave à apreensão do que é visto em ambiente escolar e realmenteaplicado no seu dia-a-dia. Percebe-se a dificuldade na construção de um novoconhecimento, pois não há espaço no contexto escolar para que consigam fazer atransposição de suas experiências (ABRANTES 1992).______________________________*Verticalmente: Que está organizado segundo um esquema hierárquico. 5
  11. 11. Durante muito tempo a Educação de Jovens e Adultos teve seu eixo enraizado narecuperação do tempo perdido destes Jovens e Adultos, o que sempre ocasionou emquase todos os casos numa perda relativa na qualidade da relação ensino-aprendizagem.Faltam políticas condizentes para mudança deste perfil de realidade, materiais quefacilitem a construção de novos conhecimentos, uma vez que, muitas vezes os materiaisdidáticos dispostos a “educação de todos” são mais voltados para os ternos conhecidoscomo “regulares”, estando no sistema de ensino regular, esses jovens são submetidos apropostas e práticas inadequadas tanto aos seus perfis socioeconômico-culturais quantoàs suas possibilidades e necessidades reais. Isto porque a tendência predominante daspropostas curriculares é a da fragmentação do conhecimento, e a da organização docurrículo numa perspectiva cientificista, excessivamente tecnicista e disciplinarista, quedificulta o estabelecimento de diálogos entre as experiências vividas, os saberesanteriormente tecidos pelos educandos e os conteúdos escolares, e é claro que nãopodemos nos esquecer da falta de investimento na qualificação dos profissionais da áreada educação, já que o perfil da clientela não deixa de ser diferenciado se formos colocarna balança comparativa com o ensino regular. (ABRANTES 1992). Vivemos num mundo amplamente globalizado onde as mudanças ocorrem deuma forma muito rápida, como num piscar de olhos e em meio a todas estastransformações estão inseridos todas estas pessoas que por uma série de fatores nãotiveram a oportunidade de iniciar ou dar continuidade aos seus estudos ou ainda tiveramseus estudos interrompidos bruscamente. Em muitos dos casos esta problemáticaocorreu por um motivo: devido a sua condição sócio-econômica tiveram muitas vezesde realizar a difícil escolha da escola ou de sua sobrevivência e lançaram mão de tudopara ir “caçar”, ou seja, não estarão mais no sistema educativo devido ao fato de teremde trabalhar para garantir o seu sustento e o de sua família. Permanentemente o aluno da EJA é “lembrado” que aquele lugar que ele ocupanaquela classe configura uma distorção. Em alguns momentos é utilizado um linguajarinfantilizante, o mesmo da escola regular, por não entender que desqualifica o aluno aotratá-lo de maneira artificialmente infantil. Muitos destes Jovens e Adultos são frutos deuma exclusão histórica, pela impossibilidade de acesso a escolarização, seja por suasaída da educação regular, a necessidade da suplência a fim de retomar seus estudos.São várias as vertentes: vemos de um lado o Adulto ou Jovem já inserido no mercado detrabalho, alias, um mercado que tem como cenário a constante ebulição de processos eexigências cada vez maiores e se vem quase que na obrigação de ampliar sua 6
  12. 12. qualificação com “um diploma” que talvez o qualificará para brigar por perspectivasmelhores no que tange seu universo profissional ou manter-se no espaço já conquistado.De outro lado temos muitos alunos que além de manter-se numa posição de relativaequivalência no que tange ao fato de lutar por uma posição “neste tal mercado detrabalho”, almejam chegar a cursar uma Universidade e assim poder garantir suamelhora profissional e uma possível mudança no que se refere o seu padrão social-econômico. (OLIVEIRA, 2007) “Fundada nos valores da democracia, da participação, da eqüidade esolidariedade social, a EJA deve permitir aos educandos mudar a qualidade de suaintervenção na realidade. Seu objetivo primeiro é, pois, a construção de novas formas departicipação e de exercícios pleno e consciente dos direitos de cidadão entendida comouma das dimensões e adultos, deve articular-se à educação nacional”. (OLIVEIRA ePAIVA, 2004) Os adultos que chegam até a sala de aula, para concretizar mais esta etapa deseus estudos, sabem muito bem o que querem e todos mesmo que há alguns anos atrás,já tiveram experiências escolares. Este mesmo aluno traz consigo uma enorme bagagemcontendo muitas de suas experiências, e este riquíssimo universo não pode ficar de foradesta realidade, os profissionais da educação precisam ter em mente que trazerpropriamente o conteúdo pronto muitas vezes não agrega valor algum há este aluno,pois este mesmo conteúdo se descontextualiza de seu cotidiano, não fazendo sentidoalgum a ele e servindo também de agravante no que se refere à aquisição do saber, podeainda trazer conseqüências ligadas a desmotivação. Paulo Freire visando um abrangenteaprender remonta um homem que é sujeito ativo em seu processo histórico, onde nosremete que este mesmo homem faz e refaz sua história continuamente. Enfatiza apostura do educador frente ao educando, em que este deve posicionar-se comofacilitador na busca do conhecimento, evitando a verticalização na passagem desse novosaber, pois se a dialética se faz presente é evidente que a singularidade do aluno integratodo o contexto de apreensão: “Aprender é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico doque meramente repetir lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir, constatarpara mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito (Freire 1966p.134).” “Uma de minhas tarefas centrais como educador progressista é apoiar oeducando para que ele mesmo vença suas dificuldades na compreensão ou na 7
  13. 13. inteligência do objeto e para que sua curiosidade, compensada vença e gratificada peloêxito da compreensão alcançada, seja mantida e, assim, estimulada a continuar a buscapermanente que o processo de conhecer implica. Que me seja perdoada a reiteração,mas é preciso enfatizar, mais uma vez: ensinar não é transferir a inteligência do objetoao educando, mas instigá-lo no sentido de que, como sujeito cognoscente, se torne capazde inteligir e comunicar o inteligido. É nesse sentido que se impõe a mim escutar oeducando em suas dúvidas, em seus receios, em sua incompetência provisória, e aoescutá-lo, aprendo a falar com ele.” (Freire 1966 p.134). Em SMOLKA(1988):“O discurso interior traz as marcas do discurso social e odiscurso escrito traz as marcas do discurso interior”. O discurso interior é de grande importância no processo de aquisição doconhecimento, considerando que este traz uma grande gama de experiências, que estãointimamente ligadas às memórias afetivas e significações e, a partir destas experiênciaso aluno ressignifica o novo conhecimento baseado em seu repertório adquirido atravésdas diferentes exposições sócio-culturais. Se o conteúdo visto não faz nenhum sentido para o aluno, este poderá se sentirincapaz e inferior aos outros, culminando numa cobrança excessiva sobre si, a nãoapreensão do conhecimento e até mesmo o abandono da escola (SMOLKA,1988). 8
  14. 14. 3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo Geral Verificar os principais motivadores da evasão escolar entre os alunos Jovens eAdultos do ensino médio - EJA. 9
  15. 15. 3.2. Objetivos Específicos Verificar os principais motivadores da evasão escolar entre os alunos do ensinomédio - EJA, observando os seguintes aspectos. • Motivação; • Falta de apoio dos familiares; • Dificuldade na aprendizagem / postura do professor; • Dificuldade em conciliar o trabalho e a escola. 10
  16. 16. 4. MÉTODO 4.1 Participantes Participaram desta pesquisa 101 (cento e um) alunos, Jovens e Adultos de ambosos sexos, com idades entre 18 e 60 anos do ensino médio – EJA, de uma EscolaEstadual do extremo leste da cidade de São Paulo, do bairro de Guaianases. 11
  17. 17. 4.2 Material Foi utilizado um questionário previamente elaborado com perguntas fechadas esemi-abertas. 12
  18. 18. 4.3 Procedimentos Após a entrega do termo de consentimento que os entrevistados responderam deforma voluntária, o questionário. A aplicação foi feita de forma direta e a devoluçãoimediata para evitar assim a contaminação dos resultados. 13
  19. 19. 4.4 Plano de Análise dos Dados Na análise dos dados foi aplicado um estudo quantitativo quando a natureza dosdados assim o permitiu e em análise qualitativa no que diz respeito a itens instrumentaise a respostas discursivas resultantes de entrevistas, perguntas com respostas abertas equando da análise de itens específicos. A análise quantitativa foi conduzida tendo a margem de erro usual em ciênciashumanas, ou seja, 0,05, o que também se justifica pelo fato da área não ter sidoanteriormente suficientemente pesquisada, não se dispor de dados descritivos dapopulação, ou seja, não se conhecer a distribuição do fenômeno na população. 14
  20. 20. 5. RESULTADOS Foram entrevistados 101 estudantes sendo 53,47% na faixa etária entre 18 e 27 anos. 56,44% do sexo feminino. 39,6% dos entrevistados recebem entre 02 e 04 salários mínimos e 43,56% têm grupo familiar de 02 a 04 pessoas. 88,12% dos entrevistados já estudaram anteriormente e 35,64% dos entrevistados entraram no ensino médio EJA com idades entre 15 e 19 anos tendo como principal motivo para retornar aos estudos (58,56%) o mercado de trabalho. Estado Civil Idade RendaCasados(as) 30,69% Entre 18 e 27 anos 53,47% Um salário mínimo 27,72%Solteiros(as) 49,50% Entre 28 e 37 anos 30,69% De 02 a 04 salários mínimos 39,60%Amasiados(as) 13,86% Entre 38 e 47 anos 7,92% De 04 a 06 salários mínimos 10,89%Outros 3,96% Acima de 48 anos 3,96% Acima de 06 salários mínimos 4,95%Não responderam 1,98% Não responderam 3,96% Não responderam 16,83% 32,67% dos entrevistados pensaram em abandonar os estudos, 57,41% apresentam dificuldades em conciliar trabalho e escola e 53,47% apresentaram dificuldades na hora de retornar aos estudos. 15
  21. 21. Entre os entrevistados que pensaram em abandonar o ensino médio EJA:• 39,39%. Relatam encontrar dificuldade na explicação do professor.• 84,85% Acreditam que a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 81,82% Acreditam que o conhecimento adquirido no EJA será utilizado no dia a dia.• 78,79% Acreditam que estão recuperando o tempo perdido.• 39,39% Acreditam que o ensino médio e regular juntos atrapalha o aprendizado. Entre os entrevistados que não pensaram em abandonar ensino médio EJA:• 27,27% Relatam encontrar dificuldade na explicação do professor.• 84,85% Acreditam que a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 92,42% Acreditam que o conhecimento adquirido no EJA será utilizado no dia a dia.• 84,85% Acreditam que estão recuperando o tempo perdido.• 19,70% Acreditam que o ensino médio e regular juntos atrapalha o aprendizado. 16
  22. 22. 5.1 Gráficos Verificação em forma de gráficos dos dados gerais obtidos com a tabulação dosquestionários aplicados. 50 40 30 20 10 0 Sozinho 02 a 04 04 a 06 08 a 10 Acima de 10 Não pessoas pessoas pessoas pessoas responderam 6,93% 43,56% 36,63% 2,97% 0,99% 8,91 • Gráfico 01: Grupo familiar dos entrevistados. • 6,93% dos entrevistados moram sozinhos; • 43,56% dos entrevistados têm grupo familiar de 02 a 04 pessoas; • 36,63% dos entrevistados têm grupo familiar de 04 a 06 pessoas; • 2,97% dos entrevistados têm grupo familiar de 08 a 10 pessoas; • 0,99% dos entrevistados têm grupo familiar acima de 10 pessoas; • 8,91% dos entrevistados não responderam esta questão. 17
  23. 23. 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Entre 40 e 51 Entre 30 e 39 Entre 20 e 29 Entre 15 e 19 Não anos anos anos anos responderam 6,93% 22,77% 30,69% 35,64% 3,96%• Gráfico 02: Idade que os entrevistados entraram no ensino médio EJA.• 6,93% dos entrevistados entraram no ensino médio EJA com idade entre 40 e 51 anos;• 22,77% dos entrevistados entraram no ensino médio EJA com idade entre 30 e 39 anos;• 30,69% dos entrevistados entraram no ensino médio EJA com idade entre 20 e 29 anos;• 35,64% dos entrevistados entraram no ensino médio EJA com idade entre 15 e 19 anos;• 3,96% dos entrevistados não responderam esta questão. 18
  24. 24. 70 60 50 40 30 20 10 0 Mercado de Realização Incentivo de Outros trabalho pessoal familiares 58,56% 28,83% 9,91% 2,70%• Gráfico 03: Principais motivos descritos pelos entrevistados para retornar os estudos no ensino médio EJA.• 58,56% dos entrevistados retornaram aos estudos devido ao mercado de trabalho;• 28,83% dos entrevistados retornaram aos estudos por realização pessoal;• 9,91% dos entrevistados retornaram aos estudos por incentivo de familiares;• 2,70% dos entrevistados retornaram aos estudos por outros motivos; 19
  25. 25. 54 52 50 48 46 44 42 Sim Não 53,47% 46,53%• Gráfico 04: Entrevistados que declaram ter encontrado dificuldades ao retornar aos estudos no ensino médio EJA.• 53,47% dos entrevistados apresentaram dificuldades ao retornar aos estudos.• 46,53% dos entrevistados não apresentaram dificuldades ao retornar aos estudos. 20
  26. 26. 35 30 25 20 15 10 5 0 Dificuldade Dificuldade de Falta Falta de apoio Outros em conciliar oaprendizagem Motivação familiar trabalho e a escola 57,41% 20,37% 14,81% 3,70% 3,70%• Gráfico 05: Principais dificuldades encontradas ao retornar os estudos no ensino médio EJA.• 57,41% dos entrevistados informaram que a principal dificuldade encontrada ao retornar aos estudos foi em conciliar o trabalho e a escola;• 20,37% dos entrevistados informaram que a principal dificuldade encontrada ao retornar aos estudos foi à dificuldade de aprendizagem• 14,81% dos entrevistados informaram que a principal dificuldade encontrada ao retornar aos estudos foi falta de motivação;• 3,70% dos entrevistados informaram que a principal dificuldade encontrada ao retornar aos estudos foi à falta de apoio familiar;• 3,70% dos entrevistados informaram que a principal dificuldade encontrada ao retornar aos estudos foram outros motivos. 21
  27. 27. 70 60 50 40 30 20 10 0 Sim Não Não opinaram 32,67% 65,35% 1,98%• Gráfico 06: Entrevistados que pensaram em abandonar os estudos.• 32,67% dos entrevistados informaram que pensaram em abandonar os estudos;• 65,35% dos entrevistados informaram que não pensaram em abandonar os estudos;• 1,98% dos entrevistados não opinaram. 22
  28. 28. 5.1.1 Entrevistados que pensaram em abandonar os estudos. Verificação em forma de gráficos dos dados obtidos entre os entrevistados quepensaram em abandonar os estudos. 20 15 10 5 0 Sim Não 39,39% 60,61% • Gráfico 07: Entrevistados que apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores. • 39,39% dos entrevistados informam que apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores; • 60,61% dos entrevistados informam que não apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores. 23
  29. 29. 30 25 20 15 10 5 0 Sim Não Não Opinaram 84,85% 9,09% 6,06%• Gráfico 08: Entrevistados que acreditam que a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 84,85% dos entrevistados acreditam que a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 13,64% dos entrevistados acreditam que a postura do professor não influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 1,52% dos entrevistados não opinaram; 24
  30. 30. 30 25 20 15 10 5 0 Sim Não Não Opinaram 81,82% 9,09% 9,09%• Gráfico 09: Entrevista dos que acreditam que o conhecimento adquirido no ensino médio EJA será utilizado em seu dia-a-dia.• 81,82% dos entrevistados acreditam que o conhecimento adquirido no ensino médio EJA será utilizado em seu dia-a-dia.• 9,09% dos entrevistados acreditam que o conhecimento adquirido no ensino médio EJA não será utilizado em seu dia-a-dia.• 9,09% dos entrevistados não opinaram. 25
  31. 31. 30 25 20 15 10 5 0 Sim Não Não Opinaram 78,79% 12,12% 9,09%• Gráfico 10: Entrevistados que acreditam estar recuperando o tempo perdido.• 78,79% dos entrevistados acreditam estar recuperando o tempo perdido.• 12,12% dos entrevistados não acreditam estar recuperando o tempo perdido.• 9,09% dos entrevistados não opinaram. 26
  32. 32. 20 15 10 5 0 Sim Não 39,39% 60,61%• Gráfico 11: Entrevistados que acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA estando juntos, atrapalha o aprendizado do aluno• 39,39% dos entrevistados acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA juntos, atrapalha o aprendizado do aluno.• 60,61% dos entrevistados acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA juntos, não atrapalha o aprendizado do aluno. 27
  33. 33. 5.1.2 Entrevistados que não pensaram em abandonar os estudos. Verificação em forma de gráficos dos dados obtidos entre os entrevistados quenão pensaram em abandonar os estudos. 50 40 30 20 10 0 Sim Não Não opinaram 27,27% 71,21% 1,52% • Gráfico 12: Entrevistados que apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores. • 27,27% dos entrevistados apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores. • 71,21% dos entrevistados não apresentam dificuldade em entender a explicação dos professores. 28
  34. 34. 60 50 40 30 20 10 0 Sim Não Não opinaram 84,85% 13,64% 1,52%• Gráfico 13: Entrevistados que acreditam que a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo passado.• 84,85% dos entrevistados acreditam que a postura do professor influencia no interesse do conteúdo passado.• 13,64% dos entrevistados acreditam que a postura do professor não influencia no interesse do conteúdo passado. 29
  35. 35. 80 60 40 20 0 Sim Não 92,42% 7,58%• Gráfico 14: Entrevistados que acreditam que o conhecimento do ensino médio EJA será utilizado em seu dia-a-dia.• 92,42% dos entrevistados acreditam que o conhecimento do ensino médio EJA será utilizado em seu dia-a-dia.• 7,58% dos entrevistados acreditam que o conhecimento do ensino médio EJA não será utilizado em seu dia-a-dia. 30
  36. 36. 60 50 40 30 20 10 0 Sim Não 84,85% 15,15%• Gráfico 15: Entrevistados que acreditam estar recuperando o tempo perdido.• 84,85% dos entrevistados acreditam estar recuperando o tempo perdido.• 15,15% dos entrevistados não acreditam estar recuperando o tempo perdido. 31
  37. 37. 60 50 40 30 20 10 0 Sim Não 19,70% 80,30%• Gráfico 16: Entrevistados que acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA estando juntos, atrapalha o aprendizado do aluno.• 19,70% dos entrevistados acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA estando juntos atrapalha o aprendizado do aluno.• 80,30% dos entrevistados acreditam que o ensino regular e o ensino médio EJA estando juntos não atrapalha o aprendizado do aluno. 32
  38. 38. 6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Com os resultados obtidos foi possível verificar que tanto entre os homensquanto entre as mulheres, a maior dificuldade está em conciliar o trabalho e a escola. 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% Homens 8,00% Mulheres 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% dificuldade em Falta de apoio Falta de Dificuldade de Não conciliar familiar motivação aprendizagem apresentou trabalho e dificuldade escola • Gráfico 17: Principais dificuldades encontradas entre homens e mulheres entrevistadas. 33
  39. 39. Observa-se também que a faixa etária que apresenta maior dificuldade deaprendizagem tanto entre os homens quanto entre as mulheres, está acima dos 30 anosde idade. 4,00% 3,50% 3,00% 2,50% Homens 2,00% Mulheres 1,50% 1,00% 0,50% 0,00% 18 a 29 anos Acima de 30 anos • Gráfico 18: Faixa etária entre homens e mulheres que apresentam dificuldade de aprendizagem. 34
  40. 40. 20,00% 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% Homens 10,00% Mulheres 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% Sim Não Não respondeu• Gráfico 19: Entrevistados que pensaram em abandonar os estudos, após retornar ao EJA. 35
  41. 41. Entre as mulheres com dificuldade em conciliar o trabalho e a escola 70% tem um grupo familiar de 02 a 06 pessoas e 75,23% retornaram aos estudos devido ao mercado de trabalho. Mulheres com Dificuldade em conciliar trabalho e escola Já pensou Acredita Utiliza o em Grupo familiar Motivo de retorno aos estudos conhecimento no abandonar dia a dia os estudosSozinho 15% Mercado de trabalho 11,23% Sim 6,00% Não 8,00%2 a 4 pessoas 40% Mercado de trabalho 63,00% Sim 80,00% Não 64,00%4 a 6 pessoas 30% Realização pessoal 24,77% Não 13,00% Sim 27,00%Não respondeu 15% Mercado de trabalho 1,00% Sim 1,00% Sim 1,00% É importante observar que estas mulheres realizam tripla jornada por estarem dentro de um grupo familiar acima de 03 pessoas. Isto nos leva a questionar sobre o que realmente motiva estas mulheres a pensar em abandonar os estudos (28%). Visto que muitas contam sobre sua dificuldade em sair de casa, para ir à escola e deixar seu filho chorando. ”...Meu filho pede para eu não vir porque meu marido chega as vezes depois do horário de entrada na escola.” “... Pensei em abandonar os estudos devido ao cansaço de ter de conciliar o meu trabalho, cuidar dos meus filhos e estudar.” 36
  42. 42. Observando os entrevistados do sexo masculino que apresentam dificuldade emconciliar o trabalho e a escola temos: Homens com Dificuldade em conciliar trabalho e escola Acredita Já pensou Motivo de retorno aos Utiliza o em Grupo familiar estudos conhecimento abandonar no dia a dia os estudosSozinho 9,09% Mercado de trabalho 11,00% Sim 11,00% Sim 11,00%2 a 4 pessoas 36,36% Mercado de trabalho 33,99% Sim 33,99% Não 22,99%4 a 6 pessoas 45,45% Mercado de trabalho 44,01% Sim 44,01% Não 55,01%8 a 10 pessoas 9,09% Mercado de trabalho 11,00% Sim 11,00% Sim 11,00% Entre homens com dificuldade em conciliar trabalho e escola 100% retornaramaos estudos devido ao mercado de trabalho e acreditam que irão utilizar o conhecimentoaprendido em seu dia-a-dia. Apenas 22,99% dos destes homens pensaram em abandonar os estudos. Emdepoimentos foi possível observar que o que motiva estes alunos a abandonar os estudoé a conciliação do horário e/ou tempo de trabalho e os estudos. Desta forma verificamos que entre mulheres e homens que apresentamdificuldade em conciliar trabalho e estudo, a maior dificuldade da mulher se dá devido àtripla jornada que esta é obrigada a enfrentar, porém com relação ao homem estadificuldade em conciliar o trabalho e os estudos acontece devido às exigências daempresa. Apesar de o principal motivo a levar a busca pelo retorno aos estudos no ensinomédio EJA ser o mercado de trabalho (Gráfico 03), quando os alunos se vêem na escolanão conseguem conciliar as jornadas (Gráfico 05), levando-os ao pensamento dedesistência em dar continuidade aos estudos, dando um significado importantíssimo apostura do professor para motivá-los a continuidade aos estudos.“... Os alunos ficam mais interessados em seguir em frente com o objetivo de terminar os estudos, principalmente os que trabalham.” “Muitas pessoas estão a anos longe da escola como eu que já fiz três tentativas... 11 anos longe da escola, se o professor não tiver carinho, fica difícil”. “Quando você tem um professor que gosta do que faz, tudo fica mais fácil” 37
  43. 43. “O professor passa confiança, conhecimento, disciplina, dentro e fora da escola”. “Os professores tem que passar confiança e incentivo para os alunos... Muitos vêm direto do trabalho e deixam seus filhos em casa para vir estudar”. “Os professores estão aqui querendo passar conhecimento. Eles influenciam dizendo que temos que dar continuidade, que temos que ir adiante e não desistir” Os alunos percebem a importância em dar continuidade aos estudos visando umamelhor colocação no mercado de trabalho e a busca pelo conhecimento. 78,79% dosentrevistados que pensaram em abandonar os estudos acreditam estar recuperando otempo perdido (Gráfico 10), ou seja, vêem o retorno aos estudos apenas como umperíodo para recuperar o que foi perdido há tempos atrás. Não vêem como a aquisiçãonovos conhecimentos no hoje, querem “cumprir” algo que não foi realizado no tempo“correto”. “O ensino médio EJA tem que ser realizado em pouco tempo, justamente por isso a postura do professor influencia no interesse pelo conteúdo...” “Os professores passam para os alunos o espelho do que ele é”. Os professores que lecionam aulas para o ensino médio EJA, são os mesmosprofessores que lecionam aulas para o ensino “regular”. Estes têm a consciência que operíodo de aprendizado do EJA é menor, porém o que se faz é compactar asinformações ficando um conhecimento parcialmente adquirido, sem tempo para troca deexperiências e/ou desenvolvimento maior dentro de um determinado assunto. Os resultados mostram que a postura do professor influencia diretamente nointeresse do aluno pelo conteúdo, bem como pela continuidade aos estudos. “Quem deseja aprender pega tudo do jeito que vier apresentado”. “O professor é nosso intermediário para o conhecimento a ser adquirido”.“O professor que interage com a sala acaba despertando cada vez mais o aprendizado entre os alunos”. “Se a postura do professor não for uma das melhores, a maioria dos alunos vão se desmotivar de continuar a estudar”. “Se o professor interagir mais, melhor será a aula”. 38
  44. 44. É importante a interação com o aluno do ensino médio EJA, são alunosdiferenciados do ensino regular, pois possuem experiências adquiridas no dia-a-dia.Muitas vezes isso não é levado em consideração, deixando de acontecer à troca,oportunidade que o professor pode colocar vivências da realidade do aluno para aaquisição de novos conhecimentos.“Vou utilizar o conhecimento adquirido com os estudos na hora de preencher uma fichaou até mesmo na hora de fazer conta. Aprendemos muito em sala de aula não só com o professor, mas com os colegas também, ouvindo a experiência de cada um.” 39
  45. 45. 7. CONCLUSÃO Conclui-se sobre a necessidade do desenvolvimento de propostas pedagógicasvoltadas especificamente ao ensino do EJA, valorizando as experiências do aluno elevando em consideração o aprendizado anteriormente adquirido, conforme abaixo: Qualificação Profissional O Ensino Médio EJA, tem como objetivo a qualificação profissional do aluno,observando que este, na maioria vezes já incluso no mercado de trabalho, busca com oEnsino Médio EJA, uma melhor qualificação profissional. Este objetivo do aluno devesempre ser levado em conta, trazendo para sala de aula, conteúdos atuais, que agreguemconhecimentos sobre o mercado de trabalho e possibilidades de crescimento. Integração Curricular É importante a integração entre os conteúdos apresentados nas diferentesmatérias, facilitando uma maior compreensão do todo. Projetos que envolvam ainterdisciplinaridade* dos conteúdos e caracterização do público nos diferentesmunicípios, observando a trajetória de trabalho, experiências, conhecimentos e nível dequalificação profissional do aluno. Mecanismos de Apoio Suporte / Apoio em espaços e de formas alternativas durante o curso, visandosuprir as necessidades do aluno.__________________________________*Interdisciplinaridade: Palavra disciplinaridade/disciplina, deve ser entendida como aquelas "fatias" dosestudos científicos e das disciplinas escolares, tais como matemática, biologia, ciências naturais, história,etc. Um esforço em superar tudo o que esta relacionado ao conceito de disciplina. Assim,interdisciplinaridade é parte de um movimento que busca a superação da disciplinaridade. 40
  46. 46. Desta forma colocamos para o aluno do Ensino Médio EJA, conteúdos querealmente estejam dentro de sua realidade. Motivando e criando possibilidades decrescimento. Tendo como principal motivador o mercado de trabalho, o aluno do ensinomédio EJA visa um aprendizado que seja significativo para ele, como o preenchimentode uma ficha, a soma das despesas domésticas, uma melhor posição no mercado detrabalho ou conhecimento para dar início a um curso superior. As mulheres que retornam aos estudos contam sobre a dificuldade em conciliaras atividades domésticas, o trabalho e os estudos, isto também deve ser levado emconsideração, observando o mercado de trabalho hoje que não dá espaço para ocrescimento de mulheres que cumprem esta tripla jornada. Mulheres com tripla jornadaapresentam interesse em abandonar os estudos e, colocam este pensamento em práticaao observarem o fracasso em seu lar ou em seu ambiente de trabalho, tornando a mulher“culpada” pelo interesse de crescer profissionalmente e adquirir conhecimento. Estepensamento torna o papel do professor cada vez mais importante neste seguimento, poiseste deve ter a consciência da jornada de trabalho enfrentada pelos alunos e orientá-lossobre o resultado que poderá ser obtido frente ao sacrifício hoje exercido. Entre os homens o maior motivador para o retorno aos estudos também é omercado de trabalho, porém, também é este que lhes penaliza em alguns momentosimpedindo estes de dar continuidade na busca pelo conhecimento. Observando as peculiaridades dos alunos do ensino médio EJA é necessário arealização de uma adequação aos interesses deste público, visando uma efetiva buscapelo crescimento e desenvolvimento intelectual, profissional e pessoal. 41
  47. 47. 8. ANEXOS 8.1 Modelo de Termo de consentimento livre e esclarecido. 42
  48. 48. 8.2 Modelo de questionário. 43
  49. 49. 8.3 Termos de consentimento livre e esclarecido aplicados. 44
  50. 50. 8.4 Questionários aplicados. 45
  51. 51. 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRANTES, Wanda Medrado. A didática da educação básica de jovens e adultos: Uma construção a partir da prática do professor. Rio de Janeiro: Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 1992. ARANHA, Maria Lúcia de. História da educação. 2 ed. São Paulo, Moderna, 1997. BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e bases da educação nacional. CAMBI, Franco. História da pedagogia. São Paulo, UNESP, 1999. CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis, Vozes, 1994. FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 5 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo, Paz e Terra, 1966. GADOTTI, M. História das idéias pedagógicas. 5 ed. São Paulo, Cortez, 2001. GALLO, S. Transversalidade e educação: pensando uma educação não-disciplinar. In: ALVES, N.; GARCIA, R. L. O sentido da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. HAIDAR, Maria de L. M. O ensino secundário no império brasileiro. São Paulo, Grijalbo, 1972. p.17. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brasil em números. Rio de Janeiro, IBGE, V.12, 2004. LEITE, Luci Banks. As dimensões interacionista e construtivista em Vygotskye Piaget. 2 ed. São Paulo, In Cadernos CEDES nº24: Pensamento Linguagem, 1991. MACEDO, E.; ALVES, N.; MANHÃES, L. C.; OLIVEIRA, I. B. Criar currículo no cotidiano. São Paulo: Cortez, 2002. MACEDO, E.; ALVES, N.; MANHÃES, L. C.; OLIVEIRA, I. B. Criar currículo no cotidiano. São Paulo: Cortez, 2002. MACEDO, Lino de. ensaios construtivistas. São Paulo, Casa do Psicólogo, 1994. MANACORDA, MÁRIO Al ighiero. História da educação. São Paulo, Cortez, 1989. MELUCCI, Alberto. O jogo do eu: a mudança de si em uma sociedade global. São Leopoldo/RS, Unisinos, 2004. 46
  52. 52. OLIVEIRA, I. B. de. Currículos praticados: entre a regulação e a emancipação.Rio de Janeiro: DP&A, 2003.OLIVEIRA, I. B. de; PAIVA, J. Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro:DP&A, 2004.OLIVEIRA, I. B. de; PAIVA, J. Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro:DP&A, 2004.OLIVEIRA, Inês Barbosa de.Reflexões acerca da organização curricular e das práticaspedagógicas na EJA. Educ. rev. 2007, no. 29, pp. 83-100. ISSN 0104-4060.PAIVA, Jane; MACHADO, Maria Margarida; IRELAND, Timothy. Educação dejovens e adultos: Uma memória contemporânea. Coleção Educação para Todos,ed.UNESCO, Ministério da Educação, 2004.PARTICIPAÇÃO político-social, 1988. Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro:IBGE, 1990. v.2: Educação, meios de transporte, cadastro e associativismo.PONCE. Aníbal. Educação e lutas de classes. 13 ed. São Paulo, Cortez, 1994.RECIFE. (União). Fundação Joaquim Nabuco. Pesquisa Escolar. In: Uma propostapedagócica para a educação de adultos como resultado de experiências e revisão desua história. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/ Acesso em:08. ago. 2007.SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. Porto: Afrontamento, 1989.SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita. AAlfabetização como processo discursivo. São Paulo, Cortez, 1988. 47

×