Your SlideShare is downloading. ×
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Antologia   livro
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

Antologia livro

453

Published on

Antologia - Ajel

Antologia - Ajel

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
453
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
5
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. Fernanda Rangel de Aquino B RECHÓ Vendo: Roupas usadas, Sapatos usados, Homens usados... Sim...Homens usados! Seduzidos pelo meu decote E descartados pelo meu coração! Homens desiludidos? Não! Homens adoradores: Saias curtas, roupas justas, Lingeries e transparências. Fúteis bajuladores! Também não estão gastos! Podem ser reaproveitados, E, até mesmo, domesticados. São apenas usados!Homens que muito me satisfizeram, Mas agora não me servem mais. Usei, mas foi recíproco! Cansei e não os quero mais! Vendo sim! Homens usados Por um preço barato E uma única condição: Comprou está comprado! Eu não aceito troca, E muito menos devolução!
  • 2. Aline Mendonça P ALÁDIOHá também vermes nos sepulcros de mármore. Onde jaz tão quieto a sono profundo. Tu a lm a p equ ena, esguia e na lápide Tão pobre, descrito, em letras de sabre. Quem és vencedor, na eterna rotina? Da vida vazia, carregas teu fardo! Num sonho perdido, entregaste a safira Tão qual preciosa, tão leve, tão fraco... Quebraste o silêncio, de penas, de chamas... As flores tão mortas, tão secas estiveram. Não cheiram, não brotam na terra abatida. Só os vermes que vivem, e seguem sua vida!
  • 3. Aline Mendonça S ONETO DA ÁS DE C OPAS A princesa de copas não sabe quem é Em seu paradoxal caos pessoal tentade alguma forma, a si mesma encontrarmas tudo o que encontra é sua maldiçãoé minha maldita, doce princesa de copas Em sua cruzada por amor e libertaçãoTeme jamais encontrar qualquer benção No seu caminho de dor e desolação Mas corre esta trilha até seu final b usca pelo seu reino, cara princesa e lá soberana terá poder para reinar Lá sua maldição conseguirá quebrar Seu beijo não será mais venenoso e assim, doce e maldita, livre estará.
  • 4. Franklin dos Santos Moura D ES ES PERO P OÉTICOPapel, caneta, cadeira confortável,uma taça de vinho, algumas lembranças.Tudo pronto para o conhecido e prazeroso ritual,é a hora da magnífica viagem pelo mundo das palavras.O tempo passa, e a inquietação toma forma.As palavras surgem sem sentido, as idéias fogem.Boas músicas são ótima inspiração,m a s o b a r u lh o a t r a p a lh a , e o p a p el con t in u a vir gem s ob amesa.Lem b r a r d e p en s a m en t os , t em a s s ocia is , uma a n t iganamorada,tudo parece tão normal e conhecido.Os jornais já trazem estas poesias,enquanto isso a terceira taça encontra-se vazia.Acendo um cigarro, olho pela varanda.Pessoas caminhando, natureza e prédios.Carros quebram o silêncio, crianças o sossego,e a criação permanece muda, inerte.A primeira garrafa de vinho entorpece os pensamentos,o es t a d o d e leveza é o m elh or ca m in h o p a r a en con t r a r a spalavras.Na lon ga ca m in h a d a p ela s a la , d ep a r o-m e com u m á lb u m d efotografias.- O passado é o celeiro das poesias !Vejo antigos amigos, amores.Ao invés de inspiração, recebo a tristeza.Tristeza, talvez o melhor dos temas.Quando declamei minha idéia, as palavras voaram pela janela.Percebo uma leve camada de poeira sobre a intocável folha.Decid o com eça r u m a fr a s e e a o n ã o con s egu ir d er r a m o asétima taça de vinho.A folha manchada de vinho, e a vida manchada de sangue.
  • 5. Seria um ótimo tema, se o cotidiano não fosse tão real.Desisto? Não! Talvez a esperança seja um bom tema.E s qu eço! O n a t a l e os p olít icos já fa la m d em a is s ob r eesperança.Traição! Este tema nunca saiu de moda...m a s m in h a s fer id a s im p ed em m in h a s m ã os d e d es en h a r u m asó palavra.Então esqueço que nesta noite sou poeta !Se não tenho palavras, não tenho nada.Sou um pobre embriagado, numa varanda ao fitar o mundo.S ou u m s on h a d or , qu e m a l con s egu e er gu er a qu a r t a ga r r a fade vinho.Que o próximo amanhecer traga a nova poesia,ou pelos menos um motivo, um tema.Pois, se não tenho palavras, não tenho nada.Se não sou poeta, não sei o que sou.Guardem o vinho, por favor !
  • 6. Gabriela Zorzal A MINHA P OES IA . A poesia sai dos meus pensamentos Pura, leve, bela. O verso sai feito, sem defeito, As palavras também feitas, perfeitas, O poema todo em rima, obra prima. Há quanto tempo que não escrevia. O verso que havia se perdido, Voltou arrependido, As palavras antes escondidas, Também voltaram arrependidas. O poema antes inexistente, Agora sai facilmente, perfeitamente... Eu voltei a escrever,A poesia voltou para os meus olhos, para minha vida, Sinto como renascer.
  • 7. Lorena Colodette PessanhaENTE QUERIDO Depende...Há algo que pende, e tende no ente a fitar demente o toque. Doente? depende do Ente Galgar o aparante, roçar, contente a pele que surpreende.
  • 8. Priscilla Reges Ferreira O LHO D E PEIXE , PÉ DE COELHO Quando ouvi meu nome sendo chamado Não acreditei. Atravessei os portões de Arcádia Para encontrar A minha vida através do espelho. Deitei na relva da minha alma e sonhei Que tomava chá com o que havia sidoDe mim num passado remoto de um futuro distante... Quando acordei percebi Que o meu espírito voava livre Como as borboletas e cantava Como os pássaros Então abri minhas asas pra voar E caí no mar azul do céu E ao mergulhar percebi Que o segredo do universo É a vida! E surpreso com a descoberta Despertei todos os sentidos Dei um suspiro profundo E acendi um cigarro pra descansar. A fumaça elevou meu ego ao infinito E tudo o que era Eu Deixou de ser Para se tornar Tudo. Então o Gato Careteiro deu uma gargalhada E destruiu todas as barreiras E nada mais era mistério E tudo fazia parte de todos E as fadas podiam voar novamente Levando em suas asas O pó que restara de mim mesmo.
  • 9. Brendda Dos Santos Neves S OU VERS OS S OLTOS Mundos distintos povoam meu coração... Ao despertar do sol sou casulo; Rua sem tumulto Relógio sem horas... Caio em mim! Quem sou? Hoje... Amanhã e sempre... Em toda parte A cada instante Saio de mim! _Sou eu meu amor.... Minha mente é um quadrado: Lados perfeitos da mesma moeda, Sem portas nem janelas... Sou verso só sem sol sem casulo! Presa em tuas muralhas Ouço apenas o cair da chuva, Rítmico e constante...Como o coração de um assassino calculista... Saio de ti! Sinto meu corpo dormente e pesado, Saindo de um coma profundo... Os pensamentos estão desconexos, Aos poucos recobro minha identidade: Sou EU... _É você meu amor? Deixo por trás da névoa Uma face de menina Perdida entre sombras...
  • 10. Teu sorriso somente Aumenta minha agonia... Sou casulo! Doce sonho que findou! Teu amor-borboleta Bateu asas e voou!Desperto e sinto o sol se pôr... Sou versos soltos... _Amor?!
  • 11. Thalita Ferreira ½ Assim como a lua é cheia E não meia Não há como ter apenas meio Ter a metade Apenas a parte de um todo Pois se o todo é perfeito A metade será sempre imperfeita, Incompreensível, inapta...Onde estará o completo, o preenchido, O acabado, o total, quando só se oferece parcialmente A parte, retamente dividida? Afinal, de que vale ter meia Meia-água, meia colher, meia tigela? De que adianta possuir Meio-dia, meio-fio, meio-termo? Se lhe falta o inteiro, o concluído, Vivendo toda uma vida Não deixando partes para trás, Pois viver apenas meia vida É como deixar de viver!
  • 12. Gabriel Raposo MEL E V IOLÊNCIA A RMADA Embora a doce abóbora dos meus sonhos Esteja ela indo embora dessa paragem, Da brincadeira em muita meia margemFugiu-se a laranja do abraço do enfadonho. Gaveta que abre sem se ver; porém É amarelo pra tudo quanto é lado Ao gentil, ainda que sim, emulado, Rabiscando os traços de meu alguém. Tem-se feito ao beliscão de voada baixa, No verão de meia cor, todavia, natural.Foste ao enterro de tuas últimas lembranças Conspurcada dos dejetos da mendicância Ao ver-me partido pela cretina má vontade Tua quase presença vigia a insegurança De uns farsistas jogados à caricatura De servos da alegoria qual blá-blá.
  • 13. Flávia Barcellos de passos POETA O poeta tem na veia A sede de escrever Ele apenas semeia Essa forma de viver A escrita é um desabafo E a cada linha um relato Talvez de amor Talvez de felicidade Quem sabe relate a dor Ou apenas a vida em sociedade É poeta, quem vê com o coraçãoÉ poeta, até mesmo quem não respeita a razão Sou poeta!!! E qualquer um pode ser Para ser poeta Não é preciso saber escrever A poesia está no sentir E se constrói no imaginar A poesia está na vida E poeta, é quem sente o ar Ou quem consegue perceber Que poesia é viver...
  • 14. Gabriel Raposo O DE AO AMOR PURO 0 Embora a doce abóbora dos meus sonhos Esteja ela indo embora dessa paragem, Da brincadeira em muita meia margemFugiu-se a laranja do abraço do enfadonho. Gaveta que abre sem se ver; porém É amarelo pra tudo quanto é lado Ao gentil, ainda que sim, emulado, Rabiscando os traços de meu alguém. Tem-se feito ao beliscão de voada baixa, No verão de meia cor, todavia, natural.Foste ao enterro de tuas últimas lembranças Conspurcada dos dejetos da mendicância Ao ver-me partido pela cretina má vontade Tua quase presença vigia a insegurança De uns farsistas jogados à caricatura De servos da alegoria qual blá-blá-blá.
  • 15. Anaximandro Oliveira Santos Amorim SONETO DE F ANTAS IA (para minha afilhada Jade) Dorme princesinha! Um carrossel Espera por ti na Terra-dos-Sonhos! É tão fácil de ir! Fecha teus olhos E põe as mãos nas de Papai-de-céu! Confia em mim! Um lindo corcel Alado virá durante teu sono! Nele, vais partir! E o teu risonho Anjo da guarda abrirá teu dossel! Irás até um mundo encantado Onde os relógios vivem quebrados Para a brincadeira nunca ter fim! Mas para o anjo abrir teu cortinado E dar o teu lindo corcel alado,Fecha os olhos, princesa. E vai dormir!
  • 16. Franklin dos Santos Moura S AUDAÇÕES AO VELHO P ARKINS ON Entre, sente-se a mesa sirva-se a vontade. Leve meu ânimo, minha alegria e me dê a esperança de mais um dia. Já faz algum tempo, não sei se lembras. O primeiro tremor foi na mão que escrevo. A juventude permitia-me ignorar, era apenas um tremor, logo passa. Mas logo atacaste minhas pernas, e com isso pouco consegui segurar meus filhos. O incômodo da muleta, da bengala foi logo substituído pelo conforto da cadeira de rodas. Meus amigos desapareceram, sabia ? Que tipo de amizade teriam com um inteligente inválido ? Com o tempo minha taça virou caneca, não foi muito difícil vencer a guerra dos canudos.Sentia medo quando o peito ofegante não permitia a voz sair, não conseguia conversar, que dirá discutir. Reconheço, você conseguiu ! Confesso que não estou derrotado. Vejo que você também treme, suas pernas, seus braços, sua face abatida e sombria... Seu prazer é ignorante e inútil. Tenho lembranças do meu trabalho, da minha outra vida. Ajudava pessoas, vivia um dia após outro. Contudo, tudo foi em vão... Sou apenas um objeto decorativo na sala da casa que construí. Já não escuto, respiro, durmo...velho maldito.
  • 17. Vivo agarrado a misericórdia de pessoas que nunca vi, mas e você, velho inútil, agarra-se em quê? Não vejo muletas, garrafas, nem bengalas. Olhe para mim! Veja o que sou! Sou mais um tentando saber o que aconteceu, sou um monte de nada sem sustentação, sou o primeiro a atirar a pedra e o primeiro atingido. Não sorria assim velho maldito, não brinde com o meu desespero.Não terás a vitória, pois ainda sou fé e você é somente o destino. A hora ainda não chegou, vá embora ! Fúnebre silêncio! A inércia dos móveis e meus inúteis involuntários movimentos.A estatueta de porcelana mergulha rumo ao tapete. Meu movimento: em vão. Mudanças são necessárias. é melhor sair da frente desse espelho...
  • 18. Hanor F. C ARAS D EMAIS ! Cansei! É! Cansei... !!! De ouvir os outros, de falar dos problemas deles, dos relacionamentos deles, de falar de mim. Do que quero, do que vivi, - chega de falar de mim...Não quero mais essas conseqüências, então resolvi parar comes s a p r ocu r a id iot a p or u m a p es s oa es p ecia l s im p les m en t e p or a cr ed it a r qu e ela exis t e . Existe droga nenhuma! Existe um monte de pessoas querendo satisfazer como eu seus desejos carnais. Querendo saciar suas mãos em corpos gostosos de se tocar. Existe sim, um monte de vermes inescrupulosos que con s egu em s a cia r es s a s fom es d e con t a t o fís ico.Mas, não quero falar deles: Talvez eu me pareça mais com eles do que julgo. Tranquei-me! Pronto! Tranquei-me, e, não há chave, não há outrasen t r a d a s , n ã o h á s a íd a s , n ã o h á n in gu ém d o la d o d e d en t r o desse meu mundo. Que se danem todos os conceitos de felicidade,de amor próprio. Do amor com letra minúscula mesmo que para serr eceb id o p r ecis a s er d a d o s em qu a lqu er id éia d e r et r ib u içã o . Isso aqui é um desabafo! Sim! Um grande desabafo. Por que como disse outrora, agora vai ser assim: entre eu e o papel, es s e p á lid o p ed a ço in er t e d e p a p el . Não quero mais diálogo, não quero mais contato, e que venham as conseqüências que já não são diferentes das de agora, quando a busca também me devora.
  • 19. Não quero gritar, não quero falar, não quero amar. Nã o qu er o d r oga n en h u m a d es s e m u n d in h o ch eio d e es cr ú p u los . É, não quero mesmo! E não vou me arrepender! Não quero pena, não quero compaixão, não quero ódio nem rancor.Qu er o s olid ã o! Pois es s a , eu n ã o p r ecis o b u s ca r : já t en h o E de sobra! Vou trabalhar mais, mesmo que sem entusiasmo. Vou me ferrar nesse aspecto repugnante de vida, e se quer saber? Da n e-s e digo de coração! Eu posso ser um bom acompanhante para mim mesmo. Vou m e cu r t ir m a is , e s e a lgu ém t iver qu e m e d es t r u ir , qu e eu s eja o ú n ico cu lp a d o! Não quero sorrir, não farei sorrir. Não quero...não quero...não!...quero! Princípios? Não os tenho mais... Conceitos? Para mim tanto faz... Conselhos? Ninguém os ouve, nem mesmo eu que os tanto procuro. Não existe felicidade! Não existe amor! Existe a realização de fantasias, quereres, desejos. E xis t e a t r oca d e fa vor es ;exis t e o ód io, a vin ga n ça , o m ed o! Existe um m on t e d e cois a s va lios a s ... Mas não quero mais saber de nada que vem do coração, esse desprezível ícone da dor e da vida, esse desprezível ícone do amor..., a.m.o.r. Qu e lin d in h o, ele es t á a m a n d o ; S ã o con s eqü ên cia s m eu ca r o, a m or leva a es s a s conseqü ên cia s ; Vá em fr en t e, a m e e d eixe-s e a m a r .
  • 20. Filos ofia s d o a m or ...Cois a s t ã o a b s t r a t a s qu a n t o a a b s t r a çã o da vida. Conheci pessoas loucas nesses últimos dias, não últimos de tempo anterior há esse dia, mas sim tempo de últimas experiências, de últimas concorrências. Vou s egu ir s ozin h o...e...m u n d o... - não quero ninguém, não qu er o n in gu ém ... . Feia ou bonita, branca, negra, inteligente, burra, inconseqüente, crente, ateia, não quero platéia, não quero amigos, não quero inimigos, não quero sexo, carinho, beijos. Não quero olhar, não quero falar, não quero ouvir. Não quero nada! Porque não quero pagar por nada dessas coisas. Por que quer saber ? Pra mim, S ã o ca r a s d em a is .
  • 21. Gabriela Zorzal N ÃO ME CONF UNDE MAIS Eu estava tentando acertar as coisas E você veio de novo e atrapalhou tudo! Não posso trocar um amor certo Por você totalmente confuso. Não me confunde mais... Eu quase mudei todos os meus planos, E eu ia me magoar tanto! Não me confunde mais...Por que meu coração não pode mais se quebrarQuando eu não tenho nem forças pra recomeçar Não me confunde mais... Deixa-me te esquecer Antes de me arrepender Não me confunde mais... Antes que eu me entregue E seja tarde demais pra eu voltar atrás.
  • 22. Joacles Costa Bento INSTANTE C a d a h o r a s e i q u e n ã o vo lt a m a is .C a d a m in u t o , s e i q u e é in c o n s t a n t e . C a d a s e g u n d o d is p e r s o n o t e m p o , s e i q u e é s ó u m in s t a n t e .O t e m p o n ã o e s t á a m in h a e s p e r a , p o r is s o e le n ã o p á r a , p a r a q u e a c a d a s e g u n d o , m in u t o e h o r a ,n ã o s e ja m o s m e s m o s e n o e s p e lh od e m in h a vid a , o b s e r vo o s a va n ç o s c r o n o m e t r a is d o t e m p o . . . e m in s t a n t e s .
  • 23. Fernanda Rangel de Aquino F ORA DE S INTONIA S o u u m s e r a s s it u a c io n a l ! Nã o s ig o r e g r a s c o n ve n c io n a is J á q u e a s p r ó p r ia s s it u a ç õ e s S ã o m o vid a s à s u p e r fic ia lid a d e Q u e vid a s e m g r a ç a ! P r e c is o q u e b r a r a s r e g r a s , B u r la r lim it e s , In va d ir e s p a ç o s . . . Ar r e g a la r o s o lh o s D o s q u e m e o lh a m d e s a c r e d it a d o s . P r e c is o p e r d e r m e u s p a s s o s , P is a r n a s le is , Lu t a r c o n t r a a s n o r m a s , Ne g a r a p r ó p r ia n o r m a liz a ç ã o , P o is lo u c o s . . . s o m o s t o d o s ! E s t o u fo r a d o a lc a n c e , C a n s a d a d e c o n c e it o s , À p a r t e d os con t ext os , Le ilô o a vid a Nu m ú n ic o la n c e .A in é r c ia d a s s it u a ç õ e s m e d e s g a s t a , Ap r is io n a , d e vo r a . . . M a t a . S ou a s s it u a c io n a l , s im , Ma s d e a lm a . . . Por qu e o m eu cor p o Ain d a e s t á p r e s o a q u i!
  • 24. Lindemberg O. Gomes LEMBRANÇASonhos de amor, sois como a rosa(O Dia Seguinte do Amor) V. de Carvalho Penso no passado sua imagem se apresenta Lembrança cruel de um feliz momento. Men in a n ã o r ecob r a o s en t id o, De u m a n jo despido, In s en s a t ez ju ven il, a ob r a r o fir m a m en t o . Olhos negros de feição ardil, Brilham qual lua cheia, em noite primaveril. Lábios ardentes em fulgor, Con s om em m in h a lm a em b r a s a s . Longos cabelos a embalsam, Meneando flutuar como asas. Pele dourada de jambo ao sol Feliz cortejo de um raio, Beleza radiante de arrebol. Abrasa meus desejos Num triunfo final. Deusa-Mulher, tem-me enfeitiçado Com figura angelical. Em seu seio adormeci, do colo calor senti Musa de inspiração espelha a reflexão. Em noite profunda, em sonhos vi O s eu cor p o p or m im s ofr er Delírios de amor, alma do meu ser; Amada de meus sonhos; tudo é confusão. Menina de meus olhos, alegria de viver, Fez-me feliz só por lhe conhecer. Passado triste de um momento feliz Qual espontâneo riso ao amanhecer. Sua imagem ficou no passado,
  • 25. No presente restam as lembranças De um sonho eternizado.
  • 26. Franklin dos Santos Moura UM D IA NO R IO . . . Galeão, pés no Rio, Canibais capitalistas na pela de taxistas Cerco de necessidades e ambições, Escolher já é um risco. Com sorte, um guia historiador ou calado Ou então, mal humorado pela curta corrida. Vejo a Maré, e alguns lutadores E o cheiro de comida se mistura ao canal. Ainda estou diante da Maré, Agora aves negras observam o tráfego Ninguém nas ruas, tempo nublado, dia cinza,Alguns destemidos curiosos observam das janelas. Trânsito lento e pressa...incompatibilidade. Planos para o dia intenso...imprevisível. Compromissos, objetivos e o vôo de volta O vôo de volta...tudo se repete. Na estrada vermelha, dedos cruzados e fé. Na Maré só vejo a cortina da noite. Quando cruzo a Ilha, suspiro...alívio. No Galeão, filas enormes para o check in.Os dedos continuam cruzados, mas não adianta. O vôo está atrasado...sem previsão. Paciência, café, uma boa leitura. Acordo no destino, sabendo que volto.
  • 27. Lorena Colodette Pessanha A VIS O : Não bata antes de entrar:Você pode estar ferindo este lugar que se apresenta. Antes seja cúmplice dos olhos. Eles sim! Focados em firmamentos, Projetados em órbitas, Tecem ruas inéditas e transitam por moradas nem sempre visitadas. Olhos clínicos Porque apreendem, Olhos artísticos Porque vislumbram, Olhos mágicos Porque descortinam, Olhos líricos Porque vêem.
  • 28. Priscilla Reges Ferreira C ONTO DE F ADAS Quando o relógio soou a 13ª hora Cinderella se perdia Nos braços do rei dos elfos A Branca de Neve jogava cartas Enquanto a Bela Adormecida Preparava uns drinks A chuva caía lá fora Enquanto as flores dançavam Com os hipopótamos Para impressionar um tigre Que teve as suas listras roubadas E serviu para desenhar os bigodes De um príncipe perdido no deserto À procura da casa da Vovó. A Balada do Rei de Espadas Ah, meu grande mentiroso, tolo Rei,Nada sabes e tudo sabes, sempre assim. No Caos caminhamos, juntos, porém,Não facilitamos a jornada para ninguém. Um grande jogador Meu curinga preferido Eterno companheiro de contos E para todo o sempre, Amigo. Rides do mundo, Das pessoas e das coisas, Mas, acima de tudo, Rides de vós, e de vossa piada, Chamada ironicamente de vida. Mas ah, tolo Rei, Hás de reinar Comigo para todo o sempre E não mais tolo serás E não mais perdido
  • 29. O mundo estará.
  • 30. Thalita Ferreira O ÚLTIMO PEDAÇO O chocolate Late...bate Invade cruelmente Na forma escarlate Profundamente arde Provocando devaneios na tarde Loucuras, balbucio, tatibitate Mais um pedaço... ... hum ... invade Cada doçura quente parte A imaginação e a realidade Ao leite, branco ou amargo... a verdade É que a falta, o vício se torna nulidade. Quando deixar embriagar-te, ou Quando o frenesi enroscar-te Perceberás que não há nada Que mate:a vontade louca de voltar ao último pedaço Pois mesmo que busque, suplique, cate... Não há mais CHOCOLATE!
  • 31. Aline Mendonça E S CARLATINA Há estrelas perdidas nos teus cabelos, E loucura na sã inocência que te corta a carne.Ah!Se eu fosse um sonho, um simples devaneio... Ou mesmo a doce brisa que te toca a face! Vejo seu "eu" ao ouvir a sinfonia Das cores do silêncio imutável e mortal. E o céu, para mim, chora com tal melodia, Mas o agora padece: amargo e real! Desejo a fadiga, a miséria e a dor; Que o anseio sádico ainda me consome... Nessa contínua vivência em busca do fulgor. Ainda estou cansada de viver no meu ontem! Há estrelas perdidas nos teus cabelos: Na manta negra da escuridão fantástica. E o seu brilho, hoje, torna-se meu espelho Do imenso amor, no meu modo trágico!
  • 32. Flávia Barcellos de Passos M(EU) CURRÍCULUM Não preciso de uma faculdade para aprender Não preciso de diploma pra ser inteligente Não dependo de um currículo para ser gente! Diploma e certificado não medem inteligência Preciso de gente para aprender Preciso viver, para adquirir o "saber" Um diploma não é capaz de dizer quem souUm simples diploma...não expressa como estou Pode "mostrar" algumas coisas que sei fazer Pode até mostrar algo que já fiz Mas não pode medir minha capacidade Nem mesmo mostrar minha integridade Não sou o que está escrito no papel Não tenho só o que nele contem Eu sou muito mais Sou mais do que as palavras podem mostrar Porque não sou ser inanimado Sou "ser vivo" e sou real Em mim não se pode pôr ponto final Sou parte do que é a vida Mas ainda não sei se sei viver Ainda não sei o que sou capaz de conhecer Acho que com o tempo vou descobrindo E ao final de um ano saberei Saberei que acabei construindo E continuo a construir a cada amanhecer Não construo pontes Não construo edifícios Construo apenas o espaço em que vivo Construo minhas crenças e meus ideaisConstruo meus pensamentos e talvez algo mais Porque não sou apenas um diploma Porque não estou presa a um papel Não sou faculdades ou certificados Não faço parte de um enunciado Não sou algo que se leia Nem sou nada para se avaliar Sou uma existência
  • 33. Uma existência como o mar E assim como o mar não tem Também não tenho um ponto final O mar cresce...e eu também Às vezes, ele diminui Também me sinto diminuída Ao fazer o tal currículo Porque já disse!!! Não sou o que está no papel Não caibo nesse pequeno espaço Porque não sou o que fiz Ou o que sei fazer Não sou só isso Porque se assim fosse, Quem não tem currículos Ou sequer sabe o que é diploma Um nada seria Portanto, volto a reforçar Não sou nem ninguém é Aquilo que está no papel Nós somos mais Muito mais... Nem 100 diplomas descreveriam Ainda que com ajuda de 100 certificadosTalvez sejamos, então, apenas como o mar Algo difícil de se decifrar Porque pode-se ver e até sentir Mas jamais corretamente o definir Ou saber e conhecer Tudo o que nele contém Porque somos profundos... Profundos e preenchidos.
  • 34. Anaximandro Oliveira Santos Amorim SONETO DE AMOR I O nosso amor é como as catedrais Prontas para rasgar o firmamento Feitas de rochas, torres eternaisImpávidas contra o sabor dos ventos Um nume passa por seus ogivais Iluminando nossos sacramentos Rezamos segundo antigos missais E damos as almas em casamentoQue saiam todos! deuses infernais Que ousam sair de suas capitais Para nos levar ao pecado imundoMas enquanto nós formos imortais Fecharemos as nossas catedraisPara ficarmos seguros do mundo
  • 35. Bernardo Silva BarbosaC OMPLETAMENTE APAIX ONAD O Apaixonado estou pois te achei em minha vida foi a coisa mais linda mas eu vivo esse amor. Quando eu olho pro céu te vejo nas estrelas quando escuto tua voz vejo a tua beleza. Eu te amo e te quero te chamar de meu amor eu te amo e desejo sentir o teu calor. O amor que eu sinto é enorme demais mas é que eu te quero e te amo cada vez mais. eu te amo e te quero te chamar de meu amor eu te amo e desejo sentir o teu calor. Porque te amo...
  • 36. Brendda dos Santos Neves POEMA DAS CORES Li o diário onde segredos Insondáveis diziam que sou Menina-lima, menina sapeca! A brincar com tua vida... Amei teus sonhos sem medo: Menina-ameixa nas tuas mãos! E deixei meus sonhos ao Imaginar-te real e perto. Xôôô... Amor-ilusão!Pulsa o amor em minhas veias Entrecortado...descompassado Leve bater de asas fugidias! Esqueça-me! Sou ave bandida... Pousa o beija-flor sempre a bailar... Repousa sobre o ninho a pensar, Espera ter enfim o beijo da flor, Ter nos lábios o sabor do mel O beija-flor sempre a bailar... Azul é o coração de quem ama! Zelar por ti todas as noites, Unicamente estar contigo... Lembranças azuis o tempo não apaga! Viajar nas lembranças vividas Esquecer-te em algum lugar verde, Ruínas de sonhos e amores Desfragmentados no coração... Esquecer-te em mim... Rios de flores Oscilam_ ornamentais_ ocultam Sabiamente a marca da idade Aflorada de tua interior mocidade!
  • 37. Cai a chuva lentamente Imagino como seria se não fosse tardeNesta noite cinza de tempestade; Zuuummmmm.................... A tempestade levou o amor! Amar sem você é sentir tudo amarelo Marelado ao redor de mim! Amarelado sem fim a me envolver... Rasgado está o meu amor, Esmaecido está o meu coração: Lago sem vida e monocromático O amor amarelado do fim! Brinco com palavras e sonhos Rasuras de amor e amizade... Amo o novo e o inusitado, Não suporto o amor-clichê! Caio e desmaio nas palavras feitas... Onde estará você agora?! Venha ver o lindo mar E sinta as partículas salgadas Rompendo a rotina de tua vida... Mergulhe em meu coração E veja a vermelhidão que nele há, Luz de amor a te procurar, Homem misterioso a vagar Onde o céu e o mar deságuam... O sol de teus cabelos dourados; Uivantes ondas de verão; Rostos colados lábios amassados: O quadro perfeito do amor-relâmpago! Lilazes mariposas Ilhadas em meus pensamentos... Lantejoulas libidinosas libertinas Assumem aspecto sólido: Solidez que eu perdi ao te amar! Violetas vilipendiosas: Instantâneas imagens primaveris! O ano não parou aqui, Levou lentamente tua lembrança
  • 38. E nunca mais voltará! Tua voz de violaAmarga harmoniosamente no jardim!
  • 39. Bruno Vial S ONETO DO R EI DE E SPADAS "Não me conhece e não sabe o que sounão sabe meus nomes e sobre o que sintoposso fingir, enganar e jamais descobriráque sou vazio e carente, tolo e orgulhoso mas algo sobre mim deve logo saber caminho no nada e na dor da Verdade Sustento o valor da chamada falsidade porém abomino esta sua tola hipocrisia Sou mal, saber, insolência e rancor temo e tremo, puro e também só o caos mas acima disso, sou eu temível vilão O Rei de Espadas, aquele que o mata o grande vazio, só um louco perdidomas não vou admitir, continuarei a mentir"
  • 40. Joacles Costa Bento LÁGRIMA Lágrima que cai da face chorosa, molha esse chão, aduba essa terra. Que nasça uma rosa com cheiro da moça que um diasurgiu como o arco-íris. Belíssimas cores vem trazer a paz. Faça vir o amor que cesse esta dor doce gotícula,lágrima, simplesmente.
  • 41. Daniele Braga Pinheiro GERALDO BRAGA Sempre vou lembrar... Das suas mãos macias Dos seus cabelos brancos Do seu jeito ranzinza Sempre vou lembrar... Dos seus conselhos precisos Da sua experiência de vida Dos telefones aos domingos Sempre vou lembrar... Dos seus chinelos de couro Do grampeador e da furadeira Da pastinha preta Sempre vou lembrar... Do seu jeito carinhoso Do aperto de mão com força Da sua proteção Sempre vou lembrar... De você varrendo a ruaDesembrulhando um presente Abrindo um pacote Molhando o pão no leite Sempre vou lembrar... Das festas de fim de ano Da sua risada gostosa Da cara de safado Do nosso papai noel rosado Sempre vou lembrar...Da saudade com a sua ausência Do amor sempre presente Da família que você plantou Sempre vou lembrar... A pessoa brilhante
  • 42. que você sempre representou.
  • 43. Ezequias Miller MUNDO I MPERF EITO Qualquer coisa que nos coloquem Abaixo de uma grande organização Supõe-nos apenas um pensamento: A minha natureza que se foi... Qualquer fato... Qualquer ato de impiedadeQue nos conduzem a belas superfícies, porém falsas, e nos afastam da verdadeira face da arte de viver: viver em profundidades jamais vividas Não vive cautelosamente o perigo E sim vive o perigo intensamente De maneira inconsciente Que a consciência confunde-se Entre o céu e a terra Não respira o ar, as flores, os rumores De que algo jamais será vivido Sem a plena emoção Em lugares dominados, sustentados pela razão... Em lugares sem portas Sem janelas, sem paredes, sem estrelas De onde o nada é partida para a estrada Que se constrói em cada passada... Isso tudo faz calar-me em toda e quaisquer Situação... Faz apenas calar-me, insustentar-me, que de outra forma Faz-me apenas pensar: E u s ou m a is n a d a e n a d a m a is d o qu e is s o
  • 44. Gabriel Raposo O DE AO AMOR PURO I Enterremos a faca no peito do irmão Pois meu cano é mais grosso que o teu. Já que teu miolo é defeito de Deus, Piso e afasto os unidos pelo fracasso. Corja de imbecis infantes que se amam Reunindo-se em derredor do deslumbre Garganteiam propaladas inverdades Do engajamento da miséria humana. Na faca enterrada, afasta a carne dura;Entre vencidas costelas semeia pouca paz. Do béocio rejeitado sobram-lhe as penas Que não se excitam na tolice tardia. O DE AO AMOR PURO II Ai, que felicidade infinita e bonita! É grande como um bujão de gás. Daí, peguei uma linda meiga florzinha. Dei-lhe do fundo do meu coração Todo o aquele sensacional carinho. Vou voar de tão alegre, de sensação, Como a mão leve do cafajeste. Sorrir para as plantinhas e folhinhas Um bom-dia pra terra e pro mar! Minha querida rainhazinha! Cacarejar da goela à ponta da língua Fanfarronices vou da meia-humilhação. Não há -viva!- excremento que me iluda, Pois todo cheiro de merda me faz bem. Estou voando e voando sorridenteCuspindo prantos no quengo dos contentes.
  • 45. Lindemberg O. Gomes MALDITOÓ retrato da morte! Ó noite amiga,Por cuja escuridão suspiro há tanto! Bocage Quando da passagem do Velho Chico O barqueiro viu a criança, Praguejou e exclamou taxativo: Ma ld it o t r a z a lu m e t a l d es gr a ça ! É s a m a ld içoa d o e s ofr er á As a gr u r a s qu e n a t er r a h á . Indiferente ao grande presságio A criança crescia e ágil Robustecia. Na pré-adolescença A previsão do barqueiro reluz; Sua vida informe e sem força, Qu e fizes t es pesa-m e t a n t o a cr u z . Os amigos aos poucos sumiam À medida que apareciam as desgraças; Em sua mente não havia esperanças; Dos amores fagueiros nada lhes sorriam. Ma ld igo: o céu e a s es t r ela s Qu e s ob eja va m a n t e os olh a r es . Ma ld igo: d a s flor es a s m a is b ela s Qu e m e r ou b a r a m os m im os d a s m u lh er es . Ma ld igo: a Deu s p ela m in h a exis t ên cia Des ca b id a , p elo fla gelo in ces s a n t e . Ma ld igo: os p r ogen it or es p ela a n u ên cia E m in d ign a in fliçã o a u m in ocen t e . Ma ld igo: a s m a is va r ia d a s d oen ça s Qu e n ã o m u d a r a m a m in h a s or t e . Ma ld igo: o t or to Anjo Negro que danças É b r io, es qu ecen d o-s e d e m in h a m or t e .
  • 46. Fernanda Rangel de Aquino MEIO T ERMO Queria ser mais feliz Menos tola Mais responsável Menos pensadora. Queria ser mais firme Menos predestinada Um pouco mais solta Menos atrapalhada. Queria ser mais sensata Menos sonhadora Mais livre Menos conservadora. Queria ser diferente...Queria mesmo era não viver essa briga De querer ser. Queria não me meter E me contentar em viver Neste meio termo. Queria ser mais descomplicada... E muito menos confusa. Eu devia ter nascido mais decidida Menos louca Ou não... Mas eu nasci assim, Sou assim e pronto! Eu até gosto! Quer dizer... Pensando bem: Eita vidinha mais ou menos essa... Mas boa que só ela!
  • 47. Gabriela Zorzal A MOR C OMPLICADO Descreveram para mim, Mas descobri que não é bem desse jeito Acho que amor não é assim, O meu pelo menos é cheio de defeito. Me disseram que o amor era infinito, Mas o meu tem fim e começo. Ou mentiram para mim, Ou eu não sei amar direito. Acho que quem me ama, Ama demais. E eu, amo de menos... Esse tal amor é complicado, Por isso eu não entendo.Você acha que eu deveria amar um pouco mais, E isso pra mim é difícil. Desculpa, eu não consigo amar Mais do que isso.
  • 48. Flávia Barcellos De Passos ALÍVIO E EMOÇÃO Alívio é poder chorar sem medo É ir em frente sem se preocupar com o erro É arriscar e seguir o coração É não depender dos conselhos ou da razão É querer sem se sentir culpado É sorrir e querer chorar Chorar de felicidade Chorar de emoção É deixar os sentimentos fluir Seguir os impulsos, deixando "rolar" Que role...Role lágrimas, arrepios, apertos e talvez aflição Permita a ansiedade, a curiosidade... Toque o céu com os pés no chão E alcance as estrelas com o olhar Sinta-se flutuar, mesmo que esteja sentado Mergulhe no turbilhão dos sentimentos Na invasão da contradição entre eles Queira dormir, acordar, sentar e descansarDeseje amar,um olhar, um raiva e a empolgação E aprenda... Aprenda a perdoar, a errar e a pecar A agradecer, a sorrir e a fugir Sinta cada gesto, cada dia e cada oração E perceba...tente perceber... Que só se vive bem A vida que é cheia de emoção.
  • 49. Lorena Colodette Pessanha E CONOMIS TAS Economia de água, luz, telefone,pensamento,verbo, ação, fala, visão,escuta... Economia de ... ... ... Todos os olhos deveriam economizar palavras.
  • 50. Thalita Ferreira O PRAZER DO CHOCOLATE A poluição sonora Empapuça minha capacidade De ouvir... O choro, a verdade, o amor Como será o prazer adocicado De um chocolate Sem precisar degustá-lo? Onde mais há prazer além do amar? Transforma-se mel em fel Jorrado em escudo prateado De cavaleiro de guerra A loucura de usar um par de óculos E lembras de quentes e apaixonantes ósculos De, numa consulta, após uma análise de reflexos Desejar fortes e protetores amplexos.Pernas escondidas embaixo da saia crua e comprida Colo escondido por véus e rendas bordadas Posição cabisbaixa com olhar triste, Idôneo, apático, indolente e ansioso Pela carência voraz escondida na naveta Ou seria na velha gaveta? Brincadeiras de fingir felicidade Enquanto a tempestade não vai embora Preces à meia Lua Para a tempestade não aumentar! O barulho cresce; O coração aperta; E a poluição sonora Empapuça todo meu ser ...
  • 51. Priscilla Reges Ferreira P ERD ID O Somos muitos, E ao mesmo tempo Nenhum. Temos idéias diferentes, E quase sempre Iguais. Temos vidas diferentes,Mas dividimos o mesmo corpo.Temos lembranças diferentes, Mas estão perdidas. O que é a realidade?O que é a vida senão um sonho Por nós mesmos sonhado E que acreditamos ser real? O que é o sonho? O que é a paz? O que sou eu? Quem Sou eu? O que é verdadeiro? Qual é a minha realidade? O que é a minha vida? Qual é a minha lembrança? Desejo uma resposta Desejo a mim de voltaO tempo em que sabia o que era E quem era Eu E sabia a minha verdadeE era imperatriz de meu mundo E fazia sentido Viver Ou morrer... Não tenho mais vontades
  • 52. De viver De odiar De morrer De destruir De amar De serDesejo minhas lembranças Minhas vontades Minha vida E minha morte Minha luz E minhas trevas E saber quem somos E o que desejamos As nossas diferenças E semelhançasNão quero me perder mais Em meu nadaQuero ser alguém de novo Importante de novo Para alguém Para você Para a morte Para o mundo Eu quero...
  • 53. Fernanda Rangel de Aquino U TOPIA G RAMATICAL Tu, te, ti, contigo...Chega! Esses pronomes, Que em meu coração Tem apenas um nome, Não fazem parte mais Do meu vocabulário.Cor t a r ei t a m b ém os lh es , os s es E seus companheiros de ilusão, Porque do você Eu não quero mais nada. Excluirei ainda o vós, Para quando o você Juntar-se a alguém Eu não sofrer Nós? Nem pensar! União em meio a incógnitas? Não...Não... É melhor eu descartar. Ret ir a r ei, p or fim , o eles Para não correr riscos De falar do tal você Mesmo à distância. Sobra-m e o eu ! E é tudo o que deve bastar. Vou galantear meu ego E só comigo ficar. Ao menos se um dia O relacionamento esfriar Terei a certeza absoluta: A culpa foi do eu E de ninguém mais.
  • 54. Pode parecer uma tentativa frustrada, eu sei, Mas quem garante que não irá funcionar?Não queimam fotos para destruir lembranças? Pois queimarei então a gramática Com seus pronomes ilusórios Para não mais pronunciá-los Que virem cinzas e pronto! De agora em diante, Somente o eu, A mim, Basta!
  • 55. Aline Mendonça A NIS TIA Clamo-te há séculos e nada me orientaSomente suicidas bocas mudas me acompanham; Velam-me à noite, sacrificam-me ao dia, Apagam-me as estrelas, mutilam-me os anjos! Um dia, porém, hei de dizer morrer nas nuvens, Beber o ar fresco das rosas e dos alvos lírios E tardiamente, sem que talvez me importune, Tocar a pálida face do sétimo sentido... Mas, se outrora, pudesse, então, perceber Que a solidão é mais forte que o fascínio, Teria, pois, em clave, na carne borbulhante Marcas crepitantes e imutáveis do destino. E os estéreis atos, em vão, pacificantes Seriam apenas puro e macilento exílio!
  • 56. Anaximandro Oliveira Santos Amorim SONETO DO MAR Homme de l océan, tu toujours cheriras la mer La mer est votre mirroir Charles Baudelaire Monstro colossal, deus dos exegetas Desejo pisar os teus vagalhões Para atá-los aos pés, como grilhões, No mais puro delírio dos ascetas! Que sejam curvas ou que sejam retas Leva-me em todas as direções E juntos, ao sabor das estações, Sejamos o ocaso dos poetas! Arrasta-me a teus pélagos profundos,Conduz-m e às entranhas de teu mundo - Quero afundar em ti cada vez mais! E, para que o meu corpo não corra,Tranca-me em uma de tuas masmorras - Não quero ser encontrado jamais!
  • 57. Bernardo Silva Barbosa UM MIS TÉRIO Inspiração de onde você vem? Venho do seu subconsciente ou quem sabe,venho do interior do seu coração. Esse dom que você tem poucos sabem aproveitar você foi escolhido para escrever e recitar. Fico honrado por ter te desenvolvido e farei bom uso. Sempre estarei com você onde quer que esteja pois sempre seremos um e mais nada.
  • 58. Hanor F. INDIGNAÇÃO Indignação! É isso que sinto no momento, É esse meu sentimento... Queria poder colocar aqui toda minha indignação pelas pessoas, Quero poetizar todo mal que sinto dentro de mim. São tantas coisas que norteiam o meu ser que não consigo definir o que por no papel. Contento-me para a escrita dessa apenas com a luz de uma casa simples, Cuja dona outrora fora amiga minha.Aconchego-me com um simples estar em ver o mar ao longe,As luzes da ponte, o tom de um agudo som que se repete ao longo das tentativas.Meu olhar agora vaga onde possa estar quem lê e lerá esta. E em que momento se dará o fim da mesma. Vejo ruas, monumentos, igrejas, becos, saídas, Vejo a morte viva em galhos secos, Sinto o ar úmido o cheiro do nada. Que mundo meu Deus! Mundo de riquezas eternas e ternas que caem por terra pela ganância dos homens. Vida que não é vivida que não se faz vívida por estupidez. Desejos da carne...do coração...desejos das mãos, por irmãos, sendo esses de sangue ou não. Ouço agora um profundo silêncio. Silêncio que se quebra por um grito mudo ou por um passo,Pelo som, outrora descompassado e agudo, agora cadenciando harmonias. Por minhas a encharcar esse pedaço de papel. Silêncio...desejos...vida...mundo...indignação. Que se fez canção!
  • 59. Palavras que saíram de meu ser e do que estava por acontecer
  • 60. Bruno Vial I MPULS O Um poeta não tece Em seus versos Mentira alguma Suas palavras são Sempre retratosDa sua alma e verdadePor pior e dura que sejaEle escreve sua busca O que representa O que sente Não importa Se por metáforas Ou cegas silabas Não verá nas estrofes Vãs tolices Cada letra significa Aquilo que no intimo Se passa e revive Desde a felicidade Até a pura angustia Um poeta não escreve Ele decifra as linhas E junto a elas Decifra a si mesmo É por isso que, Por mais medíocre Que eu seja Eu sou um poeta.
  • 61. Daniele Braga Pinheiro WESDAN Você me conquistou De uma forma inesperada Dia a dia Sonhando junto Buscas parecidas Vidas cruzadas Se alma gêmea existe Acabou de ser encontrada Metade que se completa Amor que desperta Numa nova descoberta O medo ainda existe Mas a felicidade persiste Quero apenas viver cada momento De forma plena SerenaLembrando que a vida sempre vale a pena
  • 62. Ezequias Miller A G UERRA D OS DES ES PERAD OS Maldita Santa InquisiçãoBanham de sangue toda e quaisquer canção de amor Trocam farpas entre o mundo e o mundano São diamantes que brilham tão insanos Que o último papa morra com as tripas Do último rei... E se enovele num mar em fúria E desconheça a cor púrpura Das rosas que nascem no quintal Que sua vida deixe de ser um falso manto imoral Para se tornar o frio do manto infernal Que os homens caiam em desgraça profunda E que a corrente tão pesada da âncora Que presa em seus pés se afunda E lhe cortam a respiração... Que lhe cortem como fio de navalha Os pulsos que passam o sangue... O sangue que jorra no alto e falha E falte-lhe ar para sempre Desta forma o misterioso se faz E tudo há de caminhar para o infinito Onde as borboletas descansam para o vôo Que tornam o universo mais bonito E desatem as correntes da ilusão De que o homem não pode nada Como os reis afirmam com incisão E cortam os sonhos de quem um dia almejou Cantar canções de amor profundas E que hoje apenas andam como mortas-vivas ... as pessoas... sem sentido... insensatas... Sem vida...
  • 63. Gabriel Raposo R UA DE V IDA Minha rua era viva Com moleques, malandros Passeavam os namorados Brigavam os parentes Minha rua era viva Até o dia de ontem O dia de hoje minha rua morreu Alvorecer de chuva Minha cidade chora A ocaso da rua Que até ontem incomoda É dia de natal É dia de tudo sim Mas a minha rua morreuLevando na água toda a ternura Toda bagunça Toda esperança Toda vingança Abraços Canduras E tristezas Minha rua não tem mais sim Não tem mais não É um nada encruado.
  • 64. Fernanda Rangel de Aquino PACTO Passos Perto Penso Perco... E peco! Uso Usa Suo Sua Abuso! Impulso Pulsa Um passo O pulso Impasse! Possuo Preciso Procuro Persisto...E peco de novo!
  • 65. Gabriela Zorzal O LIMITE DO A MOR O amor não tem limites? Teve para mim. O limite dos teus olhos. Depois de entrar em contato com os meus Não vi mais nada Bloqueou toda a luz Me cegou, me fez escrava. O amor não tem limites? Teve para mim. O limite da sua voz. Ao suavizar os meus ouvidos Não ouvi mais nada Sua voz se instalou em mim Mas uma vez me fez escrava. E o seu sorriso? O que dizer? Que é tão belo como de um anjo, Reflexo da perfeição,Que me faz pensar todos os dias nos seus olhos, Lembrar-me todas as horas de sua voz,E não me sai do pensamento o seu lindo sorriso. Esse amor me limitou sim, A pensar em você todos os dias, Te desejar todas as horas, E te querer a vida inteira.
  • 66. L INDEMBERG O. G OMES INTERCES S ÃODeixai vir a mim os meninos,E não os impeçais, S. Lucas: 18.16 Quem me clama há tal hora? Sou eu Senhor, Zé Ninguém! Que desejas? Vou-me embora. Nada Senhor. Clamo por alguém. Que desejas? Diga-me sem demora? Peço-te a atenção e não o teu desdém. Ela terá se o teu desejo a valer. Clamo pelas crianças rotas e esquecidas Num mundo de solidão onde vivem a sofrer. O teu desejo é justo, tornarei esclarecidas As tuas dúvidas. Nada deixarei de responder! Vertei bênçãos e a elas sejam oferecidas. Sejas tu mais claro em teu pedido! Senhor é tempo de festas no mundo terreno Muitas crianças têm seu clamor atendido Outras tantas vivem um palor horrendo. Que te queres que eu faça; estou ofendido Com tantas crianças que vivem morrendo. Senhor atente para o que vou expor: Elas são muitas, e muitas são as suas dores, Imaginam um mundo diferente a contrapor A sua realidade. Não peço presentes. Peço que as tornem dignas de se impor E serem tratadas como gentes. Zé Nin gu ém ! É ju s t o o t eu cla m or Mas nada posso fazer. Dotei-os do livre arbítrio Só vi agigantar-se no mundo o desamor. Pobres crianças que sofrem o martírio Do destino impuro; merecem o Divino Amor
  • 67. Aqueles que para a sua dor buscam o alívio.
  • 68. Lorena Colodette Pessanha AS LINHAS D ES S E CADER NOA lin h a é a m en or d is t â n cia en t r e d ois p on t os de vista, de encontro, de táxi, finais. A linha é uma tênue massa ilusória que insiste em prolongar a palavra.
  • 69. Thalita Ferreira VITUPÉRIO * Por um instante a vitória, Por outro o fim; Cada palavra é uma arma Que destrói aquele que a escuta Na medida da censura, da dor, Do desapontamento, do desacordo, Do n ã o , d o d es p r ezo... A luxúria penetra na boca Dos que pouco falam, A torpeza se excreta da boca Dos que muito falam, Mas nada dizem! Ser vituperado, exprobrado É ser golpeado Com uma espada No meio do peito.Afinal, uma palavra mal pronunciada, Mal significada, Mal pensada, Nunca mais retorna a quem dizMas eternamente destrói quem a ouve *censura áspera, injúria, desonra...
  • 70. Aliene Mendonça A LENTE T URMALINA Pouco importa meu formoso anjo Se és injusta a vida que nos deste, Que espalhando-me dos dedos o sopro rouco Faz-te tão bela a vingativa veste.Murmuro, então, teu nome em simples versos,Pois noutra forma não te ocultas neste tanto. Serão efeitos de amor meu puro pranto? Ou a loucura de achar-te em amor eterno? Pois és o drama que amplio em poesia... Dizei que em mim me consome e me afaga! Tu és a causa de aceitada covardia, Se outra vida não aceito em tua causa! Queimam ainda, no céu, milhões de estrelas, Seres da terra e o minuto que me segue, O doce aroma nalva brisa de tristezas. Sonho ser breve, ó meu amor, que seja breve!Pois sou do mundo e não te nego meus suspiros Ao trazer junto contigo meus desejos. Se consumo a leve vida de teus beijos, Sois a manta do meu céu, os teus cabelos.
  • 71. Bernardo Silva BarbosaAS QUATRO ES TAÇÕESPrimavera cheia de floresm e enchendo de amores Primavera com Verãoesquentou meu coração.O Outono vem chegando e as folhas vão voando p elo ar E as flores vão caindos ó pra ver você passar. Nós dois bem juntinhos vendo o Inverno chegar e nesse dia frio, n ossos corpos vão se esquentar.
  • 72. Daniele Braga Pinheiro CICLO DA VIDA Tentar lutar correr Fraquejar fracassar renascer Continuar levantar esquecer A vida tem fases que precisamos vencer Um ciclo permanente que nos faz crescer Mas cada manhã traz-nos a certeza de que vale a pena viverPois foi numa surpresa da vida que encontrei você.
  • 73. Bruno Vial À S V EZES . . . Às vezes, digo tolices a mim mesmo Nesses momentos, penso que sou um bobo Por ficar dizendo coisas sem nexo Para o único que ainda me ouve É um grande problema se estar só Por não conseguir saber se o que falo É realmente estúpido ou genial A solidão é minha grande companheira E nela me conheço como nunca Mas, por vezes, admito fraqueza E sinto falta de uma companhia Rir sozinho produz eco e é sinistro Contar coisas engraçadas perde o sentido Estar só é fácil, porém também tristeÉ por isso que, às vezes, gostaria de alguém comigo
  • 74. Ezequias Miller HÁ UMA GRAND E RIQUEZA NAS PALAVRAS DE UM POETA . . . A poesia faz o homem tocar as estrelas... E voltar para descansar em terra firme para poder lembrá- las... Faz o homem beber toda água que desce de uma cachoeira O faz ser mais veloz que a velocidade da luz... O faz sumir no espaço... O homem pode pular de um abismo sem cordas que lhe seguram Que mesmo assim continuará vivo... Pode dar a volta ao mundo em questão de segundosPode ser a semente de manga que brota no fundo do oceano... E ainda lhes digo! Vai dar bons frutos... O homem pode ser de outro planeta... Pode desaparecer e aparecer... Pode voltar ao ponto de partida... Pode não haver partida para nada... A poesia se situa entre os extremos Do alto das montanhas até as profundezas dos oceanos Do centro da Terra até os lim it es d o u n iver s o Entre um homem e outro homem... Dois extremos que tentam se tocar a cada instante Mas a união total, a união completa Só vem por meio da poesia... E não são todas as criaturas dessa vida Que dão propósitos a essa tão suave melodia... Um canto a qual todo homem se espanta Se não..ouve e desce fino pela garganta Esse fardo chamado esperança... Mas a poesia tira todas as esperanças Tira todas as lembranças tira o mundo do lugar...
  • 75. E não dá nenhum lugar ao mundo Pois dele não há nada a se amparar Ela não se ampara no mundo ... ela apenas está ... É viva nas cores que nos oferecem risos naturais A vida é bela! Façamos dela o astral mais alto que as estrelas podem Nos oferecer...Façamos dela a singularidade que caracteriza os homens de juízo... E viva a história dos belos homens de Shakeaspeare até os atuais... Coma o amor que a mais bela flor há de lhe oferecer... Vista-se de palhaço para saudar as crianças... Viva o mundo na esperança de dias melhores... S e é qu e eles vir ã o... Ainda lhes digo que não há futuro para a poesia... Não há esperanças... Ela faz do presente um presente tão simples Que faz o chocolate escorrer pelos lábios Faz as lágrimas terem sabor de chocolate E depois gota a gota repousar no céu estrelado da boca... Dá roupa ao descamisado Da encanto aos desencantados Dá grãos de areia aos esfomeados Dá a morte aos desgraçados... Enquanto que dá a eternidade aos maravilhados pela grandeza da existência... e a grandeza encolhe o real... redu-lo para dar beleza ao ponto de partida Mais um ponto de partida inventado pelos homens... Mas mistérios são mistérios... e se concentram em um único ponto, de um ao outro
  • 76. na orquestra da vida...na música que nunca jaz esquecida... É assim... O Ciclo da Vida...
  • 77. Gabriel Raposo B OA N OITE , D IA ! O dia é amanhecer e ousado, Ar de trabalho e estudo. A noite é a observação, O olhar latente e mudo. De lembrança e festa pejada, Vem ela em leveza acariciando Pelo caminho dos leves. Mas a noite tem seu tempo ansiosoSeus cantos mistérios e canto gostoso. Ele tem de outro lado presençaDe tempo claro e de percurso quente. Mas o dia da noite arranca o medo Dos pés à face lhe cobrindo.Guia-a ao oeste, pousada em segredo. De modo ouro lhe atraindo. Vem a noite silenciosa e bela. O dia te protege puro sempre. E ela sem mistérios para ele Se cobre estrilada e plena. No entre a solidariedade da aurora. Vem ele cobrindo ela de cor quente?Sim, na efusão de vermelho e branco,De luz e respiradas de chegou a hora. Ou será a noite que cobre o dia?
  • 78. Aline Mendonça C ORS O DAS MINÚCIAS A esquisitice dos planos traçados Que soam cansados da renovação. A impulsividade dos atos impulsivos A fortaleza duma paixão... A tristeza que é emoldurada Junto à eloqüência dos sons emudecidos. Imensa beleza inexistente Em atos esquecidos... Amo o brilho do teu olhar E a inocência do teu sorriso... A forma como caminha E a textura dos teus sentidos... As palavras de encorajamento, A paciência nos maus momentos, O aroma simples e carnal, A melancolia da tua figura, A jocosidade da tua doçura, Os beijos puros e infantis, Cada detalhe da tua alma... Jamais pensei te amar, Jamais pensei sonhar...Jamais pensei achar alegria em te imaginar dormir... Há uma estreita linha entre a loucura e o amor?
  • 79. Gabriela Zorzal UM LUGAR PRA VOCÊ . Um anjo soou em meus ouvidos, Ele disse que era cedo demaisEu não devia entregar meu coração ainda. Obedeci e aguardei. Mas o tempo foi rápido. Quando te reencontrei Meu coração estava ocupado. Eu não podia fazer nada Era um amor incondicional Eu mesma não queria nem Tentar combater.Talvez se esse amor não tivesse aparecido, Meu coração seria teu. Mas acabei me vendo obrigada a Encontrar um lugar nele pra ti. Então separei um lugar: Não tão grande como do meu amor, Mas tão especial quanto E ao seu lado. Um lugar de amigo, Um lugar de melhor amigo, Um lugar que eu cuido Com carinho e confiança. Por que amigos tratam-se com carinho, Mas para melhores amigos, Basta confiança.
  • 80. Flávia barcellos de Passos NÃO QUERO!!!Não quero saber das coisas que não me pertencem Não quero essas coisas que não preenchem... Anseio por carinho e irmandade Longe de mim, esteja a falsidade Não quero sofrer o que ainda não vivi E não quero provar do dissabor De não saber o gosto do amor Não quero conselhos nem reconciliações Por hora servem os devaneios Só não posso permitir alucinações Não quero viver o que não mereço Não quero...não quero... Senão padeço Não quero risadas E não quero agonias Não quero nada que não preencha o dia Não quero dia parado Tão pouco quero viver de passado Não, não quero o que me faz mal Não quero que piorem meu astral Não quero comida, não quero bebida Mas também não quero solidão Porque em meio a tantos "não quero" Há sempre outros tantos "quero".
  • 81. Thalita Ferreira PSEUDO-SONETO DO CANSAÇO Cansei dos clichês destemidos Das mãos inquietas e despudoradas Dos forçados e falsos gemidos Das palavras omitidas e mal-faladas Só agora percebi os passos simulados Aqueles que vão e vem, sem mesmo sair do lugar Tentando, sem esforços, parecer fadados Enquanto o resultado é impossível encontrar Pudera eu controlar o tempo como um escravo Só assim o libertaria da insignificância Trazendo-o como um presente meu Cansado do insipiente mundo bravo Só mesmo levando todos de volta à infânciaOu quem sabe...aconchegando-os nos braços de Morfeu!
  • 82. Lorena Colodette Pessanha P RECEArticular um sorriso interno, Vertê-lo em lira, em linguagem, em convite, é prece.
  • 83. Bernardo Silva Barbosa MAIS UM ANOMais um ano que vem chegando,m ais um ano que vai partindo, m ais um ano começando, m ais um ano sorrindo. Mais um ano com bravura, m ais um ano de paixão, m ais um ano de ternura, m ais um ano de emoção. Mais um ano de guerra, mais um ano de carinho, m ais um ano que se encerra, m ais um ano sozinho. Mais um ano...
  • 84. Daniele Braga Pinheiro CAMINHO REAL A vida muda Envelhece Amadurece O amor transforma Renova FortaleceBases de uma esperançaDe um amanhã melhor Você é a minha luz De um caminho real Riqueza plena De uma alma serena.
  • 85. Flávia Barcellos de Passos SAUDADES O que dizer sobre a saudade? Como explicar esse sentimento? Como entender a saudade aqui de dentro? Será passageira?apenas momentanea? Ou será aquela saudade que engana? Existem saudades em mimSaudades do que já não tenho junto a mim Saudades de quem se foi E dos tempos que passaram Também dos que ainda vivem Mas estão longe de minha realidade Saudades boas e saudades ruinsAs boas estampam sorrisos em meu coração As ruins me apertam e deixam aflição É, saudade não é passageira Saudade não é curada Porque saudade vira lembrança E a lembrança não se deixa por aí A lembrança é carregada E não importa a idade Porque com certeza dura a eternidade.
  • 86. Gabriela Zorzal N ÃO ME ES QUECE Tenho tanta coisa pra dizer Mas você não quer ouvir, Quer encontrar um jeito de esquecer Mas já caiu fundo demais pra conseguir. Medo de me envolver, medo de te iludir.Não quero te fazer sofrer, muito menos te seduzir. E você me trouxe a realidade, Apagou tudo que se passou. Mal sabe que eu ainda sonho Mesmo sabendo que pra você acabou. E vou mesmo continuar sonhando. É que eu não consigo combater. E sei que mesmo que você tente, Não vai conseguir me esquecer.
  • 87. Hanor F. Esperei muito tempo por você. Então agora te devorarei lentamente.Degustando o gosto seu com o tempero EU. Degustando o teu cheiro que é bom, Teu sabor que é novo. Degustando você como um todo, Mas, Aos poucos. Bem aos poucos, Quente e conseqüências, Misturando-te a uma pitada de amor.
  • 88. ALine Mendonça D IÁLOGO C ÓS MICO II Sinto por perder mais uma vez a vozE fazer desta agonia mais do que agonia: Apenas saudade perdida no silêncio! Que torna a insônia uma tortura diáriaEnquanto as palavras fogem-me aos lábios Cada vez que mais me aproximo... Ah, poeira de estrelas... Finda a morte de teus olhos, Sendo o eco do silêncio Que perfuma a solidão! Mero e inútil envolvimento Gravidade encantadora, Obséquio do destino, Que clareia a escuridão! Se em toda a minha eloqüência Houvesse um ritmo, As palavras seriam folhas dançantes Se desprendendo no abismo Da loucura articulada do meu ser...
  • 89. Bruno Vial D ES ES PERO Olh e p a r a m im Essa sombra patética Que caminha no ermo Sem destino algum Num mundo nojento Que não me pertence Que não pertenço Olha aqui Eu sou eu mas não sei Se sou só eu Isso é tudo tão... Olho a sombra Olhe na parede Ali perdida da realidade A qual não é Nada além de ausência Ouço os lamentos Que eu digo para a noite A sombra vazia Não escuridão não existe Mas ainda assim disse não Que verdade nada Não há Há? Está lá por um instante Sem exceção A eternidade do vazio É tão grande Que não me deixa verA efemeridade do momento Em que a sombra Implora ali no canto olh e p a r a m im Mas não dá Ignora o tolo o que pede Vira o rosto Sigo caminho
  • 90. Para além dali E não espero O que viria depois Não virá Não vou olhar Não quero A sombra não vaiMas seguirá onde quer que vá Só rindo mesmo Para não ouvir não Olha, olha, olha aqui Não sei o que é Mas foi Sempre Minha E eu não quis olhar Não era sofrer Ignorar, morrer Sem ter acontecido Olho para mim E rio e rio e rio...
  • 91. Thalita Ferreira EU CONSUMO E TU CONSOMES E u con s u m o o m u n d o O m u n d o m e con s om e Quando o lobo lograr o ouro A tentativa sucumbirá a resposta É gasto o metal pela ferrugem É consumido o oxigênio perdido no ar Fecha-se o mundo, Relaxa-se os olhos, Perde-se o sentido de destreza e razão Mataras a luz Que se apaga O feixe se esvai Perante infinda escuridão... A trindade, o trio, o tripé Três, tercetos, triplos, tantos Três, três, dois, três ... telefone A vela se queima A parafina escorre O tamanho diminui Se na natureza Tudo nasce, tudo se Consome Tudo se transformaAté que a vastidão se consome corrompendo-se! O cansaço desanima O stress consome O sono reanima O mundo premia o indivíduo A realidade retira-o liberdade Consumindo a paz, o sossego O sopro e a sanidade . . . CONSOME SE . . .
  • 92. Lorena Colodette Pessanha D ESENCONTRO Ao anoitecer você se faz presença, afago, Lua atraente. Ao amanhecer você se faz ausência, vácuo,e já não há Lua que possa... E há dias você se desfaz e não constrói nada.
  • 93. Flávia Barcellos de Passos P(ARTE) DE MIMNão quero pensar sobre o que escrever Quero apenas sentir Sentir e "dizer" Quero fluir naturalmente Deixar estampado E bem gravado no papel As idéias da minha mente Pode ser sobre o cotidiano Ou sobre o palpitar do coração Pode ser sobre coisas mínimas Ou sobre a imensidão Só o que não pode é parar Não posso estagnar É preciso prosseguir Num constante ir e virPorque o dia em que parar de escrever É o dia que deixarei de viver E aí, não verão mais a mim Mas apenas p(arte) de mim.
  • 94. Joacles Costa Bento NADA O sempre não é tudo e o tudo nunca foi nada. Porque somos isso, Apenas isso (o nada). Que nada possuímose o que temos é apenas adotado, Pois quando o homem morre,simplesmente, volta para casa. Será isso evolução? Nascer, crescer, envelhecer, (viver do irreal ) e morrer. Isso é evoluir?
  • 95. Lorena Colodette Pessanha MORADA Resido e pairo em você! Não por ocasião fortuita, pois que o amor requer morada, mas por lucidez. Uma lucidez enebriante, capaz de ruir as vicissitudes e de conjugar nosso verbo no infinitivo das horas. Não! Não mais o ocaso,Nem mesmo os antigos hábitos tecidos, pois agora posso ser até a menina que sou! Esta é a morada em que minha assência se dilata,na direção do caminho que escolhemos viver nós em nós.
  • 96. Aline Mendonça F IS IOLOGIA H UMANA Faça agora mesmo o que é certo! E deita-me na lama fria da derrota! Regojiza-te feito o céu em sol nascente E jubila-te a cada instante dessa auroraVá e sinta o sangue sádico rir em tal momento E prover felicidade em meu prejuízo Que de tão pouca, vive só em pensamento Na fa lt a d a lm a d es t e cor p o es gu io. A voz trêmula e a anemia permanenteQue, tão loquazes, já fugiram da carne túrgidaNão são mais empecilhos neste tempo agouro Apenas testemunharam a minha loucura Vá que já é tarde e a noite assombra Abandona-me na solidão da terra escura A sós, eu, vazio corpo e a loucura Sob a dor vencida que agora queixa-se Vá. Amanhã o dia nasce e a vida é curta... Deixa-me a sós com a minha sorte! Que qualquer beleza é hoje chão fecundoNa minha dor eterna, eu, um pobre moribundo Vá e deixa-me gozar da bela morte...!
  • 97. Joacles Costa Bento EU Queria não pensar no amor, Queria não sentir essa dor, Queria não lembrar nossa canção, Queria não sentir mais emoção, Queria não mais ver seu sorriso, Queria não tê-la em meu pranto,Queria não vê-la no espelho da minha solidão, Queria não relembrar nosso passado e no reflexo de uma lagrima caída da face, queria poder lembrar de mim, para então fazer parte de você.
  • 98. Fernanda Rangel de Aquino T RANSE Olho para o nada O estranho vazioAlgo longe... E tão perto de mim. O olhar não é recíproco Não existe... Ou é triste Num árduo silêncio sem fim Meu olhar busca perdido Desesperado e sozinho O reflexo do que há enfim Mas o espelho Cruel... Ou verdadeiro Mostra apenas a invisibilidade Do que é visível em mim.
  • 99. Hanor F. S EPARAÇÃO É faz tempo! Que o amor não vence o fim. Que ninguém como eu quero Goste de mim. Não, não me acostumo! Quero separação, Deixo hoje a solidão,Mesmo que ela não queira o fim. Que ela chore por mim. Que sinta o seu gosto de dor, Sua própria dose de frio.
  • 100. Aline Mendonça S IMELITRON Nada peço além do fardo do perfume! Abraço a vida e não desejo nada! Sê a escória e feche as íris do abrigo, Enquanto o sonho ainda te embriaga... Vejo em teus olhos minha face nua Pegue a taça, acomode-se ao espelho. Pois conservo a máscara ainda em meu peito, Enquanto o fogo consome a carne crua! Que benefício traz a pressão do paraíso?Que em sonhos entorpece com aroma de rosas... Sê do mundo o filho prodígio e valente, Para em vida conhecer visão de outrora!
  • 101. Flávia Barcellos de Passos Mundo isolado, amigos bem longe Mundo entediante, amor distante Quero meu mundo de volta, Quero os que amo à minha volta Desejo voltar, desejo ficar Por vezes, é tão confuso Que nem sei... Não sei mesmo o que desejar. Quero isto e aquilo Mas não posso!!! Não tudo de uma só vezQuero tantas coisas entre Brasil e Portugal Que nem sei... Só sei que estou mal E essa espera angustiante, Dúvida alarmante. O incerto me desespera Mas a determinação me acompanha Por isso fico na espera. Enquanto isso vou vivendo Criando e inventando o que fazer Porque as horas são inimigas E os dias parecem tardarNesses momentos em que quero vê-los voar Entretanto espero... E aqui me manterei Até que venha a resposta Resposta que irá definir Se fico ou embora irei daqui
  • 102. Thalita Ferreira MEU VENTREO que simplesmente depende de mimSem que necessariamente exista você Eu em mim Eu sem você Não o princípio de um fim Mas um desejo de mim Minimamente eu Minúscula neste gigantesco mundoFisgada por um debutar neste mundo Onde o eu seja mais Seja diferente no meio da multidão Seja não só seu Mas muito mais meu Meu Tudo Meu Ventre Meu Mundo Meu Eu!
  • 103. Priscilla Reges Ferreira A B ALADA DO R EI DE E SPADAS Ah, meu grande mentiroso, tolo Rei,Nada sabes e tudo sabes, sempre assim. No Caos caminhamos, juntos, porém,Não facilitamos a jornada para ninguém. Um grande jogador Meu curinga preferido Eterno companheiro de contos E para todo o sempre, Amigo. Rides do mundo, Das pessoas e das coisas, Mas, acima de tudo, Rides de vós, e de vossa piada, Chamada ironicamente de vida. Mas ah, tolo Rei, Hás de reinar Comigo para todo o sempre E não mais tolo serás E não mais perdido O mundo estará.
  • 104. Bruno VialO UTRO S ONETO DO 6 DE E S PAD AS Seria tão mais simples apenas aceitar viver com uma certeza absoluta mesmo que falsa ou até tola é mais fácil do que ter dúvidas É um fardo, uma maldição ser atormentado pela angustia não ser somente fútil e superficialescondido confortavelmente na verdade é quase triste olhar para o lado ver um rosto sorridente e tranqüilo que não se inquieta ante os mistérios Mas não quero ser como eles outra vez vi um lampejo da resposta procurada e não foi no sorriso frívolo dos tolos.
  • 105. Thalita Ferreira SONOVontade de cair nos braços de MorfeuEnvolvendo-se em devaneios e sonhos Como se estivesse em nuvens Como se estivesse deleitando-se em [flocos de algodão A fuga do cansaço, da tensão Que insiste em se acumular Nas entranhas do dia-a -dia... Conseguir fechar os olhos É conseguir libertar-se de todos [os pensamentos Apertando o botão OFF da mente Para que não haja nada Além de paz e escuridão,Na busca da mais intensa meditação, Concentração e relaxamento Em que tudo se renova Se encaixa, se cura Para simplesmente acordar Com a verdadeira vontade De d izer : Bom d ia !
  • 106. Ávila Jane D E UM OLHAR ...E s t a va eu a a p r oveit a r u m a n oit e qu e d ever ia , a t é o p r es en t em om en t o, s er m a r a vilh os a . Por ém o qu e eu t in h a p la n eja d on ã o a con t eceu . Mes m o a s s im , con t in u ei a d a n ça r con for m e amúsica.No m eio d e d es en con t r os e en con t r os , en con t r ei-o, e foi a í qu ea noite realmente começou.Foi com u m a m ú s ica qu e t u d o com eçou a a con t ecer : n os s osolh os s e en con t r a r a m , e ca d a vez m a is in t en s o e p en et r a n t eficávamos a n os cor t eja r ; olh a r es s ed en t os e ca lor os os , t ã oqu ã o o a m b ien t e o qu a l n em o a r con d icion a d o con s egu iarefrescar.Os olh a r es fica va m ca d a vez m a is en volven t es con for m e a sm ú s ica s qu e t oca va m , e con s equ en t em en t e n os s os cor p os s ea qu ecia m m a is , m es m o a in d a u m p ou co d is t a n t e u m d oou t r o, e a ca d a m ú s ica n os s os olh a r es fa zia m d ifer en t esmelodias, logo, nossos corpos começavam a juntos dançar. E olh a r es m a is e m a is p r óxim os , cor p os m a is e m a is cola d os ,n os s os r os t os s e a ca r icia n d o, n os s os ch eir os s e exa la n d o, eca d a m ovim en t o, o ca lor d e n os s a a t m os fer a cor p or a la u m en t a va in t en s a e r a p id a m en t e; a s lu zes fa zia m s u a p a r t e,d eixa n d o a in d a m a is p r ovoca n t es e s en s u a is n os s osmovimentos.E m m eio a t a n t a p r es s ã o, n os s os h or m ôn ios en t r a m emer u p çã o e, a s s im , n os s os lá b ios en t ã o s e t oca r a m e t od oa qu ele ca lor qu e s en t ía m os em n os s o b eijo con cen t r ou -s e. Ebeijavam-n os m a is e m a is , s u a s m ã os p er cor r ia m m eu r os t o,m in h a n u ca e for t e s egu r a va m m eu s ca b elos , logo com eça r a ma d es liza r em m eu cor p o, es p a lh a n d o t od o o ca lor (a t é en t ã ocon cen t r a d o em n os s o en volven t e b eijo) p or t od o o m eu cor p oe fa z com qu e s eu cor p o t od o t a m b ém s en t is s e es s e ca lor ,fa zen d o com qu e s eu s h or m ôn ios en t r a s s em em u m a exp los ã od e von t a d es e d es ejos , igu a la n d o n os s os p en s a m en t os , n os s a scarícias, nossa malícia.Neces s it á va m os s a ir d a qu ela m u lt id ã o, p r ecis á va m os d e s os s ego , m a s n ã o en t r e n os s os cor p os . E n t ã o, r et ir a m o-nosdali, mas em nenhum momento nossos olhos se distanciaram.E qu a n d o n os en con t r a m os a s ós , foi u m a exp los ã o d ep en s a m en t os , t oqu es e volú p ia . E n t r ega m o-n os n os s os
  • 107. cor p os , en t r ega m o-n os a o n os s o olh a r . Na d a d izía m os , m a sn ã o p r ecis á va m os d izer n a d a , n os s o olh a r fa la va p or n ós ,n os s os b eijos fa la va m p or n ós , n os s o ch eir o fa la va p or n ós , ediziam incessantemente querer-nos.O t eu t or s o n u p ed ia m in h a s m ã os , m in h a p ele p ed ia s eu sb eijos , t u a n u ca cla m a va p or m in h a s m or d id a s e m in h a spernas imploravam o aconchego das suas.Nos s os cor p os ca d a vez m a is en t r ela ça d os , n os s osp en s a m en t os ca d a vez m a is via ja va m , n os s os lá b ios e feiçõesdeclarava m t ã o gr a n d e p r a zer , n os s os b eijos ca d a vez m a isa lgoz. E n o a lge d e t od a es s a s in fon ia , n os s os "in s t r u m en t osm u s ica is " fizer a m u m lin d o s olo, qu e en t oa va o com p lem en t od e d ois cor p os , a fu s ã o d e d ois s er es t or n a n d o-s e u m s ó,s u p r in d o t od os n os s os va zios ; com p let a m o-n os econtemplamo-n os d ia n t e d e u m gozo p r ofu n d o e d e p od erouvir e embalar a canção do amor.E s t a ca n çã o s em fim , qu e a ca d a d ia qu e p a s s a m os ju n t os e aca d a olh a r qu e d eleit a m o-n os , en t oa m o-a s com a cer t eza d efelicidade eterna.
  • 108. Bruno Vial U M P ALHAÇO T RIS TECom o em qu a s e t od os os d ia s d e qu a s e t od a s u a vid a ,seguindo a rotina durante anos programada para ser realizadas em s equ er p en s a r n os a t os e fa t os d e s u a s a t it u d es , a cor d ouced o p ou co a p ós o n a s cer d o s ol. Ain d a com s on o m a s s emreclamar p or n ã o t er n in gu ém p a r a ou vir , s equ er a s i m es m o,levantou-s e es p r egu iça n d o e b oceja n d o e a in d a a s s imca m in h a n d o p a r a o b a n h eir o s em n ot a r o ca m in h o qu e jácon h ecia t a lvez qu a s e p or in s t in t o, com o p od er ia r es p on d er s ein d a ga d o fos s e, a p es a r d e n a ver d a d e con h ece-lo p or p u r afor ça d e h á b it o, cr ia d o p or t a n t a s e t a n t a s vezes r ep et ir om es m o p r oces s o, s em n u n ca p er gu n t a r o p or qu ê d e t u d o is s o.Com a p or t a fech a d a e o ch u veir o liga d o, p a r ou d ia n t e oes p elh o p a r a es cova r os d en t es a b r in d o a t or n eir a d em a is ,m olh a n d o o ch ã o e ch a t ea n d o-s e p or t er , a n t es d e a cor d a r d or es qu ício d e s on o com o b a n h o qu en t e la va n d o o s eu cor p o,lim p a r a á gu a d er r a m a d a n o p is o. Ba n h o t om a d o, d en t eses cova d os , s a iu en r ola d o n a t oa lh a p a r a o qu a r t o, s em cr u za rcom n in gu ém e s em n en h u m p en s a m en t o m a is p r ofu n d o qu eo cop o d e ca fé qu e o es p er a va n a m es a d a cozin h a , ju n t o comt od a s u a fa m ília a qu em s e r eu n iu logo d ep ois d e t r oca r a sr ou p a s e p ega r s u a s cois a s . O p a i com en t ou s ob r e o t em p ofir m e s em d es via r os olh os d o jor n a l, a m ã e con cor d ou s emd es via r os olh os r ep r ova d or es d a filh a , s u a ir m ã , n em d oisa n os m a is n ova e a in d a a s s im t ã o d is t a n t e, cu jo n ovo p ier cin gn a lín gu a ch oca va m a is qu e o d a s ob r a n celh a . Tr a n s cor r en d ot u d o com o s em p r e t r a n s cor r ia , m a is u m a r efeiçã o em fa m íliacomeçou e terminou e seu caminho deveria ser seguido, pois od es t in o cer t o d e qu a s e t od os os d ia s d e qu a s e t od a s u a vid a oes p er a va m a is u m a vez. J á n a r u a , p a s s a n d o p or a qu elem es m o ca m in h o p or on d e t a n t a s vezes já p a s s ou s em ocon h ecer , cr u zou com o p a lh a ço t r is t e. Vin d o d o n a d a , in d op r o m es m o lu ga r , p or u m m er o in s t a n t e, o p a lh a ço t r is t edominou sua mente por completo e tornou-se o mundo.Havia um palhaço triste.Pod er ia s er ? O ch oqu e com p let o p or exis t ir u m p a lh a ço t r is t en ã o p er m it iu qu e s e m oves s e. E s t a va p a r a lis a d o, s equ ercon s egu ia d a r u m p a s s o. S eu s p en s a m en t os en t r a r a m n ap er igos a zon a d o ca os e er a m a r r a s t a d os p elo t u r b ilh ã o d o
  • 109. p a r a d oxo. S e h a via u m p a lh a ço t r is t e, com o t er cer t eza s e och ã o s er ia fir m e? S e a s n u ven s s er ia m flu t u a n t es ? S e o a rs er ia r es p ir á vel? S e o S ol s er ia qu en t e? S e o ch ocola t e s er iagos t os o? S e 1 +1 s er ia 2 ? S e o m u n d o s er ia r ed on d o? S e aá gu a s er ia m olh a d a ? S e a vid a s er ia u m a ob r iga çã o? S e oin fin it o s er ia s em fim ? S e o qu a d r a d o s er ia com p os t o d equ a t r o la d os ? S e o a çú ca r s er ia d oce? Se a a r t e s er ia b ela ? S eo p od er s er ia for ça ? S e o a m or s er ia b om ? S e a r eligiã o s er ias a gr a d a ? S e o fa t o s er ia r ea l? S e a n eve s er ia gela d a ? S e od es ejo s er ia in evit á vel? S e a s es t r ela s s er ia m lon gín qu a s ? S e ad or s er ia s ofr im en t o? S e o fer r o s er ia s ólid o? S e a a legr ia s er iafelicidade? Se a verdade seria necessária? Se a existência seriauma certeza?Por cu lp a d a qu ele p a lh a ço t r is t e, t u d o o qu e u m d ia foi a gor an ã o m a is o é. Da con for t á vel cer t eza d efin it iva , foi a r r a n ca d os em p er m is s ã o, com for ça e foi joga d o n a a n gu s t ia d a d ú vid ap er en e. A p a r t ir d a qu i, s eu ca m in h o n ã o s er á m a is o m es m o,s eu s olh os ver ã o o qu e a n t es n ã o via m . S eu p r óxim o p a s s o, ea qu ele d ep ois d es s e e o p os t er ior s er ã o s em p r e r u m o a od es con h ecid o e a o in exp lor a d o, p r on t o a qu a lqu er t em p o p a r as en t ir o ch ã o va cila r , a s n u ven s ca ír em , o a r s u foca r , o s olcon gela r , o ch ocola t e ca u s a r n a ú s ea s , 1 +1 s er or n it or r in co, om u n d o fica r cú b ico, a á gu a s eca r a a r eia , a vid a t or n a r -ses u p ér flu a , con t a r a t é o in fin it o, fa zer u m qu a d r a d o s emn en h u m la d o, s en t ir o a çú ca r a m a r go, d es p r eza r a a r t e, s erp od er os o e fr a co, s ofr er p or a m or , n ega r a cr en ça , viver n ailu s ã o, s en t ir a n eve m or n a , d om a r o d es ejo, t oca r a s es t r ela s ,s en t ir a d or e n ã o s e im p or t a r , a m ã o t r es p a s s a r p elo fer r o,es t a r t r is t e d e felicid a d e, n ã o p r ecis a r d a ver d a d e e n ã o t ercerteza de nada.O p a lh a ço t r is t e s egu iu s eu ca m in h o, o m es m o ca m in h o qu ea gor a t a m b ém s egu ir á . Nã o im p or t a qu e a s d ir eções s eja mop os t a s , s er ã o os m es m os p a s s os a s er em d a d os , p a s s osd ecid id os e in t en s os , s u r p r es os e t em er os os p or t u d ocontinuar da mesma forma enquanto tudo muda.Pois olh a r o p a lh a ço t r is t e é olh a r o p a r a d oxo con s t a n t e, ocon t r a d it ór io im p er m is s ível qu e im p ed e a con s t â n cia d a scois a s d o m u n d o, a n ã o a ceit a çã o m a is d o d it o n or m a l. Ap a r t ir d e a gor a a o n ovo p a lh a ço t r is t e o im p os s ível n ã o é m a isuma pergunta que não se faça, mas apenas uma consideraçãosempre imaginável.
  • 110. Lindemberg O. Gomes CRIADOR E CRIATURAAntes da criação do cosmo; do que hoje existe abaixo dos céusDeu s , Lú cifer e s u a s legiões d e a n jos d iver t ia m -s e emintermináveis banquetes. Essas festas estavam deixando Deusen t ed ia d o. At é qu e u m d ia ele ch a m ou o com a n d a n t e d oexército celestial, o seu número um, e disse-lhe: E u n ã o a gü en t o m a is es t a s fes t a s , s em p r e a s m es m a scoisas. Esta rotina está me matando! Dizes com o s e r ea lm en t e p u d es s es m or r er , p en s ou ocomandante. Deixas de cinismo. Sabes muito bem que nada do que fazesou que pensas me escapa, eu sei de tudo. É a í qu e es t á o p r ob lem a m eu S en h or ! con clu iu com oa vos s a d ivin a excelên cia t em con h ecim en t o d o qu e va ia con t ecer n a d a t e s u r p r een d e. Lem b r a s -t e d a fes t a d o s eus ext ilh ã o qu e es t á va m os or ga n iza n d o, n o m a is com p let o s igiloe, ch ega m os a a cr ed it a r p ia m en t e d e qu e n a d a s a b ia s , m a squ a l n ã o foi a n os s a s u r p r es a . Tod os n o s a lã o d e fes t a ses p er a va m a s u a en t r a d a e n a d a d a vos s a d ivin a excelên ciach ega r ; a t é qu e o s a lã o foi cla r ea n d o p a u la t in a m en t e, e a s s im ,d a m os con t a d e qu e o S en h or es t a va h á m u it o t em p o n o s a lã oe divertia-se com a nossa angústia à sua espera. É ver d a d e d is s e Deu s es con d en d o u m leve r is on a qu ele d ia vós m e d iver t is t es m u it o p en s a n d o qu e eu n ã ocom p a r ecer ia a fes ta con clu iu Deu s ilu m in a n d o o loca l comum breve sorriso.Con t in u a r a m con ver s a n d o p or m u it o, m u it o t em p or elem b r a n d o ca s os in t er es s a n t es e ou t r os n em t a n t o. Foiqu a n d o s u r gir a m u n s r a ios (a lâ m p a d a a in d a n ã o h a via s id oinventada) sobre a cabeça do comandante. Arrá uma idéia! Deus mostrou-se entusiasmado. É m eu S en h or u m a in t r iga n t e id éia . Ab a ixo d os céu s n ã oh á n a d a a lém d o et er n o a b is m o, o Alt ís s im o p od er ia u s a r os eu gr a n d ios o p od er p a r a cr ia r u m m u n d o en t r e o céu e oabismo dando vida a criaturas diversas dos seres celestiais. Ma s qu e id éia s u p im p a d is s e Deu s d a n d o vid a aprimeira gíria.
  • 111. Deu s foi con ven cid o p elo com a n d a n t e a cr ia r o m u n d op a r a lelo a o r ein o celes t ia l. E n qu a n t o ele es t ives s e d a n d o vid aa u m n ovo m u n d o, o s eu n ú m er o u m , es t a r ia ocu p a n d o o s eup os t o. Deu s p a s s ou a s r ecom en d a ções n eces s á r ia s e d es ceua o ca os . Lú cifer com a n d a n t e d o exér cit o celes t ia l fica r á emm eu lu ga r , a s u a voz s er á a m in h a , a qu eles qu e od es ob ed ecer em es t a r ã o d es ob ed ecen d o a m im , s en t en ciou epartiu para obrar o universo.A ca d a p a la vr a s u a s u r gia m cois a s n ova s e a t er r a ia t om a n d on ovo for m a t o; cr ia t u r a s d ifer en t es d e d ifer en t es h a b itata p a r ecia m d a n oit e p a r a o d ia . A gr a n d e á gu a for a a ju n t a d ad eixa n d o a t er r a livr e; cr ia t u r a s voa va m s ob r e a s á gu a s eou t r a s ia m t ã o a lt a s qu e p a r ecia m qu er er a lca n ça r os céu s . Op od er d o S u p r em o r es p la n d ecia em t od o o s eu vigor , on d eantes não havia nada surgiam coisas fantásticas.E n qu a n t o es s a s m a r a vilh a s a con t ecia m n a t er r a n o céuLúcifer planejava um golpe. Ele pretendia usurpar o poder quees t a va va go, m a s o a r ca n jo Ga b r iel, líd er d a r es is t ên cia , vin h aminando o seu plano.Ap es a r d e t od a s a s m a r a vilh a s cr ia d a s Deu s p er m a n eciain s a t is feit o, es t a va fa lt a n d o a lgu m a cois a qu e r ep r es en t a s s en o t od o o s eu p od er . Dep ois d e m u it o p en s a r d ecid iu d a r vid aa u m s er qu e s er ia s u p er ior a t u d o a t é en t ã o cr ia d o. E d is s eDeu s : Fa ça m os o h om em à n os s a im a gem , con for m e a n os s as em elh a n ça ; e d om in e s ob r e os p eixes d o m a r , e s ob r e a s a vesd os céu s , e s ob r e o ga d o, e s ob r e t od a a t er r a , e s ob r e t od o or ép t il qu e s e m ove s ob r e a t er r a .E a s s im fin d ou a m a n h ã e à t a r d e d o s ext o d ia . Viu qu e tu d oqu e cr ia r a er a b om e a gr a d á vel d e ver . E h a ven d o Deu st er m in a d o a s u a ob r a n o s ét im o d ia , ele o a b en çoou e n eledescansou.Dep ois d e u m d u r o em b a t e o a r ca n jo Ga b r iel e s eu ss egu id or es ven cer a m a Lú cifer , a p r is ion a n d o-o n o Va le d oE s qu ecim en t o. Deu s r et or n a n d o a os céu s r eceb eu d o a r ca n joGa b r iel, o r ela t o d a r eb eliã o d e s eu com a n d a n t e. E s t e foid es p id o d e s u a s h on r a r ia s e la n ça d o ju n t a m en t e com os s eu sseguidores no abismo eterno.Tom a d o p elo ód io Lú cifer p r om et eu vin ga n ça ; ob s er va n d o a scr ia ções d e Deu s ele t eve u m a s a t â n ica id éia . De t od a s a scriaturas s ó o h om em n ã o t in h a u m a com p a n h eir a ; es s eer a o t en d ã o d e Aqu iles a s er a t a ca d o. Ten t a t iva s a p óst en t a t iva s er a m fr a ca s s a d a s . S u a s cr ia ções n ã o p a s s a va m d eaberrações da natureza.
  • 112. E n fim , d ep ois d e m u it os fr a ca s s os a s u a ob r a es t a va a ca b a d a ,er a lin d a d e feiçã o cor p ór ea , a d ocilid a d e d e s eu s ges t osescondiam a natureza de sua criação. O seu único objetivo erad es vir t u a r a cr ia çã o m a ior d o Deu s S u p r em o. E m s eu s olh oses con d ia m a t er r ível ver d a d e qu e a r d e n o m a is p r ofu n d oprecipício da alma humana.Deu s p r es s en t in d o os p r ob lem a s qu e es s a cr ia t u r a ir iap r ovoca r , n ã o t in h a a lt er n a t iva a n ã o s er d es t r u í-la . Ma s elaer a lin d a d em a is e o Alt ís s im o ven d o qu e ela s er ia u m a b oacompanhia para o homem resolveu quebrar o encanto malignoque a d om in a va . Dot ou -a d e s en t im en t os s u p er ior es a d ohomem a s p a ixões . Decid iu t a m b ém qu e ela s er iaeternamente subjugada pelo homem.As s im a cr ia çã o m á xim a d e Deu s con s egu iu a s u acom p a n h eir a : ela d ot a d a d e p a ixões , e ele, d ot a d o d a r a zã o.Um n ã o vive s em o ou t r o, o ou t r o, n ã o vive s em o u m . E lecom o cr ia çã o d ivin a d om in a a t u d o o qu e s e en con t r a en t r e oscéus e o reino de Lúcifer.
  • 113. Marcelo dos Santos Netto TESTE DA FÁBULA DOS TRÊS RATOSE r a m t r ês r a t os qu e d is p u t a r a m o m es m o n a co d e ca r n ed a qu ela m es m a n oit e. Nen h u m d eles p er ceb eu qu e a ca r n e,n a ver d a d e, er a is ca . Foi a s s im qu e ca ír a m os t r ês n a a r a p u caque o dono da mercearia preparou.O d on o es t a va con t r a r ia d o com o a r r oz qu e p er d ia . S ep a r ouu m b a ld e, b es u n t ou o la d o d e d en t r o com b a n h a ; ca vou u mb u r a co n a a r eia , a s s en t ou o b a ld e a li d en t r o, jogou is ca s a ofu n d o. E n t r a r a li foi fá cil. Os r a t os s ó p r ecis a r a m s e joga r .Pa r a s a ir , im p os s ível. As ga r r a s es cor r ega va m n a b a n h a . Logoos t r ês r a t os fica r a m à m er cê d o r a t o h om em , qu e os d es p ejoun u m a ga iola e os p en d u r ou n o t et o d o t er r a ço. Pr om et eu a s imesmo que só veria o resultado daqui a dois dias.De p r im eir a , os b ich os n ã o en t en d er a m . Roer a m a ca r n e et u d o b em . Ten t a r a m s a ir , n ã o con s egu ir a m . Res olver a md or m ir . At é qu e a m a n h eceu . A fom e a p er t ou m a is , e m a is . Foiassim que os três perceberam as regras do jogo. E a gor a ? p er gu n t ou o m en or . Qu e fa r em os p a r a n ã omorrer de fome? Bom concluiu o do meio só se a gente tirar na sorte... Tirar na sorte o quê? perguntou o maior. Quem vai servir de comida para os outros...Depois de muito protesto e desconversa, assim foi feito. E o domeio acabou sorteado. Injusto! protestou o escolhido. In ju s t o p or qu ê? p er gu n t a r a m os ou t r os d ois . Nã o qu eraceitar as regras do próprio jogo? Nã o é is s o; b om , in ju s t o p or qu e... E u s ou o ju iz! É , is s om es m o! S e o jogo é m eu , en t ã o p r ecis o es t a r a qu i p a r a s a b erse as regras vão ser cumpridas! Nã o s e p r eocu p e d is s e o m en or . Nos s a fom e va i ga r a n t irque suas regras sejam cumpridas! As cois a s n ã o fu n cion a m a s s im ! p r ot es t ou o r a t o. Comovã o fa zer u m a d ivis ã o ju s t a s em u m ju iz p a r a is s o? Ten h o d eestar aqui! É a única chance que vocês têm para garantir isso!Meio contrariados, jogaram outra vez. O menor foi escolhido. Des t a vez s ou eu qu em p r ot es t a d is s e o m a ior . E s s e a ít em p ou ca ca r n e!, n ã o d á n em p a r a t a p a r o b u r a co d o m eudente.
  • 114. Então jogaram outra vez e o maior foi escolhido. Acho que é justo disse o menor. Vai dar para nós dois. Seja um bom perdedor... disse o do meio. Pois b em ! d is s e en t ã o o m a ior S e qu is er em , p od em vir !Quem sou eu para impedi-los de tentar!E o r a t ã o d evor ou os ou t r os d ois s em p r ob lem a a lgu m . Roeuolh os , r oeu cou r o, r oeu ca r n e, r oeu u n h a s . Roeu os s os . Roeutudo. Uma fome de elefante na barriga de um rato.Dois d ia s d ep ois , o d on o d a m er cea r ia volt ou a o t er r a ço e s óen con t r ou u m r a t o. Um filet e d e s or r is o es cor r eu p elo ca n t od a b oca d ele. Bem qu e o m u n d o t od o p od ia s er feit o d u m aju s t iça p oét ica a s s im o r oed or , s en d o r oíd o, n u m a cois a d ep r is ã o t u r ca e s er en a , p oes ia d e Ha m u r a b i e s u a s DozeTá b u a s Fla m eja n t es . S im s en h or . E le va i d a r ca b o d a qu eleú lt im o r a t ã o s ó fa lt a lh e s u r gir ou t r a id éia , t ã o b r ilh a n t ecomo a da gaiola.Mo ral da His t ó ria: m or a l é cois a d e s it u a çã o; violên ciadoméstica não se domestica.
  • 115. Franklin dos Santos Moura SE ELES S OUBES S EM !!!Ma is u m a s ext a -feir a , e com o er a d e cos t u m e, lá es t a va m elesem volt a d a m es a p a r a u m a r eflexiva r efeiçã o. Con t u d o,n in gu ém s e a t r evia a d es a r r u m a r a m es a , en qu a n t o S a lva d orn ã o ch ega s s e. E le gos t a va d e p r ofer ir a lgu m a s p a la vr a s , et a m b ém a gr a d ecer p elo a lim en t o d a qu ela h or a . Nã o t a r d oum u it o, e lá es t a va m t od os eles : fa m in t os , a legr es , eext r em a m en t e a t en cios os a S a lva d or . E s t e p or s u a vez, a p ósa lgu n s m in u t os d e in icia d a a r efeiçã o, p ed iu a a t en çã o p lenad e t od os p a r a con t a r u m s on h o. Pa r ecia u m p ou cop r eocu p a d o, e is t o logo ficou vis ível qu a n d o foi a n u n cia d a s u ain t en çã o. Im ed ia t a m en t e, t od a a t en çã o es t a va d is p on ível p a r aou vir e r eflet ir s ob r e s u a s p r eocu p a ções e a n s eios . Na qu elemomento, a fome estava em segundo plano. Daí, disse o jovemSalvador: - Ca r ís s im os , n a n oit e p a s s a d a , t ive u m s on h o in t r iga n t e. Vá r ia s vis ões , e cois a s qu e ja m a is t in h a im a gin a d o. Gos t a r ia d e con t a r a vocês , e ju n t os , t en t a r m os entendê-la s . Tu d o com eçou qu a n d o eu em er gi n u m lago, e com ecei a ca m in h a r n u m a flor es t a . Nes s a flor es t a , a s en s a çã o er a d e gr a n d e p er igo, e vá r ios h om en s s e a p on t a va m com u m m et a l qu e em it ia u m a p equ en a fa gu lh a . Aos p ou cos , p u d e ver qu e a qu ela s fa gu lh a s r ep r es en t a va m d is p a r os , com o s e a lgo fos s e la n ça d o r a p id a m en t e. Nã o d em or ou m u it o, e p er ceb i qu e a s p es s oa s a t in gid a s ca ia m p r a t ica m en t e s em vida...Fiquei admirado, mas não entendia por que aquilo es t a va a con t ecen d o. Im a gin em s ó, p es s oa s s e m a t a n d o, p or qu ê? De r ep en t e, u m a á gu ia fis gou m eu s om b r os e comecei a vis u a liza r t u d o p or cim a . Con fes s o qu e s en t i u m a for t e t r is t eza , p ois p a r ecia qu e o m u n d o er a h a b it a d o p or m on s t r os . Nã o m u it o d is t a n t e, vi m a s s a cr es on d e u m a n u vem d e fogo d eva s t a va en or m es áreas: pessoas, animais, plantas...tudo sendo destruído. E u m e p er gu n t a va qu e m u n d o er a a qu ele ? Olh ei p a r a cim a , e o céu t r a n s m it ia u m a en or m e a n gú s t ia . Ped i à á gu ia qu e m e s olt a s s e, e ca í n u m loca l on d e a s p es s oa s es t a va m a p r es s a d a s , n er vos a s , e d ep r im id a s . As ves t es
  • 116. eram bem diferentes das nossas, e eles entravam numas ca r r oça s d e m et a l e color id a s p a r a s e locom over . Ha via m á r vor es d e p ed r a en or m es qu e qu a s e a lca n ça va m o céu . Qu a n d o a d m ir a va u m a d es s a s á r vor es , vi u m a p es s oa t en t a n d o voa r , s a lt a n d o d o t op o, ... d e b r a ços a b er t os . E s t a va p er p lexo, e p r ecis a va fa la r com a lgu ém , e p er gu n t a r o qu e es t a va a con t ecen d o, m a s n in gu ém m e ou via . Dep a r ei-m e com u m a m u lh er , a t é s im p á t ica d ia n t e d a qu ela s p es s oa s , e com o con s egu i s u a a t en çã o, logo p er gu n t ei: - O qu e es t á a con t ecen d o a qu i? On d e es t á a h a r m on ia , a a legr ia , o a m or d este m u n d o? E la s im p les m en t e b a la n çou a ca b eça n ega t iva m en t e, e m e d eu a s cos t a s . S egu r ei-a p elo b r a ço, e ela com lá gr im a s n os olh os r et r u cou : - Qu em é você? De qu ê p la n et a você veio? E s s a s p a la vr a s n ã o s ign ifica m n a d a p or a qu i...s in cer a m en t e, já for a m esqu ecid a s .Vivem os u m a ép oca qu e p a is e filh os s e m a ta m , ca s a m en t os es t ã o d es a cr ed it a d os , a com p a n h a d os d e fom e e d es em p r ego, qu e d en t r e outras coisas, fazem parte do cotidiano. Agora, deixa-me ir , p ois p en s ei qu e você fos s e u m clien t e, e n ã o p os s o p er d er t em p o...p r ecis o ga n h a r o d ia . Mes m o n ã o en t en d en d o b em a qu ela s p a la vr a s , con t in u ei a caminhada pela floresta de pedra. Curiosamente, alguns m e joga r a m a lgu m a s m oed a s , m a s eu n ã o en t en d ia p or qu e. Ca m in h a n d o p ela s es t r a d a s vi u m m u n d o d ifer en t e, e qu a n d o s en t ei u m p ou co p a r a d es ca n s a r , u m s en h or a lt o, com ves t e es cu r a e p ele b em cu id a d a , s e a p r oxim a e p er gu n t a : - Qu er ga n h a r u n s t r oca d os ? Pr ecis o qu e leve es t a en com en d a a t é....Foi a í qu e acordei.Tod os es cu t a r a m a t en t a m en t e o S a lva d or , e qu a n d o elet er m in ou , a a p r een s ã o er a ger a l. J oã o Ba t is t a , t en t a n d oa m en iza r t od a a s it u a çã o, d is s e: Ach o qu e você vemt r a b a lh a n d o d em a is . É m elh or t ir a r a lgu n s d ia s p a r ad es ca n s a r . Ped r o e Tia go p r efer ir a m in t er p r et a r o s on h o (qu em a is p a r ece u m p es a d elo) e con clu ír a m qu e p od er ia s era lgu m a p r ofecia s ob r e os Rom a n os . Algu n s m in u t os d ep ois ,S a lva d or es t a va m a is ca lm o, e a p ós u m a t a ça d e vin h o,r et om ou a p a la vr a : - Acr ed it o qu e es t e s on h o t en h a s id o u ma vis o. Nã o p a r a a n os s a ép oca , m a s p a r a u m t em p o qu epossivelmente virá. Isto é, somente virá se as nossas sementes
  • 117. for em n ociva s à h u m a n id a d e. Dia n t e d is s o, s in t o-met r a n qü ilo, p ois s ei o qu e ca d a u m d e vocês t em gu a r d a d o n ocor a çã o. Nós s om os a s s em en t es d o a m a n h ã . Um a m a n h ã d eharmonia, igualdade, confiança, respeito, esperança e fé.Nã o h ou ve qu em n ã o con cor d a s s e com o S a lva d or . Tr a t a va -serealmente de um sonho, e todos estavam ali contribuindo parau m m u n d o m elh or . A r efeiçã o p r os s egu iu , com o d e cos t u m e, ea fom e h a via r eceb id o u m for t e es t ím u lo. O s ilên cio er a t ot a l,a t é qu e Ped r o olh a p a r a J oã o e p er gu n t a : - Tu vis t e om om en t o qu e J u d a s s a iu d a m es a e m in u t os d ep ois volt oucom u m s a co d e m oed a s p en d u r a d o n a ves t e? Rep a r a s t et a m b ém qu e ele es t a va in qu iet o a p ós o r et or n o? Com o s er áqu e ele ga n h ou a qu ela s m oed a s ? In es p er a d a m en t e (com o s et ives s e es cu t a d o o com en t á r io), S a lva d or , com u m t omm ela n cólico, vir a p a r a J u d a s e p er gu n t a : - E t u J u d a s , o qu eachastes do sonho?
  • 118. Anaximandro Amorim O TELEFONEMA Pedro encontrou a namorada em prantos. - O que foi amor? - Quem é essa Janaina? - Quem? Indagou, confuso. A moça não se deixou abater: - Nã o s e fa ça d e b ob o. Diga , qu em é es s a t a l d eJanaina? - Ma s eu n ã o con h eço n en h u m a J a n a in a ! excla m ou or a p a z, d es es p er a d o. Olh ou p a r a a n a m or a d a : a m oça es t a vacom a s t êm p or a s ver m elh a s ; p a r ecia h a ver ch or a d o u m r io e,ofegante, agora soltava fogo pelas ventas. - Ligou p a r a você a in d a a gor a u m a t a l d e J a n a in a .Deixou r eca d o e t u d o m a is . Vozin h a m ole, jeit in h o d eoferecida. O r a p a z n ã o p od ia a cr ed it a r ! Aqu ilo er a u m com p lôcon t r a ele. Qu em p od er ia s er ? Algu m ex-namorado d ela ? Um avizin h a en ca lh a d a , qu e t in h a in veja d o n a m or o d eles ? Ous er ia a lgu m colega d o fu teb olzin h o d e t od os os fin s d es em a n a , qu er en d o colocá -lo em m a u s len çóis ? S ó p or qu e eleer a o a r t ilh eir o d o t im e, d is p a r a d o. Aqu ilo s ó p od ia s erarmação! - Ma s a m or ! E u já d is s e qu e n ã o con h eço n en h u m aJ a n a in a ! Você t em qu e a cr ed it a r em m im , b en zin h o! d is s e, efoi d e a ch ega n d o à n a m or a d a , qu e o r ep u ls ou , es t ica n d o obraço. E, com o semblante em riste, sentenciou: - Está tudo acabado, Pedro! Tudo acabado entre nós! - Ma s com o, com o m eu a m or ? E t od os es s es a n osjuntos? E os nossos planos? - Nã o vou fica r d ivid in d o você com n in gu ém . Ter m in ou .Chega! A n a m or a d a er a d u r a n a qu ed a ! Ciu m en t a , b r iga va p orqu a lqu er cois a . E r a gen ios a , t in h os a , qu a n d o s e d ecid ia , n ã oh a via qu em a con ven ces s e. E le t eve en t ã o u m a id éia , u m t ir ode misericórdia. - E s t á b em ! Você fa lou qu e es s a t a l d e J a n a in a a ca b oude me ligar, não é? Foi o último número? E a namorada só balançou a cabeça, fazendo que sim. - Então escute só.
  • 119. Tir ou o fon e d o ga n ch o e a p er t ou u m b ot ã o qu e d is cou ,a u t om a t ica m en t e, o n ú m er o gr a va d o n a m em ór ia . S eja lá oquem fosse, ouviria umas boas. Uma voz de criança atendeu, ingênua: - Alô? - E s cu t a a qu i? Qu em é você p r a fica r liga n d o p r a m in h anamorada, hein? Sua sirigaita... e despejou cobras e lagartosn o in fa n t e qu e, m u d o, n ã o h a via a p r en d id o s equ er m eia d ú ziadas palavras que o rapaz despejou em seus ouvidos. E xa s p er a d o, Ped r o, p a r a t er m in a r , b a t eu o t elefon e,dando à sua peroração um ar de gran d fin ale. A namorada, dos eu la d o, d es fez a t r om b a . Um a r d e ca n d u r a t om ou con t a d oseu semblante. Parecia tê-lo conhecido pela primeira vez. - E u s a b ia qu e você n ã o t in h a feit o n a d a d e er r a d o. - ejogou-s e n os b r a ços d o n a m or a d o, im p lorando:- Des cu lp e-me,desculpe-me. - O que é isso, amorzinho! Não precisa se desculpar. - Nã o, p r ecis o s im ! O qu e eu p os s o fa zer p a r a con s er t a rmeu erro? - Bem... Ficou b oa zin h a p or m u it o t em p o, a ceit a n d o a t é ofu t eb olzin h o d ep ois d o h or á r io e a s s a íd a s com os a m igos ,t od os os fin s d e s em a n a ; Um d ia , p or ém , r es olveu m a n d a rt u d o p a r a a s fa va s . Foi qu a n d o u m a ta l d e Ma r cela d eixour eca d o p a r a Ped r o qu e, d es es p er a d o, ligou d e volt a p a r a on ú m er o, a gin d o d a m es m a for m a . Tu d o s e r es olveu e, emt r oca , ele con t in u ou com s eu fu t eb ol e s u a s s a íd a s com osa m igos . E a s s im ela foi leva n d o s em n u n ca en t en d er p or qu et a n t a s m u lh er es p r ocu r a va m p or ele, p or en ga n o, ju s t oquando voltavam a brigar.
  • 120. Ezequias Miller MULHERESAlgu m a vez você já t en t ou en t en d er a s m u lh er es ? S e ar es p os t a foi s im , a ch o qu e n a qu ele m om en t o a in s en s a t ezt om ou con t a d e você. E s e você con t in u a s s e eu d ir ia com o u mn ã o en t en d ed or d e m u lh er es qu e você con t in u a r ia s ementendê-la s . E s e fos s e o ca s o, a lgu m a s p es s oa s o in t er n a r iaem u m a clín ica p a r a cu r a r o ou os t r a u m a s qu e es s e n ã o-en t en d im en t o p od er ia m lh e ca u s a r . Qu a n d o b u s ca m osen t en d er m u lh er es s ign ifica qu e n ã o es t a m os p r ep a r a d os p a r atê-la s . Is to é fa t o. É m a is fá cil s e p er d er n o en t en d im en t o d oqu e n o n ã o-en t en d im en t o. As m u lh er es n ã o s ã o d e ou t r oplaneta. Os homens também não. Eles vivem trocando olhareso t em p o t od o. Olh e p a r a u m a m u lh er n o ôn ib u s . Qu a n d o elaolh a p a r a você, p od e n ã o s ign ifica r a qu ilo qu e você qu err ea lm en t e en t en d er . E la p od e es t a r t e a ch a n d o b on it o d em a isou feio d em a is . E la p od e a ch a r a s u a r ou p a m a r a vilh os a oun ã o. E la p od e qu er er n a m or a r com você ou n ã o. Pod e qu er erfa zer s exo com você ou n ã o. Pod e qu er er t e ven d er a lgu m acois a ou n ã o. Pod e t e s ed u zir ou n ã o, m u it a s vezes d ep ois d as ed u çã o vem o n ã o, o n ã o s e en t r ega r , o n ã o n a m or a r , o n ã ocasar o não viver ao seu lado. Ela pode estar fazendo isso paras a t is fa zer o p r óp r io ego. E la p od e t a n t a cois a qu e eu n ã oen t en d o. Aí es t á a ch a ve. O n ã o en t en d im en t o. O n ã oen t en d im en t o p od e n os fa zer a ceit a r a s cois a s com o s ã o. Oup od e n os leva r a lou cu r a , s im p les m en t e p or n ã o en t en d er m os .Ma s é u m a lou cu r a s ã . Is s o eu a ch o. Ma s exis t e lou cu r a s ã ?Loucos são loucos e são tratados como loucos.Mu lh er es s ã o d e vid r o, d e p a p el, d e m et a l, d e á gu a , d e p ed r a ,de fogo, de ar, de cores e muito mais, pois para mim todas sãon a t u r a is . E o qu e é n a t u r a l n ã o t em d e s er com p r een d id o.Tem d e s er a ceit o, s ó is s o. Tem d e s er a ceit o. Qu a n d oaceitamos algo, esse algo pode nos tornar agradável. E assim éfá cil d es eja -lo. E o d es ejo é a lgo or gâ n ico? S im , p or qu e n ã o.Ma s o d es ejo p od e s er a lgo m a is d o qu e or gâ n ico. Pod e s erm á gico. Acr ed it o qu e é m á gico. Há a lgo d e m á gico s im . E n t ã oa s m u lh er es s ã o m á gica s . Má gica s p or n a t u r eza . É a lgo qu e émágico é indesvendável. Portanto se elas são, elas apenas são.Não precisamos compreende-las. Pois mágica é mágica.
  • 121. Entendeu as mulheres?
  • 122. Marcelo dos Santos Netto VAI VER QUE S IMLem b r o d a ú lt im a vez qu e m in h a m ã e t en t ou s er in ven t iva .Pa s s ei u m a r a iva d a qu ela s ; m a s t a m b ém s en t i p en a . Foia s s im qu e a p r en d i: o ca s a m en t o é u m a in ven çã o d o s ilên cio.Os bichos assim unidos querem apenas se ignorar em paz, atéqu e a m or t e os s ep a r e ou t r a vez. Ap es a r d is s o, m in h a m ã ees t a va s em p r e in ven t a n d o. E s ó d es is t iu n es s e d ia t r is t e,qu a n d o en fim p a s s ou d a con t a . O qu e t er ia a in s p ir a d o?Imaginei que o tempo me faria entender. E realmente fez.Na qu ela m a n h ã , m in h a t ia m os t r ou a ela u m a m á qu in aa b ot oa d or a . Com u m golp e d e a la va n ca , b ot ões d e p r es s ã o s ea ga r r a va m a o t ecid o qu e fos s e. Lem b r o qu e a m a r ca d oa p a r elh o er a a lgo com o Vigor eli . Ch a m a va m o m od elo d e Rob ô , p or qu e os r ob ôs p a r ecia m s er a s olu çã o p a r a t u d onaquela época.An t es d a Vigor eli, os b ot ões t in h a m d e s er cos t u r a d os e a sroupas, caseadas. Dava muito trabalho. Não havia mulher quegos t a s s e d e ca s ea r s em con t a r qu e er a m u it o ch a t o en s in a ros filh os a a b ot oa r em a s p r óp r ia s r ou p a s . Foi p or is s o qu em in h a m ã e s e en ca n t ou com a t a l m á qu in a . Ma s s e en ca n t out a n t o, qu e p er d eu a t a r d e in t eir a fa zen d o u m a r ou p a m u it ofeia p a r a m im lis t r a d a e cin zen t a , d e u m m a u gos t o terrível.Ma s is s o n ã o a in com od a va . Pa r a ela , cos t u r a r er a com oa s s in a r a lgo d o qu a l s e d izia fu i eu qu e fiz . S ozin h a . E p r ega raqueles botões seria um ritual de alforria, de emancipação.Por con t a d is s o, t ive d e fica r u m b om t em p o p a r a d o, feit omanequim d e ver d a d e. Ou d e m en t ir a com o m en in o, n u n cat ive voca çã o p a r a a b eleza . Hoje em d ia , t en h o cer t eza d e qu em in h a m ã e n ã o cos t u r a va p a r a m im . Ma s es t a va t ã oa cos t u m a d a a fa zer t u d o p a r a os ou t r os cozin h a r e p a s s a r elimpar , qu e t er m in ou s e es qu ecen d o d o ób vio: cos t u r a r p a r asi mesma.Ter m in a d o o s er viço, m in h a m ã e p a r ecia feliz. Ch ega n d o emca s a , m eu p a i qu is s a b er o m ot ivo d a qu ela fes t a . E la o levoua o m eu qu a r t o, on d e h a via m e es con d id o d en t r o d o gu a r d a -r ou p a . Ta -d á ! , ca n t a r olou , r evela n d o-m e en t ã o. Qu esurpresa ingrata. Papai levou a mão à testa. Que roupa horrível é essa? Tira o menino desse trapo agora!
  • 123. O m eu p a i, ele er a d e u m a a u t or id a d e ú n ica . Um h om ems ólid o e ob jet ivo, com o u m cód igo p en a l. A p r es en ça d eles em p r e m e in com od ou . Afin a l, fu i u m ga r ot o d is t a n t e, p er d id oem u m m u n d o d e s ím b olos qu e fiz s ó p a r a m im . Ain d a a s s im ,fiqu ei feliz em cu m p r ir a or d em d o m eu p a i. Aqu ela r ou p a er amesmo triste.Depois daquele dia, minha mãe nunca mais tentou nada. Nemm es m o cor t a r o m eu ca b elo, cois a qu e ela fa zia s em p r e. Em u it o m a l. S ei qu e d ever ia es t a r con t en t e. Ma s n ã o m ea cos t u m ei a t a n t a p a z. S en t i fa lt a d e gem er m e d eixa irem b or a , eu qu er o é b r in ca r . Pod e s er qu e eu t en h a en t en d id oa qu ilo com o u m d es p r ezo. Rea lm en t e, ja m a is con s egu i fica rgra t o p ela in t er ven çã o d o m eu p a i. Dep ois d ela , é ver d a d e qu econheci alguma paz. Mas isso não vinha ao caso. Não sei ondeli qu e a felicid a d e n ã o es t á a p en a s n o b em -es t a r . Tive d econcordar, mesmo em segredo. De qu a lqu er for m a , eu es t a va fin a lm en t e livr e. Pod ias a ir e ga s t a r o r es to d e m in h a s t a r d es ju n t o a o Felip e. Pa r afa la r a ver d a d e, eu n ã o gos t a va m u it o d ele, n ã o. Mes m oa s s im , eu o p r ocu r a va . Nos s a b r in ca d eir a fa vor it a er a a d eb r iga r . Rolá va m os n a a r eia d a s con s t r u ções fin gin d o cen a d ep a n ca d a r ia , t ip o d a qu eles film es d e a çã o qu e p a s s a va m n a sn oit es d e s á b a d o. E foi a s s im qu e com ecei a d es con fia r d e qu eFelip e gos t a va d e m im . Mu it o. Ma s eu gos t a va m a is d aMich ele. S ó qu e o Felip e er a m en in o, a s s im com o eu . Fa ziaxixi d e p é. Gos t a va d e b r in ca r d e gu er r a . Br iga va e fica var ep r ova d o n a es cola . E com cer t eza s a b ia m a is s ob r e o qu enós, meninos, gostamos. Pois é. Senti-me dividido.
  • 124. Gabriel Raposo F IGUEIRAFigu eir a er a u m ga r ot o im p et u os o, s egu r o d e s i! Con viviacom vá r ios a m igos . Leva u m ch oqu e a o s a b er qu e t u d oa qu ilo qu e s u a fa m ília p os s u ír a n ã o er a r ea lid a d e, à m ed id aqu e n ã o lh e p er m it ir ia con clu ir s eu s es t u d os m éd ios e d a rp r os s egu im en t o à h er a n ça e a o en leva m en t o d a h is t ór iafa m ilia r . Figu eir a , qu e s e a ch a va b on it o e s u p er in t eligen t e,m a s n u n ca t in h a a r r a n ja d o n a m or a d a e, t a m p ou co, b oa sn ot a s , p or qu e s u a m en t e er a m a l com p r een d id a , a ch a va m as u a m ã e e ele, p r ep a r a va -s e p a r a o cu r s o d e od on t ologianuma grande universidade, pois sua mãe lhe encucara isso.Agor a , com o n u m s op r o d e ven t o r ep en t in o, ele s een qu a d r a va e r ot u la va -s e; a fa lt a d e d in h eir o fizer atransformá-lo n u m m en in o con fu n d id o, p er d id o en t r e a sm a is va r ia d a s cla s s es n om ea d a s . Cla s s es es s a s qu e n ã om a is a s en xer ga va com d is t a n cia m en t o d e s u p er m en in o. Eou t r a s , a qu ela s ($ ), qu e d e t ã o lon ge lh e a r r ep ia va m oscabelos lisos.Lem b r a va ele d e qu e u m d ia viver a a vid a com o osver d a d eir os p la yb oys . E s en t ir a a n eces s id a d e d e con h eceruma garota a sua altura. Há mister de bom garbo e imbuídade toda uma elegância finda, a que fora costumado. Não erad e es p er a r -s e ou t r a cois a , d a d o qu e, com u m a ed u ca çã od a qu ela s , t u d o s e t or n a r ia o m a is leve s op r o d e a gr a d o p a r aaquele corpo bem acostumado.Com p let a va u m a id a d e d e r es p on s a b ilid a d e, e d e p r es en t ega n h a r a a ver d a d e. Um a r ecep çã o d e vid a a d u lt a ?Comemor a va a gor a s eu d es p r en d im en t o com o p a s s a d o, oqu a l n ã o lh e s er vir a p a r a m a is n a d a , a p en a s p a r a p a s s a d o,lem b r a n ça s p or qu e, s eu r ela xa n t e n ot u r n o, en t r e s on h osr ela xa va . E n o d ia -a -d ia cor r ia a t r á s com s u a s p er ip écia simaturas.Ficou u m s u jeit o qu e ja z t a cit u r n o, m or ib u n d o e va d io.Des ilu d id o e in s a t is feit o. Por qu ê? E xp lico! Pr es o n u m n ovos et or d e h u m a n os , u m a cla s s e m éd ia ilu d id a qu e s e a ch a vaem posição. Não há mulher que o suporte para com as suas
  • 125. exigên cia s (n u n ca d eclin a d a s à s s u a s p a r ceir a s ) n em os a t is fa ça , a n ã o s er , a s m u it o fin a s , a s qu a is d e vez em vezo p er ceb em gr a ça s à s u n h a s s u ja s d e p om a d a , n o p os t o d ega s olin a on d e t r a b a lh a . Pom a d a qu e com m u it o es for ço eles e d ign a va a com p r a r p a r a a m en iza r s eu s p r ob lem a spsíquicos p u lu la va m n a p ele. S em for ça p a r a m a n t er u m ap os t u r a , ele t or n a -s e a gor a u m in d ivíd u o a p á t ico: n ã o r i,n ã o ch or a , n ã o ca n t a , n ã o t em a m igos n em r ea ções d es en t im en t o. S em p r e evit a va qu a lqu er con t a ct o com osp a r en t es , p ou cos , m a s s em p r e a t en t os à s u a vid a , o qu em u it o o ir r it a va . Fizer a u m m u it o p a r a s er es qu ecid o, m a squ a lqu er con d u t a ch a m a va à a t en çã o d e s eu s fa m ilia r es ;a t é m es m o p en s a r a em s u icíd io, a t o qu e ele r en ega va , d a d oqu e u m a cois a d es s a s t r a r ia t od a a t en çã o d os p a r en t es , n om ín im o! Fica va en t ã o t en t a n d o m or r er em vid a , n ã od em on s t r a va n en h u m a exp r es s ã o fa cia l, s em p r e d e r os toqu iet o. Pen s a va em a r r a n ja r u m a m u lh er s em m od os ? m a squ e ju n t os a ju d a r ia m u m a o ou t r o? n u n ca ! O qu e ele t er iad e b om a ofer ecer a ela s em d in h eir o!? S u a ed u ca çã o n ã o op er m it ia . E t en t a r fa zer u m cu r s o u n iver s it á r io qu er ep u t a va b a ixo, ele, n u n ca ! Tin h a feit o a m igos n a in fâ n cia ,r icos e er u d it os , e n a h ip ót es e d e r een con t r á -los t od os b emd e vid a , p r efer ia t r a b a lh a r n u m p os t o d o s u b ú r b io,econ om iza n d o u m r es t o d e d in h eir o, n a es p er a n ça d e comu m d in h eir o la u t o p od er r et om a r s u a in fâ n cia d e m en t ir a .E m t u d o, s er es qu ecid o e a com p a n h a r a vit ór ia d os ou t r oseram suas grandes e únicas diversões.Lá ia Figueira. Mudara-se para uma cidade do interior fria.As s im , d e ca s a cos ele s e s u m ia . Pa r a ir a o t r a b a lh o er as em p r e p on t u a l, n u n ca h a via s id o r ecla m a d o ou r ecla m a ra lgo a s eu ch efe lembre-s e d e qu e n ã o ch a m a r a a t en çã oalheia fazia parte, agora, do escopo de sua vida.Nu m a cr is e econ ôm ica , Figu eir a t eve d e s er d em it id o, e comis s o, logo p en s ou em t od a s a s econ om ia s qu e t in h a feit o. Asu s a r ia p a r a fin a n cia r u m p r ojet o, n ã o! Pa r a p a ga r a s con t a sd e ca s a e s ob r eviver , n ã o! Tu d o er a m u it o in cer t o, com u m acr is e d es s a s , n ã o s e s a b e qu a n d o ir ia a ca b a r . E Figu eir ap egou t od o o d in h eir o, colocou -o n u m s a co, e p a r t iuem b or a . Com t r ês d ia s n os om b r os , n ã o a gü en t a va d e fom e,p en s ou em u s a r u m p ou co d o d in h eir o qu e a cu m u la r a p a r afa zer u m la n ch ezin h o. Nã o! S e em t r ês d ia s ele fr a qu eja s s e.O qu e s er ia d a s p r óxim a s s em a n a s ? Fir m e, fit a va a vis t a
  • 126. n os b a ld es d e lixo e execu t a r a o qu e p en s ou ..., p ois t in h au m a ed u ca çã o a u s t er a e d is cip lin a d a . Pa s s a d os cin com es es , o lixo e o es qu ecim en t o fizer a m d e Figu eir a u mm en d igo a com od a d o. Agor a já n ã o ga s t a va o d in h eir o emh ip ót es e a lgu m a ; s en t ir a -s e, com o n a in fâ n cia , r ico. Tinhau m m on t a n t e d e d in h eir o qu e in veja va m os ou t r os (s es ou b es s em ). Ma s r ep et ia s em p r e em voz: qu e n ã o ga s t a od in h eir o p a r a n ã o fica r p ob r e; e levou es s e ver s o p or cin coanos para junto dele ao túmulo.E Figu eir a m or r eu , s os s ega d o e s em r em or s os , n u macid en t e, qu e ele m es m o p r ovoca r a , u m a cid en t e p er feit o d equ e n ã o h ou ves s e ch a n ce a lgu m a d e s ob r evivên cia oud eb ilit a m en t o. Do d in h eir o econ om iza d o, ele d eixou p a r as eu ir m ã o, o m a is n ovo, o qu a l ele a ch a r a t er u m a vid as em elh a n t e à s u a , m a s com o p or ém d os s on h os d a velh am ã e s er em m a ior es d o qu e os s on h os d a s cla s s es a lt a s . Ah !Ma s ele t eve o cu id a d o d e o d in h eir o ch ega r à s m ã os d e s u am ã e, in cólu m e, ou s eja , n u n ca qu e ela cogit a r ia t er vin d odas mãos dele.E morre Figueira, sem rastro de personalidade, sem históriam a l con t a d a , s em b r iga s , s ep a r a ções e d es a fet os . Com o ogolp e d e ven t o r ep en t in o qu e levou ju n t o com s eu s s on h os ,s u a p er s on a lid a d e, es p er a n ça , e t od a s a s p equ en a s p eça squ e com p õem a vid a h u m a n a . Va i-s e s em gr a n d es p om p a s ,p r in cip a lm en t e p or n ã o t er con cr et iza d o os d eva n eios d amãe ou dado continuidade ao passado que de tão belo enjoae desagrada.
  • 127. This document was created with Win2PDF available at http://www.win2pdf.com.The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.

×