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Revista Hermes
 

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Revista produzida pelos alunos do 8º ano da Escola Curumim

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    Revista Hermes Revista Hermes Document Transcript

    • O BRASIL DO SÉC. XVII AO XIX E NOTÍCIAS DO MUNDO CURUMIM
    • EDITOR RAFAEL GONZAGA DE MACEDO COLABORADORES ANTONIO RAMOS DA SILVA RINA CORTEZ AUDREY AGRADECIMENTOS A TODOS OS ALUNOS DA CURUMIM A TODA EQUIPE DA CURUMM ESCOLA CURUMIM 2012 EDITORIAL A Hermes chegou! Você tem em mãos agora a mais nova revista deHistória e Jornalismo: a Hermes! Nela, você, leitor, encontrará textos fictícios sobreviajantes europeus, engenhos e escravos do início doBrasil e também reportagens sobre o mundo escolarda Curumim, tocando em temas como a nova constru-ção na escola, aulas de música no ensino fundamentalII, o uso da tecnologia no ambiente escolar, os pro-jetos do ginásio e as diversas profissões que ajudama Curumim a existir - além de incríveis ilustrações e SUMÁRIOfotografias realizadas pelos estudantes. Os textos que compõem a Hermes são resultado deum longo trabalho. Durante as aulas de História, es- Editorial....................................................2tudamos, com a ajuda do livro “Uma breve história O Brasil dos Viajantes.............................3do Brasil”, de Mary Del Priori, e a orientação do pro- Notícias do mundo Curumim................26fessor Rafael Gonzaga, como foi a chegada dos por- Relato visual de uma Bienal....contracapatugueses ao nosso país, o poder dos reinos europeus,como eram suas embarcações, o massacre dos índios,os minerais preciosos que aqui existiam, os alimen-tos e plantações e a escravidão. A partir desse estudoaprofundado, fizemos textos ficcionais com persona- Ficha Catalográficagens que viveram aventuras no Brasil muito tempo Revista 8°. Ano “HERMES”atrás. Ano 1, n.1 Dezembro (2012), Paralelamente, durante as aulas de Português, com Anual, Campinas: Escola Curumim,o professor Antônio Ramos da Silva, discutimos no- tel. 3256-2648,tícias, fontes de informação, vimos vídeos, ouvimosprogramas de rádio e lemos revistas que nos serviramde base para iniciarmos reportagens com entrevistas, http://www.escolacurumim.com.br/pesquisas e gráficos sobre o que acontece em nossodia a dia na Curumim. Durante oito meses nos dedicamos bastante commuito carinho, entusiasmo, criatividade e a ajuda dosprofessores. A revista está bastante instrutiva e divertida! Esperamos que gostem! 2
    • O BRASIL DOS VIAJANTES O projeto Brasil dos Viajantes é a consequência de muito trabalho e de algumas ati-vidades que aconteceram nas aulas de História das turmas de 8º ano da escola Curu-mim. Iniciamos o projeto a partir da leitura de alguns capítulos do livro Uma BreveHistória do Brasil, de autoria da historiadora Mary Del Priori e, também, de materialorganizado pelo professor, como, por exemplo, vestígios visuais, textuais e sonorosque restaram daqueles dias e que nos ajudam a compreender o Brasil do século XVIIao XIX, além de filmes, textos de outros historiadores e do próprio professor. Nesteprocesso, a partir daquilo que foi estudado, desenvolvemos narrativas textuais e visu-ais sobre a principal atividade econômica do Brasil até então – a produção de açúcarnos engenhos -, o que, consequentemente, nos levou à questão da escravidão, passandopelos costumes, a cultura material e a resistência de pessoas comuns no cotidiano emum “Brasil” bastante distinto do Brasil que conhecemos. A nossa ideia inicial era encarnar o olho e o espírito, a bocas e ouvidos de antigosviajantes estrangeiros, que à moda de Marco Polo ou Debret, viajam (ou sonhavamviajar) para contar aquilo que haviam percebido em um mundo diferente. No caso danossa atividade, os alunos precisavam criar um personagem que, por alguma razão, eraenviado ao Brasil de forma legal ou ilegalmente para relatar os costumes, natureza econstruir um Brasil por meio de “intenções estrangeiras” - para utilizarmos um termode Ana Maria Belluzzo, no clássico O Brasil dos Viajantes. Brasil, que já era atraves-sado por problemas de ordem social, como muitos dos textos nos revelarão, marcadoprofundamente por uma sociedade escravocrata. Esperamos que vocês façam uma boa leitura das narrativas produzidas, repleta de da-dos históricos, muita aventura e curiosidades. Rafael Gonzaga, professor de História Clio, a musa da História, filha de Zeus com Mnemósine (memória), inspirava contadores de história como Heródoto que viajava e contava o que via... 3
    • várias mulheres negras e cravos, é o que devem fazer, mulatas prontas para nos eu paguei por eles, agora Diário de um servia na mesa, estas não se sou seu Senhor. flamengo juntaram para jantar, o que Ao ver tal resposta, e a ma- achei estranho. neira em que foi respondida, tão Logo depois da janta, calmamente, fiquei pasmo. Não Estamos em 1615, feve- João pediu que uma dessas comentei nem perguntei maisreiro. Minha Viagem para mulheres me mostrasse o nada, e continuamos a contem-a terra nova começava. Es- quarto, onde, depois de lon- plar os escravos. Então João co-tava indo ao Rio de Janeiro ga viajem, pudesse descan- mentou:para uma pesquisa sobre os sar. - Já observou bastante deEngenhos e sobre como é a Meu quarto era bem es- como eles cortam a cana, diga-vida dos escravos. paçoso. Acomodei minhas me, o que aprendeu? Já era hora de partir. Pe- coisas e me joguei na cama. - Bom... Eles usam facões eguei minha bolsa, coloquei foices, e fazem movimentos le-meus materiais (prancheta II ves para corta-la - Respondi umde desenho, bloco de anota- No dia seguinte fui acor- tanto nervoso.ção, grafites) e parti. dado pela luz forte que entra- - Sim, exato - Disse João. A viajem foi longa, du- va pela janela. Levantei-me Em seguida convidou - Nãorou mais ou menos 60 dias e da cama e procurei alguém gostaria de ver como a cana é60 noites, até que finalmen- da casa. Logo encontrei Ma- transformada no açúcar que túte cheguei. Fiz uma breve ria e Manuela que estavam conheces?pintura do local e aguardei sentadas à mesa. Maria en- - Claro - Respondi sem pes-o Senhor do Engenho, pois sinava Manuela a ler. Ha- tanejar.em sua casa me hospedaria. via outras crianças e duas Ele me levou então a umaNão tardou muito para que mulheres sentadas ao chão, casa isolada.o senhor chegasse, este veio estas ajudavam Maria com Lá havia três escravos traba-acompanhado por quatro ho- os pergaminhos e livros, po- lhando em uma maquina. Estamens, que o carregavam em rém não liam. Ao ver aqui- era o novo moinho.uma liteira. Já estava anoite- lo me subiu a adrenalina e A maquina era formada porcendo, o homem me convi- quase me escapa a pergunta um tronco de arvore, que doisdou a sentar na liteira para do porque aquilo, por que os escravos faziam girar; o troncoque os quatro homens que negros eram tratados como estava em conexão com os tritu-o acompanhavam nos levas- animais? radores de cana e fazia com quesem, esses homens que por Ao me passar a adrenali- eles funcionassem. Um terceirocerto eram negros. Fiquei na, perguntei a Maria onde escravo colocava a cana e tiravaum pouco indignado com o estava João, esta me disse do moedor até que retirasse todofato de que outros homens que estava lá fora; me aguar- seu caldo. O caldo de cana caíafossem obrigado a nos car- dava para que eu pudesse em um recipiente, depois era es-regar, achei uma injustiça, começar minha pesquisa. quentado até ficar sólido, e mo-porém aceitei sem contestar. Saí em busca de João, ído para ficar em grãos, que é o Partimos. A casa do Se- encontrei-o á observar ne- que chamamos de açúcar.nhor do Engenho, que du- gros cortando a cana. Merante a viajem se apresentou posicionei a seu lado e não IIIcomo João, não era muito resisti, perguntei o porque Já tarde, João e eu fomos paralonge da praia e chegamos daquilo, o que recebiam em a casa dele para jantar e descan-rapidamente ao local. troco de tanto trabalho? João sar. Percebi que João me olhava Lá conheci sua mulher, calmamente disse: com aparencia estranha duranteMaria, e sua filha, pequena - Percebi que algo o in- o jantar. Antes de ir dormir JoãoManuela, estas nos espe- comodava, agora sei o que me anunciou que iríamos a umravam para jantar. Percebi é - Após um longo tempo in- lugar diferente no dia segunte.também que na casa havia terrupto continuou - São es- Durante a manhã, João me 4
    • acordou. Mal havia acordado para construir esse tal engenho, mais.quando João tampou minha pois bem além de gigantescas Senhor, você tinha que estarboca, me prendeu e me levou rodas, movidas à água ou com aqui para ver como são engraça-para a mata; totalmente assus- animais (para fazê-la girar, das as coisas, eles usam formastado e confuso, tentei me soltar, água, normalmente usam bois cônicas de barro com um furo,mas em vão, pois outro homem ou cavalos, depende da escolha onde fica escorrendo o meladotambém estava me segurando. dos senhores de engenho), uni- por alguns dias. Já o açúcar, Um dos homens estava ar- da ao mesmo diâmetro da roda depois de feito, há diferentesmado. Já um tanto metidos na d’água. tipos de açucares eram emba-floresta, João me mostrou meu Tem uma outra roda me- lados para a venda. O açúcarlivro de anotações. E então dis- nor, dentada, chamada rodete, era guardado de acordo com ose: e como o mesmo diâmetro da valor comercial, na parte supe- - Pensou que poderia nos roda d’água que chamam de bo- rior, o branco, mais caro e fino;enganar bancando o cientista, landeira, este eixo (bolandeira) na inferior o mascavo. Eles sãoseu espiãozinho - exclamou - é revestido de um cilindro den- levados em caixas por transpor-Nós encontramos seu caderno tado e reforçado com aros de te fluvial ou lombo de animaisde anotações, contém informa- ferro, entre eles passa a cana. e carros de boi, até chegar aosções de como é o local, de como Eles (senhores de engenhos) pontos de embarque.trabalhamos, se você quisesse escolhem os escravos fortes emandava uma carta para Holan- robustos (caldeiros e tacheiros), A escravidão de negros emda ela teria um belo plano para para cozinhar o caldo extraído associação aos engenhos de açú-invadir! da moenda. car é comum, muitas vezes im- Sem falar nenhuma outra A mão-de-obra (que impor- portam africanos para cobrir apalavra, olhou nos meus olhos, tava escravos da África para o falta de mão-de-obra, caso con-pegou a arma, e “bum”, vi um Brasil) é pouca, a empresa de trario os africanos plantam, co-flash de luz, e morri. açúcar precisa de pequenos em- lhem, botam a cana para moer, preendores que possam abaste- acondicionam e transportam o cer seu engenho com suas canas. açúcar até o mar, junto a eles os Diego Zoppi, 8° manhã Você sabia que somente 40% escravos indígenas (que também dos engenhos aqui em Pernam- fazem as mesmas coisas). buco moem canas próprias, o No planalto paulistano, Carta para resto depende da matéria prima fornecida por lavradores, o Se- (principalmente aqui em Per- nambuco) estão escravizando Jenkim Berg nhor deve estar se perguntando os indígenas, que é responsá- como sei disso, ai vai, eu e meus vel pela pequena produção de colegas fomos ver para termos trigo para o consumo interno. Caro imperador Jenkim Berg, aproximadamente um calculo A porcentagem de escravos ín-já cheguei aqui em Pernambuco, para apresentar para o Senhor, e dios envolvidos na produção doBrasil, aqui é tudo diferente e mostrar nosso trabalho. açúcar foi, por um lado, baixan-eu acho que podemos melhorar Aqui os mais valorizados do à medida que os senhoresmuitas coisas na Holanda, como são os mestres de açúcar, eles enriqueciam e podiam importarcolocar engenhos. Os engenhos “dão ponto para meladura” ou africanos.fabricam caldo de cana, açúcar e “acham o pulso aos açucares”,o que mais gostei e estou levan- os mestres de açúcar são os se- Aqui, tratar escravos comodo para você é a marmelada. Os nhores de engenho. ”coisas” é natural, aliás é regrasenhores de engenhos comem Os senhores de engenho são da Igreja Católica. Rações demuito mal, comem carne seca tratados com muitos mimos. Nos farinha de mandioca ou milho,dura em excesso. Os engenhos engenhos também tem feitor, coquinhos chamados aquês, fei-se localizam na beira de rios, carpinteiros, mestres de açúcar jões e hortaliças, compõem opróximos aos portos. Proval- e outros, os senhores lhes dão cardápio dos moradores do en-mente Vossa Senhoria deve es- mesa e cem mil réis e outros até genho e também dos escravos.tar se perguntando o que precisa A cachaça, maconha, ou pango, 5
    • são usadas para aliviar os sofri- transportavam o açúcar até o suas dores. Os escravos sãomentos do cativeiro. mar. Descobrimos que há gru- considerados muito inferiores pos de homens, entre os escra- aos brancos, por causa disso, Bom, Senhor, muito obriga- vos, que são diferenciandos pela eles são obrigados a não ves-do pela atenção, por me dar essa cor. Vi , por exemplo, um criou- tirem sapato e usarem poucasoportunidade de trabalhar aqui lo pedindo ao seu senhor para roupas, eles sempre se sentamno Brasil, agora vou continuar que a terefa mais pesada fosse no chão das casas enquanto osmeu trabalho, ainda tenho que feita por um escravo boçal, isto senhores brancos em cadeiras eespiar muitas coisas, para poder é, recém chegado da África. E bancos.construir nossos engenhos, etc. foi isso que ele fez.Mando mensagens, depois que Notei também que alguns Os brancos não batem comterminar minha pesquisa. senhores diziam a outros que paus na cabeça de seus escravos, era perda de tempo bater ou ma- mas não por pena, por medo de chucar a cabeça de um escravo, machucá-los, uma vez que eles Adrielle, 8° tarde pois isso faria com que danos valiam dinheiro, por isso só da- ocorressem no escravo e ele va- vam chicotadas nas costas dos leria menos na hora da venda, escravos com bambus, chicotes Noelle - Diário de assim prejudicando os próprios e varas. Viagem senhores. Estou gostando daqui e so- brevivi aos primeiros dias, o Thomas Passos, 8° manhã Meu nome é Noelle e par- que é muito difícil. Boa noite.ti para o Brasil para conhecero lugar relatar, neste diário de Tuani Ximenes, 8°viagem, aquilo que eu achei in- manhãteressante. Viajei de barco com meus Thomas Givewaypais e alguns companheiros deviagem e quando cheguei lá,achei tudo muito estranho e di-ferente do que estou acostuma- Eu, Thomas Giveway Pig,da a ver na França. parti em 1773 em minha mis- A primeira coisa que obser- são para investigar a vida dosvei foi que os escravos cobrem- escravos, para depois trazer mi-se com muito pouco. Mas, a nhas impressões para a Europa,Igreja incentiva os senhores pois eu sou contra a escravidãopara que evitem trazê-los “in- e acho que se o povo da Euro-decentemente vestidos” para as pa souber sobre as condições demissas. vida dos escravos, poderemos As mulheres vestem saias abolir a escravidão.feitas com panos de Surrate ou Consegui descobrir muitoBaeta, e os homens usam ape- sobre os escravos, eles são qua-nas calça, permanecendo sem se todos africanos e eu imaginocamisa. Depois de melhor co- que seja por que são mais fortesnhecer o lugar, conforme o tem- do que os índios.po, passamos a nos acostumarcom isso. A maior parte dos escravos De tarde fomos conhecer as trabalham nas áreas rurais, elesplantações. Os escravos planta- fumam pango – um tipo de ervavam, colhiam, botavam a cana contrabandeada da África - epara moer, acondicionavam e cachaça, que serve para aliviar 6
    • exemplo, podiam “danificar” o trabalhador e ele acabar se tor- Carta para o nando inútil para o seu proprie- Príncipe e Engenhos do tário. leitores Novo Mundo Samir Jobim, 8° manhã Querido Príncipe, neste ano, Meu nome é Estyler Anke-1773, eu Vauban Runtelar, es- rouv e pretendo contar um pou- Relato sobre co sobre minha viagem para otou no Novo Mundo. Novo Mundo... o Brasil dos Já fazem dois anos que es- O Novo Mundo é completa- engenhos etou aqui, observando os escra- mente diferente da nossa que-vos negros e índios trabalharem rida Dinamarca. Para começar, dos escravosnos engenhos de seus senhores os trabalhadores são escurosbrancos. e grandes, e não usam roupa alguma, as mulheres exibem Meu nome é Rodolfo Pires Os escravos vestem apenas seus seios como se fosse uma da Silva e tenho 35 anos. Soucalças, sem camisetas e mesmo coisa normal, além disso, eles da Dinamarca. Fiz uma viagemas mulheres, aquelas que traba- não são remunerados pelo seu para o Brasil, pois estava curio-lham na lavoura, andam quase trabalho, eu diria que eles são so em relação às condições denuas, apenas as mulheres que pitorescos. vida dos escravos. Então saitrabalham nas casas das senho- Tenho amizade com um de- com um navio em direção aoras brancas, vestem-se um pou- les. Ele me diz que quando não Brasil. Estava viajando quan-co melhor. embalava dois sacos de açúcar do encontrei um navio negreiro Uma vez, um senhor muito por dia apanhava do feitor. Ele indo na mesma rota.rico explicou para os outros se- também era obrigado a dormir na senzala onde sempre bebiam Lá haviam escravos quenhores, que não se podia bater cachaça, fumavam pango – uma eram trazidos da África a for-nos escravos com pedaços de erva contrabandeada da África ça. Fiquei observando e vi quepau, pedra nem coisas do tipo, - e comiam alguns tipos de do- todos os escravos tinham umaporque poderiam machucar o ces feitos do caldo e do açúcar, marca de ferro ou na coxa ou noescravo. Mas essa preocupação extraído da cana nos engenhos. ombro e estavam acorrentados.não era por causa do escravo e Os escravos trabalhavam até Vi um português dando somen-sim devido a preocupação com dezoito horas por dia no enge- te um copinho d’água para cadaa propriedade do senhor, pois nho, lá eles plantam, colhem e escravo, então, eles deviam terele machucasse demais um moem a cana, além de, também, uma péssima alimentação. Eescravo ele poderia ficar sem transportá-la até o porto. pelo que eu observei do localmão-de-obra e só dar despesas. Algumas mulheres pitores- onde os escravos ficavam eles Então os senhores preferem não tinham nenhuma higiene. cas trabalham em casas comobater e punir os escravos com costureiras, bordadeiras e nas Essa viagem demorou 65varas e cipó, assim ele pune o hortas que existem no quintal. dias, porem finalmente che-escravos sem fazer com que o Elas também cuidam de crian- guei ao Brasil, e ainda ao mes-escravo pare de trabalhar. ças brancas e muitos outros tra- mo tempo em que os escravos Na casa grande, as mulhe- balhos domésticos. chegavam. Vi que eles eramres brancas tinham pedaços de Dias atrás ouvi um jesuíta, separados em vários grupos, osgalhos para bater nas escravas que advertia os senhores do en- recém-chegados da áfrica eramcaso estas a desobedecessem. genho a bater nos trabalhadores distinguidos em boçais, os que apenas com chicotes e objetos já entendiam o português eram do gênero, pois se os agredis- chamados de ladinos. Eles eram Marcos, 8° manhã sem com um pau na cabeça, por vendidos para proprietários de 7
    • terra. E não permaneciam com Viagem ao Novo 40 escravos domésticos, masseu nome de origem, seus do- isso depende do dinheiro donos davam-lhes nomes, sem Mundo de Felipe senhor de engenho e do apoiomesmo perguntar seus antigos Vanperci da coroa portuguesa.nomes. Fiquei perplexo ao ver Outra parte essencial de umisto. engenho é a fazenda de cana- Acompanhei alguns escra- Dia 5 de Abril de 1771, aqui de-açúcar, que pode ser umavos até um local chamado en- estou eu, Felipe Sauchen Du- pequena plantação, até gigan-genho, onde trabalhavam na chan Kuaiver Vanperci, escre- tescos campos de cana-de-açú-produção da cana de açúcar. Os vendo o meu primeiro relató- car. Nestes campos, trabalhamescravos exerciam varias fun- rio sobre a colônia portuguesa muitos escravos, que na maio-ções como o plantio de cana- denominada Brasil. Durante a ria das vezes são homens, adul-de-açúcar bem como a colheita viagem pelo oceano enfrentei tos e fortes, pois o trabalho come ainda botavam-na para moer, problemas quase catastróficos a cana é difícil em todas as suasacondicionavam-na e por fim, como tempestades, fome, sede etapas, desde sua plantação atétransportavam-na para os por- e o menor deles: a falta de hi- seu moimento para virar açúcartos e navios que levavam o açú- giene. e fazer deliciosos doces.car para a Europa. Outra parte importante é o Acabamos de chegar ao Percebi que o uso de roupa porto e estou espantado com a próprio moinho que pode serera raro por parte dos escravos, natureza bela e abundante des- manual, a água ou ambos, de-eles usavam pouquíssimas rou- te local, mas logo em seguida pendendo da quantidade depas. As mulheres usavam uma recordo que não sou bem vin- açúcar que se desejava produ-blusa e saia de um tecido velho do aqui, então volto a me sen- zir e da riqueza do senhor.e os homens usavam somente tar no convés imundo do navio E por último, mas não menosuma calça. Além disso, tam- que me trouxe até o momento importante, a senzala, ah, meusbém reparei que os escravos do desembarque em terra. Tam- queridos leitores, se eu contarhomens trabalhavam em tare- bém tenho que procurar um a vocês não irão acreditar, es-fas manuais, por exemplo, no local onde poderei ficar por um tas senzalas abrigam muitos eengenho ou na lavoura... Já as tempo, enquanto faço meus re- muitos negros amontoados quemulheres trabalhavam em tare- latos sobre a vida das pesso- dançam uma estranha dança,fas domésticas e eram tratadas as aqui e como tudo funciona, que fumam pango – uma erva -como inferiores. para obviamente, publicar em e que vivem praticamente nus, meu livro que se chamará Via- trabalhando arduamente. Depois fui com eles ao lugar gem ao Novo Mundo.onde comiam. Porém, nem se Felipe, 8° manhãpode falar que eles comiam, os Dia 7 de Abril De 1771, aquiescravos ingeriam somente car- estou eu em meu segundo rela-ne seca e raramente verduras e tório, nós já arranjamos um lu-alguns frutos. Também encon- gar seguro para ficar, mas agoratrei alguns animais como patos, lhes contarei sobre os engenhos Viagem e batalhascabritos e leitões, que serviam e como eles funcionam, já quede alimento – aos senhores. Po- estou, como posso dizer, em no Novo Mundorém, mesmo os fazendeiros ri- um.cos se alimentavam muito mal. Um engenho tem várias “partes” que formam sua “en- Sou Rodrigo Van Roos, um Carolina S. 8° manhã grenagem”, e a primeira que Holandês. descreverei será a casa do se- Saí da Holanda no dia 25 nhor de engenho que pode va- de fevereiro de 1630, durante a riar desde uma casa simples viagem meu barco naufragou, com apenas um criado até um sorte que ele afundou perto da enorme casarão com mais de 8
    • terra firme, assim consegui na- e da comida. que também estava indo peladar até lá. primeira vez ao novo mundo, Rações de farinha de mandio- quando chegamos perto do por- Cheguei ao Novo Mundo ca ou milho, coquinhos chama- to, o barco soltou alguns sina-no final da lenta guerra entre dos aquês, feijões e hortaliças, lizadores para avisar que nãoos flamengos (holandeses) e os faziam parte do cardápio ali- havia peste. No mesmo dia,esquadrões organizado por co- mentar dos moradores do enge- encontrei a minha hospedaria elonos portugueses e formado nho, e, por extensão, em maior decidi começar a visitar as la-por negros, índios e soldados ou menor quantidade, também, vouras no dia seguinte.a serviço da coroa Portuguesa dos escravos. Carne de galinhae Espanhola. A guerra lenta era era comida, principalmente, por No dia seguinte, a primei-uma guerra feita por embosca- doentes. Havia muitos escravos ra coisa que notei foi o grandedas e assaltos. viciados em cachaça e pango, numero de escravos trabalhan- uma erva contrabandeada da do. Eles se vestiam muito mal No inicio, esta guerra no África. e com poucas roupas. Quandomato era uma coisa estranha perguntei ao responsável bran-para os homens por causa das As roupas, por sua vez, eram co porque eles se vestiam as-emboscadas (e isto eu ouvi da muito raras. Eles, os escravos, sim, ele me respondeu: “porboca de um mercenário inglês à cobriam-se, geralmente, com causa do forno de lenha”, queserviço dos holandeses), os na- muito pouco. As mulheres ves- funcionava nos engenhos. O ca-tivos preferiam esperar as tro- tiam saia e blusa feitas com lor nas caldeiras era vulcânicopas mercenárias holandesas nas panos de Surrate ou baeta, e os e por isso usavam os escravosmatas, onde conheciam o ter- homens usavam apenas calça, “mais fortes” para a função dereno melhor para enfrentar os assim, ficando sem camisa. cuidar do forno.bem treinados mercenários emcampo aberto. Uma tática que Rodrigo, 8° manhã O mais interessante que videmonstrou ser uma invenção foi nas áreas rurais, havia mui-assassina que matava muitos tos escravos fazendo trabalhosoldados - do lado holandês. sem parar. Quando o açúcar A Viagem de era embalado ele era levado em Encontrei muitos escravosde origem indígena e depois Bruce caixas por transportes fluviais ou em carros de boi, chegavamafricana; era comum os homens até os portos de embarque.trabalharem em engenhos deaçúcar, um produto muito va- A condição de vida dos es-lorizado na Europa. Nas áreas Ano: 1642 cravos era muito ruim, pois osrurais, as plantações de cana lugares onde descansam tam-drenavam escravos sem cessar. Meu nome é Bruce, moro na bém era muito ruim. O trabalhoSubmetidos a senhores e admi- Inglaterra minha família é no- dos escravos é tão ruim que osnistradores, os cativos tinham bre, moro com minha família, escravos comem terra para mor-que se integrar a uma divisão sou aventureiro e escrevo para a rer, pois é muito dificil fugir.de trabalho bem sofisticada. Os corte, tenho 28 anos. Hoje estouescravos tinham que aprender a caminho do novo mundo para Guilherme P., 8° manhãvariadas funções, por exemplo, escrever sobre a vida dos escra-de oficias da casa de caldeira. E, vos para meu príncipe Jimmyno geral, aprendiam o serviço Page.da enxada, o serviço de moen- Após a longa viagem peloda ou da horta, como carreiros, oceano, cheguei ao continente.carapinas, pedreiros, conduto- No barco tinha muito pouca hi-res de saveiros. As escravas do- giene e todos se preocupavammésticas tinham que aprender a e tinham medo de pegar doen-costurar, bordar e cuidar da casa ças, havia muita gente no barco 9
    • 10
    • “merece”. É claro que o senhor dos e mesmo assim, encolhidos. tem todo direito, mas o resto O barulho do chicote batendo Diário de viagem do povo pode vê-lo com maus na carne nua e os gritos de dorde Charlotte Felton olhos. ecoam pela casa mais que suas vozes. Os homens escravizados fa- zem o trabalho pesado, todos os O sino toca e neste momento É uma mudança drástica no dias em baixo do sol escaldante, eu me despeço. Está na hora doambiente. Como uma senhora cortando canas-de-açúcar e mo- jantar.inglesa sofisticada, o ar, matas endo o que colhe nos engenhos.e animas deste novo mundo são O ar seco e clima sem chuva pa- Charlotte Felton, dia 15 dealgo surpreendente e, ao mes- recem perturbá-los muito. abril de 1771 – Brasil.mo tempo, assustador. Graçasao fato de ter que acompanhar As mulheres negras ama-meu marido nesta viajem, estou mentam as crianças brancas, Petra, 8° manhãpresa aqui. É tudo tão estranho. enquanto as senhoras clarasTão diferente. Tão anormal. A enfeitam os cabelos ou alfabeti-principal característica deste zam os filhos mais velhos.mundo tão estranho são os es-cravos mal vestidos. Os pés descalços dos homens A Viagem de negros lá fora andam cada vez Vandervart Eles são tratados como infe- mais sofridos, parecendo doerriores. Sentados ao chão como mais e mais. As costas de al-um bando de animais. Carre- guns desobedientes sangram aogando coisas para lá e para cá, sol e suas faces cansadas mos-com medo que se pararem por tram dor. Caro leitor, sou Vandervartalguns segundos serão bru- As árvores belas fazendo da Inglaterra, estou escrevendotalmente punidos. Pedaços de sombra e produzindo frutos em nome do príncipe Carlos dapaus e galhos estão sempre ao deliciosos tornam a paisagem Inglaterra. Depois de 49 dias noalcance das mãos nas cadeiras deslumbrante. Pássaros estra- mar finalmente cheguei à colô-e cestos na sala de jantar, espe- nhos voam e cantam pelo céu.nia portuguesa chamada Brasil,rando serem usados para punir e Alguns são tão grandes que pa-mal comecei a explorar a regiãodisciplinar. recem enormes cavalos. e dei de cara com alguns enge- nhos de açúcar, acompanhados Surpreendentemente, aqui é Os escravos nunca falam ou de uma igreja com vários es-mau visto aquele que maltra- olham nos olhos. Com medo nas cravos indígenas e africanos,ta seu escravo mais do que ele faces, só falam quando invoca- fiquei chocado com a nudez dos 11
    • indígenas, mas, o que parece es- agora tenho visto tipos exóticos sendo negros, ainda são homenstranho para gente, é normal para de animais e homens, nos quais e irmãos. Eles merecem os mes-eles. nunca vi antes. mos direitos que nós. Reparei que havia poucos As condições de vida dos es- Juliana Ketzer, 8° ma-escravos índios, mas muito es- cravos são péssimas. As mulhe- nhãcravos negros (da África). Os res negras geralmente cuidam doportugueses preferiam os es- trabalho doméstico, mais leve,cravos africanos, pois eles não porém ainda difícil. Cuidam das Viagem malucaconheciam o lugar tanto quanto crianças, dão leite, cozinham,os índios, assim não teriam tanta limpam e arrumam.facilidade para escapar. Os homens cuidam do traba- Eu viajei no tempo em busca Fiquei na casa de um senhor lho duro, muitas vezes expostos da espada laser do Skywalker,branco, vi as escravas no traba- ao sol quente do dia. A má ali- mas eu caá no Brasil do séculolho doméstico, elas costuram e mentação é muito frequente, os XVI.servem a mesa de manhã e de senhores de engenho se alimen-noite, durante as refeições. tam de carne seca e raramente Quem colonizou o Brasil comem frutos ou verduras, por foram os portugueses e quem Percebi, também, que a eco- isso, doenças por falta de ali- trabalha para eles são os escra-nômia da colônia é movida mentos são muito comuns nos vos que vieram da África, elespelos escravos. Eles colhem a engenhos. Os escravos comem são maltratados e os seus donoscana-de-açúcar, a trituram no as sobras da comida dos senho- dão varadas neles. As escravasmoinho do engenho e colocam o res de engenho e muitas vezes usam saia e blusa e os escravoscaldo em uma fornalha. Depois, não têm o que comer. calças.quando ela seca, batem o caldopetrificado para deixa-los grãos Os escravos usam calças Vinícius Boró, 8° tardee assim poderem ser embalados compridas e não usam camisas,e enviados aos navios nos por- as mulheres usam saias curtas,tos. e, para minha surpresa, às vezes nada sobre os seios. O abuso se- Lucas P., 8° manhã xual de mulheres negras é fre- quente. Muitas vezes elas têm Os escravos na filhos com os senhores de enge- nho. Raramente, o filho herda a Colônia fazenda, mas em alguns casos, ele se torna um escravo como Diário de sua mãe. Os escravos eram tratados como inferiores, como escravos Viagem Os escravos são vendidos mesmo. Comiam ração, aquês, como mercadorias, eles são tra- tados como animais e objetos. feijões e hortaliças. E se fizes- Os senhores de engenho os pu- sem coisas que seu dono não Meu nome é Drika Verho- nem quando tentam fugir, ou gostassem levavam chicotadas.even e viajei porque o Rei me fazem coisas erradas, mas não Alguns escravos trabalhavammandou para relatar as condi- fazem questão de matar, se não, com a produção de cana-de-ções dos escravos nos engenhos teriam menos mão de obra para açúcar, alguns trabalhavam nasda colônia portuguesa chamada trabalhar em sua fazenda. casas fazendo comida e arru-Brasil, estamos no ano de 1725. mando a casa e outros em vez de Essa era minha missão, e eu a cortar a cana-de-açúcar moíam aSou holandesa e tenho 19 anos. cumpri, relatei tudo o que vi por cana. Eles dormiam em senzalasHá poucas mulheres viajando, aqui, provando que os escravos e quando se machucavam mo-porque as condições nas em- são mal tratados e a escravidão endo a cana, perdendo a mão oubarcações são péssimas. Até tem de acabar, porque, mesmo perdendo uma parte do corpo, o 12
    • seu dono fazia um curativo no No tempo que estive lá, per- que se não cumprissem, leva-escravo machucado e o obriga- cebia que havia uma ordem e vam varadas, chicotadas e mui-va a continuar trabalhando que um complicado processo para se to raramente pauladas.nem um condenado. produzir o açúcar. tudo começa- va com os escravos colhendo a Eles usavam de tudo para Arthur Pedroso, 8° canas com facões e foices. Após ficarem trabalhando o máximo tarde terem feito isso, eles transpor- que podiam aguentar, para isso, tavam a cana para os moinhos, era muito comum escravos uti- que se localizavam nos próprios lizarem o pango – uma erva que engenhos. Existiam dois tipos traziam da África e era fumada de moinhos no engenho em que – e a cachaça, feita do próprio Companhia das eu estava, um moinho de água e caldo da cana-de-açúcar. Isso diminuia o sofrimento dos es- Índias Ocidentais outro movido por escravos. cravos por um tempo, mas logo Quando a cana era moída, o escravo adoecia e morria. extraia-se dele um caldo, que Ao meu senhor Nassau era transportado para a fornalha Então meu senhor, foi isso onde se solidificava. Depois que que consegui coletar de infor- Caro senhor, viajei no ano de saía da fornalha ele era empaco- mações durante minha estadia1602 para o Novo Mundo. Saí tado e transportado por escravos no Novo Mundo.dos portos da Europa no mês de até o porto.maio e cheguei no mês de ju-lho. O engenho se localizava per- Hugor Borba, 8° to da selva, mas não muito longe manhã Quando cheguei lá, logo fui do porto para que se facilitassepara um dos primeiros enge- o transporte e para que não fal-nhos, onde fui trabalhar como tasse madeira para a fornalha ecarpinteiro. para as peças que eu esculpia. As casas da família dona do Os escravos por si eram umaengenho tinham poucos mó- parte importante do engenho emveis, além de sua mobília feita que eu estava, eles é que faziampor mim, que seriam as camas, todo o trabalho manual e pesa-baús, móveis, cabides, etc. do. Eles tinha metas a cumprir, 13
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    • um mar de arvores. Atravessa- Anotei tudo em meu caderno, mos a selva e depois avistamos nos mínimos detalhes. Essa se- Uma Viagem algumas pessoas que já estavam ria a primeira e a última vez que Estranha habitando a região: já havia vi- fiz isso. las, igrejas e edifícios maiores. Não eram nativos, lógico. Mas No últimos dias da viagem, a alguns nativos estavam entre tarefa era explorar uma casa do Para começar: meu nome é eles, mesmo que vivessem mais novo mundo, para saber como éKathryn Camsey e vivo na Fran- nas florestas. Os nativos usavam a convivência e os costumes dosça sobre a coroa francesa há 6 a tintura de algumas plantas- escravos com os outros.anos, mas sou britânica nata. Es- como urucum- para fazer pin- Os escravos vindos da Áfricatamos no ano de 1780. turas corporais; caçavam com faziam os trabalhos mais duros, enquanto os outros – os que ha- Vamos onde tudo começou: arco e flechas. viam nascido na colônia - fica-recentemente, a pedido do prín- Em menos de três dias os vam com trabalhos mais levescipe, temos que nos voluntariar comandantes da viagem já ha- e de confiança do senhor. Empara uma viajem cujo objetivo viam arranjado casa para nós. relação aos escravos africanos,é recolher informações sobre Enquanto isso, passávamos as nunca tinha visto gente com oterras exóticas, que segundo ele noites na caravela, em nossos tom da pele mais escura, maspoderia ser útil para o conhe- aposentos. Era programado para eu acho errado classificaremcimento cientifico e engrande- ficarmos um mês lá, mas tínha- as pessoas desse jeito. Eles atécimento da nossa nação. Achei mos a opção de escolher apenas agrediam os pobres negros casointeressante e embarquei como duas semanas. Foi a que esco- não fizessem o trabalho comovoluntaria, sou a única mulher lhi. Não iria ficar com aqueles desejado; mas, mesmo em rela-num bando de homens, aalém animais por mais de sete dias. ção a punição, havia restrições:de Ema Faure, uma loura que segundo algumas ideias dos se-veio junto com seu marido. Deram-nos as instruções nhores, não era bem visto matar quando fomos para nossa hos- o próprio escravo, sem contar II. A Viagem pedagem em terra firme. Cada que isso causaria ao proprietário Bem, agora estou dentro da uma tinha dois ou quatro escra- um enorme prejuízo. Eu odieicaravela, sentindo o vento em vos- dependendo do tempo que tudo que vi na relação entre se-meu rosto, tranquilamente, en- iria ficar. nhores e escravos. Os meus es-quanto eles não param de falar Nos primeiros dias fomos cravos temporários foram bemlá em baixo. Estou no mastro. até os engenhos para conhecê- simpáticos, até.É o único lugar em que não sou los: ficavam perto dos rios, e do No último dia de nossa hos-incomodada; não sabia que terí- litoral. O engenho trabalhava pedagem na colônia, encon-amos tantos idiotas como volun- incessantemente moendo cana trei um francês que havia vistotários. por meses. As casas, ao redor quando visitei o engenho e que ficou olhando para mim. Não É o primeiro dia de viajem, do engenho pertenciam ao se- pude evitar em reparar nele tam-e por enquanto está tudo bem. nhor do engenho, eram bonitas. bém: loiro, com uma barba notá-Não sei quanto tempo falta para Sua esposa, incrivelmente mais nova do que ele, servia apenas vel, da mesma e exata cor de seuchegarmos em terra firme. para gerar filhos e ficar dentro cabelo e brilhantes olhos azuis. III. A Chegada de casa. Gostava de ficar isolado no na- vio, como eu, mesmo que agora Acordei com as ondas ba- Nos moinhos, trabalhavam o navio estava menos apinhadotendo no navio pensando que mais gente, além dos senhores e de gente. Nos conhecemos e nospoderia ser aquele pesadelo de escravos, também existiam mui- tornamos próximos.novo. Mas não. Logo percebi tas outras pessoas que serviam Ele ajeitava meu cabelo atráso continente no horizonte. E é ao senhor, das mais variadas da orelha sempre que estavabem diferente da França. Uma profissões. O engenho era real- me incomodando. Ele estavapraia que acaba bruscamente em mente enorme. apaixonado por mim e por mi- 15
    • nha destreza. Era possível notar molhada, pois, com isso a pro-isso em seu rosto. É estranho teína que fica na terra é mais Dia 06/04/1656ver como eu consegui viver um concentrada.romance tão estranho, em uma Descobri que os habitantesviagem tão estranha como essa. Os engenhos eram tocados locais alimentavam-se mal, com Mas um pouco de amor de pelos escravos rodando a ma- duras carnes secas. E comiamnunca afeta ninguém. Ainda não nivela que formavam as engre- poucas frutas e legumes, emsei ao certo o que farei quando nagens dos engenhos. Os enge- compensação comiam muitoschegar na França de novo. Tal- nhos são construídos no interior doces, como: goiabada, marme-vez devesse entregar os meus de casas feitas de adobe e tai- lada, mel de engenho, cocada eregistros para o príncipe, e de- po. doce de caju.pois ir para casa e nunca mais A maior parte dos engenhos O senhor de engenho sofriasair de lá. localizava-se à beira dos rios de doenças de estômago, não como o do Paraguaçu, Jagua- por causa da má alimentação, Giovana, 8° manhã ribe e o Sergipe, na Bahia, e o mas pelo sol e umidade em ex- Beberibe o Jaboatão, o Uma e cesso. Berimbau, em Pernambuco. Além disso, a formiga saúva, a enchente ou a seca atrapalha- Vinicius Paiva Souza, 8° vam no plantio e na colheita dos Relato de Johan tarde alimentos e produtos agrícolas. Dia 06/05/1656 Meu nome é Johan, estoupartindo da Bavária com desti- No outro mês fiquei saben-no ao Brasil. Hoje é dia vinte e Vandor e as do que os engenhos, a maioriadois de maio de 1649, sou um deles, eram feitos perto de riosespião e vou me infiltrar na co- descobertas do como: Paraguaçu, Jaguaribe, Sergipe, Beberibe, Jaboatão,lônia portuguesa. engenho Uma e o Serinhaém e outra Já se passaram dias desde grande parte se localizava naminha partida e agora acabo de mata, pois senão o transportedesembarcar no porto de Reci- Outubro de 1655. até o porto ficaria muito caro.fe, no Brasil, estou indo para Era também necessário ficaruma hospedagem aqui perto, Faz três meses que eu, es- na mata porque tinha grandeamanhã partirei para a minha pião holandês, Vandor Hoge- fertilidade e bastante lenha.pesquisa sobre a estrutura eco- ensen concluí minha missão no Muitos ficavam à beira donômica da colônia dos portu- Brasil. rio, pois o gado e as pessoasgueses na América: o comércio Viajei por três dias em um precisavam d’água doce e osde açúcar. navio a pedido da coroa holan- engenhos precisam de grande desa, o objetivo era descobrir mão-de-obra e grandes planta- A principal ferramenta para como funcionava o engenho, o ções. A mão-de-obra que elesfazer o açúcar é o engenho. O melhor lugar para construir, a utilizam era de escravos.açúcar é feito da cana-de-açú- mão-de-obra etc.. Assim a cortecar. É o engenho que usa mais poderia ter idéias para influen- Dia 06/06/1656a cana para fazer o açúcar, os ciar e melhorar a economia nasescravos extraem o caldo da colonias do meu próprio país. No mês seguinte coletei maiscana, que se denomina garapa, Assim que cheguei tive um informações. É que muitos bati-e é desse líquido que se faz o pouco de dificuldade para en- zavam seu engenho com nomeaçúcar. tender o idioma, mas depois de santos protetores: São Fran- logo me acostumei. Irei lhes Os engenhos são construídos cisco, São Cosme e Damião, contar dede o meu primeiro mêsperto dos portos, pois a terra é Santo Antonio. Outros tinham até o ultimo.mais fértil por causa da terra nomes africanos e até de frutos 16
    • de árvores. Desde que eu cheguei ao Bra- Na família senhorial é pa- sil, tenho prestado atenção natriarca que manda, exige respei- vida dos escravos e como fun- Diário deto e autoridade. Suas esposas são cionam os engenhos. Estes pre-na maioria das vezes jovens esó servem para cuidar do servi- cisam de grandes plantações de cana-de -çúcar e grande mão de Mituhanço doméstico e gerar filhos, mas obra escrava, pois eles plantamna ausência do marido é ela que a cana, colhem, moem a cana e,toma conta dos negócios. O se- acondicionam e transportam onhor também procurava as mu- açúcar.lheres escravas para satisfazer Eu saí da Bavária no diaseu prazer. Nestes últimos dias estive 11/11/1625, em direção ao Bra- mais atenta ao jeito que as outras sil, tinha que observar os enge- Bruna Sthefanie, 8° tarde pessoas tratam e enxergam os es- nhos dos portugueses no Brasil. cravos. E descobri que estes são Essa missão foi concedida a mais tratados como “coisas”, o que é cinco pessoas, pelo rei. considerado normal e uma regra seguida pela igreja Católica. Finalmente chegamos ao Brasil, fingimos ser navegadores Novo mundo, Mas quem dá muito casti- portugueses, agora que começa go físico é condenado. Não se minha missão. pedaços de um deve dar “couces” (pauladas), diário principalmente na barriga das Eu percebi que a mão-de-obra mulheres grávidas, nem é per- era formada por negros africa- mitido aleijá-los, pois com isso nos, eles trabalhavam sem cessar 10 de dezembro de 1650 não trabalharão mais com tanta e dava pra perceber que trabalha- eficiência. Ao invés disso, os se- vam por medo, havia um senhor Eu sou Emma, e hoje saí da nhores preferem dar varada com que ficava olhando com um chi-França de navio, com destino ao cipó nas costas para punir os es- cote e os escravos faziam tudo,novo mundo, a colônia portu- cravos. cortavam a cana, plantavam eguesa Brasil, em serviço da Co- colocavam para moer, eles eram Os escravos comem ração de tratados como coisa, objetos e,roa Francesa. farinha de mandioca ou milhos, pelo que eu percebi, era possível E aqui começa a minha aven- coquinhos chamados aquês, fei- ao escravo comprar sua liberda-tura! jões de hortaliças. E os doentes, de, mas poucos conseguiam. Hoje, 45 dias depois da mi- carne de galinha.nha partida, cheguei ao Brasil, Hoje um senhor me convidouem Pernambuco. As escravas vestem saia e para ir a sua casa, eu vi que os Aqui o porto é bem agita- blusa feitas com pano de surrate senhores tem uma alimentaçãodo por causa da exportação de ou baeta e os escravos só usam muito ruim eles raramente co-açúcar. Além disso, muitos en- calças. mem frutas, e as frutas que vemgenhos se encontram próximos Para aliviar o sofrimento do de Portugal chegam mal conser-do porto, pois seus donos podem cativeiro, usam cachaça e ma- vadas, mas eles abusam muitoeconomizar no transporte de conha, aqui chamada de pango, nos doces, que são, normalmen-açúcar até os navios. Também te, feitos a partir do caldo de que são trazidas pelos navios.ficam nas matas porque as terras cana-de-açúcar.são férteis e têm bastante lenha. Catarina RodriguesAs terras são tão boas que nem A base dos engenhos são osprecisam de irrigação, mas como Sampaio, 8° tarde escravos, pois sem eles nadao gado e os escravos precisam de funcionaria. Os engenhos ficamágua doce, muitos engenhos fi- próximos de rios e do litoral,cam à beira dos rios. porque barateava o transporte dos sacos de açúcar até o porto. 17
    • Os engenhos também precisa- tipo de terreno e fortunas ouvam de muita lenha, então os podiam ser vendidos. Eram vis-senhores preferem construí-lo tos como mercadorias e se ali- A vida dospróximo de rios. mentavam de sobras de comi- da. Para aliviar toda a pressão escravos No interior dos engenhos e sofrimento, eles inventaramexistem vários mecanismos, a alguns tipos de jogos e danças“máquina” para moer a cana é como, por exemplo, a capoeira. 04/02/1700basicamente vários rolos bemperto uns dos outros e dois es- Em minha opinião, sem dú- Acabei de chegar nacravos que fazem força para vidas, os escravos não eram tra- Bahia pelo Rio Sergipe, numagirar uma manivela de madeira tados como seres humanos. Não viagem de 45 dias, estou ali-presa aos rolos, que fazem com tinham nenhum tipo de liberda- viado por finalmente chegar emque eles rodem e esmaguem a de, muito menos poder político. terra firme, já estava ficandocana. Não faziam parte da sociedade. enjoado com balanço do navio. Eram condenados a trabalhar. Estou me dirigindo para uma Gregório P. Hirama, Eram proibidos de praticar sua hospedagem onde ficarei duran- 8° tarde religião de origem africana ou te a minha missão. Fui manda- de realizar suas festas e rituais do pelo rei da França Luís XIV africanos. Tinham que seguir para mandar um relatório sobre uma única religião: a católica. a vida dos escravos nos enge- As condições de Quem sofria com a escravi- nhos. dão, não eram apenas os adul- 05/02/1700 vida dos tos. As crianças negras também. Hoje consegui me infiltrar escravos Elas eram completamente ex- em um engenho e iniciei as mi- cluídas da riqueza e do conheci- mento, quando estavam na casa nhas observações. dos senhores deviam sentar-se Os escravos podem ocupar Meu nome é Scarllet, sou no chão e vestiam roupas extre- as seguintes posições: oficialuma jovem peregrina, vivo via- mamente simples ao contrário da casa de caldeira, purgadores,jando em busca de novas des- de outras crianças brancas, que no serviço de enxada, como tra-cobertas. Parti da França para o tinham uma qualidade de vida balhadores da casa de caldeira,Brasil, a mando de meu senhor, infinitamente melhor. carreiros, carapinas, pedreiros,para poder conhecer e observar condutores de saveiros, costu-a cultura de outros povos. Escrevi esse relato, para abrir os olhos das pessoas. Quem reiras, bordadeiras e lavadeiras. Participei de várias guer- sabe, se batalharmos muito, du- Eles trabalham mais de 14 horasras, tive várias experiências de rante algum tempo e se todos por dia.habitar lugares novos e conhe- nós ficarmos unidos consegui- Os escravos dormem em lu-cer o que os povos cultivavam. remos lutar pela liberdade dos gares chamados senzalas queMuitos deles cultivavam vários homens escravizados. são lugares sem iluminação fei-tipos de alimentos, como frutas, ta de madeira e telhas de barromandioca, milho e batata. Mas Aguarde, ainda vamos con- e sem assoalhos. As puniçõeso que mais me chamou atenção seguir o fim da escravidão. E aplicadas são dolorosas, porém,em minha viagem foi o modo escreverei novamente assim leves, pois se um escravo mor-de vida dos escravos. O que vou que puder. rer ou ficar aleijado, isso poderelatar, agora. Deixo a minha palavra. Se as significar um prejuízo ao senhor Quase todos eles eram ne- pessoas ficarem unidas conse- de engenho.gros. Serviam seus senhores e guiremos! 06/02/1700patrões da maneira mais sofrida Fabiana, 8° tardepossível, como por exemplo, Hoje fiz as seguintes obser-podiam ser trocados por algum vações: 18
    • Os escravos se alimentam Vim pra cá, na 47ª caravela e dormem acorrentados para nãode farinha de mandioca, milho, como já é de vosso conheci- fugirem. Também são castiga-coquinhos, feijões e hortaliças; mento muitos homens e escra- dos e açoitados constantemente.os doentes comem carne de ga- vos morrem na viagem, vitimas Não podem praticar sua religiãolinha, porém, esses alimentos de doenças, fome e falta de con- e são obrigados a seguir a reli-geralmente são de má qualida- dições de higiene. gião católica imposta pelos se-de ou estragados. Eles bebem nhores de engenho.aguardente e consomem pango Vos envio esta carta paraque é uma erva trazida clandes- pedir que enviem uma nova Isaac Campos, 8° tardetinamente nos navios negreiros, remessa de escravos, pois qua-eles as usam para aliviar o sofri- se todos de meu navio ficarammento do cativeiro. doentes. Obrigado. Os escravos são divididos O destino deem três grupos: os boçais, que Nêmesessão os recém chegados da Áfri- 1/4/1648 Aristhaca, os ladinos que já entendem oportuguês, pois já estão no Bra- Senhor, vivo no Brasil hásil há algum tempo e os criou- exatos oito anos e como a mis- Olá, meu nome é Aristha,los que são os que nasceram no são que me foi dada estou re- tenho 17 anos e sou inglesa,Brasil. Os grupos estrangeiros portando minha estada aqui. meu pai é mercador de peixenão gostam muito dos crioulos.Os escravos africanos são man- Desde que vim para cá ini- e minha mãe é uma cozinheiradados para os trabalhos pesados ciei o cultivo de cana-de-açúcar de uma família muito rica e po-e os mulatos e crioulos são de- e, apesar dos impostos, tem me derosa de Londres. Eu sou umasignados para tarefas mais le- trazido um bom lucro, além da peregrina, por isso não vejoves. possibilidade de participar ati- muito meus pais, faço muitas vamente da estrutura do poder missões e protejo meu reino do Gabriel, 8° tarde colonial. mal. Hoje primeiro de janeiro de 1700 voltava para casa para Agora, a pedido do rei, te- visitar meus pais, o vento esta- nho algumas informações sobre va forte e balançava meus cabe- a vida dos escravos na colônia. los vermelhos, eu andava pelas Cartas de O transporte dos escravos da ruas vazias de Londres, as ruas África ao Novo Mundo é feito podiam estar vazias, mas as ca- nos porões dos navios negrei- sas estavam cheias de pessoas Nêmeses ros, os escravos ficam amontoa- que dançavam e cantavam co- dos e em péssimas condições. memorando o ano novo, dobrei a esquina e logo vi a casa de 12/3/1637 Muitos morrem antes de che- meus pais, mas estranhei ao ver gar ao Brasil e seus corpos são uma carruagem da realeza, sen- Meu senhor, em breve serei lançados ao mar. ti um aperto no coração andeienviado para a colônia, peço avosso rei que melhore as condi- Nas fazendas de cana, os es- mais um pouco e entrei.ções das Naus. cravos são muito maltratados, Ao me ver, minha mãe me trabalham de sol a sol e, em abraçou, meu pai franziu a tes- Como sabes, fui instruído a troca recebem trapos de roupas ta, os guardas e o príncipe sorri-lhes reportar a cada 8 anos, tudo e alimentação de péssima qua- ram, eles eram três.o que eu vir, portanto, adeus. lidade. - O que você aprontou desta 1/4/1640 Passam a noite nas senzalas, vez Aristha? Perguntou meu pai que são galpões escuros, úmi- confuso Cheguei a nova terra, a qual dos e de péssima higiene. Todostem um clima muito agradável. 19
    • - Que eu saiba nada. migo, mas se morrer morrerei um grande campo bem aberto de glória. Mas mãe, pai sempre onde havia vários cavalos, eu - Aristha ouvi falar muito irei amar vocês lembrem-se fiquei perto de uma linda éguabem de você! Disse o príncipe disso. marrom com a cara branca. O - Vamos direto ao ponto. príncipe logo apareceu: Uma lágrima escorreu em - Bom dia guerreiros e guer-Disse eu meu rosto, mas eu a sequei rapi- reiras hoje irão iniciar o trei- damente e entrei na carruagem, - Gostaria que se unisse a ou- namento de campo, primeirotras 17 mulheres e 45 homens o príncipe me ajudou, os guar- escolham um cavalo, depoispara irmos até Portugal aonde das começaram a movimentar a pratiquem o manuseio da espa-embarcaremos para o Novo carruagem, acenei para os meus da e por ultimo montem no ca-Mundo. pais que choravam e logo eles valo e pratique o manuseio da desapareceram no horizonte. espada com um colega. - E eu serei paga por isso? Minha mente estava vazia, eu Nós treinamos durante dois - Muito bem paga,no míni- estava mais pálida do que nun- dias, no dia 5 acordamos bemmo 10000 moedas em ouro e ca. cedo as 5h00 horas, arrumamosentão? Logo o príncipe falou: nossas coisas e os suprimentos, saímos as 7h00 e fomos até o - Eu aceito desde que tudo o - Aristha já te falaram que... porto onde um veleiro de trêsque receber seja dado aos meus Você é muito bonita? velas nos aguardava, foram 4pais. - Já sim. dias de viajem até San Sebas- Neste momento minha mãe tian na Espanha, e de lá foramarregalou os olhos, meu pai co- - Você viaja muito? Mata 2 dias a cavalo até Cascais emçou a cabeça e agora os guardas monstros? Quais? Portugal.estavam confusos. Chegando lá fomos ao en- - Sim já viajei para vários lu- contro do príncipe Camafeu e - Tudo bem. Disse o prínci- gares como Grinford, Damboor, sua tropa, nós conhecemos to-pe, contente. Gratasgrove, Pastos de Swerdi- dos e eles eram muito adorá- field, Kingshil, Floreasta Sel- Eu fui ao meu quarto, peguei vagem, Slimfor, Santuário de veis, escolhemos um lugar parauma bolsa de ombro marrom, Werian, matei vários monstros acampar(gramado) e compra-alguns vestidos, armas e sapa- como; gremilins, bruxas, guer- mos os suprimentos para longatos. Ao sair do meu quarto mi- reiros mortos vivos, monstros viajem; biscoitos, carne salga-nha mãe me abraçou, meu pai do lodo, cães farejadores, espi- da, peixe seco,banha, lentilhas,também me abraçou só que ele ões wildress, javalis da selva, arroz, favas, cebolas, alhos, sal,estava meio sem graça e eu sa- trolls. vinagres, mel, passas e trigo. Abia o que ele pensava. tardezinha fomos caçar para o - Ao contrário de você eu jantar, caçamos alguns javalis e ‘’Minha filha está indo em nunca matei nenhum monstro o assamos na fogueira, enquan-uma missão no meu lugar’’. nenhuma pessoa, meu pai e to ele não ficava pronto can-Eu sai de casa, uma carruagem minha futura esposa são muito távamos e dançávamos váriasbranca com cavalos brancos a exigentes nessa parte eles que- musicas e danças de culturasnossa espera, despedi-me e co- rem que eu não me machuque e diferentes: um pouco de russo,mecei a andar até a carruagem, deixam isso para os mais insen- belga, italiano, dinamarquês,mas antes de entrar minha mãe síveis. Disse ele muito triste. sueco e varias outras culturas.disse: Nós cavalgamos até o pa- No dia seguinte zarpamos de Cascais, eram quatro na- - Mas filha e se você morrer? lácio tranquilamente, conheci vios, e em cada navio estavamLogo senti um arrepio, o vento o Rei, e os 62 guerreiros, nós cerca de 30 pessoas e mais osficou mais forte e os cavalos se descansamos e dormimos com muita nobreza. No outro dia cavalos de cada uma. Foram 3assustaram. fomos acordados bem cedo, to- meses de viajem, no primeiro - Se retornar trarei a paz co- mamos café e nos reunimos em mês enfrentamos um Kraken, os alimentos começaram a apo- 20
    • drecer, no segundo mês pulei Os engenhos eram bem per-no mar para pescar mas apenas tinho do litoral, caso contráriopesquei um bacalhau velho e os escravos fugiam para selva,desgastado, alguns alimentos fi- naquela época uma guerra en-caram meio apodrecidos e só as tre os índios e os estrangeiroscarnes extremamente salgadas, estava prestes a começar, mas Uma certaos peixes e o arroz sobrevive- alguns dias antes vários gruposram, no terceiro mês matamos de guerreiros entraram na mata “basilo*-fobia”uma espécie de serpente mari- para espionar as aldeias indíge-nha, os alimentos apodreceram nas, mas eu não achei uma boapor inteiro. ideia, pois os índios conheciam Querido diário hoje tudo Finalmente chegamos. As melhor a mata do que nós, no parecia calmo, quando de re-montanhas eram grandes e altas, caminho encontramos várias pente, encontrei um índio queos campos verdes de plantações plantas e bichos estranhos. A estava com “basilo-fobia” e elee casarões enormes a vista, nós aldeia era bem estranha, tinha precisava de ajuda, então nósdesembarcamos e com os cava- umas tocas e um rio, ao chegar- continuamos andando até noslos cavalgamos até o vilarejo mos mais perto da aldeia fomos darmos de cara com um mis-que era bem simples, os escra- surpreendidos por índios que sionário, nós três estávamos navos quase sempre eram negros nos torturaram muito, mas por selva quando repentinamente oalguns eram índios, eles usavam sorte eu e Catarine conseguimos missionário teve uma ideia emroupas desgastadas e imundas, fugir. relação ao índio.eles eram alimentados por res- Nós voltamos até o vilarejo - vou catequizá-lo -, dissetos de comida, trabalhavam em e fomos até um casarão onde os ele.pequenos grupos, nos engenhos príncipes estavam hospedados, E, durante a catequização do, onde cultivavam legumes, fru- contamos o que havia aconteci- índio, eu estava preparando astas e animais de criação. Os es- do, e indicamos o local, eles jun- armadilhas.cravos eram sofridos, eles mo- taram uns soldados que tinham - para que todas essas arma-ravam nos engenhos que eram sobrado e fizeram um ataque dilhas? Perguntou o índio.bem rústicos era iluminado por surpresa na aldeia, mas muitas - para a Coroa portuguesa -frestas na parede. crianças morreram, eu fiquei respondi. Cada família acolheu dois muito triste e decidi ir embora,guerreiros em sua casa, a fa- antes de partir, porém, o prínci- * basilo: rei em gregomília que me acolheu também pe tentou me impedir e eu disseuma jovem chamada Catarine, a que voltaria, também disse umafamília nos deu comida deixou ultima palavra: Ian, 8° tardenós tomarmos banho, estáva- - Fique de olhos no horizon-mos cheias de pulgas, mas nos te, que eu retornarei quanto tulivramos delas. Algumas escra- menos esperas.vas trabalhavam lá na casa, eu Fim.estranhei ao ver que elas erambem vestidas usavam colares de Bibliografiapedras preciosas. As jovens da Baseado no jogo me-família liam e aprendiam com dieval Drakensang Onlineprofessores particulares para se E no livro Uma Breve Histó-tornarem boas esposa, uma de- ria do Brasil de Mary del Priorilas chorava muito, pois não que-ria se casar com o pretendente Fernanda, 8° tardeque a família tinha escolhido,mas ela não tinha escolha poisse não casasse com ele ela seriaexpulsa da família. 21
    • estômago, por causa dos maus acorrentados dentro das senza- ares do trópico. Pois na Colônia las para evitar as fugas. é comum as enchentes e secas Costumam ser rústicas, aba- Relatos de um que além de fazerem mal difi- fadas (possuíam poucas janelas) cultam muito a plantação e co- viajante e desconfortáveis. Eram cons- lheita de alimentos frescos. truções muito simples feitas Julia, 8° tarde geralmente de madeira e barro e não possuíam divisórias. Os escravos dormiam no chão duro Hoje, eu estou no Brasil para de terra batida ou sobre palha.saber um pouco sobre como são Na frente das senzalas é comumseus costumes e como é sua eco- a existência de um pelourinho -nômia. Estou um tanto cansadodepois de minha longa viagem Viagem ao Brasil, tronco usado para amarrar o es- cravo onde ele será punido comaté aqui, pois peguei uma cara- Vida dos escravos uma vara ou chicote por algumvela e depois uma carruagem. crime cometido. Meu senhor, o também ho-landês, Vandeer que me man- Fiquei sabendo que os escra- Caro leitor.dou aqui para descobrir mais vos vivem a maior parte de seusobre esse povo. Bem, o que Chamo-me Celemina sou fi- tempo nos engenho trabalhan-descobri até agora se resume a lha do Belizário um homem de do, colhendo e moendo cana.sua economia. sabedoria, julgamento correto, Esse trabalho era exaltante, Os nativos do Brasil cons- sagacidade, bom senso, habili- pois poderia ocupar dia e noi-truíram engenhos, que se loca- dade para ensinar, ignorância, te. Trabalhavam de sol a sol elizam na mata, perto do porto, egoísmo, presunção, preguiça, eram castigados com violênciapois o transporte até os navios imaginação em excesso e uns quando não cumpriam ordens,é mais barato. Alguns também dos homens mais rico da cidade erravam no trabalho ou tenta-ficam próximo aos rios, como o em que eu moro na França. Sou vam fugir. Tinham que executarParaguaçu, Jaguaribe, Sergipe, uma pessoa que adora viajar todos os trabalhos solicitadosBeberibe, Jabotão, Una e Seri- para fora do país em busca de por seu “dono”.nhaém. conhecimento e diversão. A maioria dos engenhos se Além de ser mais barato para Também sou uma pessoa localizava na mata, não muitotransportar até os portos, a van- aventureira e vou contar sobre distante do centro portuário, otagem de ser localizar perto do uma das minhas viagens da qual que se explica pela fertilidademar ou do rio se da porque os viajei para o Brasil em 1602, dos terrenos e pela a abundân-engenhos precisam de muita pois gostaria de conhecer mais cia de lenha que se utilizavaágua para o cultivo de cana- sobre os escravos que existem para alimentar as fornalhas fa-de-açúcar, além disso, as terras por lá. Passei alguns messes em mintas.nesses locais são mais fertéis. senzalas pelo Brasil onde habi- Sobre a alimentação dos na- O número de escravos neces- tava varias pessoas sofridas.tivos, eu descobri que os senho- sários para operar um engenhores de engenho comem muito A senzala era uma espécie variava muito de acordo com omal, comem carne dura e secas de alojamento dos escravos tamanho da propriedade e come quase nunca comem frutos ou brasileiros. Elas quase sempre os altos e baixos da exportaçãolegumes. No entanto, eles co- ficavam próximo da unidade de açúcar.mem muitos doces, como goia- de produção (engenho, minabadas, doces de caju, marmela- A maioria dos engenhos, no de ouro e fazenda de café). Asdas, cocadas e mel de engenho. nordeste do Brasil, possuía entre senzalas eram galpões de por- Fiquei sabendo, também, sessenta e oitenta escravos, mas te médio ou grande em queque o senhor do engenho sofria havia propriedades operando os escravos passavam a noite.de muitas dores e problemas no com mais de duzentos cativos. Muitas vezes, os escravos eram 22
    • Em Pernambuco, instalavam- e, bem do lado, escondido, umase engenhos ao longo dos rios mala com as roupas do peixei-que se concentram próximo do ro; na mesma hora, peguei al-Atlântico, como no Planalto da A vida de uma gumas roupas “emprestadas”,Borborema e na Zona da Mata me vesti e entrei no navio semem que predominavam arredon- dinamarquesa que ninguém percebesse, a úni-dados morros e colinas. ca coisa que notaram foi o meu mau cheiro. Os engenhos usavam águadoce e trapiches na prensas e No dia 7 de Abril de 1714, Dias se passaram, Pareciamoinho que trituram a cana. meu pai, Pierry Pinheiro II, re- uma eternidade até que ouvi oNão é a toa, também, que a cebeu ordens do rei da França, barulho da movimentação, deimaior parte dos engenhos loca- Luiz XIV, com o dever de arre- uma espiadela: estavam prepa-lizava-se a beira de rios como o cadar mais escravos indígenas rando para descer do navio, jádo Paraguaçu. A força da mo- no Brasil, nem que para isso estávamos em terra firme!enda determinava a produtivi- seja necessário matar uma al-dade na extração do caldo. Para deia inteira. Ele embarcaria em Esperei que todos desembar-fazê-la girar havia água, bois, um navio, junto a outros fran- cassem antes. E, ainda disfarça-cavalos e, claro, homens, que se ceses. da com as roupas do peixeiro, saialternavam, na preferência ou do navio como se fosse comum Mas naquela época, não entre os homens. Espantei-menecessidade dos senhores dos havia quem cuidasse de mim, quando percebi que estávamosengenhos. As moendas sempre minha mãe Eliza I, uma dina- em um lugar praticamente co-na vertical tinha o diâmetro de marquesa, tinha morrido, dei- berto de matas. Perdi-me logoaproximadamente sete metros. xando-me com o meu pai. Esta- quando entrei nela.Acoplada ao eixos da roda va para fazer dez anos.d’água havia outra roda menos Aproveitei para tirar aquelasdentada, chamada rodete, que Eu, Violett II já tinha com- roupas horríveis e fedorentastransmitia movimento a uma pletado 16 anos, o que me dava do peixeiro. Comecei a andar eroda maior, esta horizontal e a liberdade de escolher o rumo observar, só via árvores e maiscom o mesmo diâmetro da roda da minha vida. Mas meu pai não árvores. De repente ouvi umad’água que se chamava bolan- queria me deixar na França, era música, linda e suave como odeira. Os portugueses traziam muito perigoso. Então resolveu vento. Resolvi procurar para sa-os negros africanos de suas co- mandar um primo da Espanha ber de onde vinha aquela músi-lônias na África para utilizar vir cuidar de mim. ca. Avistei então um garoto emcomo mão de obra escrava nos No dia 15 de abril de 1715, cima de uma pedra, estava nu,engenhos de açúcar . recebi uma carta do primo de cheio de pinturas e com um co- Maria Stella, 8° tarde meu pai, dizendo que não pode- lar de penas; nas mãos, levava ria chegar a tempo e nem viria, uma flauta, era dele que vinha pois não tinha como pagar nem a música. mesmo um barco, desculpou-se. Deixei me levar pelo som, e Só que naquele momento meu quando abri os olhos, a músi- pai estava embarcando para o ca sumiu e o garoto não estava Brasil. Não pensei duas vezes, mais lá; fui até a pedra, como arrumei as minhas malas o mais ele poderia evaporar desse rápido possível e corri, corri jeito?Procurei pelos cantos da tanto que chegava até voar. Pa-pedra, até que desisti. Quando rei quando vi o navio. olhei pra traz, me espantei, lá Parecia impossível, como estava ele olhava para mim com eu entraria lá? Era o que me os olhos cheios de raiva e ao perguntava. Até que vi do meu mesmo tempo mostrava estar lado uma barraquinha de peixe, com medo. Tentei me aproxi- 23
    • mar, ele pegou em minha mão e um pouco e fez um sinal como de mão-de-obra daquela terra.me jogou de frente a pedra, en- se me mandasse voltar para atão fiquei com medo, dos meus aldeia. Eu apontei o dedo para Um dia desses, observandoolhos caíram lagrimas, minha mim e disse o meu nome, apon- o trabalho brutal e forçado quecabeça estava doendo e parecia tei para ele e esperei a sua res- os escravos exerciam, descobrisangrar; na mesma hora ele se posta, ele disse Acauã. Achei que era comum as epidemias eabaixou e limpou o meu rosto, um pouco e estranho, e voltei a alta mortalidade. Peguei outrocomo se pedisse desculpas. para a aldeia. dia desses e conversei com meu conhecido Padre Cristovão que Naquele momento, percebi Esse foi apenas o começo me disse as seguintes palavras:que aquele índio não era como da minha viagem pelo Brasil. “os portugueses não têm índiosmeu pai havia descrito, isto é, Logo, os índios me ensinaram a amigos que os ajudem porquemal e arrogante sempre prepa- sua língua e eu também ensinei os destruíram todos”, palavrasrado para matar qualquer ho- um pouco da minha língua para sábias de Cristovão, mas é claromem branco que cruzasse o seu eles. Estava vivendo em paz. liguei estas palavras com o quecaminho. eu tinha visto antes, e não é que Nathália, 8° tarde é verdade, e sabe o que eu des- O garoto me colocou no om- cobri? Que os portugueses subs-bro e saiu correndo, eu estava tituíram os índios pelos africa-tão desesperada que comecei agritar; ele me tirou do ombro, Relatos de um nos porque a maioria dos índios morreu devido aos maus tratos.me colocou no chão e fez umsinal com o dedo pra mim, pe- viajante Depois, começaram a africanos para o Brasil, isso começou adia silêncio. Eu obedeci e fiquei acontecer, principalmente naquieta, ele me colocou nos om- Bahia e em Pernambuco, a par-bros novamente, minha cabeça tir da segunda metade do séculodoía tanto que acabei dormin- XVI. Olá Francesco Maria Pico,do. meu senhor me mandou aqui, Também descobri, os escra- Ao acordar, estava deitada este ano em 1686, para que? vos tinham o direito a ter umanuma rede, havia um curativo Simples, para relatar tudo o que pequena produção de trigo parana minha cabeça e estava dentro eu ver e ouvir. Bom, meu nome? o consumo próprio, que elesde uma casinha feita de palha. Winery Peake Herzog. Agora poderiam cuidar nos fins de se-Levantei em direção á abertura vou contar o que eu vi nos enge- mana e feriados, eles vendiamque tinha no meio da casinha, nhos de cana-de-açúcar e o que os produtos agrícolas no mer-devia ser uma porta, lá fora um eu ouvi sobre os escravos. Do cado da vila ou da cidade, talmonte de gente sem nenhuma começo, os portugueses escra- comércio possibilitaria algunsroupa, aí entendi que estava em vizavam indígenas, mas depois escravos a comprarem a própriauma aldeia de índios, mas onde começaram a trazer africanos. liberdade. A alimentação dosestava aquele garoto, o índio Eu vou relatar aqui coisas que escravos se baseava em farinhasque me trouxe para a aldeia? apenas eu pude ver, coisas im- de mandioca ou milho, coqui-Fui procurá-lo. pressionantes, quase impossí- nhos chamado Aquês, feijões e veis de se crer. Do começo, no Todos olhavam estranho para hortaliças e, é claro, a cachaça e século XV, no sul de Portugalmim, apenas as criançinhas vie- o pango. Essa erva era um alí- e depois nas ilhas do norte daram me acolher, me rodeavam vio do cativeiro, eles chamam África, o uso de escravos para oumas três e depois saíram brin- fumo de angola ou pango, uma engenho de cana-de-açúcar eracando e cantando. Entrei na erva trazida clandestinamente comum, ao longo dos séculosmata novamente. Vi um rio e lá nos navios do tráfico de escra- XVI e XVII, intensificou-se oestava o garoto, com uma lan- vos. uso de escravos nos engenhos,ça na mão, conseguiu pegar um por quê? Por causa do tráfico de Nas áreas rurais, as planta-peixe. escravos para o Brasil. A impor- ções drenavam escravos sem Quando me viu se espantou tação de africanos cobria a falta cessar. Submetidos a senhores 24
    • e capatazes, os cativos tinham das, movidas a água ou tração ticipar nativamente na estruturaque se integrar a uma divisão animal, com que são represen- do poder colonial, a maior partede trabalho bastante sofisticada, tada nas gravuras dos viajantes dos engenhos ficavam perto daeram quem plantava a cana-de- como eu. A preocupação com a mata e não muito distante dosaçúcar, quem colhia, quem bo- técnica, por exemplo, era fun- centros portuários, o que se ex-tava a cana pra moer e acondi- damental. Mas não era proble- plica pela maior fertilidade doscionava e transportava o açúcar ma meu. Minha viagem termina terrenos e pela abundância deaté o porto. Se os escravos não aqui, eu sei que a escravidão in- água.fizessem isso tudo morreriam na dígena durou até o século XVII,mão dos senhores. E mais, você mas ainda ocorre tudo o que Eu agradeci a informaçõessabia que os escravos têm dife- descrevi acima. e continuei o meu caminho.rentes tipos de trabalho e que Mas eu observei os senhoresisso dependia da sua origem? Bom, eu tenho é claro que de engenho também, sabe oAs distinções das nações afri- tomar providências sobre isso que eu descobri? Que mesmocanas era um fator importante e tudo, e foi isso o que eu fiz, sem os fazendeiros ricos se alimen-variava da cor da pele mais cla- demonstrar nada e nem comen- tavam mal, pois comiam muitara a mais escura. Aos crioulos e tar nada com os senhores de carne-seca, frutos muito de vezmulatos reservavam-se tarefas engenhos, fui falar com o je- em quando e raramente legu-domésticas, artesanais e de su- suíta Antonil que depois de ler mes, mas comiam muito docespervisão, já aos africanos, da- tudo isso, foi comprovar se era que eram trocados pela comida:vam o trabalho mais árduo. verdade, depois dessa intensa goiabada, doces de caju, mar- descoberta, Antonil advertiu os meladas e mel, cocadas tam- Eu andei pesquisando sobre senhores de engenho declaran- bém, e matavam os animais dea empresa do açúcar e descobri do: “aos feitores, de nenhuma criação: pato, leitões e cabritos.que ela não envolvia só os se- maneira se deve consentir o dar Ou seja, a vida dos senhores denhores e escravos, ela abriga- couces, principalmente nas bar- engenho não era tão boa comova um grupo diversificado de rigas das mulheres que andam parece, as aparências enganam.trabalhadores especializados e pejadas (grávidas), nem daragregados, que orbitavam em com os paus nos escravos por- Demorei muito aqui, nos en-suas franjas, prestando servi- que na cólera não se medem os genhos, meu senhor morreu emços aos senhores de terra. Eram golpes, e pode ferir na cabeça 1708, Alessandro Lúis Galeottomestres de açúcar, purgadores, um escravo préstimo, que vale assumiu o lugar dele, as coi-caixeiros, pedreiros, barquei- muito dinheiro e perde-lo”. sas escritas aqui são preciosas,ros, carpinteiros e calafantes acredito que o meu novo senhorentre outros... A eles juntavam- Confirme e aprovei, gostei tomará providências. Minhase outros grupos a animar a vida muito das atitudes que Antonil missão acabou e deixo aqui meueconômica e social das áreas li- teve. Claro que foi eu quem deu relato de viajante, e eu? Conti-torâneas: mercadores, roceiros, início a essas atitudes, só não nuarei a viajar pelo mundo.artesãos, lavradores ou grandes gostei, não aprovei e não con- firmei com as últimas palavras Vinicius Mendes, 8° tardeproprietários. Eu também fuivisitar outro dia desses um ami- do velho: “mais eficiente seriago holandês, chamado David dar algumas varadas com cipóde Costa, que por coincidência ás costas”.tinha um relatório holandês de Andei pensando sobre os en-1640, que informava que so- genhos de açúcar e quis sabermente 40% dos engenhos de mais. Então fui conversar comPernambuco moíam canas pró- um senhor de engenho, amigoprias e os demais dependiam meu, sem é claro mostrar essesda matéria-prima fornecida relatos a ele. Diogo Fernandespor tais lavradores, mas no que meu amigo me contou que oconsistia o engenho? Em outras plantio de cana-de-açúcar sig-coisas além das gigantescas ro- nificava a possibilidade de par- 25
    • Bastidores da reportagemAs reportagens a seguir são um dos frutos dasreflexões levadas a cabo pelos estudantes do 8.ano tarde de 2012 a partir de discussões travadasdurante as aulas de português, sobre o tão propa-lado poder da mídia. familiares e depois uma segunda versão para asDesde o início do ano, a turma vem conversando notícias criadas pelos colegas, valendo-se de ou-sobre diversos aspectos referentes ao tema, tais tro ponto de vista; e leram um livro que conta,com o reduzido número de grupos de fornecimen- de forma ficcional, a experiência de um grupo deto da informação de massa, a homogeneidade dos jovens que se valia das ondas do rádio para levarcanais de comunicação a que temos acesso mais à comunidade, sem a interferência de interessesfácil, aspectos técnicos da produção jornalística comerciais, notícias e boa música.(linguagem, “busca da isenção”, seleção de tema, Finalmente, além dos textos expostos a seguirescolha de imagem), entre outros. (em que cada grupo se preocupou em responderPara embasar essas conversas, os estudantes fize- a cinco questões básicas dentro do tema da repor-ram, primeiramente, listas com o nome das fon- tagem que escolheram, a saber, o quê?, quem?,tes das quais eles se valem para “ficar por dentro” quando?, onde? e por quê?) estes estudantes tam-das notícias: que jornais, revistas, sites, emisso- bém estão produzindo programas de rádio, nosras de TV ou rádio, ou ainda outros suportes, são- moldes de emissoras que cada um deles costumalhes habituais? Da constatação de que todos “be- ouvir, para vivenciarem as agruras da produção ebem da mesma fonte”, praticamente, surgiu uma da transmissão das informações.segunda etapa de análises e debates: é comum a Então vamos às notícias? Boa leitura!manipulação das informações?Nesse momento, os repórteres desta edição daHermes se debruçaram sobre possíveis diferen-ças e semelhanças que podem ser encontradas Antônio Ramos da Silvaem notícias veiculadas pelos jornais Brasil afora Professor de Português do 8. ano Tarde(por exemplo, por um lado a estrutura da notí-cia – imagem, título, lead, abordagem do tema,entrevistas discutindo ou corroborando a teselevantada pelo grupo de comunicação ao qual operiódico pertence; por outro a escolha das no-tícias de capa, a linguagem utilizada, a que pú-blico cada um se dirige ou procura se dirigir);assistiram a vídeos que discutem a transmissãode informações por meios alternativos (rádio pi-rata ou rádio livre? Que nomenclatura interessaao grande império midiático? E qual delas é amais justa? Em que se diferem essa duas entresi e em relação às rádios comunitárias?); recebe-ram na sala a visita de uma pessoa que já traba-lhou em uma emissora de rádio livre e com elatrocaram ideias; criaram notícias com eventos 26
    • Também entrevistada por nossa equipe, a Pe- dagoga Gláucia Ferreira, diretora de escola, contou-nos que avalia como algo normal o fato de não haver aula de música no Fundamental II: “São escolhas que a coordenação precisa fazer - o Fundamental II tem matérias que as outras salas não têm, como Projetos e Artes”, disse. Na mesma linha, Irani Medeiros, professora de mú- sica do infantil até o 2º ano da Escola Curumim, pondera que as pessoas na faixa etária do anti- go ginásio já não se beneficiariam tanto de aulas com regras musicais: “Acho essencial para o ser humano ter a música como canal de expressão de sentimentos e emoções, mas nem sempre ter alguém ensinando notas e ritmos ajuda, pois se FUNDAMENTAL II DA CURUMIM o professor não tiver sensibilidade para deixar o NÃO TEM AULA DE aluno se expressar, fica sendo só uma exigência e não uma experiência viva. Acho que no Ensino MÚSICA Fundamental II os alunos já aprenderam a procu- rar sozinhos o que querem e gostam. Poderia ter ESCOLA CURUMIM, DE CAMPINAS, aulas de orientação, mas nem sempre as escolas OPTA POR OUTRAS DISCIPLINAS reservam esse tempo. É uma pena, mas acho que PARA OS ESTUDANTES DO ENSINO os alunos buscam e encontram formas de fazer FUNDAMENTAL II música”. Na Escola Curumim (Educação Infantil e En-sinos Fundamentais I e II), localizada no muni-cípio de Campinas, SP, os alunos da EducaçãoInfantil (maternal, infantil e 1º ano) e EnsinoFundamental I (2º ao 5º ano) têm uma matériachamada aula de música, com aulas semanais de45 minutos de duração, enquanto que os do Ensi-no Fundamental II (6º ao 9º ano) não a têm. Pesquisa levantada com os alunos do períodovespertino indica que a maioria dos estudantes Criançada curte uma boa aula deacha injusto o Ensino Fundamental II não ter aula música na Curumimde música. Em entrevista à nossa reportagem, acoordenadora do Ensino Fundamental II da Es-cola Curumim, Professora Rina Cortez, conta Procurado por nossa reportagem, o artista eque não há aula de música no antigo ginásio por- professor de música da Escola Curumim Coréque a escola fez a opção de ter outras disciplinas, Valente disse que considera aulas de música algotambém muito importantes: Espanhol e Projetos fundamental nas escolas: “Ela é um tipo de li-(uma matéria em que os alunos aprendem a pes- berdade de expressão que desenvolve o cérebro”,quisar e fazer trabalhos). Ela também defende comentou. Indagado sobre o motivo de não haverque seria muito bom e importante se houvesse aulas de música nas séries do Ensino Fundamen-aula de música no Ensino Fundamental II, mas tal II, o artista comentou que “Às vezes, algumasjustifica que não há espaço na grade curricular. escolas não têm a aula de música como uma ma- 27
    • téria por motivos como falta de tempo ou esco-lhas que devem ser feitas, como, por exemplo, aopção por ensino em período integral, em que osalunos teriam de passar o dia inteiro na escola”. Lei que fala sobre a aula de música: CONSTRUÇÃO Na lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-cional, no Capítulo II da Educação Básica, Seção NA CURUMIMI, Das Disposições Gerais, Art. 26 (Os currículosdo ensino fundamental e médio devem ter uma Construção é iniciada nabase nacional comum, a ser complementada, emcada sistema de ensino e estabelecimento escolar, Escola Curumim e já épor uma parte diversificada, exigida pelas carac- aprovadaterísticas regionais e locais da sociedade, da cul-tura, da economia e da clientela) diz-se: Uma construção civil (termo que se refere a obras como casas, edifícios, pontes, barragens, - “§ 2o O ensino da arte, especialmente em fundações de máquinas, estradas, aeroportos esuas expressões regionais, constituirá componen- outras infraestruturas, em que participam arqui-te curricular obrigatório nos diversos níveis da tetos e engenheiros civis em colaboração comeducação básica, de forma a promover o técnicos de outras disciplinas) acaba de serdesenvolvimento cultural dos alunos. (Redação levantada.dada pela Lei nº 12.287, de 2010) Os novos cômodos construídos na escola são - § 6o A música deverá ser conteúdo obrigató- laboratório, cozinha, almoxarifado, cantina,rio, mas não exclusivo, do componente curricular refeitório e banheiros.de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei O tempo médio para a finalização de uma cons-nº 11.769, de 2008)” trução desse porte é de três meses, incluindo Uma alternativa para a Escola seria a inclusão atrasos e falta de técnicos – porém, o excesso dedo ensino de música no currículo da disciplina de chuva e a dificuldade de se encontrar mão de obraArtes, o que acabaria por satisfazer os anseios da (eram sete pessoas trabalhando por dia, no míni-maioria dos estudantes e também atenderia à Lei mo) prorrogaram a inauguração do novo prédio11.769 que estipula o presente ano de 2012 como da Escola Curumim em um mês.prazo final para a inclusão do ensino musical em No Brasil, a Associação Brasileira de Normastodas as séries do Ensino Fundamental, inclusive Técnicas (ABNT) regula as normas de constru-no Ciclo II. ção e os conselhos regionais de engenharia e ar- quitetura fiscaliza o exercício dos profissionais Vinicius Paiva, Julia Costa, Gabriel e Catari- envolvidos. Toda obra de construção civil devena Sampaio ser previamente aprovada pelos agentes munici- pais, e a construção deve ser acompanhada por engenheiros ou arquitetos registrados nos conse- lhos regionais. Em entrevistas concedidas à nossa reportagem, ampla maioria dos estudantes do período da tar- de se mostrou satisfeita com as obras. Segundo Adrielli Chiarelli, do 8ºT, “Vai melhorar tanto para o ginásio quanto para o primário”. Já João Pedro, do 9°T, comemora: “Legal, agora vamos ter laboratório e a cantina vai ficar mais moder- na!”. Cauê Becker, do 7ºT, concorda: “Muito le- gal, teremos aula de química e temos que praticar em um lugar adequado, como o novo laboratório. 28
    • Além disso, somos muitos alunos e o espaço dacantina tinha mesmo que aumentar!”. Tambémhá, porém, quem aponte problemas: “Demoroudemais e atrapalhou nosso caminho para a sala”,pondera Gabriel Grigolon, do 8°T. Também ouvidos por nossa equipe, professoresse manifestaram sobre a construção. Simone Bo-lognine, professora de Ciências, aprova a cons-trução do novo laboratório: “Experiência temque estar ligada à matéria e é bom ter um lugarapropriado para elas”. Outro ponto importantefoi destacado pela professora Marcela Dinelli, deEducação Física: “Ficou bom por causa do almo-xarifado, que foi construído em outro lugar e deumais espaço à biblioteca, que ficou mais organi-zada”. Também aprovando a obra, Antônio Ramos da Silva, professor de Acima: estudantes visitam espaço doEspanhol e de Português destaca que “a constru- refeitório na última etapa da construçãoção é um passo à frente que a escola vai dar, poisela vai significar mais conforto e espaço de tra-balho e estudo para as pessoas que frequentam aCurumim”. Curiosidades do mundo da construção De acordo com levantamento da nossa reporta-gem, muitas são as construções civis emblemáti-cas. Dentre elas, destacam-se as seguintes: Torre Eiffel (de 1889); Casa Branca (de 1792);Muralha da China (de 770 a.C.); Estátua da Li-berdade (de 1886); Cristo Redentor (de 1926);Pirâmides do Egito (com mais de 2.500 anos);Coliseu (de 753 a.C.) e Torre de Piza (de 1173). Por outro lado, as quinze maiores construtorasdo Brasil são, pela ordem: Norberto Odebrecht(RJ); Camargo Corrêa (SP); Andrade Gutierrez(MG); Queiroz Galvão (RJ); OAS (SP); Del-ta Construções (RJ); Galvão Engenharia (SP);MRV (MG); Construção (SP); Mendes Júnior(MG); Tecnisa Engenharia (SP); Grafisa (SP);ARG (MG); Egesa Engenharia (MG) e ServingCivilsan (SP). Fernanda, Maria, Vinícius Mendes e Arthur Cercós. Torre de Pisa 29
    • CURUMIM NÃO É SÓ PROFESSORES E ALUNOSDiversos profissionais ajudama manter a escola emfuncionamento Muitas são as pessoas que só se lembram dosprofessores e dos estudantes quando o assuntotrabalho na escola é colocado em pauta. Porém,vários outros profissionais são responsáveis pelofuncionamento da instituição de ensino. A faxineira, o eletricista e a cozinheira, porexemplo, são essenciais para a escola: na falta de Oselina Adami, mais conhecida como Donaum deles, seria bem provável que o ensino não Rosa, é a faxineira da Curumim. Já faz 25 anosfuncionasse corretamente. Sem a faxineira para que ela trabalha na escola. Antes, trabalhava nalimpar a escola, ela ficaria muito suja; sem o ele- roça, colhendo café e ajudando na produção agrí-tricista, o ventilador não funcionaria, não haveria cola. Não teve nenhum preparo específico paraluz, nem água no bebedouro elétrico; sem a cozi- a profissão que exerce atualmente: estudou até anheira, passar-se-ia fome. antiga 8ª série (hoje 9º ano), mas se tivesse mais Todas as profissões da escola são igualmente estudos, gostaria de ser secretária.importantes – o que muda são as funções. Por- Dona Rosa diz que gosta da sua função portanto, os funcionários escolares merecem mais que cada um tem que aprender a gostar daqui-respeito. lo que faz – mas seu serviço é muito chato, pois ele precisa ficar limpando a sujeira que os outros Profissões existentes na Escola fazem. Sua profissão deveria ser mais respeitada e sua Na Curumim, além de professores e estudan- função é muito importante na escola: não bastassetes, também trabalham coordenadores, cozinhei- a sujeira proveniente da natureza, estudantes ra-ras, estagiários, faxineiras, jardineiro, marcenei- biscam carteiras, colocam chicletes debaixo dasros/eletricistas, monitoras, diretora, perueiros, cadeiras, deixam papéis no chão... se não houves-secretárias, segurança e auxiliares administrati- se a faxineira para limpar a escola, ela seria umvos. ambiente muito desagradável para todos. Entrevistados comentam sobre suas profissões: Nome: Oselina Nogueira Adami Profissão: faxineira 30
    • Nome: Norival Ramos Profissão: marceneiro/eletricista Norival Ramos, o Seu Norival, é marceneiro/eletricista e trabalha na Curumim há muitos emuitos anos. Gosta muito do que faz, porque faz com amore dedicação: “Estou realizado na minha profis-são”, diz ele, que há muito tempo já trabalhou deserralheiro. Seu Norival fez estudo profissionalizante paraexercer sua atividade. Em sua opinião, “ninguémpode fazer uma coisa que não sabe fazer”. Segundo nosso entrevistado, sua profissão évalorizada, mas a concorrência é muito grande.Indagado sobre o nível de dificuldade de seu tra-balho, Norival Ramos diz que “não é nem difícile nem fácil: tem que ser feito com responsabi-lidade”. Não considera a profissão tão difícil deexercer por saber o que está fazendo. Ele (o marceneiro/eletricista) é muito impor-tante para a escola porque a faz funcionar: temque mexer na eletricidade, consertar falhas, criarsoluções e também ajudar os estudantes nos tra-balhos da escola. Norival Ramos faz a escola funcionar nos mínimos detalhes 31
    • PROJETOS DO FUNDAMENTAL II DA CURUMIM PARA 2012Escola realiza projetos no Ensino Fundamen-tal II visando melhorarias na escrita e na lei-tura dos estudantes05 de abril de 2012A Escola Curumim, localizada em Campinas-SP, realiza, todos os anos, projetos para cadauma das turmas do Ensino Fundamental II doperíodo da tarde.O 6° ano, que em anos anteriores realizou ochamado “Banquete Grego”, em 2012 resolveumodificar e agora lerá durante os três trimestreslivros cujos personagens principais são adoles-centes. O objetivo do projeto é fazê-los teremuma visão de como é a vida dos adolescentesem qualquer época e lugar e comparar com a suaprópria.O 7º ano fará um livro de textos livres, um dos Textos livres das turmas do sétimo ano seprojetos que mais tem destaque na escola. Este transformam em livrostrabalho é feito para melhorar a escrita e esti-mular a imaginação. Para entendermos melhorcomo funciona este projeto, entrevistamos umadas alunas do 7°T, Fernanda Biasoli, que noscontou achar legal a atividade, explicando quena preparação do projeto eles entregam textostodas as semanas e depois fazem uma roda deleitura, com a tecnologia da escola ajudando O 9º ano irá finalizar os estudos do Fundamen-bastante no processo. tal II e aprender os conteúdos mais avançados,O 8° ano realizará um jornal falado, desta vez fazendo um ou outro simulado para sentir-se se-aprendendo a falar as notícias e explicar textos, guro nos vestibulinhos e preparar-se para a novaler e escrever notícias e reportagens. Também fase de estudos: o Ensino Médio.fizemos uma entrevista com uma das estudantes Como se vê, na Escola Curumim, quedo 8°T para saber mais sobre esse projeto. Ca- segue os ensinamentos de Freinet, todos estãotarina Sampaio não sabe muito se gosta ou não envolvidos: esses projetos de atividade para osdo projeto, pois ele ainda está no começo. “O alunos do Fundamental II são um exemplo.processo é assim: coletamos entrevistas, faze-mos reportagens, aprendemos etapas sobre fazer Fabiana, Bruna, Gregório e Vinícius Boróuma boa notícia e usamos a tecnologia para asgravações e pesquisa. 32
    • Tecnologia são ferramentas usadas para facilitar a vida ou resolver problemas.TECNOLOGIA NA ESCOLA Linha do TempoA tecnologia vem ganhando cada vezmais espaço nas escolas 1986- Os computadores chegaram nas es- colas introduzindo nelas as tecnologias de uso pedagógicoO procedimento das tecnologias nas esco- 1999- A internet passou a fluir em grandelas está fluindo cada vez mais, como por velocidade no mundo, e músicas começa-exemplo na Escola Curumim (local fonte ram a ser transmitidas a partir dela (inter-das pesquisas para esta reportagem). Lo- net).calizada em Campinas-SP, a Curumim játem lousas digitais (como tecnologia maisrecente) em todas as salas do Ensino Fun- Adrielli, Cláudia, Isaacdamental (são oito no total). Além delas,há dezoito desktops, oito laptops, e embreve mais um computador será instaladono almoxarifado.Em entrevistas realizadas entre os dias 07e 19 de março, a reportagem conversoucom algumas pessoas que frequentam aescola. Confira a seguir como foram essesbate-papos.Segundo Gláucia Ferreira, diretora da Es-cola Curumim, a primeira tecnologia achegar na escola foi os computadores, porvolta de 1998, para, no início, facilitar ostrabalhos administrativos e, em outra leva,entre 1993 e 1995, para fins pedagógicos.Gilberto Severino, o Giba, responsávelpela informática da escola e também pro- A Curumim está atenta aos avanços dafessor de Logo, diz que já havia sido ins- tecnologiatalada essa tecnologia quando ele chegou.Ele a considera importante pois o uso doscomputadores traz rapidez para a vida es-colar.Quadro:O que é tecnologia? 33
    • Relato visual sobre a visita a BIENAL de São Paulo Arte/ Cultura Vinicius Paiva, 8°. ano tarde