Visão pessimista do Portugal da regeneração

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  • 1. Visão Pessimista do Portugal da Regeneração (cap. XVIII)   O episódio final funciona como um epílogo do romance, dez anos depois de encerrada a intriga, e quando Carlos visita Lisboa, vindo de Paris, imbuído de um grande pessimismo. Durante a última conversa entre Carlos e Ega, a par do sentimento de desilusão pessimista que domina os dois amigos, o instinto da vida, a faceta romântica, aliada ao sonho, continuam a dominar as personagens que, apesar de tudo, e contradizendo-se face à teoria que desenvolvem, correm «desesperadamente pela Rampa de Santos pelo Aterro», para não perderem o americano. O que marca, fundamentalmente, este último diálogo é o facto de os dois amigos terem determinado «a teoria definitiva da existência – o fatalismo muçulmano», que consistia no facto de «nada desejar e nada recear», «[e] mais que tudo não ter contrariedades». Esta teoria sintetiza aquilo que está no âmago da corrente naturalista, segundo a qual a literatura deveria ser uma aplicação das teses científicas e filosóficas mais recentes. Aqui assistimos à ideia de que o ser humano não tem capacidade para determinar os acontecimentos que lhe estão destinados. No fundo, esta obra propõe uma reflexão sobre o destino do Homem no mundo. Em Lisboa, as pessoas traduziam a decadência do país, caracterizando-se, principalmente, pela inação, pela ociosidade crónica que os levava a vagabundear, sem destino certo, numa moleza doentia ou a «pasmar» para quem passava. A visão pessimista do escritor manifesta-se, contudo, através das atitudes de Carlos e de Ega que, «enquanto vencidos da vida», significam a negação da essência ideológica da Geração de 70 – desistindo de lutar, permitindo que os seus ideais sejam esmagados pelo meio em que estão inseridos, abdicam da construção de uma nova fase na vida mental portuguesa. É essa a conclusão de Ega, no final da obra: - Falhámos na vida, menino! C o l é g i o A m o r d e D e u s – C a s c a i s P o r t u g u ê s 1 1 º a n o A n o l e t i v o 2 0 1 3 / 2 0 1 4
  • 2. - Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. É importante ainda referir que o passeio que Carlos e Ega dão a Lisboa é altamente simbólico. Os espaços que atravessam têm profundas conotações históricas e ideológicas: - o Largo de Camões – representa o Portugal heroico, glorioso, mas perdido, envolvido por uma atmosfera de estagnação; - O Chiado – representa o Portugal do presente, o país decadente da Regeneração; - Os Restauradores – símbolo de uma tentativa de recuperação falhada, e a prová-lo está o ambiente de decadência e amolecimento que cerca o obelisco; - Os bairros antigos da cidade (Graça e Penha) – representam a época anterior ao liberalismo, o Portugal absolutista, um tempo que, não obstante a sua autenticidade, é recusado por Carlos por causa da sua intolerância e do seu clericalismo, que levam a que toda a descrição esteja eivada de conotações negativas. Concluindo, este episódio traduz a degradação progressiva e irremediável da sociedade portuguesa, para a qual não se visualiza qualquer saída airosa.