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Mysteria (Portugues)
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Mysteria (Portugues)

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Como surgiram as Escolas de Mistérios? Por que os Mistérios de Elêusis, Dionisíacos e Órficos são tão mencionados pela literatura esotérica e por Samael Aun Weor? Qual a influência de tais cultos nas posteriores Escolas de Mistério?

Escolas de Mistérios como entendemos hoje, ou seja, secretas, reservadas a iniciados e como manifestações de cultos e religiosidade independentes das religiões de estado, temos as mais expressivas e influentes na antiga Grécia com o nascimento dos cultos e ritos mistéricos que darão origem aos Mistérios de Elêusis, dionisismo, orfismo, gnosticismo e outras Escolas de Mistérios, ou Escolas Iniciáticas, independentes da religião oficial com incorporação de ritos e conhecimentos de outras culturas, ligadas ou não à cultura local.

Características principais

Ritos noturnos
Os cultos mistéricos eram sempre cultos noturnos, praticados à noite, ligados a uma divindade central.
Por isso, os Mystéria são uma cerimônia de ingresso na obscuridade. Obscuridade tripla para o iniciado, submerso na própria escuridão do seu desconhecimento interior, na escuridão dos seus olhos vendados e na escuridão da noite sagrada, já que os ritos mistéricos eram sempre noturnos.
Portanto, Mystéria é a iniciação e celebração da sapiência mediante a obscuridade.
Samael Aun Weor nos fala: “Existem dois tipos de obscuridade: a obscuridade inferior, tenebrosa, e a obscuridade superior augusta dos sábios”.
Participantes
Independentes das religiões oficiais, o culto era restrito a iniciados nos mistérios, porém sem restrições de classes sociais ou econômicas.

Experiência Direta
Todo culto mistérico é essencialmente prático e ritualístico, promovendo no iniciado uma experiência mística direta.

Contexto histórico
Os cultos mistéricos se desenvolvem nos grandes reinos orientais e se difundem gradualmente no ocidente, principalmente na Grécia e depois em Roma, na qual se estenderá a todo o império .
Dentro da antiga Grécia, tais movimentos ou cultos mistéricos, assumiram uma importância histórica fundamental para o esoterismo, pois tais movimentos se libertavam dos formalismos e mecanicidade da religiões oficiais assumindo uma dinâmica própria e essencialmente prática, além de retomar e conservar os princípios esotéricos essenciais e originais de cada religião.

Contexto Mitológico
Os cultos mistéricos, além de serem intimamente ligados à mitologia e teogonia vigente na época, em alguns casos, criam e reapresentam alguns mitos essenciais, como no caso do Orfismo, que reconstrói o Mito da Criação do Universo. Tais versões, novas e profundamente esotéricas, passam a constituir aquilo que hoje conhecemos como Mitologia Clássica Grega.

Contexto Místico-Gnóstico
Samael Aun Weor fala diversas vezes sobre os Mistérios de Elêusis, Dionísio, Orfeu, bacantes, mistérios...
Com essa conferencia, vamos conhecer o significado de cada uma dessas palavras, seus significados simbólicos, místicos, mitológicos e sua aplicação prática.

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  • 1. Mystéria Frases Sófocles, fragmento 719 Dindorf, 348 Didot “São três vezes felizes os mortais que, depois de terem contemplado estes Mystéria, desceram ao Hades. Somente eles poderão viver. Para os demais será sofrimento.” Hino Homérico a Deméter 480-482 “Feliz, entre os homens, quem possui a visão destes Mystéria; quem não é iniciado nos santos ritos não terá o mesmo destino quando, morto, habitar nas húmidas trevas”. Com estas frases podemos intuir a importância do nosso objeto de estudo, seja para a época como nos dias atuais, já que tratamos de um conhecimento perene e universal. Importância do tema De que se trata? Como surgiram as Escolas de Mistérios? Por que os Mistérios de Elêusis, Dionisíacos e Órficos são tão mencionados pela literatura esotérica e por Samael Aun Weor? Qual a influência de tais cultos nas posteriores Escolas de Mistério? Sabemos por diversas fontes, e graças à consciência objetiva de Samael Aun Weor, que as Escolas de Mistérios têm origem antiga, que desde a antiga Lemúria temos as primeiras Escolas de Mistérios e de Regeneração. Neste estudo sobre os cultos mistéricos, não podemos esquecer que, ademais dos mistérios eleusinos, dionisíacos, órficos ou gnósticos, que existiram muitos outros cultos mistéricos em outras civilizações e outros contextos históricos, como o culto a Ísis e Osíris, no Egito, à Grande Mãe Cibele e Attis, no Oriente Médio, a Mitra, na Pérsia, entre outros. Porém, Escolas de Mistérios como entendemos hoje, ou seja, secretas, reservadas a iniciados e como manifestações de cultos e religiosidade independentes das religiões de estado, temos as mais expressivas e influentes na antiga Grécia com o nascimento dos cultos e ritos mistéricos que darão origem aos Mistérios de Elêusis, dionisismo, orfismo, gnosticismo e outras Escolas de Mistérios, ou Escolas Iniciáticas, independentes da religião oficial com incorporação de ritos e conhecimentos de outras culturas, ligadas ou não à cultura local. Características principais Ritos noturnos Os cultos mistéricos eram sempre cultos noturnos, praticados à noite, ligados a uma divindade central. Por isso, os Mystéria são uma cerimônia de ingresso na obscuridade. Obscuridade
  • 2. tripla para o iniciado, submerso na própria escuridão do seu desconhecimento interior, na escuridão dos seus olhos vendados e na escuridão da noite sagrada, já que os ritos mistéricos eram sempre noturnos. Portanto, Mystéria é a iniciação e celebração da sapiência mediante a obscuridade. Samael Aun Weor nos fala: “Existem dois tipos de obscuridade: a obscuridade inferior, tenebrosa, e a obscuridade superior augusta dos sábios”. Participantes Independentes das religiões oficiais, o culto era restrito a iniciados nos mistérios, porém sem restrições de classes sociais ou econômicas. Experiência Direta Todo culto mistérico é essencialmente prático e ritualístico, promovendo no iniciado uma experiência mística direta. Contexto histórico Os cultos mistéricos se desenvolvem nos grandes reinos orientais e se difundem gradualmente no ocidente, principalmente na Grécia e depois em Roma, na qual se estenderá a todo o império . Dentro da antiga Grécia, tais movimentos ou cultos mistéricos, assumiram uma importância histórica fundamental para o esoterismo, pois tais movimentos se libertavam dos formalismos e mecanicidade da religiões oficiais assumindo uma dinâmica própria e essencialmente prática, além de retomar e conservar os princípios esotéricos essenciais e originais de cada religião. Contexto Mitológico Os cultos mistéricos, além de serem intimamente ligados à mitologia e teogonia vigente na época, em alguns casos, criam e reapresentam alguns mitos essenciais, como no caso do Orfismo, que reconstrói o Mito da Criação do Universo. Tais versões, novas e profundamente esotéricas, passam a constituir aquilo que hoje conhecemos como Mitologia Clássica Grega. Contexto Místico-Gnóstico Samael Aun Weor fala diversas vezes sobre os Mistérios de Elêusis, Dionísio, Orfeu, bacantes, mistérios... Com essa conferencia, vamos conhecer o significado de cada uma dessas palavras, seus significados simbólicos, místicos, mitológicos e sua aplicação prática. Etimologia Definição de Mystéria Mystéria, plural de mysterion, era o nome dado em Atenas a algumas festas em honra a Deméter e Perséfone. A raíz do termo Mystéria, assim como dos termos mystes e mystikos, é constituída do verbo myein que significa “iniciar”. O verbo myein também pode significar a expressão: “fechar os olhos e a boca”. Isto porque a ritualística dos Mystéria era fazer o iniciado entrar com olhos vendados e sair com os olhos abertos mas a
  • 3. boca fechada. Isto significa que ele entrava no desconhecido e sairia conhecendo, porém deveria guardar silêncio do que via e vivia ali. Definição de Mistério Classicamente se define mistério como algo que não se deve falar publicamente, por ser difícil ou impossível de se entender. O próprio termo Mistério, do qual deriva a palavra místico, é de origem grega e nasce do que eram chamados Cultos Mistéricos, dentre os mais conhecidos está o de Elêusis. Segredo, Arcano e Mistério As palavras segredo, arcano e mistério, podem parecer sinônimas e muitas vezes são consideradas como tal, porém não o são. Segredo é algo que não deve ser revelado, quando se revela, deixa de ser um segredo. Um Arcano é um segredo à espera de ser revelado. A palavra arcano significa “o que está escondido no fundo da arca”. É um segredo encoberto, velado à espera de ser entregue e desvelado a alguém que o mereça. Mistério é mais do que um segredo, algo que não deve ser revelado; é mais do que um Arcano, segredo à espera de ser revelado; Mistério é uma experiência, pessoal, transcendental e impossível de ser transmitida. Um Mistério não precisa ser escondido, eles convivem conosco e não compreendemos, porque para compreendê-los é preciso Experiência Direta. Místico A palavra místico deriva de mistério. Místico, no senso real da palavra, é mais do que uma pessoa com senso de religiosidade ou espiritualidade, é aquele que conhece e vive os mistérios. Podemos dizer que, dentro do cristianismo, o conceito de místico é aquele que foge da multiplicidade e busca o Uno. Nos cultos mistéricos, o místico é aquele que na multiplicidade encontra o Uno. Simbologia da letra quot;Mquot; A letra “M” é 13ª letra do alfabeto latino e hebraico (men). Com “M” começam algumas palavras mais importantes do esoterismo como Mãe – Mater, Maria, Magia, Mistério, Mística, Magno – Maha (grande), Maya, Morte, Mar (símbolo da vida universal, o ens- seminis), Mercúrio. É uma letra associada ao Eterno Feminino, ao sobrenatural.
  • 4. Mistérios de Elêusis Mitologia Deméter Deméter ou Demetra (em grego Δημήτηρ, quot;deusa mãequot; ou talvez quot;mãe da distribuiçãoquot;) é o nome de Ceres na mitologia romana. Uma das doze divindades do Olimpo, é filha de Cronos (Saturno) e Réia (Cibele) e deusa da agricultura, da terra cultivada, das colheitas, das estações do ano e do matrimônio. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização e da matéria prima da Grande Obra. Deméter é uma das mais antigas divindades da antiga Grécia e muitas vezes seu nome era associado a Gea, a Terra. Na qualidade de deusa da agricultura, fez várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Em Roma, onde se chamava Ceres, seu festival era chamado Cerélia e celebrado na primavera. Os atributos de Deméter são a espiga e o narciso, seu pássaro é a grou. Perséfone Na mitologia grega, Perséfone (em grego antigo Περσεφόνη Persephónē, ‘a que leva a morte’), Proserpina ou Kore (Κόρη, ‘filha’ ou ‘jovem donzela’) era a rainha do Inframundo. Filha de Deméter com Zeus, antes deste casar-se com Hera. Rapto de Perséfone Considerada uma das Deusas mais bonitas do Olimpo a ponto de competir com Afrodite, chamou a atenção do deus Hades, senhor dos mundos subterrâneos. Um dia, enquanto Perséfone passeava e recolhia flores, mais precisamente, narcisos, Hades, apaixonado pela Deusa, veste o seu elmo que o torna invisível e rapta Perséfone levando-a para seus domínios (o Averno), desposando-a e fazendo dela sua rainha. Estações do Ano Quando Hades raptou Perséfone e a levou para seu reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca terra afora, sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida. E culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha, ela disse: quot;Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores!quot; Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa então contou que a terra abriu-se a contragosto, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos. Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer seis bagos de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar.
  • 5. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra, assim como Proserpina. Neste período, Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido. Simbologia Deméter – Mãe –Nascer Deméter representa a Mãe Divina, doadora de vida, a responsável pelos nascimentos e frutificações interiores. Seu símbolo, a semente, o trigo, indica que ela é Stella Maris, a Senhora das nossas Águas, da nossa semente, a matéria prima da Grande Obra, nossa fertilidade espiritual. O culto a Deméter representa a ênfase dos mistérios Eleusinos no “Fator Nascer”, o nascimento espiritual. Perséfone – consciência prisioneira - morte mística Perséfone representa, seja a Consciência que é feita prisioneira em nossos abismos interiores, seja a Morte Mística, como a Rainha dos Infernos e esposa de Hades. Na verdade, os dois simbolismos se complementam, pois para libertar a Essência prisioneira dos nossos egos, devemos passar pela Morte Mística. Portanto, o culto a Perséfone nos mistérios de Elêusis, representa a importância do fator “Morrer”, a transformação interior do homem mediante a morte do “mim mesmo” Outra situação importante é quanto à situação de Cora que, enquanto na Grécia era ligada varias vezes à figura benéfica da mãe, em Roma era ligada ao Tártaro e assume então um papel de divindade infernal, quase negativa. O próprio inferno assume uma conotação mais densa enquanto vem considerado como antítese do Olimpo, coisa que não acontecia na Grécia. Renascimento (Morte e Ressurreição) Um dos aspectos importantes deste mito é a questão do eterno retorno das estações do ano como um ciclo de morte e ressurreição, ligado ao rapto de Cora, que é a base do mito sagrado de Elêusis e que é narrado extensamente em um Hino a Deméter, finais do sec. VII a.C., um dos chamados Hinos Homéricos. Deméter-Perséfone é a representação do Eterno Retorno. Seis meses passa Perséfone no Tártaro e a natureza morre (outono-inverno), seis meses passa Perséfone com sua mãe Deméter, e a natureza revive (primavera-verão). Isso simboliza que por causa de termos a consciência prisioneira em nosso infra-mundo e enquanto ela permanecer nesta condição, estamos condenados à Lei do Eterno Retorno, à continua peregrinação de nascimentos e mortes neste “vale de lágrimas”. Deméter (a Mãe doadora) era a dispensadora de vida. Perséfone, sua filha, era a rainha dos mortos, o trigo representava o ciclo de concepção, crescimento, morte e uma nova vida. O morrer e nascer de novo era o tema central dos cultos mistéricos. Morrer em si mesmo e para a vida material e nascer para o novo, para a vida espiritual.
  • 6. Origem e contexto histórico Localização O culto era celebrado exclusivamente em Elêusis, próximo 30 km de Atenas, Grécia. Era uma cidade agrícola, produtora de trigo e cevada. Época: Celebrado por uns 2.000 anos desde 1.500 a.C. (época micênica) até 396 d.C., terminando com um decreto do imperador romano Teodosio I para acabar com a resistência pagã ao cristianismo. Os templos foram fechados e depois incendiados e destruídos pelos Godos, guiados por Alarico. O culto entre os Romanos O mito eleusino teve grande sucesso durante a idade imperial, tanto que Elêusis se torna lugar de peregrinação. Os romanos chamavam Mystéria de “initia”. Alguns imperadores apoiaram os cultos mistéricos como Cômodo e Cláudio, que tentou transferir o culto a Roma. Características Independentes das religiões oficiais de Estado. Os cultos mistéricos eram religiões alternativas ao culto oficial. Não eram vinculados ao estado. Os cultos de Mystéria (mystae) se desenvolviam duas vezes ao ano e de maneiras diferente. Eram os chamados Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios. Participantes Eram acessíveis a diferentes classes sociais e econômicas, porém o aspirante deveria primeiro passar por um rito de iniciação, o que fazia que os membros não fossem numerosos e se sentissem uma espécie de elite espiritual. Em Elêusis, na antiga Grécia, a cada ano se celebrava os sagrados Mystéria. Participavam homens e mulheres, livres e escravos, gregos e bárbaros. A participação nos Mystéria não era exclusiva. Era possível participar a outros cultos e ser devoto de outros deuses. A liberdade de culto era essencial no conceito de religião dos antigos. Não existiam hereges, apostasias, ou religiões concorrentes a combaterem. Tais conceitos existiam na religião judaica e posteriormente foram adotados pelos cristãos. Segredos As experiências vividas não podiam ser relatadas fora dos cultos mistéricos, nem os seus ritos. A única maneira de conhecer os ritos e seus ensinamentos era ser aceito e iniciar-se nos mistérios. Escuridão Os Mistérios de Elêusis, como todo rito mistérico, eram festas noturnas com o
  • 7. iniciado entrando na obscuridade em direção à luz. É famosa a frase dentre os gnósticos: “Não esperes nada do oriente, mas do poente”. E é sabido dentre os místicos, que “a Luz sai das Trevas”. Essa é a supra-obscuridade dos cultos mistéricos. Experiência Direta Os iniciados não recebiam somente um ensinamento, mas, sobretudo, viviam uma experiência do divino que atuava diretamente em suas consciência. Como era praticado Ritual O ato ritual não era em torno ao culto de uma imagem divina, mas nas pessoas que participavam do rito. O iniciado recebia os mistérios, era sujeito e ao mesmo tempo objeto do culto. O rito era composto de 3 fases: dròmena (coisas feitas), legòmena (coisas ditas) e deiknùmena (coisas mostradas) quot;Chove, traga frutosquot; Em um determinado momento do rito, o hierofante mostrava em silencio uma espiga de trigo e olhando aos céus dizia: “chove”, depois olhando para a terra dizia “traga frutos”. Esta frase ritualística: “Chove, traga frutos”, em grego “ye, kie” era pronunciada e repetida por todos os participantes e está relacionada à união do divinal com o terrenal. A chuva que vem dos céus deve fecundar a matéria, a terra, na qual jaz a semente para que esta se multiplique e dê os frutos esperados, os veículos existências do Ser. Este é o Nascimento Segundo, precedido da morte da semente, pois para que a semente dê frutos, esta primeiro deve morrer: “Se a semente não morre, a planta não nasce”. Isso nos mostra que a essência dos mistérios de Eleusis era o trabalho com a semente, a Energia Criadora. Mistérios Menores A primeira manifestação era chamada Mistérios Menores, celebrados entre metade de fevereiro a metade de março, na primavera, e servia de preparação para os iniciados, onde eram instruídos nos mitos e se submetiam a cerimônias de purificação, jejuns, ofereciam sacrifícios e cantavam hinos e danças. Mistérios Maiores De maior importância são os Grandes Mistérios, segunda manifestação do ano, celebrados de metade de setembro a metade de outubro. Duravam nove dias (simbolizando o descenso à nona esfera), durante os quais, na Grécia, se interrompiam as guerras e reinava a “paz divina”. No dia 14 de setembro iniciava uma procissão a Atenas, onde se levava ao santuário de Eleusinion os objetos sagrados e as imagens dos Deuses. No dia seguinte a procissão deixava Atenas e se dirigia a Elêusis, por uma estrada sagrada que ligava as duas cidades. O cortejo chegava ao calar da noite. Chegando lá, dirigiam-se ao Telesterion, lugar sagrado das iniciações, as teletài. E ali se realizavam seus rituais secretos.
  • 8. Mistérios Dionisíacos Mitologia Dioniso Dioniso, Diónisos ou Dionísio (do grego Διώνυσος ou Διόνυσος) era o deus grego (trácio, para ser mais exato) equivalente ao deus romano Baco (Βακχος Bakkhos), em grego, e à divindade itálica “Líber Pater”. Deus das festas, do vinho, do lazer e do prazer. Dionísio representava a Energia Natural, Criadora, a Libido Sexual, protetor da agricultura e do teatro. Filho de Zeus Filho de Zeus e da princesa Semele, filha de Cadmo, rei de Tebas, foi o único Deus filho de uma mortal. Algumas tradições, pouco aceitas, afirmam que era filho de Zeus com Perséfone. Nascido Duas vezes Ocorreu que Hera, que sentiu ciúme de mais uma traição de Zeus, instigou Semele a pedir ao seu amante (caso ele fosse o verdadeiro Zeus) que viesse ter com ela vestido em todo seu esplendor, em outras versões lhe pediu que a mostrasse sua verdadeira forma. Semele então pediu que Zeus atendesse a um pedido seu, sem saber qual seria, em algumas versões, ela o fez fazer uma promessa pelo Estige, o voto mais sagrado, que nem mesmo os deuses podem quebrar. Ele concordou e quando soube do que se tratava imediatamente se arrependeu. Uma vez concedido o pedido teria que cumpri-lo. Então ele demonstrou sua verdadeira forma, já sabendo o que ocorreria. De fato, o corpo mortal de Semele não foi capaz de suportar todo aquele esplendor, e ela virou cinzas. Assim, Dionísio foi retirado do útero de sua mãe e colocado na coxa de seu pai, Zeus. (Aqui, sob as luzes do gnosticismo, podemos compreender o aspecto transcendental e antropológico desta passagem. Samael Aun Weor nos explica que os Lêmures gestavam seus filhos nas pernas e que foi exatamente na Lamúria que a libido sexual, Lúcifer-Dionísio, se torna livre e independente do Ser, simbolizando, assim, o seu nascimento). Quando completou o tempo da gestação, Zeus o entregou em segredo ao Deus Hermes que o conduziu a Nisa e passou a cuidar da criança com ajuda das Dríades, das Horas e das Ninfas. Um dos significados do nome Dionísio é também Dio-Nisio, Deus de Nisa. Depois de adulto, ainda a raiva de Hera tornou Dionísio louco e ele ficou vagando por várias partes da Terra. Quando passou pela Frígia, a deusa Cibele o curou e o instruiu em seus ritos religiosos. Deus do Vinho Sileno ensina a ele a cultura da vinha, a poda dos galhos e o fabrico do vinho. Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da uva. Ele foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras, assim o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.
  • 9. Dionísio puniu quem quis se opor a ele (como Penteu) e triunfou sobre seus inimigos além de se salvar dos perigos que Hera estava sempre pondo em seu caminho. Nas lendas romanas, Dioniso tornou-se Baco, que se transforma em leão para lutar e devorar os gigantes que escalavam o céu e depois foi considerado por Zeus como o mais poderoso dos deuses. Às mulheres que o seguiam se dava o nome de bacantes ou menades. É considerado também o deus protetor do teatro. Em sua honra faziam-se peças teatrais na Grécia Antiga e festas dionisíacas. Segundo o mito, Dionísio ordenou a seus súditos que lhe trouxessem uma bebida que o alegrasse e envolvesse todos os sentidos. Trouxeram-lhe néctares diversos, mas Dionísio não se sentiu satisfeito até que ofereceram o vinho. De tão alegre, Dionísio fez com que todos os presentes brindassem com suas taças, e o som do brinde pôde ser ouvido por todos os campos daquela região. A partir daí, Dionísio passou a abençoar e a proteger todo aquele que produzisse bebida tão divinal, sendo adorado como deus do vinho e da alegria. Simbologia Duas vezes Nascido Dionísio era o duas vezes nascido, pois primeiro é retirado do útero de sua mãe, Sêmele, e depois nasce de novo quando sai da coxa de Zeus. Exotericamente este mito esta ligado à natureza que morre no inverno e renasce na primavera. Esotericamente, o mito fala explicitamente do que é um duas vezes nascido: um que primeiro nasce de sua mãe terrenal e que depois nasce espiritualmente, do Ser. Isso nos dá a importância mística do mito de Dionísio, ele não é somente um nascido Duas Vezes, mas também aquele que nos permite nascer de novo, pois representa a única potência capaz de gerar e regenerar, a força sexual. Símbolos e representações É geralmente representado sob a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira e flutuante, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça, e, na outra, um tirso (um bastão) enfeitado de folhagens e fitas. Também era representado pela figueira. (símbolo da força sexual). Tem o corpo coberto com um manto de pele de leão ou de leopardo, traz na cabeça uma coroa de ramos de videira, e dirige um carro tirado por leões. Dionísio esta intimamente relacionado aos sátiros, os centauros e silenos. Também pode ser representado sentado sobre um tonel, com uma taça na mão, a transbordar de vinho generoso, onde ele absorve a embriaguez que o torna cambaleante. Eram-lhe consagrados: o corvo, (A Morte mística,que se realiza graças à eletricidade sexual) o bode, a serpente, o touro, (Lúcifer, o instinto sexual) a lebre e o vinho (o mercúrio, matéria prima da Grande Obra). Deus do Vinho Baco-Dionisio como Deus do Vinho, é uma referência explícita à libido sexual. Com sua característica inebriante e eufórica, pode nos levar a estados superiores, se
  • 10. utilizamos com moderação, ou a estados inferiores, adormecendo a consciência, se abusamos. Da mesma maneira acontece com a libido sexual. Além do mais, Dionísio é quase sempre representado junto a faunos, personagens meio homens, meio cabritos. Sabemos que o bode, a cabra, são animais totêmicos que representam o instinto sexual, e por isso, são animais consagrados a este Deus. É fácil compreender porque Dionísio é um dos mais importantes, populares e poderosos entre os Deuses, pois nada é mais popular entre os homens do que o sexo. Nada é mais potente, pois é o centro de gravidade de todas as atividades humanas; e nada é tão importante, pois dele depende não só a nossa vida material como também espiritual. Origem e Contexto Histórico Origem Dionísio era um dos deuses mais venerados na antiguidade e seus mistérios eram os mais populares entre os cultos mistéricos gregos e eram abertos a todos, homens, mulheres e escravos. Por volta de 600 a.C, o culto dionisíaco torna-se oficial na antiga Grécia. Era celebrado em Atenas, Ática e outras cidades e também na Ásia Menor. Roma É em Roma que o culto mistérico dionisíaco passa a ser perseguido. Tal culto se oficializa, em Roma, em torno de II a.C. E mais tarde, um século depois, vem a ser perseguido em Roma pelo senado por se tornar um culto orgiástico. Depois as autoridades romanas deixaram de persegui-lo e este mistério se espalhou por todo império romano. Características Divindade Agrícola Inicialmente era uma divindade agrícola, como Deméter. Depois assume especialidade na cultura de vinhos tornando-se o distribuidor de alegria e diversão. Nascimento e Morte Alguns elementos do culto Dionisíaco foram motivo de suas perseguições posteriores. Entre eles: sparagmós e l’homophagía (Desmembramento ritual de um animal e depois devorá-lo cru). Outro elemento foram os Bacanais, que, a princípio, eram ritos noturnos onde se ensinavam o tantrismo autêntico e que depois se degeneraram nas famosas orgias públicas que hoje conhecemos. Como era praticado Celebrado na Primavera Celebrado entre fevereiro e março, festejava-se o retorno da primavera e o
  • 11. resultado de uma nova colheita. No primeiro dia, se abria as ânforas de vinho novo. No segundo dia, o hieròs gamos (matrimônio sagrado) entre o hierofante e a sacerdotisa, no Bukoleion (sala do touro), pois o Deus era também associado ao touro (potência sexual) Celebrações Oficiais Durante as cerimônias, vinham realizados dramas teatrais. Outra celebração é a fabricação do vinho, onde a uva era pisada e as mulheres saboreavam o vinho produzido. Estas são as Menades ou Bacantes. Liberdade no culto Ao contrário do culto mistérico de Deméter, o dionisíaco não tinha um lugar de culto preciso, se podia ser realizado em lugares diversos. Por causa disso o culto se difundiu enormemente e foram muitas também as formas de praticá-lo, pois não tendo regras precisas, o sacerdote possuía uma certa liberdade na realização. Bacantes e a Experiência Direta A cerimônia mais acompanhada era, sem dúvida, a oribasia. Durante a noite, à luz de tochas e ao som de tambores e flautas, as Menades subiam os montes, onde, em uma natureza virgem e selvagem, iam ao encontro de seu Deus. Ao contrário de quanto se pense, as Bacantes não ingeriam substancias inebriantes, nem vinho, nem drogas. Eram simplesmente animadas por um desejo muito intenso de encontrar o deus que lhes fazia suportar certos limites físicos e psíquicos, possuídas de entusiasmo (que em grego significa “ter Deus dentro”). Também por isso, as Menades, ao interno do círculo mistérico, eram escolhidas com muita cura: somente quem possuía um perfeito conhecimento dos mistérios poderia ser em grau de aceder a uma forma mais profunda de Consciência. O objetivo dos mistérios era ter um contato direto com a divindade. A imagem das bacantes como loucas ou devassas se deve à literatura cristã que via nestes mistérios um perigoso inimigo e lhes tachava de imorais. É verdade que bem posteriormente houveram abusos em alguns grupos dionisíacos e se degeneram em orgias no sentindo em que hoje atribuímos à palavra. Deve-se dizer, porém, que a palavra orgia vem da raiz ûerg, que quer dizer trabalho, obra.Tratava-se de uma ação em grupo com finalidade religiosa. Os Rituais Havia na Grécia Antiga três grandes festivais em homenagem a Dionísio: as Dionisíacas Rurais, que se celebravam a meio do inverno e que se destinavam a solicitar os favores de Dionísio à fertilidade das terras; o Festival de Lénaia, que decorria em janeiro, devotado aos casamentos; e o principal festival para o qual as peças gregas que chegaram aos nossos dias foram escritas: a Grande Dionísia celebrada em Atenas.
  • 12. Mistérios Órficos Mitologia Orfeu Natural de Trácia, filho da musa Calíope com o rei Eagro, ou segundo outras versões, filho da musa com o Deus Apolo, é uma figura complexa: artista e figura central de uma religião, o orfismo, com uma teologia e cosmologia próprias. Todos os mitos e citações sobre Orfeu o relatam como prodigioso cantor e músico, capaz de domar a natureza e colocar pessoas em estado de êxtase com a sua música. A lira de Orfeu Diz-se que o deus Apolo lhe ofereceu uma lira com sete cordas e as musas o ensinaram a tocar. O próprio Orfeu acrescentou mais duas cordas a este instrumento, com o qual conseguiu produzir alguns sons e umas melodias que amansavam as feras. (Aqui temos uma referencia direta ao trabalho na Nona Esfera). O canto que acompanhava a suave música que emanava daquele instrumento tinha a particularidade de fazer com que árvores e montes acolhessem, e protegessem, o jovem Orfeu de quaisquer perigos que pudessem sobrevir-lhe. Conta-se também que até os humanos se sentiam melhor e o seu caráter se suavizava quando ouviam os serenos sons que saíam da lira do belo efebo Orfeu. Música e poesia se fundiram, através dos tempos, na cítara e na lira que Orfeu aperfeiçoou, dotando-as de nove cordas em memória das quot;Nove Musasquot; pois, como já sabemos, ele próprio foi engendrado pela principal de todas: pela musa Calíope. Orfeu e os Argonautas Uma série de acontecimentos míticos se resolverão felizmente graças à intervenção de Orfeu com os seus instrumentos musicais. Por exemplo, quando os Argonautas passaram ao lado da Ilha das Sereias, os marinheiros ficaram encantados com os cantos das sereias, mas Orfeu os salvou entoando um canto ainda mais melodioso que quebrou o encantamento. Segundo narram as crônicas clássicas, quando a expedição dos Argonautas tinha dificuldades devido ao mar bravo, o jovem Orfeu - que se encontrava presente na citada expedição - arrancava tais sons harmoniosos da sua cítara que as águas se acalmavam e o mar inteiro se transformava numa, por assim dizer, balsa de azeite. Deste modo, os expedicionários puderam seguir o seu caminho para a região da Cólquida à procura daquela apreciada pele do mítico carneiro, que, segundo as narrações clássicas, nasceu da união entre Possêidon e Teófane, mulher de extrema beleza que acossava os seus admiradores e que Possêidon seqüestrou e mandou para a ilha de Crisina para, uma vez lá, convertê-la em ovelha e, ele próprio, transformar-se em carneiro, dando lugar à lenda do Velocino de ouro. Um gigantesco e feroz dragão guardava o citado troféu e não deixava ninguém se aproximar do Velocino de ouro. Mas a lira e a cítara de Orfeu, suavemente tocadas pelo jovem, transformaram em mansidão a ferocidade do dragão e, deste modo, o
  • 13. chefe da expedição -o ousado Jasão- conseguiria matar o monstro. Morte de Eurídice Contudo, o episódio mais significativo, e que tem por protagonista Orfeu e sua lira, talvez seja o sucedido na região subterrânea do Tártaro, quando Orfeu vai tirar, da região dos mortos, sua amada Eurídice. Os mitos relatam o amor eterno de Orfeu por Eurídice, filha de Nereo e Doride. Porém, a beleza de Eurídice fez com que Aristeo, um dos filhos de Apolo, se apaixonasse por ela e tentou de tudo para conquistá-la. Um dia, para fugir do insistente Aristeo corre pelos campos e tem a infelicidade de pisar em uma serpente que a mordeu e provocou-lhe a morte instantânea. Descida ao Tártaro O corajoso Orfeu, desesperado pela morte de sua amada, decide descer ao Tártaro, região dos mortos, para resgatá-la e trazê-la de volta à vida. Orfeu consegue, com sua música, convencer o barqueiro Caronte a levá-lo ao Tártaro e, da mesma maneira, amansa o cão Cérbero, guardião do Averno, permitindo ao jovem Orfeu entrar nos domínios de Hades. Contam os mitos, que a melodia entoada por Orfeu aliviou o sofrimentos dos condenados e, principalmente, comove o coração de Perséfone que convence o seu esposo Hades a permitir que Eurídice deixasse a região dos mortos, coisa insólita e que jamais tinha acontecido. Porém Hades impõe uma condição, aparentemente muito simples: Orfeu, durante todo o percurso de saída, não poderia jamais voltar-se para trás nem conversar com sua amada, para comprovar que esta o seguia, até que ela não estivesse completamente sob a luz do sol e completamente fora das regiões infernais. Saída do Averno Aceitou Orfeu tais condições e dispôs-se a caminhar para a saída do Tártaro; quando já se encontrava praticamente fora daquela região escura, sentiu a necessidade de comprovar se a sua querida Eurídice o seguia e, sem lembrar-se da condição imposta por Hades /Plutão, virou a cabeça para a olhar. Mas só conseguiu ver, entre assustado e atônito, como a sua amada se convertia em brumas e desaparecia tornando ao Tártaro para sempre. Inutilmente, Orfeu tenta regressar de novo ao abismo para recuperar sua amada, porém, desta vez Caronte não mais cai nos encantos de sua música. Mesmo fazendo jejum durante setes dias às margens do rio Aqueronte, não obtém êxito. Morte de Orfeu Inconformado com a perda da sua amada, Orfeu retirou-se ao monte Rodope, mergulhado em sua dor, buscando a mais profunda solidão, negando-se a enamorar- se novamente. Conta-se que Orfeu dedicou-se a instruir a homens e jovens sobre a origem dos mundos e dos Deuses, sobre os mundo infernos, tornando-se uma espécie de guia, por assim dizer, que descrevendo aqueles lugares secretos e escuros que constituíam os domínios de Plutão para, assim, alertar o resto dos mortais. Diz-se que Orfeu, depois de abandonar o Tártaro, e uma vez resignado à irreparável perda de Eurídice, se dedicou a explicar a maneira de achar o caminho que conduzia aos domínios de
  • 14. Plutão e, assim, mostrou às almas dos mortais os escondidos becos que desembocavam na própria margem do Aqueronte, o escuro rio que delimitava a região do Tártaro e cujas turvas águas só podiam ser atravessadas pela barca de Caronte. Diz a tradição que o fato de Orfeu recusar-se a ter de novo amante deixou furiosas as Bacantes, seguidoras de Dionísio, que desejavam o jovem efebo, e para vingar-se, mataram Orfeu, esquartejaram, e se nutriram com parte de seu corpo. Depois jogaram a cabeça no rio Erbo. A cabeça desceu até o mar, na ilha de Lesbo, que continuava a cantar sua dor pela perda de sua amada e incessantemente proclamava o seu nome: “Eurídice, Eurídice...”. Para que o delito das Bacantes não ficasse impune, os deuses castigaram Trácia com uma horrível praga e, para cessá-la, era necessário encontrar a cabeça de Orfeu e dar-lhe as devidas honras fúnebres. Sua cabeça foi encontrada por pescadores e levada e sepultada no santuário de Apolo. Este, para dar honras ao poeta, coloca sua lira nos céus, formando uma constelação. Simbologia A lira de Orfeu A Lira de Orfeu representa a sexualidade em seu aspecto superior, entoando notas musicais em oitavas superiores. O ato sexual deve soar como uma música e tem o poder de domar os nossos animais interiores, nossa natureza inferior e atingir o êxtase místico oferecido pela libido sexual trabalhada com arte e maestria. Olhar para trás Essa passagem do mito de Orfeu nos recorda muito à passagem bíblica no Antigo Testamento de Lot e sua mulher. Deus anunciou a Lot a destruição de Sodoma e Gomorra, para que ele fugisse de lá com a sua família. Porém, na fuga, sua esposa se volta e olha para trás enquanto a cidade era destruída. Neste momento, torna-se uma estátua de sal. Samael Aun Weor comenta esta passagem da Bíblia e explica que olhar para trás significa não renunciar ao passado. Os simoníacos, na Divina Comédia, eram representados por pessoas com o rosto voltado para trás, pois Simão, o Mago, não quis aceitar o novo, rejeitou o Cristo por não querer renunciar ao passado. Para nascer para o novo, devemos morrer para o velho, para nascermos divinos, devemos morrer para os valores mundanos. Caso contrário, morremos para o espiritual e renascemos de novo no mundano. Mas por que Orfeu olha para trás? Por qual razão, tendo uma concessão assim tão extraordinária? Nunca nenhuma pessoa voltou da região dos mortos. E a condição imposta por Hades é aparentemente tão simples... Bastava não olhar para trás! Aqui devemos refletir... pois este é um dos pontos centrais do mito. Por que Orfeu consegue realizar as mais difíceis façanhas, consegue realizar o quase impossível e não consegue respeitar esta simples condição? A questão é: a condição imposta é somente aparentemente simples. O que Hades oferece é grandioso, inédito, permitir que um morto saia do tártaro e volte à vida. E o que ele pede em troca? Deve pedir algo grandioso, que faça jus à oferta. E assim ele faz. Hades, o senhor do Tártaro,
  • 15. pede ao amado para deixar de olhar para sua amada. Não olhar para a pessoa amada é quase como renunciar ao próprio amor. Se Orfeu fez tudo isso por amor, seria ele capaz de renunciar ao próprio amor, por amor? E, assim, Hades estabelece a paridade na negociação. Pede o mais difícil para os amantes: não se olhar! Amor Realmente o Amor é sacrifício supremo e às vezes pede sua própria renuncia para que possa ser ainda mais Amor. É semelhante à frase de Jesus em Marcos 8:35 “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por amor a mim, a salvará.” Esta foi a terrível prova imposta pelo Senhor do Submundo: Renunciar ao que se busca para poder conquistá-lo. O mito de Orfeu é uma demonstração e advertência de como o Amor é o mais importante de tudo e que este nos pede os maiores sacrifícios. Mas o amor, sobretudo o Amor consciente, aquele que nos leva a níveis superiores de Ser, nos pede inclusive a morte absoluta do si mesmo, do mim mesmo. Viver um grande amor é nascer de novo, e o Amor Consciente nos dá o Nascimento Segundo, porém, para nascer, primeiro devemos morrer. Levantar-se O mito também nos recorda que errar é humano e que todos estamos sujeitos a uma queda, mas o importante é conseguir reerguer-se. Para isso, não devemos nunca estar fechados para o amor, pois somente ele pode nos redimir. Quem recusa o amor entre homem e mulher, assina a sua pena capital. Diz Samael Aun Weor: “Sete vezes cai o sábio, sete vezes torna a levantar-se”. O maior fracasso não é falhar, mas deixar de tentar. Origem e Contexto Histórico Popularidade e influências Outro fenômeno mistérico de extrema importância na antiga Grécia, foi, o assim chamado, Orfismo, popular já no século VI a.C., com heranças evidentes dos Mistérios Eleusinos e dos oráculos de Delfos, além de outras influências exteriores à Grécia, como Egito e Mesopotâmia. Mas é sobretudo no século V a.C. que o fenômeno assume uma grande difusão social graças a alguns membros itinerantes. Importância do tema Literatura O Orfismo, além de um culto ou uma espécie de religião, foi também um movimento literário. Essa literatura vive o seu máximo esplendor em Atenas nos finais do século VI a.C.. Um dos seus maiores escritores foi o filósofo-poeta Onomacrito. O Orfismo teve muita influência na literatura grega, com o seu senso de dor e contínuo renovar da vida.
  • 16. Filosofia Sem o orfismo não se explicaria a filosofia e a doutrina de Pitágoras, nem a de Empédocles e, sobretudo, não se explicaria Sócrates e boa parte do pensamento de Platão, bem como de toda a tradição que deriva de ambos. Eurípedes, Platão, Heródoto, Aristófanes e Aristóteles nos deixaram escritos sobre o orfismo e sabemos o quanto Platão deve aos mistérios órficos em sua filosofia, especialmente no que concerne à doutrina da reencarnação. Fora do mundo grego A descendência órfica se estende fora da antiga Grécia, vai ao mundo romano e continua pela Europa durante o Renascimento e Idade Moderna, como podemos verificar em celebres escritores como Virgílio, Dante Alighieri em sua “Divina Comédia”, John Milton em seu “Paraíso Perdido”, Willian Blake, entre outros. Com isso já podemos afirmar que o Orfismo será uma das bases literárias do esoterismo europeu. Mito Órfico da Criação do Mundo Segundo o Orfismo, tudo nasce de Cronos que, unindo-se ao Éter e ao Caos, dá vida a um, assim chamado, “ovo primordial”. Deste nasce Phanes, forma primitiva de Dionísio que, sozinho (era hermafrodita), gerou uma humanidade também hermafrodita. Gerou também a Noite, com a qual dá vida ao casal Gaia e Urano. Aqui a teologia órfica se conecta de novo à mitologia tradicional deixada por Esíodo. Características Dualismo e Purificação Segundo o Orfismo, os homens nasceram das cinzas dos Titãs que, por sua vez, tinham comido a Zagreus-Dionísio. Portanto os homens levavam em si uma parte boa, derivada de Dionísio, mas também uma parte ruim herdada dos titãs. Com base neste dualismo o Orfismo sugere que para despertar a nossa componente divina, devemos eliminar os nossos elementos titânicos que levamos dentro, por meio de uma purificação (katarsis). Isso faz com que o Orfismo se diferencie do dionisismo, que era muito mais voltado aos sentidos, eufórico, festivo, com uma ênfase explicita e predominante no trabalho com as energias sexuais. O Orfismo, para não cair nos abusos orgiásticos, dá ênfase à morte mística dos nossos elementos interiores impuros. Sendo assim, torna-se mais austero e menos festivo. Metempsicose ou Transmigração As almas que não alcançaram a pureza necessária são condenadas a retornarem em outro corpo. Trata-se do fenômeno da metempsicose. Este é um outro ponto chave da doutrina órfica. A purificação, a catarse, a vida reta, era condição “sine qua non” para libertar-se do doloroso ciclo de retornos da alma imortal a um corpo mortal. União com o Divino Os órficos estudavam e se preparavam em vida para a experiência após a morte do
  • 17. corpo físico e também para um contato com o divino que se verifica após a morte mística e a transformação da alma. Para este fim serviam as lâminas órficas encontradas quase sempre junto às tumbas dos orfistas, a maioria entre os séculos III e II a.C. Estas continham incisões que instruíam a alma nas etapas essenciais na vida no além, fórmulas mágicas, até encontrar-se com a divindade devido o seu grau de purificação. quot;Alegra-te, tu que sofreste a paixão: antes, desconhecias o que era o sofrimento. De homem, nasceste Deus!quot;. “Feliz e bem-aventurado, serás Deus ao invés de um mero mortal! De homem, nascerás Deus, pois és filho do Divino!quot; De um modo geral, a mensagem órfica é a de que todos somos deuses, por herança divina, e deveremos voltar a religar-nos com Deus. Era uma doutrina filosófica e cosmogônica que exaltava as forças espirituais do homem e os anelos de unir-se à divindade.
  • 18. Mistérios Gnósticos e Sociedades Secretas Influências Mistéricas Gnosis A filosofia e o modus operandi mistéricos continuam e influenciam novos movimentos espirituais. Ainda na Antiguidade, as diversas correntes gnósticas-cristãs são essencialmente mistéricas, pois, uma das tantas características mistéricas de tais movimentos é a forma sincretista que une os revolucionários ensinamentos cristãos com a tradicional sabedoria pagã, encontrando uma familiaridade e um elo de ligação entre eles. Outro aspecto é quanto à forma, reservando o seu mais profundo conteúdo a iniciados. Outro fator ainda é a ênfase na experiência direta, pois os mistérios gnósticos, como todos os outros mistérios, só são vividos, compreendidos e comprovados com a sua vivência e experiência mística. Samael Aun Weor utiliza com freqüência a expressão “Mistérios Gnósticos”, enfatizando o aspecto essencialmente prático, vivencial e misterioso deste Conhecimento. Sociedades Secretas Mesmo após a Antiguidade, na Idade Média, Renascimento, Idade Moderna e Contemporânea, tornam-se freqüentes as aparições de novas escolas mistéricas, também chamadas: Sociedades Secretas. Dentre elas podemos destacar como mais expressivas: o movimento Templário, a Maçonaria, os Rosacruzes, e muitos outros, incluindo o Movimento Gnóstico contemporâneo fundado por Samael Aun Weor. O ponto em comum entre tais movimentos é sempre seu caráter mistérico: não públicos, mas restritos a iniciados; transformação do indivíduo; trabalho com as energias criadoras e união do homem com sua Divindade Interior. Conclusão Aplicação Prática deste Conhecimento O objetivo de todo e qualquer estudo mistérico é a sua utilização e aplicação prática na vida de seus membros. Conhecer tais mitos, riquíssimos em simbologia, arquétipos e ensinamentos e não fazer com que isso influa em nossas vidas e que nos estimule e oriente em nosso trabalho interior, sendo somente e mais uma erudição intelectual, seria um terrível desperdício, uma perda de tempo. Helena Pretovna Blavastky dizia: “Não podes caminhar no Caminho enquanto não tornares, tu próprio, esse Caminho”. O célebre escritor Machado de Assis disse: “Nós matamos o tempo e o tempo nos enterra”. O objetivo desta conferência está em compreender os mitos, a prática e a história destes movimentos mistéricos, e permitir que sirva de estímulo e alimento para o
  • 19. nosso percurso espiritual, pois esta é a utilidade dos mitos, um alimento para a Consciência, para a Essência. Porém, somente até aqui podemos chegar e até aqui chegamos... de agora em diante, é com cada um... Lamina de ouro de Pelinna - Poema Órfico Diga a Perséfone que o mesmo Baco te libertou Touro, saltastes no leite, Imediatamente saltastes no leite; Bode caístes no leite. Tens o vinho, oh bem-aventurado, como sinal de honra E, sob a terra, te homenageiam os ritos perfeitos que celebram os demais bem- aventurados. quot;Alegra-te, tu que sofreste a paixão: antes, desconhecias o que era o sofrimento. De homem, nasceste Deus!quot;. Frase de Samael Aun Weor quot;Um homem é o que é a sua vida. Se não trabalha sobre si mesmo, está perdendo seu tempo miseravelmente. Pois não é mais que isso, sua própria vidaquot;.