Sente com o Coração e Liberta a Imaginação
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Conc literario Francisca_8_B

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Conc literario Francisca_8_B

  1. 1. Sente com o Coração e Liberta a Imaginação Concurso Literário Chegara por fim a casa, com as sacas das compras a transbordar e a cabeça cheia de problemas quotidianos. Mal abri a porta, um grito familiar correu na minha direcção: - Mãe, mãe! Chegaste! Dei um beijo naquela cabeça cheia de sonhos e de caracóis, enquanto tirava o casaco encharcado de chuva e de trabalho. - Mãe, vem brincar comigo. - pediu-me com alegria. - Agora não posso, querida, - respondi cansada. - tenho de fazer o jantar. Porque não pedes ao pai? - Ele está no escritório a trabalhar. Está sempre a trabalhar. - e cabisbaixa correu para a sala. Suspirei. Como era bom ter outra vez quatro anos e não ter trabalho e responsabilidades para enfrentar em cada esquina … Dirigi-me com as compras para a cozinha e concentrei-me na tarefa de arrumar cada produto no seu devido lugar na despensa. Seguidamente, puxei de tachos e panelas e liguei o rádio para ouvir um pouco de música, enquanto cozinhava. A mesma voz de sempre anunciava as mesmas notícias de sempre. Suspirei e mudei de estação. A realidade não é algo agradável de se ouvir ao fim de um duro dia de trabalho. Por fim, quando o jantar estava dentro do forno, dirigi-me à sala para ver se a minha pequena princesa não tinha ficado muito magoada. Encontrei-a deitada no tapete em frente da lareira que crepitava alegremente, de barriga para baixo, com uma caixa de lápis de cor e um bloco de folhas de papel. No seu desenho via-se uma menina num jardim, sentada debaixo de uma árvore. Nesse mesmo jardim havia um canteiro com flores, um pequeno monstro e um rio. No céu via-se um sol e uma nuvem cinzenta da qual caiam gotas de água. - Que estás a desenhar? - perguntei. - O mundo dentro do meu coração. - respondeu. - O mundo dentro do teu coração? - Sim. Todos nós o temos desde bebés. Olhei para ela confusa e ela com um ar muito sereno e adulto explicou, apontando no seu desenho. - As flores são a alegria, pois são bonitas e coloridas como a alegria. A chuva é a tristeza, pois é igual às lágrimas. O sol é o amor, pois aquece e torna as pessoas felizes como o amor. O monstro é a fúria, pois as pessoas zangadas podem ser muito más umas para as outras. O rio é a paz, pois é lento e calmo como a paz. A nuvem cinzenta é o medo, pois cobre o céu e não nos deixa ver o sol, que é o amor, tornando-nos infelizes. E a menina sou eu. - finalizou com um sorriso. - E a árvore? - perguntei curiosa.
  2. 2. - A árvore é a imaginação e os sonhos, pois cresce em direcção ao céu. Cresce sem parar sem ter medo de se tornar muito grande ou de bater no topo do céu. Porque o céu não tem topo, como a imaginação e os sonhos não têm limites. Olhei para a minha pequena sábia que, sem se aperceber da grande lição que me acabara de dar, continuava a desenhar e lembrei-me de todos os sonhos e ambições que tinha deixado para trás. Lembrei-me de quando não tinha medo de sentir a árvore a crescer no meu coração. Lembrei-me de quando era menina também e o céu não era um limite. Francisca Seabra, nº 8, 8ºB

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