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Monografia Nubeane Pedagogia 2010
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  • 1. 10 INTRODUÇÃOA percepção da necessidade de execução de uma prática educativa voltada para alinguagem musical no processo de ensino aprendizagem suscitou o nascimento destapesquisa que enfoca a necessidade de refletir sobre uma educação contextualizadaatravés do uso da música na sala de aula. Uma proposta que visa à construção dosaber mediante a interatividade e a utilização de letras, melodias, ritmos e expressõestípicos contidos nas músicas que contemplam a região Nordeste no cotidiano escolar,proporcionando a contribuição na aprendizagem significativa, resultando nodesenvolvimento cognitivo. Busca-se ainda o efeito psicológico na vida dos educandosno que se refere às suas atitudes e a valorização da cultura regional ritma presente nasdiversas canções que apresentam em suas letras uma variedade de expressõesreferentes à realidade do nordeste brasileiro.O tema proposto para esta pesquisa justifica-se por dois aspectos relevantes: aexperiência musical adquirida desde a infância motivada pelas influências familiaresprincipalmente paterna, cujo gosto e afinidade pela música nordestina especificamenteo forró são expressivos, que não é apenas ouvida como tocada em casa, nas festasjuninas e em outros eventos por alguns dos instrumentos mais conhecidos típicos: asanfona, o zabumba, o triângulo, o banjo e o violão e pela experiência profissional emsala de aula fundamentada no Programa de Educação no Campo que trabalha com oprojeto CAT (Conhecer, Analisar e Transformar) projeto este, desenvolvido pelo MOC(Movimento das Organizações Comunitárias) em parceria com a UEFS (UniversidadeEstadual de Feira de Santana), com as Prefeituras Municipais e Movimentos Sociais,proporcionando ao professor da escola rural formação adequada para trabalhar com asespecificidades do campo e ao mesmo tempo despertando o interesse dos alunos paraa valorização da cultura local de cada um, discutindo também a idéia desustentabilidade e ao mesmo tempo apresentando estratégias de convivência com aCaatinga e a seca características de nossa realidade.
  • 2. 11Observa-se que no contexto do semiárido, inclusive no espaço escolar, o currículoestabelecido apresenta-se distorcido da realidade, das vivências desse lugar, portantotorna-se descontextualizado. Essa disparidade reflete na formação do educando porqueeste não aprende a valorizar o seu próprio lugar devido a uma falsa ideologiaimpregnada em sua mente que o impede de conhecer e valorizar o seu próprio lugar,aprender a conviver e ser um agente transformador e sentindo-se parte integrante douniverso a que pertence.Como forma de superação e resgate a escola representada na figura do professorprecisa discutir, refletir, trabalhar junto ao aluno uma nova perspectiva de mudançaenaltecendo as riquezas da região, sua cultura, raízes, belezas naturais, sua históriautilizando as músicas que façam parte do dia-a-dia do mesmo e que estejam dentro dospadrões de sua cultura e da realidade que vive, conscientizando a valorizar o seuespaço e buscando novas formas de idéias, conhecimentos e de convivência. É nestaperspectiva que a música nordestina expressa por autênticos e tradicionais artistas doforró nordestino, destaca-se mostrando seu potencial valor dando suporte a umaeducação contextualizada que poderá ser promovida na escola. Ao mesmo tempo emque dinamiza e enriquece, conscientiza, amplia o conhecimento, valoriza, enfim educa.Portanto, partindo da perspectiva de repensar uma nova perspectiva na educaçãodesenvolvida no semiárido, é que reforça-se a pretensão de analisar as compreensõesque os professores têm sobre a música nordestina na educação no contexto dosemiárido brasileiro.Este trabalho está estruturado em quatro capítulos assim esquematizados:No capítulo I é apresentado o contexto histórico da arte e da música enquantoexpressão artística enfocando a discussão da música nordestina e sua importância naeducação do semiárido, a problemática e questão de pesquisa.
  • 3. 12No capítulo II, apresentam-se os teóricos que nortearam esta produção, afundamentação das palavras-chave escolhidas para desenvoltura da pesquisa, a cercada música nordestina na educação no contexto do semiárido.No capítulo III, são apresentados e caracterizados os procedimentos metodológicos, osinstrumentos utilizados para recolhimento de dados e elaboração deste estudo.No capítulo IV são apresentados de forma ordenada os dados coletados, analisados einterpretados, desvelando-se como resultado de pesquisa, encerrando com asconsiderações finais.
  • 4. 13 CAPÍTULO I PROBLEMATIZAÇÃOA arte abarca uma grande dimensão no campo do conhecimento humanoproporcionando -lhe prazer e reconforto. Através de sua existência o ser humanodescobriu e aprendeu diversas formas de expressar-se usando sentimentos e emoções,os quais representavam o que via ou imaginava. A arte é consideravelmente como umdos mais misteriosos e encantadores de todos os campos de conhecimento que ohomem já adquiriu. Não seria tão fácil defini-la, por isso, usamos nossos sentidos paramaravilharmos com suas manifestações.Podemos afirmar que a arte esteve sempre presente em praticamente todas asculturas, desde as mais primitivas. Cada época de uma civilização cria uma arte que lheé própria e que jamais se verá renascer (KANDINSK, p.32, 1996). Diz-nos a história, queo homem na pré-história usava-a como forma de transmitir suas idéias. Assim, oensino-aprendizagem da arte faz parte das normas e valores estabelecidos, em cadaambiente cultural, desde as formas mais simples às complexas evidenciando-a nasformas de vestir, pintar-se ou cantar. “A arte evidencia sempre o momento histórico dohomem, em cada época, com suas características, contando o seu momento de vida,com um percurso próprio na representação, como questão de sobrevivência (ibidem,p.32)”.A arte constitui-se, nas mais diversas manifestações da atividade criativa dos sereshumanos, na sua interação com o diversificado e complexo meio do qual fazem parte.Aprendemos a demonstrar nosso gosto e prazer pelas coisas da vida desde a infância.Logo ao nascer interagimos com as manifestações culturais de nosso ambiente, alémde vermos a natureza como fonte de nossa imaginação e criatividade. Este contato como meio onde se insere o homem o permitiu que desenvolvesse a habilidade de fazerarte. Através da pintura das cavernas pôde comunicar-se e expressar o que sente. Ouso da visibilidade pela captação de formas e luzes representadas em massas de cores
  • 5. 14permitiu ao homem representar sua imaginação considerando que para ter essaevolução, ele precisou dos vários recursos existentes na natureza: pedacinhos decarvão, folhas, frutinhas, pétalas de flores, água para obter a partir das misturas coresbelíssimas e pedras. De acordo com Deheinzelin (1993) estas e outras manifestaçõessão objetos de conhecimentos frutos na arte da história da humanidade.Dentre as diversas manifestações artísticas, destaca-se a música, considerada aprimeira tanto na cronologia da história humana quanto nas nossas preferências(DEHEINZELIN, 1993) isto é, o gosto por esta manifestação artística destaca-se muitonas pessoas e envolve-nas.As primeiras manifestações musicais tiveram objetivos, sendo o que mais se destaca:promover a paz no coração dos homens por temor à natureza e, e na própria natureza,quando tornava-se ameaçadora. Deheinzelin (1993) salienta claramente estaafirmação: Os ruídos naturais como o trovão e o barulho das feras, prenunciavam um mundo caótico; em contraposição ao caos, os sons organizados configuravam um cosmo composto de ordem, correspondência, beleza. Os sons organizados (música) tiveram então um poder apaziguador de domínio na natureza (p. 95).A música como qualquer outra arte acompanha historicamente o desenvolvimento dahumanidade, podendo ser encontrada no estudo de todas as épocas, inclusive na pré-história. Pôde-se constatar que o homem só começou a manifestar-se artisticamente apartir do momento em que começou a identificar os sons provenientes da próprianatureza como ruídos, sons, urros, que dizer do harmonioso canto dos pássaros oumesmo do som produzido pelo vento. Mediante a descoberta desse universo artístico, oser humano começou a experimentá-lo envolvendo-se de diversas formas evoluindoconstantemente. Então a música ganha seu espaço e mergulha nas emoçõeshumanas. Acredita-se que os primitivos tiveram muitas influências da natureza,descobriram os sons que os cercavam no ambiente, dando-lhe vontade de imitar o
  • 6. 15sopro do vento, o ruído das águas, o canto dos pássaros. Também aprenderam adistinguir os timbres característicos da canção das ondas se quebrando na praia, datempestade se aproximando... e encantou-se com seu próprio instrumento musical – avoz, de modo que estranhos sons tirados da garganta devem ter constituído uma formarudimentar de canto, que junto com o ritmo, resultou na mistura de palmas e roncos,pulos, e uivos, batidas e berros. Para aquela época, era o que estava ao alcance para ohomem primitivo e terá sido um estilo que perpetuou por séculos. Como afirma Rosa(s/d): De início, o ser humano descobre os sons e o ritmo em seu próprio corpo e na natureza ao redor. Desenha nas pedras, de forma rudimentar, a presença da música em seu cotidiano. Registra na pedra o uso de instrumentos de percussão, como os tambores, e de sopro, como a flauta de bambu. Em sua evolução, o ser humano foi aperfeiçoando a linguagem musical, passando a utilizar instrumentos musicais mais complexos, formas mais adequadas de registros das músicas, o próprio como meio de expressão musical. Cria canções, desde a mais simples até a mais sofisticada harmonia. Na história humana, verifica-se que o progresso na música acompanhou o desenvolvimento de outros campos, beneficiando-se sempre dos avanços tecnológicos (p.18).Mas, além de tudo isto, está o valor da música como uma arte, como a expressão desons ordenados da experiência, pensamento, imaginação e instinto criativo no homem.Através da música o homem tem expressado algumas de suas mais profundasexperiências e entendimento do significado da vida. Como em toda arte, isto pode sertraduzido em palavras ou algum outro meio de manifesto. Isto nos reporta o que dizDuarte Junior (1998, p. 53), quando afirma: O fato de que a música é uma inestimável fonte de estímulos de equilíbrio e de felicidade da criança é revelado de maneira aumentada pela sua utilização psicoterapêutica (o que não quer que a pedagogia musical possa ser reduzida à psicoterapia).
  • 7. 16Como expressão da arte, a influência da música na educação pode ser percebidadesde os tempos em que se começou a escrever a Bíblia, a exemplo das antigasescolas dos profetas. Nessas escolas, “a música tinha destacado lugar, juntamente coma Lei de Deus, a história sacra e poesia. (WHITE, 1997, p. 47)”. Assim, vemosclaramente que a música tem uma grande importância na vida humana. Ela despertapara um mundo prazeroso e satisfatório para a mente e para o corpo que facilita aaprendizagem e também a socialização entre os homens e as culturas. De acordo comFaria (2001): “a música passa uma mensagem e revela a forma mais nobre, a qual, ahumanidade almeja, ela demonstra emoção, não ocorrendo apenas no inconsciente,mas toma conta das pessoas, envolvendo-as trazendo lucidez à consciência” (p.4).Há registros que revelam que essa manifestação artística foi utilizada em váriosmomentos da história da educação tanto de crianças quanto de adultos, com traçoscaracterísticos de cada sociedade. Na Grécia o ensino da música começava desde ainfância e era considerado fator fundamental igualmente ao ensino de filosofia ematemática para a formação dos cidadãos. Foi a primeira das civilizações antigas aenfatizar a importância da música na educação de seus filhos. Afirma Riboulet (s/d): Os Gregos consideravam a música um dos melhores meios de educação. Os filósofos espalhavam essa idéia entre o povo dizendo que o ritmo e a harmonia agem sobre a alma, a despojam da sua rudeza, lhe comunicavam o tato e a moderação; a torna acessível às idéias do belo e do justo (p. 62).Assim também se deu na Europa medieval onde este instrumento encontrava-se restritoaos mosteiros, mas somente com a Reforma Protestante, no século XVI, o uso damúsica fica cada vez mais acessível às crianças e aos jovens.No Brasil o uso da música também teve uma forte influência no período colonial com avinda dos jesuítas, mas, é importante salientar que a implantação dessa forma de arteno campo educacional deu-se com maior facilidade devido à sensibilidade
  • 8. 17desenvolvida, aguçada para a arte que os índios tinham, principalmente o povo MbyáGuaranis. A importância do uso da música e outras formas de arte na educaçãojesuítica foi tão grande que faz com que ela mereça um capítulo especial na história daarte. Azevedo (1943) enfatiza bem esses momentos propagados. Com sua política de instrução – uma escola, uma igreja - edificaram templos e colégios nas diversas religiões da colônia, constituindo um sistema de educação e expandindo sua pedagogia através do uso do teatro, da música e das danças multiplicando seus recursos para atingir à inteligência das crianças e encontrar-lhes o caminho do coração (p. 240).Com a cultura impregnada pelos portugueses, ao longo da história, o Brasil recebeumuitas influências culturais oriundas de outros países o que a tornou diversificada,mista. Por isso, o Brasil tornou-se um país culturalmente rico, além de considerar-sesua extensão territorial, pode-se perceber em cada região uma cultura que se expressaatravés do ritmo, da dança e da música sem destacar iguarias e festas religiosas. Naregião Nordeste, dentre várias manifestações artísticas destaca-se o forró, em cujaconstituição traz diversos ritmos tradicionais tocados e cantados por cantoresautênticos, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos entre outros. São canções que podemenriquecer uma aula por conterem letras que contemplam variados conteúdos quenecessitam constar nos currículos escolares, podendo abranger conteúdos de outrasdisciplinas, como as variações lingüísticas, ortografia e interpretação em Português,medidas de capacidade, as quatro operações em Matemática, clima, vegetação,hidrografia em Geografia, entre outras.Percebe-se que o repertório desses cantores da música nordestina é significativo eapresenta uma gama de riquezas que pode ser traduzida em muitos aspectos culturais,sociais, lingüísticos, regionais, dentre outros, inclusive educacionais, pois apresentam oNordeste como uma região que precisa ser reconhecida e respeitada pela sociedadebrasileira partindo dos próprios nordestinos que trazem em suas mentes uma falsaideologia impregnada de que a região é castigada pela seca, que tem sol “escaldante”
  • 9. 18habitada por homens banguelas e ignorantes, crianças desnutridas e famintas, oschamados matutos. Como forma de amenizar/ enganar e “combater” representantespolíticos lidam com a realidade oferecendo cestas básicas, abastecimento de água emcarros pipas, aproveitando o baixo nível de conhecimento como estratégia política eadotam uma falsa ideologia corrompida nas realizações de imensas obras.Considerando essa realidade, vimos na educação a ponte que vislumbra novasperspectivas promovendo uma convivência harmônica entre o homem e o meio em quevive somado ao uso da música nordestina trabalhada neste contexto. Nesse sentidoBraga (2007) ressalta: Um grande e rico potencial educativo precisa ser conhecido, considerado e valorizado pelo Estado e pela sociedade, porque são portadoras de novos sentidos e significados, que apontam para uma nova relação com meio ambiente e um novo modelo de desenvolvimento, sustentado na solidariedade, na compaixão e no cuidado com as pessoas e com a natureza (p.31).A educação constitui-se como um elemento fundamental para a construção doconhecimento que estimula o aluno a refletir sobre a realidade de contexto em que vivee as possibilidades de transformação considerando suas restrições e potencialidadesaprendendo a lidar com esse ambiente. Contudo ainda é comum no contextoeducacional o discurso sobre o semiárido como local onde existe miséria, pobreza emuita seca. Como afirma Matos (2004) apud Lima (2006): A educação desenvolvida no semiárido é construída sobre valores e concepções equivocadas sobre a realidade da região. Uma educação que reproduz em seu currículo uma ideologia preconceituosa estereotipada que reforçam a representação do semiárido como espaço de pobreza, miséria e improdutividade, negando todo potencial dessa região e do seu povo (p.38).
  • 10. 19Por efeito dessa observação percebe-se que nossos alunos estão sendo formados paraatuarem em outros contextos e não no nosso. Os livros didáticos são exemplos dessarealidade, encontram-se distantes do mundo real da criança contemplando muito oshabitantes da cidade ou de regiões mais avançadas no desenvolvimento tecnológico. Aeducação desenvolvida continua sendo homogeneizadora difundindo assim, a exclusãosocial.Por esse motivo ressalta-se aqui, a importância de trabalhar a música nordestina,principalmente o forró, nos espaços educativos, com a finalidade de tornar a educaçãodesenvolvida no semiárido contextualizada, isso torna-se possível trabalhando músicasque apresentem letras condizentes com a realidade, que tenha em sua essência osvalores e sentimentos perdidos na memória. Nesse sentido, torna-se fundamental aobra de Luiz Gonzaga e de outros artistas já citados como um subsídio metodológico naprática em sala de aula levando a uma aprendizagem significativa os alunos das sériesiniciais do ensino fundamental com o objetivo de conhecer a realidade social e local eaprender a lidar e conviver com o semiárido, além de formar educandos conscientes,críticos e, principalmente, ativos socialmente tendo como recurso a arte expressa pelamúsica. Se estivermos trabalhando com a música como expressão artística, entãoconvém refletirmos a prática da arte no meio educacional, pois a mesma não pode sersubentendida apenas como distração, lazer. Pelo contrário, pode significar naaprendizagem do educando, envolvendo-o sentimentalmente.Criada por Hebert Read em 1943, a expressão arte-educação através da arte ganhouespaço e hoje é conhecida pela abreviação arte-educação. O objetivo primordial écontribuir com o desenvolvimento intelectual, moral e social do ser humano, uma vezque a escola sempre considerou as emoções em segundo plano na aprendizagem doeducando enaltecendo o lado racional. De acordo com o que diz Duarte Junior (1996):“as emoções devem ficar fora das quatro paredes das salas de aula, a fim de nãoatrapalharem nosso desenvolvimento intelectual (p.13)”. A escola não ofereceoportunidade ao educando de expressar o que sente, criando seu próprio conhecimentoa partir de seu ponto de vista, de sua situação existencial, seu próprio eu. A escola não
  • 11. 20ensina ao educando a formar perguntas e, sim, respostas e que muitas vezes ficamdistantes da realidade do mesmo. Isso compromete na sua formação por a escola nãoestabelecer vínculos entre o que é vivido pelo educando e a proposta curricular que amesma constrói, pois a educação por meio da arte é trabalhada sem nenhumaperspectiva, intencionalidade.Portanto educar através da arte significa lidar com emoções e não tão somente com arazão, não com a finalidade de formar um artista, mas criando oportunidades de oeducando expressar o que se sente, esta é uma tendência necessária e inovadora, umavez que a escola precisa lidar com todas as manifestações artísticas. Como mencionaDuarte Junior (1996): É preciso dirimir dúvidas desde já: arte-educação não significa o treino para alguém se tornar um artista, não significa a aprendizagem de uma técnica, num dado ramo das artes. Antes, quer significar uma educação que tenha a arte como uma das suas principais aliadas. Uma educação que permita uma maior sensibilidade para com o mundo em volta de cada um de nós (p.14).A presente pesquisa situa-se na reflexão de uma educação por meio da músicapromovendo a contextualização nos espaços educativos tendo como objetivos: analisaras compreensões que os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental daescola Elysio Ferreira Barros da rede municipal de Itiúba-BA têm sobre a músicanordestina na educação no contexto do semiárido.A partir dos esclarecimentos feitos até então, espera-se que os resultados da pesquisaapresentem elementos que desafiem os professores da rede municipal de Itiúba arefletirem sobre o papel do educador no processo de construção de uma proposta deeducação por meio da música nordestina, uma vez que o referido município estáinserido no contexto do semiárido.
  • 12. 21 CAPÍTULO II REFERENCIAL TEÓRICOPartindo do pressuposto que a música enquanto instrumento lúdico tem por finalidadecontribuir na formação e desenvolvimento integral, física e intelectual do educando, naformação de sua personalidade, diante disso, busca-se identificar e analisar ascompreensões que os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental da ElysioFerreira Barros da rede municipal de Itiúba-BA têm sobre a música nordestina naeducação no contexto do semiárido brasileiro. Entende-se que as palavras-chave:Música Nordestina, Professor, Compreensão e Educação Contextualizada, quenorteiam essa discussão, têm forte relação entre essa compreensão e o processoeducativo, uma vez que refletem na construção de uma educação de qualidade.Palavras-chave: Música Nordestina, Professor, Compreensão, EducaçãoContextualizada.2.1 MÚSICA NORDESTINAMantendo o foco em meio à discussão sobre a música nordestina na educação nocontexto do semiárido, os conceitos embrionários sobre a teoria musical tiveram suasorigens na antiga filosofia grega por terem estabelecido as bases para a cultura musicaldo Ocidente. A própria palavra música nasceu na Grécia, onde “mousikê” significa “aarte das musas”, abrangendo também a poesia e a dança. No Dicionário Aurélio (2001)tem-se o seguinte conceito de música: Arte e ciência de combinar os sons de modoagradável ao ouvido (p. 511).A música no Brasil teve seu momento histórico vivenciado por pessoas da altasociedade às classes menos favorecidas que com seus estilos, costumes e gostos
  • 13. 22musicais, resultantes de influências marcadas por uma mistura de culturas, revelavam ojeito e a forma vividos na época. Caldas (1985) diz que: “No Brasil, a música marcousua presença, registrando fatos da maior importância sociológica, destacandotendências e transformações quanto aos ritmos e estilos musicais, permitindo-nos,inclusive, conhecer melhor a sociedade da época”. Percebendo o resultado destastransformações ocorridas das influências de diversas culturas em todo o Brasil destaca-se a região Nordeste que com seus costumes e tradições tem a música, inclusive oforró, em que também sofreu variações até hoje, que valoriza em suas letras e cançõesos aspectos vividos pelo seu povo, a realidade e seu jeito peculiar de ser.Por toda sua história, o forró tipicamente pronunciado, mas conhecido também pelofamoso arrasta-pé é um baile popular formado pela junção de diversos tipos de dançasdiferentes, entre os quais tem-se os principais: o xote, baião e a marcha. SegundoRocha (2004) etimologicamente conceitua: A primeira, talvez a mais conhecida, é a que diz que o termo surgiu no final do século XIX, nas construções das estradas de ferro no Nordeste pelos ingleses. Estes realizavam festas freqüentemente, mas nem sempre abertas à população. Quando a festa era aberta a todos, escrevia-se na entrada "For All" (isto é, "para todos") (p. 62-71).Ainda por ser uma manifestação cultural facilmente reconhecida quando executada, oforró tem em sua origem uma acentuada dificuldade de identificar todos os gênerosmusicais que compõe, pois o forró destaca-se como sendo um fenômeno muitoabrangente. Mesmo assim, concentrando-se no conceito de Rocha (2004), quandoafirma: no Forró há “[...] o xote, o baião e o xaxado, além de outras” expressõesmusicais. Para outros autores a exemplo de Jacinto (2001), conceitua: há xaxado, ocôco de roda, marcha de roda, baião (p. 63). Porém nem sempre em todas as relaçõesde gêneros que animam o forró estão presentes o Xote e o Baião. Ainda citando Jacinto(2001), o mesmo confirma: Forró é simplicidade, é poeira, sanfona, zabumba,triângulo... uma seqüência de ritmos nordestinos: xaxado, côco, de roda, marcha de
  • 14. 23roda, baião, xote... esses ritmos que agora no momento eu não lembro... isso é quesignifica forró (faixa 4).Evidencia-se a versatilidade que apresenta a dança e variações rítmicas repercutindodo extremo sul ao extremo norte do Brasil Atualmente o xote e o baião sãoconsiderados como os ritmos muito tocados em todo o Brasil e sendo as danças maispopulares do Nordeste.Acompanhando o xote nos bailes populares, o baião se apresenta trazendo melodiasentoadas ao som de instrumentos expressivos como a sanfona, o zabumba e otriângulo. Segundo informa Câmara Cascudo (1998), que foi gênero de dança popularbastante comum durante o século XIX. O baião é de origem mista é um ritmo musicalnordestino, acompanhado de dança muito popular na região nordeste e norte do Brasil.Recebeu na sua origem, influências das modas de viola, música caipira e também dedanças indígenas.Foi na década de 1940 que o baião tornou-se popular, através dos músicos LuizGonzaga (conhecido como o “rei do baião”) e Humberto Teixeira (“o doutor do baião”).Em suas canções refletem a cultura de uma grande parte da população brasileira,situada na região Nordeste.Luiz Gonzaga dedicou-se desde cedo a apreciar a cultura nordestina tocando ecantando músicas tradicionais do seu povo. Iniciando sua carreira artística em 1941, apartir de um programa de calouros promovido por Ari Barroso e de sua primeiragravação, compôs muitas melodias nas quais se revelam todo o jeito de ser e da vidados sertanejos nordestinos, um grande intérprete dos sofrimentos, das alegrias, dastradições existentes nas famílias como as festas populares, o comportamento, asvariações lingüísticas, enfim, muitos dos aspectos culturais vividos pelo povo. Suasproduções musicais permanecem na memória de muitos e nos festejos tradicionais emgrande parte do nordeste, além de ser homenageado por outros artistas de renome quetêm Luiz Gonzaga como referência em suas carreiras artísticas a exemplo do cantor,compositor e sanfoneiro Dominguinhos seu conterrâneo, companheiro de gravações e
  • 15. 24palco, Flávio José paraibano, sanfoneiro e cantor, Adelmário Coelho baiano e cantorentre outros. Todos esses artistas citados inspiram-se na carreira de um outro artistaque traduziu na sua música e na sua voz todo o sentimento e anseios do povo de suanação.Dessa forma, podemos perceber que a música não somente é uma associação de sonse palavras, mas sim, um rico instrumento que pode fazer a diferença nas instituições deensino. A educação deve ser vista como um processo global, progressivo epermanente, que necessita de diversas formas de estudos para seu aperfeiçoamento,pois em qualquer meio sempre haverá diferenças individuais, diversidade dascondições ambientais que são originários dos alunos e que necessitam de umtratamento diferenciado. É lamentável perceber que a realidade educacional apresenteinstituições educacionais que pouco exploram a música, e, mesmo quando sãopraticadas não lhes é dado o valor que merecem.A música vinculada aos diferentes grupos étnicos e as composições regionais típicas éuma manifestação cultural que as crianças e os adolescentes podem conhecer evivenciar, desenvolvendo o seu potencial, enriquecendo seus conhecimentos sobre asdiversidades presente no Brasil. Segundo os PCNS (1997): A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações (...) Faz parte da educação desde há muito tempo (...) A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes da expressão humana (p.45).Portanto, a educação tem como meta desenvolver em cada indivíduo a habilidades deque é capaz para viver em sociedade praticando a cidadania e, a música, podecontribuir tornando possível atingir a esta meta por atingir a motricidade e a
  • 16. 25sensorialidade por meio do ritmo e do som, e por meio da melodia, atinge a afetividade.“Por isso deve-se expor a criança à linguagem musical e dialogar com ela sobre e pormeio da música (SANTOS, 1997, p.55)”.2.2 PROFESSORCompreende-se professor como um agente de extrema relevância no desenvolvimentodos processos educativos, com a incumbência de mediar o conhecimento, capaz detransformar e desmistificar conceitos prévios, possibilitando a construção de cidadãoscríticos, reflexivos e elucidados. Segundo o Dicionário Aurélio (2001): professor é“aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina;mestre; homem perito ou adestrado”.Professor é quem professa algo verdadeiro, necessário e útil para seus semelhantes epara a sociedade, ele por sua vez, precisa se reconhecer como agente transformadorda realidade principalmente dentro da sala de aula. Além de contribuir para aaprendizagem do aluno mediante determinadas relações interativas professor/aluno. Éo modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas próprias característicasde personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos,fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vezreflete valor e padrões da sociedade (ABREU & MASETTO, 1990).Desta maneira o aprender se torna mais interessante quando o aluno se sentecompetente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer peloprazer não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é umatarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação.Para que isso possa ser melhor cultivado, o professor deve despertar a curiosidade dosalunos acompanhando suas ações no desenvolvimento das atividades inclusiveartísticas. É preciso desmistificar o conceito de que ensinar por meio da música éinsignificante, não traz aprendizagem. Esse tipo de pensamento está impregnado na
  • 17. 26mente de professores que desconhecem o real significado de trabalhar com música deforma contextualizada ou por não ter sensibilidade e conhecimento para perceber a suaimportância no contexto escolar. Quando há motivação e reconhecimento, as aulastornam-se interativas, dinâmicas e participativas tornando a aprendizagem doseducandos satisfatória, pois estes entendem e valorizam o que conhecem e o trabalhodo professor. Torna-se importante o professor ter transparência no seu papel, ser firmequanto à postura, seus objetivos e o que planeja para então executar. O professorprecisa conquistar a confiança e o respeito de turma para se tornar o seu legítimoorganizador. Como denota Freire (1996): O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a atividade do movimento do seu pensamento. Sem aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas (p. 96).Ainda na percepção sobre o papel do professor na (re) construção do conhecimento esua prática, tem em suas mãos um grande potencial que, usado com equidade e umolhar sensível provocarão mudanças significativas no contexto social e cultural dossujeitos envolvidos nos preceitos educacionais e conseqüentemente comunitários.2.3 COMPREENSÃOMediante a complexidade que permeia o contexto educacional, direcionando adiscussão para o enfoque da compreensão do professor a respeito da músicanordestina na educação contextualizada no processo de ensino-aprendizagem quepropicia o desenvolvimento integral do educando, apresenta-se compreensão com osentido de refletir sobre suas expressões, anseios, sobretudo no cotidiano escolar.
  • 18. 27Para Cunha (1986), compreensão conceitua-se da seguinte forma: “conter em si,constar de, entender, abranger, perceber” (p.201). Nesse sentido a “compreensão é oconjunto dos caracteres que permitem sua definição” (JAPIASSU e MARCONDES,1990, p. 52). Nesse sentido faz-se necessário procurar compreender melhor o que sepassa na sociedade, inclusive no modelo educacional brasileiro, onde encontra-sediversos professores sem formação qualificada trabalhando de forma desvinculada oque torna a realidade de muitos educandos crítica , pois os discursos teóricosconstruídos nesse modelo, precisam formar/ estabelecer vínculos com a práticadocente no cotidiano escolar e que estejam condizentes com a realidade. É precisotambém por parte dos professores que atuam em espaços educacionais, inclusive nosemi-árido desempenharem conscientemente sua prática, como diz Sacristam (1998).Sem compreender o que faz, a prática pedagógica é mera reprodução de hábitosexistentes, ou respostas que os docentes devem fornecer as demandas e ordensexternas (p.9).Percebe-se compreensão como ato ou ação de assimilação de significados e conceitosviáveis e flexíveis que podem sofrer mudanças e melhoramentos no decorrer docotidiano vivenciado pelo ser humano. Buscando subsídios em Sacristan (1998 p. 103):“Para compreender a complexidade real dos fenômenos educativos como fenômenossociais, é imprescindível chegar aos significados, ter acesso ao mundo conceitual dosindivíduos e as redes de significados pelos grupos, comunidades e cultural”.Ainda na perspectiva de legitimação de compreensão como ponto de articulação entreo ser humano e o meio, no intuito ou possibilidade de compreender, aprender ereaprender incessantemente com o outro e consigo mesmo objetivando assim aplenitude humana, encontramos subsídios em Morin (1921) quando ele afirma: A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos de compreensão mútua. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma plenária das mentalidades esta deve ser a tarefa do educador do futuro (p. 104).
  • 19. 28A compreensão deve abranger todos os campos que permeiam o cotidiano do serhumano, inclusive do professor, este precisa reconhecer a realidade onde está inseridaa escola. Para compreendermos o local precisamos compreender o global. Ascomplexidades que permeiam todo o processo pedagógico necessitam de uma visãoampla e aberta para que contemple o amplo.Abordando ainda o conceito compreensão, Piaget (1973) apud Burke (2003), diz que:“compreender é inventar ou reconstruir através da reinvenção e será preciso curvar-seante tais necessidades se o que pretende, para o futuro, é moldar indivíduos capazesde produzir ou criar e não apenas de repetir” (p. 48).Dessa forma a ação do educador não se resume apenas na transferência de saberes,mas de estimular a formular perguntas possibilitando a aprendizagem, ou seja, torna-semediador do educando.2.4. EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADADiante da realidade do ensino brasileiro em que se apresenta distorcida e desvinculadado modo de vida do educando, pautado num modelo econômico capitalista que formacidadãos para atuação do mercado de trabalho e pouco explora valores e conscientiza,sobretudo realidade do ensino do semiárido, convém salientar a importância depromover uma educação contextualizada em sala de aula, acima de tudo, respeitandoos valores, aspectos culturais, sociais construídos na convivência do mesmo. Nota-seque a promoção de uma educação contextualizada já é uma discussão que há muitopersiste, não só contempla os discursos acadêmicos como as diretrizes educacionaispresentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que apresentam propostasfundamentadas numa educação contextualizada, pois estão pautadas na assimilaçãode conteúdos em consonância com o cotidiano do educando: Contextualizar o conteúdo que se quer aprendido significa, em primeiro lugar, assim que todo conhecimento envolve uma relação entre sujeito e
  • 20. 29 objeto (...). O tratamento contextualizado do conhecimento e o recurso que a escola tem para retirar da condição de expectador passivo (PCNs, BRASIL,1998).Para instituir e sistematizar uma proposta de educação contextualizada, é precisorepensar o currículo da escola bem como a formação docente, a implementação depolíticas educacionais voltadas para a integração e socialização e refletir sobre aspráticas pedagógicas exercidas atualmente.Segundo Martins (2006) “A educação contextualizada evidencia a idéia de que aspessoas não estão soltas no espaço, mas inseridas numa cultura no modo de vidadotado de sentido prático (p.43)”. Levando em consideração seu significado na vida doeducando, pode-se reconhecer a importância e a necessidade da construção de umaproposta de educação contextualizada no Semi-árido Baiano por ser uma região poucoreconhecida e valorizada e assim possa contribuir para a afirmação da identidade desujeito. É realidade constatar que os próprios moradores se neguem a reconhecer oseu lugar por compreender ser uma região pobre sem crescimento econômico eexcluída da sociedade, porque a própria escola apresenta em seu currículo conteúdosmuito distantes da realidade, isto é, demasiadamente descontextualizados onde naverdade são destacadas cidades pertencentes a regiões mais evoluídaseconomicamente, inclusive. Freire (1996), coloca que: Não podemos admitir jamais que a escola atue numa perspectiva elitista ou trabalhe a favor das classes dominantes, historicamente opressoras, seja no aspecto local ou regional, seja no aspecto nacional. Não estamos a serviço destas classes, mas a serviço das gentes sofridas, que ao longo do tempo, tiveram os seus direitos negados e usurpados; que tiveram suas histórias negadas e silenciadas especialmente nos currículos escolares (p. 21).Por outro lado, quando a escola se compromete a trabalhar com novas perspectivas demudanças, promovendo discussões, buscando resgatar importantes acontecimentos eoutros estímulos, o próprio educando terá uma nova visão se conscientizará da
  • 21. 30necessidade de valorizar o que lhe pertence e construirá um novo conhecimento noqual é possível permanecer no seu próprio lugar descobrindo novas formas deconvivência. Vale salientar que um dos planos para superar essa realidade arraigadanas pessoas é o investimento na educação, pois facilitará nas relações estabelecidasentre os educandos e o seu espaço de vivência, em que resgata o estímulo eperspectiva de vida, ameniza o sofrimento e o preconceito, ainda presente/ o principalvilão dos embates sobre os nordestinos. Como afirma Matos (2004): A educação contextualizada tem um papel fundamental, sobretudo, porque sua prática procura alterar a visão de mundo e a representação social sobre o semi-árido, transformando a ideia de lócus de miséria, chão rachado e de seca em uma outra, que representa o semi-árido como lócus de possibilidades através do seu projeto educativo, associado a um projeto de sociedade que contempla uma relação mais saudável, equilibrada e sustentável entre o mundo do eu, o mundo das coisas e dos homens (p.22).Sabe-se que no processo educativo há uma gama de fenômenos envolvidos e quecontribuem para sua complexidade. A proposta da educação contextualizada vislumbrao reconhecimento de se conviver com o semiárido na busca de uma qualidade de vidapara seus habitantes.
  • 22. 31 CAPÍTULO III O PERCURSO DA DESCOBERTAEntende-se por metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida naabordagem da realidade. Nesse sentido, a metodologia ocupa um lugar central nointerior das teorias e está sempre referida a elas. Dizia Lênin (1965 p.148): “[...] que ométodo é a alma da teoria’’, distinguindo a forma exterior com que muitas vezes éabordado tal tema (com técnicas e instrumentos), do sentido generoso de pensar ametodologia como a articulação entre conteúdos, pensamentos e existência. Para essapesquisa utilizou-se cunho descritivo para evidenciar detalhes da realidade, dentro docontexto da música como recurso lúdico, possibilitando a análise sobre seu uso numaperspectiva metodológica, para o alcance da finalidade que é o desenvolvimentointelectual, corporal e social.3.1 Tipo de PesquisaDiante do exposto, optou-se pela abordagem qualitativa, por envolver o contato diretocom o local, com a situação que está sendo investigada, a troca de informações e aintegração entre pesquisador e pesquisado, na busca do conhecimento e da reflexão,pois segundo Bogdan e Biklen (1982, p. 110), “a pesquisa qualitativa supõe o contatoprolongado com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra,através do trabalho intensivo de campo”.Segundo Matos (1993), são impostas relativamente poucas limitações pelopesquisador, embora seja claro, algum tipo de modelo prévio básico seja em geralusado como quadro de referência para a pesquisa.
  • 23. 32A pesquisa qualitativa preza o estudo do sujeito em sua individualidade, não pressupõeuma uniformidade entre os sujeitos e/ou objetos pesquisados; mas, valoriza aexperiência pessoal e a significação dela para o sujeito. Afirma Borba (2004): Ela depende da relação observador-observado e, como não é de se estranhar, surge na transição do século XIX para o século XX. A sua metodologia por excelência repousa sobre a interpretação e várias técnicas de análise de discurso (p. 12-13).O sujeito quando pesquisado em sua individualidade, permite ao pesquisador identificarmelhor as informações através do envolvimento, das relações que são estabelecidas nodecorrer do processo de investigação. Ela atende melhor às necessidades deste projetoalém de estimular a interpretação e o entendimento sobre determinada questão.Evidencia-se a necessidade de se realizar uma pesquisa que se preocupa com acompreensão dos fatos sociais, levando em consideração os elementos que compõema situação investigada.sendo assim, buscou-se a abordagem qualitativa por ser amelhor forma para encontrarmos as repostas que nos levarão a compreensão doobjetivo proposto: identificar e analisar as compreensões que os professores das sériesiniciais do Ensino Fundamental da escola Elysio Ferreira Barros da rede municipal deItiúba têm sobre a música nordestina na educação no contexto do semiárido brasileiro.3.2 LócusPara o desenvolvimento dessa pesquisa, teve como lócus da pesquisa a Escola ElysioFerreira Barros, localizada na rua Hamilton Pitanga SIN, Projeto Sertanejo na sede domunicípio de Itiúba-BA. A mesma foi escolhida por se tratar de uma escola pública darede municipal, por ter todo um aparato tecnológico que contribui na formação devalores, permitindo que os alunos tenham contato, acesso ao mesmo e por o quadro
  • 24. 33docente desenvolver mini oficinas e projetos cujo foco é o semiárido nordestino eutilizam a música nas aulas como meio de estabelecer socialização e entretenimento.Tem espaço físico estruturado, com 12 compartimentos: 8 salas de aula, 1 cantina, 1pátios e 2 banheiros. Possui corpo discente de 447, corpo docente 18; possui recursoscomo: TV, computador, aparelho de som, armário. Oferece Educação Infantil I e II (1ºano, 2º ano, 3º ano, 4º ano e 5º ano).O lócus de pesquisa propicia ao pesquisador uma vivência que traz interações entrepesquisador e sujeito, propiciando ao pesquisador uma abertura para investigar,dialogar, para que consiga identificar e analisar as compreensões que os professoresdas séries iniciais do Ensino Fundamental da escola Elysio Ferreira Barros da redemunicipal de Itiúba-BA têm sobre a música nordestina na educação no contexto dosemiárido.3.3 Sujeitos da pesquisaOs sujeitos participantes desta pesquisa foi constituída num universo de 06 professoresque atuam nas séries iniciais do Ensino FundamentaI. Do universo de 18 professores,definiu-se uma amostra de 06 professores, para responderem ao questionário fechadoe entrevista aberta contribuindo para o desenvolvimento do trabalho.Os sujeitos da pesquisa permitem ao pesquisador ter uma resposta mais aproximadada realidade além de serem uma fonte de informações, pois através de ações ediscursos, é que o pesquisador terá respaldos para poder pesquisar. Trivinos (1987)aborda: “Os sujeitos individualmente poderão ser submetidos a várias entrevistas, nãosó com o intuito de obter o máximo de informações, mas também para avaliar asvariações das respostas em diferentes momentos (p.146)”.
  • 25. 34A contribuição dos professores para esta pesquisa é de suma importância porinformarem sobre a prática educativa de cada um e demonstrarem o comportamento,as reações diversas durante as entrevistas, todo o envolvimento do pesquisador com ossujeitos, pois utiliza-se os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidadenecessários para análise e interpretação.3.4 Instrumentos de Coleta de DadosO referencial metodológico para esta pesquisa situou-se na abordagem qualitativa a fimde obter informações que permitam desenvolver a análise e a compreensão sobre umanova forma de conceber a música nordestina na educação contextualizada nosemiárido. Mediante a proposta apresentada, foram feitos um questionário fechado e aentrevista aberta às professoras do lócus escolhido;3.5 QuestionárioO questionário foi do tipo fechado, uma vez que, tal instrumento nos permite traçar operfil de cada sujeito pesquisado, buscando na coleta de dados do sujeito, elementosque revelassem suas compreensões a cerca do tema indicado. Sendo um dosprincipais instrumentos de trabalho utilizado no campo da pesquisa, afirma Gressler(1989): Questionário fechado é constituído por uma série de perguntas organizadas, com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas pelo informante ou pesquisadas sem assistência direta ou orientação do investigador. Todas as questões do questionário são pré-elaboradas e as respostas são dadas por escrito (p. 58).
  • 26. 35Ainda referindo-se ao mesmo autor, um questionário deve ser simples, direto e rápidode responder, devendo assegurar aos utilizadores que os dados recolhidos serãopreservados e não serão cedidos a terceiros.3.6 EntrevistaPor sua vez, a entrevista foi aberta, composta de questões pertinentes ao estudoproposto possibilitou obter-se respostas que permitem avançar nas investigações.Acredita-se também que este instrumento permitiu maior acesso às informações derelevância à pesquisa. Como bem salienta Trivinos (1987 p. 146): “Devemos lembrarque a entrevista é um dos recursos que emprega o pesquisador qualitativo num estudode um fenômeno social”. A entrevista foi concedida a uma amostra de seis professorasda instituição pública escolhida, particularmente, propiciando um ambiente agradávelque as deixassem.
  • 27. 36 CAPÍTULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOSA análise e interpretação de dados foram possíveis através do questionário fechadoapoiado pela entrevista aberta, por acreditar ser um instrumento de coleta de dadosque melhor se adequou às inquietações, visto que, através desse tipo de pesquisapode-se participar e analisar a situação vivida pelos sujeitos envolvidos, dentro darealidade, sem a necessidade de se envolver diretamente com a situação. Diante dissorecorre-se a Ludke e André (1986, p. 19), “o pesquisador procura revelar amultiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema,focalizando-o como um todo”.Os dados e informações foram coletados na escola Elísio Ferreira Barros, escola darede púbica municipal de Itiúba-BA, escolhida como lócus da pesquisa. Aqui serãoapresentadas as perguntas feitas e a síntese das respostas das educadoras, relatandoas considerações mais pertinentes.4.1 PERFIL DOS SUJEITOS A PARTIR DOS DADOS DO QUESTIONÁRIOFECHADO4.1.1 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO FECHADONa figura abaixo está uma amostra dos dados referentes à escolaridade dos docentesinformantes:Figura 1 – Formação das professoras:
  • 28. 37 SUPERIOR COMPLETO 0% SUPERIOR INCOMPLETO 50% 50% MAGISTÉRIO OUTROS CURSOS Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.A figura acima nos mostra que 50% das professoras informantes estão cursando o nívelsuperior (através da UNEB 2000), enquanto a outra metade, ou seja, 50%, concluíram omagistério. Estes dados demonstram que parte das professoras está procurandoampliar o seu conhecimento por meio de um curso de nível superior o que tornaimportante para sua carreira profissional além de reconhecer que professor tambémprecisa de formação. Como diz Freire (1996): A segurança com que a autoridade docente se move implica uma outra, a que se funda na sua competência profissional. Nenhuma autoridade docente se exerce ausente desta competência. O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe (p.91).A formação na área docente contribuirá para sua valorização enquanto docente,ampliará os conhecimentos pedagógicos, epistemológicos educacionais.A próxima questão apresenta-nos a forma de inclusão no quadro docente de cadaprofessora:Figura 2 – Inclusão no quadro docente
  • 29. 38 0% CONCURSADA CONTRATADA 100% Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Observa-se que o resultado da pergunta sobre a forma de inclusão no quadro docentedestinadas às professoras foi positivo, todas se apresentam como concursadas. Oresultado é importante pelas vantagens, pelos direitos e benefícios que são oferecidosao funcionário público mediante o concurso.Na próxima questão procurou-se obter informações sobre o gênero, destacado assimna figura abaixo:Figura 3 – Quanto ao sexo 0% FEMININO MASCULINO 100% Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.
  • 30. 39Vale ressaltar a presença feminina com exclusividade atuantes na escola escolhida.Como fato histórico sempre ocorreu no magistério. A carreira profissional nesta áreasempre foi representada pelo sexo feminino. Não por preferirem, mas por lhe darempreferência, dos pais ou da sociedade com características machistas. O magistério erauma das raras profissões que caberia às mulheres exercê-la.Nesta próxima questão, trata-se da idade de cada uma, apresentada na figura abaixo:Figura 4 – Faixa etária 0% 0% ANOS - 20-25 ANOS-26-30 50% 50% ANOS-31-35 ACIMA DE 36 Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Nota-se que de uma amostra de seis professoras, 50% afirmaram ter entre 31 e 35anos de idade e mais 50% das professoras confirmaram ter idade acima de 36 anos.Foi como forma de traçar melhor o perfil de cada uma que foi elaborada as questões e,não, com o intuito de medir a capacidade, maturidade de lidar com os educandos,assim como denota Freire (1996): “Não importa com que faixa etária trabalhe oeducador ou a educadora. O nosso é um trabalho realizado com gente, miúda, jovemou adulta, mas gente em permanente processo de busca (p.144)”.Sobre a habilitação na área foi questionada às professoras que contribuíram com suasrespostas:
  • 31. 40Figura 5 – Habilidade na prática 17% SIM 0% NÃO EM PARTE 83% Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Na figura acima apresentada tem-se o resultado das seis professoras questionadas,onde 83% afirmam ter habilidades na área referindo-se a capacidade de lidar comsituações cotidianas na sala de aula e apenas 17% tê-la em parte. Estes dadosimplicarão na formação docente e conseqüentemente na formação do próprioeducando, pois não há avanço na educação nem tampouco desempenho do educandosem o educador não ter habilitação na área. Ainda citando Freire (1996): É nesta concepção do homem e da mulher como seres “programados, mas para aprender” e, portanto, para ensinar, para conhecer, para intervir, que me faz intervir, que me faz entender a prática educativa como exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e de educandos (p. 145).Portanto, todo educador e educadora precisam ser conscientes de seu próprio papel,buscando aprimorar mais a sua prática educativa. Para ser educador é preciso tercapacidade e formação.A sétima questão diz respeito à quantidade de anos que as professoras exercemfunção, analisou-se os seguintes resultados:
  • 32. 41Figura 6 – Tempos de serviço 0% 0% 17% 1 ANO 2 A 3 ANOS 4 A 5 ANOS 83% MAIS ANOS Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Entre as professoras questionadas nesta amostragem, apresentam-se 17% tem entre 4a 5 anos que ensinam e 83% com mais de cinco anos que atuam na área. Conclui-seque o resultado denota experiência profissional adquirida pelas professoras a qualtorna-se importante para a prática educativa, facilitando compreender cada educando,sua realidade.Figura 7– Diversidade musical na prática docente CANTIGA DE RODA 33% FORRO TRADICIONAL 0% 67% AXÉ 0% CANÇOES Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.
  • 33. 42O resultado desta questão sobre a diversidade musical na sala de aula teve comoresposta, 67% dão preferência a cantigas de roda estilo também integrante da culturanordestina, mas quanto ao uso do forró nordestino tradicional que em sua maioriaevidencia na letra a realidade do semiárido, ficou evidente que não é levado em conta.Sabendo que a música nordestina vai contribuir no reconhecimento que o educandoprecisa ter sobre seu espaço natural bem como aprender a conviver com ele. Ainda33% revelaram trabalhar com canções.Por conseguinte, procurou-se saber sobre a freqüência da atividade musical praticadaem sala de aula, apresentando a seguir o resultado:Figura 8 – Freqüência da atividade musical 0% DIARIAMENTE 50% 50% SEMANALMENTE ÀS VEZES Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Percebe-se que as professoras utilizam a música com frequência diariamente esemanalmente na sala de aula, isto é valorizam –na como um instrumento que contribuiem muitos aspectos cognitivos psicológicos dos educandos. Vale ressaltar que estainformação não diz respeito ao uso da música nordestina e, sim, aos estilos musicaisusados com mais freqüência, resultado já apresentado no gráfico anterior. É importanterefletir sobre a música nordestina no contexto na educação do semiárido, sobretudo naformação dos educandos habitantes da região semiárida e implicará no reconhecimento
  • 34. 43de seu lugar, na possibilidade de contribuir para a melhoria da região seca na suarealidade sócioambiental.A próxima questão referiu-se à formação continuada das profissionais. Obteve-se oseguinte resultado:Figura 9– Formação paralela à prática SIM NÃO 50% 50% Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.Percebe-se na figura que 50% dos professores participam de cursos de capacitação aexemplo de pró-letramento, jornadas pedagógicas, oficinas que enfatizam o uso damúsica nordestina, enquanto que 50% declara resposta negativa. O profissional daeducação consiste em ampliar o conhecimento, buscando-se na formação continuada. ... a formação continuada de professores deve visar o desenvolvimento das potencialidades profissionais de cada um, a que não é alheio o desenvolvimento de si próprio como pessoa. Ocorrendo na continuidade da formação inicial, deve desenrolar-se em estreita ligação com o desempenho da prática pedagógica (ALARCÃO 1992, P. 106).Por fim, foi questionado a respeito de uma prática educativa por meio da educaçãocontextualizada. Os resultados foram:
  • 35. 44Figura 11 – Prática na perspectiva da educação contextualizada 0% SIM NÃO 100% Fonte: Questionário fechado aplicado às entrevistadas.As respostas foram unânimes por cada professora ao afirmar ter a prática educativa naperspectiva de uma educação contextualizada, ou seja, todas admitem trabalhar tendouma nova visão sobre a educação contextualizada reconhecendo sua importância. Issoconta bastante para uma possível transformação na realidade educacional da regiãopor apresentar um currículo ainda distorcido deste universo que não leva em conta ossaberes já então construídos por os educandos. Por essa razão, fica claro que: O papel do educador, dessa forma, não seria apenas de ficar passando informações, mas de provocar no outro a abertura para aprendizagem e de colocar meios que possibilitem e direcionem esta aprendizagem. A provocação para aprendizagem tem a ver com a sensibilidade para com as pessoas a quem se dirige, com o significado que aquilo tem para ele, bem como a correlação que tem com a existência (VASCONCELOS, 2000, p.61).A partir desses levantamentos, cabe refletir sobre o papel do educador na construçãode uma nova proposta de educação para a convivência no semiárido, partindo dascompreensões que os mesmos têm sobre a música nordestina na educação nocontexto desse espaço.
  • 36. 454.1.2 ANÁLISE DA ENTREVISTA ABERTANo sentido de identificar e analisar as compreensões que as professoras da EducaçãoInfantil da escola Elysio Ferreira Barros do município de Itiúba-BA têm sobre a músicanordestina na educação no contexto do semiárido, conseguiu-se através da coleta dedados elementos que contribuíram para sistematizar a análise proposta, uma vez que, oobjetivo é encontrar respostas para tais inquietações. Observa-se que no decorrer daapresentação dos resultados utiliza-se a palavra P1 para professora nº 1; P2 paraprofessora nº 2 e, assim, sucessivamente.A entrevista aberta deu-se com as professoras convidadas de forma espontânea. Asperguntas dirigidas às mesmas seguem a ordem e para cada pergunta obtém-se maisde uma resposta. 4.1.2.1 A música nordestina na sala de aulaAo serem questionadas foi percebido na resposta de algumas professoras quecostumam trabalhar com música na sala de aula, porém a música nordestina,raramente. Constata-se contradição com a resposta obtida no questionário fechado.Veja algumas respostas: P.1 De toda uma vida eu trabalho com música na escola, agora, voltada para o conteúdo faz três anos. É tanto que nas aulas de Geografia, quando eu esquecia, eles: a professora, a música, vamos cantar? Trabalho detalhadamente a letra da música voltada para o semiárido. P.2 Eu costumo trabalhar músicas infantis, tem aquelas de Luiz Gonzaga que pouco trabalho, mas eu sinto que cantar é muito importante, ajudar na aprendizagem eles aprendem a ler cantando. Sempre a gente canta o Hino Nacional a gente sempre trabalhou eles gostam mesmo. E aí eles desenvolvem mesmo a leitura assim. P.3 Não. Nós incluímos num projeto que fizemos com a água nas atividades, na festinha. Trabalhamos com outros estilos musicais. Percebo que eles
  • 37. 46 gostam, aprendem escrevemos a letra num papel madeira, ler com eles, trabalho parte a parte com eles, trabalho oralmente incluindo nos conteúdos. P.5 Desde quando iniciei meu trabalho com Educação Infantil, a Música Nordestina nunca foi totalmente trabalhada a mais trabalhada a que fala mais sobre o sertão de Luiz Gonzaga sobre a questão do meio ambiente foi bom demais. Sobre questões sociais Cidadão. Muito por serem alunos da Educação Infantil ainda não tem aquele conhecimento prévio, mas curtiram, participaram mais.A fala da P6 chamou atenção por não destacar nenhuma vantagem ou efeito da músicanordestina nos educandos ou mesmo na sala de aula. Veja: P.6 Não tenho muito tempo. De acordo com o tempo. Desculpe.Com essa realidade, falta refletir e repensar um pouco mais sobre o tema escolhidopara este trabalho, sua contribuição na formação do educando, pois o mesmo precisasentir-se inserido no real contexto em que vive através principalmente da expressão doprofessor, ou seja, da sua prática pedagógica. É preciso que este também estejaconsciente disso. Percebe-se que a música em seu estilo nordestino não é envolvida obastante na prática em sala de aula das professoras. É o que acontece em muitosespaços educacionais inclusive nordestinos onde deveria abarcar tal método. Ainda que esses procedimentos venham sendo repensados, muitas instituições encontram dificuldades para integrar a linguagem musical ao contexto educacional. Constata-se uma defasagem entre o trabalho realizado na área da música e nas demais áreas do conhecimento, evidenciada pela realização de atividades voltadas à criação e à elaboração musical. Nesses contextos,a música é tratada como se fosse um produto pronto, que se aprende a reproduzir, e não uma linguagem cujo conhecimento constrói ( BRASIL,1998, p. 47).
  • 38. 47Com relação às outras respostas obtidas, percebe-se que a maioria das professorasreconhece a importância da música nordestina ao ser trabalhada na sala de aula, masnão fazem o uso com freqüência. 4.1.2.2 Importância da música nordestina na prática pedagógicaEssa resposta foi condizente por as educadoras valorizarem a música nordestina comointegrante da cultura do semiárido brasileiro. Assim sendo, torna-se necessária naprática também. Ao serem indagadas, as professoras se posicionaram da seguinteforma: P.1 Eu acho a questão do interesse do aluno ele se interessa mais, a forma de interpretar também entender o próprio conteúdo. Sempre mais na aula e para iniciar em cada disciplina. É importante por isso. Eu acho que o aluno aprende a interpretar, a entender melhor o assunto, o conteúdo. Vai influenciar no relacionamento com as pessoas... P.2 A letra vai contribuir para que ele possa... Até para o dia-a-dia dele. Quem sabe, vai que ele fale com o pai que o Nordeste é a nossa realidade, meu pai vivenciava isto, ta na letra, minha família. P.3 É de muita importância. Também acho, não há dúvidas. O lado afetivo em tudo por tudo. A interação deles mesmos. Não utilizo a música só nas datas comemorativas, também diariamente. Em parlendas. É o que a gente vem trabalhando mais assim. P.6 Conscientização, valorização. Muito aprender a diferenciar a Música Nordestina dos outros tipos de música.As respostas foram unânimes e ficou claro o significado da música nordestina na práticapedagógica que cada entrevistada reconhece. Ao ser trabalhada em sala de aula,correspondida pelo aluno, sem dúvida refletirá na prática do educador. Esta é umareflexão necessária sobre o estilo musical e sua contribuição na aprendizagem, no
  • 39. 48desempenho e gosto musical bem como a influência no relacionamento entre oseducandos. Nas respostas das educadoras denotaram esta realidade. Estereconhecimento abre espaço para se repensar o uso da música no seu estilonordestino, vinculada a educação contextualizada uma vez que ambas tratam sobre arealidade de um povo que tem muitas experiências de viver numa região seca, porémrica de cultura. Portanto deve-se compreender que a educação contextualizada para aconvivência com o semiárido não pode ser um espaço de aprisionamento do saber (...),mas como aquela que se constrói no cruzamento cultura-escola-sociedade (REIS 2004,p.13). 4.1.2.3 Importância da Música Nordestina na formação do educandoOutro elemento indagado as professoras referindo a importância da música nordestinana formação do educando comentado por elas: P.1 Eu acho que assim melhora muito, a questão do aluno pra entender pra interpretar mesmo. Meus alunos mesmos têm facilidade de expressão, eles vem para frente aprendem a fazer seminário porque eles tinham dificuldade, vergonha e, através da música também. P.2 Eu costumo trabalhar músicas infantis, tem aquelas de Luiz Gonzaga que pouco trabalho, mas eu sinto que cantar é muito importante, ajudar na aprendizagem eles aprendem a ler cantando. Sempre a gente canta o Hino Nacional a gente sempre trabalhou eles gostam mesmo. E aí eles desenvolvem mesmo a leitura assim. P.3 A música é muito é importante porque ajuda na assimilação do conteúdo eles assimilam com mais facilidade o conteúdo quando é trabalhado com música aquela aula seca quando é com a música eles gostam mais. Na aprendizagem, com ser social também ajuda o relacionamento com as pessoas.Compreendo com certeza. P.4 A música é muito é importante porque ajuda na assimilação do conteúdo eles assimilam com mais facilidade o conteúdo quando é trabalhado com música aquela aula seca quando é com a música eles gostam
  • 40. 49 mais.Na aprendizagem, com ser social também ajuda o relacionamento com as pessoas.Compreendo com certeza. P.6 Com certeza, melhora a relação com as pessoas.Compreende-se que as educadoras dão valor total à música nordestina na educação, afacilidade na assimilação dos conteúdos dentre outros aspectos. Sem dúvida, aintervenção educativa precisa apoiar-se no conhecimento teórico e prático, oferecidoem parte pelas disciplinas e pela proposta da contextualização. É considerado naescola que os processos de ensino-aprendizagem são o centro da investigação e daprática didática e isto torna este mesmo processo mais fluente para o conhecimento.Portanto verifica-se a importancia da música n como facilitadora da socialização e damotivação nas aulas. Rosa (s/d), diz: Sabemos que o educador consciente apresenta aos alunos as mais variadas situações de aprendizagem, e entre elas as que envolvem a linguagem musical. É importante lembrar que a atividade com linguagem musical não é uma simples oportunidade para o professor fazer recreação. Em muitas circunstâncias bem planejadas, ela é uma forma de representação de vida da criança. Nessas condições, pode-se dizer que a música contribui sistemática e significantemente com o processo integral do desenvolvimento do ser humano (p.20).No ensino-aprendizagem, a música, assim como diversas atividades lúdicas, deveajudar a construir uma práxis emancipadora e íntegra, ao se tornar um instrumento deaprendizagem que favorece a aquisição do conhecimento em perspectivas e dimensõesque perpassam o desenvolvimento do educando. 4.1.2.4 Costuma trabalhar o contexto dos alunosOutro elemento importante indagado às professoras refere-se ao costume de trabalharo contexto do aluno, assim definido por elas:
  • 41. 50 P.1: Eu trabalho com a realidade e agora nesta unidade foi toda voltada para nossa realidade, a questão do semiárido, a seca, a oficina que nós fizemos aqui, foi toda voltada para o semiárido. P.2 Eu estou aprendendo a trabalhar com o contexto deles e estou aprendendo a gostar agora por causa do curso da UNEB2000 e já estou trazendo para sala de aula. Funciona como tema gerador porque ta trabalhando todas as disciplinas. P.3 É o que a gente vem trabalhando mais assim. Tem 2 anos e pouco que fazemos a UNEB2000 e até a gente vê que é totalmente diferente, a gente trabalha aquela coisa medíocre: Português é só Português, Matemática é só Matemática e hoje tem mais é que está sempre contextualizada no global, trabalhar na área, nas disciplinas com eles cobram tanto. E a gente vê a partir que a gente passou a ter essa nova visão, o negócio flui e flui de uma maneira bem satisfatória para eles. Trabalha com a contextualização é muito bom. P.4 A música é muito é importante porque ajuda na assimilação do conteúdo eles assimilam com mais facilidade o conteúdo quando é trabalhado com música aquela aula seca quando é com a música eles gostam mais.Na aprendizagem, com ser social também ajuda o relacionamento com as pessoas. Compreendo com certeza. P.5 Eu focalizo a Música Nordestina porque eles são nordestinos, nosso contexto é o semiárido seria interessante.(...) na faculdade tem uma colega que fala muito em contextualização. Você trabalhar a realidade do aluno. Com é que eu posso falar de São Paulo para meu aluno que nunca saiu daqui? Então a gente deve trabalhar a realidade deles, o nosso município.Dessa forma percebe-se que as professoras atentam-se ao fato de que trabalhar ocontexto do educando produzirá resultados significativos, uma vez que, permite-osentir-se protagonista da sua própria história construindo seu conhecimento a partir dassuas vivências, desfazendo com o paradigma da educação homogeneizadora. Uma proposta de educação contextualizada que assume o compromisso de ser crítica e transformadora, construída de forma democrática e participativa, precisa trabalhar com novos instrumentos pedagógicos que favoreçam a problematização da realidade e a inquietude dos sujeitos
  • 42. 51 sociais, possibilitando que as pessoas envolvidas com as práticas educativas possam tomar novas atitudes enquanto protagonistas na luta pela construção de novos sonhos para a região (LIMA 2007, p.27). 4.1.2.5 Educação contextualizada Eis outra questão que merece destaque no que se refere ao conceito de educação contextualizada. P.2 Eu estou aprendendo a trabalhar com o contexto deles e estou aprendendo a gostar agora por causa da UNEB e já estou trazendo para sala de aula. Funciona como tema gerador porque ta trabalhando todas as disciplinas. P.3 Tem 2 anos e pouco que fazemos a UNEB e até a gente vê que é totalmente diferente, a gente trabalha aquela coisa medíocre: Português é só Português, Matemática é só Matemática e hoje tem mais é que está sempre contextualizada no global, trabalhar na área, nas disciplinas com eles cobram tanto. E a gente vê a partir que a gente passou a ter essa nova visão, o negócio flui e flui de uma maneira bem satisfatória para eles. Trabalha com a contextualização é muito bom. P.4 Eu comento focalizo a música nordestina porque eles são nordestinos, nosso contexto é o semiárido seria interessante.(...) na faculdade tem uma colega que fala muito em contextualização. Você trabalhar a realidade do aluno. Com é que eu posso falar de São Paulo para meu aluno que nunca saiu daqui? Então a gente deve trabalhar a realidade deles, o nosso município. P.5 É aquela questão de você estar trabalhando abrangendo todos s níveis educacionais pegando todo o extremo, por exemplo: quando você fala de contextualizar está unindo o útil ao agradável porque você não está só passando Matemática, Português, você está unindo todas ao mesmo tempo e você vai ter um objetivo. Eu gosto de trabalhar com música.É interessante ressaltar neste bloco de questões a resposta da professora P6 quedistorce as compreensões construídas pelas outras professoras. observe:
  • 43. 52 P.6 Levar vários tipos de texto que tenham significados para eles gostarem e eu também.A partir de tais explanações essas professoras em parte demonstraram um certoentendimento acerca do contexto proposto, evidenciando os elementos que configurama essência da educação contextualizada. Para tanto, sistematizar tal educação, faz-senecessário partir da vivência real do educando respeitando o contexto sócio cultural domesmo. Assim como afirma Lins, et al (1996): [...] se vê na proposta a educação contextualizada, a importância do menino, da menina estudarem conteúdo que tenham sentido, significado, onde eles e elas tenham possibilidade de si viver; que produzam uma reflexão sobre a localidade onde vivem com perspectivas de intervenção e mudança (p.121).Nota –se também que as professoras P2 e P3 declararam tomar conhecimento após ocurso UNEB 2000¹. Enquanto que a professora P4 afirma já trabalhar na perspectiva daeducação contextualizada há mais tempo.4.1.2.6 Você acha que a escola precisa repensar a sua posição sobre a educação queela vem repassando aos discentes? Em quais aspectos? P1 Eu acho que precisa de modo geral. Ela continua fechada, não oferece oportunidade. A questão mesmo de uma aula de Geografia mesmo porque não da uma aula de campo, para o aluno entender melhor. P2 Eu acho que precisa. Ta bom, mas precisa melhorar. Até mesmo um projeto a secretaria organiza um projeto para a gente esperar o aluno para o ano que vem. Como é que a gente vai preparar um projeto para esperar um aluno que a gente nem sabe da realidade, não conhece a realidade do aluno fica difícil a gente já preparar sem ver o aluno.
  • 44. 53 P3 Precisa e em vários aspectos. Um exemplo claro e objetivo é a quantidade de alunos que nós temos, alunos com problemas mentais eu não tenho formação não estou preparada para trabalhar com este tipo de aluno. P4 Precisa repensar. Mas na escola em que trabalho a coordenadora é muito empenhada e responsável e ela procura trabalhar, ela nos ajuda muito nessa parte. Precisa melhorar na questão da família na escola é a parte mais difícil de participação. A família junto à escola é que funciona. Mas ajuda muito. P5 Sim. Uma política educacional forte mesmo.Tem que repensar mesmo. Essa questão da valorização cultural como está perdendo seria bom para a secretaria de Educação está repassando porque a gente sente a necessidade, a escola de se trabalhar esse conteúdo por exemplo (na UNEB ) porque descobre coisas.Foi percebido que, nas falas das professoras, a escola necessita de mudança no quediz respeito à proposta pedagógica, sua postura frente aos educandos. Constatou-seclaramente um olhar crítico por parte das professoras a respeito do comportamento, daatitude da escola frente aos problemas existentes no cotidiano escolar. Faz-senecessário enxergar os educandos mais de perto, respeitando sua identidade, seulugar de origem, a família e sua participação e, por fim, o reconhecimento do educandocomo um sujeito cultural. Mas para que haja tal mudança é preciso buscar apoio detoda comunidade escolar e órgãos públicos.
  • 45. 54 CONSIDERAÇÕES FINAISA realização desta pesquisa monográfica trouxe uma nova visão a respeito daeducação presente na vida da criança, sobretudo daquela que habita a regiãonordestina. Foi uma oportunidade significativa, por ter possibilitado compreender melhora importância da música nordestina inserida na educação, os valores contidos emmuitas composições musicais de artistas consagrados da cultura deste mesmo lugarque contemplam com orgulho sua origem e não a menosprezam.Esta pesquisa procurou investigar as compreensões que as professoras têm sobre amúsica nordestina na educação no contexto do semiárido brasileiro. Uma vez que aproposta pedagógica construída na escola não leva em consideração os valoresconstruídos pelas educandas e educandos, não tomam como ponto de partida o seupróprio espaço sobre o qual vive. O que se identifica é que a escola continua passandoconhecimentos que não condizem com a realidade do aluno, sua identidade, seu lugar,com a relação sócioambiental. Pelo contrário, as dificuldades encontradas pelosprofessores que atuam nas escolas do campo são muitas: salas de aula inadequadas,turmas multisseriadas, alunos que chegam com problemas sociais interferem naaprendizagem, falta de capacitação docente, dentre outras. Esta é umaresponsabilidade que não cabe apenas ao professor, também às gestores do poderpúblico. Em parceria torna-se mais fácil desenvolver projetos que auxiliem no alcancede índices mais elevados da qualidade educacional.E a música nordestina especificando o estilo forró tradicional e autêntico, é uma dasalternativas de mudança. Faz refletir sobre essa nova postura, pois traz em suas belascanções letras que retratam toda realidade de um povo que convive com o sofrimentoda seca, do sol quente, da chuva escassa, do menosprezo e da desvalorização por
  • 46. 55parte de representantes políticos, da mídia e de outros que se dizem compadecidoscom tal situação e nada solucionam.A intenção foi trazer a discussão de uma proposta voltada para a música nordestinatrabalhada na sala de aula em consonância com a proposta da educaçãocontextualizada que favoreça o diálogo permanente entre o que se aprende em casa,com o mundo em que vive, a escola e a possibilidade de transformação, apontandovárias maneiras de se conviver com a seca principalmente, a que mais atinge aspessoas tanto interior como exteriormente. Para isso buscou embasar-se em idéias eestudos defendidos por vários teóricos, percebido em diversas passagens dessetrabalho.Mediante o referencial metodológico – o questionário fechado e a entrevista aberta,utilizados nesta pesquisa, constatou-se que as professoras reconhecem a importânciade trabalhar a música nordestina no cotidiano escolar através de oficinas, seminários ouaté mesmo na sala de aula com a execução de projetos de forma interdisciplinar erevelaram trabalhar embora a práxis ainda se dê de forma superficial e com raridade.Acreditamos que ainda se faz necessário investigar mais sobre as compreensões queas professoras têm sobre a música nordestina no contexto no semiárido brasileiro,analisar que práticas pedagógicas vêm sendo desenvolvidas, trazendo contribuiçõespara elaboração de práticas educacionais que favoreçam os interesses da comunidadea que destina, principalmente à formação do educando. Na perspectiva de que, paraalcançar uma educação de qualidade precisa-se primeiramente de educadores aptos adesenvolver seu papel de forma atuante, sobretudo, contribuir para a aprendizagem doeducando em seus múltiplos aspectos; que compreenda a importância de sua funçãono processo de mudança de paradigma e construção de uma escola genuinamentedemocrática, voltada para os anseios da comunidade como um todo, partindo doprincípio de que se faz educação com outro e para outro, e, para isso é indispensávelse pensar em políticas educacionais que brotam das reais necessidades dos sujeitosenvolvidos no processo educacional.
  • 47. 56Que esta seja uma pesquisa reflexiva, podendo atender os anseios de uma nova práxis. REFERÊNCIASABREU, Maria C. & MASSETO, M. T. O professor universitário em aula. São Paulo:MG Editores Associados, 1990.ALARCÃO, I. Formação como instrumento de profissionalização docente. In:Veiga, I. P.A. (org). caminhos da profissionalização do Magistério – Campinas: Papirus,1998.AZEVEDO, Fernando de. O Sentido da Educação Colonial. In: A Cultura Brasileira.Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1943. p. 289-320.BOGDAN, R. e BIKLEN, S. K.: in LUDKE, M. e André, M. E. D. A Pesquisa emEducação: Abordagem qualitativa, São Paulo, EPU, 1982.BORBA, M. C. A. Pesquisa qualitativa em educação matemática. Belo Horizonte:Autêntica, 2004, pp. 12-13.BRAGA, Osmar Rufino. Educação no contexto do Semiárido. Fortaleza: FundaçãoKonrad Adenaur, 2004.BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais, Pluralidade Cultural e OrientaçãoSexual/Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF 1997 b, 164p.(Ed/com: DP & A editora 2000).BURKE, P. Uma História social do conhecimento: de Gutemberg a Diderot. Rio deJaneiro: Jorge Zahar, 2003.CALDAS, Waldenyr. Iniciação à Música Popular Brasileira. Editora Ática, 1985, SãoPaulo-SP.
  • 48. 57 CASCUDO Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Ediouro, Rio de Janeiro, 10ªed., 1998 (ISBN 85-00-80007-0).CUNHA, V. M. A. Didática fundamentada na teoria de Piaget. Rio de Janeiro:Forense Universitária, 1986.DEHEINZELIN, Monique. Uma proposta curricular de educação infantil; a fomecom a vontade de comer – Salvador: Secretaria de Educação e Cultura do Estado daBahia, 1993.DUARTE JÚNIOR, João Francisco. Por que arte-educação? 8ª edição. Campinas, SP:Papirus, 1996.FARIA, Márcia Nunes. A música fator importante na aprendizagem. Assischateaubriand- Pr, 2001. 40f. Monografia (especialização em Pedagogia) CentroTécnico – Educação Superior do Oeste Paranaense. CTESOP/CAEDRHS.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário dalíngua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.São Paulo: Paz eTerra, 1996.------------------- Pedagogia do Oprimido. 17 Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987GAINZA, V. Hemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Summus,1998.GRESSLER, L. A. Pesquisa educacional: importância, modelo, validade, vaiáveis,hipóteses, amostragem, instrumentos. São Paulo: Loyola, 1979.JACINTO, S. Puxe o fole Zé. In: PESSOA, S. Bate o mancá: o povo dos canaviais. [S.I].natasha Recordes, 2001.JAPIASSU, H. & Marcondes, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro, JorgeZahar Editores, 1990.
  • 49. 58KANDINSKY, Wassily. Do Espiritual na Arte.São Paulo:Ed. Martins Fontes, 1996.LÊNIN, W. Cahiers Philosophiques. Paris: Sociales, 1995.LIMA, Elmo Souza. Educação no Semiárido: Reconstruindo Saberes e TecendoSonhos. In: RESAB – Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (org). Educaçãoe Convivência no Campo... analisando saídas e propondo direções. CadernoMultidisciplinar – Educação no Contexto do Semiárido Brasileiro: Ano 01 – nº 02 –Dezembro – Periodicidade: Semestral, Juazeiro- BA: selo editorial RESAB, 2006.LINS, Claudia Maísa; Souza, Edineuza Ferreira e PEREIRA VanderléaAndrade.Educação para a Convivência com o Semiárido: Reflexões teórico-práticas.2ª ed. Juazeiro, Selo Editorial Resab, 2006.LUDKE e ANDRÉ, M.E.A. Pesquisa em Educação: Abordagens qualitativas. SãoPaulo, EPU, 1986.MATOS, Beatriz Helena. Educação no Contexto do Semiárido. Fortaleza: FundaçãoKonrad Adenaur, 2004.MARTINS, Joselma da Silva. Educação no Contexto do Semiárido. Fortaleza:Fundação Konrad Adenaur, 2004.MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro; tradução deCatarina Eleonora F. da Silva e Jeane Sawaya; revisão técnica de Edgard de AssisCarvalho. 10ª Ed.São Paulo: Cortez. Brasília- DF: UNESCO, 2005.PIAGET,J. T., BRAGA, 1. Para onde vai a educação. Rio de Janeiro: José Olímpio;1998.REIS, Emerson dos Santos. Educação do campo e desenvolvimento ruralsustentável: avaliação de uma prática educativa. Juazeiro – BA. Gráfica e EditoraFranciscana, 2004.ROCHA, J. M. T. Forróeletrônico, forró universitário. In: FESTIVAL DO FOLCLORE,40, Olímpia, 2004.ROSA, Nereide Schilaro Santa. Educação Musical para 1ª a 4ª séries. Editora Ática.
  • 50. 59SACRISTAN, J. Gimeno e GOMES, A.I. Peres. Compreender e transformar o ensino.4ª Ed. Artmed, 1998.SANTOS, Santa Marli Pires dos. A Ludicidade como Ciências. (Org) – Petrópolis, RJ:Vozes, 2001. O Lúdico na formação do educador. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.SILVA, L. M. G. A expressão musical para crianças de pré-escola. Revista Idéias.n.10, p. 88-96, São Paulo, p. 92-93.TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisaqualitativa em Educação. São Paulo: Atlas, 1987.VASCONCELOS, Celso dos S. Planejamento: projeto político pedagógico.Elementos metodológicos para a elaboração e realização. São Paulo, 2000.WHITE, Ellen G. Evangelismo. 3 ed. Tatuí, SP: CPB, 1997.
  • 51. 60 Universidade do Estado da Bahia – UNEB Departamento de Educação – CAMPUS VII Senhor do Bonfim - BA Trabalho de Conclusão de Curso Nubeane Mara do nascimento APÊNDICE 1 QUESTIONÁRIO FECHADOEscola: ----------------------------------------------------------------------------------------------------Série que atua: -------------------------------------------------------------------------------------------Grau de escolaridade:( ) médio ( ) superior ( ) superior incompletoVocê é concursado (a) ou contratado (a)?( ) concursado (a) ( )contratado (a)Sexo: ( ) feminino ( ) masculinoFaixa etária:( ) 20- 25 anos ( ) 26-30 anos ( ) 31-35 anos ( ) acima de 36 anosVocê é habilitado na área em que atua?( ) sim ( ) não ( ) em parte
  • 52. 61Há quanto tempo leciona?( ) 1 ano ( ) 2 a 3 anos ( ) 4 a 5 anos ( ) maisDiversidade musical: estilos de músicas trabalhados na escola:( ) cantigas de roda ( ) forró tradicional ( ) axé ( ) cançõesCom que freqüência a atividade musical é praticada em sua sala de aula?( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) às vezesJá participou de algum curso de capacitação, com jornadas pedagógicas, oficinas emque enfatizem o uso da música nordestina na educação?( ) sim ( ) nãoVocê trabalha na perspectiva da educação contextualizada?( ) sim ( ) não
  • 53. 62 Universidade do Estado da Bahia – UNEB Departamento de Educação – CAMPUS VII Senhor do Bonfim - BA Trabalho de Conclusão de Curso Nubeane Mara do nascimento APÊNDICE 2 ENTREVISTA ABERTA1. O que você entende por educação contextualizada?2. Você trabalha musica nordestina em suas aulas? De que forma?3. Em sua opinião, qual é a importância da música nordestina na formação do educando?4. Qual a importância da música nordestina em suas práticas pedagógicas?5. Que ponto a música Nordestina pode influenciar no desenvolvimento cognitivo da criança do semi-árido?6. Você acha que a escola precisa repensar a sua prática sobre a educação que ela vem repassando aos discentes? Em quais aspectos?
  • 54. 63

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