Monografia Edivânia Pedagogia Itiúba 2012

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Pedagogia Itiúba 2012

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Monografia Edivânia Pedagogia Itiúba 2012

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII CONVÊNIO UNEB/ITIÚBA-SENHOR DO BONFIM EDIVÂNIA ROSA DE SÁ LIDIANE LOPES CAMPOS SELENE SANTANA SOUSA CARNEIRO TELMA SOUSA SANTOSEscola e Família: Uma aproximação necessária ITIÚBA-BA 2012
  2. 2. EDIVÂNIA ROSA DE SÁ LIDIANE LOPES CAMPOS SELENE SANTANA DE SOUSA CARNEIRO TELMA SOUSA SANTOSESCOLA E FAMÍLIA: UMA APROXIMAÇÃO NECESSÁRIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade do Estado da Bahia, como requisito para a obtenção do Título de Pedagogo. Orientado pelo professor Gilberto Lima. ITIÚBA-BA 2012
  3. 3. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA Edivânia Rosa de Sá Lidiane Lopes Campos Selene Santana de Sousa Carneiro Telma Sousa Santos ESCOLA E FAMÍLIA: UMA APROXIMAÇÃO NECESSÁRIA BANCA EXAMINADORA:____________________________ __________________________ Profº.(a) Avaliador (a) Profº. (a). Avaliador (a)) ______________________________________ Prof. Gilberto Lima (Orientador)
  4. 4. DEDICATÓRIADedicamos a nosso orientador oincentivo e a paciência, a todos osmembros da nossa família quecontribuíram, direta ou indiretamente,para o desenvolvimento da nossapesquisa, incentivando-nos, a seguirmesmo quando os entraves pareciamnos submergir e em muitas situaçõespela paciência com a nossa falta detempo e atenção para com eles.
  5. 5. “(...) Cada criança é um ser único, diferente de qualquer outra,que experimenta ritmo de evolução próprios, tem os seusinteresses e provém de um universo cultural,econômico efamiliar específico; cada um é um caso,uma personalidadeque desabrocha de mododiverso.” Joaquim Azevedo (1994, p 118-120)
  6. 6. Agradecimentos Agradecemos a Deus pelo Ser que somos cheios de determinação ecoragem; Aos nossos pais presentes e ausentes, os quais amamos muito, pelos seusexemplos de vida, empenho e dedicação. Aos nossos amados filhos, razões das nossas vidas e motivação paraprosseguirmos nos estudos; Aos esposos queridos que foram companheiro durante esses quase cincoanos, ajudando a cuidar dos filhos, desempenhando assim o papel de pai e mãe; À UNEB pela participação na realização do nosso sonho; À Coordenação do Programa REDE UNEB 2000, na pessoa dacoordenadora Norma Neide, pela estruturação e organização do curso; Ao Departamento de Educação do CAMPUS VII, Senhor do Bonfim, daUniversidade do Estado da Bahia, por disponibilizar professores de alto nível decompetência e responsabilidade; À Coordenadora do programa em Itiúba-ba, Alaíde Ferreira, por suaincansável busca e preocupação em sanar os problemas e pelo apoio constante; À Prefeitura Municipal de Itiúba-ba, que possibilitou esse convênio com aUNEB; Às Orientadoras Roseane Cinthia Pinto e Normaci Reis, pelo apoio nosmomentos necessários; Aos nossos mestres por nos da à oportunidade de nos incorporar no mundodo conhecimento com ensinamentos e lições para toda uma vida;
  7. 7. Aos colegas pelos momentos de alegria, troca de conhecimento, e pelavalorosa sabedoria em aceitar opiniões diversas; E finalmente, ao nosso Orientador Gilberto Lima, que se mostrou incansávelna correção e cobrança, sempre em horas certas e precisas e pela sua paciência,pelas valiosas intervenções que contribuíram para a construção desse trabalho.Nosso muito obrigado!
  8. 8. RESUMO O presente estudo sobre a temática “Escola e Família”: visou reavaliar a função daescola e repensar a participação da família no contexto educacional. Teve como objetivo,averiguar se há alguma relação entre o acompanhamento realizado pelos pais e odesempenho escolar dos seus filhos. Esta pesquisa girou em torno da problemática: Porque alguns pais não acompanham a vida escolar dos filhos? Isso interfere naaprendizagem deles? Fundamentamos nossa pesquisa nas contribuições de Costa (2001),Tiba (1996), Freire (1979), Lane (2001), Pilleti (1991/1993), Moll (1996), Salvador (1999),entre outros. Utilizamos a pesquisa qualitativa, baseados em: Severino (2002), Minayo(1998), Orofino e Zanello (1997), Lima (2004). Ela foi realizada na Escola Luiz Navarro de Britto, onde contamos com aparticipação de treze indivíduos, sendo dez pais, destes, (cinco acompanham a vidaescolar dos filhos e cinco não acompanham), a diretora da escola e duas professoras, tevecomo instrumento de pesquisa a entrevista semiestruturada. A entrevista foi gravada edepois transcrita pelos membros da equipe. A partir da análise das entrevistas, apurou-seque os pais acham importante manter um contato mais estreito com a escola dos filhos,mas alguns priorizam o trabalho e os afazeres domésticos, deixando assim a vida escolardos filhos para o segundo plano. As professoras também fortaleceram a ideia de que apresença dos pais na escola é de grande relevância. Elas se queixam que os paisinfrequentes deixam muito a cargo da escola a educação dos seus filhos, atribuindo a estatoda a responsabilidade que lhes compete. A diretora da escola também sente a faltadesses pais para o melhor desenvolvimento escolar de seus filhos. Já temos a certeza deque escola e família são variantes importantes na formação do processo dedesenvolvimento dos indivíduos. Dessa forma é preciso que haja uma parceria de sucessoentre família e escola, pois, somente assim será possível se alcançar uma educação dequalidade, promovendo o bem comum. Palavras-chave: Família; Escola; Educação; Integração.
  9. 9. ABSTRACT The present study on the theme "School and Family" aimed to reassess the role ofthe school and rethink the familys participation in the educational context. Aimed toascertain whether there is any relationship between monitoring by parents and schoolperformance of their children. This research has revolved around the issue: Why do someparents do not follow the school life of children? This interferes with their learning? Baseour research on the contributions of Costa (2001), Tiba (1996), Freire (1979), Lane (2001),Pilleti (1991/1993), Moll (1996), Salvador (1999), among others. We used qualitativeresearch based on: Severino (2002), Minayo (1998), Orofino and Zanello (1997), Lima(2004).She was held at the School Luiz Navarro de Britto, where we had the participation ofthirteen individuals, ten parents, of whom five (attached to the school life of children andfive do not follow), the school principal and two teachers, had the instrument Search thesemistructured interview. The interview was taped and then transcribed by members of theteam. From the analysis of the interviews, it was found that parents find important to keep acloser contact with school children, but some prioritize work and household chores, thusleaving the school life of children into the background. The teachers also strengthened theidea that the presence of parents in school is of great importance. They complain thatparents infrequently leave much to be borne by the school education of their children,attributing this all the responsibility that falls to them. The school also feels the lack ofparents to develop the best school for their children. We have to make sure that school andfamily are important variations in the formation of the development process of individuals.Thus there must be a successful partnership between family and school, because only thencan we achieve a quality education, promoting the common good.Keywords: Family; School; Education; Integration.
  10. 10. SUMÁRIOINTRODUÇÃO .............................................................................................................. 11 à 141.0 CAPÍTULO I - PERCURSO DA PESQUISA .......................................................... 151.1 A necessidade da Aproximação Escola-Família.............. .......... .................................15 à 171.2 Família........................................................................................... ..............................17 à 181.2.1 Família Indígena .......................................................... ............................................ 18 à 221.2.2 Família negra....................................................................................................... 22 à 231.2.3 Família branca...................................................................................................... 24 à 251.2.4 Família Contemporânea...................................................................................... 25 à 281.3 Escola......................................................................................................................28 à 301.3.1Escola Pública e Escola Privada ........................................................................... 30 à 321.3.2 Interação Escola-Família ................................................................................... 32 à 442.0 CAPÍTULO II - Método ........................................................................................... 452.1Pesquisa qualitativa ............................................................................................. 45 à 462.2 Lócus da Pesquisa........................................................................................................... 462.3 Participantes ...................................................................................................... 46 à 472.4 Instrumentos .................................................................................................................472.5 Procedimentos da coleta de dados..............................................................................472.6 Procedimentos da Análise de Dados.......................................................................47 à 493.0 CAPÍTULO III – RESULTADO E DISCUSSÃO ......................................................... 50 à 533.1 Apresentação de Resultados através de gráficos.................................................... 54 à 574.0 CAPÍTULO IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................ 58 à 60Referencias ............................................................................................................ 61 à 63Anexos .......................................................................................................................... 64
  11. 11. 10INTRODUÇÃO O presente estudo sobre a temática “Escola e Família”: uma aproximaçãonecessária visou reavaliar a função da escola e repensar a participação da famíliano contexto educacional, teve como objetivo, desta forma, fazer a reflexão sobre oselementos e os fatores que podem aproximar os pais do ambiente escolar e aanálise da relação existente entre o corpo docente e as famílias. A escolha desse tema surgiu por meio de nossa prática direta em sala deaula, enquanto professoras do Ensino Fundamental, onde podemos fazercomparações do êxito adquirido pelos alunos que tem a presença frequente dos paiscom as dificuldades encontradas pelos alunos de pais ausentes. Pretendemos comesta pesquisa buscar subsídios que venham contribuir para minimizar aproblemática existente no processo de ensino e aprendizagem dos educandos daEscola Municipal Luiz Navarro de Britto, situada no Bairro do Alto, na Rua AugustoMeira, s/n, da cidade de Itiúba-Ba. Acreditamos que a parceria entre família e escolaé de fundamental importância para o sucesso intelectual, moral e psicossocial dosnossos alunos. Quanto à problemática ela gira em torno das seguintes questões: Porque alguns pais não acompanham a vida escolar dos filhos? Isso interfere naaprendizagem deles? Na sociedade contemporânea, a família tem atribuído para à escola aresponsabilidade de educar seus filhos e acredita que os educadores transmitamvalores morais, regras e condutas. De acordo com Aranha: “ A ação da escolatornou-se cada vez mais extensa, “roubando” funções antes assumidas pela famíliae exercendo considerável influência na formação das crianças e dos jovens” (1996,p.74). A família alega que trabalha cada vez mais, e não tem tempo para zelar dosfilhos. Percebemos no ambiente educacional que poucas famílias demonstraminteresse pela vida escolar de seus filhos e filhas, enquanto outras famílias omitem oseu papel, pois se consideram dispensáveis para a construção do processoeducativo dos cidadãos. No que diz respeito aos objetivos, destacamos como objetivo geral, averiguarse há alguma relação entre o acompanhamento realizado pelos pais e o
  12. 12. 11desempenho escolar dos seus filhos, e como objetivos específicos: Compreender asrazões pelas quais alguns pais não acompanham a vida escolar de seus filhos ecaracterizar o desempenho escolar desses estudantes. Em virtude de acharmos importante a presença da família na escola surgiu aseguinte inquietação: Por que alguns pais não acompanham a vida escolar de seusfilhos? Isso interfere na aprendizagem deles? A escola pode construir umaverdadeira relação com a família? A estrutura familiar,assim como suas funções, vem mudando no decorrer dasdécadas, adequando-se à realidade da época vivida. As famílias apresentam suassingularidades, não sendo uniformes nem tendo um modelo padrão, masapresentam traços em comum. Considerando que a família e a escola têm papéisfundamentais na formação do indivíduo, eles devem atuar de maneira eficaz noprocesso de ensino-aprendizagem dos alunos, sendo poderosas armas paraeventuais dificuldades. Espera-se com esse estudo, inserir os pais no contexto escolar de uma formatão prazerosa que eles percebam que são protagonistas na construção de umasociedade participativa e se conscientizem de seu papel como cidadãosresponsáveis pela realidade circundante. Pois acreditamos que através da parceriaentre família e escola poderemos ter êxito no processo de ensino-aprendizagem. Essa pesquisa visa contribuir para o enriquecimento do acervo de pesquisado espaço acadêmico UNEB e credibilizar a instituição como órgão formador efomentador de professores e profissionais que procuram desfazer estereótipos e seinquietam com situações antes parcialmente discutidas e que são de granderelevância, abrindo, assim, um leque para a investigação em diversos campos doconhecimento, o que promoverá o fortalecimento da pesquisa local. Deseja-se que o resultado desta pesquisa possa incentivar e orientar omunicípio a desenvolver políticas públicas, voltadas para o envolvimento familiar nosespaços escolares, aprofundando as reflexões e parcerias entre a comunidade e as
  13. 13. 12instituições de ensino, buscando desta forma subsidiar a prática pedagógica dosdocentes. No primeiro capítulo, falaremos sobre os registros históricos de como aeducação se desenvolvia nos anos anteriores à escola, quando as criançasrecebiam instruções no âmbito familiar; faremos um resgate histórico do surgimentodas primeiras instituições de ensino, como a escola se organizava, quem foram osprimeiros a se beneficiar delas e como ela foi evoluindo até assumir ascaracterísticas que possui hoje. Dialogaremos sobre o conceito de escola e família, baseados em diversosautores como: Costa (2001), Tiba (1996), Freire (1979), Lane (2001), Pilleti(1991/1993), Moll (1996), Salvador (1999), entre outros. As diversas opiniões queforem levantadas relacionadas à escola serão analisadas para servir de base parainvestigações acerca das influências que as mesmas podem exercer na formação doindivíduo, pois não podemos subestimar o poder da escola. É fato que a família,assim como a escola, desenvolve papel de relevante influência na organização dasociedade, mesmo sendo notório o distanciamento desses dois segmentos. Abordaremos no segundo capítulo, as contribuições de Severino (2002),Minayo (1998), Orofino e Zanello (1997), Lima (2004), sobre a pesquisa qualitativa,sua apropriação na compreensão do contexto estudado, bem como suasconcepções sobre a delimitação e formulação do problema, lócus da pesquisa, ossujeitos da pesquisa, instrumentos da pesquisa, as técnicas a serem aplicadasnesse tipo de estudo. O terceiro capítulo tratará de explicitar a problemática em estudo, através dosresultados da pesquisa de campo. Observaremos de diferentes ângulos a parceriaescola e família, as quais apresentam expectativas e reclamações uma em relação àoutra. É possível ampliarmos os vínculos entre escola e família, unindo forças natentativa de remover os obstáculos e de promover o processo de ensino-aprendizagem. É importante que tanto a família como a escola estejam atentas aoseu papel, não transferindo a responsabilidade que lhes competem um ao outro.
  14. 14. 13 O quarto capítulo , relatamos os resultados principais da pesquisa realizadaentre a parceria escola e família. Tivemos informações sobre os reais motivos quelevam os pais a se ausentarem do ambiente escolar e as consequências dessaausência no desempenho escolar dos seus filhos. Por sua vez, apresentamos alguns objetivos que foram: averiguar se háalguma relação entre o acompanhamento realizado pelos pais e o desempenhoescolar dos seus filhos, compreender as razões pelas quais alguns pais nãoacompanham a vida escolar de seus filhos e caracterizar o desempenho escolardesses estudantes com o intuito de contribuir para o processo de ensinoaprendizagem, a partir de investigações, conscientização da importância da relaçãoque a família e escola exercem no processo educacional, assim como o uso deestratégias que viabilizem a construção da identidade do aluno promovendo a suaautonomia, com responsabilidade, conhecimento e exercício de sua cidadaniapartindo da sua estrutura familiar moderna relacionada com a instituição escolar.
  15. 15. 14 1.0 CAPÍTULO I - PERCURSO DA PESQUISA 1.1 A NECESSIDADE DA APROXIMAÇÃO ESCOLA-FAMÍLIA Quando não havia escola, a educação ocorria de acordo com a cultura, anecessidade dos povos e do período histórico vivenciado, variando-se as instituiçõesque se dedicavam a processos educativos da sociedade instituída. Nas sociedadespré-literárias, como os povos primitivos, não havia escola, nem professores: A educação se faz pela convivência das crianças com os adultos, na vida diária da comunidade: No trabalho para sobrevivência, nas cerimônias coletivas e nas histórias dos antepassados contadas pelos velhos. Todo adulto é professor e a educação resulta da prática e da experiência. (PILETTI, 1991, p.87-88) Sabemos que a educação nem sempre se desenvolveu no âmbito escolar, osfilhos recebiam seus primeiros ensinamentos em casa, onde se ensinava desdehábitos comportamentais, respeito aos mais velhos e superiores, como ler eescrever. De acordo com Piletti (1991), toda a nossa vida é acompanhada por momentoseducativos, pois estamos sempre aprendendo coisas novas, sempre nos educando.A intensidade da educação é mais eficaz na infância, onde é proporcionado aoindivíduo o instrumental físico, intelectual, emocional e social. Em todos osambientes ocorre educação, desde que haja pessoas mais velhas que levem ascrianças a assimilar padrões comportamentais. Ainda, segundo Piletti (1991),a educação da nova geração se dá através daescola que é a instituição especializada nesse processo. A escola por sua vez tem oobjetivo de dispor para os alunos através de atividades programadas e sistemáticasaspectos da cultura da humanidade. Patrimônios como esses nos levam a crer queestão nas matérias escolares, mas nem sempre esse processo é concretizado, poisse afastam em muitas vezes das experiências humanas mais significativas.
  16. 16. 15 A História da Educação Brasileira não é difícil de ser compreendida. Elaevolui em rupturas marcantes e fáceis de serem observadas. É notório o descaso daescola com a questão das etnias que transformam o Brasil numa mistura de raças,até hoje quase não temos materiais didáticos que valorizem essa realidade. Aofazermos uma visitação histórica pela formação do povo brasileiro, percebemos oquanto é decadente encontrarmos informações sobre as raças subjugadas peloseuropeus. Percebemos que o acesso à escola e o respeito às diferenças étnicas dosgrupos existentes nunca foram respeitadas, a escola sempre priorizou as classesdominantes, esquecendo das classes oprimidas que compõem a maioria da nossapopulação. Essa realidade é evidenciada de forma gritante nas nossa escolasquando notamos o quanto a educação bancária apresentada através dos currículose programas impostos está fora das necessidades e interesses dos nossos alunosque vem de famílias analfabetas e totalmente desestruturadas, exaltando mais aindaa dicotomia existente entre homem-mundo que, de acordo com Freire (1987,p.62),“Homens simplesmente no mundo e não com o mundo e com os outros.Homensexpectadores e não recriadores do mundo”. De acordo com os estudos históricos na formação do povo brasileiro,percebemos que a primeira ruptura ocorre com a chegada dos portugueses aoterritório brasileiro. Não podemos deixar de reconhecer que eles trouxeram umpadrão de educação próprio da Europa, o que não quer dizer que as populações quepor aqui viviam já não possuíam características próprias de se fazer educação. Éimportante ressaltar que a educação que se praticava entre os povos indígenas nãotinha as marcas repressivas do modelo de educação européia. No período das capitanias hereditárias, não havia preocupações com a educaçãoescolarizada. Com a chegada dos jesuítas, iniciou-se uma inquietação com esse tipode educação, inaugurando-se assim as primeiras escolas. A educação jesuítica,embora “instrua” e “catequize” os indígenas, também foi um instrumento naformação da elite colonial. Sendo assim, essa atuação jesuíta era caracterizada pelodualismo, isto é, catequizar os índios para conversão ao catolicismo e servidão eformar elite para o exercício das funções nobres da colônia. Piletti (1993, p.166)
  17. 17. 16 Como foi relatado anteriormente, o período de dominação dos jesuítas sobre todae qualquer forma de educação no Brasil foi duradoura. Desde 1530 até a metade doséculo XVIII. Foi o Marquês de Pombal que acabou com a dominação dos jesuítas.Porém, o maior declínio ocorreu com o ciclo do ouro, no final do século XVII ecomeço do XVIII, que transformou a realidade da colônia, favorecendo desta forma ocrescimento das cidades, gerando um aumento populacional e, portanto,aumentando a necessidade de educar. É bom lembrar que a educação estava nasmãos dos religiosos e que a maioria dos senhores brancos brasileiros eramanalfabetos. Quando muito, mandavam seus filhos para ser educados na Europa enunca aqui no Brasil. (MOOL, apud, FREIRE. 1996) afirma que: a fase pombalina de escolarização colonial representa uma desestruturação na organização escolar jesuítica e, segundo Freire (1989), um retrocesso à medida que ficamos treze anos sem escolas, com os cursos seriados dos jesuítas sendo substituídos por aulas “avulsas”, ministradas por professores improvisados (não professores régios). Foi Dom Pedro I quem deu o primeiro passo para a educação pública primária noBrasil, com sua lei de 15 de outubro de 1827 que organizava a educação dascrianças dentro do Império, inclusive tratava até dos salários dos professores e docurrículo das escolas. É por causa desta lei que o dia do professor é comemoradono dia 15 de outubro. Mas foi apenas no período republicano que houve maiordisseminação da educação em terras brasileiras, com o surgimento das escolasprivadas, controladas por grupos religiosos. A maioria católica, mas havia tambémos maçons. Durante todo o império, pouco ou nada se fez para a formação dos professores. Segundo a já citada lei de 15 de outubro de 1827, eram vitalícios “os provimentos dos professores e mestres”, e os que não estivessem capacitados deveriam “instruir-se em curto prazo, e à custa dos seus ordenados, nas escolas das capitais”. (PILETTI, 1993, p.179) Completando essa ideia, podemos ressaltar que antes não havia cursos deformação, nem tão pouco de aperfeiçoamento para professores. Os professoreseram escolhidos pela maioridade e conduta. Podendo adquirir uma formação
  18. 18. 17profissional aqueles que dispusessem de condições financeiras favoráveis paracustear seus estudos.1.2 Família O termo “família” é derivado do latim “famulus”, que significa “escravodoméstico”. Criado na Roma Antiga este termo designa um novo grupo social quesurgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também para aescravidão legalizada. Se nesta época predominava uma estrutura familiarpatriarcal em que um vasto leque de pessoas se encontrava sob a autoridade domesmo chefe, nos tempos medievais (Idade Média), as pessoas começaram a estarligadas por vínculos matrimoniais, formando novas famílias. O Dia Nacional da Família na Escola foi instituído pelo MEC, em 24 de abrilde 2001, como forma de oportunizar na instituição escolar a participação dasfamílias. Isso nos leva a perceber que essa iniciativa governamental reconhece agrande importância da união da escola com a família para o desenvolvimentointelectual das crianças. Declara Costa (2001): A educação é uma oficina em que educador e educando trabalham uma educação capaz de resultar em instrumentos que possibilitem ao educando nos planos pessoais e sociais, exercitar sua iniciativa, na liberdade e na capacidade de comprometer-se consigo mesmo e com os outros. (COSTA, 2001, p.122) O educador aparece como mediador de situações onde o educando teráautonomia e segurança para gerenciar seus atos tanto na sua vida social como emseus projetos individuais sendo ele livre para gerir suas ações.1.2.1 As famílias indígenas Os “índios” são povos nativos, por serem eles os primeiros habitantes donosso continente, tem uma história, uma cultura, uma língua em comum que osdiferenciam de outros. Sabendo-se que temos uma cultura e que somos uma nação
  19. 19. 18pluriétnica, e que os índios foram fundamentais também na nossa formação. Osíndios por muito tempo tiveram sua identidade negada, não eram chamados pelosseus nomes, nem reconhecido individualmente pela sua face, tudo o que se via era“índio”.Como afirma Ruffaldi, 2008: Washington Novaes fez isso e escreveu “Entender o índio, entender sua cultura e respeitá-lo, implica despir-nos desta nossa civilização. Porque o encontro com o índio é um mergulho em outro espaço e outro tempo. Um espaço aberto de céu e terra, água e fogo. Um espaço colorido e pródigo, povoado pelos animais, vegetais e minerais e espíritos, um tempo prodigiosamente mais lento que permite consumir meses para polir o arco e aguçar a flecha. Tempo para varar a noite a noite dançando, tempo para receber filho que nasce ou despedir-se do ancestral que morre; tempo para rir e tempo para chorar, cantar e dançar, plantar e colher.” (RUFFALDI, 2008, p.02.) O Decreto presidencial 26/91 é uma prova de como tem crescido o interessedo Ministério da Educação pela educação indígena. Nele é implementado umapolítica nacional de educação escolar indígena, que atende a preceitos legaisestabelecidos na LDB, Plano Nacional de Educação, e na Constituição de 1988.Desta última, o Estado brasileiro reconhece aos povos indígenas o direito de umacidadania diferenciada, por meio do reconhecimento de seus bens territoriais eculturais, sendo que a questão da especificidade da educação indígena passou a serprogressivamente reconhecida e normatizada. Podemos dividir a história da educação escolar indígena em quatro fases,sendo a primeira, mais ampla, vinda desde o Brasil colônia até chegar ao comandodos missionários católicos, em especial os Jesuítas. Já o segundo é firmado pelacriação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio), em 1910, e se amplia à política deensino da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e a união com o SIL (SummerInstitute Of Linguistics) entre outras missões religiosas. O terceiro momento inicia-seno fim dos anos 60 aos anos 70, quando surgem como destaque organizações nãogovernamentais: Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Operação AmazôniaNativa (OPAN), Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Comissão Pró-Índio, e outras edo movimento indígena. Delineada pela iniciativa dos povos indígenas, a quarta fase
  20. 20. 19se dá nos anos 80, onde eles passam a reivindicar definições de autogestão dosandamentos de educação formal.Conforme afirma Ferreira, 2001: A finalidade do estado brasileiro, que procura acelerar se integrar os índios à sociedade envolvente por meio da escolarização, confronta-se, atualmente, com os ideais de autodeterminação dos povos. Para os índios, a educação é essencialmente distinta daquela praticada desde os tempos coloniais por missionários e representantes do governo. Os índios recorrem à educação escolar, hoje em dia, como instrumento conceituado de luta. (FERREIRA, 2001, p. 71) A educação indígena é um processo globalizante ensinada e aprendida emmarco de socialização integrante, antes da chegada dos portugueses. Toda acomunidade indígena tem interesse pela educação de cada índio, sendo cada umeducado para o prazer de viver, trabalhavam permitindo-se assim uma educaçãovoluntária de alto grau, conquistavam dessa forma liberdade e autonomia. O modelode educação vivido pelos índios foi sendo transformado, isso com a chegada doscolonizadores e tendo início com a chegada dos jesuítas junto com o governadorgeral Tomé de Sousa e comandados pelo padre Manoel da Nóbrega que edificarama primeira escola elementar brasileira, em Salvador, sendo esse o primeiro e o maislongo momento. Como se afirma nas palavras de Carvalho (1998): Desde a época colonial, diversas missões católicas dedicaram-se à catequese indígena em geral, visto que a religião católica aqui chegou com os padres jesuítas trazidos pelos primeiros governadores do Brasil colônia. Ela foi considerada a religião do Estado e o principal vínculo de unidade nacional, até o governo de D. Pedro I. (CARVALHO. 1998, p.55-6) Desde a colonização os jesuítas criaram a educação para índios com oobjetivo de catequizá-los para atender a interesses do governo. De acordo com(BITTENCOURT E SILVA, 2002). “Havia colégios para educação dos jovens brancosonde, eventualmente podiam conviver alguns indígenas e haviam aldeiasmissionárias criadas para catequese”. Os valores que os jesuítas queriam impor aos indígenas eram baseados emvalores europeus. Eles serviriam aos colonos como mão de obra em
  21. 21. 20empreendimentos agrícolas ou de mineração. No Período colonial a escola indígenatinha como princípio conversão religiosa, o uso de mão de obra e de todo tipo detrabalho. A “integração” foi uma das maneiras mais eficazes de destruição dasculturas indígenas. Para Azêvedo e Silva: Até o fim do período colonial, a educação indígena permaneceu a cargo de missionários católicos de diversas ordens, por delegação tácita ou explícita da Coroa portuguesa. Com o advento do Império, ficou tudo como antes: no Projeto Constitucional de 1823, em seu título XVII, art. 254, foi proposta a criação de “... estabelecimentos para a catechese e civilização dos índios”... . Como a Constituição de 1824 foi omissa, sobre esse ponto, o Ato Adicional de 1834, art.11, parágrafo 5, procurou corrigir a lacuna e atribui competência às Assembleias Legislativas, Provinciais para promover cumulativamente com as Assembleias e Governos Gerais “... a catechese e a civilização do indígena e o estabelecimento de colônias”. (AZÊVEDO E SILVA, 2004,p.150). Os jesuítas educavam os índios em um processo de catequização também,com orientações agrícolas que garantiam fontes de renda aos jesuítas. Asmudanças no que diz respeito à educação escolar indígena no Período do Impérionão são significativas. De acordo a um texto do MEC, com o advento do Império, em 1822: Apesar da educação indígena estar presente nas agendas políticas da época não representou para os índios uma política imperial voltada especificamente para seus interesses. Ao final do império, os especialistas e autoridades, que chegaram a se entusiasmar com a possibilidade de haver instituições públicas destinadas ao ensino de crianças indígenas, desacreditavam que isso pudesse ocorrer sem a intervenção das missões religiosas, dessa forma, até o início do século XX o indigenismo brasileiro vivera uma fase de total identificação católica e o Estado dividirá com as ordens religiosas católicas, mais uma vez, a responsabilidade com a educação formal para os índios. ( SECAD/MEC, 2007,p. 13) A educação escolar indígena em 1906 passou a ser atribuição do recém-criado Ministério da Agricultura, pouco a pouco, começaram a surgir às primeirasescolas indígenas financiadas pelo governo escolar.De acordo as Diretrizes da Educação Indígena:
  22. 22. 21 Para uma ação educacional efetiva, requer-se, não apenas uma intensa experiência em desenvolvimento curricular, mas também métodos de investigação e pesquisa para compreender as práticas culturais do grupo. Assim, para a definição e desenvolvimento do currículo da escola de uma determinada comunidade indígena é necessária a formação de uma equipe multidisciplinar, constituída por antropólogos, linguistas e educadores, entre outros, de maneira a garantir que o processo de ensino-aprendizagem se insira num contexto mais amplo do que um processo paralelo e dissociado de outras instâncias de apreensão e compreensão da realidade." (MEC, 1994, Cap.4 –p.08)1.2.2 A família negra A busca por informações sobre a família negra no Brasil é candente. Porisso, os pesquisadores, em especial os demógrafos historiadores, vêm procurandoresgatar em documentos manuscritos e impressos vestígios que revelem o cotidianodesta família no Brasil. Como sabemos, os negros e negras viviam em regime de cativeiro, porém,conta à história, muitos se casavam legitimamente ou viviam em regime consensual.E segundo Pohl (1975), se estes tivessem bom comportamento ou representassemprodutividade poderia casar-se com a negra ou negro do seu interesse, em algunscasos até ganhavam um aposento para morar e constituir uma família de fato. Essa atitude dependia muito do caráter ou capricho dos seus Senhores, dosseus donos. E é evidente que os casamentos, em algumas situações, eramfacilitados não como um gesto de benevolência, mas como uma estratégia paramanter os escravos e escravas presas à rotina de trabalho da Fazenda, bem comogarantir a ordem entre os escravos. Conforme Benci: ... Logo, ainda que haja entre os escravos e pretos alguns e alguma, que só desmandem depois de casados, nem por isso se segue que não convém casá-los. Casai-vos, querendo eles, que desta maneira satisfareis à vossa obrigação. (BENCI, 1700, p.102) O casamento entre negros não era uma regra, nesse tempo comumente sevia casais negros sendo separados com brutalidade, tendo em vista o fato de seremvendidos para fazendas diferentes. Na realidade essa situação horrenda aconteciaantes mesmo dos negros chegarem ao Brasil. Ainda em solo africano, estes eram
  23. 23. 22separados de seus entes queridos num ato de violência que provocava orompimento do elo familiar. De acordo com o livro Orientações e Ações para a Educação das RelaçõesÉtnico-Raciais: Foi e é na família constituída por laços de sangue ou por laços de identidade que a população negra viveu e resistiu à escravidão, ao racismo, a exploração, à perseguição. As famílias desfeitas no período escravista deram lugar a outras famílias que uniam povos de regiões da África, com línguas e crenças diferentes, numa união pela saudade da terra, da casa, da família, como reunisse para sobreviver, resistir e lutar com laços familiares reconstituídos e reessignificado. (SECAD, 2006.p.41) Por serem os negros destituídos de valores humanos, eram reconhecidoscomo uma peça de valores distintos. E nesse caso os homens, ao contrário dasmulheres e idosos, agregavam um valor demasiado por serem mais necessáriospara o trabalho braçal. Porém, antes de serem obrigados a uma realidade servil,estes eram pais de família, marido, líderes e provedores do lar. Em Santos, (2002)podemos observar o seguinte fragmento: A definição do homem que servirá e do homem a ser servido faz com que se recorra a uma diferenciação natural entre eles, (...) a desigualdade social é apenas uma decorrência de uma desigualdade que se iniciou no âmbito físico; cabe à sociedade usufruir dessa desigualdade em proveito próprio. (SANTOS, 2002, p.42) Para conhecer melhor a experiência da vida familiar do povo negro nasúltimas décadas da escravidão brasileira, é muito importante debater e entender queas mudanças sociais, políticas e econômicas influenciaram bastante nesseprocesso.
  24. 24. 231.2.3 A família branca Segundo Sotero (2009), a história tradicionalmente descreve a mulherbrasileira, principalmente a mulher branca, como esposa obediente, reclusa epassiva. A mulher sendo associada à natureza enquanto o homem à cultura. Ocentro dos ensinamentos educacionais era baseado na religião e na moral. Aeducação feminina limitava-se ao aprendizado das boas maneiras e dos afazeresdomésticos, excluindo-se do processo de educação da mulher a aprendizagem deler e escrever. O preconceito contra as mulheres aparece dentro de suas própriasresidências, o exemplo mais ativo são os afazeres domésticos, quando em duplajornada, as mulheres trabalham e ao retornarem para sua moradia, tendem a fazerlimpeza e preparar a refeições para sua família. (Sotero, 2009) Sotero, afirma ainda que hoje a luta das mulheres é distinta, estando sob odomínio da cultura da conjuntura e das condições sociopolíticas de cada regiãobrasileira. Passando pela igualdade de condições de oportunidades, trabalho esalário, pelo fim da violência doméstica e familiar, pelo direito ao aborto, por políticasde cotas em instâncias diretivas, pela paz, pela luta contra a violência sexual, oestupro e a fome. De acordo com Silva (1984), no Brasil colonial o papel realizado pelasmulheres brancas na sociedade, era muito mais complexo do que nos primeirosséculos da colonização portuguesa na América. A classe feminina branca vivia por vezes à margem das leis eclesiásticas ecivis: prostituição, concubinato e adultério, eram crimes cometidos por mulheresbrancas. Quando ficavam velhas estas mulheres encontravam moradias e proteçãoem casa de seus filhos ou parentes. Se a mulher geria seus bens administravam os seus engenhos,supervisionavam feitores e capatazes, ou tinham responsabilidades de umestabelecimento mercantil, por morte do marido estas atividades deveriam ser
  25. 25. 24encaradas como trabalho do mesmo modo que o são quando era o homem adesempenhá-las (SILVA, 1984, p.78). Bruschini (apud Samara, 2000, p. 35), afirma que o significativo aumento daatividade econômica das mulheres, uma das mais importantes transformaçõesocorridas no país, desde os anos de 1970, resultou das transformaçõesdemográficas culturais e sociais que ocorreram no país e afetaram as mulheres efamílias brasileiras. As transformações nos padrões culturais e nos valores ao papelsocial da mulher, interno pelo impacto dos movimentos feministas desde os anos de1970, e pela presença cada vez mais frequente das mulheres nos espaços públicosalteraram a Constituição da identidade feminista, cada vez mais voltada para otrabalho produtivo.1.2.4 A família contemporânea A concepção do termo família vem mudando e se alargando. Nos dias dehoje, é comum nas novas configurações familiares um cônjuge desempenhar ambasas funções (pai e mãe) e isso acontece devido às transformações ocorridas naestrutura familiar ao longo da sua história. Tais mudanças fazem parte de umasociedade em evolução que, de acordo com Costa (2007), atualmente, observa-seum avassalador declínio da influência familiar com tendência a se tornar uma merarepetidora de valores e condutas ditadas por essa mesma sociedade. Comoresultado a família tradicional passa a ter uma nova configuração, onde suascaracterísticas podem ser denominadas de família pós-moderna influenciada pelapropaganda, que gera todos os dias novas necessidades de consumo, pela televisãoque funciona como um novo e persuasivo membro familiar. (COSTA. 2007, p. 21) A família contemporânea com base no modelo nuclear vem atualmentepassando por transformações impostas pela sociedade e estas não abalam só a suaestrutura, mas também os seus princípios éticos. Outrora a família vivia no modelopatriarcal. O pai tinha a incumbência de proteger a família e garantir-lhe o sustento,além de ter autoridade sobre a esposa e os filhos. Hoje não só o pai, mas também amãe dividem essas responsabilidades, e essa nova configuração na hierarquiafamiliar cada vez mais comum acaba abrindo brechas para que os filhos meçam
  26. 26. 25poder de autoridade especialmente com a figura paterna. Famílias onde o paimandava e o filho obedecia tenderão a desaparecer. Gley Costa (2007) analisa estainstituição familiar e diz: um aspecto dessa nova família tutelada pela mídia é a inversão de valores”. Antes eram os pais que serviam de modelo para os filhos. Hoje são os filhos que modelam os pais. Isso é fruto de um fenômeno típico da pós-modernidade chamada moda, que define estruturalmente a sociedade de consumo. (...) quando falamos em novas configurações familiares também consideramos as que resultam dos casamentos realizados entre pessoas separadas ou divorciadas, juntando filhos de sua união atual aos filhos dos relacionamentos anteriores. Na falta de um melhor termo, essas famílias costumam ser chamadas de “reconstituídas”. (COSTA, 2007.p.21) Mesmo com todas essas transformações, é no seio familiar que a criança e oadolescente encontram a proteção integral necessária à sua sobrevivência tanto nosaspectos afetivos quanto materiais. No tocante à educação informal e formal afamília tem um papel decisivo, pois é no convívio familiar que a criança adquirevalores éticos e culturais que mais tarde lhe serão cobrado pela sociedade.Conforme esclarece Campos (1983): A palavra família, na sociedade ocidental contemporânea tem ainda para a maioria das pessoas, conotação altamente impregnada de carga afetiva. Os apologistas do ambiente da família como ideal para a educação dos filhos, geralmente evidenciam o calor materno e o amor como contribuição para o estabelecimento do elo afetivo mãe-filho, inexistente no caso de crianças institucionalizadas. Um dos representantes deste ponto de vista foi Bowlby, p.19. (CAMPOS, 1983, p.32) A família é formada por membros unidos por laços de parentescos em que acoletividade e a reciprocidade se perpetuam. A figura dos avós que antes eram tidosapenas como pessoas sábias, carinhosas, afetuosas e até frágeis, também sofreumodificações no decorrer da história familiar. Tais mudanças são provenientes daparticipação da mulher no mercado de trabalho, do crescente número de casaisseparados e do surgimento de crianças órfãs. Esses são acontecimentos que fazemparte da vida moderna, na qual “a presença constante dos avós vêm substituindo ospais”. (TOSCANO, 2002, p.111)
  27. 27. 26 Atualmente e gradativamente a família vem passando por grandestransformações, sejam nos aspectos sociais, econômicos, físicos e históricos. Paraexplicar melhor tais transformações que vem ocorrendo, ainda buscamos apoio naspalavras de Toscano (2002), que tem como referencial a família burguesa ocidentaldo século passado. De acordo com a autora esse tipo de família de modelo patriarcalruralista vivia inserida num momento histórico de mudanças lentas e suaorganização era pater-família, onde a mulher vivia submetida ao poder do marido e afamília era constituída por um grande número de filhos. Mesmo com o trabalho forado âmbito doméstico, os pais ainda mantinham uma grande convivência com seusfilhos. A religião impunha uma moral que era cumprida rigorosamente formandoassim um elo de união. Na esfera jurídica era tida como célula básica social onde odireito de herança era reconhecido, e no código civil eram destacados os direitosque o marido exercia sobre a mulher e os filhos, não existia o divórcio especialmentenos países latinos, isso fazia com que houvesse uma estabilidade com asinstituições ligadas à família. Ainda segundo Toscano, (2002) essas são algumascaracterísticas de uma família tradicional, da qual a sociedade brasileira apresentaresquícios. Ela salienta ainda que a família sofreu abalos, os quais determinaram avelocidade da quebra dos padrões tradicionais, tais como: a urbanização violenta, o êxodo rural, o trabalho feminino fora do lar, a influência crescente, a grande mobilidade geográfica e social. Estes são alguns dos fatores responsáveis pela maior parte das profundas alterações por que vem passando a família. (TOSCANO, 2002, p.107) Nesse novo contexto de família, surge a figura da mulher mãe, que antessubmissa ao marido cabiam-lhe não só a função de cuidar dos afazeres domésticos,mas também zelar dos filhos e da educação destes. O pai era isento e ausente noque se referia à educação dos filhos, porém essa estrutura familiar vem mudando, “oque mais aparece agora, como grande e tardia descoberta, é a necessidade daparticipação do pai na educação dos filhos” (LOPES, 2009, p.11). A sociedade atual é formada de filhos exigentes que querem cada vez mais.Isso faz com que pais e mães trabalhem muito, ficando muito tempo fora de casa
  28. 28. 27com isso, não sobra tempo para se dedicarem aos filhos, os quais buscampreencher esse tempo no manuseio de celulares, assistindo programas de televisãoe usando computadores. Um dos graves problemas da família contemporânea é afalta de tempo dos pais para com os filhos. TIBA (2008, p.31) faz a seguinteafirmação: “Há pais que, apesar de terem tempo, não conseguem tempo para os filhos; Amaioria dos pais, porém, “Sem tempo para nada” ainda conseguem criar tempo para osfilhos, pois seres inteligentes administram o próprio tempo.” Os pais delegam muito as suas responsabilidades a terceiros, trabalham forae os filhos ficam muito tempo sozinhos manipulando instrumentos eletrônicos, dessamaneira fica a cargo da escola muitas das responsabilidades que caberiam aos pais,estes por sua vez devem organizar melhor o seu tempo para gerir melhor asatividades dos filhos e do seu trabalho.1.3 Escola Segundo o dicionário Barsa (2008) escola é estabelecimento público ouprivado, destinado a ministrar ensino coletivo de maneira regular, sistemática eintencional; conjunto de alunos e professores, tudo que ensina e dá experiência. Para Mizukami, “a escola é a agência que educa formalmente. Não énecessário a ela, oferecer condições ao sujeito para que ele explore oconhecimento, o ambiente, invente e descubra.” Muito mais que uma instituição de ensino a escola pode ser reconhecidacomo uma instituição de cunho social com a finalidade diretamente educativa quetem a função de propiciar a socialização e o desenvolvimento de seus alunos.Segundo Rubem Alves (1986, p.9) essa expectativa ocorre ao contrário: “ Criançasque eram de carne e osso, ao entrar na escola, só recebem diplomas depois de setransformarem em bonecos de pau”.
  29. 29. 28 A escola é o espaço que dá oportunidade as pessoas à convivência com seussemelhantes. De acordo com o Penin,Vieira e Machado (2001, p 23): As melhores e mais conceituadas escolas pertenciam à rede particular, atendendo um grupo elitizado, enquanto a grande maioria teria que lutar para conseguir uma vaga em escolas públicas, com estrutura física e pedagógica deficientes. (PENIN,VIEIRA E MACHADO , 2001,p.23) O país tem passado por muitas transformações significativas, no que se trataao funcionamento e acesso da população brasileira ao ensino público, quando emum passado recente era vantagem das camadas sociais ricas “elite” e de preferênciapara os homens, as mulheres mal apareciam nas cenas sociais, quando muito osúnicos que tinham acesso ao saber formal recebiam alguma iniciação em desenho emúsica. Percebemos que o que realmente mudou ao longo do tempo foi opensamento das pessoas que fazem e frequentam a escola. A função básica daescola hoje é social e de transmissão cultural. Ela deixou de ser o centro detransmissão de conhecimento para se tornar responsável pela manutenção devalores e normas de conduta. As crianças passam muito tempo na escola e é lá queos alunos aprendem as formas de se relacionarem. O conceito de transferir para aescola a responsabilidade de cuidar das crianças foi elaborado no período daindustrialização que ocorreu no século XVIII, na Inglaterra e no século XIX, no restoda Europa, Estados Unidos e Japão. Nesse período, a escola era para crianças em idade de Educação Infantil.Porém, as creches não tinham caráter pedagógico, mas de assistência social, deguarda. Apenas na década de 1980 é que foi iniciado um movimento parareorganização da educação infantil com caráter pedagógico. Atualmente, o acesso àinformação foi disseminado.
  30. 30. 29 O grande desafio da escola é fazer do ambiente escolar um espaço queauxilie o aprendizado, onde a escola deixe de ser apenas um ponto de encontro epasse a ser, além disso, encontro com o saber com descobertas de forma prazerosae funcional. Conforme Libâneo (2005) Devemos inferir, portanto, que a educação de qualidade é aquela mediante a qual a escola promove, para todos, o domínio dos conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas, indispensáveis ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. (LIBÂNEO 2005, p.117) A escola deve se preocupar em oferecer situações que valorizem edespertem o interesse pelo aprendizado, onde haja vontade, razão, e entendimentoda importância desse conhecimento no futuro do educando. Segundo, Penin,Vieira eMachado. (2001): Uma escola voltada para o pleno desenvolvimento do educando valoriza a transmissão de conhecimento, mas também enfatiza outros aspectos: as formas de convivência entre as pessoas, o respeito às diferenças, a cultura escolar. (PENIN,VIEIRA E MACHADO 2001, p. 45) O aluno deve adquirir uma razão para querer aprender, entender o motivopelo qual precisa ou busca determinado conhecimento, já é um passo importante,conhecer a sua cultura e valoriza-la é também algo que pode ser enfatizado peloaluno e pela própria escola.1.3.1 Escola Pública e Escola Privada A escola particular surgiu no Brasil, antes da escola pública e era privilégioapenas da classe alta (elite), por querer uma educação diferenciada para os filhos,os pais, que em geral eram fazendeiros e barões os colocavam em escolas privadase renomadas, querendo assim que os mesmos se destacassem profissionalmente eelevassem o nome da família. A escola pública surgiu depois do enfraquecimento das escolas distintas pararicos e pobres no século XIX, quando a classe operária começa a reclamar e lutarpor um ensino onde favorecesse não só a classe rica mais também a classe pobre.Contudo, mesmo com a união desses dois grupos continua a desigualdade, pois os
  31. 31. 30filhos dos ricos sempre se superavam nos resultados por terem melhores condiçõesextraclasses. Não há como negar as inúmeras diferenças entre a escola pública e a escolaprivada, podemos destacar alguns pontos como: a relação dos professores comalunos e pais que, na escola particular, é muito mais amigável e constante, ointeresse e acompanhamento dos pais pelo desenvolvimento educacional dosfilhos. O espaço escolar é também uma construção cultural e, portanto histórica,pois desde os tempos remotos até os dias atuais pode-se observar que a arrumaçãode uma sala de aula continua sendo a mesma: carteiras enfileiradas, portasfechadas, carteira de professor ao lado do quadro e virado para alunos e a constanteutilização do quadro e giz. Hoje com o avanço tecnológico e o mercado de trabalho cada vez maisexigente não só os pais da classe alta mais os da classe média optam também pormatricularem seus filhos em escolas particulares, pois alguns acham que as escolaspúblicas não os capacitam para futuramente prestarem um vestibular. Há aquelesque pensam ainda que a escola particular cobra mais do aluno por eles pagaremuma mensalidade fixa, muitos não têm o conhecimento que os recursos didáticos eparadidáticos da escola pública que seus filhos usam são pagos com o dinheiro deimpostos inclusos em suas contas. A luta pela defesa da escola particular, pela defesa da liberdade de ensino, pela defesa do direito que a família tem de escolher a educação que ela quer para seus filhos, não pode traduzir-se hoje num confronto entre a escola particular paga e a escola pública gratuita. (REVISTA da AEC, 1981, nº 40). De acordo com Piletti (1991), o saber escolarizado na Idade Média eraprivilegio da nobreza, do clero, e da burguesia na idade moderna. Foi a partir darevolução francesa que as classes populares perceberam a importância do saber ler,escrever e contar, com isso começaram a exigir escola pública e gratuita para todos.Como se afirma nas palavras de Moll (1996):
  32. 32. 31 Historicamente o processo de educação escolar no Brasil está marcado pela exclusão das camadas populares da sociedade desde o início do processo de colonização o saber matéria-prima do trabalho escolar- é mantido como privilegio de grupos economicamente hegemônicos. (MOLL, 1996, p.12) No Brasil historicamente sempre houve dois tipos de escolas, a escola feitapara a elite que era a escola superior e secundária e a escola primária para asclasses populares, porém a maioria dos brasileiros não tinha acesso à escola. Moll(1996) faz ainda a seguinte colocação. Há um caráter elitista explícito na distribuição do saber letrado. A educação escolarizada só era conveniente à camada dirigente (pequena nobreza e seus descendentes) que vinculava os interesses metropolitanos às atividades coloniais. (MOLL 1996, p.13) Ainda hoje a escola tem resquícios dessa segregação e imposição desaberes, a escola é preparada para conduzir os educandos para a servidão, estandode portas abertas para a elite que de certa forma já vem conscientizada do próprioâmbito familiar sobre as orientações que devem tomar como base.1.3.2 Interação Escola-Família A educação brasileira sofreu grandes transformações no século XX: Aprimeira universidade do Brasil é inaugurada no estado do Paraná em 1912 e em1920, o Rio de janeiro inaugura a sua. Em 1930 surge o Ministério dos Negócios daEducação e da Saúde Pública. Na constituição de 1934 aparece pela primeira vez aeducação como direito de todos (art.149), é reintroduziu também o ensino religiosode caráter facultativo. Em 1937 a legislação da prioridade do ensino pré- vocacionale profissionalizante às classes baixas. A educação entra em crise após a SegundaGuerra Mundial e educadores se unem em prol da construção de um mundo melhor.Em 1953, o curso normal passa a ter o mesmo valor que o Ensino Médio para oingresso na universidade. Em 1961, é aprovada a Lei de Diretrizes e Bases daEducação. É criado o Mobral em 1964 pelo regime militar com a finalidade de acabarcom o analfabetismo. Em 1988, é criada uma nova Constituição, que além de definira educação como direito de todos e dever do estado e da família (art.205), tambémobriga a União e os Estados a aplicar respectivamente 18% e 25% da receita em
  33. 33. 32educação. Em 1996, a promulgação da Nova LDB inverte a ordem dascompetências dizendo que a educação é dever da família e do estado (art.2º),sabemos que a educação antes é obrigação primeiro do estado e depois da famíliacom esse artigo inverteu-se a ordem. Depois dos movimentos populares, da revolução feminina, do progresso domovimento sindical, das revoluções no campo político, dos governos militares e doavanço tecnológico, o Brasil sofreu grandes transformações tanto sociais comopolíticas. Além disso, o Brasil se mostra cada vez mais como um país capitalista,preocupado com a criação de políticas públicas especialmente com aquelasrelacionadas à educação. O mercado de trabalho abre suas portas para a mulher eisso fez com que seus filhos passassem a maior parte do tempo fora de casa, sendoassim, a escola teve que assumir um papel maior na formação destes. “A partir docapitalismo a instalação das fábricas separa o local de trabalho do local de moradia,obrigando a mulher que precisa completar o orçamento doméstico a se ausentar decasa.” (ARANHA, 1996, p.95). A descoberta de problemas que afastam as famílias da escola pode ser umcaminho a serem pensados como elo entre esses dois vieses. Ao pensarmos quehistoricamente existe não um “modelo de família” e sim modelos familiares infinitos,cada um com sua singularidade e traços próprios e cada uma defendendo do seujeito e protegendo a sua subsistência. Estão presentes dessa maneira, sentimentospertinentes ao cotidiano de qualquer agrupamento como amor, ódio, ciúme, inveja,entre outros. Os deveres que por ora são de obrigação familiar são transferidosapenas para o ambiente escolar, fazendo-se assim uma inversão de papéis. Quandoestes matriculam seus filhos na escola estão buscando um saber sistematizado, poisaté então o único tipo de educação que tinham era assistemática. Segundo Kaloustian (1988), todos os membros da família devem ter noambiente familiar a garantia de auxílio integral e sobrevivência, não importando asituação em que se estrutura essa família. Na família é que os seus membros sãoconduzidos afetivamente, tendo todo o aparato material necessário para o bomdesenvolvimento dos seus indivíduos. É no espaço familiar que são absorvidosvalores éticos, desempenhando de forma decisiva na educação formal e informal de
  34. 34. 33seus componentes. Através dos valores culturais observados é que se formam ostraços das novas gerações. Para que o direito a educação se estendesse a todos e o número de escolaspúblicas fosse ampliado foram necessárias várias campanhas envolvendo diversossetores da sociedade: entre eles educadores, sindicatos igrejas, comunidades,dentre outras categorias profissionais. De acordo com artigo 125 da Constituição(1988): A educação integral da prole é o primeiro dever e direito natural dos pais. O estado não será estranho a esse dever, colaborando de maneira principal ou subsidiária para facilitar a sua execução de suprir as deficiências e lacunas da educação particular. (CONSTITUIÇÃO, 1988, art.125). Existem relevantes tarefas no que diz respeito à orientação e educação decrianças e jovens que são divididas pela família e pela escola, nesses espaços elestrocam conhecimentos e valores. Para a escola dar certo se acredita que ela devaestar ciente do processo familiar de cada aluno e a família deve estar interessadapelas atitudes e desempenhos dos seus filhos. “A importância da participação dos paisna educação e escolarização dos filhos é praticamente regra em sistema educacional edispensa referência a fontes específicas de inspiração”. (OLIVEIRA, 2001, p. 71). Segundo Gokhale (1980), A família não é apenas o berço cultural e nemapenas base de civilizações futuras, mas é núcleo da vida social... A criatividade ecomportamento servirão de apoio dependendo muito da sucessão da educação nafamília. A formação da personalidade e caráter das pessoas depende muito dainfluência familiar. . “As funções básicas da família estão de tal modo identificadascom a educação que não se pode tratar de uma sem referir-se a outra.” (TOSCANO,2002, p. 110). Por acreditar que a escola é a continuação do lar, os pais acabamtransferindo as suas obrigações para ela. As atribuições da escola e da família sãotão parecidas que ambas se perdem no entendimento de suas funções, os paiscriam um vínculo de intimidade com a escola, mas, em momento nenhum devedeixar de cumprir o seu papel, independente do seu modelo. A obrigação da família
  35. 35. 34é intransferível, só ela possui capacidade de tais responsabilidades, só ela teráinstrumentos relativos aos conhecimentos prévios dos educandos, sua disciplina,seus costumes e hábitos culturais e emocionais. Na visão de Silva (2008), a escola não deve ser só um ambiente deaprendizagem, mas também um espaço de ação na qual haverá desenvolvimento devida afetiva, ou seja, deve existir uma continuidade da mesma, quando os alunos sesentam para debaterem assuntos sobre o processo de aprendizagem. É tambémimportante falarem de amizade, respeito ao próximo, sobre os problemas queprejudicam o nosso planeta. A criação, a educação e a preparação dos filhos nos dias atuais é um desafiogigantesco. A família tem um papel fundamental em todos os momentos e nas maisdiferentes fases da vida do ser humano, pois é ela quem define desde cedo onde osfilhos irão estudar, o que é prioridade eles saberem para tomarem possíveisdecisões no futuro. Junto à família está a escola, para assegurar um bomdesenvolvimento do individuo, os pais e a escola devem contribuir na formação eeducação formal das crianças de maneira sólida e consciente. “Cabe aos pais e aescola preciosa família de transformar a criança imatura e experiente em cidadãomadura, participativo, atuante, consciente de seus deveres e direitos, possibilidadese atribuições.” (SANTO, 2008:14). No contexto em que vivemos hoje, a escola e a família tem que caminharemjuntas, uma necessita da outra e devem desenvolver ações e tarefas em conjuntopara a formação total dos educandos e filhos. “O ambiente escolar deve ser de umainstituição que complete o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis egeradores princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno”. (TIBA, 1996:140) Ao nascer, todo ser humano é introduzido num mundo em que ser social éfundamental para a sua sobrevivência, onde, a sua convivência com outras pessoaslhe traz aprendizagens relevantes ao seu desenvolvimento. Vários elementoscontribuem para adquirir conhecimentos e na formação de comportamento, a famíliaaparece como um dos mais influentes.
  36. 36. 35 Na sociedade em que vivemos muitos elementos estão envolvidos noprocesso educativo, tais como a escola, igreja, meios de comunicação, o trabalho ea família. No entanto, a escola e a família se destacam como instituições deimportante influência e que precisam trabalhar na intenção de educar os indivíduosde forma brilhante, para que estes se tornem cidadãos pensantes e capazes decumprir com seus deveres e saberem buscar seus direitos.De uma maneira geral, sobre a relação família e educação, afirma Nérici (1972): A educação deve orientar a formação do homem para ele poder ser o que é, da melhor forma possível, sem mistificações, sem deformações, em sentido de aceitação social. Assim, a ação educativa deve incidir sobre a realidade pessoal do educando, tendo em vista explicitar suas possibilidades, em função das autênticas necessidades das pessoas e da sociedade (...) A influência da Família, no entanto, é básica e fundamental no processo educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la. (...) A educação para ser autêntica, tem de descer à individualização, à apreensão da essência humana de cada educando, em busca de suas fraquezas e temores, de suas fortalezas e aspirações. (...) O processo educativo deve conduzir à responsabilidade, liberdade, crítica e participação. Educar, não como sinônimo de instruir, mas de formar, de ter consciência de seus próprios atos. De modo geral, instruir é dizer o que uma coisa é, e educar e dar o sentido moral e social do uso desta coisa". ( NÉRICI,1972,p.12). O termo “Integração”, na acepção da palavra, significa “tornar inteiro”“completar” (LUFT, 2000), e é esse o sentido desta busca, aproximando família eescola, que a educação de uma venha completar a educação da outra, e que, juntaspossam fortalecer-se enquanto instituições formadoras. Se tratando da relação família e escola, precisamos esclarecer as funçõesdos pais e escola na vida escolar dos seus filhos, apenas a observação dasatividades, questões comportamentais e a entrega dos filhos na escola não seconstituem como participação, o papel dos pais não se restringe somente a essasobrigações. A participação (ou ausência de) é um tema “reclamado”, mas não é umtema “discutido”. Os pais se predispondo a ajudar não têm claro como o podemfazê-lo.
  37. 37. 36 Segundo TIBA (2002, p.180) “[...] percebo que as crianças têm dificuldade deestabelecer limites claros entre a família e a escola, principalmente quando os próprios paisdelegam à escola a educação dos filhos [...]”. São muitas as mudanças ocorridas na sociedade. O mundo capitalista eglobalizado põe fim nas grandes receitas, estabelecendo uma nova ordem quechega a essa nova era voltada para a 3ª revolução industrial, que nos chama arepensar o nosso papel e atualizar os nossos conhecimentos. Os principais atoresdo processo ensino-aprendizagem, professor e aluno sofrem nesse processo efeitoscomprometedores, abalando valores e prevalecendo o individualismo e acompetitividade, o hedonismo sujeita às atitudes de solidariedade, valor e respeito àvida. Esse contexto acarreta vários problemas no convívio familiar, ficando à escolaa responsabilidade de transmitir aos filhos valores antes pertinente à família. Na falade Gomes (2005, p.295), “a escola é comparável a uma arena competitivo-conflitual,onde se encontram pelo menos duas gerações”; mediar tais conflitos não é tarefafácil, nem tampouco incumbência exclusiva da escola. Família e escola estão vivendo a chamada “crise existencial”, as ineficáciasdeterminadas situações são temas de livros, artigos, discursos, onde atravessamexpressões de mudanças como reinventar, reconceituar, rever, resgatar,transformar, juntamente com outras expressões indicativas de mudança,cooperação, coletivo, humano, sendo esse um meio sugerido para amenizar essequadro de crise. Partes destes termos implícita ou explicitamente estão presentes nafala de Libâneo (2001) ao fazer referência à gestão democrática: A gestão democrática participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão, concebe a docência como trabalho interativo, aposta na construção coletiva de objetivos e das práticas escolares, no diálogo e na busca do consenso. (LIBÂNEO, 2001, p.131-132) A Lei 9394/96-LDB (art. 4º), ao tratar dos princípios e fins da educação,explicita: “a educação, dever da família e do Estado”... tem por finalidade o plenodesenvolvimento educacional...” e ainda, a mesma Lei coloca, “os estabelecimentosde ensino terão a incumbência de ... articular-se com as famílias ... criandoprocessos de integração... .” Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990),
  38. 38. 37determina que é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processopedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais (Cap. IV,parágrafo único); ou seja, a educação é primeiro, dever da família, é com a famíliaque se inicia o processo de educar, processo esse,ampliado pela educação escolarcom a obrigatoriedade do Estado. A Família e a escola são os primeiros e os principais núcleos de formaçãosocial da criança, por isso ambas devem trabalhar conjuntamente a fim depromoverem o desenvolvimento pleno e integral desta. Porém o que se percebeatualmente são transferências de culpas e responsabilidades. A família seja porincapacidade de educar seus filhos ou pelo fato de não ter tempo devido à correriado dia a dia cruzam os braços, achando que sozinha a escola dará conta de cumprira dupla tarefa: suprir a carência emocional que o aluno traz de uma famíliadesestruturada e ensinar-lhe o que ela precisa para futuramente ser um cidadãocapacitado para ingressar em uma sociedade onde a capacidade intelectual seráexigida. Porém a função que a família desempenha na educação dos filhos éintransferível. A instituição escolar por sua vez, acha que ensinando conteúdos e aplicandoavaliações na maioria das vezes quantitativas, está cumprindo seu papel social comeste aluno. Não sabendo ela, que sua missão vai além dos muros da escola. Cabe aesta, não apenas a transmissão de conteúdos, mas, também o conhecimento dafamília do aluno, pois com isso o trabalho escolar acontecerá de forma consciente eeficiente. E esse conhecimento que é de importância fundamental só poderá ocorrerse a instituição escolar fornecer meio para esse intercâmbio, o qual poderá ser feitopor meio de visitas a casa dos alunos, disponibilização para o professor de umaficha com dados pessoais do aluno no início do aluno letivo, criação de atividadesnas quais os pais dos alunos possam ser inseridos e assim participem mais da vidaescolar de seus filhos e do espaço da escola. O que não pode acontecer é a escola e a família se distanciarem e mediremforça para ver de quem é a culpa da não aprendizagem do aluno. O trabalho emconjunto desses dois segmentos facilitará a educação das crianças integrando-as à
  39. 39. 38sociedade, porém cada uma fazendo o que é de sua incumbência. Nérici (1997) emEscola Lar e Educação afirma: A escola existe para completar a ação educativa do lar, na sua tarefa de preparar novas gerações para o exercício pleno da cidadania. Atende também à sociedade, colaborando na formação do tipo de cidadão que mais convém a sua sobrevivência e desenvolvimento (...) A escola não deve assumir sozinha, a incumbência da família de educar os filhos. Deve sim, empenhar-se para que essa se convença das suas obrigações inalienáveis no processo educativo da prole. Deve evidenciar que certas condições básicas, emotivas principalmente, para boa marcha da educação, devem ser preparadas pela família, sem o que muito pouco poderá fazer a escola. (NÉRICI, 1977, p.194) Nos dias atuais, diante da complexidade no campo educacional que hoje osseres humanos vivem, nos preocupamos e pretendemos entender a enormenecessidade da relação que deve existir entre a escola e a família. Os questionamentos a respeito da participação da família junto à escola sãomuitos, referente à educação dos filhos. A escola não pode ser uma mera sociedadeque apenas recebe alunos das mais diversas camadas sociais e cuida de formá-loscomo cidadãos e/ou em pessoas que procurem desenvolver sua conduta de forma acorresponder com os padrões exigidos pela sociedade em que vivem. Como afirma ILopez (1999): É preciso convencer-se de que a participação, diferenciada conforme o papel que cabe a cada setor da comunidade educacional constitui ao mesmo tempo uma manifestação de democracia social e uma garantia de qualidade. Por certo não se pode confundir a participação com qualidade em se da educação escolar , porque a qualidade refere aos resultados educacionais alcançados pela escola, enquanto participação é apenas um meio. Contudo, trata-se de um meio fundamental, porque a educação não depende de si mesma, mas em grande parte do papel que desempenha a família dentro e fora da escola. Como se dá com outras habilidades humanas, é participando que se aprende a participar (I LOPEZ, 1999, p.83) A escola não deve limitar-se em si mesma o papel de educadora etransformadora do ser humano, essencialmente quando se trata da educaçãovoltada para pessoas que são portadoras de necessidades especiais. É preciso queentidade escola compreenda-se como mediadora que precisa está em perfeita
  40. 40. 39ligação com a família para que unidas encontrem saídas para uma aproximação desucesso entre as mesmas. É preciso existir um profundo conhecimento por parte da escola em relação àfamília. O que acontece no seio da mesma deve ser de necessária importância paraa escola hoje, porque só se pode resolver determinadas situações problemasquando há um conhecimento anterior de imposições que venham ser a causa poronde decorrem tais problemas. Por outro lado, a escola precisa estar aberta paraque a família possa ter um acesso maior quanto ao seu projeto pedagógico. Supõe-se que uma vez a família vendo de perto as propostas que a escola tem paraoferecer aos seus filhos e podendo ajudar no que for possível, a partir dessemomento, pode surgir uma relação de confiança e colaboração. É relevante que aescola leve em consideração o fator social como diz Alarcão (2001): A escola reflexiva é uma escola que se assume como instituição que sabe o que quer e para onde vai. Na observação da realidade social, descobre os melhores caminhos para desempenhar a missão que lhe cabe dentro da sociedade. (ALARCÃO, 2001, p.26) A interação família e escola, na contemporaneidade, é temário significantenos debates estabelecidos em diferentes âmbitos da sociedade. Muito se fala que odueto família e escola é o responsável direto na construção do histórico positivo,alcançado pelos alunos e alunas no tocante ao ensino-aprendizagem. Comumenteescutamos os professores solicitarem o apoio constante e verdadeiramentecomprometido da família, pois essa parceria é fundamental para um bomdesenvolvimento do aluno, conforme o grifo de Melo: A participação da família na escola pode se dar de várias maneiras, na atuação direta dos pais em projetos especiais, nos momentos de avaliação dos filhos e no conselho escolar, no qual participa da formulação e acompanhamento do Projeto Político- Pedagógico e de outras questões pertinentes à escola. Muitas pesquisas indicam que a participação da família auxilia, direta e indiretamente, no processo educativo dos filhos (MELO 2011, p. 9). Carregamos no nosso entendimento que o ambiente escolar é aquelecomposto por um professor ensinando um conteúdo a uma turma de meninos emeninas. Esse cenário não está equivocado, mas compor a escola tendo apenas o
  41. 41. 40professor e os alunos como únicos personagens, é anular do enredo escolar, outroselementos importantes, como a família, e isso representa muito. No entanto, quando expomos uma expectativa de apoio, falamos de umarelação apaziguadora em que não há espaço para acusação e muito menos para acrença de que o mau desempenho dos alunos diz respeito unicamente à falta deacompanhamento dos pais. Ou ainda que o insucesso da vida escolar dos filhos efilhas é resultado da deficiência estrutural nas famílias, como afirma Paro: Na mesma medida que enfatizam a importância e a necessidade de os pais participarem, em casa, da vida escolar de seus filhos os professores e funcionários, em geral, reclamam da falta dessa participação (PARO 2007, p.39). A qualidade da relação criança e família irão oferecer condições ao processode socialização da criança com a escola e vice-versa. Ou seja, a família e escolasão sinais expressivos dentro da dinâmica ensino-aprendizagem, isso tudo pelosaspectos da limitação, da identificação e outras mais características determinadaspelo contexto familiar e escolar. Nessa parceria harmônica a criança caminha compassos do bom desenvolvimento. Devemos compreender a educação como uma forma de intervenção nomundo. Devemos entender que os alunos devem ter condições para tomar decisõescoerentes, portanto a família e escola devem está constantemente dialogando,expondo dificuldades, elaborando estratégias, pois o aluno é também o filho. Deacordo com Salvador, (1999): Embora a escola e a família sejam contextos diferentes e ofereçam experiências educativas diversas, o aluno/filho é a mesma pessoa e necessita de alguns critérios estáveis, que serão os que poderá se interiorizar para regular a sua própria vida de maneira autônoma. (SALVADOR, 1999, p.186) Dialogar é mais que preciso, pois não há uma cartilha ensinando comoacolher e envolver os pais na escola. Não há uma receita pronta que nos oriente nadifícil, porém necessária, tarefa de atrair os pais para o âmbito escolar. Sendoassim, é papel da escola elaborar estratégias que respeitem as heterogêneas
  42. 42. 41características da comunidade familiar. Pois, é no diálogo simples e repleto de afetoque conhecemos os nossos e os valores alheios. A escola poderá coincidir com osvalores da família, potencializando a boa educação de berço, e por consequência, afamília engrossará o coro da aprendizagem pautada na união. Segundo Lane, (et.al.,2001, p.102) ... é na família que os indivíduos são educados para que venham continuar biológica e socialmente a estrutura familiar. Ao realizar seu projeto de reprodução social, a família participa do mesmo projeto global, referente à sociedade na qual está inserida. É por isso que ela também ensina aos seus membros como se comportar fora das relações familiares em toda e qualquer situação. A família é, pois, a formadora do cidadão. (LANE, et.al. 2001, p.102). Um dos maiores obstáculos hoje em dia para os seres humanos vem sendo adesintegração dos seus valores, ética, cidadania, que vem não mais fazendo sentidona formação do indivíduo, cada dia mais, sendo banidos de suas vidas. Nessemomento fica evidente a necessidade da presença da família e da escola paraimpedirem que esse processo de banalização continue, tentando ao mesmo temporesgatar valores tão importantes como a boa formação do caráter. A escola e a família que tem objetivos em comuns caminham juntas para aformação integral do individuo, desenvolvimento do bem-estar e da aprendizagem. Aescola e a família se constituem em um conjunto com grandiosas tarefas, sendodesenvolvidas nelas os primeiros grupos sociais da criança. Em relação a isso, ALDB- Lei de Diretrizes e Base da Educação (lei 9394, de dezembro de 1996)formaliza e institui a gestão democrática nas escolas e vai além. Algumas conquistasse destacam: A concepção de educação, concepção ampla, estendendo a educaçãopara além da educação escolar, ou, seja comprometimento com a formação docaráter do educando. A primeira formação do indivíduo deve existir na família, que é o caráter e apersonalidade, a família é indispensável e devemos ter um olhar grandioso sobre amesma. De acordo com Chalita (2004): Não se experimentou para a educação informal nenhuma célula social melhor do que a família. É nela que se forma o caráter.
  43. 43. 42 Qualquer projeto educacional sério depende da participação familiar: Em alguns momentos, apenas do incentivo, em outros de uma participação efetiva no aprendizado ou pesquisa, ao discutir, ao valorizar a preocupação que o filho traz da escola. (CHALITA, 2004, p.17) Torna-se explícito que a família é a célula que ocupa o primeiro lugar naformação educacional do ser humano, pois é dela que parte o incentivo e o apoio aoaluno na escola e para a escola. É importante que a família esteja mais presente doque nunca, pois além de se tratar de formação, trata-se também de uma inclusão doindivíduo e também da família. Gentile (2006) afirma que: A família é o primeiro grupo com o qual a pessoa convive e seus membros são exemplos para a vida no que diz respeito à educação, se essas pessoas demonstrarem curiosidade em relação ao que acontece em sala de aula e reforçarem a importância do que está sendo aprendido, estarão dando uma enorme contribuição para o sucesso da aprendizagem. (GENTILE, 2006, p.35) De acordo com o comentário de Paola Gentile no artigo que escreve narevista Nova escola de junho/ julho de 2006, com o título: Abrir as portas àparticipação de familiares e da comunidade, ela diz: “Escola e família têm osmesmos objetivos: Fazer a criança se desenvolver em todos os aspectos e tersucesso na aprendizagem”... (GENTILE, 2006, p. 33) A escola enquanto instituição responsável pela comunicação doconhecimento deverá ter consciência do seu papel, compreendendo que precisavalorizar a importância das pessoas envolvidas em todo o seu processo, entendendoque não só a família deverá ter reconhecimento da sua função na ação educativa eeducacional dos seus filhos. De acordo com Alarcão (2001): A escola sem pessoas séria um edifício sem vida. Quem a torna viva são as pessoas: os alunos, os professores, os funcionários, os pais que, não estando lá permanentemente, com ela interagem. As pessoas são o sentido da sua existência. Para elas existem os espaços, com elas se vive o tempo. As pessoas socializam-se no contexto em que próprias criam e recriam. São o recurso sem o qual todos os outros recursos seriam desperdício... As relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho e com a sua escola são a pedra de toque para a vivência de um clima de escila em busca de uma educação melhor a cada dia. (ALARCÂO, 2001,p. 20)
  44. 44. 43 Carregamos no nosso entendimento que o ambiente escolar é aquelecomposto por um professor ensinando um conteúdo a uma turma de meninos emeninas. Esse cenário não está equivocado, mas compor a escola tendo apenas oprofessor e os alunos como únicos personagens é anular do enredo escolar outroselementos importantes, como a família, e isso representa muito. Enfim, encontraremos vários sentidos para o termo interação. Mas, o seumelhor significado habita na necessidade de conhecer as razões pelas quais asfamílias se negam a corresponder ao que os educadores aspiram, ou seja, notocante a sua participação na vida escolar dos filhos. Necessitamos urgentementeabandonar a velha postura de juízes que condenam e sentenciam sem conhecer osmotivos manifestados nas ações alheias, pois só assim, conseguiremos êxito.
  45. 45. 44 2.0 CAPÍTULO II - MÉTODO2.1 Pesquisa qualitativa O presente trabalho foi realizado através de uma pesquisa qualitativa . É umapesquisa que permite a compreensão sobre todo o contexto estudado, atendendo atoda a complexidade do tema através de entrevistas. Nesse tipo de pesquisa osdados coletados são descritos e depois interpretados. Isso quer dizer que ainterpretação deve ocorrer de modo imparcial, sem preconceitos e opiniõespessoais. De acordo com Neves (1996, p. 1) conceitua pesquisa qualitativa como[...] um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados. Tendo por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social [...] ( NEVES, 1996, p. 1) A pesquisa qualitativa não tenta expressar em procedimentos os conteúdosdiretos e claros do sujeito com o intuito de transformá-lo em entidades objetivassuscetíveis de processamento matemático. A opção epistemológica que escolhemoscomo fundamento da abordagem qualitativa representa o conhecimento comoprocesso permanente, de caráter aberto dentro do qual o pesquisador sempredescobre e constrói opções. Como diz Minayo (1998) A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela preocupa-se nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, valores e atitudes que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de resultados. (MINAYO, 1998, pág. 22). A concepção de trabalho de campo historicamente está ligada com aetnografia, o que em nossa opinião depende do método descritivo, pioneiro nodesenvolvimento de uma orientação qualitativa de pesquisa cientifica. No entanto otrabalho de campo é exigência para muitas pesquisas qualitativas desenvolvidas nocampo das ciências antropossociais. O trabalho de campo não deve estar agregado
  46. 46. 45apenas à participação do pesquisador no meio estudado. A presença dopesquisador na instituição estudada é trabalho de campo. Orofino e Zanello afirmam: Interessa-nos o sujeito concreto e não um sujeito hipotético. Não iniciamos a pesquisa com hipóteses a priori que nos fariam cair na armadilha de filtrar a observação. Acreditamos que a pesquisa se faz pela construção dinâmica, pelo cotidiano das vivências geradas pela relação pesquisador-pesquisado (OROFINO E ZANELLO, 1997:13). A pesquisa qualitativa faz sentido a partir do momento que nos deparamoscom sujeitos reais, os quais de forma livre discorrem sobre aspectos de suas vidasou do foco ao qual é questionado.2.2 Lócus da Pesquisa A pesquisa foi desenvolvida na Escola Municipal Luiz Navarro de Britto,situada no Bairro do Alto, na Rua Doutor Manoel Augusto Meira, S/N na cidade deItiúba-BA, em funcionamento desde1969. No quadro de funcionários a escola contacom 10 professores para atender a uma clientela de 273 alunos, que estãodistribuídos nos dois turnos (matutino/ vespertino). A escola oferece desde aEducação Infantil, uma é o Ensino Fundamental I. Quanto à estrutura física, a escolaé composta de seis (6) salas de aulas, uma (1) sala para a diretoria, uma (1) cantina,três banheiros. O espaço externo se limita a uma pequena área.2.3 Participantes Contamos com a participação de treze (13) indivíduos, sendo eles dois (02)professores da turma, dez (10) pais selecionados através de documentos da escola(frequência, matriculas e atas,) cedidos pela direção da escola para que nósfizéssemos uma análise e posterior seleção, classificando um mesmo número, comopais frequentes e pais ausentes na vida escolar dos seus filhos. Contamos apenascom participantes do sexo feminino. Fizemos um trabalho coletivo, nesse contextoos pesquisados são reconhecidos como sujeitos, na construção do conhecimento eautores de práticas adequadas capazes de intervir no problema identificado. Osparticipantes se encontram numa faixa etária entre 25 à 45 anos, os professores se

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