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Monografia Voneide Pedagogia 2011
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Monografia Voneide Pedagogia 2011

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  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIADEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM – BA VONEIDE DIAS DO NASCIMENTO ARTE-EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: O QUE PENSAM OS PROFESSORES? SENHOR DO BONFIM-BA SETEMBRO 2011
  • 2. VONEIDE DIAS DO NASCIMENTOARTE-EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: O QUE PENSAM OS PROFESSORES? Monografia apresentada como requisito final para aquisição do grau de Licenciada em Pedagogia ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Orientadora: Professora Mestre Maria Elizabeth Souza Gonçalves SENHOR DO BONFIM – BA SETEMBRO 2011
  • 3. VONEIDE DIAS DO NASCIMENTOARTE-EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: O QUE PENSAM OS PROFESSORES?APROVADA_______DE___________DE 2011: Maria Elizabeth Souza Gonçalves Orientadora _______________________________ Avaliador(a) _______________________________ Avaliador(a)
  • 4. Dedico aos meus pais Valter e Maria, grandesexemplos de carinho, dignidade, determinação einspiração de vida.
  • 5. AGRADECIMENTOS Antes de tudo, agradeço a Deus “Inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas”, que sempre esteve ao meu lado dando-me fé, luz, esperança e força de vontade. Aos meus pais, que me deram a vida, o amor, e, me ensinaram a viver com dignidade. Foi através desse amor que aprendi a valorizar a vida e caminhar em busca de meus sonhos. Aos meus familiares que iluminaram os caminhos obscuros com afeto e dedicação para que eu trilhasse sem medo e cheia de esperança. Às amigas: Cleane, Edilene, Jeame, Joerly, Lucélia, Renata eSandra que sempre me deram força nos momentos de aflição e me proporcionaram momentos prazerosos. À Jenecleide minha eterna amiga, pelo apoio e cumplicidade neste momento e em muitos outros. À minha orientadora, Profª. Maria Elizabeth Gonçalves por sua paciência, seu carinho e suas contribuições valiosas, meu muito obrigada!Aos professores do Campus VII, por seu estimulo valioso. Pois com a nobre missão de aperfeiçoar, colaboraram com a minha caminhada. Ao Pr. Erivaldo Portela, pela contribuição valiosa na construção desse trabalho. Enfim a todos que conviveram comigo ao longo desses anos de sacrifício e dedicação, o meu: muito obrigada!
  • 6. “Precisamos levar a arte que hoje estácircunscrita a um mundo socialmentelimitado a se expandir, tornando-sepatrimônio da maioria e elevando o nívelde qualidade de vida da população”. Ana Mae Barbosa
  • 7. RESUMOEste trabalho reflete sobre a Arte-educação na docência das séries iniciais do EnsinoFundamental I, considerando a arte como um elemento essencial para a formação doseducandos, capaz de contribuir para o seu desenvolvimento físico, intelectual, psíquicoe social. Portanto, constituindo-se algo indispensável no contexto educacional, umavez que as artes despertam e expressam sentimentos, sentidos, imaginação e criação,a escola encontra-se carente de recursos incentivadores que contribuam paradespertar o interesse dos educandos. O trabalho teve como objetivo refletir sobre acompreensão dos educadores sobre a importância da arte nos espaços educativos,fundamentado teoricamente em Duarte Jr (1991); Fusari (1993); Barbosa (1975 2008 e2009); Sacristán (1998); Biasoli (1999) entre outros, baseia-se também em pesquisade campo realizada com sete educadoras da escola Aristides Lopes da Silva daCidade de Filadélfia, localizada no semiárido baiano, às quais foram aplicados comoinstrumentos de coleta: questionários fechados e entrevistas semiestruturadas, queforam analisados mediante articulação com a análise documental e os conceitosteóricos dos autores supra citados. Como resultados tem-se que o ensino de artesfigura no Ensino Fundamental como mero apoio pedagógico; que os educadoressentem-se carentes de formação para atender à proposta de um ensino de arte queconsidere a arte com o seu verdadeiro sentido e que falta à escola pública muitaestrutura em termos de espaço físico bem como materiais para um ensino de arte queseja satisfatório.Palavras Chave: Compreensão. Séries Iniciais. Arte-educação.
  • 8. LISTA DE FIGIRASFIGURA – 01: Faixa Etária dos Sujeitos .................................................................. 36FIGURA – 02: Formação dos Sujeitos ..................................................................... 37FIGURA – 03: Tempo de Experiência ..................................................................... 37FIGURA – 04: Carga horária semanal .................................................................... 38FIGURA – 05: Dados da Frequência no uso de elementos artísticos ...................... 39FIGURA – 06: Dificuldades encontradas no trabalho com artes ............................. 43
  • 9. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 10CAPÍTULO I1. A ARTE NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA .............................................................. 12CAPÍTULO II2. FUNDAMENTANDO CONCEITOS ..................................................................... 18 2.1. HISTORIANDO O ENSINO DA ARTE NO BRASIL ..................................... 18 2.2. COMPREENSÃO ........................................................................................ 20 2.3. SÉRIES INICIAIS ......................................................................................... 26 2.4. ARTE-EDUCAÇÃO ...................................................................................... 28CAPÍTULO III3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .......................................................... 32 3.1. A NATUREZA DA PESQUISA .................................................................... 32 3.2. INSTRUMENTOS DE COLETA ................................................................... 32 3.2.1. Questionário fechado .......................................................................... 33 3.2.2. Entrevista semiestruturada ................................................................. 33 3.2.3. Análise documental ............................................................................. 33 3.3. LÓCUS DA PESQUISA ............................................................................... 34 3.4. SUJEITOS .................................................................................................... 34 3.5. ANÁLISE DE DADOS .................................................................................. 35CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ...................................................... 36 4.1. PERFIL DAS DOCENTES ........................................................................... 36 4.1.1. Gênero ................................................................................................ 36 4.1.2. Faixa etária ......................................................................................... 37 4.1.3. Formação docente .............................................................................. 38 4.1.4. Tempo de atuação na docência .......................................................... 38
  • 10. 4.1.5. Jornada de trabalho ............................................................................ 39 4.1.6. Frequência no uso de atividades artísticas ......................................... 40 4.2. ANÁLISE DA ENTREVISTA ....................................................................... 40 4.2.1. A compreensão dos professores sobre arte ....................................... 41 4.2.2. A importância da arte no processo de ensino aprendizagem ............. 42 4.2.3. Dificuldades encontradas para trabalhar arte na sala de aula ........... 44 4.2.4. Relação da arte com outros componentes curriculares ...................... 46 4.2.5. Recursos didático pedagógicos utilizados no ensino de artes ........... 47 4.2.6. Reação dos alunos à aplicação dos instrumentos artísticos .............. 49 4.2.7. A arte proporciona autonomia ............................................................ 49 4.3. ANÁLISE DOCUMENTAL ............................................................................ 50 4.3.1. Escassez de documentos .................................................................. 50 4.3.2. A arte não documentada ..................................................................... 51CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 53REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 55
  • 11. 10 INTRODUÇÃO ARTE-EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: O QUE PENSAM OS PROFESSORES?A arte está presente na vida humana desde os seus primórdios. Tornando-se umaaliada na preservação da vida, consequentemente na sobrevivência da espéciehumana. Por meio de artefatos artísticos, é possível conhecer estágios da evolução dohomem, bem como, traços da organização social, hábitos culturais e religiosos emuitos outros aspectos da existência humana primitiva, de épocas que precedem aprópria história. Além disso, há na arte um sentido libertador e gerador de autonomia, eo seu ensino torna se importante no social. A educação através de arte valorizahumano nos aspectos intelectual, moral, estético e outros, contribuindo para aformação de uma consciência individual harmonizada ao grupo social.Considerando essa importância da arte para a vida, este trabalho discute a suainclusão na educação oferecida pela escola pública nas séries iniciais do EnsinoFundamental numa região periférica da cidade de Filadélfia-Ba, município integrantedo semiárido baiano. Visando, conhecer as compreensões que a docência dessainstituição postula sobre o ensino de artes e até que ponto essas compreensões setraduzem em prática educativa na experiência vivenciada naquela instituição.Para facilitar a organização das discussões, considerando também a ordem sequencialdas temáticas abordadas, este trabalho está estruturado em quatro Capítulos.No Capítulo I, encontra-se uma discussão reflexiva situando o tema historicamente econtextualizando-o ao lócus da pesquisa, levantando os questionamentos emergentesdas inquietações tangíveis que se fazem necessários à sua compreensão e definiçãodo problema e dos objetivos.No Capítulo II, são apresentados os conceitos chave da discussão respaldada esubsidiada pelo aporte teórico de diversos autores e da legislação educacional sobre otema. Ressaltando a sua profundidade e complexidade no âmbito das concepçõespedagógicas voltadas para as séries iniciais do Ensino Fundamental l.
  • 12. 11No Capítulo III, ganham clareza as informações sobre as bases metodológicas em quese apoiou a pesquisa e descrevem as peculiaridades do lócus, dos sujeitos, dosinstrumentos de coleta e dos processos de análises de dados empregados no trabalho.Enquanto o Capítulo IV descreve as discursões resultantes da reflexão sobre o perfil eas falas dos sujeitos, bem como da análise dos documentos encontrados na pesquisade campo articuladas com os conceitos oriundos dos referenciais teóricos querespaldaram as discussões.Concluindo, são apresentadas as Considerações confirmando a partir dasconstatações do estudo, a pertinência e a emergência do tema para a educação,como também as inferências da autora frente aos objetivos.
  • 13. 12 CAPITULO I 1. A ARTE NA EDUCAÇÃO BRASILEIRAAo longo da história da humanidade a arte tem sido reveladora de sentimentos,pensamentos, experiências dos mais diferentes povos neste continente rico emdiversidade. Além disso, tem se comportado ainda como um dos mais primitivos ebelos recursos utilizados pelo homem para se comunicar, para perpetuar-se naposteridade, constituindo-se num dos mais importantes meios de transmitir, difundir eregistrar fases significativas da história do percurso humano na terra. Por meio doestudo dos registros gráficos, e artefatos artísticos, é possível conhecer estágios daevolução do homem, bem como, traços da organização social, hábitos culturais ereligiosos e muitos outros aspectos da existência humana primitiva, de épocas queprecedem a própria história. Ferreira, (2001) relata que: A arte aparece em todos os povos, de todos os continentes, em todas as épocas! A arte é a necessidade humana de se expressar, de se comunicar com seu(s) deus (ses), com seus semelhantes, consigo mesmo, criar e mostrar seus mundos, mas seu desenvolvimento, como arte, depende da sociedade, do ambiente no qual o sujeito sonhante está imerso (p.80/81).É inquestionável, que desde os primórdios da história da humanidade, a arte sempreesteve presente em praticamente todas as culturas, exercendo um papel muitoimportante como recurso para expressar sentimentos e compartilhar experiências,através de valores estéticos como beleza, equilíbrio e harmonia. E pode serconstatadas nas suas diversas formas: na pintura, na música, na dança nadramatização e outras formas de representação.O homem pré-histórico, quando desenhava na parede da caverna teve de aprenderseu ofício de alguma maneira, e do mesmo modo ensinar para alguém o que fazia.Nesta perspectiva da arte, essa capacidade de criar imagens se aperfeiçoava, portornar essas imagens em produtos gravados. Obviamente, tratava-se de códigos decomunicação que necessitavam de certa aceitação convencional, isto é, de serconsagrado socialmente pelo uso ou pela instrução que as tornava decifráveis entreos indivíduos e as comunidades. Fazendo dos recursos rupestres uma das primeirasformas de “leitura e escrita”. Portanto, pode-se inferir que o ensino da arte, embora
  • 14. 13em caráter informal, e por mais que seja considerado elementar, muito precede aoensino de outras formas de leitura e escrita.Assim o ensino/aprendizagem da arte faz parte do conhecimento que envolve aprodução artística em todos os tempos. Susanne Langer apud Duarte Junior (1991)afirma que: Essa imaginação primitiva – essa produção de imagens foi o primeiro passo na criação não só da arte, mas também da linguagem. Isto é compreensível na medida em que se percebe que, ao evocar imagens mentais daquilo que havia visto, o homem das cavernas estava de certa forma representando-as (p.38).Portanto, ao recorrer a alguma forma de arte para representar a imagem, o individuoconstrói símbolos que permitem significar objetos, animais, pessoas ou fenômenosque estão ausentes. É imensurável a importância dessas informações para o resgatedo conhecimento das formas de vivencias, convivências e sobrevivências dassociedades primitivas.Nessa perspectiva, a arte não é vista como um gênero de atividade supérflua, masindispensável à vida humana, uma vez que se origina na necessidade decomunicação. Logo ao nascer, a criança já interage com as manifestações culturaisdos que a cercam e os fenômenos do ambiente do qual faz parte e, iniciam-se noprocesso de aprender a demonstrar o gosto e prazer pelas coisas que estão a suavolta. Este contato com o meio o permite desenvolver habilidades de apreciar e defazer arte. De acordo com Duarte Junior, (1991): Desde o nosso nascimento, a forma como devemos ver e entender o mundo nos é ensinada pelos nossos semelhantes através da linguagem. Para a criança, “as coisas lhe vêm vestidas em linguagem, não em sua nudez física; e esta vestimenta de comunicação à torna participante nas crenças daqueles que a rodeiam” (p.25).A importância da arte para a Educação remonta, portanto, ao início da civilizaçãohumana, tornando-se um dos fatores fundamentais da própria humanização.Obviamente, tratavam-se da educação do tipo informal que tinha como objetosfundamentais, as habilidades básicas para a sobrevivência do indivíduo e daespécie, num momento em que ainda não se havia desenvolvido formas mais
  • 15. 14complexas de comunicação, a exemplo da fala, da leitura e da escrita, restringiam-sea expressões que hoje são tidas como estritamente artísticas. Conforme Buoro(2003). Uma das primeiras referências da existência humana na Terra aparece nas imagens desenhadas nas cavernas, que hoje chamamos de imagem artística. Nesse sentido, pode-se dizer que a Arte está presente no mundo desde que o homem é homem (p.19).Sendo assim, ao trabalhar com artes nas escolas de Educação Infantil e EnsinoFundamental, resgatam-se traços da originalidade humana relacionados com a suaprópria natureza. Utilizá-la como recurso mediador da aprendizagem é, portanto,estabelecer uma forma de ensino que diminui os efeitos da ruptura entre os tipos deeducação, uma vez que a criança encontra-se acostumada à aprendizagem informalonde os métodos são naturais e envolvem, principalmente o “ver fazer” o que gosta,o que a atrai, e o “aprender fazendo” o que quer.O educador, de modo geral, mesmo que não se considere um arte-educador, pode eaté deve utilizar dos recursos artísticos, como mediação na sua metodologia deensino, todavia necessita de uma formação que respalde essa prática. Portanto faz-se necessária a organização do trabalho, visto que a pratica do ensinoaprendizagem da arte na escola traz consigo questões relativas ao processoeducacional e a forma como o professor elabora sua proposta para a sala de aula.Ao longo dos anos muito se tem discutido sobre a importância e as contribuições daarte como componente curricular obrigatório e a necessidade de formação específicado docente responsável por esta área de conhecimento.Nesse sentido o professor estaria em condições de possibilitar ao educandooportunidades efetivas de aprendizagem que lhe proporcionasse experiênciasestéticas e a formação da sensibilidade artística tão necessária à formação integraldo aluno e a valorização das culturas locais e universais.Historicamente, o ensino da arte no Brasil mostra certo crescimento, passando porvárias fases de compreensão. No final da década de 70, estabeleceu o movimentoarte-educação. No princípio este movimento organizou-se fora da educação escolar
  • 16. 15e a partir de premissas metodológicas fundamentadas nas ideias da Escola Nova eda Educação através da Arte. Essa forma de compreender o ensino da Arte vempropondo uma ação educativa criadora, ativa e centrada no aluno. De acordo comBiasoli (1999). A arte-educação constituiu, no Brasil, um movimento surgido no final da década de 1970, organizado fora da educação escolar, que buscava novas metodologias de ensino e aprendizagem da arte nas escolas por meio de uma concepção de ensino de arte com base numa ação educativa, mas criadora, mais ativa e que envolvesse o aluno de forma mais direta, mais concreta (p.87).Em 1971, foi assinada a Lei 5692/71, que propõe a reforma de 1º e 2º graus. Define-se a partir daí a inclusão da Arte no currículo escolar, com o título de EducaçãoArtística. Imposta de forma autoritária por milhares de tecnocratas a qual imprimira àeducação uma tendência fortemente tecnicista. A respeito disso Duarte Junior (1991)salienta que: O seu objetivo último sempre foi não se pode negar – a eliminação de qualquer criticidade e criatividade no seio da escola, como a concomitante produção de pessoal técnico para as grandes empresas. [...]. Havia que se preparar desde os níveis mais elementares, um pessoal que, não tendo uma visão totalizante e critica da cultura em que estavam trabalhassem sem causar grandes problemas (p.80/81).As décadas subsequentes à inclusão da educação artística no currículo geraramsérias sequelas à formação artística das crianças. A indefinição da área deconhecimento, a identificação da disciplina como atividade decorativa, a falta deformação dos professores responsáveis pela pasta, à perspectiva da arte comodesenho geométrico criaram um fosso significativo no universo da arte na educaçãobásica e a formação integral dos alunos. A partir da LDB Lei 9394/96, Lei deDiretrizes e Bases da Educação Nacional a presença da arte como área doconhecimento assume nova configuração, tornando-se obrigatória no currículoescolar, nos diversos níveis da educação básica, superando a abordagemfragmentada e superficial que vinha sendo adotada. Referindo-se à superficialidadedaquela prática, Fusari (1993) destaca: Na prática, a Educação Artística vem sendo desenvolvida nas escolas brasileiras de forma incompleta, quando não incorreta. Esquecendo ou desconhecendo que o processo de aprendizagem e desenvolvimento do educando envolve múltiplos aspectos, muitos professores propõem atividades às vezes totalmente desvinculadas de um verdadeiro saber artístico. (p.16).
  • 17. 16Portanto, a presença da arte na educação escolar, ao longo de sua história, temmostrado um descompasso entre os caminhos apontados por alguns teóricos e aprática de alguns educadores, pois muitas vezes as atividades de arte sãorealizadas sem o necessário objetivo que atenda ao planejamento doensino/aprendizagem previsto. Muitas vezes alguns educadores ainda continuampresos a metodologias antigas, mostrando-se resistente à assunção da arte comocampo específico de conhecimento. “A história do ensino de Arte, em nosso paísrevela muito bem os caminhos superficiais na relação teoria/prática na área”(BARBOSA 2008. P.162).No entanto, é importante destacar que esse novo contexto legal gerou anecessidade de repensar a função da arte na Educação escolar, e de reformascurriculares que atendessem às novas demandas impostas à Arte.Neste curso, o Ministério da Educação inicia um processo de reflexão e de formaçãoem cadeia nacional ao propor um documento norteador, ou pelo menos, provocador,do trabalho docente a partir dos PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais para oEnsino de Arte, cuja finalidade “não é estabelecer um currículo mínimo comum ou um conjunto de conteúdos obrigatórios, mas sim uma proposta aberta e flexível que será levada a efeito pela ação conjunta de professores, equipes pedagógicas e lideranças educacionais do país” (BIASOLI, 1999, p.103)O novo contexto histórico da arte no currículo da Educação básica vai exigindonovos direcionamentos e atenção, especialmente no que tange à formação dosprofessores e neste sentido vai abrindo novos leques para o conhecimento e oreconhecimento de linguagens, culturas e experiências estéticas fomentadoras daconsciência crítica e da vivência cidadã tendo como ponto de partida a comunidadeescolar e assim a arte vai se justificando como área de conhecimento e prática socialhumanizante.Nisto consiste a relevância desse trabalho monográfico, que expressa a inquietaçãopercebida nas vivências e convivências da pesquisadora no meio docente dasescolas públicas do Ensino Fundamental quanto à carência de recursos mediadores
  • 18. 17capazes de envolver os educandos no processo de aprendizagem de forma maisenvolvente. E por considerar a Arte, uma elemento que além de atender a essecarência, constitui-se por si mesma essencial na formação de um ser humanosensível, livre, autônomo e democrático entre outros adjetivos importantes naconstrução da personalidade.Diante disso, essa pesquisa busca conhecer e refletir sobre a seguinte questão:Qual a compreensão que os professores da Escola Municipal Aristides Lopes daSilva em Filadélfia-Ba têm da importância da arte no processo de ensinoaprendizagem e como eles aplicam essas compreensões no espaço escolar em queatuam.Objetivando, de modo geral, refletir sobre a compreensão dos educadores sobre aimportância da arte nos espaços educativos; e, de modo mais específico: conheceras aspectos pedagógicos, espaço físico e condições materiais de implementação daarte-educação; discutir a aplicabilidade de elementos artísticos como mediadores noprocesso de ensino/aprendizagem e, finalmente, contribuir com a discussão daformação docente para a inclusão da arte-educação no Ensino Fundamental.
  • 19. 18 CAPITULO II 2. FUNDAMENTANDO CONCEITOSA sociedade passa por constantes transformações. Atualmente, grandes esignificativas mudanças vêm influenciando o modo de vida das pessoas, sobretudodevido ao avanço nas comunicações que tem gerado maior e mais acelerado acessoao conhecimento. A Educação, como fenômeno eminentemente social, não deixa deser influenciada por esse contexto metamorfósico, ainda que se questione se essainfluência tem sido benéfica ou maléfica. Pois, embora tais mudanças venhamacontecendo e apesar de várias iniciativas que tentam minimizar os problemaseducacionais, os resultados obtidos ainda não são satisfatórios diante das funções aque a educação se propõe.Notando-se a necessidade de uma reflexão maior sobre a educação que se tem eque mudanças se fazem necessárias para torná-la mais capaz de atender aos seuspropósitos, este trabalho dialoga com vários autores que se notabilizam pelainserção de elementos artísticos na escola e no processo educativo. E, trazemregistros históricos, com bases teóricas e práticas que podem ser objetos de estudoe reflexão. Diante disso surgem alguns conceitos chave como elementos quenortearão a discussão em torno da problemática. Quais sejam: Compreensão, SériesIniciais e Arte-educação.2.1. HISTORIANDO O ENSINO DA ARTE NO BRASILSabemos que como área do conhecimento a Arte tem por função fazer uma conexãoda arte com outras manifestações de uma mesma civilização. Portanto estudar ahistória da Arte não significa apenas estudar períodos, fatos e estilos é precisocompreender o percurso da Arte e refletir sobre os problemas e soluções artísticas eestéticas nela envolvidos.O contato com a produção artística do período pré-histórico, do Mundo Antigo, dasAméricas e mesmo do Brasil, nos faz compreender o processo artístico humano nas
  • 20. 19suas origens. Por meio das representações gráficas e esculturas que foramencontradas nos artefatos líticos, nas cerâmicas e principalmente na arte rupestre,podemos observar a evolução da arte e procurar as ligações formais, simbólica eritualística dos povos pré-históricos.As primeiras descobertas da arte pré-histórica ocorreram no século XIX, na Europa.Atualmente já se sabe que nas Américas também tivemos revelações equivalentes.Essas descobertas decorrem de pesquisas recentes e somente a partir de 1950foram divulgados alguns dos estudos.Observando as produções artísticas desde os primórdios percebe-se que elas serelacionam com a própria vida humana, com a sua realidade social, construtiva ecom os modelos de civilizações que a produziram. No Brasil a arte rupestreencontra-se em extensas áreas de nosso território, principalmente nas regiões nortee nordeste. Os grafismos e as pinturas rupestres brasileiras representam com suasimagens uma verdadeira documentação antropológica.As primeiras experiências do ensino formal no Brasil têm sua origem no períodocolonial. Assim, “As manifestações artísticas dos primeiros séculos da colonizaçãoem nosso país ocorreram com a efetivação do sistema colonial” (FUSARI, 1993,p.121), e tinham uma concepção influenciada pela intenção de solidificar adominação. Suas ideias e propostas estavam fundamentadas numa políticaeducacional que beneficiasse a coroa portuguesa. “E a vinda da ordem religiosajesuítica (1549), beneditina (1581) e franciscana (1584), que trouxeram ao Brasilvestígios de sua cultura” (FUSARI, 1993, p.121). Nesse período os responsáveispela educação, os jesuítas, e outras ordens religiosas, preocupavam-se apenas como ensino religioso e tinha como propósito catequizar os índios. Todo esse processotinha como objetivo formar seres obedientes às regras impostas pela coroaportuguesa. Sob tais circunstancias a arte e todas as demais manifestações culturaisno Brasil foram construídas “pela aculturação sistemática e intensiva do elementoindígena aos valores espirituais e morais da civilização ocidental” (MATOS, 1958, p.51, apud Ribeiro, 1998, p.18).
  • 21. 20No período Barroco, os técnicos, artesões e artistas brasileiros vão assumindoposições mais reconhecidas fazendo de sua arte um espetáculo dedeslumbramentos. Nesse período as artes apresentam mudanças de estrutura eforma, definindo os estilos do momento.No século XIX, destaca-se a influência das artes no processo político a partir dosmomentos históricos culturais vividos no país. A passagem do Brasil colonial aoBrasil independente caracterizou-se não só pelas convulsões políticas internas, maspor todo um clima de ideias e avanços estimuladores. A nova geração de intelectuaise artistas procurou nesse período os caminhos e temáticas mais atualizadas daépoca para as suas manifestações.Em 1808, a vinda da família Real para o Brasil, ocasionou mudanças significativas –o ensino passou a ser estruturado sob a influência das ideias liberais propagadaspelo iluminismo e pela República Francesa; os antigos métodos dos jesuítascomeçaram a ser questionados diante de uma nova mentalidade que se propagava,principalmente, por artistas e intelectuais que receberam formação na Europa.Influenciados pela missão Francesa, que chegou ao Brasil em 1816, pintoresbrasileiros seguiram os esquemas neoclássicos adaptando-os aos assuntosnacionais. É nessa época que a arte se dissocia do principio da religiosidade emove-se pelos princípios estéticos. No entanto, Segundo Fusari (1993). Todavia, as manifestações artísticas não são necessariamente traduções literais de uma linha estética dominante ou da “moda”; mas por estarem conectadas a um contexto sociocultural, elas incluem sempre um posicionamento estético do artista evidenciado em sua obra. (p.53).Dessa forma, a arte introduzida no ensino brasileiro cada vez mais se distância danossa arte popular. Vê-se muito mais comumente praticada nas escolas tanto como“educação artística” quanto como elemento mediador esporadicamente utilizado noensino de competências diversas, uma arte mais elitizada como se houvesse aintenção de que os alunos assimilem uma proposta já convencionalmente preferidapela sociedade, filtrando e relegando ao descaso as possibilidades de criaçãopróprias dos alunos. Um bom exemplo disso é o caso do grafite que durante muitotempo era considerado ato de rebeldia praticado por adolescentes dos centros
  • 22. 21urbanos que certamente não tinham oportunidade de praticar na sala de aula oudentro dos muros da escola. Chegando até mesmo a se constituir, em algunslugares, um sério problema de segurança. No entanto é hoje uma forma artísticareconhecida e fortemente utilizada como expressão popular e ornamento de áreasurbanas e até de espaços públicos e privados onde predomina o mais requintadopadrão estético.Com o fim da escravidão e a Proclamação da República no Brasil os positivistas eliberais ansiavam por mudanças na sociedade e buscavam na educação o meio deconcretizar seus ideários. Nesse período os liberais já percebem a arte como técnicapara o mercado de trabalho. Os liberais representados pelo brasileiro Rui Barbosa, oqual propôs através de suas reformas educacionais, a implantação do ensino dodesenho no currículo escolar com o objetivo de preparar o individuo para o trabalho.O ensino de arte, no Brasil ganhou grande ênfase após a Semana da Arte Moderna(1922) com a ideia de livre expressão (expressionismo) protagonizada por AnitaMafalde e Mario de Andrade que acreditavam no ensino da arte com finalidade muitomais profunda de modo a explorar a criatividade da criança e a expressãoespontânea de seus sentimentos, e, não apenas como um conteúdo a ser ensinado.Como discorre Barbosa (1975): A ideia da livre-expressão, originada no expressionismo, levou à ideia de que a Arte na educação tem como finalidade principal permitir que a criança expresse seus sentimentos e à ideia de que a Arte não é ensinada, mas expressada. Esses novos conceitos, mais do que aos educadores, entusiasmados artistas e psicólogos, que foram os grandes divulgadores dessas correntes e, talvez por isso, promover experiências terapêuticas passou a ser considerada a maior missão da Arte na Educação (p.45).Por volta de 1930 surge no Brasil o movimento denominado Escolanovismo ou“Escola Nova”. Esse movimento acredita que a educação é o principal elementoeficaz para assumir a organização de uma sociedade mais democrática levando emconsideração as diversidades e respeitando a individualidade do sujeito. Oseducadores que adotam essa concepção consideram que o ensino aprendizagemdeveria ser assegurado ao individuo integrando os princípios da construção daautonomia formando um cidadão atuante e democrático.
  • 23. 22Em 1948 foi fundada a Escolinha de Arte no Brasil (EAB) sendo logo depoisdenominada – Movimento Escolinhas de Arte (MEA), composta por um conjunto de140 escolinhas espalhadas por todo o país que “abriu novos horizontes para novasconcepções, e o objetivo mais difundido da Arte-Educação passou a ser, entre nós,o desenvolvimento da capacidade criadora em geral” (BARBOSA, 1975, p. 46).O sistema educacional brasileiro tem percorrido caminho de muitos avanços eretrocessos, e ainda é possível encontrar ranços de uma abordagem autoritária deconcepção jesuítica na prática de professores de artes em escolas que veem estadisciplina apenas como uma a mais no currículo regular.2.2. COMPREENSÃOA função docente é, por sua própria natureza, reflexiva. O educador é um pensador,um formador de opinião, um transformador social. Educar é entre outras coisas,encampar a luta pelas melhorias sociais e “Ninguém luta contra forças que nãocompreende cuja importância não mede cujas formas e contornos não discerne.”(FREIRE, 1987, p. 41).Portanto, compreensão é fundamental no exercício das funções docente. Semcompreensão não há educação, porque não há intenção nos atos didáticos, não hápropósitos. Sem compreensão a ação pedagógica perde o sentido, o motivo e adireção.Diante da diversidade de competências que envolvem os processos educativos, damultiplicidade de fatores que interferem nos resultados da ação didática, bem comodas constantes mudanças contingenciais do ambiente e do momento educacional, acompreensão torna-se o elemento de maior importância na prática pedagógica, e,consequentemente na competência dos educadores. Para garantir a sensatez e acoerência necessárias às ações de articulação do processo de ensino-aprendizagem. Sacristán (1998) diz que:
  • 24. 23 Sem compreender o que se faz, a prática pedagógica é mera reprodução de hábitos existentes, ou respostas que os docentes devem fornecer as demandas e ordens externas. Se algumas ideias, valores e projetos se tornam realidade na educação é porque os docentes os fazem seus de alguma maneira: em primeiro lugar, interpretando-os, para depois adaptá- los. (p.09)Diante das mudanças, nas formas de pensar, agir e fazer das novas gerações e dastransformações do modo de vida, o educador é desafiado a cada dia, a adaptar-secomo resposta às novas formas de ver e ser dos indivíduos, da sociedade e daprópria instituição escolar e ou dos sistemas de ensino.Educar é, portanto, um exercício constante de compreensão a cerca dacomplexidade do cotidiano escolar, que envolve a reflexão e o domínio deconhecimentos relacionados aos métodos, aos conteúdos, às circunstâncias, e,principalmente ao momento social e emocional de cada um dos entes envolvidos noprocesso, desde o próprio educador, os educandos, suas famílias e até acomunidade da qual fazem parte.Tal contexto exige do educador a revisão frequente do seu papel enquanto mediadordo conhecimento à luz de vários segmentos da ciência e das competênciashumanas, inclusive da arte.A arte, por sua vez deve ser introduzida no processo educativo sempre sob profundareflexão compreendendo seu sentido e sua importância na formação do ser humano.Segundo Sacristán (1998), A função do professor/a será facilitar o contexto de compreensão comum e trazer instrumentos procedentes da ciência, do pensamento e das artes para enriquecer esse espaço de conhecimento compartilhado, mas nunca substituir o processo de construção dialética desse espaço, impondo suas próprias representações ou cerceando as possibilidades de negociação aberta de todos e cada um dos elementos que compõem o contexto de compreensão comum (p.64).Nesse sentido criar um espaço de compreensão comum exige um compromisso departicipação por partes dos alunos e do professor num processo aberto decomunicação, pois compreender a vida na sala de aula é um requisito necessáriopara evitar a arbitrariedade na intervenção formando uma espiral na qual ambosestimulam-se mutuamente. Morin (2005) afirma que:
  • 25. 24 A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mutuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades; esta deve ser a tarefa da educação no futuro. (p.104).Partindo desse pressuposto, a compreensão vai além de buscar explicações sobreos problemas que acontecem no cotidiano escolar, é sentir procurando compreendera que fim chegou determinado problema. Pois a escola é o lugar onde professores ealunos juntos adquirem conhecimentos, é um espaço onde a aprendizagem écontínua e que deve dar oportunidade para que os alunos tenham a capacidade emdesenvolver habilidades para facilitar a compreensão dos fatores sociais, culturais eeconômicos, para que eles possam está apto a intervir na comunidade na qual estáinserido. Ao realizar suas tarefas básicas, a escola e os professores cumprindo responsabilidades sociais e políticas. Com efeito, ao possibilitar aos alunos o domínio dos conhecimentos culturais e científicos a educação escolar socializa o saber sistematizado e desenvolve capacidades cognitivas e operativas para a atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista dos direitos de cidadania. (LIBÂNEO, 1994, p.33)Assim, o educador que prioriza uma educação de qualidade considerando-a comoum compromisso social necessita está sempre revendo sua postura em sala de aulae promovendo uma educação que valorize sua cultura, abrindo espaço para oconhecimento e inter-relações com outras diferentes culturas e “compreender a teiade relações que se estabelece dentro da escola, a partir do reconhecimento de queesta como uma instituição social, é construída pra sujeitos sócio culturais e,consequentemente, é um espaço da diversidade étnico-cultural”. (DAYRELL, 1996,p. 85).Lamentavelmente, não obstante a escola seja uma instituição designada paradesenvolver a socialização dos sujeitos, ainda se mostra extremamente reacionária,pois a mesma às vezes impede que os alunos menos favorecidos desenvolvam oseu potencial de vida, pois não há uma linguagem e muito menos conteúdocondizente com seus problemas e sua realidade. Neste sentido, Vasconcelos (2000)salienta que:
  • 26. 25 O processo de ensino-aprendizagem pode ser assim, sintetizado: o professor passa para o aluno, através do método de exposição verbal da matéria, bem como de exercício de fixação e memorizado, os conteúdos acumulado culturalmente pelo homem, considerados como verdades absolutas. Nesse processo predomina a autoridade do professor enquanto o aluno é reduzido a um mero agente passivo. Os conteúdos por sua vez, pouco tem a ver com a realidade concreta dos alunos, com sua vivência, os alunos menos capazes devem lutar para superar as dificuldades, para conquistar seu lugar junto aos mais capazes (p.18).Nesse caso, ao considerar essa realidade pode se perceber que o professor é vistoa partir de uma visão tecnicista, ou seja, alguém que adquiriu habilidades paradesenvolver sua função mecanicamente e o aluno como um receptor no qual osconhecimentos são depositados.2.3. SÉRIES INICIAISAs séries iniciais do ensino fundamental normalmente atende a crianças de (06 a 11anos), sendo essas séries o ponto de partida na formação intelectual e emocional dacriança, é o inicio da conquista, do crescimento e da autonomia, por isso, aconstrução da criticidade tem seu inicio nesse período.Nessa etapa, dando continuidade às atividades desenvolvidas na Educação Infantil,o educando começa a receber a sua primeira educação formal, planejada esistematizada. Essa aprendizagem é primordial na vida escolar da criança, são nasséries iniciais do Ensino Fundamental que eles desenvolvem suas habilidades emadquirir diversos conhecimentos. Mello (1987) diz que: É nas séries iniciais, que a escola básica precisa garantir a todos condições para aprender a ler, escrever, contar e operar com as nações de ciências em geral, e nas séries mais avançadas deverá se voltar para o aprimoramento no domínio da linguagem, o aprofundamento dos conhecimentos científicos a integração entre reflexão e trabalho. (p.91).Portanto é a partir das séries iniciais que os alunos começam a construir suaidentidade e autonomia. Além disso, é onde eles desenvolvem suas capacidadesfísicas e mentais, usando sua imaginação e criatividade para desenvolver saberesessenciais para sua vida em diferentes contextos. (família, escola e grupos sociais)Abramawicz (1987), afirma que:
  • 27. 26 A escola primária tem sua finalidade soberana: ensinar a criança a pensar. “Pensar e Criar”. Há um mundo físico para ser identificado: uma sociedade e uma pátria para delas participarmos responsavelmente; uma sensibilidade para ser aflorada, apurada e enriquecida. A escola primária é que apresenta as primeiras condições ordenadas para esse difícil e permanente aprendizado. (p. 107).Nesse sentido, é importante que nas séries iniciais do Ensino Fundamental a escolacumpra o papel de oferecer condições necessárias e propiciar oportunidades detrabalhar artes desenvolvendo um processo de ensino aprendizagem mais prazerosoe significativo para os alunos. Pois a arte é uma das formas mais eficazes paraenvolver os educandos nas atividades, e esta está intimamente ligada ao modo deser e viver da criança, rico de imaginação e fantasia.O processo de aprendizagem, mediado por alguma modalidade artística, possibilitauma melhor integração e construção de um conhecimento conjunto entre os alunose os professores. Para tanto, o professor precisará estar preparado, tendoconhecimento dos fundamentos básicos da arte enquanto campo de conhecimentoresgatando-lhe o verdadeiro sentido e uma prática educativa criativa e envolvente.Assim, é papel da escola e do professor, refletir sobre os elementos da arte nosâmbitos regional, nacional e internacional, compreendendo também de maneiracrítica inclusive aquelas produzidas pela mídia para promover a difusão doconhecimento artístico entre os educandos bem como as possibilidades doenvolvimento destes com alguma forma de arte já nas séries iniciais do EnsinoFundamental.De acordo com os PCNs de Artes (2001). O Ensino Fundamental configura-se como um momento escolar especial na vida dos alunos, porque é nesse momento de seu desenvolvimento que eles tendem a se aproximar mais das questões do universo do adulto e tentam compreendê-las dentro de suas possibilidades. Ficam curiosos sobre temas como a dinâmica das relações sociais, as relações de trabalho, como e por quem as coisas são produzidas. (p.48).A escola e os educadores das séries iniciais necessitam de uma visão ampla acercada importância da arte, como ajuda no desenvolvimento infantil, como algo queauxilia a criança na construção de sua identidade individual e social. Considerando oaluno como sujeito que se ocupa de realizar atividades de estudo relativas a um
  • 28. 27aprendizado qualquer. É para ele que existe a escola, e esta deve adaptar-se ao seucontexto e necessidades e encará-lo como um ser humano em crescimento comsuas capacidades, limitações e interesses. Diante disso Sacristán (1998). Considera que para compreender o que realmente acontece nos processos de ensino-aprendizagem, deve se levar em conta que o aluno/a também influi nos resultados daqueles processos, como consequência de suas elaborações pessoais. (p.74)Uma escola contextualizada á realidade dos educandos cria na sala de aula umespaço de conhecimento compartilhado. Pois é tarefa do professor facilitar aparticipação de todos nesse processo de ensino aprendizagem visto que oaprendizado do aluno é consequência também de sua própria participação na salade aula e a arte, se bem trabalhada, pode ser importante na conquista dessaintegração.Assim é de fundamental importância que o professor das séries iniciais do ensinofundamental se aproprie de um preparo pedagógico que consiga alcançar asnecessidades e interesses dos alunos contextualizando com a realidade dessessujeitos, valorizando os conhecimentos que eles já possuem. Se a experiência emsala de aula proporciona um clima de respeito mutuo, valorizado e o sentimento deque todos pertencem àquela comunidade, os alunos tendem a participar mais doprocesso da aprendizagem.2.4. ARTE - EDUCAÇÃOAtualmente o termo Arte-Educação vem sendo bastante empregado no vocabulárioeducacional para substituir a designação convencional – Educação Artística,designada no sistema formal de ensino brasileiro pela LDB 5.692/71. O termo Arte-Educação utilizado na LDB 9.394/96 é reconhecido até mesmo fora do sistemainstitucional ao longo dos últimos anos ocupando um espaço equivalente ao anterior.Entretanto, pode-se perceber que essas nomenclaturas não são assumidas sob amesma compreensão. Suas diferenças consistem basicamente, no postulado dediferentes concepções teóricas de ensino de arte, embora compartilhem a mesmafinalidade que é a arte dentro do sistema formal de educação. Os PCNs de Arte
  • 29. 28chamam atenção para o fato que “em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional, a arte é incluída no currículo escolar com o título de EducaçãoArtística, mas é considerada “atividade educativa” e não disciplina, tratando demaneira indefinida o conhecimento”. (BRASIL, 2001, p.28).No Brasil, a educação pela arte foi divulgada a partir das ideias do filósofo inglêsHerbert Read (1948) e apoiada por educadores, filósofos psicólogos e artistas, quedestacam a arte não apenas como uma das metas da educação, mas também comoparte integrante de seu próprio processo, “A educação Através da Arte é, naverdade, um movimento educativo e cultural que busca a constituição de um serhumano completo, total, dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático”(FUSARI, 1993, p. 15).Portanto, o termo Educação Artística torna-se inapropriado por carregar aquelaconcepção de educação para as artes marcada pela superficialidade e generalidade,assim cedendo lugar à, já convencionada, expressão – Arte-educação.A arte, sendo assim, é apontada como um caminho libertador e gerador deautonomia, e o seu ensino ganha, sob esta perspectiva, inconfundível valor social.“O universo da arte caracteriza um tipo particular de conhecimento que o serhumano produz a partir das perguntas fundamentais que desde sempre se fez comrelação ao seu lugar no mundo”. (PCNs, 2001, p. 32). Fusari (1993, ibdem),aprofunda essa compreensão salientando que a educação através de arte valoriza“no ser humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos, procura despertar suaconsciência individual, harmonizada ao grupo social ao qual pertence”.Partindo desse pressuposto podemos dizer que a arte é um instrumento socialeducativo e cultural que busca caracterizar-se pelo posicionamento idealista àprocura de um caminho para uma relação subjetiva com o mundo como defineBarbosa (2009), a Arte não é apenas básica, mas fundamental na educação de um país que se desenvolve. Arte não é enfeite. Arte é cognição, é profissão, é uma forma diferente da palavra para interpretar o mundo, a realidade, o imaginário é conteúdo, a arte representa o melhor trabalho do ser humano (p.61).
  • 30. 29Portanto, é importante compreender a arte educação como um elo entre o sujeito e oque acontece na sociedade, buscando romper com as práticas antiquadas econservadoras. Pois sendo a arte um forte elemento de formação social e aeducação um amplo campo para a interferência e transformação da sociedade, pesasobre o arte-educador, necessariamente, a exigência de enxergar e tratar oseducandos, concomitantemente, como agentes e objetos dessa transformação, sobpena de reduzi-los à categoria de alienados.Fusari (1993) chama a atenção para o fato que a arte mostrar-se atualmente comoum movimento educativo à procura de novos métodos para o seu próprio ensino ede busca de significado para a vida. Esse movimento propõe uma prática educativacriadora, ativa e centrada no ser humano. Com isso também concorda Duarte Junior(1991) que diz: Arte-educação não significa o treino para alguém se tornar um artista. Ela pretende ser uma maneira mais ampla de se abordar o fenômeno educacional, considerando-o não apenas como transmissão simbólica de conhecimentos, mas como um processo formativo do humano. Um processo que envolve a criação de um sentido para a vida, e que emerge desde os nossos sentimentos peculiares (p.12).Sob essa linha de pensamento, entende-se a arte como a concretização dossentimentos em formas expressivas que consiste num meio de acesso à dimensãohumana não passiva de simbolização conceitual. Pois através da arte que somoslevados, entre outras coisas, a conhecer nossos sentimentos e emoções.Além do aspecto afetivo/emocional, a arte favorece a mente humana tranquilidade ediversão, ela exerce uma forte influência no desenvolvimento emocional dapercepção. Nela o ser humano também pode encontrar diversas formas atraentes,motivadoras para a construção do conhecimento. Assim, no Ensino Fundamentaldeve priorizar as atividades relacionadas à arte, conduzindo a prática do ensino deuma forma prazerosa. Conforme Camargo (1940.) A arte é uma atividade integradora da personalidade. Fazendo arte, a pessoa usa seu corpo, sua percepção, seus conceitos, sua emoção, sua intuição – tudo isso em uma atividade que não a divide em compartimentos, mas, ao contrário, integra os vários aspectos da personalidade (p. 14).
  • 31. 30A arte é uma atividade fundamentalmente humana intencional e criativa por meio daqual o sujeito cria formas significativas (visuais, sonoras, cênicas e corporais). Porisso a arte não pode estar fora da escola. Visto que, a educação deve ser vista comoum processo global, progressivo e permanente.No entanto é perceptível a carência de instrumentos metodológicos e recursosincentivadores que tornem as aulas mais participativas e interessantes, pois muitasvezes a busca do conhecimento perde seu encanto quando não há um envolvimentodinâmico, consequentemente o educando perde a motivação. Assim, a inclusão daarte no processo pode se configurar, também o atendimento dessa carência.
  • 32. 31 CAPITULO III PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOSA realização de uma pesquisa constitui-se na tentativa de descoberta da realidadepor meio da confrontação dos dados e das respostas adquiridas através do temaproposto pelo pesquisador no seu campo de estudo. Isso dar-se pela busca doconhecimento e de informações mais aprofundadas sobre a temática estudada.Assim o pesquisador direciona a sua atividade de pesquisa na busca da resposta àsua questão nascida da inquietação vivenciada seja no campo acadêmico seja naexperiência profissional, que, neste trabalho, se manifesta como conhecer acompreensão que os professores têm da importância da arte no processo de ensinoaprendizagem e como eles aplicam essas compreensões no espaço escolar em queatuam.3.1. A NATUREZA DA PESQUISAA pesquisa tem caráter qualitativo, que atende bem aos propósitos de análises dosfenômenos e processos educativos dentro das ciências humanas. Baseia-se nasinvestigações teóricas de trabalhos já publicados sobre temas afins, bem como emcontato direto com o espaço e a prática educativa onde o fenômeno pesquisadoocorre como sugerem Bogdan e Biklen (1982, p. 110), “a pesquisa qualitativa supõeo contato prolongado com o ambiente e a situação que está sendo investigada, viade regra, através do trabalho intensivo de campo”.3.2. INSTRUMENTOS DE COLETAForam utilizados três instrumentos de coleta, sendo que um corrobora com o outronas análises dos resultados.
  • 33. 323.2.1. Questionário fechadoO questionário fechado, apesar de sua simplicidade, é muito importante para traçar operfil dos sujeitos e a sua relação com o tema em questão. O modelo utilizado netapesquisa elaborado em forma de formulário, prático, podendo ser respondido empoucos minutos, segue a sugestão de Gressler (1989), defendendo que “umquestionário deve ser simples, direto e rápido de responder, devendo assegurar aosutilizadores que os dados recolhidos serão preservados e não serão cedidos aterceiros”.3.2.2. Entrevista semiestruturadaEste instrumento possibilitou maior acesso as informações de relevância para apesquisa. Pois “a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagemdo próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver uma ideia sobre a maneiracomo os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (BOGDAN E BIKLEN 1994, p.134). A coleta foi realizada com o auxilio de um gravador de voz, permitindo acaptura de 100% das falas dos entrevistados, assegurando a integridade dosdiscursos bem como as alterações na entonação de voz, por vezes importantes naanálise dos dados.3.2.3. Análise documentalConsistindo-se na busca de elementos materiais que documentam o fenômenopesquisado, esse instrumento é utilizado como verificador das informações bemcomo, indicador dos aspectos relacionados à quantidade e qualidade da prática,fenômeno ou objeto. Sua abundância, sua escassez e, até mesmo a suainexistência pode ser analisada na busca dos resultados ou efeitos da práticainvestigada.Guba e Lincoln (1981) apud Lüdke e André (1986), dizem haver uma série devantagens para o uso de documentos na pesquisa qualitativa educacional,destacando o fato de que os documentos constituem uma fonte estável e rica.
  • 34. 33Persistindo ao longo do tempo, os documentos podem ser consultados várias vezese, inclusive, servir de base a diferentes estudos, o que dá mais estabilidade aosresultados obtidos.Citando Phillips (1974, p.187), Lüdke e André (1986 p. 38), defendem comodocumentos válidos para a pesquisa, “quaisquer materiais escritos que possam serusados como fonte de informação sobre o comportamento humano.” Portando,foram analisados: todo e qualquer material encontrado no lócus ou relacionado aele, que comprovassem a prática de uma pedagogia voltada para o incentivo à arteou que a utilize como recurso mediador da aprendizagem como: tarefas, objetosconfeccionados pelos alunos, pastas e arquivos dos alunos, materiais expostos noambiente escolar, produções textuais, e outros.3.3. LÓCUS DA PESQUISAO lócus possibilita uma abertura para atender as investigações do pesquisador. Énesse espaço que os sujeitos demonstram seus sentimentos e subjetividades e dãolegitimidade às suas representações.Assim a instituição escolhida para a realização dessa pesquisa foi a EscolaMunicipal Aristides Lopes da Silva, localizada na Rua João Rodrigues Costa, BairroNovo, na cidade de Filadélfia/BA. A escola faz parte da rede pública municipal deensino, e trabalha com o Ensino Fundamental, do 1º ao 7º ano. Temaproximadamente, 355 alunos distribuídos em três turnos de funcionamento,incluindo o trabalho com a EJA-Educação de Jovens e Adultos, no turno noturno. Ocorpo docente é formado por 15 professores.
  • 35. 343.4. SUJEITOSOs sujeitos são elementos fundamentais na pesquisa qualitativa pois é,principalmente, através da descida ao campo que o pesquisador obtém asinformações que busca para responder à questão.A pesquisa toma como sujeitos, os professores do Ensino Fundamental que atuamnas turmas do 1º ao 5º ano da escola Municipal Aristides Lopes da Silva cujaescolha deveu-se, principalmente ao fato de tratar-se de profissionais que atuam narede pública de ensino, trabalhando com as séries iniciais do Ensino Fundamentalque corresponde à habilitação do Curso que pré-requisita esse trabalho deconclusão.3.5. ANÁLISE DOS DADOSA análise de dados, neste trabalho deu-se pela observação cuidadosa dos fatos,pela reflexão sobre as informações colhidas através dos instrumentos de coleta queforam selecionadas e ou agrupadas de acordo com os objetivos aqui propostos.Bem como, através do cruzamento das informações e a confrontação comdocumentos existentes ou não, Procurando resguardar a privacidade dos sujeitos ea imparcialidade investigativa.
  • 36. 35 CAPITULO IV 4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÂO DOS DADOS.Neste capitulo, apresentaremos a análise e interpretação dos dados coletados, pormeio dos instrumentos de coleta aplicados na garimpagem de informações no lócuse nas falas dos sujeitos desta pesquisa. Foram utilizados como instrumento decoleta de dados a análise documental, o questionário fechado e a entrevistasemiestruturada aplicada a sete das docentes das séries iniciais do EnsinoFundamental da Escola Municipal Aristides Lopes da Silva, em Filadélfia-BA.Nessa análise de dados, tem-se inicialmente, uma interpretação do questionáriofechado, refletindo sobre o perfil dos sujeitos e a sua relação com o tema emdiscussão, seguido da interpretação dos dados obtidos na entrevista e na análisedocumental.4.1. PERFIL DOS DOCENTES.Com o intuito de mostrar o perfil socioeconômico dos sujeitos, foi elaborado umquestionário fechado, cujas questões esclarecem sobre a formação do pesquisado,como também seus hábitos e atividades relacionadas à sua prática. Apresentamosa seguir os resultados expostos em gráficos.4.1.1 GêneroChama a atenção ao traçar o perfil dos sujeitos da pesquisa, a homogeneidadeobservada quanto ao gênero, uma vez que 100% são do sexo feminino. Esse dadoevidencia a tendência da sociedade brasileira em que o gênero feminino aindaprevalece na carreira do magistério, principalmente no exercício da docência, queneste caso chega à totalidade (100%) das entrevistadas. Tomando essa realidadepor base, fica cada vez mais clara a importância da mulher na educação. Pois, alémde sua contribuição na educação informal no papel de mãe, nota-se a suapredominância no ensino formal de séries iniciais do Ensino Fundamental.
  • 37. 36Biasoli (1999) aborda a questão da feminização do magistério que, “desde a décadade 1960 vem sendo analisada por estudos que enfocam o tema sob vários aspectos”citando entre outros autores, Hypólito (1997), que aponta para a necessidade de repensar aspectos históricos referentes às situações tanto de classe quanto de gênero; de uma análise da profissão docente com base no perfil social dessa profissão e na feminização da profissão. (BIASOLI 1999, P. 121)Biasoli (1999) faz uma análise baseada nas relações de classe e de gênerodestacando que é fundamental para a compreensão do memento atual porquepassa a profissão docente. E salienta o que também pode ser confirmado por estetrabalho – “as evidencias da feminização no magistério são bem maiores no EnsinoFundamental e Médio da educação básica e no ensino superior, principalmente noscursos de formação de professores – as licenciaturas” (p. 121).4.1.2. Faixa etáriaReferindo-se à faixa etária dos sujeitos, como bem demonstra a figura abaixo, foiconstatado que 43% das participantes encontram-se entre 31 e 35 anos; 43%, entre40 e 45 anos e 14% entre 45 e 50 anos de idade.FIGURA 01: Faixa Etária dos SujeitosFONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)Percebe-se na figura acima que o conjunto dos sujeitos está dividido principalmenteentre os que possuem menos de 35 anos e os que já passam dos 40, contudo,nenhuma particularidade foi observada na forma de responder à pesquisa que fosseatribuída a essa diferença de idade.
  • 38. 374.1.3 Formação do docenteA pesquisa comprova que as professoras pesquisadas, buscam progressivamentemelhorar a formação, o que pressupõe uma possível preocupação com um maioraperfeiçoamento na prática educativa. Percebe-se que 14% das professoraspesquisadas possui pós-graduação em Psicopedagogia, 29% são graduadas emPedagogia 43% graduandas em Letras Vernáculas, sendo que apenas 14% possui oensino médio – Magistério. FIGURA 02: Formação dos sujeitos FONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)Como está ilustrado na figura acima. Percebe-se que a maioria já possui graduaçãoou estão se graduando, isso permite presumir tratar-se de pessoas que têm buscadoformação sobre o processo de ensino aprendizagem, e das propostas de variaçãometodológica previstas inclusive nos PCNs como foi discutido no Capítulo II destetrabalho. Cabendo-lhes trazer metodologias novas para sua prática.4.1.4 Tempo de atuação FIGURA: 03 Tempo de Experiência 29% 29% 6 a 10 anos 11 a 15 anos Acima de 16 anos 42% FONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)
  • 39. 38Observando a figura acima, nota-se que a equipe docente que colaborou com essapesquisa possui tempo considerável de experiência de atuação no magistério.Sendo que 29% delas já trabalham de seis a dez anos na docência, 42% de onze aquinze anos e 29% acima de 16 anos. Este é, sem dúvida, um fator importante parao contexto da pesquisa, pois o desempenho do profissional da educação pode serinfluenciado pelo seu tempo de experiência. A maturidade profissional deve resultar,naturalmente, no aprimoramento das habilidades, como prevê a LDB (BRASIL,1996), no (Art. 67, paragrafo único) que diz: “a experiência docente é pré-requisitoprofissional de quaisquer outras funções de magistério”.4.1.5 Jornada de trabalhoA função docente implica uma série de atividades peculiares antes, durante e apósas aulas, a preparação das aulas e dos materiais de apoio pedagógico, bem como aaplicação e correção de instrumentos de avaliação, requer grande dispêndio deenergia e tempo, indispensável ao bom desempenho profissional.Considerando a importância da jornada, esse trabalho possibilitou o levantamentoda carga horária exercida pelos docentes pesquisados e constatou que 43%desenvolve seu trabalho em apenas 20 horas semanais e 57% desdobra essafunção em 40 horas, inclusive em outro município, que acarreta implicações sérias, aexemplo da falta de tempo para planejamento, falta de entrosamento entre oscalendários das diferentes escolas onde trabalha, além dos fatores relacionados adeslocamento que ocasionam cansaço físico e mental, dando à atividade educativa,um grau de exaustividade muito mais elevado que o que normalmente já éreconhecido. A figura abaixo permite visualizar melhor esses dados. FIGURA: 04 Carga horária semanal FONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)
  • 40. 394.1.6. Frequência no uso de atividades artísticasA pesquisa buscou conhecer a frequência das atividades de cada modalidadeartística utilizado pelas docentes, sendo que apenas quatro das entrevistadasinformaram a ordem de frequência em que utilizam elementos artísticos na sala deaula. FIGURA: 05 Dados da Frequência no uso de elementos artísticos Dados da Frequência no uso de elementos artísticos Quant. Ordem de frequência de utilização na preferencia das docentes Elemento Professoras artístico que utilizam 1ª opção 2ª opção 3ª opção 4ª opção 5ª opção 6ª opçãoPoesia 4 1 1 1 1Pintura 6 1 1 1Música 5 1 2Dança 2 1 1Colagem 6 1 1 1Dobradura 4 1 1Teatro 1 FONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)Como mostra o quadro acima, os dados da pesquisa mostram grandeheterogeneidade na preferência das professoras quanto a essa questão. Nota-seque a música (uma professora), seguida de colagem (uma professora) e da poesia(uma professora) são as atividades artísticas que lideram a preferência dasprofissionais do magistério como mediadores na prática educativa, possivelmentepela acessibilidade aos recursos e pela afinidade com os métodos mais tradicionais.4.2. ANÁLISE DA ENTREVISTAComo forma de aprofundar o conhecimento da compreensão das profissionais quecolaboraram com a pesquisa, foram realizadas entrevistas buscando entender comoelas refletem sobre o tema em estudo, e, como aplicam essas compreensões emsua experiência educativa tomando a arte como aliada no processo de ensinoaprendizagem no espaço escolar em que atuam.
  • 41. 40Ressalta-se a importância das entrevistas no processo investigatório da pesquisa.Pois, além das palavras utilizadas pelas entrevistadas para responder às questõescolocadas, pode-se interpretar o tom de voz e as ênfases dadas em cada momento,refletindo muitas vezes, certa insegurança em alguns depoimentos, cujas respostasapresentam definições vagas e ou inconclusas sobre suas compreensões.Partindo dos dados colhidos, e recorrendo ao conteúdo bibliográfico que fundamentaesse trabalho, justifica-se neste ponto um espaço para a análise e interpretação dasfalas dos sujeitos. Para tanto, foram atribuídas legendas de identificação dosfalantes, para preservar a identidade pessoal dos sujeitos e assegurar-lhes aprivacidade das informações. Assim, tratando-se de sete entrevistadas, cada sujeitofoi designado pela insígnia P (inicial de professora) seguida de um numeral que aidentifica, dentro da sequência de um a sete (P1= professor 1, P2 = Professor 2,...).4.2.1. A compreensão dos professores sobre arteAs compreensões dos professores sobre arte são bastante diversificadas, emboracomplementares, inclusive com ênfase em aspectos mais contemplativos eromânticos de seus efeitos na vida humana como vemos a seguir: P 1 - A arte é um privilégio, um meio de aproximação e conhecimento entre os seres. Porque ela permite um reconhecimento das diferenças e semelhanças de diversas culturas; P 2 - “... é um conjunto de atividades criadoras que expressam sensações ou ideias, ou seja, são habilidades que expressam sentimentos; P 3 - A arte é cultura é o conhecimento de que todos nós necessitamos, é um saber para poucos. Geralmente a arte faz parte da nossa vida; P 4 - “ ... estimula a criatividade e a aprendizagem do aluno; P 5 - “...é a manifestação de saberes e culturas de forma dinâmica”; P 6 - “Vejo a arte de forma dinâmica, é a retratação da vida de forma bem representada; P 7 - É a oportunidade que as pessoas têm para expressar seus gostos, sentimentos, pensamentos e emoções através de cores, riscos, rabiscos, criações, apresentações e representações.
  • 42. 41Percebe-se nas falas das docentes, compreensões da arte como cultura (P1, P3 eP5); conhecimento (P1 e P2); ideias e sentimentos (P2 e P7); representação (P6); ecriatividade (P4 e P7). É importante destacar que este amadurecimento pode estartanto relacionado ao crescente processo de formação docente, como a consolidaçãoda arte como área de conhecimento.Por essas relações, pode-se inferir que as educadoras pensam a arte sobperspectivas muito mais importantes do que a mera realização de atividadesrepetitivas e vazias de objetivos, mas como algo que envolve a criatividade, ossentimentos, os pensamentos entre outros aspectos ligados à cognição, àafetividade e à sociabilidade humana. Seus discursos afinam-se com o pensamentode Barbosa (2009) que compreende que. A arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento. Pelas artes, é possível desenvolver a percepção e a imaginação, aprender a realidade meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada. (p.5).Seguindo o raciocínio de Barbosa, é possível imaginar o valor do uso da arte naprática educativa, ou, melhor ainda, o prejuízo de sua não utilização. Em umageração tão informada e informatizada, onde os meios de comunicação são tãoacessíveis em que os educandos são formados de maneira muito mais rápida eeficiente que os educadores devido à sua disponibilidade de tempo, e ao aceso àsdiversas formas de mídia através das quais contatam o mundo artístico e são por eleenvolvidos. A escola se torna muitas vezes o único ambiente que parece estardesconectado de seu modo de ver e viver a vida. Indubitavelmente, essa posturapode estar trazendo grande prejuízo para o processo educativo.4.2.2 A importância da arte no processo de ensino aprendizagem.As educadoras reconhecem a importância da arte no processo de ensinoaprendizagem, todavia, muito mais visualizando os resultados de seu uso do queatribuindo ou discutindo quaisquer conceitos.
  • 43. 42Entretanto, analisando as suas falas nota-se que acreditam que “a arte éimprescindível no ensino aprendizagem” (P2), porque, entre outras coisas, a arte éuma forma de “o aluno desenvolver a criatividade, o senso crítico e é também umaforma de comunicação com o mundo” (P1). A docente P3, fala do caráterinterdisciplinar da arte – “poderá envolver todas as disciplinas possibilitando a cadaum apreciar, analisar, compreender, criticar e criar”. E, a P6 vê a arte “como umatécnica de conhecimento dentro de uma perspectiva promissora, capaz de levar oindividuo a articular suas próprias ideias de forma satisfatória”. Já P7, afirma que “oestudo e a prática da arte faz com que as pessoas façam uma leitura de mundo maisampla e diferente levando-as à observação e a imaginação fazendo com quepensem”, relembrem, interpretem e “viajem”.Encontra-se neste aspecto uma relação na compreensão das entrevistadas com aproposta apresentada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 2001)prevendo que. O conhecimento da arte abre perspectiva para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar referências a cada momento, ser flexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender. (p.20,21).Por recortes como esse, vê-se que os sujeitos dessa pesquisa trazem respostasafinadas com a discussão corrente sobre o tema: “ensino de arte”, consequência,sem dúvida da abordagem política do assunto oferecida nos cursos de formaçãopara a docência. No entanto, sentem-se carentes de uma formação específica paraa atuação prática da Arte na sala de aula. É neste sentido que devemos tornar oensino de arte uma prática significativa para quem dela participa. Assim cabe aoeducador redirecionar a sua atenção no sentido de buscar condições necessáriaspara que a arte possa ter um valor significativo no processo de ensino aprendizagemdentro do espaço escolar.
  • 44. 434.2.3 Dificuldades encontradas para trabalhar arte na sala de aula.Sobre as dificuldades encontradas na inclusão da arte no processo educativo, asentrevistadas respondem com unanimidade que a falta de material é o entraveprincipal – “muitas vezes a gente começa trabalhando, tem materiais, mas quandovai chegando ao final do ano vai dificultando”(P2); algumas alegam também a faltade capacitação específica para a arte-educação – “além de não ter formaçãoespecífica para o ensino de artes, a escola nem sempre fornece os materiaisindispensáveis para desenvolver as atividades proposta em sala de aula”(P7) e, umadelas acrescenta a falta de “cooperação e a aplicação de alguns alunos” (P1). FIGURA 06 Dificuldades encontradas no trabalho com artes FALTA DE INTERESSE DOS ALUNOS FALTA DE CAPACITAÇÃO FALTA DE MATERIAL DIDÁTICO 0 1 2 3 4 5 6 7 8 FONTE: Elaborado pela autora para fins deste estudo (2011)Como mostra a Figura, as professoras entrevistas apresentam três ordens dedificuldades que enfrentam para trabalhar arte na sala de aula – a falta deenvolvimento por parte de alguns alunos, a própria falta de capacitação específicana área da Arte-Educação e, principalmente a falta de materiais didáticos, comdestaque para essa ultima dificuldade por ser uma unanimidade nas falas dasdocentes.Obviamente, a falta de material apropriado se constitui um entrave nodesenvolvimento de qualquer atividade, contudo a afirmação unânime dasentrevistadas de que, a falta de recursos didáticos é o principal problema para odesenvolvimento da arte no espaço escolar pode revelar que o segundo fatorapresentado seja o primeiro em ordem de importância – a falta de capacitaçãoespecífica para o trabalho com arte.
  • 45. 44Uma análise mais reflexiva sobre os variados instrumentos artísticos disponíveis aoprofessor que podem ser utilizados na sala de aula possibilitará a constatação que ouso da arte pode ser, inclusive, um meio de superar a falta de materiais que seapresentam como indispensáveis aos olhos das entrevistadas.Um dos argumentos em favor do uso da arte como elemento mediador nosprocessos educativos é a sua característica natural, de prescindir de recursossofisticados ou dispendiosos. Na verdade, alguns gêneros artísticos, como a música,a dança, a dramaturgia, podem ser desenvolvidos com a disponibilidade apenas domaterial humano e do espaço físico e cronológico e muita criatividade para asatividades, sobretudo, atualmente, quando os avanços tecnológicos disponibilizamtantos recursos em termos de sonorização, por exemplo.Possivelmente, a falta de interesse dos alunos, alegada por uma das entrevistadas,reflita um critério seletivo destes para com o tipo de abordagem praticado pelasdocentes com relação à arte. Pois o depoimento de outra docente que diz utilizar adança nas aulas de educação física, afirma contar com muito interesse por parte dosalunos.Tratando-se de alunos predominantemente, pré-adolescentes, entende-se que nãose mostrem interessados em conteúdos apresentados através de uma abordagemteórica, expositiva, ou mesmo em atividades práticas repetitivas.Comumente, a referência à arte no contexto pedagógico enfoca-a como algo capazde despertar o interesse dos educandos. Pois, “as práticas que associam arte,elementos lúdicos, movimento e vivências coletivas contribuem com a criatividade ecom o desenvolvimento do senso crítico”. (HAETINGER, 2005, p. 137)É compreensível o enfoque nas falas dos sujeitos dado à falta de cursos deformação na área de arte-educação. Reconhece-se aqui que a formação dosprofissionais é o alicerce para que se possa transformar a educação, uma vez que aformação pode garantir autonomia intelectual aos profissionais de educação paraque, possam exercer uma prática autônoma e compartilhada em suas realidades deatuação. Assim a prática docente requer um processo de formação continuada,
  • 46. 45tendo como referência o saber docente, o reconhecimento e sua valorizaçãoprofissional. Para Libâneo (1994, p.27) “A formação profissional é um processopedagógico, intencional e organizado, de preparação teórico-cientifica do professorpara dirigir competentemente o processo de ensino”.4.2.4 Relação da arte com os outros componentes curricularesSobre a relação entre a arte e as demais disciplinas, nota-se certa dificuldade namaneira de se expressar da maioria das entrevistadas. Contudo, a grande maioriaresponde afirmativamente quando indagadas se ao trabalhar arte na sala de aula, arelaciona com os conteúdos trabalhados. P1 - “Nem sempre, depende muito do conteúdo trabalhado”; P6 – “Às vezes, visto que apenas trabalho música e poesia os quais precisam está relacionado as disciplinas”; P2 – “SIM, pois trabalho jogos e isso é muito importante dentro da disciplina que leciono matemática e educação física. O jogo desenvolve muito. Tem criança que fica curiosa e quer aprender. É um tipo de motivação”; P3 – “Sim, porque enriquece e amplia o entendimento dos conteúdos”; P4 – “Sim, porque facilita o aprendizado do aluno”; P5 – “Sim, utilizo jogos dramatizações e produções artísticas”; P7 – “Sim, sempre que é possível são feito trabalhos relacionados com o conteúdo apresentado utilizando a criatividade ou representando”;È perceptível em algumas falas que a arte ainda é vista como disciplina de menorimportância quando comparada com as outras áreas do conhecimento, como línguaportuguesa, matemática e outras componentes do currículo regular. Neste momento,observa-se que se de um lado as docentes têm uma visão alargada da importânciada arte, por outro, contraditoriamente restringem a importância do referidocomponente.4.2.5 Recursos didáticos pedagógicos utilizados no ensino de artesAo referirem-se sobre os recursos utilizados na execução no ensino de artes, asentrevistadas citam várias atividades e materiais. Grande parte da categoria depapelaria como ou didáticos em geral como pode ser constatado nas falas dasdocentes:
  • 47. 46 – “livros, textos, jornais, músicas, tintas, diversos tipos de papéis e outros” (P1); – “Jogos, pinturas, dobraduras, futebol, bingo, dança e outros” (P2); – Dramatizações, jogos, colagens, pinturas, produções de poesias e poemas, (P5).Como se percebe, há certa integração entre os termos “recursos” e “materiais”didáticos nas falas acima. Ambos aqui são entendidos como recursos. Todavia emparágrafo anterior já foi feita uma discussão a respeito da falta de materiais para otrabalho com arte, ressalte-se apenas que essa falta compromete o princípio daautonomia no uso da criatividade por parte do aluno que tem de limitar-se ao que épossível diante da escassez de materiais.A importância de oferecer mais recursos é que eles possibilitam uma maiorvariedade de atividades e proporcionam um maior grau de criatividade por parte dosalunos, que no caso particular do ensino de arte, precisam sentir-se livres eautônomos para criarem e construírem a própria aprendizagem cabendo aoeducador, garantir-lhes a ambiência ideal para o exercício e o desenvolvimentodessa autonomia. Sobre isso, Haetinger (2005, p. 138) afirma que a função doeducador. É organizar o meio, os recursos e os instrumentos didáticos para a criação; é criar um ambiente favorável em que a criança sinta-se segura e acolhida para atuar; é estimular a expressão da subjetividade dos alunos, sem indicar-lhes possíveis erros ou o melhor modo de fazer as coisas. Eles descobrirão por si próprios, explorando objetos e vivendo diferentes situações.Portanto, a necessária interferência do educador deve ser criteriosa optando poratividades que estimulem a criatividade do educando e contribuam para aconstrução de sua autonomia. Evitando tarefas semi-prontas, sem espaço paraescolha, para a tomada de decisão, para a invenção, para o registro do sentir próprioda criança; enfim, garantindo ao aluno o direito autoral da atividade. Duarte Júnior(1991) denuncia o modelo atual de educação e salienta: A escola hoje se caracteriza pela imposição de verdades prontas às quais os educandos devem se submeter. Não há ali um espaço para que cada um elabore a sua visão de mundo, a partir de sua situação existencial. A escola ensina respostas prontas. Respostas que, na maioria dos casos não correspondem às perguntas e às inquietações de cada um. Duarte Júnior (1991, p.72,73).
  • 48. 47Sem dúvida o ensino da arte é muito prejudicado por essa concepção, pois a artenão é um conteúdo a ser memorizado, copiado e nem mesmo pode ser padronizadodentro de uma concepção qualquer, por mais coerente ou fundamentada que seja. Aarte tem de ser fomentada, estimulada, incentivada sob critérios democráticos, sobos fundamentos da livre expressão. Expressão de pensamentos, ideias,compreensões e sentimentos. Portanto, um elemento importante na construção dacidadania do educando. Fundamental na busca de uma visão política mais livre emais atuante, ideal supremo da educação.Diante dos relatos das docentes, subentende-se a intenção de desenvolveratividades diversificadas, a julgar pelo número de materiais que utilizam ou, pelomenos reclamam da instituição. Contudo, essa lista de materiais (livros, revistas,papel, cola, tesoura, lápis de cor, material reciclado, jornais, revistas, etc.) parecesugerir também que a modalidade de atividades artísticas desenvolvidas limita-seaos toques artísticos que são empregados nas atividades didáticas das diversasdisciplinas. Faltando ainda uma compreensão mais clara do elemento artístico comoarte, propriamente dita, que é capaz de envolver e dar sentido às atividades, aosconteúdos e até mesmo aos processos utilizados, fator indispensável para despertare manter o interesse dos alunos, tão reclamado e desejado por algumas dasentrevistadas. Essa análise baseia-se na constatação de que apenas uma dasdocentes fez referência à utilização de poemas, músicas e dramatizações em suaprática educativa, o que representa certa variação do padrão geral observado naprática das demais.4.2.6 Reação dos alunos à aplicação dos instrumentos artísticosAs respostas das educadoras ao quesito que perguntou como elas percebem areação dos alunos nas aplicações dos instrumentos artísticos na sua prática trazeminformações que mostram a relevância deste estudo. Embora algumas delas tragamuma nota de contraste referindo-se às reações dos alunos, “para uns satisfação,alegria, para outros descaso e insatisfação” (P1); “Alguns se empolgam, seinteressam com entusiasmo e outros nem tanto” (P7); e outra, até mesmo uma notanegativa – “Ignoram, acham sem importância, ainda mais pelo fato da difícilassimilação” (P6). No entanto, a maior parte dos discursos fala de efeitos positivos
  • 49. 48como entusiasmo, alegria, prazer –“os alunos ficam muito entusiasmados, alegresacham o máximo sentem prazer” (P2 e P3); além das vantagens para o processoque envolve a motivação e a criatividade – “são participativos e às vezes chegam ame surpreender com as suas representações e produções” (P5).4.2.7 A arte proporciona autonomiaAs docentes são unânimes em reconhecer os efeitos das atividades artísticas naconstrução da cidadania do educando “passa a manifestar suas emoções, seusinteresses e seu ritmo interior” (P1). Admitindo que “quando ele é capaz de produziralgo, ele aprende a ser parceiro e a construir, reconstruir e desempenhar melhor aprópria aprendizagem” (P2); “porque eles têm inteira liberdade de expor suacriatividade” (P3).Segundo as educadoras, a arte leva o individuo a conquistar a sua própria liberdade.Pois faz com que os mesmos sejam capazes de realizar ações e atribuírem a si omérito de um sucesso ou até mesmo a responsabilidade de um fracasso, ou seja, oindividuo é capaz de sair da dependência tornando-se independente, “porque comseus conhecimentos poderão realizar obras que os identifiquem como seres capazesde criar e recriar deixando sua própria marca e cooperando com a sociedade em quevivem através de representações de fatos do seu cotidiano” (P7).4.3. ANÁISE DOCUMENTALDiante a natureza do objeto pesquisado, surge a necessidade de utilizar uminstrumento de coleta mais palpável, capaz de permitir uma verificação daaplicabilidade prática das concepções colhidas nos instrumentos anteriores, bemcomo a análise da quantidade e qualidade das produções artísticas resultantes daprática dos sujeitos.
  • 50. 494.3.1. Escassez de documentosA pesquisadora solicitou das docentes, amostras dos materiais utilizados nasatividades artísticas que elas desenvolvem em sala de aula, obviamente pensandonalguma produção que se enquadrem nas modalidades de arte que possam serconservadas, como as artes plásticas, literárias, bem como quaisquer documentoscomprobatórios das ações, como, fotografias, filmagens e relatórios.A resposta a essa solicitação foi bastante esclarecedora, pois algumas dasprofessoras pesquisadas (43%) não disponibilizaram nenhum documento quemostrasse o lado prático de seu trabalho com essa temática.Os documentos coletados para análise foram relativamente poucos, contradizendo odiscurso apresentado nas respostas às entrevistas. A maior parte dos documentosencontrados consiste em desenhos (P5 e P3) realizados pelos alunos (anexos – 03),predominando os motivos de paisagens e ou de casas, que ao que parece nãoobedecem qualquer critério normatizador. Fazendo crer que os alunos têm totalliberdade para criar e fazer fluir a imaginação. A exceção a essa regra ficou por partede duas professoras, – P7, que expôs no pátio da escola, alguns cartazes ilustradoscom dobraduras (anexos – 04); e, P5 que apresentou alguns quadros de paisagensem que foi utilizada a técnica de colagens, ambos resultantes do trabalho com osalunos em suas classes.4.3.2 A arte não documentadaEmbora algumas docentes afirmem trabalhar com poesias, nenhum documento foiencontrado que ilustre essa prática. Não há registros de qualquer forma dostrabalhos com danças, dramaturgia, artes plásticas, música, nenhuma, além dasmencionadas acima. Essa ausência foi justificada pela perda de arquivos digitais docomputador da escola. Porém quando foi perguntado sobre o conteúdo dessearquivo, informaram que se tratava de fotos das Comemorações Juninas comapresentação de Quadrilhas. Nada que comprovasse uma prática educativaenvolvendo as artes.
  • 51. 50A escassez de documentos para serem analisados pode revelar duas realidades.Ambas igualmente lamentáveis. Uma seria que as respostas dos sujeitosapresentam um discurso forjado na sua compreensão da prática ideal e não naprática real. Neste caso, haveria um abismo separando a intenção da práticaconcreta. E, outra, seria que os resultados das atividades artísticas na instituiçãopesquisada não tem recebido a merecida atenção por parte dos entes envolvidos.Não tem sido considerada a importância de registrar, de alguma forma, asproduções artísticas que emanam dos diversos momentos que, segundo asdocentes, são frequentes no decorrer do processo educativo.A arte é, entre outras coisas, a manifestação do belo. A sua exposição, além deservir como ornamento ao espaço escolar, serviria de estímulo aos seus produtores– os alunos e incentivo aos pouco ou não envolvidos. Na verdade, poderia motivar oorgulho coletivo da comunidade escolar.Não estarem expostas, e nem ao menos guardadas, indica que não têm sidoproduzidas com o seu sentido e objetivo que já vem incluído na sua natureza maisoriginal e primitiva, o de ser vista, admirada, resenhada, ou mesmo criticada. Issogeraria o reconhecimento dos artistas; sem falar na influência para o processoeducativo, pois a divulgação seria uma forma de socialização, conhecimento contidono objeto artístico, por extensão, alcançando as outras turmas, e a todos quefrequentem o ambiente escolar.
  • 52. 51 CONSIDERAÇÕES FINAISDevido à amplitude do universo artístico e à complexidade que envolve o tema arte-educação cujas especificidades foram apenas visitadas nesse pequeno ensaio decaráter acadêmico, chega-se à conclusão que essas páginas se constituem apenasuma contribuição para a reflexão da temática proposta.Sendo assim, as considerações que seguem, por mais que se mostremfundamentadas e respaldadas, não têm a intenção de serem dogmáticas nemcontundentes. Ao contrário, mantêm o sentido que objetivou a pesquisa e asdiscussões contidas em toda fundamentação e análises aqui apresentadas – anatureza reflexiva e propositiva, reconhecendo a necessidade de maioraprofundamento.Durante o desenvolvimento dessa pesquisa procurou-se responder a pergunta: Quala compreensão que os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental têmda importância da Arte no processo de ensino aprendizagem e como aplicam essascompreensões no espaço escolar em que atuam.A partir da analise dos dados da pesquisa, evidenciou-se que as compreensões dosdocentes são diversificadas, embora complementares até mesmo dando destaque aaspectos contemplativos a respeito dos efeitos da arte na vida humana.Percebe-se que na experiência docente, a arte está sendo usada como apoio paraatividades de outras disciplinas e que as educadoras reconhecem a importância daarte no processo ensino aprendizagem mais pelos resultados que ela podeproporcionar, do que pela compreensão teórica de seus fundamentos.Embora a compreensão do ensino da arte esteja presente de forma bem clara nodiscurso docente, percebe-se que, na sala de aula, a arte ainda é trabalhada deforma muito aleatória, não planejada e vazia de significado, o que explica a pequenaaceitação por parte dos alunos.
  • 53. 52O ensino da arte precisa ser repensado e redirecionado, de modo a deixar de serconsiderado como mero apoio pedagógico ou como um conteúdo aleatório para serentendida como um campo de conhecimento importante no desenvolvimento do serhumano nos aspectos, físico, intelectual, emocional e social.O ensino de arte precisa ganhar maior importância no planejamento escolar,possibilitando a garantia dos recursos e materiais didático/pedagógicos para arealização de atividades de acordo com as modalidades artísticas escolhidas.Para que o professor possa desenvolver o trabalho com artes na sala de aula, énecessário adquirir uma clara compreensão da importância da arte para odesenvolvimento do educando. Urge que se invista na formação do professorcapacitando-o para o ensino da arte enquanto disciplina, e para a sua utilizaçãocomo recurso mediador dos processos educativos.Espera-se que esta pesquisa possa dar uma contribuição significativa à reflexão tãoatual e oportuna do tema arte-educação, reforçando a importância do ensino de artenas séries iniciais do Ensino Fundamental.
  • 54. 53REFERÊNCIASABRAMAWICZ, Mere. A melhoria do ensino nas 1ª séries: Enfrentando desafio.São Paulo: EPU: EDUC, 1987.BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos - Teoria e prática da educação artística. SãoPaulo: Cultrix, 1975._______ Inquietações e mudanças no ensino da arte / Ana Mae Barbosa (org.). –5. ed. – São Paulo: Cortez, 2008._______ A imagem no ensino da arte: anos 1980 e novos tempos / Ana MaeBarbosa. – 7. ed.rev. – São Paulo: Perspectiva, 2009. – ( Estudos; 126 / dirigida porJ. Guinsburg)BIASOLI, Carmem Lúcia Abadie. A formação do professor de Arte: Do ensaio... àencenação/ Carmem Lúcia Abadie Biasoli.- Campinas, SP: Papirus, 1999. (ColeçãoMagistério: Formação e trabalho pedagógico)BOGDAN, R e Bilklen, S. K. Qualitative Research for Education, Boston, Sellynand Bacon, 1982.BOGDAN, R e Bilklen, S. k. Investigação qualitativa em educação- umaintrodução à teoria e aos métodos. Porto, Porto Codex, 1994.BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. LDB Lei 9.394/96: seção II publicadono DOU em 23/12/96.BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais. Arte/ Ministério da Educação.Secretaria da Educação Fundamental. – Brasília: A Secretaria, 2001.BUORO, Anamelia Bueno, O olhar em Construção: uma experiência de ensino eaprendizagem da arte na escola/ Anamelia Bueno Buoro. – 6. Ed. – São Paulo:Cortez, 2003.CAMARGO, Luís. Sobre Arte-Educação. In: CAMARGO, Luís (Org.). Arte-educação: da pré-escola à universidade. São Paulo: Studio Nobel, 1994. P.14.DAYRELL, Juarez (org.) Múltiplos olhares sobre educação e cultura. BeloHorizonte: UFMG, 1996.DUARTE JUNIOR, João Francisco. Por que Arte – Educação? -6º ed. – Campinas.São Paulo: Papirus, 1991 (coleção Ágere).FERREIRA, Suely. O Ensino das Artes: Construindo caminhos/Sueli Ferreira(org.). – Campinas, SP: Papirus, 2001. – (Coleção Ágere)
  • 55. 54FUSARI, Maria Felisminda de Rezende. Arte na educação escolar/ Maria HeloísaCorrêa de Toledo Ferraz. São Paulo: Cortez, 1993 (coleção magistério 2º grau. Sérieformação geral).FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1987.GRESSLER, L. A. Pesquisa Educacional. 3ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 1989.HAETINGER, M. G. O Universo Criativo da Criança na Educação. [s.l.]: InstitutoCriar, 2005.LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública: a pedagogia crítica-social dos conteúdos. 8. ed. São Paulo: Loyola, 1989.LIBÂNEO, José Carlos. Didática (Coleção Magistério 2º grau. Série formação doprofessor). São Paulo: Cortez, 1994.LUDKE, Menga. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas/ Menga Ludke,Marli E.D.A. André. – São Paulo: EPU, 1986 (temas básicos de educação e ensino).MELLO, Guiomar Namo. Educação Escolar: paixão, pensamento e prática. SP:Cortez: Autores Associados, 1987.MORIN, Edgar. Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro; tradução deCatarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya; revisão técnica de Edgard de AssisCarvalho. – 10 ed. São Paulo: Cortez; Brasília, D.F. UNESCO, 2005.RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira: Organizaçãoescolar – 15ª Ed. Campinas, São Paulo. Autores Associados. 1998.SACRISTAN, J.Gimeno. Compreender e Transformar o Ensino/ A.L. PerezGomes; Trad Ernani F. da Fonseca Rosa – 4 ed. Artmed, 1998.VASCONCELLOS, Celso dos Santos, 1956 – Construção do Conhecimento emSala de Aula, 11º ed./ Celso dos S. Vasconcellos. – São Paulo; Libertad, 2000. –(Cadernos Pedagógicos do Libértad; 2).
  • 56. 55APÊNDICES
  • 57. 56Anexo – 01 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS – VII SENHOR DO BONFIM – BAHIA CURSO DE PEDAGOGIA 2007.1 Caros professores (as) estamos realizando essa pesquisa para elaboração detrabalho de conclusão de curso (TCC) com o tema “O uso da arte no EnsinoFundamental. Sabendo que o questionário e a entrevista se configuram em instrumentos defundamental importância para realização desse trabalho. Vimos pedir a suacolaboração no sentido de responder as questões abaixo. Desde já agradecemos a sua participação. Questionário FechadoNome ______________________________________________________________Instituição ___________________________________________________________1. Sexo( ) Feminino ( ) Masculino2. Faixa etária( ) Menos de 20 anos ( ) 36 – 40 anos( ) 20 – 25 anos ( ) 40 – 45 anos( ) 26 – 30 anos ( ) 46 – 50 anos( ) 31 – 35 anos ( ) 51 anos acima3. Grau de escolaridade( ) Ensino Médio (Magistério)( ) Superior incompleto. Curso: __________________________________________( ) Superior completo. Curso: ___________________________________________( ) Pós-graduação. Curso: ______________________________________________4. Tempo de atuação na educação.( ) 0 a 5 anos ( ) 11 a 15 anos
  • 58. 57( ) 6 a 10 anos ( ) acima de 16 anos5. Carga horária semanal( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horas6.Enumere por ordem de frequência as atividades de artes que você maisdesenvolve na sala de aula.( ) Música ( ) Dobradura( ) Pintura ( ) Teatro( ) Dança ( ) Colagem( ) Poesia ( ) Outros_________________________
  • 59. 58Anexo 2 ESTRUTURA PARA ENTREVISTA1. Qual a compreensão que você tem sobre arte?2. Você considera a arte importante no processo de ensino aprendizagem? Por que?3. Quais as dificuldades enfrentadas por você para trabalhar arte na sala de aula?4. Ao trabalhar arte na sala de aula você a relaciona com os conteúdos trabalhados?Explique.5. Quais os recursos didáticos pedagógicos que você utiliza no ensino de artes6. Qual é a reação dos alunos nas aplicações dos instrumentos artísticos na sua prática?7. Você concorda que a arte pode proporcionar aos alunos o aprendizado de seremmais autônomos e cooperativos? Por que ?
  • 60. 59Anexo – 03Imagem 01 – P1
  • 61. 60Imagem 02 – P3
  • 62. 61Imagem 03 – P5
  • 63. 62Imagem 04 – P5
  • 64. 63Imagem 05 – P5
  • 65. 64Imagem 06 – P5
  • 66. 65ANEXO – 04Imagem 7 – P7