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Monografia Tiana Pedagogia 2011
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  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII TIANA SOUZA GONÇALVES SILVAQUEM É O ALFABETIZADOR QUE ATUA NO PROGRAMA TOPA – TODOS PELA ALFABETIZAÇÃO? SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  • 2. 1 TIANA SOUZA GONÇALVES SILVAQUEM É O ALFABETIZADOR QUE ATUA NO PROGRAMA TOPA – TODOS PELA ALFABETIZAÇÃO? Trabalho apresentado a Banca Examinadora da Universidade Estadual da Bahia – UNEB, como exigência para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia, sob a orientação da professora Norma Leite Martins de Carvalho SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  • 3. 2 TIANA SOUZA GONÇALVES SILVAQUEM É O ALFABETIZADOR QUE ATUA NO PROGRAMA TOPA – TODOS PELA ALFABETIZAÇÃO?Aprovada em ____________/____________/____________BANCA EXAMINADORA:___________________________ __________________________ Prof. Beatriz Barros Prof. Sandra Fabiana Avaliadora Avaliadora___________________________________________________________ Norma Leite Martins de Carvalho (Orientadora)
  • 4. 3A minha mãe Esmeralda e meu pai Norberto quesão referência na minha vida. Sou eternamentegrata por todo acalento, educação, amor, oraçõesincentivo e apoio.Ao meu querido e amado esposo, por todacompreensão, paciência e estímulo.As minhas filhas, razões da minha luta epersistência, que por tantas vezes tiveram queconviver com a minha ausência.
  • 5. 4 AGRADECIMENTOS A Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo por todas as bênçãosderramadas em minha vida e por permitir a conclusão das minhas atividades. A todos os meus familiares que contribuíram direta ou indiretamente emespecial a minha tia Rosa e o tio Farias que me compreenderam e me estimularamde estímulo e coragem quando eu mais precisava. Aos meus sujeitos da pesquisa com os quais consegui aprender muito. A minha Professora e amiga Norma Leite Martins de Carvalho, minhaorientadora, pelo entusiasmo, colaboração e apoio. A professora Simone Wanderley minha co-orientadora pela atenção que meconcedeu dedicação, paciência e a sua valiosa contribuição neste trabalho. A todos os professores da Universidade do Estado da Bahia – Campus VII,que contribuíram para a minha formação acadêmica. As minhas colegas e amigas em especial Aurenice, Anailma, Ana,Andresa, Cristina, Jailde, Josilene, Madalena que dividiram comigo alegrias etristezas e por toda troca de experiência durante todo o curso.
  • 6. 5De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estavasempre começando. A certeza que era precisocontinuar e a certeza de que seria interrompidoantes de terminar. Fazer da interrupção um caminhonovo. Fazer da queda, um passo de dança, domedo, uma escada, do sonho, uma ponte, daprocura, um encontro. (FERNANDO PESSOA)
  • 7. 6 RESUMOEste estudo, tem como objetivo conhecer o professor/alfabetizador, o seu perfil e oque pensa sobre o seu papel na alfabetização de jovens e adultos, do programaTOPA, no município de Campo Formoso-BA. A implantação do referido Programa éfruto da parceria entre Estado e Município. Lançado em Maio de 2007, o programaBrasil Alfabetizado/TOPA do PDE (Plano de Desenvolvimento da educação) prevê aerradicação do analfabetismo e o progressivo atendimento a jovens e adultos noprimeiro segmento da educação. O Programa atende a jovens, adultos e idosospertencentes às camadas populares, publico excluído da cultura letrada. A temáticaem estudo emerge da necessidade de identificar o “voluntário” alfabetizador popularque é responsável por assegurar o processo de aprendizagem a essa clientela quepor tanto tempo ficou fora da escola. A abordagem metodológica adotada foinorteada pela pesquisa qualitativa; utilizamos como instrumentos de coleta de dadosa entrevista semi-estruturada e o questionário fechado. Os sujeitos da pesquisaforam doze alfabetizadores que atuam nos espaços educativos da sede e interior domunicípio. O referencial teórico que norteou nosso trabalho de campo foi: Freire(1996) Paiva (1987) Oliveira (1999), Pinto (2000), Soares (2003), Arroyo (2005)Brasil (2002) Cagliari (2006) Vieira (2004) dentre outros. Os resultados apontampara uma visão ingênua sobre alfabetização e uma prática embasada no sensocomum e na experiência de vida do alfabetizador.Palavras-chave: Alfabetização, Professor/Alfabetizador, Programa TOPA..
  • 8. 7 LISTA DE SIGLASEJA Educação de Jovens e AdultosIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaLDB Lei de Diretrizes e BasesMEC Ministério da EducaçãoMOBRAL Movimento Brasileiro de AlfabetizaçãoPNAD Pesquisa Nacional por DomicílioSECAD Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e DiversidadeTOPA Todos pela AlfabetizaçãoUF Unidade Formadora
  • 9. 8 LISTA DE FIGURASFigura 01 – percentual quanto ao gêneroFigura 02 – percentual quanto à faixa etáriaFigura 03 – percentual quanto ao nível de escolaridadeFigura 04 – percentual quanto a Curso de capacitação oferecido pelo TOPAFigura 05 – percentual quanto a Curso de capacitação oferecido na área de EJAFigura 06 – percentual quanto a exercer outra funçãoFigura 07 – percentual quanto a outras ocupações exercidasFigura 08 – percentual quanto a renda familiar
  • 10. 9 LISTA DE TABELASTabela 01 – dados de analfabetismo no BrasilTabela 02 – realidade do Programa TOPA no município de Campo Formoso
  • 11. 10 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................12CAPITULO I.................................................................................................................14 1.1 Problematizando a Temática .............................................................................14CAPÍTULO II................................................................................................................19 2.1 Alfabetização de jovens e adultos .....................................................................19 2.1.1 Conceituando alfabetização ...........................................................................20 2.1.2 Um breve histórico sobre Alfabetização de Jovens e Adultos ...................22 2.2 Professor Alfabetizador .....................................................................................25 2.3.1 Proposta Pedagógica..................................................................................30 2.3.2 Unidades Formadoras ................................................................................33CAPITULO III...............................................................................................................36PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ...................................................................36 3.1 A opção pelo paradigma qualitativo ..................................................................36 3.2 Instrumentos da Coleta de dados .....................................................................37 3.2.1 Questionário fechado ..................................................................................37 3.2.2 Entrevista semi-estruturada ........................................................................38 3.3 Lócus de pesquisa .............................................................................................39 3.4 Sujeitos da pesquisa .........................................................................................39 3.5 Análise e interpretação dos dados ....................................................................39CAPITULO IV ..............................................................................................................40ANÁLISE DE DADOS .................................................................................................40 4.1 Identificando o perfil ..........................................................................................40 4.1.1 Gênero dos sujeitos ....................................................................................40 4.1.2 Faixa etária .................................................................................................41 4.1.3 Nível de escolaridade .................................................................................41 4.1.4 Curso de formação oferecido pela Universidade do Estado da Bahia para os envolvidos no Programa TOPA ...............................................................................43 4.1.5 Cursos de capacitação na área de EJA .........................................................43 4.1.6 Outra ocupação profissional além de atuar no programa TOPA ...................45 4.1.7 Renda familiar.................................................................................................46 4.1.8 Satisfação com o valor da bolsa auxílio .........................................................47
  • 12. 11 4.2.1 Quem sou eu? ............................................................................................48 4.2.2 Tenho fundamentos teóricos/ metodológicos do contexto em que atuo? ..50 4.2.3 Como me vejo? ...........................................................................................52 4.2.4 O que penso e sei sobre alfabetização? ....................................................54 4.2.5 Dificuldades encontradas............................................................................55CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................57REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................59APÊNDICE ..................................................................................................................62UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB ...................................................63UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB ...................................................65
  • 13. 12 INTRODUÇÃO Todas as pessoas têm direito a uma educação de qualidade. Entretanto,apesar do reconhecimento desse direito durante muito tempo ele foi negadoprincipalmente ao público jovem e adulto. Após décadas de muitas lutas e intensas mudanças ocorridas ao longo dotempo na sociedade, a Educação de jovens e adultos passou a ser reconhecidacomo modalidade de ensino, buscando favorecer aquele adulto analfabeto que nãoteve oportunidade de cursar seus estudos e/ou por diversos fatores não concluiu oprocesso de alfabetização. A temática sobre a alfabetização de pessoas jovens e adultas, no cenárioatual, vem sendo bastante discutida nas pautas das políticas educacionais, pela suaimportância no contexto social, pois ler e escrever são uma necessidade para oindividuo adentrar o mundo letrado e participar da sociedade em que vive exercendoa sua cidadania. Observa-se hoje, que o Estado baiano tem apostado em Programas deAlfabetização de curta duração para efetivar e assegurar o processo dealfabetização dessa clientela que ficou por tanto tempo excluída de atividadessociais. Ficando a cargo de pessoas “voluntárias” o alfabetizador popular promovereste processo de aprendizagem. No decorrer deste trabalho, buscou-se conhecer os alfabetizadores queparticipam da 4º etapa do Programa TOPA. Visando uma melhor compreensão, este trabalho será dividido em quatrocapítulos, a saber: Capítulo I: É apresentada uma síntese da situação da Educação de Jovens eAdultos no Brasil.
  • 14. 13 Capítulo II: Neste capítulo, apresentam-se os teóricos que nortearam estaprodução, acerca de alfabetização de jovens e adultos, professor/alfabetizador ePrograma TOPA. Capítulo III: São apresentados os procedimentos metodológicos, osinstrumentos utilizados para recolhimento de dados e elaboração deste estudo. Capítulo IV: Serão apresentados os dados coletados, analisados einterpretados, mostrando o resultado da pesquisa. Na Conclusão apresentamos algumas considerações referente à elaboraçãoda presente monografia e uma breve análise do alfabetizador que atual no ProgramaTOPA – Todos pela Alfabetização.
  • 15. 14 CAPITULO I1.1 Problematizando a Temática Quatro coisas há no mundo, que eu desejava saber: Era dançar, tocar viola, jogar pau e saber ler. (JOSÉ LEITE DE VASCONCELOS) Inúmeros são os discursos que trazem em seu bojo a efetivação de ummodelo educacional democratizado, que atenda as mais variadas clientelas, paradeste feito garantir educação a toda à população; No entanto nota-se no panoramaeducacional um déficit em relação á essa questão, aja visto os alarmantes índicesde analfabetismo, que segundo os dados da Pesquisa Nacional por Domicilio(PNAD) de 2010, divulgadas pelo IBGE, o Brasil tem atualmente cerca de 14,6milhões de pessoas de 15 anos ou mais não alfabetizado. Tal fundamentação justifica os atuais indicadores econômicos, queapresentam populações desiguais e/ou polarizadas, onde em um extremoconcentra-se a riqueza e outro, no entanto comporta a grande massa de indivíduoscom condições básicas de vida deterioradas ou quase inexistente. Intervindo nessa problemática cabe às esferas governamentais (Federal,Estadual e municipal) um importante papel frente ao povo: a obrigação deplanejamento e execução de políticas educacionais que atendam as classespopulares. Quando falamos em indicadores econômicos, planejamento edesenvolvimento social nos remetemos a cobrar um investimento sério ecomprometido, por parte do Estado na Educação. Pois, “Se pensarmos um projetode desenvolvimento sem considerarmos a educação como um dos pilaresfundamentais desse processo é o mesmo que tentar „jorrar água de uma fonte que jásecou‟.” (REIS, 2004, p.70).
  • 16. 15 Reconhecemos que o problema referente ao analfabetismo faz parte de umconjunto maior de elementos que vão desde a economia á política social. Batista(2004, p.03) aponta que: o “o problema do analfabetismo, na escola ou fora dela, éparte de um problema maior e de natureza política. É o problema da desigualdadesocial, da injustiça, da exclusão social”. Essa problemática se acentua quando analisamos o público de pessoasjovens e adultas, que tradicionalmente na história do nosso país sempre teve aspropostas voltadas para a educação e erradicação do analfabetismo com modeloscompensatórios e de caráter assistencialista e não como um direito fundamental.Acreditamos que a Educação de Jovens e Adultos deve ser tratada juntamente comoutras políticas públicas. Embora a Constituição Federal de 1988, no art. 208, estabeleça o direito aoEnsino Fundamental a todos os brasileiros independente da idade. E reconheçamosque a lei 9394/96 foi um marco importante para e Educação de jovens e adultos,deixando de ser vista apenas como um “ensino supletivo” e passando a ser umaEducação direcionada para atender o público jovem e adulto. Mesmo reconhecendo a disposição do governo em estabelecer uma política ampla para EJA, especialistas apontam a desarticulação entre as ações de alfabetização e de EJA, questionando o tempo destinado à alfabetização e à questão da formação do educador. A prioridade concedida ao programa recoloca a educação de jovens e adultos no debate da agenda das políticas públicas, reafirmando, portanto, o direito constitucional ao ensino fundamental, independente da idade (VIEIRA, 2004, p. 85-86). Apesar de inegáveis avanços nas áreas social, econômica e educacionalnesta última década, o Brasil ainda apresenta uma dívida secular com milhões debrasileiros, particularmente jovens e adultos que nunca estudaram ou tiveram poucocontato com a educação formal. Ressaltamos que o analfabeto ainda não é reconhecido e valorizado por seussaberes e a capacidade que ele tem de viver, mesmo sem saber ler e escrever.Como afirma Soares (2003):
  • 17. 16 O analfabeto é aquele que não pode exercer em toda a sua plenitude os seus direitos de cidadão, é aquele que a sociedade marginaliza, é aquele que não tem acesso aos bens culturais de uma sociedade letrada (p.20). No mundo da cultura letrada, da sociedade da informação, e do avançotecnológico, o mercado de trabalho vem exigindo mais conhecimentos e habilidades,e mão de obra alfabetizada. Assim esses adultos analfabetos são impossibilitadosde se integrarem a cultura letrada de forma devida, excluídos de maiores atividadessociais. Diante desse quadro, teóricos e educadores, preocupados com oanalfabetismo no Brasil e as questões tocantes às camadas populares da educação,empreenderam estudos a fim de entender e apresentar soluções para essa gravequestão. Para Freire (1990), O analfabetismo não é meramente a incapacidade deler e escrever; é também um indicador cultural para nomear formas de diferençasdentro da lógica da privação cultural. Nesse sentido, faz-se necessário uma revisão na concepção doanalfabetismo, entendido preconceituosamente por muitos, como condição inerenteao próprio sujeito, passando a ser compreendido numa visão mais crítica, comoproblema social. Ou seja, tal compreensão desmistifica a noção de alfabetizaçãoenquanto simples fato de oferecer o acesso à leitura, à escrita e à numeração,ampliando para a alfabetização enquanto política cultural e a escola como espaçopara o fomento da cidadania emancipada. É nesse contexto e diante da urgência de alfabetizar o jovem e adulto queestão excluídos do meio social que o nosso estudo focaliza-se para as propostas eprogramas de alfabetização na Bahia, que têm como meta reduzir a um digito oanalfabetismo de jovens e adultos no estado. Observamos hoje, que apesar de um aumento expressivo na oferta deprogramas de alfabetização para jovens e adultos, ainda há muito a avançar nosformatos que realmente atendam satisfatoriamente a esse público. Garantia deacesso, não é necessariamente garantia de qualidade de ensino e discutir aqualidade do ensino está diretamente ligada à preparação do professor, pois ele é
  • 18. 17muito importante para o sucesso da aprendizagem por ser capaz de identificar opotencial de cada aluno. Percebemos que os projetos empreendidos na ultimas décadas responderamdesarticuladamente aos maiores interessados: o público analfabeto, pois oalfabetizador ainda não aprendeu a considerar a importante bagagem trazida poresses alfabetizandos e também não contemplam a valorização de todos os saberese potências que esses adultos carregam consigo. Essas pessoas precisam serreconhecidas como homens e mulheres produtivos, que possuem uma cultura. Segundo Oliveira (1999) O adulto está inserido no mundo do trabalho e das relações interpessoais de um modo diferente daquela criança e adolescente. Traz consigo uma história mais longa de experiências, conhecimentos acumulados e reflexões sobre o mundo externo sobre si mesmo e sobre as outras pessoas. (p.12) Observa-se hoje, um grande percentual de jovens e adultos que sematriculam e freqüentam os programas de alfabetização e as salas da modalidadede EJA. Embora se note, por exemplo, a dificuldade que eles apresentam naadaptação de horários, nos conteúdos, nas avaliações propostas. Tambémpercebemos que nos programas de alfabetização a qualidade do ensino dependemuito da relação professor/educando. Diante disso, os elevados índices de evasão e repetência nos programas dealfabetização de jovens e adultos indicam além do fator socioeconômico que impedea dedicação aos estudos, a falta de sintonia entre o que o alfabetizador propõe e oque alfabetizando espera. Vale ainda ressaltar que os jovens, adultos e idosos inseridos nessamodalidade de ensino já possuem saberes que o alfabetizador ainda não valoriza noprocesso de ensino e aprendizagem. Esses alfabetizandos precisam serreconhecidos cidadãos produtivos e criativos, capazes de aprender, donos de umaimportante bagagem cultural que pode ser enriquecida continuamente.
  • 19. 18 Nesse sentido, faz-se necessário uma revisão nas ações dos docentes queestão inseridos nos programas, pois para atuar é preciso formação adequada. Éindispensável lembrar que a formação do alfabetizador não é um acontecimentoisolado e promovido apenas por instituições formadoras, mas é uma trajetóriapessoal, um processo contínuo. Na visão de Candau (1997), A formação continuada não pode ser concebida como meio de acumulação (de cursos, palestras, seminários de conhecimentos ou técnicas), mas através de um trabalho de reflexibilidade critica sobre as práticas de (re) construção permanente de uma identidade pessoal e profissional em interação mútua. (p.64) E assim, diante de transformações tão intensas que a sociedade vemenfrentando num cenário de conflitos sociais e econômicos temos a alfabetização dejovens e adultos que precisa e merece atenção especial, principalmente no que dizrespeito a formação do alfabetizador, pois, este é um dos sustentáculos assim comooutros elementos importantes (as condições de trabalho, o material disponível otempo que se dispõe para alfabetizar, o tempo dos alfabetizandos...) para arealização de um trabalho de qualidade e para o êxito do programa. Assim, mediante a problemática abordada e por entendermos que o processoda alfabetização é multifacetado, envolvendo diversos sujeitos e contextos,buscamos neste estudo conhecer o professor/alfabetizador, o seu perfil e o quepensa sobre o seu papel na alfabetização de jovens e adultos, do programa TOPA,no município de Campo Formoso – BA. Assim, os nossos objetivos são:  Identificar o perfil do alfabetizador do Programa TOPA.  Conhecer a visão do alfabetizador sobre o programa de alfabetização dejovens e adultos que atua.
  • 20. 19 CAPÍTULO II2.1 Alfabetização de jovens e adultos É aqui neste capítulo, reservado à construção do quadro teórico, onde seembasa este estudo. Os elementos discorridos mostram-se de grande importânciapara o aprofundamento do problema pesquisado. Sabemos que a educação é o instrumento que permite às pessoas umamelhor qualidade de vida, capacitando-as para competir no mercado de trabalho eexercer plenamente sua cidadania. Os programas de Alfabetização de pessoasjovens e adultas são propostas de ensino que visam atender as pessoas que nãopuderam cursar seus estudos na época apropriada. Pensando assim, aalfabetização constitui-se em direito fundamental do direito à educação. Éresponsabilidade das Instituições públicas promoverem um amplo processo dealfabetização, na perspectiva de assegurar a afirmação do trabalhador e o direito aotrabalho. Segundo Paulo Freire, a alfabetização deve ser compreendida com leituracrítica da palavra e do mundo fortalecendo, assim, a dignidade humana, a condiçãode cidadão, a auto-estima, a autonomia, ampliando suas possibilidades deapropriação do capital social, cultural e econômico. Ao longo dos anos esta temática vem ganhando espaço nas pautas daspolíticas educacionais pela sua importância no contexto social, pois ler e escreversão necessidades do indivíduo para adentrar o mundo letrado e participarativamente da sociedade em que vive. Nesse processo, os governos Federal, Estadual e Municipal articulados comos Movimentos Sociais, as Universidades e outras Instituições promovem umaampla mobilização no Estado para reduzir significativamente os índices atuais deanalfabetismo na Bahia.
  • 21. 202.1.1 Conceituando alfabetização Segundo Cagliari, (1989) Alfabetização é o processo pelo qual as pessoasaprendem a ler e a escrever. No entanto, esse aprendizado vai muito além detranscrever a linguagem oral para a linguagem escrita. Alfabetizar-se é muito maisdo que reconhecer as letras e saber decifrar palavras. Aprender a ler e a escrever éapropriar-se do código lingüístico-gráfico e tornar-se, de fato, um usuário da leitura eda escrita. É pertinente a contribuição de Freire (1990) quando afirma que a alfabetização: é parte do processo pelo qual alguém se torna autocrítico a respeito da natureza historicamente construída de sua própria experiência. Ser capaz de nomear a própria experiência é a parte do que significa “ler” o mundo e começar a compreender a natureza política dos limites bem como das possibilidades que caracterizam a sociedade mais ampla. (p. 35) O processo de alfabetização não deve ser tratado como adquirir habilidadestécnicas de leitura e escrita, mas como uma ação de construção da liberdade. Aindabaseando-se em Paulo Freire (1983): O processo de alfabetização é dinâmico e ativo, quando o homem é sujeito de suas ações, reflete criticamente sobre sua situação e seu ambiente concreto, pois qualquer que seja o momento histórico em que esteja a sociedade, seja o do viável ou do inviável histórico, o papel do trabalhador social que optou pela mudança não pode ser outro se não o de atuar e refletir com os indivíduos com quem trabalha para conscientizar-se junto com eles das reais dificuldades da sua sociedade. (p.55). Atualmente ser alfabetizado, isto é, saber ler e escrever é uma condiçãoinsuficiente para responder adequadamente as exigências da sociedade em quevivemos. O ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo a seguir escreveram as palavras. Esses são momentos da história. Os seres humanos não começam por nomear A! F! N! começam por liberar a mão e apossar-se do mundo (FREIRE &MACÊDO, 1990;P.32).
  • 22. 21 É preciso entender o significado e uso das palavras em diferentes situações,não somente decodificar letras e sons. Para Soares um sujeito alfabetizado é“aquele que sabe usar a leitura e a escrita para exercer uma prática social em que aescrita é necessária” (2003, p.10). Na verdade não há um consenso quanto ao conceito de alfabetização. PauloFreire (1991) afirma que: Se antes a alfabetização de adultos era tratada e realizada de forma autoritária, centrada na compreensão mágica da palavra doada pelo educador aos analfabetos, se antes os textos geralmente oferecidos como leitura aos alunos, escondiam muito mais do que desvelavam a realidade, agora, pelo contrário a alfabetização como ato criador e como ato político é uma espaço de leitura do mundo e da palavra(p. 32). O adulto analfabeto leva para a sala de aula uma bagagem muito ampla deconhecimentos que sendo considerada pelo alfabetizador tornaria as aulas bemmais atrativas e dinâmicas, pois estaria tratando de questões bastante interessantespara eles, por estarem relacionadas às vivências dos alfabetizandos. Assim, a partirde um processo dinâmico de alfabetização, onde alfabetizandos e alfabetizadores,juntos, possam construir conhecimentos significativos, com certeza estariamcontribuindo para a formação de uma sociedade mais justa para todos. De acordo Paulo Freire, (1991), é preciso que a alfabetização esteja a serviçoda formação de um povo que tenha sua história nas mãos. Fazer a História e estarpresente nela e não simplesmente nela estar representado. Pode-se dizer que quem refletiu pioneiramente de forma contextualizada oprocesso de alfabetização foi Paulo Freire, para quem o conceito de alfabetizaçãoinclui o mundo do alfabetizando como um dado determinante na relaçãoalfabetizador e alfabetizando. Rompe-se assim o círculo da dominação, á práticacorriqueira na sociedade, sugerindo o diálogo como fator indispensável naalfabetização de adultos, incluindo uma reflexão sobre o homem, sua sociedade esua cultura. Sendo assim, alfabetizar-se é adquirir a língua na modalidade escritaatravés de um processo de construção do conhecimento tendo uma visão crítica darealidade.
  • 23. 22 A alfabetização deve ser construída tendo como base o diálogo e ademocratização, onde alfabetizadores e alfabetizando se completam, trocamsaberes, crescem se humanizam superando qualquer relação de dominação entreeles. “A dialogação implica na responsabilidade social e política do homem. Implicanum mínimo de consciência transitiva, que não se desenvolve nas condiçõesoferecidas pelo grande domínio” (FREIRE 1979 p.78) Ainda segundo Freire (1979), o diálogo é uma relação horizontal de A com Bque nasce de uma matriz crítica e gera criticidade. E isso se fortalece com o amor, ahumildade da esperança, da fé, e da confiança. Portanto, só o dialogo geracomunicação e entendemos que este é fundamental para o processo deaprendizagem do alfabetizando.2.1.2 Um breve histórico sobre Alfabetização de Jovens e Adultos As primeiras notícias acerca do ensino noturno datam do período imperial.Segundo Neves (2003), em 1840 surge o ensino das primeiras letras ao adulto noscursos de ensino profissionalizante. Em 1869, com a finalidade de adiantar oprocesso de escolarização, atendendo a um maior número possível de analfabetos,foram criadas escolas noturnas. Segundo Moacyr (1936), dados mostram que entre 1869 e 1886, escolasnoturnas para adultos funcionavam em diversas províncias do país. Essas escolasforam às primeiras formas de organização do ensino noturno, ao reconhecer-se anecessidade de escolarizar aquelas pessoas que não podiam estudar no horáriodiurno, ficando a cargo do poder público brasileiro garantir a escolarização a essesalunos. Desde a Monarquia até a constituição da República, há indícios de reconhecimento da importância do ensino noturno. No entanto, esse reconhecimento sempre foi e ainda é marcado por um tratamento diferenciado do que se dá ao ensino diurno. (Arcoverde, 2006p. 10)
  • 24. 23 Já naquela época estes cursos estavam relacionados aos adultosanalfabetos, assim o ensino noturno era oferecido e direcionado para o jovem-adultoque, como afirma Oliveira (1999), É aquele migrante que chega ás grandes metrópoles proveniente de áreas rurais empobrecidas, filho de trabalhadores rurais não qualificados e com baixo nível de instrução escolar, ele próprio com uma passagem curta e não sistemática pela escola e trabalhando em ocupações urbanas não qualificadas, após experiência no trabalho rural na infância e na adolescência, que busca a escola tardiamente para alfabetizar-se.(p.59) Diante disso, historicamente o país foi se constituindo a partir de modelosexcludentes, em todas as variáveis: étnica, de gênero e de educação. Tais fatorescontribuíram para os déficits da escolarização em todas as faixas etárias e alargou oanalfabetismo não somente entre os idosos, mas também entre os jovens. Como asintensas transformações na sociedade brasileira eram bastante acentuadas e aurgência de escolarizar o povo adulto era uma necessidade básica, já que o índicede analfabetos no Brasil era altíssimo, surge a implantação dos programas dealfabetização do governo que traçam diretrizes educacionais e determinam estadose municípios responsáveis por esta educação. Com a criação da Campanha da Educação de adultos em 1947, deu-seespaço a formação de grupos de estudo de campo teórico-pedagógico, onde foramdesenvolvidas discussões sobre o analfabetismo e a Educação de Adultos no Brasil.No final da década de 50, a Campanha encontrava-se deficiente, financeiramente eadministrativamente quanto nas questões pedagógica, acreditava-se que o tempodestinado à aprendizagem era curto e os métodos utilizados eram inadequados àrealidade dos adultos. Com isso, surge uma nova postura na educação de jovens e adulto, baseadono método do educador Paulo Freire. Ele foi o principal inspirador dos váriosprogramas de alfabetização na década de 60, sendo seu principal objetivo além deensinar a ler e escrever, desenvolver a conscientização política dos adultosanalfabetos, pois o fio condutor do seu método é a alfabetização visando àlibertação. Antes apontado como causa da pobreza e da marginalização, oanalfabetismo agora passava a ser interpretado como efeito da situação de pobreza
  • 25. 24gerada por uma estrutura social não igualitária. Mas, anos mais tarde a circulaçãodas ideias desse educador passou a ser proibidas aqui no Brasil. E, em 1967, nasce o MOBRAL (Movimento Brasileiro da Alfabetização) foilançado com iniciativas do governo que passou a controlar os grupos que foramreprimidos da alfabetização de jovens e adultos após o golpe militar de 64. E após18 anos de autonomia e experiências desacreditados nos meios políticos eeducacionais foi extinto em 1985, sendo substituído pela Fundação Educar. ParaSauner (2002): “uma das causas do fracasso do MOBRAL no seu trabalho dealfabetização do jovem e do adulto brasileiro está relacionada aos recursoshumanos: despreparo dos monitores a quem era entregue a tarefa de alfabetizar” (p.59). Vários foram os Programas de alfabetização que surgiram no Brasil, cujoobjetivo voltado para o estudo da Educação Popular e Educação de adultos.Percebemos que até então, os programas desenvolvidos pelo governo paracontemplar o público jovem e adulto e erradicar o analfabetismo estavam restritos aoensino das “primeiras letras” e não a uma alfabetização ampla e de qualidade. Nesse sentido, faz-se necessário revisão nas ações e na metodologiaadotada pelos programas de alfabetização de pessoas adultas, respeitando a culturado povo, capacitando-os para o trabalho e a convivência na sociedade letrada,garantido-lhes o conhecimento necessário para o exercício da cidadania. O MEC realiza, desde 2003, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), voltadopara a alfabetização de jovens, adultos e idosos. O programa é uma porta de acessoà cidadania e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade. O BrasilAlfabetizado é desenvolvido em todo o território nacional, com o atendimentoprioritário a 1.928 municípios que apresentam taxa de analfabetismo igual ousuperior a 25%. Desse total, 90% localizam-se na região Nordeste. Essesmunicípios recebem apoio técnico na implementação das ações do programa,visando garantir a continuidade dos estudos aos alfabetizandos. (PORTALMEC,2011)
  • 26. 25 Especificamente na Bahia, as ações e experiências com os programas eprojetos voltados para a erradicação do analfabetismo datam de 1992, com o BBEducar em parceria com o Banco do Brasil, em 1996 a Alfabetização Solidária(ALFASOL) em 2003/2004 o AJA Bahia e atualmente o programa BrasilAlfabetizado, que em 2007 foi lançado no estado baiano como TOPA (Todos pelaAlfabetização).2.2 Professor Alfabetizador Definir o conceito, características e funções do professor alfabetizador éessencial para um maior aprofundamento do presente estudo, a partir do nossoproblema de pesquisa e objetivos propostos. Entende-se sob o olhar de alguns autores que o professor é aquele que sabeusar os conteúdos cognitivos que adiquiriu em sua formação para melhorar a suaprática, assim percebe-se que a experiência aliada ao conhecimento é que torna oprofessor um bom profissional . Tardif (2002) afirma que: O saber dos professores não é um conjunto de conteúdos cognitivos definidos de uma vez por todas, mas um processo de construção ao longo de uma carreira profissional no qual o professor aprende progressivamente a dominar seu ambiente de trabalho, ao mesmo tempo em que se insre nele e o interioriza por meio de regras de ação que se torna parte integrante de sua consciência prática. (p.89). Entendemos que o alfabetizador popular assim como o professor professa umsaber , ministra aula e é capaz de ensinar e contextualizar conteúdos. O alfabetizador é considerado por Freire (1996) como um planejador, umpesquisador que assume importante papel no processo de alfabetização. Éconsiderado também um agente político responsável pela transformação daconsciência da população e o meio social, mesmo diante de suas dificuldades elimitações no tocante a formação profissional. É de suma importancia o alfabetizador estar preparado e qualificado paraatuar em diferentes contextos e com diversos sujeitos. Segundo Pinto (2000):
  • 27. 26 Compete ao professor, além de incrementar seus conhecimentos e atualizá- los, esforçar-se por praticar os métodos mais adequados em seu ensino, proceder a uma análise de sua própria realidade pessoal como educador, examinar com autoconsciência crítica sua conduta e seu desempenho, com a intenção de ver se está cumprindo aquilo que sua consciência crítica da realidade nacional lhe assinala como sua correta atividade. (p. 113). Particularizamos neste estudo aquele que atua com as pessoas jovens eadultas e que para isso além de dominar a metodologia de ensino escolhida, precisater a capacidade de mobilizar e incentivar constantemente o alfabetizando em salade aula. O educador deve ser portador da consciência mais avançada de seu meio. Necessita possuir antes de tudo a noção critica de seu papel isto é, refletir sobre o significado da sua missão profissional, sobre as circunstâncias que a determinam e a influenciam, e sobre as finalidades de sua ação (PINTO, 2007, p.48). Sendo assim o professor precisa de conhecimentos que possibilitem umaatenção que atenda ás diversidades dos alfabetizandos; trabalhar baseado emsituações-problema para que os alunos busquem a solução; acolher os alunos;compreender que a prática é a referência da teoria, a teoria é o alimento de umaprática qualitativamente superior, ser membro atuante de uma equipe que exercita otrabalho coletivo, discutindo e socializando suas experiências (LIBÂNEO, 2000). É preciso também que os alfabetizadores estejam capacitados ecomprometidos com sua formação continuada para o exercício da docência. A educação de jovens e adultos requer do educador conhecimentos específicos no que diz respeito ao conteúdo, metodologia, avaliação, atendimento, entre outros, para trabalhar com essa clientela heterogênea e tão diversificada culturalmente (ARBACHE, 2001, p. 19). A alfabetização de jovens e adultos tem sido um desafio permanente para oprofessor/alfabetizador, pois mesmo diante de aulas bem preparadas e dinâmicasalegres e envolventes existe ainda o risco da não construção dos saberesplanejados como também a evasão. Por isso se faz tão necessário a sintonia entrealfabetizador e alfabetizando. Segundo Freire (2002) a relação educador-educandodeve ser:
  • 28. 27 Para ser um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda entre educadores e educandos, uma relação de autêntico diálogo. Aquela em que os sujeitos do ato de conhecer (educador-educando, educando-educador) se encontra mediatizados pelo objeto a ser conhecido. Nesta perspectiva, portanto, os alfabetizandos assumem, desde o começo mesmo da ação, o papel de sujeitos criadores (p. 58). Portanto, se o alfabetizador dispõe de conhecimentos que lhe permitam apartir de sua prática extrair as necessidades específicas dos alfabetizandos, poderáter mais sucesso na efetivação de suas atividades. Nesse sentido Freire (1996) lembra que “como professor preciso me movercom clareza na minha prática. Preciso conhecer as diferentes dimensões quecaracterizam a essência da prática, o que me pode tornar mais seguro no meudesempenho” (p.68). Malglaive, (1995), pontua que ensinar envolve articulação entre saberesestranhos com conhecimentos anteriores, ou seja, é preciso considerar a realidadedo aluno para que esse aprenda significativamente e isso envolve trazer à práticaeducativa seus conhecimentos de mundo para introduzir conhecimentos científicos,estabelecendo relação entre o que se estuda e o que se vivencia. Ainda nas discussões apresentadas por Freire (1996) percebemos como omesmo coloca o papel pedagógico do alfabetizador de proporcionar aosalfabetizandos os saberes necessários da leitura e da escrita e mostrando como aapropriação desse saberes são desencadeadores de novos conhecimentos. Comotambém ressalta que o alfabetizador tem o dever de politizar a educação fazendouma leitura critica da realidade e buscando elementos necessários para intervençãono meio social. Fica claro que é realmente necessário ao alfabetizador ser também umprofissional especializado na elaboração de recursos didáticos adequados aoprocesso de alfabetização. A formação dos professores e das professoras devia insistir na construção deste saber necessário e que me faz certo desta coisa óbvia, que é a importância inegável que tem sobre nós o contorno ecológico, social e econômico em que vivemos. E ao saber teórico – desta influência teríamos
  • 29. 28 que juntar o saber teórico-prático da realidade concreta em que os professores trabalham” (FREIRE, 1996, p. 155).No entanto como afirma Gatti no tocante a formação: (...) dos professores-alfabetizadores que atuam na educação de adultos de 14 anos em diante não tem recebido atenção necessária, pelo contrário, tem sido relegada cada vez mais a deterioração,pois eles estão ausentes de boa parte do debate a respeito das políticas públicas centradas na questão das relações entre escola e sociedade(1991,p.21). Diante de leituras críticas e nos apoiando em vários autores entendemos queensinar é desenvolver estratégias de aprendizagem baseada na realidade e nasvivências do educando considerando as condições históricas, sociais e culturais quecontribuem para o conhecimento e significados do mundo que os alunos trazem paraa escola. E não apenas se utilizar da “educação bancária” onde o professor“deposita” conhecimentos pré-determinados e acredita que está educando ecapacitando os alunos; Pois, Paulo Freire (1982) afirmou que: “o educador já não é oque apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com oeducando que, ao ser educado, também educa” (p. 78). Assim podemos entender que o processo de alfabetização começa muitoantes de ler e escrever, e que se faz necessário uma ponte entre o saber empíricocom o saber formal e assim o aluno aprende com o seu grupo social e com oalfabetizador, ao tempo que constrói os elementos integrantes para o seuconhecimento.2.3 O Programa TOPA O Programa TOPA (Todos pela Alfabetização), foi implantado na Bahia em 09de maio de 2007 destinado a alfabetização de jovens e adultos. Nasceu com a metado governo de alfabetizar um milhão de jovens, adultos e idosos das camadas maiscarentes. Objetivando assegurar o direito de acesso e permanência ao públicoanalfabeto na escola garantindo e oportunizando à aquisição da leitura e da escrita. O Brasil Alfabetizado/TOPA, segundo o Ministério da Educação (MEC), écaracterizado como um “portal de entrada na cidadania, articulado diretamente com
  • 30. 29o aumento da escolarização de jovens e adultos e promovendo o acesso àeducação como um direito de todos em qualquer momento da vida”. Esse Programa prevê a celebração de convênios entre a Secretaria deEducação Continuada, Alfabetização e Diversidade - SECAD, do Ministério daEducação, e os Estados, e os Municípios ou Entidades Organizadas da SociedadeCivil, que se responsabilizam pela proposição e pela realização de projetos deAlfabetização de Jovens e Adultos, e também de ações de capacitação dealfabetizadores (FONSECA; GOMES; LOPES, 2007). O Programa é executado pelo FNDE/MEC em parceria com a Secretaria deEducação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) que analisa aspropostas e defini os benefícios, os municípios recebem os recursos por meio detransferências diretas, de acordo com a resolução/FNDE/CD n°70 de 24 deDezembro de 2007. Essa Resolução nasce a partir da Lei nº 10.172, de 2001, queinstitui o Plano Nacional de Educação, determinando “a erradicação doanalfabetismo e o progressivo atendimento a jovens e adultos no primeiro segmentode Educação de jovens e adultos, em uma década;” tendo como objetivo “garantirque as necessidades básicas de aprendizagem dos jovens sejam satisfeitas demodo eqüitativo, por meio de acesso a programas de aprendizagem apropriados eatingir, até 2015, 50% de melhoria nos níveis de alfabetização de adultos, emparticular para as mulheres, em conjunção com o acesso eqüitativo à educaçãobásica e continuação de adultos”; ampliando assim, “oportunidades educacionaispara jovens e adultos com 15 anos ou mais que não tiveram acesso ou permanênciana educação básica;” O Programa TOPA – Todos pela Alfabetização prevê ações que deveriam sercontempladas por forma dessa Resolução: a) alfabetização de jovens e adultos; b) formação inicial e continuada de alfabetizadores e de coordenadores deturmas;
  • 31. 30 c) a coordenação de turmas de alfabetização; d) a tradução e interpretação de LIBRAS. (conforme o artigo 3º) § 3º Os tradutores interpretes de Língua Brasileira de Sinais deverãopromover a acessibilidade á comunicação em turmas que incluírem jovens, adultos eidosos surdos e deverão apresentar certificado expedido pelo Instituto Nacional deEstudos e Pesquisas Educacionais – INEP/ MEC ou entidade competente quecomprove sua proficiência para o desempenho desta atividade. e) o transporte para o alfabetizando; f) o apoio à aquisição de gêneros alimentícios destinados, exclusivamente aoatendimento das necessidades de alimentação escolar dos alfabetizandoscadastrados e freqüentes, em 2007, no âmbito do Programa; g) a aquisição de material escolar; h) a aquisição do material pedagógico; A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD)informa, ainda, que o Programa enfatiza a qualidade e o maior aproveitamento dosrecursos públicos investidos na Educação de Jovens e Adultos. O processoacontece de 06 a 08 meses, contando com 10h semanais de alfabetização, havendoavaliação cognitiva dos alfabetizandos no início e ao término do Programa.2.3.1 Proposta Pedagógica. Ao se pensar uma proposta pedagógica para programas de alfabetização emtempo mínimo determinado, a coordenação do programa teve como base osprincípios do grande mestre Paulo Freire. A alfabetização deve ser concebida nãoapenas como a aquisição do domínio da leitura e da escrita, mas como acapacidade de usar essa habilidade no desenvolvimento pessoal e coletiva com
  • 32. 31vistas à construção de uma sociedade cidadã. É preciso, portanto que essa propostapedagógica contemple a plena formação do desenvolvimento da pessoa humana.Objetivo Geral: Promover a alfabetização e a escolarização de Jovens e adultos noEstado da Bahia.Objetivos Específicos:  Oportunizar estudos a jovens e adultos que por motivos diversos nãotiveram acesso à escola;  Oportunizar a comunidade de estudos a jovens e adultos que por motivosdiversos não conseguiram concluir a educação básica;  Desenvolver processos efetivos de alfabetização letramento com basenuma metodologia que leve em conta a realidade e a formação política doseducandos;  Aplicar metodologias que levem em conta a participação efetiva deeducandos e professores fundamentos em teorias e práticas que contemplem aampliação dos direitos de cidadania dos educandos;  Construir processos interativos de apropriação do saber, valorizando adiversidade cultural dos educandos nos aspectos sociais, culturais, políticos eeconômicos de gênero geração e etnia. Partindo dessa perspectiva a Secretaria de Educação de Campo Formoso –BA, através do departamento de ensino incorporou ao seu sistema educacional aEducação de Jovens e Adultos no ano de 1997, para atender uma considerávelparcela da população, não inserida no sistema formal de ensino e/ou escolarizada. Eseguindo as orientações teórico/pratica apresentadas pelos programas AJA BAHIA,EDUCAÇÃO SOLIDÁRIA e o curso de ACELERAÇÃO I e II, a cidade de CampoFormoso vem contribuindo para minimizar as taxas de analfabetismo do município etentar superar as dificuldades presentes na educação de jovens e adultos.
  • 33. 32 Quanto ao analfabetismo, Campo Formoso apresenta uma das taxas maisaltas da Bahia, conforme tabela 01 abaixo: DADOS DE ANALFABETISMO NO BRASIL Brasil Bahia Campo Formoso 13.3% 15,39% 32,4%FONTE: IBGE 2010 A grande maioria do alunado que compõem esses números é constituída porindivíduos inseridos no mesmo contexto social: pessoas que cada vez maisprecocemente participam dos rendimentos econômicos da família, tomando atémesmo a carga na sua totalidade, da responsabilidade dos seus domicílios, assimtem que abrir mão dos estudos em favor da necessidade de trabalhar,interrompendo-o antes do tempo apropriado; Pois a “escola é feita para os que nãoprecisam trabalhar e coloca exigências que os trabalhadores não têm tempo nemcondições de cumprir” (CECCON, 1998). Nesse aspecto o programa Topa objetiva prioritariamente a diminuição doanalfabetismo no Estado da Bahia, e em Campo Formoso, que conforme dadoscoletados nesse município, é perceptível que os índices são altíssimos, em especialtomando como parâmetro a quantidade de habitantes. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Educação de Campo Formoso temparticipado ativamente de Programas de Alfabetização, assumindo o compromissode alfabetizar um número maior de pessoas jovens e adultas. Diante disso, o Programa Brasil Alfabetizado/TOPA – Todos pelaAlfabetização foi implantado na cidade de Campo Formoso em 2007, mediantemobilização social realizada em todas as comunidades, objetivando conhecer ediminuir o índice de analfabetismo no município, permitindo a inserção epermanência das turmas de alfabetização para garantir o acesso de pessoas, nãoescolarizadas, ao mundo da leitura e da escrita.
  • 34. 33 TABELA 2 – REALIDADE DO PROGRAMA TOPA NO MUNICÍPIO DE CAMPO FORMOSO Alfabetizadores Alfabetizandos Coordenadores Ano 214 2.150 12 2007 319 2.980 19 2008 424 4.300 48 2009 228 1.980 24 2010FONTE: Programa Topa. UNEB-BA. O programa TOPA foi desenvolvido no município diante do contexto onde amaioria dos jovens e adultos não escolarizados são trabalhadores que chegam aescola noturna em precárias condições físicas e intelectuais (cansados e malalimentados) desafiando o seu potencial. Estes alfabetizandos estão inseridos numprocesso educativo do qual fazem parte diversos espaços (família, trabalho,comunidade, escola). O trabalho aparece para eles como fundamental. Portanto, diante das leituras realizadas acreditamos que oportunizar cuidar daalfabetização de jovens e adultos, excluídos do processo de aprendizagem éoferecer a esses sujeitos condições de igualdade, possibilitando sua participaçãoresponsável na família, na comunidade e no trabalho.2.3.2 Unidades Formadoras Para o cumprimento da meta de alfabetizar um milhão de pessoas, a SECconta com o apoio de entidades governamentais e não governamentais, dentre asquais entidades de classe, sindicatos, associação de moradores, entidadesreligiosas (os sujeitos/parceiros), além das instituições de ensino superior, queatuam como Unidades Formadoras (UF). O papel dessas unidades formadoras é decontribuir com a formação de profissionais que atuam no Programa comoalfabetizadores, coordenadores de turma, intérpretes de libras e sinais, além deacompanhar e avaliar o trabalho destas pessoas nos municípios sob a suaresponsabilidade, visando assegurar a aplicação da proposta pedagógica e garantira alfabetização dos envolvidos.
  • 35. 34 A Universidade do Estado da Bahia assume uma posição crítica, em relação àresponsabilidade das Instituições Públicas de Ensino Superior, em contribuir nacorreção das distorções regionais, socioeconômicas e educacionais vigentes noBrasil. Desta forma, a UNEB pensa e desenvolve uma política de extensãoarticulada com o ensino e a pesquisa, procurando construir seu Projeto Pedagógicodentro de uma perspectiva interdisciplinar, formadora de competências necessáriasa alunos e professores, na construção de saberes e estratégias, científicas,profissionais e sócio-políticos que os capacitam ao diálogo e à intervenção regional,na perspectiva do desenvolvimento e da qualidade de vida. Assegurando, assim, ocompromisso assumido pela UNEB no momento de efetivar parceria com aSecretaria de Educação do Estado da Bahia, enquanto Unidade Formadora doPrograma Brasil Alfabetizado – TOPA – Todos pela Alfabetização, implantado em2007 pelo Governo do Estado da Bahia. A Universidade do Estado da Bahia assume no Território do Piemonte, regiãoadministrativa da DIREC-28, a formação dos alfabetizadores e Coordenadores deturma e interpretes de Libras, nos municípios de Andorinha, Antonio Gonçalves,Campo Formoso, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Pindobaçu, Ponto Novo, Senhor doBonfim, tendo como pólo núcleo o Departamento de Educação – Campus VII, emSenhor do Bonfim. Para garantir essa formação, a UNEB elaborou o Plano de Formação comcarga horária de 60 horas, partindo de pressupostos teóricos preconizados nãosomente por Paulo Freire, mas por outros (as) pesquisadores (as), que não reduzemo processo de alfabetização simplesmente ao fato de se adquirir uma tecnologia oucodificar uma língua. A proposta elaborada defende a apropriação de escrita e deleitura nas práticas sociais, considerando sempre o contexto histórico-social e asvivências dos sujeitos como ponto de partida do processo ensino-aprendizagem. Esse Plano de Formação, desenvolvido a partir dos sujeitos envolvidos, temcomo objetivo socializar estudos que lhes possibilitassem criar estratégias deensino, permitindo a jovens e adultos, do semi-árido baiano, em processos dealfabetização, compreender e atribuir sentidos/interpretações aos múltiplos textosque perpassam o seu cotidiano e atender as suas necessidades comunicativas, em
  • 36. 35consonância com os seus saberes, repertórios artístico-culturais e inserções nomundo do trabalho. A UNEB acredita que a partir dessa perspectiva permitiu aossujeitos envolvidos (re) criar seu contexto, deslocando-se da mera repetiçãomecânica de técnicas de alfabetização e de trabalho manuais para práticasreflexivas, de modo que se autorizem na criação e (re)significação do ato de ensinar,aprender, bem como na recriação de suas existências e, por conseguinte, de seucotidiano.
  • 37. 36 CAPITULO III PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Pesquiso para constatar, constatando, intervenho intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 1997, p.32). Neste capítulo apresentamos os procedimentos metodológicos utilizados paraa elaboração deste trabalho. Entendemos que a opção metodológica escolhidanuma pesquisa é fator decisivo para a elucidação do problema abordado. SegundoMinayo (2003): a metodologia inclui concepções teóricas de abordagem, conjunto detécnicas que possibilitam a construção da realidade e o sopro divino do potencial doinvestigado. Nesta perspectiva, optamos neste trabalho pela abordagem qualitativapor entender ser esta a mais consistente em elucidar a nossa questão.3.1 A opção pelo paradigma qualitativo Segundo Lakatos “a pesquisa é um procedimento formal, com método depensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminhopara conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais” (1991, p.155). A pesquisa qualitativa busca explicações sobre o social, sempre buscandocompreender o processo educacional da escola. Pesquisadores centram a atençãono pluralismo cultural, na diversidade, no estereótipo ou na discriminação e emoutros aspectos sociais (Ludke, André 1986). Quanto à conceituação da metodologia qualitativa, afirma Minayo: [...] a metodologia qualitativa é aquela que incorpora a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, as relações e as estruturas sociais. O estudo qualitativo pretende aprender a totalidade coletada, visando em ultima instância, atingir o conhecimento de um fenômeno histórico que é significativo em sua singularidade (1992, p.10). Portanto, neste estudo que tem como foco desvendar o conhecimento de umaproposta de alfabetização sob o olhar dos professores que atuam na mesma,
  • 38. 37avançando as percepções superficiais ou meramente estatísticas, acreditamos quesomente o enfoque qualitativo responde a questões muito peculiares e trabalha como universo de significados. Ainda referindo-se a pesquisa, Ludke (1986) afirma que: A pesquisa qualitativa envolve a obtenção dos dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando mais o processo do que o produto, e se preocupar em retratar as perspectivas dos participantes. (p.13). Assim, esse tipo de pesquisa é muito eficiente quando se trata de problemasda realidade sócio-econômico da sociedade. Pois, permite a análise dos resultadossob uma ótica diferenciada.3.2 Instrumentos da Coleta de dados Para a efetivação da pesquisa foi necessário a utilização de instrumentosadequados, ao objeto em estudo. Pois, uma pesquisa científica requerprocedimentos sistemáticos, com o objetivo de descobrir e interpretar os fatos deuma determinada realidade. É preciso promover o confronto entre os dadoscolhidos, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e oconhecimento teórico acumulado a respeito dele. (LUDKE e ANDRÉ, 1986) A Coleta de dados será realizada através do questionário fechado e entrevistasemi-estruturada.3.2.1 Questionário fechado Segundo Rodrigues (2006) o questionário é um instrumento de coleta dedados, constituído por uma lista de questões relacionadas ao problema da pesquisae deve ser aplicado a um número de pessoas. Embora seja um instrumentocomumente utilizado na pesquisa de cunho quantitativo, entendemos que podetambém ser utilizado na abordagem qualitativa, a partir do tratamento de análisedado. O questionário fechado foi utilizado como um recurso para traçar o perfil dosprofessores. Sendo assim Barros (2000) afirma que:
  • 39. 38 O questionário é o instrumento mais usado para o levantamento de informações. Não está restrito a uma determinada quantidade de questões, porém aconselha-se que não seja muito exaustivo, desanimando o pesquisador. É entregue escrito e também será respondido por escrito. (p.90) Para Marconi e Lakatos (1996) questionário fechado é: “perguntas fechadasou dicotômicas”. Também denominadas limitadas ou alternativas fixas, são aquelasque o informante escolhe sua resposta entre duas opções: sim e não (p.91). Assim, neste estudo foi condição mister conhecer o perfil dos sujeitos nosseus aspectos sociais, econômicos e educacionais, o que foi possível com autilização do questionário fechado. Como afirma Gressler (1989). Um questionário deve ser simples, direto erápido de responder, devendo assegurar aos utilizadores que os dados recolhidosnão serão cedidos a terceiros, sendo utilizado com sigilo as informações.3.2.2 Entrevista semi-estruturada A escolha da entrevista, justificou-se por ser um meio coerente para acaptação de informações desejadas. Segundo Lakatos (1991): entrevista é umimportante instrumento de trabalho do qual se servem constantemente ospesquisadores em ciências sociais e psicológicas (p.196). Ainda se tratando precisamente de entrevista semi-estruturada Trivinos(1987), discorre que é: Um dos principais meios que o investigador tem para realizar a coleta de dados. Podemos entender por entrevista semi-estruturada em geral aquela que parte de certos questionamentos básicos apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo a medida que se recebem as respostas, do informante (p.146). De fato esse tipo de entrevista é de fundamental importância para opesquisador, pois lhe dará as informações necessárias e coerentes para suapesquisa.
  • 40. 39 Além disso, permite o contato direto com os sujeitos, levando ao pesquisadorcaptar aspectos mais subjetivos, que permitirão o aprofundamento da analise dedados.3.3 Lócus de pesquisa O lócus do nosso estudo foi definido pela especificidade dos sujeitos depesquisa, definidos como os professores alfabetizadores atuantes no TOPA. Assim, o referido programa é realizado no Território de Identidade do Norte doItapicuru em 09 municípios. Optamos pelo município de Campo Formoso, por ser onosso município de residência e atuação profissional.3.4 Sujeitos da pesquisa Os sujeitos da pesquisa foram 12 alfabetizadores do programa TOPA (Todospela alfabetização) da 4ª etapa do Programa, que iniciou em Abril de 2011 e encerraem Novembro do mesmo ano, escolhidos aleatoriamente a partir do cadastro doprograma, fornecido pela Universidade do Estado da Bahia, unidade formadora doterritório. Inicialmente investimos num universo de 21 alfabetizadores, que foi reduzidopara 12, pela disponibilidade destes em colaborar com o nosso estudo.3.5 Análise e interpretação dos dados Essa etapa foi realizada a partir da reflexão critica dos instrumentos de coletade dados, com a posterior triangulação dos mesmos. Finalmente confrontamos como aporte teórico do estudo e elegemos categorias que configuravam os resultadosalcançados.
  • 41. 40 CAPITULO IV ANÁLISE DE DADOS4.1 Identificando o perfil Compreender a alfabetização de pessoas jovens e adultas como processohistórico implica em concebê-la como um empreendimento eminentementeestabelecido pela e para a sociedade, numa relação intrinsecamente correlacionadacom a realidade social e o modo como os sujeitos se relacionam. Com base nessesaspectos metodológicos, a análise dos dados se alicerça na compreensão dossignificados atribuídos pelos sujeitos as suas ações.4.1.1 Gênero dos sujeitos Os sujeitos que participaram da pesquisa, apresentaram quanto ao gêneroum percentual de 92% feminino e 8%masculino. Percebemos com esse resultado apreponderância do gênero feminino na atuação dos programas de alfabetização. 8% 92% Masculino Feminino Figura 01 – percentual quanto ao gênero Fonte – Questionário aplicado
  • 42. 414.1.2 Faixa etária Os dados obtidos em relação a faixa etária nos mostram uma diversidade naidade dos sujeitos. É perceptível no quadro que compõe o programa apredominância de pessoas jovens que tem entre os 18 a 29 como ilustra o gráfico. 17,00% 8,00% 42,00% 33,00% De 18 a 23 anos De 24 a 29 anos De 30 a 35 anos De 36 a 41 anos Figura 02 – percentual quanto à faixa etária Fonte – Questionário aplicado Assim, os nossos dados revelam que nesse Programa de alfabetização há umsignificativo número de alfabetizadores com idade inferior a 30 anos, que coincidecom pouca experiência profissional em trabalhos com a educação de jovens eadultos e pouca qualificação, como confirmam os dados abaixo.4.1.3 Nível de escolaridade É sabido que para exercer a função da docência é necessário um nívelmínimo de escolaridade, que segundo a LDB 9394/96 Art. 62, “a formação dedocentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso delicenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores deeducação [...]”. O percentual ilustrado no gráfico demonstra que a grande maioriados alfabetizadores do programa TOPA só possuem o ensino médio.
  • 43. 42 17,00% 8,00% 75,00% Ensino Médio Ensino Médio incompleto Superior incompleto Figura 03 – percentual quanto ao nível de escolaridade Fonte – Questionário aplicado De acordo com a Resolução do FNDE, para atuar no Programa TOPA, oalfabetizador deve ter formação universitária, no entanto, pela própria dificuldadedas distâncias e da falta de formação adequada, os alfabetizadores com o EnsinoMédio vêm contribuindo para diminuir o analfabetismo na Bahia. Para Paulo Freire(1994): A humildade nos ajuda a reconhecer esta coisa óbvia: ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo. Todos sabemos algo, todos ignoramos algo. Sem humildade dificilmente ouviremos com respeito a quem consideramos demasiadamente longe de nosso nível de competência. É a humildade que nos faz ouvir o considerado menos competente do que nós (p.30). Assim, a postura humilde do alfabetizador encoraja o educando a perguntar, adescobrir a necessidade de perguntar ao alfabetizador, aos colegas, a si mesmo e aencontrar nele próprio as respostas criativas para as perguntas. Entendemos que o educador na busca de melhorar a sua prática “vaidescobrir que precisa continuar estudando depois de formado, que precisapesquisar a realidade como é como se transforma” (MOURA, 2003, P.24). Questionamos, entretanto se a deficiente formação acadêmica dosalfabetizadores para atuar no programa, não afetaria os seus resultados.
  • 44. 434.1.4 Curso de formação oferecido pela Universidade do Estado da Bahia paraos envolvidos no Programa TOPA O percentual aqui apresentado nos permite perceber que a capacitaçãoinicial oferecida pelo programa contou com um número significante de participantes,já que é imprescindível a formação de 60h para atuar no programa. Por motivosdiversos além do distanciamento entre as localidades e a falta de comunicação épossível ainda encontrar aqueles que não presenciaram o treinamento. 9% 91% Sim Não Figura 04 – percentual quanto a Curso de capacitação oferecido pelo TOPA Fonte – Questionário aplicado4.1.5 Cursos de capacitação na área de EJA Exercer a docência requer constante aprimoramento teórico e reflexãosobre a prática. Os dados demonstram que apenas 17% dos alfabetizadores jáparticiparam de cursos voltados para educação de jovens e adultos, e 83% nuncaparticiparam de cursos na área.
  • 45. 44 17% 83% Participaram de curso da EJA Nunca participaram de cursi da EJA Figura 05 – percentual quanto a Curso de capacitação na área de EJA Fonte – Questionário aplicado Conforme resultado acima, os alfabetizadores no TOPA, na sua grandemaioria não possuem formação direcionada à educação de jovens e adultos,realidade que não difere de outros municípios brasileiros, tema esse que vem sendodiscutido em encontros de educadores versando esse assunto. Situando numcontexto regional, as Instituições de Ensino Superior, a exemplo a UNEB, não têmoferecido cursos para a formação do educador de EJA, seja a nível de graduação,especialização ou capacitação continuada, paradoxalmente esta mesma instituição écoordenadora de Programas de Alfabetização, a exemplo do TOPA. Isso implicadizer que falta, evidentemente, uma política que de fato, valorize essa modalidadede ensino e a adote como prioridade. Segundo Fonseca (2000), “a questão da profissionalização do educador deadultos tem se tornado cada vez mais nuclear nas práticas educativas e nasdiscussões teóricas da área”. E acrescenta, dentre outros argumentos nessesentido: As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação de Jovens e Adultos, no item VIII, referente à Formação Docente, que o preparo deste profissional deve incluir, além das exigências formativas para todo e qualquer professor, aquelas relativas à complexidade diferencial desta modalidade de ensino. (FONSECA 2000, p.130).
  • 46. 45 Nesse sentido percebemos o quanto é deficiente a oferta de cursos eminstituições superiores para contemplar toda especificidade e complexidade queexige a formação do educador para trabalhar na EJA.4.1.6 Outra ocupação profissional além de atuar no programa TOPA 42% 58% Sim Não Figura 06 – percentual quanto a exercer outra função Fonte – Questionário aplicado Conforme apresentamos no gráfico acima fica evidente que 42% dosalfabetizadores têm outra ocupação além de atuar no programa. O que nos indicaque a participação no Programa, tem caráter de complementação salarial.Percebemos também uma disparidade de identificação entre a atividade dealfabetizador e as demais atividades apresentadas pelos pesquisados.
  • 47. 46 20,00% 20,00% 20,00% 40,00% Moto Taxi Manicure Cabeleireira Aux. Professor Figura 07 – percentual quanto a outras ocupações exercidas Fonte – Questionário aplicado4.1.7 Renda familiar Os dados obtidos nos mostram que 67% dos sujeitos da pesquisa sobrevivemcom até no máximo 1 salário mínino por domicílio, o que comprova a carência deemprego com remuneração fixa e torna o TOPA uma alternativa de fonte de renda.A minoria de 33% dispõe de 2 a 4 salários mínimos. 33% 67% Até 1 salário mínimo De 2 a 4 salários mínimos Figura 08 – percentual quanto à renda familiar Fonte – Questionário aplicado
  • 48. 474.1.8 Satisfação com o valor da bolsa auxílio Para realizar a atividade de alfabetizador, no Programa TOPA, as UnidadesFormadoras oferecem uma bolsa-auxílio de 250,00 durante o período de 08 meses.Essa bolsa é paga pelo Governo Federal através do Programa Brasil Alfabetizado, jáque o TOPA é um Programa que envolve parcerias dos três governos: federal,estadual e municipal. Conforme ilustra o gráfico, 59% dos alfabetizadores mostram-se insatisfeitoscom o valor destinado a bolsa - auxilio. 33% atribuíram o conceito bom e 8% dosentrevistados responderam ruim. Acreditamos que a variedade de conceitos sealicerça no cotidiano e necessidade de cada alfabetizador . 8,00% 33,00% 59,00% Regular Boa Ruim Figura 08 – percentual quanto à satisfação com a bolsa auxílio Fonte – Questionário aplicado4.2 Análise da Entrevista Após analisarmos o perfil socioeconômico dos alfabetizadores, lançamosalgumas questões a respeito da concepção de cada um deles em relação àAlfabetização de jovens, adultos e idosos no Programa TOPA. Norteamos asperguntas e dividimos em categorias para melhor compreensão.
  • 49. 48Quem sou eu? O que faço? Como faço? Os resultados apresentados aqui neste estudo foram obtidos através daentrevista semi-estruturada aplicada aos alfabetizadores, que são os sujeitos dapesquisa.4.2.1 Quem sou eu? Nesta categoria apresentamos os motivos que levaram os alfabetizadores aatuar no Programa TOPA. O fator financeiro foi predominante e apareceu em 60% das respostas dosentrevistados como mostramos abaixo: A41“Porque é uma oportunidade pra quem está desempregado”. A8 “Pelo valor da bolsa. Necessidade”. A11 “Pela necessidade ter algum dinheiro e também porque gosto de ensinar”. É evidente, pelo posicionamento dos nossos entrevistados que a carênciafinanceira foi fator motivante para a participação no Programa. Reforçamos a nossaafirmação, quando confrontamos as falas acima, com o perfil sócio-econômicoapresentado nos dados do questionário fechado e percebemos que os mesmos sãopessoas com baixa ou sem qualquer renda fixa, trabalhadores informais, sematividade fixa remunerada. E embora o valor da bolsa auxílio seja menos que ametade do salário mínimo em vigor no país (R$ 545,00), é uma alternativa parasobrevivência ou para a complementação da renda familiar. Percebemos também que está presente no discurso de alguns dosalfabetizadores (cerca de 20%), que a motivação para a participação no programa,não fica por conta apenas do valor da bolsa, mas também, por se identificar com afunção de ser alfabetizador e de estar alfabetizando pessoas, que em geral são seus1 Em vista de manutenção do anonimato dos entrevistados atribuímos-lhes um código (A) acrescidode algarismos arábicos (1, 2, 3...)
  • 50. 49familiares e pessoas da própria comunidade. Esses alfabetizadores são moradoresdas comunidades onde as turmas estão inseridas. A5 Gostei desse programa porque cada vez mais a gente tem vontade de ensinar e ver o desenvolvimento deles. A7 Me identifico. Porque sou muito dinâmica e gosto de fazer amizades. A10 Me identifiquei porque eles têm interesse em aprender novas coisas. Na nossa análise, percebemos que se por um lado a Resolução FNDE/CDn°70 de 24 de Dezembro de 2007 determina que os alfabetizadores tenham aformação, de no mínimo alunos de cursos de Graduação, por outro, não teríamosessa possibilidade de alfabetizadores que tenham proximidade com a comunidadeque atuam, e que mesmo sem a formação adequada, sem experiência comalfabetização, eles sentem- se comprometidos com o ato de ensinar. Ainda aparece nessa categoria o sentido idealista e romântico, em relação àdocência, que filtramos na fala 30% dos nossos sujeitos: A1“Pela necessidade de ajudar as pessoas da comunidade da qual atuo”. A6 “Por que gosto de ajudar as pessoas. Vocação”. A9 “Porque no nosso interior tem um número muito grande de analfabetos e ser alfabetizador desse programa é muito gratificante”. A fala dos alfabetizadores demonstra a preocupação em contribuir paraerradicar o analfabetismo, revelam que a sua inserção no programa é para ajudaras pessoas da comunidade. Percebemos diante do exposto uma visão solidária etambém ingênua do que realmente é o processo de alfabetização. Segundo Freire (1983) este discurso evidencia um caráter assistencialista, desubserviência que perpetua a consciência mágica em detrimento da consciênciacrítica. Além de representar um empecilho ao desenvolvimento do processo deescolarização.
  • 51. 50 Chama-nos atenção nesta análise que nenhum dos entrevistados, segundodados do questionário tem formação para a docência e não exercem esta atividadefora do Programa.4.2.2 Tenho fundamentos teóricos/ metodológicos do contexto em que atuo? Nesta categoria, apresentamos a metodologia e fundamento que norteiam aproposta educativa do programa e o conhecimento que o alfabetizador tem a cercado mesmo Indagados sobre os seus conhecimentos acerca dos objetivos, metodologia eresultados do Programa, percebemos que a maioria dos alfabetizadorespesquisados, conhece apenas superficialmente o programa ao qual fazem parte,apresentado “falas prontas”, como ilustramos nas falas abaixo: A6 “Mais ou menos, o objetivo é acabar com o analfabetismo”. A7 “Conheço. Aprendi na formação”. Assim, quando solicitamos respostas mais específicas, estes não sãocapazes de socializar de maneira clara sobre a temática. Apenas um dos entrevistados deu pistas de que compreende a concepção daproposta e sua efetiva operacionalização: A1 “Os objetivos é alfabetizar, a metodologia está baseada no cotidiano de cada um. Os resultados é alfabetizar a um dígito dos analfabetos baianos” A concepção do programa a e a metodologia adotada para capacitar osalfabetizadores é baseada na ideias do educador Paulo Freire, que pensa aalfabetização de jovens, adultos e idosos como processo fundamental parapolitização e libertação do homem e exercício da cidadania. Ainda A1 diz que, a gente tem que começar de onde o aluno já sabe...
  • 52. 51 De fato este requisito é imprescindível, trabalhar na perspectiva de conhecero educando e a sua realidade é fundamental para o processo de ensino eaprendizagem. Na metodologia proposta pelo Programa TOPA, deve-se levar emconta a realidade e a formação política dos educandos. Considerando a bagagemtrazida por estes sujeitos, pois estes são portadores do acúmulo de conhecimentosadquiridos ao longo da vida. Segundo a Proposta Curricular da educação de adultos o professor devevalorizar os conhecimentos e as formas de expressões que cada aluno traz de suasexperiências de vida e dos grupos sociais e culturais a que estão inseridos, para queo sucesso no processo de socialização possa ser um grande aliado na garantia dapermanência do jovem, do adulto e do idoso em sala de aula. Nesse sentido, entender e valorizar o saber empírico do educando constitui oprimeiro passo para planejar e desenvolver a prática docente. Para Arroyo (2005): Partir dos saberes, conhecimentos, interrogações e significados que aprenderam em suas trajetórias de vida será um ponto de partida para uma pedagogia que se paute pelo diálogo entre os saberes escolares e sociais. Esse diálogo exigirá um trato sistemático desses saberes e significados, alargando-os e propiciando o acesso aos saberes, conhecimentos, significados e a cultura acumulada pela sociedade. (p.35). Ainda sobre o processo de aquisição do embasamento teórico metodológicopara atuar no programa, pesquisamos sobre a importância do processo decapacitação, para a preparação da sua prática. Para 60% dos entrevistados a capacitação foi positiva e apresentaram comodados relevantes os formadores que apresentaram sugestões de atividades práticas.Como ilustram as falas abaixo: A8 “Eu gostei, aprendi muita coisa. Aprendi como passar as atividades”. A11 “A capacitação foi ótima a professora era excelente ensinou a passar as atividades eu já tinha alguma experiência e aumentou bastante”. A12 “A capacitação nos deu um pouco mais de segurança para atuar, pois nós já tínhamos um pouco de conhecimento”.
  • 53. 52 Segundo as orientações do programa TOPA, a capacitação buscadesenvolver no alfabetizador o espírito crítico- reflexivo, estabelecendo uma ponteentre o conteúdo e a prática, a fim de permitir o embasamento ao alfabetizador paradialogar com o universo do alfabetizando. Porém, percebemos a partir do perfil socioeconômico dos nossospesquisados, que os alfabetizadores que compõem o programa no município deCampo Formoso é formado por um grupo vasto e heterogêneo, com pessoas com onível de escolaridade variada e na maioria abaixo do estabelecido pelo programa, oque dificulta o trabalho e o andamento da capacitação. Sendo assim e diante das especificidades no perfil dos alfabetizadores, onosso estudo mostra que o curso de capacitação não tem condições em 60h decontemplar aspectos tão complexos e necessários para a formação e prática de umalfabetizador. “É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do quepuramente treinar” (FREIRE, 1997, p.15). Entendemos ainda que a capacitação, apresenta um perfil de treinamento eque a carga horária não é suficiente para “formar” esse alfabetizador popular, paraproporcionar uma compreensão mais ampla do conhecimento necessário paratrabalhar com a educação de jovens, adultos e idosos e sim, para treiná-los paraassumir a sala de aula e aplicar procedimentos voltados para a leitura e a escrita.4.2.3 Como me vejo? Nesta categoria, apresentamos a percepção profissional que osalfabetizadores do TOPA tem de si mesmo. Questionados como se vêem na sua prática obtivemos as seguintesrespostas: A1 “Professor. Pois crio situações, atividades e desenvolvo os conteúdos¸ monitorando os resultados de cada alfabetizando”. A3 “Eu me acho uma ótima educadora, pois sempre procuro me informar a necessidade do aluno”.
  • 54. 53 A6 “Professor porque procuro a melhor maneira de passar o assunto. Pois cada aluno tem uma forma de aprender”. A8 “Porque eu não sou formada, e porque o pouco que eu sei eu passo pra eles”. A grande maioria dos entrevistados percebe-se e se intitula professor, poracreditar que desempenham funções e atividades a partir da necessidade do aluno. Acreditamos que o papel do educador vai muito além, consiste em mediar aaprendizagem articulando o processo de aprendizagem de seu alfabetizando,sempre priorizando a bagagem de conhecimento trazida pelos mesmos. ParaOliveira (1983): O Educador, enquanto profissional do ensino, é aquele que tem docência como base de sua identidade profissional domina o conhecimento especifico de sua área, articulando ao conhecimento pedagógico, numa perspectiva da totalidade do conhecimento socialmente produzido que lhe permita perceber as relações existentes entre as atividades educacionais e a totalidade das relações sociais, econômicas, políticas e culturais em que é capaz de atuar como agente de transformação da realidade em que se insere (p.13). A fala de A1 quando diz que: “crio situações, atividades e desenvolvo osconteúdos monitorando os resultados de cada alfabetizando”. O que pensa essealfabetizador leva em consideração o pensamento de Freire (1996) quando afirmaque: ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a suaprodução ou a sua construção (p. 22). Somente um dos entrevistados percebe-se como monitora/alfabetizadora A8 “Porque eu não sou formada, e porque o pouco que eu sei eu passo pra eles”. A alfabetizadora reconhece a falta de formação e nível de escolaridadenecessário ao professor. Ainda A8 diz que, “aprende muito com seus alunos, porque eles já são maisvelho e tem muita informação também”.
  • 55. 54 Sobre isso Freire (1996) afirma que “quem ensina aprende ao ensinar e quemaprende ensina ao aprender” (1996, p.23). O que acontece é uma troca mútua deconhecimento, mesmo o alfabetizador sem formação acadêmica e reconhecendoque não tem saberes formais, mas que procura ensinar o que sabe e o queaprendeu não só na capacitação, mas no cotidiano, ressalta a sabedoria e oconhecimento empírico dos seus alunos que por serem mais “velhos” que elaadquiriram muito conhecimento ao longo do tempo.4.2.4 O que penso e sei sobre alfabetização? Alfabetizar jovens, adultos e idosos não é apenas ensiná-los a ler e escreverseu próprio nome. Entendemos que esse processo se estende a um estudo amploe de qualidade. A fim de garantir a apropriação de conhecimentos necessários parasua inclusão social e econômica na comunidade em que vive. Para o educadorPaulo Freire (1996) Alfabetização é aquisição da língua escrita, por um processo de construção do conhecimento, que se dá num contexto discursivo de interlocução e interação, através do desvelamento critico da realidade, como uma das condições necessárias ao exercício da plena cidadania: exercer seus direitos e deveres frente á sociedade global (p.59).Na concepção dos alfabetizadores, alfabetizar jovens adultos e idosos é visto como: A1 “Promover no indivíduo, totalmente cego, que ele enxergue e entenda aquilo que está enxergando, ou seja, aprender a ler e interpretar”. A4 “É como se a pessoa tivesse dando os primeiros passos”. A5 “É ensinar o aluno a conhecer as letras os números que faz parte do nosso dia a dia”. A12 “Ensinar a ler e escrever”. Analisando a fala dos alfabetizadores, percebemos que eles contrapõe aopensamento de Oliveira (1999), quando não consideram do jovem e adulto seusconhecimentos e experiências acumulados ao longo do tempo não percebem queeles trazem consigo a experiência de suas historias de vida.
  • 56. 55 O adulto analfabeto é visto como aquele que nada sabe uma “página em branco”que precisa ser preenchida. Sendo assim, [...] a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. O educador será tanto melhor educador quanto mais conseguir depositar nos educandos. Os educandos, por sua vez, serão tanto melhores educados, quanto mais conseguirem arquivar os depósitos feitos. (FREIRE, 1983, p. 66). Esse processo de alfabetizar é negado por muitos pesquisadores, entre eles,o grande Paulo Freire. Não considerando o analfabeto como ser capaz e produtivo,o alfabetizador tende a ser apenas aquele que deposita e não aquele que tem odever de respeitar os conhecimentos trazidos pelos alfabetizandos Ainda A.12 refere-se ao processo de alfabetização como “Ensinar a ler e aescrever” contrapondo a idéia do Programa que diz que: Não basta ensinar a ler e aescrever, é preciso respeitar o direito a cidadania, ao aprendizado e assegurar umaeducação de qualidade (SEC/TOPA). O processo de alfabetização não deve ser reduzido somente ao domínio deleitura e escrita. Entendemos que é a capacidade do educando fazer uso dessashabilidades para então satisfazer suas necessidades sociais, políticas e culturais.Como afirma Soares “saber usar a leitura e escrita para exercer uma prática socialem que a escrita é necessária” (2003, p.10). O que percebemos, ao longo dessa análise, é que a maioria dosentrevistados apresenta um conceito equivocado e simplista sobre o que sejarealmente alfabetizar.4.2.5 Dificuldades encontradas Em relação às dificuldades para trabalhar com a EJA, 100 % dosalfabetizadores apontam a dificuldade de material para atender a clientela, comoexplícita abaixo: A2 “Falta de material didático e transporte para o alfabetizador”.
  • 57. 56 A5 “A falta de material, que é uma coisa que ajuda muito”. A9 “A falta de material e o local das aulas”. Para 100% dos alfabetizadores entrevistados a falta de material temprejudicado o trabalho. Isso não poderia acontecer no Programa TOPA - Todos pelaAlfabetização, considerando que pela Resolução de Dezembro 2007 adisponibilidade de todo o material é de responsabilidade do Estado, através daDIREC-28 e pelas falas dos alfabetizadores esse material não têm chegado aosespaços educativos. O Programa é uma parceria entre os governos Federal,Estadual e Municipal, incluindo aí as Entidades que a partir da II Etapa passaram afazer parte. É uma Rede, e se alguém falha, o Programa tende ao fracasso.
  • 58. 57 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando que a Educação de Jovens e Adultos deve levar em conta asespecificidades dos tempos humanos e as diversas formas de organizar a vida, otrabalho e a sobrevivência dos coletivos populares, faz-se necessário encontrarmosrespostas para os objetivos propostos neste trabalho. Acreditamos, assim, que com esta pesquisa monográfica tivemos aoportunidade de conhecer o professor/alfabetizador, o seu perfil e o que pensa sobreo seu papel na alfabetização de jovens e adultos, do programa TOPA, no municípiode Campo Formoso – BA. Concluímos no nosso trabalho que parte considerável dos alfabetizadoresapresenta uma visão ingênua e assistencialista do seu papel e percebem aeducação de adultos como processo compensatório, como uma maneira de ajudarseus familiares e vizinhos analfabetos a conhecerem as primeiras letras e não comodireito assegurado por lei. Na nossa análise crítica, a partir das leituras feitas e do confronto dessas coma realidade da pesquisa, entendemos que o papel deste Alfabetizador é intermediaro conhecimento para o educando estabelecendo uma ponte entre o saber popular eo saber científico. E para isso é preciso que este esteja preparado pedagogicamentepara atuar. Na análise dos dados percebemos que o Alfabetizador do ProgramaTOPA não atende ao requisito mínimo para exercer a docência e principalmente adifícil tarefa de alfabetizar. É perceptível a falta de preparo, de habilidades e competências para garantiro processo de alfabetização. Notamos ainda a pouca ou quase nenhumaparticipação em cursos que contemplem a educação de jovens e adultos. Sendo assim, é possível perceber que os alfabetizadores que atuam noPrograma TOPA, uma proposta governamental para ser desenvolvido em oitomeses, não têm experiência suficiente que possa nortear a sua prática enquanto
  • 59. 58educador popular. Por outro lado, esses alfabetizadores pertencem à comunidadeonde alfabetizam pessoas, geralmente da relação de amizade ou mesmo deparentesco. São alfabetizadores que conhecem o cotidiano dos alfabetizandos, masque não têm formação necessária para serem sujeitos capazes de possibilitar umaformação significativa, que atenda aos objetivos da proposta que atuam. Na prática esses Alfabetizadores buscam compensar a falta defundamentação teórica e metodológica, com atuações embasadas no senso comume nas suas experiências de vida. A proposta pedagógica do Programa, baseada na regulamentação federal,tem objetivos claros e procedimentos metodológicos bem definidos. Entretanto,nossa pesquisa mostrou que a sua execução é permeada de obstáculos queinviabilizam o pleno atendimento dos objetivos propostos. Pontuamos também afalta de recursos para custear a infra-estrutura técnico metodológica como outrofator deficiente da proposta, na visão dos nossos pesquisados. Outro ponto a ser considerado é a proposta de formação das UnidadesFormadores. A carga horária pequena (60 horas de curso) tem ajudado aosalfabetizadores a compreenderem melhor o processo de alfabetizar pessoas jovense adultas, mas não é suficiente para formar pessoas sem experiência na docência esem experiência no ato de alfabetizar. Finalizamos o nosso estudo afirmando a necessidade de repensar o processode seleção do alfabetizador, atendendo as exigências propostas pela Resolução eassim cumprir o papel social, não só de diminuir o índice de analfabetismo, masacima de tudo de incluir um número maior de pessoas jovens e adultos no mundo daleitura e da escrita.
  • 60. 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASARROYO, Miguel Gonzalez . Educação de Jovens-Adultos: um campo de direitose de responsabilidade pública. In: Leôncio Soares; Maria Amélia Giovanetti; NilmaLino Gomes. (Org.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. 1 ed. BeloHorizonte: Autêntica, 2005.BRASIL. Ministério da Educação. Proposta curricular para educação de jovens eadultos. Volume 1. Brasília, 2002.BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação: Lei nº 9.394/96 – 24 de dez.1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1998.BRASIL. MEC. SEF. Referenciais para formação de professores. Brasília:MEC/Secretaria de Educação Fundamental, 1999.BARROS, Manoel de. Livro sobre nada. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.CANDAU,V.M.F. Universidade e formação de professores: Que rumos tomar?Magistério, construção cotidiana. Petrópolis: Vozes, 1997.CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e Linguistica. 13° Ed. São Paulo: Scipione,2006.CECCON, et al. A vida na escola e a escola da vida, 33 ed. Rio de Janeiro,Petrópolis: Vozes, 1998.FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 17. ed. Rio de Janeiro, Paze Terra, 1979.______________. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.______________. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo,Cortez, 1996.______________. Conscientização: teoria e prática da libertação; uma introduçãoao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Moraes, 1980._____________. A importância do ato de ler em três artigos que se completam.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971._____________. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996
  • 61. 60_____________. A educação de adultos e as populações marginais: mucambos.In: CENTRO PAULO FREIRE. Estudos e Pesquisas. O pensar e o fazer doProfessor Paulo Freire. Recife: CEP - Estudos e Pesquisas. p. 25- 36., 1996GATTI, Bernardete A. A formação de professores e carreira: problemas emovimentos de renovação. Campinas, SP: Autores Associados, 1997.GRESSLER, Lori A. Pesquisa Educacional: Importância, Modelos,Validade,Variáveis, Hipóteses, Amostragens, Instrumentos. 3a ed. São Paulo: Ed.Loyola, 1989.LAKATOS, Eva Mª. MARCONI, Marina de Andrade Técnicas de pesquisa 3. Ed .Revista e ampliada São Paulo: Atlas, 1996.LIBÂNEO, J.C. Pedagogia e Pedagogos Para Quê?. São Paulo: Cortez.2000LUDKE, Menga; André Marli E. D. A. A pesquisa em educação. Abordagensqualitativas. São Paulo: EPU: 1986.MALGLAIVE, Gerard. Ensinar Adultos. Portugal: Editora Porto, 1995.MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. SãoPaulo: HUCITEC/ABRASCO, 1992.MOACYR, Primitivo. O ensino público no Congresso Nacional, breve notícia. Riode Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1916. A instrução e o Império (subsídiospara a história da educação no Brasil) 1823-1853. 1. v. São Paulo: CompanhiaEditora Nacional, 1936.NEVES, Fátima Maria. O Método Lancasteriano e o Projeto de Formação disciplinardo povo (São Paulo, 1808-1889). 2003, 293f. Tese (Doutorado em História) UNESP,Assis, 2003.OLIVEIRA, Marta Kohl. Jovens e Adultos como sujeitos de conhecimento eaprendizagem. Trabalho encomendado pelo GT Educação de pessoas jovens eadultas e apresentado na 22° Reunião Anual ANPED setembro de 1999.PAIVA, Vanilda Pereira. Educação Popular e Educação de Adultos. São Paulo:Loyola, 1987.PINTO, Álvaro Vieira. Sete lições sobre educação de adultos. 11 Edição. SãoPaulo. Cortez, 2000.
  • 62. 61RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. São Paulo: Avercamp, 2006.SAUNER, Nelita. F. M. Alfabetização de adultos Curitiba: Juruá, 2002.SOARES, Magda. Letramento: Um tema em três gêneros. Belo Horizonte:Autêntica, 2001 Alfabetização e letramento. São Paulo: contexto, 2004SOARES, Magda. Alfabetização: a “ressignificação do conceito”. Alfabetização eCidadania. Revista de Educação de Jovens e Adultos. RaaB, n16, julho 2003.VIEIRA, Maria Clarisse. Fundamentos históricos, políticos e sociais daeducação de jovens e adultos – Volume I: Aspectos históricos da educação dejovens e adultos no Brasil. Universidade de Brasília, Brasília, 2004.TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional, Petrópolis, RJ: Vozes,2002.Triviños, Augusto N.S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisaqualitativa em educação: 1.ed. São Paulo: Atlas, 1987VASCONCELOS, Leite de. Etnografia Portuguesa, vol. 4Site: www.fnde.gov.br, link BRASIL ALFABETIZADO. Acesso em: 10/06/201.
  • 63. 62APÊNDICE
  • 64. 63 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM – BA COLEGIADO DE PEDAGOGIA QUESTIONÁRIODiscente: Tiana Souza Gonçalves Silva Este Questionário é um instrumento de coleta de dados da Pesquisa“Conhecendo o Alfabetizador do Programa TOPA”, orientado pela ProfessoraNorma Leite Martins. Agradecemos a sua colaboração e desde já informamosque a sua identidade e dos demais participantes será mantida em sigilo.Perfil dos entrevistados1. Idade ( ) De 18 a 23 anos ( ) de 24 a 29 anos ( ) 30 a 35 anos ( ) de 36 a 41anos ( ) acima de 42 anos1.1 Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino1.2 Nível de escolaridade ( ) Ensino Médio ( ) superior completo ( ) superior incompleto ( ) Pós- graduação ( ) Outros, especifique:___________________1.2 1 Se possui graduação, qual? ________________1.2.2 Qual o ano de conclusão? ________________1.2.3 Se possui pós graduação, qual? ____________
  • 65. 641.3 Você participa ou participou dos cursos de formação oferecidos pelo programa? ( ) Sim ( ) Não1.4 E outros cursos ou capacitações na área de alfabetização ou EJA? ( ) Sim ( ) Não1.5 Se participa ou participou, qual a peridiocidade? ( ) No último ano ( ) nos últimos 4anos1.6 Além de atuar no programa TOPA, exerce outra ocupação profissional? ( ) sim ( ) nãoQual? Especifique______________1.7 Qual a renda familiar? ( ) até 1 salário mínimo ( ) de 2 a 4 salários mínimos ( ) de 5 a 7 saláriosmínimos ( ) acima de 8 salários mínimos1.8 O que você acha do valor da bolsa (remuneração)? ( ) ótima ( ) Boa ( ) regular ( ) ruim
  • 66. 65 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM – BA COLEGIADO DE PEDAGOGIA ENTREVISTADiscente: Tiana Souza Gonçalves Silva Este Questionário é um instrumento de coleta de dados da Pesquisa“Conhecendo o Alfabetizador do Programa TOPA”, orientado pela ProfessoraNorma Leite Martins. Agradecemos a sua colaboração e desde já informamosque a sua identidade e dos demais participantes será mantida em sigilo.1- Porque você se inscreveu para atuar como alfabetizador?______________________________________________________________________________________________________________________________________2- Você conhece o Programa TOPA? Seus objetivos? Metodologia? Resultados esperados?______________________________________________________________________________________________________________________________________3- Como foi a sua capacitação para atuar no Programa? Foi suficiente e deu segurança para atuar?______________________________________________________________________________________________________________________________________4- Você se identifica com a função de alfabetizar jovens, adultos e idosos?______________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 67. 665- Quais as principais dificuldades que você apontaria no trabalho com a Educação de jovens e adultos?______________________________________________________________________________________________________________________________________6- Na sua atuação no TOPA, como você situaria o seu papel? De professor, de monitor. Explique.______________________________________________________________________________________________________________________________________7- Qual a sua compreensão de alfabetização?______________________________________________________________________________________________________________________________________

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