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Monografia Tatiane Pedagogia 2011
 

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Pedagogia 2011

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    Monografia Tatiane Pedagogia 2011 Monografia Tatiane Pedagogia 2011 Document Transcript

    • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA TATIANE DA SILVA LIMA PEDAGOGIA EMPRESARIAL: A ATUAÇÃO DOSPEDAGOGOS NAS EMPRESAS DE SENHOR DO BONFIM BA SENHOR DO BONFIM 2011
    • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA TATIANE DA SILVA LIMA PEDAGOGIA EMPRESARIAL: A ATUAÇÃO DOSPEDAGOGOS NAS EMPRESAS DE SENHOR DO BONFIM BA Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos. Orientadora: Profª Beatriz Barros SENHOR DO BONFIM 2011
    • TATIANE DA SILVA LIMA PEDAGOGIA EMPRESARIAL: A ATUAÇÃO DOS PEDAGOGOS NAS EMPRESAS DE SENHOR DO BONFIM BA. Monografia apresentada ao Departamento de Educação- Campus VII, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos.Aprovada em_______de ________________de 2011. BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________ Profª Beatriz Barros- Universidade do Estado da Bahia-UNEB Orientadora _____________________________________________________ Profª................................................................................ Universidade do Estado da Bahia – UNEB Examinadora _____________________________________________________ Profª............................................................................ Universidade do Estado da Bahia – UNEB Examinadora
    • A DEUS, este ser supremo fonte de toda graça evirtude.Ao meu amado PAI Pedro Alves Lima, meuorgulho e exemplo de vida, homem sábio, quesendo morador da zona rural, com poucaescolaridade, não mediu esforços para a minhaformação.As minhas três MÃES do coração: Josefa AlvesLima (avó), Maria Angélica de Souza (tia emadrinha), ambas in memória, e Raquel OliveiraReis (mãe). São elas minhas referênciasfemininas de determinação e caráter.Ao meu amado NOIVO Gilson Mendes de Souza– Presente de DEUS na minha vida. Meucompanheiro de todas as horas, que mecompreende e incentiva cotidianamente.
    • AGRADECIMENTOSA minha orientadora PROF.ª BEATRIZ BARROS pela paciência e pelas importanteslições oferecidas do início até a conclusão deste trabalho.A PROFª SIMONE WANDERLEY pelas orientações oferecidas que muitocontribuíram para as melhorias realizadas nesta produção.A PROFª MARIA GLORIA DA PAZ por me instruir na fase inicial deste estudo. E aocolega LUCIMAR BATISTA DE ANDRADE pela sua contribuição na finalização domesmo.Aos (as) AMIGOS (AS) CONQUISTADOS (AS) na minha trajetória no curso depedagogia da UNEB- Campus VII, em especial a ERIVÂNIA DE SOUZA SILVA.A todo CORPO DOCENTE da Universidade do Estado da Bahia- UNEB e, emespecial, aos Docentes do Curso de Pedagogia, cujos ensinamentos jamais serãoesquecidos.
    • RESUMOO presente trabalho consiste em uma abordagem sobre o novo cenáriomercadológico que surge para o pedagogo na contemporaneidade em espaços não-formais, enfatizando dentro desse cenário a empresa como um ambiente rico emnovas perspectivas para esse profissional. Adentramos o universo da pedagogiaempresarial a partir do estudo da vivencia dos pedagogos que atuam emorganizações empresariais da cidade de Senhor do Bonfim-Ba. Trata-se, portanto,de uma investigação acerca da realidade da pedagogia empresarial na cidade, apartir da visão dos próprios pedagogos que atuam na área, elucidando a identidadedesse profissional e desmistificando os desafios e expectativas encontrados nessenovo nicho de mercado.Palavras-Chave: Pedagogo, Identidade profissional, Pedagogia Empresarial.
    • LISTA DE ABREVIATURASSIGLA SIGNIFICADOANFOPE Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da EducaçãoCERB Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia- Núcleo Regional de SenhorEmbasa Embasa- Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A CFE Conselho Federal de Educação CNE Conselho Nacional de Educação RH Recursos Humanos
    • SUMÁRIO 9INTRODUÇÃO1. CAPÍTULO I – PROBLEMÁTICA 12 1.1 A busca da identidade: um breve histórico do curso de 12 Pedagogia 1.2 A pedagogia frente ao mundo contemporâneo: Perspectivas além dos muros da escola 172. CAPÍTULO II – QUADRO TEÓRICO 20 2.1. Pedagogo: Que profissional é esse? 20 2.2. Identidade Profissional do pedagogo 24 2.3. Pedagogia Empresarial 283. CAPITULO III – METODOLOGIA 34 3.1. A pesquisa Qualitativa 34 3.2. Lócus de Pesquisa 35 3.2.1. A Cerb 35 3.2.2. A Embasa 36 3.3. Sujeitos da pesquisa 36 3.4 . Estratégias e Instrumentos da Pesquisa 37 3.4.1. Questionário Fechado 37 3.4.2. A Entrevista Semi- Estruturada 384. CAPITULO IV – ANALISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOSRESULTADOS 39 4.2. O perfil dos sujeitos 39
    • 4.2.1. Idade e Gênero 394.2.2. Grau de escolarização e tempo de formação 414.2.3. Tempo de serviço na empresa e Requisitos da contratação 43 4.2.4. Situação Contratual: Terceirizado ou Efetivo 444.2.5. Remuneração 45 4.3. Ouvindo os Pedagogos: A realidade profissional narrada pelossujeitos 46 4.3.1. A dicotomia entre cargo e atividades desenvolvidas 46 4.3.2. A formação acadêmica auxiliando a prática 49 4.3.3. A valorização profissional no espaço empresarial 514.3.4. A contribuição do pedagogo para o espaço empresarial 53CONSIDERAÇÕES FINAIS 55REFERÊNCIAS 58ANEXOS 61
    • INTRODUÇÃOO desejo de estudar a pedagogia empresarial nasceu da nossa trajetória acadêmicae profissional. No que se refere a nossa trajetória acadêmica, a história começa logona nossa opção no vestibular pelo curso de Pedagogia, que naquele momento era“uma opção por falta de opção” (grifo nosso), pois, na nossa visão de recémconcluintes do ensino médio, a Pedagogia nos levaria a apenas um caminho peloqual acreditávamos não ter vocação: a docência. Porém, como a Universidadenaquele momento dispunha apenas de dois cursos de bacharelado (Enfermagem eCiências Contábeis) pelos quais não tínhamos aptidão, e todos os outros cursoseram Licenciaturas que acreditávamos ter como destino também, apenas adocência, resolvemos então, ingressar na pedagogia por esta ser uma área dentrodas ciências humanas, que favorece a ampliação de nossa leitura de mundo.Já na primeira semana de aula do curso de Pedagogia da UNEB- Campus VII apósum breve comentário da professora quanto aos campos de atuação do pedagogo,nos sentimos entusiasmados ao ouvir falar em Pedagogia Empresarial. Apesar de ocurso ter sido direcionado ao longo da maioria dos semestres para a docência, atémesmo no que se referia aos projetos de pesquisa que desenvolvíamos, nossointeresse pela Pedagogia empresarial não morreu, apenas adormeceu por doisanos, até surgir a oportunidade de desenvolver um estágio extra-curricular numaempresa da cidade. Aqui começa a nossa trajetória profissional que apontamos noinicio deste texto.A oportunidade de desenvolver a pedagogia dentro da empresa através do estágionos causou grande entusiasmo, apesar de até aquele momento não termosconhecimento quanto ao papel do pedagogo dentro de um ambiente empresarial.Assim, ingressamos na empresa atuando dentro do setor de RH e lá permanecemosaté o termino do estágio após um ano. A partir do ingresso iniciamos um período deleituras sobre a pedagogia empresarial, no intuito de conhecer qual seria o nossotrabalho naquela empresa e para a nossa surpresa, a realidade encontrada noslivros estava muito distante do trabalho que passamos a desenvolver durante oestágio, pois, apesar de em alguns momentos sermos solicitados a desenvolvertarefas próprias da Pedagogia Empresarial, as nossas atividades eram na sua
    • grande maioria meramente burocráticas e, além disso, não havia oacompanhamento direto com um pedagogo dentro da empresa que nos pudesseorientar como requer o desenvolvimento do estágio.Precisamos ressaltar que a graduação em pedagogia nos conquistou, de maneiraque aquela visão inicial de opção por falta de opção foi totalmente desfeita e hojereconhecemos que a nossa escolha pela pedagogia foi muito produtiva, apesar docurso em si ter deixado algumas lacunas na nossa formação quanto a atuação dopedagogo em espaços não-formais. Assim, também, o estágio realizado dentro doambiente empresarial deixou suas lacunas no que se refere à criação deoportunidades de conhecimento e desenvolvimento da pratica pedagógica dentro doambiente organizacional, apesar de ter sido por outro lado, um solo rico emaprendizado em tudo o que se refere ao conhecimento da estrutura e funcionamentode uma empresa.Assim, das lacunas sobre a atuação do pedagogo em espaços não formais deixadaspela graduação em Pedagogia, somadas as lacunas deixadas pelo próprio estágioem Pedagogia Empresarial, surgiu o nosso interesse em estudar mais sobre aPedagogia Empresarial.Neste trabalho, portanto, procuramos conhecer a realidade da pedagogiaempresarial na cidade de Senhor do Bonfim BA, a partir da visão dos própriospedagogos que atuam na área, elucidando a identidade desse profissional,desmistificando os desafios e expectativas encontrados nesse novo nicho demercado. Para tanto, foram utilizadas a pesquisa bibliográfica e posteriormente apesquisa de campo.O primeiro capítulo deste trabalho consiste em uma abordagem geral da nossatemática de estudo, onde realizamos um conciso histórico referente ao pedagogo eao curso de pedagogia no Brasil e uma abordagem sobre o novo cenáriomercadológico que surge para o pedagogo na contemporaneidade em espaçosextra-escolares, enfatizando dentro deste cenário o ambiente empresarial.No segundo capítulo realizamos uma reflexão sobre a nossa temática a partir dacontribuição de alguns teóricos que trazem uma discussão em torno dos nossos
    • conceitos chave. Entre esses autores destacamos Libâneo como a principalcontribuição teórica para a realização do nosso estudo, ao trazer uma discussãoriquíssima sobre a formação e a identidade do pedagogo nos temposcontemporâneos.O capitulo III, refere-se ao caminho metodológico percorrido para a realização dessetrabalho, onde elucidamos a nossa escolha pela pesquisa qualitativa. Além disso,apontamos nossa opção pelo questionário fechado e entrevista semi-estruturadagravada como instrumentos de coleta de dados, onde também apresentamos onosso lócus e sujeitos de pesquisa.Já o quarto capítulo consiste na análise dos dados coletados e representa uma dasfundamentais partes do nosso trabalho, ao apresentar e interpretar a realidadepesquisada. Nesse capítulo tivemos a oportunidade de confrontar a teoria estudadacom a realidade vivenciada pelos nossos sujeitos e assim encontrar o caminho pararesponder a questão de pesquisa levantada no capitulo I.Por fim apresentamos as nossas considerações finais onde realizamos umapanhado geral do nosso estudo e concluímos, portanto, todo esse trabalho acercada realidade da Pedagogia Empresarial na cidade de Senhor do Bonfim.
    • CAPITULO I1.1 A busca da identidade: um breve histórico do curso de PedagogiaO presente trabalho consiste em uma abordagem sobre o novo cenáriomercadológico que surge para o pedagogo na contemporaneidade em espaçosextra-escolares, enfatizando dentro desse cenário a empresa como um ambienterico em novas perspectivas para esse profissional. Assim, adentraremos o universoda Pedagogia Empresarial a partir do estudo da vivencia dos próprios pedagogosempresariais atuantes na cidade de Senhor do Bonfim-Ba.Buscamos esclarecer, portanto, que frente à sociedade do conhecimento queestamos vivenciando, o campo de atuação do pedagogo tem se ampliado a cadadia, desconstruindo a visão de pedagogia limitada à docência. Assim, no intuito deelucidar essa questão, consideramos ser importante abordar de forma breve atemática da identidade profissional do pedagogo, pois temos conhecimento quediante das criticas sofridas pela pedagogia na atualidade e a falta de estudos emtorno da desmistificação do campo de atuação do pedagogo é comum entre osgraduandos do curso e até mesmo os educadores já formados, uma visão superficiale reducionista sobre a pedagogia, perdurando assim, uma confusão quanto a seucampo científico e objeto de estudo.Nesse entendimento, realizamos neste capitulo, um conciso histórico a respeito dopedagogo, e um breve estudo sobre a trajetória do curso de Pedagogia em nossopaís, dando inicio dessa forma, a uma reflexão sobre esse profissional, na busca dedesconstruir reducionismos e estereótipos que o envolvem, pincelando assim, aquestão da identidade profissional do pedagogo embasados em alguns teóricosenvolvidos na discussão.A história nos conta que os primeiros pedagogos surgiram a partir do confronto entreGrécia e Roma, onde Roma sai vencedora e entre os atenienses capturados comoescravos encontram homens detentores de habilidades e conhecimentos múltiplos,
    • que lhes causam admiração. Estes passam a ser os pedagogos-escravos,responsáveis por conduzir as crianças ao caminho da escola ao tempo em quesegundo Brandão (1995) “[...] faziam a educação dos preceitos e das crenças dacultura da polis (p.43).”Mais tarde e segundo Holtz (1999) com o desaparecimento da escravatura opedagogo escravo deixou de existir, passando então a receber o nome dePedagogos os estudantes pobres, que aprendiam com os filósofos e se instalavam,nos castelos senhoriais e nas casas de famílias nobres, atuando como professoresencarregados da educação dos filhos dos fidalgos e dos grandes senhores. Assim,enquanto estudavam, ensinavam e recebiam em paga, apenas pequenasimportâncias. Na maioria dos casos, ensinavam a troco de hospedagem,alimentação, luz e roupa lavada.Buscando conhecer um pouco da trajetória do curso de pedagogia no Brasil,recorremos a Scheibe e Aguiar (1999) e percebemos que este, foi criado comoconseqüência da preocupação com o preparo de docentes para atuarem na escolasecundária e surgiu junto com as licenciaturas, instituídas ao ser organizadas aantiga Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, pelo Decreto-lein° 1190 de 1939.Naquela época, a antiga faculdade Nacional de Filosofia, possuía uma organizaçãocurricular que separava bacharelado e licenciatura, seguindo o esquema conhecidocomo 3+1, destinando três anos as disciplinas de conteúdo e um ano as disciplinasde cunho pedagógico. Assim, oferecia-se o titulo de bacharel aquele que cursasseos três primeiros anos em estudos específicos, e de licenciado aquele que cursassemais um ano de estudos dedicados a prática de ensino e a didática. Segundo talesquema, o pedagogo formado, teria então, duas possibilidades de atuação: comobacharel em Pedagogia era preparado para ocupar cargos técnicos da educação, ecomo licenciado era destinado à docência no curso normal.De acordo com Silva (2006) “Em sua própria gênese, o curso de pedagogia járevelava muitos problemas que o acompanharam ao longo do tempo (p.12).” Entreeles, podemos destacar a exacerbada separação entre conteúdo e método que o
    • esquema 3+1 estabelecia, e a falta de campo específico para seus profissionais,pois, segundo Silva (2006) o bacharel não possuía ainda suas funções bemdefinidas de maneira que não dispunha de campo que o demandasse; e para olicenciado a situação também não era das mais favoráveis, pois sendo o cursonormal seu campo de atuação, este não era especifico a ele, pois para lecionarnesse curso era suficiente apenas, o diploma de qualquer formação de nívelsuperior.Em 1962, a partir do parecer da CFE- Conselho Federal de Educação N. 251/62,algumas pequenas alteração são incorporadas ao currículo do curso de pedagogia,onde o então conselheiro Valnir Chagas trata de fixar a duração do curso e umcurrículo mínimo composto por cinco disciplinas obrigatórias a formação do bacharel,sendo elas: psicologia da educação, sociologia geral da educação, historia daeducação, filosofia da educação e administração escolar. O aluno interessado notitulo de licenciado, cursava, além das cinco obrigatórias, as disciplinas de didática epráticas de ensino.Porém, apesar das pequenas alterações realizadas em 1962, o esquema conhecidocomo 3+1 foi mantido até 1969, ano em que o curso de pedagogia passou por umareorganização curricular, abolindo-se a distinção entre bacharelado e licenciatura, ecriadas as “habilitações”, cumprindo o que acabava de determinar a lei no 5540/68de acordo com Scheibe e Aguiar (1999, p.5). É importante compreender que sebuscava naquela época, segundo Silva (2006) estabelecer a correspondênciaimediata entre o currículo e as atividades a serem desenvolvidas por cada profissão,tendência muito clara no contexto pós golpe militar de 1964. Portanto, as mudançasocorridas nesse período eram compatíveis com o projeto de desenvolvimentonacional visado pela ditadura militar.Assim, em 1969 criaram-se cinco “habilitações” para o curso de pedagogia. Eramelas: Ensino das disciplinas e atividades práticas dos cursos normais, Orientaçãoeducacional, Administração escolar, Supervisão escolar e Inspeção escolar. Todasestas, possuíam uma base comum de estudos, constituída por matériasconsideradas básicas a formação de qualquer profissional da área. Além disso,cada uma das habilitações possuía também uma base diversificada, composta por
    • disciplinas que atendiam as suas especificidades. Assim, o curso de pedagogiapassou a oferecer exclusivamente diploma licenciado a seus formandos, pois, todasas habilitações permitiam o exercício da docência no curso normal. Portanto, a partirdo parecer de 1969, o curso de pedagogia visava formar ao mesmo tempoespecialistas, para as atividades de orientação, administração, supervisão einspeção nas instituições escolares, e professores para o ensino normal.Definindo assim, o campo de atuação do pedagogo da época, o parecer de 1969,trouxe avanços significativos, porém em contrapartida sua reorganização curriculartrouxe fragmentação à formação do pedagogo. Pois, segundo Silva (2006) aoestabelecer duas partes que compõem o curso, de um lado “a base de qualquermodalidade de formação pedagógica” e de outro, as “habilitações específicas” dá aentender que essas duas partes são distintas e independentes entre si. Além disso,os estudos sobre administração, supervisão, orientação e inspeção são previstospara serem feitos em habilitações distintas, como se cada uma delas dispusesse deum corpo de conhecimentos que lhe fosse próprio e exclusivo. Segundo a autoranão se pode formar o educador com partes desconexas de conteúdos,principalmente quando essas partes representam tendências opostas em educação:uma tendência generalista e outra tecnicista.Ainda segundo Silva (2006) entre as três regulamentações apresentadas, o parecerde 1969 pode ser considerado o mais eficaz quanto à definição do mercado detrabalho, porém pouco fértil no oferecimento de condições para ocupá-lo, podendoser considerado também, devido à fragmentação da sua organização curricular, omenos eficaz quanto às possibilidades de formação do pedagogo enquantoeducador.Mais tarde, no período de 1973 a 1978 surge a ameaça de extinção do curso depedagogia no país, através de indicações encaminhadas pelo então conselheiroValnir Chagas ao Conselho Federal de Educação, objetivando a substituição docurso de pedagogia por novos e variados cursos e habilitações. Cabe salientar que aextinção só não aconteceu em virtude do Ministério da Educação e Cultura terinterrompido tal iniciativa.
    • Entre 1978 e 1999 inicia-se um ciclo de revisão do curso de pedagogia a partir deindicações construídas coletivamente pelos próprios educadores. Em meio a esseperíodo, destacamos o encontro de Belo Horizonte-MG em 1983 da ComissãoNacional dos Cursos de Formação do Educador (que em 1999 foi transformada emANFOPE- Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação),onde se difundiu a idéia de que “a docência constitui a identidade profissional detodo educador.” Finalmente, em 1998 o curso de Pedagogia resistiu aosquestionamentos sobre a sua existência ou extinção quando o MEC optou pela suamanutenção e reformulação por meio do Ofício Circular nº014/98.No mesmo ano a ANFOPE propõe as Diretrizes Curriculares Nacionais para osCursos de Pedagogia tendo como base a autonomia para que as Instituições deEnsino organizem as suas propostas seguindo a Base Comum Nacional,estabelecendo a docência como base da identidade de todos os profissionais daeducação. A ANFOPE especifica as seguintes áreas de atuação para os pedagogos:educação básica (infantil, ensino fundamental e médio, educação de jovens eadultos, educação para portadores de necessidades especiais, curso normal),educação profissional, educação não-formal, educação indígena e educação adistancia.A partir de 1999 inicia-se o período dos decretos presidenciais que atingem asfunções do curso de pedagogia e para Silva (2006) esse período “[...] se diferenciados demais por predominarem documentos que representam um deslocamento dopoder de decisão do âmbito do Conselho Nacional de Educação (CNE) para aPresidência da Republica (p.93).” Tais decretos segundo a autora possuem a funçãode prescrever limites às funções do curso de pedagogia.As ultimas mudanças ocorridas no curso estão contidas na resolução da CNE/CP n°1, de 15 de Maio de 2006 que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Cursode Graduação em Pedagogia, licenciatura; o documento traz claramente adenominação do curso como licenciatura e segundo Libâneo (2006): A redação indica um entendimento que substitui o conceito de pedagogia pelo de docência, em conformidade com o lema da ANFOPE: “A docência é a base da formação de todo e qualquer profissional da educação e da sua
    • identidade” (p.846).”Assim, é notório que a resolução do CNE, também possui entraves quecomprometem o curso de pedagogia, e o maior deles encontra-se na confusão entreos termos pedagogia e docência, pois para Libâneo (2006) é preciso se “[...]compreender a docência como uma modalidade da atividade pedagógica, de modoque a formação pedagógica é o suporte, a base, da docência, não o inverso(p.850).” Dessa forma, segundo o mesmo autor, “[...] por respeito à lógica e a clarezade raciocínio, a base de um curso de pedagogia não pode ser a docência (p.850).”Nessa breve abordagem histórica, apesar dos diferentes momentos pelos quaispassou o curso de pedagogia percebemos que ao longo do tempo em sua legislaçãotem predominado a docência como foco de formação profissional. É notóriotambém, que o curso se encontra ainda em fase de construção sendo que as últimasalterações realizadas no seu aparato legal têm mantido problemas crônicos docurso, sendo o maior entre eles, o questionamento interminável quanto à identidadeprofissional do pedagogo, que parece estar ainda longe de obter resposta, devidonão apenas a legislação instável que acerca, mas também, frente ao novo mercadode trabalho que se abre na contemporaneidade para o pedagogo, que muitopossivelmente produzirá mudanças no perfil desse profissional.1.2 A pedagogia frente ao mundo contemporâneo: Perspectivas além dos muros da escolaNos tempos contemporâneos, a visão de educação limitada ao espaço escolarencontra-se ultrapassada. Já é sabido que o fenômeno educativo permeia toda asociedade, através das modalidades de educação informal, não-formal e formal. Ésabido também que estas três modalidades se distinguem entre si a partir do grau deintencionalidade que cada uma carrega. Dessa forma, a educação informalcorresponde as praticas educativas não intencionais e não organizadas e que nãoestão ligadas especificamente a uma instituição. A educação não-formal já possuicerta sistematização e organização, porém acontece fora do quadro de sistemaformal de educação, ou seja, da escola. Já a educação formal é institucionalizada,totalmente intencional, estruturada e sistemática.
    • Diante disso, segundo Libâneo (2001) “Se há muitas praticas educativas, em muitoslugares e sob variadas modalidades, há, por conseqüência, várias pedagogias [...](p.24).” Ainda segundo o mesmo autor, “O pedagógico perpassa toda a sociedade,extrapolando o âmbito escolar formal, abrangendo esferas mais amplas daeducação informal e não-formal (p.20).” Nesse entendimento, compreendemos queassim como é ultrapassada a idéia de educação limitada ao espaço escolar, tambémé retrogrado o entendimento de pedagogia voltada especificamente para a docência,como estabelece o lema da ANFOPE no qual se apóia a atual legislação. Pois, omundo contemporâneo tem aberto novas perspectivas de atuação do pedagogo, queultrapassam o âmbito escolar, exigindo um profissional capacitado para atuar alémdos muros da escola.Destacamos, portanto, a modalidade de educação não-formal, que como sabemos éintencional e acontece fora do quadro formal de educação, ou seja, em espaçosextra-escolares, razão pela qual essa modalidade vem sendo chamada também deeducação extra-escolar. Dentro desta modalidade de educação destacam-semúltiplas práticas pedagógicas intencionais em espaços diferenciados, que a cadadia se abrem para a atuação do pedagogo. Entre esses espaços podemos citar oambiente hospitalar, empresarial, social e ambiental, que demandam orientaçãopedagógica. Diante disso, dentre esse novo cenário mercadológico que surge para opedagogo, destacamos a empresa como um campo rico em novas perspectivas paraesse profissional.Nesse entendimento, Holtz (1999) diz que “tanto a Empresa como a Pedagogiaagem em direção a realização de ideal e objetivos definidos, no trabalho de provocarmudanças no comportamento das pessoas (p.6-7).” Portanto, há uma semelhançade interesses entre pedagogia e empresa. Razão pela qual Holtz (1999) diz queambas fazem um casamento perfeito, pois possuem o mesmo objetivo em relaçãoàs pessoas, principalmente nos tempos contemporâneos, onde as empresas estãoreconhecendo gradativamente a necessidade de desenvolver as potencialidades dosseus colaboradores, como arma de sobrevivência em mercados competitivos.Ribeiro (2008) afirma que “a pedagogia empresarial existe, portanto, para dar
    • suporte tanto em relação à estruturação das mudanças quanto em relação àampliação e aquisição de conhecimentos no espaço organizacional (p.11).” A partirdeste entendimento, compreendemos que a Pedagogia Empresarial, já é umarealidade bem presente nos tempos contemporâneos, e que esta pode servisualizada como um moderno campo de atuação do pedagogo, cabendo, portanto aesse profissional lutar pela ocupação desse novo nicho de mercado que cresce acada dia.Tendo conhecimento que muitos pedagogos que atuam nas empresas encontram-sesem legitimidade profissional, seja pela falta de especialização na área, seja pelodesconhecimento de algumas empresas quanto às funções educativas que esteprofissional está apto a desenvolver, inquieta-nos neste estudo entender qual overdadeiro papel dos pedagogos que atuam nas empresas da cidade de Senhor doBonfim.Diante da problemática apresentada, nossa questão de pesquisa é conhecer arealidade da Pedagogia Empresarial na cidade de Senhor do Bonfim-Ba, a partir davisão dos pedagogos que atuam na área, elucidando a identidade desseprofissional, desmistificando os desafios e expectativas encontrados nesse novonicho de mercado. E nessa perspectiva nosso objetivo é conhecer a realidade dapedagogia empresarial na cidade de Senhor do Bonfim a partir da visão dos própriospedagogos.
    • CAPÍTULO II QUADRO TEÓRICODesenvolvemos neste capítulo uma reflexão sobre a nossa temática a partir dacontribuição de alguns teóricos que trazem uma discussão em torno dos seguintesconceitos chave que norteiam o nosso estudo: Pedagogo, Identidade profissional ePedagogia Empresarial.2.1 Pedagogo: Que profissional é este?Para entendermos de fato quem é o pedagogo precisamos buscar compreender aeducação em um sentido amplo. É preciso reconhecer que o processo educativoestá inserido em todas as esferas da sociedade. Brandão (1995) diz que a educaçãonos invade a vida e ressalta que “não há uma forma única nem um único modelo deeducação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja omelhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é oseu único praticante” (p.9). Aliado a esse pensamento Cadinha (2009) salienta: Educação ocorre em todos os momentos de vida do indivíduo, os processos educativos acontecem em uma variedade de manifestações e atividades- sociais, políticas, culturais, econômicas, religiosas, familiares, escolares..., por meio de distintas modalidades-formais, informais e não formais. É nessas práticas educativas o campo de estudo científico da pedagogia (p.17)Portanto, entendendo que o processo educativo não se limita a escola, mas,perpassa todas as esferas sociais através das três modalidades acima citadas,podemos compreender que o pedagogo é o profissional capaz de atuar não apenasno ambiente escolar, mas em todos os espaços onde há processos educativosacontecendo. Como afirma Libâneo (2006): [...] pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de
    • transmissão e assimilação de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana previamente definidos em sua contextualização histórica. Em outras palavras, pedagogo é um profissional que lida com fatos, estruturas, contextos, situações, referentes à pratica educativa em suas várias modalidades e manifestações (p.44-45).Salientamos que o mundo tem se tornado cada vez mais globalizado e complexo,vivemos a era da informação onde o conhecimento está amplamente disponível enunca na historia da humanidade houve tanta necessidade de se desenvolver ascapacidades intelectuais das pessoas. Hoje o mundo muda em alta velocidade, oque exige de nos maior disposição para aprender e reaprender a cada dia. Em meioa essa realidade temos nos tornado dependentes do o processo de ensino eaprendizagem. Como afirma Beillerot, (1985) apud Libâneo (2006) “estamos diantede uma sociedade genuinamente pedagógica (p.19).”Diante dessa realidade, segundo Ramal (2002) “a capacidade de gerenciar ainformação se torna, muitas vezes, a competência mais valiosa p.1).” Fato que vemprivilegiar o pedagogo, pois, como profissional mediador dos processos de ensino eaprendizagem, abre-se para este profissional um leque de novas possibilidades deatuação, como afirma Ortega e Santiago (2009): [...] ao contrario de outras profissões que perdem espaço no mercado de trabalho, o pedagogo a cada dia tem seu raio de atuação ampliado por uma gama de espaços educativos que demandam criticidade, consciência histórica e perspectiva política que é revelada na intencionalidade de sua práxis (p.29)Segundo Libâneo (2006), dentre as praticas educativas existentes na sociedade,todas as que se configuram como intencionais são campos de atuação para opedagogo, havendo assim duas esferas para a atuação deste profissional: escolar eextra-escolar. Nesse mesmo entendimento, Cadinha (2006) afirma que o pedagogoé um estudioso das ações educativas existentes na sociedade e que além dasatividades escolares propriamente ditas, os pedagogos atuam também comoformadores, animadores, instrutores, organizadores, técnicos, consultores,orientadores que desenvolvem atividades pedagógicas (não escolares) em órgãospúblicos e privados ligados a empresas, à cultura, aos serviços de saúde,alimentação, promoção social, etc.
    • Diante do exposto, podemos concluir, que além do ambiente escolar, se abre nacontemporaneidade, para o pedagogo um novo cenário mercadológico, distribuídosentre variados espaços extra-escolares, como afirma Ortega e Santago (2009): Nesse sentido, a demanda do pedagogo em espaços como hospitais, presídios, empresas, ONGs ou mesmo em espaços de comunicação como TV, rádio, revistas, editoras ou ainda campanhas sociais educativas é muito grande. Não param de crescer as opções de trabalho para o pedagogo. (grifo nosso) (p.30)Frente a essa nova realidade, é notório que se exige do pedagogo hojecompetências mais complexas. Sua função na sociedade não é mais de merocondutor ou instrutor de crianças como nos primórdios, nem tampouco se restringe asala de aula, como muitos ainda insistem em afirmar. O que se espera desteprofissional na contemporaneidade é que ele seja um educador no seu sentidoamplo. Mesmo sabendo que não é ele o único responsável pela educação, entende-se que cabe a esse profissional a missão de contribuir para a emancipação dohomem, tornando-o cidadão consciente para o exercício de seus direitos e deveres.Assim, para que o pedagogo possa atender as exigências da atualidade faz-senecessário repensar a sua formação, pois, a atual Resolução CNE/CP n.1, de15/05/2006 em seu artigo 2° estabelece que o curso de pedagogia se destina àformação de professores para o exercício da docência em educação infantil, anosiniciais do ensino fundamental, cursos de ensino médio na modalidade Normal,cursos de educação profissional na área de serviços escolar, cursos em outrasáreas que requeiram conhecimentos pedagógicos. Também em seu artigo 4° aresolução explicita ainda o curso de pedagogia como licenciatura. Assim, de acordocom Libâneo (2006) “a Resolução trata, portanto, da regulamentação do curso depedagogia exclusivamente para formar professores para a docência naqueles níveisde ensino (p.844).”Diante disso, é notório que a Resolução em vigor, ao direcionar a formação dopedagogo para a docência, encontra-se incompatível com essa nova realidademercadológica que se abre para o pedagogo na contemporaneidade, pois, o cenárioatual, demanda uma formação mais ampliada, extrapolando os muros escolares eabrangendo todos os espaços possíveis de atuação profissional, e para isso é
    • preciso antes de tudo desfazer a confusão entre os termos docência e pedagogia,compreendendo que ambos “estão inter-relacionados, mas não são sinônimos(Libâneo 2001, p.9).”Ainda de acordo com Libâneo (2001), a pedagogia é o campo do conhecimento quese ocupa do estudo sistemático da educação, diz respeito a uma reflexãosistemática sobre o fenômeno educativo e as suas práticas, para poder ser umainstância orientadora do trabalho educativo em si. Ou seja, ela não se refere apenasàs praticas escolares, mas a um imenso conjunto de outras práticas. Desse modonão podemos reduzir a educação ao ensino e nem a pedagogia aos métodos deensino. Assim entendemos que a docência é apenas uma modalidade da atividadepedagógica, entre tantas outras existentes. Nesse entendimento, segundo o autor: O curso de Pedagogia se destina a formar pedagogo-especialista, isto é, um profissional qualificado para atuar em vários campos educativos, para atender demandas socioeducativas (de tipo formal, não formal e informal) decorrentes de novas realidades [...] (p.12)Ressaltamos que a docência é uma modalidade fundamental da pedagogia e que anossa discussão sobre a ampliação dos campos de atuação do pedagogo não vemcontestar a importância da formação do pedagogo escolar. A boa formação desteprofissional é imprescindível para transformar a escola em um verdadeiro ambientede aprendizagem, humanização e inclusão. O que conseqüentemente levará a umamelhoria de toda a estrutura social. O que questionamos é apenas a visão simplistaque se tem criado ao longo da historia de que a pedagogia se limita a técnicas oumaneiras de ensinar.Esclarecida essa questão, voltamos a nossa pergunta inicial: que profissional é opedagogo? Diante do caminho que percorremos durante a exposição dessatemática, fazemos nossas as palavras de Libâneo (2006) para dizer que o pedagogoé o profissional que atua em várias instancias da prática educativa, tendo em vistaobjetivos de formação humana previamente definidos em sua contextualizaçãohistórica.
    • 2.2 Identidade Profissional do pedagogoEntendemos que a Identidade é um tema muito rico e extenso, requer, portanto,muito estudo e pesquisa e, além disso, temos conhecimento que dentro desseuniverso há uma infinidade de contextos possíveis de serem discutidos comoIdentidade cultural, nacional, regional, racial etc. Porém, não é nosso objetivo nestetexto aprofundar nossa discussão em torno dessa temática. Faremos então, apenasuma breve abordagem sobre a Identidade no seu contexto geral e profissional nointuito de desmistificar a questão da Identidade profissional do pedagogo nostempos contemporâneos.Compreendemos que Identidade é o conjunto de características próprias de umindividuo. Segundo Erikson (1976) a Identidade se constrói simultaneamente nojuízo que o sujeito faz de si próprio, tendo como referência os seus julgamentossobre os outros, os julgamentos dos outros sobre ele próprio, como também ocontexto social em que está inserido. Assim, cada ser humano desde o seunascimento, cotidianamente vai adquirindo a partir de suas vivências, uma gama decaracterísticas que em conjunto formam aquilo que o torna único e diferente dosdemais, a sua Identidade pessoal.É interessante observarmos que a Identidade do sujeito encontra-se em constanteprocesso de transformação, sendo construída e reconstruída a cada dia a partir deaspectos psicológicos, sociais, culturais e econômicos dentro de um dado momentohistórico. Nesse entendimento Tápias-Oliveira (2006) afirma que “as Identidades nãosão fixas, são flexíveis, tão flexíveis quanto às relações sociais em que se inserem(p.40).”Tedesco (1995) relata que na sociedade tradicional a construção da Identidade dosujeito baseava-se em fatores como o gênero, a raça, a etnia e a religião e que ocapitalismo e a democracia minaram significativamente a importância destes fatores,substituindo-os pela nação, a classe social e a ideologia política. Ele afirma que oque há de peculiar no atual momento histórico é, precisamente, a importância queassume a atividade do sujeito na construção da sua Identidade, pois, diferentementedos períodos históricos anteriores, as Identidades não são mais impostas totalmente
    • do exterior, mas é preciso construí-las de forma individual, o que denota umatendência ao enfraquecimento dos pontos de referencia tradicionais econseqüentemente maior protagonismo das pessoas na construção de suasIdentidades.No que se refere à Identidade profissional, compreendemos que esta é resultado davinculação do ser humano a atividade econômica que desempenha dentro dasociedade. Ela é de fundamental importância na vida das pessoas, pois o trabalhonos tempos contemporâneos representa muito mais que uma forma de subsistência.Ele tem se tornado uma forma de realização pessoal e de status social, pois diantedo modelo econômico capitalista, os indivíduos costumam sentir a necessidade deserem economicamente produtivos e, sobretudo reconhecidos pela tarefa quedesempenham.Podemos constatar essa realidade ao observarmos que costumamoscorriqueiramente nos identificar pela profissão que exercemos: sou médico,professor, pedreiro, gerente, etc. Nesse contexto, é interessante reconhecermos queesta é uma forma de identificação tão natural e corriqueira que muitas vezes nosleva ao entendimento que as formas de Identidade profissional e pessoal seconfundem, parecendo ambas representarem a mesma coisa, nos esquecendo,portanto que a primeira é apenas parte componente da segunda.A construção da Identidade profissional é realizada a partir da formação técnica ouacadêmica e das experiências profissionais que o sujeito vivencia. Seudesenvolvimento consiste em o sujeito adotar como seus as normas e valoresessenciais de uma profissão e sentir-se parte integrante de uma categoria que passaa representar em todas as suas atitudes profissionais, de maneira que ao assumirsua Identidade profissional o sujeito passa a estar comprometido não apenas comsua imagem pessoal, ele passa a ser responsável também pela boa representaçãode sua categoria perante a sociedade.Temos conhecimento que há no meio intelectual uma discussão histórica sobre aIdentidade profissional do pedagogo. Desde sua criação em 1939 o curso dePedagogia no Brasil tem passado por várias reformulações e duras críticas. Quanto
    • às reformulações a partir da breve abordagem histórica realizada no capitulo Ipodemos observar que estas não foram eficazes no sentido de definir o campocientífico e objeto de estudo da pedagogia, permanecendo, portanto, as velhasincertezas até os dias atuais. Segundo Libâneo (2001) “intelectuais ligados aalgumas das disciplinas especializadas insistem em negar Identidade cientifica aPedagogia, mesmo desconhecendo o seu campo teórico e sua problemática [...](p.98).” Ainda segundo o autor: Os dilemas e impasses em torno da Identidade da ciência pedagógica no Brasil, inclusive o exercício profissional do pedagogo, decorrem: a) da forma como tem ocorrido, ao longo da historia da educação, a transferência e assimilação de paradigmas e modelos teóricos de outros contextos; b) da ausência de tradição de estudos especificamente pedagógicos, ou seja, relacionados com o campo científico da Pedagogia (p.107)Pimenta (1998) elucida que a natureza do objeto da Pedagogia, enquanto ciência daeducação é a própria educação enquanto prática social (grifo nosso). Ela se ocupacom a ação de educar, com o ato educativo e com a intervenção neste ato, no intuitode conhecê-lo e de transformá-lo, munida, portanto de uma intencionalidade. Assima autora afirma que a Pedagogia é a ciência que tem na prática da educação a suarazão de ser, sendo, portanto, a ciência responsável pelo estudo sistemático dosfenômenos educativos.Libâneo (2001) também conceitua a Pedagogia como Ciência da Educação e lembraque não é a pedagogia a única área cientifica que tem a educação como objeto deestudo, ao dizer que a Sociologia, a Psicologia, a Economia, a Lingüística, também,podem ocupar-se de problemas educativos, mas esclarece que cada uma dessasciências aborda o fenômeno educativo sobre a perspectiva de seus própriosconceitos e métodos de investigação. Assim, o autor afirma que “É a pedagogia quepode postular o educativo propriamente dito e ser ciência integradora dos aportesdas demais áreas (grifo nosso) (p.29).” E salienta que “A pedagogia, com isso é umcampo de estudos com Identidade e problemáticas próprias (p.30).”O autor considera reducionista o lema da ANFOPE que estabelece a docência comobase da Identidade de todo educador. Em relação ao pedagogo ele elucida que apedagogia ocupa-se de fato, dos processos educativos, dos métodos e maneiras deensinar, mas que antes de tudo isso ela tem um significado bem mais amplo, bem
    • mais globalizante, pois se caracteriza como o campo do conhecimento sobre aproblemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, comouma diretriz orientadora da ação educativa. Assim segundo Libâneo (2006): É disto que trata a Pedagogia: a mediação de saberes e modos de agir que promovem mudanças qualitativas no desenvolvimento e na aprendizagem das pessoas, objetivando ajudá-las a se constituírem como sujeitos, a melhorarem sua capacidade de ação e suas competências para viver e agir na sociedade e na comunidade (p.866)Já abordamos no presente trabalho que na contemporaneidade o mercado detrabalho tem aberto para o pedagogo novos campos de atuação. Essa novarealidade vem provocar mudanças no perfil deste profissional, necessitandorepensar, portanto a sua formação, pois segundo Libaneo (2001): Considerando-se a variedade de níveis de atuação profissional do pedagogo, há de se convir que os problemas, os modos de atuação e os requisitos de exercício profissional nesses níveis não são necessariamente da mesma natureza, ainda que todos sejam modalidades de prática pedagógica. De fato, os focos de atuação e as realidades com que lidam, embora unifiquem em torno das questões do ensino, são diferenciados, o que justifica a necessidade de formação de profissionais da educação não diretamente docentes. Ou seja, níveis distintos de prática pedagógica requerem uma variedade de agentes pedagógicos e requisitos específicos de exercício profissional que um sistema de formação de educadores não pode ignorar (p.53-54)Não pretendemos afirmar com isso que o curso de graduação em Pedagogia devacontemplar todas as possíveis áreas de atuação do pedagogo com profundidade.Sabemos que o aprofundamento sobre cada campo de atuação fica a cargo doscursos posteriores como as especializações ou pós-graduações. Mas, entendemosser necessária uma reformulação no sentido de equiparar à graduação emPedagogia a nova realidade mercadológica da contemporaneidade, não ficandoessa formação voltada somente para a docência, deixando a margem todos osoutros contextos educacionais, favorecendo assim os atuais reducionismos quecercam Pedagogia.Assim, entendemos que a graduação em Pedagogia necessita capacitar o formandopara compreender a educação num sentido amplo, fazendo-o conhecer a fundo asua profissão para responder com facilidade os questionamentos sobre a suaIdentidade. É preciso, portanto, fazê-lo compreender que, “a Identidade profissional
    • do pedagogo se reconhece na Identidade do campo de investigação e na suaatuação dentro da variedade de atividades voltadas para o educacional e para oeducativo (Libâneo 2001, p.47).2.3 Pedagogia EmpresarialA Pedagogia Empresarial é um novo campo da pedagogia em espaços não-formaisou extra-escolares e “caracteriza-se como uma das possibilidades deformação/atuação do pedagogo bastante recente no contexto brasileiro” (Ribeiro2008, p.9). De acordo com Urt e Lindquist (2004) o pedagogo começou a atuar naempresa entre o final da década de 60 e início da década de 70, período em que seobservou uma crescente automatização do processo de trabalho e surgimento denovas tecnologias.Naquela época, segundo Urt e Lindquist (2004) o mercado de trabalho passou areclamar a profissionalização dos trabalhadores para acompanhar as mutações queestavam ocorrendo no mundo laboral, decorrentes de transformações tecnológicas ea escola encontrava-se despreparada para oferecer contribuições naprofissionalização dos trabalhadores para que atendessem as perspectivas dedesenvolvimento industrial.Assim, para formar o trabalhador que se necessitava naquele momento, se buscououtros mecanismos situados fora do espaço escolar. A formação profissional passoua ter seu âmbito cada vez mais definido no local de trabalho e o pedagogo passou atrabalhar no levantamento das necessidades de aprendizagem, no planejamento eexecução de treinamentos, conduzindo os processos de escolarização que ocorriamdentro da empresa, viabilizando assim, programas de ensino normal queproporcionassem a escolaridade básica aos empregados que não tinham.Segundo os autores, a preocupação da empresa naquela época era a de possuir umtrabalhador que tivesse uma escolaridade básica, o conhecimento técnico daatividade que iria desenvolver e que não promovesse conflitos, existindo, portanto, apreocupação com a adaptação pacífica do empregado ao posto de trabalho,
    • incluindo-se então, no processo de treinamento os cursos de relações humanas, quena maioria das vezes eram ministrados pelo Pedagogo em parceria com oPsicólogo. Era notório, portanto que o interesse da empresa estava voltado para ummodelo organizacional vertical e hierarquizado, onde o empregado era visto apenascomo mais uma ferramenta dentro do processo produtivo e como as outras“maquinas” precisava de alguns reparos para que não apresentassem “defeitos”durante o processo de produção.Hoje, segundo Libâneo (2006) o mundo vivencia a 3ª revolução industrial,caracterizada pela internacionalização da economia e por inovações tecnológicas ecientificas que provocam mudanças no sistema de organização do trabalho,havendo assim uma “intelectualização” do processo produtivo que leva a novasexigências de qualificação do trabalhador.Para o profissional da atualidade, não é mais necessário apenas a competênciatécnica para a atividade que vai desempenhar dentro da empresa, mas tambémcaracterísticas como pró-atividade, liderança, autonomia, boa comunicação,flexibilidade e criatividade. Para Urt e Lindquist (2004) estamos vivenciandoatualmente uma realidade onde nota-se que “[...] a capacidade manual não é maisimprescindível, mas a capacidade cognitiva e emocional são os fatores dedesenvolvimento e produtividade, a empresa reivindica a “mente e o coração” doindivíduo (p.4-5).”É perceptível nesse cenário, o desenvolvimento de uma visão diferenciada dasempresas em relação ao trabalhador. Podemos visualizar tal transformação, porexemplo, através da mudança de nomenclatura ocorrida na organização, onde otermo empregado vem sendo substituído por colaborador e recursos humanos porgestão de pessoas, indicando que a empresa tem se conscientizando que paraatingir seus objetivos e metas é preciso manter o foco no desenvolvimento evalorização do potencial humano. Segundo Chiavenato (2008): As pessoas passam a significar o diferencial competitivo que mantém e promove o sucesso organizacional. Elas passam a construir a competência básica da organização, a sua principal vantagem competitiva em um mundo globalizado, instável, mutável e fortemente concorrencial (p.4)
    • Diante dessa nova realidade, onde as empresas passam gradativamente acompreender a importância de desenvolver as competências dos seuscolaboradores, como forma de sobrevivência em um mundo cada vez maiscompetitivo, muda-se o papel do pedagogo dentro da empresa, este deixa de ser umprofessor encarregado de complementar a escolarização básica dos trabalhadores,como nos anos 60/70, passando a atuar como agente educacional responsável porprovocar mudanças positivas no comportamento das pessoas melhorando aqualidade de seu desempenho profissional e pessoal. E nesse novo contextoempresarial, segundo Ribeiro (2008): O “aprender” transforma-se em uma parte integrante do desenvolvimento da empresa, que passa a ter nos processos de aprendizagem uma forma de vínculo com o seu redor. Esta postura vem acompanhada de uma pedagogização das ações de gestão organizacional que precisa estimular e desenvolver cada vez mais a capacidade de auto-organização e desenvolvimento de seus empregados (p.31-32)Nesse entendimento Cagliari (2009) diz que “o Pedagogo Empresarial surge comouma nova ferramenta para este desenvolvimento nas organizações que caminhampara serem empresas aprendentes (p.1).” Pois, possuindo a capacidade de lidar coma comunicação e a aprendizagem com uma facilidade maior que qualquer outroprofissional, o pedagogo vem se firmando a cada dia como o gerenciador doprocesso educativo dentro do ambiente organizacional.Verificamos que o pedagogo empresarial tem como possibilidades atuar no setor deRH ou Gestão de Pessoas da organização, como também na gerencia, naelaboração de projetos educacionais e de responsabilidade social da empresa.Podendo ser ainda encarregado da formação de lideranças na organização. Lopes(2009) diz que “os espaços de atuação para o pedagogo empresarial são todosaqueles onde haja pessoas exercendo funções variadas e que podem melhorar cadavez mais como indivíduos em um processo mais humanizado (p.60).”Complementando nosso entendimento quanto às áreas de atuação do pedagogo naempresa Paz e Carvalho (2010) dizem que: As atividades do pedagogo empresarial relacionam-se a quatro áreas/campos à saber: atividades pedagógicas, sociais, burocráticas e administrativas. Essas atividades permitem a atuação do mesmo em empresas e escolas em função de natureza técnica pedagógica e
    • administrativa; propor e coordenar atualização de profissionais em Empresas e Órgãos ligados à área educacional; coordenar serviços no campo das relações interpessoais; planejar, controlar e avaliar o desempenho profissional de seus subordinados; assessorar empresas e o entendimento de assuntos pedagógicos pessoais (p.3).Diante disso, torna-se evidente que o espaço organizacional se caracteriza nacontemporaneidade, como um campo vasto em possibilidades de atuação para opedagogo, pois apesar do seu trabalho estar centrado no setor de Gestão dePessoas, que já oferece possibilidades infinitas de intervenção no ambiente eclientes internos da organização, o pedagogo pode atuar ainda em outros setoresempresariais onde poderá afetar diretamente o cliente externo da empresa, comopor exemplo, ao elaborar projetos de responsabilidade social da organização.Visto que tem se ampliado atualmente o campo de atuação para o pedagogo dentroda empresa, torna-se necessário salientarmos que se ampliam também a cada diaos desafios e responsabilidades deste profissional. Paz e Carvalho (2010)esclarecem que as responsabilidades do pedagogo empresarial são: Conhecer e encontrar as soluções práticas para a otimização da produtividade profissional; Conhecer a fundo e trabalhar de acordo com os objetivos da empresa onde trabalha; Conduzir com treinamentos dos funcionários e dirigentes que trabalham na empresa, na direção dos objetivos humanos, bem como os definidos pelo empreendimento; Promover treinamentos, eventos, reuniões, festas, exposições, enfim, atividades práticas necessárias ao desenvolvimento integral das pessoas, motivando-as positivamente (processo educacional), com o objetivo de aperfeiçoar a produtividade pessoal; Aconselhar de forma pertinente, sobre as condutas mais eficazes das chefias para com os funcionários e deste para com as chefias, com o objetivo de favorecer o crescimento da produtividade da empresa; Favorecer/conduzir um bom relacionamento entre os membros da empresa, através de ações pedagógicas, que garantam harmonia, e conseqüentemente, estimulando a produtividade.
    • Conforme o exposto quanto às responsabilidades do pedagogo empresarial,podemos compreender que este profissional enfrenta grandes desafios, pois seutrabalho consiste basicamente em desenvolver pessoas, potencializando suasvirtudes para o alcance da produtividade empresarial, tarefa difícil ao considerarmosa complexidade do ser humano e a presença do espírito competitivo, muitas vezesdemasiado dentro do espaço organizacional.É nesse cenário amplamente competitivo que o pedagogo empresarial vai atuarbuscando equilibrar as relações interpessoais e intergrupais, administrando conflitos,promovendo a ética, a harmonia e desenvolvendo as capacidades cognitivas daspessoas. Nesse entendimento, Urt e Lindquist (2004) salientam: Os desafios lançados sobre o Pedagogo são grandes, a empresa flexível, não o quer somente para coordenar os treinamentos, para elaborar planos didáticos, avaliar, ministrar cursos de relações humanas. Ela quer muito mais! Ela quer um aliado, um parceiro, um representante, alguém que lhe entenda e ajude a alcançar os seus objetivos. Alguém que forme, que “controle”, mas também que alivie as dores do trabalhador (p.8).Portanto, para atender as funções que lhes compete, o pedagogo empresarialprecisa ser antes de tudo um ser humano bem resolvido, possuindo característicasbásicas como serenidade, equilíbrio emocional, sensibilidade, persuasão, espírito deliderança e senso critico e, aliado a isso, possuir uma boa formação acadêmica quelhe dê sustentação teórico/prática para compreender a fundo toda a dinâmicaeducacional e empresarial e assim poder contribuir para a melhoria das pessoas edo ambiente organizacional.Dessa forma, entendemos que apenas a graduação em pedagogia não basta parapreparar adequadamente esse profissional para os desafios que irá encontrar. Poiscomo já foi exposto no capitulo anterior, a graduação em pedagogia encontra-seatualmente muito voltada para a docência, deixando a margem os saberesnecessários às práticas educacionais que acontecem fora do contexto escolar.Assim, entendemos que existe a necessidade, do pedagogo que se interessa pelaárea empresarial, buscar complementar a sua formação em cursos posteriores,como a pós-graduação em Pedagogia Empresarial ou áreas afins que lhe
    • possibilitem um maior aprofundamento sobre a aprendizagem e o comportamentohumano nas organizações, as relações interpessoais e intergrupais, conceitosbásicos de administração e gestão empresarial e, sobretudo, um estudo maisavançado quanto à educação de adultos, uma fez que a atual graduação está maisdirecionada a Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.
    • CAPÍTULO III METODOLOGIALembramos que o presente trabalho possui por objetivo conhecer a realidade dapedagogia empresarial na cidade de Senhor do Bonfim a partir da visão dos própriospedagogos que atuam na área. Para tanto, além a pesquisa bibliográfica realizamostambém um trabalho de campo, onde percorreremos alguns caminhos dentro dapesquisa qualitativa com o intuito de resolver a questão de pesquisa levantada nocapítulo I.3.1 A pesquisa QualitativaA pesquisa qualitativa é um caminho investigativo que exige um intensivo trabalho decampo, onde o pesquisador deve manter o contato direto e estreito com seu objetode estudo. Segundo Ludke, Menga (1986) na pesquisa qualitativa, o pesquisador éseu principal instrumento e a preocupação com o processo é bem maior do que como produto. Assim, para que a pesquisa obtenha sucesso o pesquisador precisa estaratento a todas as etapas do processo e possuir sensibilidade para não apenasdescrever, mas, sobretudo, interpretar o objeto/fenômeno que o estuda.Por exigir maior envolvimento do pesquisador com o processo da pesquisa, etambém por sua característica flexível, principalmente no que diz respeito àstécnicas de coleta de dados, onde o pesquisador pode escolher entre umavariedade, aquelas que mais de adéquam a observação que está sendo realizada, apesquisa qualitativa permite compreender o objeto de estudo em sua profundidade.Nesse entendimento, Warlen (2004) afirma que: A abordagem qualitativa apresenta-se como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados [...] realça os valores, as crenças, as representações, as opiniões, atitudes e usualmente é empregada para que o pesquisador compreenda os fenômenos caracterizados por um alto grau de complexidade interna do fenômeno pesquisado (p.1).As características acima apontadas nos levaram a eleger a abordagem qualitativacomo caminho investigativo da nossa pesquisa. Justificamos ser este o maisapropriado caminho investigativo para solucionar a nossa questão de pesquisa, pois
    • ao buscar entender o porquê das coisas, as abordagens qualitativas sãoexploratórias e estimulam os sujeitos a pensarem e responderem livremente quandosão entrevistados, e, permitindo a manifestação da subjetividade e espontaneidade,elas costumam provocar os sujeitos a revelarem seus pensamentos não explícitos, ocertamente representou um fator significativo para o nosso estudo.3.2 Lócus de PesquisaDevido a nossos sujeitos estarem inseridos em empresas distintas, o presentetrabalho possuiu dois lócus de pesquisa, a saber: CERB- Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia- Núcleo Regional de Senhor; Embasa- Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A-UNS - Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim;3.2.1 A CerbA Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb) é umaempresa de economia mista, vinculada à Secretaria do Meio Ambiente, e tem comomissão garantir a oferta de água para melhoria da qualidade de vida edesenvolvimento sustentável, com ênfase no saneamento rural. Ela é responsávelpela execução de programas, projetos e ações de aproveitamento dos recursoshídricos e saneamento rural do Estado da Bahia.Atualmente a Cerb possui núcleos regionais distribuídos em onze municípios daBahia, entre eles o núcleo do município de Senhor do Bonfim, nosso lócus deestudo, que fica situado a Rodovia Lomanto Júnior, Km 104, e atende a mais vinte esete cidades da região.3.2.2 A embasaA Empresa Baiana de Água e Saneamento S.A. – Embasa - é uma sociedade deeconomia mista de capital autorizado, pessoa jurídica de direito privado, tendo comoacionista majoritário o Governo do Estado da Bahia.Sua sede está localizada na capital baiana e a empresa se estende através de
    • dezesseis Unidades Regionais situadas nos principais municípios baianos, entreeles o município de Senhor do Bonfim sede da UNS- Unidade de Negócios deSenhor do Bonfim, nosso lócus de pesquisa, que fica localizado na Avenida doContorno, S/N, Casas Populares, e abrange vinte e quatro cidades da região atravésdos seus Escritórios Locais.3.3 Sujeitos da pesquisaCompreendemos que para a realização de uma pesquisa é aconselhável umamostragem maior de sujeitos para dar melhor sustentação aos resultados obtidos.Porém, como em nossa pesquisa os sujeitos são os pedagogos que atuam emempresas da cidade de Senhor do Bonfim e este município possui poucasorganizações empresariais que disponham de pedagogos em seu quadro funcional,encontramos apenas 4 (quatro) pedagogos atuantes na área empresarial na cidade.Estes são os nossos sujeitos que nos ajudaram a solucionar a questão de pesquisalevantada no capitulo I, a partir de suas respostas no questionário e na entrevistasemi-estruturada.Salientamos que anterior a realização dessa pesquisa fizemos um levantamento donúmero de pedagogos que atuam em empresas localizadas na cidade eencontramos somente os nossos quatro participantes que atuam em duas empresasestatais que possuem núcleos regionais na cidade de Senhor do Bonfim. Assimnossos sujeitos são:01 Pedagogo da CERB- Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricosda Bahia- Núcleo Regional de Senhor;03 Pedagogos da Embasa- Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A-UNS -Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim;3.4 Estratégias e Instrumentos da PesquisaEntendemos que a escolha dos instrumentos de pesquisa utilizados para coletardados é uma etapa de fundamental importância para o bom desenvolvimento dapesquisa e conseqüentemente a compreensão do objeto estudado. Pois, é a partirdos instrumentos de coleta de dados que entramos em contato direto com arealidade pesquisada e buscamos as respostas para solucionar a questão depesquisa. De acordo com Cervo (2007) “os instrumentos de coleta de dados de largo
    • uso são a entrevista, o questionário e o formulário (p.50)”. Ainda segundo o autor, aescolha dos instrumentos deve estar diretamente ligada ao objetivo da pesquisa.Nessa compreensão, elegemos como nossos instrumentos de coleta de dados oquestionário fechado e a entrevista semi-estruturada, acreditando serem estes osmeios mais adequados ao nosso objetivo de estudo.3.4.1 Questionário FechadoDe acordo com Cervo (2007) “o questionário é a forma mais usada para coletardados, pois possibilita medir com mais exatidão o que se deseja (p.53)”. Aindasegundo o autor o questionário “possui a vantagem de os respondentes se sentiremmais confiantes, dado o anonimato, o que possibilita coletar informações mais reais[...] (p.53)”.Assim, objetivando traçar o perfil identitário dos pedagogos que atuam nasempresas da cidade de Senhor do Bonfim aplicamos aliado à entrevista semi-estruturada um questionário fechado contendo 10 questões objetivas que foram defundamental importância para a nossa pesquisa ao permitiram a extração derespostas confidenciais dos sujeitos, como por exemplo, dados referentes àremuneração profissional; e possibilitarem a extração de respostas claras e de fácilinterpretação.3.4.2 A Entrevista Semi- EstruturadaCervo (2007) conceitua muito bem este instrumento de coleta de dados ao dizer que“a entrevista não é uma simples conversa. É uma conversa orientada para umobjetivo definido: recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para apesquisa (p.51)”. Sabemos que existe uma variedade de formas de entrevistascientificas, e entre elas elegemos para a nossa pesquisa a forma de entrevista semi-estruturada que combina perguntas abertas e fechadas, onde de acordo comQuaresma (2005) “o informante tem a possibilidade de discorrer sobre o temaproposto (p.75)”.Ao elaborarmos as perguntas da entrevista podemos observar que iramos obterrespostas extensas e por isso optamos pelo tipo de entrevista semi-estruturadagravada que representou um instrumento muito significativo ao fornecer o contato
    • direto com os nossos sujeitos, e possibilitar que além da escuta pudéssemos realizartambém, uma observação e interpretação do comportamento, gestos e atitudes doentrevistado.
    • CAPITULO IV ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOSNo presente Capítulo apresentamos a análise dos dados coletados da pesquisadesenvolvida com os pedagogos atuantes na Cerb- Companhia de EngenhariaAmbiental e Recursos Hídricos da Bahia- Núcleo Regional de Senhor; eEmbasa/UNS- Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim.Para tanto, utilizamos como instrumentos de coleta de dados o questionário fechado,e a entrevista semi-estruturada, realizada com a utilização de gravador, o quepermitiu apreender a veracidade das falas dos sujeitos.4.2 O perfil dos sujeitosComo foi mencionado anteriormente foram aplicados questionários fechados aosquatro pedagogos das empresas acima citadas, onde por meio destes tornou-sepossível traçar o perfil dos sujeitos conforme análise a seguir:4.2.1 Idade e GêneroQuanto à faixa etária dos nossos pesquisados a variação vai dos 20 aos 40 anos,sendo que 50% possuem idade entre 26 a 34 anos; 25% entre 35 a 40 anos e mais25% entre 20 a 25 anos, como apresentamos no gráfico 4.2.1. A partir destes dadospodemos observar que todos os pedagogos são jovens profissionais na área donosso estudo. Acreditamos que essa realidade está relacionada ao fato daPedagogia Empresarial ser um nicho mercadológico ainda muito recente, sendo,portanto, mais conhecido pelos profissionais jovens, com recente formação e ainda aprocura de inserção no mercado de trabalho.
    • Gráfico 4.2.1 IdadeNo quesito “Gênero”, 100% dos pedagogos entrevistados são do sexo feminino,conforme o gráfico 4.2.2. Nesse panorama observamos que como afirma Fagundes(2002) há uma “destinação feminina para a área de Educação, em especial, para ocurso de Pedagogia (p.65). Essa destinação segundo os estudos realizados pelaautora deve-se as características do curso de Pedagogia de ser oportunizador decrescimento pessoal, facilitador de engajamento no mercado de trabalho,oportunizador de crescimento profissional e, sobretudo, possibilitador da construçãode uma carreira profissional compatível com a vida familiar. Apesar disso, nostempos contemporâneos esta realidade começa a mudar e os homens já apontamum interesse maior para a área da educação, apresentando freqüência em cursos delicenciaturas especificas e também Pedagogia. Gráfico 4.2.2 Gênero
    • 4.2.2 Grau de escolarização e tempo de formaçãoNa análise do grau de escolaridade dos pedagogos entrevistados, constatamos que50% possuem apenas a graduação em Pedagogia e 50% deram continuidade aseus estudos, concluindo o curso de pós- graduação em Gestão de RecursosHumanos como apresenta o gráfico 4.2.3.Este dado é bastante relevante, pois mostra que estes pedagogos buscaramaprofundar seus conhecimentos na área empresarial, destacando-se da maioria dospedagogos que comumente procuram cursos de pós-graduação voltados para adocência e para a problemática escolar. É importante compreendermos que deacordo com Libâneo (2006) “a formação profissional do pedagogo pode desdobrar-se em múltiplas especializações profissionais, sendo a docência uma entre elas(p.851)”.Compreendemos que para o pedagogo que se interessa pela área da PedagogiaEmpresarial é de fundamental importância buscar complementar a sua formaçãocom este tipo de especialização que lhe possibilite um maior aprofundamento sobrea aprendizagem e o comportamento humano nas organizações, as relaçõesinterpessoais e intergrupais, conceitos básicos de administração e gestãoempresarial e, sobretudo, um estudo mais avançado quanto à educação de adultos,uma fez que a atual graduação está mais direcionada a Educação Infantil e sériesiniciais do Ensino Fundamental, como já apontamos no capitulo II deste trabalho.Segundo Paz e Carvalho (2010) “o RH é uma especialidade que surge paratrabalhar com as complexidades organizacionais e para reduzir conflitos entreobjetivos individuais e os interesses das empresas (p.3).” Assim, a opção dosnossos sujeitos pela especialização em Gestão de Recursos Humanos mostra ointeresse destes em ampliar seus conhecimentos quanto à problemática educativaorganizacional e assim, se desenvolverem dentro do ramo da PedagogiaEmpresarial.
    • Gráfico 4.2.3 Grau de escolaridadeNo que se refere ao tempo de conclusão da Graduação em Pedagogia dos quatrosujeitos entrevistados, 50% concluíram o curso entre 3 e 5 anos, 25% concluíramentre 1 e 2 anos e mais 25% concluíram o curso a menos de 1 ano, conforme oGráfico 4.2.4. Observamos assim que os pedagogos que atuam nas empresas dacidade de Senhor do Bonfim, são formados recentemente.É importante ressaltarmos que 100% dos pedagogos entrevistados concluíram agraduação em Pedagogia na UNEB- Universidade do Estado da Bahia, Campus VII.Este dado vem revelar que apesar do curso de Pedagogia da Universidade estarvoltado para a docência em conformidade com a Resolução CNE/CP n.1, de15/05/2006, o nível de discussão em sala de aula quanto à problemática educacionalfavoreceu de alguma forma o conhecimento e direcionamento destes graduadospara a área da Pedagogia Empresarial.
    • Gráfico 4.2.4 Tempo de conclusão da graduação4.2.3 Tempo de serviço na empresa e Requisitos da contrataçãoCom relação ao tempo de serviço dos pedagogos nas empresas onde trabalham,dos quatro sujeitos entrevistados 50% trabalham na empresa há 3 a 5 anos; 25%de 6 a 10 anos e 25% a mais de 10 anos, conforme o Gráfico 4.2.5. Dessa forma,fazendo um comparativo dessa analise com a outra realizada no tópico anteriorquanto ao tempo de conclusão da graduação em Pedagogia, podemos observar quealguns dos nossos entrevistados foram admitidos na empresa antes de concluírem agraduação. Gráfico 4.2.5 Tempo de serviço
    • Quanto ao requisito de contratação, 100% dos sujeitos entrevistados não foramadmitidos na empresa onde trabalham por conta da sua formação em Pedagogia,conforme o Gráfico 4.2.6. Os cargos ocupados possuem como pré- requisito deadmissão apenas o nível médio de escolaridade. Assim apesar de possuírem agraduação em Pedagogia os sujeitos não são reconhecidos formalmente comopedagogos dentro da organização. Porém, apesar disso veremos adiante a partir daanalise da entrevista semi-estruturada que estes mesmos sujeitos são solicitadospela organização onde trabalham a desenvolver atividades próprias da PedagogiaEmpresarial em diversos momentos. Gráfico 4.2.6 Requisito de admissão4.2.4 Situação Contratual: Terceirizado ou EfetivoNo que se refere à situação contratual dos pedagogos dentro das empresas ondetrabalham, 100% dos entrevistados são colaboradores terceirizados, de acordo como Gráfico 4.2.7. Segundo Alves (2010) “A terceirização propicia a fraude de direitostrabalhistas e o enriquecimento espúrio de donos de empresas de intermediação demão-de-obra (p.17)”. Assim, podemos observar que não são boas as condições detrabalho dos pedagogos entrevistados, pois enquanto colaboradores terceirizadosencontram-se descobertos de muitos direitos trabalhistas, possuem salário muitoinferior aos colaboradores efetivos que ocupam cargos iguais ou similares aos seusna mesma empresa, e, sobretudo, vivem em constante pressão psicológica quantoao termino dos contratos e a sombra do desemprego.
    • Gráfico 4.2.7 Situação contratual4.2.5 RemuneraçãoQuanto a remuneração dos quatro pedagogos entrevistados, 75% recebem igual ouaproximadamente 2 salários mínimos e 25% recebem igual ou aproximadamente 3salários mínimos, conforme o Gráfico 4.2.8. Podemos observar que nossos sujeitospossuem uma baixa remuneração considerando a sua formação acadêmica ejornada de trabalho de 40h semanais. Também em comparação ao atual piso salarialdos professores da rede estadual da Bahia de R$ 1.187,08 (valor alvo deinsatisfação por parte da maioria dos professores), a atual remuneração dospedagogos entrevistados é ainda inferior. Essa realidade está relacionada àsituação contratual acima revelada, pois como já pontuamos a terceirização propiciaa má remuneração dos colaboradores.
    • 4.2.8 Remuneração4.3 Ouvindo os Pedagogos: A realidade profissional narrada pelos sujeitosCom o intuito de conhecer e analisar o perfil identitário dos sujeitos e a sua realidadeprofissional, utilizamos a entrevista semi-estruturada, com uso de gravador, para quepudéssemos apreender a veracidade dos depoimentos. Posteriormente os dadosforam triangulados com aqueles extraídos do questionário fechado, o que nospossibilitou responder a nossa questão de pesquisa.Para salvaguardar a identidade dos sujeitos utilizamos o código “Ped.” seguido denumerais 01, 02 e assim sucessivamente.4.3.1 A dicotomia entre cargo e atividades desenvolvidasAo questionarmos quanto ao cargo ocupado e as atividades que desempenham naempresa observamos uma grande dicotomia entre ambos. Pois, apesar de nossossujeitos ocuparem cargos de nível médio de escolarização, e desempenharem asfunções burocráticas e administrativas que lhes competem , desenvolvem tambémem muitos momentos atividades próprias da Pedagogia Empresarial. Vejamos asrespostas:Quanto ao Cargo: Eu sou supervisora dois, trabalho com acompanhamento de metas, indicadores e processos. (Ped. 01) Meu cargo é assistente administrativo. Função: eu coordeno processos de
    • cobrança e supervisão de órgãos públicos. Trabalho com negociação, tudo que gira em torno de órgãos públicos na parte comercial da empresa eu atuo e no processo de cobrança. ( ped. 02) Como trabalho para uma empresa terceirizada a gente tem como função assinado na carteira técnico administrativo. Mas, dentro da empresa eu desenvolvo a coordenação do núcleo de planejamento e gestão [...] E, também trabalho na parte comercial no processo de faturamento. (Ped. 03) Eu sou assistente administrativo e trabalho na área comercial com processo de cliente, a gente atende a todos os tipos de clientes seja interno ou externo da empresa. (Ped. 04)Quanto às atividades desenvolvidas: Eu acompanho processo de comunidades, de instalação de novos sistemas, acompanho os indicadores, como é que andam as metas...é...o número de obras, porque a gente tem meta para tudo. (Ped. 01) Além das atividades que já citei, eu fico também responsável com o núcleo de planejamento e gestão da divisão comercial, é...sou responsável pela parte mesmo de gestão, de reuniões, atender a esses cronogramas, aos treinamentos internos, dou treinamento aos colaboradores dos escritórios locais da Unidade, dos nossos colaboradores internos também. [...] Muita coisa na área de gestão, essa questão de planejamento estratégico [...]. E, também, essas funções de treinamentos, é...essa parte também de artes, teatro, eventos. (Ped. 02) Além das que eu já citei, sempre tem as atividades extras que são na coordenação de eventos, as vezes coordenando, as vezes auxiliando o RH que é responsável diretamente, e na promoção também de treinamentos voltados pra área de gestão. (Ped. 03) Bom, nossas atividades são bastante diversas. A gente atende como eu falei a todos os clientes, e o nosso maior objetivo é elevar a satisfação da empresa e aumentar a gestão comercial. E através disso a gente atende a clientes de todas as localidades ou cidades que a empresa atende [...] E diversas outras coisas que a gente é...no decorrer do dia com prazos para prestar conta pra empresa, tipo essa questão das metas comerciais, processo judiciais, e... na questão de atendimento mesmo no geral. (Ped. 04)De acordo com Urt e Lindquist (2004) O Pedagogo é o agente educacional daempresa, sua função é a concretização da educação dentro dos interesses atuais daorganização. Esse profissional atua na área de Recursos humanos, em setorescomo: Desenvolvimento e Treinamento, Recrutamento e Seleção, DesenvolvimentoGerenciado. Eles não têm uma função específica de Pedagogo e embora se afirmeque, devido à sua formação, o seu forte seja treinamento, ele atua em várias frentes,como recrutamento, seleção e contratação. De forma geral, é denominado deAnalista de Recursos Humanos ou Consultor de Recursos Humanos, fazendo parte
    • de um grupo, dentro de Recursos Humanos, do qual fazem parte também, opsicólogo e o administrador.A partir das respostas dos entrevistados aos questionamentos quanto ao cargo queocupam na empresa e as atividades que desempenham, podemos observar que ospedagogos entrevistados apesar de não ocuparem cargos ligados a sua formaçãoacadêmica, são em muitos momentos solicitados a desenvolver também, atividadespróprias da Pedagogia Empresarial, e essa realidade é expressa claramente nasfalas do Pedagogo 02 e do Pedagogo 03. O Pedagogo 03 ao nomear essasatividades de “extras” nos faz entender a visão capitalista da empresa em relação aopedagogo. Pelo mesmo preço de um funcionário de nível médio de escolarização elacontrata um pedagogo que além de desempenhar as funções para que foi designadono momento da admissão, possui a competência necessária para desenvolvertambém, quando preciso,as atividades “extras” .Vale ressaltar a situação das empresas visitadas quanto ao setor de RH (RecursosHumanos) ou Gestão de Pessoas. Já elucidamos que ambas as empresas sãonúcleos regionais instalados na cidade e suas respectivas sedes estão localizadasna capital baiana. Porém, apesar desses núcleos regionais atenderem a muitosmunicípios da região da cidade de Senhor do Bonfim, contado assim com umnumero razoavelmente grande de funcionários, em uma das empresas visitadas, osetor de RH (Recursos Humanos) ou Gestão de Pessoas nem mesmo existe e naoutra empresa, apesar de existir não dispõe de nenhum pedagogo ou profissionalcom formação especifica nessa área. Tal realidade denota, talvez, a falta deconhecimento das empresas em relação ao processo de Gestão de Pessoas equanto ao aproveitamento da formação acadêmica dos seus colaboradoresgraduados em Pedagogia.De acordo com Paz e Carvalho (2010) “O papel do RH é essencialmente educativo,ele trabalha na sensibilização e educação dos seus funcionários (p.6)”. Assim,entendemos que apesar de haver outros setores dentro da empresa onde opedagogo possa desenvolver seu trabalho, é o setor de RH (Recursos Humanos) ouGestão de Pessoas, o espaço organizacional onde se mais necessita da presençadeste profissional.
    • 4.3.2 A formação acadêmica auxiliando a práticaQuestionamos aos nossos entrevistados se e como os componentes curricularesestudados durante a graduação em Pedagogia contribuíram para o desempenho dasatividades que exercem dentro da empresa. Abaixo a visão dos sujeitos: Sim. A pedagogia, eu acho que ela é ampla, né?! Ela desenvolve, a gente se torna um cientista mesmo, buscador de conhecimentos. Então contribuíram sim. (Ped. 01) Sim. Essa noção que é criada no curso como um todo, de gestão. Muita coisa da área de gestão a gente acaba adquirindo no curso [...] os conhecimentos curriculares eu acredito que tenha me ajudado bastante. (Ped. 02) Não. Porque pelo menos na nossa região ou dentro da própria Universidade é...pra Pedagogia ser aplicada dentro da empresa ainda deixa muito a desejar, né?! [...] Acho que a grade ainda deixa muito a desejar em relação a isso. Eu já tive olhando muitas outras grades curriculares que já incluem dentro da grade a Pedagogia Empresarial, a Pedagogia Hospitalar, quer dizer, abrindo a Pedagogia pra outros campos que não seja a educação, somente no foco educação. Obvio [...] que a gente acaba utilizando um pouco daquilo que a gente desenvolve na faculdade, mas não exatamente parte da grade curricular. (Ped.03) Ah! Bastante [...]. Na questão de seminários, de palestras, né?! De capacitação de funcionários, seleções, na questão do próprio atendimento em si, né?! Você sabe como você é...planejar, a Pedagogia ela me abriu um pouco esse olhar [...] Então, os meus parâmetros curriculares na Universidade foram de grande valia pra mim, e estão sendo até hoje, né?! (Ped.04)Para iniciar essa analise é importante lembrarmos que todos os entrevistadosconcluíram a graduação em Pedagogia na mesma Universidade. Podemos observarque dos quatro pedagogos entrevistados três acreditam que os componentescurriculares estudados durante a graduação em pedagogia contribuíram para odesenvolvimento das atividades dentro da empresa, e atribuem essa contribuiçãoaos conhecimentos adquiridos durante o curso na área de pesquisa (Ped. 01),gestão (Ped.02) e planejamento (Ped.04). Apenas o Pedagogo 03 possui umaopinião contraria. Em sua fala ele faz uma critica a grade curricular curso depedagogia da UNEB- Campus VII dizendo que o curso ainda deixa muito a desejarquando comparado ao de outras Universidades que já incluem em sua grade a
    • pedagogia empresarial.Os pontos de vista dos nossos entrevistados nos levam a refletir quanto à formaçãoideal do pedagogo perante a essa nova realidade em que seu campo de atuação vaimuito além dos muros escolares. De acordo com Libâneo (2001): O curso de Pedagogia deve formar o pedagogo stricto sensu, isto é, um profissional qualificado para atender demandas sócio-educativas de tipo formal e não-formal e informal, decorrentes de novas realidade [...] não apenas na gestão, supervisão e coordenação pedagógica de escolas, como também na pesquisa, na administração dos sistemas de ensino, no planejamento educacional, na definição de políticas educacionais, nos movimentos sociais, nas empresas, nas várias instancia de educação de adultos, nos serviços de psicopedagoga e orientação educacional, nos programas sociais, nos serviços para a terceira idade, nos serviços de lazer e animação cultural[...]. A caracterização de pedagogo stricto sensu é necessária para distingui-lo do profissional docente [...] lato sensu. Por isso mesmo importa formalizar uma distinção entre trabalho pedagógico (atuação profissional em um amplo leque de práticas educativas) e trabalho docente (forma peculiar que o trabalho pedagógico assume na sala de aula), separando portanto, curso de Pedagogia (estudos pedagógicos) e cursos de licenciatura (para formar professores do ensino fundamenta e médio) (p.30-31) (Grifo nosso)O autor traz, portanto, o entendimento de que o curso de Pedagogia precisa serdividido em Licenciatura para formar o profissional docente e Bacharelado paraformar o especialista em educação que iria atender a essas novas demandaseducativas da sociedade atual. Ainda reforça esse entendimento ao dizer: É difícil crer que um curso com 3.200 horas possa formar professores para três funções que têm, cada uma, sua especificidade: a docência, a gestão, a pesquisa, ou formar, ao mesmo tempo, bons professores e bons especialistas, com tantas responsabilidades profissionais e esperar tanto do professor e do especialista. [...] Para se atingir qualidade da formação ou se forma bem um professor ou se forma bem um especialista, devendo prever- se, portanto, dois percursos curriculares articulados entre si, porém distintos (Libâneo 2006, p.861)Para concluir, este ressalta ainda que “o curso de pedagogia oferecerá, portanto,três habilitações: bacharelado em pedagogia, licenciatura em educação infantil elicenciatura em anos iniciais do ensino fundamental (Libâneo, p.872)”.Concordamos com o posicionamento do citado autor em relação à formação depedagogos, pois acreditamos que para atender as novas demandas extra-escolaresque surgem na sociedade contemporânea é necessária uma grade curricular voltada
    • para a formação do pedagogo especialista. Isto é, uma graduação nãonecessariamente deve-se aprofundar nas áreas especificas, pois isso fica a cargodos cursos de pós-graduação, mas que possibilite uma visão geral da novarealidade mercadológica e contemple estudos mais profundos quanto à educaçãovoltada para adultos e a prática pedagógica em espaços não-formais.Ao mesmo tempo, reconhecendo que a sociedade contemporânea clama pormelhorias no contexto escolar, acreditamos ser de fundamental importância aexistência de um curso de licenciatura que forme o profissional docente capaz deatender e contribuir para a resolução dos atuais e complexos problemas daeducação formal.4.3.3 A valorização profissional no espaço empresarialQuestionamos os nossos sujeitos se eles se sentiam reconhecidos /valorizadosenquanto pedagogo na empresa onde trabalham. As respostas abaixo revelam arealidade vivenciada pelos nossos sujeitos, mostrando que a maioria sente que aempresa não reconhece /valoriza sua formação acadêmica em Pedagogia. Mais ou menos, né?! Não é reconhecido pela função como...a minha graduação como pedagoga. Mas, ao longo do tempo aqui quando a gente foi discutindo, né?! O pessoal vendo, ah! *** é pedagoga então é gestão de pessoas. Ai eu me vi. Mas não a empresa em si, né?! Reconhecimento, gratificação salarial e essas questões não . (Ped.01) Na empresa como um todo não. Eu diria que em alguns momentos sim. É...quando meu gerente imediato me solicita algumas atividades que ele chega até a questionar: você que é pedagoga, por favor?! Então ele utiliza a minha formação em algumas atividades, mas não sou reconhecida como pedagoga não. Porque eu não atuo diretamente nisso, apesar da minha formação é...auxiliar no desenvolvimento das minhas atividades, eu não sou reconhecida na empresa diretamente como pedagoga.Eu...algumas vezes, por ser pedagoga sou solicitada a algumas atividades. (Ped. 02) Diante das atividades que eu desempenho, eu sou muito cobrada em tá colocando aquilo que a gente desenvolve na Universidade dentro do trabalho, que é justamente essa desenvoltura, essa capacidade de lidar com o outro, mas em relação a reconhecimento enquanto profissional não né?! (Ped. 03)Apenas um dos pesquisados se sente reconhecido/valorizado enquanto pedagogodentro da empresa.
    • Totalmente, totalmente! Se não fosse a Pedagogia eu acho que eu não tinha me encontrado. É...eu tenho praticamente seis anos aqui nessa empresa, e todas as praticas pedagógicas que eu consegui trazer pra empresa, eu fui bastante valorizada, e eu sentia da parte dos meus gestores que eles me ouviam bastante né?! as dinâmicas de grupo que a gente fazia, as reflexões que a gente fazia em grupo...tudo isso faz com que a gente se sinta valorizado, né? (Ped.04)Neste contexto, o pedagogo 01 menciona a sua insatisfação com a sua gratificaçãosalarial, questão já analisada anteriormente, onde constatamos que a remuneraçãodos nossos sujeitos é realmente baixa. O pedagogo 02 salienta que em algumasvezes, por ser pedagogo é solicitado a desenvolver algumas atividades próprias daPedagogia Empresarial, mas não é reconhecido pela formação acadêmica. Tambémo pedagogo 03 enfatiza que é muito cobrado em aplicar os conhecimentosacadêmicos no trabalho, mas não é reconhecido formalmente como pedagogo.Apenas o Pedagogo 04 diz sentir-se totalmente valorizado dentro da empresa.Assim, a maioria dos nossos sujeitos reconhece a falta de reconhecimentoprofissional enquanto pedagogos dentro da empresa, refletida não apenas na baixaremuneração salarial, como também, na situação contratual terceirizada que como jáafirmamos anteriormente, os mantém descobertos de muitos direitos trabalhistas eem constante pressão psicológica quanto ao termino do contrato trabalhista.Porém, a fala Pedagogo 04 ao comentar que costuma ser ouvido por parte dosgestores, demonstra que a empresa na pessoa dos gestores talvez tenhaconhecimento da competência intelectual do pedagogo, apesar de não reconhecerformalmente a sua profissão.4.3.4 A contribuição do pedagogo para o espaço empresarialProcuramos descobrir o conhecimento que os sujeitos têm a respeito da contribuiçãodo pedagogo para o espaço empresarial. As respostas abaixo apontam que ossujeitos estão informados quanto às reais atribuições do pedagogo dentro de umaorganização empresarial e sua contribuição para este novo cenário mercadológico.
    • Eu acho que o pedagogo pode contribuir muito. E se principalmente buscar se desenvolver. Eu me identifiquei muito como pedagoga na empresa porque eu busco sempre conhecer as pessoas, desenvolver pessoas. Então eu me vi como pedagoga não só na escola, mas na empresa por gostar muito da área de gestão. Então o pedagogo hoje é muito amplo, né?! a colocação do pedagogo na área empresarial. (Ped. 01) O pedagogo com sua capacidade digamos que até mais sensível, é ele tem condições de...com a sua visão, algumas vezes sensível, ele tem condições de atuar na área mais humana da empresa, na área de gestão de pessoas, ele tem condições de atuar na parte de planejamento, na parte de criação de estratégias, de alinhamento de objetivos, e... então ele atua tanto na parte em que digamos...motivacional dos funcionários, enquanto RH não só dos cuidados burocráticos, mas também atua na , no atendimento as diretrizes da empresa em relação a cumprimento de metas, planejamento pra esse alcançado. (Ped. 02) Bom, o pedagogo ele pode atuar na área de recursos humanos, inclusive é...quando eu fiz o curso de especialização em RH um dos pré- recursos quando tinha na grade era ter a graduação em Administração ou em Pedagogia, né?! ai a gente começa a perceber realmente a valorização que esse profissional tem tido dentro do campo empresarial [..]O pedagogo na área de recursos humanos ele consegue lidar com as pessoas, ele tem, ele consegue desenvolver essa habilidade pra trabalhar com as pessoas [...] E na parte também de treinamentos, de educação coorporativa que está dentro do recursos humanos. (Ped. 03) De diversas formas. Depende muito da empresa que ele vá trabalhar né?! [...] quando você trabalha numa empresa pequena que depende de um pedagogo pra planejamento, pra setores de RH então você só tem aquela pratica né?! , apesar de ser uma prática também bastante interessante. Mas hoje em dia o pedagogo ele atuando dentro de uma empresa ele, ele tem bastante capacidade de se agregar juntamente com outros profissionais e fazer um trabalho muito bem feito de educação dentro da empresa, de planejamento, de atingimento de metas e isso a empresa ganha bastante. (Ped. 04)As falas dos sujeitos mostram que eles têm conhecimento quanto ao ramo daPedagogia Empresarial. Todos reconhecem que o pedagogo pode atuar além do RH(Recursos Humanos) em vários setores da empresa, contribuindo nas áreas deplanejamento, gestão, alinhamento de objetivos da empresa e, sobretudo, no que serefere ao desenvolvimento de pessoas dentro da organização. Trindade (2009)afirma que “A pedagogia Empresarial nada mais é do que um antibiótico para osmales da empresa, não só das grandes, mas também de todos os locais onde hajaatividades de negócios (p.82)”.Frente à nova realidade que as organizações empresariais vivenciam nacontemporaneidade, onde o grande diferencial competitivo encontra-se no
    • desenvolvimento dos seus recursos humanos, abre-se dentro da empresa um amploespaço para a atuação do pedagogo. Este vem ser o profissional capaz de promoveratividades praticas necessárias ao desenvolvimento integral das pessoas,motivando-as positivamente através do processo educacional, favorecendo assim,um bom relacionamento entre os membros da empresa, através de açõespedagógicas, que garantam harmonia, e conseqüentemente, o estimulo aprodutividade.
    • CONSIDERAÇÕES FINAISO sentido final deste trabalho foi conhecer a realidade da pedagogia empresarial nacidade de Senhor do Bonfim BA, a partir da visão dos pedagogos que atuam nasorganizações empresariais da cidade. Nesse intuito, utilizamos como lócus depesquisa duas empresas do estado que possuem núcleos regionais na cidade edispõem de pedagogos em seu quadro funcional, a Cerb - Companhia deEngenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia e a Embasa- Empresa Baianade Água e Saneamento S.A.Anterior ao trabalho de campo, realizamos uma pesquisa bibliográfica que propiciouentre outras questões, o conhecimento da nossa temática de estudo, a pedagogiaempresarial. Vimos que entre os novos cenários mercadológicos que surgem para opedagogo na contemporaneidade a empresa representa um espaço onde a praticapedagógica pode ser aplicada de forma bastante significativa, favorecendomudanças positivas no comportamento dos colaboradores e produzindo direta ouindiretamente muitos benefícios para a organização como um todo.A partir do estudo bibliográfico, partimos para a pesquisa in lócus onde pudemosnotar o distanciamento entre as atribuições do pedagogo empresarial relatadas pelosteóricos e o papel que nossos sujeitos estão desempenhando dentro das empresas.A pesquisa in lócus revelou que os pedagogos que atuam nas empresas da cidadede Senhor do Bonfim trabalham sem legitimidade profissional. Sua formaçãoacadêmica não é reconhecida formalmente dentro da empresa. Dizemosformalmente porque apesar de não se reconhecer a formação acadêmica no registrocontratual da carteira de trabalho e na remuneração salarial, que constatamos sermenor que o piso salarial docente da rede estadual, a empresa não anula porcompleto essa formação, pelo contrário, ela cobra de seu funcionário pedagogo acompetência adquirida na formação acadêmica para a excelência nodesenvolvimento de suas atividades. Além disso, as empresas demonstramreconhecer a capacidade intelectual do pedagogo ao solicitar a sua participação
    • ativa nos processos de planejamento e gestão.Assim, constatamos que a pedagogia Empresarial na cidade de Senhor do Bonfimexiste apenas de maneira informal. Os pedagogos são admitidos na empresa comofuncionários de nível médio de escolarização e apos a contratação no decorrer doseu exercício profissional são solicitados em muitos momentos por serempedagogos, a desenvolverem atividades próprias da Pedagogia Empresarial. Porém,apesar disso, sua remuneração salarial continua compatível com os outrosfuncionários que não possuem formação acadêmica, sua função na carteira detrabalho permanece a mesma do momento da admissão e suas condições detrabalho também.No primeiro e no segundo capitulo deste estudo fizemos referencia ao grandecrescimento do campo de atuação profissional do pedagogo nos temposcontemporâneos. Constatamos que diante da sociedade do conhecimento queestamos vivenciando crescem a cada dia as oportunidades de desenvolvimentoprofissional em espaços extra-escolares. Estávamos muito otimistas quanto a essaexpansão mercadológica. Porém, o estudo bibliográfico realizado aponta uma agrande contradição vivenciada na contemporaneidade: ao mesmo tempo que seabre o leque de opção de atuação profissional para o pedagogo cresce no meiointelectual duras criticas quanto a cientificidade da pedagogia. Também a realidadeencontrada na pesquisa in lócus mostra que apesar de inseridos no meioempresarial, os pedagogos ainda não conquistaram o devido reconhecimentoprofissional neste novo cenário mercadológico.Assim, o estudo bibliográfico realizado e a realidade encontrada na pesquisa in lócusnos torna menos otimistas e mais conscientes quanto aos desafios que precisamosencarar para reverter o atual quadro. Notamos a necessidade de realização demaiores trabalhos científicos em torno da questão da identidade do pedagogo e daprópria pedagogia no sentido de desfazer os reducionismos existentes e responderas atuais críticas sofridas, definindo e tornando público ao conhecimento do meioacadêmico e intelectual o campo científico e o objeto de estudo da pedagogia.Notamos também, a necessidade de maiores reflexões quanto ao processo deformação do pedagogo, que precisa equiparar-se aos desafios que surgem para esteprofissional na contemporaneidade.
    • REFERENCIASALVES Giovanni. Terceirização e precarização do trabalho na USP. Artigo RevistaAdusp Janeiro 2010. Disponível em:http://www.adusp.org.br/revista/46/r46a02.pdf>Acesso em 27 de agosto 2011.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que é Educação. 33ª Ed. SP Brasiliense 1995.CADINHA, Márcia Alvim. Conceituando Pedagogia e contextualizandoPedagogia Empresarial, In: LOPES, Izolda (org).Pedagogia empresarial: formase contextos de atuação. 3.ed-Rio de Janeiro: Wak Ed., 2009.CAGLIARI, Débora. O Pedagogo Empresarial e a Atuação na Empresa.Disponível em: www.pedagogia.com.br/artigos/pedagogo>Acesso em 04 denovembro de 2010CERVO, Amado Luiz (org). Pedro Alcino Bervian e Roberto da Silva Metodologiacientífica. 6 Ed, São Paulo: Pearson Prentice Hael, 2007Charlyne Pinheiro da Paz e Taise Neves Carvalho. O RH e a Pedagogia Empresarial.2010. Disponível em: http://www.pedagogia.com.br/artigos>Acesso em 13 de maio2011.CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursoshumanos nas organizações. 3. Ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP N° 1, de 15 de maio de 2006.ERIKSON, E. Identidade, Juventude e Crise. RJ. Zahar Editores 1976.FAGUNDES, Tereza Cristina Pereira Carvalho. Curso de Pedagogia da Ufba – Marcas Deixadas em Mulheres que o Cursaram. Revista da FACED, n° 06,200265. Disponível em: http://www.portalseer.ufba.br> Acesso em: 14 de Julho de2011.HOLTZ, Maria Luiza M. Lições de pedagogia empresarial. MH AssessoriaEmpresarial Ltda. Sorocaba SP. Disponível em:http://www.mh.etc.br/documentos/licoes_de_pedagogia_empresarial.pdf>Acesso em15 de Novembro 2010.LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? 4. Ed – São Paulo,Cortez 2001LIBÂNEO, José Carlos. Diretrizes Curriculares da pedagogia: Imprecisõesteóricas e concepção estreita da formação profissional de educadores. EDUC.Soc., Campinas, vol.27, n.96-Especial, p.843-876, out.2006. Disponível em:http://www.cedes.unicamp.br> Acesso em: 30 de Novembro 2010.
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    • ANEXOS
    • QUESTIONÁRIO FECHADO UNEB-UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII PEDAGOGIA: 2007.1 DISCIPLINA: TCC PROFª BEATRIZ BARROS ALUNA: TATIANE DA SILVA LIMATema do trabalho: Pedagogia Empresarial: a atuação dos pedagogos nasempresas de Senhor do Bonfim.Sua opinião é muito importante para o desenvolvimento deste trabalho.Garantimos o sigilo das suas respostas para fins exclusivos de realização destapesquisa. QuestionárioNome:__________________________________________________________Empresa: Embasa ( ) CERB ( ) 1) Você possui idade entre: 20 a 25 anos ( ) 26 a 34 anos ( ) 35 a 40 anos ( ) 41 a 45 anos ( ) Acima de 45 anos ( ) 2) Você é do sexo Feminino ( ) Masculino ( ) 3) Qual é o seu grau de escolarização: a) Ensino Superior Completo ( ) b) Pós- graduação Incompleta ( ) c) Pós- graduação Completa ( ) d) Mestrado Incompleto ( ) e) Mestrado Completo ( ) f) Doutorado Incompleto ( ) g) Doutorado Completo ( ) 4) A quantos anos atrás você concluiu a sua graduação: Menos de 1 ano ( )
    • 1 a 2 anos atrás ( ) 3 a 5 anos atrás ( ) 5 a 10 anos atrás ( ) Há mais de 10 anos atrás ( ) 5) Em qual Universidade/Faculdade você cursou a sua graduação em Pedagogia?__________________________________ _____________ 6) Se você possui cursos posteriores a graduação responda: Nome do Curso_____________________________________________ Situação: Concluído ( ) Em conclusão ( ) 7) A quanto tempo você trabalha nesta empresa: Menos de 1 ano ( ) 1 a 2 anos ( ) 3 a 5 anos ( ) 6 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos ( ) 8) Quanto a sua remuneração atual na empresa responda: 1 Salário mínimo ( ) Igual ou aproximadamente 2 Salários mínimo ( ) Igual ou aproximadamente 3 Salários mínimo ( ) Igual ou aproximadamente 4 Salários mínimo ( ) 5 Salários mínimo ou mais ( ) 9) Quando você foi contratado (a) pela e empresa em que trabalha havia como requisito para a sua contratação a formação em Pedagogia? Sim ( ) Não ( ) 10)Em que situação você se encontra dentro da empresa:Colaborador Efetivo ( ) Colaborador Terceirizado ( )
    • ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADAUNEB-UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIADEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VIIPEDAGOGIA: 2007.1DISCIPLINA: TCCPROFª BEATRIZ BARROSALUNA: TATIANE DA SILVA LIMATema do trabalho: Pedagogia Empresarial: a atuação dos pedagogos nasempresas de Senhor do Bonfim.Sua opinião é muito importante para o desenvolvimento deste trabalho.Garantimos o sigilo das suas respostas para fins exclusivos de realização destapesquisa. Roteiro da Entrevista 1) Qual é o seu cargo ou função na empresa onde trabalha? 2) Cite as atividades que você desempenha na empresa. 3) Com suas palavras defina Pedagogia. 4) Os componentes curriculares que você estudou durante a sua graduação em Pedagogia contribuem para a realização dessas atividades? Justifique sua resposta. 5) Você acredita que a empresa que você trabalha tem conhecimento do que é a Pedagogia Empresarial? 6) Você se sente reconhecido ou valorizado enquanto Pedagogo dentro da empresa onde trabalha? 7) Na sua visão qual é a identidade do pedagogo nos tempos contemporâneos? 8) Como você enxerga a atuação do pedagogo em espaços empresariais? Na sua visão, em que esse profissional pode contribuir dentro da empresa?