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9CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 52REFERÊNCIAS....
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11contemporaneidade, a influência da cultura de massa nas brincadeiras infantis,ludicidade e cultura de massa e o professo...
12                                     CAPITULO IPROBLEMÁTICA: A SOCIEDADE NO ATUAL CONTEXTO GLOBALIZADOA sociedade contem...
13política dos indivíduos a maneira como agem, sentem, desejam, lembram, conviveme resistem” (IRACI SANEMATSI, 2007, p.120...
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15Vale ressaltar, que nos últimos anos tem-se assistido a uma progressão assustadorada indústria cultural destinada às cri...
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21Assim, a educação na contemporaneidade deve ser vista como elementofundamental no desenvolvimento do individuo, tanto na...
222.2 O Professor, a cultura de massa e a ludicidadeDentro da relação cultura e ludicidade faz-se necessário observar que ...
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262.3.1 Escola e culturaDurante muito tempo a relação entre escola e cultura deu-se a partir da apropriaçãode fragmentos c...
27                      condições materiais, sociais e espirituais que dominam um espaço e                      um tempo (...
28                                   CAPÍTULOIIITRILHA METODOLÓGICA: APONTANDO O CAMINHOEntendemos que a pesquisa implica ...
29A pesquisa qualitativa consente ao pesquisador examinar atentamente os indivíduosenvolvidos no processo educacional. Alé...
303.2 O ambiente de realização da pesquisaA pesquisa foi realizada na Escola Municipal Floriano Peixoto, instituição munic...
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323.4.1 A observação sistemáticaO trabalho de observação é de suma importância para o pesquisador, tendo emvista que atrav...
33Nos primeiros contatos na escola foi feita uma breve conversa com a diretora daUnidade escolar a fim de estabelecer uma ...
34Segundo Haguette (1992), a entrevista “pode ser definida como um processo deinteração social entre as duas pessoas na qu...
35                                   CAPÍTULO IVDE QUÊ E COMO BRINCAM AS CRIANÇAS: O QUE NOS REVELAM OS DADOSO estudo real...
36e as formas de brincar das crianças na escola, buscamos primeiramente, observaras crianças a fim de melhor entender de q...
37acaba reforçando uma separação de gênero, quando o mesmo entrega uma bola defutebol para os garotos e o bambolê para as ...
38com que a “gude” entre no buraco, conseguindo assim retirar a do adversário dedentro fazendo com que, elas se tornem sua...
39Ao serem questionadas sobre a música todas disseram que gostam muito porque não perdem a novela "Morde e Assopra" (da re...
40brincadeiras e demais atividades recreativas, atualmente foram sucumbidas pelagama de avanços tecnológicos produzidos pe...
41Esse instrumento de coleta de dados é pertinente, pois é diante de uma entrevistasemi-estruturada que o entrevistador po...
42Nas respostas dos alunos, podemos perceber que a grande maioria afirma que osprofessores costumam trazer dinâmicas, jogo...
43É importante mencionar que nos discursos, a maioria dos educandos afirmaram queas atividades lúdicas, ou seja, as dinâmi...
44virtual com outros jogadores, fazendo com que os brinquedos e brincadeiras antesutilizadas sejam deixados de lado. Algun...
45                     - Brinco de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, estas                     brincadeiras também b...
46bonitos, atraentes e que eles devem obter a qualquer custo aquele produto. Apropaganda, especialmente no que se refere a...
47um significado muito profundo e está presente em todos os segmentos da vida”(ALMEIDA, 2000, p. 14).Portanto, em resposta...
48confecção de materiais até a mudança de alguns processos metodológicos pode serum caminho para que esse aluno possa inte...
49Notamos através da entrevista que 50% relataram brincar com os amigos e irmãos,de videogame e jogos pela Internet, 30% a...
Monografia Silvana Pedagogia 2011
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Monografia Silvana Pedagogia 2011

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM SILVANA DOS SANTOS COSTA CULTURA DE MASSA E LUDICIDADE: A influência dos meios de comunicação de massa nobrincar das crianças da Escola Municipal Floriano Peixoto SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  2. 2. 2 SILVANA DOS SANTOS COSTA CULTURA DE MASSA E LUDICIDADE: A influência dos meios de comunicação de massa nobrincar das crianças da Escola Municipal Floriano Peixoto Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do curso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, pelo Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Orientadora: Profª. Rita de Cássia Oliveira Carneiro SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  3. 3. 3 SILVANA DOS SANTOS COSTA CULTURA DE MASSA E LUDICIDADE: A influência dos meios de comunicação de massa nobrincar das crianças da Escola Municipal Floriano Peixoto Aprovada em ______de ______________ 2011. _________________________________________________ Profª.Rita de Cássia Oliveira Carneiro _________________________________________________ Avaliador(a) _________________________________________________ Avaliador(a)
  4. 4. 4Dedico este trabalho aos meus filhosLucas e Isabelly Vitória e meu esposoLoilton, pela força e inspiração, em todosos momentos difíceis, me impulsionandoa buscar vida nova a cada dia, meuseternos agradecimentos. A Deus, pai todopoderoso, que incomparável na suainfinita bondade compreendeu os meusanseios transmitindo o dom da sabedoriae a necessária coragem para atingir oobjetivo em todos os momentos da minhavida, te agradeço infinitamente por maisessa conquista.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSÀ Universidade do Estado da Bahia – Campus VII, representada pelos professoresdireção e funcionários, pelo carinho, dedicação e entusiasmo demonstrado ao longodo curso.À professora Rita Carneiro pelo incentivo, simpatia e presteza no auxílio àsatividades e discussões sobre o andamento desta monografia.Aos professores em especial, que souberam além de transmitir seus conhecimentos,transmitiu-nos suas expectativas e ajudaram a tornar visíveis as nossas dificuldades.Aos colegas da turma 2007.1, pelo incentivo e pelo apoio constante na troca deinformações e materiais demonstrando amizade e solidariedade.A toda a minha família e amigos, que com muito amor e compreensão contribuíramdando coragem e perseverança.E a todos que direta e indiretamente contribuíram para a conclusão deste curso
  6. 6. 6“Nada lhe posso dar que não exista emvocê mesmo. Não posso abrir-lhe outromundo de imagens além daquele que háem sua própria alma. Nada lhe posso dara não ser a oportunidade, o impulso, achave. Eu o ajudarei a tornar visível seupróprio mundo, e isso é tudo”. Herman Hesse
  7. 7. 7 RESUMOO presente trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Pedagogia Gestão eDocência em Espaços Educativos têm como objetivo, compreender como a culturade massa tem interferido a relação da criança com o lúdico e modificado as formasde brincar das crianças, sob a influência dos meios de comunicação de massaelemento tão presente na sociedade contemporânea. A pesquisa teve como lócus aEscola Municipal Floriano Peixoto, no município de Jaguarari. Os sujeitos escolhidosforam 20 estudantes do 3° ao 5º ano, do Ensino Fundamental, sendo que destes 10são do sexo feminino e 10 do sexo masculino. A escolha da faixa etária se deu aopercebermos que nessa idade eles sofrem uma influência maior da cultura demassa, o que pode incidir no conteúdo das brincadeiras, pois os mesmos estão maisvulneráveis a influência da mídia principalmente a televisiva. Para coletarmos osdados necessários utilizamos a observação sistemática e a entrevistasemiestruturada. A pesquisa realizada foi de cunho qualitativo, onde procurou-seanalisar as formas de brincar das crianças e o que elas pensam sobre os meios decomunicação de massa e de que forma estes influenciam em sua relação com olúdico, chegando a conclusão diante do objetivo da nossa pesquisa. Para arealização da pesquisa utilizou-se como base teórica a leitura e abordagens dosseguintes autores: Giroux (2001), Santos ( 2001,), Kishimoto (2001),Negrine (1994,),Baccega (2000), Levin (2001), Borba (2005), Viana (2002), Postman (1999), entreoutros que serviram de base para a escrita e discussão do presente trabalho.PALAVRAS-CHAVE: Ludicidade - Cultura de Massa - Brincadeiras Infantis - Escola
  8. 8. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 10CAPÍTULO I: PROBLEMÁTICA: A SOCIEDADE NO ATUAL CONTEXTOGLOBALIZADO ....................................................................................................... 12CAPÍTULO II: QUADRO TÉORICO: EXPLORANDO CONCEITOS CHAVE .......... 192.1 O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE .................................................. 192.2 O PROFESSOR,A CULTURA DE MASSA E A LUDICIDADE ............................................. 222.3 AS INFLUÊNCIAS DA CULTURA DE MASSA NAS BRINCADEIRAS INFANTIS ........................ 24 2.3.1 ESCOLA E CULTURA ....................................................................................... 26CAPÍTULO III: TRILHA METODOLÓGICA: APONTANDO O CAMINHO ............... 283.1 PESQUISA QUALITATIVA......................................................................................... 283.2 O AMBIENTE DA REALIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................. 303.3 SUJEITOS PESQUISADOS ....................................................................................... 303.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS .................................................................... 31 3.4.1 A OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA ......................................................................... 32 3.4.2 ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA ..................................................................... 33CAPÍTULO IV: DE QUÊ E COMO BRINCAM AS CRIANÇAS: O QUE NOSREVELAM OS DADOS ............................................................................................ 354.1 PERFIL DOS ENTREVISTADOS ................................................................................ 35 4.1.1 OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA ............................................................................ 354.2. O QUE NOS CONTAM AS CRIANÇAS SOBRE O BRINCAR: OS RESULTADOS DA ENTREVISTA40 4.2.1 OS PROFESSORES DINAMIZAM AS AULAS ATRAVÉS DE ATIVIDADE LÚDICAS? O QUE OS ALUNOS DIZEM A RESPEITO DISSO........................................................................ 41 4. 2. 2BRINCAR DE QUE? O QUE ELES MAIS GOSTAM? ................................................ 43 4.2.3. BRINQUEDOS CONSTRUÍDOS OU COMPRADOS. O QUE É MAIS INTERESSANTE? ..... 45 4.2.4 BRINCADEIRAS INFANTIS: DO QUE MAIS GOSTO DE BRINCAR?.............................. 48 4.2.5 TELEVISÃO: O QUE E QUANDO ASSISTIR? .......................................................... 50
  9. 9. 9CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 52REFERÊNCIAS..........................................................................................................55ANEXOS
  10. 10. 10 INTRODUÇÃOO presente trabalho monográfico, requisito necessário para a conclusão do Curso dePedagogia, tem por finalidade consolidar o aprofundamento teórico em torno dotema cultura de massa e ludicidade, resultante dos estudos realizados ao longo docurso e que suscitou o objeto desta pesquisa.O nosso objeto de estudo surgiu da inquietação e do anseio de aprofundar osconhecimentos sobre a temática pesquisada, buscando compreender a influênciaque a sociedade de consumo exerce na relação dos sujeitos como lúdico e, emespecial, das crianças. Desta forma nasceu o desejo de compreender como acultura de massa tem interferido e modificado a relação da criança com o lúdico esuas formas de brincar. Partindo da nossa experiência anterior com o estágiodefinimos como lócus da pesquisa uma escola para, naquele lugar observarmos obrincar das crianças e as interações que elas estabeleciam com as brincadeirasinfantis. Além disso, seria mais fácil entrevistá-las saber do que brincavam e dasbrincadeiras e brinquedos que gostavam.Portanto, procuramos direcionar teoria e prática com o objetivo de melhorcompreender a finalidade proposta da pesquisa através dos métodos utilizados paracoletar dados.O referido trabalho é composto de quatro capítulos, a saber:Capítulo 1: Problematização. Nesse capítulo trouxemos um breve histórico sobre oprocesso de globalização no mundo contemporâneo sob a ordem do capitalismo,problematizando a temática pesquisada e apresentando nossa questão e o objetivode nossa pesquisa.Capítulo 2: Fundamentação. Nesse capitulo, foi apresentada a fundamentaçãoteórica com base em alguns autores que subsidiaram essa pesquisa de umamaneira contextualizada; e ainda apresentamos alguns subtítulos a fim de melhorfundamentar o trabalho, a exemplo de: A importância da educação na
  11. 11. 11contemporaneidade, a influência da cultura de massa nas brincadeiras infantis,ludicidade e cultura de massa e o professor, a cultura e a ludicidade.No terceiro capítulo, apresentamos a metodologia empregada, assim como osinstrumentos de coleta de dados utilizados dando sustentação ao enfoque qualitativoadotado no presente estudo.No quarto capítulo, foi apresentado a análise e interpretação dos resultados dapesquisa, obtidos através dos instrumentos de coleta de dados, em que procuramosresponder ao nosso questionamento e atender aos objetivos desta pesquisa.Finalizamos, apresentando as considerações finais, onde expomos os resultadosalcançados através da presente pesquisa resultantes da análise e interpretação dosdados.
  12. 12. 12 CAPITULO IPROBLEMÁTICA: A SOCIEDADE NO ATUAL CONTEXTO GLOBALIZADOA sociedade contemporânea é marcada pelo processo de globalização ou deunificação do mundo sob a ordem do capitalismo e tem como um dos seuspressupostos a incorporação dos vários segmentos da população à lógica doconsumo. Estas mudanças impactam na organização da vida em sociedade, dasfamílias e das relações comunitárias.A sociedade de consumo tem como objetivo primordial tornar a todos consumidores,e para isso se faz necessário produzir objetos, criar necessidades e desejos depossuir esses produtos. E neste contexto, os meios de comunicação têm um papelimportante na produção da necessidade de consumo e na construção dessanecessidade, numa velocidade vertiginosa, buscando massificar o acesso adeterminados bens.Esse fenômeno fez surgir uma grande quantidade de consumidores formados epadronizados pela propaganda. Desta forma, não se usa mais determinado produtoou coisa pelo fato de gostar, ou pela necessidade real que se tem, mas pelomarketing na qualidade da marca e por outros aspectos, muitas vezes irrelevantes,com o intuito de vender o produto.Na contemporaneidade não se vende apenas bens de consumo, mas tambémcultura, que se tornou um produto, tal qual um sapato ou comida, nas prateleiras domercado. Nesse sentido, as crianças constituem hoje uma importante fatia domercado, o que tem provocado um incremento da produção cultural voltada para ainfância, sobretudo daquela da ordem da cultura de massa.A mídia, principalmente a televisiva, tem exercido forte poder sobre a formaçãocultural da infância, quando se associa com as tendências da TV, para fragmentar edescontextualizar a realidade. “Nesse sentido é preciso ficar atento, pois, a “mídia” écapaz de influenciar das formas mais diversificadas, a vida cotidiana e a atuação
  13. 13. 13política dos indivíduos a maneira como agem, sentem, desejam, lembram, conviveme resistem” (IRACI SANEMATSI, 2007, p.120).Como um dos veículos mais importantes do mundo capitalista, a televisão tem comofio condutor a ideia de que os interesses comerciais ditam a cultura infantil, estápautada em transformar os pequenos em consumidores, pois à mídia o que importaé o lucro, não interessando o bem estar das crianças. Não há dúvida de que ainfância e a cultura infantil estão mudando, muitas vezes como resultado de seucontato com outras manifestações mais adultas da cultura de massa e da culturaque é produzida para a infância. E é no interior dos lares que ela está inserida, comoobserva Baccega (2000) visto que: (...) a televisão, com meio século de presença entre nós, compartilha com a escola e a família o processo educacional, tendo se tornado um importante agente de formação. Ela até mesmo leva vantagem em relação aos demais agentes: sua linguagem é mais ágil e está muito mais integrada ao cotidiano: o tempo de exposição das pessoas à televisão costuma ser maior do que o destinado à escola ou à convivência com os pais (p. 95).Os valores familiares, que sempre se pautaram no respeito e no bomrelacionamento entre pais e filhos, observamos que na atualidade essa estruturaestá em desequilíbrio, e os que mais sofrem com isso são as crianças. Com oesfacelamento da estrutura familiar, resultante do divórcio e de lares onde os paistrabalham fora e ficam pouco tempo com os filhos, vive-se, hoje, a era das geraçõesde “esquecidos em casa”, e na sua maioria entregues à babá eletrônica: a televisão.Crianças que, em grande parte, têm sido obrigadas a se desenvolverem por simesmas.Levin (2001), ao discorrer sobre a criança diante da informática científica-tecnológica, enfatiza a sua posição alienante diante da imagem: O fascínio da imagem coloca a criança em posição geral passiva e basicamente alienante; entregue à televisão, ao computador ou aos jogos eletrônicos, o pequenino chega a tornar-se anônimo perante o imaginário tecnológico que o cativa a todo momento, num imobilismo obscenamente indiferente. (...) A criança fica “privatizada” pelo imaginário atual como objeto de mercado, de consumo sem artifício, sem criação, sem invenção; e nessa situação de objeto de consumo ela cumpre a sua função de consumir banalmente essas mesmas imagens que a aprisionam, privando-a de seu corpo, banalizando seu desenvolvimento (p.49).
  14. 14. 14A criança, portanto, desde pequena entra nesse mundo de fantasia e quando nãoacompanhada e orientada se torna alvo fácil de manipulação. A ausência e a falta deacompanhamento dos pais nessa fase fazem com que a televisão acabe cumprindoo papel de agente modelador dessas crianças que podem se tornar jovens e adultosalienados. Segundo Prestes (2005),é justamente as mudanças ocorridas na famíliaque permite a liberdade dos filhos e “a participação dos pais na escola influenciapara uma melhor aprendizagem, apoio e educação” (p.35).Para Borba (2005), a cultura de massa, principalmente a televisiva, faz com que acriança ignore as desigualdades que marcam a sociedade, e quando representadasna televisão quase sempre estão descontextualizadas e deslocadas da realidade dacriança. Um exemplo disso são os papéis destinados aos negros ou pardos natelevisão. Percebe-se, nitidamente que os papéis que os brancos fazem são deheróis, de ricos, de uma classe superior ao papel que é destinado ao negro. Essadivisão é vista e não passa despercebida nem pelos pequenos, e mesmo às vezesdisfarçada, esses papéis refletem na vida cotidiana das pessoas, principalmente senão há uma mediação do adulto para fazer as crianças pensarem sobre estasquestões.Ao fazer uma análise dos filmes e brinquedos destinados às crianças Giroux (2001,apud, BORBA, 2005, p. 5), aponta que até existe “os heróis não-americanos –comoAladim cujos traços, entretanto, não retratam o árabe, e sim o americano branco –ou bonecas como a Barbie Jamaicana e de outras etnias”, mas estas têm comomodelo a “Barbie americana e loura, apenas vestindo trajes típicos”. Desta forma, aindústria encontra novas maneiras de produzir em grande escala o mesmo produto,mudando apenas alguns elementos para atrair o interesse do consumidor. Nessesentido Viana (2002), afirma que: Todo esse processo reproduz interesses da classe dominante. A indústria cultural produz uma padronização e manipulação da cultura reproduzindo a dinâmica de qualquer outra indústria capitalista, a busca do lucro, mas também reproduzindo as ideias que servem para sua própria perpetuação e legitimação e, por extensão, a sociedade capitalista como um todo (p.13).
  15. 15. 15Vale ressaltar, que nos últimos anos tem-se assistido a uma progressão assustadorada indústria cultural destinada às crianças permitindo o que para alguns autoressignifica “a existência de uma pedagogia cultural baseada na TV, no cinema, nasrevistas, nos jornais, nos brinquedos, nas propagandas, nos videogames, nos livros,nos esportes, etc.” (STEINBERG &KINCHELOE, 2001, CASTRO, 1998, apud,BORBA, 2005).É evidente que nos dias atuais a centralização do poder está cada vez mais nasmãos de poucos, tendo assim total liberdade para produzir qualquer tipo de culturainfantil lucrativa já que cada vez mais, formam-se maiores corporações quefuncionam como grupos dominantes. Neste sentido, percebe-se o interesse degrandes corporações (seguradoras, bancos, o comércio em geral), em apresentar-senas propagandas como os melhores interesses da família, e para isso usamfrequentemente a criança como foco de suas campanhas de mídia, com osignificado de promessa de segurança e felicidade. Segundo Postman (1999), atelevisão na nossa sociedade não faz distinção entre crianças e adultos, denotandoque: [...] aproximadamente 3 milhões de crianças (com idades de dois a onze anos) assistem à televisão todas as noites do ano entre 11 e 11:30; 2 milhões e 100 mil assistem à TV entre 11:30 e meia-noite; 1 milhão e 100 mil entre meia-noite e meia e uma da manhã; e quase 750 mil entre 1:00 e 1:30 da manhã. Isso acontece não só porque a forma simbólica da televisão não propõe mistérios cognitivos, mas também porque um aparelho de televisão não pode ser escondido numa gaveta ou colocado numa prateleira alta, longe do alcance das crianças (p.94).A criança tem sido vista pela indústria como mais um consumidor em potencial epara isso tem investido na divulgação de seus produtos através da grande mídiacom o objetivo de ressaltar a importância de a criança possuir um determinadobrinquedo ou jogo, não ocorrendo uma preocupação com valores, riscos e demaisproblemas que o mesmo venha causar em um futuro próximo, cabendo a pais eprofessores atentarem-se para a necessidade de orientaras crianças sobre comoagir diante das investidas da propaganda televisiva.
  16. 16. 16Tornou-se comum, na maioria das famílias contemporâneas, trocarem o tempo deconversa entre pais e filhos pela convivência silenciosa em torno de uma tela de TV,este “fenômeno típico dos tempos modernos”, atinge, principalmente, crianças ejovens, em todas as classes sociais, quer dentro da própria família, quer nas ruas(JOBIM & SOUZA, 1998, apud, BORBA, 2005).Ressalta-se ainda, que a mídia televisiva tem enorme papel na relação entre infânciae cultura, não apenas por ser o veículo de circulação de modelos, mas por ser umcentro elaborador de mensagens que modelam os comportamentos humanos,constituindo suas principais redes de referências, e tendo as crianças como foco,pois elas são vista como consumidoras atuais e futuras. Para Feilitzen (2002): [...] há uma exceção, em que as crianças são representadas com maior frequência no contexto da mídia – nos comerciais. O fato de as crianças serem mais comuns nos comerciais do que no contexto da mídia em geral é um sinal de seu alto valor de consumo econômico na sociedade – como consumidores atuais e futuros e como conceitos de venda e estratégias de propaganda para produtos, valores e estilos de vida (p.23).Nessa sociedade da informação e do consumo, as Instituições de Educação têm umimenso desafio de tentar, na contramão da cultura de massa, educar as criançaspequenas para um mundo mais solidário, levando em conta as crianças comoprodutoras de cultura. Nesta perspectiva a escola deve ser entendida como umespaço de produção de cultura e os sujeitos desse processo devem cotidianamentevivenciar um ensino que respeite a diversidade cultural e ao mesmo tempotrabalhando para que a sala de aula seja um espaço de vivência dessa diversidade.Para Durkheim (1973), “a educação não é um elemento para mudança social, e simpelo contrário, é um elemento fundamental para a conservação e funcionamento dosistema social” (p.52). Portanto, a escola deve relacionar os saberes do passado edo presente, e principalmente articular o conhecimento que é adquirido dentro e foradeste espaço educacional. É indispensável que a escola reconheça o papel de cadasujeito inserido em seu contexto, priorizando o seu desenvolvimento, o seuconhecimento e indispensavelmente a sua cultura.
  17. 17. 17Desde a Educação Infantil, esse ensino deve estar presente, pois a criança nesseprocesso vai tendo a oportunidade de experimentar, inferir, levantar hipóteses,produções, conquistas, fazendo com que se concretize a vivência da diversidade nodia a dia da criança.Para tanto, pensar sobre a Educação e sobre o currículo desse ensino é um desafioque vem percorrendo caminhos muitas vezes paradoxais ao longo de sua história,cabendo assim ao profissional da educação criar, na sala de aula, espaço de trocade saberes, onde os educandos possam, nessa etapa educativa, viver a experiênciade um ensino rico em afetividade e descobertas, oportunizando-os a adquirir novasaprendizagens, que não deve ser resumida a repetição e/ou transferência dosconteúdos.Neste contexto, tanto a Instituição de Educação Infantil quanto as escolas do EnsinoFundamental e os professores não podem esquecer que a mudança na realidadeeconômica, associada ao acesso das crianças às informações sobre o mundoadulto, transformou drasticamente a infância. Desta forma, a Instituição e seusprofissionais têm um grande desafio na educação das crianças, pois a tendênciadestas, em copiar modismos implantados e divulgados pela cultura de massa, fazsurgir uma preocupação entre toda sociedade, a de que as antigas brincadeiras,jogos e outras atividades fiquem esquecidos na oralidade dos pais.Entretanto, este é um desafio que as Instituições de Educação e os professoresprecisam enfrentar tentar entender como as crianças brincam, hoje, como estãoelaborando a cultura e ao mesmo tempo disponibilizar às crianças o acesso aosbens culturais, historicamente produzidos, e o acervo de jogos e brincadeirastradicionais para ampliar o desenvolvimento e a compreensão da sua históriaenquanto ser humano.Diante da problemática apontada a nossa questão de pesquisa, no presente estudo,é compreender como a cultura de massa tem interferido e modificado a relação dacriança com o lúdico e as formas de brincar das crianças na escola. Acreditamosque o nosso estudo possa servir como reflexão sobre a temática, suscitando um
  18. 18. 18olhar mais acurado sobre a influência da cultura de massa nas formas de brincar dascrianças, além de aprofundar os conhecimentos sobre a temática pesquisada, e aspossibilidades de intervenção pedagógica.
  19. 19. 19 CAPÍTULO IIFUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: EXPLORANDO CONCEITOS CHAVEDe acordo com a problemática apontada no capítulo anterior e com os objetivospropostos para esta pesquisa que é compreender como a cultura de massa teminterferido e modificado a relação da criança com o lúdico e as formas de brincar dascrianças na escola, percebemos a necessidade de explicitar de forma maisaprofundada a discussão teórica dos conceitos norteadores da pesquisa queorientam a leitura e interpretação dos dados, dando sustentação à análise querealizamos. Desta forma, situamos o papel da educação na contemporaneidade, asinfluências da cultura de massa nas brincadeiras infantis, O professor, a cultura demassa e a ludicidade.2.1O papel da educação na contemporaneidadeAtualmente as informações chegam ao público com certa facilidade, pelos maisdiferentes meios. Tais informações transmitidas pela mídia têm como objetivoinfluenciar a formação da opinião do telespectador, mas também vender diversosprodutos. Embora os meios de comunicação não tenham nenhuma preocupaçãoeducativa, eles estão presentes no cotidiano dos alunos e influenciam na educaçãoe na construção de costumes e valores. Desse modo os meios de comunicação,como a televisão, a internet, o rádio, o jornal, têm a capacidade de incentivar emudar os padrões culturais de uma determinada sociedade.Para Gonçalves (1990), o rádio, os jornais e em especial a televisão sãounanimemente reconhecidos, como fatores de influência determinante no camposocial. A televisão em especial, combina palavras, imagens e música que interferemna própria linguagem usada por crianças e jovens que adotam o uso de gestoscorporais, onomatopéias, gírias, palavras e expressões que ela veicula.Na contemporaneidade estes meios de comunicação de massa têm ganhado umlugar de destaque nas famílias brasileiras, sendo que a prática de assistir TV, e o
  20. 20. 20uso rotineiro de alguns instrumentos das novas tecnologias já se configuram, paramuitos, como um vício. As crianças já não utilizam as férias escolares para correr,pular, usar a imaginação, etc., e nos finais de semana não participam, por exemplo,de atividades lúdicas que fizeram parte da infância de seus pais. Um grande númerode crianças tem passado muito tempo em frente à televisão e, muitas vezes, asbrincadeiras e atividades são reproduções da influência que a cultura de massaexerce sobre elas.A sociedade contemporânea tem modificado constantemente a concepção decriança e de infância em função dos interesses comerciais. Assim, ao refletir sobre opapel da criança na sociedade moderna, Levin (2001),afirma que O reinado da criança-filho como objeto de consumo e consumidor cresce e se acelera. O tempo da criança fica cada vez mais cheio de atividades, instruções e propostas. O império do consumo e da imagem faz suas vítimas e seus vitimários consumindo esse irrecuperável período da infância (p.45).No entanto, é preciso refletir, no mundo contemporâneo, sobre o papel da educaçãona vida das crianças e adolescentes visto que a escola parece um pouco distante darapidez com que a mídia trata as informações. Há algumas décadas o professortinha, no espaço da sala de aula, a autoridade e domínio sobre o conteúdo, sendo oaluno apenas um reprodutor destes conteúdos. Hoje esses alunos têm acesso atodo tipo de informações que provocam uma transformação no modo de pensar eagir, tanto dos educandos, que antes não questionavam nada, quanto noseducadores que pensavam serem os donos da verdade. Desta forma, não dá para aescola ignorar o poder que a televisão e outros meios eletrônicos exercem sobre ascrianças, é preciso levar em consideração e utilizar essa influência em favor daeducação das crianças e por isto é indispensável que o fazer pedagógico consideretudo aquilo que a criança traz consigo, suas experiências e vivências cotidianas.É evidente que sendo a escola espaço de construção de uma das dimensões do serhumano, ela deve ser agente determinante, crítico, capaz de oferecer instruções aoseducandos, cabendo a esta instituição educacional formar seres humanosquestionadores capazes de não serem manipulados no atual contexto globalizado.
  21. 21. 21Assim, a educação na contemporaneidade deve ser vista como elementofundamental no desenvolvimento do individuo, tanto na sua personalidade social,ética e moral quanto na sua capacidade física, psicológica, e cognitiva.Vale ressaltar que o docente ao ensinar, deve levar o aluno para o novo para adescoberta, buscando no aluno um ser questionador, levando-o construir aautonomia. O professor, os pais, a comunidade, a sociedade civil, entidades civis egovernamentais precisam considerar o que realmente importa para o aluno, oconteúdo é importante desde que este não seja trabalhado numa perspectiva daeducação bancária, onde o aluno é visto de maneira passiva. Assim, a escola nãopode ser vista como um local de treinamento, onde o professor fala e o aluno repete.Ela precisa ser um espaço de construção do conhecimento, onde o aluno tenhaoportunidade de tomar iniciativa diante das situações, proporcionando ao mesmo odesenvolvimento de sua autonomia, base de alicerce para o exercício da cidadania eda construção de um ser crítico.Considerando o modo que se busca aproximar o saber cultural do aluno paraestimular o aprendizado e conseguir resultados promissores, é desejável que segere no educando a autoconfiança, buscando motivá-lo internamente para aaprendizagem.Embora o que se observa em muitas unidades escolares é ainda umavisão limitada sobre quais conteúdos devem ser trabalhados ao longo do ano letivo,esquecendo que o aluno tem que ser motivado para a aprendizagem, através deatividades motivadoras e atraentes que desperte na curiosidade do mesmo.Sendo assim, uma das maneiras de chegar-se a esta determinada motivação emsala de aula encontra-se na iniciativa lúdica. Pensando neste aspecto, o educadortem importante papel na mediação pedagógica, por isso se faz necessário que ele,saiba escolher os jogos e brincadeiras, de acordo com a faixa etária das crianças ecom os objetivos a serem alcançados. Sobre essa temática Negrine (1994, p. 13)pontua que “O professor deve estar preparado não apenas para atuar comoanimador, mas também como observador e investigador das relações eacontecimentos que ocorrem na escola”.
  22. 22. 222.2 O Professor, a cultura de massa e a ludicidadeDentro da relação cultura e ludicidade faz-se necessário observar que desde muitocedo a criança sofre grande influência da cultura de massa, no que se refere àtransmissão de valores e ideias formuladas pelo complexo capitalista que, noprocesso de globalização, se utiliza dos meios de comunicação de massa paradivulgar a ideia de uma nova dinâmica lúdica.Assim, por meio da massificação da propaganda, a criança passa a cultuar novosjogos e brinquedos que apenas vêem a criança como mera consumidora ereprodutora de valores, e desta forma contribui para a eliminação de elementos quefazem parte da cultura em que o aluno está inserido.Vale salientar que em qualquer prática lúdica a criança desenvolve um determinadoconhecimento, contudo, a partir do momento em que ela entra no ambiente escolar olúdico pode assumir uma função pedagógica, e o jogo, a brincadeira passam a serusados como conteúdo a ser estudado. Segundo Kishimoto (2001), há umadiferença do brinquedo para o material pedagógico, que se baseia na natureza dosobjetivos da ação educativa, apresentando seu interesse sobre o jogo pedagógico,quando afirma: Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral de jogo educativo (p.83).Assim, é importante ressaltar que não se pode brincar simplesmente para passar otempo da aula, é preciso fazer essa relação do brincar e do aprender, despertandono estudante o desejo de entender e interpretar aquilo que está sendo ensinado.Para Teixeira (1995, p. 23), “O ser que brinca e joga é, também, o ser que age,sente, pensa, aprende e se desenvolve”. Desta forma, por meio da brincadeira, acriança se envolve na atividade e sente a vontade de partilhar com o outro. Esta
  23. 23. 23relação divulga as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e coloca emcheque as aptidões, testando limites e propondo desafios.A atividade lúdica tem como papel fornecer à criança um espaço agradável,motivador, planejado e enriquecido que leva a aprendizagem de várias habilidades,além de trabalhar estas aptidões na criança, tende ajudar no desenvolvimento dacriatividade, coordenação motora, dentre outras.Vale salientar que, não só o espaço deve ser planejado, todos que estão inseridosna prática lúdica têm papel de relevância, podendo elaborar um planejamentoacerca do que necessitará para fazer um trabalho diferenciado, apresentandodiversas formas de como se trabalhar com o lúdico numa perspectiva que vai alémda brincadeira.Portanto, a ludicidade deve ser entendida como entidade que conduz a criança,estando ela inserida no ambiente escolar ou em espaços informais de educação, umveículo vivo que contribui para a formação do ser humano. Como podem serobservadas atualmente, várias empresas contratam educadores para desenvolveratividades lúdicas, sendo essas usadas para evitar o estresse dos profissionais, e decerta forma essa dinâmica vem a todo o momento conduzindo essas empresas auma melhoria no desenvolvimento do trabalho, sendo concretizado por um aumentoda produção. Almeida (1990) diz que: A educação lúdica além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-se mais alto espírito de uma prática democrática, enquanto investe em uma produção séria de conhecimento. Sua prática exige a participação franca, criativa, livre, critica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação com o meio (p.57).A partir dessa atividade a escola como ambiente, onde a criança fica a maior partede sua infância e onde vários profissionais estão ali capacitados para atender asreais necessidades dos estudantes, deve ter uma preocupação com o planejamentodas atividades lúdicas, levando também em conta a cultura dos educandos. Éimportante ressaltar também, que os professores devem mostrar-se atentos à
  24. 24. 24relação entre cultura de massa e ludicidade, buscando entender de que maneiraessa relação influencia no comportamento das crianças e suas formas de brincar,não esquecendo a riqueza cultural da ludicidade vivenciada pela criança ao longo desua existência, na sua relação com os brinquedos, com os jogos e brincadeiras, naconvivência com as outras crianças e também com os adultos.2.3 As influências da cultura de massa nas brincadeiras infantisAo abordarmos a influência da cultura de massa na forma como as crianças brincame se divertem, hoje, na sociedade contemporânea, não podemos nos esquecer dopapel importante da televisão. Este meio de comunicação de massa tornou-se oporta-voz da cultura de massa e tem contribuído na definição dos padrões culturaiscriados pela indústria cultural. A TV funciona como componente importante no quese refere a influenciar tanto a criança na escolha de uma determinada brincadeira,como no próprio adulto quando deseja comprar determinado produto destinado àscrianças, seja um brinquedo ou peças de vestuário.Nos dias atuais, observa-se uma tendência em cultuar aquilo que não é seu, pois emoutros tempos quando se perguntava sobre o seu ídolo para uma criança ela logorespondia: meu pai e minha mãe. Hoje, os ídolos são construídos pelos meios decomunicação de massa, em especial a televisão, criando modelos e referências paraas crianças que, em sua maioria, não são bons para elas.Diante disso, podemos dizer que a cultura de massa tem forte influência nasdiferentes formas do lúdico, visto que muitas vezes a brincadeira é realizada deforma solitária, tendo como companhia a TV, o vídeo game ou o computador. Destaforma, os momentos de recreação, no espaço escolar e extra-escolar, sofrem com amanifestação orientada a todo o momento pela influência da mídia. Portanto, se faznecessário que os educadores utilizem, em alguns momentos, elementos queconduzam os estudantes a fazer reflexões sobre algumas formas de brincar, alémde possibilitar o resgate de jogos e brincadeiras tradicionais resultantes da culturapopular, que fizeram parte da infância de muitas outras gerações.Para Gomes,(apud, AGUIAR, 2004, p.20): ”O termo atividade recreativa corresponde a toda ação,
  25. 25. 25motora ou não, que causa prazer, espontaneidade a ludicidade em quem a pratica”.Pode-se afirmar que a criança também aprende enquanto brinca e não é necessáriofazer separação entre o brincar e o aprender. Enquanto ela brinca, o aprender nãofica tão repetitivo, ao contrário, estimula a criatividade como também mostra asdificuldades dos educandos.É muito comum ouvirmos depoimentos errôneos referentes à ludicidade na práticapedagógica; “A aceitação da ludicidade, por parte dos professores, não garante umapostura lúdico-pedagógica na sua atuação” (SANTOS, 2001, p.14). É preciso fazercom que estudantes, professores, pais e toda a comunidade escolar e extra-escolarcompreendam a importância dessas brincadeiras infantis para a formação social,intelectual e psicológica da criança. Segundo Vygotsky (1992): É na brincadeira que a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário. A criança vivencia uma experiência no brinquedo como se fosse maior do que a realidade, o brinquedo fornece estrutura básica para mudanças das necessidades e da consciência da criança (p.117).O ambiente escolar também pode tornar-se um espaço lúdico para a criança desdeque a instituição educativa promova atividades lúdicas, pois através das brincadeirasa criança aprende a se relacionar com outras crianças, discutem possíveis dúvidas,e com perspicácia assume um papel de investigador e profundo pesquisador domodo de viver em sociedade. O jogo educativo também pode constituir-se numpoderoso recurso didático que potencializa as condições de aprendizagem dascrianças se a escola e seus profissionais souberem utilizar.É necessário entender a cultura de massa como veículo de transmissão da dinâmicalúdica, mas não como o único, tendo em vista que a escola como entidade decaráter formador e transmissor de um conhecimento sistematizado, pode funcionarcomo mecanismo fundamental de problematização desse conteúdo veiculado pelosmeios de comunicação de massa junto às crianças.
  26. 26. 262.3.1 Escola e culturaDurante muito tempo a relação entre escola e cultura deu-se a partir da apropriaçãode fragmentos culturais dentro do cotidiano, observando-se uma constante deapresentações teatrais, danças, sempre ocasionada em datas comemorativas comoSão João, Carnaval, Folclore, etc. Estas apresentações aconteciam sem que ascrianças, na maioria das vezes, compreendessem a real importância do referidoevento. Embora ainda se perceba essa situação em muitas escolas, essacompreensão sobre a cultura e sua apropriação via escola começa a modificar-seem consequência também do referencial curricular nacional para o ensinofundamental que aponta a importância do trabalho com artes e a valorização dacultura, contribuindo assim, para o resgate de elementos culturais do passado, mastambém com um olhar no futuro que se modifica a todo instante. Segundo GimenoSacristán (2001): A educação contribuiu consideravelmente para fundamentar e para manter a ideia de progresso como processo de marcha ascendente na História; assim, ajudou a sustentar a esperança em alguns indivíduos, em uma sociedade, em um mundo e em um porvir melhores. A fé na educação nutre-se da crença de que esta possa melhorar a qualidade de vida, a racionalidade, o desenvolvimento da sensibilidade, a compreensão entre os seres humanos, o decréscimo da agressividade, o desenvolvimento econômico, ou o domínio da fatalidade e da natureza hostil pelo progresso das ciências e da tecnologia propagadas e incrementadas pela educação (p.21).Neste sentido, a escola é de fundamental importância, pois através dela osindivíduos podem apropriar-se da cultura universal na perspectiva da diversidade edesenvolver uma reflexão crítica sobre o mundo e a cultura, percebendo-se tambémcomo produtores de cultura. Sendo assim a escola não é simplesmente reprodutorade conhecimento ela deve ser entendida e compreendida como instrumento deformação social e socialização da cultura. Pérez Gómez (2001), afirma que a: [...] Cultura como o conjunto de significados, expectativas e comportamentos compartilhados por um determinado grupo social, o qual facilita e ordena, limita e potenciam os intercâmbios sociais, as produções simbólicas e materiais e as realizações individuais e coletivas dentro de um marco espacial e temporal determinado. A cultura, portanto, é o resultado da construção social, contingente às
  27. 27. 27 condições materiais, sociais e espirituais que dominam um espaço e um tempo (p.17).Em relação a essa temática, a educação escolar ao contrário do que observamosatualmente, não pode se limitar a transmitir os conhecimentos disponíveis daideologia dominante em detrimento das classes populares e grupos marginalizados.Por isso, a necessidade da educação transformar-se e se efetivar numa perspectivamulticultural.Educação e cultura são questões a serem discutidas e resignificadas no espaçoescolar, levando em conta que, com a incorporação de um currículo monocultural,transmitindo/impondo valores de uma cultura hegemônica, os alunos estão perdendosua criatividade e criticidade, além de sua identidade cultural.Diante disso, faz-se necessário um planejamento e uma reestruturação das formasde agir da educação escolar, onde os conteúdos estejam adequados a realidadevivida pelos alunos e os objetivos de formação estejam conectados com adisponibilidade de formar sujeitos capazes de entender e viver num mundo marcadopela diversidade.A perpetuação e reprodução da cultura são efetivadas através da relação dosmembros em contato com o grupo. E é na escola onde essa relação se tornaconstante se tornando um espaço culturalmente diversificado. Nesse espaço cadaum participa com sua especificidade, podendo assim, o professor desenvolver umaprática pedagógica onde todos possam participar de maneira que se conheça erespeite a cultura de cada um.
  28. 28. 28 CAPÍTULOIIITRILHA METODOLÓGICA: APONTANDO O CAMINHOEntendemos que a pesquisa implica em uma série de etapas a serem adotadas embusca de subsídios e respostas a um determinado contexto e é na metodologia quesão indicados os elementos de se coletar os dados relevantes para pesquisa. Destaforma, entende-se por metodologia o processo pelo qual se alcança um determinadofim. A metodologia significa etimologicamente o estudo dos caminhos, dosinstrumentos usados para se fazer pesquisa científica, os quais respondem comofazê-la de forma eficiente. Segundo Houaiss (2004,p.494), “a metodologia é umconjunto de métodos, princípios e regras empregados por uma atividade oudisciplina”. Entendemos que um estudo acerca de um determinado tema, se faznecessário definir a metodologia, o caminho, que conduzirá a investigação para oconhecimento e o aprofundamento de uma determinada realidade.A escolha de qual metodologia utilizar é sempre uma dúvida que surge nopesquisador no momento em que ele participa de um projeto de pesquisa,monografia ou qualquer outro trabalho que envolva a utilização dos critérios einstrumentos científicos. Neste capítulo, apresentamos os recursos metodológicosadotados para a realização desse estudo, além da descrição dos caminhospercorridos no decorrer do processo investigativo, ou seja, os pressupostosmetodológicos que orientaram este trabalho. Em primeiro lugar apresentamos asfontes, os autores do estudo. Em seguida os motivos da opção por uma pesquisaqualitativa, por fim explicamos a metodologia de coleta e análise de dados.3.1 Pesquisa qualitativaEm se tratando da pesquisa em educação, acredita-se que a metodologia maisadequada é a abordagem qualitativa. A esse respeito, Macedo (2004) afirma “quepara o olhar qualitativo é necessário conviver com o desejo, a curiosidade ecriatividade humana; com as utopias e esperanças; com a desordem e o conflito;com a precariedade e a pretensão; com as incertezas e o imprevisto” (p.69).
  29. 29. 29A pesquisa qualitativa consente ao pesquisador examinar atentamente os indivíduosenvolvidos no processo educacional. Além do mais, este método é muito usado naspesquisas educacionais nas últimas décadas, tendo como uma das característicasinvestigar os significados que os envolvidos dão ao assunto pesquisado.Segundo Ludke& André (1986), ”a pesquisa qualitativa supõe o contato direto eprolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendoinvestigada, via de regra, através do trabalho intensivo de campo” (p.11). Issosignifica que o pesquisador deverá vivenciar o cotidiano dos sujeitos pesquisadospara que possa visualizar em quais condições ele se manifesta.A escolha pela pesquisa qualitativa se deu levando em consideração a questão emestudo que busca compreender como a cultura de massa tem interferido emodificado a relação da criança com o lúdico e as formas de brincar das crianças naescola, tendo como locus a Escola Municipal Floriano Peixoto. Para Rúdio (1999) apesquisa tenta determinar pontos de vista, opiniões e preferências que pessoas oudeterminados grupos possuem em relação aos assuntos propostos, com o objetivode tomada de decisões. Desse modo, sabemos o quanto à pesquisa qualitativa setorna importante diante das situações que aparecem na pesquisa, explicando assim,a preferência dos pesquisadores pela pesquisa qualitativa, pois esta engloba todocontexto social e humano que existe no objeto em estudo.Andrade (2002) define de forma interessante e destaca que “a pesquisa descritivapreocupa-se em observar os fatos, registrá-los, analisá-los, classificá-los einterpretá-los”, sem que o pesquisador interfira neles. A importância desse conceitopara essa pesquisa demonstra que os fenômenos do mundo físico e humano sãoestudados, mas não são manipulados pelo pesquisador. Percebe-se a relevânciadada à escolha por essa abordagem na perspectiva de melhor compreender como acultura de massa tem interferido e modificado a relação da criança com o lúdico e asformas de brincar das crianças na escola em especial na Escola Floriano Peixoto,possibilitando desta forma colher as informações necessárias, indispensáveis paraobtenção dos resultados da pesquisa.
  30. 30. 303.2 O ambiente de realização da pesquisaA pesquisa foi realizada na Escola Municipal Floriano Peixoto, instituição municipal,que se encontra na sede do município de Jaguarari-Ba. A opção por essadeterminada instituição se deu pelo fato da mesma receber crianças da sede e dazona rural, formando um complexo multicultural, pois cada povoado, comunidade,distrito acaba assumindo costumes, crenças e ideias divergentes. Em sua maioriaessas crianças estão em processo de formação de sua identidade, e pelos conflitosque são estabelecidos pelo choque cultural do mundo em que vivem com o mundoglobalizado atual.A Escola Municipal Floriano Peixoto, fica localizada na Praça Alfredo Viana, nº 142,na cidade de Jaguarari – Bahia. É uma escola de médio porte, atendendo umaclientela de 474 alunos do Ensino Fundamental I, sendo distribuídos nos turnosmatutino, vespertino e noturno. No turno noturno o público atendido é da Educaçãode Jovens e Adultos (EJA).Quanto a sua estrutura física, a escola é composta de 06 salas de aula e 06funcionam na extensão, 01 sala para os professores junto à secretária, 03 banheiros(feminino e masculino), diretoria, cantina, sala de leitura, almoxarifado, etc. Seucorpo docente é formado por 23 professores em sua grande maioria com nívelsuperior. Em relação aos equipamentos nessa instituição há 03 TVs, 04 sons decd, 02 computadores, 12 ventiladores, 01 impressora matricial, 03 aparelhos deDVD, 08 filtros, 02 mimeógrafos, 10 armários, 07 quadros de pincel e data show.Sabemos da importância de conhecer o lócus da pesquisa e também os sujeitos,pois através dos mesmos é que alcançaremos os objetivos propostos na pesquisa.Desta forma, foram adotadas maneiras críticas diante do caso em análise.3.3Sujeitos da pesquisaOs sujeitos da pesquisa foram 20 estudantes do 3° ao 5º ano, do EnsinoFundamental de nove anos. Sendo que estes são 10 do sexo feminino e 10 do sexo
  31. 31. 31masculino. Na escolha pelos sujeitos buscou-se compreender como a cultura demassa tem interferido e modificado a relação da criança com as brincadeiras infantise as formas de brincar das crianças na escola. Dessa maneira, fizeram parte dapesquisa alunos do turno matutino da referida escola. A escolha pelos sujeitos nessafaixa etária se deu, porque percebermos que nessa idade há uma maior influênciada cultura de massa no conteúdo das brincadeiras, e, diante do atual contextoglobalizado, percebe-se que os mesmos estão mais vulneráveis à influencia damídia.Os sujeitos da pesquisa forneceram as informações necessárias para quepudéssemos realizar esta pesquisa, possibilitando-nos na obtenção dos dados.Segundo Bogdan &Biklen (1992, apud,LUDKE 1986, p.13): A pesquisa qualitativa ou naturalista envolve a obtenção dos dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes.3.4 Instrumentos de coleta de dadosPara melhor atender o objetivo deste estudo, foram utilizados instrumentosdiversificados como a observação sistemática e a entrevista semi-estruturada nointuito de compreender a influência dos meios de comunicação de massa no brincardas crianças da Escola Municipal Floriano Peixoto, concluindo o desenvolvimento dapesquisa.A observação e as visitas permitiram maior contato com os sujeitos, em umaexperiência direta de envolvimento entre pesquisador e pesquisado. A entrevista porsua vez, possibilitou alcançar respostas que permitiram avançar e conquistar oobjetivo, desta pesquisa.
  32. 32. 323.4.1 A observação sistemáticaO trabalho de observação é de suma importância para o pesquisador, tendo emvista que através dela o pesquisador tende a conhecer os diversos setores do locuspesquisado. A observação possibilitou perceber também as mutações etransformações causadas pela influência da cultura de massa, colaborando para amudança de hábitos, costumes e brincadeiras que antes faziam parte do cotidianoinfantil de diversas crianças e hoje ficaram esquecidos no vasto acervo deinformações que a mídia televisiva implanta.A observação pode tornar-se um instrumento importante de coleta de dados, poispermite ao pesquisador maior contato com os sujeitos pesquisados, proporcionandouma experiência direta de envolvimento entre pesquisador e pesquisado. Nestesentido, Marconi &Lakatos (1996), afirmam que: A observação ajuda o pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Desempenha papel importante nos processos observacionais, no contexto da descoberta, e obriga o investigador a um contato mais direto com a realidade. É o ponto de partida da investigação social (p.79).O olhar feito através de uma observação simples pode ser falha por não dar umacerteza ao observador. Daí a necessidade de uma observação sistemática a fim deidentificar todas as particularidades do campo pesquisado. Foi pensando nesseaspecto que optamos pela escolha dessa metodologia, entendendo a suaimportância para o desenvolvimento da pesquisa e, consequentemente, a coleta dedados.O período de observação ocorreu nos meses de abril a maio de 2011, com totalapoio de todos que fazem parte de forma direta ou indiretamente da UnidadeEscolar, período este fundamental para o investigador poder aprofundar e tentarsolucionar e responder o problema que norteou a pesquisa.
  33. 33. 33Nos primeiros contatos na escola foi feita uma breve conversa com a diretora daUnidade escolar a fim de estabelecer uma relação de confiança e colaboração, emseguida iniciou-se a tarefa de observação das brincadeiras infantis no horário darecreação, buscando desta forma, compreender como a cultura de massa teminterferido e modificada a relação da criança com o lúdico e as formas de brincar dascrianças na escola.Foram feitas diversas anotações acerca das observações realizadas, sendoutilizados tanto cadernos de anotações diárias, quanto a utilização de um rádiogravador, tendo em vista que o investigador para não correr o risco de esquecer ouperder as informações precisas deve a todo instante usar o maior número deinstrumentos de coleta dos dados e informações.Daí a necessidade de uma observação sistemática. Sobre isso Marconi e Lakatos(1996), definem que “na observação sistemática o observador tem umacaracterística, sabe o que procura e o carece de importância em determinadasituação”, além disso, possibilita um entendimento, sobre o assunto pesquisado,considerando o que se vê e ouve, contribuindo para uma análise mais completa noestudo.3.4.2 Entrevista semi-estruturadaA importância da entrevista semi-estruturada diante de nosso estudo consistiu empodermos alcançar dados não possíveis por outros instrumentos de coleta de dados.É por meio da entrevista que o pesquisador percebe com mais exatidão a fala e ocomportamento do pesquisado diante do assunto investigado.Foram feitasentrevistas em dois momentos. Foram entrevistadas 20 crianças sendo 10 do sexomasculino e 10 do sexo feminino com a faixa etaria dos 07 aos 12 anos de idade. Asentrevistas tiveram o auxílio de um rádio gravador e depois foram transcritas paraque pudéssemos trabalhar com a textualização das mesmas.
  34. 34. 34Segundo Haguette (1992), a entrevista “pode ser definida como um processo deinteração social entre as duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem porobjetivo a obtenção de informação por parte do outro, o entrevistado” (p.86).A entrevista semi-estruturada é um dos meios utilizado pelo pesquisador para seobter dados e assim se fazer uma pesquisa qualitativa. A entrevista não se tornauma conversa neutra, pois a mesma tem como objetivo coletar dados, onde sãorelatados pelos sujeitos, focalizando a realidade que está sendo pesquisada.Triviños (1987), define entrevista semi-estruturada como sendo: [...] em geral aquelas que partem de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessa a pesquisa, e que, em seguida, oferece amplo campo de interrogativas, frutos de novas hipóteses, que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante, seguindo espontaneamente a linha do seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa(p.146).Sobre esse aspecto Trivinos (1987), afirma que por possibilitar um amplo leque depercepções e representações os resultados que se obtem através da entrevistasemiestruturada são melhores, pois trabalhamos com diferentes grupos de pessoas.
  35. 35. 35 CAPÍTULO IVDE QUÊ E COMO BRINCAM AS CRIANÇAS: O QUE NOS REVELAM OS DADOSO estudo realizado permitiu-nos uma reflexão a cerca das compreensões de como acultura de massa tem interferido e modificado a relação da criança com o lúdico e asformas de brincar das crianças na escola. Neste capitulo, portanto, faremos aanálise dos dados a partir dos instrumentos que utilizamos para tal fim: aobservação sistemática e a entrevista semiestruturada que permitiram alcançarmoso objetivo da pesquisa de forma satisfatória. Faremos a seguir a análise dos pontosrelevantes na nossa pesquisa.4.1 Perfil dos entrevistadosLevando em consideração o instrumento de coleta de dados escolhido, naobservação e na entrevista semiestruturada, buscou-se conhecer o perfil dosestudantes, pensando nos aspectos de gênero e a relação com as formas de brincarde meninos e meninas e como a mesma se entrelaça com a influência que a culturade massa exerce para definir suas formas de brincar.Foram escolhidos 20 estudantes do ensino fundamental de nove anos, do 3º ao 5°ano, na faixa etária de 07 aos 12 anos de idade. A escolha por estes sujeitos se deuao percebermos que nessa idade eles sofrem uma influência maior da cultura demassa podendo incidir no conteúdo das brincadeiras, pois os mesmos estão maisvulneráveis a influência da mídia, principalmente a televisiva. Dos 20 estudantesentrevistados, 10 foram do sexo masculino, correspondendo a 50% e 10 do sexofeminino correspondendo aos outros 50%.4.1.1 Observação sistemáticaDiante do objetivo apontado neste trabalho monográfico que foi compreender comoa cultura de massa tem interferido e modificado as relações da criança com o lúdico
  36. 36. 36e as formas de brincar das crianças na escola, buscamos primeiramente, observaras crianças a fim de melhor entender de quê e como elas brincam.As pesquisas sobre jogos e brincadeiras infantis apontaram alguns destes que erammais comuns entre as crianças tais como: Cabra-cega, esconde-esconde, jogos decartas e de salão, dados, cara ou coroa, mímica, bola, peão, arco, cavalo-de-pauentre outras. Os meninos e meninas na maioria das vezes confeccionavam seusbrinquedos e por muitas vezes inventamos brinquedos a partir do material quetinham em mãos.No entanto, nota-se que na atualidade e principalmente com o processo deindustrialização, estes brinquedos e as brincadeiras que antes eram praticadas comtanta alegria e entusiasmo tem perdido o sentido chegando a ficar no esquecimento,visto que a mídia tem influenciado as crianças a consumir um mundo de fantasias ede sonhos transformados em produtos que precisam ser comprados e consumidos.Para Caldas (1986), a cultura de massa consiste em “um número muito grande deeventos e produtos que influenciam e caracterizam o atual estilo de vida do homemcontemporâneo no meio urbano-industrial”(p.16).Durante as observações que ocorreram nos meses de abril a maio de 2011, pôde-senotar em todos os momentos das brincadeiras infantis que as crianças seinteressavam mais pelos brinquedos eletrônicos como, por exemplo, o celular, sejapara atender uma ligação, para jogar, para ouvir música, assistir algum programa deTV do interesse deles e até mesmo para acessar a internet, do que outros tipos debrincadeiras.Em uma atividade de recreação realizada fora do ambiente escolar, na quadra nocentro da cidade, observada uma turma do 5º ano do Ensino Fundamental, durantecerca de 60 minutos. O professor conduziu a turma para a quadra poliesportiva,dividiu o grupo por sexo e ordenou que meninas pegassem o bambolê e fossembrincar no espaço fora da quadra e os meninos brincassem dentro da quadra, defutsal. Demonstrando dessa maneira que o professor tem uma concepção de gêneroque determina o tipo de brincadeira que meninos e meninas devem brincar, e isso
  37. 37. 37acaba reforçando uma separação de gênero, quando o mesmo entrega uma bola defutebol para os garotos e o bambolê para as meninas.A partir do momento em que o educando é levado a brincar de futebol no caso dosmeninos e de bambolê as meninas, um problema pode ocorrer, pois nem todosgostam apenas de praticar a atividade recreativa imposta pelo educador. Nessesentido, é importante mencionar que essas atividades têm que despertar prazer noeducando para que este venha se interessar e interagir pelas atividades do seu dia-a-dia, seja na escola ou no espaço extraclasse.Durante a observação no recreio, percebemos, que a maioria dos estudantes da 4ªserie corriam de um lado para outro, não se preocupando com as regras ouexigências rotineiras, apenas se divertiam. Outras 05 crianças brincavam de pega-pega, onde um corre e a outra tenta pegar. Esta brincadeira tem relação com ainfância dos seus pais.Meninos e meninas participavam desta brincadeira, mas oque se observou é que raramente isso acontecia, pois em quase todos os momentosestavam grupinhos de meninas e grupos de meninos brincando separados, semprecom sujeitos do mesmo sexo. Ao observar a sala, havia um grupo de 04 meninasdessa mesma classe, ouvindo músicas no celular.Podemos perceber que na maioria das vezes, para determinados educandos,tornou-se mais interessante usar um instrumento tecnológico nos momentos deintervalo das aulas do que participar de atividades em grupos,onde havia anecessidade de interação e participação. Isto mostra o forte apelo da tecnologia e dapropaganda, influenciando e formando novos comportamentos nas crianças eadolescentes.No segundo dia de observação a uma turma de meninos da 3ª serie do ensinofundamental, viu-se o instante em que os estudantes numa faixa etária de 7 a 8 anosestavam jogando uma partida de “gude”, jogavam meninos contra meninos. Estejogo desperta o interesse dos garotos de ganhar do outro. O mesmo consiste emvários buracos feitos na terra ou na areia, onde os jogadores devem, com umimpulso do polegar, jogar a bolinha chamada de “gude”. Os jogadores devem fazer
  38. 38. 38com que a “gude” entre no buraco, conseguindo assim retirar a do adversário dedentro fazendo com que, elas se tornem suas. Vence aquele que ficar com asbolinhas de “gudes” de seus companheiros.Começado o jogo, num certo momento o celular de um dos participantes tocou e ojogo parou.Todos ficaram dispersos, tendo em vista que o menino atendeu e emseguida colocou uma música para tocar, tirando a atenção dos demais. Os meninosdeixaram de brincar com as bolinhas de gude para ouvir a música ao celular, o quemostra a influência, hoje, dos objetos eletrônicos do mundo moderno, na vida dessageração que é fruto da contemporaneidade e que, portanto, vão produzindointerferências nas suas formas de brincar.É interessante mencionar que as brincadeiras são muito importantes para odesenvolvimento do ser humano. Alves (1984), afirma que:“O lúdico proporcionaalegria nos espaços em que se faz presente, ao mesmo tempo em que possibilita aesperança de liberdade para o mundo todo, sugerindo que há outras possibilidadespara a vida humana” (p. 104).Ao realizarmos a observação de algumas meninas do5° ano do ensino fundamental,que estão inseridas numa faixa de idade entre 08 aos 12 anos, percebemos ointeresse que foi momentâneo de brincarem com algumas bonecas, entre elas aBarbie. Pois tudo estava tranquilo, até o momento em que duas colegas dasmeninas apareceram com um MP3, que tocava uma música que está no auge, ela étocada em rádios, novelas da atualidade, e seu cantor e compositor é recordista deshows e público, principalmente na faixa etária pesquisada. A partir daí todasdeixaram de forma repentina as bonecas e começaram a prestar atenção na músicae cantar ao mesmo tempo com as colegas:"Eu to apaixonado,eu tô contando tudo enão tô nem ligando pro que vão dizer. Amar não é pecado e se eu tiver errado quese dane o mundo eu só quero você".Luan Santana11 Música do Cantor Luan Santana: Amar não é pecado, composição de Fred / Gustavo / Marco Aurélio / MárciaAraújo.
  39. 39. 39Ao serem questionadas sobre a música todas disseram que gostam muito porque não perdem a novela "Morde e Assopra" (da rede globo de televisão) e torcempara que o casal Abner e Júlia fique junto. "Essa é a música que toca toda vez queum pensa no outro ou que eles se beijam" relata uma aluna. Outra aluna diz "O LuanSantana é lindo e eu sei cantar todas as músicas dele". De repente todas começama cantar: "Te dei o sol, te dei o mar pra ganhar teu coração você é raio de saudademeteoro da paixão, explosão de sentimento que eu não pude acreditar Ah! Ah! comoé bom poder te amar".Percebemos em nossas observações na Escola Municipal Floriano Peixoto, oquanto a mídia tem influenciado o comportamento das crianças e modificado oconteúdo de suas brincadeiras e interesses, o que nos faz ver mais claramente que“o acesso das crianças a informações sobre o mundo adulto, transformoudrasticamente a infância” (KINCHELOE, 2001, p.13). Portanto, a música cantadapelas crianças é resultado de uma massificação da indústria fonográfica e televisiva,que não tem compromisso com a educação e o desenvolvimento das crianças, vistoque os interesses dos meios de comunicação de massa é vender um produto e criartendências e novos consumidores para alimentar o mercado. Desta forma oconteúdo televisivo reproduzido pelas crianças representa os valores e interessesque devem atender aos interesses consumistas.Segundo (Eco, 2004, p. 330) “A televisão associando cores e sons, é uminstrumento capaz de ensinar gostos e tendências”. Assim, por meio damassificação da propaganda, a criança passa a cultuar novos jogos e brincadeirasque surgem fazendo com que elas sejam meras consumidoras e reprodutoras devalores, contribuindo assim para a eliminação de elementos que fazem parte dacultura do aluno, fazendo com que crianças e adolescentes passem a agregar novoshábitos tornando-os consumidoras muitas vezes excessivas chegando a impor aospais os produtos que fazem parte de uma cultura que, apesar de se expandirrapidamente, é extremamente momentânea.Pelo que foi observado nas brincadeiras das crianças e adolescentes da EscolaMunicipal Floriano Peixoto,podemos dizer que a maioria dos brinquedos, jogos,
  40. 40. 40brincadeiras e demais atividades recreativas, atualmente foram sucumbidas pelagama de avanços tecnológicos produzidos pela mídia. Sendo que este elementobusca formas individuais que priorizam o ter em oposição ao ser. SegundoMarcellino, (1996): Uma série de fatores que contribuíram para o desaparecimento gradativo de jogos e brinquedos tradicionais, em todo o Brasil, e principalmente nos centros urbanos. Entre eles podemos destacar: o crescimento das cidades brasileiras, que acarretam uma redução de áreas livres para o lazer; a influência crescente dos meios de comunicação de massas, em especial sobre as crianças, transformando-as em espectadoras e isolando-as entre si; o grande número de brinquedos industrializados, sofisticados e atraentes; as mensagens veiculadas pela indústria cultural, retratando realidades muito diferentes da nossa; os avanços da informática e a popularização desse setor, notadamente no campo dos jogos, além da cobertura de um grande número de possibilidades e etc.(p. 41).Diante do exposto, nota-se que as crianças procuram espaços e formas de seexpressarem e descobrirem o mundo a sua volta e o brincar é a expressão mais vivadas crianças na sua relação com o mundo. Nessa relação de descoberta, elasconstroem significados e se transformam através do ato de brincar.No entanto, na sociedade em que vivemos, onde as informações são processadasrapidamente exigindo acima de tudo um novo perfil de indivíduos que devem estarsempre acompanhando as mudanças que ocorrem de maneira quase simultânea.Osprofessores devem estar sempre em busca do novo, se qualificando e levandosempre em consideração os interesses dos alunos, para que os mesmos possamestar interessados pelos os objetivos da escola e obter resultados satisfatórios.4.2 O que nos contam as crianças sobre o brincar: Os resultados da entrevistaOptamos por aplicar a entrevista semiestruturada aos educandos da referida escolaem dois momentos distintos. No primeiro momento os meninos foram entrevistadose no segundo momento as meninas, a fim de identificar os resultados de ambos osgêneros de forma que um não influenciasse na resposta do outro.
  41. 41. 41Esse instrumento de coleta de dados é pertinente, pois é diante de uma entrevistasemi-estruturada que o entrevistador pode interferir e até mesmo mudar a perguntaelaborada antecipadamente de acordo com as respostas que foram sendo dadas.Para Lakatos (1991, p.197), “o entrevistador seguindo um roteiro de tópicos relativosao problema, tem a liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões emotivos, dar esclarecimentos, não obedece a rigor, a forma formal”.Portanto, nosso estudo voltou-se para a busca de elementos possíveis para oalcance do objetivo proposto neste trabalho monográfico, sendo que as falas nasentrevistas foram fundamentais para que os resultados apresentados pudessem serconfrontados com os da observação, assim a entrevista e os questionamentos foramfeitos diretamente com os sujeitos da pesquisa.Apresentamos a seguir, através das categorias surgidas na entrevistas, osresultados dos dados coletados com os alunos que serão identificados com nomesfictícios.4.2.1 Os professores dinamizam as aulas através de atividade lúdicas? O queos alunos dizem a respeito dissoNesta categoria, trazemos os resultados indicativos à questão das dinâmicas emsala de aula trazidas pelos professores. Diante da questão em análise foi possívelchegar ao seguinte resultado. Respostas dos Alunos 7% 24% Sempre Ás vezes Nunca 69% Gráfico correspondente as atividades lúdicas propostas pelos professores em sala de aula, segundo as perspectivas dos alunos.
  42. 42. 42Nas respostas dos alunos, podemos perceber que a grande maioria afirma que osprofessores costumam trazer dinâmicas, jogos e brincadeiras para a sala de aula,contudo, as práticas lúdicas só acontecem em sala de aula, quando estãorelacionadas com o conteúdo apresentado aos alunos, tendo em vista que no recreionão há um acompanhamento das atividades realizadas pelos alunos. Os brinquedosmais utilizados na sala de aula são boliche, telefone sem fio, escravo de Jó, dominó,relaxamento, entre outros.Vale salientar que no horário do recreio, como não há acompanhamento as criançasacabam brincando sozinhas, sem uma preocupação com regras e normas. Diante oexposto,acaba surgindo vários problemas de violência,exigindo assim por parte dosprofessores, coordenação e direção uma atenção e cuidado.Segundo os docentes a elaboração de um projeto que tenha por finalidade mudar arealidade do momento seria de extrema importância, ao mesmo tempo eles têmdificuldades para adaptar os conteúdos ao jogo. Sobre isso Campos (1993, p.28)afirma que: “A ludicidade poderia ser a ponte facilitadora de aprendizagem se oprofessor pudesse pensar e questionar-se sobre uma forma de ensinar,relacionando a utilização do lúdico como fator motivante de qualquer tipo de aula”.A partir desse incentivo os educandos poderão se interessar mais, tanto pelas aulas,como no intervalo continuarem a participar de atividades que tragam algumaprendizado, e não ficarem bitolados aos aparelhos eletrônicos como fazemhabitualmente. As brincadeiras e o aprendizado devem trazer noções e normasimportantes para a formação de um cidadão capaz de atuar como agente detransformação de realidades, a começar da sua própria realidade.Tentando assim,desenvolver competências a fim de transformar e ir de encontro com aquilo queafirma Moysés (1997), o aluno não consegue perceber a relação existente entre oque se aprende na escola e o conhecimento encontrado fora dela. E que os saberesproduzidos no convívio social são muito pouco aproveitados para subsidiar acontextualização da aprendizagem escolar.
  43. 43. 43É importante mencionar que nos discursos, a maioria dos educandos afirmaram queas atividades lúdicas, ou seja, as dinâmicas realizadas com a participação doseducadores só acontecem em sala de aula, o que seria interessante que fossetambém ao ambiente da recreação. Vejamos algumas respostas referentes a estacategoria. -Sim, nas aulas sim, mas no recreio não. No recreio é só conversa mesmo, as brincadeiras são as que gostamos e as que escolhemos os professores nos deixam livres. (Ana) -Sim, mas na hora do recreio a gente quem inventa a dinâmica. As dinâmicas que elas fazem nas aulas são: relaxamento, seleção de animais, às vezes elas fazem de acordo com a aula. E na hora do recreio a gente às vezes faz brincadeiras, mais outras vezes a gente fica conversando sobre vários babados e até mesmo da prova que a gente fez antes do recreio. (Carina) -Nas aulas meus professores trazem dominó, cartas, xadrez. No recreio nós brincamos de correr, esconde-esconde, e vampiro. (Antônio) -Os professores trazem dama, xadrez, dado de montar. No recreio nós brincarmos de policia e ladrão, gude e no joguinho no celular, estas são as brincadeiras que mais gosto e também brinco em casa, não só aqui na escola, dessas brincadeiras. (Kauâ)Nos discursos, percebemos as semelhanças em suas falas quando abordam que asdinâmicas e brincadeiras por parte dos professores só acontecem em sala de aula, emuitas vezes não tendo relação com os conteúdos dados. No recreio escolar elesque inventam, pois ficam livres, e é nesse momento que são motivados pelosinstrumentos eletrônicos que estão presentes no seu dia a dia.4.2.2 Brincar de quê? O que eles mais gostam?Em relação às brincadeiras favoritas, 70% dos educandos afirmaram brincar dejogos e realizar demais atividades pela internet, 20% afirmaram brincar de cartas, debonecas e 10% afirmaram não ter brincadeiras favoritas. Com base nessasrespostas, percebemos que a Internet, tem representado um importante elementousado pelas crianças o que significa, às vezes isolá-las em casa, no contato apenas
  44. 44. 44virtual com outros jogadores, fazendo com que os brinquedos e brincadeiras antesutilizadas sejam deixados de lado. Alguns alunos que não tem computador em casarevelaram que chegam a ficar horas em uma “Lan House” brincando e apostandocom os outros amigos. Foi percebido também, que dos 10% dos educandos queafirmaram não terem brincadeiras favoritas muitas vezes aproveitam o horário dorecreio para estudar.Maluf (2003), diz que é através do jogo que a criança aprende de forma natural eagradável. O brincar desperta o interesse e eleva a auto-estima. Acrescenta ainda,que o lúdico é um excelente motivador, pois prepara o indivíduo para aprendernovos conceitos e ajuda a construir novos conhecimentos. Além disso, a ludicidadepossibilita situações, na qual, a criança possa experimentar experiências quecontribuem para o seu amadurecimento cognitivo.No que se referem às brincadeiras que os estudantes mais gostam de brincar nahora do recreio, 10% gostam de brincar de futebol, 30% gostam de falar sobre“REBELDES” dizendo que é a novela preferida delas e 60% brincam de pega-pega eesconde-esconde. Dessa maneira, pode-se interpretar que algumas brincadeiras,apesar da modernidade e dos avanços tecnológicos, tem ainda um papel importantena vivência dos educandos, principalmente no horário do recreio. Eis algumas falas: - No recreio não brinco nós ficamos conversando sobre a novela “rebelde” e em casa gosto muito de brincar com meus primos de “pisa pé” e também nos jogos na internet nos divertimos muito com a brincadeira “pisa pé”. (Clara, 10 anos) - As minhas brincadeiras favoritas são: jogos na internet, escolinha, brincar de manicure, assistir novelas, jogar uno, jogar dominó, na escola são: conversar, e às vezes brincar de escravos de jó. E com meus amigos é as mesmas brincadeiras que eu brinco na escola, e mais jogar os joguinhos da internet. (Bruna, 8 anos) - Eu não tenho nenhuma brincadeira preferida. Na hora do recreio eu e minhas amigas ficamos conversando sobre varias novelas. Em minha casa eu gosto de jogar na net, de conversar no Orkut, de assistir novelas e brincar com o meu primo e com a minha irmã. (Tatiana, 11 anos)
  45. 45. 45 - Brinco de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, estas brincadeiras também brinco em casa com meus amigos. (Laura, 7 anos) Eu brinco de jogos de correr, esconde-esconde...e outros que meus colegas gostam de brincar... eu me divirto muito. (Breno, 10 anos)No percentual dos depoimentos acima mencionado percebemos que a maioria dascrianças gosta de brincadeiras tradicionais, no entanto foi observado no recreio quemesmo que elas estejam brincando quando outra criança se aproxima com um MP3ouvindo músicas ou assistindo jogos no celular ou com um mini game, elasautomaticamente deixam as brincadeiras e se rendem aos aparelhos eletrônicosmodernos.Quando questionadas em relação às brincadeiras mais utilizadas em casa, ou comos amigos na rua,enfim, brincadeiras fora do contexto escolar, pode se compreenderque 80% preferem usar o computador para assistir filmes, acessar sites derelacionamentos como MSN, Orkut, face book para jogar,além de utilizarem tambémvídeo game.Apenas os demais 20% declararam usar brinquedos e brincadeirascomuns, como esconde-esconde, pega gelinho,pega-pega entre outros.Percebe-se assim que os educandos afirmam usar a internet como principalelemento de entretenimento. Muitos deles afirmaram que muitas vezes utilizam essemeio de comunicação na rua, “Lan Houses”e/ou na casa de algum amigo, sendoassim fruto de uma sociedade marcada pela influência da tecnologia.4.2.3 Brinquedos construídos ou comprados. O que é mais interessante?No que diz respeito à opinião dos alunos acerca desta questão, a maioria afirma quecomprar é bem mais fácil e que os brinquedos são mais bonitos, eles revelaram quequando um amigo compra ou ganha algum brinquedo o outro automaticamente jáquer possuir também um parecido, igual ou até mesmo melhor. Notamos a partir daanálise das respostas, que os meios de comunicação exercem grande influênciasobre as crianças, pois fazem com que as mesmas acreditem que os brinquedosmostrados, principalmente pela mídia televisiva, sejam considerados os mais
  46. 46. 46bonitos, atraentes e que eles devem obter a qualquer custo aquele produto. Apropaganda, especialmente no que se refere aos produtos para crianças eadolescentes são muito envolventes, pois ao assistir elas fazem de tudo para que ospais comprem aqueles produtos que para elas são os melhores e que elas devempossuir.Vale salientar que todos afirmaram ter brinquedos, contudo,quando se partiu para aquestão se eles preferem construir ou comprar determinado jogo ou brinquedo, 90%dos educandos deixam claro o gosto por produtos industrializados, sendo queapenas 10% responderam gostar de brinquedos e jogos produzidos e criados poreles ou pelos pais. Isso nos leva a entender que as crianças utilizam maisbrinquedos industrializados, e apenas uma minoria utilizam produtos produzidos poreles mesmos. No entanto, devemos nos atentar que a tecnologia em si não é umacoisa ruim, mas a forma como ela é usada e que esse comportamento é um reflexoda realidade dos tempos contemporâneos, de uma geração que nasceu convivendocom a tecnologia e com os produtos industrializados, e que se forem tambémexplorados podem possibilitar a criatividade e a imaginação.Dessa forma tanto os pais como os professores têm papel importante no que serefere a instigar os alunos a fazerem bom uso de tudo o que dispõem tanto doselementos tecnológicos e industrializados, quanto de elementos presentes no seucotidiano como, por exemplo, um professor de artes pode na sua aula confeccionarbrinquedos, flores e aparelhos musicais a partir de sucata. Fazendo com que osalunos, além de reciclagem passem a se interessar pelo que produzem. É nessaperspectiva que Freire (1987), afirma que: O educador, que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processo de busca (p. 58).Essa afirmação nos fez entender que o ensino de qualquer disciplina combrincadeiras e com jogos, além de fazer diferente, o jogo em sala de aula, estimula edesenvolve o aspecto cognitivo da criança, jovem e adulto. “Educar ludicamente tem
  47. 47. 47um significado muito profundo e está presente em todos os segmentos da vida”(ALMEIDA, 2000, p. 14).Portanto, em resposta a essa temática, um dos argumentos mais utilizados, pelamaioria, que corresponde a 90%, dando preferência por brinquedos ou jogosindustrializados, afirmam que estes são mais práticos e possibilitam maior agilidadena hora de utilizá-los,não exigindo deles tempo. Parece-nos que desde cedo ascrianças vão sendo enquadradas nos padrões da sociedade capitalista, onde asrelações sociais estão pautadas quase sempre na agilidade e objetividade dasações, tornando o homem fruto e refém da máquina, além da ideia de posse doobjeto que todos têm. Nesse sentido a fala da aluna Carina parece ratificar essaideia: “Sim, bonecas, ursos, mas eles são todos comprados, porque é mais fácil,apesar de que gasta dinheiro, mas... é mais prático, sem falar que minhas amigastem bonecas bonitas não posso brincar com uma feia tenho que ter uma igual oumais bonita do que as delas”.Diante da fala de Carina, percebemos o quanto os produtos industrializados estãopresentes no cotidiano das crianças e adolescentes e que eles querem sempre maise melhores que os outros, demonstrando superioridade em relação à aquisição deprodutos e na influencia dos meios de comunicação principalmente a mídia televisivaque tem programas e propagandas direcionadas para esse público.Portanto, hoje, um grande desafio dos educadores tem sido encontrar uma propostapedagógica eficaz, capaz de envolver os estudantes e que possibilite um processode ensino e aprendizagem, promovendo assim uma aquisição de conhecimento sem“estresse” e sofrimento para todos os envolvidos. Neste sentido, os dadosapresentados mostram que a ludicidade tem um campo imensamente promissor,considerando que esta faz parte da vida e das necessidades do ser humano. Faz-senecessário, todavia, que as escolas e os educadores se dêem conta que as criançase adolescentes de hoje são frutos do avanço tecnológico e sofrem a influência dosmeios de comunicação de massa, por isso é preciso pensar as intervençõespedagógicas levando em consideração a realidade, o tempo presente. Planejarbuscando dinamizar as atividades propostas em sala de aula, desde o aspecto da
  48. 48. 48confecção de materiais até a mudança de alguns processos metodológicos pode serum caminho para que esse aluno possa interessar-se de maneira positiva eaprender utilizando todos os recursos disponíveis. Além disso, o/a professor/apodeproporcionar outras experiências com o lúdico que possam levar essas crianças arefletirem sobre essa influência da cultura de massa nas brincadeiras infantis, alémde proporcionar ao educando uma orientação acerca da importância de se preservarbrincadeiras que fizeram parte do acervo cultural daquela comunidade.Estas informações são reforçadas por Almeida (2000), quando diz que o lúdico podecontribuir decisivamente para a melhoria da qualidade de ensino, possibilitando aoeducando uma formação crítica e rica, além de ajudar a diminuir os índices derepetência e evasão. Salienta ainda, que toda criança sonha encontrar na escola umambiente de alegria e prazer, onde possa viver a melhor fase de sua vida, contudo,muitos acabam tendo seus sonhos transformados em pesadelos. Almeida (2000)afirma que “é preciso sem dúvida, reencontrar caminhos novos para a práticapedagógica escolar, uma espécie de libertação, de desafio, uma luz na escuridão(...) e educação lúdica pode ser uma boa alternativa” (p. 62).Nesta direção, faz-se necessário a existência de um professor que tenha e busque oconhecimento que promove a compreensão do real valor dos jogos, brincadeiras edinâmicas e assim possa traçar as diretrizes condutoras do aprendiz á fonte dosaber e com o toque delicado que só a ludicidade possui, convencê-lo aexperimentar um mergulho no profundo mundo da aprendizagem.4.2.4 Brincadeiras infantis: do que mais gosto de brincar?Para Teixeira (1995, p.23) “O ser que brinca e joga é também o ser que age, sente,pensa, aprende e se desenvolve”. Desta forma, através das brincadeiras, a criançase envolve na atividade e sente a vontade de partilhar com o outro. Esta relaçãodivulga as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e coloca em chequeas aptidões, testando limites e propondo desafios.
  49. 49. 49Notamos através da entrevista que 50% relataram brincar com os amigos e irmãos,de videogame e jogos pela Internet, 30% afirmaram brincar de amarelinha e bonecae 20% afirmaram brincar de pega-pega, amarelinha, xadrez e de bola. Podemosobservar na fala de Jeferson o quanto o computador é muito importante para a suavida: “As brincadeiras que mais gosto de brincar são os jogos do computador,sempre que posso estou lá acessando e me divertindo muito e até mesmo commeus colegas”.Vale salientar que pais e professores, de certa forma tem contribuído nesseinteresse repentino e avassalador do educando pelos elementos da cultura demassa, tais como os brinquedos eletrônicos e objetos da informática, e nessesentido o computador, quando a escola determina que a pesquisa deva ser feita pelainternet. Às vezes, os pais numa tentativa de suprir a sua ausência na vida dos filhosou com objetivo de que as crianças não fiquem nas ruas, acabam comprando umcomputador e colocam no quarto, podendo isso representar um risco, pois nemsempre os pais têm o tempo esperado para acompanhar os filhos no uso desseveículo de informação.Portanto, tanto no ambiente familiar quanto na escola é preciso uma orientação quetenha como finalidade formar educandos preparados e conscientes dentro dasociedade, e que transmita para esses alunos conceitos a fim de desenvolverestratégias para dinamizar o processo de ensino e aprendizagem. SegundoSchwaetz (1985): O papel do professor deveria incluir e ensinar as crianças como estruturar e classificar informações que elas já possuem e estão constantemente recebendo. Muitos poucos professores adotam essa abordagem e as crianças pagam o preço dessa falha dos mestres desinteressados pela escola (p.30)Dessa maneira, os alunos se tornam apenas meros reprodutores de conceitos eideias prontas, não sendo formados para questionar ou enfrentar as dificuldades,que surgem diariamente, pois a tarefa principal da escola é formar cidadãos paraatuar como agentes de transformação de realidades, a começar da sua.

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