Monografia Rizia Enfermagem 2012

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Enfermagem 2012

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Monografia Rizia Enfermagem 2012

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB RIZIA NAIARA ARAUJO DOS SANTOSFATORES DE RISCO, DETECÇÃO PRECOCE E ATUAÇAO DE ENFERMAGEM NO CÂNCER DE MAMA Senhor do Bonfim 2012
  2. 2. Rizia Naiara Araujo dos SantosFATORES DE RISCO, DETECÇÃO PRECOCE E ATUAÇAO DE ENFERMAGEM NO CÂNCER DE MAMA Monografia apresentada, como pré-requisito para conclusão do curso de Bacharelado em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia – Campus VII, tendo como orientadora a professora especialista Agnete Troelsen Pereira. Senhor do Bonfim 2012
  3. 3. Rizia Naiara Araujo dos Santos. Fatores de risco, detecção precoce e atuação deenfermagem no câncer de mama. Trabalho de conclusão de curso para colação de grau de Bacharelado em Enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia Data da aprovação Banca examinadora Agnete Troelsen Pereira Orientadora Maria de Fátima Brazil dos Santos Souto Membro da Banca Antonia Adonis Callour Sampaio Membro da Banca Senhor do Bonfim 2012
  4. 4. Entrega ao Senhor as tuas obras, e teus desígnios serão estabelecidos. Provérbios 16:3
  5. 5. Dedico esse trabalho com a mais profundasatisfação a Deus que foi o meu maior orientador.A minha família que sempre me forneceu o apoio necessário.Tanto a comunidade acadêmica como a sociedade em geralpara aprimoramento do conhecimento a cerca da patologia.
  6. 6. AGRADECIMENTOSNão encontro uma forma verbal suficiente para expressar minha intensa emoção eagradecimento, primeiramente ao meu Deus, pois é imprescindível reconhecer que ohomem jamais poderá lograr para si o dom de ser auto-suficiente. Agradeço por eleter guiado minha vida por caminhos iluminados e me auxiliado a chegar até aqui.As conquistas e sucessos também se tornaram possíveis graças à sabedoria e aoapoio dos grandes mestres que tenho em minha vida, meus pais Vandira e Wilson ,eles me transmitem o mais terno e puro sentimento, estão sempre presentes parame oferecer um olhar de afeto, uma palavra de incentivo, um gesto de compreensão,para guiar minhas escolhas e assim me impulsionam para a vida.Serei eternamente grata a vocês e jamais conseguiria traduzir esta gratidão porterem me proporcionado oportunidade para que eu pudesse buscar minhasrealizações e os artifícios para que esse momento se tornasse possível. Vocêsfazem parte de tudo que eu conquistei, fazem parte dessa vitória.Agradeço também aos meus irmãos Anderson, Emerson e Rodrigo por seprontificarem em todos os momentos que precisei durante toda esta trajetória, vocêstambém compartilharam nesse ideal. Desejo que Deus venha e lhes recompensargrandemente e derramar em suas vidas bênçãos superabundantes.Agradeço de uma forma toda especial a professora Fátima Brazil por todo empenho,dedicação e por ter sabiamente me norteado, fazendo encontrar o parâmetro aseguir, ela é o exemplo fiel de dedicação e doação.A minha orientadora Agnete Troelsen pela colaboração e apoio e a UNEB –Campus VII pela oportunidade acadêmica.
  7. 7. RESUMOO câncer de mama é o tumor invasivo que mais acomete a população feminina noBrasil. O objetivo deste trabalho é analisar na literatura os fatores de risco e adetecção precoce do câncer de mama além da atuação dos enfermeiros em taisfatores. Trata-se de uma revisão de literatura, em que foram utilizados onze artigossendo seis do SCIELO e cinco no LILACS do período de 2007 a 2011, utilizando-sepublicações completas, escritas em português e que abordam o tema proposto. Aavaliação dos fatores de risco para câncer de mama possibilitou uma compreensãomais ampla do fenômeno, o que mostra as condições para que sejam adotadasmedidas preventivas e a importância de evidenciar os meios para descobertaprecoce reduz significativamente as taxas de morbimortalidade em pacientes com aneoplasia.Palavras - chave: Fatores de risco; câncer de mama; detecção precoce ;enfermagem. .
  8. 8. ABSTRACTBreast cancer is the most invasive tumor that affects the female population inBrazil. The aim of this paper is to analyze the literature of the risk factors and earlydetection of breast cancer apart from the role of nurses in such factors. Thisis a literature review, in which eleven articles were used, six being from SCIELO andfive from LILACS between the year 2007 to 2011, using full publications, written inPortuguese which address the theme. The evaluation of risk factors for breastcancer provided a broader understanding of the phenomenon, which shows theconditions under which preventive measures are to be taken and the importance ofshowing the means for early detection significantly reducing the rates of morbidityand mortality in patients with cancer.Keywords: Risk factors for breast cancer, early detection; nursing.
  9. 9. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 102 REVISÃO DE LITERATURA 112.1 CÂNCER DE MAMA 112.1.1 Fatores de risco 122.1.2 Detecção precoce do câncer de mama 183 CONCLUSÃO 214 RECOMENDAÇÃO 225 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 23
  10. 10. 101 INTRODUÇÃOO câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o maiscomum entre as mulheres (GONÇALVES et al., 2009).É a neoplasia mais temidaentre a população feminina, em razão do elevado número de óbitos e, sobretudo,pelo impacto psicológico e social que ocasiona, principalmente em decorrência dosmedos e tabus que cercam a doença (FERNANDES et al .,2007 apud FERNANDESe MAMEDE ,2003).A mulher atual está cada vez mais suscetível ao desenvolvimento do carcinomamamário, pois se tornou mais exposta aos fatores que elevam o risco para apatologia, inserindo-se de forma precoce no mercado de trabalho, adiando assim, aprimeira gestação e reduzindo o tempo de lactação, passaram a apresentarmudanças nos hábitos alimentares e a ingerir bebidas alcoólicas em maiorquantidade, ocorrendo um aumento da expectativa de vida e consequentemente,ampliação do contingente feminino em idades mais avançadas o que favorece osurgimento da doença (BATISTON et al., 2011).O diagnóstico precoce do carcinoma está ligado ao fornecimento de informação àsmulheres, conscientizando-as sobre a realização dos exames, que constituem atríade de rastreamento para esta neoplasia: auto-exame das mamas, exame clinicomamário e mamografia. (GONÇALVES et al.,2009).O objetivo deste trabalho é analisar na literatura os fatores de risco e a detecçãoprecoce do câncer de mama além da atuação dos enfermeiros em tais aspectos.Para levantamento bibliográfico foram usados onze artigos científicos sendo seis doSCIELO e cinco do LILACS do período de 2007 a 2011, como critério de inclusãoutilizou-se publicações completas, escritas em português e que abordam o temaproposto.Para acesso no SCIELO, foi empregado o seguinte descritor: Fatores de risco para ocâncer de mama e no LILACS: Detecção precoce do câncer de mama. Entre osartigos encontrados, foi promovida uma discussão do que foi abordado pelosautores.
  11. 11. 112 REVISÃO DE LITERATURA2.1 Câncer de mamaA incidência do câncer de mama é crescente no Brasil, representando umimportante problema de saúde pública, acometendo mulheres com idade inferior a40 anos, fato que é extremamente preocupante (FERNANDES et al.,2007).Gonçalves et al., (2009 apud Viana , Martins e Geber 2001), também afirmam queneste país está sendo cada vez mais comum o aumento da incidência em mulherescom faixa etária menor e acrescenta que a doença têm sido diagnosticada em grausamplamente avançados.Cerca de 60% dos nossos casos são diagnosticados em estágios adiantados, e arede de assistência oncológica no país é insuficiente, inadequada e mal distribuída,por outro lado, em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, ReinoUnido, Holanda, Dinamarca e Noruega, a incidência da doença é alta e vemaumentando a cada ano, no entanto, a mortalidade vem diminuindo graças àdetecção precoce e ao tratamento adequado (PINHO e COUTINHO, 2007 apudKLIGERMAN, 2002).Segundo Inagaki et al., (2008) uma significativa parcela ainda têm medo de realizaros exames para detecção, pois o seio está associado à feminilidade e àsexualidade,o que acaba reduzindo a chance de cura.Em relação à detecção precoce através do auto-exame das mamas, tal resistênciapor parte das mulheres está associada à vergonha de se tocar, desconhecimento datécnica e receio de encontrar um nódulo (FERNANDES et al., 2007 apud SILVA ,1988).A não realização de consultas e exames para diagnostico inicial do câncer de mamaconstitui-se um fator de risco para a doença, pois o sucesso de um programa dedetecção precoce é diretamente dependente da participação das usuárias, já que asmesmas devem comparecer às consultas, realizar os exames solicitados, participar
  12. 12. 12das atividades educativas e colocar os conhecimentos adquiridos em prática(BATISTON et al., 2011).Não existe uma forma de evitar o aparecimento do câncer de mama, porém épossível a detecção precoce da doença e o controle de sua evolução através daatenção quanto aos fatores de risco (FERNANDES et al ., 2007).2.1.1 Fatores de riscoQuanto aos fatores de risco a idade elevada é o mais importante e, na maior partedos casos, o único encontrado, consequentemente há aumento da mortalidadenesse grupo, principalmente pelo fato do diagnóstico ser realizado em períodosavançados (PINHO e COUTINHO, 2007).Borghesan, Pelloso e Carvalho (2008) apud Tessaro, Beria e Barros (2001)confirmam que a faixa etária elevada é um significativo fator para o aparecimento detal neoplasia, comumente encontrada dos 45 aos 65 anos, pouco menos de 5,0%dos casos, ocorrem em mulheres abaixo dos 30, e a curva de incidência têm doispicos, aos 50 e aos 70 anos.Pirhardt e Mercês (2009) acrescentam que tal fator ocorre devido ao tempo deexposição aos carcinógenos e aumento da presença de fatores associados. Agrande maioria envolve danos ao material genético, de origem física, química oubiológica, que se sobrepõem ao longo da vida (INUMARU, SILVEIRA e NAVES,2011).Em relação à predisposição hereditária, o câncer de mama é uma enfermidadecaracterizada pelo crescimento celular desordenado, o qual é resultante dealterações no código genético (INUMARU, SILVEIRA e NAVES, 2011).Observa-se que é responsável por 5% a 10% dos casos e a maior parte ocorredevido a mutações nos genes BRCA-1 (breast cancer 1, early onset) e BRCA-2(breast cancer 2, early onset) (PIRHARDT e MERCÊS, 2009 apud DEL GIGLIO,BENDIT e BARROS, 2000). Com antecedente familiar em parentes de primeiro grau,o risco da doença se eleva cerca de duas vezes (PIRHARDT e MERCÊS, 2009).
  13. 13. 13Pinho e Coutinho (2007) corroboram que a participação do antecedente familiar naetiologia do câncer de mama, está relacionada com as mutações de BRCA 1/2 eacrescenta que esses genes produzem proteínas que regulam o mecanismo demultiplicação celular sendo conhecidos como supressores de tumores no qual asmutações implicam perda de controle, e esses genes alterados são transmitidoshereditariamente.Borghesan, Pelloso e Carvalho (2008), ratificam que a mutação nos genes BRCA1/2 são fatores genéticos de predisposição para o câncer de mama, e acrescentamde que vem sendo pesquisada a presença de outro gene no cromossomo 13,o qualpoderia explicar o restante dos casos hereditários de câncer de mama, pois o BRCA1 e BRCA 2 estão presentes em apenas 50% dessas mulheres.Entre os fatores de risco estabelecidos, estes já citados (idade e fatores genéticos)não são passíveis de intervenção, porém, existe outro grupo que é relacionado aocomportamento e ao estilo de vida que são potencialmente modificáveis, sendoimportantes para os programas de saúde pública e podem ser o tema de açõeseducativas capazes de reduzir as chances de desenvolvimento do carcinomamamário, dentre estes estão o uso de anticoncepcionais orais, obesidade,sedentarismo, não-amamentação e uso de bebidas alcoólicas (BATISTON et al.,2011).Quanto ao aumento das chances de desenvolver a doença devido ao uso dosanticoncepcionais orais, Pinho e Coutinho (2007), asseguram que o uso prolongadoeleva o risco da doença em mulheres com menos de 45 anos, pois eles aumentam aproliferação de células epiteliais normais e também de células malignas já presentesno tecido mamário.Já segundo Pirhardt e Mercês, (2009 apud Thuler, 2003) devido às baixas doses deestrogênio existente nos anticoncepcionais orais, o potencial para desenvolver ocâncer de mama é pequeno, e a chance de ocorrência aumenta quando o uso delesé associado a outros fatores, tais como tabagismo, obesidade, e outros.Borghesan, Pelloso e Carvalho (2008 apud Menke 2000), declaram que existe talrisco, apenas quando ocorre o uso de anticoncepcionais orais, que contêmestrógeno e progesterona por 21 dias, visto que eles promovem estímulo mais
  14. 14. 14prolongado do que o fisiológico para o epitélio ductal mamário, aumentandoteoricamente o risco para o câncer de mama.A ingestão excessiva de alimentos gordurosos também constitui um elevado fator derisco para o referido câncer, no qual dados recentes mostram um aumentosignificativo para o surgimento da doença relacionado a tal consumo (PINHO eCOUTINHO, 2007).Pirhardt e Mercês (2009) justificam que a alimentação com alto teor de gorduraaumenta o risco para esse tipo de câncer, pois eleva significativamente a quantidadede estrógenos circundante no organismo das mulheres que consomem de tal forma.Borghesan, Pelloso e Carvalho (2008) asseguram que a obesidade constitui umrisco para o câncer de mama, apenas entre mulheres na pós-menopausa, porém, napré-menopausa, seria um efeito protetor.Inumaru, Silveira e Naves (2011) concordam com os autores anteriores eacrescentam que isso ocorre, pois o excesso de peso promove o aumento do nívelde estrógeno ativo, visto que o tecido adiposo constitui o principal local de síntese deestrógeno em mulheres na pós-menopausa, contudo em relação às mulheres napré-menopausa, não existe um mecanismo bem esclarecido que explique tal fato,apenas a hipótese de que o excesso de peso poderia levar a ciclos ovulatórios maisfrequentes e, assim, reduzir a exposição à progesterona endógena.Devido à relevância da obesidade para o surgimento da doença os profissionais deenfermagem devem estar continuamente conscientizando as mulheres em relação àadoção de um estilo de vida que promova a manutenção de um peso saudável e oconsumo limitado de alimentos ricos em gorduras, especialmente as de origemanimal (BATISTON et al., 2011 apud VOGEL , 2000).A atividade física confere proteção, pela diminuição dos níveis de estrogênio e deprogesterona, bem como da atividade proliferativa das células da glândula mamária,contribuindo com a prevenção deste câncer em mulheres de todas as idades(BORGHESAN, PELLOSO e CARVALHO, 2008).
  15. 15. 15Segundo Inumaru, Silveira e Naves, (2011) a prática regular de atividade física éconsiderada como fator de proteção para o câncer de mama apenas na pós-menopausa, tal atividade depois dos 50 anos parece ser mais efetiva na prevençãodo câncer de mama do que antes deste período, já para as mulheres na pré-menopausa, as evidências de tal efeito benfeitor ainda são bem limitadas.Pirhardt e Mercês, (2009) afirmam que o sedentarismo eleva o risco para a doença,pois está diretamente relacionado com a possibilidade de aumento de peso e,consequentemente ao aumento da secreção de estrógenos.Tais informações devem ser amplamente difundidas, e as mulheres devem serconscientizadas pelo profissional enfermeiro, de que a prática de exercícios físicosregular pode reduzir o risco da patologia e é um fator estabelecido como protetorpara a mesma (PINHO e COUTINHO, 2007).Todos os autores citados acima concordam que a não-amamentação também éconsiderada como um elevado fator de risco. Pinho e Coutinho, (2007) afirmam quetal risco ocorre tanto nas mulheres que não amamentam quanto nas que realizamamamentação total por menos de um ano (somatório dos períodos de amamentaçãode todos os filhos).Pirhardt e Mercês (2009 apud Rea , 2004) acrescentam que a lactação confereproteção a mulher,já que neste período é liberado ocitocina, um hormônio quepossui além da função de promover as contrações uterinas durante o parto, ejeçãodo leite durante a amamentação, retorno mais rápido do peso pré-gestacional emenor sangramento uterino pós-parto, reduzindo de forma expressiva o risco decâncer de mama e ovário.Em uma revisão de 47 estudos, realizados em 30 países envolvendo em média 50mil mulheres com câncer de mama e 97 mil controles, foi destacado que oaleitamento materno pode ser responsável por 2/3 da redução estimada na doença(BORGHESAN, PELLOSO e CARVALHO, 2008).Inumaru, Silveira e Naves (2011), também relatam sobre um estudo caso-controledesenvolvido na Nigéria, verificando-se um efeito protetor total quando o período de
  16. 16. 16lactação foi superior a 49 meses, comparando-se com mulheres que amamentarampor 24 meses ou menos.A proteção conferida pela amamentação deve ser de conhecimento de todas asmulheres, já que isto pode aumentar a adesão a tal prática, cabe aos profissionaisde enfermagem encorajá-las permanentemente a amamentar seus filhos porperíodos demorados, as mulheres nulíparas por sua vez, não se beneficiam doefeito protetor da amamentação, e assim, estas devem ser conscientizadas quanto àadoção de hábitos saudáveis que minimizem os outros fatores de risco passíveis demodificação (BATISTON et al., 2011).Em relação à bebida alcoólica, Pinho e Coutinho (2007) afirmam que ampliasignificativamente o risco de câncer de mama, no qual o etanol pode provocaralterações nas células mamárias, transformando-as em tumores malignos, havendouma associação do câncer com o alcoolismo de forma proporcional ao que se ingere(PIRHARDT e MERCÊS, 2009).O etanol presente nas bebidas alcoólicas pode agir como carcinogênico, elevando apermeabilidade da membrana celular a carcinógenos, prejudicando o metabolismode nutrientes e induzindo ao estresse oxidativo, entretanto, o vinho, pode serconsiderado protetor quando sua ingestão é moderada, pressupondo-se que o efeitodeletério dele seja, em parte, atenuado pela presença de agentes antioxidantespresentes no mesmo (INUMARU, SILVEIRA e NAVES, 2011).Inumaru, Silveira e Naves (2011) relatam que apesar dos achados em relação a taisfatores, muitas questões ainda precisam ser elucidadas por meio de estudos bemdescritos, é preciso definir tempo mínimo de amamentação que vai proteger amulher contra o esse tipo de câncer, a quantidade de peso corporal e o período davida em que o risco é aumentado, a quantidade, intensidade e o período de vida emque a atividade física exerce papel protetor, o tipo e a quantidade de bebidaalcoólica associados ao risco de câncer de mama, visto que as informações aindasão muito heterogêneas em relação a tais aspectos.Por isso, é evidente a relevância da contribuição de pesquisas em enfermagemsobre o câncer de mama utilizando o conceito de risco, para constituir o eixo
  17. 17. 17norteador que venha colaborar com a melhoria da assistência, bem-estar e aqualidade de vida dos indivíduos (SILVA et al., 2011).Atuação prioritária dos profissionais de enfermagem voltada para o esclarecimentode fatores de risco para esta neoplasia proporciona resultados positivos na avaliaçãoe identificação da presença desses fatores nas mulheres colaborando, assim, com aprevenção primária da doença (SILVA et al., 2011).A busca na identificação dos fatores de risco para esse tipo de câncer nas mulheresamplia as chances de detectar precocemente , possibilitando sua cura e uma maiorsobrevida (BORGHESAN, PELLOSO e CARVALHO, 2008).A assimilação de variáveis que se relacionam aos fatores de risco torna-seimportante na medida em que estratégias educativas podem ser pensadas eimplementadas para atender, sobretudo a população que se apresenta maisvulnerável (BATISTON et al., 2011).Segundo Batiston et al., (2011), os profissionais de enfermagem devem estar aptosa avaliar e quantificar os riscos individuais aos quais as mulheres estão expostas,sendo que os resultados desta avaliação devem ser claramente informados àsmulheres, a fim de que este conhecimento seja propulsor de transformações no seuestilo de vida, a avaliação do risco individualizado pode auxiliar no planejamento deações de prevenção e rastreamento mais efetivo ,considerando-se a necessidadeindividual de cada paciente.Silva et al., (2011) também concorda que é imprescindível que os enfermeirosavaliem o risco das mulheres para desenvolverem o câncer de mama, forneçamaconselhamento adequado sobre estratégias de redução desses riscos e naspacientes que possuem maiores chances devem ser desenvolvidas intervençõesque reduzam o surgimento da doença.A mensuração do risco é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento doraciocínio clínico e de práticas de promoção e proteção à saúde, como um meio deidentificar atributos ambientais de modo a alterá-los, retirando na medida dopossível, seus determinantes, no qual o enfoque de risco é uma filosofiaessencialmente preventiva e é base para a programação da assistência à saúde(SILVA et al., 2011 apud GAMBA e SANTOS, 2006).
  18. 18. 182.1.2 Detecção precoce do câncer de mamaO diagnóstico precoce do câncer de mama é fundamental no tratamento do mesmo,pois contribui para a recuperação e a desaceleração do desenvolvimento da doença,evitando complicações e garantindo a melhoria da qualidade e padrão de vida dasmulheres acometidas (SILVA et al., 2011).A detecção da enfermidade em estágio inicial favorece tratamentos que podemerradicar inteiramente o câncer de mama, sendo realizada por meio do auto-examedas mamas, exame clínico mamário e a mamografia (FERNADERS et al., 2007;INAGAKI et al., 2008; SANTOS e CHUBACI, 2011). Todos os meios de diagnósticoscitados acima são incentivados pelo Ministério da Saúde (GONÇALVES et al.,2009).Já Bim et al., (2010), asseguram que no diagnóstico precoce do câncer de mama,insere-se apenas a mamografia e o exame clínico das mamas, o auto-exame não érecomendado pelo Ministério da Saúde, o qual enfatiza como principais estratégiasde rastreamento populacional, um exame mamográfico pelo menos a cada dois anospara mulheres de 50 a 69 anos e o exame clínico anual das mamas, para mulheresde 40 a 49 anos.Segundo Santos e Chubaci, (2011 apud Kemp et al., 2002), diante dos métodosdiagnósticos existentes, a mamografia é considerado o mais eficaz e deve ser feitoanualmente em mulheres entre 40 e 49 anos e naquelas com idade acima dos 70 adecisão deverá ser individual, considerando a expectativa de vida de cada mulher,pois a incidência do câncer de mama se eleva com a idade.No entanto, Inagaki et al., (2008) relatam que existe controvérsia de quando se deveiniciar a mamografia, pois o Ministério da Saúde do Brasil, juntamente com oInstituto Nacional do Câncer , recomenda que seja realizada, bianualmente a partirdos 50 anos de idade, para mulheres de baixo risco e anualmente para mulheres derisco elevado, em contrapartida, a Sociedade Brasileira de Mastologia indica queseja cumprida uma momografia de base aos 35 ou 40 anos de idade , entre 40 e 50anos uma mamografia bianualmente e após os 50 anos, anualmente.
  19. 19. 19A eficiência da mamografia é um dos significativos determinantes do diagnósticoinicial da doença, o que pode resultar em uma diminuição nos altos índices demortalidade (SILVA et al., 2011 apud MATOS et al., 2009).Inagaki et al., (2008), afirmam que o auto-exame das mamas é um exame bastantefavorável para o diagnostico precoce do câncer de mama, visto que a mulher poderealizar em si mesma, em casa durante o banho, deitada e em pé em frente aoespelho, deve ser realizado uma vez ao mês, após 5 a 7 dias do início damenstruação, pois durante o fluxo menstrual a mama pode sofrer determinadasalterações fisiológicas (INAGAKI et al., 2008 apud JARVIS , 2002).Tal exame permite que a mulher adquira o conhecimento do seu próprio corpo,sendo capaz de reconhecer a doença neoplásica da mama em um estágio dedesenvolvimento primitivo e curável (INAGAKI et al.,2008).Se praticado regularmente, respeitando a técnica e o período correto, tal exame seconstitui uma modalidade amplamente benéfica, por oferecer vasta praticidade, alémde ser menos dispendioso (FERNADERS et al., 2007).Gonçalves et al., (2009), corroboram que este é um procedimento adequado nadetecção de nódulos palpáveis e alterações visíveis, além de ser um método simplese de rápida execução, por isso torna-se evidente, a importância de se fazereducação em saúde, aproveitando cada momento de contato com a mulher,englobando todas as classes sociais, principalmente aquelas de difícil acesso àsmedidas de prevenção secundária, a fim de sensibilizá-las para adesão à prática doauto-exame das mamas.Embora o auto-exame das mamas possua um valor precioso na detecção precoceda doença mamária, não podemos subestimar o valor do exame clínico, realizadopor um profissional habilitado (FERNADERS et al., 2007).É imprescindível que o exame clínico mamário seja de responsabilidade dosprofissionais que assistem a todas as mulheres, e não apenas as que estejamcontempladas nos programas específicos (GONÇALVES et al., 2009 apudMONTEIRO ,2003). Também é fundamental que, antes do exame, tais profissionaisorientem as mulheres a respeito da importância de sua realização periódica, os
  20. 20. 20quais podem contribuir na redução da taxa de mortalidade (GONÇALVES et al.,2009).A análise clinica das mamas deve ser realizada em todas as mulheres que procuramo serviço de saúde, independente da faixa etária, como parte do atendimento àsaúde da mulher, no entanto para as pertencentes aos grupos populacionaisconsiderados de risco elevado, recomenda-se a realização do exame clínico damama e da mamografia, anualmente a partir de 35 anos (BIM et al., 2010).Em contrapartida Inagaki et al., (2008), asseguram que a mulher deverá sersubmetida a uma avaliação clínica anualmente, caso a paciente não possua fatoresde risco iminente, mas aquelas que se enquadram no perfil de alto risco têm umanecessidade de avaliação clínica semestral.Santos e Chubaci, (2011) também afirmam que é notória a importância do exameclinico das mamas, no entanto através de sua pesquisa sobre os exames utilizadosna detecção precoce, do câncer mamário tal exame foi o menos referido, e eleconclui que isso ocorreu porque a técnica não estava sendo realizadaperiodicamente nessas mulheres, já em outro estudo realizado no município deBotucatu, verificou-se que as mulheres mais jovens eram mais examinadas do queas mais velhas, apontando-se para a necessidade de programas de educação emsaúde, e reformulação das campanhas educativas que pudessem abordar adetecção precoce do câncer de mama, por meio de uma linguagem mais próxima douniverso da mulher idosa.O enfermeiro, desde a sua graduação, ostenta uma função relevante em tal aspecto,visto que desempenha um forte papel como educador em saúde, sendo acomunicação um instrumento fundamental para a conscientização da populaçãofeminina acerca da doença e dos fatores associados, no qual estes conhecimentospodem ser veiculados de forma adequada (FERNANDES et al., 2007).A enfermagem, por sua formação mais generalista, mais humana e voltada para aeducação em saúde, pode contribuir efetivamente para a melhora da taxa demortalidade por esse tipo de câncer (BIM et al., 2010).
  21. 21. 21Segundo Batiston et al., (2011 apud Borghesan et al, 2003), a educação em saúdenão é uma tarefa fácil, principalmente se considerarmos as mulheres assintomáticas,por não se sentirem doentes, na maioria das vezes ignoram os riscos aos quaisestão expostas, no entanto é fundamental que os profissionais que atuam com asmesma lancem mão de metodologias que propiciem a compreensão e sensibilizaçãoda mulher para o auto-cuidado e para o desenvolvimento de atitudes responsáveiscom a sua saúde.Tais profissionais devem assumir a responsabilidade de participar da prevenção docâncer de mama nas consultas, ensinando o auto-exame e realizando o exameclínico das mamas, esclarecendo à paciente sua importância e solicitando examesmais complexos quando necessário (INAGAKI et al ., 2008).A ação educativa com respeito mútuo entre cliente e profissional e a comunicaçãoefetiva, torna-se formidável passo para que a mulher compreenda a importância doexame preventivo,e sinta-se desta forma determinada a realizá-lo, já que orelacionamento interpessoal é primordial para que a paciente tenha confiança noprofissional e supere as eventuais dificuldades (SANTOS e CHUBACI, 2011). Destaforma impedindo a impossibilidade de cura, comprometimento da qualidade de vidae maior impacto sociopsicológico ante a mutilação e tratamento (GONÇALVES et al.,2009).
  22. 22. 223 CONCLUSÃOVisto a elevada incidência do câncer de mama, é necessário a analise dos fatoresde risco já que alguns deles são passiveis de interferências. O conhecimento dosmesmos traz a possibilidade de desenvolvimento de estratégias para redução dadoença, como a amamentação e a adoção de um estilo de vida saudável, incluindo aprática regular de atividade física, a manutenção de peso corporal adequado e oconsumo minimizado ou ausente de álcool.Tais informações devem ser repassadas pelos profissionais de enfermagem para apopulação feminina, visando gerar conhecimentos sólidos sobre a importância daadoção de medidas que minimizem os riscos para o desenvolvimento do câncer demama.Também é imprescindível a participação do enfermeiro nos processos de detecçãoprecoce da neoplasia, já que desempenha forte papel como educador em saúde,contribuindo efetivamente para o rastreamento da patologia que pode ser realizadoatravés de orientações para realização do auto-exame, exame clínico das mamas emamografia. Estes devem ser oferecidos a todas as mulheres, sobretudo àquelascom alto risco de desenvolver a doença, contribuindo efetivamente para orastreamento da patologia e melhora da taxa de mortalidade por esta neoplasia.
  23. 23. 234 RECOMENDAÇÃODurante a pesquisa foi percebido uma quantidade reduzida de trabalhos queabordem a assistência de enfermagem tanto em relação aos fatores de riscos,quanto aos meios para detecção precoce do câncer de mama no período proposto.Portanto é recomendável realização de estudos e publicações incluindo tal temática,para colaborar com a melhoria dos cuidados de enfermagem na prevenção ediagnostico inicial da patologia.
  24. 24. 245 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBATISTON, A. P.; TAMAKI, E. M.; SOUZA, L. A. de ; SANTOS, M. L. de M. dos.Conhecimento e prática sobre os fatores de risco para o câncer de mama entremulheres de 40 a 69 anos. Rev. Bras. Saude Mater. Infant. 2011, vol.11, n.2, p.163-171.BATISTON, A. P.; TAMAKI, E. M.; SOUZA, L. A. de ; SANTOS, M. L. de M. dos.Conhecimento e prática sobre os fatores de risco para o câncer de mama entremulheres de 40 a 69 anos. Rev. Bras. Saude Mater. Infant. 2011, vol.11, n.2, p.163-171 In: BORGHESAN, D.H.P.; BARAÚNA, M.; PELLOSO, S.M.; CARVALHO,M. D. B. Auto-exame das mamas: conhecimento e prática entre profissionais da áreada saúde de uma instituição pública. Acta Sci., Health Sci. 2003, vol. 25 p. 103-13.BATISTON, A. P.; TAMAKI, E. M.; SOUZA, L. A. de ; SANTOS, M. L. de M. dos.Conhecimento e prática sobre os fatores de risco para o câncer de mama entremulheres de 40 a 69 anos. Rev. Bras. Saude Mater. Infant. 2011, vol.11, n.2, p.163-171 In:VOGEL,V. G. Prevenção do câncer de mama: uma revisão dasevidências atuais. CA Câncer J. Clin. 2000, vol.50, p. 156-70.BIM, C. R.; PELLOSO, S. M.; CARVALHO, M. D. de B.; PREVIDELLI, I. T. S.Diagnóstico precoce do câncer de mama e colo uterino em mulheres do municípiode Guarapuava, PR, Brasil. Rev. esc. enferm. USP . 2010, vol.44, n.4, p. 940-946.BORGHESAN, D. H.; PELLOSO S. M.; CARVALHO, M. D. B. Câncer de mama efatores associados. Ciência Cuidado e Saúde. 2008, vol.7, n.1, p.112-30.BORGHESAN, D. H.; PELLOSO S. M.; CARVALHO, M. D. B. Câncer de mama efatores associados. Ciência Cuidado e Saúde. 2008 vol.7, n.1, p.112-30 In:TESSARO, S.; BERIA, J. U.; TOMASI, E.; BARROS, A. J. D. Contraceptivos orais ecâncer de mama: estudo de casos e controles. Rev Saude Publica. 2001, vol.35,n.1, p.35-8.BORGHESAN, D. H.; PELLOSO, S. M.; CARVALHO, M. D. B. Câncer de mama efatores associados. Ciência Cuidado e Saúde. 2008, vol.7, n.1, p.112-30. In:MENKE, H. Rotinas em mastologia. Porto Alegre: Artmed. 2000.FERNANDES, A. F. C.; VIANA, C. D. M. R.; MELO, E. M.; SILVA, A. P. S. da . Açõespara detecção precoce do câncer de mama: um estudo sobre o comportamento deacadêmicas de enfermagem. Ciência Cuidado Saúde.2007, vol. 6, n.2, p.215-222.
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