Monografia Rita Pedagogia 2010
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Monografia Rita Pedagogia 2010

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Monografia Rita Pedagogia 2010 Document Transcript

  • 1. 9 INTRODUÇÃO A interação das crianças com pessoas, objetos e lugares são imprescindíveispara um desenvolvimento mais significativo. Essas relações com o ambiente sãoindispensáveis para que a criança estabeleça uma comunicação com as pessoas aoseu redor, sendo no processo de socialização que a mesma amplia a construção denovos conhecimentos. A educação infantil possibilita à criança esse espaço,proporcionando-lhe participar, explorar e se envolver favorecendo seu contato emdiversos aspectos e dimensões. O espaço escolar de educação infantil está presente na vida das criançassendo notório que o mesmo ofereça segurança, conforto e liberdade para quepossam: brincar, correr e manipular objetos com tranqüilidade e motivação. Um espaço destinado à criança de 0 a 6 anos não pode ser neutro ouindiferente, pois traz influências que irão contribuir para a sua formação. Um espaçobem planejado e motivador criará oportunidades para a criança experimentar novasvivências e situações, visando melhor desenvolvimento e uma aprendizagem maissignificativa nos aspectos social, emocional, físico e intelectual. Para melhor atender as necessidades infantis em uma instituição de educaçãoinfantil o espaço escolar é subdividido em áreas especificas onde são executados ostrabalhos administrativos e áreas em que as crianças realizam suas atividades.Podendo ser modificado ou alterado de acordo com suas necessidades, pois, todosos componentes físicos da instituição podem influenciar direta ou indiretamente naaprendizagem e no desenvolvimento infantil. Como ressalta Elali (2003), a estrutura da escola de educação infantil atua deforma não verbal, silenciosa, transmitindo mensagens aos indivíduos que atuam nolocal. A autora diz ainda que tudo tem um significado próprio, a ordenação deobjetos da sala de aula, a mobília, as cores, e até mesmo a iluminação, informamcomo o local pode e deve ser utilizado. Diante disso podemos perceber que o
  • 2. 10espaço destinado à educação Infantil necessita ser um local seguro, adequado edinâmico, para que a criança possa desenvolver novas práticas educativas, ondehaja interação com os adultos e também com outras crianças. A escola que atende a educação infantil no que diz respeito a sua estruturafísica, tem inúmeras responsabilidades e deve estar acima de tudo incentivando ossonhos e os desejos dos pequenos. No entanto, nos questionamos se o ambientefísico das instituições de educação infantil realmente tem sido planejado para ascrianças que atuarão nesse espaço. Pois durante a elaboração do projetoarquitetônico das mesmas precisa haver a preocupação e o cuidado dosprofissionais em atentar para um planejamento voltado para as crianças queestudarão naquele estabelecimento de ensino. Percebe-se a importância que traz esse trabalho quando aborda sobre asestruturas dos espaços destinados à educação infantil e analisa nesses espaços oque contribui para o desenvolvimento e aprendizagem da criança, pois notamos queo espaço tem impacto direto sobre os comportamentos dos indivíduos que os usampara desenvolver determinadas atividades. Depois de considerar todas essas reflexões sobre o espaço escolar deeducação infantil o nosso trabalho monográfico é organizado da seguinte maneira: O Capítulo I vem nos trazer um breve histórico e conceito da educação infantilno Brasil, fala sobre o reconhecimento da criança como sujeito social de direitos esobre as transformações ocorridas, para que através dessas reflexões sobre aeducação infantil do passado, de seus objetivos e propostas, almejemos melhorentende-la atualmente e como estão sendo idealizados os espaços destinados a ela. No Capítulo II apontamos o quadro teórico, com o conceito das palavraschaves que norteiam esta pesquisa. Neste capítulo estão incluídos os aspectos maisabrangentes que situam as principais idéias do tema estudado, enfatizando aimportância do ambiente educacional para o processo educativo, incluindo aorganização do espaço físico e as relações que ocorrem dentro dele, interagindocom o sujeito na construção da aprendizagem.
  • 3. 11 No Capítulo III deste trabalho, dedicado à metodologia abordamos asfinalidades da pesquisa, o tipo de pesquisa, os procedimentos e instrumentos decoleta de dados utilizados, além de caracterizar o lócus e os sujeitos da pesquisa. O Capítulo IV foi destinado à análise e interpretação dos resultados obtidos napesquisa, tomando como centro as informações obtidas com as observaçõesrealizadas no espaço da Escola Pequeno Príncipe, com o questionário abertorespondido pelas professoras de educação infantil e também com a análise dosmapas mentais construídos pelas crianças também de educação infantil. Nas Considerações Finais mostramos os principais resultados obtidos comesta pesquisa, tendo como principal referência a percepção e a visão que osdocentes e alunos têm do espaço físico escolar e sua influência no processo ensino-aprendizagem. Apontamos o espaço escolar de educação infantil como um agentesempre presente na vida das crianças, necessitando que o mesmo seja seguro,planejado, atrativo e motivador para que possa atender as necessidades dascrianças. Em suma, compreendemos que o ambiente físico de uma instituição deeducação infantil terá que ser cuidadosamente arquitetado, sendo partecomplementar dos objetivos e finalidades da escola para que possa favorecer odesenvolvimento e a aprendizagem infantil.
  • 4. 12 CAPÍTULO I1. HISTÓRICO E CONCEITO DE EDUCAÇÃO INFANTIL Na Educação Infantil acontece o início da vida escolar das crianças, momentoem que interagem com as demais pessoas em sua volta e com o ambiente ematividades sistematizadas e direcionadas por profissionais, através nas quaisencontram oportunidades de apropriarem-se de valores e comportamentos própriosde seu tempo e lugar. Ao falarmos de educação infantil não nos reportamos somente a umainstituição escolar e suas necessidades, mas a um espaço de crianças pequenasconvivendo em socialização que necessitam ser atendidas de acordo com as suasnecessidades. O espaço escolar faz toda diferença, uma vez que o ambiente nãosomente molda pessoas como pode ser utilizado para favorecer na aprendizagem. O acolhimento a crianças pequenas em estabelecimentos institucionalizadossurgiu a partir de mudanças sociais, econômicas e políticas que aconteceram nasociedade ocasionadas com a revolução industrial pela inclusão das mulheres nomercado de trabalho, gerando uma nova organização no seio familiar e um novopapel da mulher. Além disso, apareceram novas idéias sobre a infância e sobre opapel da criança na sociedade e de como, através da Educação torná-la umindivíduo ajustado e produtivo às exigências desse conjunto social (CRAIDY eKAERCHER, 2001). No Brasil, no que diz respeito à educação infantil percebemos que ela surgiucom um caráter de assistência a saúde e preservação da vida, não tendo nenhumarelação com o fator educacional (KRAMER 2006). Aconteciam vários acidentesdomésticos em virtude das crianças ficarem sozinhas enquanto os pais trabalhavam,assim ocorreram as primeiras tentativas de organização de creches, asilos eorfanatos, os quais passaram a existir com um caráter assistencialista, ou seja, coma finalidade de auxiliar as mulheres que precisavam trabalhar fora de casa e asviúvas desamparadas.
  • 5. 13 As iniciativas de acolhimento aos órfãos abandonados foi um outro elementoque contribuiu decisivamente para o surgimento dessas instituições que apesar doapoio da alta sociedade, tinham como finalidade esconder a vergonha da mãesolteira, já que as crianças “[...] eram sempre filhos de mulheres da corte, poissomente essas tinham do que se envergonhar e motivo para se descartar do filhoindesejado” (RIZZO, 2003, p. 37). Em 1920, com defesa da democratização do ensino, a educação já passou asignificar possibilidades de ascensão social e era defendida como um direito detodas as crianças, consideradas como iguais. As instituiçoes tinham caráterfilantrópico o que trazia um acesso restrito procedente do periodo colonial eimperialista (KRAMER, 1995; p.55). Na década de 50 com a ampliação de obras que visavam um melhoratendimento à mãe e à criança recém-nascida, houve forte tendência médico-higiênica do Departamento Nacional da Criança, onde se realizaram inúmerosprogramas e campanhas visando: O combate à desnutrição, vacinação e diversos estudos e pesquisas de cunho médico realizadas no Instituto Fernandes Figueira. Era também fornecido auxílio técnico para a criação, ampliação ou reformas de obras de proteção materno-infantil do país, basicamente hospitais e maternidades (KRAMER, 1995; p.65). Nos anos 60 o Departamento Nacional da Criança teve um enfraquecimento eacabou transferindo algumas de suas incubências para outros setores, prevalecendoo caráter médico-assistencialista, dando ênfase na redução da morbimortalidadematerna infantil. Em 1970, existia uma enorme evasão escolar e repetências das crianças dasclasses carentes, no primeiro grau e por isso as políticas educativas voltadas àeducação de crianças de zero a seis anos defendiam uma educação compensatóriaque suprisse o fracasso escolar e para reparar carências culturais e diferençasafetivas das crianças provenientes das camadas populares. Kramer (2006) nos diz
  • 6. 14que “a idéia inicial era de que a pré-escola poderia, por antecipação, salvar a escolados problemas relativos ao fracasso escolar”. Em 1974, o pré-escolar recebeu atenção do Governo Federal, evidenciado nacriação da Coordenação de Educação Pré-Escolar (MEC/COEPRE), emdocumentos e pareceres do Conselho Federal de Educação. As crianças ao mesmotempo em que começaram a ter suas especificidades respeitadas, passaram a serconsideradas ao longo destes 30 anos, cidadãs parte de sua classe, grupo e cultura.E todas as crianças conquistaram direitos sociais como: assistência, saúde eeducação. Campos (1992) nos diz que: O quadro geral esboçado pelos dados disponíveis para a década de 80 caracteriza-se por uma grande instabilidade e por sérios desencontros na direção e gestão das políticas federais de financiamento dos programas de pré-escolares e creches no país. A transição política resultou em expressivos ganhos legais, com a promulgação da Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990. (p. 19). Ao longo dos anos 80 os problemas relativos à educação pré-escolarperduraram com a falta de coordenação entre os programas educacionais e desaúde. Somente a partir da Constituição Federal de 1988 e do ECA (Estatuto daCriança e do Adolescente) em 1990, é que a criança no Brasil passa a ser objeto dalegislação, e os seus direitos reconhecidos como essenciais, ou seja, a criança éreconhecida como sujeito social de direitos e que as creches e pré-escolas devemser garantidas a todos, enquanto dever do Estado e opção da família. Em relação àeducação voltada para a educação infantil, Winnicott (1982) diz que: A função da escola maternal não é ser um substituto para uma mãe ausente, mas suplementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só a mãe desempenha. Uma escola maternal, ou jardim de infância, será possivelmente considerada, de modo mais correto, uma ampliação da família „para cima‟, em vez de uma extensão „para baixo‟ da escola primária. (WINNICOTT, 1982; p. 214). Em 20 de dezembro de 1996, uma importante conquista para a educaçãoinfantil foi a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB),reconhecendo a importância do desenvolvimento integral nos primeiros anos de vidada criança e a vivência escolar como parte essencial desse processo, cabendo aos
  • 7. 15municípios a tarefa de regularizar e avaliar a qualidade do atendimento de todas ascreches e pré-escolas. A educação infantil, primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança ate seis anos de idade, em seus aspectos psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (LDB, Titulo V, Seção II, Art. 29). Nos estabelecimentos voltados para a educação infantil a clientela é divididapor faixa etária. Creches "para crianças de até três anos de idade" e em "pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade”. Sendo que recentementemedidas legais com o Projeto de Lei nº 144/2005, aprovado pelo Senado em 25 dejaneiro de 2006, modificaram o atendimento das crianças de pré-escola. Alunos comseis anos de idade devem obrigatoriamente estar matriculados nos primeiros anosdo ensino fundamental. Uma escola de educação infantil necessita proporcionar à criança um novomundo repleto de novidades, uma vez que, começam sua vida escolar ainda muitocedo, seja por o motivo de seus pais trabalharem e não terem com quem deixar osfilhos ou até mesmo por acharem que seus filhos devam dar início ao convívio sociale desenvolver habilidades as quais visem um melhor desempenho escolar futuro.Contudo, devemos compreender como nos diz Faria (1999) que a criança gosta deficar sozinha, gosta de ficar também com os adultos, mas do que ela mais gosta éde ficar brincando com os seus pares, reproduzindo, imitando e recriando, ou seja,criando cultura infantil. Para facilitar o desenvolvimento e aprendizagem da criança, as relações com oambiente físico e social que a cercam são imprescindíveis, favorecendo asinterações com as outras crianças e também auxiliando as mesmas a enfrentaremdificuldades que possam surgir. Reforçando esta idéia, Bronfenbrenner (1996)afirma que, desenvolvimento implica em processos através dos quais característicasda pessoa e do ambiente interagem, produzindo tanto continuidade quantomodificação no individuo durante o curso de vida, e no modo como o mesmocompreende e negocia com o entorno, ou seja, durante a vida as pessoasdesenvolvem inúmeras habilidades para manter ou alterar as propriedades do lugar,
  • 8. 16as quais, por sua vez, também exercem influências nas características delaspróprias. No momento em que ingressa na instituição de educação infantil a criançapercebe o ambiente e todo o local é visto e sentido pela mesma. Ela vai conhecendoo lugar e percebendo minuciosamente tudo o que está ao seu redor. Por isso torna-se necessário uma organização espacial estruturada e pensada para atender todasas necessidades infantis, desde os espaços do pátio, parques, salas de aula,banheiros, tudo tem uma considerável importância para a criança desenvolver suaauto-estima e autonomia, ou seja, sua capacidade de construir suas próprias regrase meios de ação. O tempo todo em nossas vivências o ambiente nos influencia e nos molda atéadaptar-nos a ele, pois recebemos todas as informações táteis, olfativas, visuais,térmicas e olfativo-gustativas. Elali (2006) vem complementar quando nos diz que:“atuando de modo não verbal, por sua vez, o meio físico tem impacto direto esimbólico sobre seus ocupantes facilitando e/ou inibindo comportamentos”. Através das inter-relações com o ambiente físico escolar a criança participaativamente de seu próprio desenvolvimento social, uma vez que explora, descobre eatua em seu ambiente. Nestes espaços as crianças são reconhecidas como cidadãs com direitos, membros participantes de grupos sociais que fazem parte, agentes das próprias vidas, mas também, interdependente dos outros co-construtores de saberes, de identidades, de cultura, crianças que coexistem e convivem com outras crianças, na base do que são mais do que aquilo que podem vir a ser. Os espaços das crianças são para todas as crianças numa base democrática cruzando diferentes grupos sociais. (MOSS e PETRIE, 2002; p.32). A criança por meio do contato com a escola de educação infantil cresce, sedesenvolve, forma as bases de sua individualidade e de sua personalidade, já quegrande parte do seu aprendizado acontece ali. Este ambiente torna-se sem dúvida,essencial para o desenvolvimento infantil, não só por adaptá-la à existência de ummundo novo até então desconhecido, mas também pela capacidade de fazê-laconhecer outras situações e aprendizagens que apresentam a idéia de ampliação de
  • 9. 17sua vida, bem diferente do seu modo de vida a qual estava acostumada enquantonão freqüenta uma instituição educacional. A escola em sua estrutura traz apossibilidade do educando conhecer e se relacionar de forma diferenciada a doambiente de casa, por exemplo, traz experiências que só poderão ser vividasnaquele espaço físico. Daí surge a nossa inquietação em realizar esse trabalho que é analisar qual ainfluência do ambiente físico destinado à Educação Infantil na Escola PequenoPríncipe no desenvolvimento e aprendizagem das crianças e se este ambiente foipensado e planejado para atender as necessidades infantis? Esta pesquisa teve como lócus a Escola Pequeno Príncipe, uma instituiçãoprivada situada no Bairro Umburana da cidade de Senhor do Bonfim-BA. A mesmausa seu espaço para atender crianças desde a Educação Infantil até o 6º ano doensino Fundamental II. É uma escola tradicional, que já existe a dezessete anos nacidade. Nosso trabalho se restringirá ao espaço da escola que atende crianças daEducação Infantil no turno vespertino. Nesse contexto, a presente pesquisa terá como objetivos específicos: Caracterizar o ambiente físico da Escola Pequeno Príncipe. Analisar no ambiente físico da Escola Pequeno Príncipe aspectos que contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem da criança de educação Infantil. Este trabalho pretende refletir sobre a importância do ambiente físico da EscolaPequeno Príncipe, destinado à educação das crianças em idade pré-escolar e seesse espaço é pensado, para oferecer um lugar acolhedor e prazeroso para que ascrianças desenvolvam sua identidade, formem sua personalidade e construamconhecimentos. Diante das indicações gerais, a pertinência desta pesquisa é ainda trazercontribuições para uma melhoria do sistema de ensino, mostrando como seria o
  • 10. 18modelo de espaço escolar destinado a educação infantil, além de identificar nestesespaços as contribuições para o desenvolvimento e aprendizagem da criança eassim propor uma reflexão sobre o tema, pois o conhecimento sobre o espaçoescolar de uma instituição pode vir a subsidiar um planejamento na elaboração deprojetos tanto para a escola quanto para ambientes semelhantes. Nesta perspectiva entendemos que o nosso estudo pode trazer uma reflexãono sentido de trazer para os professores e gestores das escolas infantis umacompreensão em relação à importância do espaço físico escolar, ponto de partidapara contemplar as ações das crianças desde brincar, pular, correr, interagir com omesmo e com as demais crianças. Além de trazer para a criança a oportunidade dese desenvolver, e ampliar os seus conhecimentos de maneira prazerosa e eficaz,desenvolvendo assim uma aprendizagem bem mais significativa e que para ela façasentido.
  • 11. 19 . CAPÍTULO II2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Pensar sobre a educação infantil sugere considerá-la em todas as suasdimensões, inclusive aos espaços destinados às crianças e como estes estão sendoutilizados para auxiliar e contribuir de maneira significativa na formação eaprendizagem. A temática de nosso estudo nos leva a aprofundar os seguintesconceitos – chaves que norteiam este trabalho: Educação Infantil. Espaço Escolar eAprendizagem.2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL O Plano Nacional de Educação (PNE, 2001, p.8) vem nos dizer que: “educaçãoé elemento constitutivo da pessoa e, portanto, deve estar presente desde omomento em que ela nasce, como meio e condição de formação, desenvolvimento,integração social e realização pessoal”. Na educação infantil a criança dará inicio a uma nova etapa de suas vidasnuma área onde os espaços, limites e objetivos são diferentes dos encontradosdentro do ambiente familiar, ou seja, é a estréia das crianças no ambiente escolar.Nesta etapa se dá um maior desenvolvimento a partir do momento em que elainterage com outras pessoas, objetos e ambiente. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1996, vem afirmar que aeducação infantil tem por finalidade o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5anos de idade em seus aspectos físico, mental e social. Além de ser um espaçoonde as crianças ficam para brincar, rabiscar, pintar e receber cuidados implicaainda em descobrir um novo mundo repleto de novas descobertas e habilidades quepor estarem em contato com outras crianças e adultos as mesmas se tornam maissociáveis. Completando essa discussão Assis (1999) afirma que:
  • 12. 20 a Educação Infantil não se reduz apenas à preparação para o Ensino Fundamental, ela deve favorecer a construção do desenvolvimento moral, deve respeitar a curiosidade da criança, levando-a a refletir sobre as perguntas que faz. (ASSIS, 1999; p. 30). A educação Infantil precisa propor o desenvolvimento da criança em todas assuas dimensões: física, afetiva, intelectual e social; Ela não pode estarcomprometida através dos seus propósitos e objetivos, com a situação de sucessoou insucesso escolar de seus alunos em outros níveis de seu processo deescolarização. As crianças crescem em lugares e com pessoas diferentes, sendo pessoasdistintas, cada uma tem suas particularidades. Diante disso uma escola de educaçãoinfantil que se preocupa com o desenvolvimento de suas crianças em todas as áreasdeverá saber procurar respeitar as diferenças e entender que cada criança tem suasespecificidades, nenhuma é igual à outra. O Referencial Curricular Nacional para aEducação Infantil (1998) vem nos dizer que: Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças. (p.22). A escola deve proporcionar ao aluno como afirma Martins (2001) um espaçoalegre, divertido com múltiplas possibilidades de aprendizado, com espaços quepropiciem as interações com outras pessoas. Ambientes que promovam abrincadeira, o desenvolvimento de normas sociais, de princípios éticos e estéticos.Segundo Wallon (1989), as interações com as outras pessoas são essenciais, poisobjetivam não só a satisfação das necessidades básicas, como também aconstrução de novas relações sociais, com o predomínio da emoção sobre asdemais atividades. Celso Antunes (2004) em seu livro “Educação Infantil: prioridadeimprescindível” vem nos dizer que para os pais ou responsáveis saberem se uma
  • 13. 21escola de educação infantil está dentro do padrão ideal, deverão estar cautelosospara saber se na mesma existem espaços diferentes para que, as crianças possamvivenciar a arte de dizer e de desvendar palavras, a esperteza do ouvir e docompreender e ainda espaços para ouvir e inventar histórias criar, descobrir e fazerartes. Podemos ressaltar que uma escola destinada à educação infantil deve daroportunidade a criança de interagir com o seu meio ambiente (social, cultural,natural, histórico e geográfico) de maneira independente, alerta e curiosa,estabelecendo relações sobre o meio no qual está inserida, sobre os conhecimentosprévios de que dispõe suas idéias originais e as novas informações que recebe,além de tornar-se, cada vez mais capaz de desenvolver suas atividades de maneiraautônoma, e em cooperação com outras pessoas, crianças e adultos. Reconhecemos que as primeiras experiências da vida são as que marcammais profundamente a pessoa. Quando positivas, tendem a reforçar ao longo davida, as atitudes de autoconfiança, cooperação, solidariedade e de responsabilidade.O Plano Nacional de Educação (2001) afirma que a Educação Infantil é a primeiraetapa da Educação Básica. Ela forma as bases da personalidade humana, dainteligência, da vida emocional, da socialização. Desta forma, desenvolve acapacidade de começar a coordenar pontos de vista e necessidades diferentes dosseus, socializando-se.2.2 ESPAÇO ESCOLAR Para podemos conceituar espaço escolar, traremos inicialmente uma definiçãopara espaço. Segundo Santos (1985) o espaço deve ser considerado como umatotalidade. Entretanto, através de análises, deve ser possível dividi-lo em partes ereconstituí-lo depois. Esta divisão deve ser operada segundo uma variedade decritérios, entre os quais estão os elementos do espaço. O autor ainda nos traz queelementos do espaço estão submetidos a variações quantitativas e qualitativas.Desse modo os elementos do espaço devem ser considerados como variáveis.
  • 14. 22 O espaço atua de forma silenciosa, porém está sempre presente em nossasvivências. Todos nós que vivemos e atuamos dentro de um espaço, não podemosanular sua importância e influência na vida dos seres vivos. Frago e Escolano (2001) dizem que a percepção é um processo cultural. Porisso, não percebemos espaços senão lugares, isto é, espaços organizados,construídos. Todo espaço é um lugar percebido, com significados e representaçõesde espaços. Representações que se visualiza, que se recorda, mas que sempre levaconsigo uma interpretação determinada. Também na educação, o ambiente espacial é modificado para atender asnecessidades das pessoas ali presentes. O ambiente educacional é uma construçãodo próprio homem em busca de adaptação, facilidade e utilidade. Um espaçoconstruído com a finalidade de “educar”. Em uma escola de educação infantil, a organização espacial é uma forma depercebermos o quanto o lugar foi projetado para atender determinado público comcaracterísticas próprias e com determinada finalidade. “Todo espaço físico é umterritório cultural: a ser ocupado, construído, bagunçado, organizado, marcado porexperiências, sentimentos e ações das pessoas” (WAJSKOP & ABRAMOWICK1995, p.30). O espaço destinado a atender crianças da educação infantil do mesmo modo,deverá ter todo um aparato organizado para receber essa clientela. O ambientefísico precisa valorizar as várias formas da criança se expressar e desenvolversaberes espontâneos infantis. O ambiente torna-se o espaço, onde até mesmo aestética do lugar pode ser alterada para promover o crescimento das crianças emtodos os aspectos. Assim sendo: “o ambiente infantil deve ser planejado para dar ocasião às crianças desenvolverem domínio e controle sobre seu habitat, fornecendo instalações físicas apropriadas para que as crianças satisfaçam suas necessidades” (CARVALHO & RUBIANO, 1996; p.110).
  • 15. 23 Como sendo um espaço repleto de vivências sociais e intelectuais a escola deeducação infantil é o inicio como já foi abordado, da vida escolar das crianças. Todoo ambiente é uma inovação. Frequentemente este momento fica retido na memóriados pequenos por muitos anos. Milton Santos (2005) em seu livro “Da totalidade aoLugar” em relação ao espaço diz que: O espaço é a matéria trabalhada por excelência. Nenhum dos objetos sociais tem tamanha imposição sobre o homem, nenhum está tão presente no cotidiano dos indivíduos. A casa, o lugar de trabalho, os pontos são igualmente elementos passivos que condicionam a atividade dos homens e comandam a prática social. (p.34). Depois do convívio com a família, a escola é o primeiro espaço que insere acriança numa experiência coletiva, assumindo um papel no desenvolvimento de suasocialização. Este processo faz parte da construção do conhecimento da criança,incluindo relações com o outro e a interação com o ambiente construído. Aexperiência que a criança tem com o espaço partindo de suas vivências,organizando-o e se apropriando dele contribui juntamente para o desenvolvimentode sua aprendizagem. Machado (1991) vem nos dizer que: È na interação que a criança constrói o conhecimento. A vivência familiar é insubstituível. No entanto, a possibilidade de ampliar essa vivência entre outras crianças desde que num ambiente propício (...) que leve em conta suas necessidades e características, favorece e enriquece seu desenvolvimento desde que nasce, isto é, só é possível numa instituição voltada para esse fim. A escola e família não se excluem se completam. (p.19). O ambiente que está destinado a atender às crianças nesta faixa etária,portanto deve trazer segurança e favorecer a livre circulação das mesmas comproteção, sejam nas salas de aula, nos pátios, parques, banheiros e outras áreas. Oespaço de uma escola de educação infantil é toda a estrutura física da instituição,incluindo áreas abertas, fechadas, áreas de campo ou jardins. É importante considerar que as crianças devem conhecer o espaço ondeestudam e ficam durante algumas horas e que tenham liberdade neste espaço parase movimentar e circular livremente explorando-o. A entrada de uma criançapequena na escola de educação infantil implica na separação com os pais ou
  • 16. 24pessoas que constituem o seu universo, pois, há uma mudança da rotina diária nocontexto físico a que a mesma está habituada. A estrutura física de uma instituição voltada para a finalidade de assistir àsnecessidades das crianças de educação infantil é uma característica que precisa serconsiderada, inicialmente a partir da elaboração dos planos arquitetônicos doambiente escolar. Porém, os que se tem percebido muitas vezes ao visitar estesestabelecimentos, são ambientes organizados e planejados por adultos que namaioria das vezes acabam suprindo suas próprias expectativas e não das criançasque utilizarão o espaço. Neste sentido, as crianças têm condições de participarsempre que possível das decisões sobre a organização dos espaços (CARVALHO &RUBIANO 1996; p.110). A criança que está na educação infantil, por conta de sua idade e estágio dedesenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social precisa de um ambiente quelhe proporcione espaço para brincar, jogar e interagir com outras crianças. Nesteaspecto Carvalho e Rubiano (1996, p.110) propõem que ambientes "devemfavorecer oportunidades para as crianças andarem, correrem, subirem, descerem, epularem com segurança, permitindo-lhes tentar falha e tentar novamente”. Segundo Elali (2003), o ambiente escolar atua de maneira não verbalpossibilitando aos alunos a compreensão das mensagens e intenções que sãotransmitidas através de sua ordenação e mesmo através das pessoas que por aliestão. Sendo assim os objetos que estão presentes no ambiente informam sobrecomo o espaço pode e deve ser bem utilizado. Portanto entendemos que os móveise sua organização nas salas de aula oferecem as expectativas de ocupação dolugar. Isso é bem perceptível com a experiência vivida no local.2.2.1 Sala de aula A sala de aula é considerada um espaço fundamental, uma vez que ascrianças quando estão na escola passam inseridas na mesma a maior parte dotempo desenvolvendo várias atividades. Este ambiente é um local repleto de cores e
  • 17. 25sentimentos, onde os objetos, estórias e brincadeiras ganham vida. O acesso aosobjetos e materiais pedagógicos pelas crianças deverá ocorrer de forma livre paraque os pequenos se sintam com liberdade de interagir e explorar de formaorganizada o ambiente, promovendo uma aprendizagem significativa e prazerosa. O ambiente da sala de aula em uma escola de educação infantil é propício paranovas descobertas, onde as crianças são motivadas e estimuladas a criar, recriar,aprender com os próprios erros e valorizar suas produções essenciais para odesenvolvimento de sua autonomia e autoconfiança. Deste modo a sala de aulapode influenciar o comportamento, facilitando algumas atividades e interromperoutras. Portanto é necessário existir uma disposição ao se guardar e usar os objetosdurante as aulas. Segundo Kramer (2002), a organização da sala de aula visa que as atividadesplanejadas por docentes e crianças se desenvolvam de maneira maleável e criativa.Nessa organização pode haver mudanças nos móveis a fim de melhor atender asnecessidades infantis. Sendo muito importante que as próprias crianças sejamresponsáveis pela manutenção e conservação da sala e dos materiais existentes. A criança aprende a compartilhar e compreender que não é a única naqueleespaço e que precisa de ajuda e atenção quando realiza em conjunto suasatividades. O espaço da sala de aula é, portanto, um espaço de construção devalores e conhecimentos. Em relação à mobília e objetos dispostos na sala, “objetostransformados para as crianças e a seu favor” (THIAGO, 2000, P.59), nos diz queeles devem estar o mais próximo das crianças possível para que elas tenhamfacilidade em manuseá-los e até guardá-los, não necessitando sempre a intervençãode um adulto para que isso aconteça. Segundo Elali (2003), os móveis existentes e sua organização na sala de aulacomum, oferecem as expectativas de ocupação do lugar. Isso se confirma ao longodo tempo, a partir da experiência diária, do conhecimento mútuo professor alunos edas normas institucionais.
  • 18. 26 Em relação à mobília e as condições ambientais da sala, como: temperatura,insolação, ventilação e luminosidade, podem atuar sobre o educando, em aspectoscomo sua sociabilidade, seu desempenho e mesmo suas condições de saúde(SOMMER, 1973). Ao se pensar neste espaço para as crianças é preciso levar emconsideração que o ambiente: É composto por gosto, toque, sons e palavras, regras de uso do espaço, luzes e cores, odores, mobílias, equipamentos e ritmos de vida. Também é importante educar as crianças no sentido de observar, categorizar, escolher e propor, possibilitando-lhes interações com diversos elementos. (BARBOSA; HORN, 2001, p.73). A sala de aula permite às crianças de educação infantil uma interação comoportunidades para estabelecer uma relação pessoal constituindo vínculos comoutros sujeitos que não os do seu meio familiar, além de fazer com que a criança sesinta segura e acolhida, utilizando este novo ambiente para desenvolver suasrelações sociais e afetivas, a fim de construir uma imagem positiva sobre si mesma. 2.2.2 O pátio escolar Um pátio escolar bem organizado, capaz de seduzir as crianças podefavorecer no seu desenvolvimento cultural, social e intelectual (FEDRIZZI, 2002). Porisso entendemos que em um estabelecimento de educação infantil o espaço físico,tanto exterior como interior precisa proporcionar a criança liberdade de movimentos,pois a qualidade da primeira escola é fator determinante para a vida futura dacriança. O pátio escolar não pode ser considerado apenas como um espaço onde ascrianças ficam quando não desenvolvendo atividades na sala de aula. È também umlocal de aprendizagens, pois as crianças usam o seu espaço para brincar, pular,correr, proporcionando assim a ação educativa e nos momentos em que estãorealizando essas atividades, a quantidade e qualidade de conhecimentos ecompetências adquiridas são múltiplas. É neste local que as crianças interagem e sesocializam.
  • 19. 27 O espaço do pátio escolar precisa ainda proporcionar a criança bem estar econforto, por isso, há necessidade de um local coberto, capaz de abrigar os alunosdas intempéries do tempo. Sobre isso Azevedo (2002) diz que: na organização dasáreas de vivencia e recreações precisam ser previstos espaços cobertos quepossam oferecer a oportunidade de utilização em dias chuvosos, ou a flexibilidadede uso para atividades diferenciadas. O pátio necessita ser amplo e aconchegante, permitindo diferentes atividades emúltiplos acontecimentos à criança. Para isso, torna-se necessário disponibilizaruma variedade suficiente de materiais e equipamentos, a fim de abranger adiversidade de interesses e habilidade, bem como criar zonas definidas por limitesfuncionais e visuais para facilitar a brincadeira, além de incluir espaços paraatividades coletivas e individuais. A qualidade do pátio escolar está relacionada com a quantidade de atividadesque ele pode gerar o que, segundo Liempd (1999), não é alcançado somenteatravés do uso dos equipamentos tradicionais como balanço, escorregador esimilares. Ele sugere que outros materiais como bolas, cordas, sucata, podempossibilitar uma multiplicidade de brincadeiras e jogos. Outro elemento que podeajudar é a variedade nos tipos de solo (grama, ladrilhos, areia), o que pode causaruma mudança de atividades que podem variar de acordo com o lugar. A criança quando em proximidade com a natureza favorece entre outras coisasações e estímulos, o jogo em liberdade, o ensino ativo, o desenvolvimento moral,uma completa cobertura para alcançar também as finalidades da educação (FRAGO& ESCOLANO, 2001). Elali (2006) nos diz que é essencial que a criança tenha acesso aos maisvariados tipos de espaços tantos construídos pelo homem quanto naturais, pois, éuma maneira de adaptar à infância condições plenas de desenvolvimento, gerando aconsciência de si e do espaço a sua volta que são originados da riqueza deexperiências. Sendo assim, a criança em contato com áreas verdes nos pátiospoderá aprender sobre a importância e o cuidado que nós devemos ter com anatureza, além de se perceber como parte integrante desse ecossistema.
  • 20. 28 Uma escola construída e organizada para as crianças de educação infantil,precisa respeitá-las enquanto sujeitos de direitos e garantir-lhes em seu interiordireitos básicos como: direito à educação, ao brincar, à cultura, à saúde e à higiene,a uma boa alimentação, à segurança, ao desenvolvimento da criatividade e daimaginação, ao respeito à individualidade e desenvolvimento da sua identidade,enfim, o direito a uma infância cheia de sentidos. (PINTO, 2007). Deste modo, o mais importante é que dentro destes espaços as criançassintam o quanto o ambiente construído para elas está repleto de significados. Estepoderia ser um dos objetivos de qualquer ação educativa voltada para este publico.Este espaço para ter enfim a cara da criança que estuda ali e ser conhecido comoespaço de infância deve ter suas marcas, sejam nas paredes, num desenho no chãoou mesmo na sua participação na escolha e organização dos objetos.2.3 APRENDIZAGEM O ser humano ao adquirir as competências de agir, formular e avaliar idéiaspassa por processos de aprendizagens que para Vygostky citado por Oliveira(2002), estão relacionados ao desenvolvimento da vida, sendo um aspectonecessário ao aprimoramento das funções culturalmente organizadas eespecificamente humanas. A capacidade de desenvolvimento do homem é definida pelos processos dematuração pertencente à espécie, sendo que é a aprendizagem que possibilitadespertar o contato de indivíduos com um ambiente cultural. Ou seja, o homemnasce equipado com certas características do indivíduo, mas as funções queenvolvem consciência, planejamento, intenção, ações voluntárias e deliberadasdependem da aprendizagem (OLIVEIRA, 2002). E a escola é um dos principaisespaços onde o processo de aprendizagem ocorre, ou seja: Instituição criada pela sociedade letrada para transmitir determinados conhecimentos e formas de ação no mundo; sua finalidade envolve por
  • 21. 29 definição processos de intervenção que conduzem à aprendizagem. (OLIVEIRA, 2002 p.58). A escola, espaço altamente institucionalizado é responsável pela interação dosaber sistematizado que é um processo vital combinado pela interação do educadore do educando e é reconhecidamente a estrada que leva as ocupações e papéissociais (REIMER, 1983 p.61). E por ser uma instituição social com propósitoeducativo, a mesma tem o compromisso de interagir para promover odesenvolvimento e a socialização de seus alunos. Os processos de aprendizagem vêm sendo estruturados intensamente nasduas últimas décadas. Hoje sabemos que alguns pressupostos sobre eles sãoinquestionáveis: o primeiro refere-se à complexidade desse processo. Oconhecimento oriundo das áreas de psicologia, sociologia, antropologia, neurologia,entre outras ciências que estudam o homem, não nos permite mais pensar naaprendizagem como um processo simples e semelhante para todos. (TORRES,2005). Um segundo princípio da aprendizagem, mudança sistemática nocomportamento, com efeito, na prática, a qual abrange a dimensão cultural, exerceum papel de grande importância na sala de aula, pois, se o docente não sabe comoo seu aluno aprende ambos terão dificuldades nesse processo de troca deconhecimentos. A partir dessa perspectiva deve haver a preocupação na escola, em relação asdiversas formas de aprendizagens, fazendo-se necessário conhecer a função dotrabalho pedagógico no local onde a criança está, pois ele deverá ser capaz defavorecer o desenvolvimento infantil e a aquisição de novas competências. Com issocompreendemos como é de fundamental importância as contribuições que podeconferir a escola de educação infantil neste sentido, sendo ela a primeira instituiçãode ensino que a criança irá frequentar. Entendemos que alguns docentes simplificam o processo de aprendizagem,tendo em vista as suas limitações realizando e assumindo tarefas a partir de suascompreensões e competências e muitas vezes até mesmo de maneira a facilitar suaprópria atuação. No entanto acreditamos ser importante reconhecer que a docência
  • 22. 30trata-se de um processo complexo e dinâmico por envolver idéias e concepçõesdiversas, o que vai exigir do mesmo um esforço contínuo na determinação depromover a formação dos alunos e sua aprendizagem, tirando o melhor proveito dassituações vivenciadas em cada ambiente da escola, para promover a socializaçãodos saberes entre professor e aluno de forma eficaz, dinâmica e prazerosa. Rossini(2003) nos traz que: Nossa preocupação com a aprendizagem deve ser revista com freqüência de forma a torná-la verdadeiramente eficaz, o professor precisa impulsionar o aluno a novos desafios a fim de desenvolver-lhe as potencialidades; e para isso é necessário que as condições de aprendizagem em sala de aula sejam proporcionadoras dessa aprendizagem. (p. 63). Como educadores, devemos perceber que os alunos possuem particularidadespróprias e estas devem ser respeitadas. Afinal cada aluno é diferente do outro,moram em casas e com famílias diferentes, possuem vivências próprias. Até o nívelde desenvolvimento mental de cada criança se desenvolve de maneira diferente, edepende de uma infinidade de características inclusive o meio em que vivem estárelacionado a este desenvolvimento. As aprendizagens dependem das características singulares de cada um dos aprendizes; correspondem em grande parte; as experiências que cada um vive desde o nascimento; à forma como se aprende e o ritmo da aprendizagem varia segundo as capacidades, motivação e interesse de cada um dos meninos e meninas. (ZABALA, 1998; 58). Portanto, faz-se necessário que o professor não se julgue o dono da verdade,ou exponha sua superioridade em relação aos seus alunos (GADOTTI, 1985), pois énecessário sensibilidade e tolerância para entender o processo de aprendizagem,levando em consideração as vivências que seus alunos trazem do seu convíviofamiliar para a sala de aula para que haja interação entre o pré-estabelecido e apossibilidade de construção de um novo conhecimento ao aluno de educaçãoinfantil. Para que habilidades e competências sejam desenvolvidas, precisamosconceber o processo de aprendizagem de maneira diferenciada da qual estamoshabituados a fazer. Portanto, de acordo com Lima (2004), a aprendizagem deve
  • 23. 31começar pelos acontecimentos em que os alunos estão envolvidos (suas “crenças”prévias) cujo significado procura construir. É na educação infantil que as crianças têm maior facilidade na aprendizagem,embora isso não ocorra de forma igual em todas elas, cada uma tem seu própriorítmo para aprender novos conhecimentos. É importante que as pessoas envolvidasneste trabalho com estes pequenos perceba essa diferença e levem em conta que otratamento que é destinado a esse público requer uma série de cuidados. A criança de 0 a 6 anos tem caracteristicas e necessidades diferenciadas das outras faixas etárias que requerem cuidados e atenção por parte do adulto e que quando negligenciadas, colocam em risco a sobrevivencia da própria criança, ou comprometem gravemente seu desenvolvimento posterior (OLIVEIRA, 2001, p.26). Para que o professor possa ensinar bem é indispensável conhecer os modelosmentais que os seus alunos utilizam na concepção do mundo que os rodeia e ospressupostos que suportam esses modelos. Cabendo ainda ao mesmo a tarefa deprovocar a contribuição de novos conteúdos significativos para as crianças dandomais sentido aos já construídos por ela, pois nem sempre os conteúdos trabalhadosem sala de aula tem significado para os educandos. Com isso, percebemos queaprender é construir o seu próprio significado e não encontrar as “respostas certas”dadas por alguém. A Educação Infantil tem o poder de despertar na criança o gosto pela leitura,escrita, matemática, enfim, pela aprendizagem no geral, dependendo da forma comoessa criança é estimulada e incentivada dentro do espaço escolar. Sendo importantecriar um ambiente seguro, alegre, prazeroso e dinâmico, para enriquecer as aulas eos alunos tenham a oportunidade de explorar todo o ambiente, além dos materiaisdidáticos, possibilitando a construção do conhecimento voltado para a socializaçãodos saberes, servindo também para ampliar os debates referentes ao tema.
  • 24. 32 CAPÍTULO III3. METODOLOGIA Para uma melhor compreensão do método empregado é preciso ter em menteos objetivos da pesquisa: caracterizar o ambiente físico e analisar os aspectos quecontribuem para o desenvolvimento e aprendizagem da criança de educação infantilno espaço da Escola Pequeno Príncipe, em Senhor do Bonfim - Bahia. Paraalcançar esses objetivos, definimos como ponto fundamental o paradigma qualitativoe optamos pelas estratégias expostas a seguir.3.1 O PARADIGMA DE ESTUDO Segundo Demo (2003), pesquisar é condição essencial do criar e do descobrire para pesquisar é preciso primeiro questionar, partindo de um caráter processualque corresponda ao desafio que a sociedade coloca à ciência. Desta forma nossapesquisa pode ser percebida como um viés social, que compõe parte da vida deprofessores e alunos. A diferença entre a pesquisa científica e as demais, é que nesta modalidadeusam-se métodos e técnicas voltadas para a realidade empírica e pela forma decomunicar o conhecimento obtido. Para Alves (2003, p.41) a pesquisa “é um examecuidadoso, metódico, sistemático e em profundidade, visando descobrir dados,ampliar e verificar informações existentes com o objetivo de acrescentar algo novo àrealidade investigada”. Segundo Lüdke e André (1986) para se realizar uma pesquisa é necessárioque haja uma comparação entre as informações, evidências, os dados obtidos sobreo tema proposto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele, a partir daanálise de um problema, o qual desperta o interesse do pesquisador.
  • 25. 33 Escolhemos para a nossa pesquisa a abordagem qualitativa, que estábaseada na análise de informações, sua interpretação e a partir das respostas aosquestionamentos próprios da pesquisa, esse diagnóstico permite ao pesquisadordescobrir os fenômenos e conseqüentemente compreender o seu significado eprocessos. O pesquisador busca e reúne informações sobre um determinadoproblema e analisa-os utilizando o método científico com o intuito de aumentar osconhecimentos adquiridos sobre um determinado assunto ou até mesmo descobriralgo novo. Segundo Alves (2003) em uma pesquisa qualitativa: O pesquisador procura captar a situações ou fenômenos em toda sua extensão; trata de levantar possíveis variáveis existentes e na sua interação, o verdadeiro significado da questão, daí a experiência do pesquisador ser fundamental; O pesquisador colhe informações, examina cada caso separadamente e tenta construir um quadro teórico geral. (p.56) A pesquisa qualitativa permite a relação e a familiarização do pesquisador como local de pesquisa, facilitando o contato direto com os sujeitos envolvidos. Comonos traz Ludke e André (1986), a abordagem qualitativa envolve o contato direto dopesquisador com a situação a ser estudada, enfatizando mais o processo do que oproduto, além de se preocupar em retratar a expectativa das pessoas envolvidas napesquisa.3.2 CARACTERIZAÇÃO DO LÓCUS DA PESQUISA O presente trabalho monográfico teve como lócus escolhido para odesenvolvimento da pesquisa a Escola Pequeno Príncipe, situada à Rua JoanaMaria Rocha, nº 271, Bairro Umburana, em Senhor do Bonfim-Ba. A mesma foiescolhida por ser uma escola tradicional na cidade, funcionando há dezessete anose por conta de sua clientela, ou seja, por atender crianças da educação infantil. 3.2.1 Sistema/método de ensino adotado na escola: Baseia-se nas idéiassócio-interacionistas de Vygotsky. Nesse método o indivíduo é ativo em seu próprioprocesso de desenvolvimento. É um agente histórico e modificador do seu meio,
  • 26. 34devendo ter instrumentos para o seu desenvolvimento crítico e criativo. Asatividades devem propiciar o exercício do raciocínio e ser desenvolvidas comcriatividade, pois o educador é o agente responsável pela transformação doeducando. O lado lúdico é muito explorado para fixação de conteúdo e interação daclasse. Os trabalhos são direcionados para a formação do cidadão críticointeragindo em seu meio social, possibilitando a auto expressão, a participação emgrupo, a solução de problemas e o alcance da autonomia. 3.2.2 Quadro de funcionários: O mesmo envolve: 01 Diretora, 10 professoras(sendo que oito tem nível superior e duas ainda estão cursando), 01 coordenadora(a Diretora), 02 auxiliares de classe (nas salas de educação infantil) e 01 funcionáriapara serviços gerais. 3.2.3 Quadro de alunos: O mesmo é composto por uma clientela de 260 alunosdistribuídos das séries iniciais até o 6º ano do ensino fundamental II. Ofuncionamento da escola está dividido em 02 turnos, matutino, com apenas umasala de educação infantil e no turno vespertino onde a mesma acontece em todoeste período. As salas de educação infantil são divididas do seguinte modo:- Maternalzinho: Crianças de 01 ano e meio até 02 anos;- maternal: crianças com 02 anos e meio até 03 anos e meio;- 1º período: crianças de 03 anos e meio a 04 anos e meio;- 2º período: crianças de 04 anos e meio até 05 anos e meio;- 3º período: crianças de 05 anos até 06 anos e meio.3.2.4 Características físicas da instituição: A Escola Pequeno Príncipe é umapropriedade particular, com uma área estimada em 1.000m2, formada pelo setor daadministração (constituído por 01 secretaria), setor de serviço de apoio (01 banheiropara adulto), setor pedagógico (08 salas de aula e 02 banheiros infantis) áreaexterna descoberta (01 pátio ao ar livre com exposição à natureza com 01 parqueinfantil com vários brinquedos) e área externa coberta (01 pátio coberto).
  • 27. 353.3 SUJEITOS DA PESQUISA Os sujeitos escolhidos foram as 06 professoras e 20 alunos das séries 2º e 3ºperíodos do turno vespertino de educação infantil da Escola Pequeno Príncipe. Asprofessoras têm uma faixa etária entre 22 e 35 anos de idade e entre 01 e 08 anosde profissão. Somente 01 dentre as 06 professoras escolhidas como sujeitos, aindaestá cursando o ensino superior, as demais já concluíram a graduação. Os alunostêm entre 04 a 06 anos de idade. Todos os sujeitos envolvidos na pesquisa residemna cidade de Senhor do Bonfim-BA.3.4 INSTRUMENTOS DA PESQUISA Além de visitas exploratórias à escola com o intuito de observarminuciosamente todo o espaço físico, coletar maiores dados para a caracterizaçãodo local, conhecer o funcionamento e a estrutura física da mesma, foram utilizadosos seguintes instrumentos: questionários abertos para as 06 professoras daeducação infantil, observação em toda a área da escola e mapas mentais com ascrianças de 04 a 06 anos de idade. 3.4.1 Questionário aberto: Com o objetivo de levantar informações sobre apercepção das educadoras sobre a importância do espaço escolar para odesenvolvimento e aprendizagem da criança de educação infantil. No decorrer dapesquisa optamos pelo uso de questões abertas, procurando entender e interpretara problemática apresentada, já que as questões fechadas limitam bastante o seuentrevistado. Comenta Galliano (1986) que: as questões fechadas não permitem o normal desenvolvimento da conversa, pois as perguntas são taxativas. As questões abertas fazem os entrevistados se sentirem mais felizes, pois têm mais hipóteses de mostrar suas idéias e sentem que alguém está se interessando por eles, como também promovem a continuação da conversa. (p. 53). Foi aplicado um questionário aberto com 10 perguntas às professoras sobre otema da pesquisa, onde os mesmos foram respondidos individualmente, (verformulário em apêndices).
  • 28. 36 O questionário segundo Lakatos (2006), é um instrumento de coleta de dadosconstituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas porescrito e sem a presença do entrevistador. Ainda segundo Lakatos (2006) nos dizque desta forma a professora ficará livre para responder as questões, as quais sãoanônimas, podendo usar sua própria opinião e linguagem. Não se preocupando comas respostas já que não há necessidade de identificação. 3.4.2 Observação: Foi realizada na escola 01 semana de observação, visandoà coleta de dados nos quais foram registradas todas as características físicas doambiente estudado e a utilização deste pelas crianças. O enfoque da pesquisa foidialético, pois, houve uma relação direta entre o sujeito pesquisador e o objeto noprocesso do conhecimento, características essas que foram levadas em conta paraa concretização dos objetivos propostos nesse trabalho. Segundo Lüdke e André (1986), a observação é uma técnica de coleta dedados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção dedeterminados aspectos da realidade. Assim sendo não consiste apenas em ver eouvir, mas também em examinar fatos ou ferramentas que se deseja estudar,ajudando o pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobreos quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. 3.4.3 Mapas mentais: são representações espaciais que os indivíduos têm deambientes conhecidos, direta ou indiretamente. Podem ser do espaço em que vivemcomo, por exemplo, os lugares em que moramos, trabalhamos, estudamos. Ouainda espaços construído no presente ou passado; de locais afastados ou próximos,ou ainda, formados a partir de acontecimentos sociais, culturais, históricos eeconômicos, divulgados nos meios de comunicação e revelam como o lugar é vividoe compreendido. Segundo Nogueira (2002), Os mapas mentais são representações deexperiências já vividas, são os mapas que trocamos ao longo de nossa história comos lugares já conhecidos. No mapa mental, representação do saber percebido, o
  • 29. 37lugar se apresenta tal como ele realmente é, com sua forma, histórias simbólicas econcretas cujo imaginário é reconhecido como uma forma de apreensão do lugar. Este recurso foi escolhido por acreditarmos que ele traz em sua essência umsentimento especifico definido pelas crianças e saber, por exemplo, se o espaçoocupado traz uma sensação de liberdade ou não, se os motiva, inibe ou alegra.Como nos afirma Machado (2007, p.39) “o desenho espontâneo gerado nos mapasmentais comunica uma mensagem por meio de códigos visuais, uma fonte de dadosdiferentes do modo escrito pelos questionários”. Citando ainda Machado (2007, p.39) “a decodificação de um mapa mentalexige que se vá além da informação dada sobre um conteúdo, interrogando-se sobrea forma como os indivíduos e os grupos sociais reorganizam e avaliam esseconteúdo”. Sendo assim pode-se compreender como as crianças sentem epercebem o ambiente escolar através dos mapas criados pelos mesmos. Aplicamos os mapas mentais a 20 alunos com idades entre 04 e 06 anos, 12meninas e 08 meninos das séries 2º e 3º períodos. Colocamos os mesmos àvontade na sala de aula e pedimos para os mesmos desenhar em folhas de papelofício a sua escola da mesma forma, com pátios, salas de aula, parquinho. Duranteeste período não houve interrupções ou intervenções. (ver exemplos em apêndices).
  • 30. 38 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS A presente pesquisa foi realizada na Escola Pequeno Príncipe, com as 06professoras e 20 crianças de educação infantil do turno vespertino, além deobservações realizadas diretamente no espaço físico da instituição. A referida instituição é uma propriedade particular que funcionavaanteriormente como uma chácara (Chácara Maringá). Logo percebemos que oespaço não foi construído para atender às necessidades das crianças que iriamestudar naquele local. Nesse sentido, alguns ajustes foram realizados como, porexemplo, a construção de algumas salas de aula, pinturas, construção de banheiros,rampas de acesso ao portador de necessidades especiais, além de outras reformassimilares. A análise dos dados dessa pesquisa deu-se da seguinte forma: análise daobservação do espaço escolar, análise dos questionários abertos entregue as 06professoras do turno vespertino e da análise dos mapas mentais aplicados a 20alunos das séries 2º e 3º períodos.4.1 A OBSERVAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR Durante todo o período de observação percebemos que na instituição há umespaço físico amplo e rico para a realização da prática educativa infantil como: pular,brincar, jogar e correr. As crianças exploram todo o ambiente com liberdade, tendolivre acesso a todos os brinquedos dos pátios e no período do recreio brincamsempre acompanhadas de um adulto. O recreio acontece em horários diferentes entre as turmas, de acordo com aidade dos alunos. Isso acontece para não haver tumulto na hora de usarem os
  • 31. 39brinquedos do parque (fig.10) e para que as professoras possam dar atençãoespecial para as crianças. O mesmo possui vários brinquedos como escorregadeirae balanço que proporcionam o desenvolvimento de práticas infantis, além deincentivar as crianças a criarem diversas brincadeiras. No pátio aberto tem alguns brinquedos desenhados no chão (Fig. 04), comoamarelinha para desenvolver a coordenação motora e uma pista de trânsito, paraque a criança desde cedo possa aprender sobre o Trânsito, como: para que serve ossemáforos, o que representa cada cor, a faixa de pedestre, dentre outras coisassimilares. Esses equipamentos disponibilizados no pátio servem também parapromover uma maior interação social entre as crianças já que brincam e aprendemem conjunto. O espaço ao ar livre proporciona integração com a natureza e a criançaestando em contato com árvores, areia, flores, desperta a sua curiosidade,criatividade nas atividades lúdicas. Na instituição há uma ampla área aberta comárvores que oferecem sombra para os pequeninos (Fig. 03), mas existe também umespaço importante: um pátio coberto, para abrigar as crianças durante os períodoschuvosos ou de sol intenso, (Fig. 12). Sobre um ambiente coberto capaz de trazer comodidade para as crianças,Azevedo (2002) vem nos falar que durante a organização das áreas de vivência erecreações necessitam ter espaços cobertos para serem utilizados em diaschuvosos, oferecendo flexibilidade para atividades diferenciadas. É de suma importância assegurar um espaço completo para a construção doconhecimento da criança de educação infantil para que a mesma interaja com oambiente que a cerca. Logo, as atividades diárias como a higiene, alimentação e orepouso, exigirão uma organização nas salas de aula que possuam instalaçõessanitárias, a fim de sanar as necessidades infantis. Neste sentido o ambiente daEscola Pequeno Príncipe atende esse requisito preocupando-se em promover odesenvolvimento integral da criança.
  • 32. 40 As salas de aula possuem janelas por isso são arejadas, iluminadas eaconchegantes, além das crianças poderem observar as áreas verdes facilitando aintegração com o ambiente. Todas as salas são pintadas com cores alegres e orevestimento do piso e de metade da parede é de cerâmica em excelente estado deconservação. Também foi percebido que o seu tamanho é satisfatório para aquantidade de crianças (17 crianças por sala) possibilitando a circulação, aexploração e o manuseio dos materiais existentes durante as atividades. Os móveissão dispostos de forma a não impedir a livre circulação, têm tamanho reduzido parafacilitar o uso e para as crianças pegarem os objetos desenvolvendo a suaindependência. O banheiro (Fig. 07 e 08) tem pia e vaso adaptados ao tamanho das crianças eestão em bom estado de conservação, está sempre muito limpo, pois a ajudante desala tem essa preocupação. Na escola existe um espaço muito importante chamadocarinhosamente pelas professoras de cantinho da interação (Fig. 09), o mesmoserve para proporcionar aulas de leitura, e as historinhas são contadas de umaforma muito especial e com as crianças à vontade, umas ficam sentadas e outrasaproveitam para se deitar já que na sala há algumas almofadas. Foi notado que um campinho de futebol que fica nas dependências da escolatendo acesso ao mesmo através de um portão de ferro e que seria um espaço muitoimportante para o desenvolvimento de atividades físicas infantis está inutilizável, jáque o mato tomou toda a área (Fig. 13). Esse espaço precisaria ser revisto pelaproprietária da instituição. Também foi verificado que a escola possui um alunodeficiente matriculado, mas a mesma ainda possui poucas rampas de acesso para omesmo. Seria necessário a construção de mais rampas para facilitar a sualocomoção por todo o espaço da instituição. O contato com a natureza também é um fator preponderante, favorecendoestímulos, ações e o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Além de contribuirpara inúmeros conhecimentos adquiridos com o real. Ao se pensar em espaçosonde as crianças tenham oportunidade de interagir com variados elementos e de terexperiências com novos acontecimentos, Barbosa e Horn (2001), nos diz que:
  • 33. 41 Por gosto, toque, sons e palavras, regras de uso do espaço, luzes e cores, odores (...) e ritmos de vida. Também é importante educar as crianças no sentido de observar, categorizar, escolher e propor, possibilitando-lhes interações com diversos elementos. (BARBOSA; HORN, 2001, p.73). É fundamental que a criança tenha acesso aos mais variados tipos de espaçostantos construídos pelo homem quanto naturais, é uma maneira de proporcionar àinfância condições plenas de desenvolvimento, gerando a consciência de si e doespaço a sua volta que são originados da riqueza de experiências (ELALI, 2006). Percebemos que a Escola Pequeno Príncipe, mesmo apesar de sua arquiteturanão ter sido planejada para atender às necessidades infantis, tem contribuído para odesenvolvimento infantil nos aspectos: social, motor, físico e intelectual. A mesmapossui uma ampla área que permite e estimula à liberdade de ações pelas crianças,nas variadas atividades desenvolvidas ao ar livre proporcionando maior autonomia,contribuindo para a formação social do aluno.4.2 O DISCURSO DAS PROFESSORAS Como já mencionamos anteriormente foram aplicados questionários abertoscom 10 perguntas para as 06 professoras de educação infantil do turno vespertinoda Escola Pequeno Príncipe, onde através das respostas obtidas resultaram naseguinte análise:4.2.1 Questionário aberto sobre o espaço da escola Foi perguntado para as 06 professoras sobre a importância do espaço escolarutilizado pelas crianças e como o mesmo contribui para o processo ensino-aprendizagem. A P1(1) nos respondeu: “o espaço escolar utilizado pelas criançasaqui na escola é muito apropriado e rico, facilitando a aprendizagem das mesmas”.________________(1) Para identificar os professores pesquisados utilizamos o código P seguidos de numerais.
  • 34. 42 A mesma pergunta foi respondida da seguinte forma pela P2: “esse espaço émaravilhoso, é muito importante, pois contribui para um melhor aprendizado, alémdas crianças, brincarem e terem contato com áreas verdes”. Sobre este espaço escolar utilizado pela criança Monteiro et al (1993) e Lima(1989) refletem acerca da importância do ambiente físico para a prática educativa epara a formação e o desenvolvimento da criança, destacando a estrutura social ondeele existe, o que ele reflete e suporta, e suas significâncias simbólicas, que em certamedida determinam o caráter da experiência da criança e o que ela pode apreendera partir da compreensão deste ambiente. Foi perguntado como tem que ser o espaço da escola de educação infantil paraser rico e estimulador? A P3 respondeu que: “o espaço deve oferecer segurança, ser limpo e terambientes com cores alegres tendo muitos brinquedos educativos para as crianças”. A P4 respondeu que: “um espaço escolar de educação infantil para ser rico eestimulador tem que ter material pedagógico e brinquedos adequados para ascrianças brincarem, além de oferecer segurança às mesmas”. O ambiente é um agente sempre presente na vivência humana. Sendo umespaço rico e estimulador irá promover o desenvolvimento e formação de hábitos eatitudes essenciais ao desenvolvimento da criança. As professoras de uma formageral compreendem que para um ambiente escolar ser considerado rico eestimulador ele deve oferecer segurança, possuir objetos atrativos e adequadosdisponíveis para as crianças brincarem. Carvalho e Rubiano (1996) propõem que os ambientes devem favoreceroportunidades para a criança correr, andar, subir, descer, e pular com segurança,permitindo-lhes tentar, falhar e tentar novamente. Sendo assim, o ambiente deeducação infantil deve ser bem planejado para as crianças desenvolverem domínioe controle sobre seu habitat, fornecendo instalações físicas convenientes para quesatisfaçam suas necessidades.
  • 35. 43 Foi perguntado às professoras como é a mobília das salas de aula, se éapropriada para a idade das crianças. A P5 respondeu que: “a mobília utilizada nas salas é adaptada de acordo como tamanho e a idade das crianças, todos os móveis, como cadeiras, estantes, tudo éproporcional ao tamanho dos alunos” Em relação à mobília e objetos dispostos na sala, “objetos transformados paraas crianças e a seu favor” (THIAGO, 2000, p.59) eles devem estar o mais acessíveldas crianças possível para que elas tenham facilidade em pegá-los, manuseá-los eaté guardá-los, não necessitando sempre a intervenção de um adulto para que issoocorra. Sobre a sala de aula e sua contribuição no desenvolvimento e formação dacriança foi perguntado que aspectos importantes existem dentro deste espaço, quepoderiam ser citados por elas. As respostas das professoras foram: A resposta da P3 foi: “A mobília, que é adequada ao tamanho das crianças e autilização dos materiais pedagógicos pelas crianças em sala de aula, elas aprendemmuito a cada dia”. A P6 respondeu: “Na sala a criança tem contato com o material didático, alémde poder manusear esses objetos que sempre estão ao seu alcance. A sala temuma dimensão boa, é bem organizada. Eu procuro despertar nos meus alunos a suacriatividade e cooperação”. Kramer (2002) vem nos dizer sobre a sala de aula e a sua organização que amesma tem a finalidade de viabilizar o desenvolvimento das atividades planejadaspelos professores e crianças. A organização não deve ser imóvel, novos materiaisvão substituindo os antigos e sendo reorganizados para melhor atender a essecritério. Também devemos considerar que é importante que as crianças sejamresponsáveis pela conservação da sala e dos materiais existentes na mesma.
  • 36. 44 Sobre o pátio escolar foi perguntado: Que elementos podem ser avaliadoscomo essenciais para a liberdade das ações das crianças? A P1 respondeu que: “O espaço amplo do pátio escolar, com todos osbrinquedos presentes naquele local, pode contribuir bastante para odesenvolvimento de diversas ações da criança, pois o pátio também pode serconsiderado um dos espaços mais importantes de uma escola”. Em relação à importância do pátio escolar para a criança Fedrizzi (2002) vemnos falar que ele deve ser amplo, para que acomode à criança em um ambientepropício para o seu desenvolvimento. Para que isso aconteça, o pátio escolarprecisará de elementos que atraia as crianças, como por exemplo, brinquedos,areia, grama, para assim favorecer o desenvolvimento social, cultural e intelectualdas mesmas. Perguntamos às professoras como são as áreas da escola em que as criançastêm contato com a natureza. Se esses espaços são adequados e qual a suaimportância para o desenvolvimento da criança? Resposta da P6: “O pátio aberto é favorável a seu desenvolvimento, poiscontêm árvores, plantas, e alguns bichinhos de jardim. São importantes, pois ascrianças podem sentir o ar puro e o contato com a natureza, além de brincar comliberdade”. Resposta da P1: “Esse espaço é excelente, ele é adequado e as crianças têmcontato direto com a natureza. No pátio tem muitas plantas e as crianças podem vê-las e se sentir como parte integrante da natureza. Ele serve também para despertarna criança o cuidado que precisamos ter com a natureza”. Sobre áreas em que a criança tem contato com a natureza na escola Frago eEscolano (2001), dizem que a proximidade com a natureza favorecem ações eestímulos, o jogo em liberdade, a utilização didática do entorno, a contemplaçãonatural e estética da paisagem, o ensino ativo, a expansão do espírito e dos
  • 37. 45sentimentos, o desenvolvimento moral, uma completa cobertura para alcançartambém as finalidades da educação. Através das questões respondidas pelas professoras da Escola PequenoPríncipe, compreendemos que as mesmas têm a preocupação de usar o ambienteoferecido pela escola como um recurso muito importante utilizado para estimular ascrianças. As mesmas compreendem que o ambiente escolar tem contribuído para aformação infantil sendo um terceiro educador para os pequenos, atuando sempre,mesmo de forma silenciosa, pois os espaços contribuem com os seus móveis, suascores e suas formas. Podemos perceber através das respostas das 06 professoras que as mesmaspercebem que o espaço da escola Pequeno Príncipe é de suma importância,principalmente o pátio aberto. A maioria ressaltou a liberdade que as criançasencontram quando estão fora da sala e em contato com as plantas, além dasbrincadeiras que podem ser realizadas neste espaço da escola. Por fim, através dasrespostas deste questionário aberto podemos perceber o quanto é importante oespaço voltado para educação da criança de 0 a 6 anos, devendo o mesmo serpensado e planejado para atender as necessidades infantis.4.3 ANÁLISE DOS MAPAS MENTAIS Os mapas mentais foram construídos por crianças do 2º e 3º períodos, comidades entre 04 a 06 anos, sendo 12 meninas e 08 meninos. Foi pedido quedesenhassem como é sua escola, com tudo que há na mesma. Essa análise podeser acompanhada pelas imagens dos mapas mentais nos apêndices. Através da análise dos mapas mentais, percebemos que a representação doselementos da natureza estava presente em mais da metade dos mesmos. Houveuma grande variedade de desenhos ricos em cores, com céu com arco-íris, nuvens,sol, chuva, muito verde, pássaros e com árvores e flores de diversos tamanhos eformas. Isto confirma que as representações sociais não são uma cópia do real, mas
  • 38. 46uma reconstrução individual e social (MOSCOVICI, 1960). No gráfico abaixo fizemos uma avaliação dos mapas mentais sobre osdesenhos das áreas verdes da escola. Notamos que 70% das crianças desenharamárvores e flores, 25% desenharam o céu com sol e nuvens e em 5% dos desenhosesses elementos não se fizeram presentes. Percebemos através dos traços dos desenhos que as áreas verdes (pátioaberto), foram bastante valorizadas. Daí a importância deste aspecto na escola, porser um local amplo, rico e estimulador para a criança ter contato quando está naescola. Foram poucos os desenhos em que não se notava a presença desseselementos. Os dados do gráfico 01 a seguir ilustram o que acabamos de expor: % Percentual de crianças 100 90 80 70% 70 60 50 40 30 25% 20 10 5% 0 Desenharam flores Desenharam céu Nenhum dos e árvores com sol e nuvens elementos presentes Gráfico 01: desenhos das crianças em relação a áreas verdes da escola
  • 39. 47 Em alguns desenhos das crianças, também podemos observamos a vontadede se expressar e de estarem livres no parque infantil da escola para desenvolversuas diversas brincadeiras, pois havia a representação de alguns brinquedos comoa escorregadeira e o carrossel (ver mapas 02 e 03). Além da importância desseespaço para a socialização e interação, já que desenharam crianças brincando noparque, mostrando o quanto esse aspecto precisa ser notado por parte dosprofessores para o desenvolvimento de práticas infantis neste local. Sendo assim, percebemos que em 65% dos mapas mentais houve o desenhodo parque infantil, em 25% percebeu-se a presença do parque infantil com crianças,e em 10% dos mapas não houve o desenho do parque infantil. Através dessesdesenhos notamos também que o lúdico está presente na vida das crianças e oquanto essa ferramenta torna-se indispensável no convívio escolar. Os dados do gráfico 02 a seguir ilustram o que acabamos de expor: % Percentual de crianças 100 90 80 65% 70 60 50 40 25% 30 20 10% 10 0 Presença do parque Parque infantil com Não houve desenho infantil crianças do parque infantil Gráfico 02: desenhos das crianças em relação ao parque infantil
  • 40. 48 Observando as imagens dos mapas mentais, podemos considerar que elasrevelam muitos pontos em comum. Em 45% dos mapas mentais, por exemplo, afrente da escola foi desenhada pelas crianças, havendo variações nos tamanhoscores e formas, as crianças a retratam com contorno de casa, só que não é parecidocom o real (ver mapas 04 e 06). Esses traços estão em comum nos desenhos edizem respeito a um aspecto que está marcado nas crianças. O fato de ser poraquele espaço que as crianças entram e saem da escola todos os dias demonstra oquanto a representação deste local também se faz presente em suas vidas. Outro aspecto observado foi que em 35% dos mapas as crianças desenharampequenos insetos como borboletas e besourinhos (ver mapas 01 e 05), talvez pornotarem a presença dos mesmos constantemente no ambiente da escola. Em 20%dos mapas tinham o desenho do céu com chuva. A maioria dos desenhos é rica emcores e em sintonia com todo o ambiente da escola como o parque, pátio e estruturafísica. Os dados do gráfico 03 a seguir ilustram o que acabamos de expor: % Percentual de crianças 100 90 80 70 60 45% 50 35% 40 30 20% 20 10 0 Desenharam a Desenharam Desenharam céu frente da esola pequenos insetos com chuva Gráfico 03: desenhos das crianças em relação a frente da escola
  • 41. 49 Outros aspectos também foram percebidos durante a análise dos desenhosdas crianças e estão descritos na tabela a seguir, com os elementos representadose a quantidade de mapas mentais em que foram encontrados. Tabela 01: Como as crianças vêem a escola. * Elemento representacional Quantidade Frente da escola 09 Pátio externo com árvores e 14 flores Figura humana de crianças 07 Parque infantil 13 Céu com sol e nuvens 05 Aves 04 Céu com chuva 04 Sala de aula 03 Pátio interno 01 Pequenos insetos 06 * Aspectos observados nos 20 desenhos.
  • 42. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa foi realizada na instituição educacional Pequeno Príncipe, Senhordo Bonfim-BA, com o objetivo de caracterizar e analisar os aspectos presentes noespaço físico da escola que contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem dacriança de educação infantil. O tema deste trabalho está voltado para o espaçoescolar desta instituição e sua contribuição para uma aprendizagem maissignificativa e consequentemente a uma educação de qualidade. Percebeu-se que a instituição comporta em sua estrutura um espaço amploque atende as crianças de educação infantil que ali estudam, as mesmas circulam eexploram todo o ambiente. As salas de aula são coloridas, amplas, alegres,revelando comodidade e motivação, possuindo diversos materiais ao alcance dascrianças, instigando o sentido das mesmas contribuindo para o desenvolvimento daindependência, na medida em que não necessita constantemente da intervenção deadultos para auxiliá-los no manuseio dos materiais utilizados. A escola segue filosofia sócio-interacionista de aprendizagem, onde a funçãodo professor é coordenar as atividades e orientar o aluno no seu desenvolvimento einteração com o meio físico e social. As atividades realizadas fora da sala de aulasão bastante desenvolvidas estimulando a socialização da criança através de jogose brincadeiras. O espaço da instituição é amplo beneficiando essas práticaspermitindo a criatividade e a realização de diversas criações e recriações pelascrianças. Ao apresentamos considerações que enfatizam a importância do espaço daeducação infantil, podemos notar o quanto ele deverá ser planejado para atender àsnecessidades das crianças, permitindo a livre circulação para que possam: subir,descer, brincar, pular, além de aprender coisas novas, com motivação e segurança,dando-lhe oportunidades de controlar seu próprio corpo no espaço com diversosmovimentos além de ter domínio sobre o ambiente em que está. As características físicas de um ambiente trazem mensagens simbólicas sobre
  • 43. 51os indivíduos que participam dos trabalhos realizados dentro deste espaço. Apresença da natureza na escola, por exemplo, é um aspecto de suma importância,pois em contato com ela a criança é estimulada em todos os sentidos: com cores,tamanhos, formas, aromas de flores, materiais lisos, ásperos, além de aprender,estando diretamente em contato com o objeto de estudo. Sendo assim, verificamosque em uma instituição de educação infantil deverá haver um planejamentocuidadoso com o ambiente físico, sendo parte integrante dos objetivos e finalidadesda escola, favorecendo o desenvolvimento e aprendizagem infantil. Na Escola Pequeno Príncipe apenas dois aspectos foram identificados comonegativos: o primeiro é a questão dos deficientes terem acesso aos espaços dainstituição, já que foi matriculado recentemente um aluno deficiente e a escola porestar em fase de adaptação, ainda possui poucas rampas de acesso, precisando daconstrução de mais algumas para facilitar a locomoção do mesmo. Um outro pontoque precisa ser notado pelos responsáveis pela instituição é em relação a reativaçãodo campinho de futebol para as crianças, as quais na época das observaçõesrealizadas na escola jogavam bola nos pátios, dificultando a brincadeira das criançasmenores. Entretanto apesar dos aspectos identificados como negativos foi percebidodentro da escola um ambiente rico e espaçoso, capaz de colaborar para odesenvolvimento da criança de educação infantil nos aspectos: social, motor, físico,mental e emocional. Os móveis e objetos utilizados na sala de aula utilizados são deacordo com a idade e o tamanho das crianças permitindo o manuseio. Notamos com essa pesquisa que o espaço escolar de uma instituição infantil éum agente sempre presente na vida das crianças, tornando-se indispensável umplanejamento cuidadoso sobre o mesmo, para que seja pensado e planejado paraatender as necessidades das crianças, além de ser alegre, seguro, rico eestimulador. È imprescindível que em escolas que atendam a educação infantil possuamespaços fechados que abriguem as crianças das ações do tempo, mas que tambémpossuam espaços abetos com áreas verdes para que as mesmas entrem em
  • 44. 52contato com a natureza. Precisamos compreender como é esse espaço voltado paraa formação da criança de 0 a 6 anos, respeitando todas as suas necessidades,devendo ser pensado e organizado de acordo com a faixa etária das crianças, bemcomo o mobiliário e os banheiros ser adaptados à idade e tamanho dos pequeninos,sendo planejado para atender às necessidades individuais e coletivas das crianças. Esta pesquisa é relevante, pois nos faz refletir sobre o espaço escolar e suaorganização nos proporcionando uma melhor visão a respeito destes ambientes deeducação infantil. Sendo necessário ainda reforçar que os aspectos aquimencionados sobre os espaços voltados para a educação infantil são essenciaispara a construção de uma proposta que contribua decisivamente para odesenvolvimento, aprendizagem e consequentemente melhor qualidade de vida paraas crianças.
  • 45. 53 REFERÊNCIASALVES, Magda. Como escrever teses e monografia (um roteiro passo a passo)5ª reimpressão: Rio de janeiro: Elsevier, 2003.ANTUNES, Celso. Educação Infantil: prioridade imprescindível. Editora Vozes.Petrópolis, RJ, 2004.çççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççççASSIS, Orly Z.M. de e ASSIS, Mércio C. de. PROEPE: Fundamentos Teóricos. 2ºed. São Paulo: UNICAMP/FE/LPG, 1999.AZEVEDO, G. A. N. Arquitetura Escolar e Educação: um modelo conceitual deabordagem interacionista. (Tese de Doutorado) Rio de Janeiro: COPPE /Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002.BARBOSA, M. C. S.; HORN, M. G. S. Organização do espaço e do tempo naescola infantil. In: CRAIDY, C.; KAERCHER, G. E. (Orgs.). Educação Infantil: praque te quero? Porto Alegre: ArtMed, 2001.BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil.Salvador : EGDA, 1988.BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacionalpara Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 1998.BRASIL, Lei nº 10.172, 09 de janeiro de 2001. Plano Nacional de Educação.Repubica Federativa do Brasil, Poder Legislastivo, Brasilia, DF, 10 jan. 2001.BRASIL, Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional. Repubica Federativa do Brasil, Poder Legislastivo, Brasilia,DF, 21 de dez. 1996.BRONFENBRENNER, U. A Ecologia do desenvolvimento humano:experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas. 1996.CAMPOS, M.M.; HADDAD, L. Educação infantil: crescendo e aparecendo.Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 80, p. 11-20, fev. 1992.
  • 46. 54CARVALHO, Lúcia. Escolas, espaços e pessoas. São Paulo: CEDAC, 2002.CARVALHO, Mara I. Campos; RUBIANO. Márcia. Bonaganda. O espaço físicoescolar. in: OLIVEIRA, Zilma Moraes Ramos de. Educação Infantil: Muitosolhares. São Paulo: Cortez, 1996.CRAIDY, Carmem e KAERCHER, Gladis E. Educação Infantil: Pra que te quero?Porto Alegre: Artmed, 2001.DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo, 10. ed. – São Paulo:Cortez,2003.ELALI, G. V. M. A. O ambiente da escola - o ambiente na escola: uma discussãosobre a relação escola-natureza em educação infantil. Estudos de Psicologia(Natal), Natal, RN, v. 8 (2), n. 1, p. 309-319, 2003.FARIA Ana Lúcia G. de. O espaço físico como um dos elementos fundamentaispara uma pedagogia da educação infantil. In: FARIA, Ana Lúcia G. de;PALHARES, Marina S. (orgs.). Educação Infantil pós-LDB: rumos e desafios.Campinas, SP: Autores Associados - FE/UNICAMP, São Carlos, SP: Editora daUFSCar, Florianópolis: Editora da UFSC, p. 67-98, 1999.FRAGO, Antonio Vinão; ESCOLANO, A. Currículo, espaço e subjetividade: aarquitetura como programa. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.FEDRIZZI, B. A organização espacial em pátios escolares grandes e pequenos.In V. Del Rio, C. R. Duarte & P. A. Rheingantz (Orgs.), Projeto do lugar: colaboraçãoentre Psicologia, Arquitetura e Urbanismo (pp. 221-229). Rio de Janeiro: ContraCapa/ PROARQ. 2002.GADOTTI, Moacir. Comunicação docente. 3ª edição. São Paulo: Edições Loyola:1985.GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra,1986.KRAMER, Sonia. As crianças de 0 a 6 anos nas políticas educacionais noBrasil: educação infantil e/é fundamental. Educ. Soc. , Campinas, v. 27, n.96, 2006. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?Script=sci_arttext&pid=S0101-
  • 47. 5573302006000300009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 Mar 2008. doi:10.1590/S0101-73302006000300009KRAMER, Sônia. Com a pré-escola nas mãos. Ed. Ática, 14ª ed. São Paulo, 2002.KRAMER, Sonia. Papel social (específico) da escola pública. Congressocomemorativo dos 50 anos de Educação Pré-Escola da Rede Municipal de Ensino.São Paulo, 1995.LIEMPD, I. V. Playgrounds of childcare centers: How to determine their qualityBulletin of People-Environment Studies, 1999..LIMA, Lauro de Oliveira. Uma escola secundária popular. Imprensa Universitáriado Ceará, 2004.LUDKE, M. e ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagensqualitativas. São Paulo: EPU, 1986.MACHADO, Paulo Batista. Espaços, mapas mentais, representações sociais eprática docente na Educação do campo. Senhor do Bonfim-Ba: Eduneb, 2007.MACHADO, Maria Lúcia A. Pré-Escola é não é escola: A busca de um caminho.Paz e Terra. Rio de Janeiro, 1991.MARCONI, M. de A. e LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. 6ª ed. Editora Atlas,São Paulo, 2006.MARTINS, Josemar da Silva & LIMA, Aurilene Rodrigues. Educação com o pé nochão do sertão: proposta político pedagógica para as escolas municipais deCuraçá-Ba; secretaria Municipal de Educação, 2001.MOSCOVICI, S. La Psychanalyse, son image, son public. Paris: PUF, 1961.MOSS, P&P. Petrie. From Children’s service to children’s Space: public policy,children and childhood. London: Routledge/Falmer. 2002.
  • 48. 56NOGUEIRA, Amélia Regina Batista. Mapa mental: recurso didático para o estudodo lugar In: PONTUSCHKA, Nídia Nacib. Geografia em Perspectiva. São Paulo:Contexto, 2002.OLIVEIRA, Zilma Moraes Ramos de. Educação infantil: muitos olhares. 5ª ed.São Paulo: Cortez, 2001OLIVEIRA, Marta Kohl. Pensar a educação. Contribuições de Vygotsky. INCASTORINA, novas contribuições para o debate. 6ª edição, Cap. 2 p. 51-84. SãoPaulo: Ática, 2002.PINTO, Maria Raquel B. Tempo e espaço escolares: o (des) confinamento dainfância. IN: QUINTEIRO, Jucirema; CARVALHO, Diana C. de (orgs). Participar,brincar e aprender: exercitando os direitos da criança na escola. Araraquara,SP: /Junqueira&Marin; Brasília,DF:CAPES,2007.REIMER, Everett. A escola está morta: alternativas em educação; Tradução deTony Thompson. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.RIZZO, Gilda. Creche: organização, currículo, montagem e funcionamento. 3.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.ROSSINI, Maria Augusta Sanches. Aprender tem que ser gostoso. Petrópolis, RJ:vozes, 2003.SANTOS, Milton. Da totalidade ao lugar. São Paulo: Universidade de São Paulo,2005.SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo, Nobel, 1985.SOMMER, R. Espaço Pessoal. São Paulo: EPU. 1973.THIAGO, L. P. S. Espaço que dê espaço. In: OSTETTO, L. E. (Org.). Encontros eencantamentos na Educação Infantil. Campinas: Papirus, 2000.TORRES, Rosa Maria. Inteligência de missões e expectativas; Pátio RevistaPedagógica, 2005 / Ano 10.
  • 49. 57WAJSKOP, G; ABRAMOWICZ, A. Os espaços físicos. In: Creches: atividadespara crianças de zero a seis anos. São Paulo: Moderna, 1995.WINNICOTT, Donald Woods. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan,1982.ZABALA, Antoni. A pratica Educativa: como ensinar? Porto Alegre, RS. Artesmédicas, 1998.
  • 50. 58 Apêndice A UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIICara senhora:Entendendo que o espaço está continuamente presente em nossas vidas e a suaimportância quando destinado e utilizado pelas crianças de educação infantil,traçamos um roteiro de perguntas que irá nos permitir ter uma maior compreensãodo que pensam os educadores de educação infantil sobre este ambiente que éespecialmente separado a este público.O levantamento destes dados após analisados fará parte da pesquisa que estásendo desenvolvida para elaboração da monografia intitulada: Educação infantil: ainfluência do espaço físico escolar no desenvolvimento e aprendizagem da criança.Conto com sua cooperação para a construção deste trabalho e agradeço peladisponibilidade. Por uma questão de ética será mantido sigilo sobre todas asrespostas apresentadas neste questionário. Sua colaboração será de grandeimportância, pois resultará em resposta para uma comunidade científica einteressada.Questionário:Bloco I: PerfilSexo:( ) Feminino
  • 51. 59( ) MasculinoIdade:( ) 18 a 25 anos ( ) 31 a 35 anos( ) 26 a 30 anos ( ) 36 a 40 anosAnos de profissão:( ) 5 a 10 anos ( ) 16 a 20 anos( )11 a 15 anos ( ) 20 A 25 anosGrau de Instrução:( ) Ensino Médio( ) Ensino Superior Incompleto( ) Ensino superior CompletoSérie que ensina: _____________________________Idade das crianças: ____________________________Bloco II: Questionário 1- Para você qual a importância deste espaço escolar utilizado pelas crianças e como ele pode contribuir para o processo ensino-aprendizagem? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _____________________________________________
  • 52. 602- Como tem que ser o espaço da escola de educação infantil para que seja ricoe estimulador?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3- Quais aspectos percebidos por você dentro do espaço da sala de aula, sãoconsiderados relevantes para o desenvolvimento e aprendizagem da criança?Dimensões e divisões no ambiente, mobília, matérias pedagógicos?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4- Que elementos encontrados nos pátios (aberto e fechado) são consideradosessenciais para a liberdade das ações das crianças?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5- Como é a mobília utilizada na sala de aula? Ela é apropriada para ascrianças?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6- Os objetos dispostos nos móveis da sala de aula são de fácil acesso para ascrianças? Como acontece essa ordenação dos objetos?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7- As crianças participam de alguma forma da organização deste espaço oumesmo da ordenação e disposição de algum móvel? Onde? Por quê?
  • 53. 61_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________8- Como são as áreas da escola em que a criança tem contato direto com anatureza? Você os considera adequados? Qual a importância destes espaçospara o desenvolvimento e aprendizagem da criança?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9- Para você qual é o espaço de maior importância dentro da escola deeducação infantil? Por quê?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________10- O espaço escolar possibilita que as crianças se lancem de maneira livre emsuas ações criativas? Como?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 54. 62 Apêndice BFrente da escola Figura 01 - Frente da escola Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Figura 02 – Pátio pavimentado na entrada da escola Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 55. 63 Pátio Externo Figura 03 – Pátio com Área verdeFonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Figura 04 - Pátio com desenhos de brinquedos no chão (pista de trânsito e amarelinha) Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 56. 64Salas de aula Figura 05 - sala de aula Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Figura 06 - Sala de aula Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 57. 65 Banheiro com vaso e pia adaptados Figura 07 – BanheiroFonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Figura 08 - Banheiro Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 58. 66 Cantinho de interação Figura 09 - Cantinho de interação Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Parque infantil Figura 10 - Parque infantil Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Figura 11 – Pátio aberto com balançoFonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 59. 67 Pátio coberto Figura 12 – Pátio cobertoFonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010). Campinho de futebol (desativado) Figura 13 - Campinho de futebol (desativado) Fonte: Rita Raimunda S. Fernandes (Fevereiro/ 2010).
  • 60. 68 Apêndice CMapa mental 01
  • 61. 69Mapa mental 02
  • 62. 70Mapa mental 03
  • 63. 71Mapa mental 04
  • 64. 72Mapa mental 05
  • 65. 73Mapa mental 06