Monografia Eliciene Pedagogia 2012
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Pedagogia 2012

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Monografia Eliciene Pedagogia 2012 Monografia Eliciene Pedagogia 2012 Document Transcript

  • 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSLITERATURA INFANTIL: MERO PASSATEMPO OU INSTRUMENTO DE APRENDIZAGEM ELICIENE TRINDADE DOS SANTOS SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  • 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSLITERATURA INFANTIL: MERO PASSATEMPO OU INSTRUMENTO DE APRENDIZAGEM ELICIENE TRINDADE DOS SANTOS Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão dos Processos Educativos. Orientadora: Prof.ª Msc. Rita Braz Conceição Melo SENHOR DO BONFIM - BA 2012
  • 3 ELICIENE TRINDADE DOS SANTOSLITERATURA INFANTIL: MERO PASSATEMPO OU INSTRUMENTO DE APRENDIZAGEM? Aprovada em: ____/____/_____ __________________________________ Orientadora __________________________________ Avaliador(a) __________________________________ Avaliador(a)
  • 4Ser feliz é acreditar em Deus. É serresiliente diante dos problemas, éacreditar em dias melhores, é ser autore não expectador da própria história. Éagradecer a Deus a cada manhã pelomilagre da vida e por pessoasmaravilhosas que fazem parte denossas vidas. À minha mãe e amigaFlorentina Trindade dos Santos, meuexemplo de coragem, luta e paciência,aos demais familiares e a todos osamigos que de certa formacolaboraram pela conclusão destetrabalho.
  • 5 AGRADECIMENTOS À Universidade do Estado da Bahia – UNEB - Departamento de Educação -Campus VII – Senhor do Bonfim – Ba, direção, funcionários e aos professores pornos proporcionarem momentos de interação, aprendizado, contribuindo para o nossocrescimento acadêmico. À professora, orientadora, Rita Braz, pelo exemplo de profissionalismo,empenho, amizade, e ensinamentos compartilhados durante o desenvolvimentodessa pesquisa. As professoras e direção do Centro Educacional Edneílda Marques pelacolaboração, e espaço cedido durante a elaboração deste trabalho.
  • 6“A literatura infantil é, antes de tudo, literatura, ou melhor,é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo,o homem a vida, através da palavra. Funde os sonhos ea vida prática, o imaginário e o real, os ideais e suapossível/impossível realização”. Nelly Novaes Coelho
  • 7 ABSTRACTRecently, discussions involving the Childrens Literature have been intensifying. Debates inacademia and in other spaces, indicate the need to present it not only as a vehicle forexpression of culture, or ideology, but as a mediator of the teaching-learning process. Thismonograph highlights the relevance of this research whose theme is: Childrens Literature:Mero hobby or a learning tool? Aiming to investigate the contribution of literature and child inthe education of children from Early Childhood Teacher Education Center Edneílda Marques.For realization of this research were made based on theoretical discussions Abromovich(1997), Aries (1978), Bettelhem (1980), Rabbit (2002, 2003), Kramer (2001), (1993), Sisto(2007), and others. This paper begins with a brief history of the Childrens Literature, focuseson the importance of listening to stories and contact the child early in the book, outliningsome strategies to develop the reading habit, and also highlights the literature as a way toopen paths for student learning in this context this research is supported / based on aqualitative methodology, whose instruments of data collection were the questionnaireenclosed, open questionnaire participant observation as a locus with the school EducationalCenter and Professor Marques Edneílda subjects, five teachers early childhood education.Finally some conclusions, without the slightest pretension of exhausting discussions on thesubject, a few comments aimed at the need to resize the training of teacher, influence agentcontinuing education proposal will revitalize the practice of including the Childrens Literatureas an educational tool.Keywords: Childrens Literature, Children, Early Childhood Education
  • 8 RESUMORecentemente, discussões envolvendo a Literatura Infantil vêm se intensificando. Debatesno meio acadêmico e em outros espaços, sinalizam a necessidade de apresentá-la não sócomo veículo de manifestação de cultura, ou de ideologia, mas como elemento mediadordo processo ensino-aprendizagem. Este trabalho monográfico evidencia a relevância destapesquisa cuja temática é: Literatura Infantil: Mero passatempo ou um instrumento deaprendizagem? Tendo como objetivo investigar a contribuição da literatura-infantil naformação da criança da Educação Infantil do Centro Educacional Professora EdneíldaMarques. Para efetivação desta pesquisa foram realizadas discussões teóricasfundamentadas em Abromovich (1997), Aries, (1978), Bettelhem (1980), Coelho (2002,2003), Kramer (2001), (1993), Sisto (2007), e outros. O presente trabalho inicia com umbreve histórico sobre a Literatura Infantil, enfoca a importância de ouvir histórias e docontato da criança desde cedo com o livro, esboçando algumas estratégias paradesenvolver o hábito de leitura, além de evidenciar a literatura como forma de abrircaminhos para a aprendizagem dos alunos Nesse contexto esta investigação ésustentada/fundamentada numa metodologia de cunho qualitativo, cujos instrumentos decoleta de dados foram , o questionário fechado, questionário aberto observação participantetendo como lócus a escola Centro Educacional Professora Edneílda Marques e sujeitos,cinco professoras da educação infantil. Finalmente as considerações finais, sem a menorpretensão de esgotar as discussões sobre o tema, alguns comentários visando ànecessidade de redimensionar a formação do pedagogo, influenciar agente da educaçãodando continuidade á proposta de revitalização da prática de incluir a Literatura Infantilcomo instrumento pedagógico.Palavras-chave: Literatura Infantil, Criança, Educação Infantil.
  • 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................................10CAPÍTULO I.................................................................................................................121. UMA VIAGEM AO MUNDO DA INFÂNCIA PARA COMPREENDER OPROBLEMA.................................................................................................................12CAPÍTULO II................................................................................................................152. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..............................................................................15 2.1 Educação Infantil: Reflexões......................................................................................15 2.2 Literatura Infantil: conceitos, origens e características...............................................16 2.2.1 A importância de ouvir e contar história..............................................................19 2.2.2 A formação de alunos leitores .......................................................................20 2.3 A relação criança X literatura ....................................................................................22 2.3.1 Os processos educativos na infância....................................................................25CAPÍTULO III...............................................................................................................273. METODOLOGIA......................................................................................................27 3.1 Paradigma da pesquisa ..............................................................................................27 3.2 Sujeitos........................................................................................................................28 3.3 Lócus de pesquisa.......................................................................................................28 3.4 Instrumentos de coleta de dados.................................................................................29 3.4.1.2 Questionário fechado........................................................................................30 3.4.1.3 Questionário aberto...........................................................................................31CAPÍTULO IV..............................................................................................................334. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS.........................................................33 4.1 Perfil dos sujeitos .......................................................................................................33 4.1.2 Gênero .................................................................................................................34 4.1.3 Formação..............................................................................................................34 4.1.4 Rede de ensino em que atua.................................................................................35 4.1.5 Renda salarial ....................................................................................................36 4.2 Análise do questionário aberto....................................................................................36 4.2.1 A importância de trabalhar a literatura infantil na sala de aula............................36 4.2.2 Freqüência em que a literatura é trabalhada em sala de aula ..............................38 4.2.3 Quanto ao hábito de leitura do professor ............................................................39 4.2.4 Compreensão sobre a relação Literatura infantil X leitura .................................41 4.2.5 Sobre a reação que provoca nos alunos: .............................................................42 4.2.6 Finalidade atribuída à literatura infantil na sala de aula......................................445. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................47 REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 49
  • 10 INTRODUÇÃO Nos últimos anos a literatura infantil tem sido motivo de muita discussão.Entendemos que quanto mais cedo oferecer à criança a oportunidade de estarinserida num ambiente onde houver livros de literatura infantil, ela desenvolverá umavisão de mundo que contribuirá no seu desenvolvimento. Oliveira (1996, p. 27)afirma que: A literatura infantil deveria estar presente na vida da criança como está o leite em sua mamadeira. Ambos contribuem para o seu desenvolvimento. Um para o desenvolvimento biológico e o outro, para o desenvolvimento psicológico, nas suas dimensões afetivas e intelectuais. A literatura infantil é um fenômeno literário, um veículo de idéias, muitasvezes utilizado dentro do contexto escolar. Ela possui um envolvimento aos valoressociais e culturais. Isto justifica vários profissionais de diferentes vertentes doconhecimento humano, tentar através da sua análise, encontrar subsídios para osfenômenos de maturação para seu engajamento na sala de aula. Literatura é arte e, como tal, as relações de aprendizagem e vivências que se estabelecem entre ela e o indivíduo, são fundamentais para que este alcance sua formação integral (sua consciência do eu + o outro + o mundo em harmonia dinâmica). (COELHO, 2003, p. 8-9). A literatura infantil tem na sociedade uma tarefa de transformação,desenvolvendo o papel de agente de formação, a partir do envolvimento do leitorcom o livro e nas atividades literárias desenvolvidas na escola. No entanto, ela dáconta de situações voltada à cultura, de conhecimento do mundo e do ser. Este trabalho monográfico cujo tema é Literatura Infantil: Mero passatempo ouinstrumento de aprendizagem? Foi concretizado no decorrer do curso de Pedagogiasendo fortalecido durante o componente curricular voltado ao tema que deu enfoque
  • 11à pesquisa. Teve como objetivo investigar a importância da literatura infantil naformação das crianças da Educação Infantil do Centro Educacional ProfessoraEdneílda Marques. Assim o desenvolvimento deste trabalho está distribuído a partir de reflexõesque aqui se apresentam na seguinte ordem: Capítulo I - Traz a problemática do tema proposto, discutindo sobre aliteratura infantil, partindo de sua trajetória ao longo dos tempos e traçando ocaminho necessário para evidenciar o nosso problema. Capítulo II - Discute o referencial teórico abordando os conceitos-chave quefundamentam a pesquisa, fazendo um panorama sobre a literatura infantil, suasorigens e características, enfocando os contos de fadas e seus personagens,analisando a criança, a importância de ouvir história adentrando no processoeducativo na infância, tendo como palavras-chave: Literatura Infantil, Criança eEducação Infantil. Capítulo III - Traz reflexões metodológicas que nortearam a base quefundamentou a pesquisa, explicitando todos os procedimentos desenvolvidos nainvestigação. Procurando conhecer e interpretar a problemática apresentada, foiutilizado como instrumento de coleta de dados: questionário fechado, questionárioaberto e observação participante. Capítulo IV - Apresenta a análise dos dados, fazendo um paralelo com oreferencial teórico e a realidade investigada. Por fim, as considerações conclusivas pontuando e refletindo descobertasatribuídas ao percurso investigativo.
  • 12 CAPÍTULO I1. UMA VIAGEM AO MUNDO DA INFÂNCIA PARA COMPREENDER O PROBLEMA È notório as transformações ocorridas nesses últimos tempos na educaçãobrasileira, mudanças na legislação, na nomenclatura das modalidades educacionais,nas concepções. Há uma necessidade de procurar alternativas educacionais quetransforme a aprendizagem num repertório eficiente e interessante. Neste contexto,a literatura Infantil adentrou com a necessidade de ser descoberta pelos educadorescomo uma alternativa e ferramenta metodológica prazerosa na construção doconhecimento. A partir do encontro do homem com os livros, ele enriquece sua visão demundo. Portanto, a literatura oportuniza um conhecimento não só cultural, masideológico. Durante o século XVII, a época em que algumas mudanças ocorreramna estrutura de sociedade, tanto no espaço artístico, como no aspecto social,literatura constitui-se como gênero. A literatura nasceu na antiga Grécia. Chamava-se poesia e existia apenas para divertir a nobreza. Os dois poemas mais importantes daquela época eram llíada e Odisséia, que contavam as origens da nação helênica, além de outras coisas referentes ao modelo político adotado na antiguidade que mostrava à população normas de comportamento. (ZILBERMAN, 1999, p.12). Antigamente, as crianças viviam igualmente com os adultos, não haviaseparação, ou seja, não tinha uma visão de infância, portanto não se escrevia paracrianças. Segundo Cunha (1993) a partir do século XVIII, ocorreu também umamudança quanto ao contexto infantil. As crianças então passaram a ser tratadasdiferencialmente dos adultos, recebendo, portanto, tratamento de acordo com a suafaixa etária e faculdade mental. Desde então se começou a pensar e criar formas ,
  • 13modelos educacionais, métodos pedagógicos onde a literatura infantil surgiu comcaracterísticas próprias. Surgiu então a literatura infantil: O início da literatura infantil pode ser marcado com Perrault, entre os anos de 1628 e 1703, com os livros "Mãe Gansa", "O Barba Azul", "Cinderela", "A Gata Borralheira", "O Gato de Botas" e outros. Depois disso, apareceram os seguintes escritores: Andersen, Collodi, Irmãos Grimm, Lewis Carrol, Bush. No Brasil, a literatura infantil pode ser marcada com o livro de Andersen "O Patinho Feio", no século XX. Após surgiu Monteiro Lobato, com seus primeiros livros “Narizinho Arrebitados” e mais adiante, muitos outros que até hoje cativam milhares de crianças, despertando o gosto e o prazer de ler (CADEMARTORI, 1994, p. 79-80). Aqui no Brasil, a história da literatura infantil tem passado há alguns anos, pormodificações, com linguagens e lustrações que devem ser apropriadas às criançasque transmitem mensagens planejadas carregada por parte do autor. SegundoBettelhem (1980, p.27): A literatura infantil é indicada para ajudar as crianças a encontrar um significado na vida, pois desenvolve o intelecto, harmoniza-se com suas ansiedades e torna claras suas emoções, são enriquecedores ajuda a auxiliar o raciocínio das pessoas. Hoje sabemos que a literatura é um caminho que leva a criança a desenvolvera imaginação, emoção, alegria e encantamento de forma significativa. Suaparticipação na escola, lócus formal de acesso á iniciação de conhecimentosespecializados, onde a literatura pode ser inserida como instrumento metodológicoimportante, pois permite às crianças resolverem seus problemas psicológicos demodo simbólico adquirindo maturidade. Literatura é arte, literatura é prazer... Que a escola encape esse lado. É precisar e isso inclui criticar... Se ler for mais uma lição de casa a gente bem sabe que é que dá... Cobrança nunca foi passaporte ou a aval pra vontade e descoberta ou pro crescimento de ninguém. (ABRAMOVICH 1995, p.148).
  • 14 Sabendo que a escola precisa ter como finalidade o desenvolvimento integralda criança, levando em conta o seu aspecto físico, psicológico, intelectual e social,Petry (1990) afirma que a literatura infantil é a expressão literária com valores ecaracterísticas que se ajustam ao desenvolvimento intelectual, criativo e psicológicoda criança, ou seja, são obras que desenvolvem potencialidades. É necessárioexplicitar que através da literatura a criança desenvolve sua capacidade de emoção,admiração, compreensão do ser humano e do mundo, compreendendo osproblemas alheios e dos seus próprios. A escola tem responsabilidade de fazer os momentos de leitura dasliteraturas infantis a possibilidade de abrir novos e belos caminhos para umacompreensão de mundo. É poder sorrir, gargalhar com as situações vividas pelospersonagens com idéia do conto ou com o jeito de escrever do autor, é ummomento de humor, de brincadeira, divertimento, entretanto, percebemos adeficiência de muitas escolas ao utilizar a literatura como prática pedagógica. Assim, buscando então, compreender a literatura infantil utilizada comoinstrumento didático que poderá dar suporte ao professor na prática educativa, estapesquisa foi norteada pela seguinte questão: Qual a contribuição da literatura-infantil na formação da criança da Educação Infantil? Sendo assim, objetivamosinvestigar a contribuição da literatura-infantil na formação da criança da EducaçãoInfantil do Centro Educacional Professora Edneílda Marques. Essas indagações que norteiam a pesquisa nos fazem perceber que estetrabalho monográfico é relevante, pois permite repensar conhecimentospedagógicos, que poderá contribuir para uma reflexão com os professores queestejam articulando a literatura infantil como prática pedagógica no processo deconstrução do conhecimento como também compreender a literatura infantil noprocesso social do desenvolvimento psicológico, cognitivo e afetivo da criança.
  • 15 CAPÍTULO II2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Trataremos aqui do referencial teórico da pesquisa, que é de fundamentalimportância nesta análise, para compreensão da problemática que nos propomosinvestigar. Diante dessa perspectiva, estaremos aprofundando os conceitos quenortearam nossa pesquisa.Palavras-chave: Literatura-infantil, Criança, Educação Infantil.2.1 Educação Infantil: Reflexões A educação infantil é o ensino voltado às crianças é também o espaço emque a mesma entra em contato propriamente dito com a literatura como instrumentoauxiliador no processo de aprendizagem, como reforça Aguiar (2001): “(...) devemosadmitir que o primeiro encontro da criança brasileira com a produção literária équase sempre na esfera escolar, por isso procuramos oferecer subsídios aoseducadores que atentam para singularidade desse produto cultural’’ (p.158). Rousseau (1712-1772) teve muita colaboração com suas ideias que muitoinfluenciaram na educação infantil. Luzuriaga (1988) vem afirmar que através deRousseau a educação infantil obteve grande avanço, a criança começou a sertratada não mais como a miniatura do homem, mas como alguém que possui seupróprio universo. Procuram sempre o homem no menino, sem cuidar no que ele é antes de ser homem. Cumpre, pois estudar o menino. Não se conhece a infância;
  • 16 com as falsas idéias que se tem dela, quanto mais longe vão mais se extraviam. A infância tem maneiras de ver, pensar e sentir, que lhes são próprias. (ROUSSEAU APUD LUZURIAGA, 1988.p. 106). Essa forma de ver a infância teve início nos modernistas e educadores queviviam a frente da educação até o século XX. Houve interesses psicológicos epreocupações morais em prol das crianças como seres destinados à escola. Sobreesta temática Kramer (1992) informa: Foi criada a primeira creche popular para filhos de operários: 1909, inaugurando o jardim de infância Campos Sales no Rio de Janeiro. Em 1919, o Departamento da Criança do Brasil de 1920 foi reconhecido como utilidade pública. (p. 49) A Lei 9.394/96 inaugura um novo olhar quando nos diz no artigo 29: “aeducação básica infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criançaaté seis anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social”. Aipercebe-se pela primeira vez, pelo menos legalmente, uma preocupação com acriança enquanto cidadã construtora de conhecimento e ser que faz parte de umcontexto social.2.2 Literatura Infantil: conceitos, origens e características O título literatura infantil engloba modalidades bem variadas de textos: desdeos contos de fadas, fábulas, contos maravilhosos, lendas, histórias do cotidiano...Até biografias romanceadas, romances históricos, literatura documental ouinformativa. Isto vem facilitar sua utilização nas mais variadas formas. O homem responsável pelo surgimento da literatura Infantil ao sentirnecessidade de transmitir acontecimentos e ideias, utilizou na ficção uma
  • 17oportunidade de divulgar a herança cultural, desenvolvida pela humanidade criandoum elo entre a Literatura e a oralidade. É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve... (ABRAMOVICH, 1997, p. 17) Assim, a partir da tradução oral surgiu então a literatura. Como podemosobservar suas fontes e origens se fundamentam no folclore, com lendas, mitos,narrativas e exemplares. A partir da valorização social da criança essas narrativasforam contadas, com o intuito formativo. Os textos de literatura Infantil fazem partedo patrimônio cultural da humanidade. Além do valor histórico, abordam problemasuniversais e do cotidiano, histórias conhecidas pelas crianças desde muitopequenas, contadas pelos familiares. Existem vários conceitos em relação à literatura, dentre eles, como foirequerido por cunha de que “(...) Literatura Infantil são livros que tem a capacidadede provocar emoção o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e ointeresse da criançada.” (APUD, ALVES, 2003, p.26). Devido às mudanças que ocorreram ao longo da história, a literatura infantilapresentou alterações. Nas sociedades primitivas as crianças aprendiam apenas oque seus pais determinavam e passavam para elas: A menina mantinha asemelhança da mãe enquanto o menino a semelhança do pai. Na época clássica (Grécia e Roma) as crianças eram educadas com o intuitode servir ao Estado ou a sociedade, geralmente o menino tornava-se guerreiro. Jáno período medieval, a literatura tem um crescimento reunindo lendas e contosfolclóricos. Entende-se que a criança possui um conhecimento antes mesmo deiniciar a vida escolar, isto significa que ela não ingressa com uma “tabula rasa” ela édotada de saberes prévios, e em relação a Literatura Infantil não é diferente, pois amesma há muito tempo já existia e era contada pelos anciãos com o objetivo deensinar valores éticos e culturais.
  • 18 A Literatura Infantil antes mesmo da leitura e da escrita contribui nodesenvolvimento, a partir também nas cantigas de ninar e no ouvir histórias infantis.Abramovich (1997, p.16 e 17) vem concordar que o primeiro contato de uma criançacom a Literatura ocorre “a partir da voz da mãe, do pai, dos avôs contando contos defadas, trechos da bíblia, histórias inventadas (tendo a criança como personagens),livros atuais e curtinhos, poemas sonoros e outros mais”. Cashdan (2000, p. 291), comenta que “a literatura infantil representam umajanela especial que se abre para a vida emocional das crianças, e que o impacto queestes têm sobre os adultos, vem da influencia que tiveram quando eram crianças”.Podemos perceber que para ele, a literatura infantil é mais do que aventurasmágicas que exercitam a imaginação. Segundo Coelho (2002): As narrativas surgidas em diferentes regiões foram guardadas na memória do ser humano e contadas de um para outro, levado por peregrinos ou viajantes. Que foram encantando homens e crianças de todos os lugares do mundo ensinando o bem, repudiando o mal e valorizando o sonho a fantasia, o imaginário. Estes contos foram se transformando, de uma região para outra, de acordo com as mudanças de costumes, da vida dos lugares e dos ideais ambicionados pelos diferentes povos. (p.22) A literatura Infantil abriu portas para o mundo, e para aqueles que esperam odesenvolvimento das próprias crianças, onde a sociedade exige que a criança reflitasobre a realidade construindo na busca da formação de opiniões e conceitos, quequestionem a situação em que se vive. A Literatura Infantil amplia possibilidade para a criança perceber o mundo, bemcomo no contato com as histórias, a criança constrói seu conhecimento através detextos literários na sala de aula. Nesse caso, a literatura infantil torna-se uma formade aprendizado influenciadora na formação. Assim, a importância da literaturainfantil no contexto escolar enfoca seu grande papel no desenvolvimento da criança,e a necessidade de envolvê-la na sala de aula, além da valorização desta formaliterária como caminho para a compreensão de mundo.
  • 192.2.1 A importância de ouvir e contar história Quando as histórias são trabalhadas em sala de aula as crianças vão seidentificando com os personagens e passam todos os conflitos, alegrias, medos etristezas com aqueles que os vivem na história, passa então a se envolver de talforma e a viver e agir como se fossem um dos personagens. A Literatura Infantil sempre foi um dos elementos mais importantes destinadaàs crianças. Tratando de histórias que envolvem o imaginário, trazendo enredos comelementos que estão envolvidos na realidade infantil, mostrando que as lutas e asdescobertas não acontecem da noite para o dia. Os personagens passam pelasmais diversas provas e eles mesmos têm que realizá-las. Abramovich (1997): Ao ler uma história a criança também desenvolve todo potencial critico. A partir daí ela pode pensar, duvidar, se perguntar, questionar... Pode se sentir inquieta, cutucada, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de opinião. (p.143) Deste modo, ao ouvir histórias, as crianças têm o enriquecimento emocional eintelectual que deve ser percebido pelos professores, para que estes venham nahora do conto explorar a criatividade e favorecer o desenvolvimento da sensibilidadeartística da criança. Contar histórias é uma prática muito antiga. Ocorreu quando ohomem começou a ter poder de fala, sentindo necessidade de contar suasexperiências. Segundo Coelho (2002), as histórias foram transmitidas de geração parageração, quando um dia alguém resolveu registrá-las escrevendo e assim garantir-lhes sua perpetuação , sem depender da memória do ser humano. É importante explicitar que contar histórias é extremamente importante ebenéfico para as crianças. Entendemos que a história narrada, por escrito ouoralmente, nos permite um avanço em diversos níveis. Isto é, contar histórias para
  • 20as crianças permite um desenvolvimento, no mínimo, nos planos psicológicos,pedagógicos, históricos, social, cultural e estético. Quando uma criança ouve uma história vivencia no plano psicológico asações problema, os conflitos das histórias. Essa vivência faz aumentarconsideravelmente o repertório de conhecimento da criança, sobre si e sobre omundo. E tudo isso ajuda formar e desenvolver a personalidade. Tahan (1961)pontua: A história grava-se indelevelmente, em nossas mentes e seus ensinamentos passam ao patrimônio moral de nossa vida. Ao depararmos com situações idênticas, somos levados a agir de acordo com as experiências que inconscientemente, já vimos na história. Por isso, nossos pais e professores bem orientados e inteligentes, empregam a história como meio eficaz de corrigir faltas, ensinar bons costumes, inspirar atitudes nobres e justas, enfim. Recorrem ao conto como o mais racional e o mais eficaz processo de formar caracteres, e a experiências tem provado de sobejo, o acerto do caminho seguido. (p.16) Ao ouvir histórias infantis a criança poderá ter maior habilidade em resolverseus conflitos emocionais, expressar seus sentimentos de angústia se identificandocom os personagens das histórias, organizando suas idéias nos mais diferentesaspectos.2.2.2 A formação de alunos leitores Para utilizar a literatura infantil intencionando formar alunos leitores énecessário que o próprio professor tenha um entendimento correto do que sejaliteratura infantil, qual sua função, para que serve, e como ela pode contribuir na vidade cada um de seus alunos. Os resultados desse conhecimento, porém, não serão possíveis somentecom conhecimentos teóricos, são antes de qualquer coisa adquiridos pelo respeitode que os alunos possuem opiniões diferentes, sentidos próprios, diferente doprofessor e de cada texto que leem.
  • 21 Leitura-prazer, em se tratando de obra literária para crianças, é aquela capaz de provocar riso, emoção e empatia com a história, fazendo o leitor voltar mais vezes ao texto para sentir as mesmas emoções. É aquela leitura que permite ao leitor viajar no mundo do sonho, da fantasia e da imaginação e até propiciar a experiência do desgosto, uma vez que esta é também um envolvimento afetivo provocador de busca de superação (OLIVEIRA, 1996, p. 28). Estimular a criança a ler literaturas infantis, apenas, não é o bastante paraformar o hábito da leitura, é importante despertá-la sobre os benefícios da leiturapara vida. Sendo uma fonte de prazer, é necessário conscientizá-la dos valores queela desperta, tornando a leitura mais interessante aos olhos da criança. É necessárioque a história prenda a atenção da criança desperte sua curiosidade, estimulandosua imaginação. Ler literatura infantil é importante para a criança em váriosaspectos: intelectual, emocional, social ou ambiental, psicológico. Assim podemos considerar a leitura como o meio bastante eficaz deenriquecimento e desenvolvimento da personalidade, é um caminho para a vida epara a sociedade. Como afirma Abromovich (1997): “Ah! Como é importante para aformação de qualquer criança ouvir muitas histórias... Escutá-las é inicio deaprendizagem, para ser leitor é um caminho absolutamente infinito de descoberta ede compreensão de mundo”. (p.37) Portanto, a literatura infantil pode desenvolver no aluno o hábito de ler, pois amesma propõe, descobertas e aventuras tornando a leitura muito mais prazerosa,estimulando a imaginação e a fantasia do pequeno leitor. Neste contexto,ressaltamos a importância do professor da Educação Infantil como mediador daprática da leitura e formação de alunos leitores. De acordo com Fazenda (1991): Educar ou participar do processo educacional de crianças pequenas requer além de um conhecimento técnico e metodológico diversificado (as situações nem sempre se repetem) uma compreensão teórica profunda dos prejuízos irreversíveis que uma má educação nessa idade produz. (p. 16).
  • 22 Apesar dos benefícios da literatura infantil, oferecer uma leitura a umacriança, sem conhecer seu contexto poderá ser perigoso. É necessário conhecer olivro (a leitura) que será dada à criança, lembrando que algumas histórias podempassar a ela não só preconceitos como mentiras, ou seja, mensagens negativas,perdendo assim, o lado pedagógico que está subtendido na leitura de um livro.2.3 A relação criança X literatura Criança, para a Lei 8.069/90 é, portanto, pessoa de até doze anos. É o serhumano no período da infância é um individuo inocente. É um ser em seudesenvolvimento, é a melhor fase vivenciada pelo homem. Desde o nascimento até o inicio da adolescência, os pais são os principaismodelos da criança, com quem elas aprendem principalmente a partir da imitação. Éimportante considerar suas capacidades afetivas, emocionais, sociais, cognitivas,socioculturais e sua individualidade. O conhecimento sobre infância cresceu ao longo do século XX, através dohistoriador Áries, que analisou o surgimento da infância na sociedade, através desua publicação em 1970 sobre a história social da criança e da família. SegundoHem (2003): De 1995, quando realizado o primeiro diagnóstico nacional da educação pré-escolar MEC, passando por 1979 - ano internacional da criança pela constituinte de 1990 e pela lei de diretrizes e bases de educação nacional de 1996 trata-se da conquista de uma visão das crianças enquanto cidadãos. (p.79). A primeira constituição que faz menção à infância e seus direitos foi a de1937. Seu texto dizia que o Estado deveria prover a criança sem recursos, assim ainfância passa a fazer parte das questões que envolvem toda a sociedadedialogando com o saber psicopedagógico na busca de referências para construçãode um texto voltado a este leitor.
  • 23 Até o século XVII, a infância não era entendida da maneira como percebemos hoje. As crianças eram tratadas como mini-adultos, trabalhavam e viviam juntos aos adultos, vestiam-se como adultos e praticavam de tudo: da vida social, política e religiosa da comunidade, não havia propriamente dito, “um mundo infantil’’, diferente e separado, ou uma visão especial sobre infância, não se escrevia para ela, pois não existia “infância’’. (ÁRIES 1978). A criança tem muitas formas de pensar, de falar, de agir, de sonhar deimaginar, de interagir, de criar, em fim, de expressar-se, o que as diferenciam domundo dos adultos. Elas têm uma forma diferente de interpretar e atribuir sentido àrealidade que as cercam, e por tanto, agir no mundo, e isso traz a possibilidade decriar outros universos que podem inverter a estrutura prévia do contexto que estãoinseridos. Mas a ideia sobre infância não foi sempre à mesma no contexto histórico, suaconcepção sofreu transformações, e as práticas passaram a perceber asespecialidades que distinguiam dos adultos. Segundo Áries (1979): “A aparição dacriança como categoria social se dá lentamente entre os séculos XII e XVIII’’ (p. 14)”. Antes disso a criança não tinha tratamento diferenciado diante da família e dasociedade, estava apenas ligada à vida do grupo como qualquer outro personagem.Sarmento (2002) Levanta a seguinte afirmação: A ideia da infância é uma ideia moderna (...) remetidas para o limbo das existências meramente potenciais, durante grande parte da Idade Média, as crianças foram consideradas como meros seres biológicos, sem estatuto social nem autonomia existencial, (...) daí que, paradoxalmente, apesar de ter sempre crianças, seres biológicos de geração jovem, nem sempre houve infância, de estatuto próprio (p, 10 e 11). Surgiu então, um novo sentimento pelas crianças que precisava serescolarizada para atuação futura. As crianças então transcendem regras instituídaspelos adultos e criam suas próprias regras de acordo com as relações queestabelecem. Para fundamentar essas ideias, apontamos Ferreira (2002):
  • 24 Ao significar que as crianças não se “limitam’’ a reproduzir o mundo dos “grandes’’ à sua escola, mas “pelo avesso’’, o reconstrói através de múltiplas e complexas interações com os pares, permite mostrá-las não só como autoras das suas próprias infâncias, mas também como atores sociais com interesses e modos de pensar, agir e sentir específicos e comuns, capazes de gerar relações e conteúdos de relação, sentido de segurança que estão na sua gênese como grupo social. Ou seja, com um modo de governo que lhes é próprio, com características distintas de outros seres sociais, como é o caso dos adultos, mas com quem nunca deixaram de desenvolver relações particulares (p.59). As grandes aliadas dos adultos para descobrir o universo infantil são aspróprias crianças, que fazem de tudo para reafirmar seus mundos quando discordamdas imposições dos adultos, quando essas imposições às impedem de criar, cantar,contar, refazer, transformar, gesticular, chorar, experimentar, olhar, descobrir,imaginar, fantasiar, enfim, de se encantar. De acordo com Bettelheim: Para dominar os problemas psicológicos do crescimento - superar decepções narcisistas, dilemas edípicos, rivalidades fraternas, ser capaz de abandonar dependências infantis: obter um sentimento de individualidade e de autovalorização e um sentido de obrigação moral a criança necessita entender o que está se passando dentro de seu eu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão, e com isto a habilidade de lidar com as coisas não através da compreensão racional da natureza e conteúdo de seu inconsciente, mas familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da estória em resposta a pressões inconscientes. Com isto, a criança adequa o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, o que a capacita a lidar com este conteúdo (1980, p. 16). Angotti (2006) afirma que a criança não pode mais ser conceituada como umadulto em miniatura, como um bibelô com quem passamos parte do tempo e logoem seguida providenciamos um lugar para guardá-la. É importante fazermos umareflexão sobre a forma como a sociedade sempre encarou a criança e nesse sentidoredimensionar os conceitos sobre a criança, pois de acordo com Moss (2002, p. 240)a reconceitualização sobre a infância deve ser: ...a criança como um ator ativo, um construtor, na construção de seu próprio conhecimento e da cultura de seus companheiros... uma criança com sua própria inclinação e poder para aprender, investigar e desenvolver como ser humano em uma relação ativa com outras pessoas... uma criança que quer ter parte ativa no processo de criação do conhecimento, uma
  • 25 criança que em interação com o mundo ao redor é também ativa na construção, na criação de si mesma, de sua personalidade e de seus talentos. Essa criança é vista como tendo “poder sobre seu próprio processo de aprendizagem” e tendo direito de interpretar o mundo. (Apud DARLBERG, 1997, p. 243). É necessário levar em conta suas singularidades, respeitando-as evalorizando-as como fator de enriquecimento pessoal e cultural. A criança temvontade própria e defende sempre seus gostos e vontades. Tem a capacidade deanalisar e observar as coisas que as cercam, em busca de imitá-las, recriandoações, historia de modo argumentar seu mundo. Não é mais a criança que deveadaptar-se ao mundo, mas este deve ser susceptível à compreensão da natureza eda infância, de forma a atuar em seu processo de socialização.2.3.1 Os processos educativos na infância Segundo Alencar (2003), educar, mais do que nunca é acumular saber parahumanizá-lo, distribuí-lo e dar-lhe um sentido ético, isto é, solitário, cuidadoso, comdignidade de ser humano do mundo. O processo educativo é uma espécie de estrada; ás vezes sinuosa, às vezeslinear, o educador é um “eterno” equilibrista que , através do desfio de continuarcaminhando, constrói a sua historia e auxilia o educado a uma reflexão de vida. Aprender a educar é processo que envolve a transmissão, a fixação e aprodução de saberes, memórias, sentido, significados, pratica e performances.Freire (1997) afirma que: ”[...] forma e muito mais que puramente treinar o educandono desempenho de destrezas.” (p.15) e depois mais adiante: ... Ensinar não étransferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a suaconstrução. Já não é um mero ator ou agente do ensino; torna-se ele próprio projeto, o autor e projetor: projetos de vida e projetos educativos que se vão construindo, reconstruindo, com saber, arte e engenho, ao longo dos caminhos cujas trajetórias se vão criando também no ato e não mais na certeza antecipada pelo racionalismo cientifico. (FREIRE ,1997, p.15)
  • 26 O processo educativo deve ter como finalidade o desenvolvimento integral dacriança, levando em conta vários aspectos como físico, psicológico, intelectual esocial, sendo necessário que os professores valorizem os interesses e vontades dosalunos apresentando textos literários que desenvolvam a criatividade, afetividade esolidariedade dos mesmos permitindo adquirir novos conhecimentos e buscandonovas perspectivas de vida. O processo educativo é muito importante no desenvolvimento dascapacidades das crianças, tendo em vista que o professor tem em mão o papel depropor ao aluno situações de aprendizagem para (re) construção do conhecimento,nesse processo a criança pode perceber que seus conflitos e medos passam a seramenizados quando o professor a faz refletir sobre os mesmos. Isso pode fazer comque suas relações sociais se tornem melhor e menos conflitantes. É notório que o processo educativo além de contemplar a educação doindivíduo, tem o poder de desenvolver o ser humano oferecendo a ele todo conteúdoformal e científico que o indivíduo necessita para seu desenvolvimento intelectual epara atuar na sociedade como cidadão consciente de seus direitos e deveres, capazde transformar a realidade em que vive, principalmente quando a literatura infantilestá inserida como prática pedagógica.
  • 27 CAPÍTULO III3. METODOLOGIA A pesquisa é fruto de uma inquietação, dúvida, incerteza, decorrente dabusca do pesquisador em delimitar um problema, em descobrir algo. SegundoJapiassu (1983): “nosso conhecimento nasce na dúvida e se alimenta dasincertezas”. (p.14). Em todo ato de pesquisa faz-se necessário contextualizar arealidade na qual está inserida a população alvo da pesquisa, o que nos permitiráuma visão mais abrangente da problemática e das relações múltiplas que seestabelecem sobre determinada realidade. Na perspectiva de Demo (1999), pesquisa significa: “(...) diálogo critico com arealidade, culminando na elaboração própria e na capacidade de interação”. Em tesea pesquisa é atitude do “aprender a aprender’’ e como tal faz parte de todo processoeducativo” (p. 128).3.1 Paradigma da pesquisa Utilizamos a abordagem de pesquisa qualitativa por ser o melhor caminho aseguir nesse processo de descoberta, justificada pelo fato de que ela responde deforma discreta a liberdade do pesquisando permitindo envolvimento ou inserçãopessoal, intelectual ou social e também por compreender que a mesma utiliza umaabordagem sociológica para discutir tanto o comportamento, como valores,expectativas e concepções.
  • 28 Este tipo de pesquisa permite o contato direto entre o pesquisador, oambiente e a situação investigada, através do trabalho de campo, proporcionandoum relacionamento mais longo e flexível entre o pesquisador e o objeto pesquisado,criando um vínculo entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. Deslandes (1994) vem afirmar que: A pesquisa qualitativa responde a questões particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com o nível de realidade que não pode ser universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes que correspondem ao espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis (p.21). A pesquisa qualitativa é indutiva, descritiva, adota uma pesquisa globalsistêmica em suas tentativas de compreensão, pois nos garante representação dedados, baseados em critérios de qualidade e não numérico do problemainvestigado, e nessa pesquisa será importante, pois abre portas e caminhos paraque esta abordagem tenha um diagnóstico baseado em uma compreensão amplade como a literatura infantil proporciona o desenvolvimento das crianças naeducação infantil.3.2 Sujeitos Apesar de um quadro razoavelmente grande de professores oferecido pelolócus de pesquisa composto por 18 Professores, 04 auxiliares de professores, ossujeitos envolvidos na investigação foram quatro professores. Esses foramescolhidos porque lecionavam na educação infantil do Centro EducacionalProfessora Edneilda Marquês, tendo em vista o objetivo: a contribuição da literatura-infantil na formação da criança da Educação Infantil.3.3 Lócus de pesquisa
  • 29 O lócus tem fundamental importância para a pesquisa, pois leva opesquisador a refletir sobre o seu problema, interações e questionamentos dessaexperiência, abrindo espaço para a investigação. Diante disso Trivinos (1987) nosdiz que: “ambos os tipos de pesquisa possui base fenomenológica e fundamentosmaterialistas e dialéticos, ressalta a importância do ambiente na configuração dapersonalidade, problemas e situações de existência do sujeito’’(p.128). Para realizar esta pesquisa tivemos como ponto de partida a escola de redeprivada de Senhor do Bonfim, Centro Educacional Edneilda Marques (Bem-Me-Quer), situada na Rua Ceciliano de Carvalho, n° 46, Centro. A estrutura da escola écomposta de 13 salas de aulas, 02 pátios amplos, 01 quadra, 02 parques infantis,biblioteca, 02 salas de Professores, 11 banheiros, 01 almoxarifado, 02 refeitórios,01 auditório e 01 laboratório de informática. Este locus foi escolhido pela facilidadede acesso ao local e aos sujeitos pesquisados.3.4 Instrumentos de coleta de dados. Procurando conhecer e interpretar a problemática apresentada, utilizamoscomo instrumentos de coleta de dados observação participante, questionáriofechado e questionário aberto, para ter acesso às informações que possibilitaram oalcance do nosso objetivo de pesquisa.3.4.1 Questionário O questionário é um instrumento de coleta de dados com questões a seremrespondidas por escrito. Este foi utilizado tendo em vista o propósito de enriquecer apesquisa nos dando possibilidades de identificar os significados que os sujeitos dãoa determinados fatores. A importância do questionário nesta pesquisa é quefavorece uma análise minuciosa, uma vez que, segue uma ordem de questões que
  • 30serão respondidas pelos sujeitos sem a presença do pesquisador. Segundo Marconie Lakatos (1996): Questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o questionário ao informante, pelo correio ou por um portador, depois de preenchido, o pesquisado, devolve-o do mesmo modo. (p.88) O questionário permite indicar e ordenar as respostas mais adequadas,buscando a coleta dos dados gerais dos sujeitos e sobre questões acerca do temaindicado. Para a obtenção de dados concisos, o questionário pode contribuir comoum instrumento que obtém respostas rápidas e precisas, atingindo um maior númerode pessoas simultaneamente, o que proporcionou mais uniformidade na avaliação,em virtude da natureza impessoal do instrumento. Para Cervo e Bervian (1993) “o questionário refere-se a um meio de obterrespostas as questões por uma fórmula que o próprio informante preenche. [...]possui a vantagem dos respondentes sentirem-se mais confiantes, dado oanonimato, o que possibilita coletar informações e respostas mais reais”. (p. 159).3.4.1.2 Questionário fechado Um instrumento de abordagem qualitativa utilizado foi o “questionáriofechado, pois acreditamos ser uma técnica utilizada nas ciências sociais’’, (LUDKE,1986). O mesmo enriquece as informações, traçando um perfil dos sujeitos dapesquisa, permitindo conhecer a realidade dos sujeitos pesquisados. Marconi e Lakatos (1996, p.88). Definem o questionário fechado como “... uminstrumento de coleta de dados, constituído por uma serie ordenada de perguntas,que devem ser respondidas por escrito e sem a presença de entrevistados’’. Ecompleta Gressler (1989):
  • 31 [...] Uma serie de perguntas organizadas com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas pelo informante ou pesquisadas sem assistência direta ou orientação do investigador. Todas as questões do questionário são pré-elaboradas e as respostas são dadas por escrito (p.58). A escolha, deste instrumento surgiu pela necessidade de buscar dados quepossibilitem chegar aos objetivos da pesquisa, traçar o perfil dos sujeitospesquisados de forma clara, objetiva e organizada.3.4.1.3 Questionário aberto O questionário aberto é um instrumento de coleta de dados constituído poruma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem apresença do investigador. Segundo Goldemberg (2000): [...] os pesquisados se sentem mais livres para exprimir opiniões que temem ser desaprovados ou que podem colocá-los em dificuldades, menos pressões para uma resposta imediata, o pesquisado pode pensar com calma. (p. 87-88). Para a obtenção de dados concisos, o questionário aberto pode contribuircomo um instrumento que obtém respostas rápidas e precisas, atingindo um maiornúmero de pessoas simultaneamente, o que proporcionou mais uniformidade naavaliação .3.4.2 - Observação participante
  • 32 Nessa pesquisa de enfoque qualitativo, foi utilizada a observaçãoparticipante, com intuito de envolver os alunos na investigação. Como dizDeslandes (1994): “Esse questionamento é que nos permite ultrapassar a simplesdescoberta para assim a criatividade produzir conhecimentos’’ (p.52)”. A utilização da observação participante na pesquisa é relevante, porquevaloriza a experiência, acompanha de perto o trabalho desenvolvido pelos sujeitos,facilitando assim, um melhor direcionamento do trabalho. Sobre esse instrumento decoleta de dados Cruz Neto (1994) pontua: A técnica de observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seu próprio contexto. O observador, enquanto parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os obstáculos. (p.29) Através da observação podemos chegar mais perto dos sujeitos, a partirdessa análise do espaço do professores e com a proximidade dos mesmos é quepodemos perceber a fundo o contato do sujeito com a questão que está sendopesquisada.
  • 33 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS Neste capítulo apresentaremos o resultado da pesquisa que teve comoobjetivo identificar a contribuição da literatura-infantil na formação da criança daEducação Infantil do Centro Educacional Professora Edneílda Marques. Para tanto,ressaltamos que a análise e interpretação de dados tiveram como fonte: aobservação participante, questionário fechado e questionário aberto. O resultadodessa pesquisa é fruto da análise da teoria e prática, sendo que todas estasdiscussões referem-se a um grupo de quatro professoras, sujeitos dessa pesquisa.Conforme Gil (1991): “Está é a última fase de um levantamento. Logicamentecoletados e analisados. Entretanto, é de toda conveniência durante o planejamentodefinir-se a cerca da forma como serão apresentados os dados”. (p.103). Os dados serão apresentados através de categorias conforme relevância dospontos identificados na pesquisa, sendo que primeiramente nos propomos aexplanar dados com o perfil dos sujeitos e em seguida a análise do questionárioaberto atrelado à observação participante.4.1 Perfil dos sujeitos Aqui serão apresentados os resultados traçando o perfil dos sujeitos dapesquisa. Os dados que possibilitaram fazer esse levantamento foram obtidosatravés do questionário fechado no qual os sujeitos foram submetidos contribuindode forma significativa com a nossa pesquisa.
  • 344.1.2 Gênero Analisando os resultados do questionário fechado identificamos no tocante aogênero que os 100% dos sujeitos pertencem ao sexo feminino. Compreendemosque a presença feminina é significativa, sobretudo, em se tratando do ensino naeducação infantil, onde historicamente foi sendo construída a idéia de que ashabilidades necessárias aos professores envolvem principalmente aspectosrelacionados ao cuidar e à maternidade. No entanto, conforme Kramer (1992) agrande quantidade de mulheres na educação, vem de um processo histórico, ondetraz alguns traços que de certa forma desqualifica essa atividade, por caracterizá-lauma ação apenas materna. Segundo Kishimoto (2002): Ao longo da constituição da Educação Infantil, o profissional enfrentou as contradições entre o feminino e o profissional. Princípios como a maternagem, que acompanhou a história da Educação Infantil desde seus primórdios, segundo o qual bastava ser mulher para assumir a educação da criança pequena, e a socialização apenas no âmbito doméstico, impediram a profissionalização da área. (p. 07). A realidade do crescimento do espaço feminino também tem sido percebidapela participação da mulher em diferentes áreas da sociedade que lhe conferemdireitos sociais, políticos e econômicos, assim como os indivíduos do sexo oposto.Sendo assim acreditamos que é necessário haver uma política de desconstruçãodos paradigmas da maternidade que ainda persistem na educação infantil.4.1.3 Formação Uma das professoras possui graduação em pedagogia, três estão emprocesso de conclusão do curso de licenciatura em letras. Acreditamos que esses
  • 35dados revelam que ao contrário de momentos anteriores, os profissionais que atuamna educação infantil estão buscando qualificação, uma vez que, a própria LDB (Leidas Diretrizes e Bases da Educação), faz essa exigência. De acordo com alegislação vigente, os profissionais que desejam atuar em cargos de docênciaprecisam ser licenciados ou pós-graduados. Kramer (2005) traz: Considera-se que o trabalho do profissional da educação infantil necessita de pouca qualificação e tem menor valor. A ideologia ai presente camufla as precárias condições de trabalho, esvazia o conteúdo profissional da carreira, desmobiliza os profissionais quanto às reivindicações salariais e não os leva a perceber o poder da profissão. (p. 125). Salientamos que o processo de formação do professor exige a necessidadede efetivar-se de maneira contínua, permitindo o constante exercício da reflexãosobre a prática pedagógica, e a partir daí, novas ações visando à qualificaçãopermanente. Hoje, os docentes têm investido na sua carreira logo que o mercado detrabalho exige profissionais qualificados, principalmente no que se refere àeducação, embora, a formação para o trabalho na educação infantil deva sernecessário o curso de pedagogia.4.1.4 Rede de ensino em que atua Identificamos que 100% dos sujeitos da pesquisa trabalham em rede privadamantidas com fins lucrativos. Conforme estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases daEducação (LDB), de 1996. A rede particular de ensino geralmente é mantida porrecursos próprios ou através de anuidades pagas pelos alunos. Geralmente a primeira oportunidade de atuação dos professores no início decarreira são as escolas privada e é importante enfatizar que seria necessário umprocesso de seleção (concurso) para que estes tivessem a oportunidade eminstituições públicas.
  • 36.4.1.5 Renda salarial Conforme as informações obtidas 100% das professoras possuem uma rendamensal de dois salários mínimos. Está na contra mão da realidade em que o pisosalarial deve ser o valor de R$ 1451,00 para 40 horas. A questão salarial, ainda éum forte entrave na educação principalmente em escolas privadas de pequeno porteem que o piso não é cumprido. Infelizmente o professor não possui umaremuneração satisfatória, isso traz conseqüências desanimadoras, como a falta deestímulo desses profissionais para atuarem com maior disposição e empenho nodesenvolvimento educacional. Ao longo dos anos é claramente expresso na pauta das discussões ereivindicações, o piso salarial do professor, como forma de assegurar umaremuneração digna que estimule ao trabalho em sala de aula e melhoria daqualidade de ensino e valorização docente.4.2 Análise do questionário aberto A partir deste momento estaremos apresentando o resultado do questionárioaberto, dialogando com a observação participante, que nos permitiu identificar ascontribuições da literatura infantil na formação da criança de educação infantil. Esseé um momento salutar na pesquisa, pois interpretaremos os dados e faremoscomparações confrontando idéias presentes nos discursos dos professores, com osteóricos que fundamentaram esta pesquisa.4.2.1 A importância de trabalhar a literatura infantil na sala de aula
  • 37 De acordo com os dados coletados, percebemos que 100% das professorascompreendem a importância da literatura infantil na formação das crianças. Eis oque afirmam: Utilizo a literatura infantil na sala de aula há bastante tempo, assim, pude perceber sua importância, por exemplo, na contribuição do desenvolvimento e estímulo a leitura. O resultado realmente são os melhores (P1 1) Não temos como negar o quanto a literatura é importante, não só para o desenvolvimento da aprendizagem como em todo processo cognitivo da criança.(P2) Na verdade há pouco tempo, é que descobrir o quanto a literatura infantil é importante, quando utilizada na prática pedagógica, o conhecimento se torna mais prazeroso. (P3) A literatura infantil são obras que desenvolve as potencialidades das crianças, por isso reconheço a sua importância. A literatura infantil desenvolve as potencialidades das crianças, por isso reconhecemos sua importância. Ouvir histórias é importante para a formação de qualquer criança, é esse oinício da aprendizagem para se tornar um leitor. São nestes momentos, de contatocom a literatura, que as crianças suscitarão o imaginário, despertando suacuriosidade, levantam questionamentos, idéias para solucionar os problemas dospersonagens, enfim vivem a história. Como afirma Abramovich (1995, p. 17): “Éouvindo histórias que se podem sentir, também emoções importantes como raiva,tristeza, irritação”... Todos os sujeitos reconhecem teoricamente a importância de inserir nasatividades da sala de aula a literatura infantil. Os autores que fundamentam apesquisa a exemplo de Abramovich (1997), Bettelheim (1980), Aguiar (2001), entreoutros, afirmam a importância da literatura infantil que podem desenvolver aaprendizagem e o emocional da criança quando bem utilizada, tendo em vista a suaalta empregabilidade. A literatura infantil permite ao aluno viajar com a imaginação, desperta oprazer na leitura, contribui no desenvolvimento, podendo ser usada como1 Utilizaremos a consoante P maiúscula seguida de números arábicos crescentes para ocultar aidentidade dos nossos sujeitos.
  • 38instrumento pedagógico. A sua prática pode desenvolver na criança entre outrascoisas a expressão das idéias, possibilitando assim, o seu desenvolvimento naleitura. Como diz Pinto (1999): A literatura Infantil tem um grande significado no desenvolvimento das crianças de diversas idades, onde se reflete situações emocionais, fantasias, curiosidades, e enriquecimentos do desenvolvimento perceptivo. Para ele as leituras de histórias influem em todos os aspectos da educação da criança, da afetividade: desperta a sensibilidade e o amor a leitura, na compreensão do texto; na inteligência, desenvolvendo a aprendizagem intelectual. (Apud RUFINO e GOMES, p.11) Prieto (2001, p.87) acredita que todas as pessoas, que assim queiram, sãocapazes de contar histórias: “Somos contadores na essência, estamos durante todaa vida construindo histórias. A narrativa faz parte do dia-a-dia. Um olhar para dentropode ser o estopim dessa arte em cada um de nós”. E quando o professor é um bomcontador de histórias, as crianças ficam com um olhar fixo, mas sua mente voa nomundo de imaginações. Através da literatura Infantil o aluno desenvolve habilidades percebidas noaumento do vocabulário, interpretação de texto, até mesmo a criatividade, facilitandono processo de ensino aprendizagem também em outras disciplinas.4.2.2 Freqüência em que a literatura é trabalhada em sala de aula Analisamos que 80% das professoras trabalham apenas um dia com literaturainfantil e 20% dois dias na semana. Vejamos o que dizem: Utilizo a literatura infantil apenas um dia, nas sextas feiras, è a proposta do projeto da escola, mesmo assim os resultados são bons. (P1) A literatura infantil é sempre bem vinda, todos gostam muito, mas, separei um dia para trabalhar com os alunos. (P2) Costumo utilizar uma vez na semana, porém ela pode ser utilizada de diversas formas com objetivos diferentes. (P3)
  • 39 Utilizo duas vezes, gosto de começar e encerrar a semana com literatura. Eu sempre aproveito para desenvolver algumas atividades. (P4) As respostas dos sujeitos nos levam a perceber que infelizmente a literaturainfantil não é tão utilizada nem valorizada pelos professores, se assim fosse serianecessária sua utilização mais vezes durante as aulas. Mais uma vez, identificamosum distanciamento entre a teoria, ou seja, o discurso e a prática. Tal evidência demonstra uma contradição no discurso e prática dasprofessoras, já que na categoria anterior, afirmaram reconhecer a importância daliteratura infantil na formação da criança como um todo. “Nossa tradição cultural epolítica sempre foi marcada por esta distância e, até mesmo pela oposição entreaquilo que gostamos de colocar no papel e o que de fato fazemos na realidade.(MACHADO, 2005, p. 27). Assim, as professoras estarão descartando um instrumento que poderácontribuir não só com o desenvolvimento da leitura como também outros benefíciosque a literatura infantil oportuniza a exemplo de encantamento, estímulo aimaginação, socialização da criança etc. Cury (2008) afirma que contar histórias ètambém “transformar a vida na brincadeira mais séria na sociedade”. Acrescentandocom os dizeres que “dentro de cada ser humano há um palhaço que quer respirar,brincar e relaxar”. (p.96) Entende-se que a criança precisa ser estimulada, e é nesse contexto que setorna relevante para o desenvolvimento global da criança, um ambiente, onde hajaestímulos que facilitem a apropriação do conhecimento. Um ambiente sócio afetivotranqüilo e encorajador, livre de tensões e imposições, é fundamental para que oaluno possa interagir de forma confiante com o meio, saciando sua curiosidade,descobrindo coisas, inventando, construindo, enfim, seu conhecimento (FERREIRA,1993).4.2.3 Quanto ao hábito de leitura do professor
  • 40 Quando questionadas sobre o hábito de ler, 100% dos sujeitos confirmaramter hábito de leitura nos diversos gêneros. É notória a idéia que os gêneros textuaissão fenômenos históricos relacionados à vida cultural e social. Resultado de trabalhocoletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comu-nicativas do dia-a-dia. É notório que a leitura mesmo em diferentes gêneros é muitoimportante no cotidiano de qualquer profissional, principalmente quando se refere aoprofessor. Não tenho muito tempo, mas entendo o quanto é importante um professor ser também um bom leitor, por isso costumo ler qualquer livro de gênero que eu possa ter acesso fácil como revistas, romances, etc. (P1) Costumo ler sempre, como ser um bom professor sem ser um leitor? Mesmo sem muito tempo disponível não abro mão de ler biografias, Crônicas entre outros. (P2) Na era da tecnologia da comunicação dificilmente uma pessoa poderá se excluir do contato com a leitura. Costumo ler gêneros variados: romances, biografias, inclusive, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos virtuais, confesso que as vezes o tempo e o cansaço não ajudam, mas, procuro me esforçar e sempre. (P3) Chego às vezes ficar um tempo fazendo leitura apenas com livros acadêmicos por causa da necessidade, afinal sou também estudante falta de tempo, mas me considero uma leitora, porque sempre que posso, leio. (P4) Percebemos algo em comum na fala dos sujeitos, quando todos afirmam afalta de tempo para a leitura, provavelmente este é um dos principais fatores queimpedem as pessoas de priorizar um tempo especial para a leitura, mas nãopodemos negar que é importante para os educadores porque através da leituraadquirimos conhecimentos, testamos os nossos próprios valores e experiências comas dos outros. A falta de tempo está relacionada, também, á carga horária detrabalho dessas profissionais. “A leitura suscita a necessidade de familiariza-se como mundo, enriquecer as próprias idéias e têm experiências intelectuais, o resultado éa formação de uma filosofia da vida, compreensão do mundo que nos rodeia”.(BAMBERGUE. 2002. p. 32).
  • 41 Os meios de comunicação tecnológicos como o rádio, a televisão, o jornal, arevista, a internet, por possuir uma presença marcante e grande centralidade nasatividades comunicativas, vão por sua vez propiciando e abrigando gêneros novosbastante característicos. Daí surge formas discursivas novas, tais como editoriais,artigos de fundo, notícias, telefonemas, telegramas, tele mensagens,teleconferências, videoconferências, reportagens ao vivo, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos virtuais, aulas virtuais e que acabam interferindo na formação daspessoas. Tal interferência pode ser benéfica ou maléfica, a depender da forma comoessas ferramentas são utilizadas. Alegretti (1999, p. 19) afirma que: “A tecnologia na Educação encontrará seu espaço, desde que haja uma mudança na atitude dos professores, que devem passar por um trabalho de autovalorização, enfatizando seu saber para que possam apropriar-se da tecnologia com o objetivo de otimizar o processo de aprendizagem. Assim, o desenvolvimento da leitura pode ser alcançado nas trocas que,enquanto leitor , ela realiza, se aperfeiçoando ao longo da vida, podendo mantê-laengajada ao que se refere no pensar, agir e criar direcionada pela humanidade apartir de textos escritos. È possível então, através da literatura, a criançacompreender a si mesmo e mundo à sua volta, Desenvolvendo seu senso críticosobre a realidade a qual está inserida.4.2.4 Compreensão sobre a relação Literatura infantil X leitura A partir dos resultados podemos analisar que 100% dos sujeitoscompreendem a Literatura Infantil como passaporte para leitura vista comopossibilitadora de relações intelectuais e interação das pessoas com o mundo.Realmente o ato de ler é um exercício de indagação, de reflexão crítica, deentendimento, de captação de símbolos e sinais, de mensagens, de conteúdo, deinformações... A leitura realmente não só possibilita as relações intelectuais como os potencializa, permitindo a formação dos nossos próprios conceitos. (P.1)
  • 42 A leitura nos oportuniza fazer uma interação com o mundo e o conhecimento. (P.2) O ato de ler possibilita um maior conhecimento de mundo desenvolvendo as relações intelectuais. (P.3) A leitura é mais que o ato de decodificar, ela nos permite conhece a realidade, elementos e / ou fenômenos com os quais nos defrontamos. (p.4). Ler é benéfico à saúde mental, pois é uma atividade neurológica. A atividadeda leitura faz reforçar as conexões entre os neurônios. Através da leitura ampliamosnossa visão de mundo, conseguimos o domínio da palavra, trocamos idéia econhecimentos, sendo possível entender o mundo que nos cerca. Com o domínio dapalavra nós nos transformamos e, ao nos transformar construímos um mundomelhor. Vivemos num mundo letrado, e a leitura nos dá suporte e compreensão paradecifrar aquilo que está escrito e nos comunica ou informa sobre algo. Freire (1996)vem afirmar: “A leitura de mundo procede à leitura da palavra e a leitura destaimplica a comunidade da leitura daquela (p. 28)”. Entendemos então que a literaturaabre possibilidades para novas descobertas e perceber o mundo bem como nocontato com as histórias a criança constrói um conhecimento a partir dos textosliterários. Neste caso a literatura infantil contribui na formação pessoal e social doeducando.4.2.5 Sobre a reação que provoca nos alunos: Podemos notar que 100% dos sujeitos afirmam que os alunos demonstrammuito interesse no momento em que a literatura-infantil é utilizada na sala de aula. Meus alunos sempre demonstram muito interesse e costumam participar e intervir nas histórias. (P1) Muito interesse. É uma das horas em que o silêncio é quase absoluto, embora as vezes surgem alguns questionamentos. (P2)
  • 43 A maioria dos alunos além de interesse, participam, demonstra encantamento, sensações que podemos notar observando cada rosto. (P3) A verdade é que os alunos se mostram inteiramente interessados, participam e interferem. (P4) Todos os sujeitos de pesquisa afirmaram que as crianças envolvem-se comas histórias lidas ou contadas, são questionadoras e participam das atividadespropostas com entusiasmo, somente a minoria que talvez por timidez, não seenvolvem nos conteúdos trabalhados. Neste contexto é necessário que a professoraregente utilize uma linguagem acessível para faixa etária relacionada a criança. A interferência da literatura quando incluída nas tarefas da escola podeproduzir questionamentos a respeito de levar o aluno a diversidade de texto,estimulando reações de curiosidade, desempenho e satisfação relacionada àliteratura infantil. Sawulski (2002) observa que: Faz-se necessário que o professor introduza na sua prática pedagógica a literatura infantil, que contribui para o crescimento e a identificação pessoal da criança, propiciando ao aluno a percepção de diferentes resoluções de problemas, despertando a criatividade, a autonomia, e a criticidade, que são elementos necessários na formação da criança em nossa sociedade atual (p.46) Segundo Pires (2000) a literatura infantil toma-se, deste modo, imprescindível.Os professores dos primeiros anos da escola devem trabalhar diariamente comliteratura, pois constitui material indispensável que aflora a criatividade das criançasatravés de uma espécie de caleidoscópio de sentimentos e emoções que favorecema proliferação do gosto pela leitura, enquanto forma de lazer e diversão, Entretanto, percebemos uma contradição nos sujeitos pesquisados, quandoafirmam compreender a importância da literatura e, no entanto, sua utilização seresume no máximo duas vezes na semana quando, deveria utilizá-la quatro ou maisvezes. Entendemos que estas professoras demonstram desconhecer a literaturainfantil como prática pedagógica, portanto pouco utiliza.
  • 44 A literatura infantil pode realmente estimular o imaginário em situaçõesdiversas desenvolvendo novas perspectivas além de melhorar o conhecimento darealidade. É notório que a literatura infantil desperta variadas emoções na criança,conforme Coelho (2002.p.26), “a criança através da literatura infantil entra no texto eviaja no mundo da fantasia e do questionamento assim a leitura além de poder servista, pode ser vivida, sentida falada, ouvida e até contada”.4.2.6 Finalidade atribuída à literatura infantil na sala de aula. Podemos observar que 50% dos sujeitos fazem uso da literatura infantil comoinstrumento de aprendizagem e 50% utilizam não só como instrumentoaprendizagem, mas também como entretenimento. Utilizo como instrumento de aprendizagem e também como entretenimento. (P1). Sem dúvidas nenhuma como Instrumento de aprendizagem. (P2) Como instrumento de aprendizagem (P3) Costumo utilizar a literatura infantil não só como instrumento de aprendizagem, mas como entretenimento também. (P4) Buscamos em vários autores conceituados opiniões em relação à literaturainfantil. Na opinião Cunha (1983) a literatura infantil é estritamente lúdica,assinalando não ser necessária sua pretensão a pedagogia. Segundo Meirelles(2000), a literatura não é apenas um passatempo, a literatura é nutrição, que auxiliana formação infantil. Coelho (2003) tem uma opinião mais conciliadora, como objetoque provoca emoções, prazer ou diverte e, acima de tudo, modifica a consciência demundo de seu leitor, a literatura infantil é arte. Portanto, como instrumentomanipulado por uma intenção educativa, a literatura É importante o professor saber aplicar os métodos pedagógicos. De queadianta um professor adquirir vários meios didáticos, como métodos e técnicas, e
  • 45não aplicá-los ou não ter competência suficiente para adequá-los ao nível de seusalunos? Os meios didáticos são muito importantes, desde que o professor saiba usá-los da melhor forma possível, atingindo as necessidades, interesses e dificuldadesdos alunos Cagneti (1995, p.23) afirma que “(...)” A literatura infantil é fonteinesgotável de assuntos para melhor compreender a si e ao mundo”. A literatura infantil, utilizada de modo adequado, é um instrumento de sumaimportância na construção do conhecimento do educando da educação infantil, nãosó como instrumento de aprendizagem significativa, mas também como umaatividade prazerosa. Ao ler uma história também é possível que a criançadesenvolva todo um potencial crítico. A partir daí a mesma pode pensar duvidar,perguntar-se, questionar-se. Pode se sentir inquieta, cutucada, querendo saber maise melhor ou percebendo que pode mudar de opinião.4.3 O que apareceu na observação Durante o período de observação analisamos o comportamento dasprofessoras no momento literário, as quais utilizavam como recurso, gravuras,fantoches entre outros criando objetos relacionados às histórias contadas. Haviasempre uma maneira de explorar a história contada com perguntas em fichas erespostas possibilitando momentos criativos de alegria, prazer, curiosidade espantoe de muita satisfação. Estes sentimentos e sensações eram visíveis em cada rostodas crianças ao ponto que algumas quando os pais chegavam antecipadamentepara levá-la para casa, pediam para ficar e esperar até o fim da história.Lamentamos em saber que diante dessa realidade de encantamento e participação,a literatura seja utilizada apenas uma ou duas vezes na semana. As professoras faziam um trabalho com a literatura infantil em parceria comos pais quando nas sextas-feiras, tem-se o hábito de convidar o pai ou a mãe de umaluno para contar uma história para toda a turma sendo responsável também pelo
  • 46lanche coletivo. Podemos perceber então neste momento que independente dapessoa que contava a história, as crianças ficavam com o olhar fixo, mas sua menteaparentemente voava no mar da imaginação, o encantamento despertava seuinteresse e envolvimento na história. Em uma conversa com os pais percebemos que poucos investiam em livrospara seus filhos. Quando preguntamos se fazia parte da sua rotina contar históriaspara seus filhos a resposta foi negativa, muitos alegaram que o pouco tempo quetinham não contribuía, ás vezes era com muito esforço que liam algumas literaturasexigidas pela escola. Percebemos então que esses pais denotam de certa formauma visão superficial e ligeiramente desinteressada acerca da importância daliteratura infantil para a criança. Entendemos que a literatura infantil é importante como prática pedagógica,logo que é necessidade humana de comunicação tendo em vista que a criançaadquire uma nova dimensão, mais ampla e importante ao proporcionar à criançaoportunidades de um desenvolvimento emocional, social e indescritível. Contribuem para formação das crianças criando uma ponte para o inconsciente, desenvolvendo-lhes internamente recursos para que, quando se depararem com situações difíceis e inevitáveis, estejam mais fortalecidas e preparadas. (BUSSATO, 2003, p.35). Assim, faz-se cada vez mais necessário a revitalização da literatura infantillevando em conta que ela torna a aprendizagem atraente e significativa, um recursodidático simples, mas que proporciona benefícios significativos
  • 47 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS As idéias aqui contidas são reflexões não acabadas, mas compossibilidades, dentre muitas existentes, de se pensar nas produções daliteratura infantil e a contribuição que ela está trazendo para o processo dedesenvolvimento da prática pedagógica dentro das instituições de educação. A pesquisa demostrou que os sujeitos pesquisados apesar deafirmarem a importância da literatura infantil no desenvolvimento da criança ena contribuição do processo de aprendizagem , revelaram utilizar a literaturaapenas um ou duas vezes na semana, entretanto percebemos uma fragilidadeem seus discursos, entendemos que se realmente houvesse esseconhecimento a literatura infantil seria utilizada com mais frequência de atéquatro ou mais vezas na semana. A partir desta situação, compreendemos que a literatura deva serutilizada em sala de aula de forma prazerosa desvinculada dos conteúdosgramaticais estimulando o gosto pela leitura, a imaginação, desenvolvendo acriatividade. Portanto, há necessidade de preparo dos docentes para realizaçãode atividades diversificadas e motivadoras; participação de professores noscursos de capacitação que proporcionem um conhecimento maior sobre aliteratura infantil. A literatura infantil é um elemento riquíssimo, e, portanto não deve serdeixado de lado pelos professores, nem utilizado sem planejamento prévio,muito menos como pretexto para ensinar conteúdo. Ela é um amplo campo deestudos que exige do professor conhecimentos para saber adequar os livros àssuas crianças, gerando um momento propício de prazer e estimulação paraleitura
  • 48 Após a pesquisa percebemos que a literatura infantil através de umacumplicidade entre o contador de História e o ouvinte é determinante naformação do indivíduo, ajudando- o a crescer com a capacidade de resolverconflitos, frustrações e superações pessoais; pois nesse intercâmbio entre oreal e o imaginário, é possível, promover o desenvolvimento de habilidades quefavorecem o aumento dos conhecimentos linguísticos e comunicativos dascrianças, que promovem cooperação, socialização e consequentemente,humanizam não só o ato de aprender como os aprendentes. As pessoas aprendem a ler antes de serem alfabetizadas, desdepequenos, somos conduzidos a entender um mundo que se transmite por meiode letras e imagens. O prazer da leitura, oriundo da acolhida positiva e dareceptividade da criança, coincide com um enriquecimento íntimo, já que aimaginação dela recebe subsídios para a experiência do real, ainda quandomediada pelo elemento de procedência fantástica. Assim, uma nova visão de mundo poderá ser descortinada através dafantasia que a literatura infantil nos traz o que é de grande valia no campoeducacional por significar abrir as cortinas do mundo do conhecimento atravésde novas descobertas. A Literatura Infantil sempre foi um dos elementos mais importantesdestinada às crianças. Tratando de histórias que envolvem o imaginário,trazendo enredos com elementos que estão envolvidos na realidade infantil.Mostrando que as lutas e as descobertas não acontecem da noite para o dia.Os personagens passam pelas mais diversas provas e que eles mesmos têmque realizá-las. Tudo se tornaria mais claro para os alunos se essa compreensão domundo imaginário fosse passada para eles durante um período destinadosomente a isso. A escola contém inúmeros recursos a serem explorados pelosprofessores e alunos, é necessário colocá-los em prática.
  • 49 Há quem pense que no mundo das tecnologias em que vivemos, quandoas informações, notícias, poderão ser trocados por emails, parece até que olivro é coisa do passado, está esquecido, portanto a importância da literaturainfantil para uma pessoa que conhece o poder de uma história bem contada, asatisfação de tocar e folhear a página de um livro e encontrar nele um mundocheio de encantamento, com certeza não há tecnologia que possa comparar. Compreendemos então, que contar histórias não é apenas abrir um livroe ler um monte de palavras ou mostrar várias figuras as crianças e simdespertar sua curiosidade, estimular sua imaginação, desenvolver seu intelectoe suas habilidades, porque enquanto diverte a criança, favorece odesenvolvimento de sua personalidade De acordo com as falas dos sujeitos pesquisados e os teóricos quefundamentaram esta pesquisa percebemos que a literatura infantil pode darvárias contribuições na formação da criança da educação Infantil. Entre elasdestacamos: A literatura infantil oferece momentos de brincadeiras, recreação,divertimento, aumenta e enriquece o vocabulário, desperta o poder deimaginação e fantasia da criança, distrai e descarrega tensões, estimula acriatividade e pode desenvolver o processo cognitivo, o gosto pela leitura,ajudando na interpretação de textos, facilitando a aprendizagem. Diante de tais descobertas, trabalhar esta temática que tanto nos fascinafoi enriquecedor, pois possibilitou conhecer suas especificidades, levando auma reflexão sobre as grandes contribuições dadas pela Literatura Infantil àconstrução da personalidade e da educação escolar das crianças.
  • 50 REFERÊNCIASALLEGRETTI, Sônia Maria de Macedo. Mudança educacional: um desafio.In: ALMEIDA,Maria Elizabeth Bianconcini de; MORAN, José Manuel (Org.).Aprender construindo: ainformática se transformando com os professores.Brasília: MEC/SED, 1999. ColeçãoInformática para a Mudança na Educação.Disponívelem:<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me003152.pdf>. Acesso em: março. 2012.ABROMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. São Paulo:Scipione, 1989.ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. 4.ed. SãoPaulo: Scipione, 1997____________, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. 5 ed. SãoPaulo: Scipione, 1995AGUIAR, Vera Teixeira de e (coord.). Era uma vez...na escola. Formandoeducadores para formar leitores. Belo Horizonte: Formato. 2001.ANGOTTI, Maristela. (organizadora). Educação Infantil: para que, para queme por quê? Campinas, SP: Ed. Alínea, 2006.ÁRIES ,Philippe.história social da criança e da família .2ª Ed. Rio de JaneiroGanabara,19978.BAMBERGUE, RICHARD – Como Incentivar O Hábito de Leitura, ÁTICA, 7ºEDIÇÃO. SÃO PAULO, 2002.BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos Contos de Fada. Rio de Janeiro.Paz e terra. 1980.BORGES, Teresa Maria Machado. A criança em idade Pré-escolar. SãoPaulo, Brasiliense, 1994.BUSSATO,Cléo contar e encantar pequenos segredos da narrativa 3ª ediçãoSão Paulo: Vozes, 20005.BRASIL___. Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Basesda Educação Nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996.CADEMARTORI, L. O que é literatura infantil? 6.ed. São Paulo : Brasiliense,1994.CAGNETI, S. Livro que te quero livro. Rio de Janeiro: Nódica. 1996.
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  • 54
  • 55 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSCaro professor,Compreendemos que a literatura infantil contribui para o processo de ensinoaprendizagem deportando a curiosidade, as emoções, a leitura, e etc. Contocom a sua colaboração porque através deste questionário estaremosmostrando sua percepção sobre o tema contribuindo assim para elaboraçãodesta pesquisa. QuestionárioO perfil dos sujeitosGênero( ) feminino ( ) masculinoFormação acadêmica( ) Superior incompleto( ) superior completo ( ) Pós graduadoRede de escola em que atua( ) pública ( ) privadaRenda salarial( ) um salário mínimo( ) dois salários mínimos( ) mais de dois salários mínimos
  • 56 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSQuestionário aberto1 - Qual a importância de trabalhar a literatura na sala de aula?2. É frequente a leitura na sala de aula?3. Você se considera um leitor?4. Qual a sua compreensão sobre leitura?5. Quantos dias na semana literatura é trabalhada na sala de aula?6. Que reação provoca nos alunos os momentos de literatura infantil?7. Os alunos demonstram interesse quando a literatura infantil está sendoutilizada?8. Qual a finalidade em que a literatura é trabalhada?