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Monografia Marivalda Pedagogia 2012
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  • 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO SENHOR DO BONFIM - CAMPUS VII GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA UNEB MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTOEDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DETRANSFORMAÇÃO SOCIAL/COMBATENDO O EXODO RURAL E ASCONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIASVIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES(EFAG) Senhor do Bonfim-BA 2012
  • 2. 1 MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTOEDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DETRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E ASCONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIASVIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES(EFAG) Trabalho monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus VII como pré - requisito para conclusão do curso de Pedagogia, com habilitação em educação infantil e series inicias do ensino fundamental orientado pela professora Elizabeth Gonçalves. Senhor do Bonfim-BA 2012
  • 3. 2 MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTOEDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DETRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E ASCONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIASVIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES(EFAG)Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para a obtenção dotítulo de graduação em pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB COMISSÃO EXAMINADORA___________________________________________________________________ Orientadora___________________________________________________________________ Avaliador___________________________________________________________________ AvaliadorAprovada em __________/____________/___________
  • 4. 3DEDICATÒRIA Ao meu grandioso pai celestial, aos meus pais, meus filhos, ao meu maravilhoso e compreensivo marido, a minha irmã a qual admiro muito, aos meus colegas, exclusivamente, Neuma e Michel, companheiros de luta e de conquistas, aos alunos e monitores da EFAG, parceiros nessa caminhada, aos meus professores do ensino médio e da universidade, por mim tornarem mais viva e com sede de conquista, mas não poderia deixar de falar exclusivamente dos educadores que um dia almejo ser igual, ou talvez, melhor. Entre eles Maria Gorete Passos Cavalcante, Pascoal Erom Santos de Souza, a minha maravilhosa e dedicada orientadora Elizabeth Gonçalves, e a minha admirável educadora fiel e dedicada a sua missão, Beatriz Barros pela colaboração e realização de mais uma conquista da minha vida.
  • 5. 4 AGRADECIMENTOSA Deus, pelo seu imenso amor e pela sabedoria concebida para que pudesseenfrentar desafios com sabedoria.À Universidade do Estado da Bahia – UNEB e em especial aos meus dedicadosprofessores do curso de Pedagogia, que com responsabilidade e compromissoprofissional nos possibilitaram crescimento humano e profissional.A minha família em especial meu marido Idelson e meus tesouros Zezival e Igor,pelo apoio, compreensão e incentivo durante esse longo período.À minha orientadora Elizabeth Gonçalves, profissional admirável, competente,responsável e dedicada.A toda turma de pedagogia 2008.1 e em especial Neuma e Michel por seremcompanheiros e amigos em todos os momentos. A todos que de uma forma direta ou indireta contribuíram para a conclusão destetrabalho. Muito obrigada.Pelas diferentes formas de colaboração e carinho e pelos encontros que meproporcionaram momentos de “estar - junto” e absorver conhecimentos que serãoúteis por toda a vida, agradeço: À professora Beatriz de Barros por ter mimimpulsionado ainda mais em busca de conquistas, com sua fala, sua sabedoria, esua dedicação.
  • 6. 5EPÍGRAFE Quando os homens nas gaiolas desta vida/ aprisionados pela impávia do poder/ são como pássaros cativos da injustiça/ morrendo aos poucos na prisão do mal viver./ Quero ver pássaros e homens livremente/ romper na vida toda forma de prisão/ que só o amor e a liberdade nos cativem/ aprisionados em cada coração. Antonio Gringo
  • 7. 6 RESUMOO ser humano em toda a sua história vem passando por vários processos detransformação social, seja ela formal ou informal, mas chega um momento da suavida em que começa a vivenciar situações formais de ensino e aprendizagem,adquirindo novos comportamentos, onde o sujeito pode atuar sobre o saber, o quevale dizer que, a educação formal poderá nos fornecer elementos essenciais paraque sejamos agentes de transformação social. O trabalho de conclusão de cursoapresentado fundamenta-se nas ideias de: FREIRE (1987), SAVIANI (1986),ARROYO (1999), MOLINA (2006), LUDKE e ANDRE (1986), GIMONET (1999), etraz como titulo: Educação do campo e a formação do campesino como agente detransformação social combatendo o êxodo rural e é resultado de uma pesquisarealizada na Escola Família Agrícola situada no município de Antônio GonçalvesBa,tendo como objetivo compreender qual o papel da Escola Família Agrícola deAntônio Gonçalves (EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafiossociais, atuando como agente de transformação do seu meio, contribuindo paraevitar o êxodo rural. Tendo como sujeitos da pesquisa os alunos da EFAG. Apertinência do tema se dá por considerarmos que os saberes adquiridos na escolasão de fundamental importância para a valorização da terra, da natureza e dohomem do campo, se os saberes a eles atribuídos a partir da teoria e prática servemcomo base de fixação do homem a terra. Este trabalho é resultado de uma pesquisaqualitativa onde utilizamos como instrumentos de coleta de dados a observaçãoparticipativa, o questionário fechado, a entrevista semi-estruturada, no intuito demelhor definir o nosso trabalho por compreendermos que as EFAS (Escolas FamíliaAgrícolas) não são apenas uma “escola comum”, vai muito mais além, pois estasescolas têm demonstrado em suas práticas educativas que podem contribuir paratornar os sujeitos do campo mais fortes, valorizando sua identidade tornando-osconscientes e confiantes nas suas escolas. Como resultado de trabalho de campopudemos compreender o quanto a educação precisa ser valorizada assim como ossujeitos que dela precisam. Ao final desse estudo percebemos que a escola docampo pode ser melhorada, de acordo com investimento e formação adequada paraos sujeitos que atuam como educadores no campo, e com isso acreditamos quepodemos ver no campo uma escola realmente do campo.Palavras – Chave: Educação do campo. Aluno do Campo. Escola Família. Agricola.Êxodo Rural.
  • 8. 7 ABSTRACTThe human being in all its history has undergone various processes of socialtransformation, whether formal or informal, but there comes a time in your life as youbegin to experience situations formal teaching and learning, acquiring new behaviors,where the subject can acting on knowledge, which is to say that formal education canprovide us with essential elements for us to be agents of social transformation. Thecompletion of course work presented is based on the idea: FREIRE, SAVIANI,ARROYO, MOLINA, LUDKE and ANDRE, Gimonet. Among others. It has as title:Rural education and training of the peasant as an agent of social change andcombating the rural exodus is the result of a survey on Family Farm School in themunicipality of Antônio Gonçalves Ba, aiming to understand the role of the SchoolFamily Agricultural Antonio Gonçalves (EFAG), the training of students to addresssocial challenges, acting as agent of transformation of their environment, helping toprevent the rural exodus. The subjects were students of EFAG. The relevance of thetheme is by considering that the knowledge acquired in school are crucial to therecovery of land, nature and mans field, if the knowledge attributed to them from thetheory and practice serve as the basis for fixing the man earth. This work is the resultof a qualitative study where we use as instruments for data collection participantobservation, the survey closed, semi-structured interview, in order to better defineour work by understanding that the EFAS (Agricultural Family Schools) are not only a"common school" goes much further, because these schools have demonstrated intheir educational practices that can help make the field stronger subjects, valuingtheir identity by making them aware and confident in their schools. As a result of fieldwork we were able to understand how education needs to be valued as theindividuals who need it. At the end of this study realized that the schools field can beimproved, according to investment and appropriate training for the individuals whoserve as educators in the field, and we believe that we could see the field really aschool field.Key - Words: Rural education - Student Field - Family Farm School, Rural Exodus.
  • 9. 8 LISTA DE GRÁFICOSGráfico de Gêneros................................................................................................ 57Gráfico Faixa Etária .............................................................................................. 58Gráfico Município de residência dos alunos ......................................................... 59
  • 10. 9 LISTA DE SIGLASABCAR - Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural.CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho.CATI - Coordenadoria de Assistência técnica Integral.CBAR - Comissão Brasileiro-Americanos de Educação das Populações Rurais.CEBs - Comunidades Eclesiais de Base.CNER - Campanha Nacional de Educação Rural.CPC - Centros Populares de Cultura.CRUTAC - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária.EDURURAL - Programa de Extensão e Melhoria para o Meio Rural.EFAG - Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves.EFAS - Escolas Família Agrícolas.EMATER - Empresas Assistência Técnica de Extensão Rural.EMPAER - Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência técnica eExtensionismo Rural S.A.EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Divisão Tecnológica.INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas.GPT - Grupo Permanente de Trabalho.LDB – Lei de Diretrizes e Bases.MEB - Movimento de Educação de Base.
  • 11. 10MFR - Maison Familiale Rurale.MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização.MST - Movimento dos Sem Terra.PRONASCE - Programa Nacional de Ação Social-Educativas e Culturais para omeio rural.PSECD - II Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto.SSR - Serviço Social Rural.STR - Sindicatos dos Trabalhadores Rurais.SUPRA - Superintendência de Política de Reforma Agrária.TCC - Trabalho de Conclusão de Curso.UNE - União Nacional dos Estudantes.UNEFAB - União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil.
  • 12. 11 SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................... 13CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO............................................................. 171.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES.......................................................... 171. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO 211. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA............................................................... 241. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO...................................................................... 251. 4.1. Período da redemocratização ou neoconservadorismo........................ 261. 4. 2. Programas e legislação............................................................................ 291. 4. 3. Período Militar........................................................................................... 321. 4. 4. Período atual............................................................................................. 33CAPITULO II........................................................................................................... 372. 1. ALUNO DO CAMPO...................................................................................... 372. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO............................................................................... 392. 3. ÊXODO RURAL.............................................................................................. 422. 4. ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS)................................................... 442. 4. 1. Origem das EFAs...................................................................................... 462. 4. 2. Origem das (EFAS) no Brasil................................................................... 472. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG)....................... 48CAPITULO III.......................................................................................................... 493. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA................................................................. 493. 2. TIPO DE PESQUISA...................................................................................... 503. 3. LÓCUS DA PESQUISA.................................................................................. 513. 4. SUJEITOS DA PESQUISA............................................................................. 513. 5. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS.................................................. 523. 5. 1. Questionário fechado............................................................................... 523. 5. 2. Entrevista semi-estruturada................................................................... 53CAPITULO IV......................................................................................................... 554.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.............................................. 554.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS.................................................................... 554. 2. 1. A diferença somos nós que fazemos a escola e a questão degênero........................................................................................................... 56
  • 13. 124. 2. 2. Nunca é tarde para aprender................................................................... 574. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o............................ 584. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG................................... 594. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG....... 59CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 64REFERÊNCIAS...................................................................................................... 66APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO.......................................................................... 71APÊNDICE B – ENTREVISTA............................................................................... 73
  • 14. 13 INTRODUÇÃO Este trabalho de conclusão de curso (TCC) tem o intuito de refletir sobre opapel da escola do campo tendo como fundamentos à educação ministrada nasEscolas Famílias Agrícola (EFAs) e suas contribuições no combate ao êxodo rural,incentivando a permanência do camponês no campo. Está pesquisa foi realizada na Escola Família Agrícola no município deAntonio Gonçalves BA (EFAG). Tendo como título: Educação do campo e aformação do campesino como agente de transformação social, combatendo o êxodorural e as contribuições das EFAs na educação do campo: experiências vivenciadasna Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves Bahia. Que traz como objetivo:compreender qual o papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves(EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafios sociais, atuandocomo agente de transformação do seu meio, contribuindo para evitar o êxodo rural. A pertinência do tema se deu por vivenciarmos diariamente essa exclusãosocial do campesino, completamente injusto e a partir dos movimentos sociais, alémdo contato direto com alunos e monitores da Escola Família Agrícola de AntonioGonçalves, e por conhecermos a realidade da EFAG. Além da disponibilidade delivros e de estudos nesta área realizado durante o curso de graduação o qual nos foimuito importante, o que despertou nosso interesse foi a sede de compreendermosde fato qual é o processo educacional do campo e de que forma como acadêmicos eseres sociais poderemos contribui para que o campesino e o aluno do campo sejaatrelado a uma educação que realmente valorize seus conhecimento e suasexperiências familiar e comunitária. Ainda faz-se necessário salientarmos que este trabalho servirá para divulgaras necessidades, os sonhos e os desafios enfrentados pelo homem do campo comrelação social e humana. Tendo como suporte de transformação e valorização docampesino as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Soma-se a esses fatores asprovocações advindas dos espaços acadêmicos onde problematiza-se questõescurriculares que norteiam a educação do campo e que precisam ser melhoraprofundadas.
  • 15. 14 Portanto, não podemos deixar de levarmos a uma reflexão no qual comoacadêmicos vivenciamos e discutimos a questão de fato, de uma nova formulaçãodo currículo para a educação do campo. Onde faz-se necessários maiores espaçospara esse tipo de discussão, pois, até no campo acadêmico ainda falta espaço parauma discussão mais instigada e estimada sobre educação campesina. Queremos aqui ressaltar outro fator que nos levou a esse campo foi a formacom que percebemos o quanto falta compromisso do poder público como o povo docampo, entre esses descaso se inscreve: o difícil acesso as escolas, as classesmultisseriadas, com professores sem formação para instruir esse alunado.Educadores completamente desenformados e sem capacitação para atuarem compúblicos diferenciados, estradas completamente estragadas dificultando o acesso dealunos e educadores até a escola. Algumas escolas sem condições estruturais defuncionamento, pois, estão caindo aos pedaços, falta merenda escolar, osprofessores são mal remunerados, e a grande maioria contratado passando doismeses ou mais sem receber o salário. Isso demonstrar a urgência de discussão depolíticas públicas para o campo. Ambicionamos iniciar no campo acadêmico, e daí se expandir por todos osoutros setores da sociedade, pois, sabemos que muitas das conquistas alcançadastiveram suas origens no campo acadêmico se estendendo entre os demais setoressociais. Almejamos que levem à mudanças imediatas das políticas públicaseducacionais para o campo, construindo a escola do povo que de fato seja do e parao campo, adotando métodos que incentive e valorize os sujeitos do campo. Talvez seja a hora de criarem mais EFAs ou fortalecerem as que já existemdando mais oportunidade de melhoria de vida para o homem do campo. Precisamos construir um novo currículo escolar para os estudantes dessaslocalidades, que se paute pelo desenvolvimento de atitudes voltadas paracontextualização do currículo no diálogo de conhecimentos e saberes queressignifique o saber escolar e os conhecimentos prévios dos alunos mudando arealidade histórica do país onde as políticas públicas e econômicas no Brasil sempreforam desfavoráveis aos campesinos. Dessa forma fica-nos claro o quanto faz-se
  • 16. 15importante descrever a seriedade em realizar um estudo de forma clara etransparente de uma educação de qualidade para o aluno do campo. E aimportância das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) para a formação de sujeitoscríticos e participativos na sociedade garantindo assim a permanência deles nocampo. Pois sabemos que a partir da educação ministradas nas EFAs é possívelfalar em política pública educacional voltada para as necessidades do campesino. Portanto as nossas perspectivas são bastante otimistas, pois acreditamos nasconquistas e especificamente nas mudanças sociais. Por tudo isso se tornaaspectos importantes apresentarmos essa discussão. Para darmos continuidade aonosso trabalho utilizamos a pesquisa, Vergara (2003) qualifica a pesquisa em doisaspectos quanto aos fins (descritivos, explicativos) e quanto aos meios (bibliográficae de estudo de caso). O presente trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos. No primeirocapítulo estaremos problematizando as questões, apresentando algumas dasprincipais características da pedagogia da alternância, além de fazermos umdelineamento sobre a trajetória da educação do campo no seu contexto sóciohistórico brasileiro que se subdivide em Período da República, República Velha,Estado Novo, Período de Redemocratização, Regime Militar, Programas,Lesgislação, Período Atual, desafios e conquistas. No segundo capítulo falaremosdo aluno do campo, seus desafios e suas perspectivas, sendo estes relacionados àpermanência e sobrevivência no/do campo e êxodo rural. Escolas FamíliasAgrícolas (EFAs), fazendo a seguinte divisão origem das (EFAs), origem das (EFAs)no Brasil, origem da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG),estrutura organizacional das EFAs principais características das (EFAs), principaisobjetivos das (EFAs). Terceiro capítulo trataremos de delinear a metodologiautilizada para obtenção de dados para a realização da pesquisa, onde pudemosevidenciar com maior clareza o lócus da pesquisa, os sujeitos envolvidos e todos osinstrumentos que nos serviram como suporte metodológico. No quarto capítuloapresentaremos a interpretação e análise de dados onde a percepção dos sujeitosda pesquisa e o quadro teórico analisado em suas especificidades nos darão umavisão mais ampla e ao mesmo tempo complexa da educação do campo e seusdesafios. Por fim tecemos as considerações finais.
  • 17. 16 CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO1.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES O atendimento escolar para os sujeitos do campo no Brasil ao longo dahistória tem demonstrado certo grau de inferiorização da educação do campo, tendoem vista que o padrão de desenvolvimento historicamente hemogênico no Brasil temse caracterizado por ser um processo concentrador de riquezas e de terras, sendoas políticas públicas distribuidoras de valores excludentes socialmente injustos.Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Xavier (1990), Assim o período que vai dos anos 30 aos anos 60 foi importante tanto para a consolidação do capitalismo no Brasil com a industrialização, quanto para a penetração efetiva de uma nova ideologia educacional, que proclamava a importância da escola como via de construção da sociedade brasileira advogando para tal a necessidade de reorganização econômica dependendo do ensino, de tal forma que: a modernização econômica que assim como economia tendeu a se dar dentro dos limites necessários á incorporação da economia nacional ao conjunto de economia capitalismo mundial que se subordinava. (p.15). Acreditamos que tudo contribui para que o campesino se distanciasse cadavez mais de sua realidade e buscasse uma forma de vida voltada para a industria.Já que a educação do campo nunca os preparou para lidar com a terra, e nemtampouco para sobreviver a esse sistema capitalista cheio de ideologias. Talvezisso se deu pela idéia que se formou durante muitos anos de neutralidade docampesino na sociedade, quem sabe, por isso a situação dele seja precária e otrabalho é sempre penoso, com tarefas que requerem esforço físico e adaptação àsmudanças climáticas, além de serem explorados sem contar com a insalubridade aque se expõem. Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Delors,(2001), A pesar das diversidades de problemas que enfrenta o homem do campo tem demonstrado um grande potencial produtivo. Pois ele é o principal responsável pelo abastecimento dos mercados locais e regionais de alimento, porém apesar de ser a população que mais produz é uma das maiores responsáveis pelo desenvolvimento econômico do País na produção do campo, tem sido desprezada pelo o poder publico,(p. 08).
  • 18. 17 Diante do exposto se faz necessário que a sociedade se conscientiza quesomos completamente dependentes dos sujeitos do campo para sobreviver, pois,são eles que produzem na sua maioria os alimentos que consumimos. Partindo dopressuposto de que dependemos da terra, e da água para sobrevivermos, teremosque buscar melhores qualidades de vida para esses sujeitos, que da terra vive tiraseu sustento e o sustento dos demais sujeitos da sociedade. E como já foi exposto àeducação precisa ser reconhecida como fator importante para a permanência e ocuidado com o homem e o homem com a natureza para que não desertifique ocampo. Ainda há muito que melhorar, pois a educação sempre foi negada ao povobrasileiro e em particular ao homem do campo em decorrência dos vários fatoressociais, econômicos e políticos. As classes trabalhadoras e campesinas sempresofreram discriminação, rejeição e humilhação, sendo superado aos poucos, porémo campesino ainda sofre todos os tipos de violência humana, onde sua mão de obraé vendida por valores desonestos, sem reconhecimento social e político, os dadosestão cada vez mais claros. Comparando o último Censo Escolar (INEP), realizado em 2005, e o de2002, mostra que em três anos foram fechados mais de 10 mil estabelecimentos deensino no campo. Nesse período, o total que era de 107 mil – praticamente ametade da rede de nível básico do país caiu para 96.460. Deve-se considerar, ainda,que grandes partes das escolas rurais no país são pequenas, cerca de 50% delascontam com uma única sala de aula – e quase todas oferecem somente as quatroprimeiras séries do ensino fundamental. Além disso, apenas 10% dos professoresdas quatro primeiras séries têm formação superior, contra quase 40% na redeurbana. De acordo com o senso de 2005 a maiorias das escolas rurais do Brasil sesituam nas regiões pobres do nordeste, onde os recursos dos municípios para ogasto com alunos são bastante reduzidos. Diante dos dados apresentado pudemosconstatar que, nos últimos anos o Brasil tem demonstrado que, apesar dasconstantes migrações campo-cidade ocorridas nos últimos sessenta anos, há de seconsiderar que uma grande parcela da população vive no meio rural e resiste àstransformações econômicas excludentes. Deixando óbvio que essa populaçãoapesar dos direitos alcançados vive em desvantagem em termos físicos,
  • 19. 18socioculturais, econômicos, educacionais e entre outros, em comparação aoshabitantes da urbana. Há muito que construir para que as escolas campesinas se transformem emescolas do campo com ensino de qualidade para os campestres. Para isso faz-senecessário que as políticas públicas educacionais fortaleçam e aperfeiçoem osprogramas de capacitação, projetos pedagógicos, metodologias e material didáticopara que desenvolva um novo olhar e uma nova prática voltada para a necessidadede realizar as ambições dos campesinos, e orientar nas dúvidas freqüentes dessaclientela. Afirmamos que hoje a partir de um trabalho de conscientização social nãopoderá haver lugar no campo para instrumentos e ações pedagógicas quedisseminem relações autoritárias e massificadoras, que leve os alunos ao nãoreconhecimento de sua identidade e a desvalorização da sua cultura. Teremos queintervir como sujeitos de ação, para que de fato arquitete uma educação ondenenhuma atenção é dispensada às questões básicas do campo e a produção dacultura local. Pois acreditamos que não há mais lugar para as raízes autoritáriasexistentes na maioria das práticas docentes, onde cada fala, cada ação, expressa opoder, detenção da verdade e do conhecimento do professor e submissão damaioria dos alunos. Para Queiroz (1985). Manter o trabalho distante das atividades escolares é manter os alunos numa posição de escolha entre o que se precisa fazer do que precisa saber. E nesta posição que os alunos se perdem entre as atividades escolares e as atividades cotidianas da família, e acabam na maioria das vezes, repetindo de série. (p.58). Não podemos mais aceitar que o professor seja o detentor de todo oconhecimento, e que somente ele tem o saber absoluto. É interessante demonstrarque o conhecimento desenvolve-se na coletividade e que no campo a atividade dospais é muito valorizada pelos filhos, pois desde pequenos auxiliam os pais e comisso ganhando conhecimentos que lhes serão muito úteis para sua sobrevivência,mas, a escola e o professor não aproveitam o conhecimento do aluno, o que elesrealmente entendem como filho de trabalhador rural, ou seja, como conteúdo oucomo forma de avaliação.
  • 20. 19 Por sabemos que educação é um processo vital para o desenvolvimento e aformação integral do campesino, queremos demonstrar que se a escola conciliarconhecimento científico com conhecimento popular transformaremos o processoeducativo tanto do campo como da cidade. Assim, pode se dizer que esse processocomeça na família, continua na escola e prolonga-se por toda a existência humana,acreditamos que, quando se valoriza tempo espaço e cultura do aluno fica mais fácildesenvolver o aprendizado de forma a garantir sucesso nos resultados. Nãopodemos pensar em uma educação de qualidade para o campo sem uma novaproposta pedagógica que respeite e valorize tempo e espaço da sua clientela quereverenciem a adversidade cultural, que valorizem os saberes dos diversos grupossociais, e façam valer de fato o direito a educação de qualidade para o campo. E que essas mudanças alcance o sucesso almejado para os alunos e apopulação campesina, levando os educadores a valorizem as atitudes e oconhecimento do aluno e que juntos possam respeitar e apreciar a terra e todos osseres vivos como elementos indispensáveis para a sobrevivência humana,respeitando e dando valor o trabalho do campo como instrumento de transformaçãosócio-econômica e política, apreciando a solidariedade e a coletividade humana. Não se pode mais aceitar que a educação ministrada nas escolas do camposeja desvinculada da vida e do cotidiano do aluno, que essas escolas não podemser mais uma mera extensão das escolas urbanas, pois, seu público tem umarealidade diferente que precisa ser valorizada e respeitada. Para tanto falar em educação do campo é também conhecer e vivenciar apedagogia da alternância que tem como finalidade alternar tempo e espaço escolar,pois segundo Gimonet (1999), as principiais características da Pedagogia daAlternância são: [...] Alternância de tempo e de local de formação, ou seja, de período em situação sócio – profissional e em situação escolar. Significa outra maneira de aprender, de se formar, associando teoria e prática, ação e reflexão, o empreender e o aprender dentro de um mesmo processo. Significa uma maneira de aprender pela vida, partindo da própria vida cotidiana, dos momentos experienciais, dando prioridade à experiência familiar, social e profissional. Conduz a partilha do poder educativo, valorizando o saber de cada um e os contextos de vida (p, 44).
  • 21. 20 O método pedagógico baseado na alternância tem como base a busca doconhecimento relacionada à formação pessoal e social dos educandos. Nãopodemos falar em Escolas Famílias Agrícolas sem fazermos uma breveapresentação da pedagogia da alternância na qual é baseado o ensino nas EFAs.Esse método muito tem contribuído, trazendo grandes resultados para a educaçãodo campesino. A Escola Família Agrícola e a experiência a ela agregada é centradana pedagogia da alternância, elas valorizam os conhecimento prévio dos alunos edespertar o prazer pela busca do novo na realidade em parceria com acomunidade/escola despertam vocações a ela atinentes e atuam juntos aos jovens esua família. Além de incentivar o respeito à cultura do sujeito do campo. A Pedagogia da Alternância ver o aluno como o centro do processoeducativo. Vinculando-o a família e a comunidade, introduzindo-os aspectos sociais,políticos e culturais que fomenta a organização de uma consciência frente àsinjustiças sociais. Os procedimentos metodológicos da pedagogia da alternânciaseguem um processo de respeito e valorização dos sujeitos, frente a uma posturacrítica da realidade, a alternância educativa fortalece a relação teoria e prática, ouseja, articula o tempo escola com o tempo comunidade, permitindo que os jovensalternem períodos de formação no ambiente escolar e período de práticas,experiências e pesquisas no ambiente familiar comunitário, integrando família eescola num processo contínuo de formação levando o conhecimento adquirido paraa comunidade.1.2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO Se avaliarmos o processo educacional brasileiro percebemos que durantetodo o processo histórico brasileiro a educação do campo sempre foi relegada asegundo plano, ou se analisado com maior critério percebe-se que o campo semprefoi visto apenas como roça, lugar impróprio para sobreviver, desta forma pudemosperceber que o processo educacional do campo desde a República Velha até oPeríodo Militar sempre foi tratado pelos governantes com grande descaso econsiderado como algo sem necessidade e sem valor beneficiário, pois, todo otrabalho era centrado na mão de obra escrava, de acordo com o Grupo permanentede Trabalho de Educação do Campo (2004, p.7) a “[...]Educação do campo nem se
  • 22. 21quer foi mencionada nos texto constitucionais até 1891[...]” afirmando assim que aeducação brasileira sempre serviu a oligarquia aumentando assim o poder fundiáriosobre a mão de obra escrava, deixando claro que quanto menos estudo maioralienação. Não podemos esquecer que esse panorama condicionou a história daeducação escolar brasileira deixando como herança uma educação do campoprecária, onde os elementos humanos são poucos atribuídos como fortalecimento dacultura da família e da comunidade e especificamente da escola pertencente,fazendo uma analise percebemos o grande diferencial em relação às escolasurbanas, com relação ao espaço, quase não há, pois, falta disponibilidades destespara realizar o trabalho pedagógico, a infra-estrutura e os espaços físicosinadequados, as escolas mal distribuídas geograficamente, a falta de condições detrabalho, salários defasados, ausência de formação inicial e continuada adequadaao exercício docente do campo e uma organização curricular descontextualizada davida dos povos do campo. Por essa razão é que se tem a idéia equivocada de que ocampesino é uma parte neutra da sociedade contribuindo para que a situação dotrabalhador seja precária, o trabalho insalubre, penoso e com tarefas difíceis querequerem esforços físicos e adaptações climáticas. Apesar de sabermos que essa situação não é especificamente das escolasdo campo, porém o problema é muito maior e mais complicado. Pois ainda apesarde várias mudanças ocorridas no campo há a idéia equivocada de que o campesinoé parte neutra da sociedade. A educação oferecida à população campesina, ao longo do tempo, pode ser vista como uma espécie de resíduo do sistema educacional brasileiro. Sempre que se pensou a educação rural, esta se limitava à transmissão de conhecimentos prontos, à transferência de conhecimentos elaborados sem a participação dos sujeitos do campo. Pelo contrário, utilizando para os alunos da zona rural a mesma metodologia usada nas escolas da cidade. (COSTA, 2002) Não podemos nos esquecermos de toda a trajetória educacional do Brasilonde a educação começou privatizada, apenas sendo privilegio dos filhos dosgrandes senhores e que de uma forma mascarada continua sendo reprodutivamasificadora, e opressora levando a uma divisão social injusta onde o campesino
  • 23. 22era em alguns casos continua sendo objeto do produto e não como seres humanosparticipativos e sociais. Dessa forma, o campo era visto não como um espaço devida, mas sim, como um lugar da produção de mercadorias, no entanto o campoprecisa ser compreendido com requisito indispensável para solidificação de políticaspúblicas que valorizem os homens e mulheres que vivem no/do campo. Sabemos e temos noção dos investimentos no campo e as inovações que aprincipio foram no maquinário, no aumento da produção e na diminuição da mão deobra braçal. Trazendo maiores consequencias para o camponês pois a escola nãoos preparou para que pudessem se adaptar a esse processo tecnológico. Para tantoo que pudemos perceber que na verdade os únicos privilegiados são os grandespropietarios que produz muito mais e vende para as grandes empresas, fortalecendoassim um sistema capitalista esmagador sabemos que o pequeno produtos produzapenas para seu sustendo isso quando produz. Mais de fato acreditamos que aeducação de qualidade é um importante fator para se desenvolver e garantir ofortalecimiento do campesino. De acordo com Molina (2006). Identificar pessoas que vivem no/do campo, sem terra e sem as condições necessárias de sobrevivência, num País continental como o Brasil, faz transparecer a fragilidade e equivoco das políticas públicas fundiárias historicamente desenvolvidas pelo poder público e reforçando a idéia de que “não há possibilidade de construção de justiça social no Brasil sem efetuar (mos) profunda e radical mudança no acesso a dois bens fundamentais: terra e educação”, (p.07). Apesar da educação campesina ser marcada ao longo do tempo, pelodesprezo, e pela atuação tardia e descontínua dos poderes públicos e peladesvalorização das políticas públicas para o campo, ela começou a ser visualizada etratada nas políticas públicas de meados do século XX. Está bem claro e precisa secolocar em pratica as leis e os artigos, pois até o momento tudo só passa de rabisco.Para ser cumprida ao pé da letra veremos que está garantido na LDB, Lei nº.9.394/96, no art. 28 inciso I Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, Especialmente: I – Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais Necessidades e interesses dos alunos da zona rural. (BRASIL, nº. 9.394/96 art. 28, inciso I).
  • 24. 23 Afirmamos que só criar leis e artigos não será suficiente para a reinserçãosocial do campesino. É preciso um conjunto de ações que estabeleça normasbásicas para o cumprimento dessas leis. Pois está cada vez mais claro que aeducação ministrada nas escolas do campo não prepara os seus alunos, os filhosdos agricultores para dar continuidade às tarefas dos pais, nem tampouco osqualificam para os empregos urbanos. Pois essa escola é uma mera extensão dasescolas urbanas e uma violência ao homem do campo. É preciso que o campesinatoconquiste seu espaço e essas aquisições só nascerão com a ação dos movimentossociais e de toda uma sociedade organizada. Pois segundo (Caldart, 2004). Estas conquistas nas políticas públicas são acompanhadas pelos movimentos e organizações de trabalhadores e trabalhadoras campesinos/as. Estes/as participam destas políticas fazendo proposições e apresentando exemplos, práticas de como deve ser a educação dos povos do campo. Por isso, surge nesse contexto um novo jeito de lutar e de pensar a educação para os brasileiros que trabalha no campo e vive do campo. (p.13). Somente dessa forma os sujeitos do campo estarão conquistando seuespaço como ser social e com direitos iguais, fazendo valer a força que os sustenta.1. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA Nesse período pudemos perceber que houve grande resistência por partedos governantes em inserir o Brasil na modernidade do século XX. Sendo a escola omaior mecanismo responsável por esse salto fundamental para o aprimoramento doconhecimento. Para tanto de acordo coma afirmação de Leite quando diz: Confrontando setores antagônicos, como o agrário exportador versus urbano industrial, a República Velha pretendeu a inserção do Brasil na modernidade do século XX, buscando no processo escolar a fonte de inspiração para esse salto qualitativo. A “República Educadora” estabeleceu a escolarização como à alavanca para o progresso, criando na sociedade brasileira da época um novo projeto de vida. (1999, p.27). Projeto esse que serviu de passaporte para o fortalecimento da culturaurbana e a exploração e o estagmatismo de inferioridade do homem do campo.
  • 25. 24 O contexto histórico se faz perceber pela suas contribuições de negação ediscriminação para com o campesino na sociedade, cujo surgimento de umaideologia não passa a existir de um determinado tempo isolado, pensamos que astrajetórias de exclusão no campo percorrem as raízes históricas.1. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO Este foi o momento onde pudemos perceber a existência da educação docampo que diz respeito à escolarização do campesino. Se avaliarmos o modeloeducacional implantado no campo durante todo o período republicano foi tãoexcludente que marca até hoje o modelo de educação adotada para os campesinos,serviu apenas para atender as necessidades das elites brasileiras, que trazemconsigo uma idéia arcaica e sem fundamento de que o homem e a mulher do camponão precisam ler e nem escrever afirmando que, para desenvolver o trabalhoagrícola não precisa de educação. Para tanto afirmamos ser o conhecimento a portade saída dos problemas sociais e que o povo que mora e vivem no campo precisammuito mais que isso precisa de políticas públicas que atendam as necessidadesespeciais básicas como: saúde, educação, saneamento básico entre outros. A visão de educação rural surge condicionada pelas matrizes culturais escravistas, latifundiárias e controlada pelo poder político e econômico das oligarquias. Mesmo encontrando-se iniciativas de educação rural ainda no século XIX, é a partir dos anos 30 do século XX que começa a delinear-se um modelo de educação rural amarrado a projetos de "modernização do campo", patrocinado por organismos de "cooperação" norte-americana e difundido através do sistema de assistência técnica e extensão rural (Calazans, 1993). Apesar de se falar em educação para o campo e da criação da novaconstituição a qual dizia “educação um direito de todos” tinha um único objetivopreparar a mão de obra escrava. Demonstrando o diferencial para o processoeducacional da época onde o ensino intelectual ou ensino pré-vocacional serviaapenas às classes elitistas e os cursos técnicos profissionalizantes as demaisclasses. Além de manter institucionalizado este dualismo na educação brasileira, osetor educacional brasileiro neste período também agrega valores, desde o cursoprimário, voltado para um nacionalismo totalitário.
  • 26. 25 Enfim, a educação no Estado Novo possuía um caráter propedêutico paraaqueles de melhor posição na pirâmide social e um caráter “profissionalizanteprecoce” para as “classes menos favorecidas” atendendo assim aos desejos daclasse empregadora, ratificando a ordem dominante. Em meio a esse contexto surgeo discurso do “Ruralismo Pedagógico” que, segundo Maia (1982), pretendia umaescola integrada às condições locais regionalistas, cujo objetivo maior era promovera fixação do homem ao campo. A escola do campo teria então a função deproporcionar o desenvolvimento das populações tirando-as da situação de misériaeconômica e intelectual e, mantendo-as no campo. No mesmo período, ocorreu um vigoroso movimento de educação popular, protagonizado por educadores ligados a universidades, movimentos religiosos ou partidos políticos de orientação de esquerda. Seu propósito era fomentar a participação política das camadas populares, inclusive as do campo, e criar alternativas pedagógicas identificadas com a cultura e com as necessidades nacionais, em oposição à importação de idéias pedagógicas alheias à realidade brasileira. (Ribeiro, 1993:171). Podemos perceber que havia um pensamento pautado numa visãodicotômica entre cidade e campo. Daí então a educação do campo viria apenas pararesolver os problemas sociais e não um direito dos povos do campo. Como sempreo pensamento voltado para o fortalecimento da elite brasileira. Ainda emconsonância com Calazans, (1993) Uma escola que desperte e forme uma consciência cívica e trabalhista [...] alicerce da nossa produção e da nossa riqueza [...] que faça desaparecer o ferrete da humilhação e desprestígio impresso no trabalho rural desde os tempos da escravatura [...]; que extinga os resquícios doentios de uma aristocracia falida e inoperante, herdada dos colonizadores; que represente uma reação [...] contra o doutorismo, o diplomismo [...]; que engrandeça as atividades do campo e da lavoura; que faça do trabalho organizado e produtivo o código social do Estado (p.19). Essa escola tinha somente um objetivo apresentar ou impor ao trabalhadormais uma forma de alienação e submissão da classe trabalhadora mudando apenasas mascara da escravidão.
  • 27. 261. 4.1. Período da redemocratização ou neoconservadorismo Com a abertura política e o processo de “redemocratização” no Brasil, osmovimentos sociais ganharam novos ares e conseguiram abrir as janelas e limpar obolor das lutas sociais e começaram a levantar novas bandeiras de luta. Contudo, oprocesso de “redemocratização” foi lento, demorado, burocrático e a cultura políticanão poderia se desfazer de um dia para outro. Esse período compreendido entre1945 a 1964, o Brasil em consonância com as políticas públicas Norte - Americanacria a comissão Brasileiro-Americanos de educação das populações rurais (CBAR)objetivando implantar projeto educacional na área rural e estimular odesenvolvimento da população do campo. Nesse mesmo período surgiram váriosprogramas de extensão rural no Brasil levando o campesino ao reconhecimento ehabilidades que fortaleceram seu desenvolvimento técnico, importantes para amelhoria e aperfeiçoamento de habilidades necessárias à vida no campo. Aeducação do campo quando realizada de forma homogênea garante atransformação de um povo. Para tanto se precisa de união de classe e organizaçãocomunitárias sócio-produtiva e sócias educacional. O Estado Novo a chamadaPrimeira Redemocratização do Brasil (1945-1964) à educação rural foi palco dealgumas iniciativas, tais como: a criação da CBAR (Comissão Brasileiro-Americanode Educação das Populações Rurais) que seria o embrião da ABCAR (AssociaçãoBrasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural) que surge em 1956. Outrainiciativa que surge neste cenário é o Programa de Extensão Rural nos moldesnorte-americanos e com interesses para formar empresas familiares no meio rural. A extensão rural busca persuadir os camponeses a usarem a assistênciatécnica na produção de sua propriedade para que pudessem conseguir um maioríndice de produtividade e, como conseqüência, o bem-estar social (Fonseca, 1985).A década de 1950 foi um momento difícil no meio rural brasileiro devido ao problemado êxodo rural que toma um nível de proporção assustador. Na concepção de Leite(1999), A educação rural sofreu as mesmas discriminações governamentais de tempos anteriores. Foi a negação da escolarização nacional, da cultura, do hábitat, do trabalho e dos valores da sociedade. Foi a cristalização de uma relação de dependência e subordinação que, historicamente, vinha acontecendo desde o período colonial. A concretização desses impasses
  • 28. 27 aconteceu por ocasião da promulgação da Lei 4.024, em dezembro de 1961(p. 38). Foi durante esse período que surgiu os movimentos de resistências populartais como: os Centros Populares de Cultura (CPC) e o Movimento de Educação deBase (MEB) que tinham ligação profunda com as Ligas Camponesas, os (STR)Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e outras organizações. Esses grupos forammuito importantes para o surgimento de grupos de educação no Brasil. Na ditadura militar houve a troca da figura do professor pela figura dotécnico. Para contrariar esse modelo educacional da barbárie surge o grande mestreque revolucionou o processo educacional Paulo Freire, com sua educação popular,onde muitos grupos e movimentos sociais aderiram a esse projeto de educaçãodemocrática e libertadora porem não se contentando com esse fato a ditadura militarmodificou sua estratégia de ensino implantando duas leis que afetamconsideravelmente a educação no campo, a saber: a Lei 5.540/68 com a reforma doensino superior e a Lei 5.692/71 com a nova estruturação do ensino de 1º e 2ºgraus. Que possui um caráter muito mais conservador do que a lei 5.540/68, alémde não trazer nem uma novidade deixa prevalecer à formação intelectual e oprofissional, não deixando permanecer os anseios do campesino. Só a partir de 1990 é que pudemos perceber um maior envolvimento e umamaior conscientização política da educação campesina. Por essa razão nãopodemos deixar de ressaltar a importância dos movimentos sociais para aformulação de políticas públicas educacionais no campo. Daí então não podemosesquecer que em toda e em qualquer sociedade a participação e a união do povosão sinônimos de conquistas. Para Arroyo (1999): (...) os movimentos sociais são em si mesmos educativos em seu modo de se expressar, pois o fazem mais do que por palavras, utilizando gestos, mobilizações, realizando ações, a partir das causas sociais geradoras de processos participativos e mobilizadores. Comprova-se assim, um processo contra-hegemônico, um sistema vivo que se faz presente nas comunidades. (p.09) Por um lado, sabe-se que de uns tempos para cá houve um enorme refluxodestas práticas educativas, por outro, percebe-se o ressurgimento de movimentossociais que pudemos perceber nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que
  • 29. 28tinham um trabalho de conscientização popular a partir de uma leitura teológicavoltada para atender as reais necessidades e urgências das comunidades. Já no inicio da década de 1950 foi criada a Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e o Serviço Social Rural (SSR) desenvolvendo projetos para a preparação de técnicos capazes de prestarem o devido atendimento ao homem do campo, nas áreas da saúde, associativismo, economia doméstica, etc. Dois projetos da CNER surgiram, a campanha de educação de adultos e as missões rurais de educação de adultos, (Leite, 2002, p.37) Em 1954 a 1956 surge à associação de créditos e assistência em váriosestados brasileiros dando outra cara para o campo porem não podemos nosenganar passou da escravatura disfarçada para o assistencialismo. Atualmente, asempresas responsáveis pela extensão rural nos estados brasileiros são: EmpresasAssistência Técnica de Extensão Rural – EMATER- nos Estados do Rio Grande doSul, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais; Empresa de PesquisaAgropecuária e Divisão Tecnológica- EPAGRI- em Santa Catarina; Coordenadoriade Assistência técnica Integral – CATI da secretaria de Agricultura e Abastecimentode São Paulo; Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário do Estado doAmazonas; Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência técnica eExtensionismo Rural S.A.- EMPAER- em Mato Groso e Mato Grosso do Sul. Épercebido que a educação no campo continua sendo tratado como mecanismo deformação de mão de obras.1. 4. 2. Programas e legislação Os programas e as leis foram feitas para serem cumpridas, infelizmente namaioria dos casos não são exercidas nem se quer discutida entre seus beneficiários,na educação campesina sabemos que a lei de diretrizes e base para o campo diz:ensino tem que se adequar à necessidade dos alunos, porém em nenhum momentofoi citado à responsabilidade com a educação no campo. Considerando a precariedade das famílias brasileiras, a obrigatoriedade nesse caso perde seu efeito, o mesmo acontecendo com a responsabilidade dos municípios em relação ao ensino fundamental e sua manutenção. Deixando a cargo das municipalidades a estruturação da escola fundamental na zona rural, a Lei 4.024 omitiu-se quanto à escola no campo, uma vez que a maioria das prefeituras municipais do interior é desprovida de recursos humanos e, principalmente, financeiros. Desta feita, com uma política educacional nem centralizada nem descentralizada, o
  • 30. 29 sistema formal de educação rural sem condições de auto-sustentação pedagógica, administrativa e financeira – entrou num processo de deterioração, submetendo-se aos interesses urbanos. (LEITE, 1999, p. 39). Em 1961 foi aprovada nossa primeira Lei de Diretrizes e Bases de número4.024/61. A obrigatoriedade da escolarização para crianças de 07 anos pode serconsiderada uma conquista importante. Todavia, a União transferiu para estaorganização, manutenção e funcionamento da escola. Às prefeituras atribuiu-se acriação de escolas na zona rural. Como fundar instituições de ensino sem recursosfinanceiros e humanos? Na realidade o governo se omitiu desta vez de forma abertano texto da lei, no seu papel de garantir educação pública de qualidade aostrabalhadores do campo. Neste mesmo período surgiram os movimentos popularesrelacionados à educação campesina como os Centros Populares de Cultura (CPC) eo Movimento Educacional de Base (MEB). Também surgiu um movimento bastanteconhecido na atualidade que veio como programa de alfabetização de adultos(MOBRAL) que tinha como prioridade fazer com que os alunos aprendessem a ler eescrever sem nenhuma preocupação com a formação humana nem tampouco com aconscientização política e moral. Para esse programa só o fato de saber ler eescrever era suficiente para melhorar a vida talvez por ser um programa semintenção formativa ficou desacreditado em diversos meios sociais sendo extinto em1985. Em 1964 a maioria desses programas de educação popular de jovens eadultos da cidade e do campo foi desarticulada de forma que só em 1970 foiretomada a discussão sobre educação do campo. Tudo isso se deu devido à reaçãoda sociedade no combate ao autoritarismo e repressão aos movimentos sociaisassumindo um caráter de luta pela redemocratização da sociedade brasileira. Diante desse cenário o Governo Federal se propôs através do II PlanoSetorial de Educação, Cultura e Desporto (PSECD) a dar prioridade às populaçõescarentes do meio rural e das periferias urbanas. Dentre eles o Programa Nacional deAção Social-Educativas e Culturais para o meio rural (PRONASCE) e o Programa deExtensão e Melhoria para o Meio Rural (EDURURAL). Ainda sob a ideologia militar eelitista a escolarização nacional sofreu novas alterações com a Lei 5540/68 e5692/71 que gerou um grande desastre com a extinção de grandes grupos como aUnião Nacional dos Estudantes (UNE).
  • 31. 30 Durante duas décadas ocorreu o aumento do êxodo rural. Nos anos 80 aeducação do campo ainda não fazia parte das propostas dos governos não ocupavapapel relevante nas políticas públicas educacionais levando à busca de debates ediscussões entre governo e movimentos sociais. Na década de 90 em relação aeducação do campo surgiram movimentos com articulação nacional por umaeducação do campo, movimento sindical dos trabalhadores rurais, além dos própriosmovimentos sociais contribuíram para que fosse contemplado na Lei de Diretrizes eBase Nacional - LDB ( lei nº9.394 de dezembro de 1996). Onde então pudemosperceber referencias específica para a educação do campo, expressa claramenteno artigo 28, quando propõem medidas de adequação da escola à vida do campo. Entretanto para isso precisamos entender o que é escola do/no campo.Outra conquista magnífica foi em 2002 com as diretrizes operacionais paraEducação Básica do Campo (Resolução CNE/ CEB nº 1, de 3 de abril de 2002)muito importante e representou metade da divida com os povos do campo. Em 2003surgiu uma nova discussão sobre educação do campo em novas basesgovernamentais, tendo os movimentos sociais uma grande preocupação com aeducação do campo diante disso o Ministério da Educação instituiu a portaria nº1374 de 3 de julho, um Grupo Permanente de Trabalho (GPT). Apesar de tantasconquistas acreditamos que tudo isso é insuficiente. No entanto há necessidade dereconhecimento e valorização das propostas alternativas de educação como MST,Movimento dos Sem Terra, Escola Ativa, Educação Contextualizada, Projeto CATComunicação de Acidente de Trabalho, entre outras. Precisamos estar em constante vigilância segundo Leite (1999), pois aconstrução da escola pública de qualidade do campo significa lutar pela superaçãode contradições, tais como: 1. Quanto aos aspectos político-pedagógicos: a baixa qualidade de vida na zona rural; a desvalorização da cultura rural; a forte infiltração da cultura urbana no meio rural; a conseqüente alteração nos valores sócio-culturais campesinos em detrimento aos valores urbanos; 2. Quanto à situação do professor: presença do professor leigo; formação essencialmente urbana do professor; questões relativas a transporte e moradia; clientelismo político na convocação dos docentes baixo índice salarial; função tríplice: professora/merendeira/faxineira; 3. Quanto à clientela da escola rural: a condição do aluno como trabalhador rural; distância entre locais de moradia/trabalho/escola; heterogeneidade de
  • 32. 31 idade e grau de intelectualidade; baixas condições aquisitivas do alunado; acesso precário a informações gerais; 4. Quanto à participação da comunidade no processo escolar: Um certo distanciamento dos pais em relação à escola, embora as famílias tenham a escolaridade como valor sócio-moral; 5. Quanto à ação didático-pedagógica: currículo inadequado, geralmente estipulado por resoluções governamentais, com vistas à realidade urbana; estruturação didático-metodológica deficiente; salas multisseriadas; calendário escolar em dissonância com a sazonalidade da produção; ausência de orientação técnica e acompanhamento pedagógico; ausência de material de apoio escolar tanto para professores quanto alunos; 6. Quanto às instalações físicas da unidade escolar: instalações precárias e na maioria das vezes sem condições para o trabalho pedagógico; 7. Quanto à política educacional rural: são raros os municípios que se dispõem a um trabalho mais aprofundado e eficiente, devido à ausência de recursos financeiros, humanos e materiais (p. 55 e 56). Precisamos fazer valer uma educação do campo para que o campesinosinta-se fortalecido e valorizado.1. 4. 3. Período Militar Em março de 1964, os militares assumiram o poder por meio de um golpe egovernaram o país nos 21 anos seguintes, instalando um regime ditatorial. O Brasilviveu um dos piores momentos da sua história, presenciando mudanças do país edo capital, com a entrada do modelo estrangeiro de desenvolvimento. Intensificandoas desigualdades, restringindo o exercício da cidadania e reprimindo com violênciatodos os movimentos de oposição, instalou um processo de industrialização levandoo país a uma fase de crescimento econômico acelerado, porém em nada beneficioua classe trabalhadora. Foi uma época marcada por conflitos, intervenções militares,por métodos que buscavam suprimir a autonomia dos educadores e dos educandos,conduzindo-os a uma submissão extrema. Que segundo Chiavenato, (2004). Procurou-se evidenciar que a política do governo militar empenhou-se na destruição cultural das forças que poderiam resistir à barbárie. Ao se impor pela força, adotando um modelo conseqüente e coerente com a Doutrina de Segurança Nacional, a ditadura mostrou a sua verdadeira natureza em termos culturais. E cumpriu a ‘profecia’ do comandante da invasão da UnB, Coronel Darci Lázaro: ‘Se essa história de cultura vai nos atrapalhar a endireitar o Brasil vamos acabar com a cultura durante trinta anos’. (p.149). Olhando por esse ângulo, os militares não trouxeram qualquer benefício àeducação e a cultura brasileira simplesmente desenvolveram um método de ensinocentrado em formar pessoas, não para a vida social, mas para o mercado de
  • 33. 32trabalho. Onde o que importava era a produção da mão de obra para servir omercado esmagador. Porém para que pudesse desenvolver e manter o mercado tãoexigente o governo instituiu uma série de ações que buscavam adequar à política ea educação as determinações econômicas, constatando assim que o processoeducacional urbano e do campo somente eram direcionados à capacitação mínimado indivíduo para atender o mercado de trabalho. No entanto, houve um grandemomento nesta mesma época que merece destaque como suporte de libertaçãopara as classes menos favorecidas da época como grupos das periferias urbanas edo campo. Nasce então a ascensão da escola popular que teve como criador eideário Paulo Freire ganhando adeptos por todo o país e se espalhando rapidamenteentre os movimentos sociais dando origem a educação libertadora aprovada edesenvolvida em varias comunidades do campo. Diante dessa reveladora escola popular o governo tenta mascarar a suaintenção criando projetos destinados ao campo entre estes: (SUPRA)Superintendência de Política de Reforma Agrária (1964). Que teve como focofortalecer a reforma agrária, no entanto contribuiu para aumentar o latifúndiofortalecido por meio de créditos rurais. O projeto de reforma agrária e a herança da concentração da terra e darenda permaneceram intocados ficou só na história e nos papeis. Outro projeto foi o(CRUTAC) - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária em(1965). A sua finalidade básica era promover o treinamento rural dos estudantes, emperíodos de estágios, com o assessoramento de professores e técnicos, visandocriar as condições necessárias ao estudo e solução de problemas da comunidade,mediante a adequação do exercício profissional às peculiaridades do meio. Noentanto sua finalidade espelha a falta de interesse pela formação dos sujeitos comoum todo. Também podemos citar o Projeto Rondon com ação assistencialista eintegração social cultural em 1968.1. 4. 4. Período atual De um modo geral a educação sempre foi negada ao povo do campo comosuporte de desenvolvimento social. Pois, em momento algum da história educacionalbrasileira houve um sistema que garantisse essa especificidade de campo como
  • 34. 33espaço de formação humana, e sim, como espaço de formação de mão de obra. Naatualidade presenciamos um movimento em relação à Educação do Campo, que sedesenvolve no âmbito dos direito. Direito de acesso a uma educação com qualidadee vinculada às problemáticas sociais vividas pelos sujeitos do campo. (Caldart,2002), bem como, as problemáticas por eles vividas. (...) a afirmação deste traço que vem desenhando nossa identidade é especialmente importante se levamos em conta que a história do Brasil, toda vez que houve alguma sinalização de política educacional ou projeto pedagógico específico isto foi feito para o meio rural e muita poucas vezes para os sujeitos do campo como sujeito da política e da pedagogia, sucessivos governos tentaram sujeitá-los a um tipo de educação domestificadora e atrelada a modelos econômicos perversos (p.28). De um modo geral faz-se necessário que a educação do campo veja o alunocomo um todo, com direitos políticos e sujeitos políticos, não como seres queprecisam ser domestificados. Pois de acordo com o Grupo Permanente de Trabalhode Educação do Campo (2004), a formulação de diretrizes políticas e pedagógicasespecíficas que regulamentem como a escola deve funcionar e se organizar, alemde dotar financeiramente possibilitando a institucionalização e manutenção de umaescola em todos os níveis de formação com qualidade, haja em vista que, asescolas do campo sempre foram vinculadas ao sistema produtivo servindo apenascomo suporte para uma sociedade injusta, seletiva e racista, superando mazelas eincorporando uma educação com novos valores. De um modo geral pudemos perceber que as políticas publicas por muitoséculos sempre contribuíram para a desertificação do campo, trazendo desgaste esofrimento para essa parcela da sociedade com o aumento do êxodo rural da faltade estrutura capital financeira. Diante do exposto fica a certeza que o êxodo rural seda pela a falta de investimento financeiro e capacitação adequado para o campesinosobreviver no/do campo. Pois de acordo com a fala de Saviani( 1986) “Na verdade, todo o sistema educacional se estrutura a partir da questão do trabalho, pois o trabalho é a base da existência humana, e os homens se caracterizam como tais na medida em que produzem sua própria existência, a partir de suas necessidades. Trabalhar é agir sobre a natureza, agir sobre a realidade, transformando-a em função dos objetivos, das necessidades humanas. A sociedade se estrutura em função da maneira pela a qual se
  • 35. 34 organiza o processo de produção da existência humana, o processo de trabalho”(p.14). Assim sendo podemos compreender que o trabalho, de tal modo como aeducação tem papel importante na formação dos sujeito, porem não podemosesquecer os demais fatores responsável pela a formação dos sujeitos como aprodução do conhecimento, do cuidado com a terra, os animais e a família e anatureza. Sendo assim a Lei nº 9394/96 veio promover a desvinculação das escolasdo campo com relação somente ao sistema produtivo, pois em seu artigo 28propõem uma escola que se adéqüe a vida do campo, isso significar adequar-se arealidade do campesino e do campo. Sem sucesso até o momento não conseguiuresolver o problema. Pois educação campesina tem que ser do campo. Nacompreensão de CALDART (2002), Os povos do campo devem ser atendidos por políticas de educação que garantam seu direito a uma educação que seja no e do campo. “No: o povo tem direito a ser educado no lugar onde vive; Do: o povo tem direito a uma educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação, vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais” (p.18). Neste sentido vale salientar que educar é muito mais que aprender asdisciplinas básicas da educação. Contudo, apesar de enfraquecido o êxodo ruralainda nos preocupa muito, pois, de acordo com o senso 2010, a população rural nopaís perdeu dois milhões de pessoas entre 2000 e 2010, o que representa metadedos quatro milhões que foram para as cidades na década anterior. A média dehabitantes que deixavam a área rural era de 1,31% a cada ano, enquanto na atualamostra a média caiu para 0,65%. Nas décadas anteriores os campesinos deixam ocampo acreditando na melhor qualidade de vida em função do trabalho mecanizadoe da mão de obra como recurso. Ainda de acordo com o senso 15,6% da população brasileira resida emáreas rurais dentre as pessoas em extrema pobreza, elas representam pouco menosda metade (46,7%). As maiores taxas de analfabetismo estão nas zonas rurais.Enquanto a taxa nas regiões urbanas chega a 7,3%, no campo ela chega a 23,2%.No que diz respeito à situação do Campo podemos compreender que os dados
  • 36. 35oficiais mais recentes do censo. Permaneceu também inalterada a situação daEducação do Campo. Os piores índices educacionais estão no campo brasileiro.Quando falamos de educação no campo e não mais educação rural é porquequeremos demonstrar que estamos tratando de todo, conjunto de cultura de povosem vários sentido, ou seja, um conjunto de trabalhadores e trabalhadoras que vivemno/do campo como os povos ribeirinhos, quilombolas os indígenas, e entre outrosque tem vinculado a vida ao campo. O campesinato no Brasil precisa ser definido como meio e como espaço dedesenvolvimento de valores e conquista de povos. Precisamos quebrar paradigmasdesmistificar a idéia preconcebida de inferioridade dos campesinos e inserirmos naslutas políticas sociais. Pois de acordo com o texto base Por uma Educação Básicado Campo (1998). Precisamos refletir sobre o sentido da inserção do campo no conjunto da sociedade, para quebrar com o fetiche que coloca o camponês como algo á parte, fora do comum, fora da totalidade definida pela representação urbana. Precisamos romper com essa visão unilateral, dicotômica (moderno - atrasado) que gera dominação, e afirmar o caráter mutuo da dependência: mutua (rural ou urbana; campo ou cidade) não sobreviver sem o outro. A sociedade atual tende a esquecer o que é rejeitado, o que é dominante. Na sua lógica só sobrevive a versão dos vencedores. (P.15.). Não podemos aceitar que o homem do campo e o campo sejam vistoapenas como dados, a população do campo não pode ser esquecida e nem tãopouco estereotipados, como fracos, preguiçosos, sem costumes ou sem “cultura”.
  • 37. 36 CAPITULO II2. 1. ALUNO DO CAMPO O aluno do campo seres humanos e socias ou maquinas produtivas? A vidado campesino em nada é facil além da falta de recursos naturais há tambem a faltade recursos finaceiro, e deficiência de investimento para a formação básica desobrevivência no campo. O aluno do campo é antes de tudo vitima de injustica sociale descriminação humana, transformando-os em homens e mulheres sempespequitivas de vida, pois a vida dura e o trabalho penoso os tormam descrentesde melhoria na qualidade de vida do campo. Por essa razão faz-se necessario que aeducação do campo leve o aluno campesino o mais urgente possivel a ao resgatede pespectivas de vida que garanta sua existência e permanência no campo,levando-os a retirar da escola elementos fundamentais para sua sobrevivência no/docampo, mostrando para a sociedade que eles estão inseridos nela. O aluno do campo precisa mudar sua forma de pensar e passar a agir comresponsabilidade, sensibilidade e respeito pelo meio o qual pertence. Visando umaqualidade de vida que se relacione com a cultura do seu povo, preservando os bensnaturais e vivencias sociais. Adotando uma postura critica dentro e fora da escola.Identificando-se como parte integrante do campo, mas para compreendermosmelhor os alunos do campo nos aprofundamos no entendimento de Santos (2003); O aluno da “roça” é assim um aluno pobre filho de pequenos proprietários ou pais que não possuem nenhuma terra, é filho da roça porque cresce na lida nas lavouras, debaixo dos pés de mandiocas nas casas de farinhas e pelo meio das roças plantadas ou cuidadas por seus pais. (p.154). Por essa razão precisa ser compreendido e respeitado de acordo com suasespecificidades, pois na concepção de Campolim (2006). A vivência no campo permite as jovens e os jovens desenvolver um saber próprio, fruto principalmente de sua experiência de vida e trabalho. Mas que também se mescla com a educação recebida na escola e outras instancias, (igreja, palestras diversas, associações de agricultores e televisão). O que demonstra a existência de um saber heterogêneo que apesar de estreitamente vinculado á vida pratica, permite a construção de sua identidade cultural e social. (p.02).
  • 38. 37 O fator associado à vida do aluno campesino diz respeito diretamente àscondições precárias de desenvolvimento do campo, pois, o que percebemos é quenem se quer há investimentos suficientes para as escolas do campo eexclusivamente para o campo, tendo como fator determinante a má qualidade devida dos camponeses, tudo isso se deve a falta de políticas públicas específicaspara o campo. O aluno do campo torna se um dos maiores prejudicados em relaçãoà escola e a qualidade do ensino ministrado nas escolas campesinas, onde osprofessores que lecionam não têm conhecimento da vida dos alunos, nem tampoucofazem uma relação da vida do aluno com a escola, ou o conhecimento nelaministrado, não há formação adequada que os preparem para lidar com adiversidade dessa clientela especial, e para contribuir com a desvalorização doensino no campo falta material didático adequado às necessidades dos alunos,prejudicando a vida dos filhos dos camponeses. Desta forma contribuindo muitomais para que esses alunos não reconheçam sua identidade. No campo a escola exerce uma função contraria ao que se almejam ospovos campesinos, reforçando a idéia de que os alunos terão que estudar para sairdo campo, pois, o campo nada tem a oferecer para estes sujeitos, aumentandoainda mais a idéia de interiorização do campo, reforçando o preconceito de lugarimpróprio para se viver. Pois de acordo com Baptista (2003, p.17). “O aluno docampo entra na escola como se nada tivessem aprendido com os pais é como se,ao longo da escolaridade, nada pudesse aprender com os pais”. A educação estácompletamente desvinculada da realidade do aluno do campo tornando muito maisdifícil a sobrevivência desse povo. Como reafirma Baptista (2003). Não se faz relação com a vida dos alunos e de sua família, com o trabalho agrícola nem com o meio ambiente em que a escola está inserida. Não se conhece não se respeita, nem se valoriza a cultura das famílias e da comunidade onde a escola se encontra e ai se exclui os pais do processo educacional e ignoram-se os conhecimentos que as crianças já trazem consigo para a escola (p.21). A escola do campo não pode perder sua função que é educar para a vida,mas, para tanto se faz necessário adotar como principio o compromisso em formarseres pensantes, com liberdade para agir e interagir nos problemas particulares esociais, valorizando o espaço como meio de aproveitamento das habilidades
  • 39. 38adquiridas durante toda a sua formação humana para que a partir daí torne-sesolucionadores de problemas enfrentando desafios e construindo o novo comconfiança, determinação e auto-estima. Contribuindo para a construção critica -participativa dos sujeitos do campo.2. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO A educação ministrada nas escolas campesinas precisa ser do e não nocampo. Que possa oferecer aos alunos melhores qualidade de vida contribuindopara a sustentabilidade. Precisamos analisar que educação temos levado para ocampo? A que contribui para o desenvolvimento do campo ou a que distancia ohomem das suas origens? Educação no campo cumpre apenas o papel deeducadora sem preocupar-se com a permanência do camponês e/ou da camponesana terra. Já a educação do campo tem uma visão ampliada e favorável aocampesinato preocupa-se em manter o homem no campo em fortalecer a cultura,com a sustentabilidade e entre outros. Tendo como importante incentivo educar paraa vida. Segundo Arroyo (1999). A educação escolar ultrapassa a fase “rural” da educação escolar “no” campo. Está vinculado a um projeto democrático popular de Brasil e de campo. Realiza-se uma relação vísceras entre as mudanças na educação e os ideais do movimento social. Vai-se, portanto, além da “escolinha de letras” (ler, escrever, contar) para se trabalhar participativa e criativamente um projeto de Brasil, um projeto de campo, resgatando e valorizando os valores culturais típicos do povo do campo. (p.10) Pois sabemos que educar não se resume apenas aprender a lê e escrever,vai muito mais além a educação precisa romper as muralhas que separa escola esociedade, tem que quebrar os paradigmas rompendo com o isolamentosociedade/escola. É visível que a escola no campo é conteúdista, servindo apenasao mercado de trabalho fortalecendo a cultura elitista de produtividade e aumento depoder, pois, tem a função de produzir mão de obra industrial. Preparam oscampesinos apenas para subsistir e sobreviver no sistema capitalista produtivo istoé, quando prepara. Não podemos falar de educação no/do campo sem abordarmoso pensamento de alguns autores que estudaram, pesquisaram e sobre tudoexpuseram como acontece à educação no/do campo e qual o seu papel naformação dos campesinos Baptista (2003).
  • 40. 39 A educação do campo trata de uma especificidade: na discussão de País de política pública de educação. Essa característica nos tem aproximado e distanciado de muitos sujeitos/grupos que fazem e discutem educação e que defendem uma perspectiva de universalidade, de educação unitária e que nos alerta (p.63). Diante da realidade vivenciada pelo povo do campo que se afirma a cadamomento é visível a cada ato e gesto, a desigualdade social que oprime, inferioriza emata o sonho de um povo, representando o grande reflexo da falta de políticaspúblicas, que de fato atenda as necessidades de transformação para a vida dehomens e mulheres no/do campo, mais não basta só apontarmos o quadro dedescaso para com essa gente, faz-se interessante que estejamos atentos eapoiando os movimentos que com luta e união acreditam e buscam com que oimpossível se torne possível, indo mais além, não podemos deixar de falar dasrepresentações que acreditam e buscam efetivar essas conquistas como: osmovimentos sociais, compostos por homens e mulheres que sonham e querem ummundo igualitário, por essa razão não podemos jamais falar de conquistas sociaissem citarmos os precursores dessas conquistas, que também são educadores, maseducadores para a vida. Onde não se distingue sexo, raça, idade, situaçãofinanceira, ou cor. Acreditamos para que de fato aconteça à educação no/do campoé fundamental que escolas e educadores adotem esse perfil, e talvez a história docampo daqui alguns anos seja outra. A esse respeito Cavalcante e Queiroz (2007),nos afirma que: A educação deve compreender que os sujeitos possuem história participam de lutas sociais, sonham e tem nome, rosto, gênero raça e etnias diferenciadas e que sendo assim, a escola precisa levar em conta os conhecimentos que os pais, alunos e a comunidade, de um modo geral, possuem como intuito de poder resgatá-los em sala de aula (p.11). Por essa razão, há uma urgência da educação do Campo e para o campo,que assuma a função de proporcionar o desenvolvimento do campo, incentivando oscampesinos a formarem uma consciência critica que seja capaz de transformá-los etransformar os outros ao seu redor, afirmando assim uma identidade própria. Noartigo 2º § único das diretrizes operacionais para educação básica nas escolas docampo afirma que: A identidade das escolas do campo é definida pela a sua vinculação ás questões inerente a sua realidade, ancorando-se na temporalidade e
  • 41. 40 saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros na rede das ciências e tecnologias disponíveis na sociedade e nos movimentos sociais em defesa dos projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade social de vida coletiva no país (resolução nº 1.2002). Essa de fato deveria ser a identidade das escolas do campo para que fossea escola para o campo e no campo, porem é preciso saber identificar ações quefortaleça a permanência e a sobrevivência dos educando no campo, pois, as escolasexistentes hoje no campo estão completamente desvinculadas da vida dos alunos,diante disso Santos (2003) nos leva a uma reflexão avaliativa quando diz: A escola contribui para a desestruturação da identidade do povo da roça; fortalecendo assim um imaginário depreciativo ao seu respeito e contribuindo para o êxodo rural que apesar de reduzido nas ultimas décadas, ainda se mantém pontual (p.150). Por acreditarmos na educação e por entendermos que a escola é umaferramenta indispensável para a formação humana e que precisamos fazer valer osnossos direitos assumindo a responsabilidade de construirmos uma sociedadeestruturada capaz de intervir diante dos descasos sociais, para isso convocamos adar o primeiro passo, lutar por uma educação do campo, que tenha como prioridadea liberdade dos sujeitos, pois de acordo com o pensamento de Werlheim eBordenave (2007): Em primeiro, a escola do campo deverá deixar de ser agência especializada unicamente na educação de crianças e adultos, com toda a riqueza de suas formas e conteúdos próprios será também função da escola rural. Em segundo lugar, a escola do campo deixará de ser uma agencia da sociedade urbana, transformando-se em uma agência educativa da comunidade rural. Em terceiro lugar, a escola do campo terá que mudar seus métodos de trabalho, fundamentando sua ação na participação real da comunidade, todos e em cada um dos aspectos do processo educativo; diagnóstico, planejamento, execução e avaliação, que adéqüe seus conteúdos, metodológicos, programas e horários a vida econômica produtiva e sócio-cultural da comunidade rural. Pois somente desta forma o processo educativo servirá a população rural; contribuindo para o fortalecimento de sua organização e para a defesa de seus interesses além de servir como estimulo para o desenvolvimento rural autônomo e auto- sustentado. (p.98). Para melhor acentuar nosso entendimento as autoras Molina e Duarte (apudBaptista 2003) afirmam que:
  • 42. 41 Uma das dimensões da cidadania é o acesso aos direitos humanos. E que esses direitos não podem ser hierarquizados, pois todos são fundamentais, sejam eles civis, políticos, sociais, econômicos ou culturais, cidadania é ter acesso a todos eles. A melhoria da qualidade de vida do trabalhador rural, precisa antes de tudo romper com o preconceito anti-rural. O meio rural é concebido como um espaço político social, econômico, produtivo, ambiental e cultural de desenvolvimento potencializado de sustentabilidade. (p.91). A educação do campo respeitará as particularidades do indivíduo, e seráformadora da cultura e da cidadania também e se responsabilizará pela formação deindivíduos conscientes, comprometidos pela transformação social do seu grupo. Aeducação campesina precisa aprofundar uma pedagogia que respeite a cultura e aidentidade dos povos do campo. Para Silva (2005). A educação do campo é entendida como processo de formação e emancipação humana, e envolve: ações formais escolarização, desenvolvimento pelo sistema escolar público nas esferas Federal, sindical, técnica, produtiva, religiosa, cultural desenvolvida, por instituições culturais, nos meios de comunicação, no trabalho, muitas vezes espontâneas, vindo não só de organizações, mas, sobretudo de pessoas, que na vida cotidiana promoveram ações educativas. (p.48). Ainda no entendimento de Silva (2005.p.50). O processo educativo precisaser pensado como experiência que atinja todas as dimensões do sujeito; social,econômico, político, cultural, ambiental, ético, espiritual, que aborde a vida como umtodo. Na proporção em que a educação do campo permita que o indivíduo conheçaa se mesmo e descubra novos caminhos que os direcione na construção do novo,ou seja, de uma nova visão que os encaminhe a reconstrução de uma novarealidade campesina.2. 3. ÊXODO RURAL O êxodo rural tem contribuído de fato para desertificação do campo efortalecendo a desvalorização do campesino, tudo isso ocorre pela incapacidadehumana de produção, levando a falta de sustentabilidade no campo, há tambémoutra causa presente que contribuiu e continua contribuindo para o êxodo rural nocampo é a mecanização da produção rural, diante disso pudemos perceber que aeducação do campo da forma que está sendo ministrada não foi pensada para ocampesino Para Graziano Neto (1985),
  • 43. 42 [...] a chamada modernização da agricultura não é outra coisa, para ser mais correto, que o processo de transformação capitalista da agricultura, que ocorre vinculado às transformações gerais da economia brasileira recente. (p. 27). Que em outros momentos apenas contribuiu e contribui para oenfraquecimento dos pequenos produtores agrícolas, trabalhadores e moradores docampo. Pois percebemos que a cada momento a agricultura está subordinada aindústria capitalista. Diante disso Ianni (1994) afirma que: Aos poucos, ou de repente, conforme a província, o país, a região ou o continente, a sociedade agrária perde sua importância quantitativa ou qualitativa na fábrica da cidade, no jogo das forças sociais, na trama do poder nacional, na formação das estruturas mundiais de poder. Em vários casos, o mundo agrário decresce de importância, na organização e dinâmica das sociedades nacionais e da sociedade global, ou simplesmente deixa de existir. (p. 12.). Diante dessa realidade o êxodo rural é visto como uma busca desesperadado campesino na melhoria da qualidade de vida, acreditando que a solução dosseus problemas está nas grandes cidades. Sem prevê que apenas estão iludidos porum sonho, que ao se depararem com a realidade dos grandes centros urbanosacabam perdidos entre as muralhas das desilusões, as quais a vida nem a escola osprepararam para enfrentar. Diante disso não podemos negar as conseqüências daocupação desordenada no Brasil trazido pelo o êxodo rural ainda queremos aquisalientar que a educação por si só não muda a sociedade, mas, sem ela se tornaimpossível conseguir essa proeza. Apenas criar projetos e não capacitar otrabalhador para desenvolvê-los de nada adianta, faz-se necessário adequareducação a vida no campo e a necessidade dos campesinos para assim alcançarêxito nos projetos. Para que se alcance e se efetive um projeto de vida para ocampo precisamos melhorar a qualidade da educação no campo, fazendo com quea educação levada para os campesinos se adéqüe à vida do camponês, sem isso oêxodo continuará. Para Fernandes (2005). A causa do êxodo rural é a desigualdade causada pela situação sócio- econômica das cidades, que obriga muitos trabalhadores a buscarem a ocupação em terras devolutas, para tirar o sustento para si e para seus familiares. Neste desespero, muitos trabalhadores se engajam em movimentos socialistas, na busca incessante por terra.
  • 44. 43 De acordo com Fernandes sabemos que é por causa dessa desigualdade edo aumento do êxodo rural que tem acrescido os problemas sociais como: violência,desemprego, inchamento dos grandes centros urbanos, calamidade na saúde eoutros. Tudo isso se deve a desvalorização do campo e do campesino. Para melhorexplicar apresentaremos o pensamento de Baroni e Passareli (2007.p.29) que diz:“vivemos em uma situação econômica e social difícil por causa do abandono daagricultura familiar, os jovens não tem acesso à terra, a política de crédito, e muitomenos ao lazer”. É uma população sem voz e sem vez e isso faz com que aconteçao êxodo rural dos jovens campesinos. Pois de acordo com Abramovay, (2000). O êxodo na área rural é muito intenso, devido à falta de uma “verdadeira” política governamental para a área agrícola. Devido a este esvaziamento do meio rural, associado ao desenvolvimento, apenas cerca de um quarto da população economicamente ativa nos países desenvolvidos reside em áreas rurais. Desde os anos 80, a população rural nos países do Hemisfério Norte tende a diminuir em diversos países, a começar pelos Estados Unidos (p.3). Essa situação em nada é emergente já vem por muitos anos causandodesconforto e caos no campo. Isto é está impregnado na história dos povosbrasileiros, acreditamos que a única forma de contribuir para o fortalecimento docampo é criando projetos políticos para o campesinato que entenda a educaçãocomo pratica social e que assegure melhoria para o campo e consequentemente para o campesino, dessa forma o êxodo rural deixará de ser problemas, faráapenas parte da história dos povos do campo. Assim enfatiza Campolim (2006) que: Considerando os altos índices do êxodo rural da juventude camponesa nas últimas décadas e entendendo a educação como pratica social e histórica, repensar a formação de jovens rurais é uma necessidade para todos que estão comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável. (p.01). Devemos compreender que a necessidade da sustentabilidade estácentrada no ser humana presente em todas as formas de proteção que expressauma relação entre homem, trabalho e natureza, quando não se alcança esseobjetivo em seu campo de permanência parte em busca em outros lugares.
  • 45. 442. 4. ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS) Apesar do descaso público com o campo, sabemos que há pessoas quelutam e valorizam o campo e o campesino, também acreditamos que essas pessoasformam um movimento de reivindicação frente aos descasos públicos, entre essesmovimentos está as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Segundo Heller (1993), paraque o sujeito (individual ou coletivo) se sinta incluído, é de fundamental importânciaconsiderar concomitantemente a igualdade na liberdade e a igualdade naoportunidade, restabelecendo a confiança e, conseqüentemente, o reconhecimentoda legitimidade na legislação do país. A Escola Família Agrícola e o método da Pedagogia da alternância veiomostrar para a sociedade em geral que é possível fazer uma escola do campo quevaloriza as particularidades dos sujeitos a ela inseridos. Não podemos deixar deadvertir que, as EFAs no Brasil especificamente são cenários educativos quepromove universalização na qualidade do ensino do campo, que valoriza e reforça adescoberta da identidade dos sujeitos campesinos, se apropriando de conteúdosúteis que contribua para a formação dos povos que vivem e residem do/no campo,aplicando uma formação contextualizada do ensino. Alem de objetivar o combate aoêxodo rural. Nas EFAs encontramos e vivenciamos um cenário de desenvolvimento evalorização campesino como parte da sociedade, sempre priorizando a formação dosujeito para a cidadania e permanência no campo, afirmando que é possível estudarpara permanecer no campo, incentivando a valorização do espaço e o respeito àfamília, a comunidade contribuindo para a promoção e a valorização das pessoasreverenciando as particularidades de cada ser. A Casa Família, no sentido amplo, não é só o espaço físico onde se situa a EFA, mas também o espaço familiar/comunitário, porque os dois ambientes estão interligados. Portanto, o prédio, a casa da Escola Família é uma construção que em geral respeita os padrões arquitetônicos e socioculturais da maioria dos habitantes da região onde se situa. A casa da Escola Família, além de respeitar o meio sociocultural, busca ser coerente com aquelas necessidades básicas pedagógicas que qualquer escola deve ter. Nesse sentido, quem constrói a casa da Escola Família é a comunidade local. Na maioria das vezes, com mão-de-obra própria e através de bingos, rifas, mutirões, leilões de animais e outros produtos locais, doação de
  • 46. 45 materiais e também recursos financeiros repassados pela Prefeitura ou pelo Estado, paróquias e até do exterior. Faz parte do complexo da EFA, uma pequena propriedade (de 2 a 20 hectares), o tamanho depende da região que se situa. Em parte esta propriedade é a extensão de terra que a família do aluno trabalha. O pequeno pedaço de terras da EFA observa as seguintes finalidades: a) produzir alimentos para a EFA, o excesso vai para o mercado: frutas, verduras, cereais, carnes (principalmente de pequenos animais), leite, etc. para ajudar o custeio da EFA; b) enriquecer o programa curricular da pedagogia da alternância, proporcionando aos alunos alguns momentos de observação direta de aspectos biofísicos e técnicos” (ZAMBERLAN, 1996. P. 8). As Escolas Famílias Agrícolas se diferenciam das outras escolas porassumir uma pedagogia própria voltada para a formação de sujeitos como agentesde transformação, e tem o objetivo centrado na capacitação das habilidades jáadquiridas na vida, além de ver o aluno como um todo sem fragmentá-los,valorizando a participação da família no processo educacional, além de valorizar acultura, a terra, e as diferenças, trabalhando-as, não como obstáculos e sim comosuporte de crescimento intelectual. A seleção dos monitores ocorre entre os moradores do campo, pois se faznecessário que para garantir uma melhor formação é necessário conhecer arealidade do aluno e do campo, acreditamos que isso faz a diferença para garantirum melhor aprendizado, a EFA não é uma escola que se prende as quatro paredesda escola, ela representa a escola ambulante, ou seja, a escola através dosmonitores vai até a casa do aluno, além de não se prender apenas aos livros, elatambém leva os alunos a vivenciarem a pratica. Praticas essas que serãoaproveitadas na comunidade a partir das explicações e orientações passadas poralunos que absorveram durante o período que permaneceram na escola.2. 4. 1. Origem das EFAs A primeira Maison Familiale Rurale surgiu em respostas às problemáticasrurais especificamente com o afastamento dos jovens campesinos, tudo isso deuinício na França tornando se uma alternativa viável para a permanência dos filhosdos camponeses no campo, pois eram obrigados a saírem do campo para estudar,ou seja, para adquirirem uma educação formal. O surgimento da 1ª Maison FamilialeRurale- MFR foi na década de 30, na França, por um lado marcado por grandestransformações, sobre tudo na agricultura com o início do processo de mecanização,
  • 47. 46e por outro, pelo afastamento dos filhos dos agricultores que desejam continuar osseus estudos nos grandes centros, tendo que abandonar seus familiares e o meioonde viviam. Segundo Foerste, (2005). A primeira Escola Família Agrícola surgiu naFrança, em 1935, por convicção de um grupo de camponeses e de um pároco queacreditavam ser possível criar uma escola que atendesse às necessidades do meiorural e que ajudasse a ampliar as possibilidades dos conhecimentos básicos dojovem do campo. A partir dos anos 50 esse modelo pedagógico passou a serpropagado a diversos países e continentes: Itália, Espanha, Portugal, ContinenteAfricano, Continente Asiático, América do Norte, Canadá. De acordo com a UNEFAB(União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil), existem atualmente maisde 1000 Escolas Famílias Agrícolas em todo o mundo. Essa é uma demonstraçãode que as EFAs estão dando certo. Texto extraído da revista Formação porAlternância ano 2 ,nº3 (2006, p.5) A pedagogia da alternância está relacionada a diferentes conceitosvivenciados pelos alunos da escola que ficam em tempos alternados entrecomunidade e escola, ficando uma ou duas semanas interna na escola e as outrasrealizando experimentos na sua moradia e comunidade, participação em eventos,realizando atividades escolares e outros. Sempre monitorado por um monitor daescola.2. 4. 2. Origem das (EFAS) no BRASIL Por vivermos em um País eminentemente agrário a chegada das EFAs nãopoderia ser diferente do surgimento destas na França, pois o seu perfil vai contratoda forma de supressão do campo, apesar de vivermos em regime “democrático” eainda somos prisioneiros de um sistema que classifica, discrimina, oprime e quereforça a desigualdade social, onde a classe trabalhadora não tem seus direitosefetivados inclusive o campesino, nada mais justo que uma educação de fatocontextualizada, uma escola que enxergue o aluno como parte do processo deevolução do homem. Essa experiência chegou ao Brasil nos anos 60 com o padreJesuíta Humberto Pietrogrande e sob a influência das Scuole Della Família Ruraleda região de Veneto, na Itália, local de origem do Jesuíta. Tendo o Espírito Santocomo pioneiro na implantação da 1ª Escola Família Agrícola (EFA). Segundo dados
  • 48. 47extraídos da (UNEFAB) União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil,elas estão distribuídas no Brasil da seguinte forma: Região Norte: Rondônia 04EFAs, Pará 02 EFAs, Amapá. 04 EFAs, Amazonas 01 EFA, Tocantins 02 EFAs, totalgeral de 13 EFAs. Região Nordeste: Bahia 33 EFAs, Piauí 08 EFAs, Sergipe 01EFA, Maranhão 10 EFAs, Ceará 01 EFA, total geral de 53 EFAs. Região Sudeste:Espírito Santo 20 EFAs, Minas Gerais 14 EFAs, Rio de Janeiro 04 EFAs, São Paulo03 EFA, total geral 41 EFAs. Região Centro- Oeste: Goiás 02 EFAs, Mato Grosso doSul 01 EFA, Mato Grosso 01 EFA, total geral 04 EFAs. Somando um total geral emfuncionamento de 103 EFAS. Dados que vem confirmar o quanto essa experiênciatem dado certo e tem crescido no país.Outro dado importante é que o nordeste é aRegião que mais tem EFAs e a Bahia está em primeiro lugar na construção dasEFAS no Brasil, mas para que se valorize o campo é preciso que o homemcampesino crie e recrie sua própria história apartir das lutas por dias melhores nocampo. Dados extraídos do site da União Nacional das Escolas de FamíliasAgrícolas do Brasil (unefab).2. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG) A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogiaem que o oprimido tenha condições de reflexivamente, descobrir-se e conquistar-secomo sujeito de sua própria destinação histórica. FREIRE (1987.p.9). Diante dessaafirmação de Freire acreditamos que o homem só constrói a sua história quandotoma posse dela, não como peças e sim como construtores do novo. Construir o novo pensar no novo que garanta as novas geraçõescampesinas do município de Antonio Gonçalves estrutura para permanecer nocampo e viver do campo foi é e será de fato o papel da Escola Família Agrícola deAntonio Gonçalves (EFAG). Que surgiu em 2004, apartir da necessidadeapresentada pela região para a melhoria da qualidade de vida dos estudantescamponeses, onde a vida educacional em nada era valorizada. Haviam poucasescolas, professores mal remunerados, falta de transportes, merendas, assim como,outros fatores agravantes (Cavalcante e Queiroz ,2007). A situação era miserável,as escolas caindo aos pedaços, alguns professores não tinham se quer o ensinomédio, imagine uma formação que garantisse a valorização do campo e do
  • 49. 48campesino. Antes da EFAG o campesino não via estimulo para permanecer nocampo já que a situação vivenciada era abominável e a escola focalizava a vidaurbana como lócus dos sonhos, assim sendo incentivando e reforçando o êxodorural.
  • 50. 49 CAPITULO III3. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA Em todo ato de pesquisa faz-se necessário contextualizar a realidade naqual está inserido o público alvo, e fazer uma observação atenciosa dos processosaplicados nas atitudes que permitirão os sujeitos pesquisadores desenvolveremmétodos e estratégias para alcançarem seus objetivos, sem perder de vista overdadeiro papel de agente, que se propõem a dar clareza aos conceitos e busca amelhorar ou até mesmo modificar a realidade vivenciada com tudo faz-senecessário, definir o que é pesquisa. Que de acordo com: Cervo, Berviam e da Silva(2007). A pesquisa é uma atividade voltada para a investigação de problemas teóricos ou práticos por meio de emprego de processo científico. Ele parte, pois de uma dúvida ou problema e, como uso de método científico, busca uma resposta ou solução. Os três elementos dúvida/ problema, método científico e resposta/ solução, são imprescindíveis, uma vez que uma solução poderá ocorrer somente quando algum problema levantado tenha sido trabalhado como instrumento científico e procedimentos adequados. (p.5). O termo “educação do campo” que estamos tratando nesse texto tem umsentido amplo e complexo, vai muito mais além de ensino. Trata-se, portanto, deuma visão integradora de espaços, e valorização dos atores sociais institucionais,ampliação do mercado de trabalho e criação de políticas públicas de intervenção,através da qual se pretende alcançar: a geração de renda com equidade; o respeitoà diversidade; a solidariedade; a justiça social e a inclusão social para que possareinserir o campesino no campo. Os alunos que responderam as nossas inquietações foram selecionados porfaixa etária que variavam entre nove e dezoito anos, e do sexto e nono ano doensino fundamental e residente em cidades diferentes, tais como: Pindobaçu,Campo Formoso, Ponto Novo e Antonio Gonçalves. Cada um com uma história devida diferente, mas com um só objetivo, vencer obstáculos e lutar pela terra. Poressa razão faz-se necessário uma reforma educacional e politica urgente para aeducação do campo e consequentemente para a melhoria de vida do campesino
  • 51. 503. 2. TIPO DE PESQUISA Para estudo do tema proposto foi utilizado a abordagem qualitativa emeducação, por ser uma abordagem mais adequada para o estudo das relaçõesexistente na sociedade e que contribuiu para realização com maior êxito a nossaobservação que visa compreender o papel da Escola Família Agrícola de AntonioGonçalves na formação dos educandos como agente de transformação do seu meioe buscando reduzir o êxodo rural. O foco da investigação estará centrado nacompreensão do significado atribuída pelos sujeitos as suas ações. Para Ludke eAndre (1986). A abordagem qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando mais o processo do que com o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes (p.11). Não queremos aqui inferiorizar os demais métodos de pesquisa, para tantoos autores acima mencionam que a pesquisa qualitativa é rica em descrição, naapropriação de dados sobre pessoas, situações e acontecimentos sociais, ondetodos os dados são de fundamental importância, pois, demonstra uma grandepreocupação com o processo do que com o produto. Para melhor explicar apesquisa qualitativa buscamos subsídios na compreensão de Bodgam e Biklem(1998), apud Barbosa (2000) que enfatiza: Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados é que conseqüentemente nos fornecerão subsídios para alcançarmos o objetivo, alem de entendemos que estas consideram uma visão isolada e separada do sujeito e ambiente entendemos que recolher informações de grupos sociais requer uma dinâmica e interação constante. (p.23). Afinal esses são métodos indispensáveis para que compreendamos melhoro comportamento humano e aproveitando o maximo os relatos de experiênciasvividas dos sujeitos.3. 3. LÓCUS DA PESQUISA O lócus escolhido é fundamental para dar respostas às nossas inquietações,foi a Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves-(EFAG) está situada na fazendaNova Esperança s/n no povoado de Caldeirão do Mulato em Antonio Gonçalves BA.Fundada em 23 de Fevereiro de 2004. A escola possui dois dormitórios coletivos
  • 52. 51(masculino e feminino), quatro salas de aula, uma cozinha, três banheiros, umrefeitório e uma secretaria, além de possuir um amplo espaço de lazer e criatividade. A escola trabalha com o ensino fundamental (6º ao 9º) ano, com duração dequatro anos divididos por sessões na família / comunidade a EFAG é fruto dapedagogia da alternância, levando em consideração a realidade da região e docamponês. Têm 82 alunos matriculados, seis monitores, e um assessor pedagógicoalém da coordenação, direção e as famílias que são originadas de váriascomunidades camponesas.3. 4. SUJEITOS DA PESQUISA Os sujeitos São 10 educandos da EFAG, os quais representam váriascomunidades da Micro Região de Senhor do Bonfim, com faixa etária variada, entrenove a dezoito anos de idade, sendo de ambos os sexos. Compreendemos que osujeito da pesquisa é quem nos fornecerá dados importantes para concluir apesquisa com muito mais exatidão. Eles são elementos essenciais e indispensáveispara a realização desde trabalho monográfico. Para Demo (1987). Reconhecemos que em ciências sociais o sujeito deixa no objeto sua marca: neste sentido, o tratamento do objeto social acarreta doses mais ou menos fortes de sua transformação de sua manutenção ai estão precisamente umas diferenças importantes para com o objeto que é extrínseco ao sujeito. (p.47). Para enriquecer a nossa pesquisa fomos mais alem fizemos uma roda deconversa utilizando como instrumento para coleta de dados a entrevista semi -estruturada pedimos que os selecionados falassem um pouco sobre a escola esobre a educação ministrada na (EFAG). E as sua contribuições para a formaçãodos mesmos, isso nos surpreendeu, pois pudemos observar o quanto eles seexpressaram com entusiasmos ao falar sobre a EFAG. O quando eles acreditam naformação recebida na entidade escolar e o quanto tem contribuído para que oseducandos tenha uma nova visão do campo. Alem de percebemos que eles vivemem cumplicidade, são partes do corpo escolar, onde há um respeito mútuo entrealunos, professores e demais funcionários. Ao falar da escola os alunosdisponibilizaram os dados para realizarmos com êxito a nossa pesquisa.
  • 53. 523. 5. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Com o objetivo de buscar respostas para as nossas inquietaçõesutilizaremos alguns instrumentos para coleta de dados por acreditarmos que estesservirão como suportes para desenvolvermos a nossa pesquisa, a metodologiaempregada para aprofundamento aos dados coletados, foram: Questionário fechadoque é o meio mais simples, barato e de grandes resultados. A observaçãoparticipativa como método de captar informações ao longo da pesquisa, que podeoferecer elementos para compreender as questões investigadas. E a entrevistasemi-estruturada como forma de obter as informações necessárias para a pesquisa,sendo as mesmas anotadas e analisadas para enriquecimento da pesquisaqualitativa.3. 5. 1. Questionário fechado Utilizamos o questionário fechado em anexo para que pudéssemos obterdados mais objetivos, pois sabemos que o questionário fechado vem suprir anecessidade de levantar dados importantes que permite traçar o perfil dospesquisados, buscando identificar o sujeito em seus espaços sócio, econômico eeducacional. De acordo com Franz (1986 p. 18). “No questionário fechado uma serie depreocupação deve ser tomada na formação das perguntas, para que sejam claras,facilmente compreendidas, evitando-se toda confusão e ambigüidade”. Oquestionário será aplicado para os alunos (as) de cada serie e regiões diferentescom o objetivo de analisar como o aluno (a) está desenvolvendo e aplicando nacomunidade o que aprendeu na escola. Ao todo foram dez selecionados, entrehomens e mulheres e de municípios diferentes e idade que varia entre nove edezoito anos. Utilizamos também a observação participativa que é um método de captarinformações ao longo da pesquisa que pode oferecer elementos interessantes paracompreender as questões investigadas. Na observação participante pudemos ver evivenciar cada passo dos alunos anotando cada fala e cada ação, pois, estavam emum momento de produção de um evento, e cada sujeito desenvolvia uma tarefa.
  • 54. 53 Acreditamos que a observação beneficia o pesquisador uma vez quepossibilita uma maior aproximação com o sujeito da pesquisa. Ludke e André (1986)ressaltam que: É no ato de observar que o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo. Confidencial pedindo cooperação do grupo. Com tudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado pública pela pesquisa. (p.29). Em nossa realidade há várias formas de observação, contudo a maisadequada a nosso objetivo de estudo é a observação participativa. Que paraMarconi e Lakatos (1996). “Consiste em procedimentos em que a identidade eobjetivos do pesquisador são relevados ao grupo pesquisado” segundo os autoresesse tipo de observação: [...] constitui na participação real do pesquisador com a comunidade grupo. Ela se incorporar ao grupo, confundindo-se com ele, fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais destes. O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreender a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo. Ou da investigação, sem ocultar sua missão. (p.68). Ao observar o grupo é de fundamental importância que haja uma relação derespeito entre o pesquisador e os pesquisados sendo essencial para o melhoraproveitamento de dados. A observação aconteceu de acordo com as atividadesaplicada pelo monitor e o desempenho dos alunos.3. 5. 2. Entrevista semi-estruturada A entrevista é um procedimento utilizado como investigação que é umarelação com o entrevistador e o entrevistado permitindo o aprofundamento dosdados, questionar e recolher diversas informações. De acordo com Franz (1986). A entrevista costuma se insistir no contato inicial entre entrevistador e entrevistado, sendo de grande importância para motivar e preparar o informante, afim de que suas propostas sejam realmente sinceras e adequadas. E no decorrer da entrevista, as perguntas que não forem compreendidas, devem ser repetidas e, se for o caso enunciadas de forma diferente. (p.420).
  • 55. 54 Usaremos a entrevista semi-estruturada como um dos instrumentos básicospara coleta de dados, que possibilita a interação ativa entre receptor e emissor cominformações claras e objetivas. A entrevista é importante, pois, ela permite a realização imediata decaptação de informações desejadas a qualquer tipo de informante e tópicosvariados, diante disso em comunhão com as ideias de Ludke e André (1986), A liberdade de expressão dos entrevistados darem-se á em esquemas mais livre menos estruturada, que possibilita as abordagens mais flexíveis e os entrevistados possa se expressar livremente e não perdendo o foco das investigações, é isso que permite a entrevista semi-estruturada. Para Goldenberg (2000). O pesquisador precisa respeitar as limitações do pesquisado quanto ao local e ao tempo da entrevista. De vê-se ir bem preparado para aproveitar ao máximo a entrevista. O pesquisador deverá de imediato transcrever as entrevistas, afim de, ao realizar novas entrevistas, não repetir questões e dominar cada vez mais o assunto. (p.90). Sem duvida alguma o entrevistador deve saber a hora o lugar e o queperguntar ao entrevistado. Para a entrevista foram selecionados dez alunos, a nosso pedido, degênero, faixa etária e municípios diferenciados, foram selecionados cinco meninos ecinco meninas. Com o intuito de mostrar que em uma sociedade consciente não hádiferença de gênero, todos podem ser agentes de transformação do meio.
  • 56. 55 CAPITULO IV4.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capítulo serão apresentados os dados coletados durante a realizaçãoda pesquisa, logo em seguida faremos uma análise no qual acreditamos chegar apossíveis respostas à questão inicial da nossa problemática. A partir dos resultados,apresentamos uma categorização para melhor compreensão dos dados. Fazemos,assim, com que haja um melhor aprofundamento e clareza na discussão. Nestetrabalho os colaboradores serão identificados com a letra A em seguida comnúmeros variados com intuito de preservar a identidade dos participantes. O mundo globalizado exige homens e mulheres cada vez mais preparadospara enfrentar os desafios sociais, econômicos e culturais, Soares (1990) nos faz umalerta para o perigo de ao mesmo tempo em que produzirmos o progresso dehomens e mulheres também estamos sujeitos a provocar danos irreparáveis ouirreversíveis como a destruição da vida. Em alerta a este perigo percebemos que opapel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves passa pela formação docampesino como agente de transformação social reduzindo o êxodo rural, tendocomo finalidade formar construtores e conservadores da vida.4.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS A questão de gênero tem provocado grandes discussões, e, apesar dealgumas conquistas de igualdade infelizmente ainda percebemos o quando é difícilque a mulher seja aceita com igualdade de gênero, principalmente para pais ouresponsáveis a se adaptar essa realidade, pois percebemos que as meninascontinuam sendo “protegidas” pelos pais, tendo que ficar em casa sobre os cuidadosfamiliar, cuidando da casa, dos irmãos, etc., enquanto os meninos podem sai,estudar fora entre outras coisas, ou seja, o exemplo está nesses dados ondepercebemos com relação ao gênero, 70% dos egressos são homens, apenas 30%são mulheres. Mostrando a realidade não só no campo, mas na sociedade em geralonde falamos muito no respeito da igualdade, porém as mulheres ainda sãodesvalorizadas e desrespeitadas a todo o momento. Essa conquista que se prolonga
  • 57. 56por muito tempo já vem mostrando resultados positivos para tanto precisamosalcançar muito mais.4. 2. 1. A questão de gênero GRAFICO nº 1 GÊNEROFonte: questionário e entrevista semi-estruturada aplicado para os educandos da Escola FamíliaAgrícola de Antonio Gonçalves em 24 de novembro de 2011. De acordo com os dados coletados no questionário e respostas a nossaentrevista pudemos perceber que as mulheres ainda estão em minoria nesteestabelecimento de ensino assim como nos demais estabelecimentos como,emprego, sem contar com questão de salário, onde as mulheres recebem muitomenos que os homens em trabalho e tempo igual, porem as que estão no mercadode trabalho e na escola, conseguem desempenhar com êxito as funções para a qualsão escaladas, sendo respeitada a ponto de liderar o grupo a qual pertencem. Nãopodemos deixar de ressaltar que a escola enquanto aparelho educacional formadorde personalidades deve levar o educando e conseqüentemente a sociedade a refletiros valores sociais, valorizando as diferenças sócio-econômicas, étnicas, religiosas eexclusive de gênero, pois de acordo com a fala de Bock, Furtado e Teixeira, (2001). Ao transmitir a cultura e, com ela, modelos sociais de comportamento e valores morais, a escola permite que a criança “humanize-se, cultive- se, socialize- se ou, numa palavra, eduque- se”. A criança, então vai deixando de imitar os comportamentos adultos para, aos poucos, apropriar-se dos
  • 58. 57 modelos e valores transmitidos pela escola, aumentando, assim, sua autonomia e seu pertencimento ao grupo social. (p.261). A escola precisa ser vista como o local onde se dissemina a igualdade degênero, de valores e descoberta de identidade onde se valoriza o ser humano esuas particularidades.4. 2. 2. Nunca é tarde para aprender Quanto à faixa etária pudemos perceber que a maioria já estão bastanteatrasada nos estudos já que a escola fornece ensino do sexto ao nono ano doensino fundamental. No que se refere à idade, 30% estão entre 9 a 13 anos e 70%de 14 a 18 anos. Confirmando assim também que as EFAS podem ser uma soluçãopara a evasão escolar no campo. E reforçando a idéia de que a educação ministradano campo não tem contribuído para a formação dos filhos dos campenses, não seadequando as necessidades básicas, nem tampouco tem sido atrativa, dessa formacontribuindo para a desestruturação do campo e do campesino. Não podemos falarde política pública sem conhecermos a realidade da população menos favorecida.Hoje não podemos cobrar reformas políticas educacionais sem participarmos desseprocesso, sem identificarmos pontos impactantes. Assim sendo seremos apenaspesquisadores e não atores pesquisadores da realidade humana. GRAFICO nº 2 FAIXA ETÁRIA 30% 9 a 13 anos de 14 a 18 anos 70%Fonte: Questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em24de novembro de 2011.
  • 59. 58 Essa é uma realidade presente e cada vez mais visível, onde percebemosque a escola campesina não incentiva o aprendizado, nem tampouco a escolafornece elementos que os façam vivenciar uma educação que valorize o ser comoum todo. Desta forma desestimulando-os e os afastando cada vez mais da vidaescolar nos causa indignação e nos impulsiona a sermos mais que professores, faz-nos denunciadores de injustiça e descasos sociais. Ainda de acordo com a fala deSilva (1998). [...] ainda assistimos ao histórico fracasso da educação brasileira. Analfabetismo, repetência, evasão escolar, decorrentes da formação inadequada de professores, escolas pouco atrativas, distante da realidade, retratam um quadro triste de um país em pleno desenvolvimento. Tal quadro agrava-se ainda mais quando se trata da Educação Rural, onde se somam as classes multisseriadas (várias series em uma única classe), professores leigos, as grandes distâncias sem transportes e a mobilidade das famílias. [...] (p.75). Esta se confirma quando vivenciamos a realidade dos sujeitos campesinosse analisamos cuidadosamente percebemos que tudo isso se estende desdeRepública Velha, e que vem trazendo grandes prejuízos para a sociedadecamponesa agravando cada vez mais o desenvolvimento do campo.4. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o. Ainda pudemos perceber que a EFAG atende as mais diversas comunidadesda região local e regional buscando e valorizando o culturalismo. GRAFICO nº 3 MUNICIPIO DE RESIDENCIA DOS ALUNOS Campo Antonio Pindobaçú Ponto Novo Formoso 10% Gonçalves 30% 40% 20%Fonte: questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em 24de novembro de 2011.
  • 60. 59 Diante desses dados pudemos perceber que as maiorias dos alunos são demunicípios vizinhos, demonstrando assim a necessidade de escolas que realmenteseja do campo. Queremos ainda salientar que o camponês busca uma educaçãoque os forme para a permanecia no campo apesar de constatarmos que nomunicípio onde se encontra a escola apenas 20% dos campesinos residem nomesmo município, afirmando assim que é preciso um trabalho de conscientizaçãopara que os educandos do município de Antonio Gonçalves valorizem suas raízesinclusive sua cultura. Sabemos que é um processo lento, porém é indispensável que ascomunidades campesinas valorizem os ensinamentos a ela atrelados. Pois a EFAGvem demonstrando o valor e a qualidade da escola ao atrair alunos de váriosmunicípios, isso vem demonstrar que a escola exerce um papel de sumaimportância para os campesinos da micro-região, crescendo gradativamente onúmero de alunos matriculados a cada ano.4. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG Com relação à entrada na escola 15% entraram em 2007, 35% em 2008 e50% em 2009 em 2010 para 50% em 2011 60% acreditamos que tudo isso se devea credibilidade passada pelos dirigentes da escola segundo a fala dos entrevistadose também pela metodologia de ensino. Diante desses dados podemos afirmar que aEFAG é uma escola que está progredindo cada vez mais.4. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG Com relação à credibilidade da escola pudemos perceber que 90%responderam que acreditam que a escola pode ajudar a transformá-los em pessoasmelhores e capazes de solucionar os problemas seus e de sua comunidade os 10%não opinaram ou não souberam responder. Este é outro dado importante, pois ficaclaro o quando o aluno se sente engajado neste processo de formação educacional. Em relação ao local onde os familiares residem, 90% responderam que háescolas regulares e 10% disseram não haver escolas onde residem, confirmando afragilidade do ensino no campo, é que embora haja escolas regulares onde residem,os alunos desejam um ensino diferenciado procurando as EFAS.
  • 61. 60 Seguindo o objetivo das Escolas Famílias Agrícolas, os alunos matriculadosna EFAG, participam de atividades extraclasses em grupos, associações emovimentos sociais e também em atividades da igreja pertencentes, exercitandoassim o papel de cidadão participativo, 70% dos alunos questionados tem algumaatividade extra-escolar, os 30% restantes não desenvolvem nenhuma atividadeextra, 70% participam de grupos de igrejas as quais pertencem, ondeaproximadamente 30% participam de movimentos sociais, 30 % não participam denada. Pudemos averiguar que esta escola incentiva a participação social dossujeitos Percebemos que o tamanho da satisfação em relação à escola era tãogrande, que ao serem solicitados a atribuir uma nota para a satisfação na escolatodos foram unânimes em sua concepção de satisfação, acreditando que a escolaseja importante para o desenvolvimento deles e da comunidade onde residem. E emuma escala de 01 a 10, 80% deram nota 10 para a formação recebida na EFAG,como suporte para a comunidade, os 20% restante não responderam. 100% dosalunos afirmam serem felizes e ainda 50% se sentem felizes e realizados. Não podemos deixar de ressaltar alguns fatores que nos chamaram muitoatenção por serem mencionados por vários entrevistados. Ao ser entrevistada M, Afirma que já estudou em outras escolas, mas que aEFAG tem contribuído para o seu desenvolvimento como ser humano, e esta escolase diferencia das demais por trazer a prática nos trabalhos cotidianos. A melhoria na qualidade de vida do campesino inclui vários fatores, entreeles destaca-se, a educação do campo que os preparem para que possamcompreender os saberes necessários para a convivência humana, como afirmaDuffaure (1993) “A formação geral não se limita a instruções primárias. Ela vaicompreender também conhecimentos do mundo (geográfico), do momento (história),da vida humana.” (p.07), diante desta realidade percebemos nas falas de algunsalunos que existe alto grau de satisfação por estar na escola, fazerem parte dela, aose expressarem afirmando que acreditam que a formação adquirida na escola podetransformá-los em pessoas melhores, capazes de solucionar os problemas seus, dasua família, da sua comunidade se preciso for.
  • 62. 61 _Eu aplico o que aprendo aqui, quando chego à minha comunidade, pois, a gente tem quinze dias aqui na escola e quinze dias com a nossa família. A.1 _Eu acredito que conseguiria sobreviver com o que aprendo aqui na EFAG, pois aprendo a lidar com a terra e dela sobreviver. A.2 E seguindo a linha de pensamento de Xavier: (1990, p.08) Educar sempre foi e continua sendo uma tarefa eminentemente social. A formação de personalidade madura resulta tanto do fortalecimento da autonomia pessoal como da construção de uma alteridade solidaria, que perpassa pela descoberta do outro como atitude moral. A humanização concebida como crescimento interior do indivíduo encontra seu pleno desenvolvimento no ponto onde encontram de modo permanente os caminhos da liberdade, responsabilidade. Vimos na reflexão de Xavier que a educação inscreve-se como requisitoindispensável para garantir cidadania. Esta fala esta em consonância com opensamento de Freire (1987). Não há uma escola que ensine tudo e para toda vida, a educação na escola constitui apenas uma parte de todo este processo que é educação que aos jovens na sua experiência formadora assumindo-se convença definitivamente que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para sua produção e sua construção. (p.24-25) Diante desta afirmação alguns alunos complementam: Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala de aula e só na teoria, nós aprendemos a prática, como lidar com a terra, nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que escolhemos onde vamos aprender a prática. A.3 A escola é muito boa porque aqui nós somos uma família, a gente fica quinze dias aqui e quinze dias em casa com a família e a comunidade durante estes quinze dias em casa fica monitorando e nós colocamos em prática tudo que aprendemos na escola, nós somos uma espécie de multiplicadores. A.4 Confirmando o papel da escola é que os alunos nos surpreenderam aindamais afirmando que: A escola me torna consciente da realidade é tanto que quando eu sair da escola quero seguir a mesma linha da EFAs, pois acredito que tenho muito a aprender. A.5 Quero servir o homem do campo, não penso em sair, mas penso em fazer uma faculdade na mesma área rural para defender os direitos dos trabalhadores da roça. A.6
  • 63. 62 Diante dos dados fica-nos claro que há uma grande procura dos alunos daárea rural pela inclusão na EFAG, assim, reforçando a nossa compreensão Nunes(2002) afirma: Quando o oprimido dá espaço a própria voz, reconhece o valor da sua ação no mundo e se dá conta que ele transforma este mundo, ainda que modestamente dia após dia a medida que se percebe de sua condição de oprimido e do seu valor como homem, passa a ter vontade de mudar este estado de coisas. Esta transformação é chamada de conscientização. (p.20). Com essas perspectivas dos entrevistados, fica-nos a certeza de que aeducação contextualizada é a base da valorização dos sujeitos. Fazendo-nosacreditar que é atraves do conhecimento e do respeito a diversidade que se constróium processo de igualdade e a promoção de acesso aos bens da terra. Mostrandoque o campesino não precisa de políticas educacionais assistencialistas e sim dedesenvolvimento social e que referencie os valores culturais e a convivência nocampo. Pois segundo (Demo, 2001, p.100). “A escola precisa privilegiar acidadania, e não a produtividade econômica”, pois seguindo o pensamento de Demoque afirma: “O que marca a trajetória de desenvolvimento do ser humano é acapacidade de aprender”, acrescentando-se o desenvolver, alcançando seusobjetivos construindo um novo rumo que seja capaz de conduzir a sua própriatrajetória pessoal (construída em cima da fala do autor) observação Pode-se-ai aindase acrescentar que o papel da educação é de grande e fundamental importânciapara que a vida seja valorizada e que haja democracia no campo, invertendo oimaginário depreciativo com relação ao campo. Aqui na EFAG eu permaneço na escola durante quinze dias consecutivos, enquanto que nas outras escolas eu iria de manhã ou à tarde. A.7 Para A:8 Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala de aula e só na teoria, nos aprendemos a prática, como lidar com a terra, nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que escolhemos onde vamos aprender a prática.
  • 64. 63 Também em suas falas alguns alunos relatam que pretendem seguir amesma linha de escolas agrícolas quando concluírem o ensino fundamental,seguindo para o ensino médio em escolas Agrícolas. Após eu concluir este curso pretendo seguir a mesma linha de Escola Agrícola. A.9 Farei uma faculdade na mesma área rural. Sim a Escola prepara para a sobrevivência no campo. A.10 Reafirmando assim o grau de satisfação dos alunos deste estabelecimentode ensino. Pudemos perceber que de acordo com a fala dos participantes esseprocesso educativo também desperta a consciência critica, desmistificando a idéiaarcaica de ingenuidade do campesino. quebrando paradigmas e rompendo com ascorrentes que durante todos esses tempo vivam aprisionados. Constatando assimque está havendo um processo de aprendizagem da cidadania. Onde é visível asegurança dos sujeitos em si e no grupo o qual pertence. Cabe-nos explicitar que antes de realizarmos a pesquisa pedimos permissãoà direção da escola, os professores e em especial aos alunos, que foramselecionados para participarem da pesquisa, e que todos eles aceitaram nossodesafio e colaboraram muito na realização deste projeto.
  • 65. 64 CONSIDERAÇÕES FINAIS Por vivermos em sociedade, e por acreditarmos nessa sociedade é que nãopodemos perder a esperança e nem tampouco deixar de lutar como homens emulheres de direitos e deveres igualitários, juntando forças para que juntos homense mulheres do campo e da cidade possam construir uma sociedade mais viva eparticipativa nas políticas públicas, pois o que se constrói ou o que se cria é emnome da sociedade que também fazemos parte dela, não podemos mais aceitar odescaso com os nossos irmãos do campo, com os nossos educandos e nemtampouco com a natureza, que precisa de cuidados e proteção, quando o homempor motivos maiores são obrigados a abandonarem suas origens consequentementetoda a sociedade responde por essa desordem social. Não podemos ser e nem somos imune a esse efeito de agressão aoscamponeses ou somos agressores ou somos defensores, de uma forma ou outranão somos neutros e nem inatingíveis. Acreditamos que o equilíbrio da humanidadeestá na união dos seres. A cada dia nos preocupamos mais com a realidade dasescolas do campo, diante do desamparo histórico que o campesinato vem sendosubmetido no que diz respeito à educação, mas só nos preocupar não ira resolver oproblema dos campesinos e melhorar a educação do campo, precisamos conhecervivenciar e arregaçar as mangas para que a educação cumpra seu papel formadorde personalidades, mas para isso torna-se necessário que implante e valorize aeducação do campo com ensino de qualidade, alem do mais, que essa açãotransforme-se em prioridade, se de fato quisermos resgatar o respeito e avalorização do homem do campo tudo isso implicar em determinar a identidade dasescolas do campo a partir dos sujeitos a quem se destinam, como os agricultoresfamiliares, ribeirinhos, assentados, indígenas, caiçaras, extrativistas, pescadores,remanescentes e quilombolas. Sabemos que apesar de muitas conquistas jáalcançadas durante todos esses, tempos através de lutas e participação social, dosmovimentos como MST, Sindicatos, CNBB, entre outros. Acreditamos que se hámuito perpetrar para que o campo e o campestre arquitetem o seu ambiente departicipação e desempenho na sociedade moderna e seletiva. Não vivemos mais emuma sociedade desinformada, não queremos mais esse quadro de descasoeducacional.
  • 66. 65Precisamos assumir-nos como formadores de homens e mulheres pertencentes auma sociedade, e não podemos contribuir com esse sistema repressor ediscriminatório. Onde divide a sociedade por status. Diante do exposto é que nosdebruçamos e chegamos a seguinte conclusão: está muito claro o quando aeducação pode contribuir para a formação social dos sujeitos. Ficandoextremamente nítido o quanto o homem do campo é auto-suficiente para transformaro seu meio agindo, tendo êxito, conquistando seu espaço, transformando–se emgente otimista e independente. Afirmando assim o quanto esta entidade escolarEFAG tem contribuído para que os campesinos fortaleçam sua cultura, desenvolvaseus conhecimentos e se adapte as mudanças sociais, políticas, culturais eparticularmente climáticas. Segundo constatação e relatos dos educandos pudemosconcluir que os mesmo vêm fazendo um grande esforço para garantir no campoigualdade de condições. Mediante tais informações pudemos perceber queeducação do campo deve se desenvolver entre vários agentes educativos: família,comunidade e escola e grupos sociais.
  • 67. 66 REFERÊNCIASABRAMOVAY, Miriam. Org. Escola e Violência. Brasília: UNESCO, 2000.ARROYO, Miguel Gonzalez e FERNANDES, Bernardo Mançano. A educaçãobásica e o movimento social do campo. Brasília – DF: Articulação Nacional Poruma Educação Básica do Campo 1999. Coleção por uma Educação básica docampo nº 02.BAPTISTA, Francisca Maria Carneiro. Educação rural: das experiências à políticapública. Brasília: Editora Abaré, 2003.BARBOSA, Aidil Jesus da Silveira. Fundamentos da metodologia . 2ª Ed. SãoPaulo: Markom Book. 2000.BARONI, Antonio rocha e PASSARELLI, Isabel. A formação integral na CEFFAS navisão dos sujeitos da alternância o (a) agricultor (a), In: Revista Formação porAlternância. Ano 3 – nº 5. Brasília: União Nacional das Escolas Famílias Agrícola doBrasil, 2007 (p.28).BOCK, Ana M. B., FURTADO, O. TEIXEIRA, M. de L. T.; Psicologias: Umaintrodução ao estudo de psicologia. Pág. 98-110. , 13 ed., São Paulo, Saraiva,2001.BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Diretrizes operacionais para aeducação básica nas escolas do campo. Resolução CNE/CEB Nº 1. Brasília.2002.CALAZANS, Maria Julieta Costa. Para compreender a educação do Estado noMeio Rural: traços de uma trajetória. In: Therrien, Jacques & Damasceno MariaNobre (Coords). Educação e escola no Campo. Campinas: Papirus. P. 15-40. 1993.CALDART (RS). Pedagogia do Movimento Sem Terra: Escola é mais que escola.2ª Ed. Vozes. Petrópolis. 2000.CALDART, Roseli Salete. Elementos para Construção do Projeto político ePedagógico da Educação do /campo. In. MOLINA, Mônica, JESUS, Sônia. (Org.)
  • 68. 67Contribuições para a construção de um Projeto de Educação do Campo, nº 5.Brasília-DF.CAMPOLIM, Aldagiza Inês. Educação rural: um debate necessário. Disponívelem HTTP://www.agromline.com.br, acesso em 21 de junho de 2009.CAVALCANTE, Djane da Silva, QUEIROZ, Marcelo Costa. A importância dasEscolas Agrícolas no contexto da Educação do campo: A experiênciavivenciada na EFA de Antonio Gonçalves-Ba. Monografia: (Trabalho deconclusão de Curso de Especialista em Educação, Ciências e Tecnologia).Universidade do Estado da Bahia, 2007.CERVO, Luiz Amado: BERVIAM, Pedro Alcino: SILVA, Roberto da. MetodologiaCientífica. 6ª Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.CHIAVENATO, Júlio José. O golpe de 64 e a ditadura militar. São Paulo: Moderna,2004.Constituição da República Federativa do Brasil – Brasil – 1998.COSTA, Sidiney Alves. Os Sem Terra e a Educação: um estudo da tentativa deimplantação da Proposta Pedagógica do MST em escolas de assentamentos noEstado de São Paulo. Dissertação (Mestrado). São Carlos: UFSCA, 2002.DELORS, Jacques (org.). Educação um tesouro a descobrir, relatório para aUnesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. SãoPaulo: Cortez, 2001.DEMO, Pedro. Avaliação Qualitativa. São Paulo: Cortez, 1987.DUFFAURE (a). Educación. Medio Y Alternancia. Textos elegidos y presentadospor Daniel Chartier. Ediciones Universitárias. U.N.M.F.R.E.O. Traducción: AlíciaPerna/ Sussana Vidal. Buenos Aires. 1993. Escolar. Campinas: Editora AutoresAssociados, 1993.FERNANDES, Bernardo Mançano. Por uma educação do Campo. In: VV.AA. Aeducação básica e o movimento social do campo. Brasília: UnB, 53-70. 2005.
  • 69. 68FOERSTE, Erineu. Parceria na formação de professores. São Paulo: Cortez,2005.FONSECA, (MTL). A Extensão Rural no Brasil, um projeto educativo para oCapital. Loyola. São Paulo. 1985.Fonte: IBGE. Universo preliminar do Censo Demográfico 2010. Elaboração:MDS.FRANZ, Victor Rudio. Introdução ao Projeto de Pesquisa Cientifica- EditoraVozes- 11ª Edição, Brochura, 1986.FREIRE, Paulo, Pedagogia do Oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1987.GIMONET (j c). Perfil, Estatuto e funções dos Monitores, In UNEFAB, Anais do ISeminário Internacional da Pedagogia da Alternância: Alternância eDesenvolvimento. Salvador-Ba. 1999. pp. 124-131. aGRAZIANO NETO, Francisco. Questão agrária e ecologia. 2 Edição, São Paulo:Brasiliense, 1985.HELLER, A. 1993. Uma Teoria da História. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.IANNI, Otávio. Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994.LAKATOS, Eva Mª. Fundamentos de Metodologia Científica. 3ª Ed. Revisada eduplicada. São Paulo: Atlas, 1991.LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalhocientífico. São Paulo: Atlas, 1996.LEITE, Sérgio Celani. Escola rural: urbanização e políticas educacionais. SãoPaulo: Cortez, 1999.LUDKE, Menga. ANDRE, Marli E. D. Pesquisa em educação: abordagemqualitativa – São Paulo: EPU, 1986.
  • 70. 69MAIA, Eni Marisa. Educação rural no Brasil: o que mudou em 60 anos? In: Emaberto, ano 1, nº 9, Brasília, setembro, 1982. P. 27.MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394/96, MEC.1996.MOLINA, Mônica, JESUS, Sônia. (Org.). Contribuições para a construção de umProjeto de Educação do Campo, nº 5. Brasília. -DF. 2006.NUNES,D.,Pedagogia da Participação: Trabalho com Comunidades,Ed. UNESCO/Quarteto, Salvador,2002.PARECER CNE/CEB 36/2001 de 12 e março de 2002. Resolução n 1, de 03 deabrilde 2002. (institui diretrizes operacionais para a educação básica nas escolasdo campo).QUEIROZ, Maria Aparecida de. Desacertos da educação: professor e o ensinorural. São Paulo: Cortez. 1985.RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira – a organizaçãoSANTOS, Fábio Josué Souza. Por uma escola da roça. In: Revista da FAEEBUniversidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. Salvador UNEB.2003 (p. 150).SAVIANI, Dermeval. O nó do ensino de 2º grau. Bimestre, São Paulo: MEC/INEP –CENAFOR, n.1,out.1986.SILVA, Edna Maria Lopes da. Gênero, alfabetização e cidadania: para além dahabilidade da leitura e da escrita. João Pessoa, 1998. Dissertação (Mestrado) –UFPB.SILVA, Maria do socorro. A formação Integral do ser humano: referência edesafio da educação do campo. In: Revista da Formação pó Alternância – Brasília:União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil, 2005 (p.45).SOARES, Carmem L. Fundamentos da Educação Física escolar. Rev. Bras. deEst. Pedagógicos, Brasília-DF1990.
  • 71. 70UNEFAB - União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil.Acessado em 28/01/2011 e-mail:unefab@terra.com.brVERGARA Rodrigo – Revista Super Interessante- Janeiro de 2003. Ed. 172.Editora Abril.XAVIER, Maria Elizabete Sampaio Prado. Capitalismo e escola no Brasil aconstituição do liberalismo em ideologia educacional e as reformas do ensino.(1931-1961) Campinas: Papirus 1990.ZANBERLAN (S). Pedagogia da Alternância, Centro de Formação do MEPES,Coleção Francisco Jiusti. Gráfica Mansur Ltda. Piúma-Es. 1996.
  • 72. 71 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIOQuestionário aplicado para alunos egressos na EFAAG.Nome: ______________________________________________Sexo: ( ) feminino ( ) masculino ( ) outrosIdade: ___________Município onde reside _______________________________________Raça/cor ( ) branco ( ) negro ( ) pardo ( ) nenhumaSe NENHUMA. Qual a sua cor? ________________________________Em que ano entrou na escola? _________________ está em que série? _____Porque você veio estudar na EFAAG?( ) Porque os seus pais te obrigaram.( ) Porque você acredita que a escola pode ajudar a te transformar em umapessoa melhor e capaz de solucionar os problemas seus e da sua comunidade.( ) Foi porque teus colegas estão aqui.( ) os monitores foram em busca de você e convenceram que estudar na EFAAGseria melhor.( ) Você não teve outra opção.( ) Foi escolha tua e teus pais te deram a maior força.Onde sua família mora tem escola regular.( ) sim ( ) nãoVocê tem alguma atividade comunitária fora da Escola? Qual?( ) sim ( ) não
  • 73. 72( ) Participa de movimentos sociais.( ) de organizações comunitárias.( ) De grupos de igrejas a qual você pertence.( ) De grupo de dança folclórica.( ) outros._______________________________________________________________Em uma escala de 01 a 10. Qual nota você daria para a formação recebida naEFAAG como suporte para que você possa passar para a sua comunidade?_______________________________________________________________Como você se sente nesta escola?( ) Feliz ( ) satisfeito ( ) insatisfeito ( ) triste ( ) realizado ( ) não sei
  • 74. 73 APÊNDICE B – ENTREVISTAEntrevista aplicada aos alunos egressos da EFAAG.Nome_______________________________________________________________Sexo ( ) feminino ( ) masculinoIdade ___________Você já estudou em outras escolas? Em que você acha que a EFAAG se diferenciadas demais?De acordo com o seu conhecimento, você acredita que a formação adquirida naEFAAG é suficiente para garantir a sobrevivência e permanência do jovemcampesino no campo?Você tem vontade de ir para outra escola?Durante o tempo que você fica na escola o que você faz?A escola tem contribuído para o desenvolvimento da sua comunidade? Como?Quando você sair da escola o que irá fazer?

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