Monografia Roselita Pedagogia 2010
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Pedagogia 2010

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Monografia Roselita Pedagogia 2010 Monografia Roselita Pedagogia 2010 Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BA PEDAGOGIA 2005.1 ROSELITA MARIA ANDRADE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: DAREALIDADE EM PRETO E BRANCO PARA O MULTICOLORIDO DA LUDICIDADE NA SALA DE RECURSOS SENHOR DO BONFIM 2010
  • 1 ROSELITA MARIA ANDRADE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: DA REALIDADE EM PRETO E BRANCO PARA O MULTICOLORIDO DA LUDICIDADE NA SALA DE RECURSOS Monografia apresentada como pré- requisito para conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, Departamento de Educação Campus VII da Universidade do Estado da Bahia. Orientador: Profª. Pascoal Eron dos Santos Souza. SENHOR DO BONFIM 2010„.
  • 2 ROSELITA MARIA ANDRADE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: DA REALIDADE EM PRETO E BRANCO PARA O MULTICOLORIDO DA LUDICIDADE NA SALA DE RECURSOS Aprovada em _____de _____________ de 2010. ________________________________________ Profª. Pascoal Eron dos Santos Souza (Orientador) ______________________________________ Avaliador (a) _____________________________________ Avaliador(a)„.
  • 3 A minha eterna gratidão àquele que jamais me desampara e está à frente da minha vida e de todas as minhas decisões, abrindo os caminhos para novas buscas de conhecimento. Meu Deus, ser supremo e vivo em minha vida! E que me permitiu chegar aonde cheguei.Senhor minha luz guia! Ao meu querido, amado, inesquecível pai (in memorian), que sempre sonhou com essa conquista, que sempre incentivou ao meu desenvolvimento intelectual. Paizinho te amerei eternamente. A minha mãe que hoje compartilha comigo este momento tão especial, que me levou a compreensão do saber, mãe... te amo. A Weslley, meu filho, pedaço de mim, dádiva de Deus, meu eterno príncipe. A minha irmã, pela força nos momentos em que desanimei, por todos os momentos de luta. Ao meu esposo Givanildo, pela compreensão nos momentos tão difíceis que juntos passamos. Te amo meu amor!„.
  • 4 AGRADECIMENTOSAos professores da Instituição de Ensino: Ana Maria, Gilberto Lima, Glória daPaz, Ozelito Cruz,Lílian Teixeira,Cláudia Maísa, Sandra Fabiano, Elizabeth,Joanita Moura, que ao socializarem seus conhecimentos, me oportunizou achegar nesta etapa de trabalho. A professora Suzzana Alice, que abriu asportas ao me receber no espaço acadêmico, dando a primeira chance comomonitora, para mostrar meu trabalho, e com toda sua exigência me levou abuscar incessantemente o conhecimento, ao tempo que mostrou o valor, e aimportância da pesquisa para a compreensão dos fenômenos.Em especial a professora Simone Wanderley, a qual me deu oportunidade deser sua monitora por dois semestres e aprender contigo além dos saberesacadêmicos, saberes significantes do processo de interação do ser humano, orespeito à diversidade, o valor e o amor ao próximo. A você Simone meu muitoobrigada pelas escutas nas horas difíceis e desanimadoras, onde você sempreme energizou com suas palavras positivas,além de proporcionar um ambientede trabalho que dava prazer em estar, característica ímpar sua.Ao meu professor e orientador neste trabalho Pascoal Eron aqui minha gratidãopela maneira de como me orientou, pela sua credibilidade, para que eupudesse concretizar este trabalho tão importante para mim. Sua sabedoria esocialização de conhecimentos contribuíram muito para que eu chegasse atéaqui. Pascoal meu eterno obrigado!Agradeço ainda a babá do meu filho, Jó, por me compreender nos momentosde extresse, se fazendo uma amiga, e por cuidar do meu filho com tantapaciência, e também nos dias e horas que mais precisei, com tanta dedicação.A todos os colegas do curso de Pedagogia, pelas discussões, os momentos desocializações que tanto contribuíram para o enriquecimento dos meusconhecimentos, com um carinho enorme a Marilúcia e Letícia, amigas da minhaturma de 2005, a Viviane por sempre acreditar no meu potenciale proferir„.
  • 5palavras de segurança, e aos demais, uma turma que realmente surgiu paramarcar presença! Aos colegas de Pedagogia da turma de 2006.1 que meacolhereram. Aos demais colegas dos cursos de Matemática, Biologia eCiências Contábeis, que nos bastidores da Uneb, sempre estivemoscompartilhando as alegrias, e os conhecimentos.A Universidade do Estado da Bahia –Uneb, especificamente aos funcionáriosdo Departamento do Campus VII, que durante meu curso me acolheram commuito carinho e respeito. Em especial a: José Bites, que com suas palavras meincentivou quando momentos difíceis de saúde com meu pai passei, a Rita,primeira amizade no Departamento, Assivânia, por sua dedicação epreocupação com o próximo, pessoa humana, simples, atenciosa, querida,palavras são insuficientes para demonstrar o carinho que tenho por ti, sou felizpor tê-la como amiga. A Lú, sempre pronta para ouvir, a Elivete, porproporcionar descontração com suas palavras, e ao Cláudio por sua paciência.E a todos os funcionários da biblioteca meu lugar preferido no Departamento,que me acolheram como verdadeiras amigas, proferindo palavras deperseverança nos dias mais cansativos em especial, a Maria, Margarida eAndrea.O meu muito obrigada, àquelas pessoas que não foram citadas, mas quetiveram sua participação neste meu processo de formação acadêmica.„.
  • 6 "Trago dentro do meu coração, Como num cofre que, se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive, Todos os portos a que cheguei, Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando, E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero”. Fernando Pessoa„.
  • 7 RESUMOO propósito deste trabalho foi realizar uma pesquisa sobreO propósito deste trabalho monográfico é apresentar e discutir os resultados deuma pesquisa que visou elucidar a articulação entre ludicidade edesenvolvimento do aluno com necessidades educativas especiais. Com esteintuito nosso objetivo foi identificar qual o papel da ludicidade nodesenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos especiais na perspectiva dosprofessores das salas de recursos e averiguar qual a compreensão que essesprofessores têm sobre o trabalho lúdico nas atividades diárias. Para esclarecertais questões buscamos fundamentos para nosso objeto de estudo partindo daconcepção de alguns autores que subsidiaram nossas reflexões: Kishimoto(2000), Piaget (1990), Luckesi (2000) Maluf (2003), Santos (2001), Vygotsky(1984), Wallon (2007), Almeida (2006), entre outros. Realizamos uma pesquisade campo de cunho qualitativo, e utilizamos e como instrumentos de coleta dedados o questionário aberto, o questionário fechado e a observaçãoparticipante. Ao analisarmos e interpretarmos os dados dos sujeitosentrevistados constatamos que as professoras das salas de recursos têm olúdico como recurso didático em sua prática pedagógica, ao tempo em queacreditam neste instrumento como mediador do processo de aprendizagem edesenvolvimento de seus alunos. Verificamos ainda que as atividades lúdicasestão presentes em seu cotidiano, porém de uma maneira restrita, essasprofessoras deram ênfase aos jogos, limitando outras atividades lúdicas, tãoimportantes neste processo. Ressaltamos que ainda é necessário que políticaspúblicas ofereçam maior disponibilidade de recursos para esses profissionais, afim de que sua prática se faça eficaz para a realidade de cada aluno.Palavras-chave: Ludicidade, Professores, Desenvolvimento sócio-cognitivo,Atendimento Educacional Especializado e Sala de Recursos.„.
  • 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................. 12CAPÍTULO I 1. O fenômeno lúdico na escola contemporânea......................................... 151.1Desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno com necessidades 18educacionais especiais: por meio da ludicidade, isso é possível?................CAPÍTULO II2. Nada mais desigual do que tratar todo aluno igual.................................... 232.1 Professor: mediador do processo de aprendizagem.............................. 232.1.1 O papel do professor na proposta do trabalho lúdico........................... 242.2 O sentido da ludicidade........................................................................... 262.2.1 Retratos da ludicidade no desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno.. 272.3 Educação inclusiva: reconhecendo e valorizando a diversidade............. 312.3.1 Atendimento Educacional Especializado para Alunos Especiais: 33Aspectos Legais.............................................................................................2.4 O que é uma Sala de Recursos?............................................................. 342.5 A influência da ludicidade no processo de desenvolvimento do aluno 37especial..........................................................................................................CAPITULO III3. Abordagem Metodológica.......................................................................... 393.1 Conhecendo a realidade através da pesquisa qualitativa....................... 403.2 Lócus: Nosso campo de estudo............................................................... 413.3 Os sujeitos: Atores sociais no contexto................................................... 413.4 Instrumentos de coleta de dados............................................................. 413.4.1 Observação participante: Um olhar não normalizador.......................... 423.4.2 Questionário fechado............................................................................ 433.4.3 Questionário aberto.............................................................................. 44„.
  • 9CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.......................................... 454.1 Análises do questionário fechado: Características dos sujeitos 45pesquisados...................................................................................................4.1.1 Gênero.................................................................................................. 454.1.2 Faixa etária........................................................................................... 464.1.3 Formação profissional........................................................................... 474.1.4 Tempo de docência na sala de recursos.............................................. 484.1.5 Participação em cursos complementares para trabalhar nas salas de 49recursos.........................................................................................................4.1.6 Material pedagógico disponível............................................................ 504.2 Análises do questionário aberto............................................................... 514.2.1 A visão do professor frente à educação lúdica para alunos especiais 514.2.2 As implicações das atividades lúdicas para o processo de 53desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno especial......................................4.2.3 A relevância dos jogos para o desenvolvimento do aluno especial...... 534.2.4 O trabalho docente na sala de recursos............................................... 554.2.5 Tinha uma pedra no meio do caminho................................................. 585. TECENDO ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.............................................. 60REFERÊNCIAS.............................................................................................. 65APÊNDICES„.
  • 10 LISTA DE FIGURASFIGURA 01: Gênero............................................................................... 46FIGURA 02: Faixa Etária........................................................................ 46FIGURA 03: Formação........................................................................... 47FIGURA 04: Tempo que Leciona........................................................... 48FIGURA 05: Participação em Cursos de Aperfeiçoamento.................... 49FIGURA 02: Satisfação com Material Pedagógico................................. 50„.
  • 11 LISTA DE ABREVIATURASANEE - Alunos com Necessidades Educativas EspeciaisAEE - Atendimento Educacional EspecializadoNEE- Necessidades Educativas EspeciaisONU – Organização das Nações UnidasSR - Sala de RecursosLDB - Lei de Diretrizes e BasesDNEE/EB -Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação BásicaCNE/CEB Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação BásicaPRS - Professora da Sala de Recursos„.
  • 12 INTRODUÇÃOA ludicidade é uma temática que vem se destacando no espaço educacional,visto que, seu conteúdo abre um leque de oportunidades que possibilitam umtrabalho pedagógico focado na produção do conhecimento, da aprendizagem edo desenvolvimento. O lúdico como ferramenta para o processo de ensino-aprendizagem, viabiliza uma prática pedagógica mais agradável, diversificada eeficiente, na medida em que favorece a interação e integração dos alunos,possibilitando um bom convívio social, contribuindo para o desenvolvimentosubjetivo, cognitivo e social.A interação e integração estendem-se também aos alunos com necessidadeseducativas especiais, que tem suas necessidades específicas como qualqueroutra criança. O aluno que recebe atendimento educacional especializado nassalas de recursos convive com alguns obstáculos cognitivos, econseqüentemente sua adaptação ao meio se torna mais difícil.Compreendemos assim que as atividades lúdicas possibilitam autonomiaintelectual, a partir do momento em que seja trabalhado a ludicidade comobjetivos específicos para o desenvolvimento sócio-cognitivo desses alunos.Sendo assim, apresentamos nosso trabalho monográfico intitulado em:Atendimento Educacional Especializado: Da realidade em preto e branco parao multicolorido da ludicidade na sala de recursos. Seu principal propósito foiidentificar qual o papel da ludicidade para o desenvolvimento sócio-cognitivo doaluno especial na perspectiva do professor da sala de recursos, visandocompreender de que maneira esta temática tão discutida atualmente estásendo abordada para estes profissionais da educação que atuam com osalunos que recebem o atendimento educacional especializado. O título de nosso trabalho: Da realidade em preto e branco para o multicoloridoda ludicidade na sala de recursos, faz juz ao presente momento quevivenciamos uma grande preocupação daqueles envolvidos no processo de„.
  • 13educação da aprendizagem dos alunos especiais. Pensamos que o professor écapaz de transformar o mundo desse aluno que enxerga apenas o básico,levando-o ao entendimento de uma razão permeada por significados coloridos,alegres, onde o lúdico oportuniza essa vivência, de maneira que veja as coisascom mais alegria em sua vida.Além dessas expectativas, procuramos contribuir para que todos aqueles quefazem parte do cenário educacional possam estar refletindo sobre a realaprendizagem dos alunos especiais das salas de recursos por meio dasatividades lúdicas.Estruturamos nossa pesquisa em quatro capítulos, enfocando o nosso objetode estudo, da seguinte maneira:No primeiro capítulo, O fenômeno lúdico na escola contemporânea,discorremos sobre as diversas possibilidades de o lúdico estar presente na vidado sujeito, analisando a dimensão desta temática, inserida em contextosdiversos. Levamos as discussões até o espaço escolar como mediadora nabusca de conhecimento, por meio do processo ensino-aprendizagem.Evidenciamos as implicações que a ludicidade traz ao processo dedesenvolvimento sócio-cognitivo do aluno que recebe atendimento especial nasala de recursos. A partir dessa problemática, focamos essas implicações naperspectiva dos professores da sala de recursos.No segundo capítulo, apresentamos o referencial teórico, no qual “dialogamos”com os teóricos, os quais nos deram suporte à compreensão do nosso objetode estudo. Fizeram parte desse contexto: Oliveira (2003), Libâneo (1989),Maluf (2003), Santos (1999; 2001; 2006), Almeida (2006), Luckesi (1994),Piaget (1975, 1988, 1990), Vygotsky (1984), Wallon (2007), Nóvoa (1992),Kishimoto (2006), Aguiar (2005), Souza (2006).„.
  • 14O terceiro capítulo traz o caminho que trilhou a pesquisa: a metodologia decunho qualitativo por se tratar da área de ciências humanas. Utilizamos comoinstrumentos, a observação, o questionário fechado e o questionário aberto,que nos permitiram captar as concepções dos sujeitos entrevistados.No quarto capítulo apresentamos a análise e interpretação, construídas pormeio dos dados coletados na pesquisa. Antes de iniciarmos a análise,agrupamos os discursos dos sujeitos por conceitos que se relacionavam entresi, e foram divididos em categorias, com o intuito de termos uma melhorcompreensão dos fatos analisados. Este procedimento resultou em gráficos econcepções que os sujeitos têm em relação à temática abordada, na qualprocuramos fazer um paralelo entre os resultados e os referenciais teóricos, eque respondessem as nossas inquietações com base nos objetivos.Concluímos nosso trabalho ao tempo em que apresentamos algumasconsiderações finais, demonstrando nosso posicionamento em relação aosdiscursos dos entrevistados e a nossa questão de pesquisa.„.
  • 15 CAPÍTULO I1. O fenômeno Lúdico na escola contemporâneaA ludicidade vem sendo estudada e discutida há muito tempo, desde aantiguidade pelos filósofos e estudiosos, por acreditarem que a diversão e osjogos faziam parte de sua essência. Atualmente estas discussões se fazempresente no meio acadêmico, tornando-se alvo de reflexão, já que suportesteóricos direcionam o estudo da ludicidade como um agente facilitador daaprendizagem. Assim vem conquistando diversos espaços na sociedade, e semanifesta através de expressões reais, tanto nos espaços escolares, por meiodas brinquedotecas, videotecas, atividades lúdicas, como nos espaçosinformais e não formais de educação: no incremento das viagens, nasatividades para a denominada terceira idade, na prática lúdica na família.Atualmente a ludicidade se faz presente também no treinamento de recursoshumanos nas empresas, como afirma Santos (2000, p.60): “As empresas maisavançadas romperam os preconceitos e buscaram no jogo e nas atividadeslúdicas, novos caminhos para enfrentar os desafios da modernidade”, assimpodemos observar a dimensão da ludicidade na vida do ser humano.Apesar da ludicidade fazer parte do contexto escolar, ainda há imensaslacunas nessa área em relação à produção científica, seja na prática ou mesmocomo ferramenta pedagógica para o desenvolvimento da aprendizagem dosalunos.Partindo da teoria de que uma educação lúdica tem como princípio acompreensão de que o ser humano é um ser em movimento, que se constróiao longo do tempo, ela foge ao entendimento de que o ser humano é um serdado pronto, acabado. Uma prática lúdica configura-se sobre um entendimentode que o ser humano se constrói a cada momento, por meio de sua atividade,na perspectiva de vivenciar momentos que o levem ao encontro consigo e como outro, momentos de fantasia, realidade, percepção e ressignificação, “na„.
  • 16verdade, a atividade lúdica é uma forma de o indivíduo relacionar-se com acoletividade e consigo mesmo” (AMARILHA, 1997, p.57).Nas atividades lúdicas o ser humano se desprende do real, e passa por umestado de plenitude, sendo esta uma necessidade para seu bem estar físico emental, ao mesmo tempo em que proporciona momentos de interação com ooutro. Neste sentido a atividade lúdica terá um significado real, quando osujeito se entregar totalmente, ou seja, existe a necessidade de uma sintoniaentre corpo e alma, a participação deve ser verdadeira para que não hajaespaço para outra coisa qualquer, que seja apenas a própria atividade que estávivenciando naquele momento.Não há como se dividir, é um momento em que estamos flexíveis, plenos,inteiros, alegres e saudáveis. Apesar de que é possível não se entregartotalmente nestas atividades, e ao mesmo tempo envolver-se com outra coisa,mas não estaremos participando dessa atividade verdadeiramente. Estadesconexão do corpo e mente resultará em corpo presente e mente ausente; oque definirá a atividade lúdica como não plena, e por isso, não será lúdica(LUCKESI, 2000). São lúdicas as atividades que propiciem a vivência plena doaqui e do agora integrando a ação, o pensamento e o sentimento.Desse modo a educação lúdica é uma orientação adequada para uma práticaeducativa que esteja atenta à formação de um ser humano saudável para si epara sua convivência com os outros. Educar ludicamente é criar ambientescom elementos atraentes e apropriados para estimular o desenvolvimentointegral da criança.A ludicidade com fins pedagógicos revela a sua importância em situações deensino-aprendizagem, ao aumentar a construção do conhecimento, agindocomo um impulso natural da criança funcionando assim, como um grandemotivador, estimula o pensamento, a ordenação de tempo e espaço, integravárias dimensões da personalidade, afetiva, social, motora e cognitiva. Comoatividade física e mental mobiliza as funções e operações, a ludicidade acionaas esferas motoras e cognitivas. Vygotsky (1989), afirma que:„.
  • 17 É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual e externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não por incentivos fornecidos por objetos externos (p.109).É fato que as atividades lúdicas como os jogos, brinquedos, brincadeiras equaisquer atividades que proporcionem o prazer, têm um valor interventivo noprocesso de aprendizagem, no sentido em que contribui diretamente para aaquisição do conhecimento e desenvolvimento integral da criança. Aincorporação dessas atividades no contexto escolar contribui para que o alunodesenvolva inúmeras aprendizagens e para a ampliação de rede designificados construtivos.O lúdico pode ser utilizado como uma estratégia de ensino e aprendizagem,tanto para crianças, como para jovens e adultos, porém a sua aplicação deveráser diferenciada nas diversas faixas etárias, de acordo com as necessidadesespecíficas de cada grupo. Como afirma Santos (2002): O jogo constitui insubstituível estratégia para ser utilizado como estímulo na construção do conhecimento humano e na progressão das diferentes habilidades operatórias, e se usado dentro de certos fundamentos básicos representa significativa ferramenta de progresso pessoal e de alcance de objetivos institucionais. (p.26)Por várias evidências da relevância da ludicidade no contexto escolar, énecessário investir em metodologias, nos recursos que proporcionam prazercomo os jogos, as brincadeiras, a música, o teatro, agindo assim como via deincentivo ao aprendizado prazeroso, retratando os benefícios na vida do aluno.O aluno que vivencia momentos de ludicidade no espaço escolar, desenvolve-se de uma maneira mais segura, já que as atividades lúdicas despertam suacuriosidade, (re) afirmam a autoconfiança, proporcionam momentos dedescobertas, experiências, interação e socialização, levando a criança a aceitaras regras, esperar sua vez, aceitar resultados. Esta educação lúdica representavalores específicos para todas as fases da vida humana.„.
  • 18O jogo inserido no contexto lúdico desempenha uma importante contribuição aodesenvolvimento social, cognitivo e físico, desmistificando a teoria de ser umsimples divertimento, levando a criança a utilizar a criatividade, o domínio e àfirmação da personalidade.1.1 Desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno com necessidadeseducacionais especiais. Por meio da ludicidade, isso é possível?Compreendemos a ludicidade como um elemento relevante para a práticapedagógica dos professores, e neste contexto nos inquieta saber quais as suascontribuições para o desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno comnecessidades educativas especiais1 (ANEE), ao mesmo tempo em quepercebemos que o desafio está em inseri-la nas salas de recursos (SR), nasclasses regulares da escola comum.As pessoas com necessidades educacionais especiais1 têm assegurado pelaConstituição Federal (1988), o direito à educação (escolarização) realizada emclasses comuns e ao atendimento educacional especializado (AEE)complementar ou suplementar à escolarização, que deve ser realizadopreferencialmente em salas de recursos na escola onde estejam matriculados,em outra escola, ou em centro de atendimento educacional especializado.A dignidade, os direitos individuais e coletivos garantidos pela ConstituiçãoFederal (1988) impõem às autoridades e à sociedade brasileira aobrigatoriedade de efetivar a política de inclusão como um direito público paraque as pessoas especiais tenham a oportunidade de preparar-se para a vidaem comunidade.O reconhecimento da diversidade e heterogeneidade dos alunos especiais éum fator determinante da escola inclusiva. Nesta perspectiva o Ministério daEducação, visando o desenvolvimento e aprendizado com necessidades1 O termo “Necessidades Educativas Especiais” (NEE), vem expressado pela primeira vez norelatório Warnock publicado no Reino Unido em 1978. Termo este aplicado ao aluno queapresenta algum problema de aprendizagem que demanda um atendimento específico e maisrecursos educativos que os que precisam os parceiros de sua idade.„.
  • 19educativas especiais, denomina como política de inclusão a sala de recursos,que tem como meta principal demonstrar que essas crianças apresentam umdiferencial no processo de aprendizagem e dessa maneira desmistificar algunspreconceitos dessa natureza.Trabalhar com essas diferenças implica em oferecer ambientes na escola quedêem subsídios para concretizar tal proposta. É nessa perspectiva que a SRsupõe uma superação dos preconceitos, modificação de atitudes e organizaçãode metodologias de trabalho. Um ensino inclusivo gira em torno de propostasmetodológicas motivadoras, buscando identificar entraves de aprendizagem, epossuir estratégias de removê-los, com o objetivo de que cada aluno destecontexto seja contemplado e respeitado em seu processo de desenvolvimentosócio-cognitivo.Neste sentido incluir o aluno com NEES no contexto escolar, é valorizar epotencializar sua autonomia, seu pensamento crítico, sua diversidade decapacidades, entendendo essas diferenças não como obstáculos e sim comodegraus para o crescimento coletivo. A inclusão escolar então é uma propostaque representa valores simbólicos importantes, condizentes com a igualdadede direitos e de oportunidades educacionais para todos.Rodrigues (2007), define a educação inclusiva como: (...) uma reforma educacional que promove a educação conjunta de todos os alunos, independentemente das suas características individuais ou estatuto sócio-econômico, removendo barreiras à aprendizagem e valorizando as suas diferenças, para promover uma melhor aprendizagem de todos. (p.34).Para o desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos com necessidadeseducativas especiais, enfatizamos a importância ao acesso aos recursosoferecidos pela sociedade, pela tecnologia, pelas escolas como influênciasdeterminantes no processo de aprendizagem do aluno especial.„.
  • 20Para Vygotsky (1984), desenvolver ambientes de acessibilidade comelementos significativos e inserir esses indivíduos neste contexto, é propiciar-lhes condições para interagir e aprender, assim suas necessidades especiaisserão supridas por interagir, relacionar-se e competir em seu meio, comrecursos mais apropriados, visto então, como “igual” na medida em que suas“diferenças” cada vez mais se assemelham com as diferenças intrínsecas eexistente entre todos os seres humanos.É de suma relevância direcionarmos nosso olhar ao atendimento educacionalespecializado, que se caracteriza como uma modalidade da educação especialtendo como finalidade, proporcionar e ampliar habilidades funcionais depessoas com necessidades especiais, bem como uma prática educacionalinclusiva a partir de novas, interessantes e criativas ferramentas pedagógicasvisando a participação efetiva dos alunos.Nesta perspectiva pretendemos discutir a importância da sala de recursoscomo parte do processo de inclusão, no contexto escolar, enfocando seusobjetivos, considerando principalmente, as diretrizes para a educação especial,e as recomendações de organizações para essa modalidade educacional.Carvalho (2000) afirma que a organização do atendimento educacional,baseada no paradigma da inclusão, deve procurar a remoção das barreiraspara a aprendizagem. Uma das tentativas da sala regular de ensino é rompercom essas barreiras, e para atender as particularidades de cada aluno comNEE, a inserção da sala de recursos se faz necessária neste processo deinclusão.A sala de recursos age como mediadora do desenvolvimento sócio-cognitivodesses alunos, potencializando a exploração e construção do conhecimento.Para Vygotsky (1984) os alunos com necessidades educativas especiaispodem se beneficiar do processo de aprendizagem como os demais e afirmaque uma criança com tais necessidades desenvolve-se como outra qualquer desua idade, porém de uma maneira diferente.„.
  • 21 A utilização das atividades lúdicas, como instrumento facilitador daaprendizagem, nesta modalidade de ensino, torna-se imprescindível para odesenvolvimento social, afetivo, motor e cognitivo das crianças. É importanteressaltarmos que ludicidade não está resumida apenas ao ato de brincar, seexpressa como uma atividade livre, criativa, capaz de absorver a pessoa quebrinca, seja com jogos, brincadeiras, músicas ou qualquer atividade queproporcione aprendizagem, a partir do sentimento de prazer. Para Santos(2001, p.16): “Uma aula ludicamente inspirada não é, necessariamente, aquelaque ensina conteúdos com jogos, mas aquela em que as características dobrincar estão presentes.” É o professor que possibilita momentos deaprendizagem lúdica aos alunos.Sabendo que a sala de recursos oferece várias ferramentas para a práticaeducativa do professor, o que nos inquieta é saber de qual maneira que aludicidade pode contribuir com o processo de aprendizagem. Neste sentidopassa a ser nosso questionamento nesta pesquisa: Qual o papel das atividadeslúdicas para o desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos que recebematendimento educacional especializado, na perspectiva dos professores dassalas de recursos?Visando contribuir para o aprofundamento da análise e da discussão sobre estetema, a partir deste questionamento estabelecemos como objetivo nestapesquisa: Identificar qual o papel da ludicidade no desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos especiais na perspectiva dos professores das salas de recursos; Averiguar qual a compreensão que os professores das salas de recursos têm sobre o trabalho lúdico nas atividades diárias.A realização da presente investigação se faz necessária no meio educacional,uma vez que, embora a discussão sobre o ensino-aprendizagem seja bastanteampla, ainda convivemos com os mesmos impasses. Ainda são presentes no„.
  • 22âmbito escolar problemas relacionados à contextualização,interdisciplinaridade, projetos, prática concreta dos professores. Cientes do fatode que, para que ocorra uma aprendizagem, ela deve ser significativa, o queexige que seja vista como compreensão de significados, relacionando-se àsexperiências anteriores, pautaremos aqui estas questões tão fundamentais.Cientificamente, julgamos que nosso estudo pode contribuir para uma reflexãoentre a postura mediadora do professor e a produção do conhecimento. Assimtemos a pretensão de explanar sobre a ludicidade como prática nas salas derecursos visando cooperar para que surjam novas ponderações sobre asintervenções pedagógicas, suas possíveis falhas e sua real aprendizagem,levando-se em conta, a opinião, concepções e práticas, principalmente,daqueles que estão diretamente envolvidos no processo de construção doconhecimento, neste caso: o professor.„.
  • 23 CAPÍTULO II2. Nada mais desigual do que tratar todo aluno igualA escola na busca por uma Educação mais Inclusiva 2 tem tentado trazerelementos que contribuam para a construção do conhecimento pleno do aluno,de maneira que proporcione subsídios para que ele desenvolva suaspotencialidades. É neste contexto que a inclusão do lúdico tem o poder detransformar o processo de ensino-aprendizagem em atividades dinâmicas,integradoras e prazerosas.As atividades lúdicas proporcionam ao aluno um aprendizado que o leva adescobrir o mundo e construir conhecimentos, por meio dos jogos ebrincadeiras. A possibilidade de integração e interação que a ludicidadeproporciona ao aluno faz com que o preconceito, a discriminação e osestereótipos sociais se quebrem. Estas vivências de situações de socializaçãosão essenciais para o desenvolvimento cognitivo, emocional e físico dossujeitos. Este é o papel da escola inclusiva, que além de reconhecer adiversidade, é capaz de criar ambientes ricos de estímulos cognitivos,utilizando para isso, a ludicidade como ferramenta pedagógica.Diante dessas perspectivas, para alcançarmos o nosso objetivo de pesquisa,buscaremos refletir nos tópicos seguintes, a ludicidade enquanto mediadora noprocesso de desenvolvimento sócio cognitivo do aluno especial.2.1 Professor: mediador do processo de aprendizagemO professor possui várias habilidades,esta é uma das exigências do professorda educação contemporânea, e uma delas é a de construir caminhos para2 A proposta da educação inclusiva se baseia na adaptação curricular, realizada através daação de uma equipe multidisciplinar que oferece suporte tanto ao professor quanto ao portadorde necessidades especiais, por meio do acompanhamento, estudo e pesquisa de modo ainseri-lo e mantê-lo na rede comum de ensino em todos os seus níveis.„.
  • 24provocar o aluno, levando-o a capacidade de refletir, analisar, estando semprena busca de novos conhecimentos. Nóvoa (1995) fala das novas atribuições epreocupações do professor na atualidade: (...) a profissão docente sempre foi de grande complexidade. Hoje, os professores têm que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social, o que não existia no passado. (p.78).A educação especial requer um professor atualizado com a realidade e ocontexto social em que vivem esses alunos com necessidades educativasespeciais. Suas estratégias são fundamentais para que o aluno entenda anecessidade de compreensão dos conceitos e não apenas a memorização.No processo de aprendizagem dos alunos, o professor é peça fundamental,capaz de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, social e educativo deseus alunos. Oliveira (2003) afirma que professor: Constrói valores e os reproduz entre seus alunos e colegas, produzem conhecimentos e desenvolve potenciais próprios do seu campo de atuação, a saber, a docência. Mas juntamente com esses aspectos, esse profissional também constrói e desenvolve valores a cerca do universo cultural e social em que vive. (p.160).Ao professor cabe o compromisso de contribuir para a educação do aluno, aotempo em que se torna parte integrante da história de cada um e de umarealidade coletiva. Faz-se necessário que o professor respeite também ocontexto social ao qual o aluno está inserido.2.1.1 O papel do professor na proposta do trabalho lúdicoO saber docente não é formado apenas da prática, é também formado pelasteorias da educação, e estas ocupam um importante espaço na formação dosprofessores, pois lhe dá condições para organizar uma ação contextualizada edirecionada às diferentes necessidades dos alunos. Libâneo (1989, p. 28),„.
  • 25neste aspecto afirma que: “a formação profissional do professor implica, poisuma contínua interpretação entre teoria e prática”.É necessário que o professor leve ao ambiente dos alunos, elementossignificativos que possam garantir situações de aprendizagem, na qualpossibilitasse ao aluno o desenvolvimento de suas capacidades, de afetividade,cognitivas e sociais. Diante desse contexto, o papel do professor não pode sermais o de apenas informar, mas de agir, sobre o processo de construção doconhecimento para descobrir estratégias que auxiliem os alunos a atingir osobjetivos.Para Maluf (2003) o professor é quem cria oportunidades para que o brincaraconteça de uma maneira sempre educativa. Vale ainda ressaltarmos que paraque a brincadeira seja considerada como facilitadora do desenvolvimento dosprocessos sócio cognitivo do aluno, é necessário que esteja articulado à umaprática pedagógica que vise objetivos e estratégias de aprendizagem.Para Santos (1997): “O educador é um mediador, um organizador dasatividades, das certezas e incertezas do dia-a-dia da criança em seu processode construção de conhecimento” (p.61). Portanto, o papel do professor é deproporcionar experiências variadas e enriquecedoras para que os alunospossam praticar novas formas de aprendizagem, fortalecendo a auto-estima eas suas diferentes capacidades. Como afirma Almeida (2006): O professor deverá acompanhar a criança durante a prática de atividades, mediando as situações, facilitando sua integração ao ambiente e participando do mesmo como elemento estimulador em todas as oportunidades, sendo importante que as crianças façam suas próprias descobertas, assimilando conceitos e integrando-os à sua personalidade (p.76).Diante deste conceito, a intervenção do professor no momento certo, é muitoimportante, pois através dela o aluno poderá estabelecer relações e fazerassociações estruturando o seu conhecimento.„.
  • 262.2 O sentido da ludicidadeDar significado a ludicidade segundo o Dicionário Universal da LínguaPortuguesa (2000) é dizermos que o termo lúdico vem do latim LUDUS esignifica jogo.Já para Houaiss (2001) o conceito de lúdico envolve qualquerobjeto ou atividade que vise mais ao divertimento que a qualquer outro objetivop.1789). Na visão de Dantas (1998), “o termo lúdico refere-se à função debrincar de uma forma livre e individual, e jogar, no que se refere a uma condutasocial que supõe regras”. (p.114).Percebemos que o lúdico também é visto enquanto manifestação do sujeito,entre seu corpo e alma,perceptível em diversas esferas do ser humano:nosjogos, no brincar, em atividades prazerosas. Para Luckesi (1994): A ludicidade é entendida como forma viva e como uma ação sentida e vivida, não pode ser entendida pela palavra apenas, mas pela fruição. Não é apenas um sentimento, uma emoção, um prazer, mas um conjunto de valores que são experimentados por aquele que brinca, participa, experiência que é no fundo estritamente pessoal, renovado a cada situação. (p.51).Neste sentido a definição sobre o lúdico passou a ter reconhecimento comotraço do comportamento humano, de modo que deixou de ser o simplessinônimo de jogo. A necessidade lúdica extrapola o brincar espontâneo, eintegra-se às atividades essenciais da dinâmica humana. Para Santin (1990), olúdico são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras, mascompreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, e imaginação.Direcionando o olhar para a ludicidade em termos sociológicos, é notória suapresença enquanto mediadora da inserção do indivíduo no coletivo, a interaçãodo indivíduo com outros, a partir de vivências lúdicas. Psicologicamente aludicidade traz muitas vantagens para o processo de ensino-aprendizagem, porestimular o pensamento, ao mesmo tempo em que mobiliza esquemasmentais, integra várias dimensões da personalidade, afetiva social, cognitiva emotora. Como afirmam Santos (2006):„.
  • 27 A ludicidade pode ser analisada sob alguns aspectos: sociológica, porque a atividade de cunho lúdico engloba demanda social e cultural; psicológica porque se relacionam com os processos de desenvolvimento e de aprendizagem do ser humano em qualquer idade em que se encontre. (p.42).A ludicidade tem como proposta ainda, a promoção de uma aprendizagemsignificativa, pois permite à criança um conhecimento permeado porcaracterísticas do conhecimento de mundo. Segundo o Referencial CurricularNacional (1998), a criança precisa ter prazer, brincar, envolvida pela alegriapara seu crescimento, e o jogo neste sentido age como uma forma de equilíbrioentre ela e o mundo. Santos (2001) defende a idéia de que : (...) o uso das atividades lúdicas como estratégia para a construção do conhecimento, e a educação pela via da ludicidade propõe-se uma nova postura existencial, cujo paradigma é um novo sistema de aprender brincando inspirado numa concepção de educação para além da instrução. (p.4).Assim, a ludicidade não se restringe apenas às brincadeiras, jogos edivertimentos. Para Luckesi (2000) distinguir jogos e divertimento de ludicidade,define esta última como um fazer humano mais amplo, que se relaciona nãoapenas a um sentimento, atitude do sujeito envolvido na ação, que se refere aum prazer de celebração em função do desenvolvimento genuíno com aatividade: a sensação de plenitude que acompanha as coisas significativas everdadeiras.Desta forma a ludicidade no campo educacional se apresenta como umaproposta de aprendizagem significativa, agindo como mediadora no processode desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno.2.2.1 Retratos da ludicidade no desenvolvimento sócio-cognitivo do alunoPor meio da ludicidade o aluno pode vivenciar suas experiências de formasignificativa e concreta, aprendendo com clareza os conceitos e significados docontexto escolar e social. Possui efeitos positivos no processo de„.
  • 28aprendizagem do aluno, já que estimula o desenvolvimento de habilidadesbásicas e a aquisição de novos conhecimentos. Afirma Santos (1999): O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado superior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento. (p.12)Nesse sentido a ludicidade se torna uma intermediária entre o processo deaprendizagem e o desenvolvimento cognitivo, facilitando ao aluno asocialização, expressão, comunicação e construção do conhecimento(SANTOS, 1995).Os alunos que fazem parte de um contexto em que tem a ludicidade comoferramenta pedagógica se mostram mais predispostos para usarem ainteligência, ao se esforçarem para ultrapassar e romper suas própriasbarreiras, tanto cognitiva como emocionais.Segundo Piaget (1998) ao fazermos uma relação da atividade com o jogo, nãopodemos vê-la somente com um olhar de entretenimento no qual a criançapossui liberdade para descarregar suas energias, a ludicidade deve ser vistacomo algo sério que leva o aluno as mais variadas etapas de avanços. Issoporque a ludicidade contribui para o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo,social e moral, sendo que através de suas expectativas acontece a construçãodo conhecimento, principalmente nos períodos sensório-motor e pré-operatório3.A ludicidade possibilita a criança formar conceitos, selecionar idéias,estabelecer relações lógica, ao mesmo tempo em que integra percepções, fazestimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento, alémdeparticipar de um importante processo de socialização. Ao praticar as3 Piaget identifica os quatro estágios de evolução mental de uma criança. Cada estágio é um período onde opensamento e comportamento infantil é caracterizado por uma forma específica de conhecimento e raciocínio. Essesquatro estágios são: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. PIAGET, Jean, Psicologiae Epistemologia, Dom Quixote, Lisboa, 1989.„.
  • 29atividades lúdicas, o aluno passa a se compreender e se orientar nos espaços,pensar e refletir, comparar, perceber, sentir, construir sua personalidade. Destamaneira há uma grande relevância da ludicidade como processo dedesenvolvimento sócio-cognitivo da criança. Vygotsky (1994) pegou comoobjeto de estudo a brincadeira e conseqüentemente aprofundou uma análisehistórica.Vygotsky (1994) pegou como objeto de estudo a brincadeira econseqüentemente aprofundou uma análise histórica, que se refletiu como umaatividade social da criança, sendo que a natureza e a origem específicas sãocaracterizadas como elementos fundamentais para a construção dapersonalidade do sujeito e a compreensão da realidade na qual se insere.A possibilidade de lidar com as frustrações e reconstruir a realidade é aproposta que o brincar traz para o aluno, sendo que grande parte dopensamento infantil se constitui pelo ato de brincar, é uma situação privilegiadade aprendizagem. (idem).Nesta mesma perspectiva, os jogos e as brincadeiras para Piaget (1990)consistem em apenas um processo de assimilação funcional, agem como umexercício das ações individuais, tendo a função de consolidar os esquemasestruturados e dar prazer. Já Wallon (2007) defende que o brincar e obrinquedo, possuem juntos uma grande participação no processo deaprendizagem e desenvolvimento do aluno em todas as suas fases.Diante do exposto, o jogo como atividade lúdica, serve como recurso deautodesenvolvimento, ao tempo em que propicia o caminho interno daconstrução da inteligência e dos afetos. Os jogos também oferecem aos alunosmotivação para que usem a inteligência com o objetivo de superar obstáculos,tanto cognitivos quanto emocionais, e também se tornem mais ativasmentalmente.Percebemos assim, a eficácia do jogo no desenvolvimento do aluno, nãoapenas como mero divertimento ou brincadeira para gastar energia, mas sim„.
  • 30como mediadora do processo de desenvolvimento físico, social afetivo e moral.Segundo Piaget (1967) apud Kishimoto (2006): O jogo é a construção do conhecimento, principalmente nos períodos sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças desde pequenas, estruturam seu espaço e o seu tempo, desenvolvem a noção de causalidade chegando à representação e, finalmente a lógica. (p.95-96).As atividades direcionadas ao aluno a partir da ludicidade colaboram para aformação de uma criança autônoma, além de sua imaginação ser estimuladadesencadeando a alguns fatores fundamentais para seu desenvolvimento.Envolvidas por diferentes tipos de situações, a criança que tem o lúdicoinserido em seu contexto escolar tem a possibilidade de ampliar suacapacidade de aprendizagem. Para que o aluno desenvolva capacidadesfundamentais para a aprendizagem como a atenção, estímulo á memorização,se faz necessário técnicas que o envolvam nesse processo, de maneira que asocialização e a interação estejam presentes em sua vida. Neste contextoLopes (2006) relata: A brincadeira faz com que a criança desenvolva sua imaginação, e ainda podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação, da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais. (p.110).Na visão piagetiana os jogos e as brincadeiras são de extrema importânciapara a vida da criança, já que criam uma zona de desenvolvimento proximalproporcionando influência no seu desenvolvimento, pois ao brincar e no jogar acriança terá a oportunidade de ampliar sua expressividade e desenvolver-senos aspectos lingüísticos e psicomotores.Entendemos que a ludicidade utilizada para fins pedagógicos vai despertar noaluno os processos de desenvolvimento interno, pois no brincar o aluno formulahipóteses sobre coisas e os fenômenos que o cercam, e as experiênciastornam a aprendizagem atrativa e interessante. Esta reflexão se estende„.
  • 31também para os alunos com NEE, já que o professor ao utilizar das atividadeslúdicas, permitirá que o aluno libere suas potencialidades, em uma buscaprazerosa de conhecimentos.2.3 Educação inclusiva: reconhecendo e valorizando a diversidadeO movimento pela educação inclusiva é internacional e o Brasil está engajadonele, já que de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), é umpaís com um elevado número de pessoas NEE. Assim, visando atender a todosos alunos, e levando em consideração suas particularidades e diferenças, osistema educacional a partir da década de 90 vem passando por uma série demudanças, incluindo novas diretrizes para um ensino de qualidade. Essasdiretrizes direcionaram-se aos ANEES, dando origem a uma nova perspectivade educação, para esses alunos.Um dos determinantes no Brasil para a inclusão educacional foi o Encontro deSalamanca que ocorreu na Espanha no ano de 1994, um documento oficial daConferência Nacional sobre Necessidades Educativas Especiais Acesso eQualidade. Segundo a Declaração de Salamanca um dos principais desafiosque a escola tem a enfrentar é o ato de desenvolver uma pedagogia querespeite as diferenças individuais, centrada na criança, e que tenha acapacidade de educar essas crianças, inclusive as que possuem necessidadesseveras. Diante do exposto, encontramos na Declaração de Salamanca (1994): As escolas inclusivas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo que garanta um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas e de utilização de recursos e de cooperação com as respectivas comunidades (p.11-12).Definir estratégias de inclusão para estes alunos é função da escola, ao tempoem que ameniza o preconceito com os alunos especiais e garante o direito àeducação, que é assegurado na política de inclusão dos especiais, amparadospor lei e decretos. A LDB inova ao introduzir Capítulo V que trata„.
  • 32especificamente dos direitos dos educandos “portadores” de necessidadesespeciais à educação preferencialmente nas escolas regulares (Art. 58).Respondendo ao Capítulo V da LDB A Diretrizes Nacionais para a EducaçãoEspecial na Educação Básica - CNE No 02/2001 preconiza que o Estado: (...) têm como objetivo orientar os sistemas educacionais acerca da educação de aluno(a)s com necessidades educacionais especiais na sala comum das escolas da rede regular e oferecer subsídios para a constituição das diversas modalidades de atendimento (atendimento especializado, hospitalar e domiciliar) ao estudante com deficiência (CNE No 02/2001).Na Constituição Federal de 1988, encontramos que todos os cidadãos têmdireito à educação. O Estado deve garantir “atendimento educacionalespecializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regularde ensino”. (Artigo 208, inciso III). O tema é retomado no Artigo 227, inciso II,recomendando-se criação de programas de prevenção, atendimentoespecializado e integração social para pessoas portadoras de deficiência,eliminando-se preconceitos e obstáculos arquitetônicos.Diante do exposto, a Constituição Federal, as autoridades, e a sociedadebrasileira são obrigadas a efetivar a política de inclusão como um direitopúblico para que os ANEE tenham a oportunidade também de se prepararempara a vida em sociedade. Pensar em incluir esses alunos, na escola, érespeitar o direito de igualdade, direito de interação. Em Souza (2006),encontramos que: Pensar em igualdade de oportunidade é entender que a trajetória de vida das pessoas inclusive em relação à sua escolarização é dinâmica, diversificada, não linear e plural (...). Assim as demandas que elas têm de educação e formação são também diversificadas e múltiplas e precisam ser vistas de modo contextualizado e personalizado, tanto quanto possível. (p.3).„.
  • 33Neste sentido, a escola ao oportunizar possibilidades de educação aos ANEE,estará também oportunizando o direito de igualdade no processo educativo,mas com soluções diferenciadas com qualidade, de acordo com suaspeculiaridades e necessidades.2.3.1 Atendimento Educacional Especializado para Alunos Especiais:Aspectos LegaisA educação especial surge a partir do momento em que os ANEES necessitamde um atendimento diferenciado para suprir as suas necessidades. Discorrersobre essas necessidades educacionais especiais implica em (re) pensar asações que a escola vem desenvolvendo para esses alunos, o que se faz e oque se pode fazer para compensar essas dificuldades, que têm um caráterinterativo, ou seja, além da participação do aluno, é necessário que a escolalhe ofereça oportunidades e condições reais de aprendizagem e socialização.Mosquera (2006) relata que “o aluno que apresenta algum problema deaprendizagem ao longo de sua escolarização, exige uma atenção maisespecífica e maiores recursos educacionais do que os necessários para oscolegas de sua idade” (p.19). Para estes alunos a escola oferece o AEE comouma característica da educação especial, sendo que esta modalidade deensino é constituída por um conjunto de elementos necessários aodesenvolvimento de atividades para os ANEE. Este atendimento tem porfinalidade ainda determinar procedimentos metodológicos para odesenvolvimento desses alunos, de forma precisa e eficaz, conseqüentementetem como intuito abolir os mais variados tipos de discriminação dentro e fora doambiente escolar.A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais,“promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade equaisquer outras formas de discriminação” (Art. 3º inciso IV). No seu artigo 206,estabelece “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”, e„.
  • 34dispõe como dever do estado, a oferta do atendimento educacionalespecializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art.208).É relevante ressaltarmos que o atendimento educacional especializado não éum substituto do ensino regular, mas considerado como um complemento quepermite aos ANEE eliminar barreiras que impeçam a sua relação com oambiente escolar. Nos discursos da lei, encontramos que a escola além depromover a inclusão dos alunos NEE, deve também lhes oferecer umaeducação de qualidade: (...) os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 02/2000, ART. 2º).Já a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9394/96, que é anterior à resolução acimacitada, já determinava que “haverá quando necessário, serviços de apoioespecializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela deeducação especial” (Capítulo V, Art. 58, Par. 1º).O AEE garante ao aluno que suas particularidades sejam reconhecidas eatendidas, sem discriminações indevidas, beneficiando a todos com o convívioe crescimento na diversidade, além de proporcionar oportunidades decrescimento através da diversificação de atividades propostas.Sendo assim, a escola ao atender os ANEE, age como alicerce da vida socialdeste aluno, ao desenvolver oportunidades e crescimento, de forma especial,ao atender às diferenças individuais do aluno, através da diversificação deatividades propostas.2.4 O que é uma Sala de Recursos?A importância do espaço em instituições educacionais para alunos comnecessidades educativas especiais, se tornou tão necessária e relevante, que a„.
  • 35sala de recursos no Brasil, surgiu em meados da década de 70, trazendo umaampla discussão sobre a segregação de alunos com NEE no contexto escolar.A escola de ensino regular tinha o propósito de incluir o aluno especial, criandopossibilidades para que houvesse etapas de desenvolvimento, sendo que estainclusão e integração tinham a intenção de gerar condições de educaçãoigualitária a todos. Contudo, essa inclusão fazia parte de uma dicotomia, quepor um lado assegurava o direito desses alunos e por outro não consideravamsuas necessidades específicas.Diante deste exposto o aluno se tornava o próprio agente de sua inclusão, aoter que se adaptar à escola para garantir ma “normalidade”. Este quadro teveuma mudança significativa, a partir de década de 90, com o surgimento daDeclaração de Salamanca (1994) que preconiza que crianças que apresentamdificuldades cognitivas, déficit de atenção, ou mesmo aquele que apresentealguma patologia, são considerados alunos com necessidades educativasespeciais, e devem ser incluídos em programas educacionais especializados.Desta forma, a proposta da SR se configurou no espaço de educação tendocomo objetivo oferecer ao aluno especial matriculado no ensino regular, oapoio especializado, em um espaço organizado com materiais didáticos,pedagógicos, equipamentos, bem como técnicas desenvolvidas e aplicadasespecificamente a cada aluno.De acordo com Alves (2006), a sala de recursos é o espaço oferecido ao alunoespecial, a fim de que o mesmo supra suas necessidades em todas suasvariações, com profissionais especializados no atendimento NEE, bem comoequipamentos e matérias pedagógicos diversos que ajam como suporte de seutrabalho.A Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na educação Básica(DNEE/EB) 2001 enfatiza sobre a sala de recursos: (...) serviço de apoio pedagógico especializado, são recursos educacionais oferecidos pela escola comum para atender as„.
  • 36 necessidades educacionais do educando. Tais recursos podem ser desenvolvidos em salas de recursos multifuncionais, nas quais o professor de educação especial realiza a complementação e ou suplementação curricular, utilizando equipamentos e materiais específicos. (p.42-43).Dessa maneira, a sala de recursos é um ambiente, no qual o ANEE, recebe umatendimento educacional especializado direcionado especificamente as suasnecessidades, de modo que facilite a aquisição de conhecimentos relevantespara o seu desenvolvimento.2.5 A influência da ludicidade no processo de desenvolvimento do alunoespecialToda criança de acordo com os seus aspectos comportamentais, afetivos ecognitivos, está predisposta à realização de atividades que propiciem aimaginação, porém dependem de fatos externos para avançar na construção eorganização de seu pensamento. A escola precisa estimular o aluno aaprendizagem, e no caso do ANEE, a importância do estímulo é ainda maior,devido a variedade de condições que o cercam, afetando o seudesenvolvimento em termos de aprendizado.É neste contexto que a ludicidade torna-se relevante ao desenvolvimentodestes alunos. O trabalho lúdico oferecido aos alunos com NEE, além decontribuir na organização do pensamento, estimula o imaginário e a fantasiaque faz parte do universo de qualquer ser humano. A atividade lúdicapossibilita que a aprendizagem flua, sem ser cansativa, proporcionando aoaluno uma maneira atrativa de construir sua própria compreensão do processode aprendizagem. Diante do exposto Nunes (1990) relata: (...) jogos em que as crianças participam, que inventam ou pelos quais se interessam, constituem verdadeiros estímulos que enriquecem os esquemas perceptivos (visuais, auditivos e cinestésicos), operativos (memória, imaginação, lateralidade, representação, análise, síntese, causa, efeito) funções essas que, combinadas com as estimulações psicomotoras, definem alguns aspectos básicos da leitura e escrita. (p.34).„.
  • 37Sendo assim, os jogos ganham dimensão na área da educação, na medida emque adquire um sentido concreto e pertinente no processo de desenvolvimentodo aluno. O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil diz que: O jogo tornou-se um objeto de interesses de psicólogos, educadores e pesquisadores como decorrência da sua importância para a criança e da idéia de que é uma prática que auxilia o desenvolvimento infantil, a construção ou potencialização de conhecimentos (p.210).Utilizar a ludicidade como elemento pedagógico para o desenvolvimento sócio-cognitivo do ANEE é possibilitar que ele desenvolva suas potencialidades comalegria e prazer. “O processo de inclusão social será também realizado deforma mais adequada à visão da criança, pois acontecerá através do jogo,fonte de prazer e aprendizagem para ele”. (SANTOS, 2001 p.142).Para Piaget (1975), as atividades lúdicas e a aprendizagem constituem umaassimilação do real, sendo mediadas pelos jogos que fazem uma ligação diretaao desenvolvimento mental da criança. Pelo fato de o jogo ser um meio tãopoderoso para a aprendizagem do aluno, em todo lugar onde conseguetransformar em jogo a iniciação à leitura, ao cálculo ou a ortografia, observa-seque as crianças se apaixonam por essas ocupações.O jogo interage no processo de construção de aprendizagem do ANEE comoum fator básico para seu desenvolvimento. Uma situação lúdica é uma grandeoportunidade para atender às necessidades especiais, pois quando se trata decrianças com necessidades educativas especiais a motivação do brincar podenão ser intrínseca, assim a atividade lúdica agirá como elemento paradespertá-la. Como afirma Fonseca (1993) apud Aguiar (2005): (...) a psicomotricidade ocupa, nos dias atuais, lugar imprescindível na educação perceptivo-motora, tanto na educação de crianças ditas “normais”, como na de crianças portadoras de necessidades especiais. Para o autor, a psicomotricidade constitui, no contexto educacional, uma nova perspectiva psicopedagógica. (p. 24).„.
  • 38Bastos (2001) apud Aguiar (2005) aborda a psicomotricidade como elementoinfluenciador no desenvolvimento geral da criança. Diante destes conceitosdirecionamos nosso olhar a psicomotricidade como elemento norteador e eficazno processo de desenvolvimento das crianças com NEE. Silva (2001), ao realizar um estudo baseado na teoria de jogos como umaproposta piagetiana, vem discutindo de maneira educacional a importância dojogo para o desenvolvimento e aprendizagem do aluno NEE severas, “(...) ojogo como modelador de atitudes, como estratégias para o desenvolvimentomotor e como meio de socialização e o desenvolvimento cognitivo” (p.28).Diante do exposto, inferimos que as atividade que envolvem o jogo orientadopara o conhecimento, desenvolvido com a intenção explícita de provocar umaaprendizagem significativa, desperta o desenvolvimento habilidades no ANEE,que o ajudarão a construir conexões com o mundo em que vive.„.
  • 39 CAPÍTULO III3. ABORDAGEM METODOLÓGICAA metodologia utilizada no contexto das ciências humanas se classifica comoum elemento norteador do trabalho de pesquisa, já que é através dela que nosposicionamos para a análise e interpretação de dados. Está diretamentearticulada às concepções teóricas e práticas de uma determinada realidade,assim, compreendemos que a metodologia configura-se como o caminho deum pensamento que direciona a prática de fatos reais. Minayo e Deslandes(1994) apontam que: (...) metodologia é o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade, ou seja, a metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua experiência), sua capacidade pessoal e sua sensibilidade (p.14).Neste sentindo entendemos ainda, que a maneira como a pesquisa seráconduzida, tem como eixo norteador a metodologia adotada, (CHAUÍ 1999apud TOMASINI 2006, p.29): “(...) um caminho ordenado que o pensamentosegue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais” .Ressaltamos assim, sua relevância no trabalho de pesquisa, no qual opesquisador por intermédio dos procedimentos metodológicos busca respaldoem técnicas coerentes em relação à sua proposta de estudo.3.1 Conhecendo a realidade através da pesquisa qualitativaNeste trabalho, optamos pela pesquisa qualitativa, pois este tipo de pesquisanos permite um aprofundamento de dimensões da vida social, que não podem„.
  • 40ser quantificadas, como é o caso desse nosso estudo. Contudo a pesquisaqualitativa responde ainda às questões muito particulares. Ela trabalha com ouniverso de significados, motivos, crenças, valores e atitudes.Para Gaskell (2003, p.68): “A finalidade real da pesquisa qualitativa não écontar opiniões ou pessoas, mas ao contrário, explorar o espectro de opiniões,as diferentes representações sobre o assunto em questão”. Uma dascaracterísticas que configuram a pesquisa qualitativa é a possibilidade que dáao pesquisador de ter um contato mais próximo da realidade a ser investigada.Neste sentido, Bogdan apud Ludke (1986) relata: (...) a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento (...) a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo. (p.11).Diante do exposto a nossa escolha pela pesquisa qualitativa se formulou pelofato de estarmos vivenciando um espaço educacional, cujos sujeitos sãopessoas com suas próprias características permeadas por subjetividades. ParaMachado e Almeida (2006, p.32): “A pesquisa qualitativa (interpretativa) éconsiderada como aquela onde os pesquisadores interessam-se porcompreender os significados que os indivíduos dão a sua própria vida e assuas experiências”. Essa relação de interação do pesquisador com a questãoque está sendo estudada demonstra a relevância da pesquisa qualitativa nocampo da ciência humana.Ressaltamos ainda neste estudo, que os dados quantitativos foram utilizadoscomo suporte para as interpretações qualitativas. Segundo Minayo eDeslandes (1994, p.22) “o conjunto de dados quantitativos e qualitativos,porém, não se opõem. Ao contrário, se complementam, pois a realidadeabrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia”.Dessa maneira, nossa análise foi realizada também em caráter quantitativo,„.
  • 41através da representação de gráficos, porém seguida da análise qualitativa, emrelação aos pressupostos teóricos que orientaram a pesquisa.3.2 Lócus: Nosso campo de estudoO lócus de pesquisa permite ao observador, interações e questionamentos,que abrem espaços para o pesquisador investigar e analisar seu objeto deestudo. Dessa maneira, selecionamos sete escolas do município de Senhor doBonfim, que oferecem o atendimento educacional especializado em sala derecursos.Todas as escolas selecionadas, atendem crianças com necessidadeseducativas especiais, nos turnos matutino e vespertino, totalizando assim, 175alunos, que apresentam deficiência intelectual, deficiência física enecessidades educativas especiais por motivos de hiperativismo, déficit deatenção, falta de concentração, entre outras necessidades.3.3 Os sujeitos: Atores sociais no contextoCom o intuito de operacionalizar nossa pesquisa, buscando as informaçõesnecessárias para nosso objeto de estudo, selecionamos dez professoras dassalas de recursos, que por meio de seus relatos, nos deram subsídios parafazermos a análise e interpretação dos dados.3.4 Instrumentos de coleta de dados A fim de efetuarmos a coleta dos dados previstos, definimos comoinstrumentos a observação, o questionário fechado e o questionário aberto,para Marconi e Lakatos (1996): “as técnicas que serão empregadas na coletade dados (...), deverá ser representativa e suficiente para apoiar as conclusões”(p.76).„.
  • 42 Discorrer sobre os instrumentos que utilizamos na pesquisa, nos permitirá umamelhor compreensão dos fatos, ao tempo em que apontaremos suascontribuições ao nosso estudo.3.4.1 Observação participante: Um olhar não normalizadorA observação permite um contato direto do pesquisador com o fenômenoobservado, ao tempo que permite uma relação face a face com osentrevistados. Utilizamos a observação como o primeiro instrumento, poracreditarmos que através de um olhar não normalizador é possível identificar eobter significados a respeito de um determinado fato. Quanto a esteinstrumento Lüdke e André (1986), afirmam que: Ela ocupa um lugar privilegiado, nas novas abordagens de pesquisa educacional, usada como principal método de investigação ou associada à outra técnica de coleta, a observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens (p.26).É também através das observações que o pesquisador tem a oportunidade departicipar das práticas desenvolvidas pelos sujeitos, o que o auxilia noprocesso de compreensão e interpretação do fenômeno estudado. Para Lüdkee André (1986, p. 26) “Na medida em que o observador acompanha in loco asexperiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo,isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suaspróprias ações”. Nesta perspectiva, a observação, permite também que opesquisador examine os fatos, além de coletar informações.3.4.2 Questionário fechadoO questionário fechado nos possibilitou traçar o perfil sócio-econômico dossujeitos, sendo que nossa escolha se deu pelo fato do questionário abranger olevantamento de uma série de informações com precisão. Em Marconi e„.
  • 43Lakatos (1996, p.88), encontramos que: “questionário é um instrumento decoleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devemser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”.Ressaltamos ainda que o questionário eficaz e válido deve seguir algumasregras de elaboração, a fim que não se torne um amontoado de perguntasirrelevantes. É necessário que haja uma organização textual, pois segundoMarconi e Lakatos (1996), a elaboração de questões é uma tarefa longaenvolvida por uma complexidade, pois exige que o pesquisador atinja pontosrealmente importantes, e que lhe dêem condições de obter os dados relevantespara seu objeto de estudo.Portanto, na organização do questionário, utilizamos elementos importantes, oque nos gerou informações pertinentes, juntamente com outros instrumentos.3.4.3 Questionário abertoO uso deste instrumento para elicitação de dados é uma técnica introspectivade investigação. Foi utilizado porque desejamos saber sobre o conhecimento,as opiniões, as idéias e experiências de nossos informantes.Sem a interferência do pesquisador o questionário, traz pontos positivos nacoleta de dados, como nos afirma Marcone e Lakatos (1996, p.89): “Há menosdistorção, pela não influência do pesquisador”.O questionário aberto permite ao sujeito/informante responder livrementeusando linguagem própria. É um conjunto de questões pré-elaboradas,sistemática e seqüencialmente dispostas em itens que constituem o tema depesquisa. Segundo Triviños (1987) o questionário é determinante para umapesquisa qualitativa, já que oferece subsídios relevantes para o levantamentodos dados.„.
  • 44A aplicação do questionário traz alguns pontos positivos para a coleta dedados, como afirma Marconi e Lakatos (1996), algumas vantagens doquestionário são que: Há maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato; há mais segurança, pelo fato de as respostas não serem identificadas; há mais uniformidade na avaliação, em virtude da natureza impessoal do instrumento (p.89).Ao responderem ao questionário aberto, os sujeitos podem expressar-se maislivremente, a autonomia de suas palavras é expressa nas suas respostas, oque possibilita ao pesquisador uma análise mais precisa. Sendo assim, osinstrumentos escolhidos foram utilizados concomitantemente para a coleta dedados do nosso trabalho.„.
  • 45 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSUtilizando uma abordagem qualitativa, na qual a identidade das professoras foipreservada, foi possível identificarmos por meio de suas falas, elementossignificativos que nos deram suporte para fazermos relações entre esses dadose a questão da pesquisa proposta em nosso trabalho. Para Marcone e Lakatos(1996, p.32), “A importância dos dados está não em si mesmo, mas emproporcionarem respostas às investigações”.Mediante os instrumentos utilizados, apresentamos os dados obtidos, a partirde categorias construídas, por meio dos discursos das professoras, sendo afundamentação teórica o eixo norteador de nossas análises e interpretações.4.1 Análises do questionário fechado: Características dos sujeitospesquisadosOs resultados e discussões a seguir apresentam-se a partir dos dados obtidosatravés do questionário fechado, que tem como proposta traçar o perfil dossujeitos pesquisados.4.1.1 GêneroNa história recente, quando pensamos na docência, os olhos e a fala de nossopensamento se inclinam a associá-la à imagem feminina, sobretudo quando oalvo é o exercício dessa profissão em salas de aula de Educação Infantil eEnsino Fundamental. Constatamos este fato com o resultado obtido entrenossos sujeitos pesquisados, nos revelando que, 100% das professoras dasala de recursos são do sexo feminino, caracterizando que a mulher aindadomina os espaços de educação no nosso país.„.
  • 46 Figura 01: Gênero Fonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitosEssa evidência nos remete a refletir sobre a resistência do sexo masculino emexercer o magistério, por preconceitos arraigados dominado por estereótipo decarreira feminina. Observamos que os trabalhos lúdicos nas salas de recursosdesenvolvidos demonstram a flexibilidade que a mulher tem em brincar comcrianças, uma característica típica desse sexo.4.1.2 Faixa etáriaFigura 02: Faixa EtáriaFonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitos„.
  • 47No que se refere à idade, os dados demonstram que 30% das professoras têmentre 26 a 30 anos, 60% de 31 a 40 anos e 10% de 41a 45 anos. Esses dadossinalizam que a maioria das professoras traz consigo a construção significativade experiências de vida decorrente de sua idade, vivenciadas por momentosenriquecedores de aprendizagem.4.1.3 Formação profissionalO processo de formação do professor é um elemento fundamental para quehaja uma prática educativa eficaz. Nesse sentido, os dados abaixo, indicamque 20% possuem o nível médio em magistério, e 80% dos sujeitos possuemnível de graduação, sendo que destes, 70% têm especialização emPsicopedagogia, 15% em Neuropsicologia e 15% em Metodologia da LínguaPortuguesa. Figura 03: Formação Fonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitosDiante do exposto, percebemos que na sala de recursos, uma grande parte dasprofessoras que atuam com os alunos com necessidades educativas especiaisestá de acordo com o Capítulo V Artigo 59, da LDB 9394/96, que prioriza aformação desses profissionais da educação especial, ao exigir especialização„.
  • 48adequada para o atendimento especializado aos ANEE. Ainda nos Artigos 61 a65, a LDB 9394/9, refere-se ao termo formação atribuindo o sentido de umacompetência e habilidade para a produção de ações educativas.Ressaltamos ainda, a importância do professor não se limitar apenas ao cursode graduação na Universidade, deve também ampliar seus conhecimentos, jáque faz parte do processo de transformação do sistema educacional.4.1.4 Tempo de docência na sala de recursosOs dados abaixo apontam que 60% dos sujeitos lecionam na SR há mais de 4anos, 40% de 1 a 2 anos, o que nos remete a refletir que a experiência práticacom a teoria é um aspecto que faz parte da prática pedagógica dosprofessores. De acordo com estudos sobre as fases de desenvolvimentoprofissional dos docentes, essa fase de aproximadamente cinco anos deatuação docente é vista como sendo o período em que o professor seestabiliza na profissão, tornando-se mais independente e competente (NÓVOA,1992). Figura 04: Tempo em que leciona Fonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitos„.
  • 49Assim, podemos dizer que os saberes profissionais dos docentes sãoadquiridos por meio de experiências adquiridas dentro e fora do espaçoescolar, que o levam a um processo constante de socialização. A experiênciaprática com a teoria é um aspecto predominante na prática pedagógica doprofessor que o possibilita uma maior compreensão para lidar com os alunos,além de propiciar condições para que possa contribuir para o desenvolvimentosócio-cognitivo do aluno com NEE.4.1.5 Participação em cursos complementares para trabalhar nas salas derecursosComo mostra a figura acima, 30% das professoras participam de cursos deaperfeiçoamento, e 70% participam aleatoriamente. Fica evidente que amaioria das professoras não participam de cursos, que certamente dão suportea um trabalho pedagógico eficaz. Figura 05: Patticipação em cursos de aperfeiçoamento Fonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitosOs cursos de capacitação possibilitam aos professores um aperfeiçoamento desuas atividades, indispensável ao exercício da docência, aperfeiçoar-seconstantemente é de fundamental importância para novas idéias, novos„.
  • 50métodos de ensino, novas experiências educacionais. A possibilidade que oscursos de capacitação oferecem ao professor é de melhorar o seu trabalhoeducativo, pois em qualquer atividade não existe a estagnação, o ponto dechegada, ou evoluímos constantemente através de sucessivos pontos departida, ou regredimos irremediavelmente. A atualização é outro elementoessencial para o educador não alienado, que exerce suas funções num mundoreal, em permanente transformação.Segundo NÓVOA (1992), na construção da identidade docente, é essencial odesenvolvimento pessoal, que se refere aos processos de produção da vida doprofessor; e o desenvolvimento profissional, que se refere aos aspectos daprofissionalização docente. Portanto, torna-se necessário que o professor deEducação Especial se faça consciente de seu papel na educação, e participede programas de orientação e treinamento profissional, a fim que insira em seutrabalho uma pedagogia eficaz.4.1.6 Material pedagógico disponívelEm relação à disponibilidade de material pedagógico nas SR, os dadosapontam que 40%dos sujeitos entrevistados estão satisfeitos e 60%responderam que precisam de mais recursos no seu cotidiano para exercer suafunção. Figura 06: Satisfação com material pedagógico„. Fonte: Questionário fechado aplicado aos sujeitos
  • 51Um dos trabalhos fundamentais da Educação é oferecer, constantemente, emdiversas situações e de várias formas, estímulos ao professor para que elevenha possibilitar o desenvolvimento emocional, intelectual, social, motor efísico dos alunos. Dessa maneira, o material lúdico nas SR age como umafonte inspiradora de aprendizagem dos ANEE, já que o lúdico colabora parauma aprendizagem significativa, ao oferecer aos alunos experiências concretasque se tornam importantíssimas para o desenvolvimento sócio cognitivo dessesalunos. De acordo com Kishimoto (2006, p.100) “os jogos educativos oudidáticos estão orientados para estimular o desenvolvimento do conhecimentoescolar elaborado, para calcular, ler e escrever”.É neste sentido que a ludicidade inserida nas SR torna-se mais umaferramenta que o professor tem, além de ensinar da maneira que os alunosgostam.4.2 Análises do questionário abertoPara Gaskell (2003, p. 492), a análise de dados: “(...) reduz a complexidade domaterial dos dados para chegar a uma interpretação coerente do que épertinente e do que não é”. Sendo assim, apresentamos os resultados obtidosatravés do questionário fechado, ao qual fizemos a análise de dados,interpretando e refletindo sobre as respostas dadas pelos sujeitos pesquisados.Preservamos a identidade dos sujeitos, utilizando a sigla PSR (professora dasala de recursos), adicionada aos números arábicos crescente de 1 a 10, parapossível identificação.4.2.1 A visão do professor frente à educação lúdica para alunos especiaisA importância do lúdico no espaço educacional torna-se cada vez maisacentuado, já que é capaz de reestruturar, reorganizar e internalizarinformações e conhecimentos. A internalização e assimilação por meio dolúdico fazem com que o aluno não se limite apenas ao registro de dados, quena maioria das vezes são desconexo e distante das suas expectativas.„.
  • 52 Educar ludicamente é uma proposta significativa que hoje a escola oferece para nós. È muito gratificante, trabalhar com a ludicidade, o aluno aprende mais rápido. (PSR 1). Levar o aluno a aprender a partir de expectativas que lhe dêem prazer, alguma atividade que não seja o trivial que ele aprende na sala regular. (PSR 8). É utilizar de recursos que o aluno se interesse, goste, trazer novidades, despertando o gosto de aprender. (PSR 5).Os discursos acima evidenciam que educar ludicamente na visão dasprofessoras da SR é utilizar estratégias que estimulem a participação do ANEEnas atividades, porém não mencionaram quais seriam esses recursos o quedeixou a resposta um tanto vaga diante da questão mencionada.Essasdeclarações demonstram que essas professoras reconhecem que o lúdicocomo recurso na prática pedagógica, age como mediador do processo deensino-aprendizagem, e não apenas como uma forma de recreação, semconseqüências, conforme Santos (2001): Brincar desenvolve a imaginação e a criatividade. Na condição de aspectos da função simbólica, atingem a construção do sistema de representação, beneficiando, por exemplo, a aquisição da leitura e escrita. (...) o jogo implica ação mental, refletindo-se na operatividade, tanto no domínio lógico, quanto infralógico, ou, por outras palavras, no desenvolvimento do raciocínio. Na atividade lúdica os aspectos operativos e figurativos do pensamento são desenvolvidos (p.118).Sendo assim, as atividades lúdicas podem ser utilizadas pelos professorespara observar, avaliar o desenvolvimento, refletir, e compreender e agir emfavor da criança. Por outro lado, o professor deve ter em mente os objetivos eas estratégias para utilizar os jogos e brincadeiras, para alcançar a realaprendizagem; e também estimular o aluno a brincar, reconhecendo a utilidadede cada atividade proposta. Neste aspecto Almeida (2003 p.84), afirma que: “oimportante dessas práticas é que sejam coordenadas e dirigidas porprofessores conscientes e preparados a fim de preservar o verdadeirosignificado da educação lúdica”.„.
  • 53Esta ação pedagógica mediada pelo professor é importante, pois através dela,poderá possibilitar no aluno a reflexão, e conseqüentemente a expressão desuas idéias, permitindo assim a estruturação do conhecimento.4.2.2 As implicações das atividades lúdicas para o processo dedesenvolvimento sócio-cognitivo do aluno especialAs atividades que envolvem o lúdico são desencadeadoras de umaaprendizagem prazerosa e significante. Esse motivo, por si só, explicaria suaaplicação na Educação. Tratando-se de Educação Especial, além deenriquecer o desenvolvimento do aluno, sua interação com os outros, favoreceequilíbrio emocional, desenvolve a inteligência, a criatividade e a sociabilidade.Sendo assim, a ludicidade é um elo integrador dos aspectos motores,cognitivos, afetivos e sociais.Ao abordarmos os sujeitos entrevistados sobre a contribuição das atividadeslúdicas para o desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos especiais, osdiscursos foram semelhantes entre si. O lúdico é indispensável para qualquer aprendizado. (PSR 7). Aprender brincando é uma possibilidade que o aluno já tem. (PSR 2). São todas, pois no que você aprende brincando jamais vai esquecer. (PSR 9). As atividades lúdicas são um suporte muito enriquecedor para mim. Utilizo sempre, porque sei das dificuldades que os alunos têm para aprender. Então as atividades lúdicas é um caminho que ajudam nesse processo. (PRS 3).É de suma importância o profissional de educação compreender que asatividades lúdicas podem proporcionar riquíssimos resultados aos seus alunoscom NEES. Almeida (2006), neste sentido afirma que:„.
  • 54 O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantido se o educador estiver preparado para realizá-lo. Nada será feito se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levar isso adiante (p.52).Observamos ainda no discurso da PRS2 que ela generalizou a questão, o quenos mostra um posicionamento vago. De um modo geral todas as respostastrazem aspectos de compreensões superficiais, desconhecendo as reaiscondições e possibilidades que as atividades lúdicas oferecem ao alunopossuidor de dificuldades de aprendizagem, de natureza cognitiva e emocional.Acreditamos que a postura do professor precisa estar atrelada a umconhecimento científico que revela o desenvolvimento da criança nos níveisafetivo, cognitivo e social e suas respectivas relações com os processos deaprendizagem de cada aluno.Algumas atividades que as professoras utilizavam de cunho lúdico com osalunos especiais, eram: Os jogos, onde é estimulado a memória, como (o jogo da memória, jogo da velha), e os bingos. (PSR 9). Quebra cabeça, jogo da memória, jogos de encaixe. Eles se concentram e gostam de participar. (PSR 7). Brincadeiras, jogos diversos e dominó, neste momento sinto que as dificuldades dos alunos “desparecem”. É muito importante utilizar jogos com os alunos especiais. (PSR 2). Utilizo bingo, o teatro de fantoche e jogos de quebra cabeça. (PSR8).Fica evidente nas falas de todas as professoras que o jogo é o elementofundamental de suas atividades propostas. Isso nos revela que elas acreditamnos jogos para o desenvolvimento do aluno NEES. Segundo Piaget (1975)apud Aguiar (2005): “os jogos estão diretamente ligados ao desenvolvimentomental da infância; tanto a aprendizagem quanto as atividades lúdicasconstituem uma assimilação do real” (p.20). Percebemos então, que essa„.
  • 55conscientização das professoras em relação à prática pedagógica com umcaráter lúdico, possibilita situações em que os alunos vivenciem situações deaprendizagem com o outro, além de ampliar seus conhecimentos.Percebemos que o PRS 1 realiza atividades que envolvem a música, e esterelato nos leva a refletir que a música na vida do ANEES amplia e facilita suaaprendizagem, pois o ensina a ouvir de maneira ativa e refletida,4.2.3 A relevância dos jogos para o desenvolvimento do aluno especialPensar a importância do brincar nos remete às mais diversas abordagensexistentes, tais como a cultural, que analisa o jogo como expressão da cultura,especificamente a infantil, e a educacional que analisa a contribuição do jogopara a educação, desenvolvimento e a aprendizagem da criança.Sentimos a necessidade de saber qual era a opinião dos sujeitos em relaçãoao desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno por meio das atividades lúdicas. Eu sempre utilizo dominó, boliche, etc com minha turma. Sempre os alunos pedem, gostam de jogar e eu acho isso importante, deixo brincarem entre eles, porque assim estão se desenvolvendo. (PSR 3). Os jogos contribuem para o aluno aprender de maneira geral, quando chego na sala e percebo que eles estão desanimados, logo entrego um joguinho e eles adoram (PSR 5). Importantíssimo aliado do professor são os jogos, os alunos aprendem, se divertem, é uma prática que está presente no meu dia-a-dia, pois é uma atividade que eles gostam muito (PSR 10).A fala das professoras nos revela que ao utilizarem instrumentos lúdicos na suaprática pedagógica, estão acreditando que tais recursos agem comomediadores do processo de desenvolvimento dos alunos, porém valeressaltarmos que os jogos só terão um significativo pedagógico quando seuuso for um ato planejado pelo professor, sendo que na fala da PSR 5, esteconceito se encontra ausente.Torna-se necessário que os professores da SRtenham clareza de que a ludicidade utilizada com o intuito de auxiliar o„.
  • 56professor no processo de aprendizagem tem que ser direcionada a umobjetivo de ensino.Sobre esse assunto o Referencial Curricular Nacional (1988)nos traz que: O jogo pode tornar-se uma estratégia didática quando as situações são planejadas e orientadas pelo adulto, visando a uma finalidade de aprendizagem (...) implica planejamento e previsão de etapas pelo professor, para alcançar objetivos predeterminados (p.211).As professoras definem as atividades lúdicas como apenas aquelas em que sefaz presente os jogos, demonstrando assim, a carência de um conhecimentomais aprofundado nesta temática, tão importante para o exercício de suaprofissão. De acordo com Luckesi (2000), a ludicidade ocupa um grandeespaço para a aprendizagem, porém sua relação não está exclusivamentevoltada às brincadeiras e jogos, faz parte de um sentimento, um envolvimentoda criança na ação, que ao mesmo tempo demonstra o prazer ingênuo que aatividade lúdica proporciona.Ressaltamos assim, que outras atividades lúdicas como as brincadeiras, amúsica, o teatro, também fazem parte de um contexto lúdico, sendo que a falade algumas professoras correspondem a estes conceitos: É preciso que o aluno tenha prazer, nas atividades que o professor dá na sala, assim trabalho muito com jogos, além de utilizar desenhos que sempre e ao mesmo momento coloco música para eles ouvirem. A música do Toquinho (Aquarela) para eles seguirem pintando. (PSR 1) Utilizo algumas atividades lúdicas, como a música, junto com a dança, pois mexe com a cabeça e o corpo. (PSR 7). As brincadeiras despertam no aluno momentos de aprendizagem e eles estão envolvidos com alegria e prazer. (PRS 9). Gosto muito de inserir a música em meu trabalho, é estimulante, deixa a aula mais agradável e os alunos participam muito, cantam, dançam, é um meio que encontrei deles interagirem mais. (PRS 3).„.
  • 57Após analisar esses discursos, entendemos que para algumas professorasentrevistadas o lúdico está representado por várias atividades que dão prazer,além dos jogos. A fala das PRS 7 e PRS1 nos revelam que elas associam duasatividades importantes para o aluno com NEE, a música e a dança queproporcionam meios para seu desenvolvimento, “a linguagem musical éexcelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da auto-estima, e autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social”.(BRASIL, 1988, p.49).Ao se envolverem em atividades musicais, os alunos melhoram sua acuidadeauditiva, aprimoram e ampliam a coordenação viso-motora, suas capacidadesde compreensão, interpretação e raciocínio, descobrem sua relação com omeio em que vivem.Ao analisarmos a fala da PSR 8 percebemos que em seu discurso se tornapúblico que é possível aprender brincando e dentro desta perspectiva torna-secada vez mais necessário que as atividades propostas sejam de caráterdinamizador e agradável. Brincando, o aluno experimenta, descobre, inventa,aprende e confere habilidades. Além de estimular a curiosidade, aautoconfiança e autonomia, proporciona o desenvolvimento da linguagem, dopensamento e concentração. Segundo Vygotsky (1984): “é enorme a influênciado brinquedo no desenvolvimento da criança, pois ele preenche necessidadesda criança, entendidas em seu sentido mais amplo como tudo aquilo que émotivo de ação”. (p. 85).Assim, podemos dizer que a brincadeira implica uma ação consciente a partirde uma situação imaginária, potencializando os processos de aprendizagem edesenvolvimento do aluno.Neste sentido é interessante e pertinente, evidenciarmos que as atividadeslúdicas não são sinônimo de jogos, e sim um conjunto de atividades queenvolve tudo que for executado com prazer.„.
  • 584.2.4 O trabalho docente na sala de recursosA escola tem como princípio pedagógico reconhecer e responder às diversasnecessidades do aluno. Para isso, é necessário que respeite tanto seus estiloscomo ritmos diferentes de aprendizagem. Sendo assim, AEE na sala derecursos trata-se de um trabalho direcionado aos alunos que apresentamalguma dificuldade de aprendizagem, ou seja, o aluno com necessidadespróprias, diferentes dos demais, no que se diz respeito à aprendizagemcorrespondente a sua idade, requerendo então, instrumentos pedagógicos emetodologias educacionais específicas.Para Carneiro (2007), o atendimento educacional especializado visa: (...) atender as especificidades dos alunos, com deficiência. Isso inclui principalmente instrumentos necessários à eliminação das barreiras que as pessoas com deficiência têm para se relacionar com o ambiente externo (p.126).Diante do exposto, é necessário que os professores estejam preparados paratrabalhar com esses alunos. As expectativas das professoras em relação àaprendizagem do ANEE, diante da sua prática pedagógica, configuram-se em: Trabalho com os alunos, e espero que quando eles deixarem da sala de recursos tenham aprendido alguma coisa. (PSR 2). Eles aprendem muito pouco, é um processo longo, que precisa ter muita paciência. (PRS 4). Desenvolvo atividades de acordo com o que ele está aprendendo na escola regular. (PSR 6). Sempre procuro fazer atividades de acordo com aquilo que eles viram na sala de aula naquele dia, para eles poderem aprender, memorizar melhor o que aprenderam. (PSR 10).Percebemos nas falas das professoras que sua prática pedagógica na sala derecursos, está envolvida com questões de reforço escolar, uma vez que nãoidentificamos em nenhum discurso a realização de atividades livres, que„.
  • 59dessem prazer aos alunos. Em nenhum momento mencionaram a ludicidadena sua prática pedagógica de maneira espontânea e natural, como que sefizesse parte dos seus objetivos.Esta concepção demonstra que as professoras ainda confundem SR com salade reforço, em função desta idéia, acabam por se preocupar mais comconteúdo, deixando passar despercebido justamente o real objetivo da SR, queé atender as necessidades educativas especiais dos alunos, elaborandometodologias e estratégias de ensino diversificadas, bem como atividadesinteressantes que contribuam para um aprendizado contemplando a todos. É neste sentido que a ludicidade se torna mais uma importante ferramentapara o processo de ensino-aprendizagem. As professoras precisam reconhecerque o aluno não se expressa apenas com a fala, ele também se comunicaatravés do corpo, dos gestos do desenho. Educar por meio da ludicidaderompe barreiras de que o lúdico é um simples passatempo ou diversão, comoafirma Kishimoto (1997): O uso do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos remete-nos para a relevância desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil (...). ao assumir afunção a função educativa o brinquedo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. (p.36-37).Sendo assim, a prática pedagógica na SR deve ter suas especificidadeslevadas em conta, tendo consciência de quem é esse aluno, seus interesses ede que forma ele aprende. A utilização de recursos lúdicos cria ambientegratificantes, possibilitando o acesso desse aluno a vários tipos deconhecimento e habilidades, além de serem atraentes servindo como estímulopara o desenvolvimento integral do aluno.„.
  • 604.2.5 Tinha uma pedra no meio do caminhoO atendimento educacional especializado realizado por professoras, nemsempre supre as necessidades dos alunos. Falta de acompanhamento médico dos alunos, o que dificulta uma avaliação mais precisa e o direcionamento das atividades já que muitos não possuem laudos ou relatórios. (PRS 10). Trabalhar com os alunos especiais, exige do professor muita preparação, e nem sempre temos isto. Precisamos de um suporte, ou seja, o aluno deve vir com um diagnostico comprovado, e isso não existe por aqui, ele vem de qualquer jeito da sala regular. (PRS 4). Não consigo compreender muito bem qual é a deficiência de alguns alunos, não tem documentação pra isso. (PRS 1). Pais irresponsáveis, que não acompanham os filhos. Os alunos faltam muito e isso dificulta meu trabalho, porque sempre tenho que repetir atividades. (PRS 8).Os relatos acima indicam que as professoras enfrentam bastantes dificuldadesem trabalhar com NEES dos alunos, porém se faz evidente que as professorasdesconhecem que este diagnóstico também faz parte de seu papel enquantoeducadora na SR, talvez por falta de orientação. Para uma educação dequalidade, é importante que todos os envolvidos neste processo se articulem,desenvolvam os avanços em conjunto.As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica relatamque: Art. 6º Para a identificação das necessidades educacionais especiais dos alunos e a tomada de decisões quanto ao atendimento necessário, a escola deve realizar, com assessoramento técnico, avaliação do aluno no processo de ensino e aprendizagem, contando, para tal, com: I - a experiência de seu corpo docente, seus diretores, coordenadores, orientadores e supervisores educacionais; II - o setor responsável pela educação especial do respectivo sistema III- a colaboração da família e a cooperação dos serviços de Saúde, Assistência Social, Trabalho, Justiça e Esporte, bem como do Ministério Público, quando necessário. (BRASIL 2001, p.70).„.
  • 61Conforme estipulam essas diretrizes, avaliar alunos com NEES constitui umaação abrangente, com a extensão dessa responsabilidade a todos os atores daprática pedagógica, incluindo também a importância da família nestecontexto.A ausência da família no acompanhamento dos filhos é uma situaçãoque dificulta a ação pedagógica do professor, percebemos essa questãoexplicitamente na fala de uma das professoras entrevistadas: Não tenho dúvidas que a ausência dos pais, essa falta de apoio para a gente nos atrapalha, sem falar que na maioria das vezes não trazem as crianças para o atendimento.. (PRS 9).Este discurso nos leva a refletir sobre a importância que a família tem na vidaescolar do aluno. Para tentar amenizar este impacto na educação, se faznecessários planos de ação esclarecedores e informativos, paraconscientização dos pais, ao tempo em que se sintam realmente importantes eincluídos na comunidade escolar. Compreendemos assim que a Educação Lúdica visa estudar e valorizar umnovo processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral doser humano por meio do uso de brinquedos, jogos e materiais didáticoscoligados que sirvam de suporte para que o sujeito da aprendizagem aprendade forma mais descontraída, efetiva, eficiente e eficaz„.
  • 62 5. TECENDO ALGUMAS CONSIDERAÇÕESAcreditamos que o presente trabalho contribuirá para a ampliação de debatessobre a ludicidade na sala de recursos, já que a temática envolve os principaisatores deste contexto: professores e alunos. Além de discorrer sobre aludicidade, traz concominamente pontos relevantes sobre a perspectiva dasprofessoras na questão do desenvolvimento sócio-cognitivo do aluno especial,por meio da ludicidade.O resultado deste estudo nos mostra que apesar do atendimento educacionalespecializado das salas de recursos possuírem um grande número deprofissionais com formação de nível superior e até com especializações, aindahá a necessidade desses professores repensarem sobre como se dá oprocesso de desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos, para que assim,possam realmente entender o papel da ludicidade.O professor como mediador do processo educacional deve ter clareza dosaspectos do desenvolvimento, bem como as possibilidades de aprendizagemdos alunos por meio da ludicidade. É fundamental ampliar a visão sobre osconceitos que permeiam sua prática pedagógica, e que façam valer suasintenções mencionadas, ao relatarem sobre a importância que dão ao trabalhoque envolve o lúdico.O quadro docente dessa pesquisa, a partir do momento que tornaram públicosuas perspectivas da temática em questão, nos proporcionou ainda umacompreensão de como a ludicidade está sendo trabalhada nas salas, e nestesentido percebemos que essas professoras entendem que as atividadeslúdicas giram em torno especificamente dos jogos, o que denota a ausência deoutras atividades mais criativas e diversificadas. Entendemos que os jogos e asbrincadeiras, não são os únicos elementos lúdicos que podem ser utilizados noprocesso de desenvolvimento do aluno especial.„.
  • 63A maneira como o professor trabalha, as estratégias que utiliza para ensinar,são definitivas para o desenvolvimento do aluno. Uma prática que contempleuma aprendizagem significativa implica em um trabalho intencionalmenteorganizado. E esta foi uma lacuna que as professoras deixaram transparecerem seus discursos, quando relataram que inserem o jogo ao perceber odesânimo dos alunos no início do atendimento especializado.É importante ressaltarmos a evidência do compromisso que as professoras têmcom seu trabalho, a organização da sala, a decoração, tornando o ambienteagradável e sugestivo, percebemos também a dedicação e o carinho. Seusrelatos apontam para grandes dificuldades encontradas para trabalhar com oaluno NEES.Sendo assim, acreditamos que o nível de formação e especialização, não sãosuficiente para dar suporte a um trabalho tão árduo e delicado que envolvemuitas diversidades, é necessário que as políticas públicas direcionem umolhar mais profundo para esses profissionais que desempenham um trabalhoeducativo e também social. Os desabafos são freqüentes em seusdepoimentos, ao abordarem a falta de acompanhamento dos pais, e deprofissionais específicos para lidar com as carências dos alunos. Entendemosassim, que essas professoras necessitam de um maior acompanhamento, bemcomo cursos de formação continuada, já que a aquisição de novosconhecimentos é o caminho mais eficaz para uma educação de qualidade.Neste ínterim não podemos deixar de registrar que durante nossa buscaincessante por informações para nosso estudo, tivemos vários contatos comprofissionais do Núcleo de Educação Inclusiva do município de Senhor doBonfim, e nos informaram que o atendimento educacional especializado eraancorado por vários profissionais da área com total acompanhamento dosalunos com dificuldades congênitas ou não, das mais simples as mais severas.Assim percebemos uma contradição em relação aos relatos das professoras eas informações obtidas no Núcleo de Educação Especial.„.
  • 64Diante desse contexto nosso estudo nos revelou que a ludicidade assume umimportante papel no processo de desenvolvimento sócio-cognitivo do alunoespecial, já que é evidente o potencial do lúdico nos processos de ensino-aprendizagem, bem como atividades que envolvam a formação de conceitos eas habilidades operatórias.A investigação do fenômeno estudado nos revela que, as atividades lúdicasestimulam e facilitam a aprendizagem dos alunos por meio da interação, quepermite que ele raciocine e estimule suas capacidades cognitivas, assim comodesenvolve sua coordenação motora e reflexiva, contribuindo na inclusão decrianças com necessidades educativas especiais no espaço escolar e nasociedade como um todo.Sendo assim, este é um estudo cuja temática não esgota suas reflexões. Suainconclusão abre novas reflexões, criando novas rupturas para novascontinuidades.„.
  • 65 REFERÊNCIASAGUIAR João Serapião de. Educação Inclusiva: Jogos para o ensino deconceitos. 2ª Ed. Papirus,2005.ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Teoria e prática em psicomotricidade:jogos, atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras infantis. Riode Janeiro, Wak Editora, 2006.ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: Técnicas e JogosPedagógicos. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.AMARILHA, M. Estão mortas as fadas?Literatura Infantil e práticapedagógica. Petrópolis, Editora Vozes, 1997.BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996._________________. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria deEducação Fundamental. Referenciais Curriculares Nacionais paraEducação Infantil. Documento Introdutório. Versão preliminar. Brasília: MEC/SEF, 1998. v. 2._________________. Ministério da Justiça. Secretária Nacional dos DireitosHumanos. Declaração de Salamanca, e linha de ação sobre necessidadeseducativas especiais. 2. ed., Brasília: CORDE, 1997.__________________. RESOLUÇÃO Nº 2 CNE/CEB/2001. A DiretrizesNacionais para a Educação Especial na Educação Básica - CNE No02/2001CARNEIRO, Moacir Alves. O acesso de alunos com deficiência à escola eclasses comuns: possibilidades e limitações. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.CARVALHO, R.E. Removendo barreiras de aprendizagem: educaçãoinclusiva. Porto Alegre: Medicação, 2000.DANTAS, H. Brincar e trabalhar. In: Kishimoto, T.M. (org). Brincar e suasteorias. São Paulo: Pioneira, 1998.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da LínguaPortuguesa: 2ª ed. Revisada e aumentada. São Paulo: Nova Fronteira, 1986.GASKELL George e BAUER W.Martin. Pesquisa qualitativa com texto,imagem e som. 2ª Ed. Editora Vozes, Petrópolis, 2003.HOUAISS, Antonio. Minidicionário da Língua Portuguesa. 2ª Ed. Rio deJaneiro, 2004.„.
  • 66KISHIMOTO, Tizuko M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.São Paulo. Cortez, 1997.________________. Brincar e suas teorias. São Paulo. Cortez, 2006.LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 17ª ed. São Paulo- Cortez,1989.LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação, ludicidade e prevenção das neurosesfuturas:uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI,Cipriano Carlos (org.). Ludopedagogia – Ensaios 1: Educação e Ludicidade.Salvador, Gepel,2000.________________. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.LUDKE, Menga de A. e ANDRÈ Marli E. D. A. Pesquisa em educação:abordagens qualitativas. São Paulo: EPU; 1986.MACHADO, Paulo B e ALMEIDA Suzzana A. Lima. Primeiro ColóquioInternacional Québec-Bahia: Formação Pesquisa e Desenvolvimento emEducação. Salvador: EDUNEB, 2006.MALUF, Angela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. Petrópolis,RJ, 2ª Ed. Vozes 2003.MARCONI, M. A; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento depesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise einterpretação de dados 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1996.MICHALISZYN, Mario Sergio e TOMASINI Ricardo. Pesquisa: Orientações enormas para elaboração de projetos, monografias e artigos científicos. –Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.) e DESLANDES, Suely Ferreira.Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade. 27. Ed. - Petrópolis, RJ:Vozes, 1994.MOSQUERA, Jean José Morino. Educação Especial: em direção àeducação inclusiva. Edipucrs, 3ª Ed. Porto Alegre, 2006.NÓVOA, A. (org).Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 2ªEd.1992.NUNES, Ivônio Barros. Modalidades educativas e novas demandas poreducação. S.l.: s. ed., s. d. Disponível em:<http://www.intelecto.net/ead/modalidades.htm>. Acesso em: 15 novembro2009.PIAGET, J. Epistemologia Genética. SP, Martins Fontes, 1990.„.
  • 67_______________A construção do real na criança. São Paulo: ÁTICA, 1998._______________. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC,1990._______________. O desenvolvimento do pensamento: Equilibração dasestruturas cognitivas. Lisboa: DOM QUIXOTE, 1975.RODRIGUES, David (org.) “Inclusão e educação: Doze olhares sobre aeducação inclusiva”; São Paulo: Summus, 2007.SANTIN, S. Da alegria do Lúdico à opressão do rendimento. Porto Alegre:Ed.Vozes, 1994.SANTOS, Santa Marli Pires dos Brinquedoteca: a criança, o adulto e olúdico. In: Espaços lúdicos: brinquedoteca, 3ª Ed. Vozes, Petrópolis, 2000.SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org). O lúdico na formação do educador.Petrópolis. RJ: Vozes, 1997.SANTOS, Santa Marli Pires dos. A ludicidade como ciência. Petrópolis, RJ:Vozes, 2001.SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e infância: um guia para pais eeducadores. Rio de Janeiro: Vozes, 1999.SOUZA, Maria de Fátima Guerra de. Aprendizagem, desenvolvimento etrabalho pedagógico da educação infantil: significados e desafios daqualidade. In: TACCA, M.C.VR. (org). Aprendizagem e trabalho pedagógico.Campinas, S. Paulo: Alínea, 2006.TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciênciassociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo. SP: Atlas, 1987UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência eCultura /Ministério da Educação e Ciência da Espanha / CoordenadoriaNacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência –Coordenação.VYGOTSKY, Levi. A formação social da mente. São Paulo, MartinsCortez,1984._______________. A formação social da mente: o desenvolvimento dosprocessos psicológicos superiores. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994._______________. Pensamento e Linguagem. São Paulo, Martins Fontes,1989.WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: MartinsFontes, 2007„.
  • 68 APÊNDICES„.
  • 69 UNEB- Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação – Campus VII Pedagogia 2005Professor, este questionário faz parte da pesquisa para elaboração do Trabalhode Conclusão de Curso – TCC. Por isso, contamos com sua colaboração aoresponder as questões que nos nortearão a análise de dados, necessários àconclusão desta pesquisa monográfica. Lembramos que sua identidade serámantida em sigilo na apresentação dos resultados.Agradecemos sua disponibilidade e compreensão. QUESTIONÁRIO FECHADO1. Sexo:( ) Feminino( ) Masculino2. Sua idade está compreendida entre:( ) 20- 25 anos( ) 26-30 anos( ) 31-40 anos( ) 41-45 anos3. Qual a sua formação?( ) Nível Médio( ) Superior em :____________________4. Possui Curso de Especialização?( ) Não( ) Sim Qual?__________________5- Tempo em que trabalhou ou trabalha nas salas de regulares:( ) menos de 1 ano( ( 1- 2 anos( ) 3-4 anos( ) 5-7 anos„.
  • 70( ) Mais de 7 anos6. Trabalha nas salas de recursos há:( ) menos de 1 ano( ) 1-2 anos( ) 3-4 anos( ) Mais de 4 anos7. Cursos de aperfeiçoamento:( ) participa com freqüência( ) participa às vezes( ) não participa8. O material pedagógico que você disponibiliza para sua prática é:( ) satisfatório( ) insatisfatório( ) preciso de mais recursos9. Recebo suporte pedagógico para desenvolver meu trabalho:( ) com freqüência( ) uma vez por mês( ) às vezes„.
  • 71 UNEB- Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação – Campus VII Pedagogia 2005Professor, este questionário faz parte da pesquisa para elaboração do Trabalhode Conclusão de Curso – TCC. Por isso, contamos com sua colaboração aoresponder as questões que nos nortearão a análise de dados, necessários àconclusão desta pesquisa monográfica. Lembramos que sua identidade serámantida em sigilo na apresentação dos resultados.Agradecemos sua disponibilidade e compreensão. QUESTIONÁRIO SEMI-ESTRUTURADO1. Quais foram os motivos que o (a) levaram a trabalhar na sala de recursos?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2. Em que sentido a sala de recursos se torna uma via de aprendizagem?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3. Durante sua formação profissional teve disciplinas que envolvesse aludicidade? Se positivo descreva algumas aulas.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4. Quais foram os requisitos básicos para você ser selecionada para trabalharcom os ANEES?„.
  • 72____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5. Como você definiria uma atividade lúdica?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6. Cite algumas atividades lúdicas que contribuem para o desenvolvimento dosalunos especiais.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7. Na sua perspectiva qual a importância em educar ludicamente?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________8. Cite situações em que você percebe que os alunos aprendem através dasatividades lúdicas.___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9. Cite elementos e/ou fatos que dificultam o seu trabalho na sala de recursos.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________„.