Monografia Edilene pedagogia 2010
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Monografia Edilene pedagogia 2010

on

  • 1,769 views

Pedagogia 2010

Pedagogia 2010

Statistics

Views

Total Views
1,769
Views on SlideShare
1,769
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
10
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Monografia Edilene pedagogia 2010 Monografia Edilene pedagogia 2010 Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇAO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM COLEGIADO DE PEDAGOGIA EDILENE SANTANA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO EDUCAÇÃO E CIDADANIA:ESTUDO CRÍTICO DA PRÁTICA EDUCATIVA NA ESCOLA MUNICIPAL DE ANDORINHA SENHOR DO BONFIM-BA 2010
  • EDILENE SANTANA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO EDUCAÇÃO E CIDADANIA:ESTUDO CRÍTICO DA PRÁTICA EDUCATIVA NA ESCOLA MUNICIPAL DE ANDORINHA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Educação – Campus VII, da UNEB – Universidade do Estado da Bahia, como parte das exigências da disciplina Monografia, Componente do Curso de Pedagogia com habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos. Orientador: Prof. Ozelito Souza Cruz SENHOR DO BONFIM-BA 2010
  • EDILENE SANTANA DE OLIVEIRA FIGUEIREDOTexto monográfico apresentado ao Departamento de Educação – Campus VII daUniversidade do Estado da Bahia, UNEB, como requisito parcial para obtenção dograu Pedagogia, Docência e Gestão de Processos Educativos.Aprovada. em___________________, pela banca examinadora constituída pelosprofessores: ________________________________________________ Prof. Ozelito Souza Cruz (orientador) _________________________________________________ Professora (Examinadora) ____________________________________________________ Professora (Examinadora) Senhor do Bonfim, setembro de 2010.
  • À Deus, fonte de vida e inspiração, pelosimples fato de emitir sonhos em minhavida, e mais ainda acreditar que através deti eles se realizarão.
  • AGRADECIMENTOSPrimeiramente a Deus que me proporciona a oportunidade de estar aqui.A todos os educadores do Curso de Pedagogia da UNEB-Campus VII. E, deforma especial Ozelito Souza Cruz, Lílian Teixeira e Pascoal Eron. Pois,dentre os demais que tive o prazer de viver e aprender, esses foram os quemarcaram decisivamente minha trajetória acadêmica.A meu querido esposo e companheiro de todas as horas Lourival Duarte deFigueiredo. E a meu filho Bruno Vinícius que diante das minhas ausências,sempre me pedia pra ficar, saiba hoje estou aqui por ti meu filho.Ao meu pai José Bruno de Oliveira (in memórian) que me deu alicerce paraviver e depois foi embora, um grande exemplo de homem jamais conheciigual.A minha mãe Adaides Santana e meu 2° paizão Edson Evangelista, os quaisdevo muito pelo ser humano que sou.A meu irmão José Augusto que diante da nossa separação sei que sempreestávamos juntos, pela grandeza da nossa união.Ao querido orientador,Prof. Ozelito Souza Cruz pela paciência e humildade em conhecer.Aos meus queridos colegas da turma 2006.1 amizades que já maisesquecerei, pois marcarão pra sempre a minha vida. Em especial ErivaldoCosta Portela, um amigo verdadeiro que sei posso contar e confiar sempre.A Maria querida funcionária da Biblioteca da UNEB, assim como aos demaisfuncionários.Ao querido Capixaba motorista do ônibus que sempre nos trouxe a essacaminhada com muita responsabilidade.
  • “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a eleme adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-losem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar todapossibilidade que tenho para não apenas falar de minha utopia,mas participar de práticas com ela coerentes.”
  • Paulo Freire RESUMOO presente trabalho discute sobre a reflexão dos educadores, a propósito da práticaeducativa como forma de evidenciar a formação da cidadania. Percebendo como oato educativo crítico pode influenciar na melhoria social, através de implantações daPedagogia que proporcione a autonomia crítica do ser educando, traçando estajunção entre escola e sociedade. As análises reflexivas foram feitas através dapesquisa qualitativa, tendo com sujeitos doze educadores que atuam na redemunicipal de ensino da Escola Municipal de Andorinha, utilizamos comoinstrumentos de coleta de dados a observação, questionário e a entrevista semi-estruturada. Os dados foram obtidos através das investigações, decorridas doobjetivo da pesquisa que se configura em compreender como os educadorespercebem a importância da prática educativa para a formação da cidadania,traçando através do ato educativo mudanças na realidade social tão significativa avida do educando trazendo autores conceituados sobre essa reflexão tais comoFreire (1980,1996,2005), Gadotti (1985, 1995), Gentilli (1995, 2002), dentre outros,muito significativos. As respostas obtidas trouxeram reflexões sobre o modeloeducativo que perpetua sobre a prática educativa dos educadores, a qual perpetuareflexos da política neoliberalista.Palavras-Chave: Educador. Prática Educativa. Educação e Cidadania
  • LISTA DE FIGURASFigura 01. Gênero dos sujeitos................................................................................... 42Figura 02. Idade dos sujeitos.......................................................................................43Figura 03. Escolaridade dos sujeitos...........................................................................44Figura 04. Nível de formação dos sujeitos................................................................. 44Figura 05. Área de atuação dos sujeitos.....................................................................45Figura 06. Área de formação dos sujeitos...................................................................45Figura 07. Tempo de trabalho dos sujeitos.................................................................46Figura 08. Relação ProfessorXEducador....................................................................50
  • SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 11CAPÍTULO IPROBLEMÁTICA.......................................................................................................13CAPÍTULO IIFUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................................20 2.1. O que é ser educador?.............................................................................20 2.2. Prática Educativa......................................................................................23 2.3. Educação e Cidadania..............................................................................27CAPÍTULO IIIPROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.................................................33 3.1. Natureza da pesquisa...............................................................................33 3.2. Sujeitos da pesquisa.................................................................................35 3.3. Local da Pesquisa....................................................................................36 3.3.1. Organização Administrativa...................................................................37 3.4Instrumento de coleta de dados.................................................................37CAPÍTULO IVAnálise de dados........................................................................................................41 4.1. Gênero dos sujeitos..................................................................................42 4.1.2 – Idade dos sujeitos.....................................................................42 4.1.3 –Nível de escolaridade e atuação................................................43 4.1.4 – Tempo de trabalho...................................................................46 4.1.5 Síntese em relação aos dados levantados..................................47 4.2.–como os educadores percebem sua prática para a formação da cidadania...............................................................................................47 4.2 – O que falam os educadores....................................................................47 4.2.1 –Relação educador x educando..................................................48 4.2.2 –As dificuldades enfrentadas na sala de aula............................. 49
  • 4.2.3.Professor ou educador.................................................................50 4.3 – EDUCAÇÃO E CIDADANIA NO CONTEXTO ESCOLAR...........52 4.3.1 - Os temas sociais são abordados no PPP?................................ 52 4.3.2 - Como a escola deve tratar a questão da desigualdade e da cidadania..........................................................................................................53 4.4–A PERCEPÇÃO DOS PESQUISADOS SOBRE A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA EDUCATIVA PARA A FORMAÇÃO CIDADÃ...........................54 4.4.1. - Acepção: Prática educativa e sua relação às questões sociais e políticas............................................................................................................54 4.4.2–Você adota em suas práticas individuais elementos que propiciem a formação crítica do educando?....................................................................55CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 58REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 60ANEXOS
  • 11 INTRODUÇÃOEsse estudo procura sistematizar, a pesquisa realizada junto aos educadores daEscola Municipal de Andorinha, tendo como principio investigativo: Educação eCidadania, identificando como os educadores percebem a importância da suaprática educativa para a formação da cidadania.Partindo do enfoque da realidade sócio-econômica brasileira e das contradiçõesinerentes ao seu desenvolvimento que, da mesma forma, permeiam a estrutura danossa sociedade, entendemos que o processo educativo necessita de mudanças noque diz respeito ao contexto social da educação, valorizando e incluindo em seucurrículo ações que dizem respeito à cidadania. Compreendendo que para que essaefetivação aconteça, especialmente a partir da escola, o educador, principal agentede transformação necessita dessa reflexão crítica de sua realidade, bem como oeducando que faz parte, sobretudo dessa massificação social.Identificar como os educadores percebem a importância de sua prática educativapara formar o cidadão é a principal maneira para mudar essa relação entre escola ecidadania, uma vez que só através da reflexão que o educador faz de si e do seupapel em sala de aula é que ocorrerá essa reconstrução, capaz de perceber aescola como espaço para formar o cidadão.A escolha do tema e a delimitação da amostra, a Escola Municipal de Andorinhasurgiu da necessidade de aprofundar o debate em torno da qualidade do ensino nosaspectos sociais e políticos, e dar continuidade a uma preocupação que sempre meperseguia, que era interagir e fazer a diferença nesse sistema de ensino que fezparte e tanto marcou a minha vida. Nossa maior preocupação nesse estudo seestende em entender como a política neoliberal age através do sistema de ensinoem nossas escolas.Desta forma esse trabalho está assim estruturado:
  • 12No CAPITULO I procuramos evidenciar, a nível teórico e de forma ampla, oproblema da pesquisa que é refletir sobre a escola enquanto espaço de disputa deinteresses e de promoção da cultura dominante, onde a partir da análise reflexiva doprofissional que atua em sala de aula, defendido aqui como educador, conduz aconscientização como forma de promover mudanças que se estende ao educandono processo de formação para sua autonomia.No CAPITULO II procuramos refletir, a partir de alguns teóricos que reforçam estaanálise, os diferentes conceitos chave, que nortearam a nossa reflexão, educador,pratica educativa educação e cidadania, buscando subsidiar o debate e responderas nossas inquietações relacionadas a abrangência da problemática que nospropomos a investigar.No CAPÍTULO III discorremos sobre os procedimentos metodológicos, apresentandoa metodologia escolhida para a obtenção dos dados e o procedimento de análisedos mesmos, que teve como premissa uma abordagem de natureza qualitativa,utilizando como instrumentos a observação, o questionário e a entrevista semi-estruturada.No CAPÍTULO IV fazemos uma análise do estudo através da interpretação dosdados fornecidos pelos sujeitos da pesquisa, buscando através dos mesmos, oseducadores, analisar como eles percebem a importância da sua prática educativapara a formação da cidadania.E por fim, as considerações finais onde são apresentadas as nossas percepçõesinerentes aos resultados desta pesquisa, que apesar de não serem resultadosdefinitivos, como também não é essa a nossa intenção, acreditando que esse estudopossa contribuir para um maior aprofundamento da complexidade que envolve essetema, escola e cidadania.
  • 13 CAPÍTULO I PROBLEMÁTICAA sociedade brasileira evidencia em sua organização, modelos econômicosgerenciados pelo capitalismo que gera certo descrédito e excludência, já que amaioria da sociedade não atinge padrões altos de capitalização e consumo, o quefaz gerar em nossa sociedade exemplos desiguais de direitos e cidadania.A efetiva melhoria de qualidade de vida em nossa sociedade é um sonho almejado,em especial, por alguns educadores e educandos que através do conhecimento e desua identidade, enquanto seres que participam e compõem essa sociedade, lutampor esses direitos. Entendem que independente de classe ou status social, todosesses fatores se evidenciariam, especialmente, através da educação.Essa acepção deveria ocorrer através das nossas escolas, já que os ParâmetrosCurriculares Nacionais (PCNs), as leis de proteção aos direitos humanos, o estatutoda criança e do adolescente, entre outras leis que protegem o direito do cidadãodeveriam ser discutidos, principalmente na escola. Porém, isso não ocorre naprática cotidiana e a escola, na maioria das vezes, camufla essa discussão entreeducador/escola/sociedade. A escola, o espaço onde talvez mais se tenha quetrabalhar a cidadania em todos os seus aspectos viola tal questão.Segundo Gentili (1995) “o fracasso do acesso igualitário foi transferido dasinstituições para as famílias, famílias e crianças transformaram-se em portadoras deum déficit para o qual as instituições deveriam oferecer uma compensação”.Essas desigualdades atravessam de forma gritante todo o sistema escolar, ondeuma minoria em desvantagem está sendo desfavorecida por padrões maiores quesua realidade, como se as diferenças culturais, sociais ocorressem simplesmentepelas circunstâncias.
  • 14Com essas diferenças políticas e sociais advindas da sociedade, nos atemos acolocação de duas grandes vertentes para a educação, uma dessas deposita aescola como “aparelho ideológico de estado”1 e do outro lado à reflexão de que aescola atribui-se a melhorias relevantes à sociedade através da visão educacionaldo educador.Nesse conceito de escola como aparelho ideológico do Estado Althusser (1974)afirma que é por meio das práticas e da aprendizagem do aluno que se reproduzemàs relações de reprodução, inculcando massivamente a ideologia da classedominante.O que ocorre nessa dicotomia entre escola e sociedade é a demarcação capitalistaagindo sobre as escolas, que de maneira involuntária perpassa modelos descritospelo sistema, ocorrendo a reprodução da ideologia dominante.Esse é um grande desafio educacional e uma ação que requer planos individuaissobre o perfil e a complexidade que envolve a prática educativa e o modo deensinar, haja vista a diversidade de práticas e métodos utilizados e as peculiaridadesde cada profissional e cada sala de aula. Uma primeira distinção e talvez a maisimportante evidencia-se a partir dos conceitos de professores e educadores. Comobem define Alves (1985) “o professor é aquele que se limita a transmitirconhecimentos reproduzindo ideologias prontas, enquanto o educador écomprometido com a formação integral dos seus educandos e suas interações naconstrução de mudanças na sociedade”.Deliberar sobre educador e professor requer definir dois pólos de competência. Umadimensão requer apenas técnica e a outra política, a ação política envolve uma seriede questões fundamentais no processo educativo. Ainda, de acordo com Alves(1985):_______________ 1. Althusser (1974) retrata sobre o processo de reprodução como relação da exigência do estado atribuída a sujeição dos trabalhadores a ordem dominante.
  • 15 “Os educadores são como as velhas árvores. Possuem uma face, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os ligam aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” “sui generis”, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças.Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o “educador” pouco importa, pois o que interessa é um “crédito” cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo que, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministra” ( p. 17).Desta forma, o papel do educador transcende às preocupações com os aspectoscognitivos da transmissão de conteúdos para aprofundar-se na complexidade daformação da própria pessoa humana que necessita crescer bio-psico-socialmente.Para o educador a escola não é apenas local de aprendizagem meramente repetitivae técnica, e sim local que está socialmente relacionado, ao meio socialmenteorganizado, e por isso seu papel de mediador no processo educacional consiste embuscar formas de promover mudanças em seus alunos.Para tanto, precisa refletir a sua prática em comparação com aquelasconvencionalmente exercidas, não temendo estabelecer constantes conflitos, comesse modelo escolar comprometido com as ideologias dominantes, buscandoromper com o continuísmo e a perpetuidade das desigualdades sociais criadas aolongo do processo histórico da humanidade através do modelo capitalista. Essahistórica relação que ocorre desde o mundo antigo, pré-grego e greco-romano ondea educação que se vivenciava dividia-se em classes partilhadas por papéis efunções sociais, uma viabilizava a elite no sentido anti-técnico, intelectual e o outromodelo deriva-se no seu sentido manual, técnico que se realiza no sentido dotrabalho produtivo, para o povo. A educação diferencia-se para dois mundos e doismodelos de formação humana.Segundo Cambi, (1999): Aqui também vigora uma educação que mostra a imagem de uma sociedade nitidamente separada entre dominantes e dominada, entre grupos sociais governantes e grupos subalternos, ligadas muitas vezes às
  • 16 etnias dominantes ou dominadas, mas que contrapõem nitidamente os modelos educativos (p.51).Observamos a centralidade que a escola exerce no direcionamento em sala de aula,já que a escola denota de todo esse padrão que se institui no sistema de ensinovigente, a instituição simplesmente transmite modelos neoliberalistas e suasimposições, e esse padrão age diretamente na perpetuação da prática doseducadores efetuando-se, modelos de aprendizagens meramente repetitivas etécnicas. Como escreveu Nildecoff (2004, p.9), em relação ao modelo capitalista: “...vê-se cada vez mais claramente que a escola, como instituição, não apenas não tempoder para modificar a estrutura social, mais do que isso, geralmente confirma esustenta essa estrutura”.Na compreensão de alguns educadores a educação que se vivencia atualmente é aeducação que manipula o homem e o torna escravo da classe dominante e está emoposição ao enfoque de que educar constitui um processo crítico, capaz de analisaras complexas relações entre processos sociais e políticos. Segundo Brandão (1982p. 106) “A história da educação mostra que as mudanças mais radicais na educaçãosurgiram quando os educadores estiveram mais atentos à dimensão sócio-políticade sua função”.A complexidade da educação soma-se a necessidade de repensar o conceito doprofissional que atua em sala de aula. No tocante a esse aspecto, o contexto políticosocial justifica e exige uma educação que torne o educando consciente e atuantenesse processo do qual faz parte e que muitas vezes não tem a devida consciênciade seu papel transformador.Os modelos educacionais tradicionais que faziam sucesso em outrora nãocorrespondem as reais necessidades contemporâneas, as competências atuaisexigem para a formação docente aspectos políticos, técnicos, profissionais ehumanos, esses conhecimentos oferecem aos educadores competências para a suaintervenção na sociedade.
  • 17Sendo assim, ser educador na contemporaneidade representa intervir com açõespedagógicas mais definidas, implicando em atuações capazes de assumir ocrescimento humano, requer enfrentar uma série de complexidades, uma vez queparticipante da comunidade escolar, permanece em alento das relações sociais,políticas e, consequentemente convive com mudanças freqüentes sobre taisrealidades.Nota-se que a prática quando refletida a serviço de fins educativos com inserçãodireta na realidade sócio-política, contribui para mudanças transformadoras narealidade social, e essa realidade vivida pelo educador demonstra que ele é o únicoagente direto nesse processo de transformação e mudança, pois, a educação é umprocesso que traz para o indivíduo conhecimento, consciência e libertação.Reforçando essa discussão Freire (1996) ressalta que: (...) meu papel no mundo não é só o de quem constata o que ocorre, mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. Não sou apenas objeto da história, mas seu sujeito igualmente. No mundo da história, da cultura, da política, constato não para me adaptar mais para mudar (p.77).Diante de tantos embates, nos deparamos com os paradoxos que vivem oseducadores, imersos numa sociedade estreitamente neoliberalista e capitalista comoescreveu Braverman (1974, p.79): “O modo capitalista de produção destróisistematicamente todas as perícias a sua volta, e dá nascimento a qualificações eocupações que correspondem às suas necessidades”.Esse modelo capitalista é de uma educação repassada pelas ideologias dominantesque consiste nessa homogeneização, se tornando bem instruída para o benefíciodas camadas superiores da sociedade que se preocupam apenas em formar a mãode obra de trabalho para o capital. Entende-se assim, que para a classe dominante éimportante que as pessoas não possam se manifestar e questionar as injustiças eexplorações.
  • 18Como bem salienta Silva (1992) “a escola ao invés de servir para aplainar diferençassociais simplesmente estaria diretamente ligada na reprodução das desigualdades,estabelecendo organizações econômicas, para manter sociedades de classes”.Portanto, vemos que as diferenças sociais comprometem a qualidade do sistemaeducacional e interfere na qualidade da prática educativa, o que evidencia anecessidade de estudos voltados para a compreensão da totalidade docompromisso profissional do educador. Quem pensa a educação não pode fugirdessa consciência de que o educador pode atuar nesse sistema social pensando etendo como perspectiva uma educação promissora que reflita sobre essaproblemática com maior profundidade.Este estudo parte da necessidade de reflexões que contribuam para implantação deuma escola com perspectiva de melhoria da qualidade educacional, no que dizrespeito à conscientização, a tomada de consciência dos direitos e deveres que oeducador tem mediante o seu papel como profissional, e como cidadão. Nessaperspectiva, estamos focalizando o educador como principal instrumento daformação de cidadania, estabelecendo críticas às relações sociais presentes nasescolas na sua proposta de autonomia e contra a alienação. Com esse propósito,surge a seguinte inquietação: Como os educadores da Escola Municipal deAndorinha percebem a importância da prática educativa para a formação dacidadania? Como as questões sociais são tratadas pelos educadores e pelaescola?Entendemos que a postura do educador deve fazer parte do contexto escolar,estabelecendo através de sua prática educativa à idéia de educação no seu sentidomais coerente que é formar o cidadão, possibilitando o conhecimento e tambémengajado na realidade social, indo de encontro às desigualdades e irregularidadesdo sistema educacional.Nesta perspectiva estabelecemos como objetivo desta pesquisa:
  • 19Identificar como os educadores percebem a importância de sua práticaeducativa para a formação da cidadania.Segundo Canivez (1991, p.15), “a cidadania, e, sobretudo o acesso à cidadania,depende então da adesão a uma certa maneira de viver, de pensar ou de crer.” Estarelação entre educação e cidadania consiste na indagação que permite ao indivíduoa atividade política no seu sentido de conscientização enquanto igualdade dosindivíduos no sentido do saber, e saber pensar na escola e posteriormente nasociedade.Nota-se então, em face dessa realidade tipicamente social, a necessidade decompreender a competência do educador no processo educacional quanto aosaspectos cotidianos escolar, em principio da própria liberdade, em favor de mundospossíveis através de objetivos presentes no seu dia a dia.Diante disso, essa pesquisa se faz importante no sentido de contribuir com asdiscussões a respeito da formação do educador no seu aspecto direcionador daformação do cidadão no contexto escolar, como forma de produzir através daeducação mudanças na realidade sócio política, contribuindo, portanto para aformação da cidadania do educando.
  • 20 CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICAVisando aprimorar o debate em torno da problemática desse estudo e daimportância das discussões apresentadas, consideramos de fundamentalimportância refletir, inicialmente, sobre alguns conceitos-chave norteadores dodebate nesse estudo, que são: educador, prática educativa e educação e cidadania.2.1 O QUE É SER EDUCADOR?Diante da infinidade de questões que envolvem a complexidade da praticaeducativa, surge à necessidade de se repensar a partir do profissional que atua emsala de aula, o que define esse profissional como educador, como se constitui suaprática educativa e que características fundamentais se incorporam as suas praticasbuscando promover as transformações sociais e políticas.Tomando como eixo de reflexão nesta abordagem o papel do pedagogo e suarelação com as mudanças sociais e políticas evidencia-se, inicialmente, como defundamental para a compreensão dessa relação definir o que se entende poreducador e o seu papel.Segundo Oliveira (2003), educador é aquele que: Constrói valores e os reproduz entre seus alunos e colegas, produz conhecimentos e desenvolve competências próprias do seu campo de atuação, a saber, a docência. Mas, juntamente com esses aspectos esse profissional também constrói e desenvolve valores acerca do universo cultural e social em que vive, e isso envolve as representações sociais e negativas que incidem sobre determinados grupos sociais, étnicos, geracionais (p. 160).Evidencia-se, segundo essa afirmação, que é através do processo educativo quedeterminados valores que são estabelecidos aos educandos e por estes
  • 21internalizados, contribuindo assim para a perpetuação de determinada sociedade.Atribui-se a esses profissionais competências sociais além das cognitivas einterligadas às questões políticas e antropológicas, que extrapolam assim àcompetência do conhecimento escolar, viabilizando a cultura, a política e os modelosde desenvolvimento que lhes são impostos.Portanto, o educador é mais que um simples cidadão, é um cidadão produtor decidadania, ou seja, um profissional que possuí posturas políticas para atransformação da realidade que vivencia para o aprendizado humano, enriquecendotodo seu aspecto de educação para a liberdade numa visão de mundo alicerçada emhumildade, criticidade e competência, transformando a capacidade humana paraatuar sobre sua realidade.Para Souza Neto (2005): O educador têm um papel formador direto que se dá dentro e fora da sala de aula, na escola e na rua, no pátio e nas praças. Um papel que é de formação para aquilo que se aprende no âmbito dos diversos saberes, sejam eles disciplinares ou não, e da educação para a política como espaço de disputa de projetos e mundos (p.257).Essa afirmação, diz respeito ao educador através de sua relação com o educandopromovida por uma educação que valoriza a pessoa humana, valorizando suaexistência a partir de sua realidade, promovendo uma linguagem não somente coma pedagogia verdadeira, mas a pedagogia de possibilidades, permeando nãoapenas o conhecimento intelectual, mas o conhecimento do ser humano.Assim educar, como nos ensina Gadotti (1985), significa “conceber a uma seleçãodo mundo, recolhida e manifestada no educador, o poder decisivo da influência, poiso mundo gera no indivíduo a pessoa” (p.76).Assim educar é assumir responsabilidades, a fim de perceber o ato de ensinar comoa força do diálogo, um diálogo de informação, um diálogo de troca de
  • 22conhecimentos, fechando os olhos para a acepção da verdade absoluta e trazendono intenso ato do processo educativo a distribuição do saber, onde o educador nãose percebe como único nem como professo da verdade absoluta.Ainda segundo Gadotti (1985, p.77), É necessário manter a qualquer preço odiálogo, seja pela reflexão comunitária, seja pela expressão pessoal.Freire (1996), reforçando a importância da comunicação e do diálogo inerente aoprocesso educativo ressalta que: A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de interligar, desafiar o educando com quem se comunica e a quem se comunica, produz sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inelegibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico (p.42).Educar significa, portanto lutar contra a ordem e conscientizar sobre a organizaçãoda sociedade, onde a ação pedagógica não se limita à escola, mas se estabelececonstantes diálogos com a sociedade atual, levando o educando ao conflito, adesobediência, a suspeita.Gadotti (1985), ao falar sobre o olhar critico que deve ter o educador sobre asociedade a qual está inserido, ressalta ainda que “O papel do educador de um novotempo, do tempo do acirramento, das contradições e do antagonismo de classes (...)é mais a organização do conflito, do confronto, do que a ação dialógica” (p.124).Pois, como bem afirma Zabala (1998), “educar quer dizer formar cidadãos e cidadãsque não estão parcelados em compartimentos estanques, em capacidades isoladas”(p. 28).O educador enquanto sujeito que está diretamente ligado na função elaboradora etransmissora de sua intervenção pedagógica, precisa estar indistintamente
  • 23consciente quanto ao poder que exerce, diretamente, sobre seus alunos para aconstrução de uma educação realmente libertadora e verdadeiramente democrática.É preciso ter consciência de que tudo que se faz em sala de aula reflete navalorização de diferentes instâncias de convivências e pensamentos. E isto dependeda compreensão que tem a função do saber.É nesse âmbito que o educador peça fundamental da educação, defendido aquicomo principal sujeito de transformação, pode vir a contribuir de forma indiscutívelna identidade da cidadania, composta de sentimentos e significados para os que acompõe. Isso da à educação um sentido de estar aberta para a maior de suassingularidades, que é compreender através do ato educativo a condição de formar ocidadão.2.2 PRÁTICA EDUCATIVAA prática educativa é à base do ofício do educador e deve garantir ensinos voltadospara a realidade, onde conteúdo e reflexão contínua se difundem construindo açõeseducativas em função do conhecimento que, consequentemente, influencia nasmudanças de pensamento, atitude e reflexão social.Tardif (2002) enfatiza que: Desde os antigos gregos, chamamos tradicionalmente de “educação” um processo de formação do ser humano por representações explícitas que exigem uma consciência e um conhecimento dos objetivos almejados pelos atores educativos, objetivos esses que são tematizados e explicitados num discurso, numa reflexão ou num saber qualquer (p.151).Nesse sentido, a prática deve partir de contextos que gerenciem fins reflexivoscríticos individuais, havendo assim o desenvolvimento de indivíduos singulares naintervenção das condições sociais. Esta prática possibilitará modificações para seproduzir transformações na sociedade. Como destaca Libâneo (1994):
  • 24 A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade, mas também o processo de promover os indivíduos do conhecimento e experiência cultural que os tornem aptos a atuar no meio social e transforma-los em função de necessidade econômicas, sociais e políticas das coletividades (p. 17).Logo, percebe-se a prática educativa como parte integrante das relações sociais, econsequentemente de suas formas de organização. Assim, no trabalho docente aeducação recupera a ação educativa como ação humana de intervenções eescolhas que estão presentes interesses de todas as ordens: sociais, políticas,econômicas e que precisam ser compreendidas pelos educadores.Essa prática exige uma visão mais ampla, para que através da decodificação escrita,da língua, da matemática, das ciências, etc. venha como pré-requisito, à aquisiçãode habilidades para identificar e lidar com códigos de outras linguagens de mundo ede globalidade predominantemente existente na vida em sociedade.A reflexão sobre a docência, em que se apóia a prática educativa são complexas,razão porque não temos uma fórmula pronta e uniforme, assim como não sãoprontos nem uniformes os sujeitos. Temos seres com especificidades diversas esurpreendentes, e, por isso, a prática não pode simplesmente cumprir regrasinstitucionais. Por sua própria natureza, não pode ser superficial, mas caracterizadapelo aprofundamento da compreensão da realidade, e imbuída na busca do bemcomum, perceber e agir sobre causas submersas cujas superfícies camuflam ossentidos e as intenções de que resulta essa realidade, e influencia direta ediversamente as vidas de todos os indivíduos independente de suas especificidades.A reflexão sobre a prática é fator imperativo para quem se propõe agente demudanças. O educador que não reflete, é ele mesmo, um dependente. A reflexão éuma exigência da própria natureza da ação que se evidencia, sobretudo na praticaeducativa. É, portanto, impossível educar sem refletir e refletir criticamente. Docontrário a ação estará a serviço do continuísmo, do conformismo, da inação, pormais que soe contraditório.
  • 25É imensurável o poder da educação quando praticada sob a perspectiva conscienteda transformação da sociedade. O educador é, quando sabe ser, e sabe que é, umagente transformador de realidades. Não se intimida diante das adversidades, pois,sem elas seu papel seria nulo. Para que educadores se a sociedade não carecessede transformações? Assim, agindo sob reflexão, o profissional da docência seafirmará como cumpridor do seu papel social e político, pois, como ressalta Zabala(1998, p.29), “por trás de qualquer intervenção pedagógica consciente se escondemuma análise sociológica e uma tomada de posição que sempre é ideológica”.Contudo, a atuação educacional esclarece o educando sobre o sentido profundo emuitas vezes oculto, da realidade da vida, pois, no cotidiano escolar contribuímospara o desenvolvimento da consciência crítica de nossos alunos, a partir dasexperiências que o mesmo vivencia dentro do espaço educativo. Porém, isso só épossível mediante uma postura docente consciente, e reflexiva que atribui ao ensinode forma igualmente importante, e a atuação voltada para os aspectos cognitivos eao mesmo tempo, aquelas que potencializam a inserção social.Gadotti (1995), nesta mesma perspectiva destaca que: A prática consciente de uma pedagogia que, na falta da palavra mais adequada eu chamaria de Pedagogia do conflito, deveria criar certa linguagem na Educação que leve o educador a reassumir o papel crítico dentro e diante da sociedade pela dúvida, pela suspeita, pela atenção, pela desobediência (p.59).Sendo assim, o autor entende a prática educativa como uma forma de reação contraos padrões sociais contraditórios implantados pelas classes dominantes dasociedade, “uma das tarefas precípuas da prática educativo-progressista éexatamente o desenvolvimento da curiosidade crítica, insatisfeita, indócil” (FREIRE,1996, p. 32). Provavelmente essa consciência sobre o papel político social de que éincumbida a prática educativa, sendo assumido, melhoraria em muito a atividadeprofissional, pois levaria o educador à inter-relacionar o processo educativo com oprocesso de geração da autonomia do educando pela construção e ou estimulaçãode sua capacidade reflexiva.
  • 26Freire (1996) adverte quanto ao perigo da “ideologia fatalista” que “com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidadesocial que, de história e cultural, passa a ser ou a virar “quase natural”. A ideologiadominante pinta a realidade de uma forma que desestimula qualquer pensamento napossibilidade de mudança. Olhando para o quadro real da própria educaçãobrasileira, as circunstancias que ainda testemunhamos em muitas salas de aulas, eo tipo de prática de ensino que ainda predomina em nossos sistemas educacionais,podemos perceber como esse fatalismo nos ronda e espreita tão de perto. Pois sedesacreditarmos da educação, não nos restará outra perspectiva de mudança social.Por isso a educação tem tomado o rumo indicado pela ideologia dominante, o deconduzir os educandos ao “conformismo”, no mais profundo sentido do termo – delevá-los a adaptar-se, a assumir a forma – como tijolos feitos de barro moleempurrados contra uma fôrma de material duro, inflexível como a realidade em queele vive. Muitas vezes os próprios educadores justificam a sua postura continuístana inflexibilidade do “sistema”.Para Freire (1996) frases como: A realidade é assim mesmo, que podemos fazer?”ou “o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século” expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora. Do ponto de vista de tal ideologia, só há uma saída para a prática educativa: adaptar o educando a esta realidade que não pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando, à sua sobrevivência. O livro com que volto aos leitores é um decisivo não a esta ideologia que nos nega e amesquinha como gente. (FREIRE, 1996, p. 19).2.3 EDUCAÇÃO E CIDADANIAQualquer reflexão sensata logo conclui que é quase impossível desvincular aeducação da cidadania. A educação restitui a dignidade ao ser humanodescaracterizado pelas distorções da sociedade de classes que muitas vezes lhedesvirtuou o próprio sentimento de humanidade. A falta de educação resultaseguramente na falta da cidadania e na geração de muitos males sociais, como aviolência e a marginalidade. Ironicamente, tanto a marginalidade como a cidadania
  • 27são resultados da sociedade de classes em que os direitos e os deveres não sãoigualitários, e onde o sentimento de indignidade se manifesta quebrando regrassociais que privilegia uns em detrimento de outros. Ferreira (1993, p.161), afirma: Não se conhece casos de marginalidade social em sociedades igualitárias, como as tribos indígenas. A marginalidade, assim como a cidadania, resulta das sociedades de classes, é um fenômeno que revela as relações perversas do modo de produção capitalista, cuja racionalidade funciona com base no binômio inclusão/exclusão.A sociedade necessita de instituições fortes como o Estado com seus diversosinstrumentos como os governos, os parlamentos, as instâncias judiciais, as polícias,e as escolas, entre outros, para conter as reações dos homens e tornar possível aconvivência. "Só a construção de uma instância política, que sobrepujasse osinteresses individuais, poderia garantir a convivência dos homens em sociedade"(TEIXEIRA, 1995, p.35). Os modos de governos e a instituição dos estados surgempara atenderem a essa necessidade.Como um instrumento da sociedade indispensável na manutenção da ordem social,a educação embora muitas vezes seja vista e utilizada como um dos principaisinstrumentos ideológicos do Estado é primeiramente o meio de tornar o homem maishumano, nas formas de se relacionar consigo mesmo, com o outro e com o meio. Éno aprendizado contínuo que o homem conquista seja de maneira formal oumeramente interacional, as habilidades que o torna cada vez mais independente,autônomo e, talvez até, livre.Brandão (1985) ressalta que: Na espécie humana a educação não continua apenas o trabalho da vida. Ela se instala dentro de um domínio propriamente humano de trocas: de símbolos, de intenções, de padrões de cultura e de relações de poder. Mas a seu modo ela continua no homem o trabalho da natureza de fazê-lo evoluir, e torna-lo mais humano (p. 14).
  • 28Freire (2005) ao destacar também esse papel humanizador da educação diz que: Não há outro caminho senão o da prática de uma pedagogia humanizadora, em que a liderança revolucionária, em lugar de se sobrepor aos oprimidos e continuar mantendo-os como quase “coisas”, com eles estabelece uma relação dialógica permanente (p. 60).A educação é fator indispensável no desenvolvimento das pessoas e da sociedade.Com isso o educador é mais que um simples cidadão, atua a favor de mudanças apartir de suas atitudes frente ao educando, acreditando através de seu perfil em umnovo direcionamento de posturas na educação a favor da dignidade do ser humano,no qual a educação reafirma o seu papel mediante e diante do contexto e realidadessociais.Essa é também a compreensão de Gentili e Alencar (2002), quando ressaltam que: Educar, mais do que nunca, é acumular saber para humanizá-lo, distribuí-lo e dar-lhe um sentido ético, isto é solidário, cuidadoso com a dignidade do ser humano e do mundo (p.100).Aos pensarmos em nossa gritante desigualdade social, percebemos esse desafio denatureza política para a educação, pois por mais que exista pobreza, desigualdade,permeia em nossos anseios o sentido ético de nossa educação, existente parafundamentar o reflexo da humanidade.Silva (1997) chama atenção para a influência capciosa do contexto político eeconômico nas condições educacionais da educação pública, pois: ... o que o discurso neoliberal em educação esconde é a natureza essencialmente política da configuração educacional existente. A educação pública não se encontra no presente e deplorável estado principalmente por causa da má gestão por parte dos poderes públicos, mas sim, sobretudo, porque há um conflito na presente crise fiscal entre propósitos imediatos de acumulação e propósitos de legitimação (p.19-20).
  • 29E denuncia ainda, A construção da política como manipulação do afeto e sentimento; a transformação do espaço de discussão política em estratégias de convencimento publicitário; a celebração da suposta eficiência e produtividade da iniciativa privada em oposição à ineficiência e ao desperdício dos serviços públicos; a redefinição da cidadania pela qual o agente político se transforma em agente econômico e o cidadão em consumidor, são todos elementos centrais importantes do projeto neoliberal global (1997, p.15).Há, portanto um círculo vicioso que atende aos interesses do neoliberalismo – aspéssimas condições sociais do indivíduo o impedem de galgar os níveis ideais deeducação e, conseqüentemente, leva-o a abrir mão do exercício da verdadeiracidadania, que tem o seu sentido corrompido e assim perpetuando-se o contexto deexclusão e desigualdade.Afinal, o que é realmente cidadania? E como se dá sua aquisição, em meio a tantadesigualdade social? Questões como essas surgem talvez pela fragilidade einfinidade de definições do que seja cidadania em nossa sociedade, marcada peladesigualdade e fragilidade na oferta de serviços, levando grandes contingentes dapopulação a uma situação de pobreza.A cidadania confunde-se na maioria das vezes com a história das lutas pelos direitoshumanos, exatamente por que a sociedade lhe nega a cidadania plena. É umreferencial de conquista da humanidade, através dos movimentos que sempre lutampor mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas.Combate os altos padrões de riqueza por alguns da elite, altamente educada e nãose conforma com a dominação arrogante, seja do próprio Estado ou de outrasinstituições ou pessoas que não desistem de privilégios, da opressão e dasinjustiças contra a maioria desassistida que não consegue se fazer ouvir.
  • 30Ser cidadão, portanto, é ter consciência de que é sujeito de direitos. Direito à vida, àliberdade, à propriedade, à igualdade, a educação, enfim, direitos civis, políticos esociais.Educar para aquisição da cidadania, significa perceber a cidadania como ação,como meio de propiciar a liberdade no sentido político. Essa conscientização deformar o cidadão através da educação requer garantir ao indivíduo uma participaçãoativa na formação e antes de tudo decisões em prol de sua realidade social epolítica.Para Mello (1998p. 34) “A questão do conhecimento é vital para o exercício dacidadania política num mundo que deixa de ser marcado por bipolaridadesexcludentes.” Esse conhecimento, que deve ser assegurado especialmente pelaescola, propicia ao cidadão uma transparência sobre o poder público como meio deinfluir sobre o cidadão não apenas nas decisões políticas, mas nas decisões diretas,acontecendo principalmente pela pressão social. Ai está explicito o principal papelda sociedade civil e da escola ao qual, Teixeira apud Habermas (1997) chama de“desobediência”. Seu papel seria, sobretudo “ofensivo”-com a ação coletiva e“defensivo”, buscando assegurar estruturas de associação e de esfera pública, eproduzir “contra-esferas” e “contra-instituições” (p.195).O que se sabe é que o contexto escolar, especialmente na sociedade capitalistamoderna, prioriza elementos que dão sustentação à classe dominante, silenciandotodo um universo de cidadãos. Para que a escola se torne instrumento deconstrução da cidadania é necessário passar por uma reestruturação concepcional eparadigmática, em que os educadores reconstituam suas compreensões a partir deinquietações forjadas na insatisfação com a realidade social e na confiança de queessa realidade depende principalmente da educação para ser alterada. Os paradigmas básicos do saber, que se sucederam interpenetrados e que continuam em nossa cultura e em nossas cabeças, necessitam recompor-se em um quadro teórico mais vasto e coerente. Sem percebê-los dialeticamente atuantes, não poderemos reconstruir a educação de nossa responsabilidade solidária (MARQUES, 1993, p. 104).
  • 31Freire (1996) reafirma sobre essa inquietude dos educadores reforçando que nãoposso ser educador se não percebo cada vez mais, que a minha prática não podeser neutra, minha prática exige de mim uma decisão. Uma tomada de posição, queeu escolha entre isto e aquilo. Não posso ser educador a favor de quem quer queseja. Não posso ser educador simplesmente a favor do homem ou da humanidade,isso levaria ao contraste com a concretude da prática educativa. Essa é, semdúvida, a maior necessidade na postura política do educador hodierno. Ocomprometimento com a mudança de realidade. Os resultados da educação na vidado educando e da sociedade precisam ser pensados, intencionados. Não ocorrempor acaso, aleatoriamente.Entendida como um processo que está em permanente construção, a cidadania,quando trabalhada no contexto escolar, assume importante papel nas mudanças emprol de uma sociedade democrática e igualitária, visto que, o exercício da cidadaniaé refletido na consciência de nosso devido papel em sociedade.É nesse contexto que a sociedade, mesmo de forma frágil passa a ter essatransparência de qual seja o seu dever, através dessa educação e diante de tantasresponsabilidades. E cabe ao ensino influir sob tais envolvimentos políticos, vistoque a educação pode promover através da prática, conflitos para a proteção social.Mello (1998), ao refletir sobre esse tema, ressalta que: Diante deste cenário, a educação é convocada, talvez prioritariamente, para expressar uma nova relação entre desenvolvimento e democracia, como um dos fatores que podem contribuir para associar o crescimento econômico à melhora da qualidade de vida e à consolidação dos valores democráticos (p. 30).Educar para o exercício da cidadania, mais do que responder a um novo perfil decidadão, surge a partir da necessidade de se descobrir novas possibilidades derelações éticas e sociais, que contribuam para a superação da segmentaçãopessoal, e que conduza o cidadão a conquista de seus próprios objetivos, através dodomínio do conhecimento e da informação.
  • 32Diante dessas afirmações não se pode negar que uma educação para a cidadania,no nosso tempo requer práticas educativas voltadas a posturas éticas, na qual oeducador ao estar lidando com pessoas, propõe a conscientização para que oeducando através do conhecimento crítico tenha autonomia para compreender ebuscar mudar a realidade social que o sistema lhes impõe, propondo assim, aeducação como prática de liberdade.Nessa perspectiva a escola, segundo Freire (1980) deve priorizar: Uma educação que procura desenvolver a tomada de consciência e atitude crítica, graças a qual o homem escolhe e decide, liberta-o em lugar de submetê-lo, de adaptá-lo, como faz com muita freqüência a educação em vigor num grande número de países no mundo, educação que tende a ajustar o indivíduo à sociedade, em lugar de promovê-lo em sua própria linha (p. 35).Quando tratamos de discutir cidadania através da educação fica claro que essasmudanças e tomadas de conscientização realmente ocorrem através da educação, ese a educação não tiver parcela ativa sobre a sociedade realmente à mudança nãose fará.Como bem afirma Mello (1998): “a educação assume a centralidade nodesenvolvimento para as formações de habilidades que se referem cognitivas ecompetências sociais para a população, com a finalidade de torná-los maiseficientes no preparo de uma nova cidadania”.
  • 33 CAPÍTULO III PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOSCAMINHOS DA PESQUISATendo em vista a escola como a principal espaço de formação de cidadania, umavez que nesse espaço existem vários sujeitos interligados a diversas realidadessociais e políticas a pesquisa que fundamenta esse estudo será realizada na EscolaMunicipal de Andorinha, que propôe-se oportunizar com o seguinte objetivo:entender como os educadores percebem a importância da prática educativa para aformação da cidadania.3.1 NATUREZA DA PESQUISAOptamos assim, por um estudo qualitativo, já que esse estudo está intimamenteligado às questões sociais que envolvem determinados sujeitos em sua análise,fundamentada nessa pesquisa através dos docentes que atuam nesse espaço.Em geral o ponto de partida para compreensão de uma determinada realidade se faza partir do estudo de um problema, que ao mesmo tempo desperta o interesse dopesquisador e delimita a sua atividade de pesquisa a uma determinada porção dosaber, a qual ele se compromete a construir naquele momento.Para se chegar a esse conhecimento idealizado pela pesquisa nota-se acentralidade que a metodologia exerce a partir do estudo e da abordagem sobre arealidade. Portanto, entende-se como necessário para a realização de uma pesquisao conhecimento teórico e a prática de estar junto à pesquisa, que representa certointeresse do pesquisador a respeito do problema pesquisado.
  • 34A necessidade de se chegar a esse conhecimento, depende da aquisição dopesquisador sobre o seu foco de pesquisa, sua competência interpretativadestacando sua compreensão sobre a mesma e as variáveis que a compõe, umavez que não se pode chegar as respostas esperadas sem seu sentido aguçado,curioso.Como nos ensina Ludke e André (1986): Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções e propostas aos seus problemas (p.2).Assim a pesquisa ligada às ciências sociais e humanas aparece como maneira desubsidiar o conhecimento da realidade dos indivíduos, fornecendo instrumentos paraa investigação e reflexão sistematizada sobre suas vivências e experiências, para apartir desse conhecimento e reflexão, alterar a prática e, conseqüentemente, arealidade.Diez (2004), ao enfatizar a importância da pesquisa nas ciências humanas destacaque pesquisar significa vivenciar a realidade, dialogando com ela de forma critica ecriativa. Neste sentido, optaremos como proposta metodológica, neste estudo poruma abordagem qualitativa pelo fato de que esse tipo de abordagem permite a trocade informações e uma maior interação dentro da pesquisa.Esta abordagem é mais indicada para a realização desse estudo, por ser flexível eadaptável e pelo fato de envolver mais diretamente o contato, a troca deinformações e a integração entre o pesquisador e o objeto pesquisado tendo oambiente natural como fonte direta de dados. Baseado na abordagem qualitativa,Hanguette (1997, p.63) diz que: “os métodos qualitativos enfatizam asespecificidades de um fenômeno em termos de suas origens e de sua razão de ser”.
  • 35Ludke (1986 p.11) destaca na pesquisa qualitativa algumas características quecontribuem para um melhor resultado no processo investigativo: “a pesquisaqualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e asituação que está sendo investigada, via de regra através do trabalho intensivo decampo”.Considerando o tipo de abordagem que nos propomos a realizar, em ambienteeducacional, justifica-se a escolha da abordagem qualitativa, já que esta estuda osfenômenos em contato direto com o ambiente em que estes acontecem epossibilitaram o desvendamento do problema estudado.Sendo assim, a abordagem qualitativa é pertinente porque, descreve acomplexidade de determinado problema e sua relevância social, buscando conceberanálises mais profundas em relação ao fenômeno que está sendo estudado que émostrar o olhar crítico do educador a respeito de sua realidade profissional.Na pesquisa qualitativa segundo Teixeira (2009 p.137) o pesquisador procurareduzir a distância entre teoria e os dados, entre o contexto e a ação, usando alógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão dos fenômenos pela suadescrição e interpretação.Nesse tipo de pesquisa também são analisadas as experiências pessoais dopesquisador, sobre determinado estudo bem como suas angustias, análises ecompreensões sobre a realidade na qual estão inseridos.Como no ensina ainda Teixeira (2009, p.140), na pesquisa qualitativa, o social évisto como um mundo de significados passível de investigação e a linguagem dosatores sociais e suas práticas as matérias-primas dessa abordagem.3.2 SUJEITOS DA PESQUISA
  • 36De acordo com Freire (2005) as práxis são ações reflexões dos homens sobre omundo e para transformá-lo.Desta forma essa realidade exige uma proposta que evidencie a inserção críticaatravés da ação, proporcionando um ambiente recíproco a construção doconhecimento.Portanto, esta pesquisa busca analisar a percepção de doze (12) educadores docolégio Municipal de Andorinha, que são os sujeitos da nossa pesquisa, através dosquais buscamos conhecer a prática educativa e sua relação com a formação dacidadania.Os docentes que estão diretamente envolvidos na realidade política são os sujeitosdessa pesquisa porque a esses atribuímos à construção do conhecimento no quediz respeito ao aspecto social e político.3.3 LOCAL DA PESQUISAO lócus escolhido para o desenvolvimento da pesquisa foi a Escola Municipal deAndorinha, localizada na sede da cidade. Onde atuam 23 professores. Trata-se deuma escola pública municipal, que atende classes do Ensino Fundamental II ondefuncionam 16 turmas, do 6º ao 9° ano, sendo nove turmas no turno matutino e seteturmas no vespertino. Possui um espaço físico que contém: nove salas de aula, trêssanitários sendo dois para estudantes e um para os funcionários, dois banheiros,uma biblioteca, uma secretaria, uma cantina, sala dos professores, sala de direção ecoordenação, duas salas de depósito, dois pátios, laboratório de informática e umasala de recursos multifuncionais que atende a alunos com necessidade especiais.A Escola atende tanto alunos da zona urbana quanto da zona rural, tendo num totalde 630 alunos, com turmas de 35 a 52 alunos. Nota-se assim, a necessidade depropor ao educando independente de zona rural ou urbana uma prática educativa
  • 37que atenda todas as especificidades presentes, que implicam o compromissoprofissional do educador.A escolha desse lócus reforça de forma muito especial a inquietação dapesquisadora, por ter sido o ambiente principal de quase toda a sua trajetóriaescolar desde o 6º ano do Ensino Fundamental II, até o 4º ano do ensino normal(conhecido como magistério). Isso também contempla sua necessidade dedemonstrar reconhecimento e gratidão para com essa instituição tão importante nasua formação. Desejando que este trabalho trouxesse alguma contribuição e façaalguma diferença nas vidas e nas práticas daqueles que hodiernamente seconstituem sujeitos e objetos do processo educativo ali desenvolvido. Essa é,portanto, a forma encontrada de contribuir com a escola que tanto marcou a sua vidae com seus professores e demais funcionários, muitos com os quais teveoportunidade de conviver durante os anos de sua formação e até hoje ali seencontram.3.3.1 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVAA organização fomentada na referida instituição consiste em um diretor, vice-direção, duas coordenadoras, vinte e três professores, um secretário, cincoassistentes administrativos, dois bibliotecários, quatro merendeiras, dois porteiros eoito funcionários de serviços gerais.3.4 INTRUMENTOS DE COLETA DE DADOSPara a realização desta pesquisa utilizamos instrumentos da abordagem qualitativa.“O uso das abordagens qualitativas na pesquisa suscita primeiramente uma série dequestões éticas decorrentes da interação do pesquisador com os sujeitospesquisados”. (LUDKE e ANDRÉ, 1986, p.50). Esse relacionamento na abordagemqualitativa ocorre através dessa inter-relação, o que garante ao pesquisador ummaior aprofundamento sobre a realidade para assim entendê-la através das falas,
  • 38dos gestos, das atitudes sobre o qual estão inseridos determinados sujeitos tendoem vista suas características específicas de situações e pessoas. Ainda de acordo com Ludke e André, analisar os dados qualitativos significa“trabalhar” todo material obtido durante a pesquisa, ou seja, os relatos deobservação, as transcrições de entrevista, as análises de documentos e as demaisinformações disponíveis. (1986, p.45)Assim, para que haja esse maior aprofundamento na pesquisa estudada e um maiorêxito nos questionamentos, a pesquisa recorreu como estratégia de investigaçãoaos seguintes instrumentos:- Primeiramente a observação participante, que nos deu a sensação de intervençãoinvestigativa, pois estaremos adentrados a essa realidade;A opção pela observação nos possibilita um maior contato com os sujeitospesquisados, dando dimensão a uma experiência direta e o envolvimento entrepesquisador e os membros da situação pesquisada. Segundo Hanguette (1997,p.67): a observação participante é “a participação do pesquisador no localpesquisado, é a necessidade de ver o mundo através dos olhos dos pesquisados”.Sendo assim, a observação participante se fez pertinente para esse estudo, pois,possibilitará ao pesquisador uma série variada de informação que ocorrerãoespontaneamente, tendo como característica importante um resultado maisconsistente do estudo com aplicações práticas da temática pesquisada.Como bem destaca Marconi (1996): Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais destes (p.82).
  • 39Essa participação tão ativa contempla ao investigador vivenciar junto ao grupo suarealidade, e mais que isso estarão os dois observador e observado do mesmo lado,passando confiança e trazendo essa aproximação contínua de vivências, tendo essavisão conjunta necessária a pesquisa.- Aplicação de um questionário fechado que nos forneceu os subsídios necessáriospara traçar o perfil dos sujeitos como idade, sexo, área de formação.Questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma sérieordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presençado entrevistador. (MARCONI, 1996 p. 88)Isso requer para a pesquisa uma análise no seu sentido objetivo no qual, oquestionário está intrinsecamente ligado nas questões que objetivem sua realidadepresente, bem como sua eficácia e validade a partir dos dados precisos comdeterminada finalidade facilitando a interpretação sobre o perfil dos sujeitos.- Entrevista semi-estruturada que nos deu maior visão da realidade vivida peloseducadores.A entrevista é um procedimento muito importante por ser uma das principaistécnicas de investigação utilizada em quase todos os tipos de trabalho, realizados noâmbito das ciências sociais e todo o meio acadêmico. Se constitui em importanteinstrumento de trabalho nos vários campos das ciências sociais e de outros setoresde atividades, como da sociologia, da antropologia, da psicologia e outros.(LAKATOS, 1991p. 196)Assim, a entrevista sem-estruturada permitirá uma maior aproximação entre o fatosocial a ser pesquisado, o sujeito e pesquisador, pois, é dada de forma conjunta emque o pesquisador sente através do olhar, da fala, dos gestos uma maior interaçãosobre a problemática pesquisada.
  • 40Segundo Rudio (1986) na entrevista insiste o contato inicial entre entrevistador eentrevistado, sendo importante para preparar e motivar o informante, permitindosuas respostas serem sinceras e adequadas.Através dos procedimentos metodológicos fundamentados pelos instrumentos depesquisa citados esperamos poder levantar e analisar os dados de forma acompreender todo o aglomerado de dúvidas e inquietudes que fundamentam essapesquisa.
  • 41 CAPÍTULO IV ANÁLISE DE DADOSCOMPRRENDENDO, ESTUDANDO E DESCOBRINDO... COMO OSEDUCADORES PERCEBEM A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA EDUCATIVA PARAA FORMAÇÃO DA CIDADANIA.Este capítulo resulta da análise dos dados obtidos através da pesquisa de camporealizada na Escola Municipal de Andorinha, situada na zona urbana e que atende aclasses escolares do ensino Fundamental II, cujos resultados estão organizados deacordo com a escala de compreensão dos principais atores envolvidos no contextoda referida Escola Municipal.Essa pesquisa, que selecionou sua amostra entre os educadores que atuam nessaescola, propôs-se a analisar a prática cotidiana dos educadores as questões sociaise políticas, tão instigante na realidade social e peculiar a vida do educando. É sabidoque as instituições escolares trabalham com cidadãos que contemplam mundos ehistória diferentes, e que por isso necessitam trabalhar essas questões de cidadaniana sua prática. Porém o que ocorre por muitas vezes é que o educando se tornaórfão de conhecimento de mundo, já que esses temas podem não ser trabalhadosnas escolas no que diz respeito ao aspecto crítico da realidade vivenciada e vividana vida em sociedade.Desta forma, os resultados da pesquisa foram sistematizados em blocos, nos quaisse procuraram organizar, a partir das falas dos atores envolvidos, que atuam nestaárea.Levando-se em conta os objetivos deste estudo e as questões suscitadas a partir dapesquisa de campo, os dados foram sistematizados analisando um grupo de dozeeducadores, por estes estarem diretamente ligados com a educação e a formaçãodos alunos na escola pesquisada.
  • 42A coleta dos dados foi realizada nos próprios locais de trabalho, na instituição ondetrabalham e as respostas, abordando os diversos aspectos da sua prática educativasão aqui apresentados.4.1 - Distribuição dos entrevistados segundo o gênero.O grupo de entrevistado é composto por uma amostra de 10 (dez) entrevistados dosexo feminino e apenas 2 (dois) do sexo masculino.Figura 1- Percentual Referente ao gêneroConforme se evidencia na Figura 1 - Entre os 12 professores (as) que responderamao questionário, verificou-se que 17 % são do sexo masculino e 83 % do sexofeminino, o que demonstra assim um elevado percentual de mulheres em relaçãoaos homens, atuando na escola Municipal de Andorinha.4.1.2 - Distribuição dos entrevistados segundo a idade.
  • 43A faixa etária que compõe o grupo entrevistado ficou distribuída entre 07 (sete) nafaixa etária de 31 e 40 anos; 04 (quatro) na faixa etária de 40 a 49 anos e apenas01(um) na faixa etária entre 18 e 25 anos.Figura 2 - Percentual referente à idadePercebe-se pela distribuição do percentual apresentado na Figura 2 que: 8% dosentrevistados têm entre 18 e 25 anos; 59% dos entrevistados têm entre 31 a 40anos; e 33% têm entre 40 a 49 anos. Os dados apresentados demonstram certavariação de idade entre os educadores, mas, ao mesmo tempo uma certaconcentração na faixa etária entre31 e 40 com 59 % dos entrevistados.4.1.3 - Nível de formação/ área de formação e atuação.Com o intuito de melhor visualizar as informações sobre o nível de formação/área deformação e atuação dos educadores e facilitar a análise dos dados, e asinformações referentes a estas questões que tanto influenciam na reflexão crítica dadisciplina em estudo observemos a (Figura 3) conforme tabela abaixo.
  • 44Figura 3 - nível de escolaridade, área de formação e área de atuação. Nível deEntrevistado Escolaridade Área de formação Área de Atuação 1 Superior Pedagogia Língua Portuguesa/História 2 SI Matemática CSA/Id. Cultural 3 Superior Matemática Matemática 4 Superior Pedagogia Língua Portuguesa 5 Superior Pedagogia Português/História/Artes/Geografia 6 Superior Pedagogia Ed. Física 7 Superior Pedagogia Geografia/CSA 8 Superior Pedagogia/Letras Inglês/Português 9 Superior Geografia Geografia 10 SI Pedagogia Inglês 11 SI Matemática Ed. Física 12 Superior Biologia Ciências/ArtesSI: Nível Superior IncompletoQuanto ao nível de escolaridade e área de formação, evidenciou-se que dos 12educadores pesquisados 09 (nove) possui nível superior completo e apenas três temnível superior incompletos. Quanto aos pesquisados de nível superior constatou-seque 06 (seis) são formados em Pedagogia, 01 (um) em Matemática, 01(um) em (um)em Geografia, e 01 (um) em Biologia. Quanto aos de nível superior incompleto 02(dois) são da área de Matemática e 01(um) da área de Pedagogia. Quanto a áreade atuação, os dados revelam a existência de 01 (um) pedagogo e um matemáticoensinando Educação Física, 01(um) matemático ensinando CSA/Id. Cultura e01(um) Biólogo ensinando Artes.Figura 4 - Nível de formação.
  • 45Verificou-se que a maioria, ou seja, 75% possuem nível superior completo, enquantoapenas 25% possuem nível superior incompleto. Percebe-se pelos índicesapresentados que a grande maioria dos professores que estão atuando na EscolaMunicipal de Andorinha tem nível superior.Figura 5 - Área de atuaçãoEntre os educadores que concluíram o ensino superior verificou-se que apenas 33%atuam em sua área de formação enquanto 67% não atuam na sua área deformação. Acredita-se que a área de atuação influencia decisivamente na práticaeducativa, porquanto a atuação na devida área de formação nos dar subsídiosteóricos e metodológicos, diferenciados, que contribuem para a efetiva transmissãodo conhecimento e inserção nos conteúdos inerentes a realidade de cada disciplina.Evidencia-se pelos números apresentados em relação essa questão, comparadoscom a questão anterior, que apesar da maioria dos professores 75% terem nívelsuperior 67% não atuam em sua área de formação.Figura 6 - Distribuição Percentual quanto área de formação
  • 46Conforme se evidencia na Figura 6 - referente a formação dos professores, 8 % dosentrevistados tem formação em Biologia, 8 % em Geografia, 25 % em Matemáticae 59 % em Pedagogia, o que nos evidencia que há, entre esses educadores, umagrande maioria de pedagogos.4.1.4 - Tempo de trabalho como educador.Figura 7 - Distribuição Percentual segundo o tempo de trabalho comoeducador (a).Quanto ao tempo de trabalho como educador (a), evidencio-se que: 17 % têm entretrês e cinco anos de atuação; 41 % têm entre cinco e dez anos; e 42 % têm mais de10 anos, como educador (a). Percebe-se, portanto que há uma grade variaçãoquanto ao tempo de atuação, mas uma maior concentração destes na faixa entre 5 e10 anos ou mais de 10 anos.
  • 474.1.5 – Síntese em relação aos dados levantados.A análise dos dados levantados em relação às questões acima pesquisadas nosproporcionou a elaboração de um diagnóstico que nos possibilita traçar, ainda quede forma provisória e incompleta o perfil dos educadores que atuam no ColégioMunicipal de Andorinha e aponta, a partir da analise da amostra estudada, para aseguinte síntese.Há entre os professores que estão atuando na Escola municipal de Andorinha umgrande percentual de professores com formação de nível superior, no entanto muitosdestes, conforme se evidencia na Figura 5 – 67% não estão atuando em sua área deformação, o que por si só já demonstra que há uma grave distorção quanto aodesempenho do Educador, levado a atuar fora de sua área de formação.Em relação ao sexo, constatou-se que, 83 % dos entrevistados correspondem aosexo feminino. No tocante à formação, 75 % dos educadores, que lecionam noColégio, possuí nível superior completo e apenas 25% desses estão cursandoensino superior.Outro dado que nos chama atenção é o fato de que, apenas 17% dos educadorestem entre 3 e 5 anos, de atuação e 41% tem de 5 a 10 anos, enquanto 42% temmais de 10 anos, isso demonstra que na sua maioria os professores tem extremaexperiência profissional no campo educativo.4.2 COMO OS EDUCADORES PERCEBEM SUA PRÁTICA PARA A FORMAÇÃODA CIDADANIA O QUE FALAM OS EDUCADORESBuscando conhecer melhor o cenário em que se insere o debate em torno daquestão da cidadania e a percepção dos professores em relação a pratica para aformação da cidadania, buscou se inicialmente saber como se da a relação
  • 48educador x educando, as dificuldades enfrentadas pelos educadores na sala de aulae suas percepções enquanto professor/ educador.Os resultados obtidos através das entrevistas, realizadas junto aos educadoresapontam que a prática educativa voltada para a formação da cidadania, é umapreocupação desses educadores que vêem a escola como espaço para refletiressas questões, e que eles também enquanto educadores trabalham esses temasrelacionados a cidadania na sala de aula.A partir dos depoimentos coletados, percebemos as diferentes percepções arespeito da cidadania e suas intermediações nas escolas, como destacamos aseguir.4.2.1 – Relação educador x educando.Os depoimentos dos educadores entrevistados evidenciaram as seguintes falas: “Bom, eu tento levar os meus alunos tendo uma relação de amizade para que eles sintam-se mais livres para conversar, tirar dúvidas não impondo a questão do autoritarismo como se fossemos donos do poder e saber” (E. 10). “Procuro estabelecer uma relação de amizade e respeito, fazendo do ato de aprender, um meio interessante. Para isso, o educador tem que compreender os alunos em suas complexidades e carências, desenvolvendo aulas que estimulem a curiosidade e possibilitem o acompanhamento das ações do educando” (E. 6).Essa compreensão retratada acima, demonstra que a partir dessa amostragem dedois dos educadores permeia essa cumplicidade e divisão de saberes, onde atravésdo ato educativo esses educadores não se percebem como professo absoluto dosaber, permeando em seus discursos a pedagogia do diálogo.
  • 49Esse conhecimento sobre a importância do diálogo no ato educativo está de acordocom autores citados anteriormente, dentre eles, Freire (1996) que trata dessaabertura e cumplicidade entre educadores e educandos, afirmando que “é nestesentido que se impõe a escutar o educando em suas dúvidas, em seus receios, emsua incompetência provisória. E ao escutá-lo, aprender a falar com ele” (p. 135).Assim, nessa relação horizontal, se colocando particularmente frente a frente com osujeito aprendiz, o educador mantém essa relação de comunicação, é estacomunicação que estimula ao aprendiz tornarem-se sujeitos críticos em prol dalibertação, perpetuando manifestações de aprendizado do ser humano no mundoque o cerca.Nessa relação fica em evidência o perfil do educador não apenas como sujeito daverdade absoluta, mas propor novos caminhos rumo ao aprendizado. Como afirmaFreire (1996) os educadores e, sobretudo a escola tem o dever de respeitar ossaberes com que os educandos chegam à escola, saberes esses socialmenteconstruídos.4.2.2 - As dificuldades enfrentadas na sala de aulaAs maiorias dos educadores entrevistados apontam como principal problema emrelação à sala de aula a indisciplina que segundo os mesmos, ocorre pela falta debase familiar. Para eles as famílias transmitem somente para a escola a tarefa deeducar, conforme depoimentos: “Falta hoje em dia, principalmente, uma estrutura familiar mais consistente e compromissada com a formação pessoal e educacional da criança. Os pais acabam transferindo todas as responsabilidades, muitos delas que são de ordem básica familiar, para as escolas e professores, que tem que assumir o papel dos pais e mães...” (E.6). “Para mim, as maiores dificuldades em sala de aula enquanto educadora é conscientizar os alunos sobre os valores: disciplina, respeito, interesse em aprender” (E.2).
  • 50 “Indisciplina, falta de atenção, falta de respeito na verdade acredito que o comportamento deles para a mudança, acontece em casa porque muitos pais pensam que a educação começa é na escola, como se a escola fosse um depósito, então o professor é mil e uma utilidade: é pai, é psicólogo, é terapeuta é tudo” (E. 9).Contudo, urge a necessidade de trazer para o contexto escolar a participaçãofamiliar, tão carente nessa instituição de ensino. Participação que segundo oseducadores é muito importante para a formação da vida estudantil, uma vez queescola e família devem andar de mãos dadas para assim, chegarmos a umaeducação realmente emancipatória e social, que segundo a LDB (1996) Art. 2° “Aeducação é dever da família e do estado inspirada nos princípios de liberdade eideais de solidariedade humana, tem como finalidade o desenvolvimento humano eseu exercício para a cidadania.”.4.2.3 – Professor ou Educador?Questionados a respeito da relação Professor x Educador, e se estes estãopresentes no contexto escolar da sala de aula onde estes atuam, buscandoevidenciar o nível de conhecimento a cerca dessa relação professor / educador, osentrevistados afirmaram que:Figura 8 - Percentual referente ao nível de conhecimento da relação Professor/Educador
  • 5192% afirmam que existe diferença entre ser professor e educador8% afirmam que não existe diferençaDe um grupo de (12) doze entrevistados, apenas (1) um afirma que não existediferença alguma entre ser professor ou educador. Sua fala confirma isso. “Eu acho que não porque professor e educador têm a mesma função que é levar o aluno a compreender e ter informações” (P. 11).Analisando os indicadores apontados na Figura 8 - fica explícito que a grandemaioria dos entrevistados conhece sobre seu perfil enquanto profissional em sala deaula. Os resultados deixam transparecer que a maioria tem conhecimentoaprofundando sobre essa temática, fomentando realmente essa diferença entre serprofessor e educador.Os depoimentos a seguir ilustram o conhecimento dos entrevistados a respeitodessa diferença “Sim, o educador está apto a desenvolver o educando integralmente, moralmente e intelectualmente; Já o professor está mais relacionado a ensinar uma determinada coisa. Prefiro ser educador” (E.8). “Todo educador é um professor, mas nem todo professor é educador. O professor não tem compromisso com o cidadão enquanto ser humano consciente, já o educador busca a essência desse ser humano e sua prática é voltada para o eu, o ego” (E. 4). “Com certeza, professor é aquele que se preocupa apenas em ensinar o conteúdo como, por exemplo, “eu sei e você não sabe, eu vou ensinar e você aprender”, o educador já é diferente acho que ele está preocupado em formar o cidadão, conhecendo seus direitos e deveres na sociedade, e que ele seja capaz de interferir nos problemas sociais” (E. 10).Fica explícito, como demonstram a maioria dos depoimentos coletados que essadiferenciação contribui tanto para a perpetuação da prática, quanto para a qualidadede vida do educando.
  • 52Essa diferença entre professor e educador, que vem sendo discutida no decorrerdesta pesquisa, nos remete a uma preocupação já levantada por Souza Neto (2005),ao falar da postura do educador, quando destaca que: “o educador tem um papelsocial a cumprir que se dê dentro e fora da escola, percebendo a educação comoato político, como espaço de projetos e mundos” A afirmativa exposta no discurso doautor citado, assim como na fala dos entrevistados evidenciam a centralidade queesse profissional exerce no cotidiano estudantil, demarcada aqui como exemplopelos próprios educadores de como se deva pautar a prática educativa para acidadania.4.3 EDUCAÇÃO E CIDADANIA NO CONTEXTO ESCOLARObjetivando perceber como a escola trabalha em seu cotidiano as questõescorrespondentes à cidadania e as questões antropológicas, sócias e políticas queestão vivas em seu cotidiano, através dos educandos, optou-se ainda, a partir dosdepoimentos dos educadores conhecer, qual a percepção desses a respeito dapresença das questões sociais e políticas no cotidiano escolar, a partir das seguintesquestões:4.3.1 Os temas sociais são abordados no PPP?Os entrevistados emitiram as seguintes percepções: “Os temas vêem no PPP, mas vem uma questão muito imposta, assim o professor pode interferir, mas, nem tanto, a questão desses temas vêem através de outros projetos para trabalhar por unidade, aí vem o tema geral e você vai tirar subtemas que vão gerar os temas sociais e políticos.” E.10 “Sim, pois os projetos no papel geralmente são bem elaborados” (E.8).Levando em conta que o Projeto Político Pedagógico é o documento que demarcatodo o currículo no decorrer do ano letivo, as análises mais aprofundadas dessas
  • 53entrevistas nos permitem aferir que nem sempre esses temas são tratados emprofundidade.A concepção a cerca das temáticas políticas e sociais fazerem parte do PPP daescola, porém em partes, gerando certa fragilidade, que de acordo com os própriosentrevistados na sua maioria dizem que sim, são tratados no PPP, mas de formapouco profunda, demonstrando que não há uma coesão significativa.4.3.2 Como a escola deve tratar a questão da desigualdade e da cidadania.No que tange a essas questões os entrevistados destacaram que: “Fazendo um trabalho de conscientização, no qual o aluno deve ser capaz de perceber as causas das desigualdades sociais e que essa realidade pode ser modificada” (E. 1). “Tem que trabalhar de forma que todos se sintam iguais, pois a sociedade já deixa eles marginalizados e se a escola também deixar...”(E. 11). “Através de um projeto político pedagógico consistente é claro, abordar intensamente esses temas deixando claro sua postura. Respeitar e conviver com as diferenças, direitos e deveres do cidadão” (E. 6).Dentre as falas dos educadores, evidencia-se essa compreensão do ato educativocomo ato de inclusão, percebendo a escola como espaço de formação de cidadania.Essa valorização do cidadão no contexto escolar ocorreria com a efetivação de umProjeto Curricular emancipatório e democrático que permitiria ao educador umaconstrução crítica da realidade, percebendo a diferença como próprio ato deinclusão.Esses dados confirmam as idéias defendidas por Freire (1996) ao ressaltar que “umprojeto emancipador acontece através da prática pedagógica progressista se atendoas questões não apenas técnicas, mas em sentido de valorizar as questões sócias e
  • 54humanas como os sentimentos e as vivências das pessoas propiciando aoeducador, bem como ao educando reconstruções críticas e reflexivas da realidade”. É preciso que saibamos que, sem certas qualidades ou virtudes como amorosidade, respeito, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na luta, recusa aos fatalismos, identificação com a esperança, abertura a justiça, não é possível a prática pedagógico-progressista, que não se faz apenas como ciência técnica (P. 136).Para alguns dos educadores entrevistados esse método seria o mais adequado, eque gostariam sim de trabalhar com projetos mais consistentes que valorizasse asdiferenças culturais e sociais, para implantação de propostas que se atêm nocurrículo além de questões ligadas a conteúdos, também as questões sociais.4.4 A PERCEPÇÃO DOS PESQUISADOS SOBRE A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICAEDUCATIVA PARA A FORMAÇÃO CIDADÃ4.4.1 Acepção: Prática educativa e sua relação às questões sociais e políticasAo entrevistar os educadores como eles definiam a sua prática com relação àsquestões sociais e políticas, em vista de uma formação cidadã, suas respostasforam as seguintes: “a reflexão sobre a questão da cidadania é uma abordagem presente nas aulas, porém, ainda acho insatisfatória” (E. 6). “Percebo que apesar de trabalhar com alguns temas sociais, há necessidade de explorar mais sobre questões sócio-políticas” (E. 1). “Na verdade a gente sonha muito em mudar, queremos sempre promover mudanças, só que muitas vezes, a gente se sente preso a escola por causa da unidade, cobranças e nos tornamos muito presos, mas as vezes tiro um tempo da aula para discutir, tirar dúvidas; as questões sociais. A educação se resume em números” (E. 10).Percebemos nos depoimentos acima, essa carência dos educadores em trabalharde forma precisa as questões ligadas à cidadania, essa carência segundo os
  • 55mesmos se dá pelo fato das escolas não aprofundarem realmente essas questõesno seu cotidiano. A escola segundo os educadores, apesar de trazer projetosrelacionados a essa temática, trata de forma superficial essas questões, se atendoprimeiramente as questões ligadas à unidade. A escola se preocupa em ensinarconteúdos, e somente transferir conhecimentos prontos, exigindo cobranças denotas e números para o sistema de ensino.Apesar disto percebemos também essa reflexão por parte dos educadores para coma revitalização desses elementos políticos no currículo escolar, reconhecem queessas questões possibilitam um maior significado na vida do educando.Esse conhecimento reflexivo é justamente, essa ferramenta inicial que dá aoeducador essa percepção da prática intimamente ligada às questões que dizemrespeito à vida em sociedade. Assumindo-se como próprio sujeito e agente demudanças.Essa visão dialoga com a visão de Freire (1996 p. 29), reafirmando que faz parte desua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensarcerto. Uma das tarefas principais do educador é reforçar essa capacidade crítica doeducando, e isso se fará de fato, primeiramente através da própria reflexão críticaque o educador faz de si próprio e de sua profissão. E lutar para manter essarepresentação é a função do educador no processo educativo, embora a escola nãodirecione para essas escolhas.4.4.2 Você adota em suas práticas individuais elementos que propiciem aformação crítica do educando.Em seus depoimentos os entrevistados ressaltaram que: “Atualmente a disciplina que leciono não abre muito espaço para o debate crítico, mas nas atividades extras que desenvolvo procuro formar cidadãos conscientes e críticos” (E. 8).
  • 56 “Sim. Valorizando os trabalhos coletivos, para desenvolver a solidariedade, amizade, respeito ao outro e a si” (E 2). “Sim. Na medida em que vão surgindo pelos alunos ou são focados intensamente pela mídia de uma forma geral, e de acordo com as necessidades individuais em sala de aula. Através de textos diversos, são formados para roda de discussão por meio de projetos temáticos (” E. 6).Diante das falas dos entrevistados, evidencia-se que a prática educativo-critica évista como atividade extra que vão sendo trabalhadas à medida que vão surgindodúvidas em seus alunos com relação as questões envolventes na realidade social.As suas falas confirmam isso.Embora não percebemos que esses educadores abordem a questão da cidadaniaatrelada ao conteúdo, é sabido que eles tratam essas questões na sala de aula deforma a propiciar a autonomia do educando, perfazendo de forma indireta aosconteúdos e de forma inter-relacional.Percebemos ainda nos relatos dos entrevistados que os temas sociais, ligados àformação do cidadão como importantes para a formação crítica, são delimitados poralguma temática que surge na mídia, ou quando se trata de trabalhar na promoçãode respeitar as diferenças em sala de aula. Essas temáticas segundo os educadoressão discutidas principalmente em rodas de conversa, valorizando o ato de ensinarpela força do diálogo, de conversas informais e produções de textos, proporcionandoo conhecimento do educando e dando-lhes autonomia para perceber o mundo.Essa percepção é também resgatada na fala dos educadores. “Eu acho que a todo o momento, quando preparamos uma aula nos preocupamos em formar, seus direitos, deveres e nos preocupamos em fazer a diferença e dizer o que isso pode influenciar para a vida social deles; também através do conteúdo” (E. 10).As percepções dos entrevistados se complementam na fala de Freire (1996), aoressaltar que “o educador democrático não pode negar-se ao dever de na sua
  • 57prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, e suainsubmissão” (P.28).Gadotti (1985), que também reflete sobre a necessidade de trabalhar a cidadaniaatravés da prática educativa defende que se faz necessário trabalhar o diálogo naprática educativa, seja pela reflexão, ou pela expressão pessoal, visto que além detrabalhar as questões sociais, o ato reflexivo promovidos para uma reflexão daatualidade, no seu aspecto informal, contribuiria também dentre outras coisas paraelaboração dos saberes fomentados pelas disciplinas, que também estão ligados aatualidades e abertos a cidadania.
  • 58 CONSIDERAÇÕES FINAIS “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.” Paulo FreireAo concluirmos esse estudo através do qual, pela analise dos dados tentaremosexpressar as descobertas obtidas, faz-se necessário antes de tudo ressaltar que osdados obtidos e aqui analisados, jamais se postaram em delinear verdadesabsolutas sobre a complexidade da prática educativa, visto que, esse é um tema quedemanda um maior aprofundamento, pela complexidade da relação que envolveeducação e a cidadania ou a educação para a cidadania.No decorrer da pesquisa nos deparamos com inúmeras questões que envolvem aprática dos educadores a respeito da autonomia política do educado, esses dadostrouxeram reflexões críticas sobre a análise em estudo sobre o qual concluímos quea educação e, sobretudo o sistema de ensino ainda estão diretamente ligados aosinteresses do capital e as propostas em educação ainda interligam diretamente asquestões do continuísmo com conteúdos evasivos e distanciados da realidade doseducandos.Os debates em torno da questão da cidadania necessitam estarem atreladas àsescolas de forma concisa, o que de fato fica perceptível é que temas adversospromovem a escola um sentido exótico, ou apenas elemento de apoio didático, semlevar em conta as questões ligadas diretamente à cidadania.Evidenciou-se que tratar das desigualdades, das diferenças sociais e de classesainda é vista de maneira tímida por nossos educadores, vistas como exemplos delinguagem informal, não tratada no dia-a-dia de nossas escolas, redigidas por umcírculo vicioso de modelos educacionais.
  • 59A prática dos educadores, pelo que se evidenciou, a partir dos seus discursos nosremete a necessidade de proporcionarmos a esse profissional mudanças a partir desua postura sobre esse sistema social em vigência, muitos dos educandos que aliestão, percebem a escola e a educação como conhecimento para mudar a suarealidade a partir do diálogo com os educadores, dos conteúdos pela satisfação dealcançar o conhecimento, percebendo o educador como agente de conhecimento,não apenas na formação do saber absoluto, mas nas inquietudes que circundamsua vidas. Contudo, é notório nessas reflexões tão discutidas nesse trabalho que oseducadores, repito, defendidos aqui como agente principal de mudanças sãotambém vítimas desse sistema social, simplesmente por que necessitam seguiresses modelos descritos por um ideal de sociedade capitalista.Esse modelo de forma precisa ainda age sobre a prática dos nossos educadores, ea pesquisa nos trouxe essa compreensão de que eles apesar de conhecer e refletirsobre a sua prática no que diz respeito as questões sociais e políticas ainda,sentem-se presos a essas questões tão imponentes em nossas escolas. Asquestões ligadas a cidadania, direcionadas para formar o cidadão aparecem deforma tímida no cotidiano escolar e são vistas como temas extra curricular que,segundo os educadores ainda precisam sair do papel.Os discursos demarcam a necessidade de implantação de novas políticaseducacionais onde escola e sociedade, precisam caminhar juntas, para assimpropormos mudanças na sociedade, através da visão crítica de nossos alunos. Maso que ocorre na realidade é que a pratica é conduzida pela distribuição deconteúdos, pela assimilação de conhecimentos prontos uniformizados,estereotipados, onde esse educador mesmo com tanto conhecimento sobremelhorias e mudanças, também é vítima desse sistema.Concluindo, este estudo nos mostra que a nossa realidade educacional necessita demudanças, pois só através da educação e dos profissionais que atuam sobre osdiversos temas envolvendo a cidadania é que podemos promover mudanças emnossa sociedade.
  • 60 REFERÊNCIASALTHUSSER, L. Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado. Lisboa: Presença,1974.ALVES, Rubem Azevedo, 1993. Conversas com quem gosta de ensinar. SãoPaulo: Cortez: Autores Associados, 1985.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O educador vida e morte/Carlos RodriguesBrandão, Marilena S. Chauí, Paulo Freire.- Rio de Janeiro: edição Graal, 1982.BRASIL. Lei n° 9.394. de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial [da] RepúblicaFederativa do Brasil, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http:// www.Planalto. gov.br/ccivil/Leis/L9.394. Acesso em 20 Ago. 2010.BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista. A degradação do trabalhono século XX. 3ª edição, 1974.CANIVEZ, Patrice. Educar o cidadão?/ Patrice Canivez; tradução Estela dosSantos Abreu, Cláudio Santoro. Campinas, SP; Papirus, 1991.CAMBI, Franco. História da Pedagogia/Franco Cambi; tradução de ÁlvaroLorencini_ São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 1999.DIEZ, Carmen Lúcia Fornari. Orientações para elaboração de projetos emonografias. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.FERREIRA, Nilda. Cidadania: uma questão para a educação. 2ª ed. Rio deJaneiro: Nova Fronteira, 1993.
  • 61FREIRE, Paulo. Conscientização: Teoria e prática da libertação. 3ª edição. SãoPaulo, 1980.________ . Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa.São Paulo: Paz e terra, 1996.________ . Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2005.GADOTTI, Moacir. Comunicação docente: ensaio de caracterização da relaçãoeducadora. 3ª edição_São Paulo: Loyola, 1985.GADOTTI, Moacir. Pedagogia: diálogo e conflito/ Moacir Gadotti, Paulo Freire eSérgio Guimarães. 4ª ed._São Paulo: Cortez, 1995.GENTILI, Pablo & Alencar, Chico. Educar na esperança em tempos dedesencanto. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.__________ . Pedagogia da exclusão: o neoliberalismo e a crise da escolapública/Michel W. Apple; Pablo Gentili (org.)-Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.HABERMAS, Jurgen. (1997). Direito e democracia: entre a factividade e avalidade. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2 v. Tradução de Factivity and Validity:Flávio Beno Siebeneichler. IN: TEIXEIRA, Elenaldo Celso. O local e o global:limites e desafios da participação cidadã/._São Paulo: Cortez; Recife: EQUIP;Salvador: UFBA, 2001.HANGUETTE, Teresa Maria Frota. Metodologias qualitativas na sociologia. 5ªedição. Editora Vozes ltda; Petrópolis – RJ, 1997.
  • 62LAKATOS, Eva Mª. Fundamentos da metodologia científica. 3ª edição. SãoPaulo, Atlas, 1991.LIBÂNEO, José Carlos. Didática: coleção magistério 2º grau. Série formação.São Paulo: Cortez, 1994.LUDKE, Menga. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas/Menga Ludke,Marli E.D.A. André. – São Paulo: EPU, 1986.MARCONI, Maria de Andrade. Técnicas de Pesquisa: planejamento e execuçãode pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise einterpretação de dados/Marina de Andrade Marconi, Eva Maria Lakatos._3ªedição_São Paulo; Atlas, 1996.MARQUES, Mario Osorio. Conhecimento e modernidade em reconstrução. Ijuí,Editora Unijui, 1993.MELLO, Guiomar Namo de. Cidadania e competitividade: desafios educacionaisdo terceiro milênio/Guiomar Namo de Mello; colaboração Madza Julita Nogueira._7. Ed. São Paulo: Cortez, 1998.NIDELCOFF, Maria Teresa. Uma escola para o povo. Tradução João Trevisan._São Paulo: Brasiliense, 2004.OLIVEIRA, S.A. Reformas educacionais, na América Latina e os trabalhosdocentes. Autêntica, Belo Horizonte, 2003.RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. - Petrópolis,Vozes, 1986.
  • 63SILVA, Tomaz Tadeu da. A "nova" direita e as transformações na pedagogia dapolítica e na política da pedagogia. IN: GENTILI, Pablo A. A. e SILVA, Tadeu daSilva (orgs.). Neoliberalismo, Qualidade Total e Educação. Petrópolis/RJ: Vozes,1997.SILVA, Tadeu Tomaz da, O que produz e o que reproduz em educação: ensaiosde sociologia da educação._ Porto Alegre: Artes médicas, 1992.SOUZA Neto, Manoel Fernandes de. O ofício, a oficina e a profissão: Reflexõessobre o lugar social do professor. Cad. CEDES, Campinas s, V.25, n.66, 2005.Disponível em: http:// www. Scielo. br/scielo/. Acesso em 03 Ago. 2010.TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Rio de Janeiro. Ed.Vozes, 2002.TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e dapesquisa/Elizabeth Teixeira. 6. ed. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.TEIXEIRA, Francisco José Soares. Economia e Filosofia no Pensamento PolíticoModerno. Campinas/SP: Pontes, 1995.ZABALA, Antoni. A prática educativa: Como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998.
  • 64ANEXOS
  • 65 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BAHIA TURMA: PEDAGOGIA 2006.1 Aluno: Edilene Santana de Oliveira Figueiredo QUESTIONÁRIOPrezadas (os) ProfessoresEsse questionário tem como objetivos levantar subsídios para uma pesquisa deConclusão de Curso que estou desenvolvendo sobre educação... na Universidadedo Estado da Bahia. Os dados obtidos através deste questionário serão utilizadosexclusivamente para essa pesquisa e não sendo revelados nomes ou qualquer outrainformação particular dos entrevistados. Perfil do Professor1. Idade( ) 18 a 25 anos( ) 26 a 30 anos( ) 31 a 40 anos( ) 40 a 49 anos2. Sexo( ) Masculino ( ) Feminino3. Qual o seu nível de formação?( ) Nível médio ( ) Nível superior completo ( ) Nível superior incompleto4. Qual a sua área de formação (nível superior)? ____________________5. Tempo de atuação como professor (a)?( ) menos de 1 ano( ) entre 1 e 3 anos( ) entre 3 e 5 anos( ) entre 5 e 10anos6. Que disciplinas você leciona nessa escola?_______________________________________________________________
  • 66 ENTREVISTA1. Quais são, na sua compreensão, as maiores dificuldades enfrentadas na sala deaula, enquanto educador (a)? Explique.2. Como é a relação educador/ educandos? Justifique.3. Os temas sociais e políticos (não me refiro ao político partidário) são discutidos nasua escola? ( ) sim ( ) não - Explique.4. Como esses temas sociais e políticos são trabalhados na sua escola?5. Você já conduziu seus alunos em algum debate sobre temas sociais e políticos?De que forma?6. Você acha que os professores dessa escola se preocupam em trabalhar essestemas, sociais e políticos, considerados por muitos como polêmicos? De queforma?7. Esses temas fazem parte do projeto político pedagógico da sua escola? De queforma?8. Como você define a sua pratica educativa, com relação às questões sócio-políticas?9.Você, enquanto educador, adota em suas praticas, temas que propiciem aformação critica dos educandos na acepção de formar o cidadão ? Em quemomentos? De que maneira?10. Na sua compreensão como a escola deve tratar a questão das desigualdades eda cidadania na sala de aula?11. Na sua compreensão existe alguma diferença entre ser professor ou educador?Qual?
  • 67
  • 68