10                                   INTRODUÇÃO                O presente trabalho de conclusão de curso tem como temática...
11nossa inquietação.        Nas considerações finais demonstramos nossa inquietação sobre a relaçãofamília- escola, a valo...
12                                        CAPÍTULO I1. PROBLEMATIZAÇÃO      Desde séculos passados confiamos a educação de...
13      Muitas famílias deixam seus filhos à própria sorte e carentes da atençãofamiliar, mas a educação familiar é referê...
14privado que é conseqüência do deficiente sistema público, que pouco se investe enão valoriza o profissional da educação....
15forma de atrair a família do aluno para a vivência no espaço escolar. Para Sampaio(2004):                       A famíli...
16diferenciar o certo e o errado, então a família fazendo-se presente em todos osmomentos na vida da criança mais difícil ...
17                                    CAPÍTULO II2. QUADRO TEÓRICO: EXPLORANDO CONCEITOS       A partir da nossa problemát...
18históricas, que a criança aprende a se adaptar às diferentes circunstâncias, aflexibilizar e a negociar. A partir da bas...
19ou não, influenciam no comportamento escolar dos filhos seja por questõeseconômicas, pessoais, de relacionamento, de ama...
20classes sociais, valores, crenças, hábitos de se interar e de se comunicar. Isto é, afamília, muitas vezes tem modelos d...
21é sabido o desenvolvimento pedagógico é complexo por si, a participação maciça eativa na educação dos filhos previne e c...
22percalço para fugir de suas atribuições. A participação transmite valores e conceitosque os filhos se apegarão, porque o...
23extensão da família, a escola é o ambiente natural para esta formação.2.3 RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA      Ao longo dos ano...
24      Em qualquer situação a família interagindo com os mestres de seus filhospode significar muito para o educando e es...
25dos variados conceitos, a escola além de transmitir conhecimentos deve tambémpreocupar-se com a formação global dos alun...
26nas situações em que necessitam de ajustes para dar sequência ao processoeducativo. Exercer liderança na comunidade atra...
273. METODOLOGIA       Partindo do pressuposto de que a ciência nasceu da razão e da verdade ametodologia é um ramo de lóg...
28      A pesquisa qualitativa se apresenta como uma alternativa bastanteinteressante enquanto modalidade de pesquisa numa...
29                        O questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita                        ...
30                                         CAPÍTULO IV4. ANÁLISE DE DADOS      Os dados obtidos através da observação part...
31      Em relação à idade temos uma variação: 50% tem de 34 a 40 anos, 30% de28 a 34 anos, 10% de 22 a 28 anos e 10% acim...
32        Os dados pesquisados que estão à mostra na figura 3 nos apresentam umfato importante, 60%, ou seja, a maioria do...
334.2 PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA      Os professores dessa unidade de ensino só percebem a presença dos paisnas reuniões ...
34                     Sim. Família e escola precisam caminhar juntas tendo em vista a garantia                     da qua...
35dinâmica da escola e com as relações mais amplas que se processam fora doambiente escolar.4.3.1 MECANISMO DE INCENTIVO À...
36para os educandos mudanças significativas em vários aspectos:                    É notório o desenvolvimento das criança...
37                         CONSIDERAÇÕES FINAIS            A educação é o principal instrumento que desenvolve todos os se...
38não ficamos satisfeitos em saber que a participação da família que realmente estápreocupada com o desenvolvimento educat...
39                               REFERÊNCIASARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia e educação. 2 ed. Revista e ampliada....
40MARANHÃO, Damaris Gomes; SILVA, Conceição Vieira. A interação da creche e dapré-escola com a família. In: MEC. saúde e b...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Monografia João Pedagogia 2012

1,579

Published on

Pedagogia 2012

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
1,579
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
22
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Monografia João Pedagogia 2012

  1. 1. 10 INTRODUÇÃO O presente trabalho de conclusão de curso tem como temática “AImportância da participação dos pais na vida escolar dos filhos”. Durante arealização deste estudo buscamos identificar como está a participação dos pais naescola dos filhos, se estão visitando a escola regularmente tornando-se parceiros doprofessor e não somente para tecer críticas a educação dos filhos. Essa educaçãotambém serve de instrumento que vai ajudar os pais no desenvolvimento de seufilho. Nos moldes escolares, a simples presença dos pais na escola assegura aosfilhos a importância que a educação tem para a vida, tanto quanto a formaçãooferecida pelos professores. Portanto, nosso objetivo é analisar a Importância da Participação dos Paisna Vida Escolar dos Filhos. Viemos com essa linha de pesquisa desde o quartosemestre, por achar importante essa temática que no contexto atual é muitointeressante. Neste trabalho levaremos à público todo nosso resultado para provocar umareflexão acerca do assunto, na perspectiva de contribuir com a melhoria dasrelações entre a escola e a família. No capítulo l, focalizamos o contexto histórico da participação da família naeducação dos filhos no decorrer da história. No capítulo ll, desenvolvemos as palavras chave demonstrando aimportância da participação da família em toda vida escolar do aluno, bem como arelação escola-família. No capítulo lll, apresentamos a metodologia, nosso lócus, sujeitos depesquisa e os instrumentos usados para a realização deste trabalho. No Capítulo lV, organizamos a interpretação dos dados, analisando as falasdos sujeitos adquiridas na pesquisa com a finalidade de buscar respostas para
  2. 2. 11nossa inquietação. Nas considerações finais demonstramos nossa inquietação sobre a relaçãofamília- escola, a valorização da participação dos pais na vida escolar de seus filhos,pois acreditamos que este trabalho venha a ser significativo nas discussões queenvolvem família e escola.
  3. 3. 12 CAPÍTULO I1. PROBLEMATIZAÇÃO Desde séculos passados confiamos a educação de nossos filhos aosmestres-escolares, antiga denominação dos professores da época, que ensinavam aler e a escrever em troca de alimentos e outras coisas, ficavam nas praças que era ocenário onde desenvolviam seu trabalho. A sociedade foi tornando – se maiscomplexa e com isso houve a necessidade de uma instituição própria. Assim foram criadas as primeiras escolas, que de inicio abrigavam alunosoriundos de classe média pautada no modelo de ensino particular. Sendo privada aescola não era acessível para a camada popular que por sua vez era muito carentedeste instrumento libertador; nesse período somente os abastados tinham acesso aoconhecimento. Esse modelo gerava monopólio e desta forma garantia os privilégiosda classe dominante. Suas imposições não encontravam resistência por partedaqueles que permaneciam excluídos do processo. Isso não significa que a classe popular era desprovida da educação, pois amesma tinha como base a educação familiar que era transferida às geraçõesvindouras. Como já sabemos é nas famílias que o individuo recebe sua primeiraeducação, porém alguns pais, por diferentes situações transferem para a escola estaresponsabilidade. Na sociedade contemporânea a escola tem sido uma instituição com grandecarga de responsabilidade na educação de crianças e jovens. Porém os professoresreclamam reivindicando uma maior participação da família nesta educação. ParaNérici (1972): A escola existe para complementar a ação educativa do lar, na sua tarefa e preparar novas gerações para p exercício pleno da cidadania. Atende também a sociedade, colaborando na formação do tipo de cidadão que mais convém à sua sobrevivência e desenvolvimento (p.194).
  4. 4. 13 Muitas famílias deixam seus filhos à própria sorte e carentes da atençãofamiliar, mas a educação familiar é referência e apoio para os educadores queviabilizam, através da escola a formação das crianças. O modelo da educação atualnecessita do acompanhamento das famílias em todo o processo, visto que a escolaisolada não conseguirá muita coisa, pois está sobrecarregada. A divisão deresponsabilidades além de ser justa facilita o aluno em seu aprendizado e em suaformação integral. Reafirmamos que quanto maior a participação da família na escola maior seráo rendimento educativo do aluno e diminuem-se os conflitos gerados pela assunçãode responsabilidades. A cobrança dos profissionais de educação é legítima, pois nocenário atual eles estão acumulando funções que por sua vez trazem atrasossignificativos para a educação e reflete nos alunos principalmente aqueles oriundosde famílias desestruturadas, que convivem com a violência familiar e que trazemesta problemática para a escola. Ao educador cabe, então um papel educativo maisamplo para o qual não está preparado ou que não dispõe de tempo para uma açãomais eficaz junto ao aluno. Com isso, não queremos afirmar que o fracasso do aluno é culpa da famíliamas, em casos de alunos agressivos com os colegas e com os professores,desinteressados dentre outros comportamentos, algumas vêm refletir os conflitosfamiliares e muitos até tentam encontrar ajuda no professor que por sua vez sente-se impotente com determinados situações que fogem de seu domínio. Alguns diretores escolares são unânimes em afirmar que as reuniõesorganizadas nas escolas onde os pais são convidados a participar, para juntosdiscutirem melhorias, expor dificuldades, sua provável causa e apontar possíveissoluções. Há uma ausência elevada dos pais, isto é, poucos comparecem, e outraparte ignora esse contato e alguns usam a escola simplesmente por obrigação paranão perder o beneficio dos programas sociais mantidos pelo governo. Mas muitas famílias são preocupadas com a educação dos filhos nos doisaspectos, acompanham, participam atentamente e as que têm algum recursoinvestem pesado na formação e na qualidade educacional de seus filhos no ensino
  5. 5. 14privado que é conseqüência do deficiente sistema público, que pouco se investe enão valoriza o profissional da educação. Esta falta de qualidade da educação pública decorre da situação social-econômica e política de uma sociedade que coloca em questão uma práticaeducativa meramente adaptadora ao modelo de sociedade vigente, com contornosdesiguais e meramente reprodutora. Com a pouca contribuição do ambiente familiarpara a formação dos alunos, esse quadro de baixa qualidade ainda se torna maisgrave, pois é dentro do lar que valores e os bons costumes, ou seja, a formação decaráter do cidadão acontece e é responsabilidade da família. Sobre isso Aranha(1996) diz que: Em Roma antiga não havia instituições publicas de ensino, as crianças e jovens eram educados no dia-dia a partir do convívio social sob a proteção do pai. Era a figura paterna que possuía a dever de educar a criança ou o jovem através da experiência, naquilo que a mesma teria de fazer ao crescer (p 72). A educação familiar é a primeira que conhecemos e através dela vimos umhorizonte de oportunidade e sonhos e nossos pais são os primeiros professores quetemos. O ensino familiar bem fundamentado tem papel importante e irá refletir nocomportamento do ser humano e é o maior tesouro que os pais podem deixar paraseus filhos. Os laços escola-família podem ser mais fortes. A família deve tornar-sepresente na escola, pois é nela que o aluno permanece boa parte de seu tempo. Aescola é o segundo lar e os que nela trabalham , são nossa segunda família, poistodos estão imbuídos na tarefa de acolher e educar. O estreitamento dessa relaçãopossibilita dentre outros coisas o fortalecimento que facilita o desenvolvimentoescolar e moral da criança. Uma iniciativa que deve ser destacada é a implantação e implementação dosconselhos escolares que funcionam como força auxiliar no sentido de discutir eopinar sobre a melhoria da educação dos filhos, aproximando escola e família. Éimportante, pois além de contribuir nas decisões da escola, também serve como
  6. 6. 15forma de atrair a família do aluno para a vivência no espaço escolar. Para Sampaio(2004): A família e a escola são essencialmente os pólos referenciais para a formação dos seres humanos. Esta parceria exige a mobilização da escola para que possa garantir a participação dos pais na sua dinâmica relacional e filosófica, política e pedagógica (p12). O processo pedagógico ganharia maior solidez, se acompanhado pelainstituição familiar; os resultados seriam alcançados de maneira rápida e mais acontento. A presença familiar na escola contribuirá para uma melhor formação dascrianças. Não seria somente no final do ano letivo, quando pais invadem as escolaspara questionar apenas, sobre os resultados negativos de seus filhos. Diante da problemática apresentada nossa inquietação é conhecer: aimportância da participação dos pais na vida escolar dos filhos. Atualmente nos meios sociais, a família espera da escola uma educaçãoimpecável, entrega seus filhos a ela, não os acompanha e gradativamente vãoculpando a instituição escolar pelo mau comportamento e o declínio dos valoresmorais. Faz–se necessário que as duas instituições, família e escola, mostrem parao aluno a função de cada uma delas. Isso facilita na hora de a criança buscarsuporte para suas carências. Assim nosso objetivo de pesquisa é: analisar a importância da participaçãodos pais na vida escolar dos filhos. Portanto, esse trabalho traz reflexões importantes na perspectiva de, juntoaos professores conhecer a relação escola-família. Destacamos que essaparticipação deve ser efetiva e já podemos identificar alguns resultados positivos,nas escolas que abriram as portas para as famílias porque sentiram essanecessidade. Vemos que o ambiente influencia bastante na educação da criança esabemos que as famílias enfrentam seus problemas em cada fase dodesenvolvimento da criança. Durante o processo educacional, o educando enfrentadificuldades em cada fase da sua vida, nela ainda faltam discernimento em
  7. 7. 16diferenciar o certo e o errado, então a família fazendo-se presente em todos osmomentos na vida da criança mais difícil será esse educando seguir o lado oposto.
  8. 8. 17 CAPÍTULO II2. QUADRO TEÓRICO: EXPLORANDO CONCEITOS A partir da nossa problemática cuja pesquisa traz como objetivo: analisar aimportância da participação dos pais na vida escolar dos filhos, procuramos algunsaportes teóricos para poder ajudar a responder nossas indagações e discussões.Diante disso, trataremos nesse capitulo os seguintes conceitos chaves: Família,Participação e Relação Escola-Família.2.1 FAMÍLIA É no seio familiar que o sujeito se prepara de acordo com os padrões culturaise sócio-históricos para atuar na sociedade. Nesse sentido, é interessante realizar umestudo sobre as influencias da família no processo de aprendizagem e sobre comose dá ou não o processo de articulação metodológica. A família constitui-se comoreferencial fundamental para a formação do educando e é nessa articulação que aeducação acontece de forma insubstituível. A família é o local primeiro da formaçãodos indivíduos e através dela são construídos os primeiros referênciais que seconstituirão na base do desenvolvimento integral dos indivíduos. Para Nobre (1987),a família é: (...) um sistema aberto em permanente interação com seu meio ambiente interno e/ou externo, organizado de maneira estável, não rígida, em função de suas necessidades básicas e de um modus perculiar e compartilhado de ler e ordenar a realidade, construindo uma história e tecendo um conjunto de códigos (normas de convivências, regras ou acordos relacionais, crenças ou mitos familiares) que lhe dão singularidade (p.118-119). A família, especialmente os pais, ocupam um importante papel na mudançade comportamento de seus filhos. Ela intervém no desenvolvimento humano doindivíduo, na relação com o meio natural e social. Desse modo, a postura dos pais,sua contribuição, suas ações são um reflexo para seu filho no decorrer de todo oprocesso de desenvolvimento. A família, como toda instituição social, apesar dosconflitos é a única que engloba o indivíduo em toda a sua história de vida pessoal; énela que a criança adquire suas primeiras experiências educativas, sociais e
  9. 9. 18históricas, que a criança aprende a se adaptar às diferentes circunstâncias, aflexibilizar e a negociar. A partir da base formadora adquirida na família as criançascomplementam sua formação na escola e isso aponta para a importância de umarelação entre essas instituições no processo de desenvolvimento das crianças eadolescentes em fase de escolarização. Quanto a isso Tiba (1996) nos afirma que:“cada aluno traz dentro de si sua própria dinâmica familiar, isto é, seus própriosvalores (em relação a comportamento, disciplina, limites, autoridades, etc.) cada umtêm suas características psicológicas e pessoais” (p.121). No ambiente familiar, o modo de ser do sujeito pode ser aprendido por meiode imitações, de significados atribuídos às determinadas situações que se dão naconvivência via discurso das pessoas da família ou via comportamentos. É nafamília, que a criança aprende a se relacionar com o outro, que aprende mitos,crenças e valores que traçam seu perfil como pessoa. A família tem maiorresponsabilidade na educação dos indivíduos, por estar em constante contato emsua casa e em cada fase da formação e desenvolvimento. Sabe-se que na atualidade, a família assume uma função social voltada paraatender as exigências do mercado de trabalho, pois a política vigente, globalizada,direciona a ação familiar. Porém mesmo com essa emergência os pais aindaocupam grande parcela de poder de decisão na educação de seus filhos. É nafamília que a criança mantém os contatos mais íntimos, já que é o primeiro gruposocial a que ela pertence, devendo a família juntamente com a escola, desenvolver oprocesso educacional. A família é o primeiro espelho da criança, onde ela aprende ase ver, a descobrir seu lugar no mundo, aprende que o homem e a mulher exercempapéis diferentes na educação doméstica. Sendo assim, dependendo das expectativas sociais, a família recebe apoio deoutras instituições sociais e assume inúmeras funções como: a função deidentificação, de socialização, de transmissora de hábitos e atitudes, deconhecimento e atitudes necessárias para a participação na sociedade. A famíliaassume função diferente da escola, tem que dar acolhimento a seus filhos numambiente estável e de respeito mútuo. Ela ocupa papel importante na vida escolardos filhos, e este não pode ser desconsiderado, pois consciente e intencionalmente
  10. 10. 19ou não, influenciam no comportamento escolar dos filhos seja por questõeseconômicas, pessoais, de relacionamento, de amadurecimento dos pais ouseparação. Mesmo estando passando por freqüentes reformulações em suaestrutura básica a família não perdeu seu nível de importância social e apenas temtentado adequar-se aos desafios que a sociedade lhe impõe. Para Battaglia (2002): (...) Cada família necessita lidar com seus padrões e conceitos preestabelecidos para deles fazer emergir uma maneira original de constituir um grupo familiar com funções, direitos e deveres que atendam aos que dele participam. (p.07). Por outro lado, a educação em si, não se reduz somente às influências doambiente familiar, o aluno está em constante interação social, seja no bairro, ou navizinhança, entre outros, deve haver uma articulação da realidade cultural e sócio-econômica do sujeito com a realidade sociocultural mais ampla. Pois se aaprendizagem no sentido amplo ocorre durante toda a vida da criança, independentedo ambiente em que se encontra, o aprender abrange aspecto de nossa vida afetivae valores culturais. Nesse sentido, deve a família participar efetivamente desseprocesso de aprendizagem, com o intuito de consolidar a formação integral doindivíduo, mas as mudanças na estrutura familiar tem sido um ponto de grandesquestionamentos na sociedade atual. Para Falcão (2007). (...) a Família foi perdendo seus principais atributos, de tal forma e com tanta rapidez que se chegou a proclamar o seu fim. Atualmente, observa-se que não existe um modelo tradicional de família, mas apenas uma estruturação familiar e que dentre essa nova realidade, pode-se incluir pais que trabalham por uma necessidade de sustentar família e os que deixaram de estudar antes mesmo de serem alfabetizados... (p.07) Esta nova realidade familiar vem ocasionando grandes problemas naeducação das crianças, principalmente na escola: alguns pais apresentam umapostura contrária à educação, não estimulando a escolarização dos seus filhos.Outros, imbuídos da expectativa de satisfazerem seus desejos de estudar nãoalcançados e de superar a condição social em que vivem, transmitem conselhos,valores e costumes familiares em relação aos estudos, que nem sempre sãoaprendidos pelos filhos que em alguns casos, acabam apresentando comportamentode resistência. Por outro lado, existem conflitos entre família devido às diferenças de
  11. 11. 20classes sociais, valores, crenças, hábitos de se interar e de se comunicar. Isto é, afamília, muitas vezes tem modelos de comportamento e de pensar diferente uma daoutra isso é claramente observado na convivência diária entre colegas, mas onecessário é que os pais se preocupem em acolher seu filho e educar de acordo asua própria identidade, mas de olho no desenvolvimento moral e intelectualindependente da classe social, sem desvalorizar a sua. A família, como instituição,tem o papel de reprodução social, no contexto geral em que se insere, transmitindoherança cultural de geração a geração. Seu papel como veículo de transmissão dediferentes formas educativas ainda tem sua importância assegurada, pois é ela quesolidifica a base da educação primeira das crianças para prepará-las para a vidafutura. Para Durkheim (1996). A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial que a criança particularmente se destine (p. 111). Na relação com os pais, essa transmissão se dá de forma mais efetiva,através do diálogo e não da imposição. A educação familiar é decisiva na formaçãodos indivíduos, na construção de sua identidade que se mantém em processo deconstrução ao longo dos anos e que dependendo da base em que foi apoiada traráresultados positivos para a vida individual e social. Isto porque a educação existe devárias formas, e é praticada em diferentes situações que se não forem bem definidasobjetivamente torna-se sem valor. Ela se dá também através das experiências devida em diferentes situações de trocas entre as pessoas, envolve trocas desímbolos, bens, poderes e crenças. Sendo assim, reafirmamos que o papel dafamília é decisivo no sucesso educacional das crianças, pois ela, mesmo sobinfluencias externas, consegue construir conceitos que servirão para o sucesso ouinsucesso por toda a vida.2.2 PARTICIPAÇÃO De acordo com o dicionário, participação é o ato ou efeito de participar, estarpresente e desenvolver ações relativas. Na educação significa um processo que visao acompanhamento do educando em todas as fases das práticas educativas. Como
  12. 12. 21é sabido o desenvolvimento pedagógico é complexo por si, a participação maciça eativa na educação dos filhos previne e corrige muitas falhas deixadas durante oprocesso, pois a educação não se dá de forma isolada, mas no diálogo, na co-responsabilidade e participação entre os agentes envolvidos neste trabalhoeducativo. A esse respeito, Sampaio (2004) afirma que: A formação de um indivíduo exige sintonia e parceria entre os núcleos familiar e escolar. Para que a linguagem da escola seja ouvida na família é necessário que os pais participem e tenham consciência da educação que os filhos estão recebendo e possam dar parcela de contribuição (p.139). Discute-se muito a qualidade do ensino na educação, um novo modelo quevenha revolucionar o ensino tradicional e supere as expectativas. Muitos acreditamque essa fórmula mágica é encontrada no ensino privado e quem pode migra paraele; cremos que não é bem dessa forma e nada disso teria valor e nem surtiria oefeito esperado se não houver a participação daqueles que têm interesse nosucesso educativo: família, professores e educando. Não basta só lançar o aluno emsala de aula, dar suporte e deixá-lo solto à mercê de dúvidas e confusões quepodem desmotivá-lo e distanciá-lo do processo educativo. A participação é uma forma de mostrarmos que estamos levando comseriedade e importância o modo pelo qual os alunos são educados e nossasexpectativas pelo resultado desse trabalho que feito com responsabilidadetransforma-se em entretenimento para os componentes. A participação tambémfavorece um contato mais próximo entre ambos, professores, famílias e educandos.Para Moreira (1994) Tendo mais e mais famílias participando do seu cotidiano, podem as escolas objetivamente as condições de vida familiar, sem adotar uma nova postura, não culpá-los pelo fracasso do rendimento escolar de seus filhos, permitindo a construção de um ambiente de total cooperação (p.28). A falta de participação na esfera familiar pode ser causada dentre outrosfatores, por compromissos e responsabilidades dos pais, por se ausentarem do larpara trabalharem e garantirem o sustento da família. Por conta disso são obrigadosa eximir-se da responsabilidade de participar da educação dos filhos. Entendemosessa situação e lamentamos muito, mas a condição não deve ser usada como
  13. 13. 22percalço para fugir de suas atribuições. A participação transmite valores e conceitosque os filhos se apegarão, porque os filhos tendem a se espelharem nas pessoaspróximas a eles, em geral, são os pais. Sobre o tema Paro (2000) argumenta que: [...] hoje os alunos esperam tudo da escola; não só o conhecimento, mas a alimentação; eles esperam o amor, eles esperam o carinho, eles esperam a atenção...acho que alguns vêem a escola como uma instituição onde os filhos podem encontrar o conhecimento, a formação para uma vida melhor, mas outros usam a escola simplesmente para ter liberdade maior em casa. Deixar o aluno com alguém, o filho com alguém [...] (p.57). A participação da família é fundamental no processo educativo do indivíduo,quando há satisfação das necessidades emocionais e sociais dos filhos.Dependendo das condições do meio e das relações existentes entre a criança e oscolegas, substituir a responsabilidade dos pais para outra instituição pode ajudar odesenvolvimento pessoal da criança do que na convivência com uma família malestruturada, mas sem dúvida, essa substituição priva a criança de experiências derelacionamento afetivo familiar que são essenciais para construção da identidade.Assim, a família que transfere suas responsabilidades para outros meios externos,acaba perdendo a oportunidade de corrigir suas próprias falhas, além de deixar acriança confusa, essa forma não contribui para a escolarização dos filhos. O ideal é que se desenvolva um trabalho envolvendo cada família emquestão, uma relação recíproca, pois as influências dos dois meios são importantespara a formação de sujeitos. Nesse sentido, a família deve realizar um trabalho nointerior do lar Para que o filho supere as diversas situações difíceis como a ausênciados pais, as dificuldades financeiras e outros, levando o filho a dar continuidade aosestudos, pois a formação adquirida no interior da família, a imagem de pais sérios,honestos e trabalhadores favorecem no desempenho escolar dos filhos e nos seuscomportamentos escolares. Conforme Brandão (1982): “a educação existe sobtantas formas e é praticada em situações tão diferentes, que algumas vezes pareceser invisível. Fazendo-nos, compreender que a vida é essencialmente educativa”(p.12). A participação é a ferramenta que deve ser utilizada pelas famílias para umacontribuição efetiva no processo de formação integral das crianças visto que, como
  14. 14. 23extensão da família, a escola é o ambiente natural para esta formação.2.3 RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA Ao longo dos anos vimos sentindo a necessidade de a escola estar emperfeita sintonia com a família de seus alunos. Ela é uma instituição que auxilia aeducação familiar e juntas tornam-se lugares agradáveis para a convivência de filhose alunos. O espaço escolar não deve viver sem a família e nem a família viver sem aescola, pois uma depende da outra na tentativa de alcançar melhores resultados naformação das crianças e jovens. Um resultado que faz a diferença na educação é aaproximação dos pais na escola dos filhos, essa será um recurso que irá serutilizado no desenvolvimento de técnicas que darão um maior rendimento escolar. A convivência e o relacionamento familiar são fatores fundamentais para odesenvolvimento e a inserção da criança no ambiente escolar e no mundo, oalinhamento do professor com as famílias é decisivo para o rendimento social doaluno. Na questão Nérici (1997) pontua que: (...) A influência da família, no entanto é básica e fundamental no processo educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substitui – lá. (...) O processo educativo deve conduzir a responsabilidade, liberdade, critica e participação. Educar não como sinônimo de instruir, mas de formar, de ter consciência de seus próprios atos. (p.12). A construção dessa relação deve partir dos professores visando com essaaproximação que a família esteja mais preparada para ajudar seus filhos na medidaem que, ao conhecer a ação educativa escolar, o acompanhamento do desempenhodos filhos será mais eficaz. Promover a família nas ações dos projetos pedagógicossignifica multiplicar conhecimento a seu favor, a própria família deve articular demaneira segura, metodologias com temas atuais que estão em pauta todo omomento e vão servir de embasamento para que o desenvolvimento social seconcretize por meio de práticas pedagógicas efetivas. Por outro lado sabemos que aausência dos pais no ambiente escolar dos filhos causa um prejuízo talvezirreparável no ensino que é para toda a vida do aluno.
  15. 15. 24 Em qualquer situação a família interagindo com os mestres de seus filhospode significar muito para o educando e esse entendimento pode e deve serrecebido de forma positiva durante todo o processo educativo. Em toda forma deeducar seja ela intencional ou não, temos que tirar proveito absorvendo o que há demelhor. Para haver esse processo os três componentes: professores, alunos e paistêm que estar engajados na causa já que o aprendizado é individual: O professor émediador do conhecimento; o aluno maior responsável em assimilar esseconhecimento e os pais são a base inicial desse processo educativo. Algumasfamílias sentem-se impotentes ao receberem notícias negativas sobre seus filhos,não sabem lidar com tal situação e isso acontece porque a família não estásintonizada com a escola. Nérici(1997) argumenta que: Poucos são os pais que acompanham a educação de seus filhos, prestigiando e entrando em contato com ela na tarefa em que ambos são responsáveis. É lamentável esta falta de colaboração e alinhamento da família com relação ao trabalho da escola (p.12). A família pode exercer grandes influências no trabalho do educador por que éatravés dela que o professor conhecerá a realidade dos alunos e poderá educarmelhor seus filhos por isso, essa relação deve ser constante e igualitária para todos. A relação da comunidade escolar com a família estreita os laços dessas duasinstituições além de enriquecer as oportunidades educativas e os recursospedagógicos aspirando uma melhor qualidade educacional, para isso devemosaprender a respeitar os direitos individuais e coletivos. As famílias têm muito aoferecer, pois todas são dotadas de peculiaridades e diferentes ações. Depois dafamília é a escola que ainda continua sendo um espaço de desenvolvimentoeducativo e nesse aspecto a escola deve repensar sua forma de educar deixando delado as reproduções em sala de aula, importando-se também em formar educadorespara que estes saibam lidar com os desafios diários. É preciso que este espaço dêliberdade para a manifestação de pensamento de todos os envolvidos no sentido derefletir sobre as ações educacionais para que se possa inovar a partir de novasvisões supervisionadas pelo educador. Queremos uma instituição onde o educandoatue como sujeito, um lugar concreto e eficiente na formação de cidadãos operantesna conjuntura social. Assim confirma Gadotti (2000): “Independente de sua história e
  16. 16. 25dos variados conceitos, a escola além de transmitir conhecimentos deve tambémpreocupar-se com a formação global dos alunos numa visão onde o conhecimento eo intervir no real se encontrem” (p.120). Para auxiliar a melhoria da educação a escola deve estabelecer alternativasem equipe com as famílias dos educandos no sentido de promover e confrontarsituações adversas que enfrentam durante o processo educativo em sala de aula.Essa relação com as famílias visa incluir o aluno em todo o processoininterruptamente. Se uma criança está envolvida diariamente em um ambienteagressivo tenderá a se portar dessa maneira; da forma contrária age uma criançaque vive em um lar de muita tranqüilidade e carinho. Dessa forma, não existindo olado afetuoso e relacional com a família o processo educativo é limitado aosconhecimentos adquiridos em sala de aula e se tornam incompletos para a vida. Deacordo com o Referencial Curricular Nacional para a educação infantil (1998). Além da dimensão afetiva e relacional do cuidado, é preciso que o professor possa ajudar a criança a identificar suas necessidades e priorizá-las, assim como atendê-las de forma adequada. Assim, cuidar da criança é sobretudo dar atenção a ela como pessoa que está num contínuo crescimento e desenvolvimento, compreendendo sua singularidade, identificando e respondendo às suas necessidades. (p.25) No entanto, isto só será possível se a presença da família na escolapromover as condições necessárias para a compreensão da realidade dos alunoscom o intuito de ajudá-los no processo de crescimento, pois é por meio dessarelação que os seres humanos tendem a tornar-se mais compreensivos, conscientese amorosos. Desenvolvendo o afeto em si a formação é mais completa, sem essesentimento a humanidade não teria se desenvolvido ao longo dos tempos. Para ascrianças e os adolescentes as referências são os membros familiares e fora deles aescola. Postura, gestos, e palavras toda essa conjuntura proporcionará odesenvolvimento do caráter da criança. A direção escolar também exerce um papel importante na relação escola-família e deve ter dinamismo e motivação para a participação de todos. Elanecessita estimular, valorizar a produção de cada indivíduo, precisa ser uma figurapresente, referência em personalidade, respeito às relações interpessoais, inclusive
  17. 17. 26nas situações em que necessitam de ajustes para dar sequência ao processoeducativo. Exercer liderança na comunidade atrai a família e outros setores sociaispara dentro da escola despertando, nos envolvidos o sentimento deresponsabilidade. A relação da família com a escola fortalece e mostra que a escolaestá cumprindo sua missão que é de auxiliar e não a de substituí-las na educaçãodos filhos. CAPÍTULO III
  18. 18. 273. METODOLOGIA Partindo do pressuposto de que a ciência nasceu da razão e da verdade ametodologia é um ramo de lógica que se ocupa dos métodos que são utilizados nosdistintos tipos de pesquisas. Assim Garcia (2003) afirma que: [...] A metodologia de pesquisa é completamente interessada nos processos que buscam, simplesmente, mudar o mundo. Indagando os processos permanentemente produzidos nas relações sociais para ofuscar e ocultar as múltiplas dimensões da realidade e do ser humano, a pesquisa amplifica as possibilidades de interpretação e compreensão do cotidiano e vai encontrando meios para melhor compreender a complexidade humana. (p. 128) A pesquisa é um estudo minucioso pautado na realidade que visa descobrir,aperfeiçoar dados, ou somar informações atuais às já existentes com o objetivo detornar explicita alguma coisa nova ou recentemente descoberta. Entretanto para serrealizada uma pesquisa é interessante que confrontemos os dados com asinformações coletadas com o conhecimento teórico desenvolvido para determinadoassunto. Desta forma, a pesquisa teve como objetivo: analisar a importância daparticipação dos pais na vida escolar dos filhos.3.1 TIPOS DE PESQUISA Adotamos a pesquisa qualitativa, sendo este um conjunto de procedimentospara a coleta de dados, tendo como ponto de partida vivenciar idéias e práticaspedagógicas, permitindo assim uma relação direta do pesquisador com a situaçãoestudada. Nessa intenção Ludke e André (1986) esclarecem que : “A abordagemqualitativa envolve a atenção de dados discretos obtidos no contato direto dopesquisador com a situação estudada, enfatizando mais o processo de que oproduto se preocupa em relatar a perspectiva” (p. 11).
  19. 19. 28 A pesquisa qualitativa se apresenta como uma alternativa bastanteinteressante enquanto modalidade de pesquisa numa investigação científica doproblema humano e social.3.2 LÓCUS DE PESQUISA Tivemos como lócus de pesquisa a Escola Nossa Senhora do PerpétuoSocorro, situada na Quadra C, caminho F S/N, Cassas Populares, Senhor doBonfim-Ba. A escola possui 19 professores, funciona com aproximadamente 513alunos, nos turnos matutino e vespertino, da Educação Infantil ao Fundamental I.Este lócus possui um espaço físico relativamente grande e conta com o prestígio dacomunidade local.3.3 SUJEITOS DE PESQUISA Os sujeitos da pesquisa foram dez (10) professores sendo 02 do sexomasculino e 8 do sexo feminino. Alguns destes professores atuam somente em umúnico turno, outros nos dois turnos.3.4 INSTRUMENTOS DE PESQUISA A nossa pesquisa procurou utilizar meios adequados aos objetos de estudo,para buscar entendimentos em torno da problemática que tem como intuito conhecera importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos. Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados no propósito de alcançar oobjetivo da pesquisa foram questionário fechado, a observação participante eentrevista semi-estruturada.3.4.1 QUESTIONÁRIO FECHADO Diante da necessidade de coletar dados sobre o perfil dos sujeitos em seus aspectos sociais, econômicos e educacionais elaboramos e aplicamos oquestionário fechado. Para Cervo (2007):
  20. 20. 29 O questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com mais exatidão o que se deseja. Em geral, a palavra questionário refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche. Assim, qualquer pessoa que preencheu um pedido de trabalho teve a experiência de responder a um questionário. Ele contém um conjunto de questões, todas logicamente relacionadas com um problema central (p.53 Convém lembrar que, o questionário contempla características como gênero,idade, formação escolar e/ou acadêmicas, tempo de serviço docente e situaçãosocioeconômica. Na definição de Lakatos e Marconi (l996) “o questionário é uminstrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntasque devem ser responsáveis, por escrito e sem a presença do entrevistador” (p.201).3.4.2 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE Proporciona o momento do conhecimento da realidade e é nesse momento,por meio da observação participativa que se organiza elementos para acompreensão do que se quer identificar através da observação direta e da coleta deinformações e dados sobre o objeto da pesquisa, buscando a compreensão dos“porquês” dos problemas e as possíveis soluções.3.4.3 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA Entrevista é o método mais utilizado em pesquisas qualitativas. SegundoTrivinos (1987) “a entrevista semi-estruturada tem privilégio na pesquisa qualitativaporque ao mesmo tempo em que valoriza a presença do pesquisador ofereceliberdade aos entrevistados”. Nesse propósito, as entrevistas foram efetuadas com os/as professores a fimde ouvir a opinião destes a respeito da participação dos pais na vida escolar de seusfilhos.
  21. 21. 30 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE DE DADOS Os dados obtidos através da observação participante, do questionáriofechado e da entrevista semi-estruturada serão objetos de análise neste capítulo.4.1 O PERFIL DOS SUJEITOS4.1.1GÊNERO Analisamos que em relação ao gênero 20% são do sexo masculino e 80% dosexo feminino. Esse fato nos mostra que as escolas ainda são compostas em suamaioria pelo sexo feminino, um fato que historicamente ainda permanece nosespaços escolares. FIGURA 1: GÊNERO 20 % Sexo Feminino 80 % Sexo Masculino Figura 1: Dados do questionário fechado Fonte: questionário fechado Ressaltamos que a presença de ambos os sexos dentro do espaço escolarfacilita um melhor contato com a família dos alunos, pois tem pais que preferemdialogar com pessoas do mesmo sexo.4.1.2 IDADE
  22. 22. 31 Em relação à idade temos uma variação: 50% tem de 34 a 40 anos, 30% de28 a 34 anos, 10% de 22 a 28 anos e 10% acima de 40 anos. Este quadro nosmostra que os professores além de ter experiência de trabalho também trazemconsigo uma longa experiência de vida.FIGURA 2: IDADE 10% 10 % 22 a 28 anos 30 % 28 a 34 anos 50 % 34 a 40 anos Acima de 40 anosFonte: questionário fechado Muitos deles já têm filhos e fica bem mais fácil compreender os dilemas dospais, entender a necessidades de tê-los por perto, e isso facilita o diálogo entreambos.4.1.3 FORMAÇÃO 10 % 30 % Magistério 60 % Graduação Pós-graduaçãoFonte: questionário Fechado
  23. 23. 32 Os dados pesquisados que estão à mostra na figura 3 nos apresentam umfato importante, 60%, ou seja, a maioria dos sujeitos pesquisados tem o nívelsuperior, 10% já são pós-graduados. O bom nível de escolaridade é um fatorimportante para o exercício da profissão. Pois como argumenta Pereira (2000): (....) parece ser o papel do professor bem mais complexo do que a simples tarefa de transmitir o conhecimento já produzido. O professor, durante sua formação inicial ou continuada, precisa compreender o próprio processo de construção e produção de conhecimento escolar, entender as diferenças e semelhanças do processo de produção do saber científico e do saber escolar, conhecer as características da cultura escolar, saber a história da ciência e a história do ensino da ciência com que trabalha e em que pontos elas se relacionam (p. 47). O professor que tem uma boa formação possui também segurança deatuação, pois traz consigo base teórica para realizar uma excelente aula,principalmente quando ele tem uma formação específica.4.1.4 TEMPO DE SERVIÇO Percebemos que quanto ao tempo de serviço 40% dos sujeitos pesquisadostem acima de 8 anos de atuação e os demais já se encontram acima de dois anos oque indica um nível de experiência profissional facilitador do trabalho educativo.FIGURA 4: TEMPO DE SERVIÇO 10 % 10 % 2a 4 anos 50 % 30 % 4 a 6 anos 6 a 8 anos Acima de 8 anosFonte: questionário Fechado
  24. 24. 334.2 PRESENÇA DOS PAIS NA ESCOLA Os professores dessa unidade de ensino só percebem a presença dos paisnas reuniões e no momento que vem trazer o filho ao portão da escola, sendo que80% consideram que é nos momentos de reuniões que eles aparecem mais. Ressaltamos ainda, que segundo os professores 70% dos pais quando vem aescola procuram informar-se sobre o comportamento do filho, por exemplo, se estábrigando com os colegas ou se está obedecendo a professora e apenas 30% dospais está preocupado com a aprendizagem. Entretanto é importante que eles sepreocupem com os dois, pois um aspecto influencia o outro. Os pais precisam estar sempre na escola tirando dúvidas sobre asatividades, sobre as dificuldades de seus filhos em determinado assunto, visto quealguns alunos levam atividades para casa e trazem de volta no outro dia semresponder, demonstrando a falta de cuidado dos pais para com o dia a dia do filhona escola. Para Rios e Libâneo (2009). O para casa pode proporcionar um momento de diálogo entre esses dois mundos. Pode ajudar a escola e as famílias a exercerem suas tarefas na educação, considerando as intercessões e as diferenças dos objetivos de cada um. Assim, essa atividade pode proporcionar a participação dos pais na vida escolar de seus filhos, na dimensão do processo de ensino- aprendizagem (p.44). Então as tarefas da escola para serem aplicadas em casa junto com os paissão importantes porque servem para manter o elo entre família e escola.4.3 IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA Perguntamos aos professores sobre a importância da participação da famíliana escola, isto é a aproximação beneficia o desenvolvimento do ensino-aprendizagem dentro do espaço escolar Para os professores: Família e escola precisam caminhar juntas, pois a educação secundária só pode ser desenvolvida direcionada a educação primária (P1).
  25. 25. 34 Sim. Família e escola precisam caminhar juntas tendo em vista a garantia da qualidade e do sucesso educacional (P3). Sim. Facilita o desenvolvimento da aprendizagem do aluno, além de, colaborar com a comunidade escolar no processo como todo, principalmente com questões que envolvem valores, disciplina e participação (P4). Sim. Com a participação da família, a auto-estima do aluno é melhorada, o que ajuda na compreensão da importância de estudar e na definição de objetivos de vida (P7). Neste caso, é notório perceber na fala dos entrevistados a importância daparceria família-escola no processo escolar. Segundo Maranhão e Silva (2011): “Arelação entre família e os profissionais inicia-se quando a primeira planeja dividir ocuidado e a educação de sua criança com uma instituição” (p.9). Cabe lembrar que a educação começa em casa, só em seguida vem aescolar, portanto, os pais não podem entregar essa responsabilidade somente aosprofessores como se a escola fosse um depósito, lá deixam seus filhos e só voltamocasionalmente nas reuniões, mas eles precisam fazer parte também das decisõesdos processos educativos e isto fica claro na fala dos entrevistados: Visitas e telefonemas para saber sobre a disciplina de seu filho na escola não é o suficiente, os pais precisam participar de todos os eventos, tantos os educativos, quanto os recreativos para que seu filho perceba que ele é importante em todos os momentos (P1). Participação efetiva em conselhos de classe, eventos, avaliações, etc. (P10). Participação não só nos eventos festivos, mas no dia-a-dia da escola (P3). Reuniões, visitas espontâneas quando julgar necessário, comemorações, acompanhamento em casa, participar dos projetos, decisões, dentre outros (P5). Estas colocações reafirmam a importância de um processo educativo co-responsável que se estenda para todos os mementos da ação da escola, tantoaqueles que acontecem em sala de aula como fora dela. Para os entrevistados, os pais precisam mostrar para os filhos que fazemparte da vida escolar deles, que estão preocupados com seu aprendizado, com a
  26. 26. 35dinâmica da escola e com as relações mais amplas que se processam fora doambiente escolar.4.3.1 MECANISMO DE INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO Ao serem perguntados sobre se existe algum estímulo da escola para atrairos pais, obtivemos as seguintes respostas: Nem todas as escolas exploram essa potencialidade, as escolas fazem reuniões bimestrais de pais (P7). Em algumas sim. O dia da família na escola e encontros de pais dentre outros incentivos (P9). Sim. Algumas datas comemorativas, reuniões bimestrais (P.5). Algumas escolas já se preocupam com esse aspecto e promovem reuniões, eleição de colegiado, projetos e eventos que envolva os pais (P.2). Diante das respostas dos professores fica evidente que a maioria dasescolas ainda não mobiliza os pais a estarem presentes no espaço educativo,poucas estão preocupadas com essa participação. É importante ressaltar que nemum sujeito citou algum tipo de incentivo por parte da escola pesquisada, o queparece indicar um descompasso entre as preocupações dos professores e osobjetivos da instituição escolar. No entanto é urgente que haja uma atitude maisefetiva da escola para motivar a participação dos pais. Conforme Gadotti (2007): A escola não pode mudar tudo e nem pode a si mesma sozinha. Ela está intimamente ligada a sociedade que a mantém. Ela é, ao mesmo tempo, fator e produto da sociedade. Como instituição social, ela depende da sociedade e, para se transformar, depende das relação que mantém com outras escolas, com as famílias, aprendendo em rede com elas, estabelecendo alianças com a sociedade, com a população (p.12). A escola muitas vezes só se preocupa em criticar os pais, mas ela mesmanão faz seu papel de criar um elo entre escola, família e comunidade.4.3.2 A FAMÍLIA PRESENTE INCENTIVA MUDANÇAS Segundo os sujeitos pesquisados a boa relação entre família e escola traz
  27. 27. 36para os educandos mudanças significativas em vários aspectos: É notório o desenvolvimento das crianças quando a família participa ativamente de todos os momentos na vida escolar (P1). Percebe-se que os alunos que tem esse acompanhamento tem um desenvolvimento significativo (P6). Os alunos se mostram mais comprometidos com os estudos (P3). Os alunos participam mais das atividades de classe (P8). Sentem-se importantes, valorizados e consequentemente estimulados a estudarem mais (P9).‘ A participação dos pais influencia não só nas notas, como no comportamento também (P5). Na fala dos professores fica evidente que a necessidade de manter a famíliana escola é enorme, pois essa proximidade reflete a aprendizagem do educando, nocomportamento e conseqüentemente na sua auto-imagem.
  28. 28. 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS A educação é o principal instrumento que desenvolve todos os sereshumanos e a escola ainda continua sendo o espaço onde todo o processo educativose expande. Desde cedo nossos pais confiam na educação escolar, pois na escolasomos recebidos de braços abertos pelos professores que ensinam praticamentetudo que sabem para nos preparar para a vida, é um trabalho complexo que exigeprofissionalismo e perseverança. A escola está sobrecarregada e os professores às vezes sentem dificuldadesde acompanhar sozinhos o desenvolvimento de cada aluno, precisam de um suportepara continuar o processo. A instituição mais indicada para acompanhar o filho/alunoé sua própria família, o papel de educar também pertence a ela, a família deveparticipar efetivamente da educação dos filhos, inclusive nas definições de metasque irão ser alcançadas pelo aluno no futuro não muito distante. A escola não podesubstituir a família na tarefa de educar, deve estar em consonância com ela, com aparticipação dos pais é possível construir uma forma eficaz de aprendizagem queatenderá aos anseios de uma sociedade cada vez mais exigente. É sabido que a educação escolar (formal) surgiu da necessidade de expandira educação familiar (não-formal), a fim de preparar os indivíduos para a vida emsociedade. Se a escola surgiu para auxiliar a educação familiar, então por quemuitas vezes parecem estar fora de sintonia? A família que é a maior responsável,pouco participa transferindo a tarefa de ensinar aos mestres. A abertura que aescola dá para as famílias surgiu da necessidade, de parceria entre ambas, pois emcontato permanente com professores, a família saberá como anda odesenvolvimento do filho. Sua presença na escola também é importante para osprofessores não se sentirem isolados. O aluno acompanhado simultaneamente pelafamília e pelos professores não interrompe o processo educativo e o valoriza de talforma que quer demonstrar para eles tudo aquilo que aprende de novo, além deconscientizar-se que a educação é para toda a vida. De acordo com o depoimento dos professores, exposto em nossa pesquisa,
  29. 29. 38não ficamos satisfeitos em saber que a participação da família que realmente estápreocupada com o desenvolvimento educativo de seu filho, ainda é tímida, muitoaquém do esperado. A maioria comparece, mas para reclamar de notas baixas,desentendimentos com colegas dentro do espaço escolar dentre outros fatoresmenos importantes em comparação ao acompanhamento educacional do filho.Alguns participam das reuniões de pais e mestres e poucos procuram saber se seufilho está fazendo parte do processo; alguns comparecem em datas comemorativasquando são convocados. Algumas atividades desenvolvidas pela escola não estãosendo o bastante para atrair as famílias, a escola precisa criar mecanismos quetragam a família para a escola com a intenção de acompanhar e ajudar em todo oprocesso educativo de seu filho. Diante de nossa análise entendemos que a família deve ter uma participaçãomais efetiva na escola, pois os professores sentem a ausência familiar na educaçãodos filhos e o reflexo negativo que isso pode acarretar no futuro deste indivíduo. Afamília é o ponto de sustentação para todos os seres humanos e juntamente com aescola nos dará suporte para enfrentarmos o mundo cada vez mais desafiador.Portanto dependemos muito dessas duas instituições no processo de formaçãointegral dos indivíduos. Além disso, o aluno sendo acompanhado pela família naescola, a prática do trabalho coletivo torna-se menos complexa e os resultados sãoobtidos mais rapidamente, pois estimula-o a buscar constantemente novosconhecimentos. Enfim ratificamos todas as informações contidas nesta produção eacreditamos que este trabalho irá contribuir no processo democrático dentro daescola, promovendo uma reflexão sobre a participação da família na escola e aimplementação de novos instrumentos que garantam essa parceria. Dentro dessaperspectiva o processo de co-responsabilidade e de co-participação coletivapromoverá uma transformação, tanto do papel da família, como da instituiçãoescolar na formação dos indivíduos capazes de integrarem-se socialmente eexercerem seu direito de cidadania.
  30. 30. 39 REFERÊNCIASARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia e educação. 2 ed. Revista e ampliada.São Paulo. Moderna. 1996 (p.72).BATTAGLIA, Maria do Céu Lamarão. Terapia de família centrada no sistema. Riode Janeiro, 2002. Disponível em: <www.rogeriana.com/battaglia/mestrado/tese02.htm> acessado em 17 de fevereiro2010.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação? São Paulo: Brasiliense, 1982.(Coleção Primeiros Passos).BRASIL, Secretaria de Educação. Referencial Curricular Nacional. Brasília:MEC/SEF, 1998..CERVO, Amado Luis. Metodologia cientifica/Amado Luis Cervo, Pedro AlcinoBervian, Roberto da Silva _ São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 11ª ed. São Paulo: Melhoramentos,1978.FALCÃO, Djalma. Desafio da família: como formar líderes. In Revista da Escolade Pais nº28. Seccional de Salvador. Desafios da família. Salvador: Publigraf,2007.p. 07GADOTTI, Moacir Romário José Eustáquio. (Org). Autonomia na Escola,Princípios e Propostas. 3 ed. São Paulo: Cortez (Instituto Paulo Freire), 2000.(Guia da escola cidadã VI).GARCIA, Regina Leite. Método, métodos e contra método. São Paulo, 2003.__________. A escola e o professor: Paulo Freire e a paixão de ensinar. 1ª.ed.São Paulo: Publisher Brasil, 2007.LUDKE, Menga; ANDRÉ Marli E. D. A. A pesquisa em educação. Abordagensqualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
  31. 31. 40MARANHÃO, Damaris Gomes; SILVA, Conceição Vieira. A interação da creche e dapré-escola com a família. In: MEC. saúde e bem estar na educação infantil.Revista Pátio Educação Infantil, nº26, RS: Artmed, Jan/Mar, 2011.MARCONI, Maria de Andrade: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalhocientífico; procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projetos e relatórios,publicações e trabalhos científicos. São Paulo: Atlas, 1996. MOREIRA, Josecler. Família-Escola Principal elo de Educação. Disponível em:<www.socialtec.com.br>, acesso em 13-01-2012.NÉRICI, Imideo Giuseppe. Lar, escola e Educação. São Paulo, Atlas, 1997.NOBRE, L. F. Terapia familiar: uma visão sistêmica. In. Py, L A.et all. Grupposobre grupo. Rio de Janeiro. Rocco, 1987.PARO, Vitor HENRIQUE. Qualidade do Ensino: A contribuição dos Pais. 6 ed.São Paulo: Xamã. 2000.PEREIRA, Júlio Emílio Diniz. Formação de professores: pesquisas,representações e poder. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.RIOS, Zoé; LIBÂNEO, Marcia. Da escola para casa: alfabetização. Belo Horizonte:RHJ, 2009.SAMPAIO, Dulce Moreira. A Pedagogia do Ser: Educação dos Sentimentos edos Valores Humanos. Petrópolis RJ: Vozes, 2004.TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. - 1ª edição. São Paulo: EditoraGente, 1996.TRIVINOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: apesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

×