UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB         DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII                    SENHOR DO BONFIM      ...
JOSILENE RIBEIRO BORGES   A RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS C...
JOSILENE RIBEIRO BORGES   A RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS C...
Dedico este trabalho a todas as pessoasque possuem alguma limitação, seja elapermanente     ou   temporária;   e   queinfe...
AGRADECIMENTOS      Agradeço primeiramente a Deus, que me deu forças para que eu continuassee principalmente concluísse es...
“Quando plantamos alface e ela nãocresce bem, não pomos a culpa na alface.Investigamos os motivos que a levaram anão se de...
RESUMOApresentamos este trabalho monográfico a partir da pesquisa realizada na EscolaMunicipal Professor Pedro Calmon, no ...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................................
4.1.4 A ÓPTICA DOS PROFESSORES NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS ALUNOS   ESPECIAIS...........................................
INTRODUÇÃO      Embora haja avanços no conceito de inclusão, os preconceitos e estereótiposacerca das pessoas com deficiên...
Com base no exposto acima partimos em busca da nossa inquietação que foicompreender a relação entre expectativas e partici...
Apresentamos no Terceiro Capítulo uma abordagem sucinta sobre o percursometodológico utilizado para a realização desta pes...
CAPÍTULO I1.     EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AS RELAÇÕES ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA:situando a questão.       O conceito de inclusão ...
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Os pais de alunos com necessidades especiais demonstram anseios eexpectativas em relação ao desenvolvimento e as aprendiza...
O princípio democrático de educação poderá viabilizar mediante o                     redimensionamento da escola e a forma...
O que acontece na maioria das vezes é que esses pais não têmconhecimento das leis que garantem esses               direito...
As adaptações de acessibilidade ao currículo referem-se à                      eliminação de barreiras arquitetônicas e me...
heterogêneo. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial, de1998, nos mostram que a inclusão,           ...
acesso a esses estudos e, conseqüentemente, não tiveram uma formação especificasobre esse tema, o que aumenta ainda mais a...
CAPÍTULO II2.    EDUCAÇÃO INCLUSIVA: As relações entre família e escola no processode escolarização das crianças com neces...
classes menos privilegiadas não tiveram acesso à educação escolarizada por muitotempo, somente a partir do advento da mode...
mercado de trabalho se completasse. Assim, se esta “normalização” da pessoa coma deficiência não fosse possível ele seria ...
Atualmente, a escola começa a fazer parte cada vez mais cedo da vida dascrianças e nela são oferecidas atividades que lhes...
formação docente, experiências pedagógicas, de gestão educacional e ampliação daconsciência coletiva dos direitos, tratand...
nova sociedade, em que não mais as pessoas com necessidades especiais vãobuscar sua integração e adaptação ao sistema, mas...
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência é um marcopara os Direitos Humanos e para seu público destinatár...
Como podemos perceber o conceito de deficiência abrange uma série deoutros, pois se faz necessário entender cada uma dessa...
A criança com síndrome de Down apresenta algumas limitações dependendodas características da síndrome apresentadas pelo in...
habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança,habilidades acadêmicas, lazer e trabalho.”  ...
mais humanas de acompanhamento do seu desenvolvimento social e educacional.Isto significa, entre outras coisas, dar-lhe te...
Quando a criança encontra um espaço familiar favorável a sua exploração deforma independente é possível ganhar condições f...
CAPÍTULO III3.    TRILHA METODOLÓGICA: definindo os caminhos da pesquisa      A educação é um direito de todos, por isso é...
significa que o pesquisador deverá vivenciar todo o cotidiano escolar para que possavisualizar em quais condições ela se m...
Os dados para a efetivação deste trabalho foram levantados através de fontese instrumentos diversificados tais como: Obser...
As observações foram feitas seguindo o roteiro: na primeira semana foramfeitas observações apenas com as anotações de quem...
foco da questão não fosse perdido. Portanto a entrevista não se tornou numaconversa neutra, pois o objetivo da mesma era c...
O questionário foi entregue para pais e professores e a partir dele foi possívelanalisar e traçar o perfil dos professores...
CAPÍTULO IV4. ANALISANDO AS EXPECTATIVAS E A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS DECRIANÇAS       COM      NECESSIDADES         ESPECIAI...
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Os pais dos alunos são na sua maioria oriundos da classe popular, e por issomuitos deles não têm acesso a informações dos ...
a) Conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condiçõesdas pessoas com deficiência e fomentar o respe...
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A professora contou que a diretora da escola tentou conversar com essafamília várias vezes, conversar com a mãe dos menino...
Não basta apenas receber, a escola necessita de profissionais que priorizemum ensino para todos, respeitando as necessidad...
Antes de discutirmos sobre a relação dos pais com a escola se faz necessáriocompreendermos os sentimentos vivenciados pelo...
Somos unidos ele participa de tudo lá em casa. Adaptamos algumas                     coisas por conta da cadeira de rodas ...
A avó dessa criança ao ser entrevistada conta que a mesma só freqüenta aescola por causa dela. “Faço questão de vir trazer...
Monografia Josilene Pedagogia 2011
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Monografia Josilene Pedagogia 2011

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM JOSILENE RIBEIRO BORGESA RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NOPROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ESCOLA PEDRO CALMON, NO DISTRITO DE PILAR, JAGUARARI - BA. SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  2. 2. JOSILENE RIBEIRO BORGES A RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ESCOLA PEDRO CALMON, NO DISTRITO DE PILAR, JAGUARARI - BA. Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do curso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, pelo Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Orientadora: Profª Ms.. Rita de Cássia Oliveira Carneiro SENHOR DO BONFIM – BA 2011
  3. 3. JOSILENE RIBEIRO BORGES A RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ESCOLA PEDRO CALMON, NO DISTRITO DE PILAR, JAGUARARI - BA. Aprovada em ______de ______________ 2011 _________________________________________________ Profª. Ms. Rita de Cássia Oliveira Carneiro _________________________________________________ Avaliador(a) _________________________________________________ Avaliador(a)
  4. 4. Dedico este trabalho a todas as pessoasque possuem alguma limitação, seja elapermanente ou temporária; e queinfelizmente são tratadas na maioria dasvezes como ineficientes e não comodeficientes.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, que me deu forças para que eu continuassee principalmente concluísse este curso. Esta monografia foi construída com o auxilio de pessoas muito importantesque não posso deixar de agradecer: Todas as colegas de curso. Todos os profissionais da UNEB, especialmente a minha orientadora Rita deCássia Oliveira Carneiro, pela paciência, pela competência e principalmente pelasua contribuição para a realização deste trabalho. Agradeço à Direção, a coordenação e aos professores da Escola MunicipalProfessor Pedro Calmon, por ter me recebido e contribuído de maneira significativae determinante para a realização desta pesquisa. Aos meus pais, Lucilene e José Ribeiro, pois cuidaram muito bem dos meusfilhos, Maria Clara e Felipe durante o tempo que tive que pesquisar e construir estetrabalho, e por tudo que fazem por mim. Não posso deixar de agradecer a Marcos Welby que contribuiu para arealização deste trabalho, revisando, dando opiniões e sendo responsável inclusivepela temática abordada neste trabalho. Agradeço a todos e me sinto muito feliz por ter sido sempre bem recebida,bem acompanhada e muito bem orientada. Esta é uma etapa da minha vida eformação que vai ficar marcada para sempre. A todos, obrigada por tudo.
  6. 6. “Quando plantamos alface e ela nãocresce bem, não pomos a culpa na alface.Investigamos os motivos que a levaram anão se desenvolver. Pode ser que elaprecise de mais adubo, de mais água oude menos sol. Nunca pomos a culpa naalface... se soubermos como cuidar daspessoas, elas também se desenvolverão,como a alface”. Thich Nhat Hanh
  7. 7. RESUMOApresentamos este trabalho monográfico a partir da pesquisa realizada na EscolaMunicipal Professor Pedro Calmon, no Município de Jaguarari-Ba, que teve comoobjetivo compreender a relação entre expectativas e participação dos pais noprocesso de escolarização dos filhos com necessidades especiais. Para o alcancedo objetivo proposto utilizamos a observação participativa, a entrevista semi-estruturada e o questionário fechado. A partir da utilização desses instrumentosaplicados com os sujeitos da pesquisa que foram dez professores e quatro pais dealunos. Analisamos os dados coletados norteados pela contribuição dos seguintesautores: Sassaki (1997), Mantoan (1997), Correa (1993), Buscaglia (2002), Ferreira(2003), Glat (2003), entre outros. Ao analisar as declarações podemos afirmar queos pais criam expectativas em relação à escolarização dos seus filhos, mas, noentanto a maioria não participa da vida escolar de seu filho. E principalmente queenquanto a lei garante a prática nega no que se refere à inclusão escolar, pois existeum descrédito tanto no desenvolvimento da aprendizagem das crianças comnecessidades especiais, como também na socialização das mesmas. A escola estáaberta a receber esses pais, e junto com eles identificar os fatores que dificultam oprocesso de escolarização dessas crianças, no entanto essa procura e preocupaçãodos pais em melhorar o atendimento escolar de seu filho na maioria das vezes nãoacontece.Palavras-Chave: Educação inclusiva, pais, professor e crianças com necessidadesespeciais.
  8. 8. SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................................10CAPÍTULO I1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AS RELAÇÕES ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA:SITUANDO A QUESTÃO.....................................................................................................13CAPÍTULO II2. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: AS RELAÇÕES ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS.......................................212.1 CARACTERIZANDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA..................................................................212.2 AS LEIS QUE REGULAMENTAM A INCLUSÃO..................................................................242.3 O CONCEITO DE DEFICIÊNCIA.....................................................................................27 2.3.1 SÍNDROME DE DOWN.........................................................................................28 2.3.2 DEFICIÊNCIA FÍSICA ..........................................................................................29 2.3.3 DEFICIÊNCIA MENTAL........................................................................................292.4 OS PAIS: PERSPECTIVAS E PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO..............30CAPÍTULO III3. TRILHA METODOLÓGICA: DEFININDO OS CAMINHOS DA PESQUISA...........................33 3.1 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE.................................................................................35 3.2 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA ..........................................................................36 3.3 QUESTIONÁRIO FECHADO......................................................................................37CAPÍTULO IV4. ANALISANDO AS EXPECTATIVAS E A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS DECRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DE SEUS FILHOS: O QUE APONTAM OS DADOS..............................394.1 OS CONTATOS INICIAIS E AS ENTREVISTAS APLICADAS..................................................40 4.1.2 O PERFIL DOS PROFESSORES ENTREVISTADOS.....................................................40 4.1.3 O PERFIL DOS PAIS DOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS...........................41
  9. 9. 4.1.4 A ÓPTICA DOS PROFESSORES NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS ALUNOS ESPECIAIS..................................................................................................................41 4.1.5 O QUE EXIGEM OS PAIS NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS FILHOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS...........................................................................................49 4.1.6 A RELAÇÃO ENTRE AS EXPECTATIVAS E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS SEUS FILHOS...............................................................................53CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................56REFERÊNCIAS............................................................................................................59ANEXOS
  10. 10. INTRODUÇÃO Embora haja avanços no conceito de inclusão, os preconceitos e estereótiposacerca das pessoas com deficiência foram construídos culturalmente, determinandoe expressando as atitudes e ações no contexto em que estamos inseridos. Essasbarreiras são por vezes, evidenciadas pelos mecanismos de negação daspossibilidades dessas pessoas, fortemente firmados no conceito de limitação eincapacidade, existentes ainda em nosso meio. E é esse o desafio que a escolainclusiva se propõe a romper. Perdurou por muito tempo o atendimento assistencialista para as pessoascom necessidades especiais. Vários documentos e discussões são feitos e voltadospara que a inclusão dessas pessoas tanto no meio social como no ambiente escolaracontecesse. A década de 90 foi a década da Educação Para Todos e em 1994 aDeclaração de Salamanca promulga o modelo inclusivista e as escolas regularesdevem “acomodar as crianças independentemente de suas condições físicas,sociais, emocionais, lingüísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O Plano Nacional de Educação Lei n. 10.172/2001, traz a perspectiva de queum “avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de umaescola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”. A Convenção de Guatemala (1999) que foi promulgada no Brasil pelo Decreton. 3.956/2001 afirma que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitoshumanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas, e define comodiscriminação com base na deficiência toda diferenciação ou exclusão que possaimpedir ou anular o exercício dos direitos e suas liberdades fundamentais. Apesar de existirem diversas leis e de documentos para que a inclusão daspessoas com deficiência se efetive, os pais dos alunos com necessidades especiaisdevem ter a consciência de que deverão ser os primeiros a lutarem por umacondição melhor de vida para seus filhos.
  11. 11. Com base no exposto acima partimos em busca da nossa inquietação que foicompreender a relação entre expectativas e participação dos pais no processo deescolarização dos filhos com necessidades especiais na Escola Municipal ProfessorPedro Calmon no Distrito de Pilar, município de Jaguarari-BA. O objetivo foi identificar quais as expectativas e participação dos pais emrelação ao processo de escolarização de seu filho na escola regular e para subsidiarnossa pesquisa foi preciso ouvir também os professores para que assimpudéssemos enumerar medidas que os pais tomam junto à escola e noutroscontextos tendo em vista as suas expectativas e identificar fatores apontados pelospais e pela escola que contribuem para facilitar e/ou dificultar a participação naescolarização de seu filho. Contamos com a contribuição de muitos estudiosos que discutem a respeitoda inclusão, entre eles citamos: Brandão (1996); Rodrigues (1998); Mazotta (1998);Aiello (2002); Oliveira e Glat (2003); Mantoan (2003); Moreira (2004); Lopes (2009). Para a execução deste trabalho monográfico foi preciso inicialmente oaprofundamento bibliográfico sobre a temática apresentada, e a partir daí aplicar osinstrumentos de coleta de dados no lócus da pesquisa, dando assim subsídios paradiscutirmos e compreendermos a relação entre as expectativas e a participação dospais no processo de escolarização dos filhos com necessidades especiais. Neste contexto, no Primeiro Capítulo situamos a questão de pesquisatrazendo uma discussão sobre a escola inclusiva e as relações entre a família eescola. É apresentado também neste capítulo a questão de pesquisa e os seusobjetivos. No Segundo Capítulo fundamentamos com base em alguns teóricos aproblemática apresentada, trazemos as leis que regulamentam a inclusão ecategorizando as características das deficiências dos alunos, filhos dos envolvidosna pesquisa.
  12. 12. Apresentamos no Terceiro Capítulo uma abordagem sucinta sobre o percursometodológico utilizado para a realização desta pesquisa, caracterizando o local, ossujeitos e os instrumentos aplicados, para obter informações acerca do tema. No Quarto Capítulo realizamos a análise e a interpretação dos dadoscoletados bem como discutimos a relação entre as expectativas e a participação dospais no processo de escolarização dos filhos com necessidades especiais na escolaregular. Finalizamos o trabalho com as considerações finais, onde buscamos realizaruma síntese das reflexões desenvolvidas por todo o trabalho.
  13. 13. CAPÍTULO I1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AS RELAÇÕES ENTRE FAMÍLIA E ESCOLA:situando a questão. O conceito de inclusão passa por uma evolução sócio/ histórica e aponta paraa necessidade de se aprofundar um debate sobre a diversidade, implicando nabusca de compreender a heterogeneidade, as diferenças individuais e coletivas e,sobretudo as diferentes situações vividas na realidade social e no cotidiano escolar. O espaço escolar é um dos principais espaços de convivência social duranteas primeiras fases do desenvolvimento do ser humano, desta forma na escola oindividuo deve desenvolver a consciência de cidadania e de direitos, já que é nelaque a criança começa a conviver no espaço coletivo de forma diversificada, fora docontexto familiar. Para fazermos uma discussão sobre a relação e a participação dos pais noprocesso de escolarização dos filhos com necessidades especiais devemos partir dopressuposto de que o espaço escolar e todos que fazem parte dele devem estarpreparados para atender as necessidades e especificidades dos sujeitos para que oprocesso de ensino e aprendizagem tenha sucesso. Os envolvidos diretamente noprocesso de ensino e aprendizagem devem sempre fazer a seguinte pergunta:Como fazer com que todos os educandos, apesar de suas diferenças, consigamcaminhar juntos? No entanto o que acontece na prática é que nem sempre a instituição escolarconsegue atender as expectativas e aos anseios desses alunos. Pois é sabido quepessoas com necessidades especiais, de forma permanente ou temporáriademandam um atendimento diferenciado no processo de ensino e aprendizagem. As crianças com necessidades educativas especiais, ao longo de seudesenvolvimento, apresentam determinados impedimentos no processo de
  14. 14. aprendizagem, porém isto não as impossibilita de interagir com os demais sujeitosdo seu meio sócio-cultural. Vale salientar que os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), da EducaçãoEspecial definem como alunos com necessidades especiais aqueles que: “porapresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio dasaprendizagens curriculares correspondentes à sua idade, requer recursospedagógicos e metodológicos educacionais específicos” (p.24). Desta forma, o aluno que apresenta necessidades educacionais especiaisprecisa ser atendido no ambiente escolar, promovendo assim a sua aprendizagem,integração, respeitando suas limitações e para que isso ocorra é necessário que oprofessor esteja preparado. Vale enfatizar, que no espaço escolar os alunosapresentam, de forma diferenciada, valores, costumes e hábitos aprendidos evivenciados no ambiente cultural e familiar. Portanto o conhecimento e o acompanhamento, por parte da escola, dasrelações desenvolvidas pelo aluno no seu cotidiano com sua família sãoindispensáveis para que o mesmo se insira no ambiente escolar sem maioresproblemas. Nesse contexto a escola é provocada a pensar sua prática a partir daperspectiva da diversidade cultural, num perfil de inclusão cultural, incorporando edialogando com as diferentes formas de expressão vivenciadas pelos alunos emsuas comunidades. Desta forma o aluno tendo um espaço educativo propício para suaaprendizagem, terá sucesso em sua vida estudantil, a partir do reconhecimento deque a melhor maneira de ajudar as crianças com necessidades educativas especiaisé segundo a Declaração de Salamanca (1994, p.10) “[...] adotar como matéria de leiou como política o principio da educação inclusiva, admitindo todas as crianças nasescolas regulares, a não ser que haja razões que obriguem a proceder de outromodo.
  15. 15. Os pais de alunos com necessidades especiais demonstram anseios eexpectativas em relação ao desenvolvimento e as aprendizagens escolares de seusfilhos. Por isso mesmo é que podem e devem se transformar em parceiros da escolano processo de escolarização dos seus filhos, e conseqüentemente, nos processosde inclusão escolar e social destes sujeitos. A Declaração de Salamanca (UNESCO,1994, p.9), entre outros aspectos, aponta que “... as crianças e jovens comnecessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que aelas devem se adequar através de uma pedagogia centrada na criança, capaz de irao encontro destas necessidades. Sabemos que não basta colocar a criança na escola, é preciso umacompanhamento efetivo por parte da família para que o processo de escolarizaçãoaconteça numa parceria família e escola. Por isso a importância de umainvestigação sobre como os pais vêem esse processo de inclusãoconcomitantemente como eles participam dele. Os alunos devem não apenas ter o acesso a escola, mas que esta realmentecumpra seu papel, contribuindo assim no processo de inclusão social dessascrianças, pois é a partir do convívio com as outras crianças que eles vão poder sesocializar e participar efetivamente da sociedade. Neste sentido, a Declaraçãoenfatiza ainda que: As escolas regulares com orientação para a educação inclusiva são as mais eficazes no combate às atitudes discriminatórias, propiciando condições para o desenvolvimento de comunidades integradas, base da construção da sociedade inclusiva e obtenção de uma real sociedade para todos (UNESCO, 1994, p.09). É importante ressaltar que a escola inclusiva propõe que todas as pessoascom necessidades Educacionais Especiais sejam atendidas na rede regular deensino, a escola deve ser uma instituição social que tem por obrigação atender atodas as crianças, sem exceção, sendo aberta, pluralista, democrática e dequalidade. Sobre esta questão Moreira (2004) afirma que:
  16. 16. O princípio democrático de educação poderá viabilizar mediante o redimensionamento da escola e a formação continuada dos docentes, de forma a atender com êxito a todas as crianças, independentemente de suas especificidades para aprender. É um compromisso a ser assumido por todos especialmente pelos dirigentes políticos e professores, a garantia de educação de qualidade, onde todas as crianças devem aprender juntas, respeitando, acima de tudo, a diversidade existente entre elas (p.63). Diante disto fica evidente que a escola deve receber todos os alunosespeciais e promover a sua integração e aprendizagem, para isso é necessário umametodologia que atenda a todos respeitando as diferenças e necessidadesindividuais. O processo inclusivo tem como objetivo adaptar o sistema escolar àsnecessidades dos alunos, considerando que a inclusão propicie o acesso de todos auma educação de qualidade, assim como ao seu desenvolvimento pessoal,aceitando as diferenças individuais como atributos e não como obstáculos,valorizando a diversidade para o enriquecimento dos indivíduos e principalmenteenvolvendo a família no acompanhamento de seus filhos no processo deescolarização. A Declaração de Salamanca (1994) também nos traz a importância daparceria com os pais no processo de desenvolvimento e escolarização das criançascom necessidades educativas especiais, afirmando que a educação delas deve serdividida entre pais e profissionais, como também as demais pessoas envolvidas noprocesso de inclusão e que precisam de apoio para assumir este papel. Para Aiello (2002, p.91) apesar da necessidade do envolvimento da família notrabalho escolar dessas crianças, isto não significa que isso esteja acontecendo.“Este fato pode ser constatado pelo reduzido número de trabalhos e pelasdiscussões e pesquisa envolvendo a escola inclusiva, as quais fazem referência àparticipação da família da criança com necessidades especiais” ela ainda acrescentaque caberia aos pais terem maior compreensão sobre o processo de inclusãoescolar quanto aos seus objetivos, benefícios e limites.
  17. 17. O que acontece na maioria das vezes é que esses pais não têmconhecimento das leis que garantem esses direitos aos seus filhos, econseqüentemente, não as fazem acontecer. Existem várias leis em relação àinclusão de pessoas com necessidades especiais, mais muitas delas não sãoefetivadas na maioria das vezes por falta de conhecimento e pressão dosinteressados. Alguns documentos importantes como: Declaração de Salamanca,Leis de Diretrizes e Bases da Educação, Constituição de 1988, ParâmetrosCurriculares Nacionais (PCNs) regulamentam a inclusão, não são de conhecimentode todos e, ás vezes, os pais sabem que existem, porém não sabem como acioná-los em favor dos interesses e necessidades de seus filhos. Diante disso vale lembraro que afirma o Art. 59 da LDB nº 9394/96 Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais, currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização especifica para atender às suas necessidades. Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns (BRASIL, 2001). No entanto, muitas escolas entendem que incluir pessoas com necessidadesespeciais é simplesmente aceitar e atender alunos com deficiências físicas ou compequeno déficit de comunicação. Porém o modelo de inclusão é para todo equalquer tipo de comprometimento seja ele reduzido ou não. Portanto, o processo de inclusão, deve ser compreendido como interativo edinâmico resultante da influência mútua de múltiplos fatores (RODRIGUES, 1998).Assim sendo, para assegurar a educação de crianças com necessidades especiaisno âmbito escolar, algumas medidas precisam ser tomadas no que diz respeito aoenvolvimento de todos no processo de escolarização, ao material didáticoespecializado, o espaço físico adequado às necessidades dos educandos, a práticapedagógica adaptada às diferenças individuais, metodologias e recursospedagógicos, a formação continuada dos professores e um currículo organizadopara atender às necessidades dos indivíduos envolvidos no processo. Assim,Oliveira e Glat (2003) afirmam que:
  18. 18. As adaptações de acessibilidade ao currículo referem-se à eliminação de barreiras arquitetônicas e metodológicas, sendo pré- requisito para que o aluno possa freqüentar a escola regular com autonomia, participando das atividades acadêmicas propostas para os demais alunos. Estas incluem as condições físicas, materiais e de comunicação (pág.4). Portanto, fazer educação inclusiva não é apenas permitir que as crianças comnecessidades especiais freqüentem a escola, mas garantir-lhes as efetivascondições de avançarem em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Segundo Schwartzman (1999, p. 23) a educação da criança é uma atividadecomplexa, pois exige adaptações de ordem curricular que requerem um cuidadosoacompanhamento dos educadores e pais. É freqüentando a escola que a criançacom necessidade especial irá adquirir, conhecimentos cada vez mais complexos queserão exigidos da sociedade e cujas bases são fundamentais para a formação dequalquer individuo. A necessidade de adaptação curricular é imprescindível para que o aluno nãoapenas faça parte momentaneamente e sim permaneça no âmbito escolarcontribuindo para que essa permanência seja significativa e construídacotidianamente. Nesse processo é fundamental a presença da família para em casadar continuidade aos estudos e socialização desses sujeitos. A deficiência seja ela física, intelectual, visual, auditiva, social, emocional,lingüística ou outra, não deve prevalecer, isoladamente, como obstáculo ouimpedimento que impossibilita o pleno desenvolvimento das potencialidades de umapessoa. As escolas inclusivas buscam novas estruturas e novas competências.Nesse sentido Mauri (1998), nos diz que “a função da escola é o ensino em todas asdimensões relevantes do conhecimento” (p.88). Por isso a importância de um currículo flexível que permita atender a todas asnecessidades dos alunos, contemplando esse universo diversificado e fazendo comque todos se sintam parte integrante de um aprendizado que deve ser coletivo e
  19. 19. heterogêneo. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial, de1998, nos mostram que a inclusão, não significa, simplesmente matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica. (MEC/ SEESP, 1998). Além disso, para tornar uma escola inclusiva, Mantoan (2003, p. 59-60) alertaque é preciso enfrentar muitas “frentes de trabalho” e dentre elas estão areorganização pedagógica e a valorização do professor e para que isso aconteça asescolas devem ir: Abrindo espaços para que a cooperação, o diálogo, a solidariedade, a criatividade e o espírito crítico sejam exercitados nas escolas, por professores, administradores, funcionários e alunos, porque são habilidades mínimas para o exercício da verdadeira cidadania. Formar, aprimorar continuamente e valorizar o professor; para que tenha condições e estímulo para ensinar a turma toda, sem exclusões e exceções. Portanto, a escola inclusiva não pode, de forma nenhuma, excluir o professordos espaços de discussão e avaliação dos seus trabalhos, pois a inclusão é paratodos, inclusive para os docentes. O processo de inclusão vem quebrando barreiras que foram se cristalizandoao longo dos tempos, e este processo tem por objetivo preparar a escola parareceber os alunos com necessidades educacionais especiais e desta forma construiruma sociedade mais justa, igualitária e comprometida com a educação. Ao colocarum aluno especial na sala de aula sem oferecer apoio adequado aos profissionaisda educação, esta ação não é, necessariamente, inclusão visto que as condiçõesreais para a efetivação desta não são dadas, assim sem uma estruturaçãoadequada pode gerar a exclusão e não a inclusão destes alunos. Ressaltando que as leis que favorecem a inclusão começaram a sercumpridas a partir da última década do século XX, principalmente no âmbito escolar,salientamos que muitos dos professores que estão lecionando, ainda não tiveram
  20. 20. acesso a esses estudos e, conseqüentemente, não tiveram uma formação especificasobre esse tema, o que aumenta ainda mais a responsabilidade da escola emrelação à inclusão desses alunos. Por isso os cursos de capacitação profissional eformação continuada são indispensáveis para que os educadores atuem de maneiraa oferecerem melhores condições e adequações no processo de ensino eaprendizagem. Em contra partida muitos pais demonstram anseios e expectativas em relaçãoao desenvolvimento e as aprendizagens escolares de seus filhos, e por isso mesmoé que podem e devem se transformar em parceiros da escola no processo deescolarização dos filhos, e conseqüentemente, em seus processos de inclusãoescolar e social. Sendo assim, os pais são de fundamental importância para que,junto com o corpo escolar, possam dar subsídios para que esses alunos sintam-semotivados a permanecerem na escola. A partir dos estudos sobre o tema e de nossas inquietações sobre aparticipação dos pais de crianças com necessidades especiais no acompanhamentodo processo de escolarização de seus filhos, surgiu a questão que nos moveu nestapesquisa que foi compreender quais as expectativas e participação dos pais noprocesso de inclusão dos filhos com necessidades especiais da Escola MunicipalProfessor Pedro Calmon no Distrito de Pilar, município de Jaguarari-BA. Assim propusemos alguns objetivos a alcançar neste trabalho. Inicialmentebuscamos Identificar quais as expectativas dos pais em relação ao processo deescolarização de seu filho na escola regular, para então compreender a relaçãoentre as expectativas e a participação dos pais no processo de escolarização dascrianças com necessidades especiais nas escolas regulares e identificar fatoresapontados pelos pais que contribuem para facilitar e/ou dificultar a participação naescolarização de seu filho.
  21. 21. CAPÍTULO II2. EDUCAÇÃO INCLUSIVA: As relações entre família e escola no processode escolarização das crianças com necessidades especiais. Neste capítulo nos propomos a fazer uma discussão sobre as questõesteóricas que fundamentam a nossa análise e dão sustentação às nossasconclusões, ainda que provisórias, no âmbito deste trabalho.2.1 Caracterizando a Educação Inclusiva. No decorrer dos séculos, a educação escolarizada tem papel relevante navida das pessoas, pois através dela o indivíduo pode apropriar-se dosconhecimentos social e historicamente construídos, o que pode contribuir para a suaemancipação e transformação social e interpessoal. Descobrir, conhecer,compreender e reconstituir o conhecimento passa a ser um dos pilares fundamentaisdo processo de educação e escolarização dos sujeitos. Portanto o processoeducacional deve ser pensado dentro de uma perspectiva que respeite as relaçõeshumanas. Como relata Brandão, crianças, adolescentes e jovens não aprendemapenas na escola, mas com a convivência cotidiana dos seus familiares e tambémcom a observação do trabalho realizado pelos seus pais ou membros mais idosos dacomunidade. Segundo Brandão, (1996): não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o único praticante (p.09). Desta forma, mesmo sem utilizar uma metodologia específica e não tendo aintencionalidade de uma educação sistematizada, a educação sempre existiu nosmais diversos espaços construídos pelo homem em suas relações com os outroshomens, desde as primeiras comunidades humanas. Com o aparecimento dasociedade dividida em classes começam a surgir também os primeiros espaçosformais, dentre eles a instituição escolar, que estava voltada para atender osinteresses e necessidades do grupo a quem se destinava essa educação. As
  22. 22. classes menos privilegiadas não tiveram acesso à educação escolarizada por muitotempo, somente a partir do advento da modernidade e da constituição dos estados-nação foi que essas sociedades passaram a contemplar, em suas leis, a ideia deuma educação escolar para todos. Mesmo assim, no Brasil somente no início doséculo XX é que se deu de fato a expansão do ensino elementar para todos. O atendimento escolar às pessoas deficientes, no Brasil, deu-se a partir nadécada de 50 do século XIX, durante o império. Foi nesta época que D. Pedro IIfundou no Rio de Janeiro o imperial Instituto de Meninos Cegos e depois fundou oImperial Instituto dos Surdos-mudos. Na primeira metade do século XX, até 1950havia quarenta estabelecimentos mantidos pelo poder público. Nos anos de 1957 a1993 houve várias iniciativas oficias no âmbito nacional.Segundo Mazotta (1998): Foram instituídas campanhas, criados institutos de surdos (INES), no Rio de Janeiro, que tinha por finalidade promover, por todos os meios a seu alcance, as medidas necessárias à educação e assistência no mais amplo sentido, em todo território nacional (p.29). Instituições de amparo às pessoas com deficiência foram surgindo, no intuitode educá-las e profissionalizá-las, porém, acomodando-as em locais especializados,distantes do convívio social. Até a metade do século XX, este modelo perdurou nasescolas, através das salas de recursos e, nas empresas ou nas oficinas de trabalho,através da segregação em locais especializados. O Instituto Pestalozzi (1926), aAPAE – Associação de Pais e Amigos do Excepcional (1954) e o Instituto PadreChico são exemplos deste modelo de atendimento. Em 1981, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) declarou o “diainternacional das pessoas portadores de deficiências”, dando assim o impulso aosurgimento de vários movimentos sociais, institucionais ou dirigidos pelos própriosdeficientes. Contribuiu também para o fortalecimento de um modelo de inserção depessoas com deficiências o “Paradigma da Integração”. Neste modelo acreditava-se que as pessoas com alguma limitaçãoprecisavam preparar-se e adaptar-se para que sua inserção na educação ou no
  23. 23. mercado de trabalho se completasse. Assim, se esta “normalização” da pessoa coma deficiência não fosse possível ele seria mantido no modelo de “segregação”,dentro de espaços especiais. Segundo Sassaki (1997) este é um modelo médico,onde os deficientes são pacientes que precisam ser tratados, curados,normalizados, para assim poderem ingressar no convívio social, ainda que, paraisso, enfrentem grandes barreiras decorrentes de uma sociedade excludente, emsuas estruturas arquitetônicas e sociais. E ele ainda acrescenta: ... os diferentes são freqüentemente declarados doentes. Este modelo médico da deficiência nos designa o papel desamparado e passivo de pacientes, no qual somos considerados dependentes do cuidado de outras pessoas, incapazes de trabalhar, isentos de desejos normais, levando vidas inúteis (p.10). Podemos dizer que, este período é marcado pelo assistencialismo como seestes alunos especiais precisassem apenas de ajuda humanitária, paternalista, semuma perspectiva de mudanças dos indivíduos para atuarem com cidadania. Nestesentido Mazzota, (2001) afirma que: Sobre o tipo de assistência prestada, há, no entanto, informações insuficientes para sua concretização como educacional. Poderia tratar-se de assistência médica a crianças deficientes mentais e não propriamente atendimento educacional; ou, ainda atendimento médico pedagógico (p.30). Na década de 90, principalmente na Declaração de Salamanca, um novomodelo, vigente até o momento, começou a ser discutido e implantado como opçãode inserção social dos deficientes, o modelo “inclusivista“, que define ou defende apreparação de toda a sociedade para pleno ingresso das pessoas com deficiênciana vida sócio-politico-educacional. Diante das exigências da sociedade contemporânea vemos que a EducaçãoBrasileira vem modificando seus paradigmas, reflexo das políticas públicas que temcolocado certa evidencia no paradigma da inclusão e possibilitado o acesso dealunos com necessidades especiais no ensino regular.
  24. 24. Atualmente, a escola começa a fazer parte cada vez mais cedo da vida dascrianças e nela são oferecidas atividades que lhes possibilitam desenvolverem-se deforma dinâmica. Cabe a instituição cumprir os conteúdos sistematizados e fazer comque as crianças formem hábitos, atitudes e habilidades próprios de uma culturaletrada, mas que também cumpra a função de socializá-las, pois as atividadescomunitárias no bairro, na vizinhança, na rua estão ficando cada vez mais raras. Neste sentido a educação escolar deve basear-se na formação do indivíduoenquanto cidadão crítico e reflexivo, que tenha consciência de seu papel naconstrução da sociedade, na qual está inserido, havendo por conseqüente,coerência nas ações dos agentes nela envolvidos. Freire (1996) pontua que:“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produçãoou sua construção” (p.25). O conhecimento é construído pelo individuo, e a aprendizagem é umprocesso com tempo e ritmo diversificado, determinado pela qualidade da interação,do nível de participação e problematização das oportunidades de se vivenciarexperiências, construir significados, elaborar e partilhar conhecimentos em grupo.Assim a escola, o professor e a família têm papel determinante na mediação sócio-cultural do aluno para que ele avance no seu processo de desenvolvimento eaprendizagem, e na formação humana por meio de situações desafiadoras para odesenvolvimento positivo da auto-imagem, independência e autonomia (BRASIL,2006). Portanto, a escola inclusiva deve investir nas potencialidades do aluno, dandooportunidades a todas as crianças, e condições, principalmente, às crianças comnecessidades especiais, para que possam se desenvolverem social eintelectualmente, junto com as outras crianças na classe comum.2.2 As leis que regulamentam a inclusão: A educação inclusiva é um movimento coletivo que avança para superar opreconceito e a segregação, e nas políticas nacionais afirmam-se iniciativas de
  25. 25. formação docente, experiências pedagógicas, de gestão educacional e ampliação daconsciência coletiva dos direitos, tratando-se então de um desafio dos governos e doconjunto da sociedade, professores, famílias e todos aqueles que acreditam nainclusão como princípio. Como aborda o documento das Diretrizes Nacionais para Educação Especialna Educação Básica, esta tem como objetivo orientar o sistema de ensino para aorganização da educação especial, como elo que perpassa todos os níveis, etapas emodalidades de ensino, garantindo às pessoas com necessidades especiais acessoà escola regular atendimento educacional especializado, promovendo assim aaprendizagem e a participação de todos, proporcionando uma educação dequalidade. Há um enfoque na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº9394/96 no art. 58, com relação à educação especial que diz: “entende-se poreducação especial, para efeitos da lei, a modalidade de educação escolar, oferecidapreferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores denecessidades especiais” (BRASIL, 2001). Esse direito fica claro na Declaração Mundial de Educação para todos,aprovada pela ONU em 1990 e por sua vez inspirou o Plano Decenal de Educaçãopara Todos. Em seguida, a UNESCO (Organizações das Nações Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura) registrou, na Declaração de Salamanca (1994), oconceito de inclusão no campo da educação comum: O princípio da inclusão consiste no “reconhecimento da necessidade de secaminhar rumo à escola para todos – um lugar que inclua todos os alunos celebre adiferença, apóie a aprendizagem e responda às necessidades individuais”.(Declaração de Salamanca, 1994). Com base nessas afirmações indica-se uma transformação no sistemaeducacional a partir da construção de escolas abertas para todos e de umapedagogia heterogênea com a participação da comunidade, significando assim uma
  26. 26. nova sociedade, em que não mais as pessoas com necessidades especiais vãobuscar sua integração e adaptação ao sistema, mas sociedade é que vai seorganizar e modificar-se de acordo com as circunstâncias para incluir todas aspessoas, incluindo aí as pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente,estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A conferência Mundial sobre necessidades Educativas Especiais: Acesso eQualidade, realizada pela UNESCO, em Salamanca (Espanha) em junho de 1994,teve como objetivo especifico de discussão, a atenção educacional aos alunos comnecessidades especiais. Nela os países signatários, dos quais o Brasil faz parte,declaram: Todas as crianças, de ambos os sexos, tem direito fundamental à educação e que a elas deve ser dada oportunidade de obter e manter um nível aceitável de conhecimentos. Os sistemas educativos devem ser projetados e os programas aplicados de modo que tenham em vista toda a gama dessas diferentes características e necessidades. Cabe ressaltar que a Constituição de 1988 surge dando garantiaseducacionais as pessoas com necessidades especiais e ao superdotado, sendo aeducação formal assegurada em igualdade e condições para o acesso e apermanência, independente de seus atributos individuais, ficando garantindo oatendimento especializado a este segmento de preferência na rede regular deensino. Em 1992, foi criada a Secretaria de Educação Especial, vinculada aoMinistério de Educação e Cultura, que normatiza e coordena a política de educaçãoespecial em nível nacional. O desafio, portanto, para os profissionais que estão a serviço da melhoria daqualidade da vida humana é além de conhecer e fazer valer as leis, lançar propostasque não se destinam apenas a um grupo restrito de pessoas. A inclusão na escolase fundamenta na realidade contemporânea e devem ser projetadas frente aospreconceitos e instabilidades que são apresentadas na escola, levando emconsideração que o tempo define as oportunidades de conhecimentos e de que aslimitações e obstáculos fazem parte do desenvolvimento humano.
  27. 27. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência é um marcopara os Direitos Humanos e para seu público destinatário. Sendo um dos tratados dodireito internacional, a Convenção surgiu para promover, defender e garantircondições de vida com dignidade e a emancipação dos cidadãos e cidadãs domundo que apresentam alguma deficiência. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil apresentaum número cada vez maior de pessoas com deficiência. Dados de 2000 apontavamque 14,5% da população brasileira eram constituída de pessoas com deficiência, asquais dão contorno a estrutura das famílias brasileira no seu contexto sociocultural.De acordo com esses dados do IBGE nas regiões mais afastadas dos centrosurbanos, onde se presume menor atendimento, estes números aumentam. Assimcomo aumentam nas famílias de etnias menos assistidas, como as indígenas e afrodescendentes.2.3 O Conceito de deficiência Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que estaresulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras ou atitudes queimpedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade, em igualdadede oportunidades com as demais pessoas, assim, podemos conceituar inicialmenteque pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo denatureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversasbarreiras, podem obstruir suas participações plenas e efetivas na sociedade emigualdade de condições com as demais pessoas. A Convenção sobre os Direitosdas Pessoas com Deficiência conceitua a deficiência como [...] perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão. (AMIRALIAN et al., 2000, p. 98).
  28. 28. Como podemos perceber o conceito de deficiência abrange uma série deoutros, pois se faz necessário entender cada uma dessas limitações, principalmentepara a escola e o professor, para que se possa planejar as ações e adaptaçõesnecessárias para o processo de escolarização e, portanto, de inclusão, mais efetivodas pessoas com necessidades especiais. Não vamos conceituar todas asdeficiências, pois não é o objetivo desse trabalho, mas faremos umaconceitualização das deficiências encontradas na escola pesquisada, pois se faznecessário para o entendimento de nossas análises.2.3.1 Síndrome de Down Síndrome de Down é essencialmente um atraso do desenvolvimento, tantodas funções motoras do corpo, como das funções mentais. Um bebê com síndromede Down é pouco ativo, “molinho”, o que nomeia como hipotonia. A hipotonia diminuicom o tempo, e a criança vai conquistando, embora mais tarde que as outras, asdiversas etapas do desenvolvimento: sustentar a cabeça virar-se na cama,engatinhar, sentar, andar e falar. “Considera-se que a síndrome de Down édecorrente de um erro genético presente desde o momento da concepção ouimediatamente após” (SCHWANTZMAN,1999, p.3). A síndrome de Down é conhecida popularmente como mongolismo. O nomemongolismo foi dado devido ás pregas no canto dos olhos que lembram o aspectodas pessoas da raça mongólica. A palavra síndrome significa um conjunto decaracterísticas que prejudica de algum modo o desenvolvimento da pessoa e Downem referência ao médico inglês Jonh L. Down, que a identificou. Grosso modo, conjunto de características apresentadas é resultante dealteração genética, caracterizada pela presença a mais do cromossomo 21. Assim,ao invés do indivíduo apresentar dois cromossomos 21, apresenta três, recebendo onome por essa alteração de trissonomia simples. No entanto podem-se encontraroutras alterações genéticas, que causam síndrome de Down.
  29. 29. A criança com síndrome de Down apresenta algumas limitações dependendodas características da síndrome apresentadas pelo individuo, assim o trabalhopedagógico deve primeiro respeitar o ritmo da mesma e propiciar-lhe estimulaçãoadequada para o desenvolvimento de suas habilidades, criando-se programas eimplementando-os de acordo com as necessidades especificas da criança. Portantoo atendimento ao individuo com Down deve ocorrer de forma gradual, pois o mesmonão consegue absorver grandes números de informações. Convêm ressaltar que não deve ser apresentado a esses indivíduosinformações isoladas ou mecânicas, o processo de ensino e aprendizagem deve serinterativo e dinâmico. Essas crianças apresentam idade cronológica diferente daidade funcional, desta forma, não se espera uma resposta idêntica à resposta dasdemais crianças.2.3.2 Deficiência física A deficiência física refere-se a uma gama de alterações na parte física quepode causar, ou não, limitações à pessoa. Os documentos referentes aos conceitosdas deficiências concordam na seguinte definição de deficiência física [...] alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004).2.3.3 Deficiência mental A deficiência mental diz respeito ao funcionamento intelectualsignificativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos elimitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tendodestaque no decreto 5.296 as seguintes limitações: “Comunicação, cuidado pessoal,
  30. 30. habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança,habilidades acadêmicas, lazer e trabalho.” Os problemas apresentados pelas pessoas com deficiência mental, - ou maisrecentemente como é denominada – deficiência intelectual, dizem respeitodiretamente ao atraso no desenvolvimento, o que significa que o processo deorientação e educação deve centrar esforços no sentido de trabalhar no aprendizadode atividades que permitam a essas pessoas crescerem e se tornaremindependentes, ao mesmo tempo em que possam desenvolver suas aptidões ecapacidades.2.4 Os pais: perspectivas e participação no processo de escolarização Participar significa ter ou fazer parte de um fato ou evento, mas tambémcomunicar um fato ou evento (FERREIRA, 1986), portanto podemos concluir queparticipar é um processo de interação e comunicação onde a verbalização temsignificante importância. Desta forma a participação dos pais deve ser entendidacomo um amplo processo de comunicação que engloba não apenas a presençafísica dos mesmos na instituição escolar, mas também a constante comunicaçãocom a escola e todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem. Essa participação pode fazer diferença no processo de escolarização dascrianças, principalmente no acompanhamento do filho com necessidades especiaisonde a participação deve ser mais efetiva, pois essas crianças necessitam estarinseridas no ensino regular junto como as demais. Segundo afirma Bruno (2006), a educação inclusiva deve ter como ponto departida o cotidiano: o coletivo, a escola e a classe comum, onde todos os alunoscom necessidades especiais ou não, precisam aprender e ter acesso aoconhecimento, à cultura e progredir no aspecto pessoal e social. As expectativas e participação dos pais na escolarização dos filhosnecessitam de uma maior atenção e reflexão para que sirvam de guias para formas
  31. 31. mais humanas de acompanhamento do seu desenvolvimento social e educacional.Isto significa, entre outras coisas, dar-lhe tempo em casa para brincar, sonhar,encenar... E os pais também disponibilizarem tempo para brincar com seus filhospara que eles possam viver a conquistada infância como as outras crianças,respeitadas as características do seu tempo e de suas limitações. No entanto numa sociedade capitalista como a nossa há uma exigência maiordos membros da família de participarem do orçamento familiar, os pais dividem cadavez mais as responsabilidades e assim são obrigados a desde cedo deixarem seusfilhos a cargo de instituições como creche, escola e professores particulares para oacompanhamento e a educação dos mesmos. A família como primeiro ambiente de socialização, interação e acesso aoselementos da cultura a qual pertence o individuo tem função fundamental naconstrução identitária do mesmo, “A cultura, enfim, proporciona-nos um sentido do"nós" como membros de um grupo social que tem uma trajetória histórica; ela nos dáconsciência de sermos continuadores de "outros", porém semelhantes a nós.”(SACRISTÁN, 2002, p. 85). Neste contexto, apontamos a família como elemento inicial e fundamental naevolução mental, emocional, cultural e social das crianças, principalmente nascrianças com alguma deficiência ou limitação, visto que os pais e outros membrosda família são referencia na vida destes educandos. No grupo familiar a criançaconstruirá suas Impressões do mundo e de si mesmo em seus primeiros passos devida. No espaço escolar a criança terá complementado o seu acesso aoselementos necessários para sua vida em comunidade, porém o seu tempo eaprendizado junto com sua família é maior que o disponibilizado no espaço daescola. Desta forma, é na interação escola e família que poderemos construircondições melhores de aprendizagem para estes educandos.
  32. 32. Quando a criança encontra um espaço familiar favorável a sua exploração deforma independente é possível ganhar condições favoráveis para perceber as coisassozinhas, por outro lado, este núcleo familiar pode anulá-la colocando-a semprenuma posição de incapaz e não permitir esta autonomia. Uma família podesuperproteger esta criança impedindo-a de desenvolver suas potencialidades. É importante citar a obra em que Vygotsky faz afirmações em sua teoria dodesenvolvimento sobre a importância da interação com outras crianças maisdesenvolvidas ou pessoas mais velhas, podendo ser os professores ou mesmo ospais, desta forma a criança que interage com alguém com maior conhecimentopoderá sair de um estágio denominado por ele de desenvolvimento real para o outroestágio de desenvolvimento potencial. Na família a criança desenvolve todoesquema mental e corporal. No caso da criança com alguma limitação, por vezes osreforços positivos ou negativos são incorporados neste convívio.
  33. 33. CAPÍTULO III3. TRILHA METODOLÓGICA: definindo os caminhos da pesquisa A educação é um direito de todos, por isso é importante compreender que aeducação está baseada na aceitação das diferenças e na valorização do individuo,independentemente dos fatores físicos e psíquicos. Nesta perspectiva é que se falaem inclusão, onde todos possam ter os mesmos direitos e deveres, construindo umuniverso que favoreça o crescimento, valorizando as diferenças e o potencial decada um. Procurar entender a educação em todas as dimensões e processos é umanecessidade do educador e esta pesquisa se configura na necessidade decompreender qual a relação entre expectativas e participação dos pais no processode escolarização das crianças com necessidades especiais. Neste capítulo,portanto, descrevemos o caminho percorrido nesta pesquisa. Por tratar-se de uma área que envolve os homens e seus processos deconstrução de conhecimento e as inter-relações intra e interpessoais, a pesquisa emeducação tem como pressuposto metodológico mais adequado a abordagemqualitativa. Neste sentido Macedo (2004) afirma que “para o olhar qualitativo énecessário conviver com o desejo, a curiosidade e criatividades humanas; com asutopias e esperanças; com a desordem e o conflito;com a precariedade e apretensão; com as incertezas e o imprevisto” (p.69). A pesquisa qualitativa consente ao pesquisador examinar atentamente osindivíduos envolvidos no processo educacional. Além disso, este método é muitousado nas pesquisas educacionais nas últimas décadas, tem como uma dascaracterísticas investigarem os significados que os envolvidos dão ao assuntopesquisado. Segundo Ludke e André (1986), ”a pesquisa qualitativa supõe o contatodireto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que esta sendoinvestigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo” (p.11). Isso
  34. 34. significa que o pesquisador deverá vivenciar todo o cotidiano escolar para que possavisualizar em quais condições ela se manifesta. A presente investigação é basicamente caracterizada como uma pesquisa noâmbito da educação especial. O estudo foi realizado seguindo uma metodologia quenos permitiu compreender a problemática apresentada. E para que o nosso objetivofosse alcançado, foi preciso considerar muitos aspectos como: sociais, econômicose culturais, dos sujeitos envolvidos, pois estes determinam atitudes e condutas dospais em relação aos seus filhos com necessidades especiais. A pesquisa aconteceuna Escola Municipal Professor Pedro Calmon, que pertence à rede Municipal deensino, localizada no Distrito Pilar, Jaguarari-BA. Utilizamos a metodologia paratrabalhar detalhadamente o objetivo proposto que foi investigar a relação entre asexpectativas e participação dos pais no processo de escolarização dos filhos comnecessidades especiais na referida escola. O locus escolhido para desenvolver a pesquisa foi a Escola MunicipalProfessor Pedro Calmon, situada no Distrito Pilar, na cidade de Jaguarari-BA. Suaestrutura física é composta de nove salas de aula e uma sala de leitura, secretaria,sala de direção, sala dos professores, sala de coordenação, dois depósitos,banheiros feminino e masculino, cantina, um banheiro de funcionários, um banheiropara professores, almoxarifado, dispensa para merenda, pátio coberto e uma miniquadra esportiva. A Escola foi escolhida por ser a única escola do Distrito queatende um número razoável de crianças com necessidades especiais. Os sujeitos da pesquisa foram os pais e 10 professores da referida escola,sendo que atualmente apenas seis professores lecionam com esses educandos, eos demais lecionaram em anos anteriores. Essas crianças apresentam as seguinteslimitações: síndrome de Down, limitação física (cadeirante) e deficiência mental. Conforme Barros (2000), a coleta de dados significa a fase da pesquisa emque se indaga e se obtêm informações da realidade através da aplicação deinstrumentos. Fazendo-se necessário a análise dos dados como forma de interpretare analisar o que foi revelado na investigação.
  35. 35. Os dados para a efetivação deste trabalho foram levantados através de fontese instrumentos diversificados tais como: Observação participante, entrevista semi-estruturada e o questionário fechado. Cabe ressaltar que não foi possível gravarmos as entrevistas com os pais eos professores, foi utilizado um diário de bordo, para que assim fossem registradasdiariamente as observações, percepções, vivências e experiências para que aoanalisar os dados observados todos os detalhes fossem levados em consideração.Pois fazer a relação entre expectativa e participação exige uma análise criteriosatanto da observação em sala de aula, da conversa com os educandos, da fala deprofessores e da inter locução com os pais dos alunos com necessidades especiais. A coleta de dados foi estruturada com observações no espaço escolarjuntamente com um roteiro de entrevistas e questionários direcionados aos pais eprofessores. Visto que analisar só as respostas dos pais sem levar em consideraçãoo cotidiano e o que dizem os professores não iria dar subsídios suficientes para quea questão de pesquisa fosse desvelada.3.1 Observação Participante A observação participante permite maior contato com os sujeitospesquisados, uma experiência direta de envolvimento entre pesquisador epesquisado. André (1995), diz que a observação participante “é chamada departicipante porque parte do principio de que o pesquisador tem sempre um grau deinteração com a situação estudada, afetando-a e sendo por ela afetado” (p.28). Ao serem observados em sala de aula os alunos se sentiram à vontade eparticiparam da aula normalmente, a minha presença não interferiu no processo deensino e aprendizagem, entretanto os professores sentiram certo constrangimento,pois pude perceber que tiveram receio por estarem sendo observadosespecificamente sobre a sua prática com os alunos com necessidades especiais.
  36. 36. As observações foram feitas seguindo o roteiro: na primeira semana foramfeitas observações apenas com as anotações de quem levava as crianças para aescola e de como os educadores recebiam esses alunos, e houve também umaconversa com diretora e coordenadora sobre os alunos com necessidades especiaisque freqüentam a escola. Na segunda semana as observações passaram a serfeitas em sala e a cada final de aula uma breve conversa com educadores e paise/ou responsáveis que pegavam as crianças. As entrevistas e questionários foramentregues para professores, pais e uma avó que é a responsável por um doseducandos. Foi a partir das observações e questionamentos da realidade escolar, dasconversas com os educandos, pais e responsáveis e de um diálogo com a diretorada instituição que as entrevistas para os educadores e pais foram elaboradas. Portanto, este tipo de pesquisa facilita a aquisição de respostas e podeproporcionar resultados inesperados e surpreendes, pois o contato direto com ossujeitos propicia a percepção da realidade. E é de fundamental importância paracompreender a relação entre expectativas e participação dos pais no processo deescolarização dos filhos com necessidades especiais.3.2 Entrevista semi-estruturada A entrevista semi-estruturada é um dos meios utilizados pelo pesquisadorpara se obter dados e assim se fazer uma pesquisa qualitativa. Esse tipo deinstrumento foi escolhido, pois fornece subsídios para alcançar o objetivo propostona pesquisa. De acordo com Triviños (1987, p.146) ela “oferece amplo campo deinterrogativas, fruto de novas hipóteses, que vão surgindo à medida que se recebemas respostas do informante. Por ser considerado um encontro de duas pessoas a fim de que elasobtenham informações que contribuam para o alcance do objetivo proposto, asentrevistas foram realizadas individualmente com os educadores. De acordo com aconversa, o roteiro que foi elaborado antecipadamente ia se ajustando para que o
  37. 37. foco da questão não fosse perdido. Portanto a entrevista não se tornou numaconversa neutra, pois o objetivo da mesma era coletar os dados relatados pelosenvolvidos, focalizando a realidade pesquisada. As entrevistas, tanto com os educadores, como com os professores, foramrealizadas em etapas e os questionamentos foram elaborados depois da observaçãoin loco. Foi um instrumento que muito contribuiu para esta pesquisa, pois foi diantedo diálogo com os educadores e pais que pudemos investigar para assimcompreender a relação entre expectativas e participação dos pais no processo deescolarização dos seus filhos. As entrevistas foram feitas depois da observação para que assim tivéssemossubsídios para conduzi-la. Com os pais as entrevistas foram realizadas com oobjetivo de coletar informações sobre a estrutura e a dinâmica familiar eprincipalmente sobre as suas expectativas e participação quanto à escolarizaçãodos seus filhos, já que foi esse o objetivo da pesquisa. Com os professores o intuitofoi coletar dados sobre o funcionamento da escola, das crianças com necessidadesespeciais, como eles viam a inclusão e como percebiam as expectativas eparticipações dos pais no processo de escolarização desses educandos, para queassim pudéssemos alcançar o objetivo proposto neste trabalho. Com os professoresas entrevistas foram feitas na hora do intervalo escolar sempre estando presente oua coordenadora ou outro educador.3.3 Questionário Fechado Esse instrumento foi escolhido no intuito de definir os aspectos sociais,econômicos e educacionais, tendo como foco a definição de diversos aspectos quecontribuíram para as análises dos dados. Para Marconi e Lakatos (1996, p.88) “o questionário fechado é uminstrumento constituído por uma série de perguntas, devendo ser respondido porescrito e sem a presença do entrevistador”. Sendo assim, não houve interferêncianem influência nas respostas apresentadas.
  38. 38. O questionário foi entregue para pais e professores e a partir dele foi possívelanalisar e traçar o perfil dos professores e pais que acompanham diariamente ascrianças com necessidades especiais. E foi a partir do questionário que percebemosque a maioria dos pais é de classe baixa, que estes têm entre 30 e 50 anos e o graude escolarização varia de não alfabetizado ao fundamental I. O questionário fechadofoi entregue a ambos e recolhido na semana seguinte. A partir das análises dos instrumentos da coleta de dados será feita agora aapresentação, análise e interpretação dos dados, tendo como base alguns dosseguintes teóricos: Sassaki (1997), Machado (2005), Mantoan (1997), Carneiro(1997), Vygotsky (1997) e Buscaglia (2002).
  39. 39. CAPÍTULO IV4. ANALISANDO AS EXPECTATIVAS E A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS DECRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO PROCESSO DEESCOLARIZAÇÃO DE SEUS FILHOS: O que apontam os dados coletados. Neste capítulo apresentamos os dados coletados e procedemos a sua análisea partir dos referenciais teóricos discutidos no capitulo II deste trabalho monográfico.A coleta foi realizada através de vários instrumentos e ao cruzarmos as informaçõesbuscamos compreender a relação entre as expectativas e participação dos pais noprocesso de escolarização dos filhos com necessidades especiais. Conhecer o quepensam os professores dessas crianças também foi de fundamental importânciapara que o objetivo da pesquisa fosse alcançado, pois ao observar e ouvir apenasos pais as informações dadas poderiam não ser suficientes para o alcance doobjetivo proposto, pois elas poderiam ser dadas superficialmente, onde os mesmospoderiam negar ou até mesmo omitir o que realmente acontece no cotidiano de seufilho no ambiente escolar. As falas das educadoras estão apresentadas distintamente através das letrasA, B, C, D, E, F, G, H, I e J. E a fala dos pais pelos números 1, 2 , 3 e 4, fazendocom que a identidade de todos os envolvidos na pesquisa seja preservada.4.1 Os contatos iniciais e as entrevistas aplicadas O contato inicial foi feito com a observação e uma prévia conversa com ocorpo escolar. Foi observado com quem e como essas crianças chegam à escola eprincipalmente como são recebidas por ela. A observação foi realizada nos mesesde março e abril, a entrevista e o questionário foram elaborados em maio a partir dasobservações feitas na escola e aplicadas em junho. Durante as entrevistas foram coletados dados iniciais dos sujeitos, momentosde questionamentos traziam à tona a questão da pesquisa e ainda momentos desíntese sobre as colocações da problemática apresentada e apontadas pelos
  40. 40. entrevistados. Estes momentos foram conduzidos de forma que os entrevistadosfocalizassem sua atenção no aprofundamento das questões, pois por muitas vezeseles desviavam ou davam respostas superficiais. E ao estabelecermos essainteração pudemos eliminar os fatores que poderiam distorcer os dados coletados.Todos esses dados foram anotados no diário de bordo, permitindo assim umaanálise categorizada pelas situações que os professores, pais e alunos vivenciamnaquele cotidiano escolar, focalizando o objetivo deste trabalho.4.1.2 O perfil dos professores entrevistados A partir daqui os professores serão tratados como professoras, pois 100% sãodo sexo feminino, têm entre 31 e 48 anos, estão lecionando a mais de cinco anos e70% trabalham 40 h, e 30% 20h. É relevante mencionar a formação das professoras, onde 50% sãograduadas, 30% estão em processo de graduação e 20% se especializando. O quechamou atenção é que 80% delas ensinam por opção. É importante trazer o que aseducadoras falam sobre a sua profissão: Escolhi a educação porque me encanto todos os dias com esses meninos. É uma profissão difícil mas qual a profissão é fácil hoje em dia? Pelo menos estamos preparando esses meninos para a vida, contribuindo para que no futuro eles não caíam na marginalização (Professora A). Podemos notar a partir da fala da professora que há uma preocupação comas crianças e uma consciência do seu papel de educadora e das dificuldades do seutrabalho. Esta mesma postura também ficou clara no contato com a maioria daseducadoras que participaram desta pesquisa. Algumas das que acompanharam osmeninos em anos anteriores, contam que sentem saudades deles e que às vezesconversam com eles e com seus pais.4.1.3 O perfil dos pais dos alunos com necessidades especiais
  41. 41. Os pais dos alunos são na sua maioria oriundos da classe popular, e por issomuitos deles não têm acesso a informações dos seus direitos e deveres quanto aoprocesso de inclusão de seus filhos nas escolas. O que denominamos de pais na realidade refere-se a duas mães, uma avó eum pai de aluno com deficiência. No entanto, continuaremos a chamar de pais, poisna realidade eles são mães e pais dessas crianças que por vezes são excluídastanto do contexto familiar, quanto do social. A mãe 1 ao falar sobre o filho que tem deficiência mental, afirmou que“demorou muito para que eu aceitasse o meu filho após o nascimento. Meu maridome abandonou e eu fiquei cuidando dele sozinha”. E isto acontece muitas vezes, umdos pais – em muitos casos, o pai – não aceita o filho deficiente e acaba porabandonar toda a família e o outro assume sozinho, as funções de pai e mãe. Equando isso acontece a presença dessa mãe se torna fundamental na vida dessacriança, visto que a ausência do pai obrigou a mesma exercer os dois papéis,materno e paterno. É relevante ressaltar a importância do acompanhamento de pais eresponsáveis na vida dessas crianças que necessitam tanto de apoio para queconvivam de uma maneira digna na sociedade, como de carinho para que convivamcom todos ao seu redor.4.1.4 A ótica dos professores no processo de escolarização dos alunosespeciais. O processo de escolarização das pessoas com necessidades especiais exigeprioritariamente respeito. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas comDeficiência assinada em Nova York em 30 de março de 2007 sendo aprovada noCongresso Nacional em 25 de agosto de 2009 no seu artigo 8 que trata daconscientização diz que: Os Estados Partes se comprometem a adotar medidasimediatas, efetivas e apropriadas para:
  42. 42. a) Conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condiçõesdas pessoas com deficiência e fomentar o respeito pelos direitos e pela dignidadedas pessoas com deficiência. Portanto não é apenas no processo de inclusão escolar como em todos osâmbitos, que as pessoas com deficiências devem ter condições dignas para aconvivência no meio social. De acordo com Sassaki (1997), a inclusão causa umamudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunosque apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos os envolvidos noprocesso de inclusão dando um passo para caminhar em sociedade livre depreconceitos e limitações. O educador deve estar preparado para que na escola essa conscientizaçãocomece a ser entendida e efetivada por ele, pelo alunado e por todos que fazemparte e convivem no espaço escolar. Pois: A educação inclusiva vem propor que todas as crianças, independentes de suas características pessoais, estilos de aprendizagem, condição orgânica, origem socioeconômica ou cultural, estejam em sala de aula e que suas necessidades sejam satisfeitas, baseando-se no principio da educação para todos (MACHADO, 2005, p.37). As relações de respeito pelos alunos com limitações ou não devem serensinadas e tratadas com naturalidade dentro da escola, para que fora dela sepossa ter uma relação digna entre as pessoas com deficiências e as demaispessoas. Nesse sentido a capacitação profissional no que diz respeito ao corpoescolar é imprescindível para que a inclusão se efetive. No entanto, ao seremquestionadas sobre cursos promovidos para essa capacitação a resposta dosprofessores foram as seguintes: Anos atrás foram disponibilizados alguns cursos, mas recentemente nada acontece nesta Rede Municipal de Educação (Professora B) Os cursos de capacitação estão cada vez mais escassos, ficamos sem saber como fazer ao nos deparamos com alunos portadores de
  43. 43. necessidades especiais, como agir em determinadas situações (Professora C) Se tivéssemos cursos que nos proporcionasse uma aprendizagem sobre crianças portadoras de deficiências, com certeza faríamos um trabalho diferenciado. O que acontece é que muitas vezes não sabemos lidar com essas crianças e nem o pessoal que faz parte da escola não sabe. Ficamos muitas vezes sem saber o que fazer (Professora D) Ao observar e ao entrevistar esses professores percebemos o carinho queeles têm com os alunos em geral, mas infelizmente por falta de formação adequadae conhecimento específico para o trabalho com crianças com deficiência, a maioriadeles tratam estas crianças de maneira diferenciada, fazendo com que ela sintam-se “excluídas” da classe, visto que as atividades propostas dividem os alunos comdeficiências dos alunos ditos “normais”. No entanto, Os portadores de deficiência precisam ser considerados, a partir de suas potencialidades de aprendizagem. Sobre esse aspecto é facilmente compreensível que a escola não tenha de consertar o defeito, valorizando as habilidades que o deficiente não possui, mas ao contrário, trabalhar sua potencialidade, com vistas em seu desenvolvimento (CARNEIRO 1997, p.33). E é justamente essa consciência que a escola e os professores devem ter aotrabalhar com crianças com deficiência, pois a educação inclusiva não consisteapenas em matricular os alunos com deficiência numa turma regular de ensino. Elasó terá significado se além de ingressar o aluno permaneça nela se sentindo comoparte importante no processo de ensino. O exemplo citado abaixo descreve ummomento da aula onde a exclusão é evidenciada: Numa aula observada de matemática em que era trabalhado o conceito de“maior que” e “menor que”, as crianças estavam todas sentadas em círculoatendendo ao que era proposto pela educadora, no entanto o aluno com Síndromede Down apenas coloria um desenho, sentado na cadeira no canto da sala. AProfessora B ao ser questionada sobre essa atitude disse que “a criança nãoacompanha a turma, ele faz somente traços desordenados, não se encontra nomesmo nível silábico que os demais alunos, ele está nesta turma por exigência da
  44. 44. mãe, pois seu irmão estuda na mesma turma, para que assim ele se sinta maisseguro” Durante o período de observação percebemos que as educadoras não sesentem preparadas para contribuírem e principalmente efetivarem o processo deinclusão. Os alunos são apenas recebidos pela escola.e na opinião delas a escolaapenas oferece a matricula, pois é uma exigência da lei que essas crianças estejamfreqüentando as classes regulares, no entanto elas não se sentem preparadas,considerando a inclusão um processo complexo e que exige além de esforço ededicação uma preparação e formação prévia para receber esses alunos. Ao responderem questões da entrevista semiestruturada as professorascitaram algumas dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar enumerando algunsfatores que dificultam a inserção dos alunos com necessidades especiais: Não saber que tipo de necessidade especial ou transtorno a criança apresenta. (Professora F) Falta de apoio especializado para diagnosticar e acompanhar essa criança. (Professora G) Ausência de material especializado e sala adequada para ajudar e atender as individualidades. (Professora H) Ausência de tempo disponível para atender individualmente essas crianças, pois trabalham numa classe numerosa, havendo vários alunos com outros transtornos e dificuldades de aprendizagens. (Professora I) Na fala das professoras fica claro que elas acham que as crianças queapresentam alguma limitação devem ser atendidas isoladamente, esquecendo elasque todos os alunos são especiais e que eles devem ter a mesma dedicação eatenção, sem distinção ou preconceito. A Professora E disse: “não tem como aplicaruma mesma atividade para todos numa classe que possui criança com algumadeficiência, é impossível, assim também como não podemos dar atenção apenas aela e esquecer do resto da turma”. Pode-se perceber que o que contribui para que o
  45. 45. professor tenha essa percepção é justamente a falta de formação profissional e oconhecimento necessário para realizar as adaptações das atividades àsnecessidades dos alunos. Ferreira (2003) alerta para a necessidade de Uma pedagogia centrada na criança, baseada nas suas habilidades, e não na suas deficiências, e que incorpore conceitos, como interdisciplinaridade, individualização, colaboração e conscientização, sensibilização, facilitando assim, a inserção dos alunos que apresentam necessidades especiais na escola, fazendo dessa “inclusão” uma experiência positiva para todos (p.119). Portanto, trabalhar com essa clientela é possível, e se torna urgente umamudança de postura e conduta profissional, pois aumenta a cada dia o numero decrianças com necessidades especiais que são inseridas na escola regular. ParaMantoan (1997, p.148) é preciso, pois, tratar dessa questão desde a formaçãomínima do magistério até o curso de pedagogia, para que os professores sejamcapazes de oferecer à criança com deficiência uma vivência que reforce o caráterdemocrático da escola e da sociedade que o abriga. O professor deve estar apto adesenvolver um trabalho que equalize as oportunidades educacionais entre normaise deficientes, sem prejuízo para ambos. Esta educadora ainda afirma que é na escola inclusiva que professores ealunos aprendem uma lição de vida: respeitar as diferenças. E ressalta que ainclusão é a nossa capacidade de reconhecer o outro e ter o privilégio de convivercom pessoas diferentes. Porém saber o que significa a educação inclusiva nãosignifica que os professores saibam o que fazer em sala de aula com as criançascom deficiência. Em contra partida muitos pais também não aceitam que seu filhopossua alguma limitação ou transtorno. As professoras enfatizaram bem essaquestão: - Os pais ao serem questionados sobre a limitação de seu filho mudam de assunto e muitas vezes nem deixam a gente terminar de falar. Quase não aparecem nas reuniões deixando o profissional numa situação difícil, pois essa conversa poderia ajudar e muito no nosso dia a dia com a criança (Professora G) - Muitas vezes chamamos os pais ou responsáveis para ter uma conversa, tentar falar sobre o assunto, saber como essa criança é
  46. 46. tratada em casa, eles simplesmente fazem de conta que não é com eles ou que o filho deles não tem nenhum problema. Esse distanciamento dificulta nosso trabalho (Professora H). - os pais não aceitam de forma nenhuma e muitos deles não sabem nem os direitos que seu filho tem. É difícil desenvolver um trabalho onde você tem que ao mesmo tempo cuidar de todos e lidar com a ignorância de certos pais (Professora I) Pelos depoimentos das professoras percebe-se que elas não entendem quemuitas vezes é difícil para os pais aceitarem a deficiência dos filhos e eles tambémprecisam de ajuda, pois se sentem sozinhos e muitas vezes não sabem como agir.E, como a Professora I afirmou que muitas vezes esses pais não conhecem nem osdireitos que seus filhos têm. Mas os pais também querem o melhor que a escola puder oferecer para seusfilhos visto que “Retorno, cuidado e total atenção” são algumas das exigências dospais segundo 70% das educadoras entrevistadas. No entanto, elas afirmam que aomesmo tempo em que exigem da escola eles não participam, deixando a desejar noacompanhamento dos educandos. As outras 20% declararam que “os pais nãoestão nem aí”. Elas relatam que eles apenas levam e pegam seus filhos no final daaula, muitos pais, segundo elas têm o desejo de que o filho fique na instituição o diatodo, segundo a professora E “é como se quisesse se livrar do menino”. A escola busca a parceria e ajuda dos pais, mas muitas vezes, não tem oretorno desejado. Conversando com a professora I na sala dos professores eladesabafou dizendo que tem horas que a situação fica insustentável chegando aacontecer visitas na casa dos familiares dessas crianças. A Professora J quetambém estava na sala, indignada nos revela: Fui lá e a mãe é só descaso com os filhos. Ela tem dois aqui na instituição. Saiu de casa pra morar com o namorado, deixando as duas crianças sozinhas. E fui bem clara ao dizer: “vocês não estão preocupados então fiquem com eles”. Achei aquilo um absurdo mais não pude fazer muita coisa. As crianças ficam na escola apenas um turno depois vão pra casa delas ficando sozinhas, a mãe não se preocupa de jeito nenhum com eles.
  47. 47. A professora contou que a diretora da escola tentou conversar com essafamília várias vezes, conversar com a mãe dos meninos, tentando conscientizá-la deque os filhos têm problemas e que não podem ficar sozinhos, mas não adiantoumuito. A mãe dos meninos sai freqüentemente de casa deixando-os, sozinhos. Com vistas a chamar os pais e travar uma parceria, a escola sempre promovereuniões tendo como pauta a inclusão, no entanto os pais não comparecem comoafirma a Professora E: “Se os pais participassem, até mesmo no simples fazer dodever de casa seria muito bom pra esses meninos, eles se sentiriam motivado. Maiseles querem que a gente faça tudo”. A partir do exposto acima afirmamos que para a efetivação da inclusão depessoas com necessidades especiais no âmbito escolar são necessáriosinvestimentos na formação continuada dos professores, na disponibilização derecursos pedagógicos e físicos e uma melhor remuneração. Além disso, se faznecessário uma mudança na visão em relação à criança com deficiência, e umacompanhamento e apoio psicológico aos pais na difícil tarefa de cuidar e educar osfilhos com deficiência. O que se percebeu também é que os professores ainda têm resistência noque diz respeito ao processo de inclusão, alguns chegaram a dizer que a mesma éimpossível. Daí a necessidade da escola se preparar para atender essas crianças edar significado à inclusão, e não apenas aceitá-las no seu interior. Mudandoatitudes, sendo diferente, solidária, democrática, pois é a escola que deve se ajustara essas crianças e não elas a escola. Para Schneider (2003, s/p): A política da inclusão dos alunos na rede regular de ensino que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste apenas na permanência física desses alunos, mas o propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim que a escola defina a responsabilidade criando espaço inclusivo. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função coloca-se a disposição do aluno.
  48. 48. Não basta apenas receber, a escola necessita de profissionais que priorizemum ensino para todos, respeitando as necessidades especificas desses alunosnuma moldura educativa que defenda principalmente seus direitos de aprender e sedesenvolver dentro das suas possibilidades e ritmos. Para Vygotsky (1997, P.23) éde suma importância que a educação proposta para as crianças com necessidadesespeciais seja marcada pela promoção variada e rica de suas vivências sociais emespecial no espaço escolar, em que possibilitará a criança construir estruturascognitivas e também lingüísticas cada vez mais complexas. A escola precisa estar preparada para dar respostas à heterogeneidade,tendo como base uma multiplicidade de serviços e de apoio adequados,proporcionando aos educandos a possibilidade de maximizar seus potenciais.Correia (1993) nos diz que por exibirem determinadas condições especificas essesalunos podem necessitar de apoio de serviços durante todo ou parte do seupercurso escolar, de forma que esse facilite o seu desenvolvimento acadêmico,pessoal e sócio emocional. Portanto é necessário que todos se sintam atendidos da mesma forma,permitindo dar respostas às necessidades dos alunos, implementando estratégiaspara que os familiares das crianças com necessidades especiais possam participarda vida escolar dos seus filhos. Na concepção dos professores quando questionados sobre as expectativas eparticipação dos pais no processo de escolarização dos filhos com necessidadesespeciais, eles acreditam que a maioria dos pais delega à escola não apenas aformação do seu filho, mas também a responsabilidade sobre ele. Segundo umadas professoras “A mãe quer que a criança freqüente a escola pela manhã, tarde enoite. Ela diz que o lugar do filho é na escola, pois em casa ele não presta pranada”.4.1.5 O que exigem os pais no processo de escolarização dos filhos comnecessidades especiais.
  49. 49. Antes de discutirmos sobre a relação dos pais com a escola se faz necessáriocompreendermos os sentimentos vivenciados pelos pais dessas crianças aodescobrirem sobre a deficiência de seus filhos. Pois ao esperar um bebê a famíliacria expectativas quanto a essa criança, e ao saber que seu filho possui algumalimitação a família passa por um processo de luto e de perda de suas expectativas,pois de repente se deparam com uma situação completamente inesperada. A partirdaí analisaremos as exigências dos pais quanto ao processo de escolarização dosseus filhos. Os resultados da pesquisa de Kortmann (1997) apontam as dificuldades dosfamiliares quanto à aceitação da criança que nasce diferente. Em um primeiromomento (momento do choque) quando as famílias recebem a notícia cada um doselementos da família reage de forma diferente, havendo muitas vezes, dificuldadesno desempenho dos papéis, isto porque além de aprender a ser mãe/pai, os paistem que ser pai/mãe de uma criança diferente que não esperavam. Portanto, há umsentimento de perda muito grande, perda do filho sadio, perda do filho sonhado,perda do sonho. Ao analisarmos a entrevista realizada com os pais, podemos perceber emsuas respostas quando questionados sobre qual sua relação e dos demais membrosda casa com essa criança para percebermos que quase todos têm dificuldades emlidar com essa realidade, embora o depoimento da Mãe 3 seja um pouco maispositivo que os demais: Quando me separei ele era pequeno. Minha mulher foi embora deixando ele pra trás. Ela o abandonou porque não o aceitava. Eu faço o que posso para acompanhá-lo, pois trabalho e não tenho muito tempo. Pai 1 No início eu não acreditava que ele tinha nascido assim. Afinal de contas esperei ansiosa pelo seu nascimento. Tive que aceitar, pois foi Deus que quis. Sem falar que meu marido me abandonou depois que ele nasceu. Mãe 1. Acho que fiz alguma coisa pra acontecer isso comigo. Demorei pra acostumar com a idéia mais é muito difícil. Ela tem irmãos e eles não tem muita paciência com ela. Mãe 2.
  50. 50. Somos unidos ele participa de tudo lá em casa. Adaptamos algumas coisas por conta da cadeira de rodas mais ele leva uma vida “normal”. No começo foi difícil mais depois acostumamos. Mãe 3. É importante salientar depois desses depoimentos “que os pais devemreceber ajuda a fim de compreender seus próprios sentimentos em relação àdeficiência dos seus filhos”. (BUSCAGLIA, 2002, p.38). Este autor ainda enfatiza queum dos mais dolorosos problemas que os pais deverão enfrentar é o isolamentosocial causado pela debilitação, pois a maioria das pessoas hesita em tratar aspessoas com deficiências do mesmo modo que tratam os outros. Podemos perceberisto no depoimento de uma das mães: Não sei o que faço, às vezes acho que ele não tem mais jeito. Não posso tá acompanhando sempre, mais sempre que dá eu vou na escola saber como ele tá se comportando pois ele é muito agressivo. Às vezes não sei o que fazer. Mãe 1 Essa declaração da Mãe 1 reforça o que a professora E nos disse quandoquestionada se recebe apoio dos pais para desenvolver seu trabalho “(...) às vezesalguns pais acompanham, mas muito pouco. Acho que é por falta de conhecimentona área ou por falta de aceitação”. Por se tratar de deficiência mental a mãe relata que muitas vezes ele mudade humor repentinamente e diz que as professores devem tratar ele com paciência eatenção. Quando questionados sobre o que esperam quanto ao atendimento escolarpara com seu filho, 100% disseram que gostaria que seu filho fosse bem recebido naescola como podemos perceber na afirmativa da mãe 2 disse: Quero que minha filha seja atendida na escola igual os outros alunos, afinal de contas ela é gente como eles. Minha mãe faz questão que ela venha pra cá. Como aqui na cidade não tem outro lugar pra atendê-la é na escola que ele deve ficar. Mas as atividades que ela faz não são as que os outros fazem.
  51. 51. A avó dessa criança ao ser entrevistada conta que a mesma só freqüenta aescola por causa dela. “Faço questão de vir trazer todos os dias ela não pode deixarde ir pra escola de jeito nenhum, apesar de não ter crianças na sala dela comdeficiência é muito importante pra ela vim pra escola”. Ela conta que a Síndrome de Down que é a deficiência de sua neta, nãoimpede que ela freqüente a escola e que às vezes ela consegue responder asatividades. No entanto, segundo ela, as professoras colocam mais tarefas de pintare ela queria fazer era o que os outros estavam fazendo. Nas declarações acima percebemos que para os pais a escola ainda nãorecebe esse aluno de maneira adequada, existindo distinção entre os ditos “normais”e aqueles que possuem alguma limitação aparente no âmbito escolar. Por estarmos falando de pais de classe menos favorecida economicamenteum dos fatores segundo eles, que causa entrave para lutarem por uma vida dignapara seus filhos é a falta de conhecimento, principalmente no que diz respeito às leisque regulamentam a inclusão. Ao mesmo tempo em que querem que seus filhossejam atendidos na escola regular, “já que é o único lugar que eles tem para ir” (Mãe2), eles desejam que seus filhos tivessem um local especialmente destinado paratrabalharem suas limitações, eles demonstram que queriam locais específicos para oatendimento das dificuldades dos seus filhos e que lá mesmo eles tivessesatendimento escolar. Assim segundo eles os filhos se sentiriam mais seguros e serelacionariam melhor com os demais colegas, já que todos estariam envolvidos nummesmo ambiente. A mãe 1 ao pegar seu filho na escola nos revela: Se meu filho tivesse um lugar onde as outras crianças fossem como ele, seria mais fácil. É muito difícil ele ficar aqui vendo todo mundo fazer a tarefa, brincar no recreio. Queria que tivesse lugar de atendimento só pra esse tipo de criança. acho que ele se sentiria melhor e ficaria mais calmo. Nesse depoimento percebemos que os pais ao mesmo tempo em quebuscam a inclusão de seus filhos na escola acham que a mesma é muito difícil deacontecer. A conscientização de que seu filho pode e deve viver socialmente é

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