Monografia Joseneide Pedagogia 2012
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Pedagogia 2012

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Monografia Joseneide Pedagogia 2012 Monografia Joseneide Pedagogia 2012 Document Transcript

  • 1 JOSENEIDE BARBOSA DE ANDRADEO PAPEL DA LITERATURA INFANTIL NA FORMAÇÃO LEITORA DE CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA ÓTICA DOS PROFESSORES DA ESCOLA ANTÔNIO BASTOS DE MIRANDA Trabalho monográfico apresentado como pré-requisito para conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia, Habilitação em docência e gestão em processos educativos, da Universidade do Estado da Bahia-UNEB, Departamento de Educação – Campus VII. ORIENTADORA: Profª Norma Leite Martins de Carvalho SENHOR DO BONFIM MARÇO 2012
  • 2 JOSENEIDE BARBOSA DE ANDRADEO PAPEL DA LITERATURA INFANTIL NA FORMAÇÃO LEITORA DE CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA ÓTICA DOS PROFESSORES DA ESCOLA ANTÔNIO BASTOS DE MIRANDAAprovada em ________/________/_______ _________________________________________ Profª Esp. Norma Leite Martins de Carvalho Orientadora _______________________________________________ Avaliador _______________________________________________ Avaliador
  • 3Dedico este trabalho a Eleneide e João, meus pais que são umexemplo de vida, de coragem, determinação e que me apoiamsempre, a Bartolomeu meu esposo, pelo seu amor, carinho,compreensão e por sempre acreditar no meu potencial, aJamillhe e Giseide, minhas irmãs pela ajuda nos momentospreciosos, a minha querida avó Olavina, por me amparar nosmomentos mais difíceis com suas palavras sábias e,principalmente, às crianças que possivelmente um dia poderãoser beneficiadas por esta iniciativa.
  • 4 AGRADECIMENTOSAgradeço primeiramente a Deus o autor da vida a verdadeira ciência de todas ascoisas por tudo que sou e por ser infinitamente bondoso proporcionando-mesabedoria. Obrigada senhor por me capacitar na realização dessa graduação e peloprivilégio de concretizar este sonho. Serei eternamente grata.Agradeço a Universidade do Estado da Bahia por me proporcionar o suporte teórico-metodológico necessário à construção do meu conhecimento.A Professora Orientadora Norma Leite Martins de Carvalho, a qual admiro muitocomo pessoa, profissional, agradeço por ter acreditado nesse trabalho, pelaconfiança depositada, pela dedicação, simplicidade, disponibilidade ao longo dopercurso..., enfim pelos preciosos ensinamentos. Pela paciência de me orientarnesse trabalho e pelo enriquecimento do conhecimento que me oportunizou, por mecompreender e me orientar nos momentos de angústia.Aos meus pais, Eleneide e João, base fundamental da minha vida, onde aprendidesde cedo o valor do amor, da honestidade, da solidariedade, do respeito, dacoragem e da determinação. Por ter me proporcionado o melhor e priorizado sempreos meus estudos. Obrigada por me fazer uma pessoa melhor, valeu pelo apoio eamor incondicional.A minha querida Avó Olavina, e as minhas irmãs, Jamillhe e Gisleide, agradeço porfazerem parte da minha vida.Ao meu esposo Bartolomeu pelo amor dedicação, respeito, companheirismo,incentivo e compreensão nos momentos mais difíceis. Obrigada pelo apoio ao longode minha trajetória acadêmica.As minhas amigas de trabalho, agradeço pelo apoio, compreensão e por escutar asminhas angústias.A minha amiga e companheira Fátima por sua amizade e apoio nos momentospreciosos e a todos os meus colegas do CAMPUS VII Senhor do Bonfim.E a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram na realização destetrabalho que eu não citei e mereciam ser citadas.
  • 5Mas é difícil que reconhecemos como vítimas; por quedesconfiamos de uma fotografia que nos representa comoprofessores modernos, sinceramente empenhados em motivara leitura dos jovens, levemente desconfiados do papel dosclássicos em tal empresa, profundamente insatisfeitos com oautoritarismo de avaliações sistemáticas e rigorosas deatividades de leitura, comprometidas com o prazer (e não como dever) da leitura, informados e convencidos da importânciada imaginação e da fantasia na formação do jovem e,sobretudo, honestamente comprometidos com o projeto deeducação que conduz à leitura crítica do mundo...?(LAJOLO 2002, P. 38)
  • 6 RESUMOEste trabalho monográfico discute o papel da Literatura Infantil através da temática: O papelda literatura infantil na formação leitora de crianças da educação Infantil na ótica dosprofessores da Escola Antônio Bastos de Miranda, tendo como objetivo principal refletirsobre o papel da Literatura Infantil na formação leitora. È uma investigação fundamentadana abordagem qualitativa. Para a coleta de dados foi utilizada como instrumento aobservação e o questionário. O lócus foi a Escola Municipal Antônio bastos de Miranda nopovoado de Missão do Sahy, situada a 9Km da sede do município de senhor do Bonfim BA,e teve como sujeitos participantes cinco docentes. Para a efetivação deste travbalho utilizou-se de reflexões teóricas à luz de Abromovich (1997); Aguiar (1993); Bakhtin (1992);Bettelhem (1996); Coelho (2001); Freire (1994); Gitelli (2004); Kleiman (2000); Lajolo (2000);Lerner (2002); Piaget (1998); Silva (1992); Sisto (2005); Tedesco (1998); Zilberman (1987);que abordam o papel da Literatura na formação leitora de crianças a partir da EducaçãoInfantil. Como resultado, ficou evidente que as docentes entrevistadas consideram aLiteratura Infantil essencial e a leitura de histórias um recurso eficiente na formação decrianças leitoras.PALAVRAS CHAVE: Literatura infantil, Concepção, Formação leitora
  • 7 SUMÁRIOCAPÍTULO I ......................................................................................................................... 101 Problematizando a Questão.............................................................................................. 10CAPITULO II ........................................................................................................................ 162 Refletindo sobre os Conceitos .......................................................................................... 162.1 Literatura Infantil: Seu Percurso Histórico ...................................................................... 162.2 A formação leitora na concepção do professor da educação infantil .............................. 202.3 Literatura Infantil: Formação Leitora de Crianças na Educação Infantil .......................... 212.3.1 A importância de ouvir histórias .................................................................................. 242.4 Literatura Infantil: Aquisição da Leitura .......................................................................... 25CAPÍTULO III ....................................................................................................................... 283. Fundamentos e Procedimentos Metodológicos: Os Percursos da Investigação............... 283.1. Lócus de Pesquisa........................................................................................................ 293.2. Sujeitos Da Pesquisa .................................................................................................... 293.3. Instrumentos de Coleta de Dados ................................................................................. 303.3.1 Observação ................................................................................................................ 303.3.2 Questionário ............................................................................................................... 30CAPÍTULO IV ...................................................................................................................... 314. Análise e Interpretação dos Dados .................................................................................. 314.1 A concepção de literatura infantil ................................................................................... 324.2 Literatura infantil: Elemento essencial para estimular o hábito da leitura ....................... 334.3 Histórias infantis no processo de desenvolvimneto da leitura......................................... 345. Considerações Finais ...................................................................................................... 37REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 38APÊNDICE .......................................................................................................................... 40
  • 8 INTRODUÇÃO A literatura Infantil tem um papel significativo no desenvolvimento da criança,aguçando o seu senso crítico, estimulando a mente, a criatividade, buscando darsentido às coisas, além de ajudar a criança a formar a sua personalidade. Com issopercebemos que o contato com a Literatura Infantil estimula a curiosidade da criançadespertando o gosto pela leitura, uma vez que utilizada de modo adequado, torna-seum instrumento de grande importância na construção do conhecimento doeducando, fazendo com que ele desperte para o mundo da leitura como um ato deaprendizagem significativa de forma prazerosa. É na relação prazerosa da criança com a obra literária que temos apossibilidade de formarmos o leitor. É na exploração da fantasia e da imaginaçãoque se instiga a criatividade e se fortalece a interação entre texto e leitor. Alémdisso, a Literatura infantil também é um pacote de obras de ficção, poesia, aventurase viagens. Pois, como cita Jesualdo (1993), A função que a literatura tende a realizar na mente e na alma e no cérebro da criança é configurar, de certo modo, todo problema partindo de sua necessidade. Aparentemente, este não é o único aspecto analisável, haja visto a importância da literatura infantil também como instrumento de educação. (p. 23). Sendo assim, a obra literária se torna uma fonte de complementos para odesenvolvimento da criança, tendo um poder de encantamento que aguça o gostopela leitura tornando as crianças mais felizes e entusiasmadas para ler não comomera obrigação, mas por prazer. É preciso destacar a importância de se aprofundar nesse tema, considerandoo contexto educacional da contemporaneidade, assunto importante no espaçosocial, institucional, acadêmico, profissional, uma vez que essa investigação traz àtona o papel da Literatura Infantil na formação leitora no contexto da EducaçãoInfantil. Nessa perspectiva, surgiu a inquietação a respeito da concepção dosprofessores acerca da Literatura Infantil. A nossa questão de pesquisa é Qual é opapel da Literatura Infantil na formação leitora de crianças na Educação Infantil naótica dos professores da Escola Antônio Bastos de Miranda?
  • 9 Para fundamentar este trabalho, o texto foi organizado em capítulos sendoque no primeiro encontra-se a fundamentação da problematização da pesquisaconsiderando as minhas inquietações e a visão de autores sobre a questão e osobjetivos traçados. No segundo capítulo, discutiu-se o percurso histórico daLiteratura Infantil, analisando o papel da Literatura Infantil na formação leitora decrianças, dentre outros elementos que são discutidos. O terceiro capítulo trazreflexões metodológicas, salientando todos os fundamentos e procedimentosconstruídos ao longo da investigação. O quarto capítulo apresenta a análise dedados no confronto com o referencial teórico, a partir de todos os elementoscoletados na realidade investigada, e por fim, as considerações finais nas quais sepontuam explicitamente as descobertas como elementos de destaque de todopercurso investigativo.
  • 10 CAPÍTULO I1 Problematizando a Questão A literatura Infantil tem um importante papel no desenvolvimento da leitura,desde que a criança desde cedo esteja em contato com livros que a seduza, que aleve a fantasiar, que a leve a descobrir um mundo encantado cheio de imaginação,proporcionando descobertas, diálogos, abertura de horizontes para que se processeuma relação ativa entre falante e língua. A Literatura Infantil, se bem utilizada,colabora com o entretenimento, mas também contribui com a formação da criticidadee do questionamento. Daí a importância que a literatura infantil possui, ou seja, ela é fundamentalpara a aquisição de conhecimentos, informação e interação necessária ao ato de ler.Percebemos a necessidade da aplicação coerente de atividades que despertem oprazer de ler e estas devem estar presentes diariamente na vida das crianças, desdebebês. Conforme Silva (1992, p.57) “bons livros poderão ser presentes e grandesfontes de prazer e conhecimento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhospoderá ser uma excelente conquista para toda vida”. Abromovich,(1997,p.16 e 17) colabora também com a ideia de que o primeirocontato de uma criança com a literatura ocorre “através da voz da mãe, do pai, oudos avós contando contos de fadas, trechos da Bíblia, histórias inventadas (tendo acriança como personagens),livros atuais e curtinhos, poemas sonoros e outrosmais”. Dessa forma, o ato de contar histórias é extremamente importante e benéficopara o desenvolvimento da criança, podendo assim, ser utilizado como estratégiapara formar leitores. O papel da escola é contribuir para a formação de um indivíduo crítico,responsável e atuante na sociedade. Isso por que se vive em uma sociedade ondeas trocas sociais acontecem rapidamente, seja através da leitura, da escrita, dalinguagem oral ou visual. Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança ascompetências da leitura e da escrita e a literatura infantil pode influenciar de maneira
  • 11positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) diz que a literatura infantil, por serum instrumento motivador e desafiador, é capaz de transformar o indivíduo em umsujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem que sabe compreender o contextoem que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade. Vale ressaltar que as atividades com a Literatura Infantil em sala de auladevem estimular o falar e o ouvir, a fim de produzir inquietações nas quais asexposições argumentativas e embate das ideias sejam significativas. A instituiçãoescolar precisa trabalhar a Literatura Infantil não de forma mecânica, mas de formaconcreta com o objetivo de formar leitores críticos e reflexivos e garantir ao mesmotempo aquisição da língua. Segundo Lerner (2002): È formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida, explícita ou implicitamente, pelos autores dos textos com os quais interagem, em vez de persistir em formar indivíduos dependentes da letra do texto e da autoridade de outros (p.27). Percebendo que a literatura infantil tem um papel fundamental na formaçãodo leitor e que é algo que abre as portas da inteligência e da sensibilidade dacriança para sua formação integral, o interesse e o hábito para leitura se torna umprocesso constante, que começa muito cedo, em casa, aperfeiçoa-se na escola econtinua pela vida inteira. Somente quem conhece a importância da literatura, sabeo poder que tem uma história bem contada, sabe os benefícios que uma simpleshistória pode proporcionar. De acordo com Abromovich (1995) é importante para formação de qualquercriança, ouvir, muitas histórias. Escutá-las é o início da aprendizagem para ser umleitor, é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão demundo. Ouvir histórias é algo tão prazeroso que desperta o interesse das pessoas emtodas as idades, principalmente na infância, onde a criança é capaz de se interessare gostar, ainda mais já que sua capacidade de imaginar é mais intensa. As crianças que ouvem histórias desenvolvem desde cedo grande interessepela leitura e pela escrita e recebem inúmeras informações sobre o mundo e sobre aestrutura da língua que não pode ser desprezada.
  • 12 Sendo assim, podemos perceber que a vivência com a literatura infantil setorna imprescindível no exercício da leitura, e como a escola pode desenvolver nacriança o hábito de ler por prazer e não por obrigação, pois será através de livrosliterários que a criança poderá exercitar os mecanismos de leitura na fase dealfabetização e dominando-os gradativamente. Coelho (2001, p.34) enfatiza de maneira brilhante o papel que a literaturaexerce na formação do homem: “A literatura é o verdadeiro microcosmo da vida real,transfigurada em arte.” As possibilidades ofertadas pelo livro, por suas histórias epersonagens trazem aos que leem uma nova forma de ver o mundo. E na fase naqual propomos investigar toma maior dimensão, pois essa consciência seráassimilada no momento do desenvolvimento, daí a importância de atrair leitoresnesse período. A leitura na Educação Infantil muitas vezes é feita de forma precária, é dadamuito mais importância ao ensino lexical em detrimento do ensino do sentido daspalavras nos textos, tornando à aprendizagem da leitura para a maioria das criançasalgo desinteressante e distante de suas necessidades de comunicação. Por muitotempo a escola tem cometido o equivoco de pensar que seu único papel é ensinar aler, escrever e fazer contas. O papel do professor está além destas questões. O papel de mediador desempenhado por nós professores não é uma tarefasimples. A funçãode cada um de nós professores e professoras é formar leitoresproficientes, isso significa que, para o leitor ainda em formação, é preciso que osobjetivos de leitura sejam estabelecidos pelo professor que em primeiro lugar iráescolher textos adequados aos interesses e competências que esse leitor emformaçõa possui paraserem lidos em sala de aula. Ainda é papel do mediador, promover a leitura de textos que devam seraprofundados para que todos vivam realmente o encantamento da descoberta desentidos trazidos pela leitura, dialongando sempre com a realidade e formando paracidadania. Para que o processo de aquisição e valorização da leitura seja eficaz, faz-se necessário que todos os professores de diversos seguimentos e áreas deconhecimento estejam verdadeiramente engajados nessa busca pelodesenvolvimento da capacidade leitora de nossos alunos, deixando de lado o
  • 13pensamento retrógrado de que esse papel é somente do professor de línguaportuguesaou do professor alfabetizador. Se diagnosticamos que o nosso aluno não lê,seja em qualquer série em queele se encontre, o nosso papel como professores e professoras, é pararimediatamente o que estamos ensinando, o conteúdo que está sendo trabalhado,deixar de procurar culpados e envolver esse aluno nos processos de leitura para queassim ele possa realmente aprender a ler e compreender satisfatóriamente umdeterminado texto. Ler é uma tarefa muito mais complexa do que se pensa. Não se trata apenasde decifrar códigos, mas dominá-los inteiramente estabelencendo um verdadeirodiálogo entre o texto e o leitor, portanto torna-se um ato pessoal e determinante navida do leitor, pois a leitura nos possibilita ampliar os conhecimentos intelectuais,afetivos e emocionais. A leitura representa uma atividade de grande importância. É através dela quepodemos interagir e compreender o mundo a nossa volta é por isso que podemosverificar que há muitas discussões a respeito desse assunto. A principalpreocupação está na importância e nas dificuldades para o ensino da leitura em salade aula. As dificuldades de leitura em sala de aula são percepitíveis nas habilidadesnecessárias na composição de uma frase, de um texto onde as crianças nãodominam a leitura com eficiência. (KLEIMAN, 2000). Desta forma, para se garantir uma leitura eficaz, deve-se deixar bem claropara as crianças qual o objetivo da leitura que fazem ao se ensinar a ler ecompreender textos. Fora do ambiente escolar o aluno irá deparar-se com os maisvariados tipos de textos nas mais variadas situações e ele deverá ser capaz deinteragir com eles a fim de alcançar um determinado objetivo. Ao usar o texto nasala de aula como pretexto para ensinar gramática o professor está impedindo seusalunos de perceberem quão rica e importante é a habilidade de ler e compreenderbem textos.
  • 14 Zilberman (2009) aposta no trabalho de leitura feito na escola em quepossibilita uma relação entre alunos e o texto. Consequentemente, a proposta de que a leitura seja enfatizada na sala de aula significa o resgate de sua função primordial, buscando, sobretudo, a recuperação do contato do aluno com a obra de ficção. Desse intercâmbio, respeitando-se o convívio individualizado que se estabelece entre o texto e o leitor, emerge a possibilidade de um conhecimento do real, ampliando os limites até fisicos, já que a escola se constrói como um espaço à parte que o ensino se submete (ZILBERMAN, 2009, p.35). Diante dessa perspectiva teórica, percebemos qua o trabalho com a literaturana escola é imprescindível para a formação do ser, pois a literatura propicia odesvendar de mundos, o contato com situaçõese experiências antes inexploráveispelo leitor. Coelho (2000) afirma: A escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser lançadas as bases para a formação do indíviduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos literários, pois, de maneira mais abrangente de quaisquer outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura de mundo em seus vários níveis e, principalmente,dinamizam o estudo e conhecmento da lígua, da expressão verbal e consciente.( p.16) Portanto, o espaço escolar pode ser considerado como importantíssimo paraa construção do indivíduo, tanto em relação aos saberes de que necessita para viverem sociedade, quanto para a construção de um ser criativo, tendo todas as suaspotencialidades desenvolvidas. Diante de tudo isso, e observando os espaços escolares foi que percebemosque as dificuldades encontradas por alguns docentes em conquistar e manter o leitorcrítico ainda decorre do equívico quanto à concepção de que a leitura de um texto sereduz à apreensão de códigos. Entretanto Paulo Freire (1982,p) afirma: A compreensão crítica do ato de ler não se esgota na decodificação pura de palavra escrita ou da linguagem escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo.(...) A compreenção do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e leitor (p. 1-2). Com isso o grande desafio de um professor é ensinar a ler e escrever a partirde reflexões sobre o processo envolvido na alfabetização, em que é essencialincorporar às práticas de sala de aula o texto literário, de maneira particular,compondo o conhecimento da criança e redimensionando as afetividades pelamediação dos signos verbais ou mesmo não verbais. Diante disso, emergiu a
  • 15seguinte questão: Qual é o papel da Literatura Infantil na formação leitora decrianças na Educação Infantil na ótica dos professores da Escola Antonio Bastos deMiranda? Sendo assim, para nortear a efetivação dessa pesquisa, os objetivospropostos foram: 1. Analisar se a Literatura Infantil é um elemento essencial para aformação leitora de crianças. 2. Refletir a contribuição da literatura infantil para odesenvolvimento da habilidade da leitura.
  • 16 CAPITULO II2 Refletindo sobre os Conceitos2.1 Literatura Infantil: Seu Percurso Histórico Segundo Regina Zilberman (1987 p. 13). Os primeiros livros para criançasforam produzidos ao final do século XIII e durante o século XVIII. Antes disto, não seescrevia para elas, porque não existia a “Infância”. A literatura era produzida para adultos e aproveitada para criança. Seuaspecto didático-pedagógico de grande importância baseava-se numa linhamoralista paternista, centrada numa representação de poder. Era, portanto umaliteratura para estimular a obediência, segundo a igreja, o governo ou ao senhor.Uma literatura intencional, cujas histórias acabavam sempre premiando o bom ecastigando o que é considerado mal. Segue à risca os preceitos religiosos econsidera a criança um ser a se moldar de acordo com o desejo dos que a educam,podando-lhe aptidões expectativas. Segundo Silva (1997, p.43) “(...) a leitura é uma prática social construídahistoricamente e, por isso mesmo, depende de determinadas condições para suaefetivação”. A produção para crianças surgiu com o objetivo de ensinar valores(caráter didático), ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar a adoção dehábitos. Historicamente até o século XVII as crianças eram tratadas como adultos, nãohavia um mundo infantil, não se escrevia para crianças, não existindo assim históriasvoltadas ao mundo infantil. Foi a partir da Idade Moderna que a criança começou aser vista como um indivíduo que precisava de atenção especial. E o reconhecimentoda infância foi visto como um momento próprio, específico da vida de cada serhumano. Segundo Lajolo (2002) diz: Se a “construção” da infância ocorreu ainda no século XVIII – contemporânea da Revolução Industrial, com o passar do tempo, outras segmentações se foram tornando necessárias no interior desse primeiro grande segmento dos não-adultos(p.26). Em fins do século XIX, a literatura infantil começa a transitar por terrasbrasileiras, difundindo a mesma concepção que lhe dera origem e contextualizando-
  • 17se no panorama da literatura universal. De natureza popular e circulação oral,prevaleceu até esse período com o misticismo e o folclore das culturas indígenas,africanas e europeias. O percurso da literatura infantil no Brasil foi marcado pelo momento histórico ecultural, e especialmente pelo o ano de 1921, quando nascia oficialmente pelasmãos de Monteiro Lobato que estreou o livro: “Narizinho arrebitado” apresentandoao mundo a boneca Emilia, a mais moderna e encantadora fada humanizada. Foi aíque a literatura recebeu uma roupagem nova, visível na inovação temática dashistórias e na aproximação entre linguagem e o tom coloquial que caracterizava afala brasileira. Entretanto os primeiro autores brasileiros que se interessaram pela Literaturano país foram Carlos Jansen e Aberto Figueredo Pimentel, Monteiro Lobato . Elestraduziram as mais significativas obras que hoje são consideradas como “clássicos”para a criançada. Hoje a dimensão de literatura infantil é muito mais ampla e importante. Elaproporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivoindiscutíveis. Segundo Abramovich (2007) quando as crianças ouvem histórias,passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação aomundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, comomedos sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além deensinarem infinitos assuntos. Segundo Ambramovich (1997): É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (p. 17). Neste sentido, quanto mais cedo à criança tiver contato com os livros eperceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela torna-se umadulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma posturacrítico-reflexiva extremamente relevante à sua formação cognitiva.
  • 18 Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar,duvidar ou discutir sobre ela, realiza uma interação verbal, que neste caso, vem aoencontro das noções de linguagem de Bakhtin (1992). Para ele, o confrontamento deideias, de pensamentos em relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo,social. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo deconstrução do significado do texto. Segundo Coelho (2002) a leitura, no sentido decompreensão do mundo é condição básica do ser humano. Silva (1997, p.43) acrescenta “... a leitura é uma prática social construídahistoricamente e, por isso mesmo, depende de determinadas condições para suaefetivação”. A produção para crianças surgiu com o objetivo de ensinar valores(caráter didático), ajudar a enfrentar a realidade social e propiciar a adoção dehábitos. Na atualidade, já se pode falar de uma larga produção brasileira que leva emconta a criança. Autores como Ziraldo, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, MonteiroLobato e tantos outros que veiculam em suas obras ideias engraçados e bem,humoradas, trazem nos textos proposições sugestivas que respeitam a criança nasua capacidade lúdica, política e criativa estabelecendo entre leitor o texto umarelação prazerosa. Portanto a literatura infantil torna-se deste modo imprescindível. Osprofessores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamentecom a literatura, pois esta se constitui em material indispensável que aflora acriatividade infantil e desperta as veias artística da criança. Ao longo de estudos e experiências percebe-se o quanto o trabalhopedagógico, especialmente com a literatura infantil é importante, e requer doseducadores planejamento, disciplina, organização, uso adequado do tempo eprincipalmente se apaixonar pela literatura infantil para assim desenvolver umaaprendizagem significativa. No contexto atual em que o mundo passa por inúmeras transformações desua história e a educação deve também acompanhar essas mudanças,especialmente a tecnológica, pois os debates e propostas educacionais vêm-se
  • 19disseminando de forma significativa principalmente no âmbito da língua, e emespecial de Literatura Infantil. Esse é o papel que os veículos de comunicaçãopassaram exercer no mundo contemporâneo com um aporte dos novos meiosdisponibilizados pela informática que são conhecidos gerados em fontesindiretamente escolares. Nas telinhas criadas de consensos e legitimadoras dasvariadas formas de poder, esse é um motivo para o educador(a) fazer permanentecrítica nas mensagens geradas. Segundo Getelli (2004): (...) tanto as crianças como os professores vivem num espaço social midiatizado por mensagens televisivas, radiofônicas, jornalísticas, etc., capazes de provocar alterações nos comportamentos, criar referências para o debate público, influenciar na tomada de decisão, além de revelar, muitas vezes,os próprios limites do discurso pedagógico.(p.140). Diante da crescente presença da imprensa escrita da televisão e ocomputador cabe ao professor orientar como os alunos devem utilizar essesrecursos de forma educativa e prazerosa. Precisa-se está atentos aos recursostecnológicos. Segundo Gitelli (2004,p.135): “(...) a televisão teria forte impacto sobrea criança podendo levá-lo à formação de hábitos socialmente negativos”. É inadiávelessas informações para transformá-las em ensino aprendizagem, para lidar com atecnologia de forma positiva é necessário usar no momento certo como recursodidático. Portanto, acentua-se que a literatura infantil na escola é imprescindível para aformação do ser, pois a literatura propicia o desvendar de mundos, o contato comsituações e experiências antes inexploradas pelo leitor e em sala de aula oportunizacondições indispensáveis ao desenvolvimento cognitivo, social, moral e emocionalcabendo ao professor analisar criteriosamente as atividades e suas potencialidadeseducativas, permitindo a compreensão da obra, bem como o gosto da leituraliterária. Neste sentido, a escola precisa oferecer oportunidade para que a literatura serealize como instrumento de formação do ser, constituindo um indivíduo ativo nasociedade, pois é a escola que assume a responsabilidade de iniciar a criança noprocesso de alfabetização, preparando um leitor efetivo, ou seja adotando umcomportamento em que a leitura deixa de ser ocasional e passa a integrar a vida dosujeito.
  • 202.2 A formação leitora na concepção do professor da educação infantil O professor, principalmente o da educação Infantil, deve estar consciente dopapel que literatura Infantil exerce em função da leitura, pois a construção da leiturana sala de aula merece cuidados especiais. O livro é um objeto de arte comcaracterísticas de uma experiência criadora, por isso o ato de ler atualiza esseprocesso revelador da arte da palavra desenvolvendo a expressão do sujeito numadimensão reflexiva e crítica. É com esta perspectiva, que a prática leitora deve ser realizada em sala deaula. O professor se tornar interprete da literatura ao desvendar os caminhos daleitura. Dessa forma, a literatura assume o seu verdadeiro lugar na leitura da escola. As dificuldades encontradas por alguns docentes em conquistar e manter oleitor acontecem, fundamentalmente, do equívoco quanto à concepção do textoliterário que é atribuída apenas, ao ato de ler, simplesmente por ler, por obrigação. Aleitura do texto na maioria das vezes continua sendo reduzida à apreensão docódigo. Entretanto Paulo Freire (1982) afirma que: A compreensão crítica do ato deler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita,mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo... (p. 1-2). Diante disso, percebemos que o leitor deve relaciona os significados do textocom a sua compreensão de mundo. Por isso precisa-se de professorestransformadores, críticos, que valorizem a educação e que de forma comprometidaestimule a imaginação da criança, aguçando o prazer pela leitura e compreendendoa verdadeira finalidade da literatura, bem como dos processos essenciais ao ato deler. Para que isso aconteça, torna-se necessário que o educador esteja munido deconhecimentos teóricos sobre a importância da Literatura Infantil na formação leitorada criança estabelecendo objetivos claros para o trabalho que irá desenvolver. Portanto os pedagogos, que estão ou estarão em sala de aula, precisam terconsciência da importância da Literatura Infantil, pois a escola é o lugar detransformações individual, social e cultura dos sujeitos. Os pedagogos devem,entretanto desenvolver a função pedagógica com compromisso e caráter inovador.
  • 212.3 Literatura Infantil: Formação Leitora de Crianças na Educação Infantil A literatura é uma arte e como forma de arte ela proporciona a criançacondições de elaborar significadamente os dados da realidade e a sua interaçãocom ela,compreender melhor os contornos do real e as emoções que ele provoca,incentivando a criança a produzir textos. Contudo Coelho (2000) afirma: A literatura infantil é, antes de tudo, literatura: ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/ impossível realização (p.27). Segundo Sisto (2005,p.1) “ao fazer contato com a obra de arte, no caso aliteratura, a criança participa de uma ação pedagógica, mesmo que não seja essa afunção da narração oral ou do texto literário”. O fenômeno da criatividade querepresenta o mundo da criança e canaliza melhor as informações através da mesmaé possível incorporar sonhos a realidade além de ajudar no desenvolvimentointelectual, criativo e psicológico da criança e ajuda de alguma forma a criança aresolver seus conflitos internos. Palo (2001) informa que: Os bastidores da construção da personagem são desvendadas aos olhos da criança, que vê a sua frente “um boneco engraçado” não uma réplica sua, mas um boneco que foi montado, sem segredos, à sua frente e que ela pode desmontar e remontar, de agora em diante na medida em que entra na brincadeira pondo em ação a sua imaginação criadora (p.37). Ler ou contar história para crianças é ter a curiosidade em relação a tantasperguntas. É encontrar outras ideias para solucionar questões. É uma possibilidadede descobrir o mundo imenso dos conflitos, das soluções que todos vivem. Por meiode um simples conto relatado com emoção e carinho, os pequenos ouvintesassimilam conceitos éticos, políticos, filosóficos, religiosos e aprendem a lidar com arealidade de forma divertida e desenvolve sua própria fantasia. Desse modo a relação aluno com a literatura através da sistematizaçãodinâmica que possibilitou além da diversidade de informações, novas perspectivasde conhecimentos e aprendizagem facilitando assim a relação lúdica, afetiva doaluno através da Literatura Infantil. E Segundo Sisto (2005), Por tudo isso pode se dizer: as crianças que têm contato com as histórias desenvolvem mais a imaginação, a criatividade e a capacidade de discernimento e crítica; na medida em que se tornam ouvintes e leitores críticos, as crianças assumem o protagonismo de suas próprias vidas (p.3).
  • 22 Entretanto é nessa relação prazerosa com as obras literárias que se deveformar o leitor, e é na exploração simbólica da fantasia e da imaginação quedesabrocha o ato criador e se desenvolve a comunicação entre o texto e o leitor deforma crítica e reflexiva, dessa forma a criança de forma criativa e divertida constróisua própria história com autonomia, construindo uma compreensão maior de si e domundo em que vive. Terá oportunidades de desenvolver sua criatividade e ampliarseus conhecimentos percebendo o mundo que cerca. Para Bettehein (1996). Enquanto diverte as crianças, o conto de fadas esclarece sobre se mesmas e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça á multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança (p.20). É no encontro com qualquer forma literária que a criança tem a oportunidadede ampliar/transformar suas próprias experiências de vida. Nesse sentido a literaturase apresenta não só como veículo de manifestação de cultura, mas também deideologias, deve ser utilizada como instrumento de sensibilização para expansão dacapacidade e interesse de analisar o mundo. Na concepção de Aguair e Bordini (1993): A obra literária pode ser entendida como uma tomada de consciência do mundo concreto que se caracteriza pelo sentido humano dado a esse mundo pelo autor. Assim, não é um mero reflexo na mente, que se traduz em palavras, mas o resultado de uma interação ao mesmo tempo receptiva e criadora. Essa interação se processa através da mediação da linguagem verbal escrita ou falada.(p.14). Poucas crianças têm o hábito de ler em nosso país. A maioria tem o primeirocontato com a literatura apenas quando chega á escola. E a partir daí, viraobrigação, pois infelizmente muitas de nossos professores não levam em conta ogosto e a faixa etária em que a criança se encontra. A literatura bem realizada em sala de aula é aquela em que a criança interagecom os diversos textos trabalhados de tal forma que possibilite o entendimento domundo em que vivem. Para alcançarmos um ensino de qualidade se faz necessárioque o professor descubra critica e que saiba selecionar as obras literárias a seremtrabalhadas com crianças. Ele precisa desenvolver recursos pedagógicos paracontagiar e aproximar a criança do livro. Segundo Bettelhein (1996). Para que uma história prenda realmente a atenção da criança deve entretê- la e despertar sua curiosidade. Mas Para enriquecer sua vida deve
  • 23 estimular – lhe a imaginação: ajuda-la a desenvolver seu intelecto e a tornar clara suas emoções; estar harmonizada com sua ansiedades e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções pra os problemas que a perturbam...(p.13). Ao trazer a literatura infantil para a sala de aula, o professor estabelece umarelação de dialogo com o aluno, o livro e sua realidade. Além de contar ouler ahistória, ele cria condições em que a criança expressa seu ponto de vista troqueopiniões e crie novas situações construindo uma nova história. De acordo comAbromovich (1995, p.17). Ler história, para crianças, sempre, sempre... é poder sorrir, ganhar gargalhadas com as situações vividas pelas personagens, como a ideia do conto ou com jeito de escrever dum autor e então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor de brincadeira de divertimento... è também suscitar o imaginário é ter a curiosidade respondida em relações a tantas perguntas, é encontrar outras ideias pra solucionar questões ( como as personagens fizeram...). Portanto a conquista do pequeno leitor se dá através da relação prazerosacom o livro infantil, onde a imaginação se mistura com a realidade. As experiências da leitura apreciadas na sala de aula vêm carregadas de ummecanismo bastante notável, de uma decodificação de letras e palavras queapontam para superficialidade de significados que os discentes enquanto leitoresatribuem à leitura. Para tanto experimentarmos ler mais de uma vez qualquer texto,entender a mensagem do texto em conjunto por meio de perguntas orais; contarhistórias; interpretar questões dos textos lidos, além de desenvolver a leitura,proporciona a socialização, o hábito de ouvir e sentir prazer nas situações queenvolvem leitura de história. Assim fez–se necessário uma prática conscientemente pedagógica além deeducativa, embasada numa pedagogia que acredite como Tedesco (1998.51) que “amissão da educação é ajudar cada indivíduo a desenvolver todo potencial e a tornar-se um ser completo não um instrumento para a economia”. Desta forma, o processo de ensino, sendo algo enriquecedor, contribui com odesenvolvimento da aprendizagem. Desenvolvendo atividades de leitura,apresentações teatrais, contos e recontos de histórias, busca-se incitar o prazer pelaleitura. A integração de ideias, a produção de saberes necessários à realidade dosalunos, assim como dos professores, são aspectos que favorecem a edificação deanseios na busca de aprendizagens verdadeiramente consistentes. Gentili e Alencar
  • 24(2007.p.22) afirmam que “as relações que estabelecem notadamente entre alunos eprofessores, além da necessária troca de saberes, são intrinsecamente, espaços detroca de perspectiva, percepções e vivências” A ordem e as relações que seestabelecem em diferentes atividades podem determinar significadamente o tipo eas características do ensino.2.3.1 A importância de ouvir histórias Ouvir histórias é um acontecimento tão prazeroso que desperta o interesseem todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma história, a criança é capaz dese interessar e gostar ainda mais por elas, já que sua capacidade de imaginar émais intensa. A narrativa faz parte da vida da criança desde quando bebê, através da vozamada, dos acalantos e das canções de ninar, que mais tarde vão dando áscantigas de roda, a narrativas curtas sobre crianças, animais ou natureza. Aqui,crianças bem pequenas, já demonstram seu interesse pelas histórias, batendopalmas, sorrindo, sentindo medo ou imitando algum personagem. Neste sentido éfundamental para a formação da criança que ela ouça muitas histórias desde a maisterna idade, sendo assim é de suma importância a adequação de livros à idade. O primeiro contato da criança com um texto é realizado oralmente, quando opai, mãe, os avós ou outra pessoa conta-lhe os mais diversos tipos de histórias. Apreferida, nesta fase, é a história da sua vida. A criança adora ouvir como foi que elanasceu, ou fatos que aconteceram com ela ou com pessoas da sua família. Àmedida que cresce, já é capaz de escolher a história que quer ouvir, ou a parte dahistória que mais lhe agrada. É nesta fase, que as histórias vão tornando – se aospoucos mais extensas, mais detalhadas. Na fase de 2 a 5 anos de idade, a criança faz pouca distinção do mundoexterior e interior, vivendo um período de grande egocentrismo. È também a idadedo pensamento mágico, então os primeiros livros devem conter gravuraspertencentes ao meio em que a criança vive e que possam ser identificados por elas(brinquedos, animais, etc.), também podem ser apresentados livros que agrupamobjetos, relacionando-os com várias coisas que são familiares às crianças.
  • 25 Ainda se adequam a essa faixa etária brincadeira que envolva parlendas ecantigas de roda, já que a criança gosta de versos infantis em virtude do ritmo, dojogo de palavras e sons. Também se observa nessa fase, um especial interesse porhistórias envolvendo animaizinhos, que promovem um processo inconsciente deidentificação. Com isso a criança passa a interagir com as histórias, acrescentam detalhes,personagens ou lembra fatos que passaram despercebidos pelo contador. Essashistórias reais são fundamentais para que a criança estabeleça a sua identidade,compreender melhor as relações familiares. Outro fato relevante é vínculo afetivoque se estabelece entre o contador das histórias e a criança. Contar e ouvir umahistória aconchegando a quem se ama é compartilhar uma experiência gostosa, nadescoberta do mundo das histórias e dos livros. É importante contar histórias mesmo para crianças que já sabem ler, poissegundo Abramovich (1997, p. 23) “quando a criança sabe ler é diferente suarelação com as histórias, porém, continua sentindo enorme prazer em ouvi-las”.Quando as crianças maiores ouvem as histórias aprimoram a sua capacidade deimaginação, já que ouvi-las pode estimular o pensar, o desenhar, o escrever, o criar,o recriar. Num mundo de hoje tão cheio de tecnologias, onde as informações estãotão prontas, a criança que não tiver a oportunidade de suscitar seu imaginário,poderá no futuro, ser um indivíduo sem criticidade, pouco criativo, sem sensibilidadepara compreender a sua própria realidade.2.4 Literatura Infantil: Aquisição da Leitura Durante muitos anos a leitura era utilizada somente nas aulas de Português,na gramática, e não se trabalhava a leitura no seu sentido completo, o de formarverdadeiros leitores, capazes de interpretar qualquer texto com clareza. Para issofaz-se necessário que desde cedo, antes mesmo de frequentar a escola, a criançatenha contato com livros, perceba que seus pais ou responsáveis estejamintimamente ligados ao mundo da leitura, pois quando a criança convive em umambiente letrado, consequentemente ela fará as atividades de leitura com prazerapresentando maior êxito na escola, pois se desenvolverá com mais facilidade. No
  • 26entanto observa-se que a maioria dos alunos que chegam a sala de aula, vem delares que não incentivam a leitura. Diante disso é que surgem as preocupações por parte dos educadores emincentivar a leitura, pois sem esse auxílio familiar dificulta e atrasa o processo deensino aprendizagem. Portanto os educadores devem fazer da literatura infantil e daleitura um momento de prazer, para que não a façam só como uma tarefa a mais daescola. Na sala de aula deve existir um cantinho onde a criança possa manusear oslivros, ler individualmente ou coletivamente, um ambiente aconchegante, em que acriança sinta prazer de estar ali, tenha liberdade e possa socializar-se melhor comas demais crianças, ou seja transformar a sala de aula em um ambientealfabetizador, uma sala de aula textualizada constituindo recurso essencial para odesenvolvimento da leitura. A leitura não pode ser confundida com decodificação de sinais, com produçãomecânica de informações, respostas convergentes ou estímulos escritos e pré-elaborados. A leitura deve ser real, caso contrário torna-se um processo mecânico edecodificação de símbolos. Nessa perspectiva Palo, (2001) aborda o poder daliteratura na formação do pensamento da criança. Ora sendo assim, o pensamento infantil esta apto para responder à motivação do signo artístico, e uma literatura que se estreie sobre esse modo de ver a criança torna-a indivíduos com desejos e pensamentos próprios, agente de seu próprio aprendizado (p.8). A literatura tem um caráter pedagógico que proporciona meios paradesenvolver habilidades que agem como recursos facilitadores no processo deaprendizagem. Essas habilidades poderão ser absorvidas no enriquecimento dovocabulário, nas referências textuais, na interpretação de textos na ampliação dorepertório linguístico na reflexão e criatividade. Segundo Coelho (2000, p.15): “Aliteratura em especial a infantil tem uma tarefa fundamental a cumprir nestasociedade em transformação: a de servir como agente de formação seja noespontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo/texto estimulado pela escola”. Comisso a literatura infantil se torna um recurso de inserção das crianças nas relaçõeséticas e morais que permeiam a sociedade em que estão inseridas. Geralmente quando pensamos em ler e escrever, nos vem à tona que é a“escola”, porém, podemos perceber que fora da escola também se lê e se escreve
  • 27de diversos modos. O processo de leitura ultrapassa os muros escolares e passa afazer parte da nossa vida cotidiana, ou seja, a leitura pode surgir dentro e fora daescola. Lajolo define como: Do mundo da leitura a leitura do mundo, o trajeto se cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu prazer de sedução nos estreitos círculos da escola. (p.7).Diante disso, percebemos que a Literatura Infantil possui um caráter educativo queauxilia no desenvolvimento social, intelectual, cognitivo e psicológico da criança. Ostextos literários são coerentes e significativos e possibilitam ao educando tornar-seum leitor crítico e reflexivo, portanto é essencial incorporar às práticas de sala deaula o texto literário, para, de maneira particular, compor o conhecimento da criançae redimensionar a afetividade pela mediação dos signos verbais e não verbais.
  • 28 CAPÍTULO III3. Fundamentos e Procedimentos Metodológicos: Os Percursos daInvestigação A pesquisa se constitui num procedimento formal, com métodos depensamento reflexivo, que requer um tratamento científico para se conhecer arealidade.nesse sentido segundo Rummel ( 1972, apud MATTOS, 2004),ela temdois significados: em sentido amplo, engloba todas as investigações especializadase completas: em sentido restrito, abrange os vários tipos de estudo e de estudos ede investigação mais aprofundado. Assim faz-se neessário salientar que a pesquisacientifica busca explicar as situações-problema que estuda e analisa, apresentandoao final, inferências e conclusões, mesmo que parciais ou provisórias. Assim, fica evidente a importância da pesquisa em educação, pois educar éconstruir, libertando o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel daHistória e onde a questão cultural, tanto em sua dimensão individual, como emrelação à classe dos educandos, é essencial à prática pedagógica proposta. A metodologia é o instrumento que norteia o processo de investigação, ouseja, conduz os passos da pesquisa, assim, esta pesquisa caracteriza-se denatureza qualitativa, uma vez que procura estudar os fenômenos educacionais eseus autores dentro do conceito social e histórico, procurando o cotidiano comocampo de expressão humana que possibilita um contato pessoal do pesquisadorcom o fenômeno pesquisado buscando respostas para nossas inquietaçõeshipotéticas. Segundo Ludke e André (1986): A pesquisa qualitativa tem o ambiete natyural como sua fonte direta de dadoseo pesquisador como seu principal instrumento.(...) a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada,via regra através do trabalho intensivo de campo.(p.11) Assim, a abordagem qualitativa possibilitou relações de signifacados com arealidade investigada, de maneira transparente e aprofundada que não se limitaapenas ao caráter da quantificação (MINAYO, 1994), sendo um dos elementos
  • 29primordiais para um suposta fidedignidade do estudo, por valorizar o contexto darealidade, em que se buscou fazer vínculos com o objeto, para investigá-lo. Nesses termos, para contemplar o objetivo dessa investigação, o tipo depesquisa mais propício foi à abordagem qualitativa, pois consiste na explicação darealidade, isto é, na tentativa de encontrar os princípios subjacentes ao fenômenoestudado e de situar as várias descobertas num contexto mais amplo. Nessa perspectiva foi necessário coletar “dados”, os quais garantiram odesvelamento do objetivo da problemática demarcada nessa investigação. Foiselecionado como instrumento e técnica de investigação, a observação e oquestionário. Segundo Oliveira (2007), o questionário é um importante instrumentopara obtenção de imformão sobre expectativas, situações vivenciadas e sobre todoe qualquer dado que o pesquisador deseja registrar para atender os objetivos de seuestudo. Cervo e Bervian (2002) afirma que o questionário é a forma mais utilizadapara coletar dados, possibilitando medir com exatidão o que se deseja.3.1. Lócus de Pesquisa A investigação foi realizada na Escola Antonio Bastos de Miranda – Anexo,localizada em Missão do Sahy, povoado da cidade de Senhor do Bonfim – Ba. Areferida escola é uma instituição pública e não tendo espaço para comportar toda aclientela criou-se um anexo, um espaço que não é adequado, mas mesmo assimatende uma clietela com faixa etária de 03 a 10 anos, sendo distribuidos em salas dematernal a CBAS II ( Ciclo Básico Sequencial) 2º ano do Ensino Fundamental,comportando 5 salas, 3 banheiros, 1 cantina e secretaria/diretoria. A instituição de ensino escolhida como campo de pesquisa, favoreceu-nosreflexão para analizar as nossas inquietações, que vivenciamos a falta do hábitopela leitura dos alunos do ensino fundamental que cabe aos professores estimular,despertar o praser a essa clientela caso contrário formará alunos desestimulados.3.2. Sujeitos Da Pesquisa Os sujeitos participantes dessa pesquisa foram 05 (cinco) educadores daEscola Antonio Bastos de Miranda no turno matutino que atuam no ensinofundamental I.
  • 303.3. Instrumentos de Coleta de Dados Os instrumentos de coleta de dados utilizados na produção dessa pesquisaforam: a observação e o questionário misto com o objetivo de investigarmos otrabalho literário desenvolvido pelos docentes. Com o intuito de fornecerem ossubsídios para a busca de informações necessárias a produção do material deanálise para a pesquisa.3.3.1 Observação Na coleta de dados foi utilizada primeiramente a observação no lócus, parafacilitar ocontato entre os pesquisados e o pesquisador. Através desse instrumento,o observador tem uma maior aproximação com o objeto estudado, permitindocompreender melhor a sua realidade e ações. A observação facilita a compreeção onde os entrevistados deixamsubtendidos, permitindo assim melhor claresa dos dados. A observação contribuicom a pesquisa, uma vez que possibilitou o contato maior com os sujeitospesquisados, dando dimenção a uma experiência direta com o pesquisador epesquisado.3.3.2 Questionário Outro instrumento utilizado foi o questionário aberto contendo cinco questõescom o objetivo de não somente investigar as concepções dos professores/as sobre aLiteratura Infantil, mas compreender o papel da literatura infantil na formação decrianças leitora. O questionário aberto foi escolhido por que é um instrumento de pesquisacontituido por uma série de perguntas com o objetivo de levantar dados. Oquestionário da liberdade ao sujeito nas suas opiniões e possibilita que educadoresexponham suas idéias de forma evidente. Marconi e Lakatos (1999, p. 88) definem oquestionário como: “(...) um instrumento de coleta de dados, constituídos por umasérie ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito sem apresença do entrevistador”. Nesse sentido o questionário da liberdade ao sujeitopara expor suas opiniões.
  • 31 CAPÍTULO IV4. Análise e Interpretação dos Dados A etapa de análise de dados, numa investigação é, sem sombra de dúvidas, oápice, a culminância da pesquisa, tendo em vista que neste momento a realidadepode ser confrontada com todo aparato teórico em que o pesquisador, de posse detodos os dados coletados, pode fazer inferências/interferências /interpretações, queirão confirmar ou negar suas hipóteses, consequentimente, desvendar seu objeto deestudo. Segundo Lakatos e Marconi (2001 p. 321), a análise dos dados é realizadaem três níveis: a interpretação, na qual o pesquisador verifica as relações entre asvariáveis existentes na pesquisa; a explicação sobre os fenômenos que ocorreramna coleta de dados; e a especificação, momento em que o pesquisados explicita atéque ponto as relações entre as variáveis do trabalho são válidas, quais são asorigens dessas relações e suas limitações. Assim, depois de analizados os dados chega a hora de interpretá-los. Esse éo momento em que o trabalho dá significado às respostas obtidas,descrevendo-as eexplicando-as com base nos materiais coletados durante o seu percurso deconstrução. Para Lakotos e Marconi (2001), a interpretação é o momento de expor overdadeiro significado do material apresentado, fazendo relações com os objetivospropostos e o respectivo tema da pesquisa. É neste contexto que a análise de dados desta pesquisa constitui-se nummomento ímpar, por possibilitar o confronto entre todo o referencialpesquisado/estudado e a realidade investigada; é o momento em que se podeassumir posicionamentos frente às descobertas, desvelando assim o objeto ecomtemplando os objetivos na referida pesquisa. A seguir, transcrevemos os depoimentos das educadoras entrevistadas emcategorias onde argumentam suas concepções a respeito do trabalho com LiteraturaInfantil em sala de aula. Nesse percurso, as categorias demarcadas sinalizaram os principais eixos dediscurssão da temática: A primeira refer-se à Concepção de literatura infantil, a qual
  • 32traz algumas análises sobre a visão de profissionais que atuam no âmbito escolar; Asegunda a ponta a literatura infantil como elemento essencial para estimular ohábito da leitura. Por fim a terceira discute as histórias no processo dedesenvolvimento da leitura no intuito de refletir sobre a opinião dos docentes eanalisar o olhar de cada profissional diante do contexto.4.1 A concepção de literatura infantil É imprescindível tecer algumas análises sobre a visão dos vários profissionaisque atuam no âmbito escolar, quanto a importância da Literatura infantil, tendo emvista que tais discussões evicidenciam possibilidades, limitações e dasafios daatuação do pedagogo na formação de leitores através da Literatura infantil. Todas as participantes são do sexo feminino, a idade varia de 28 a 50 anos,já atuam na educação infantil a mais de dez anos e todas são graduadas no cursode Pedagogia sendo que nenhuma possui especialização. Estes sujeitos participamregularmente de cursos de formação. Adentrando na discussão, questionados a respeito da concepção daLiteratura Infantil, os educadores deixaram evidentes que: P1: É um caminho para vivenciar o lúdico e despertar o interesse pela leitura (2012). P2: È uma viagem através da leitura, onde a criança se transporta ao mundo da imaginaçao e passa a sentir emoções e despertar curiosidades e sentimentos (2012). P3: São Livros destinados para um público alvo: crianças. P4: È a arte das letras que encantam as crianças e adultos. P5: È a metodologia utilizada por meio de livros, gravuras ou fantoches que enriquecem no âmbito escolar o gosto pela leitura (2012). Fica claro nas falas da P1, P2, P4 que os docentes consideram a LiteraturaInfantil como algo mais amplo e que através da Literatura a criança desperta suacuriosidade para o mundo da leitura e através dos seus questionamentos ecuriosidades desenvolve um potencial crítico. Já as docentes P3 e P5 demonstramuma concepção restrita, quando resumem a Literatura infantil apenas a livrosespecialmente para um público infantil que desperta o gosto pela leitura. Coelho(2000) defende que:
  • 33 A literatura é antes de tudo literatura; ou melhor, é arte: Fenômeno da criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Fdunde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização. (p. 27). O leitor, principalmente o leitor infantil, entra na história através daimaginação. Dessa forma evidencia que a Literatura aguça o senso crítico da criançainduzindo a pensar, por que a Literatura representa o mundo da criança onde ajudano desenvolvimento da criança e também ajuda de alguma forma a resolver seusconflitos internos. Na fala das professoras, a Literatura infantil tem um papel significativo nodesenvolvimento da criança aguçando o gosto pela leitura, proporcionando aaquisição de novos conhecimentos, desenvolvendo as suas habilidades necessáriasde forma natural e agradável.4.2 Literatura infantil: Elemento essencial para estimular o hábito da leitura Perguntado se as educadoras acreditam que a utilização da Literatura nasaulas ajuda a estimular a leitura, ficou evidenciado que: P1: Sim. Ao observar o hábito do professor de ler e junto a ele o prazer que a leitura proporciona, a criança despertará em sí o desejo de fazer o mesmo. P2: sim. Porque as histórias são fontes maravilhosas de experiências, são meios preciosos de ampliar o horizonte da criança e aumentar seus conhecimentos em relação ao mundo. Se o professor utiliza a literatura irá com certeza incentivar o aluno a gostar de ler. P3: Sim. Por que para a criança o professor ou os pais são modelos, eles admiram, então seja contado por pais ou professores de um modo atrativo e competente sem dúvida irá despertar nele o gosto e o prazer pela leitura. È claro que depende de como é contada e incorporada determinadas histórias. P4: Sim. Por que a criança vivencia o momento em que a professora lê um livro, conta uma história e propicia a criança manusear estes livros para assim recontar ou criar novas histórias. P5: sim. Pois provoca no aluno o interesse e o prazer de ouvir e de recontar o que foi narrado. As professoras afirmam que a Literatura Infantil desenvolve o hábito daleitura, desperta o prazer em ler, amplia os horizontes e aumenta os conhecimentosem relação ao mundo. Nesse sentido Barbosa, (1994) salienta que “(...) a leitura é mais que umexercício dos globos oculares, pois se apóia, por um lado, no que o leitor recebe
  • 34através do seu sistema de visão e, por outro nas informações que o leitor temdisponíveis na sua cabeça, na sua estrutura cognitiva”. Compreende-se que o leitorao manusear o livro desperta-se a curiosidade induzindo a leitura, selecionandoassim leitura de acordo com suas necessidades e gosto através de sua imaginaçãocriadora abrindo caminhos para o conhecimento. Diante das respostas percebeu-seque a literatura Infantil é utilizada como recurso para estimular a leitua. Ao serem questionadas sobre o que consideram essencial para a formaçãode uma criança leitora, destacaram: P1: Um ambiente que lhe favoreça, que desperte o seu desejo por ler: Livros disponíveis na sala de aula, pais que presenteiam seus filhos com livros. P2: Ler histórias para crianças considero essencial e também fazer com que tenham acesso a livros em casa e na escola. P3: Um ambiente que favoreça o despertar e o gosto pela leitura, seja na escola ou em casa, incentivo, a vivência e o contato com o ouvir e contar histórias. P4: Despertar na criança o gosto pela leitura. P5: O incentivo dos pais e professores. As professoras abordam que a organização do ambiente alfabetizador eprincipalmente o incentivo dos pais constitui um dos recursos essenciais para odesenvolvimento e formação da criança leitora. Magda Soares (2003 p. 47)exemplifica o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com aescolarização, e que não saiba ainda ler e escrever, porém, tem contato com livros,revistas; ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas, presencia a prática deleitura ou de escrita, e a partir daí tambem se interessa por ler, mesmo que seja sóensenação, criando seus próprios textos.4.3 Histórias infantis no processo de desenvolvimneto da leitura A proposta de leitura de textos literários no processo de alfabetização,visando a formação do leitor, sustenta-se na seleção de textos; no processo deatividades de leitura e de produção textual; e no envolvimentos de atores quelegitimam o esforço dos docentes, voltado para a promoção da leitura. Instigando sobre como incentivam os alunos ao hábito da leitura, aseducadoras destacaram que:
  • 35 P1: através de atividades constantes que envolvam momentos de leitura visita a biblioteca da escola, lendo para eles e contando histórias, etc. P2: Lendo para eles e possibilitando que os mesmos tenham acesso a livros e oportunizando a fazer recontos, e ler em sala de aula. P3: Lendo. Lendo com gosto, ênfase e vontade de maneira que possa contagiar e despertar o gosto pela leitura. Além de acentuar a importância da leitura em nossas vidas. P4: Lendo, contando histórias, construindo cantinho de leitura. P5: Proporcionando momentos que elas mostrem a sua leitura, não importando de que forma elas lêem, mas sim como posso ajudá-las. Ficou evidente nas afirmações das professoras que a inter-relação doprofessor com o trabalho literário é essencial, pois é através da leitura que oprofessor faz, da forma como ele lê, que a criança se entusiasma e passa a seinteressar pela leitura. As docentes utilizam vários métodos, sendo que todas asestratégias de ensino têm resultados significativos que despertam o gosto e ointeresse pelas atividades proposta. O domínio da leitura é uma experiência muito importante na vida da criança,que determina o modo como ela irá perceber a escola e a aprendizagem em geral.Segundo Bettelheim (1984): Quando a aprendizagem da leitura é experienciada não apenas como melhor caminho, mas como o único para sermos trasportados para dentro de um mundo previamente desconhecido, então a fascinação inconsciente da criança em ralção aos acontecimentos imaginários e seu poder mágico apoiará os seus esforços conscientes na decodificação, dando-lhe forças para vencer a difícil tarefa de aprender a ler... (p. 49). Conforme Bettelheim, o acesso ao código escrito confere à criança o poder departicipar do mundo secreto dos adultos, tornando o ato de ler uma aventurafascinante. Ao investigar sobre a importancia das histórias infantis no processo dedesenvolvimento da leitura, as educadoras deixaram explicito que: P1: São de extrema importância, pois é o primeiro contato das crianças com o mundo letrado. Através da leitura das imagens, a criança imagina, sonha, se permite um final diferente para o que está vendo. Quando descobre o que está escrito, percebe que o desenho pode ser algo mais concreto. P2: As histórias infantis são importantes por que além de proporcionar turbilhões de de emoções, sentimentos, familiariza a criança à leitura. P3: Imprescindivel, mas não qualquer história, e sim histórias significativas.
  • 36 P4: As histórias infantis tem grande importância, pois através delas as crianças viagam na sua imaginação e desperta o prazer pela leitura. P5: Muito importante, pois proporciona uma verdadeira ponte entre a fantasia e imaginação e o gosto pelo hábito de ler. A história infantil abrange um conjunto de acontecimentos ligados entre sí,seus componentes são as ações, as personagens, o espaço e o tempo, portantodevem se adequar a faixa etária e o sexo do leitor, já que meninos tendem a seidentificar com histórias em que atuem heróis masculinos, ocorrendo o inverso entreas meninas. Porém a função mais importante das histórias infantis é despertar ointeresse e o imaginário da criança. Nesse sentido Abromovich (1997) salienta que“Ao ler uma história a criança também desenvolve todo um potencial crítico. A partirdaí ela pode pensar, duvidar, se perguntar, questionar... Pois se sentir inquieta,querendo saber mais...(p. 143”) Diante da nossa reflexão percebeu-se que uma história traz consigo inúmeraspossibilidades de aprendizagem. Entre elas estão os valores apontados no texto, osquais poderão ser objeto de diálogo com as crianças, possibilitando a troca deopiniões e o desenvolvimento de sua capacidade de expressão. O estabelecimentode relações entre os comportamentos dos personagens da história e oscomportamentos das próproias crianças em nossa sociedade, possibilita aoprofessor desenvolver os múltiplos aspectos da literatura infantil. A literatura infantil é de grande importância para o processo doautoconhecimento da criança e de sua inserção no real, bem como para odesenvolvimento de seu senso crítico.
  • 375. Considerações Finais Sabe-se que a educação sozinha não pode modificar a realidade em queestamos inseridados, mas também se tem a consciência de que nenhuma mudançapoderá ocorrer sem que a educação esteja presente. Para levar a educação aocupar o seu espaço e ser realizada de forma séria, tem-se que sensibilizar todosaqueles que a fazem, para que desempenhe seu papel de forma reflexíva,contextualizada, comprometida e alegre para que os atores envolvidos seidentifiquem e identifiquem seu mundo. Para isso nada melhor do que utilizar aleitura de histórias que levam os leitores, com potenciais antes desconhecidos, apassear pelo passado, visualizar o presente e sonhar com um futuro melhor. É nessa medida que se torna possível afirmar que o percurso de construçãodesse trabalho foi muito significativo, permeado de construções, desconstruções ereconstruções de conceitos e perspectivas, pois ao longo dessa pesquisa muitasdescobertas se efetivaram, muitas reflexões foram travadas. Assim, através do presente trabalho, percebe-se que os objetivos foramalcançados, ficando evidente que a Literatura Infantil tem um papel significativo nodesenvolvimento da criança, é uma forma exemplar de aprendizagem. Éimprescindível para o desenvolvimento da linguagem e personalidade, pois é atravésda literatura que a criança desenvolve o potencial crítico, possibilitando o diálogo, atroca de opiniões, a aquisição de novos conhecimentos, a habilidade da leitura deforma natural e agradável além de ampliar a capacidade de expressão, portanto acriança aprende brincando em um mundo de imaginação, sonhos e fantasias. Assim, espera-se que a referida pesquisa contribua significadamente paranossa formação enquanto educadores. Entendemos que a relevância dessetrabalho, desde as observações até a construção dessa monografia e a suaoperacionalização tem a possibilidade de ampliar cada vez mais os nossosconhecimentos na busca de uma educação mais eficaz.
  • 38 REFERÊNCIASABRAMOVICH, F. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. 5.ed. São Paulo;Scipione, 1995.AGUIAR, V.T.; BORDINI, M.G. Literatura: a formação do Leitor: alternativasmetodológicas. 2.ed. Porto Alegre; Mercado Aberto, 1993.BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e Leitura. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 1994.BETTLHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas 11. Ed Rio de Janeiro: Paz eTerra,1996 .COELHO, Nelly Novais. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. 1. Ed. SãoPaulo: Moderna, 2000.FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam.25. Ed. São Paulo: Cortez. 1991.GITELLI, Adelson. Comunicação e Educação: A linguagem em movimento. 3. Ed.São Paulo SENAC. 2004.JESUALDO. Literatura Infantil. 1. Ed. São Paulo: Cultrix, 1993.JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: artes Médicas, 1994.KLEIMAN, Ângela B. Modelos de Letramento e as práticas de alfabnetização naescola. Campinas: Mercado das Letras, 2005.LAJOLO. Mariza. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6 ed. Gráfica:São Paulo, 2002.LERNER Delia. Ler e Escrever: O real o possível e o necessário. Alegre: Artmed.2002.LUDKE, Menga. ANDRÉ, Marli, E. D. A. Pesquisa em educação: Abordagensqualitativas ( temas básicos de educação e ensino). São Paulo: EPU, 1986.
  • 39OLIVEIRA, Maria Marly de. Como fazer Pesquisa qualitativa. Rio de Janeiro:Vozes, 2007.PALO, Maria José. OLIVEIRA, MARIA Rosa D. Literatura Infantil: voz de Criança.3. Ed. São Paulo: Ática, 2001.PIAGET, J. A psicologia da criança. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand. Brasil, 1998.SILVA, Ezequiel da. Leitura e realidade brasileira – Porto Alegre: Mercado Aberto.1997.SISTO, Celso. Texto e pretexto sobre a arte de contar histórias. (2ª ed. Revistaampliada). Curitiba, Positivo, 2005.ZILBERMAN, Regina. A literatura Infantil na escola. 6. Ed. São Paulo, global,1987.
  • 40APÊNDICE
  • 41 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENT DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BAHIA CURSO- PEDAGOGIA DOCÊNCIA E GESTÃO DE PROCESSOS EDUCATIVOSCaro(a) professor (a):Este questionário é um instrumento relativo à pesquisa que realizo nocomponente curricular TCC, enquanto concluinte do curso de PedagogiaDocência e Gestão de Processos Educativos. Agradeço a valiosa eindispensável colaboração ressaltamos que não precisa se identificar, uma vezque manteremos o absoluto sigilo, o que requer uma postura ética até mesmoenquanto pesquisadora iniciante.Antecipadamente agradeço a compreensão e colaboração.Joseneide Barbosa de Andrade. Questionário1. Qual a sua concepção sobre Literatura Infantil?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2. Você acredita que a utilização da Literatura Infantil nas aulas ajuda aestimular o hábito da Leitura? Justifique?
  • 42________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3. O que você considera essencial para a formação de uma criança leitora?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4. Como você incentiva seus alunos ao hábito da leitura?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5. Qual a importância das histórias infantis nesse processo deconhecimento da leitura?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________