1       UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB       DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII          COLEGIADO DE PEDAGOGIA...
2       UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB       DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII          COLEGIADO DE PEDAGOGIA...
3                                         JOÃO ASSIS SILVA OLIVEIRAHISTÓRIA DE MULHERES PROFESSORAS: A HISTÓRIA DE VIDA E ...
4              EPÍGRAFE          Quem és Tu Mulher?    Sou quase como vocês homens.       Sou guerreira, justiceira,   cum...
5DEDICATÓRIA A minha mãe, Irene, em nome de todas as mães deste vasto mundo. A Dona Eulina, em nome das professoras de out...
6                                 .AGRADECIMENTOSA Deus, com sua sublime bondade, por permitir que este trabalho fosse ini...
7                       LISTA DE ABREVIATURASDr.ª – DoutoraEd. – Editora(Org.) – OrganizaçãoProf.ª – ProfessoraP. - Página...
8                                     RESUMOO presente trabalho de conclusão de curso: História de mulheres professoras: a...
9                                                      SUMÁRIOINTRODUÇÃO.....................................................
10                                 INTRODUÇÃOO presente estudo tem como tema a História de Mulheres Professoras, com umrec...
11                                    CAPITULO I1.1. HISTÓRIA DE PROFESSORASDiferente do modelo da mulher administradora d...
12Para os povos descendentes indígenas, a educação escolar, acontecia de formaelementar, a educação nestas comunidades, re...
13Em meados do século XIX, foram tomadas medidas para atender aos reclames deque faltam mestres e mestras de boa formação....
14Identidade e diferença não são condições inerentes aos gêneros ou as culturas, nãosendo possível reduzi-las a algo fixo,...
15Inúmeras linhas de conceitos e modelos de ensino são postos em evidência ediscutidos como o melhor método a ser trabalha...
16país que são responsáveis pela existência das escolas rurais e que estesprofessores têm uma história comum que não deve ...
17procedimentos da sua legitimação social são um testemunho da tensão frágil entretradição e modernidade.O conceito de exp...
18induzido por esta perspectiva temporal. É entrar em cena um sujeito que se tornaautor ao pensar na sua existencialidade....
19Assim, a abordagem de história de vidas pode não apenas provocar umconhecimento da sua existencialidade e do seu saber-v...
20por intermédio de temas como terra e trabalho, ou descobrindo os conflitos e adiversidade cultural dos grupos sociais ex...
21Já o professor habilitado desempenhava sua função dinamicamente, passando oconteúdo para os alunos e trazendo muitas exp...
22                                  CAPITULO – II                      PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS2.1. A pesquisa2.1.1. Ti...
23BLOCO II;1. O Senhor (a) conheceu Dona Vanda, fale um pouco sobre a sua vida?2. De que maneira o trabalho de Dona Vanda ...
243 – Fica, pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)plenamente autorizado a utilizar o referido depoime...
253.Terezinha Aquino da SilvaNasceu em Missão do Sahy, é filha de Pedro Joaquim dos |santos e Maria Xavier daSilva, tem 79...
26Josso (2004). Refere-se a questão do saber e sua relação com os aprendestes.Focaliza a perspectiva existencialista traze...
27Missão do Sahy hoje conta com uma população de aproximadamente 4.000pessoas. Seus habitantes sobrevivem de pequenas cult...
28                                   CAPITULO III        3.1. Dona Vanda: quem conheceu fala um pouco sobre sua vida.Os de...
29de endereço, e da organização da vida escolar dos filhos, ela começa e exercer afunção de professora no povoado, em sua ...
30e aprender as habilidades de ler, escrever e contar, funções ensinadas nas escolaselementares da época. Os alunos que co...
31A atuação dos professores leigos foi muito importante especialmente para a zonarural, num tempo em que poucos tinham o a...
32Varzinha, em uma casa cedida por uma família da localidade, ela costumava ir parario, que não ficava muito longe da casa...
33Em sua tese PAZ (2009) comenta alguns recortes de entrevistas, concedidas porsenhoras da comunidade de Missão do Sahy, c...
34Vivendo em um local onde as dificuldades eram muitas, principalmente financeiras,Dona Vanda nunca se seu deu por vencida...
35                             CONSIDERAÇÕES FINAISEsse trabalho teve como tema a História de Mulheres Professoras, com um...
36                                  REFERÊNCIASCAMARGO, Dulce Maria Pompêo de. Mundos entrecruzados: Formação deprofessore...
37
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Monografia João Pedagogia 2012

1,200 views
1,043 views

Published on

Pedagogia 2012

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
1,200
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
11
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Monografia João Pedagogia 2012

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA – COLPED JOÃO ASSIS SILVA OLIVEIRAHISTÓRIA DE MULHERES PROFESSORAS: A HISTÓRIA DE VIDA E FORMAÇÃO DE DONA VANDA Senhor do Bonfim 2012
  2. 2. 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA – COLPED JOÃO ASSIS SILVA OLIVEIRAHISTÓRIA DE MULHERES PROFESSORAS: A HISTÓRIA DE VIDA E FORMAÇÃO DE DONA VANDA Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos. Linha de Pesquisa: Cultura Escolar Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria Gloria da Paz Senhor do Bonfim 2012
  3. 3. 3 JOÃO ASSIS SILVA OLIVEIRAHISTÓRIA DE MULHERES PROFESSORAS: A HISTÓRIA DE VIDA E FORMAÇÃO DE DONA VANDA Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos.Aprovada em ____ de ________________ de 2012.BANCA EXAMINADORA______________________________________________________________Prof.ª Dr.ª Maria Gloria da Paz - Universidade do Estado da Bahia –UNEB Orientadora_____________________________________________________________Prof.ª.................................................................................................. Examinadora____________________________________________________Prof.ª.................................................................................................. Examinadora
  4. 4. 4 EPÍGRAFE Quem és Tu Mulher? Sou quase como vocês homens. Sou guerreira, justiceira, cumpridora de meus deveres, mas desconhecida de meus direitos. Sou tua mulher; sou tua mãe, sou mãe de teus filhos, sou tua namorada, sou tua amiga, sou mulher. Mas quem és tu mulher? Sou mãe, sou advogada, sou médica, sou faxineira, sou mulher-da-vida, sou professora.sou também a flor que encanta seu jardim, a estrela que ilumina o seu céu, mesmo em noites de escuridão. Roni Roque da Silva
  5. 5. 5DEDICATÓRIA A minha mãe, Irene, em nome de todas as mães deste vasto mundo. A Dona Eulina, em nome das professoras de outrora que tanto contribuíram para o crescimento educativo e social de tantas pessoas.
  6. 6. 6 .AGRADECIMENTOSA Deus, com sua sublime bondade, por permitir que este trabalho fosse iniciado,desenvolvido e, finalmente, concluído.A Prof. Dr.ª Gloria da Paz, minha orientadora, mulher sábia, que me guiou nestecaminho, levando-me passo a passo, até chegar ao destino tão almejado.Aos professores e a Universidade do Estado da Bahia – CAMPUS VII, por estesanos de crescimento.Aos meus familiares e amigos que sempre estiveram ao meu lado.Aos colegas universitários por quantos trabalhos, quantos conhecimentospartilhados.A Senhora Perpetua em nome dos familiares de Dona VandaA Dona Terezinha em nome de todos os depoentes.A Senhora Aldalice, mulher guerreira, uma verdadeira líder. Sempre sorridente e debem com a vida. Por suas palavras de animo e conforto.A Jaciane, Ani, que é de Deus. É meu presente de Deus. Uma preciosidade naminha vida. Que com seu jeito simples e carinhoso sempre soube dar-me forçaspara continuar. Sempre me incentivando a continuar firme e forte. Minha musainspiradora.
  7. 7. 7 LISTA DE ABREVIATURASDr.ª – DoutoraEd. – Editora(Org.) – OrganizaçãoProf.ª – ProfessoraP. - PáginaTrad. - Tradução
  8. 8. 8 RESUMOO presente trabalho de conclusão de curso: História de mulheres professoras: ahistória de vida e formação de dona Vanda, tem como objetivo demonstrar aimportância da mulher na educação, refletindo a cerca das contribuições destaeducadora na comunidade de Missão do Sahy. A metodologia aplicada nestapesquisa foi a história oral, através de entrevista semi-estruturada. Foram coletadosdepoimentos de cinco pessoas do povoado, sendo estes, ex-alunos e familiares deDona Vanda. As fontes escritas utilizadas foram: Josso (2004), Louro (2007), Perrot(2007), Nóvoa (2007) e outros autores. Por fim, apresentamos os resultadosalcançados revelando que são pequenos trabalhos como o de Dona Vanda quefazem a diferença na melhoria educativa e social.Palavras - chave: História de professores, história de vida e formação,Professora Vanda.
  9. 9. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................10CAPÍTULO I...............................................................................................................121.1. HISTÓRIA DE PROFESSORAS.........................................................................121.2. HISTÓRIA DE VIDA E FORMAÇÃO..................................................................17CAPÍTULO II............................................................................................................21 2. Procedimentos Metodológicos.......................................................................21 2.1. A pesquisa.....................................................................................................21 2.2. Os instrumentos............................................................................................21 2.3. As fontes de pesquisa..................................................................................24 2.4. O local da pesquisa......................................................................................26CAPITULO III...........................................................................................................27 3. Os resultados da pesquisa.............................................................................28CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................35REFERÊNCIAS........................................................................................................36ANEXOS
  10. 10. 10 INTRODUÇÃOO presente estudo tem como tema a História de Mulheres Professoras, com umrecorte sobre A História de Vida e Formação da Professora Vanda Pereira da Silva.Esta escolha se deu primeiramente porque este assunto está ligado as minhasorigens; sou residente na comunidade de Missão do Sahy, e percebo que a maioriada população comenta sobre a atuação de Dona Vanda na educação destepovoado, outra razão advém da necessidade de dar visibilidade a estespersonagens que contribuíram para a formação das pessoas que por aqui nasceramou que ainda residem nesta comunidade.O fato de tentarmos reconstituir a história de alguém tem a finalidade de darconhecimento sobre esta pessoa e seus feitos, até porque muitos da nova geraçãodesconhecem a sua própria origem, sabendo muito pouco sobre si mesmo, sobre opovoado em que residem e suas personalidades. Pensando sobre a valorização dacultura da nossa comunidade e das pessoas que aqui nasceram, criaram vínculos,estabeleceram relações e contribuíram para o seu crescimento, é que desejoestudar a história de vida da professora Wanda Pereira da Silva, reconstituindopartes de sua história a partir da oralidade das pessoas que a conheceram e queforam seus alunos.Na história de vida de professores, são de grande importância os registros sobre asua atuação na educação na solução de problemas relacionados com ascomunidades, na formação dos cidadãos, dos seus agentes sociais e políticos,especialmente quando se trata das comunidades rurais. Este também é um dosmotivos que nos impulsiona a trazer à luz histórias de educadores, em sua maioria,leigos, sem formação acadêmica, e que através das práticas e de suas própriasexperiências conseguiam iniciar o processo de letramento das pessoas.
  11. 11. 11 CAPITULO I1.1. HISTÓRIA DE PROFESSORASDiferente do modelo da mulher administradora da família, a dona do lar, que forahistoricamente transmitido e muitas vezes reproduzido como certo, muitas mulheresprovedoras de suas famílias, corajosamente, enfrentam a realidade sozinhas comseus filhos, e buscam através do trabalho os meios de sustento da sua família.Tomando para si esta iniciativa, não ficam à mercê da sorte, e mesmo em situaçãodiferenciada ou quando são casadas, não ficam a depender dos recursos do marido.Na maioria das vezes, as mulheres da classe popular ou da zona rural recebem umsalário irrisório pelo trabalho exercido, o que as fazem procurar alternativas, assimcomo as frentes de emergência durante os períodos de seca, colocarem as filhasmais velhas para trabalhar na cidade como domésticas, dentre outras formas deobtenção de renda para a família.Por influencia do mercado, do êxodo rural e da industrialização crescente, a vida dasmulheres também sofreu grandes modificações, mudaram a vida das mulheres queaprenderam a desempenhar atividades que antes eram exclusivas dos homens. Aeducação foi a forma que as mulheres encontraram para se libertar da condição desubmetimento em que viviam.As primeiras escolas, em maior número para meninos, foram fundadas porcongregações e ordens religiosas femininas ou masculinas e eram mantidas porprofessores leigos. Professores para ensinar aos meninos e professoras para asmeninas. Esses por sua vez deveriam ser pessoas dignas socialmente. O ensino erabasicamente centrado na formação de habilidades para ler, escrever, contar econhecimento sobre a doutrina cristã.Em muitos momentos as disciplinas mais complexas eram confiadas aosprofessores e esses também recebiam uma remuneração maior que as mulheres.
  12. 12. 12Para os povos descendentes indígenas, a educação escolar, acontecia de formaelementar, a educação nestas comunidades, realizava-se no seio familiar, tendocomo pano de fundo as praticas e os costumes do grupo de origem; o acesso a umaescolarização mais ampla, se tornava mais difícil, principalmente por habitarem maisdistantes dos grandes centros, onde se concentravam os colégios, cabendo-lhesapenas o acesso ao ensino das primeiras letras.Para as filhas de grupos sociais privilegiados, o ensino da leitura, da escrita e dasnoções básicas de matemática era geralmente complementado pelo aprendizado dopiano e do francês que, na maior parte dos casos, era ministrado em suas própriascasas por professores particulares, ou em escolas religiosas. As habilidades com asagulhas, os bordados, as rendas, as habilidades culinárias, bem como ashabilidades de mando das crianças e serviçais, também faziam parte da educaçãodas moças; acrescida de elementos que pudessem torná-las uma esposa agradávele capaz de representar o marido socialmente.Ainda que o reclamo por uma educação feminina viesse a representar, sem duvidaum ganho para as mulheres, sua educação continuava a ser justificada por seudestino de mãe. Tal justificativa já estava exposta na primeira lei de instrução publicado Brasil, de 1827. As mulheres carecem tanto mais de instrução, porquanto são elas que dão a primeira educação aos seus filhos. São elas que fazem os homens bons e maus; são as origens das grandes desordens, como dos grandes bens; os homens moldam a sua conduta aos sentimentos deles.Para muitos, a educação feminina não poderia ser concebida sem uma solidaformação cristã, que seria a chave principal de qualquer projeto educativo. Pois,predominava a moral religiosa, onde se esperava que as meninas e jovensconservassem uma imagem de pureza. Portanto, não podendo estas, ficar nomesmo espaço que os homens.
  13. 13. 13Em meados do século XIX, foram tomadas medidas para atender aos reclames deque faltam mestres e mestras de boa formação. Foram criadas escolas formadorasde docentes, as escolas normais. Elas atendiam ambos os sexos, porém homensficavam separados das mulheres em classes separadas. ( LOURO, 2008 ).O objetivo das escolas normais era formar profesores (as) para atender o aumentode alunos. Porém, o êxito não foi alcançado como era esperado porque as escolasestavam formando mais mulheres que homens. Os homens estavam abandonando,aos poucos, a sala de aula.Ao final dos anos 60 e na década de 70 torna-se mais forte a questão dopofissionalismo do ensino. A legislação para o setor tona-se mais minunciosa eextensa; procedimentos e relações de ensino são disciplinados, especialmente,através da burocratização das atividades ecolares da edição de livros e manuaispara docentes, da revitalização de disciplinas como educação moral e cívica, dapreferência politico-ideológica dos professores, etc.São valorizados o carater profissional da atividade, através das qualidades comoafeto, espontaneidade e informalidade nas relações intra escolares. Há umatendência em se substituir a representação da professora como mãe espiritual poruma nova figura: a da profissional do ensino.A partir dai era exigido do professor uma ocupação bastante itensa com atividadesde ordem administrativas e de controle; sua forma de ensinar deveria ser maistécnica, eficiente e produtiva.Reivindicar o reconhecimento como profissional também se constituia numa formade mulheres professoras lutarem por salários iguais aos dos homens e porcondições de trabalho adequadas.Um aspecto muito forte na questão do gênero é o da diferença, que, na pespectivapós-estruturalista, é um processo social estritamente vinculado à significação.
  14. 14. 14Identidade e diferença não são condições inerentes aos gêneros ou as culturas, nãosendo possível reduzi-las a algo fixo, estável, unico, homogêneo. Estas so podemser percebidas como construção, efeito, processo de produção e ato performativo.Que apenas por uma repetição exaustiva, acabam por produzir efeitos de realidade.Por um lado, como uma espécie de reafirmação da função afetiva e de suaimportância central na atividade docente, muitas professoras e professoressubvertem a pretendida propaganda desejada pelos orgãos educacionais, modificamas tarefas e atividades programadas, introduzem caracteristicas próprias aossistemas de instrução e passam a usar a tia como uma denominação substituta a deprofessora.Outra forma de resistência se dá na luta pelos direitos trabalhistas. Professores eprofessoras vão buscar formas de reivindicar semelhantes aos operarios. Criam-secentros de professores e sindicatos que expressão suas reivindicações através degreves e de manifestações publicas de maior visibilidade e impacto social. São osmovimentos dos trabalhadores da educação.A professora sindicalizada, denominada de trabalhadora da educação, érepresentada pela mulher militante, disposta a ir às ruas lutar por melhores saláriose melhores condições de trabalho. Ela deve ser capaz de parar suas aulas; gritarpalavras de ordem; expor publicamente sua condição de assalariada, não mais demãe, tia ou religiosa, exigir o atendimento de seus reclames. Face à discretaprofessorinha do incio do século, o contraste parece evidente: são outros gestos,outa estética outra ética.Portanto, retomando o processo histórico da educação escolar vemos o quanto estatem tomado varias mudanças no decorrer dos anos e o professor, pivô desteprocesso, é encaminhado a acompanhar essas inovações.
  15. 15. 15Inúmeras linhas de conceitos e modelos de ensino são postos em evidência ediscutidos como o melhor método a ser trabalhado no ambiente escolar. Trazemnovas abordagens e requerem nova formação dos docentes para acompanha-los.Progressivamente, a atenção exclusiva às práticas de ensino tem vindo a seranalisada e reconhecida de modo a valorizar a pessoa do professor, sua vida e nãosomente sua função enquanto profissional formador. Essa visão valoriza e fortalecea identidade do educador. Pois, esta é auto reconhecida quando a pessoa encontra-se naquilo que faz, quando se sente responsável por aquela área que atua, cientede que sua identidade não é algo produzível.Todavia, a identidade do professor é fruto daquilo que ele controla dentro da suafunção, é o elo entre sua pratica de ensinar e a autonomia que tal realização lheproporciona. O profissional professor e a pessoa do professor são duas coisas queandam juntas, uma contribui com a outra e ambas dependem uma da outra.Contudo, a realidade é mais sofrida, no nordeste do Brasil onde está maior parte soba responsabilidade dos professores não qualificados. Esses professores, a maioriamulheres, são responsáveis pela escola que é negligenciada por muitos dosgovernos muncipais. Ganhando os menores salários, sem orientação apropriada,sem condições, esses trabalhadores rurais dividem seu tempo entre trabalhoagrícola e gestão de sala de aula.Esta tem sido abalada nos últimos anos por uma pressão tripla: classes mais baixasrequerem uma escola de qualidade, a Unesco e outras agências internacionaisexigem que a escola seja capaz de responder às solicitações da globalização, aglobalização do capital, o Ministério da Educação do Brasil promulgaram leis queexigem a profissionalização de todos os professores no país.Como para não graduados professores, vários estudos mostram que a situação écomplexa: sua existência decorre da realidade estrutural e cíclica do nordeste do
  16. 16. 16país que são responsáveis pela existência das escolas rurais e que estesprofessores têm uma história comum que não deve ser negligenciada.Outro ponto prejudicial ao ensino das classes rurais é a exigencia do cumprimentode conteúdos curriculares que são desenvolidos para a realidade urbana, ondesabemos que tem suas diferenças.1.2. HISTÓRIA DE VIDA E FORMAÇÃO.Identificamo-nos com as nossas experiências, nos fixamos nelas. E diante daspotencialidades e fragilidades prosseguimos nossa história de vida com uma maiorvisibilidade.Todavia, em se tratando de experiência e vivência, Josso (2004), esclarece em seusestudos a diferença existente entre estes termos, ao considerar que a experiêncianasce de uma postura refletida, isto é, o sujeito reflete sobre as vivências de suavida. Esta reflexão permite que as vivências se transformem em experiências devida. Para tanto dar importância à narrativa de formação do sujeito, que mesmoadquirida tecnicamente, destaca-se como essencial às subjetividades esingularidade do mesmo.A formação descreve os processos que afetam a nossa subjetividade. Ela indicaassim, um dos caminhos para que o sujeito oriente, com lucidez, as própriasaprendizagens e o seu processo de formação.Segundo Josso (2004), as nossas culturas ocidentais contemporâneas, fundadas nolivre empreendimento e na capacidade de iniciativa criadora, obrigam-nos a tercenários de vida, enquanto as formas e os conteúdos educativos procuram orientare conter essa criatividade. Se a inovação nasce de individualidades inquietas, os
  17. 17. 17procedimentos da sua legitimação social são um testemunho da tensão frágil entretradição e modernidade.O conceito de experiência formadora implica uma articulação conscientementeelaborada entre atividade, sensibilidade, afetividade e ideação. Articulação que seobjetiva numa representação e numa competência.Através da experiência temos a possibilidade de poder avaliar situações, podemosanalisar mais precisamente atividades e acontecimentos novos.O domínio dessas competências implica não apenas uma integração de saber fazere ter conhecimento, mas também de subordina-las a uma significação e a umaorientação no contexto de uma história de vida.Se a abordagem biográfica da formação, uma vez que ela se centra o aprendente,permite compreender o que é uma experiência formadora, os trabalhos eventuadoscom essa metodologia continuarão a precisar e a afinar a dinâmica da formação e,por conseguinte, o próprio processo experiencial.O que está em jogo neste conhecimento de si mesmo não é apenas compreendercom nos formamos por meio e um conjunto de experiências, ao longo da nossa vida,mas sim tomar consciência de que este reconhecimento de si mesmo como sujeito,mais ou menos ativo ou passivo segundo as circunstancias, permite a pessoa daiem diante, encarar o seu itinerário de vida, os seus investimentos e os seusobjetivos, que articule de uma forma mais consciente as suas heranças, as suasexperiências formadoras, os seus grupos de convívio, as suas valorizações, os seusdesejos e o seu imaginário nas oportunidades socioculturais.Construir a sua história constitui uma prática de encenação do sujeito que se tornaautor a pensar a sua vida na sua globalidade temporal, nas suas linhas de força, nosseus saberes adquiridos ou nas marcas do passado, assim como na perspectiva dosdesafios do presente entre a memória revitalizada e o futuro já atualizado, porque
  18. 18. 18induzido por esta perspectiva temporal. É entrar em cena um sujeito que se tornaautor ao pensar na sua existencialidade. Porque o processo auto reflexivo, queobriga a um olhar retrospectivo e prospectivo, tem de ser compreendido como umaatividade de auto interpretação critica e de tomada de consciência da relatividadesocial, histórica e cultural dos referenciais interiorizados pelo sujeito e, por issomesmo, constitutivos da dimensão cognitiva da sua subjetividade.O processo de formação, nas dialéticas e nos conteúdos que caracterizam umatrajetória, é progressivamente explicitado a partir de questionamentos, de hipóteses,de constatações de recorrência nos comportamentos, nas atitudes ou nasvalorizações, e na maneira de cada um gerir a própria vida.Nas narrativas de vida é evidente que as vivencias são relatadas, mas contam-nas ádevolvendo-nos uma significação, por mais sumaria que ela seja.Na abordagem “Histórias de vida e formação”, a reflexão sobre a vida é centrada nosalientar as experiências que consideramos significativas, para compreendermos oque nos tornamos, nesse dia, e de que forma chegamos a pensar o que pensamosde nos mesmos, dos outros, do nosso meio humano e natural.Os gêneros de aprendizagens identificados correspondem a três gêneros deconhecimento: o saber-fazer consigo mesmo (psicossomático), o sabe-fazer comoutrem ou com objetos mais ou menos complexos (pragmáticos), e o saber-pensar(explicativo e/ou compreensivo).O trabalho biográfico sobre o passado se efetua a partir dos interesses, dasquestões, das preocupações, das expectativas e dos desejos de um presente quecontem um futuro implícita ou explicitamente projetado. Por isso que considero que aintensão de caminhar conscientemente para si é um processo-projeto que sótermina no fim da vida.
  19. 19. 19Assim, a abordagem de história de vidas pode não apenas provocar umconhecimento da sua existencialidade e do seu saber-viver com recursos de umprojeto de si auto-orientado, mas convoca ainda o sujeito da formação a reconhecer-se como tal, a assumir sua quota de responsabilidade no processo, finalmente, acolocar-se numa relação renovada consigo, com os outros, com o meio humano ecom o universo, na sua vida em geral e no nosso grupo em particular.Boa parte dos professores leigos era da zona rural. A grande maioria é constituídade posseiros que complementam o orçamento doméstico como professores. Erampessoas que viviam isoladas, precariamente servidos pelos meios de comunicação ede transporte e que, durante o passar de um tempo, reconhecem seu valor e vão embusca de resgatar sua identidade, começando a perceber o valor de sua história.Assim como situa CAMARGO, essa experiência singular, ainda hoje ausente daHistória da Educação Brasileira, precisava, urgentemente, ser relatada,sistematizada e refletida (...). Essa é, portanto, a principal preocupação e objetodeste trabalho, cuja importância está diretamente relacionada ao despontar denovos projetos no Brasil em tempos e espaços diferentes. (Camargo 1997, pp. 13,14)Para a autora, a experiência de campo não deve ocorrer em um vazio teórico. (...)Visando, sobretudo, atingir a realidade escolar no contexto rural e indígena, a partirda observação e da experimentação. Nesta perspectiva, (...) rompe com o ensinoconvencional (...). Esta prática teve como estratégia principal o Laboratório Vivencial- ou seja, a vizinhança do observador que percebe essa realidade a partir de seusreferenciais (...). Apesar de ser o mais "interdisciplinar" dos laboratórios, necessitade uma metodologia que permita a sistematização do conhecimento. Assim, talmetodologia teve como fundamentação básica a abordagem etnográfica para otratamento do conteúdo observado. (Camargo, 1997, pp. 32-34).O senso de compromisso na condução educacional emerge constantemente daleitura, uma vez que vamos sendo introduzidos na importância da história regional
  20. 20. 20por intermédio de temas como terra e trabalho, ou descobrindo os conflitos e adiversidade cultural dos grupos sociais existentes, por meio dos conteúdos.O ensino primário continuou a ser ministrado por leigos sem qualquer preparo,existido professores que não ensinavam os alunos “nem a assinarem o nome”, pornão saberem fazer; Somente mais tarde o ensino normal passaria a ser olhado porseus dirigentes como importante para a comunidade.O magistério, que era profissão basicamente dos homens, cedeu seu espaço asmulheres.Com a defasagem do salário do professor e com a disponibilidade de outras funçõespelas mulheres o magistério enfraqueceu. Com a extinção das escolas normaiscontribuiu para o enfraquecimento do mesmo.Os professores na sua maioria são mulheres. Os homens que atuam no magistérioestão nele até encontrar uma oportunidade de emprego com melhor remuneração.Havia uma grande predominância de classes multiseriadas, onde se misturavaalunos com grau de aprendizagem diferentes, idade e muitas vezes classe social.Todavia, o professor leigo escrevia no quadro um exercício para execução na sala,um texto para leitura e um dever para casa. Ficava sentado na cadeira esperandoque os alunos copiassem, resolvessem os exercícios, enquanto examinava oucorrigia cadernos, copiava deveres para alunos mais fracos ou mais adiantados.Chamava aluno por aluno para fazer leitura.Com o comportamento verbal predominante de dar ordens, ele tentava, sobretudo,manter a disciplina na sala. Certamente não sabendo como lidar com aheterogeneidade da turma, voltava-se para o atendimento individual que se resumena leitura de um pequeno trecho ou correção de um pequeno exercício.
  21. 21. 21Já o professor habilitado desempenhava sua função dinamicamente, passando oconteúdo para os alunos e trazendo muitas explicações e exemplos e solicitando aparticipação do aluno nas atividades.
  22. 22. 22 CAPITULO – II PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS2.1. A pesquisa2.1.1. Tipo de pesquisa: História OralA História Oral foi escolhida para estudar a História de Mulheres Professoras, emespecial, a História da atuação da Professora Vanda na educação das pessoas nopovoado de Missão do Sahy. Através da História Oral pudemos colher depoimentossobre a educação escolar do povoado na época da professora Vanda.2.1.2. Os Instrumentos da pesquisa:Entrevista semiestruturada2.2. O GUIA DA PESQUISABLOCO I: a identificação dos entrevistadosA ficha de identificação é composta por elementos de identificação pessoal:Nome:Endereço:Filiação:Data de Nascimento:Naturalidade:Estado civil:Escolaridade:Profissão:Data:
  23. 23. 23BLOCO II;1. O Senhor (a) conheceu Dona Vanda, fale um pouco sobre a sua vida?2. De que maneira o trabalho de Dona Vanda contribuiu para a melhoria dacomunidade de Missão do Sahy?3. Se você foi aluno de Dona Vanda, fale um pouco sobre esta professora e suamaneira de ensinar.4. O que você aprendeu com Dona Vanda?5. Deseja falar mais alguma coisa sobre Dona Vanda?2.1.1.2. CARTA CESSÃOCARTA CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA AUNEB/CAMPUS VII – SENHOR DO BONFIM - BA 1 - Pelo presente documento...........................brasileiro, estado civil)......................(profissão)..........carteira de identidade nº......., emitida por.................... CPFnº................, residente e domiciliada em..................................................., Municípiode Senhor do Bonfim, Bahia. Cede e transfere nesse ato, gratuitamente, em caráteruniversal e definitivo ao Campus VII da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) atotalidade dos seus direitos patrimoniais de autor sobre o depoimento prestado nodia ....de ...................... de 2010, perante o pesquisador João Assis Silva Oliveira.2 – Na forma preconizada pela legislação nacional e pelas convençõesinternacionais de que o Brasil é signatário, o DEPOENTE, proprietário originário dodepoimento de que trata este termo, terá, indefinidamente, o direito ao exercíciopleno dos seus direitos morais sobre o referido depoimento, de sorte que sempreterá seu nome citado por ocasião de qualquer utilização.
  24. 24. 243 – Fica, pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)plenamente autorizado a utilizar o referido depoimento, no todo ou em parte, editadoou integral, inclusive cedendo seus direitos a terceiros, no Brasil e/ou no exterior.Sendo esta forma legitima e eficaz que representa legalmente os nossos interesses,assinam o presente documento em 02 (duas) vias de igual teor e para um só efeito._____________________________________[assinatura do entrevistado]TESTEMUNHAS:_____________________________________1ª testemunha_____________________________________2ª testemunha 2.2. Fontes 2.2.1. Fontes oraisAs fontes orais escolhidas são pessoas da comunidade que foram alunos oumantiveram relações familiares com a professora em estudo.1. Adalgisa Alves do Nascimento.Filha de Eleotério A. do Nascimento e Odelia A. Rosas. É residente na comunidade,75 anos de idade, é viúva e natural deste povoado, é aposentada e estudou até a 5ªserie do ensino fundamental.2. Maria Perpétua Pereira da SilvaNascida em Senhor do Bonfim, filha de Felix A. da Silva e Vanda P. da Silva, casadaresidente na comunidade de Missão do Sahy, tem 53 anos de idade, é dona de casae tem o segundo grau completo.
  25. 25. 253.Terezinha Aquino da SilvaNasceu em Missão do Sahy, é filha de Pedro Joaquim dos |santos e Maria Xavier daSilva, tem 79 anos de idade, é viúva e dona de casa, aposentada e foi alfabetizadapelo antigo programa denominado MOBRAL- movimento brasileiro de alfabetização4. Eulina Vieira Malta ValadãoResidente na comunidade de Missão do Sahy, nascida na Fazenda Varzinha emMissão do Sahy, filha de Manoel P. da Silva e Maria dos Santos, é viúva,aposentada, tem 60 anos de idade, foi professora leiga na comunidade e possui a 5ªsérie do ensino Fundamental.5. Mario Pereira da SilvaFilho de Manoel Pereira da Silva e Maria dos Santos, casado, 60 anos de idade,aposentado da Via Férrea – Leste Brasileira, a sua escolaridade é o antigo cursoprimário. 2.2.2. Fontes escritasPerrot (2007). Apresenta o anonimato e o ocultamento em que as mulheres têm sidosubmetidas, em relação aos homens. Traz a divulgação de fontes, registros, falas,discursos, imagens, ideias e expressões artísticas sobre elas e por elas produzidas.Nóvoa (2007). Estabelece a relação entre a profissionalização do professor, aconstrução de sua identidade e a historia de sua vida. Valendo-se de umaretrospectiva histórica, mostra que as tentativas de racionalização do ensinoimpuseram a separação entre o eu pessoal e eu profissional do professor.
  26. 26. 26Josso (2004). Refere-se a questão do saber e sua relação com os aprendestes.Focaliza a perspectiva existencialista trazendo a importância do singular, do sujeito,do experiencial, do existencial, da globalidade concreta, e da complexidade dosprocessos de formação no movimento de ideias.Louro (2007). Vem mostrar as diferenças que eram impostas pela sociedade comrelação ao homem e a mulher. A educação a ela imposta. As concepçõestradicionais de postura da mulher. As lutas destas em busca do seu espaço. Aconquista do magistério.2.3. O local da pesquisaNo ano de 1697 os Franciscanos da Ordem Menor criaram Arraial da Missão deNossa Senhora das Neves do Sahy. Seus habitantes, os índios (sobretudo Payayá eKariri), foram vistos e tratados como uma fonte de mão de obra para o trabalho dosalitre e nas fazendas de brancos, como está escrevendo numa carta aos fradesfranciscanos Luiz César de Meneses (de 12 de março de 1706).De 24 de julho de 1722 a 5 de junho de 1724 - Missão foi elevada a categoria de vila(virando um espaço administrativo da Coroa, com a finalidade de administrar ajustiça, efetuar a cobrança dos impostos sobre o ouro produzido pelas minas,implantar a lei e combater a violência), mas logo depois Missão do Sahy perdeu estetítulo e importância, sendo esquecida e ignorada. Em 1721, num episodio dramático,frei capuchinho, Martin de Nantes (francês), evitou a todo custo que o poderosoGarcia D´Ávila levasse todos os índios da aldeia de Missão do Sahy como escravospara vendê-los aos senhores de engenho da região. Em 17 de dezembro de 1841 ojuiz de direito de Jacobina, Ângelo Muniz da Silva Ferraz, assinou um documento deapreensão de todos os bens que pertenciam a Missão. Estes bens deveriam serdevolvidos ao último frade da Missão, frei Sebastião de Santo Antônio, segundo odecreto de 16 de maio de 1843 (hoje ninguém sabe, onde pararam estes bens).
  27. 27. 27Missão do Sahy hoje conta com uma população de aproximadamente 4.000pessoas. Seus habitantes sobrevivem de pequenas culturas de subsistência e deprestação de pequenos serviços, pois suas terras foram transformadas no passadoem latifúndios. Há um pequeno grupo de descendentes de indígenas num localafastado, denominado "Aldeinha", fazendo o artesanato em cipó e outros artesãosque desenvolvem suas atividades isoladamente. O distrito de Missão do Sahy ébastante rico em cultura e história. No passado, já foi uma das localidades maisimportantes da Bahia, quando sendo um posto de fiscalização e administração daCoroa portuguesa. Mas, depois de perder importância para localidades vizinhas(como a Vila Nova da Rainha, atual município de Senhor do Bonfim, do qual é hojedistrito, e Vila de Santo Antônio de Jacobina), Missão do Sahy foi ignorada eesquecida. Atualmente existem poucos resquícios desse passado. A antiga "Missãode Saí" dos franciscanos foi extinta em 1864.
  28. 28. 28 CAPITULO III 3.1. Dona Vanda: quem conheceu fala um pouco sobre sua vida.Os depoimentos recolhidos sobre a vida de Dona Vanda, ressaltam a sua atuaçãocomo professora na comunidade de Missão do Sahy; inicialmente numa área ruralconhecida como Fazenda Varzinha, onde tinha em sua casa uma escola, ensinandoa ler, escrever e contar. Para muitos dos nossos entrevistados a competência deDona Vanda enquanto educadora se sobrepõe ao que se toma como competênciaprofissional na atualidade, como explica uma das colaboradoras. “As professoras dehoje num sabe nem a metade dela, ela ensinava aqui, depois adoeceu e parô.”Dona Vanda foi uma professora leiga, a sua formação advém da pratica, pois nãofrequentou o antigo curso de formação de magistério, curso oferecido peloEducandário Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento - uma escola do ensinoprivado, e de difícil acesso aos indivíduos pertencentes ás camadas populares,especialmente aos residentes na zona rural do município. A maioria dos leigos,eram pessoas que pouco alfabetizadas, se dispunham a ensinar o pouco quesabiam para pessoas da comunidade que tinham interesse em aprender.Dona Vanda ensinou na Fazenda Varzinha do ano de 1952 até 1966. Na época, apopulação do povoado era pequena e a convivência entre os moradores era muitopróxima, facilitando o afeto e o respeito. Para esta professora, mãe de família,tornou-se imperativo ter que mudar-se da zona rural com a sua família para a sededo povoado de Missão do Sahy, uma vez que seus filhos estavam crescendo e elaqueria que eles tivessem uma educação escolar mais qualificada.O povoado localizado nas proximidades da cidade de Senhor do Bonfim, facilitava oseu desejo, dar aos filhos uma escolarização mais significativa. A partir da mudança
  29. 29. 29de endereço, e da organização da vida escolar dos filhos, ela começa e exercer afunção de professora no povoado, em sua própria casa, aonde chegou a formarturmas numerosas de pessoas que queriam aprender a ler e escrever, haja vista quena época o índice de pessoas analfabetas era muito grande, e os professores leigos,sempre tinham em sua casa um espaço para mais um aluno. Este era também olema de Dona Vanda; e desta maneira, muitas pessoas de Missão do Sahy puderamser educados por ela, muitos destes já faleceram, alguns permanecem nacomunidade e outros vivem em outros lugares.Segundo depoimentos, os alunos gostavam muito dela, pois, apesar do rigor queexigia no momento das aulas, era uma pessoa bondosa e amiga que queriasomente o bem deles. Educou desde os pais até os filhos e era muito respeitada portodos. Muitos a tinham como uma segunda mãe e era madrinha de quase todos osseus alunos. Estes sentiram muito a sua falta. Madrinha Vanda, eu gostava muito dela, primeiro eu estudei cum a professora Maria Menez, depois foi cum Dona Vanda, ela também foi minha garnde amiga, cumadre e eu senti muito a separação dela, ela ajudou muito as minhas filhas, foi professora delas também, ave Maria, elas respeitava muito ela, elas choraro muito a morte dela, era como parente, num era nada de sangue, mas é como se fosse. Eu conheci esse povo todo, até o pai dela, seu Antônio.Outro depoimento confirma a proximidade da professora com as famílias dalocalidade, uma vivencia muito comum entre os professores leigos que atuavam emcomunidades rurais, Madrinha Vanda foi minha primeira e única professora, ela começou ensiná na fazenda Varzinha, no ano de 52, me parece, eu sei que eu era pequena na época, mas quando eu fui pra escola, eu tinha 6 anos, porque eu chorava pra ir pra escola, eu via os grande, e ela dizia assim – não, eu num vô deixar ela ir pra escola não, ela ta muito pequena, eu nem me matriculei, que naquele tempo só se matriculava com 7 anos.Na época a idade exigida para o aluno matricular-se na escola era sete (7) anos,entendia-se que a criança nesta idade estaria pronta para assimilar os ensinamentos
  30. 30. 30e aprender as habilidades de ler, escrever e contar, funções ensinadas nas escolaselementares da época. Os alunos que conseguiam finalizar os estudos, alcançandoaí o quarto ano primário ou o quinto ano – admissão com Dona Vanda, estesestavam aptos a criarem as suas próprias escolas e ou a exercer a função deprofessor leigo em escolas municipais do povoado. 3.2. O trabalho de Dona Vanda, uma vocação, um dom de Deus.Dona Vanda era, para muitos, uma pessoa sem defeito que partia o que tinha comquem precisasse. Quebrando um pouco a hegemonia, também havia aqueles quereafirmavam a sua atuação enquanto professora, porém, não acreditavam muito emseu trabalho assistencialista; estes se constituíam em um número reduzido e semexpressividade. “Ela só era professora, ela num ajudava não, que nada!”Para a maioria, ela era uma mulher caridosa, costumava ajudar, principalmente,aqueles que mais necessitavam e procurava atender a todos que a procuravam. “[...]Mãe gostava de ajudar os otros que precisava, ela só negava se num tivesse como.Ela ensinava na casa da gente a todo mundo que ia pra lá”. Outro relato destaca acaridade da professora Vanda, “ [...] ajudava o povo, essa minina da D.., oxe, eladava rôpa, a cumade J, ave Maria era assim cum ela... Era gente boa , ajudavamuito!Apesar de a educação predominante ser a tradicional, muitas atividades que aprofessora realizava com os alunos eram bastante diversificadas e interessantes,pinturas, colagem, enfeites com papel, além de frequentemente sair para passeiosem rios, fazendas e outras localidades adjacentes. A “merenda’” para os alunos erafeita pela própria professora com a ajuda dos alunos maiores, algum tempo depois éque foi contratada uma pessoa para executar esta função.
  31. 31. 31A atuação dos professores leigos foi muito importante especialmente para a zonarural, num tempo em que poucos tinham o acesso ao meio escolarizado. A formaçãode muitas pessoas se deu por estes profissionais que tanto contribuíram para aeducação dos indivíduos que viviam distantes dos grandes centros urbanos. “[...] Osprofessores leigos naquela época se doavam, não trabalhavam apenas pelo dinheironão, trabalhavam por vocação, aquele dom que tinho recebido de Deus, porque osalário sempre foi mínimo dos minimo”. (Dona Eulina). A remuneração que osprofessores ganhavam era mínima, tão pouco que mal dava para se manter, mesmoassim, estes não desistiam de fazer o trabalho que haviam escolhido pornecessidade ou por amor, mas um trabalho que tinha o objetivo de melhorara vidadaquelas pessoas.Dona Vanda era querida por todos, porem não deixava de ter aqueles que por esteou aquele motivo não gostavam dela. Muitos porque achavam que a falta deinteresse que seus filhos tinham com relação à escola era culpa da professora ediziam que ela não ensinava corretamente e por isso seus filhos não aprendiam damesma forma que os demais alunos.Todavia aquelas pessoas que tinham acesso ao trabalho dela sabiam o quanto elase esforçava e dava tudo de si para que seus alunos aprendessem, era umaprofessora muito aplicada, esforçava-se o máximo para que seus alunosabsorvessem todos os conteúdos que ela passava em sala. Gostava de trabalharcom os alunos, fazendo as atividades sempre em conjunto, fazendo uso dacriatividade. 3.3. Dona Vanda e a sala de aula: tudo que o aluno fazia, a pessoa que cuidava da turma anotava no caderno.Dona Vanda, ao mesmo tempo em que dava aula era dona de casa e tinha quecumprir com os afazeres domésticos. Quando morava e lecionava na Fazenda
  32. 32. 32Varzinha, em uma casa cedida por uma família da localidade, ela costumava ir parario, que não ficava muito longe da casa, lavar roupa e deixava os alunos com outrapessoa, muitas vezes com um aluno mais velho, geralmente aquele aluno quedemonstrava ser mais desenvolvido e dedicado aos estudos.Este aluno era responsável para anotar tudo que acontecesse de errado na classeem um caderno e depois passar para Dona Vanda. Este aluno por sua vez sentia-seno dever de registrar tudo, até para demonstrar competência e mostrar-se melhorque os demais. O aluno que tivesse o nome anotado no caderno por algum atoerrado que tivesse realizado recebia um castigo como forma de punição pelo errocometido, exemplificado no depoimento de uma das entrevistadas. Ela foi pro rio e deixou a classe com uns trinta alunos, que era muito, tudo que o aluno fazia, ela ou ele, a pessoa que ficava cuidando da anotava no caderno, eu coitada , deste tamanho, me deu vontade de cuspir, num fui cuspi dentro da sala e fui botá o rosto assim na janela pra cuspí lá fora e num é que o infeliz colocou meu nome, quando ela chegou, num contou historia, botou todo mundo de castigo, de joelho cum banco na cabeça. E eu era tão pequena que o banco num alcançou a minha cabeça, aí chegou o cumpadre P. e falô: - o que é que tá fazeno esses menino de joelho com um banco na cabeça? Aí ela falou: - Há é porque eu fui pro rio e eles tavo bagunçando, e eu disse: - eu num baguncei, eu simplesmente levantei a cabeça pra cuspi e o R pegou uma vareta de vilão deste tamanho e era pra bater, tu acha? (Dona Eulina).A rigidez de Dona Vanda na educação dos alunos fazia com que ela utilizasse oscastigos como uma maneira de conseguir disciplina-los, dessa forma tinha-se aimpressão de que as crianças se tornavam mais atenciosas e obedientes. “Ela erarígida, ela não batia pra tirar sangue, ela botava de castigo [coloca-se de joelhosolhando pra parede], e dava bolo... [ Utilizava-se a palmatória para bater nas palmasdas mãos ] Oxe, nego tinha medo, quando via ela, ficava tudo queto, tudo eraafilhado num sabe? Hoje uns foro embora, otros já morrero e só chamavo madrinhaVanda.”Naquela época era comum o pai entregar os filhos para que a professora oseducasse, tanto na questão do letramento como também nas questões disciplinares.
  33. 33. 33Em sua tese PAZ (2009) comenta alguns recortes de entrevistas, concedidas porsenhoras da comunidade de Missão do Sahy, cujo tema era a disciplina através doscastigos sofridos pelas crianças na escola. Perguntadas sobre qual a reação dos seus pais ao saberem que elas sofriam determinados castigos, responderam que os pais achavam que isso era bom, e até sugeriam que fosse feito dessa forma mais vezes, pois servia tanto pra torná-las mais obedientes como para que tivessem mais atenção e aprendessem mais; afinal, estavam ali para serem educadas. Neste relato encontra-se mais um resquício de ancestralidade, segundo Willeke (1974, p. 65), “[...] embora os pais não adotassem o costume de castigar os filhos em casa, eram eles próprios que permitiam e até pediam aos religiosos castigassem os filhos, demonstrando assim a sua confiança na justiça dos abarés educadores.”(p.67).Vemos neste recorte que a disciplina era um dos pilares da educação religiosatrazida pelos padres no período da colonização, estas práticas disciplinares como oscastigos físicos e morais, serviam como maneiras de conseguir o controle dascrianças, e através da obediência, prepará-los para o trabalho de evangelização ecivilização, uma pratica que se prolongou por muito tempo na família e nas escolas.Dona Vanda era uma mulher que primava pela verdade e honestidade e transmitiaesses valores para seus aprendizes. Os indivíduos que passaram pela sua escola eforam instruídos por ela, tornaram-se cidadãos responsáveis. Estes têm consciênciade que a educação que receberam dela foi o principal fator que contribuiu para queeles se tornassem homens e mulheres de bem, pessoas integras, motivos que asfazem lembrar de dona Vanda até hoje. Eu aprendi com ela foi a ter caráter, responsabilidade Ne tudo aquilo que eu faço. Isso ela sempre passou pra nois, não foi todos os aluno que seguiro, mas esse foi uma contuição, uma lição que ficou. Foi respeitar os outro, principalmente os mais velho, não ter egoísmo e a partilha.Assim, repassando bons ensinamentos, cultivando a amizade com todos foi que elaconquistou afeto e respeito. E isso foi transmitido a seus alunos, de forma quemesmo com o passar dos anos esses ensinamentos não deixam de fazer parte desuas vidas e são retransmitidos para outras pessoas com as quais convivem.
  34. 34. 34Vivendo em um local onde as dificuldades eram muitas, principalmente financeiras,Dona Vanda nunca se seu deu por vencida batalhava e dava um jeito de reverter asituação ou ao menos ameniza-la. Foi assim que ela foi professora e mão de família,foi assim que ela criou e educou seus filhos, dando a estes a oportunidade de teruma vida mais tranquila e poder estudar e construir uma carreira profissional.
  35. 35. 35 CONSIDERAÇÕES FINAISEsse trabalho teve como tema a História de Mulheres Professoras, com um recortesobre a História de Vida e Formação da Professora Vanda Pereira da Silva, umaprofessora leiga, que atuou entre os anos 50 e 90 na comunidade de Missão doSahy, um povoado situado no município de Senhor do Bonfim, Bahia. Teve comoobjetivo reconstituir partes de história de vida da professora Vanda Pereira, a partirda oralidade das pessoas que a conheceram e que foram seus alunos.O caminho trilhado na construção deste trabalho se deu, a principio, pelaimportância dos relatos orais, visto que a oralidade possibilitou o encontro entre amemória e as lembranças, tornando possível reconstituir em pequenas partes datrajetória de vida de uma pessoa que com simplicidade e muita força de vontade,contribuiu de maneira significativa para melhoria de vidas.Ouvir os colaboradores foi fundamental para saber e poder mostrar o quanto DonaVanda, como professora leiga e outros professores com esta mesma formação,contribuíram para o desenvolvimento educativo e social de comunidades carentescomo esta, em vários recantos do interior da nossa microrregião.Essas lembranças permitiram redimensionar a importância da trajetória de vida deuma pessoa e trazer significado a esta existência. Pois, é refletindo acerca demomentos que, muitas vezes foram imperceptíveis, que conseguimos ré-significar osvalores que por estes foram construídos.Assim, concluímos dizendo que todo trabalho em prol da educação, da sociedade edo bem comum, mesmo que em pequena intensidade produzirá efeito e deixará parasempre a sua pequena marca, foi assim com a professora Vanda Pereira, uma dasilustres personalidades da educação do povoado de Missão do Sahy, Bahia.
  36. 36. 36 REFERÊNCIASCAMARGO, Dulce Maria Pompêo de. Mundos entrecruzados: Formação deprofessores leigos. Ed. Atomo e Alinea. 1997, 176 p.FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à práticaeducativa. 31ª, Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.JOSSO, M.C. Experiência de vida e formação. Trad. José Cláudino e JúliaFerreira. São Paulo: Cortez, 2004, 285 p.LOURO, Guacira Lopes. Mulheres na sala de aula. In: DEL PRIORI Mary (Org.).História das mulheres no Brasil. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2008.NÓVOA, António. Vidas de professores. Edição/reimpressão: 2007, Porto Editora,216 p.PAZ, Maria Gloria da. História de mulheres remanescentes de Missão do Sahy/Maria Gloria da Paz.- Natal, 2009. 195 p.PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Trad. Angela M. S. Côrrea. SãoPaulo: Contexto, 2007.ARTIGOShttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010173301999000200008http://www.anped.org.br/reunioes/27/ge23/t234.pdfhttp://www.congressods.com.br/vcopehe/images/trabalhos/3.profissao_docente.Lucy%20Rosane%20O.%20Vieira%20Raposo.pdfhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73301999000200008http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/770.pdf
  37. 37. 37

×