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16classes populares. Aliado a isso, aconteceu denuncias quanto à elitização daeducação. A mesma ganhou apoio e força atrav...
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18                                    CAPITULO II                                CULTURA POPULAR       A cultura popular s...
19      Como afirma Freire (2003):                      Somos no plural, temos várias culturas populares, um universo tão ...
20       Buscando compreender a cultura popular, Brandão (2002) destaca que:                       Cultura popular, como c...
21                       objetivo final a transformação material da sociedade. Ela não é o                       que será ...
22significa (saber do povo), ou seja, é o conjunto de tradições e crenças dos indivíduosque vivem em cultura.      Com iss...
23oral. Usos, costumes, gestos, modismos, indumentárias, os complexos sociais, têmdespertado atenção muito pobre”. (p.11)....
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25      Conforme Sousa e Souza (2008):                     As narrativas orais expressam hábitos e valores cujo           ...
26       Conforme Sousa e Souza (2008):                       [...] Os povos indígenas no Brasil, por exemplo, não emprega...
27      Outros autores, como Quine (1996), ressaltou sobre a relevância dosignificado não só a partir de uma sentença ou e...
28consciente, criativa e crítica, buscando novos significados ou sentidos de valorespara a vida em sociedade. Conforme os ...
292.4. O professor: Formação e Prática      A função do professor vai além de sua formação acadêmica. Não se limitaapenas ...
30                      assinalando-se as dimensões pessoais (o eu individuo) e as                      dimensões profissi...
31                     estratégias de formação, que tem sido utilizada com mais                     freqüências em nosso p...
32pensamento, Apple (1997) continua afirmando que “O conteúdo do currículo e oprocesso de tomada de decisões que o cerca, ...
33      Sabemos que a escola sozinha não mudará a sociedade. Mas, ela pode serum veículo muito rico para propagação de nov...
34                                    CAPITULO III                                    METODOLOGIA      Com consonância com...
35que estes indivíduos têm quanto às questões levantadas, como forma de possibilitare favorecer respostas mais claras e si...
36que vem sendo desenvolvido com as crianças e adolescentes de bairros periféricosda cidade de Senhor do Bonfim-Ba, porém ...
373.4.2. Questionário Fechado      Sobre a importância do questionário fechado como instrumento de coleta dedados. Barros ...
38                     teorias e hipóteses que, interessam à pesquisa e que, em seguida,                     oferece amplo...
39                                     CAPÍTULO IV                   ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS      Neste capitulo...
40      Conforme o gráfico 4.1.1, observamos que 100% dos educadoresentrevistados são do sexo feminino. Conforme Kramer (1...
414.1.3 Carga-horária de trabalho                        20%                                                       40%    ...
42       Segundo as informações obtidas e representadas no gráfico, 40% dasprofessoras têm uma renda familiar de mais três...
434.1.6. Definições de Cultura Popular      A questão da cultura popular é hoje definida e empregada por uma grandequantid...
44      Cavalcanti (1978) compreende o folclore como a idéia que designa muitosimplesmente a formas de conhecimento, expre...
45de aula, segundo as respostas do questionário, tem acontecido de formasignificativa.4.1.9. A utilização dos contos popul...
46destino selado no momento em que saem das mãos do pesquisador que oselaborou, a entrevista ganha vida ao se iniciar o di...
47toma um lugar comum, já incorporada, sem que dimensionasse o verdadeirosignificado da mesma. O que de fato a palavra rep...
484.2.2. Cultura popular na escola                      20%                        20%                                    ...
49quando diz que é feito “esporadicamente”. Percebe-se então, uma distorção do quese pretende pra o que se propõe a fazer....
50conhecimento promovido na escola, está sujeito às relações de poder, pois desdemuito tempo se discute sobre o currículo,...
514.2.3. Contos populares                       20%                                                          40%          ...
Monografia Jeane Pedagogia 2010
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  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOSRESIGNIFICANDO A CULTURA POPULAR Por JEANE FERREIRA LOULA SENHOR DO BONFIM - BA 2010
  2. 2. 2 JEANE FERREIRA LOULARESIGNIFICANDO A CULTURA POPULAR Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão dos Processos Educativos. Orientadora: Profª. Msc. Maria Elizabeth Souza Gonçalves. SENHOR DO BONFIM - BA 2010
  3. 3. 3 JEANE FERREIRA LOULARESIGNIFICANDO A CULTURA POPULAR Aprovada em: ____/____/_____ __________________________________ Orientadora __________________________________ Avaliador(a) __________________________________ Avaliador(a)
  4. 4. 4A Deus, meu melhor amigo em todosos momentos.À minha mãe Helena, meu exemplo decoragem, luta e amor à vida.Ao meu pai Delson, pela sua fé,serenidade, e orações por mim.Ao meu avô Ademar Loula (emmemória) pelo exemplo de caráter euma rica história de vida.Aos meus irmãos Jorge, Juçara,Jacira, e meu sobrinho George portodo apoio e incentivo.Ao meu namorado Wagner, pelocompanheirismo e paciência nesseperíodo de elaboração da monografia.E a todos os amigos pelo carinho eatenção.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS À Universidade do Estado da Bahia – UNEB - Departamento de Educação -Campus VII – Senhor do Bonfim – Ba, direção, funcionários e aos professores pornos proporcionarem momentos de interação, aprendizado, contribuindo para o nossocrescimento acadêmico. À professora, orientadora, Maria Elizabeth Souza Gonçalves, pelo exemplo deprofissionalismo, empenho, amizade, e ensinamentos compartilhados durante odesenvolvimento dessa pesquisa. As professoras e direção do Centro Estudantil Fundame, pela colaboração, eespaço cedido durante a elaboração deste trabalho. À minha turma de curso, pelo tempo que Deus nos concedeu de convívio, epelas amizades, aprendizado que permanecerão vivas em nossa mente e coração. A minha irmã e colega de turma Jacira Lôla, pelo compartilhar das angústias ealegrias durante todo o curso. Minhas amigas e colegas: Amanda, Aurelina, Eliciene, Valci, Viviane, Maisa,Célia, Jane, e Cristiane Pinto, entre outros pelo apoio e torcida. A todos que de alguma forma contribuíram para a conclusão desse trabalho.
  6. 6. 6 RESUMOEssa pesquisa tem como objetivo identificar os significados que os professores da EducaçãoInfantil e séries iniciais do Ensino Fundamental do Centro Estudantil Fundame dão a CulturaPopular. Esse estudo teve como suporte teórico: Freire (1997), Fávero (1983), Aplle (1997),Gadotti (2007), Minayo (1994), Nidelcoff (2004), dentre muitos outros que nos auxiliaram afundamentar nosso estudo. O paradigma metodológico foi qualitativo, por nos possibilitarcompreender melhor o espaço e a chegar mais próximos aos sujeitos. Os instrumentos decoleta de dados foram: questionário fechado, observação participante, e a entrevista semi-estruturada. A partir da utilização desses instrumentos foi possível obter algumasconsiderações que indicam que a cultura popular ainda não tem espaço no currículo daescola, e sim um modelo de cultura hegemônico legitimado pelos meios de comunicação demassa e pelas políticas neoliberais distante da cultura vivenciada pelos educandos.Palavras-chave: Cultura Popular. Significados. Professores.
  7. 7. 7 LISTA DE GRÁFICOSGráfico 4.1.1. Percentual quanto ao gênero.Gráfico 4.1.2. Percentual quanto à formação acadêmica.Gráfico 4.1.3. Percentual quanto à carga-horária de trabalho.Gráfico 4.1.4. Percentual quanto à renda familiar.Gráfico 4.1.5. Percentual quanto aos meios de comunicação.Gráfico 4.1.6. Percentual quanto à definição de cultura popular.Gráfico 4.1.7. Percentual quanto o trabalho com a cultura popular na escola.Gráfico 4.1.8. Percentual quanto aos contos populares na escola.Gráfico 4.1.9. Percentual quanto à utilização dos contos populares.Gráfico 4.2.1. Percentual sobre os significados da cultura popular.Gráfico 4.2.2. Percentual sobre a cultura popular na escola.Gráfico 4.2.3. Percentual sobre os contos populares na escola.Gráfico 4.2.4. Percentual sobre os significados atribuídos ao folclore.
  8. 8. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................10CAPÍTULO I...............................................................................................................12CAPÍTULO II..............................................................................................................18 CULTURA POPULAR........................................................................................18 2.1. Semelhanças e diferenças da Cultura Popular e Folclore.............21 2.2. Contos Populares..........................................................................24 2.3. Interpretando Significados.............................................................26 2.4. Professor: Formação e Prática......................................................29 2.5. Escola e Currículo..........................................................................31CAPÍTULO III.............................................................................................................34 METODOLOGIA...............................................................................................34 3.1. Tipo de Pesquisa...........................................................................34 3.2. Locus da Pesquisa........................................................................35 3.3. Sujeito de Pesquisa ......................................................................36 3.4. Instrumentos de Coleta de Dados................................................36 3.4.1. Observação Participante.........................................36 3.4.2. Questionário Fechado..............................................37 3.4.3. Entrevista Semi-estruturada....................................37CAPÍTULO IV.............................................................................................................39 ANALISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS....................................................39 4.1. Perfil dos Sujeitos.........................................................................39 4.1.1. Gênero..........................................................................39 4.1. 2. Formação Acadêmica...................................................40 4.1. 3. Carga-horária de trabalho.............................................41 4.1. 4. Renda familiar..............................................................41 4.1. 5. Acesso aos meios de comunicação.............................42 4.1. 6. Definição de Cultura Popular........................................43 4.1. 7. O trabalho com a cultura popular na escola.................44 4.1. 8. Trabalho com os contos populares na escola..............44 4.1. 9. A utilização dos contos populares pelos professores..45 4. 2. Analise da entrevista semi-estrutura............................................45
  9. 9. 9 4.2. 1. Significados de cultura popular....................................46 4.2. 2. Cultura popular na escola............................................48 4.2. 3. Contos populares na escola..........................................51 4.2. 4. Significados do folclore..................................................54CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................56REFERÊNCIAS..........................................................................................................57 ANEXOS..................................................................................................................61
  10. 10. 10 INTRODUÇÃO Quando falamos de cultura popular, primeiramente nos recordamos dos anos60, onde se acentuou no Brasil um movimento ideológico contra uma classedominante. Nesse movimento, buscava-se o reconhecimento e o espaço para osmovimentos educacionais, sociais, políticos e culturais das classes menosfavorecidas do país. Toda herança cultural proveniente dos vários grupos comonegros, índios e portugueses, formaram assim um país multicultural, porém, aindapermanece na sociedade um modelo hegemônico de cultura. A cultura popular dentro do contexto educacional visa integrar osconhecimento e realidade dos alunos, sua vivencia local, valorizando as diferençastanto de raça, cor, gênero, como também as ações produzidas pelos gruposculturais em diferentes épocas, buscando assim uma cultura onde o povo sejaprotagonista de sua história. Dessa forma, no primeiro capítulo deste trabalho, abordamos sobre osconceitos de cultura e cultura popular e a relação da mesma com os sujeitos dasinstituições escolares. No segundo capítulo, apresentamos um referencial teórico enfocando acultura popular dentro da sociedade e do sistema educacional, como também asdisparidades entre cultura popular e folclore. Dando seqüência, discorremos sobre oprofessor e sua prática e a escola e o currículo nela inserido, bem como a suarelação com a cultura popular. O paradigma metodológico foi à discussão travada no terceiro capítulo, bemcomo uma descrição dos sujeitos e do locus a serem pesquisados. Abordamostambém sobre os instrumentos de coleta de dados que foram utilizados e queauxiliou a presente pesquisa. No quarto capitulo, apresentamos a analise e interpretação dos resultados,refletindo sobre os significados que os professores atribuem à cultura popular, frente
  11. 11. 11aos discursos dos autores que nos deram suporte para chegarmos às consideraçõesapresentadas. Por fim, destacamos que é relevante se pensar a formação e a prática dosprofessores, associado aos elementos da cultura popular, visto que a compreensãoe a significação dos mesmos sobre a cultura popular ainda se apresenta limitada.
  12. 12. 12 CAPITULO I Estamos inseridos numa aldeia global, numa época pós-moderna, que inventadesejos, dita regras de comportamento, muitas vezes de forma mascarada utilizandocomo alguns dos recursos os meios de comunicação de massa, impondo umacultura imperialista, de elite. Conforme a abordagem de Sevcenko (1999)acompanhar o progresso significa somente uma coisa: Alinhar-se com os padrões eo ritmo de desdobramento da economia européia. O autor ainda traz uma reflexãosobre o modelo europeu de sociedade, sua economia capitalista que busca amassificação e auxilia na dinâmica incontrolável do capitalismo e da hegemoniacultural. Comungando com a abordagem de Sevcenko, Silva (1997) destaca: Estamos impregnados no cotidiano contemporâneo pela maravilhosa comunicação e pela perigosa massificação, referente à globalização que toma todo nosso planeta, impondo aos mais “frágeis” a cultura dos mais “fortes”. (p.36) Apesar da palavra “globalização” ser aparentemente nova e moderna, jávivíamos essa mesma globalização há séculos, as relações de dominação em quenos colonizaram e nos mantiveram cativos durante décadas. O que se difere é amaneira como essa nova “globalização” tem se apresentado, de forma atrativa, comlinguagens simbólicas e instrumentais, objetivado nos adestrar, impondo uma“cultura” de conformidade e adequação aos padrões selecionados por este sistemacapitalista, em todas as esferas da sociedade desde as mais comuns até as maiselevadas áreas. Apesar de todos os apelos e modismos referentes a essa cultura elitizada,existem também criticas a esse modelo massificador. Desde os séculos XVII e iniciodo século XX, os discursos e debates buscando definições e compreensões sobre acultura foram bem acentuados em alguns países da Europa, principalmente naFrança. Mesmo não existindo um conceito totalmente definido, o que conhecemos
  13. 13. 13em nossos dias foi apresentado pela primeira vez pelo francês Tylor (LARRAIA,2000). [...] No vocábulo inglês culture que tomando em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. (LARRAIA, 2000 p. 25) Até se chegar a este primeiro conceito, Larraia (2000) discute que Tylorsistematizou as questões que já vinham sendo discutidas por outros pesquisadorese ganhando legitimidade durante suas pesquisas. Neste sentido, a cultura seapresenta como sendo a capacidade de cada individuo se expressar, criar, recriar,aprender e interagir uns com os outros. Sobre isso Brandão (1980) diz: Cultura é um conjunto diverso, múltiplo de maneiras de produzir sentido, uma infinidade de formas de ser, de viver, de pensar, de sentir, de falar, de produzir e expressar saberes, não existindo, por conta disso, uma só cultura, ou culturas mais ricas ou evoluídas que outras tão pouco, gente ou povos sem cultura. (p.36) Assim, entende-se cultura como tudo aquilo que é feito pelo homem, ou seja,há uma transformação do meio social, por cada ser humano, pois este se difere dosdemais animais pelo conhecimento e entendimento mental, capaz de modificar seuambiente. Para Fávero (1983) cultura é um: [...] processo histórico (e, portanto de natureza dialética) pelo qual o homem em relação ativa (conhecimento e ação) com o mundo e com os outros homens, transforma a natureza e se transforma a si mesmo, construindo um mundo qualitativamente novo de significações, valores e obras humanas e realizando-se como homem neste mundo humano. (p.16) Nesse sentido, o homem vive neste processo de desenvolvimento ondetransforma a sua comunidade, meio social, seu mundo. Por sua vez, Morin (1999)
  14. 14. 14aborda cultura como um conjunto de regras, normas, proibições, estratégias, idéias,que se transmite de geração em geração, e em diferentes épocas e sociedades,onde o homem é o responsável pela propagação de sua cultura. Compactuando com essa mesma opinião Arantes (1982): Todas as ações humanas sejam na esfera do trabalho, das relações conjugais, da produção econômica ou artística, do sexo, da religião, das formas de dominação e de solidariedade, estão constituídas segundo os códigos, as convenções simbólicas que denominamos cultura. (p.34) Com isso, a cultura legitima todos os códigos, valores e regras produzidos emuma sociedade, tornado-a conhecida e reconhecida pelos indivíduos de outrasculturas. Segundo Burke (1989), cultura é “um sistema de significados, atitudes evalores compartilhados, e as formas simbólicas (apresentações e artefatos) nasquais eles se expressam ou se incorporam” (p.21). Mesmo diante das várias concepções atribuídas a cultura, ela ainda é umaquestão bem complexa em nossos dias atuais. Mais de quinhentos anos após odescobrimento do Brasil, ainda vivemos sob o julgo e os ranços das relações dedominação, de poder, herdados da colonização; e atualmente estamos subordinadosao “mundo” da tecnologia, pois ao passo que nos faz avançar enquanto povos“modernos”, também nos mantêm presos e dependentes desse sistema dominante. Vivemos em constante deslocamento enquanto identidade nacional, enquantocidadãos, sujeitos e criadores de expressões e manifestações culturais, em meio auma pluralidade de diferenças, de toda ordem, que constituem o dissensocaracterístico da pós-modernidade. Não basta apenas ser receptores de umaIndústria Cultural, e sim agentes que participam e produzem diuturnamente cultura,se firmando como construtores de cultura popular. Para Arantes (1982): [...] “cultura popular” surge como uma “outra” cultura que, por contraste ao saber culto dominante, apresenta-se como “totalidade”
  15. 15. 15 embora sendo, na verdade, construído através da justaposição de elementos residuais e fragmentários, considerados resistentes a um processo “natural” de deteriorização. (p18) Buscando entender a cultura popular, quase sempre atrelada a questõespolíticas e de dominação, estudiosos discutiram, divergiram e trouxeram reflexõessobre a cultura popular; porém, apesar de todos os estudos realizados com oobjetivo de conceituá-la, ela ainda está distante de ser um conceito bem definidopelas ciências humanas e sociais. Alguns autores atribuem à cultura populartambém como sendo religiosidade ou folclore, porém ela é muito mais que isso, é avivencia, significado, atitudes e valores do povo. Entendemos, pois, cultura popularcomo aquela produzida pelos vários sujeitos que compõem os tantos arranjossociais desse imenso Brasil, confrontando-se especialmente com aquele modelo decultura generalizante que caracteriza a cultura de massa. Os movimentos relacionados à cultura popular foram bem evidenciados empaíses da América Latina, e veio ganhando força até chegar aqui em nosso país,onde as primeiras reflexões e expressões sobre essa cultura, surgiram na década de60. Este período foi marcado pelos questionamentos, pela criatividade, pelainquietação de se entender como cidadão brasileiro, buscando compreender arelação da cultura popular com os acontecimentos até então realizados, como arevolução brasileira e outros movimentos que estavam surgindo nesse contexto. Fávero (1983) definiu a cultura popular neste período como: [...] o que se denominou cultura popular, que se definiu e que se defendeu ora como um instrumento de luta política em favor das classes populares, surgiu fazendo a critica não apenas da maneira como se pensava “folclórica”, “ingênua” a cultura do povo brasileiro, mas também e principalmente os usos políticos de dominação e alienação da consciência das classes populares, através de símbolos e dos aparelhos de produção de “uma cultura brasileira”, ela mesma colonizada, depois internamente colonialista. (p.9) Neste período, houve um despertar em prol do fortalecimento das lutaspopulares, através da conscientização e participação do povo, no sentido de ter umolhar, mais minucioso e questionador com relação às questões de organização das
  16. 16. 16classes populares. Aliado a isso, aconteceu denuncias quanto à elitização daeducação. A mesma ganhou apoio e força através das idéias de Paulo Freire e suabusca por uma educação contextualizada. Fávero (1983) destaca o que se pretendiacom a cultura popular, “Transformar a cultura brasileira e, através dela, pelas mãosdo povo, transformar a ordem das relações de poder e a própria vida do país”. (p.9).Assim, buscava-se um governo de fato democrático, onde todos pudessemparticipar, de forma atuante, das ações em prol do reconhecimento dos movimentossociais realizados pelas classes menos favorecidas, denominada assim comocultura popular. Como ressalta Gullar (1965): A expressão “cultura popular” surge como uma denuncia dos conceitos culturais em voga que buscam esconder o seu caráter de classe. Quando se fala em cultura popular acentua-se a necessidade de pôr a cultura a serviço do povo, isto é, dos interesses efetivos do país. (p.1) Apesar de todas as investidas no sentido de transformar a cultura brasileiranos anos 60, ainda vivemos hoje, numa busca constante de reconhecimento dacultura popular. Percebemos que ela já tem se apresentado na sociedade de váriasformas, porém, a mesma ainda permanece em muitos ambientes educacionais e emoutras esferas da sociedade, camuflada por questões cientificas, sociais e políticas.Ainda assim, é pertinente ressaltar que esta cultura se mantém rica, diversificada eviva nas diferentes formas de saber e viver de cada indivíduo. Atualmente, vivemos nesse contexto cheio de todos os tipos de informações,onde a cultura precisa ser bem compreendida, assumida, no sentido de estar a favordo povo, e feita pelo povo. Deste modo, é pertinente pensar na escola enquantoespaço privilegiado de pluralidade de saberes, de histórias, sentidos, capazes detornarem o aprendizado mais dinâmico, reforçando os instrumentos de valores parase viver em grupo. Conforme Freire (1984): [...] a educação ou ação cultural para a libertação, em lugar de ser aquela alienante transferência de conhecimento, é o autentico ato de conhecer, em que os educados – também educadores – como consciências “intencionadas” ao mundo, ou como corpos conscientes, se inserem com os educadores – educando também –
  17. 17. 17 na busca de novos conhecimentos, como conseqüência do ato de reconhecer o conhecimento existente. (p.99) Nesse contexto, a escola é esse ambiente onde existe uma infinidade delinguagens, e a ação de educar deverá ser um instrumento sustentador de valores,de forma humanizante e significativa, contribuindo para o fortalecimento dasrelações sociais, onde a cultura popular pode se constitui esse veículo relevante naconstrução de identidade nacional. A cidade de Senhor do Bonfim é um cenário rico da cultura popular. Aqui háum patrimônio cultural diverso que caracteriza sua origem e história. Neste sentido,as escolas deverão ser aliadas nesta busca significativa das manifestaçõespopulares da nossa cidade, a partir das relações de convivência em grupos, nasdanças, contos populares, artes, músicas, enfim, nos modos de resistência em quesurgiram as relações em sociedade. Diante disso, procurou-se fazer uma reflexão sobre a cultura popular, atravésdos discursos dos professores e os significados que os mesmos atribuem a ela.Surge, portanto, a questão de pesquisa: Quais os significados que os professores daEducação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental do Centro EstudantilFundame dão à cultura popular? Tendo como objetivo identificar os significados que os professores daEducação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental do Centro EstudantilFundame dão à cultura popular.
  18. 18. 18 CAPITULO II CULTURA POPULAR A cultura popular surge no Brasil como um movimento ideológico contra umaclasse dominante, buscando espaço para os movimentos sociais, políticos,educacionais e culturais das classes menos favorecidas da sociedade brasileira.Como pontua Gullar (1965) “A cultura popular é, em suma, a tomada de consciênciada realidade brasileira”. Essa cultura “prega”, de certo modo, a libertação do sistema opressor,buscando espaço e respeito pelas manifestações e pelas reivindicações do povo,enquanto cidadão, que deve gozar dos mesmos direitos e deveres referentes aoconvívio em comunidade. Conforme Fávero (1983): Todos os tipos de comunidade que o homem possa construir serão considerados comunidades naturais, num sentido amplo, dado que o homem também é um ser de natureza. Mas, não é enquanto comunidade de seres da natureza que uma comunidade torna-se realmente uma comunidade humana, formada por pessoas, e não simplesmente uma associação natural forçada pelas necessidades exclusivamente vitais. Uma comunidade humana só se faz sentir em razão da capacidade que o homem tem, através do conhecimento e da ação, de transformar o mundo natural em mundo de cultura. (p15) Neste sentido, percebem-se como os humanos são capazes de modificar oambiente. Essa capacidade é possível pelo conhecimento, e pela ação demobilização em favor dos interesses. O Brasil é um país marcado pela diversidade cultural, herdada dos africanos,índios e portugueses, que contribuíram para fazer desse país uma terra de culturasvariadas, onde cada grupo ou raça deixou suas marcas, nas diversas áreas, tantocom seus costumes, manifestações artísticas, culturais, na culinária, religiosidade ecrendices que nos fizeram ser um povo plural e heterogêneo.
  19. 19. 19 Como afirma Freire (2003): Somos no plural, temos várias culturas populares, um universo tão rico que, mesmo submetido ao mundo globalizado que impõe uma cultura de massa, como uma colonização cultural, podemos observar que estamos vivendo um re-viver de nossas raízes.(p.65) Essa mistura de raça e cultura, que faz parte da sociedade, enriquecidaenquanto nação “plural” foi durante muito tempo à causa de muitas injustiças, comoa escravidão dos negros e exploração dos índios pelos brancos, pois alguns povosse achavam superiores a outros, usando como critério a cor da pele e outrosartifícios sem justificativas plausíveis e desumanos. Por serem produtores dasnarrativas, o grupo que fazia parte da cultura que domina, escreveu a história pelosolhos colonizadores de dominação, passando a versão da história como verdadeabsoluta. Nesse aspecto, Novaes (1984), faz uma crítica a essa cultura e os meiosde comunicação que sempre buscaram impor sua ideologia. [...] a ideologia dominante – mesmo não sendo a única em, um sistema capitalista – é a que se impõe, através dos mecanismos de dominação (educação, religião, costumes, meios de comunicação). Assim, a maneira como a classe dominante age será a maneira como todos os membros da sociedade irão agir e pensar. (NOVAES, 1984, p. 183) Com isso, percebemos que ainda existe uma tradição, onde se seleciona oconhecimento específico apenas de pequenos grupos, tornando-se assim, oconhecimento oficial, característico das relações de poder, que envolvem aspolíticas de controle do conhecimento público de maneira simbólica. Contrapondo todas as formas de dominação imposta pela ideologia da culturadominante, a cultura popular provocou mudanças em várias áreas, fazendo surgirdiscussões e reflexões, objetivando reconhecer essa cultura, até entãodesvalorizada pelos que detinham o poder e pelas elites. A mesma não se moldavaa “cultura de elite”, mas sim, propagava-se como cultura popular, a que nasce domodo de vida do povo, dos seus costumes, dos princípios e das tradições.
  20. 20. 20 Buscando compreender a cultura popular, Brandão (2002) destaca que: Cultura popular, como cultura dinâmica, presente no meio rural e urbano, que junta tradição e atualidade sempre em transformação, um encontro entre tempos e espaços, com essência de brasilidade, juntando o local com o global, o velho e o novo, completando um com o poder do outro. (p.29) Assim, precisa compreender que a cultura popular se faz presente nas açõesdiárias, no modo como lidamos com os semelhantes, os códigos e regras que regemo sistema de conduta, das mais simples ações, como correr, andar, expressar,enfim, nas várias formas de ser e agir. Ainda, explicando sobre a cultura popular,Fávero (1983) diz: É popular a cultura quando é comunicável ao povo, isto é, quando suas significações, valores, idéias, obras, são destinadas efetivamente ao povo e respondem às exigências de realização humana em determinada época; em suma, à sua consciência histórica real. (p.23) Contudo, a cultura será popular, a partir do momento que o sujeito seentender como autor da sua própria criação cultural e da sua história, de forma quetraga significado pra sua vida, através das ações produzidas pelos indivíduos. Issofavorece recursos para o reconhecimento da identidade, enquanto etnia, língua egrupo social. A cultura, e em especial a cultura popular, dá sentido à vida, na medida emque o homem é capaz de se comunicar e interagir com o seu grupo, pela própriamaneira de ser, de forma que venha reconhecer sua origem e valorizar a noção depertencimento. Por conseguinte, muitos discursos surgiram em defesa da culturapopular, ou contra ela, porém é pertinente salientar que ela não veio substituir acultura já existente, mas ressignificá-la. Estevam (1963) pontua que: A cultura popular não é mais que uma reforma, mas uma reforma de sentido revolucionário porque sabe unir dialeticamente a possibilidade imediata ao objetivo final e porque assume como
  21. 21. 21 objetivo final a transformação material da sociedade. Ela não é o que será a nossa cultura, não é a solução ideal da questão cultural brasileira, mais um encaminhamento de resolução mais estratégico que qualquer outro. (p. 37) O autor, ainda defende a cultura popular, ressaltando o seu valor por saberunir vários elementos que podem encaminhar um processo de amadurecimento efortalecimento das relações em sociedade. Como esclarece Canclini (1983) “Culturapopular são práticas e formas de pensamento que os setores populares criam porsim próprios, mediante as quais concebem e expressam sua realidade”. (p.41). Era fácil reconhecer a cultura popular, antes da revolução urbanística, poisrepresentava todas as formas espontâneas mantidas pelo povo, em consonânciacom a tradição oral, livre e participativa. Porém, depois do novo modelo desociedade, esses tipos de manifestações acabaram entrando no esquecimento poralguns setores e também passou a ser descriminada pela cultura de massa.Surgiram assim, novos discursos em defesa dessa cultura. Todavia, mesmo comessas ações em prol da cultura popular, ela ainda se apresentou e permaneceufragilizada durante muito tempo, e ainda em nossos dias, alguns a atribuem somenteao folclore e manifestações admiráveis, expectantes, limitando o seu real significado. Assim, muitos debates têm acontecido em vários setores da sociedade emfavor do reconhecimento da cultura popular, sobre o seu papel na educação eformação dos alunos.2.1. Semelhanças e diferenças da Cultura Popular e Folclore O folclore é um dos instrumentos da cultura popular, talvez um dos maisaceitos no espaço escolar, porém com algumas ressalvas, haja vista, que algunsacabam atribuindo a cultura popular somente ao folclore. Os estudos e discussõessobre o folclore surgiram dos movimentos em todos os países da Europa, reunidopensadores, desde o século XVII, onde eram observados os costumes, a oralidadedo povo, se colecionavam objetos e outras fontes de história para que se pudessecompreender o significado do folclore. Como pontua Romero (1954), um dosgrandes folcloristas brasileiro, a palavra folclore é de origem inglesa, folk-lore que
  22. 22. 22significa (saber do povo), ou seja, é o conjunto de tradições e crenças dos indivíduosque vivem em cultura. Com isso, o folclore representa as formas de conhecimento do povo, suasexpressões e as manifestações artísticas, obras confeccionadas pelo povo em umasociedade e comunidade e que faz parte e enriquece a cultura popular. Nesse sentido, a cultura popular é por alguns, confundida com o folclore,como reforça Arantes (1982), um grande número de autores pensa a “culturapopular” como “folclore”, ou seja, como um conjunto de objetos, práticas econcepções (sobretudo religiosas e estéticas) consideradas “tradicionais”. Essavisão é compartilhada por muitos, por estar muita vezes, presentes em livrosdidáticos e nos discursos de muitos intelectuais dessa área. É necessário, portanto,a revisão desse olhar fragmentário e generalizante, porém não neutro. Cavalcanti (1978) compreender o folclore como: [...] a idéia de folclore designa muito simplesmente as formas de conhecimento expressas nas criações culturais dos diversos grupos da sociedade. Difícil dizer onde começa e onde termina o folclore, e muita tinta já correu na busca de definir os limites de uma idéia tão extensa. (p.21) Por conseguinte, a trajetória de estudos sobre o folclore no Brasil, teve, alémde Sílvio Romero (1851-1914), outro grande nome como: Mario de Andrade (1893-1945) que atribuía ao folclore, à expressão da nossa brasilidade, ocupando um lugardecisivo na formação de um ideal de cultura popular. Na década de 50, intensificou omovimento do folclore, com outros grandes nomes como: Gilberto Freire (1900 –1987), Cecília Meireles (1901-1964) Câmara Cascudo (1898 - 1986), quecontribuíram com uma nova perspectiva em torno dos estudos sobre o folclore. Cascudo (2002) dividiu seu estudo sobre o folclore em três fases: Colheita,confronto e pesquisa de origem. Com o objetivo de reunir e registrar as fontes dofolclore tanto nas cidades quanto na zona rural. O próprio ator pontua o que mais lhechamou atenção no folclore: “Apaixonou, maiormente o folclore musical, a literatura
  23. 23. 23oral. Usos, costumes, gestos, modismos, indumentárias, os complexos sociais, têmdespertado atenção muito pobre”. (p.11). Cavalcanti (1978) contribui dizendo que: [...] a noção de folclore não está dada na realidade das coisas. Ela é construída historicamente e, portanto, a compreensão do que é ou não folclore varia ao longo do tempo... No Brasil, os estudos de folclore incidiam basicamente sobre a literatura oral, depois veio o interesse pela música, e mais tarde ainda... O campo se amplia com a abordagem dos folguedos populares. (p.21) Houve no período pós-guerra, uma movimentação em torno do folclore.Existia assim, uma comissão nacional do folclore que tinha total apoio da UNESCO(Organização das Nações Unidas), pois entendia o folclore como sendo um veiculoem favor da paz mundial, por promover e incentivar o respeito às diferenças entre asnações. Percebe-se, o quanto o folclore é importante, e o quanto muitos autoresassemelha o entendimento de cultura popular a folclore. Pontuamos, no entanto, queos aspectos do folclore são relevantes para a construção da identidade, enquantoindivíduos e cidadãos brasileiros, quando vivenciados neste universo colorido que éa cultura popular, onde a mesma conta com este rico recurso que é o folclore, paraabrilhantar ainda mais esse espetáculo de cor e beleza, que fazem parte do grandecenário da cultura popular brasileira e por não dizer mundial. No entanto, o mesmonão pode ser confundido com cultura popular, mas como elemento integrante desta,uma vez que, essa “confusão” de significados, acaba por legitimar os interesseshegemônicos que apresentam a cultura de massa como algo sempre novo, vivo edinâmico, em contrapartida à cultura popular como saberes ultrapassados, a serlembrados superficialmente pelos setores da sociedade em datas comemorativas.
  24. 24. 242.2. Contos Populares Percebemos o quanto à cultura popular é diversificada em seus estilos edimensões, que está presente tanto no campo como nas cidades, juntando otradicional e o atual, sempre se modificando. Somando assim, o local e o global, aescrita e a oralidade. Neste aspecto, a tradição oral está bem presente com seuencanto e a criatividade do povo, que tem chagado até os nossos dias através datradução em livros de muitos contos e também pela forma de contar os contospopulares. Refletindo com Freire (2003): Quando falamos de cultura popular estamos nos referindo não apenas às manifestações festivas e as tradições orais e religiosas do povo brasileiro, mas ao conjunto de suas criações, às maneiras como se organiza e se expressa aos significados e valores que atribui ao que faz. (p.53) Para Freire, somos agentes de cultura. Ouvimos, contamos nossas histórias,saberes, versos, expressões, criações artísticas, e isso não nos foram ensinadoespecialmente pela TV, internet ou outro tipo de tecnologia. Esse conhecimento nosfoi possível pela vivencia com diferentes saberes, durante os anos de nossas vidas eque são passados de geração a geração, através da tradição oral, presente noscontos populares e em todas as formas e recursos presentes na cultura popular. Conforme Sousa e Souza (2008): A tradição oral pode ser vista como uma cacimba de ensinamentos, saberes que veiculam e auxiliam homens e mulheres, crianças, adultos, / velhos/ a se integrarem no campo e nas tradições. Sem poder ser esquecida ou desconsiderada, a oralidade é uma forma encarnada de registro, tão complexa quanto à escrita, que se utiliza de gestos, da retórica, de improvisações, de canções épicas e líricas e de danças como modos de expressão. (p.155) Os contos populares são cercados de todo um encantamento capaz deprovocar nos seus ouvintes um momento de prazer e envolvimento, onde a suamente será um palco de personagens com seus vários significados.
  25. 25. 25 Conforme Sousa e Souza (2008): As narrativas orais expressam hábitos e valores cujo compartilhamento se dá no ambiente familiar, religioso, comunitário, escolar. Todo este patrimônio está no corpo e na mente das pessoas, onde quer que elas estejam. (p.156) A tradição de contar história vem desde os nossos antepassados, e nosacompanha até os dias atuais. Mesmo com todos os recursos áudios visuais, ascrianças ainda são estimuladas por alguns adultos, a quererem ouvir e viajar atravésda beleza das narrativas, se identificando aos diferentes tipos de personagens, edespertando para vários sentimentos. Como afirma Abramovich (1995) “É ouvindo histórias que se pode sentiremoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, aalegria a insegurança, a tranqüilidade e tantas outras mais”. (p.42). Assim, osouvintes se identificam com os personagens, e buscam interpretar as açõesocorridas nas histórias, dando vida aos mesmos, através da imaginação. Já para Cascudo (2002): Conto popular é a estória de trancoso, conto de fadas, da carochinha, etc. É de importância capital como expressão de psicologia coletiva no quadro da literatura oral de um país. As várias modalidades do conto, os processos de transmissão, adaptação, narração, os auxílios da mímica, entonação, o nível intelectual do auditório, sua recepção, reação e projeção determinam o valor supremo como um dos mais expressivos índices intelectuais populares. (p.303) As narrativas orais vêm desde muito antes das narrativas escritas, epermanecem vivas em nossos dias, principalmente em algumas tribos indígenas,que perpetuam essa forma de transmissão oral, onde a história de seusantepassados e outras histórias criadas com personagens de bichos, como formasde entreter os membros de suas comunidades são transmitidas às novas gerações.
  26. 26. 26 Conforme Sousa e Souza (2008): [...] Os povos indígenas no Brasil, por exemplo, não empregavam um sistema de escrita, mas garantiram a conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e, também, das narrativas que sua tradição criou, através da tradição oral. (p.90) As histórias, oriundas da tradição oral indígena, africanas e européias, etambém das manifestações culturais, estão presentes nas músicas, danças,brincadeiras, festas populares. O Brasil tornou-se um país cultural, rico e criativoartisticamente, onde muitas dessas manifestações se mantiveram firmes mesmo emmeio à desvalorização e descrédito por alguns integrantes da elite.2.3. Interpretando os Significados Através dos estudos e aprendizagem sobre a cultura popular, o homem sepercebe como sujeito crítico e ativo da própria criação cultural, através daconscientização sobre os valores éticos e morais da sociedade, de formasignificativa. Conforme Bueno (1985), Significado ou significar tem a seguintetradução “significação, equivalente de uma palavra, sinônimo, ter o sentido de,exprimir, querer dizer, ser sinal de, denotar, dar a entender, mostrar, se constituir,traduzir-se, notificar, expressar, participar” (p.1052) Saussure (2006, apud JAPIASSÚ e MARCONDES, 1990) conceituasignificado como sinônimo de conceito. Com efeito, o signo lingüístico, tal como eleo concebe é o resultado da combinação de um significante e significado, ou numaoutra formulação de uma imagem acústica de um conceito. Para ele signo é omesmo que conceito e significado. Em filosofia da linguagem, a teoria do significado examina os vários aspectosde compreensão das palavras e expressões lingüísticas e dos signos, em geralessas compreensões estão expressas em Japiassú e Marcondes (1990): “umdesses aspectos centrais é a relação de referencia, que é um dos elementosconstitutivos do significado”. (p.37).
  27. 27. 27 Outros autores, como Quine (1996), ressaltou sobre a relevância dosignificado não só a partir de uma sentença ou expressão lingüística de forma soltaou isolada, mas de significação da linguagem de forma total. Burke (2003) Pontua: O significado de alguma coisa para o individuo é sempre a assimilação dessa coisa, às estruturas que formam seu universo mental. A rigor, portanto, há tantos significados para um mesmo objeto quanto são os indivíduos que tiveram tido contato com ele, e os significados serão, também, sempre mais ou menos móveis para cada individuo. (p.31) Assim, cada educador e cada educando, tem seu significado, de formasingular. Todos têm sua própria compreensão sobre diferentes realidades. Destemodo, a cultura popular se apresenta através da contextualização desses saberesem sala de aula, que surgirão então, conhecimentos significativos para a vida decada aluno e da sua comunidade, respeitando a diversidade e promovendo umrespeito pelas diferenças, enriquecendo as relações sociais. Como destaca Silva (1995): [...] É através dos significados contidos nos diferentes discursos, que o mundo social é representado e conhecido de certa forma, de uma bastante particular, é que o eu é produzido. E essa ‘forma particular’ é determinada precisamente por relação de poder [...] Os significados carregam a marca do poder que os produziu. (p.199) Deste modo, percebemos o quanto é importante que o professor se percebaenquanto sujeito responsável em transmitir e vivenciar valores culturais, de formaque venha contribuir para formação crítica e reflexiva de seus alunos, porconseguinte, possa atribuir significado a todas as ações e discursos que venham aocorrer em sua sociedade. Sacristan e Gomes (1990) abordam o tipo de aprendizagem que éfundamentalmente significativa, ou seja, não é algo por acaso. Tem um propósito,uma finalidade que é despertar nos discentes a descoberta do novo, de forma
  28. 28. 28consciente, criativa e crítica, buscando novos significados ou sentidos de valorespara a vida em sociedade. Conforme os mesmos autores: A essência da aprendizagem significativa reside em que às idéias expressas simbolicamente são relacionadas de modo não-arbitrário, mas substancial com que o aluno já sabe. O material que aprende é potencialmente significativo para ele. (SACRISTAN E GOMES,1990, p.57). Desta forma, para que o professor possa desenvolver em seus discentes umaaprendizagem significativa, é necessária uma vinculação de novas idéias, formas,conceitos, troca de conhecimentos, dinamismo, onde o mesmo possa promover umintercambio de saberes com a turma, sobre a cultura popular e seus reaissignificados, de maneira que cada um se perceba enquanto agente e participante desua cultura, através do respeito entre esses sujeitos. “Somente uma relação querespeite a pessoa, ou seja, uma relação de pessoa a pessoa, pode salvar dois dosextremos opostos” (GADOTTI, 2007, p.66). Neste aspecto, o professor é o mediadordessa relação. Cabe, pois, a ele provocar a construção de uma educação maisparticipativa e transformadora, onde os alunos se vejam como protagonistas de suashistórias, através das produções e saberes vivenciados em seu dia-a-dia. Como afirma Vygotsky (1985): É no significado que se encontra a unidade das suas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. São os significados que vão propiciar a medição simbólica entre o individuo e o mundo real, constituindo-se no “filtro” através do qual o individuo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. (p.81) Percebemos que os significados são estabelecidos pelo uso, pelos costumese assimilações, e neste sentido se faz necessário que o professor se percebaenquanto individuo que compreenda seu papel em face à diversidade culturalexistente na escola e nos demais seguimentos da sociedade.
  29. 29. 292.4. O professor: Formação e Prática A função do professor vai além de sua formação acadêmica. Não se limitaapenas a formar seus alunos nas séries exigidas no currículo, mas perpassa poruma ação que vai além das disciplinas. Busca provocar em cada individuo umdespertar para a escola da vida, através de uma prática crítica e reflexiva. Comopontua Alves (1989) sobre a função do professor, “É aquele que educa que realizaseu trabalho com intuito de mudar a sociedade, pois possui ideologia e se tornainsubstituível, fazendo diferença na sociedade” (p.54). Com isso, é necessário que oprofessor perceba seu papel em meio à diversidade cultural, presente no contextoescolar, buscando realizar um aprendizado, através dos saberes e vivência de cadaaluno, num intercâmbio de conhecimento, num ensino - aprender. Como destaca Freire (1997) É preciso que, desde o começo do processo, vá ficando bem claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. É nesse sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é a ação pela qual um sujeito criador dar forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (p.25) Neste sentido, para que a prática do professor em sala de aula promova esseintercâmbio de ensinar e aprender, é preciso que o mesmo busque investir em suaformação, no sentido de estar sempre refletindo sobre as suas ações. ConformeFreire (1997, p.47) “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que sepode melhorar a próxima prática”. Deste modo, o professor deve sempre melhorar eaprimorar sua prática, uma vez que, a educação e a sociedade estão em constantetransformação. Comungando com este mesmo pensamento Nóvoa (1999) afirma: Há uma diferença fundamental entre se formar e formar-se. Até hoje os professores tem sido formados por grupos profissionais diversos, sem que as suas próprias experiências tenham alguma vez sido valorizadas. É tempo de os professores pensarem em formar-se,
  30. 30. 30 assinalando-se as dimensões pessoais (o eu individuo) e as dimensões profissionais (o eu coletivo) nos quais este processo deve alicerçar-se. (p.39) O autor, busca despertar no professor uma reflexão sobre sua real formação,sua profissão, sua cultura, suas experiências tanto individuais, quanto coletiva, seusvalores de solidariedade, ética, enfim, todas as áreas da sensibilidade, uma vez que,este profissional está lidando com seres humanos, com sentimentos, tão reaisquanto os seus. Para que haja uma transformação em sua prática pedagógica, épreciso trabalhar com seus alunos, despertando para a valorização das diferenças emanifestações presente na sua comunidade, através do reconhecimento da culturapopular. Conforme Vasconcelos (2002): Uma educação mobilizadora deve ter em conta as condições concretas de existências. O primeiro passo, portanto, do educador, enquanto articulador do processo de ensino-aprendizagem deverá ser no sentido de conhecer a realidade com a qual vai trabalhar (alunos, escola, comunidade), além, é claro, do imprescindível conhecimento do objeto de estudo e da realidade mais ampla que todo educador deve ter. Para isso, de início o professor tem que aprender com seus alunos. (p.56) O professor que, busca melhorar sua prática trabalha com o conhecimento doaluno, objetivando uma melhor compreensão dos seus anseios, limitações e suarealidade. É estudar com os alunos, a sua cultura, o que Nidelcoff (2004), se refere àtotalidade daquilo que os indivíduos aprendem, enquanto membros de umasociedade; é um modo de vida, de pensamento, de ação e de sentimento. É interagire utilizar os recursos do meio social desses indivíduos, suas manifestações culturais,sua linguagem, seus costumes, fortalecendo a cultura local presente na culturapopular. Nascimento (1997) debate que: A formação de professores deve ser compreendida como um processo global e precisa assegurar a formação integral da pessoa, do cidadão e do profissional. No entanto, é possível verificar que as
  31. 31. 31 estratégias de formação, que tem sido utilizada com mais freqüências em nosso país, tem estado voltadas preferencialmente, de uma forma praticamente amputada da formação da pessoa e do cidadão. (p.76) É preciso, questionar o tipo de “formação” que não ver o todo, o serprofissional e principalmente o ser humano, sua afetividade, seus questionamentos,suas crenças, seus paradigmas, enfim, valorizar o professor e seu ofício como serimportante que influenciará na formação de outros indivíduos.2.4.1. Escola e Currículo A escola é entendida como um dos grandes setores responsáveis pelaformação da identidade. É necessário, que os alunos sejam entendidos numaperspectiva que “permita a construção de um olhar mais alargado sobre a educação,como processo de humanização, que inclua e incorpore os processos educativosnão-escolares” (GOMES, 2000 p.1). Neste sentido, a escola deve sair para a comunidade, à rua, a zona rural, eestes, devem entrar ou mesmo “invadir” esse espaço escolar, para que o saberpopular, sua fala, seus contos, ritmos, sejam compartilhados, deixando de ser decerta forma, um lugar de exclusão, para ser um lugar de promoção do conhecimentopopular. Pois, a escola, como esse espaço de difusão do conhecimento sistemático,não tem reconhecido esses saberes e sim, tem os negado dentro do seu espaço,vez, que está perdendo a oportunidade de contextualizar conhecimentossignificativos pra a vida do aluno, como também para a sociedade como um todo. Como afirma Apple (1997) “A educação torna-se um conjunto de instituiçõesatravés da qual o estado tenta ‘produzir, reproduzir, distribuir e mudar’ os recursossimbólicos, a própria consciência da sociedade”. (p.102) Com isso, é preciso rever ocurrículo que rege as ações educativas. A discussão em torno do currículo não é nova. Desde muito tempo, sugiramcríticas a este modelo, porém, muitos grupos se levantaram em defesa, para que oestado apoiasse apenas o saber da cultura dominante. Se opondo a este
  32. 32. 32pensamento, Apple (1997) continua afirmando que “O conteúdo do currículo e oprocesso de tomada de decisões que o cerca, não podem ser simplesmenteresultados de um ato de dominação”. (p.104) A escola não pode mais fechar os olhos para a cultura popular, seusinstrumentos, linguagens, conflitos, preconceitos, artes, ensinamentos, leitura ereleitura da história da colonização dos povos, a outra versão, o outro olhar, menosfragmentado, mais vivido, mais sentido. Através desse leque de possibilidades que acultura popular se apresenta, cabe, portanto, a escola, conceber esse espaço ondeviceje essa multiplicidade de linguagens, para que floresça também, uma pluralidadede sentido, de novos sentidos para o ser “humano”. Como afirma Gentilli (2005): A escola deve contribuir para tornar visível o seu olhar normalizador oculto... Deve ajudar a interrogar, a questionar, a compreender os fatos que historicamente contribuíram na produção da barbárie que supõe negar os maiores elementos dos direitos humanos e sociais, às grandes maiorias. (p.42) Precisamos de uma escola que prive pela solidariedade e respeito àsdiferenças, tanto locais, culturais e sociais. Que contribua para que os seus alunosse reconheçam enquanto indivíduos, participantes de sua cultura. Conforme Silva(2008, p.86), “Uma escola apta pra fazer do ensino um instrumento sustentador devalores e não mais pura e simplesmente reprodutora de um ensino técnico”. Dessaforma a escola poderá levar os discentes a despertarem para ações que promovamtransformação, através de suas atitudes, consolidadas no seu contexto escolar,familiar e social. Nidelcoff (2004) discorre que: [...] Não se pode fazer uma mudança profunda na escola enquanto não se faça uma mudança social também profunda, que proponha novos ideais comunitários e pessoais com uma nova maneira de ver a realidade e a História e que valorize de forma diferente a educação do povo e a cultura popular. (p.19)
  33. 33. 33 Sabemos que a escola sozinha não mudará a sociedade. Mas, ela pode serum veículo muito rico para propagação de novas atitudes e valores, desde que, nãovenha a se adequar ou se acomodar com esta realidade excludente presente nasociedade. Gentilli (2005) pressupõe que “Em nossas sociedades fragmentadas, osexcluídos devem se acostumar à exclusão. Os não excluídos também”. (p.30). Nestesentido, a situação de exclusão cai no esquecimento e no silêncio, fazendo com queas partes envolvidas neste processo permaneçam na mesma situação. A partir do momento que a escola, se inserir no contexto de sua clientela ecomeçar a dialogar com outros saberes e outras culturas, se tornará maisdemocrática e justa. As escolas, e principalmente as públicas, estão lotadas de umadiversidade cultural. Elas só precisam avançar em prol de uma sociedade maishumana, sem ignorar as diferenças e o potencial dos alunos como produtores dediversos saberes populares.
  34. 34. 34 CAPITULO III METODOLOGIA Com consonância com Minayo (1994), Compreendemos que “a metodologiainclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilita aconstrução da realidade e o sopro divino do potencial criativo do investigador”.(p.16). Tendo em vista o nosso objetivo nesta pesquisa, que é identificar ossignificados que os professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental doCentro Estudantil Fundame, dão à cultura popular, escolhemos para tanto, aporteteórico na pesquisa qualitativa, por considerar que a mesma propicia um contatomais direto do pesquisador com os sujeitos pesquisados.3.1. Tipo de Pesquisa Optamos por este paradigma qualitativo, por entender que é através dasrespostas dos indivíduos que se pode perceber a subjetividade, o universo designificados, de motivações, de valores que fazem parte da pesquisa de cunhosocial, que não pode ser quantificados, e que, portanto, merecem atenção dapesquisa qualitativa. Neste aspecto Barbosa (2002) contribui sobre a pesquisa qualitativa, porentenderem que a mesma possibilita ao pesquisador: [...] compreender o comportamento e a experiência humana. Eles procuram entender os processos pelos quais as pessoas constroem significados e descrevem o que são aqueles significados. Usam observações empíricas, porque é com os eventos concretos do comportamento humano que os investigadores podem pensar mais claro e aprofundarem sobre a condição humana. (p.18) Essa abordagem possibilita o contato mais próximo com os sujeitos e com oambiente no qual se dará à pesquisa, promovendo ao pesquisador o conhecimentoda aprendizagem produzida nesses espaços. Buscando perceber as compreensões
  35. 35. 35que estes indivíduos têm quanto às questões levantadas, como forma de possibilitare favorecer respostas mais claras e significativas. Para Minayo (1994): A pesquisa qualitativa responde a questões particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes que correspondem a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (p.22) . A pesquisa qualitativa permite ao pesquisador um contato mais próximo comos sujeitos, permitindo perceber ações, sentimentos, reações, e todos os tipos demudança que possa ocorrer, sendo analisadas de forma significativa, buscando sechegar ao objetivo da pesquisa.3.2 Locus da Pesquisa O Locus onde se desenvolveu a pesquisa foi o Centro Estudantil Fundame,localizado no Bairro Casas Populares, na cidade de Senhor do Bonfim – BA. Seuespaço físico é composto de 5 salas, 1 secretaria, 1 diretoria, 1 brinquedoteca, 1refeitório, 3 banheiros, parque infantil e um espaço amplo e arborizado onde asprofessoras realizam várias atividades com as crianças ao ar livre. A escola temuma clientela de 120 alunos, distribuídos entre maternal, educação infantil I e II euma turma de ensino fundamental, funcionando no turno matutino, no turnovespertino acontece o trabalho com os adolescentes no projeto chamado MQV1(Mais que Vencedores), que tem como objetivo acompanhar os adolescentes emsituação de risco, através de oficinas de arte, brincadeiras, jogos, que já deixaram àescola nas séries normais de ensino. Acontecem também, as terças e quintasoficinas de artesanato com as mães. O fator relevante, para a escolha por este locus de pesquisa foi por já tertrabalhado nesta escola e ter tido a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho1 MQV – Mais que Vencedores é um projeto social da escola, que busca integrar os alunos que não pertencemmais a referida instituição. São desenvolvidas oficinas de arte e atividades lúdicas.
  36. 36. 36que vem sendo desenvolvido com as crianças e adolescentes de bairros periféricosda cidade de Senhor do Bonfim-Ba, porém dotados de uma vasta cultura popular.3.3. Sujeitos da Pesquisa A amostra foi constituída por cinco professores, sendo três da educaçãoinfantil, e dois do ensino fundamental, que lecionam no turno matutino do CentroEstudantil Fundame, no município de Senhor do Bonfim – Bahia. Dessasprofessoras três possuem graduação completa em pedagogia e as outras duastambém estão cursando pedagogia. A escolha pelas professoras se deu de formaaleatória dentre aquelas que trabalham no universo pesquisado. Vale destacar, acontribuição das mesmas para o levantamento de dados necessários aodesenvolvimento da pesquisa.3.4. Instrumentos de Coletas de Dados Procurando conhecer e interpretar a problemática apresentada, foi utilizadocomo instrumento de coleta de dados: Observação participante, questionáriofechado e entrevista semi-estruturada.3.4.1. Observação Participante O uso da observação participante na pesquisa é relevante, pois valoriza aexperiência, percebe de perto o trabalho desenvolvido pelos sujeitos, permitindoassim, um melhor direcionamento do trabalho. Sobre esse instrumento de coleta dedados Cruz Neto (1994) pontua: A técnica de observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seu próprio contexto. O observador, enquanto parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os obstáculos. (p.29) O contato com estes sujeitos, se deu de forma harmoniosa e dinâmica, hajavista ter trabalhado nesta unidade escolar, em anos anteriores e conhecer o trabalhode perto.
  37. 37. 373.4.2. Questionário Fechado Sobre a importância do questionário fechado como instrumento de coleta dedados. Barros (2000) contribui dizendo: Questionário é um dos principais instrumentos de trabalho utilizado em quase todos os tipos de pesquisa. Ele é constituído de uma série de perguntas organizadas, com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa. (p.58) A escolha, deste instrumento se deu pela necessidade de se obter os dadosque possibilitem chegar aos objetivos da pesquisa, além, de traçar o perfil dossujeitos pesquisados de forma objetiva, organizada.3.4.3. Entrevista semi-estruturada A entrevista é um recurso que nos permite reforçar os elementos pontuadosno questionário, pois permite que os sujeitos se expressem oralmente, permitindo aoentrevistador aprofundar, questionar e recolher uma diversidade de informações.Como pontuam Good e Hatt (1968): [...] a entrevista permite correções, esclarecimentos, e adaptações que a tornem sobremaneira eficaz na obtenção das informações desejadas. Enquanto outros instrumentos têm seu destino selado no momento em que saem das mãos do pesquisador que os elaborou, a entrevista ganha vida ao se iniciar o diálogo entre o entrevistador e o entrevistado. (p.137) O uso da entrevista, além das muitas vantagens, também possibilitainformações claras por parte do entrevistado, possibilitando um dialogo e interaçãoentre entrevistador e entrevistado. Compactuando com essa mesma opinião Trivinos (1995) destaca: Entende-se por entrevista semi-estruturada de uma maneira geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em
  38. 38. 38 teorias e hipóteses que, interessam à pesquisa e que, em seguida, oferece amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. (p.146) Acreditamos que através desse instrumento de pesquisa, será possível obtermaior aquisição de informações, de maneira que o entrevistado tenha liberdade parase expressar sobre o tema proposto e expor sua compreensão sobre a temáticadesenvolvida, além de, fornecer mais subsídios para responder a questão quenorteou este trabalho de conclusão de curso.
  39. 39. 39 CAPÍTULO IV ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capitulo, apresentaremos analise e interpretação de dados, a fim dealcançar o objetivo da presente pesquisa que é identificar os significados que osprofessores da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental do CentroEstudantil Fundame dão à cultura popular. Conforme Gil (1991): Está é a última fase de um levantamento. Logicamente coletados e analisados. Entretanto, é de toda conveniência durante o planejamento definir-se a cerca da forma como serão apresentados os dados. (p.103) Iniciamos, traçando o perfil dos nossos sujeitos, tendo como suporte asinformações contidas no questionário fechado. E, conseguinte discutiremos eapresentaremos as respostas coletadas dos professores sobre a cultura popular,através da observação participante e da entrevista semi-estruturada.4.1 Perfil dos Sujeitos Tivemos como sujeitos da pesquisa cinco professoras, sendo três deeducação infantil e duas do ensino fundamental. Com o objetivo de traçar o perfildos entrevistados utilizaremos gráficos com porcentagens4.1.1 Gênero 0% FEMININO MASCULINO 100% Gráfico 4.1.1. Percentual quanto ao gênero dos sujeitos.
  40. 40. 40 Conforme o gráfico 4.1.1, observamos que 100% dos educadoresentrevistados são do sexo feminino. Conforme Kramer (1992) a grande quantidadede mulheres na educação, vem de um processo histórico, onde traz alguns rançosque de certa forma desqualifica essa atividade, por caracterizá-la a uma açãoapenas materna, por outro lado, percebemos que a mulher vem alcançando o seuespaço na área educacional e também em vários setores da sociedade.4.1.2. Formação Acadêmica Graduação completa 40% Graduação incompleta 60% Gráfico 4.1.2. Percentual quanto à formação acadêmica. Sobre a formação acadêmica percebemos que 60% das professoras,possuem nível superior completo em Pedagogia e 40% tem nível superiorincompleto na mesma área de estudo. Nota-se um interesse na formaçãoacadêmica, impulsionada por alguns incentivos, como melhoria salarial, e maisconhecimento para o trabalho pedagógico. Conforme Freire (1997) a formação dosprofessores deve ser permanente e o momento fundamental da reflexão críticasobre a prática.
  41. 41. 414.1.3 Carga-horária de trabalho 20% 40% 20 horas 40 horas 40% 60 horas Gráfico 4.1.3. Percentual quanto carga-horária de trabalho. A partir da análise deste gráfico, percebemos que a jornada de trabalho dasprofessoras variam entre 20 e 60 horas. Compreendemos que uma menor cargahorária de trabalho possibilita um melhor desempenho deste profissional, já que omesmo tem mais tempo para planejar e aprimorar suas atividades. No entanto, aprecarização do trabalho docente empurra o/a professor/a a ocupar seu tempo livrena realização de outras atividades que complemente sua remuneração. Valedestacar que com uma carga-horária mais extensa poderão ter que se desdobrarpara atender todas as demandas do processo ensino-aprendizagem.4.1.4 Renda Familiar 20% 2 SALÁRIOS MÍNIMOS 40% 3 SALÁRIOS MÍNIMOS 40% MAIS DE 3 SALÁRIOS MÍNIMOS Gráfico 4.1.4. Percentual quanto à renda familiar dos sujeitos.
  42. 42. 42 Segundo as informações obtidas e representadas no gráfico, 40% dasprofessoras têm uma renda familiar de mais três salários mínimos, 20% recebemdois salários mínimos e 40% da renda familiar das outras professoras é de mais detrês salários mínimos. A questão salarial, ainda é um forte entrave na questãoeducacional do nosso país. O professor não é bem remunerado, isso traz outrasconseqüências, como a falta de estimulo desses profissionais para atuarem commaior vigor e empenho no desenvolvimento educacional e cultural dos seus alunos,como também o desejo de migrarem para outras profissões mais bem remuneradase valorizadas pelo sistema político e social.4.1.5. Acesso aos meios de comunicação 20% RÁDIO, TV, JORNAL, REVISTA E INTERNET RÁDIO, TV, JORNAL E REVISTA 80% Gráfico 4.1.5. Percentual ao acesso aos meios de comunicação. Quanto ao acesso aos meios de comunicação, notou-se que 80% dasprofessoras utilizam como meio de comunicação: rádio, TV, jornal, revistas einternet, no entanto, observa-se que 20% das professoras optam por rádio, TV,jornal, e revistas, o que denota que as mesmas ainda estão apegadas, apenas aoslivros didáticos.
  43. 43. 434.1.6. Definições de Cultura Popular A questão da cultura popular é hoje definida e empregada por uma grandequantidade de pessoas, tanto nos setores governamentais como na educação. MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURA DO POVO 20% FESTAS RURAIS 20% 60% FOLCLORE Gráfico 4.1.6. Percentual sobre a definição de cultura popular. Visualizamos no gráfico que 60% atribuem o significado de cultura popular, amanifestações artistas, cultura de um povo, 20% atribuem a festas rurais, e 20%atribuem à cultura popular ao folclore. Isto denota a distorção que ainda há quanto àcompreensão da cultura popular e seus significados na vida social e cultura dosentrevistados. É importante salientar sobre os 20% que atribui a cultura popular a festasrurais, isso demonstra uma visão ainda influenciada pelo modelo de culturadominante que despreza ignora as classes menos favorecidas da sociedade. A cultura popular é vista por muitos autores como uma cultura subalterna,diferenciando a cultura popular da cultura hegemônica, ou de elite onde a popularestava sujeita a de elite. (MELLO 1988). Pontuamos também, que a cultura popular tem sido atribuída ao folclore,como vimos no gráfico 20% acreditam ser a cultura popular o mesmo que o folclore.Quando na verdade ele é um rico instrumento da cultura popular.
  44. 44. 44 Cavalcanti (1978) compreende o folclore como a idéia que designa muitosimplesmente a formas de conhecimento, expressas nas criações culturais dosdiversos grupos da sociedade.4.1.7. O trabalho com a cultura popular na escola TRABALHA 20% RARAMENTE NÃO TRABALHA 20% 60% Gráfico 4.1.7. Percentual sobre trabalho com a cultura popular na escola. Observamos que 60% das professoras consideram trabalhar com a culturapopular na escola, 20% responderam que não trabalharam e mais 20%responderam trabalhar raramente.4.1.8. O trabalho com os contos populares na escola. TRABALHA 20% RARAMENTE NÃO TRABALHA 20% 60% Gráfico 4.1.8. Percentual sobre os contos populares em sala de aula. O gráfico apresenta o mesmo percentual que o gráfico anterior, os sujeitosresponderam da mesma forma, ou seja, a utilização dos contos populares em sala
  45. 45. 45de aula, segundo as respostas do questionário, tem acontecido de formasignificativa.4.1.9. A utilização dos contos populares pelos professores 20% 40% LITERATURA DE CORDEL CONTOS REGIONAIS 40% NENHUM Gráfico 4.1.9. Percentual sobre os contos populares que são utilizados pelas professoras. Segundo o gráfico, 40% das professoras trabalham com a literatura de cordel,40% com os contos, e 20% reconhecem que não utilizam os contos populares naescola. Salientamos ainda, que o mesmo percentual de 20% que demonstra nãotrabalhar com os contos populares, permanecem em consonância desde os gráficosanteriores.4.2. Analise da Entrevista Semi-Estruturada Alguns dos dados coletados pela entrevista semi-estruturada, associadas aobservação participante, serão também representados por gráficos, ondeobservaremos algumas contradições que por ventura possam aparecer no discursodos sujeitos. Utilizamos nesta entrevista o gravador, e em seguida transcrevemosas falas dos entrevistados na íntegra. O discurso de cada professora serárepresentado pela letra P seguida de algarismos arábicos (1, 2, 3, 4, 5) para mantero anonimato e a identidade dos sujeitos. A entrevista é um grande recurso utilizado. A mesma ganha sentido esignificado. Como diz Ludke e André (1986) “Enquanto outros instrumentos têm seu
  46. 46. 46destino selado no momento em que saem das mãos do pesquisador que oselaborou, a entrevista ganha vida ao se iniciar o dialoga entre o entrevistador e oentrevistado” (p.34). A partir do conceito de Ludke e André (1986), ao qual reafirmamos aimportância da entrevista, dividimos os discursos das professoras em categorias afim de delimitar nosso objeto de estudo.4.2.1. Significados de cultura popular. 20% MANIFESTAÇÕES CULTURA DO POVO 20% 60% CULTURA TRAZIDA Gráfico 4.21. Percentual sobre os significados da cultura popular Pelas respostas obtidas na entrevista semi-estruturada e representadas nestegráfico, percebemos algumas contradições quanto às respostas obtidas noquestionário fechado representado também em gráfico. Pra mim, cultura popular, são manifestações culturais, festas rurais, folclore, cultura de um povo, dança. Tudo que de certa forma, é... Retrata a história da nossa cultura popular e de um povo. (P1) São manifestações, é... Que vem diretamente do povo, passando de pessoa para pessoa, que faz parte da cultura local. (P2) Manifestações artísticas, cultura de um povo. Costumes. (P4) Manifestações do povo. Tudo que o pessoal traz. (P5) Ao analisarmos a fala dos professores, percebemos que 60% das professorasentrevistados atribuem a cultura popular a manifestações. Isso nos chamou aatenção por perceber um discurso um tanto quanto automático, ou seja, a palavra
  47. 47. 47toma um lugar comum, já incorporada, sem que dimensionasse o verdadeirosignificado da mesma. O que de fato a palavra representa não foi demonstrado nodiscurso. Sobre manifestações Aurélio (1975) define como: Ato ou efeito de manifesta-se; expressão. Revelação, esclarecimentos, demonstração. (p.88). Destacamos ainda, que das professoras que atribuem à cultura popular amanifestações, apenas a P1 dilata um pouco mais a discussão, tendo uma visãomais ampla, conseguindo demonstrar de certa forma como a cultura popular seapresenta. As demais, falam de forma vaga, sem explicitar, não interpretam de fato oque a cultura popular é ou representa. Como na fala do P5 que explica de formasuperficial, não explorando a questão. Fávero (1983) destaca que “a significação dacultura popular é precisamente entrar em tensão ideológica contra uma cultura dedominação.” (p.34) Fávero ainda (1983) descreve que cultura popular é a cultura do povo, isto é,quando seus significados, idéias, são destinadas ao povo, respondem as exigênciashumanas em determinado tempo e contexto, levando o homem a se assumir comosujeito de sua própria criação cultural de forma reflexiva e consciente. Acreditamos que ainda não é compreendido pelos que estão de certo modo“responsáveis” pela ação de educar, o significado da cultura popular, suasmanifestações e seu papel de reconhecimento de uma educação, que venharesponder de fato a necessidade do povo, onde estes devem ser ouvidos, onde suacultura respeitada e valorizada na escola, de modo a contribuir para a formação daidentidade dos alunos.
  48. 48. 484.2.2. Cultura popular na escola 20% 20% TRABALHA RARAMENTE NÃO TRABALHA 60% Gráfico 4.2.2. Percentual sobre o trabalho com a cultura popular na escola. Notamos uma contradição, quanto às respostas do questionário fechado comas respostas dadas pelas professoras na entrevista. Se voltarmos nos gráficosanteriores, veremos uma troca nas porcentagens, pois, 60% diziam trabalhar com acultura popular, porém, na entrevista, apenas 20% confessam realmente trabalhar,60% dizem trabalhar raramente e os 20% continuam confirmando que não trabalhama cultura popular na escola. Na maioria das vezes acontecem como contos populares, festas e danças e algumas brincadeiras, peças teatrais nem sempre são feitas e quando são feitas, na maioria das vezes é feita pelos professores e esporadicamente. (P1) Não trabalho com a cultura popular na escola. (P3) A depender do projeto, trabalho brincadeiras, músicas, festas, ás vezes trazendo até algo da comunidade pra cá. Como o samba de lata, por exemplo, que é uma manifestação aqui da região de Bonfim. Não conseguimos, mas mostramos pra crianças de alguma forma. (P2) Trabalho com brincadeiras, contos e também..., assim... Danças, coreografias, mas assim, não é constantemente não. É raro. É raro a gente trabalhar com a cultura popular. (P4) Analisando a segunda categoria, notamos que a professora P1 reconhece aimportância de trabalhar com a cultura popular na escola. Porém, ela já exclui
  49. 49. 49quando diz que é feito “esporadicamente”. Percebe-se então, uma distorção do quese pretende pra o que se propõe a fazer. Discurso e prática não estão acentuados. A professora P3, por sua vez, assume claramente que não trabalha com acultura popular na escola. De certa forma, admiramos a coragem da professora emadmitir, porém, lamentamos profundamente por perceber que a escola, asprofessoras e os alunos estão perdendo por não utilizarem o universo tão rico dacultura popular. Isso denota que ainda estamos impregnados num contexto decultura hegemônico, onde o saber elitizado, herdado do modelo europeu aindapermanece em evidência em nossos dias e na prática de muitos professores,quando estes devem responder de forma crítica esse modelo. Conforme Gadotti (2007): O professor pode fazer: [...] de seu discurso, que é a sua arma, dê respostas ou tente responder aos problemas que a sociedade lhe coloca, que se posicione e se pronuncie, não seja omisso. É isso que seus alunos querem ver nele e é nisso que eles podem reconhecer um mestre. (p.75) É isso que se pretende do professor, uma atitude que dê atenção àsnecessidades, diferenças dos seus alunos e que a cultura local destes, seja levadaem consideração, pois, até então, não se percebe uma contextualização dossaberes regionais presente no cenário da cidade de Senhor do Bonfim. O discurso da professora P4 é enfático quando diz que é raro o trabalho coma cultura popular. Ela também se exclui dessa “culpa” atribuindo a responsabilidadepara a escola, quando diz: é raro a gente trabalhar. Na fala da professora P2, demonstra-se que não tem espaço no currículo prase trabalhar com a cultura popular na escola, quando a mesma diz que “a dependerdo projeto”. O discurso em prol de uma educação que leve em conta a realidadelocal e cultural dos alunos, ainda é utopia em muitas escolas. O currículo não temsido voltado para a realidade dos discentes, ainda é algo que vem imposto comoregra, que vem sendo perpassado por uma visão tradicional, instrumentalista onde o
  50. 50. 50conhecimento promovido na escola, está sujeito às relações de poder, pois desdemuito tempo se discute sobre o currículo, visto que o mesmo tem favorecido apenasa cultura dos grupos dominantes. Trazendo a discussão sobre o currículo, Apple (1997) traz a visão de muitaspessoas que se posicionaram a favor do estado, em que o mesmo deveria legitimaro conhecimento dos grupos dominantes. “Numa economia capitalista, apenas oconhecimento demandado pelos grupos economicamente poderosos deveria serlegitimado nas escolas sustentadas pelo poder público.” (p103). Diante dessa discussão, nos surge então a seguinte pergunta: Comotrabalhar com a cultura popular na escola, uma vez que este modelo de currículo sófavorece a legitimação da cultura dominante? O mesmo autor nos ajuda a responder esta questão quando afirma: “Oconteúdo do currículo e o processo de tomada de decisões que o cerca não podemser simplesmente resultados de um ato de dominação”. Apple (1997, p104) Através dos dados analisados nessa pesquisa, vê-se que a escola não temem seu projeto político pedagógico e na própria estrutura curricular, espaço para acultura popular, e que não há alusão desse tema. Porém, ela se faz presente naescola, através das relações entre os alunos, mas se torna algo distante doprocesso de ensino-aprendizagem. Ela não está incluída nas metodologias utilizadasna transmissão do conhecimento aos alunos. Há uma dicotomia entre discurso eprática educativa. É preciso destacar que, a passos lentos, algumas escolas e professores, játêm procurado se posicionar contra este modelo hegemônico, buscando através dassuas ações, mudar a sua prática e, através dela, a escola. Não conservá - la comoela se encontra, ou seja, revê o currículo. E não só isso. É necessário ousar,trabalhar com a cultura popular de forma humanizante com o objetivo e missão deeducar pessoas.
  51. 51. 514.2.3. Contos populares 20% 40% SIM RARAMENTE NÃO 40% Gráfico 4.2.3. Percentual sobre os contos populares na escola. Os contos populares são alguns dos instrumentos da cultura popular.Conforme o gráfico da entrevista semi-estrutura, já podemos perceber algumasdiferenças com relação ao mesmo gráfico no questionário fechado. Houvemudanças nas porcentagens. Agora, o que se demonstra é que 40% trabalham 40%raramente e os 20% continuam afirmando não trabalhar com os contos populares.Compreendemos, porém, que o trabalho desenvolvido com os contos na escola,pode possibilitar um aprendizado mais dinâmico, além de desenvolver váriashabilidades, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. Algumas dessashabilidades são: poetizar, narrar, cantar, enfim, vários tipos de manifestaçõesculturais que podem ser estimuladas na escola. Neste aspecto, Andrade (apud COELHO, 1999) defende as manifestaçõesartísticas, culturais e populares tendo como base: O principio da utilidade e não só como arte com “preocupação exclusiva com beleza”, baseada de modo mecânico e servil na estética universal, e sim uma arte que reconheça o contexto histórico como elemento de produção. Uma arte comprometida com seu tempo, servindo-se de tudo que lhe pudesse ser útil como “instrumento de afirmação cultural. (p.45, 46). O autor nos direciona a assumir uma postura crítica, ou seja, que se percebae analise as dimensões e contexto histórico onde se deu aquela obra oumanifestação artística, favorecendo aos alunos momentos de prazer, de cultura,

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