1   UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB   DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII          PROGRAMA REDE UNEB 2000       ...
2           IVONICE JOSEFA DOS SANTOS           RENILDO LOPES DOS SANTOSMANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS DO POVOADO   ...
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4“A Memória é a Imaginação do Povo,mantida comunicável pela Tradição,movimentando as Culturas, convergidaspara o Uso, atra...
5Dedicamos este trabalho aos nossos familiares, em especial, pais, mães, filhos eesposa, pelo apoio e incentivo nos estudo...
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10                   3.2.3. A importância dos festejos do padroeiro Santo Antônio para o                             povoa...
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15          No Brasil, foi entre os anos de 1960 e 1980 que as produções dosintelectuais, abordando tematicamente a “cultu...
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18fundamental em transmitir culturalmente o sentimento ideológico, forjado pelaautoridade estatal. Depois desse acontecime...
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21instituídas, muitas vezes, como folclóricas. No que se refere a tal registro, caberessaltar o que assegura Ferreira (200...
22comunidade ou nação, observa-se um grande estímulo em lidar com tais aspectosculturais, sociais e humanos.          No B...
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29elementos que caracterizam ou contemplam os dias de festa do padroeiro local,como show de bandas, blocos, bebidas, etc.,...
30                                     CAPÍTULO II                       PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS2.1. A pesquisa       ...
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32                         Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENT...
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382.3. Carta cessão           CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA UNEB1 – Pelo presente documento..................
392.4. As fontes de pesquisa2.4.1. Fontes orais          Para a realização do nosso trabalho, foram colhidas informações j...
402.4.3. Fontes iconográficas: fotografias          As fontes iconográficas são os registros da festa através de fotografi...
41                                      CAPITULO III3.1. A FESTA DE SANTO ANTONIO NA VISÃO DOS ORGANIZADORES3.1.1. A organ...
42como demonstra o discurso de um (a) entrevistado (a). “Era feito uma assembléia nacomunidade e o povo dava opiniões para...
43e cultos”; c) “O grupo organizador pede contribuição aos comerciantes e realizabingos e sorteios para os gastos com os f...
44administração, o poder público não contribuiu, porém, certamente foi falta de pedido,observo que em anos anteriores já h...
45           De qualquer modo observamos que a festa ainda envolve boa parte dacomunidade, apenas tomou outros rumos, segu...
46pois, embora tenha avançado muito no que diz respeito á parte profana, o eventoreligioso ainda se encontra pleno.3.2.   ...
47tradição no povoado”. Um adolescente entrevistado destaca o empenho dacomunidade para realização da festa “Vejo que o po...
48           Para este entrevistado o aparecimento de outras congregações religiosastambém contribuíram para o enfraquecim...
49trabalho os deixam com pouco tempo: “[participo] pouco, devido à função detrabalho”. Observamos que mesmo os católicos e...
50mas os limites impostos pela idade. De qualquer forma, são os que mais seimportam com a cultura festiva e religiosa do p...
51          Para o público mais jovem, a importância da festa encontra-se nofortalecimento da religião. E mesmo não partic...
Monografia Ivonice Pedagogia Itiúba 2012
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  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PROGRAMA REDE UNEB 2000 CURSO DE PEDAGOGIA Ivonice Josefa dos Santos Renildo Lopes dos SantosMANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS DO POVOADO BELA VISTA DE COVAS Itiúba - Bahia 2012
  2. 2. 2 IVONICE JOSEFA DOS SANTOS RENILDO LOPES DOS SANTOSMANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS DO POVOADO BELA VISTA DE COVAS Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais. Linha de Pesquisa: Cultura Orientadora: Profª Drª Maria Glória da Paz Itiúba - Bahia 2012
  3. 3. 3 IVONICE JOSEFA DOS SANTOS RENILDO LOPES DOS SANTOS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS DO POVOADO BELA VISTA DE COVAS Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais.Aprovada em ____ de ________________ de 2012.BANCA EXAMINADORA_______________________________________________________________Profª Drª Maria Glória da Paz Universidade do Estado da Bahia –UNEB Orientadora_____________________________________________________________Profª.................................................................................................. Examinadora_____________________________________________________Profª.................................................................................................. Examinadora
  4. 4. 4“A Memória é a Imaginação do Povo,mantida comunicável pela Tradição,movimentando as Culturas, convergidaspara o Uso, através do Tempo. EssasCulturas constituem quase a Civilizaçãonos grupos humanos”.(Luís da Câmara Cascudo)
  5. 5. 5Dedicamos este trabalho aos nossos familiares, em especial, pais, mães, filhos eesposa, pelo apoio e incentivo nos estudos, assim desenvolvidos, para nossaformação no curso. AGRADECIMENTOS
  6. 6. 6A Deus, pelo dom da vida, pela garra e determinação que nos tem concedido. Todaa honra, toda glória e todo louvor sejam dados a Ele, por nos permitir chegar atéaqui;Aos mestres, pela paciência e dedicação com a turma e seus ensinamentosconcedidos a nós;À coordenadora da turma Alayde Ferreira, pela determinação em dar rumos aostrabalhos dos professores e dos acadêmicos em torno do curso no município;Às professoras orientadoras da turma Roseane Cíntia e Normaci Oliveira, pelocarinho e dedicação com os acadêmicos, em nos apoiar nos trabalhos em classe eextraclasse;À professora orientadora da Monografia, Profª Drª Maria Glória da Paz, por nosauxiliar e orientar nos trabalhos de conclusão do curso;Aos colegas de caminhada, pelo companheirismo, apoio e incentivo pararealização dos estudos em prol do curso;Aos colegas de trabalho, que, direta ou indiretamente, participaram e apoiaram anossa formação;À comunidade pesquisada, que nos apoiou, sobretudo com as entrevistas,requisitos essenciais para finalização dos trabalhos e conclusão do curso;À prefeita municipal, Drª. Cecília Petrina de Carvalho, não só pela renovação docurso no município, mas também pelo apoio dado aos acadêmicos em seus estudos,principalmente por disponibilizar o transporte para muitos alunos deste povoado.
  7. 7. 7 RESUMOO presente trabalho de conclusão de curso tem a finalidade de promover umareflexão sobre a cultura popular, especificamente as festividades católicas, dopovoado Bela Vista de Covas, no município de Itiúba-Bahia. Estudar esse tema nosimpulsiona a investigar um pequeno recorte da cultura popular deste povoado, umavez que a sua história cultural é marcada por diversas manifestações tradicionais,entre elas, a Festa de Santo Antônio, uma das festividades do catolicismo,prioritariamente voltada para a formação religiosa do povo. Para tanto, usamosalguns conhecimentos de: Cascudo (2004), Burke (2008), Tinhorão (2001), Chartier(1990), Fonseca (2009), Ortiz (2006) e muitos outros, em artigos, que nos auxiliaramna fundamentação de tal estudo. O processo metodológico foi desenvolvido a partirde estudos etnográficos, pesquisa de campo com entrevista participante esemiestruturada. A partir desses instrumentos trabalhados, foi possível obterresultados bastante significativos e reveladores quanto ao festejo do padroeiro SantoAntônio e os aspectos memoriais da vivência popular, bem como a atuação dasescolas no processo cultural da comunidade em foco.Palavras – chave: História cultural; Manifestações culturais; Festas religiosas.
  8. 8. 8 LISTA DE ABREVIATURASLDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação NacionalPCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais
  9. 9. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................11CAPÍTULO I...............................................................................................................13 1.1. História Cultural: um campo de estudos das atividades humanas.......13 1.2. Manifestações Culturais: um aprendizado sociocultural.......................19 1.3. Festas Religiosas: um acontecimento de fé e congraçamento............24CAPÍTULO II..............................................................................................................30PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...................................................................30 2.1. A pesquisa............................................................................................30 2.2. Os instrumentos....................................................................................30 2.2.1. Entrevista semiestruturada........................................................30 2.2.1.1. A organização da entrevista......................................30 2.3. Carta cessão.........................................................................................38 2.4. As fontes de pesquisa...........................................................................39 2.4.1. Fontes orais...............................................................................39 2.4.2. Fontes escritas...........................................................................39 2.4.3. Fontes iconográficas: fotografias...............................................40 2.4.4. O local da pesquisa....................................................................40CAPÍTULO III.............................................................................................................41 3.1. A FESTA DE SANTO ANTÔNIO NA VISÃO DOS ORGANIZADORES...............................................................................41 3.1.1. A Organização da festa na Igreja...............................................41 3.1.2. A mobilização da comunidade para realização das festas........41 3.1.3. O planejamento, as despesas e o financiamento da festa.........42 3.1.4. A programação da festa.............................................................44 3.1.5. Os festejos e a participação dos moradores da comunidade e adjacências................................................................................45 3.2. A FESTA DE SANTO ANTÔNIO NA VISÃO DOS PARTICIPANTES..46 3.2.1. A realização das festas religiosas..............................................46 3.2.2. A participação das pessoas nos festejos religiosos e na festa dançante.....................................................................................48
  10. 10. 10 3.2.3. A importância dos festejos do padroeiro Santo Antônio para o povoado......................................................................................50 3.2.4. As festas com bandas organizadas pelo poder público e sua importância para a comunidade.................................................51 3.2.5. O turismo e a participação das pessoas da comunidade: muitos vêm pela boniteza da rua...........................................................53 3.2.6. A participação da escola na festa..............................................54CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................56REFERÊNCIAS..........................................................................................................58ANEXOS....................................................................................................................61ANEXO I – FOTOGRAFIAS.......................................................................................62ANEXO II – DOCUMENTOS......................................................................................70
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO Esse trabalho de conclusão de curso propõe uma reflexão sobre CulturaPopular: as festividades católicas do povoado Bela Vista de Covas, no município deItiúba-Bahia. Estudar essa temática nos impulsiona a investigar a cultura populardeste povoado, já que a sua história cultural é marcada por diversas manifestaçõestradicionais; entre elas, algumas festividades que prioritariamente estão voltadaspara religiosidade e sob a orientação da Igreja Católica. A maioria das festas do povoado desenvolveu-se a partir de atividades daIgreja Católica, que, ao longo da história do povoado, foram se tornando tradição,produzindo a cultura local. Das festas ali existentes, a que mais se destacou foi aFesta de Santo Antônio, padroeiro do povoado, que é comemorado no dia 13 dejunho. No passado, tal festejo era promovido em 13 dias, com a realização dastrezenas, as quais eram denominadas pela população de trezenas de Santo Antônio,estas rezas aconteciam à noite, sendo que cada uma delas homenageava umsegmento da comunidade: a noite dos lavradores, a noite dos oleiros, a noite doscomerciantes, a noite dos casados, a noite dos jovens, a noite dos estudantes, entreoutros. O dia 13 de junho, na localidade, foi sempre esperado com bastanteentusiasmo pelos moradores da comunidade e região, era uma festa que começavaao amanhecer e só terminava no dia seguinte, nesse período, ocorria uma variedadede atividades: as festas dançantes nos bares e na praça, as atividades religiosas, osforrós pé-de-serra e folguedos. O povoado era contemplado também com outras festas tradicionais, comoo reisado, uma comemoração que se realizava na virada de ano, outra manifestaçãoacontecia no Sábado de Aleluia, com a queima de Judas. Assim como a festa deSanto Antônio, tais manifestações culturais tradicionais vêm deixando de serrealizadas, o que acaba descaracterizando a história cultural do povoado.
  12. 12. 12 Atualmente, observa-se que outras festividades vêm ganhando força eespaço na comunidade, percebe-se, com isso, a migração de público para estesnovos eventos, provocando um esvaziamento das antigas festas, manifestações quetradicionalmente representam a memória cultural da população e que estãodesaparecendo em virtude da ausência de valorização, do desconhecimento da suaimportância para a história cultural do povoado e seus habitantes. Esses são alguns dos motivos pelos quais pretendemos investigar asfestividades católicas do povoado de Bela Vista de Covas, localizado no municípiode Itiúba-Bahia, bem como as suas origens e seus significados para a população.
  13. 13. 13 CAPÍTULO I1.1. História Cultural: um campo de estudos das atividades humanas A denominação história cultural tem sido abordada para diversas açõesdo homem no tempo e no espaço em que esse está inserido. Desse modo, o temaem pauta aborda as atividades humanas, revelando e até formando ascaracterísticas de um determinado povo ou sociedade, conceituando os aspectossociais expostos ou produzidos pelo homem, enquanto espécie de razão e ação,tanto que história cultural pode ser, muitas vezes, interpretada como história social,política, econômica, habitacional, etc. Nesse sentido, deve ser considerado queexiste um campo de estudo muito grande para os escritores e acadêmicos nomundo. Os fatos que marcam ou criam a história cultural são geralmente aquelesque, através do sentido obtido em suas ações periódicas ou anuais, enfatizados poruma infinidade de realizações, a exemplo de festas, feiras, jogos, entre outros, quersejam em atividades coletivas, quer sejam pessoais. Conforme Burke (2008), ahistória cultural já foi reconhecida em diversos países há mais de 200 anos, aprincípio na Alemanha. “A descoberta da história da cultura popular, na década de1960 e a nova história cultural” (BURKE, 2008, p.15-16), propõe que os historiadorese escritores, busquem uma compreensão maior a respeito da relação entre elas, jáque as demonstrações referidas eram da vivência da época. Em se tratando de história cultural popular, há uma percepção para asações desenvolvidas pelo homem em qualquer que seja os pressupostosintelectuais ou até artísticos. Foi entre os anos 1800 – 1950, que os historiadoresconceituaram tal período, na história da humanidade, como “história culturalclássica”, para Burke (2008) foi um período que desenvolveu, em diversos países,abordagens intelectuais das atividades humanas, principalmente na Europa com osideais artísticos e literários de intelectuais, comovidos pelas revoluções sociais,
  14. 14. 14culturais e artísticas de todos os tempos, como o Renascimento e, por outro lado, osideais franceses, que tiveram grande repercussão nas sociedades ocidentais. Os estudos até então realizados sobre a história cultural e popular têmgrande relevância para o conhecimento e sua compreensão no meio acadêmico eeducacional, diante da aceitação da mesma ou comparação entre diversas nações,assimila-se significados diferentes do que seja história cultural de uma nação paraoutra. Observa-se, dessa forma, que não há homogeneidade no conhecimento ouconceitos abordados pelos historiadores de sociedades distintas, mas que taisestudos foram e são promovidos em épocas semelhantes, principalmente a partir dadécada de 1960, em muitas nações. O trabalho dos escritores, com a história cultural e popular, possibilitaperceber que a cultura, difundida nas sociedades, não tem distinção de classe, ouseja, abrange toda a população. Assim, muitas vezes, o estudo dos acadêmicos emconceituar as elites dentro ou fora da cultura popular – já que essa é comum àgrande massa da população – não inclui, menos ainda exclui o direto do indivíduo,pois todos vivem a cultura numa mesma sociedade. A esse respeito, Burke (2008)afirma: O que torna a exclusão problemática é o fato de que as pessoas de status elevado, grande riqueza ou poder substancial não são necessariamente diferentes, no que diz respeito à cultura, das pessoas comuns. Na França do século XVII os leitores dos livrinhos baratos tradicionalmente descritos como exemplos de cultura popular incluíam mulheres, nobres e até mesmo uma duquesa. Isso não é de surpreender, já que na época as oportunidades educacionais das mulheres eram muito limitadas. (BURKE, 2008, p. 42). Como assevera o referido autor, o fato de as pessoas estarem inseridasna sociedade “de status elevado”, não é essa posição social que determina oprocesso cultural que devam fazer parte ou vivenciá-la, a cultura é a atividadeessencial do homem e abrange toda a população, independentemente de condiçõessociais, econômicas e até mesmo educacionais, uma vez que todos são indivíduossubstancialmente comuns.
  15. 15. 15 No Brasil, foi entre os anos de 1960 e 1980 que as produções dosintelectuais, abordando tematicamente a “cultura”, generalizando ou simplificando,mas, criticando a atuação social vigente, que o termo “cultura” sofreu alteração epôde ser conceituado como cultura popular. Conforme Abib (s/d, p. 2): “algumaspoucas produções recentes envolvendo a temática, a noção de Cultura Popularsofreu um esvaziamento, em parte talvez, em função de um predomínio deabordagens que desestabilizaram as noções de identidade e cultura”. Marilena Chauí (1989), com referência a tal assunto, observa que: A perspectiva Romântica supõe a autonomia da Cultura Popular, a idéia de que, para além da cultura ilustrada dominante, existiria uma outra cultura, "autêntica", sem contaminação e sem contato com a cultura oficial e suscetível de ser resgatada por um Estado novo e por uma Nação nova. A perspectiva Ilustrada, por seu turno, vê a cultura como resíduo morto, como museu e arquivo, como o "tradicional" que será desfeito pela "modernidade", sem interferir no próprio processo de "modernização". Românticos e Ilustrados pensam a Cultura Popular como totalidade orgânica, fechada sobre si mesma, e perdem o essencial: as diferenças culturais postas pelo movimento histórico-social de uma sociedade de classes. (p. 23, apud ABIB, s/d, p. 6). De acordo com o postulado pela autora, a cultura popular seriaproveniente de conhecimentos e ações ou realizações independentes da culturaoficial, isto é, a cultura popular sofre tendência a partir de indivíduos, grupos ouclasses sociais. Assim, conforme Abib (s/d, p. 6) interpretando Marilena Chauí: A cultura popular seria aquela produzida por artistas e intelectuais que "optaram por ser povo" e se dedicam à "conscientização do povo". Existiam então, segundo a autora, dois povos ou duas culturas populares: o povo atrasado, inconsciente, e sua cultura trivial e inculta; e o "bom povo", consciente, culto, avançado, e a cultura vanguardista que o fará realizar as "leis objetivas da história”. (ABIB, s/d, p. 6). O Brasil, como sendo um país grande e complexo com uma diversidadecultural considerável, é importuno dizer que teria hegemonia entre as classes sociais
  16. 16. 16no que diz respeito à ideologia política, social ou mesmo cultural. No tocante a essaafirmação, Abib ( s/d, p.8) postula: Não se trata de negar as relações de poder e hegemonia entre as classes sociais, nem a ideologia que determina e sustenta essa dominação, a partir de uma leitura sociológica desse processo, mas entendemos que ao recuperarmos a discussão sobre cultura popular no Brasil, necessitamos de um instrumental de análise mais amplo que possa ter condições de estabelecer o diálogo e a comunicação entre os vários campos do saber, a partir de uma elaboração conceitual que possa abranger tanto o referencial teórico advindo da Sociologia, como aquele proveniente da Antropologia e da Filosofia. Em se tratando do contexto cultural da sociedade brasileira e aqui dasrevitalizações tradicionais das manifestações culturais, mais uma vez Abib (s/d, p.10) argumenta que: No contexto atual da sociedade brasileira, ao analisarmos no âmbito da cultura popular, o significado da revitalização de diversas tradições, manifestações e ritmos, podemos reconhecer nesse processo, possibilidades concretas de surgimento de uma nova relação a ser estabelecida entre os segmentos da sociedade brasileira - que ainda buscam construir um projeto histórico social com esse saber dinâmico, contraditório, ambíguo e extremamente rico que vem das tradições de nosso povo. (ABIB, s/d, p. 10). A colocação do citado autor chama a atenção para a necessidade de seresgatar a cultura do povo, manifestada a partir dos processos culturais tradicionaisda sociedade, que por si só, refletem na população, na comunidade e no própriopovo, que por si, vive sem a mínima atenção para com o passado e sem umaperspectiva de futuro. (ABIB, s/d, p. 12). Talvez, esse seja um assunto que estejarelacionado ao povoado de Bela Vista de Covas, onde a cultura local ou históriacultural do povo, ali existente, bem como a memória da população e suas festastradicionais, estejam deixando de ser realizadas, mesmo tendo na escola umincentivador do ressurgimento das suas manifestações através de suasapresentações culturais.
  17. 17. 17 A abordagem sobre cultura ou história cultural vem se tornandoimportante, cada vez mais, dentro do campo educacional, onde há umapreocupação das instituições de ensino em reconhecer o ser como indivíduo passivode determinada cultura ou inserido numa comunidade naturalmente cultural. Burke(2008) afirma que, a partir das décadas de 1980-90, vem crescendo a importânciadada a tais estudos, os quais são significativos, porém distintos entre as disciplinas eseus estudiosos: os antropólogos, os historiadores e os sociólogos. Duarte (2008) interpretando Bakhtin (2008) acerca da “Cultura Popular naIdade Média e no Renascimento”, afirma que estas áreas de estudo prestam umsuporte relevante para os estudantes de diversas disciplinas, entre elas, história eliteratura, “transcendendo as influências estritamente literárias que uma exercesobre outras, a obra de Bakhtin nos leva a repensar a literatura como elementodinâmico da cultura como um todo” (p. 7). Para ele, a cultura popular e históriacultural estão direcionadas não apenas a um campo de estudo, mas também a umatotalidade, dependendo do objeto de estudo a ser realizado. Para Bogdan Suchodolski, conforme Wojnar (2010, p. 24) “a culturaconstitui, ao mesmo tempo, o conteúdo e o resultado da educação; além disso, se aeducação é o veículo da cultura, em compensação, a cultura constitui suainspiração, o sentido e o método da atividade educativa”. Essa é mais umaafirmação que dar a entender que a cultura está acima das limitações do homem,pois ele a produz e ele próprio a transmite caracterizando a sociedade da qual fazparte, formando a identidade social do grupo. A esse respeito, Ortiz (2006) pontua: Toda identidade é uma construção simbólica […] o que elimina portanto as dúvidas sobre a veracidade ou falsidade do que é produzido. Dito de outra forma, não existe uma identidade autêntica, mas uma pluralidade de identidades, construídas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos históricos. (ORTIZ, 2006, p. 8). As mudanças ideológicas e políticas na constituição do Estado,principalmente com o Golpe Militar de 1964, reprimiram a divulgação de muitoseventos artísticos e culturais, por outro lado, os artistas desempenharam um papel
  18. 18. 18fundamental em transmitir culturalmente o sentimento ideológico, forjado pelaautoridade estatal. Depois desse acontecimento, o país buscou reparar ou recuperara repreensão cultural dos velhos tempos, enfatizando as novas, criando ministérios esecretarias de valorização ao meio cultural, usando para isso o sistema educacionalcomo espaço divulgador da cultura nacional. Para Ortiz (2006, p. 117): “[...] váriosdocumentos oficiais insistem na necessidade de se vincular o sistema de ensino aodesenvolvimento cultural; a escola é vista como um espaço importante de formaçãode hábitos e de experiências culturais, o que possibilita uma extensão de consumo”. Conforme a citação de Ortiz sobre a preocupação que o Estado tem emdivulgar a cultura nacional, observa-se que há supremacia de autoridade, quando seesquece que a cultural nacional é construída pelo povo, em sua diversidade social ecultural, o que constitui a história popular ou história cultural do país. Para Chartier(1990) a história cultural é a historicidade de como se cria esta realidade. “A históriacultural, tal como entendemos, tem por principal objeto identificar o modo como emdiferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída,pensada, dada a ler” (p. 16-17). A cultura de um povo é construída a partir da interiorização de conceitos evalores, juntando-se à memória histórica e a produção de eventos históricos eartísticos, esta, formalizando a história popular de uma determinada sociedade oucomunidade, abrange supostamente a vida social de um povo. Para Burke (2008, p.167), “A história cultural das nações é um exemplo do que poderia ser chamado de“história cultural das idéias”. A história intelectual e a história cultural desenvolveram-se em direções bastante diferentes, mas a fronteira entre elas é cada vez maisviolada”. Afirma o autor, que dentro de uma determinada sociedade, o que venha aser defendido pelo Estado, esteve primeiro idealizado e produzido pelos membrosda sociedade, independentemente de sua classe social, assim, a história cultural ouintelectual tem caminhos diferentes, no entanto, ambas são promovedoras dasmanifestações culturais na sociedade.
  19. 19. 191.2. Manifestações Culturais: um aprendizado sociocultural O Brasil é um país da diversidade quando se trata das manifestaçõesculturais, todavia, assegurado pela Constituição Federal de 1988, capítulo III quetrata da educação, da cultura e do desporto, seção II da cultura, conforme o Art. 215– “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso àsfontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão dasmanifestações culturais” – assim, assegurados pela Lei, todos os brasileiros têm odireito de praticar sua cultura, seja esta, de vínculo intelectual, religiosa ou social. Um dos veículos de propagação da cultura está centrado na escola, nelaa criança, o adolescente ou o estudante em geral pode praticar ou triunfar suacultura. A Lei 9394/96 LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional)assegura à instituição educacional o compromisso de promover o desenvolvimentosocioeducativo e cultural. Segundo esta Lei, em seu Art. 1º – “a educação abrangeos processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivênciahumana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociaise organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Há que se ressaltar também que os PCNs – Parâmetros CurricularesNacionais abordam, de certa forma, metodologias para o trabalho da escola no quetange à questão das manifestações culturais. Assim, conforme esses parâmetros: É fundamental que a escola assuma a valorização da cultura de seu próprio grupo e, ao mesmo tempo, busque ultrapassar seus limites, propiciando às crianças e aos jovens pertencentes aos diferentes grupos sociais o acesso ao saber, tanto no que diz respeito aos conhecimentos socialmente relevantes da cultura brasileira no âmbito nacional e regional como no que faz parte do patrimônio universal da humanidade, (BRASIL, 1998, p. 44). Diante do exposto, os documentos oficiais asseguram ao cidadãobrasileiro à prática de sua cultura e a educação cria possibilidades para talrealizações, cabem à escola e a comunidade promover meios de festejar e resgatara cultura local, a qual, representa a identidade e a memória de sua civilização.
  20. 20. 20 As manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de Covasocorrem, principalmente, com os festejos ligados à religião Católica, como a Festado padroeiro Santo Antônio, que se tornou o centro dos eventos anuais, o maisconhecido e apreciado pelos moradores e comunidades regionais. Com referência aisso, é válido destacar a colocação de Trigueiro (2005): O homem comemora há centenas de anos os seus ritos de passagem, relembra as suas datas festivas sagradas, profanas e de agradecimento. São essas evoluções e evocações que chegam até os dias atuais, que já estão incorporadas aos nossos calendários de tradição religiosa e festiva. Ao longo do tempo essas práticas sempre fizeram parte dos processos das transformações culturais e religiosas da sociedade humana e das suas relações simbólicas entre a realidade e a ficção, dando origem aos diversos protagonistas e suas performances nos festejos populares. (2005, p. 1). Como afirma o autor, a cultura popular vivencia épocas, muitas vezes,impregnadas pelas comemorações festivas, a partir das divindades religiosas, quesão transmitidas, assim, de geração para geração. O desenvolvimento cultural tradicional de uma determinada localidadenão ocorre por acaso. O processo de cultura popular é produzido a partir dacoletividade ou individualidade, outorgada de fatos pelas analogias intelectuais dosque ali estão inseridos (GOMIDE, 2011). Esse é um processo bastante elementarpara a luta em prol da manutenção das culturas populares locais e tradicionais, que,para a localidade e o conceito de cultura, significa um estabelecimento folclórico dacomunidade, na qual luta para que não se acabe. A posição popular, diante de sua tradição, é sempre lutar por suamanutenção ou resgate. Assim, na preservação e resgate é preciso manter asorigens da cultura nas diversas formas possíveis, através dos tempos e no espaço,mantendo sua origem e identidade pelos grupos humanos que a criaram (GOMIDE,2011). Nessa luta perpétua, pela preservação e valorização das festividadestradicionais, é preciso que haja política pública em consonância com a população,que se propõe a interagir na tradição cultural das manifestações festivas locais,
  21. 21. 21instituídas, muitas vezes, como folclóricas. No que se refere a tal registro, caberessaltar o que assegura Ferreira (2001): A área de atuação e de estudos de folclore e cultura popular no Brasil estruturou-se há algumas décadas, como resultado de ampla movimentação nacional e internacional. Um impulso decisivo foi a recomendação da Unesco, no pós-guerra, no sentido de que seus países membros criassem organismos voltados para o conhecimento das culturas populares. Foi instituída então, em 1947, a Comissão Nacional de Folclore, ligada ao Instituto Brasileiro de Educação Ciência e Cultura – Ibecc – do Ministério das Relações Exteriores. A partir dos trabalhos dessa Comissão Nacional e das comissões estaduais, bem como da mobilização decorrente dos congressos realizados em todo o país, foi criada, em 1958, a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, subordinada ao Ministério da Educação e Cultura. (FERREIRA, 2001, p. 1). Retornando ao comentado pela autora, há muito tempo, foram fundadosórgãos responsáveis na esfera política administrativa, que tratam da manutenção epreservação cultural do país, seja nas grandes ou pequenas localidades, taisórgãos, ligados diretamente à instituição escolar, colocando a escola como meioviável para divulgação dos patrimônios culturais locais, enfatizados principalmentedentro do estudo da História, na qual há pressupostos definidos para essa produçãoe transmissão cultural em seu campo de conhecimento. Como cita Fonseca (2009),a cultura é a memória do povo e constitui nossa história, deve ser passada para asnovas gerações, e a escola tem esse papel fundamental no que tange aoconhecimento cultural e sua transmissão. A autora ainda afirma: [...] o ensino e a aprendizagem de História estão voltados, inicialmente, para atividades em que os alunos possam compreender as semelhanças e as diferenças, as permanências e as transformações no modo de vida social, cultural e econômico de sua localidade, no presente e no passado, mediante a leitura de diferentes obras humanas. (PCNs, 1997, p. 49 apud FONSECA, 2009, p. 30). Conforme o postulado e os estudos realizados, nos regimentos que visamo trabalho da educação, com referência às manifestações culturais de um povo,
  22. 22. 22comunidade ou nação, observa-se um grande estímulo em lidar com tais aspectosculturais, sociais e humanos. No Brasil, em especial na região Nordeste, há diversas festas oufestanças populares, que dão origem ao que está se chamando de manifestaçõesculturais, muitas delas tradicionais, o que acaba se tornando folclóricas, dessaforma, muitas comunidades, por toda a Região, realizam festejos à base dosfolguedos, em que o público participativo deixa de ser apenas a comunidade local,mas abrange um público maior, o que caracteriza o turismo nas cidades oucomunidades produtoras dos eventos. Ortiz (2006) afirma que folclore é uma denominação dada àsmanifestações culturais, que ocorrem nas localidades numa perspectiva tradicional,o que difere da cultura popular, que é entendida pela transformação e inovação quesofre. Esse é um aspecto um tanto observável no povoado Bela Vista de Covas,onde, com o surgimento de alguns eventos festivos, profanos, à base de someletrônico, as festas tradicionais do povoado, que representam a cultura local,perdem público ou até mesmo deixaram de existir. “O folclore precisa ser preservadoda contaminação profana do mundo moderno” (ORTIZ, 2006, p. 105). As manifestações culturais existentes no povoado de Bela Vista de Covastambém sobrevivem, na base, de certa forma do turismo regional ou de época assimchamado, por receber visitantes, além das comunidades adjacentes, de algumascidades de nossa região e do Brasil, nos meses de junho e dezembro, muitosdesses, descendentes da comunidade. Assim, tais festejos trazem consigo ospressupostos folclóricos, por suas realizações tradicionais, fato esse muitoobservado, sobretudo nas pequenas cidades. As festas tradicionais existentes nas cidades ou em pequenascomunidades, que trazem intrínseco o caráter folclórico por suas peculiaresrealizações e significações para os habitantes locais, no mundo atual, movido detanta tecnologia, tendem a estimular inovações em suas comemorações, como dizCastro (2009, p. 2): “as festas populares se constituem em uma importantemanifestação cultural que pode ter sua origem em um evento sagrado, social,
  23. 23. 23econômico ou mesmo político do passado e que constantemente passam porprocessos de recriações e atualizações”. Como disse o autor, seja qual for a origemcultural das manifestações sociais, na sociedade atual, imbuída de tanta tecnologia,essas festas tendem a passar por intervenções na sua forma de realização, noentanto, o que deve ser levado em conta é a valorização dos festejos culturais e suaimportância para a comunidade local. A manifestação cultural, como sendo as expressões populares em suasrealizações, trazem assim a identificação e a memória de uma comunidade ou até asociedade tem sua revelação, na maioria das vezes, nos festejos locais eprincipalmente aqueles tradicionais, os quais se caracterizam por folguedosessencialmente folclóricos. Os festejos culturais, em muitas localidades, têm por objetivo festejar umacultura tradicional, entretanto deve também considerar que a cultura ali existente fazparte da identidade e memória de um povo. No tocante a essa afirmação, Batista(2005) assevera: A identidade cultural e a memória reforçam-se mutuamente. Conhecemos as nossas raízes, distinguimos o que nos une e o que nos divide. Estamos aptos a entender que a cultura e a memória são faces de uma mesma moeda e que a atitude cultural por excelência e com o que nos rodeia, desde os testemunhos construídos ou das expressões da natureza aos testemunhos vivos aos quais são imprescindíveis para a construção desta identidade. (BATISTA, 2005, p. 3). Como base no ponto de vista citado, pode-se sustentar que a identidade ea memória de uma população são os meios pelos quais sobrevive historicamenteuma determinada comunidade em seus aspectos culturais. As localidades, quetrazem como identidade as comemorações tradicionais, sejam essas de caráterreligioso ou não, dando ênfase à memória histórica de sua gente, propiciam oturismo regional, que vai garantir a preservação da cultura local. “A memória éessencial para uma cultura que deseja preservar suas características e como ela éintimamente ligada a identidade, fornece subsídios para que a identidade seconstrua e se fortaleça a partir de elos comuns”(BATISTA, 2005, p. 5).
  24. 24. 24 Dessa forma, tudo o que já foi expresso, anteriormente, traz algumascaracterísticas que ocorrem em muitas localidades onde se festejam não só ahistória tradicional de sua comunidade, como também a de seus habitantesprincipalmente, em especial aqueles que primeiro construíram e participaram de taismanifestações culturais, seja de caráter religioso ou histórico, cultural e social, comofoi já salientado.1.3. Festas Religiosas: um acontecimento de fé e congraçamento O Brasil é um país tipicamente católico, onde se verifica que a maioria desuas festas tradicionais é de cunho religioso, o que constitui a cultura popular dasociedade, principalmente quando se trata das pequenas cidades e seus povoados.Toda essa estrutura religiosa do país se deu sobretudo durante a colonizaçãoportuguesa, contando, antes de tudo, com o trabalho dos padres jesuítas. Assim, aspequenas ou grandes comunidades, centralizadas pela religião católica, tem umpadroeiro que representa não somente a religião, mas, há em torno desse, umperíodo de comemoração e festa, constituindo a cultura local e tradicional, que serealiza anualmente. As festas tradicionais do povoado de Bela Vista de Covas se manifestamtambém, a maioria delas, a partir das atividades religiosas da Igreja Católica, comojá foi mencionado. Tais festejos se caracterizam pela demonstração da fé que osmoradores da comunidade e adjacências demonstram em participar dascomemorações ali promovidas pela igreja, os quais buscam, no período de festa,momentos de reverência aos Santos como também de diversão e descanso. Para D’Abadia & Almeida (2010), o Brasil tem em suas festas tradicionaisum cunho religioso herdado do período colonial, inserido no território peloscolonizadores portugueses.
  25. 25. 25 De maneira geral, as festas religiosas são concebidas como forma de celebrações, ritos religiosos, renovação dos compromissos com a divindade homenageada. Para alguns, elas são um momento de contrição, seriedade, respeito; para outros, um momento de alegria, prazer, risos, desvirtuadas da idéia de ruptura. No que diz respeito à festa religiosa, ela reforça e mantém a tradição, embora em alguns casos seja levada a uma (re)significação. (D’ABADIA & ALMEIDA, 2010, p. 75). Como afirmaram as autoras, nas festas de cunho religioso, as pessoas alise encontram na situação de festejar com reverências, outras, no entanto, buscamalém de praticar a religião o sentido comemorativo de diversão e prazer, tornando-seefervescente ao acontecimento tradicional proposto enquanto festa. Ainda a esserespeito Durkheim (1996) afirma que: Toda festa, mesmo quando puramente laica em suas origens, tem certas características de cerimônias religiosas, pois, em todos os casos ela tem por efeito aproximar os indivíduos, colocar em movimento as massas e suscitar assim um estado de efervescência, às vezes mesmo de delírio, que não é desprovido de parentesco com o estado religioso. [...] pode-se observar, também, tanto num caso como no outro, as mesmas manifestações: gritos, cantos, música, movimentos violentos, danças, procura de excitantes que elevem o nível vital, etc. enfatiza-se freqüentemente que as festas populares conduzem ao excesso, fazem perder de vista o limite que separa o lícito do ilícito. [...] Mas é preciso observar que talvez não exista divertimento onde a vida séria não tenha qualquer eco. No fundo a diferença está mais na proporção desigual segundo a qual esses dois elementos estão combinados. (DURKHEIM, 1996, p. 417/8, apud D’ABADIA & ALMEIDA, 2010, p. 62). Diante do que foi afirmado, observa-se que o autor aponta que as festasde caráter religioso ou não, criam espaço para o indivíduo se auto-promover aousufruir da diversidade proveniente dos estabelecimentos das festas, criando para sio estado de transgressão, direcionando-se ao ilícito em detrimento do lícito. As festas religiosas do povoado Bela Vista de Covas propiciam não só asatividades da crença, como também há, em seu entorno, uma difusão de lazer ehumanização, também estimulam o desenvolvimento econômico do povoado. Dessaforma, as festas caracterizam-se por cultura popular da comunidade, em que:
  26. 26. 26 Exprimem-se, ao mesmo tempo e de uma só vez, toda espécie de instituições: religiosas, jurídicas e morais - estas políticas e famílias ao mesmo tempo; econômicas - supondo formas particulares de produção e de consumo, ou antes, de prestação e de distribuição, sem contar os fenômenos estéticos nos quais desembocam tais fatos e os fenômenos morfológicos que manifestam essas instituições. (MAUSS, 1974, p. 41, apud FERRETTI, 2009, p. 7). O autor trata das festas como uma formalidade proposta a partir dediversas instituições sociais, nas quais se estruturam nas produções coletivas emtorno delas, no entanto, para Bakhtin (1987 apud FERRETI, 2009): As festividades (qualquer que seja o seu tipo) são uma forma primordial, marcante, da civilização humana. Não é preciso considerá-las nem explicá-las como um produto das condições e finalidades práticas do trabalho coletivo nem, interpretação mais vulgar ainda, da necessidade biológica (fisiológica) de descanso periódico. As festividades tiveram sempre um conteúdo essencial, um sentido profundo, exprimem sempre uma concepção do mundo... (BAKHTIN, 1987, p.7-8, apud FERRETTI, 2009, p.7). Com isso, para Ferreira (2001), manifestação cultural, como sendo oconjunto característico das produções artísticas e intelectuais inativas ou criadascoletivamente dentro da sociedade, assim demonstradas e transmitidas entre osindivíduos acena para a perspectiva de preservá-las. No povoado de Bela Vista deCovas é percebido a preocupação das pessoas, aquelas devotas da religiãocatólica, pela manutenção das festas tradicionais ligadas à religião, principalmente afesta de Santo Antônio, padroeiro da comunidade, as quais dão importância ereconhecimento da tradição ali existente. Para D’Abadia & Almeida (2010, p. 61)interpretando Brandão (1989), “a festa está intimamente relacionada às únicas, rarase repetidas situações da vida”. Contudo, as autoras afirmam que: As comemorações são enfatizadas pelas sociedades em menor ou maior grau dependendo das situações. Nas cidades médias e grandes as comemorações ou festas cívicas, históricas e profanas são mais relevantes, enquanto, no interior, ou seja, nos povoados e pequenas cidades, as festas locais e religiosas são as mais importantes. (2010, p. 61).
  27. 27. 27 Conforme o grifo anterior, são nas comunidades urbanas menores que asfestas religiosas tradicionais, as quais caracterizam e identificam a memória e acultura local, têm uma maior atuação das pessoas como fiéis ou participantes, noentanto, tais festejos, a princípio de caráter religioso, acabam lado a lado com ocaráter profano, o que é impulsionado pela dimensão festiva e coletiva queassumem, atraindo um público grande proveniente do turismo regional. Diante doexposto, Ribeiro (2004) pontua: O interesse de exploração turística de determinada manifestação cultural se deve a fatores como o potencial, a originalidade do evento e de uma divulgação consistente da mesma através da imagem que se queira projetar. No caso das festas religiosas a sua concepção está centrada nos devotos e nos grupos de atores sociais que permeiam o universo sacro e ao mesmo tempo profano de tais manifestações. (RIBEIRO, 2004, p. 48). Como é citado pelo autor, o turismo propício das festas religiosas écaracterístico dos eventos de todo ensejo ali existente, não somente das atividadessacras desenvolvidas pela igreja. Esse fato também se observa no povoado BelaVista de Covas, onde o público maior se acentua nas atividades derivadas dafestividade profana, ou seja, a parte efervescente da rua, que é caracterizadoatravés de bailes, bandas, bebidas, entre outros. Ribeiro (2010, p. 48) interpretando Paiva Moura (2001) afirma que: “asmanifestações populares, sejam de cunho religioso ou não, possuem um caráterideológico uma vez que comemorar é, antes de tudo, conservar algo que ficou namemória coletiva”. Para o autor, esse é um pressuposto característico e decoexistência das festas, por muitos anos, o público participativo era sempre assíduoao evento, que pelo seu desenvolvimento tradicional, mantinha a tradição intangívele caracteristicamente religiosa. Atualmente, entretanto, muitas das festas popularesde cunho religioso estão sofrendo modificações, ou melhor, inovações, sofrendoassédio ou mudanças, principalmente com a inserção das tecnologias, o que resultaem comemorações profanas, as quais invadem o espaço religioso das festaspopulares na comunidade. Com referência ao fato em alusão, para Tinhorão (2001):
  28. 28. 28 Apesar da solenidade da celebração da missa de festa e da eucaristia e da pregação do eloqüente sermão, a festa gastronômica, com a ingestão de manjares próprios e abundante vinho, por entre toques de músicas, cantares, dichotes, e brincadeiras, é de longe muito mais participada, até porque se prolonga na antecipação do arraial do fim do dia e da noite. (TINHORÃO, 2001, p. 19). Do que foi abordado anteriormente, pode-se observar que a populaçãoparticipa das festas religiosas, porém a grande massa da população festeja não aatividade sacra, e sim a festança da rua, com músicas, bailes, bebidas, etc., mas,nem por isso, deixa de representar a cultura tradicional de uma comunidade. ParaSaraiva (2010, p. 151): “O momento da festa religiosa é efetivamente um espaçoreligioso que não separa o mundo em sagrado e profano, nela tudo é potencialmentesagrado, ainda que não seja equitativamente”. Esse é também um fato característicodo povoado Bela Vista de Covas em suas Festas tradicionais religiosas, na verdade,hoje, tais festas resumem-se, praticamente, ao festejo do padroeiro Santo Antônio,comemorado no dia 13 de junho. As festas tradicionais, religiosas ou não, representam a identidade e amemória de um povo, como já citamos anteriormente, essas proporcionammomentos de diversão, crença ou humanização, também criam elementosimportantíssimos para comunidade, quando se trata de comemoração, e marcam navida social da comunidade. Outra vez, Tinhorão (2001) argumenta: Um dos aspectos da vida que mais tem interessado aos estudiosos da cultura popular nos últimos anos, é o problema da participação dos moradores das cidades nos eventos, que coberta pela palavra “festa”, os dicionários definem como “o conjunto das cerimônias com que se celebra qualquer acontecimento, solenidade, comemoração”. (TINHORÃO, 2001, p. 17). Tomando como referência essa citação, por se tratar de participação,comemoração e festa, deve ser lembrado que os festejos culturais e religiosos dopovoado Bela Vista de Covas tem boa participação do público local(moradores dacomunidade e adjacência), porém, é percebido um processo de mudança ou deaculturação, por assim dizer, vivenciado em tais festejos, as atividades religiosasacontecem bem, no entanto, o que chamam a atenção do público mesmo são outros
  29. 29. 29elementos que caracterizam ou contemplam os dias de festa do padroeiro local,como show de bandas, blocos, bebidas, etc., como já foi observado anteriormente. Para Ferretti (2009, p. 8): “as festas da cultura popular geralmente sãoorganizadas como forma de reciprocidade, de retribuição ou de agradecimento poruma graça alcançada e que necessita ser retribuída”. Como afirma o autor, essascaracterísticas conduzem o ser humano ao elemento fundamental de uma festareligiosa, que tradicionalmente representa a identidade moral e cultural de umadeterminada comunidade. Assim, festejar é manifestar culturalmente aquilo quecaracteriza a vivência humana dentro da sociedade na qual o indivíduo está inserido.
  30. 30. 30 CAPÍTULO II PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS2.1. A pesquisa A pesquisa utilizada para construção de estudo foi a abordagem decaráter etnográfico, escolhida por se tratar da cultura de uma comunidade, herdadasocialmente através da religião e que mantém a memória da comunidade local.Como salienta Cascudo (2004, p. 18): “a etnografia é realmente o estudo da origem,desenvolvimento e permanência social das culturas”. Desse modo, este trabalhovisa estudar como é que acontecem as atividades culturais em torno da festa dopadroeiro Santo Antônio, no povoado de bela Vista de Covas.2.2. Os instrumentos2.2.1. Entrevista semiestruturada Os instrumentos de pesquisas são os meios que propiciam elementospara a realização de estudos sobre um tema escolhido; tal proposta desenvolverápartindo da entrevista semiestruturada. Como diz Triviños (1987), a entrevista semiestruturada é [...] aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados emteorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, [...] (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).2.2.1.1. A organização da entrevista:Bloco I – identificação dos entrevistadosPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos Santos
  31. 31. 31ORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de Covas1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de ...................... horário: ….................horasLocal: ….........................................................................................................................Nome: …........................................................................................................................Cor..................................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: ….......................................................Posição no grupo familiar:..............................................................................................Filiação: …......................................... e ….....................................................................Local de nascimento:......................................................................................................Estado Civil:....................................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) …......................................Religião: ….....................................................................................................................Escolaridade:..................................................................................................................Ocupação: …..................................................................................................................Tempo de docência na Educação................................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( )mais de dois salários mínimos ( )
  32. 32. 32 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para o (a) organizador (a) da festa no passado/presente, responsávelpela administração da Igreja Católica local.Introdução: Sabemos que o povoado Bela Vista de Covas festeja o padroeiro SantoAntônio a mais de meio século.1 – Para o (a) senhor (a), como é participar, estando à frente da organização dosfestejos na Igreja?2 – Como se dar a mobilização da comunidade para realização das festas?3 – Como é elaborado o planejamento das despesas para realizar a festa?4 – Como se divide o período de programação?5 – A população local ou os fiéis contribuem de alguma forma com a programaçãoda festa?6 – De que maneira o poder público contribui para realização da festa?7 – Como é a participação dos moradores da comunidade e adjacências nos festejosda Igreja?
  33. 33. 33 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para os adultos que participam da festaIntrodução: O povoado Bela Vista de Covas tem em suas festas tradicionais comoprincipal, o festejo do padroeiro Santo Antônio.1 – Como o (a) senhor (a) analisa a realização das festas religiosas?2 – Como é a participação do (a) senhor (a) nos festejos pela Igreja?3 – Qual é a importância dos festejos tradicionais do padroeiro Santo Antônio para o(a) senhor (a) e para o povoado?4 – O que o senhor (a) acha das festas com bandas organizadas pelo poderpúblico?5 – Qual a importância destas festas para a comunidade?6 – O senhor (a) participa das festas dançantes?7 – Como é que o (a) senhor (a) analisa a atuação das pessoas da comunidade nasfestas?8 – O que atrai o turismo para localidade: a festa religiosa ou a festa dançante?
  34. 34. 34 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para os professores que participam da festaIntrodução: O povoado Bela Vista de Covas tem em suas festas tradicionais comoprincipal, o festejo do padroeiro Santo Antônio.1 – Como o (a) senhor (a) analisa a realização das festas religiosas?2 – Como é a participação do (a) senhor (a) nos festejos pela Igreja?3 – Qual é a importância dos festejos tradicionais do padroeiro Santo Antônio para o(a) senhor (a) e para o povoado?4 – O que o senhor (a) acha das festas com bandas organizadas pelo poderpúblico?5 – Qual a importância destas festas para a comunidade?6 – O senhor (a) participa das festas dançantes?7 – Como é que o (a) senhor (a) analisa a atuação das pessoas da comunidade nasfestas?8 – O que atrai o turismo para localidade: a festa religiosa ou a festa dançante?9 – Como é a participação da escola nas festas da comunidade?
  35. 35. 35 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para os (as) adolescentes participantesIntrodução: O povoado Bela Vista de Covas tem, em suas festas tradicionais, comoprincipal o festejo do padroeiro Santo Antônio.1 – Como você analisa a realização das festas religiosas?2 – Como é a participação sua nos festejos pela Igreja?3 – Qual é a importância dos festejos tradicionais do padroeiro Santo Antônio para ovocê e para o povoado?4 – O que o você acha das festas com bandas organizadas pelo poder público?5 – Qual a importância destas festas para a comunidade?6 – Você participa das festas dançantes?7 – Como é que você analisa a atuação das pessoas da comunidade nas festas?8 – O que atrai o turismo para localidade: a festa religiosa ou a festa dançante?9 – Como é a participação da escola nas festas da comunidade?
  36. 36. 36 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para os (as) idosos (as) participantes da festaIntrodução: O povoado Bela Vista de Covas tem, em suas festas tradicionais, comoprincipal o festejo do padroeiro Santo Antônio.1 – Como o (a) senhor (a) analisa a realização das festas religiosas?2 – Como é a participação do (a) senhor (a) nos festejos pela Igreja?3 – Qual é a importância dos festejos tradicionais do padroeiro Santo Antônio para o(a) senhor (a) e para o povoado?4 – O que o senhor (a) acha das festas com bandas organizadas pelo poderpúblico?5 – Qual a importância destas festas para a comunidade?6 – O senhor (a) participa das festas dançantes?7 – Como é que o (a) senhor (a) analisa a atuação das pessoas da comunidade nasfestas?8 – O que atrai o turismo para localidade: a festa religiosa ou a festa dançante?
  37. 37. 37 Bloco II – Roteiro da entrevistaPor: Ivonice Josefa dos Santos e Renildo Lopes dos SantosORIENTADORA: Maria Glória da PazAssunto: Manifestações culturais tradicionais do povoado Bela Vista de CovasQuestões para as crianças participantes da festaIntrodução: O povoado Bela Vista de Covas tem, em suas festas tradicionais, comoprincipal o festejo do padroeiro Santo Antônio.1 – Como você analisa a realização das festas religiosas?2 – Como é sua participação nos festejos pela Igreja?3 – Qual é a importância dos festejos tradicionais do padroeiro Santo Antônio para ovocê e para o povoado?4 – O que você acha das festas com bandas organizadas pelo poder público?5 – Qual a importância destas festas para a comunidade?6 – Você participa das festas dançantes?7 – Como é que você analisa a atuação das pessoas da comunidade nas festas?8 – O que atrai o turismo para localidade: a festa religiosa ou a festa dançante?9 – Como é que a escola participa da festa?
  38. 38. 382.3. Carta cessão CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA UNEB1 – Pelo presente documento..................................................................... brasileira,estado civil) ...................... (profissão) ................ carteira de identidade nº..................,emitida por.................................... CPF nº ....................., residente e domiciliadaem ................................................., Município .................... cede e transfere nesseato, gratuitamente, em caráter universal e definitivo ao Campus VII da UniversidadeEstadual da Bahia (UNEB) a totalidade dos seus direitos patrimoniais de autor sobreo depoimento prestado no dia ............. de ....................... de ................., perante opesquisador ................................................................................................................2 – Na forma preconizada pela legislação nacional e pelas convençõesinternacionais de que o Brasil é signatário, o DEPOENTE, proprietário originário dodepoimento de que trata este termo, terá, indefinidamente, o direito ao exercíciopleno dos seus direitos morais sobre o referido depoimento, de sorte que sempreterá seu nome citado por ocasião de qualquer utilização.3 – Fica pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) plenamenteautorizado a utilizar o referido depoimento, no todo ou em parte, editado ou integral,inclusive cedendo seus direitos a terceiros, Brasil e/ou no exterior.Sendo esta forma legitima e eficaz que representa legalmente os nossos interesses,assinam o presente documento em 02 (duas) vias de igual teor e para um só efeito. ...............[ assinatura do (a) entrevistado (a) ]............ TESTEMUNHAS:__________________________________________________________________________
  39. 39. 392.4. As fontes de pesquisa2.4.1. Fontes orais Para a realização do nosso trabalho, foram colhidas informações juntoaos moradores e moradoras do povoado, crianças, adolescentes, professores,idosos e aqueles que estiveram e estão à frente da Igreja Católica e promovem osfestejos do padroeiro Santo Antônio.2.4.2. Fontes escritas Para este estudo, obras de alguns autores foram pesquisadas, entreoutros, podem ser destacados:– Peter Burke (2008) que faz um estudo sobre a compreensão do processo culturalhistoricamente vivido e produzido pelos povos de diversas sociedades.– Luiz da Câmara Cascudo (2004), em seu livro Civilização e cultura: pesquisa enotas de etnografia geral: – aborda aspectos brasileiros da cultura popular.– Convites, ofícios e copias de contratos... Foram utilizadas fontes, como: convites e cartazes, que através deimagens e cores convidam as pessoas a participarem do evento. Também foramenviados ofícios aos poderes públicos, judiciais e de segurança publica; esseprocedimento é comum, quando se realiza algum tipo de festa, com ou sem vínculoda igreja, pedindo autorização para tal feito. Do mesmo modo, os contratos,documentos que estabelecem um acordo entre duas ou mais pessoas para locaçãode imóveis no período da festa, como garantia de atuação dos comerciantes, quevêm ao povoado, para usufruir dos movimentos comerciais em torno da festa,regulamentando o pagamento de taxa à prefeitura municipal, para colocar seu trailerou barracas durante o período das festas.
  40. 40. 402.4.3. Fontes iconográficas: fotografias As fontes iconográficas são os registros da festa através de fotografiasque destacam geralmente os momentos mais importantes, como as novenas, aSanta Missa, a procissão e os leilões, também as festas dançantes, quecaracterizam e contemplam a cultura da festa e do povoado.2.4.4. O local da pesquisa Nosso lócus da pesquisa é um povoado denominado Bela Vista deCovas, localizado a 30 km da sede do município de Itiúba-Ba. Temaproximadamente uma população de 1000 (um mil) moradores. Boa parte dapopulação vive das atividades de olarias (da produção de tijolos “alvenaria”, blocos etelhas), localizadas na várzea, próximo ao rio Itapicuru Açu; outros têm suas fontesde renda nas atividades agropecuárias, comércio e serviço público. O povoado teve seu desenvolvimento urbano no início do século XX,conforme o conhecimento transmitido pela população local. A princípio, seu nomeera apenas Covas, nome que tem origem, devido aos buracos feitos para asplantações de cana-de-açúcar, na várzea da antiga fazenda de D. Florinda Maria doAmor Divino, a primeira moradora da localidade, local que propicia o acesso ao rio,onde se encontra o limite entre o território itiubense e o município de Queimadas. Na década de 1980, o desenvolvimento urbano da localidade, levou ospolíticos da época a elaborarem um projeto de lei que mudava o nome do povoadode Covas para Bela Vista de Santo Antônio, o que fora aprovado pela então CâmaraMunicipal. A alteração do nome se justifica pelo desejo de relacionar o nome aopadroeiro da comunidade, e a festa mais tradicional da região adjacente, no entanto,o nome que se firmou, popularmente, a partir dessa época foi Bela Vista de Covas,assim, observado nas diversas correspondências que circulam no país e na região,no entanto a popular “Covas”, ainda hoje é nome da linguagem do povo, é também onome identificado no mapa da Bahia, por ser um dos maiores povoados domunicípio de Itiúba, e de fato o nome Bela Vista de Covas tem mais haver com ahistória de sua fundação.
  41. 41. 41 CAPITULO III3.1. A FESTA DE SANTO ANTONIO NA VISÃO DOS ORGANIZADORES3.1.1. A organização da festa na Igreja Os depoimentos dos organizadores da festa estão naturalmente divididosem dois discursos, um mais preocupado com a gestão da festa e o outro maisvoltado para a contemplação. Na primeira vertente encontram-se os que observamalguns problemas no momento da divisão das tarefas para a arrumação da festa; acausa encontrada para justificar os entraves, é a diversidade de opiniões por parteda administração, como fala um entrevistado “[...] Foi preocupante, acarretado... temsido difícil para dividir os trabalhos no interior da igreja, devido as opiniões diferentesna administração.”, outros dizem que a causa é a participação certamente de muitaspessoas neste momento inicial “Muito bom, porém complicado, devido a participaçãodas pessoas em ajudar a organizar os festejos.” A vertente contemplativa se detém nas práticas litúrgicas, na organizaçãodo será lido, do que servirá como ponto de reflexão para os fiéis durante os festejosreligiosos. “Ficar à frente da organização é fazer as leituras bíblicas e reflexões daspalavras sagradas”. Certamente esta vertente cuida das orações, cânticos e leiturasque servirão de conteúdos para as trezenas – treze dias de louvor e orações aosanto padroeiro festejado.3.1.2. A mobilização da comunidade para realização das festas A mobilização da comunidade para realizar os festejos do padroeiro SantoAntônio ao longo do tempo aconteceu de maneiras diferentes. No passado, o povoda comunidade se reunia em uma espécie de assembléia para opinar sobre a festa,
  42. 42. 42como demonstra o discurso de um (a) entrevistado (a). “Era feito uma assembléia nacomunidade e o povo dava opiniões para a organização das festas, não havia umaadministração própria da igreja para tomar decisões”. Na atualidade, os dirigentes da igreja são os responsáveis pelamobilização em pró da festa, como foi dito por um colaborador, “o grupo religioso àfrente da igreja se senta para planejar dando opiniões, ouvindo as pessoas sobre oseventos” e a partir deste levantamento de idéias o planejamento toma corpo, aorganização do evento vai se delineando com a divisão de grupos como lembra umentrevistado: “se divide por grupos e cada grupo fica responsável pela administraçãode parte dos eventos festivos”. Diante do exposto, observa-se que houve uma mudança no aspectoadministrativo da igreja, principalmente no que diz respeito à organização dosfestejos do padroeiro Santo Antônio, no passado uma assembléia constituída pelacomunidade era o elemento propulsor, provavelmente esse coletivo se sentia maispróximo e responsável para que tudo corresse como o que fora planejado; quandose trata da organização atual, os discursos deixam transparecer que a comunidadeestá afastada da construção do evento, está perdendo a oportunidade de participar eopinar, o que causa certa indiferença sobre a realização das festas religiosas.3.1.3. O planejamento, as despesas e o financiamento da festa Para realizar os festejos de Santo Antônio, há despesas de grande portecom a infra estrutura do evento, como, por exemplo, pintura da igreja,ornamentações, fogos entre outros, para tais despesas observa-se entre osdepoimentos que há uma estreita relação com o povo da comunidade no que tangea contribuição financeira para que aconteça a festa, isto fica registrado nosdepoimentos que se seguem: a) “O povo da comunidade faziam doações, o poderpúblico também contribuía e arrecadavam também através de bingos, feira-chique eno comércio”; b) “Através de leilões ou até bingos e também as ofertas das novenas
  43. 43. 43e cultos”; c) “O grupo organizador pede contribuição aos comerciantes e realizabingos e sorteios para os gastos com os festejos”. Entre os três depoimentos destaca-se o discurso da letra “a”, quando serefere ao passado, nele o colaborador observa que o poder público era quemcontribuía para realização da festa, enquanto que na atualidade, os depoimentos “b”e “c”, revelam que não há contribuição por parte de órgãos públicos, tornando-semais freqüente as doações através de populares, das ofertas e dos bingos. O festejo de Santo Antônio no povoado de Bela Veja de Covas Itiúba-Ba,no mês de junho, ocorre de 01 a 13, dia do padroeiro, em tal comemoração, hádiversos gastos e uma diversidade de acontecimentos. Para realizar essa festa,busca-se assim, por contribuições ao comércio local, ao povo da comunidadecatólica e devotos do santo. Como afirma os depoimentos: a) “Sim, com doações defogos e bens para os leilões além de prêmios para bingos”. Trata aqui dacontribuição dos fiéis para os eventos que acontecem dentro da festa. Outros doisdepoimentos confirmam a versão do primeiro; b) “Algumas pessoas, principalmenteos fiéis devotos do padroeiro Santo Antônio” e c) “Contribuem com doações”. É nesse aspecto que a festa religiosa acontece com o apoio dacomunidade em participação e contribuição, como já salientamos anteriormente,realizar a festa no povoado sempre foi dispendioso, como se pôde observar nosdepoimentos anteriormente lidos, daí a participação econômica do poder público. Quanto ao apoio dado pelo poder público para a festa religiosa, observa-se uma modificação de atitude; na administração passada, segundo afirmação deum (a) entrevistado (a) a prefeitura “Contribuía com a banda Filarmônica ouBolachinha para tocar na procissão, pintura da igreja, além de bandas para festadançante na rua”. Nesse depoimento, percebe-se que há uma preocupação com acontribuição do poder público, no sentido de preservação da cultural tradicional. Naatualidade, conforme um segundo depoimento o depoente aponta a participação dopoder publico somente na parte profana do evento, “O poder público não contribuipara a festa religiosa, apenas para a festa dançante de rua com bandas”, estaposição se fortalece ainda mais pelo terceiro depoimento quando afirma: “Em minha
  44. 44. 44administração, o poder público não contribuiu, porém, certamente foi falta de pedido,observo que em anos anteriores já havia contribuído”. A partir dos depoimentos descritos nas vertentes, afirma-se que apreocupação do poder público é em realizar a festa dançante, uma vez que, a igrejajuntamente com a comunidade cuida dos festejos religiosos, mantendo em conjuntoa tradição cultural do povoado.3.1.4. A programação da festa A programação da festa do padroeiro Santo Antônio é dividida entre doistempos, um período preparatório que antecede o dia da festa chamado de trezenas,que compreende treze dias de orações e uma segunda parte que compreende oevento principal o dia do padroeiro, bastante relevante para os entrevistados, comorevelam os depoimentos: “Se dividia em trezenas (treze novenas) o dia do padroeirocom alvorada, missa com batizados e casamentos, procissão, reza do terço deSanto Antônio à noite e concluía com os leilões”. Um segundo depoimento revela aparticipação dos fiéis e as atividades oferecidas pelo evento, “O grupo a frente daigreja se divide para participar das novenas, da procissão, dos leilões. A festa sedivide em trezenas, Santa Missa, procissão e reza com leilões”, e o terceiroentrevistado divide a o evento em algumas partes (a): “A gente divide pelo terço, quesão as trezenas, e, no dia do padroeiro ocorre a Santa Missa, procissão, rezanoturna e leilões”. Há de fato, o primeiro depoimento, é mais elucidativo do que representouesta festa no passado, trata-se de uma festa religiosa completa, mais participativa,levada em conta atribuições dentro e no ocorrer dos festejos, como os batizados eos casamentos, por exemplo, trazendo assim, o sinal da fé religiosa e devoção aosanto padroeiro. Já o segundo e terceiro depoimentos, relatam apenas apreocupação com as tarefas a serem divididas entre os organizadores pelas fasesda festa.
  45. 45. 45 De qualquer modo observamos que a festa ainda envolve boa parte dacomunidade, apenas tomou outros rumos, seguindo os acontecimentos damodernização.3.1.5. Os festejos e a participação dos moradores da comunidade e adjacências O ofício dos moradores do povoado e região em promover os festejostradicionais do padroeiro Santo Antônio, é bastante convincente entre osdepoimentos prestados, porém, um destes observa algumas alterações, sobre aparticipação mais consistente dos moradores e adjacência. Segundo um (a)entrevistado (a), “No passado, todos os povos, tanto da localidade como dascomunidades vizinhas participavam de todos os festejos de Santo Antônio, hoje,observo que o povo se preocupa mais em participar das festas dançantes da ruaque da igreja”. Conforme o depoimento acima há uma mudança de foco do que sejatradicional para o povo de hoje que não apenas o festejo religioso, o que não éconfirmado no depoimento do segundo entrevistado (a) “O povo local e adjacentetem boa participação nos eventos religiosos, desde as trezenas, até o dia dopadroeiro com as fases da festa de Santo Antônio”. Para ele, uma demonstração defé e religiosidade fortalecida. Outro entrevistado destaca a participação efetiva da comunidade emtodos os momentos da festa, ele diz que os moradores: “São bem participativos, acomunidade local participa de todos os eventos, desde as trezenas até o dia dopadroeiro Santo Antônio [...]” e ressalta a participação dos moradores do entornocomo algo mais específico ao dia principal “[...] já as comunidades vizinhas sempreparticipam, principalmente no dia de Santo Antônio”. Com isso percebemos que ofestejo do padroeiro Santo Antônio ainda se mantém resistente no povoado, o quedemonstra a força da participação da Igreja no processo formativo da comunidade,
  46. 46. 46pois, embora tenha avançado muito no que diz respeito á parte profana, o eventoreligioso ainda se encontra pleno.3.2. A FESTA DE SANTO ANTONIO NA VISÃO DOS PARTICIPANTES3.2.1. A realização das festas religiosas Os participantes da festa também observam que há um envolvimentomuito grande por parte dos visitantes, não importando a idade ou sexo, eles seintegram ao evento “vejo o povo rezando, gritando leilão, o povo se anima nosencontros das festas”, tal colocação aponta a fé das pessoas com relação aomomento religioso. Para outro entrevistado a festa já foi melhor: “já foram melhores,o povo anos anteriores se prontificavam para esperar os festejos”. Há dois temposnas versões, um passado cheio de atividades como leilões, encontros e orações eum tempo presente, que apresenta uma redução nas atividades religiosas e umaexpansão do lado profano da festa. Os professores em suas versões sobre a festa relatam pontos que osdeixam incomodados em alguns momentos: “[...] as realizações das festasreligiosas, seus horários, não são convenientes para a participação de todos dacomunidade”, o professor “A” ressalta a questão do horário dos festejos; para ele afesta está acontecendo em horários inoportunos para as pessoas, já o professor B,trata da participação das pessoas num passado recente “eu vejo que a cada dia quepassa a festa vem caindo sua popularidade, o gosto da população de participar, emmeus tempos de criança, as pessoas eram mais participativas em respeito àreligião”. Os adolescentes fazem uma observação interessante quanto à realizaçãodas festas religiosas e as suas participações. Para o adolescente A, as festas são“Boas, são bem organizadas e é tradição na comunidade”; outro ressalta o incentivoa preservação religiosa e cultural da festa: “Muito bom, pelo incentivo à religião e à
  47. 47. 47tradição no povoado”. Um adolescente entrevistado destaca o empenho dacomunidade para realização da festa “Vejo que o povo da comunidade se empenhapara fazer e acontecer essa festa”; na verdade esta é uma das características dascomunidades rurais, haja vista que as festas que celebram os padroeiros são asúnicas manifestações festivas destas localidades, o que provavelmente sejamoriginárias dos festejos de colheita. Outras opiniões entre os jovens também se manifestam, “Acho meiafraca, as pessoas que mais freqüentam são as pessoas da comunidade...”. Nestecaso percebe-se que o jovem vê a participação de pessoas de fora, ainda muitotímida ou inexistente e isto justificaria a inexpressividade da festa; uma visãocondizente com a faixa etária, e com as suas vivencias no presente. Para os idosos, as festas religiosas não são mais como as deantigamente, ”Vejo [as festas] como boas, porque é tradicional, porém mudada. Nopassado era mais religiosa, enquanto hoje, há um povão, mas pela festa dançanteda rua”. Nesta fala observamos que o entrevistado chama atenção para oenfraquecimento do culto religioso em detrimento da festa profana, do mesmo modo,em outro depoimento, o entrevistado deixa bem claro o seu sentimento dedesagrado quanto ao novo formato da festa. “Vejo diferente em sentido negativo, nopassado, o povo era mais participativo e acreditava mais na religião, hoje aspessoas são mais voltadas para a vaidade e festa dançante, um tanto sem respeitoàs festas religiosas”. Na opinião do entrevistado C, as modificações começam a aparecer apartir dos anos 60. A igreja vem mantendo os festejos, porém, dos anos 60 para cá, mudou muita coisa, várias novenas mudaram, como por exemplo, a noite mais bonita era a noite do Sr. Domingos, também não existe mais todas da trezena de Santo Antônio, como dos casados, dos solteiros, etc. Antigamente também não tinha protestantes (evangélicos) na comunidade, assim, reduziu o número de participantes na igreja.
  48. 48. 48 Para este entrevistado o aparecimento de outras congregações religiosastambém contribuíram para o enfraquecimento da festa, ressalta ainda asmodificações na estrutura religiosa, se referindo ao novenário modificado; para ele, afesta religiosa caiu no descrédito, “[...] o povo mais jovem, somente busca adiversão, a vaidade e as inovações que o mundo atual oferece além da divisão dacomunidade em religiões diversas”. Diante de tantos comentários que mostram aspectos mais negativos quepositivos, aparecem algumas crianças filhos de católicos, que colocam tudo de bome positivo nos festejos. “Boa, porque é animado e todo mundo curte os festejos”.Outro depoimento dá mais ênfase a questão religiosa: “[...] com muita animaçãopelas pessoas que participam dos festejos, elas vão para a igreja durante as festas eparticipam com muito gosto nos cantos e alegria”. Diante de tantos comentários e análise feitos pelos entrevistados,observa-se que realmente os festejos por parte da igreja na festa do santo padroeirodo povoado, já não tem mais o mesmo publico, ao longo dos anos, alguns aspectosforam se modificando alavancados pela dinâmica da vida das pessoas e pelasmodificações sociais, na administração religiosa, no comportamento das pessoas,na estrutura organizacional da festa, possivelmente todas estas coisas têminterferido no pensamento e na participação do povo.3.2.2. A participação das pessoas nos festejos religiosos e na festa dançante Para os entrevistados a participação das pessoas nos festejos religiosos,difere uma das outras, em virtude de ser levado em conta, a idade, o tempodisponível, a religião e a própria fé. Um dos adultos relata que participa dos eventos que ocorrem no períododos festejos, e observa o clima dos fiéis durante estas atividades “vou para a igrejarezar nas novenas, na missa, na procissão e assim vê a animação do povo nosfestejos”. Outros participam com menos intensidade, pois os afazeres com o
  49. 49. 49trabalho os deixam com pouco tempo: “[participo] pouco, devido à função detrabalho”. Observamos que mesmo os católicos e adultos, não se entregam aosfestejos intensamente, participam de maneira mais restrita, pois não querem deixaras coisas pessoais para outro momento. Para os professores, a sua participação na igreja, depende dos fatorestempo e trabalho, como afirma um dos entrevistados: “não participo, devido aoshorários e ao trabalho”, enquanto que outro professor assiste parcialmente a todosos eventos realizados na igreja, como relata. “Minha participação não é em todas asfestas da igreja, mas sempre participo nas novenas e na Santa Missa”. A participação da juventude ainda reafirma a preferência pelascomemorações religiosas; o adolescente A diz que participa “[...], ajudando noscantos e assistindo a Santa Missa”; já o adolescente B e C, somente participam damissa, e somente um deles prefere a festa da rua, como afirma em seu depoimento“Não participo, pouca vontade, à noite estou na festa da rua”. O grupo que tem uma participação mais efetiva nos eventos religiososdesta festa são os idosos, como demonstram em seus depoimentos: “Minhaparticipação sempre foi presente. No passado, participava de todos os eventosreligiosos, desde as novenas até o dia do padroeiro com a missa, procissão eleilões, hoje participo basicamente da missa e da procissão”. Outro depoimento demonstra que no passado havia mais efetividade:“Participo sempre, mas no passado, eu participava de tudo, até porque, eraresponsável pela organização dos festejos, hoje participo, mas não à frente daorganização dos eventos”; outro entrevistado reafirma a sua participação efetiva nosfestejos. “Sempre acompanhei ajudando em alguma coisa, o necessário, nas rezasdo padroeiro, desde as trezenas até a missa e os festejos do dia 13 de junho, dia dopadroeiro Santo Antônio”. Os idosos relembram que viveram e participaram da festa desde ajuventude, no entanto, demonstram algumas restrições, “[...] hoje participobasicamente da missa e da procissão”. Esse depoimento mostra não a perda da fé,
  50. 50. 50mas os limites impostos pela idade. De qualquer forma, são os que mais seimportam com a cultura festiva e religiosa do padroeiro Santo Antônio no povoado. As crianças assim como os jovens, também têm a sua participação nasatividades religiosas da festa, umas participam somente da missa, outras participamintensamente como mostra este relato: “Eu participo nas festas religiosas cantandohinos, no coral das crianças, na hora da missa fazendo as leituras litúrgicas etambém no novenário”. A participação das pessoas nos festejos de Santo Antonio,ainda demonstra vigor, algumas mudanças são observadas, provavelmente deve-seà dinâmica da vida com seus novos hábitos, o que certamente termina influenciando,mas nada que comprometa a questão da fé.3.2.3. A importância dos festejos do padroeiro Santo Antônio para o povoado A festa do padroeiro para o povoado, é vista pela maioria dosentrevistados como elemento de preservação da cultura religiosa do lugar e comoimpulsionador da geração de renda. O depoimento dos adultos traz pontos comuns, quando trata sobre odivertimento e a geração de renda. “A importância para mim é porque é um tempoanimado e para o povoado a importância é o desenvolvimento comercial e traz adiversão pra a comunidade”; em outro relato são afirmados estes dois pontos “Éótimo, pois gera renda para o povoado e traz divertimento para as pessoas”. Para os professores a tradição da festa tem perdido a força, há poucaintegração entre a Igreja e a comunidade no que tange a preservação dos festejos,mesmo assim eles apontam a festa como algo importante para a comunidade, “Achoimportante, porém, vejo que está perdendo a tradição, tanto para mim como para opovoado, faltando assim, integração entre igreja e comunidade local e adjacente”;para o outro entrevistado há um ponto positivo para o catolicismo “[...] ponto positivopara o católico, por ser uma tradição e para a comunidade há importância tanto noponto religioso, cultural como meio de geração de renda”.
  51. 51. 51 Para o público mais jovem, a importância da festa encontra-se nofortalecimento da religião. E mesmo não participando intensamente das atividadesreligiosas os adolescentes, observam que a festa de Santo Antônio tem pontospositivos, para a religião e para a cultura do lugar. “Por que incentiva a cultura dopovoado que está se perdendo, para o povoado a importância é para as pessoasque seguem a religião e a geração de renda para os comerciantes”. Os idosos evidenciam a alegria vivida durante os festejos, “As festas são[...] o meio em que as pessoas tanto dos festejos da igreja como da festa dançanteda rua, tem o prazer de participar, [...]”; em outro depoimento o entrevistado registraa como momentos alegres “[...] os leilões, o zabumba, a Bolachinha que animavamuito, [...]”, outros acham que a festa anualmente traz alegria para a comunidade:“Acho bom, porque todo ano tem e é mais uma alegria e divertimento para o lugar”;há também os saudosistas que lembram de um tempo em que as festas erammelhores: “Bom, mas já foram melhores”. São opiniões que também incidem sobre aorganização da festa por parte do poder público.3.2.4. As festas com bandas organizadas pelo poder público e sua importância para a comunidade A festa de rua de certa maneira está mais voltada para um publico jovem,que vê nas bandas um espaço de diversão, alegria e socialização. E, se tratando defesta dançante, os adolescentes revelam as suas impressões sobre o lado profanoda festa, até porque é deste evento que mais participam. Alguns depoimentos enfatizam a organização e outros o fluxo de turistasque acorrem ao lugar a fim da participar da festa dançante. Nos primeirosencontramos algumas opiniões que tratam diretamente da organização da festa e dadiversão para a comunidade; “[...] também são bem organizadas, além, da diversãopara o povo”; outro depoimento faz lembrar a interação dos vizinhos, “Traz muitaspessoas para a festa, reúne encontro de pessoas no povoado”; outros apontam a

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