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Monografia Geisiane Pedagogia 2010
 

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Pedagogia 2010

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    Monografia Geisiane Pedagogia 2010 Monografia Geisiane Pedagogia 2010 Document Transcript

    • 10 APRESENTAÇÃO Alfabetização e letramento tem sido um tema bastante discutido naatualidade, devido às muitas questões no campo da aprendizagem. No âmbitoeducacional é prioridade dos espaços formais promover uma educação quecontribua de forma efetiva para a formação dos indivíduos. Além desse espaçooutros espaços se configuram na promoção do conhecimento. Daí o objetivo dessetrabalho, conhecer melhor esses espaços e identificar as contribuições para oprocesso educativo. Esta pesquisa apresenta-se dividida em quatro capítulos descritos a seguir: O primeiro capítulo vem trazendo a problematização, onde apresentamospontos e contrapontos do tema abordado. Neste capítulo falamos acerca daalfabetização e letramento no processo educativo seus desafios e possibilidades nosespaços não-formais. O segundo capítulo é dedicado à fundamentação teórica, onde passaremos aconceituar as palavras-chave que norteiam o tema em estudo, buscandofundamentá-las a partir de teóricos como Tfouni, Soares, Freire, Cagliari e outros,que abordam o assunto de modo aprofundado, para melhor compreendermos osprocessos envolvidos na construção do conhecimento das crianças nos espaçosnão-formais de educação. O terceiro capítulo traz os caminhos percorridos para a obtenção dos dadosnecessários a realização dessa pesquisa. Apresentamos aqui à metodologia e osinstrumentos de coleta de dados: a observação direta, o questionário fechado e aentrevista semi-estruturada, utilizados para levantamento dos dados. No quarto e último capítulo, apresentamos as análises e os resultados obtidos
    • 11do tema pesquisado a partir do questionário fechado realizado com os quinze alunose uma professora do Coral Anjo de Deus da Igreja Católica e a entrevista realizadacom a professora Por último, as considerações finais que vem trazendo uma síntese doselementos que se destacaram na presente pesquisa, assim como os resultados dasanálises feitas sobre o tema abordado neste trabalho.
    • 12 CAPÍTULO I PROBLEMATIZAÇÃO O interesse pelo tema partiu da vontade de conhecer como se dá o processode alfabetização e letramento em espaços não-formais de educação, e identificar ascontribuições do Coral Anjo de Deus na alfabetização e letramento das criançasenvolvidas nesse espaço. Nesta perspectiva, consideramos ser relevanterealizarmos a presente pesquisa, pois através dos resultados poderemos ter umamelhor compreensão sobre como se processa a construção do conhecimento nosespaços extra-escolares. A educação é um dos principais instrumentos na construção de umasociedade democrática. Ao longo dos anos tem se buscado de diversas formasalcançar um padrão de ensino que venha corroborar para uma aprendizagemsignificativa. O domínio da língua por sua vez é fundamental para a vida do indivíduoe da sociedade em geral. A escrita, um ato histórico na vida humana teve umprocesso de propagação e aceitação lento e sujeita a fatores político-econômicos.Assim ressalta Tfouni (2006, p. 10) “Historicamente, a escrita data de cerca de 5.000anos antes de Cristo. O processo de difusão e adoção dos sistemas escritos pelassociedades antigas, no entanto, foi lento e sujeito, é óbvio, a fatores político-econômicos”. Os espaços formais de educação: os espaços escolares, as instituiçõesdestinadas ao processo educativo, que está relacionada às Instituições Escolares daEducação Básica e do Ensino Superior, definidas na Lei 9394/96 de Diretrizes eBases da Educação Nacional, no início se preocupou somente em alfabetizar. Pormuitas décadas, alfabetizar significou ensinar o aluno a identificar letras e escrever,não sendo oferecido ao aluno, meios pelos quais ele pudesse por si mesmodescobrir, criar e apropriar-se do conhecimento de forma interativa e participativa.
    • 13Aprender a ler e escrever vai muito além de decodificar e copiar. Assim, afirma PauloFreire (2001, p. 32) “Aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada,aprender a ler o mundo”. É importante ressaltar que, tanto nos espaços formais como nos informais deeducação é necessário entender o que é um ser letrado, conhecer as letras eescrever é necessário, mas não é o suficiente para ser competente no uso da línguaescrita. A língua não se constitui um mero código, a linguagem é um instrumentosocial estruturado de modo coletivo e dinâmico dessa forma a escrita deve ser vistacomo um elemento cultural e social. Assim diz Soares (1998, p. 22) “Alfabetizado éaquele indivíduo que sabe ler e escrever, já o indivíduo letrado, o indivíduo que viveem estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele queusa socialmente a leitura e a escrita”. Nesta perspectiva, é significativo para o processo de alfabetização utilizar-sedos conhecimentos que o aluno traz consigo e promover uma interatividade esocialização do conhecimento. Assim, poderá contribuir para formar cidadãosparticipativos capazes de ter uma leitura de mundo. Daí surge à necessidade tantodos espaços formais como os não-formais repensarem o seu papel na sociedade, denão somente alfabetizar, ou manter o indivíduo no espaço por mais tempo, mastornando este tempo de permanência mais produtivo, buscando melhorar aqualidade do ensino, através do letramento dos sujeitos que estão inseridos noprocesso de alfabetização. A escola tem um papel importante no processo de alfabetização, mas não ésó dela o ato de alfabetizar, a criança antes de chegar à escola vivencia práticassociais que contribuem para o seu desenvolvimento físico, psíquico e social. Asprimeiras palavras que elas pronunciam são aprendizagens que vão construindo umconhecimento que será aprimorado na convivência e relações do dia-a-dia e que sãoampliadas quando ela é inserida na escola. A criança não chega à escola vazia, elatraz uma bagagem adquirida da sua vivência social e cultural na qual está inserida.
    • 14 Descobrir a escrita, usar a escrita e aprender à escrita, constitui-se nas váriasdimensões de integração do aprender a ler e escrever para alfabetizar letrando. Asnovas demandas da sociedade vêm impondo mudanças de paradigmas e novosmodelos de ensino, daí surgem os novos termos como, por exemplo, “letramento”que vem trazendo uma nova visão dentro do contexto educacional. Sobre oletramento Tfouni (2006) diz que, O letramento, por sua vez, focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição da escrita. Entre outros casos, procura estudar e descrever o que ocorre nas sociedades quando adotam um sistema de escritura de maneira restrita ou generalizada; procura ainda saber quais práticas psicossociais substituem as práticas “letradas” em sociedades ágrafas (p. 10). Quanto à alfabetização Tfouni (2006, p. 11) faz a seguinte afirmação “estetermo refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades paraleitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem” Alfabetização e letramento são processos importantes para a construção doconhecimento e devem andar juntas. Na atualidade, no âmbito educacional, ogrande desafio é o de “Como alfabetizar letrando”. Os educadores devem promoverum ensino que contemple não apenas a alfabetização, mas também o letramento.Portanto, são grandes os desafios para propiciar a construção do conhecimentodas crianças do ensino fundamental, e cabe ao professor se conscientizar danecessidade de uma capacitação consistente, para que possa atuar no espaçoescolar de forma significativa. O professor deve ser modelo para seus alunos edessa forma deve ser um atuante nas práticas sociais de leitura e escrita emqualquer espaço que atue seja formal ou informal. A educação vem sendo proclamada como uma das principais bases noprocesso de desenvolvimento social, para enfrentar os desafios gerados pelaglobalização. A educação formal representada pelas escolas e universidades temobjetivos claros e específicos, sempre representada pelas estruturas hierárquicas eburocráticas em nível nacional. Dentro dos novos conceitos, a educação não se
    • 15restringe aos espaços escolares, ela se faz presente em outros espaços, oschamados espaços não-formais de ensino. Sobre a educação não-formal Gohn(2005, p. 7) diz “Com isto um novo campo da educação se estrutura: o da educaçãonão-formal. Ela aborda processos educativos que ocorrem fora das escolas, emprocessos organizativos da sociedade civil”. Sobre os vários espaços de educaçãonão-formal ainda segundo Gohn (1999), A educação não-formal designa um processo de formação para a cidadania, de capacitação para o trabalho, de organização comunitária e de aprendizagem dos conteúdos escolares em ambientes diferenciados. Por isso ela também é muitas vezes associada à educação popular e à educação comunitária. A educação não-formal estendeu-se de forma impressionante nas últimas décadas em todo o mundo como “educação ao longo de toda a vida” (p. 98-99). Tanto a educação formal como a informal tem seu valor e suaintencionalidade, sendo diferenciadas pelos espaços em que acontece o processoeducativo. Por isso, lancemos um olhar especial para a educação que acontece forados muros das escolas, buscando valorizar cada vez mais esses espaços, para quevenha juntamente com os espaços formais de educação, consolidar uma educaçãovoltada para a formação plena dos indivíduos que compõem a sociedade em geral. Com as atuais demandas da sociedade, em que os mais qualificados são osque estão mais bem preparados para ocupar cargos elevados na área profissional,se faz necessário uma educação pautada na construção do conhecimento voltadapara a realidade do indivíduo. Assim, é importante atentarmos para o grande desafiodo ensino que é de propiciar uma educação direcionada a alfabetizar letrando. Esteprocesso deve acontecer em todos os espaços educativos formais e não formaispara que venham contribuir no desenvolvimento das habilidades linguísticas dascrianças e de construção do conhecimento, ampliando sua visão de mundo ecompreensão da realidade. Diante disso, é importante ressaltarmos que tanto os espaços formais comoos não-formais de educação tem um papel relevante na sociedade, pois
    • 16independente dos espaços em que elas acontecem, a sua contribuição para asociedade é significativa. Pois, a aquisição do conhecimento pelos indivíduoscontribui significativamente no desenvolvimento da sociedade do Brasil, do Nordestee do nosso município. Diante do exposto, acreditamos ser pertinente elegermos a seguinte questão:Qual a contribuição dos encontros no Coral Anjos de Deus da Igreja Católica deSenhor do Bonfim no processo de alfabetização e letramento das crianças quefrequentam. Diante dessa questão, emerge o objetivo geral desta pesquisa, Identificar ascontribuições dos encontros no Coral Anjos de Deus, no processo de alfabetização eletramento das crianças que frequentam.
    • 17 CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As discussões estabelecidas no primeiro capítulo nos levam aos seguintesconceitos-chave: Alfabetização e Letramento, Educação Formal e Educação não-formal2.1 Alfabetização e letramento no processo de aprendizagem Partindo do pressuposto de que a alfabetização se ocupa da aquisição daescrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, é importante entendermos o seusignificado em seu sentido real. Soares (2003, p. 15) diz que alfabetização é “emseu sentido próprio, específico: processo de aquisição do código escrito, dashabilidades de leitura e escrita”. Além disso, afirma que “a alfabetização é umprocesso de representação de fonemas em grafemas, e vice-versa, mas é tambémum processo de compreensão/expressão de significados por meio do código escrito”(SOARES, 2003, p. 16). Dessa forma, precisamos reconhecer a alfabetização comonecessária, como processo sistemático de ensino e não só, de aprendizagem daescrita alfabética. Percebe-se que, algumas vezes as práticas de alfabetização são confundidaspor uma mera habilidade abstrata para produzir e decodificar símbolos (letras epalavras). As crianças quando são alfabetizadas usam a leitura e escrita paraexercerem o seu papel de forma significativa no ambiente no qual estão inseridas,agindo de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa. Para Ferreiro(1987, p. 12) “Este objeto (a escrita) não deve ser tomada como “um código detranscrição gráfica das unidades sonoras”, mas sim como um sistema derepresentação que evoluiu historicamente”.
    • 18 A alfabetização ao longo dos anos tem sido um tema bastante discutido nosespaços educativos, pela sua importância no contexto social, pois, ler e escrever éuma necessidade de todo indivíduo para se comunicar em sua língua materna e emtodas as línguas presentes em nossa cultura, isto é, a musical, a gestual, a pictórica,a cinematográfica, a teatral e tantas outras linguagens que nos possibilitam ler eescrever o mundo em que vivemos. É o contato com a língua oral e escrita que vaidespertando na criança o desejo de aprender. O ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. Esses são momentos da história. Os seres humanos não começam por nomear A! F! N! Começam por libertar a mão e apossar-se do mundo (FREIRE & MACÊDO, 1990; p.32). Por isso, a alfabetização tem seu primeiro contato com a linguagem oral.Significa que a leitura é primordial para o processo de alfabetização e que a leiturana escola deve ultrapassar o mero domínio da técnica, porque ler não é só traduzir,mas compreender e interpretar. O segundo contato se dá através da linguagemescrita, que por muito tempo a preocupação era apenas com a aprendizagem dasletras soltas, da formação de sílabas, para finalmente juntá-las e formar palavras,textos. Passado algum tempo, surgiu à importância e a preocupação de saberinterpretá-los. Nessa perspectiva, Cagliari (2006) enfatiza que, Não tratando adequadamente a escrita e a fala na alfabetização, a escola encontrará dificuldades sérias para lidar com a leitura. Afinal, a leitura na sua função mais básica, nada mais é do que a realização do objetivo de quem escreve. O fato de a escola em geral não saber fazer de seu aluno bons leitores traz conseqüências graves para o futuro destes, que terão dificuldades enormes em continuar na escola, onde a leitura se faz necessária a todo instante, e serão fortes candidatos à evasão escolar (p.8- 9). Diante disso, tratar da leitura das pessoas no mundo letrado vai além detreiná-las para ler palavras. A formação de leitores é processo longo e cuidadosoque carece figurar com vigor o quanto antes, na pauta das políticas públicas. Os
    • 19investimentos não dizem respeito apenas àqueles que mal dominam a escrita. Falarde formação de leitores implica falar de acesso aos bens culturais e sociais:bibliotecas, centros culturais e comunitários, livrarias, escolas de qualidade, enfim aambientes que possam incentivar a ler para a vida. Assim, podemos entender que o processo da alfabetização começa antesmesmo de ler e escrever. O contato está na literatura infantil, isto é, nos livros deestória lidos para as crianças, pelos pais e professores, sendo que estes estarãosemeando interesse dos pequenos pelo gosto da leitura; já percebendo que umtexto possui pontuação (pausas, exclamação, interrogações). Assim, professorestêm papel fundamental no processo de alfabetização da criança. Portanto, é precisoque o professor esteja ciente de como se dá o processo de aquisição doconhecimento e de como lidar com as dificuldades das crianças no momento daaprendizagem. Como nos diz Cagliari (2006), O processo de alfabetização inclui muitos fatores, e, quanto mais ciente estiver o professor de como se dá o processo de aquisição de conhecimento, de como a criança se situa em termos de desenvolvimento emocional, de como vem evoluindo o seu processo de interação social, da natureza da realidade linguistica envolvida no momento em que está acontecendo à alfabetização, mais condições terá esse professor de encaminhar de forma agradável e produtiva o processo de aprendizagem, sem os sofrimentos habituais (p. 9). Daí a importância de começar a trabalhar a leitura com a criança desde cedo,buscando apresentar textos interessantes, que venham trazendo temas que estejamrelacionados com a sua realidade, para que ela se familiarize com as palavras,levando-as a uma reflexão sobre o assunto abordado, despertando o interesse dacriança pela leitura. Assim nos diz Alves (2001), O interesse da criança pela leitura começa quando esta fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer (p. 2).
    • 20 Portanto, despertar o gosto pela leitura e pela escrita na criança é uma formade contribuir para uma aprendizagem efetiva na formação do indivíduo e estaaprendizagem se dá a partir do interesse do indivíduo pela leitura, associada a umametodologia desenvolvida pelo professor em sala de aula contribuindo assim parauma alfabetização significativa. A aproximação efetiva e afetiva das pessoas com jornais, revistas, livros,cartas, decretos, códigos, conduz a apropriação de conhecimentos socialmenteconstruídos, e isso é uma das formas de participar das instâncias de poder. Diantedisso, ainda que sejam louváveis algumas iniciativas de alfabetização, tal movimentotorna-se inócuo se descolado da promoção e do convívio mais estreito com aspráticas cotidianas de leitura e de escrita. Numa sociedade como a nossa, na qual oacesso à cultura é ao mesmo tempo tão valorizado e tão restrito à grande parte dapopulação, a disseminação da leitura e da escrita torna-se fundamental para a buscado exercício da cidadania. Letramento, por ser uma palavra recente traz algumas dúvidas sobre o seuuso correto dentro do processo educativo, levando muitos professores e alunos aconfundir com alfabetização. Desta forma, nos leva a conceituá-la para melhorentendermos o seu papel no contexto educacional. Assim, letramento antes dequalquer coisa, não é alfabetizar simplesmente, mas uma ação conjunta entrealfabetizar e letrar. Soares (2001) apresenta definições claras de alfabetizar,alfabetização e letramento, Alfabetizar é “ensinar a ler e escrever, é tornar o indivíduo capaz de ler e escrever”. Alfabetização é “a ação de alfabetizar”. Letramento é “o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais” (p. 31-39). Nessa perspectiva, alfabetizar é empreender esforços para que o indivíduodomine a leitura e a escrita, tornando-o capaz de aventurar-se no mundo dos livros.Já o indivíduo letrado é aquele que se apropriou da escrita e faz uso da mesma nasua prática social. Para melhor entendermos este termo “Letramento” vamos
    • 21conhecer um pouco de sua história. O vocábulo (Letramento) surgiu entre oslingüistas e estudiosos da língua portuguesa, e então passou a ser usado no setoreducacional. Segundo Soares (2003, p.15) o termo se originou de uma versão feitada palavra da língua inglesa “literacy”, com a representação etimológica de estado,condição, ou qualidade de ser literate, e literate é definido como educado,especialmente, para ler e escrever”. Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito aoindivíduo que somente aprendeu a ler e escrever, não se diz que é o que adquiriu oestado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita, e que respondemde maneira satisfatória as demandas das práticas sociais. Para melhorcompreendermos o que é um ser letrado lançamos mão do que diz Tfouni (1995, p.20) “Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ougrupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisiçãode uma sociedade”. Assim, um ser letrado é definido por aquele que tem acapacidade de usar o código escrito para interagir em sua comunidade, quandonesta existem demandas de letramento. Os problemas com a falta do saber ler e escrever se arrastam ao longo dostempos, com isso gerou uma crescente preocupação e tem-se buscado através demuitos estudos e ações resolver este problema. Desta forma, foi criado o termo“analfabetismo”. Diante disso, o estado ou condição daquele que sabe ler eescrever, e, que respondem de maneira ampla e satisfatória as demandas sociaisfazendo uso de alguma maneira da leitura e escrita, ainda não tinha umadenominação. Sobre isso Tfouni (2006, p.11) ressalta que “Devido à constatação deuma nova situação de que não basta apenas o saber ler e escrever, necessário ésaber fazer uso do ler e escrever, saber responder às exigências de leitura e deescrita que a sociedade faz. Então o nome letramento surgiu desta novaconstatação”. Assim, letramento é um fenômeno social, que faz sobressair ascaracterísticas sócio-históricas de uma sociedade ao adquirir um sistema de escrita.2.2 A educação formal e sua contribuição no processo educativo
    • 22 A educação, entendida como um serviço ou uma tarefa social, ganhaconotações de transmissão de saberes, fórmulas, padrões de escrita, técnicas. Eneste viés, têm-se a impressão de que educação se restringe ao que se ensina nasescolas: ler, escrever, fazer contas, as ciências, as técnicas, a memória social, oentendimento do mundo natural e do mundo mental. A educação, contudo, leva em si um conceito mais amplo e profundo, cujosinstrumentos de percepção e medida não são contemplados nas provas, nas notas,nos gráficos desenhados em estatísticas oficiais. Isto é, vai muito além do que aformalidade institucional consegue mensurar. Para Drucker (1995), Educação básica significa tradicionalmente, por exemplo, a capacidade de efetuar multiplicações ou algum conhecimento da história dos EUA. Mas a sociedade do conhecimento necessita também do conhecimento de processos - algo que as escolas raramente tentaram ensinar. Na sociedade do conhecimento, as pessoas precisam aprender como aprender. Na verdade, na sociedade do conhecimento as matérias podem ser menos importantes que a capacidade dos estudantes para continuar aprendendo. A sociedade pós-capitalista exige aprendizado vitalício. Para isso, precisamos de disciplina. Mas o aprendizado vitalício exige também que ele seja atraente, que traga em si uma satisfação (p. 156). A educação é um dos requisitos necessário para que os indivíduos tenhamacesso aos bens e serviços disponíveis na sociedade. A educação é um direitogarantido por lei a todos os indivíduos. Ao nascer a criança começa a ser educadana família e posteriormente na escola. A socialização dos indivíduos através da escola começou no Egito, Grécia eRoma na Antiguidade. Na idade média a socialização era feita através da educaçãofamiliar, não havia sequer a idéia de educação, ela começa a se desenvolver noSéculo XV com a burguesia, surge às instituições voltadas para o ensino decrianças e do jovem, bem parecidos como os de hoje. Sendo que, começa aí asdesigualdades sociais, onde a educação é privilégio de poucos, estando voltada aosinteresses da burguesia. O surgimento da escola está relacionado com osprocessos históricos sociais. Assim diz Saviani (1997),
    • 23 O direito de todos a educação decorria do tipo de sociedade correspondente aos interesses da nova classe que se consolidara no poder: a burguesia... Para superar a situação de opressão, própria do “Antigo Regime”, e ascender a um tipo de sociedade fundada no contrato social celebrado “livremente” entre os indivíduos, era necessário vencer a barreira da ignorância... A escola é erigida, pois no grande instrumento para converter os súditos em cidadãos (p. 17-18). Deste modo, o papel da educação formal é a de formar cidadãos paraatuarem na sociedade. A escola como instituição de ensino foi o espaço criado parainstruir e formar cidadãos preparando-os para atuar na sociedade em que vivem.Mas os interesses políticos acabaram por impedirem seu sucesso. Muitas críticasforam lançadas na escola tradicional que longe da sua principal função, contribuipara a desigualdade social, comprometendo assim a formação dos indivíduoslevando-os a situações de marginalização. Conforme ressalta Saviani (1997, p. 16)“Nesse contexto a educação é entendida como inteiramente dependente daestrutura social geradora de marginalidade cumprindo aí sua função de reforçar adominação e legitimar a marginalização”. A escola tradicional dentro do contexto educacional vem se mantendo até osdias de hoje. As críticas a esse modo de ensino tem sido cada vez mais frequentes.Diante disso, vem surgindo movimentos para a criação de uma nova escola queesteja direcionada aos anseios da população. Novas abordagens de ensino vêmsurgindo partindo da própria abordagem tradicional como referencial teórico eprático de ensino. A educação hoje se depara com problemas que exigem cada vez maisatenção das autoridades e dos envolvidos neste processo. O profissional da áreamuitas vezes não se encontra capacitado para lidar com as novas demandasculturais, tecnológicas e sociais. Promovendo desencontro de informações na suaprática pedagógica, levando os alunos ao desinteresse pela sala de aula. Daí a necessidade da escola atual rever seus conceitos de como educar,promovendo mudanças que venham incorrer em uma educação voltada para as
    • 24atuais necessidades do mundo globalizado e que o seu campo de atuação não serestrinja somente aos espaços das salas de aula, mas que seja diversificada,criativa e transformadora. Só assim a educação poderá cumprir o seu papel dentroda sociedade de maneira significativa.2.3 A educação não-formal e as novas formas de socialização doconhecimento A educação não-formal até a década de 80 não era valorizada nem nosmeios públicos nem tão pouco pelos educadores. Todas as atenções eram voltadaspara a educação formal. Diante disso, pouco avanço foi contemplado nesse períodopelo ensino informal, pois era vista como uma extensão da educação formal.Conforme afirma Gohn (2005), Todas as atenções sempre estiveram concentradas na educação formal. Em alguns momentos, algumas luzes foram lançadas sobre a educação não-formal, mas ela era vista como uma extensão da educação formal, desenvolvida em espaços exteriores às unidades escolares (p. 91). Assim, para termos uma compreensão de como era vista a educação não-formal nesse período buscamos ainda em Gohn (2005) a definição para a mesma, Genericamente, a educação não-formal era vista como o conjunto de processos delineados para alcançar a participação de indivíduos e de grupos em áreas denominadas extensão rural, animação comunitária treinamento vocacional ou técnico, educação básica, planejamento familiar etc.(p. 92). Diante disso, podemos perceber que o processo de desenvolvimento daeducação não-formal foi lento e que levou muito tempo para ser reconhecida comoum instrumento importante no processo de construção do conhecimento de umindivíduo ou grupo de indivíduos pertencentes a uma sociedade. Entendemosassim, que os espaços informais de educação, comunidade, associaçõesfilantrópicas, família, trabalho e outros corroboram significativamente na formaçãodo indivíduo inserido nesse contexto.
    • 25 Com a globalização tem aumentado a procura por uma educação dequalidade, uma educação libertadora, criativa que fuja dos padrões tradicionais, queabra um leque de possibilidades, e que ofereça diversas opções para o indivíduoescolherem o caminho que deseja trilhar na construção do seu conhecimento.Assim, devido às grandes mudanças ocorridas na sociedade e as novas exigênciasdas demandas sociais, a educação não-formal passou a ser valorizada conformeressalta Gohn (2005), O grande destaque que a educação não formal passou a ter nos anos 90 decorre das mudanças na economia, na sociedade e no mundo do trabalho. Passou-se a valorizar os processos de aprendizagem em grupos e a dar-se grande importância aos valores culturais que articulam as ações dos indivíduos. Passou-se ainda a falar de uma nova cultura organizacional que, em geral, exige a aprendizagem de habilidades extra-escolares (p. 92). Atualmente, podemos ver que além dos espaços já citados existem muitosoutros espaços de educação não-formal. É importante ressaltar também ascontribuições das Agências e organismos internacionais, como a ONU, UNESCO ealguns estudiosos, para a educação. A educação não-formal tem presença efetivaem vários espaços priorizando uma educação coletiva, participativa, inclusiva sendoesta proclamada em conferências como a da Tailândia citada por Gohn (2005), Assim, a conferência realizada em 1990, na Tailândia, elaborou dois documentos denominados “Declaração mundial sobre educação para todos” e “Plano de ação para satisfazer necessidades básicas da aprendizagem” onde, à luz das condições particulares da América Latina e das exigências de ONGs em programas de educação na região, um quadro de novas possibilidades de trabalho foi delineado a área da educação (p. 92-93). A partir daí, a educação não-formal passa a ter maior importância no contextosocial, oferecendo uma aprendizagem diferenciada, diversificada e ampla, pois,propicia a uma grande maioria da população a oportunidade de vivenciar umaeducação que abrange além dos conteúdos teóricos e práticos, valores e atitudespara viver e sobreviver e desenvolver a capacidade humana, formando o indivíduopara atuar em diversos segmentos da sociedade. Sobre a importância da educaçãonão-formal Gohn (2005) diz,
    • 26 A maior importância da educação não-formal está na possibilidade de criação de novos conhecimentos, ou seja, a criatividade humana passa pela educação não-formal. O agir comunicativo dos indivíduos, voltado para o entendimento dos fatos e fenômenos sociais cotidianos, baseia-se em convicções práticas muitas delas advindas da moral, elaborada a partir das experiências anteriores, segundo as tradições culturais e as condições histórico-sociais de determinado tempo e lugar (p. 104) Nessa perspectiva, a educação não-formal constitui-se num instrumentoimportante de educação, que vem juntamente com os espaços formais de educaçãopromover a formação dos indivíduos, preparando-os para atuar de forma crítica eparticipativa do processo político, social e econômico do país.
    • 27 CAPÍTULO III CAMINHOS DA METODOLOGIA Com o propósito de estudar os desafios e possibilidades de alfabetização eletramento em espaços não-formais, percorreu-se um longo caminho de ordemmetodológica para se chegar ao presente resultado.3.1 – Tipo de pesquisa O tipo de pesquisa utilizada foi a pesquisa qualitativa já que esta tem oambiente natural como uma fonte direta de dados e o pesquisador como o seuprincipal instrumento. (BOGDAN e BIKLEN, 1982). Segundo os dois autores apesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com oambiente e a situação que está sendo investigada através do trabalho intensivo decampo. Sobre a pesquisa qualitativa Minayo (1993) fala que, A pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (p. 21-22). A pesquisa qualitativa responde ainda às questões muito particulares. Ela sepreocupa, nas ciências sociais, com o nível de realidade que não pode serquantitativo, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, crenças,valores e atitudes. Para Michaliszyn & Tomasini (2005), A pesquisa qualitativa caracteriza-se pela interação entre os pesquisadores e o grupo social pesquisado, ocorrendo entre eles um certo envolvimento de modo cooperativo ou participativo e supõe o desenvolvimento de ações planejadas de caráter social (p. 32).
    • 28 Segundo Lüdke e André (1986), é cada vez mais evidente o interesse que ospesquisadores da área de educação vêm demonstrando pelo uso dasmetodologias qualitativas. Como já foi citada a abordagem qualitativa envolve aobtenção de dados descritivos, por meio do contato do pesquisador com a situaçãoestudada. Falamos da pesquisa qualitativa, mostrando a sua importância para apesquisa. A seguir falaremos sobre o lócus escolhido para aplicação desse tipo depesquisa.3.2 – Lócus de pesquisa: O lócus escolhido para o desenvolvimento da presente pesquisa é a Paróquiade Senhor do Bonfim que faz parte da Igreja Catedral Diocesana, situada na PraçaAustricliano de Carvalho, nº 130 – Centro. Neste espaço funciona o Coral Anjo deDeus composto por 15 alunos e uma professora, os encontros acontecem uma vezpor semana e são desenvolvidas atividades como teatro, dança, musica e leituras.Depois de apresentar o lócus de pesquisa, falaremos a seguir sobre os sujeitos dapesquisa.3.3 – Sujeitos da pesquisa: Os sujeitos da pesquisa são crianças de classe média e baixa, que estudamem escolas particulares e públicas sendo que dez estudam em escola particular ecinco em escola pública. A maioria está cursando de 1ª a 4ª série, grande partedessas crianças já sabem ler e escrever. Residem nos bairros próximos à Paróquia.Participaram da pesquisa o total de quinze alunos e uma professora do Coral Anjode Deus da Igreja Católica em Senhor do Bonfim-Bahia. Agora apresentaremos osinstrumentos utilizados para a coleta de dados.3.4 – Instrumentos de coleta de dados:
    • 29 Utilizamos como instrumentos de coleta de dados a observação direta, aentrevista semi-estruturada e o questionário fechado, por se tratar de técnicas ecomponentes relevantes para a realização de uma pesquisa qualitativa. 3.4.1 Observação direta A observação foi utilizada, porque cada um de nós vê de maneira diferente osvários fatos que acontecem no meio social. Sendo assim a observação nos dácondição de obter as informações necessárias ao desenvolvimento do projeto depesquisa, por permitir essa aproximação com o objeto estudado. Sobre aobservação Lüdke e André (1986) dizem que, Ela ocupa um lugar privilegiado, nas novas abordagens de pesquisa educacional, usada como principal método de investigação ou associada à outra técnica de coleta, a observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens (p.26). Segundo Gressler (1989, p. 79) “a observação elimina a influência deterceiros: entretanto, a observação é limitada àquilo que se dá na presença doobservador”. Sendo assim o observador deve ter uma visão clara daquilo que estáobservando, tendo conhecimento da sua limitação no momento da observação. É também através das observações que o pesquisador tem a oportunidade departicipar das práticas desenvolvidas pelos sujeitos, o que o auxilia no processo decompreensão e interpretação do fenômeno estudado. Para Lüdke (1986), Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações (p. 26). Portanto, é através da observação direta que o pesquisador entrará emcontato com a realidade a qual ele deseja obter informações e dados necessários aodesenvolvimento da sua pesquisa.
    • 30 3.4.2 Entrevista semi-estruturada A importância da entrevista é incontestável, pois, através dela é possível aobtenção de informações dos sujeitos envolvidos na pesquisa, com objetivosdefinidos. Tanto que Ludke e André (1986) elegem a entrevista como estando emgrande vantagem sobre outras técnicas, pois a mesma permite a captação imediatae corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante esobre os mais variados tópicos. Entre alguns tipos de entrevista, é importante a escolha daquela que seja amais adequada para o trabalho de pesquisa que se faz em educação. Por este fatorusou-se a entrevista semi-estruturada que segundo Ludke e André (1986, p. 34) “...a entrevista semi-estruturada que se desenrola a partir de um esquema básico,porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessáriasadaptações”. Vale destacar a importância desse modelo de entrevista por ser muitoeficiente e por proporcionar uma reflexão ampla mediante a fala dos entrevistadossegundo o objetivo que o pesquisador deseja alcançar. 3.4.3 Questionário fechado Outro instrumento utilizado foi o questionário-fechado, por enriquecer asinformações, traçando o perfil dos sujeitos da pesquisa, permitindo conhecer arealidade dos mesmos. Marconi e Lakatos (1996, p. 88) definem o questionário como “... uminstrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas,que devem ser respondidas por escrito e sem a presença de entrevistados”.Portanto, o questionário nos fornece as informações necessárias para oesclarecimento das questões apresentadas no tema abordado.
    • 31 Assim, apresentamos os passos para a obtenção dos dados necessários arealização dessa pesquisa. Passaremos agora ao próximo capítulo onde serãoapresentadas as análises e a interpretação dos dados, parte fundamental dapesquisa onde apresentaremos os resultados encontrados a partir da aplicação dosinstrumentos escolhidos.
    • 32 CAPÍTULO IV ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS No presente capítulo apresentaremos os dados coletados que foram obtidosatravés dos instrumentos descritos no capítulo anterior. A análise e interpretaçãodos dados são de fundamental importância numa pesquisa científica, é através delaque se tem uma posição sobre o tema estudado.4.1 Análise do questionário – Perfil socioeconômico das crianças4.1.1 Gênero - Grafico - 1 0% 100% Sexo Feminino Sexo Masculino Na amostragem podemos perceber que 100% dos alunos do Coral são dosexo feminino. Observamos que a participação feminina no grupo é bastantesignificativa.
    • 334.1.2 Faixa Etária - Gráfico 2 33% 34% 7 a 9 anos 33% 10 a 13 anos 14 a 16 anos Quanto à faixa etária, observamos a partir do gráfico acima que 34% tementre sete a nove anos, os alunos que estão nessa faixa estão em processo dealfabetização, 33% corresponde aos alunos que tem de dez a treze anos, jádominam a leitura e escrita e 33% tem de 14 a 16 anos, já estão cursando sériesfinais do Ensino Fundamental. É importante ressaltar que a maioria tem idade entresete e nove anos, numa fase onde a curiosidade e o desejo de aprender coisasnovas estão aflorados, sendo este um dos pontos a ser considerados para explicar aparticipação significativa por alunos dessa faixa etária nas atividades realizadas nosespaços não-formais.4.1.3 Escolaridade - Gráfico 3 7% 40% 53% 5ª à 8ª série 1ª à 4ª série 3º ano Ensino Médio
    • 34 Observando o gráfico, podemos constatar que 40% dos alunos estãocursando de 5ª a 8ª série, 53% estão cursando de 1ª a 4ª série e apenas 7% cursamo nível médio, correspondendo assim com a faixa etária apresentada no gráficoanterior. Percebe-se que a maioria (53%) dos participantes está cursando o EnsinoFundamental I (1ª a 4ª série). Isto é, estão na fase mais importante da formação,onde precisam apropriar-se do conhecimento de forma sólida para alcançar outrosníveis de aprendizagem. Nesta fase as crianças precisam de mais atenção ediversificação do modo de ensino para apropriação do conhecimento.4.1.4 Instituição - Gráfico 4 40% 60% Pública Particular A partir da amostragem, percebemos que 40% dos alunos estudam em escolapública e 60%, portanto a maioria, estudam em escola particular. Este resultadoaponta para uma constatação de que a procura por espaços não-formais nãodepende de classe econômica nem nível cultural. Assim, os espaços não-formaissão ocupados por aqueles que estão em busca de adquirir novos conhecimentos ede participar das atividades desenvolvidas na comunidade onde vivem. 4.1.5 Tempo de participação no Coral - Gráfico 5 20% 67% 13% Mais de 1ano 1 ano Menos de 1 ano
    • 35 A partir do gráfico acima, podemos observar que a maioria representando67% dos participantes fazem parte do Coral há mais de um ano, demonstrando umapermanência significativa dos participantes nesse espaço, mostrando umenvolvimento efetivo nas atividades realizadas no coral. Sendo esse um dos pontospositivos para a aprendizagem, pois a permanência freqüente a um espaço deeducação formal ou não-formal traz um aprendizado significativo para os que estãobuscando adquirir novos conhecimentos de forma consistente e proveitosa. 4.1.6 Contribuição do Coral - Grafico 6 0% 100% Sim Não Quando questionados sobre a contribuição do Coral na aquisição deconhecimentos, 100% das crianças responderam que eles aprendem através daparticipação ativa nas atividades realizadas nesse espaço. Diante dessa afirmativa,entendemos que todo meio onde os indivíduos trocam experiências e estãoenvolvidos nas atividades oferecidas e que de alguma forma desperta para aaprendizagem devem ser levadas em conta, pois produzem um resultado positivo,que contribui de forma efetiva na alfabetização e letramento do indivíduoparticipante. Para Ferreiro (1987), A questão do conteúdo, central em todo processo de alfabetização, não deve ser ignorada: enquanto discutem coisas consideradas “essenciais”, tais como: “prontidão”, correspondência som-grafema etc. algumas pessoas se esquecem da “natureza do objeto de conhecimento envolvendo essa aprendizagem” (p. 9).
    • 36 É importante ressaltar que o processo de alfabetização é complexo e quepassa por estágios que não devem ser ignorados. É importante observarmos que osespaços não-formais de educação apesar de ser uma educação que não estáformalmente estruturada, dispõem também de regras e condutas para seremcumpridas pelos participantes. Com isso leva os participantes a aprenderem arespeitar o espaço, o dirigente do grupo e aos colegas do grupo. 4.1.7 Habilidades de leitura e escrita - Gráfico 7 7% 6% 87% Sim Um pouco de cada Não Quanto à pergunta se já sabem ler e escrever, observamos no gráfico que87% dos interrogados sabem ler e escrever, 6% sabe um pouco de cada e 7% nãosabem ler nem escrever, a partir deste resultado observamos que a maioria estáalfabetizada, isto é, detém o domínio da leitura e da escrita e uma minoria aindaapresenta dificuldades de leitura e escrita e apenas um não domina a leitura nem aescrita. Essa amostragem nos apresenta um resultado significativo em relação àalfabetização dos sujeitos pesquisados, pois a maioria domina a leitura e escrita.Isso nos mostra que os espaços informais têm sua parcela de contribuição noprocesso de alfabetização dos envolvidos. 4.1.8 Participação no Coral - Gráfico 8 7% 6% O desejo de aprender coisas novas 87% Aprender a cantar Para preencher o tempo ocioso
    • 37 A amostragem acima nos mostra que 87% dos questionados ao sereminterrogados sobre o que os levaram a participar do Coral, respondeu o desejo deaprender coisas novas, isto nos leva a entender que os espaços não formais setornam atrativos devido à diversificação de atividades oferecidas, diferenciada daeducação formal, dando assim a entender que muitos buscam nos espaçosinformais aumentar o seu conhecimento com atividades diversificadas que dãoprazer e liberdade de escolha. Apenas 6% responderam que deseja aprender acantar e 7% para preencher o tempo ocioso. Nessa perspectiva, é importanteressaltar que o interesse dos indivíduos por esses espaços se deve pelo fato deserem diferente das atividades habituais dos espaços formais, dando a entender queeles têm interesse por essas atividades. 4.1.9 Contribuições da professora para o Coral - Gráfico 9 0% Muito 100% Um pouco Não contribuem A partir do questionamento sobre a contribuição das atividades realizadaspela professora para a formação dos mesmos, apresentados no gráfico acima, nosmostra que todos foram unânimes em afirmar que contribuem muito. A resposta aesse questionamento dada pelos alunos do Coral vem confirmar que é importante efundamental a participação e o envolvimento do educador no processo educativo. Éimprescindível que o professor esteja comprometido com a sua prática tanto nosespaços formais como nos espaços não-formais para que a educação aconteça deforma significativa. Entendemos que todo e qualquer envolvimento e participação em
    • 38grupos para realização de uma atividade cultural, social e relacional corroboram parauma efetiva aprendizagem, pois as trocas que se dão de forma espontânea e porescolha própria vem somar para o crescimento e maturidade dos indivíduos e refletede forma positiva na sociedade. 4.1.10 Dificuldades nas atividades do Coral - Gráfico 10 0% 13% Às vezes 87% Pouca dificuldade Muita dificuldade A partir da amostragem observamos que 87% dos alunos do Coral disseramque às vezes tem dificuldade para realizar as atividades e apenas 13% tem poucadificuldade. O posicionamento dos mesmos vem demonstrar que eles possuemcapacidade para realizar as atividades, mas ainda tem alguma dificuldade. Diantedisso, fica claro que o pouco nível escolar que alguns têm traz essa dificuldade.Podemos perceber que, apesar da maioria estudar em escola particular, conforme ográfico de número quatro, o resultado aqui apresentado mostra que a maioria temalgum tipo de dificuldade. Entendemos que essa dificuldade é em função da poucaescolaridade dos mesmos.4.2 Análise da entrevista Com o intuito de obter respostas ao nosso questionamento apresentamos odiscurso da professora do Coral Anjo de Deus, onde faremos as análises da
    • 39entrevista realizada com a mesma sobre as contribuições dos encontros do Coral noprocesso de alfabetização e letramento das crianças que frequentam esse espaço.Para identificar a fala do sujeito da entrevista utilizaremos as letras “Pc” paraprofessora do coral.4.2.1 – As possibilidades de alfabetização e letramento nos espaços não-formais. Ler e escrever sempre foram elementos importantes que o indivíduo deveriadominar conforme o princípio regido pela escola tradicional e um dos problemassempre presente na sociedade. Muitas medidas foram tomadas pelos governos paraerradicar o número de analfabetos. Mas apesar de todo empenho ainda podemosver o mesmo problema em pleno século XXI, apesar das mudanças etransformações ocorridas em todo o mundo, ainda buscamos mudanças para aeducação. Muitos movimentos tem se levantado e outros tipos de educação temsurgido, com o propósito de elevar o nível de escolaridade dos indivíduos e um dosmodelos de educação que temos é a educação não-formal. Esses espaços criados apartir de associações, instituições religiosas, instituições empresariais tempromovido uma educação que não segue uma estrutura formal. A educação não-formal é importante por promover uma educação diferenciada tendo a criatividadecomo elemento essencial, sendo oferecida a todos os que desejam adquirir novosconhecimentos. Com o desejo de conhecer melhor o trabalho do Coral Anjo de Deusperguntamos inicialmente a professora qual o objetivo do Coral, ela nos respondeu: “Evangelizar e transformar os corações daqueles que procuram Jesus, através da música e da oração”. (Pc) Diante dessa resposta, podemos perceber que o objetivo desse espaço não-não está direcionado a alfabetização. As atividades realizadas no Coral como leitura,oralidade, teatro e dança são elementos importantes que contribuem para aquisição
    • 40do conhecimento. Dessa forma, entendemos ser um ponto positivo no processo deaprendizagem dos alunos do Coral.4.2.2 Alfabetização e letramento - contribuições dos espaços não-formais. A educação não-formal passa a ter maior importância no contexto social,oferecendo uma aprendizagem diferenciada, diversificada e ampla, pois, propicia auma grande maioria da população a oportunidade de vivenciar uma educação queabrange além dos conteúdos teóricos e práticos, valores e atitudes para viver edesenvolver a capacidade humana, formando o indivíduo para atuar em diversossegmentos da sociedade. Nessa perspectiva, perguntamos a professora entrevistada se o Coralcontribui na formação dos alunos participantes e na comunidade local. Eis a fala: “Sim contribui, pois a maioria dos que já passaram pelo Coral, hoje participam das atividades paroquiais como: catequese, liturgia, grupos e movimentos pastorais.” (Pc) Analisando a fala da professora, podemos perceber que há umdesenvolvimento dos alunos na medida em que participam ativamente dasatividades propostas e aprendem a realizar as tarefas nesse espaço, sendoaproveitados para atuar nas atividades religiosas da paróquia. Nessa perspectiva,entendemos que há uma aprendizagem que de certa forma contribuisignificativamente para o desenvolvimento dos participantes refletindo de formapositiva na comunidade onde estão inseridos. Assim a educação não-formal tem suaimportância no processo de aquisição de novos conhecimentos. Sobre a importânciada educação não-formal Gohn (2005) diz, A maior importância da educação não-formal está na possibilidade de criação de novos conhecimentos, ou seja, a criatividade humana passa pela
    • 41 educação não-formal. O agir comunicativo dos indivíduos, voltado para o entendimento dos fatos e fenômenos sociais cotidianos, baseia-se em convicções práticas muitas delas advindas da moral, elaborada a partir das experiências anteriores, segundo as tradições culturais e as condições histórico-sociais de determinado tempo e lugar (p. 104). A aprendizagem de novos conhecimentos possibilita aos indivíduos umcrescimento e um desenvolvimento que contribuirá de forma efetiva para sua visão ecompreensão de mundo. Sendo o letramento4.2.3 Habilidades de leitura e escrita A apropriação da leitura e escrita é enriquecida a partir do momento que oindivíduo a utiliza para aplicá-la no cotidiano. Nesse sentido, interrogamos aprofessora em relação à alfabetização e letramento como ela avalia seus alunos. Eisa fala da mesma: “Estão alfabetizados, mas tem dificuldades em interpretação.” (Pc) A resposta dada pela entrevistada, quanto à alfabetização observa-se queestá de acordo a estatística do questionário fechado respondido pelos alunos, amaioria está alfabetizada, mas apresentam dificuldade de interpretação segundo aprofessora. Este problema é um velho conhecido dos espaços formais de educaçãoe que se repetem nos demais espaços. Quanto ao letramento dos mesmos podemosnotar na resposta da professora que não há nenhuma citação por parte da mesmasobre o termo demonstrando assim um desconhecimento ou ainda entendeletramento e alfabetização como sendo a mesma coisa. Muitos educadores aindatêm essa mesma concepção de letramento e alfabetização. Tfouni (1995, p. 20) vemmostrar a diferença entre os dois termos quando diz “Enquanto a alfabetização seocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramentofocaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade”. Assim, um serletrado é definido por aquele que tem a capacidade de usar o código escrito parainteragir em sua comunidade, quando nesta existem demandas de letramento.
    • 42 É necessário que o professor saiba diferenciar esses dois termos para melhorcompreender e trabalhar com seus alunos conteúdos que contemplem aalfabetização e o letramento para uma maior apropriação do conhecimento e assimprepará-los para atuar na sociedade de forma ativa e participativa de todos osprocessos políticos, sociais e econômicos do país quanto mais o professor estiverciente disso mais preparado estará para atuar nos espaços educativos. Aparticipação ativa e participativa nas atividades do aluno tem um peso fundamentalpara o seu pleno êxito, pois segundo o que nos fala Cagliari (2006), O processo de alfabetização inclui muitos fatores, e, quanto mais ciente estiver o professor de como se dá o processo de aquisição de conhecimento, de como a criança se situa em termos de desenvolvimento emocional, de como vem evoluindo o seu processo de interação social, da natureza da realidade linguistica envolvida no momento em que está acontecendo à alfabetização, mais condições terá esse professor de encaminhar de forma agradável e produtiva o processo de aprendizagem, sem os sofrimentos habituais (p. 9). Diante das dificuldades de leitura e escrita apresentadas pelas crianças deum modo em geral, perguntamos a professora se ela se preocupa em trabalhar asdeficiências de leitura e escrita dos seus alunos eis o seu discurso: “O cântico em si já é um incentivo para todos, pois são desenvolvidas as técnicas necessárias para suprir estas deficiências.” (Pc) Entendemos que o trabalho do coral é voltado para as atividades religiosaspor isso toda as atividades estão voltadas para a música e a leitura. Analisando afala da professora podemos perceber que não há um trabalho diretamentedirecionado para corrigir a deficiência de leitura e escrita ela só trabalha comatividades que serão utilizadas nos trabalhos da Igreja. No entanto, é importanteressaltar que essas atividades ajudam de certa forma a melhorar o desempenho dascrianças com relação à leitura e escrita, pois estão sempre realizando atividades que
    • 43envolvem leitura e escrita, sendo um ponto positivo para a aprendizagem dosmesmos. Sobre a leitura Cagliari (2002, p. 148) fala que: “A leitura é a extensão daescola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de serconseguido através da leitura fora da escola. A leitura é uma herança maior do quequalquer diploma.” Portanto, ler é fundamental para a formação dos alunos e deveser desenvolvida desde cedo em todos os espaços educativos. Através daobservação pudemos perceber que o letramento dessas crianças se apresenta natroca das experiências e histórias vividas ao longo das atividades desenvolvidas naparticipação e atuação no coral.4.2.4 Dificuldades e facilidades no processo educativo Em todo processo educativo existem dificuldades e facilidades para colocá-lasem prática, diante disso perguntamos a professora quais as facilidades e quais asdificuldades que ela encontra para trabalhar com os alunos do Coral. Eis o discursoda mesma: “A dificuldade que encontro é em relação à freqüência e a facilidade é o desenvolvimento das técnicas e o incentivo dos pais.” (Pc) Na fala da professora observamos que nos espaços não-formais tambémexistem dificuldades assim como nos espaços formais de educação a frequência éuma delas. Um ponto positivo apresentado pela entrevistada é o incentivo dos pais,isto vem demonstrar o interesse dos pais por atividades desenvolvidas fora dosespaços formais de educação. Todo e qualquer trabalho desenvolvido com o apoiodos pais é importante e necessário para o bom andamento das atividades eaprendizagem dos envolvidos neste processo.
    • 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através deste estudo buscamos adentrar no mundo do saber construído forados muros da escola, a chamada educação informal, procurando conhecer como sedá a alfabetização e letramento nestes espaços. As reflexões construídas nestetrabalho possibilitaram visualizar mais detidamente o quanto à educação emespaços não-formais tem contribuído na construção do conhecimento das crianças. A problemática do saber ler e escrever se arrasta ao longo dos anos, levandoprofessores e autoridades da área educativa a uma crescente preocupação. A partirdessa constatação muitas são as ações desenvolvidas para corrigir este problema.Saber ler e escrever é importante para todo o indivíduo que quer desenvolver-se,participar do processo político, econômico e social do seu país, não basta apenassaber ler e escrever, é necessário que ele saiba fazer uso do ler e escrever pararesponder as exigências da sociedade atual. Para distinguir o que sabe ler eescrever do que faz uso da leitura e escrita é que surgiu a palavra letramento. Quanto à alfabetização e letramento em espaços não-formais, vale ressaltarque a educação em espaços não formais não substitui a educação formal, mas éuma parceira no processo de construção do conhecimento acessível à sociedade.Essa modalidade de ensino tem uma flexibilidade e diversidade que atrai muitascrianças. Isto é, não segue os padrões regulares de ensino e apresenta uma formadiferenciada de ensinar. É importante ressaltar também que os que freqüentam estes espaços buscamconstruir novos conhecimentos e obter promoção social, conforme pudemosobservar no questionário fechado respondido pelos alunos do Coral. Diante disso,entendemos que os espaços não-formais de certa forma contribuem naalfabetização e letramento dos indivíduos ainda que de forma indireta. Portanto, a sociedade e os envolvidos no processo educativo devem lançar
    • 45um olhar diferenciado para esses espaços e contribuírem de forma efetiva para queesses espaços sejam ocupados por todos os indivíduos da sociedade local para queobtenham um crescimento e desenvolvimento cultural e social. Dessa forma, entendemos que o processo educativo tanto o que ocorredentro da sala de aula regular como a que acontece em espaços não-formais, temsua parcela de contribuição na aprendizagem dos seus alunos. Sendo que, para queessa aprendizagem ocorra de forma significativa é necessário que os que estão àfrente dessa tarefa a de “educar”, tenham comprometimento e responsabilidade paraque os objetivos sejam alcançados com êxito. Este trabalho foi importante por nos permitir conhecer e compreender melhoros processos educativos construídos nos espaços não-formais de educação eidentificar as contribuições do mesmo no processo de aprendizagem de crianças eadolescente que frequentam esses espaços. Através das análises do questionáriorespondido pelos alunos e a entrevista pela professora, conseguimos alcançar osobjetivos propostos na presente pesquisa. Os alunos do Coral foram unânimes emdizer que a sua participação no mesmo contribui de forma efetiva para suaformação, sendo isto também confirmado pela professora entrevistada. Diante disso,fica clara a contribuição dos espaços não-formais para formação das crianças. A realização dessa pesquisa foi importante e significativa para o nossocrescimento profissional e pessoal, pois nos permitiu conhecer outras realidadeseducativas e aprender coisas novas com elas. É imprescindível para todoprofissional em educação conhecer e atuar em outros espaços de educação, poistodo tipo de conhecimento nos enriquece e ajuda a crescer tanto como profissionalquanto como pessoa.
    • 46 BIBLIOGRAFIAALVES, Rubem. O Prazer da leitura. Correio Popular, Caderno C, 19 julho 2001.BOGDAN, R. e Biklen S. K. Qualitative Research for educationa. Boston, Aellynand Bacon, inc; 1982.CAGLIARI, M. G. Aquisição da escrita: questões de categorização gráfica. SãoPaulo, 1999CAGLIARI (orgs.), Diante das letras. Campinas, Mercado de Letras/Associação deLeitura do Brasil (ALB); São Paulo, 2006, FAPESP.CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e Linguística. 10 ed. São Paulo, 2002. EditoraScipione.DRUCKER, P. Sociedade pós-capitalista. São Paulo, Pioneira, 1995.FERREIRO, E. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 1987FREIRE, P.; MACEDO, D. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. 3ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo. 41 ed. Cortez. 2001.GONH, Maria da Glória. Educação Não-formal e Cultura Política. São Paulo, Cortez 1999.GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal e cultura política: impactos sobreo associativismo do terceiro setor. 3 ed. São Paulo, Cortez, 2005.GRESSLER, Lori Alice. Pesquisa educacional: importância, modelos, validadevariáveis, hipóteses, amostragem, instrumentos. 3ª ed. Edições Loyola, São Paulo;Brasil, 1989.LÜDKE, M. E.D.A. MENGA, A Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. SãoPaulo: EPU, 1986.MARCONI, Marina de A &. LAKATOS Eva Marina. Técnicas de pesquisa: planejamento eeducação de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise einterpretação de dados. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1996.MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento científico: pesquisaqualitativa. 2 ed. São Paulo – 1993..MICHALISZYN, Mario Sergio e TOMASINI Ricardo. Pesquisa: Orientações e normas paraelaboração de projetos, monografias e artigos científicos. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia: Teorias da educação. 31 ed.Campinas: São Paulo 1997.
    • 47SOARES, M. B. Letramento, um tema em três gêneros, Belo Horizonte, Ed.Autêntica, 1998.______________.Letramento. Um tema em três gêneros. 2 ed. Belo Horizonte:Autêntica, 2001._______________. Letramento. Um tema em três gêneros. Belo Horizonte:Autêntica, 2003.TEBEROSKY, A. & TOLCHINSKY L. (Org.). Além da Alfabetização: aaprendizagem fonológica, ortográfica, textual e matemática. 4 ed. São Paulo:Ática, 2003.TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e Alfabetização. São Paulo: Cortez, 1995.___________________. Letramento e Alfabetização. 8 ed. São Paulo: Cortez,2006.
    • 48APÊNDICES
    • 49 Apêndice 1UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIIQuestionário fechado aplicado aos alunos do Coral Anjo de Deus da Igreja Católica nomunicípio de Senhor do Bonfim, Bahia. Os dados obtidos através deste questionamento, serão utilizados apenas para o estudo em questão, não sendo revelados os nomes dos pesquisados.Perfil sócio-econômico das crianças1. Sexo[ ] Masculino [ ] Feminino2. Idade[ ] 7 a 9 anos [ ] 10 a 13 anos [ ] 14 a 16 anos3. Escolaridade[ ] 1ª a 4ª série [ ] 5 ª a 8ª série4. A Instituição que estuda é:[ ] Particular [ ] Pública5. Há quanto tempo participa do Coral Anjo de Deus?
    • 50[ ] Um ano [ ] Mais de um ano [ ] Menos de um ano6. A sua participação no Coral tem contribuído para adquirir mais conhecimentos?[ ] Sim [ ] Não7, Você sabe ler e escrever?[ ] Um pouco de cada [ ] Sim [ ] Não[ ] Sei escrever mas não sei ler [ ] Sei ler mas não sei escrever8.O que lhe levou a participar do Coral Anjo de Deus?[ ] O desejo de aprender coisas novas[ ] Aprender a cantar[ ] Para preencher o tempo ocioso9. As atividades realizadas pela sua professora contribuem para a sua formação?[ ] muito [ ] um pouco [ ] não contribuem10. Você tem dificuldade em realizar as atividades desenvolvidas pelo Coral?[ ] Às vezes [ ] pouca dificuldade [ ] muita dificuldade
    • 51 Apêndice 2UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIIEntrevista realizada com a professora do Coral Anjo de Deus da Igreja Católica deSenhor do Bonfim, Bahia. Os dados obtidos através desta entrevista serão utilizados apenas para o estudo emquestão, não sendo revelados os nomes dos pesquisados.O discurso da professora1. Qual o objetivo do Coral Anjo de Deus?2. Há quanto tempo você desenvolve este trabalho?3. Quais as dificuldades que você encontra para trabalhar com as crianças?4. Seus alunos participam frequentemente das atividades realizadas?5. Em sua opinião o Coral contribui na formação dos alunos participantes? Justifique.6. Qual a contribuição do Coral para a sociedade local?7. Em relação à alfabetização e letramento como você avalia seus alunos?
    • 528. Você se preocupa em trabalhar as deficiências de leitura e escrita dos alunos?9. Para você as atividades realizadas no Coral contribuem na formação dos alunos?10. Qual a dificuldade que você encontra para realizar as atividades com os alunos?11. Quais as facilidades que você encontra para trabalhar com as crianças?