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Monografia Fátima Pedagogia 2012
 

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Pedagogia 2012

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    Monografia Fátima Pedagogia 2012 Monografia Fátima Pedagogia 2012 Document Transcript

    • 1 MARIA DE FÁTIMA SOUZA OLIVEIRALETRAMENTO NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PROFESSORES E SUAS PRÁTICAS METODOLÓGICAS Monografia apresentada como pré requisito para conclusão de curso de licenciatura em pedagogia, habilitação e docência em processos educativos, da Universidade do Estado da Bahia- UNEB, Departamento de Educação- Campus Vll. Orientador: Profº Pascoal Eron Santos de Souza SENHOR DO BONFIM 2012
    • 2 MARIA DE FÁTIMA SOUZA OLIVEIRA LETRAMENTO NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PROFESSORES E SUAS PRÁTICAS METODOLOGICASAprovada em ______/______/______ _______________________________ Avaliador _______________________________ Avaliador ___________________________________ Pascoal Eron Santos de Souza Orientador SENHOR DO BONFIM 2012
    • 3 AGRADECIMENTOSA Deus, ser supremo de todo o universo e dono de todas as coisas visíveis einvisíveis que restabelece e revigora as nossas forças e ânimo, quando as vezespensamos em desistir da caminhada, a Ele toda honra, toda glória e todo louvor parasempre.A nossa Senhora de Fátima minha mãe celestial, e intercessora, a quem tenho comodevoção e modelo de mãe, filha, e esposa.Agradeço de modo fraternal, a toda a minha família,e com singular afeto as minhasirmãs Luciana e Cristiana pelo apoio e incentivo, durante essa jornada, e de umaforma especial ao meu esposo Freitas,pela paciência “as vezes”,apoio,compreensão e colaboração com o transporte para chegar até a universidade.Expresso de forma carinhosa o meu sincero agradecimento a todos os meus amigosda turma pedagogia 2008.1por me acrescentarem saberes e experiências duranteesses 4 anos em que estivemos juntos sujeitos aos mesmos desafios, lutas, vitóriase rumo aos mesmos objetivos.Agradeço a compreensão também dos colegas detrabalho pelas vezes em que precisei me ausentar durante esse processo de TCC,aos outros pela compreensão durante o tempo em que me mantive ausente nasrodas de conversas e bate papo.Sou grata de uma maneira particular e especial a minha amiga e companheira dejornada, caminhada,trabalho e de todas as horas, Joseneide Barbosa , com quemsei que posso contar sempre, com a sua linda sincera e genuína amizade,você foipedra angular e fundamental nesta caminhada.Agradeço de um modo especial ainda e admirável ao meu orientador pascoal Eronsem o qual a realização desse trabalho se tornaria mais difícil,pois pude contar coma sua colaboração,paciência,compreensão e seu tempo, todas as vezes em queprecisei ser orientada, presencialmente , via email, ou telefone,sem subterfúgios.Não teria palavras para descrevê-lo,pois é um grande exemplo de sabedoria,simplicidade e humildade o que o torna uma pessoa especial,um profissionalsingular,um modelo e referencial de Educador extraordinário,e indescritível.E por fim aqueles que contribuíram direto ou indiretamente para a concretizaçãodesse trabalho,minha sincera gratidão.
    • 4“Começar a dizer nunca é tarefa simples. E começar a escrevertorna-se trabalho árduo e duplamente complexo” (TFOUNI)“Quem se perde apenas na leitura dos textos dictomizada domundo,e do contexto dos textos, se esborrachaconstantemente.É preciso ter a sensibilidade, a capacidade deler o mundo e não de ler os textos” (PAULO FREIRE)
    • 5 RESUMOEste estudo apresenta algumas reflexões sobre as contribuições das práticasmetodológicas dos professores das séries finais do Ensino Fundamental para oprocesso de formação de sujeitos letrados. A pesquisa que deu origem a estetrabalho foi desenvolvida na Escola Antônio Bastos, situada em Missão do Sahy nomunicípio de Senhor do Bonfim-Ba. Os fundamentos teóricos que embasam estetexto foram construídos a partir da obra de autores como Soares (2006), Kleiman(2005), Freire (2006) Cagliari (1996) e outros. A metodologia utilizada foi de cunhoqualitativo, escolhendo como instrumentos de coleta de dado o questionário fechadoe a entrevista semi-estruturada. Os sujeitos da pesquisa foram os professores doEnsino Fundamental da escola acima mencionada. Pode-se considerar que emboraainda reine algumas confusões referentes aos conceitos de letramento, na maioriadas práticas dos professores, há contribuições para tornar os alunos letrados; noentanto, um dos maiores desafios que a escola precisa enfrentar é possibilitarcondições ao sujeito de ser capaz de fazer uso da leitura e escrita em práticassociais, sendo necessário o seu domínio pleno e a habilidade de interpretar, fazendouso da leitura, respondendo às exigências para inserir-se no mundo letrado.Palavras–chave: Práticas metodológicas, Ensino fundamental, Letramento eAlfabetização.
    • 6 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7CAPITULO I: PROBLEMATIZAÇÃO ......................................................................... 9CAPITULO II:FUNDAMENTOS TEÓRICOS ............................................................ 19 2.1 Letramento: que palavra é essa? ............................................................. 19 2.2 Práticas metodológicas: como se forma leitores? ..................................... 26 2.3 Falando um pouco sobre a educação básica ........................................... 31CAPÍTULO III: METODOLOGIA ............................................................................... 38 3.1 Instrumentos da Pesquisa ........................................................................ 40 3.1.1 Entrevista ............................................................................................... 40 3.2 Lócus da pesquisa .................................................................................... 41 3.3 Sujeitos da pesquisa ................................................................................. 41CAPÍTULO IV: ANALISANDO E INTERPRETANDO OS RESULTADOS ............... 43 4.1 Perfil dos sujeitos ................................................................................... 43 4.2 Análises das Entrevistas ........................................................................ 45 4.2.1 A compreensão que os docentes tem sobre Alfabetização e Letramento ........................................................................................... 46 4.2.2 A quem cabe a tarefa de alfabetizar: ........................................... 48 4.2.3 Alunos que chegam nas séries finais do Ensino Fundamental sem dominar a Leitura e a Escrita: .............................................................. 50 4.2.4 Práticas metodológicas dos professores que contribuem para o letramento ............................................................................................ 57 4.2.5 Como a escola tem contribuído para o letramento dos alunos ... 62 4.2.6 Algumas considerações dos nossos entrevistados sobre as práticas metodológicas, seus objetivos e a importância do letramento para a formação dos nossos alunos..................................................... 685 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 75REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 78APÊNDICES...............................................................................................................81
    • 7 INTRODUÇÃO A reflexão sobre o emprego do letramento vem ganhando espaço e vemsendo de fundamental importância, para uma aprendizagem significativa, merecendoum olhar mais acentuado para práticas de ensino que levem o aluno a se inserir empráticas de leitura e escrita de forma competente e autônoma, o que simplesmenteler e escrever não possibilitam. Ensinar a ler e a escrever dentro desse contexto deLetramento ainda constitui um desafio, uma vez que ainda se traz marcas de umensino voltado para práticas mecânicas que em nada ajudavam o aluno a serprodutor do seu próprio conhecimento, não sendo capaz de interpretar o que lê, masao contrário serviu muito para que ele apenas reproduzisse o que aprendeu. Neste sentido, a inquietação e o interesse por desenvolver este trabalhosurgiu no período de observação do estágio nas séries iniciais do ensinofundamental no 7º semestre onde foi possível perceber a inexistência de práticaspedagógicas voltada para o trabalho na perspectiva do letramento, das crianças e apartir daí outra inquietação, saber como se dá o trabalho com o letramento nasséries finais do ensino fundamental. Dentro deste enfoque, é que este trabalho se direciona, a partir daproblemática que é saber qual a compreensão que os professores da escolamunicipal Antônio Bastos de Miranda em Missão do Sahy comunidade situada a 8quilômetros de Senhor do Bonfim, tem sobre ensinar letrando e suas intervençõespedagógicas para a viabilização desta proposta. Diante disso, pretendemos descobrir como se dá esse processo, e podercontribuir para que práticas de aprendizagem significativa venha ocorrer mais noensino e aprendizagem. Autores a exemplo de Soares (2006), Kleiman (2005), Freire( 2006) sãoalguns entre outros que se destacam para ratificar e respaldar o nosso estudo noque se refere a letramento.Sobre formação de leitores buscaremos subsidio emDelia Lenner (2002), Arroyo (2011), Cagliari (1998), outros... e para falar sobre oensino Fundamental buscaremos nos respaldar primordialmente nos ParâmetrosCurriculares Nacionais (PCNs) outros.
    • 8 Este trabalho está constituído com quatro capítulos, sendo que no primeirotemos a explanação mais ampla do que vem a ser letramento, buscando responderatravés das etapas que serão percorridas, o problema em questão. No segundocapitulo trazemos para discussões alguns teóricos que fundamentam o nossoestudo. No terceiro capitulo trazemos os caminhos percorridos a metodologia, e osnossos instrumentos de coleta de dados.No quarto, apresentamos a interpretaçãodos resultados da nossa pesquisa, e por fim algumas considerações.
    • 9 CAPITULO I1 PROBLEMATIZAÇÃO Falar sobre o contexto educacional fazendo abordagens sobre o processo deensino aprendizagem atrelado à pratica educativa, não é tarefa fácil,ao mesmotempo que parece ser redundante diante da explanação sobre o assunto por váriosautores que tem bastante competência para discutir determinados temas. No entanto, faz-se necessário cada vez mais estudos significativos, quecontribuam através de práticas educativas concretas, aprendizagens significativasde forma que possibilitem a inserção do sujeito na sociedade, de maneiracompetente, critica e autônoma. A importância da leitura e da escrita na escola, é um fator importante quemove todo o sistema educacional a fim de possibilitar o aluno a adquirir essashabilidades de forma que ele seja capaz de exercer essas funções de maneiraeficiente nas mais variadas situações em que se faz exigência. Embora seja um dos principais objetivos da escola, levar o aluno ler eescrever com eficácia, ainda percebemos que muito precisa ser feito em relação àaquisição dessas habilidades por parte do aluno e conseqüentemente por parte daescola e de todos os envolvidos no sistema de ensino, pois não é satisfatório ainda,o nível de leitura que apresentam os nossos alunos, demonstrando dificuldades dese inserir em práticas sociais de leitura e escrita, na sociedade em que vive,ou seja,sem um nível de letramento. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) 2001 apontam que: Sabe-se que os índices brasileiros de repetência nas series iniciais,inaceitáveis mesmo em países muito pobres, estão diretamente ligados à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever. Essa dificuldade expressa-se com clareza nos dois gargalos em que se concentra a maior parte da repetência:no fim da primeira serie(ou mesmo das duas primeiras) e na quinta serie.No primeiro, por dificuldade em alfabetizar;no segundo, por não conseguir garantir o uso eficaz da linguagem, condição para que os alunos possam continuar a progredir até, pelo menos, o fim da oitava série (p.19). Assim analisando a partir desse pressuposto, fica claro percebermos aamplitude do processo de ensino e aprendizagem, voltados para a pratica educativa,
    • 10e que as deficiências encontradas no nível de aprendizagem dos alunos, sãoatribuídas a varias instancias, tanto de ordem educacional, quanto social. Sobre isso Zabala (1998) diz que: Nosso argumento consiste em uma atuação profissional baseado no pensamento prático, mas com capacidade reflexiva. Sabemos muito pouco sem dúvida, sobre o processo de ensino e aprendizagem, das variáveis que intervém e de como se inter-relacionam nas situações de ensino: tipo de atividade metodológica, aspectos materiais da situação estilo do professor, relações sociais, conteúdos culturais, etc (p.15-16). São muitos os fatores envolvidos, e que contribuem para a ineficiência daaprendizagem significativa, muitos desses fatores estão relacionados diretamente àpratica educativa Libâneo (2009) Acentua que: É importante para o professor, tomar consciência do que faz, ou pensa, a respeito da sua pratica pedagógica. Ter uma visão critica das atividades e procedimentos na sala de aula, e dos valores culturais de sua função docente, adotar uma postura de pesquisar e não apenas de transmissor ter um melhor conhecimento dos conteúdos escolares e das características e desenvolvimento de seus alunos (p.33). Sabemos o quanto é importante para o professor(a), no que se refere à suaformação, conhecimentos básicos e indispensáveis que possibilitem um ensino dequalidade através de suas práticas educativas e suas intervenções metodológicas, apartir de dificuldades evidenciadas na aprendizagem do aluno, para que este possaaplicar na sociedade em que está inserido, conhecimentos eficazes e úteisaprendidos na escola. Embora a utilidade do que se aprende seja pouco aplicada no contexto social,devido a alguns fatores ainda deficientes no processo de ensino, é possível sempreque depender do professor, refletir sobre suas práticas, para resultados maissatisfatórios. Mais uma vez Zabala (1998) intervém: (...) o conhecimento que temos hoje em dia é suficiente, ao menos para determinar que existem atuações, formas de intervenção, relações professor-aluno, materiais curriculares, investimentos de avaliação, etc. que não são apropriados para o que pretendem. Existem atividades de ensino que contribuem para a aprendizagem, mas também existem atividades que não contribuem da mesma forma, e que é outro dado a ser levado em conta. A intervenção pedagógica tem um antes e um depois que constituem as peças substanciais em toda a prática educacional (p.16-17).
    • 11 Diante desse contexto onde percebemos a deficiência especialmente emleitura e escrita, precisam de um reforço e atuação maior, no sentido de viabilizar,com eficiência a pratica da leitura e da escrita para que o aluno possa utilizar demaneira competente essas habilidades em seu contexto social. Os parâmetros curriculares nacionais PCNs (2001), vem subsidiar: Desde o inicio da década de 80, o ensino de língua portuguesa na escola, tem sido o centro da discussão acerca da necessidade de melhorar a qualidade de educação no país. No Ensino Fundamental o eixo da discussão, no qual se refere ao fracasso escolar, tem sido a questão da leitura e da escrita. Essas evidencias de fracasso escolar apontam a necessidade da reestruturação do ensino de língua portuguesa, com o objetivo de encontrar formas de garantir, de fato, a aprendizagem da leitura e da escrita (p. 15). Analisando através dessa vertente, e de que a função social da escola, éprimordialmente o ensino da capacidade de ler e escrever, e que estas capacidadesdevem ser adquiridas desde as series iniciais do Ensino Fundamental, requer umaênfase mais especial no ensino de língua portuguesa, mas isso não implica que étão somente função do professor de língua portuguesa. Castanheira (2009) acentua que: As ações de ensinar a ler e de ensinar a escrever, não se esgotam nas séries iniciais. Essas ações não são tarefa exclusiva do alfabetizador mas trabalho conjunto de toda a escola, de todos os profissionais que atuam com os alunos ao longo de sua vida escolar. Os professores de artes, geografia, história, Ed. Física, de matemática, todos enfim, devem ter compromisso com o desenvolvimento das capacidades de leitura e escrita dos alunos (p.83). Dentre essas competências de ler e escrever como uma função de cadaprofessor, nos remetemos especificamente para o uso da leitura e da escrita noscontextos sociais, não de maneira mecânica, mas no sentido do letramento, queconforme (KLEIMAN 1995) é a apropriação da leitura e da escrita nos contextossociais, e não a decodificação de palavras. É tarefa conjunta e continua de todo professor esteja ele atuando em qualquerdisciplina ou segmento adotar a responsabilidade de levar o aluno a ler e escrever eque essa leitura e escrita faça sentido que tenha importância na vida do aluno, e nãoseja mecânica e desvinculada das práticas onde será necessário fazer uso, pois édesnecessário e não faz sentido ensinar o aluno ler sem que este compreenda oufaça uso da finalidade que tem determinadas leituras.
    • 12 Ainda segundo Kleiman (1995): Letramento é um conjunto de práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico, e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos. A leitura e a escrita fazem parte de atividades sociais, tais como ler um jornal ou pagar contas. Dai a importância de se encarar a leitura e a escrita não só como atividades com um fim em si mesmas, mas como atividades que servem a um propósito. Analisar esse propósito deve ser parte de um modelo mais eficaz de letramento (p. 24). Sendo assim o domínio da leitura e da escrita é condição elementar para ainserção e participação do sujeito na sociedade dessa habilidade a ser adquiridadesde as series iniciais, e aperfeiçoando nas séries posteriores. Ainda conforme os PCNs (2001): Cabe à escola, promover a sua ampliação de forma que, progressivamente durante os 8 anos do Ensino Fundamental, cada aluno se torne capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações (p. 23). Fica claro, portanto, a responsabilidade atribuída à escola, comofundamentais para a aquisição desse processo de letramento, onde é possível que oprofessor esteja sempre aperfeiçoando a sua prática de ensino, mediante as devidasintervenções, para que aconteça a viabilização desse processo, para isso éimportante conhecer, pois, não é possível intervenção, sem compreensão do objetosobre que se pretende atuar ou se está atuando (FREIRE 2009). A realidade da educação hoje bem como dos níveis de ensino eaprendizagem por serem amplos e abrangentes, requerem uma atenção especial,quanto ao seu desenvolvimento, no sentido de compreender, de que maneira estãosendo trabalhados, para que possibilitem uma aprendizagem significativa, o queremete a uma série de fatores envolvidos, entre eles, as práticas pedagógicastrabalhadas, que devem ser e estar em constante aperfeiçoamento e reflexão, porparte do professor, pois é ele em primeira instancia, que possibilita através de suaspráticas em sala de aula, momentos que visam, a aprendizagem de elementosimportantes para que o aluno aprenda e use em sua vida cotidiana o que aprendeu. Mais uma vez os PCNs (2001) enfatizam: Quando entram na escola, os textos que circulam socialmente cumprem um papel modalizador, servindo como fonte de referencia, repertório textual e suporte de atividades. A diversidade textual, que existe fora da escola pode e deve estar a serviço da expansão do conhecimento letrado do aluno, o
    • 13 conhecimento dos caminhos percorridos pelo aluno favorece a intervenção pedagógica e não a emissão, pois permite ao professor ajustar a informação oferecida às condições de interpretação em cada momento do processo (p. 34 e 35). Analisando a luz dessa afirmação, fica claro perceber, que é de extremarelevância o ensino e práticas pautadas no objetivo de levar o aluno a utilizar o quefoi aprendido, de maneira satisfatória e eficiente, pois deve ser esse o papelprimordial da escola. Pedro Demo (2005) enfatiza: Mais do que nunca, deve ficar claro que o conhecimento reconstruído é a base da intervenção, não só na cabeça, mas igualmente na vida concreta.Assim é decisivo saber mostrar por que matemática é necessário para a cidadania das pessoas, ou por que falar bem a língua materna faz parte do cidadão participativo, ou por que alfabetizar-se é questão chave do combate à pobreza política da população (p. 46). É fundamental que o professor tenha clareza e conhecimento do que seensina como se ensina e para que se ensina, a escola é um cenário deconhecimento e descobertas do que vem a ser importante na vida do aluno paraque use lá fora no meio social em que vive e não um transmitir de conteúdos semimportância as vezes, sem intervenção para se tornar claro por que serve e comoiremos utilizar. Ainda Demo (2005) Neste sentido a feitura de material didático próprio não deságua no aperfeiçoamento da aula, ainda que isto possa ocorrer, porque o mais natural será sua revisão radical. Em vez da exposição copiada, por ser inútil e imbecilizante, torna se necessário o trabalho conjunto, dinâmico, critico e criativo. E é preciso pois recolocar as questões tendo como parâmetro a competência que é mister forjar na escola. Se queremos um cidadão competente, formal e politicamente, a aula meramente expositiva, apenas atrapalha, e faz da escola acentuadamente uma perda de tempo. Será mister preferir didáticas reconstrutivas, que sejam mais aptas a estabelecer o relacionamento fecundo de sujeitos. (p. 46). No entanto a realidade do cenário educacional brasileiro, quanto a um nívelde aprendizagem significativa, requer um trabalho voltado para a concretização depráticas voltadas neste sentido, que permita ao aluno a sua atuação de maneirasignificativa em seu contexto social, através dos conhecimentos adquiridos naescola. Vigotsky (2004) ressalta que: Para a educação atual não é importante ensinar certo volume de conhecimento, quanto educar a habilidade para adquirir esses
    • 14 conhecimentos, e utilizá-los. Isso se obtêm apenas no processo de trabalho (48). As deficiências encontradas e percebidas na aprendizagem e na atuação doaluno em contextos sociais,são percebidas de maneira clara, especialmente quantoa habilidade de leitura e escrita, pois é possível perceber desde as séries iniciais,que os alunos apresentam inúmeras dificuldades quanto a compreensão einterpretação do que se lê, apenas decodificando, na maioria das vezes, o que nãotorna um aluno letrado e atuante. É bastante expressiva a fala de Paulo Freire (2006) quando diz: Ensinar não é encher a cabeça dos educandos de conteúdos, isso é a concepção mágica do poder dos conteúdos, como se bastasse você ensinar matemática, geografia, isso e aquilo aos meninos populares e no dia seguinte, ganhassem a independência.A questão para mim é saber o que é ensinar e como ensinar.uma pedagogia como essa está preocupada em como é que o sujeito que conhece se aproxima do objeto a ser conhecido para dissecá-lo.o exercício de tornar-se capaz de ler e escrever exige, de quem realmente aprende, uma postura de sujeito que cria o próprio aprendizado.Aprender é uma expressão de quem cria e não de quem é teleguiado ( p.64).Sendo assim, quando o professor tem claro o que quer que os seus alunosaprendam e para que aprender, será possível proporcionar uma aprendizagemsignificativa que vai além de fazer apenas leituras mecânicas. Pois, conformeacentua (FREIRE, 2006) É preciso ter a sensibilidade a capacidade de ler o mundo,e não de ler os textos.Os PCNs (2001) vem acentuar: É preciso superar algumas concepções sobre a aprendizagem inicial da leitura. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. Por conta dessa concepção equivocada, a escola vem produzindo grandes quantidades de “leitores” capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler (p. 55). O que se percebe é que as dificuldades que acontecem desde as sériesiniciais, causam conseqüências bastante complicadas, quando não sanadas emtempo hábil e devido, gerando falhas e deficiências nos anos de escolaridadeposterior. É preciso pois uma reflexão do ponto de vista estrutural do currículoescolar de modo que o alcance das habilidades de leitura e escrita na perspectiva doletramento, aconteçam em todos os segmentos escolares, de forma continua ecompetente.
    • 15 Magda Soares (2006) diz: A conclusão de determinada serie escolar tem pouca validade como critério para avaliação do letramento, porque ainda não é oferecido o ensino fundamental para todos, e a organização e controles escolares são, em geral, tão precários que uma grande parte das crianças que conseguem ter acesso à escola ou a abandonam, depois de completar dois ou três anos de escolarização fundamental, ou repetem a mesma serie diversas vezes (em geral a primeira serie) justamente por causa do índice de reprovações e das repetências decorrentes delas, a conclusão da 4ª serie, por exemplo (em geral selecionada como linha divisória entre analfabetismo e letramento) representa com freqüência, na verdade, seis, oito, ou dez anos de escolarização (p. 98-99). Fica claro uma compreensão, a partir da fala abordada pela autora, como seconstata através da realidade em que se encontra o ensino e a aprendizagem, quehá vários fatores envolvidos, que ao final precisam ser reformulados ereorganizados para que se alcancem seja em qualquer tempo de escolaridade,aluno aptos a utilizarem os conhecimentos adquiridos na escola de maneiraefetivamente letrada em sua vida social , profissional e em outras esferas. É precisopossibilitar as necessárias intervenções para sanar problemas em tempo hábil epreciso, não permitindo que uma ineficiência que aconteceu na série anterior seperdure na série posterior. É necessário consciência,intervenção e açãosimultaneamente por parte do professor. Carvalho (2010), diz que: Não há uma causa única para se explicar a situação a que chegamos, mais de 90% das crianças brasileiras têm acesso á escola fundamental, mas boa parte delas não consegue aprender a ler, ou leva muitos anos para alcançar um nível rudimentar l de leitura e escrita. Os resultados nacionais em prova de leitura e escrita, para alunos de 15 anos são lastimáveis (p. 75). De todas as deficiências existentes neste processo, resulta o que estádenominado de analfabetismo funcional. Soares (1995), explica: Só recentemente esse termo se tem mostrado necessário, porque só recentemente começamos a enfrentar uma realidade social em que não basta simplesmente “saber ler e escrever”, dos indivíduos já se requer não apenas que dominem a tecnologia do ler e do escrever, mas também que saibam fazer uso dela, incorporando-a a seu viver, transformando-se assim em “estado”! ou “condição”, como conseqüência do domínio dessa tecnologia (p. 7).
    • 16 O papel da escola e especialmente do professor, quanto as suas práticaseducativas é preponderante para diminuirmos a quantidade de pessoas que nãofazem uso da leitura e da escrita, e aumentarmos a qualidade desse processo. A reflexão por parte do professor quanto às suas práticas metodológicascomo intervenção, no processo de aprendizagem é de uma relevância singular. Soares (2003), ainda enfatiza: Há necessidade de rever e reformular a formação do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental de modo a torná-los capazes de enfrentar o grave reiterado fracasso na aprendizagem inicial da língua escrita nas escolas brasileiras. Se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas, talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil (p. 9). É portanto condição primordial e indispensável o conhecimento e aplicaçãode práticas voltadas para o favorecimento de alunos competentes na leitura, e que eque se utilize dela nas mais diversas situações. Cabe ao professor em seu segmento ou área de ensino, contribuir, uma vezque é papel fundamental do professor das séries iniciais, fazer com competênciaque isso venha a se concretizar, cabe aos professores das séries seguintes darcontinuidade a esse processo tão relevante e indispensável. A prática conjunta neste processo será essencial, uma vez que possibilitaráao aluno, inserir-se de modo letrado e competente fazendo uso do que aprendeu. Kleiman (1995) vem subsidiar: O conjunto de práticas desenvolvidas nas escolas para aprender os usos da língua escrita, é o que vem a ser letramento escolar. Envolve não só o ensino de português mas também a leitura e a escrita praticadas nas demais disciplinas, os textos que circulam e o modo pelo qual os processos dirigem, orientam e avaliam a leitura e escrita dos alunos.No processo de letramento escolar, alunos lidam com diversos tipos de textos; livros (didáticos, literários, dicionários, atlas, enciclopédias etc), exercícios, provas, cartazes, avisos, murais, boletins, cartas, folhetos, circulares, agendas e outros. Quanto mais intensivo forem o contato, a apropriação e a utilização destes diferentes tipos de escrita, mais efetivo será o letramento escolar (p. 20). É com o comprometimento, envolvimento, conhecimento e reflexão doprofessor em suas práticas, que se pode avançar no sentido de não permitirpropagar o quadro de analfabetismo funcional de modo que se trabalhe na
    • 17perspectiva de fazer com que o aluno aprenda a fazer uso da leitura e da escrita demaneira competente desde as series iniciais, em todo o tempo das séries finais e seprolongando por toda a educação básica, para que suas conseqüênciasdegradantes não cheguem até mesmo ao ensino superior. Muitas discussões (e pontos de vista) atribuem a responsabilidade muitogrande somente ao professor das séries inicias por ser a base de toda formaçãoelementar e fundamental da aquisição da leitura e escrita, no entanto,estaresponsabilidade não pode ser somente de determinado professor nem dedeterminado tempo escolar (séries iniciais, finais, ensino médio e superior) mas emconjunto e objetivos únicos e articulados em todas as esferas para que se consolidea atuação de alunos letrados. É considerável que precisamos ter um olhar mais atento e ações maiseficazes, quando percebemos que ainda existe muitas falhas e até possíveisnegligências quanto a propostas ou práticas que venham consolidar ou promover umquadro mais insinuante e progressivo de alunos letrados, ou seja, que não selimitem somente a ler sem fazer uso do que esta escrito ou até mesmo nãocompreender de fato, mas que sirva para a sua atuação, inserção e mobilização nasociedade em que vive. Destacamos que foi diante de uma experiência enquanto professor atuante eenquanto aluno do curso de pedagogia em tempo de estágio, por percebermos ainexistência de práticas que torne o aluno letrado e que muitas das práticasaplicadas estão mais propensas a se propagar o quadro de analfabetismo funcionaldo que de alunos plenamente letrados, o que evidenciava a quantidade de alunosque liam e escreviam e não tinham compreensão desses atos, é que interessou esurgiu a minha problemática que é saber: Quais práticas dos professores deséries finais do ensino fundamental da escola Antônio Bastos, contribuempara a formação de sujeitos letrados? Os principais objetivos deste estudo são: • Identificar as práticas pedagógicas utilizadas pelos professores da referida escola que contribuem para a formação de alunos letrados.
    • 18• Analisar se as referidas práticas realmente se efetivam e são válidas para a promoção de aluno letrados.• Refletir sobre a importância e o papel do professor na articulação e intervenções para uma aprendizagem significativa, eficiente para a propagação do letramento no âmbito escolar.
    • 19 CAPÍTULO II2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS Fazendo uma abordagem melhor explanada do tema em estudo e questãosobre as práticas pedagógicas que favorecem o ensino e a aprendizagem de alunosletrados, como o objetivo de identificar como os professores das séries finais doensino fundamental trabalham no sentido de possibilitar ao aluno a aquisição doletramento no contexto escolar de maneira que se possa usar também fora dessecontexto, é que se faz necessário uma reflexão baseada em alguns elementosteóricos que fundamentam e sustentam a construção e elaboração deste trabalho. Neste sentido vale ressaltar que a contextualização no cenário teórico querespaldam o tema em estudo, nos faz pensar e refletir a nossa prática de forma aampliarmos condições de favorecer aos nossos alunos, uma aprendizagemsignificativa, que seja útil e eficaz em todas as esferas da sua vida, não serestringindo somente ao âmbito escolar.2.1 Letramento: que palavra é essa? As mudanças que vem ocorrendo no sistema de ensino ao longo do tempo,especificamente em se tratando das práticas pedagógicas de ensino eaprendizagem, merecem atenção e um olhar novo onde possamos perceber oucompreender o que induz ou o que está por trás de tantas mudanças no sistema deensino, suas nomenclaturas, novas teorias e novas práticas. Durante muito tempo na história da educação do país, buscou-se elaborarplanos e lutar por campanhas ou programas de erradicação do analfabetismo, noentanto muito dessas lutas, voltadas para a quantidade de pessoas a seremalfabetizadas e não a qualidade, tiveram muitos insucessos, o que perdura até hojecom o advento ou a nova nomenclatura do analfabetismo funcional (CARVALHO,2010). Apesar do termo letramento já está um pouco saturado e até redundante nosentido de trabalhos e pesquisas, na prática merece mais destaque e concretização
    • 20no sentido de incorporar às nossas práticas pedagógicas este método tãosignificativo, e rico em aprendizagem. O letramento apareceu a primeira vez no cenário educacional com acontribuição de Mary Kato em 1986 em sua obra escrita:Uma perspectivapsicolingüística.E dois anos depois passa a representar no discurso da educação aoser definido por Leda Verdiani Tfouni em: Adultos não alfabetizados o avesso dosavessos. Magda Soares (2006) explica com muita precisão sobre o surgimento dessetermo aqui n Brasil: É curioso que tenha ocorrido em um mesmo momento histórico, em sociedades tão distanciadas geograficamente quanto socioeconomicamente e culturalmente, a necessidade de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançados e complexas que as práticas de ler e do escrever resultante da aprendizagem do sistema de escrita.Assim é em meados dos anos de 1980, que se dá simultaneamente a invenção do Letramento no Brasil, literacy do inglês, Iletrisme, na França, da Iletracia, em Portugal, para nomear fenômenos distintos daqueles denominados Alfabetizaçao, alphabetisation.Letramento é uma terminologia não dicionarizada que, nos meios acadêmicos, vem sendo utilizado com diferentes sentidos (p. 5). O fato desse termo surgir destaca a importância que tem o ato da leitura e daescrita de maneira relevante para uma necessária participação efetiva e competentenas práticas sociais e profissionais que envolva a língua escrita, pois tanto aaquisição quanto a desapropriação destas habilidades favorece a sociedade comoum todo ou impedem o seu êxito. Toufoni (2006) diz que: “A ausência tanto quanto a presença da escrita emuma sociedade são fatores importantes, que atuam ao mesmo tempo como causa econseqüência de transformações sociais, culturais e psicológicas às vezesradicais.”(p.54). Cada vez mais esse termo veio ganhando espaços e inserido de maneiramais destacada com as autoras Ângela Kleiman e Magda Soares que ao discutiremsobre a origem do letramento, afirmam que o termo começou a ser utilizado no Brasilpor especialistas das áreas de educação e das ciências lingüísticas. Magda soeres (2003) diz:
    • 21 A invenção do letramento por nós se deu de maneira diferente (caminhos) daqueles que explicam a invenção do termo em outros países Como França e Estados Unidos (neste a discussão de letramento) fez e se faz de forma Independente em relação à discussão da alfabetização. No Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada no conceito de alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempre proposta na produção acadêmica, a uma inadequada e inconveniente fusão dos dois processos que prevalecia do conceito de letramento (p.8). Vale sempre ressaltar sobre a origem, significado e importância do que vem aser Letramento e que se torne claro para todos os envolvidos no processo de ensinoe aprendizagem, que sua aplicação e viabilização no sentido de propor benefícioseficazes para que o aluno se aproprie dessa habilidade da aquisição de Leitura eEscrita de maneira interativa na sociedade em que está inserido e em outroscontextos. Magda Soares (2006) sublinha: Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprendeu a ler e escrever.implicita neste contexto está a idéia de que a escrita traz conseqüências sociais, culturais,políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzido, quer para o individuo que aprenda a usá-lo.Letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e escrever, o estado ou condição que adquire um grupo social ou um individuo como conseqüência de ter se apropriado da escrita (p.17-18). O que se constata é que apesar do termo ser descoberto ou trabalhado amais de 20 anos, não se percebe muito de maneira expressiva um índice quedemonstre um número de pessoas letradas hoje, para muitos é como se estivessemtrabalhando pela primeira vez, uma vez que pesquisas apontam para o índice deanalfabetismo e de analfabetos funcionais, caracterizado por pessoas que lêem eescrevem, mas não se apropriam da leitura e da escrita em contextos sociais. Ângela Kleiman (1995) explica: Pessoas letradas são aquelas que fazem uso da sua palavra em suas múltiplas formas de linguagem(corporal,escrita,falada,ou visual) para a comunicação de seus pensamentos.Novas exigências de leitura e escrita estão sendo apresentadas ao brasileiro a cada novo ano. E com isso damos as boas vindas ao termo letramento em substituição ao tão surrado alfabetismo. Com essa visão compreendemos o processo de Letramento como sendo a leitura do mundo diário, do mudo interior e exterior de cada ser humano, o fato de não encontrarmos o vocábulo Letramento no Brasil até meados da década de 80, reflete a importância dada em nossa cultura ao papel de leitura e escrita na vida dos brasileiros e sua variação em diferentes contextos culturais (p. 18).
    • 22 Analisando todo esse contexto da inserção do termo Letramento no cenárioda educação brasileira, é importante percebermos e isso se evidencia nasdeficiências de ensino e aprendizagem, que muito precisa ser feito para queviabilização desta proposta seja de fato inserida no sistema educacional de maneiraprogressista e significativa que propicie ao sujeito fazer uso da leitura e da escrita nocontexto social em que se encontra, e que como já dizia o mestre a leitura dapalavra seja precedida da leitura de mundo (FREIRE, 1992). É necessário criar mecanismos para mudar o cenário educacional presenteainda com metodologias totalmente tradicionais, não que se despreze totalmente, eque não seja em muitos aspectos dotada de significados, mas que abra espaçopara o novo quando é positivo, que não use a leitura e a escrita apenas comodecodificação ou conteúdos que não fazem sentido, mas que estimule, para que oaluno possa usar o que aprendeu em funções e situações sociais em toda a suavida. Soares (2003) pontua com muita precisão: Afinal o que é letramento, letrar é muito mais do que alfabetizar é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham um sentido e faça parte da vida do aluno. O letramento tem como objeto de reflexão de ensino ou de aprendizagem, os aspectos sociais da língua escrita. Assim como objetivo o letramento no contexto do ciclo escolar, implica adotar na alfabetização uma concepção social da escrita, em contraste com uma concepção tradicional que considera a aprendizagem da leitura e produção textual como a aprendizagem de habilidades individuais.Letramento é um termo novo que surgiu nos últimos anos e que supera a alfabetização, acontece antes e durante a alfabetização e continua para todo o sempre. O aluno precisa saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura escrita (p.23). Assim como se faz necessário ao aluno saber fazer uso das habilidades deleitura e escrita antes de mais nada cabe ao professor e a todo o sistema de ensinoviabilizar através das práticas metodológicas não somente no contexto diário da salade aula, mas em várias situações em que se faça exigência. Uma vez quecompreendermos a relevância de se aprender nessa perspectiva de não sódecodificar letras, mas essencialmente compreender o sentido real de uma palavra,frase ou texto entenderemos que ser Alfabetizado e Letrado é muito diferente de serapenas alfabetizado e não fazer uso da leitura e da escrita em contextos sociais, eque mesmo não sendo alfabetizado mas ser Letrado este último ainda é imperioso. É ainda Magda Soares (2006) quem enfatiza:
    • 23 A pessoa que aprende a ler e escrever- que se torna alfabetizada e que passa a fazer uso da leitura e da escrita, a envolver-se nas práticas sociais de leitura e de escrita-que se torna letrada- é diferente de uma pessoa que não sabe ler e escrever- é analfabeta- ou, sabendo ler e escrever, não faz uso da leitura e da escrita- é alfabetizada mas não é letrada, não vive no estado ou condição de quem sabe ler e escrever e pratica a leitura e a escrita (p. 36). É importante destacarmos com muita relevância,o sentido e o papel doletramento em todos os espaços e segmentos escolares, pois este processo não seda somente no ciclo da alfabetização nas séries iniciais, mas se propaga por váriossegmentos de ensino condicionando tornar pessoas letradas desde cedo, daeducação de base,no entanto, é constante a associação de Letramento eAlfabetização embora os dois termos não se dissocie, há um período natural e hábilpara que o individuo possa se alfabetizar,mas a aprendizagem no processo deletramento acontece a vida toda. E sendo assim direcionamos para outra vertente que na verdade confirma oquanto é amplo o sentido da prática do letramento e que com conhecimento destaproposta fica mais viável e possível aplicarmos às nossas práticas pedagógicasonde se priorize acima de tudo o que é significativo para o aluno dentro de seucontexto. Kleiman (2005) pontua: O professor precisa ter autonomia para decidir sobre a inclusão daquilo que pode e deve fazer parte do cotidiano da escola, porque é legítimo e irremediavelmente necessário, por outro lado, saber a exclusão daqueles conteúdos desnecessários e irrelevantes para a inserção do aluno nas praticas letradas, que parece-nos persistir por inércia e tradição.Finalmente é importante também que haja uma negociação daquilo que pode não interessar momentaneamente o aluno mas precisa ser ensinado pela sua real relevância em nossa cultura e sociedade (p.19). Faz-se necessário que a reflexão e a tomada de decisões por parte dosenvolvidos no processo de ensino seja propicio a favorecer uma aprendizagem quefaça sentido para a vida do aluno ao longo de sua vida, que o ato de ensinar nãoseja feito de maneira mecânica e com fim somente para trabalhar conteúdos pré-estabelecidos, mas que sejam sempre modificados e aperfeiçoados paraproporcionar aprendizagens que sejam úteis em todas as esferas da vida doaprendiz.
    • 24 Scribner (1984) apud kleiman (2005) reforça a importância do letramentofuncional ou de sobrevivência, ao escrever: A habilidade de letramento em nossa vida diária é óbvia, no emprego, passeando pela cidade, fazendo compras, todos encontramos situações que requerem o uso da leitura ou a produção de símbolos escritos. Não é necessário apresentar justificativas para insistir que as escolas são obrigadas a desenvolver nas crianças, as habilidades de letramento que as tornarão aptas à responder a estas demandas sociais cotidianas.E os programas de Educação Básica tem também a obrigação de desenvolver nos adultos habilidades que devem ter para manter seus empregos ou obter outros melhores, receber treinamentos, e os benefícios que tem direito e assumir suas responsabilidades cívicas e políticas (p.73). Considerando o papel do professor como de fundamental importância umavez que é ele quem está em contato direto com o sujeito é de extremaresponsabilidade e compromisso consolidar esta proposta pois o ato de ensinarrequer uma metodologia e uma prática que está sempre atrelada a uma teoria. Sobre isso Soares (2003) refere-se: De certa forma o fato de que o problema da aprendizagem da leitura e de escrita tenha sido considerado no quadro dos paradigmas conceituais, “TRADICIONAIS”, como um problema sobretudo metodológico, contaminou o método de alfabetização atribuindo-lhe uma concepção negativa: é que quando se fala em metodologia da alfabetização por exemplo identifica-se metodologia imediatamente métodos com os tipos tradicionais de métodos- sintéticos e analíticos(fônico, silábico, global, etc.) como se esses tipos esgotassem todas as alternativas metodológicas.Para a aprendizagem da leitura e da escrita talvez se possa dizer que para a prática da alfabetização tenha-se anteriormente um método e nenhuma teoria:Com as mudanças de concepção sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita, passa se ter uma teoria e nenhum método (p. 110). Podemos perceber que com as mudanças nos sistemas de ensino, e com achegada de novas palavras no cenário educacional, ainda perdura dúvidas, e geraainda muitos conflitos causando as vezes desentendimento quanto a elucidação dedeterminadas propostas, teorias, práticas e metodologias a serem aplicadas oudesenvolvidas.É preciso uma compreensão a cerca de muitas nomenclaturas novasem educação e que antes de serem desenvolvidas sejam entendidas e esclarecidaspara que não gere transtornos e objetivos contrários ao que se propõem quando sedecide adotar ou trabalhar na perspectiva de determinadas propostas inclusive doletramento. Como enfatiza Soares (2006) “Letramento é uma palavra ainda desconhecidaou mal entendida, ou ainda não plenamente compreendida pela maioria das
    • 25pessoas, porque é palavra que entrou na nossa língua há muito pouco tempo”(p.19). Fica claro que as devidas e necessárias intervenções no que concerne àspráticas de Letramento para possibilitar ao aluno fazer uso da leitura e escrita emcontextos sociais é tarefa fundamental do professor que está atuando e em contatodireto com os sujeitos de ensino, mas também como ratifica (SOARES, 2006) averdadeira natureza do letramento são as formas que as práticas de leitura e escritaconcretamente assumem em determinados contextos sociais, e isso dependefundamentalmente das instituições sociais que propõem e exigem essas práticas.Letramento é um conjunto de práticas de leitura e escrita que resultam de umaconcepção de o que, como, quando e por quê ler e escrever. Freire (2006) vem mediar: Não é possível intervenção sem compreensão do objeto que se pretende atuar ou se está atuando. A leitura do mundo sob permanente processo de intervenção, leitura expressa na língua falada, cedo ou tarde exigira sua complementação pela escrita lida. Por isso é que não há leitura do texto sem leitura de mundo leitura de contexto.É esta uma das violências que o analfabetismo realiza- a de castrar o corpo consciente falante do homem e mulher, proibindo-os de ler e escrever, com o que se limitam, na capacidade de, levar o mundo, escrever sobre sua leitura dele e, ao fazê-lo repensar a própria leitura (p 53). Portanto as práticas devem ser repensadas a cada momento em que seperceber que não se está intervindo de maneira eficiente e satisfatória para aaquisição desse fenômeno, pois é preocupante que alunos passem tanto tempo naescola aprendendo a ler e a escrever, e não façam uso dessas habilidades, letrar enão apenas alfabetizar deve ser condição primordial para o acesso, interação eparticipação no meio social, o que a alfabetização por se só não permite. Éimprescindível que elevemos o nível de letramento dos alunos para que obtenhamêxito ao longo das experiências de sua vida e não enfrente dificuldades naturais aquem ainda não alcançou, como sublinha (SOARES 2006) sabem ler e escrever,mas enfrentam dificuldades para escrever um oficio, preencher um formulário,registrar a candidatura a um emprego, os níveis de letramento é que são baixos.
    • 262.2 Práticas metodológicas: como se forma leitores? Partindo do pressuposto de que a atividade e o objetivo elementar da escola,é ensinar o aluno a ler e escrever, nos remetemos a compreender estas habilidades,no sentido do letramento. A finalidade principal da escola é, e deve ser ensinar ou levar o aluno a ler eescrever e que estas competências aconteçam de maneira eficaz e satisfatória, paraque ele use com competência o que aprendeu. É dotada de toda uma importânciatodas as disciplinas que se destinam a trabalhar com os alunos, entretanto, ler eescrever, contar e calcular merece um acentuado destaque e enfatizamos ashabilidades de leitura,ou como se dá esse processo no sistema de ensino. Diante da realidade, em que se percebe algumas deficiências e ausências,quanto a competência de leitores, faz-se necessário compreendermos como seconceitua o ato de ler. A realidade aí exposta, quanto a qualidade e competência de leitura emnossas escolas, requer um olhar diferenciado, e que dimensione e almeje aformação de leitores com habilidades diversas, se apoderando dessas habilidadestão benéficas para que sejam uteis no seu cotidiano. Lenner (2002) enfatiza que: O necessário é fazer da escola, uma comunidade de leitores que recorram aos textos buscando respostas para os problemas que necessitam resolver, tratando de encontrar informação para compreender melhor alguns aspectos do mundo que é objeto de suas preocupações, buscando argumentar para defender uma posição para a qual estão comprometidos ou para rebater outra que considerem perigosa ou injusta, desejando conhecer outros modos de vida, identificar com outros autores e personagens ou se diferenciar deles, viver outras aventuras, inteirar-se de outras historias, descobrir outras formas de utilizar a linguagem para criar novos sentidos (p. 17-18). Não só partindo do que disse a autora, mas refletindo a partir de outrasleituras, percebemos o quanto a leitura é imprescindível para a atuação, inserção emobilização do sujeito que adquire de maneira competente, se tornando útil paraaplicar em seu contexto diário.Infelizmente, ainda é deplorável, o modelo de leituraque se realiza ou que se dá em nossas escolas, pois, contribui pouco de maneiraainda incipiente,quando se revela as dificuldades encontradas em relacionar ou
    • 27distinguir por partes dos nossos alunos, a natureza de diversos gêneros textuais esuas funções, bem como em muitos casos a incapacidade de interpretar vários tiposde texto. Ainda segundo Lenner (2002): O necessário é fazer da escola um âmbito onde a leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever, sejam instrumentos poderosos que permitam repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos, sejam direitos que é legitimo exercer e responsabilidade que é necessário assumir ( p. 18). É preciso pois, repensar o modelo de práticas existentes e impostas aindahoje nas escolas que ainda direcionam para o não êxito de formarmos alunosleitores competentes, pois o que a realidade mostra é que ainda há deficiências queprecisam ser sanadas o quanto antes, e que as práticas realizadas nas instituiçõesescolares, dimensionem e objetivem contribuir para a formação de leitoreseficientes, porque letrados. Cabe à escola proporcionar momentos de leitura significativa, e ao alunotambém o interesse em adquirir com empenho esta habilidade para os vários usosem que se exigirão em sua vida. É importante que o tempo vivido na escola sejaválido e consolidado com práticas fundamentais que viabilizem uma aprendizagemrica de sentidos e expressiva na realidade prática e diária do aluno. Cagliari (1998) se expressa da seguinte forma: Neste país, o aluno passa 8 anos na escola de 1º grau, 3 anos na de 2] grau e pode passar mais 4 na faculdade, sem contar o ano de cursinho preparatório e as reprovações...e, se um especialista em problemas relacionados à língua portuguesa fizer uma pesquisa, para ver o que esse aluno aprendeu em mais de uma década de estudos, sem duvida ficará decepcionado.Então o que o aluno fez nesses anos todos de escola? Será que o ser humano precisa de tanto tempo para aprender tão pouco? O que está errado nesta história? (p. 7-8). São inúmeros os fatores envolvidos, quanto a aprendizagem, especificamenteem se tratando de leitura, fator preponderante no âmbito escolar. Resolver osproblemas de imediato torna-se tarefa quase impossível, mas, refletindo, estudando,objetivando capacitar os alunos a serem leitores aptos a interpretar os vários tiposde textos e de leitura, em uma interação conjunta com todos os envolvidos no
    • 28processo escola, é possível, viável e provável mesmo que aconteça aos poucos egradativamente. Ensinar e proporcionar momentos significativos de leitura para que sejam defato letrados não é tarefa somente do professor de português, mas uma tarefaconjunta vinculada com todos os professores envolvidos das respectivas áreas doconhecimento em que atuam, pois para saber interpretar qualquer texto, questão, ouenunciado de uma outra disciplina que não seja português, é preciso saber ler e lerbem. Miguel Arroyo (2011) salienta: Supõe-se que a partir da área que se chega à cidadania, ao sujeito inserido e participativo. A lógica que é proposta a cada professor parece ser esta: não esqueça que sua função é formar o cidadão, mas como? Sendo um bom, excelente professor (a) de sua matéria. Não esquecendo que a Matemática, as Ciências, a Escrita, a Geografia, a Historia, a Arte, a Educação Física, todo conhecimento que ensinares, toda competência que cultivares ampliará as possibilidades de inserção e de participação social, formará as capacidades intelectuais, éticas estéticas, indenitárias, desenvolvimento mental.Ensinemos os conteúdos de cada área e estaremos viabilizando a capacidade dos alunos de exercerem plenamente sua cidadania (p. 108-109). Diante do exposto fica claro contatarmos a importância do envolvimento ecompromisso de todo corpo docente, para promover a inserção de aluno leitores esendo assim cidadãos plenos nas mais variadas situações, tanto dentro quanto forada escola. Estas considerações entre as necessárias intervenções e contribuiçõesentre todos os envolvidos, possibilitará alcançar o que mais se objetiva na escola,emespecial, ensinar a ler e escrever, mas que esta leitura deve ir além do decodificarletras, palavras ou frases mas que acima de tudo, o leitor interprete com clareza ecompreenda o que está explicito nas entrelinhas.(FREIRE, 2006). Segundo Soares (2006): Ler é um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente decodificar sílabas ou palavras até ler GRANDE SERTOES VEREDAS de Guimarães Rosa... Uma pessoa pode ser capaz de ler um bilhete, ou uma história em quadrinhos e não ser capaz de ler um romance, um editorial de jornal.Assim, ler é um conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos que compõem um longo e complexo continum, em que ponto desse continum uma pessoa deve estar para ser considerada alfabetizada? No que se refere a leitura? A partir de que ponto desse continum uma pessoa pode ser considerada letrada, no que se refere à leitura? (p. 57)
    • 29 A amplitude de questões no que se refere a leitura é muito extenso, e requeracima de tudo conhecimento e preparo por parte de alunos, professores e todos osenvolvidos direta e indiretamente, pois como dizia Freire ( 2006) “ensinar a ler eescrever não é uma questão técnica é uma questão política”(p15). A aquisição daleitura não se dará penas por uma parte técnica de ensinar ao aluno a junção deletras formando sílabas, sílabas formando palavras e palavras frase (FREIRE, 2006)mas fazer entender a função e a finalidade do que esta escrito, para fazer uso noseu dia a dia, não se restringindo apenas na escola mas em toda a sua vida. E ao professor é atribuído uma responsabilidade que é fundamental para aviabilização dessa proposta de ir além do simples decodificar letras e palavras, mascompreender o que significa, e onde se aplica o que aprendeu. Kleiman (2005) vem mediar: O letramento nada mais é do que a preocupação com a inserção dos gêneros significativos que estão a todo tempo na vida do indivíduo.O professor é o principal articulador e mediador deste novo conceito, pois será ele quem decidirá sobre quais os conteúdos importantes para o individuo se transformar e transformar a sociedade na qual está inserido. O tema é amplo seu conhecimento se faz necessário (p.4). Mais uma vez percebemos a grandiosidade e importância do professor nesseprocesso, e que, se bem articulado, e trabalhado por todos para alcançar o mesmoobjetivo, como sendo formar o aluno letrado, será possível pois, com a mudança e acontribuição que não pode ser feita por uma pessoa só, ela nasce do desejo dagente sim, mas é coletiva social.Todos nós temos de assumir responsabilidades noprocesso geral da mudança.(FREIRE, 2006). Existe ainda muitos fatores de ordem maior, que precisam ser analisados commuito cuidado, responsabilidade e competência, assim como encarar muitosdesafios para reverter esse quadro que ainda atua, no sentido de que não se estáalcançando na escola leitores que leiam de modo expressivo que demonstremclaramente que já se alcançou esta habilidade de forma competente.E uma dasprincipais mudanças e é necessário acentuar, está no repetido e válido discurso daformação e compreensão do professor em relação as sua práticas e metodologias,que ainda reflete em idéias e concepções de um modelo tradicional de ensino, quese confronta às vezes com sua precária formação.
    • 30 É indispensável, pois, conhecimento e preparo, em todos os segmentos eníveis em que se está atuando, contribuindo de maneira sólida para a aquisição dealunos leitores, e que se trabalhe de maneira profunda em cada série ou nível, nãoatribuindo ou negando responsabilidades que na verdade cabe a todos osprofissionais envolvidos, a alcançar um objetivo que é comum a todos, ao menos, éo que se almeja. Parece contraditório quando (CAGLIARI, 1998) expressa que parece muitoestranho querer tratar de gênero gramatical na alfabetização, isso deve serpreocupação do ensino somente em séries mais avançadas. O que pretendemos acentuar é que muito do que está se evidenciando hoje,no âmbito escolar é que muitas das habilidades a serem adquiridas pelos alunos emdeterminados níveis de ensino e aprendizagem, é que ainda perdura uma certaindefinição de papéis quando ao que, como e porque ensinar, precisandourgentemente se ter claro, cada um o seu papel e seus objetivos quanto a levar oaluno tão somente a ler e escrever com autonomia, competência e precisão. Não poderemos obter qualquer êxito para a nossa satisfação enquanto papelcumprido, que é o de levar o aluno ler com eficácia, na perspectiva do letramento, sehouver certo individualismo de cada um que acha que não é papel seu ou que nãocompete à sua disciplina ensinar a ler ou escrever. Para alcançarmos este objetivoserá indispensável e até mesmo obrigatório a participação de todos neste processo. É ainda Cagliari (1998) quem subsidia: Se todos os professores incluindo não só os da alfabetização, mas também os demais, partirem da realidade de seus alunos, no começo do ano, para ensinar o que acham que deve ser ensinado, tem-se um argumento a mais para a promoção automática na escola. Uma programação geral deve ser distribuir conteúdos básicos para serem ensinados ao longo dos oito anos do primeiro grau.Se um aluno não aprendeu direito um ponto num ano, o professor do ano seguinte, em vez de reclamar do colega, tem de assumir seu papel e ensinar a esse aluno o que ele precisa saber (p. 71). Esta fala do autor é o cerne central da discussão da problemática a qual nospropusemos, que com certeza, ainda precisa ser vinculada nas nossas propostas epráticas de ensino de maneira que toda dimensão da leitura e formação de leitoressejam sintetizados em alguns poucos objetivos, que é promover alunos letrados,
    • 31com o comprometimento de todos os professores, não importando a disciplina queensina nem tampouco o seu segmento.2.3 Falando um pouco sobre a educação básica A forma de organização que se dá nas escolas brasileiras ainda precisam seranalisadas e compreendidas, quanto ao objetivo a que se propõem tantos processosque se modificam constantemente e fragmentam o ensino, o que deveria se tornarunidade com condições que possibilite ao aluno o seu desenvolvimento eaperfeiçoamento de forma progressiva, contínua e integradas em todo o processo deensino e aprendizagem, e aqui salientamos a necessidade de práticas de leitura eescrita nos contextos de letramento, em toda a educação básica,maisespecificamente no ensino fundamental. É importante entendermos um pouco sobre a Educação Básica, quecompreende a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio e nestecontexto nos remetemos mais sobre o Ensino Fundamental, especificamente asséries finais deste respectivo segmento, que constitui parte intermediária efundamental que sucede a Educação infantil e antecede o Ensino Médiocompletando assim o que compõe a Educação Básica. As mudanças que ocorreram na Educação e ainda ocorrem ao longo dotempo, no que se refere às leis e normas bem como o aperfeiçoamento, alteraçõesou emendas no sistema educacional, assim como nomenclaturas que caracterizam eintitulam o sistema de ensino, merecem um olhar mais contextualizado e uma claracompreensão do que vem a ser políticas públicas educacionais, sobretudo o estudoda lei maior em Educação, LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional). Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) explica que: A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal n. 9.394), aprovada em 20 de dezembro de 1996, consolida e amplia o dever do poder público para com a educação em geral e em particular para com o ensino fundamental. Assim, vê-se no art. 22 dessa lei que a educação básica, da qual o ensino fundamental é parte integrante, deve assegurar a todos “a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”,
    • 32 fato que confere ao ensino fundamental, ao mesmo tempo, um caráter de terminalidade e de continuidade (p. 15). A Educação básica ainda é um conceito definido no art. 21 como nível deeducação nacional e que congrega articuladamente as três etapas que estão sobesse conceito: a Educação infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio(PCNs).Analisando a partir da etimologia da palavra básica, como fundamental,essencial, indispensável é este período para o educando, a passagem pelaeducação básica como desenvolvimento de suas funções psíquicas e orgânicas,como o aprimoramento para estudos posteriores. Podemos considerar, a partir desse contexto, e que merece uma análise maisdetalhada com mais ênfase é que compreendamos que é no Ensino Fundamentalcomo sendo um período de aprendizagem essencialmente básico, que se deveadquirir os níveis elementares de leitura e escrita para dar continuidade e prosseguiraté o final da Educação Básica, denominado Ensino Médio e também a outrasetapas posteriores a este. No art. 205 da constituição federal de 1988: “A educação, direito de todos edever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração dasociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para oexercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Vale ressaltar que este artigo 205 precisa ser mais refletido mais estudado ediscutido nos espaços onde merece ser analisados para que se torne menosdistante a teoria e a prática. A realidade que ocorre em nossas escolasespecificamente a pública, precisa ser redirecionada, para práticas realmenteverdadeiras que de fato aconteça esse ensino pautado no dever da famíliainicialmente, e práticas que almejem a formação de cidadãos autônomos, críticos equalificados para o trabalho e para as variadas situações que enfrentarão na vida,desde a Educação Básica. Conforme Almeida (1998): Quanto mais amadurecidas forem nossas propostas e seriamente discutidas, menores serão as nossas ilusões e maiores as expectativas de ir traçando um horizonte mais promissor para a democratização e universalização da educação básica (p. 48).
    • 33 É extremamente importante em todos os níveis da Educação Básicarefletirmos sobre as nossa Práticas e propostas que venham a ser desenvolvidas,bem como as estratégias e objetivos que irão nortear o andamento do nossotrabalho. E ainda neste contexto, nos referimos especificamente as práticas naperspectiva do Letramento, ainda no que se refere às nossa práticas, Brandão(2001), ressalta que: Acreditamos que ao levar o aluno a aprender a ler as estratégias discursivas com que se tecem os diferentes gêneros, o professor estará contribuindo com sua parcela de formar cidadãos em seu pleno desenvolvimento. Contudo para que o professor possa de fato dar a sua parcela de contribuição, é preciso que tenha clareza das noções que nos levarão o seu fazer pedagógico. Deve-se evitar uma postura pretensamente arrogante que tantas vezes toma conta do mundo acadêmico e do mundo das instituições que regem a educação baseada na apresentação de propostas de aplicação de tal e tal teoria, sem o lastro entre o estreitamento entre o que se quer e o que é possível fazer pode proporcionar (p. 43). Considerando a importância do Ensino Fundamental como tempo que deveser assegurado ao aluno obter as habilidades e competências necessárias apercorrer uma etapa posterior de ensino, faz-se necessário uma retomada deestudos, reflexões e práticas vinculadas no sentido de promover a formação decidadãos aptos a participar da vida social. O que pretendemos enfatizar como sendo parte altamente relevante quandofalamos em Educação Básica, especificamente no Ensino Fundamental é que éexatamente nesta etapa que o ensino e a aprendizagem deve acontecer de maneiraeficiente e satisfatória para que se alcance durante este tempo os objetivosindispensáveis a serem alcançados para a aquisição de capacidades, habilidades ematuridade compondo assim conhecimentos prévios e essenciais para umapromoção à etapa posterior. É nesta etapa da educação básica que o ensino e aprendizagem merecemum alicerce que fundamente e possibilite o ingresso em séries posteriores, levando oaluno, para o desenvolvimento da sua criticidade, autonomia, independência eeficiência com os sistemas de escrita e leitura das quais irá utilizar por toda a suavida dentro e fora da escola, espaço este que deve ser oferecido essa formação ecapacitação essencialmente, embora não seja o único, levando-se em conta que oaluno adquire outras habilidades e competências também fora do âmbito escolar.
    • 34Mas o que queremos sublinhar aqui é que é essencialmente na escola que ashabilidade e conhecimentos úteis a serem utilizados por o aluno na sua vidaprofissional e social devem ser adquiridos na escola e que esta aquisição sejaeficiente, necessitando reformular ou reorganizar as práticas que muitas das vezesnão colaboram para uma aprendizagem significativa, que proporcione e estimulem oaluno ao prazer em aprender e permanecer na escola. Fernando Beck (2003), vem assim se expressar : Os alunos não suportam repetir o que não lhes faz sentido, por outro lado, a verdadeira aprendizagem escolar, deveria visar o aumento da capacidade de aprender, tão importante nos dias atuais, e não apenas acumular conteúdos; conteúdos freqüentemente inúteis. Além disso, a escola pública poderia pensar em tentar conjugar, na prática pedagógica e didática, outros verbos além do verbo repetir, para redefinir sua função didática pedagógica: fazer, compreender, criar, inventar, sentir, abstrair, experienciar, transformar, desafiar e etc. E inspirada no pensamento de Paulo freire conjugar verbos como: buscar, indagar, intervir, escutar, dizer, falar, pensar, perguntar, dialogar, mudar, transformar, pesquisar, conscientizar-se, refletir a prática, ousar o novo e etc. Só isso já provocaria uma mudança de perspectiva (p.32). Neste sentido é que precisamos urgentemente reelaborar e redirecionar asnossas práticas, e que estas possam ser pontes, ligando o objetivo que se tem e asações que se desenvolverão. Os PCNs (2006) enfatiza que: As discussões dessas questões são importante para que se explicitemos pressupostos pedagógicos que subjazem à atividade de ensino, na busca de ocorrência entre o que se pensa estar fazendo e o que realmente se faz.Tais práticas se constituem a partir das concepções educativas e metodológicas de ensino que permearam a formação educacional e o percurso profissional do professor, aí incluída suas próprias experiências escolares, suas experiências de vida, a ideologia compartilhada com seu grupo social e as tendências pedagógicas que lhe serão contemporânea (p. 39). É de enorme responsabilidade e importância a prática pedagógica doprofessor, pois esta bem trabalhada e compreendida do ponto de vista do docente,pois será estabelecida com fins claros e objetivos determinado com as devidasintervenções para se alcançar o que se objetiva, neste sentido aluno letrados,capazes de agir e interagir nas situações cotidianas da escola e da vida. É ainda os PCNs (2006) que colabora:
    • 35 Embora a escola vise a preparação para a vida,não busca estabelecer relação entre os conteúdos que se ensinam e os interesses dos alunos, tampouco entre esses e os problemas reais que afetam a sociedade.Na maioria das escolas essa prática pedagógica se concretiza por sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o que torna o processo de aquisição de conhecimento, para os alunos, muitas vezes burocratizados e destituído de significação (p17). Um dos objetivos gerais que os (PCNs) destacam além de outros não menosimportante, mas que aqui queremos acentuar diz que:“posicionar-se de maneiracritica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais utilizando o dialogocomo forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas”(p. 107). Além deoutro que também destacamos: “utilizar as diferentes linguagens - verbal,matemática, gráfica, plástica e corporal - como meio para produzir, expressar ecomunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextospúblicas e privados, atendendo as diferentes intenções e situações de comunicação(p. 108)”. Pretendemos enfatizar a relevância desse objetivos aqui citados, ecompreender através da ótica do sistema educacional o qual é inteiramenteresponsável pela concretização desse objetivos além da responsabilidade de todosos envolvidos neste processo, que são os profissionais da educação envolvidosdireta ou indiretamente. Cabe à escola de maneira geral organizar, planejar, projetar e articular todasas estratégias possíveis para a viabilização e alcance de objetivos, levando-se emconsideração que esta não é tarefa fácil, mas quando todos se juntam para alcançarum mesmo fim torna-se tarefa ainda difícil, mas possível. E os PCNs (2001) asseguram que: “Apesar de a responsabilidade seressencialmente de cada professor, é fundamental que esteja compartilhada com aequipe da escola por meio da co-responsabilidade estabelecida no projeto educativo(p 52)”. A Educação Básica como já insinua o nome, deve oferecer de maneirasignificativa e competente o alcance das habilidades básicas necessárias ao aluno,atuar de maneira autônoma e eficiente na sociedade em que vive, e é na escolaonde se coloca toda a responsabilidade para o alcance dos objetivos citadosanteriormente, e que compete oferecer esta educação básica, para que o individuo
    • 36possa interagir não só profissionalmente mas pessoalmente nas várias situaçõesque se fará necessário fora da escola. É parte integrante da escola, em todos os segmentos que constituem aeducação básica, proporcionar condições elementares e dotadas de significância eeficiência para a atuação competente e fundamental do individuo no âmbito social. Edentro deste contexto se atrela a uma mudança geral e até radical de todos osprocessos educacionais envolvidos, que parte de quem elabora as normas e osobjetivos de ensino, até a quem cumpre e realiza,assim como o currículo e algumaspráticas existentes ainda, consiste em um ponto fundamental e que requer reflexão eação, no sentido de fazer uma análise com cuidado e clareza, pois muitas daspráticas metodológicas desenvolvidas ainda hoje, no que se refere ao cumprimentodo currículo escolar, são metodologias e posturas que ainda revelam um certodespreparo, que impedem de inserir propostas e desenvolver um trabalho demaneira que dimensione e vincule práticas capazes de levar o aluno a interagir e seconstruir de maneira critica, reflexiva e autônoma, o que aulas simplesmenteexpositivas, exclusivamente voltada para o cumprimento de um número considerávelde conteúdos em cada unidade escolar não é possível. Cardoso (1991), expressaque: “A prática pedagógica consciente e politizada, pressupõe vínculos entre meiose fins, vontade, consciência dos objetivos da prática e noção exata da própriapotência dos atos para presenciá-los na ação criatividade e não prática repetitiva(p.24)”. O alcance de uma educação de qualidade pois, está atrelado a inúmerosfatores os quais é inteiramente de responsabilidade e competência de todos osenvolvidos no processo educativo, e que requer constantemente análise, reflexãocritica e percepção, além de uma acentuada capacidade e maturidade para perceberquais são os entraves que ainda dificultam o alcance dos objetivos propostos, esendo assim a sua concretização. Quando os (PCNs, 2001) sublinham que o plano decenal de educação, emconsonância com o que estabelece a constituição de 1998, afirma a necessidade e aobrigação de o estado elaborar parâmetros claros no campo curricular, capazes deorientar as ações educativas do ensino obrigatório, de forma a adequá-los aos ideaisdemocráticos e à busca da melhoria da qualidade do ensino nas escolas brasileiras,
    • 37acrescentamos e enfatizamos, que são os envolvidos no sistema de ensinodiretamente, quem deverão fazer as alterações e adaptações possíveis, no referidocurrículo escolar,de modo que a sua execução seja adequada e conveniente para aconsolidação e alcance dos objetivos,pois sem as devidas intervenções tanto naelaboração quanto no cumprimento do currículo, não será possível obter resultadossatisfatórios e com êxito na aprendizagem que se idealiza acima de tudo no âmbitoescolar. Conforme ainda acentua os (PCNs, 2001) os altos índices de repetência eevasão apontam problemas que evidenciam a grande insatisfação com o trabalhorealizado pela escola, o que reafirma e ratifica todo o contexto das questões aquiapresentadas bem como sua relevância ao discutirmos pertinentemente sobreEducação Básica. E mais especificamente dentro desse contexto é que enfatizamos aqui anecessidade de um trabalho voltado para práticas de leitura e escrita em contextosde letramento, ao longo da educação básica para redirecionarmos os resultados queainda surgem como negativos quanto aos objetivos e papel da escola.
    • 38 CAPÍTULO III3 METODOLOGIA A importância da pesquisa se dá quando surge um problema, umainquietação a partir de um questionamento que provoca curiosidade de compreendercomo se dá ou acontece determinado processo, e quando se tem um objetivo emdescobrir sobre algo o que resultará no objeto de pesquisa. O interesse o questionamento, é a base capaz de elucidar uma pesquisa parabuscar a resposta ou compreensão de como algo acontece, onde, quando e por queacontece. A busca por uma resposta ou resultados que se quer alcançar, aconteceessencialmente através da pesquisa, organizada, elaborada e motivada por algo quese pretende descobrir. Compreender práticas que se opõem e se complementam simultaneamentecomo teoria e prática, será possível através do conhecimento pois, compreendemosque conhecer é a forma mais competente para poder intervir, com aquilo que seráreflexão e também ação do objeto que se interessa e pretende-se pesquisar. (FAZENDA 1991) refere-se à pesquisa como uma atividade de investigaçãocapaz de oferecer e portanto produzir um conhecimento “novo” a respeito de umaárea ou um fenômeno,sistematizando-o em relação ao que já se sabe a respeitodele. Pretendemos ressaltar que o conhecimento prévio que tínhamos antes dapesquisa no que se refere ao tema em questão, se dava ainda de maneiraincipiente, o que nos estimula a realizar esta pesquisa com o objetivo de conhecermais e melhor para melhor intervir, onde se fizer necessário para alcançarmos defato os objetivos a que se propõem. E ainda mais objetivando o que Ludke (1986) ratifica com muita precisão: O professor que faz pesquisa tem muito mais consciência do que fazer em sala de aula, na parte pedagógica, como também saber porque alguns alunos vão bem, outros não.A pesquisa tem que investigar aspectos relevantes que vão subsidiar aquela prática.
    • 39 De fato as pesquisas realizadas nas instituições pesquisadas buscam novas metodologias e/ou práticas de ensino, elaboração de material didático e reformas curriculares, visando a melhoria da prática docente na escola básica (53)”. Sendo assim é o que buscamos através dessa pesquisa, encontrarmosfatores ou analisarmos, averiguarmos para que a partir da nossa percepção ecompreensão de inúmeros fatores que tornam ainda práticas que não condizem comobjetivos, especificamente no que se refere ao nosso problema de pesquisa,buscarmos algumas soluções mesmo que difíceis mas não impossível, paramudarmos e revertermos o quadro que por vezes ainda se dá de maneirainsatisfatória para os objetivos que se quer alcançar. Enfatizamos ainda que esse processo só será possível mediante a açãoconjunta de todos os envolvidos no processo educativo bem como a clareza e arazão de por que pesquisar e para que pesquisar, entendendo que a cada elementonovo que surge durante a pesquisa, é algo que se complementa para a elucidaçãocompleta de uma pesquisa, juntando fatores que se tornam indispensáveis nessaação de pesquisar. É o que reafirma Fazenda (1991): A compreensão de um fenômeno só é possível com relação á totalidade à qual pertence (horizonte da compreensão). Não há compreensão de um fenômeno isolado; uma palavra só pode ser compreendida dentro de um contexto. Um elemento é compreendido pelo sistema ao qual se integra e, reciprocamente, uma totalidade só é compreendida em função dos elementos que a integram (p.101). E Ludke (2001) sublinha que “os dados da minha pesquisa alimentam aminha prática de ensino e a minha prática de ensino fornece dados para a minhapesquisa, na prática docente na sala de aula surge elementos novos para sereminvestigados (p.31)”. É possível pois uma reflexão e uma ação que seja realizada de formacompetente e real para que a pesquisa não decorra em um simples ato semfundamentos e práticas que respaldem a importância e necessidade de se pesquisardescobrir o que se pesquisou e intervir para completar e somar novos saberes enovas práticas bem como novas atitudes, a serem tomadas para a concretização detodas as ações pensadas, elaboradas e objetivadas.
    • 40 Partindo desse breve enfoque sobre o que é pesquisar mesmo que demaneira ainda incipiente, assinalamos e destacamos que a nossa pesquisa será deteor qualitativo, em vista disso Bogdan e Biklen (1982) apud LUDKE E ANDRÉ,1986, p.11); “A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado dopesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada”.Enfatizamosque é por meio e através dessa vertente que optamos e explicamos o cunho danossa pesquisa.3.1 Instrumentos da Pesquisa Para execução da pesquisa e para a obtenção dos resultados que sepretendeu alcançar, foram necessários alguns procedimentos que evidenciam oscaminhos da pesquisa, que denominamos: Entrevista semi-estruturada eQuestionário fechado.3.1.1 Entrevista A escolha por este instrumento se deu através da concepção de que esterecurso nos possibilita e proporciona uma série de informações relevantes e eficazesa que pretendemos investigar por estarmos em contato direto com o objeto a serpesquisado, o que outros instrumentos de coleta de dados talvez não viabilize e queembora seja um dos mais trabalhosos seja no que se refere à sua análise einterpretação dos dados colhidos, seja um dos mais ricos e potenciais nasaquisições de informações que se pretende descobrir. Ludke e André (1986) assim se referem a este instrumento de coleta dedados: Ao lado da observação, a entrevista representa um dos instrumentos básicas para a coleta de dados, esta é uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais.Mais do que outros instrumentos de pesquisa, que em geral estabelecem uma relação hierárquica entre o pesquisador e o pesquisado, como na observação unidirecional, por exemplo, ou na aplicação de questionário ou de técnicas projetivas, na entrevista a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde (p. 33). A entrevista permite pois uma gama rica de informações que talvez sedestaca dos demais instrumentos por possibilitar um contato direto com os
    • 41entrevistados,trazendo inúmeros elementos que possam surgir, durante esse tempode diálogo e interação.3.2 Lócus da pesquisa Essa pesquisa se realizou na Escola Municipal Antônio Bastos de Miranda,em Missão do Sahy, povoado situado a 8km do Município de Senhor do Bonfim-Ba.A escola tem como diretora Sheila Lima Aguiar, eleita pela comunidade para gestardurante os anos letivos 2011 e 2012. Funciona durante os três turnos, matutino comensino fundamental II (6º ao 9º ano) vespertino com (4º ano e 5º ano) e noturno comEJA (Educação de jovens e adultos). Sua estrutura física é composta por quatro salas de aulas, uma sala derecursos onde atende os alunos com NEE (Necessidades Educacionais Especiais),uma diretoria, uma sala de informática, um pátio pequeno, três banheiros, umacantina e um pequeno almoxarifado. Sua estrutura não é suficiente para compor onúmero total de alunos que somam um total de 207, por este motivo, quatro turmasdo turno vespertino ocupam o espaço do colégio estadual concedido e autorizadoatravés de solicitação pela Secretaria de Educação Municipal com a diretoria daDIREC 28 de Senhor do Bonfim. A escola possui também uma extensão, anexo onde é oferecido a educaçãoinfantil no turno matutino e o ciclo (CBAi, CBASI, CBASII, que significa ciclo básicoinicial e ciclo básico seqüencial) no turno vespertino. Assinalamos ainda que os espaços cedidos à escola Antônio Bastos pelasecretaria estadual será por tempo determinado o que ocasiona e acarreta inúmerosproblemas e que dificultam o bom andamento e aproveitamento das práticas eatividades escolares.3.3 Sujeitos da pesquisa Os principais sujeitos dessa pesquisa foram essencialmente os professoresdo Ensino Fundamental ll da referida escola, que atuam em sala de aula nosrespectivos dias de suas aulas, conforme o cronograma de aula, foram essesprofessores bem como suas práticas pedagógicas que viabilizaram e forneceram
    • 42algumas respostas através dos instrumentos da coleta de dados e queevidenciaram algumas práticas que serão possíveis de interpretação para acompreensão da problemática que norteou este trabalho e para posteriormente aspossíveis intervenções que se fizerem necessárias e oportunas. O total de professores pesquisados somam um numero de 9, sendo estes osresponsáveis e principais autores, no processo educativo para o estímulo econcretização de uma aprendizagem prazerosa, significativa que promova o alunocomo sendo um ser capaz, atuante,no meio social em que vive, autônomo,critico ecompetente porque letrado.Ressaltamos que a nossa pesquisa foi realizada comapenas 7 pois um dos professores encontrava-se de licença e um outro preferiu nãoparticipar por acreditar não ser da área a que a pesquisa se destina.Quanto a issonão importa quantos forem entrevistados, mas se os entrevistados forem capazes detrazer conteúdos significativos para a compreensão do tema em questão (Demo2005).Pois ressaltamos aqui que o objetivo não é quantificar opiniões e sim explorare compreender os diferentes pontos de vista que se encontram demarcados em umcontexto. A equipe do corpo docente pesquisado são todos professores do ensinofundamental ll, licenciados para ensinarem as respectivas disciplinas em que atuam,e sendo que na maioria das vezes ensinam outra disciplina diferente de sua área,para complemento de carga horária.
    • 43 CAPÍTULO IV4 ANALISANDO E INTERPRETANDO OS RESULTADOS Este capítulo destina-se à interpretação dos dados coletados na pesquisa,procurando confrontar e associar esses resultados com fundamentos do capitulo ll,fazendo a necessária consolidação em consonância com os objetivos propostospara este trabalho. Inicialmente analisamos os dados obtidos com a aplicação de um questionáriofechado que nos viabilizou uma visão geral dos nossos sujeitos, bem como asdiferentes concepções por atuarem em disciplinas curriculares diferentes, oquestionário fechado nos permitiu assim,analisar o perfil dos nossos sujeitos, bemcomo informações relevantes a exemplo de sua formação, identificação com a suaárea de atuação e o relacionamento entre as instancias; gestão, coordenação ealunos. Logo em seguida apresentaremos os resultados do nosso segundoinstrumento que foi a Entrevista, que embora seja um instrumento mais trabalhoso,por outro lado nos permitiu vasto, rico e variados resultados, o que talvez a utilizaçãode outro instrumento não permitiria.4.1 Perfil dos sujeitos No quadro de 7 professores entrevistados constatamos que o grupo temidade que variam entre 18 a 50 anos, com tempo de 3 a 19 anos de exercício domagistério , o que permite talvez uma troca de experiência entre os que já atuam aum certo tempo, e os que tem menos tempo de ensino. Esses professores sem nenhuma exceção possuem nível superior comformação nas respectivas Áreas: Pedagogia, Matemática, Letra, Geografia, Biologiae Artes, o que nos induz a pensar que é possível ter concepções diferenciadas,quanto à contribuição do Letramento em suas práticas. Ressaltamos que 1 entreesses professores alem de ser pedagogo, está concluindo o curso de Matemática.
    • 44 Segundo os dados coletados pelo questionário, 5 dos nossos sujeitos, seidentificam e gostam da área em que atuam, já para os outros 2 a escolha pelaprofissão se deu por falta de opções.Isso nos assegura que a identificação e asatisfação em trabalhar nessas respectivas áreas, possibilita mais um efetivo epositivo ensino gerando uma aprendizagem de qualidade, e troca de saberessignificativos gerado através da satisfação, interação e empenho entre professorese alunos.Dos que responderam não ter outra opção, no leva a pensar que oresultado de insatisfação, que podem gerar resultados negativos no ensino e naaprendizagem é bem menos, prevalecendo os positivos, onde há uma maiorconcentração de opção por preferência, gosto e satisfação com o que faz. Assinalamos ainda, que os motivos que levaram esses dois professores a nãose identificarem com a profissão, talvez podem estar relacionados com baixossalários, precárias condições de trabalho e outros entraves que possam estarpresente, desfavorecendo uma Educação de qualidade,pois 4 entre elesconsideraram com relação a remuneração, ser insuficiente, 2 acham que é regular eapenas 1 diz ser suficiente, isso também nos levar a pensar que podem trazer ouapresentar algum desestímulo , pela maioria que julga ser insuficiente, mas que ogostar e a identificação com o que faz, talvez não os façam desistir de permanecerem seu trabalho, ou por outro lado, buscarem especialização,aperfeiçoamento eprogressões para a valorização do seu trabalho e consequentemente aumento dasua renda. Os 2 professores que dizem ser regular o valor da remuneração, nãorevelaram estarem satisfeitos, o que também leva a pensar que poderia ser maissatisfatório esta média salarial, segundo os PCNs (1998), “a desvalorização salarialdo magistério, impõe a procura de duplo emprego como condições de sobrevivência”as vezes sendo preciso se ocupar em uma outra atividade para que complementema sua renda. Apenas 1 professor diz ser suficiente, o que revela um índice mínimoquase insignificante, desses professores que estão satisfeitos com o seu salário,conforme sublinhamos anteriormente, os problemas e entraves existentes naeducação, entre eles a desvalorização dos profissionais da educação, podemconstituir um dos principais fatores para a insatisfação com os seus salários.
    • 45 A relação professor aluno se dá de maneira tranquila e saudável queassegura consequentemente uma relação mais interativa bem como prazerosa entreprofessores e alunos,1 dos sujeitos considera ser regular, e os demais consideramque é bom. No que se refere à relação, interação e participação entre equipe gestorae coordenação com o trabalho dos professores é considerada boa pela maioria dossujeitos 3; 2 consideraram como regular essa relação, e 2 deles, 1 disse sersatisfatória e o outro ser ótima essa relação, o que pressupõem que ralações assimconsideradas são positivas e consequentemente asseguram o bom andamento edesenvolvimento do trabalho, gerando resultados também positivos, satisfatórios eprogressistas. Este foi o resultado obtido no perfil dos nossos sujeitos, apresentamos emseguida o resultado do nosso segundo instrumento de coleta de dados, a Entrevistapor meio da qual buscaremos discutir quais são as práticas dos professores quecontribuem para o letramento, bem como se essas referidas práticas acontecem emsala de aula, e se contemplam os objetivos para esse trabalho.4.2 Análises das Entrevistas A escolha por este instrumento de pesquisa, conforme já expressadoanteriormente, apesar de ser mais complexos e demandar maiores análises,reflexões e trabalho extremamente exaustivos, nos contempla com uma riqueza evariedade de dados, que talvez um outro instrumento por sua limitação de respostas,não evidenciasse ou até mesmo ficasse subtendido por parte do entrevistador, aaproximação e interação com os sujeitos nos permitem respostas explicitastambém através de expressões corporais,considerando e revelando até osubtendido nas entrelinhas (FREIRE, 2006). Para definir a estrutura da análise dos dados, adotamos a divisão a partir dasPerguntas estabelecidas no nosso roteiro de entrevista. A seguir apresentamosalgumas reflexões construídas a partir dos dados no processo depesquisa.Ressaltamos que neste texto todas as vezes que fazemos referencia a umdos sujeitos utilizaremos a seguintes termos: Profº de Português, Profº deMatamática e Religião, Profº de Matemática e Educação Física, Profº de Geografia,Profº de Ciências, Profº de Artes, Profº Pedagogo.
    • 464.2.1 A compreensão que os docentes tem sobre Alfabetização e Letramento É significativo entendermos como é que julgam a relação desses termos, porparte dos professores, uma vez que ainda é possível devido a equivocadasinterpretações ou confusões que ainda fazem parte desses dois universosalfabetizar e letrar como sendo processos diferenciados, uma vez que as processosdistintos, mas que se complementam. Vejamos a distinção ou juízo que fazem os nossos sujeitos sobre os conceitosde alfabetização e letramento: [...] Quando se fala em alfabetização e letramento, é que o aluno não só apenas decodifique as palavras, os símbolos, mas que ele compreenda o que esta lendo, a compreensão que eu faço e dessa temática é isso, que ele na alfabetização relacione com a sua vida diária. Não podem jamais andar separados [...] (Profª Pedagoga). [...] Quando fala em letramento entendo que é leitura de mundo, porque muitas vezes a gente traz coisas fora da realidade dele e ele não consegue entender [...] (Profª de Matemática e Religião). [...] Alfabetização pelo próprio nome, pressupõe no meu conceito, estar ensinando os primeiros passos, noções básicas, ler escreve, noções de forma e números para ser introduzidos os conteúdos e aprender outras formas de conhecimentos mais elaborados.Agora Letramento...eu não sei, o que vem a ser letramento...a definição do que seria... me faz lembrar Paulo Freire talvez seria... hum! Sinceramente eu não sei. [...] (Profº de Geografia). [...] Ó, alfabetizar... eu não entendo porque usam as palavras de forma diferenciadas, uma vez que o letramento no meu entender, é você conseguir que os alunos atribuam sentido aquilo que eles conseguem ler.[...] (Profª de Português). É necessário ressaltar que diante dessas concepções é que em nenhummomento tratamos dessa temática como processos diferenciados, e sim que secomplementam, fato que podemos observar na fala da professora de português,quando revela não entender porque usam essas palavras de forma diferenciadas,uma vez que o nosso objetivo central é saber a concepção a respeito dessesprocessos. Ressaltamos que a fala da professora referida é a que mais se aproxima dosconceitos de letramento, em consonância com Soares (2006), quando explica que“Letramento é o estado ou condição que adquire um grupo social ou individuo, comoconsequência de ter se apropriado da escrita (p.18)”.
    • 47 A concepção da professora de matemática também traduz esse conceito doque vem a ser letramento em harmonia com Freire (2006) quando expressa que aleitura da palavra deve ser precedida da leitura de mundo. Já nas falas dosprofessores de geografia percebemos uma certa confusão, quanto a compreensãodestes termos.Entendemos na fala final do pedagogo, que estes termos não podemandar separados constatando que por parte da professora pedagoga também háuma clareza e entendimento a relação desses dois processos. Na fala do professorde geografia entendemos ser o que mais se distancia quanto ao significado dessestermos. A respeito dessas confusões que ainda reina no que se refere a essesprocessos Soares (2006) assegura que “Letramento é ainda uma palavradesconhecida ou mal entendida, ou ainda não plenamente compreendida pelamaioria das pessoas, porque é palavra que entrou na nossa língua há muito poucotempo (p.29)”. Isso demonstra que nem todos ainda tem uma clara compreensão doque vem a ser Letramento como é o caso do professor de Matemática e Ed. Físicaquando diz: [...] Assim eu posso... talvez eu seja leigo e não deveria ser, letramento tem a ver com dominar as técnicas todas as técnicas alem da língua escrita na sua língua, ser letrado eu acho que é isso [...] (profº de mat. e Ed fis.). Compreendemos que por motivo de ser uma palavra e até mesmo umaprática introduzia a pouco tempo no que diz respeito à sua elucidação, pois o termomesmo chegou a mais de 20 anos aqui no Brasil (SOARES, 2006), uma vez que nãoimpede que o professor mesmo sendo de outra área busque compreender as novastécnicas, metodologias ou conceitos introduzidos em educação. Fazenda (2001) acentua que: A práxis escolar sofre as determinações da práxis social mais ampla através das pressões e das forças advindas da política educacional, das diretrizes curriculares vindas de cima para baixo, das exigências do país, as quais interfere na dinâmica escolar e se confrontam com todo o movimento social do interior da instituição ( p. 40). É preciso nos remetermos a essas novas práticas, conceitos e discussõesnos mantendo a cada dia informados do que acontece na atualidade para introduzir
    • 48coisas novas em sala de aula especialmente em educação que a cada dia parecesurgir algo novo.4.2.2 A quem cabe a tarefa de alfabetizar: É possível perceber que no contexto escolar ainda permeiam dúvidas oucriticas quanto a responsabilidade ou ao papel de alfabetizar, ou seja, ensinar a ler ea escrever, surgindo as vezes a idéia de culpa quando o aluno não adquiriu ascompetências necessárias ou habilidades em determinada série e avançar paraoutra.Cabe ressaltar aqui que o nosso intuito é saber o que pensam os nossossujeitos a respeito desse fato e quais são as atitudes realizadas quando se deparamcom situações como estas. Partindo do argumento de Kleiman (1995), que diz que “para ser letrado nãoprecisa ser alfabetizado, é possível ser letrado sem ser alfabetizado (p.18)”. [...] Eu estou terminando matemática e estou trabalhando na área e tem horas que tem que parar, não pode dar só o conteúdo, porque o aluno não vai acompanhar. Então assim, se você deixa só para o professor alfabetizador, você não consegue fazer o seu trabalho, chega um momento que é necessário que você pare e também alfabetize, mediante as necessidade de cada clientela de cada grupo [...] (Profª Pedagoga). [...] Na medida em que os outros professores não são exclusivamente alfabetizadores, lidam com textos, cálculos matemáticos, ele vai ter que fazer os alunos a fazerem leitura de imagens, também fazer com que os alunos interpretem os vários tipos de textos que talvez os alunos não aprendam na alfabetização. Então o letramento e a alfabetização não é tarefa exclusiva do professor alfabetizador, mas de todos os professores envolvidos, do conjunto da escola [...] ( Profº de Ciências). Verificamos que nas falas do professor de ciências e do pedagogo que nadaimpede quando um aluno apresenta dificuldades, parar e fazer um trabalhodiferenciado, no sentido de levarem esses alunos a ler e escrever, até mesmo parafacilitar o trabalho com conteúdos, uma vez que ele só ira compreender se tiver odomínio pleno da leitura,deixando claro que ao se depararem com situações comoesta a atitude mais correta é tentar trabalhar a dificuldade desse aluno, pois se esteprecisa trabalhar com conteúdos, dificulta a aprendizagem uma vez que este alunonão tem o domínio da leitura e da escrita. [...] A questão de alfabetização, pressuponho que já deveriam ser alfabetizados é claro, a gente percebe as dificuldades. Aparecem aqueles casos de alunos copistas, que só copiam e nem sabem o que esta copiando
    • 49 aí, eu confesso, ele chegando nesta fase precisa pedir reforço aos colegas para fazer um trabalho diferenciado, porque aquela questão de alfabetizar eu não sei , nunca trabalhei, não me vejo muito naquela questão de alfabetizamento, pegar no BÊ A BA e tal, [...] (Profº de geog). O professor de geografia deixa claro que é um trabalho do alfabetizador,quando expressa pressupor que os alunos já venham alfabetizados e reforçaprecisar da ajuda de um outro colega mais experiente na área, pois nunca trabalhoucom alfabetização, o que é uma atitude bem vinda, pois demonstra que é preciso ese faz necessário para se fazer um trabalho diferenciado no sentido de sanar asdeficiências.Enfatizamos que a concepção do professor de geografia nos remete apensar que a tarefa de alfabetizar não termina nas séries iniciais, sendoresponsabilidade de todos os professores que atuam em diferentes disciplinas esegmentos.(CASTANHEIRA, 2009). Vejamos o que pensa a professora de artes, e compreendemos aqui que háum ponto de vista que converge para a responsabilidade em que cada um precisater para alfabetizar, conforme a faixa etária do aluno e não mediante asnecessidades quando for detectada, que o aluno precisa aprender. [...] Principalmente a família, parente, porque quando se fala alfabetizador, eu estou me referindo a crianças mas aqui como são adolescentes, a nível fundamental, já é não só do alfabetizador, mas de todos os professores que estão envolvidos,nesta questão,mas quando é a criança é do professor alfabetizador e da família né? [...] (Profª de Artes). A profª de artes faz a distinção entre adolescentes e crianças, dizendo queeste último a tarefa é sim do alfabetizador e dos pais, e quanto aos adolescentes éproblema de todos os professores que estão envolvidos, nos revelando um confrontode opiniões, a quem cabe alfabetizar, 2 deles julgando ser tarefa de todos e osdemais como sendo de profissionais que trabalham na área. A professora de português tem a seguinte concepção: [...] Eu acho que a alfabetização não começa e termina, a alfabetização acontece em todas as instancias, até mesmo na universidade, porque tem gente que chega na universidade sem ter certos conhecimentos, e lá se alfabetiza para aqueles conhecimentos.Eu costumo dizer que eu sou analfabeta funcional em algumas situações(risos). Ai, assim, quando você bota a responsabilidade só para o professor alfabetizador, na cabeça de alguns, ficou lá atrás, ai se exime da responsabilidade de ensinar, eu acho, eu acho não, eu acredito que a responsabilidade maior de ensinar é do professor sim. [...] (Profª de Port).
    • 50 Ressaltamos que pretendemos entender aqui nos contextos de dificuldadesde leitura e escrita detectadas em alunos do Ensino Fundamental, chamamos aatenção da fala da professora de português e concordamos através dessa fala quehá uma conformidade com a realidade que permeia nos Centros acadêmicos quantoa questão de analfabetismo funcional, que sintetiza o contrário de letramento(CASTANHEIRA, 2011), onde não basta simplesmente ler e escrever, mas dominaressas técnicas incorporando em nosso viver e transformando o nosso meio(SOARES, 2005). É comum vermos, constatarmos, embora não mais admissível principalmentenos centros acadêmicos, que muitos passam por estudos e reflexões e ainda sesentem analfabetos funcionais, questão que nos remete a uma outra vertente emsaber qual é o papel da universidade, e o que acontece para trazer assim resultadosde descoberta ao incorporar para si o analfabeto funcional,ou talvez já sejamresquícios de um formação deficiente que permeou por muito tempo e ainda permeiano sentido de não levar o educando a aprender com competência, conhecimentosque façam sentido para ele.Nesta perspectiva é que Paulo Freire (2006) expressa:“seria formidável se as universidades fossem planejando experiências em que acompreensão do ato de aprender e de ensinar, deixasse de ser a casa mecanicistaque hoje é, para ser um processo de produção de conhecimento (p.43)”. É possível ainda perceber diante da fala da professora de português, que elanos aponta elemento fundamentais para a compreensão e até tomadas de decisõesno sentido de rever o papel do professor, quanto a falsas concepções e equívocosquando se pensa que a tarefa de ensinar a ler e a escrever é somente do professorde português, mas de todos que percebam onde se encontra as deficiências edificuldades dos alunos para se trabalhar onde houver necessidade seja emqualquer série que este se encontre ou até mesmo na faculdade,não devendo assimse eximir da responsabilidade que é de todos o que também concordamos.4.2.3 Alunos que chegam nas séries finais do Ensino Fundamental semdominar a Leitura e a Escrita: Podemos observar que muitos alunos ainda apresentam muitas dificuldadesde leitura e escrita em níveis até alarmantes e conforme acentuado anteriormente,
    • 51enquanto até mesmo na universidade se percebe uma dificuldade com interpretaçãoo que demonstra níveis baixos de letramento, nesse contexto enfatizamos aqui adificuldade em ler,e escrever, na fase final do ensino fundamental, o que talvezpossa gerar um circulo vicioso onde o aluno avança de uma série a outra sem teresses domínios necessários, se propagando em serias deficiências que afetam asua aprendizagem. Analisemos algumas concepções: [...] porque não tiveram letramento na minha opinião.você vê muitos alunos custa, você vê tudo organizadinho no caderno, letra bonita mas nem entendem o que estão fazendo, eles não interpretam, não há preocupação em saber como ele esta aprendendo, e relacionando com a vida diária dele.Tem uma parte que se eu não me engano é Paulo Freire que diz assim, que tem o momento que o aluno enche a cabeça de coisas e quando ele não vê relação com a vida diária dele, vai excluir aquilo, porque foi um conhecimento que ele não vê sentido[...] (Profª Pedag). Concordamos e reforçamos conforme expressou a professora pedagoga, queainda perdura muito essa realidade, onde percebemos realmente alunos copistas, eque nada compreendem quanto ao que estão escrevendo ou lendo, e o que étendência nossa até por força de uma escola que apenas ensina copiar, a sermosreceptores de informações sem investir espírito critico, conforme argumenta Demo(2005), situações essas muitas vezes detectadas durante o nosso estágio, o que nosinstigou a querer descobrir por que isso acontece, compreendemos que quando aprofessora lembra Paulo Freire, talvez seja quando salienta que ensinar não éencher a cabeça dos educando de conteúdo,como se bastasse você ensinarmatemática, geografia isso e aquilo e no dia seguinte, ganhasse independência, aquestão é saber o que é ensinar (FREIRE, 2006). Ainda com relação á fala da professora, foi colocada uma série de questões emotivos entre eles: o acompanhamento familiar, superlotação de salas, e as váriasrealidades e dificuldades da escola pública, como sendo fatores como por exemploem que o aluno é promovido de uma série a outra sem saber ler e escrever,o querequer uma reflexão quanto ao papel da avaliação escolar, processo complexo emerecem estudos mais aprofundados para a compreensão em saber como se de ecomo fará não só por parte da comunidade escolar , mas sobretudo de quemelabora as leis em educação,sendo que um dos fatores relacionados a esteprocesso de promoção automática está atrelado aos altos índices de reprovação que
    • 52por sua vez se torna inadmissível para a qualidade da educação básica a avaliaçãodeve contemplar um julgamento sobre o que o professor faz para ensinar e o que oaluno faz para aprender para que o ensino e a aprendizagem aconteçam da melhormaneira possível. (CAGLLIARI, 2006). Vejamos ainda outras opiniões: [...] Não sei, isso também me incomoda muito.Não sei se não foram muito bem preparados,também não quero jogar a culpa fica chato, não sei, eu acho que no geral, falta um interesse muito grande das crianças em relação as novas descobertas.Eu vejo assim,onde existe interesse tudo fica mais fácil sabe? talvez eles se interesse pelo data show e outros recursos que tem na escola,mas se não tiver um botãozinho neles que desperte esse gosto para eles descobrirem um sentido, eles vão usar todas as técnicas e tecnologias e não vão estar nem aí [...] (Profª de Mate.e Reli.). Percebemos que a professora apresenta uma dúvida, quanto ao motivo dosalunos chegarem nas séries finais do ensino fundamental sem dominar a leitura e aescrita, ora pensa que foi por não serem bem preparados, o que incide a culpa recairsim sobre o professor alfabetizador, embora não afirme; ora pensa que o motivoprincipal, está no desinteresse do aluno, onde seus argumentos deduzem demaneira mais enfática,afirmando que mesmo que sejam contemplados com a maismoderna tecnologia que possa existir na escola, referindo-se a Data show porexemplo,ainda não é necessário para sanar com o desinteresse de muitos alunosque não veem sentido e importância em nenhum recursos e até em aulasdiferenciadas que as vezes fogem da rotina. Vejamos ainda o que pensam os outros professores: [...] Eu analiso muito esta questão dessa nova política educacional, você esta passando o aluno independentemente de aprender ou não, essa nova forma de avaliação que se dá para o aluno até o 5º ano que... Que ele não repete muitas vezes de ano, e o próprio sistema de educação favorece uma aprovação que prega por aprovar esses alunos, a tendência é ele continuar passando, chegar no 8º e 9º ano sem ler e sem escrever corretamente, chegar no ensino médio assim. Agora depende do interesse do aluno, realmente tem alunos que querem, mas também tem alunos que não tem interesse [...] (Profº de Geog). Chamamos a atenção para a fala do professor de geografia quando dizanalisar essa nova política educacional, que estar promovendo o alunoindependentemente dele aprender ou não, o que também concorda o professor deciências, reforçarmos que são questões que merecem uma análise melhor noprocesso de ensino e aprendizagem conforme acentuamos anteriormente e que
    • 53necessita de um olhar mais critico e até desafiador, pois se trata de hierarquias emleis de educação que vem da ordem de quem cria estas leis para serem cumprida,parte que recai sobre a instituição escolar, este fator apontado pelo professor degeografia talvez tenha influências não determinantes mas preponderantes queinfluenciam e contribuem para a propagação desse quadro de fracasso e dificuldadede leitura e de escrita. [...] Bom, eu penso que isso é um pouco complexo porque envolve uma serie de fatores né? poderia pensar assim na primeira causa, há ele foi empurrado, aí foi talvez o primeiro descuido da escola, dos professores,é aquela coisa, mas acredito que os fatores extras escolares tenham uma interferência maior, porque se os pais não dão a devida importância as vezes até de perceber que seus filhos tem dificuldade de aprendizagem.[...] (Profº de Ciên). Notamos diante dessas concepções uma certa ambiguidade e também umaequilíbrio no teor dos motivos que levam os alunos a chegarem nas séries finais doensino fundamental sem dominar a leitura e a escrita,tendo um dos fatorespreponderantes segundo os entrevistados, o desinteresse do aluno, conformeapontam os professores de matemática o de geografia e o de ciências, atribuindoainda uma parcela de culpa à família, afirmando que os fatores extra escolarescontribuem também, uma vez que se os pais não percebem em casa as dificuldadesque apresentam os seus filhos para lhes dar uma ajuda, contribuindo assim com otrabalho do professor.Esse processo torna-se mais difícil, levando em consideraçãoos vários problemas que a escola enfrenta, entre eles a quantidade de alunos emsala de aula, cada um com especificidades diferentes, que nem sempre o professoré capaz de solucionar sozinho, enfatizando ainda com mais ênfase a culpa ser dosistema. [...] Eu vejo isso como deficiência, eu não sei apontar culpados, sei que tem vários, família, professor, e quando o problema é do professor o maior entrave é o tempo, temos que levar em consideração o tempo que o professor tem com o aluno, é curto, como trabalhamos com eficiência com a sobrecarga que temos 40, 60 hs? E se o aluno não tem interesse em aprender durante esse pouco tempo as coisas se complicam[...] (Profº de Mat e Ed. Fis). Percebemos que reina ainda ser fator de dificuldade em ler e escrever comosendo o desinteresse do aluno e quando a culpa recai sobre este justifica-se com asobrecarga, de trabalho dizendo ser quase impossível com a carga horária que setem, desenvolver um trabalho com eficiência; e quando falamos em carga horária,compreendemos também que na maioria das vezes o professor se submete a
    • 54jornadas mais longas de trabalho devido ao baixo nível de seus salários sendonecessário esse desdobramento quanto ao complemento ou acréscimo da suarenda, pois muitas vezes é baixo sendo insuficiente para suprir as necessidadesbásicas do ser humano.(FREIRE 2006) expressa que: “Existe uma má formação doprofessor brasileiro, e ao mesmo tempo, e ao desrespeito a pessoa desseprofissional, com o pouco que ele ganha é difícil encontrar até tempo para umaformação melhor (p.52)”. Quanto ao desinteresse do aluno, conforme insinuam alguns professores,pensamos aí, serem fatores mais amplos e que merecem um estudo maior, acercadas relações de desinteresse e apatia do aluno em sala de aula, ao mesmo tempoem que também apontamos e concordamos com alguns sujeitos quando dizem estara causa principal, em algumas práticas pedagógicas, que não caminham e avançampara promoção de alunos que desenvolvam o gosto pela aprendizagem significativa. Sabemos que há inúmeras causas e fatores interligados, que contribuem comesse fracasso do aluno conforme (CARVALHO 2011) assegura: “Não há uma causaúnica para se explicar a situação a que chegamos onde mais de 90% de criançasnão conseguem aprender os níveis rudimentares de leitura e de escrita (p 75)”.Pensamos está entre essas causas também inexplicáveis os motivos que apontam aprofessora de Arte, talvez fatores psicológicos limitados conforme expõe: Baixavisão, audição, falta de concentração entre outras, mas acreditamos não seremfatores determinantes quando se tem o interesse e o apoio familiar também. [...] Eu acho que tem uma série de fatores, tem que saber quais as dificuldades, se eles tem assim... se ele ouve bem, enxerga bem, se ele tem problema de concentração, certo?isso tem que ser detectado por todos os professores e pela família também outra coisa que eu acho que também influencia é que os pais também tem que ajudar na questão da alfabetização, ver como é que anda o filho na escola, se esta lendo, progredindo,se interessar pelos problemas dele.Eu acho que é basicamente isso[...] (Profª de Artes). Nos motivos que levaram a uma das causas a falta de apoio,acompanhamento e interesse da família, concordamos com que diz a (LDB) lei dediretrizes e bases da educação, quando afirma que a educação é um direito detodos e dever do estado e da família, embora esse direito seja assegurado ougarantido, percebemos ainda que ha distância entre cumprimento desses direitos,
    • 55especialmente quando existem famílias que se eximem desse dever, deixando recaira sobrecarga de deveres e obrigações somente à escola. Atribuir a culpa aos professores alfabetizadores conforme acentuam os doisprofessores de Matemática e o Pedagogo é desconfortante e eles têm esse cuidadoem não apontar esses supostos culpados, todavia mediante ao que já citamosanteriormente, contemplado na fala de Carvalho (2011 P. 71) dizendo: “não haverexplicação para essa situação”, acreditamos haver uma incógnita de relações entrepolíticas educacionais e práticos pedagógicas, pois sabemos que existem fatores deordem mais amplas no que concerne as hierarquias de valores e poderes dos queestão a frente da educação, por outro lado está o professor com a oportunidade deestar frente a frente com o aluno em contato direto com ensino e aprendizagem eautor principal que subsidia a aquisição das habilidades de ler e escrever comcompetência. Consideramos quando Caglliari (2001 p.7-8) provoca, perguntando: “o que oaluno faz em 8 anos de estudo, saindo da escola apresentando tantas dificuldades”certamente deve haver fatores que precisam sim ser analisados com mais cuidado,e termos clara e conscientemente os vários fatores que influenciam e interferem aomesmo tempo, e que não podemos deixar de rever o papel do professor com maiscuidado ainda, uma vez que é este um dos elos principais entre ensino eaprendizagem, consideramos se todos os professores,não só os de alfabetizaçãocontribuísse com a aprendizagem dos alunos, certamente teríamos resultados maiseficazes e satisfatórios do que apontar culpados pelas deficiências doaluno”.Ressaltamos que este é um dos fatores centrais na discussão do nossotrabalho. Gostaríamos de assinalar ainda com maior ênfase quanto ao que diz aprofessora de Português: [...] porque não se esta trabalhando a dificuldade do aluno em tempo hábil e devido se você não trabalha a dificuldade da criança, não adianta ela não deslancha. Só se deve trabalhar com conteúdos quando o aluno ler e compreende o que ler, e o que mais acontece é que na maioria das vezes, se dar prioridade aos conteúdos e não se ensina o que deveria ensinar que é ler e escrever. Os pais não tem a obrigação de ensinar(gestos entre aspas) os conteúdos que a escola oferece né? quando parte de outras áreas não,educação é com os pais,religião é com a igreja, bons modos, é dentro de casa tá? Se isso ta faltando e ele chega para a escola resolver, ai
    • 56 são outros quinhentos. Agora, a tarefa mesmo que é ensinar, é um lugar para tudo, mas a tarefa mesmo é de ensinar.Então quando não esta acontecendo o ensino então a falha é nossa, entendeu? Eu vejo assim (Profª de Port) Enquanto os outros referem- se a fatores como o sistema, a escola, família,carga horária excessiva, ela afirma ser do professor que não ensina como deveriaensinar como falha, que sendo da escola é do professor, gostaríamos de reforçaressa fala da professora de português concordando que para que haja aprendizagemé necessário que tenham o ensino, e que este passa necessariamente peloprofessor Demo (2005) diz que: “qualquer proposta qualitativa na escola encontra sena qualidade do professor, a relação mais sensível, que precisa desenvolver o seutrabalho com competência, e preparo, especialmente no que se refere às suaspráticas, revendo onde é preciso melhorar, onde teve sucesso progredindo emalgumas e evitando outras (26)”. E de acordo com Zabala (1998) “Nosso argumento consiste em uma atuaçãoprofissional baseada num pensamento prático, mas com capacidade reflexiva(p.61)”. Sendo assim, podemos afirmar que a professora de português estácumprindo esse papel de reflexão da sua prática, quando afirma que se o aluno nãoaprendeu é por que não houve o ensino, entretanto não podemos deixar deconcordar também que os outros fatores apontados pelos outros professores,também influenciam e tem sua parcela de contribuição, todos juntos e nenhumisoladamente. Acreditamos que quando os PCNs (2001) sugerem uma necessidadede reestruturação do ensino de língua portuguesa, com o objetivo de encontrarformas de garantir de fato, aprendizagem da leitura e escrita não significa dizer quea solução para sanar esse quadro de fracasso de leitura e escrita, esteja narestrtuturação, dessa disciplina somente, mas em uma recomposição de outrosfatores envolvidos também que contribuem para essa falha onde os alunos chegamno ensino fundamental sem o pleno domínio da leitura e da escrita. Por outro lado ainda a professora de português quando assegura queconteúdos de língua portuguesa eles veem no ensino médio ou quando precisarempara fazer um concurso ou vestibular, deixa de estar cumprindo também esta parteque não é determinante mas que também é relevante para se entender alguns
    • 57conhecimentos, tarefa que cabe á escola ensinar e não aos pais, pois a estescompete ensinar valores e boas maneiras mas é na escola que se aprende a ler eescrever e quando o aluno não aprende, a culpa é do professor.4.2.4 Praticas metodológicas dos professores que contribuem para oletramento Acreditamos que uma boa prática, construída, planejada e com objetivostraçados que estejam ao alcance entre o que se pretende fazer e o que é realmentefeito, sobretudo com conhecimentos necessários de como fazer, conduzem ao bomresultado surtindo efeitos salutares e que podem contribuir para a promoção desujeitos letrados, que sejam capazes de atuar nas práticas sociais de leituras eescritas e sendo assim, poder intervir. Vejamos a contribuição dos professores quanto a estas práticas: [...] As vezes ainda é pouco até por conta do espaço que a gente tem, mas a gente tenta fazer o possível a gente traz textos diversos para ler, a gente faz um trabalho em cima do que eles gostam, que tragam significados para eles, além de noticias que venham interessar a eles e seja significativo.A contextualização, porque não adianta você se preocupar com a quantidade de conteúdos e deixar a qualidade de lado (Profª Pedagoga). Temos ai uma contribuição da professora pedagoga, pois quando diz fazer opossível, trazemos diversos textos que tenham significados para os alunos, além deestar sempre contextualizando, a exemplo de notícias e outros, é uma prática quesem dúvida já contribuem para a promoção de alunos letrados. Kleiman (1995),confirma dizendo que: “No processo de letramento escolar os alunos lidam comdiversos tipos de textos, dicionários, atlas, murais, avisos, notícias, e que quantomais intensivos forem o contato, apropriação e a utilização desses diferentes tiposde escrita, mais elevado será o letramento escolar”(p 21.) [...] Não está falando coisas sem que realmente eles compreendam, é preciso ter esse cuidado, nas aula de religião eu tento conversar, aproveito para ensinar algo que toque profundamente neles, trazer para a vida deles o que tenham significados. Acho que é pouco ainda, mas tento melhorar, interagir com todos, quando se trabalha de forma conjunta o trabalho anda mais, eu estou sempre me autoavaliando, e sei que eu preciso melhorar, sei que depende de mim, estou pedindo a Deus a graça, a gente precisa de mais contato para reflexão (Profª de Mat e Relig).Podemos assinalar duas questões extremamente importantes nesta fala, a práticareflexiva da professora, pois é importante para o professor tomar consciência do que
    • 58faz ou pensa, a respeito da sua prática pedagógica(LIBANEO, 2011).Por outro ladoa professora aponta a necessidade da interação entre todos, pois quando setrabalha de forma conjunta o trabalho avança, progride, neste sentidocompreendemos aqui uma interação entre corpo docente e discente, e uma relaçãoentre todos, inclusive uma harmonia entre as práticas de todos os professoresenvolvidos para o sucesso deste trabalho em tornar os alunos letrados. Apontamos ainda a necessidade de se trabalhar com o letramento no ensinoda matemática, pois em todas as disciplinas é possível trabalhar na perspectiva doletramento e da aprendizagem significativa, todos os professores, de artes,português, matemática, geografia e outras podem contribuir (CASTANHEIRA, 2011). É possível perceber também ainda na fala do professor de matemática ereligião que o enfoque e o tempo para se trabalhar na perspectiva do letramento énas aulas de religião, onde introduz e reflete valores essenciais para a vida doseducandos, acreditando ser possível nesse momento preparar o aluno para atuar demaneira autônoma, e reflexiva na sociedade e na vida.O professor precisa terautonomia para decidir sobre a inclusão daquilo que pode e deve fazer parte docotidiano da escolar, tendo autonomia na escolha daquilo que é relevante para oaluno, e mesmo que julgue as vezes não ser importante, talvez seja necessáriodevido a necessidade e do apelo das exigências na sociedade. A reflexão da prática pedagógica fica assim, sendo um fator preponderante edecisivo para retomadas de ações e novas práticas que façam sentido, contribuindopara o letramento de nossos alunos. Vejamos o que pensa o professor de Geografia: [...] Se eu trabalho com algum método? há sim, quando eu trabalho geografia eu procuro esta relacionando mais de perto com o dia a dia deles, a realidade deles o cotidiano, eu contextualizo, procuro trazer textos, músicas para relacionar com o local para facilitar o entendimento deles, nesta concepção eu estou sim trabalhando o letramento (Professor de Geog). Interessante acentuar que no início da nossa entrevista, a ser questionado arespeito da compreensão que tinha sobre a Alfabetização e Letramento, o nossoentrevistado, apontou desconhecer essa palavra, após serem feitas algumasconsiderações sobre o tema, ele relatou a suas práticas trabalhadas em sala de
    • 59aula, o que acreditamos também estar contribuindo para a promoção de alunosLetrados, o que nos chama a atenção quanto ao desconhecimento ao termoletramento, e ao conhecimento, habilidades, competências e práticas que tornam oaluno letrado, o que sintetiza no final de sua fala “nesta concepção eu estou simtrabalhando o letramento”. Ao mesmo tempo em que enfatiza esclarece algumaspráticas trabalhadas em sala de aula com conteúdos que façam parte da realidade edo cotidiano do aluno, para não ficar distante do seu mundo e mais fácil para a suacompreensão, onde chama a atenção por exemplo sobre o capitalismo, onde tentaconscientizar e trabalhar a questão do consumo, interferindo com o que o aluno vêna TV ou ouve, para não se deixar levar por propagandas, explicando a importânciade se pensar nestas questões e ter mais um olhar critico. [...] Alem de fazer aquela parte especifica que é a parte de ensinar propriamente dito, eu acho que se você começa incluir questões da comunidade para conseguir trazer, as lendas, os mitos locais, acho que isso pode ajudar o aluno ter uma visão de mundo, na medida em que ele esta inserido nessa comunidade, tem essa cultura própria, então aquele aluno que vê isso na sala de aula, ele vai ter um interesse maior e pode ajudar no letramento e na alfabetização dele, outra coisa é ter essa união entre os autores ali na escola que são os professores mas também os pais o interesse dos próprios alunos em quere aprender (Profº de Ciên). Compreendemos essa fala do professor de ciências e a sua contribuiçãoquando expõe ser importante para o aluno trazer questões da comunidade dele, darealidade, no entanto sentimos a necessidade de perceber de maneira mais clara aforma como se é trabalhado e o teor dessas lendas e mitos para tornar os alunosletrados. Reforçamos ainda o desejo e a necessidade de um trabalho em conjunto,harmonioso conforme aponta o professor de ciências, para a viabilização dealgumas propostas escolares que possibilitem o letramento, conforme tambémacentuou a professora de matemática quando diz que o trabalho avança quando háuma interação conjunta entre todos. Analisemos a fala do outro professor quanto às suas práticas: [...] com textos que envolvam histórias a história da matemática, leitura por parte dos alunos, leitura compartilhadas e discussões, a discussão Em matemática mesmo eu trabalho textos em toda a minha carga horária, a mais de três anos na área de matemática eu estou me dedicando à leituras de textos, trabalhar com textos, que falem da realidade do dia a dia demonstrando interesse pelo problema do aluno também fugir de conteúdos, como acontece, o professor só dar conteúdo o tempo todo e
    • 60 esquece do que interessa o aluno. Eu acredito nas minhas práticas na minha metodologia e nos meus objetivos e eu acho que são bons ( Profº de Mat e Ed. Fis.). Esperamos que ao se trabalhar com esses textos em matemática, com ahistória da matemática esteja-se trabalhando também a qualidade desses textos, eque realmente favoreça a prática de alunos letrados.Reafirmamos a importância dareflexão da prática, conforme aponta o professor de matemática quando diz, fugir deconteúdos ou da quantidade excessiva de conteúdos, esquecendo se do querealmente importa que é a aprendizagem significativa, o que é possível somentecom a qualidade, enquanto que a quantidade é fator irrelevante.O professor degeografia aponta ainda contribuir com o letramento tendo a estratégia de seinteressar pelos problemas do aluno, pois quando este sente que o professortambém se preocupa com os seus problemas, é possível uma relação maior decompreensão, companheirismo e interação indispensáveis a uma boa aula. Assim diante ainda da qualidade e não da quantidade em relação a essesconteúdos, presume-se que dentro desta perspectiva, seja real o que Demo (2005)enfatiza “Assim é necessário mostrar porque a matemática é necessária para acidadania das pessoas, ou porque falar a língua materna, faz parte do cidadãoparticipativo ou porque alfabetiza-se é questão chave de combate a pobreza políticada população (p 42)”. Isso também é proporcionar o letramento. [...] Olha,interpretação de textos,letrados mesmos? Eu me preocupo mais mesmo no momento é com a alfabetização, eu faço ditados para saber como é que eles estão , se estão escrevendo bem, e faço textos para eles interpretarem.primeiro eu faço o ditado e observo quem tá escrevendo o que eu falo, depois nas minhas provas e testes, eu coloco textos e observo que é que esta interpretando o que esta escrito, olho os textos que eu trago por exemplo de cultura afro do 8º e 9º ano é para relacionar com conteúdos daquela disciplina, aí faço a relação de negro hoje,como é que estão? Por que os indígenas estão indo para os centros urbanos? Entendeu? como é que o negro esta se destacando? Como é que ele pode melhorar de vida? Então isso é atualidade (Profª de Artes). Percebemos certa confusão quanto às práticas que possibilite tornar o alunoletrado, quando revela, uma preocupação mesmo com a alfabetização ler eescrever, e menos com a qualidade desta leitura, preocupa se com a leiturainterpretação que podem muito bem fazer alunos alfabetizados, mas não letrados,quando Kleiman (2005) explica que “é possível ser letrado sem ser alfabetizado”,percebemos ai uma preocupação ao desejo de se alfabetizar ler e interpretar emenos com aplicabilidade que terá essa leitura na vida em sociedade. Acreditamos
    • 61também que a professora trabalha como sendo da atualidade através dessasperguntas e questionamentos na disciplina de Cultura afro, já deve fazer partequando se trabalha temas como este para que traga significados a vida do aluno. No que se refere a percepção de confusão desses termos Soares (2003)explica que: “No Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada noconceito de alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempreproposta na produção acadêmica, a uma inadequada e inconveniente fusão dos doisprocessos que prevalecia do conceito de letramento(p 9)”. Vejamos o que diz a professora de português: [...] Eu gosto muito que tenham contato com textos, o meu desejo é que eles tivessem contato é com os livros, mas eu sempre costumo eu não passo uma semana sem ler com eles, ler, ler mesmo, ler um texto ler um parágrafo, ler alguma coisa, sempre enfatizar a leitura, conto com diversos gêneros textuais livros, revistas charges, cartas leituras coletivas fabulas e outras que contribuam para que o aluno leia, compreenda e lhe atribua significado. ,.Então fiz uma seleção de diversos textos e fixei no mural para eles terem um maior contato com a leitura.Eu acredito que é inadmissível principalmente para um professor de língua portuguesa, não detectar se o aluno sabe ou não ler e escrever, não existe! Por isso eu bato firme e digo na frente de quem quiser, A culpa é do professor [...] ( Profª de Port). Sublinhamos que a fala da professora de português traz inúmeros elementose informações necessárias a respeitos de suas práticas metodológicas que as vezesé interpretado por muitos conforme ela aponta, ser considerada tradicional, quandopede para o aluno ler em sua mesa para que possa sondar como anda a leitura dedeterminado aluno e dentro é claro, da perspectiva do letramento quando explica ostipos de textos que são trabalhados , fixados em um mural também, além dotrabalho com fábulas, cartas, notícias, charge, dicionários, e outros. Nos remetemos agora a sua fala quando diz “nós somos muitos, se todosprocurarem ajudar um pouquinho todo mundo cresce”, se o aluno aprende,compreende ele se dará bem em todas as disciplinas, referindo se quanto ao fato dealguns professores terem ainda a concepção errônea e equivocada, de achar que aresponsabilidade com leitura e escrita é do professor de língua portuguesa, talvezfavoráveis ao que trata os PCNs ( 2001),quando diz que desde o início da década de80 o início de língua portuguesa na escola, tem sido centro da discussão a cerca danecessidade de melhorar a qualidade da educação no país. Entretanto, conformediscutimos anteriormente, referente às causas de fracasso escolar, soma-se a isso,
    • 62outros fatores também importantes a serem considerados juntamente e não umúnico fator isoladamente, ao mesmo tempo que não cabe apontar a culpa dessefracasso. Há necessidade de rever e reformular a formação do professor das sériesiniciais do Ensino Fundamental de modo a torná-los capazes de enfrentar o gravereiterado fracasso na aprendizagem inicial da língua escrita nas escolas brasileiras(SOARES, 2006). Entendemos que existem muitos argumentos e possíveis causas quanto aofracasso, ao analfabetismo e poucas ações e medidas eficazes no sentido dereverter esse quadro. Ainda quanto a atribuição de responsabilidade sobre aprofessora de língua portuguesa Kleiman (1995) alivia, afirmando que: “O conjuntode práticas desenvolvidas nas escolas para aprender os usos da língua escrita, é oque vem a ser letramento escolar. Envolve não só o ensino de português mastambém a leitura e a escrita praticadas nas demais disciplinas”. Sabemos que para aviabilização dessa proposta é parte integrante e indispensável a contribuição detodos os envolvidos comungando e trabalhando para os mesmos objetivos. Arroyo(2011) é muito expressivo quando afirma: “Todo conhecimento que ensinares, todacompetência que cultivares ampliará as possibilidades de inserção e de participaçãosocial, formará as capacidades intelectuais, éticas estéticas, indenitárias,desenvolvimento mental. Ensinemos os conteúdos de cada área e estaremosviabilizando a capacidade dos alunos de exercerem plenamente sua cidadania(p37)”. É o que pensamos contribuir de maneira significativa, o pensar o falar e ofazer em harmonia com todos, objetivando prioritariamente a leitura e escrita comcompetência tornando sujeitos letrados.4.2.5 Como a escola tem contribuído para o letramento dos alunos Sabemos que o papel desempenhado pela escola, além das atividadessistemáticas de ensinar a ler, escrever contar e calcular conforme já assegura osPCNs (1998), vão além desses processos, na maioria das vezes e dependendo decada realidade social e cultural em que está inserido, a escola vai mais adianteantes de tudo é vista como uma instituição capaz de viabilizar ou proporcionar ao
    • 63aluno, uma formação profissional, identitária , moral, social desenvolvendorequisitos básicos e essenciais para que se tornem um cidadão consciente de seusdireitos e deveres, atuando de maneira critica autônoma e reflexiva na vida emsociedade. Entretanto, a depender de variados fatores envolvidos entre eles o objetivo eações conjuntas de gestores e corpo docente, estudo, reflexão e ação do projetopolítico e pedagógico de cada escola se não forem priorizados objetivados etrabalhados com eficácia , a escola poderá ou não desempenhar o seu papel, demaneira progressiva ou regressiva e consideramos aqui essa regressão no sentidode que as vezes a escola não alcança resultados mais eficientes quanto ao seupapel de ensinar deixando algumas falhas e lacunas que se não sanadas podemacarretar inúmeros problemas à aprendizagem do aluno. Vejamos o que pensam os nossos entrevistados ao que concerne o papel daescola, e em nosso contexto específico saber se ela tem contribuído para tornaralunos letrados: [...] o papel da escola é tentar interagir família, escola, o papel da escola é justamente isso fazer com que o aluno sinta prazer em estar na escola. Hoje a escola acaba sendo a família desses alunos, feliz ou infelizmente a escola ta sendo isso, a válvula de escape, você ver tem alunos que vem se alimentar na escola, tem dias que você tem que fazer o papel de psicólogo, conselheiro, a escola para muitos alunos é a casa deles. Eu acredito que alem de fazer ler e escrever ela também tem cumprido esse papel de casa. Você ver que na faculdade a gente aprende uma coisa mas na realidade é de outra forma e isso faz com que você veja a escola de outra forma, porque na verdade a gente trabalha com seres humanos, cada cabecinha é um mundo diferente, você tem que ta se adaptando a conviver com isso ( Profª Pedagoga). [...] Formar o cidadão de forma critica sei lá... pelo menos eu vou tentar durante esse ano mudar muitas coisas, minhas praticas,eu preciso me dedicar mais, principalmente nas aulas de religião que a gente reflete muito,o que é que eu preciso para mudar a minha vida e outras coisas, eu to tentando passar assim, dizer que o futuro depende deles, eu fico as vezes angustiada, preocupada, tentar fazer com que ao menos tenham opinião própria (Profª de Matemática e Religião). Recordamos o que nos assegura a lei maior no país, a constituição de (1988)que expressa em seu artigo 205: a educação direito de todos e dever do estado e dafamília será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Entretanto, é possível perceber diante do contexto social conforme ditoanteriormente que a escola passa a ser para muitos um lugar de apoio e de relações
    • 64múltiplas onde seu papel, juntamente com os envolvidos nesta instituição, gestores,professores, alunos acaba tendo maiores responsabilidades e sobrecarga,realizando ou promovendo ações que muitas vezes a família se exime em fazer.Podemos contemplar isso na fala da professora pedagoga quando diz que o papel étentar interagir família e escola, até mesmo como pedido, o que na integra seria umaobrigação na família, colaborar com a educação e aprendizagem dos filhos. Quando aponta que a escola acaba sendo a família e a casa desses alunos,pressupomos e evidenciamos que a família está deixando de cumprir o papel quelhe compete realizar, ao mesmo tempo em que afirma a escola ser válvula deescape, onde muitos vem para a escola para se alimentar, confirmamos que anegligência no cumprimento do papel da família considerando ser injusto que aescola desempenhe um papel que não compete a ela fazer, levando em conta quesão muitos os afazeres responsabilidades e deveres dos professores,afetandoqualidade do seu trabalho se tem uma sobrecarga maior tendo que desempenhar opapel de psicólogo, pais , conselheiros e outros não tendo preparo na maioria dasvezes para desempenhar estes papeis. Percebemos certa angústia e bem vinda, na fala da professora de matemáticae religião quando busca uma forma de auxílio e oportunidade durante o tempo emque acontece as aulas de religião, tentar introduzir valores e reflexões quecontribuem para a vida do aluno. Acreditamos que uma das fórmulas mais eficientes competentes eresponsáveis para a mudança de prática de um professor é a sua postura reflexiva,a sua inquietação em saber se determinadas praticas estão surtindo ou não efeitospositivos ou negativos contribuindo ou não da mesma forma, para umaaprendizagem significativa. [...] A escola a escola é aquela coisa os professores tem que estar engajados nesse processo, tem que haver projetos realmente que tenha significados, significar o conhecimento ou seja, de você fazer uma promoção do conhecimento que envolva várias disciplinas, relacionando com o local, que relacione e contextualize, para facilitar a compreensão dele.A escola tem essa função, porque em casa a gente tem aquela questão de educação, a gente cria valores, mas na escola você vai ter essa bagagem de conhecimento, que é necessário para você ter um futuro mais promissor[..] (Profº de Geog).
    • 65 Verificamos diante dessas concepções do professor de geografia, que àescola cabe o papel de ensinar, de transmitir conhecimentos, que sejam uteis para oaluno ter sucesso no trabalho e na vida e que a família cabe ensinar ouras maneirasde educação, valores enquanto a escola talvez trabalhe para ensinar o aluno a ter, acompetir a ter sucesso profissional a família ensina valores por exemplo de ensinartalvez que o “ser é melhor do que o ter”. Em sua fala percebemos também, que deseja quando expressa que aquestão não é só essa de ensinar para a competitividade, para ter um futuropromissor, mas também formar para a cidadania e se manter informado do queacontece no mundo e não é na escola quer queira ou não que se buscará esta base,e que proporcionará isto, enfatizando a importância do papel do professor que é deinteira responsabilidade, ao transmitir esses conhecimentos que o aluno leva para avida toda se passada de forma competente.A verdadeira aprendizagem proporcionaatravés da mediação do professor independência e competências para buscar o seupróprio saber.(CAGLLIAR 1996). Concluindo dizendo que a escola cumpre essafunção primordial. [...] Eu acredito que a gente ainda não atingiu o objetivo maior da escola, claro que a gente está caminhando, hoje talvez seja melhor do que tempos passados, mas a escola ainda não é aquela escola ideal né? Porque os alunos acabam saindo da escola sem que os objetivos para que a escola existe sejam cumpridos objetivo, acho que a cada passo a gente vai avançando e um dia que sabe a gente chega lá ( Profº de ciências). Ao contrário do que pensam os professores acima, o professor de ciênciasafirma que a escola não está cumprindo ainda de maneira eficiente, o papel para oqual ela existe ou objetiva quando enfatiza as questões de fracasso, e domínio deleitura interpretação, especialmente nos casos de alfabetização e letramento ecálculos numéricos, onde se percebe acentuadas dificuldades por parte dos alunos oque evidencia que a escola ainda não está cumprindo o seu papel, mas que podeavançar a cada dia para se tornar uma escola ideal e talvez busque aquele idealnaquilo que Lenner (2002) defende que: “O necessário é fazer da escola um âmbitoonde ler e escrever sejam práticas vivas e vitais (p.18)”. [...] Fica difícil, viu? Fica difícil.eu acho que muitos veem a escola como uma válvula de escape.Eu acho que a família é importante porque se a família anuncia, a escola vai ser para eles o que a família anuncia,se a família que a escola vai ser a salvação dele, então ele vai a escola com salvação,se a escola é boa para o tempo passa ou porque tem merenda, ele vai só para merendar,se a família quer se livrar do filho, a escola vai ser para ele um
    • 66 lugar de diversão.É muito... assim, cada uma vê a escola de forma diferente (Profº de Mat e Educ Físi). Notamos a semelhança de opiniões entre a visão do professor de matemáticae do pedagogo ao dizer que a escola acaba sendo uma válvula de escape, aomesmo tempo que reforça o papel da família na contribuição para a aprendizagemdos filhos e outros saberes necessários para viver a vida em sociedade, onecessário seria tornar real o que respalda os PCNs (1998) em sua introduçãoquando fala da interação escola e comunidade: A interação entre a equipe escolar, alunos pais e outros agentes educativos, possibilita a construção de projetos que visam a melhor e mais completa formação do aluno. A separação entre a escola e comunidade demarcada pelas atribuições e responsabilidades e não pela realização de um projeto comum (p.43). É certo que a união entre essas duas instâncias família e escola, sejampautadas no sucesso, no avanço do ensino e da aprendizagem e que a dissociaçãouma da outra poderá causar resultados negativos e frustrantes.Percebemos tambémclaramente o professor de matemática assim como os demais professores citaram opapel da família como um dos fatores indispensáveis também na educação dosfilhos,apontou de maneira mais enfática na família, onde o aluno tem por guia oumodelo, a família, demonstrando a sua maneira de ver a escola desse jeito. Não podemos deixar de concordar que a importância da relação escola efamília deve ser ponto de preocupação da escola “a escola é essencialmente umespaço de fonte de formação e socialização não podemos restringir a participaçãodas famílias apenas nas reuniões escolares, festas comemorativas, mas abrir umainterlocução dinâmica e constante entre estes dois espaços de produção doconhecimento (LIBANEO, 2011). Resta à escola tentar buscar e tornar claro o papel da família, para esse apoioessencial onde esses dois espaços família e escola, se complementem e não tornarcada vez mais distante, o que não possibilitará o sucesso almejado. [...] estávamos falando de professores agora da escola né? Fazer projetos para a criança se interessar mais também a questão de e detectar os problema dos de cada um, as deficiências como eu falei anteriormente, tem que se aproximar mais das famílias, trazer matérias interessantes, que eles possam se entusiasmar né? Está faltando alguma coisa? sei lá... pode também incentivar com premiação, alguma coisa, sei lá... incentivar, incentivo né?” (Profª de Artes).
    • 67 Destacamos ainda também na fala da professora de artes à ênfase aaproximação das famílias que será parte decisiva da escola, através de seusprogramas de ensino, eventos, projetos e outros, promovendo estímulo entre alunose família na escola. Vejamos agora o que diz a professora de português: [...] O papel da escola é ensinar eu ainda acredito na educação e acredito que se todo mundo fizer a sua parte, trabalhar juntos, o segredo é motivar, a gente ta concorrendo com a tecnologia, então como a gente concorre com a tecnologia a gente tem que se virar nos trinta (risos), a gente precisa se inovar, criar, Hoje não dar para ficar sem estudar, todos os dias os conceitos mudam.[..] (Profª de Port). Acreditamos diante dessa expressiva fala da professora de português quetem a mesma concepção da professora de artes, quando se refere a essamotivação, que a escola precisa ter e fazer para fazer sentido para o aluno.Sublinhamos a importância da reflexão da professora quanto ainda a suametodologia em sala de aula, pois este é um ponto crucial para a mudança e atémesmo a reestruturação do ensino e da aprendizagem, pautados em aulasdiferenciadas onde o aluno encontre sentido e tenha prazer em aprender, o queaulas meramente expositivas e sem novidades são incapazes de proporcionar, semo estimulo, a motivação, torna se mais difícil a realização de alunos críticos,autônomos e letrados.Concordamos plenamente com Becker (2003), quando diz que: “Os alunos nãosuportam repetir o que não lhes faz sentido, e que a escola deveria visar o aumentoda capacidade de aprender importante nos dias atuais (p.34)”. Outro ponto que merece destaque ainda ao que pensa professora deportuguês, quanto ao que cabe a família e a escola fazer, entendemos estarvinculado ao que já enfatiza os PCNs (1998), “A educação escolar deve constituir-seem uma ajuda intencional, sistemática, planejada e continuado para crianças,adolescentes e jovens durante um período de continuo e extensivo de tempo,diferindo de processos educativos que ocorrem na família, no trabalho, na mídia, nolazer e nos demais espaços de construção de conhecimentos e valores para oconvívio social (p 42)”.
    • 68 É preciso buscar essa distinção e clareza dos papeis diferenciados quecabem à família e a escola fazer, buscando medidas e mecanismos mais eficazes,para a inserção da família na escola, desenvolvendo cada uma simultaneamente opapel que lhes compete e realizar.4.2.6 Algumas considerações dos nossos entrevistados sobre as práticasmetodológicas, seus objetivos e a importância do letramento para a formaçãodos nossos alunos Finalmente foi solicitado aos sujeitos entrevistados que fizessem algumascontribuições a respeito da temática que norteou o nosso estudo e assim a nossaentrevista. Acreditamos que diante de algumas concepções e reflexões durante otempo em que se deu a entrevista, ficaram assim sintetizados alguns conceitos eopiniões bem como possíveis mudanças quanto a algumas práticas que nãopossibilitam uma aprendizagem significativa, bem com o reforço de outras queigualmente proporcionam o aluno tornar-se letrado. [...] Procuro fazer projetos, jogos que falem a linguagem do aluno, tenho tentado fazer o diferencial, que vise levar esse aluno a compreender o que ele vê na escola, porque quando ele relaciona o que ele aprende na escola com a vida, ele se interessa, ele participa,porque é interessante a participação dela, a gente também aprende com a bagagem deles.Então assim , a partir do momento em que há interação, professor aluno, aluno professor, a aprendizagem acaba sendo significativa (Profª Pedag). Levando-se em consideração essa necessidade até mesmo o apelo que oaluno tenha esse domínio em práticas sociais onde não basta somente decodificarpalavras ou textos, mas acima de tudo compreender, e sendo assim tornar-seletrado, e se adaptar às mudanças que a cada dia se exige na sociedade , faz-seessencial também essa mudança de práticas e consciência assim como novasposturas por parte do professor, quanto ao que possibilite a esse aluno adquirir umaaprendizagem significativa.E conforme aponta a professora de português, e a deartes, através da motivação que é importante para ele, fazer com que participe,tornando interativa a relaço alunos e professores, pois este também aprende comexperiências que os alunos trazem para escola, é o que confirma ainda os PCNs(1998), quando diz que: “Valorizar o conhecimento do aluno considerando suasdúvidas e inquietações, implica promover situações de aprendizagem que façamsentido para ele”(p 43).
    • 69 [...] Creio que preciso melhorar, a cada ano eu reflito o que foi que eu fiz, se preciso melhorar se falhei, tento melhorar, como eu falei eu sei que eu preciso melhorar a cada dia , me auto avaliar o que foi que eu fiz, sei que depende também de mim não só do aluno, o que eu estou fazendo nas minhas aulas? Quer dizer a escolha por esta área, não era necessariamente o que eu queria, mas eu vou tentar dar o melhor de mim, para contribuir com algo que faça sentido para eles.[...] (Profª de Matem e Relig). Considerando como fator preponderante, extremamente importante,oprogresso para uma aprendizagem significativa, especialmente no contexto deletramento, esta postura critica e reflexiva, que faz a professora de matemática,onde apresenta essa capacidade e sensibilidade para se auto avaliar, tarefa difícil,onde muitas vezes, é mais fácil negar, esconder erros ou falhas do que assumiralgumas culpas,pensamos ser um fator decisivo a postura do professor, bem comosuas práticas e suas condições de possibilitar, criar situações de aprendizagem quecontribua para a vida do aluno em sociedade. Não podemos deixar de reforçar o que dizia Paulo Freire (2006), “Não háoutro ponto de partida, em nenhum processo educativo correto,que não seja o pontoem que estão os educandos, e não do ponto em que pensam que estão oseducadores (p 51)”. Interessante ainda enfatizar que a professora de matemática apontou comonecessidade de rever e modificar as suas práticas após responder e refletir apergunta do nosso questionário fechado especialmente quando se refere àsatisfação pelo trabalho e a escolha por sua área de atuação, conforme expressouno momento da nossa entrevista. [...] ó como tem pouco tempo que eu estou ensinando, mas eu procuro sempre esta fazendo o melhor para facilitar a aprendizagem, é claro que com o tempo a gente ver que determinadas praticas não dão certo eu estou buscando fazer um trabalho diferenciado que seja o melhor para que eles aprendam, para que eles adquiram conhecimentos, porque é necessário para eles, e com eles eu estou também aprendendo alguma coisa,não sei o conceito de letramento, mas se for isso eu estou letrando (Profº de Geog). Compreendemos a importância e reforçamos essa necessidade de estarrevendo e refletindo essas práticas conforme convergem e acentuam os professoresde matemática e religião e o de geografia pois , repetimos, é um fator decisivo quecontribui para a aprendizagem, partindo do pressuposto e com base em algumasdiscussões em sala de aula, quando há falhas na aprendizagem é porque houvefalhas no ensino, por isso essa reformulação do papel do professor.
    • 70 Ao mesmo tempo acentuamos também e podemos até afirmar diante dasfalas dos professores e de alguns autores, que existem outros fatores que tambéminfluenciam para uma aprendizagem não significativa, e que não cabe somente aoprofessor essa culpa por esse fracasso, antes é preciso uma análise cuidadosa paraverificar a parcela de culpa de cada um desses fatores envolvidos. Em relação ainda à fala do Professor de geografia quando diz tentar novaspráticas para atingir o objetivo, mesmo sabendo que vão ficar falhas, e mesmoassim buscar um trabalho diferenciado, é claro sempre pautado nos objetivosmaiores que é levar o aluno a ler e escrever com competência e sendo assim torna-lo letrado. [...] Sobre as praticas particularmente é uma coisa que me angustia muito, eu acabo reproduzindo a escola que eu tive né? Assim então as praticas que meus professores tinham eu acabo reproduzindo que é aquela pratica maia tradicionalista. Minha contribuição com o letramento dos alunos é justamente nesta área onde eu percebo que meus alunos de ensino fundamental de 6º ano, muitos deles tem dificuldade de ler e interpretar textos, então isso me angustia porque eu tento fazer alguma coisa de maneira diferente [...] (Profº de Cien). Percebemos mais uma vez a angústia que persiste, durante as reflexões naspráticas pedagógicas dos professores, e compreendemos assim, como um pontoimportantíssimo, essa angústia, ao tornar-se preocupação , que gera inquietação econsequentemente ações para reverter esse quadro de fracasso no ensino e naaprendizagem. Focalizamos ainda quando o professor expressa essa angustia como reflexosde reprodução da escola que teve, enfatizamos ser essa uma questão que mereceser mais analisada com mais cuidado e respaldo, uma vez que, envolve outrasquestões que estão inteiramente associada, em especial à figura do professor que édestaque central no processo de ensino e aprendizagem.Desconstruir valores queadquirimos ao longo do tempo não é tarefa simples, exige buscas, descobertas,reflexões e ações o que resulta em mudanças as vezes radicais onde ao mesmotempo em que é possível através da reestruturação da formação do professor,enquanto que para o aluno essa mudança ou descoberta se torna mais complexa,pois o aluno ver no professor um modelo, uma referência, como acentuou oprofessor de geografia, e concordamos quando diz, “tem professores que nosensinam e aprendemos coisas para o resto da vida”.
    • 71 Esse modelo de reprodução ou concepção tradicionalista do ensino e daaprendizagem revelado pelo professor de ciências, quando confessa reproduziraescola que teve, envolve um processo constante de descobertas e readaptaçõesaos novos modelos, teorias, métodos e práticas que demandam compreensão eesforço no sentido de mudanças a curto tempo, de algo que foi enraizado e sepropagado a vida toda, certamente aquilo que Fazenda (2011) expressa: “Somosproduto da “escola do silêncio” em que um grande número de alunos apaticamentefica sentado diante do professor esperando receber dele todo o conhecimento.Classes numerosas, conteúdos extensos, completam esse quadro desta escola quese cala. Isso se complica muito quando já se é introvertido (p. 32.)”. É natural que muitas vezes reproduzimos o que aprendemos, embora nãosignifique dizer que não podemos buscar novas práticas e reflexões com o objetivode trazer mais sentido e significado a aprendizagem do aluno, não favorecendoaquilo que Freire (2006) também denominava como “educação bancária”, onde osalunos são meros receptores dos conteúdos na maioria das vezesdescontextualizados que os professores passam. Refletimos ainda diante da transparência desse professor quando não negareproduzir a forma como aprendeu, mas que essa angustia é bem vinda no sentidode querer mudar, pois constata que não gera nos alunos aquilo que gostaria queacontecesse, que é a aprendizagem significativa, pautadas nos caminhos doletramento, onde afirma ser a sua contribuição esta de tentar algo novo de maneiradiferente, especialmente com textos que tenham algo a ver com o mudo em queestão inseridos. [...] Eu gostaria que a escola fosse para os alunos um espaço de compartilhamento de conhecimentos que eles tivessem assim que se preparar para o mercado de trabalho se preparar para a vida em sociedade, é isso que eu gostaria, que eles saiam daqui com essa visão. Em relação as minhas práticas eu acredito nelas estou assim tranquilo, porque estou cumprindo o meu papel, eu acho que a minha pratica é boa funciona [...] (Profº de Mat e Ed. Fis). Diante dessa concepção e desejo do que gostaria que a escola fosse paraos alunos esse espaço de compartilhamentos, de troca de experiências e desaberes, é um dos desafios que a escola é capaz de realizar, levando em conta asvárias responsabilidade e desafios a que se impõem á escola, esse seria um desejoviável e possível, sempre que houver momentos de reflexão e ação bem como
    • 72objetivos que norteiam a prática educativa, que move todo o processo ensino eaprendizagem e que se busca na escola. E na escola, podemos afirmar que é um campo de relações mútuas emúltiplas e que precisa atender através do seu processo de ensino,a capacidade depreparar o aluno para atuar de maneira critica e consciente na sociedade. Entretanto ainda há falhas, lacunas, que podem impedir o bom andamento daescola, referindo-se a fatores de ordem maior, direcionados às hierarquiaseducacionais e que só seria possível uma escola que prepare o aluno para asociedade e a vida, quando os objetivos de quem elaboram as leis em educação,seja os mesmo de quem executa.E mais especificamente a relação aluno, professoré extremamente significante para propiciar uma aprendizagem prazerosa e quetenham sentido para o aluno, assim como conhecer essa realidade que permeia avida do aluno na escola,interessando-se também o professor, é algo tambémimportante conforme aponta o professor de matemática, e que Cagliari (1996)também considera que: “Conhecer a realidade histórica do aluno, é fundamentalpara um prática educativa que respeite o aprendiz como ser humano em suaplenitude (p 52)”. Este é também um grande e estratégico ponto de partida para introduzirsaberes através de uma relaço prazerosa e respeitável por parte de alunos eprofessores, que podem permear conhecimentos valores que farão parte da vidado aluno. Assinalamos ainda a relevância de apostar e acreditar na sua metodologiaconforme apontou o professor de geografia é algo importante para o bomdesenvolvimento do trabalho, uma vez que se sabe o que pretende ser feito e seconvergem através das suas praticas para a realização dos objetivos assimpropostos. [...] Olha, veja só, o papel da escola que eu entendo é educar e formar o cidadão né? Que eles saiam mais politizados, saber o que esta se passando aqui e no mundo entendeu? Despertar o senso critico porque eles ainda não tem senso critico e são na maioria das vezes alheios a tudo.A escola precisa também ensinar valores, respeito ao próximo, repeito ao meio ambiente,mas acho que ela não esta cumprindo o seu papel. É isso que eu acho que a escola precisa preparar o menino para viver em sociedade, ele ainda não está preparado (Profª de Artes).
    • 73 Consideramos ainda expressiva a fala da professora de artes e também realquando afirma que a escola não está cumprindo o seu papel o que pensa também oprofessor de ciências. Essa falha onde ainda a escola não forma cidadãos críticos,politizados e autônomos, talvez seja ainda por falta de reestruturação de seusobjetivos, de uma tomada de decisões e reflexões em saber o que é importante paroaluno aprender e o que não interessa ao mesmo tempo. Os PCNs (1998) enfatizaessa fala quando afirma que: “Na maioria das escola a prática pedagógica seconcretiza pela quantidade e acumulação de conteúdos muitas vezes burocratizadose destituídos de significação (p 16). É legitimo e necessário ao professor ter consciência daqueles conteúdosdesnecessários e irrelevantes para a inserção de alunos nas práticasletradas(KLEIMAN, 2005). Praticas voltadas para a valorização de conteúdos e nesse contextoinsignificante para o aluno, não poderá propiciar uma formação de cidadãos críticos,autônomos politizados conhecedores de seus direitos e deveres sociais, culturais epolíticos e nem tampouco torna-los Letrados. [...] Eu quero ainda continuar acreditando na educação e quando a gente acredita em algo, a gente corre atrás a gente sonha, a gente visualiza mais feliz tem que correr atrás.E assim, meus objetivos eu penso assim, o aluno depende da gente para crescer, de aprender conhecimentos teóricos e ate mesmo práticos, então a gente tem que incentivar então eu acredito assim, que a gente precisa olhar a educação com bons olhos, acreditar ainda que pode dar certo, e que os aluno precisam da gente e do nossa trabalho, então fazer com ordem, com decência e com vontade, eu ainda faço assim.[...] (Profª de Port). Ainda diante dessa expressiva e brilhante fala da professore de português,consideramos os desafios e dificuldades que fazem parte da escola conformeapontaram os nosso sujeitos de pesquisas, como :realidade da escola pública,superlotação de salas de aula,falta de apoio e acompanhamento familiar, desinteresse doaluno e outros.No entanto, diante da realidade da escola em que se realizou essapesquisa, podemos afirmar no que se referem as práticas e objetivos de ensino queesses professores já trabalham ou terão sim como trabalhar na perspectiva doLetramento, contribuindo como já constatamos que fazem a maioria, porque refletema sua prática, partindo para conhecimentos mais significativos.
    • 74 Através do incentivo, do dialogo,e do interesse também pela vida do aluno, épossível alcançar objetivos que talvez uma prática mecânica e “robotizada” nãopossibilitem, o que torna alunos sem senso críticos e não politizados, repetindocoisa que não fazem sentido, conforme afirma a professora de artes.Comconhecimento, objetivos, reflexão e ação das práticas pedagógicas é possível simcontribuir para a promoção de alunos Letrados que participem da vida em sociedadecom autonomia e senso critico. Podemos assim considerar os inúmeros fatores que contribuem para asdificuldades de leitura e escrita na escola, especialmente voltados para o contextode práticas de letramento e ao mesmo tempo as possibilidades de tornar alunosletrados onde é necessário uma retomada de reflexões clarezas e consciência nodesempenho de vários papéis e os responsáveis por sua realização. Verificamos a partir dos resultados analisados que há um equilíbrio decompreensões e concepções no que se refere às práticas voltadas para o sentido doLetramento,e que determinadas metodologias contribuem para esse fim,podendo acada dia ser melhorada e trabalhada.
    • 755 CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização desse trabalho contribuiu muito para que refletíssemos a respeitoda realidade que permeia no cenário educacional,tanto no lócus onde se deu apesquisa, a escola, quanto no lócus ode se pensou, e se planejou a pesquisa que foia universidade,e que merecem ser pontuados com maior ênfase paracompreendermos algumas concepções,e termos um olhar mais críticos em relaçãoa outras, ressaltando que ainda temos muito a aprender , e que as conclusões queaqui fazemos, não servirão como determinante para mudar o quadro do que sepretende mudar, mas se houver reflexões no sentido de mudanças progressivas jános sentimos satisfeitos. Alguns pontos merecem ser enfatizados, como pontos para uma reflexãocrítica, durante a realização desse trabalho, é que fica a certeza da importância dese conhecer a realidade de uma instituição escolar, não só no sentido dedesenvolver pesquisas que qualifiquem ou quantifiquem, resultados, mas sobretudo,que se repense e reflita no que se pesquisou para intervenções e contribuições comaquilo que se faz objeto de estudo,consideramos ser ainda incipiente sim, a nossamaneira de pesquisar mas acreditamos ser capazes de modificar algo quando sebusca, se conhece e intervém. Cada passo na realização dessa pesquisa foi muito relevante, pois passamosa refletir mais a cerca das dificuldades existentes nas escolas especialmente daspráticas pedagógicas trabalhadas observada ainda durante o nosso período deestágio momento em que optamos por entender o que se constituiu o problema danossa pesquisa , no sentido que devemos reforçar a necessidade de se trabalharcom a proposta do letramento para que de fato possamos ensinar e aprender demaneira significativa e prazerosa e que produzamos sujeitos críticos e autônomospara atuar de maneira independente na escola no trabalho e na vida. Pois diante de alguns fatores que se evidencia e merece ser destacado aqui éque,a visão de leitura e de escrita que temos ainda na escola, embora já sejam emalguns momentos trabalhadas para contribuir com o letramento dos alunos, aindaprecisam ser mais exploradas,pois ainda existem práticas também que nãocontribuem ainda, tornando o aluno apenas copista, receptivo e sem preparo paraenfrentar a vida em contextos sociais de leitura e escrita.
    • 76 Dos principais resultados obtidos em nossa pesquisa, podemos ressaltarque,o letramento trabalhados nas séries finais do Ensino Fundamental, ainda seconfunde um pouco por parte dos professores, quanto ao conceito, mas que sãotrabalhado de forma efetiva, embora ainda precise ser trabalhado de maneira maisprofunda, pois percebemos que também ainda há uma indefinição de papeis quantoa quem cabe a responsabilidade e alfabetizar ou letrar, e um levantamentosignificante de motivos que levam o aluno não ser letrado. Entre os mais apontadosestão as condições de trabalho, o envolvimento da família, na aprendizagem dosfilhos,a realidade da escola pública, o sistema educacional que favorece o alunopassar de uma série a outra sem o domínio da leitura e da escrita e tambémconhecimentos por falta do professor, e falhas no ensino, fatores estes quecontribuem sim mas não determinam, pois acreditamos estar no conhecimento doprofessor e na reflexão de suas práticas em sala de aula, o meio mais eficaz paraintroduzir saberes significativos e necessários para que o aluno participe da vidasocial letrado, consciência que os nossos sujeitos também possuem e que tornamais viável o ensino voltado para as práticas de letramento. Existe ainda muitos fatores de ordem maior que necessitam de análise maiscuidadosa , assim como desafios e responsabilidades por parte dos autores eagentes educacionais no sentido de contribuir para reverter esse quadro que aindaatua e contribui de forma ainda insatisfatória, para tornar o aluno letrado, ou sejaque faça uso da leitura e da escrita em suas funções reais e competentes.Devemos assinalar ainda que a formação e o conhecimento do professor quanto aspráticas que precisam ser vinculada para tornar alunos competentes, críticos eautônomos necessitam ser a cada dia refletida, conforme se deu com os nossossujeitos,porque acreditamos que ler e escrever com competência é possível,quandose permite essa ação reflexão ação. Complementamos ainda que a formação acadêmica confere subsídios parauma atuação efetivamente competente e transformadora, embora não seja decisivae determinante para atuarmos de maneira solucionável para os inúmeros problemasque constituem e torna ainda a educação sem a qualidade que desejamos. A realização desse trabalho contribuiu ainda para que nós refletíssemos arespeito do próprio percurso de aprendizagem e um dos pontos positivos a serem
    • 77explorados está a reflexão e a consciência do nosso fazer pedagógico, de maneiraque possamos estar sempre refletindo sobre as nossas práticas, concepções eposturas que se direcione para uma aprendizagem significativa que de fato insira osujeito no mundo letrado. Como pontos para uma reflexão crítica, nos mostrou que é necessária areflexão acerca das práticas pedagógicas existentes na educação básica,particularmente, nas séries finais do ensino fundamental voltada para a proposta doletramento, pois conforme percebemos e também confirmados por alguns dosnossos sujeitos, a escola ainda não está cumprindo o seu papel, e por outro ladoainda está negligenciando ao permitir que os alunos saiam sem o senso critico ereflexivo, apenas repetindo o que lhes foi transmitido, deixando de lado muitas vezesa possibilidades de um processo ensino aprendizagem significativo e prazeroso queproduza sujeitos críticos e letrados, e que se não trabalhados nesse sentido emtempo oportuno trará dificuldades até mesmo para a universidade. Entretanto, podemos verificar que as práticas desenvolvidas por alguns dosnossos sujeitos, a exemplo de leituras contextualizadas com a realidade do aluno,diversos gêneros textuais como: leituras de bilhetes, enciclopédias, charges quedemonstram acontecimentos atuais, dicionários, e leituras que sejam significativaspara a vida cotidiana dos alunos, são trabalhadas e refletidas, conforme revelaramos nossos sujeitos, contribuindo assim para o letramento dos alunos. Julgamos necessário ainda ressaltar que estudos voltados para o processo deensino e aprendizagem em contextos de letramento, merecem ser mais analisados etrabalhados, em toda a Educação Básica no sentido de não propagar formaçõessem sentido que nada contribui para a vida do educando aumentando o quadro deanalfabetismo funcional.
    • 78 REFERÊNCIASALMEIDA, Geraldo Paçanha de. A produção de texto nas séries iniciais:Desenvolvendo as competências da escrita. 2ª ed. Rio de Janeiro: Cortez, 2005.ARROYO, Miguel G. Ofício de mestre: Imagem e auto imagens. 13ªed. Petrópolis-Rj: Vozes, 2011.BECKER, Fernando. A origem do conhecimento e a aprendizagem escolar. Portoalegre: 2003.BRANDÃO, Helena Neganime. Gêneros do discurso na escola, mito conto,lenda, divulgação científica. São Paulo: 2001.BRASIL, Ministério de Educação e do Desporto, secretaria de Ensino Fndamental.Parametros curriculares nacionais. Lingua Portuguesa. Brasilis, 1998.________ Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Introdução aosParâmetros Curriculares Nacionais. Ensino de 5ª a 8ª série. Brasília, 1998.CAGLLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: scipione, 1993._______ Alfabetizando sem o BA-BE-BI-BO-BU. São Paulo: scipione, 1998.CARVALHO, Marlene. Primeiras letras: Alfabetização de jovens e adultos emespaço populares.1ªed. Ática, São Paulo, 2010.________ Guia prático do alfabetizador. 1ªed. São Paulo: Ática, 2010.CASTANHEIRA, Maria Lúcia: (Francisca Isabel Pereira Maciel / Raquel MarciaFontes Martins(org.) Alfabetização e Letramento na sala de aula Belo Horizonte.2009.
    • 79DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas- São Paulo 2005.FAZENDA, Ivani. Metodologia da Pesquisa educacional. São Paulo: Cortez,1991.FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que secomplementam. São Paulo, 2001._______ MACEDO, Donaldo. Alfabetização: Leitura do mundo leitura da palavra.Rio de Janeiro 2006._______ Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. SãoPaulo, 1996.________Ana Maria Araújo. Pedagogia da Tolerância. São Paulo, 2004.SOARES, Magda Becker. Letramento e alfabetização: As muitas facetas. Revistabrasileira de Educação (Trabalho apresentado no GT alfabetização leitura eescrita, durante a 26ª reunião anual da ANPED, realizado em Poços de CaldasMinas Gerais), 2003.________ Letramento um tema em três gêneros. Belo Horizonte 1999.________ Aprendendo a Escrever: Perspectivas Psicolinguísticas e implicaçõeseducacionais. São Paulo 1994.________ As diferenças entre letramento e alfabetização. Belo Horizonte 2003.KATO, Mary. Estudos em alfabetização: Retrospectivas nas áreas da Psicologiae da sociolinguística.7ª Ed. São Paulo. Ática. 2001.KLEIMAN, Ângela B. Preciso ensinar o letramento? Não basta ensinar a ler eescrever? São Paulo 2003.
    • 80_______ Oficina de Leitura: teoria e prática Campinas- SP 1993._______(org.) O significado do Letramento: uma nova Perspectiva sobre a práticasocial da escrita. Campinas 1995 SP._______ Leitura: Ensino e pesquisa. Campinas SP 2004.LENNER, Délia. Escrever e Ler na escola: O Real, o Possível e o Necessário.Porto Alegre: Atmed, 2002.LIBÂNEO, Márcio. Da escola para casa. Alfabetização. IN (Rios, Zoé) BeloHorizonte 2009.LUDKE,Menga. Pesquisa em Educação abordagens qualitativas. São Paulo1986.______ (Cood) Et al. O professor e a Pesquisa. Campinas. Papirus. 2009OLIVEIRA, Marcia Gleide Nunes. É possivel alfabetizar em contextos deletramento na escola? Monografia. Trabalho de Conclusão de Curso. UNEBcampus Vll. Senhor do Bonfim-Ba, 2008.SILVA, Lenira Ypsilon da. O processo de letramento da criança com síndrome deDawn na escola comum-Um estudo de caso. Monografia. Trabalho de Conclusãode Curso. UNEB campus Vll. Senhor do Bonfim-Ba, 2011.TFOUNI, Leda Veridiane. Letramento e Alfabetização. São Paulo, Cortez, 2006.VIGOTSKY, Lew. Seminovich. Pensamento e linguagem. São Paulo, 1998.ZABALA, Ântoni. A prática educativa como ensinar. Porto Alegre: Artmed,1998.ZEN, Maria Isabel H. Dalla; XAVIER, Maria Luisa M. (orgs.). Alfabeletrar:fundamentos e práticas. Porto Alegre: Editora Mediação. 2010.
    • 81 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENT DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BAHIA CURSO- PEDAGOGIA DOCÊNCIA E GESTÃO DE PROCESSOS EDUCATIVOSCaro (a) professor (a):Este roteiro de entrevista é um instrumento relativo à pesquisa que realizo nocomponente curricular TCC, enquanto concluinte do curso de Pedagogia Docência e Gestãode Processos Educativos.Agradeço a valiosa e indispensável colaboração ressaltamos quenão precisa se identificar, uma vez que manteremos o absoluto sigilo, o que requer umapostura ética até mesmo enquanto pesquisadora iniciante.Antecipadamente agradeço a compreensão e colaboração.Maria de Fátima Souza Oliveira.ROTEIRO DE ENTREVISTA 1- Qual a sua formação e quanto tempo atua na educação? 2- Qual a compreensão que você tem sobre Alfabetização e Letramento? 3- Você acha que alfabetizar é tarefa exclusiva do professor alfabetizador? Por que? 4- Na sua opinião, por que muitos alunos chegam nas séries finais do Ensino Fundamental sem dominar a leitura e a escrita? 5- Quais as práticas metodológicas que você desenvolve em sala de aula que contribuem para o letramento de seus alunos? 6- Como a escola pode contribuir para o letramento dos alunos? 7- Na sua concepção qual o principal papel da escola,? Você acha que a escola tem desempenhado este papel?De que forma? 8- Poderia fazer algumas considerações a respeito de suas práticas metodológicas, seus objetivos de ensino e a importância do letramento para a formação dos nossos alunos?
    • 82 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENT DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM-BAHIA CURSO- PEDAGOGIA DOCÊNCIA E GESTÃO DE PROCESSOS EDUCATIVOSCaro (a) professor (a):Este questionário é um instrumento relativo à pesquisa que realizo no componentecurricular TCC, enquanto concluinte do curso de Pedagogia Docência e Gestão deProcessos Educativos.Agradeço a valiosa e indispensável colaboração ressaltamos que nãoprecisa se identificar, uma vez que manteremos o absoluto sigilo, o que requer umapostura ética até mesmo enquanto pesquisadora iniciante.Antecipadamente agradeço a compreensão e colaboração.Maria de Fátima Souza Oliveira. QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORESDADOS PESSOAIS1-IDADE( )18 a 25 ( )36 a 40( )26 a 29 ( )41 a45( )30 a 35 ( )46 a 50( )Superior a 50 anos2-ESCOLARIDADE( ) Ensino médio completo( )Ensino médio incompleto( )Ensino superior completo ( )Mestrado
    • 83( ) Ensino superior incompleto ( )Doutorado3-CURSO/ HABILITAÇÃO:( )Magistério ( )Normal superior( )pedagogia ( )Artes( )Letras ( )Geografia( )Matemática ( )História( )Biologia ( )Educação física( ) Outros4-ESCOLHEU ESSA AREA POR QUÊ?( )Gosta e se identifica ( )Era mais fácil cursar e garantir um trabalho( )Não teve outra opção ( )Ainda vai mudar de área5-você está satisfeito com o seu trabalho?( )sim ( )Não6-COM RELAÇAO À SUA REMUNERAÇAO VOCÊ CONSIDERA:( )insuficiente ( )Ótima( )boa ( )Suficiente( )regular ( )péssimo7-QUANTO AO RELACIONAMENTO E INTERAÇAO ENTRE CORPO DOCENTE E ALUNOS VOCÊCONSIDERA:( )bom ( )ruim ( )péssimo( )regular (ótimo)8-A RELAÇÃO, INTERAÇÃO E PARTICIPAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO E EQUIPEGESTORA QUANTO AO TRABALHO DO PROFESOR É:( )satisfatória ( )insatisfatória( )boa ( )regular( )ótima ( )péssima
    • 84APÊNDICE