Monografia Francilene Ciências Contábeis 2011
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Ciências Contábeis 2011

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Monografia Francilene Ciências Contábeis 2011 Monografia Francilene Ciências Contábeis 2011 Document Transcript

  • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DAPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS FRANCILENE DE SOUZA SILVAAPURAÇÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PRODUÇÃO DE SISAL: UM ESTUDO NO POVOADO DE TIQUARA, CAMPO FORMOSO-BA Senhor do Bonfim 2011
  • FRANCILENE DE SOUZA SILVAAPURAÇÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PRODUÇÃO DE SISAL: UM ESTUDO NO POVOADO DE TIQUARA, CAMPO FORMOSO-BA Monografia apresentada a Universidade do Estado da Bahia, Campus VII, Senhor do Bonfim-BA, Colegiado de Ciências Contábeis, como requisito final para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Prof. Franklin Rami C. O. Regis Senhor do Bonfim 2011
  • FRANCILENE DE SOUZA SILVAAPURAÇÃO E CONTROLE DE CUSTOS NA PRODUÇÃO DE SISAL: UM ESTUDO NO POVOADO DE TIQUARA, CAMPO FORMOSO-BA Monografia apresentada a Universidade do Estado da Bahia, Campus VII, Senhor do Bonfim-BA, Colegiado de Ciências Contábeis, como requisito final para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovada em 29 de setembro de 2011. BANCA EXAMINADORA _________________________________ Prof. Franklin Rami C. Oliveira Regis Orientador Universidade do Estado da Bahia - UNEB _________________________________ Prof. Francisco Arapiraca Universidade do Estado da Bahia - UNEB _________________________________ Profª. Maria de Fátima Araújo Frazão Universidade do Estado da Bahia - UNEB
  • Aos meus pais, Francisco e Madalena, pormesmo não terem tido a oportunidade desaborear do mundo acadêmico, sesacrificaram para oportunizar-me a fazer partedesse mundo.
  • AGRADECIMENTOS A Deus, pela graça da vida, pelas tristezas superadas, os sonhos realizadose objetivos alcançados. Aos meus pais, meus maiores incentivadores, “meus heróis, meus amigos”. A meu esposo por cuidar da nossa filha, para que eu pudesse desenvolveresse trabalho. As minhas irmãs, na ajuda constante ao longo dessa batalha. Ao meu orientador, Prof. Franklin Rami C. O. Regis, que muito contribuiu noêxito desse trabalho final. A minha amiga Diana e colaboradora desde os primeiros rabiscos em 2009até agora, na reta final. Aos amigos e colegas do curso. A todos os meus professores por me ajudarem a crescer em sabedoria.
  • Não há ruptura sem dor. A única coisa digna ase fazer é atravessar. [...] A contradiçãotambém tem sua beleza. Sobretudo nãoreclame, o nhennhenhem faz a gente andarem círculos em torno daquilo de que se abriumão. Se não está resolvido, volte, peçaperdão, curve-se, e siga ali até ter certeza deque a coisa não serve mais",[...] Feito isso,largue, deixe em paz, vire a cabeça e percebaque o horizonte está cheio de possibilidades. Maitê Proença, 2011
  • RESUMOConsiderando a importância da cultura do sisal para o semi-árido baiano, noentanto tão pouca rentável para os produtores dessa cultura, esta pesquisamonográfica tem como objetivo evidenciar como a Contabilidade de Custo e Ruralpodem contribuir para otimizar a produção do sisal na região de Tiquara, CampoFormoso - Ba, maior prudutor do estado. No primeiro momento faz-se um breverelato acerca da Contabilidade, evidenciando sua evolução como Ciência, suasprincipais características, a Contabilidade Rural e o processo de produção dacultura do sisal. Em seguida apresenta-se uma a análise contábil dos custos e agestão contábil na área agrícola com foco na apuração e controle dos custos nacultura do sisal. A metodologia desenvolvida teve um caráter qualitativo equantitativo e foi realizada com pesquisa bibliográfica através de livros, revistas,artigos, pesquisas na internet e pesquisa de campo com aplicação de questionáriosa seis produtores de sisal do Povoado pesquisado, com a finalidade de analisar asituação atual; e observação participante com uma proposta de intervenção. Apesquisa revela que os produtores de sisal pesquisados não fazem uso demecanismos contábeis, não realizam manejo adequado e que se trata de umacultura que não oferece rentabilidade.Palavras-Chave: Produtor rural. Produtividade. Controle. Custo de produção.Rentabilidade.
  • LISTA DE FIGURASFigura 1 Plantio da lavoura do sisal enfileirada................................ 29Figura 2 Corte das folhas.................................................................. 30Figura 3 Transporte das folhas por um asinino................................. 31Figura 4 Máquina Paraibana para o desfibramento das folhas........ 31Figura 5 Transporte das folhas por um asisino................................. 33Figura 6 Secagem da fibra do sisal................................................... 33Figura 7 Batedeira de sisal................................................................ 34 Fluxograma esquemático do Custeio Por Absorção eFigura 8 Custeio Variável................................................................... 41Figura 9 Produção de sisal/kg Faz. Boa Vista................................... 57Figura 10 Produção de sisal/kg Faz. Mandacaru................................ 57
  • LISTA DE QUADROSTabela 1 Classificação das atividades rurais......................................... 22Tabela 2 Indicadores PIB/agropecuária.................................................. 24Tabela 3 Exploração Agrícola................................................................. 52
  • LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 Percentual de idade das culturas de Sisal existentes no povoado de Tiquara................................................................ 52Gráfico 2 Perdas na produção decorrente da Podridão vermelha......... 53Gráfico 3 Percentual de produtores relacionados ao período de corte do sisal. ................................................................................... 54Gráfico 4 60 Percentual de custos de produção..........................................
  • LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAPAEB - Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidario da Região sisaleiraCAR - Companhia de Desenvolvimento e Ação regionalConab - Companhia Nacional de AbastecimentoEmbrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaFAO - Food Agriculture Oganization FundacentroFundacentro - Fundação Joge Duprat Figueredo de Medicina e Segurança do Trabalhoha - hectareIBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaMDA - Ministerio do Desenvolvimento AgrárioPIB - Produto Interno Bruto
  • SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 121 CONTABILIDADE E A PRODUÇÃO DO SISAL ............................................................................ 16 1.1 A CONTABILIDADE E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS .............................................................. 16 1.1.1 Conceito ......................................................................................................................... 16 1.1.2 Objeto e objetivo da Contabilidade ............................................................................. 17 1.1.3 Importância e finalidade ............................................................................................... 18 1.1.4 Evolução Contábil ......................................................................................................... 19 1.2 A CONTABILIDADE RURAL E SUAS ESPECIFICIDADES ...................................................................... 20 1.2.1 Campo de atuação ......................................................................................................... 21 1.2.2 Ramificações .................................................................................................................. 22 1.3 O SISAL E SEU PROCESSO DE PRODUÇÃO ..................................................................................... 24 1.3.1 O sisal e sua importância na agricultura baiana ........................................................ 25 1.3.2 Etapas do processo produtivo ..................................................................................... 27 1.3.2.1 Escolha do terreno e preparo do solo .................................................................................. 28 1.3.2.2 Plantio .................................................................................................................................. 28 1.3.2.3 Colheita ................................................................................................................................ 29 1.3.2.4 Desfibramento ...................................................................................................................... 31 1.3.2.5 Beneficiamento da Fibra ...................................................................................................... 33 1.3.2.6 Mutilações no beneficiamento do sisal ................................................................................. 342 A CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA DE CONTROLE DOS CUSTOS NA CULTURA E PRODUÇÃO DO SISAL .................................................................................................................. 36 2.1 A ANÁLISE CONTÁBIL DOS CUSTOS ............................................................................................... 36 2.1.1 Conceito ......................................................................................................................... 37 2.1.2 Objeto e objetivos da Contabilidade de Custos ......................................................... 38 2.1.3 Classificação dos custos .............................................................................................. 39 2.1.4 Sistemas de Custeio...................................................................................................... 40 2.2 A GESTÃO CONTÁBIL NA ÁREA AGRÍCOLA ...................................................................................... 43 2.2.1 O controle de custos nas atividades agrícolas .......................................................... 43 2.2.2 As peculiaridades da agricultura ................................................................................. 45 2.2.3 O gerenciamento dos custos na produção agrícola .................................................. 46 2.2.4 Dos custos na cultura do sisal ..................................................................................... 473 O APRIMORAMENTO DA RENTABILIDADE E CONTROLE DA PRODUÇÃO ECOMERCIALIZAÇÃO DO SISAL ......................................................................................................... 49 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................................................ 49 3.2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA ..................................... 51 3.2.1 Exploração Agrícola ...................................................................................................... 51 3.2.2 Sistemas de Produção – Cultura do Sisal .................................................................. 53 3.2.3 Comercialização do Sisal ............................................................................................. 55 3.2.4 Rentabilidade da Cultura do Sisal ............................................................................... 56CONCLUSÃO ....................................................................................................................................... 61REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 63APÊNDICES.......................................................................................................................................... 66
  • 12 INTRODUÇÃO O sisal, uma fibra do grupo cultura hortícula, vem demonstrando crescimentoe ocupando lugar de importância na economia. No Brasil, o cultivo do sisal ocupauma extensa área de solos pobres na região semi-ardida dos Estados da Bahia,Paraíba e Rio Grande do Norte, em áreas com escassa ou nenhuma alternativa paraexploração de outras culturas. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (2006), destacaque a importância do sisal para a economia do setor agrícola nordestino pode seranalisada sob diversos aspectos, merecendo destaque a geração de renda eemprego para um contingente de aproximadamente 800 mil pessoas,proporcionando divisas para os Estados da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte. A produção dessa fibra tem apresentado um relevante crescimento nosúltimos anos, como aponta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE em pesquisa realizada em 2007. Segundo a mesma, houve um aumento demais de 60 mil toneladas de sisal em um ano, das quais a Bahia representa 90% daprodução. Tendo em vista a representatividade do sisal na economia baiana estetrabalho aborda o tema de contabilidade rural voltadada para área de custos nosetor sisaleiro. Campo Formoso é um dos maiores produtores dessa cultura,inclusive Carvalho (2007) aponta que em 2007, o município teve participação demais de 50% da produção do Estado. A maior concentação dessa podução está naregião de Tiquara, que fica a 28 km da sede do município. Nesse sentido, a pesquisa foi realizada considerando a prática agrícola dosprodutores de Tiquara, tendo como título Apuração e Controle de Custos naProdução de Sisal: Um Estudo no Povoado de Tiquara, Campo Formoso – Ba. Mesmo tendo um grande destaque nesse ramo, os pequenos produtoresreclamam dos custos altos e que o lucro não é compensatório. Daí surgiu aindagação: Como a Contabilidade de Custo e Rural podem contribuir para
  • 13otimizar a produção do sisal na região de Tiquara, Bahia? As hipóteses indicam possíveis soluções para o problema, assim sendolevantou-se o que se segue: os maus resultados na agropecuária podem estarassociados à falta de mecanismos contábeis atualizados; logo defende-se que paraalcançar melhores resultados e utilizar sua capacidade máxima de produção, aagropecuária exige novos mecanismos contábeis de controle de gastos em funçãodos avanços no melhoramento das culturas através de insumos e equipamentos; e onão aproveitamento dos resíduos do desfibramento, doenças e o manejo deficitárioda fertilidade dos solos dificultam o processo de produção do sisal e encarecem oproduto final, comprometendo o lucro dos pequenos produtores. Este estudo teve como objetivo compreender como a contabilidade podecontribuir para otimizar a produção de sisal. E para tanto foi estabelecido o seguinteobjetivo geral: investigar a forma de apuração e controle dos custos na produção desisal de produtores do povoado de Tiquara-Ba e sua relação com o volume equalidade da produção. Para isso se procurou, especificamente, investigar aimportância da Contabilidade no processo de produção da cultura do sisal, averiguarcomo a contabilidade pode auxiliar na apuração e controle dos custos na cultura dosisal; e propor um método de acompanhamento e controle dos custos visando oaprimoramento do lucro na produção e comercialização do sisal. Segundo dados da Embrapa (2006), a Bahia é o maior produtor de sisal dopaís e representa mais de 95% da produção da fibra nacional. O cultivo do sisal seestende por 75 municípios, atingindo uma área de 190 mil ha em propriedades depequeno porte, menores que 15 ha, nas quais predominam a mão-de-obra familiar,perfazendo uma população de aproximadamente 700 mil pessoas que vivem, diretaou indiretamente, em estreita relação com essa fibrosa. Diante da importância dessa fibra na economia do país e, sobretudo, nomunicípio de Campo Formoso, é que se evidencia a relevância social destapesquisa, que adveio da observação a cerca das dificuldades demonstradas porpequenos produtores de sisal da região de Campo Formoso – BA, especificamenteno Povoado de Tiquara. Daí surgiu a necessidade de um estudo investigativo, em torno das causas
  • 14que tornam difícil a produção do sisal desse Povoado, bem como uma proposta demétodo de apuração e controle dos custos. Essa proposta visa ao melhoramento eaumento da produção, visto que se faz necessário ao produtor, além de conhecer oscustos referentes à cultura do sisal, o estabelecimento de mecanismos de apuraçãoe controle, para alcançar melhores resultados. Por está pesquisadora fazer parte da comunidade de Tiquara há mais de vinteanos, e conhecendo de perto as dificuldades desses produtores, surgiu o interesseem pesquisar, com uma visão Contábil, a cultura do sisal. Esse interesse também serespalda no fato de o sisal ter relevante valor para a economia do estado da Bahia e,principalmente, para o povoado supracitado, por ser a maior fonte de renda dapopulação. Nesta pesquisa optou-se por desenvolver um estudo de caráter qualitativo equantitativo. Qualitativo por envolver a obtenção de dados descritivos, obtidosno contato direto do pesquisador com a situação estudada. E segundoFiorentini (2009) “[...] o pesquisador se introduz no ambiente a ser estudadonão só para observá-lo e compreendê-lo, mas, sobretudo para mudá-lo [...]”.E quantitativo por mensurar e permitir o teste de hipóteses e resultados maisconcretos e, consequentemente, menos passíveis de erros de interpretação.(NEVES, 1996). A pesquisa teve como proposta metodológica a coleta de dados através depesquisa bibliográfica e pesquisa em campo. Primeiramente foi feito a pesquisabibliográfica, a qual buscou-se conhecer e analisar as principais contribuiçõesteóricas existentes sobre o tema pesquisado, através de livros, revistas, artigos,monografias, e uma variedade de produções e periódicos disponíveis na Internet. Em seguida realizou-se uma pesquisa de campo e para tanto se usou comoinstrumento de coletas de dados o questionário em sistema de entrevista e aobservação participante como proposta de intervenção, aplicado a alguns produtoresde sisal do povoado de Tiquara, Campo Formoso – BA. Este trabalho teve como objeto de estudo a análise da contabilidade decustos aplicada à produção de sisal, sendo o mesmo apresentado em três capítulos.
  • 15 No primeiro capítulo fez-se um breve relato a sobre Contabilidade,evidenciando sua evolução como Ciência, suas principais características, aContabilidade Rural e o processo de produção da cultura do sisal. No segundocapitulo, a análise contábil dos custos e a gestão contábil na área agrícola com focona apuração e controle dos custos na cultura do sisal. O terceiro capítulo demonstra todo processo metodológico no decurso dapesquisa em campo, desde os dados coletados, atividade de intervenção e análisedos dados. E por fim na conclusão apresenta-se algumas considerações referentes áelaboração da presente pesquisa.
  • 16 1 CONTABILIDADE E A PRODUÇÃO DO SISAL Sabe-se que através dos tempos, a área contábil vem criando novasespecialidades e, por conta disto, tem ampliado seu campo de atuação, o que atornou cada vez mais uma ciência indispensável a toda e qualquer atividadehumana. Esse avanço diz respeito tanto às atividades com finalidades lucrativasbem como às sem fins lucrativos de pessoa jurídica ou física. Todas as movimentações passíveis de mensuração monetária sãoregistradas pela contabilidade que se utiliza de relatórios para resumir os dadoslevantados. Essa ferramenta é a base norteadora de todo e qualquerempreendimento, inclusive, no setor agrícola, campo de pesquisa deste trabalhocientífico que trata da cultura do sisal.1.1 A CONTABILIDADE E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Importa saber que a Contabilidade já há muito tempo deixou de ser apenasuma “registradora” de débitos e créditos, para ao final de um ano levantar umbalanço patrimonial. Hoje, ela deve estar a serviço dos administradores, como umsuporte capaz de levar a entidade rumo ao sucesso. Deve-se, portanto, não somente produzir relatórios físicos, mas fazê-los emlinguagem acessível aos seus mais diversos usuários. A seguir apresentam-se conceito; objeto e objetivo; finalidade e importânciada Contabilidade.1.1.1 Conceito
  • 17 Em se tratando de conceito de Contabilidade, muitos autores têm semanifestado de forma peculiar nas suas proposições. Neves e Viceconti (2003)afirmam que a Contabilidade é uma Ciência com metodologia própria, e tem comopropósito controlar o patrimônio das azienda1, prestar informações às pessoas quetenham interesse na avaliação da situação patrimonial e do desempenho dessasentidades. Marion (1998 p.6) apresenta um conceito mais sintético, porém preciso,definindo-a como “[...] um instrumento que fornece o máximo de informações úteispara a tomada de decisões dentro e fora da empresa”. Rios (2009, p. 10), por sua vez, define a Contabilidade de maneira sutil egenérica. A contabilidade pode ser definida como um sistema de informação e avaliação a serviço dos seus usuários; como a arte de registrar as transações das empresas que possam ser expressas em termos monetários ou como a ciência que estuda, controla e interpreta os fatos econômicos – financeiros ocorridos numa entidade contábil. Diante desses conceitos, fica claro que a Contabilidade é uma ciência social,por ter objeto de estudo e estar a disposição da sociedade. Ela se apresenta comouma “bússola” orientadora a serviço tanto para um indivíduo – pessoa física, quantopara uma empresa com ou sem fins lucrativos – pessoa jurídica. Por fim, pode-se finalizar afirmando que a Contabilidade é um sistema muitobem idealizado, accessível e indispensável para bem gerir todo e qualquerempreendimento. Essa sistemática é feita mediante o registro e controle de todos osatos e fatos econômico-financeiro, decorrente da gestão da riqueza patrimonial eseus reflexos causados pelas suas variações.1.1.2 Objeto e objetivo da Contabilidade1 Complexo de obrigações, bens materiais e direitos que constituem um patrimônio, representadosem valores ou que podem ser objeto de apreciação econômica, considerado juntamente com apessoa natural ou jurídica que tem sobre ele poderes de administração e disponibilidade; fazenda.
  • 18 Um dos requisitos primordiais para reconhecer uma área do conhecimentocomo Ciência é possuir um objeto de estudo. Portanto, a Contabilidade, comoCiência que é, tem como seu objeto o estudo do patrimônio das entidadeseconômico-administrativas em sua total amplitude. Neste contexto, afirma-se que patrimônio é tudo aquilo que se possui, tantomateriais como imateriais. Porém podendo estar consigo ou em mãos de terceiros,desde que possa ser avaliado em moeda. Ribeiro (2005), ao abordar o tema, aplicando-se especificamente as entidadeseconômico-administrativas, classifica-o em bens materiais ou imateriais; direitos,valores a receber de terceiros e obrigações, valores a pagar a terceiros. Vale ressaltar que toda e qualquer entidade, para se manter em perfeitoequilíbrio, necessita de um fidedigno acompanhamento do seu patrimônio. Partindodesse pressuposto, a Contabilidade tem o objetivo de fazer esse acompanhamento. Portanto, o controle de todos os fatos decorrentes da gestão patrimonial, éindispensável a toda entidade. Tendo em vista que com um acompanhamentocontrolado a empresa estará amparada e poderá melhor gerir seus negócios.1.1.3 Importância e finalidade Desde o passado remoto, na Hera primitiva, que havia uma necessidade de ohomem registrar seus pertences. Ou seja, uma necessidade em conhecê-los,controlá-los e inventariá-los, para melhor gestão e organização da comunidade. Dessa necessidade de o homem controlar e gerenciar seu patrimônio surgiu,gradativamente mecanismos de registros. Os registros se iniciaram com talhos empedaços de paus, até se chegar aos dias atuais com sofisticados sistemas contábeise gerenciais. Portanto o registro, seja por que meio for, é uma necessidade indispensável,principalmente para uma organização a serviço da sociedade. Não importa o seu
  • 19porte, ele precisa conhecer aquilo que possui e obter o maximo de informações arespeito do empreendimento, para assim, obter resultados positivos. Para Neves e Viceconti (2003, p.20) “[...] prestar informações é defundamental importância, porque elas são necessárias ao processo de tomada dedecisões pelos administradores de uma entidade, bem como pelos demais usuáriosda contabilidade”. Isso se dá através do fornecimento de informações de ordem econômica efinanceira sobre o patrimônio. As informações de ordem econômica dizem respeito àmovimentação de compra, venda despesas, receita e lucros ou os prejuízos; já asinformações de ordem financeira se referem ao fluxo de caixa, entradas e saídas dedinheiro. (RIBEIRO, 2005)1.1.4 Evolução Contábil A contabilidade integra hoje um setor muito importante do conhecimento econstitui parte do que se convencionou chamar de “ciência da informação”. Ela nãoesgota, em si, todas as informações necessárias à tomada de decisões, mas dispõede recursos que lhe permite registrar dados, levantar posições e apresentardemonstrações dos resultados da gestão das organizações. De acordo Iudícibus “e outros” (2006, p.1), A contabilidade, na qualidade de ciência social aplicada, com metodologia especialmente concebida para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer este, seja este pessoa física, entidade de finalidades não lucrativas, empresa, seja mesmo pessoa de Direito Público, tais como Estado, Município União, Autarquia etc., tem um campo de atuação muito amplo. O estudo da contabilidade vem passando por uma transformação acentuada,com o objetivo de transformá-la num instrumento eficiente de administração,sofrendo os seus conceitos básicos uma evolução condizente com as atuaiscondições econômicas do mundo. No entanto no século passado, a contabilidade foi
  • 20usada como instrumento de controle nos países que tinham regime político eeconômico controlado pelo governo de forma centralizada. (IUDÍCIBUS “e outros”,2006). Dentro desse contexto a ciência contábil, hoje utilizada por qualquer pessoaque objetiva a lucratividade, passou por evoluções ao longo dos anosacompanhando o desenvolvimento econômico da sociedade. [...] o desenvolvimento inicial do método contábil esteve intimamente associado ao surgimento do capitalismo, como forma quantitativa de mensurar os acréscimos ou decréscimos dos investimentos iniciais alocados a alguma exploração comercial ou industrial. (IUDÍCIBUS “e outros”, 2006, p.1). Esse processo de modernização da contabilidade apóia-se preferencialmentena experiência fornecida e vivida pelas empresas. Com isso, ao longo dos tempos,tem alcançado grandes avanços, tanto quantitativos como qualitativos,principalmente com o advindo do capitalismo. Portanto, a Contabilidade fornece aos administradores um fluxo contínuo deinformações sobre os mais variados aspectos das gestões financeiras e econômicasdas empresas. Segundo Iudícibus “e outros” (2006), a ciência contábil é dividida em doiscampos de atuação: a Contabilidade Financeira, que tem maior utilidade ou visariaos agentes econômicos externo da empresa, e é apresentada através dedemonstrativos financeiros que são o Balanço Patrimonial, a Demonstração deResultados, a Demonstração de Origens e Aplicação de Recursos e os Fluxos deCaixa. O outro campo é a Contabilidade Gerencial, que visaria primeiramente àadministração da empresa, e nela esta incluída também a Contabilidade de Custos,a qual muito será abordada neste trabalho.1.2 A CONTABILIDADE RURAL E SUAS ESPECIFICIDADES
  • 21 A atividade rural vem crescendo significativamente ao longo dos anos, e emvirtude desse crescimento a sua importância econômica perante a sociedade é cadavez maior. Assim sendo a Contabilidade uma ciência que estuda o patrimônio,dentro do ramo de atividades de qualquer setor da economia, é correto afirmar que osetor rural é assistido pela Contabilidade Rural.1.2.1 Campo de atuação A contabilidade rural é usada por empresas rurais ou pessoas físicas, que sãoos pequenos e médios produtores, de acordo com as atividades desenvolvidas. As peculiaridades de cada empresa rural determinarão o tipo de organização contábil a ser adotado, devendo esta adaptar-se ás características especiais de gestão e organização da empresa. Para isto, torna-se necessário o perfeito conhecimento dos elementos materiais e humanos, a natureza das culturas e das criações o sistema de gestão econômica, a orientação e os desejos da administração para a escolha das contas, dos registros e dos formulários (meios formais) a serem utilizados. (CALLADO; CALLADO, 1994, p.4). Uma boa administração, e um melhoramento nos resultados das atividadesrurais, requer uma atenção e conhecimento da área de produção. E para tanto, astécnicas contábeis são indispensáveis, independente do porte, se pessoa física oujurídica, para uma boa gestão tanto no que diz respeito aos recursos materiais comoaos recursos humanos. Na definição de Crepaldi (1998, p. 23), a “Empresa Rural é a unidade deprodução em que são exercidas atividades que dizem respeito a culturas agrícolas,criação de gado ou culturas florestais, com a finalidade de obtenção de renda”. Os campos de atuação da Contabilidade Rural são as atividades deexploração da terra, como define Crepaldi (2006). O mesmo explica que essasatividades podem ser: “[...] cultivo de lavouras ou a criação de animais, com vistas àobtenção de produtos que venham a satisfazer às necessidades humanas”.
  • 22 1.2.2 Ramificações Essa Contabilidade pode ser ramificada com diversas especificações, por conta da sua diversidade de produção. A variação dessas especificações é apresentada por Crepaldi (1998), da seguinte forma: atividades em agricultura, pecuária, extração e exploração vegetal e animal, além de transformação de produtos agrícolas ou pecuários. Em relação às transformações dos produtos rurais, afirma que estas não devem alterar a composição e as características do produto in natura, pois se assim ocorresse, seria puramente industrialização. Essa observação tem relação com o aspecto tributário das atividades rurais, que será tratada adiante. Já Marion (2007), classifica de acordo com cada ramo de atividades desenvolvidas relacionadas à produção vegetal que são as atividades agrícolas: à produção animal, as atividades zootécnicas e indústrias rurais, as atividades agroindústrias. Para ele essas atividades comportam determinados cultivares exposto no quadro a seguir. Quadro 1 – Classificação das atividades rurais ATIVIDADE ATIVIDADE ATIVIDADE AGRÍCOLA ZOOTÉCNICA AGROINDUSTRIAL  Apicultura (criação de  Beneficiamento do abelhas); produto agrícola (arroz, café, milho);  Avicultura (criação de aves);  Transformação de produtos zootécnicos  Cunicultura (criação de (mel, laticínios, coelhos); casulos de seda); Culturas hortícolas e forrageira:  Pecuária (criação de  Transformação de gado); produtos agrícolas (cana-de-açúcar em  Piscicultura (criação de álcool e aguardente; peixes); soja em óleo; uvas em vinho e vinagre;  Ranicultura (criação de moagem de trigo e rãs); milho).  Sericicultura (criação do bicho-da-seda);
  • 23  Outros pequenos animais. Cereais (feijão, soja, arroz, milho, trigo, aveia...); Hortaliças (verduras, tomate, pimentão...); Tubérculos (batata, mandioca, cenoura...); Plantas oleaginosas (mamona, amendoim, menta...); Especiarias (cravo, canela...); Fibras (algodão, pinho...); Floricultura, forragens, plantas industriais... Plantas oleaginosas (mamona, amendoim, menta...); Especiarias (cravo, canela...); Fibras (algodão, pinho...); Floricultura, forragens, plantas industriais... Plantas oleaginosas (mamona, amendoim, menta...); Especiarias (cravo, canela...); Arboricultura: Florestamento (eucalipto, pinho...); Pomares (manga, laranja, maçã...); Vinhedos, olivais, seringais etc.Fonte: Marion (2005, p.24-25). A lista (quadro 1) não é exaustiva, pois muitas outras culturas poderiam serelencadas, tais como o sisal que esta alocada ao grupo das culturas hortícolas,especificamente o das fibras.
  • 24 1.3 O SISAL E SEU PROCESSO DE PRODUÇÃO A agropecuária é um setor crescente na economia brasileira, de 2002 até2009 somaram uma aumento de quase 50% do produto interno bruto – PIB comomostra valores no quadro 2.Quadro 2 – Indicadores PIB/agropecuária PRODUTO INTERNO BRUTO ANO AGROPECUÁRIA 2002 R$ 84.251.000,00 2003 R$ 108.619.000,00 2004 R$ 115.194.000,00 2005 R$ 105.163.000,00 2006 R$ 111.229.000,00 2007 R$ 127.267.000,00 2008 R$ 152.273.000,00 2009 R$ 166.705.000,00Fonte: Conab (2010) Dentre as diversas atividades desse ramo está a produção de sisal, uma fibrado grupo cultura hortícola, que só em 2007 exportou US$ 100 milhões (SISALNEWS, 2007). Essa fibra é utilizada na fabricação de cabos, cordoalhas, artigos deartesanato, além de se utilizar a polpa para produção de ração para os animais,adubos, álcool, cera etc. São dois os tipos de sisal: sisalana (sisal comum) e Híbrido. O primeiro é amplamente cultivado na região nordeste, enquanto o segundo émenos cultivado e, segundo Souza Sobrinhos (1985 apud EMBRAPA, 2006), estaespécie foi desenvolvida na região oeste da África. O sisal dá origem à principal fibra dura produzida no mundo, contribuindo comaproximadamente 70% da produção comercial de todas as fibras desse tipo. (FoodAgriculture Oganization - FAO, 2003). No Nordeste do Brasil, a exploração do sisal se concentra no interior dosEstados da Bahia e Paraíba, que representam 78% e 20%, respectivamente, daprodução nacional (CONAB, 1996), em áreas onde, geralmente, as condições declima e solo são poucos favoráveis ou de escassas alternativas para a exploração deoutras culturas que ofereçam resultados econômicos satisfatórios.
  • 25 A fibra do sisal, na forma bruta, beneficiada ou industrializada, representafonte de divisas e riqueza para estes Estados, pois se trata de um produto deexportação que gera da ordem de 80 milhões de dólares. É também, pela capacidade de geração de emprego, por meio de sua cadeiade serviço, com as atividades de manutenção das lavouras, desde a colheita,desfibramento, beneficiamento da fibra, até a industrialização e confecção deartesanato (SILVA; BELTRÃO, 1999). A exploração do sisal concentra-se, geralmente, em áreas de pequenosprodutores, com predomínio do trabalho familiar sendo, portanto, importante agentede fixação do homem à região semi-árida nordestina. Além de servir como atividade de apoio à pecuária em nível das fazendas,pelo uso direto da planta na alimentação dos bovinos ou através da pastagem nativanas áreas exploradas com a cultura. Levando-se em consideração o número de pessoas envolvidas direta ouindiretamente no processo produtivo, que é cerca de 850 mil pessoas (Companhiade Desenvolvimento e Ação regional – CAR (1994 apud APROSICS, 1997), é defundamental importância a busca de alternativas que viabilizem a competição dafibra com os fios sintéticos. Visto que eles se constituem também num dos principaisfatores responsáveis pelo baixo preço da fibra do sisal. Neste particular, a redução dos custos de produção, o aproveitamento dossubprodutos do desfibramento e a maior eficiência no processo de descortiçamento,são pontos que devem ser atacados em primeiro plano, para tornar a cultura atrativa. Assim, a Embrapa vem desenvolvendo pesquisas em diferentes áreas deconhecimento, com o objetivo de definir um novo sistema de produção, de viabilizara mucilagem para alimentação animal e de apresentar alternativas de uso da fibra.1.3.1 O sisal e sua importância na agricultura baiana
  • 26 A cultura do sisal é de fundamental importância na agricultura por ser fonte derenda para milhares de brasileiros, especificamente na região nordeste. A cultura do sisal gera mais de meio milhão de empregos em áreas marginais com vistas à prática da agricultura; sua ampla adaptação ao semi- árido da região Nordeste também constitui outra vantagem deste cultivo. Região Sisaleira no estado baiano apóia-se espacialmente nas regiões econômicas do Nordeste (15 municípios), da Piemonte da Diamantina (12 municípios) e do Paraguaçu (10 municípios). (CARVALHO, 2007, p.25) Com clima propício para a produção do sisal, as populações baianas vêem naatividade sisaleira uma forma de promoção e inclusão social das comunidades quesubsistem desta cultura. Segundo pesquisa realizada sobre a produção de sisal na Bahia o CentroNorte produziu 105 mil toneladas, o Nordeste 87 mil toneladas e o Centro Sul 1.431toneladas, sendo que o ranking com o município de Campo Formoso com aprodução de 58.055 toneladas (CARVALHO, 2007). Por ser o maior produtor mundial, a Bahia deverá sempre apresentar umaoferta crescente deste produto no mercado, e nesse sentido Silva (2004) defendeque para assumir o compromisso de abastecer a indústria sisaleira, deverá ser feitona região um incremento no consumo, da ordem de 33.000 ton/ano a mais do que oconsumo atual. Neste contexto, Carvalho (2007) afirma que “[...] o desenvolvimento de novossistemas de produção que viabilizem a competição da fibra com os fios sintéticos, aredução de custos de produção, o aproveitamento dos subprodutos [...]” sãoextremamente necessários. Apesar da grande importância sócio econômica que o sisal apresenta para os27 municípios produtores do Estado da Bahia, e dos 20 da Paraíba (CAR, 1994apud APROSICS, 1997), é fácil compreender o grau de importância que o produto(fibra e Barbante) sofre em relação às condições impostas pelo mercadointernacional. Contudo, o advento da globalização da economia tem agravado muito asituação da cultura do sisal. A baixa rentabilidade inviabiliza a prática dos tratosculturais, levando esta ao abandono ou cedendo espaço para pastagens e outras
  • 27culturas, muitas vezes de alto risco, diante das condições locais de solo e clima. Outro agravante é a perda ocasionada por doença, pois segundo dadospublicados pelo brazilianfibres (2010), “[...] nos últimos 10 anos, a produção de sisalno sertão da Bahia vem declinando acentuadamente devido à ocorrência dapodridão vermelha, uma doença que ataca o pseudo caule matando a planta.” APodridão Vermelha do sisal, também chamada de Podridão do tronco do sisal, éuma doença fungíca, cujo agente causal é o Aspergillus niger um ascomiceto, quepode ser veiculado pelo solo, água, vento, ferramentas infectadas e a doença écaracterizada pelo escurecimento interno dos tecidos do tronco. (SUINAGA “eoutros”, 2005). Os mesmos autores afirmam que não existe tratamento curativo para adoença, entretanto destaca algumas medidas preventivas: [...] arrancar e queimar plantas com seus sintomas; plantar filhotes (rebentos) provenientes de campos sadios para implantação de novos campos; utilizar o resíduo do desfibramento como adubação orgânica para melhorar a fertilidade do solo, evitando-se estresses nutricionais á planta e manter por maior tempo a umidade do solo e o plantio consorciado com outras culturas. (SUINAGA “e outros”, p. 37, 2005).1.3.2 Etapas do processo produtivo A produção do sisal na região do Nordeste é muito promissora, por apresentarclima quente e semi-árido adequado ao seu bom desenvolvimento. “O sisal preferetambém dias completamente ensolarados; pois, caso contrário, as folhas se tornamflácidas, diminuindo o vigor e enfraquecendo as fibras”. (BANDEIRA “e outros”,1999, p. 13). Os tratos no processo produtivo com a cultura do sisal, tecnicamente falandosão bastante simples, visto que suas etapas se desenvolvem com mínimatecnologia. Geralmente é realizado por grupos familiar, basicamente manualmente.
  • 281.3.2.1 Escolha do terreno e preparo do solo A área escolhida deve ser de elevações suaves e, de preferência, comexposição leste-oeste, correspondente à maior luminosidade, fator preponderante nodesenvolvimento do sisal.(SILVA; BELTRÃO, 1999). De acordo com Castro (2006), os melhores solos para o cultivo do sisal sãoos rasos e pedregosos, arenosos e argilosos. Solos muito comuns no semi-aridonordestino, têm contribuído para a implantação da cultura nessa região. O mesmo autor diz que no preparo do solo, a necessária limpeza do terrenopode realizada através de diversas operações: • desmatamento – em áreas extensas recomenda-se o uso de correntão; para áreas menores, deve-se usar a tração mecânica ou efetuá-lo manualmente; • queima – deve ser efetuada de forma criteriosa; • encoivaramento – consiste no ajuntamento dos restos de vegetais de maior porte. • ou ainda: repasse, aração, gradagem1.3.2.2 Plantio Após o preparo do terreno (Bandeira, 1999) diz que: [...] procede-se à marcação da área para o plantio das mudas que deve ser sempre cortando as águas sem, no entanto, acompanhar rigorosamente as curvas de nível. Em terrenos planos, recomenda-se que as linhas de plantio sigam o sentido perpendicular ao caminhamento do sol, para se evitar o sombreamento entre as plantas; é aconselhável, também, que os talhões apresentem dimensão de aproximadamente 2ha, com o objetivo de facilitar a operação de colheita e o transporte da produção. (p.14)
  • 29 Silva e Beltrão (1999) acrescentam que a não-observação dasrecomendações para plantio poderá implicar na formação de sisalais desuniformesquanto ao tamanho das plantas, à época de corte, à produção e à maturidade dasfibras produzidas. Quando do plantio definitivo, os mesmos autores orientam que o produtordeve proceder à abertura de sulcos, com sulcador tratorizado, em solos quepermitam o tráfego de máquinas, ou covas, com enxada ou enxadão, em terrenoscom topografia acidentada e em perfeito alinhamento enfileiradas. (Figura 1.) Figura 1. Plantio da lavoura do sisal enfileirada Foto: Odilon R. R. F. da Silva. Os tratos culturais recomendados por Silva e Beltrão (1999), após o plantiosão de duas a três capinas no primeiro ano, dependendo da incidência dasinvasoras e, para o segundo ano, uma ou duas capinas, podendo ser uma logo apóso início do inverno e outra no final.1.3.2.3 Colheita A primeira etapa do processo de colheita do sisal consiste no corte periódicode determinado número de folhas da planta, feito manualmente, com uma pequenafoice ou faca, rente ao tronco. (Figura 2)
  • 30 Em geral, na região Nordeste, a planta de sisal é submetida a um corte porano, mas este intervalo (12 meses) nem sempre é observado, pois, dependendo daconjuntura de preços do mercado, o produtor pode protelar, ou então antecipar ocorte e, quando o antecipa, geralmente procede a um corte drástico, incluindo folhasprematuras, o que afeta a qualidade da fibra. Em condições normais de colheita, a prática viável é realizar o primeiro corte,aproximadamente, aos 36 meses após o plantio, (figura 2: plantio) podendo sercolhidas entre 50 e 70 folhas, deixando-se entre 7 a 12 folhas. ( BANDEIRA, 1999).Por ser um vegetal monocárpico, isto é, floresce uma só vez durante o ciclo decrescimento e desenvolvimento que é de, em média, 8 a 10 anos; decaindo aprodução e posteriormente, a planta morre. (SALES, 2004) Figura 2. Corte das folhas Foto: Odilon R. R. F. da Silva. Para o custo de produção da cultura do sisal, o transporte das folhas cortadaspara o local do desfibramento é um componente importante. Assim, deve-se buscar, sempre, a menor distância a percorrer, de forma queas folhas cheguem com regularidade, em abundância e no menor tempo possível.No Nordeste, o transporte é feito por asininos (jumentos) utilizando-se cangalhascom cambitos (gancho tipo V de madeira) em seu dorso, onde são colocadas as
  • 31folhas. (Figura 3.) Esses animais podem “[...] transportar, aproximadamente, 200folhas por viagem, que pesam em torno de 100 a 130 kg”. (BANDEIRA, 1999, p. 34). Figura 3. Transporte das folhas por um asinino. Foto: Odilon R. R. F. da Silva.1.3.2.4 Desfibramento Após a colheita é feito o desfibramento, que consiste na eliminação da polpadas fibras mediante raspagem mecânica. A principal desfibradora dos campos desisal é máquina, denominada „motor de agave‟ ou „máquina Paraibana‟. (Figura 4)Por sua simplicidade, a máquina Paraibana apresenta baixa capacidade operacional(de 150 a 200 kg de fibra seca, em um turno de 10 horas/dia), produz grandedesperdício de fibra (em média 20% a 30% das fibras contidas na folha) e,sobretudo, envolve um número elevado de pessoas para a sua operacionalização,aumentando assim os custos de produção. (SILVA; BELTRÃO, 1999).
  • 32 Figura 4. Máquina Paraibana para o desfibramento das folhas. Foto: Odilon R. R. F. da Silva. Segundo Bandeira “e Outros” (1999, p. 37), “[...] em operação normaldesfibram-se, em média, 20 a 30 folhas por minuto, ou 1.200 a 1.800 folhas por horaou, ainda, 550 a 820 kg de folhas/hora”. Castro (2006, p. 12) descrimina os trabalhadores envolvidos no desfibramentoda seguinte forma:  Cortador: colhe as folhas das plantas, cortando-as com um instrumento apropriado denominado foice; o numero de pessoas envolvidas nesta atividade pode variar de uma a três;  Enfeixador: amarra as folhas em forma de feixes que serão transportados até a máquina de desfibramento;  Cambiteiro: recolhe os feixes e os transporta até a máquina, no dorso dos animais;  Puxador: é o responsável pela operacionalização da máquina; esta atividade envolve uma ou duas pessoas, dependendo a região produtora;  Fibreiro: responsável pelo abastecimento da maquina com as folhas e pela recepção das fibras, que são pesadas com umidade; esta atividade poderá ser realizada por uma ou duas pessoas;  Bagaceiro: retira da máquina os resíduos do desfibramento.
  • 33 Após o processo do desfibramento, a fibra obtida é transportada, no dorso deanimais (Figura 5), para a secagem, por exposição ao sol, durante 8 a 10 horas emuma área onde as fibras não absorvam impurezas, “como em varais ou estaleiros dotipo triângulo ou estrado, ambos feitos com fios de arame galvanizado. (Figura 6.) Recomenda-se, para melhor secagem, a reviragem da fibra, uma ou duas vezes, até que atinja a umidade média de 13,5% e, a seguir, que as fibras sejam arrumadas em pequenos feixes, amarradas pela parte mais espessa e conduzidas ao depósito para serem armazenadas sem serem dobradas. (SILVA; BELTRÃO, 1999, p. 82). Figura 5. Transporte das folhas por um asisino. Foto: Odilon R. R. F. da Silva. Figura 6. Secagem da fibra do sisal Foto: Odilon R. R. F. da Silva.1.3.2.5 Beneficiamento da Fibra
  • 34 Após o processo de secagem da fibra em campo, é feito o transporte paragalpões fechados, em geral localizados na zona urbana dos municípios, onde estãolocalizadas as máquinas denominadas de batedeiras. Nas batedeiras ocorre a etapade batimento das fibras, para remoção do pó que as envolve. (Figura 7.) No Nordeste, grande parte dos produtores de sisal comercializa seu produto na forma bruta, sem realizar qualquer processo de melhoria da fibra, como o batimento ou o penteamento, operação que remove o pó e o tecido parenquimatoso aderente aos feixes fibrosos, além da retirada das fibras de pequeno comprimento, resultando em um produto limpo, brilhoso, macio e valorizado. (BANDEIRA “e outros”, 1999, p. 45). Cada batedeira ocupa dois homens e a produtividade é de 15toneladas/homem/semana. Atualmente, existem cerca de 50 batedeiras, somente noestado da Bahia. (ALVES; SANTIAGO; LIMA, 2005) Figura 7. Batedeira de sisal Foto: Odilon R. R. F. da Silva. Importante observar a tecnologia adotada no batimento da fibra, bastantearcaica, não tendo passado por inovações desde que se implantou a cultura sisaleirano Nordeste. Portanto, há bastante espaço para ganhos em termos de produtividade nobatimento da fibra, desde que se avance na tecnologia adotada no processo.1.3.2.6 Mutilações no beneficiamento do sisal
  • 35 Ainda que o Brasil seja o maior produtor mundial de sisal, ocupando posiçãoprivilegiada no ranking, infelizmente essa realidade não condiz com as condições desaúde e segurança de quem trabalha na colheita, beneficiamento e industrializaçãoda planta, a qual é convertida em artigos, como fios, cordas, tapetes, entre outros,exportados para diversos países. O processo de desfibramento feito com o “motor Paraibano” tem provocadoacidentes que resultam em graves mutilações de dedos, mãos e até mesmo parte dobraço. “Isso porque o trabalho nessa máquina, que gira em alta velocidade, obrigaque o operador aproxime as mãos das engrenagens para introduzir as folhas dosisal e para puxar as fibras já beneficiadas.” (CARVALHO, 2007) A pesquisadora Yamashita (2007), coordenadora do Projeto Sisal daFundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança doTrabalho), entidade ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, também alertasobre os riscos da atividade sisaleira, responsável por 3.000 (três mil) trabalhadoresmutilados, vítimas do processo de produção do sisal. Ela ressalta ainda anecessidade do desenvolvimento de uma nova máquina de desfibramento do sisalpara substituir a chamada “Máquina Paraibana”.Uma parceria entre a Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação da Bahia, oMinistério do Desenvolvimento Agrário e a Associação de DesenvolvimentoSustentável e Solidário da Região Sisaleira viabilizou a produção e distribuição de140 unidades de uma máquina desfibradora de sisal que acaba com o risco demutilação de agricultores. (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidárioda Região Sisaleira - APAEB, 2010) Inventada por José Faustino Santos, a desfibradora “Faustino V” tem comoprincipal diferença em relação às tradicionais paraibanas, o fato de evitar totalmenteo risco de mutilação, além da nova forma de processamento da folha que evitaesforços físicos por parte dos produtores. (Ministério do Desenvolvimento Agrário -MDA, 2010) Segundo o Ministro do MDE, Guilherme Cassel com a distribuição das 200(duzentas) máquinas, o próximo passo é ampliar os investimentos e criar uma linhade financiamento para suprir todo o mercado. (APAEB, 2010).
  • 362 A CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA DE CONTROLE DOS CUSTOS NA CULTURA E PRODUÇÃO DO SISAL As atividades agrícolas muito têm a se beneficiar das novas especializaçõesda contabilidade principalmente no que diz respeito à contabilidade de custos, vistoque tem um papel primordial de auxílio no controle e administração das culturasagrícolas. Uma vez que a cultura do sisal, como qualquer outro empreendimento, utiliza-se da Contabilidade de Custos, é imprescindível conhecer suas principaiscaracterísticas. E desde então quais os processos nela envolvidos, tais como aanálise contábil dos custos No entanto essa analise não esta dissociada de uma gestão contábil na áreaagrícola. Daí surge à necessidade da utilização dos mecanismos da ContabilidadeRural que é definida por Nepomuceno (2004, p.10) como sendo “[...] um instrumentoútil ao conhecimento dos resultados por atividade no setor rural, tanto quanto o é naindústria, porém ao alcance de seus usuários”. Nesse sentido, tem-se observado que a cultura do sisal, como qualqueratividade comercial, requer um rigoroso acompanhamento dos seus custos paraobtenção de melhores resultados financeiros. Alguns teóricos, como Rios, Marion, Crepaldi, Borilli, entre outros, tratam daaplicação da contabilidade na área rural. Embasados nesses teóricos e partindo dospressupostos acima mencionados, busca-se averiguar como a contabilidade podeauxiliar na apuração e controle dos custos na cultura do sisal.2.1 A ANÁLISE CONTÁBIL DOS CUSTOS Estudar a contabilidade de uma entidade requer vasto conhecimento a cercade todo o aparato empresarial. Entretanto, a Contabilidade não se basta no estudo,
  • 37mas sim em interagir diretamente no processo de gestão. Para tanto, aContabilidade de Custos surge para bem atender as diversas necessidadesgerenciais da entidade. Talvez se possa pensar que o uso da Contabilidade de Custo estejarelacionado ao porte empresarial, no que se alude a grandes estruturas físicas,administrativa e operacional. Porém, a aplicabilidade da Contabilidade de Custos se faz necessário emtodo empreendimento, desde que ele almeje um sistema de gestão eficiente conexoa um controle de qualidade e, consequentemente, o alcance de melhores resultados. Nesse mesmo sentido, Leone (2008, p.8) em seu livro direcionado a área deCustos, faz menção ao vasto campo de atuação dessa área Contábil, estando-a “[...]aplicada a vários segmentos da economia: indústrias, comércio e serviços, incluindoo segmento empresarial, cujas empresas têm finalidades de lucros, como tambéminstituições de fins ideais [...]. Assim sendo, é a evidente amplitude da Contabilidadede Custos, e mais, da sua importância em todos os setores da economia,independente do porte da organização.2.1.1 Conceito A Contabilidade, como muitos outros campos do saber, costuma atribuiradjetivos a seus ramos de especialização. Dessa forma, tem-se a Contabilidade deCustos, uma ramificação Contábil, fonte norteadora de estudo desta PesquisaCientífica. Leone (2008) afirma, numa visão gerencial, que a Contabilidade de Custosrefere-se ás atividades de coleta, e fornecimento de informações, necessárias aoauxílio na tomada de decisão. O mesmo autor conclui que essas atividades “seassemelham a um centro processador de informações, que recebe (ou obtém)dados, acumula-os de forma organizada, analisa-os e interpreta-os, produzindoinformações de custos para os diversos níveis gerenciais”. (LEONE, 2008, p.10)
  • 38 Martins (2008) acrescenta ainda que além do auxílio á tomada de decisões,tem importante função de controle. E nessa função a Contabilidade de Custos, aindana visão de Martins (2008), designará dados para o “[...] estabelecimento depadrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num estágio imediatamenteseguinte, acompanhar efetivamente o acontecido para comparação com valoresanteriormente definidos”. Percebe-se, a partir da análise exposta acima, que a Contabilidade de Custosé, na verdade, um conjunto de sistemas integrados e bem qualificado. Está paratanto, estruturado de forma a atender eficientemente as necessidades de controle esuporte gerencial a todo e qualquer setor da economia.2.1.2 Objeto e objetivos da Contabilidade de Custos Apurar os custos de uma empresa representa todo o trabalho daContabilidade de Custos. Por isso, a empresa, juntamente com toda a sua estruturaoperacional, administrativa, seus serviços e produtos, constitui seu objeto de estudo. Segundo Leone (2008), a Contabilidade de Custos deve estudar cadasegmento da empresa para, posteriormente, ser capaz de produzir informaçõesacerca de custos imprescindíveis à organização e controle empresarial. Importasalientar que diferentes informações são produzidas para atender as diversasnecessidades gerencias, dos diferentes seguimentos. A Contabilidade de Custos produz informações gerenciais a depender dasnecessidades empresariais com os seguintes objetivos: deliberar acerca dos rendimentos; avaliar a situação patrimonial; controlar as operações, bem como os custos a elas incorridas; auxiliar estrategicamente no planejamento e tomada de decisões.
  • 392.1.3 Classificação dos custos São diversas as formas de classificar os custos, a depender das atividadesdesenvolvidas e a que fim se deseja. Contudo, a qualificação de cada custo dar-se-ámediante a necessidade ou não da administração. Na diversidade dos tipos de custos, necessário se faz apresentar os tipos decusto de maior relevância, e por que não dizer, mais usual. Tem-se porquanto oscustos relacionados aos produtos, classificados em diretos e indiretos; osrelacionados ao comportamento das atividades podendo ser fixos e/ou variáveis. Vários autores se propõem a conceituar os diversos tipos de custos. Porém,vale aqui apresentar as idéias de Leone (2008, p.58), acerca dos Custos Diretos eindiretos, por tratar de uma forma tão perspicaz, identificando esses custos adepender do elemento a que se deseje custear: Todo item de custo que é identificado naturalmente ao objeto do custeio é denominado de custo direto.[...] todo item de custo que precisa de um parâmetro para ser identificado e debitado ao produto ou objeto de custeio é considerado um custo indireto. (LEONE, 2008, p.58) Já versando a respeito dos custos Fixos e Variáveis, o mesmo autorrelaciona-os às mudanças nas atividades. Explica que o Custo variável aumentaproporcionalmente ao nível da atividade, aparecendo somente quando a atividadeou produção é realizada. E quanto aos Custos Fixos são constantes no total, nafaixa de volume relevante da atividade esperada. Martins (2008, p. 52.) acrescenta ainda que Custos “Fixos são os que numperíodo têm seu montante fixado, não em função de oscilações na atividade e,Variáveis os que têm seu valor determinado em função dessa oscilação”. Importa saber que as exibições referentes aos Custos Fixos e Variáveis nãolevam em consideração os produtos feitos ou serviços prestados, como acontecemcom os Custos Diretos e Indiretos. Levam sim em consideração o valor total docusto em um determinado período combinado ao volume de produção.
  • 402.1.4 Sistemas de Custeio É condição preponderante, para o funcionamento satisfatório de qualquerempresa, uma estrutura bem organizada. No entanto, isso só será possível,mediante planejamento interligando todos os setores empresariais e, sem duvida, deuma boa Contabilidade de Custos. Contudo, constitui necessidade fundamental para uma boa Contabilidade deCustos, a existência de uma forma de quantificação de volumes físicos consumidose fabricados. Daí os sistemas de custo assumem parte integrante nesse processo dequantificar, utilizando mecanismos sistematizados capazes de registrare organizaros volumes monetários e não monetários. Para desempenhar essa tarefa, a Contabilidade atua por meio de doissistemas básicos de custeamento: o sistema de custeamento por ordem deprodução e o sistema de custeamento por processo. A escolha de um dessessistemas dependerá de como ocorre o processo de produção. O sistema de custeamento por Ordem de produção é apropriado paraempresas que trabalham com a produção por encomenda, e serão, portanto,produtos diferenciados. Já o sistema de custeamento por processo, é recomendadoàs empresas de produção em massa, que produz continuamente para atender asdemandas do mercado consumidor. No entanto, Martins (2008) salienta que, é muito comum uma mesmaempresa fazer o uso de ambos os sistemas de custeio. Em um determinado setor daempresa, poderá produzir uma parte do produto por ordem. No outro setor produziroutra parte de forma continua. Todavia, importa saber que os dois sistemas, atuando juntos ou não em umaempresa, operam com um único objetivo: a determinação do custo de produção. Os sistemas de Custeio são norteados, por dois principais critérios deacumulação de custos, ou métodos de custeio. O custeamento por absorção, muitocomplexo, porém o único aceito pela legislação fiscal brasileira; e custeamento
  • 41variável mais simples e de grande relevância para o planejamento e tomada dedecisão. O custeio por absorção, como o próprio nome diz, absorve a parcela doscustos diretos ou indiretos, fixos ou relacionados à fabricação. Enquanto que ocusteio variável admitirá ao custo do produto, somente os custos diretos e variáveis. A cerca do exposto acima, Dutra (2003), acrescenta que o método porabsorção consiste em associar aos produtos e serviços, os custos que ocorrem naexecução das atividades de bens e serviços, considerando todos os custosaplicados. Enquanto que o custeio variável envolve somente os custos variáveis,quer sejam diretos ou indiretos, necessários a obtenção do produto ou serviço. O diagrama apresentado (Figura 7.) representará bem a estrutura do Custeiopor Absorção e do Custeio Variável. Custos variáveis C. ABSORÇÃO fixos matéria-prima PRODUTO mão-de-obra energia C. VARIÁVEL depreciação materiais PRODUTO indiretos manutenção Figura 8. Fluxograma esquemático do Custeio por Absorção e Custeio Variável. Fonte: Nossa autoria. Outro método ser comentado é o Custeio Baseado em Atividade (ABC –abreviatura do inglês “Activity Based Costing”), face que não se limita ao custeio deprodutos, mas antes de tudo, é uma importante ferramenta de gestão contábil.
  • 42 Diferentemente do custeio absorção e variável, o custeio ABC envolve tantoos custo quando despesa1, desde que estejam no grupo gastos indiretos.Comportando assim uma capacidade preponderante para identificar o custo dasatividades, permitindo uma visão mais acentuada da relação custo/beneficio. Na concepção de Eliseu (2008, p. 295) o custeio ABC: Permite o levantamento do quanto se gasta em determinadas atividades, tarefas e processos onde não se agrega valor ao produto (manufaturado, na forma de serviços etc.), mesmo que com a devida cautela em função da sempre permanente presença de algum nível de erro. Dessa forma, o autor trata de uma peculiaridade desse método. Outro autorque também se posiciona a respeito, é Dutra (2003), destacando que todos osrecursos são despendidos nas atividades, as quais são consumidas pelo produtocusteado. O mesmo afirma que esse feitio “[...] possibilita a analise de cada objeto decusto após a mensuração dos gastos de todas as atividades, sejam elas referentes áprodução ou á administração”. (DUTRA, 2003, p. 235) O ABC, por ser também uma ferramenta de gestão de custos, pode serimplantado com maior ou menor grau de detalhamento, dependendo dasnecessidades de informações gerenciais para o gestor, o que está intimamenteligado ao ramo de atividade e porte da empresa. Portanto, a implementação dessa forma de custeio requer uma cuidadosaanálise do sistema de custo, visto que sem este procedimento, que contemplefunções bem definidas e fluxo de todos os processos, pode tornar-se inviável a suaaplicação de forma eficiente e eficaz. Restam aos detentores da gestão analisar qual a real necessidade daempresa e qual a sua condição em implantar determinado tipo de método custeio emdetrimento de outro.1 As Despesas são gastos todos que não relacionados com o processo de transformação ouprodução dos bens e produtos de uma empresa.
  • 43 2.2 A GESTÃO CONTÁBIL NA ÁREA AGRÍCOLA Por base em todas as movimentações financeiras, dentro de umempreendimento, tem-se como fator chave, a atuação da Contabilidade. Sendo estaindispensável para gestão da empresa agrícola, bem como as que atuam com outrosramos de atividades. Todo entidade de sucesso necessita de um bom Controle Patrimonial,sucedida por uma Gestão Contábil eficiente. No entanto contabilidade, por si só, vaimuito além de simples controle dos números e comparações de resultados. Ela,associada a um bom Sistema de Contabilidade de Custo, “[...] é hoje uma realidadefundamental para alcançar resultados de produtividade que garantam o sucesso doempreendimento”. (ULRICH, 2009) Pedrosa (2006) por sua vez, ratifica dizendo que há adequados sistemas decontabilidade e custos, a empresa terá condições de controlar sua atividade,economizando nos custos e aumentando sua lucratividade mais do que o custo dossistemas necessários, com uma excelente relação custo x benefício. O autor acrescenta que a Contabilidade é um ótimo instrumento de gestão.Ela está, portanto a dispor da administração para dar todo o suporte necessário paramelhor gerir suas atividades.2.2.1 O controle de custos nas atividades agrícolas A Contabilidade rural juntamente com a Economia Rural é responsável peloestudo do patrimônio agrícola, bem como dos fatores que influenciam naprodutividade da cultura agrícola. Segundo Marion (2009), esses fatores são distribuídos em duas categorias,físicos e econômicos. Os fatores físicos influenciam na produtividade e estãorelacionados com o clima, a natureza geológica e química da terra, etc.; já os fatores
  • 44econômicos estão relacionados com o capital, com as facilidades de venda dosprodutos, com os insumos, com os transportes, com a mão-de-obra, etc. D‟Amore, (1973 apud, CALLADO; CALLADO, 1994) explica que exploraçãoindustrial da terra demanda dois fatores importantes: a) O preço de custo, sobre o qual o agricultor faz sentir sua influência pelaintervenção pessoal de sua atividade e economia; b) O preço de venda, fixado em relação ao preço de custo, de tal maneiroque o agricultor possa ser remunerado de seus labores e dos valores imobilizadosem prédios rústicos e equipamentos agrícolas. De maneira geral, as empresas têm receitas e despesas durante todos osmeses do ano, porém na atividade agroindustrial a receita concentra-se durante oulogo após a colheita em alguns casos. O ano agrícola é o período em que se planta,colhe, processa e comercializa a safra agrícola. A esse respeito Marion (1986), afirma que a apuração de resultados, quandorealizada logo após a colheita e a comercialização, contribui de forma maisadequada para avaliação de desempenho da safra agrícola. Tendo em vista que nas atividades agrícolas, o custo da produçãocompreende o conjunto de todas as despesas que devem ser suportadas para aobtenção dos produtos. Tudo o que se faz necessário para a obtenção do produtocultivado, se enquadra como custo de produção. (RAUBER ; outros”, 2005). Crepaldi (2006, p.35) destaca a importância de uma administração eficientepara o sucesso de qualquer empreendimento. Porém o autor ressalta que “Éjustamente nesse aspecto que a Empresa Rural Brasileira apresenta uma de suasmais visíveis carências, prejudicando todo o processo de modernização daagropecuária”. As deficiências, no que diz respeito ao controle eficiente de seus negócios,ficam mais agravadas quando se trata de pequenos e médios produtores, ou seja,pessoas físicas. Isso se explica pela falta de uma estrutura contábil eficiente, commecanismos aptos de atender as necessidades operacionais e administrativas.
  • 45 A contabilidade de custo rural possui um papel muito importante comoinstrumento capaz de encaminhar os processos agrícolas mais eficientes para umaprodução mais útil e barata, bem como os processos de produção que se encontrampróximos da maior eficiência econômica. (CALLADO; CALLADO, 1994)2.2.2 As peculiaridades da agricultura O Brasil, como país da diversidade, tem um desafio constante, oferecerprodutos para o desenvolvimento da agricultura diante de climas tão diferentes emseu território. Em cada região do país há uma particularidade relacionada principalmente àscondições ambientais e econômicas. Cada cultura agrícola tem suasparticularidades, entre elas a época certa de plantio e colheita, o clima e ascaracterísticas do solo mais apropriadas A área agrícola não está direcionada somente à produção de poucos erentáveis produtos de larga procura no mercado mundial, mas ao mesmo tempo, elapretende considera as mais variadas necessidades humanas. Nesse contexto, Crepaldi (1998, p. 21) afirma que a agricultura devedesempenhar os seguintes papéis no processo de desenvolvimento: 1. Produzir alimentos baratos e de boa qualidade; 2. Produzir matéria-prima para a indústria; 3. Pela exportação, trazer dinheiro para o país; 4. Dar condições dignas de vida para o trabalhador rural. A agricultura é vista pelo autor, como um negócio que apresenta umaressalva, quanto ao fato do produtor rural dedicar-se a apenas a uma atividade –especialização. Pois, “[...] dependendo sua renda de poucos ou de apenas umproduto, uma queda no preço desse produto ou uma frustração de safra, leva oagricultor a sérios prejuízos”. (CREPALDI, 1998).
  • 46 Já Rios (2008) por este prisma, vê “[...] a possibilidade de se ofertar, aoadministrador rural, as ferramentas de planejamento estratégico, dando à produçãoagrícola um direcionamento ao quê, quanto e como produzir [...]”. O que muitasvezes não acontece, principalmente quando se fala de pequeno produtor.2.2.3 O gerenciamento dos custos na produção agrícola Frente à expansão da globalização, alavancado pelas grandes potências, umdos setores que mais cresce é agricultura. Esse setor vem cada vez mais assumindoparte significativa na vida de indivíduos, que de suas grandes, médias ou pequenaspropriedades rurais tiram o sustento. Dessa forma, o produtor rural deve sempre buscar o aprimoramento naquiloque faz e no que gerencia, pois o mercado esta cada vez mais exigindo produtos damelhor qualidade. O processo de controle e gestão se dá mediante identificação, mensuração eanálise das informações sobre eventos econômicos das empresas. Tais informaçõessão necessárias para controle, acompanhamento e planejamento da empresa comoum todo, e utilizadas pela alta administração. Contudo, Borilli “e outros” (2005) elucidam que a “[...] tarefa de gerarinformações gerenciais que permitam a tomada de decisão é uma dificuldade paraos produtores rurais” [...]. Segundo a autora essa dificuldade está atrelada à falta dedados consistentes e reais, acerca das atividades desenvolvidas na empresa rural. Já Bida e Lozeckyi (2008), atribui essas dificuldades, também, à falta deorganização e planejamento: “Os dados da situação econômico- financeira daempresa devem ser organizados e classificados diariamente. Esses dados indicarãoo volume de movimento financeiro da propriedade, por atividade, os níveis deinvestimento e as quantias desembolsadas”. Segundo Crepaldi (2005), para obter os dados referentes ao movimento
  • 47econômico-financeiro diário da propriedade. É preciso que o administrador dapropriedade saiba como estão a rentabilidade da sua atividade produtiva, quais osresultados e como podem ser otimizados por meio da avaliação dos resultados,necessários para definir a situação de seu negócio e tomada de decisões. Bida e Lozeckyi (2008), ainda esclarecem que o conhecimento doselementos que geram o custo é fundamental na tomada de decisões. Tendo em vistaque controlando bem todos os custos alcançar-se-á a gestão uniformemente cadeiaprodutiva.2.2.4 Dos custos na cultura do sisal Algumas especificidades da produção agrícola a diferenciam da produção deoutros bens manufaturados, dificultado assim sua ascensão produtiva. Taisespecificidades referem-se à sazonalidade da produção; influência de fatoresbiológicos; doenças e pragas e perecibilidade rápida. A situação de determinadas atividades agrícolas, em especial a cultura doSisal, se depara ainda com as freqüentes quebras de safras ocasionadas por fatoresclimáticos, também, pela variação cambial, proveniente da cotação do dólar queimpõe os preços e equipamentos agrícolas rudimentares. Todas essas especificidades tendem a encarecer o custo da produção dosisal e conseqüentemente redução no lucro. Cabendo nessa situação melhorgerenciamento das atividades, possibilitando gerar informações precisas e oportunassobre a situação real da produção e do resultado Diante do exposto, Ulrich (2009) aponta que “[...] o empresário rural devebuscar meios para diminuir o custo da produção, evitar desperdícios e melhorar oplanejamento e controle de suas atividades [...]”. Apõe ainda a Contabilidade deCustos como ferramenta gerencial, que possivelmente, traria maior controle daprodução e uma melhor oportunidade de planejamento para a obtenção de melhoresresultados.
  • 48 Nesse sentido Rios (2008) destaca que: “[...] a contabilidade de custos é umaferramenta indispensável no controle eficiente no cultivo do sisal, pois os produtoresde sisal a maior eficiência no processo de descortiçamento, são fundamentais paraelevar a sustentabilidade da atividade sisaleira”. Partindo desse pressuposto percebe-se como qualquer atividade comercial,produção do sisal requer um rigoroso acompanhamento e controle dos seus custospara obtenção de melhores resultados financeiros. Contudo Silva (1999) aponta quese tem aproveitado pouco do potencial da planta, sendo que apenas de 3% a 4% dototal colhido da planta é aproveitado, devido a pouca utilização tecnológica eacrescenta que: A grande maioria das lavouras de sisal é conduzida com baixa aplicação tecnológica, situação que poderia ser alterada com medidas de incentivo aos produtores, como preços melhores para produtos de qualidade superior, financiamento bancários para a recuperação das lavouras e implementação do consórcio com pecuária e culturas alimentares em bases técnicas. ( SILVA 1999, p. 14) É importante destacar que não houve avanço tecnológico no sistema deprodução da cultura do sisal no Brasil nós últimos 40 anos. O processo de edescortiçamento do sisal é realizado através do motor paraibano, desde aimplantação da cultura no Brasil, há mais de 4 décadas. (ALVES; SANTIAGO ;LIMA, 2005).
  • 493 O APRIMORAMENTO DA RENTABILIDADE E CONTROLE DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO SISAL Para atender aos objetivos pretendidos, com apoio da revisão de literatura,definiu-se uma série de parâmetros a serem levantados em campo que, para efeitode análise, foram agrupados em quatro secções: Exploração Agrícola; Sistema deProdução – Cultura do Sisal; Comercialização do sisal; Rentabilidade da Cultura doSisal;3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A Pesquisa ocorreu no período de 28 de julho e 21 de agosto de 2011. Comoinstrumento metodológico de investigação, foram utilizados dois instrumentos depesquisa. Inicialmente, foi utilizado o questionário, composto de 04 (quatro) tópicos(apêndice A), aplicado a 06 (seis) produtores no sistema de entrevista assistida. Os questionários estão entre os mais tradicionais instrumentos de coleta dedados e as perguntas podem ser abertas, fechadas ou mistas. (FIORENTINI;LORENZATO, 2009), Nesta pesquisa, foram usadas questões mistas para obterdados, as quais, além das alternativas, havia um espaço para complementar ainformação. Em seguida, a observação participante quando foi proposta uma atividade deintervenção (apêndice B) em relação ao controle de uma produção. Essa propostasurgiu, tendo em vista que nenhum dos produtores utiliza dessa técnica. Marconi (1996) define a observação participante como sendo a participaçãoreal do pesquisador com o meio em que estão inseridos os sujeitos participantes dainvestigação. Como o questionário, aplicado ao produtores no sistema de entrevistaassistida procurou analisar o seguinte:
  • 50 a) Exploração Agrícola A exploração agrícola foi analisada através da avaliação dos parâmetrosdescritos a seguir: Composição do uso do solo; Expansão da cultura do sisal; Doenças; b) Sistema de Produção – Cultura do Sisal; O sistema de produção foi avaliado através da análise das principais práticasagrícolas realizadas. Plantio; Densidade do plantio; Plantio consorciado; Tratos culturais; Ciclo vegetativo; c) Comercialização do sisal; A comercialização foi analisada mediante investigação de toda a sistemáticacomercial do sisal, tendo em vista os seguintes questionamentos: Produtos comercializados; Sistema de Comercialização; Preço de venda; d) Renta.bilidade da Cultura do Sisal;
  • 51 Para verificar a rentabilidade da cultura do sisal, questionou-se osrendimentos financeiros obtidos com a produção do sisal, evidenciando os seguintesaspectos: Despesas/Custos; Receitas; Lucro/Prejuízo; Métodos de Controle; 3.2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados obtidos na pesquisa de campo, apresentados a seguir,obedeceram aos parâmetros definidos na metodologia: a) Exploração Agrícola – Este tópico teve como finalidade analisar a lavouras permanentes, evidenciando a relação dos produtores com a cultura do sisal e as incidências de doenças. b) Sistema de produção – A pretensão com este grupo foi observar a forma de trabalho destes produtores, bem como a aplicabilidade das técnicas recomendadas para o cultivo da cultura do sisal. c) Comercialização do sisal – com este grupo buscou-se verificar de que forma é feita a venda e a negociação do preço. d) Rentabilidade da cultura do sisal – com este grupo de variáveis, pretendeu- se analisar como se dá as relações dos produtores com os rendimentos financeiros obtidos e os gastos despendidos na produção do sisal.3.2.1 Exploração Agrícola
  • 52 Os dados levantados a cerca da exploração na região sisaleira do Povoadode Tiquara, municípios de Campo Formoso - Ba, mostram o seguinte: Na primeira secção os produtores foram questionados a respeito daexploração agrícola tendo como foco as lavouras permanentes. 83% dospesquisados têm com principal exploração agrícola o sisal.Quadro 3 – Exploração Agrícola AIVIDADES AGRÍCOLAS PRODUTOR Produção Sisal Outras Atividades A = 67 ha 44% 56% B = 14 ha 59% 41% C = 35 há 65% 45% D = 37 ha 75% 25% E = 09 ha 87% 13% F = 14 ha 88% 12%Fonte: Nossa autoria O quadro acima demonstra claramente a grande representatividade dessacultura para a economia local, tendo em vista que mais de 40% das propriedadesdos pesquisados é ocupada pelo plantio de sisal. Em relação ao tempo das lavouras de sisal, considerando a resposta de todosos produtores, concluiu-se que apenas 2% da lavoura estão com idade até 2 anos;4%, com idade de 2-3; 19% com idade de 3-8 anos e; 46% , com idade acima de 8anos. Até 2 anos 2 - 3 anos 3 - 8 anos Acima de 8 anos Outros 2% 4% 29% 19% 46% Gráfico 1. Percentual de idade das culturas de Sisal existentes no povoado de Tiquara Fonte: Nossa autoria
  • 53 O gráfico acima demonstra lavouras de sisal muito antigas, isso influenciasignificativamente para uma produtividade decrescente. De acordo com Sales (2004)o sisal é um vegetal de ciclo de crescimento e desenvolvimento de em média, 8 a 10anos. Assim sendo, os dados levantados apontam para uma realidade quenecessita da renovação de quase 50% dessas lavouras de sisal. No quesito doenças, 80% dos produtores disseram que, somente este ano,tiveram perdas da plantação causadas pela podridão vermelha uma doença fúngicaque ataca o pseudo caule matando a planta. (SUINAGA “e outros”, 2005). (Gráfico2) Produtor 6 Produtor 5 Produtor 4 Produtor 3 Produtor 2 Produtor 1 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Percentual de perdas Gráfico 2. Perdas na produção decorrente da Podridão vermelha Fonte: Nossa autória Os índices demonstrados no gráfico 2 apontam prejuízo para os pequenosprodutores. Esse prejuízo, em alguns casos, representa 30% da produção. Ocontrole das doenças, segundo os produtores, é feito por um único meio, queimadasdas plantas infectadas. No entanto Suinaga “e outros”, (2005) apontam outrosmedidas preventivas, como plantar filhotes (rebentos) sadios, utilizar o resíduo dodesfibramento como adubação, e o plantio consorciado.3.2.2 Sistemas de Produção – Cultura do Sisal Na segunda secção, observou-se que apenas um dos produtores
  • 54pesquisados não utiliza o sistema de plantio em fileiras simples, com espaçamentovariando entre 2mx3m, 1,5mx2, 5m, 1,5mx1,5m, 4mx1,5m. Nesse sentido Silva e Beltrão (1999), resaltam que a não-observação dasrecomendações, para plantio, poderá implicar na formação de sisalais desuniformesquanto ao tamanho das plantas, à época de corte, à produção e à maturidade dasfibras produzidas. No quesito referente a prática do plantio consorciado, de acordo como osdados fornecidos pelos produtores, constatou-se que é uma prática comum a todos,sendo-a realizada com a agricultura e pecuária. Quanto ao quesito referente aos tratos culturais aplicados a lavoura do sisalapós o plantio, constatou-se que apenas um produtor realiza roçagem manual noprimeiro ano. Quanto aos demais, somente a partir do segundo ano com umaroçagem. Todos alegaram não terem condições de realizarem mais tratos culturais.Entretanto percebe-se que esses produtores não aplicam as técnicas indicadas,tendo em vista que os tratos culturais recomendados após o plantio são de duas atrês capinas no primeiro ano, dependendo da incidência das invasoras e, para osegundo ano, uma ou duas capinas. (SILVA ; BELTRÃO, 1999) Foi possível observar ainda, no decurso da pesquisa a falta de assistênciatécnica e capacitação dos produtores. Isso com o fim de instruí-los de que nãoutilização dos tratos culturais recomendados visando redução dos custos refletira nabaixa produtividade, e na qualidade da fibra produzida. No quesito referente à realização do primeiro corte na época da colheita dosisal, a maioria dos produtores pesquisados afirmaram procederem com o primeirocorte por volta dos 36 meses, como demonstra o gráfico a seguir. 17% 16% 24º Mês 36º Mês 67% 48º Mês Gráfico 3. - Percentual de produtores relacionados ao período de corte do sisal. Fonte: Criação Nossa
  • 55 Em condições normais de colheita do sisal, a prática viável é realizar oprimeiro corte, aproximadamente, aos 36 meses após o plantio. (BANDEIRA ;org,1999).3.2.3 Comercialização do Sisal Na terceira secção questionou-se acerca da comercialização, onde seconstatou que produtores de sisal, do povoado pesquisado não fazem nenhumbeneficiamento, comercializam seu produto na forma bruta, ou seja, a fibra seca,sem realizar qualquer processo de beneficiamento. Referente à forma de comercialização da produção, os produtorespesquisados relataram que: a) O produtor de sisal arrenda a 20% a cada quilo produzido, para famílias detentoras do motor fazem a colheita (corte), e o desfibramento, ficando a cargo do dono do motor transportar até os compradores para efetuar a venda semanalmente. b) O dono do motor (vendedor) negocia diretamente com os intermediários (comprador), pessoas físicas da própria comunidade, que oferecem preços tabelados. Com relação ao preço de venda do sisal, todos os produtores informaramque o sisal estava sendo vendido a R$ 1,10 (um real e dez centavos) o quilo da fibraseca. Os produtores relataram ainda que o processo de comercialização do sisal éformado por uma cadeia de intermediários, (chamados de atravessadores),característica de uma cultura que se desenvolve com baixo índice tecnológico eapresenta grande deficiência na infra-estrutura básica para o beneficiamento. O intermediário é o agente de compra que comercializa com a fibra bruta ou
  • 56aquele que faz o beneficiamento em sua batedeira para depois entregá-la à indústriaou ao exportador. (SALES, 2004) Foi possível observar como base nas repostas dos produtores que osmesmos não têm acesso às indústrias de transformação e que à Conab, órgãogarantidor do preço mínimo, para efetivar suas vendas, há algum tempo não faz acompra do sisal na comunidade.3.2.4 Rentabilidade da Cultura do Sisal Na quarta secção, referente ao controle de despesas, o levantamentoefetuado revelou que os produtores de sisal, não fazem nenhum tipo de registroformal das despesas ao logo do cultivo da lavoura. Logo, com a falta desse controle formal, não se pôde como programado, obtercom precisão o custo para produção de 1 ha de sisal. Assim sendo, algunsprodutores fizeram mentalmente uma média das despesas para uma primeiracolheita e relataram informalmente: Implantação da cultura (preparo do solo e plantio) .... R$ 900 (47%) Manutenção: (11%) Tratos culturais no 2º ano ............................ R$ 100 Tratos culturais no 3º ano ............................ R$ 100 Colheita/Desfibramento .......................................... R$ 800 (42%) Despesas Totais ..................................................... R$ 1.900 Quanto controle dos rendimentos financeiros, verificou-se que apenas 30%dos produtores fazem controle da produção anual em cadernos. (Figura 09 - 10).
  • 57 Figura 09. Produção de sisa/kg Faz. Boa Vista Fonte: Anotações dos pesquisados Figura 10. Produção de sisa/kg Faz. Mandacaru Fonte: Anotações dos pesquisados Segundo os produtores, a colheita do sisal é negociada com o proprietário damáquina desfibradora Paraibana. O rendimento é negociado previamente a 20%sobre o valor da venda da fibra de sisal seca. Vale observar que o produtor éresponsável, apenas, pelo cultivo da planta.
  • 58 Assim sendo, as anotações das figuras 09 e 10 referem-se a toda produção,não somente a percentagem do produtor do sisal. Quando questionados a cerca da rentabilidade, no que diz respeito aolucro/prejuízo na produção de um hectare de sisal, os produtores não souberaminformar ao certo, já que não faziam o controle da produção. Partindo desse ponto, surgiu a proposta de intervenção com o objetivo deaveriguar a rentabilidade da produção de sisal em hectare e principalmente fazer ocontrole da produção. Apenas um produtor aderiu à proposta. Propôs-se que a área em produçãofosse separada em módulos – Módulo1, 2 e 3. Esses módulos deveriam levar emconsideração a idade do plantio, a área cultivada, o preço de venda unitário/kg e ovalor total. E, assim, prosseguir as anotações de toda a produção referente a cadamódulo, regularmente, na planilha (Apêndice B). Módulo 1 – Nesse módulo, que consideraria a idade de até 3 anos, não foipossível desenvolver a atividade proposta, isso porque, ao fim da pesquisa, aplantação ainda não havia atingido a idade de colheita. Módulo 2 – Inicialmente foi feita a medição da área objeto da pesquisa,medindo 1,3 ha e em seguida foi realizada a colheita e desfibramento quecontabilizou 1.220 kg de fibra seca. O preço de venda/kg de foi de R$ 1,10 ( um reale 10 centavos), totalizando uma receita total de R$ 1353,00 ( um mil trezentos ecinquenta e três reais). A análise dos dados permite concluir que em cada hectare foi produzido 938kg de sisal rendendo uma receita de R$ 1032,31/ha (um mil e quarenta reais esessenta centavos). Por se tratar de uma cultura de longo prazo, não foi possível obter dados reaisem relação ao lucro ou prejuízo dessa produção. Diante disso, para que sechegasse a dados aproximados, foram utilizadas as informações oferecidas pelosprodutores na aplicação do questionário quanto às despesas relacionadas àprodução de sisal em um hectare.
  • 59 Como visto na secção 3, o custo da produção da primeira colheita é de R$1900,00 (um mil e novecentos reais), que consiste em implantação, manutenção ecolheita/desfibramento. Considerando que a área plantada de sisal permitirá 07 (sete) colheitas. Paraas próximas colheitas terá despesa com manutenção da cultura de R$ 100,00 (cemreais) e com a colheita/desfibramento, totalizando um custo anual por hectare de R$900,00 (novecentos reais). Partindo do pressuposto, que ao longo de todas as colheitas a produção sejafixa, ao final terá-se uma produção de 6.566kg de fibra seca por hectare, e umareceita total de R$ 7226,17/ha (sete mil, duzentos e vinte e seis reais e dezessetecentavos. Diante dessas informações foi possível averiguar a rentabilidade da cultura dosisal quanto ao lucro fazendo a seguinte projeção: Receita total (7 colheita x R$1032,31)-------------------------------------R$ 7226,17 (-) Despesas ------------------------------------------------------------------ ( R$ 7300,00) Implantação ---------------------------------------------------------------------- (R$ 900,00) Manutenção 1ª colheita -------------------_------------- (2x R$ 100,00 = R$ 200,00) Manutenção próximas colheitas -------------------- (6 x R$100,00 = R$ 600,00) Colheita/desfibramento ---------------------- (7 colheitas x R$ 800,00 = 5600,00) (=) prejuízo - -------------------------------------------------------------------- (R$ 73,83) Os dados apresentados revelam que o custo de colheita/desfibramento de umhectare de sisal, torna a produção muito onerosa. (Gráfico 4).E para remunerar,somente, o capital investido, um quilo de fibra seca deveria ser vendido por R$1,11;contudo, o produtor recebe, em média, R$1,10. (Gráfico 4). Custo total: R$ 900,00 + 800,00 + 5600,00 / 6622 kg fibra seca/ha donde:R$1,11/kg de fibra seca.
  • 60 13% Colheita / Desf. 10% Manutenção 77% Implantação Gráfico 4. Percentual de custos de produção Fonte: Nossa autoria O Módulo 3 levaria em conta a idade da plantação acima de 9 anos. Nessemódulo, assim como no módulo 1, não foi possível adotar a proposta, pois o produtorarrendou a área para outro, que não teve condições de concluir a colheita.
  • 61 CONCLUSÃO A realização deste trabalho possibilitou um estudo aprofundado de um setoragrícola muito carente de pesquisas e mal remunerado, o setor sisaleiro e assimsendo, pode-se estudá-lo dentro de uma perspectiva Contábil. Buscou-se investigarainda situação real de pequenos produtores que conduzem suas atividadesagrícolas na informalidade, sem um registro formal. Como abordado no decurso da pesquisa, o acompanhamento dos fatosadministrativos e contábeis, seja por que meio for, é uma necessidadeindispensável, principalmente para uma organização a serviço da sociedade e quevise o lucro. Vale ressaltar que isso independe do seu porte do empreendimento. Esta pesquisa procurou compreender como a contabilidade pode contribuirpara otimizar a produção de sisal, levando em consideração o senso comum e asimplicidade do pequeno agricultor. Sabe-se que a Contabilidade se apresentacomo ciência da informação a serviço de uma boa administração, onde aContabilidade de Custos e Rural propicia as atividades agrícolas, gerenciamento econtrole dos custos visando aprimoramento e melhora nos resultados. De posse dos recursos Contábeis e mediante investigação em campo pormeio de questionário e atividade de intervenção, foi possível registrar dados,levantar posições e apresentar demonstrações dos resultados da cultura do sisal. O problema abordado nessa pesquisa apresentou a insatisfação de pequenosprodutores quanto aos altos custos e ao lucro não compensatório com produção desisal. E procurou evidênciar como a Contabilidade de Custo e Rural podem contribuirpara otimizar a produção do sisal na região de Tiquara – Ba. Acerca do problema levantado ficou constado nos dados levantados que naverdade, os produtores dessa região não têm lucro algum, pois as receitas obitidasse quer cobrem o investimento realizado com a implantação do sisal. Essa situação está, sim, associada as hipoteses levantas inicialmente, tantono que se refere a primeira que afirma que os maus resultados na agropecuáriapodem estar associados à falta de mecanismos contábeis atualizados; uma vez que
  • 62há a necessidade de novos mecanismos contábeis de controle de gastos em funçãodos avanços no melhoramento das culturas através de insumos e equipamentos quevenham possibilitar a capacidade máxima de produção. Tanto quanto a segunda hipótese levantada a qual aponta que o nãoaproveitamento dos resíduos do desfibramento, doenças e o manejo deficitário dafertilidade dos solos dificultam o processo de produção do sisal e encarecem oproduto final comprometendo o lucro dos pequenos produtores. Nesse sentido, pode-se concluir que os produtores de sisal pesquisados nãofazem uso de mecanismos contábeis, até mesmo por desconhecê-los, e, portantonão têm noção da real situação financeira, que estão inseridos; como também nãoaproveitam os resíduos do desfibramento e nem realizam manejo adequado os quaispoderiam agregar valor a cultura. Contudo, vale acrescentar, que outro fator tem contribuído para a poucarentabilidade e até mesmo, a falta de lucro para os produtores de sisal, ou seja, obaixíssimo preço que é ofertado ao produto. Acredita-se que isso se deve a falta deuma política de mercado, voltado à valorização do sisal e elevação preço de venda. Embora este trabalho seja considerado bastante produtivo e que tenha umacolaboração significativa para a cultura do sisal acredita-se que ainda há muito queser pesquisado e realizado. Desta Forma, fica a sugestão para pesquisas futuras,um estudo sobre as políticas voltadas a valorização do sisal produzido pelospequenos produtores do semi-árido Brasileiro.
  • 63 REFERÊNCIASABREU, K. C. L. M. PROJETO: A Podridão Vermelha do sisal. Net. Disponívelem:] <http://www.adab.ba.gov.br/modules/mastop_ publish/?tac=168>. Acesso emago 2011.AÇÕES p/ Prevenção e Controle da Podridão Vermelha do Sisal na Região Sisaleirado Estado da Bahia. Net. 2010. Disponível em: <http://www.brazilianfibres.com.br/?p=736>. Acesso em ago 2011.BIDA, A; LOZECKYI, J. A Utilização da Contabilidade para Gerenciamento dasEmpresas Rurais de Pitanga- PR. UNICENTRO – 2006. Revista Eletrônica LatoSensu, Ed.5, 2008. Disponível em:<http://web03.unicentro.br/especializacao/Revista_Pos/P%C3%A1ginas/5%20Edi%C3%A7%C3%A3o/Exatas/PDF/2-Ed5_CE-Utili.pdf>. Acesso em 02 de fev 2011.BORILLI, S. P. et. al. O uso da Contabilidade Rural como uma ferramentagerencial: um estudo de caso dos produtores rurais no Município de Toledo –PR. Rev. Ciên. Empresariais da UNIPAR, Toledo, vol. VI jan/jun, 2005. Disponívelem:< http://revistas.unipar.br/empresarial/article/viewFile/301/272>. Acesso em 02 defev 2011.CALLADO, Antonio André Cunha; CALLADO, Aldo Leonardo Cunha. Apuração eControle de Custos em Pequenas Unidades Agroindustriais Vinculadas aoPIDCM. Recife, 1994.CARVALHO, Corália Maria Sobral. Projeto de Desenvolvimento do TerritórioSisaleiro da Bahia. Aracajú: Cooperação: Consultoria, Assessoria e Treinamento,2007.CERTIFICAÇÃO DE DERIVADOS DE SISAL EM ANÁLISE. Net. 2009. Disponívelem: <http://www.braziliansisal.com/Certifica%E7%E3o.asp>. Acesso em 22 de jul2009.COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO E AÇÃO REGIONAL. 2009. Disponívelem: <http://www.promobahia.com.br>. Acesso em 22 de jul 2009.CONAB (Brasília), DF. Produtos regionais: preços mínimos 1995/96. Brasília(DF), 1996.CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Rural: uma abordagem decisoral.4ªed. São Paulo: Atlas, 2006.CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Rural: uma abordagem decisoral.5ªed. São Paulo: Atlas, 2009.D‟AMORE, Domingos; CASTRO, Adaucto de Souza. Contabilidade Industrial eagrícola. 9ed. São Paulo: Sugestões Literárias, 1973.DUTRA, René Gomes. Custos: uma abordagem prática. 5ª Ed. São Paulo: Atlas,
  • 642003.DIESELT, A; HOFER, E; WAGNER, M; ROUBER, A. J. Gestão e Custos Aplicadaao Agronegócio: Culturas Temporárias. Portal do Administrador, 2005.Disponível em: <http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos22005/386.pdf>.Acesso em 02 de fev 2011.EMBRAPA, 2006. Disponível em: http://www.promobahia.com.br. Acesso em 2009.FAO, ESC. Fibres Consultation nº 03/1. Salvador, Brazil, 8–9 July 2003.FREITAS, Edith Alves de A; SILVA, José Freitas da. História da Freguesia Velhade Santo Antonio - Campo Formoso. 2ª Ed. Salvador: Secretaria da Cultura eTurismo, 2004.INDICADORES ECONÔMICOS. 2010. Disponivel em:http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=552&t=2,. Acesso em 02 de fev 2011.IUDÍCIBUS, Sergio de et al. Contabilidade Introdutória. 10ª Ed. São Paulo: Atlas,2006.LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: planejamento, implantação econtrole. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 2008.MARCONI, Maria de Andrade; LAKTOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisas:Pesquisa: Planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas depesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 3ª ed. São Paulo: Atlas,1996.MARION, José Carlos. Contabilidade Rural. São Paulo: Atlas, 1986.MARION, J. C; REINALDO, D; TRALDI, M. C. Monografia para os Cursos deAdministração, Contabilidade e Economia. São Paulo: Atlas, 2002.MARION, José Carlos. Contabilidade Rural: Contabilidade Agrícola,Contabilidade da Pecuária, Imposto de Renda pessoa jurídico. 2ªed. São Paulo:Atlas, 2007.MARION, José Carlos. Contabilidade Rural: Contabilidade Agrícola,Contabilidade da Pecuária, Imposto de Renda pessoa jurídico. 10ªed. SãoPaulo: Atlas, 2009.MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9ª Ed. São Paulo: Atlas, 2008.NEPOMUCENO, Fernando. Contabilidade Rural e seus Custos de Produção.São Paulo: IOB -Thomson, 2004.NEVES, J. L. Pesquisa Qualitativa-Características, Usos e Possibilidades.REGE Revista de Gestão - FEA/USP, 1996, Vol. I, semestral. Disponível em:<http://www.regeusp.com.br/arquivos/C03-art06.pdf>. Acesso em fev 2011.O SISAL DO BRASIL. Net, 2004. Disponível em:
  • 65<http://www.brazilianfibres.com.br/?page_id=17&lang=pt>. Acesso em 05 de jul2009.RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. São Paulo: Saraiva, 2005.RAFAEL, P. R. Sisal baiano busca novos mercados. PROMO - CentroInternacional de Negócios da Bahia. 2008. Disponível em:<http://www.promobahia.com.br>. Acesso em 05 de jul 2009.SUINAGA, Fabio Akiyoshi et al. O Sisal do Brasil. 2005.SISAL. Net. 2009. Disponível em: <http:www.wikipedia.org/wiki/Sisal>. Acesso em05 de jul 2009.SISAL. Net, 2007, Disponível em: <http//www.ibge.br/home/estatística/economia/pam/2007/comentário.pdf.> Acesso em 05 de jul 2009.SILVA, Odilon Reny Ribeiro da; BELTRÃO, Napoleão Esberard de Macêdo. (Orgs.).O agronegócio do sisal no Brasil. Brasília: Embrapa-SPI; Campina Grande:Embrapa-CNPA, 1999.SILVA, O. R. R. F; COUTINHO, W. M. Cultivo do Sisal. EMBRAPA, 2006.Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Sisal/CultivodoSisal/index.html>. Acesso em 05 de jul 2009.SOUSA, C. B; BATISTA, D. G; ANDRADE, N. A. Vantagens e desvantagens dautilização do sistema de custeio ABC. Salvador: [2004?]. Disponível em:<http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/art_cie/art_37.pdf>. Acesso em 02 de fev 2011.SOUZA SOBRINHO, J. de; SILVA, D. D. da; SILVA. F. de A. S. Estudo sobrecompetição das variedades híbrido 11648 e Agave sisalana na zona fisiográficatabuleiro. Salvador: Companhia de Celulose da Bahia, 1985b. Paginação irregular.ULRICH, E. R. Contabilidade Rural e perspectivas da gestão no agronegócio.Revista de Administração e Ciências Contábeis do IDEAU, vol. IV, jul/dez, 2009.Disponivel em: <http://www.ideau.com.br/upload/artigos/art_74.pdf>. Acesso em 02de fev 2011.PEDROSA, C. J. Contabilidade: A contabilidade como instrumento da gestão.2006. Disponível em: <http://www.htmlstaff.org/xkurt/projetos/portaldoadmin/modules/news/article.php?storyid=90>. Acesso em 02 de fev 2011.
  • 66 APÊNDICESAPÊNDICE A - QUESTIONÁRIO PARA CONSOLIDAÇÃO DE TRABALHO DECONCLUSÃO DE CURSO – MONOGRAFIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ACADÊMICO: FRANCILENE DE SOUZA SILVA QUESTIONÁRIO PARA CONSOLIDAÇÃO DE TRABALHO DE CONLUSÃO DE CURSO – MONOGRAFIA ACADÊMICO: FRANCILENE DE SOUZA SILVA1- EXPLRORAÇÃO AGRÍCOLA1.1 Lavouras Permanentes:sisal..................ha outras...................ha1.1.1 Sisal:até 2 anos........ha 2 a 3 anos.......ha 3 a 8 anos........ha mais de 9anos......ha1.2 Houve perda de lavoura por incidência de doenças?( )sim ( )não
  • 672- SISTEMA DE PRODUÇÃO – CULTURA DO SISAL2.1 Plantio é realizado em forma de enfileiramento:( ) sim ( )não2.2. Espaçamento entre plantas: ( ) 2m x 1m ( ) 2.5m x 0,8m ( ) 3m x 1,8m ( ) 3m x 1m x 1m ( ) 4m x 1m x 1m ( ) outros2.3. Plantio consorciado:( ) sim ( )não( ) pecuária ( ) agricultura ( ) outros _________2.4 Tratos culturais:1º ano ( )2 capinas ( )3 capinas ( ) nenhuma2º ano ( )2 capinas ( )3 capinas ( ) nenhumaApós 3º ano ( )roçagem manual ( )roçagem com trator ( ) nenhum2.5. Idade do primeiro corte:( ) 36 meses ( )48 meses () outras _______3. COMERCIALIZAÇÃO DO SISAL3.1 A comercialização do sisal ocorre:() forma bruta () com beneficiamento () através de artesanatos () outras______________
  • 683.2 Com é feita a negociação da produção do sisal?3.3 Quem são os compradores da produção do sisal?3.4 Qual o preço de venda do sisal?4. RENTABILIDADE DA CULTURA DO SISAL4.1 De que forma é feito o controle dos gastos na produção de sisal:() não costuma fazer controle formal() anotações em cadernos/papeis quando lembra() anotações diárias em caderno de controle() anotações mensais em caderno() outras____________________4.2 Quais as despesas/custo para produção de um hectare de sisal:___ preparo do solo___ plantio___ tratos culturais___ colheita___ beneficiamento3.3 De que forma é feito o controle das receitas na produção de sisal:() não costuma fazer controle formal() anotações em cadernos/papeis quando lembra() anotações diárias em caderno de controle() anotações mensais em caderno() outras____________________
  • 693.4 Qual a rentabilidade na produção de um hectare de sisal com:_____ sisal bruto _____sisal beneficiado_____ produtos artesanais _____subprodutos do sisal3.5 Qual o lucro/prejuizo na produção de um hectare de sisal?
  • 70APÊNDICE B - PLANILHA PARA CONSOLIDAÇÃO DE TRABALHO DECONLUSÃO DE CURSO – MONOGRAFIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ACADÊMICO: FRANCILENE DE SOUZA SILVA PLANILHA PARA CONSOLIDAÇÃO DE TRABALHO DE CONLUSÃO DE CURSO – MONOGRAFIA ACADÊMICO: FRANCILENE DE SOUZA SILVANOME DO PRODUTOR:NOME DA PRORIEDADE:EXTENSÃO DA PROPRIEDADE: ANO - 2011 SISAL LAVOURA/HA PRODUÇÃO/KG PV/KG PV/ TOTAL MÓDULO 1 (até 3 anos) MÓDULO 2 (4 a 8 anos) MÓDULO 3 (acima de 9 anos)PV: preço de venda