10                                    INTRODUÇÃONa atual conjuntura socioeconômica, a busca pelo conhecimento e informação...
11letramento embasados em Kleiman (1995; 1998), Zilberman, (2007), Tfouni (2006),Soares (1995; 1998; 2003), Di Nucci (2008...
12o perfil do leitor-usuário, e as construções que foram possíveis de ser evidenciadasatravés das nossas leituras a respei...
13                                  CAPÍTULO I ALGUMAS INTERROGAÇÕES À REALIDADE: CONTORNANDO A PESQUISA1.1 – Movimentação...
14sociedade com maior alcance intelectual, mas pode estender sua visão do mundocomo um todo, reconhecendo no texto escrito...
15neste processo se deve, principalmente, ao fato de que nela os alunos adquirem ahabilitação inicial na prática de leitur...
16democratização da leitura, junto à escola, visto que, as práticas de leitura no âmbitoda biblioteca se amarram ao projet...
17formação intelectual dos sujeitos, seja no campo social, econômico ou cultural.Embora contraditoriamente, a grande massa...
18Reunindo todas as questões que norteiam esta discussão delimitamos comoobjetivos compreender as práticas de leitura que ...
19                                  CAPÍTULO II        EVENTOS E PRÁTICAS SOCIAS DE LEITURA E LETRAMENTO                  ...
20biblioteca (MILANESI, 1983). Além da argila, foram usados o papiro, pelos egípcios,no terceiro milênio a.C., e posterior...
21                     [... o livro medieval conservou os conhecimentos, guardou-os para a                     Renascença,...
22democrática do livro, permitindo que o conhecimento humano registrado pela escritachegasse a um número de pessoas cada v...
23                      comunidades modernas; é em torno dela que circulam todas as outras                      correntes ...
24                     4.    Completar a ação dos estabelecimentos de ensino oferecendo à                     população a ...
25No entanto, não foram alcançados os objetivos propostos pelo Serviço Nacional deBiblioteca, e em 1968 o Decreto Lei 62 2...
26                      IX – firmar convênios com entidades culturais, visando à promoção de livros                      e...
27                      O conceito de biblioteca pública baseia-se na igualdade de acesso para                      todos ...
28                     A biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente                     acess...
29mundo‖. (LEVACOV, 1997, p.126). Logo, o que pode se dizer, é que de fato cresce aconsciência de que a biblioteca não é m...
302.2 – Práticas de Leitura: Condição para Construção CidadãA sociedade moderna traz no seu bojo diversos meios e fontes q...
31desenvolvimento     intelectual    e   econômico      de    uma     sociedade      dependeprimordialmente das oportunida...
32estes conhecimentos são diferentes de um leitor para o outro implica aceitar umapluralidade de leituras e de sentidos em...
33sentido, a leitura permite a construção e atribuição de significado ao mundo a partirde pontos de vista elaborados e ver...
34                     Ler não é decifrar palavras, mas consiste num exercício de compreensão                     que, tal...
35Desse modo, como instrumento social as práticas das leituras críticas e reflexivas,desembocam     na    ação     liberta...
36A palavra letramento trata-se da versão em português da palavra “literacy”, deorigem inglesa, que vem do latim ―littera”...
37Ainda sob o ponto de visa da referida autora, o letramento são conseqüênciassociais e históricas da introdução da escrit...
38A concepção argumentada pela autora é de que os indivíduos dominam o uso daleitura e escrita desenvolvendo habilidades p...
39Segundo a teórica Di Nucci (2008), o letramento permite ao indivíduo participarefetivamente de uma cultura letrada que e...
40cultural e de identificação pessoal, e estão profundamente relacionadas com ocontexto histórico da vida do sujeito.
41                                  CAPÍTULO III          DIRETRIZES E PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISAA complexidade da ...
42idéias, compreensões e preocupações sobre determinado fato, ou fenômeno. Seufoco principal é o processo. A investigação ...
43para a área cultural, contando com um representante no Conselho Municipal deCultura regulamentado pela mesma Lei.Para o ...
44Justifica-se a escolha da técnica de entrevista por ser um dos principaisprocedimentos de coleta de dados utilizada pelo...
45integra-se a situação e participa da vida do grupo em estudo, no intuito decompreendê-lo no sentido de dentro, de fazer ...
46                                         CAPÍTULO IV                  A ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSEste capítulo a...
47subcategorias: a) Breve Histórico de Senhor do Bonfim; b) Trajetória Histórica daBiblioteca Municipal de Senhor do Bonfi...
484.1.1 – Breve História de Senhor do BonfimNa região baiana denominada Piemonte Norte do Itapicuru, está localizada a cid...
49Após receber oficialmente o nome de Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera, alocalidade já contava com cerca de 600 habit...
50No mesmo período, em Senhor do Bonfim, ano de 1934, foi fundada no governo deMariano Ventura, a biblioteca ―Borges de Ba...
5102) e no Conselho Regional de Bibliteconomia - 5ª Região (ofício expedido em 19 demarço de 1996 — ver anexo 03)No entant...
52Senhor do Bonfim, e fica situada no local conhecido como Pirâmide, à PraçaAlexandre Góis.4.2 – Traçando o Perfil do Leit...
53freqüentam uma vez por mês, 26% raramente freqüentam. Com base nesses dados,observa-se que mais da metade dos respondent...
54incompleto, e 11% cursam ou tem o ensino fundamental, informação que reforça ahipótese de que o público potencial da bib...
55espaço privilegiado e consagrado à prática de leitura, uma vez que, facilitaoportunidades de formação e condições de des...
56Ao examinarmos as informações da figura 4, podemos destacar que o tipo de livroque os usuários-leitores mais fazem uso é...
57Ao perguntamos quantos livros os usuários-leitores haviam lido, no ano de 2009(ano da pesquisa), excetuando os livros es...
58A leitura exerce papel fundamental no modelo de sociedade vigente onde são cadavez mais fortes as necessidades de obter ...
594.3 – Os Significados que a Leitura ProduzNos parágrafos seguintes pretendemos analisar, através das falas dos sujeitose...
60                      “Leitura é conhecimento. É via de acesso ao conhecimento”.                     (L. 06)            ...
61O ato de ler então não se constitui numa relação de leitor-receptor e de autor-receptador. A atividade de leitura é uma ...
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  • Por favor, necessito entrar em contato, com funcionários da antiga Biblioteca Borges de Barros, em Senhor do Bonfim, para TENTAR encontrar um ' livro', uma coleção de REVISTAS FRANCESAS datadas de cerca de 1880, encadernadas em capa dura, GRANDE E GROSSO volume, do tamanho de um dicionário, com PROPAGANDAS em francês,em preto e branco, de lojas parisienses.Tive nas mãos esse volume, nos anos 60, quando estudava o ginásio, no Ginásio Sagrado Coração, colégio marista, na época.Hoje, com meus olhos de homem maduro, gostaria MUITO de rever essa publicação.Antecipadamente grato, Tiburtino Lacerda ( tiburtinolacerda@yahoo.com.br ).
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  1. 1. 10 INTRODUÇÃONa atual conjuntura socioeconômica, a busca pelo conhecimento e informação temsido continua. Neste sentido, destacamos a importância da leitura para a formaçãode sujeitos críticos, reflexivos e socialmente incluídos.Mediante as necessidades educativas do modelo social vigente, compreendemos abiblioteca pública como espaço privilegiado de produção e construção doconhecimento, através da ação e interação dos sujeitos, uma vez, que é através daspráticas de leitura na biblioteca pública, que os eventos sociais de letramento sedão.Tendo em vista estas questões, o presente trabalho tem o objetivo de conhecer aspráticas de leitura na biblioteca pública municipal e suas contribuições para aformação de sujeitos letrados, verificando o que a biblioteca oferece para osusuários e para a comunidade em geral.Esta pesquisa foi motivada pela necessidade de refletir sobre a biblioteca públicamunicipal Profª. Zenáurea Terezinha Campos Dias, como mediadora da construçãodo conhecimento. Para tanto, traçamos o perfil histórico da biblioteca pública naBrasil e no mundo, da antiguidade ao dias atuais, trazendo teóricos como Martins(1998), Milanesi (1983; 1997; 2000), Suaiden (1980; 2000). Assim como,percorremos o caminho da leitura nas suas diversas concepções, fundamentadosem Freire (1990; 2002) Silva (1991; 2005), Solé (1998), Morais (1996), Koch (2007),Olson (1997), Orlandi, (1993). E finalmente, perpassamos os conceitos e práticas de
  2. 2. 11letramento embasados em Kleiman (1995; 1998), Zilberman, (2007), Tfouni (2006),Soares (1995; 1998; 2003), Di Nucci (2008), Barbato (2007).Neste sentido, considerando a relação dinâmica entre universo real e sujeito, estetrabalho compreende elementos de pesquisa qualitativa. Utilizando dos seguintesinstrumentos de coleta de dados: observação participante, entrevista semi-estruturada, questionário fechado, análise documental, e pesquisa bibliográfica. Epara a organização dos dados levantados, ao longo da pesquisa, este trabalho estadividido em quatro capítulos, a saber:No primeiro capítulo, apresentamos a movimentação para a proposta da pesquisa,nossas interrogações e inquietações quanto à delimitação do tema, nossos objetivose a relevância do presente estudo.O segundo capítulo compõe-se de um breve histórico das bibliotecas públicas, suaorigem, suas concepções, e transformações sofridas ao longo dos séculos. Alemdisso, apresenta considerações sobre as práticas de leitura necessárias para aconstrução cidadã. E ainda, discute algumas concepções e práticas de letramentono contexto social.No terceiro capítulo, abordamos a trajetória da Biblioteca Pública Prof.ª ZenáureaTerezinha Campos Dias, trazendo um resgate histórico, bem como a caracterizaçãodos sujeitos escolhidos para a pesquisa e os instrumentos utilizados para a coleta dedados.O quarto capítulo trata da análise e interpretação dos dados, mediante asinformações colhidas, acerca da Biblioteca Pública de Senhor do Bonfim. Apresenta
  3. 3. 12o perfil do leitor-usuário, e as construções que foram possíveis de ser evidenciadasatravés das nossas leituras a respeito do universo estudado e seus sujeitos.Nas considerações finais, apresentamos reflexões tecidas acerca do papel dabiblioteca pública no contexto social, como mediadora do desenvolvimento individuale coletivo.
  4. 4. 13 CAPÍTULO I ALGUMAS INTERROGAÇÕES À REALIDADE: CONTORNANDO A PESQUISA1.1 – Movimentação para a proposta de pesquisaA sociedade contemporânea vem se tornando cada vez mais exigente no que dizrespeito à formação intelectual dos sujeitos, seja no campo social, econômico oucultural. A busca pelo conhecimento e informação é crescente, na mesmaproporção da intensa necessidade do uso das novas tecnologias de informação ecomunicação, que por sua vez, tem exigido incessantemente sujeitos capazes douso competente destas tecnologias. Nessa perspectiva, a demanda educativa éevidente, e também, cada vez mais crescente, estando presente nas mais diversasesferas da vida do sujeito, desde o lazer, a participação política e social, àsoportunidades de desenvolvimento econômico e cultural do individuo, e dasociedade.Desse modo, vemos que um dos instrumentos absolutamente precisos para umaformação que possibilite sujeitos-cidadãos competentes, críticos frente a suarealidade, reflexivos e autônomos, é a leitura. Prática esta que se constituihistoricamente no processo civilizatório da humanidade, é incontestavelmente, umelemento de suma importância para a formação, progresso social e econômico deum país, e para a realização individual dos sujeitos, pois, a leitura enquantoatividade humana e prática social permite ao leitor, não só compreende a sua
  5. 5. 14sociedade com maior alcance intelectual, mas pode estender sua visão do mundocomo um todo, reconhecendo no texto escrito o que está além da palavra escrita,passando a constituir o legado da história humana e a fazer parte desta história(KLEIMAN,1989).A leitura em sua natureza comunicativa e reflexiva permite ao sujeito abrir-se paranovos horizontes e experimentar outras alternativas de existência, e de maneiradireta ou indireta, refletir sobre o contexto social em que está inserido. Dessa forma,o ato de ler é essencial à vida dos indivíduos em meio à sociedade em constanteevolução, é uma necessidade que leva o sujeito à aquisição de significados na vidacotidiana repleta de oportunidades que requerem o uso da leitura, fazendo destauma prática cultural transformadora, (SILVA, 1997).No âmbito escolar a formação de leitores, é sem sombra de dúvidas, um dosprincipais objetivos, pois educar leitores para o convívio social, ou ainda, promoveros estudantes a leitores participantes e atuantes, é papel da escola em sua funçãosocial e emancipadora. Pois, a nível de intenção, a instituição escola quer educar epromover o progresso de um tipo de leitor que não seja conveniente, ou que seajuste ingenuamente à realidade que esta aí, mas que, pelos processos de leitura(praticados e aprendidos na escola), participe ativamente da transformação social,(SILVA, 1991). Uma vez que, é imprescindível, esta formação tomada comofinalidade básica estabelecida mediante as práticas de leitura na escola, provocandoo aluno a compreensões, reflexões e ações transformadoras.A escola enquanto elemento básico para a formação e orientação de leitores,constitui-se no ambiente mais favorável para o despertar do gosto pela leitura e àpromoção do hábito da leitura nas crianças e jovens, uma vez que sua importância
  6. 6. 15neste processo se deve, principalmente, ao fato de que nela os alunos adquirem ahabilitação inicial na prática de leitura. (ZILBERMAN, 1989). Porém, muito tem seobservado que o exercício da leitura, na escola, tem se restringido a meradecodificação de símbolos em sons fonéticos, o que não desperta no aluno o gostoe o prazer pela leitura, resumindo-a num ato puramente mecânico sem atribuição desentido, transformando-a num ato enfadonho, acrítico e mecânico. O que se faz nas escolas é apropriação da decodificação mecânica de símbolos. Deste modo os alunos apreendem a ler, mas não se tornam leitores, o que contribui para afastar o aluno, sobretudo os das camadas populares, do conhecimento (SOARES,1988).O que se vê no meio escolar, é a colocação das práticas de leitura como verdadeirascamisas-de-força nos estudantes (SILVA, 1991), agindo de maneira oposta,afastando seu público de qualquer chance de gosto pela leitura, ao invés do que seespera que é o favorecimento ao desenvolvimento das habilidades e competências,e ao desenvolvimento do potencial de leitura dos alunos, sujeitos do processo.Mediante esse contexto, o aluno acaba por afastar-se dos livros fazendo com quedesconheça o mundo ao seu redor, alienando-se das informações e,conseqüentemente omitindo sua participação na sociedade. Além disso, eledistancia-se de descobrir o ato de ler como um momento de prazer, e a leitura comofonte de lazer.Nesta perspectiva, observando-se a necessidade da formação de leitores para aparticipação social, que por sua vez está condicionada à visão de mundo do sujeito,seus valores, seus conhecimentos, suas reflexões e visão crítica, enfim, estácondicionada ao uso e as práticas de leitura como instrumento de conhecimento,destacamos a importância da biblioteca pública como meio de aquisição da leitura ede acesso ao mundo letrado. A biblioteca assume lugar de prestígio no processo de
  7. 7. 16democratização da leitura, junto à escola, visto que, as práticas de leitura no âmbitoda biblioteca se amarram ao projeto de libertação das classes oprimidas (SILVA,1991).Num país como o nosso historicamente marcado pela desigualdade de classes,onde as condições de leitura são visivelmente precárias, as escolas e bibliotecaspúblicas são, sem dúvida, as duas instâncias mais diretamente ligadas à formaçãodo leitor, e ao acesso ao mundo da escrita (ZILBERMAN, 1989). Visto isso, éinegável que a formação e sustentação do gosto pela leitura são fruto daaproximação básica entre leitor e a biblioteca, pois a promoção da leitura e aeducação de leitores atravessam, indiscutivelmente, o contexto da biblioteca pública,uma vez que partes das obrigações escolares são realizadas dentro deste espaço.E ainda, a leitura tomada como prática social e de cidadania, construídas a partir daspráticas de leitura realizadas dentro do espaço da biblioteca pública, aquiconsiderada como espaço de interação entre indivíduo e sociedade, promove o leitorà ação participativa e reflexiva para o exercício da cidadania. Assim, do ponto devista educacional ―a biblioteca tem um papel importante na democratização dosaber, uma vez que facilita oportunidade de formação, oferecendo a cada individuocondições de desenvolver suas aptidões particulares‖ (ZILBERMAN, pág. 18, 1989).Em razão do contexto acima indicado, da dinâmica que se estabelece entre alunoletrado, escola, biblioteca e sociedade, e das mais variadas formas que seapresentam às necessidades educativas urgentes, consideramos oportuno odesenvolvimento de uma pesquisa sobre o tema, por considerar primordial a análisee compreensão da importância do acesso ao mundo da leitura e escrita, numasociedade que vem se tornando cada vez mais exigente no que diz respeito à
  8. 8. 17formação intelectual dos sujeitos, seja no campo social, econômico ou cultural.Embora contraditoriamente, a grande massa da população ainda seja mantida longedo mundo letrado e da cultura escrita, de modo geral.Tendo em vista todas estas questões, tornam-se fundamentais algumas reflexões notocante à leitura, formação de sujeitos letrados e a biblioteca pública municipal comoespaço de construção do conhecimento, através da ação e interação dos sujeitos.Propusemo-nos, a conhecer quem seriam os sujeitos a fazerem uso deste espaço,quais os anseios que os levam a freqüentar assiduamente ou não, a bibliotecapública, o que esta biblioteca oferece para a comunidade, quais as práticas deleitura e de letramento que acontecem ali, em que elas contribuem para a formaçãodestes sujeitos e para a comunidade de modo geral. Uma vez que, a bibliotecapública tomada como produtora-condutora do conhecimento através das práticas deleitura que acontecem no seu interior; é também, elemento básico no processo deeducação de leitores praticantes; e necessariamente, espaço legítimo de luta pelademocratização da leitura. Estaremos garantindo a sobrevivência mais digna aossujeitos-cidadãos, numa sociedade onde livros e bibliotecas estiveram,historicamente, presentes no cotidiano da vida das elites, excluindo as camadasmais pobres do acesso ao mundo letrado.Elegemos como elementos a constituírem o problema a ser pesquisado as práticasde leitura na Biblioteca Pública Municipal Profa. Zenáurea Terezinha Campos Dias,no município de Senhor do Bonfim, e suas contribuições para a formação de sujeitosletrados. Além das indagações elucidadas, ainda uma pergunta que nos motivoupara a realização desta pesquisa: Quais os objetivos do leitor ao consultar o acervoda biblioteca pública municipal?
  9. 9. 18Reunindo todas as questões que norteiam esta discussão delimitamos comoobjetivos compreender as práticas de leitura que ocorrem no interior da biblioteca,seu uso e significados; verificar o que a biblioteca pública municipal oferece para osusuários e comunidade em geral; conhecer quem é o leitor usuário deste espaço, deonde provem esta demanda; e ainda analisar quais os usos da leitura e ossignificados produzidos por esta prática.A relevância desta pesquisa consiste em estudar a biblioteca pública municipalProfa. Zenáurea Terezinha Campos Dias, como agente mediadora na construção doconhecimento, compreender as práticas que ocorrem no seu interior, e analisarfatores que contribuem para a formação de sujeitos letrados que possam atender aestas novas demandas educativas impostas na vida cotidiana e no meio socialdesses sujeitos. Contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas e açõescomunitárias que viabilizem um número cada vez maior de sujeitos interessados naleitura e no desenvolvimento intelectual e social, possível através desta prática nocontexto da biblioteca. Visto que, a biblioteca pública, é porta de entrada para oconhecimento, proporcionando condições básicas para a aprendizagempermanente, autonomia de decisão e desenvolvimento cultural aos indivíduos egrupos sociais. Tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de umasociedade democrática, ao disponibilizar para o individuo acesso ao conhecimento.
  10. 10. 19 CAPÍTULO II EVENTOS E PRÁTICAS SOCIAS DE LEITURA E LETRAMENTO NA BIBLIOTECA PÚBLICA2.1 – A Origem das Bibliotecas no Brasil e no Mundo2.1.1 – Bibliotecas da Antiguidade: do Sagrado ao ProfanoA trajetória histórica da humanidade aponta diversas relações do homem com aconstrução do conhecimento, nos seus múltiplos aspectos. A possibilidade doregistro do saber marca e define a sociedade humana, num fazer contínuo que setransforma a cada instante, neste âmbito, muitos séculos depois da invenção daescrita, a biblioteca surge como organismo de vital importância social napreservação do conhecimento.Na Idade Antiga, ou Antiguidade, período compreendido entre 4000 a.C. a 3500a.C., fase da história em que surge a escrita, a humanidade passa a utilizar demecanismos e suportes materiais para o armazenamento do conhecimentoproduzido. Deste período, há registros de escritos dos povos assírios, sumérios ebabilônicos datados por volta do século VII a.C. em conjuntos de placas de argilaque eram usados para registrar a escrita, o que pôde ser compreendida como
  11. 11. 20biblioteca (MILANESI, 1983). Além da argila, foram usados o papiro, pelos egípcios,no terceiro milênio a.C., e posteriormente o pergaminho, como suporte da escrita.Durante a Antiguidade, as bibliotecas foram uma espécie de ―depósito de livro‖,templos e palácios não acessíveis ao público, tinha a função mais de esconder doque divulgar seus escritos. Da antiguidade até a Renascença, o acesso ao livro nãoesteve à disposição dos profanos, as bibliotecas eram como organismos mais oumenos sagrados, ou pelos menos, religioso, pois somente os sacerdotes, igualmentesagrados ou religiosos, detinham o saber (MARTINS, 1998).Entre as bibliotecas deste período, está a mais antiga, datada do século VII a.C., agrande biblioteca de Nínive, criada pelo Rei Assurbanipal. Entretanto, a mais celebreda Antiguidade fora a biblioteca de Alexandria, datada do século IV a.C. Apesar daexistência desta biblioteca, a precariedade física do suporte material fez com que amaior parte do registro do pensamento humano da época se perdesse, a exemplo, abiblioteca de Alexandria que existiu mais de setenta mil volumes que se perderamdurante três incêndios sofridos. (MILANESI, 1983; FERNÁNDEZ ABAD, 2006).Não muito diferente da Antiguidade, as bibliotecas da Idade Medieval conservaramseu caráter religioso, e a concepção de biblioteca como conservatório e depositáriode livro. No reduto de conventos e mosteiros, ainda durante muitos séculos, foramos religiosos que contribuíram para a conservação das obras literárias e Escriturasreligiosas, e por vezes, também os escritos profanos. No entanto, o acesso aoslivros e à bibliotecas medievais era restrito aos pertencentes à ordem religiosa, demodo que o controle também se estendia ao trabalho dos monges escribas que seocupavam da transcrição de manuscritos clássicos. Contudo, durante este períododa história, ocorreu que:
  12. 12. 21 [... o livro medieval conservou os conhecimentos, guardou-os para a Renascença, hibernou-os nos conventos, e preparou, em conseqüência, sem o saber e, em certo sentido, sem o querer, o movimento intelectual que substituiria a tábua medieval de valores. A Renascença não teria sido possível, no que concerne às obras escritas, se a Idade Média não tivesse possuído esses enormes silos que foram as suas bibliotecas monásticas, universitárias e particulares...]. (MARTINS, p.96, 1998)A antiga biblioteca medieval de um mosteiro beneditino, onde eram guardadas asgrandes e preciosas obras da sabedoria grega e latina conservada através dosséculos pelos monges, foi descrita pelo crítico literário italiano Umberto Eco, em obra―O Nome da Rosa‖: Homens devotos trabalharam durante séculos, seguindo férreas regras. A biblioteca nasceu segundo um desenho que permaneceu obscuro a todos durante séculos e que nenhum dos monges é dado conhecer. Somente o bibliotecário recebeu o segredo do bibliotecário que o precedeu, e o comunica, ainda em vida, ao ajudante-bibliotecário, de modo que a morte não o surpreenda, privando a comunidade desse saber. E os lábios de ambos estão selados pelo segredo. (ECO, 1983, p. 53)Essas bibliotecas, segundo Eco (1983), eram ―labirintos espirituais e labirintosterrenos‖, por isso, não podia ser penetrada por qualquer mortal, e o saberregistrado nos livros eram valiosos segredos ―Porque nem todas as verdades sãopara todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como taispor uma alma piedosa... (ECO, 1983, p. 54)‖. Os monges, monopolizadores de fatoe de direito de toda a língua escrita, eram ao mesmo tempo, os monopolizadores detodos os conhecimentos religiosos, literários, científicos (MILANESI, 1983;MARTINS, 1998).Todavia, foi a partir da Renascença, que as bibliotecas surgiram como fenômeno deordem social, sofrendo uma nítida e mais sólida laicização, pela perda do carátersagrado e secreto do livro, para se transformar num instrumento de trabalho postoao alcance de todas as mãos (MARTINS, 1998, p.323). Visto que, na história dasbibliotecas ocorre um grande marco, que foi o aparecimento das universidades e adifusão do livro, no início da Renascença, que acelerou o processo de disseminação
  13. 13. 22democrática do livro, permitindo que o conhecimento humano registrado pela escritachegasse a um número de pessoas cada vez mais crescente, expandindo acirculação das idéias, pois o livro (bem material) deixa os arredores dos conventos,fazendo das bibliotecas um serviço (bem consumível), deixando de ser consideradaum tesouro. Desse modo, de acordo com Martins (1998): Para que a Renascença, movimento laico por excelência, pudesse ocorrer é necessário supor que os profanos tivessem acesso, um acesso cada vez maior, às bibliotecas, ou, pelo menos, que tivessem conhecimento dos manuscritos que somente nas bibliotecas existiam‖. (p.97)Grandes bibliotecas fizeram parte da história neste período, exemplo, as do MonteAtons, na Turquia, as italianas como a própria biblioteca do Vaticano datada doséculo XV, a de Saint-Gall, na França, famosíssima pelo numero de volumes, e deFulda, na Prússia. Mas a que mais se destacou, sendo referência intelectual,adjetivando trabalhos de grande valor, foi a biblioteca da ordem dos Beneditinos.Logo, foi neste período da história, que os mosteiros salvaram, através das cópiassucessivas, grande parte da riqueza literária da Antiguidade. Pois, ao lado da oraçãocom as regras dos mosteiros, estava o trabalho manual das infinitas cópias demanuscritos antigos. (MORIGI, 2006).Foi ainda na Renascença que as bibliotecas começaram a tomar seu sentidomoderno, passando a serem entendidas já como organismo democrático em seuprocesso de evolução, de laicização, e de socialização, alargando o acesso ao livro,e sua circulação geral na sociedade. De modo que uma nova concepção debiblioteca começava a ser delineada: A biblioteca não é mais, por conseqüência, um mero depósito de livros: esse o mais importante de todos os pontos característicos na evolução do seu conceito. A sua passividade substitui-se um salutar dinamismo, a iniciativa de uma obra que é, ao mesmo tempo, de socialização, especialização, democratização e laicização da cultura. Ela desempenha dessa forma por menos que pareça, o papel essencial na vida das
  14. 14. 23 comunidades modernas; é em torno dela que circulam todas as outras correntes da existência social. (MARTINS, 1998, p. 325)Porém, o acesso às bibliotecas permaneceu restrito a um grupo de privilegiados atéo século XX, pois as grandes coleções pertenciam ao Estado e à Igreja, a idéia debiblioteca atendia a idéia de arquivo-museu. Somente após a Revolução Industrialcom a expansão do operariado, a biblioteca passou a ser oferecida como serviçocom determinada função educativa, acreditava-se no poder moralizador e educativodas leituras, sobre a comunidade. Posteriormente, após a segunda metade doséculo XX delineou-se uma nova função à biblioteca, a de sistematizar o acesso ainformação passando a ser considerado um centro cultural sendo anexado a seuacervo novos suportes informacionais. (MILANESI, 1983; MARTINS, 1998;BARRETO, 2008; AQUINO, 2004).2.1.2 – História da Biblioteca Pública do Brasil: da Realeza à PopularizaçãoO conceito de biblioteca pública é um conceito contemporâneo. O Congresso deBibliotecários, promovido pela UNESCO, de 03 a 12 de outubro de 1951, assimdefiniu as bibliotecas públicas: A biblioteca pública, criação da democracia moderna está na vanguarda da luta encetada para assegurar plenamente a educação popular; seu papel consiste em conservar e organizar os conhecimentos humanos a fim de colocá-los ao serviço de toda a coletividade, sem distinção de profissão, de religião, de classe ou de raça. Seus objetivos são os seguintes: 1. Fornecer ao público informações, livros, material e facilidades diversas em vista de melhor servir seus interesses e de satisfazer às suas necessidades intelectuais; 2. Estimular a liberdade de expressão e favorecer uma crítica construtiva dos problemas sociais; 3. Dar ao homem uma formação que lhe permita exercer uma atividade criadora no quadro da coletividade e trabalhar no aperfeiçoamento da compreensão entre os indivíduos, entre os grupos e entre as nações;
  15. 15. 24 4. Completar a ação dos estabelecimentos de ensino oferecendo à população a possibilidade de continuar a se instruir. (UNESCO. Le développement des bibliothèques publiques en Amérique latine, 1951, P.3, tradução nossa)No Brasil o documento que marca o início da história da biblioteca é datado de 05 defevereiro de 1811, foi quando Pedro Gomes Ferrão de Castello Branco encaminhouum projeto ao Governo da Capitania da Bahia, solicitando a aprovação do planopara fundação da biblioteca. Este documento representa o princípio do acesso aolivro e das preocupações com a educação no Brasil. ―O plano foi aprovado, e aBiblioteca inaugurada no Colégio dos Jesuítas, em 04 de agosto de 1811‖(SUAIDEN, 2000, p. 52). No entanto, a Biblioteca Real trazida de Portugal por D.João VI foi aberta ao público em 1814, a que viria a se transformar na BibliotecaNacional anos mais tarde.Na República Velha como na Primeira República, as bibliotecas eram geralmenteimprovisadas, grande parte do acervo era formado a partir de doações, asinstalações e os recursos humanos adequados eram precários (MARTINS, 1998).Durante a Primeira República, foram criadas muitas bibliotecas, mas foi somente apartir de 1937 que começaram a ser criadas políticas de incentivo à leitura. A criaçãodo Instituto Nacional do Livro (INL) ―alavancou contribuições expressivas aodesempenho das bibliotecas públicas‖ (BARRETO, 2008, p. 30).Pela primeira vez encontra-se uma iniciativa nacional de estruturação da bibliotecapública, no ano de 1961 pelo Decreto Lei 51 223, foi criado o Serviço Nacional deBiblioteca, a fim de incentivar a criação de bibliotecas públicas em todo o país.Porém não é encontrado nenhuma menção à subsídios que favoreça o incentivo daleitura, e nenhuma política voltada para o interesse da população. (CALDAS, 2005)
  16. 16. 25No entanto, não foram alcançados os objetivos propostos pelo Serviço Nacional deBiblioteca, e em 1968 o Decreto Lei 62 239 incorporou o Serviço Nacional deBiblioteca ao INL. No referido período, Era necessário que a instituição biblioteca fosse dedicada à propagação de uma política de leitura. Mas a preocupação predominante era a preservação do material bibliográfico, e muitas se negavam a fazer o empréstimo domiciliar com receio de o livro ser furtado, e assim o profissional teria de dar conta do material permanente. (SUAIDEN, 2000, p. 54)Em 1989, primeira vez em que o termo leitura é mencionado por uma Fundação, oINL e a Biblioteca Nacional passam a integrar a Fundação Nacional Pró-Leitura, em1990, o acervo e atribuições são transferidos para a Biblioteca Nacional.No ano de 1992, instituído pelo Decreto Presidencial nº. 520, foi criado o SistemaNacional de Bibliotecas Públicas – SNBP, como objetivo principal de fortalecer asBibliotecas Públicas do país. Seguindo os seguintes objetivos: I – incentivar a implantação de serviços bibliotecários em todo o território nacional; II – promover a melhoria do funcionamento da atual rede de bibliotecas, para que atuem como centros de ação cultural e educacional permanentes; III – desenvolver atividades de treinamento e qualificação de recursos humanos, para o funcionamento adequado das bibliotecas brasileiras; IV – manter atualizado o cadastramento de todas as bibliotecas brasileiras; V – incentivar a criação de bibliotecas em municípios desprovidos de bibliotecas públicas; VI – proporcionar, obedecida a legislação vigente, a criação e atualização de acervos, mediante repasse de recursos financeiros aos sistemas estaduais e municipais; VII – favorecer a ação dos coordenadores dos sistemas estaduais e municipais, para que atuem como agentes culturais, em favor do livro e de uma política de leitura no País; VIII – assessorar tecnicamente as bibliotecas e coordenadorias dos sistemas estaduais e municipais, bem assim fornecer material informativo e orientador de suas atividades;
  17. 17. 26 IX – firmar convênios com entidades culturais, visando à promoção de livros e de bibliotecas. (FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Disponível em: http://www.bn.br/snbp)Foi a partir desse momento que se fortaleceram as iniciativas voltadas ao incentivo ea disseminação da leitura, provocadas pelo interesse político e mais os contingentessociais (BARRETO, 2008).2.1.3 – Biblioteca Pública no Brasil, hojeA capacidade de gerar conhecimento é uma característica marcante da sociedadecontemporânea. No entanto, são claras as diferenças sociais e econômicas entre osque têm acesso e os que não têm acesso a situações e espaços onde asinformações se fazem presentes. Nesse contexto, a biblioteca pública vem atuarcomo instrumento democrático, proporcionando igualdade de acesso edisponibilidade de todo tipo de conhecimento para todos. (PERROTTI; 1990)É evidente a relevância da existência da biblioteca na sociedade brasileira, dentrodos preceitos da modernidade, em seu papel social e informativo de carátereducacional e cultural, possibilitando a democratização do conhecimento e dainformação, e contribuir para a formação do leitor. A Biblioteca Nacional guardiãmáxima do registro do saber em nosso país (Fundação Biblioteca Nacional, 2000),traz em seu manual Biblioteca Pública, princípios e diretrizes, o conceito debiblioteca pública e suas características:
  18. 18. 27 O conceito de biblioteca pública baseia-se na igualdade de acesso para todos sem restrição de idade, raça, sexo, status social, etc. na disponibilização à comunidade de todo tipo de conhecimento. [...] é um elo de ligação entre a necessidade de informação de um membro da comunidade e o recurso informacional que nela se encontra organizado e à sua disposição [...]. Assim, as bibliotecas públicas caracterizam-se por: 1) destinar-se a toda coletividade,ao contrário de outras que têm funções mais específicas; 2) possuir todo tipo de material (sem restrições de assuntos ou de materiais); 3) ser subvencionada pelo poder público (federal, estadual ou municipal). Ela difere da biblioteca comunitária/popular, que surge da comunidade e é por ela gerida, sendo o atendimento feito, geralmente, por voluntários. (Fundação Biblioteca Nacional, 2000, p.17-18).Suaiden (2000), traz discussões sobre os diversos segmentos da sociedade e asdiferentes expectativas em relação ao papel da biblioteca púbica. Os educadoresacreditam ser a biblioteca um alicerce do ensino-aprendizagem. Os intelectuaisenxergam um espaço rico em literatura de ficção. O trabalhador comum a vê comoum local para solucionar problemas cotidianos. O autor discute ainda, sobre autilização do termo ―biblioteca pública‖ e critica o parcial atendimento que realiza. A própria denominação "biblioteca pública" pressupõe uma entidade prestando serviços ao público em geral, independentemente das condições sociais, educacionais e culturais. Nesse aspecto, reside a grande falha da biblioteca pública, pois, até hoje, o único segmento da sociedade que é atendido parcialmente, em pequena proporção, é o dos estudantes de primeiro e segundo graus. (SUAIDEN, 2000, p.57)E segue com a afirmativa, ―Na batalha que trava para responder às inquietações dasociedade sobre o seu papel, a biblioteca pública perde cada vez mais prestígio epoder, deixando de ser o grande centro disseminador da informação, por tentar ―sertudo para todos‖ (SUAIDEN, 2000, p.57).Em novembro de 1994, a Federação Internacional das Associações de Bibliotecáriose de Bibliotecas (IFLA), junto com a UNESCO aprovam o MANIFESTO DA UNESCOSOBRE BIBLIOTECAS PÚBLICAS acerca do papel e importância da bibliotecapública, donde citamos um ponto básico:
  19. 19. 28 A biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros. Os serviços da biblioteca pública devem ser oferecidos com base na igualdade de acesso para todos, sem distinção de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua ou condição social. Serviços e materiais específicos devem ser postos à disposição dos utilizadores que, por qualquer razão, não possam usar os serviços e os materiais correntes, como por exemplo, minorias lingüísticas, pessoas com deficiências, hospitalizadas ou reclusas. (Manifesto da IFLA/UNESCO Sobre Bibliotecas Públicas, 1994. disponível em: http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/port.htmEste Manifesto expressa ainda o caráter gratuito da biblioteca pública e quanto aoseu financiamento e legislação, ―os serviços da biblioteca pública devem, porprincípio, ser gratuitos. A biblioteca pública é da responsabilidade das autoridadeslocais e estatais. Deve ser objeto de uma legislação específica e financiada pelosgovernos nacionais e locais‖. E assegura a formulação de políticas defuncionamento e gestão dizendo ―Deve ser formulada uma política clara, definindoobjetivos, prioridades e serviços, relacionados com as necessidades da comunidadelocal‖.No entanto, o advento das novas tecnologias, e todas as questões e discussõesadvindas desse contexto, têm mudado consideravelmente, alterando e ampliando, afunção da biblioteca pública. ―No início do século XXI, o cenário das bibliotecas éalterado principalmente em relação às formas de acesso às informações; asbibliotecas buscam encontrar novos caminhos na sociedade da informação‖.(MARCELINO, 2009, p.87) na tentativa de garantir nesse espaço as oportunidadespara desenvolver o hábito e a difusão da leitura e informação.Gradualmente as bibliotecas, que passam por transformações de estruturas físicas,e de processos, vem se apropriando das inovações tecnológicas. ―A biblioteca deixade ser um tranqüilo depósito de livros para tornar-se o ponto focal de pesquisavariada, acessada a qualquer hora por usuários virtuais de vários lugares do
  20. 20. 29mundo‖. (LEVACOV, 1997, p.126). Logo, o que pode se dizer, é que de fato cresce aconsciência de que a biblioteca não é mais única fonte de informação.Através das tecnologias de informação, pode-se melhorar em muito oprocessamento de informação, a relação biblioteca e desenvolvimento intelectual esocial de seus usuários. Pois, a biblioteca pública em seu caráter social, é umespaço democrático por excelência que pode minimizar as diferenças entre os quetêm acesso e usam as informações e os que estão excluídos desse processo,garantindo a democratização da informação. Bem como diz Cunha (2003): A sociedade da informação, nos diferentes espaços geográficos em que vem sendo concebida, atribui à biblioteca pública a missão especial de assegurar a democratização do acesso em rede, a oferta de produtos e serviços de qualidade que contribuam para diminuir as desigualdades sociais e estimular os usuários a utilizar a Internet como instrumento de ampliação de conhecimento e convivência‖. (p.72)Nesse sentindo, o novo cenário que desponta no âmbito da biblioteca pública,favorece o desenvolvimento humano, permitindo a disseminação das informações,através da adoção de novas medidas tecnológicas. No cenário tecnológico dasociedade da informação, as bibliotecas passam por um avanço progressivo ecaminham para uma biblioteca que pode tornar-se totalmente digital. Seja como for,a democratização e a socialização da biblioteca pública são em nossos dias, umarealidade indiscutível (MARTINS, 1998, p. 331).
  21. 21. 302.2 – Práticas de Leitura: Condição para Construção CidadãA sociedade moderna traz no seu bojo diversos meios e fontes que permitem oacesso as informações e conhecimentos. Em meio a essa diversidade deinformações e tecnologias que avançam e se superam diariamente, estão presentesas habilidades desenvolvidas pelo homem desde os primórdios, a leitura e a escrita.Que correspondem às habilidades essenciais necessárias para que os sujeitos destarealidade possam vivenciar um cotidiano repleto de mudanças, refletindo sobreestas transformações que ocorrem no meio social, econômico e cultural num ritmomuito acelerado.Neste panorama, dentro de uma sociedade desenvolvida, a leitura se coloca comovia de acesso eficaz ao conhecimento – ainda que pelo intenso progresso da mídia edos diversos meios eletrônicos de comunicação – o acesso ao conhecimento,depende primordialmente dos livros e das habilidades e competênciasimprescindíveis do leitor. Por que ler pouco ou não ler numa sociedade letrada, tornao ser humano inferiorizado, provocando desvantagens profundas entre os queadquirem, e os que não adquirem essa aprendizagem. (ZILBERMAN, 1989; SOLÉ1998)Não nos restam dúvidas de que a leitura é uma questão pública e social. Pública, noque diz respeito às informações que circulam no meio social, veiculadas através daleitura e da escrita. ―A leitura é uma questão pública. É um meio de aquisição deinformação (e a escrita um meio de transmissão de informação), portanto, umcomponente de um ato social‖ (MORAIS, 1996, p. 12). E social, quando o
  22. 22. 31desenvolvimento intelectual e econômico de uma sociedade dependeprimordialmente das oportunidades de acessos a estas práticas de leitura e escrita. Leitura é indiscutivelmente um problema da sociedade. O desenvolvimento econômico é condicionado pela possibilidade que terão os homens e mulheres ativos (e não apenas certas camadas sociais), de tratar a informação escrita de uma maneira eficaz. (MORAIS, 1996, p. 12).Neste sentido, as necessidades de conhecimento e informação extrapolam assituações cotidianas de ler o anúncio do jornal ou ler a bula do remédio. Tornou-seuma exigência de grau elevado quando nos defrontamos com a vida profissional,uma vez que as ofertas de bons empregos estão condicionadas ao nível deformação intelectual do sujeito.Assim, a formação intelectual disponibilizada pela prática de leitura oferece, além daaquisição de habilidades necessárias para a vivência diária em sociedade, acessosao conhecimento organizado e acumulado por esta sociedade, através da escrita, ouseja, acesso a informação e desenvolvimento tecnológico, acesso ao mercado detrabalho, e as mais diversas possibilidades de ascensão profissional e pessoal. Naperspectiva de Osakabe (1993), Aprender a ler não corresponde simplesmente à aquisição de um novo código ou de um simples desenvolvimento de um tipo de percepção através do acréscimo de uma habilidade. Aprender a ler, é também, ter acesso a um mundo distinto daquele em que a oralidade se instala e organiza: o mundo da escrita. (p. 149)Dentro da perspectiva de Koch (2007), a leitura é uma atividade interativa altamentecomplexa de produção de sentido, que requer a mobilização de um vasto conjuntode saberes no interior do evento comunicativo. É uma atividade que leva em contaas experiências, as informações e os conhecimentos do leitor, o que propicia aconstrução de sentido, pois permite que o leitor critique, avalie e chegue a um dosvários significados do texto. Pois, ―considerar o leitor e seus conhecimentos e que
  23. 23. 32estes conhecimentos são diferentes de um leitor para o outro implica aceitar umapluralidade de leituras e de sentidos em relação a um mesmo texto‖ (p.21).Visto isso, ao mesmo tempo em que leitura propõe sentido, provoca criticidade, pois,o leitor crítico atenta não só o que o texto diz, ou quer dizer, mas também para aintenção do autor, distinguindo o que o autor tenta fazer crer daquilo que ele, o leitor,esta querendo acreditar (OLSON, 1997).É nesse movimento que se dá a relação autor e leitor, no que se revela a partir dainterpretação do leitor, daquilo que não esta propriamente nas palavras do texto, quenão o compreende na sua literalidade. ―Quando se lê, considera-se não apenas oque está dito, mas também o que está implícito: aquilo que não está dito e quetambém está significado‖ (ORLANDI, 1993).A leitura corresponde também, a um modo particular e individual de integração entreos homens, a história e as gerações. Proporciona a experiência fundamental darealidade, que permite a compreensão dos registros culturais que representam opassado, e a compreensão do real, que significa utilizar do seu próprioconhecimento proporcionado pelas diversas experiências pessoais. De acordo comKleiman (1989), A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto. E porque o leitor justamente utiliza diversos níveis de conhecimento que interagem entre si, a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão. (p.13)Evidentemente através das experiências da leitura o sujeito encontra novas formasde compreender o mundo, de interagir com as pessoas e o meio social. Neste
  24. 24. 33sentido, a leitura permite a construção e atribuição de significado ao mundo a partirde pontos de vista elaborados e verificações permitidas por esta prática. Que paraZilberman (1993), ―Compreendida de modo mais amplo, a ação de ler caracterizatoda a relação racional entre o indivíduo e o mundo que o cerca‖ (p.17).Silva (2004) propõe que o texto, é como tudo aquilo que provoca e possibilitasignificados. Portanto, as habilidades de leitura e compreensão, desenvolvidas pormeio dos textos, dos símbolos, das imagens, proporcionam encontros com oconhecimento, com as experiências e possibilidades de conhecer e compreender arealidade que compõe o nosso cotidiano, que consistem a existência humana seconcretiza no ato de ler, pois ―é na e com a comunidade que se aprende a ler e aatribuir significado aos textos nela contido‖, (SILVA, 2004, p.17).Para perspectiva freiriana, inicialmente, experimentamos e aprendemos a ler omundo, na tentativa de compreender as múltiplas situações que permeiam o nossodia-a-dia. A leitura do mundo no seu sentido mais amplo condiciona o homem aoconvívio com os demais sujeitos, habilita-o para a compreensão do real e daspalavras. Assim, desenvolver a capacidade de ler e escrever a palavra, de modo quealguém possa ler em outro momento, é como diz Freire (1990), ―precedidos doaprender como ‗escrever‘ o mundo, isto é, ter experiência de mudar o mundo e deestar em contato com o mundo‖ (p.31).O ato de ler coloca-nos a refletir sobre a leitura em sua essência, mais quedecodificar símbolos. É, portanto, através da própria leitura em um processocontínuo de reflexão que nos reconhecemos como seres humanos sociais dotadosde capacidades e entendimento.
  25. 25. 34 Ler não é decifrar palavras, mas consiste num exercício de compreensão que, talvez pela sua complexidade, se torna um fator atrativo envolto num mundo cheio de mistérios, até porque o ato de ler é, antes de tudo, compreender o mundo‖. (Santos-Théo, 2003, p.01)Visto isso, compreendemos que o ato de ler transcende a decodificação daquilo queestá escrito, significa pensar e desenvolver posição crítica sobre valores e idéias, éum processo contínuo de trocas entre o indivíduo e o mundo. Freire (2002), nosensina sobre o ator de ler: [...] uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. (p.11)Desse modo, podemos compreender a leitura como uma atividade essencialmentehumana. A leitura se constitui num processo de construção do leitor, queproporciona compreensão e reflexões sobre os diversos textos e mundos que noscercam. Estas construções resultam da atividade comunicativa e da interação socialhumana, pois a leitura de um texto, ou da palavra, exige uma análise, umconhecimento, uma leitura dentro do conhecimento real/social que o sujeito seinsere. ―O ato de ler e escrever é um ato criativo que implica uma compreensãocrítica da realidade‖. (FREIRE, 1990, p. 105)Sob este mesmo ponto de vista, Silva (2005), enfoca a leitura como uma forma deencontro e comunicação entre os sujeitos. Pois, a relação dos homens entre si,portanto, as experiências vividas a partir da participação da realidade sócio-cultural,são garantidas através da mediação dos signos impressos. Visto que, a diversidadede informações adquiridas através da leitura de diversos gêneros instiga o sujeito àconstrução de diálogo e comunicação mais autênticos. Neste sentido, ―ler érealmente participar mais crítica e ativamente da comunicação humana‖ (p. 41).
  26. 26. 35Desse modo, como instrumento social as práticas das leituras críticas e reflexivas,desembocam na ação libertadora da leitura, mostrando-se agente dedemocratização, cidadania e transformação social. Como afirma Silva (1991), O cidadão, além de possuir consciência de responsabilidade e direitos (equilibrados entre si), constitui-se pelas práticas de posicionamentos, críticas, participação e autonomia. A linguagem indubitavelmente permeia todas essas práticas à medida que elas são, no fundo, práticas comunicativas, exigindo a interação entre os homens. E é exatamente aqui que eu vejo a relação básica e fundamental entre a leitura, tomada como prática social, e a cidadania. Para me situar nos diferentes contextos sociais, tenho, necessariamente, de ver, ler ou ouvir [...]. A penetração e a participação nos mundos da escrita das imagens e/ou dos gestos pela leitura, percebendo e compreendendo a riqueza, a variedade e as alternativas contidas nesses universos, são condições básicas para a realização da cidadania. (p. 24)Dentre as reflexões aqui apresentadas compreendemos que o ato de ler envolve umsujeito ativo, que decodifica, analisa, processa informações levando em conta seumeio social, suas necessidades intelectuais e seus objetivos de leitura. Pois, osobjetivos da leitura determinam à forma em que um leitor se situa frente ela econtrola a consecução do seu objetivo, isto é, a compreensão do texto, (SOLÉ,1998).2.3 – Letramento: Concepções e PráticasO termo letramento, segundo Soares (1998), foi introduzido no Brasil a partir dasegunda metade da década de 80, por teóricos que buscavam definir a utilização dotermo, e distinguir a palavra letramento de alfabetização. E desde então o termo vemsendo empregado no campo da Educação e das Ciências Lingüísticas. Porém asdiscussões sobre a utilização ainda não se encerraram.
  27. 27. 36A palavra letramento trata-se da versão em português da palavra “literacy”, deorigem inglesa, que vem do latim ―littera” (letra), mais o sufixo “cy”, que designacondição, qualidade (MICHAELIS, 1998). Embora várias posições teóricas tenhamsido tomadas quanto ao termo, discutiremos aqui o uso de letramento nasperspectivas de Kleiman (1995; 1998), Zilberman, (2007), Tfouni (2006) e MagdaSoares (1995; 1998; 2003).Na concepção de Kleiman (1995), o letramento é compreendido como ―uma práticadiscursiva de um determinado grupo social, que está relacionada ao papel da escritapara tornar significativa a interação oral, mas que não envolve, necessariamente, asatividades específicas de ler e de escrever‖ (p.18).Nesta concepção de letramento, considera-se o fato de estarmos constantementeem contato com a leitura e a escrita, praticarmos essas habilidades no meio social,ou seja, nos tornamos letrados ao posso que habilitamo-nos a utilizar o sistemasimbólico no meio letrado, nas palavras da autora, ―letramento como as práticas eeventos relacionados com uso, função e impacto social da escrita‖ (KLEIMAN, 1998,p. 181).Outra teoria sobre letramento é discutida por Tfouni (2006), que conceitua o termoem confronto com a alfabetização. De modo a entender o letramento como umprocesso mais amplo que se diferencia do termo alfabetização, no entanto éintimamente ligado ao código escrito, focalizando os aspectos sócio-históricos daaquisição de um sistema escrito, enquanto que a alfabetização se ocupa daaquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos.
  28. 28. 37Ainda sob o ponto de visa da referida autora, o letramento são conseqüênciassociais e históricas da introdução da escrita em uma sociedade. Entre outros casos, procura estudar e descrever o que ocorre nas sociedades quando adotam um sistema de escritura de maneira restrita ou generalizada; procura ainda saber quais práticas psicossociais substituem as práticas ―letradas‖ em sociedades ágrafas. (TFOUNI, 2006, p. 9-10)Para Zilberman (2007), o universo onde a criança está inserida dever ser repleto deoportunidades que viabilizam o letramento, ela precisa estar exposta a iniciativas domeio, das histórias infantis, sejam elas contadas oralmente, lidas por outra pessoa,ou visualizada através de imagens, ou ainda através dos diversos meiostecnológicos. Portanto, o letramento está sempre presente sob diversas perspectivasseja na escola, antes da escola, dentro ou fora deste espaço. O letramento é um processo que se inicia antes mesmo de a criança aprender a ler, supondo a convivência com universo de sinais escritos e sendo precedido pelo domínio da oralidade. Outros fatores associam-se ao processo de letramento, já que a convivência com a escrita começa no âmbito da família e intensifica-se na escola, quando o mundo do livro é introduzido à infância. (p. 246)Desse modo, Kleiman (1995; 1998), Zilberman, (2007), e Tfouni (2006) comungamda concepção de letramento como práticas de leitura e escrita que extrapolam oconceito de alfabetização.No entanto, Soares (1995; 1998; 2003), ainda que no mesmo foco de práticassociais de leitura e escrita, compreende o letramento para além da alfabetização,como ela mesmo se refere, e das concepções apresentados até aqui. [...] é o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever. Implícita nesse conceito está a idéia de que a escrita traz conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la (SOARES, 1998, p.17).
  29. 29. 38A concepção argumentada pela autora é de que os indivíduos dominam o uso daleitura e escrita desenvolvendo habilidades para a participação ativa em meio que sefazem necessárias estas práticas. Letramento é, pois, ―o resultado da ação deensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquiri umgrupo social, ou indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita‖(SOARES, 1998, p.18).Diante das discussões sobre o conceito e empregabilidade do termo letramentopelas teóricas até aqui apresentadas, pareceu-nos que estas autoras convergem namesma direção no que se refere aos aspectos práticos e sociais do letramento. Noentanto, outros teóricos tem recentemente contribuído nas discussões deste termo.Nas palavras de Di Nucci (2008), a leitura e a escrita trazem para o sujeitoconseqüências socioculturais, um novo modo de viver em sociedade e de se inserirna cultura, e também conseqüências lingüísticas, uma vez que o sujeito sofreinfluência da língua escrita sobre o modo oral de se expressar. ―O letramento permite ao indivíduo participar efetivamente de uma cultura letrada que exige diferentes usos da escrita no cotidiano. Assim, podemos considerar que o letramento pressupõe e possibilita novas formas de inserção cultural‖ (p. 55).O processo de letramento envolve práticas de pensar o mundo e agir sobre o mundopor meio de símbolos, palavras, contextos, e diversos instrumentos. Uma vez que, aconvivência com o universo letrado coloca a disposição do indivíduo situações deaprendizagem que o levam ao desenvolvimento, exercício e amadurecimento decompetências que o direcionam ao letramento, em distintos momentos e emdiversos espaços da vida do sujeito.
  30. 30. 39Segundo a teórica Di Nucci (2008), o letramento permite ao indivíduo participarefetivamente de uma cultura letrada que exige diferentes usos da escrita nocotidiano. Assim, podemos considerar que o letramento pressupõe e possibilitanovas formas de inserção cultural.Visto isso, o desenvolvimento da participação cidadã crítica consciente estáintimamente ligada ao processo de construção do conhecimento individual ecoletivo, viabilizado pelo letramento, que consiste no uso das habilidades de ler eescrever, no cotidiano em função das necessidades sociais. (KLEIMAN, 1995;SOARES, 1998; DI NUCCI, 2008)As situações de convívio com a leitura e a escrita no cotidiano, condicionam o sujeitoao letramento. Logo, estar envolvido em eventos de práticas de leitura e escrita noambiente familiar faz parte do processo social e individual de letramento.Pois, ler o jornal, escrever um bilhete, entre outras situações fazem parte docotidiano dos indivíduos, podendo ser caracterizado como eventos de letramento,pois ―[...] o letramento envolve a aprendizagem social e histórica da leitura e daescrita em contexto informais e os usos contextualizados no cotidiano do individuo.‖(DI NUCCI, 2008, p.54)O indivíduo letrado vive momentos de socialização e interação com meio, que tornaviável o processo de significação produzido pelo sujeito. Existem caminhosdiferentes para o aprendizado da leitura e da escrita e diferentes processos deletramento, definidos relativamente à história das práticas culturais de cada grupo eàs demandas dos diferentes contextos situacionais. (BARBATO, 2007). Portanto, assituações de letramento são vivenciadas a partir de momentos de desenvolvimento
  31. 31. 40cultural e de identificação pessoal, e estão profundamente relacionadas com ocontexto histórico da vida do sujeito.
  32. 32. 41 CAPÍTULO III DIRETRIZES E PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISAA complexidade da organização da vida social do homem moderno estaintrinsecamente ligada à pesquisa e ao conhecimento científico produzido ao longodos séculos. Compreendemos a pesquisa científica como suporte metodológico quegarante o processo de ampliação do conhecimento acumulado.Estamos chamando de pesquisa o procedimento formal, com método depensamento reflexivo, que requer um tratamento científico e se constitui no caminhopara conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais, (LAKATOS, 2005).As ciências sociais no campo da educação, por sua vez, vêm através do tempodesenvolvendo instrumentos teórico-metodológicos, legitimando sua grandediversidade de modelos próprios de fazer pesquisa e analogicamente constituindo-se em rigor e confiabilidade, adequando métodos e técnicas de acordo com anatureza dos fenômenos por ela estudados. No campo da ciência o primeiroprincípio é a pesquisa, que se estabelece numa atitude processual de investigaçãodiante do desconhecido e dos limites que a natureza e a sociedade impõem, e quepor objetivo fundamental compreender conhecimento humano em evolução.Neste sentindo, o respectivo trabalho compreende elementos de pesquisaqualitativa, por compreendermos que este tipo de abordagem considera a existênciade uma relação dinâmica entre universo real e sujeito, ouvindo e explorando as
  33. 33. 42idéias, compreensões e preocupações sobre determinado fato, ou fenômeno. Seufoco principal é o processo. A investigação num enfoque qualitativo abrange umconjunto de procedimentos para coleta de dados que permitem sistematizar osdiferentes componentes que expressam os fenômenos do mundo social, implicaalcançar dados descritivos, apanhados no contato direto do pesquisador com asituação estudada, salientando mais o processo do que o produto e se preocupa emrepresentar a perspectiva dos participantes. (LUDKE e ANDRÉ, 1986).A pesquisa numa abordagem qualitativa permite a análise dos resultados numpanorama contextualizado do sujeito pesquisado, no intuito de observar, registrar,compreender e co-relacionar os fatores e fenômenos sem manipulá-los. Pois, nestaperspectiva busca-se conhecer e compreender as diversas situações e relações queocorrem na vida social, política, econômica, (CERVO, 2007).3.1 – Caracterizando o Lócus e Sujeitos de EstudoA pesquisa foi realizada na biblioteca pública municipal Professora ZenáureaTerezinha Campos Dias, localizada na cidade de Senhor do Bonfim, município daRegião Centro-Norte do Estado da Bahia.A referida biblioteca pública é mantida pela Prefeitura Municipal de Senhor doBonfim, e administrada pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes.Esta inclusa na Lei municipal nº. 1137/2009 de 02 de outubro de 2009, que trata doSistema Municipal de Cultura - SMC, com a finalidade de captar e canalizar recursos
  34. 34. 43para a área cultural, contando com um representante no Conselho Municipal deCultura regulamentado pela mesma Lei.Para o desenvolvimento desta pesquisa tomamos como sujeitos de estudo osusuários da biblioteca pública municipal. Foi analisado um grupo de amostragemcomposto por vinte e sete usuários, escolhidos aleatoriamente, que participaram doestudo respondendo a um questionário. Em seguida foi escolhido, também pelocritério de aleatoriedade, um a cada três destes sujeitos que participaram dasegunda etapa do estudo, respondendo a uma entrevista.3.2 – Os Instrumentos de PesquisaO momento de coleta de dados se configura numa etapa de verificação, quenecessita ser sistematizada através de instrumentos e técnicas. Os procedimentosmetodológicos aqui selecionados estiveram diretamente relacionados ao objeto deestudo, afim de melhor atender as necessidades do pesquisador de forma ordenadae completa.Em função dos objetivos propostos esta pesquisa empregou a entrevista semi-estruturada e pesquisa bibliográfica como principais técnicas de coleta de dados,além de outros métodos complementares, como a observação participante, oquestionário fechado, e a análise documental a fim de alcançarmos o proposto emelhor compreender os fenômenos estudados.
  35. 35. 44Justifica-se a escolha da técnica de entrevista por ser um dos principaisprocedimentos de coleta de dados utilizada pelos pesquisadores em ciênciassociais, no intuito de obterem dados que não estão expressos em fontesdocumentais, mas podem ser obtidos através da fala dos sujeitos. ―É uma conversaorientada para um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatório doinformante, dados para a pesquisa‖, (CERVO, pág. 51, 2007). Optamos pelaentrevista do tipo semi-estruturada, que se caracteriza numa série de perguntasabertas feitas verbalmente em ordem pré-estabelecidas, mas que permite aoinvestigador explorar mais adequadamente as questões, como numa conversainformal na intenção de melhor atender as necessidades da pesquisa. Esteinstrumento foi delineado cuidadosamente observando os objetivos propostos, poissua flexibilidade requer do pesquisador grande controle e direcionamento dasquestões, no entanto permite obter informações mais ricas e fecundas mantendo aqualidade da pesquisa (CERVO, 2007). A entrevista foi registrada com o auxilio deum gravador digital para garantia da fidelidade e veracidade das informaçõescolhidas, com prévia autorização dos entrevistados, que posteriormente foramtranscritas para a categorização e análise dos dados.Outra relevante categoria de procedimentos de coleta que utilizamos foi a pesquisabibliográfica, que se constitui num suporte de extrema importância na coleta,manipulação e análise das informações, propiciando maior rigor na abordagem doestudo, pois estivemos em contato direto com as possibilidades já estudadas sobrea temática.A escolha pela observação participante se deu por permitir a participação real dopesquisador na comunidade ou grupo estudado (LAKATOS, 2005). O pesquisador
  36. 36. 45integra-se a situação e participa da vida do grupo em estudo, no intuito decompreendê-lo no sentido de dentro, de fazer parte daquele meio, é umaparticipação direta e pessoal.A pesquisa fez uso do procedimento denominado questionário, que é uminstrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas,que devem ser respondidas por escrito na ausência do entrevistador. Sua naturezaimpessoal garante a uniformidade na avaliação e possibilita a coleta de informaçõese respostas mais concretas. Justificamos sua utilização por viabilizar o levantamentode dados referentes aos aspectos sócio-culturais dos sujeitos e por atender afinalidade do estudo. O questionário foi do tipo fechado, pois permite respostas maisrápidas e precisas, facilidade na aplicação, manipulação e analise das informaçõesobtidas.Os procedimentos metodológicos adotados para a instrumentalização destapesquisa foram aqui empregados, de modo, a se tornarem suportes de comunicaçãofavoráveis entre o investigador e sujeito investigado. Pois, entendemos que aoperacionalização da pesquisa e o alcance dos objetivos estão intimamente ligadosa escolha das técnicas e procedimento de coleta, logo os instrumentos devem seradequados aos objetivos da pesquisa a fim de alcançar seus propósitos,(TRIVINOS, 1987).
  37. 37. 46 CAPÍTULO IV A ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOSEste capítulo apresenta a análise e interpretação dos dados obtidos durante apesquisa. Destacamos que, as interpretações foram norteadas pelos nossosobjetivos, tendo como ponto de referência o quadro teórico.No intuito de proteger a identidade dos entrevistados, utilizaremos um código paraidentificar os discursos aqui transcritos. Será utilizada a letra ―L‖ (que é umaabreviação da palavra ―Leitor‖), seguida de um numeral (01, 02, 03, etc.).Para apresentação dos resultados organizamos os dados em categoriasestabelecidas levando-se em consideração as informações colhidas. Uma vez que,as categorias são modos de organizar os conteúdos dos discursos que nospermitem encontrar os ―sentidos‖ que nos auxiliam na interpretação, como explica oautor: A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferentes e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia) com critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúne um grupo de elementos (unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos (BARDIN, 1977, p.117).Neste sentido, apresentaremos os nossos resultados nas seguintes categorias: Aprimeira categoria, Biblioteca pública de Senhor do Bonfim, Subdividida em
  38. 38. 47subcategorias: a) Breve Histórico de Senhor do Bonfim; b) Trajetória Histórica daBiblioteca Municipal de Senhor do Bonfim.A segunda categoria, Traçando o Perfil do Leitor-Usuário, traz o perfil dos usuárioda biblioteca pública de Senhor do Bonfim.A terceira categoria Os Significados que a Leitura Produz, analisa a compreensãoque os sujeitos têm sobre leitura. Deste modo, as informações estão organizadasem subcategorias: a) Ler é conhecimento; b) Ler é interagir, é construção de sentidoe visão de mundo; c) Leitura para a alfabetização e o letramento; d) Aspectos sociaisda leitura.A quarta categoria, As Possibilidades de Leitura e de Letramento na BibliotecaPública, analisa as possibilidades de leitura e letramento que ocorrem no âmbito dabiblioteca pública. Apresentadas nas subcategorias: a) Objetivos dos usuários:obrigações escolares, leitura e estudos; b) A importância da biblioteca para acomunidade.E por fim, A Biblioteca Pública como Espaço Mediador, analisa a biblioteca comomediadora de leitura e eventos de letramento na sociedade. Apresentadas nassubcategorias: a) Inclusão Social; b) Oportunidade...; c) Projetos de Incentivo aLeitura?4.1 – Biblioteca Pública em Senhor do Bonfim
  39. 39. 484.1.1 – Breve História de Senhor do BonfimNa região baiana denominada Piemonte Norte do Itapicuru, está localizada a cidadede Senhor do Bonfim, com uma população de 76.113 habitantes em 2009, de acordocom o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.Senhor do Bonfim distancia-se 374 quilômetros da Capital Salvador. Tem um relevoconstituído pelo Pediplano Sertanejo, seu clima é caracterizado pelos tipos semi-árido, seco e subúmido, e sua vegetação possui características da caatinga arbórea,florestas estacionais e grande variedade de vegetais, além das árvores frutíferas. Omunicípio é banhado pela bacia do Itapicuru, e seus principais rios são o ItapicuruMirin, o rio da Prata, o Jaguarari, o Tamanduá e o Coité (MACHADO, 2007).A história da cidade de Senhor do Bonfim teve início no Brasil Colônia, maisprecisamente no ano de 1697. Quando o local abrigava apenas rancharia detropeiros e mercantes, pois era ponto obrigatório destes que vinham do Piauí,Longal, Maranhão e do rio São Francisco, ―em direção das terras onde se cavava oouro, aí descansavam e armavam os seus ranchos à beira da lagoa‖ (SILVA, 1970,p. 13).Na metade do século XVIII, os tropeiros e mercantes que por ali ficaram,constituindo família e moradia, já se tornavam um pequeno povoado que em ―1750 arancharia se transformara em um arraial que tinha o nome de Arraial do Senhor doBonfim da Tapera‖ (MACHADO, 2007, p. 44).
  40. 40. 49Após receber oficialmente o nome de Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera, alocalidade já contava com cerca de 600 habitantes, fato que contribuiu para aelevação do arraial a vila. Pois em 8 de junho de 1796, foi encaminhado pelosmoradores ao Governo o pedido de criação da vila, mas só em 1º de outubro de1799, através do Auto de criação especial é que a localidade foi elevada a vilarecebendo o nome de Vila Nova da Rainha (MACHADO, 2007). Nome quehomenageou Dona Maria I, rainha de Portugal, em nome da qual seu filho, o futuroD. João VI, que dirigia o trono no impedimento da soberana homologou a nobrecausa (SILVA, 1970).Em 28 de maio 1885, pela Lei provincial nº 2.499, a Vila Nova da Rainha foi elevadaà categoria de cidade, chamando-se dai para frente Cidade de Senhor do Bonfim.Instalada em 7 de janeiro de 1887, pelo juiz de direito interino Dr. Aurélio Pires deCarvalho e Albuquerque (MACHADO, 2007).4.1.2 – Trajetória da Biblioteca Municipal de Senhor do BonfimA década de 30 é marcada pela entrada do Brasil no mundo capitalista de produçãoe acumulação de capital, o que exigiu mão-de-obra especializada e investimentos naárea da educação. Dentre as ações do governo federal se destaca a criação doInstituto Nacional do Livro, em 1937 que contribuiu expressivamente para odesenvolvimento das bibliotecas públicas (SUAIDEN, 2000).
  41. 41. 50No mesmo período, em Senhor do Bonfim, ano de 1934, foi fundada no governo deMariano Ventura, a biblioteca ―Borges de Barros‖, que 70 anos depois, pela Lei nº924/04, de 20 de julho de 2004, passou a se chamar ―Biblioteca Pública ProfªZenáurea Terezinha Campos Dias‖.Pouco se sabe sobre a trajetória histórica da Biblioteca Pública Profª ZenáureaTerezinha Campos Dias, já que os documentos pertencentes a esta se perdedam notempo em meio a reformas e mudanças. Porém, Adolfo Silva (1970), faz mensão asbiliotecas que Senhor do Bonfim já possuiu ao longo de sua história, entre elas estáa ―Borges de Barros‖, hoje Biblioteca Pública Profª Zenáurea Terezinha CamposDias. ―A primeira biblioteca foi instalada, em 1912, pela Soc. União e Recreio, na sua sede na rua Cons. Franco, transferida para a rua 02 de Julho, com 1.928 volumes. A segunda ―Borges de Barros‖ foi fundada em 1934, com 3.916 volumes, pertencente à Prefeitura Municipal, em cujo prédio funciona. Foram fundadas as bibliotecas ―União e Mocidade‖, em 1940, com 645 volumes, pertencentes à Igreja Presbiteriana; ―Manoel Quirino‖, em 1942, com 439 volumes, na rua Rui Barbosa, pertencente à Associação Beneficente e Cultural dos Artífices; ―Rui Barbosa‖, em 1948, com 1.344 volumes, na rua 2 de Julho, pertencente à agência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; ―Pedro Calmon‖, em 1957, com 280 volumes, pertencente às Escolas Reunidas; ―Pio XII‖, em 1959, com 1.200, volumes, pertencente ao bispado, funcionado no Seminário N.S.de Lourdes. (p. 55)Contudo, encontramos no arquivo da Biblioteca Pública Profª Zenáurea TerezinhaCampos Dias uma circular expedida pelo Instituto Nacional do Livro, no ano de 1988(anexo 01), que confirma o cadastro desta biblioteca, no referido orgão Federal, hojeFundação Nacional do Livro.Outros documentos também confirmam o registro desta biblioteca em outrasinstituições como no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (circulardatada de 06 de janeiro de 1999, remetida a então ―Borges de Barros‖ — ver anexo
  42. 42. 5102) e no Conselho Regional de Bibliteconomia - 5ª Região (ofício expedido em 19 demarço de 1996 — ver anexo 03)No entanto, o mais importante documento encontrado nos arquivos da bibliotecamunicipal, que comprova sua existência mediante os orgãos de administraçãopública municipal, estadual e federal, foi um formulário do Serviço de Estatística daEducação e Cultura – SEEC, do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE(anexo 04). No documento datado de 27 de junho de 1984 constam as informaçõesde que a ―Biblioteca Borges de Barros‖ foi fundada em 1934 e que ficava localizadana Praça Juracy Magalhães, reafirmando o que Silva (1970) já havia constatado. Éesclarecido ainda que a entidade mantenedora é a Prefeitura Municipal de Senhordo Bonfim. O acervo bibliográfico, na época, era formado por 1.654 exemplares.No verso do documento citado no parágrafo anterior, encontramos a seguinteinformação ―confirma-se o registro e esclarecemos que os funcionários existentesnão são bibliotecários formados e nem treinados. E sim, funcionários da prefeitura.‖(IBGE, 1983). Logo, diante deste documento e de relatos de antigos funcionáriosouvidos ao longo desta pesquisa descobrimos que na história da Biblioteca PúblicaProfª Zenáurea Terezinha Campos Dias nunca houve um profissional formado naárea. Ainda, no mesmo documento encontramos a informação de que em 1983,houve uma reforma na biblioteca, mas nada se sabe sobre esta reforma.Diante dos relatos de antigos usuários e funcionários observamos que o acervo dabiblioteca pública é mantido por doações de alguns órgãos, de usuários, e depessoas da comunidade local. Hoje a Biblioteca Pública Profª Zenáurea TerezinhaCampos Dias é a única biblioteca pública municipal em funcionamente na cidade de
  43. 43. 52Senhor do Bonfim, e fica situada no local conhecido como Pirâmide, à PraçaAlexandre Góis.4.2 – Traçando o Perfil do Leitor-UsuárioO primeiro momento da coleta de dados foi realizado por meio de um questionárioestruturado formado por 8 questões, que teve como objetivo conhecer quem é oleitor-usuário da Biblioteca Pública Profª. Zenáurea Terezinha Campos Dias, e deonde provem esta demanda. Dos 252 usuários-leitores que freqüentaram abiblioteca pública no período de realização do trabalho de investigação,compreendido entre os dias 01 a 30 de novembro de 2009, variando entre osperíodos matutino e vespertino, 27 responderam ao questionário. Número querepresenta um índice de 11% do total dos freqüentadores. Para análise dosquestionários consideramos as características e hábitos dos usuários-leitores.Em um país como o nosso onde ainda não se cultiva o hábito de leitura, mas que,também, não deixa de ter práticas leitoras, a biblioteca como uma instituiçãodestinada ao ato de ler exerce um importante papel de mediação entre a leitura e aformação do leitor, num contexto social em constantes mudanças e de inúmerasexigências. Pois, todos independente de idade ou classe social têm livres acesso aeste espaço.Em nossa pesquisa detectamos que, 33% dos respondentes relataram freqüentar abiblioteca uma vez por semana, 30% freqüentam mais de uma vez por semana, 11%
  44. 44. 53freqüentam uma vez por mês, 26% raramente freqüentam. Com base nesses dados,observa-se que mais da metade dos respondentes informaram ter usadoassiduamente os serviços e produtos oferecidos pela biblioteca. Os perfis dessesrespondentes serão discutidos adiante.No tocante as características do grupo respondente, constatamos que quanto àidade, 33% encontram-se na faixa etária entre 11 e 15 anos, 30% entre 16 e 19anos, 30% entre 20 e 25 anos, e 7% entre 24 e 30 anos. Estas informações indicamque o público atendido na biblioteca pública de Senhor do Bonfim é primordialmentede jovens, o que sinaliza serem alunos de ensino fundamental e médio, dados queconfirmaremos e discutiremos nas análises a seguir. Em relação ao gênero, 48%são do sexo feminino, e 52% do sexo masculino.Figura 1 Faixa etária 7% Entre 11 e 15 anos 33% 30% Entre 16 e 19 anos Entre 20 e 25 anos Entre 24 e 30 anos 30% Fonte: dados da pesquisaQuando perguntamos sobre a ocupação dos respondentes, 93% responderam nãotrabalhar. A maioria dos usuários-leitores que responderam ao questionário, 74%cursam ou tem o nível médio de ensino, 15% cursam ou tem o nível superior
  45. 45. 54incompleto, e 11% cursam ou tem o ensino fundamental, informação que reforça ahipótese de que o público potencial da biblioteca pública em estudo é de estudantes.Com os dados analisados e apresentados na figura 1 e figura 2 pudemos verificarque a Biblioteca Pública Profª. Zenáurea Terezinha Campos Dias, sofre o queSuaiden (2000) chamou de fenômeno da escolarização das bibliotecas públicas.Pois em um levantamento histórico feito pelo autor sobre o contexto social dabiblioteca pública entre as décadas de 30 e 50, demonstrou que a falta de bibliotecaescolar fez com que os alunos se utilizassem da biblioteca pública existentes, ―quepassou a dar prioridade para o atendimento estudantil em detrimento a outrossegmentos‖ (p.55). Fato que após 50 anos ainda é notado, pois entre os serviçosprestados ao público em geral, aqui reside a grande falha da biblioteca, até hoje, oúnico segmento da sociedade que é atendido parcialmente, em pequena proporção,é o dos estudantes do ensino fundamental e médio (SUAIDEN, 2000).Figura 2 Nível de Escolaridade 74 Ensino Sup. Incompleto Ensino Médio 15 11 Ensino Fundamental Fonte: dados da pesquisaDas instituições públicas preocupadas com o processo de construção edemocratização do conhecimento, as bibliotecas públicas são consideradas um
  46. 46. 55espaço privilegiado e consagrado à prática de leitura, uma vez que, facilitaoportunidades de formação e condições de desenvolvimento individuais e coletivas,pois as situações que ali se desenvolvem possibilitam a interação do leitor com oque é lido, contribuindo para as construções e significações realizadas por meio daprática da leitura (ZILBERMAN, 1989; SILVA, 1997).Analisando o segundo aspecto verificado durante a pesquisa, os hábitos dosusuários-leitores da Biblioteca Pública Profª. Zenáurea Terezinha Campos Dias,consideramos que a biblioteca tem favorecido ao desenvolvimento cognitivo ecultural dos sujeitos, através das situações de práticas leitoras que surgem nointerior deste espaço, subsidio imprescindível para o desenvolvimento sócio-culturaldos indivíduos participantes da relação leitura e biblioteca. Pois, no que diz respeitoà utilização de outra biblioteca, nota-se, que 56% não freqüentam outra biblioteca. Edo total de respondentes que freqüentam outras bibliotecas (44%), 75% declararamutilizar de bibliotecas escolares, e 25% de bibliotecas universitárias.Figura 3 Freqüência de outras bibliotecas Não freqüentam outras 11% bibliotecas Freqüentam bibliotecas escolares 33% 56% Freqüentam bibliotecas universitárias Fonte: dados da pesquisa
  47. 47. 56Ao examinarmos as informações da figura 4, podemos destacar que o tipo de livroque os usuários-leitores mais fazem uso é o de literatura (34%). Em segundo lugar,aparece o livro didático (31%). Em terceiro, a poesia (19%). E finalmente o livro deficção científica (16%) como o menos citado. Esclarecemos que alguns usuários-leitores optaram por mais de um tipo de livro.Observando que o maior índice de preferência de livros recai sobre o livro deliteratura, indica que os usuários-leitores utilizam deste tipo leitura como fonte deprazer. Uma vez que, a literatura é uma forma de apropriação lúdica do real, poisdos textos escritos, o literário, introduz na dimensão da leitura o lado do prazerdesinteressado que outros textos não o fazem, liberando o leitor do peso darealidade. (ZIBERMAN, 1989). Outra possível e importante indicação dos dados é deque os livros de literatura, e os livros didáticos, tem sido preferência por exigênciasdos vestibulares e de professores de língua portuguesa, o que reforça a hipótese deque o público freqüentador da Biblioteca Pública Profª. Zenáurea Terezinha CamposDias é de estudantes.Figura 4 Preferência Literária 34 Literatura 31 Didático 19 16 Poesia Ficção Científica Fonte: dados da pesquisa
  48. 48. 57Ao perguntamos quantos livros os usuários-leitores haviam lido, no ano de 2009(ano da pesquisa), excetuando os livros escolares, obtivermos o seguintepercentual: 82% responderam ter lido mais de três livros, 7% dois livros, 7% um livro,e 4% responderam nenhum. Estes dados são de grande relevância, visto que,pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Leitura, em 2007 revela que a média brasileirade livros lidos é de 3,7 livros por habitantes/ano.A comparação da média nacional com os 82% dos respondentes que afirmaram terlido mais de três livros no ano de 2009, sinaliza que o espaço da Biblioteca PúblicaProfª. Zenáurea Terezinha Campos Dias tem sido utilizado para a formação dohábito de leitura entre os freqüentadores daquele espaço, o que contribui para ainclusão e participação desses sujeitos na sociedade. Visto que, para Silva (1986;2004), sem dúvida o gosto pela leitura resulta de práticas de leitura, uma vez que otexto é um modo de se inteirar das realidades e interagir com a coletividade, queserve como instrumento de inserção das pessoas no mundo e para seusrelacionamentos como os grupos sociais com os quais estão envolvidas e queconstituem nosso cotidiano.Figura 5 Quantidade de livros lidos no ano de 2009 4% 7% Um livro 7% Dois Mais de três livros 82% Nenhum livro Fonte: dados da pesquisa
  49. 49. 58A leitura exerce papel fundamental no modelo de sociedade vigente onde são cadavez mais fortes as necessidades de obter conhecimento e informação. O processode construção do sujeito enquanto cidadão, de desenvolver-se social eintelectualmente, está diretamente relacionado com seus hábitos e práticas deleitura, no entanto os dados da nossa pesquisa revelam que 63% dos respondentesnão realizam compra de livros, e o restante (37%) declara comprar livros, comomostra a figura 6.Figura 6 Compra de Livros 63 Compram livros 37 Não compram livros Fonte: dados da pesquisaDe acordo com a análise destes dados pudemos verificar que mais da metade dosrespondentes tem acesso restrito ao livro, portanto, de todo o conhecimento einformação registrados pela escrita e significado pela leitura. O que para Silva(1986), está diretamente relacionada com o poder aquisitivo das classestrabalhadoras, uma vez que a falta de acesso ou acesso restrito torna empobrecidaas condições sócio-culturais do povo. Pois, a prática de leitura tem relação diretacom as condições econômicas das famílias e dos indivíduos.
  50. 50. 594.3 – Os Significados que a Leitura ProduzNos parágrafos seguintes pretendemos analisar, através das falas dos sujeitosentrevistados que freqüentam a Biblioteca Pública Profª. Zenáurea TerezinhaCampos Dias, os usos e significados que as práticas leitoras produzem no âmbito dabiblioteca, e suas contribuições para a formação do sujeito letrado.Alguns exemplos das falas mostram como os sujeitos concebem a noção de leituraem suas vidas e para as suas vidas. A recorrência aos termos utilizados para oconceito do que poderia definir o ler possibilitou propormos as categorias que aseguir apresentaremos.4.3.1 – Ler é adquirir conhecimentoO ato de ler é conceituado por Silva (1986), como fundamentalmente um ato deconhecimento. Possibilitando-nos a adquirir informações, elaborarmos sentidos edesenvolvermos reflexões críticas sobre os mais variados assuntos que seapresentam a nossa volta.A idéia que os sujeitos expressaram sobre a leitura direciona-se à compreensão deque a leitura é uma via de acesso ao conhecimento, aproximando-se do que o autoracima citado expõe. Sejam conhecimentos de ordem informacionais, ou sobreconhecimentos educacionais, sociais, políticos, ou do cotidiano.
  51. 51. 60 “Leitura é conhecimento. É via de acesso ao conhecimento”. (L. 06) “É fonte de informação, conhecimento”. (L. 08)Na resposta seguinte é expressa, mesmo que inconscientemente, a idéia de leituraque afasta o sujeito do senso comum, uma vez que, os processos de leitura dapalavra proporcionam o acesso, a compreensão e a reflexão sobre os diversostextos e situações, ao mesmo tempo em que propiciam o questionamento e atransformação dos mundos que nos circundam. (SILVA, 2004) “[...] sem a leitura a pessoa não vai a lugar nenhum, não aprende nada”. (L. 04)A idéia expressa a importância da leitura para a vida do sujeito na sociedade letrada,onde o poder da palavra impressa é fator determinante nas relações existentes nomundo dos dominantes exploradores e dos explorados oprimidos.4.3.2 – Ler é interagir, é construção de sentidoNa perspectiva interacional da leitura onde leitor e autor interagem mutuamenteatravés do texto, as interpretações e reações do leitor são respostas previstas peloautor, ou seja, provocações intencionais. Esta também, é uma das concepções deleitura apresentadas em uma das falas dos entrevistados. “Leitura é uma forma de você interagir com o tema [...]”. (L 03) “É abrir a mente, deixa a gente informado, trabalha a mente”. (L. 07)
  52. 52. 61O ato de ler então não se constitui numa relação de leitor-receptor e de autor-receptador. A atividade de leitura é uma interação a distância entre leitor e autor viatexto. O leitor constrói um sentido global para o texto, formula e reformula hipóteses,aceita ou não aceita as conclusões do autor. (KLEIMAN, 1989)A idéia de leitura interacional requer a participação efetiva e permanente do leitor naconstrução de sentido. Pois, a interação e construção de sentido estãocondicionadas ao conhecimento do leitor, seus valores, suas vivências, e seu lugarsocial. (SILVA, 2004; KOCH, 2007).Essa construção de sentido significa, também, aprender a ler o mundo. Podemosreconhecer que através do ato de ler estamos condicionados a conhecer valores,princípios, idéias que estão presos a nossa realidade de acordo com o contexto decada sujeito. Isso significa que as reflexões que somos capazes de realizar, ospensamentos que organizamos acerca das situações cotidianas, as opiniões queemitimos de forma crítica e autônoma, são capacidades desenvolvidas a partir daleitura, não necessariamente da leitura da palavra, mas da leitura do mundo.Durante a análise das informações obtidas encontramos o conceito de leitura demundo explicitada nas respostas dos usuários-leitores. “Ela me ajuda no estudo, é ver o mundo”. (L 09) “É uma forma de se expressar melhor. De entender as coisas o mundo. Com a leitura a gente consegue desenvolver certas capacidades que até então não eram percebidas por nós e pelos outro”. (L 02)Em seu artigo A importância do ato de ler, Freire (2002, p.12), declara: ―A leitura domundo precede a leitura da palavra; a leitura desta implica a continuidade da leituradaquele‖. Não nos resta dúvida quanto à pertinência de tal declaração. Pois, ler a

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