Monografia Edivania Pedagogia 2010
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Pedagogia 2010

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Monografia Edivania Pedagogia 2010 Monografia Edivania Pedagogia 2010 Document Transcript

  • 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPATAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM EDIVÂNIA FELIX DA SILVAEDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES DA ESCOLA MUNICIPAL ARTUR PEREIRA MAIA NO MUNICÍPIO DE FILADÉLFIA SENHOR DO BONFIM 2010
  • 2 EDIVÂNIA FELIX DA SILVAEDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES DA ESCOLA MUNICIPAL ARTUR PEEIRA MAIA NO MUNICÍPIO DE FILADÉLFIA Monografia apresentada como requisito para conclusão do curso de Pedagogia: Docência e Gestão de Processos Educativos, Departamento de Educação Campus VII da Universidade do Estado da Bahia. Orientador: Profº Ozelito Souza Cruz SENHOR DO BONFIM 2010
  • 3 TERMO DE APROVAÇÃO EDIVÂNIA FELIX DA SILVAEDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES DA ESCOLAMUNICIPAL ARTUR PEREIRA MAIA DE FILADÉLFIA – BATrabalho monográfico aprovado como requisito parcial para obtenção do grau deLicenciatura Plena em Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão deProcessos Educativos, no Departamento de Educação – Campus VII – Senhor doBonfim, da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, pela seguinte bancaexaminadora: Aprovado em____/____/_____ _____________________________________________ Orientador: Profº Ozelito Souza Cruz _____________________________________________ Professor (a) avaliador (a) _____________________________________________ Professor (a) avaliador (a) Setembro de 2010 Senhor do Bonfim – BA,
  • 4Dedico este trabalho a Deus,como Criador, Senhor e Redentor deminha vida. E a todos quecontribuíram direta e indiretamentepelo apoio e incentivo.
  • 5 AGRADECIMENTOSMuitas foram às pessoas que contribuíram para chegar ao final desta caminhada.Quero, pois, manifestar minha sincera gratidão:A Deus, pelo dom da vida e pelas forças renovadas a cada manhã, demonstrandoamor e cuidado.A Universidade do Estado da Bahia, porque abriu as portas e possibilitou-meconcluir o curso de ensino superior.Ao colegiado de pedagogia e todos os professores que certamente deixaram suascontribuições no decorrer do curso.Ao professor Ozelito Souza Cruz, pelo estímulo, dedicação e paciência com queorientou esta pesquisa.Aos meus familiares, especialmente minha mãe e minha sogra pela solidariedade decuidar dos netos durante toda pesquisa.Aos professores da Escola Artur Pereira Maia, pela contribuição tão necessária pararealização deste trabalho.Aos amigos universitários pelas conversas, discussões e intervenções quecontribuindo para que eu chegasse até aqui.A todos os meus amigos, especialmente, Poliana Rodrigues, pelo apoio cotidiano epela bem vinda ajuda no computador.A todos vocês, meus sinceros agradecimentos. Que Deus os abençoe!
  • 6 “Quem planeja a curto prazo, deve cultivar cereais;A médio prazo, plantar arvores; A longo prazo, deve educar as pessoas”. Kwantzu, China, A. C.
  • 7 LISTA DE ABREVIATURASEA- Educação AmbientalONU- Organização das Nações UnidasPCN- Parâmetros Curriculares NacionaisSEMA- Secretaria Especial do Meio AmbientePRONEA- Programa Nacional de Educação Ambiental
  • 8 LISTA DE FIGURASFIGURA 01: Percentual em relação ao gênero;FIGURA 02: Percentual em relação a faixa etária;FIGURA 03: Percentual em relação ao nível de escolaridade;FIGURA 04: Percentual em relação ao tempo de serviço.
  • 9 RESUMOTendo em vista que o debate a cerca da Educação Ambiental nas últimas décadastem tomado grandes dimensões e adquirido significados diferentes, a presentepesquisa procura trazer resultados de um trabalho realizado com docentes daEscola Municipal Artur Pereira Maia, situada no município de Filadélfia – BA. Tendocomo objetivos analisar as percepções que os professores tem sobre suas relaçõescom o meio ambiente e verificar como a questão ambiental está sendo trabalhada naescola. Para que esse estudo se efetivasse, utilizamos como metodologia a decaráter qualitativo e como instrumento de coleta de dados o questionário semi-aberto. Os dados obtidos foram embasados nos teóricos: Guimarães (1995),Segura (2001), Mendonça (2007), Lima (1984), Capra (2003), Reigota (1994) Oliva(2001), dentre outros. Ao concluir, percebemos que a educação voltada para oambiente e um meio importante para despertar em todos a consciência sobre asquestões ambientais e que para atingir esse fim o papel do professor e fundamental.Esperamos que este trabalho possa contribuir provocando mudanças no estilo devida, tanto do educando, quanto do educador por novos padrões de conduta, paraassim, contribuir na melhoria da qualidade de vida da sociedade.Palavras-chave: Educação Ambiental, Escola e Professor.
  • 10 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...........................................................................................................12CAPÍTULO I...............................................................................................................141 – PROBLEMÁTICA.................................................................................................14CAPÍTULO II..............................................................................................................182- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................182.1- Educação Ambiental...........................................................................................182.1.2 Educação Ambiental: uma retrospectiva histórica............................................192.1.3 O que é Educação Ambiental?..........................................................................222.2 Escola..................................................................................................................232.3 Professor..............................................................................................................25CAPÍTULO III.............................................................................................................293- METIDOLOGIA......................................................................................................293.1 Abordagem utilizada............................................................................................293.2 Lócus da pesquisa...............................................................................................303.3 Sujeitos da pesquisa............................................................................................313.4 Instrumentos da pesquisa....................................................................................313.4.1 Questionário semi-aberto..................................................................................32CAPÍTULO IV.............................................................................................................334- Análise e interpretação dos dados.........................................................................334.1 Perfil dos sujeitos.................................................................................................334.1.1 Gênero...............................................................................................................334.1.2 Faixa etária........................................................................................................344.1.3 Nível de escolaridade........................................................................................344.1.4 Tempo de atuação.............................................................................................354.2 Análise dos depoimentos.....................................................................................364.2.1 Compreensão sobre a Educação Ambiental.....................................................364.2.2 A Educação ambiental e sua relação com a sociedade....................................374.2.3 Educação Ambiental: uma proposta interdisciplinar ou transversal?...............39
  • 114.2.4 O professor como agente de transformação.....................................................42CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................46REFERÊNCIAS..........................................................................................................48ANEXOS
  • 12 INTRODUÇÃOA Educação Ambiental é concebida como o ramo da educação cujo objetivo é adisseminação do conhecimento sobre o ambiente a fim de ajudar à sua preservaçãoe utilização sustentáveis de seus recursos. Esta deverá responder ao desafioambiental contemporâneo, através da compreensão de uma mudança radical dosvalores da sociedade atual, da necessidade e de sua urgente transformação paraassegurar a própria sobrevivência da espécie humana e da vida em todos osaspectos.Este trabalho tem como objetivo analisar as compreensões que os professores têmsobre sua relação com o meio e verificar como a questão ambiental está sendotrabalhada na escola.A pesquisa é composta por quatro capítulos, que serão apresentados a seguir:No capítulo I, buscamos alguns aspectos que nos levaram à investigação sobre otema, assim como a problemática, os questionamentos e os objetivos, buscandomostrar a importância da EA no âmbito escolar para formação de cidadãos críticos ereflexivos.No capítulo II, buscamos uma reflexão dos conceitos-chave que nortearam apesquisa, sendo estes: Educação Ambiental, Escola e Professor.No capítulo III, ressaltamos sobre os procedimentos que realizamos em busca derespostas. Trazemos então, a metodologia, mostrando como surgiu a necessidadedessa pesquisa. Referindo-se ao enfoque qualitativo. Identificando também, o lócus,os sujeitos e os instrumentos de coleta de dados.No capítulo IV, apresentamos a análise e interpretações dos dados, nesse aspecto,procuramos analisar as falas dos professores, comparando com as concepçõestrazidas pelos autores. Esta análise foi dividida em categorias, tentando buscarrespostas para os objetivos almejados na pesquisa.
  • 13Por fim, as considerações finais que nos trazem um relato a respeito dos resultadosencontrados, com ênfase nas concepções do grupo pesquisado a respeito daEducação Ambiental.
  • 14 CAPÍTULO I 1. PROBLEMÁTICAO tema meio ambiente vem preocupando governantes e profissionais de diversasáreas do conhecimento ao longo dos anos. Não é um assunto novo, pois muito setem escrito e pesquisado sobre ele, especialmente no espaço escolar com o intuitode Incorporá-lo ao processo educacional.A crise ambiental que hoje é tão discutida surgiu em menor grau, desde que ohomem “descobriu” a natureza enquanto recurso natural, retirando dela, além de seusustento, recursos que possibilitassem a aquisição e acúmulo de bens materiais. Apartir daí, com o surgimento e o avanço da tecnologia, o espaço ocupado pelohomem passou a sofrer sérias modificações relacionadas ou impostas pelo própriohomem.Inúmeras são as razões que tem levado o ser humano a interferir no meio ambientecausando danos irreparáveis. A principal delas é o crescimento da populaçãomundial. Esse aumento populacional exige maiores áreas de cultivo, de ondesurgem os desmatamentos e queimadas para o plantio visando o aumento daprodução agrícolas, o que vem contribuindo para o uso abusivo de adubos epesticidas.Comentando sobre a assunto, Mendonça (2008), afirma que: Essa degradação tem comprometido a qualidade de vida da população de várias maneiras, sendo mais perceptível na alteração da qualidade da água,do ar, “acidentes” ecológicos ligado ao desmatamento, queimadas, poluição marinha, lacustre fluvial e morte de inúmeras espécies animais que hoje se encontram em extinção (p.10).É importante ressaltar que nas últimas décadas o crescimento desordenado dascidades especialmente no setor industrial vem aceleradamente comprometendo oecossistema o que, se for levado avante esse processo de degradação da forma
  • 15como ele vem sendo conduzido poderemos chegar a efeitos irreversíveis para anatureza e para a vida humana, tais como: desertificação, desflorestamento,aquecimento da terra, chuvas ácidas, superpopulação, produção de alimentocrescendo num índice abaixo do necessário etc.Diante desse quadro nunca é tarde lembrar o que diz Capra (1987): ... as duas últimas décadas do nosso século vem registrando um estudo de profunda crise mundial.É uma crise complexa, multireferencial, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida – a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, tecnológicas e política.É uma crise de dimenções intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência sem precedentes em toda história da humanidade. Pela primeira vez, temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e toda vida no planeta “(p.19).A crise que o planeta vive nas últimas décadas não se deve apenas à exaustão dosrecursos naturais, poluição, degradação dos ecossistemas etc., mas também, aosaspectos ideológicos, políticos, históricos, sociais e culturais, que estãointrinsecamente relacionados.Pela gravidade da situação ambiental em todo mundo, assim como no Brasil, já setornou vital a necessidade de implementar a Educação ambiental para as novasgerações, pois, as discussões sobre este tema e suas conseqüentes transformaçõesrequer conhecimento, valores e atitudes diante de uma nova realidade a serconstruída. Como nos lembra Guimarães (1995): O novo mundo que queremos mais equilibrado e justo requer participação de todos, principalmente do setor educacional, envolvendo o engajamento pessoal e coletivo de educadores e educandos no processo de transformação social.Pela emergência da situação em que nos encontramos, é necessário trabalhar essaquestão com crianças em idade de formação de valores e atitudes, como tambémpara a população em geral, pois uma criança em contato com a realidade do seuambiente, não só aprenderia melhor, como também desenvolveria atitudes criativasem relação ao mundo em sua volta.
  • 16É nessa perspectiva que Lima em seu livro “Ecologia Humana” (1984), ressalta oenorme desafio que a educação atual deve enfrentar. A educação está assim sendo chamada a desempenhar papéis paradoxais. No momento em que ela procura ajustar o indivíduo à sociedade, deve também instrumentá-lo para criticar essa mesma sociedade. Daí vê-se claramente que a ação educativa tende a operar concomitantemente em dois níveis: em nível individual, orientando o uso ideal do meio, e em nível societário, criando uma consciência crítica, capaz de lutar pela racionalização na utilização dos recursos naturais, do meio como um todo e, sobretudo, de apontar as distorções dos sistemas em relação ao meio ambiente (p. 27).A partir desse contexto vemos a necessidade de desenvolver nas escolas umtrabalho voltado pára os temas sócio-ambientais e de dar mais importância àformação de profissionais críticos e reflexivos, capazes de compreender as relaçõesentre meio ambiente e sociedade, realizando a partir daí, uma prática construtiva einterdisciplinar, bem como trabalhos pedagógicos para o exercício da cidadania.A EA enquanto proposta de reflexão no ambiente escolar, surge para tentardespertar em todos no meio acadêmico e na mídia, a consciência de que o serhumano é parte do meio ambiente. Ela tenta superar a visão antropocêntrica, quefez com que o humem se sentisse sempre o centro de tudo esquecendo aimportância da natureza, da qual é parte integrante. Neste contexto Guimarães(1995) esclarece que: Na relação do ser humano com o meio, que atualmente parece se processar de forma bastante desequilibrada, dominadora, neoorotizante, é que a EA tem um grande campo a desenvolver. Praticando um trabalho de compreensão, sensibilização e ação sobre esta necessária relação integrada do ser humano com a natureza; adiquirindo uma consciência de intervenção humana sobre o ambiente que seja ecologicamente equilibrada (p.31).A EA surge, portanto, como resposta à procupação com o futuro da vida. Ela temimportante papel de interagir o ser humano como o meio ambiente. Uma relaçãoharmoniosa, consciente do equilíbrio dinâmico na natureza, possibilitando por meiode novos conhecimentos, valores e atitudes a inserção do educando e do educador
  • 17como cidadãos, no processo de transformação do atual quadro ambiental do nossoplaneta, a partir de suas ações locais, seja em casa, na escola, na comunidade e nomunicípio.Meu interesse pelo estudo sobre Educação Ambiental teve sua origem a partir daobservação desses fatores e da situação catastrófica que o planeta estáenfrentando. A partir dessa problemática, senti-me inquietada em buscarinformações a respeito de como as escolas da rede pública de ensino,especialmente a Escola Municipal Arthur Pereira Maia, do município de Filadélfia,vem trabalhando esse tema para garantir uma nova consciência crítica-construtivade seus alunos na relação com o meio ambiente.Diante desse contexto surgiu a seguinte questão de pesquisa: Como os professoresda rede pública de ensino, especialmente os da Escola Municipal Arthur PereiraMaia, tem trabalhado com a Educação Ambiental?Essa pesquisa tem como objetivos: • Analisar as percepções que os professores têm sobre sua relação com o meio ambiente; • Verificar como a questão ambiental está sendo trabalhada na escola.A pertinência dessa pesquisa consiste, pois, numa tentativa de refletir, com maisprofundidade a questão ambiental e sua relação com o ambiente escolar, com ointuito de contribuir para uma maior compreensão dessa relação e assim poderauxiliar o poder publico, especialmente as escolas, com um novo olhar sobre atemática da educação ambiental.
  • 18 CAPÍTULO II2. QUADRO TEÓRICOCom o intuito de melhor aprofundar a discussão a que nos propomos nestaabordagem, e afim de compreender as concepções que os docentes têm em relaçãoao meio ambiente, no processo educativo, vamos inicialmente refletir sobre osseguintes conceitos: Educação Ambiental, Escola e Professor.2.1 Educação AmbientalPara analisar as questões ambientais dentro do contexto educacional, é necessárioprimeiramente abordar o conceito meio ambiente, pois este é compreendido comotudo aquilo que está a nossa volta, tudo que vemos, ouvimos, sentimos, tudo quecompõe o planeta. Em outras palavras Guimarães (1995) afirma que: Meio ambiente é o conjunto de elementos vivos e não vivos que constituem o planeta terra: todos esses elementos relacionam-se influenciando e sofrendo influência entre si, em equilíbrio dinâmico (p.11)Quando se trata de meio ambiente deve-se levar em consideração que o serhumano surgiu fazendo parte integrada deste todo – a natureza. Com o passar dotempo foi afirmando uma consciência individual totalmente desintegrada. Já nãopercebia mais as relações de equilíbrio da natureza e passou a agir de formadesarmônica sobre o ambiente. Ao aglomerar-se em áreas cada vez mais urbanas,o homem passou a ter mais conhecimento para lidar com a natureza e compreendermelhor os fenômenos naturais, só que, esse conhecimento, serviu para explorarainda mais os recursos naturais.Gadotti (2000), vem afirmar essa visão quando diz que: O modelo econômico dominante tirou a palavra de todas as coisas para que apenas a palavra humana falasse, virando as costas para a terra, explorando-a apenas, não a tratando como um grande sujeito vivo do qual nós somos filhos e filhas (p.193-194).
  • 19Com a Revolução Industrial, a exploração dos recursos da natureza se intensificoucausando problemas ambientais cada vez maiores atingindo uma esfera global enão apenas local. Antes da década de 1950 não se falava ainda em EA, mas osproblemas ambientais eram marcantes. Tornaram-se cada vez mais urgentes,amplamente estudados e discutidos. Pois como afirma Fontenele (2003) na citaçãoabaixo: Hoje, a poluição, a devastação das florestas, os pesticidas, a radiatividade, a erosão, o efeito estufa, a camada de ozônio e outros assuntos que até alguns anos atrás eram preocupação apenas de ecologistas excêntricos, são manchetes e matéria de capa dos grandes jornais e revistas em todo o mundo (p.01).As questões ambientais se apresentam como um dos problemas urgentes a seremresolvidos nos novos tempos. É hoje uma questão política e assunto de interessegeral que preocupa a todos, (Penteado,1994).A preocupação com as rápidas mudanças que levou a crise de relação entresociedade e meio ambiente fez com que surgisse a mobilização da sociedade,exigindo soluções e mudanças. Na década de 1960, a partir dos movimentos contraculturais, surgiu a difusão da educação ambiental como ferramenta das mudançasnas relações do homem com o ambiente.A necessidade de se perceber a importância de um olhar sobre as agressões dohomem à natureza passou a ser debatida nos últimos anos a partir de grandesencontros e publicações, como veremos em uma breve retrospectiva histórica.2.1.2 Educação Ambiental: Uma retrospectiva históricaUma das publicações mais importantes, que na nossa compreensão abriu o debateem torno dessa temática foi o livro “Primavera Silenciosa “(Silent Spring), de RaquelCarson (1992), que foi publicado como alerta e reação a essas agressões, pois omesmo trata dos efeitos ecológicos provocados pelo homem devido a seu modo de
  • 20vida em prol do desenvolvimento industrial. Mais tarde, outros autores entenderamque essas agressões afetam a natureza causando outros impactos na sociedade.Podemos considerar os anos 60/70 como o marco contemporâneo de ascensão dosmovimentos sociais em defesa do meio ambiente.Segundo Guimarães (1995), a questão ambiental ganhou grande repercussão emnível mundial com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente,realizada em Estocolmo, em 1972. Nesta conferência foi discutida com preocupaçãoa questão da educação para o meio ambiente.Guimarães ao citar Lima (1984), destaca que: Se estabeleceu uma abordagem multidisciplinar para nova área de conhecimento, abrangendo todos os níveis de ensino, incluindo o nível não- formal, com a finalidade de sensibilizar a população para os cuidados ambientais (p.17-18).Em 1975, aconteceu o congresso de Belgrado, na Iugoslávia. Neste encontro foramdeterminados as metas e os objetivos da Educação Ambiental, que se convencionouchamar a carta de Belgrado, onde o principio básico é a atenção com o meio naturale artificial, considerando os fatores ecológicos, políticos, sociais, culturais eestéticos.Guimarães destaca ainda ao citar Lima, (1984) que como meta prioritária foideclarado que: [...] a formação nos indivíduos de uma consciência coletiva, capaz de discernir a importância ambiental na preservação da espécie humana e,sobretudo, estimular um comportamento cooperativo nos diferentes níveis das relações inter e intranações.(p.18)Em 1977 a Organização das Nações Unidas ( ONU), através da Unesco, organizoua I conferência Intergovernamental sobre educação para o ambiente, em Tbillisi-Geórgia uma das mais importantes para EA a nível mundial. Nela, foram traçados deforma mais sistemática e definidas as características que a EA formal deve ter: ou
  • 21seja, deve ser um processo dinâmico e integrado, transformador, participativo,abrangente, globalizador, permanente e contextualizado.A nível de Brasil, foram incorporadas recentemente com os Parâmetros CurricularesNacionais (PCNs) do Ministério da Educação e Cultura, na abordagem sobre oprocesso da transversalidade, que a EA não seja tratada como uma disciplinaespecífica, mas sim, como um tema que permeie em todas as disciplinas.Na década de 1970 foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). Nosanos 1980 começam a surgir no Brasil muitos trabalhos acadêmicos abordando atemática, surgem também movimentos sociais e junto com eles, a ConstituiçãoFederativa do Brasil de 1988, estabelecendo que é de competência do poder públicopromover a EA em todos os níveis de ensino.Mais tarde, foi realizada a II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente eDesenvolvimento, a ECO-92, ocorrida no Rio de Janeiro em 1990. O principaldocumento extraído dessa Conferência foi a Agenda 21, programa recomendadopara os governos, agências de Desenvolvimento, Órgãos das Nações Unidas,Organizações não-governamentais e para a sociedade civil de um modo geral.Segundo Oliva (2001), este documento recomenda a celebração da EducaçãoAmbiental como prática a ser desenvolvida no cotidiano das sociedades, salientandoconferir consciência ambiental e ética, valores e atitudes, técnica de comportamentoem consonância com o desenvolvimento sustentável e que favoreça a participaçãopública efetiva nas tomadas de decisões, para ser colocado em prática a partir desua aprovação, em 14 de junho de 1992, ao longo do século 21 em todas as áreasem que a atividade humana interfira no meio ambiente.Como visto nesta breve retrospectiva, sobre a questão ambiental, o ProgramaNacional de Educação Ambiental (Pronea) e os novos Parâmetros CurricularesNacionais (PCNs), que definem meio ambiente como tema transversal em todas asdisciplinas, nos remete a necessidade de uma maior compreensão sobre esseconceito e sua definição
  • 222.1.3 O que é Educação Ambiental?Segura (2001) define a palavra “educação” fazendo uma relação com o adjetivo“ambiental, sugerindo que: Trata-se de uma troca de saberes, de uma relação do individuo com o mundo que o cerca e com outros indivíduos. O adjetivo “ambiental” tempera essa relação inserindo a percepção sobre a natureza e as formas como os humanos interagem entre si e com ela. Em outras palavras, a EA busca formação de sujeitos a partir do intercambio com o mundo e com outros sujeitos (p.43)Existem varias definições para EA, variando de acordo com cada contexto. OsPCNs(1998), a definem como: Um meio Indispensável para se conseguir criar e aplicar formas cada vez mais sustentáveis, de interação sociedade-natureza, e soluções para os problemas ambientais. A educação sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é condição necessária para tanto. (p.180).A lei Nº 9.795 sancionada pelo Congresso Nacional, em 27 de abril de 1999, queinstitui a Política Nacional de Educação Ambiental, até hoje pouco conhecida epraticada, define legalmente a EA em seu Art.1º como: Processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.No Art.2º da mesma lei está escrita: “Á educação ambiental é um componenteessencial e permanente da educação nacional devendo estar presente, de formaarticulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráterformal e não formal”.A presença da EA em caráter informal envolve todos os segmentos da população,como por exemplo: grupos de mulheres, de jovens, trabalhadores, políticos,empresários, associações de moradores, profissionais liberais, dentre outros e naeducação formal, abrange os currículos das instituições de ensino público e privado,
  • 23englobando: educação básica; educação infantil; ensino fundamental e ensinomédio; educação superior; educação especial; educação profissional e educação dejovens e adultos. Objetivando segundo Marcatto (2002), atingir o público em geralpartindo do principio de que todas as pessoas devem ter oportunidade de acesso àsinformações que lhes permitam participar ativamente da busca de soluções para osproblemas atuais.A proposta do Ministério da Educação e cultura (MEC) para a prática da EA naescola, implementada pela coordenação geral, é a inserção da temática ambientalnos currículos, aliada a adoção de uma nova postura de práticas e atitudes de todacomunidade escolar, que pode ser exercitada em projetos de educação ambientalarticulados com projetos educativos na escola, E os professores são os principaisagentes de implantação da Educação Ambiental (Oliva, 2001).2.2 EscolaA escola como espaço de estudo é uma organização que detém em sua estruturafísica, itens pedagógicos e filosóficos capazes de representar aquilo que asociedade deseja e acredita. Sendo uma instituição responsável pela educação, éelementar para o desenvolvimento social dos indivíduos. Sua grande tarefa segundoos PCNs (2001) é: Proporcionar um ambiente escolar saudável e coerente com aquilo que ela pretende que seus alunos aprendam, para que possa, de fato, contribuir para a formação de cidadãos consciente de suas responsabilidades com o meio ambiente e capazes de atitudes de proteção e melhoria em relação a ele (p.75).A escola, segundo Segura (2001), “foi um dos primeiros espaços a absorver oprocesso de “ambientalização” da sociedade, recebendo sua cota deresponsabilidade para melhorar a qualidade de vida da população por meio dainformação e conscientização”. Sua finalidade é adequar as necessidadesindividuais ao meio, enfatizando que o papel do professor é auxiliar na contribuiçãodo conhecimento, priorizando as decisões do grupo, tornando-se um local onde sejapossível o crescimento mútuo dos seus membros.
  • 24Libâneo (1992), ao refletir sobre essa mesma temática, destaca que: A preparação das crianças e jovens para a participação ativa na vida social é o objetivo mais imediato da escola pública [...] Ao realizar suas tarefas básicas, a escola e os professores estão cumprindo responsabilidades sociais e políticas. Com efeito, ao possibilitar aos alunos o domínio dos conhecimentos culturais e científicos, a educação socializa o saber sistematizado e desenvolve capacidades cognitivas e operativas para a atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista dos direitos de cidadania. (p.33).O convívio escolar é decisivo na aprendizagem de valores sociais e o ambienteescolar é o espaço de atuação mais imediato para os alunos. Assim, é precisosalientar a sua importância nesse trabalho. Sendo a escola responsável pelaformação do cidadão, é chamada a contribuir para a resolução de alguns problemasna sociedade. É ai, onde fazemos o seguinte questionamento: qual a finalidade daEA na escola?Nas palavras de Brandão (1995-1996), a EA “é uma das vocações da educação,que se inspira tanto nos valores de respeito a todas as formas de vida e desolidariedade, como na necessidade de adquirir conhecimentos específicos arespeito da problemática ambiental” (p. 4). Isso nos leva a entender que a EA temum papel e uma identidade consolidada dentro do processo educativo sendo umfator indispensável na formação individual e coletiva de indivíduos críticos econscientes, a respeito das demandas ambientais.Segundo Guimarães (2004) atualmente no Brasil, projetos e atividadesdesenvolvidas em prol da EA, estão voltadas apenas para o ambiente natural, nãoincluindo o homem e suas relações. No entender desse autor isso acontece por que“as bases teóricas e políticas que fundamentam a formação da maioria doseducadores, ainda estão pautadas numa visão desarmônica entre indivíduos,sociedade e natureza”.Sobre este contexto, Sorrentino (1995) destaca que:
  • 25 O objetivo de educação ambiental é o de contribuir para a conservação da biodiversidade, para a auto-realização individual e a comunitária e para a autogestão política e econômica, através de processos educativos que promovam a melhora do meio ambiente e da qualidade de vida (p87).Diante disso, é preciso refletir sobre como a EA vem sendo trabalhada nas escolas.Saber por que a educação alcança tão pouco seus objetivos. Fica evidente que épreciso: investigar o interesse dos professores sobre o tema em questão; analisar seas informações são transmitidas nas atividades destinadas a este fim; desenvolvernovas práticas pedagógicas que ofereçam meios efetivos para que cada alunocompreenda os fenômenos naturais, as ações humanas e suas conseqüências;adotar posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos; incluir noscurrículos escolares conteúdos ambientais contextualizados para ajudar o aluno acompreender o mundo em que vive, fazendo correlação dos fatos.Sobre o currículo Sato (2004), entende que: O desenvolvimento do currículo escolar deve ser amplamente discutido com especialistas, professores alunos e comunidade, garantindo tempo e espaço para as discussões que definirão a estrutura escolar. È preciso rever os conteúdos para encontrar um objeto de convergência entre as disciplinas que consequentemente implica interdisciplinaridade. Nesse contexto a educação ambiental é um fantástico mecanismo de auxilio da promoção da educação em geral, porque relaciona à ética, à moral, à educação pública e gratuita, aos direitos humanos, à solidariedade entre as nações, entre outros (p.29)Assim, sendo, trabalhando os conteúdos básicos considerados universais, oconhecimento, valores, hábitos, atitudes e comportamento, possibilitarão aoindivíduo situar-se como ser social, capaz de exercer o pleno exercício da cidadania.E ao obter novos conhecimentos os alunos poderão fazer leitura da realidadeconcreta de forma crítica.Portanto, diante de toda discussão feita em torno do papel da escola na sociedade,é notável que a mesma tenha um papel decisivo na formação e sensibilização dosindivíduos em relação ao ambiente. Tal papel se define a partir da postura que aescola adota.2.3 Professor
  • 26Professores são profissionais de suma importância que trabalham nas escolas eacreditam na importância delas para a formação de crianças, jovens e adultos. Seupapel é promover uma formação de qualidade que ajude na transformação ecompreensão de mundo propiciando uma mediação na relação do sujeito e oconhecimento. A cerca disso MizuKami (1986) vem afirmando que: O professor nessa abordagem assume a função de facilitador da aprendizagem, nesse clima o estudante entrará em contato com os problemas vitais que tenham repercussão na existência. Daí o professor a ser compreendido como facilitador da aprendizagem, congruente, ou seja, integrado. (p.52)Sendo a escola o campo específico de atuação profissional dos educadores, nela,poderão assegurar aos alunos através de sua prática educativa um sólido domíniode conhecimentos, habilidades e desenvolvimento de suas capacidades intelectuais.O domínio de um conhecimento sólido é essencial na vida do cidadão e condiçãoindispensável para uma leitura crítica da realidade, pois, como bem salienta Cortella(2001): O bem imprescindível para nossa existência é o conhecimento, dado que ele, por se constituir em entendimento, averiguação e interpretação sobre a realidade, é o que nos guia como ferramenta central para nela intervir; ao seu lado se coloca a educação (em suas múltiplas formas), que é o vínculo que o transporta para ser produzido e reproduzido (p.45).Nesse contexto é necessário que o professor faça uma reflexão acerca de suaprática educativa de maneira a avaliar quais contribuições seu trabalho está dandoem abrir espaços para manifestações de trabalhos com diferenças, a auto-expressão, a descoberta, novas experiências perceptivas e etc. Pois seu papel é defundamental importância no crescimento intelectual, cultural e artístico tanto dosalunos como da sociedade como um todo.Gadotti (2003) ao relatar sobre a importância do professor esclarece que: Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo, conviver, é ter consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a
  • 27 humanidade sem educadores, assim como não se pode pensar num futuro sem poetas e filósofos. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência critica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marketeiros, eles são os verdadeiros “amantes da sabedoria”, os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber (não o dado, a informação e o puro conhecimento), porque constroem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam juntos, um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprenscidíveis (p.17).É notável que o professor exerça grande influência na formação do cidadão,portanto, se torna necessário que ele seja um exemplo para todos que o cercam,que tenha uma formação política ética, compromisso com suas responsabilidades;respeito com as diferenças; tolerância diante de atitudes; autonomia didático-pedagógica; e domínio do saber específico que leciona. Além de tudo que lhe éatribuído, o professor, deve ter um olhar voltado para os problemas ambientais emsua volta, um olhar crítico que, envolvido com sua ação, poderá desencadearmudanças de perspectiva visando à participação na transformação social.Segundo Gouveia (1999): Não basta propormos maior participação, mas mudanças, esta participação tem que ser praticada. A participação traz como conseqüência, a responsabilidade pelos próprios atos, tornando a ação docente uma ação consciente e compromissada com as mudanças (p.8).A formação deficiente do professor constitui-se um problema concreto da educação,mas é preciso mudar a realidade desse quadro. É preciso segundo Nogueira (2001),mudar o atual modelo de formação de professores e por em prática os princípios,realizar as propostas curriculares, reconstruir a escola como espaço de vivencia, decidadania. Nenhuma ação se efetiva sem a disponibilidade dos que participam dela.A formação não avançará sem que os professores a tomem para si, comoresponsabilidade pessoal e coletiva. Por isso mesmo é necessário oferecer-lheformação para desenvolver a capacidade de compreender, refletir e ensinar ostemas relacionados ao meio ambiente (Penteado,1994).
  • 28Percebe-se que quando o professor amplia seus conhecimentos, trilha por caminhospedagógicos diferenciados para o ensino do EA. O ensino –aprendizagem além dese tornar mais prazeroso, torna-se mais significativo para seus alunos.Em função disso percebe-se que é de grande importância o papel participativo,atuante do educador /educando na construção do processo de EA, envolvendo-seintegralmente e vivenciando-a criticamente para atuar na construção de uma novarealidade desejada.
  • 29 CAPITULO III3. METODOLOGIAA pesquisa sugere da inquietação do individuo em relação a um determinadoproblema, sendo ele de ordem social ou não. Para Freitag (1980) a pesquisa é umadas técnicas sócias necessárias para que se conheçam as constelações históricas.E o processo pelo qual os resultados da investigação são alcançados é entendidocomo metodologia. É através da metodologia que as ações são desenvolvidas embusca da concretização da pesquisa.Demo (1987), a define como uma: A metodologia é uma preocupação instrumental. Trata das formas de se fazer ciências. Cuida dos procedimentos, das ferramentas dos caminhos. A finalidade da ciência é tratar a realidade teórica e praticamente. Para atingirmos tal finalidade, colocam-se vários caminhos. Disto trata a metodologia (p.22).3.1 Abordagem utilizadaDiante da proposta de estudo que está sendo realizada, o tipo de abordagemutilizada nessa pesquisa, foi a de caráter qualitativo, muito usada nas pesquisaseducacionais nas últimas décadas e tem como uma de suas característicasinvestigar os significados que os envolvidos dão ao assunto pesquisado.Machado e Almeida (2006), reforçando essa compreensão afirmam que: A pesquisa qualitativa (interpretativa) é considerada como aquela onde os pesquisadores interessam-se por compreender os significados que os indivíduos dão a sua própria vida e as suas experiências. O ponto de vista, o sentido que os atores dão aos seus comportamentos humanos e sociais. Mas estes significados e estas interpretações são abordados nas interações sócias onde os aspectos políticos e sociais afetam os pontos de vista dos atores. Há concordância de que interesses sociais e políticos orientam as integrações dos atores (p.32).
  • 30Para Ludke e André (1986) “a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como suafonte de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. Esse modelopromove a interação entre o pesquisador e grupo social pesquisado e permite captaraspectos e destacar características não observadas por meio de estudosquantitativos, pelo fato de este ser superficial.Goldemberg (2000), refletindo acerca dessa disso destaca que: Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa em pesquisa se opõem ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências da natureza.Estes pesquisadores se recusam a legitimar seus conhecimentos por processos quantificáveis que venham a se transformar em leis explicáveis gerais. Afirmam que as ciências sociais tem sua especificidade, que pressupõe uma metodologia própria (p.11).Os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos justificam suas escolhasafirmando que: A pesquisa qualitativa responde questões muito particulares, preocupando- se com um nível de realidade que não pode ser qualificado. Trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, contrario da qualitativa, aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas. (Michaliszy, 2005,p.57).Para Goldenberg (1999), os pesquisadores qualitativos recusam o modelo positivistaaplicado ao estudo da vida social, uma vez que o pesquisador não pode fazerjulgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa. 3.2 Lócus da PesquisaO lócus da pesquisa propicia ao pesquisador uma vivencia que traz interações entrepesquisador e sujeito, proporcionando assim uma abertura para investigar, dialogare assim perceber quais as preocupações que os sujeitos têm a cerca da questãoambiental.O lócus escolhido para o desenvolvimento dessa pesquisa foi a Escola MunicipalArtur Pereira Maia, situada no Bairro Jacaré, município de Filadélfia – BA. Fundada
  • 31em 1985, apresenta um quadro de 32 funcionários (20 docentes, 01 coordenadora,01 diretor, 01 secretária, 01 guarda e 08 auxiliares de serviços gerais). Esta escolaatende a uma clientela de 278 alunos que freqüentam os 3 turnos. Os cursosoferecidos são: Educação Infantil, Fundamental I e II e Educação de jovens eAdultos. A estrutura física da escola é subdividida em: 05 salas espaçosas, 01 sala dosprofessores e dos computadores, 01 secretaria, 05 banheiros, 01 cantina, pátio pararecreação e 01 biblioteca. A instituição também dispõe de alguns recursostecnológicos como: 01 DVD, 01 TV, 01 aparelho de som e 08 computadores.O plano Administrativo e Pedagógico da Escola conta com um regimento elaboradopela Secretaria Municipal de Educação do município. A escola também trabalha comprojetos educativos voltados para a inclusão social que possibilitam ao aluno umamelhor inserção na sociedade.3.3 Sujeitos da PesquisaOs sujeitos da presente pesquisa foram 10 professores da Educação Infantil, EnsinoFundamental I e II, dos turnos matutino e vespertino da Escola Municipal ArturPereira Maia. Esses sujeitos foram escolhidos por se adequarem ao perfil deprofessores que nos darão os subsídios necessários e informações quepossibilitarão a realização da presente pesquisa.3.4 Instrumentos da pesquisaPara obter as informações necessárias a execução dos procedimentos dessapesquisa, utilizamos como instrumento de coleta de dados o questionário semi-aberto, que buscou além de traçar o perfil dos sujeitos, contribuir para a coleta deinformações para uma melhor análise da realidade, cujos dados, possibilitoutambém articulação das idéias que garantiram as expressões sobre ascompreensões do tema abordado.
  • 323.4.1 Questionário semi-abertoO questionário é um instrumento muito útil e de fundamental importância para seperceber as compreensões que os sujeitos têm sobre determinado tema, dandorespaldo para o pesquisador interligar e compreender o processo em sua totalidade.Segundo Cervo (1983): O questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com melhor exatidão o que se deseja. Em geral, a palavra questionário refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche (p. 48).Por se tratar de um instrumento de coleta de dados constituído por uma sérieordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença doinvestigador. Nesse pensamento, Goldemberg (2000), afirma que: [...] os pesquisados se sentem mais livres para exprimir opiniões que temem ser desaprovados ou que podem colocá-los em dificuldades, menos pressões para uma resposta imediata, o pesquisado pode pensar com calma (p. p. 87-88).Escolhemos o questionário com questões abertas e fechadas para colherinformações dos sujeitos acerca de suas compreensões sobre o tema abordado,além de traçar o perfil e coletar dos mesmos dados que participaram da pesquisapara a conclusão deste trabalho. Todos os professores foram submetidos àsmesmas perguntas e às mesmas alternativas de respostas. O questionário foiacompanhado de instruções bem claras e específicas garantindo coletarinformações que nos possibilitaram fazer as análises e interpretações dos dados,que será exibido no próximo capítulo.
  • 33 CAPÍTULO IV4. Análise e interpretação dos dadosEsse capítulo procura analisar e interpretar os dados obtidos por meio doquestionário semi-aberto. Instrumento utilizado como método para traçar o perfil dos08 professores pesquisados, além de interpretar as informações a cerca dascompreensões que os professores têm a respeito da Educação Ambiental. Foramdistribuídos 10 questionários dos quais apenas 08 retornaram.A princípio, analisaremos o perfil desses professores, através das informaçõesobtidas pela aplicação do questionário, apresentando sob forma de gráfico ediscussões. Em seguida, abordaremos as percepções que os professores têm arespeito da pesquisa utilizando os mesmos métodos.4.1 Perfil dos sujeitos4.1.1 Gênero 37,5% Masculino Fem inino 62,5% Figura 01: Percentual de GêneroAo observarmos a figura acima, percebemos que os profissionais que participaramda amostra da pesquisa são 37,5% do sexo masculino e 62,5% do sexo feminino.Constatamos aqui a forte presença da figura feminina como professora nas escolasbrasileiras. A feminização do magistério brasileiro, segundo dados divulgados pelaUNESCO, chega a atingir 94,6% do sistema público de ensino (Góis, 2002). Não é ocaso da nossa amostra, mas no geral podemos constatar esses dados.
  • 344.1.2 Faixa etária 12,5% 12,5% 20 a 25 anos 30 a 35 anos Acim a de 35 anos 75% Figura 02: Percentual em relação à faixa etáriaCom relação à faixa etária dos professores, observamos através do gráfico que omaior percentual encontra-se entre professores acima de 35 anos representando75% dos pesquisados. Com base nesses dados constatamos um número bastantesignificativo de educadores acima de 35 anos , fato este, que revela certo grau dematuridade por parte daqueles que exercem a função nas escolas do município.4.1.3 Nível de escolaridade 25% 37,5% Magistério Graduados em Pedagogia Pós Graduação 37,5% Figura 03: Percentual de nível de escolaridadeO gráfico acima faz uma demonstração da formação dos professores pesquisados.Como podemos observar, 37,5% tem formação no Magistério, 37,5% são graduadosem Pedagogia e 25% possuem cursos de especialização, nenhum, porém na área
  • 35de EA, e sim nas áreas de Educação Especial, Gestão e Supervisão Escolar,tornando evidente a ausência de especialistas nesta área. Como todos essesprofissionais trabalham na educação básica, devem considerar a necessidade deuma formação continuada buscando qualificar-se pessoal e profissionalmente paradesenvolver seu trabalho com qualidade e segurança.Angotti (2002) afirma que: O professor precisa avivar em si mesmo o compromisso de um constante busco de conhecimentos como alimento para o seu crescimento pessoal e profissional. Isso poderá gerar-lhe segurança confiabilidade na realização do seu trabalho docente. Esta busca poderá instrumentalizar para assumir seus critérios, seus ideais, suas verdades, contribuindo para referendar um corpo teórico que dê sustentação para a realização do fazer (p. 64).Diante da citação acima, percebe-se a grande importância que deve-se dar parauma boa formação profissional e atualização de seus conhecimentos para assimexercitar uma prática pedagógica transformadora, consciente e comprometida com oensino.4.1.4 Tempo de atuação 12,5% Menos de 03 anos Mais de 06 anos 87,5% Figura 04: Percentual de tempo de atuaçãoConforme dados expostos na figura 03, percebemos que 12,5% dos professorespesquisados desenvolve uma prática educacional a pouco menos de 03 anos, já87,5% apresenta tempo de serviço superior a 06 anos. Esses dados provam que osmesmos possuem um tempo significativo de atuação nesse nível de ensino,trazendo consigo uma carga de experiência e compreensão bem relevante de seupapel como educador dentro do processo de ensino e aprendizagem.ANÁLISE DOS DEPOIMENTOS
  • 364.2.1- Compreensão sobre a Educação AmbientalNo sentido de identificar as compreensões que os professores da Escola ArturPereira Maia, tem sobre a EA, consegui através da coleta de dados elementos quecontribuíram para sistematizar a análise proposta, uma vez que o objetivo éencontrar respostas para tais inquietações.Quando questionados sobre suas compreensões acerca da Educação Ambiental,obtivemos os seguintes depoimentos: P1: É a maneira de conscientizar as pessoas para preservar o meio ambiente. P3: É a conscientização e valorização do meio ambiente. A partir do momento que os alunos têm consciência da importância do meio, procura preservá-lo. P6: É a educação que visa mostrar às pessoas os problemas que o ambiente vem enfrentando com o objetivo de formar cidadãos conscientes da necessidade de preservar o meio, instruindo os indivíduos a ter comportamentos ecologicamente corretos. P4: É tudo o que está relacionado ao meio ambiente, conservação da matéria prima, dos recursos renováveis e não renováveis.Nesses depoimentos percebemos que as palavras dos educadores demonstramuma compreensão acerca do tema um tanto conservacionista, com ênfase noambiente natural para a proteção e conservação da natureza, mostrando que nemtodos compreendem a evolução deste conceito, se prendendo somente aosaspectos naturais dissociando-os dos aspectos sociais. Vemos aí, a necessidade dese compreender a EA, contemplando-a com uma visão mais abrangente, isto é,globalizante. Como bem salienta Segura (2001), a EA traz uma proposta de “vida ede compreensão do mundo que valoriza valores éticos, estéticos, democráticos ehumanistas, partindo do princípio de respeito às diversidades natural e cultural” (p.42).Nesse sentido, o depoimento do professor 7, é o que mais se aproxima dessaconcepção, quando fala que: “a EA abrange um contexto bem amplo que inclui, alémdos aspectos naturais e uso de seus recursos, os aspectos sociais, morais e éticos.
  • 37Este discurso dá uma definição mais completa de EA, pois, as reflexões aqui nãoforam reduzidas apenas aos aspectos naturais ou ecológicos, mas foramrelacionadas a um conceito mais abrangente.Diante das colocações dos professores, em comparação à do autor, fica evidente anecessidade de se desenvolver no ambiente escolar práticas educativas voltadaspara a ampliação de conhecimentos desses profissionais, visando provocações demudanças no estilo de vida, tanto do aluno, como do professor, por novos padrõesde conduta, preservação e conservação do meio ambiente, sustentada por umacréscimo de consciência unitária e universal.É no sentido de mudanças que o educador deve ter um olhar voltado para osproblemas ambientais, um olhar crítico que envolvido com a ação poderádesencadear mudanças na perspectiva de vida, visando a participação natransformação social. Sobre esse aspecto, passaremos então a refletir sobre o papelda EA na contribuição para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.4.2.2 A Educação ambiental e sua relação com a sociedadeQuando questionados sobre como a EA contribui ou ajuda a melhorar as relaçõesentre sociedade, natureza e a qualidade de vida da população, as respostas foramas seguintes: P2: A sua importância para a sociedade atual se faz, no momento de criar uma consciência de preservação, conservação e desenvolvimento sustentável, levando-nos a preservar o meio ambiente. P4: Contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade sócio-ambiental de um modo comprometido. P7: Ajuda o homem a repensar as práticas arbitrárias e suas atitudes pecaminosas de destruição ambiental. E quando o ser humano fica cônscio do seu dever obviamente que terá uma qualidade de vida melhor.Nas afirmações dos 08 professores pesquisados, percebemos que 75%compreenderam a importância da EA como meio de desenvolver nos cidadãos umaconsciência crítica ambiental de preservação, desenvolvimento sustentável e sócio-
  • 38ambiental e ainda de contribuir para mudanças na formação destes cidadãosconscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente e capazes de atitudesde proteção e melhoria em relação a ele.Rigota (1994) em seu livro, “Por uma filosofia da Educação ambiental”, acrescentauma contribuição pertinente sobre o papel da EA na relação com a sociedade. Seu papel é servir como ferramenta para estimular a reflexão, propiciar conhecimento e subsidiar a ação, com vistas a minimizar os danos ambientais e reforçar o potencial político de cada indivíduo pra que compartilhe responsabilidades no convívio social, isto é, estabelecer as bases de uma “nova aliança” entre sociedade e natureza (p. 312).Nessa mesma categoria é pertinente destacar as falas dos professores 3 e 5,quando afirmam: P3: Sim, desde quando a sociedade é informada e preparada para lidar com este assunto. P5: A minha opinião é que ela precisa de mais eventos e mais divulgações para conscientização da população.Nesses depoimentos, percebemos que estes educadores reconhecem que aEducação Ambiental tem um papel significativo como instrumento deconscientização na relação entre natureza e sociedade, mas destacam dois fatoresque prejudicam essa relação, que é a falta de informação e divulgação sobre oassunto.Por um lado percebemos que de fato, essa é uma realidade presente nas escolas.De acordo com suas falas (p3 e p5), pouca atenção vem sendo dada a esseassunto, especialmente na Escola Municipal Artur Pereira Maia (escola onde esseseducadores vivenciam essa realidade). Isso demonstra que essa, entre outrasescolas, tem deixado de cumprir o que esta escrito na lei 9.795 sancionada peloCongresso Nacional no seu Art. 2º, onde diz que: “ A educação ambiental é umcomponente essencial e permanente da educação nacional devendo estar presente,de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, emcaráter formal e não formal”. Portanto, vê-se que a escola tem deixado de cumprir
  • 39sua cota de responsabilidade para melhorar a qualidade de vida da população pormeio da informação e conscientização.Mas por outro lado, ao discutir os aspectos que favorecem ou desfavorecem o realenvolvimento com a questão ambiental, Sorrentino (1991), destaca que: “Estudossobre problemas ambientais provam de maneira bastante clara que a falha não estána falta de informação ou no desconhecimento dos problemas, mas na sensação dedistancia entre a ação individual e coletiva (p.48).Diante das colocações dos professores e em comparação com o autor, constatamosque esses professores precisam saber que o processo de EA vai além deconscientização e informação sobre o assunto. É preciso associar atitude reflexivacom a ação, a teoria com a prática, o pensar com o fazer, para realizar umverdadeiro “diálogo”, como bem define Paulo Freire em sua proposta educacional;ou seja, ter a práxis em EA.4.2.3 Educação Ambiental: uma proposta interdisciplinar ou transversal?Acreditamos que a escola é um espaço privilegiado e informações onde osprofessores devem trabalhar na perspectiva de visões cotidianas, exercendo umpapel muito importante na construção da conhecimento de seus alunos. Nela deve-se inserir o conceito de EA, visando a reflexão e a prática daqueles que se propõema fazer da educação uma verdadeira fonte de motivação para a transformaçãosocial.Ao serem abordados sobre como a Educação Ambiental deve ser trabalhada noambiente no ambiente escolar, 100% dos professores pesquisados optaram pelainterdisciplinaridade. Ao explicar o por que de suas escolhas obtivemos as seguintesrespostas: P1: Primeiro temos um problema a ser enfrentado quando se trata de meio ambiente. Segundo nada melhor do que conscientizarmos nossos alunos, independente de qual seja a disciplina ensinada. P3: Porque juntar com outras disciplinas e explorar várias técnicas ou métodos de se aprofundar nesse tema.
  • 40 P6: É necessário que todos falemos a mesma língua na construção de valores éticos e morais de cidadania. P7: O meio ambiente, o meio ambiente faz parte de nossa vida e pede por socorro, portanto educadores, educandos e sociedade, independente de qualquer disciplina deve contextualizar essa situação.Diante das informações, fica claro que na visão desses educadores a educaçãoambiental esta muito ligada à abordagem interdisciplinar. Essa abordagem, noentanto, é compreendida das mais diversas formas. Segundo Reigota (1994),normalmente, ela é empregada quando professores de diferentes disciplinasrealizam atividades comuns sobre um mesmo tema. Assim, temos diferentesinterpretações sobre o assunto em pauta e as possíveis contribuições específicas.Ao discutir a importância da interdisciplinaridade Medina (2001), afirma que: Esta põe ênfase no desenvolvimento de valores e comportamentos diferentes, na relação dos homens com o meio ambiente, defende a necessidade de um conhecimento integrado da realidade e procedimentos baseados na investigação dos problemas ambientais, utilizando estratégias interdisciplinares (p.39).Para Reigota (2004), a Educação Ambiental, como perspectiva educativa, podeestar presente em todas as disciplinas, quando analisa temas que permitam enfocaras relações entre a humanidade e o meio natural, com suas relações sociais, semdeixar de lado as suas especificidades.Ao analisarmos as respostas, percebemos que esses professores resumem otrabalho a ser feito com a EA apenas à abordagem interdisciplinar, mas conformedetermina a LDB, a EA deve ser ministrada nas escolas de forma interdisciplinar etransversal, ou seja, fazendo parte do conteúdo pragmático das disciplinas.Essa visão é compartilhada por Capra (1995) quando destaca que essa é umaestratégia de ensino apropriada onde as disciplinas são recursos a serviço de umobjeto central. Segundo ele: “a aprendizagem baseada em projetos consiste emfomentar experiências de aprendizagem que engajem os estudantes em projetoscomplexos do mundo real, através dos quais possam desenvolver e aplicar suashabilidades e conhecimentos” (p.32).
  • 41Reforçando a importância da transversalidade, os PCNs de Meio Ambiente – vol. 9(2001), afirma que: Os conteúdos de meio ambiente serão integrados ao currículo através da transversalização, pois, serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental (p.49).Os professores recomendam que a EA deve ser interdisciplinar, demonstrandoassim, uma lógica correta daquilo que é proposto a respeito de como deve ser a EAno âmbito escolar, no entanto, por meio da análise de suas atividades veremos seessas práticas condizem com suas teorias. Ao questionarmos sobre como a EA étrabalhada nas atividades disciplinares, os professores responderam: P1: ...trazendo dados matemáticos. A partir dessas informações procuraremos saber de que forma podemos diminuir o impacto. P2 e p5: Através da leitura, interpretação e produção de texto. P6: Conscientizando-o da importância de cuidar do meio ambiente como espaço em que vivemos e trabalhando a reciclagem como uma atitude fundamental para preservação ambiental do lugar onde ele está inserido, não jogando lixo em qualquer local que possa transformar-se em perigo para o meio ambiente. P8: Na conservação e preservação do meio ambiente.Perante essas declarações, constatamos que esses professores resumem suaprática pedagógica apenas à informação e conscientização em disciplinas isoladas.É um bom começo, mas a respeito da totalidade da EA, é necessário explorar esseensino, ultrapassar as atividades de ações voltadas apenas para conscientização doambiente natural dando enfoque a um trabalho que promova a consciência sobre omeio ambiente local e global, ao conhecimento através da experiência, motivação naparticipação das atividades e comportamentos que possam estimular atitudesecologicamente corretas.Sobre isso, nos reportamos ao que afirma Reigota (1994): ...os professores devem trabalhar na perspectiva de visões cotidianas, exercendo um papel muito importante no processo de construção de
  • 42 conhecimentos dos alunos, na modificação dos valores e condutas ambientais, de forma contextualizada, crítica responsável (p.69).O professor 4, foi o único que não comentou sua resposta.Diante das colocações dos professores em comparação com a citação percebemosque os educadores precisam saber que a Educação Ambiental vai além dasfronteiras de aplicação de conteúdos isolados em disciplinas específicas, que oesforço coletivo na realização de atividades comuns poderá resultar em um trabalhointerdisciplinar que muito enriquecerá o desenvolvimento da Educação Ambiental naescola.Pois, conforme Capra (1995), quanto mais estudamos os principais problemas denossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidosisoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados esão interdependentes.4.2.4 O professor como agente de transformaçãoAo salientarmos sobre a importância do papel do professor na atuação em educaçãoambiental e sobre a necessidade que se tem de estar sempre buscandoconhecimento sobre o assunto, foi lançado aos professores o seguintequestionamento: Você já fez ou recebeu alguma capacitação sobre EA?Dos professores pesquisados, 37,5% responderam que sim, que participaram decursos e palestras relacionados ao tema, enquanto que 62,5% não receberamnenhum tipo de qualificação nessa área. Aos que responderam afirmativamente,suras afirmações demonstram que estes, têm cumprido as recomendaçõespreconizadas em Estocolmo (1972) sobre a qualificação dos educadores em relaçãoa EA, através de cursos, encontros, etc.A cerca da formação continuada Libâneo (2005) faz uma pertinente colocaçãoquando afirma que:
  • 43 A formação continuada refere-se àquelas atividades que auxiliam os professores a melhorar o seu desempenho profissional e pessoal. As atividades de formação continuada compreendem a participação na gestão da escola, nas reuniões pedagógicas, nos grupos de estudo, nas trocas de idéias sobre o trabalho, bem como compreendem cursos ministrados pelas secretarias da educação, congressos, capacitação de professores à distancia, etc. Nessa etapa, a consolidação do conhecimento profissional educativo mediante a prática, apóia-se na análise, na reflexão e na intervenção sobre situações de ensino e aprendizagem concretas relacionadas a um contexto educativo determinado e especifico (p.117)Os que responderam negativamente, visto que, foi um percentual bastanteconsiderável, precisará, segundo os PCNS (2001), ter como meta, aprofundar maisseu conhecimento com relação à temática ambiental. Buscar conhecer cada vezmelhor os conceitos e procedimentos da área para poder integrar os diversosconteúdos e abordar a realidade natural e social de forma mais abrangente e rica,mostrando como seus elementos se interconectam, se complementam e interagementre si.Diante desse contexto, da necessidade de se ter um conhecimento mais amplosobre a temática ambiental e formação continuada, foi solicitado aos professoresque respondessem se eles acreditavam que os educadores estavam capacitadospara trabalhar a educação ambiental na interdisciplinaridade. Diante dos dadosobtidos, 62,5% responderam que não, 25% que nem todos e 12,5% responderamque sim. Pedimos que comentassem suas respostas.Dentre os professores que responderam negativamente, eis os resultados de suasjustificativas: P1: Isso porque os professores acreditam que cada professor tem sua área para trabalhar. E quem trabalha com EA é o professor de ciência. Em outras situações o professor não sabe fazer essa relação com a disciplina que ensina. P2: Porque na escola tradicional a interdisciplinaridade não acontece devido a fragmentação de conteúdos. P3: Porque eles não foram capacitados a desenvolver este tema na interdisciplinaridade devido a não ser incluído nos conteúdos.Perante estas declarações, percebemos que na compreensão desses professoresessa “incapacidade” está relacionada à falta de conhecimento, capacitação sobre o
  • 44assunto e à fragmentação do saber. Sobre este último, Guimarães (1995), afirmaque: É um dos pressupostos da crise ambiental das sociedades modernas. Como resultado dessa fragmentação, verifica-se na prática escolar a falta de integração entre esses diferentes saberes científicos, bem como os demais saberes: filosóficos, artístico, religioso, popular; dificultando a melhor compreensão da realidade, que é integrada, formando uma totalidade (p44).Diante do exposto podemos perceber a necessidade que se tem dos educadoresdesenvolverem suas práticas pedagógicas de acordo com a abordageminterdisciplinar, pois esta, objetiva superar a fragmentação do conhecimento, já quepermite, pela compreensão mais globalizada do ambiente, trabalhar a interação emequilíbrio dos seres humanos com a natureza.Dos professores que estavam em dúvida suas justificativas estão relacionadas namesma linha de pensamento das respostas anteriores.Já o professor que respondeu afirmativamente, respondeu da seguinte forma: P5: ...Acredito que os professores estão capacitados a fazerem um bom trabalho na Educação ambiental, só depende de cada um deles.Perante essa declaração percebemos que esse profissional, mesmo achando que aEA precisa ser mais divulgada, acredita no potencial dos educadores, na capacidadedos mesmos introduzir a EA em seus trabalhos do dia-dia, e destaca como fatorprincipal para esse trabalho, a força de vontade de cada um e o buscar para si aconsciência e a participação ativa nos deveres com a sociedade. Segundo Gouveia(1999): Não basta propormos maior participação nas mudanças, esta participação tem que ser praticada. A participação traz como conseqüência, a responsabilidade pelos próprios atos, tornando a ação docente uma ação consciente e compromissada com as mudanças (p8).Diante dessa realidade, da necessidade de maior participação e atitude nasdemandas ambientais parece-nos essencial que os professores reconheçam que a
  • 45atividade docente vai além do domínio dos conteúdos específicos e, portanto,incorporar em sua pratica valores humanistas, éticos, conhecimento interdisciplinar ecompromisso político. CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • 46A busca por compreender as concepções que os docentes da Escola Municipal ArturPereira Maia, situada no município de Filadélfia, tem sobre a EA, foi o que norteouesse trabalho.Diante dos estudos realizados e analisados, pudemos constatar que esseseducadores através de suas falas apresentam compreensões a cerca da temáticaambiental um tanto reduzida, sem, contudo, compreendê-la por um viés que leve emconta a visão globalizante das coisas, isto é, sua totalidade.Mesmo sabendo que o processo de Educação Ambiental, engloba um contextoamplo e que tem um papel significativo na relação entre natureza e sociedade para apromoção, e melhoria da qualidade de vida, esses professores desenvolvem suaprática pedagógica com atividades fragmentadas um tanto distante do ideárioproposto para a Educação Ambiental. Só lembrando que os discursos dessesprofessores foram analisados de uma forma crítica, sem, contudo, seremcomputados como verdades absolutas e exatas.Por tanto, a EA formal deve contemplar todos os aspectos ambientais, sociais eéticos; por isso, deve ser interdisciplinar e transversal a todas as disciplinas, paraque possa ser desenvolvida dentro e fora do contexto escolar.Pelas falas dos professores podemos constatar que as propostas do currículoescolar não são trabalhadas em sua totalidade nesse espaço e que nenhum projetopedagógico é desenvolvido em prol dessa realidade. Percebe-se por tanto, que aausência da EA, nos currículos escolares, tira a oportunidade dos professoresdesenvolverem atividades motivadoras para a formação de cidadãos críticos eparticipativos que assumam suas responsabilidades sociais e ambientais numaperspectiva de transversalidade, ou seja, a troca de experiência e conhecimento.Para superar essa dificuldade consideramos que a formação continuada é um fatoressencial para o bom desenvolvimento da EA. Por isso, entendemos que aparticipação dos professores em cursos e palestras, é um fator preponderante, que
  • 47os tornam capazes de encontrar caminhos que propiciem um fazer pedagógicocoerente com os ideais propostos pela Educação Ambiental. REFERÊNCIAS
  • 48ANGOTTI, Maristela. Semeando o trabalho docente. IN: OLIVEIRA, Zilma deMorais Ramos de. Educação Infantil: muitos olhares (org.). 8ª ed. São Paulo: Cortez,2008.BRANDÃO, Carlos R. O que é Educação? 33ª Ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto, Lei nº 9.795 de 27 de Abril de1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de EducaçãoAmbiental e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,Brasília N. 79,28 de Abril de 1999.________, Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros CurricularesNacionais: Arte/Secretaria da Educação Fundamental. – Brasília; MEC/SEF, 1998.________, Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros CurricularesNacionais: Meio Ambiente: saúde/ Ministério da Educação. – 3ª Ed. – Brasília: ASecretaria 2001.CAPRA. Fritjop. O ponto de mutação. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix,1995.CERVO, Amado Luiz. Metodologia Científica: para o uso de estudantesuniversitários. 3ª ed. São Paulo, MG Grow Hell do Brasil, 1983.CORTELA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento fundamentosepistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 1998._________, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento fundamentosepistemológicos e políticos. São Paulo: Cortez, 4ª ed. 2001.DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da Ciência. 2ª Ed. São Paulo: Atlas,1987.FEIRE, Paulo & SHOR, Ira. Medo e ousadia – O cotidiano do professor. Rio deJaneiro: Paz e Terra, 1986.FONTINELE, Clece. Os efeitos da mineração sobre o meio ambiente. Geologiaambiental – UFC, 2003.FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. 4ª Ed. ver. São Paulo: Morais,1980.GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar- e- aprender com sentido/Moacir Gadotti – Novo Hamburgo: Feevale, 2003.________, Moacir. Pedagogia da Terra. São Paulo: Petrópolis, 2000.GOLDEMBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer a pesquisa qualitativaem Ciências Sociais. 4ª ed. Rio de Janeiro: Recora, 2000.
  • 49GOUVEIA, M. S. F. Formar Ciências – Parâmetros teóricos-metodológicos parapesquisa no campo da formação de professores de Ciências. Documentoformulado para discussão. Campinas, 1999.GUIMARÃES. Mauro. A dimensão ambiental na Educação/ Mauro Guimarães-Campinas, SP: Papirus, 1995.LIBÂNEO, José Carlos. Didática. – São Paulo: Cortez, 1992.LIMA, Mria José de Araújo Lima. Ecologia humana. Petrópolis, RS: Vozes, 1984.LUDKE, M. & ANDRÉ, M. D. E. . A pesquisa em Educação: AbordagensQualitativa. São Paulo, EPU, 1986.MACHADO, Paulo B. e Almeida, Suzzana A. Lima. Primeiro Colóquio InternacionalQuebéc – Bahia: Formação da Pesquisa e Desenvolvimento em Educação.Salvador: EDUNEB, 2006.MARCATTO, Celso. Educação Ambiental: conceitos e princípios/ Celso Marcatto– Belo Horizonte: FEAM, 2002.MEDINA, N. M. 2002. Formação de multiplicadores para Educação Ambiental.In: A. G. Pedrini, (org.), O contato social da ciência: unindo saberes da EducaçãoAmbiental. Petrópolis, RJ, Vozes.MENDONÇA. Francisco de Assis. Geografia e meio ambiente, 8 edição. SãoPaulo.2007MICHALISZYN, Mário Sérgio. Pesquisa: orientação e normas para elaboração deprojetos, monografias e artigos científicos/ Mario Sérgio Michaliszyn, RicardoTomasini. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.MIZUKAMI, Maria da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU;1986.OLIVA. J. T. A Educação Ambiental na Escola. Texto da série EducaçãoAmbiental do Programa Salto para o Futuro, 2001. PENTEADO, H. D. Meio ambiente e formação de professores. São Paulo: Cortez,1994.REIGOTA, Marcos. Meio Ambiente e representações sociais. São Paulo: Cortez,1995.REIGOTA, Marcos. Por uma filosofia da Educação Ambiental. In: Magalhães, L.E. (coord.). A questão ambiental. São Paulo: Tarragrah, 1994ª.SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos: Rima, 2002.
  • 50SEGURA, Denise de Souza Baena. Educação Ambiental na Escola Pública: dacuriosidade ingênua à consciência crítica. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2001.SORRENTINO, Marcos. Educação Ambiental e Universidade: um estudo decaso. Tese de doutorado. São Paulo: Faculdade de Educacao – USP, 1995.
  • 51 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII CURSO – PEDAGOGIA 2003.1Estamos realizando uma pesquisa para elaboração de trabalho de conclusão decurso, cujo objetivo é identificar as percepções que os professores tem sobre suarelação com o meio ambiente e analisar como a questão ambiental está sendotrabalhada na Escola Artur Pereira Maia. Sabendo que o questionário é uminstrumento de suma importância para a análise de dados, pedimos a colaboraçãono sentido de responder as questões abaixo.Lembrando que a identidade dos sujeitos será mantida em absoluto sigilo. QuestionárioInstituição que ensina:__________________________________________________01 – Sexo( ) Masculino ( ) Feminino02 – Faixa etária( ) 20 a 25 anos ( ) 25 a 30 anos( ) 30 a 35 anos ( ) acima de 35 anos03 – Grau de escolaridade( ) Ensino Superior incompleto( ) Ensino Superior Completo. Habilitação_________________________________( ) Pós Graduação. Espcialidade________________________________________04 – Tempo de atuação como educador( ) 1 ano ( ) 2 anos( ) 3 anos ( ) mais de 4 anos
  • 5205 – O que você entende por Educação Ambiental?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________06 – Na sua compreensão as disciplinas que você leciona tem alguma relaçãocom a EA? De que forma?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________07 – Você acha que a EA deve ser trabalhada de forma interdisciplinar outransversal? Explique por que._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________08 – Nas atividades desenvolvidas em sua(s) disciplina(s), você trabalha a EA?De que forma?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________09 – Você já fez ou recebeu alguma capacitação sobre Educação Ambiental?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________10 – Você acredita que os professores estão capacitados para trabalhar a EAna interdisciplinaridade? Justifique._________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 5311 – Em sua opinião, até que ponto a EA contribui ou ajuda a melhorar asrelações entre a sociedade, a natureza e a qualidade de vida da população?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Obrigada!
  • 54Anexos